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O SR.
PRESIDENTE (Asdrubal Bentes.
PMDB – PA) – Declaro aberta a 47ª reunião da CPMI, criada pelo Requerimento nº
3, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de
denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios
(Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos).
A ata da reunião encontra-se sobre a mesa.
Coloco-a em votação, propondo a dispensa da leitura.
As Srªs e os Srs. Senadores que a aprovam queriam permanecer
sentados.
Aprovada.
Esclareço que a pauta desta reunião destina-se à oitiva do
Srª Carla Cicco, que já se encontra na Casa. Peço que a introduzam no recinto
para tomar assento à mesa.
A Srª Carla Cicco comparece a esta Comissão na condição de
testemunha, por isso já firmou termo de compromisso pelo qual compromete-se a
dizer a verdade, sob as penas da lei. Está acompanhada dos seus advogados, a
Drª Cláudia Domingues Santos e o Dr. Fernando da Veiga Guimarães.
Srª Carla, concedo-lhe a palavra para que V. Sª faça a sua
qualificação: nome, endereço, profissão e preste os esclarecimentos que julgar
convenientes. Depois passarei a palavra ao Relator para as indagações.
Tem V. Sª a palavra.
A SRª CARLA CICCO – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srªs e Srs. Deputadas e
Deputados, Senadoras e Senadores, gostaria de usar esta oportunidade para
apresentar o trabalho que fiz na BrasilTelecom e as minhas qualificações.
Meu nome é Carla
Cicco, sou italiana de nacionalidade, tenho vinte anos de experiência no setor
de telecomunicações. Desses vinte anos, passei a maioria do tempo trabalhando
fora da Itália. Em 1987, fui à China, na cidade de Tianjin, com quatorze
milhões de habitantes, fazia parte de um time de uma companhia de aparato de
telecomunicações, cujo trabalho era fazer uma transferência de tecnologia pela
produção de aparato de transmissão PCM.
Do início de 1987 ao
final de 1988, e depois a mesma companhia me ofereceu mudar para Pequim, a
capital da República Popular da China, para tomar conta e vir a ser responsável
por toda a operação comercial desta empresa. Quando tomei a operação comercial
da empresa em mercado, a presença no mercado desta empresa, a (Incompreensível.) era zero e, quando eu saí, em 1992,
tinha já 25% do mercado.
Em 1992, fui a
Londres para fazer um mestrado em London Business School. Ao final de 1993,
voltei para Pequim com a posição, como responsável pela atividade de grupo
Instituto de Reconstrução Industrial, que era na época o maior conglomerado
industrial estatal de Itália.
Ao final de 1994, fui
convidada pelo grupo Telecom Italia para assumir a posição de responsável pela (Incompreensível.). Durante esse prazo, por quatro anos,
participei de várias licitações, de várias aquisições em muitos lugares do
mundo: Tailândia, Malásia, especificamente na Índia contribui, participei do
desenvolvimento da operadora de celular Airtel, que hoje é considerada a maior
operadora na Índia de celular.
Fui
responsável também pela aquisição e pelo desenvolvimento de uma operação
celular na República Tcheca e, durante esse prazo, fui diretora no conselho de
oito empresas do grupo.
Em 1996, me
ofereceram para vir ao Brasil para liderar o processo de privatização... Não.
Da participação de Telecom Itália no processo de privatização da CRT, operadora
do Rio Grande do Sul.
Em 1997, em seguida,
liderei a presença da Telecom Itália na licitação pela Banda B, na telefonia
celular. A Telecom Itália participou dessa licitação com um consórcio formado
com Globo, Bradesco e Vicunha. Esse consórcio comprou duas licenças: uma
licença para desenvolver a operação celular no Estado da Bahia e uma licença
para desenvolver a operação celular no Estado de Minas Gerais.
Em
seguida, liderei a participação da Telecom Itália no processo de privatização
da Telebrás. A Telecom Itália participou desse processo através de três consórcios.
Um consórcio era, com Globo e Bradesco, pela participação na possível compra da
Telesp; um consórcio – sempre com Globo e Bradesco – era pela aquisição de
licença celular de Banda A; e um consórcio, que foi formado com o grupo
CVC/Opportunity e fundos de pensão, pela participação da possível compra de
outra licença de rede fixa, Telemar ou Tele Centro Sul, que hoje é
BrasilTelecom.
Durante
o período de tempo em que trabalhei para Telecom Itália, trouxe, na realidade,
para o Brasil, afinal, US$2 bilhões de investimento. Mesmo depois eu saí do...
Quando eu saí da Telecom Itália... Hoje, a Telecom Itália, baseada em seus
primeiros investimentos de US$2 bilhões, acho que hoje investiu mais de US$6
bilhões no Brasil. Então, US$2 bilhões foram a base para ulteriores mais US$4
bilhões de investimento.
Ao
final do ano de 1998, sai da Telecom Itália. A razão foi que a Telecom Itália
estava em um processo de mudança de controle – em dois anos houve três mudanças
de controle. E, em 1999, no primeiro trimestre, o Dr. Arthur Carvalho, um dos
sócios do CVC/Opportunity, ofereceu-me o cargo de consultora da Citigroup
Venture Capital/Opportunity, para dar consultoria sobre avaliação de
oportunidade no setor de telecomunicações. Era nos anos em que as
telecomunicações eram um setor muito dinâmico, em que se apresentavam muitas
oportunidades, então, era muito importante fazer uma avaliação profunda e
detalhada das oportunidades.
Em
fevereiro de 2001, fui eleita, pelo Conselho de Administração da BrasilTelecom,
a Presidente da BrasilTelecom S.A., posição que mantive até 30 de setembro
passado.
Durante
a gestão da BrasilTelecom, a administração da Brasil Telcom fez muitas mudanças
na empresa. A BrasilTelecom passou a ser uma empresa de mercado, uma empresa
focalizada no seu cliente, focalizada nos seus serviços; foi uma empresa que
fez a mais importante inovação tecnológica no País.
Do ponto de vista de
tecnologia de informações, a BrasilTelecom é considerada uma das companhias
mais avançada do mundo no setor. Além disso, vários resultados financeiros
mostram como a BrasilTelecom melhorou nesses quatro anos e meio. A receita
líquida, em 2001, era de R$6,2 bilhões; quando sai da empresa, era de R$9,8
bilhões. Então, com uma variação positiva, um aumento positivo de 59%. O lucro
operacional, em 2001, era de R$2,6 bilhões. No terceiro trimestre de 2005, era
de R$3,5 bilhões, então, com uma variação positiva de 29%. A caixa da
BrasilTelecom, em 2001, foi de R$331 milhões. No terceiro trimestre de 2005,
era de R$2,3 bilhões. Então, houve uma variação positiva de 610%. Além disso,
durante esse prazo de tempo, foram investidos R$11 bilhões, foram pagos R$15,6
bilhões em impostos e os dividendos que a BrasilTelecom S.A. pagou a seus
acionistas chegaram a R$1,2 bilhões entre 2001 e final de 2004.
As linhas instaladas
da BrasilTelecom chegaram a ser mais de 10 bilhões e linhas e serviços 9,7
milhões. Durante esse prazo, várias conquistas foram feitas: a universalização
das metas da Anatel, a entrada no setor de longa distância nacional e internacional,
a entrada na telefonia celular.
Quando
a BrasilTelecom, no final de setembro de 2004, entrou no celular, foi a
primeira empresa no mundo a entrar com a convergência. O que isso significa? A
possibilidade de oferecer produto através do fixo ou do celular.
A BrasilTelecom
Celular foi considerada a melhor start up, da quarta operadora do mundo.
Depois de um ano de operação, a BrasilTelecom Celular tinha uma penetração no
mercado de 7%, quando o segundo melhor, quarta operadora no mundo, da Dinamarca,
conseguiu somente 6%.
Além de todas essas
conquistas e desse sucesso operacional, a BrasilTelecom também se posicionou
como uma empresa transparente, sempre fazendo o melhor pelos seus acionistas.
Foi a primeira empresa, a única que, depois da privatização do Sistema
Telebrás, se listou na Bolsa de Nova Iorque. Hoje a BrasilTelecom é detentora
de ADR na Bolsa de Nova Iorque, dando, então, muito mais oportunidade a seus
investidores. Foi a primeira, até hoje a única, empresa no setor de
telecomunicações do Brasil que aderiu, desde 2002, se não erro, ao primeiro
nível de governança corporativa da Bovespa. Isso significa que a rigorosidade e
a transparência que a BrasilTelecom precisa ter na divulgação de resultado em
todas as operações são de altíssimo nível.
Além de toda essa
parte operacional, a BrasilTelecom se dedicou ao desenvolvimento de projetos
sociais, culturais e esportivos. Nos setores sociais, a BrasilTelecom se
focalizou especificamente na saúde, na educação, em projetos culturais, no
desenvolvimento da dança, do cinema e do teatro, dando muita ênfase também à
parte local de cada Estado onde a BrasilTelecom oferece serviços.
No projeto esportivo,
a BrasilTelecom veio a ser um ponto de referência para o desenvolvimento de
patrocínios. Hoje a BrasilTelecom patrocina 167 atletas. O ano passado, nos
Jogos Olímpicos de Atenas, a BrasilTelecom teve uma apresentação de atletas que
representava 10% da delegação brasileira, incluindo atletas que participaram da
Paraolimpíada e que ganharam duas medalhas. Entre os atletas que a
BrasilTelecom patrocina estão: Roberto Scheidt, que, como todos sabem, é
pentacampeão de vela. Estou particularmente orgulhosa de a BrasilTelecom ter
patrocinado e estar patrocinando a Daiane dos Santos. Ela foi a primeira atleta
que a BrasilTelecom decidiu patrocinar. Eu, pessoalmente, escolhi a Daiane,
pois, tenho um carinho particular por ela e sou muito orgulhosa porque a
BrasilTelecom lhe deu a possibilidade de desenvolver seu talento e vir a ser um
orgulho nacional.
Todos esses
resultados não poderiam ser conseguidos, se não fosse pelo trabalho que todos
os 100.300 funcionários da BrasilTelecom fizeram. Na realidade, eu era a
diretora da orquestra, mas quem tocava cada instrumento eram os funcionários.
Então, o mérito desse resultado é dos funcionários da BrasilTelecom, de todos
eles.
Antes de desenvolver
a palavra, Sr. Presidente, gostaria de fazer uma ressalva. Contra parecer de
alguns dos meus consultores, eu decidi vir aqui sem tradutor, mas,
evidentemente, o português não é o meu primeiro idioma e, de vez em quando, em
sendo italiana, troco alguma palavra. Então, vou pedir desculpa já, se, diante
desta Comissão, eu usar uma palavra inadequada, especialmente se, no lugar de
V. Exªs, ou senhor ou senhora, eu usar você. Infelizmente, em italiano, você é
muito educado, o que não acontece no português. Também peço desculpa, se pedir
a vocês, de vez em quando, que repitam suas perguntas, se não forem claras, ou
se vou pedir auxílio da minha assessora. Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA.) – Esta Presidência agradece a
V. Sª, entende perfeitamente a dificuldade e tenho certeza de que todos nós
estaremos atentos para entender o portuliano de V. Sª.
Passo a palavra ao
nosso Relator, que é oriundi.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Parlamentares, Srª Cicco, aqui está um oriundi e, por sinal, já advirto
o Plenário que sur é sobre, para não interpretá-lo como sendo seu.
Quando ela fala sur é sobre, para quem imediatamente ouve, como acabei
de ouvir, pode trazer um equívoco na tradução como se estivesse falando em
relação a um possessivo. Então, sur serviço, é “sobre serviço”, não “seu
serviço”. Já que V. Sª fez doutorado na London School, vou chamá-la de Drª de
Cicco, acho melhor do que Dona Cicco.
Drª de Cicco, na
verdade, temos alguns pontos que são fulcrais para o nosso esclarecimento, daí
a convocação de V. Sª. Isso está relacionado essencialmente aos assuntos que
dizem respeito às interligações, à mercancia, aos serviços prestados pelo grupo
Marcos Valério em relação às empresas que, de alguma forma, eram direta ou
indiretamente administradas por V. Sª e os fundos de pensão, que, inclusive,
vou convidar o nosso sub-relator, tão logo ele aqui venha para que tome assento
à mesa – o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto. Então, de certo modo,
algumas questões que iremos formular podem aparentar ser um pouco distantes,
mas têm uma razão de ser. Precisamos saber exatamente qual o relacionamento
existente entre o Grupo Opportunity com os fundos de pensão e com o grupo
Marcos Valério.
Então, retomando esse
esclarecimento e aproveitando uma expressão de que V. Sª se valeu de que a
BrasilTelecom sempre teve a transparência como algo em alto nível, é dessa
transparência que precisamos agora em relação ao seguinte: num primeiro
momento, V. Sª trabalhava para a Telecom Italia. O seu ingresso, como V. Sª
disse, foi através de Carvalho, um sócio do Opportunity.
Onde entra o Daniel
Dantas na participação conjunta do Carvalho em relação à sua contratação pelo
Opportunity? Em que condições V. Sª conheceu Daniel Dantas? Em que condições V.
Sª passou a prestar serviços a Daniel Dantas? E aí vem o problema da
transparência: qual era a remuneração que V. Sª vinha percebendo em uma empresa
e qual foi a remuneração que passou a receber a partir do momento em que passou
a exercer cargos junto ao grupo Daniel Dantas?
Só para esclarecer
aos presentes, e V. Sª, por certo, também já deve ter noção, dizem que V. Sª é
mais que mera Presidenta desse grupo e que, de alguma forma, seria a presença
do Daniel Dantas, não só no que se refere à remuneração de serviços, mas também
no que se refere aos altos pagamentos, às altas retiradas, que, de qualquer
modo, beneficiavam o grupo Opportunty e, segundo a nossa visão, prejudicariam
os fundos, que seriam co-partícipes nessa sociedade.
Portanto, qual a
remuneração que V. Sª percebia nessa ocasião e depois, junto ao grupo
Opportunity e BrasilTelecom?
Lamento dizer que
estou lendo, no seu termo de compromisso, que se qualificou como atualmente
desempregada.
A SRª CARLA CICCO – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É uma desempregada altamente
qualificada.
A SRª CARLA CICCO – Obrigada.
Meu primeiro encontro
com o Sr. Daniel Dantas foi em fevereiro de 1998. Na época, eu era a
responsável pela formação de consórcios para a Telecom Itália.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Quero aproveitar para convidar o Deputado ACM Neto para tomar
assento à mesa, como Sub-Relator dos fundos de pensão, pois esse é um dos assuntos
que estamos investigando na CPMI.
A SRª CARLA CICCO – Mas, na realidade, desde esse momento, a minha interface
no grupo Opportunity foi sempre o Dr. Artur Carvalho, que era o responsável
operacional da CVC/Opportunity pela privatização. A minha convivência foi
sempre com o Dr. Artur Carvalho, que foi a pessoa que, depois, me convidou para
dar esse tipo de consultoria à CVC/Opportunity.
Sinceramente, não me
lembro quanto era a minha remuneração quando fui consultada...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem aproximadamente?
A SRª CARLA CICCO – Mas era uma remuneração de consultoria, que é claramente
um trabalho completamente diferente da atividade e da responsabilidade que você
assume, por exemplo, quando assume um cargo de presidente de uma companhia do
tamanho da BrasilTelecom.
A BrasilTelecom, como
já falei, é uma companhia listada na Bolsa de New York e na Bolsa de São
Paulo. Então, os requisitos de transparência são muito rigorosos. Além disso,
qualquer ato que a BrasilTelecom possa ter cumprido, eu posso ser julgada
penalmente. Então, V. Sª pode entender o particular conservadorismo que sempre
mantive durante a administração. Pelo menos o que eu sei.
Com certeza, a minha
postura, durante o tempo em que estive na Presidência da BrasilTelecom, foi
sempre absolutamente dentro dos limites da lei e sempre agi de acordo com os
melhores interesses da companhia.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V.Sª se reporta ao
Carvalho, qual era a participação dele em relação ao Opportunity e ao Daniel
Dantas? Como era a formação societária do grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Não sei. Sinceramente, não sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª não sabe qual é a
formação societária do Grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Não, não sei. Sinceramente, não sei. Eu sei que Grupo CVC
é Grupo City Venture Capital/Grupo Opportunity, mas todos da cadeia acima, não,
não sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quer dizer, V. Sª não sabe o
que significava o Carvalho na composição,
quando a convidou.
A SRª CARLA CICCO – Não. O Dr. Arthur Carvalho é um sócio
da CVC Opportunity, mas não era sinceramente do meu interesse. Eu sabia o que
era a CVC Opportunity – City Venture Capital, mas não me interessava saber quem
estava acima da cadeia.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Parece estranho para alguém
da inteligência de V. Sª não se interessar pela formação societária de quem a
convidou inicialmente a ingressar nessa cadeia, no bom sentido, nesse grupo,
nessa composição societária.
De
qualquer modo, já que V. Sª fala tanto em transparência, há uma notícia de que
V. Sª teria interferido para que algumas informações relacionadas à
BrasilTelecom não chegassem ao novo Grupo da BrasilTelecom, que assumiu agora,
recentemente, em virtude da saída do Opportunity. O que V. Sª tem a dizer sobre
isso?
A SRª CARLA CICCO – Eu não sei sobre qual informação você se está referindo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu me reporto a documentos
que V. Sª teria retirado. Eu lhe trago informações que colhemos, evidentemente,
através da imprensa, mas que V. Sª nunca acionou ninguém em relação a isso, nem
interpelou, porquanto admitimos como sendo uma verdade, que V. Sª,
eventualmente, pode até contestar, mas V. Sª teria criado dificuldades a essa
nova direção da BrasilTelecom, para que tivesse acesso à plenitude dos
documentos relacionados à sua administração. Não sabe sobre essa questão?
A SRª CARLA CICCO – Não é absolutamente verdade. Não sei se você se está
referindo a alguma coisa específica, mas a documentação está toda à disposição
da empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Da Kroll?
A SRª CARLA CICCO – Referimento da Kroll sobre a sugestão dos meus advogados
para uma questão técnica, me auxiliaram que especificamente alguma documentação
da Kroll fosse mantida sob segredo de justiça. Como você sabe, está em curso um
processo em São Paulo, e meus advogados me avisaram isso. Então, não existe
outra razão para isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, independentemente de
estar sob segredo de justiça ou não, é uma outra coisa que estamos
questionando. V. Sª há de convir que a BrasilTelecom não pode ter cerceamento.
A atual administração não pode ficar impedida de ter acesso a informações a
título de que elas estejam sob segredo de justiça, porque ela é a titular da
relação jurídica.
A SRª CARLA CICCO – Concordo plenamente com você, mas acho que a atual
administração da BrasilTelecom poderia ter contatado os meus advogados e
esclarecer esse assunto sob um ponto de vista técnico.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse fato de que V. Sª teria
interferido para que as informações não chegassem à nova direção é falso ou
verdadeiro?
A SRª CARLA CICCO – Sob sugestão dos meus advogados, mandei uma carta –
agora, não me lembro do teor, porque sinceramente não tenho cópia -, na qual
estava pedindo discrição na divulgação desse documento. Como já falei, não sou
advogada. Eu acho que precisa ser pedido aos meus advogados... Por outro lado,
a administração da BrasilTelecom pode contatar os meus advogados e esclarecer
esse assunto. Acho que os meus advogados com os outros advogados vão esclarecer
isso muito rapidamente. Não existe nenhuma outra razão além disso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Existem pessoas...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Relator, o senhor está se referindo a um
e-mail que a D. Carla Cicco teria enviado à Kroll?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Exato.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não à BrasilTelecom, mas à Kroll, sugerindo
que ela não oferecesse informações?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aos novos dirigentes da
BrasilTelecom.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E as respostas que foram compiladas ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É essa a questão que
levantei, inclusive está hoje na mídia. Não sei se V. Sª teve acesso hoje à Folha
de S. Paulo.
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Está até a resposta da Kroll, traduzida, no sentido de
que ela adverte V. Sª de que ela, a Kroll, não pode se opor a informar aos
novos titulares. Só que adianta, porque, por enquanto, V. Sª foi excessivamente
cautelosa, porque, até agora, os novos titulares sequer solicitaram essa
informação.
Mas a verdade é que, em torno desse episódio da Kroll,
existem várias nuanças que gostaríamos que fossem esclarecidas. E, de certo
modo, V. Sª está sob compromisso também de dizer a verdade. E nós, aqui, somos
uma instância de investigação, temos os mesmos poderes do juiz enquanto
investigadores. E, nesse contexto, temos informações sobre alguma coisa
relacionada a essa interceptação, essa arapongagem relacionada aos trabalhos
que teriam sido contratados sob os auspícios de V. Sª.
A pergunta é: V. Sª contratou a Kroll como presidente ou
diretora de alguma instituição? Se contratou, com qual objetivo? Quanto foi a
remuneração da Kroll? E se está havendo e se prossegue havendo desentendimento
com a Kroll em relação a serviços ainda não remunerados. E, nessas
interceptações, teria havido referência ao então Ministro Gushiken? Teria
havido alguma referência a um jornalista, o Paulo Henrique Amorim?
Por enquanto, gostaria que respondesse essas questões.
A SRª CARLA CICCO – A Kroll, que é uma empresa em nível
internacional, listada na Bolsa de New York, no ano passado, foi adquirida pelo
Grupo Marcha, o maior grupo de seguro do mundo. Fui contratada da administração
da BrasilTelecom, sob sugestão dos advogados americanos. E, no momento, havia
desentendimento e conflito entre a BrasilTelecom e a Telecom Itália, em nível
comercial.
Na época, a Telecom Itália estava se opondo a que a
BrasilTelecom entrasse na telefonia celular, estava se opondo que a
BrasilTelecom entrasse na longa distância. Existe um (Incompreensível.)
muito grande. Então, a BrasilTelecom estava tentando todas as ações para poder
proteger os interesses dos investidores da BrasilTelecom.
A BrasilTelecom, quero lembrar a V. Exªs, é uma
companhia aberta (Incompreensível.) do valor econômico da BrasilTelecom (Incompreensível.)
no mercado. Em várias oportunidades, a BrasilTelecom recebeu carta dos
acionistas minoritários pedindo que a administração defendesse os interesses
deles. E não entrar na telefonia celular era um fato que poderia afetar muito o
valor das ações.
Quero lembrar a V. Sªs que, um dia depois da
primeira rodada de licitação para licença de serviço de GSM, quando a
BrasilTelecom foi impedida de participar, os valores das ações da BrasilTelecom
caíram de 5.75% em menos de um dia. Então, era muito importante que a
BrasilTelecom, que a administração tomasse qualquer providência, nos limites
legais. Uma das idéias que surgiram foi ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela foi impedida por quê? Qual a razão?
A SRª CARLA CICCO – A razão foi que, segundo a Lei
Nacional de Telecomunicações, era impossível que o mesmo grupo tivesse o
controle de duas empresas que prestem serviço na mesma região. No caso
específico, a Telecom Itália, a parte tinha controle da Tim e era em posição de
controle da BrasilTelecom na área dois. Na área um da BrasilTelecom, oferecia,
na época, somente serviços fixos, ou seja, locais e interestaduais.
A participação da Tim
e da BrasilTelecom excluía um ou outro. Na época, eu ainda não era Presidente
da BrasilTelecom, se, na história, há algum fato que não atinge a realidade, é
porque não me lembro dos fatos, pois assumi logo depois. Mas eu me lembro de
que já se disse que a BrasilTelecom ofereceu também à Tim de fazer uma
participação conjunta.
Quando a
BrasilTelecom levou ao Conselho de Administração a proposta de participação,
foram incluídas, na aprovação, pela administração da Brasil Telecom de
participação, algumas condições financeiras especificadamente de tal tamanho
que a administração da BrasilTelecom se sentiu praticamente impedida de poder
participar.
Então, um dia depois
do leilão, foi evidente que o grupo Telemar tinha participado, através de sua
companhia Oi e tinha ganhado a licença. A Telefônica já era participante
através do consórcio do Grupo Vivo. A BrasilTelecom ficou a única companhia de
rede fixa, sem operação de celular.
O mercado considerou
isso muito grave, porque, como se estava em desenvolvimento o mercado de
telecomunicações, onde a telefonia fixa local (Incompreensível.) ter
sempre menos interesse, se estava perdendo receita, era necessário, para
qualquer operadora de rede fixa tradicional, como a Brasil Telecom, a Telemar,
a Telefônica ou qualquer outra operadora internacional, a mesma Telecom Itália,
por exemplo, tentar adquirir uma plataforma tecnológica para dar a
possibilidade de oferecer serviços de telecomunicações integrados.
Hoje, fala-se muito
de soluções integradas, fala-se muito de voz sobre AIP de banda larga. Em
realidade, hoje, é muito difícil distinguir a conectividade, seja através de
celular, seja através da rede fixa. É como se fosse uma rodovia, e coisa é ter
o produto e conteúdo. Este, em realidade, é o carro. Então, é inútil ter uma
rodovia, se você não tem o carro.
Então, a necessidade
de se ter essa plataforma ampla era fundamental para a BrasilTelecom. Tanto
que, quando, no ano passado, a BrasilTelecom entrou no mercado de celular,
adotando a convergência – desculpe-me se vou repetir essa parte, mas ela é
muito importante –, o que significa isso? A possibilidade de oferecer ao mesmo
cliente o produto e, através do celular (Incompreensível.) da rede fixa (Incompreensível.).
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – É importante voltar. Qual o objetivo específico da
contratação da Kroll?
A SRª CARLA CICCO – Então, você sabe, porque foi divulgado muito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Suspeitavam do quê?
A SRª CARLA CICCO – Foi divulgado muito amplamente. A Telecom Itália, no
passado, fez alguns atos, que iam contra os interesses da BrasilTelecom. Temos
um fato, por exemplo, do superfaturamento da CRT em 2000 e, depois, o fato de
que a Telecom Itália sempre se opôs ao desenvolvimento pessoal da Brasil
Telecom, na época nos interesses dos membros, achamos, da subsidiária da
Telecom Itália/Tim.
Então, pensamos em
entrar com uma ação no exterior. Considerando que a Telecom Itália é uma
companhia estrangeira, a gente estava olhando uma oportunidade de poder mover
uma ação ou na Itália, ou nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, é
prática comum contratar empresas tipo a Kroll para fazer levantamento de
informações; e foi esta a razão por que a administração da BrasilTelecom
contratou a Kroll para fazer levantamento sobre a Telecom Itália. Este foi o
mandato e este foi o escopo do trabalho da Kroll.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nessa época, V. Sª estava na
BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – Claro, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De certo modo, atua contra a empresa na qual
anteriormente estava trabalhando?
A SRª CARLA CICCO – Não. Eu não atuei contra a empresa na qual estava
trabalhando porque não existia... O fato é que, como eu já expliquei, uma das
razões pela quais eu saí da Telecom Itália era porque estava havendo muitas
mudanças de controle, e eu não me sentia mais confortável em trabalhar na Telecom
Itália. A Telecom Itália, do Dr. Colanino, por exemplo, que foi “a Telecom
Itália” que participou do (Incompreensível.) da CRT não era a Telecom Itália (Incompreensível.) comprado. Na realidade, empresa não é
nome, são pessoas. A mesma empresa muda dependendo de como mudam as pessoas.
Muda a estratégia, muda a ética, muda a operacionalidade. São pessoas, não é
nome.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A ética tem momentos e,
segundo determinadas pessoas, na condição de empresa, qual a ética que V. Sª
entende que tenha havido quando interceptaram gravações e conversas até de
jornalistas brasileiros, como Paulo Amorim? Nós recebemos, na CPMI, dados em
que em a senhora teria, pelo menos é o que nos informa – e ele tem acesso, pois
ele é uma das vítimas, num processo em que V. Sª está sendo co-responsabilizada
com Daniel Dantas, até em relação a salários da filha dele...
A SRª CARLA CICCO – Olha, eu nunca na minha vida encontrei, conheci, nem
soube da existência desse Sr. Paulo Henrique Amorim senão quando foi publicado
na imprensa e nos atos do processo. Então, não posso comentar nada porque eu
nunca encontrei esse senhor. Não sei nem que é que é, sinceramente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele é um jornalista muito conceituado. Ele não
poderia estar sendo, eventualmente, atemorizado diante de certas manifestações
dele na imprensa e daí, por via transversa, se começar a falar de família. É o
que ele sente.
A SRª CARLA CICCO – Eu posso assegurar ao senhor que nunca ouvi falar em
Paulo Henrique Amorim. Eu nunca li um artigo ou uma matéria dele, então...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aí V. Sª... eu acho que está...Não posso crer
que V. Sª esteja falando a verdade, porque, neste País, alguém do nível de V.
Sª, na área econômica, dizer que nunca ouviu falar de Paulo Henrique Amorim?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É, de alguma forma, algo que começa a fazer
com que a gente comece a duvidar de outras afirmações que V. Sª possa dizer.
Não há neste País quem não saiba do jornalista Paulo Henrique Amorim, na área
econômica.
A SRª CARLA CICCO – Olha, aceito o fato de o senhor me ter como ignorante,
mas é o que posso falar, neste momento, referindo-me ao Sr. Paulo Henrique
Amorim. Eu não conheço esse senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguém da mídia, altamente
conceituado, diariamente visto, e V. Sª nunca ouviu falar de Paulo Henrique
Amorim?!
A SRª CARLA CICCO – Não, até quando surgiu este assunto.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E, por sinal, é alguém que,
como eu disse, assuntos relacionados à família dele constam dessas
interceptações que aconteceram através da
Kroll. V. Sª não sabe nada disso?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu ainda não... Eu queria
anotar e terminei não verificando. Eu acho que V. Sª não disse qual era a
remuneração sua enquanto Presidente da BrasilTelecom.
A SRª CARLA CICCO – Olha, eu preferirei não falar da minha remuneração, que
foi aprovada pelo conselho da administração, era absolutamente em linha com o
mercado, por uma razão de segurança...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª disponibilizaria,
ainda que sob sigilo?
A SRª CARLA CICCO – Posso disponibilizar sob sigilo para vocês sem problema,
mas gostaria que não fosse divulgado nacionalmente.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, tudo bem. De qualquer modo, trata-se de uma
concessionária, e V. Sª mesma disse que 80% dela são de acionistas minoritários,
portanto, todos nós temos o direito de saber qual é. Mas também dou razão a V.
Sª que não deva anunciá-lo.
A SRª CARLA CICCO – Mas, como eu gostaria de
reiterar, não tem problema e, além disso, foi sempre aprovada pelo conselho de
administração, auditada.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Mas
V. Sª acha que há uma diferença meio expressiva, que é o que se diz, em relação
ao que estaria recebendo na BrasilTelecom, comparativamente à sua remuneração
precedente?
A SRª CARLA CICCO – Olha, não posso fazer
nenhum comentário sobre isso, porque eu não sei quais são os critérios de
remuneração que se estão aplicando, hoje, na BrasilTelecom. Na realidade...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V.
Sª não poderia ter sido cooptada pelo Grupo Opportunity, tirando da Telecom
Itália, trazendo internamente para, daí, através de uma alta remuneração... Se
houver, com certeza, estará registrado.
A SRª CARLA CICCO – Não. Fui contratada,
primeiro, como consultora na CVC Opportunity e, depois, me ofereceram, me
elegeram Presidente da BrasilTelecom, do conselho de administração, presumo,
baseados na minha vasta experiência. E os resultados da BrasilTelecom, durante
minha administração, são uma demonstração dessa experiência, que não é somente
uma experiência operacional, uma capacidade de liderança, é uma visão no setor
de telecomunicações.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) –
Agora, percebi e anotei esses dados, que, realmente, são expressivos, mas por
que a insatisfação do grupo em relação a essa administração que era tão superavitária,
tão lucrativa? O que se tem visto é que, ao longo do tempo, havia um
desencontro interno dos sócios. Por que essa briga toda se ela estava sendo tão
lucrativa? O que há por trás disso?
A SRª CARLA CICCO – Você está me perguntando
que eu comente ou tenha uma opinião sobre por que grupos controladores estavam
brigando pela BrasilTelecom. Eu não posso, não sou (Incompreensível.) de comentar ou de dar
opinião sobre por que estavam brigando. Eu posso comentar o fato de que,
sempre, na minha função de Presidente, eu, na minha administração, fiz sempre
tudo no interesse da BrasilTelecom. Além disso, o fato de que essa
administração conseguiu esses resultados, parte dos quais já compartilhei com
V. Exªs, mesmo com essa tempestade em nível de controladora, eu acho que mostra
o profissionalismo da administração.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) –
Vamos ver se consigo, talvez, que V. Sª nos esclareça por que, reiteradamente,
havia questionamento da administração do Opportunity. V. Sª disse que isso é um
problema de briga de grupos, mas estou falando por 80%, se é que ouvi bem o que
V. Sª disse, daqueles que estão fora, assistindo, vendo grupos brigando e eles
precisam saber por quê. O que havia, de fato, em relação à administração de
Daniel Dantas?
A SRª CARLA CICCO
– Na realidade, os acionistas minoritários, através da associação deles, a
Animec, que é a associação dos acionistas minoritários, baseada em São Paulo,
em várias oportunidades mandaram carta para a BrasilTelecom perguntando sobre
outros sócios. Nunca recebi uma carta da parte dos acionistas minoritários
questionando o posicionamento do Grupo Opportunity a respeito da BrasilTelecom,
mas recebi cartas perguntando o posicionamento... Por exemplo, uma carta que me
lembro, foi de fevereiro de 2001, logo depois da licitação pela licença da GSM,
quando, como já expliquei a V. Exª a Telecom Itália participou de modo
independente da Norte Telecom Itália... a TIM, que era subsidiária da Telecom
Itália, participou de modo independente, impedindo, de certo modo, a
participação da BrasilTelecom. As ações da BrasilTelecom S.A.
caíram 5,75%. Claro que é um fato muito grave para os acionistas minoritários –
para todo mundo, mas mais para os acionistas minoritários – a perda de valores.
Mandaram uma carta perguntando e questionando por que a Telecom Itália tinha
pedido a participação da BrasilTelecom.
Em outra ação de que me lembro, e foram várias nesse período
de tempo, em janeiro de 2004, fui à Animec, a Associação de Acionistas
Minoritários, que entrou com um pedido de liminar no Cade quando a Telecom
Itália queria voltar ao grupo de controle do BrasilTelecom e, desse modo,
poderia influenciar e (Incompreensível.) operações de celulares de longa distância da BrasilTelecom.
Então, na realidade, pelo que me lembro, nunca recebi, como presidente da
companhia, uma carta dos acionistas minoritários questionando o Grupo
Opportunity, mas recebi uma carta questionando outros controladores da
BrasilTelecom.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E
que tipo de questionamento foi feito?
A SRª CARLA CICCO – É aquilo que falei. Eram sempre
questionamentos operacionais. O problema foi que, por um prazo, a Telecom
Itália, com o suporte do fundo de pensão, tentou impedir o desenvolvimento
tecnológico e de presença de mercado da BrasilTelecom.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V.
Sª está dizendo que a Telecom Itália e os fundos de pensão estavam dificultando
o desenvolvimento tecnológico da BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – Sim, porque quando se impede
uma companhia como a BrasilTelecom de entrar, por exemplo, no setor de celular,
é impedir o crescimento da BrasilTelecom.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Haveria alguma razão perceptível para os fundos de pensão assim procederem?
A SRª CARLA CICCO – Não sei os fundos de pensão,
mas o fato é que vários posicionamentos deles no conselho...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Quem seria favorecido com isso?
A SRª CARLA CICCO – Eu acho que esse relacionamento
eventual entre a Telecom Itália e os fundos de pensão precisa ser investigado.
Estou-me baseando nos fatos. Durante os conselhos de administração, várias
vezes os fundos de pensão tomaram a mesma decisão, ou se alinharam com a
decisão da Telecom Itália. Então, estou fazendo, simplesmente, uma extrapolação
baseada em seus comportamentos durante esses eventos. Eu não sei sobre o
relacionamento das duas partes na época.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V.
Sª percebeu, alguma vez, alguma interferência ou tentativa de interferência dos
fundos de pensão por razões políticas, ou seja, por alguma decisão de Governo?
Os fundos de pensão agindo de uma forma ou de outra e se dizendo orientados
pelo Governo?
A SRª CARLA CICCO – Não posso afirmar isso porque
não tenho essa percepção.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V.
Sª participou da compra da CRT?
A SRª CARLA CICCO – Não com a BrasilTelecom. Não
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Estava onde, nesse período?
A SRª CARLA CICCO – Nesse período, eu já estava na
CVC Opportunity.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V.
Sª qualificou como algumas coisa que não deveria ter acontecido.
A SRª CARLA CICCO – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Esclareça ao Plenário todo o processo, onde V. Sª participou, quem participou,
por que sim, por que não, enfim, por que essa operação se deu apesar da
“resistência” do Grupo Opportunity.
A SRª CARLA CICCO – Quando a Telefônica, em 1996,
participou da primeira parte de privatização da CRT – estamos falando quando o
Governo do Estado do Sul colocou à venda 31%, se não me engano, da CRT –, esses
31%, mesmo não dando um controle societário, em termos de ações, era
acompanhado do controle dos (Incompreensível.), o que dava a possibilidade de a Telefônica
administrar a companhia.
Depois, se não me
engano, em maio de 1998, o Governo do Rio Grande do Sul colocou em licitação
mais 20%. A Telefônica comprou, também, então, além de ela ter o controle
acionista, também ganhou do ponto de vista de ações o controle da companhia.
Quando fui iniciar a
licitação do Sistema Telebrás, uma das regras era que os mesmos controladores
não poderiam ter participações em mais de uma concessionária e que, no caso da
CRT, se houvesse um mesmo controlador presente em mais de duas, deveria sair da
CRT. No caso específico, a Telefônica comprou a Telesp, então, a Anatel deu 18
meses para a Telefônica dispor da parte de rede fixa da CRT. A CRT, na época,
era banda celular, banda A e fixa. Então, a Telefônica dividiu as duas
operações, ficou com a operação de celular e, no final, acho que em novembro ou
dezembro – as datas são de há muito tempo – de 1999, colocou à venda a CRT.
Sempre, no edital de
privatização – se lembro certo –, era também esclarecido que a CRT poderia ser
adquirida somente das empresas que tinham a proximidade geográfica. Então, no
caso específico da CRT, quem poderiam ser os possíveis compradores da CRT? A
BrasilTelecom, que, é óbvio, geograficamente é perfeita, a CTBC e a Sercomtel,
dois pequenos operadores que não fazem parte do Sistema Telebrás. A CTBC é uma
operadora privada e a Sercomtel é...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Londrina.
A SRª CARLA CICCO – ...da Prefeitura de Londrina.
Como eram
considerados o tamanho da CRT, comparado com o da CTBC em Londrina, e também o preço
de compra que a Telefônica estava pedindo, era quase natural que o único
comprador poderia ser a BrasilTelecom.
A BrasilTelecom, a
posição clara da CRT, era importante por duas razões: primeiro, porque
completava geograficamente a área e, segundo, porque sempre – agora não lembro
se era pelo edital ou pela Lei Geral de Telecomunicações, faço um pouco de
confusão, desculpe-me –, pelas regras da Anatel, do setor, existiam, como
sabem, metas de universalização. Essas metas foram estabelecidas pela Anatel a
partir de 1998, por cinco anos, mas também era facultado a qualquer operadora
antecipar o cumprimento dessas metas em qualquer ano, a partir do final de
2001.
Existia sempre outra
regra que falava o seguinte: para a Anatel poder certificar o cumprimento das
metas de uma operadora, era necessário que também os outros operadores que
operavam na mesma área tivessem cumprido as metas. A BrasilTelecom, que, na
época, estava olhando para expandir-se em celular e longa distância, era
propensa a fazer esse programa de antecipação de metas, mas era importante
também ter a CRT. Por quê? Porque a CRT poderia impedir, também, esse
cumprimento de metas e, então, era a possibilidade de se expandir em outros
mercados.
Na realidade, a minha
participação no processo da CRT foi que, em nível do conselho de administração
da BrasilTelecom, foi decidido dar um suporte, em nível de sócio, pela
administração da BrasilTelecom, nesse processo de venda. Então, foi nomeada,
pelo lado da Telecom Itália, que era um dos sócios, a responsável pela operação
internacional, na época, da Telecom Itália, a Srª Nobile, e do lado da CVC
Opportunity, eu fui nomeada como responsável por acompanhar o trabalho, não (Incompreensível.). Fui contratada pela BrasilTelecom,
fui contratada lá, fui contratada dos Bancos Salomon
Brother’s, Smith Barney, para dar assessoria financeira e fazer uma
avaliação de quanto poderia ser cotado o valor da companhia a oferecer ao
vendedor, à Telefônica, e todo o processo de avaliação operacional da CRT foi
feito dados técnicos da Telecom Itália. Eu acho que isso aqui foi uma coisa
natural de acontecer. Por quê? Como eu já falei, a Telecom Itália participou do
processo de privatização da CRT, em 1996, e eu estava lá, então, os técnicos
que participaram dessa primeira avaliação – lembro-me, teve um grupo muito
grande da Telecom Itália...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eles avaliaram em quanto?
A SRª CARLA CICO – Fizeram a avaliação do negócio. Na época, 1996, não me
lembro, mas acredito que a proposta feita – eu havia falado em 31%, mas, na
realidade, são 35% – pela BrasilTelecom Itália foi de US$500 e poucos milhões e
a Telefônica entrou com US$4 milhões a mais. Então, foram duas propostas muito
apertadas. Mas, o valor variava entre 500 e 600 – não me lembro exatamente,
isso foi há muito tempo, há mais de dez anos. Então, foi feito uma avaliação, o
Grupo Salomon, o Banco Salomon, que era responsável por fazer uma proposta de
preço, a fez a BrasilTelecom, que dava de US$550 milhões a US$730 milhões. Essa
proposta foi passada ao Conselho, que a aprovou e autorizou a administração da
BrasilTelecom a começar as negociações com a Telefônica. Era uma situação muito
– eu acho – confortável para a BrasilTelecom. Por quê? Porque era praticamente
a única compradora e a Telefônica era obrigada a vender. Então, poucas vezes na
minha vida de aquisições presenciei uma situação tão confortável para um
comprador: alguém é obrigado a vender e há apenas um comprador. Então, na
realidade, a expectativa é que se chegasse a um valor bem mais favorável a
BrasilTelecom do que a favor da Telefônica. Iniciou-se a negociação com a
Telefônica. Eu sei que a Telefônica recusou, agora não me lembro de todos os
detalhes, porque não participei mais, pois, a partir daquele momento, não fui
mais envolvida na operação, mas lembro-me de que, em 28 de fevereiro de 2000, o
representante da Telecom Itália chegou ao Brasil e mostrou a cópia de um
contrato que foi assinado pelo Sr. Roberto Colanino, à época, Presidente da
Telecom Itália, e do Sr. Juan Villalonga, à época, Presidente do Grupo
Telefônica, que foi assinado, que estava negociado entre essas duas pessoas,
que se comprometeram porque a BrasilTelecom pagaria US$850 milhões à
Telefônica. Lembro-me de que, é claro, foi feita uma reunião na Anatel, e o
Presidente, à época, da BrasilTelecom, Dr. Henrique Neves, se recusou a
assinar, porque claramente esse valor estava acima do mandato que ele tinha
recebido do conselho de administração. Então, a partir daí, foram vários meses
de idas e voltas de negociação, de pressão, até quando, ao final, a
BrasilTelecom fechou o acordo de compra e venda com a Telefônica por US$800
milhões.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse valor, na verdade,
mesmo assim, o Grupo Opportunity, pelo menos internamente, continuou a
questionar. Salvo engano, teria acionado a Telecom Itália e depois realizou um
acordo. Há algo nesse sentido? O Grupo Opportunity sentiu-se prejudicado por
esse superfaturamento e passou a exigir que ele fosse reparado nisso, obtendo
êxito?
A SRª CARLA CICCO – Eu não sei. Eu não posso dar a opinião sobre o Grupo
Opportunity, mas posso dar opinião sobre a BrasilTelecom. Como BrasilTelecom,
creio que foi um superfaturamento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual é a sua opinião? A senhora
não tomou conhecimento de que o Opportunity estava questionando e depois
terminou fazendo um acordo com a Telecom Itália?
A SRª CARLA CICCO – Eu não sei de que acordo V. Exª está falando.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em relação ao prejuízo que
teria decorrido da negociação da CRT. A CRT teria sido paga além do valor real,
segundo o conceito do Opportunity. Foi o Sr. Daniel Dantas quem nos falou isso.
Ele terminou acionando a Telecom Itália, e houve um acordo. Parece que ele
terminou sendo reparado em US$60 milhões. A senhora não tem informação de nada
disso?
A SRª CARLA CICCO – Eu posso falar que a BrasilTelecom entrou com uma ação
contra a Telecom Itália sobre o superfaturamento da CRT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – A BrasilTelecom entrou.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E qual é o resultado? Qual é
a seqüência disso?
A SRª CARLA CICCO – Na seqüência, entrou com uma ação contra a Telecom
Itália. Além disso, aconteceram fatos da longa distância, do celular.
Considerando tudo o que estava na mesa, e o fato de que a Anatel tinha imposto
a BrasilTelecom e à Telecom Itália achar uma solução até 18 ou 19 de julho
deste ano, de 2005, para poder resolver sobre o “punimento” da licença.
Em abril deste ano, a administração da BrasilTelecom sentou-se com a
administração da Telecom Itália para tentar fechar um acordo que não
comprometesse a BrasilTelecom nem a Telecom Itália.
Na realidade,
fechou-se um acordo que era o mesmo ou muito parecido com o acordo que, três
anos antes, a administração da BrasilTelecom tinha proposto à administração da
Telecom Itália para poder resolver o assunto do celular. Então, na
realidade,...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que acordo foi esse?
A SRª CARLA CICCO – Era um acordo em que se juntavam as operações da
BrasilTelecom Celular com a Tim, que é a Telecom Itália Mobile. Além disso, a
BrasilTelecom ganhava o direito de oferecer serviços de longa distância não
somente aos usuários da BrasilTelecom, mas também aos usuários da TIM. Então,
usava-se sempre o mesmo código.
Na realidade, foi
feito, há três anos, um estudo que mostrava que as sinergias que podiam não
acontecer nessa operação conjunta favoreceram sinergia que poderia nos dar um
retorno à BrasilTelecom de cerca de R$800 milhões. Antes, foi a Telecom Itália
que não quis fechar o acordo. Então, quando se fechou o acordo do (Incompreensível.),
creio que era um acordo de melhor interesse da BrasilTelecom. Entre as outras
condições, estava também que a BrasilTelecom, mesmo a Telecom Itália, que
estava com sua conta na BrasilTelecom, teria desistido das ações judiciais
existentes. Era uma das condições.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nessa desistência, não houve um pagamento ao
Grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – A negociação feita com o Grupo Telecom Itália, por esse
acordo com a BrasilTelecom, foi feita referente aos interesses da
BrasilTelecom.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª ainda não afirmou.
O Grupo Opportunity, nessa negociação, teve uma reparação em dinheiro?
Recebeu...
A SRª CARLA CICCO – Estou falando que o Grupo Opportunity não participou
dessa negociação. Não participou.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Dessa ação em que se discutia
a CRT?
A SRª CARLA CICCO – Não participou; foi a BrasilTelecom.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, nós fomos ilaqueados
aqui, porque alguém afirmou que essa ação, inclusive a que V. Sª faz
referência, os fundos de pensão se opuseram a que entrasse com a ação... Lembra
disso?
A SRª CARLA CICCO – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando a BrasilTelecom
acionou, ela teve o apoio dos fundos.
A SRª CARLA CICCO – Não, mas então...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os fundos foram contrários, e
aí, quando fizeram o acordo, quem foi se beneficiou foi o Opportunity.
A SRª CARLA CICCO
– Não... Eu gostaria de levantar o posicionamento não coerente dos fundos de
pensão nessa questão. Os fundos de pensão, lá atrás, não suportaram a
BrasilTelecom entrar contra a Telecom Itália, mas depois, quando foi fechado
esse acordo, ele se opôs a esse acordo, que, na realidade, era o acordo com a
BrasilTelecom, porque a ação a que os fundos de pensão se opuseram era a ação
que BrasilTelecom entrou, com que apresentou (Incompreensível.), contra
a Telecom Itália. Depois, quando os fundos de pensão... Quando, agora, a
BrasilTelecom fechou o acordo, os fundos de pensão se opuseram a esse acordo.
Então, na minha opinião, existe uma não-coerência de
posicionamento, porque, se lá atrás eram contra, hoje devem estar felizes e
suportar o fato de que, depois de quatro anos, três anos e meio na realidade, a
BrasilTelecom conseguiu um acordo com a Telecom Itália.
Durante minha administração sempre tive... Quase sempre, na
minha administração, tive a sombra dessa birga comercial entre a BrasilTelecom
e a Telecom Itália. É claro que sempre a gente, a BrasilTelecom, a
administração, tentou fechar um acordo com a Telecom Itália, independentemente
de tudo. Então, fui muito supreendeida quando, afinal, a administração da
BrasilTelecom achou um acordo, no melhor interesse da BrasilTelecom, em que
outros acionistas, que antes tinham suportado a posição da Telecom Itália, em
realidade, se voltaram, foram contra esse acordo com a Telecom Itália.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, sob o compromisso que
tem de falar a verdade, assegura que, nesse acordo que se realizou, todo
proveito que houve nesse acordo – se houve acordo é de se supor que a BrasilTelecom
tenha tido razões para isso –, o que se obteve nesse acordo, todo ele, se
benefício algum houve, foi para BrasilTelecom.
A SRª CARLA CICCO – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nada específico em relação ao
Grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Esse acordo que a BrasilTelecom fechou com a Telecom
Itália era um acordo entre BrasilTelecom e a Telecom Itália.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quando V. Sª alude a essa
incoerência, essa incoerência, enquanto contraposição à situação anterior e
posterior, tudo bem, é uma incoerência, mas ela teria alguma plausibilidade,
alguma justificativa ou é algo gritante essa incoerência dos fundos? Se V. Sª
fosse administradora dos fundos, como justificaria não ser essa a atitude dos fundos
e que devesse ser outra? Estou querendo aproveitar esse conhecimento que tem do
fato todo para saber onde e por que esses fundos assim atuaram. Porque há um
episódio anterior, a que V. Sª aludiu muito superficialmente – não sei se
esteve lá ou não –, aquela tal noite na Anatel, e que de certo modo teria
havido uma ingerência governamental determinando que essa negociação se
procedesse. Ou seja, os fundos de pensão pressionaram a que se realizasse um
negócio superfaturado. Isso é verdadeiro?
A SRª CARLA CICCO – Olha, Exªs, eu não estou... Eu não falei ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A compra lá dos oitocentos...
A SRª CARLA CICCO – Oitocentos. Quando eu falei, eu falei que a Telecom
Itália, especificamente o Sr. Colaninno, negociou com o Sr. Villalonga, fora do
Brasil, um acordo em que a... que comprometia a BrasilTelecom a pagar 850
milhões pela Telefônica...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essas duas empresas externas
que negociaram isso, qual era a participação que elas tinham na BrasilTelecom?
O percentual, a soma das duas.
A SRª CARLA CICCO – Não, a Telefônica não tinha nada. A Telefônica era a
vendedora da...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E a Itália?
A SRª CARLA CICCO – A Telecom Itália, no valor total da companhia, econômico
total, acho que, na época, tinha 7%.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E elas que decidiram isso?
A SRª CARLA CICCO – Não, exatamente aquilo que estou falando. Eles foram, e
foi por isso que a BrasilTelecom entrou com uma ação contra a Telecom Itália
sobre a compra da CRT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E para voltar à pergunta
anterior, o que V. Sª sabe em relação ao encontro na Anatel de onde saiu a
negociação feita da CRT?
A SRª CARLA CICCO – Mas de qual encontro? Desculpe, não estou entendendo.
Qual encontro?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aquela noite, na Anatel, em
que o ajuste final foi feito em relação à CRT.
A SRª CARLA CICCO – Você está falando – desculpe, insisto para poder
responder certo – você está falando de quando...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na compra.
A SRª CARLA CICCO – Na compra, quando... Eu não posso comentar, porque eu não
estava presente. Então, não posso comentar nem falar...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ouviu falar que teria havido
pressão dos fundos para que isso acontecesse e que os fundos estariam sendo
pressionados por alguém do Governo?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca ouviu falar? Nem do Sr.
Daniel Dantas?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Daniel Dantas nunca
reclamou de que ele tivesse sido compelido a participar de um negócio que era
prejudicial, e não disse por quê?
A SRª CARLA CICCO – Não... Não posso comentar porque também se passou tanto
tempo... Passaram quantos? Quase seis anos...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, independentemente do
tempo, havendo uma ação tramitando, tudo se questiona por que o fato foi
praticado, tanto é que se quer desfazê-lo. Nunca se disse o histórico do
fulcro? Só ficou essa história de negociarem lá fora?
A SRª CARLA CICCO – Não. Como eu já falei a V. Exª, eu, a partir de
fevereiro, logo depois que terminou a avaliação da parte da BrasilTelecom (Incompreensível.),
na realidade, então, não fui nem parte integrante do trabalho operacional. A
partir dali, eu nunca mais... eu não participei dos fatos que levaram à
assinatura do contrato de compra e venda da BrasilTelecom e a Telefônica pela
compra da CRT. Eu vi várias coisas, mas tudo reportado. Então, considerando que
isso foi ouvido, não posso afirmar se foi verdade, se não foi verdade, se foi
fofoca, se não foi fofoca. Então, considerando que estou aqui para testemunhar
os fatos a que assisti, posso falar com você: eu não estava presente, então,
não posso comentar o que aconteceu naquela noite.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a testemunha pode também
comentar por ouvi dizer: “Eu ouvi o fulano dizendo isso”. V. Sª nunca ouviu
Daniel Dantas se reportando a como os fatos aconteceram quando ele foi...?
A SRª CARLA CICCO – O fato é posso me lembrar de ter ouvido coisas. Agora,
não me lembro quem falou e quem não falou. O fato é que ouvi falar, que,
efetivamente, estavam ocorrendo pressões para chegar a esse... Na realidade...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pressões de quem?
A SRª CARLA CICCO – Não me lembro. Pressões, várias pressões. Sinceramente,
não me lembro com exatidão, considerando que foi tudo ouvido. Que estavam
ocorrendo pressões... O fato é o seguinte: a BrasilTelecom apresentou, como
primeira, estava com um limite de US$730 milhões, e, ao final, pagou US$800
milhões. Considerando que era a única compradora, é claro que isso fica um
pouco esquisito, pelo menos. Agora, eu posso somente reportar-me a fofocas,
porque não estava presente nos eventos a que V. Exª está se referindo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em relação a esse valores,
V. Sª sabe da consistência deles, da realidade deles? Quero dizer o seguinte:
V. Sª disse que eles estavam autorizados a pagar 770 e pagaram 800. Mas, na
verdade, valia 770, ou os 770 também não eram...
A SRª CARLA CICCO – Eram 730.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sim, 730. Ou eram quinhentos
e poucos milhões a avaliação correta? Ou isso também não procede?
A SRª CARLA CICCO – A minha avaliação é que a... Em realidade, é muito...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A sua avaliação era uma
avaliação de se aproveitar da situação difícil de quem só pode vender para um
e, daí, jogou lá embaixo, ou era uma avaliação correta? Isso está documentado?
A SRª CARLA CICCO – Primeiro, eu não era o Presidente da BrasilTelecom.
Então, eu não posso comentar a decisão de...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, nessa oportunidade, V.
Sª estava na Telecom Itália.
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Também não?
A SRª CARLA CICCO – Não. Na época, eu era consultora no Opportunity.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No Opportunity.
A SRª CARLA CICCO – O fato é que eu tive oportunidade de estudar a CRT, já em
1996, durante o processo de privatização da CRT.
Então, primeiro,
existe uma avaliação dos Bancos Salomon Smith Barney que dá um intervalo de
valores 550 e 730. Por que essa diferença? Porque, em realidade, quando você
faz uma aquisição, existem fatores objetivos e, depois, os fatores
estratégicos. Normalmente, os valores estratégicos que você pode dar a uma
aquisição podem variar do que se compra. Neste caso, aqui, agora, não me lembro
dessa avaliação. Provavelmente, 550, verdadeiramente, você queria pagar o menos
possível, não sei o quê. Até 730 se justificava, falando, por exemplo, de
sinergia. Provavelmente, aqui se falava de sinergia, do fato de a
BrasilTelecom... Como eu já falei, você dá um valor (Incompreensível.)
sinergia. No caso da BrasilTelecom, por exemplo, o fato de comprar a CRT
aumentava de 30% a receita, e o fato de qual era o valor de poder antecipar as
metas da Anatel – isso aqui é outro valor. Então, ao final, a administração da
BrasilTelecom, na época, decidiu oferecer 730, que era o valor máximo de
avaliação que a...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que V. Sª lembra em relação
a contratos de publicidade dos quais participou como Presidente, especificamente
em relação às empresas de Minas Gerais, do Marcos Valério? Participou de que
contratos? Como se procedeu à escolha? Que valores foram estabelecidos?
Finalmente, sobre os últimos que foram realizados e cancelados agora muito
recentemente, o que nos informa?
A SRª CARLA CICCO – OK.
Primeiro, eu gostaria
de esclarecer que, em uma carta, datada de 2 de setembro de 2005, a
BrasilTelecom informou à comissão mista – acho que foi a comissão mista – a
contratos celebrados com a DNA e SMP&B e carta enviada pela BrasilTelecom
às agências, comunicando a suspensão de contrato. Depois, com uma carta, de 6
de setembro de 2005, foram anexadas todas as planilhas de pagamento a essas
agências. Em 14 de setembro de 2005, a administração da BrasilTelecom enviou
mais uma carta, colocando-se à disposição desta CPMI, para colaborar. Além
disso, também a CVM fez seu processo de avaliação e, não achando nada que não
fosse absolutamente em conformidade com a lei e de pagamento com serviço
prestado. Durante 2003 e 2004, a DNA e a SMP&B deram serviços esporádicos
para a BrasilTelecom. Faziam um serviço e, ao entregarem o serviço, pagamento.
Depois, em 2005, na realidade, o único pagamento que foi feito pela DNA foi um
pagamento de R$188 mil pela produção de uma campanha – se me lembro, foi pela
BrTurbo –, uma campanha de Internet, pela BrTurbo, que é a provedora de banda
larga da BrasilTelecom. R$188 mil.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sobre esses contratos que
agora, recentemente, tiveram a sua execução suspensa – de R$25 milhões. O que
V. Sª nos informa sobre isso.
A
SRª CARLA CICCO – Os contratos que foram assinados são guarda-chuva. Então,
na realidade, não era com um valor firme. Contrato guarda-chuva significa que
se paga à frente de um serviço. No caso específico dos contratos guarda-chuva a
que V. Exª se refere, a BrasilTelecom pagou R$180 mil pela produção de mídia
para os provedores de Internet de banda larga BrTurbo. Chama-se campanha
Caracol.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Há a informação de que V. Sª teria dificultado
auditoria interna que se procede na Telecom, durante seu mandato, em relação a
algumas áreas. Uma dessas áreas seria a de publicidade.
A pergunta é: quando
realizadas as auditorias na BrasilTelecom – em relação também a outros assuntos
jurídicos, segurança, investidores –, essencialmente em relação ao marketing,
é procedente quem reclama que a auditoria não teve a transparência necessária,
o acesso às informações?
A SRª CARLA CICCO – Gostaria de perguntar, para dar uma resposta exata, a
qual auditoria V. Exª está se referindo?
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Às auditorias
que se procedem na BrasilTelecom, às sistemáticas.
A SRª CARLA CICCO – Durante a minha gestão?
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – É. Algumas
áreas da sua empresa não tinham o acesso franqueado, aberto. Uma delas era essa
de publicidade. Esse é um assunto que me cabe.
A SRª CARLA CICCO – V. Exª se refere a uma informação. Vou comentar um fato.
A BrasilTelecom é uma companhia completamente aberta. Qualquer tipo de
auditoria era feita em linha com a lei. Nunca prejudiquei qualquer tipo de
auditoria interna na companhia que eu mesma administrava.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Essas decisões
sobre publicidade eram do conselho ou eram suas?
A SRª CARLA CICCO – Na administração da BrasilTelecom não era somente eu a
deter o poder. Para eu poder assinar qualquer coisa precisava que um outro
diretor assinasse comigo. A administração da BrasilTelecom, até uma certa (Incompreensível.),
é absolutamente independente do conselho de administração para tomar decisões.
Gostaria de
compartilhar com V. Exª um fato. Por exemplo, quando assumi a BrasilTelecom, em
2001, os custos da despesa em marketing sobre a receita líquida eram de
2%. Ao final de 2004, esse mesmo custo representava 1.5%, incluindo os custos
de lançamento da telefonia celular, incluindo o fato de que desde 2001 a 2004 a
BrasilTelecom entrou em novos setores de negócio. Então, precisava
posicionar-se. Isso mostra que todos os contratos que a BrasilTelecom contratou
foram absolutamente selecionados e absolutamente rigorosos em termos de custo.
Além disso, a área interna da BrasilTelecom esteve em um processo de avaliação
de custo de marketing muito rígido.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teve alguma interferência em relação à
publicidade de outras empresas, como a Telemig, a Amazônia Celular?
A SRª CARLA CICCO
– Absolutamente não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Nada?
A SRª CARLA CICCO
– Nada.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Há um E-mail de V. Sª de 6 de maio de 2004 para Charles
Carr. Este E-mail, parte do processo contra V. Sª, na Justiça brasileira, foi
publicado na revista Carta Capital, de 4 agosto de 2004. E nem a
senhora, nem Daniel Dantas, em nenhum momento até agora, pelo menos,
desmentiram ou processaram alguém em virtude dessa informação. No E-mail V. Sª
se refere a uma reunião entre Bill Goodall e Daniel Dantas, acusa a Telecom
Itália de passar dinheiro para políticos em Ribeirão Preto e sugere que se olhe
também para Santo André, citando o assassinato do Prefeito Celso Daniel.
Observa também que o Sr. Daniel Dantas, chamado DD no E-mail, gostaria que
essas informações fossem plantadas na imprensa.
Primeiro, o que V. Sª tem a dizer em relação a esse E-mail?
Segundo, por que essa intenção de implantar na imprensa alguma coisa
relacionada a esses episódios que envolvem, de certo modo, áreas mais
fragilizadas nesse contexto do governo?
A SRª CARLA CICCO
– Como foi declarado pela Kroll, como o fato relevante que foi publicado, todos
os materiais que foram publicados na imprensa até hoje sobre qualquer
documentação da Kroll, a Kroll confirmou que foi roubado o artefato. Não tenho
nenhum conhecimento deste E-mail. A BrasilTelecom, pela sua administração,
nunca divulgou absolutamente nada. Além disso, vários E-mails e documentação
que foram publicadas na imprensa eu não vi antes na minha vida. Por isso, não
posso comentar. Desconheço esse E-mail.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª nega que ele seja de sua emissão?
A SRª CARLA CICCO
– Sim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Tenho outra pergunta sobre isso, mas...
De qualquer modo, alguma vez V. Sª tomou conhecimento de
como teria se operado aquele episódio das Ilhas Cayman? Sabe a que me reporto?
A SRª CARLA CICCO
– Não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Há operações que teriam envolvido o governo anterior?
A SRª CARLA CICCO
– Não, não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Qual a participação da BrasilTelecom no consórcio Voa –
“v”, “o”, “a” –, que possui diversos jatinhos?
A SRª CARLA CICCO
– A exata participação não sei. O consórcio Voa foi formado em 1999. Então
quando assumi a companhia era já lá. Era administrado como qualquer empresa ou
pela BrasilTelecom mesmo.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Mas a BrasilTelecom tem participação?
A SRª CARLA CICCO
– Tem participação.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª era presidente da BrasilTelecom e não sabe
quanto era a participação?
A SRª CARLA CICCO
– Olha, a BrasilTelecom... era um consórcio muito (Incompreensível.)
pela BrasilTelecom e era administrado pela...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de ascendência tinha a Presidência da
BrasilTelecom em relação à utilização dos jatos da Voa?
A SRª CARLA CICCO
– O consórcio Voa era administrado por uma administração independente. A
BrasilTelecom S.A. era uma e a...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez V. Sª requisitou avião da Voa? Alguma vez V.
Sª solicitou a disponibilização...
A SRª CARLA CICCO
– Sim, quando na administração da BrasilTelecom precisava...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Exclusivamente a serviço de V. Sª...
A SRª CARLA CICCO
– Sim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Ou colocou também à disposição de alguns políticos?
A SRª CARLA CICCO
– Absolutamente não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Nunca?
A SRª CARLA CICCO
– Nunca.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Tenho um mundo de perguntas, mas como sempre, como o
Relator...
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – V.
Exª pode deixar para complementar no final.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – ...pode a qualquer tempo. Além de, com certeza, temos
agora o sub-relator que poderá aprofundar. Na medida do possível, se for o
caso, irei interferir.
Nada a acrescentar.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) –
Agradeço a V. Exª. Passo a palavra ao Deputado ACM Neto, que, na condição de
sub-relator, não está circunscrito aos 15 minutos.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto.
PFL – BA) – Agradeço, Sr. Presidente, procurarei também ser objetivo, indo em uma linha complementar à do Deputado Osmar Serraglio.
De tal forma que eu
começo, Srª Carla ao cumprimentá-la pela presença, indagando acerca da
negociação que redundou na compra, pela BrasilTelecom, da CRT, da Companhia
Riograndense de Telefonia.
A primeira pergunta
que faço a senhora é a seguinte: quando houve o entendimento entre o Presidente
da Telecom Itália e o presidente da telefônica, entendimento esse que se deu
fora do Brasil e que acabou produzindo um valor de US$850 milhões, era de
conhecimento do Grupo Opportunity que esses entendimentos estavam em curso?
Pelo menos o Grupo Opportunity tinha informação de que se processava essa
negociação entre a Telecom Itália e a telefônica?
A SRª CARLA CICCO – Não. O Grupo Opportunity não era informado. Posso afirmar
isso com certeza porque eu pessoalmente recebi uma ligação, no final de
fevereiro, da Drª Júlia Nóbile, que afinal era responsável pela assunto
internacional da Telecom Itália na época, que me perguntou se era possível
marcar uma reunião com a Dr. Dantas que ela tinha um assunto muito delicado
para apresentar.
Eu me lembro também
que ela me falou – eu a conhecia antes: Carla, eu não quero que você fique
ofendida por eu não lhe antecipar o teor da conversa. Eu disse que não tinha
problema nenhum e que ia ver se podia ajudá-la a marcar o encontro. Eu me
lembro que expliquei para ela que eu estava viajando, que eu estava indo para
Londres naquele fim de semana, porque eu tinha lá um compromisso profissional.
Agora não me lembro exatamente toda a dinâmica, somente que foi marcado para a
segunda-feira depois este encontro entre a Drª Júlia Nóbile e o Dr. Dantas. Eu
não estava presente, mas me lembro que recebi uma ligação do Dr. Dantas, quando
eu estava em Londres, que me falou: Carla, a Telecom Itália acabou de
apresentar aqui um contrato. Com certeza eu não estava...
O SR. RELATOR (Antonio
Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Pergunto: a Telecom Itália não sendo
diretamente responsável pela administração BrasilTelecom, porque a
administração da BrasilTelecom naquele momento estava sob os cuidados do Grupo
Opportunity. Então, a Telecom Itália teria condições, teria autonomia para
fazer um negócio em nome da BrasilTelecom sem que isso passasse pelo
conhecimento prévio e pela concordância do Grupo Opportunity que era
responsável pela gestão da BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO
– Desculpe-me se eu vou fazer uma clarificação sobre o papel de cada um. Na
época dos fatos da CRT, a Telecom Itália fazia parte do grupo de controle. Mas,
mesmo com isso, isto não dava autoridade a ninguém de poder negociar em nome da
companhia. Por que? Porque quem pode delegar poder é o Conselho de Administração.
No caso específico da compra da CRT, esta delegação de poder de negociação está
dada à administração da BrasilTelecom. Então, o fato de o Dr. Colanino
pessoalmente negociasse com o Dr. Vilalonga... porque o que me foi diretamente
da senhora Júlia Nóbile afora no exterior é que não era do fato que não era
controladora a Telecom Itália, era controladora, mas não estava com o poder
para fechar nenhum acordo em nome da companhia.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – E justamente por
isso que eu questiono a senhora, porque não me parece normal a Telecom Itália
acertar um preço com a telefônica e esse preço ser aproximadamente o qual
acabou prevalecendo na transação, porque o acertado foi US$850 milhões, e a
transação final saiu por US$800 milhões.
Então, eu pressuponho
– e aí eu queria que a senhora me corrigisse caso eu estivesse errado – é que a
Telecom Itália só poderia dar curso a esse acerto com a Telefónica se tivesse o
respaldo ou do Grupo Opportunity ou dos fundos de pensão. Estou certo ou não?
Se eu estiver errado, queria que a senhora me corrigisse. Por favor.
A SRª CARLA CICCO – Eu posso falar que essa operação não teve respaldo da
parte do Grupo Opportunity.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Eu queria que a
senhora fosse mais clara. Eu repetiria minha pergunta. É evidente que o
Conselho de Administração da BrasilTelecom seria o responsável final por dar a
palavra, dando o de acordo ou não para que a transação fosse feita no valor de
US$800 milhões. Havia uma objeção do Grupo Opportunity a esse valor, porque o
valor arbitrado estava entre US$550 milhões e US$730 milhões. Muito bem.
Se não houvesse a
concordância dos fundos de pensão, que são acionistas da BrasilTelecom, o
negócio não poderia ser fechado, certo? Então, eu posso pressupor que a Telecom
Itália, quando deu início aos entendimentos com a Telefónica, chegando a um
valor de US$850 milhões, já tinha de alguma forma o respaldo e o apoio dos
fundos de pensão.
A SRª CARLA CICCO – Não tenho prova do fato de que existisse esse respaldo.
Então, não posso confirmar se existe prova. Posso confirmar que seu raciocínio
me parece muito lógico. Eu não tenho fatos para poder confirmar, mas me parece
que seu raciocínio é muito lógico.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Eu aí pergunto à
senhora, ainda nessa linha: então, nós estaríamos diante de duas situações, ou
de uma negociação que poderia, no máximo, sair por US$730 milhões, ou então de
uma negociação que acabou saindo por US$800 milhões. No mínimo, o prejuízo foi
de US$70 milhões. No mínimo. Poderia ter chegado a US$250 milhões, e a senhora
frisou bem que havia, de um lado, a obrigação de vender por parte da Telefónica
e, de outro lado, havia um único comprador. Isso me faz crer que, por exemplo,
se fosse avençado o negócio em US$600 milhões ou US$650 milhões, a Telefónica
teria obrigação de vender porque somente a BrasilTelecom teria condições de
comprar.
Muito bem. Então, já
que os fundos de pensão, que são acionistas da BrasilTelecom, deram o de acordo
para um negócio fechado em US$800 milhões, que poderia ter sido fechado a um
preço muito menor, eu posso fazer a seguinte conclusão; de que a participação
dos fundos, como acionista da BrasilTelecom, acabou sendo eu diria que menos
vantajosa, ou por que não dizer prejudicial, para um negócio que estava sendo
fechado pela empresa da qual é também um dos controladores. Ou seja, os fundos
de pensão têm participação na BrasilTelecom, que poderia fechar um negócio por
550, 600, 700 milhões, mas, por causa dos fundos de pensão, por causa do de
acordo dos fundos de pensão, fechou em 800. Posso fazer essa conclusão.
A SRª CARLA CICCO – Pode fazer essa conclusão.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Eu queria,
então, Srª Carla, ainda nesse assunto, entender um pouco mais essa mudança de
posição do Grupo Opportunity, porque o Grupo Opportunity entrou com uma ação
contra a Telecom Itália porque não se conformou com o negócio feito. Muito bem.
Depois, houve um acordo com a própria Telecom Itália. Então, se de um lado a
senhora diz “Olha, eu não entendo”, porque a senhora disse aqui que não
entendeu a mudança de posição dos fundos... Por um lado, os fundos de pensão
não queriam que o Grupo Opportunity entrasse com a ação e, depois, foram contra
o acordo. Ora, quem não quer que entre com ação, em tese, é a favor do acordo.
Mas, no lado oposto de uma análise lógica, também quem quer entrar com uma ação
em tese é porque se sente prejudicado e imporia maior resistência ao acordo. O
que se fez de fato? Qual foi o fator mais preponderante, mais relevante que fez
o Grupo Opportunity chegar a um acordo com a Itália Telecom?
A SRª CARLA CICCO – Eu não posso responder, porque não faço parte do Grupo
Opportunity, não participei da negociação do Grupo Opportunity com a Telecom
Itália. Então, não posso dar uma resposta a V. Exª. Não sei.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Apenas registro
isso, Sr. Relator, porque houve mudança de posição de ambos os lados. Evidente
que é difícil entender como os fundos de pensão deram o OK, deram o de acordo
para um negócio que era desvantajoso para a empresa em que eles eram
acionistas.
Continuando, o
Deputado Osmar Serraglio fez uma pergunta que a senhora também se mostrou com
alguma dificuldade de responder, porque efetivamente não participou da reunião
promovida pela Anatel. No entanto, na opinião de alguém que acompanhou todo
esse contencioso, a senhora acha que, em algum momento, a Anatel se posicionou
de uma forma menos criteriosa e mais tendenciosa por algum tipo de
interferência política, de gestão política, de pedido político? Na impressão de
alguém que acompanhou todo esse contencioso durante um longo tempo.
A SRª CARLA CICCO – Se a sua pergunta se refere especificamente a este
encontro da Anatel pela (Incompreensível.) da CRT, não posso dar um
juízo porque efetivamente não participei.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Vou um pouco
além...
A SRª CARLA CICCO
– Mas se a sua pergunta é: qual foi o posicionamento da Anatel em todos esses
anos em referência a essa disputa comercial entre a BrasilTelecom, Telecom
Itália, fundos de pensão, o fato é que vivi, como presidente da BrasilTelecom,
todos esses problemas comerciais; tive regularmente acesso, encontros e reuniões
técnicas com a Anatel, e, na minha percepção, a Anatel, no curso desses anos,
várias vezes agiu em favor das empresas privadas contra o interesse da
concessionária da BrasilTelecom. Por exemplo, no assunto da aprovação da
universalização das metas da BrasilTelecom, o processo que o BrasilTelecom
passou foi o mais longo, o mais detalhado de todas as três concessionárias.
Considerando o fato de que a BrasilTelecom foi a última a entrar nesse processo
– normalmente você tem experiência –, então, a minha percepção, a minha idéia
era de que, depois de ter feito processo com a Telefónica, com a Telemar, o processo com a BrasilTelecom, pela Anatel,
deveria ser muito mais simples. Em realidade, demorou de dez meses a onze
meses, contra seis, sete meses que foram empregados pela Telefónica e Telemar.
Então, sim, acho que a Anatel, no curso desses anos, nem sempre agiu no melhor
interesse da BrasilTelecom, da concessionária.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Questionaria a
senhora, até por dever de ofício: desde quando a senhora percebe que houve uma
atuação da Anatel em desfavor dos interesses da concessionária e, portanto, em
favor de interesses da iniciativa privada? Essa é uma prática que vem do
Governo passado? Como a senhora avalia isso?
A SRª CARLA CICCO – Quero lembrar a V. Exªs que assumi a presidência da
BrasilTelecom, fui eleita em fevereiro e assumi cargo em março de 2001. Então,
todas as minhas percepções são a partir desse momento. Não posso...
O SR. RELATOR (Antonio
Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – A partir de 2001.
A SRª CARLA CICCO – A partir de março de 2001. A minha percepção é que, até
quando o Sr. Renato Guerreiro ficou presidente da Anatel – em realidade, é o
que sempre falo –, a Anatel era suficientemente independente. Várias vezes, não
concordava com o Sr. Renato Guerreiro, mas, sempre, a minha percepção era de
que ele tomava as decisões segundo as regras e o que ele achava melhor para o
setor.
A partir da saída do
Sr. Renato Guerreiro, comecei a sentir, cada dia mais, a Anatel ser cada vez
menos técnica.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Muito bem.
Pergunto a senhora sobre o episódio da Kroll, em complemento ao que foi
questionado pelo Deputado Osmar Serraglio: primeiro, sobre a participação e o
conhecimento do Citigroup, nesse contrato feito com a Kroll para realização de
uma atividade que já sabemos, uma atividade de investigação. O Sr. Gustavo
Marinho, Presidente do Citigroup no Brasil, esteve na CPMI do Mensalão e
afirmou desconhecer totalmente, tanto ele como a diretoria do Citigroup, seja
no Brasil, seja na América Latina, seja mundial, sediada nos Estados Unidos,
afirmou desconhecer totalmente o fato de que a Kroll estaria sendo contratada
para fazer um determinado trabalho investigativo. Pergunto à senhora: o
Citigroup, de fato, desconhecia essa contratação ou tinha conhecimento e que
nível de conhecimento e participação teve?
A SRª CARLA CICCO – O Citigroup sabia da contratação da Kroll. Primeiro, V.
Exª queira fazer uma remarcação. A contratação da Kroll foi uma contratação de
uma empresa de nível internacional, absolutamente legal, que, além de tudo,
presta serviço às grandes corporações mundiais, incluindo serviço que fez para
o Governo brasileiro alguns anos atrás. Então, tem as melhores referências.
O Citigroup, além de
tudo, de acordo com o que li nas referências, é um dos maiores clientes da
Kroll afora no mundo. O Citigroup, a partir de fevereiro ou março de 2004, teve
constantes interações com a Kroll diretamente. Em fevereiro ou março de 2004,
eu recebi uma ligação, eu não me lembro de quem da Kroll, de fora do Brasil,
que recebeu uma ligação da Srª Paula Caldeira, pedindo a possibilidade de ter
um encontro com algum executivo do Citigroup, em Nova Iorque. E estava me
pedindo a autorização para fazer essa reunião. Aí, eu falei que sim, que
poderia ter esta reunião.
Depois, no curso do
ano, o Sr. Mike Carpenter, que se não é Presidente da CVC Opportunity mundial,
também teve constantes contatos com a Kroll, em Nova Iorque, e, ao final de
2004, a Kroll me mandou uma carta. Estamos falando de dezembro de 2004. A Kroll
me mandou uma carta pedindo autorização para poder sentar-se com um dos
advogados do Citigroup, em Nova Iorque, para poder passar informações do
trabalho de levantamento feito da Kroll em relação à Telecom Itália e não sei o
quê. Eu respondi por escrito. Em realidade, tenho à disposição aqui essas
cartas. Além disso, eu recebi depois...
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – A senhora tem
como disponibilizá-las?
A SRª CARLA CICCO – Tenho. Aqui, eu gostaria de ler para vocês a carta que eu
recebi, no dia 30 de dezembro de 2004, da Kroll, de Nova Iorque, que falava o
seguinte. Esta é a tradução da carta em inglês:
“Prezada Carla, a
finalidade desta carta é descrever a recente interação que tivemos com o
Citigroup, relacionada ao nosso trabalho com a BrasilTelecom.
Conforme discutido, o
Sr. Mike Carpenter me telefonou pedindo-me, por favor, que falasse ao telefone
com o Sr. Ed Green, o qual, segundo ele, era o novo consultor jurídico do
Global Investiment Bank do Citigroup. Mike afirmou que o Sr. Green gostaria de
discutir a Telecom Itália das suas atividades contra a CVC, a BrasilTelecom e a
Opportunity. Ed Green me telefonou, então, e conversamos sobre a sua intenção
de conduzir uma investigação interna a respeito das ações do Citigroup em
relação a essa divergência, bem como em rever a nossa descoberta até agora com
relação às ações da Telecom Itália para prejuízo da BrasilTelecom.
(Leitura em italiano.)
a nossa empresa e
afirmou que realmente ficaria muito grata com a nossa ajuda ao Citigroup nesse
assunto.
Após obter a nossa
aprovação para apresentar nossas descobertas ao Citigroup, marquei uma reunião
no escritório da Kroll em nome delas. Tinha muita urgência; então me reuni
imediatamente com Kathleen McCarthy, consultora jurídica assistente do Global
Investiment Bank do Citigroup, enviada por Ed Green, que falou conosco por
telefone. Porém, estava em Londres na ocasião.”
Desculpem-me, pois
acho que essa tradução está um pouquinho meio a meio.
“(Incompreensível.),
representando a BrasilTelecom, acompanhou-me à reunião, e explicou as normas
básicas a Kathleen, que passou a ter agora um tempo significativo revendo
nossos relatórios e descoberta.
É importante
enfatizar que, desde janeiro deste ano, com o nosso consentimento, temos nos
reunido com o Gerente do Citigroup Venture Capital, Sr. Mike Carpenter, Paulo
Caldeira e Merilin Patern, quando oferecemos uma descrição detalhada das nossas
informações. Temos também contatos telefônicos periódicos com o Mike Paulo, que
seria Mike Carpenter e Paulo Caldeira, com relação a este assunto durante o
restante de 2004.
Por favor, não
hesitem em me contatar, caso tenha quaisquer outras perguntas.” (Pausa.)
O SR. RELATOR NETO (PFL - BA) - Com essas três cartas, então, a senhora
evidencia que havia um conhecimento amplo do Citigroup sobre os contratos
feitos pela BrasilTelecom com a Kroll. Eu agradeço.
Existe um mito. E
alguns mitos podem e outros não podem ser desfeitos. Talvez, esse não possa ser
desfeito. Porém, eu me sinto obrigado a questioná-la.
As informações dão
conta de que esse trabalho investigativo da Kroll acabou alcançando
movimentações financeiras feitas por um determinado partido político do Brasil
e que, a partir daí, se desencadeou todo um processo contencioso do grupo
Opportunity com esse determinado partido político, ou com algumas autoridades
desse determinado Partido Político.
Então, farei uma
pergunta genérica, porque talvez a senhora não possa responder à pergunta
específica, porque sei que existe um processo em curso nos Estados Unidos, onde
se impõe uma série de limites. Mas, esse trabalho da Kroll pode ter chegado a
algum tipo de informação que dê conta de movimentações financeiras feitas por
um determinado partido político ou por determinados agentes políticos no
exterior?
A SRª CARLA CICCO – O trabalho desenvolvido da Kroll, que foi também o
trabalho pela qual ela foi contratada da BrasilTelecom, era focalizado em
levantamento de informações sobre a Telecom Itália. Eu não vi no relatório da
Kroll nenhuma referência a nenhuma conta no exterior ou a nenhum político ou
representante de Partido.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Bom, eu
questionaria a senhora. Evidentemente, o Citigroup mudou de posição ao longo
desse processo. Inicialmente, eles estavam numa posição favorável aos
interesses do Grupo Opportunity e depois mudaram de posição, aliando-se, em
tese, aos interesses primordialmente defendidos pelos fundos de pensão.
Eu queria que a
senhora nos explicasse um pouco como foi essa transação, como houve essa
mudança e o que estava no centro? A partir daí eu tenho alguns questionamentos
específicos a fazer à senhora.
A SRª CARLA CICCO – Eu não posso comentar sobre essa mudança do Citigroup
porque eu nunca tive relacionamento com o Citigroup diretamente e nunca
participei em nenhuma negociação do Citigroup ou fundo de pensão. As únicas
evidências importantes, fundamentais que ouvi do resultado dessa negociação
entre Citigroup e fundo de pensão foram os acordos de acionistas e contrato
“put” que foram publicados no site – se não me engano – da CVM e depois foram
publicados na imprensa. Então, o meu único comentário poderia ser sobre esse
acordo e não e por que, quais foram as razões que levaram o Citigroup a
aliar-se com fundo de pensão.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Agora, no centro
dessa mudança está a contratação de uma empresa cujo nome é Angra Partners, que
foi, na verdade, quem modelou o novo posicionamento da BrasilTelecom. Estou
certo?
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Na avaliação da
senhora essa mudança de posição do Citigroup que determinou também a mudança de
gestão e administração da BrasilTelecom veio em favor ou em desfavor dos
interesses dos fundos de pensão? Ou seja, qual a situação mais favorável para
os fundos de pensão? A atual ou a anterior, quando a BrasilTelecom era
administrada e gerida pelos representantes do Grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Gostaria de repetir a V. Exª que a
minha avaliação desta aliança entre o Citibank e o Fundo de Pensão é baseada
nos acordos que foram publicados. Não sei as razões. E o meu posicionamento, o
que penso sobre o acordo de acionista que foi assinado entre o Citibank e o
Fundo de Pensão, é que esse acordo de acionista, na minha opinião, é um acordo
que não permite a gerência de uma companhia do tamanho da BrasilTelecom.
Essa cordialidade...
é dividido em 50 a 50. Eu adoro meu irmão, mas eu não faria uma parceria com
meu irmão de 50 a 50. Ou ele manda, ou eu mando. Não existe nenhuma parceria 50
a 50 que funcione. Então, pode-se imaginar uma parceria com uma companhia do
tamanho da BrasilTelecom.
Além disso, se lembro
– porque agora já passou algum tempo que li esse acordo – existe uma cláusula
que fala que qualquer decisão precisa ser tomada ao nível de Conselho de
Administração e que os diretores da companhia precisam aceitar o fato de que
qualquer decisão precisa ser levada ao Conselho de Administração.
Como falei, li isso
algum mês atrás. Achei esse acordo contra qualquer mínimo nível de governança
corporativa de transparência, porque uma companhia como a BrasilTelecom precisa
ter uma diretoria que tenha independência para poder tomar decisões. Na
BrasilTelecom, se tomam dezenas de decisões por dia. Então, precisa ter uma
maior liberdade.
E mandei uma carta,
como administradora...A administradora da BrasilTelecom mandou uma carta à CVM
aqui no Brasil e uma carta também à LCC, que é a equivalente à CVM na Bolsa de
New York. E também uma carta foi enviada ao Departamento de Compliance,
de Governança Corporativa do Citibank, ressaltando que esse tipo de acordo era
contra o melhor interesse da BrasilTelecom. Então, está aqui a minha posição
sobre o acordo, sobre um fato que é realidade e, na minha opinião, não pode
permitir uma gestão serena, rápida, para uma companhia do tamanho da BrasilTelecom.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – As duas últimas
perguntas, Sr. Presidente. Primeiro é o seguinte: houve algum tipo, pelo menos
que a senhora tenha percebido, de ingerência política de lado a lado – quando
digo de lado a lado é porque é de conhecimento público que o Sr. Daniel Dantas
procurou também pessoas importantes do Governo (e tem relações
pluripartidárias), mas procurou pessoas importantes do Governo para ter os seus
interesses defendidos.
Parece claro que, do
outro lado, havia uma posição antagônica do então Ministro-Chefe da Secretaria
de Comunicação, Sr. Luiz Gushiken. Então, pergunto: diante da experiência da
senhora, do que a senhora vivenciou durante todo esse tempo, como a senhora
avalia e qualifica os possíveis interesses políticos de lado a lado – porque
não podemos dizer que há de um lado só – mas os possíveis interesses políticos
que possam ter influenciado na decisão dos fundos de pensão durante todo esse
processo de definição do controle da BrasilTelecom?
Por que – só para
completar – quando da presença do empresário Daniel Dantas aqui, de um lado ele
não soube explicar por que, como e em quê circunstâncias procurou o então
Ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu? Foi até uma pergunta que ficou no ar,
ele disse que não foi convidado, mas apareceu, enfim, ficou uma dúvida, e, do
outro lado, ele reconheceu claramente a influência do então Presidente do Banco
do Brasil, Sr. Cássio Casseb; do Sr. Sérgio Rosa, Presidente da Previ; do Sr.
Pizzolatto; enfim, todas essas figuras ligadas ao Sr. Luiz Gushiken do outro
lado.
Então, eu queria que
a senhora qualificasse, de acordo com a pergunta que fiz, já tendo como
parâmetro a presença do empresário Daniel Dantas aqui, que inclusive – pelo
menos foi a avaliação geral – não teve condições de omitir essa força da
interferência política.
A SRª CARLA CICCO – Como eu já disse, a administração da BrasilTelecom sempre
defendeu os interesses da BrasilTelecom. Não posso comentar quais foram as
ações do Sr. Daniel Dantas, posso falar que, como Presidente da BrasilTelecom,
na minha administração, eu não tive encontros com políticos para falar desse
assunto. Os encontros que tive com políticos, na realidade, não foram com
políticos, foram com as instituições relacionadas ao setor de telecomunicações:
Anatel, Ministério das Comunicações, claramente, quando era necessário, andava
no Cade.
Então, a defesa que a
administração da BrasilTelecom sempre fez dos interesses da companhia contra,
por exemplo, as decisões da Telecom Itália de tentar evitar que a BrasilTelecom
entrasse no mercado de celular de longa distância foram sempre tomadas de
acordo com a lei, com ações judiciais, entrando com liminares, ou na Anatel ou
no Cade, sempre usando órgãos que eram responsáveis pela regulamentação do
setor de telecomunicações.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – A senhora teve,
em algum momento, conhecimento de contratos de gaveta que possam ter sido
celebrados entre a Previ e o Citigroup?
A SRª CARLA CICCO – Conhecimento, eu não tenho conhecimento; eu li na
imprensa que existem, não sei, dezenas de contratos, parece-me quatorze ou
quinze contratos. Eu não sei de todos os contratos quanto já foram publicados.
Pelo que falei, pelo que li, era contrato de “put” e contrato de acordo
dos acionistas. Parece que existem vários contratos que ainda não foram
publicados. Se eu me lembro também há uma declaração – não me lembro se foi da
City ou do fundo – falando que não eram de interesse público outros contratos,
mas não sei se foram de gaveta, se existem, se foram escondidos ou não.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Eu
particularmente não consigo entender como um fundo de pensão ligado a um órgão
público, no caso da Previ, tem condições de omitir informações para que elas
não sejam publicadas, mas, enfim, esse vai ser objeto de questionamento no
momento adequado com o Sr. Sérgio Rosa.
Neste momento, eu
faço a última pergunta: em junho de 2002, a BrasilTelecom solicitou ao BNDES um
empréstimo R$1,270 bilhão. Mesmo ostentando aparentes condições de arcar com a
dívida, o processo da BrasilTelecom durou cerca de dois anos até ser aprovado.
Bom, houve, portanto, aí um lapso de tempo que pode ou não ser justificável. O
fato é que justamente depois que houve a mudança do controle da BrasilTelecom,
esse empréstimo foi concedido pelo BNDES. E aí eu perguntaria a V. Sª: a que a
senhora atribui essa demora por parte do BNDES de conceder um empréstimo de
R$1,270 bilhão a BrasilTelecom? Durante esse período de dois anos, o que se
discutiu, que tipo de tratativas aconteceram com o BNDES, que tipo de cobranças
ocorreram por parte do BNDES, que tipo de dificuldades o BNDES colocou para a
rápida concessão do empréstimo? Essa não-concessão causou ou não algum tipo de
estranheza aos então gestores da BrasilTelecom? Pode ter havido ou não
manipulação de natureza política para que houvesse um retardamento da concessão
desse empréstimo por parte do BNDES?
A SRª CARLA CICCO – Respondo a sua última pergunta. Essa não liberação do
empréstimo em tempo rápido criou muita estranheza na administração da
BrasilTelecom.
A BrasilTelecom tem
um rating interno do BNDES que é segundo somente para a Petrobrás. Então
significa que a BrasilTelecom, como ela é servidora de dinheiro, ela é uma
garantia de per si, considerando todos os seus dados e índices financeiros.
Gostaria de lembrar
aqui que lá no passado, (Incompreensível.) que é uma das agencias de
risco mais conceituada no mundo, avaliou o risco da BrasilTelecom segundo
somente o Grupo Votorantin e o menor risco do Brasil como País.
Então BrasilTelecom é
uma empresa que normalmente tem os bancos que querem emprestar dinheiro. Então
o fato de que o BNDES atrasou mais de 700 dias – e confirmo o número, me parece
que foram 702 realmente. Estranhou a nossa administração, a administração da
BrasilTelecom. E, nesse caso, quem liderou diretamente o processo foi a
Diretoria Financeira. Fazia regularmente reunião com o BNDES. Dessa reunião,
gostaria de relatar, mas não me lembro, considerando o prazo de tempo, mas eu
me lembro de que cada vez que a BrasilTelecom apresentava as informações, eles
pediam outras informações. Até o Sr. Mike Carpenter, Presidente da CVC
Internacional, veio uma vez ao Brasil e, eu me lembro, que ele contatou o
Presidente do Conselho de Administração da BrasilTelecom Participações, Dr.
Luiz Otávio da Mota Veiga, para ter um encontro com ele e comigo – estamos
falando de 2003 – para saber o que estava acontecendo, o relacionamento com a
Telecom Itália, quais eram os problemas que existiam. E um dos pontos que foi
levantado nessa reunião, eu me lembro, foi o fato de que a BrasilTelecom estava
há meses esperando essa liberação de financiamento do BNDES e o Sr. Mike
Carpenter me falou que ele levaria esses assuntos aos encontros com o representante
do Governo que ele estava tendo. Lembro, se lembro certo, que ele se encontrou
com o Sr. José Dirceu; e depois ele me reportou a conversa que ele tinha falado
também desse acordo.
Mas, mesmo com isso
que estamos falando, esse encontro aconteceu em outubro e depois demorou vários
meses mais para ter a liberação desse empréstimo.
Então a minha
resposta, para concluir, a administração estranhou muito. Não posso falar para
V. Exª que isso aconteceu. Mas certamente o BNDES criou dificuldades, na minha
avaliação, desnecessárias na liberação desse empréstimo, sim. Essa é a minha
posição.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Agradeço, Sr.
Presidente, não tenho mais perguntas. Apenas peço ao Relator que observe essas
cartas que foram trazidas e que mostram o conhecimento do Citigroup no contrato
feito com a Kroll, e afirmando, Sr. Presidente, que logo que inicie a
apresentação de requerimento de convocação para a minha subrelatoria, um dos
principais temas a ser analisado será justamente a aquisição da Companhia
Riograndense de Telefonia, onde houve um evidente prejuízo para os Fundos de
Pensão, com a participação deles, com aquiescência deles, o que ficará
comprovado no curso desta investigação.
Muito obrigado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado Osmar
Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, nessa
documentação que V. Sª nos encaminhou, uma passagem da Kroll que não foi
grifada diz o seguinte, numa correspondência a V. Sª: “O (Incompreensível.)
telefonou. Então, conversamos sobre sua intenção de conduzir uma investigação
interna a respeito das ações do Citigroup com relação a essa divergência” –
aqui vem o “x” –, “bem como rever nossas descobertas até agora com relação às
ações da Telecom Itália para prejuízo da BrasilTelecom”. Portanto, V. Sª tem
ciência de que a Telecom Itália está atuando em prejuízo de uma concessionária
nacional. V. Sª era Presidente da BrasilTelecom. Quais foram as descobertas e
que atitude tomou em relação a isso?
A SRª CARLA CICCO – Em realidade, não é de desconhecimento de ninguém que a
Telecom Itália, por vários anos, agiu contra o melhor interesse da
BrasilTelecom. Uma das ações que a BrasilTelecom tomou foi, entre alianças, por
exemplo, a contratação, sob a sugestão do nosso advogado, da Kroll para
levantar informações que levaram, depois, a fechar um acordo com a Telecom
Itália em abril deste ano. Em realidade, esse acordo resolveu as divergências
comerciais que a BrasilTelecom tinha com a Telecom Itália.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Objetivamente, sabemos da
interferência na negociação que eles fizeram externamente para a compra da
Riograndense. De algum outro fato V. Sª se lembra, quando ficou claro que a
Telecom Itália atuou em prejuízo da BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – Quando ela decidiu deixar de participar, na época, a sua
subsidiária de celular aqui no Brasil, a TIM – a Telecom Italia Mobile, na
Região 2, que era a nossa área de atuação, a BrasilTelecom foi impedida de
participar de leilão, de comprar a licença para poder atuar no serviço de
celular e não somente depois que isso aconteceu. A Telecom Itália, para poder
atuar e para poder começar a operação de celular na nossa região, precisou sair
temporariamente do controle da BrasilTelecom. Ela saiu do contrato da
BrasilTelecom e a nossa empresa começou a desenvolver a rede de celulares para
fazer o lançamento. A Telecom Itália passou muito tempo tentando impedir a BrasilTelecom
de desenvolver operação de celular. Todos os assuntos que a BrasilTelecom tinha
com a Telecom Itália eram de natureza puramente comercial. Em realidade, a
BrasilTelecom e a Telecom Itália eram competidoras. Somente a
telecomunicação...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Embora ela fosse sócia da
BrasilTelecom.
A SRª CARLA CICCO – Eram competidoras. Por isso tivemos divergências.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A participação dela na
BrasilTelecom teria sido proposital exatamente para interferir numa outra e
impedir... A essa altura, temos dois grupos. Ela estaria na BrasilTelecom
minimamente, interferindo em tudo, porque se beneficiaria nesse outro segmento.
Poderia se interpretar que seria intencional? Poder-se-ia interpretar que a
Telecom Itália teria se associado a BrasilTelecom estrategicamente para impedir
esse outro segmento, porque, com isso, manteria certa fatia, um privilégio onde
estava? Por que ela interferia numa situação em que ela era sócia,
prejudicialmente?
A SRª CARLA CICCO – Quando a Telecom Itália participou da licitação pela
privatização do Sistema Telebrás, entrou nesse consórcio sabendo que era, do
ponto de vista de ações, minoritário, porque não tinha 51%, porque era
impossibilitada de poder ter participação superior, devido ao fato de que, na
época, ela estava participando da privatização da Telebrás, já como
controladora no nosso consórcio, junto com a Globo Bradesco, onde a Telecom
Itália tinha 50%, e a Globo Bradesco, 50%.
A Telecom Itália, na
época da formação do controle, negociou um acordo de acionista junto com o
Grupo CVC Opportunity. No caso, se o consórcio que ela tinha formado com a
Globo Bradesco não ganhasse o controle na Telesp, ela estava com um controle de
acionista que, praticamente, dava um controle “negativo” com veto na gestão da
BrasilTelecom.
Então, na realidade,
por que estou explicando isso? Porque, lá atrás, ela já sabia quais eram as
condições em que ela estava entrando. Na realidade, o que aconteceu foi que,
depois, se mudou a administração na Telecom Itália, e a nova administração, que
assumiu em 1999, a administração do Sr. Colanino, eu acho, não estava presente
mais, mas acho que eles decidiram que queriam entrar e “tomaram” o controle da
BrasilTelecom. Então, todas as ações conseqüentes tiveram como partida o fato
de querer tomar o controle da Telecom. Não era intenção da Telecom Itália, na
época da Telebrás, tentar enfraquecer a BrasilTelecom a favor dele. Isso posso
afirmar, porque eu estava lá. Agora, se, durante o curso desses anos, a minha
percepção é que é óbvio, é uma coisa lógica, ele detinha 7% do capital social
na BrasilTelecom; 52% da Tim Itália, que tinha 100% da Tim no Brasil. Era óbvio
que, para escolher que precisava ter uma licença celular (Incompreensível.) também
tenha suportado e a companhia deter os 100%.
Agora, todo esse tipo
de desentendimento comercial entre a BrasilTelecom e a Telecom Itália foram
resolvidos, em abril deste ano, quando se chegou a um acordo que melhor
interessava à BrasilTelecom, evidentemente também da parte da Telecom Itália.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª respondeu ao
Deputado ACM Neto em relação ao BNDES ,fez referência à conversa com o Ministro
José Dirceu. A pergunta é: percebeu que, nessa dificuldade toda de setecentos e
tantos dias, havia um facilitador tentando ser quem teria condições de resolver
isso junto ao Governo, alguém que estivesse intermediando e mostrando que
poderia ultrapassar essa dificuldade junto ao BNDES?
A SRª CARLA CICCO – Como é administração da companhia, a companhia tentou
trabalhar o mais aberto possível com o BNDES, para resolver assunto do ponto de
vista técnico.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, politicamente, nunca
houve uma abordagem?
A SRª CARLA CICCO – Não, a BrasilTelecom não abordou ninguém, politicamente,
para pedir ajuda para esse específico assunto.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem o famoso Marcos Valério,
que interferia em tudo?
A SRª CARLA CICCO – Não, absolutamente não. A BrasilTelecom nunca o contatou.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A última pergunta: quando V.
Sª foi questionada por mim em relação ao jornalista Paulo Henrique Amorim,
disse que não o conhecia, no entanto, ele informa que V. Sª, no primeiro
semestre de 2003, almoçou com ele.
A SRª CARLA CICCO – Não me lembro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No restaurante.
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com a diretoria da (Incompreensível.)
Estavam presentes Chris Frias, Klaus Vieira e Gil Torquato.
A SRª CARLA CICCO – Na diretoria da...?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – (Incompreensível.) Da
Wall, então, desculpe-me, da Wall. Veio em letra manuscrita. V.Sª...
A SRª CARLA CICCO – Então, pode ser, sinceramente, evidentemente não me fez
essa grande impressão, não me lembro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mesmo assim, não o
identificou?
A SRª CARLA CICCO – Absolutamente, sinceramente, não me lembro. Pode ser, mas
não me lembro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Deputado
Onyx Lorenzoni, por quinze minutos.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Talvez eu nem use todo o tempo, Sr. Presidente.
Primeiro, quero
cumprimentar a Srª Carla Cicco, porque muitos que se diziam valentes vieram
aqui protegidos por habeas corpus absolutamente desnecessários. V. Sª
veio aqui de maneira clara, transparente, para trazer suas informações. Faço
essa referência à tranqüilidade e ao destemor que tem em relação a figuras que
por aqui passaram abrigadas por uma licença para mentir, coisa que V. Sª não
tem.
Segundo, quero fazer
uma pergunta que diz respeito às relações com as agências de publicidade. Pela
informação que recebi, a BrasilTelecom tinha contrato com a Duda Mendonça.
Confere? Por que é que, no ano de 2003, mais precisamente no ano de 2004, a
BrasilTelecom chama para atendê-la aqui as empresas do Sr. Marcos Valério, a
DNA e a SMP&B? A SMP&B e a DNA já atendiam à Amazônia Celular e a
Telemig. Aqui em Brasília, sua sede, a BrasilTelecom era atendida por uma
agencia que, por todas as características que conhecemos, era de muito maior
porte e teoricamente de muito mais qualidade. Assim, havia necessidade de
trazer as agências do Marcos Valério para ajudar a empresa de Duda? É por isso
que a BrasilTelecom fez esses contratos? V. Sª lembra o valor dos contratos das
agências do Marcos Valério aqui pela BrasilTelecom? Não me refiro às outras
àquelas que a gente já conhece.
A SRª CARLA CICCO – Primeiro, obrigada por ter falado do habeas corpus.
Eu não sentia necessidade de vir aqui. Fui chamada como testemunha. Não tenho
nada a esconder. Essa a razão de não ter pedido o habeas corpus.
Falando
das agências e publicidade da BrasilTelecom, a BrasilTelecom é uma companhia
que opera em vários setores. Em que sentido? O setor de telecomunicações está
se desenvolvendo mais como um produto de varejo. São vários produtos que
precisam ser apresentados ao consumidor. Temos produtos de dados, que são
referentes, por exemplo, pelo mercado editorial, pelo mercado corporativo.
Temos mercados tradicionais, que são os mercados residenciais. Temos mercado de
Internet, de banda larga, de dial-up.
A
BrasilTelecom, ao longo dos anos, teve necessidade de trabalhar com mais de uma
empresa. A BrasilTelecom, a partir de 2001, sempre trabalhou com mais de uma
empresa, três ou quatro empresas regulares de publicidade. Além disso, durante
o curso do trabalho, quando necessitava, a BrasilTelecom contratava, periodicamente,
para um trabalho bem específico, diversas agências de publicidade, ou locais ou
de eventos. Fizemos isso dezenas de vezes.
No caso específico da
contratação da DNA e da SMP&B, primeiro, V. Exª levantou que a
BrasilTelecom não precisava da DNA, porque essa empresa estava em Minas Gerais.
A DNA e a SMP&B são companhias que têm uma boa referência no mercado. Além
de tudo, a BrasilTelecom, em 2003, comprou uma empresa que tem também um
posicionamento em Minas Gerais, a (Incompreensível.). Essa é uma companhia
que tem um posicionamento em Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro. É
uma companhia de atendimento de cliente corporativo. Ela já tem uma licença
para atender cliente corporativo. Durante 2003 e 2004, na realidade, a
BrasilTelecom contratou, esporadicamente, a empresa DNA. Eu não sei quais eram
os trabalhos para os quais ela era contratada. Essa era uma decisão que era
tomada pela diretoria responsável. A gente pagava pelo trabalho que era pedido.
Todos os estudos relativos a esse trabalho comandado foram entregues à CVM e
também, em disquetes, a esta Comissão Mista.
Em 2005, na
realidade, o único pagamento feito pela DNA foi de cento e tantos mil reais,
que se refere a uma campanha, à produção de uma campanha pelo portal de
banda larga da BrasilTelecom, a BR Turbo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sim, mas a BrasilTelecom, até 2003, não
contrata a DNA. Ela só contrata 2003/2004, e a um valor expressivo.
Curiosamente, tem a informação de que, quando o Daniel Dantas tenta neutralizar
o que ele enfrenta de oposição dentro do atual governo, ele procura Delúbio
Soares, a fim de obter algum tipo de apoio, porque ele, na verdade, travava uma
batalha com setores do governo, tanto que o BNDES, a senhora acabou de dizer,
prejudicou enormemente o funcionamento e as ações da BrasilTelecom por conta de
um retardo incompreensível, visto que o rating da sua companhia, que a
senhora presidia, era excelente. Então, não teria razão, teoricamente, para
haver retardo na liberação do recurso, se a garantia era a própria liberação.
Quer dizer, nada mais seguro do que o acesso a uma companhia que tem fôlego
financeiro para garantir o empréstimo. Segundo as notícias que a imprensa já
noticiou no Brasil, de várias fontes, como desdobramento desse apoio buscado de
Delúbio Soares, teria havido uma reunião entre Daniel Dantas e os conselheiros
dos fundos de pensão, patrocinada por Marcos Valério, uma reunião de mais de
três horas de duração, onde Dantas teria dito que se achava injustiçado, porque
teria ajudado os candidatos que o Sr. Sérgio Rosa, presidente da Previ, teria
mandado ajudar e não teria tido compreensão ou boa-vontade, vamos dizer assim,
de setores do governo.
Então, eu lhe
pergunto: quanto ao Sr. Daniel Dantas, é verdadeira a informação de que ele se
queixava de ser injustiçado pelo Governo Lula? De quem partiriam as injustiças?
A senhora conheceu os apoios financeiros dados pela BrasilTelecom a candidatos
que eventualmente teriam sido sugeridos pelo então presidente da Previ, Sérgio
Rosa? A senhora conhece de que forma essas ajudas foram feitas e se a
BrasilTelecom identificava no ex-Ministro Luiz Gushiken o seu mais forte
adversário dentro do governo?
A SRª CARLA CICCO – A BrasilTelecom é uma concessionária pública. Como tal,
ela não pode dar nenhum suporte político. Seria ilegal dar suporte político.
Além disso, a BrasilTelecom é uma empresa listada no mercado, é listada na
Bovespa, é listada em New York. Então, estamos sujeitos, aqui no Brasil, à lei
de governo, com portaria da CVM. Em New York, a BrasilTelecom precisa responder
à lei (Incompreensível.), de governança corporativa da (Incompreensível.).
Então, a BrasilTelecom precisa ser muito rigorosa na contratação, pelo fato de
o pagamento só poder ser feito pelo recebimento de serviço.
Quanto à sua pergunta,
não sei se o Sr. Daniel Dantas – ele nunca se queixou comigo – se sentia
injustiçado ou não com este governo. O Sr. Daniel Dantas participava deste
governo, fui presidente aqui, então presumo que V. Exªs tenham perguntado para
ele se se sentiu injustiçado ou não. Não posso falar por ele.
A
BrasilTelecom nunca financiou nenhum candidato, sob pedido de ninguém, pelo que
sei. E, na realidade, na administração da BrasilTelecom nesses anos, tive a
percepção de ser o centro de uma disputa. Agora, para mim é muito difícil
evidenciar o que estava por trás dessa disputa, eu só poderia fazer
conjecturas. Eu não sei.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Queria lhe fazer uma outra pergunta: nesse
contrato da BrasilTelecom com a DNA, entre 2003 e 2004, é correta a afirmação
de que foi no valor de R$50 milhões?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Foi menos ou mais?
A SRª CARLA CICCO – Primeiro, nunca existiu, em 2003 e 2004, um contrato
guarda-chuva. Em 2003 e 2004, os serviços pedidos – não era nem contrato – da
BrasilTelecom para a DNA e SMP&B – DNA, para mim, é mais fácil de lembrar –
eram esporádicos, eram serviços bem específicos. Eram, além de tudo, pedidos
que partiam diretamente da diretoria adjunta, da diretoria de marketing,
eram específicos e não eram constantes. Quando precisava, era muito...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sim, mas qual era o volume deles?
A SRª CARLA CICCO – O volume. Olha, foi publicado...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Porque a informação que temos é essa.
Em 2003, foram de
R$823 mil; em 2004, de R$3,4 milhões; em 2005, de cento e tantos mil. Nunca foi
assinado um contrato de R$50 milhões. Foram assinados dois contratos
guarda-chuvas. O que isso significa? Significa que...
O SR. ONYX LORENZONI (PLF – RS) – Eu sei o que isso significa.
A SRª CARLA CICCO – Desculpe, não queria ofender. Neste ano, foram serviços
pagos pela DNA, de cento e tantos mil mil reais, à frente da produção de uma
campanha, produzida pela BR Turbo, que é o portal de banda larga da BrasilTelecom.
O SR. ONYX LORENZONI (PLF – RS) – No episódio em que a Telemar investiu cinco
milhões na Game Corp, de propriedade do Sr. Fábio Luiz da Silva, a companhia
telefônica e o Grupo Trevisan, que assessorou a negociação, admitiram que a
Telemar tinha conhecimento de que o filho de Lula era um dos sócios, apesar de
inicialmente terem divulgado o contrário. A BrasilTelecom também ofereceu
proposta para comprar as ações da Game Corp e encaminhou uma proposta
diretamente aos sócios da empresa, em 18 de agosto de 2004, inclusive para
Fábio Lula da Silva.
Primeira pergunta:
por que a BrasilTelecom não obteve sucesso para a aquisição da Game Corp? A
senhora considera que a negociação com a Telemar teve alguma influência do
então Ministro da Secretaria de Comunicações do Governo, o Sr. Luiz Gushiken?
Qual é a razão do Sr. Daniel Dantas ter financiado a viagem do Sr. Fábio Lula
da Silva ao exterior, uma vez que a Game Corp já havia fechado negócio
com a Telemar?
Como eu tenho só mais
um minuto, depois a senhora responde, a senhora já teve algum contato com o
familiar do Presidente Lula para tratar de negócios? O Sr. Genivaldo da Silva
já lhe procurou, o “Vavá”, irmão do Lula?
Última pergunta: a
BrasilTelecom efetuou algum contrato, nos últimos dois anos, com o advogado
Roberto Teixeira? Se efetuou, a senhora poderia enviar cópia desse contrato
para a nossa CPMI, também justificando qual a razão da contratação do Sr.
Roberto Teixeira?
A SRª CARLA CICCO – Vou responder à primeira pergunta relativa à compra da
Game Corp, da parte da Telemar, e por que a BrasilTelecom não comprou a Game
Corp. Na realidade, na época, era G-4, porque Game Corp era o nome da empresa
que foi criada depois da compra da Telemar. Assim, foi chamá-la de G-4, porque
é melhor.
A BrasilTelecom foi
contatada em julho do ano passado pela Consultoria Trevisan, que apresentou ao
diretor da BrasilTelecom, responsável pelo desenvolvimento de negócio, uma
oportunidade de poder comprar uma participação em uma empresa fornecedora de
jogo.
Tive uma segunda reunião com a Trevisan, e foi
preparada uma proposta, em realidade, por um business pleno, preparado – eu
acho que estava preparado, porque foi apresentado pela Consultoria Trevisan.
Baseada nisso, a BrasilTelecom fez uma carta de interesse, porque essa proposta
é, na realidade, uma carta de interesse. Por que carta de interesse? Porque, em
realidade, foi uma carta de interesse de poder avaliar, mesmo dando uma idéia
do valor a ser pago, mas a BrasilTelecom sujeitava toda a segunda fase de
negociação, a de diligência, das aprovações internas, da avaliação dos
verdadeiros números... Depois que a BrasilTelecom teve acesso aos números
verdadeiros da G-4, foi feita uma reunião... Eu me lembro que estávamos
presentes meu diretor financeiro, meu diretor de desenvolvimento de negócio e
eu, e a gente decidiu não continuar as negociações porque a BrasilTelecom não
julgava interessante a oportunidade. Eu me lembro de ter falado o seguinte:
olha, não importa que o sócio da empresa possa ser também filho do Presidente Lula,
mas o fato é que se a BrasilTelecom não tem interesse comercial, a
BrasilTelecom não vai continuar as negociações. Inclusive foi feito. A
BrasilTelecom, não é que não tenha tido sucesso, BrasilTelecom decidiu não
continuar as negociações com a G-4. Por que e como a Telemar comprou,
sinceramente e em verdade, eu não posso comentar nada porque eu não estava
presente, não sei qual foi o acordo, então não vou dar nenhuma avaliação sobre
o assunto.
O senhor levantou o
fato de que o Sr. Daniel Dantas teria financiado viagem antes. De meu
conhecimento, o Dr. Daniel Dantas não financiou nenhuma viagem. E, pelo meu
conhecimento, duvido que o Sr. Daniel Dantas soubesse da existência da G-4 até
quando surgiu esse assunto. Essa é a minha impressão.
O senhor me perguntou
se eu tive algum contato com o Presidente Lula, com o filho de Lula ou com...
Não me lembro.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O irmão do Lula chama-se Genivaldo da Silva.
A SRª CARLA CICCO – Não. Então...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Ele intermediou contato de várias empresas, de
vários empresários se valendo dessa situação de parentesco; até tinha uma
empresa dedicada a fazer a intermediação.
A pergunta é se houve
a solicitação de encontro com a senhora ou com a diretoria da BrasilTelecom.
A SRª CARLA CICCO – Não. O Sr. Genivaldo da Silva nunca me procurou e nunca
fui procurado por minha pessoa. Sobre o último ponto que o senhor perguntou: se
o Sr. Roberto Teixeira, advogado...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É um advogado.
A SRª CARLA CICCO – Agora não sei. As informações, infelizmente, eu não posso
dar informações ao senhor porque não sou mais da BrasilTelecom. Mas se o senhor
precisa do levantamento, deve fazer um pedido direto à diretoria...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Não, não. A pergunta é se a senhora, enquanto
foi presidente, contratou serviços do escritório do Sr. Roberto Teixeira.
A SRª CARLA CICCO – Eu não sei, sinceramente. A BrasilTelecom... Eu não sei.
A BrasilTelecom... Eu nunca encontrei esse Sr. Roberto Teixeira. A BrasilTelecom
tem mais de cinqüenta estúdios de advocacia Sinceramente, provavelmente
encontrei três ou quatro de vez em quando, esporádico. Eu nunca o encontrei e
não sei se o Sr. Roberto Teixeira prestou serviço à BrasilTelecom, e se prestou
que tipo de serviço foi.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Obrigado.
A SRª CARLA CICCO – Obrigada ao senhor.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Obrigado, Presidente.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pela ordem, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, Deputado.
A Srª Carla Cicco
está pedindo cinco minutos de intervalo e nós vamos aproveitar para tratar de
questões de ordem administrativa aqui na CPMI. Acredito que V. Exª vai falar
sobre isso.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Exatamente, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado
Eduardo Cardozo.
Eu gostaria só de
pedir a V. Exªs – a próxima inscrita é a Senadora Ideli, cedendo para o
Deputado Silvio Torres. E aí teremos Deputado Silvio Torres, Senadora Ideli,
Deputado José Eduardo Cardozo, Deputado Jorge Bittar, Deputado Maurício Rands e
Deputado Dr. Rosinha.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu já aproveito a
oportunidade, Sr. Presidente, para dizer que vou desistir da minha argüição
porque vou iniciar nesse momento na sub-relatoria. Então não poderia estar
presente.
Mas gostaria de informar a V. Exª, ao Sr. Relator e aos Srs.
Parlamentares que nós tivemos na parte da manhã uma reunião – já informei a S.
Exª o Relator, a S. Exª o Presidente – com o grupo que assessora a
Sub-relatoria de Contratos e Licitações e avaliamos que há duas providências
indispensáveis a serem tomadas no que concerne à intenção de informações
no caso da Skymaster. A primeira delas é uma informação complementar do Banco
Central sobre contratos de câmbio feitos pela Skymaster; a outra ao DAC.
Estamos solicitando algumas informações sobre as aeronaves que estão sendo
utilizadas pela Skymaster. Essas informações são imprescindíveis para que possamos
ter um trabalho fechado, diria redondo, no relatório da Skymaster. Por essa
razão, ficamos na seguinte postura, Sr. Presidente: entrar em contato com o
DAC, entrar em contato com o Banco Central. Eles nos prometeram em 24 horas
essa resposta, e a nossa idéia, então, é, a partir do recebimento, fechar o
relatório. É a razão pela qual me parece oportuno, para que não sejamos
precipitados, que venhamos a apresentar esse relatório na próxima terça-feira e
então fecharíamos essa questão de uma maneira absolutamente bem colocada.
Mas temos
uma situação premente, Sr. Presidente, que quero registrar a V. Exª e pedir a
sua autorização e o deferimento. Constatamos que a empresa Skymaster – isso
fará parte do relatório –, por meio de contratos de arrendamento, a nosso ver,
simulados, tem feito remessas de recursos para o exterior, particularmente para
duas empresas nas Ilhas Virgens; empresas essas que atuam sob procuração de
pessoas vinculadas a Skymaster, o que nos leva a uma suspeição de que essas
empresas possam pertencer aos proprietários da Skymaster. Isso, claro,
qualifica uma remessa de recursos para o exterior de forma irregular. As
providências: estamos pedindo exatamente para fechar algumas questões
relativamente a isso; remessas essas que dizem respeito ao período que vai do
ano 2000 a 2005, inclusive remessas colocadas num plano em que há números
próximos entre o que foi superfaturado, segundo o Tribunal de Contas da União,
e aquilo que foi remetido.
Por essa
razão, julgamos imprescindível – já tivemos um contato preliminar com o
Ministério Público Federal – que nós da CPMI informássemos, de imediato, ao
Ministério Público, dessa nossa suspeita, porque, como é sabido que, no dia em
que foi criada esta Comissão Parlamentar de Inquérito, teria havido a remessa
de recursos para o exterior, suspeito que depois do depoimento da última
quinta-feira, em que ficou desvelado perante o depoente tudo aquilo de
informações que havíamos alinhavado com as auditorias e com as investigações,
possa haver, nos próximos dias, remessa de dinheiro para o exterior.
Com o
consentimento de V. Exª, se assim o entender, sugeriria que, no período da
manhã, fizéssemos uma reunião com a Procuradoria-Geral da República,
encaminhando inclusive um ofício para que, em caráter de urgência e numa
dimensão cautelar, pudesse o Ministério Público apreciar medidas, inclusive de
bloqueio de remessa de recursos e de eventual arresto de bens dessa empresa a
critério do Ministério Público, para que não tenhamos uma dissipação ainda
maior do Erário público. Evidente, a decisão competirá ao Ministério Público
Federal, mas achamos que temos elementos e suspeitas que colocam a demora na
aprovação do relatório por esta Comissão Parlamentar de Inquérito em risco do
ponto de vista das finanças públicas e da moralidade. Então submeto a V. Exª
essa possibilidade e, se houver consentimento, marcaríamos contato amanhã com o
Procurador-Geral da República para informá-lo do ocorrido e, estando aqui o
Ministério Público, avaliar a possibilidade de medidas cautelares em relação à
empresa Skymaster no que concerne aos seus bens e no que concerne,
especificamente, à remessa de recursos para o exterior. É o que submeto a V.
Exª. Havendo concordância, já tomaremos a providência de imediato.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS)
– Gostaria de propor ao Plenário até por razões óbvias e já bastante
explicitadas pelo Deputado José Eduardo Cardozo, que adiemos a nossa reunião
administrativa para terça-feira da próxima semana. Faríamos a reunião...
O SR. RELATOR
(Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – É, sem depoimentos.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS)
– Não, terça-feira seria uma reunião administrativa.
A SRª IDELI SALVATI
(PT – SC) – Não teríamos
depoimentos também na terça-feira.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS)
– Não.
O SR. (Orador não identificado) – (Fora
do microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS)
– E também os requerimentos.
Então,
teríamos que avaliar aqueles depoimentos que são importantes para os
Sub-relatores para que façamos uma reunião expedita, ágil, rápida, aprovando os
requerimentos e, ao mesmo tempo, o Deputado José Eduardo Cardozo faria uma
exposição detalhada do relatório da Skymaster, primeiro de uma série de
relatórios que ele vai começar, como Sub-relator de contratos, apresentar ao
longo dos próximos dias.
Quero registrar e
realçar que essas informações solicitadas pelo Deputado José Eduardo Cardozo,
no que se refere ao Banco Central, a operações de câmbio e também ao DAC, em
função do próprio histórico das aeronaves, são fundamentais para que se faça um
relatório absolutamente completo, garantindo o rigor que tem pautado a CPMI dos
Correios e mostrando que esse processo foi debatido, discutido e estudado à
exaustão. As principais personagens do assunto Skymaster também foram ouvidas
aqui no pleno da CPMI ou nas sub-relatorias. Portanto, esse cuidado é
absolutamente necessário para que continuemos apresentando relatórios
consistentes que vão efetivamente ajudar não só os Correios, mas a gestão
pública brasileira a aperfeiçoar os mecanismos hoje existentes.
Se todos estiverem de
acordo, permaneçam sentados.
Na segunda-feira,
está marcada uma reunião administrativa para votarmos requerimentos. Amanhã,
haveria reuniões com os sub-relatores para eleger aqueles requerimentos que são
essenciais para o bom desenvolvimento dos trabalhos. Amanhã, portanto, não
faríamos reunião administrativa, mas na terça-feira da próxima semana, a partir
das 10 horas da manhã.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Sr. Presidente,
primeiro quero felicitar o Deputado Eduardo Paes, que aniversariou na última
sexta-feira e que tornou-se pai novamente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Da querida Isabela.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Peço a V. Exª
que, ao longo do dia de hoje, acione o Supremo Tribunal Federal para
procurarmos o mais rapidamente possível uma alternativa segura no sentido de
tentar bloquear essa manobra que está sendo feita por algumas corretoras,
algumas empresas, pessoas físicas e um fundo de pensão específico com o claro
objetivo de dificultar o trabalho da nossa sub-relatoria, impedindo a
transferência dos dados do sigilo bancário, fiscal e telefônico.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – É importante registrar para os
Parlamentares que não só iremos agendar para amanhã a reunião com o Dr. Antônio
Fernando, como disse o Deputado José Eduardo Cardozo, para tratar da questão,
evidentemente de responsabilidade do Ministério Público, do bloqueio desses
repasses a essas contas no exterior. Também conversei com o Dr. Antônio
Fernando há dois dias, e amanhã, aproveitando essa oportunidade – o Deputado
José Eduardo Cardozo está agendando –, os sub-relatores fariam uma reunião de
trabalho para que tenhamos as informações necessárias relativas às
investigações do Ministério Público. Isso é fundamental.
O SR. RELATOR (Antonio Carlos Magalhães Neto. PFL – BA) – Sr. Presidente,
qual é o horário?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O Deputado José Eduardo Cardozo
está agendando com o Dr. Antônio Fernando. Ou seja, iremos lá primeiro para
apresentar os relatórios que podem levar o Ministério Público a bloquear
qualquer transferência para possíveis ou eventuais contas no exterior da
Skymaster. Também faremos uma reunião de trabalho para fazer uma avaliação
conjunta dos sub-relatores e do Relator com o Ministério Público, com a
Procuradoria-Geral da República.
Deputado ACM Neto, em
resposta às preocupações de V. Exª, tentei me reunir hoje – e nós iríamos juntos
– com o Ministro Nelson Jobim, Presidente do Supremo Tribunal Federal, mas hoje
S. Exª viaja no período da tarde. Amanhã agendaremos a nossa ida ao STF,
exatamente com o intuito de esclarecer determinadas questões, como as liminares
das corretoras. Essas quebras de sigilo são fundamentais para o trabalho
desenvolvido pela Sub-Relatoria de Fundos de Pensão, para que busquemos
posições equilibradas, justas, que nos ajudem a detalhar todo o trabalho que
tem sido desenvolvido pela Sub-Relatoria dos Fundos de Pensão e pela equipe
técnica que assessora o Deputado ACM Neto.
Concedo a palavra ao
Deputado Eduardo Paes.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, farei apenas um registro. Não
me parece que V. Exª tenha definido a data da votação do relatório do Deputado
Gustavo Fruet, apresentado na semana passada. Precisávamos definir isso também,
não sei se, talvez, na própria terça-feira, no dia da apresentação...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sugiro, até para não
misturarmos as coisas – gostaria de contar com a compreensão de V. Exª –, que
façamos, na terça-feira, a apreciação dos requerimentos e a exposição completa
do relatório do Deputado José Eduardo Cardozo. Reservaríamos a quinta-feira, às
10 horas, para a discussão do relatório parcial do Deputado Gustavo Fruet.
Seria algo mais razoável. São dois temas de fundamental importância, que
merecem análise, avaliação e votação em separado. Isso seria mais adequado, até
porque vamos conversar com todas as Lideranças, especialmente no que se refere
ao relatório da Sub-Relatoria de Movimentação Financeira.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Faço apenas um breve comentário, Sr.
Presidente, talvez para destacar que – creio que não há necessidade desta
explicação – o Deputado José Eduardo Cardozo pede o adiamento, com toda a
razão.
Desde a semana
passada ou até antes disso, já havíamos feito uma reunião com a presença do
Relator Osmar Serraglio e também do Deputado José Eduardo Cardozo e já tínhamos
algumas dificuldades em coletar algumas dessas informações fundamentais para
que o Deputado José Eduardo concluísse o relatório. Isso ficou, até de certa
forma, como tarefa minha. Na semana passada, em razão da quantidade de tarefas
que tínhamos, não tive a possibilidade de me deter no encaminhamento dos elementos
do documento.
Portanto, é mais do
que justificável e importante que o Deputado José Eduardo Cardozo tenha esse
prazo a mais, para que se conclua o relatório com a presteza com que – não
tenho dúvida – ele virá.
Para terminar minha
explanação, Sr. Presidente, tenho a dizer que, na semana passada, quando muitos
dos presentes de hoje não estavam presentes, houve uma reunião que, em algum
momento, se tornou um tanto quanto belicosa ou beligerante. Enfim, os conflitos
acabaram-se tornando um pouco pessoais. Creio até, Sr. Presidente, que, em
determinado momento, devo ter exagerado na maneira como me coloquei. Assim,
gostaria de externar, publicamente, minhas escusas principalmente à Senadora
Ideli Salvatti, a quem, naquele momento, devo ter-me referido de forma
deselegante. Manifesto isso, porque acredito que todos estamos na busca da
investigação e da identificação.
Esta Comissão
Parlamentar de Inquérito, cada vez, caminha a passos mais firmes na
identificação dessas fontes de recursos desse esquema de corrupção. É
importante que o clima e a relação entre os Parlamentares – que, com todos os
conflitos políticos que existem, sempre foram muito bons – permaneçam assim.
Portanto, manifesto
meu pedido de desculpas, para que possamos prosseguir com toda tranqüilidade e
serenidade. Seguindo nosso Presidente na campanha eleitoral, estou numa fase de
paz e amor.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Passo a palavra ao próximo
orador inscrito.
Eu gostaria que a
Assessoria me informasse se a Srª Carla Cicco já se encontra em condições de
prosseguir. (Pausa.)
Passo a palavra à
Senadora...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pois não. Perdão. A figura da
Senadora Ideli Salvatti é marcante à frente dos Parlamentares.
Passo a palavra ao
Deputado Silvio Torres, por quinze minutos.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srªs e Srs.
Deputados, Srªs e Srs. Senadores, Srª Carla, vou começar com um registro
pessoal: a senhora se considerou desempregada, pelo menos no termo que a
senhora assinou. Isso corresponde à verdade hoje, ou a senhora já se empregou?
A SRª CARLA CICCO – Não, sou desempregada.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Desempregada?
A SRª CARLA CICCO – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A senhora foi demitida?
A SRª CARLA CICCO – Fui demitida, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E foi indenizada pela sua demissão?
A SRª CARLA CICCO – Ainda não tive nenhuma negociação com a Ministra nova, com
a atual administração da BrasilTelecom.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas, certamente, a senhora será devidamente
indenizada pela quebra de contrato, pela demissão.
A SRª CARLA CICCO – Existem contratos. Então, segundo imagino, contrato...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A senhora é uma desempregada, então, com uma
perspectiva bem melhor.
A SRª CARLA CICCO – Não vou pedir nenhuma ajuda de custo.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A senhora, então, foi quem contratou a Kroll.
Aliás, foi a senhora que assumiu a responsabilidade pela contratação da Kroll.
E a senhora resolveu contratar a Kroll na Inglaterra, a representante da Kroll
na Inglaterra. Por que razão não foi contratada a Kroll que tem representação
no Brasil há algum tempo e que trabalha, inclusive, para o próprio Governo,
como a senhora mesma disse?
A SRª CARLA CICCO – A decisão de contratar a Kroll no exterior foi devido
àquele fato de que a Telecom Italia, que era objeto de levantamento de
informações, é uma empresa estrangeira e, além disso, porque qualquer tipo de
informações que pudessem ser levantadas na realidade deveriam ser de eventual
suporte a possíveis ações judiciais que a administração da BrasilTelecom estava
pensando em entrar contra a Telecom Italia ou na Itália ou nos Estados Unidos.
Essa é a razão por que foi contratada a Kroll no exterior.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas a Kroll do Brasil foi informada dessa
contratação, tão logo essa contratação ocorreu?
A SRª CARLA CICCO
– Não sei internamente como é que a Kroll trabalha. Então, não sei se eles
informaram ou não informaram, mas, nos encontros que tive com a executiva da
Kroll no exterior, fui muito clara, falando que queria que essas consultorias
fossem lideradas pela executiva no exterior.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – No entanto, a Kroll no Brasil também participou do trabalho. Das
investigações que foram feitas no Brasil, ela também participou?
A SRª CARLA CICCO
– Não sei, não sei, porque, na realidade, não encontrei esse funcionário da
Kroll do Brasil. Não sei, como já falei a V. Exª, como a Kroll pode desenvolver
o trabalho. Quando você contrata um consultor, você dá um objeto do contrato,
mas como o consultor desenvolve seu trabalho, a metodologia que usa, o
relacionamento interno de empresa, quem é que faz que coisa, tudo isso não é
responsabilidade do contratante, mas é responsabilidade do contratado.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Eu sei, mas é que contrataram a Kroll na Inglaterra. Quando foi
desencadeada a chamada Operação Chacal, da qual a senhora também foi, digamos
assim, vítima, foram presos os diretores da Kroll no Brasil, foram presos os
funcionários da Kroll no Brasil, foi apreendida a documentação da Kroll no
Brasil.
Então, esta é a minha pergunta: se a Kroll do Brasil
respondeu pelos chamados crimes – muitos deles ainda estão sendo apurados –, a
senhora então, provavelmente, deve ter tido, como contratante da Kroll,
encontros ou contatos com a Kroll do Brasil. Ou estão totalmente separadas
essas questões?
A SRª CARLA CICCO
– Não tive encontro com funcionário da Kroll do Brasil sobre esse assunto. O
único encontro que tive, muito rápido, com um funcionário da Kroll do Brasil no
Brasil foi quando foi feito um encontro: era o início de um trabalho para fazer
a avaliação econômica dos danos causados pela Telecom Itália em várias ações
que ela tomou contra a BrasilTelecom. Foi um encontro de quinze minutos, além
de tudo no escritório da BrasilTelecom no Rio.
No que se refere a
essa operação Chacal, sobre a qual V. Exª está falando, não sei as razões por
que os funcionários da Kroll no Brasil foram detidos. Como já falei, o meu
relacionamento era com a Kroll no exterior. Não sei quais foram as outras
causas eventualmente...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Srª Carla, eles estão
processados e foram detidos pelos mesmos motivos por que a senhora está sendo
processada e teve também documentação apreendida, assim como o Sr. Daniel
Dantas. É tudo fruto de uma mesma investigação da Polícia Federal brasileira.
Só não estou conseguindo entender como as pessoas são partes da culpa e não são
partes do trabalho desenvolvido, que está sendo investigado.
A senhora está-nos
dizendo, segundo o meu entendimento, que não teve nenhum contato com a Kroll do
Brasil e que desconhece, inclusive, as pessoas que foram presas e que também
estão sendo processadas, juntamente com a senhora, pelos mesmos fatos.
A SRª CARLA CICCO – Sim, só não me lembro do nome de todas as pessoas. Mas,
pelo que eu me lembro, não encontrei essas pessoas no Brasil e nunca fui aos
escritórios da Kroll no Brasil. Como V. Exª sabe e provavelmente lembra, a
Kroll fez um comunicado oficial, explicando qual era a razão pela qual estava
contratada e também falando que qualquer tipo de documentação publicada na Folha
de S.Paulo não era autêntica – leu aqui. A informação foi manipulada, e
fontes tendenciosas foram consultadas.
A BrasilTelecom ou
eu, pessoalmente, nunca publicamos ou demos alguma publicidade a qualquer tipo
de informação que foi levantada durante o trabalho da Kroll. Na realidade, como
está falando a Kroll aqui, parece que essas informações foram roubadas. Não sei
sobre o envolvimento da Kroll do Brasil no trabalho, porque o meu
relacionamento era, repito, com um funcionário da Kroll no exterior.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, foi a Kroll do
exterior que entregou à senhora aquela fita gravada em que diversos personagens
aqui já mencionados, como o Sr. Cássio Casseb e outros, foram flagrados no
encontro em um hotel em Portugal. Era objeto do interesse da BrasilTelecom
conhecer a finalidade do encontro, o objetivo desse encontro?
A SRª CARLA CICCO – Esse encontro a que V. Exª se refere aconteceu, conforme
a Kroll me reportou, se me lembro, em maio ou junho de 2003, em um hotel de Lisboa.
Se me lembro certo, foi no Four Season, de Lisboa. Na realidade, o objeto do
levantamento não era o Sr. Cássio Casseb. Estavam presentes nessa reunião os
executivos da Telecom Itália, e apareceu também, conforme foi reportado, o Sr.
Cássio Casseb, que, na época, era Presidente do Banco do Brasil.
Mas o relacionamento do Sr. Cássio Casseb com a Telecom
Itália era muito mais antigo. Antigo em que sentido? O Sr. Cássio Casseb foi
representante no Conselho de Administração da BrasilTelecom pela Telecom Itália.
Depois, saiu do Conselho da BrasilTelecom quando a Telecom Itália, em agosto de
2002, saiu temporariamente do controle da BrasilTelecom. Na realidade, ele
deixou de ser representante no Conselho da BrasilTelecom em agosto de 2002 e
depois teve esse encontro.
Na realidade, até
hoje, não foi nunca explicado, do que sei, nunca foi explicado o porquê do
encontro com os representantes da Telecom Itália.
O SR SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sim, mas a suspeita da BrasilTelecom, depois
que testemunhou a presença do Sr. Casseb nesse encontro da Telecom Itália, foi
de que ele estaria então atuando provavelmente em nome de algum representante
de Fundo. Foi isso que a senhora concluiu?
A SRª CARLA CICCO – V. Exª está falando de suspeita. Suspeita é uma palavra
muito relacionada com crime
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, isso é na língua italiana.
A SRª CARLA CICCO – Desculpe-me. Não tenho fatos afora o fato de o Sr. Cássio
Casseb estar presente no encontro. Pode ser muito casual que representantes
executivos de uma empresa italiana se encontrem com o Presidente, na época, do
maior banco do Brasil em Portugal.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ligado ao Fundo mais...
A SRª CARLA CICCO – Então eu digo que pode também ser uma pura coincidência
esse encontro, mas não tenho absolutamente nenhuma possibilidade de julgar o
porquê desse encontro, pelo simples fato de que não sei qual foi o conteúdo do
encontro. Simplesmente me foi relatado que estavam presentes no mesmo lugar na
mesma hora.
A minha avaliação –
esta aqui é somente minha avaliação, então não é pressuposto do fato; e, como
qualquer avaliação, pode ser errada – é de que o Sr. Cássio Casseb sempre, ou
pelo menos no prazo de tempo que trabalhou com a BrasilTelecom, ele sempre apoiou a Telecom
Itália. E a Telecom Itália nesse período estava agindo contra os melhores
interesses da BrasilTelecom. Então a conclusão é: se “a” é igual “b” e “b” é
igual a “c”, “a” é igual é “c”.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, a partir daí, certamente a
BrasilTelecom desenvolveu uma estratégia procurando se defender, porque teve
uma suspeita forte de que realmente tinha os Fundos como aliados da Telecom
Itália. Está certa essa conclusão?
A SRª CARLA CICCO – Não é desse momento. Olhando...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Antes disso tinha suspeita forte?
A SRª CARLA CICCO – Não é que tinha suspeita forte. Na minha dedução, antes
também disso, era fato que olhando, como já expliquei a esta Comissão, a
postura dos Fundos de Pensão durante reunião de conselho, a posição dos Fundos
de Pensão era quase sempre em alinhamento, na época, com a decisão da Telecom
Itália. Pode ser uma coincidência.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, Srª Carla, eu prestei muita atenção na
sua explicação. O que quero que a senhora me responda “sim” ou “não” é, se a
partir desse dia, quando a senhora recebeu esse vídeo, a partir daí,
confirmaram então que havia realmente um interesse maior. É isso?
A SRª CARLA CICCO – Acho que sim. Acho que confirmou, não é que mudou.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ou seja, o trabalho da Kroll contribuiu.
A SRª CARLA CICCO – Acho que confirmou, não é que...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O trabalho da Kroll então confirmou?
A SRª CARLA CICCO – Confirmou, mas não é que mudou a postura da
BrasilTelecom.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Está bom. Confirmou.
A senhora atribui...
A que a senhora atribui o fato de de repente ter transbordado, o fato de as
apurações da Kroll terem transbordado para uma operação tão forte quanto foi
aquela da Polícia Federal que passou a prender diretores da Kroll no Brasil,
apreender documentos da senhora, do Sr. Dantas? A senhora atribui a que razão
isso? Houve, digamos assim, algum fato que pudesse estar diretamente
relacionado a isso por parte da Kroll ou por parte dos outros fatos que estavam
envolvendo a BrasilTelecom na disputa. Existe algum fato que a senhora pudesse
registrar como fato determinante?
A SRª CARLA CICCO – Não, não tem um fato determinante de por que essa
contratação da Kroll, como V. Exª falou uma palavra muita certa, “transbordou”.
Também fui surpreendida lá atrás e até hoje estou muito surpresa com esse
transbordamento, mas não posso julgar porque transbordou tanto.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A senhora tomou conhecimento de que a Kroll do
Brasil prestava serviços de auditoria para a Copel durante o período em que,
mais ou menos, estava ocorrendo o mesmo trabalho de investigações da Kroll da
Inglaterra, na Telecom Itália?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não sei se a senhora tomou conhecimento da
notícia de que, nessa auditoria da Copel, teriam sido encontradas
irregularidades que envolviam pessoas ligadas também aos Fundos de Pensão que,
na ocasião, se digladiavam com a BrasilTelecom, e que o resultado dessa
auditoria chegou às mãos dos Fundos de Pensão e eram irregularidades
gravíssimas acontecendo, que, provavelmente, teriam interferido na decisão de
desencadear essa operação toda de transbordo, digamos assim. A senhora teve
conhecimento? Ouviu falar sobre isso?
A SRª CARLA CICCO – Não. Agora foi a primeira vez que ouvi falar disso, que
estou registrando isso.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, Sr. Presidente, eu só queria fazer uma
consideração com V. Exª. É que só estão incluídas as perguntas e as respostas
nos meus 15 minutos. Com isso, acho que eu fico um pouco prejudicado.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT
– MS) – Mas, Deputado Silvio Torres, essa foi sempre aqui a lógica. Nós não
contamos perguntas em 15 minutos e as respostas o quanto tempo for. Nós
incluímos, nos 15 minutos, as perguntas e as respostas.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Eu pediria, então, a V. Exª que me desse oportunidade de fazer
mais rápido as perguntas. Eu cheguei às 11 horas da manhã infelizmente, e
aguardei tudo com bastante paciência. Não queria perder essa oportunidade.
Serei breve e objetivo.
Outra pergunta a Dª Carla. Quando houve essa demora do BNDES
em liberar os recursos solicitados pela BrasilTelecom, alguém da BrasilTelecom
procurou pelo então Ministro José Dirceu?
A SRª CARLA CICCO – Não.
A SRª CARLA CICCO
– Eu não estava; eu, pessoalmente, não. E posso assegurar quase 100% que
ninguém da administração, à época, da BrasilTelecom S. A. procurou o Sr. José
Dirceu.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E o empréstimo acabou saindo de uma maneira
atrasada mas sem nenhuma pressão, sem nenhuma força?
A SRª CARLA CICCO
– Como já falei, a administração da BrasilTelecom estranhava esse atraso, mas a
administração da BrasilTelecom fez todo o trabalho possível, interno, técnico,
com o BNDES para poder esclarecer qualquer dúvida que no curso desse processo
surgiu, o que levou, depois, a liberarem o empréstimo depois de mais de 700
dias. O trabalho feito pela BrasilTelecom foi um trabalho muito técnico. Era o
único trabalho que a BrasilTelecom sabia fazer.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – A senhora conhece o Sr. Carlos Rodemburg, Vice-presidente do
grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Conheço.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – A senhora convivia com ele quando a senhora era Presidente da
BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não convivia. Não sabia das suas atividades?
A SRª CARLA CICCO – Não, meu relacionamento com o Sr. Carlos Rodemburg era
muito esporádico.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A senhora tomou conhecimento que ele manteve
seis reuniões com o Sr. Marcos Valério?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ele alguma vez sugeriu para a senhora a
contratação das agências do Sr. Marcos Valério?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Sr. Daniel Dantas sugeriu para a senhora a
contratação?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A
diretoria de marketing sugeriu para a senhora a contratação da DNA e da
SMP&B?
A SRª CARLA CICCO – Na realidade, a contratação, como eu já expliquei, a DNA
entrou... Estava dando alguma assessoria esporádica e, quando, neste ano, a
BrasilTelecom terminou a contratação com uma agência, precisava uma outra, o
nome DNA surgiu muito espontaneamente. Então, não...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas a diretoria de marketing participou da
contratação?
A SRª CARLA CICCO – Participou, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A informação que temos é que a diretoria de marketing
não sabia sequer dos valores da contratação e teve de pedir um orçamento extra,
o que foi decidido pela cúpula da empresa.
A SRª CARLA CICCO – Não, a administração da BrasilTelecom, os diretores
sabiam dessa contratação, tanto que quando... Tanto que ele... (Incompreensível.)
...aqui de R$138 mil. Uma coisa...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas o levantamento da CPMI dos Correios indica
que as empresas do Grupo Opportunity, a BrasilTelecom, a Telemig Celular e a
Amazônia Celular movimentaram cerca de R$145 milhões para o Sr. Marcos Valério.
A senhora tinha conhecimento?
A SRª CARLA CICCO – Eu sabia que a DNA... Na realidade, descobri quando
começou a surgir (Incompreensível.) a DNA era fornecedora de serviços na
Telemig, mas os serviços que a DNA e a outra companhia, a SMP&B, deram para
a BrasilTelecom foram, durante o curso dos anos, esporádicos. Sempre era um
pedido específico. Então, o pagamento era feito contra o recebimento do
trabalho.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A SMP&B, em 2004, movimentou R$3,5
milhões?
A SRª CARLA CICCO – Foram R$3,5 milhões, contra trabalho feito.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E, quanto à DNA, foram R$ 823 mil?
A SRª CARLA CICCO – Em 2003, o valor das contratações da DNA para a
BrasilTelecom representou 0,9% de todos os investimentos de marketing
que foram feitos pela BrasilTelecom no ano. A BrasilTelecom, em 2001, tinha,
como percentual de despesa de marketing sobre a receita líquida, 2%. Em
2004, foi 1,5%. Então...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Agradeço. Eu já ouvi essa informação da
senhora, mas esse trabalho que custou R$823 mil à BrasilTelecom...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Silvio Torres,
concluindo, por favor.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Já vou encerrar, Sr. Presidente.
O objetivo dele foi
traçar um diagnóstico para fundamentação de comunicação do marketing
para 2004 e 2005, a partir de um novo cenário econômico e político, após as
eleições municipais de 2004, para os nove Estados de cobertura e atuação da
BrasilTelecom. Foi a senhora que fez esse contrato?
A SRª CARLA CICCO – Não. Pode ser que eu tenha assinado, mas o escopo do
contrato era sempre redigido pela administração das diferentes diretorias.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Está escrito no documento.
A SRª CARLA CICCO – Então, sim. Então, confirmo.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Custou R$823 mil. E esse trabalho, avaliado no
mercado, valia R$50 mil. A senhora sabia disso? A avaliação de mercado desse
trabalho. A senhora que disse que economizou tanto assim...
A SRª CARLA CICCO – As avaliações sobre contratação de consultores são sempre
muito subjetivas. Então, presumo que, considerando a rigorosidade com que a
BrasilTelecom sempre contratava, o pagamento que foi feito foi frente ao
trabalho que foi recebido, tanto que foi auditado, sem problema nenhum, na
auditoria, que foi uma auditoria interna e uma auditoria externa.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Está bom, Sr. Presidente. Vou atender à
determinação de V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Deputado Silvio
Torres.
Com a palavra, a
Senadora Ideli Salvatti, por quinze minutos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Srª Carla Cicco, as informações que temos a
respeito dos contratos foram o que acabou motivando a sua vinda para prestar
este depoimento. No depoimento do Sr. Daniel Dantas, quando ele foi questionado
a respeito das relações com o Marcos Valério, ele disse que havia visto o
Marcos Valério no corredor, e que não tinha relações. Quando foi perguntado se
havia contratos da BrasilTelecom com as empresas do Marcos Valério, ele negou.
Ele disse que não havia contratos da BrasilTelecom com as empresas do Sr.
Marcos Valério e que o publicitário da BrasilTelecom era o Sr. Duda Mendonça. E
nós tínhamos, aqui, na quebra do sigilo, uma informação que nos chamava muito a
atenção. Eram os pagamentos da BrasilTelecom em um montante de quase R$5
milhões: R$3,5 milhões; depois, mais R$850 mil. Nós todos ficávamos tentando
entender por que a BrasilTelecom pagava às empresas de Marcos Valério se não
havia contrato. Depois, fomos surpreendidos pela imprensa com os contratos
assinados. Um dos contratos foi assinado no dia 25 de abril de 2005, exatamente
três dias antes de ter sido feito o acordo para que Daniel Dantas vendesse sua
participação na BrasilTelecom por 341 milhões de euros. Depois, logo em
seguida, no dia 20 de maio, houve outro contrato. Logo em seguida, poucos dias
depois, exatamente depois do Sr. Daniel Dantas receber o pagamento de 50
milhões de euros da Telecom Itália.
Fica uma pergunta. Em
primeiro lugar: por que foram realizados esses pagamentos sem contratos, ou
antes dos contratos, no ano de 2004? Foram seis trabalhos. Não vou entrar nas
especificações, porque o Deputado Silvio, inclusive, já deu aquele valor de
superfaturamento: R$850 mil, que o mercado avalia como sendo, no máximo, R$50
mil. Então, por que houve esses serviços prestados sem contrato? Por que foram
assinados esses contratos? O que esses contratos assinados têm a ver com essa
transação entre o Sr. Daniel Dantas e o acordo de pagamento com a Telecom
Itália?
A SRª CARLA CICCO – A BrasilTelecom não fez nenhum
pagamento à DNA e à SMP&B sem
contrato. Precisamos definir dois tipos de contratação que a BrasilTelecom
fazia, e estou falando agora do passado, em termos de publicidade.
A BrasilTelecom é uma
empresa que precisa fazer muita publicidade. Está entrando no setor de
celulares, de voz sobre IP, de nossos serviços, precisa constantemente estar
perto dos consumidores. Considerando a evolução dos últimos três, quatro anos,
das telecomunicações, também os pedidos movidos pela necessidade de publicidade
aumentavam sempre.
A BrasilTelecom
tinha, normalmente, “três agências” – entre aspas – que prestavam serviço há
tempos à companhia. Depois, durante anos, para trabalho bem específico, foram
feitas contratações específicas para determinado tipo de trabalho. Então,
presumo que, quando V. Exª está falando dos sem contratos, esteja se referindo
a esse tipo de serviço feito esporadicamente. Esse tipo de serviço feito
esporadicamente era um serviço que era definido diretamente pela Diretoria de Marketing,
segundo a necessidade, e baseado, presumo, na experiência de cada empresa.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Só para especificar. Dia 30 de julho: R$1,150
milhão para a SMP&B; em 30 de
julho: R$566 mil para a SMP&B; em 30 de
julho: R$850 mil para a SMP&B. Portanto,
tudo do ano passado. São valores significativos. Em 2 de agosto: mais R$460
mil; em 14 de setembro: R$335 mil; em 14 de outubro: R$15 mil; em 23 de dezembro:
R$90 mil. Perfazendo quase R$3,5 milhões em menos de quatro meses. Para a DNA,
R$823 mil, no dia 8 de agosto de 2003.
E, quando o Sr.
Daniel Dantas veio aqui depor, os dois contratos já estavam assinados.
Portanto, a relação da BrasilTelecom com as empresas de Marcos Valério já vinha
em pagamentos, contratos esporádicos ou contratos firmados mesmo efetivamente.
Portanto, como é que
o Sr. Daniel Dantas não sabia das relações e diz: –“Não, da BrasilTelecom com
as empresas do Marcos Valério, nada. Apenas o Sr. Duda Mendonça que tinha
relações com as empresas do Marcos Valério!”
A SRª CARLA CICCO – O Sr. Daniel Dantas nunca foi envolvido nas operações, na
operacionalidade, da BrasilTelecom. Então, o fato de que ele falou que não
sabia, evidentemente é porque não sabia. As decisões de contratações eram
tomadas na administração da empresa.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Só a senhora, então, que sabia! Ele, não!
A SRª CARLA CICCO – Não, eu era a Presidente da empresa, então as minhas
diretorias...
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Eu não posso afirmar que ele mentiu à CPMI,
então! Ele não tinha obrigação de saber!
A SRª CARLA CICCO – Ele não tinha nenhuma obrigação de saber!
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Não tinha obrigação de saber!
A SRª CARLA CICCO – Absolutamente!
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Contratos desse tipo, como o assinado no dia 20
de maio, estavam na supervisão da senhora exclusivamente?
A SRª CARLA CICCO – Não.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Por que não foram assinados pela divisão de marketing?
Contratos desse porte, obrigatoriamente, têm de passar pela decisão da senhora?
A SRª CARLA CICCO – Contrato desse porte, conforme existe no Estatuto da
BrasilTelecom, os contratos precisam ser assinados pelos dois diretores, que
tinham a procuração....
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Eles não tinham obrigação de passar por nenhuma
outra instância da empresa.
A SRª CARLA CICCO – Não, existe todo um processo, existe todo um processo.
Então o fato, se me lembro ao certo, é de que esse contrato foi assinado por
mim e pela diretora, à época, da MS, que era a Diretoria de Material e de
Serviços. E isso era uma coisa muito comum. Na BrasilTelecom, existem dezenas
de contratos. Então eu assinava muito contrato junto com a Diretora de Material
e de Serviços. Também o Diretor Financeiro poderia assinar, eu poderia assinar
junto com o Diretor Financeiro. Estou aqui baseada no Estatuto Social da
companhia.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – E é mera coincidência o fato de os dois
contratos terem sido feitos um pouquinho antes e um pouquinho depois dessas
negociações para esse acordo do Daniel Dantas com a Telecom Itália. É só
coincidência.
A SRª CARLA CICCO – Eu creio que seja absolutamente coincidência, porque a
BrasilTelecom, como eu estava falando, estava negociando o desligamento de uma
outra pequena empresa de publicidade da companhia, e, depois, aconteceu no
mesmo tempo. V. Exª que me está fazendo, pela primeira vez, notar essa
coincidência. Eu não sabia.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Só isso.
Mas quando a senhora
assumiu a Presidência da BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – Eu fui eleita em fevereiro e assumi a Presidência em
março de 2001.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Fevereiro....
A SRª CARLA CICCO – Eu fui eleita em fevereiro de 2001 e assumi em março de
2001.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Março de 2001. Isso como Presidente!
A SRª CARLA CICCO – Como Presidente, sim!
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – E, antes de a senhora estar como Presidente da
BrasilTelecom, a senhora trabalhava onde?
A SRª CARLA CICCO – Eu estava dando consultoria pela CVC Opportunity. Citibank
Venture Capital Opportunity.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – A senhora era funcionária, então era empregada,
do grupo Opportunity.
Quando a senhora foi
contratada pelo grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Em 99.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Noventa....
A SRª CARLA CICCO – ...e nove. 1999.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – E, antes do grupo Opportunity, a senhora
trabalhava onde?
A SRª CARLA CICCO – Trabalhava para a Telecom Itália.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Para a Telecom Itália.
Quando a senhora saiu
da Telecom Itália?
A SRª CARLA CICCO – Final de 1998.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – 1998.
Quando houve a
privatização do Sistema Telebrás, a senhora estava onde?
A SRª CARLA CICCO – Eu fui a responsável pela Telecom Itália, pelas operações
aqui no Brasil, liderando o processo de privatização da Telebrás.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Quer dizer que, quando houve a privatização, a
senhora era funcionária da Telecom Itália.
A SRª CARLA CICCO – Sim.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – Terminou o processo de privatização, a senhora
passou a ser funcionária do grupo Opportunity.
A SRª CARLA CICCO – Sim.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – No início de 2001, a senhora passou a ser
Presidente da BrasilTelecom.
A SRª CARLA CICCO – Sim.
A SRª IDELI SALVATI (PT – SC) – E a senhora quer me dizer que essas
coincidências aqui são só coincidências?
A SRª CARLA CICCO – Quais as coincidências?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – As coincidências a que eu terminei de me referir
antes, de determinados contratos e expedientes e situações envolvendo as
empresas do Marcos Valério, que aqui nós temos já fortes indícios, que têm
muita relação de operar nos interesses do Sr. Daniel Dantas nas brigas,
inclusive na aproximação para tentar abrir brechas dentro do Governo para os
interesses do Sr. Daniel Dantas. A senhora acha que isso tudo é coincidência?
A SRª CARLA CICCO – É coincidência.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quanto é que a senhora ganhava quando trabalhava
na Telecom Itália?
A SRª CARLA CICCO – Na Telecom Itália? Não me lembro. Foi quase oito anos
atrás, não me lembro.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quanto é que a senhora foi ganhar nas empresas
do Sr. Daniel Dantas?
A SRª CARLA CICCO
– Não me lembro, mas a diferença não era muita, não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Não era muita?
A SRª CARLA CICCO
– Não era muita, não. Não me lembro.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – E foi conveniente?
A SRª CARLA CICCO
– Eu decidi sair da Telecom Itália antes de receber o convite do Sr. Artur
Carvalho. A minha decisão da Telecom Itália foi uma decisão puramente pessoal.
Na época da Telecom Itália, eu tinha passado pela mudança de controle e não me
sentia mais confortável para trabalhar em uma empresa que não estava com...
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – A informação que nós temos é que é a senhora foi ganhar dez vezes mais
no Grupo Opportunity.
A SRª CARLA CICCO
– Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – A senhora pode se comprometer? Senão nós vamos fazer um requerimento
para que sejam apresentados os comprovantes de pagamentos de quanto a senhora
recebia na Telecom Itália, de quanto a senhora passou a receber nas empresas do
Grupo Opportunity, e de quanto a senhora passou a receber como Presidente da
BrasilTelecom. A senhora pode fornecer essas informações voluntariamente?
Senão, nós vamos fazer os requerimentos.
A SRª CARLA CICCO
– Acho que posso fornecer.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Pode fornecer.
É porque a sensação que passa é que essa história da... A
briga da Telecom Itália com a BrasilTelecom acabou sendo uma briga de
interesses econômicos, e não pequenos. Então, me parece interessantíssimo e
realmente muito oportuno que alguém que esteve do lado de lá de repente passe
para o lado de cá e aí opera, não é? E com poderes de operar
significativamente.
Então, eu já vou deixar aí e, se a senhora já puder
fornecer, eu acho excelente, senão nós vamos requerer.
Quero ainda fazer outras perguntas. O meu tempo já está...
Nós tivemos ainda a questão da Kroll. A senhora está sendo indiciada por
formação de quadrilha e espionagem por ter usado a Kroll para... Inclusive tem
um termo aqui de reportagem que diz o seguinte: “Carla Cicco entrou sorridente
na sede da Polícia Federal em Brasília acompanhada de seus advogados, antes de começar
o depoimento, ela foi informada de seu indiciamento. Ao sair da sede da Polícia
Federal, às 13 horas, Cicco estava visivelmente abatida e em silêncio. Ao todo,
cinco advogados e dois funcionários da BrasilTelecom acompanharam Carla no
depoimento, inclusive Luiz Octávio da Motta Veiga, Presidente do Conselho da
companhia telefônica”.
À Polícia Federal V. Sª teria se negado a dar resposta sobre
relatórios que foram encomendados à Kroll. Esses documentos contêm quebras de
sigilo, inclusive do então Presidente do Banco do Brasil no Governo do PT,
Cássio Casseb. Por que a senhora se negou a dar esses relatórios? Por que a
senhora impediu que esses relatórios possam ser do conhecimento de todos?
Como o meu tempo já está acabando, eu queria fazer mais
algumas perguntas para poder aproveitá-lo melhor.
Nós temos uma reportagem, um artigo do Sr. Josias de Souza,
que eu vou pedir que seja anexado aos autos da CPMI, em que ele faz uma série
de observações, inclusive se refere ao Sr. Ney Figueiredo, ex-consultor da
Febraban, da Fiesp e da CPNI, que foi contratado, ano passado, para trabalhar a
imagem do Sr. Daniel Dantas. Em dezembro de 2004, o Sr. Ney Figueiredo desistiu
da missão e, no livro que ele lançou, Diálogos com o poder, ele dedica
um capítulo inteiro à venda das telefônicas:
“O
problema das privatizações do Brasil passa pelo financiamento das campanhas
eleitorais, tendo como subprodutos as malsinadas sobras de campanha e o pedágio
do intermediário.
Figueiredo
reproduz no livro uma pergunta que Dantas confidenciara a políticos de sua
confiança: o que aconteceu com o ex-Diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio
de Oliveira, levando-se em conta a história que circula nos bastidores sobre os
famosos 30 milhões que teriam sobrado na operação Telemar (...)”
E por aí vai o resto
da reportagem.
Entre os
documentos... Há uma ação, já encaminhada ao Ministério Público, que trata
exatamente da CRT. Houve várias perguntas aqui sobre a CRT. Entre os documentos
que fundamentaram a requisição junto ao Ministério Público, há uma inquietante
carta do publicitário Mauro Salles ao então Presidente Fernando Henrique. Essa
reportagem também se refere – é pena que S. Exª não esteja aqui – ao Deputado
José Eduardo Cardozo, que também havia municiado o Ministério Público com essa
investigação sobre a CRT.
Então, eu queria que
a Srª Carla Cicco pudesse nos dar algum esclarecimento sobre a questão dos
relatórios que não foram fornecidos quando ela foi depor à Polícia Federal no
inquérito que está aberto, dando seu indiciamento, e o que ela tem a dizer a
respeito dessas declarações do Sr. Ney Figueiredo e a respeito da carta do Sr.
Mauro Salles também sobre o processo da CRT.
E já quero, Sr.
Presidente, solicitar minha reinscrição porque tenho uma série de outras
perguntas ainda a fazer.
A SRª CARLA CICCO – Durante meu depoimento na Polícia Federal, não me recusei
a entregar nenhum relatório, que eu me lembre; não me recusei nem me foi
perguntado lá durante o depoimento. Está aí meu depoimento, então resulta que
não me recusei porque não me foi perguntado.
Depois, não me lembro
dessa carta que você está citando, de Mauro Salles ao Presidente da época,
Presidente Fernando Henrique. Então, não posso comentar porque não me lembro da
carta.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, na minha reinquirição quero
detalhar melhor as questões para poder fazer mais perguntas sobre esse assunto,
até para, de repente, poder avivar a memória da Srª Carla Cicco.
Entretanto, eu queria
já, Sr. Presidente, pedir que, nas tratativas com o Supremo Tribunal Federal,
nós pudéssemos ter uma situação definida a respeito da requisição do disco
rígido do Banco Opportunity. E eu queria inclusive um posicionamento público do
Sub-relator, Deputado ACM Neto, porque considero de fundamental importância, se
quisermos aprofundar e fazer uma análise efetivamente adequada e correta do que
foi e o que tem sido a atuação dos fundos de pensão neste País na última
década, termos aquela quebra de sigilo disponibilizada para a CPMI.
Então, acho de
fundamental importância que o Sub-relator possa ter uma posição inclusive
pública, como nós fizemos, quando fomos conversar com a Ministra Ellen Gracie,
que agora, inclusive, pediu mais subsídios para que pudéssemos consubstanciar a
necessidade efetiva da transferência daquele sigilo para esta CPMI.
Até porque fazer
perguntas à Srª Carla Cicco para que ela dê juízo de valor, se pode ou se não
pode... Não quero desqualificar o juízo de valor de ninguém, mas juízo de valor
de alguém que está envolvido até o último fio de cabelo e já esteve dos dois
lados é algo que podemos efetivamente dispensar. E foram feitas várias
perguntas no sentido de que ela respondesse se podia ou se não podia acontecer
determinadas situações ou se tais ou tais hipóteses, tais ou tais teses eram ou
não eram válidas.
Então, muito mais
eficiente para esta investigação, até mais eficiente do que qualquer pergunta
que ela possa vir ou não a responder, seria efetivamente podermos ter acesso
aos documentos. Quero reforçar a importância de termos a transferência do sigilo
do disco rígido do Banco Opportunity e também quero depois, aqui, fazer os
requerimentos de diversos documentos que já embasaram algumas das perguntas que
eu fiz e que, no próximo momento, vou voltar a tocar ainda para reforçar as
perguntas.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli Salvatti, vamos
juntar aos autos da CPMI dos Correios o artigo do jornalista Josias de Sousa.
Amanhã teremos uma boa oportunidade para discutir isso com a Presidência do STF
em agenda que estamos solicitando para o dia de amanhã.
Passo a palavra ao
Deputado Jorge Bittar, por quinze minutos.
Estão reinscritos a
Senadora Ideli Salvatti e o Deputado Silvio Torres.
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Srª Carla Cicco, minha primeira
pergunta a ser feita à senhora vai no sentido do chamado rumoroso processo de
aquisição do CRT pela BrasilTelecom. É sabido por todos que havia uma
incompatibilidade regulatória que forçava a CRT a vender essa empresa. Por
outro lado, só a BrasilTelecom tinha condições plenas de adquirir a CRT. Isso
de um lado, ou seja, havia uma negociação em que os dois estavam fadados a
encontrar um ponto de equilíbrio: a CRT como vendedora e a BrasilTelecom como
importante compradora de uma empresa que operava e opera, via BrasilTelecom,
num mercado fundamental, que é o mercado do Rio Grande do Sul.
No que diz respeito à gestão da BrasilTelecom, consta – e é
público e notório – o papel determinante que o Sr. Daniel Dantas teve durante
todo o período em que o grupo Fundo CVC, gerido pelo Sr. Daniel Dantas,
controlou a empresa. Não é exagero dizer que o Sr. Daniel Dantas controlou com
mão de ferro a empresa e foi protagonista de disputas societárias que
certamente vão marcar a história do capitalismo brasileiro ao enfrentar a
Telecom Itália no rumoroso processo de contratação com a saída da Telecom
Itália para explorar a telefonia celular, bem como no rumoroso processo que a
Telecom Itália desenvolveu quando da disputa com o Sr. Daniel Dantas para poder
voltar ao controle da empresa. Posteriormente, tivemos uma verdadeira Batalha
de Waterloo, que foi a batalha com os fundos de pensão. Então, não se pode
dizer que o Sr. Daniel Dantas era um protagonista frágil. Ao contrário: é fácil
se afirmar que o Sr. Daniel Dantas foi um protagonista fundamental nesse
processo.
Por que a senhora e o Sr. Daniel Dantas se fazem de vítimas
nessa história da venda da empresa, alegando um suposto acordo entre o grupo
Telefônica e a Telecom Itália no exterior, referendado internamente pelos
Fundos de Pensão e com o aval da Anatel? Foi assim que o Sr. Daniel Dantas
colocou e assim que a senhora fez menção ao ser indagada pelo nosso
Sub-relator, Deputado RELATOR Neto.
Com que fundamento a senhora considera que tenha havido essa
trama se Daniel Dantas tinha na prática poder de veto sobre decisão do próprio
Conselho de Administração da empresa? Não se pode alegar: “Ah, não, os Fundos
decidiam no Conselho de Administração”. Ele demonstrou durante esse processo
todo que controlou a empresa com mão de ferro a despeito da maioria do capital
da empresa estar nas mãos da Telecom Itália, do Citigroup e dos Fundos de
Pensão.
Gostaria que V. Sª nos esclarecesse sobre essa questão
porque acredito que é exemplar na relação do Sr. Daniel Dantas com a empresa.
A SRª CARLA CICCO – Dr. Daniel Dantas não tinha nenhum papel na gestão diária
da empresa. Em realidade, o relacionamento que eu tinha... Eu respondia pelo
Conselho de Administração da BrasilTelecom. Se você me conhecer muito bem, é
muito difícil que eu poderia ter acertado, na empresa, com uma terceira pessoa
que seja para definir a estratégia ou a operacionalidade da empresa. A pessoa
no Grupo Opportunity com quem havia uma interface era o Dr. Arthur Carvalho, o
diretor do Conselho de Administração da BrasilTelecom e era a pessoa que no
Grupo Opportunity se ocupava dos investimentos que o Fundo CVC tinha nas várias
empresas.
Eu, pessoalmente, não
me sinto vítima no assunto da CRT. Em realidade, eventualmente, os
comprometidos foram os investidores da BrasilTelecom. O fato da CRT aconteceu
antes que eu assumisse a empresa. Eu relatei quais foram os fatos e a minha
visão sobre o superfaturamento de pagamento; eu nunca falei nesta Comissão que
foram os fundos de pensão a causa do superfaturamento. Em realidade, acho que o
superfaturamento foi causado por um acordo que a Telecom Itália, o Presidente
da Telecom Itália à época, Roberto Colanino, fechou com o Presidente da
Telefônica, Sr. Villalonga. Então, eu não acusei os fundos de pensão de ter
feito isso.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Mas como que um acordo desse, firmado no
exterior, iria se viabilizar se a diretoria executiva da empresa, comandada
pela senhora, era contra aquele valor de compra da CRT?
A SRª CARLA CICCO – Eu, na época, não era Presidente da BrasilTelecom...
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Mas a senhora era uma das principais consultoras
do grupo Opportunity e este comandava a diretoria executiva da BrasilTelecom.
A SRª CARLA CICCO – Eu não era a pessoa que fazia a interface com as empresas
de telefonia onde a CVC/Opportunity tinha já participação. Eu não era parte do
conselho da administração. A minha função na CVC/Opportunity era avaliar outros
investimentos. Então, não era eu a pessoa que fazia a interface com a diretoria
da BrasilTelecom. A minha função, como já falei, o meu papel era na compra da
CRT, de parte da BrasilTelecom. Fui dar um suporte até que fosse completada a
avaliação.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – A senhora não foi tão categórica como está sendo
agora, de se eximir de responsabilidade nisso, quando se referiu ao nosso
Sub-relator. Eu não entendi dessa forma. Entendi que a senhora estava
criticando duramente aquele procedimento na suposição de que a senhora conhecia
o valor econômico da empresa, ou seja, o valor presente dessa empresa,
efetivamente, para que a senhora pudesse fazer afirmação de que ela estava
sendo comprada por um valor acima do que ela valia efetivamente.
A SRª CARLA CICCO – Eu posso afirmar que a minha avaliação, na época, do
preço de compra da CRT era baseada no conhecimento. Eu tinha participado, em
1996, do processo de privatização da CRT e, depois, como eu já confirmei,
durante o meu relato antecedente ao Deputado ACM Neto, a minha função e o meu
papel durante a compra da parte da BrasilTelecom pela CRT foi de participar nas
avaliações técnicas. A partir daquele momento, quando foi estabelecido um
intervalo de preço da parte do consultor financeiro, a partir daquele momento,
eu não fui envolvida mais no processo diretamente. Então, quaisquer
informações...
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – E por que a senhora acha que o Sr. Daniel
Dantas, que foi tão duro no enfrentamento da Telecom Itália, no enfrentamento
dos fundos e em outras circunstâncias, cedeu tão facialmente para algo que
representava um prejuízo para a empresa em que ele era o principal gestor,
efetivamente.
A SRª CARLA CICCO – Pode me repetir a pergunta, pois não entendi.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Em tese, a empresa perdeu de setenta - a ser
verdadeira a informação que nos trouxe aqui o Sr. Daniel Dantas e confirmada
pela senhora - de US$70 a US$250 milhões, dependendo da avaliação feita, já que
ela foi comprada por US$800 milhões, e o seu preço de avaliação oscilava entre
US$250 milhões, no mínimo, a US$730 milhões.
Ora, como o Sr.
Daniel Dantas foi tão dócil em permitir que a empresa gerida por ele pudesse
abrir mão desse volume imenso de recursos financeiros?
A SRª CARLA CICCO – V. Exª está me pedindo para responder em nome do Sr.
Daniel Dantas.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – A senhora nunca perguntou a ele; a senhora, como
gestora da empresa, quando passou a ser gestora da empresa?
A SRª CARLA CICCO – Eu não perguntei para ele esse específico assunto.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – O que eu quero caracterizar, Drª Carla Cicco, é
que se faz muita política e muita espuma, mas não se apresentam provas. Eu
nunca vi o fluxo de caixa descontado que demonstrasse o valor real dessa
empresa. Nunca vi nenhuma afirmação categórica com relação a quem, na Anatel,
foi responsável por isso. Isso foi no governo passado. O nosso Governo não tem
nada a ver com isso. Mas, a bem da verdade, julgo importante que sejam apuradas
essas coisas. Então, eu, sinceramente, acho que há muita leviandade na maneira
como se colocam essas coisas. Outra coisa que eu gostaria de dizer. A senhora
fez acusações que reputo como graves feitas à Anatel. A senhora disse que a
Anatel não agiu corretamente com a BrasilTelecom na avaliação do cumprimento
das metas de universalização. Eu ouvi da senhora com absoluta precisão. Eu
gostaria que a senhora esclarecesse isso de maneira clara e direta, ou seja, em
que momento a Anatel feriu a legislação, a lei geral de telecomunicações, o
plano geral de outorgas, o plano de universalização de telecomunicações.
A SRª CARLA CICCO – Durante o processo de aprovação de universalização das
metas da Anatel, no processo, a primeira etapa começou em final de fevereiro,
março de 2003. Ele foi completado em janeiro de 2004. Foram dez meses. E, da
metade de agosto de 2003, a diretoria da BrasilTelecom estava informando à
Anatel que já praticamente o processo estava fechado. O improviso, o processo
parou; e foi retomado somente em setembro. E, durante o curso desse processo,
sempre surgiam novos pedidos, novos pedidos, novos pedidos...
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Pedidos ilegais?
A SRª CARLA CICCO – Não, tanto que eu não falei...
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sinceramente, a sua afirmação não fica de pé. É
apenas isso que eu queria saber, porque é fácil fazermos acusações. Eu acho que
quem faz acusação tem o ônus da prova; deve demonstrar de maneira cabal que
houve prejuízo intencional, que foi ferida a legislação, as regras que
regulamentam o setor de telecomunicações. Não me parece que a senhora tenha
apresentado.
A SRª CARLA CICCO – Quando a Anatel deu a aprovação, dezoito meses depois, e
sobreposição da licença, ela feriu a lei, porque a lei proíbe ter sobreposição
de licença; e foram dados dezoito meses pela BrasilTelecom e para a Telecom
Itália de manter licença na mesma área, seja pela longa distância, seja pela
telefonia celular.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Perfeito. A justiça se pronunciou sobre esse
tema a partir de iniciativa da BrasilTelecom, de qualquer pessoa?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Então, não me parece que seja rigorosamente
correta a afirmação de V. Sª. O mesmo se pode dizer com relação ao papel da
Anatel, antes e depois da gestão do Sr. Renato Guerreiro, alguém por quem tenho
um apreço muito grande. Quero lembrar que depois de Renato Guerreiro assumiu,
ainda no governo passado, Antonio Carlos Valente, que era um profissional do
mesmo grupo de Renato Guerreiro, profissional respeitadíssimo no mercado que
hoje, até lamentavelmente está fora do País. Ele se encontra no Peru. Depois
assumiu Pedro Jayme Ziller e Elifas Gurgel do Amaral. Não me consta que tenha
havido nenhum protesto da BrasilTelecom ou de qualquer empresa nesse sentido,
no sentido de avaliar que os procedimentos estão fugindo às leis ou às regras
do marco regulatório em nosso País.
A senhora fez a
afirmação sobre BNDES também. A senhora insinuou, aqui, que o BNDES teria
propositalmente prejudicado a BrasilTelecom na gestão passada.
Eu tive a
oportunidade de consultar o BNDES nesse intervalo de tempo, pedi até
informações oficiais do BNDES e tive a informação preliminar de que esse
empréstimo foi concedido há mais de um ano; portanto, enquanto a senhora ainda
era Presidente da empresa. Com que fundamento a senhora alega que o BNDES
estava prejudicando a gestão da BrasilTelecom quando a senhora era a Presidente
da empresa? Foi para alegar apenas que o período de tempo foi relativamente
longo? Seria preciso se cotejar esse tempo com os usuais do banco. A senhora
tem provas de que o banco extrapolou em muito os prazos usuais para análise de
projetos?
A SRª CARLA CICCO – Eu nunca afirmei que o financiamento do BNDES foi
aprovado depois; tanto que eu falei que foi aprovado em 2004, quando...
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Mas não havia ficado claro.
A SRª CARLA CICCO – Desculpe. Provavelmente, não estava ficando claro. Tanto
que eu falei que foi liberado em 2004.
Sim, a minha
percepção, baseada no tempo em que outros financiamentos foram liberados, por
exemplo, por outras empresas no mesmo setor da Telemar, foram muito mais curtos
como tempo. Então, a minha percepção é de que o processo de liberação de
empréstimo de BNDES pela BrasilTelecom demorou muito.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Está bom. É uma percepção.
A SRª CARLA CICCO – É uma percepção, claro.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Está bom. A senhora não tem
documentos comprobatórios disso?
A SRª CARLA CICCO – Não tenho fato, não. É a percepção.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Está bom. Para que isso
fique claro.
A senhora se referiu
bastante aqui ao termo boa governança corporativa e transparência. A Empresa
Alcatel é uma das principais fornecedoras de equipamentos da BrasilTelecom. É
verdadeira essa informação?
A SRª CARLA CICCO – Entre elas.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Entre elas.
A
Empresa Alcatel é uma das cotistas do Opportunity Fund. A senhora confirma?
A SRª CARLA CICCO – Eu sei disso.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – A senhora não acha estranho
que uma das cotistas do Opportunity Fund, que controla a empresa, seja uma das
principais controladoras? Isso fere os bons princípios da governança corporativa?
A SRª CARLA CICCO – A Alcatel é um dos maiores fornecedores no mundo de
aparato de telecomunicações.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sim. Há outros grandes
fornecedores, a senhora sabe.
A SRª CARLA CICCO – Menores.
A Alcatel era
fornecedora da BrasilTelecom antes da privatização. Em realidade, são três os
grandes fornecedores de equipamento na época de “telefonia tradicional”:
Alcatel, Siemens e Ericsson. Então, esses eram os fornecedores tradicionais.
A Alcatel continuou a
fazer fornecimento de equipamento, mas, por exemplo, no curso dos últimos anos,
se diversificou muito o número de fornecedores na BrasilTelecom, especialmente
com o evento de novas tecnologias, por exemplo, a Cisco e outras.
Então, não existe
nenhuma ligação com o fato de ser a Alcatel cotista ou não, porque a Alcatel é
uma das maiores fornecedoras de equipamento. E no caso específico da
BrasilTelecom, ela estava fornecendo antes da privatização.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Eu digo isso, dona Carla
Cicco, porque está absolutamente patente, pelo que se verifica na relação com
fornecedores e prestadores de serviço da empresa no que diz respeito à
participação no Consórcio Voa, do qual ela tinha mais de dois terços das cotas
e efetivamente não exercia nenhum papel na gestão da frota de três aeronaves, a
ponto da atual gestão da BrasilTelecom, segundo notícias públicas, estar
acionando e querendo ser ressarcida em R$60 milhões, pelo desvio de recursos da
empresa...
Eu ainda cito outros
fatos igualmente graves. A relação com o Sr. Roberto Mangabeira Unger, um
economista conhecido, nos consta aqui que viajou dezenas de vezes com recursos
da BrasilTelecom e que a própria BrasilTelecom custeava um flat para o
Sr. Roberto Mangabeira Unger, no Rio de Janeiro... Não me consta que ele seja
um profissional especializado em telecomunicações a ponto de merecer um
tratamento vip por parte da BrasilTelecom.
Então, o que quero
com esses três exemplos de muitos que poderia citar aqui, o exemplo da Alcatel,
o exemplo do Consórcio Voa, o exemplo do Sr. Roberto Mangabeira Unger é
caracterizar que o Sr. Daniel Dantas, com a sua conivência, utilizava uma
empresa, da qual ele era apenas gestor, tinha minoria de capital, para extrair
benefícios para si ou para pessoas ou grupos a ele aliados, o que é um fato grave
que contraria frontalmente os princípios da boa governança corporativa e da
transparência que a senhora tanto defendeu aqui.
O SR. PRESIDENTE – Deputado, já expirou o tempo de V. Exª.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Pergunto apenas – e peço licença à Mesa – se a
Srª Carla Cicco deseja fazer algum comentário sobre isso?
A SRª CARLA CICCO – Todas as contratações da BrasilTelecom foram
feitas conjuntamente com a Diretoria da BrasilTelecom e sempre em linha com os
serviços de que precisavam a BrasilTelecom. No caso específico do Professor
Mangabeira, ele é um advogado, um advogado de renome internacional e que tem
uma cátedra em Harvard, a mais famosa universidade de Direito do mundo. A
indicação da contratação do Professor Mangabeira como especialista, em realidade,
era multidisciplinar em termos de Direito, foi feita por nossos advogados, que
sugeriram o nome dele pelo fato de que, na época, a BrasilTelecom estava
avaliando a possibilidade de entrar, no exterior, contra a Telecom Itália.
Então, a contratação do Professor Mangabeira foi puramente baseada em sua
referência, por ser um expert em Direito Internacional.
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Essas coisas foram submetidas ao Conselho de Administração e foram
feitas de maneira absolutamente transparentes na BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO
– Foram feitas de maneira transparente. Existem todos os contratos de serviços
….
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Da mesma maneira que o Consórcio Voa, a senhora defende isso que houve
absoluta transparência…
A SRª CARLA CICCO
– O Consórcio Voa, sinceramente, veio a ser um grande problema, mas foi criado
em 1999. Eu pessoalmente não tive nenhum relacionamento com o Consórcio Voa,
que era administrado como qualquer outra participação, que a BrasilTelecom
tinha como empresa, da nossa diretoria financeira. E, quando a administração da
BrasilTelecom S/A precisava, simplesmente a minha secretária ligava e pedia
eventualmente a disposição do avião. Então, como o Consórcio Voa estava com uma
administração independente, não posso comentar muito mais.
O SR. PRESIDENTE
– Deputado Jorge Bittar?
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Não, o que se questiona é que a BrasilTelecom pagava a conta, mas, se
beneficiava minimamente, na verdade, o grande usuário disso era o próprio Sr.
Daniel Dantas e o Grupo Opportunity, ou seja, o Sr. Daniel Dantas confundiu os
seus interesses do Grupo Opportunity com os interesses da BrasilTelecom para se
aproveitar, para levar vantagem com relação a isso, e a senhora acabou sendo
conivente com esse tipo de prática, o que é lamentável do ponto de vista da boa
governança corporativa, sobretudo em uma empresa que é concessionária de
serviços públicos de telecomunicações.
A SRª CARLA CICCO
– O resultado da BrasilTelecom mostra a seriedade da administração da
BrasilTelecom; o resultado mostra isso.
O SR. PRESIDENTE
– Sr. Deputado, reinscreva-se, por favor.
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – O que apenas lhe digo é que o resultado poderia ser melhor. Apenas
nesse sentido. Não a questiono como gestora; o que questiono é o desvio de
recursos de uma empresa para servir aos interesses do grupo gestor Opportunity.
O SR. PRESIDENTE
– Agradeço a V. Exª, Deputado Bittar. E passo a palavra ao Deputado Rosinha.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, já foi
dito pela minha colega, Senadora Ideli, que a Srª Carla Cicco está sendo
acusada pela Polícia Federal por formação de quadrilha e espionagem, usando a
Kroll Association. E o jornal O Estado de S.Paulo do dia 16/03/2005,
traz uma matéria dizendo que foi proposto à Srª Cicco o benefício da delação
premiada. Eu pergunto: isso foi proposto para a senhora?
A SRª CARLA CICCO – Nunca.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Nunca. Bom, eu vou começar por onde parou meu
colega Jorge Bittar. Qual era o percentual do Consórcio Voa que era da
BrasilTelecom, percentual de dona, de propriedade?
A SRª CARLA CICCO – 15%.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – E de Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Não sei.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Era maior ou era menor?
A SRª CARLA CICCO – Sinceramente, não sei; eu sei da participação da
BrasilTelecom S.A. Eu não estava na BrasilTelecom quando o consórcio foi
formado. Sinceramente, nunca achei importante, para mim, saber quanto era a
participação de cada um dos sócios.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Quantos sócios tinha o Consórcio Voa?
A SRª CARLA CICCO – Eu acho que são cinco, mas não sei. Como estou falando,
não sei dos detalhes da formação do consórcio porque era administrado quando
entrei, era já uma administração já bem adiada, era responsabilidade da
diretoria financeira como qualquer outra participação.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Uma empresa que tem 15% de consórcio de outra
não conhecer seus sócios é algo estranho. Quem utilizava as aeronaves do
consórcio?
A SRª CARLA CICCO – Na BrasilTelecom... Eu posso falar pela BrasilTelecom
S.A, era a diretoria da BrasilTelecom.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – A diretoria da BrasilTelecom?
Com que freqüência?
A SRª CARLA CICCO – Dependendo da necessidade.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Quem usava mais: a BrasilTelecom ou o Grupo Opportunity?
A SRª CARLA CICCO – Não sei, não sei sinceramente, porque não era envolvida,
e o Consórcio Voa era uma pequena participação da BrasilTelecom, então eu não
era envolvida no micromanengement do Consórcio Voa, e Consórcio Voa
estava com a sua administração, era administrado como qualquer outra
administração.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Srª Carla, a senhora disse que era pouco: 15%. A
informação que tenho é que eram 67%.
A SRª CARLA CICCO – Então aqui 15%, aquilo que falei. A minha assessora falou
de 15%, então pode ser...
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Não, mas a informação que tenho é que eram 67%. Então, se a minha
informação estiver correta, não era um consórcio qualquer.
A SRª CARLA CICCO – Então, me parece 15%, está falando a minha assessora.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Bem, a senhora declarou agora há pouco para o
Deputado Silvio Torres que a Kroll foi contratada na Inglaterra. Quem a
contratou? A senhora?
A SRª CARLA CICCO – A diretoria da BrasilTelecom, sim.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – A senhora que a contratou?
A SRª CARLA CICCO – Sim.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – E a senhora a contratou por que valor? Qual o valor que foi pago de um
contrato – a senhora diz que foi a senhora que contratou? Quanto pagou?
A SRª CARLA CICCO – O contrato era baseado na prestação de serviços e não me
lembro do total que foi pago completamente, mas me lembro bem que era cerca de
duzentos, dependendo do serviço prestado. Cada mês, era um valor mais ou menos
diferente, mas era cerca de US$200 mil, US$250 mil por mês.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Por mês. E o pagamento era feito no Brasil ou na Inglaterra?
A SRª CARLA CICCO – O pagamento era feito no Exterior.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Feito no Exterior. E a senhora tem contrato com a Kroll.
A SRª CARLA CICCO – Sim, temos contrato, sim.
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Tem contrato. E a Kroll teve contato, além da senhora, com mais quem? A
Kroll? Ela dizia: “olha, nós estamos prestando serviço”. A senhora diz que tem
de pagar todo mês, conforme era prestado o serviço. Ela entregava relatório
para a senhora e mais quem?
A SRª CARLA CICCO – Não, foram feitos... Primeiro, quero explicar que essa
contratação da Kroll não era a contratação mais importante que eu tive...
O SR. DR. ROSINHA (PT
– PR) – Pode não ser a mais importante da senhora, quero saber porque, para mim
que estou perguntando é a mais importante.
A SRª CARLA CICCO – Claro.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Eles prestavam contas para a senhora todos os
meses, e mais quem?
A SRª CARLA CICCO – Normalmente o contato era eu, mas quando foram feitas
algumas avaliações de perda, de danos da parte da BrasilTelcom, pelas ações
feitas pela Telecom Itália, se encontraram com outros diretores. Mas ponto de
contato era eu.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Quais são os outros diretores?
A SRª CARLA CICCO – Não me lembro.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Estou ouvindo a senhora e dá a impressão que
para o cargo que a senhora ocupava a senhora é muito esquecida; um cargo
importante e a senhora esquece tanta coisa, pelo que estou ouvindo. Vamos tomar
cuidado, não esqueça tanto porque pode dar problema.
E os documentos
produzidos pela Kroll, onde eles estão, hoje?
A SRª CARLA CICCO – Estão com os advogados americanos.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – E por que estão com os advogados americanos?
A SRª CARLA CICCO – Porque depois da contratação da Kroll, foi passado aos
advogados americanos, considerando que a BrasilTelecom estava pensando em
entrar com uma ação judicial contra Telecom Itália nos Estados Unidos. Então os
advogados americanos, para proteção confidencial, sugeriram que passassem para
eles a contratação, e agora a documentação está com eles.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Os resultados, por exemplo, a Kroll entregava os
resultados para a senhora, e a senhora reunia-se com quem para discutir o que
fazer?
A SRª CARLA CICCO – Na realidade, eu não recebia relatório, eu tinha contatos
com as pessoas, com os executivos da Kroll, eles me davam informações, e
depois, baseada nisso, eu discutia, às vezes, com o meu diretor financeiro.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Quem era o diretor financeiro?
A SRª CARLA CICCO – Dr. Paulo Padrão.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – A Kroll passava por escrito os relatórios para
senhora?
A SRª CARLA CICCO – Não diretamente. A maioria das vezes durante essa
contratação, dependia, por exemplo: quando se tratava da parte de avaliação de
danos, foram passados por escrito toda avaliação de dano. Quando se tratava de
levantamento de informações, a maioria era relatada oralmente e depois foi
feito um relatório final no princípio deste ano.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – A Kroll fazia escuta de telefones?
A SRª CARLA CICCO – Não sei.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – A senhora está sendo processada por quê?
A SRª CARLA CICCO – Estou sendo processada porque em (Incompreensível.) roubaram
os relatórios da Kroll, e eu fui indiciada baseado nos relatórios roubados que
a Kroll declarou que tinham sido roubado e falsificado.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Por que havia escuta de políticos?
A SRª CARLA CICCO – Pelo que me consta não tinha escuta de políticos.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – A senhora conhece o Sr. Abner Schemesc?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – A senhora conhece do Sr. Carlos Rodenburg?
A SRª CARLA CICCO – Sim.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Ele foi filmado pela Polícia Federal nos
escritórios do Sr. Abner Schemesc; que é um outro serviço de espionagem que foi
utilizado pelo Opportunity. Que serviço ele prestou para a BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – Nenhum.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Certeza?
A SRª CARLA CICCO – Com certeza. Que eu saiba, não.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Que a senhora sabe, não?
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Mas não tem certeza se não prestou serviço para
BrasilTelecom?
A SRª CARLA CICCO – Tenho quase certeza de que ele não prestou serviço para a
BrasilTelecom.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Quase certeza?
A SRª CARLA CICCO – Posso assegurar, com certeza, que não prestou serviço.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – É que a Operação Chacal filmou o Sr. Carlos
Rodenburg no escritório do Sr. Abner, e o Sr. Carlos Rodenburg não contratou os
serviços do Sr. Abner?
A SRª CARLA CICCO – Não sei. O senhor precisa perguntar ao Sr. Rodenburg.
Essa denúncia não tem nada a ver com a denúncia da BrasilTelecom, pelo que me
consta. São dois assuntos separados.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Rapidamente, vou até completar,quando a senhora
falou a respeito do Roberto Mangabeira Unger, que ele era ou é consultor e
amigo do Sr. Daniel Dantas... Ele prestava serviço para o Sr. Daniel Dantas e
para a BrasilTelecom? Para os dois?
A SRª CARLA CICCO – Acho que sim, mas posso falar sobre o contrato que o Sr.
Roberto Mangabeira tinha com a BrasilTelecom, sobre o serviço que ele prestava
pela BrasilTelecom.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Enquanto a Srª estava no
Opportunity ele prestava serviço lá?
A SRª CARLA CICCO – Que eu me lembre, não.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Fiquei observando. A senhora
fez um relatório dizendo que entrou na BrasilTelecom em 2001; em 1999, saiu do
Opportunity; antes trabalhou, até 1998, na Telecom Itália. Depois, contrata a
Kroll para investigar a Telecom Itália. A senhora se considera confiável, tendo
passado por empresas que fazem competição entre si? Não é antiético esse tipo
de comportamento?
A SRª CARLA CICCO – Não. Acho que sou ética. Não acho antiético meu
comportamento. Sou uma executiva internacional, uma executiva de mercado.
Trabalho quando me dão oportunidade. Acho que fui escolhida pelas minhas
experiências. No caso específico, como Presidente da BrasilTelecom, meu dever
fiduciário era com a BrasilTelecom. Infelizmente, na Telecom Itália fui contra
os interesses da BrasilTelecom. Eu precisava defender, exatamente por ética, os
interesses da BrasilTelecom.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – A empresa Guaranhuns a
senhora conhece?
A SRª CARLA CICCO – Desculpe.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Empresa Guaranhuns? Estou
perguntando se a senhora conhece a empresa.
A SRª CARLA CICCO – Não.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Não conhece?
A SRª CARLA CICCO – Não conheço.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Pergunto por curiosidade,
porque é uma empresa que estamos investigando.
Quero voltar à
questão da Kroll. Quantas reuniões a senhora teve junto com o Opportunity e com
a Kroll, os três juntos?
A SRª CARLA CICCO – Lembro-me de uma reunião que foi feita a pedi
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