TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DA DEPOENTE
Srª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA
(09/11/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

DÉCIMA PRIMEIRA REUNIÃO DA SUB-RELATORIA DE CONTRATOS DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 09 DE NOVEMBRO DE 2005 ÀS 11:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Declaro aberta a 11ª Reunião da Sub-relatoria de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada através do Requerimento nº 03, de 2005, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos dos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Sobre a mesa, encontra-se a Ata da reunião anterior, a qual coloco em votação, propondo aos Srs. Parlamentares presentes a dispensa da leitura.

Os Srs. Parlamentares que concordam permaneçam como se encontram. (Pausa.)

Aprovada por unanimidade.

A pauta da presente reunião é destinada à oitiva de dois depoentes: Emily Sonia Fukuda Yamashita e Ernesto Duarte.

No que se refere ao Sr. Ernesto Duarte, esta sub-relatoria recebe, em mãos, informação de que o depoente está internado no Hospital e Maternidade Voluntários – hospital e maternidade, é melhor esclarecer, para evitar qualquer mal-entendido –, havendo, aqui, uma série de documentos que foram devidamente encaminhados a esta sub-relatoria, razão pela qual, então, não poderemos, hoje, coletar o depoimento deste depoente designado.

Porém, quero observar que, relativamente a essa mesma unidade franqueada, já estamos designando o depoimento, para a próxima terça-feira à tarde, do Sr. João Leite Neto. Portanto, já fica designada, relativamente a essa mesma unidade, a oitiva do Sr. João Leite Neto, atendendo o requerimento de S. Exª a Juíza Denise Frossard. O depoimento está relacionado, portanto, a essa mesma unidade.

Podemos então, de imediato, passar para o primeiro. Aliás, o único depoimento da sub-relatoria, nesta tarde, da Dona Emily Sonia Fukuda Yamashita.

Peço que ela seja conduzida até a mesa, para que possamos iniciar os trabalhos.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Para uma questão de ordem, Senador Alvaro Dias.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Apenas para registrar que V. Exª, em que pese a ausência de Parlamentares para este depoimento, vai cumprir o seu dever com a competência de sempre. V. Exª, certamente, vale por muitos e representa todos neste momento.

Menos sorte tem o outro sub-relator, que não poderá colher o depoimento, hoje, da Srª Soraya, que, embora ela estivesse presente, foi adiado sine die, em razão, segundo se informa, de um pedido do Presidente da República. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao Presidente da CPMI, Delcídio Amaral, que adiasse sine die o depoimento da Srª Soraya.

Eu confesso, Deputado José Eduardo, que não tive oportunidade, ainda, de conversar com o Presidente Delcídio, mas, de qualquer maneira, se esse fato se confirmar e se isso for verdadeiro, é muito grave. O Presidente da República, em que pese o fato de ser a maior autoridade do País, não tem essa prerrogativa. É uma interferência indevida, mas pior do que a interferência do Presidente é a aceitação dela.

Portanto, não quero me precipitar. É uma informação que me chegou agora, nos corredores, mas, de qualquer maneira, faço questão do registro. Se for necessário, obviamente, posteriormente, retirarei esse registro, mas eu não poderia ficar calado e, na primeira oportunidade, me manifestar a respeito disso.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agradeço, Senador Alvaro Dias. Eu, sinceramente, desconheço o assunto e nem sabia que havia sido desmarcado, mas, com certeza, o Presidente Delcídio Amaral dará as devidas explicações do caso.

Apenas uma retificação, Senador Alvaro Dias: eu disse terça-feira, mas é na próxima quinta-feira. Terça é feriado.

Bem, inicialmente, agradeço à Dona Emily a presença.

V. Sª está acompanhada por advogado? Não? Está sem advogado? Está com advogado? (Pausa.)

Então, se V. Sª pudesse declinar o seu nome, por gentileza, e quisesse sentar-se à mesa...

Presente o Dr. Dagoberto José Steinmeyer, OAB, São Paulo. Infelizmente, como eu não trouxe meus óculos, o senhor vai ter que dizer... 17.513.

Então, feito o registro do advogado, esclareço que a nobre depoente, Srª Emily Sonia, aqui comparece na condição de testemunha, tendo, regularmente, firmado seu termo de compromisso, na forma da legislação em vigor.

Portanto, fica advertida a testemunha das penalidades legais e do compromisso que tem relativamente ao presente depoimento.

De imediato, passo a palavra à depoente, indagando se gostaria de fazer uso dela para uma exposição preliminar sobre os motivos e fatos que ensejam a sua convocação neste momento.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Boa-tarde, Sr. Presidente; boa-tarde, Sr. Relator.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu queria que aumentassem um pouco o volume do som, por favor, do microfone da depoente.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Nós gostaríamos de fazer uma breve apresentação e pediríamos permissão a V. Exªs para apresentar alguns números do segmento que representamos. Poderíamos fazê-lo na forma do datashow, do Power Point, porque acho que agilizaria, inclusive, a apresentação?

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De acordo, nenhum problema. V. Sª pode, então, conduzir a exposição como achar interessante.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Pois não, muito obrigada.

Eu gostaria, também, de ressaltar, que, na seqüência da apresentação, deixaremos, também, uma cópia física e, se necessário, em via magnética, para ser anexada junto aos autos.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito. A documentação será devidamente juntada aos autos desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

Tem V. Sª a palavra para a exposição.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Estamos vindo aqui na qualidade de Presidente do Conselho Deliberativo da Abrapost – Associação Brasileira de Empresas Prestadoras de Serviços Postais. É uma entidade que reúne 23 associações estaduais ou regionais, que congregam empresas, que mantêm contratos de franquia empresarial com a ECT.

A rede franqueada dos Correios é composta, atualmente, por 1.466 agências ACFs, em todo o território nacional.

Nesse slide, temos aqui o mapeamento de todas as 23 entidades, no Brasil inteiro, e o número de ACFs das quais se compõem as redes estaduais.

Ao final da década de 80, houve, inclusive, várias publicações, entre elas a da revista Veja, que falavam exatamente do problema do endividamento das estatais. Na década de 70, como todos se lembram, houve grandes investimentos e grandes projetos nos setores de petroquímica, eletricidade e energia, siderurgia, telecomunicações. Entretanto, na década de 80, as estatais estavam totalmente endividadas, sem recursos, com impossibilidade de expansão e melhoria dos serviços públicos.

Em termos das empresas privadas, foi o período, no final da década de 80 e início dos anos 90, em que houve todos aquelas reengenharias, downsizes, outsourcing, etc, etc, que levaram à redução dos níveis hierárquicos, ao enxugamento das estruturas, tanto nas estatais quanto nas empresas privadas. Houve grandes planos PDVs, de demissões voluntárias, planos dos quais se originaram muitos dos nossos atuais franqueados.

Qual era a situação da ECT naquele período, no final da década de 80? Então, em 89, a estatal não tinha recursos para investimento.

Nós temos, inclusive, matérias da época em que diretores da empresa diziam que, desde 1979, a empresa não havia instalado uma única agência.

O fluxo de caixa, testemunhado, inclusive, pelos funcionários e diretores da época, era totalmente deficiente. Não havia dinheiro, inclusive, para pagar a folha de pagamento. A empresa se socorria, inclusive, dos bancos, especialmente do Banco do Brasil, para poder honrar a folha de pagamento em dia.

O atendimento era precário e deficiente, com muita insatisfação da população e das empresas que se utilizavam dos serviços. Pecava pela falta de funcionários e proibição do Governo de novas contratações.

Todos devem-se lembrar que, nesse período, realmente vigorava uma legislação que proibia as estatais de fazerem, inclusive, concursos para contratação de novos funcionários. Falta de equipamentos e a previsão, inclusive, segundo publicado naquela revista Veja, da ECT para 90 era de colapso no sistema postal.

Bom, em termos da solução de atendimento, em face de todos esses desafios, dificuldades e pontos fracos da empresa na época, uma solução interna foi concebida, foi desenvolvida para enfrentar e ultrapassar essas dificuldades.

A solução era de franchising, para arrecadar receita e não gerar despesa. Era uma solução em que a ECT não necessitava investir nem em pontos comerciais, nem em prédios e instalações, nem em manutenção, com a vantagem de disseminar, rapidamente, os pontos de atendimento, e com uma vantagem: a de o Estado continuar no controle da atividade da empresa, preservando, inclusive, as atividades que ela considera, até hoje, de monopólio e de exclusividade de mercado.

Uma outra vantagem é que a ECT, até hoje, se abastece duas vezes ao mês, em seu fluxo de caixa, com dinheiro à vista depositado por nossas empresas, sem risco de inadimplência por parte dos clientes, ou seja, dos clientes que nós atendemos em nossas lojas, em nossas agências. Nós somos responsáveis por esse pagamento frente à ECT. Se o cliente ficar inadimplente, ele está inadimplente conosco, nessas operações que nós praticamos à vista e que recolhemos aos cofres da empresa. Com isso, ela reduz os riscos financeiros.

Em termos formais, de autorização governamental, a Lei nº 6.538, de 22 de junho de 1978, em seu artigo 2º, § 3º, prevê o seguinte:

A empresa exploradora dos serviços, atendendo a conveniências técnicas e econômicas e sem prejuízo de suas atribuições e responsabilidades, pode celebrar contratos e convênios, objetivando assegurar a prestação dos serviços, mediante autorização do Ministério das Comunicações.

Nós temos cópias, já juntamos, inclusive, aos autos do processo desta Comissão uma cópia do Ofício P-0558/90, de 25 de janeiro do mesmo ano, em que o Presidente da ECT, naquela oportunidade, solicitava ao Ministério da Infra-estrutura autorização para implantação do sistema de franchising, detalhando o modelo a ser implantado. Através do Ofício 064/90, do próprio Ministério da Infra-estrutura, de 15/09, há uma autorização para implantação.

Passamos por processos seletivos que tinham sido formatados naquela ocasião, e, na ocasião, eram pré-requisitos definidos e contidos no Manual de Organização da Empresa, no Módulo 21, Capítulo 3, Anexo I. Então, quais eram os critérios para que nós pudéssemos nos habilitar – nós e qualquer outro empresário – à operação de uma agência franqueada? Deveria haver uma empresa há mais de dois anos em atividade econômica não concorrente com os Correios; comprovação da idoneidade da pessoa jurídica e das pessoas físicas sócias, através de certidões negativas; análise do perfil dos proponentes e da disponibilidade de tempo para o gerenciamento das atividades postais; uma disponibilização de estabelecimento comercial em região alvo, definida previamente em plano da ECT, com área útil mínima de doze metros quadrados. Inclusive sobre esse item de área, é importante ressaltar que existiam vários critérios para julgar e pontuar a avaliação dessas áreas oferecidas. Se fosse em prédios de mais de dois andares, seriam lojas que, preferencialmente, deveriam ficar no piso térreo, próxima à rua, de preferência ter local fácil para o estacionamento, inclusive das viaturas dos Correios. Existia, assim, algumas especificações de pontuação a respeito dos locais.

Apresentação e aprovação do layout das instalações e dos equipamentos em conformidade com as especificações técnicas predeterminadas.

O que nós sabemos – e isso está retratado inclusive em notícias de jornal –, por exemplo, em São Paulo, o jornal O Estado de S.Paulo, no início da década de noventa, publicava um chamamento aos empresários que se dispusessem a compartilhar seus balcões com o atendimento postal. Então, houve uma busca intensiva, desencadeada por diretores e gerentes da empresa, atrás de empresários, de lojistas, com reuniões nas associações comerciais locais, nas federações de comércios, nos bairros. Vários colegas nossos que tinham papelarias e outros negócios foram procurados por diretores da época, digamos, vendendo, no bom sentido, a idéia da iniciativa. Entretanto, nesse período inicial, muitas dúvidas estiveram presentes entre os franqueados procurados. A franquia era um formato novo de negócio, sem legislação específica.  A legislação veio a se firmar... a Lei de Franchising, é de 94. Então, em 89, 90, 91, nem lei havia regularizando essa atividade que estava em franca expansão no País. A relação contratual era uma relação inédita, por se tratar de um contrato administrativo, através de credenciamento e seleção técnica, conforme manual de organização e normas complementares.

Mais ainda: as dúvidas eram sobre a própria capacidade da estatal em honrar os compromissos, compromissos operacionais de escoamento das cargas captadas, compromissos financeiros de nos pagar a comissão contratual comprometida, compromissos de suprimento de produtos de materiais que nós venderíamos nas agências. E esse é um problema crônico, que até hoje, não foi só em 1990, até hoje, 2005, nós temos uma história de falta de produtos, por uma série de problemas administrativos e de modalidades mesmo, que envolvem a aquisição de produtos. Então, essas eram dúvidas que permeavam todos os empresários na época procurados e se configuravam como riscos à aplicação de recursos, ao investimento a ser feito nessa nova atividade.

Começou-se gradativamente. Em 89, teve uma unidade piloto, em 90, em 91, e até 94 foram implantadas 1.737 agências. Esse foi o total máximo em termos de quantidade de ACFs que foram autorizadas a funcionar pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Significaram, na época, 5.100 guichês de atendimento. E os pontos, as regiões alvos previamente definidas pelas empresas contemplavam, prioritariamente, a localização na periferia dos grandes centros urbanos. Inclusive, era bom lembrarmos, em São Paulo, em Belo Horizonte e em outras capitais, até hoje, nas periferias urbanas, não existe uma agência própria dos Correios atendendo. Somos nós que estamos lá. A empresa, inclusive, em 90 ou 91, decidiu substituir alguns desses pontos onde ela já tinha agência própria, mas que envolviam riscos imensos devido ao problema de insegurança gerada pela violência urbana e ao baixo potencial de exploração econômica local. Então, eram agências completamente deficitárias e com um alto grau de periculosidade, inclusive para os seus próprios funcionários. Então, até hoje temos aí a nossa rede, é a rede que se encontra nas periferias dos grandes centros urbanos.

Eu gostaria de fazer um parênteses aqui. Eu não tenho, infelizmente, formação jurídica. Eu falo infelizmente porque hoje, para ser empresário no País e enfrentar todo um cipoal tributário e outras coisas, eu acho que a formação jurídica é alguma coisa fundamental até para a boa gestão das empresas e de tudo. Mas, infelizmente, a minha formação é em outra área. Eu vou falar alguma coisa que é um consenso que temos, através de pareceres de juristas que nós tivemos ao longo do tempo.

Então, o TCU já definiu que a ECT é uma concessionária de serviços públicos, sendo a União Federal o Poder concedente. Em conseqüência, à ECT se aplica a Lei nº 8.987/95, que, em seu art. 25, faculta à concessionária contratar terceiros para o desenvolvimento de suas atividades (§1º), sendo os contratos firmados, no caso os contratos de franquia empresarial, de direito privado, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros e o Poder concedente, ou seja, com a União Federal (§2º).

Os contratos de franquia foram celebrados anteriormente à Lei nº 8.987/95. No entanto, se encontram hoje sob seu amparo legal.

Outro fator a considerar é que precederam também a Lei nº 8.666/93, que regula as contratações do Poder Público. Por isso, as decisões do Plenário do TCU de nºs 601 e 721, de 1994, convalidaram os contratos com as ACFs já implantadas ou em processo de autorização em andamento na época, recomendando licitações apenas para a concessão de novas franquias. Em 94, a ECT, inclusive, paralisou e o total máximo de franquias que nós tivemos foram as 1.737, anteriores, então, àquelas duas decisões.

Por outro lado, o mesmo TCU, mediante voto do Ministro-Relator Adhemar Paladini Ghisi, aprovado pelo seu Plenário através do Acórdão nº 59/98, ratificou o entendimento de que os contratos de franquia empresarial são de natureza privada e não pública. No referido julgado do TCU, é referendado o mesmo entendimento já aprovado no Processo nº 013.899/94, sobre a natureza dos contratos de franquia dos Correios.

A Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998, aprovada pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, sancionada pelo Presidente de então, prorroga até 2002 os contratos iniciais que venciam em 98. E a Lei nº 10.577, sancionada pelo Presidente da República em 27 de novembro de 2002, tramitou por todas as Comissões e foi aprovada pelos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Prorroga legalmente o prazo dos contratos de franquia vigentes até novembro de 2007.

Tais leis (9.648/98 e 10.577, de 2002) têm como respaldo o inciso IV do parágrafo único do art. 175 da Constituição Federal, que dispõe que competirá à lei dispor sobre a obrigação de manter serviço adequado na prestação dos serviços públicos.

Nós gostaríamos também de ressaltar que, em 93, foi colocada como condição de permanência no sistema de franquia a exigência da extinção dos negócios originais das empresas parceiras para dedicação exclusiva às atividades postais, tendo a ECT encaminhado, naquela ocasião, às nossas ACFs um modelo de minuta até de contrato social com as especificações exigidas.

Eu gostaria aqui de apresentar apenas alguns dados do perfil estrutural das nossas ACFs. Somos, como já disse, 1.466 ACFs, operadas em sua quase totalidade por micro e pequenas empresas nacionais. Vinte mil empregos diretos é o que nós proporcionamos, dez mil empregos indiretos, 2.500 veículos de carga, 2.500 motocicletas e em torno de 7.500 estações de trabalho completas, com microcomputadores, impressoras, leitores de códigos de barras, autenticadoras, entre outros.

Temos aqui, inclusive, a fotografia do parque de máquinas de algumas das nossas ACFs.

Essa aqui é uma impressora usada pelos print centers e birôs. Algumas das nossas ACFs  trabalham com isso. Os senhores vêem que há bobinas aqui, não é nem em papel cortado, sulfite. Temos ali auto-envelopadoras, aqui insersoras automáticas de correspondência. V. Exªs devem receber aquelas correspondências de bancos e outros grande remetentes em que, além da carta, pode vir algum encarte junto. Elas são máquinas que fazem esse tipo de operação. Nós recebemos em bruto, imprimimos ou recebemos das gráficas. E aquelas são máquinas em que entram os vários modelos de objetos a serem inseridos em um mesmo envelope. Na ponta do processo, elas já saem totalmente envelopadas e, se for o caso de franqueamento em máquina, saem franqueadas.

Temos uma frota de kombis, fiorinos, caminhões, motocicletas. O nosso trabalho, como em qualquer ciclo de produção de serviço, envolve pessoas. E o ciclo de produção de serviços, no nosso caso, é diário – tudo que entra tem de sair no dia – e é feito por pessoas e por equipes, que têm de estar treinadas, motivadas.

Não devemos esquecer que a ECT, em 1969, foi reformulada: era o DCT e virou ECT. Em 1969, ainda no regime militar, para fazer frente ao desafio dessa distribuição em um país continental como o nosso e cumprindo esses prazos de entrega de cartas que até hoje são referência mundial – poucos países conseguem cumpri-lo, mesmo naqueles de dimensões territoriais muito menores –, o ciclo de produção é extremamente minucioso, complexo, de uma logística altamente precisa e ditada pelo relógio. É uma corrida contra o tempo em qualquer dia do ano.

Se não tivermos equipes treinadas, motivadas e comprometidas com o trabalho, não conseguiremos manter esses prazos de entrega. Qualquer carta postada, para qualquer capital, é entregue em um dia útil, e para o interior dos outros Estados, não sendo no próprio Estado, em dois dias úteis. Para conseguir fazer isso, são 3,2 milhões de objetos transportados e tratados diariamente. Esse ciclo de produção tem de ser extremamente preciso, extremamente regulado e controlado.

Nós temos o maior orgulho e a satisfação de dizer que participamos dessa guerra diária. É uma operação de guerra que é montada todos os dias e as nossas equipes estão treinadas e motivadas por nós para comparecer. São equipes estáveis.

Desculpem-me, deixem-me voltar ao ponto, porque começamos a viajar, a nos emocionar, porque temos muito orgulho de ostentar a bandeira e a marca Correios e de vender o trabalho para os nossos clientes com esse padrão de qualidade. Então, somos os primeiros a querer cumprir todos esses padrões.

Eu gostaria de trazer alguns dados a respeito da composição da receita da empresa ao longo dos anos, desde 1999, que são dados de que dispomos, até 2004, os últimos dados que temos em mãos.

Temos, em azul, a receita carreada pela rede franqueada ao longo dos anos para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Então, em 2004, como V. Exªs podem ver, foi de pouco acima de R$2 bilhões. Em vermelho, temos a receita auferida diretamente pela empresa. Com isso, queremos deixar muito claro que não estamos tirando mercado da estatal. Como V. Exªs podem verificar, a receita carreada diretamente pela estatal...

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – Qual é a fonte?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – São os relatórios de avaliação empresarial. São relatórios internos da empresa.

Temos, em 2004, a receita total, somando a nossa e a que a empresa carreou diretamente, totalizando R$7 bilhões. Essa é a receita operacional da empresa.

Gostaríamos também de mostrar uma comparação da receita que trazemos para a ECT e a comissão que nos é paga.

Esta é a receita, são os mesmos valores que V. Exªs viram no gráfico anterior, e agora a comissão, em vermelho, daquilo que auferimos sobre o que deixamos no cofre da estatal. Como podem perceber, a diferença é o saldo que deixamos dentro da estatal. Em 2004, foi da ordem de R$1,5 bilhão o resultado das nossas operações para a estatal fazer face ao seu desafio de auto-sustentação ao longo de todos esses anos.

No ano passado, recebemos ao redor de R$588 milhões de comissão. Temos ali o primeiro quadro, que é levemente lilás. Das 1.468 agências de 2004, 31,9% eram agências que tiveram uma comissão média mensal de R$7.300,00 e 34% tiveram uma comissão média de R$20 mil. Quando me refiro à comissão, significa o faturamento total da empresa franqueada para fazer frente às suas despesas. Num slide seguinte, estaremos mostrando o planilhamento de custos que representa a operação de uma agência. Temos ali 28% que têm uma comissão de R$41 mil; 28% têm uma comissão de R$65 mil; 6,8% com uma comissão de R$88 mil; 3,4% têm uma comissão de... As em roxo, que são 6,8%, têm uma comissão de R$65 mil por mês em média. As em verde têm comissão de R$88 mil; 1,4% da nossa rede tem uma comissão de R$115 mil; 1,4%, de R$141 mil; e apenas 0,7% da nossa rede tem comissão de R$409 mil.

Acho que tem um outro slide com as quantidades de agências. Passe para mim. Ali, temos 468 empresas franqueadas no Brasil, que tiveram, em 2004, uma comissão média mensal de R$7.300,00. São 468 empresas no Brasil. Quinhentas empresas tiveram uma comissão média mensal de R$20 mil; 300 agências tiveram uma comissão de R$41 mil; 100 agências tiveram uma comissão de R$65 mil; 50 agências, de R$88 mil; 20 empresas franqueadas tiveram uma comissão de R$115 mil; 20 empresas, de R$148 mil; e apenas 10 empresas tiveram uma comissão média mensal de R$409 mil.

Se pensarmos que o limite hoje, ainda em 2005, para as empresas estarem no regime tributário do Simples, é de R$1,2 milhão por ano, veremos que a quase totalidade, mais de 95% de nossas agências e de nossas empresas franqueadas, enquadra-se no modelo tributário do Simples.

Eu gostaria também de apresentar um planilhamento de nossos custos. Peço desculpas, pois ficou um pouco pequeno ali, mas deixaremos esse material protocolado à disposição de todos os membros desta CPMI.

Mas o que posso dizer para os senhores é que, da comissão total, temos aqui as despesas fixas e as despesas variáveis.

As despesas fixas, que envolvem pessoal, encargos e benefícios, provisão de férias, décimo terceiro, rescisões, aluguel, impostos e contribuições, IPTU, IPVA, Tilif, que é a taxa de licença de funcionamento, TFA, taxa de anúncios etc, manutenção e consumo dos veículos, telecomunicações, serviços de terceiros, assistência técnica, contabilidade etc, energia elétrica, água, material de consumo, papelaria, higiene etc, pró-labore, treinamentos, despesas financeiras, depreciação, consomem, para aquelas empresas classificadas no regime tributário do Simples, 72,3%, em média, do que auferimos como comissão mensal.

As despesas variáveis, recolhimento do tributário do Simples, ISSQN, CPMF, taxas de cobrança, despesas comerciais, consomem 12,9%, em média.

Temos, então, um total de despesas na faixa de 85,2%, restando 14,8%, em média, para as nossas agências.

Para as nossas agências se manterem competitivas no mercado, elas precisam agregar valor ao processo produtivo do cliente por meio de serviços complementares que todas as concorrentes oferecem hoje de forma rotineira. As nossas ACFs fazem manuseio de objetos, que significa envelopamento, colagem, ensacamento, plastificação, fazemos coleta de documentos e encomendas junto aos nossos clientes...

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – Com licença, apenas para nos orientarmos, quanto tempo ainda há de exposição?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Mais uns dez minutos.

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – Cinco minutos.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Vou tentar correr.

Fazemos impressão a lazer...

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – É porque daqui a pouco começará a Ordem do Dia e teremos de interromper a sua exposição, o que eu gostaria de evitar.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA Desculpem-me pelo entusiasmo. Acabei me estendendo.

Fazemos também gerenciamento de base de dados.

Aqui, tem umas fotos dos serviços que oferecemos, pessoas e máquinas fazendo o trabalho, oferecendo soluções completas para os nossos clientes.

A qualidade de nossos serviços é avaliada sempre pela empresa. Somos auditados, recebemos mensalmente, sem sabermos, a visita de clientes ocultos. Anualmente, a ECT contrata pesquisa, junto a vários institutos de opinião, para avaliar os seus serviços. No ano passado, foi contratada a Vox Populi.

Então, em setembro de 2004, temos os itens pesquisados e o resultado alcançado pela rede franqueada. Numa escala de zero a 100, a competência dos nossos funcionários foi avaliada em 89,7; rapidez no atendimento, 90,7; comunicação visual, 87,7; acessibilidade, 91,2; e o índice de satisfação com a qualidade de atendimento, 89,8.

Para ter uma comparação, em azul a receita total da empresa e em vermelho a despesa total da empresa. Esse azul quadriculado é o faturamento das ACFs e em vermelho quadriculado é a comissão das ACFs. Apenas para se ter uma comparação de que a empresa continua crescendo muito mais do que nós crescemos e as despesas, muito mais do que a evolução da nossa comissão.

Queríamos também aqui fazer uma comparação entre itens de despesa, os mais representativos da Empresa. Em vermelho, temos lá a despesa total da ECT. Nessa cor lilás aqui, temos o que ela gasta com pessoal, é a despesa de pessoal; em azul, o que gasta com transporte; em amarelo, o que gasta com a comissão das ACFs. É apenas para completar e comparar qual é o faturamento que a gente está deixando para a Empresa lá.

Temos preocupação com a evolução do fluxo de objetos no tráfego postal. Percebemos lá que houve crescimento até 2001 e que a partir de 2001 ela vem decrescendo em termos de quantidade de objetos físicos transportados dentro do fluxo total.

Gostaríamos aqui só de fazer um breve apanhado sobre a questão do monopólio e do segmento concorrencial.

A Empresa tem-se pautado pela Lei nº 6.538, que dispõe sobre serviços postais, que, em seu art. 9º, regula o que seria o regime de monopólio a ser explorado pela União e pela concessionária ECT: recebimento, transporte e entrega no território nacional da expedição para o exterior de carta e cartão postal; recebimento, transporte e entrega no território nacional de correspondência agrupada e fabricação e emissão de selos e de outras fórmulas de franqueamento postal.

Num artigo seguinte, no art. 47 temos a definição do que é carta, cartão postal e correspondência agrupada. Então, o conceito que a Empresa usa é o conceito que está lá: objeto de correspondência, com ou sem envoltório, sob a forma de comunicação escrita de natureza administrativa, social, comercial ou qualquer outra que contenha informação de interesse específico do destinatário. Esse é um conceito que tem dado margem ao questionamento pela concorrência. É uma concorrência que existe desde 1950, que coloca que a situação de entrega de talão de cheque, cartão de crédito, boletos bancários de cobrança e extratos bancários não se aplicaria nessa conceituação de carta. E a Empresa tem brigado, com ações da Polícia Federal, com ações na Justiça, contra a concorrência, que existe desde 1950 e que vem fazendo a entrega.

Eu gostaria aqui de colocar a classificação, dentro do portfólio da Empresa, que a Empresa usa para classificar para ela o que é a reserva de mercado, o monopólio, e o que é o concorrencial. Então, dentro da reserva de mercado cabem carta, SEED, FAC e malote Serca. No concorrencial, temos lá encomenda Sedex, encomenda normal, PAC, impresso simples, impresso especial, mala direta postal, porte pago e outros.

Eu gostaria de mostrar, rapidamente, o seguinte. Em 1999, por ocasião da tramitação do Projeto nº 1.491, conhecido como Projeto da Lei Postal, que se encontra, inclusive, ainda hoje, na Câmara dos Deputados, as próprias entidades que congregam as concorrentes do Correio apontaram a existência de 17 mil empresas de entrega em todo o País, com 1,2 milhões de postos de trabalho.

Estão tramitando no Supremo duas ações, as DPFs nºs 46 e 70, interpostas pela concorrência, por meio da Abraed, Abraec, Sineex, com vista à descaracterização do monopólio postal, tendo em vista as interpretações diversas daqueles textos legais em que a empresa se baseia.

Estou tentando correr, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – Fique à vontade.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Em termos da evolução do fluxo dos objetos por segmento, eu gostaria de trazer aqui alguns dados. Em vermelho, na linha superior, temos ali o total de objetos, ano a ano, que a Empresa transporta. É aquele gráfico em que mostramos a tendência de queda. Na linha lilás, temos lá o que são os objetos no monopólio, e, na linha azul, está o que são os objetos. Aqui estamos falando de objeto físico transportado pela Empresa. Essa é a situação em termos de objetos.

Entretanto, em termos de receita, temos a seguinte configuração. Na receita operacional da ECT, ao longo dos anos, podemos perceber na linha lilás que é a receita trazida por meio dos produtos que a Empresa considera de monopólio estatal. Em azul, é a receita trazida pelos segmentos concorrenciais. Podemos perceber que existe, ao longo dos anos, um equilíbrio muito grande na composição da receita: o que vem do segmento concorrencial e o que vem do segmento de monopólio.

Temos aqui alguns dados da Diretoria Regional São Paulo Metropolitana.

A Diretoria Regional São Paulo Metropolitana é, pelo próprio mercado em que atua, a Diretoria em que o maior volume de negócios é feito, em que o maior número de contratos é feito, em que a maior receita da Empresa é carreada. Então, achamos por bem trazer o que representam as quantidades de contratos. Em outubro de 2005, temos o que eram contratos operados diretamente pela estatal nas suas agências próprias e o que eram contratos trazidos pela rede franqueada. Em azul, temos lá os contratos operados diretamente pelas agências próprias. E, em vermelho, temos lá os contratos operados pela rede franqueada.

Gostaria de ressaltar que as quatro primeiras colunas se referem a contratos do segmento concorrencial. Do segmento de monopólio, existem apenas 81 contratos FAC, dos quais 37 são operados pela rede franqueada.

Se somarmos todos os vermelhos ali, certamente o maior volume de contratos, especialmente do segmento concorrencial, é trazido pela rede franqueada.

Ali temos um dado comparativo de dois períodos, janeiro a junho de 2004 e janeiro a junho de 2005, em um segmento concorrencial, que é o segmento de marketing direto. Então, no período de 2004, em valores – marketing direto envolve serviço de impresso, mala direta etc –, a Empresa teve R$193 milhões. Em 2005, no mesmo período, ela teve uma receita de R$239 milhões. Entretanto, em termos do número de objetos, que é a linha que está acima, tivemos um aumento de 336 mil para 435 mil objetos.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Desculpe-me.

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – Pode completar.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Há alguns dados aqui. Pode passar esse aí, que é do segmento concorrencial de Sedex.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Drª Emily…

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Pois não, Deputado.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Eu só queria, pedindo licença...

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – Está concedida a palavra a V. Exª, Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – São só dez segundos, Sr. Presidente. Só queria pedir para passar o anterior, em que se demonstra o perfil das ACFs e da arrecadação do próprio Correio. Acho que ele é muito elucidativo sobre a ação das franquias. É um pouco mais para trás, por favor. É o anterior. É esse.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Esse mostra a quantidade de contratos. Então, somando os azuis, são 2,6 mil mais 1,8 mil, ou seja, vamos ter em torno de cinco mil contratos contra algo em torno de pouco mais de oito mil contratos operados pela rede franqueada.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Ali fica, com clareza, especificada essa participação relevante das ACFs, exatamente na captação desses contratos, o que se vai manifestar depois.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – PA) – Vamos ficar com isso à disposição da Comissão.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Acho que isso é muito importante, porque não dá para esquecer que há uma briga ideológica aí.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É importante ficar claro o que o mundo real mostra. É só por isso.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim. É importante também ficar claro que, no segmento concorrencial, numa rápida amostragem que fizemos – podemos deixar isto aqui também –, conseguimos listar os seiscentos concorrentes, daqueles dezessete mil anunciados pelas próprias entidades, que têm batido de frente com a nossa rede nos últimos meses em todo o Brasil.

Temos esse dado não no quadro, mas o temos fisicamente. Podemos deixá-lo aqui.

Gostaríamos de falar o seguinte...

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – É o encerramento agora?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim. Passa o último lá, na conclusão.

Por toda a experiência ao longo desses últimos dezesseis anos, temos plena convicção de que a parceria público-privada existente entre a ECT e suas ACFs somente tem trazido benefícios para se cumprir o mandamento constitucional da cobertura postal acessível universalmente – vejam bem! – com qualidade e eficiência, permitindo que os Correios possam competir com a concorrência privada num mercado não protegido pelo monopólio estatal.

Acreditamos nesse modelo de franquia que movimenta pequenas e microempresas, todas de controle nacional. Acreditamos, pela instalação delas em todo o Brasil, que elas geram e fazem movimentar a economia local, oferecem serviços de qualidade, oferecem qualidade para os serviços postais, hoje tão carentes e deficientes em outras áreas.

Sabemos que o Ministério da Indústria e Comércio vem desenvolvendo também estudos para que haja uma melhor caracterização do uso da franquia pública, abarcando as experiências da Petrobras com a BR Mania, da Caixa Econômica Federal com as Lotéricas, da Embrapa, cedendo suas sementes desenvolvidas. Temos várias experiências no setor e sabemos que o Ministério da Indústria e Comércio vem trabalhando na regulamentação dessa nova modalidade, que – temos absoluta certeza – faria um bem enorme para os serviços públicos no País.

Muito obrigada. Desculpe-me, Sr. Presidente, pela...

O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá. PTB – SP) – A senhora tem alguma ACF para vender? (Risos.)

Concedo a palavra ao nosso Relator, Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agradeço à nobre Depoente a exposição.

Eu começaria, então, a fazer a primeira pergunta. Indago: quando foi criada a Associação Brasileira de Empresas Prestadoras de Serviços Postais –Abrapost?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sucedemos a Febrafranco, que foi fundada em 1993. Em 2003, tivemos a fusão de duas entidades nacionais que existiam, que eram a Febrafranco e a Anaserco, e, a partir de 2003, a nossa denominação...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Espere só um pouquinho. Vá um pouco mais devagar, porque, agora, eu me perdi.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A primeira que surgiu foi a Febrafranco?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim, foi a Febrafranco.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Surgiu quando?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Em 1993.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E a Abrapost surgiu quando?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – A Abrapost surgiu em 2003.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando surgiu a Abrapost, deixou de existir a Febrafranco?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ela sucedeu a Febrafranco?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sucedeu a Febrafranco.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A senhora disse que depois houve a fusão de duas entidades. Quais foram?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Perdão. Eu não entendi.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Houve a fusão de duas entidades. Quais foram?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim. Tínhamos uma outra entidade, que era a Anaserco...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Anaserco?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Anaserco.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual a diferença dela e da Febrafranco?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Olha, as duas defendiam nossos interesses. E, em qualquer movimento, pode haver...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Divisões.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Divisões.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A Febrafranco foi sucedida pela Abrapost. E a Anaserco deixou de existir quando?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Também por volta disso.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E foi incorporada à Abrapost?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim. Todas as entidades passaram a ser congregadas pela Abrapost nacional.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Hosando Pereira de Souza, a senhora o conhece?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim. Ele foi Presidente, por uma gestão, dentro da Febrafranco.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2002? É isso?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim. Acho que em 2001, em 2002.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

Evidentemente, desde o início, a Abrapost vem acompanhando essas questões que resultaram na Lei nº 9.648 e na Lei nº 10.577. Quer dizer, a Lei nº 9.648 ainda não era a Abrapost.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas já na Lei nº 10.577 era a Abrapost.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não, a Abrapost passou a existir em 2003 e a lei é de 2001. O projeto de lei, se não me engano, era de 2001 e foi aprovado em 2002.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É verdade. Tem razão a senhora.

A senhora acompanhou a tramitação desses projetos de lei?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não, na época eu não fazia parte da gestão das entidades, mas...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vou dizer o porquê. Desde a origem, isso tem uma discussão jurídica, que a senhora bem sabe até, e não vamos discutir aqui e nem é o caso de a CPMI entrar nessa tertúlia jurídica. Embora a Lei de Licitações tenha surgido em 1993, portanto depois das franquias, a Lei nº 8.666, e a Lei nº 8.987 tenha surgido em 1995, no momento da outorga das franquias já estava em vigor a Constituição Federal de 1988, cujo artigo 37, em seu inciso XXI, proclama o princípio da licitação. Então, há quem diga – se eu tivesse que opinar, opinaria dessa forma – que teria sido necessário fazer essa licitação na origem. No entanto, optou-se por essa outra situação, discutível – e, claro, coloque-se também no plano da discussão se essas prorrogações foram constitucionais ou não –, uma discussão que, evidentemente, não cabe a nós nem ao seu depoimento. No entanto, houve, à época, algumas matérias que foram publicadas na imprensa que quero verificar se a senhora conhece algum fato relacionado a isso ou não.

A revista Carta Capital, em setembro de 2005, fazendo referência a uma matéria que saiu em maio de 2002 no Jornal do Brasil, fala que havia uma notícia de que donos de agências dos Correios franqueadas em todo o País estavam arrecadando dinheiro para corromper Deputados com o objetivo de aprovar o projeto de lei. A senhora teve alguma notícia desse tipo, se houve alguma arrecadação, algum tipo de situação para convencer, digamos assim, Deputados a aprovarem esse projeto de lei?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não, não é do meu conhecimento essa situação. As informações de que eu disponho são de que se tratou de uma situação muito individual, isolada, e que na época teria sido, inclusive, apurada pelos órgãos competentes.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que seria individual e isolada?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – De iniciativa individual. Mas eu não poderia lhe fornecer...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De alguns franqueados tentando arrecadar dinheiro? É isso?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não. Talvez de alguma pessoa mencionada. Mas eu não teria, assim, elementos objetivos para trazer à CPMI.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Houve algum inquérito ou a senhora não sabe?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – As informações que nós temos são de que tinha passado alguma coisa pela própria...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Corregedoria da Câmara.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – ... pela Corregedoria da Câmara. Mas eu não acompanhei e não tenho acesso à informação.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

A senhora conhece ou saberia me dizer qual é a maior das franquias dos Correios hoje? A mais rentável e por isso, costuma-se dizer, a maior.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Olha, a gente não tem acesso aos dados individuais de cada uma das franquias. Isso não é passado. Inclusive, aqueles dados que eu não forneci com aquelas “pizzas”...

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – “Pizza” não é uma boa referência em comissões parlamentares de inquérito. (Risos.)

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Desculpe-me. (Risos.)

Desculpe-me, é gráfico, Excelência. Não houve nenhuma intenção. Tecnicamente, a gente usa estatisticamente.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu estou brincando. Apenas para descontrair.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Mas nós... Aqueles dados mesmo foram fornecidos não individualmente, mas foram fornecidos “agências que receberam na faixa de tanto a tanto”. Recebemos, inclusive, há pouco tempo diretamente da empresa. Mas nós não temos a relação nominal com os seus devidos faturamentos.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A nossa informação é de que essa maior é a ACF Shopping Tamboré, que fica no Estado de São Paulo. E o que chamou a atenção a esta Comissão Parlamentar de Inquérito – eu gostaria que a senhora comentasse isso – é que, no depoimento de uma das titulares do Shopping Tamboré – aliás, o outro titular viria hoje, mas, como já informei, ele está internado –, ela afirmou que nunca havia entrado na franquia, embora seja sócia, e que a renda mensal dos dois titulares seria menor que R$10 mil, o que nos chamou muito a atenção, o que nos levou à suspeita de que pudessem ser, digamos assim, os que constam como proprietários, não os verdadeiros proprietários, mas dentro daquilo que nós chamamos habitualmente de “laranjas”.

A senhora tem ciência se existem “laranjas” comandando franquias?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Olha, essa situação que o senhor acaba de nos apresentar é uma situação assim totalmente, eu diria, excepcional na nossa rede. Na nossa rede franqueada, os proprietários, os empresários titulares das empresas são, normalmente, titulares que “encostam a barriga no balcão”, que estão lá dialogando e fazendo a captação de clientes. Então, essa questão de ter titulares que passam – não sei como o senhor disse – que passam...

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – “Laranjas”.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – ... passam na frente da agência mas não conhecem a operação é uma situação extremamente irregular. Apenas para constar, essa agência, inclusive, não é nossa associada.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – No Shopping Tamboré?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não, ela nunca foi e ela não é... Não temos acesso a dados a respeito dessa agência.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Há muitas agências que não são associadas à Abrapost?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Sim. As agências são associadas a cada entidade estadual e as entidades estaduais é que são associadas à nacional. Eu poderia dizer, por exemplo, da associação de São Paulo, que eu atualmente presido. No Estado de São Paulo temos 355 ACFs, somando interior e capital. Das 355, hoje temos ao redor de 310 a 312 que são nossas associadas regulares.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Essas que não pertencem à Abrapost são justamente as maiores franquias?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Algumas sim. Normalmente são... A gente não pode dizer se a primeira, a segunda ou a décima, mas muitas delas são agências de grande porte. Mas temos, também, agências menores que não fazem parte.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu poderia dizer ou estaria mentindo se dissesse que as maiores franquias do Estado de São Paulo, que são as maiores franquias do País, não pertencem à Abrapost?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não, algumas delas pertencem.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Algumas delas pertencem.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Algumas pertencem, são associadas.

O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que levaria essas agências a não pertencerem à Abrapost? Há alguma razão?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Olha, Sr. Relator e Professor Eduardo Cardozo, o que pode acontecer? Quando o nosso grupo se aproximou mais da gestão das entidades – nós assumimos a entidade com 140 a 150 daquelas 350, e na época eram umas 360 –, menos da metade eram associadas. É todo um trabalho. Essa questão do coletivo no País, do associativismo, é uma questão, muitas vezes, de necessidade e de conscientização também. Então existem razões as mais variadas. Mas estamos tentando conseguir uma adesão maior para sermos mais representativos também. Entretanto, ainda não chegamos a cem por cento da rede.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Voltando a essa questão dos “laranjas”, a senhora descarta totalmente a possibilidade de existirem “laranjas” comandando franquias ou acha que podem existir, mas em situação excepcional?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Olha, a associação nossa não faz, não tem acesso, inclusive, ao controle das titularidades das agências. Quem tem esse tipo de controle é a própria franqueadora nossa. Agora, os titulares que costumam freqüentar nossas reuniões, nossas entidades, são titulares que estão à frente do negócio, batalhando e tal. Então, se existir, deve ser alguma coisa muito excepcional.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.

Nós tivemos aqui o depoimento de um titular da ACF Anchieta. E após algum trabalho, em alguma confusão na argüição, ele deixou, digamos assim, confessou que na ACF dele existiam “contratos de gaveta”, ou seja, aqueles contratos firmados entre pessoas sem que se pudesse, inclusive, se registrar nos Correios. Ele chega até a falar: “Olha, os contratos são registrados, mas não nos Correios”. É comum na rede franqueada haver “contratos de gaveta”?

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA – Não, ao que nos consta, não é. Eu trouxe até uma publicação de 94. Nós temos, inclusive, até hoje muitos dos citados aqui... A publicação chama-se Franchising, é da revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, é de 94. E nós temos aqui... Eu não gostaria de deixar a revista porque é a única que sobrou do meu acervo, mas se quiserem copiar, está à disposição.

O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Claro.

A SRª EMILY SONIA FUKUDA YAMASHITA –Então, nós temos aqui, inclusive temos vários franqueados falando... Até guardei até porque eu estou aqui. O dia da inauguração, por exemplo, da minha agência foi noticiado lá no jornal de Perdizes, em São Paulo, falando e tal. Aqui está falando exatamente da questão de... Temos várias publicações, principalmente de egressos, de PDV, de Banco do Brasil e de empresas privadas que se candidataram a ter a sua franquia e até hoje estão...

Lembrei de uma coisa. No início, o próprio Correio tinha um PDV em vigência