TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sr. HAROLDO BICALHO E SILVA
(06/10/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

REUNIÃO DA SUB-RELATORIA DE FONTES FINANCEIRAS DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 06 DE OUTUBRO DE 2005 ÀS 14:30 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Havendo número regimental, declaro abertos os trabalhos da Sub-Relatoria de Movimentação Financeira com o objetivo de ouvirmos hoje o Sr. Haroldo Bicalho e, depois, Jader Kalid.

Nós vamos iniciar com o Sr. Haroldo Bicalho.

Faço duas comunicações: primeiramente, que originalmente a nossa reunião estava marcada para hoje, às 14h, mas, por decisão do Presidente da Comissão, decisão unilateral, houve a modificação para esse horário das 10h do dia de hoje. Entretanto, como ontem foi confirmada a audiência de hoje do Sr. André da Interbrazil, tivemos a coincidência de horários. E, apesar de já terem sido iniciados os trabalhos da Comissão ouvindo, no seu pleno, o Sr. André, vamos dar início ao trabalho da Sub-Relatoria em função também de os depoimentos haverem sido previamente marcados.

Informo que recebemos um salvo-conduto, exarado pelo Ministro César Peluzo, Relator do Habeas Corpus nº 86.849, em que é paciente Haroldo Bicalho e Silva e co-ator o Presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, com o seguinte teor: “Salvo-conduto em favor de Haroldo Bicalho, brasileiro – aqui tem toda a sua qualificação –, para garantir ao paciente, sempre que convocado perante esta Comissão, o direito de se fazer acompanhar de advogado, o direito de não ser preso em decorrência da invocação do direito constitucional de não auto-incriminar-se, com a prerrogativa de permanecer em silêncio se da resposta à pergunta puder a seu critério ou a critério de seus advogados derivar-lhe risco de auto-incriminação”. Essa decisão é do dia 5 de outubro de 2005. E da mesma forma hoje o Presidente da CPMI recebeu uma cópia da liminar concedida também no referido habeas corpus.

Acompanham o Sr. Haroldo Bicalho o Dr. Luiz Carlos Parreiras Abrita e o Dr. Luiz Carlos Abrita, que são os seus advogados.

Nós vamos fazer uma inversão. Eu vou passar a palavra ao Deputado Arnaldo Faria de Sá antes de fazer as indagações, mas só consulto o Sr. Haroldo se gostaria de fazer uma intervenção ou, alternativamente, solicito também que, antes de iniciarmos, fazer uma apresentação com relação a sua atividade.

Com a palavra o Sr. Haroldo Bicalho.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Srªs e Srs. Deputados, Srªs e Srs. Senadores, a exemplo do que tem sido a praxe de depoimentos prestados nesta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, gostaria de apresentar-me a V. Exªs. Meu nome é Haroldo Bicalho e Silva, sou natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, tenho 45 anos de idade, sou casado há vinte anos com Simone, com quem tenho três filhos: Bruno, de 18 anos; Daniela, de 15 anos; e Flávia, de 12 anos, respectivamente. Sou Bacharel em Engenharia Mecânica e Aeronáutica pela Universidade Federal de Minas Gerais, formado em 1982, e também Bacharel em Administração de Empresas, formado em 1983, com seis pós-graduações subseqüentes. Exerci atividades profissionais bastante variadas ao longo de minha vida, tendo sido sócio em alguns empreendimentos ligados à minha formação profissional, tais como engenheiro projetista, diretor administrativo e financeiro de concessionária de veículos, atividade agropecuária leiteira, sendo que a atividade corrente é de sócio de uma indústria de artefatos de couro.

Creio ser uma pessoa conhecida e querida na minha cidade, circunstância que, ao lado do apoio recebido de minha família, tem me ajudado a enfrentar os problemas decorrentes da chamada “Operação Farol da Colina”, em razão da qual cheguei a ser preso em agosto do ano passado. De lá para cá compareci a todos os atos do inquérito policial para os quais fui intimado, inclusive oferecendo material para exame grafotécnico.

