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O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sob a proteção de Deus,
havendo número legal, declaro aberta a 13ª Reunião da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito, criada por meio do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso
Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos
delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos.
A Ata da 12ª Reunião
encontra-se sobre a mesa. Coloco-a em votação, propondo a dispensa da leitura.
As Srªs e os Srs. Senadores
que a aprovam queiram permanecer sentados. (Pausa.)
Aprovada.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra, pela
ordem, ao Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Vou
passar a palavra, primeiramente, ao Senador César Borges, porque respeito a
hierarquia entre Senado e Câmara.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra, pela
ordem, ao Senador César Borges.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Agradeço, mas não há essa hierarquia. Na
verdade, eu havia pedido em primeiro lugar e o Deputado Antonio Carlos
Magalhães Neto reconheceu a minha precedência, Sr. Presidente.
Primeiramente, com relação
ao horário do início da nossa sessão. V. Exª me desculpe, pois não quero, de
forma nenhuma, perturbar o seu descanso, mas, na verdade, o nosso está
perturbado pelas suas regras, Sr. Presidente. V. Exª marcou que temos que
chegar com trinta minutos de antecedência para nos registrarmos na lista de
oradores que farão perguntas ao depoente. Chegamos aqui às 8 horas e 30
minutos, a Senadora Heloisa Helena chega às 7 horas e o Deputado ACM Neto chega
às 7 horas e 30 minutos, mas já são 9 horas e 46 minutos, Sr. Presidente.
Entendo que começarmos às 9 horas seria bastante salutar até para que o
trabalho pudesse desenvolver-se melhor. Esta era a primeira questão de ordem,
Sr. Presidente.
A segunda é referente à
própria pauta. Tínhamos informações de que essa pauta se daria numa ordem, pela
qual haveria, primeiramente, a oitiva do Sr. Luiz Otávio Gonçalves. Depois
seria o Sr. João Henrique de Almeida Souza e, por fim, o Sr. Airton Langardo
Dipp. Essa ordem foi distribuída e nos preparamos, inclusive, nessa linha.
Temos aqui, em mão, exatamente o que foi distribuído. Desse modo, quarta-feira,
seria o Sr. Luiz Otávio Gonçalves, o Presidente da Skymaster Air Lines; depois,
o Sr. Airton Langardo Dipp, ex-Presidente dos Correios, e, por fim, o Sr. João Henrique
de Almeida Souza. Agora, a pauta veio totalmente modificada e, como foi
pré-estabelecido, deveria ser mantida a forma original, porque todos tínhamos
conhecimento dela. Esta é a segunda questão de ordem.
A terceira, Sr. Presidente,
que considero a mais importante, é que já votamos requerimentos de quebra, de
transferência de sigilos bancário, telefônico e fiscal de diversas empresas e
pessoas físicas, não havendo, ainda, nenhuma informação. Ontem, dirigi-me à
Secretaria das Comissões certo de que haveria a transferência do sigilo
bancário de empresas do Sr. Marcos Valério. Mas não temos essa informação e
fica muito difícil, Sr. Presidente, fazer o cruzamento de dados que auxiliem o
nosso trabalho de elaborar perguntas e solicitações outras de informações
adicionais e de requerimentos para que novos depoentes possam vir aqui
esclarecer várias questões.
Portanto, faço um apelo a V.
Exª e ao Relator que solicitem ao Banco Central, por exemplo, que encaminhe com
mais celeridade esse tipo de informação, que é essencial para os trabalhos da
nossa Comissão.
Então, eram essas três
questões de ordem, Sr. Presidente, que eu gostaria de, neste momento, expor
para a sua consideração e apreciação.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador César Borges,
respondendo a V. Exª rapidamente...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, eu gostaria de tratar do mesmo tema. Talvez fosse bom V. Exª me
conferir a palavra, porque, depois, poderá responder ao Senador César Borges e
a mim.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Perfeitamente, Deputado
ACM Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Com
relação ao horário de início das reuniões, quero subscrever o que disse o
Senador César Borges. Eu, a Senadora Heloisa Helena, o Deputado Eduardo Paes e
o Senador César Borges temos chegado, habitualmente, antes das oito horas para
ter preferência nas inscrições. Então, seria importante mantermos o horário de
início das 9 horas, a menos que V. Exª resolva marcar o começo das reuniões
para as 10 horas, e aí, evidentemente, também nos dará condições de chegar aqui
um pouco mais tarde. Porém, este não é um pleito, afinal de contas não há
problema em acordar cedo para trabalhar.
Segunda coisa, Sr.
Presidente, é com relação à ordem, de fato, dos trabalhos de hoje. Além do
Senador César Borges nos trazer aqui esse documento, eu queria lembrar uma
reunião que realizamos na Biblioteca do Senado Federal quando decidimos a
agenda das duas primeiras semanas do mês de julho. Naquela reunião, ficou claro
que a quarta-feira desta semana, portanto hoje, seria um dia dedicado à oitiva
do Sr. Luiz Otávio Gonçalves, o Presidente da Skymaster. Depois, na nossa
reunião administrativa, já aqui no plenário da Comissão, V. Exª fez uma
ponderação correta, a ponderação de que ficaria incorreto termos apenas um
depoimento no dia de hoje e concentrarmos quatro ou cinco depoimentos na
terça-feira. Portanto, houve uma divisão. Foram marcados três depoimentos para
terça e ficaram marcados três depoimentos para hoje, porém respeitando aquela
precedência que foi definida na Biblioteca do Senado, para que primeiro nós
ouvíssemos o Sr. Luiz Otávio Gonçalves, até porque os outros dois foram
agendados posteriormente, dentro de uma arrumação lógica que foi proposta por V.
Exª.
Então, eu queria acrescentar
essa informação, a título de lembrança, porque acho até que, para o bom
funcionamento dos trabalhos do dia de hoje e para a boa argüição dos dois
ex-Presidentes dos Correios, seria importante nós primeiro ouvirmos o empresário
Gonçalves. Ele pode nos trazer informações importantes para instruir os
Parlamentares na indagação aos dois ex-Presidentes. Então, do ponto de vista
racional da oitiva, acho que seria fundamental nós ouvirmos primeiro o Sr.
Gonçalves e depois os dois ex-Presidentes.
Com relação ao acesso aos
documentos, Sr. Presidente, acho que é extremamente oportuna a sugestão que V.
Exª fez para nós reservarmos a última semana de julho para estudarmos os
documentos, para cruzarmos as informações, para conversarmos com os técnicos do
Banco Central, da Receita Federal e dos outros órgãos envolvidos, do Coaf.
Agora, a gente não pode reservar a última semana de julho para isso se os
documentos não chegarem. Então, se os documentos não chegarem, a última semana
de julho, infelizmente, também terá que ser de oitiva. Daí é que acho que é
preciso haver um esforço da Presidência, de V. Exª, para cobrar desses órgãos
que encaminhem os documentos rapidamente. Caso contrário, a agenda prevista por
V. Exª vai estar prejudicada.
Seriam, então, estas três
colocações.
Eu agradeço.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria,
aproveitando...
Pela ordem, Senadora Heloisa
Helena...
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Não...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador Pedro Simon.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – Apenas para dizer a V. Exª que essa
tese levantada pelos dois Senadores da Bahia é da maior importância. Na
verdade, às vezes há até um pouco de má-fé, ou, digamos assim, de desleixo das
autoridades, se a gente não está em cima cobrando a remessa dos documentos.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Perfeito.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – Agora, o que acontece é o seguinte: nós
ficamos numa posição sem graça. Nós estamos ouvindo as pessoas sem ter o que
perguntar. Então, ele fala, responde, a gente vê que ele está mentindo mas não
tem o que argumentar. Então, o que está acontecendo? Por exemplo, O Globo
de hoje diz que o tesoureiro do PT confirma tudo, ao contrário do que o Sr.
Valério disse aqui. Então, nós vamos ter que chamá-lo de novo... Vamos fazer o
trabalho dobrado, porque todas as pessoas que estão vindo aqui sem que a
Comissão tenha os documentos, quando vierem os documentos, vamos ter que
chamá-los de novo para ver o que aconteceu. Eu acho que V. Exª tem autoridade
para impor, chegar ao Banco do Brasil, ao Banco Central, aonde for, e dizer:
“Olha, prioridade absoluta, vocês me perdoem. O Brasil está olhando para nós.
Nós temos uma enorme responsabilidade. Agora, nós estamos lá, convocamos as
pessoas e não temos os elementos”. Acho que depende muito de V. Exª exigir,
porque não é favor que eles estão fazendo. Agora, se depender deles, eles vão
deixando para não vir. Agora, V. Exª é a principal pessoa que tem condições de
fazer, de dar um grito, e eles têm obrigação de ouvir V. Exª.
O SR.
PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT –
MS) – Com certeza, Senador Pedro Simon.
Com a palavra o Deputado Onyx Lorenzoni e o Senador
Jefferson Peres. Depois vamos começar os trabalhos.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Sr.
Presidente, em uma contribuição de uma experiência acumulada de outras CPIs, na
mesma linha do Senador César Borges e do Senador Pedro Simon, V. Exª poderia
designar um Deputado e um Senador em uma comissão externa que faria uma
diligência em cada um desses órgãos onde há demora para um contato direto com
os responsáveis para que a gente possa, nesse contato direto, assegurar o envio
dos documentos.
Vivi essa experiência em outras CPIs e ela dá um
resultado extraordinário.
O SR.
PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT –
MS) – Certo.
Senador
Jefferson Péres.
O SR.
JEFFERSON PÉRES (PDT – AM) – Em
primeiro lugar, quero louvar a sugestão do Deputado Lorenzoni, muito boa. Acho
que realmente seria sensato.
Sr. Presidente, gostaria de insistir no início dos
trabalhos na hora marcada. Não é por “caxiismo”, não, Sr. Presidente, mas é
porque nos programamos, evidentemente. Na quinta-feira da semana passada, saí
daqui no início da reunião porque estava indo para o aeroporto para cumprir um
compromisso. Se a reunião tivesse começado às nove horas, eu teria uma
participação mais efetiva nos trabalhos.
Faço-lhe o apelo para que comece às 9 horas de
qualquer maneira ou transfira para as 10 horas, se for o caso.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT –
MS) – Pela ordem, Senadora Heloisa Helena.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, para evitar que a
gente faça aqui proposições irracionais, como alguns gostam de falar, sob a
lógica da investigação e depois a gente não operacionalize.
Há duas semanas, o Senador Romeu Tuma fez a
proposição, aqui nesta CPI, a mesma proposição feita hoje pelo Deputado Onyx,
de que estabelecêssemos diligências, delegações a serem feitas. Por quê?
Porque, se alguém quiser fazer um fato político, se alguém quiser fotografia e
outras coisas mais, é só ir lá um grupo de Senadores, chegar dentro do Banco
Central e fazer um escândalo para eles entregarem um documento.
Como isso vai ficar algo muito feio, muito típico dos
“marqueteiros” Duda Mendonça, Marcos Valério e outras coisas mais, não fica bem
para a gente fazer. Então é o apelo que faço no sentido de que isso seja
providenciado. Não quero responsabilizar a direção dos trabalhos da Comissão,
não se trata disso, mas se a gente não der, como diz no popular, um freio de
arrumação, os órgãos não mandam.
Eu sei que o Banco Central tem que encaminhar aos
bancos, a solicitação a todas as instituições de crédito, mas é demais, porque
vai desde a CGU, que não manda, diz a imprensa que mandou o documento e não
manda o documento. O Banco Central faz a mesma coisa. Às vezes, acaba sobrando
até para quem responsabilidade direta não tem, como a gente fez aqui, com a
maior confusão em relação ao Coaf, quando, efetivamente, dependeria do Banco
Central fiscalizar, obrigar que as instituições de crédito mandassem.
Faço, mais uma vez, o apelo no sentido de que sejam
disponibilizados todos os documentos da quebra de sigilo bancário, fiscal e
telefônico, da atas das reuniões das diretorias dos Correios, da notas
jurídicas feitas. A gente fica quase em uma cantilena enfadonha se repetindo a
cada reunião, mas é só para deixar registrado, mais uma vez, para que a direção
dos trabalhos apele ou vá lá pessoalmente, monte uma diligência para que eles
mandem esses documentos, porque é uma desmoralização para a gente.
O SR.
PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT –
MS) – Primeiramente eu gostaria de...
Senador Sérgio Guerra.
O SR.
SÉRGIO GUERRA (PSDB – PE) – Sr.
Presidente, as ponderações que ouvi até agora me remetem a uma rápida reflexão.
Não quero parecer recorrente e a minha preocupação já foi objeto de outros
companheiros em conversas com o Presidente, com o Relator e com outras pessoas
desta Comissão.
Percebo uma certa quebra de
expectativa nos resultados da nossa Comissão. As primeiras sinalizações não são
lá muito positivas para nós e sinto que não tive aqui a freqüência que deveria
ter tido, mas sinto, quando ouço ponderações como as que acabo de ouvir, que
não estamos sendo capazes de dar respostas práticas a essas questões.
E como não atribuo, de forma
nenhuma, a falta dessas respostas seja à condução do Presidente, seja ao
trabalho do Relator, o que para mim parece muito claro é que é indispensável
alterarmos o modelo desta Comissão, estruturarmos a Comissão de forma
conveniente, para que ela possa atender os desafios que precisa atender.
A proposta de trazer a esta
Comissão tarefas que estão noutras comissões foi vencida ontem. E é falsa a
afirmação de que a Oposição desejou não produzir investigação quando propôs que
a investigação fosse concentrada aqui.
Com toda a consideração que
tenho, a Senadora Ideli, ontem, por exemplo, num programa de televisão, disse
que nós da Oposição estávamos propondo que os trabalhos de outras subcomissões
fossem trazidos para cá e que isso significava o desejo de não investigar. Para
mim, essa é uma acusação gravíssima e que não resiste ao primeiro impacto da
luz. Não há nada disso.
Eu ouvi ponderações muito
desequilibradas para evitar que esta Comissão aqui concentrasse os esforços de
outras. Por exemplo, como é que vamos incluir a Senadora Heloisa de novo?
Entendeu ou não?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – A Heloisa?
O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB – PE) – A Senadora Heloisa era uma ameaça ao
funcionamento. A concentração dos trabalhos aqui era uma ameaça ao
funcionamento, para alguns, sensato desta Comissão.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Claro. Boa lembrança, Senador Sérgio
Guerra. Muito boa.
O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB – PE) – Não tem nada disso. Quem não queria, rigorosamente,
a concentração do trabalho aqui é quem não quer a investigação. Vamos falar a
verdade: é quem não quer investigação. Vamos iniciar um processo sobre o qual
não temos controle racional de trabalho, não é político, não. Não estou falando
em controle político. Estou falando em controle racional, que não estamos
desenvolvendo nem aqui, internamente. Imaginem com duas subcomissões tratando
de assuntos correlatos, que podem chegar a encaminhamentos, no mínimo,
diferentes, podem ser até contrários, para a produção de um cenário que seria
mais ou menos o seguinte: o Congresso não apurou nada. A segunda leitura pode
ser: os acusados não são tão culpados assim.
Então, eu penso que já que
não passou a nossa proposição, de vários, para a unificação das comissões nesta
aqui – o que não tinha nada a ver, absolutamente nada a ver com a vontade de
não fiscalizar; ao contrário, tem a ver com a vontade de fiscalizar de forma
correta –, penso que não podemos adiar uma reformulação das nossas estruturas,
para que as responsabilidades sejam mais distribuídas, para que as demandas
sejam mais racionalmente tratadas, para que as respostas cheguem no tempo
adequado.
Temos que ter também aqui
acareações, cada vez mais. Não podemos ficar num processo que a todos parece –
não seguramente o é, mas parece – perda de tempo. Então, estou muito preocupado
com isso, tenho certeza de que temos uma condução qualificada na Comissão, mas,
para evitar argumentos que não têm conteúdo e que criam um ambiente que não é
bom para nós, eu gostaria de propor que, amanhã ou depois, quando houver a
reunião administrativa...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Amanhã. Aí nós
discutimos isso.
O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB – PE) – Que amanhã entremos nessa questão de
maneira contundente. E esse negócio de reunião secreta não me parece
conveniente. Não me parece conveniente, porque na vez passada ela deu resultado
errado. Vamos fazer reunião para todo mundo ver. Quem é a favor de quebrar
sigilo diz que é a favor e quem é contra diz que é contra. Ontem também ouvi da
Senadora Ideli a afirmação de que gente aqui não queria quebrar o sigilo do
Deputado Roberto Jefferson. É preciso que aqueles que não querem quebrar o
sigilo do Deputado Roberto Jefferson se levantem e digam seu voto: “voto
contra”. É assim que as coisas têm que aparecer, porque pesa suspeição sobre
muitos. O que desejamos no passado foi que sigilos fossem quebrados no plural e
não no singular.
A SR. IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, Deputado
Geraldo Thadeu, Senadora Ideli Salvatti e Deputado Henrique Fontana.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – E pela ordem eu, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Perfeitamente. Acho que
vou abrir todas as reuniões nossas já dando a palavra a cada Parlamentar, antes
que cada um peça pela ordem, porque estou vendo que todos vão falar, com
exceção do disciplinado Deputado Eduardo Paes.
Com a palavra o Deputado
Geraldo Thadeu.
O SR. GERALDO THADEU (PPS – MG) – Sr. Presidente, ouvi o Senador Pedro
Simon relatando hoje a manchete de O Globo em que o Delúbio confessa
intermediação do Sr. Marcos Valério com as empresas. Isso foi dado semana
passada aqui, no nosso depoimento, que não foi fácil para mim fazer aquele
depoimento aqui. Praticamente coloquei meu pescoço na guilhotina. Acho que
avançou muito, o caminho foi determinado e foi comprovado hoje, com essa
manchete de O Globo. Então, vejo, Sr. Presidente, que a CPMI está
avançando, sim. Já temos muitos... Por exemplo, os Correios: uma auditoria nos
Correios demonstra que 69 contratos dos Correios estão sob suspeita. Vamos ter
que investigar Correios, Petrobrás e outras estatais e vamos ter que quebrar
sigilo de quem estiver sob suspeita aqui. Não vai ter esse negócio de que não
pode quebrar sigilo de Roberto Jefferson, não pode quebrar sigilo de Delcídio,
de ninguém. Tem que quebrar de quem for suspeito aqui.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Puxa, deixe-me em paz,
Deputado Geraldo Thadeu, por favor. (Risos.)
O SR. GERALDO THADEU (PPS – MG) – Desculpe-me. Todo mundo sabe que estou
falando de Delúbio. (Risos.) Nosso Presidente tem a maior consideração e
respeito de todos nós e principalmente tem conduzido os trabalhos, juntamente
com nosso Relator, com o maior critério, maior justiça e maior independência.
Temos que fazer justiça a isso.
O SR. (Orador não
identificado) – (Fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. GERALDO THADEU (PPS – MG) – Isso, como todos aqui acho que já
colocaram seus sigilos bancários e fiscal todos à disposição.
Então, vejo que estamos
caminhando, sim. Acho que vamos ter respostas, sim. Agora, eu gostaria, Sr.
Presidente, que tudo isso... Por exemplo, o Banco Central. Está demorando?
Nomeia uma comissão de parlamentares aqui e vamos lá. Vamos lá, vamos fazer
pressão. Creio que as coisas têm que ser dessa forma. E não vamos ter o ônus
aqui... A pesquisa aponta que a opinião pública hoje joga nas nossas costas,
nas costas do Congresso a culpa por tudo que está acontecendo, do “mensalão” e
tudo mais. Só esperamos que a CPMI do Mensalão apure o que estamos apurando
aqui, com coragem, como estamos fazendo aqui. E agora é hora de acabar com
essas resistências, de quebrar sigilo, de convocar testemunhas, de convocar
suspeitos para vir aqui, de acabar com isso. Tem que acabar com isso. Acho que
tem que passar a limpo essa questão aqui, doa a quem doer. Se até nós tivermos
que pagar alguma coisa, temos que pagar. É a hora, porque a opinião pública
está esperando uma resposta nossa.
Então, acredito que a
Comissão está caminhando, sim. Temos que continuar trabalhando e abrir tudo
aqui, para mostrar para opinião pública que não devemos nada e que este País
precisa ser passado a limpo.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli Salvatti
e depois o Deputado Henrique Fontana, e vamos começar os trabalhos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, ontem não pude
acompanhar os trabalhos, tendo em vista minha ida a São Paulo para participar
do programa do Jô Soares, que parece que teve uma certa audiência, dada as
referências dos que assistiram.
Quero aqui deixar bastante
claro que tivemos um profundo embate, inclusive com recurso tratado e
deliberado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para que a CPMI
que estamos hoje trabalhando, participando, tivesse um fato determinado e não
se transformasse em uma CPMI genérica. Por isso que todo o debate feito na
Comissão de Constituição e Justiça acabou levando à deliberação, depois,
encaminhada também ao Plenário. E fosse reiterado de que esta CPI tem um foco,
ela tem uma questão a ser...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Senadora, V. Exª está errada. O recurso não foi votado. Perdoe-me corrigi-la,
mas V. Exª está errada.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na Comissão de Constituição e Justiça?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora está equivocada. Se a senhora analisar os termos, votou...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu não sou da Câmara. Primeiro, o
seguinte, Sr. Presidente, eu não dei o aparte...
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A informação que eu tenho – não sou da
Câmara – é de que o recurso foi votado
lá.
A outra questão é de que
iniciamos o nosso trabalho e, obviamente, na decorrência do que vai sendo
apresentado, as investigações, pelo que parece aqui, vão se ampliando. Não tem
muito como não fazer isso. Toda CPI é assim. Agora, é muito interessante as
pessoas quererem continuar insistindo na história na CPI única. Já foi vencido,
mas a discussão ainda não, pelo visto.
É importante registrar,
primeiro, que foram colhidas assinaturas no Senado para constituir uma CPI do
Mensalão só no Senado. Foram recolhidas assinaturas para que fosse criada uma
CPI mista, Câmara e Senado, e foram colhidas assinaturas para ser constituída
uma CPI sobre o Mensalão da compra de votos só na Câmara.
Então, com três iniciativas,
me parece inequívoco que se queria efetivamente uma CPI para investigar. Porque
a nossa já estava criada, a nossa já estava inclusive lida. Em algumas
iniciativas, já estava até começado o trabalho da CPI dos Correios. Então, me
parece que não paira nenhuma dúvida de que se queria constituir uma CPI para
investigar a compra de votos, o “mensalão”.
Quando eu afirmo que havia
uma disposição, porque, nas três iniciativas duas delas foram patrocinadas aqui
no Senado, e a mista foi patrocinada por partidos da Oposição. A que tinha a
posição de ser executada exclusivamente na Câmara, foi patrocinada pela Base do
Governo, pelo entendimento que tínhamos que, já que há indícios envolvendo
exclusivamente Deputados, pois as acusações são sobre Deputados, deveria ser a
Câmara que investigasse. Depois disso tudo, foi feito um acordo para que se
juntasse o foco do que estava proposto na Câmara com o que estava proposto na
mista, e acabou se fazendo a leitura, na sessão do Congresso, da CPI Mista.
Então, eu não falei nenhuma
inverdade. Não faltei com a verdade em nenhum momento, porque houve várias
iniciativas. A prática demonstrou iniciativa da Oposição de querer criar uma
CPI exclusivamente para investigar compra de votos, mensalão.
Agora, Sr. Presidente, eu
afirmei isso no Programa do Jô e afirmo aqui: CPI para investigar tudo não
investiga nada. Não tem como! Não tem como! Nós estamos com a maior dificuldade
de dar conta das oitivas, da análise dos documentos com o que nós estamos
investigando até agora. Imagine se ampliar isso ao infinito. Já tivemos
experiências na década de 1980, quando houve uma CPI da Corrupção, genérica. O
resultado dessa CPI alguém lembra? O Relator foi o Senador Carlos Chiarelli.
Alguém lembra do resultado dessa CPI genérica que já teve sobre corrupção?
Ninguém lembra, porque só foi holofote.
Então, não adianta. Vamos
trabalhar investigar, fazer o nosso trabalho render com os depoimentos sendo
mas ágeis possível, começando no horário, como foi reivindicado aqui, mantendo
a pauta, sendo muito responsável para não ficar reprisando perguntas que outros
Parlamentares já fizeram. Acho que temos de dar agilidade, temos que dar método
no trabalho.
Agora, continuo com a
opinião de que, colocar tudo em uma CPI só, nós não vamos ser bem-sucedidos na
forma como a população quer.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria de ponderar a V. Exªs. Acho
que essa questão da CPI do Mensalão, CPI dos Correios, está ultrapassada. Foi
decidido ontem e eu não vou mais perder tempo na Comissão discutindo esse
assunto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Sr. Presidente, V. Exª me permite?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Esse assunto está
resolvido definitivamente. Se alguém tem o conceito “A”, ou conceito “B” ou
conceito “C", de fundir ou de não fundir, as Lideranças decidiram ontem, e
ponto final.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Sr. Presidente. Quero
manter minha inscrição.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, apenas para frisar que os “pela ordem” iniciais meu, do Senador
César Borges e dos demais foram sobre o andamento dos trabalhos, inclusive do
trabalho de hoje. A discussão se ampliou posteriormente.
Agora, quero esclarecer à
Senadora Ideli Salvatti que o recurso votado na Comissão de Justiça da Câmara
dos Deputados foi pelo improvimento do recurso. E o recurso só tem validade,
Senadora Ideli Salvatti, depois que ele for votado no plenário do Congresso
Nacional, e isso não aconteceu. Então, não há nenhuma delimitação. V. Exª está
equivocada. Não vou entrar no debate político, senão vamos acabar gastando o
tempo e a atenção da Comissão. Fazemos isso depois.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito bem, Deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto.
Deputado Henrique Fontana.
O SR. HENRIQUE FONTANA (PT – RS) – Sr. Presidente, assumo um compromisso com
os colegas e com o nosso Presidente de que não vou usar mais de dois minutos –
talvez menos.
Eu só acho que há um clima
muito ruim cada vez que surge um assunto que pode ter, por óbvio, dentro da
democracia, diferentes interpretações, ou seja, é melhor ou pior unificar toda
investigação numa única CPI? Cada um de nós pode ter uma opinião. O que não me
parece razoável é que se procure disseminar a idéia de que um lado dessas
opiniões seria o lado de quem, de fato, quer investigar e o outro lado seria o
lado de quem quer dificultar as investigações.
Eu, por exemplo...
(Tumulto no recinto.)
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
Eu só gostaria de pedir o
respeito à palavra, porque, quando eu falo que pessoas diferentes podem ter
diferentes interpretações, eu incluo todas.
Eu, por exemplo, tenho uma
avaliação de que é melhor que tenhamos duas CPIs separadas, porque acho que
essa é a melhor maneira de ter maior eficácia na investigação, assim como eu
respeito Senadores que me antecederam aqui que acham que, fazendo tudo numa CPI
só, na visão desses Senadores – que foram os que eu ouvi, têm outros que têm
esta opinião –, poderia se investigar mais.
Agora, o que eu quero é
fazer um pedido, Sr. Presidente, de que nós não continuemos alimentando o
maniqueísmo de que alguns de nós são os verdadeiros interessados na
investigação séria e criteriosa e de que outros são aqueles que estão
eventualmente colocando dificuldades para a investigação.
No mais, cumprimento-o pela
forma como temos andado na nossa CPMI.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS)
– Muito obrigado, Deputado Henrique Fontana.
Para concluir, tem a
palavra a Senadora Heloisa Helena e, depois, o Deputado Eduardo Paes. Depois,
não vou mais deixar, ninguém mais fala, a não ser eu, para anunciar a vinda do
primeiro depoente.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr.
Presidente, eu realmente não iria falar mais, mas eu me sinto provocada a
falar, a partir do momento em que outros dizem que não deviam falar, mas acabam
falando também.
Então, quero apenas
reconstituir o tema. Eu não vi o Programa do Jô – do meu fofinho Jô – ontem,
não sei o que foi discutido, mas, pelo que foi discutido aqui, quero deixar uma
coisa absolutamente clara. Ontem, na reunião dos Líderes, é bom deixar claro
que não foi por unanimidade dos Líderes: os Lideres do PP e do PL e o Líder do
Governo é que foram contra a unificação. Então, só quero deixar absolutamente
reconstituído: o PP, o PL e o Líder do Governo são os que foram contra a
unificação, o que, por si só, já poderia gerar suspeitas. Não vou fazê-lo, até
porque acho que a suspeita pode ser de um lado e pode ser do outro também.
Agora, qualquer pessoa de
bom senso, que é honesta intelectualmente, sabe que é esta CPMI dos Correios
que investiga a água podre que move o moinho do “mensalão” e da corrupção.
Então, nada mais lógico e racional que esta CPMI pudesse investigar as duas
coisas. Agora, pulverizar as investigações é uma manobra muito inteligente, mas
é a velha tática diversionista de pulverizar as investigações e, efetivamente,
de não investigar nada, ludibriar a opinião pública, passando para a opinião
pública que se quer investigar e, efetivamente, não é.
Então, eu nem gostaria de
ter me inscrito novamente para falar, mas, como prefiro as coisas mais
objetivas do que cínicas e dissimuladas, eu acabei tendo de falar também.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O último, pela ordem,
Deputado Eduardo Paes.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E será breve. Estamos aqui em uma
discussão absolutamente estéril. Eu queria até ajudar V. Exª nesse sentido.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – V. Exª tem absoluta
razão.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Essa discussão de a CPI dos Correios
ser ou não ampliada parece-me mais superada ainda do que a decisão tomada ontem
pelos Líderes, ou pelo menos por parte dos Líderes. Isso porque diversos
Parlamentares aqui, inclusive aqueles que não defendem a ampliação dos
trabalhos desta Comissão, talvez inadvertidamente, sem ter percebido, já
ampliaram e já ajudaram com a ampliação dos trabalhos desta Comissão.
Lembro o Deputado que
sugeriu aqui que convocássemos o Sr José Andrade Vieira, do Bamerindus, na
oitiva do Deputado Roberto Jefferson, para tratar de uma suposta doação, caixa
dois, na campanha de 94. A própria quebra do sigilo do Deputado Roberto Jefferson
e da Srª Karina, nesta Comissão, significam um pouco a ampliação dos trabalhos;
a requisição, em determinado momento falada aqui, de contratos do Sr. Wascheck
com a Marinha.
Portanto, Sr Presidente,
todos os Parlamentares aqui, inclusive os que vocalizam de forma diferente, já
se manifestaram nesse sentido. E não é admissível que membros do Congresso
Nacional, que um Relator da qualidade do Deputado Osmar Serraglio, um
Presidente da qualidade do Presidente Delcídio Amaral, ouçam aqui absurdos sobre
outras áreas e sobre outros casos de corrupção e simplesmente, por uma rigidez
regimental – que, aliás, não existe – digam: “não estamos ouvindo isso”, como
se fosse um júri em que o juiz alerta os jurados no sentido de que o que o
depoente acabou de dizer não deve ser levado em consideração.
Essa aqui é, sim, uma Casa
política, um espaço político, e nós temos de dar resposta à sociedade em
apurar, sim, todo sos casos de desvio e de corrupção que surjam aqui. Quem não
quer isso é que não quer a investigação até o fim.
Era isso, Sr Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Senador
Eduardo Paes.
Eu só queria fazer algumas
considerações. Primeiro, em relação ao horário. Estou absolutamente de acordo.
Nós inclusive, Senador César Borges, a partir da próxima semana, até em uma
avaliação que fizemos, teremos apenas uma oitiva por dia, começando às dez
horas, até para que aproveitemos bem o tempo disponível de cada Parlamentar.
Com isso, efetivamente, contribuiremos para não haver um trabalho estafante
como está ocorrendo em função das oitivas das últimas semanas.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Será que a Senadora Heloisa Helena,
com essa decisão, vai poder chegar um pouco mais tarde para permitir que, nessa
disputa, eu não tenha que vir para cá às seis e quinze, para chegar antes dela?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vai poder chegar um
pouco mais tarde, como todos os demais Parlamentares.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB - RJ) – Ela acorda muito cedo, Sr Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O segundo ponto que eu
gostaria de registrar também é a questão dos documentos. Evidentemente, como
foi dito aqui, a CPI tem um componente político intenso. Claro, isso é
evidente.
Em função até dos fatos
todos que se precipitaram ao longo das últimas semanas, talvez até algumas
oitivas foram aceleradas, que não foi acompanhado das informações necessárias
para que, como diz o Senador Pedro Simon, aproveitássemos bem a oitiva de
alguns depoentes.
Claro que, em função dessas deficiências,
fomos atropelados um pouco pelos fatos e, depois, pelo encaminhamento da
documentação, sofremos com isso. Vamos ter de ouvir mais uma vez algumas
pessoas que já convocamos, e iremos ouvir.
Quero deixar bem claro e
registrar a preocupação dos Parlamentares em relação à documentação. Já
encaminhei todos os requerimentos há mais de uma semana e meia ao Banco Central
e aos bancos que movimentavam as contas bancárias de empresas e de pessoas que
vieram aqui depor.
Amanhã, estou indo com o
Relator, Deputado Serraglio, ao Banco Central. É fundamental, Senador Sérgio
Guerra, que tenhamos tempo, depois da próxima semana – ouviremos na terça-feira
o Sr. Sílvio Pereira e, na quarta-feira, o Sr. Delúbio – para nos debruçar
sobre as informações e sobre o cruzamento de informações. Para isso, temos que
ter toda a documentação, não só em função dos depoimentos da próxima semana,
mas também para fazer uma avaliação crítica dessas informações todas que, não
tenho dúvida, nos levarão a um encaminhamento absolutamente correto das
investigações da CPMI dos Correios.
No que se refere à CPMI do
Mensalão, à CPMI dos Correios, é um fato ultrapassado e decidido pelas
Lideranças. Creio que não compete mais aqui nenhum tipo de ilação, nenhum tipo
de debate com relação a essa questão.
Senador César Borges, quero
também registrar que tínhamos mandado uma agenda efetiva, por e-mail.
Tínhamos encaminhado a agenda de hoje como previsão. Tivemos que fazer alguns
ajustes, depois posso comunicar a V. Exª, até por questões de ordem pessoal de
alguns depoentes. Por isso, consolidamos essa agenda, praticamente em cima da
hora, com os dois ex-presidente e, depois, com o Presidente da Skymaster.
Evidentemente, isso aconteceu por motivos outros e não ocorrerá mais. A Mesa
Diretora tem absoluta convicção de que, até para pautar o trabalho dos
Parlamentares, temos que ter uma agenda definida com a devida antecedência.
Dito isso, gostaria de
convidar o ex-presidente para prestar o seu depoimento como investigado,
segundo a minha Assessoria, Dr. Airton Langardo Dipp – eu o conheço como Airton
Dipp, ex-Deputado –, ex-Presidente dos Correios.
Gostaria que S. Sª viesse à
mesa para que iniciemos os trabalhos do dia de hoje.
Quero fazer uma sugestão as
V. Exªs. Poderemos hoje, excepcionalmente, em vez de quinze minutos, fazer dez
minutos? (Pausa)
O SR. (Orador não
identificado) – De acordo,
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Faremos, então, dez
minutos com o ex-Presidente, Airton Dipp e, depois, manteremos a programação
das demais oitivas com os próximos depoentes.
O ex-Deputado Airton Dipp
presta depoimento como investigado. Passo a palavra ao Sr. Airton Dipp.
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Sr. Presidente, Sr. Relator,
Srªs e Srs. Deputados, Srªs e Srs. Senadores, nós estamos aqui na CPMI dos
Correios, na realidade numa posição bastante indesejável. Mas, por outro lado,
é uma oportunidade que nós temos para apresentar o que realizamos durante o ano
de 2003 à frente da Presidência dos Correios e, também, para tirar todas as
dúvidas possíveis sobre a nossa gestão.
Nós atuamos como gestores
públicos na nossa atividade política e administrativa. Sempre tivemos por
princípio a transparência, a participação e a austeridade da coisa pública. Nós
iniciamos, em 1989, como Prefeito Municipal de Passo Fundo, Rio Grande do Sul;
fomos Secretário de Estado de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, durante o
ano de 1993, no Governo Alceu Colares; duas vezes Deputado Federal, de 1995 a
1998 e de 1999 a 2002; Presidente dos Correios em 2003; e, após,
Superintendente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul; e, novamente,
agora, Prefeito Municipal de Passo Fundo.
Tenho certeza absoluta de
que os esclarecimentos que faremos aqui são importantes para os congressistas,
muito importantes para toda a Nação brasileira e, particularmente, para mim.
São importantíssimos para a população de Passo Fundo, da qual eu sou o Prefeito
Municipal, e que nós precisamos, na realidade, dentro da nossa gestão, otimizar
as atividades econômicas e sociais do nosso Município.
Quando assumi a Presidência
dos Correios, em fevereiro de 2003, foi por indicação do meu Partido, o PDT,
pelo Estado do Rio Grande do Sul, e a convite do Ministro Miro Teixeira. E
assumimos a Presidência dos Correios dentro do intuito de fortalecer os
Correios como empresa pública, universalizar os serviços, reduzir custos e
otimizar a receita. Por quê? Porque encontramos os Correios, em 2003, dentro de
uma seqüência que vinha, nos últimos cinco anos, com o crescimento da receita
operacional muito menor que o crescimento das despesas de custeio.
Em 2002, nós tivemos um
déficit operacional dos Correios de duzentos milhões de reais, e isso não era
salutar para uma empresa pública.
Nesse ano de 2003, dentro
dos princípios também determinados pelo Ministério das Comunicações, nós demos
total transparência a nossa atividade. Implantamos, Sr. Presidente, Sr.
Relator, o pregão eletrônico. Aliás, o pregão eletrônico era previsto no
Orçamento de 2003 com uma rubrica destinada de seis milhões de reais para a sua
implantação. Nós implantamos o pregão eletrônico em convênio com o Banco do
Brasil, sem nenhum custo para os Correios. Esse convênio foi feito com o Banco
do Brasil e, a partir, então, de meados de 2003, iniciamos o processo de pregão
eletrônico.
Também elevamos, até mesmo
por determinação do próprio Ministro, o orçamento dos Correios, através da
Internet, para que todos pudessem ter acesso à execução orçamentária.
Fizemos a divulgação de
todos os contratos dos Correios, do último ano, dentro do site dos
Correios, para o acompanhamento por parte da população. E implantamos o
acompanhamento também do sistema eletrônico de licitações.
Em relação à nossa gestão –
e a nossa gestão tem sempre uma característica participativa, uma discussão
ampla com empregados, funcionários –, por onde nós passamos implantamos o
planejamento estratégico, até 2007, com a participação de mais de 1.400
empregados dos Correios e, pela primeira vez, com a participação efetiva das
diretorias regionais no planejamento estratégico da empresa, porque sempre era
muito distante a administração central, as diretorias de área, das diretorias
regionais.
E fizemos, dentro do
controle de autoridade e transparência, uma implantação administrativa que
entendemos ser fundamental em uma gestão participativa.
Os Correios têm uma gestão
colegiada com seis diretores de áreas e o Presidente, mas as ações são sempre
desencadeadas por cada área específica, para que se possa aprovar ou não por
parte da diretoria colegiada ou dos encaminhamentos por parte do Presidente. E
nós implantamos três comitês aprovados em reunião de diretoria para que
pudéssemos fazer com que funcionários empregados que não fossem diretores e que
pertenciam às mais diferentes áreas pudessem acompanhar o processo de, por
exemplo, autorização de compras estratégicas. Todas as compras estratégicas da
empresa passavam por um comitê formado por funcionários do segundo e terceiro
escalões, assessores, para que se pudesse ter uma visão do todo da empresa.
Criamos outro comitê de gestão da receita operacional para utilizar as
receitas, também com a participação de todas as diretorias e não somente da
diretoria especifica que pudesse estar tratando da área. E da mesma maneira da
gestão de redução de custos da empresa, que foi fundamental para nós
retomarmos, então, a redução de custos que poderia ser feita nos Correios.
Quando nós assumimos os
Correios, recebemos um relatório da equipe de transição do Ministério de
Comunicações especifica dos Correios em que foram apontadas algumas ações que
teriam que ser desencadeadas, como um reexame da rede postal noturna, um
reexame do consórcio Cegelec, da automação de centrais de distribuição, e
também um reexame do processo de franquias nos Correios. Isso foi feito durante
a nossa gestão. E que possamos agora detalhar ao Sr. Relator e aos Srs.
Deputados e Senadores.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a
palavra ao nobre Relator Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srs.
Parlamentares, Sr. Convidado Depoente, uma das coisas que têm norteado a
investigação desta Comissão é a dependência estabelecida em relação a partidos
políticos na escolha dos que iriam comandar as estatais, no caso de V. Sª, os
Correios. Como V. Sª foi o primeiro a organizar os Correios em uma nova
administração federal que se iniciou com o Governo do Presidente Lula, a
pergunta é: teria V. Sª condições de nos esclarecer uma a uma as diretorias que
comandou a sua gestão? Como foi realizada a seleção dos diretores?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Quando eu fui convidado pelo
Ministro Miro Teixeira para assumir a Presidência dos Correios, nós aceitamos o
convite do Ministro e, atendendo ao detalhamento do organograma dos Correios,
solicitamos ao Ministro que pudéssemos nomear a diretoria financeira e a
diretoria administrativa da empresa, porque entendemos que é um ponto bastante
sensível para o gestor público.
As duas diretorias foram
então indicadas por mim: Dr. Gabriel Fadel na Diretoria Administrativa e Dr.
Gerson Carrion na Diretoria Financeira.
O Dr. Gabriel Fadel é
ex-Procurador do Estado do Rio Grande do Sul, ex-Secretário de Administração do
Governo Estadual, e o Dr. Gerson Carrion é ex-Diretor Financeiro da Companhia
Estadual de Energia Elétrica.
As demais quatro diretorias
foram indicadas pelo Governo Federal, através do Ministro Miro Teixeira, do
Presidente da República, e não temos conhecimento da sua origem em relação à
indicação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª
desconhece totalmente o vínculo partidário ou político de onde se teria
originado a indicação dos demais quatro diretores?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Desconheço com relação à
indicação...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ainda
que por ouvir dizer?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Em relação aos demais quatro
diretores, o Diretor Comercial já estava como Diretor da Empresa de Correios na
administração anterior. O Dr. Paulo Menicucci foi mantido no cargo. Os dois
diretores funcionários, o Dr. Madureira, na área de operações, e o Diretor
Eduardo, na área de tecnologia, funcionários de carreira. E o Dr. Osório ouvia
dizer que a indicação era do PTB, mas não por parte do Ministro, e sim em
relação à nossa atuação nos Correios.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A
única notícia de indicação de partido político que V. Sª teve foi do PTB? O PT
não teve nenhuma participação na escolha de diretorias?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Nas diretorias de área...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou o
PMDB?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Que eu saiba não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem
aparentavam ter uma certa ligação? Não tinham uma proximidade maior com alguns
partidos políticos esses diretores? Participavam de eventos políticos do
partido? Algo que indicasse que algum elo teriam com algum partido?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Que eu saiba não participavam
de eventos políticos e, se não me engano, O Diretor Comercial era filiado ao
PSDB, não tenho certeza absoluta, e os dois demais diretores, que eu saiba, não
tinham filiação partidária. E as minhas indicações são filiadas ao PDT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na
área de publicidade, havia uma ingerência? Enfim, que tipo de vinculação havia
dos Correios em relação à Secom?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – A publicidade em relação à
nossa gestão, execução de patrocínios e publicidade no ano de 2003, portanto
nós executamos um contrato oriundo de 2002, conforme o orçamento dos Correios,
elas tinham...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Quantos milhões?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Nós executamos R$60 milhões
no ano de 2003.
Em relação ao patrocínio – e
essa gestão é dentro da área da Presidência, o responsável é o Presidente,
juntamente com o seu departamento de marketing –, toda a iniciativa era oriunda
da nossa gestão e das solicitações dos mais diferentes pontos do País, através
de políticos, Prefeitos, Vereadores, entidades, eventos. E os patrocínios acima
de R$50 mil eram examinados por uma comissão mista interministerial, coordenada
pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal para que pudessem ser
aprovados ou não, e só após eram aprovados na reunião de Diretoria, uma vez já
decidida por parte do Presidente a inclusão em pauta do patrocínio.
Em relação à publicidade,
não havia nenhum tipo de ingerência da Secretaria de Comunicação em relação à
gestão da publicidade, com exceção da negociação que foi feita entre todas as
estatais do País em relação aos principais veículos de publicidade, que foi
coordenada, sem dúvida alguma, pela Secretaria de Comunicação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – RS) – Então, em determinado
momento as estatais foram chamadas a estabelecer um critério único de
publicidade?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – É, até para se obter um valor
o menor possível em relação à divulgação na mídia em relação às estatais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – RS) – Quando V. Sª assumiu
os Correios, havia agência, na verdade, duas agências que poderiam ter a
prorrogação dos seus contratos, tal estava previsto no contrato inicial, e, no
entanto, no primeiro ano do seu mandato, ou no seu mandato, isso se pôs de lado
e se iniciou uma negociação que se aportou a uma nova licitação. Nesse período
de elaboração dessa nova concepção de publicidade, V. Sª poderia nos indicar
quando conheceu Marcos Valério?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Inicialmente, em relação à
nossa execução do orçamento, ela foi feita com duas agências oriundas do
contrato de 2002, mas, na realidade, eram três agências que eram oriundas de
uma licitação, mas o contrato foi revogado, ainda em 2002, em relação a uma das
agências. Então, havia uma certa limitação contratual porque eram três agências
que administravam a publicidade, com valores variando em relação ao próprio
edital da concorrência pública. Então eram duas agências.
Em relação à nova licitação,
o contrato findava-se, se não me engano, em setembro de 2003, e nós
providenciamos, através do Departamento de Marketing, a nova licitação. O
contrato é anual, de acordo com a Lei de Licitações, que pode ou não ser
prorrogado por mais quatro anos do início do seu contrato, e nós optamos por
uma nova licitação que pudesse abranger três agências de publicidade, como era
a norma dos Correios, como vinha acontecendo nos últimos anos.
Essa licitação foi
desenvolvida pelo Departamento de Marketing, acompanhada pela Secretaria de
Comunicação, de acordo com o decreto de 1999, que examina todo o encaminhamento
legal. A própria licitação aprova ou não para que ela possa ser aprovada
definitivamente pela Presidência para ser lançado, então, o edital de
licitação.
Em relação ao publicitário
Marcos Valério, eu nunca conversei com o publicitário. Participaram dessa
licitação 55 agências de publicidade de todo o País. Algumas agências, durante
o processo de licitação, visitaram os Correios, a Presidência, acompanhados ou
não de Deputados, e eram sempre encaminhados ao Departamento de marketing para
que pudessem ter acesso àquilo que estava sendo feito pelos Correios.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ainda sobre a
constituição da sua diretoria, temos uma denúncia de que houve um
aproveitamento exagerado de líderes sindicais, talvez não nas diretorias mas no
terceiro escalão e sobremodo nas diretorias regionais. Como se procedeu a
escolha dos diretores regionais na introdução desse novo governo?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Os diretores regionais, na
nossa gestão de 2003, eram e são todos empregados de carreira dos Correios. A
escolha dos diretores regionais – e o diretor regional, na realidade, é uma
representação da empresa em cada Estado da Federação – foi feita pelo
Ministério das Comunicações, pelo Ministro Miro Teixeira em relação aos
diretores regionais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Presidência dos
Correios não teve participação na escolha dos diretores regionais?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – A participação da Presidência
e dos demais diretores era examinar em relação aos nomes indicados e aprovar ou
não em reunião de diretoria, conforme as normas existentes na própria imprensa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como se procedia a
escolha dos membros das comissões especiais de licitação, não da permanente?
Que tipo de interferência tinha a Presidência nessa escolha?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Pelo que me lembre, comissões
especiais de licitação foram muito poucas. Lembro-me da comissão especial de
licitação das agências de publicidade, porque trabalhamos sempre com a comissão
permanente de licitação ou com a pregoeira, porque a preferência que tínhamos
na nossa gestão era de onde fosse possível incluir, dentro da legislação
vigente, o pregão presencial nas grandes compras que fossem feitas por pregão
presencial essas compras.
Em relação à comissão
especial de licitação das agências de publicidade, foi feita uma sugestão da
Secretaria de Comunicação para que fosse feita uma comissão mista dos Correios
e da Secretaria de Comunicação. Nós consultamos o Ministro Miro Teixeira, que
concordou em razão de a própria legislação, o decreto de 1999, ter um
acompanhamento especial por parte da Secretaria de Comunicação. Foram indicados
os membros da Secretaria de Comunicação, os membros dos Correios foram
indicados por mim, dentro da diretoria, por sugestão inclusive do diretor de
marketing, Dr. Otaviano, e fizemos a portaria regularizando essa questão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas os membros que V.
Sª indicou eram minoritários na comissão?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Não tenho absoluta certeza,
mas se não me engano foram cinco membros, sendo dois dos Correios e três da
Secretaria de Comunicação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, quem comandou
a licitação de publicidade, na verdade, nos Correios, foi a Secom?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Não diria quem comandou. É
uma comissão especial de licitação integrada por servidores públicos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem elaborou o edital
de licitação dessa publicidade?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Toda a iniciativa da
licitação foi feita pelo Departamento de Marketing. O edital é feito pela
Comissão Especial de Licitação, depois, aprovado...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Portanto, o edital foi
elaborado pela maioria, oriunda da Secom?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Dentro dessa questão, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Num determinado momento,
havia o encaminhamento dessa licitação com um determinado norte. Aí houve uma
interferência mais incisiva da Secom a ponto de ter de se alterar o edital, que
já vinha praticamente consolidado? Uma nota, algo emanado da Secom, que
interferisse?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – A Secretaria de Comunicação
teve sugestões em relação ao edital no seu exame, que foram atendidas pelos
Correios e aprovadas, então, em relação à mudança do edital em questões
pontuais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não fosse essa
mudança, a SMP&B poderia ter se habilitado?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Em relação à mudança...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa nota alterou os
critérios de habilitação. Havia necessidade dessa alteração ou desse
direcionamento? Houve essa intenção?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – A alteração que... As três
agências vencedoras da licitação não teriam nenhum problema em relação a essa
notícia que foi dada, em relação à mudança do patrimônio, em relação à
alteração para R$1,8 milhão. Nenhuma das agências teria problema em relação a
essa questão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Recebemos aqui a
secretária do Sr. Marcos Valério, que nos noticiou que, na véspera da abertura
da licitação de publicidade, eles já haviam comprado todos... Enfim, haviam
preparado a festa de comemoração da vitória certa na licitação. Em outras
palavras, traduziu-nos que havia uma negociação estabelecida em torno da
vitória do Marcos Valério. V. Sª, que era o presidente na época, pelo menos
ouviu falar alguma coisa? Teve notícia ou mesmo depois que leu? Que tipo de
informação tem a nos dar em relação a esse propósito?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Em relação a essa questão,
nunca ouvi falar, a não ser agora, através da imprensa, mas nem conhecia essa
agência, muito menos o Sr. Marcos Valério, quando estávamos trabalhando nos
Correios.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, o Sr.
Marcos Valério já era fornecedor de publicidade dos Correios.
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Dos Correios? Que eu saiba
não. A SMP&B venceu a licitação de 2003.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A primeira. Não se
percebia que, digamos, não tinha muita proximidade com V. Exª, mas tinha
trânsito livre na Secom?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Não poderia responder a essa
pergunta porque, na realidade, essas questões de patrocínio, de negociação com
a própria mídia, eram feitas pelo representante dos Correios, o chefe do
Departamento de Marketing, Dr. Otaviano. Então, eu não tinha esse contato
direto com a agência, a não ser na apresentação e na aprovação final de um
determinado produto que seria lançado no mercado. As agências, isso durante a
gestão dos Correios, apresentavam ao diretor de área e ao presidente para que
pudéssemos autorizar ou não a campanha publicitária. Mas não trabalhamos com
essas três agências vencedoras da licitação. Trabalhamos, em 2003, com a
agência Oglio e, se não me engano, com a agência Jácome, que eram as duas
habilitadas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com as quais teria
sido possível a prorrogação, diante do contrato anterior de que dispunham?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – Possíveis, vamos dizer,
todos os contratos de prestação de serviços são, mas ela já tinha alguma
dificuldade, porque havia limitações na execução do contrato oriundas da
licitação que tínhamos através de três empresas, em uma havia sido rescindido o
contrato na gestão anterior, que não sabemos o motivo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – E por que não se licitou apenas essa parte dessa terceira empresa, ao
invés de se eliminar todas as que já estavam prestando serviços?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – Foi opção da empresa, da
chefia do Departamento de Marketing, que achei salutar, uma nova licitação,
porque toda licitação – agora fala um gestor público – sempre é salutar para
que tenhamos, pelo menos, a obtenção dos melhores preços de mercado em qualquer
atividade pública.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Mas ela também pode servir de mecanismo para que alguém que ainda não
esteja prestando, ou a retirada de alguém que está corretamente prestando, e se
viabilize o ingresso de alguém a quem se pretenda abrir os caminhos. Apenas
hipótese, evidentemente. Não significa que isso tenha ocorrido. V. Sª pode nos
dizer, pelo menos pela última resposta, aparentemente, se quem teria
desencadeado essa licitação teria sido a Diretoria de Marketing, essa idéia de
uma nova licitação?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – Diretoria de Marketing.
Porque cada diretoria de área e, do caso, da Presidência acompanha e faz a
gestão de todos os contratos. Se o contrato é de uma área administrativa, a
gestão é da área administrativa; se é da operacional, da área operacional; e,
no caso da publicidade, é da Presidência, do Gabinete do Presidente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Quem era o Diretor de Marketing?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – O Diretor de Marketing
era o Dr. José Otaviano. Aliás, é bom ressaltar que os chefes de departamentos
na presidência foram, todos eles, mantidos, da gestão anterior a 2003 dos
Correios, porque são empregados qualificados e com uma atuação assim muito boa
em defesa dos Correios.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Chegou a circular alguma notícia de alguma proximidade maior, alguma
amizade maior entre o Sr. José Otaviano e o Sr. Marcos Valério?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – O Sr. Marcos Valério freqüentava a Diretoria de Marketing?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – Não conheço e...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)
– Quais as licitações maiores que foram realizadas sob sua administração?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – Licitações maiores? Uma
delas foi a licitação de servidores da empresa para que pudéssemos integrar
toda a rede corporativa dos Correios em todo o País e aumentarmos a nossa ação
em relação à dotação de equipamentos nas nossas agências para agilizarmos a
instalação do próprio Banco Postal. Essa licitação foi realizada pela área de
tecnologia sob a forma de pregão presencial, e tivemos, nesse pregão, uma
redução significativa dos valores estimados, do valor de referência, se não me
engano, da ordem de R$140 milhões, e conseguimos em torno de R$105 milhões.
Essa foi uma licitação bastante, vamos dizer, comemorada pelos gestores dos
Correios. Em relação a licitações maiores, tivemos a licitação, através também
do pregão presencial, dessa questão da Rede Postal Noturna, onde fizemos uma
redução da ordem de R$42 milhões, R$46 milhões dos contratos vigentes, com
exceção de duas linhas, onde a empresa Skymaster não aceitou a renegociação
feita pelos Correios. Então, realizamos o pregão presencial, e houve uma
redução significativa da ordem de 50 milhões. Aliás, a Rede Postal Noturna
tinha um dispêndio para os Correios, anual, de R$400 bilhões. E, a partir dessa
renegociação, a partir desse pregão presencial, foi reduzida da ordem de R$100
milhões. O efeito disso, infelizmente, se deu só a partir de 2004, porque todas
essas tratativas foram realizadas no segundo semestre de 2003. Então, na nossa
gestão, não tivemos a felicidade de reduzir os custos. Quer dizer, tivemos
ação, mas não no resultado da própria empresa em 2003.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Skymaster, nessa
licitação a que V. Sª fez referência, o preço que ela ofereceu em relação ao
preço precedente que ela vinha praticando dava a entender que a proposta era
inexeqüível?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Não entendi bem. Em relação à
licitação?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela vinha
prestando serviço, aí se submeteu a uma licitação. Ao apresentar o preço, esse
preço, segundo a sua ótica, poderia ser interpretado como sendo um preço
impraticável, inexeqüível?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Na realidade, quando tratamos
da redução de custos da Rede Postal Noturna, foi criado um grupo de trabalho
específico de reexame de todo o processo de...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem comandava esse
grupo era o Brigadeiro?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Não. O grupo era formado por
empregados da empresa multidisciplinar de todas as áreas e com a consultoria do
Brigadeiro (Venâncio) Grossi.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como foi
escolhido o Brigadeiro Grossi?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – O Brigadeiro Grossi foi
escolhido por mim, pelo Presidente da empresa, já que o grupo é da Presidência,
pelas referências que tínhamos, em primeiro lugar, como ex-Diretor-Geral do DAC
por muitos anos, e que é uma instituição que conhece profundamente essa área.
Em segundo lugar, nós até não pensávamos em ter um consultor externo, mas como
havia muitas correntes de tratativas em relação à Rede Postal Noturna – umas
correntes dentro da empresa achavam que qualquer tipo de licitação para a Rede
Postal Noturna traria custos maiores para a empresa em relação à licitação
pública, outras correntes achavam que era melhor os Correios adquirirem aviões
próprios para efetuar o serviço com redução de custos – nós entendíamos, então,
que uma consultoria era importante. Recebemos vários consultores, desde
empresas particulares, fundações, universidades, e entendemos que o melhor
encaminhamento era com alguém conhecedor do assunto. Tive uma referência muito
positiva, através do chefe de gabinete, que é o atual Presidente dos Correios,
o Dr. Janio Pohren, de que o Brigadeiro já havia prestado serviços para os
Correios, com grupos de trabalho de avaliação de custos de aeronave, cujos
trabalhos eram muito bons e que eram uma referência também positiva. Acho que
foi positivo para que pudéssemos, na realidade, fazer uma reavaliação geral
dessa questão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A manutenção desse
Brigadeiro em Brasília corria à conta de quem?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Esse grupo de trabalho teve
uma duração de 90 dias. Foi contratado pelos Correios. Durante esses 90 dias, o
grupo de trabalho desenvolveu uma metodologia – voltando à sua pergunta
anterior – de critérios de avaliação com as diretorias, especialmente as
diretorias regionais de São Paulo, Rio de Janeiro, que têm os maiores volumes
de tráfego de cargas para o resto do País, e todas essas metodologias foram
desenvolvidas pelo grupo em relação a todos os custos inerentes ao transporte
aéreo. Após esse grupo de trabalho – e aí terminou a participação do Brigadeiro
–, foi criado, dentro do Comitê de Redução de Custos, um grupo específico de
renegociação de contratos, onde tivemos então, também em parceria com o Banco
do Brasil, orientações gerenciais de renegociação de contratos, já que o Banco
tem know how nessa área – os Correios não tinham esse know how –,
e esse grupo de trabalho, que é um outro grupo de trabalho, que realizou essas
renegociações.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tomou
conhecimento de que uma das empresas de transporte aéreo teria efetuado o
pagamento das despesas desse Brigadeiro?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Sim, sim. Isso no processo
já, lá no final do processo, no final do ano, no processo desencadeado por nós,
pelo grupo de trabalho, para o pregão presencial, houve essa denúncia ao
Ministro Miro Teixeira sobre essa questão lá do início do processo. O Ministro
Miro Teixeira me chamou, foi repassada toda essa questão para o Assessor
Jurídico do Ministério para que tomasse as providências. Eu, particularmente,
solicitei à Contadoria-Geral da União, através do próprio Ministério, para que examinasse
os contratos, e ao Tribunal de Contas da União, para que se examinasse todo o
processo e se avaliasse todo o estudo que foi feito pelo grupo, essas medidas
foram tomadas, e foi mantido o pregão. Em relação aos custos, se foi um valor
muito ou não, a redução, houve, na realidade, a participação de várias
empresas, mas a concorrência, na realidade, o pregão, ficou a cargo de três
empresas, entre elas a Skymaster e a
Varig Log, que ficaram então disputando esses valores. A expectativa que nós
tínhamos, em função dos estudos feitos, era difícil dizer, mas de uma ordem de
20% a 15% de redução. Mas foi feita uma disputa muito intensa entre essas
empresas, dentro do pregão, e que foi homologado pela diretoria, porque treze
empresas disputaram esses valores, uma redução significativa para a empresa e
que entendo que seja – e foi – salutar para a nossa gestão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Supõe-se que
as empresas contratadas pela Administração Pública estejam no limite da
possibilidade de preços a serem praticados, porque participam de uma licitação.
Portanto, era de se supor que quem estivesse prestando serviços aos Correios
estivesse no limite. A pergunta é: o que V. Sª percebeu que havia de não,
enfim, explicável ou coerente a ponto de “forçarem”, enfim, estabelecerem uma
negociação para a redução? O que levou V. Sª a perceber que havia uma
necessidade de redução?
O SR. AIRTON
LANGARDO DIPP – A indicação do
relatório de transição do Governo Federal antes de nós assumirmos, esse
processo de transição que foi feito nos Ministérios e nas empresas estatais.
Recebi um relatório, que está no Ministério das Comunicações, nos próprios
Correios, onde indicava que deveria ser feito um reestudo urgente na questão da
Rede Postal Noturna, do Consórcio Cegelec e da questão de franquia. Esses três
assuntos foram, durante meus onze meses, desencadeados na nossa gestão.
Eu estava procurando
aqui, Relator, uma tabela das reduções. É importante frisar que criamos também
um grupo de trabalho específico para reequilíbrio e repactuação de contratos na
empresa. Porque o reequilíbrio e a repactuação de contratos nas empresas eram
feitos somente nas áreas específicas, onde o gestor de contrato estava atuando.
E, nós, para termos uma visão de empresa, uma visão coorporativa, onde o
reequilíbrio e a repactuação tinham que ter as mesmas diretrizes, e todas as
áreas tinham que estar presentes, acompanhando a financeira, a administrativa,
enfim, a comercial, todas as áreas. Esse grupo que foi criado em maio tratou
dos contratos também com redução nas repactuações que foram pedidas nos
Correios e nos reequilíbrios, que, normalmente, vinham sendo concedidos durante
a própria vigência dos contratos. Então, foi um trabalho também que deu uma
redução da ordem de R$50 milhões e que nós, em relação à Rede Postal Noturna, é
bom frisar, o grupo de trabalho não tinha um valor definido dos custos de
operação, o que tinha era uma metodologia, uma redução em algumas linhas, que
aí eu não posso identificar, de redução de cargas, porque, ao longo dos últimos
anos, não se comportava mais aquela situação. E com a negociação direta com a
empresa, com o fornecimento dos dados diretos da empresa em relação a seus
funcionários, em relação à compra de combustível, enfim, era calculado,
conjuntamente, os novos valores. É bom frisar que nós tínhamos, e algumas foram
reduzidas em 10%, outras em 4%, mas as solicitações de repactuação que eram
sempre significativas. Então, não foi concedida a repactuação e, ainda,
reduções.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que explica que só a Skymaster não
aceitou essa redução?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPPD – Bom, foi a única empresa que não aceitou. Ela
propôs manter o preço vigente que estava sendo cobrado e que, por entendimento
do grupo de trabalho, não era significativa a redução em relação a essa linha.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se bem que
quem pegar o histórico das linhas vai perceber que, antes de V. Sª atuar, ela
deu um salto meio inexplicável. Ela pulou de R$13 milhões para R$48 milhões,
uns dois anos antes da sua administração. O que significa que ela veio,
realmente, fortalecida em matéria de valor e que, aparentemente, teria
condições, sim, de reduzir.
Em relação às franquias, qual é a visão
de V. Sª em relação à existência de manipulação política das franquias?
O SR. AIRTON LANGARDO DIPP – Na nossa gestão?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Fez alguma
investigação, aprofundou a visão de, efetivamente, quem são os titulares das
franquias?
O SR. AIRTON LANGARDO
DIPP – Não. Em relação aos titulares
das franquias, não. O que nós fizemos, durante a nossa gestão, foi um grupo de
trabalho específico para rever a questão das franquias, propondo novas
alternativas para o futuro. Porque as franquias foram concedidas alguns anos atrás,
e, na época, foram concedidas sem nenhum tipo de licitação pública, as atuais
agências de franquias.
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