TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sr. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA
(26/10/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

CONTINUAÇÃO DA NONA REUNIÃO DA SUB-RELATORIA DE CONTRATOS DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 26 DE OUTUBRO DE 2005 ÀS 11:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Sob a proteção de Deus, declaro reaberta a nona reunião da Sub-Relatoria de Contratos da CPMI, criada através do Requerimento nº 3, de 2005, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

A pauta desta reunião destina-se à oitiva do Sr. Marcus Vinícius di Flora, ex-assessor da Secom.

Solicito à assessoria para conduzir o Sr. Marcus Vinícius di Flora e fazê-lo tomar assento à mesa para iniciarmos os trabalhos. (Pausa.)

Sr. Marcus Vinícius, V. Sª comparece a esta Comissão para prestar esclarecimentos na condição de testemunha e, como tal, já prestou o compromisso legal. Devo alertá-lo para as penalidades, já que, no compromisso, V. Sª deve dizer a verdade. Qualquer declaração sua será tomada como verdadeira e, se não o for, estará sujeito às penalidades da lei.

Gostaria que V. Sª fizesse sua classificação, desse o nome e a qualificação também do seu patrono, nosso colega advogado, e prestasse os esclarecimentos iniciais.

Quero pedir permissão ao colega Sub-Relator e também aos colegas Parlamentares, à imprensa, ao depoente e a seu advogado, que ainda não consegui o dom da ubiqüidade. Tenho uma reunião, agora, com o Presidente do Senado e com uma comissão de prefeitos do meu Estado, de maneira que peço permissão para me ausentar, embora, temporariamente, para cumprir o meu dever com os meus prefeitos e companheiros do meu Estado.

Portanto, eu gostaria que V. Sª iniciasse com a qualificação, e, depois, o nosso querido Sub-Relator, José Eduardo, vai assumir, concomitantemente, a Presidência e a Relatoria da Comissão.

Obrigado.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Muito obrigado, Deputado Asdrubal Bentes.

Eu queria cumprimentá-lo, ao Deputado José Eduardo Cardoso e a todos os presentes.

Meu nome é Marcus Vinícius di Flora, sou formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais, sou empregado da Caixa Econômica Federal há 16 anos, apesar de estar cedido a outros órgãos há cerca de dez anos. Fui chefe de gabinete do prefeito de Belo Horizonte e chefe da assessoria da presidência da empresa de transportes de Belo Horizonte. Sou filiado ao PT desde 1980 e fui secretário-adjunto da Secretaria de Comunicação de Governo da Presidência da República, de janeiro de 2003 a agosto passado.

Estou, aqui, na condição de testemunha, para colaborar com a apuração da CPMI, e me coloco inteiramente à disposição desta Comissão para os esclarecimentos necessários. Estou acompanhado do Dr. José Roberto Leal de Carvalho, que é meu advogado constituído.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Inicialmente, cumprimento o depoente e agradeço a presença também do advogado, que o acompanha neste momento.

Inicialmente, eu gostaria de introduzir o depoimento de V. Sª, indagando como foi a sua vida junto à administração pública: que cargos exerceu e que atuações teve.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, sou funcionário concursado da Caixa Econômica Federal há 16 anos, como informei, apesar de estar cedido. Fui cedido à Prefeitura de Belo Horizonte, em 1995, primeiro, para ser Secretário particular do Prefeito Patrus Ananias; posteriormente, fui promovido à condição de Chefe de Gabinete do Prefeito Patrus Ananias.

No mandato seguinte do ex-Prefeito Célio de Castro, fui nomeado para chefiar a assessoria da Presidência da Empresa Municipal de Transporte de Trânsito de Belo Horizonte, que era a responsável, encarregada por uma série de atividades, entre elas atividades de educação para o trânsito, a questão da área de comunicação ficava vinculada a essa assessoria; a parte de atendimento ao usuário do serviço de transporte de Belo Horizonte.    

No final de 2002, fui convidado para compor a equipe de transição do Governo Lula e, posteriormente, fui convidado, pelo ex-Ministro Luiz Gushiken, para assumir a condição de Secretário-Adjunto da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, cargo que exerci até agosto último. Hoje, estou de volta à Caixa Econômica Federal, que é a minha empresa de origem.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª é filiado a algum partido político?

O MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sou filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1980; fui membro de diretórios de base do partido, do diretório municipal de Belo Horizonte, depois do diretório estadual de Minas Gerais e fui membro da direção nacional do PT, de 1997 até agora, no final da semana passada, quando expirou o último mandato que exerci.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Relativamente às suas funções partidárias, V. Sª exerceu algum cargo de coordenação em campanha que implicasse em missão de arrecadação de fundos eleitorais?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nunca exerceu?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – De captação de recursos, nunca exerci.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E a parte de gestão financeira de uma campanha eleitoral?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Também não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Apenas para melhor especificação: o cargo que V. Sª exercia na Presidência da República, exatamente como era denominado?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Secretário-Adjunto da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito. 

A data em que V. Sª foi provido no cargo exatamente?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Dia 1º de janeiro de 2003.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E a data exata da exoneração?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Dia 2 de agosto de 2005.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quais eram as atribuições relativas a esse cargo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Bem, a minha principal atribuição era responder ao Ministro Luiz Gushiken, na época, e substituí-lo em todas  as atribuições que ele, eventualmente, não tivesse condições de realizar. Era a primeira atribuição.  

Em segundo lugar, a atribuição de coordenar a equipe da Secretaria de Comunicação.

Em terceiro, manter o relacionamento com o mercado de comunicação (tanto o mercado público quanto o mercado privado, tanto as organizações públicas de comunicação como as organizações privadas: veículos, agências de publicidade, fornecedores – eu tinha o trabalho do relacionamento público com esses setores) e atuar em relação às atribuições legais de supervisão, de coordenação e de controle que a Secretaria exercia em relação a outros órgãos da administração pública federal, direta e indireta.          

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Era habitual, no exercício das atribuições funcionais, que V. Sª mantivesse contato com outros Ministros de Estado?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Era habitual em várias circunstâncias: Ou em reuniões colegiadas de ministros, onde o tema de comunicação era pautado pelo Governo, seja a discussão de comunicação geral do Governo, seja a discussão de algum tema específico, ou em contatos relacionados a alguma ação de comunicação; contatos, vamos dizer assim, individuais, feitos ou nos ministérios respectivos, ou na própria Secom, em que a Secom era demandada a realizar ou a estudar, a propor, a discutir, alguma ação de comunicação afeta àquele ministério.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Consta, na documentação que temos, obtida ao longo da investigação da CPMI, particularmente na quebra dos sigilos telefônicos, que V. Sª tinha constantes contatos telefônicos com o Ministro José Dirceu. Qual a razão dos constantes contatos telefônicos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O Ministro José Dirceu exercia a função de coordenação de Governo, como Ministro da Casa Civil. E, em diversas oportunidades, ele demandava ações de comunicação ou pedia informações sobre as ações de comunicação que a Secom desenvolvia. Esse era um contato relativamente freqüente, que, de fato, ele mantinha não só comigo, mas, creio, com o Ministro Gushiken também.

Em algumas oportunidades, ele informava algum tipo de demanda ou reivindicação que tinha sido enviada indevidamente à Casa Civil e que era, na verdade, direcionada à Secretaria de Comunicação.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª tratava com o ex-Ministro José Dirceu de assuntos relativos ao Partido dos Trabalhadores?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Só nas reuniões do Partido. Normalmente, em despachos e em contatos relativos às questões de Governo, não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em  algum momento, tratou com ele questões relativas à obtenção de recursos partidários para campanhas eleitorais para partidos aliados?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Esse assunto nunca tratei nem com ele, nem com nenhuma outra pessoa dentro do Governo.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª também tem constantes contatos telefônicos com o Sr. Delúbio Soares, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Qual a razão desses contatos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu era membro do Diretório Nacional do PT, o Delúbio era membro da Executiva Nacional do Partido e, assim, como comigo, ele certamente realizava com outros membros da direção do Partido, para tratar das pautas públicas que o Partido ia definir. Ou as pautas relacionadas às decisões que estavam em pauta no Diretório Nacional, ou algum tema que a Executiva Nacional precisava decidir, sobre o qual ele fazia consultas a alguns dirigentes do Partido para saber a opinião, o posicionamento, para sustentar eventuais decisões que seriam adotadas nessas reuniões.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito. Mas, em algum momento, V. Sª teve contatos com o Sr. Delúbio Soares na perspectiva de debater com ele ou, de alguma maneira, buscar a captação de recursos para o Partido dos Trabalhadores?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª conheceu o Sr. Marcos Valério, proprietário da empresa SMP&B e DNA?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em que condições?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele se apresentou, no início do Governo, em abril de 2003, como ocorreu com praticamente todas as agências de publicidade que atendiam contas do Governo Federal. Tanto o Ministro Gushiken quanto eu não éramos figuras conhecidas no mercado publicitário. Havia interesse das agências, e não só das agências, mas também dos veículos de comunicação e de outros setores de nos conhecer e de saber qual seria a política de comunicação que seria implementada, assim como era interesse nosso também estabelecer contato com esses setores para saber quem seriam os nossos interlocutores nas ações de comunicação. Ele se apresentou com vários outros. Pediu uma audiência, que foi concedida, como ocorreu com vários outros empresários do setor.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Como o senhor conheceu o Marcos Valério? Quem o apresentou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele pediu uma audiência, ele, como outros...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O contato começou assim?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA É um procedimento normal na Secretaria e, em especial, foi, no começo do ano de 2003, que as agências ou veículos de comunicação ou empresas fornecedoras de outra natureza solicitassem a agenda. E isso ia sendo encaixado à medida da disponibilidade, porque era uma forma, inclusive, que nós tínhamos de entender melhor o mercado, de entender melhor como era o relacionamento do governo com essas agências e informar a elas quais eram os procedimentos que o governo estava decidindo em relação a sua política de comunicação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Relator, só para aproveitar a oportunidade.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por gentileza, Deputado Silvio Torres.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Queria perguntar o seguinte: sendo o senhor de Minas Gerais, o senhor nunca tinha conhecido o Sr. Marcos Valério antes? Não tinha sequer ouvido falar dele?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, eu já tinha ouvido falar e conhecia das agências SMB&B e DNA, porque eram agências estruturadas. Inclusive, tanto detinham contas em Minas, quanto detinham contas do Governo Federal. Mas eu realmente não o conhecia, como não conhecia os outros sócios dele, porque não tinha uma atuação direta na área de comunicação em Belo Horizonte. Nunca tive.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Na sua área de atuação em Belo Horizonte, o senhor não se encontrou nem com ele nem com a agência?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu tive contato com agências quando eu estava na prefeitura de Belo Horizonte, mas com as agências que atendiam à prefeitura. E nenhuma delas eram agências de propriedade ou tinham qualquer relação com o Sr. Marcos Valério. E eu não era uma figura que circulava no meio publicitário. A minha atuação era uma atuação mais distanciada da área de comunicação na prefeitura de Belo Horizonte ou na empresa de transporte onde eu trabalhei.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Muito obrigado. Só queria aproveitar a oportunidade.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não, e eu também pegando carona com o Deputado Silvio Torres, em algum momento - o senhor tem origem em Minas Gerais -, o senhor tinha notícia que o Sr. Marcos Valério ou que as agências SMP&B e DNA tinham contatos com o mundo político na perspectiva de captação de recursos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Isso quando eu ainda estava em Belo Horizonte ou aqui já em Brasília?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em algum momento.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não tinha essa informação.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em nenhum momento, nem em Belo Horizonte nem quando estava aqui?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor conhece o Sr. Cristiano Paz?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Conheci também aqui em Brasília.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De que forma?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Da mesma maneira, ele, numa mesma oportunidade, com o outro sócio dele, o Sr. Chico Castilho, que é o outro sócio da DNA, eles também solicitaram audiências e foram recebidos da mesma maneira. Audiências em separado, não foram juntas.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não foram audiências juntas com o Sr. Marcos Valério?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nessas audiências, exatamente, o que se tratou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Nesse caso, especificamente, da mesma temática dos encontros que tivemos no começo do governo, no primeiro semestre do governo e um pouco no segundo semestre, que foram temas de apresentação. As agências vinham se apresentar, informar a sua disponibilidade de colaborar com política de comunicação do governo e, principalmente, quererem informações sobre quais as orientações de comunicação que o governo pretendia dar.

Havia uma grande expectativa, por que era uma mudança significativa de governo, do Governo Fernando Henrique para o Governo Lula, e eles tinham curiosidade aliada a um pouco de temor de que o governo, na área de comunicação, fosse promover algum tipo de mudança drástica, de ruptura no relacionamento com as agências que já atendiam ao Governo Federal.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

Na agenda da secretária Fernanda Karina, secretária do Sr. Marcos Valério, estão registrados encontros de V. Sª com o Sr. Marcos Valério. A razão desses encontros quais foram?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Em geral, todos eles por solicitação dele. Ele era e é, ou era, não sei se ele continua exercendo a função, mas ele era um empresário muito insistente em manter contatos com a Secom. Não é um privilégio dele. Não sei em outros segmentos do governo, mas a insistência de empresários da área de comunicação em manter um contato com o governo é muito grande.

E eu sempre tive disponibilidade na minha agenda para atender, ou nos despachos próprios dentro da secretaria, ou aproveitando horários vagos de café da manhã, de almoço, para cumprir a agenda, porque a agenda sempre foi muito carregada. E no primeiro ano em especial de governo era carregada sobremaneira em função das novidades que estávamos enfrentando em relação ao novo desafio de coordenar a área de comunicação do Governo Federal.

E nessas condições, em alguns momentos, eu o recebi na Secom e, em outros momentos, tive alguns contatos com ele fora da Secom.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª lembra que contatos teve fora da Secom com o Sr. Marcos Valério?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Almocei com ele – creio que duas vezes eu tive contatos de almoço com ele – e tive um contato com ele em Belo Horizonte, porque eu estaria em Belo Horizonte, acompanhando o Ministro Luiz Gusiken, em uma data e, certamente, ele estava pedindo uma agenda. Aproveitei para encontrá-lo lá. E acho que tive um jantar, embora eu não me lembre exatamente onde, mas acho que tive um jantar com ele e com os outros dois sócios dele – o Cristiano e o Chico Castilho –, mas não me lembro bem qual foi o restaurante. Não sei se foi no Piantella ou em outro.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que foi tratado nesses encontros?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Em geral, ele, como outros empresários da área de comunicação, procuram estabelecer com o Governo um processo de relacionamento público, de fazer a RP com o Governo; de valorizar as suas agências e as ações que eles fazem, seja no atendimento de órgão de Governo, seja no atendimento de clientes privados. Mostram campanhas, falam que fizeram isto e aquilo; trazem informações do mercado, trazem informações sobre a situação em que uma agência se encontra e, às vezes, conflito entre agências ou incorporações – são informações importantes, para sabermos como é que o mercado está se posicionando –, trazem informações, em geral, dessas conversas. É um processo que creio ser natural, de eles se valorizarem diante do setor público.

Em 2003, havia muita reclamação sobre a forma pouco disponível do relacionamento do Governo com a mídia, com a imprensa, em particular. Lembro-me, uma vez – não me lembro de outra oportunidade – em que ele fez reclamações sobre a execução de contratos dele no Governo. Ele afirmava que havia uma subvalorização da Agência dele em contratos – não sei se no Ministério do Trabalho e no Ministério de Esportes, que eram as contas que tinha na administração direta. Mas, certamente, em relação a isso, tomei a mesma atitude que tomei quando outros empresários trouxeram esse tipo de informação, que era de informar que eles deveriam fazer essas reclamações aos seus clientes, aos Ministérios e aos órgãos que eles atendiam.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor sabe precisar, temporalmente, a data, o período, em que foram feitos esses almoços ou esses jantares, mais ou menos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu tive com ele foi em abril, o primeiro contato. Acho que, em abril mesmo, tive um almoço com ele, porque eu me lembro que foi pouco depois de eu conhecê-lo. Ele tentou marcar uma outra audiência, e eu reservei um horário de almoço. Ao longo de 2003, eu tive mais alguns contatos e no começo de 2004. Depois, em função de mudanças nas atribuições internas da Secom, passei a ter menos disponibilidade para fazer essa função de relações públicas dentro da Secom. A partir de 2004. E, de lá para cá, do começo de 2004 para cá, eu, praticamente, pessoalmente, acho que não tive mais nenhum contato com ele. E, por telefone, eu, talvez, tenha falado com ele uma vez ou outra em que ele tentou esses contatos.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Há registro de que V. Sª teve contato com Marcos Valério em Belo Horizonte. Foi essa a única vez?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Essa a única vez.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito. E, nesses contatos, que V. Sª teve, em algum momento, o Sr. Marcos Valério chegou a fazer algum tipo de colocação relativa à política de captação de recursos ou alguma coisa que pudesse tratar de assuntos correlatos a este?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Falar de política, ele e todos falavam.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Fazia parte e era natural na conversa, mas ele nunca fez qualquer insinuação ou sugestão relacionada à questão de captação de recursos. Ele falou, sim – e eu já disse: ele reclamava da execução dos contratos dele, mas isso nada tinha a ver com a...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª tinha ciência de relações de amizade entre o Sr. Marcos Valério e de dirigentes de âmbito nacional do Partido dos Trabalhadores?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. De amizade, não. Isso eu não tinha, mas eu sabia que ele tinha contatos com o Sr. Delúbio Soares e com o Sr. Silvio Pereira. Disso eu tinha informações. Ele mesmo, num momento, comentou que já teve contatos, que já tinha conversado.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E V. Sª sabia que tipo de contato era esse que ele mantinha?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Em detalhes, não. Nunca me aprofundei nesse tipo de conversa com ele. Eu sempre procurei manter a conversa com ele como com outros empresários no âmbito ou das questões políticas gerais ou dos assuntos relacionados à política de comunicação.

Hoje eu vejo, nas declarações dele e do Delúbio que o interesse dele era o interesse de prestar serviço nas campanhas eleitorais do PT, mas ele nunca tratou desse assunto diretamente comigo em relação às conversas que ele teve com os dirigentes do PT. Ele dizia que tinha um relacionamento, gostava dessas pessoas, mas nunca entrou em detalhe e eu também nunca me interessei por saber quais eram os detalhes dessa conversa dele com dirigentes do PT.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

Eu indago se – eu fiz as perguntas iniciais, introdutórias. Essa Relatoria tem muitos questionamentos posteriores – os Deputados reinscritos gostariam já de fazer suas perguntas. Senadora Ideli Salvatti, gostaria de fazer as perguntas agora? Deputado Silvio Torres gostaria de fazê-las agora?

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu acho que vou fazer como V. Exª. Vou fazer algumas perguntas e depois eu retorno.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Da parte desta Relatoria, não há nenhum problema.

V. Sª tem, portanto, o uso da palavra. O nobre Deputado tem 15 minutos, sem prejuízo de, em não havendo outras inscrições, podermos fazer como temos feito de praxe.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu também estava organizando um pouco aqui as nossas perguntas, até em função das perguntas que V. Exª fez.

Vou começar retomando a questão dos telefonemas que o senhor disse que fazia - disse, não -, que o senhor fazia os contatos telefônicos com o Sr. Delúbio Soares. O senhor alegou ao Relator que esses telefonemas ocorriam em função da sua condição de membro da Executiva Nacional e do Sr. Delúbio, como Tesoureiro, para discutir políticas públicas para o Partido, coisas desse tipo, acho que foi isso que anotei, Esta correto isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu só não era membro da Executiva. Era membro do Diretório.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não era membro da Executiva?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, não era membro da Executiva, só do Diretório Nacional, junto com outros 81 membros.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor sabe quantos membros o Diretório Nacional tem?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Oitenta e um membros.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E o senhor acha que o Sr. Delúbio falava com os 81 membros com a mesma constância com que falava com o senhor?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, isso eu não sei. Nunca perguntei isso a ele, mas ele tinha contatos com muitos membros do Diretório Nacional. Não sei se tinha uma divisão de trabalho entre eles, na Executiva Nacional, para fazer as consultas que ele me fazia a respeito da pauta do Partido.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Desde quando o senhor era membro do Diretório Nacional?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Desde 1997.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor era indicado pelo ex-Prefeito de Belo Horizonte?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu era, fui indicado por meio do processo de escolha que o Partido faz. Cada Estado, os Delegados presentes ao encontro estadual do Partido escolhem os seus membros. Eu tinha uma atuação no Partido já antiga. Certamente tive apoio de figuras importantes, como o ex-Prefeito Patrus Ananias, mas também por conta da minha atuação e do meu trabalho no Partido.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então o senhor se considerava ou se considera um membro importante do Diretório Nacional do PT?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, me considero um entre os 81 membros do Diretório Nacional. Não me considero mais importante do que ninguém. Nunca fui uma figura pública.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A minha pergunta procede em razão dos telefonemas. Vou voltar a insistir nisso porque acho que o Tesoureiro do Partido normalmente não discute pautas públicas. Discute questões relativas às finanças do Partido. Não discute pauta pública com um dos membros do Diretório. Acho que essas discussões são públicas. Provavelmente os Partidos funcionam assim. Acho que o PT funcionava nessa base. Por essa razão, estou insistindo nessa pergunta.

Quando foi que o senhor teve mais contatos com o Sr. Delúbio? Qual foi o período?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Primeiro, Deputado, dentro do PT - e o senhor acompanha isso aqui no Congresso, com certeza -, todo assunto é motivo de debate e, em geral, motivo de votação interna. Então, o processo de consulta dentro do partido é muito freqüente, sempre foi muito freqüente, o que tem seus lados positivos, mas tem muitas críticas – o democratismo, o assembleismo dentro do PT. Mas isso sempre ocorreu. Esse processo de consulta, de conversa, ele é comum sobre qualquer tema que vai ser debatido e discutido. Na ação dentro do Partido, o Sr. Delúbio, ainda que sendo Tesoureiro, ele não tratava só das questões da Tesouraria. Ele tratava questões da política, do debate político, da polêmica política interna dentro do Partido, das votações que iam ocorrer na Executiva ou no Diretório Nacional, da discussão sobre políticas de aliança. Ele interferia e debatia como todos os outros dirigentes sobre vários assuntos da pauta política do Partido. E eram essas as consultas.

As questões de finanças, ele as tratou sempre nas próprias reuniões do Diretório. Ele apresentava, de vez em quando, os balanços do Diretório e eram lá debatidas. Comigo ele nunca tratou, especificamente, sobre nenhum assunto relativo às finanças do Partido, porque é um assunto que nunca me envolvi dentro do Partido. E a freqüência dos meus contatos com ele, não tem um período; em geral, ele ligava próximo às reuniões do Diretório ou às reuniões de Executiva do Partido, quando tinha algum tema na pauta. Não houve concentração num ou noutro período. Sendo que, em 2004 e, agora, 2005, eu tive relativamente pouco contato com ele, porque as minhas atribuições na Secom, como eu informei ao Relator, elas se alteraram e eu passei a ter uma dedicação de outra natureza dentro da Secom, que passou a me absorver mais e ter menos disponibilidade para os contatos externos.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Secretário do Partido, Sílvio Pereira, ou o Marcelo Sereno, ou o Presidente José Genoino, alguém deles ligava para o senhor para discutir políticas, pautas públicas do PT?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O Sr. Genoino, eu tive alguns contatos, poucos. Sílvio Pereira também tive poucos contatos com ele, mas ele, uma vez ou outra...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Por telefone, o senhor está dizendo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Por telefone. É, não, e nas reuniões do Diretório com eles.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E por telefone?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Por telefone, contatos, mas...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas eles consultavam o senhor?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Consultavam também. E o Marcelo Sereno, eu tive contatos com ele porque ele era assessor da Casa Civil, tratei vários assuntos relativos ao Governo com ele, era questão de comunicação e, também, algumas questões relativas à pauta do Partido. Assim como tratei com outras pessoas do Partido, que não estão citadas.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas os registros mostram que o senhor falava mais com o Sr. Delúbio do que com os outros, por quê?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Porque o Delúbio tinha mais iniciativa de ligar para mim. Aí, é uma escolha. O porquê de ele falar mais comigo do que os outros, eu não tenho idéia.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas não parece estranho que, exatamente, que o Tesoureiro do Partido que fosse o portador de discussões com o senhor sobre pautas doutrinárias ou políticas de alianças ou qualquer coisa que seja do Partido, enquanto os demais membros, cuja função deveria ser essa, ligavam menos para o senhor? Parece-me estranho. Dá para imaginar que o senhor tinha uma ligação muito mais forte com o Sr. Delúbio do que com os outros.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, Deputado, eu tinha..., conhecia todos eles há muitos anos. Sou filiado, como declarei aqui, membro da direção do Partido há muitos anos, conheço todos eles há muito tempo. Não tenho relação de amizade, de convivência íntima com nenhum deles, mas os conheço há bastante tempo. Não sei se, pela divisão de trabalho interno da Executiva Nacional do Partido, se coube ao Sr. Delúbio fazer esses contatos. Eu nunca me coloquei esse problema antes, porque a minha relação com o Partido é uma relação antiga, e o meu contato e o meu debate sobre temas do Partido sempre foi um processo natural, estando no Governo ou não. Então, nunca me coloquei esse tipo de problema.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Antes do Governo, o senhor costumava falar com o Sr. Delúbio com freqüência também?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sim, sempre tive contato com eles.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Para discutir os mesmos assuntos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Também. Assuntos da pauta.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E com o Deputado José Dirceu?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Com o Deputado José Dirceu, antes...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Qual era a razão dos telefonemas que foram registrados?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Dentro do Governo, quando eu estava no Governo... .

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Antes e depois do Governo.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, antes do Governo sempre da mesma maneira, ele, em algumas oportunidades, ligava ou eu ligava para ele para poder tratar assuntos do Partido: questões eleitorais, de temas que estavam na pauta, dos processos de eleição interna dentro do Partido. Essas questões se colocavam.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ele discutia com o senhor isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Em algumas oportunidades, sim. Eu não tinha uma relação freqüente com ele. Nunca tive, com ele, uma relação freqüente de todo dia, toda hora estar conversando com ele sobre essas questões, mas, eventualmente, sim, eu era membro do Diretório Nacional e ele era Presidente do Partido, esses contatos se faziam. E, no Governo,os meus contatos foram contatos relacionados, nesses telefonemas, certamente, praticamente, a totalidade, com as questões relativas à política de comunicação do Governo. Ele, como Coordenador de Governo, Ministro da Casa Civil, tinha interesse que o Governo tivesse uma boa política de comunicação. Então, ele, freqüentemente, fazia demandas, críticas ou encaminhava algum tipo de...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sugeria estratégias de comunicação?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele sugeria estratégias de conteúdo de comunicação, sim. Ele avaliava que o Governo poderia investir, do ponto de vista do discurso, mais na questão social ou mais na questão econômica, dependendo das circunstâncias que o Governo vivia, mas era um diálogo. A decisão era tomada pelo Ministro Gushiken.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor, então, era um interlocutor, digamos assim, do Ministro José Dirceu na época, que substituía o Ministro Gushiken em determinados momentos para esse tipo de interlocução?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, senhor.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Porque no caso do Ministro-Chefe da Casa Civil, homem tão importante do Governo Lula, pressupõe-se que ele falava diretamente com o Ministro Gushiken.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Certamente falava. Agora, era critério dele saber se o assunto que ele gostaria de tratar demandava fazê-lo com o Ministro Gushiken ou comigo. Não era uma decisão minha ou do Ministro Gushiken. O Ministro José Dirceu, em algumas oportunidades, deve ter avaliado que os assuntos que ele tratou comigo – ou porque o Ministro José Dirceu não estava disponível, ou porque ele achava que eram assuntos que não demandavam ocupar o tempo do Ministro Gushiken –, ele gostaria que chegassem à Secom, como órgão do Governo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ele não tratava com o senhor assunto do PT...?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Ele tratava comigo de assuntos do PT.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – ...nesse mesmo telefonema?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Em geral, não. Praticamente, no trabalho dentro da Secom, e ele na Casa Civil, certamente podemos ter feito algum comentário sobre o PT, mas nenhum que me realce especificamente. O Ministro José Dirceu tinha se afastado da Direção Executiva Nacional do PT, da Presidência do PT. Então, se houve comentários, foram comentários genéricos, sem nenhuma questão específica.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas que tipo de comentário genérico?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sobre a conjuntura política, sobre o fato de o PT estar ajudando ou não o Governo do ponto de vista do seu posicionamento político. São temas dessa natureza.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – As estratégias de Governo eram discutidas em meio às idéias sobre estratégias do Partido. É isso que o senhor está dizendo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Estou dizendo para o senhor que o Ministro José Dirceu, assim como outras pessoas que têm militância no Partidos dos Trabalhadores, comentava se a atuação do Partido estava gerando dificuldades, do ponto de vista político, ou não para o Governo. Creio que em qualquer Governo essa é uma preocupação natural de pessoas que têm atuação partidária. Se o Partido está entendendo que o Governo está fazendo uma política adequada com o programa ou não. É um debate natural de idéias. Isso não implicava qualquer tipo de interferência.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, só que se supõe que isso seja feito dentro do foro adequado. É isso que estamos tentando acertar.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Com certeza, o debate em que se adotava qualquer tipo de decisão, e que era mais aprofundado, era feito nos diretórios do Partido. Agora, pelo menos eu, desconheço que haja qualquer impedimento ou proibição que se comente questões de política partidária em um telefonema ou em um contato pessoal. Desconhecia, se isso existe.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor trocava telefonemas com o Ministro José Dirceu no período eleitoral de 2002 também?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sim, porque participei da campanha presidencial. Não só trocava telefonemas como tinha contato pessoal com ele também.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Como era sua relação com ele? Qual era o tipo de contato?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu acompanhava as pesquisas de opinião que eram divulgadas e reportava a ele, como a outros dirigentes do Partido, avaliações sobre o resultado das pesquisas. Era nesse o âmbito o meu contato com ele.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor acompanhava, fazia a avaliação técnica, mas não tinha nenhuma interferência na contratação das pesquisas?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Na contratação, não. Na campanha do primeiro turno do Presidente Lula não houve nenhuma pesquisa contratada, por exemplo. No segundo turno, sei que foi contratada com o Ibope, em determinado momento, uma pesquisa de acompanhamento diário da eleição. A campanha trabalhava muito com as pesquisas registradas junto ao Tribunal. Eu fazia a análise, junto com uma equipe de técnicos, e reportava à coordenação da campanha as avaliações sobre a pesquisa. Mas não tive nenhuma participação na contratação das pesquisas.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não tinha nenhuma função ligada à captação de recursos ou gastos de campanha?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Qual era a agência com a qual o senhor costuma se relacionar na questão das pesquisas? Qual era a agência que fazia as pesquisas?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – As pesquisas da campanha, a que foi contratada, a que eu me lembro de que foi contratada pela campanha, que foi do Ibope, foi diretamente pela campanha. Não houve contratação por meio de agência. Agora, a agência que atendia à campanha presidencial – é de conhecimento público – era a de Duda Mendonça, que provavelmente tinha contratação das suas pesquisas próprias para o acompanhamento de programa de televisão e esse tipo de coisa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Deputado José Eduardo já perguntou sobre o seu contato com o Marcos Valério. O senhor registrou que o conheceu em abril de 2003 e que não o conhecia antes, quando ele se apresentou no Ministério para trocar idéias sobre o trabalho dele. Eu entendi que ele se apresentou uma vez, o Sr. Cristiano Paz outra vez e o outro sócio outra vez. Quer dizer, os três sócios se apresentaram.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, não. Ele se apresentou uma vez, e eu não lembro se foi antes ou depois – não me lembro de cabeça se foi antes ou depois –, o Sr. Cristiano e o Sr. Chico Castilho se apresentaram juntos.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Juntos. Para o mesmo fim?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Mesma finalidade.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mesma finalidade. Quando o senhor se encontrava com o Sr. Marcos Valério, os outros dois estavam juntos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Numa oportunidade, sim; nas outras, não.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Em qual delas estavam juntos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Acho foi em um jantar ou em um almoço que eu tive com eles. Mas eu não me lembro, não me recordo de cabeça. Mas, com certeza, num desses dois eventos, fora da Secom, eu tive contato com os dois sócios, mais o Sr. Marcos Valério.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Os sócios das empresas do Sr. Marcos Valério, especialmente esses dois, diziam que ao Sr. Marcos Valério cabia apenas os contatos comerciais; o Sr. Marcos Valério não era um técnico. Ou seja, as estratégias de comunicação, os assuntos específicos de técnicos de comunicação não eram tratados com o Sr. Marcos Valério, e a sua função, salvo engano, era tratar de estratégias de comunicação. Por que, então, o senhor se encontrava mais com o Marcos Valério e menos com os sócios dele?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A minha função, Deputado, é, entre outras coisas, estabelecer relações com...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Qual era a sua principal função?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A minha principal função era substituir o Ministro Gushiken nas atribuições que ele não iria executar, depois coordenar internamente a equipe da Secom e depois estabelecer relacionamento público com o mercado de comunicação, envolvendo as agências, os veículos, outros fornecedores. Essa função era realizada não só do ponto de vista de conteúdo de comunicação. Eu estabeleci uma relação...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor decidia sobre o conteúdo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – De comunicação? Havia decisões que eram decisões minhas, havia decisões que eram decisões do Ministro e havia decisões que eram coletivas também.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas o senhor decidia?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Claro, também. Agora, o meu contato com o mercado publicitário era com as empresas de publicidade. Em determinadas circunstâncias, como empresas, e em determinadas circunstâncias, para tratar de assuntos de conteúdo de comunicação, de estratégias de comunicação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, não era o objetivo da sua conversa com o Sr. Marcos Valério?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O Sr. Marcos Valério...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O conteúdo não era tratado com ele?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Também; ele também representava. Os outros dois sócios dele nunca, em momento algum, questionaram o papel do Sr. Marcos Valério nos contatos dele com a Secom, onde ele trazia... Evidentemente, ele não era um expert em estratégia de comunicação, mas ele trazia, como empresário, as ações de comunicação que as empresas dele realizavam para outros contratos, públicos ou privados, a fim de valorizar a empresa dele. Esse é um processo que não era só ele que fazia, esse é um processo que o mercado inteiro faz. Todo empresário ou publicitário procura valorizar, faz parte do trabalho de valorização deles, e ele costumava fazer isso.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Marcus Vinícius, todos nós sabemos, a essa altura de todas as investigações, o Brasil inteiro sabe qual era o papel do Sr. Marcos Valério. Creio que seria até ocioso ficarmos repetindo qual era a função que ele desempenhava nas empresas dele. Por isso, estou registrando que o senhor deveria, a rigor, ter-se encontrado mais com o sócio dele do que com ele.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, eu tive contato com os sócios dele, tive contato com inúmeros outros publicitários, com uns mais, outros menos, dependendo da demanda deles ou da necessidade da Secom. Agora, eu queria registrar para o senhor que há quatro meses esta CPMI está apurando, esmiuçando as contas do Sr. Marcos Valério, e eu não apareci, nem vou aparecer como sacador ou como beneficiário do Sr. Marcos Valério. O único registro das minhas relações com o Sr. Marcos Valério são os registros da agenda da Srª Karina e da minha própria agenda. Eu não tenho nada a esconder. Todo o meu contato e todo o meu trabalho com ele foi feito de maneira clara, transparente, dentro das minhas obrigações e das minhas responsabilidades. Então, aproveito a oportunidade que o senhor está-me oferecendo para deixar isso bastante claro: tem quatro meses que a CPMI está investigando detalhadamente essa circunstância e não há qualquer, qualquer indicação de beneficiamento da minha pessoa, ou de alguém da Secom, ou próximo a mim, em relação às operações do Sr. Marcos Valério.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) –  Da minha parte, vou dizer que ainda não cheguei a isso, nem tive nenhuma sinalização. Não estou querendo explorar isso. Não estou dizendo que o senhor teve, mesmo porque, se o senhor tivesse, o senhor estaria aqui até em outra condição.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Com certeza.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Estou querendo entender a relação, que a CPMI investiga, da origem dos recursos do Sr. Marcos Valério, e a Secom é uma das suspeitas dessa origem. Essa é a razão das nossas perguntas.

O senhor foi a Belo Horizonte – segundo o senhor – uma vez. O senhor teve, registrados pela agenda da Karina, seis encontros com o Sr. Marcos Valério. O senhor se lembra se o número é esse?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, assim...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ou mais do que seis?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, não. Eu não me lembro de todos esses encontros. Eu não vi a agenda. Eu não tive acesso à agenda, eu só vi o que saiu na imprensa. Eu não sei se todos os encontros que estão registrados se efetivaram. Como eu disse, ele era um empresário insistente – natural, não só ele, mas os outros também –, mas era um empresário que procurava sempre manter contato com a Secom. Eu atendi algumas das demandas de agenda dele. Agora, não me lembro de cabeça se foram seis. Eu sei que, na Secom, eu o recebi duas vezes; sei que eu almocei com ele uma ou duas vezes e tive um jantar com ele.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Aqui em Brasília?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Aqui em Brasília. E tive um contato com ele em Belo Horizonte, porque eu estava em Belo Horizonte, eu morava em Belo Horizonte, eu vou a Belo Horizonte com relativa freqüência para encontrar com minha família, manter o convívio social.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Durante a semana?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Durante a semana.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Foi durante a semana?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Durante a semana. Eu nunca tive contato com ele em fins de semana.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Procede a informação de que ele pagou a passagem do senhor e a sua diária? Estava registrado na agenda também...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. No meu caso, ele nunca pagou passagem nem diária.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não pagou nenhuma despesa para o senhor?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Que eu saiba, não. Em Belo Horizonte, a minha cidade, eu sempre fui, eu tinha onde ficar, inclusive em casas de família ou, durante um período, no meu próprio apartamento, que ainda estava ativo em Belo Horizonte.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor, estando em Belo Horizonte, foi-se encontrar com ele na agência dele, no local de trabalho dele?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, ele me telefonou, confirmando o local e meu deu o endereço. Eu fui. Eu não sabia onde era o endereço da agência dele. Fui, e, chegado lá, não era agência. Era um centro, um prédio comercial em Belo Horizonte, chamado Lumines, e eu me encontrei com ele nesse local, mas não era a sede da agência dele. Até imaginei que era, mas não era.

SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Foi um encontro não marcado? O senhor aproveitou que estava lá?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, não. Ele, provavelmente, naquele período, devia estar solicitando uma agenda. Eu devo ter falado com ele que eu estaria em Belo Horizonte na sexta-feira, acompanhando o Ministro, e fiquei de confirmar se teria disponibilidade, na minha agenda, estando em Belo Horizonte. E lá, provavelmente, ele me ligou confirmando, me deu o endereço e eu fui ao local onde ele marcou.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Relator, acho que ultrapassei o meu tempo. Peço a minha reinscrição.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Veja, esta Presidência, na Sub-Relatoria, tem sido bastante tolerante quando não há outros Deputados inscritos para fazerem uso da palavra. V. Exª fica, então, reinscrito, porque, com certeza, daremos mais dinamicidade, como temos feito, sempre que há poucos Deputados presentes ou inscritos para fazerem argüições.

Retomo, então, as questões; depois continuarei chamando os Deputados presentes para fazerem suas argüições.

Está reinscrito o Deputado Silvio Torres.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu pediria que o depoente nos esclarecesse como funciona, ou de que maneira a Secom interfere na escolha ou na definição de regras das licitações realizadas pelos Ministérios ou pelas unidades de administração indireta nesta parte de publicidade.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Pois não, Deputado. A Secom, desde 1993, tem função legal de participar dos processos licitatórios das agências. Nunca houve uma regra permanente. No Decreto nº 785, de 1993, por exemplo, há a atribuição da Secom de indicar membros para os processos licitatórios. Por exemplo, ela não estabelece limites, só informa que cabe, ao chefe da Secretaria de Comunicação, na época Assessoria de Comunicação Institucional, fazer a indicação de membros para processos licitatórios de publicidade.

Em 1995 um novo decreto foi editado, que estabeleceu uma determinada alteração da participação da Secom, fixando o número de membros que participariam. No caso, 50% menos um.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso foi em 1995?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Noventa e cinco. E, imediatamente, foi expedida uma instrução normativa, naquela época, que detalhava as atribuições; foi a primeira vez em que se detalharam as atribuições da Secom em relação aos processos licitatórios. Definiu que a Secom deveria fornecer projetos de edital padrão para os órgãos, estabeleceu o que deveria constar dos elementos de avaliação dos processos licitatórios, ou seja, quais os quesitos deveriam ser avaliados, e alguns outros encaminhamentos técnico-operacionais em relação a isso.

Agora, em 2003, no Decreto nº 4.799, houve alteração, em termos de participação da Secom no processo, em relação à composição da Comissão de Licitação, onde foi definido que a Comissão de Licitação teria, a maioria da Secom, facultado a ela não exercer esse direito.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Especificamente, qual o papel que a Secom teve nas licitações de publicidade realizadas nos Correios?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ela teve o papel que ela exerceu em todas as demais. Ela foi consultada e deu o “de acordo” com o edital, que foi elaborado pelo próprio Correio, fez sugestões, algumas baseadas na Instrução Normativa, outras não. As que são baseadas na Instrução Normativa são acatadas pelos órgãos; as outras, ficam a critério de o órgão assumir ou não. Ela indicou os membros para a comissão de licitação, que participaram da comissão técnica de licitação...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A comissão especial dos Correios tinha cinco membros. Quantos a Secom indicou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A Secom indicou três membros, sendo dois funcionários da Secom e um funcionário de carreira dos Correios, que era o chefe da área de comunicação dos Correios desde o ano de 2002, desde o Governo passado.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nessa composição, havia o cuidado de se manter a maioria dos membros da comissão de licitação pertencentes aos quadros permanentes da administração?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sempre que possível.  Das 29 licitações que foram realizadas, a Secom foi maioria em apenas sete comissões. As demais...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Relativamente à composição global da comissão, normalmente, a regra de que a maioria dos membros da comissão tem que ser pertencente aos quadros permanentes da administração era considerada?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Houve alteração. Na verdade, isso não era uma regra também que fosse permanente. A regra que vigorou e que está vigorando não exige a maioria de membros do quadro permanente. Essa foi uma exigência que foi feita em mil, novecentos e noventa e...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 1993, porque a Lei nº 8.666 prevê expressamente isso.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Anterior a essa...Não, não, só para esclarecer, na regulamentação da Secom, historicamente.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A primeira regulamentação sobre a participação da Secom não fazia exigência de participação de membros, funcionários de carreira. Isso foi alterado, depois, em 2000 – não, não, me desculpem –, em 1999, isso foi alterado no Decreto da Secom. Passou a se exigir...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Que é aquele Decreto nº 3.296.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Decreto nº 3.296, que passou a exigir a participação da maioria dos membros de carreira. Depois, foi novamente alterado no Decreto nº 4.799. Por quê? Porque, na administração pública direta, não há carreira da área de comunicação. Isso só existe em algumas empresas estatais, assim mesmo não em todas. Considerando que as licitações eram licitações técnicas em publicidade, muitas vezes a exigência de quadros de carreira fazia com que fossem indicadas pessoas que não tinham qualificação técnica para a análise das propostas que estavam sendo apresentadas. Então, para que a Secom pudesse permitir aos órgãos utilizarem pessoas qualificadas tecnicamente e a ela própria fornecer quadros, caso isso fosse necessário, foi feita essa alteração no Decreto nº 4.799. Simultaneamente, a Secom iniciou uma articulação e enviou uma proposta ao Ministério do Planejamento para a criação da carreira de técnico, analista em comunicação, de maneira a suprir essa necessidade na área.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O art. 3º, §2º, do Decreto-Lei nº 3.296 diz que, “na composição da comissão especial de licitação, a Secom, salvo expressa manifestação em contrário, indicará membros e cuidará para que tenha um membro a menos que a soma dos demais membros da comissão”. Seria isso? Ou seja, a Secom não tinha maioria.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – No Decreto nº 3.296.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – No caso dos Correios, então, a Secom não tinha maioria dos membros?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A Secom indicou, dos cinco membros, três, mas somente dois eram do quadro da Secom. O outro era do quadro dos Correios, funcionário de carreira.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Na verdade, a Secom sugeriu a indicação e, então, a diretoria dos Correios colocou a pessoa sugerida como nome próprio dos Correios.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Dos Correios.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Seria isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Dos Correios.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nessas licitações, tocadas pelas comissões especiais, qual o papel da comissão de licitação? O que exatamente ela faz?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A comissão de licitação faz, em primeiro lugar, a análise da habilitação dos...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não, antes, no período daquilo que chamamos da fase interna da licitação, daquilo que vai antes do edital.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, não. A Secom só participa ou só tem participado, que é uma faculdade que o Decreto prevê, da análise técnica. Os editais são elaborados, geralmente, pelas comissões permanentes de licitação dos órgãos e pelos membros da comissão que são indicados pelos órgãos. A Secom não participa da elaboração no órgão do seu edital. Quando o edital...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas os membros indicados pela Secom participam?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, da elaboração do edital, não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Quando o edital é preparado, quando a minuta do edital é preparada, ela é enviada para área de normas da Secom, para ver se o edital está em conformidade com as normas. Caso haja alguma falta de conformidade, a Secom alerta o órgão para que ele faça a adequação ou sugere – a Secom tem feito isto – algumas modificações que, não estando nas normas, são aceitas ou não pelo órgão.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agora, esse edital que se faz em licitações de publicidade tem uma certa margem de discricionariedade do ponto de vista da política de comunicação a ser implementada. Então, por exemplo, a definição do número de agências contratadas é uma decisão discricionária: o órgão pode optar por uma agência ou por mais de uma agência; a maneira pela qual o serviço será prestado, a vinculação a um valor mínimo de recebimento por agência. Há uma série de decisões que, eu diria, são de natureza político-administrativa, que acabam sendo colocadas no instrumento convocatório, quer dizer, no edital. Essas decisões são tomadas pelo órgão ou pela Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – São todas tomadas pelo órgão.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pelo órgão?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Pelo órgão, todas elas.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, o número de agências contratadas é pelo órgão?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Decisão do órgão. Orçamento é decisão do órgão; o tipo de serviço que vai ser prestado, observados os limites das instruções normativas, é tomado pelo órgão; a decisão com respeito ao processo de contratação e orçamentário é toda definida pelo órgão.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso já era antes do atual Governo ou mudou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Já era antes e foi mantido.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, antes já era o próprio órgão que definia?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Já era o próprio órgão que definia.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – No caso dos Correios, por exemplo, essa discussão acerca da definição do número de agências e esses outros critérios partem de uma decisão tomada com autonomia pela direção dos Correios ou o Ministério a que os Correios está vinculado também participa?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Em tese, o Ministério pode ter participação, em função das atribuições legais da supervisão ministerial, mas eu, nesse caso específico, desconheço se houve participação ou interferência. No caso da proposta original de composição da comissão, baseada no Decreto nº 3.296, por exemplo, coisa que já havia sido praticada pelos Correios na licitação do ano de 2000, das cinco vagas na comissão de licitação duas eram diretamente dos Correios, duas eram da Secom e a quinta era do Ministério. Portanto, já naquela oportunidade se praticou uma maioria de participação de membros do Governo na Comissão de licitação, mas, especificamente, se houve algum tipo de decisão do Ministério nesse caso, eu não saberia dizer.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quais os critérios de julgamento que são adotados nessas licitações de publicidade?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O critério é um critério técnico, baseado...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O preço não interfere?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O preço interfere. É um critério técnico. Primeiro tem o critério da habilitação, que é a primeira fase.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA - A, aí em seguida ...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – São sempre concorrências, não é?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sempre concorrências. Essa já é uma decisão adotada a partir de 1993, porque antes de 1993 as agências eram contratadas pelo Governo por notória especialização.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso, aí a Lei nº 8.666 passou a exigir expressamente a licitação?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Passou a exigir essa modalidade.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E, aí, a lei de licitações prevê quatro tipos diferentes de licitação. Quando se diz que são quatro tipos isso significa critérios de julgamento, que são o menor preço, a melhor técnica, a técnica e preço e o maior lance ou oferta. Desses quatro tipos, qual é o tipo utilizado? É o de técnica e preço?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – É técnica e preço, sendo que, ao final do processo, a empresa que tiver oferecido o menor preço é vencedora, mesmo não tendo sido a melhor técnica, caso a que exerceu a melhor técnica, a que ganhou melhor técnica não aceite o preço menor apresentado, conforme permitido pela Lei 8.666.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De fato, a Lei 8.666 permite um tipo de técnica e preço em serviços predominantemente intelectuais, o que me parece ser o caso. Agora, qual o balanceamento que se faz entre técnica e preço? Isso é uma coisa padrão, ou seja, há uma diretriz para toda a administração em relação ao peso da técnica, ao peso do preço, ou isso compete ao órgão decidir?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, tem uma instrução normativa que estabelece os pesos de cada...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso para toda a administração?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Para toda a administração. Essa é uma normativa que existe desde 1995. É a Instrução Normativa nº 7.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Instrução Normativa nº 7?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Isso. Ela existe desde 1995 e define a pontuação e o peso de cada...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mais ou menos como é? Sem querer entrar em detalhes, mas como funciona o equilíbrio da situação de técnica e preço?

Eu até explico a razão dessa relatoria. É que em todas as situações que envolvem o julgamento por técnica, todas, sem exceção, há uma certa zona de subjetivismo decisório. Por isso é muito importante termos clara essa dimensão dos pesos que são dados.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, o peso é dado nessa condição que eu expliquei ao senhor: faz-se a análise técnica com base em critérios, em quesitos que são pontuados; classifica-se...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Esses quesitos são fixos para toda a administração?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – São fixos, são fixos. São fixos pela instrução normativa.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – São quesitos de capacidade de atendimento da agência, quesito de estratégia de comunicação, quesito de estratégia de mídia, de repertório da agência, ou seja, aquilo que ela já executou e realizou como agência, e o quesito da idéia criativa. Essa é a fase onde se define a colocação inicial das agências. Classificam-se...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pela proposta técnica.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – ...pela proposta técnica 10 ou 12 agências, dependendo da quantidade de agências que disputam, onde é feita a linha de corte estabelecida pelo edital. O edital estabelece uma nota mínima. Se a agência não atingir aquela nota, ela está desclassificada.

As classificadas vão para análise de preço. Na análise de preço, se uma – pode ser a 10ª colocada – der um preço melhor, menor do que a primeira e a primeira não aceitar pagar o preço da última...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vai para a segunda colocada. Então, esse tipo, apenas para correção, é o tipo que lei chama de melhor técnica, ou seja, não há propriamente o julgamento do preço. Efetivamente, temos, então, uma situação onde o julgamento único é técnico mas o preço pode interferir no resultado se o preço da proposta vencedora não for tido como razoável.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Exato.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – É isso.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – OK. Então, é o tipo melhor técnica.

A definição dos critérios de melhor técnica, então, é unificada para toda a administração?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Isso. Elas já foram desde 1995.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito. O atual Governo estabeleceu alguma mudança na sistemática de julgamento das licitações, ou seja, não em relação à habilitação – a habilitação nós vamos ver mais tarde, no capital social?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Houve alteração como sugestão, porque não foi expedida instrução normativa, buscando valorizar os aspectos mais objetivos do processo de avaliação das propostas, procurando tornar mais objetivo...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quais foram?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Especialmente a parte de repertório.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que é o repertório?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O repertório são as peças ou ações publicitárias desenvolvidas por essas agências, como se fosse o portfólio delas.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – E a parte de estratégia de comunicação, que é a definição, porque qual é o processo, se o senhor me permitir explicar?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não, por favor.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O edital apresenta um problema de comunicação que tem que ser resolvido, da melhor maneira possível, pelas agências que estão concorrendo. Ele tem que ser resolvida sob várias formas: sob o ponto de vista de uma idéia criativa que melhor responda a esse problema de comunicação; tem que ser respondida do ponto de vista da estratégia de mídia, ou seja, quais os veículos e em que quantidade de freqüência, de abrangência geográfica, as ações de comunicação devem ser definidas; e qual a melhor estratégia de comunicação, ou seja, quais os melhores instrumentos e as melhores formas de comunicação que devem ser adotados?

Então, para poder melhorar a qualidade das agências que atendem o Governo Federal, fez-se alteração nessa questão do repertório e se fez alteração na questão da estratégia de comunicação, ou seja, a agência, ao ter colocado para ela o desafio de resolver um problema de comunicação, ela tem que ter demonstrado capacidade para fazer isso e tem que demonstrar que ela tem técnica para desenvolver uma boa estratégia de comunicação.

Um exemplo do que seria isso: se o breafing, o problema de comunicação, está voltado para a terceira idade e a agência estabelece uma estratégia de comunicação voltada para a MTV, por exemplo, ela certamente vai estar errando e vai ter uma nota baixa, porque o público que assisti à MTV não é um público adequado àquela mensagem. Então, é um critério técnico que foi valorizado para melhor definir a escolha das agências que atendem o Governo Federal.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Voltando especificamente à Comissão Especial de Licitação dos Correios, V. Sª se lembra dos nomes que compunham essa Comissão, particularmente dos nomes indicados pela Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Os nomes que fizeram o julgamento técnico, da Secom, foram: o Sr. Alexandre Pinheiro e o Sr. Expedito Carlos Barsotti; dos Correios: o Sr. Otaviano...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Aqui nos consta o nome do Sr. Marco Antonio da Silva.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O Marco Antonio da Silva foi indicado inicialmente, mas ele participou apenas da fase de habilitação da documentação, para se verificar se os documentos exigidos...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele integrou, inicialmente, a Comissão de Licitação, e atuou até a fase de habilitação.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – De habilitação. A partir daí...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois ele foi substituído?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele foi substituído pelo Sr. Expedito Carlos Barsotti. Como o Sr. Marco Antonio era, na época, Diretor de Eventos e encarregado de coordenar os eventos que envolviam o Presidente da República, tinha uma missão que era acompanhar o Presidente da República na viagem que o Presidente fez a Nova York, para a abertura da Assembléia-Geral das Nações Unidas. Essa seria a primeira vez que o Presidente compareceria. Havia uma expectativa muito grande. Avaliou-se que seria melhor que o Diretor da área fosse acompanhando... Então ele foi substituído...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele integrava a Comissão Especial de Licitação até o final da fase de habilitação. Posteriormente, para a classificação, entrou o Sr. Expedito Carlos Barsotti. Estes dois, Alexandre Pinheiro e Expedito Carlos Barsotti, funcionários da Secom. O Sr. Marcos Antonio da Silva, também funcionário da Secom, mas acompanhando apenas a primeira fase.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Isso!

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O nome dos Correios...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Era o Sr. Otaviano.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. José Otaviano Pereira...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sim. A Lenise...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – ...que era o chefe do Departamento de Marketing?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Exatamente.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A Lenise, que era assessora do Departamento de Marketing?

O SR. MARCOS VINICIOS DI FLORA – E um diretor, se não me esqueço, o Sr. Marco Antonio, me parece.  Eu tenho isso aqui.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Se V. Sª puder nos dar, por gentileza.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu quero aproveitar para fazer uma pergunta.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Com relação aos assessores, aos representantes dos órgãos das estatais especificamente, ou dos Ministérios, aqueles que participavam ou não das comissões de licitações, ou seja, as pessoas encarregadas do marketing, da comunicação das estatais ou dos Ministérios, a Secom indicou alguma delas?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Apesar do decreto, já desde 1993 ou 95, não consigo precisar exatamente qual dos dois decretos, mas desde 1993 ou 95, o decreto já orientava que a Secom deveria fazer a aprovação prévia dos chefes das áreas de comunicação. Durante o mandato do Ministro Luiz Gushiken, isso não foi executado. As decisões sempre couberam aos órgãos...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sem nenhuma interferência?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sem nenhuma interferência.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nem submetiam...?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Pode ser que em algumas circunstâncias nós tenhamos sido consultados e tenhamos enviado sugestões de nomes que tenham sido apresentadas. Mas nenhuma interferência no sentido de decidir ou orientar as estatais para que escolhessem essa ou aquela pessoa para comandar a área de comunicação. Não existe nenhuma...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nem nos Correios?

O SR. MARCOS VINÍCIOS DI FLORA - Nem nos Correios.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nem no Banco do Brasil?

O SR. MARCOS VINÍCIOS DI FLORA – Não. Nos Correios, o diretor dos Correios, que só saiu agora para virar diretor de outra área, o chefe, que, na verdade, era o gerente de marketing, já era inclusive gerente de marketing no Governo passado. Ele não foi substituído, como ocorreu também em outras circunstâncias.

Quero informar ao Relator que é Marcos Gomes da Silva...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Marcos Gomes da Silva?

O SR. MARCOS VINÍCIOS DI FLORA – O terceiro, que é funcionários dos Correios, e indicado pelos próprios Correios. Na época, era consultor da Diretoria dos Correios.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com relação ao Sr Alexandre Pinheiro de Morais Rego, que função ele tinha na Secom?

O SR. MARCOS VINÍCIOS DI FLORA – Ele era assessor especial do Ministro.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele integrou outras comissões de licitação?

O SR. MARCOS VINÍCIOS DI FLORA – Ele integrou....Vou verificar...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por favor.

O SR. MARCOS VINÍCIOS DI FLORA – Deputado, se eu não encontrar até daqui a pouquinho, prometo enviar para a Comissão, em seguida.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Mas ele participou, com certeza, de pelo menos mais uma.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Certo, mas não encontrando V. Sª, depois V. Sª, por gentileza, poder-nos-ia encaminhar.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu vou procurando aqui e passo para o senhor.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª depois procura. Se o doutor advogado, puder também. Perfeito.

O Sr. Marco Antônio da Silva, qual a função que tinha?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele era diretor da área de eventos, diretor de eventos da Secom.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Diretor de eventos. Ele participou de outras comissões de licitação?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Participou de outras comissões. Com certeza, ele participou da comissão de licitação do MEC.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – MEC?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Mistério da Educação, desculpe.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim, pois não.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – E participou da comissão de licitação da Petrobras.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Petrobras. Qual a sua relação com o Sr. Marco Antônio da Silva, além da profissional, é claro?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, eu só o conheci, também, aqui em Brasília.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor tinha contatos com ele antes?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não tinha contatos com ele, não. Não, não o conhecia anteriormente.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual a relação que o Sr. Marco Antônio da Silva tinha ou tem com o Ministro Gushiken?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu não posso afirmar com certeza, mas ele, o Ministro Gushiken também só o conheceu aqui em Brasília.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele é filiado a algum partido político?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele é filiado ao Partido dos Trabalhadores.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele tem militância em que Estado?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele milita no PT em São Paulo.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em São Paulo. O senhor tinha consciência ou ciência de que o Sr. Marco Antônio da Silva era casado com a Dona Telma dos Reis Menezes da Silva, diretora da empresa Multiaction Entretenimentos, que também pertencia ao Sr. Marcos Valério?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, eu até agradeço a oportunidade porque eu queria aproveitá-la para esclarecer uma série de mal-entendidos que existem em relação a essa questão. Eu vou passar até às mãos do senhor uma...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Para registro da Comissão, uma série de documentos que foram enviados pela Secom à Comissão de Ética Pública da Presidência, quando o fato de uma entrevista da Folha de S.Paulo ensejou essas informações que ficaram meio confusas, de maneira a esclarecer um pouco a seqüência dos fatos.

Quando ocorreu a licitação dos Correios, o Sr. Marco Antônio não era casado com a Srª Telma. Eles só se casaram... Ele participou da comissão de licitação em agosto, no período da habilitação técnica, da habilitação de documentos, e casou-se com ela em dezembro. E a Srª Telma não trabalhava na Multiaction nem em nenhuma outra empresa do Sr. Marcos Valério. A Srª Telma só começou a trabalhar, assim mesmo prestando serviço - não era diretora, mas prestando serviço como uma terceirizada da Multiaction -, em julho de 2004. Ela já era uma profissional de mercado, que já tinha atuação no mercado publicitário há vários anos, segundo as informações que eu tenho, e foi contratada em julho de 2004, quase um ano depois do processo licitatório.

Então, eu queria passar, porque aqui tem uma descrição, a resposta dele à Comissão de Ética Pública, que eu acho que é importante para a Comissão entender, de fato, a seqüência dos fatos relacionados.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Se eu entendi...Posso?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado, por favor.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Se eu entendi, a Srª Telma não era casada com o Sr. Marcos, que já trabalhava no Secom, já tinha sido contratado. Não é isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Exatamente.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas ela já o conhecia antes, porque ela não se casou...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, eu não tenho relacionamento de amizade, da vida íntima deles, então, eles poderiam estar, ter uma relação mais próxima ou não, mas eu não sei qual é o grau da relação que eles tinham. Eu estou passando às mãos da Comissão as informações que o Sr. Marco Antônio encaminhou à Comissão de Ética Pública, onde ele descreve quais eram as circunstâncias da vida dele naquele período.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não sabe dizer, então...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu creio que, talvez, eles já namorassem naquela época, mas eu não tenho essa informação precisa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor sabe dizer onde ela trabalhava antes?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Não, eu sei que ela prestava serviços ao mercado de comunicação, mas eu tenho certeza – bom, informação dada por ele na declaração – de que ela não trabalhava em nenhuma empresa relacionada ao Sr. Marcos Valério.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Aí, ela se casou com ele em agosto.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, ela se casou com ele em dezembro.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Em dezembro de 2003. Quando chegou em agosto, o Sr. Marcos Valério a contratou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Parece-me que em julho de 2004 ela foi contratada.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Em 2004 ele a contratou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Foi contratada.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E o Sr. Marco continuava trabalhando na Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA O Sr. Marco Antônio continuava trabalhando na Secom.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor tinha ciência dessa situação à época?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não tinha ciência, ou seja, não tinha ciência de que a esposa do Sr. Marco Antônio havia sido contratada pela MultiAction?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Ministro Luiz Gushiken tinha ciência disso à época?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Também não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Também não.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA O próprio Marco Antônio declara isso na entrevista que ele dá à Folha de S.Paulo, que ele considerou uma situação normal, por ser ela uma figura de mercado.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, nem o senhor, nem Luiz Gushiken tinham ciência dessa situação?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De acordo com os levantamentos feitos pela assessoria dessa Comissão, foram encontradas duas faturas da empresa MultiAction Entretenimentos - Dona Telma dos Reis trabalhava para essa empresa, mulher de Marco Antônio da Silva - emitidas pela SMP&B, empresa de Marcos Valério. V. Sª sabe especificar exatamente que atividades a MultiAction prestou para os Correios?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Detalhadamente, não. Sei que ela era uma empresa de promoção e deve ter prestado atividades relacionadas à promoção de evento, de algum evento de promoção dos Correios, mas não sei, em detalhe, qual é essa atividade.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – D. Telma, de alguma forma, tinha interferência nessas definições dentro dos Correios ou na Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Na Secom, com certeza, não. Nos Correios, não tenho informação, mas creio que não. Os Correios têm sua estrutura de decisão. A empresa é subcontratada pela agência.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor conhece a Dona Telma dos Reis Menezes da Silva pessoalmente?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Conheço, mas não tenho com ela nenhuma relação íntima ou de amizade.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Só um instante, porque não entendi uma resposta dele. Desculpe-me, Relator.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não. V. Exª tem crédito com esta Sub-Relatoria.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço. É uma história longa, não é?

Mas, o Relator indagou de V. Sª se a Srª Telma tinha alguma influência na licitação ou na escolha nos Correios, é isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Isso.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E, aí, o senhor disse que não tinha?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Não, da licitação ou da...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perguntei se tinha influência na Secom ou nos Correios.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Eu disse que na Secom não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Na Secom não?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Nos Correios, não posso responder pelos Correios, mas sei que os Correios têm toda uma estrutura e procedimentos de decisão.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Quer dizer, ela não tinha nenhuma ligação que o senhor soubesse, talvez? Pelo menos, o senhor diz que não sabe, mas a relação dela com o Sr. Marco Antônio...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Mas o Sr. Marco Antônio não tomava decisões sobre contratação na Secom.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não influenciava nada?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Ele não tinha nenhuma atribuição de contratações.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E qual era a atribuição dele? Desculpe-me, pois cheguei um pouco atrasado. Só para esclarecer, Sr. Relator, eu estava com o Presidente da CPMI, lá embaixo, por isso peço até desculpas se, eventualmente, eu fizer alguma pergunta ...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Exª continua com crédito com esta Sub-Relatoria.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço. É uma história longa.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Deputado, tenho o maior prazer de poder ajudar a esclarecer o máximo possível os trabalhos que a CPMI está desenvolvendo.

As funções do Sr. Marco Antônio eram de organizar os eventos que envolviam o Presidente da República, os eventos que ocorrem no Palácio do Planalto.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ)A posse foi ele quem organizou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Não, o da posse não foi ele. O da posse foi organizado pelo Partido dos Trabalhadores, à época, com, depois, a participação do trabalho do cerimonial.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas ele já não participava?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA  Não, ele só foi nomeado para a Secom a partir de janeiro.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Qual era a função anterior dele? Por que ele foi nomeado para a Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Ele já foi assessor de comunicação numa Prefeitura no interior de São Paulo; já teve experiência no mercado publicitário.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E o pessoal da Secom, o senhor como membro da Secom não participou nada da posse do Lula?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu era, na época...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu sei, o senhor era militante.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA Não, não. Na época, eu era membro da equipe de transição, mas na equipe de transição havia uma divisão de trabalhos e, no caso da preparação da posse, toda uma equipe separada. Eu não tive qualquer participação. Fui assistir apenas como convidado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas, o Sr. Marco Antônio...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo.PT – SP) – Deputado Eduardo Paes, o crédito de V. Exª já está exaurido.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perdi todos os meus créditos. Perfeito. É uma longa história.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Já exauriu todos. Há outros Deputados inscritos.

Para que possamos manter a seqüência, esta Relatoria também tem uma série de indagações a fazer, mas, para ficar mais dinâmico, nós temos tido esse hábito de franquear aos Deputados.

Então, com a palavra, o primeiro Deputado inscrito, ou o segundo Deputado inscrito, já que o Deputado Silvio Torres já fez uso da palavra, embora reinscrito, o nobre Deputado Onyx Lorenzoni. Tem V. Exª 15 minutos.

Peço que se registre o tempo.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Obrigado, Presidente.

Uma pergunta que há muito tempo não quer calar é a seguinte: quando houve a licitação dos Correios, houve uma redução do valor do patrimônio das empresas e o curioso é que a exigência, que antes era de três milhões, foi reduzida para 1,8 milhão. Está correto o que eu estou dizendo, não é? É curioso, também, que quando a gente vai ver a empresa do Sr. Marcos Valério, ela, de maneira adequada, chegou a esse patamar. Por que, para uma licitação onde havia um valor expressivo, houve essa redução? E por que houve todas aquelas alterações no edital, de tal forma que, mesmo alterando patrimônio, mesmo com a suspeição de que houve um direcionamento, mesmo assim, ainda, pelo que eu sei, a SMP&B não ganhou na questão preço? Ela ganhou licitação porque admitiu trabalhar com o preço de quem deu o menor valor. Se não me falha a memória, quem deu o menor valor foi a Duda. O senhor pode me explicar por que abrir mão da Duda Mendonça, que era, sabidamente, uma empresa mais consagrada, para abraçar a empresa do Sr. Marcos Valério?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, muito obrigado pela oportunidade de explicar, mais uma vez, essa questão.

Primeiro, em relação ao patrimônio líquido: o edital previa como uma das regras para a habilitação, para que as empresas passassem para a fase seguinte, que fosse à análise da técnica, que a empresa tivesse, em primeiro lugar, solvência e liquidez de curto prazo. Caso uma empresa não cumprisse esses critérios, ela poderia recorrer a um terceiro requisito - só não cumprindo esses casos -, que era recorrer ao patrimônio líquido.

Nenhuma agência, das 55 – foi a maior concorrência que houve e não houve, depois, nenhum recurso, nenhum questionamento aos resultados –, nenhuma agência precisou recorrer ao patrimônio líquido, fosse ele de 1,8 milhão, de três milhões, de 10 milhões ou de R$500 mil, porque todas elas cumpriam os quesitos anteriores. O que a Secom fez não foi orientar para que o quesito fosse baixado para 1,8 milhão; foi alertar os Correios que o valor de três milhões em relação ao patrimônio líquido que vinha sendo praticado na administração pública, inclusive no Governo anterior, era muito inferior aos três milhões. Por quê? Porque o principal patrimônio das agências de publicidade não é o patrimônio físico, material, é o patrimônio intelectual, é a criação, é o planejamento. São poucas as empresas que têm patrimônio de R$3 milhões, ou seja, se você estabelecesse o patrimônio líquido de R$3 milhões, ao invés de ampliar, você estaria reduzindo, portanto, com maior risco de direcionamento dos resultados da licitação. Então, essa é a decisão. Essa era uma decisão que já vinha sendo praticada pelo Governo anterior, tanto que dos contratos hoje vigentes, seja do iniciados no Governo passado, seja dos licitados neste Governo, não há nenhum caso de patrimônio líquido superior a R$2 milhões.

Segundo, em relação aos quesitos que foram alterados, as alterações se deram em quesitos que buscavam dar ainda mais objetividade à análise técnica. E eu posso dizer, com tranqüilidade, que foram mudanças pontuais, que não afetaram em nada o resultado, ao contrário. Se tivessem sido mantidos os quesitos da maneira como eles eram anteriormente, a distância entre a terceira colocada, que foi a SMP&B, e a quarta seria maior ainda. A SMP&B teria sido avaliada ainda melhor se fossem os critérios anteriores. Portanto, isso não afetou em nada o resultado da análise técnica.

Terceira, a questão dos preços. No edital, já estava explícito, porque é uma prerrogativa que a Lei nº 8.666 permite, quando se faz a licitação nessa modalidade que sempre foi realizada pelo Governo Federal em casos de licitações, que a empresa que foi classificada como melhor técnica tem a prerrogativa, para manter-se como empresa vitoriosa, de acatar o menor preço apresentado por outra empresa que, eventualmente, não tenha sido classificada. Então, isso é uma permissão da Lei nº 8.666 que estava no edital, já era de conhecimento público e não houve questionamento.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Segundo consta, a assessoria técnica – não me recordo bem – dos Correios, da empresa à época, contestou – não estou com o documento aqui –, essa mudança promovida pela Secom.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É, porque a tese é a seguinte: por que não 1 milhão, por que não 800 mil, por que não 200? O número cabalístico de 800 é porque acerta no patrimônio da SMP&B.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não, não, Deputado Onyx, mas especificamente a parte técnica da Empresa de Correios e Telégrafos contestou e informou a Secom da contestação a essa decisão da Secom. O senhor sabe disso ou não?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, a Secom não decidiu sobre o patrimônio líquido. A documentação, certamente, está a acompanhar, a CPMI a tem em mãos. A Secom sugeriu que os Correios avaliassem se o valor de três milhões era o valor adequado. Não sugeriu valores alternativos; os valores alternativos foram obtidos pelos Correios a partir daquilo que determina a 8.666. Existe uma nota técnica, também dos Correios, que posso encaminhar à CPMI, explicando o cálculo, porque a 8.666 orienta que o patrimônio líquido deve corresponder a, no máximo, 10% da previsão contratual. E a previsão contratual, naquele período de execução mínima de cada agência, era de 18 milhões. O cálculo foi feito pelos Correios, não foi feito pela Secom; a Secom só alertou. Como isso não consta da instrução normativa, a decisão de incluir ou não, de reduzir ou não o patrimônio líquido é uma decisão dos Correios, tantos que ela foi feita a título de sugestão e não como comando de modificação de item do edital.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Aí, nós temos um problema, Dr. Marcus. Todos os Presidentes dos Correios que vieram a esta CPMI disseram que, na área de publicidade e propaganda, eles não decidiam nada. Era tudo determinado pela Secom, tanto que tem um Presidente de Partido da Base Aliada que sentou lá na outra sala. Eu perguntei a ele por que aditivou um contrato 23 dias antes de encerrar esse contrato. E ele disse: “Mas eu não faria uma maluquice dessas. Eu não assinei isso.”. Eu disse: “Eu lamento-lhe informar, mas está aqui o aditivo que o senhor assinou.”. Ele alegava que apenas – veja como eram feitas as coisas – havia assinado o aditivo de prorrogação de tempo. Ele disse que não se lembrava, conscientemente, de que tinha assinado um termo aditivo que elevava o contrato em valor superior, até, ao permitido pela lei e que esse termo aditivo era para uma execução de 23 dias. Ele lembrava, apenas, de ter feito a extensão do contrato. E ele disse, aí – está gravado, nós temos a gravação –, que se viu surpreendido pelo fato de a assinatura dele estar no termo aditivo. E, aí, ele disse que todas as decisões, nada era executado sem que tivesse o “amém” da Secom.

Depois, obtivemos um documento onde a MultiAction... É muito interessante, porque a MultiAction, que é do Marcos Valério, não ganha nada em licitação, mas é ela que executa todos os patrocínios e eventos dos Correios... E curiosamente até tem um litígio aí, porque o Banco do Brasil tinha uma parceria com a Koch Tavares: tênis, beach soccer e por ai afora vai. E teve um acerto para botar a Multiaction no meio.

É tudo muito curioso porque a Secom – e temos o documento com a CPMI – o Diretor lá pergunta se dá para contratar a Multiaction para um evento lá, Paixão de Cristo. Que era para ser a SPM&B pergunta. E a resposta é: Se não houver nada contra da Secon, pode fazer.

Ou seja, quero caracterizar, Dr. Marcus, o seguinte: houve um conjunto de medidas, como os decretos assinados pelo Presidente, que concentraram poder na Secom. Isso é inegável.

O Sr. Henrique Pizzolato esteve aqui também e disse que lá no Banco do Brasil, para fazer qualquer coisa – isso tudo está gravado – tinha que ter o amém da Secom: patrocínio, evento, o que fosse tinha que lá pedir o amém.

Agora quero lhe perguntar uma coisa objetiva, além das considerações que lhe estou fazendo: por que é que o Governo Lula adotou a tática no que diz respeito ao Marcos Valério, principalmente a SMP&B e a DNA de aditivar contratos, inclusive de maneira irregular e desrespeitando a lei. Quero que o senhor me explique por que o Governo e a sua secretaria autorizaram a aditivação dos contratos, até porque nas definições das atribuições da Secom ela tem que se pronunciar nesses momentos.

Por que é, por exemplo, que o contrato dos Correios é aditivado, faltando 23 dias para acabar?

Por que é que o contrato do Banco do Brasil é aditivado de maneira violenta, um contrato que pula acima do que prevê a Lei nº 8666?

Como o contrato fica maior que 150 milhões? Era obrigação do senhor lembrar ao Banco do Brasil de que tinha audiência pública para o Presidente do Ministério Público Federal. O que não foi feito. E foi um aditamento muito superior aos 25% possíveis daqueles R$142 milhões que pularam para R$200 milhões.

O meu tempo é curto. Então, o senhor me explica por que, historicamente, o Banco do Brasil gastava entre R$130 milhões e R$150 milhões: 2000, 2001, 2002, 2003 e 2005. Por que, em 2004, o Banco do Brasil gasta R$262 milhões em propaganda e publicidade? Por que esse valor é todo concentrado no segundo semestre de 2004? Quero que o senhor me explique. Não é para mim, o senhor tem que explicar para o Brasil, se o senhor puder.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, primeiro o Governo não adotou tática alguma de fazer aditivos ou renovações contratuais de maneira irregular para as empresas do Sr. Marcos Valério. Desconheço qualquer prática nesse sentido.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Todos foram acima do que a lei permite. Todos os contratos do Marcos Valério, Dr. Marcus, foram feitos fora do que a lei determina.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Desconheço essa informação, Deputado.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Então o senhor não sabe fazer conta? Se só pode aditivar em 25%, e o senhor aditivou em valores maiores!

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, estou aqui para colaborar com a CPMI, posso responder as perguntas que o senhor está me fazendo, mas as insinuações não tenho como fazer. Falar sobre o que eu não sei, tenho certeza que não vou estar colaborando com a CPMI. Só posso colaborar dizendo aquilo que eu sei. O que eu sei é que não há irregularidade. A informação que o senhor dá sobre a necessidade de audiência pública para aditamentos de contratos superiores a R$150 milhões, eu desconheço. Sei que quando se vai fazer uma nova licitação e o valor é superior a R$150 milhões, aí, sim, precisa fazer audiência pública, convocar o Ministério Público e outros procedimentos. Para aditamentos e renovações, desconheço essa informação do senhor.  Posso estar enganado, mas é a informação que tenho.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor veja que na lei está escrito que quando o contrato, seja em contratação original ou é aditado, e o valor fica acima desse valor, a obrigação é direta. Mas, o senhor vai responder isso na justiça; não precisa responder para mim agora, não.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Desconheço essa informação.

Segundo, a Secom não interfere, ao contrário do afirmado pelo senhor, nos aditamentos dos contratos. Os aditamentos são de inteira, inteira responsabilidade dos órgãos da administração direta e indireta.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Desculpa, Sr. Marcos, ele também não monitora, não monitorava?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não é responsabilidade.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mas não monitorava?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – As atribuições da Secom...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Não, a pergunta é: não monitorava?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. As atribuições da Secom estão definidas em lei. A Secom tem papel de supervisão, de coordenação e controle naquilo que a lei lhe atribui.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Como o senhor está dizendo que está definido em lei, queria saber e a minha pergunta é se a Secom não monitorava os contratos dos órgãos administrativos ligados ao Governo.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Se o senhor me permitir, vou esclarecer.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, só para uma questão de ordem de 10 segundos.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Concedo a palavra, para uma questão de ordem, ao Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Diante do que estamos ouvindo aqui, quero propor que a subrelatoria convoque o Sr. Henrique Pizzolato e o João Henrique de Almeida, o ex-presidente dos Correios, e a gente faz uma acareação com o Sr. Marcus, e aí tudo se esclarece.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado, veja bem, não é uma questão de ordem. Recebo como uma manifestação pela ordem; V. Exª pode formalizar para ser submetida à reunião administrativa.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Vou formalizar.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agradeço a V. Exª.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Agradeço a gentileza do Presidente.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Prossiga o depoente.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, o que quero informar e procurar esclarecer à CPMI é o seguinte: do ponto de vista orçamentário, a Secom não tem nenhuma atribuição de fiscalizar, de monitorar, de decidir sobre as atribuições das empresas estatais. Isso é de inteira responsabilidade das empresas, da sua autonomia, ela tem os seus fóruns de decisão – alguns chegam aos conselhos de administração. 

No que diz respeito à renovação por tempo, a Secom é informar. No caso de aditivo de valor, nem sequer informada a Secom precisa ser. Sequer informada. Nada prevê que a Secom tenha que participar de qualquer movimento de uma empresa ou de um ministério em relação a aditivos de valor.

No caso do aditivo de prazo, a Secom é informada pelo órgão porque o órgão sempre tem a opção de licitar ou aditar o contrato nos prazos que a Lei nº 8666 permite, as renovações dentro da previsão da lei. Nesses casos, os órgãos fazem a sua avaliação e informam a Secom que pretendem ou renovar ou licitar. Informado isso, a Secom orienta, no caso da renovação, assina o contrato; e, no caso da licitação, promova a publicação do novo edital.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Na pergunta que o Deputado Silvio Torres fez, quer dizer, o senhor está dizendo que a Secom não acompanhava a execução desses contratos nos Correios, não era responsabilidade dela.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A execução do contrato é de responsabilidade integral do órgão.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E o senhor sabe quem nos Correios era responsável por isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Creio que a área de marketing e a área financeira...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Eduardo Paes, V. Exª é o próximo inscrito.

Temos admitido bastante isso em geral, mas quando não tem outros inscritos. (Pausa.)

O Deputado Onyx esgotou? (Pausa.)

Veja, Deputado Eduardo Paes, vamos acabar a conclusão da resposta do depoente. V. Sª já terminou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu queria só finalizar para informar ao Deputado Onyx Lorenzoni que os decretos que estabelecem as atribuições da Secom são decretos editados desde 1993. São editados desde 1993, renovados em 1995...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Todos rearrumados e reorganizados em 2003. Essa o senhor não vai me passar. Já tentou aqui o Dr. Gushiken e não conseguiu, e não vai ser o senhor que vai me passar essa conversa.

Vou lhe explicar com todo respeito. Que tem desde lá, tem, mas que no seu governo eles foram todos modificados, foram. Isso é inegável e o senhor sabe o que estou dizendo.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vamos aguardar a conclusão do depoente para que possamos ouvir o Deputado Eduardo Paes.

 

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Isso não é um fato. O Deputado está interpretando erroneamente a informação.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Foram modificados em parte. Veja bem, Sr. Presidente, é preciso distinguir o trabalho de investigação do discurso político, porque se ficarmos apenas nisso a coisa fica complicada. É evidente que todos os Governos buscam aprimorar a forma de coordenação de políticas públicas etc. e tal. Então, se há objeção a esta ou àquela modificação, que ela seja discutida objetivamente, mas que não se fique sempre levantando questões de caráter político geral, porque não estaremos exercendo nosso papel de investigadores.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Srs. Deputados, um momentinho só. A presidência...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Agora tem censura aqui?

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – O senhor se manifestou, mas não estou censurando, não, estou criticando.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Onyx, um momentinho só. Até agora a Presidência foi bastante permissiva...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Resolveu tumultuar agora?

O SR.  JORGE BITTAR (PT – RJ) – Não, estou criticando a sua postura.

O SR.  ONYX LORENZONI (PFL – RS) – V. Exª tem que ter postura e educação.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – É claro, todo mundo aqui fala quando bem entende. Estou calado desde o início.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Até a campainha está rouca.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É que a censura chegou.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Censura, não. É que o senhor se irrita quando se levantam argumentos concretos e sólidos. V. Exª gosta de fazer o discurso político geral, mas, quando há necessidade verdadeira de se investigar, o senhor... Não vi o senhor, aqui, por exemplo, na interpelação do Sr. Cláudio Mourão. Por que se V. Exª tem um discurso político tão eficiente?

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Estive aqui...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Srs. Deputados, até agora, esta Presidência foi extremamente condescendente, permitindo apartes livres pelo pouco número de Deputados inscritos e presentes. A partir de agora, tendo em vista uma ligeira alteração do ritmo das argüições, a Presidência será rígida quanto a horários e quanto a intervenções.

Então, neste momento, suspendo a dinâmica informal e passo a seguir estritamente o Regimento. Oportunamente, reavaliaremos de acordo com o ânimo dos presentes.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Num próximo momento, o Deputado Bittar vem mais tranqüilo, mais calmo.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Aproveitando o momento, Deputado Onyx...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Ficarei tranqüilo como sempre, desde que o Deputado Onyx Lorenzoni também tenha uma postura...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Já disse, vou dizer de novo, está para nascer o petista que vai calar minha boca.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Não, não pretendo calar a sua boca.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Estamos conseguindo numa reunião com quatro Deputados e um Senador fazer um tumulto, realmente digno de troféu, do Guinness, conseguirmos com cinco Parlamentares tumultuar a reunião.

Um momentinho só, Deputado Onyx.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Está no meu tempo.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não, seu tempo já se exauriu há mais ou menos 10 minutos.

V. Exª se reinscreve.

E esta Presidência vai suspender por 3 minutos.

O depoente está precisando se ausentar da sala, Deputado; e eu não gostaria de policiá-lo nesse aspecto.

Então, está suspensa a reunião por 3 minutos.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Já chega a censura da palavra; a censura do banheiro não vai ser imposta aqui.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Esse aspecto, V. Exª, com certeza, não poderá impedir nessa situação.

Então, suspendo a reunião por 3 minutos, para que possamos retomar a seguir.

(Suspende-se a reunião.)

(Reabre-se a reunião.)

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Está reaberta a reunião.

Antes de passar a palavra ao Deputado Eduardo Paes, eu gostaria de solicitar à Assessoria, tendo em vista a oitiva realizada ontem à noite, e, em nome da sub-relatoria, determinar as seguintes providências: primeiro, uma solicitação à Junta Comercial do Estado de São Paulo, para que obtenhamos toda a documentação, contrato social e alterações da ACF Anchieta.

Portanto, vamos solicitar à Junta Comercial do Estado de São Paulo toda a documentação relativa à ACF Anchieta. Da mesma forma, solicitaremos aos Correios toda a documentação dessa ACF, particularmente eventuais procurações que tenham sido outorgadas para a gestão dessa ACF.

Vamos também solicitar aos Correios informação relativa ao Sr. Airton José Barreto e à Srª Irene Barreto, relativamente a se foram proprietários de ACFs no Estado de São Paulo, e que nos informem os Correios quando e quais foram essas ACFs.

Particularmente, tendo em vista a reunião de ontem, que, em caráter de urgência, se consiga fazer a degravação do depoimento de ontem, do titular da ACF Anchieta, para que se encaminhe, nos termos do requerido e deferido, cópia desse depoimento a S. Exª, a Deputada Juíza Frossard, que pretende apresentar notitia criminis relativamente ao depoimento que foi ofertado ontem à noite, para as providências criminais cabíveis.

Que o depoimento prestado pelo depoente, na reunião de ontem, do titular da ACF Anchieta, seja encaminhado aos Correios para as apurações administrativas relativas ao relatado, que é de extrema gravidade, segundo entendimento da sub-relatoria.

Portanto, que se tomem essas devidas providências, em complementação à oitiva de ontem.

Vamos retomar a argüição.

O próximo inscrito é o nobre Deputado Eduardo Paes.

V.Exª tem a palavra pelo prazo de quinze minutos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Antes de mais nada, meus cumprimentos ao Sr. Relator, aos Parlamentares presentes, ao Sr. Marcus Flora, especialmente ao Deputado Onyx, que, do jeito que vai, será cassado ainda umas três vezes neste mandato. Como “Fora FHC” pode acontecer na Comissão do Mensalão, quem sabe o Onyx não será cassado umas três vezes?

O Deputado Silvio havia indagado de V. Sª se a Secom tinha responsabilidade sobre o acompanhamento da execução dos contratos, por exemplo, dos Correios, e V. Sª disse que não. Correto? V. Sª sabe me dizer quem tinha essa responsabilidade?

 O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Da execução?

 O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sim.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A área de marketing, a presidência dos Correios e provavelmente também a área financeira dos Correios. Eu não conheço, em detalhes, a estrutura da empresa.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Com relação aos  editais de licitação dos contratos de publicidade, boa parte deles era elaborado pela Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Os editais eram elaborados pelos órgãos e enviados à Secom para que fosse verificado se estavam em conformidade com as instruções normativas.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito.

V. Sª sabia que no item 7.1 desse contrato de publicidade dos Correios o responsável pela fiscalização dos serviços, durante a execução do contrato, era o chefe do Departamento de Marketing. V. Sª sabe quem era o chefe do Departamento de Marketing?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O Sr. Otaviano.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ele foi indicado por quem?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ele já era o chefe de marketing, no Governo anterior, e foi mantido.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A pergunta é: ele foi indicado por que órgão?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Pelos próprios Correios, pela presidência dos Correios.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ele não foi indicado pela Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Para chefiar a área de marketing, não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A informação que todos nós temos aqui, com provas para confirmar, é que ele teria sido indicado pela Secom, para cumprir esse papel. Portanto, um homem da Secom, no Departamento de Marketing Correios, é que fazia o acompanhamento da execução dos contratos.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, Deputado. Ele já era o chefe da área de marketing, no Governo anterior, e foi mantido no cargo pelo presidente dos Correios.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Exato. Mas por uma indicação da Secom.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, a Secom não fez nenhuma indicação.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É só para V. Sª saber, ou seja, essa foi uma afirmação do próprio presidente dos Correios. É claro que neste Governo há sempre a chance de haver alguém contando uma grande mentira. Mas o presidente dos Correios afirmou aqui que a indicação do Sr. José Otaviano Pereira, chefe do Departamento de Marketing, foi uma indicação feita pela Secom.

Agora vou voltar a uma outra pergunta que eu estava fazendo, mas o Relator me interrompeu – é claro, com toda a correção, não fica aqui nenhuma reclamação.  

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Como sempre.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É um pouco aquela história. A Srª Telma não tinha interferência nos contratos da Secom. Quer dizer, esse fato de ela ser mulher do Marco Antônio da Silva, o senhor não acha que isso gerava algum tipo de possibilidade de interferência? Como o Senhor vê essa questão, sob o ponto de vista ético? Só para eu tentar interpretar.

Tenho visto nos últimos tempos uma série de ilações. O Presidente da República acha que não tem problema algum nada que foi descoberto até hoje nesta CPMI. O Delúbio, o tesoureiro do PT, seu amigo, pelo que me consta, pelo menos uma pessoa com quem o senhor conversa muito, diz que isso tudo vai virar piada de salão. Mais ou menos essa historinha. Tem um publicitário que presta serviços para o Governo, que faz empréstimos fictícios, que distribui dinheiro pela Base do Governo. Tudo isso é piada de salão.

Sob o ponto de vista ético, como o Senhor vê – desculpe-me fazer uma pergunta que talvez peça uma interpretação – essa coisa de a moça que trabalha na Multiaction, que é uma empresa do Marcos Valério, ser mulher do sujeito que faz parte da Secom e que faz parte da Comissão Especial de Licitações dos Correios, que, por acaso, escolhe aquela empresa para prestar serviços?

Coloque-se no meu lugar, no lugar da população brasileira, melhor, porque nós, políticos, somos sempre suspeitos, podemos estar aqui fazendo discurso político, como quis dizer o Deputado Bittar. Coloque-se no lugar da população brasileira. Como o senhor interpreta, sob o ponto de vista ético, uma situação como essa?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, eu posso dizer sobre a minha condição. Eu não o faria em função dos meus princípios, das minhas referências.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E por que fez?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A decisão da Srª Telma de trabalhar na Multiaction é uma decisão profissional dela. É uma profissional do mercado, deve ter recebido um convite e aceitou.

No caso do Marco Antônio, como ele não deu explicações diretamente a mim e eu não sei as motivações que o levaram... Sei que entreguei, encaminhei à Comissão...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Motivações que o levaram a quê?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A não me informar, a não informar ao Ministro. Pelo que vi na declaração dele na imprensa, ele considerou que isso era um processo natural por considerar que a esposa trabalhava no mercado e não havia nenhum impedimento, posto que ele não tinha nenhuma função de decisão sobre contratações na Secom.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas nos Correios tinha?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Mas ele só participou da fase de habilitação, não participou da escolha.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas, o seu entendimento é de que o simples fato de ele ter só participado da fase de habilitação, sob o ponto de vista ético, não representa o menor problema?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, ele não interferiu na decisão da escolha técnica, que foi a escolha definitiva.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Então, sob o ponto de vista pessoal, o senhor faria, já que não vê nenhum problema.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Isso é uma especulação, Deputado. Não estou vivendo essa situação, não é um caso concreto. O senhor quer que eu especule.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Estamos diante de um caso. V. Sª era secretário executivo da Secom, V. Sª tinha, tem poder de tomar decisões e, portanto, eu gostaria – não estou especulando – de...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Dr. Advogado faz uma ponderação, no que tem alguma razão, embora seja de praxe nas nossas CPIs que isso não se coloque. Em geral, o depoente tem de prestar depoimento sobre fatos e não dar opiniões pessoais. Pediria que V. Exª tentasse concentrar...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Sobre fatos concretos. Gosto quando o advogado começa a se meter porque é sinal de que o depoente está se complicando. Sobre fatos concretos, quero dizer, quero perguntar, quero indagar...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – É um desrespeito ao advogado aqui presente e à Ordem dos Advogados.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Bittar, vamos tentar nos concentrar na argüição. As prerrogativas do advogado estão garantidas.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Peço perdão ao advogado.

Quero, então, indagar ao senhor sobre fatos. O fato concreto é o seguinte: o sujeito, indicado pela Secom para ocupar um lugar na Comissão Especial de Licitações dos Correios era casado com uma senhora que trabalhava para o Sr. Marcos Valério na Multiaction. Quero saber se o senhor considera isso, sob o ponto de vista ético, algo aceitável.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, já encaminhei ao relator, há informação...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A resposta é simples.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Se o senhor me permitir, o senhor está se baseando na construção de episódios que não são reais. O Sr. Marcos Antônio, na época, não era casado e a Srª Telma não trabalhava na Multiaction. Ela começou a trabalhar na Multiaction em julho de 2004.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mais grave ainda.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, aí é um juízo que eu não tenho condições de fazê-lo, do ponto de vista ético.

Mas esse fato que o senhor está me perguntando ele não decidiu sobre a licitação e ela não trabalhava na empresa, não tem como manifestar sobre esse assunto.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor também não sabia?

O senhor sabia, só para título de informação, como eram os procedimentos para escolha da Multiaction por parte das empresas do Sr. Marcos Valério?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não entendi a pergunta, por favor.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A Multiaction é uma empresa do Marcos Valério que, em diversos momentos, prestou os serviços nos contratos que o Marcos Valério tinha com o governo, serviço de eventos. Como é que funciona, por exemplo, uma empresa como a SMP&B que tem um contrato com o Banco do Brasil e ela tem que fazer um determinado evento para o Banco do Brasil e, portanto, terceiriza aquele serviço, que é algo normal? Como é que ela tem que fazer?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Faz uma cotação de preços e contrata quem apresenta o menor preço.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Cotação de preços, perfeito.

O senhor sabe que a Multiaction foi contratada várias vezes.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu tenho essa informação, mas tenho em detalhes, porque não acompanho essa...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor sabia também que essa empresa Multiaction foi contratada várias vezes através de procedimentos fraudulentos, porque os orçamentos na tomada de preços, as três propostas que tinham que ser encaminhadas eram encaminhadas todas por funcionários do Sr. Marcos Valério. Isso, obviamente, o senhor também não sabia.

O senhor tem notícia de um relatório do Tribunal de Contas da União, e aí eu entro especificamente nas atividades da Secom, de agora - outubro, de uma semana atrás, dez dias atrás - que apresenta uma quantidade enorme de serviços, de irregularidades na Secom. Contratação direta, contratos da Secom com Duda Mendonça, ex-publicitário do Presidente, na campanha e depois no Governo. Recentemente, após informações de ter recebido por parte do partido do Presidente no exterior parece que o contrato foi cancelado, suspenso. O senhor tem notícia desse relatório do Tribunal de Contas da União, apontando uma série de irregularidades em serviços contratados pela Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Tenho pela imprensa, não recebi o relatório e não tenho conhecimento do inteiro teor dele.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito, como não é um relatório sigiloso, Sr. Relator, acho que nós poderíamos...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Exª pode fazer menção.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E também depois até encaminhar. Quer dizer, para o senhor ter uma idéia, o relatório do TCU aponta que uma série de ações diretas da Secom, balanço de 24 meses do governo, balanço dos seis meses do governo, balanço dos oito meses do governo, balanço de dois meses do governo, livretos de inclusão social, enfim, só acho que não está aqui aquele das palavras politicamente corretas.

Mas, só para o senhor ter uma idéia, um pouco das irregularidades encontradas: serviços não executados, sobrepreço, não comprovação de serviço não executado. Basicamente, sempre sobrepreço e serviços não executados.

Para o senhor ter uma idéia das irregularidades - e eu estou aqui dando essas informações para o senhor me informar um pouco dos serviços - no caso de 24 meses de governo, um prejuízo de R$2,8 milhões para os cofres públicos. Em 18 meses, o prejuízo de R$628 mil aos cofres públicos. De 12 meses, um prejuízo de R$288 mil. No de 24 meses, um prejuízo de R$3 milhões com uma gráfica, R$675 com outra, R$675 com outra.

O senhor tem - enfim, somar aqui deve dar, apurado pelo Tribunal de Contas, algo como quase R$10 milhões em publicações que esse governo teria feito, que a Secom teria feito e que não teria de fato ou sobrepreço ou serviços não executados – alguma informação a nos prestar a respeito desses serviços, como é que era feito o acompanhamento na Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, primeiro em relação à afirmação do senhor sobre a contratação fraudulenta nos Correios não é atribuição da Secom fazer esse tipo de controle. Essa é uma atribuição exclusiva do Correio, porque a Secom não tem função...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Só fiz o registro só para que o senhor soubesse. Não tenho dúvida de que o senhor disse que não devia saber.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Só para registrar também, para não ficar...

Em segundo lugar, com respeito a esse relatório, que volto a afirmar que eu não tive acesso ao relatório, as informações que tenho sobre ele são as publicadas pela imprensa e alguma informação que pessoas da Secom me deram ao saírem as notícias. Pelo que sei, é um relatório preliminar que não foi apresentado ao contraditório da Secom para as explicações. O Tribunal de Contas evidentemente é um dos órgãos mais sérios do País e faz auditorias extremamente importantes e pertinentes. E também tem a oportunidade de que os indícios de supostas irregularidades sejam esclarecidos e informados.

Como não tenho detalhes, posso falar genericamente sobre o problema de sobrepreço e, eventualmente, de serviço não executado.

No caso do serviço gráfico que o senhor está informando, da produção de revistas, a composição de preço do serviço gráfico é uma composição extremamente variada; ela é, em geral, afetada por diversos fatores. Pela sazonalidade, em determinados períodos, o preço do papel no mercado internacional; a disponibilidade de papel no mercado; a quantidade de serviço que as gráficas estão envolvidas na execução; aspectos, como o problema de transporte, de guarda, de embalagem, de estocagem, ou seja, são aspectos que fazem, geram influências extremamente grandes, variações muito grandes no preço de papel. Esse é um dado importante. Não sei em detalhes...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor que conhece bem a área, quais seriam essas variações? Elas podem chegar ao dobro do preço?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – São várias.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Podem chegar ao dobro do preço?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Ou mais. Depende, primeiro, dessas circunstâncias e depende de circunstâncias do tipo de serviço que você encomenda.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Só uma pergunta objetiva, que é um caso aqui: uma mesma gráfica, se eu encomendar seiscentas mil revistas nela, e, dois meses depois, contrato de novo seiscentas mil revistas nela, é normal que o preço seja o dobro?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – É isso que estou tentando explicar. Depende se a nova contratação implicou que ela tivesse que comprar mais papel pelo preço que estava disponível naquele momento; depende de o papel exigido ser um papel importado; depende se a gráfica teve que paralisar algum serviço para entregar num prazo que o contratante definiu; depende se ele fez alterações de uma série de fatores subjetivos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Depende de muitos critérios subjetivos.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Como eu não tive acesso ao relatório em detalhe, não sei onde foi cotado o preço pelo Tribunal; não sei se todas as especificações técnicas que continham nas publicações da Secom foram também avaliadas; não sei em que gráficas foram. Porque há gráficas que, por exemplo, hoje, para assegurar a execução de um serviço de maior qualidade, estão buscando certificação ISO, o que implica em aumento de custo para poderem garantir os seus controles internos. Não sei se são gráficas que estão todas em dia com a questão da fiscalização.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Posso lhe dar aqui Criativa Gráfica Editora. O senhor conhece?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Conheço.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor conhece a Pancrom Indústria Gráfica?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Conheço.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Web Gráfica e Editora?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Conheço. Mas essas são as gráficas que a Secom contratou. Estou me referindo a gráficas que não...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não, estou falando de caso específico.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Pois é, mas estou me referindo a gráficas, porque, pelo que o senhor informou, o Tribunal fez comparações de preço.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não. O Tribunal é muito objetivo aqui no relatório. E, Sr. Presidente, como obviamente o depoente fica numa situação mais difícil aqui, como ele não tem acesso ao relatório, vamos ficar aqui especulando demais. Acho que esse relatório é de uma gravidade imensa. Porque o relatório do Tribunal é muito objetivo porque aponta, por exemplo, a contratação de seiscentos mil exemplares de uma determinada revista e a entrega de trezentos mil exemplares, comprovando com notas fiscais, notas de entrega, com diligências realizadas pelo Tribunal.

Obviamente, como disse o depoente, isso não foi ainda apurado. Lembro-me que é da agência do Sr. Duda Mendonça, que prestava serviços para o partido do Governo e ao mesmo tempo atendia ao Governo e ao mesmo tempo recebia recursos no exterior do partido do Governo. Portanto, é uma agência já absolutamente suspeita, dadas todas essas informações que trago aqui.

Portanto, é importante, Sr. Presidente, que possamos, com a maior brevidade possível, porque se de fato se confirmar isso, e obviamente, como disse o depoente, a Secom ainda vai fazer a sua contestação e as suas explicações, que podem satisfazer o Tribunal de Contas e até esta Comissão Parlamentar de Inquérito. Se isso não acontecer, Sr. Presidente e Sr. Relator, vamos ter de caminhar para uma investigação nessas gráficas, para tentar entender de que forma essas gráficas compensavam esses valores recebidos, em função das irregularidades encontradas.

Sr. Presidente, farei um breve comentário aqui antes de concluir. Todos nós temos feito um esforço incrível, e peço perdão ao próprio depoente se em alguns momentos acabamos nos exacerbando aqui ou descumprindo determinados critérios de convivência do Parlamento, na relação entre o depoente e nós que estamos interrogando – não somos interrogadores profissionais. No entanto, é inacreditável que tanta coisa se passasse... – e várias dessas coisas estão apuradas pela Comissão Parlamentar de Inquérito, Sr. Marcus Di Flora. O Ministro Gushiken  esteve aqui, seu chefe à época, e mostrou-se muito indignado com certas ilações que seriam feitas. E eu até tenho respeito pelo Ministro Gushiken no caso dos fundos de pensão, porque acho que ele estava até do lado do bem na luta contra o grupo do Ministro José Dirceu, que queria outra coisa nos fundos de pensão. Mas eu disse para ele: “nós não estamos aqui fazendo ilações, nós estamos aqui fazendo afirmações”.

Portanto, trata-se de uma situação em que – para o senhor entender – uma agência de publicidade é a centralizadora e fornecedora desse grande e enorme esquema de corrupção montado durante o Governo, fora de período eleitoral – quero lembrar –, o que não minimiza a história do caixa dois, não minimiza as punições de devam ser feitas a quem praticou o caixa dois; esse “caixinha do faz-tudo” montado pelo Sr. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, amigo do Presidente, tem como contraponto e como figura central de abastecimento uma agência de publicidade que tinha relações próximas com várias figuras do Governo. E V. Sª é uma figura que tinha uma relação anterior muito próxima ao Sr. Delúbio Soares. V. Sª é uma figura que tem contatos constantes com o Sr. Marcos Valério durante o exercício – já concluo, Sr. Relator – das suas funções e V. Sª era o segundo homem da Secom.

Desse modo, não há aqui um conjunto de suspeitas que não se baseiam ou não se fundamentam em nada. A indignação deve sempre surgir quando se passa do ponto do respeito, ou dessa ou daquela circunstância, e todos nós aqui fazemos o máximo de esforço para isso.

Quero que V. Sª tenha bastante clareza, considerando as relações que apontei: sua proximidade com Delúbio Soares, essa figura que acha que isso aqui tudo é piada de salão; sua proximidade com o Sr. Marcos Valério, depois de ter conhecido seus diversos contatos, apesar de ser um sujeito que não tratava nada da atividade-fim das suas agências; e o cargo que V. Sª ocupava. Isso o coloca como uma das figuras sob profunda investigação nesta Comissão Parlamentar de Inquérito.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, eu, eu, eu estou aqui como depoente. O senhor está me acusando de ser...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Marcus, Sr. Marcus, Sr. Marcus Di Flora, Sr. Marcus..

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sr. Marcus, um pouquinho só...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Estou aqui como testemunha. Não posso aceitar essa afirmação de V. Exª

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Marcus eu só estou fazendo conclusão... Eu só estou aqui... O senhor tem todo o direito...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Eduardo Paes.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor tem todo o direito de discordar. Estou apenas lhe informando aquilo que nós estamos investigando, para ouvir a opinião...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Deputado, eu fui a única...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Marcus Di Flora, eu peço a V. Sª que me permita concluir.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Conclua. Conclua, por favor, Deputado Eduardo Paes. Conclua e depois o Sr. Marcus Di Flora falará.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu não estou nem fazendo indagação a ele. Se ele quiser opinar sobre o que ele acha... Estou aqui dizendo o que eu acho, o que eu penso e que linha de investigação nós estamos seguindo a partir dos indícios levantados aqui.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por favor, conclua Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Portanto, a partir dessas informações... É só para que o senhor entenda por que tantas perguntas, por que tantas informações, pois não é um quadro simples. Há aí um esquema de corrupção montado no Governo, e o senhor, com uma função importante, se relacionava com todas essas figuras.

Tomara que eu esteja e que essas suspeitas não se confirmem! Tomara que as explicações em relação a esses serviços prestados sejam eficientes por parte da Secom. Tomara que nenhuma dessas irregularidades apontadas nessas relações sejam verídicas.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Eduardo Paes, por favor, a conclusão.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu estou só lhe informando que tipo de investigação nós estamos encaminhando em relação ao senhor e que tipo de suspeita existe. E que fique claro de que isso aqui não é uma afirmação de que o senhor tenha feito isto ou aquilo. Estou aqui dizendo das coincidências que fazem com que o senhor seja, infelizmente, – não gostaria, até porque não o conheço e não tenho nenhum tipo de problema com o senhor – uma das pessoas sob investigação nesta Comissão Parlamentar de Inquérito.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Concluindo, Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu só quero pedir, para concluir, Sr. Presidente,...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Se V. Exª desejar se reinscrever, não há problema algum.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas só pedir ao Deputado Jorge Bittar...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Eduardo Paes, V. Exª, por favor, se reinscreva.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas, só para concluir – e eu vou me inscrever mas é só para levantar, agora, uma questão de ordem.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Já está reinscrito. É que o tempo de V. Exª já estourou em mais de 10 minutos, nobre Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Gostaria de fazer um pedido ao Deputado Jorge Bittar – nós sempre temos uma relação cordial, e nós, aqui, estamos sempre num processo de investigação. Todos temos feito o maior esforço de não ultrapassar esses limites. Acho que o alerta é sempre importante, mas que isso seja feito com mais equilíbrio. Eu entendo as tensões, os problemas existentes, entendo tudo o que se passa, mas é importante e eu não tenho o hábito – e o Deputado Jorge Bittar sabe disso – de interromper pronunciamentos ou indagações dos demais parlamentares. Portanto, eu peço que, quando eu estiver falando, que a relação permaneça aí. Se o Relator tiver de me interromper, S. Exª vai me interromper e não será o Deputado Jorge Bittar.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agradeço a conclusão.

Concedo a palavra, pela ordem, ao Senador Heráclito Fortes.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Sr. Presidente, eu quero apenas um esclarecimento do Professor Flora, que me deixou intrigado. Desde quando e como a participação ou a adesão de uma empresa ISO aumenta custos?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Adesão de quê, Senador?

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) - Das empresas ao Programa do ISO. V. Sª, em determinado momento, citou que, entre as variantes para o aumento de custo, poderia estar a questão da adesão ao Programa ISSO. Entendo, muito pelo contrário, que o ISO é eficiência. E, para ser bem claro, qualquer empresa que entre numa concorrência de Governo, parte-se do pressuposto de que ela, de imediato, cumpre todos os pré-requisitos do ISO.

Então, fiquei muito curioso e gostaria que V. Sª explicasse qual a ligação entre a adesão ou o ingresso de determinada empresa no ISO e o custo do material que entrega.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por gentileza, pode responder, fazendo, inclusive, as considerações que julgar oportunas.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Primeiro, Senador, eu vou responder ao senhor porque é mais simples. Eu não disse que é a adesão ao ISO, a obtenção, mas o trabalho de preparação e de investimento na empresa, para que ela tenha condições de ser certificada, pode alterar custos até ela obter a produtividade e os benefícios que a rotina do ISO gera. Esse é um processo que, no meio de produção gráfica, está começando a se desenvolver. Portanto, é um diferencial de custos porque implica investimentos de processos maior em uma gráfica do que na outra, até a obtenção dos certificados.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Mas V. Sª há de convir que, para participar de uma concorrência, a empresa já tem de ter cumprido todos os itens do ISO, menos custo, eficiência e segurança. A segurança e a eficiência não atraem custos maiores. Pelo contrário, a eficiência barateia o custo e, também, a segurança. É um menor número de acidentados, é o melhor aproveitamento do material.

Eu fiquei preocupado, porque um funcionário graduado do Governo fazer uma afirmação como essa – nós estamos sendo ouvidos pelo Brasil inteiro – pode gerar uma má interpretação. A questão do ISO não é bem esta. Pelo contrário, o ISO barateia custos e aumenta a lucratividade da empresa que recebe essa adesão e passa a participar.

Desse modo, gostaria apenas que V. Sª, que está aí acompanhado do seu advogado, visse isso, porque o Comitê do ISO pode, inclusive, não gostar da afirmativa feita por V. Sª.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Senador, eu também posso ter me expressado mal. Eu não afirmei que o ISO encarece. Eu disse que a preparação das gráficas para serem habilitadas ao ISO gera, em determinados momentos, aumento de custo – pela contratação de consultoria, pela contratação de pessoal qualificado, pela mudança de processo, de tal maneira que, quando ela obtiver, possa ter os benefícios, sim – V. Exª tem toda a razão –, que o ISO gera na produtividade das empresas.

Segundo, no caso das gráficas, elas não fazem concorrência. É só uma consulta de preços, porque elas são subcontratadas. Elas, então, não têm essa necessidade de já estarem certificadas para prestarem o serviço.

Em relação às considerações do Deputado Eduardo Paes – eu queria... eu já tive oportunidade de fazer essa referência: eu tinha uma relação com o Sr. Delúbio Soares, que era uma relação de partido político. Não tenho com ele nenhuma relação de amizade, de freqüentar a casa dele, de ele freqüentar a minha, esse tipo de coisa. Minha relação com ele era uma relação de: ele, membro da Executiva Nacional do PT, eu, membro do diretório nacional; da mesma maneira, as minhas relações com o Sr. Marcos Valério se deram no âmbito das minhas responsabilidades como membro do Governo, atuando na área de comunicação e fazendo relacionamento público com os setores do mercado publicitário, onde se incluíam as agências DNA e SMP&B e os seus profissionais e diretores. E, em relação ao relatório citado pelo Deputado, a Secom, até onde consta – a informação que eu tenho e que ela divulgou – está reunindo a documentação para demonstrar que todo o serviço foi executado. Quanto ao serviço que o Tribunal de Contas, ao auditar a Secom, não encontrou a totalidade da comprovação de entrega, isso foi informado pela Secom: que a comprovação por parte da Secom, das agências e da gráfica vai ser apresentada ao Tribunal de Contas no momento oportuno em que o Tribunal instar – se já não o fez – a secretaria a dar os esclarecimentos necessários a essa questão. Tenho certeza absoluta de que todo o serviço executado pela Secom foi feito dentro das normas e das regras do serviço público. A equipe da Secom é muito correta, muita honesta, competente profissionalmente. Os mecanismos de recebimento que a Secom tem em relação à produção gráfica são os mecanismos aceitos e reconhecidos na administração pública, e tenho certeza de que isso vai ser devidamente esclarecido, sendo posteriormente arquivado esse relatório preliminar.

Eu gostaria de insistir que o Tribunal de Contas fez na Secom uma auditoria extremamente importante em torno de praticamente todas as ações de comunicação que a Secom realizou e, depois de dois meses de trabalho, é esse o único relatório, ao que tudo indica, com indicações mais graves de possíveis irregularidades. Eu acho que o Tribunal cumpriu a sua função, e a Secom vai cumprir a dela, demonstrando que todo o material foi entregue, que os preços praticados eram os preços aceitáveis dentro do mercado naquele momento.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Srs. Deputados, apenas uma consulta...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Não, só pra saber, porque se não for ninguém, eu acho que esse assunto poderíamos esgotar porque eu tenho uma pergunta específica sobre ele.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu vou fazer uma consulta aos Srs. Deputados. Há uma ordem de inscrição. Vamos seguir.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Não, estou perguntando se o Deputado Jorge está inscrito.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não esqueça os Senadores, não. Eu estou aqui só para prestigiá-lo. Não esqueça o Senado da República, que acolhe tão bem V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É verdade. A presença de V. Exª se coloca acima de todos os que estão no plano terreno das coisas.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Qual o partido a que V. Exª é filiado?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Partido dos Trabalhadores, Senador Heráclito.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Tem certeza?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Absoluta.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não foi expulso ainda?!

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – (Risos.) Até o momento, não.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Tem alguma coisa errada. Tem alguma coisa errada.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Srs. Deputados, Srs. Senadores, uma questão preliminar. Esta Presidência verifica que nós temos, regularmente inscritos para a primeira manifestação, três senhores parlamentares e três parlamentares inscritos para a reinscrição, sem prejuízo de outros parlamentares que com certeza aqui chegarão e pedirão sua inscrição.

É nossa intenção suspender por 15 minutos, não só para que o depoente possa fazer um breve lanche, como os senhores parlamentares e os senhores jornalistas, que já vejo pálidos, inclusive, em decorrência do horário.

A minha questão e indagação é: se V. Exªs gostariam que nós suspendêssemos agora, para uma pausa de 15 minutos ou se alguém, eventualmente, tiver algum problema e for falar pela primeira vez...

 O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Eu faria um apelo...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Eu gostaria muito, sinceramente, de poder fazer uso da palavra. Surgiu uma controvérsia aqui, eu ouvi com atenção as ponderações dos Deputados que me antecederam, particularmente do Deputado Eduardo Paes, e eu gostaria de poder me pronunciar sobre essas questões, no tempo que me é reservado, e fazer uma série de considerações.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito, Deputado Bittar. Vamos fazer o seguinte: vamos ouvir o Deputado Bittar, o Senador Heráclito Fortes e suspenderemos por quinze minutos.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Quero fazer um apelo ao Deputado Bittar, pois já vi que S. Exª foi escalado para ficar aqui, e daqui não vai se afastar – está cumprindo a sua missão partidária –, que me permitisse, se eu pudesse falar logo, porque tenho de ver a acareação.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Senador, prometo ser breve. Se V. Exª me permitir, pois estou um tanto quanto ansioso para fazer uso da palavra.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não, tudo bem.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Até não teria nenhuma discordância que o Senador Heráclito Fortes pudesse fazer uso da palavra logo em seguida, se assim for decidido entre as demais pessoas.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não vou contrariar a ansiedade de V.Exª.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Como fui protagonista de um debate, de uma controvérsia aqui, gostaria de me pronunciar.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não, claro.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então vamos fazer o seguinte: falam o Deputado Bittar e o Senador Heráclito Fortes, e suspendemos, a seguir, por 15 minutos. Retornamos com novos inscritos pela primeira vez ou com as reinscrições.

O SR. (Orador não identificado) – Eu também estou pálido. Não sei se V. Exª já percebeu.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim, já percebi e, verificando o olhar já um pouco amarelado de V.Exª, é que a decisão da Presidência se colocou dessa forma.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Sr. Presidente, agradeço a V. Exª o critério e vou sair ganhando, porque já vou falar após o Deputado Jorge Bittar, que estará com a ansiedade completamente controlada e vai me deixar fluir livremente.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Está bom, Senador. Sei que estou sendo marcado...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Muito bem, Senador. Então, fica decidido que, após a fala do Senador Heráclito Fortes, suspenderemos por 15 minutos, retornando a seguir.

Com a palavra o Deputado Jorge Bittar por 15 minutos.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, senhor depoente, senhor advogado, em primeiro lugar, tenho a clara noção de que tenho uma série de defeitos, como ser humano que sou. No entanto, não tenho o defeito de não ser cordial na relação com as pessoas e tenho procurado agir dessa forma, o que não me impede, em determinados momentos, de reagir com uma certa energia diante de situações que considero incorretas, que não estão sendo bem encaminhadas. Isso não implica dizer que não tenho profundo respeito pelos meus pares.

Quando intervim naquele momento do debate, Sr. Presidente, dirigindo-me, inclusive, a V. Exª, não foi, evidentemente, no intuito de negar o direito à palavra ou de censurar quaisquer de nossos companheiros; nem está nas minhas prerrogativas legais a possibilidade de fazê-lo, verdadeiramente, cerceando o direito de opinião, que é um direito sagrado de qualquer parlamentar.

No entanto, manifestei-me em função de um contexto. Estamos numa Comissão Parlamentar de Inquérito. Esta Comissão não é estritamente política. Ela é uma comissão que conduz os seus trabalhos – aprendi, inclusive, com V. Exª e com outros parlamentares – num prisma de natureza jurídico-politíca; ou seja, nós nos fundamentamos no Código de Processo; nós nos orientamos por todas as regras que orientam todos os processos de investigação neste País. Delas não podemos fugir.

Em muitos momentos do nosso trabalho, sobretudo nos mais agudos, nos primeiros meses, vi situações aqui que me deixaram muito indignado, verdadeiramente, com interpelações – não necessariamente pelo conteúdo, mas pela forma – a nossos depoentes, que geram constrangimentos a pessoas. Por mais discordâncias que tenhamos, por mais suspeições que possamos ter sobre quaisquer dos depoentes, é preciso que haja método, que haja uma relação respeitosa, humanista, com esses depoentes. É justamente isso.

Houve um momento aqui, hoje, em que pude perceber que três parlamentares, simultaneamente, interpelavam o depoente. Ora, isso não é razoável. Não é razoável, porque isso gera uma pressão psicológica inadequada para a condução de um bom trabalho investigativo, o que não impede que cada parlamentar, no seu devido tempo, no seu devido momento, possa fazer as apreciações de natureza jurídica e de natureza política também, verdadeiramente.

Foi em função disso. Se, talvez, não tenha me feito entender naquele momento sobre quais eram as minhas intenções e por que razão intervim de maneira enérgica, foram essas as razões, e elas continuam de pé.

A minha preocupação continua a mesma, e estarei presente não só no depoimento do nosso companheiro Marcus Flora, mas de qualquer outro, sempre procurando orientar os trabalhos, no sentido de que eles sejam conduzidos dessa forma.

Estive aqui, por exemplo, na interpelação do Sr. Cláudio Mourão, que tinha um caráter jurídico-político também. Claro que eu e outros Parlamentares poderíamos ter...

Diante da situação que envolve o Sr. Cláudio Mourão e das suas relações com o Sr. Nilton Monteiro e com o Sr. Marcos Valério, está absolutamente comprovado que esse estilo de gerar recursos para campanhas eleitorais, para partidos, etc. nasceu lá em Minas Gerais. O Deputado Eduardo Paes fez menção ao Governo do Presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores, e a vários dos dirigentes do PT, e eu faço menção ao Governo do PSDB, que, sim, praticou.

O Senador Eduardo Azeredo disse que nada tinha a ver aqui, e as notícias desse final de semana contradizem isso e mostram que ele, efetivamente, tinha uma relação direta com seus interlocutores. Ele é o Presidente do PSDB e tem uma responsabilidade política e jurídica nisso. Dizem que lá foi caixa dois de campanha e que, aqui agora, é um megaesquema de corrupção. Repito que isso nunca foi comprovado. Há, sim, irregularidades e até eventualmente ilicitudes que estamos apurando com a maior boa-vontade e colaborando. Aprovamos grande quantidade de quebra de sigilos nesta CPMI; duvido que qualquer outra CPI tenha agido dessa forma, com tanto despojamento, permitindo que nossos dirigentes partidários, nossos companheiros e os integrantes de Governo estejam aqui procurando prestar esclarecimentos, sem sombra de dúvida. Agora, dizer que isso é um megaesquema de corrupção – repito – até agora não comprovado!

Falou-se de fundo de pensão e não se comprovou até agora nada. Falou-se de recursos provenientes do exterior. Houve, sim, o pagamento ao Sr. Duda Mendonça no exterior, que sempre agiu dessa forma, como também fica claro nas relações dele com o Sr. Paulo Maluf e com tantos outros. Falou-se dos contratos de publicidade.

O Ministro Gushiken esteve aqui presente e, com muita precisão e com muita firmeza, pôde esclarecer a todos sobre as práticas realizadas, o que não que dizer que, na administração de um contrato de publicidade neste ou naquele órgão público, não possa ter ocorrido problemas.

Vamos apurar a natureza desses problemas e punir os responsáveis porque, afinal de contas, esse é um problema da República brasileira, é um problema do Estado, é um problema crônico do Estado brasileiro. Ou vamos ignorar isso? Ou vamos achar que, no Governo Fernando Cardoso, não houve problema? Que não houve o escândalo do Sr. Ricardo Sérgio de Oliveira nas privatizações escandalosas do setor de telecomunicações? Vamos ignorar...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Imagine se tivesse...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – O senhor vai permitir que eu faça o uso da palavra ou o senhor vai me censurar?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Prossiga Deputado Bittar. O Deputado Eduardo Paes o ouvirá atentamente.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Ou vamos ignorar que, no episódio da compra de votos para a reeleição do Presidente Fernando Henrique Cardoso, não houve problema, que aquilo não foi corrupção? Ou vamos achar que houve, sim, problemas aqui, mas que, no Governo passado, não houve tantos outros, que eu poderia aqui desfiar inclusive, com relações incestuosas, relações problemáticas de nepotismo e práticas desse tipo?

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Incestuosas?

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – No sentido figurado da palavra, o senhor sabe disso; o senhor é inteligente e entendeu. O senhor é inteligente o suficiente para entender.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não sou não. Coitado de mim.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Eu, sinceramente, estou superestimando a sua capacidade. O senhor me perdoe.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Certamente, está.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sr. Presidente, em primeiro lugar, esse relatório merece ser investigado, mas é bom que se ressalte – eu gostaria, por dever de lealdade e de precisão, que todos informassem que usam o relatório – que está aqui na primeira página “relatório preliminar”, não submetido ainda ao Plenário do Tribunal de Contas da União. Antes de chegar ao Tribunal, será submetido ao contraditório. É evidente que aqueles envolvidos poderão contra-argumentar, e isso não quer dizer que os técnicos do Tribunal de Contas da União, que merecem toda nossa consideração, por sua seriedade e competência, não possam eventualmente cometer imprecisões. Todos nós cometemos. Sou engenheiro de formação e, mesmo na área técnica, cometem-se imprecisões. Então, vamos apurar e, se houver responsabilidades, vamos trabalhá-las, mas não vamos generalizar, porque não é esse o nosso papel, e isso não é bom para a construção das relações políticas saudáveis neste País.

Sr. Marcus Flora, eu ouvi aqui que o senhor foi, muitas vezes, interpelado sobre temas correlatos de forma contraditória. Ora se acusa a Secom de ter centralizado excessivamente as políticas de Governo, ora se acusa a Secom de ter sido omissa no acompanhamento de contratos de publicidade em certos órgãos públicos.

Eu gostaria que o senhor pudesse, em poucas palavras, precisar o que tem sido, neste Governo, atribuição da Secom e o que não é atribuição da Secom. Eu entendi que a Secom procura coordenar políticas públicas de comunicação no Governo. Correto. É natural que qualquer Governo queira coordenar suas políticas públicas, e as de comunicação estão entre as políticas importantes na sociedade de massa, na sociedade da mídia, etc. Mas, ao mesmo tempo, até por razões legais, razões constitucionais, cada órgão exerce o seu papel na administração de seus contratos. Gostaria que o senhor se expressasse, de maneira precisa, sobre este tema, para que pudéssemos resolver essa aparente contradição que existe a partir das questões suscitadas sobre este tema para o senhor.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Pois não, Deputado. Eu lhe agradeço a oportunidade.

A Secom tem as suas atribuições na área de comunicação do Governo Federal definidas em lei e regulamentadas por decretos, instruções normativas e portarias, a grande maioria delas aprovadas e executadas antes do atual Governo. Toda a função de fiscalização – desculpe, não tem a função de fiscalização – de supervisão, de coordenação e de controle que a Secom executa já estava estabelecida anteriormente ao ano de 2003. São funções de natureza técnico-publicitária. Mesmo quando a Secom interfere do ponto de vista de investimentos, não é a partir de decisões que interfiram no orçamento ou na decisão da política geral de investimento de um órgão ou não. É na adequação, em buscar que haja conformidade do investimento específico daquele órgão com a política geral que o Governo realiza. Ela o faz na área de publicidade e o faz na área de patrocínio. Busca, em primeiro lugar, garantir uma unidade na informação que vai ser transmitida ao cidadão.

Uma característica muito marcante em diversos governos é o fato de órgãos diferentes do mesmo governo fazerem discursos diferentes, às vezes contraditórios. E aí, ao invés de ajudar na informação e na prestação de contas junto ao cidadão, há uma desinformação e uma confusão criada em relação a atribuições e obrigações do próprio Governo.

Então, a Secom tem uma função de buscar zelar pela unidade da comunicação do Governo, reconhecendo as especificidades de cada órgão. Segundo, de buscar assegurar que haja um relacionamento dos diversos órgãos com o mercado de comunicação, especialmente com os veículos, que esteja baseado na rentabilização do investimento público. Ou seja, buscar praticar os melhores preços, buscar praticar os melhores investimentos e os melhores retornos do ponto de vista do retorno de comunicação.

Então, um desses aspectos importantíssimos que nós introduzimos nesses dois anos e meio foi o processo de negociação conjunta que o governo realiza com os veículos de comunicação. Anteriormente, cada órgão fazia a sua negociação em separado, não obtinha rentabilidade significativa para os investimentos. Havia órgãos que investiam valores semelhantes no mesmo veículo e tinham descontos com diferença de 30, 40%. Hoje, nós conseguimos unificar, dos grandes investimentos do Governo, referências de desconto que permitiram ao Governo rentabilizar na ordem de R$200 milhões, R$250 milhões o investimento publicitário daquela época.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Ou seja, tira-se partido da escala...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Exatamente.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – ... de que se utilizam os veículos de comunicação para a redução dos preços.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Exato.

O Governo Federal é, depois das Casas Bahia, o maior anunciante no mercado publicitário. Ele nunca se valeu dessa condição para poder valorizar o seu próprio investimento, exatamente pela fragmentação negocial que era desenvolvida. Com essa alteração, conseguimos obter, nessa rentabilização... Usamos, vamos dizer assim... O dinheiro do Governo passou a ser mais bem gasto e melhor investido na área de publicidade e de comunicação.

Em segundo lugar, procuramos assegurar que haja transparência em termos das diversas ações do Governo. Vou citar dois exemplos sobre essa questão de transparência. Primeiro: foi a primeira vez que o Governo tornou público o seu total de investimentos publicitários; qualquer um pode acessar o portal da Secom e ver o total de investimentos do Governo Federal, inclusive por veículo no caso da administração direta em especial.

Segundo: mediante a ampliação do Comitê de Patrocínios. Antigamente, as empresas patrocinavam sem que houvesse uma transparência nessas informações e, hoje, isso é bem mais eficaz via participação de todas as empresas que fazem patrocínio no Comitê de Patrocínio.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Está ótimo. Quer dizer: coordenação de política por parte da Secom e execução, administração, responsabilidade orçamentária, financeira, etc. por conta do órgão executante. Mesmo na administração direta?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Mesmo na administração direta.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Quanto a essa questão do patrimônio líquido das empresas. Em primeiro lugar: é certo que a Associação Brasileira de Agências de Publicidade vem defendendo essa redução há bastante tempo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sim. Nós temos – posso encaminhá-las à CPMI – correspondências da Abap, a Associação Brasileira das Agências de Publicidade, desde 2001, solicitando ao Governo em seu conjunto ou especificamente aos comandos das empresas em que ocorria a licitação a redução dos valores de patrimônio líquido.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – No entendimento de que mais importante que o patrimônio líquido... A abertura do patrimônio permite uma maior participação...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sim. O patrimônio líquido...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – ... nos processos licitatórios?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Tanto a redução do patrimônio líquido quanto a circunstância de que a exigência primeira é a solvência e a liquidez...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Quer dizer, esses indicadores são considerados mais importantes...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Mais importantes do que o patrimônio.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Porque dão a idéia da capacidade da agência.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O patrimônio líquido é uma segunda alternativa que a agência tem.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Um organismo que trabalha com atividade intelectual: não necessariamente um investimento fixo feito, o patrimônio líquido...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – É mais importante...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – ... é mais importante do que sua efetiva capacidade de liquidez, a sua capacidade de solvência para honrar contratos.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Com certeza.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Essa é a compreensão?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Isso já havia sido praticado. Na verdade, não houve nenhuma modificação. O que foi sugerido foi que os Correios se adequassem ao que vinha sendo praticado inclusive no Governo anterior.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Houve a proposta de redução do patrimônio líquido e, a partir daí, fez-se uma série de afirmações sem provar, objetivamente, que possa ter havido uma má intenção, má-fé, manipulação do processo licitatório. Não há nenhuma indicação a partir dessa redução do patrimônio líquido.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Inclusive, Deputado, se V. Exª me permitir dizer, não houve, após o resultado, nenhuma contestação em relação ao resultado da licitação.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Outro ponto. A partir das considerações que o senhor fez acerca do papel institucional da Secom e do papel dos demais órgãos na formulação e execução de políticas públicas de comunicação, aditivos a contratos, prorrogação – aditivos normalmente servem para prorrogar ou para mudar aspectos de valor dos contratos –, são da responsabilidade estrita de cada órgão executante. Nessa questão...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – No caso de um aditivo de valor, a Secom sequer é comunicada. No caso de um aditivo de tempo, ela é comunicada porque é uma opção que o órgão faz: ou ele prorroga ou ele licita. Então, ele precisa informar à Secom sobre a opção que fez.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Então, se é verdadeira a informação trazida aqui pelo Deputado Onyx Lorenzoni de que o então presidente dos Correios se declarou surpreendido pelo fato de que teria havido uma adição ao contrato dos Correios, esse não é um problema da Secom. É um problema dele, porque, se ele subscreveu esse aditivo, e esse tema era de sua estrita responsabilidade como presidente dos Correios, esse é um problema que ele tem que resolver. Não é isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Nesse caso, a Secom só foi informada posteriormente, não teve qualquer interferência no assunto.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Foi esse o entendimento que tive dessa questão.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vamos suspender a reunião por três minutos para uma parada técnica.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Demanda pessoal.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Exatamente.

Voltaremos com V. Exª, Senador Heráclito Fortes, e depois suspenderemos para um lanche por quinze minutos.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Está reaberta a reunião.

Concedo a palavra ao Senador Heráclito Fortes.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Prof. Marcus Vinícius di Flora, Dr. José Roberto Leal de Carvalho, é importante esse gênero de oitiva que a CPMI vem fazendo quando o tempo permite. Considero-o proveitoso. Creio que esta CPMI tem de acatar a proposta de acareação feita pelo Deputado Onyx, porque na acareação é possível restabelecer conceitos. De repente um ex-servidor do Governo que com ele rompe vem aqui e faz algumas declarações. O Brasil e nós, de maneira muito especial, não temos condições de avaliar a intenção com que são feitas aquelas acusações. Acareações dessa natureza, Dr. Flora, são fundamentais para que se restabeleça a verdade e, acima de tudo, conceitos do homem público, da pessoa.

Portanto, creio que uma acareação envolvendo o Sr. Pizzolato e as pessoas envolvidas nos Correios que fizeram acusações pesadas contra a Secretaria da qual V. Sª era a segunda pessoa na estrutura administrativa será proveitosa e, acima de tudo, benéfica.

Eu quero, antes de mais nada, pelo apreço, pelo respeito que lhe tenho, louvar a bravura do nosso Deputado Jorge Bittar, que defende o Governo mais por convicção do que por obrigação. Está aqui fazendo essa difícil defesa, mas a assume. Aliás, o PT se preparou para essa crise. A jornalista Dora Kramer, na sua sabedoria, disse, na semana passada, que o PT se conscientizou de que está no banco dos réus e quer compainha. Quando puxa para o Governo passado, para Fernando Henrique, quer companhia, não quer sentar sozinho no banco dos réus. E eu admiro a bravura do Deputado porque, meses atrás, havia trinta, quarenta companheiros dele aqui fazendo a defesa do Governo. Hoje ele está sozinho e vai ficar sozinho aqui até o final – eu tenho certeza disso –, o que é um mérito.

Por outro lado, chama a atenção a capacidade que o PT tem de conhecer o mundo jurídico brasileiro. Os melhores advogados do Brasil hoje estão na defesa do PT e dos seus réus, dos seus acusados – ou dos seus caluniados, não vamos generalizar. Congratulo-me com o Partido dos Trabalhadores pela capacidade de procurar, Brasil afora, o que há de melhor em termos de advogados e colocar à disposição daqueles que fazem parte do seu Governo, o que demonstra uma coisa que não é muito comum num partido: a solidariedade.

Prof. Flora, queria lhe fazer apenas três ou quatro perguntas bem objetivas. A primeira delas: qual foi a melhor campanha publicitária do Governo na sua administração, no período em que V. Sª participou do Governo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu creio que foi uma campanha criada pela agência Matisse. Falava-se sobre os benefícios do crescimento econômico e o mote era uma pergunta que um dos personagens fazia: “O Governo editou uma medida sim. E daí?” E, então, a campanha explicava os benefícios que a medida adotada tinha trazido.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Quanto custou?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – De cabeça não lembro, mas, pela envergadura da campanha, deve ter custado em torno de dez milhões de reais.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Agência Matisse?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Agência Matisse.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – V. S.ª, em algum momento, autorizou alguma agência de publicidade que prestasse serviço ao Governo a complementar salários de servidores ou pagarem-nos por completo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não houve isso?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu desconheço.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não tem, da parte da sua Secretaria, da parte da Secretaria de Comunicação, nenhum servidor – olhe que o senhor está falando aqui sob juramento – cujo salário tenha sido complementado ou que tenha tido o salário pago por alguma agência de publicidade?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu desconheço.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Por orientação do Governo?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu desconheço qualquer circunstância.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Está bom.

No ano de 2004, houve vários shows pelo Brasil afora patrocinados pelo Banco do Brasil, no Circuito Cultural Banco do Brasil, quando vários artistas brasileiros se apresentaram. Coincidentemente com o período eleitoral, os artistas iam aos Estados e, geralmente, faziam a apresentação oficial e, paralelamente, outras apresentações. Essa escolha era de responsabilidade exclusiva do Banco do Brasil ou havia a participação da Secom?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A escolha era integralmente do banco. No caso do Circuito Cultural Banco do Brasil, a Secom aprova a ação. O banco apresenta à Secom anualmente que ele vai fazer um investimento X  – não sei qual é o valor – para realizar o Circuito Cultural Banco do Brasil, mas no detalhamento – quem são os artistas, as empresas contratadas, toda a parte operacional e de casting do circuito – não temos qualquer participação.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – A definição, a escolha dos nomes, a indicação do...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – A definição dos locais, a escolha dos nomes, os valores, tudo isso é definido pelo banco.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – No início do Governo Lula, quando a ética ainda era o carro-chefe do Governo, logo após a posse, após o grande sucesso que Duda Mendonça teve como publicitário – na quarta tentativa, levou Lula a uma vitória e passou a ser consagrado –, havia uma preocupação muito grande do setor de comunicação do Governo em não deixar que ele participasse de contratos governamentais para que não passasse à Nação a imagem de que estava recebendo o troco por conta do que havia feito durante a campanha, o que poderia parecer à Nação um pagamento indireto. O próprio Ministro das Comunicações chegou a dar declarações nesse sentido, mas o Governo poderia ajudar o Sr. Duda Mendonça na iniciativa privada.

A pedido do Governo, V. S.ª procurou alguma empresa no Brasil para intermediar esses contratos entre a empresa do Sr. Gushiken e alguma empresa?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Empresa do Sr. Gushiken?

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Perdão, do Sr. Gushiken não, do Sr. Duda Mendonça. Contratos, a pedido do Sr. Gushiken ou do Governo – não vamos fulanizar –, para que o Sr. Duda Mendonça tivesse acesso a contratos na iniciativa privada?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Nenhuma vez?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Nenhuma vez.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – O que o senhor sabe do contrato feito entre Duda Mendonça e a Brasil Telecom já no atual Governo, já que uma empresa...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Sei apenas que ele tinha o contrato. Aliás, não tenho interesse por informações relativas a contratos privados de agências que prestam serviços para o Governo. Não tenho nenhuma informação sobre isso.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não houve nenhuma participação, direta ou indireta...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – De minha parte, nenhuma, e desconheço no que diz respeito a qualquer outra pessoa do Governo.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Está bom.

Na distribuição de mídia para os Estados e Municípios feita pela Secretaria, na distribuição de mídia para jornal, rádio e televisão, qual era o critério que o senhor adotava?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA   O critério é um critério técnico. A Secom tem uma diretoria de mídia, composta por técnicos que têm experiência nessa área, que faz a definição das ações, do investimento de mídia, a proposta de investimento de mídia, das verbas da Secom, baseada em critérios técnicos. Trata-se do que é comumente conhecido no mercado como “custo por mil”, que é quanto custa para chegar a informação a mil pessoas. Na verdade, é o custo básico para todos os veículos, seja TV, rádio ou jornal. A audiência do veículo, a abrangência do veículo, a potência de sua geração de imagem, o tipo de público que ele atinge, tudo isso é analisado. Então, são critérios técnicos já estabelecidos há muito tempo pelo mercado, tanto para o setor público como para o setor privado.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – V. Sª poderia remeter a esta Comissão esses processos de definição nos anos 2003, 2004, 2005?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Senador, eu não estou mais na Secretaria. Isso teria de ser solicitado à Secretaria de Comunicação.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Sr. Presidente, eu queria que V. Exª, diligente como é, adotasse essa providência e requisitasse à Secretaria de Comunicação o envio para cá desses contratos com seus respectivos procedimentos.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quais seriam os contratos, Senador Heráclito Fortes?    

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Feitos com as empresas estaduais e municipais. Podemos até colocar de lado os grandes Estados. Vamos, para facilitar... Rio e São Paulo, a não ser que V. Exª tenha curiosidade de saber também o interior – talvez o Deputado Bittar queira saber sobre o Rio de Janeiro.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A critério de V. Exª.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Podemos fazer o Brasil todo.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Brasil todo. Os contratos mantidos...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Recomendados pela Secretaria de Comunicação com os órgãos dos Estados – rádio, jornal, televisão.  

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então fica designado à assessoria...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Isso servindo desde o edital às campanhas institucionais.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – ...que a solicitação do Senador Heráclito Fortes fica encampada por esta sub-relatoria, já ficando então determinada a providência respectiva.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Última pergunta.

Em determinado momento, um ano e meio atrás, a Secom promoveu um encontro visando fazer uma fusão na área de telefonia para que as empresas brasileiras que atuavam no setor adquirissem a Embratel, e esses encontros foram feitos exatamente na Secretaria da qual V. Sª era o Secretário Executivo.

Os proprietários, os dirigentes dessas empresas fizeram, durante sessenta dias mais ou menos, vários encontros. Depois não sei o que aconteceu, e a Embratel caiu na mão de uma empresa mexicana. O que aconteceu para que aquele esforço que a Secretaria fez fosse frustrado?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Senador, eu desconheço qualquer ação da Secretaria de Comunicação em relação ao assunto que o senhor está colocando.

Eu sei... O Ministro Gushiken, no depoimento dele, informou qual foi o tipo de participação dele em relação a questões extrapauta da Secom, mas, no meu caso particular, a minha atuação sempre foi limitada às questões de comunicação.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – A fazer os convites, marcar os horários, mas não participava das reuniões...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Eu não tinha nenhuma participação.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Mas não participava das reuniões?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – O gabinete do Ministro tem estrutura própria. Se alguma coisa foi feita, se algo foi feito, eu não tenho conhecimento, não foi com base na estrutura da Secretaria Adjunta. Eu realmente não tenho nenhuma informação sobre assuntos que não sejam os assuntos relativos à questão de comunicação da Secom. Sequer tinha participação mais assídua nos trabalhos da parte de gestão estratégica, que são os temas que o Ministro também encaminhava, por delegação do Presidente...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Talvez V. Sª até tenha razão, talvez tenha sido na área de gestão estratégica.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, não, não. Eu não estou dizendo que essa ação... O senhor me perdoe, mas não estou dizendo que isso que o senhor está informando aconteceu. Não tenho conhecimento e não estou fazendo nenhuma vinculação, caso isso tenha acontecido, com a área de gestão estratégica.

Estou só buscando ilustrar, para tornar mais claro, que a minha participação, de fato, era restrita aos aspectos de comunicação da Secretaria.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Sei.

Eu até quero dizer que não vi esse assunto ser abordado aqui com mais profundidade no depoimento do Sr. Luiz Gushiken na comissão. Falou-se en passant sobre isso, talvez até eu tenha feito uma pergunta, mas não...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Desse assunto em particular, eu também não me lembro.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não se detalhou.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu me referi a assuntos extras à pauta de comunicação da Secom, que ele, como Ministro de Estado, tinha...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – A lei brasileira hoje limita o recebimento de presentes, agrados, mimos, seja lá o que for, por parte do servidor público, a R$ 100,00. O senhor tem conhecimento de alguém que tenha recebido, na Secretaria, da parte de prestador de serviço, algum presente de valor superior a esse?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Eu recebi – é público – uma caneta Mont Blanc do Sr. Marcos Valério, que eu – também já tornei público –, assim que recebi, informei a ele que seria doada ao Fome Zero.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não, não.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Além disso, desconheço outras situações.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não, a caneta Mont Blanc não, até porque não sabemos, pelas circunstâncias... Tivemos um caso anterior de um presente que ficou muito em voga e que, quando se examinou, era oriundo de Chinatown. Eu não estou discutindo a questão...

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não, eu desconheço essa situação.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Não conhece nenhum caso com valor superior a esse?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não conheço.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Sr. Presidente, muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agradeço ao Senador Heráclito Fortes.

São 14h4min. Exatamente às 14h20min retomaremos os nossos trabalhos, com a palavra ao Deputado Silvio Torres para reinscrição.

(Tumulto no plenário da Comissão.)

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Traz prejuízo a V. Exª se pararmos agora por quinze minutos?

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não? Então, vamos parar. Já há até jornalista, com ar de piedade, pedindo, implorando para que paremos. Vamos parar. Exatamente às 14h20min retomamos.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mesmo que cheguem outros...?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) –  Mesmo que cheguem outros, a palavra é de V. Exª.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Está bom.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Sr. Presidente, vamos ser justos: as jornalistas querem ser liberadas para irem assistir ao outro depoimento lá, que está pegando fogo.

(Suspende-se a reunião às 14 horas e 06 minutos.)

(Reabre-se a reunião às 14 horas e 22 minutos.)

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Está reaberta a reunião.

Para reinscrição, tem a palavra o nobre Deputado Silvio Torres.

V. Exª terá o prazo de cinco minutos com alguma tolerância deste Presidente, como de hábito, tratando-se de V. Exª.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Obrigado, Sr. Presidente.

Vou procurar ser objetivo e também espero – certamente vou receber – respostas objetivas para podermos nos antecipar.

Quero retomar o relatório do Tribunal de Contas da União, a que se referiu o Deputado Eduardo Paes, para dizer que foram registrados fatos gravíssimos referentes à conduta de funcionários e de empresas, apenas na análise de algumas despesas da Secom, mais especificamente da Secom.

Foi constatado um gasto, pago à empresa Duda Mendonça & Associados, que atingiu o valor de R$3.054.469,20, incluindo seiscentas mil revistas Dois Anos de Governo, que teriam sido impressas pela Criativa Gráfica, no valor de R$2,622 milhões. Com base nesse valor, a Agência Duda Mendonça emitiu uma nota fiscal no valor de R$2.857.980,00, que incluem os serviços da Criativa e os 9% de honorários previstos no contrato. Além disso, mais seiscentos mil encartes para a revista/boletim Em Questão, que teriam também sido impressos pela mesma Criativa, no valor de R$179 mil mais os honorários previstos. Somados os dois, nós temos o valor de três milhões e pouco.

O grave não é que isso tenha sido feito sem o cuidado dos procedimentos da concorrência necessária, ou seja, de uma cautela necessária na busca dos preços mais competitivos, e nem que essas notas tenham sido pagas quase que no mesmo dia em que o serviço foi oficializado, digamos assim, pela Secom. O mais grave, apenas nessa denúncia, é que os serviços cobrados não foram entregues, a mercadoria não apareceu. Isso, a despeito de a Secom ter sido questionada. O Tribunal de Contas, nas explicações que recebeu da Secom, não encontrou a realização desse serviço. Eu vou me fixar apenas nesse. Depois há várias denúncias do Tribunal de Contas da União sobre procedimentos irregulares.

O senhor tem conhecimento desse fato?

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Só pelo que foi noticiado pela imprensa e por informações rápidas que obtive junto a pessoas que continuam trabalhando na Secom.

Eu vou aproveitar a oportunidade que o senhor está me dando para afirmar o seguinte: do que eu sei, todo o material contratado pela Secom foi entregue e todo o material só foi pago quando entregue.

No caso dessa publicação, o que, em geral, ocorria e pode estar gerando algum tipo de confusão na troca de informações entre a Secom e o Tribunal de Contas?

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Como tenho pouco tempo, gostaria de pedir ao senhor o seguinte: se o senhor não sabe o que aconteceu ou não tem informação, o senhor pode apenas responder que não tem conhecimento. O senhor vai acabar respondendo por isso, assim como todas elas. Eu só queria saber se o senhor tem conhecimento de um fato tão grave como esse.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA – Não. Em detalhes, eu só tenho conhecimento por informações da imprensa e de pessoas da Secom, que me disseram que a Secom está reunindo as informações para demonstrar ao tribunal que o serviço foi executado, foi entregue e foi pago só quando foi executado.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu vou reiterar para dizer que o Tribunal de Contas já pediu essas informações, já recebeu de volta as explicações e, ainda assim, não encontrou a comprovação a que o senhor se referiu.

O SR. MARCUS VINÍCIUS DI FLORA