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O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Com as bênçãos de Deus,
declaro aberta a 16ª reunião da Sub-Relatoria Contratos da CPMI, criada através
do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas
e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos
nos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Sobre a mesa, ata da
reunião anterior, que coloco em votação, propondo a dispensa da leitura.
As Srªs e os
Senadores que a aprovam queiram permanecer sentados. (Pausa.)
Aprovada.
Esclareço que a pauta
desta reunião destina-se à oitiva do Sr. Dennis Aurélio Giacometti e também,
voluntariamente, do Sr. Hiran Amazonas Castello Branco.
Encontra-se sobre a
mesa também expediente do Sr. Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari, advogado do
Sr. Antônio Augusto Conceição Morato Leite Filho, que requer que sua convocação
prevista para o dia de hoje seja agendada para o dia 30 de novembro,
quarta-feira.
Convido, pois, para
tomar assento à Mesa o Sr. Dennis Aurélio Giacometti e também o Sr. Hiran
Amazonas Castello Branco.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pela ordem, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Tem a palavra V. Exª pela
ordem.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sr. Presidente, acerca do
requerimento que foi encaminhado pelo Dr. Advogado Pedro Bohomoletz de Abreu
Dallari, é um requerimento em que ele solicitou a transferência do dia de hoje
do depoimento, uma vez que o advogado, sendo professor da Universidade de São
Paulo, tinha um compromisso acadêmico. Então, ele solicitou a mudança da data,
o que foi deferido por nós, para que seja realizada no dia de amanhã. Portanto,
a oitiva do Sr. Antônio Augusto Conceição Morato Leite será feita no dia de
amanhã, às 16 horas e 30 minutos. Portanto, deferida a transferência e já o
advogado e o depoente foram devidamente cientificados dessa data e horário, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Convido também para tomar
assento à Mesa o advogado Fernando Castelo Branco. (Pausa.)
Srs. Hiran e Dennis,
V. Sªs comparecem a esta Comissão na condição de testemunhas e, sendo assim,
comprometem-se, nos termos do art. 203 do Código de Processo Penal, sob as
penas da lei, a dizer a verdade no que souberem e no que lhes for perguntado,
não sendo, pois, obrigados a depor contra si próprios, nos termos do art. 5º,
inciso LXIII, da nossa Lei Maior. V. Sªs já assinaram o termo de compromisso e
passaria a palavra ao Sr. Dennis, que foi convidado a depor primeiro, para
fazer sua qualificação e prestar suas declarações iniciais. A seguir, o fará o
Sr. Hiran Amazonas Castello Branco.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Boa-tarde a todos
vocês. Primeiro eu queria fazer uma breve apresentação da Giacometti, que acho bastante
importante, no momento, apresentar um pouco a empresa. Ela é jovem, uma empresa
que deve fazer 10 anos agora neste final de ano, e nós temos na casa
aproximadamente uns 20 e poucos clientes, grandes empresas, médias empresas,
pequenas empresas, e estamos com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro,
Recife e Brasília.
É uma agência que
basicamente tem duas áreas de negócios. Uma área que chamamos de arquitetura de
negócios, uma área da qual nos orgulhamos muito, tem uma metodologia toda
brasileira, desenvolvida no Brasil. Basicamente, trata de assessoria de gestão
empresarial, é um braço novo da Giacometti, tem uns 5 ou 6 anos, da qual a
gente se orgulha muito e o outro braço é o da comunicação, da publicidade.
Eu, que
particularmente vou fazer 30 anos nesse mercado, sempre utilizei, quando fui
sócio de agências, o meu nome na placa da agência, o que foi sempre uma honra
para mim. A Giacometti, graças a Deus, está no auge da sua relação com os
clientes, da sua relação com o mercado. E as pesquisas de mercado que falam
sobre as imagens das agências de propaganda no Brasil junto às maiores
anunciantes colocam a Giacometti como uma empresa super qualificada. Isso tem
também nos honrado muito, porque é o quarto ano consecutivo que essas pesquisas
apontam a ascensão da Giacometti pela imagem percebida pelos anunciantes no
mercado, isso é muito importante.
E também gostaria de
falar do meu sócio Hiran Castello Branco, que dispensa apresentações. Estamos
juntos, nós nos conhecemos há mais de 20 anos. Eu fui trabalhar na famosa
Castello Branco, que o Sr. Renato Castello Branco, pai do Hiran, também
dispensa apresentação, um dos fundadores da propaganda brasileira, um homem que
produziu muito conhecimento sobre a propaganda brasileira aqui no Brasil. A
gente esteve junto pela década de 70 e nos separamos. Ele trabalhava na
Castello Branco e eu também. Segui meu rumo e nos encontramos de novo na
Giacometti. É uma pessoa a qual eu respeito muito, muito qualificada para
desenvolver os nossos trabalhos.
Como nós temos – como
expliquei no começo – duas áreas de negócios, arquitetura de negócios e a de
comunicação, e também esses escritórios de Recife, do Rio de Janeiro e de
Brasília, resolvemos dividir as nossas atividades na agência. Então, a minha
responsabilidade maior é com a área de arquitetura de negócios e com o
escritório de São Paulo, permanentemente os clientes da área privada. E o Hiran
ficou com os demais escritórios e o setor público.
Então, já adiantando
uma possibilidade, estou bastante a par, em termos estruturais, do que
aconteceu. Quando eventualmente nós precisarmos de alguns detalhes, o Hiran
será a pessoa mais capacitada a nos ajudar aqui, auxiliar-nos em virtude de a
memória dele ser melhor que a minha. Acho que fazendo essa divisão a gente vai
conseguir atender plenamente às demandas dos senhores.
Finalizando, é importante dizer que, quando nós constatamos
a presença da Giacometti na mídia, houve referências da Giacometti na mídia,
nós rapidamente providenciamos uma série de informações. Encaminhamos um
documento à Comissão, questão de uns 20 dias atrás, se não me falha a memória.
Nesse documento, nós não só nos colocávamos à disposição para este encontro –
até estamos meio ansiosos para ele, porque temos todas as informações
disponíveis, todos os fatos são facilmente esclarecidos, podem ser facilmente
esclarecidos –, e então encaminhamos esta carta à Subcomissão já antecipando
todas as informações possíveis, porque todos os nossos trabalhos realizados,
fora os Correios, foram todos eles documentados, todos eles têm nota fiscal,
todos eles têm cheques, todos os cheques nominais. Nossa firma tem auditoria.
Então, estamos aqui tranqüilos para tentar esclarecer, o melhor possível, as
demandas dos senhores.
Obrigado.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Inicialmente, agradeço a presença de V. Sª, Dr.
Hiran, agradeço ao advogado pela presença, lembrando que os dois depõem, na
forma da lei, enquanto testemunhas, submetidos, portanto, ao compromisso legal
e às penas da lei.
Pergunto ao senhor: que contratos a Giacometti, ao longo do
tempo manteve, com órgãos públicos?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Nós tivemos a conta
dos Correios, que foi em 2000...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Dos Correios foi em 2000 a
primeira contratação?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Isso. Foi a
primeira e, por enquanto, a única contratação com órgão público que tivemos.
Temos dois clientes que às vezes as pessoas confundem, o Sebrae e a Apex, que
nós estamos separando neste momento de um órgão público, não é uma conta de
governo.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor tem alguma
relação com o GDF, Governo do Distrito Federal?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Não.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nenhum tipo de relação contratual
ou subcontratação?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Com o GDF? Não.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor participou de
licitações?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – De 2000 para cá nós
participamos de licitações públicas por volta de umas 10.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor sabe lembrar
mais ou menos quais foram?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Foi Petrobras,
Banco do Brasil...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Petrobras em que ano? O senhor
se lembra mais ou menos?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Acho que foi a
última, em 2004.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois Banco do Brasil.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Banco do Brasil,
tivemos, se não me falha a memória, Ministério da Educação.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando foi a do Banco do
Brasil? Foi 2003?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Agora nas datas...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tudo bem. Mais ou menos.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Não vou poder
lembrar. São todas recentes, todas depois do ano 2000.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Todas depois do ano 2000.
Petrobras, Banco do Brasil, o que mais?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Acho que teve
alguma coisa com o Distrito Federal, com Brasília, não me lembro se foi do
Município ou de uma secretaria específica. Depois o Hiran pode-nos ajudar
melhor.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Se o Dr. Hiran quiser
esclarecer, por favor.
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – Boa-tarde. Como o Deputado mencionou, eu quis
voluntariamente depor nesta tarde porque, na nossa empresa, nós temos, como em
qualquer empresa, uma divisão de responsabilidade. E a nossa atuação no setor
público é conduzida por mim, que naturalmente fiz uma série de recomendações ao
meu sócio que, até pelo nosso histórico de relacionamento, as acatou em
confiança. Entre as recomendações que fiz, foi a estratégia de compartilharmos
estruturas com outras agências em mercados onde estivéssemos iniciando o nosso
trabalho, como aqui em Brasília, como no próprio Rio de Janeiro e também em
Recife. E, aqui em Brasília, foi da minha responsabilidade estabelecer um
acordo para compartilhar uma estrutura com o Cristiano Paz, que é uma pessoa que
conhecia desde 1986, um renomado publicitário de Minas Gerais.
Nós, sob a minha
condução, naturalmente sempre com o conhecimento do Dennis – embora a memória
esteja mais voltada para outras atividades e possa falhar nessas circunstâncias
–, participamos de várias licitações. No próprio Banco do Brasil, participamos
duas vezes – a primeira delas deve ter sido em 1999, se não me falha a memória.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com o Banco do
Brasil, a primeira foi em 1999?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Em 1999.
Depois, participamos novamente...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ganhou ou não a
licitação o Banco do Brasil?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Não. Não
ganhamos. Depois, participamos novamente neste Governo e também não ganhamos.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2003.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Creio que
foi em 2003.
Participamos também,
duas vezes, de licitações no GDF, que, como os senhores viram, é um termo um
pouco estranho para o Dennis, mas é o grupo de administração do Distrito
Federal. Participamos duas vezes de concorrências e também não ganhamos.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor se lembra
das datas? Aproximadamente.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – A última
licitação foi agora, já no Governo Joaquim Roriz.
O SR. RELATOR
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Os senhores não ganharam?
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – Não ganhamos.
Participamos de licitações no Ministério da Educação – disso
eu me lembro – e também de uma licitação, que não ganhamos, para a Câmara.
O SR. RELATOR
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Para a Câmara dos Deputados?
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – Para a Câmara dos Deputados.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando foi?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Para a
Câmara dos Deputados e também para a Câmara Distrital.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Para a Câmara dos
Deputados, o senhor lembra quando foi?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Era ainda no
Governo Fernando Henrique Cardoso essa licitação. Da Câmara Distrital não me
recordo, para ser preciso. Participamos de várias outras licitações no setor
público, que é uma área que conduzo em Estados. Disputamos uma licitação no
Governo do Paraná e também não tivemos êxito no Governo do Rio de Janeiro e,
mais recentemente, no Ceará, na Prefeitura de Fortaleza. Disputamos uma
licitação, ainda, no Governo do Piauí. Não estranhem, pois meu pai, Renato
Castello Branco, era natural de Parnaíba – quase por razões sentimentais.
O Dennis esqueceu-se
de mencionar, mas tivemos a conta da Prefeitura de Osasco e de Guarulhos.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando foi em
Osasco?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Osasco era
na gestão do Prefeito Celso Giglio e Guarulhos foi na gestão do Prefeito Elói
Pietá.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Atual Prefeito?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Atual
Prefeito. Nós tínhamos um contrato e depois foi feita outra licitação, que não
vencemos.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, no âmbito do Governo
Federal, foi a do Banco do Brasil e da Petrobras?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Com certeza,
foram essas que mencionei. E pode haver outras das quais eu não esteja me
lembrando, Sr. Deputado.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Na Petrobras,
quando foi? O senhor lembra?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Na
Petrobras, terá sido, com certeza, em 2003.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2003? Também
perderam?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Também
perdemos. O senhor conhece bem essas licitações. Há uma fase de habilitação e a
proposta técnica. Fomos mais bem pontuados naquela do Ministério da Educação,
em que ficamos em terceiro lugar.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor teria
condições de mandar para a CPI a relação completa das estações das quais
participou?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Com toda a
certeza.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em quanto tempo o
senhor nos mandaria?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Acredito que
em 48 horas eu possa mandar-lhe.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, fica fixado
esse prazo. Agradeceria imensamente porque isso seria de grande valia a esta
CPI.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Vou
providenciar.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, o único
contrato que o senhor teve foi com os Correios no ano 2000?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – No âmbito
federal...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E em outros
âmbitos?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Na
Prefeitura de Osasco.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Na Prefeitura de
Osasco e na de Guarulhos. Perfeito.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Osasco e
Guarulhos.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – No âmbito federal,
foram só os Correios no ano 2000. O contrato foi até quando?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – O nosso
contrato foi firmado no final de 2000 e transcorreu 2001, 2002 e 2003. Nós
participamos, mas não ganhamos essa licitação que ocorreu no final de 2003. E
os últimos trabalhos que prestamos para os Correios são do início de 2004,
porque, embora o contrato se encerrasse em dezembro, havia trabalhos que
estavam autorizados e já colocados para mídia, o que entra pelo começo do ano
de 2004.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor
recorda-se dessa licitação aberta pelos Correios e que ensejou esse contrato do
ano 2000? O senhor poderia dar detalhes – quem participou e quem disputou?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – A que nós
vencemos?
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A que os senhores
ganharam.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Deputado, essas
licitações são muitos disputadas. Normalmente, retiram os editais cerca de 80
empresas, e participam 40, 50 empresas, apresentando propostas. É difícil
recordar-se de detalhes nessas circunstâncias.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Evidentemente.
Foram três empresas
que ganharam, não é isso?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Sim.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – A Giacometti, a
Ogilvy e a Fischer América.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E a Fischer América.
Posteriormente, uma
delas saiu da contratação?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Passado um tempo,
a Fischer América...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Abandonou o contrato?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Abandonou o
contrato.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por quê?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Posso
responder?
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por favor.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Quanto aos
contratos com o setor público, as empresas são periódica e sistematicamente
avaliadas. Então, compete ao contratante fazer essa avaliação. Nós e todos os
contratados, evidentemente, passamos por essa avaliação. Se o órgão não estiver
satisfeito com o trabalho da empresa contratada, ele não renova o contrato.
Essas licitações permitem até cinco renovações.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Máximo de cinco anos?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Máximo de
cinco anos. São contratos de doze meses, renováveis até cinco vezes.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Hoje o limite é de até
seis anos. Na época, eram cinco anos.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Eu achava
que eram cinco ainda.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Hoje, a legislação ainda
fala em cinco anos, mas houve uma emenda que permite mais um ano, além dos
cinco.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Eu
desconhecia isso.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Na época, eram apenas
cinco.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Numa dessas
avaliações, eles não renovaram o contrato da Fischer América, que, ressalvo, é
uma empresa conhecida e muito boa, mas que, possivelmente, não teve boa
avaliação naquele momento na prestação de serviços a esse cliente.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Certo. Então, o gasto de
publicidade dos Correios passou a ser dividido apenas entre a Giacometti e a
Ogilvy?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Isso.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Exatamente.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, os ganhos dos
senhores aumentaram nesse período após a saída da Fischer América, em razão de
apenas duas empresas, em vez de três, terem assumido a prestação de serviços?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – A verba
administrada, de fato, aumentou. No primeiro ano em que trabalhamos para os
Correios, devemos ter administrado recursos na casa dos R$ 20 milhões.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – R$ 20 milhões.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Foi isso,
não é, Dennis? Depois, no segundo ano, devem ter sido R$ 25 milhões ou algo ao
redor de R$ 30 milhões.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – R$ 25 milhões.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Disponho de alguns valores
que quero apenas confirmar com o senhor: no ano de 2001, a Giacometti teria
recebido R$ 20.885.833,00.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Está certo.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2002, R$ 27.708.254,00.
Confere?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – É um pouco menos:
R$ 25 milhões.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – A grandeza
será essa.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2003?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Não. Em 2002, R$
25 milhões.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – R$ 25 milhões?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Isso.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2003, R$ 25.553
milhões.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Em 2002?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Nesse ano, foi
mais.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2001, R$ 20.885
milhões.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – O meu
número é um pouco maior: R$ 21.011.148,00 milhões.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vamos pegar os seus
números para checarmos. R$ 21 milhões...
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – R$
21.011.148,11.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O meu é R$ 20,885 milhões.
Em 2002?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – R$
25.264.099,00
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O nosso é R$
27.708.245,00. Em 2003?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – R$
30.397.796,00.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O nosso é diferente: R$
25.553.639,00.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Eu posso
assegurar-lhe que esses números estão corretos, Deputado. São da nossa
contabilidade.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nós vamos checá-los. Em
2004?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Em 2004,
não tem.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Não tem.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Há o remanescente. Talvez
aí esteja a diferença: é o período de cálculo.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Está certo.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A diferença deve estar no
período de cálculo. Há uma diferença. Em 2004, embora os senhores não tivessem
sido contratados, foi recebido.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Entendi.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Está certo.
O meu é competência.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Neste ponto, deve estar a
diferença: R$ 3.172.040,59.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Isso deve
explicar as outras diferenças também, porque nós temos por competência, e o
senhor deve ter por caixa.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Evidentemente. É a forma
de critério. Apenas para checarmos, o nosso valor total deu R$ 77.319.759,01.
Confere? Esse número precisa ser igual.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Deveria,
mas o que eu tenho aqui é R$ 76.673.044,00.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas já reduziu bastante.
Estamos só em alguns R$ 500 mil de
diferença apenas.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – É, mas...
(Pausa.)
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A Secom, ao que consta, determinou uma redução do patrimônio líquido
exigido pelo edital licitatório das empresas. Isso beneficiou a sua empresa de
alguma forma em participar de licitações ou não?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Não, porque a nossa empresa sempre atingiu esse valor.
Na verdade, eu participo bastante das nossas associações de classe e é
natural que, quando essas cláusulas são colocadas, muitas associadas entendem
que isso é uma limitação à participação delas e pedem até a interveniência do
sindicato. Eu mesmo já fui Presidente do sindicato das agências, e o sindicato,
nessas situações, pede que não sejam feitas exigências desnecessárias e assim
por diante.
No caso específico da nossa empresa, nós atendíamos essas condições e
naturalmente até em contrário. Quer dizer, qualquer alteração aumentaria o
número de participantes na concorrência.
Eu acho que era da ordem de um milhão e meio ou...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Foi de dois e pouco.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Era, mas nós atendíamos isso.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Essa redução o senhor acredita que beneficiou algum grupo específico ou
alguma empresa específica?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Deputado, sinceramente, não. Eu acredito que, como essas exigências,
muitas vezes, limitam a participação de empresas menores que possam atingir
esse patrimônio líquido, mas têm condições técnicas de participar dessas
licitações, as próprias associações de classe tomam a iniciativa de...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Recomendam isso?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Recomenda, procuram...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, teria servido para ampliar a competitividade.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Para ampliar a concorrência. O objetivo...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, a situação anterior era mais restritiva e aqui se abriu mais,
sem o direcionamento de beneficiar alguém.
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Com certeza.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual o relacionamento da Giacometti com o a empresa SMP&B que
pertencia e pertence ao Sr. Marcos Valério?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Bom, quando a gente conquistou a conta do Correio, a Giacometti não
tinha ainda escritório em Brasília, e isto era uma demanda no contrato dos
Correios: que tivéssemos um escritório em Brasília. Como tínhamos pouco tempo
para montar essa operação e, ao mesmo tempo, uma agência com um cliente só...
os custos dela são altos para viabilizar um cliente só. Então, tínhamos que
procurar uma forma de reduzir esses custos. Preferiu-se adotar uma prática que
várias agências adotam, escritórios de advocacia adotam, companhias aéreas
adotam, montadoras adotam, que é de ter alianças estratégicas operacionais na
área, na região, como temos hoje no Rio de Janeiro, como temos em Recife. E, na
época, o Hiran conhecia profissionalmente o Sr. Cristiano Paz, a agência dele
era muito bem reputada, tinha um nome, um renome em Minas e em Brasília, uma
agência premiada, ele era um profissional premiadíssimo e, naquele momento, ele
tinha uma sala ao lado... no seu escritório vazia e a equipe dele estava como
que superdimensionada, com tempo ocioso, e ainda tinha uma coincidência
importante que, além da sala vazia, o prédio dele se localizava ao lado dos
Correios. Então, na época, consideramos outras possibilidades, mas acabamos por
fechar o que chama de “compartilhar esse espaço” com o Cristiano. E foi o que
decidimos fazer e..
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor pagava algum aluguel para a SMP&B por esse uso de sala?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Não, o que a gente... o aluguel estava incluído no que se pagava, quer
dizer, parte do aluguel. Nesse acordo operacional...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não entendi, perdão.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Vou explicar agora. Era parte de
uma...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De uma aliança estratégica.
O SR. DENNIS AURÉLIO GIACOMETTI – Esse
compartilhamento operacional dividia espaço, dividia pessoal, gastos com luz,
etc., equipamentos, investimento em equipamento, manutenção, etc. Então,
sentamos e definimos os critérios para justificar e ver como é que a gente
poderia remunerar a agência com eles nos prestando um pessoal de suporte a
nossa direção que seria dada por São Paulo.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perdão, não entendi. Se o senhor pudesse especificar melhor como
é que era esse acordo operacional. O pessoal da SMP&B trabalhava para os
senhores? Não entendi.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Tinha
pessoas da SMP&B, por exemplo, da área de mídia, da área da contabilidade,
da administração, etc. que...
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mídia, contabilidade, o que mais?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Da própria
criação.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Criação.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – Produção.
Era o pessoal que a gente chama mais suporte, não era o pessoal que dirigia,
não era o pessoal que definia um pensamento, uma linha estratégica, mas eram
pessoas da área de suporte, muito importantes para a condução operacional da
agência, que, então, ele tinha... algumas delas tinham seus (Incompreensível.)
de tempo e outras precisaríamos contratar. Então, essa é uma prática normal
como a gente faz hoje com outras agências também. Dividimos, então, esses
custos, e assim foi feito.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, é uma verdadeira parceria que os senhores
tinham com a SMP&B, pelo menos do ponto de vista operacional de Brasília.
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – É, uma
parceria operacional, simplesmente operacional porque as empresas participavam
de concorrências públicas e, nesse campo, éramos inimigos leais.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso é uma coisa que me espanta um pouquinho. Os
senhores terem a mesma sede. Durante quanto tempo o senhor teve essa sede junto
com essa empresa?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – A gente,
logo que fechamos o contrato com os Correios, final de 2001, ficamos junto com
eles até final de 2004, se não me falha a memória.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Na mesma sede?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – É.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quer dizer, durante praticamente todo o tempo que
durou o contrato dos Correios?
O SR. DENNIS AURÉLIO
GIACOMETTI – É, uns
oitenta a noventa por cento ficamos juntos.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Uma coisa que me espanta um pouco é... Realmente
acordos operacionais existem e são naturais, mas não quando se disputa
licitação, até quando se disputa licitação no mesmo espaço. Os senhores
disputaram a licitação do governo do Distrito Federal, em 2002, e disputaram
com a SMP&B, e, obviamente, foi o escritório de Brasília, que deve ter
atuado. Como é que fica o sigilo das propostas, da disputa, quando se ocupa o
mesmo espaço, no mesmo escritório, com as mesmas pessoas?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Se o senhor
me permite, eu poderia lhe explicar.
Tínhamos uma
estrutura compartilhada com o Cristiano que, como o Dennis explicou, foi uma
estratégia de empresa nossa com o objetivo de minimizar risco, porque a
mão-de-obra no nosso setor é uma mão-de-obra de alta qualificação e uma
mão-de-obra cara. Então, estávamos chegando ao mercado e era uma das minhas
intenções ter um risco de custo fixo mais baixo.
Evidentemente, uma
empresa como a nossa ou qualquer concorrente nossa, quando vence uma licitação,
não quer dizer que ela vá ter um faturamento e uma receita assegurada, porque o
órgão pode ou não executar aquele orçamento que está destinado para suas atividades
de marketing e de comunicação. Como não tínhamos uma experiência de
trabalho anterior com os Correios – a nossa empresa é uma empresa composta por
profissionais experimentados, uma empresa de porte médio e cabia a mim procurar
uma estratégia de minimização de riscos –, era interessante ter um acordo como
esse, em que o custo fixo não estivesse na nossa estrutura, embora a orientação
estratégica estivesse conosco, e foi isso que fizemos.
Agora, no escritório
do Cristiano, havia uma dupla de criação sênior, uma dupla júnior, um
profissional de mídia, uma pessoa que juntava papéis para encaminhar para nós,
que ele chamou de contabilidade, mas não é propriamente contabilidade; é uma
parte burocrática para juntar os papéis para que o faturamento e a contabilidade
pudessem emitir, enfim, contra o cliente, cobranças e tudo o mais, e também
esse suporte de operadores, essa coisa toda.
Isso, na nossa
estimativa, é algo que nos custaria entre R$ 150 mil e R$ 180 mil por mês.
Então, o que estabeleci com o Cristiano foi uma situação onde ele seria
remunerado por uma porcentagem da nossa receita, desde que ela existisse, desde
que ela houvesse, e que me dava um custo variável...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ah, então,
o senhor pagava um percentual – isso é importante...
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Eu pagava
um percentual da minha receita...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor pagava um
percentual da sua receita...
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – Desde que ela
houvesse, desde que ela ocorresse. De maneira que eu só fazia pagamentos depois
que eu tivesse efetivamente recebido. Isso...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De certa
forma é uma subcontratação.
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – É um
compartilhamento de estrutura, porque a responsabilidade da prestação do
serviço era inteiramente nossa e eu tinha um diretor de atendimento e eu mesmo
vinha sempre aqui neste escritório compartilhado. Em muitas situações, é a área
do Dennis, ou área de estratégia mercadológica, eu pedia a colaboração dele e
de outros companheiros da nossa estrutura de São Paulo. Mas, o centro pesado de
custos nossos estava aqui, também como uma opção, porque, ainda que tivéssemos
a obrigatoriedade de ter uma estrutura mínima aqui, no nosso entendimento, se
você tem um staff que está disponível perto do cliente, você consegue
ter muito mais agilidade. Éramos uma empresa, certamente a menor das três
empresas que ganharam a licitação, e queríamos ocupar espaço, ganhar trabalhos.
E isso, além da boa qualidade criativa, a agilidade que você possa prestar esse
serviço influi bastante.
Então, do ponto de
vista de qualidade da prestação do serviço, foi uma estratégia até bastante
positiva – posso assegurar ao Deputado que nossa empresa foi sempre muito bem
avaliada nos Correios. Os funcionários que lá estavam, à época, na área de marketing,
com certeza puderam atestar.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual era o percentual que
a SMP&B recebia daquilo que o senhor recebia dos Correios?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Isso tinha
uma certa flutuação pelo seguinte: o grosso do nosso custo estava aqui na
estrutura do Cristiano. Agora, eu tinha alguns custos com viagens, e uma parte
do tempo do meu diretor de atendimento, que passava três, quatro dias aqui, e
outras despesas que ocorriam no meu escritório de São Paulo. Eu descontava isso
e, descontado isso, metade da minha receita eu transferia para ele.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Para o Cristiano.
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – Isso pode parecer,
num primeiro momento, Deputado, uma coisa elevada. Mas eu queria lhe chamar a
atenção para o seguinte: uma empresa de propaganda bem gerida consegue uma
margem entre 12% e 13% de lucro, no final. De cem dinheiros que eu administro,
minha receita efetivamente gira entre 12% e 13%. O restante eu pago a veículos,
a fornecedores, que é aonde vai a maior parte dos recursos que um anunciante
investe em propaganda. Com esses 12 a 13 dinheiros é que eu cubro todos os meus
custos: mão-de-obra, aluguéis, materiais utilizados etc.. Então, dentro desse
acordo – tenho esses cálculos, porque empresarialmente eu acompanhava isso –,
transferíamos cerca de 8% a 9% desses 13 pontos percentuais ao Cristiano, que
era a essência do meu custo. O outro um ponto cobria as minhas despesas. De
maneira que...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deixa eu
ver se entendi bem...
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – ...a margem de
lucro nossa era de 12% a 13%.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor recebia dos
Correios e aí o senhor fazia um cálculo: o senhor pegava todas as suas
despesas...
O SR. HIRAN AMAZONAS CASTELLO BRANCO – Isso, custos
diretos meus.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) –
...retirava os seus custos e aí o que sobrava era dividido – 50% e 50%?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – É.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Exato?
O SR. HIRAN AMAZONAS
CASTELLO BRANCO – Esse é o
acordo que fiz com ele.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Esse foi o acordo que o
senhor fez com ele. Há um contrato escrito sobre isso?
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