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O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Havendo número regimental, declaro abertos os trabalhos da
Sub-Relatoria de Movimentação Financeira com o objetivo de ouvirmos hoje o Sr.
Haroldo Bicalho e, depois, Jader Kalid.
Nós vamos iniciar com o Sr. Haroldo Bicalho.
Faço duas comunicações: primeiramente, que originalmente a
nossa reunião estava marcada para hoje, às 14h, mas, por decisão do Presidente
da Comissão, decisão unilateral, houve a modificação para esse horário das 10h
do dia de hoje. Entretanto, como ontem foi confirmada a audiência de hoje do
Sr. André da Interbrazil, tivemos a coincidência de horários. E, apesar de já
terem sido iniciados os trabalhos da Comissão ouvindo, no seu pleno, o Sr.
André, vamos dar início ao trabalho da Sub-Relatoria em função também de os
depoimentos haverem sido previamente marcados.
Informo que recebemos um salvo-conduto, exarado pelo
Ministro César Peluzo, Relator do Habeas Corpus nº 86.849, em que é paciente
Haroldo Bicalho e Silva e co-ator o Presidente da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito, com o seguinte teor: “Salvo-conduto em favor de Haroldo Bicalho,
brasileiro – aqui tem toda a sua qualificação –, para garantir ao paciente,
sempre que convocado perante esta Comissão, o direito de se fazer acompanhar de
advogado, o direito de não ser preso em decorrência da invocação do direito
constitucional de não auto-incriminar-se, com a prerrogativa de permanecer em
silêncio se da resposta à pergunta puder a seu critério ou a critério de seus
advogados derivar-lhe risco de auto-incriminação”. Essa decisão é do dia 5 de
outubro de 2005. E da mesma forma hoje o Presidente da CPMI recebeu uma cópia
da liminar concedida também no referido habeas corpus.
Acompanham o
Sr. Haroldo Bicalho o Dr. Luiz Carlos Parreiras Abrita e o Dr. Luiz Carlos
Abrita, que são os seus advogados.
Nós vamos fazer uma inversão. Eu vou passar a palavra ao
Deputado Arnaldo Faria de Sá antes de fazer as indagações, mas só consulto o
Sr. Haroldo se gostaria de fazer uma intervenção ou, alternativamente, solicito
também que, antes de iniciarmos, fazer uma apresentação com relação a sua
atividade.
Com a palavra o Sr. Haroldo Bicalho.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Srªs e Srs. Deputados, Srªs e Srs. Senadores, a exemplo
do que tem sido a praxe de depoimentos prestados nesta Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito, gostaria de apresentar-me a V. Exªs. Meu nome é Haroldo
Bicalho e Silva, sou natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, tenho 45 anos de
idade, sou casado há vinte anos com Simone, com quem tenho três filhos: Bruno,
de 18 anos; Daniela, de 15 anos; e Flávia, de 12 anos, respectivamente. Sou
Bacharel em Engenharia Mecânica e Aeronáutica pela Universidade Federal de
Minas Gerais, formado em 1982, e também Bacharel em Administração de Empresas, formado
em 1983, com seis pós-graduações subseqüentes. Exerci atividades profissionais
bastante variadas ao longo de minha vida, tendo sido sócio em alguns
empreendimentos ligados à minha formação profissional, tais como engenheiro
projetista, diretor administrativo e financeiro de concessionária de veículos,
atividade agropecuária leiteira, sendo que a atividade corrente é de sócio de
uma indústria de artefatos de couro.
Creio ser uma pessoa conhecida e querida na minha cidade,
circunstância que, ao lado do apoio recebido de minha família, tem me ajudado a
enfrentar os problemas decorrentes da chamada “Operação Farol da Colina”, em
razão da qual cheguei a ser preso em agosto do ano passado. De lá para cá
compareci a todos os atos do inquérito policial para os quais fui intimado,
inclusive oferecendo material para exame grafotécnico.
As acusações vinculadas a minha pessoa pela mídia nego com
veemência, como tenho negado desde o início por não possuir qualquer fundamento
ou relacionamento com a realidade. Procurarei, assim, responder, na medida do
possível e a minha maneira, aos questionamentos em torno do assunto.
Ainda com relação a esta matéria, já fui submetido a pelo
menos dois interrogatórios perante a Polícia Federal, além de haver prestado
outros depoimentos recentes na Corregedoria de Polícia de Minas Gerais.
Hoje, convocado por esta Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito, compareço perante V. Exªs respeitosamente e ciente da minha condição
de investigado. Assim, e exatamente por isso, peço desculpas aos Srs. e Srªs
Deputadas e Senadoras se algum questionamento não puder ser respondido ou se a
resposta eventualmente oferecida não for plenamente satisfatória, rogando para
que V. Exªs tomem eventual impossibilidade de resposta ou sua aparente insuficiência
ao desconhecimento do assunto.
Finalmente, quero
dizer que faço votos sinceros de que os trabalhos desta CPMI sejam profícuos,
pois confio que a apuração dos fatos levará a conclusões adequadas e decisões
proporcionais e justas, neste foro parlamentar.
Obrigado.
Haroldo Bicalho e
Silva.
Seis de outubro de
2005.
O SR. PRESIDENTE (Amir Lando. PMDB – RO) – Com a palavra o Deputado Arnaldo
Faria de Sá.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Haroldo, porque o senhor foi buscar um salvo-conduto no Supremo Tribunal
Federal?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Por orientação dos
meus advogados.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – O senhor
tinha medo de alguma coisa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sei se tinha
medo. Orientação mesmo. Não sei o porquê.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – O senhor
está chegando aqui e está percebendo que não tem nenhuma esquadra armada para
lhe ouvir, quer dizer, a coisa está bem suave. A impressão que dá é que, se o
senhor foi buscar um salvo-conduto, é porque deve alguma coisa e está com medo
de que algo possa aumentar a sua incriminação.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não creio que
seja.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Por que
você foi preso na Operação Farol da Colina?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da minha parte foi
um equívoco.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você
nunca mexeu com dólar?
O Sr. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Estou
aqui com uma matéria da Folha de S. Paulo de 08/7/2005, da Fernanda
Krakovics, da sucursal de Brasília da Folha. Ela traz uma matéria sobre
a Fernanda Karina, que confirmou no depoimento à CPMI que o publicitário Marcos
Valério manteve contato com o doleiro preso pela Polícia Federal, na Operação
Farol da Colina, e nesse depoimento ela dá indicação de que você era o doleiro.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Nunca tive contato
com ela e nem com ele.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E com o
outro doleiro que também teve ligação com o Marcos Valério, o Jader Kalid?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Jader só conheço
socialmente de Belo Horizonte. Só.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nunca
teve nenhum negócio com ele?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não. Nos
conhecemos de motocicleta; ele anda de motocicleta e eu também; só alguns
encontros.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – O senhor
conhece Marcos Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, vim conhecer
por agora, sei quem é. Conheço muito o sócio dele.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual
sócio?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Cristiano Paz.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E qual a
sua ligação com o Cristiano Paz?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Cristiano é meu
amigo desde de 1982, quando comecei a mexer com motocicleta, e ele sempre foi
adepto; então, tivemos uma relação nos últimos vinte anos dentro desse
meio.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Pelo
menos admitir que você é amigo de um sócio de Marcos Valério você admite.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Admito, claro.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual é a
sua atividade profissional, comercial?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Atualmente tenho
uma indústria de couro; sou exportador de bolsa para Nova Iorque.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Desde
quando você tem essa indústria?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Desde 2001.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E antes
disso?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Antes disso eu
tinha uma concessionária Fiat, de 1996 a 1999; tive uma empresa de engenharia,
que foi de 1997 a 2001 e tive uma fazenda de leite – produzia um volume muito
grande – de 2000 a 2003.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Acho
que, às vezes, a Polícia Federal pode cometer algum exagero, ou a imprensa pode
cometer algum exagero, mas sempre tem um fundo de verdade. Esse fundo pode ser
ampliado, pode ser aumentado. Por que se imputou a sua pessoa a essa atividade
de doleiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A situação foi a
seguinte: comprei essa indústria de couro em 2001. O couro no Brasil é uma
coisa muito cara, custa R$60; R$70 o metro quadrado. Tive informação muito
segura de que no Sul – eu falo Argentina, Uruguai, Paraguai – o mercado de
couro era muito barato. Então, me indicaram para montar uma empresa no Uruguai
com o intuito de adquirir mercadoria no Uruguai. E tinha aquele papo de
Mercosul, eu acreditava que o Mercosul teria realmente algum volume de negócio.
Montei uma empresa chamada Ridox no Uruguai. Não sei porque razão os papéis
dessa empresa foram parar em Nova Iorque; e aí que fui surpreendido com essa
operação do Banestado.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Como era
o nome dessa empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ridox.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Quem era
o sócio dessa empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Sócio eu, mas tem
um amigo que é procurador, que assinaria por mim caso tivesse viajando.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E a sede
da empresa, onde era?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – No Uruguai.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – No
Uruguai?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – No Uruguai. Essa
empresa, inclusive, até consta do meu Imposto de Renda.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual foi
a sua idéia ao abrir essa empresa? É uma offshore?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A idéia era ampliar
negócios no Mercosul, fazer compras de couro e aumentar o volume de negócios no
mercado com o Mercosul, com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A sua
empresa exportava para os Estados Unidos?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Isso. Continua
exportando. É o meu principal negócio hoje.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nessa
exportação, você não tinha contratos de câmbio, facilidade de envolvimento com
dólar e, por causa desse mercado exportador, acabou tendo contato com algum
doleiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não. Toda a
minha exportação, desde que eu comprei essa indústria, desde que começamos a
exportar, é 100% oficial, 100%. Tudo pelo Bradesco, tudo certinho a vida
inteira. É uma indústria pequena, mas o mercado dela é o mercado de Nova
Iorque.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você
montou ou comprou essa indústria?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Essa indústria eu
comprei e foi quando incrementamos o mercado externo nela. Ela visava só ao
mercado interno e...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – No
primeiro momento, você disse que montou. Agora você disse que comprou. Qual é a
divergência?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Foi comprada. A
empresa já tinha 19 anos, estava em dificuldade. E foi comprada a empresa.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual o
tipo de dificuldade que essa empresa tinha quando você a comprou?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ela estava com
dificuldade financeira, estava quase para fechar as portas.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você
tinha capital suficiente para cobrir a dificuldade que ela tinha ou se socorreu
de alguém?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não. Tinha. Tinha o
capital suficiente. Não era um negócio grande, era um negócio promissor.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Grande
ou promissor, você lembra qual foi esse valor ou não?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da ordem de R$200
mil.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Hoje
qual é a situação dessa empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ela faturava, à
época, por volta de R$1 milhão e hoje fatura por volta de R$2 milhões, porque é
muito variado durante o ano. Tem meses de faturamento maior, faturamento
melhor, mas, este ano, deve fechar com R$2 milhões de faturamento.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nesse
inquérito da Polícia Federal, a informação que temos é que também ocorreu uma
denúncia sua por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Coincide essa
informação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – De que teve uma
denúncia?
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Foi
denunciado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Isso pode ser o
inquérito que está em andamento lá. É isso?
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Isso,
isso.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Esse inquérito está
em andamento. Eu estou respondendo e me defendendo, dizendo, provando que não
tenho nada com isso.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nunca
lavou dinheiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Claro que não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Nem fez
evasão de divisas?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Conhece
Duda Mendonça?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Conhece
Delúbio Soares?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Também não.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Além do
Cristiano Paz, quem mais o senhor conhece na SMP&B, DNA, Tolentino &
Melo, nas empresas? Do grupo Marcos Valério, o senhor conhece mais alguém?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da turma da
SMP&B eu conheço o Ramon, Ramon Cardoso, que é sócio do Cristiano, e
conheço a Adriana Fantini, que é secretária dele.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A sua
amizade é com o Cristiano Paz. Você conhece o Ramon Cardoso e não conhece
Marcos Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não. Eu já o vi
algumas vezes, porque tem um restaurante em Belo Horizonte chamado Monti Cielo,
que é na rua Sergipe, perto do escritório dele. Toda sexta-feira a turma de
motocicleta almoça lá. Então, constantemente a gente está almoçando em uma
mesa, e tem uma outra mesa em que almoçava... O Cristiano almoça com a gente e
com a turma da SMP&B. E muitas vezes eu vi o Marcos Valério lá, o Marcos
Valério, o Cristiano, o Ramon e outras pessoas. Mas não o conhecia assim, não.
Cansei de ver, mas não conhecia.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Depois
que se tomou conhecimento de todo esse rolo que explodiu em torno de Marcos
Valério, o Cristiano Paz, sendo um dos sócios dele e sendo seu amigo, qual a
sua avaliação de tudo isso?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Fiquei com uma pena
tremenda do Cristiano, porque ele é uma pessoa fantástica. Realmente, não dá
nem para entender essa confusão maluca.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A sua
pena é só do Cristiano, mas do Ramon e do Marcos Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Do Ramon, sim,
claro, mas eu não tenho muita ligação com o Ramon. Com o Cristiano, sim. E o
Cristiano é uma pessoa de um coração enorme.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Por que
o senhor acha que essas empresas do Cristiano e do Marcos Valério estão
envolvidas em todos esses problemas?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Cristiano a vida inteira foi publicitário
de renome e de sucesso. Pelo menos, bastante conhecido e bastante requisitado.
E nunca foi... Sempre foi um cara fantasticamente inteligente para o ramo
publicitário e extremamente incompetente para o lado administrativo-financeiro.
Não sei quando esse Marcos Valério entrou lá para a empresa dele, parece que em
1997, 1998, não sei quando, para assumir essa área administrativo-financeira. E
a notícia que eu tenho é de que Marcos Valério tinha influências com o Governo
desde essa época. E automaticamente a SMP&B foi canalizada para esse tipo
de coisa e o Cristiano – coitado! – foi envolvido nessa história toda. Partido
políticos, essas coisas, não sei.
O
SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Não quero duvidar da sua afirmação,
mas há várias menções e várias citações de que Haroldo Bicalho é doleiro. Você
acha que tantas pessoas iriam inventar essa informação?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desde que aconteceu esse episódio do Farol da
Colina venho carregado essa pecha, vamos dizer assim. Está dureza!
O
SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Você disponibilizaria o seu sigilo
bancário?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Claro, sem
problema; sem problema.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, acho que essa informação é relevante e devemos solicitar a
Secretaria que tome a termo essa disponibilidade do Sr. Haroldo Bicalho de
abrir mão do seu sigilo bancário, porque tenho várias informações de que ele é
doleiro e ele está afirmando textualmente que não é. A única ligação pela qual
ele supõe que esteja envolvido nesse problema todo é essa offshore que
ele abriu no Uruguai para adquirir couro e, sendo ele exportador para os
Estados Unidos, essa seria a razão pela qual ele está envolvido.
Gostaria
de passar a palavra a V. Exª para que talvez tenha um pouco mais de percussão
nessa procura, porque estou achando muito estranho. Tenho muitas informações de
que Haroldo Bicalho é doleiro e as informações que temos que andar atrás e as
várias informações que temos não estão batendo.
Agradeço,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Obrigado, Deputado Arnaldo
Faria de Sá.
Vou
na linha complementar do Deputado Arnaldo Faria de Sá em algumas questões, com
o objetivo de aprofundar. Primeiro, o seguinte: o senhor já foi sócio do Banco
Rural ou teve algum tipo de relação comercial com pessoas vinculadas ao Banco
Rural?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Banco Rural, não. Fui sócio, de 2001 a
2004, da RS Empreendimentos e RS Financeira, na qual até o Banco Rural é
majoritário, mas nunca teve a gestão – a gestão sempre foi do Grupo Seculus.
Tenho sociedade com o pessoal da Seculus desde 1989, razão pela qual fui
convidado para ser sócio dessa empresa; sempre tive menos do que 10%, mas nunca
participação gerencial nela.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso específico do Grupo
Seculus, qual a atividade principal do Grupo e qual a área de atuação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Grupo Seculus
atua em diversas áreas. A principal delas, durante os 45 anos de existência do
Grupo, foi o mercado joalheiro, no qual nem estão participando mais. Eles têm
uma grande indústria de relógio, compraram recentemente a Mondaine, a Séculos
Relógios, têm muita atividade no ramo imobiliário – loteamentos, condomínios –,
que é um ramo do Grupo, têm prédios em Belo Horizonte. Outra atividade grande
do Grupo é na área financeira, eles têm um banco que foi comprado há 2 anos,
chamado Banco Emblema, eles têm uma financeira chamada Seculus Financeira;
enfim, é um Grupo grande, antigo e tradicional. Fui sócio deles numa corretora
de commodities, na concessionária e na RS, na qual não participo mais.
São
tradicionalíssimos em Minas Gerais.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Insistindo ainda nessa questão
do Grupo Seculus, quer dizer, o senhor nunca teve participação de gestão, mas,
de qualquer maneira, tinha conhecimento de que o Grupo atuava no mercado
financeiro?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Sim, claro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sua primeira ligação com o
mercado financeiro se dá a partir daí?
O
SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Tive gestão e uma empresa junto com eles, de
89 a 96, que foi a Seculus Commodities Corretora Mercantil, que era até muito
forte no mercado de commodities.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento de
aplicações ou investimentos da RS Empreendimentos e Participações no Banco
Emblema, ligado ao Grupo Seculus?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Operações de
aplicações na RS no Banco Emblema? Não sei. É possível, são do mesmo Grupo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Apesar de ser do Grupo Seculus e ter participado
da sociedade da RS não tem conhecimento das aplicações no Banco Emblema?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É que recebemos aqui uma série
de aplicações, principalmente em títulos, da RS aplicando no Banco Emblema.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Aplicando no Banco
Emblema?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Aplicando no
Banco Emblema, compra de CDBs nesse mesmo período. O senhor desconhece isso?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Desconheço. Não
tenho gestão.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desconhece também que tipo de
aplicação faz o Banco Emblema no mercado, quais são as prioridades. Não sabe
também?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O Banco Emblema é um banco
pequenininho de Minas, era do Dr. Geraldo Lemos, foi comprado pela Seculus há
dois anos. Só conheço pessoas lá, mais nada.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor
sabe por que foi comprado o banco?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Com o intuito de a
Seculus aumentar a sua participação no mercado financeiro. Já tinha a Seculus
Financeira, que foi fundada, acho que em 2001, aí compraram o banco para poder
crescer realmente no mercado financeiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eles trabalham com o
mercado externo. O senhor tem notícia?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A Seculus importa
muito relógios. Se exporta, não sei. Acho que não. Exportar, exporta. Mas acho
que muito pouco. A importação é muito grande porque tem indústria em Manaus.
Então, importa muitos relógios. Outra coisa não. Que eu saiba, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem
conhecimento se eles usaram alguma vez ou o Banco Emblema ou o Banco Rural ou
alguma subsidiária no exterior para esse tipo de operação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sei. Eu nunca
tive gestão nessas empresas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso do Grupo
Seculus, para encerrar, sua participação lá era de 10%. Em que período foi?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Era de 9,8%. De
2001...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No Séculus?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não no Grupo
Seculus. V. Exª está falando na RS?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, no Grupo Seculus.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – No Grupo Seculus não. De
89 até o ano passado, mas foram algumas empresas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – De 89 até
2001?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Na Seculus
Commodities eu tinha 20%, depois tivemos uma concessionária Fiat, que era a
Seculus Veículos, em que eu tive 13,34%, 20% da nossa parte. Depois a RS, 9,8%.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação
a essas outras empresas ligadas a Seculus, o senhor participava da gestão?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Ligadas a Seculus,
não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E nessa concessionária Fiat?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Na concessionária, sim. Eu
era diretor administrativo e financeiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer,
era a única em que o senhor participava e tinha conhecimento das...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – A Seculus
Commodities eu era praticamente o gerente dela até 96. Depois eu comprei uma
concessionária e foi até 99, 2000. Depois não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso da Fiat, V.Sª era
diretor administrativo e financeiro?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Administrativo e
financeiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nesse caso, também cuidava das
aplicações e investimentos da empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Da concessionária,
no caso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Da concessionária. Ela tinha
relação comercial com o Banco Rural?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sei... A
concessionária tinha conta em alguns bancos. Talvez pudesse ter conta no Banco
Rural, mas não... No Banco Real, eu sei que tinha muito movimento na época. Era
em Betim, a concessionária era em Betim, perto da fábrica.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E no Banco Emblema?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, no Banco
Emblema, nessa época,não tinha nada.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Esse banco é um banco
comercial?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É um banco
comercial.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso da RS, Sr. Haroldo, o
senhor foi sócio, como explicava, de 2001 até...?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Até 2004.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nós pedimos à Junta Comercial
e, segundo consta nesse documento, o senhor se retirou em 22 de dezembro de
2004...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – De 2004.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Alteração
contratual. Porém, esse registro se deu em 8 de abril de 2005. Qual a razão
para essa distância?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Toda empresa que é uma SA,
se você faz uma alteração contratual ou qualquer coisa que é feita, até você
ter as atas para colocar em registro, é normal essa demora de tempo. Toda
alteração que se faz em estatuto, demora para ser registrada. Isso é normal.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nesse período, o senhor
detinha 9,8% de participação. É isso?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Isso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas tinha
conhecimento da área de atuação da área da RS, pelo menos?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece Enivaldo
Quadrado, sócio da Bônus-Banval?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não,nunca ouvi
falar.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual a relação comercial que a
Bônus-Banval mantinha com a RS Participações e Empreendimentos?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Relação de Bônus-Banval
com a RS?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Isso.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Que eu saiba, nenhuma.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desconhece?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Desconheço.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Segundo o apurado por esta Comissão, a RS recebia
valores dessa corretora. V.Sª teria como esclarecer isso?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Eu não tenho a mínima idéia.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor assinou os balanços da empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, balanços não. A única coisa que eu assino lá é
alteração. Mais nada.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nada mais?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Nada.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas tinha conhecimento, vamos dizer...Qual é a
área de atuação da RS Empreendimentos e Participações?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Consignação em folha de pagamento.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Fundamentalmente isso?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O negócio da RS é consignação em folha de pagamento.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ela trabalhava com corretoras?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Que eu saiba, não. Ela trabalha no Brasil inteiro, no
âmbito municipal, estadual e federal, de Porto Alegre a Manaus. A empresa tem
25 filiais e trabalha com consignação a vida inteira, desde 97.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor desconhece então, especificamente,
qualquer relação com corretoras e, em especial, com a Bônus-Banval?
O SR. HAROLDO
BICALHO E SILVA – Com certeza.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não conhece o Enivaldo Quadrado?
O SR. HAROLDO
BICALHO E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento se
são do mesmo Grupo, a RS – Administração e Construção Ltda.?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nunca ouvi
falar nessa empresa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vou insistir numa pergunta que
já foi feita pelo Deputado Arnaldo. V. Sª afirmou que não tinha relação com o
Marcos Valério Fernandes, que a sua relação era com o Cristiano de Melo Paz. O
David Rodrigues Alves, aquele policial de Minas, afirmou, em depoimento à
Polícia Federal, que sacava valores na conta da SMP&B no Banco Rural,
entregava os recursos para a Srª Geisa na agência da citada empresa de
publicidade. O senhor conhece o David Rodrigues Alves?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Conheço, ouvi todo
esse comentário pela imprensa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor tinha relação com
ele?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, eu o conheci
em 1998. Eu tinha uma empresa de engenharia, de 1997 a 2001. Quando eu tive
essa empresa de engenharia, no mesmo prédio, tinha um amigo meu que tinha uma
empresa lá e esse David trabalhava lá. Foi quando eu o conheci. Constantemente,
eu estava no escritório desse amigo meu e eu o via lá. Foi quando eu o conheci.
No fim de 2002, a gente estava fazendo trail, algum evento em que eu
estava com o Cristiano, ele tinha me consultado se eu conhecia alguém que
pudesse fazer transporte de valores e tal. E eu falei: “Tem um cara que
trabalhou com um amigo meu. Posso procurar saber sobre ele.”. Procurei saber se
se tratava de pessoa boa, de pessoa idônea, era um policial, indiquei, coloquei
os dois em contato, não me lembro se um com o outro ou se o outro com o um. Nem
sei se depois vieram a fazer algum negócio. Agora, fui surpreendido com essa
confusão e pensei: que rolo foi esse em que o David se meteu?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quando o senhor fala em
transporte de valores, o que era na época? O que seria esse transporte de
valores? Era, enfim, pegar dinheiro em espécie...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não sabia. Agora
que fiquei sabendo que era sacar dinheiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor sabia que
ele transportava valores, que o David...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nessa outra
empresa ele era segurança, motorista, era um faz tudo, era uma empresa
pequenina.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quando o Cristiano falou,
desculpe insistir nisso, é por causa
dos depoimentos na Polícia Federal, quando o senhor fala em transporte de
valores, por que indicar o David? Ele trabalhava numa empresa pequena, era
policial...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É porque ele me
perguntou se eu conhecia alguém para indicar, alguém que fosse de confiança. Aí
fiquei sabendo dessa pessoa, que era policial, e indiquei a ele. Agora, qual a
finalidade que ele queria na época eu não sabia, agora é que fiquei sabendo.
Duvido até que ele soubesse na época.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O David prestou algum serviço
ao senhor?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nunca.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Aqui vou insistir,
apesar do senhor já ter comentado. O que estamos investigando é a relação do
Marcos Valério. Há questões que, claro, relacionam-se em função das atuais
investigações em que o senhor está... Enfim, neste momento, está numa condição
de investigado junto à Polícia Federal. Só para insistir, o senhor responde a
algum processo por remessa ilegal de valores para o exterior?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Tem um inquérito na
Polícia Federal sobre esse assunto.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só inquérito, não há processo?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É um inquérito que
está na Polícia Federal, oriundo da operação do Banestado, a que estou
respondendo. O assunto é esse.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E, apesar de o senhor ter essa
relação com a RS Empreendimentos e com a Seculus, que trabalhavam também no
mercado financeiro, alguma vez o senhor trabalhou com casa de câmbio? Contratou
serviços de casa de câmbio?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não teve nenhuma relação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação a essa relação,
apesar de o senhor desconhecer a Bônus-Banval, o senhor tem alguma relação com
a Barcelona Tour? Conhece?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, ouvi falar
agora desse tal de Toninho.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E sua relação com o Cristiano
de Melo Paz era só uma relação pessoal ou tinha um caráter comercial também?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não. Era pessoal,
antiga. Na época, toda semana a gente saía junto de moto. Um cara fantástico.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, eu vou lhe perguntar,
só para constar. Primeiro: há um depósito, um valor recebido por V. Sª, por
parte do Cristiano de Melo Paz. O senhor se lembra disso? Tem conhecimento?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Um depósito dele?
De que valor?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dele, na sua conta. Um valor
antigo.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Em minha conta?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em sua conta, segundo a quebra
de sigilo dele. Estou lhe passando em função da quebra de sigilo nas contas
dele. É uma conta...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Dê-me a data e o
valor, para ver se eu tenho uma idéia.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A que eu tenho registro aqui é
de 15 de março de 2001, R$41.230,00.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Quinze de março de
2001?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – De 2001. Isso, de acordo com a
quebra de sigilo das contas bancárias do Cristiano.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Quarenta mil
reais, ele pagando para mim?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pagando para o senhor.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Pode ter sido
alguma motocicleta que eu vendi para ele, alguma coisa desse tipo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Um pagamento em cheque.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O Cristiano pagou
para mim?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tipo de documento: um cheque,
8058, conta final 0910.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Pode ter sido uma moto ou um quadriciclo.
Zero nove um zero é conta minha.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É um depósito nessa
conta. Por isso que eu estou lhe perguntando...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É a conta do Bank
Boston. Não é isso?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu não estou, eu não li, é
esse extrato aqui. É que não consta, só tem o número da conta e da operação.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Está errado aqui,
é 33671910. Troca esse número para três.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer que o senhor não
lembra.Ah! Está aqui o banco e o código.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Aqui é três, tá?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor não lembra o que
poderia ser essa operação aqui?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – (Fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tá. O senhor tem informação de
o Cristiano ter trabalhado com casa de câmbio, remessa de recursos para o
exterior?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Do Marcos Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, vi essa
confusão que eu vi pela mídia, que todo mundo ouviu.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor desconhece qualquer
operação que possa ter feito. Em algum momento eles procuraram a sua
consultoria em relação à aplicação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Investimento.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, eu nunca tive
relação comercial com eles.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E o senhor tem notícia de eles
terem procurado a RS Empreendimentos para algum tipo de operação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Até onde eu sei,
não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E com o Banco Emblema?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Também não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Se eles têm alguma relação com
o Banco Rural ou Emblema.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Como o Banco Rural
parece que sim, eles eram clientes há muitos anos, inclusive o Banco Rural é cliente
deles, não é? Quer dizer, era uma agência do Banco Rural. Eles tem uma relação com o Banco Rural boa
de clientes e dessa confusão aí não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece Geiza Dias?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Geiza é a que
apareceu aí ainda agora. Inclusive eu não conhecia a Geiza, estive com ela há
pouco tempo e a reconheci. Tem uma festa que a gente faz uma vez por ano em
Belo Horizonte, que é um jantar beneficente, e todo ano ela vai, porque a turma
SMP&B compra convite e ela vai. Aí eu a conhecia há pouco tempo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E a Simone Vasconcelos.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não, a
primeira vez que a vi foi aqui na CPMI.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vou lhe fazer algumas
perguntas aqui com relação às chamadas das quebras dos sigilos que tivemos. Por
exemplo, chamadas originadas por Adriana Fantini Martins ao senhor. Eu vi que o
senhor afirmou que...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Adriana eu conheço,
é a secretária do Cristiano.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É a secretária do Cristiano?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tá. Simone Fantine. Chamadas
para o Cristiano, evidente? Fim da sua relação com ele.
Chamadas da DNA
Propaganda.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Cristiano era
sócio lá, ele poderia estar lá e ter ligado para mim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Chamadas, o senhor disse que
não tem relação com Marcos Valério, não é?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E chamadas a partir do Marcos
Valério?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Dele para mim?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dele.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, pode o
Cristiano estar junto com ele e usou o telefone dele. Muitas ou não?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não. São quatro. E no telefone
do Marcos Valério. Chamadas da SMP&B Comunicação.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Pode ter sido, eu,
o Cristiano, Adriano.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eram só funcionários, quer
dizer, mas esse volume de ligações é só por natureza pessoal?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Sim, eu sempre
tive um relacionamento bom com ele, o Adriano.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Porque é uma coincidência o
que eu vou lhe perguntar. Justamente no período de saques e depósitos na conta
do Duda Mendonça, são com datas as ligações ao senhor. São 164 ligações. Por
isso eu estou lhe perguntando.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Cento e sessenta e
quatro?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, da SMP&B.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É a gente falava,
mas nem tanto.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pois é, o senhor registrava no
telefone, principalmente no ramal aqui, o principal, deve ser 9972-9977.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – O meu número.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É o seu número? Desculpe. Da
SMP&B: 9981-0581.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Telefone do
Cristiano, 9981-0581. É isso vai ter a vida inteira, desde antigamente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – 9954-7758.
O SR HAROLDO BICALHO
E SILVA Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É a que tem um número
expressivo. Depois 9954-8313.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – 9954-7758. Aquele mesmo.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Também não
conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – 9954-8207.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – 9954-8273.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Também não
conheço.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nós estamos investigando,
talvez sejam telefones, ramais de PABX.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – 9972 é meu.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, o senhor acha que é
mera coincidência também. Quer dizer, são as chamadas do Cristiano.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – 9972 é meu.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, não, nas chamadas sim,
desculpe, mas eu digo das... dos números que fizeram as chamadas, não que
receberam. Quer dizer, não...
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – 9981-5101 é o
telefone dele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, seria mera
coincidência então também. Não há nenhuma relação de ordem comercial, de
tratamento de remessa de recurso ou coisa parecida?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tá. Chamadas dessas pessoas
que receberam do senhor: Adriana, enfim, fica explicado; da SMP&B o senhor
ligava para o telefone do Cristiano?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Muito mais para
ele. Do meu para ele com certeza dele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –Telefone 3247-6622.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Esse telefone é da
SMP&B, não é?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, por isso que nós estamos
investigando também, eu estou lhe perguntando.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Eu acho que é da
Adriana.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Da dela. Um que vinha a
chamada para o senhor, mas tem ligações suas para 9954-7758.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não conheço esse
número.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – São chamadas, porque tem
várias chamadas desse número para o seu telefone. Têm chamadas do seu telefone
para o seu número.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – É deles lá?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por isso que eu estou lhe
perguntando, também não tenho essa relação.
E 9954-8313?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação ao Sr. Jader Kalid
Antônio, quer dizer, qual é a sua relação com ele?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Mais sei quem é do
que conheço. E há pouco tempo estive com ele. Teve um encontro de moto em
Tiradentes, foi a última vez que eu vi. Estive com ele lá, então, mas não tenho
relação com ele não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, nenhuma de ordem
profissional, comercial?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Um senhor chamado Joseph Baka?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Uma pessoa diz que é muito conhecida
em Belo Horizonte.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não conhece?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O Sr. João Bosco?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – João Bosco, o que
mais?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só esse nome. Também dizem que
é uma pessoa muito conhecida em Belo Horizonte e que trabalha com o Banco
Rural, com o Trade Link e IF Rural, Rural Internacional e Rural Europa.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – João Bosco?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor não tem
relação com ele também?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Tem que saber qual
João Bosco é.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Enfim, mas o senhor tem algum
João Bosco que o senhor conheça que tenha relação com esses bancos que eu lhe
falei?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Com o Rural, Trade
Link, etc? Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com o If Rural o senhor
conhece?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Rural Internacional?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E Rural Europa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Também não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com esses bancos também o
senhor jamais teve qualquer tipo de relação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, só com o
Rural.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, com o Banco Rural
em função da..?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Só de amizade
mesmo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com quem no Banco Rural?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Conhecia muito o
José Augusto que faleceu, a esposa dele é amiga da minha. Quem mais, aí é gente
de agência, não tem relacionamento assim não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desculpe, claro, é natureza
pessoal, e qual é a razão do senhor ter saído da RS Empreendimentos e
Participações?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Com essa vinculação
do meu nome com o Banestado, com CPMI, com essa confusão eu ter sido preso,
ficou uma situação chata para mim em relação a eles. Então, eu estava, de uma
forma ou de outra, envolvido numa confusão que eu caí de pára-quedas nela e
fiquei chateado e me senti assim na obrigação de sair. Eu estava achando que o
meu nome estava ferindo a imagem deles, embora eu não participasse de nada, não
tinha gestão, não tinha nada, mas ficava chato para mim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor já teve contato com
S. Silva Pereira, que foi Secretário-Geral do PT?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Esse das confusões
aqui?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Isso.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Delúbio Soares?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nunca.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nunca.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Porque aparece aqui na quebra
do sigilo telefônico dele quatro chamadas para o senhor, do Delúbio.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Delúbio para mim?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Para o senhor.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não senhor.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, por isso que eu estou lhe
perguntando.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Delúbio para mim?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No telefone 9972-9977.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, impossível.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em 23 de julho de 2002, 23 de
julho, todas quase no mesmo dia.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Delúbio?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por isso que eu estou lhe
perguntando, enfim.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nenhuma.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu tenho uma pergunta para
fazer para o Delúbio depois, porque estou me baseando na quebra do sigilo
telefônico do Delúbio Soares.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Entendi.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por isso que eu estou lhe
perguntando, porque é o mesmo Delúbio que está sendo objeto de investigação.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Imagina.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Depois eu até lhe passo, sem
problema.
Com relação até,
seria importante se o senhor puder me ajudar entender. O senhor trabalhou com
área de agência de viagem, compra de passagem aérea?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Constantemente
compro passagem aérea.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, para uso pessoal
das empresas?
O senhor trabalha com
uma agência chamada From Brazil?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, trabalho com a
Porto Velho Turismo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece a agência
From Brazil de Belo Horizonte?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não. From Brazil de
Belo Horizonte? Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O endereço é na rua Cristina,
bairro Siom, um bairro de Belo Horizonte.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não conhece?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não conhece, não tem a menor
relação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – From Brazil não.
Trabalho com a Porto
Velho Turismo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Porto Velho Turismo, essa
empresa trabalha com câmbio também?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, que eu saiba
não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, o senhor afirmou
para o Deputado Arnaldo Faria de Sá, eu lhe perguntei do mercado financeiro,
mas, enfim, em função desse procedimento da Polícia Federal, pelos dados da
Polícia Federal, por isso que eu insisto, quer dizer, consta lá na investigação
que o senhor trabalha com mercado de câmbio, trabalha com dólar. O senhor
afirma que não opera?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não opero.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem algum empregada
chamada Adriana e Januária?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Adriana e Januária?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Isso.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nenhuma.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Já tive uma
empregada chamada Adriana, mas a 15 anos atrás. Ela era secretária, não tinha
nada a ver.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, não confirma?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E nenhuma pessoa em momento
algum usou o seu nome para trabalhar no mercado de câmbio?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Que eu saiba não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não também.
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Usar o meu nome
claro que não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nem de suas empresas que o
senhor tivesse participação?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E com relação a Zilmar
Fernandes, que é sócia do Duda Mendonça, quer dizer, o senhor também não tem
nenhuma relação com eles?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Nenhuma.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E já ouviu falar nessa conta
Dusseldorf?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Agora pela
imprensa, noticiado um mês, sei lá, ou dois, para cá.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A sua relação com Alberto
Youssef? Conhece?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nenhuma.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desconhece?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Desconheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Já ouviu falar, sabe de Japa?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Por mídia, há anos,
fala-se nele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E de uma pessoa ligada a ele
também chamada José Humberto?
O SR. HAROLDO BICALHO
E SILVA – Não, nenhuma.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet.
PSDB – PR) – E não tem notícia, quer dizer, dessas pessoas da relação da RS
Empreendimentos ou do Grupo Seculus ou do Banco Emblema, que, em algum momento,
tenham sido investigados com lavagem de dinheiro?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, com certeza não.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
E nesse período estavam na RS Empreendimento e Participações, quer dizer, o
senhor tem registro de alguma ação, alguma representação por parte do Banco
Central?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, em relação à empresa
lá? Não. Talvez uma fiscalização de rotina, o que é normal, mas que eu saiba
não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dessa
empresa do Uruguai, só para anotar o nome, é Riddox.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Riddox.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual é o nome do procurador dessa empresa?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Quem assinava junto
comigo?
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
Isso.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Eu e Paulo Roberto Grapiúna Lima.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
Grapiúna?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Paulo Roberto Grapiúna Lima.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
O Grapiúna é daqui?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – É de Belo Horizonte.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E quem era o procurador lá no Uruguai?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, lá não tinha procurador.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quem foi o cara que fez a conta?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – O senhor falou que tinha um procurador. Procurador seria o Paulo, é
o Victor Reynoso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet.
PSDB – PR) – Victor...
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Victor Reynoso, que é o cara que montou a empresa para mim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet.
PSDB – PR) – O senhor sabe se
tem alguma relação com a Liguer, uma empresa no Uruguai? Liguer S. A.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Liguer? Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet . PSDB – PR) – Esfort
Trading?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
Atenas Trading?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Bye-Bye
Brasil Trading?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não. Todas essas são do
Uruguai?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – São. E o
senhor teve alguma operação ou tem conhecimento da RS ter trabalhado com uma
instituição financeira no Uruguai chamada Externa IF Rural S. A.?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – A RS? Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Do Banco
Rural, o senhor não tem conhecimento nenhum, até porque o senhor não tinha
participação. A RS tem participação no Banco Rural, não?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – É uma empresa do banco, não sei qual, se é o banco, se é
a seguradora do banco, alguma empresa do banco é detentora de 51% da RS. Não
sei qual empresa do banco.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor não lembra também?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Ou é a seguradora ou o Banco Rural, não sei qual que é
sócia da RS.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vou lhe
perguntar... Por fim, só para... Em
algum momento, o senhor se apresentou como consultor financeiro?
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Não, nunca.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E com o Ramon Hollerbach, o outro sócio do
Marcos Valério, o senhor tem alguma relação ou só de natureza...
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Social e bem pequena. A
minha esposa conhece a esposa dele, que é a Lica, e só.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Está
certo. Fundamentalmente é isso. Dessas empresas já lhe perguntei. Depois passo
esses telefones do Delúbio, se o senhor puder fazer a gentileza de verificar.
Enfim, se o senhor puder nos passar alguma informação. Da nossa parte, são
esses os questionamentos. Agradeço. E daí vamos passar para a segunda etapa do
depoimento. Agradeço também ao Dr. Luís, pai e filho, pela presença.
O SR. HAROLDO BICALHO E SILVA – Sr. Presidente, gostaria de requerer a V. Exª uma
cópia da decisão do Supremo, do...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Do salvo-conduto? De qualquer maneira, como foi
dirigido ao Presidente da CPMI, consulto e depois posteriormente encaminhamos.
Está bem?
Está encerrado e, na seqüência, vamos ouvir o Sr. Jader.
(Suspende-se a reunião.)
(Reabre-se a reunião.)
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Declaro
reabertos os trabalhos para a oitiva do Sr. Jader Kalid Antonio, que se
encontra acompanhado do seu advogado Dr. Ronaldo Garcia Dias.
Inicialmente, Sr. Jader, consulto se o senhor gostaria de
fazer algum esclarecimento sobre as suas atividades pessoais ou apresentar um
perfil sobre o seu trabalho. Por favor.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Sou
consultor-financeiro, sempre fui do mercado financeiro em Belo Horizonte,
trabalhei em bancos, corretoras, trabalhei em mesa de ações, no mercado de open marketing,
mesa de bolsa e de carteira de open também, na época. Depois montei uma factoring
e, nos últimos quatro anos, montei uma consultoria financeira.
Então, é basicamente
isso. Conheço bastante o mercado financeiro porque, desde o meu primeiro
emprego, atuei nesse mercado. Então, sempre tive muita habilidade para mexer
principalmente no mercado de ativos financeiros. Sempre dei boas consultorias,
então, consegui até fazer uma carteira boa de clientes pelo bom resultado do
meu trabalho. Então, é basicamente isso o meu serviço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Antes de senhor prosseguir –
acabei invertendo –, eu pediria, Sr. Jader, que assinasse o termo de
compromisso, por favor. (Pausa.)
Então, quer dizer, a
atividade de V. Sª é como consultor financeiro. Desculpe-me a objetividade de perguntar isso: o senhor se
considera doleiro ou já trabalhou com remessa de recursos para o exterior?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Pois é,
foi divulgado aí na imprensa que eu seria doleiro. Eu não tenho atividade de
doleiro. Eu recebo consultas de várias formas de investimento. Mexo com gente
que mexe com dinheiro, geralmente empresários, a grande maioria empresários e
pessoas físicas. Agora, não posso ser taxado como doleiro porque eu não tenho
aquele serviço de leva e traz de dinheiro, fácil câmbio. O mercado todo mundo
sabe que é lotado de... todo lugar tem doleiro. Então, existe uma procura. Acho
que pouca gente no Brasil nunca entrou numa casa de câmbio, porque existe esse
mercado paralelo. Até o Banco Central divulga! Dizem que o Banco Central tem
até dealer no mercado de câmbio no Rio e em São Paulo.
E o mercado
financeiro de Belo Horizonte é muito pequeno, é muito restrito, porque Belo
Horizonte é uma cidade que... ela funciona basicamente... é uma cidade de quase
três milhões de pessoas, mas funciona com 250 mil pessoas. Então, é uma cidade
que tem pouca gente de fora, então, acaba todo mundo se conhecendo. E aí a
gente vai fazendo nome. O nome em Belo Horizonte é muito importante. A tradição
do nome, a tradição da família é importante lá em Belo Horizonte. Então, por
conseqüência, a gente recebe muita consulta.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem alguma empresa...
que o senhor faça... que o senhor trabalha, a sua atividade?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Tenho a Panorama
Consultoria Financeira. Montei essa empresa, é uma empresa pequena, com três
funcionários, mas em julho eu saí de férias – sempre saio na segunda quinzena
de julho. Aí quando voltei, o Marcos Valério soltou meu nome na imprensa. Aí eu
virei igual um leproso, ninguém queria me ligar mais, entende? Ninguém queria
me ligar achando que eu estava com o telefone grampeado, porque Belo Horizonte
é pequena, como te falei. Todo mundo achou que... Lá em Belo Horizonte, sai seu
nome no jornal, se é para coisa ruim, todo mundo te isola. Eu era requisitado,
assim, para tudo quanto é evento social, e nem para velório eu estava sendo
chamado nesses últimos três meses. Até o pai de um amigo meu morreu, tem uns
dois meses, e fiquei sabendo agora. Ele nem me chamou.
Então, eles montaram
essa operação de... o Marcos Valério falando que tinha me passado um
determinado valor, que não procede. Fiz um estudo mais ou menos sobre isso, e
essa conta não fecha de jeito nenhum. E eu já fiz estudo sobre esse mercado de
câmbio, já estudei muito esse mercado de câmbio porque... Acho que é até um
fato novo, que pouca gente divulga isso, sabe? Depois do Plano Collor, os
títulos ao portador sumiram, acabaram os títulos ao portador e os cheques ao
portador. E o País sempre funcionou com uma compensação paralela muito grande.
Ou seja, antes disso... Um exemplo, vou dar um exemplo prático, que eu já vi no
mercado, que é comum e todo mundo já viu. Quem falar que não viu está mentindo,
porque... Por exemplo, antes você vendia um imóvel – a gente está no mercado
financeiro e percebe isso muito fácil –, você vendia um imóvel de, um exemplo,
R$500 mil. Você pagava 250 por dentro e 250 por fora. Aí quem vendia, quem
vendia recebia e ligava para o gerente lá no banco, por exemplo, e falava:
aplica 250 mil ao portador, 250 mil nominal. Então, o dinheiro ficava ali no
banco. Uma parte declarada e outra não declarada.
Depois do Governo
Collor começou a haver muitos saques do banco e o pessoal que tinha o dinheiro
não declarado ia para ativos reais e ativos financeiros não declarados, ou
seja, ia para... comprava ouro, dólar, papel moeda e comprava bens ou começava
a reinvestir no mercado. A partir daí, houve um movimento muito grande, mas
muito intenso, muito intenso mesmo, que foi... todos os grandes... começaram
com os grandes bancos. Os grandes bancos imediatamente... Porque o banqueiro
vive de quê? Ele compra e vende dinheiro o tempo todo. Todos os bancos montaram
a divisão internacional. Por quê? Aí os gerentes começaram a investir, a
visitar os clientes que tinham o dinheiro não declarado e faziam a proposta de
abrir uma conta lá fora, mantendo o dinheiro na própria instituição, só que na
divisão internacional. Era a área private do banco, justamente para não
deixar o dinheiro sair dela, da instituição. Aí desencadeou todos os grandes e
médios bancos abriram área internacional. Depois até os pequenos bancos também.
Esse movimento não é
muito visível, mas eu percebi muito. Foi um movimento muito forte. O que
aconteceu? Aí mudou o perfil de quem tem conta lá fora. Antes quem tinha conta
lá fora eram os grandes, os grandes investidores, os grandes caixas dois. Aí
mudou o perfil para classe média alta, teve a oportunidade de abrir contas no
exterior a partir de US$50 mil. Esse é um movimento que foi muito intenso e
ficou em off porque fazia... Isso é uma rotina no mercado financeiro,
esse movimento de... Porque o banco arrumou uma forma... Aí, na época, o dólar
era um por um, houve uma valorização muito forte e atraiu muito esse tipo de
investidor. Então, as carteiras na área internacional cresceram muito, mas não
declaradas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, não declaradas para
a Receita e para o Banco Central?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Como já não era
quando era título ao portador em real. Só houve uma conversão para dólar,
mantendo investimento... E isso era muito lucrativo para os bancos, sabe por
quê? Porque os bancos remuneram conforme o valor que você investe nele. Então,
você investe pouco, o banco te remunera menos. Ou seja, ele tem um spread maior,
formando uma carteira grande de pequenos clientes. É lógico que aumenta a
rentabilidade do banco muito.
Então, esse mercado é
muito concorrido. Esse mercado que trabalha em off não é muito visível,
mas é muito concorrido e é muito grande. Ou seja, o perfil de clientes de médio
porte de contas no exterior é muito maior do que a gente imagina. Mas era a
alternativa.
Por isso que eu acho
que o senhor, como Deputado... acho que vocês têm que estudar muito aquele
plano de anistia, porque existe uma conotação de que quem tem dinheiro lá fora
está envolvido com dinheiro sujo. E lá fora não existe essa conotação. Dinheiro
sujo é dinheiro de tráfico de drogas, de tráfico de armas e, depois do 11 de
Setembro, de terrorismo e de... Hoje está muito em... está muito visado o
dinheiro de desvio público. Que não era também antes, porque na Suíça eles
aceitavam muito... qualquer tipo de dinheiro. Mas ficou muito visado esse tipo
de dinheiro.
Lá nos Estados Unidos,
depois do 11 de Setembro, para você ter uma idéia, nos Estados Unidos existe
caixa dois, muito caixa dois também, só que não existe conta laranja, não
existe conta fantasma. O caixa dois, nos Estados Unidos, só para exemplificar,
o caixa dois, nos Estados Unidos, ele girava na mala, papel moeda na mala.
Depois do 11 de Setembro... Antes do 11 de Setembro, o cara, o empresário que
tinha caixa dois fretava um avião, ia para a Suíça e depositava em dinheiro na
Suíça. E tinha uma fila de banqueiros esperando ele. Ele só avisava lá, falava:
estou chegando aí. Tinha uma fila de banqueiros – isso no mercado americano –
esperando ele para depositar milhões de dólares. Depois do 11 de Setembro, não
levanta nem uma pipa sem ser fiscalizada, nem uma asa delta levanta sem ser
fiscalizada nos Estados Unidos. Aí o caixa dois lá ficou lá dentro, e houve um
tipo de anistia. Nos Estados Unidos houve um tipo de anistia de dinheiro, em
espécie, para ficar lá dentro. Quer dizer, foi uma medida inteligente.
É por isto que, assim,
só para concretizar... só para definir melhor, eu acho que a gente tem que
estudar essa hipótese de uma anistia do dinheiro não declarado, se o cidadão
aqui comprovar que ele é um cidadão de bem.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vamos lá. Apesar da
consultoria, vamos voltar ao nosso fato concreto aqui.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Mas é basicamente
isto, é uma parte do mercado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Entendi, mas, até em função
disto, como é que o senhor operava, por exemplo, no caso de Minas Gerais? Fique
à vontade, não há problema, mas há algumas questões fundamentais que teremos
que passar.
É até interessante,
por essa observação... No caso lá de Belo Horizonte, o senhor disse que o
mercado era pequeno, praticamente todos se conhecem ou sabem da existência –
não significando que tenham relação. Como era feita essa operação? O senhor
utilizava os bancos mineiros, por exemplo, para esse tipo de operação no
exterior? Abria-se uma conta usando uma agência no Brasil...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Não se
abria. Isso aí partia do gerente do private bank, o gerente da área
internacional, a partir da qualidade de cliente que tinha o dinheiro não
declarado e tinha... estava sacando e estava na iminência de sacar, ele oferecia
esse tipo de abertura de conta. Mas, assim, foi um produto... Eu acho que quem
iniciou, inclusive, quem iniciou isso e foi muito ativo nesse mercado foi o
Boston. O Boston foi muito ativo nesse mercado porque ele fez um marketing
muito bonito no Brasil, na época, como um grande banco – e, na época, nem era
um grande banco no mercado americano –, e ele desenvolveu esse produto.
Aliado a isso, na
época, houve também muita corrida de bancos. Existia muita boataria, existia um
risco sistêmico de vários bancos quebrando no mercado financeiro. Aí houve essa
atração também para os grandes bancos, tanto na área internacional quanto na
área nacional.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, mas, por exemplo, como
Consultor, o senhor recomendava isso aos seus clientes?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Isso não
partia de mim, não. Eu não tinha nem interesse em recomendar porque não havia
remuneração para mim. Isso partia dos gerentes da área internacional,
investindo direto. Agora, a logística para isso partia também dos bancos.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E, no caso de Minas, no caso
específico, por exemplo: o Banco Rural fazia esse tipo de operação também?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. No Rural
eu não sei. No Rural eu não tenho conhecimento, não. Os grandes bancos, sim,
com certeza, mas isso não existe determinado banco. Todo banco que tenha
divisão internacional pratica esse tipo de... tem esse tipo de produto.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor sabe que o Banco Rural
tem um banco... o Banco Rural Europa tem uma relação comercial com bancos
estrangeiros?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Tem, porque o Banco
Rural está na faixa de banco médio. Então, partiram dos grandes bancos, depois
os médios e alguns pequenos também.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, o Banco Rural,
então, também trabalha com esse tipo de operação?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É bem provável que
trabalhe.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu perguntei isso, enfim, já
que o mercado é pequeno em Belo Horizonte e há esse relacionamento, eu pergunto
se isso seria um nicho a ser explorado pelos bancos?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, mas aí é que
está... Esse tipo de... O critério para escolher um tipo de investimento desse
é o critério de segurança, a princípio, primeiro ponto. Depois, remuneração;
primeiro, segurança. Você analisa a segurança pelo porte do banco, pelo reach
deles, pelo risco menor que o banco te dá, porque esse é um perfil de
investimento a longo prazo, não é um perfil de... Esses bancos, inclusive, não
abrem contas para movimentar, a pessoa movimentar, trazer e mandar dólares,
não; eles abrem para investimento mesmo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas esse tipo de operação é comum?
Se precisar fazer uma compensação,
vamos dizer, libera-se, transfere-se o crédito que está lá fora e libera o
recurso aqui no Brasil, é isso?
O SR. JADER
KALID ANTÔNIO – É... aí tem que ser
através de doleiro, no caso. Na realidade, tem alguns bancos que faziam o papel
de doleiro. Isso, na realidade, é um papel de doleiro. Ele praticava, tirava o
real, convertia e fazia uma remessa. Às vezes, o próprio banco tem um cliente
do próprio banco que quer, precisa trazer US$50 mil – um exemplo – e o outro está
lá dentro querendo mandar. Ele faz o cruzamento interno.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por exemplo, o Marcos Valério
faz isso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não... Eu queria
deixar claro que eu não conheço o Marcos Valério.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu já vou perguntar... Foi por
isso que perguntei, enfim, mas já vou chegar lá. O Marcos Valério, o senhor não
sabe se ele faz isso, mas o Banco Rural faz esse tipo de operação? O senhor tem
conhecimento?
O SR. JADER KALID ANTÔNIO
– É bem provável que faça, porque
está na linha de... Porque, se ele tem área internacional, ele deve praticar
esse tipo de operação.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem notícia de algum
cliente seu, alguma pessoa que lhe consultou que tenha feito esse tipo de
operação?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Essa
linha de clientes não era a minha especialidade, não, porque eu também não era
remunerado por isso, sabe?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, por que o Marcos Valério
cita a sua empresa, a Panorama?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, ele citou a
minha empresa e ele citou a minha empresa como... Essa montagem que o Marcos
Valério fez, ela não fecha em hipótese alguma. Primeiro: ele jogou um valor –
parece-me que é de aproximadamente de 10 milhões – que eu teria recebido como
consultor financeiro a pedido do publicitário Duda Mendonça, que eu não conheço
e não... não tem jeito de... eu não tinha o menor contado com ele, nem com a
sócia dele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só para lembrar, o Marcos
Valério, de forma taxativa, afirmou que ele foi indicado pelo Duda Mendonça e
pela Zimar Fernandes de Souza, com o objetivo de operacionalizar o pagamento no
exterior das dívidas de publicidade do PT com as empresas de Duda Mendonça. Ele
foi taxativo nisso.
O SR. JADER KALID ANTÔNIO – É... mas eu acho que o Marcos Valério está com uma coleção de
notícia falsa, então, eu nem considerei isso, não. Ele está com uma coleção
grande, muito grande. Eu nunca tive um contato pessoal com o Marcos Valério. O
Marcos Valério para mim era uma sombra lá em Belo Horizonte, para maioria das
pessoas. Ele não ficava muito... A gente ia em eventos sociais e... nunca tive
um contato com ele, pessoal, nem no meu escritório, nem na empresa dele e nem
em eventos sociais.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nunca o
senhor falou com ele ou com sócio dele?
O SR. JADER KALID ANTÔNIO – Não, com o sócio já. Com o
Ramon e com o Cristiano.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E qual o
tipo de trabalho que o senhor tinha com os sócios?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O Cristiano, ele
estava num período... Assim, eu não tenho datas precisas, mas entre... no ano
de 2000, mais ou menos, dois mil e pouco, ele estava muito endividado no
mercado. E eu fiz... Eu tinha uma factoring, ele me consultou, eu fiz
uma consultoria para ele, indicando algumas factorings e algum... Eu fiz
um levantamento dos bens dele, como ele poderia saldar aquelas dívidas. Ele
estava muito endividado por quê? Porque ele era um gastador nato, ele sempre...
era aquele perfil de empresário que gastava antes de receber.
E o Ramon é uma
pessoa também mais ponderada, ele nunca esteve endividado, mas sempre teve
contatos comigo...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas com o
Marcos Valério o senhor teve contato pessoal ou não?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – De forma alguma.
Nem com o Marcos Valério, de jeito nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nenhum
encontro junto com o Cristiano ou com o Ramon?
O SR. JADER KALID ANTÔNIO – Não, nenhum encontro, com o
Cristiano nem com o Ramon.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, por
que ele ia criar essa história? Qual a intenção dele em colocá-lo nesse
circuito?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu tenho uma
suposição para isso que é a seguinte: na realidade, houve uma consultoria
quando... Eu tenho duas hipóteses pra
isso: o Marcos Valério... o Ramon me consultou uma operação de R$2 milhões, na
época, sendo para o mercado... para o mercado exterior, para fazer uma
transferência internacional. Eu achei o valor muito alto e sugeri para ele
fazer em torno de R$500 mil, dentro dessa linha, porque eu tinha conhecimento
de que alguns bancos poderiam sugerir pra ele algum tipo de... algum cliente querendo
trazer, e ele mandaria. Porque, na época, os grandes doleiros do País estavam
sendo fiscalizados. Então, eu falei: é muito risco você entrar no mercado de
dólar, de doleiro, porque está havendo uma fiscalização. Eu não me recordo se
já tinha ocorrido a Operação Farol da Colina, se foi antes ou depois. Realmente
eu não me recordo. Mas já existia a CPMI do Banestado, que estava fiscalizando
os grandes doleiros. Aí, na época, eu sugeri a ele evitar contatos com
doleiros.
Agora, existe... eu
suponho que essa operação de dez milhões que ele tinha que pagar para o Duda
ele estaria... ele já teria feito referente a oito milhões e faltariam dois
milhões para remeter. Ele estaria com alguma dificuldade. Ou ele estaria
querendo... Na realidade, pelo que eu vi pela imprensa, aquela operação que foi
feita para o Duda foi uma simples operação de doleiro. Ele foi trocando no
mercado e mandando pra ele, pelo que eu vi na imprensa, que está bem picado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pois é. Então, por que a Zilmar
afirma que o senhor é que era o contato para pegar os recursos?
O SR. JADER KALID ANTÔNIO – Não, não. Ela não afirmou
isso, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desculpe.
Para fazer a... Era o Davi, e para fazer o repasse dos recursos?
O SR. JADER KALID ANTÔNIO – Pois é... Por isso é que não
fecha, porque o policial Davi, eu nunca tive nem o menor contato com ele, nem
por telefone, nem pessoalmente, então ele jogou... A minha hipótese é que ele
estaria acobertando alguém... Porque nesse mercado é o seguinte: se ele tem
operação internacional, se eu conhecesse a operação internacional dele, ele
nunca falaria meu nome, porque ele tem que blindar a operação dele, ele tem que
proteger a operação dele. Isso é uma prática normal. Se eu conhecesse a
operação dele, ele não falaria meu nome em hipótese alguma, ele ia montar outro
tipo de... ele ia fazer outro tipo de montagem para tirar meu nome do... não
aparecer meu nome, em hipótese alguma. Ele estaria na minha mão, assim... se eu
fosse intermediador de negócios.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, mas eu
insisto. Por que aparece seu nome, então? Tanto através da conexão do Davi
quanto pelo Marcos Valério? Qual a razão? O senhor entrou com alguma
interpelação? Está representando ele ou não?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Eu
suponho que seja isso, ele estaria acobertando alguém...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quem? O
Haroldo Bicalho?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não sei. Eu
não sei. Alguém que operou a conta dele. Porque, com certeza, ele tem operações
internacionais. Agora, quem seria a chave para desvendar isso seria algum
doleiro que tinha, que teria contato com ele, pessoalmente, alguém que fez
remessa para ele, porque...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece alguém, já
que o mercado é pequeno, todos se conhecem em Belo Horizonte?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O mercado é
pequeno, o mercado é pequeno.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pois então, o senhor tem alguma
suspeita, tem algum nome?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não. Em Belo
Horizonte, existiam dois grandes doleiros, e o resto era pequeno.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quais eram os dois?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Os dois que
foram... que estavam na lista da Operação Farol da Colina mesmo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É que eu não estou com os
nomes aqui, Sr. Jader. O senhor lembra os nomes?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, como eram os
nomes dos... Quer dizer, os nomes a gente sabe, mas eu acho...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não tem problema. Aí é
difícil...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Acho que é ruim a
gente falar nomes, mas porque está na imprensa os nomes.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pois é, mas é por isso que
estou pedindo a contribuição do senhor. Eu não estou com os dados aqui, e é
importante constar. Quer dizer, é da maior importância, porque o senhor afirma
que o mercado é pequeno. Essa é a colaboração...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O mercado lá é
muito pequeno, muito pequeno.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não vejo problema nenhum.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Belo Horizonte não
tem giro. Hoje o mercado é concentrado, 70% nesse mercado, em São Paulo, 20% no
Rio e o resto pulverizado no Brasil.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas voltando: quais seriam os
dois nomes então? Farol da Colina. Até porque, se já foi publicado, não há
problema de ordem criminal nenhum para o senhor também.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, pela imprensa,
é... A gente não pode ser leviano, mas se trata de falar nomes. Eu não gostaria
de falar nomes, mas foi publicado em toda a imprensa os grandes doleiros do
País.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quais são? O senhor lembra
de ter lido na imprensa, então, pelo menos? Quais são os nomes?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu não lembro o
nome da empresa do... Como é que chama a empresa do Haroldo?
O SR. (Orador não
identificado) – O nome dela eu não
sei, com a qual ele operava eu não sei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quais são os nomes que o
senhor lembra? Algum indício? Alguma inicial? Alguma referência? Isso é da
maior importância também, quer dizer, o senhor que é do mercado, conhece o
mercado pequeno em Belo Horizonte...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Mas é muito chato
falar nome, porque...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor não está emitindo
juízo, é um fato. É isso. É um fato. É essa informação. Eu lhe asseguro: não há
intenção nenhuma de nenhum procedimento de natureza criminal com o senhor em
função disso. De forma alguma. É um fato. Quer dizer, o senhor é do mercado,
conhece, por isso que a gente gostaria que o senhor declinasse, porque nos
ajuda na investigação.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Na realidade, eu
não sei se eles eram os operadores dele, mas os dois maiores estavam na
Operação Farol da Colina.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quais são?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, era... Quem foi
preso no Farol da Colina, na Operação Farol da Colina, foi o Haroldo e o outro
– eu não recordo o nome –, e o outro é o Camilo com o... Mas eu não sei se
também... Eles estavam vendo. Isso não é fato... Isso é um fato público. Não
sou eu que estou...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, mas, de qualquer maneira,
o senhor fala, quer dizer, o mercado era concentrado em dois grandes doleiros
em Belo Horizonte. É isso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, basicamente
sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quem são os dois? O Haroldo e
o Camilo.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O Haroldo é o Haroldo Bicalho.
E o Camilo, o senhor tem o sobrenome dele?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O Haroldo é do
Grupo Seculus, não é? O Haroldo Bicalho. E o Camilo, eu não sei o sobrenome
dele, não. Eu não tinha nenhum tipo de relação com ele, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Antes de avançar... Quer
dizer, no caso do Grupo Seculus, esse grupo trabalha também com remessa de
recurso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Esse
grupo é um grupo do mercado de jóias lá. É um grupo muito forte lá.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Certo. E o senhor tinha
conhecimento de que o Haroldo Bicalho trabalhava com uma empresa chamada RS
Participações?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. De jeito
nenhum. Eu não tinha o menor relacionamento com... Só de eventos sociais, que a
gente encontrava, mas a gente não tinha muito relacionamento, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor sabe como é que
era o esquema de funcionamento do Haroldo?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, o senhor como
participante do mercado. Como é que ele atuava, ou seja, as conexões dele?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. De jeito
nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com que bancos que ele atuava?
Como é que ele fazia a operação?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não tenho a
menor informação. Eu fiquei sabendo pela imprensa que tinha essa... A Bacon
Hill, que era uma offshore com subdivisões. Eu não entendo exatamente...
Eu não entendo muito dessa operação, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor nunca trabalhou
também com a Beacon Hill?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. De jeito
nenhum. Deus me livre!
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Certo. E a ...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Trabalhado com a
Bacon Hill... Senão eu estava na operação do Banestado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E desculpe-me até perguntar,
Sr. Jader – é de ordem pessoal; se o senhor não quiser, o senhor não responde
–, mas o senhor tem algum receito do Haroldo ou desse Camilo?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Eu não
tenho receio nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – De ordem pessoal?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu não tenho
esquema, eu não tenho esquema internacional, nem de doleiro. Eu não tenho nada.
Eu tenho... O que tenho basicamente é minha carteira de... meu nome.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, eu não estou afirmando
que o senhor tem esquema, nem estou investigando isso.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, eu sei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor demonstra
conhecer o mercado, conhecer as pessoas.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, como consultor.
Então, eu não estou pedindo para o senhor emitir juízo de quem está agindo
certo ou errado.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O meu carro-chefe
de negócios é: eu faço planos de aposentadorias e seguros para grandes empresas
também. Eu faço seguro consignado, que é um sócio... Essa é uma operação muito
interessante porque um sócio faz seguro... os dois sócios fazem seguro e a
empresa paga a apólice deles pelo valor da empresa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor trabalha com
aposentadoria, seguro e trabalhou com factoring?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É. Eu tenho o site
www.panoramaconsultoria.com, que fala só sobre investimentos e mercado de
capitais.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E o senhor prestou alguma
assessoria para a SMP&B ou para a DNA?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Eu
atendi o Ramon...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nas empresas, nunca? Nunca
trabalhou para as empresas?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, nunca
trabalhei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor trabalhou para o
Ramon?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É. Para o Ramon,
como consultor. Fiz uma consultoria para ele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Do que foi a consultoria?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – A primeira
consultoria era sobre... Ele estava endividado e, de repente, eles ficaram...
mudaram de posição. Em vez de endividado, ficaram... Em vez de tomador, eles
viraram doador, pelo que eu senti.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, o senhor prestou
consultoria, mas, assim, qual o detalhe? O senhor não lembra, como consultor?
Quer dizer, como ele mudaram assim de devedor para...?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Eu não
acompanhei. Eu não tinha relacionamento de acompanhar. Eles não eram meus
clientes cativos, não. Havia consulta. Eu recebia consultas de Belo Horizonte
toda. Meu nome era muito forte até sair meu nome na imprensa. De repente, meu
celular ficou até com teia de aranha, nem ligava. Meu celular tem... Eu recebi
um prêmio da Telemig Celular. Está entre os mais antigos de Belo Horizonte,
porque eu sou cliente e nunca mudei de celular. Nunca tive empresa em nome de
laranja. Sempre foi tudo em meu nome, meu celular, minha empresa...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, com o Ramon, como foi
esse tipo de consultoria? O que ele queria saber?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O Ramon me
consultou sobre essa operação de R$2 milhões, que seria para uma conta no
exterior. Eu sugeri a ele não se envolver com grandes doleiros porque eles
estariam sendo fiscalizados. Eu montei uma logística para ele fazer, a partir
de R$500 mil, a conversão para... olhando a área internacional de alguns bancos
com que ele teria relacionamento.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quais eram esses bancos?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Na época, ele me
falou que ele tinha relação com o BankBoston.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Como foi feita essa operação?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Aí eu
não acompanhei. Não acompanhei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor só sugeriu a forma
de...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Teve
outra coisa também. Ele me falou, na época, que ele tinha sido assaltado. O motoboy
dele foi assaltado. Deu na imprensa que foram R$50 mil, mas o motoboy
foi assaltado em R$500 mil. Ele comentou isso comigo. Aí eu sugeri a ele –
porque é normal, no mercado, pedir segurança privada – algum tipo de segurança
privada, para fazer esses saques. Tem muito isso no mercado, muita empresa de
segurança que sugere ex-policial, alguma coisa assim, para acompanhar os saques
no banco. O risco de assalto era muito grande. Ele falou que mandou um motoqueiro,
e foi assaltado no banco com R$500 mil. Eu falei com ele que nunca vi um
negócio desse na minha vida!
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ele contratou o David
Rodrigues Alves?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Aí eu
não sei nada do David Alves. Não tenho o menor vínculo com ele nem de como ele
participou desses saques. Não tenho a menor informação do Davi. Só que o Marcos
Valério jogou... Porque a operação não fecha. Se são R$10 milhões... O David já
sacou eu acho que foi cinco, fez um saque de cinco. Se eu não conheço o David,
como ele me deu R$10 milhões? Não fecha nada com nada.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, ou falta ou está
sobrando dinheiro nessa história?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Está sobrando. E,
se ele me deu, quero minha comissão também. Não é possível! (Risos.) Eu vivo
disso. Mas ele não me deu comissão nenhuma! (Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por isso, eu lhe perguntei: o
senhor não interpelou o Marcos Valério por isso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Como interpelar?
Onde vou achar ele depois do... Ele só solta nota na imprensa! Minha mãe quer
pegar ele. Minha mãe já falou que, se pegar ele na rua em Belo Horizonte, não
sobra nada dele. Minha mãe e minha filha.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em algum momento, o senhor já
operacionalizou algum pagamento no exterior ou para o Ramon ou para o Cristiano
ou para a empresa deles?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nunca?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. De jeito
nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E não tem contato nenhum com o
Duda Mendonça.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O Duda Mendonça,
eu só conheci o Duda Mendonça quando ele saiu no jornal, na briga de galo. Eu
nem tinha ouvido falar porque eu não acompanho esse negócio de publicitário.
Quando ele foi pego lá na rinha de galo foi que fiquei sabendo o nome dele, só
para você ter uma idéia. Porque eu não tinha o menor contato. Não sei de
onde... A partir daí, você vê que foi uma montagem. Eu não tenho o menor
contato com o Duda Mendonça nem com a sócia dele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com a Zilmar Fernandes de
Souza, jamais falou com ela? Quer dizer, não tem nenhum contato?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Você estão dando
muita credibilidade. Ele já inventou um monte de história, até que ele comprava
boi. Depois, comprava... O que ele comprou mais? Boi, fazenda... Eu nunca vi
comprar esse tanto de coisa. Ele não tem credibilidade nenhuma para falar isso
de mim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem notícia se o
Marcos Valério trabalha no mercado paralelo com remessa de recursos para o
exterior?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não tenho notícia
não, mas não é possível uma pessoa que gerou tanto dinheiro não tenha uma... Se
ele gerou tanto dinheiro de caixa dois, ele deve ter uma reserva não declarada.
Certamente, deve estar lá fora. Não tenho o menor contato.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não no caso dele, mas como pode
funcionar isso? Por exemplo, ter uma conta no banco brasileiro e uma conta lá
fora também, é isso? Como consultor, não no caso dele. Como pode funcionar
isso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Lá fora, é o
seguinte: você pode alimentar uma conta lá fora convertendo os reais que você
tem aqui com doleiro, lógico, e transferindo para lá, através de um doleiro,
através de operação via cabo ou recebendo comissões lá fora do dinheiro que já
está lá, que acho que é o mais provável que tenha alimentado esse caixa, pelo
que estou acompanhando pela imprensa.
Acho que vocês estão
até no caminho errado. O que alimentou essas... Acho que essa operação do Duda
Mendonça está caracterizando operação de doleiro. Ele já tinha os reais. Acho
que o Duda Mendonça foi tão bonzinho na CPMI, mas, se ele fosse 100%, ele tinha
que chegar aqui com o extrato da conta que ele abriu no Bank Boston. Não é
chegar com os documentos que ele recebeu. Ele foi tão transparente, mas não
trouxe o extrato dele, que se tira até via internet.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nós pedimos. Só para apimentar:
ele entregou os documentos...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Pois é, mas há
apenas um detalhe.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vamos voltar, mas quando ele
faz a confirmação de pagamento, é um documento da Geisa dirigido ao Jader, e
ela afirmou que é o senhor. São dois documentos. É uma confirmação de pagamento
do Bank Boston... São duas operações do Bank Boston.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É. Eu lembro
disso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E ela afirma que foi o senhor
que fez as operações: uma de US$23 mil e outra de US$100 mil.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – De US$23 mil e
US$100 mil?
Não. Isso aí é que
ela me pediu para conferir os documentos. Ela me falou na época que tinha uma
mulher ligando para ela e apertando muito. O dinheiro não entrava na conta da
mulher. Ela só me falou isso. Ela falou “A mulher é muito grossa. Você tem que
me ajudar.” Eu não lembro data, eu não lembro de valores. Ela me mandou o fax e
pediu alguém para mandar o fax para mim para eu conferir esses recibos porque
ela não sabia falar inglês.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Uma é de 28 de junho e a outra,
de 08 de agosto de 2003.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu não tenho
registro de nada.
Na época, ela pediu
para dar auxílio nesses faxes que ela teria recebido, para conferir se estava
certo porque o dinheiro não entrava na conta da “mulher”, ela falava assim. Ela
era muito grossa e ficava xingando ela ao telefone porque o dinheiro não
entrava de jeito nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vamos esclarecer. Qual é a
mulher?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não. Ela
nunca falou que tinha uma mulher ligando, que ela tinha que pagar e que a conta
não entrava de jeito nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desculpe-me, por favor.
Mas a Geisa lhe
ligou, é isso? E ela estava falando com uma mulher no outro telefone.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Não era
instantâneo, não. Ela me pediu um auxílio para ver porque tinha um monte de
contas que ela tinha que fazer tipo uma conciliação, o dinheiro não entrava e
ele não agüentava mais a grosseria da mulher xingando ela porque o dinheiro não
entrava de jeito nenhum.
Isso é um documento
de transferência internacional de um banco para outro. Eu falei “está certinho
esse documento. Não tem erro não.”
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor leu que a conta é
Dusseldorf, o beneficiário.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não. Pois, é. Na
época ela me mostrou, mas eu não lembrava dessa conta, não. Ela falou “eu
lembrava que era no Boston International”.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Antes de chegar na conta, quem
era essa mulher? Pode ser a Zilmar ou não?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Pode ser, pode ser.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pode ser a Zilmar.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, tudo indica
que é, uai.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas a Geisa nunca lhe afirmou
isso.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – De jeito nenhum.
Nunca falou nem um tipo de pagamento que era para esse...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por que ele ia colocar o nome
dela e o seu nome aqui?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Porque ela me
mandou uma fax para eu conferir. Ela mandou... Eu não lembro. Sinceramente, não
lembro quem mandou, se foi alguém da SMP&B. Ela falou “vai receber uns
faxes” e mandava para mim para conferir. Eu devolvia para ela.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor recebeu isso daqui.
Era só uma consulta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu não lembro. Sei
que passava alguns faxes, não lembro quantidade.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Podem ter outros então e não só
esses?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, em meu nome
são quantos?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, aqui só temos dois. É isto
que eu lhe pergunto: se têm outros.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, eu não lembro,
foi em 2003, quando que é aí?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – 2003.
O SR. JADER KALID ANTÔNIO
– Não, eu não tenho registro
disso aí, assim, de jeito nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas era comum ela ligar pedindo
informação?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Agora, eu acho...
Vai por mim, eu acho que o senhor...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por favor, fique à vontade.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Vocês têm que
convocar aqui, estou falando sério, vocês têm que convocar aqui o gerente
internacional que abriu a conta do Duda, me escuta.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quem que é?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não sei, eu
não sei, mas certamente é de praxe, quando o gerente abre a conta, ele indicar
o caminho para abastecer a conta. É dentro daquilo que eu te falei, porque o
gerente está querendo captar o cliente. O banco quer o dinheiro, o banco quer
dinheiro, não existe banqueiro padre. Gravem isso para vocês. Até o banqueiro
que entregou a conta da Suíça, não sei de onde, do Maluf, está ganhando alguma
coisa. Ou ele está ganhando um spread ou está esperando a conta antes
ser repatriada, aí diminui a remuneração lá, para o banco ganhar mais, alguma
jogada o banqueiro faz. Eu aprendi uma vida: o banqueiro não é padre, não é
pastor, não é... ele quer é ganhar dinheiro, ele compra e vende dinheiro, então...
O gerente ganhou alguma coisa, montou essa offshore, que é uma offshore
que é uma modalidade de conta lá fora que é para longo prazo, não é para
receber e voltar, porque é uma modalidade de conta que custa caro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pois é. Quanto custariam,
então, todas essas operações?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, esse tipo de
conta...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, o senhor já deve
ter visto o organograma aqui, né?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, nunca vi.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, como é que o
dinheiro chegou lá.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, eu não tive
interesse nem de ver o ... Porque eu vi pela imprensa, mas eu não entrei em
detalhes, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tá. Então, por exemplo, o
senhor demonstra que algumas coisas o senhor conhece profundamente e outras,
não.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Conheço muita
coisa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas eu pergunto o seguinte: mas
como é que era o seu grau de relacionamento com a Geiza? Era comum a Geiza
ligar: “Alô...?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Ela me
fez várias consultas...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – “... eu estou com uma dúvida
aqui sobre isso”?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Nessa época fez
depois que o Ramon me apresentou para ela.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E daí o senhor recebia por
isso, por cada consulta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, nessa, não.
Nessa eu não recebia, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, mas por quais o
senhor recebia? Quer dizer, mas por quais o senhor recebia?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Ah, isso foi uma
consulta simples, foi um dia lá e depois ela me pediu...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pois é, mas não foi um dia só,
foram outros dias aqui.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É porque no mercado
de Belo Horizonte, se eu negar uma consulta e ele falar “já me negou, esse
cara”, aí nenhum cliente... Vai me fazer propaganda negativa de mim, para poder
eu...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas então que tipo... quer
dizer, o senhor fez uma consulta para o Ramon, pelo que o senhor falou até
agora. Foram os dois milhões .
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Isso foi lá na
SMP&B.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só? Só? Só uma?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Neste
tipo de operação. Já fiz outras consultas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas que tipo de consultas?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Sobre mercado
financeiro, sobre previdência privada, seguro, investimentos...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor recebia...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Para o Cristiano eu
já fiz é o contrário: porque ele devia o mercado todo, mas não tinha ninguém
para quem ele não devia. Aí ele vendeu o apartamento dele... Ele morava no
nono, aí ele comprou... não, ele comprou a cobertura do prédio dele e não
conseguiu pagar. Mas ele fazia tanto barulho, que todo o mundo achava que ele
era milionário, mas ele estava era devendo, aí ele não conseguiu pagar a
construtora, endividou, ele tinha fazenda, era um rolo danado, assim, mas é uma
pessoa muito boa também, muito boa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, então pode ter sido
até um bom negócio para ele ter se associado ao Marcos Valério, que entrou com
dinheiro na empresa.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Hein?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pode ter sido até um...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Mas aí o que eu
estou falando que...
O SR. (Orador não
identificado) – Não, estou dizendo
para ser mais objetivo sobre isso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas então pode até ter sido um
bom negócio para ele ter se associado ao Marcos Valério, que entrou com
dinheiro na empresa.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, é certeza
absoluta.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Na época o senhor já fazia
consultoria para ele ou não? Para o Cristiano?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Consultoria... ele ficava
no sufoco o tempo todo, o tempo todo no sufoco, comprando tudo o que tinha na
reta, mas não tinha para pagar, aí ele me consultava muito, porque na época eu
tinha uma factory, eu tinha uma factory também.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas e aí? O senhor emprestou
muito dinheiro para ele? Várias vezes?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não, eu não
emprestei, não. Eu fiz uma composição, como ele... naquela composição que você
vai...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor tinha negócio com
ele? Mas o senhor já recebeu dinheiro dele? Como é que o senhor pagava a ele?
Ou recebia dele?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Ah, com certeza.
Não, já recebi com spread. Indicava uma operação de empréstimo e ganhava
um spread de... é tudo... o meu mercado tudo funciona em spread,
eu indico e aí... indico um cliente para uma corretora, aí ela me manda um spread,
tudo é zero vírgula alguma coisa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Porque há pouco aqui depôs o
Haroldo Bicalho. Ele negou que fosse doleiro, negou que tenha qualquer atuação
nesse mercado e que desconhece todas essas pessoas.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, então ele não é
doleiro, então. Se ele negou... então, não é possível.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por exemplo, me desculpe lhe
perguntar isso, Sr. Jader, que dá essa impressão desse receio, por isso é que
eu lhe perguntei de todo esse cuidado que o senhor tem com relação a ele e a... O senhor chegou... só que nesse
período de 2001 o Haroldo Bicalho recebeu um recurso do Cristiano e disse que
isso se devia à venda de uma moto. Neste mesmo período, temos dois registros de
pagamento do Cristiano para o senhor, no valor de R$25 mil e R$24 mil. O senhor
também vendeu moto?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não vendi
nada para ele porque ele não pagava. Se eu vendesse, ele não iria me pagar.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, qual a razão desse
valor recebido?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não sei. Pode ser
alguém que ele pagou, que estaria me devendo. Que a gente tem uma relação,
temos vários amigos em comum. Pode ser que ele pagou alguém que estava devendo
e este alguém estava me devendo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem uma boa relação
com o Cristiano?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O Cristiano é uma
pessoa nota mil, ele e o Ramon. Inclusive ele é evangélico, hoje ele é uma
pessoa que só pratica o bem. Acho que ele nunca fez mal para ninguém. Quem
pratica o bem não tem nada a temer. Eu me considero nessa ala.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Especificamente aqui?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É sério. Se eu não
praticasse o bem, mil pessoas me procuraram, antes do Marcos Valério me
queimar.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A razão desses depósitos, que
tipo de operação poderia ser?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Do quê?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Essa de R$25 mil.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Em que ano que
foi?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dois de abril de 2002 e
R$24.935,00 em 7 de novembro de 2001.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Na época eu tinha
uma factoring, era a Unicash Factoring. Eu montei uma factoring,
mas deu um problema danado, porque eu fui assaltado.(Risos.) A factoring
começou a subir igual foguete, dava fila, e eu não tinha segurança. Era eu,
dois funcionários e duas filhas de um funcionário meu que eu sempre ajudei, uma
faxineira e a outra ficava comigo lá. Aí chegou meia-noite, recebi um
telefonema, o Francisco, o apelido dele é Ratão, ele me ligou meia-noite e
falou: “Jader, eles roubaram o cofre”. Eles roubaram o meu cofre, o cofre lá da
Unicash. Aí me soltaram aqui em Sete Lagoas. E a filha dele estava seqüestrada,
igual àqueles assaltos de banco. Aí tinha R$150 mil em cheques pré-datados, era
a minha carteira toda que estava lá, e R$22 mil em dinheiro. Eu cheguei no
escritório e estava tudo arrombado, eles levaram meu cofre inteiro e a filha
dele ficou seqüestrada por um dia inteiro; seqüestraram à noite e soltaram no
dia seguinte, até eles sumirem. Aí eu fechei a factoring, porque fiquei
com medo. A gente sofre um tipo de assalto desse, a gente acha que o bandido
conhece a gente, a família da gente, os filhos da gente, então a gente fica
traumatizado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tinha essa relação
com o Cristiano, e o Cristiano se reunia toda sexta-feira, segundo o Bicalho,
ele esteve várias vezes às sextas-feiras com o Cristiano. O senhor encontrou
alguma vez o Haroldo Bicalho?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O Cristiano andava
de moto trail com o Haroldo, eles eram da mesma turma. Lá em Belo
Horizonte, o modismo é ser “treieiro”, porque não tem mar, e o asfalto lá tem
mais buraco que asfalto, a pior estrada que tem é em Minas, então moto lá tem
que ser para terra, tem uma turma de “treieiro” e o Cristiano era da turma do
Haroldo, é de quadriciclo e...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor teve contato com o
Haroldo? Qual a sua relação com ele?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Contato pessoal,
não. A gente nunca teve assim muita afeição um pelo outro. Mas a gente também
nunca brigou.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas por saber que ele trabalha
no mercado como doleiro, algum cliente seu o consultou ou já utilizou os
serviços dele?
O SR. JADER
KALID ANTÔNIO – É... Que eu me lembre,
não. Mas é bem provável. Mas eu não me lembro de nenhum, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E é comum?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O Grupo Seculus é
um império que tem em Belo Horizonte, que eles trabalham. Só que eles têm...
eles mexem com exportação de jóias. Eu acho que é o maior do Brasil, né? É o
maior... É o maior do Brasil.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, por exemplo, voltando ao Haroldo Bicalho então. E a
participação dele na RES Empreendimentos...?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem alguma
informação?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Isso aí
eu não conheço nada.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E a relação dele com o Banco
Rural?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, esse... Eu não
conheço nada desse esquema aí.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, no caso, o Banco Rural
pode ser um banco hoje que faz esse tipo de trabalho, inclusive para os seus
clientes, ou seja, faz uma operação...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com compensação de recurso no
exterior.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – A gama de produtos
dos meus clientes não é basicamente essa linha, não. Eu sou realeiro. Não sou
doleiro. Realeiro. Aí, depois... Ah, tem um detalhe: se eu fosse indicar dólar
quando eu montei minha... falar:compra dólar que eu..., eu ia perder meus
clientes todos porque o dólar despencou de... Chegou a R$3,90, está dois e...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu não falo o dólar como
investimento, o dólar como...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, na realidade, eu
não aconselhava, mas...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por não ter origem do recurso.
Fazer uma remessa para o exterior por não ter origem, não pelo investimento.
Quer dizer, lhe consultaram sobre isso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Isso aí é a coisa
mais comum no mercado. Não... Todo o mundo consulta todo o mundo, porque
formou...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, mas, por ser um mercado
pequeno Belo Horizonte, por todos se conhecerem...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Formou aquele
bolsão...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Pergunta objetiva. Quer dizer,
o Banco Rural faz esse tipo de pesquisa também?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu não posso falar
isso do... do Banco Rural, que eu não... eu não tenho base para falar isso,
não. Mas nessa área internacional. O Banco Rural é um banco muito agressivo. É
um banco, assim, que eu acho que já... ele já superou vários impactos no
mercado, porque ele... ele é o maior banco dos médios. Então, toda paulada que
vem em cima dele. E o banqueiro é uma concorrência pior do que você imagina,
porque o banqueiro quer massacrar o outro banqueiro. Então, é normal um gerente
acabar com a raça do outro banqueiro, do outro banco. Sabe, o gerente de um
banco falar mal do outro banco. Aí veio esse problema do Banco Santos... O
Rural... Eu não sei como ele ficou de pé ainda, o Rural, depois do Banco
Santos. Ele superou e aí veio esse escândalo aí também.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece uma agência
em Belo Horizonte chamada From Brazil, que é uma agência de viagens?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – From Brazil, eu já
ouvi falar.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhecimento se eles
trabalham com câmbio paralelo, na Rua Cristina, Bairro Sion?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É até lá perto lá
de casa. Pertinho, meio quarteirão lá de casa. Mas eu... eu não tenho contato
nenhum lá, não. Eu não tenho muita... Aliás, mesmo quarteirão lá de casa. Meu
bairro é estritamente residencial, mas tem essa agência aí. Mas eu não tenho
muita informação.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, apesar de ser um
mercado pequeno, o senhor não conhece, não sabe se eles trabalham com câmbio
paralelo?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu posso saber ou
não, mas eu não tenho certeza. Se eu falar, fica complicado para mim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece, já que são
vizinhos lá, Adriana ou Januária, que possivelmente possam trabalhar nessa
agência ou não?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu conheço na mesma
forma de assim do... de eventos sociais. Ela está sempre em coluna social.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quem, a Adriana ou a Januária?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Adriana. Adriana.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E a Januária?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – A Januária eu acho
que é irmã dela.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, mas elas trabalham
na Agência From Brazil?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu acho que a
agência é dela, né? Não é trabalha, não. Eu acho que a agência...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor sabe se o Haroldo
Bicalho tem alguma relação com essa agência?
O SR. JADER
KALID ANTÔNIO – É... Não sei. Não sei,
sinceramente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E qual a relação da Adriana e
da Januária com Haroldo Bicalho?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Aí, sinceramente,
eu não sei, não. Deputado, eu não sei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Porto Velho Turismo o senhor
conhece?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Porto Velho Turismo
conheço. Porto Velho Turismo é agência de viagem mesmo. É só viagem mesmo. Eu
tenho certeza, porque é uma agência tradicional. Não é só fachada, não. É
agência mesmo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Joseph Baca?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Quem?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Joseph Baca?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, Baca, não.
Bacha.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Bacha. Quem é?
O SR. JADER
KALID ANTÔNIO – É... é... é... é... (Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Vamos lá. Joseph Bacha, quem é?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Ele é... Ele é
assim... Ele é um operador mais tradicional de Minas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Operador de?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Operador, assim, de
mercado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, mas operador de mercado,
doleiro?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É, dizem que é. Mas
ele é o mais tradicional assim de... Eu nunca fiz negócio com ele também e
não... Eu não cruzo muito com também assim... Não tenho muita afinidade com
ele, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor sabe se ele tem
alguma relação com o Haroldo Bicalho?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Eu acho
que eles são até concorrentes ferrenhos. Concorrentes mesmo. É igual o Banco
Itaú com o Bradesco.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E o doleiro João Bosco, de
Belo Horizonte também?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Conheço, conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ele trabalha com...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu conheço assim
de uns... Deve ter mais ou menos uns 10 anos que eu não o vejo assim no
mercado. Porque o João Bosco foi Presidente da Associação de Distribuidores de
Títulos e Valores, da Andima, e ele é muito conhecido lá, muito conceituado
assim, sabe?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas ele trabalha também no
mercado. E o senhor tem informação se eles trabalham com os bancos, vamos
dizer, com o Tradelink, IFRural, Rural Internacional e Rural Europa?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Essa
operação Tradelink, eu não tenho a menor noção como é que ela funciona, essa
aí. Eu vi... Ela ficou muito visível na imprensa. Eu não tenho a menor noção.
Eu não tenho acesso a esse tipo de conta assim não, de conta de...
Isso aí, na
realidade, são as contas bondes que eles falam. É a conta que é feita para
receber e devolver. E outros doleiros usam ela, assim, fica uma conta... Eles
falam conta bonde, no mercado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor prestou esse serviço
para o Cristiano, de caminho de envio de recursos para o exterior, os dois
milhões? O senhor sabe se...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não, eu não
enviei nem emprestei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, foi consultado. Não digo
que o senhor enviou. Mas a pergunta é: o senhor sabe se ele enviou esse recurso
para o exterior?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Pois é, eu acho
que se tinha que pagar o Duda...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, não no caso do Duda.
Estou falando daqueles dois milhões...
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, mas isso está
envolvido. Esses dois milhões fazem parte do... Porque, na época, eles me
mostraram a conta do BankBoston, que eu só fui lembrar dela depois que eu vi
o... Eles... Eu acho que eles já teriam pago oito...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então, quando o senhor foi
consultado pela Geiza, o senhor já tinha visto a conta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, o Ramon me
mostrou uma conta no BankBoston e depois que eu... Eu presumo que seja essa.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Essa conta Dusseldorf?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quando? Nesse período dos
dois milhões?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Nos dois milhões,
na época. Foi na época.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas ele falou que era para
pagamento, ou era uma transferência de recurso pessoal, para mandar para fora?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, era
recurso... Na época ele comentou que seria uma operação internacional.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ele falou para quem era? O que
era?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não, de jeito
nenhum, ele falou que tinha que pagar, fazer um pagamento lá fora.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, não disse para que
era, para quem, mas disse que era no BankBoston e a conta chamava-se
Dusseldorf?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, ele me
mostrou a conta, mas eu não lembro se chamava Dusseldorf. Eu presumo que seria,
sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ele lhe deu acesso ao número
da conta ou à senha da conta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Acesso,
não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor teve extrato dessa
conta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu mostrei um
caminho que seria esse, um caminho viável, para ele não correr risco, fazendo
operações abaixo de R$500 mil. Na época, eu não lembro, porque não foi bem
consultoria, foi só uma consulta, sem a gente fazer um... Formalizar essa
operação.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E nesse período, quer dizer, o
senhor só recebeu consulta sobre essa conta, e, depois, a Geiza o consulta
também sobre mesma conta e coloca no papel o seu nome e afirma, na Polícia
Federal, que é o Sr. Jader.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Quem?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A Geiza.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Mas a Geiza é...
Eu trabalho para o Marcos Valério. Aí é difícil, porque...
Ela falou que esse
aqui eu que...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Isso aí, que o senhor que
fazia o depósito. E que o senhor tem acesso à senha dessa conta.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não tenho acesso,
não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Deputado Gustavo Fruet.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, Senadora.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Se o senhor me permitisse, eu queria fazer uma
ponderação.
Eu estou terminando
de sair da oitiva do... Até me fugiu o nome.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Do André ou do Bruno?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não, do Bruno. É que só tem quatro coisas ao
mesmo tempo. Lá do André, da Interbrazil. E ainda quero passar lá na
sub-relatoria do IRB. Aí eu queria pedir se o senhor me permitiria, porque eu
não quero fazer perguntas, eu quero fazer apenas uma ponderação e uma proposta.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por favor, com a palavra V.
Exª, Senadora.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Inclusive eu tinha muitas perguntas a fazer ao
Bicalho. Infelizmente, quando eu cheguei aqui, já tinha ido a oitiva.
Então, a ponderação
que eu quero fazer é a seguinte, até porque, ontem, eu participei, não o tempo
inteiro, da acareação lá na CPI dos Bingos, que acabou provocando inúmeros
comentários, inclusive bastante ácidos, da imprensa, porque, realmente, aquilo
foi algo pouco elucidativo, foi uma troca de acusações. E, do meu ponto de
vista, acaba não contribuindo de forma significativa.
Porque uma acareação,
para ser bem feita, tem que ser feita com técnica, com quem sabe fazer, num
ambiente onde não tenha imprensa acompanhando, filmando, e com tantos atores,
além dos envolvidos na acareação, intervindo porque ela perde totalmente seu
foco, seu objetivo, eu diria até sua eficácia.
Quero dizer assim:
tínhamos tido uma deliberação anterior, de que doleiro ia para a Polícia
Federal, porque tem que ser tratado pela polícia mesmo, porque é caso de
polícia a maneira como operam e o que fazem, como fazem e da forma que fazem.
Então, o ideal seria ouvi-los lá. Infelizmente, foi mudada e a gente se
submete. Agora, é o seguinte: a questão do Sr. Bicalho, do Sr. Jader, não dá
mais para a gente ficar ouvindo, não dá mais. E rindo ainda, achando que é
divertido o que estamos aqui assistindo.
Então, a proposta que
quero fazer é que tenhamos uma acareação feita pela Polícia Federal, orientada
por esta CPMI, do Sr. Jader, do Sr. Bicalho, do Sr. Davi, o policial que levava
o tal do dinheiro, da Srª Simone, que era quem autorizava – segundo as
declarações, depois que ela foi assaltada, ela passou a autorizar os saques –,
do Sr. Cristiano, junto com o Sr. Marcos Valério. Só uma acareação feita pelos
profissionais da área da Polícia Federal é que vai poder elucidar quem é que
efetivamente está mentindo. Porque um diz que era o outro; o outro diz que era
o um; o um diz que era uma; a uma diz que era não sei quem. E não vamos
elucidar como houve a movimentação – e não foi pouca a movimentação, Deputado
Fruet, foram quase seis milhões. Então, não é brincadeira. Ou seja, se estamos
investigando o dinheiro do “valerioduto”, os 55 milhões, essa situação se
reporta a mais de 10% do que estamos investigando do “valerioduto”.
Então, quero propor
que parássemos, nesse caso que já está absolutamente identificado que tem que
colocar um na frente do outro, para ver de forma competente, profissional, onde
está a mentira, por onde que podemos pegar na confrontação, eu queria pedir que
encaminhássemos um requerimento para que fosse feita uma acareação pela Polícia
Federal envolvendo essas seis personagens, que volto a afirmar: Simone
Vasconcelos, Cristiano, Davi, Marcos Valério, Bicalho e o Jader.
Agora,
no caso do Bicalho, Deputado Gustavo Fruet, eu tinha uma série de perguntas a
fazer, que, como não pude chegar a tempo aqui, quero transformar isso num
requerimento para que essas perguntas possam ser feitas ao Sr. Bicalho junto à
Polícia Federal, para complementar a nossa investigação. E mais: na CPMI do
Banestado, aquela que não se concluiu, que tem relatórios, sei que no Relatório
do Deputado Mentor há algumas páginas a respeito da movimentação da tal conta
Lonton na Bacon Hill, onde o Sr. Bicalho está, mas enfiado, metido nessa
movimentação de mais de US$61 milhões, com telefone, com um monte de provas de
ter sido o grande operador dessa remessa.
Então, depois vou
transformar em requerimento, para que seja anexado, e que possamos cruzar os
dados, inclusive pedindo a Polícia Federal, que detém todas essas informações,
inclusive porque a Polícia Federal já encaminhou, fruto das investigações da
Bacon Hill, a questão daquelas 3,5 mil pessoas que estão acusadas aí da remessa
ilegal. Que possamos fazer o cruzamento, no caso do Bicalho, com a questão das
investigações feitas pela CPMI do Banestado pela Operação Farol da Colina.
Por último, ainda quero transformar em requerimento,
porque é assim: a Operação Farol da Colina da Polícia Federal prendeu doleiros,
mas a investigação pode ter ramificação mesmo de pessoas que não tenham sido
presas, mas que as informações contidas nas investigações possam elucidar
alguns casos. Então, V. Exª citou inúmeros operadores – doleiro tem outro, se eu
fosse o Macaco Simão, eu ia dizer que tucanaram o doleiro, operador de
mercado... Que possamos fazer o cruzamento inclusive do envolvimento das
pessoas que V. Exª está citando, e do próprio Jadir, que pode não ter sido
preso na Operação Farol da Colina, mas, na investigação, pode ter indícios
fortes de toda essa relação com os operadores não muito corretos do mercado.
Sr. Presidente, só
queria deixar este registro e vou transformá-lo em requerimento. Penso que
contribuiríamos mais com o avanço das investigações e com essa loucura que está
ocorrendo no dia de hoje. Como sou suplente na CPI dos Bingos, tenho quatro
lugares para estar ao mesmo tempo. Talvez, se transferíssemos a oitiva para os
profissionais da área da investigação, a Polícia Federal, tivéssemos mais
resultado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Hoje todos estamos Nessa
situação. A Comissão de Orçamento está funcionando, o Conselho de Ética. Cada
um deve fazer o que pode na medida do possível, e isso foi acordado na CPMI,
até me manifestei contrário pelo excesso. Até se pode constatar quem são os
autores dos requerimentos com relação aos doleiros. Não há dificuldade nenhuma,
tanto que já havia inclusive proposto que fosse a Polícia Federal – a primeira
observação.
A segunda, recebo todas
as solicitações para encaminhamento. É possível acrescentar outros nomes que
estão sendo investigados.
Recebo também a
solicitação para Haroldo Bicalho. Essa investigação deve ser aprofundada, mesmo
porque nosso foco não é a atuação dele especificamente, que já está sendo
objeto de inquérito na Polícia Federal. Estamos tentando de alguma maneira
trazer uma contribuição para o esclarecimento dos fatos. É claro que, depois
dos depoimentos, se constata, com raras exceções, a absoluta falta de dados que
possam contribuir na investigação.
Estamos cumprindo um
ritual, por vezes cansativo. Hoje, pela primeira vez, houve um lado hilário, no
bom e no mau sentido, que serviu para mostrar também a dificuldade. Se não se
ouve, está-se deixando de investigar; se se ouve, é natural da conseqüência. Só
após essas oitivas, podem-se fazer determinadas afirmações.
Recebo a solicitação,
considero-a absolutamente procedente, e vamos dar-lhe o encaminhamento.
Quanto à observação,
claro que a recebo como crítica política que não discuto, até por estar
presidindo, com relação à definição de doleiros – até me reservo com relação a
essa resposta, com todo o respeito a V. Exª, evidentemente, e como membro do
PSDB.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – É que entrei no clima da brincadeira. Entende? Porque o Macaco Simão
vive... Há aquela história da “morte ao tucanez”. Então, vira e mexe, ele dá os
sinônimos das coisas mais absurdas, engraçadas, hilárias, e realmente doleiro
virar operador de mercado, realmente eu entrei no espírito do Macaco. Nenhuma
ofensa, viu, Deputado Fruet.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Enfim, recebo a observação como uma crítica política. Penso
que às vezes a sátira e o humor têm um efeito devastador muito maior do que uma
crítica contundente. Mas, depois que eu sair da Presidência, respondo-lhe.
Agradeço e consulto se V. Exª gostaria de fazer mais uma
pergunta.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Só poderia usar para contemporizar a outra campanha dele, que é a do
“lulez”. Ele tem a “morte ao tucanez” e ao “lulez”. V. Exª pode me responder
depois com um epíteto do “lulez”.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Combinado.
Para encerrar e para
constar também, Sr. Jader, o senhor tem alguma relação, fez algum plano de
previdência complementar para algum político que o senhor lembra que seja de
Minas, algum dirigente partidário?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não tenho contato nenhum com político nem com Partido
nenhum. Na realidade, até que não tenho porque ninguém nem me procurou, nenhum
político, nenhum partido; se me procurasse, eu ia dar uma consultoria também,
mas ninguém me procurou, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – No caso dessa conta Dusseldorf,
insistindo, o senhor teve conhecimento dela por meio do Cristiano?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu tenho uma teoria
sobre isso. Esse negócio do Marcos Valério, não, do Duda Mendonça falar que o
Marcos Valério impôs abrir a conta, eu não acredito nisso, não. Vai por mim,
porque esse tipo de conta não é uma conta imposta; abre-se esse tipo de conta
com o intuito de poupança a longo prazo em moeda forte. Na realidade, é isso.
Com um agravante: não declarado. Em vez de ele guardar no colchão, ele vai
guardar lá fora, remunerado e tal. Então, não acredito nessa versão dele, não,
de ele falar que... E o Marcos Valério
piorou ainda porque falou que eu fui consultado pelo Duda, eu fui incumbido do
Duda. Quer dizer, os dois estão... é um festival de contradição aí.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas essa conta, na sua avaliação,
ela foi aberta para esse fim exclusivo ou já existia?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É por isso que acho
que tem convocar esse gerente da área internacional. Chegar junto dele assim e
falar: “abre o jogo aí, como é que é isso aí”?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Como consultor, qual é a sua
avaliação?
O SR. JADER KALID ANTÔNIO – Porque
não é o perfil de conta de movimento. Ele falou: “Vou receber porque o Marcos
Valério quer me pagar lá fora, e eu trago”. Não é esse tipo de conta.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ou seja, esse tipo de conta,
então, na sua avaliação, movimentou muito mais.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não
movimentou. O intuito dele era ter essa conta como poupança de longo prazo,
mesmo porque há taxas de offshore e custo anual para manter esse tipo de
investimento, porque ele está blindando o nome dele. Não é para ele receber e
pagar. Se ele receber e pagar, ele toma prejuízo. Ele vai receber em uma conta
que é... Então ele mandava “Paga na conta do doleiro que o doleiro me dá o real
aqui”. Vocês entenderam?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quanto seria o custo de
manutenção dessa conta, de abertura e manutenção dessa conta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Esse tipo de conta,
cada banco... O banco ganha muito em cima disso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só na média, não
especificamente esse banco.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Para um banco, na
área internacional, montar uma offshore, deve cobrar em torno de US$4
mil e manutenção anual de US$2 mil, que são debitados na conta. Ou seja, um
valor pequeno não justifica ter uma conta, porque o rendimento em dólar ou em
euro ou em alguma moeda é muito baixo, não cobre o custo de uma conta com valor
pequeno, só com o valor alto. Tem que ser com valor alto.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, não compensaria. E
essa operação? Vou perguntar – se o senhor conhece, ótimo; o senhor conhece a
firma – para ajudar a esclarecer. A maior parte do dinheiro foi transferido via
Trade Link Bank.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Essa operação Trade
Link, eu não tenho a menor noção de como ela funciona.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor é um consultor
financeiro. Quer dizer, já tem notícia desse banco? O senhor conhece o BankBoston,
falou que o BankBoston faz esse tipo de operação. O Trade Link Bank, o senhor
conhece?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – O BankBoston tem
agência, é um banco que trabalha de acordo com a legislação brasileira, mas tem
a divisão internacional com relação àquilo que eu falei para o senhor. O
intuito é para isto: levantar, oferecer um produto...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB –PR) – Tudo bem, o senhor já explicou.
Mas, quanto ao Trade Link Bank, qual a informação que o senhor tem? Por que é o
banco que tem a maior remessa de recursos para essa conta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É um mistério. Para
mim, é um mistério.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece uma dessas
empresas, SM Comex, SM Import, e Deal Financial Corporation? Trabalhou com
alguma delas?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Banco Rural Europa?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Deve ser, é da área
internacional do banco, né?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, o senhor tem
notícia de algum cliente seu que trabalhe com o Banco Rural Europa, algum
cliente de Minas?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Nenhum?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Rural Internacional Bank?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Aí não sei, não sei
porque há Rural International e Rural Europa. A conta do Rural Europa deve ser
para operações em euro, porque ficou uma moeda muito procurada, né? Também quem
entrou no euro levou...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas com relação a um desses
bancos aqui, com uma operação normal, quanto que o banco cobraria aqui? Quer
dizer, qual a intermediação? Pode, por exemplo, haver uma operação de compensação?
Por exemplo, é transferido um crédito lá fora e simula-se um empréstimo aqui no
Brasil, para liberação de recursos. O senhor, como consultor, tem notícia desse
tipo de operação?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Pode acontecer de
uma empresa ter o valor já lá fora e não ter sido operado por doleiro também. A
empresa já paga... A pessoa tem a conta lá fora e já recebe lá fora de alguém
que tenha conta. Não precisa passar via doleiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sei, mas para internalizar esse
recurso, sem fazer declaração à Receita, qual a alternativa? Simples, a
primeira, objetivamente, é trazer os dólares e converter em real. Pronto. Uma.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Aí via doleiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tá, a segunda: simular um
empréstimo. É possível?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Ou via área
internacional do banco, que, às vezes, está casando lá dentro mesmo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas como se libera o recurso no
Brasil? Como se justifica a liberação do recurso no Brasil?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, aí é paralelo,
não?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Essa está compreendida. Mas me
refiro a uma outra alternativa para legalizar esse recurso, para dar um aspecto
de legalidade na origem do dinheiro.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Ah, aquela sugestão
minha?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Poderia ser, por exemplo, um empréstimo bancário?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não conheço essa
operação. Essa infelizmente não conheço, porque já é uma operação mais bem
estruturada pelos bancos. Sinceramente, essa não conheço, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem notícia se algum
desse bancos, por exemplo, o Trade Link tem relação comercial com o Banco Rural?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Eu vi na imprensa que teria.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E o Banco Kanton?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Banco Kanton? Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Radial Enterprise?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Radial, vi na
imprensa que era conta... Conta de qual banco que está falando aí?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não, são duas: Radial
Enterprise e o Banco Radial. Não sei se é o mesmo grupo. Por isso, estou lhe
perguntando.
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, tem a Radial,
que é do João Bosco, mas não é banco, não. É empresa dele, não é?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ah, essa que é dele? Desse de
Minas Gerais?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, eu vi na
imprensa que era dele. Eu nem sabia dessa empresa aí, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer que não conhece?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ainda com relação a essa conta
Dusseldorf, quando o Cristiano comentou sobre ela, ele lhe apresentou o nome da
conta ou o número da conta?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Pois é. Eu não
lembro do... Eu tenho certeza de que era no Boston International, mas eu não
tenho certeza do nome, não. Mas só podia ser. Não tinha jeito...Foi na mesma
época.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tem conhecimento se alguém
tinha senha dessa conta? Alguém movimentou isso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não. Na realidade,
não precisa de senha, não. Aí, é só a conta, para a pessoa transferir para uma
conta. É como fazer uma TED de um banco para outro. Lá fora, faz um...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor, alguma vez, tem
conhecimento de algum instrumento utilizado pela SMP&B ou por um dos seus
sócios para enviar recursos para o exterior?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, eu, não
diretamente. Se não tiver também... É muito provável que tenha, não é?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem notícia se o Sr.
Haroldo Bicalho tem o esquema policial na mão dele ou não?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não. Eu não
conheço esquema. É igual eu falei: eu tinha relacionamento só de alguns eventos
em que a gente encontrava, mas não tinha um relacionamento muito próximo nem
profissional com ele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece Paulo Roberto
Grapiúna Lima?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – É o que era sócio
do Haroldo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas sócio no quê?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, o Paulo, eu
fiquei sabendo, quando teve a Operação Farol da Colina, que ele foi preso junto
com o Haroldo. Foi aí que fiquei sabendo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer que é sócio, mas não
sabe em que tipo de atividade?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, aí, eu não
sei, não, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece a empresa
uruguaia Ridox?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor já trabalhou com um
uruguaio chamado Victor Reinoso?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não. Não tenho
nenhum contato no Uruguai.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem contato com algum
banco no exterior, com alguma offshore ou com alguma corretora?
O SR. JADER KALID
ANTÔNIO – Não, não, de jeito
nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Conhece Bônus-Banval?
O SR. |