As acusações vinculadas a minha pessoa pela mídia nego com veemência, como tenho negado desde o início por não possuir qualquer fundamento ou relacionamento com a realidade. Procurarei, assim, responder, na medida do possível e a minha maneira, aos questionamentos em torno do assunto.

Ainda com relação a esta matéria, já fui submetido a pelo menos dois interrogatórios perante a Polícia Federal, além de haver prestado outros depoimentos recentes na Corregedoria de Polícia de Minas Gerais.

Hoje, convocado por esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, compareço perante V. Exªs respeitosamente e ciente da minha condição de investigado. Assim, e exatamente por isso, peço desculpas aos Srs. e Srªs Deputadas e Senadoras se algum questionamento não puder ser respondido ou se a resposta eventualmente oferecida não for plenamente satisfatória, rogando para que V. Exªs tomem eventual impossibilidade de resposta ou sua aparente insuficiência ao desconhecimento do assunto.

Finalmente, quero dizer que faço votos sinceros de que os trabalhos desta CPMI sejam profícuos, pois confio que a apuração dos fatos levará a conclusões adequadas e decisões proporcionais e justas, neste foro parlamentar.

Obrigado.

Haroldo Bicalho e Silva.

Seis de outubro de 2005.

O SR. PRESIDENTE (Amir Lando. PMDB – RO) – Com a palavra o Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Haroldo, porque o senhor foi buscar um salvo-conduto no Supremo Tribunal Federal?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Por orientação dos meus advogados.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O senhor tinha medo de alguma coisa?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não sei se tinha medo. Orientação mesmo. Não sei o porquê.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O senhor está chegando aqui e está percebendo que não tem nenhuma esquadra armada para lhe ouvir, quer dizer, a coisa está bem suave. A impressão que dá é que, se o senhor foi buscar um salvo-conduto, é porque deve alguma coisa e está com medo de que algo possa aumentar a sua incriminação.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, não creio que seja.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Por que você foi preso na Operação Farol da Colina?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Da minha parte foi um equívoco. 

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Você nunca mexeu com dólar?

O Sr. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Estou aqui com uma matéria da Folha de S. Paulo de 08/7/2005, da Fernanda Krakovics, da sucursal de Brasília da Folha. Ela traz uma matéria sobre a Fernanda Karina, que confirmou no depoimento à CPMI que o publicitário Marcos Valério manteve contato com o doleiro preso pela Polícia Federal, na Operação Farol da Colina, e nesse depoimento ela dá indicação de que você era o doleiro.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Nunca tive contato com ela e nem com ele.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E com o outro doleiro que também teve ligação com o Marcos Valério, o Jader Kalid?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Jader só conheço socialmente de Belo Horizonte. Só.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Nunca teve nenhum negócio com ele?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, não. Nos conhecemos de motocicleta; ele anda de motocicleta e eu também; só alguns encontros.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O senhor conhece Marcos Valério?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, vim conhecer por agora, sei quem é. Conheço muito o sócio dele.  

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Qual sócio?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Cristiano Paz.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E qual a sua ligação com o Cristiano Paz?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Cristiano é meu amigo desde de 1982, quando comecei a mexer com motocicleta, e ele sempre foi adepto; então, tivemos uma relação nos últimos vinte anos dentro desse meio.  

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Pelo menos admitir que você é amigo de um sócio de Marcos Valério você admite.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Admito, claro.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Qual é a sua atividade profissional, comercial?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Atualmente tenho uma indústria de couro; sou exportador de bolsa para Nova Iorque.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Desde quando você tem essa indústria?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desde 2001.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E antes disso?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Antes disso eu tinha uma concessionária Fiat, de 1996 a 1999; tive uma empresa de engenharia, que foi de 1997 a 2001 e tive uma fazenda de leite – produzia um volume muito grande – de 2000 a 2003. 

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Acho que, às vezes, a Polícia Federal pode cometer algum exagero, ou a imprensa pode cometer algum exagero, mas sempre tem um fundo de verdade. Esse fundo pode ser ampliado, pode ser aumentado. Por que se imputou a sua pessoa a essa atividade de doleiro?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – A situação foi a seguinte: comprei essa indústria de couro em 2001. O couro no Brasil é uma coisa muito cara, custa R$60; R$70 o metro quadrado. Tive informação muito segura de que no Sul – eu falo Argentina, Uruguai, Paraguai – o mercado de couro era muito barato. Então, me indicaram para montar uma empresa no Uruguai com o intuito de adquirir mercadoria no Uruguai. E tinha aquele papo de Mercosul, eu acreditava que o Mercosul teria realmente algum volume de negócio. Montei uma empresa chamada Ridox no Uruguai. Não sei porque razão os papéis dessa empresa foram parar em Nova Iorque; e aí que fui surpreendido com essa operação do Banestado.         

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Como era o nome dessa empresa?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Ridox.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Quem era o sócio dessa empresa?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Sócio eu, mas tem um amigo que é procurador, que assinaria por mim caso tivesse viajando.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E a sede da empresa, onde era?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – No Uruguai.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – No Uruguai?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – No Uruguai. Essa empresa, inclusive, até consta do meu Imposto de Renda.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Qual foi a sua idéia ao abrir essa empresa? É uma offshore?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – A idéia era ampliar negócios no Mercosul, fazer compras de couro e aumentar o volume de negócios no mercado com o Mercosul, com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – A sua empresa exportava para os Estados Unidos?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Isso. Continua exportando. É o meu principal negócio hoje.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Nessa exportação, você não tinha contratos de câmbio, facilidade de envolvimento com dólar e, por causa desse mercado exportador, acabou tendo contato com algum doleiro?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, não. Toda a minha exportação, desde que eu comprei essa indústria, desde que começamos a exportar, é 100% oficial, 100%. Tudo pelo Bradesco, tudo certinho a vida inteira. É uma indústria pequena, mas o mercado dela é o mercado de Nova Iorque.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Você montou ou comprou essa indústria?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Essa indústria eu comprei e foi quando incrementamos o mercado externo nela. Ela visava só ao mercado interno e...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – No primeiro momento, você disse que montou. Agora você disse que comprou. Qual é a divergência?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Foi comprada. A empresa já tinha 19 anos, estava em dificuldade. E foi comprada a empresa.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Qual o tipo de dificuldade que essa empresa tinha quando você a comprou?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Ela estava com dificuldade financeira, estava quase para fechar as portas.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Você tinha capital suficiente para cobrir a dificuldade que ela tinha ou se socorreu de alguém?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não. Tinha. Tinha o capital suficiente. Não era um negócio grande, era um negócio promissor.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Grande ou promissor, você lembra qual foi esse valor ou não?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Da ordem de R$200 mil.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Hoje qual é a situação dessa empresa?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Ela faturava, à época, por volta de R$1 milhão e hoje fatura por volta de R$2 milhões, porque é muito variado durante o ano. Tem meses de faturamento maior, faturamento melhor, mas, este ano, deve fechar com R$2 milhões de faturamento.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Nesse inquérito da Polícia Federal, a informação que temos é que também ocorreu uma denúncia sua por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Coincide essa informação?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – De que teve uma denúncia?

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Foi denunciado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Isso pode ser o inquérito que está em andamento lá. É isso?

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Isso, isso.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Esse inquérito está em andamento. Eu estou respondendo e me defendendo, dizendo, provando que não tenho nada com isso.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Nunca lavou dinheiro?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Claro que não.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Nem fez evasão de divisas?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, não.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Conhece Duda Mendonça?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Conhece Delúbio Soares?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Também não.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Além do Cristiano Paz, quem mais o senhor conhece na SMP&B, DNA, Tolentino & Melo, nas empresas? Do grupo Marcos Valério, o senhor conhece mais alguém?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Da turma da SMP&B eu conheço o Ramon, Ramon Cardoso, que é sócio do Cristiano, e conheço a Adriana Fantini, que é secretária dele.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – A sua amizade é com o Cristiano Paz. Você conhece o Ramon Cardoso e não conhece Marcos Valério?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não. Eu já o vi algumas vezes, porque tem um restaurante em Belo Horizonte chamado Monti Cielo, que é na rua Sergipe, perto do escritório dele. Toda sexta-feira a turma de motocicleta almoça lá. Então, constantemente a gente está almoçando em uma mesa, e tem uma outra mesa em que almoçava... O Cristiano almoça com a gente e com a turma da SMP&B. E muitas vezes eu vi o Marcos Valério lá, o Marcos Valério, o Cristiano, o Ramon e outras pessoas. Mas não o conhecia assim, não. Cansei de ver, mas não conhecia.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Depois que se tomou conhecimento de todo esse rolo que explodiu em torno de Marcos Valério, o Cristiano Paz, sendo um dos sócios dele e sendo seu amigo, qual a sua avaliação de tudo isso?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Fiquei com uma pena tremenda do Cristiano, porque ele é uma pessoa fantástica. Realmente, não dá nem para entender essa confusão maluca.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – A sua pena é só do Cristiano, mas do Ramon e do Marcos Valério?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Do Ramon, sim, claro, mas eu não tenho muita ligação com o Ramon. Com o Cristiano, sim. E o Cristiano é uma pessoa de um coração enorme.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Por que o senhor acha que essas empresas do Cristiano e do Marcos Valério estão envolvidas em todos esses problemas?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Cristiano a vida inteira foi publicitário de renome e de sucesso. Pelo menos, bastante conhecido e bastante requisitado. E nunca foi... Sempre foi um cara fantasticamente inteligente para o ramo publicitário e extremamente incompetente para o lado administrativo-financeiro. Não sei quando esse Marcos Valério entrou lá para a empresa dele, parece que em 1997, 1998, não sei quando, para assumir essa área administrativo-financeira. E a notícia que eu tenho é de que Marcos Valério tinha influências com o Governo desde essa época. E automaticamente a SMP&B foi canalizada para esse tipo de coisa e o Cristiano – coitado! – foi envolvido nessa história toda. Partido políticos, essas coisas, não sei.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Não quero duvidar da sua afirmação, mas há várias menções e várias citações de que Haroldo Bicalho é doleiro. Você acha que tantas pessoas iriam inventar essa informação?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desde que aconteceu esse episódio do Farol da Colina venho carregado essa pecha, vamos dizer assim. Está dureza!

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Você disponibilizaria o seu sigilo bancário?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Claro, sem problema; sem problema.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, acho que essa informação é relevante e devemos solicitar a Secretaria que tome a termo essa disponibilidade do Sr. Haroldo Bicalho de abrir mão do seu sigilo bancário, porque tenho várias informações de que ele é doleiro e ele está afirmando textualmente que não é. A única ligação pela qual ele supõe que esteja envolvido nesse problema todo é essa offshore que ele abriu no Uruguai para adquirir couro e, sendo ele exportador para os Estados Unidos, essa seria a razão pela qual ele está envolvido.

Gostaria de passar a palavra a V. Exª para que talvez tenha um pouco mais de percussão nessa procura, porque estou achando muito estranho. Tenho muitas informações de que Haroldo Bicalho é doleiro e as informações que temos que andar atrás e as várias informações que temos não estão batendo.

Agradeço, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Obrigado, Deputado Arnaldo Faria de Sá.

Vou na linha complementar do Deputado Arnaldo Faria de Sá em algumas questões, com o objetivo de aprofundar. Primeiro, o seguinte: o senhor já foi sócio do Banco Rural ou teve algum tipo de relação comercial com pessoas vinculadas ao Banco Rural?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Banco Rural, não. Fui sócio, de 2001 a 2004, da RS Empreendimentos e RS Financeira, na qual até o Banco Rural é majoritário, mas nunca teve a gestão – a gestão sempre foi do Grupo Seculus. Tenho sociedade com o pessoal da Seculus desde 1989, razão pela qual fui convidado para ser sócio dessa empresa; sempre tive menos do que 10%, mas nunca participação gerencial nela.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso específico do Grupo Seculus, qual a atividade principal do Grupo e qual a área de atuação?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Grupo Seculus atua em diversas áreas. A principal delas, durante os 45 anos de existência do Grupo, foi o mercado joalheiro, no qual nem estão participando mais. Eles têm uma grande indústria de relógio, compraram recentemente a Mondaine, a Séculos Relógios, têm muita atividade no ramo imobiliário – loteamentos, condomínios –, que é um ramo do Grupo, têm prédios em Belo Horizonte. Outra atividade grande do Grupo é na área financeira, eles têm um banco que foi comprado há 2 anos, chamado Banco Emblema, eles têm uma financeira chamada Seculus Financeira; enfim, é um Grupo grande, antigo e tradicional. Fui sócio deles numa corretora de commodities, na concessionária e na RS, na qual não participo mais.

São tradicionalíssimos em Minas Gerais.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Insistindo ainda nessa questão do Grupo Seculus, quer dizer, o senhor nunca teve participação de gestão, mas, de qualquer maneira, tinha conhecimento de que o Grupo atuava no mercado financeiro?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Sim, claro.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sua primeira ligação com o mercado financeiro se dá a partir daí?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Tive gestão e uma empresa junto com eles, de 89 a 96, que foi a Seculus Commodities Corretora Mercantil, que era até muito forte no mercado de commodities.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento de aplicações ou investimentos da RS Empreendimentos e Participações no Banco Emblema, ligado ao Grupo Seculus?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Operações de aplicações na RS no Banco Emblema? Não sei. É possível, são do mesmo Grupo.

O SR.  PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Apesar de ser do Grupo Seculus e ter participado da sociedade da RS não tem conhecimento das aplicações no Banco Emblema?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É que recebemos aqui uma série de aplicações, principalmente em títulos, da RS aplicando no Banco Emblema.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Aplicando no Banco Emblema?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Aplicando no Banco Emblema, compra de CDBs nesse mesmo período. O senhor desconhece isso?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desconheço. Não tenho gestão.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desconhece também que tipo de aplicação faz o Banco Emblema no mercado, quais são as prioridades. Não sabe também?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Banco Emblema é um banco pequenininho de Minas, era do Dr. Geraldo Lemos, foi comprado pela Seculus há dois anos. Só conheço pessoas lá, mais nada.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor sabe por que foi comprado o banco?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Com o intuito de a Seculus aumentar a sua participação no mercado financeiro. Já tinha a Seculus Financeira, que foi fundada, acho que em 2001, aí compraram o banco para poder crescer realmente no mercado financeiro.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eles trabalham com o mercado externo. O senhor tem notícia?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – A Seculus importa muito relógios. Se exporta, não sei. Acho que não. Exportar, exporta. Mas acho que muito pouco. A importação é muito grande porque tem indústria em Manaus. Então, importa muitos relógios. Outra coisa não. Que eu saiba, não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento se eles usaram alguma vez ou o Banco Emblema ou o Banco Rural ou alguma subsidiária no exterior para esse tipo de operação?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não sei. Eu nunca tive gestão nessas empresas.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso do Grupo Seculus, para encerrar, sua participação lá era de 10%. Em que período foi?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Era de 9,8%. De 2001...

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No Séculus?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não no Grupo Seculus. V. Exª está falando na RS?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, no Grupo Seculus.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – No Grupo Seculus não. De 89 até o ano passado, mas foram algumas empresas.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – De 89 até 2001?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Na Seculus Commodities eu tinha 20%, depois tivemos uma concessionária Fiat, que era a Seculus Veículos, em que eu tive 13,34%, 20% da nossa parte. Depois a RS, 9,8%.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação a essas outras empresas ligadas a Seculus, o senhor participava da gestão?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Ligadas a Seculus, não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E nessa concessionária Fiat?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Na concessionária, sim. Eu era diretor administrativo e financeiro.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, era a única em que o senhor participava e tinha conhecimento das...

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – A Seculus Commodities eu era praticamente o gerente dela até 96. Depois eu comprei uma concessionária e foi até 99, 2000. Depois não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso da Fiat, V.Sª era diretor administrativo e financeiro?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Administrativo e financeiro.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nesse caso, também cuidava das aplicações e investimentos da empresa?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Da concessionária, no caso.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Da concessionária. Ela tinha relação comercial com o Banco Rural?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não sei... A concessionária tinha conta em alguns bancos. Talvez pudesse ter conta no Banco Rural, mas não... No Banco Real, eu sei que tinha muito movimento na época. Era em Betim, a concessionária era em Betim, perto da fábrica.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E no Banco Emblema?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, no Banco Emblema, nessa época,não tinha nada.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Esse banco é um banco comercial?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – É um banco comercial.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso da RS, Sr. Haroldo, o senhor foi sócio, como explicava, de 2001 até...?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Até 2004.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nós pedimos à Junta Comercial e, segundo consta nesse documento, o senhor se retirou em 22 de dezembro de 2004...

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – De 2004.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Alteração contratual. Porém, esse registro se deu em 8 de abril de 2005. Qual a razão para essa distância?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Toda empresa que é uma SA, se você faz uma alteração contratual ou qualquer coisa que é feita, até você ter as atas para colocar em registro, é normal essa demora de tempo. Toda alteração que se faz em estatuto, demora para ser registrada. Isso é normal.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nesse período, o senhor detinha 9,8% de participação. É isso?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Isso.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas tinha conhecimento da área de atuação da área da RS, pelo menos?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece Enivaldo Quadrado, sócio da Bônus-Banval?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não,nunca ouvi falar.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual a relação comercial que a Bônus-Banval mantinha com a RS Participações e Empreendimentos?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Relação de Bônus-Banval com a RS?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Isso.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Que eu saiba, nenhuma. 

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desconhece?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desconheço.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Segundo o apurado por esta Comissão, a RS recebia valores dessa corretora. V.Sª teria como esclarecer isso?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Eu não tenho a mínima idéia.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor assinou os balanços da empresa?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, balanços não. A única coisa que eu assino lá é alteração. Mais nada.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nada mais?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Nada.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas tinha conhecimento, vamos dizer...Qual é a área de atuação da RS Empreendimentos e Participações?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Consignação em folha de pagamento.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Fundamentalmente isso?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O negócio da RS é consignação em folha de pagamento.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ela trabalhava com corretoras?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Que eu saiba, não. Ela trabalha no Brasil inteiro, no âmbito municipal, estadual e federal, de Porto Alegre a Manaus. A empresa tem 25 filiais e trabalha com consignação a vida inteira, desde 97.  

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor desconhece então, especificamente, qualquer relação com corretoras e, em especial, com a Bônus-Banval?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Com certeza.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não conhece o Enivaldo Quadrado?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento se são do mesmo Grupo, a RS – Administração e Construção Ltda.?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, nunca ouvi falar nessa empresa.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vou insistir numa pergunta que já foi feita pelo Deputado Arnaldo. V. Sª afirmou que não tinha relação com o Marcos Valério Fernandes, que a sua relação era com o Cristiano de Melo Paz. O David Rodrigues Alves, aquele policial de Minas, afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que sacava valores na conta da SMP&B no Banco Rural, entregava os recursos para a Srª Geisa na agência da citada empresa de publicidade. O senhor conhece o David Rodrigues Alves?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Conheço, ouvi todo esse comentário pela imprensa.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor tinha relação com ele?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, eu o conheci em 1998. Eu tinha uma empresa de engenharia, de 1997 a 2001. Quando eu tive essa empresa de engenharia, no mesmo prédio, tinha um amigo meu que tinha uma empresa lá e esse David trabalhava lá. Foi quando eu o conheci. Constantemente, eu estava no escritório desse amigo meu e eu o via lá. Foi quando eu o conheci. No fim de 2002, a gente estava fazendo trail, algum evento em que eu estava com o Cristiano, ele tinha me consultado se eu conhecia alguém que pudesse fazer transporte de valores e tal. E eu falei: “Tem um cara que trabalhou com um amigo meu. Posso procurar saber sobre ele.”. Procurei saber se se tratava de pessoa boa, de pessoa idônea, era um policial, indiquei, coloquei os dois em contato, não me lembro se um com o outro ou se o outro com o um. Nem sei se depois vieram a fazer algum negócio. Agora, fui surpreendido com essa confusão e pensei: que rolo foi esse em que o David se meteu?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quando o senhor fala em transporte de valores, o que era na época? O que seria esse transporte de valores? Era, enfim, pegar dinheiro em espécie...

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não sabia. Agora que fiquei sabendo que era sacar dinheiro.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor sabia que ele transportava valores, que o David...

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, nessa outra empresa ele era segurança, motorista, era um faz tudo, era uma empresa pequenina.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quando o Cristiano falou, desculpe insistir  nisso, é por causa dos depoimentos na Polícia Federal, quando o senhor fala em transporte de valores, por que indicar o David? Ele trabalhava numa empresa pequena, era policial...

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – É porque ele me perguntou se eu conhecia alguém para indicar, alguém que fosse de confiança. Aí fiquei sabendo dessa pessoa, que era policial, e indiquei a ele. Agora, qual a finalidade que ele queria na época eu não sabia, agora é que fiquei sabendo. Duvido até que ele soubesse na época.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O David prestou algum serviço ao senhor?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, nunca.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Aqui vou insistir, apesar do senhor já ter comentado. O que estamos investigando é a relação do Marcos Valério. Há questões que, claro, relacionam-se em função das atuais investigações em que o senhor está... Enfim, neste momento, está numa condição de investigado junto à Polícia Federal. Só para insistir, o senhor responde a algum processo por remessa ilegal de valores para o exterior?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Tem um inquérito na Polícia Federal sobre esse assunto.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só inquérito, não há processo?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – É um inquérito que está na Polícia Federal, oriundo da operação do Banestado, a que estou respondendo. O assunto é esse.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E, apesar de o senhor ter essa relação com a RS Empreendimentos e com a Seculus, que trabalhavam também no mercado financeiro, alguma vez o senhor trabalhou com casa de câmbio? Contratou serviços de casa de câmbio?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não teve nenhuma relação?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação a essa relação, apesar de o senhor desconhecer a Bônus-Banval, o senhor tem alguma relação com a Barcelona Tour? Conhece?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, ouvi falar agora desse tal de Toninho.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E sua relação com o Cristiano de Melo Paz era só uma relação pessoal ou tinha um caráter comercial também?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não. Era pessoal, antiga. Na época, toda semana a gente saía junto de moto. Um cara fantástico.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, eu vou lhe perguntar, só para constar. Primeiro: há um depósito, um valor recebido por V. Sª, por parte do Cristiano de Melo Paz. O senhor se lembra disso? Tem conhecimento?

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Um depósito dele? De que valor?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dele, na sua conta. Um valor antigo.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Em minha conta?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em sua conta, segundo a quebra de sigilo dele. Estou lhe passando em função da quebra de sigilo nas contas dele. É uma conta...

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Dê-me a data e o valor, para ver se eu tenho uma idéia.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A que eu tenho registro aqui é de 15 de março de 2001, R$41.230,00.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Quinze de março de 2001?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – De 2001. Isso, de acordo com a quebra de sigilo das contas bancárias do Cristiano.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Quarenta mil reais, ele pagando para mim?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pagando para o senhor.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Pode ter sido alguma motocicleta que eu vendi para ele, alguma coisa desse tipo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Um pagamento em cheque.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Cristiano pagou para mim?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tipo de documento: um cheque, 8058, conta final 0910.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA  – Pode ter sido uma moto ou um quadriciclo. Zero nove um zero é conta minha.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É um depósito nessa conta. Por isso que eu estou lhe perguntando...

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – É a conta do Bank Boston. Não é isso?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu não estou, eu não li, é esse extrato aqui. É que não consta, só tem o número da conta e da operação.

O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA