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O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Havendo número regimental, declaro abertos os trabalhos da
Sub-Relatoria de Movimentação Financeira com o objetivo de ouvirmos hoje o Sr.
Haroldo Bicalho e, depois, Jader Kalid.
Nós vamos iniciar com o Sr. Haroldo Bicalho.
Faço duas comunicações: primeiramente, que originalmente a
nossa reunião estava marcada para hoje, às 14h, mas, por decisão do Presidente
da Comissão, decisão unilateral, houve a modificação para esse horário das 10h
do dia de hoje. Entretanto, como ontem foi confirmada a audiência de hoje do
Sr. André da Interbrazil, tivemos a coincidência de horários. E, apesar de já
terem sido iniciados os trabalhos da Comissão ouvindo, no seu pleno, o Sr.
André, vamos dar início ao trabalho da Sub-Relatoria em função também de os
depoimentos haverem sido previamente marcados.
Informo que recebemos um salvo-conduto, exarado pelo
Ministro César Peluzo, Relator do Habeas Corpus nº 86.849, em que é paciente
Haroldo Bicalho e Silva e co-ator o Presidente da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito, com o seguinte teor: “Salvo-conduto em favor de Haroldo Bicalho,
brasileiro – aqui tem toda a sua qualificação –, para garantir ao paciente,
sempre que convocado perante esta Comissão, o direito de se fazer acompanhar de
advogado, o direito de não ser preso em decorrência da invocação do direito
constitucional de não auto-incriminar-se, com a prerrogativa de permanecer em
silêncio se da resposta à pergunta puder a seu critério ou a critério de seus
advogados derivar-lhe risco de auto-incriminação”. Essa decisão é do dia 5 de
outubro de 2005. E da mesma forma hoje o Presidente da CPMI recebeu uma cópia
da liminar concedida também no referido habeas corpus.
Acompanham o
Sr. Haroldo Bicalho o Dr. Luiz Carlos Parreiras Abrita e o Dr. Luiz Carlos
Abrita, que são os seus advogados.
Nós vamos fazer uma inversão. Eu vou passar a palavra ao
Deputado Arnaldo Faria de Sá antes de fazer as indagações, mas só consulto o
Sr. Haroldo se gostaria de fazer uma intervenção ou, alternativamente, solicito
também que, antes de iniciarmos, fazer uma apresentação com relação a sua
atividade.
Com a palavra o Sr. Haroldo Bicalho.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Srªs e Srs. Deputados, Srªs e Srs. Senadores, a exemplo
do que tem sido a praxe de depoimentos prestados nesta Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito, gostaria de apresentar-me a V. Exªs. Meu nome é Haroldo
Bicalho e Silva, sou natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, tenho 45 anos de
idade, sou casado há vinte anos com Simone, com quem tenho três filhos: Bruno,
de 18 anos; Daniela, de 15 anos; e Flávia, de 12 anos, respectivamente. Sou
Bacharel em Engenharia Mecânica e Aeronáutica pela Universidade Federal de
Minas Gerais, formado em 1982, e também Bacharel em Administração de Empresas, formado
em 1983, com seis pós-graduações subseqüentes. Exerci atividades profissionais
bastante variadas ao longo de minha vida, tendo sido sócio em alguns
empreendimentos ligados à minha formação profissional, tais como engenheiro
projetista, diretor administrativo e financeiro de concessionária de veículos,
atividade agropecuária leiteira, sendo que a atividade corrente é de sócio de
uma indústria de artefatos de couro.
Creio ser uma pessoa conhecida e querida na minha cidade,
circunstância que, ao lado do apoio recebido de minha família, tem me ajudado a
enfrentar os problemas decorrentes da chamada “Operação Farol da Colina”, em
razão da qual cheguei a ser preso em agosto do ano passado. De lá para cá
compareci a todos os atos do inquérito policial para os quais fui intimado,
inclusive oferecendo material para exame grafotécnico.
As acusações vinculadas a minha pessoa pela mídia nego com
veemência, como tenho negado desde o início por não possuir qualquer fundamento
ou relacionamento com a realidade. Procurarei, assim, responder, na medida do
possível e a minha maneira, aos questionamentos em torno do assunto.
Ainda com relação a esta matéria, já fui submetido a pelo
menos dois interrogatórios perante a Polícia Federal, além de haver prestado
outros depoimentos recentes na Corregedoria de Polícia de Minas Gerais.
Hoje, convocado por esta Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito, compareço perante V. Exªs respeitosamente e ciente da minha condição
de investigado. Assim, e exatamente por isso, peço desculpas aos Srs. e Srªs
Deputadas e Senadoras se algum questionamento não puder ser respondido ou se a
resposta eventualmente oferecida não for plenamente satisfatória, rogando para
que V. Exªs tomem eventual impossibilidade de resposta ou sua aparente insuficiência
ao desconhecimento do assunto.
Finalmente, quero
dizer que faço votos sinceros de que os trabalhos desta CPMI sejam profícuos,
pois confio que a apuração dos fatos levará a conclusões adequadas e decisões
proporcionais e justas, neste foro parlamentar.
Obrigado.
Haroldo Bicalho e
Silva.
Seis de outubro de
2005.
O SR. PRESIDENTE (Amir Lando. PMDB – RO) – Com a palavra o Deputado Arnaldo
Faria de Sá.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Haroldo, porque o senhor foi buscar um salvo-conduto no Supremo Tribunal
Federal?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Por orientação dos
meus advogados.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – O senhor
tinha medo de alguma coisa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sei se tinha
medo. Orientação mesmo. Não sei o porquê.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – O senhor
está chegando aqui e está percebendo que não tem nenhuma esquadra armada para
lhe ouvir, quer dizer, a coisa está bem suave. A impressão que dá é que, se o
senhor foi buscar um salvo-conduto, é porque deve alguma coisa e está com medo
de que algo possa aumentar a sua incriminação.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não creio que
seja.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Por que
você foi preso na Operação Farol da Colina?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da minha parte foi
um equívoco.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você
nunca mexeu com dólar?
O Sr. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Estou
aqui com uma matéria da Folha de S. Paulo de 08/7/2005, da Fernanda
Krakovics, da sucursal de Brasília da Folha. Ela traz uma matéria sobre
a Fernanda Karina, que confirmou no depoimento à CPMI que o publicitário Marcos
Valério manteve contato com o doleiro preso pela Polícia Federal, na Operação
Farol da Colina, e nesse depoimento ela dá indicação de que você era o doleiro.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Nunca tive contato
com ela e nem com ele.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E com o
outro doleiro que também teve ligação com o Marcos Valério, o Jader Kalid?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Jader só conheço
socialmente de Belo Horizonte. Só.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nunca
teve nenhum negócio com ele?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não. Nos
conhecemos de motocicleta; ele anda de motocicleta e eu também; só alguns
encontros.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – O senhor
conhece Marcos Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, vim conhecer
por agora, sei quem é. Conheço muito o sócio dele.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual
sócio?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Cristiano Paz.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E qual a
sua ligação com o Cristiano Paz?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Cristiano é meu
amigo desde de 1982, quando comecei a mexer com motocicleta, e ele sempre foi
adepto; então, tivemos uma relação nos últimos vinte anos dentro desse
meio.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Pelo
menos admitir que você é amigo de um sócio de Marcos Valério você admite.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Admito, claro.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual é a
sua atividade profissional, comercial?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Atualmente tenho
uma indústria de couro; sou exportador de bolsa para Nova Iorque.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Desde
quando você tem essa indústria?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Desde 2001.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E antes
disso?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Antes disso eu
tinha uma concessionária Fiat, de 1996 a 1999; tive uma empresa de engenharia,
que foi de 1997 a 2001 e tive uma fazenda de leite – produzia um volume muito
grande – de 2000 a 2003.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Acho
que, às vezes, a Polícia Federal pode cometer algum exagero, ou a imprensa pode
cometer algum exagero, mas sempre tem um fundo de verdade. Esse fundo pode ser
ampliado, pode ser aumentado. Por que se imputou a sua pessoa a essa atividade
de doleiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A situação foi a
seguinte: comprei essa indústria de couro em 2001. O couro no Brasil é uma
coisa muito cara, custa R$60; R$70 o metro quadrado. Tive informação muito
segura de que no Sul – eu falo Argentina, Uruguai, Paraguai – o mercado de
couro era muito barato. Então, me indicaram para montar uma empresa no Uruguai
com o intuito de adquirir mercadoria no Uruguai. E tinha aquele papo de
Mercosul, eu acreditava que o Mercosul teria realmente algum volume de negócio.
Montei uma empresa chamada Ridox no Uruguai. Não sei porque razão os papéis
dessa empresa foram parar em Nova Iorque; e aí que fui surpreendido com essa
operação do Banestado.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Como era
o nome dessa empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ridox.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Quem era
o sócio dessa empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Sócio eu, mas tem
um amigo que é procurador, que assinaria por mim caso tivesse viajando.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E a sede
da empresa, onde era?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – No Uruguai.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – No
Uruguai?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – No Uruguai. Essa
empresa, inclusive, até consta do meu Imposto de Renda.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual foi
a sua idéia ao abrir essa empresa? É uma offshore?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A idéia era ampliar
negócios no Mercosul, fazer compras de couro e aumentar o volume de negócios no
mercado com o Mercosul, com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A sua
empresa exportava para os Estados Unidos?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Isso. Continua
exportando. É o meu principal negócio hoje.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nessa
exportação, você não tinha contratos de câmbio, facilidade de envolvimento com
dólar e, por causa desse mercado exportador, acabou tendo contato com algum
doleiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não. Toda a
minha exportação, desde que eu comprei essa indústria, desde que começamos a
exportar, é 100% oficial, 100%. Tudo pelo Bradesco, tudo certinho a vida
inteira. É uma indústria pequena, mas o mercado dela é o mercado de Nova
Iorque.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você
montou ou comprou essa indústria?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Essa indústria eu
comprei e foi quando incrementamos o mercado externo nela. Ela visava só ao
mercado interno e...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – No
primeiro momento, você disse que montou. Agora você disse que comprou. Qual é a
divergência?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Foi comprada. A
empresa já tinha 19 anos, estava em dificuldade. E foi comprada a empresa.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual o
tipo de dificuldade que essa empresa tinha quando você a comprou?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ela estava com
dificuldade financeira, estava quase para fechar as portas.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você
tinha capital suficiente para cobrir a dificuldade que ela tinha ou se socorreu
de alguém?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não. Tinha. Tinha o
capital suficiente. Não era um negócio grande, era um negócio promissor.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Grande
ou promissor, você lembra qual foi esse valor ou não?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da ordem de R$200
mil.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Hoje
qual é a situação dessa empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ela faturava, à
época, por volta de R$1 milhão e hoje fatura por volta de R$2 milhões, porque é
muito variado durante o ano. Tem meses de faturamento maior, faturamento
melhor, mas, este ano, deve fechar com R$2 milhões de faturamento.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nesse
inquérito da Polícia Federal, a informação que temos é que também ocorreu uma
denúncia sua por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Coincide essa
informação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – De que teve uma
denúncia?
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Foi
denunciado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Isso pode ser o
inquérito que está em andamento lá. É isso?
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Isso,
isso.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Esse inquérito está
em andamento. Eu estou respondendo e me defendendo, dizendo, provando que não
tenho nada com isso.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nunca
lavou dinheiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Claro que não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nem fez
evasão de divisas?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Conhece
Duda Mendonça?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Conhece
Delúbio Soares?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Também não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Além do
Cristiano Paz, quem mais o senhor conhece na SMP&B, DNA, Tolentino &
Melo, nas empresas? Do grupo Marcos Valério, o senhor conhece mais alguém?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da turma da
SMP&B eu conheço o Ramon, Ramon Cardoso, que é sócio do Cristiano, e
conheço a Adriana Fantini, que é secretária dele.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A sua
amizade é com o Cristiano Paz. Você conhece o Ramon Cardoso e não conhece
Marcos Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não. Eu já o vi
algumas vezes, porque tem um restaurante em Belo Horizonte chamado Monti Cielo,
que é na rua Sergipe, perto do escritório dele. Toda sexta-feira a turma de
motocicleta almoça lá. Então, constantemente a gente está almoçando em uma
mesa, e tem uma outra mesa em que almoçava... O Cristiano almoça com a gente e
com a turma da SMP&B. E muitas vezes eu vi o Marcos Valério lá, o Marcos
Valério, o Cristiano, o Ramon e outras pessoas. Mas não o conhecia assim, não.
Cansei de ver, mas não conhecia.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Depois
que se tomou conhecimento de todo esse rolo que explodiu em torno de Marcos
Valério, o Cristiano Paz, sendo um dos sócios dele e sendo seu amigo, qual a
sua avaliação de tudo isso?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Fiquei com uma pena
tremenda do Cristiano, porque ele é uma pessoa fantástica. Realmente, não dá
nem para entender essa confusão maluca.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A sua
pena é só do Cristiano, mas do Ramon e do Marcos Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Do Ramon, sim,
claro, mas eu não tenho muita ligação com o Ramon. Com o Cristiano, sim. E o
Cristiano é uma pessoa de um coração enorme.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Por que
o senhor acha que essas empresas do Cristiano e do Marcos Valério estão
envolvidas em todos esses problemas?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Cristiano a vida inteira foi publicitário
de renome e de sucesso. Pelo menos, bastante conhecido e bastante requisitado.
E nunca foi... Sempre foi um cara fantasticamente inteligente para o ramo
publicitário e extremamente incompetente para o lado administrativo-financeiro.
Não sei quando esse Marcos Valério entrou lá para a empresa dele, parece que em
1997, 1998, não sei quando, para assumir essa área administrativo-financeira. E
a notícia que eu tenho é de que Marcos Valério tinha influências com o Governo
desde essa época. E automaticamente a SMP&B foi canalizada para esse tipo
de coisa e o Cristiano – coitado! – foi envolvido nessa história toda. Partido
políticos, essas coisas, não sei.
O
SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Não quero duvidar da sua afirmação,
mas há várias menções e várias citações de que Haroldo Bicalho é doleiro. Você
acha que tantas pessoas iriam inventar essa informação?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desde que aconteceu esse episódio do Farol da
Colina venho carregado essa pecha, vamos dizer assim. Está dureza!
O
SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Você disponibilizaria o seu sigilo
bancário?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Claro, sem
problema; sem problema.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, acho que essa informação é relevante e devemos solicitar a
Secretaria que tome a termo essa disponibilidade do Sr. Haroldo Bicalho de
abrir mão do seu sigilo bancário, porque tenho várias informações de que ele é
doleiro e ele está afirmando textualmente que não é. A única ligação pela qual
ele supõe que esteja envolvido nesse problema todo é essa offshore que
ele abriu no Uruguai para adquirir couro e, sendo ele exportador para os
Estados Unidos, essa seria a razão pela qual ele está envolvido.
Gostaria
de passar a palavra a V. Exª para que talvez tenha um pouco mais de percussão
nessa procura, porque estou achando muito estranho. Tenho muitas informações de
que Haroldo Bicalho é doleiro e as informações que temos que andar atrás e as
várias informações que temos não estão batendo.
Agradeço,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Obrigado, Deputado Arnaldo
Faria de Sá.
Vou
na linha complementar do Deputado Arnaldo Faria de Sá em algumas questões, com
o objetivo de aprofundar. Primeiro, o seguinte: o senhor já foi sócio do Banco
Rural ou teve algum tipo de relação comercial com pessoas vinculadas ao Banco
Rural?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Banco Rural, não. Fui sócio, de 2001 a
2004, da RS Empreendimentos e RS Financeira, na qual até o Banco Rural é
majoritário, mas nunca teve a gestão – a gestão sempre foi do Grupo Seculus.
Tenho sociedade com o pessoal da Seculus desde 1989, razão pela qual fui
convidado para ser sócio dessa empresa; sempre tive menos do que 10%, mas nunca
participação gerencial nela.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso específico do Grupo
Seculus, qual a atividade principal do Grupo e qual a área de atuação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Grupo Seculus
atua em diversas áreas. A principal delas, durante os 45 anos de existência do
Grupo, foi o mercado joalheiro, no qual nem estão participando mais. Eles têm
uma grande indústria de relógio, compraram recentemente a Mondaine, a Séculos
Relógios, têm muita atividade no ramo imobiliário – loteamentos, condomínios –,
que é um ramo do Grupo, têm prédios em Belo Horizonte. Outra atividade grande
do Grupo é na área financeira, eles têm um banco que foi comprado há 2 anos,
chamado Banco Emblema, eles têm uma financeira chamada Seculus Financeira;
enfim, é um Grupo grande, antigo e tradicional. Fui sócio deles numa corretora
de commodities, na concessionária e na RS, na qual não participo mais.
São
tradicionalíssimos em Minas Gerais.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Insistindo ainda nessa questão
do Grupo Seculus, quer dizer, o senhor nunca teve participação de gestão, mas,
de qualquer maneira, tinha conhecimento de que o Grupo atuava no mercado
financeiro?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Sim, claro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sua primeira ligação com o
mercado financeiro se dá a partir daí?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Tive gestão e uma empresa junto com eles, de
89 a 96, que foi a Seculus Commodities Corretora Mercantil, que era até muito
forte no mercado de commodities.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento de
aplicações ou investimentos da RS Empreendimentos e Participações no Banco
Emblema, ligado ao Grupo Seculus?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Operações de
aplicações na RS no Banco Emblema? Não sei. É possível, são do mesmo Grupo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Apesar de ser do Grupo Seculus e ter participado
da sociedade da RS não tem conhecimento das aplicações no Banco Emblema?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É que recebemos aqui uma série
de aplicações, principalmente em títulos, da RS aplicando no Banco Emblema.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Aplicando no Banco
Emblema?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Aplicando no
Banco Emblema, compra de CDBs nesse mesmo período. O senhor desconhece isso?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Desconheço. Não
tenho gestão.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desconhece também que tipo de
aplicação faz o Banco Emblema no mercado, quais são as prioridades. Não sabe
também?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Banco Emblema é um banco
pequenininho de Minas, era do Dr. Geraldo Lemos, foi comprado pela Seculus há
dois anos. Só conheço pessoas lá, mais nada.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor
sabe por que foi comprado o banco?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Com o intuito de a
Seculus aumentar a sua participação no mercado financeiro. Já tinha a Seculus
Financeira, que foi fundada, acho que em 2001, aí compraram o banco para poder
crescer realmente no mercado financeiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eles trabalham com o
mercado externo. O senhor tem notícia?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A Seculus importa
muito relógios. Se exporta, não sei. Acho que não. Exportar, exporta. Mas acho
que muito pouco. A importação é muito grande porque tem indústria em Manaus.
Então, importa muitos relógios. Outra coisa não. Que eu saiba, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem
conhecimento se eles usaram alguma vez ou o Banco Emblema ou o Banco Rural ou
alguma subsidiária no exterior para esse tipo de operação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sei. Eu nunca
tive gestão nessas empresas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso do Grupo
Seculus, para encerrar, sua participação lá era de 10%. Em que período foi?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Era de 9,8%. De
2001...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No Séculus?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não no Grupo
Seculus. V. Exª está falando na RS?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, no Grupo Seculus.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – No Grupo Seculus não. De
89 até o ano passado, mas foram algumas empresas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – De 89 até
2001?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Na Seculus
Commodities eu tinha 20%, depois tivemos uma concessionária Fiat, que era a
Seculus Veículos, em que eu tive 13,34%, 20% da nossa parte. Depois a RS, 9,8%.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação
a essas outras empresas ligadas a Seculus, o senhor participava da gestão?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ligadas a Seculus,
não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E nessa concessionária Fiat?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Na concessionária, sim. Eu
era diretor administrativo e financeiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer,
era a única em que o senhor participava e tinha conhecimento das...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A Seculus
Commodities eu era praticamente o gerente dela até 96. Depois eu comprei uma
concessionária e foi até 99, 2000. Depois não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso da Fiat, V.Sª era
diretor administrativo e financeiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Administrativo e
financeiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nesse caso, também cuidava das
aplicações e investimentos da empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da concessionária,
no caso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Da concessionária. Ela tinha
relação comercial com o Banco Rural?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sei... A
concessionária tinha conta em alguns bancos. Talvez pudesse ter conta no Banco
Rural, mas não... No Banco Real, eu sei que tinha muito movimento na época. Era
em Betim, a concessionária era em Betim, perto da fábrica.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E no Banco Emblema?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, no Banco
Emblema, nessa época,não tinha nada.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Esse banco é um banco
comercial?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É um banco
comercial.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso da RS, Sr. Haroldo, o
senhor foi sócio, como explicava, de 2001 até...?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Até 2004.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nós pedimos à Junta Comercial
e, segundo consta nesse documento, o senhor se retirou em 22 de dezembro de
2004...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – De 2004.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Alteração
contratual. Porém, esse registro se deu em 8 de abril de 2005. Qual a razão
para essa distância?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Toda empresa que é uma SA,
se você faz uma alteração contratual ou qualquer coisa que é feita, até você
ter as atas para colocar em registro, é normal essa demora de tempo. Toda
alteração que se faz em estatuto, demora para ser registrada. Isso é normal.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nesse período, o senhor
detinha 9,8% de participação. É isso?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Isso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas tinha
conhecimento da área de atuação da área da RS, pelo menos?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece Enivaldo
Quadrado, sócio da Bônus-Banval?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não,nunca ouvi
falar.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual a relação comercial que a
Bônus-Banval mantinha com a RS Participações e Empreendimentos?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Relação de Bônus-Banval
com a RS?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Isso.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Que eu saiba, nenhuma.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desconhece?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desconheço.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Segundo o apurado por esta Comissão, a RS recebia
valores dessa corretora. V.Sª teria como esclarecer isso?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Eu não tenho a mínima idéia.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor assinou os balanços da empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, balanços não. A única coisa que eu assino lá é
alteração. Mais nada.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nada mais?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Nada.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas tinha conhecimento, vamos dizer...Qual é a
área de atuação da RS Empreendimentos e Participações?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Consignação em folha de pagamento.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Fundamentalmente isso?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O negócio da RS é consignação em folha de pagamento.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ela trabalhava com corretoras?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Que eu saiba, não. Ela trabalha no Brasil inteiro, no
âmbito municipal, estadual e federal, de Porto Alegre a Manaus. A empresa tem
25 filiais e trabalha com consignação a vida inteira, desde 97.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor desconhece então, especificamente,
qualquer relação com corretoras e, em especial, com a Bônus-Banval?
O SR. HAROLDO
BICALHO E SILVA – Com certeza.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não conhece o Enivaldo Quadrado?
O SR. HAROLDO
BICALHO E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento se
são do mesmo Grupo, a RS – Administração e Construção Ltda.?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nunca ouvi
falar nessa empresa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vou insistir numa pergunta que
já foi feita pelo Deputado Arnaldo. V. Sª afirmou que não tinha relação com o
Marcos Valério Fernandes, que a sua relação era com o Cristiano de Melo Paz. O
David Rodrigues Alves, aquele policial de Minas, afirmou, em depoimento à
Polícia Federal, que sacava valores na conta da SMP&B no Banco Rural,
entregava os recursos para a Srª Geisa na agência da citada empresa de
publicidade. O senhor conhece o David Rodrigues Alves?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Conheço, ouvi todo
esse comentário pela imprensa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor tinha relação com
ele?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, eu o conheci
em 1998. Eu tinha uma empresa de engenharia, de 1997 a 2001. Quando eu tive
essa empresa de engenharia, no mesmo prédio, tinha um amigo meu que tinha uma
empresa lá e esse David trabalhava lá. Foi quando eu o conheci. Constantemente,
eu estava no escritório desse amigo meu e eu o via lá. Foi quando eu o conheci.
No fim de 2002, a gente estava fazendo trail, algum evento em que eu
estava com o Cristiano, ele tinha me consultado se eu conhecia alguém que
pudesse fazer transporte de valores e tal. E eu falei: “Tem um cara que
trabalhou com um amigo meu. Posso procurar saber sobre ele.”. Procurei saber se
se tratava de pessoa boa, de pessoa idônea, era um policial, indiquei, coloquei
os dois em contato, não me lembro se um com o outro ou se o outro com o um. Nem
sei se depois vieram a fazer algum negócio. Agora, fui surpreendido com essa
confusão e pensei: que rolo foi esse em que o David se meteu?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quando o senhor fala em
transporte de valores, o que era na época? O que seria esse transporte de
valores? Era, enfim, pegar dinheiro em espécie...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sabia. Agora
que fiquei sabendo que era sacar dinheiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor sabia que
ele transportava valores, que o David...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nessa outra
empresa ele era segurança, motorista, era um faz tudo, era uma empresa
pequenina.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quando o Cristiano falou,
desculpe insistir nisso, é por causa
dos depoimentos na Polícia Federal, quando o senhor fala em transporte de
valores, por que indicar o David? Ele trabalhava numa empresa pequena, era
policial...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É porque ele me
perguntou se eu conhecia alguém para indicar, alguém que fosse de confiança. Aí
fiquei sabendo dessa pessoa, que era policial, e indiquei a ele. Agora, qual a
finalidade que ele queria na época eu não sabia, agora é que fiquei sabendo.
Duvido até que ele soubesse na época.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O David prestou algum serviço
ao senhor?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nunca.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Aqui vou insistir,
apesar do senhor já ter comentado. O que estamos investigando é a relação do
Marcos Valério. Há questões que, claro, relacionam-se em função das atuais
investigações em que o senhor está... Enfim, neste momento, está numa condição
de investigado junto à Polícia Federal. Só para insistir, o senhor responde a
algum processo por remessa ilegal de valores para o exterior?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Tem um inquérito na
Polícia Federal sobre esse assunto.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só inquérito, não há processo?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É um inquérito que
está na Polícia Federal, oriundo da operação do Banestado, a que estou
respondendo. O assunto é esse.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E, apesar de o senhor ter essa
relação com a RS Empreendimentos e com a Seculus, que trabalhavam também no
mercado financeiro, alguma vez o senhor trabalhou com casa de câmbio? Contratou
serviços de casa de câmbio?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não teve nenhuma relação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação a essa relação,
apesar de o senhor desconhecer a Bônus-Banval, o senhor tem alguma relação com
a Barcelona Tour? Conhece?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, ouvi falar
agora desse tal de Toninho.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E sua relação com o Cristiano
de Melo Paz era só uma relação pessoal ou tinha um caráter comercial também?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não. Era pessoal,
antiga. Na época, toda semana a gente saía junto de moto. Um cara fantástico.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, eu vou lhe perguntar,
só para constar. Primeiro: há um depósito, um valor recebido por V. Sª, por
parte do Cristiano de Melo Paz. O senhor se lembra disso? Tem conhecimento?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Um depósito dele?
De que valor?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dele, na sua conta. Um valor
antigo.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Em minha conta?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em sua conta, segundo a quebra
de sigilo dele. Estou lhe passando em função da quebra de sigilo nas contas
dele. É uma conta...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Dê-me a data e o
valor, para ver se eu tenho uma idéia.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A que eu tenho registro aqui é
de 15 de março de 2001, R$41.230,00.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Quinze de março de
2001?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – De 2001. Isso, de acordo com a
quebra de sigilo das contas bancárias do Cristiano.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Quarenta mil
reais, ele pagando para mim?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pagando para o senhor.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Pode ter sido
alguma motocicleta que eu vendi para ele, alguma coisa desse tipo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Um pagamento em cheque.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Cristiano pagou
para mim?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tipo de documento: um cheque,
8058, conta final 0910.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Pode ter sido uma moto ou um quadriciclo.
Zero nove um zero é conta minha.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É um depósito nessa
conta. Por isso que eu estou lhe perguntando...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É a conta do Bank
Boston. Não é isso?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu não estou, eu não li, é
esse extrato aqui. É que não consta, só tem o número da conta e da operação.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA |