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O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Havendo número
regimental, declaro aberta a 16ª reunião da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito criada através do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso Nacional,
para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos
praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos.
A Ata da 15ª reunião
encontra-se sobre a mesa. Coloco-a em votação, propondo a dispensa da leitura.
Os que a aprovam permaneçam
como estão. (Pausa.)
Aprovada.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Questão de ordem.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, estou pedindo a V. Exª...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria de ponderar
com V. Exªs que nós temos uma agenda longa. Nós não podemos mais ficar
debatendo, tratando de uma série de questões, em função da agenda que nós
temos.
Nós vamos amanhã, pela
manhã, ter uma reunião administrativa, quando teremos condições de discutir
todas as questões ligadas a requerimentos, as próximas agendas.
Quero comunicar que, em
função das ponderações apresentadas pelos Líderes do Governo e da Oposição, nós
não teremos audiência amanhã com o Sr. Marcos Valério. Teremos uma reunião
interna nossa pela manhã.
E, para iniciar nossos
trabalhos, eu convido....
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, questão de ordem.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, tem a
palavra o Senador César Borges.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, falo pela ordem para
dizer que não podemos, nesta Comissão, trabalhar sem o acesso dos nossos
assessores aos documentos.
As Lideranças do PFL e do
PSDB apresentaram, no início, dois assessores. V. Exª rejeitou esses dois
nomes, dizendo que havia conflito com a sua equipe.
Muito bem. O PFL e o PSDB
reformularam a indicação desses dois nomes e indicaram outros dois nomes.
Fizemos isso, mas, até hoje, não houve deferimento de V. Exª. Ou seja, nossos
assessores não têm acesso, Sr. Presidente, aos documentos. Está aqui, assinada
pelo Líder José Agripino, pelo Líder Rodrigo Maia, a indicação...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador César Borges,
para abreviar a questão de V. Exª, nós, amanhã, definiremos isso na reunião
administrativa, pela manhã, às 10 horas.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas, Sr. Presidente, sempre o senhor
adia a decisão e até hoje nossos assessores...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Amanhã está marcada.
Com a palavra o Deputado
Arnaldo Faria de Sá.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu não concluí, Sr. Presidente, V. Exª
está tirando a minha palavra. Eu não concluí. Eu tenho outra questão. Então V.
Exª não defere isso aqui? Nós não temos acesso.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós deferiremos na
reunião administrativa de amanhã.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, o segundo ponto é o
seguinte: hoje, o acesso aos documentos sigilosos pelos Senadores e Deputados
se faz em um cofre. Temos dificuldade de acesso a esses documentos. Não há
tabulação dos números, o que nos leva a cometer inclusive equívocos em relação
às informações.
Muito bem, quando nós
abrimos as páginas dos jornais, os documentos que são sigilosos estão todos
estampados. Então, está havendo vazamento desses documentos, e amanhã vai ser
acusado Deputado ou Senador de estar vazando documento. Eu acho que é
responsabilidade da Comissão. Nós não temos, aqui, informação nenhuma que venha
da Comissão, que não informa nada do que chega, do que foi apurado, do que foi
tabulado.
Nós trabalhamos aqui às
escuras. Agora, a imprensa tem toda essa documentação, que está estampada nas
folhas dos jornais, Sr. Presidente. Isso não pode persistir. Por isso estou
fazendo esta premissa.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Perfeitamente, Senador
César Borges. Absolutamente compreendido, as providências serão tomadas.
Deputado Arnaldo Faria de
Sá.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, a questão de ordem que
formulo a V. Exª é vazada na seguinte colocação: o sigilo bancário foi
transferido de forma reservada. Eu tendo informação de um sigilo bancário e
precisando formular uma pergunta aqui, quando formular a pergunta, será quebra
de sigilo bancário?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O importante é formular
sem, evidentemente, detalhar essas questões que fazem parte do sigilo bancário.
O SR. ALBERTO FRAGA (PTB – DF) – Questão de ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador Alvaro Dias. E
eu vou encerrar para começarmos os trabalhos.
O SR. ALBERTO FRAGA (PTB – DF) – Sr. Presidente, é
importante, é uma questão de ordem.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, eu quero solicitar a
V. Exª que inclua na reunião administrativa de amanhã, como prioridade, a
deliberação sobre requerimento que, juntamente com os Senadores Sérgio Guerra e
Romeu Tuma, estamos apresentando para que nos seja remetido o inquérito
encaminhado pelo Juiz da 4ª Vara de Belo Horizonte ao Supremo Tribunal Federal.
Fazemos esse requerimento em função da importância desse inquérito, pois,
segundo informações, trata-se de prova documental definitiva: traz a relação
daqueles que se beneficiavam diretamente dos saques efetuados nas agências do
Banco Rural. Portanto, essa é uma providência urgente para chegarmos realmente
aos responsáveis por esse esquema de corrupção montado no Governo. Nós temos
que obter urgentemente as informações desse inquérito que foi remetido ao
Supremo Tribunal Federal.
O SR. ALBERTO FRAGA (PTB – DF) – Sr. Presidente...
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – Absolutamente procedente, Senador Alvaro Dias. Essas são informações
importantíssimas.
O SR. ALBERTO FRAGA (PTB – DF) – Sr. Presidente, peço a palavra para uma
questão de ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – Deputado, concedo a palavra a V. Exª para uma última questão de ordem. Em
seguida darei início aos trabalhos para esclarecer alguns pontos importantes.
O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – Sr. Presidente, tendo esta Comissão
decido quebrar o sigilo bancário dos Parlamentares e de pessoas envolvidas em
qualquer tipo de denúncia, sugiro que essa quebra seja estendida aos
respectivos cônjuges. Temos visto o papel, a participação importante das
esposas e dos maridos de pessoas envolvidas. Nós já temos casos – não vou citar
os casos dos jornais para não citar colegas – em que a participação dos
cônjuges é em notória em alguns saques, especialmente junto ao Banco Rural.
Portanto, sugiro a esta Comissão que o requerimento seja estendido aos
cônjuges, que essa quebra do sigilo bancário seja mais ampla.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – Registrado, Deputado Alberto Fraga.
Antes de chamar o Sr. Delúbio Soares, gostaria,
rapidamente, de fazer algumas observações. Amanhã vamos fazer uma reunião
interna para tratar do programa de trabalho das próximas semanas, dos
requerimentos. É importante e eu gostaria de destacar que conversarei com os
Líderes ao longo do dia de hoje ainda e até amanhã pela manhã...
A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – (Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Conversarei com todos, com o PDT, com o
PPS, com o P-SOL, para disciplinarmos a questão, até ratificando ou reiterando
a preocupação do Senador César Borges de ajustar uma sistemática de acesso a
documentos sigilosos.
Ontem, mais uma vez, ocorreu
algo que, para mim, como Presidente da CPMI, é muito ruim, assim como para o
Relator, o Deputado Osmar Serraglio. Esse tipo de acontecimento passa para a
opinião pública uma falta de controle, e isso para mim é muito ruim. Espero que
V. Exªs compreendam isso. Estou sendo o mais sincero possível. Ontem,
novamente, desapareceu um documento que estava sendo utilizado, que estava
sendo manuseado. Infelizmente, esse documento desapareceu e já surgiu na
imprensa a fotocópia desse documento que a CPMI não mais possui – já foi feita
uma nova solicitação, hoje pela manhã, para que o obtenhamos novamente; estou
assinando uma nova solicitação. Por isso, quero ponderar com todos os partidos:
vamos ter de ajustar o modus operandi para análise dos documentos
confidenciais. Os outros documentos são uma questão administrativa que vamos
equacionar.
Eu queria também aproveitar
a oportunidade para fazer uma observação sobre os documentos que chegam sem
assinatura. A CPMI dos Correios, até porque era a CPMI que até agora vinha
trabalhando, está recebendo uma enxurrada de documentos, uma enxurrada de
denúncias, parte delas apócrifas. E são denúncias que vêm do Brasil inteiro.
Também estamos tomando medidas duríssimas nesse sentido, primeiro porque
denúncia apócrifa não pode ser motivo de averiguação ou de reconhecimento; em
segundo lugar, qualquer documento passará, efetivamente, pelo Relator e pelo
Presidente, porque, inclusive, estamos ficando numa situação muito complicada,
porque hoje qualquer documento que aparece na imprensa é documento da CPMI. E
aí estamos o Relator e eu correndo atrás do prejuízo permanentemente, às vezes
em cima de assuntos que sequer não conhecemos.
Então, quero deixar muito
claro isso, até para também fazer justiça às pessoas, até em função do cuidado
que devemos ter para não arrolar pessoas inocentes no meio desse turbilhão de
denúncias que, infelizmente, o País enfrenta. É nesse sentido que quero
ponderar com V. Exªs isso, para que essas coisas não se repitam mais e para que
tenhamos efetivamente o controle daquelas informações que são importantes para
as investigações desta CPMI.
Agora, gostaria de chamar,
para iniciar a nossa oitiva, o Sr. Delúbio Soares.
O SR. (Orador não
identificado) – O documento que
sumiu...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Iremos repor. Já estou
assinando o requerimento hoje.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
Só gostaria que V. Exª nos
esclarecesse, para que ficasse claro, que documento é esse, que tipo de
documento que desapareceu, enfim, qual é a identificação desse documento, para
podermos ter uma leitura mais clara.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – V. Exª pode ler nos
jornais, que ele foi amplamente divulgado. (Pausa.)
Eu gostaria de registrar que
recebi do Supremo Tribunal Federal o deferimento da liminar do Presidente
Ministro Nelson Jobim: “Os pacientes não serão obrigados a firmar termo de
compromisso na condição de testemunhas, assegurando-lhes o direito ao silêncio
quando eles ou seus advogados assim entenderem que as perguntas possam lhes
incriminar”.
Este aqui é o ofício, o Habeas
Corpus nº 86.319-1, do Distrito Federal, do Supremo Tribunal Federal,
também acompanhado de um telegrama do Ministro Nelson Jobim:
Comunico a V. Exª que, nos
autos do processo acima referido, nos termos do despacho cuja cópia segue via fax,
deferi a liminar, para que os pacientes não sejam obrigados a firmar termo de
compromisso na condição de testemunhas, assegurando-lhes o direito ao silêncio
quando eles ou seus advogados assim entenderem que as perguntas possam lhes
incriminar.
Atenciosamente, Ministro
Nelson Jobim, Presidente do STF.
Quero começar os trabalhos,
passando a palavra ao Sr. Delúbio Soares, que vai fazer uma apresentação...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr.
Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra, pela
ordem, ao Sr. Onyx Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, quero apenas solicitar
que V. Exª oriente o nobre e ilustre advogado do Sr. Delúbio, porque ontem
foram inúmeras as intervenções do Dr. Arnaldo Malheiros no depoimento do Sr.
Silvio Pereira. E a legislação é muito clara, ele pode, eventualmente, sob
solicitação auxiliar.
Então, eu gostaria que V.
Exª, para que não se repetisse o que nós assistimos ontem aqui, que motivou
quatro ou cinco intervenções de Parlamentares em relação ao depoimento do Sr
Sílvio Pereira, que o depoente possa depor com toda tranqüilidade, que os
Parlamentares possam perguntar com toda tranqüilidade, sem nenhum tipo de
interferência, que inclusive é indevida, por parte do nobre Advogado que
acompanha o depoente de hoje.
A SR. JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr Presidente.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputada Juíza Denise
Frossard. Eu acho que o parecer encaminhado pelo Ministro Nelson Jobim é
absolutamente claro nesse sentido em relação àquilo que o depoente pode fazer,
inclusive em relação aos advogados.
A SR. JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS –
RJ) – Sr Presidente, a lei é muito clara em relação a isso. O depoente está
aqui com a sua defesa técnica. A lei permite que ele consulte quando tiver
dúvidas.
Eu vou trazer só um depoimento pessoal aqui, Sr
Presidente. Toda vez que recebi um acusado na minha frente como juíza, eu
perguntava a ele: o senhor já conversou antes com seu advogado? Isso porque às
vezes a pessoa vinha e negava, confessava ou negava uma coisa evidente. Então,
é importante porque tudo que for produzido aqui, Sr Presidente, o juiz lá de
fora vai pedir.
Evidentemente, este senhor, aquele senhor que esteve
aqui ontem, eles têm no mínimo meio Código Penal na cabeça deles, lá fora:
lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, supressão de
documentos, formação de quadrilha e por aí vai.
É claro que ele tem de se valer do advogado dele para
que a prova que será produzida aqui também seja uma prova emprestada e
suculenta lá fora. Como eu, como juíza, já pedi provas aqui, e foram eficazes
para condenar, pela primeira vez na história do Brasil, uma quadrilha de crime
organizado.
De modo que o Advogado pode falar com ele; se ele se
sentir inseguro deve consultar o seu advogado sim. O Advogado só não pode falar
por ele, mas ele pode consultar sim, e deve, porque os documentos que nós temos
já são suficientemente suculentos para até dispensar provas testemunhais.
Muito obrigado, Sr Presidente.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, quanto à questão de
ordem que formulei, para contraditar.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas com base em que artigo?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – A posição está absolutamente clara em
função até do que foi encaminhado pelo Ministro Nelson Jobim e passo a palavra
ao Sr. Delúbio Soares.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Consultar é uma coisa, Presidente.
Assoprar o depoimento é outra.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr Presidente, eu quero que V. Exª
informe à Comissão quem são os advogados que impetraram o habeas corpus.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Os impetrantes são: Dr. Arnaldo Malheiros
Filho e outros.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E os outros (...) Quero saber, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Drª Flávia Rahal, Dr Celso Vilardi.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Os mesmos de ontem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr Delúbio Soares.
Uma apresentação, Sr Delúbio, inicialmente.
Rapidamente, a carreira profissional... Então, V. Sª pode começar o depoimento.
É apenas uma apresentação.
O SR. DELÚBIO SOARES – Bom dia, Sr Presidente, Senador Delcídio, nosso
Relator da CPMI, Deputado Osmar Serraglio, senhores, senhoras Parlamentares,
Senadores, Senadoras, Deputados e Deputadas.
Compareço a essa CPMI, atendendo a convocação, para
poder explicar os fatos que aí estão. Mas antes, quero fazer a minha
apresentação pessoal, que é praxe nessa CPMI.
Tenho hoje 49 anos. Sou
natural de uma cidade pequena, Buriti Alegre, no Estado de Goiás. Vivi lá,
cursei o ginásio. Depois fui à Goiânia, onde estudei o Científico, antigo
segundo grau... o segundo grau. Na época era a transição do Científico para as
escolas de treinamento que nós tínhamos em 1972. Todos aqui conhecem. Fiz o
segundo grau. Ingressei na Universidade Católica de Goiás, fiz curso de
licenciatura plena em Matemática. Exerci a profissão de professor desde 1974,
sendo registrado oficialmente em 1976 somente. Estou falando isso, para que
entendam a minha vida profissional.
Ingressei no movimento da
luta pela anistia, em 1976, em 1977, e também na luta por melhores condições de
trabalho para a rede de magistério do Estado de Goiás. Fui dirigente sindical
do centro do professores. Antes disso, fizemos várias movimentações que
resultaram na primeira greve do Estado de Goiás, em 1979. A partir daí, assumi
a direção do antigo Centro de Professores de Goiás, hoje Sindicato dos
Trabalhadores do Ensino de Goiás.
Participei da fundação do
PT. Sou fundador do PT. Estive em São Paulo, na primeira reunião, juntamente
com vários outros companheiros do Estado de Goiás e do Brasil inteiro, para
fundar o PT. Participei ativamente das discussões que deram origem à fundação e
à reconstrução do movimento sindical brasileiro. Participei do primeiro
conclave que fizemos. A idéia era fazer uma central sindical única no Brasil,
mas não conseguimos. Participei da fundação da CUT, e outros companheiros
participaram da fundação de outras centrais sindicais que existem até hoje.
Participei ativamente da construção da CUT, da qual fui diretor, desde 1983 –
data de sua fundação – até 1994. Fui dirigente da Central Única dos
Trabalhadores. Participei, nesse período, também, do Diretório Nacional do PT,
de 1987 até 1990. Participei da campanha eleitoral, em 1984, em Goiás, coordenando
a campanha do companheiro do PT Luiz Antônio, campanha na qual não conseguimos
êxito.
Voltei ao Diretório
Nacional, integrando a Executiva Nacional do PT, no Congresso de Guarapari, em
1995. Participei da Executiva Nacional de 1995 até a presente data. Estou
licenciado da Executiva Nacional por fatos já divulgados por toda a imprensa.
Assumi a Tesouraria do
Partidos dos Trabalhadores no ano... O Congresso de Belo Horizonte foi no final
do ano. A posse dos novos dirigentes deu-se no começo do ano, na primeira
reunião do Diretório Nacional de 2000. De lá para cá, exerci a função de
tesoureiro do PT, de Secretário de Finanças e Planejamento do PT, até
licenciar-me há 15 dias.
Queria deixar claras essas
atividades. Tenho discutido, dialogado com a sociedade brasileira. Tenho dado
todas as declarações, para explicar os fatos que estão acontecendo. Quero
explicá-los aqui, com clareza.
Quero, agora, iniciar
minha...
Sr. Presidente... posso
agora...
Iniciou esse processo com a
declaração, uma publicação de uma entrevista à Folha de S.Paulo, em que
foi denunciado pelo Deputado Roberto Jefferson a existência de mensalão, a qual
o PT... A denúncia do Deputado Roberto Jefferson dizia que o PT pagava mesada
aos deputados do PL e do PP.
Fui convocado à Polícia Federal
e, espontaneamente, me apresentei ao Procurador-Geral da República. Tanto na
Polícia Federal quanto na Procuradoria-Geral da República, e também comuniquei
à imprensa, em uma entrevista coletiva que fiz na sede do PT e também em uma
entrevista que dei ao Jornal Nacional, no sábado – e quero comunicar, quero
explicar, estou aqui, depois, para as perguntas dos Srs. e das Srªs
Parlamentares, para esclarecer esses fatos –, que não tem pagamento de mesada
do PT a parlamentares de nenhum partido. O PT não orienta compra de voto de
nenhum parlamentar para votar com as teses do Governo. Cada parlamentar eleito
pelo povo brasileiro deve exercer seu mandato conforme a sua consciência,
conforme os seus compromissos sociais. Essa é a visão que tenho e quero reiterar
isso à CPMI.
Por que eu fui ao
Procurador-Geral da República?
Nós estamos vendo, na
sociedade brasileira, muita informação que não condiz com a realidade. E
resolvi procurar o Procurador-Geral da República para explicar a ele um fato
que, até então, nós não tínhamos assumido. E eu, como fui responsável, quero
explicar a todos vocês sobre isso e à Nação brasileira, senti-me na obrigação,
para não prejudicar pessoas que estão sendo acusadas indevidamente, pessoas que
tiveram algum compromisso e estão sendo acusadas indevidamente, bem como seus
familiares, assessores, dirigentes partidários, senti-me na obrigação de
esclarecer que o Partido dos Trabalhadores, durante 2003 e 2004, usou de um
recurso não contabilizado para quitar dívidas das nossas campanhas de vários
membros dos diretórios, vários membros do PT nos Estados e vários membros da
base aliada. Usamos esses recursos para quitar essas dívidas.
Pegamos um empréstimo numa
instituição financeira, via terceiro, que já é público, claro e notório, das
empresas em que o Sr. Marcos Valério é sócio, para fazer esses pagamentos.
Por que nós usamos esses
recursos? Porque as dívidas, as campanhas eleitorais, todos nós aqui nesta sala
sabemos como é feita a campanha eleitoral. Vou explicar o ponto de vista do Partido
dos Trabalhadores e o que foi feito.
(Tumulto no plenário
da Comissão.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr.
Delúbio Soares. Depois, cada Parlamentar terá o tempo de 15 minutos para falar
aquilo que julgar importante.
O SR. DELÚBIO SOARES – Estou respeitando... Se alguém se sentiu ofendido,
peço desculpa. Não quero ofender nenhum parlamentar, nem do meu Partido nem dos
demais partidos. Não quero ofender nenhum partido político, instituição que
respeito muito. Sem os partidos políticos, não tem processo democrático. Sem as
instituições fortes, consolidadas, nós não temos consolidação da democracia no
Brasil que todos nós estamos procurando.
Nós recorremos desses
instrumentos para quitar dívidas não-contabilizadas desses companheiros nossos
que ficaram devendo em 2002. Isso é um fato, é uma realidade. E preparamos e
organizamos a preparação da campanha de 2004, quando também utilizamos de
recursos não-contabilizado, que são esses recursos que giram em torno de R$ 39
milhões. Nós solicitamos durante o período 2003/2004 que as empresas do Marcos
Valério solicitassem junto ao Banco Rural e junto ao Banco de Minas Gerais que
fizessem esses empréstimos para que nós pudéssemos quitar esses débitos com os
fornecedores que os nossos companheiros membros do Partido, membros da Base
aliada solicitaram para que gente pudesse quitar com os credores.
E quero encerrar, Sr.
Presidente. Nas campanhas no Brasil, os Partidos brasileiros têm grande
dificuldades de sustentação. Sinto isso pelo PT. Estou na direção do PT, sou
responsável pelas finanças do PT há cinco anos, e sinto isso no PT, entendo que
outros Partidos também podem ter as mesmas dificuldades. O processo de
financiamento das campanhas eleitorais no Brasil da forma como o é, ela tem muita
dificuldade em todos os doadores se identificarem. Isso é fato, é publicado em
vários jornais locais, vários jornais nacionais de campanhas diversas. Não
quero aqui especificar campanha, não quero aqui trazer campanha da qual eu não
participei. Eu quero trazer aqui campanhas de que eu participei. É isso que nós
temos que colocar claro.
E a consciência nossa, da
Nação brasileira, cada uma das pessoas que estão nos ouvindo sabe, já teve um
candidato na família, como se faz uma campanha de Vereadores; cada um sabe como
que se faz uma campanha de Deputado – aí menos gente sabe –, de Governador, de
Prefeito, como são feitas as campanhas no Brasil. Então, na Procuradoria-Geral
da República, ao assumir de minha responsabilidade esse ato... inclusive registrei
junto ao Procurador que entendo que é necessário que nós – estamos apresentando
e a CPMI pode dar essa colaboração ao Brasil e praticamente para esse fato
existe outra CPMI, para discutir compra de voto e “mensalão”, que foi instalada
ontem, que também pode contribuir nessa direção – possamos aperfeiçoar a legislação brasileira e ter um só processo
para que, no Brasil, possa deixar de existir o sistema dinheiro
não-contabilizado por outro chamado de Caixa 2, complementação, doação
voluntária e etc.
Nós precisamos encontrar uma
solução, na qual todos os brasileiros tenham a sua participação nítida, clara e
sem chantagem, sem ameaça, entendermos esse processo e encontrar uma solução de
como financiar os Partidos brasileiros, como financiar as campanhas eleitorais
para que todos tenham a transparência necessária.
Então, eu queria deixar clara essas questões e me colocar à disposição
do Relator, dos Srs. Parlamentares, para respondermos àquilo que vocês me
convocaram para vir aqui.
Então, estou à disposição de todos os Deputados, Deputadas, Senadores e
da Mesa Diretora dos Trabalhos.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral) – Muito obrigado, Sr. Delúbio Soares.
Concedo a palavra ao nobre Relator Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, Sr. Depoente, V. Sª acaba de fazer
referência às batalhas as quais se integrou junto com o seu Partido, inclusive
a da anistia fiz referência. E ao final pede que nós, da CPMI, colaboremos para
que possamos estruturar um sistema normativo que evite a repetição daquilo que
V. Sª aparentemente passe a admitir como algo, na sua concepção, de habitual e
que, como se viu, diante da reação de muitos, não se pode pretender essa
generalização.
Mas eu quero dizer antes – e
aí quero de certo modo tomar um pouquinho mais de tempo do que habitualmente eu
faço – para provocar a V. Sª uma reflexão maior, porque esse aparato todo que
está aqui presente, na Imprensa, o Brasil está assistindo, os espaços todos
estão ocupados, de certo modo da sua oitiva
está a depender o futuro de muita gente.
Nós temos falado o tempo
todo que um dos nossos compromissos é separar o joio do trigo e quem tem
conhecimento dos fatos tais quais ocorreram é V. Sª. Aqueles que costumam ler
nos escritórios de advocacia aquele dito de Rui Barbosa “De tanto ver crescer
as injustiças, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem
chega a ter vergonha de ser honesto.”, eu imaginei que fosse uma página virada
no País de cem anos atrás. Não por mim, porque eu não sou o mais puro dos
homens, mas eu confesso que e acreditava e sonhava, como este País sonhava, de
que a vitória do PT seria a condução para os destinos do nosso Pais de uma
visão diferente; 500 anos de história seriam virados porque seria dada a
oportunidade de um pensamento novo, diferente, nascido das bases, nascido do
povo.
Enfim, nós que já avançamos
um pouco mais na idade e de certo modo fomos desacreditando nas pessoas, nos
costumes, alimentávamos a esperança de que a subida do PT, com os seus ideais
que aparentemente eram aqueles da nossa juventude que nós perdemos, iriam ter a
oportunidade de se concretizar; de certo modo, ecoariam naquelas medidas tantas
que a gente ouve de Padre Zezinho, de um Raul Seixas, no “Imagine” de John
Lennon. Por que não sonhar? Eu confesso que esperava por isso, mas
lamentavelmente a História, o que vem acontecendo e o que nós vimos se
traduzindo no dia-a-dia foi desilusão tamanha que eu tenho uma pena enorme
daqueles que são sérios e que pertencem ao seu Partido. E V. Sª fez referência
inclusive a muitas famílias, a muitas pessoas que estão sendo atingidas e que,
talvez, inocentes, imolados, porque V. Sª não abre a caixa.
Nós já temos versões
demasiadas do que ocorreu. E também não adianta apresentar ao público um
histórico que pode ser verossímil, mas que precisa traduzir convencimento, não
apenas com palavras. Os documentos que nós estamos recolhendo contrariam essa
versão. E a menos que V. Sª nos abra mais os seus dados, seja franco, V. Sª
hoje aqui enterrará a vida e o histórico de muita gente, um enterro moral.
Suponho que essa provocação minha inicial o faça refletir sobre até a
consciência, que tenho convicção de que V. Sª deve perceber, do momento
importante e da força que a sua palavra vai ter aqui hoje, junto aos
Parlamentares.
E, para concluir,
muito embora eu queira dizer que sempre fui muito objetivo, mas de alguma forma
eu percebo que é um momento um tanto quanto histórico, muita coisa pode se
modificar neste País a partir desse depoimento. E aí eu queria mais uma vez
provocar V. Sª, que, pelo que eu li, também estudou um pouco de latim, e, para
quem estudou na época do latim vai lembrar de um discurso de Cícero, 63 anos
antes de Cristo. Quando alguém – Catilina – compareceu ao Senado e praticamente
todos já conheciam a conspiração da qual estava participando, de pouco valia
que ele viesse imaginar que fosse confundir os Senadores – e aqui nós temos
Deputados e Senadores. Nós estamos num ambiente aproximado da época em que
Cícero assim se manifestou em relação a Catilina, cujo nome eu deleto e
substituo por Delúbio: “Até quando, ó, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua conduta? A que extremos se
há de precipitar a tua audácia sem freios? Nem a guarda do palatino, nem a
ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os
homens de bem, nem este local, tão bem protegido para a reunião do Senado, nem
o olhar e o aspecto desses Senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não
sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração
todos aqui a conhecem? Quem dentre nós, pensas tu, que ignora o que fizeste na
noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que
deliberações foram as tuas? Oh, tempora, oh mores. Oh tempos, oh
costumes!”
E vamos ver se V. Sª,
imbuído desse espírito, realimenta na gente a convicção de que os ideais da
juventude ainda podem prosseguir nas cabeças encanecidas de tantos nós aqui.
A primeira coisa que nós
gostaríamos de saber de V. Sª é qual, efetivamente, é a atribuição de um
Tesoureiro no PT.
O SR. DELÚBIO SOARES – A atribuição de um Tesoureiro no Partido dos
Trabalhadores, que é Secretário de Finanças e Planejamento, é planejar as
atividades do PT junto à Executiva e a execução orçamentária é de
responsabilidade do Tesoureiro. Essa é a definição.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A manipulação do
dinheiro, a destinação do dinheiro, a obtenção de recursos é uma coisa centrada
numa única pessoa?
O SR. DELÚBIO SOARES – A execução orçamentária do Partido dos
Trabalhadores é de responsabilidade do Secretário de Finanças e Planejamento do
PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Cargo que V. Sª
ocupou durante cinco anos?
O SR. DELÚBIO SOARES – Durante cinco anos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Portanto, todos os
empréstimos efetuados pelo PT são de seu conhecimento?
O SR. DELÚBIO SOARES – Todos os empréstimos do Partido dos Trabalhadores
que estão registrados em nome do Partido dos Trabalhadores são de meu
conhecimento e de responsabilidade da Executiva. Os empréstimos separados, que
eu acabei de anunciar, são...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aqueles efetuados
através de empresas.
O SR. DELÚBIO SOARES – Esse foi de minha exclusiva responsabilidade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Poderia V. Sª nos
elencar os financiamentos obtidos pelo PT e os obtidos através de interpostas
empresas?
O SR. DELÚBIO SOARES – São duas coisas diferentes que quero deixar claro
para todos os senhores.
O Partido dos Trabalhadores,
vamos pegar o orçamento de 2004, que é mais fácil da gente trabalhar, como o
sigilo do PT foi disponibilizado e o sigilo bancário dos dirigentes também à
CPMI, a CPMI tem todos os documentos em mãos, deve ter lido e está à disposição
da CPMI.
Os recursos do Partido dos
Trabalhadores têm quatro fontes. Primeiro, fundo partidário, a contribuição dos
dirigentes, dos ocupantes de cargos eletivos, ocupantes de cargos comissionados
– essa é uma outra contribuição –, a contribuição dos filiados, vendas de
materiais e doações na forma da lei.
A lei brasileira permite
doações de pessoas físicas, pessoas jurídicas para os partidos políticos e
também no período eleitoral. Conforme a renda ou a receita das empresas, 2% do
seu faturamento, relativa à declaração do ano anterior, e pessoa física 10% da
declaração de renda. Então, as fontes de renda do Partido dos Trabalhadores são
essas.
Nós, do Partido dos
Trabalhadores, em função das dificuldades financeiras que nos encontramos no
início de 2003, o Partido dos Trabalhadores solicitou dois empréstimos a dois
bancos privados. Ao BMG, de R$2,4 milhões e um empréstimo ao Banco Rural de R$3
milhões.
O PT, desde de 1999, não era
o tesoureiro nessa época, tinha um crédito especial, tipo um cheque especial ao
Banco do Brasil, na época, de R$800 mil, depois renovado para R$1,5 milhão e
depois foi renovado para R$3,5 milhões, que é o que tem hoje.
O Partido dos Trabalhadores
decidiu fazer o processo de, primeiro, ampliar a sua base política. Em final de
2002, o Partido dos Trabalhadores estava presente em 2500 cidades. Nós
decidimos ampliar a nossa base política para todas as cidades do Brasil. E tive
um prazo para realizar isso, para poder o partido estar apto para disputar as
eleições em 2004. Então, nós tínhamos que organizar os diretórios municipais,
filiações de novos companheiros, implantação em todas as cidades do Brasil,
essa era a meta.
Conseguimos deixar apto o
Partido dos Trabalhadores a disputar a eleição em 5400 cidades, isso até
outubro, quando encerrava o prazo das filiações para as pessoas poderem se
candidatar. Então, nós fizemos isso.
Em implantando o partido no Brasil todo, 98% das
cidades, cobrindo 98% do eleitorado brasileiro, nós decidimos fazer um processo
de informatização no partido, para que ele pudesse ter uma rede de
computadores, pudesse dialogar com todos os diretórios, o mais rápido possível.
E decidimos fazer um projeto de informatização, que iniciamos estudando desde
2003 e concluímos esse projeto no final de 2003.
E fizemos um financiamento,
um leasing no Banco do Brasil do financiamento dos computadores. E para
esse leasing nós demos como garantia as contas bancárias do Partido dos
Trabalhadores, esse leasing, na época, foi em torno de R$21 milhões a
R$22 milhões, que o Banco do Brasil comprou os computadores e colocou à
disposição do partido. Nós distribuímos esses computadores no Brasil todo e
fizemos também um seguro para que todos os computadores – o Banco do Brasil
exigiu que nós fizéssemos um seguro. Então, da mensalidade do leasing do
Banco do Brasil, nós pagamos em torno de R$750 mil, e R$100 mil e pouco a gente
paga do seguro todo mês, porque os computadores, em cada cidade, são de
propriedade do Banco de Brasil e de uso do PT, do Partido em cada cidade. E, ao
período de 42 meses, pagando, esses computadores ficam à disposição do PT e a
dívida se encerra.
Então, no Banco do Brasil,
nós temos um cheque especial no Banco do Brasil de R$3,5 milhões, tipo cheque
especial, um cheque rotativo empresarialmente, pelas contas do PT permite, e
temos um financiamento de leasing no Banco do Brasil nos computadores. A
dívida, hoje, nós já pagamos, começamos a quitar. O dinheiro saiu em fevereiro,
março, não me lembro. Começamos a quitar a dívida em maio e estamos
regularmente pagando o Banco do Brasil nas contas diretas do PT.
Se o PT deixar de pagar, o
Banco do Brasil vai lá e requer os computadores de volta. Essa é a operação do
Banco do Brasil que, ontem, ouvindo o depoimento pela imprensa, várias pessoas
questionaram sobre esse empréstimo. É um leasing nessas condições. Eu já
explico. Então, são os financiamentos do Partido dos Trabalhadores.
A primeira questão eu
respondi. Posso responder a segunda?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode.
Precisamos.
O SR. DELÚBIO SOARES – Essa operação do Banco do Brasil, a operação de
ampliar o crédito rotativo, a operação do Banco Rural e a operação do BMG são
de conhecimento da Executiva e aprovadas no Conselho Fiscal de 2003 e de 2004.
Então, é de conhecimento de toda a Executiva Nacional do Partido dos
Trabalhadores e do Diretório.
Procurei explicar, mas quero
dar mais detalhes ao Relator para que ele possa formatar as suas conclusões no
curso da CPMI, teremos “n” informações sobre isso. Os fatos vão comprovar o que
eu estou dizendo.
Início de 2003, o Partido
dos Trabalhadores é procurado por vários companheiros que foram candidatos e
que ficaram com dívidas não-contabilizadas e que os credores queriam receber.
Como o Partido dos Trabalhadores tinha eleito o Presidente da República numa
coligação, os companheiros e companheiras dos diretórios que estavam sendo
pressionados nos procuraram, várias vezes, para que nós pudéssemos ajudar a
resolver aquelas dívidas. Por que aconteceu isso? Em vários Estados – todos
aqui lembram da campanha de 2002 –, em 2002, onde o PT poderia ganhar as
eleições e ganhou; onde o PT não tinha a menor chance de disputar uma eleição,
teve alguns lugares que até ganhou, como o caso do Piauí; alguns lugares que
não tinha chance nenhuma, e o PT foi para o segundo turno. Vamos pegar o
exemplo do Ceará, do Pará, eleições em que o PT foi para o segundo turno e não
tinha, na lógica política do início, a menor condição política de ir para o
segundo turno. As campanhas permitiram ao PT disputar oito segundos turnos com
candidatos nos Estados. Então, isso trouxe um volume de despesas para o qual os
diretórios estaduais ou as candidaturas não estavam preparadas.
Também queria pedir uma
ressalva, Sr. Relator, e explicar: os doadores de campanha, uma empresa x
discute, no ano anterior, quanto recurso ela vai doar e a quem ela vai doar.
Normalmente, pode ter exceção da regra, as empresas gostam de apoiar aqueles
Partidos, aqueles candidatos que, na visão dela – por isso, as pesquisas
eleitorais são muito importantes para as empresas –, que têm chance de ganhar.
E, normalmente, aquele recurso que ela destinou ela canaliza para aqueles
candidatos com chances eleitorais. Não significa que eles ganharão, mas que têm
maiores chances eleitorais.
E infelizmente, em vários
Estados, os nossos candidatos não entraram nessa planilha que as empresas
preparam um ano antes. Então, quando, em agosto, setembro, as campanhas
começaram a ter chances eleitorais, não houve doadores, porque as doações já
estavam comprometidas com outros. Normalmente, as empresas definem “x” para as
campanhas eleitorais. Isto faz parte da regra brasileira, da democracia
brasileira: a doação das empresas para as campanhas eleitorais. Essa é a regra
política brasileira nesse sentido, e nós, os nossos candidatos nos Estados não
tiveram essa oportunidade de receber doações. Então, isso acumulou, e a
campanha foi evoluindo.
As campanhas eleitorais,
quando elas têm chance, pegam um volume em que os candidatos, seja qual for o
partido, acompanham o ritmo da dinâmica da campanha. Se a campanha está mais
devagar, tem menos militantes, tem menos gastos com gráfica, com gasolina, com outdoor,
com empresas de comunicação, menos militantes. Se a campanha vai evoluindo,
aumenta-se e aumentam os gastos. Todos nós do PT sabemos disso. Imagino que nos
demais partidos aconteçam coisas similares ou não, mas, acontecem também em
todas as campanhas.
Cada partido tem o seu
método de fazer campanha. Nós aqui temos que entender. O PT é um partido, os
outros são outros partidos. Temos de respeitar a tradição, a convivência e a
vivência de cada partido.
Queremos deixar claro que o
Partido dos Trabalhadores, com essa dificuldade, apareceu um montante –
apresentei aqui também de vários aliados, que compuseram conosco as chapas, na
chapa profissional ou na chapa majoritária, e nos apresentaram os problemas de
débitos anteriores. Isso dava em torno de R$20 milhões, membros da base aliada
e membros do Partido dos Trabalhadores. Esses recursos poderíamos fazer... Na
época, não quisemos fazer, Sr. Relator, uma campanha com os filiados do PT, dos
partidos da base aliada; também poderíamos fazer uma campanha com pessoas
físicas, pessoas jurídicas. Por que decidimos não fazer essa campanha no início
de 2003? Os filiados do PT e/ou da base aliada que fizessem algum tipo de
doação poderiam sinalizar compromisso com cargos ou cargos num futuro governo.
Não quisemos fazer isso. Poderia... se pedíssemos às empresas privadas, as
pessoas jurídicas, todas que fizessem doação poderiam aparecer que estavam
fazendo uma doação para ter vantagem futura.
Para não dar essa
interpretação, recorremos a um empréstimo de terceiro. Por que de terceiro? Por
que as contas não estavam contabilizadas em função da evolução que expliquei ao
senhor, à CPMI e à Nação. Então, não poderíamos fazer esse empréstimo ao PT ou
a um partido da base aliada. Tivemos de fazer um empréstimo de terceiro,
quitando esse empréstimo de terceiros diretamente aos fornecedores ou às
pessoas que juntavam um conjunto de fornecedores e faziam a quitação. Foi isso
o que aconteceu com o empréstimo que fizemos que não está contabilizado. Essa é
a verdade dos fatos. Estou revelando isso à Nação. Sei da implicação que isso
tem ao meu Partido, sei das implicações, mas é melhor trabalharmos com a
verdade, com a realidade, com a transparência dos fatos.
Isso será, Sr. Relator,
comprovado com a análise que está na Procuradoria-Geral, a que a CPMI tem
acesso, nos contratos firmados junto aos bancos com as empresas e será também
comprovado, ao longo do tempo, quem recebeu os saques. A CPMI, o Ministério
Público e a Polícia Federal terão todos esses elementos para apurar esses
fatos. Eu estou deixando claro ao senhor, com todo respeito às considerações
que o senhor me fez, estamos aqui revelando os fatos como eles ocorreram, com
transparência e com a realidade.
Eu tenho a responsabilidade
do empréstimo. A escolha do empréstimo, a escolha da empresa para fazer o
empréstimo e dos bancos é de minha responsabilidade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas eu insisto:
quais as pessoas que tinham conhecimento sobre quais empresas seriam utilizadas
para esses empréstimos? Quais as pessoas do Partido, ou fora do Partido, mas
essencialmente do Partido, tinham conhecimento desses empréstimos que estavam
sendo contraídos pelo Partido?
O SR. DELÚBIO SOARES – Dos empréstimos contabilizados a Executiva toda
sabia. Tanto é que está aprovado e assinado por todos os membros da Executiva e
aprovado no Diretório Nacional.
Os empréstimos
não-contabilizados, os R$39 milhões, que começaram com um pouco mais de R$10
milhões, não me lembro de cor, porque essa é uma operação que nós pedimos e o
Sr. Marcos Valério concordou, através de suas empresas, solicitar esse
empréstimo ao Banco Rural e ao BMG. Esses contratos já devem estar na mão dos
senhores e de todo... Estão na Procuradoria. Eu li pela Imprensa que estão na
Procuradoria. Então vocês têm livre acesso. E já quebrou o sigilo bancário de
todas as empresas. Não tem segredo. Não vamos aqui achar que tem segredo para
alguém, porque não tem. Essa foi a realidade.
E como eram informações
não-oficiais, porque não eram informações oficiais as demandas que vinham dos
Estados, de membros do Partido e membros da Base aliada, nós não discutíamos
isso na Executiva.
Foram trazidas as demandas a
mim e foi solicitado que eu resolvesse o assunto; e eu resolvi dessa maneira.
Eu posso ter errado. Não há nenhum problema quanto a isso. E saberei, com honra
e dignidade, assumir no ato o que eu fiz. E estou assumindo perante a Nação.
Vou responder aos processos legais, jurídicos que a nossa Deputada do Rio de
Janeiro já explicou aqui e dos quais tenho plena consciência. E estou disposto
a assumi-los, como já assumi perante o Procurador-Geral, na Polícia Federal e
estou assumindo aqui. Então, esses são os fatos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Executiva do
Partido também servia de canal para que essas demandas fossem formuladas?
O SR. DELÚBIO SOARES – Eventualmente, algum membro do Partido no Estado
falava com um membro da Executiva que tinha essa necessidade. Algum membro do
Partido da Base aliada reclamava com outros membros das Executivas dos Partidos
da Base aliada e foram canalizando tudo sob minha responsabilidade. E eu tomei
essa iniciativa...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Isso é boi de piranha! Isso é puro boi
de piranha.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essas pessoas
da Executiva já que sabiam que havia toda essa dívida pendente... e, afinal, os
valores são, pelo menos os valores sacados em nome de terceiros, são
aproximadamente R$40 milhões. Quarenta milhões de reais dentro de um Partido
pagando contas e ninguém percebia nada, tudo bem... Uma única pessoa é que
sabia disso. Ninguém estranhava de onde vinham esses recursos? Ninguém nunca
quis saber?
É difícil acreditar que V.
Sª esteja realmente esclarecendo os fatos se não ampliar essa informação. Nós
vamos ficar numa dúvida... enfim, é um absenteísmo impossível.
Eu acabei de lhe perguntar
se a Executiva servia de canal para solicitação das demandas? A Executiva
percebia que foram pagos certos débitos que a Executiva havia recebido a
provocação e não queria saber de onde, nem nada?! Dinheiro chovendo.... Qual a
explicação? Ninguém comentava isso?
O SR. DELÚBIO SOARES – Sr. Relator, vou tentar colocar as coisas
como aconteceram. Vários membros que ficaram devendo, sendo cobrados pelos
fornecedores de restos de campanha de 2002, colocavam o problema para algum
membro da executiva. Eles diziam: “resolvam com a Secretaria, resolvam com o
Delúbio”. Em função das dificuldades que percebi que cada um tinha, tomei essa
iniciativa. A iniciativa de procurar os bancos, procurar as empresas, é minha.
A iniciativa de saldar os débitos com a fornecedora “a”, com as dificuldades
que cada candidato ou membro de um partido tinha era de minha responsabilidade.
Eu dava informação, conseguia os recursos, passava direto ao pagamento. Isso
era feito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem negociava com os
partidos aliados o montante que seria a contribuição do PT?
O SR. DELÚBIO SOARES – De acordo com as necessidades de cada
partido.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR.) – Mas quem
procedia às negociações com o PT?
O SR. DELÚBIO SOARES – Eu.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais
os partidos que V. Sª participou?
O SR. DELÚBIO SOARES – Vários membros da base aliada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E que valores foram
ajustados?
O SR. DELÚBIO SOARES – Isso será dado na quebra de sigilo bancário
e nos saques que serão apresentados.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. V.
Sª me perdoe, mas, lá não há identificado o ajuste que V. Sª fez, estilo
noticiado pelo Sr. Roberto Jefferson. Que o dele teria sido o menor dos
ajustes, de R$20 milhões. A que outros ajustes assemelhados o PT procedeu em
relação aos outros partidos da base?
O SR. DELÚBIO SOARES – A relação com o PTB foi uma relação sadia,
correta; é um Partido que respeitamos muito. A informação do Deputado Roberto
Jefferson não procede como anunciou na imprensa. Só isso que tenho a dizer.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E qual
seria a verdadeira?
O SR. DELÚBIO SOARES – No momento correto, vamos trabalhar essa
informação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Continuo
insistindo com V. Sª, como fiz a referência inicial: seria interessante que V.
Sª nos esclarecesse mais – volto a dizer – em benefício do próprio Partido e de
muita gente inocente que termina sendo comprometida. V. Sª deve ter visto
também aquela expressão de Luis XIV muito assemelhada com seu nome: “Après
moi le déluge”, depois de mim, o dilúvio. Aparentemente, depois de V. Sª,
se não houver esclarecimento, vamos para o dilúvio.
O SR. DELÚBIO SOARES – Sr. Relator, não vou discutir questão de
juízo. Cada um pode fazer o que quiser. Não vou...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se V.
Sª era a única pessoa que mexia com os recursos, e ajustes financeiros foram
estabelecidos com partidos políticos, e tanto foram que V. Sª mesmo diz, nos
seus depoimentos, que recursos obtidos por meio desse expediente foram
canalizados para partidos da base. Se V. Sª não esclarecer muito claramente o
que foi para os partidos da base, vai sobrar informação, como uma que me
aconteceu agora há pouco, aqui na entrada; um repórter me perguntou que
explicação eu tinha com relação a uma notícia de hoje, que não havia lido,
sobre a Prefeita de Fortaleza, de que ela recebera dinheiro do PT. Eu respondi
que o PT tem fundos legais, que existe o fundo partidário. Então, não é porque
alguém, candidato, do Partido recebeu recursos do PT que pode ser carimbado
como alguém necessariamente com uma ligação ilícita.
E, se V. Sª não ajudar a
separar o joio do trigo, pergunto a tantos inocentes que possam ocorrer, que
tenham tido ligações partidárias ou intrapartidárias com V. Sª, como eles
ficarão? Mais hora, menos hora, é preciso que V. Sª a convença. A CPMI vai ter
de tomar decisões severas. Quer ser justa, correta, e depende da sinceridade de
V. Sª.
Volto a perguntar: não
parece incrível que apenas uma pessoa, numa estrutura que mexe com milhões,
tivesse conhecimento do que efetivamente estava ocorrendo, tanto em relação à
obtenção dos recursos, quanto à sua destinação em relação aos partidos que se
tivessem aliado. Que critério V. Sª adotava para dizer: “Não, isso aqui vai
para o partido tal”? V. Sª tinha um limite. Como V. Sª controlava o que deveria
ir para quem? Porque, volto também a dizer, Marcos Valério sempre disse – e há
uma sintonia nessas informações – que quem indicava as pessoas que poderiam
sacar o dinheiro era V. Sª. Portanto, V. Sª tem o monopólio da informação. É
difícil, envolvendo tantas pessoas, que amanhã ou depois nós não venhamos a
saber, por outras vias, e que isso termine comprometendo as partes boas que V.
Sª poderia ter a nos informar, porque, quando há um descrédito, é difícil que
não se contamine a parte crível.
Por isso, volto a insistir,
sobre tudo o que falei: obtenção de empréstimos, quem sabia? Destinação dos
recursos, quem sabia?
O SR. DELÚBIO SOARES – Vou começar pela última: quem recebeu, não é isso?
Quem recebeu vai... A investigação, as investigações, um conjunto de
investigações da Polícia Federal, do Ministério Público, das CPIs – não só
desta, das demais CPIs que estão instaladas, esta e a chamada CPI do Mensalão –
vão esclarecer os fatos, quem recebeu. Não temos aqui preocupações, não. Vão
esclarecer os fatos, quem recebeu.
Agora, quero deixar uma
coisa clara, Sr. Relator. Nós, ao solicitarmos esses empréstimos, com os juros
que estamos pagando e que vamos pagar... São questões que nós assumimos de
público – estou assumindo isso –, sabendo das conseqüências jurídicas
eleitorais que temos de enfrentar ao assumir esse fato. Eu sei das
conseqüências, e informei ao meu partido. Por isso, me licenciei, para ficar à
disposição, poder esclarecer esses fatos. Por isso me licenciei do Partido dos
Trabalhadores: para esclarecer esses fatos. E a nova gestão vai tocar o partido
da maneira que ela achar interessante.
Quem recebeu? As
investigações darão conta dessa matéria. Se eu começo a citar nomes, se eu cito
um nome e esqueço um outro, porque foi um processo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quanto aos que V. Sª
esquecer, nós suplementaremos pelas investigações, mas pelo menos avançaríamos
um bom trecho...
O SR. DELÚBIO SOARES – Para não ser injusto com ninguém, tanto com os
nossos candidatos, as pessoas que precisaram dos recursos, os diretórios do
partido e dos aliados e os fornecedores, eu prefiro me reservar o direito de
não falar declinar os nomes agora.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª, pelo menos
internamente, no partido, já prestou contas de forma a convencer os integrantes
do partido de como foi sua conduta?
O SR. DELÚBIO SOARES – Não. Fui convocado ontem pela Executiva Nacional
do PT, para me apresentar à nova Executiva. Vou fazer isso – ontem eu não pude,
porque eu estava me preparando para este debate aqui hoje. E vou fazê-lo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quando V. Sª fizer
isso, vai apresentar aos petistas a relação de todos os recursos que V. Sª...
O SR. DELÚBIO SOARES – Com certeza, nós vamos fazer esse banco de dados,
e tanto o PT quanto a sociedade vão ficar sabendo quem recebeu os R$39
milhões...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é tão com certeza,
porque ontem nós ouvimos o Silvio Pereira: as informações que V. Sª levava ao
conhecimento do diretório se limitavam à parte oficial.
O SR. DELÚBIO SOARES – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A parte oficiosa V. Sª
nunca levou ao conhecimento?
O SR. DELÚBIO SOARES – Essa é uma parte que ficou sob minha
responsabilidade, e vou fazer isso com transparência e tranqüilidade, porque o
meu partido é um partido rígido; se achar que eu estou mentindo vai me
expulsar, eu sei disso. Eu vou apresentar todas essas questões. E todos nós
aqui conhecemos...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais os diretórios...
V. Sª disse que teria, na verdade, sido solicitado a proceder ao pagamento de
campanhas estaduais. V. Sª poderia nos dizer quais diretórios estaduais, quais
campanhas, em relação à eleição de 2002, V. Sª precisou saldar em 2003?
O SR. DELÚBIO SOARES – Várias campanhas que, também, no decorrer
das investigações, eram claras.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Eu quase fico sem perguntas. V. Sª não avança. V. Sª não estranha ter
escolhido...? Que critério V. Sª adotou para escolher a empresa em nome da qual
ou das quais – porque foram várias – os recursos seriam obtidos junto à rede
bancária? Que critério adotou para escolher? Não lhe pareceu que a escolha a
que estava procedendo viria a comprometer a sua agremiação política em virtude
de serem todos fornecedores públicos?
O SR. DELÚBIO SOARES – Vamos deixar claro, Sr.
Relator, que não tem dinheiro público. É dinheiro privado de um banco
privado...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas essa é a sua
visão. Podemos imaginar que seja uma forma transversa de obter recursos.
O SR. DELÚBIO SOARES – Cada um, cada brasileiro e cada representante do
povo que aqui está tem o direito de pensar da maneira que achar correta.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O ruim é se a Comissão
pensar toda assim. Aí vai sobrar para quem não abriu o jogo.
O SR. DELÚBIO SOARES – Se o senhor deixar, eu posso explicar. Não teve
dinheiro público. Nós recorremos a um empréstimo. Como os recursos não eram
contabilizados, nós não poderíamos internalizar ou contabilizar esses recursos
no PT. Era dinheiro não contabilizado nos Estados ou nas bases aliadas de
membros das bases aliadas. Então, nós assim fizemos. Pegamos um empréstimo.
Poderia ter solicitado a outras empresas para fazê-lo? Poderia. Mas eu
encontrei com o Marcos Valério e ele concordou em fazê-lo e assim fizemos.
Simplesmente por isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª sabe que ele
teve reajustes nos contratos dele, das empresas dele, junto ao Banco do Brasil,
junto aos Correios coincidentemente em 2003?
O SR. DELÚBIO SOARES – Esse assunto já foi extremamente debatido aqui com
várias pessoas. Extremamente debatido. Se teve... Se teve...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhecia, sabia
que eles tinham contratos, sabia que essas empresas tinham contratos com os
Correios, com o Banco do Brasil?
O SR. DELÚBIO SOARES – Na época, com os Correios, parece que não existia.
Estava participando de com a concorrência. Então,...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com o Banco do Brasil?
O SR. DELÚBIO SOARES – Com o Banco do Brasil já... Uma das empresas já era
fornecedora do Banco do Brasil e ganhou a concorrência, assim como várias
outras empresas que já eram do Governo anterior ganharam concorrência; outras
saíram de um Ministério e foram para outro. É isso que sei das informações de
imprensa das concorrências das empresas de comunicação no Governo nosso, no
Governo do Lula e no Governo anterior.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª conheceu
Marcos Valério?
O SR. DELÚBIO SOARES – Em meados
de 2003... 2004... 2002, na campanha eleitoral. Meados de 2002.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em que momento, quando
foi que V. Sª estabeleceu o primeiro contato em relação à obtenção de recursos
através das empresas dele?
O SR. DELÚBIO SOARES – Nós começamos a conversar sobre o assunto no final
de 2002, vários assuntos e fazer a campanha... As empresas dele fazerem a
campanha para o Deputado João Paulo à Presidência da Câmara. Participamos de
várias reuniões, porque preparamos a campanha do companheiro João Paulo e a
empresa dele foi a escolhida. E começamos a conversar. Quando foi colocado o
problema para mim pelos nossos membros do Partido nosso ou dos Partidos da base
aliada, eu discuti o assunto e ele se ofereceu, ele colocou uma idéia e eu
perguntei a ele, eu pedi a ele se ele podia fazer, fazer esse empréstimo nas
empresas dele para quitar esses débitos. Ele concordou e assim fez. Os bancos
concordaram em fazer o financiamento das empresas dele. Os bancos não fizeram
financiamento a mim ou ao Partido dos Trabalhadores. Fizeram às empresas dele –
tanto o Rural quanto o BMG.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª sabia que ele
dava em garantia os contratos que ele tinha com o Governo?
O SR. DELÚBIO SOARES – Do método de ele conseguir os empréstimos, eu não
participei. Mas está público na imprensa que tem as garantias dos recebíveis
nas empresas onde ele trabalhava.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez V. Sª
providenciou o pagamento de alguma prestação, ou do próprio contrato, já que
são antigos. Até de 2003 tem contratos.
O SR. DELÚBIO SOARES – Repita a pergunta, por favor, Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Vocês efetuaram algum pagamento?
O SR. DELÚBIO SOARES – Direto?
O SR.
RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ao banco?
O SR. DELÚBIO SOARES – Não, não fizemos nenhum pagamento.
O SR.
RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou ao... Parece-me que transferiram dinheiro
para...
O SR. DELÚBIO SOARES – Não, não, não.
O SR.
RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E até hoje todos esses financiamentos não foram pagos
nem ao Marcos Valério nem ao banco?
O SR. DELÚBIO SOARES – Não, ao banco, nós não devemos ao banco.
O SR.
RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sim. Mas não lhe parece que...
O SR. DELÚBIO SOARES – É um contrato de confiança... Vou deixar claro
para o senhor: é um contrato de confiança... Juízo de valor? Não me interessa.
Não é que eu não me interesse, mas cada um tem o seu juízo de valor. Nós
fizemos um contrato em confiança com o Sr. Marcos Valério. Ele fez os pedidos
de empréstimo. Nós não saudamos esses pedidos de empréstimo. Nenhum! Então, o
valor original em torno de R$39 milhões, quase R$40 milhões, que deverá, ao se
quitado, ser corrigido com juros e correção monetária vigentes nos contratos.
O SR.
RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não vou fazer juízo de valor, já que V. Sª está
censurado isso.
O SR. DELÚBIO SOARES – Sim, é direito de V. Exª.
O SR.
RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas então vou lhe colocar um quadro, e V. Sª me
explique sem juízo de valor. Empresas contraem empréstimos em 2003, em
fevereiro, maio, setembro de 2003; depois, em 2004. Empresas contratantes da
Administração Publica assumem compromissos milhardários junto a
estabelecimentos bancários para socorrer V. Sª. E V. Sª não efetuou pagamento
nem da empresa nem do banco. Até hoje isso não fez. Sem nenhum juízo de valor,
é esse o fato?
O SR. DELÚBIO SOARES – Nós, nós...
O SR.
RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu não quero juízo de valor. Isso é verdadeiro?
Tudo bem, eu não quero interrompê-lo
O SR. DELÚBIO SOARES – Eu solicitei ao Marcos Valério que, por intermédio
de suas empresas, fizesse os empréstimos. Não quitei nenhum empréstimo com as
empresas do Marcos Valério. A relação minha com o banco... Não tenho relação
formal com o banco, de dívida, documentos meus com os bancos sobre empréstimo.
Então, a relação é direto com o Marcos Valério. E não fiz nenhum pagamento de
nenhum dos recursos que o Marcos Valério solicitou e, sob minha orientação, fez
os pagamentos. Não fiz nenhum pagamento. Correto?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Ou seja, o fato que eu anunciei é verdadeiro.
E em relação aos
financiamentos do Partido. Aí, o relacionamento é do Partido com o banco. V. Sª
disse: “Não, lá não tenho nada com o banco, a empresa é que deve para o banco.”
A do Partido é do Partido com o banco. O Partido pagou?
O SR. DELÚBIO SOARES – Sobre o contrato do Banco de Minas Gerais, o
Partido efetuou pagamento de juros até 2004. Nós pagamos em torno de R$800 mil
de juros no empréstimo do Banco de Minas Gerais. Não quitamos uma parcela. Ouvi
pela imprensa que o Marcos Valério assumiu aqui. Mas ele era o avalista do
empréstimo do BMG e do Rural também. O Banco de Minas Gerais exigiu do avalista
o pagamento, e ele quitou o pagamento na conta do avalista. Tem duas contas
quando você pega empréstimo: a conta do avalista e a conta do credor. Se o
avalista depositar na conta do credor, fica como se o credor pagasse. E nós
devemos à empresa do Marcos Valério também essa parcela de R$350 mil, que ele
efetuou uma parte do pagamento do empréstimo do BMG.
Devemos hoje ao BMG, já deve estar em torno de... No final do ano,
quitados os juros, que eram de R$2,4 milhões, com as parcelas de R$800 mil que
nós pagamos e a que foi paga por Marcos Valério, de aproximadamente R$350 mil,
estão contabilizados R$2,7 milhões. Isso vence agora. Até tem uma notícia na
imprensa hoje, que se nós não pagarmos em setembro, o Banco vai executar o PT.
O advogado do Banco de Minas Gerais está dizendo isso, que o empréstimo foi
prorrogado até setembro e que deve estar em torno de pouco mais que três
milhões. O do Banco Rural, nós não efetuamos nenhum pagamento e esses recursos
estão contabilizados em torno de 6 milhões. Hoje, já deve estar em torno de R$7
milhões o empréstimo de 3 milhões efetuado no Banco Rural, do qual o PT não
pagou nenhuma parcela. Esses já estão assumidos pela nova Executiva, que
anunciou ontem que fará um plano de pagamento desses empréstimos.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Nos registros do Partido consta alguma cobrança, alguma
notificação? O Banco tomou alguma providência para mostrar que pretendia, tal
qual procede em relação a outros clientes, receber o valor que estava vencido?
O SR. DELÚBIO SOARES – Tem as
cobranças informais.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Formalmente, o Banco nunca...
O SR. DELÚBIO SOARES – Os
gerentes do Banco têm procurado a assessoria do PT para cobrar, bem antes do
episódio das denúncias. Tanto é que procurou o avalista, o Banco BMG, para que
o avalista pagasse pelo menos os juros, para poder renovar o contrato. O Banco
Rural tem cobrado, mas tem rolado os contratos.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Através desses financiamentos, o dinheiro ingressava na
conta das empresas que eram as que contraíam os empréstimos. Como esse dinheiro
saía dessas contas, como ele era sacado, como ele era direcionado, já que V. Sª
aceita como sendo dívida sua? Que controle V. Sª tem dos saques efetuados e que
correspondem a dívida sua? Que critério V. Sª adotou para indicar os nomes que
iriam sacar, como iriam sacar, onde iriam sacar e o valor que iriam sacar?
O SR. DELÚBIO SOARES – Nós
precisamos entender, Senador, que é um processo de um ano e meio, quase dois
anos - já tem dois anos e meio que isso aconteceu. Na medida em que havia a
necessidade, uma necessidade real... Tenho muita tranqüilidade, porque conheço
significativamente as pessoas. Tenho certeza de que isso não foi para atividade
privada de nenhum dos membros que receberam para pagar os fornecedores ou dos
fornecedores dos serviços que foram prestados. Tenho muita tranqüilidade disso,
que ninguém enriqueceu com isso.
Fornecia a ele, numa relação de confiança que eu expliquei ao
Procurador-Geral da República - era uma relação de confiança. E como que eu
sabia que as pessoas recebiam? Porque eu me encontrava com as pessoas, e aquele
montante que foi designado foi efetivado com o fornecedor A, com o fornecedor
B. Por isso, foi uma relação correta...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, V. Sª, para alguém, ainda que seja
internamente ao PT, terá condições de apresentar a lista dos fornecedores que
receberam?
O SR. DELÚBIO SOARES – Não
sei se todos os fornecedores, mas o destino, para quem era, vamos reconstituir.
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