TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sr. ENIVALDO QUADRADO
(31/08/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

TRIGÉSIMA SEGUNDA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 31 DE AGOSTO DE 2005 ÀS 11:30 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Declaro aberta a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Esclareço que a pauta desta reunião destina-se à oitiva dos Srs. Enivaldo Quadrado, Breno Fischberg e Luiz Carlos Mazano, da trading Bônus-Banval.

Gostaria apenas de esclarecer a V. Exªs que estou começando britanicamente no horário, até porque queria fazer uma introdução rápida aqui antes de chamar os depoentes.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, havia um outro depoente, não havia?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E Guaranhuns, José Carlos Batista. O Sr. José Carlos Batista nos encaminhou, por intermédio de seus advogados, o seguinte:

“José Carlos Batista, por seus advogados que esta subscreve, vem, respeitosamente, à presença de V. Exª expor e requerer o quanto segue: tem sido noticiado na imprensa que foi aprovada a convocação do peticionário para comparecer perante esta Colenda CPMI, tendo sido ventilado o dia de hoje e, por conta disso, ele estava, como sempre esteve e estará, à disposição para comparecer. Inclusive encontra-se munido de habeas corpus no sentido de assegurar o direito de permanecer em silêncio.

Entretanto, o peticionário, atendendo informação formal de outra CPMI, permaneceu, durante mais de 8 horas, na data de ontem, aos 30 de agosto de 2005, em reunião oficial perante a Colenda CPMI do Mensalão, dentro do Senado Federal, como é de conhecimento de todos, e, até o final daquela oportunidade, informou aos signatários que não recebeu qualquer intimação oficial ou sequer comunicação informal desta Colenda CPMI dos Correios, razão pela qual, data maxima venia, evidentemente, será convocado para dia e hora certa e oficial, que é seu direito, e assim retornou para a sua casa na cidade de Santo André, São Paulo, até porque tem problemas de hipertensão e estava com nítido mal-estar, noticiado inclusive pela imprensa.

À vista do exposto, o peticionário, reafirmando sua disposição em comparecer, requer a V. Exª, data maxima venia, que designe dia e hora certa e oficial para o seu comparecimento perante esta Colenda Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, intimando-o formalmente do ato com antecedência de 48 horas.”

Assinam os Advogados Ricardo Sayeg e Celso Renato D’Ávila.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, uma questão de ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra, para uma questão de ordem, o Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu quero que V. Exª decrete a revelia do Sr. José Carlos Batista, porque está usando de subterfúgio, dizendo que não foi convocado. Foi convocado, sim. Eu já fui à secretaria obter essa informação e ele labora em erro no próprio HC que está em anexo. No HC ele diz que foi intimado. Pode ver, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com certeza.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Quando ele pede extensão do HC. Ele tinha HC da CPMI da Compra de Votos e, quando pede a extensão do HC para a CPMI dos Correios, ele disse que foi intimado.

Então, Sr. Presidente, eu queria que fosse decretada a revelia da ausência do Sr. José Carlos Batista e que ele fosse conduzido coercitivamente, em data aprazada, por V. Exª, sem consulta alguma, porque se ele diz no HC anexo que estava intimado para vir aqui – é por isso que ele pede a extensão –, ele está faltando com a verdade. Ou faltou com a verdade no Supremo, ou faltou com a verdade aqui. Eu suponho que faltou com a verdade aqui. Então, que a Polícia Federal conduza sob vara, em data aprazada por V. Exª, e que seja decretada a revelia dele no dia de hoje. Ele não pode, sob hipótese alguma, alegar que não tinha condição física. Ou o serviço médico do Senado ou o da Câmara deveria ter feito isso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Serão tomadas as devidas providências, meu caro Deputado Arnaldo Faria de Sá.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra à Deputada Juíza Denise Frossard.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Peço a V. Exª a palavra quando possível.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Perfeitamente, Deputado ACM Neto.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, ele foi intimado ou não foi afinal?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Ele foi... Eu vou...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Regularmente intimado?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Não, ele foi. Pelas informações que tenho, regularmente intimado.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Foi, foi regularmente intimado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E usou até no habeas corpus...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – A extensão do habeas corpus para a CPI.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – A extensão do habeas corpus para esta oitiva.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Então, se me permite, Sr. Presidente...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – V. Exª podia informar à Deputada Juíza Denise Frossard o texto da extensão da liminar, que fala textualmente o que ela está querendo saber. Pode falar, por favor.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Não, é suficiente a informação que o senhor me deu.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Ele diz no habeas corpus acima citado:

“(...) para que o paciente José Carlos Batista tenha assegurado também o direito constitucional de permanecer em silêncio, caso seja convocado a comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, cuja oitiva, conforme noticiado no sítio do Senado Federal, está prevista para 31 de agosto de 2005, às 11 horas e 30 minutos.”

Então, ele escreveu no próprio habeas corpus. Está aqui.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Quer dizer, a ciência nada mais é do que isso. Ou seja, a intimação é levar ao conhecimento de alguém que se processará um ato, e ele se deu por ciente. Na verdade, ele estava ciente.

Agora, é muito oportuna a manifestação do Deputado Arnaldo Faria de Sá. Eu só discordaria da revelia. Embora ele não seja réu aqui, a condução se aplica e ele pode até ser conduzido agora, se for o caso. Quer dizer, ele pode ser conduzido, porque ele, intimado, cientificado no sentido genérico do termo...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E a revelia, Deputada Juíza?

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Não, mas ele aqui não é réu.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Não, não, hoje. Ele estava intimado, e não compareceu.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – É, mas a revelia é o instituto para o réu. Então, neste caso, ele pode ser conduzido porque ele estava, de fato, ciente do ato. A ciência é genérica, de modo que, se quisermos legalmente, se me permite, pode ser conduzido e deveria ser conduzido porque ele foi intimado, ele é uma testemunha importante. Muito obrigada, Sr. Presidente.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós tomaremos as devidas providências com justa razão, em função das próprias provas absolutamente incontestáveis do conhecimento do Sr. José Carlos Batista, no que se refere a esse depoimento.

Concedo a palavra ao Deputado ACM Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Antes de mais nada, registro o visual de V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por quê?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Porque parece que cortou o cabelo.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Rapaz, esse negócio está demais! (Risos.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Visual?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – É, andou lá por São Paulo. Presidente, Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Estão-me estranhando aqui, hoje.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Vocês tenham cuidado, senão não serão apenas votados pela comunidade.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Quem foi o primeiro colocado, Presidente?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Não fui eu.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Senadora, mas existe um certo Deputado que ontem, no Programa Jô Soares, foi intitulado de sedutor.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Ah, então está explicado! Por isso que os dois estão nessa competição.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sedutor... e essa competição continua.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Falando sério agora, Presidente, eu acho que, sem retirar nenhuma das palavras que foram ditas pelo Deputado Arnaldo, afinal de contas, ele está certíssimo, nós não podemos admitir, de forma alguma, a ausência do depoente. Ele tinha a obrigação de estar aqui presente. E, mesmo com o cansaço, que é até compreensível, ele deveria vir. Poderia – até quem sabe – fazer um apelo à Comissão para que nós adiássemos o depoimento, revíssemos a data, mas jamais se ausentar de uma obrigação.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E valendo-se de uma maneira impositiva para que ele fosse informado com 48 horas de antecedência. É o que está escrito aqui.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pois é. Mas eu acho que há males que vêm para bem, porque ontem o Sr. José Carlos foi à CPMI do Mensalão e simplesmente, porque estava protegido por habeas corpus, recusou-se a responder as principais perguntas. Praticamente se limitou a dizer: “Não, não, não, não respondo. Essa questão não enfrento”. Então, acho que vamos ter tempo para analisar os documentos; vamos ter tempo para analisar as informações que vão ser trazidas, inclusive, pela quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico da própria empresa Guaranhuns; quebra de sigilo essa que foi aprovada na semana passada pela nossa CPI e que não chegou ainda. Nós vamos ter tempo também para cruzar com os dados trazidos aqui pelos diretores da Bônus-Banval e, a partir daí, vamos trazer aqui o Sr. José Carlos já numa outra condição certamente. Vamos trazer também com outro ânimo por parte desta CPI.

Então, sem retirar nada do que disse o Deputado Arnaldo, creio que não precisaremos tomar nenhuma medida coercitiva neste momento, até porque, objetivamente, não traria nenhum resultado para a nossa Comissão. Nós poderemos deixar, portanto, para, no momento certo, aí sim, sem nenhuma benevolência, sem nenhuma boa vontade, tomar as medidas próprias, já numa outra condição, porque eu sei que o Sr. José Carlos vai vir a esta Comissão, que estará munida de informações, diferentemente do que aconteceu ontem, até pelo prazo que foi marcado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Deputado ACM Neto.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Senador César Borges e, em seguida, ao Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Consegui antecipar o Onyx no pedido pela ordem. Sinto-me vitorioso.

Apenas queria solicitar algo a V. Exª – sei que sempre muito atencioso. Foi aprovado requerimento de nossa autoria pedindo que a Mesa Diretora da Comissão, o Presidente, o Vice-Presidente e o Relator pudessem apresentar, a cada início de reunião da nossa CPI, um apanhado do expediente do que foi encaminhado a partir das nossas deliberações, requerimentos de quebra de sigilo, pedidos de informações e aquilo que foi recepcionado pela Comissão, para que nós todos tivéssemos a possibilidade de conhecer que documentos estariam disponíveis ou não. Cito um caso: eu pedi a identificação da propriedade de duas aeronaves e também todos os que voaram nessas aeronaves durante determinado período, e não tivemos ainda resposta. Não sei se isso já chegou, se já foi solicitado. Recordo que há umas solicitações ao Banesul. Tanto que vamos ouvir hoje até aqui o Sr. Enivaldo Quadrado, da Bônus-Banval. Estava programado para ouvirmos o Sr. José Carlos Batista, mas não vamos ouvi-lo mais. Um dos dois tinha-se utilizado dos serviços da Banesul para fazer remessa de recursos ao exterior. Também não sei se isso já foi motivo de resposta por parte dessa entidade financeira.

Portanto, Sr. Presidente, ressaltamos isso, porque foi aprovado e gostaríamos de obter essas informações, o que vai facilitar o nosso trabalho.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Senador César Borges. Gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer que amanhã, no início da reunião administrativa, vamos fazer um balanço completo de todos os requerimentos e ofícios encaminhados. Posso afirmar a V. Exª que os requerimentos que acabou de citar eu os assinei na sexta-feira passada, mas, de qualquer maneira, amanhã vamos fazer um apanhado completo de todas as providências da Secretaria da CPMI, na reunião administrativa de amanhã, às 11 horas e 30 minutos.

Concedo a palavra ao Deputado Onyx Lorenzoni. Em seguida, gostaria de fazer um relato rápido das últimas providências relativas às CPIs do Congresso, para que, então, chamemos o Sr. Enivaldo Quadrado, o Sr. Breno Fischberg e o Sr. Luiz Carlos Mazano.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, eu gostaria que V. Exª solicitasse, de parte do assessoramento jurídico da nossa CPMI, a análise dos documentos que estão com a nossa Comissão, por conta de que creio ser cabível uma representação contra os Advogados Ricardo Sayeg e Celso Renato D’Ávila por litigância de má-fé. Na medida em que eles solicitam um habeas corpus e uma extensão do habeas corpus, mencionando que havia uma convocação e depois trazem o argumento de que não houve a convocação formal – e a informação que nós temos é a de que houve –, eles, de forma muito evidente, litigam de má-fé, além da condução sob vara do Sr. João Batista...?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – José Carlos Batista.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – José Carlos Batista, perdão. Penso que seria adequada a litigância de má-fé em relação aos dois advogados, até para que não passemos aqui o recibo de que não percebemos a manobra espúria dos dois advogados.

Queria, Sr. Presidente, fazer uma consulta e, ao mesmo tempo, uma cobrança a V. Exª. Na semana passada, na nossa reunião administrativa, logo após aprovarmos a convocação do Sr. Antônio Claramunt, o Toninho da Barcelona, V. Exª recebeu uma convocação assinada por um terço dos Parlamentares membros desta CPMI, que, com base num estudo feito do Regimento da Câmara dos Deputados, se aplica, após a vigência do Regimento Comum, após a observação do Regimento do Senado, o Regimento da Câmara, que tem plena condições de abastecer o vácuo de legislação que nem o Regimento Comum e nem o Regimento do Senado prevêem.

Sempre que há a excepcionalização de uma conduta, ela vem de maneira evidente assinalada, quer no Regimento do Senado, quer no Regimento Comum. Não há nenhum óbice e, portanto, a CPMI se pauta também pelo Regimento da Câmara dos Deputados a que um terço dos Parlamentares desta Comissão têm poderes para convocar uma reunião desta Comissão. Não têm poder para convocar um depoente porque aí precisa ser aprovado.

Uma vez aprovada, e foi aprovada a convocação do depoente, um terço dos Parlamentares têm poder regimental para aprazar uma oitiva. Portanto, quero lhe ouvir se o senhor vai, de acordo com o que determina o Regimento, acatar a solicitação feita por um terço dos Parlamentares, baseado no art. 46 da Câmara dos Deputados e, para tanto, teria que comunicar ao Secretário de Segurança de São Paulo, que lhe comunicou que está permanentemente à disposição desta CPMI, e o doleiro Toninho da Barcelona deverá aguardar uma decisão para ser transportado aqui para Brasília.

Eu lhe consulto porque é um fato relevante, importante e grave, quer ele seja aceito, aí cumpre-se o Regimento, quer ele não seja aceito, aí teremos um precedente de muita gravidade. E a decisão está com V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Onyx, primeiro, com relação aos advogados do Sr. José Carlos Batista, eu concordo em gênero, número e grau. A Mesa vai tomar as providências devidas porque eles informaram à CPI que o depoente não poderia comparecer alegando que ele não foi avisado a tempo quando, na verdade, os mesmos advogados entraram com habeas corpus citando exatamente a reunião na qual essa nova missiva indica o desconhecimento por parte do depoente.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – E aí o pedido é litigância de má-fé.

V. Exª me permite um pequeno...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com certeza, Deputada Juíza Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Parece-me que aí seriam os advogados?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Os Advogados, Dr. Ricardo Sayeg e Dr. Celso Renato D´Avila.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Porque, para haver...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Um momento, Deputada.

O Ricardo Sayeg é o mesmo advogado do Toninho da Barcelona. É bom que isso fique registrado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – É o mesmo advogado?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É o mesmo, é o mesmo. O Sayeg é o mesmo advogado do Toninho da Barcelona. Que se registre.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Os advogados são poucos na área criminal, de forma que isso é assim mesmo. Mas a questão é a seguinte:

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – O Ministro da Justiça também.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – É, mas a questão é a seguinte...

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – ... era advogado de um monte de bandido, agora ele fazia a advocacia como todos podem fazer.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Bom, eu vejo de outra forma. Ele é um profissional.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos encaminhar rapidamente essa questão porque há outras informações a passar a V. Exªs e nós precisamos nos adiantar.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Parece-me que eu só faria uma pequena observação se me permite o Deputado Onyx.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado, a Juíza Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – É que para haver a litigância de má-fé é preciso haver lide. Lide é o contraditório, daí o litigante de má-fé. Nós, na CPMI, não temos lide. De forma que não podemos ter um litigante de má-fé porque ele não é parte litigante. Ninguém ali litiga, nós apenas investigamos, mas tem uma pena para ele sim, Deputado Onyx.

Poderíamos ver a extração de peças ao Ministério Público – parece-me que seria o caso – para que seja aplicada a medida criminal cabível, que não é nossa, porque não está em flagrante delito; de modo que não podemos prendê-lo. Só podemos fazê-lo em flagrante delito. Mas podemos extrair essas peças e as notas taquigráficas dessa audiência para que haja, não só a informação à OAB, para que ela tome as medidas disciplinares cabíveis, e também ao Ministério Público, para que o Ministério Público, ele sim, o dominus litis, o dono da ação penal, analise sob o prisma de uma conduta ilícita, não só contra a ética do advogado, mas também contra, eventualmente, o Código Penal, salvo melhor juízo.

Acho perfeito o encaminhamento do Deputado Onyx. Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado à Deputada Juíza Denise Frossard. A Mesa analisará essas questões e fará o encaminhamento necessário.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL RS) – Mas a representação tem que ser feita à OAB, sem dúvida nenhuma.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria só de fazer um relato rápido e vou precisar me retirar por algum tempo desta reunião e depois retorno – ela será dirigida pelo Vice-Presidente, Deputado Asdrubal Bentes. Mas gostaria de fazer um registro de algumas coisas que, em meu ponto de vista, são muito importantes para a CPI dos Correios.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Permita-me, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador Eduardo Suplicy.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Sr. Presidente, Senador Delcidio Amaral, eu agradeço se puder fazer uma breve pergunta e indagação e, em verdade, ao Relator, Deputado Osmar Serraglio, cujo trabalho aqui tem merecido o respeito de todos.

Achei muito positiva a decisão, conforme falei com V. Exª, de as CPMIs estarem unificando seus esforços inclusive o relatório relativo aos Parlamentares que, porventura, tenham tido algum problema.

Notei, ao ler os jornais hoje, que o Relator, Deputado Osmar Serraglio, encaminharia possivelmente amanhã o relatório já definindo a situação de alguns Parlamentares como, por exemplo, o Deputado José Dirceu. O que fiquei pensando e acho que muitos devem ter pensado é, pelo que tenho conhecimento, que já teria sido até aprovado o requerimento da oitiva do Deputado, mas não marcada, e tendo o mesmo dito, quando foi ao Conselho de Ética, que se dispunha a vir às CPMIs.

O que me veio em mente foi a indagação: “Mas então o Deputado Osmar fará o relatório a respeito dele, com tais conclusões, sem antes ouvi-lo aqui?” Então, me permita só porque...Eu avaliei que essa é provavelmente uma indagação de muitos. Por isso agradeço se puder esclarecer-me.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, na CPMI não existe instância de defesa, é uma investigação. Se eventualmente for considerada incompleta, ela poderá ser completada onde terá oportunidade, qualquer um dos que estejam envolvidos, de apresentar defesa, de ser ouvido.

Esse problema dele não ter sido ainda ouvido nos valemos porque, de alguma maneira, os fatos são sempre os mesmos que se repetem e nós consultamos a manifestação dele no Conselho de Ética.

De qualquer modo, a defesa plena, ampla está toda por se iniciar no Conselho de Ética, conforme acabou de fazer referência a Deputada Juíza Denise Frossard, onde teremos uma lide. Aqui, ainda não temos lide. Temos uma investigação que poderia partir até de qualquer mínimo elemento, em que se soubesse alguma coisa de alguém e se colocasse no Conselho de Ética para que ali se investigasse, porque, ali sim, ele vai ter oportunidade de se defender.

Não nego que, evidentemente, se nós o aguardássemos poderia já em uma instância inicial se manifestar, mas também nós estabeleceríamos um procedimento infindável porque cada um pretenderia se dizer incompleto na sua manifestação, na sua defesa e nós teríamos que ouvir tal e qual pessoa, além dele próprio. Tudo que ele pudesse falar aqui conosco e fico aberto também, se quiser manifestar por escrito, nós encaminhamos embora ele já tenha encaminhado.

É bom que se diga que recebemos a manifestação dele por escrito, mas se entender que a manifestação dele esteja incompleta, primeiro não nos recusamos. O que não vamos é estancar o andamento para que não sejamos acusados de estarmos delongando em uma instância que não tem nada a ver com isso.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, quero só lembrar de um detalhe: esse relatório era para ter saído ontem e, só de ter sido transferido para amanhã, já estão nos acusando de fazer pizza. Imaginem se formos atender ao pedido do Senador Eduardo Suplicy!? Aí seria o forno inteiro e pizza para todo mundo.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Gostaria de esclarecer que fiz uma indagação natural e de bom senso, acredito.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Claro, com certeza, Senador Eduardo Suplicy.

Gostaria só de fazer um registro rápido porque, agora, não darei mais nenhum aparte. Depois da minha fala, vou encaminhar ao Deputado Asdrubal Bentes que assuma o comando dos trabalhos para começarmos a oitiva relativa à trading Bônus-Banval.

Ontem, fizemos uma reunião sob o comando do Presidente do Senado, Senador Renan Calheiros, e dela participaram os três Presidentes das CPIs e os três Relatores. Ajustamos algumas coisas que são importantes destacar.

O primeiro ponto é que vamos, todas as segundas-feiras, às 18 horas, fazer uma espécie de colegiado dos Presidentes e Relatores para ajustar minimamente os trabalhos de cada CPMI. Então, todas as segundas-feiras, às 18 horas, vamos nos reunir para compatibilizar as pautas, as agendas... se vier a acontecer algum tipo de anomalia ou algum tipo de desvio de função de cada uma das CPMIs. Este é o primeiro ponto.

O segundo ponto que foi discutido, é também um dado importante, é que os Presidentes vão apresentar uma proposta, muito provavelmente, com três ou quatro empresas – isso ficamos de definir até amanhã –, para nos ajudar tecnicamente no cruzamento dos dados, fazendo efetivamente não só auditoria financeira, mas auditoria contratual – e isso ficamos de apresentar até quinta-feira.

Outra questão que foi levantada à exaustão pelos Presidentes das CPMIs foram os dados, as informações requisitadas às instituições financeiras, às operadoras de telefonia. Estão sendo levantadas todas as pendências que afligem as três CPIs, tanto a CPI dos Bingos como a do Mensalão e a dos Correios. E o Presidente do Senado e os Presidentes e Relatores das CPIs encaminharão aos órgãos e às instituições devidas essa relação de pendências, mostrando as dificuldades que estamos enfrentando, especialmente para receber os dados tão necessários às investigações. Vamos emitir esse ofício ao longo desta semana.

Uma outra decisão que foi tomada é que o horário das CPMIs ou das CPIs que até então obedecemos e vamos obedecer ao longo desta semana, que é de 11 horas e 30 minutos, vai ser alterado para às 10 horas da manhã. Aquela questão de sobreposição de atividades das CPIs com as Comissões Permanentes, deliberamos que as reuniões das CPIs ocorrerão às 10 horas da manhã. Então, vamos manter aquilo que deliberamos na semana passada. Às terças-feiras aquelas oitivas mais restritas, com um número menor de parlamentares, às quartas-feiras as oitivas com a participação do pleno da CPMI dos Correios, e, nas quintas-feiras, as reuniões administrativas.

Só que todas elas começando, exceção desta semana, às 10 horas da manhã. Amanhã, às 11 e meia. Nós vamos manter a nossa rotina de trabalho, até então obedecida, ao longo desta semana, para que, a partir da semana que vem, venhamos a adotar esse horário das 10 horas.

É importante também destacar que existem algumas questões relativas a oitivas: determinados depoentes foram convocados em mais de uma CPI. Na segunda-feira, vamos ajustar essas convocações.

Nós resolvemos não discutir isso ontem, porque se estenderia por muito tempo, e eu acho que o objetivo maior da reunião de ontem era um debate mais organizacional e de estabelecimento das fronteiras todas e dos limites de responsabilidade de cada CPI, que ficaram já bem definidos ontem. Ficou a CPI dos Bingos com as atribuições que todos nós conhecemos; a do Mensalão cuidando dos fins, e a CPMI dos Correios cuidando dos contratos. Já vamos começar a liberar os primeiros relatórios parciais, os contratos dos Correios, também com as origens. Para que venhamos a descobrir, a averiguar e a constatar, precisamos das informações, especialmente das instituições financeiras.

Ontem ficou decidido também que o IRB ficaria aqui na CPMI dos Correios. Portanto, trataremos também da questão do IRB. Quer dizer, a CPMI dos Correios cuidará também da questão do Instituto de Resseguros do Brasil. Eu sei das dificuldades, da sobrecarga de trabalho que nós temos, mas foi uma decisão colegiada, e, portanto, vou obedecer.

Nós, amanhã, vamos tratar disso com mais tranqüilidade. Amanhã, reunião administrativa às 11 e meia. E aí eu entro na reta final da nossa reunião de ontem: é que foi consenso que a CPMI do Mensalão, a CPMI da Compra de Votos e a CPMI dos Correios vão discutir amanhã o relatório assinado pelos dois Relatores, o Deputado Abi-Ackel e o Deputado Serraglio, sobre os parlamentares que estão sendo investigados.

E, se aprovado o relatório, ele será encaminhado à Presidência da Câmara dos Deputados.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Quem vota? Quem vai votar?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Será uma reunião conjunta das duas CPMIs, às 15 horas de amanhã, dia 1º de setembro.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – E aí todo mundo vota?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós vamos estabelecer, Deputado Onyx. Eu confesso que nós ainda não discutimos isso detalhadamente, mas, de hoje para amanhã, V. Exªs terão as orientações devidas, as orientações necessárias.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Por que não se vota mais cedo, Sr. Presidente?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Porque os próprios Relatores pediram, Senadora Heloísa Helena, mais um tempo para concluir os relatórios, e até as 15 horas os dois Relatores entendem como um prazo razoável.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Data venia, solicito que V. Exª pense que cada CPI deve votar dentro do seu próprio plenário.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós vamos avaliar, Deputado Onyx, esse assunto, não vamos discutir isso...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É só para o senhor pensar, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós pensaremos de hoje para amanhã nisso.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – A votação do relatório será em bloco, Sr. Presidente, é isso?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador César Borges, eu gostaria de deixar essa questão para que, ao longo do dia de hoje, pela manhã, de amanhã, venhamos a definir isso. Nós vamos analisar essas questões e amanhã posicionaremos os Parlamentares.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria de não abrir essa discussão, porque é uma discussão árida, sem solução, e não há possibilidade de surgir qualquer proposta.

Até amanhã teremos oportunidade de avaliar essas questões.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem. É outro assunto.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL RS) Sr. Presidente, V. Exª precisa me dar uma resposta.

Sr. Presidente, há um documento assinado por 11 Parlamentares, não é por um. São Senadores e Deputados que, valendo-se do Regimento da Câmara, desejariam fazer amanhã.

 O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Onyx, não haverá essa reunião amanhã. Eu peço a V. Exªs que tenham bom senso a respeito da convocação do Sr. Toninho da Barcelona, porque existem outras informações que eu gostaria de, amanhã, na reunião administrativa, colocar para V. Exªs, trazer ao conhecimento de V. Exªs, até porque nós vamos ter que discutir. Nós ficamos de, segunda-feira, os três Presidentes das CPIs, avaliar como é que seria colocado o Sr. Toninho da Barcelona.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, eu tenho respeito pela posição de V. Exª, e eu só quero dizer que – e o Regimento é feito para proteger Minoria, não é feito para proteger Maioria – o Regimento da Câmara dos Deputados autoriza que um terço de qualquer Comissão convoque extraordinariamente uma reunião. Isso é um direito que nós, Parlamentares, temos.

O que eu quero saber do senhor... E eu lamento que o senhor tenha que decidir, não há outro Presidente, nosso Presidente é o senhor. Independente de haver acordo com outras comissões, nós temos um problema localizado aqui.

Aqui há, de acordo com o art. 46 do Regimento da Câmara, um terço de Parlamentares que assinaram a solicitação de uma reunião extraordinária amanhã, para ouvir alguém cuja oitiva foi aprovada.

O que eu quero saber, e o senhor tem que decidir...

Não, não é assim não.

É assim, e vou te dizer que é assim, meu caro Relator, com todo o respeito, porque eu já vivi mais de uma vez essa situação, e, na reforma da Previdência, vivemos três vezes essa situação. E nas três vezes a reunião da comissão especial saiu.   

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu só queria, se me permitir, não é que me contraponha, até gostaria que refletisse, e eu também não fiz um estudo sobre isso para que pudesse significar que o que eu vá exteriorizar tenha fundamento, fazer uma reflexão pública.

Apenas, da leitura que fiz do requerimento de V. Exª, e que nós encaminhamos para estudo – não sei se já foi procedido –, na leitura preliminar da fundamentação de V. Exª, comparando com o dispositivo regimental, eu interpretei da seguinte maneira: uma reunião extraordinária, para que seja provocada, ela pode ser espontaneamente, portanto, de ofício, pelo Presidente, ou, isso só para levantar a discussão, provocada por um terço. Só que, provocada por um terço, não significa que sendo provocada por um terço seja inexorável tal qual é a CPI. Por que eu digo que não é? Porque uma reunião extraordinária necessariamente tem que anunciar qual é a sua pauta. Se eu admitir que um terço pode convocar extraordinária quando o fizer, e, portanto, anunciando a pauta, eu estou admitindo a possibilidade jurídica de que a Maioria vai ser diretamente pautada pela Minoria, porque, nós somos um terço, queremos uma extraordinária, aqui está a pauta.

Volto a refletir. Entendo, posso estar equivocado, que quando o Regimento dispõe que uma extraordinária possa ser convocada de ofício, portanto, espontaneamente, ou, quando provocada por um terço, que, portanto, submete ao plenário, para que aí se diga sim ou não, porque um não pode provocar esse sentido...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Desculpe-me. Com muito respeito por V. Exª, não é o que está dito no Regimento, Sr. Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a interpretação que estou dando pode estar equivocada.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Com licença, a questão é, o Regimento... Vou ler para V. Exª.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas eu lhe faço então uma questão diferente.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Porque há um equívoco no que V. Exª está dizendo, talvez até orientado indevidamente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não. Não fui orientado, eu li.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O que diz o Regimento no art. 4º é claro. “As reuniões extraordinárias das comissões serão convocadas pela respectiva Presidência, de ofício, ou por requerimento de um terço de seus membros.”

Um terço dos seus membros faz o requerimento e acabou a discussão.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é possível...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Não tem que votar nada, tem que fazer a extraordinária.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é possível a formulação...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Esse é o direito da Minoria, meu Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu o questionaria, só para concluir, porque sei que não deveria ter descido a isso.

V. Exª admite que um terço pode, a qualquer tempo, pautar toda a condução do trabalho da Comissão?

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Não, senhor, toda a condução, não. Porque... 

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Basta um terço convocar a extraordinária!

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Por favor, vamos repor as coisas. E eu estou defendendo um direito que ali na frente pode valer para quem não quer conceder agora.

Eu vou explicar. Quando se trata de reunião ordinária a Minoria não pode nada, fica calada e cumpre o que a Maioria, que constituiu a Mesa Diretora, determina.

O Regimento salvaguardou, para que as minorias tenham instrumento, para extraordinariamente... Então, não significa ordinariamente ser preservado o direito da Minoria. E é disso que estamos tratando aqui.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Parlamentar, eu não estou discutindo esse aspecto, estou provocando a seguinte reflexão. A reflexão é simples.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mas é esse o aspecto de reflexão. O resto é curva, como fez o Presidente, que deu uma curva e não deu resposta.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A questão é simples: um terço poderia pautar uma extraordinária hoje, amanhã, depois de amanhã. Não há restrição nenhuma.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Teoricamente, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Direito não dá com uma mão para tirar com outra.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mas aí por que dá esse poder? Dá esse poder para que a Mesa Diretora, por óbvio, entendesse. Esta é uma Casa Parlamentar, é uma Casa de conversa, não é uma Casa de imposição. Depois de haver duas ou três extraordinárias montadas por um terço dos Parlamentares, todos no exercício da responsabilidade do seu mandato, a Mesa Diretora seria tomada de um bom senso súbito e iria para o diálogo, para acertar a formatação. É por isso que temos esse direito, que nos está sendo negado. E eu lamento, eu tenho profundo respeito pelo Senador Amaral, agora ele fugiu dessa resposta e eu acho que não fica bem para o nosso Presidente fugir de uma coisa tão importante quanto isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Amanhã nós discutimos.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Então nós faremos esse debate amanhã de manhã. É isso?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente!

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O problema é que nós estamos sendo, Sr. Relator, com todo o respeito que tenho por V. Exª, lesados nesse direito, porque a Minoria o detém.

Se V. Exª vasculhar, se a assessoria vasculhar o Regimento do Senado e o Regimento Comum, não há impedimento, e só não pode...

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Meu nobre...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente Asdrubal, eu concluo. E só não se pode tomar o suporte do Regimento da Câmara quando o Comum for taxativo e impositivo ou quando o Regimento do Senado também tiver o mesmo perfil. 

Como nenhum dos dois, havendo essa possibilidade, tampouco proíbe, é evidente, e a jurisprudência já comprova isso ao longo de outros episódios, que o Regimento da Câmara dá suporte para essa decisão.

A Mesa pode até passar por cima do Regimento, como, aliás, invariavelmente, a Maioria faz. Mas eu quero registrar, por uma razão de fundo, que aquilo por que eu estou lutando aqui é um direito que hoje está valendo para o P-SOL, para o PFL, para o PSDB. Mas pode ser que muito proximamente venha a ser indispensável ao PMDB, ao PT, ao PDT e outros que tais. Eu sei o que é ser Maioria e sei o que é ser Minoria.

Esse é um direito que foi garantido, no Parlamento brasileiro, para que a Minoria seja respeitada. E nós estamos sendo desrespeitados por uma decisão da Mesa, a não ser que o Presidente Asdrubal e o Relator tomem uma outra posição, porque, até agora, não descobrimos a posição do Senador Amaral. O Senador Amaral simplesmente saiu fora da questão e a transferiu para V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Deputado Onyx, tenho o maior respeito por V. Exª e pelas minorias, às quais muitas vezes já pertenci ao longo de minha vida pública. E quero dizer a V. Exª que não há, por parte da Mesa, nenhum intuito deliberado de ferir o direito das minorias. Vamos respeitá-los.

Mas vamos ao diálogo. Eu gostaria de chamar a atenção de V. Exª para uma reflexão, não agora, que o tempo urge, na reunião administrativa de amanhã para o que dispõe o § 5º do art. 46 do Regimento Interno. Não vamos partir para essa discussão agora porque não vamos chegar a lugar nenhum. Vamos dar início aos trabalhos aqui com a oitiva das pessoas e amanhã de manhã, na reunião administrativa, nos comprometemos a debater em profundidade esta matéria.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, acato a decisão de V. Exª para fazer esse debate amanhã. Quero saudar, porque a Minoria pelo menos recebeu o respeito de ter uma decisão, eu estava me sentindo profundamente desrespeitado pela atitude do Senador Amaral, e vejo que agora, na figura do Presidente Asdrubal, a Minoria, mesmo contrariada, mesmo tendo seu direito negado, está sendo respeitada, eu acato a decisão de V. Exª.

Só quero aduzir uma observação de 30 segundo. Para se instalar uma CPI, Presidente, não precisa de maioria, precisa de um terço, portanto, um terço, Sr. Relator, precisa ser respeitado.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Amanhã, vamos embora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, uma sugestão.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Pois não.

O SR. (Orador não identificado) – A pauta amanhã vai estar bem complicada, vamos ter às três horas essa discussão sobre o relatório, que vai ser uma discussão longa, vai exigir inclusive muita concentração nossa, para nos prepararmos para ela, e temos também votação de requerimentos importantes e outras questões como essa lembrada pelo Deputado Onyx.

Queria sugerir que começássemos mais cedo amanhã, porque acho que onze e meia é tarde, podíamos manter as dez horas.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Consulto o Plenário.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Quero me inscrever também.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela ordem, Sr. Presidente, estou pedindo a palavra já faz algum tempo, porque tenho uma informação que queria passar para todos os membros da Comissão.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Tem V. Exª a palavra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Muito grata. Na semana passada, tivemos um módulo de trabalho mais direcionado na questão da movimentação financeira das empresas do Marcos Valério e seu correlatos. Tivemos uma reunião muito importante no Banco Central com representantes do Banco do Brasil por conta de situações delicadas que tinha nos dados e procedimentos que deixavam a desejar em várias informações prestadas. Como resultado dessa reunião, chegamos a procedimentos que aceleraram e hoje podemos ter uma consolidação dos dados do Banco do Brasil muito melhor do que tínhamos há poucos dias. Na reunião da quinta-feira, onde estava o Deputado Gustavo Fruet, e nós também tivemos oportunidade de participar, o Deputado Carlos Sampaio, ficou prevista a possibilidade de fazermos algo assemelhado com o Banco Rural, tendo em vista que a diretoria apesar da questão da...

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pelo amor de Deus, minha gente! Quero me inscrever também, Presidente, se é para tumultuar, quero me inscrever também.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Mantenho a palavra a Senadora Ideli.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então fizemos uma solicitação e amanhã, às 8 horas e 30 minutos, vai haver uma reunião na mesma condição em que foi feita com o Banco do Brasil, entre Banco Central e Banco Rural, no Banco Central no 20º andar.

Então eu só preciso, para poder facilitar lá, saber quais são os parlamentares que querem acompanhar essa reunião, para, no mais tardar até quatro, cinco horas, informar o Luís Couto, que é o assessor parlamentar, ele só pediu isso, para poder organizar o local da reunião.

Acho que essa reunião é extremamente importante porque, de uma vez por todas, a gente vai ter que dar um basta na situação dos dados do Banco Rural, pois, apesar de eles terem ficado quase um mês aqui, trabalhando, não houve modificação significativa que possa nos dar segurança...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Para contraditar, Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...inclusive tem várias contas do Banco Rural que não vieram o sigilo, continua tendo a falta de informações, documentos que não chegaram. Então é algo extremamente relevante, essa reunião. E aí queria pedir que não antecipássemos tanto a administrativa porque senão uma reunião acaba se sobrepondo à outra.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, quero apenas aduzir uma observação. Primeiro, não quero ir, me nego a ir.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Presidente, peço que me inscreva.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – E quero anunciar a V. Exª que, mais uma vez, amanhã vamos apresentar um requerimento para busca e apreensão num diligência da CPMI dos Correios com o apoio da Polícia Federal dos computadores do Banco Rural. Chega! Já vieram aqui, trouxeram ex-ministro, passaram a conversão na CPMI. Faz trinta dias que essa gente nos desrespeita.

Vou apresentar amanhã e peço o apoio para fazer diligência de busca e apreensão. É Polícia Federal, são os técnicos da CPMI lá do CPD do Banco Rural e só sai de lá quando eles cumprirem aquilo que têm que fazer.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Do Banco Rural e do Banco do Brasil.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – V. Exª receberá.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Presidente, eu ainda não tinha terminado.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – A Senadora ainda não concluiu, mantenho a palavra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mais uma outra informação. Estivemos também conversando com diretores do Prodasen, até porque há dificuldade na própria CPMI de dar uma sistematização mais adequada aos depoimentos e há uma possibilidade de termos, rapidamente, uma concentração de todos os depoimentos obtidos nas diversas esferas, num único arquivo, de tal forma que possamos rapidamente acessar informações, dados, cruzar dados, aquele sisteminha de colocando as palavras-chave localizar em tudo onde ela aparecer.

Só vamos precisar que a CPMI oficialize ao Prodasen para realizarem esse trabalho e solicitar, Deputado Serraglio, que as demais instituições que estão colhendo depoimento do nosso interesse como a Polícia Federal, Ministério Público Federal, as demais CPMIs, a Comissão de Ética nos forneçam também por meio eletrônico tudo aquilo que já está acumulado. E eles têm condições de deixar isso pronto, se a gente encaminhar, no mais tardar, até a semana que vem. Inclusive já fizeram uma demonstração para mim no meu gabinete, é um sistema que acho que vai nos ajudar bastante para localizar questões em todos os depoimentos, porque agora temos um volume inimaginável de a gente fazer busca sem utilização de mecanismo mais adequado.

Então queria só pedir, porque acho que isso não depende de deliberação, porque é uma maneira de ajudar, que pudesse hoje...

A SRª HELOISA HELENA