TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sr. ENIVALDO QUADRADO
(31/08/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

TRIGÉSIMA SEGUNDA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 31 DE AGOSTO DE 2005 ÀS 11:30 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Declaro aberta a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Esclareço que a pauta desta reunião destina-se à oitiva dos Srs. Enivaldo Quadrado, Breno Fischberg e Luiz Carlos Mazano, da trading Bônus-Banval.

Gostaria apenas de esclarecer a V. Exªs que estou começando britanicamente no horário, até porque queria fazer uma introdução rápida aqui antes de chamar os depoentes.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, havia um outro depoente, não havia?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E Guaranhuns, José Carlos Batista. O Sr. José Carlos Batista nos encaminhou, por intermédio de seus advogados, o seguinte:

“José Carlos Batista, por seus advogados que esta subscreve, vem, respeitosamente, à presença de V. Exª expor e requerer o quanto segue: tem sido noticiado na imprensa que foi aprovada a convocação do peticionário para comparecer perante esta Colenda CPMI, tendo sido ventilado o dia de hoje e, por conta disso, ele estava, como sempre esteve e estará, à disposição para comparecer. Inclusive encontra-se munido de habeas corpus no sentido de assegurar o direito de permanecer em silêncio.

Entretanto, o peticionário, atendendo informação formal de outra CPMI, permaneceu, durante mais de 8 horas, na data de ontem, aos 30 de agosto de 2005, em reunião oficial perante a Colenda CPMI do Mensalão, dentro do Senado Federal, como é de conhecimento de todos, e, até o final daquela oportunidade, informou aos signatários que não recebeu qualquer intimação oficial ou sequer comunicação informal desta Colenda CPMI dos Correios, razão pela qual, data maxima venia, evidentemente, será convocado para dia e hora certa e oficial, que é seu direito, e assim retornou para a sua casa na cidade de Santo André, São Paulo, até porque tem problemas de hipertensão e estava com nítido mal-estar, noticiado inclusive pela imprensa.

À vista do exposto, o peticionário, reafirmando sua disposição em comparecer, requer a V. Exª, data maxima venia, que designe dia e hora certa e oficial para o seu comparecimento perante esta Colenda Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, intimando-o formalmente do ato com antecedência de 48 horas.”

Assinam os Advogados Ricardo Sayeg e Celso Renato D’Ávila.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, uma questão de ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra, para uma questão de ordem, o Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu quero que V. Exª decrete a revelia do Sr. José Carlos Batista, porque está usando de subterfúgio, dizendo que não foi convocado. Foi convocado, sim. Eu já fui à secretaria obter essa informação e ele labora em erro no próprio HC que está em anexo. No HC ele diz que foi intimado. Pode ver, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com certeza.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Quando ele pede extensão do HC. Ele tinha HC da CPMI da Compra de Votos e, quando pede a extensão do HC para a CPMI dos Correios, ele disse que foi intimado.

Então, Sr. Presidente, eu queria que fosse decretada a revelia da ausência do Sr. José Carlos Batista e que ele fosse conduzido coercitivamente, em data aprazada, por V. Exª, sem consulta alguma, porque se ele diz no HC anexo que estava intimado para vir aqui – é por isso que ele pede a extensão –, ele está faltando com a verdade. Ou faltou com a verdade no Supremo, ou faltou com a verdade aqui. Eu suponho que faltou com a verdade aqui. Então, que a Polícia Federal conduza sob vara, em data aprazada por V. Exª, e que seja decretada a revelia dele no dia de hoje. Ele não pode, sob hipótese alguma, alegar que não tinha condição física. Ou o serviço médico do Senado ou o da Câmara deveria ter feito isso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Serão tomadas as devidas providências, meu caro Deputado Arnaldo Faria de Sá.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra à Deputada Juíza Denise Frossard.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Peço a V. Exª a palavra quando possível.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Perfeitamente, Deputado ACM Neto.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, ele foi intimado ou não foi afinal?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Ele foi... Eu vou...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Regularmente intimado?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Não, ele foi. Pelas informações que tenho, regularmente intimado.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Foi, foi regularmente intimado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E usou até no habeas corpus...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – A extensão do habeas corpus para a CPI.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – A extensão do habeas corpus para esta oitiva.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Então, se me permite, Sr. Presidente...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – V. Exª podia informar à Deputada Juíza Denise Frossard o texto da extensão da liminar, que fala textualmente o que ela está querendo saber. Pode falar, por favor.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Não, é suficiente a informação que o senhor me deu.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Ele diz no habeas corpus acima citado:

“(...) para que o paciente José Carlos Batista tenha assegurado também o direito constitucional de permanecer em silêncio, caso seja convocado a comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, cuja oitiva, conforme noticiado no sítio do Senado Federal, está prevista para 31 de agosto de 2005, às 11 horas e 30 minutos.”

Então, ele escreveu no próprio habeas corpus. Está aqui.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Quer dizer, a ciência nada mais é do que isso. Ou seja, a intimação é levar ao conhecimento de alguém que se processará um ato, e ele se deu por ciente. Na verdade, ele estava ciente.

Agora, é muito oportuna a manifestação do Deputado Arnaldo Faria de Sá. Eu só discordaria da revelia. Embora ele não seja réu aqui, a condução se aplica e ele pode até ser conduzido agora, se for o caso. Quer dizer, ele pode ser conduzido, porque ele, intimado, cientificado no sentido genérico do termo...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E a revelia, Deputada Juíza?

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Não, mas ele aqui não é réu.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Não, não, hoje. Ele estava intimado, e não compareceu.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – É, mas a revelia é o instituto para o réu. Então, neste caso, ele pode ser conduzido porque ele estava, de fato, ciente do ato. A ciência é genérica, de modo que, se quisermos legalmente, se me permite, pode ser conduzido e deveria ser conduzido porque ele foi intimado, ele é uma testemunha importante. Muito obrigada, Sr. Presidente.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós tomaremos as devidas providências com justa razão, em função das próprias provas absolutamente incontestáveis do conhecimento do Sr. José Carlos Batista, no que se refere a esse depoimento.

Concedo a palavra ao Deputado ACM Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Antes de mais nada, registro o visual de V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por quê?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Porque parece que cortou o cabelo.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Rapaz, esse negócio está demais! (Risos.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Visual?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – É, andou lá por São Paulo. Presidente, Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Estão-me estranhando aqui, hoje.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Vocês tenham cuidado, senão não serão apenas votados pela comunidade.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Quem foi o primeiro colocado, Presidente?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Não fui eu.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Senadora, mas existe um certo Deputado que ontem, no Programa Jô Soares, foi intitulado de sedutor.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Ah, então está explicado! Por isso que os dois estão nessa competição.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sedutor... e essa competição continua.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Falando sério agora, Presidente, eu acho que, sem retirar nenhuma das palavras que foram ditas pelo Deputado Arnaldo, afinal de contas, ele está certíssimo, nós não podemos admitir, de forma alguma, a ausência do depoente. Ele tinha a obrigação de estar aqui presente. E, mesmo com o cansaço, que é até compreensível, ele deveria vir. Poderia – até quem sabe – fazer um apelo à Comissão para que nós adiássemos o depoimento, revíssemos a data, mas jamais se ausentar de uma obrigação.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E valendo-se de uma maneira impositiva para que ele fosse informado com 48 horas de antecedência. É o que está escrito aqui.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pois é. Mas eu acho que há males que vêm para bem, porque ontem o Sr. José Carlos foi à CPMI do Mensalão e simplesmente, porque estava protegido por habeas corpus, recusou-se a responder as principais perguntas. Praticamente se limitou a dizer: “Não, não, não, não respondo. Essa questão não enfrento”. Então, acho que vamos ter tempo para analisar os documentos; vamos ter tempo para analisar as informações que vão ser trazidas, inclusive, pela quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico da própria empresa Guaranhuns; quebra de sigilo essa que foi aprovada na semana passada pela nossa CPI e que não chegou ainda. Nós vamos ter tempo também para cruzar com os dados trazidos aqui pelos diretores da Bônus-Banval e, a partir daí, vamos trazer aqui o Sr. José Carlos já numa outra condição certamente. Vamos trazer também com outro ânimo por parte desta CPI.

Então, sem retirar nada do que disse o Deputado Arnaldo, creio que não precisaremos tomar nenhuma medida coercitiva neste momento, até porque, objetivamente, não traria nenhum resultado para a nossa Comissão. Nós poderemos deixar, portanto, para, no momento certo, aí sim, sem nenhuma benevolência, sem nenhuma boa vontade, tomar as medidas próprias, já numa outra condição, porque eu sei que o Sr. José Carlos vai vir a esta Comissão, que estará munida de informações, diferentemente do que aconteceu ontem, até pelo prazo que foi marcado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Deputado ACM Neto.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Senador César Borges e, em seguida, ao Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Consegui antecipar o Onyx no pedido pela ordem. Sinto-me vitorioso.

Apenas queria solicitar algo a V. Exª – sei que sempre muito atencioso. Foi aprovado requerimento de nossa autoria pedindo que a Mesa Diretora da Comissão, o Presidente, o Vice-Presidente e o Relator pudessem apresentar, a cada início de reunião da nossa CPI, um apanhado do expediente do que foi encaminhado a partir das nossas deliberações, requerimentos de quebra de sigilo, pedidos de informações e aquilo que foi recepcionado pela Comissão, para que nós todos tivéssemos a possibilidade de conhecer que documentos estariam disponíveis ou não. Cito um caso: eu pedi a identificação da propriedade de duas aeronaves e também todos os que voaram nessas aeronaves durante determinado período, e não tivemos ainda resposta. Não sei se isso já chegou, se já foi solicitado. Recordo que há umas solicitações ao Banesul. Tanto que vamos ouvir hoje até aqui o Sr. Enivaldo Quadrado, da Bônus-Banval. Estava programado para ouvirmos o Sr. José Carlos Batista, mas não vamos ouvi-lo mais. Um dos dois tinha-se utilizado dos serviços da Banesul para fazer remessa de recursos ao exterior. Também não sei se isso já foi motivo de resposta por parte dessa entidade financeira.

Portanto, Sr. Presidente, ressaltamos isso, porque foi aprovado e gostaríamos de obter essas informações, o que vai facilitar o nosso trabalho.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Senador César Borges. Gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer que amanhã, no início da reunião administrativa, vamos fazer um balanço completo de todos os requerimentos e ofícios encaminhados. Posso afirmar a V. Exª que os requerimentos que acabou de citar eu os assinei na sexta-feira passada, mas, de qualquer maneira, amanhã vamos fazer um apanhado completo de todas as providências da Secretaria da CPMI, na reunião administrativa de amanhã, às 11 horas e 30 minutos.

Concedo a palavra ao Deputado Onyx Lorenzoni. Em seguida, gostaria de fazer um relato rápido das últimas providências relativas às CPIs do Congresso, para que, então, chamemos o Sr. Enivaldo Quadrado, o Sr. Breno Fischberg e o Sr. Luiz Carlos Mazano.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, eu gostaria que V. Exª solicitasse, de parte do assessoramento jurídico da nossa CPMI, a análise dos documentos que estão com a nossa Comissão, por conta de que creio ser cabível uma representação contra os Advogados Ricardo Sayeg e Celso Renato D’Ávila por litigância de má-fé. Na medida em que eles solicitam um habeas corpus e uma extensão do habeas corpus, mencionando que havia uma convocação e depois trazem o argumento de que não houve a convocação formal – e a informação que nós temos é a de que houve –, eles, de forma muito evidente, litigam de má-fé, além da condução sob vara do Sr. João Batista...?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – José Carlos Batista.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – José Carlos Batista, perdão. Penso que seria adequada a litigância de má-fé em relação aos dois advogados, até para que não passemos aqui o recibo de que não percebemos a manobra espúria dos dois advogados.

Queria, Sr. Presidente, fazer uma consulta e, ao mesmo tempo, uma cobrança a V. Exª. Na semana passada, na nossa reunião administrativa, logo após aprovarmos a convocação do Sr. Antônio Claramunt, o Toninho da Barcelona, V. Exª recebeu uma convocação assinada por um terço dos Parlamentares membros desta CPMI, que, com base num estudo feito do Regimento da Câmara dos Deputados, se aplica, após a vigência do Regimento Comum, após a observação do Regimento do Senado, o Regimento da Câmara, que tem plena condições de abastecer o vácuo de legislação que nem o Regimento Comum e nem o Regimento do Senado prevêem.

Sempre que há a excepcionalização de uma conduta, ela vem de maneira evidente assinalada, quer no Regimento do Senado, quer no Regimento Comum. Não há nenhum óbice e, portanto, a CPMI se pauta também pelo Regimento da Câmara dos Deputados a que um terço dos Parlamentares desta Comissão têm poderes para convocar uma reunião desta Comissão. Não têm poder para convocar um depoente porque aí precisa ser aprovado.

Uma vez aprovada, e foi aprovada a convocação do depoente, um terço dos Parlamentares têm poder regimental para aprazar uma oitiva. Portanto, quero lhe ouvir se o senhor vai, de acordo com o que determina o Regimento, acatar a solicitação feita por um terço dos Parlamentares, baseado no art. 46 da Câmara dos Deputados e, para tanto, teria que comunicar ao Secretário de Segurança de São Paulo, que lhe comunicou que está permanentemente à disposição desta CPMI, e o doleiro Toninho da Barcelona deverá aguardar uma decisão para ser transportado aqui para Brasília.

Eu lhe consulto porque é um fato relevante, importante e grave, quer ele seja aceito, aí cumpre-se o Regimento, quer ele não seja aceito, aí teremos um precedente de muita gravidade. E a decisão está com V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Onyx, primeiro, com relação aos advogados do Sr. José Carlos Batista, eu concordo em gênero, número e grau. A Mesa vai tomar as providências devidas porque eles informaram à CPI que o depoente não poderia comparecer alegando que ele não foi avisado a tempo quando, na verdade, os mesmos advogados entraram com habeas corpus citando exatamente a reunião na qual essa nova missiva indica o desconhecimento por parte do depoente.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – E aí o pedido é litigância de má-fé.

V. Exª me permite um pequeno...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com certeza, Deputada Juíza Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Parece-me que aí seriam os advogados?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Os Advogados, Dr. Ricardo Sayeg e Dr. Celso Renato D´Avila.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Porque, para haver...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Um momento, Deputada.

O Ricardo Sayeg é o mesmo advogado do Toninho da Barcelona. É bom que isso fique registrado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – É o mesmo advogado?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É o mesmo, é o mesmo. O Sayeg é o mesmo advogado do Toninho da Barcelona. Que se registre.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Os advogados são poucos na área criminal, de forma que isso é assim mesmo. Mas a questão é a seguinte:

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – O Ministro da Justiça também.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – É, mas a questão é a seguinte...

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – ... era advogado de um monte de bandido, agora ele fazia a advocacia como todos podem fazer.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Bom, eu vejo de outra forma. Ele é um profissional.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos encaminhar rapidamente essa questão porque há outras informações a passar a V. Exªs e nós precisamos nos adiantar.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Parece-me que eu só faria uma pequena observação se me permite o Deputado Onyx.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado, a Juíza Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – É que para haver a litigância de má-fé é preciso haver lide. Lide é o contraditório, daí o litigante de má-fé. Nós, na CPMI, não temos lide. De forma que não podemos ter um litigante de má-fé porque ele não é parte litigante. Ninguém ali litiga, nós apenas investigamos, mas tem uma pena para ele sim, Deputado Onyx.

Poderíamos ver a extração de peças ao Ministério Público – parece-me que seria o caso – para que seja aplicada a medida criminal cabível, que não é nossa, porque não está em flagrante delito; de modo que não podemos prendê-lo. Só podemos fazê-lo em flagrante delito. Mas podemos extrair essas peças e as notas taquigráficas dessa audiência para que haja, não só a informação à OAB, para que ela tome as medidas disciplinares cabíveis, e também ao Ministério Público, para que o Ministério Público, ele sim, o dominus litis, o dono da ação penal, analise sob o prisma de uma conduta ilícita, não só contra a ética do advogado, mas também contra, eventualmente, o Código Penal, salvo melhor juízo.

Acho perfeito o encaminhamento do Deputado Onyx. Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado à Deputada Juíza Denise Frossard. A Mesa analisará essas questões e fará o encaminhamento necessário.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL RS) – Mas a representação tem que ser feita à OAB, sem dúvida nenhuma.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria só de fazer um relato rápido e vou precisar me retirar por algum tempo desta reunião e depois retorno – ela será dirigida pelo Vice-Presidente, Deputado Asdrubal Bentes. Mas gostaria de fazer um registro de algumas coisas que, em meu ponto de vista, são muito importantes para a CPI dos Correios.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Permita-me, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador Eduardo Suplicy.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Sr. Presidente, Senador Delcidio Amaral, eu agradeço se puder fazer uma breve pergunta e indagação e, em verdade, ao Relator, Deputado Osmar Serraglio, cujo trabalho aqui tem merecido o respeito de todos.

Achei muito positiva a decisão, conforme falei com V. Exª, de as CPMIs estarem unificando seus esforços inclusive o relatório relativo aos Parlamentares que, porventura, tenham tido algum problema.

Notei, ao ler os jornais hoje, que o Relator, Deputado Osmar Serraglio, encaminharia possivelmente amanhã o relatório já definindo a situação de alguns Parlamentares como, por exemplo, o Deputado José Dirceu. O que fiquei pensando e acho que muitos devem ter pensado é, pelo que tenho conhecimento, que já teria sido até aprovado o requerimento da oitiva do Deputado, mas não marcada, e tendo o mesmo dito, quando foi ao Conselho de Ética, que se dispunha a vir às CPMIs.

O que me veio em mente foi a indagação: “Mas então o Deputado Osmar fará o relatório a respeito dele, com tais conclusões, sem antes ouvi-lo aqui?” Então, me permita só porque...Eu avaliei que essa é provavelmente uma indagação de muitos. Por isso agradeço se puder esclarecer-me.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, na CPMI não existe instância de defesa, é uma investigação. Se eventualmente for considerada incompleta, ela poderá ser completada onde terá oportunidade, qualquer um dos que estejam envolvidos, de apresentar defesa, de ser ouvido.

Esse problema dele não ter sido ainda ouvido nos valemos porque, de alguma maneira, os fatos são sempre os mesmos que se repetem e nós consultamos a manifestação dele no Conselho de Ética.

De qualquer modo, a defesa plena, ampla está toda por se iniciar no Conselho de Ética, conforme acabou de fazer referência a Deputada Juíza Denise Frossard, onde teremos uma lide. Aqui, ainda não temos lide. Temos uma investigação que poderia partir até de qualquer mínimo elemento, em que se soubesse alguma coisa de alguém e se colocasse no Conselho de Ética para que ali se investigasse, porque, ali sim, ele vai ter oportunidade de se defender.

Não nego que, evidentemente, se nós o aguardássemos poderia já em uma instância inicial se manifestar, mas também nós estabeleceríamos um procedimento infindável porque cada um pretenderia se dizer incompleto na sua manifestação, na sua defesa e nós teríamos que ouvir tal e qual pessoa, além dele próprio. Tudo que ele pudesse falar aqui conosco e fico aberto também, se quiser manifestar por escrito, nós encaminhamos embora ele já tenha encaminhado.

É bom que se diga que recebemos a manifestação dele por escrito, mas se entender que a manifestação dele esteja incompleta, primeiro não nos recusamos. O que não vamos é estancar o andamento para que não sejamos acusados de estarmos delongando em uma instância que não tem nada a ver com isso.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, quero só lembrar de um detalhe: esse relatório era para ter saído ontem e, só de ter sido transferido para amanhã, já estão nos acusando de fazer pizza. Imaginem se formos atender ao pedido do Senador Eduardo Suplicy!? Aí seria o forno inteiro e pizza para todo mundo.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Gostaria de esclarecer que fiz uma indagação natural e de bom senso, acredito.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Claro, com certeza, Senador Eduardo Suplicy.

Gostaria só de fazer um registro rápido porque, agora, não darei mais nenhum aparte. Depois da minha fala, vou encaminhar ao Deputado Asdrubal Bentes que assuma o comando dos trabalhos para começarmos a oitiva relativa à trading Bônus-Banval.

Ontem, fizemos uma reunião sob o comando do Presidente do Senado, Senador Renan Calheiros, e dela participaram os três Presidentes das CPIs e os três Relatores. Ajustamos algumas coisas que são importantes destacar.

O primeiro ponto é que vamos, todas as segundas-feiras, às 18 horas, fazer uma espécie de colegiado dos Presidentes e Relatores para ajustar minimamente os trabalhos de cada CPMI. Então, todas as segundas-feiras, às 18 horas, vamos nos reunir para compatibilizar as pautas, as agendas... se vier a acontecer algum tipo de anomalia ou algum tipo de desvio de função de cada uma das CPMIs. Este é o primeiro ponto.

O segundo ponto que foi discutido, é também um dado importante, é que os Presidentes vão apresentar uma proposta, muito provavelmente, com três ou quatro empresas – isso ficamos de definir até amanhã –, para nos ajudar tecnicamente no cruzamento dos dados, fazendo efetivamente não só auditoria financeira, mas auditoria contratual – e isso ficamos de apresentar até quinta-feira.

Outra questão que foi levantada à exaustão pelos Presidentes das CPMIs foram os dados, as informações requisitadas às instituições financeiras, às operadoras de telefonia. Estão sendo levantadas todas as pendências que afligem as três CPIs, tanto a CPI dos Bingos como a do Mensalão e a dos Correios. E o Presidente do Senado e os Presidentes e Relatores das CPIs encaminharão aos órgãos e às instituições devidas essa relação de pendências, mostrando as dificuldades que estamos enfrentando, especialmente para receber os dados tão necessários às investigações. Vamos emitir esse ofício ao longo desta semana.

Uma outra decisão que foi tomada é que o horário das CPMIs ou das CPIs que até então obedecemos e vamos obedecer ao longo desta semana, que é de 11 horas e 30 minutos, vai ser alterado para às 10 horas da manhã. Aquela questão de sobreposição de atividades das CPIs com as Comissões Permanentes, deliberamos que as reuniões das CPIs ocorrerão às 10 horas da manhã. Então, vamos manter aquilo que deliberamos na semana passada. Às terças-feiras aquelas oitivas mais restritas, com um número menor de parlamentares, às quartas-feiras as oitivas com a participação do pleno da CPMI dos Correios, e, nas quintas-feiras, as reuniões administrativas.

Só que todas elas começando, exceção desta semana, às 10 horas da manhã. Amanhã, às 11 e meia. Nós vamos manter a nossa rotina de trabalho, até então obedecida, ao longo desta semana, para que, a partir da semana que vem, venhamos a adotar esse horário das 10 horas.

É importante também destacar que existem algumas questões relativas a oitivas: determinados depoentes foram convocados em mais de uma CPI. Na segunda-feira, vamos ajustar essas convocações.

Nós resolvemos não discutir isso ontem, porque se estenderia por muito tempo, e eu acho que o objetivo maior da reunião de ontem era um debate mais organizacional e de estabelecimento das fronteiras todas e dos limites de responsabilidade de cada CPI, que ficaram já bem definidos ontem. Ficou a CPI dos Bingos com as atribuições que todos nós conhecemos; a do Mensalão cuidando dos fins, e a CPMI dos Correios cuidando dos contratos. Já vamos começar a liberar os primeiros relatórios parciais, os contratos dos Correios, também com as origens. Para que venhamos a descobrir, a averiguar e a constatar, precisamos das informações, especialmente das instituições financeiras.

Ontem ficou decidido também que o IRB ficaria aqui na CPMI dos Correios. Portanto, trataremos também da questão do IRB. Quer dizer, a CPMI dos Correios cuidará também da questão do Instituto de Resseguros do Brasil. Eu sei das dificuldades, da sobrecarga de trabalho que nós temos, mas foi uma decisão colegiada, e, portanto, vou obedecer.

Nós, amanhã, vamos tratar disso com mais tranqüilidade. Amanhã, reunião administrativa às 11 e meia. E aí eu entro na reta final da nossa reunião de ontem: é que foi consenso que a CPMI do Mensalão, a CPMI da Compra de Votos e a CPMI dos Correios vão discutir amanhã o relatório assinado pelos dois Relatores, o Deputado Abi-Ackel e o Deputado Serraglio, sobre os parlamentares que estão sendo investigados.

E, se aprovado o relatório, ele será encaminhado à Presidência da Câmara dos Deputados.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Quem vota? Quem vai votar?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Será uma reunião conjunta das duas CPMIs, às 15 horas de amanhã, dia 1º de setembro.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – E aí todo mundo vota?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós vamos estabelecer, Deputado Onyx. Eu confesso que nós ainda não discutimos isso detalhadamente, mas, de hoje para amanhã, V. Exªs terão as orientações devidas, as orientações necessárias.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Por que não se vota mais cedo, Sr. Presidente?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Porque os próprios Relatores pediram, Senadora Heloísa Helena, mais um tempo para concluir os relatórios, e até as 15 horas os dois Relatores entendem como um prazo razoável.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Data venia, solicito que V. Exª pense que cada CPI deve votar dentro do seu próprio plenário.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós vamos avaliar, Deputado Onyx, esse assunto, não vamos discutir isso...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É só para o senhor pensar, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós pensaremos de hoje para amanhã nisso.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – A votação do relatório será em bloco, Sr. Presidente, é isso?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador César Borges, eu gostaria de deixar essa questão para que, ao longo do dia de hoje, pela manhã, de amanhã, venhamos a definir isso. Nós vamos analisar essas questões e amanhã posicionaremos os Parlamentares.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria de não abrir essa discussão, porque é uma discussão árida, sem solução, e não há possibilidade de surgir qualquer proposta.

Até amanhã teremos oportunidade de avaliar essas questões.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem. É outro assunto.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL RS) Sr. Presidente, V. Exª precisa me dar uma resposta.

Sr. Presidente, há um documento assinado por 11 Parlamentares, não é por um. São Senadores e Deputados que, valendo-se do Regimento da Câmara, desejariam fazer amanhã.

 O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Onyx, não haverá essa reunião amanhã. Eu peço a V. Exªs que tenham bom senso a respeito da convocação do Sr. Toninho da Barcelona, porque existem outras informações que eu gostaria de, amanhã, na reunião administrativa, colocar para V. Exªs, trazer ao conhecimento de V. Exªs, até porque nós vamos ter que discutir. Nós ficamos de, segunda-feira, os três Presidentes das CPIs, avaliar como é que seria colocado o Sr. Toninho da Barcelona.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, eu tenho respeito pela posição de V. Exª, e eu só quero dizer que – e o Regimento é feito para proteger Minoria, não é feito para proteger Maioria – o Regimento da Câmara dos Deputados autoriza que um terço de qualquer Comissão convoque extraordinariamente uma reunião. Isso é um direito que nós, Parlamentares, temos.

O que eu quero saber do senhor... E eu lamento que o senhor tenha que decidir, não há outro Presidente, nosso Presidente é o senhor. Independente de haver acordo com outras comissões, nós temos um problema localizado aqui.

Aqui há, de acordo com o art. 46 do Regimento da Câmara, um terço de Parlamentares que assinaram a solicitação de uma reunião extraordinária amanhã, para ouvir alguém cuja oitiva foi aprovada.

O que eu quero saber, e o senhor tem que decidir...

Não, não é assim não.

É assim, e vou te dizer que é assim, meu caro Relator, com todo o respeito, porque eu já vivi mais de uma vez essa situação, e, na reforma da Previdência, vivemos três vezes essa situação. E nas três vezes a reunião da comissão especial saiu.   

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu só queria, se me permitir, não é que me contraponha, até gostaria que refletisse, e eu também não fiz um estudo sobre isso para que pudesse significar que o que eu vá exteriorizar tenha fundamento, fazer uma reflexão pública.

Apenas, da leitura que fiz do requerimento de V. Exª, e que nós encaminhamos para estudo – não sei se já foi procedido –, na leitura preliminar da fundamentação de V. Exª, comparando com o dispositivo regimental, eu interpretei da seguinte maneira: uma reunião extraordinária, para que seja provocada, ela pode ser espontaneamente, portanto, de ofício, pelo Presidente, ou, isso só para levantar a discussão, provocada por um terço. Só que, provocada por um terço, não significa que sendo provocada por um terço seja inexorável tal qual é a CPI. Por que eu digo que não é? Porque uma reunião extraordinária necessariamente tem que anunciar qual é a sua pauta. Se eu admitir que um terço pode convocar extraordinária quando o fizer, e, portanto, anunciando a pauta, eu estou admitindo a possibilidade jurídica de que a Maioria vai ser diretamente pautada pela Minoria, porque, nós somos um terço, queremos uma extraordinária, aqui está a pauta.

Volto a refletir. Entendo, posso estar equivocado, que quando o Regimento dispõe que uma extraordinária possa ser convocada de ofício, portanto, espontaneamente, ou, quando provocada por um terço, que, portanto, submete ao plenário, para que aí se diga sim ou não, porque um não pode provocar esse sentido...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Desculpe-me. Com muito respeito por V. Exª, não é o que está dito no Regimento, Sr. Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a interpretação que estou dando pode estar equivocada.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Com licença, a questão é, o Regimento... Vou ler para V. Exª.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas eu lhe faço então uma questão diferente.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Porque há um equívoco no que V. Exª está dizendo, talvez até orientado indevidamente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não. Não fui orientado, eu li.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O que diz o Regimento no art. 4º é claro. “As reuniões extraordinárias das comissões serão convocadas pela respectiva Presidência, de ofício, ou por requerimento de um terço de seus membros.”

Um terço dos seus membros faz o requerimento e acabou a discussão.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é possível...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Não tem que votar nada, tem que fazer a extraordinária.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é possível a formulação...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Esse é o direito da Minoria, meu Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu o questionaria, só para concluir, porque sei que não deveria ter descido a isso.

V. Exª admite que um terço pode, a qualquer tempo, pautar toda a condução do trabalho da Comissão?

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Não, senhor, toda a condução, não. Porque... 

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Basta um terço convocar a extraordinária!

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Por favor, vamos repor as coisas. E eu estou defendendo um direito que ali na frente pode valer para quem não quer conceder agora.

Eu vou explicar. Quando se trata de reunião ordinária a Minoria não pode nada, fica calada e cumpre o que a Maioria, que constituiu a Mesa Diretora, determina.

O Regimento salvaguardou, para que as minorias tenham instrumento, para extraordinariamente... Então, não significa ordinariamente ser preservado o direito da Minoria. E é disso que estamos tratando aqui.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Parlamentar, eu não estou discutindo esse aspecto, estou provocando a seguinte reflexão. A reflexão é simples.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mas é esse o aspecto de reflexão. O resto é curva, como fez o Presidente, que deu uma curva e não deu resposta.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A questão é simples: um terço poderia pautar uma extraordinária hoje, amanhã, depois de amanhã. Não há restrição nenhuma.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Teoricamente, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Direito não dá com uma mão para tirar com outra.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mas aí por que dá esse poder? Dá esse poder para que a Mesa Diretora, por óbvio, entendesse. Esta é uma Casa Parlamentar, é uma Casa de conversa, não é uma Casa de imposição. Depois de haver duas ou três extraordinárias montadas por um terço dos Parlamentares, todos no exercício da responsabilidade do seu mandato, a Mesa Diretora seria tomada de um bom senso súbito e iria para o diálogo, para acertar a formatação. É por isso que temos esse direito, que nos está sendo negado. E eu lamento, eu tenho profundo respeito pelo Senador Amaral, agora ele fugiu dessa resposta e eu acho que não fica bem para o nosso Presidente fugir de uma coisa tão importante quanto isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Amanhã nós discutimos.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Então nós faremos esse debate amanhã de manhã. É isso?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente!

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O problema é que nós estamos sendo, Sr. Relator, com todo o respeito que tenho por V. Exª, lesados nesse direito, porque a Minoria o detém.

Se V. Exª vasculhar, se a assessoria vasculhar o Regimento do Senado e o Regimento Comum, não há impedimento, e só não pode...

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Meu nobre...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente Asdrubal, eu concluo. E só não se pode tomar o suporte do Regimento da Câmara quando o Comum for taxativo e impositivo ou quando o Regimento do Senado também tiver o mesmo perfil. 

Como nenhum dos dois, havendo essa possibilidade, tampouco proíbe, é evidente, e a jurisprudência já comprova isso ao longo de outros episódios, que o Regimento da Câmara dá suporte para essa decisão.

A Mesa pode até passar por cima do Regimento, como, aliás, invariavelmente, a Maioria faz. Mas eu quero registrar, por uma razão de fundo, que aquilo por que eu estou lutando aqui é um direito que hoje está valendo para o P-SOL, para o PFL, para o PSDB. Mas pode ser que muito proximamente venha a ser indispensável ao PMDB, ao PT, ao PDT e outros que tais. Eu sei o que é ser Maioria e sei o que é ser Minoria.

Esse é um direito que foi garantido, no Parlamento brasileiro, para que a Minoria seja respeitada. E nós estamos sendo desrespeitados por uma decisão da Mesa, a não ser que o Presidente Asdrubal e o Relator tomem uma outra posição, porque, até agora, não descobrimos a posição do Senador Amaral. O Senador Amaral simplesmente saiu fora da questão e a transferiu para V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Deputado Onyx, tenho o maior respeito por V. Exª e pelas minorias, às quais muitas vezes já pertenci ao longo de minha vida pública. E quero dizer a V. Exª que não há, por parte da Mesa, nenhum intuito deliberado de ferir o direito das minorias. Vamos respeitá-los.

Mas vamos ao diálogo. Eu gostaria de chamar a atenção de V. Exª para uma reflexão, não agora, que o tempo urge, na reunião administrativa de amanhã para o que dispõe o § 5º do art. 46 do Regimento Interno. Não vamos partir para essa discussão agora porque não vamos chegar a lugar nenhum. Vamos dar início aos trabalhos aqui com a oitiva das pessoas e amanhã de manhã, na reunião administrativa, nos comprometemos a debater em profundidade esta matéria.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, acato a decisão de V. Exª para fazer esse debate amanhã. Quero saudar, porque a Minoria pelo menos recebeu o respeito de ter uma decisão, eu estava me sentindo profundamente desrespeitado pela atitude do Senador Amaral, e vejo que agora, na figura do Presidente Asdrubal, a Minoria, mesmo contrariada, mesmo tendo seu direito negado, está sendo respeitada, eu acato a decisão de V. Exª.

Só quero aduzir uma observação de 30 segundo. Para se instalar uma CPI, Presidente, não precisa de maioria, precisa de um terço, portanto, um terço, Sr. Relator, precisa ser respeitado.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Amanhã, vamos embora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, uma sugestão.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Pois não.

O SR. (Orador não identificado) – A pauta amanhã vai estar bem complicada, vamos ter às três horas essa discussão sobre o relatório, que vai ser uma discussão longa, vai exigir inclusive muita concentração nossa, para nos prepararmos para ela, e temos também votação de requerimentos importantes e outras questões como essa lembrada pelo Deputado Onyx.

Queria sugerir que começássemos mais cedo amanhã, porque acho que onze e meia é tarde, podíamos manter as dez horas.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Consulto o Plenário.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Quero me inscrever também.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela ordem, Sr. Presidente, estou pedindo a palavra já faz algum tempo, porque tenho uma informação que queria passar para todos os membros da Comissão.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Tem V. Exª a palavra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Muito grata. Na semana passada, tivemos um módulo de trabalho mais direcionado na questão da movimentação financeira das empresas do Marcos Valério e seu correlatos. Tivemos uma reunião muito importante no Banco Central com representantes do Banco do Brasil por conta de situações delicadas que tinha nos dados e procedimentos que deixavam a desejar em várias informações prestadas. Como resultado dessa reunião, chegamos a procedimentos que aceleraram e hoje podemos ter uma consolidação dos dados do Banco do Brasil muito melhor do que tínhamos há poucos dias. Na reunião da quinta-feira, onde estava o Deputado Gustavo Fruet, e nós também tivemos oportunidade de participar, o Deputado Carlos Sampaio, ficou prevista a possibilidade de fazermos algo assemelhado com o Banco Rural, tendo em vista que a diretoria apesar da questão da...

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pelo amor de Deus, minha gente! Quero me inscrever também, Presidente, se é para tumultuar, quero me inscrever também.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Mantenho a palavra a Senadora Ideli.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então fizemos uma solicitação e amanhã, às 8 horas e 30 minutos, vai haver uma reunião na mesma condição em que foi feita com o Banco do Brasil, entre Banco Central e Banco Rural, no Banco Central no 20º andar.

Então eu só preciso, para poder facilitar lá, saber quais são os parlamentares que querem acompanhar essa reunião, para, no mais tardar até quatro, cinco horas, informar o Luís Couto, que é o assessor parlamentar, ele só pediu isso, para poder organizar o local da reunião.

Acho que essa reunião é extremamente importante porque, de uma vez por todas, a gente vai ter que dar um basta na situação dos dados do Banco Rural, pois, apesar de eles terem ficado quase um mês aqui, trabalhando, não houve modificação significativa que possa nos dar segurança...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Para contraditar, Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...inclusive tem várias contas do Banco Rural que não vieram o sigilo, continua tendo a falta de informações, documentos que não chegaram. Então é algo extremamente relevante, essa reunião. E aí queria pedir que não antecipássemos tanto a administrativa porque senão uma reunião acaba se sobrepondo à outra.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, quero apenas aduzir uma observação. Primeiro, não quero ir, me nego a ir.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Presidente, peço que me inscreva.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – E quero anunciar a V. Exª que, mais uma vez, amanhã vamos apresentar um requerimento para busca e apreensão num diligência da CPMI dos Correios com o apoio da Polícia Federal dos computadores do Banco Rural. Chega! Já vieram aqui, trouxeram ex-ministro, passaram a conversão na CPMI. Faz trinta dias que essa gente nos desrespeita.

Vou apresentar amanhã e peço o apoio para fazer diligência de busca e apreensão. É Polícia Federal, são os técnicos da CPMI lá do CPD do Banco Rural e só sai de lá quando eles cumprirem aquilo que têm que fazer.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Do Banco Rural e do Banco do Brasil.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – V. Exª receberá.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Presidente, eu ainda não tinha terminado.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – A Senadora ainda não concluiu, mantenho a palavra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mais uma outra informação. Estivemos também conversando com diretores do Prodasen, até porque há dificuldade na própria CPMI de dar uma sistematização mais adequada aos depoimentos e há uma possibilidade de termos, rapidamente, uma concentração de todos os depoimentos obtidos nas diversas esferas, num único arquivo, de tal forma que possamos rapidamente acessar informações, dados, cruzar dados, aquele sisteminha de colocando as palavras-chave localizar em tudo onde ela aparecer.

Só vamos precisar que a CPMI oficialize ao Prodasen para realizarem esse trabalho e solicitar, Deputado Serraglio, que as demais instituições que estão colhendo depoimento do nosso interesse como a Polícia Federal, Ministério Público Federal, as demais CPMIs, a Comissão de Ética nos forneçam também por meio eletrônico tudo aquilo que já está acumulado. E eles têm condições de deixar isso pronto, se a gente encaminhar, no mais tardar, até a semana que vem. Inclusive já fizeram uma demonstração para mim no meu gabinete, é um sistema que acho que vai nos ajudar bastante para localizar questões em todos os depoimentos, porque agora temos um volume inimaginável de a gente fazer busca sem utilização de mecanismo mais adequado.

Então queria só pedir, porque acho que isso não depende de deliberação, porque é uma maneira de ajudar, que pudesse hoje...

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Antes de conceder a palavra à Senadora Heloísa, Deputado ACM, por favor, antes de conceder a palavra à Senadora, quero dizer aos companheiros que aqueles que quiserem participar dessa reunião amanhã, por favor, encaminhem seus nomes à Secretaria.

E com relação ao outro requerimento, o Sr. Relator irá adotar as providências.

Com a palavra a última inscrita, Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – De fato é o seguinte, Deputado Asdrubal, é porque V. Exª acaba, e quem estava presidindo anteriormente, acaba deixando que seja introduzido nesta reunião de oitiva assuntos relacionados à questão administrativa de amanhã. Então, V. Exª, em vez de dizer “chame o depoente para prestar depoimento”, ao patrocinar o “enrrolation” aqui no plenário, onde as pessoas começam a tratar de temas que são da reunião administrativa, acaba nos empurrando também a fazer esse debate.

Então o apelo que faço a V. Exª é que solicite que o depoente venha prestar depoimento, faça um esforço para que a reunião seja cedo amanhã, não dá para ser dez e meia, tem sessão plenária à tarde, daqui a pouco suspende, porque tem votação no plenário também. Então é o apelo.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Nobre Senadora, são justos os reclamos, e peço que conduza...

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Faço delas, Presidente, minhas palavras, e abro mão do espaço que havia pedido ao me inscrever para falar.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Eu acolho.

Peço que conduza no recinto o Sr. Enivaldo Quadrado. (Pausa.)

O Sr. Enivaldo se faz acompanhar do seu advogado Antonio Sérgio Altiere de Moraes Pitombo.

Solicito que assine o termo de compromisso. Aliás já assinado, passo ao Sr. Relator e também passo a palavra ao Sr. Relator para a oitiva.

Gostaria de que V. Sª procedesse a sua identificação e os esclarecimentos que julgar convenientes, sucintamente.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Meu nome é Enivaldo Quadrado, sou sócio da Corretora...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor me perdoe? Presidente, solicite o aumento do som, por favor?

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Por obséquio aumentem o som, por favor.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Meu nome é Enivaldo Quadrado, sou sócio Bônus-Banval, brasileiro, casado, estou aqui para prestar todos os esclarecimentos possíveis. Só isso, obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Passo a palavra ao Sr. Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, Sr. Depoente, na verdade, começamos a ter interesse na sua empresa a partir do momento em que detectamos alguns cheques e ordens que emanavam das empresas pertencentes ao Grupo Marcos Valério e que, de alguma forma, precisamos aprofundar esse questionamento; também na evolução da investigação, teve-se a impressão de que ademais de um possível instrumento de utilização de partidos políticos, a Bônus-Banval poderia ser intermediária de transações de maior expressão do que imaginávamos naquele primeiro momento.

Vamos começar esclarecendo a idéia inicial que tínhamos. A Bônus-Banval, por meio dessas pessoas que vou lhe questionar, terminou recebendo valores da SMP&B e numa ocasião da DNA, que são duas empresas que pertencem a Marcos Valério, ou, pelo menos, há alguém do Grupo nesse arranjo em que integra mais de 15 empresas.

V. Sª conhece Benoni Nascimento de Moura?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor, é meu funcionário.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que atividade ele exerce?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ele é motorista da empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tem ciência de que ele retirou R$ 255.000,00 através da DNA?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A empresa que deixou à disposição no Banco Rural, na Avenida Paulista, não sei qual é, tenho ciência, sim, que ele retirou os R$ 255.000,0 na Agência do Banco Rural, na Avenida Paulista, com o Sr. Guanabara.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele retirou a pedido da Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ele retirou a pedido do Sr. Marcos Valério, por meio da Simone Vasconcelos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas é um funcionário da Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, funcionário da Bônus-Banval.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E é normal isso? Eu ligo para um funcionário de uma empresa e esse funcionário vai e recolhe esse montante sem que o proprietário saiba nem do que se esteja tratando?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não esse pedido foi feito a mim pela Simone, e eu pedi ao Sr. Benoni fosse ao Banco Rural para fazer essa retirada.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas por que V. Sª disse que não sabia de quem era a ordem?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não sei a empresa que disponibilizou.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De qualquer modo é uma empresa de Marcos Valério. É isso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Da mesma forma, Luiz Carlos Manzano.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Também, da mesma forma. Foi pedido a mim, e eu pedi a ele que fosse ao Banco Rural.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – E quem é Luiz Carlos Manzano?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É o meu Diretor Financeiro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Áureo Marcato?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Também é uma pessoa que presta serviços à corretora. Foi a meu pedido no Banco Rural.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, eles foram repetidamente. A informação é de que chegaram a R$3 milhões.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor. Foram R$605 mil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso em espécie, né?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Em espécie.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas as transações identificadas das empresas do Marcos Valério... V. Sª teria condições de nos dizer que atividade a sua empresa Bônus-Banval exercia que era do interesse de Marcos Valério? Em que transações participou? Enfim, um quadro o mais amplo possível de tudo que V. Sª lembra em relação a contatos comerciais com o Sr. Marcos Valério e suas empresas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – O Marcos Valério foi-me apresentado pelo Deputado José Janene no início de 2004. A Corretora passava por algumas dificuldades. Em uma conversa que tive com o Deputado, ele me apresentou o Marcos Valério para uma possível compra da corretora. Foi então que a gente começou a ter algumas reuniões, apresentação de relatórios e tudo mais. Foi nesse sentido. A corretora era uma corretora de mercadorias, que atuava na Bolsa Mercantil e Futuros, na BM&F, única e exclusivamente nesse mercado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que teria levado... V. Sª tem esse elo forte com o Deputado Janene que fez indicá-lo um adquirente da corretora?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, conheci o Deputado Janene porque, em outubro de 2003, a filha dele Michele fez um estágio com a gente, de seis meses. Nas passagens dele por São Paulo, ele visitava a filha. Então, eu fiz um contato com ele assim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª sabe identificar que tipo de estágio era esse, que escola freqüentava?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ela tinha acabado de se formar em Administração de Empresas, e as corretoras, junto com a BM&F, têm um padrão de contratação de estagiários. Isso nós vínhamos fazendo ao longo dos anos, e, com ela, foi mais um caso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhecia o Deputado Janene antes dessa contratação?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não conhecia. Em São Paulo, ele não era conhecido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª quer dizer que passou a conhecer o Deputado Janene a partir da contratação da filha?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que atividade a filha exercia?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Estagiária nos mercados de commodities.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em que área?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ela fez vários cursos na Bolsa de Mercadorias.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esses valores que foram sacados, que eu anunciei, são: Luiz Carlos Manzano, R$50 mil, Áureo Marcato, R$300 mil, Benoni, R$255 mil. Qual era o destino desse numerário?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foram entregues integralmente ao Marcos Valério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Marcos Valério remetia dinheiro de Belo Horizonte para São Paulo, ia recolher lá em São Paulo, por meio de V. Sª?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor. Foi o que aconteceu.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ocorreu-lhe alguma vez qual o significado disso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Olha, eu não o questionei nenhuma vez, porque vínhamos num curso de negócios, de tentar vender a corretora a ele. Então, não o questionei. Também não o questionei por se tratar de uma retirada dentro de um banco, em uma tesouraria, por uma pessoa pré-determinada, porque tinha que procurar esse Sr. Guanabara. Por isso, não o questionei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Sr. Guanabara era um funcionário?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Era uma pessoa dentro da tesouraria do Banco Rural.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que agência do Banco Rural?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Da Av. Paulista.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –  O Marcos Valério ou empresas dele se valeram da Bônus-Banval para algum investimento?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Olha, nós tivemos, agora no levantamento da auditoria, depósitos da 2S participações e da Tolentini & Melo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que transações eram?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foram depósitos na conta corrente de um cliente nosso onde foram feitos alguns investimentos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sim, mas quem operava essa conta corrente era a sua empresa?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A Bônus-Banval é uma instituição autorizada a operar nos mercados. Quem operava era essa empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa empresa, a Bônus?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, a empresa cliente. A Bônus-Banval é só representante perante da Bolsa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quem era a empresa cliente?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Está aqui nos documentos que vou encaminhar ao senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas são muitas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, uma empresa só.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem era?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Chama-se Natimar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A sua empresa, a sua corretora, já tinha atividade com ela normalmente antes desse episódio?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor, era cliente da corretora desde o ano de 2002.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de transações a sua empresa tinha com a Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, como cliente mesmo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Cliente de...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – De mercados futuros, de mercado de ouro, dentro da Bolsa Mercantil e de Futuros.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Marcos Valério se valia disso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, Marcos Valério fez investimentos nesta empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Marcos Valério investiu em ouro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É... As notas estão aí hoje para análise da CPI.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas V. Sª á teve acesso às notas. Existem notas de investimento em ouro de Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Existem noras de investimento em outro da Natimar. Os depósitos foram feitos na Natimar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –  Mas, nessa interligação, é possível identificar... Salvo engano, estou entendendo o seguinte: o dinheiro sai do Marcos Valério, vai para a Bônus, que vai para a Natimar, que compra o ouro.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Exatamente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A ordem sai do cliente? O Marcos Valério pode determinar que esse depósito que está sendo feito para a Bônus-Banval seja para aquisição de ouro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Pode.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E isso é identificado lá na ponta, que Marcos Valério ou uma empresa dele...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, está identificado como Natimar sendo a beneficiária dos recursos e dos investimentos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas como é que V. Sª se assegura de que a Natimar está empregando segundo sua ordem se V. Sª não tem a aplicação que procedeu?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Porque, no levantamento da auditoria, identificamos os depósitos feitos na conta dessa Natimar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Volto a insistir, não conheço muito dessas transações. V. Sª, na Bônus-Banval, não tem controle se a Natimar obedecia as suas ordens de adquirir outro para o Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor, porque partem do próprio cliente as ordens de compra e venda de qualquer artigos....

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas o cliente Marcos Valério determina a ordem direto para a Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não sai da Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, a Bônus-Banval é só...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma conta?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Uma conta e a corretora que tem autorização para operar nos mercados financeiros e nos mercados de BM&F. É a corretora que está autorizada a operar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª continua a operar na Bolsa?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, em setembro de 2004, entregamos o título à Bolsa, vendemos o título da corretora de mercadorias à própria BM&F.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E atualmente opera com o quê?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Atualmente só operamos no mercado de Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo, através de corretoras de terceiros. É uma corretora muito pequena hoje.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª fez referência às notas, essas notas são da Bônus-Banval ou são da Natimar? São da Natimar essas notas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Isso, da Natimar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essas notas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª as consultou.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Quem emite as notas é a própria corretora.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Existem ali transações de ouro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Existem.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª lembra mais o menos quanto possa importar? Qual a transação maior que V. Sª lembra ter visto?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não me lembro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais ou menos.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não me lembro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem mais ou menos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Precisaria analisar...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª trouxe esses documentos todos e não teve a curiosidade de olhar no avião, em lugar nenhum?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Na verdade, a auditoria ficou pronta ontem. Nós estamos correndo com isso há bastante tempo. Estou entregando aos senhores e estou entregando á Polícia Federal também.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Além de ele investir em ouro, ele investia em dólar por meio da Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não. A Bônus-Banval não opera o mercado de dólar, somente o dólar futuro, o dólar na BM&F.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E dólar futuro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Dólar futuro tem negociações...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com as empresas do Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Com a Natimar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com a Natimar, mas também por ordem...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Também por ordem de Marcos Valério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De Marcos Valério.

V. Sª conhece a empresa SMP&B? Há alguma empresa ligada a Marcos Valério que seja de ordem internacional? Conhece SMP&B Bank Corporation?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tem certeza de que a Bônus-Banval nunca teve nenhuma transação?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Tenho certeza.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe que está havendo uma investigação sobre disso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sei, sim senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.PMDB – PR) – Repito. SPMB Bank Corporation.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª mantém transações com a 2S que é essa com... a do Marcos Valério? A Bônus-Banval mantém transações com... V. Sª conhece o Toninho da Barcelona?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor; não conheço. Inclusive, logo depois do depoimento que foi tomado em São Paulo, nós entramos com uma petição na Polícia Federal para sermos ouvidos, para sermos questionados, porque ele só disse mentiras. Não tenho o menor contato com ele. Eu não operei com fundos de pensão em nenhum momento. As histórias que ele comentou de que a corretora fazia operações com fundo de pensão dilapidando o patrimônio é mentira. Nós não temos nenhuma operação com fundos de pensão, o senhor pode checar junto a CVM, a Banco Central, a todos os órgãos competentes. Nós não temos nenhuma operação.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, independentemente de não haver operação eventualmente registrada na Bônus-Banval, hipoteticamente seria possível que servisse de intermediário, estilo apresentação de alguém que tivesse possibilidade de fazer as transações. V. Sª nunca serviu de intermediário a partir de Marcos Valério, a partir, enfim, desse contexto, para fazer que determinado fundo tivesse uma determinada aplicação?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca, com certeza.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca tratou de fundos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca, nunca.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Das afirmações do Toninho da Barcelona em relação ao mercado, V. Sª se surpreendeu com alguma coisa mais?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, porque eu só me atentei às coisas que ele falou da Bônus-Banval. São todas mentiras, e eu volto a afirmar. Ele está tentando desviar o foco da CPMI.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, em relação a essa 3S Empreendimentos, tem noção do volume de recursos que transacionava?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Qual empresa?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A 3S Empreendimentos.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço 3S. Seria 2S Participações?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sim, 2S.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foi aproximadamente R$3 milhões.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não existe uma RS Empreendimentos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – RS foi um cliente da corretora.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Foi o quê?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Cliente. Um cliente que operava nos mercados normais. RS Construções.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa RS tinha atividade que vinculava a Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, nenhuma.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª não conhece Toninho da Barcelona?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Conhece o MTB Bank?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez teve alguma transação com MTB Bank?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, nunca tive transações fora do País.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, no Brasil, com repasses para a Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A sua empresa, alguma vez, investiu dinheiro no exterior?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou destinou, não investiu, mas se valeu, encaminhou para que fossem feitos depósitos no exterior?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor, com certeza. Explicando, Sr. Relator: as corretoras de mercadorias têm um regimento, são fiscalizadas pela CVM e pelo Banco Central. Então, qualquer desvio ético dessa corretoras é prontamente anunciado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas é possível que eu tenha num mesmo local uma corretora que obedeça rigorosamente o que deva e paralelamente a isso atue...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Só se a corretora não tiver conhecimento, não é? E sim os clientes.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.PMDB – PR) – Sabe de algum investimento do Deputado Janene?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ele fez uma única aplicação conosco, durante esse período em que a filha esteve, de R$54 mil. Mais nada.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.PMDB – PR) – V. Sª nega qualquer transação com a Barcelona Tour?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Qualquer uma. Nego. Nunca tive.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Em síntese, as informações que V. Sª tem em relação a Marcos Valério seriam essas relacionadas à possibilidade de compra... Chegaram a entabular o valor que seria a transação, se ele adquirisse?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Seria de R$ 4 milhões.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que volume...Eu já lhe perguntei, mas V. Sª poderia pelo menos descrever – talvez eu tivesse formulado de uma forma equivocada, restringindo-me a uma especificidade. Generalizando, que transações, de alguma forma, foram praticadas por meio da Bônus Banval que fossem de interesse ou de Marcos Valério ou das empresas a ele ligadas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Somente investimentos no mercado financeiro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Todos eles procedidos por meio da Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Natimar. Exatamente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Todos eles estão documentados nessas notas que V. Sª está nos trazendo?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Estão documentados, inclusive auditados, com essa documentação que estou trazendo ao senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Haveria alguma razão especial para ele se abalançar lá de Belo Horizonte para São Paulo, para procurar uma empresa que lhe facilitasse as retiradas de dinheiro em espécie num banco?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, somente o contato que estamos tendo, comercial, com relação à compra da corretora. Mais nenhum interesse.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca teve ciência do prosseguimento desse dinheiro? V. Sª disse que esse dinheiro era entregue ao Marcos Valério.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Exato.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca ouviu qual seria a seqüência disso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quanto aos documentos que V. Sª se comprometeu a entregar à Polícia Federal, V. Sª procedeu à entrega?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – No meu depoimento na sexta-feira passada, eu já tinha entregue os extratos bancários juntamente com os contas-correntes. Hoje, estou entregando, juntamente, toda a auditoria com todos os levantamentos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essas notas que V. Sª faz referência são notas de corretagens?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª fala que Marcos Valério declarou à Polícia Federal que teria efetuado aplicações no mercado de futuros e de ouro físico. Esse conhecimento que V. Sª tem é porque a Bônus Banval foi que serviu nesse elo com a Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não é que serviu nesse elo. A Bônus Banval é o veículo. A corretora sempre é o veículo...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A única que pode operar na Bolsa é a Bônus Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Na Bolsa, sempre é através de uma corretora.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Soube de alguma outra aplicação que Marcos Valério tivesse procedido eventualmente através de alguma outra corretora?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor, não tenho conhecimento.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª também fez a afirmação de que os resgates que a Natimar procedia eram comunicados via telefone.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como V. Sª sabe disso se é a Natimar que procede?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, porque existe um conta-corrente da empresa dentro da corretora. Então, têm as aplicações e os resgates. Então, a pessoa sempre procede pelo telefone.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O elo em relação a essas aplicações é da Natimar com o cliente, o Marcos Valério, no caso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª também declarou na Polícia Federal que as empresas efetuavam depósitos na conta corrente e que a Natimar mantinha na Bônus Banval, cujos extratos acompanham a petição apresentada neste momento. V. Sª apresentou esses extratos à Polícia Federal?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Apresentei esses extratos à Polícia Federal e estou apresentado hoje aos senhores.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais à frente, V. Sª diz assim: que mantém em arquivo a relação dos beneficiários dos resgates das aplicações realizadas por Marcos Valério através da Natimar.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor. Estou entregando também hoje ao senhor...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É isso que eu queria. Estão aqui? Vai disponibilizar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais à frente – não sei se é essa mesma a afirmação que V. Sª faz –, diz que se compromete a apresentar os registros dos resgates e nome dos beneficiários.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – São esses que estão já em poder do senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, aqui, V. Sª fala três vezes a mesma coisa? Ou aqui são três coisas diferentes?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu não sei de que forma o delegado colocou, mas são...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A síntese disso que V. Sª está nos apresentando são documentos relativos a quê?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Relativos a essas aplicações e a todos os resgates feitos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo que, na Bônus Banval, o senhor operou que diga respeito a Marcos Valério e a suas empresas – tudo – está contido nisso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Tudo está aí. Inclusive, ele disse à imprensa e aos senhores que tinham sido três milhões, três milhões e meio. Eu levei a informação à Polícia Federal – estou entregando aos senhores aí – de que foram seis milhões e meio. Não foi dele, partiu de mim, na identificação do...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, V. Sª está demonstrando que ele não deu a informação correta?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª já ouviu falar na empresa Guaranhuns, repetidamente noticiada?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor. Eu tenho acompanhado todo o noticiário pelo jornal...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tem alguma informação ou teve algum elo com essa empresa?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, o Sr. José Carlos Batista é conhecido no mercado, porque ele trabalhou em várias corretoras e em vários bancos. Num período curtíssimo – tenho aqui também –, ele operou na Corretora Bônus Banval, em nome dele. Poucas operações, mas eu trouxe para disponibilizar aos senhores também. O único conhecimento que eu tenho é que eu o conhecia e não a Guaranhuns – não pessoalmente também, sei que ele foi cliente da corretora, mas eu nunca tive contato pessoal com ele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca nenhuma transação entre as empresas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não. Eu não conhecia a Guaranhuns até então.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O senhor conhece a Empresa Esfort Trading?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca ouviu falar dela?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª fala que os investimentos de Marcos Valério se procediam por meio da Natimar, a Bônus Banval só tinha a Natimar com quem operava ou tinha outras empresas e somente em relação a Marcos Valério é que se dava por meio da Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, a Bônus Banval tem vários outros clientes – inclusive, estou encaminhando ao senhor a relação de clientes. É que essas aplicações foram feitas através da Natimar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que outras empresas teriam esse paralelo da Natimar como utilidade, enfim, como relacionamento com a Bônus Banval? As maiores.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu tive como clientes grandes bancos... Muitos clientes. A relação é grande.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa Natimar é estabelecida onde?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Em Santa Catarina.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela opera fortemente em Santa Catarina?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ela opera fortemente nos mercados derivativos dentro da BM&F. O que ela faz em Santa Catarina, eu não sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela tem muita expressão?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ela é uma empresa grande.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os seus proprietários são brasileiros?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É um senhor chamado Carlos Alberto Quaglia, argentino.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Argentino?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como V. Sª sabe que ele é argentino?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu encaminhei ao senhor também o cadastro da empresa. Eu tenho o cadastro da empresa. Como procedimento, nós procedemos igual a um banco. Antes de ter um cliente, temos um procedimento de abrir um cadastro da empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe se esse Sr. Quaglia possui alguma empresa no exterior?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe se a Natimar opera no exterior?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Bônus-Banval, alguma vez, contribuiu com alguma campanha?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem com Partido político?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nem com nenhum Partido político.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teria alguma outra informação que julgue interessante nessa investigação que estamos procedendo? Sabe do que falamos.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Claro. Eu só tenho me colocado sempre à disposição. Fui duas vezes à Polícia Federal no intuito de esclarecer toda essa coisa que colocaram em cima da empresa. Eu estou à disposição para qualquer tipo de esclarecimento. Só quero limpar o nome da empresa, limpar o meu nome. Esse é o meu objetivo. Por isso, estou entregando aos senhores um relatório completo de todas as operações feitas com os recursos do Sr. Marcos Valério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª conheceu Marcos Valério? Em 2004?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Começo de 2004.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando o viu pela última vez?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu o vi este ano, fevereiro, por aí... Não tenho...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele teria ido lá fazer o quê?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, continuamos tendo contatos, só...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com que freqüência V. Sª o via em são Paulo?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Uma vez por mês, uma vez a cada vinte dias.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe se ele se valia de alguma outra corretora para algum outro investimento?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não tenho idéia.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe de alguma outra atividade que ele, eventualmente, exercesse, ao mesmo tempo em que ele ia a sua empresa ou na seqüência, em São Paulo?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para onde ele se dirigia com os negócios dele?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não tenho conhecimento.

Eu tinha as informações que ele me passava de que se tratava de um publicitário, atendia grandes contas. Era esse só o nosso elo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguém da empresa de V. Sª conhece onde fica alguma sede partidária em São Paulo? Bom, V. Sª não pode afirmar em relação a eles, mas, enfim, estamos tentando identificar se esses recursos foram conduzidos para algum Partido.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nada lhe diz isso? Nada o...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Marcos Valério não costumava se encontrar em São Paulo com políticos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Numa ocasião, no ano passado, ele estava jantando no Aeroporto de Congonhas, me chamou e me apresentou o Sr. Delúbio Soares. Mas foi uma apresentação... Só apresentação. Não tivemos nenhum segundo de conversa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em que época foi isso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foi provavelmente em julho, agosto do ano passado. Não tenho certeza. Não marcou porque foi só um aperto de mão e mais nada.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele lhe apresentou como sendo o quê?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Apresentou como sendo o Sr. Delúbio Soares, o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Delúbio não pediu nenhum favor da Bônus Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor, nunca. Surpreendeu-me muito quando o Marcos Valério, nesta comissão, disse que tinha sido a pedido do Delúbio Soares que ele tinha feito as aplicações na Bônus Banval. Não foi. Eu nunca tive contato com o Sr. Delúbio Soares. Não procede.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Algum Partido teve algum investimento através da sua corretora?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, agradeço.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Antes de passar a palavra à Senadora Heloísa Helena, eu quero dizer que me foi entregue uma auditoria procedida pela empresa, que está à disposição dos senhores membros da comissão. Só que eu pediria que ela ficasse com a Drª Cleide, para que não tumultuasse aqui a mesa.

Passo a palavra à Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, Srs. Deputados e Srs. Senadores, infelizmente, se tivéssemos tido acesso aos dados que foram agora apresentados, dados extremamente importantes, na sexta-feira ou pelo menos ontem, isso muito nos auxiliaria no depoimento de V. Sª, porque...

O SR. (Orador não identificado)(Fora do microfone. Inaudível.)

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Nem vale a pena.

O Senador Jefferson Péres sugeriu que pudéssemos ter um tempo para olhar, mas podemos, quando nos inscrevermos novamente, já ter mais elementos.

Essa falta de relação respeitosa institucional, porque, se nos foi encaminhada a cópia do depoimento, nada mais lógico que nos fossem encaminhados também os anexos, toda a documentação que os senhores... Os senhores apresentaram essa documentação ontem na Polícia Federal? Sexta?

O SR. (Orador não identificado)(Fora do microfone. Inaudível.)

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pois é, tudo bem. Vamos iniciar e, ao tempo, poderemos olhar...

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Então, não houve a falta de relacionamento institucional nesse caso.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Mas há muitas, relações desrespeitosas, documentos que não são encaminhados, documentos que são encaminhados fraudados. Isso existe. Só não vê quem não quer ou quem não está analisando os documentos. Não é à toa que já estamos a essa altura da CPMI inclusive criando a possibilidade de contratar consultorias, auditorias, procedimentos investigatórios outros, para poder dar conta da análise dos documentos, porque o problema não é dos funcionários do Tribunal de Contas da União, do Senado, da Câmara ou do Banco Central que estão nos auxiliando. É porque são documentos fraudados ou não encaminhados mesmo.

Nesse caso específico, veja, Sr. Enivaldo, o problemão. Primeiro, porque o documento que está aí apresentado pode, inclusive, nos levar até a incorrer em algum erro, em identificar uma personalidade que investe no mercado, que investe na bolsa e que usou a corretora e a conta da corretora para investimentos em ouro. De repente, ele pode estar com o nome publicado como se fosse parte do esquema de corrupção montado pelo Sr. Marcos Valério.

Já vai ser uma dificuldade para cada um de nós identificar o que é parte desse gigantesco esquema de corrupção. Veja onde a empresa do senhor está diretamente envolvida. Pode ser que não haja envolvimento algum, pode ser que seja uma operação como outra qualquer, uma corretora, uma conta da corretora que faz aplicações na bolsa de valores; que, depois, as pessoas resgatam o dinheiro dessas aplicações feitas. Pode ser só isso.

Mas não é uma coisa qualquer, porque a corretora de V. Sª foi citada como parte de um esquema monstruoso de corrupção. Por quê? Porque, na primeira fase do esquema de corrupção, em que agiam as gangues partidárias, os empresários que agiam em conluio com essas gangues partidárias, na primeira fase, eram dirigentes ou do PT, ou do PL, ou do PP ou do PTB, da base bajulatória do Governo, ou do PMDB, que iam lá, pegavam o dinheiro, saiam nos carros fortes, nas malas, nas maletas – em outras coisas mais –, saiam com o dinheiro para pagar Parlamentar.

O Parlamentar que recebia o dinheiro podia pagar dívida de campanha, podia pagar orgias com o dinheiro público roubado. Então, o destino do dinheiro... É a coisa do mensalão. Se era “mensalão”, “semestralsão”, “quinzenalsão”, isso não interessa, mas era para esse esquema monstruoso de corrupção.

Veja, Sr. Enivaldo Quadrado, imagine o que o povo brasileiro está querendo com o senhor, quase que o senhor vê o sol nascer quadrado de tanta raiva que o povo brasileiro está desse esquema de corrupção. E fica com raiva de todos nós também se não aprofundarmos as investigações, se não cassarmos os parlamentares e se não colocarmos na cadeia parlamentares ou envolvidos no esquema sujo de corrupção.

Veja: a população fica imaginando: “ora, mas se essa corretora”... Dizia o Sr. Marcos Valério que a primeira etapa do esquema de corrupção era o carro forte, a mala, os dirigentes partidários que iam lá sacar o dinheiro. Na segunda etapa do esquema de corrupção, o Sr. Marcos Valério disse que eles usavam duas corretoras: a corretora Guaranhus, para dar o dinheiro para o PL; a corretora Bônus-Banval, de V. Sª, para entregar dinheiro para o PT e para o PP.

Como nós vamos acreditar num procedimento absolutamente formal? Olhe, se coloque em nosso lugar. Veja a dificuldade que teríamos de encarar isso como um procedimento formal, da máquina do capitalismo, dos investimentos que são feitos, do cheque administrativo que vai, ou do dinheiro que vai, que se aplica na bolsa e que se restitui como um procedimento formal. Fica difícil para a gente acreditar.

Primeiro, a gente fica procurando a origem do dinheiro. A origem do dinheiro era o quê? O “propinódromo”? Tem isso também. Havia a licitação fraudada. O empresário que ganhava a licitação fraudada pelas gangues partidárias aplicava o dinheiro para que, depois, o dinheiro pudesse ser devolvido para pagar as gangues partidárias.

Há outra investigação que se refere às gangues partidárias. Como elas tomavam conta, parasitavam certas estruturas do poder, de lá elas pegavam um percentual. Eram 10% de uma, 30% de outra, 40% de uma outra. Esse dinheiro que era pego era mandado para as empresas de Marcos Valério, que, por sua vez, encaminhava para as empresas de V. Sª e aplicava no mercado em ouro ou no quer que seja. Depois, resgatavam para dar o dinheiro para os senhores vigaristas envolvidos nesse processo.

Alguns dizem: “ora, mas de onde veio esse dinheiro?” O dinheiro veio em espécie, porque para o senhor uma parte do dinheiro veio em espécie para a corretora e teve uma outra parte que foi em cheque administrativo. Até melhor para V. Sª. De onde veio o dinheiro? O dinheiro em espécie veio de onde? Ou veio do “propinódromo”, do “valerioduto”, de qualquer nome que seja dado, dos empresários que agiam em conluio com as gangues partidárias e ganhavam licitações fraudadas, ou até do dinheiro sujo do narcotráfico. Quem tem tanto dinheiro para andar com ele por aí? Ou é suborno, ou é chantagem, ou é dinheiro sujo do narcotráfico, e busca-se alguma alternativa para lavar esse dinheiro.

Sr. Enivaldo, nos ajude um pouco mais: quais eram as conversas que tinha com Marcos Valério? Ele, de alguma forma, tratava desse tema com V. Sª?

Pode ser só isso. O mercado tem muita sujeira. Não é à toa que 30% do capital financeiro, do capital volátil é de dinheiro sujo, do narcotráfico, de todas as redes de suborno, de crime organizado.

Mas deixemos isso de lado. Partimos do pressuposto de que o senhor era assim: era corretora que, por sua vez, tinha conta, que comprava ouro, investia no mercado; depois, esse dinheiro era devolvido. O Sr. Marcos Valério dizia: “resgate a aplicação tal”. Quando ele resgatava a aplicação financeira, passava para alguém; ou não, porque os senhores também passavam.

Então, dessa lista que o senhor está... Olha a responsabilidade, há uma lista de pessoas aí. Podem ser pessoas que eu possa considerar desprezíveis como capitalistas, que estavam lá investindo; posso até suspeitar que o dinheiro dele também seja roubado ou lavado do narcotráfico, mas podem ser outras pessoas também. Então, dessa lista que o senhor está nos entregando...

Veja, nós quebramos o sigilo da Bônus-Banval, tínhamos de quebrar o sigilo da Natimar e teríamos de quebrar também o sigilo não de todas as pessoas, mas das pessoas que, citadas por V. Sª, como aqueles que, em função do resgate das aplicações financeiras, eram os indicados pelo Marcos Valério e companhia ou por outras empresas do Marcos Valério.

Que o senhor nos ajude. Pegue aí o documento, se o senhor tem... O senhor disse que estava encaminhando aqui as movimentações bancárias realizadas por meio de TED e DOC. O senhor disse que estava encaminhando também os resgates que poderiam ser feitos em nome de terceiros. Isso está aí nesse documento que o senhor está apresentando também?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Está sim, senhora.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – A relação dos beneficiários dos resgates das aplicações realizadas pelo Sr. Marcos Valério por meio da Natimar... Quer dizer que todos esses nomes que estão ai não são outros nomes que resgatavam das aplicações financeiras da Natimar. O documento que está sendo entregue é só daqueles relacionados ao Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Não, senhora. É um apanhado geral, porque não tem como separar.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – É, mas o senhor vai ter que nos ajudar a separar, porque vai ficar muito difícil. Nós podemos estar expondo algumas pessoas como beneficiárias de um verdadeiro conluio de gangues partidárias que estavam instaladas ou não apenas dentro dos Correios.

O senhor encaminhou os valores por meio de extrato de contas correntes?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Sim, senhora.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – O senhor encaminhou também o extrato de conta corrente interna de cada um dos investidores ou não?

O SR. ENIVALDO QUADRADO De onde foram feitos os depósitos do Sr. Marcos Valério, sim.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – É, porque nós vamos ter de quebrar o sigilo de cada uma dessas pessoas que estão aí citadas também.

O senhor continua dizendo que não se recorda dos nomes das pessoas que foram beneficiadas? No seu depoimento à Polícia Federal, o senhor disse “que não se recorda do nome das pessoas que foram beneficiadas pelos resgates dos investimentos realizados pelo Sr. Marcos Valério; que se compromete em apresentar o registro dos resgates e nome dos beneficiários”, que o senhor apresentou agora.

Depois, o senhor disse “que pode afirmar que algumas dessas pessoas não estão beneficiadas”. O senhor lembra de algum nome? Algum desses nomes tem algo de que o senhor possa lembrar ou que o Sr. Marcos Valério disse alguma coisa? Há a Srª Deusa, há a empresa “não sei o quê”. O senhor lembra alguma coisa que possa nos auxiliar nesse procedimento investigatório?

Mais cedo ou mais tarde, Sr. Enivaldo, a realidade é implacável, por mais que aqui exista não o cheiro de orégano, mas dos esgotos da política putrefatos querendo fazer uma operação abafa, mais cedo ou mais tarde, ou o jornalismo investigativo descobre, ou a CPI, ou um procedimento do Tribunal de Contas, ou uma Comissão de Fiscalização e Controle.

Apelo a V. Sª que não tenha uma amnésia seletiva. Apelo a V. Sª que tente nos auxiliar naquilo que é a motivação desta CPI, naquilo que é a motivação da vinda de V. Sª aqui. Em que o senhor pode nos auxiliar? Porque o Sr. Marcos Valério disse, na montagem do processo de corrupção que envolvia gangues partidárias, empresários que agiam em conluio com essas gangues partidárias, que o dinheiro resgatado era repassado para parlamentar e que o senhor estava envolvido nisso.

Então, nos auxilie, por Nossa Senhora.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Senadora, eu vou auxiliar. É que só ontem ficou pronto esse relatório final da auditoria. Estamos procedendo novos levantamentos, comunicando por carta todas essas pessoas, para que respondam do que tratam os investimentos para não cometer justamente essa injustiça.

Vamos auxiliar, sim, senhora. Pode ficar tranqüila.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, mas como o senhor entrou nisso? Diga-me, Sr. Enivaldo.

Tenha a certeza de que eu estou tentando ter a maior paciência do mundo. O povo brasileiro não tem paciência mais nenhuma, nem com a gente nem com os senhores.

Mas nos auxilie, porque o Sr. Marcos Valério disse que usava a sua corretora não para fazer uma aplicação financeira e que, depois, o resgate dessa aplicação financeira, ele usaria da forma como quisesse, distribuindo para qualquer pessoa. Ele deixou claro aqui que a montagem do esquema de corrupção usava a corretora de V. Sª. Era como se o senhor soubesse desse esquema e repassasse para parlamentares corruptos, dirigentes partidários corruptos e empresários apaniguados do esquema de corrupção também. Ele deixou isso aqui claro.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Senadora, mas o Sr. Marcos Valério mentiu, porque ele também disse aos senhores que tinha sido feito um depósito de R$3,5 milhões na conta da corretora, e foram R$6,5 milhões. Eu é que estou trazendo essa informação.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Mas aí fica mais difícil ainda, porque veja a situação. Realmente, o pior é que ele não mentiu para menos. Quer dizer, ele mentiu para menos. Aí complica mais a nossa investigação, porque realmente, inclusive, nos documentos que foram apresentados – o próprio advogado não sonegou a informação, deixou ali claro com o documento que foi apresentado –, por enquanto, são mais de R$7 milhões.

Então, imagina a angústia em que ficamos e a indignação em que o povo brasileiro fica. Até então, ele dizia assim: “ora, o esquema com a corretora era de R$3 milhões e pouco”. Agora, descobrimos que o esquema com a corretora tem mais de R$7 milhões.

Não há nenhum dado, o senhor não lembra nenhum dado de que o Marcos Valério, alguém da empresa do Marcos Valério, qualquer um dirigente dessas gangues partidárias que foram montadas, saqueando os cofres públicos e recebendo o dinheiro? O senhor não lembra nenhum fato? Até com um dos parlamentares, o senhor disse que só conversou com ele porque ele visitava a filha dele que trabalhava com o senhor.

O senhor não lembra? Ele disse aqui que a Guaranhus era utilizada para dar dinheiro ao PL e que a corretora do senhor era usada para dar dinheiro ao PT e ao PP. O senhor não lembra nada relacionado a isso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – O que eu posso afirmar para a senhora é que é mentira isso. Eu queria fazer um comentário. A Bônus-Banval não pode ser comparada à Guaranhus. É uma empresa que foi constituída em 1993, que segue os regulamentos da CVM e do Banco Central. A Guaranhus, a gente não sabe o que é ainda. Então...

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Tudo bem. Eu já acabei o meu tempo...

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Desculpe, Senadora.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Não. Eu é que peço desculpas ao Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – V. Exª pode se reinscrever.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Eu já estou reinscrita.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Obrigado, Senadora.

Concedo a palavra ao ilustre Senador César Borges.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Obrigado, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Sr. Enivaldo Quadrado, vou procurar ser bem direto nas minhas perguntas. V. Sª disse que conheceu o Deputado José Janene por meio de sua filha, que trabalhava com V. Sª.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ele sempre esteve lá acompanhado do Sr. Genu.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Isso é verdade?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É verdade.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ele lhe apresentou Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Exatamente. Foi.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, o Deputado José Janene já conhecia Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Já conhecia Marcos Valério.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Por meio dessa apresentação, começou o relacionamento do senhor com o Sr. Marcos Valério.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Isso. No início do ano de 2004.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, há a possibilidade de que imaginemos que o Deputado José Janene utilizou-se de V. Sª para ter um relacionamento com Marcos Valério e, a partir daí, começar a fazer funcionar um esquema de transferência de recursos das empresas do Sr. Marcos Valério para a Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não. Ele apresentou-me o Sr. Marcos Valério como um possível comprador da corretora. Só isso, mais nada.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas a partir daí começou um relacionamento em que, em primeiro lugar, por suas declarações na Polícia Federal, utilizaram V. Sª para transportar um recurso que foi sacar, assim como seus dois funcionários – seu sócio e um funcionário, o Benoni. Pergunto-lhe: que destino foi dado a esse dinheiro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Como disse à Senadora Heloísa Helena, foi entregue, integralmente, ao Sr. Marcos Valério.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Qual foi o total que o senhor sacou?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Seiscentos e cinco mil.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O senhor, Benoni e...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não fui, nenhuma vez, ao Banco Rural. Foram o Sr. Luiz Carlos Manzano, o Sr. Benoni e o Sr. Áureo Marcato.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Entregaram ao Sr. Marcos Valério.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Entregaram a mim e eu entreguei a Marcos Valério.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Qual o destino desses recursos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu o entreguei ao Sr. Marcos Valério. Não tenho conhecimento.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª não tem nenhum conhecimento?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, aqui foi elucidada por V. Sª uma contradição entre a declaração de Marcos Valério no sentido de que havia R$3,5 milhões que passou para a Bônus-Banval para que fossem pagos a políticos do PP e do PT, como foi declarado por ele – e o Sr. Jacinto Lamas era tesoureiro do PL – e a declaração de V. Sª de que recebeu R$6,5 milhões.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Como V. Sª recebeu esses R$6,5 milhões?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foram depósitos on-line feitos na minha corretora.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Para que esses R$6,5 milhões?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Para investimentos na conta de um cliente na corretora.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Foram depósitos feitos à Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Na Bônus-Banval.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Para fazer investimento onde?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A Bônus-Banval era uma corretora que atuava nos mercados futuros. Esses recursos entraram na conta de um cliente da corretora.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Que cliente?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Natimar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas o senhor transfere e recebe. Por que o intermediário Natimar? Por que o senhor não pode, como corretor, fazer aplicação diretamente na Bolsa de Mercadorias e de Futuros?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A corretora não atua diretamente, Senador, mas com clientes.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas as empresas do Sr. Marcos Valério não são clientes? A Tolentino, a 2 S Participações, por que ele não poderia fazer direto? São clientes da Bônus-Banval.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foram diretamente...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E por que a Natimar como intermediária?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Pelo tipo de aplicações no mercado de dólar futuro, no mercado de ouro à vista. Foi por isso.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas esse dinheiro terminava com V. Sª, que fazia aplicação na BM&F.

O SR. ENIVALDO QUADRADOAs aplicações ficavam sempre a critério do próprio cliente. A Natimar é que fazia os investimentos. A corretora só é o local onde se procede às liquidações.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Muito bem. A Natimar foi V. Sª que apresentou ao Sr. Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – A Natimar é sua cliente desde quando?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Desde 2002.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Tem como sócio principal quem?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – O Sr. Carlos Alberto Quaglia.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Quem é o Sr. Carlos Alberto?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É o dono da Natimar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª o conhece pessoalmente?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Conheço.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Quais são os ramos de atividade dele, além da Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Conheço só pela Natimar, que é intermediação de negócios no mercado de ouro.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª sabe que ele tem várias outras empresas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não sabia.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Inclusive agências de viagem, de turismo, que lidam com dólar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não sabia.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Quando havia resgate dessas aplicações da Natimar, qual era o destino desses recursos? Como se dava a entrega desses recursos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Entreguei, documentalmente, todos os TEDs, os DOCs. A maior parte a terceiros.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas chegava uma ordem para a Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A Bônus-Banval tem que fazer os pagamentos e os recebimentos. A Bônus-Banval sempre aparece nas liquidações.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não entendi onde entra a Natimar. O dinheiro saía da empresa de Marcos Valério para a Bônus-Banval, chegava na conta da Bônus-Banval. Onde é que entra a Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A Natimar é a empresa que operou, que fez as operações com esses recursos.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Que dizia onde V. Sª deveria aplicar: ouro, dólar.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ele é quem decide. É sempre o cliente que decide.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas não era V. Sª que representava, que ia à Bolsa de Mercadorias e de Futuros com os aplicativos, escolhia?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Senador, não funciona bem assim. O cliente tem o livre arbítrio de operar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas não era ele que ia até à Bolsa.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – À Bolsa não. Ele opera por meio de uma corretora. A corretora só...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas o dinheiro não chegava na conta da Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – O dinheiro entrou na conta da Natimar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Lá na sua corretora?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Dentro da corretora. É uma conta corrente dentro da corretora.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas não há uma conta no banco, há uma conta corrente interna, na Bônus-Banval.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Todos os clientes, de qualquer corretora...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas, no fundo, é na sua conta?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É. Eles usam a conta da corretora. Todos. Se V. Exª fosse meu cliente...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Tudo bem. Quando há o resgate. V. Sª recebia uma ordem de quem?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foi a Natimar que fez, diretamente, os resgates.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Diretamente? Mas não é por meio da corretora?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A corretora só é o órgão pagador e recebedor das transações.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas é fundamental. Ela tem que liquidar a operação, na Bolsa. Recebe o dinheiro na sua conta e, aí, faz uma destinação.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Exato. Dentro da conta corrente do cliente, interna.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Essa destinação... quem lhe dava a ordem sobre para quem deveria ir o recurso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A própria Natimar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Nunca foi o Sr. Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca foi o Sr. Marcos Valério.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Quer dizer, V. Sª nega, aqui, de forma categórica, que nunca repassou dinheiro para qualquer político?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nego de forma categórica.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Nunca entregou a ninguém, de qualquer partido?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A ninguém. De qualquer partido.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O Sr. Marcos Valério declarou que transferiu R$3 milhões a V. Sª para que fossem feitas essas tipos de operações. Foi bastante claro que os recursos foram repassados e que V. Sª faria pagamentos a determinados políticos ligados a partidos.

O SR. (Orador não identificado) (Fora do microfone. Inaudível.)

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) –  Quem é a Sr. Vivian?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não a conheço. É uma pessoa que Marcos Valério, dentro desses saques, desse recebimento de R$605 mil, foi à corretora buscar determinado valor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª a conhece, então?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não a conheço.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não foi V. Sª que entregou o dinheiro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Fui eu, mas não me lembro quem é. Não conheço...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – É alta, baixa, magra?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não me lembro. A gente lida com muitas pessoas. Então, não me lembro.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não tem o sobrenome? Nada.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª entregou, em confiança, a uma pessoa que nem conhece?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Marcos Valério tinha dito: “Vivian vai buscar.” Eu entreguei. Solamente.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Muito bem. Dentro dessas transferências, na medida em que o dinheiro era sacado, V. Sª fazia transferências para bancos, para outros bancos, para o Banrisul, por exemplo?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Vi ali, agora, rapidamente, nos documentos que acabaram de chegar.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não tive acesso a todos os documentos, mas é possível que sim. Mas diretamente, por meu intermédio, não. Não...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – HSBC, Banrisul.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Esses são os bancos das pessoas que têm conta. Dentro do HSBC tem o nome de um correntista.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Foi feito para o correntista do Banrisul?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É. Sim, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Por ordem da Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Por ordem da Natimar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, só teremos possibilidade de conhecer quem são os destinatários – conforme essa relação que V. Sª disse que conhecia de destinatários dos recursos que foram investidos pelo Sr. Marcos Valério – se quebrarmos o sigilo de todas essas pessoas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Para não cometer nenhuma injustiça o que fizemos? Pedimos uma auditoria dentro dessa conta em que foram aportados esses recursos. Eu a trouxe integralmente com o parecer...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Entenda V. Sª. Esse dinheiro saiu de Marcos Valério, passou pela Natimar, foi à Bônus-Banval, foi à Bolsa, retornou à Bônus-Banval. A Natimar dá uma ordem para passá-lo a alguém. Esse alguém não pode ser qualquer pessoa que não tenha uma relação comercial ou de interesse com o Sr. Marcos Valério, porque o dinheiro é do Sr. Marcos Valério. Está certo? Não é da Natimar. É isso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor. Acredito que sim.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Foram R$6,5 milhões.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Seis milhões e meio.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Pode até ter aumentado esse valor com os dividendos dos aplicativos.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Pode sim, senhor. Por isso, trouxe todas as notas de corretagem que correspondem a essas aplicações.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, V. Sª está entregando essa relação de beneficiários. Seremos obrigados a quebrar o sigilo deles todos.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Estou fazendo um trabalho, ainda com auditoria, de encaminhar cartas a essas pessoas solicitando o porquê do recebimento. Então, posteriormente entregarei a V. Exªs também. Vou colaborar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Creio que não temos outro caminho, a não ser esse. V. Sª está negando-se a dar qualquer outro tipo de informação. Era um mero intermediário para aplicar na Bolsa de Mercadorias e de Futuros.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não estou me negando. Quero, inclusive, cooperar com tudo o que puder. Partiu da própria Bônus levantar que foram R$6,5 milhões e não R$3,5, como tinha sido noticiado pelo Sr. Marcos Valério. O esclarecimento de todos esses fatos é muito importante para a Bônus. Então, vamos colaborar, sim, senhor, com tudo o que for possível.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Pergunto-lhe se, em algum momento, V. Sª passou algum recurso – desses de Marcos  Valério – para o Deputado José Janene.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Nem para nenhuma empresa ligada a nenhum banco interessado no Sr. José Janene?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Quer dizer, ele fez apenas o papel de apresentar-lhe Marcos Valério e sumiu de cena?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Exatamente. O Deputado José Janene não teve envolvimento nenhum. Só fez a apresentação ao Marcos Valério.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O Sr. Marcos Valério intermediou negócios com V. Sª para levar aplicativos de fundos de pensão para que V. Sª pudesse intermediar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Marcos Valério pediu a mim que fosse mostrando a ele – e tenho que fazer justiça – investimentos de boa qualidade para que ele mostrasse a fundos de pensão. Infelizmente, não fizemos nenhuma operação, não mostramos nenhum negócio.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, creio que teremos que fazer uma acareação entre o Sr. Marcos Valério e Enivaldo Quadrado porque as afirmativas são totalmente diferentes.

Verifiquei, na relação, que há muitos nomes de origem árabe. Tenho informações de que V. Sª teria feito operações e passado recursos a doleiros, inclusive ao Sr. Alberto Youssef – conhecido doleiro que já foi preso e condenado por remessa ilegal de recursos para o exterior. Que passara alguns milhões que foram recebidos pelo Sr. Youssef. O que V. Sª tem a dizer a respeito disso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Conheço o Sr. Alberto Youssef de mercado, mas não condiz com a verdade que eu teria operado para S. Sª, em nenhum momento.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Qual a relação de V. Sª com o Sr. Alberto Youssef?.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Só o conheço. Não tenho relação comercial nenhuma. Senador, essas informações de que operávamos para doleiro...estamos tentando esclarecer isso o mais rapidamente possível. Encaminhamos cartas à CVM e ao próprio Banco Central, às bolsas, demonstrando se houve alguma operação irregular, até para poder encaminhar à Comissão.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Quero que V. Sª entenda a sua responsabilidade. Já pedi, já fiz requerimento, solicitando a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da Natimar, das empresas do Sr. Carlos Quaglia. Agora, vamos ter que pedir de todos esses que estão aqui arrolados, para verificar quais as relações que eles têm com aqueles que poderiam ser os beneficiários políticos desses recursos. Até porque as declarações do Sr. Marcos Valério foram bastante contundentes, quando ele afirmou que os destinatários dos recursos eram pessoas indicadas pelo PP, pelo PL e pelo PT do Rio de Janeiro. Citou também, ainda, o Deputado João Paulo Cunha.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não é verdade. Posso afirmar a V. Exª que não é verdade.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O Sr. Marcos Valério nunca lhe falou de políticos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca me falou de políticos.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O único político que V. Sª conhece quem é?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Conheço o Deputado José Janene.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – É o único político da sua intimidade?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não tenho intimidade.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não tem intimidade, mas V. Sª revelou a ele as suas dificuldades dentro da Bônus-Banval.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foram conversas...informais.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E ele lhe arruma intermediários para fazer aplicações na sua corretora e V. Sª não tem intimidade com o Deputado José Janene?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu o conheço. Bati papo várias vezes com ele, mas não tenho intimidade.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, agradeço-lhe. Não quero abusar da sua tolerância.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Nós é que agradecemos pela observância do tempo.

Concedo a palavra ao jovem Deputado ACM Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, Deputado Asdrubal; Sr. Enivaldo Quadrado; Srs. Parlamentares, serei bastante objetivo nas minhas perguntas, então também solicito a V. Sª. Ou seja....

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – No depoimento de V. Sª à Polícia Federal, o senhor afirmou que, em setembro de 2004, a Bônus-Banval teve que entregar o seu título na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Então indago: por que razões, então, já que V. Sª teve que entregar o título na BM&F, no sítio da Internet, da empresa de V. Sª, consta até hoje como se a empresa pudesse operar na Bolsa de Mercadorias & Futuros?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Posso responder já?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Por favor!

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nós entregamos o título patrimonial da Corretora de Mercadorias, então a gente não pode atuar diretamente em pregão. Com o título da bolsa de valores, nós podemos operar, na Corretora de Mercadorias, por corretoras terceirizadas.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então o que V. Sª está-me afirmando é que V. Sª não pode operar com o rótulo Bônus-Banval, mas pode fazê-lo através de terceiros, de outras corretoras?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não. Eu faço sempre com o rótulo Bônus-Banval, porém usando o pregão, o local de negociação, de terceiros, sempre Bônus-Banval. É um pouco complexo, mas eu posso explicar para o senhor, se o senhor permitir.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não. Na verdade, apenas estranho, porque eu perguntaria a V. Sª: qual foi o real motivo que fez V. Sª perder o título de operador da BM&F?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foi a inadimplência de um cliente no ano de 2002, no mercado de Boi Gordo. Fizemos um empréstimo na BM&F, eu posso estar encaminhando ao senhor o contrato, que carregamos até setembro de 2004, pagando juros mensais. Quando não deu mais, nós entregamos o título para poder cobrir esse empréstimo e saldar a dívida.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Alguma vez, V. Sª chegou a responder como representante da Bônus-Banval a algum tipo de procedimento administrativo, seja na Bolsa de Mercadorias & Futuros ou na CVM?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, sim, no ano passado.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Por que motivo?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Uma operação de um determinado cliente, superou os limites que podiam ser operados naquele dia, e a Bolsa nos repreendeu, e eu sofri uma sanção administrativa na BM&F.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Que foi anterior à perda do título?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Foi, sim, senhor, anterior à perda do título.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª teria como disponibilizar todo o memorial desse procedimento que V. Sª respondeu junto à BM&F?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, claro. Inclusive estou recorrendo até nas esferas.... Porque, como é só um procedimento administrativo, eu estou recorrendo. Eu não estava presente, no dia, na corretora, quando aconteceu isso, e fui penalizado, porque eu era representante da corretora junto à BM&F. Eu mando ao senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Bom, de qualquer sorte, então, eu gostaria que V. Sª remetesse, o mais breve possível, uma cópia desse procedimento administrativo.

Com relação aos negócios realizados pela Corretora Bônus-Banval com a Empresa Natimar, que foi objeto do questionamento do nobre Relator e do Senador César Borges, eu gostaria de aprofundar um pouco mais esses questionamentos, indagando a V. Sª se, direta ou indiretamente, em alguma oportunidade, V. Sª já teve ou pensou em ter participação na Empresa Natimar.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu perguntaria: por que razões o Sr. Marcos Valério, que se mostrou um empresário tão astucioso, investiria tanto em ouro, se o ouro, segundo os especialistas do mercado, tem uma rentabilidade muito menor do que várias outras espécies de aplicações?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não sei informar. É uma opção dele. Não sei.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu tenho uma desconfiança. Na verdade, o Sr. Marcos Valério não estava pretendendo investir em ouro; na verdade, o Sr. Marcos Valério precisava usar da Empresa Natimar, que tinha, como uma das suas habilidades principais, o manuseio no mercado de ouro. Porque um empresário como o Marcos Valério não iria investir em ouro. Tinha, sim, interesses em operar com a empresa Natimar.

Mas eu pergunto: já que a corretora de V. Sª passou a operar para o Sr. Marcos Valério, ele chegou, através da Bônus-Banval, a operar em algum outro mercado?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Só nesse mercado de ouro, com a Natimar.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – É, nesse mercado de ouro e mercado de dólares futuros.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – No mercado de dólar futuro, que é um mercado muito mais rentável do que o mercado de ouro, certamente.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Se acertar o investimento, sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Seguindo ainda uma linha de questionamento do Senador César Borges, V. Sª afirmou que o Sr. Marcos Valério, quando queria resgatar o dinheiro aplicado, passava à Natimar o nome de terceiros para os quais a quantia deveria ser entregue. V. Sª mantém essa lista de beneficiários em seus computadores e deve estar disponibilizando essa lista.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Está aqui, já.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem! V. Sª se lembraria, pelo menos, do nome de três deles, que pudesse citar a esta Comissão?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu não quero cometer nenhuma injustiça.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Os maiores, os três maiores, para não ser injusto, para recorrermos a um critério técnico. São dados de conhecimento público, Sr. Enivaldo.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu prefiro, no complemento da auditoria que nós estamos enviando cartas a essas pessoas estar encaminhando aos senhores.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Dentre esses investidores, dentre os beneficiários, havia algum político que exerça função pública no Brasil?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu queria que o senhor explicasse como é que era feita a entrega.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, são TEDs, são DOCs, depósitos em conta corrente.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Qual era o volume de recursos que, em média, eram dirigidos para essas pessoas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ah, dos mais variados. Não tem, assim, um volume.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Com que freqüência eram feitos os resgates?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Têm resgates diários, têm semanais, têm muitos resgates.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª nos afirmou que não operou com os fundos de pensão.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem! O Sr. Toninho da Barcelona fez uma afirmação, e quero abrir aspas para repetir esta afirmação aqui: “A Bônus-Banval de São Paulo realizava operações de esquenta-esfria, em que os prejuízos eram sempre dos fundos de pensão de estatais.” Isso, inclusive, foi objeto de uma matéria publicada por um grande veículo de comunicação do nosso País. Então, eu insistiria na pergunta, porque V. Sª assinou o termo de compromisso: sequer indiretamente, através de corretoras parceiras ou subsidiárias, V. Sª nunca intermediou operações para empresas junto a fundos de pensão?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª afirma isso peremptoriamente.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Em tendo uma broqueragem por outras corretoras, eu tenho um contrato de broqueragem, a responsabilidade é dessa outra corretora. Diretamente, não senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas, indiretamente, pode ter acontecido?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Pode, mas aí eu não tenho conhecimento da carteira dessas outras instituições, né.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Porque é o seguinte, Sr. Enivaldo: o que é que se suspeita? Se suspeita que parte do dinheiro, certo, principalmente, uma suspeita levantada por pessoas ligadas ao mercado de valores, então parte desse dinheiro pode ser encontrado, se nós rastrearmos as operações com títulos públicos na carteira de fundos de pensão de algumas estatais. Esses títulos seriam vendidos com deságio para uma empresa laranja, que os revenderia, no mesmo dia, pelo seu valor real, e se apropriaria do lucro. O fundo de pensão teria, assim, o seu patrimônio dilapidado, e a diferença acabaria sendo destinada para esse caixa do famoso mensalão. E a denúncia que existe, que foi publicada pela imprensa, é que a corretora de V. Sª teria sido utilizada, como partícipe dessa operação, uma operação que, insisto, dilapidou os cofres públicos do nosso País, desviando recursos para o beneficiamento do esquema do mensalão.

Mas vamos em frente!

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Deputado, deixa só eu fazer um esclarecimento.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Breve, por favor!

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A corretora não operou título público para fundo de pensão. Quando a pessoa diz que passava por uma conta de laranja, ela não tem o menor conhecimento de mercado, porque, para operar um título público, precisa ser uma instituição financeira.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas, indiretamente, foi o meu questionamento, Sr. Enivaldo.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Aí teria que ser sempre através de uma corretora, Deputado.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas vamos em frente!

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Essa afirmativa é completamente negativa.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Está bom! Eu tenho ainda muitos questionamentos a fazer a V. Sª.

V. Sª conhece o Sr. Naji Nahas?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, não, senhor!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ah, não conhece.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca esteve com ele.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca estive com ele.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, se nós quebrarmos o sigilo telefônico pessoal de V. Sª, não aparecerá nenhum tipo de operação telefônica com ele?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Com certeza! Ele está à disposição do senhor. Nunca!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª já ouviu falar de que existem fortes suspeitas de que o Sr. Naji Nahas guardaria relações comerciais com a Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, nunca ouvi falar.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca ouviu falar.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – É impossível que o Sr. Naji Nahas tenha, indiretamente, operado, no mercado financeiro, porque ele está proibido de operar através da Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu não diria que é impossível, mas, diretamente,...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – E como é que isso poderia ter acontecido?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Diretamente, nunca!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Qual é a relação que o senhor tem com o Sr. Lúcio Bolonha Funaro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu o conheço de mercado. Eu sei que ele representa, hoje, duas corretoras.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Já fez operações com ele?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ele já foi cliente da corretora, sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sim.

V. Sª sabe se ele tem o hábito, ou teve o hábito, de operar com doleiros?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não tenho esse conhecimento da.... Mesmo porque ele, hoje, tem, não que seja dele, mas ele tem uma corretora.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – E com relação ao Sr. Sergio Guaraciaba Martins Reina?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não conhece.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não faz a menor idéia de quem seja?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não faço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Que tipo de relações a Bônus-Banval tinha com o Erste Banking?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca ouviu falar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca ouvi falar.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – E com a Estocolmos Avendis?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Também não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – E com a Global Trend Investiments LLC?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Também não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não conhece.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não tem nenhum tipo de relacionamento.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nenhum tipo de relacionamento, com certeza.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Certamente o senhor também, então, não conhece  a Laeta S.A. DTVM?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A Laeta eu conheço, é uma corretora do mercado.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Conhece.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quem são os sócios da Laeta?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Os sócios eu não sei dizer quem são. Eu sei que uma das empresas que o Lúcio Bolonha representa é a Laeta.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O Lúcio Bolonha Funaro.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Exato.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem!

O senhor havia-me dito aqui que já realizou operações com o Sr. Lúcio Funaro.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim, como cliente da corretora, sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Certo! Então a Laeta estava envolvida nessas operações?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não diretamente, porque a Laeta tem um espaço dentro do pregão, como tinha a Bônus. Não tem vínculo uma corretora com a outra, a menos que você.....

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas existiam clientes em comum?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Pode ser que sim. Isso é muito comum no mercado, clientes em comum.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quais eram os tipos de operações que a Bônus-Banval e a Laeta faziam, eventualmente, em parceria?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, em parceria, nenhum tipo. Todos os mercados da BM&F, nos Mercados Futuros.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem! A Laeta pode ter operado com os fundos de pensão?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não posso afirmar.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Porque eu tenho uma informação de que a Laeta operou, sim, com os fundos de pensão, certo, e foi utilizada, inclusive, dentro de todo esse arcabouço montado como uma forma indireta de se fazer negócios com os fundos de pensão. Ou seja, nos momentos em que a Bônus-Banval não podia aparecer, colocava-se a Laeta. Porque há uma suspeita de que essa coincidência dos clientes da Bônus-Banval com a Laeta não é por um mero acaso, ela tem uma explicação que, evidentemente, nós vamos ter que buscar.

Mas eu perguntaria, ainda, a V. Sª: V. Sª operou com o MTB Bank?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, senhor!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Nunca.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Da mesma forma que nunca enviou recursos para o exterior.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Também não. Com certeza!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem! Da mesma forma também que nunca operou com doleiros?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Também não!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Certo! E, com relação ao doleiro Dario Messer? V. Sª conhece o doleiro Dario Messer?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não conhece.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca ouviu falar nele.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não! Ouvi falar, sim, mas eu não o conheço.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª sabia que o Toninho da Barcelona, no depoimento que deu a esta Comissão, insinuou ligações do Deputado José Dirceu com a Bônus-Banval?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Sim. Eu ouvi a declaração, absurda. Nunca estive com o Deputado José Dirceu.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu perguntaria, Sr. Enivaldo: por que, então, o Sr. Toninho da Barcelona, gratuitamente, faria referências à corretora de V. Sª?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Isso faz parte de um inquérito que nós estamos abrindo para saber. Eu só posso supor que é tentando desviar o foco desta CPMI e que...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Será?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Ele leu isso nos jornais, como foi divulgado, e lançou isso. Mas não tive e não conheço o Deputado José Dirceu. Isso não é verdade.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Está. Eu vou encerrar, Sr. Presidente. E não vou mais fazer questionamento, eu só quero apresentar aqui uma solicitação a V. Exª através de um requerimento.

Eu quero solicitar a relação de todas as operações realizadas nos mercados administrados pela Bolsa de Mercadorias e Futuros, das respectivas contrapartes e dos valores liquidados, durante os anos de 2002, 2003, 2004 e 2005, até o mês de julho, das pessoas e empresas a seguir relacionadas: Bônus-Banval CCTVM Ltda., Bônus-Banval Comércio CM Ltda., Laeta S.A., São Paulo CV Ltda., Lúcio Bolonha Funaro, José Carlos Batista, Alberto Youssef, Sérgio Martins Reinas, Ernest Bank Empreendimentos, Estocolmos Avendis, Natimar Negócios Intermediações Ltda., Global Trend Investiment, Guaranhuns Empreendimentos.

E o segundo requerimento, para concluir, eu quero também solicitar à Bolsa de Mercadorias e Futuros que encaminhe para esta Comissão uma relação completa de todas as operações que deram prejuízos, ao final de um dia, envolvendo a Bônus-Banval, para nós sabermos com quem é que estavam negociando nessas operações.

Eu agradeço a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Solicito à Secretária que recolha o requerimento do Deputado ACM Neto e efetue o protocolo.

A seguir concedo a palavra a nobre Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, quero iniciar a minha sessão de perguntas, primeiro, apesar de significar muito mais trabalho, porque já está bastante claro que, com as informações e os documentos trazidos pelo depoente, vai se ampliando, nós vamos tendo que cada ir amplificando as quebras de sigilo... Agora vamos entrar em obtenção de informações, pelo que entendi, na Bolsa CVM. Vamos trabalhando naquela lógica de ampliar o universo do que precisa ser investigado, sempre trazendo dificuldade – é inevitável, também concordo como Deputado ACM Neto. Mas eu não poderia deixar de fazer o registro de que, diferentemente de vários depoentes, o depoente teve a iniciativa de trazer documentos e informações e apresentar – nós vamos ter que obviamente fazer analise se está adequada ou não... Mas eu acho que é uma iniciativa que não poderia deixar de fazer o registro como sendo positiva aqui para tentar contribuir para as investigações.

Mas eu queria fazer várias perguntas aqui do que eu separei, e queria começar me baseando em trechos do depoimento que o Sr. Enivaldo Quadrado prestou ao Departamento da Polícia Federal.

Logo aqui no início, já “de cara”, o senhor declara que o senhor foi apresentado ao Sr. Marcos Valério pelo Deputado José Janene e que isto aconteceu no início de 2004, a apresentação.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Exatamente, a apresentação.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Início, mês.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Início fevereiro possivelmente. Eu não me lembro.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Fevereiro possivelmente. E no seu depoimento o senhor coloca ainda que o senhor recebeu um telefonema da Simone Vasconcelos.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Exato.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor não conhece, não?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Não, pessoalmente não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor nunca teve contato... sempre por telefone.

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu nunca tive... Sempre por telefone.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A Simone, funcionária do Marcos Valério, ligou solicitando o tal do favor de retirar em espécie recursos no Banco Rural, na Avenida Paulista em São Paulo. Não é isso?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Sim, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quando é que foi o primeiro telefonema?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Eu acredito que foi em maio de 2004, eu não tenho certeza. Eu posso estar entregando para a senhora o meu sigilo, não tem problema nenhum.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Em maio de 2004, porque na declaração...

O SR. ENIVALDO QUADRADO Eu  não tenho certeza, Senadora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor não tem certeza. Na declaração está dito que o senhor recebeu o primeiro telefonema em março de 2004.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Pode ser.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E isso me chamou muita atenção porque alguém é apresentado em fevereiro e em março uma pessoa, em nome desse que foi apresentado em fevereiro, liga e pede para realizar uma operação absolutamente anormal. Fazer saque em dinheiro na conta de um banco para outra pessoa é algo absolutamente anormal, o senhor há de convir.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Senadora, olhando hoje, eu concordo com a senhora, mas não foi um saque porque eu não recebi um cheque para ir na boca do caixa buscar. Era para ir procurar o Sr. Guanabara, na Agência do Banco Rural, na Avenida Paulista, e retirar. O dinheiro estava pronto. Depois, eu só entreguei ao Sr. Marcos Valério. Então, de fato, olhando hoje, é uma operação anormal, mas...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, deixa eu entender. No Banco Rural tinha uma pessoa com um pacote de dinheiro para lhe entregar. Então, o senhor não teve nem...

O SR. ENIVALDO QUADRADO Eu não levei documento nenhum, cheque nenhum...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor não foi ao caixa do banco...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – ...à Tesouraria do Banco, e já estava pronto.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já estava tudo pronto, separadinho lá, no esquema.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Estava separadinho, sim senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E quantas vezes que isto aconteceu?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Foram quatro vezes.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quatro vezes. O senhor foi?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Eu não fui nenhuma vez.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quem foram foram só os seus...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Os meus funcionários.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E aí depois o senhor fazia o que com o dinheiro?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Eu entreguei integralmente ao Marcos Valério

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Todas as vezes foram entregues para o Marcos Valério?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – A não ser uma vez que foi entregue para essa Vivian.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A Vivian. São essas quatro vezes que somam os R$ 605 mil?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Os R$ 605 mil.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Agora, qual foi o período destes quatro saques, eu não posso chamar isso e saque, porque...

O SR. ENIVALDO QUADRADO Foi provavelmente março até, acho, julho, setembro, agosto...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – De março...

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Março, abril... Uns quatro ou cinco meses, talvez.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E durante este período ou em qual período que teve as aplicações que o senhor está nos apresentando os documentos hoje de seis milhões e meio?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Foram nos meses de abril e maio.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Foi tudo concentrado em abril e maio?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Abril e maio, sim, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Entre abril e maio tiveram estes seis milhões e meio. E até para podermos entender, estes investimentos, estes seis milhões e meio, eles foram todos aplicados pela Natimar ou apenas uma parte?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Todos integralmente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Os seis milhões e meio todos pela Natimar?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Todos.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E os seis milhões e meio aplicados pela Natimar foram aplicados em que tipo de investimentos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Foram... Os mercados em que a Natimar atuava eram os mercados futuros de dólar e os mercado de ouro à vista, mercado de dólar e mercados de ouro futuros.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas o senhor sabe dizer se foi tudo ouro, misturado?

O SR. ENIVALDO QUADRADO – Misturado, com certeza.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Em uma das reportagens aqui há uma observação que eu queria que o senhor confirmasse, que o Marcos Valério investiu 6,5 milhões no mercado de ouro. O dinheiro foi resgatado, pelo menos parcialmente, por meio de transferências eletrônicas, cujos destinatários devem ser revelados até quarta-feira da próxima semana. Então, para eu entender, investiu seis milhões e meio, mercado de ouro, e resgatou apenas parcialmente?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Eu não consigo enxergar isso, mas, pelos relatórios que eu entreguei aqui à Comissão, dá para analisar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então significa que ainda... Eu quero ser absolutamente sincera com o senhor. Eu não entendo absolutamente nada desse tipo de procedimento de aplicação em ouro, dólar futuro, bolsa de mercadoria de futuro. Não entendo. Eu queria até que o senhor pudesse me explicar. Quanto diz aqui que foi restado apenas parcialmente, significa que ainda tem coisa investida, significa que está lá ainda?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Não, pelos relatórios aí, vai demonstrar que praticamente tudo foi resgatado ou tudo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Tudo foi resgatado.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Sim, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, isso aqui não coincidiria.

Em uma outra reportagem, aparece ainda uma questão que eu entendo como relevante lhe perguntar, que é o seguinte: O Marcos Valério deu uma declaração de que havia tido aplicação apenas de R$ 3 milhões e pouco.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Foi o Marcos Valério nessa Comissão inclusive.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E a grande novidade que o senhor está nos trazendo é exatamente que não foram três milhões, foram R$ 6,5. Acontece que tem uma informação dizendo que os três milhões de diferença entre a lista de sacadores e a contabilidade apresentada pelo senhor à Polícia Federal são explicados pelo Marcos Valério por um empréstimo, ou seja, aparece de novo a famosa figura de empréstimo, que esta diferença entre os três milhões e pouco que o Marcos Valério declara e os R$ 6 milhões e pouco que o senhor traz agora, ou pelo menos nós vamos verificar se está lá mesmo tudo comprovadinho, que isto daí é um empréstimo da 2S participações. E aí a declaração de Marcos Valério é: “(...) depositei os valores no Banco do Brasil onde a Bônus-Banval tem conta corrente e tenho um contrato de mútuo desta operação.”

O SR. ENIVALDO QUADRADO Mentira.  

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mentira. Não tem esse contrato, não existe?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Não tem.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nós podemos inclusive depois apresentar o requerimento para solicitar ao Marcos Valério para que ele apresente esse tal desse contrato que ele diz que tem ou não.

A outra questão é um pouco... Já que o Deputado ACM Neto perguntou, eu quero aprofundar um pouco mais ainda esta questão, porque chamou muito a atenção, primeiro da forma como foi feito e todo o vazamento da tal da reunião reservada do Toninho Barcelona, e porque muitas das coisas que ele declarou eu já tinha assim uma convicção de que qualquer pessoa que fizesse  minimamente uma leitura nos jornais e nas revistas dos dois três últimos meses, teria condições de plantar inúmeras daquelas insinuações ou ilações. Mas de qualquer forma eu entendo de que é muito importante aprofundar, porque o Toninho Barcelona declarou que, e foi uma das coisas que mais repercutiu, a Bônus-Banval era operadora de remessa de dólares para o exterior do PT, inclusive especificando a questão do Deputado José Dirceu. Então, nós precisaríamos... A Bônus-Banval... Esse tipo de procedimento que a Bônus-Banval faz permite, tem alguma procedência remessa de recursos para o exterior nos procedimentos?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Não, senhora. Conforme eu disse ao Deputado ACM Neto, eu já solicitei inclusive a CVM, ao Banco Central, às próprias bolsas para demonstrar que nós não operávamos com os fundos de pensão, não tínhamos essa prática. Então, de fato, a senhora disse com muita propriedade – e outro dia eu vi uma entrevista com a senhora – que o Toninho Barcelona está fazendo chantagem – é chantagem mesmo –, querendo jogar pessoas inocentes contra o PT, contra o Deputado José Dirceu, e não é verdade isso. É uma chantagem.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) –  Mas, veja bem, porque... A Bônus-Banval pode não ter, porque ela não opera, ela não faz, ela não trabalha nesta lógica de, através das suas transações, permitir a remessa de dólares, de recursos para o exterior, mas o fato de metade - metade, não -, a totalidade ter sido operada pela Natimar, e a Natimar ter, por exemplo, agência de turismo não poderia ter sido operado por aí?

O SR. ENIVALDO QUADRADO É uma afirmação que eu não posso fazer. A Natimar operava desde de 2002. Não cabe a mim fazer esta análise.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na documentação que o senhor trouxe fica cabalmente comprovado que os seis milhões e meio, aplicados via Bônus-Banval e, na seqüência, Natimar, fica comprovado que isso não tem qualquer tipo de procedimento de remessa para o exterior?

O SR. ENIVALDO QUADRADO Pelos documentos, vão poder analisar, eu creio que sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Me trouxeram aqui as empresas... eu queria saber... Só um minutinho, porque conseguimos identificar rapidamente ali três empresas que são ligadas ao dono da Natimar, eu queria... Muito obrigado, Deputado, o senhor está muito gentil hoje. Queria que o senhor...

O SR. (Orador não identificado)(Fora do microfone. Inaudível.)

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não, hoje... Aqui tem uma Natália Artigos de Praia Ltda..

O SR. ENIVALDO QUADRADO Não conheço.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Depois a Campitur Agência de Viagens e Turismo.

O SR. ENIVALDO QUADRADO Também não conheço.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nome empresarial Brusa Turismo Ltda..

O SR. ENIVALDO QUADRADO Também não conheço.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quando eu me