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O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Srªs e Srs. Parlamentares,
havendo número regimental, declaro aberta a 52ª reunião da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 003 de 2005 do Congresso
Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias de atos
delituosos praticados por agentes públicos na Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos.
A Ata da reunião do
dia 6 do corrente mês está sobre a mesa. Coloco-a em votação, propondo, se
ninguém se opuser, a dispensa da leitura.
Os que a aprovam
queiram permanecer sentados. (Pausa)
Aprovada.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com a palavra o Deputado
Antonio Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, Deputado Osmar Serraglio, Relator desta nossa CPMI, eu queria pedir
a atenção dos companheiros da imprensa porque ontem fizemos uma apresentação da
prestação de contas de um trabalho de pouco mais de trinta dias realizada na
matéria dos fundos de pensão. Logo em seguida, uma série de fundos de pensão se
pronunciaram publicamente contestando o relatório apresentado.
Eu quero informar
que, a toda contestação, haverá uma contra-argumentação. Nós temos absoluta
confiança no trabalho que foi feito, nos números apresentados. Ainda no dia de
hoje o Fundo Preci publicou no jornal O Globo uma matéria paga onde
apresentada uma série de dados que não se coadunam com o trabalho feito por
esta sub-relatoria, que produziu os resultados ontem anunciados.
Sr. Relator, estarei
emitindo, na tarde de hoje, uma nota pública apresentando todas as contestações
aos argumentos trazidos pela Preci. Li, pela imprensa, que alguns fundos de
pensão reunirão os jornalistas em uma coletiva para apresentar as suas defesas.
A cada coletiva que seja dada por qualquer um dos fundos, eu quero informar
que, logo em seguida, me pronunciarei, suportado e subsidiado pela nossa equipe
técnica, para apresentar os contra-argumentos.
Gostaria, ainda, de
frisar – porque esse foi um argumento recorrente, seja nas publicações do
jornais, seja nas notas divulgadas pelas emissoras de televisão e rádio e nos sites
– é importante distinguir de antemão – é apenas um único comentário de natureza
genérica que eu gostaria de fazer – rentabilidade e alcance de meta atuarial de
perda. Uma coisa é rentabilidade e alcance e até superação de meta atuarial.
Outra coisa, completamente diferente, é a verificação de perdas em operações
com determinadas pessoas físicas e jurídicas.
Um fundo de pensão
pode registrar uma rentabilidade positiva, ele pode alcançar e superar a sua
meta atuarial e, ainda assim, ter perdas, como nós frisamos ontem no nosso
sub-relatório. Digo isso genericamente porque foi o argumento mais recorrente
que vi nos veículos de comunicação. Mas quero enfrentar cada uma das defesas
que serão feitas pelos fundos de pensão, apenas pedindo, Sr. Relator, que os
dirigentes de fundo de pensão tenham comedimento nas palavras que utilizam,
porque, na verdade, quando eles adjetivam de forma grosseira o relatório que
foi apresentado, a prestação de contas que foi apresentada, eles estão
agredindo esta CPMI e, no final, estão agredindo o Parlamento brasileiro, que
tem o dever de cumprir o seu papel de investigar aquilo que lhe é trazido como
possível problema.
Eu tive ontem todo o
cuidado, todo o critério. Procurei não imputar responsabilidades, assim
continuarei, firme, de forma serena e equilibrada, mas peço aos senhores
dirigentes dos fundos de pensão que tenham comedimento, que não se coloquem
como contrapontos no sentido de estabelecer um confronto que pode gerar talvez
uma briga, uma disputa com a CPI. Não! Quero que os fundos de pensão atuem como
parceiros da CPI, para nos ajudarem a descobrir o porquê dessas perdas, seja
com derivativos, títulos públicos ou qualquer outra que venha a ser verificada
ao longo do nosso trabalho.
Os fundos de pensão
não se devem colocar como contra-agressores, porque daqui não está partindo
agressão; daqui está partindo constatação criteriosa e objetiva. E espero que
eles possam nos ajudar a descobrir onde está o problema e, quem sabe,
corrigi-lo.
Então, faço essa
observação, Sr. Relator, dizendo que estou pronto e à disposição desta Comissão
e de toda a imprensa brasileira para oferecer os contra-argumentos, endossando
que os dados ontem apresentados são consistentes, estão confirmados e serão
reafirmados durante todo o processo.
Agradeço a V. Exª,
fazendo mais uma observação: votaremos alguns requerimentos de convocação.
Muitos hão de nos perguntar por que não estamos convocando os dirigentes de
todos os fundos de pensão; porque, em quatro casos, não houve, dentro do
trabalho investigativo já detectado pela CPI, perdas que justifiquem a
convocação neste momento. Pode ser que depois a convocação se justifique.
Então, como a Previ ainda não apareceu e os seus dirigentes não serão
convocados, da mesma forma a Centrus, a Eletrus e a Refer, que registraram
perdas pequenas, que, diluídas ao longo de doze meses, não despertam, nesse
momento, um interesse prioritário. Isso não significa dizer que não serão
investigados, isso não significa dizer que não serão apuradas as perdas. Porém,
como temos de hierarquizar as prioridades, estamos priorizando naqueles fundos
onde se registrou uma perda maior, uma perda mais substantiva. Estamos
sugerindo a convocação dos seus diretores de investimentos. Quando ele não tem
diretor de investimento, é o diretor financeiro, portanto, que responde pela
área de todos os fundos de pensão, que registraram perdas consistentes.
Por outro lado,
estamos também sugerindo a convocação dos proprietários das corretoras que
apareceram evidentemente já comprometidas nesse processo. Não são todas as
corretoras que vão ser convocadas nesse primeiro momento.
Última observação:
ontem, assisti no Jornal Nacional à Funcef dizer que não transacionou com as
corretoras que foram elencadas na nossa lista. As corretoras que elencamos
foram aquelas que tiveram o seu sigilo quebrado e que registraram a
intermediação dessas operações que produziram perdas para os fundos acima de um
milhão. Existem outras corretoras – que não são aquelas – que intermediaram as
negociações, que vão ter as suas responsabilidades apuradas, mas que não
tiveram o sigilo quebrado. E foi por isso que não divulgamos os nomes das
corretoras, mas quero informar a V. Exª que estará sendo divulgado no dia de
hoje. Aí vamos discutir em que caráter, se encaminhado para a Funcef ou se
tornado público o nome das corretoras que operaram com a Funcef e que intermediaram
essas perdas que foram registradas.
Dito isso, Sr.
Relator, faço votos para que possamos iniciar e concluir a nossa reunião.
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com a palavra o eminente
Deputado Jorge Bittar.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Bom, em primeiro lugar, acredito que também o
Deputado ACM Neto julgue natural que surjam controvérsias em torno das
informações tornadas públicas. É natural que os agentes envolvidos, de alguma
maneira, possam reagir.
Quero declarar que
tenho plena confiança na seriedade e na competência da equipe técnica, nos
instrumentos e na metodologia de trabalho que vem sendo adotada. Mas é preciso
que se ressalte que não há infalibilidade. Eventualmente, aqui ou ali, podem
surgir informações que não sejam rigorosamente precisas, sem que isso
signifique qualquer desabono ao trabalho realizado pela equipe.
No sentido de que
possamos trabalhar com a firmeza, com a seriedade e com a transparência que têm
norteado o trabalho de nossa CPMI, quero propor que nós, ao convocarmos
representantes dos fundos para debatermos objetivamente as perdas aqui
registradas, com a devida antecedência, enviemos relatório detalhado a esses
fundos que possam identificar as operações que implicaram perdas, especificando
o tipo de operação, a sua data, enfim, todas as entidades corretoras que
fizeram parte da cadeia transacional que acabou por gerar aquele resultado que,
segundo os critérios adotados, implicou perda considerável, acima de um milhão,
conforme o critério definido pela Comissão.
Considero isso
fundamental para que o diretor dessa fundação, vindo aqui, possa,
objetivamente, responder, porque o que divulgamos são informações agregadas. É
preciso, então, já que dispomos do banco de dados detalhado que permitiu
agregar essas informações, que possamos detalhar todas essas operações ao
fundo, para que ele possa, de maneira clara e objetiva, responder as questões
que foram identificadas como perdas significativas para esses fundos.
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu acolho essa sugestão,
embora cum granum salis, porque a surpresa do interrogatório também é
uma das partes da investigação. Nós não podemos passar todas as informações que
temos a quem vá ser investigado, mas tem procedência, evidentemente.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Não, Sr. Relator, veja bem, nós tornamos
públicas.
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Por isso que falei que com
temperamento.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Se nós identificamos problemas, é preciso que
nós digamos quais são os problemas para que eles possam dizer se há
divergência, se há contraditório ou não em relação a essas informações e à
própria metodologia utilizada.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Deputado
Bittar, eu posso ajudar V. Exª?
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Pode ser que haja divergência quanto à
metodologia utilizada.
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
Com a palavra, o
Deputado Onyx Lorenzoni.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não, Sr.
Presidente, eu só queria esclarecer uma coisa para o Deputado Bittar, que
talvez ajude esse seu desejo.
É evidente que temos
que definir um foco e qual foi o foco definido? Foram os 50 maiores
beneficiários de perdas registradas. Esses 50 maiores beneficiários estão
identificados e o critério da investigação dar-se-á a partir das transações
feitas, onde, de um lado, está o fundo de pensão e, do outro lado, está esse
beneficiário, que repetidas vezes teve resultados positivos, em detrimento de
perda para os fundos.
Então, vai ficar
muito claro e os diretores não virão aqui no escuro. Vai ficar muito claro para
eles o que nós queremos, que tipo de operação nós queremos que eles esclareçam,
para aferir as responsabilidades. Por isso fiz esse apelo de que os fundos têm
que ser nossos parceiros. Eles não podem ser antagônicos nesse trabalho, porque
o que nos interessa é responsabilizar quem tiver responsabilidade. Eu não
tenho, aqui, nenhum ânimo persecutório.
Então, eles vão saber
as informações que forem necessárias para estarem preparados para colaborar com
a CPMI, mas é evidente que se tiver alguma coisa que seja muito delicada e que
não possa ser revelada, eu até conversarei com V. Exª para, em comum, fazermos
esse trabalho sem nenhum problema.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – O espírito é esse, Sr. Relator. O espírito é
exatamente esse, no sentido de que as pessoas que aqui vierem tenham o mínimo
de informação para que possam fazer um debate, uma discussão de igual para
igual, e que seja um debate esclarecedor para que o nosso trabalho
investigativo possa avançar.
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nós temos o prazer de contar
conosco com o eminente Senador Jefferson Péres, a quem eu convidaria para que
nos desse o privilégio de presidir a nossa reunião.
Enquanto se aproxima,
eu apenas quero reafirmar ao público que acompanhei o levantamento, enfim, a
produção do trabalho do Deputado ACM Neto, as confrontações, as investigações e
a consistência da sua produção. Posso afirmar que é preciso que quem pretenda
contestar ou infirmar bem examine, para, mais à frente, não se desmentir.
Trata-se de um
trabalho efetivamente muito bem produzido, muito consistente, muito
aprofundado, sem surpresas e que passou por muitos filtros antes de vir a
público.
Passo a palavra ao
eminente Senador Jefferson Péres.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Com a palavra o Deputado Onyx
Lorenzoni*.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente e Relator, chamo a atenção
desta Comissão, porque o ano legislativo se encaminha para o final – esta CPMI
vai trabalhar até próximo ao Natal –, portanto, faço um alerta para duas
convocações, aprovadas há algum tempo, inclusive pedi à Assessoria Técnica que
fizesse uma filtragem sobre as convocações já aprovadas pela CPMI, e duas
dessas convocações me chamam a atenção. A primeira, do Sr. José Otaviano
Pereira*, aprovada em 14 de julho deste ano. Ele era, na equivalência, algo
semelhante ao cargo ocupado pelo Sr. Henrique Pizzolato* no Banco do Brasil,
portanto, desempenhava a função de Diretor de Marketing, nos Correios. Nós já
vimos desfilar aqui inúmeros fatos que são, no mínimo, suspeitos de
irregularidades e ilegalidades, para não dizer coisa pior, nos Correios, na
área de publicidade, propaganda e patrocínio e, curiosamente, quem respondeu
por esta área ainda não compareceu a esta CPMI, apesar de já haver sido
convocado por esta CMPI – repito – desde o dia 14 de julho. Então, solicito à
Mesa, particularmente aos Srs. Relator e Presidente, que considerasse a
possibilidade de uma oitiva, antes do final do ano, do Sr. José Otaviano
Pereira, já que S. Sª do cargo de Diretor de Marketing foi promovido a Diretor
da estatal, enquanto que o Sr. Henrique Pizzolato, por exemplo, fora demitido
do Banco do Brasil. Suposições de irregularidades existem nas duas empresas.
Por isso, como a CPMI é dos Correios, é razoável que, quem respondeu pela área
de marketing dos Correios, esteja aqui, ainda que após seis meses de
funcionamento desta CPMI. A outra convocação que também me causa espécie, até
porque a apuração foi por nosso intermédio, aprovada em 4 de outubro, do
Diretor de Exploração e Produção da Petrobras, o Sr. Guilherme de Oliveira
Estrella*. Relembro que foi por meio desta CPMI que o Brasil tomou conhecimento
do famoso Land Rover*, que uma empresa, contratada pela Petrobras, deu
de presente ao todo-poderoso o então Secretário-Geral do Partido dos
Trabalhadores, o Sr. Sílvio Pereira. Também não temos nenhuma sinalização de
que o Diretor de Exploração e Produção da Petrobras, o Sr. Guilherme de
Oliveira Estrella, vai ser convocado para aqui comparecer. Lembro-me de que foi
fruto de um acordo, a sugestão foi que viesse o Presidente da Petrobras, e aí,
em um acordo formulado com a Bancada do Governo, aceitamos, preliminarmente,
que viesse, então, o Diretor de Exploração e Produção da Petrobras, que é quem
efetuou os contratos, por exemplo, com a GDK Engenharia*, e que até o presente
momento não temos informação se S. Sª virá ou não.
Volto a insistir:
como estamos caminhando para a finalização dos trabalhos desta CPMI, e como não
há pauta definida para as próximas duas semanas, sugeriria que discutíssemos o
tema ao longo do dia de hoje, Sr. Presidente, para garantir a vinda, na próxima
semana, do Sr. José Otaviano Pereira, ex-Diretor de Marketing e atual Diretor dos
Correios, e do Diretor de Exploração e Produção da Petrobras, o Sr. Guilherme
de Oliveira Estrela.
São essas as
considerações. Agradeço a atenção.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Com a palavra o Sr. Relator
para se manifestar sobre as duas questões levantadas pelo Deputado Onyx
Lorenzoni.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, apenas
recolho as sugestões e, na medida do possível, ao formular a pauta da seqüência
dos nossos trabalho, iremos levar em consideração essa argumentação apresentada
pelo Deputado Onyx Lorenzoni.
Ao mesmo tempo, Sr.
Presidente, eu queria anunciar a V. Exª que ontem realizamos uma reunião na
qual, de alguma forma, ajustamos que deixaríamos para hoje, já que se trata de
uma reunião de oitiva, que ocuparíamos o primeiro momento para votações
simbólicas de assuntos trazidos à tona por sub-Relatores. Portanto, são
requerimentos que têm razão de ser especificamente quanto a investigações que
neste momento estão sendo procedidas pelos sub-Relatores, mas claramente em
relação ao Deputado José Eduardo Cardozo e ao Deputado ACM Neto.
De forma que informo
a V. Exª que, se for o caso, no prosseguimento, gostaríamos de anunciar esses
requerimentos que seriam submetidos.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Relator, só os de acordo, não é?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só os de acordo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Relator, os dois requerimentos que citei,
só para orientação de V. Exª, são os de nºs 410 e 955, para sua análise posterior.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Sr. Relator, para submeter os
requerimentos à discussão e votação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, principio
pelas oitivas firmadas pelo eminente Deputado ACM Neto e por este Relator.
Os requerimentos de
nºs 1486,
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Relator, só uma dúvida.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Só para lembrar a V. Exª que o Requerimento nº
1485, mesmo não sendo de oitiva...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Está em seguida.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Obrigado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os Requerimentos nºs 1486 a
1527, que correspondem a convocações, vou anunciá-los um a um.
Nº 1486: Alexandre
Gastaldel Leonardo; nº 1487: Lauro José Senra de Gouvêa; nº 1488: Joaquim
Cândido de Gouvêa; nº 1489: Sérgio de Moura Soeiro; nº 1490: Jorge Luiz Gomes
Chrispim; nº 1491: João Luiz Ferreira Carneiro; nº 1492: José Carlos Batista;
nº 1493: Alberto Alves Sobrinho; nº 1494: Caio Augusto Basto Lucchesi; nº 1495:
José Lavia; nº 1496: Jorge Ribeiro dos Santos; nº 1497: Luis Felippe Índio da
Costa; nº 1498: Luiz Octávio Azevedo Lopes; nº 1499: Luiz Fernando Pinheiro
Guimarães de Carvalho; nº 1500: Ângela Celeste de Almeida Costa; nº 1501:
Marcus Eduardo de Rosa; nº 1502: Luiz Antônio Vaz das Neves; nº 1503: Cláudio
Henrique Sangar; nº 1504: Carlos Arnaldo Borges de Souza; nº 1505: Armênio dos
Santos Gaspar Neto; nº 1506: Alexandre Atherino; nº 1507: João Orives Pichinin;
nº 1508: Waldemar Pires: nº 1509: Helenice Onório Morales; nº 1510: José
Osvaldo Morales; nº 1511: Júlio Victor Bittencourt Fabbriani; nº 1512: Luis
Cláudio Lins Fabbriani; nº 1513: Joacyr Reynaldo; nº 1514: Breno Fischberg; nº
1515, José Pompeu de Campos Neto; nº 1516, Isaac Sassoun; nº 1517, Cezar
Sassoun; nº 1518, Demosthenes Marques; nº 1519, Luis Afonso Simoens da Silva;
nº 1520, Mário Cezar Silva Serpa; nº 1521, José Raphael Oliveira da Silva; nº
1522, Fernando César Braz Teixeira; nº 1523, Gildásio Amado Filho; nº 1524,
Eliane Aleixo Lustosa; nº 1525, Flávio Magalhães Chaves; nº 1526, Luiz Carlos
Fernandes Afonso; nº 1527, Ricardo Malavasi Martins; nº 1530, Hélio Afonso
Pereira; nº 1531, Luiz Eduardo Veiga Lopes; nº 1532, Adilson Florêncio da
Costa; nº 1533, Pedro José Mercador Mendes; nº 1534, Pedro Evandro Ferreira; nº
1535, Magda das Chagas Pereira; nº 1536, Ricardo Afonso das Neves Leitão; nº
1539, Jorge Luiz Monteiro de Freitas; nº 1540, Ermindo Cechetto Junior; nº
1546, João Batista Petito; nº 1547, Jorge Luiz Batista de Oliveira; nº 1550,
Nelson Buzeto; nº 1551, Carlos Alberto Cardoso; nº 1555, Josemar Pereira dos
Santos, nº 1556...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Relator, esse requerimento já está aprovado. Fui eu que o apresentei
anteriormente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alexandre de Athayde
Francisco?
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sim,
senhor. Cinqüenta e seis e cinqüenta e sete...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem. Na dúvida,
incluímos, ainda que de sobejo.
Requerimento nº 1556,
Alexandre de Athayde Francisco; nº 1557, Haroldo de Almeida Rego Filho...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, esse também já está votado. Peço sejam retirados esses dois.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
Requerimento nº 1558,
Christian de Almeida Rego; nº 1559, Cristiano Costa Beber; nº 1563, Lúcio
Bolonha Funaro; nº 1565, Renato Luciano Galli.
Essas são as
convocações do Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.
Prossigo, agora, com
três convocações do Deputado José Eduardo Cardozo. Requerimento nº 1579, de
reconvocação de Ioannis Amerssonis; nº 1580, de Léo Botelho; nº 1581, José
Carlos Rocha.
Para concluir ainda,
em votação simbólica, do Deputado ACM Neto: nº 1485, pedido de informação à
Bolsa de Mercadorias e Futuros, BM&F, de cópias de documentos que
especifica. (Pausa.)
Sr. Presidente, os de
votação simbólica são os que acabei de anunciar ao Plenário.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM.) – Com a palavra V. Exª.
O SR. ANTONIO CARLOS
PANNUNZIO (PSDB – SP) – Sr.
Presidente, o Deputado Carlos Sampaio, a quem sucedi nesta Comissão, por
indicação do meu Partido, apresentou o Requerimento nº 897, solicitando
inclusive informações ao Jockey Club de São Paulo sobre reuniões que havia, com
certa freqüência, de personalidades ligadas ao Banco do Brasil, Caixa Econômica
e outros. Esse requerimento foi dado como prejudicado. O Deputado Carlos Sampaio
saiu da Comissão, e entrei em seu lugar. Então, indago a V. Exª acerca da
possibilidade de reconsiderar essa decisão, até porque o Deputado Arnaldo Faria
de Sá apresentou um outro ofício, o de nº 79.000/05, de ontem, pedindo a
apreciação e aprovação do requerimento apresentado pelo Deputado Carlos
Sampaio. Foi dito que ele não teria legitimidade para isso por não representar
aqui o Deputado Carlos Sampaio ou o PSDB. Pois bem, eu o subscrevo, na condição
de representante do PSDB e de quem ficou no lugar do Deputado Carlos Sampaio,
pedindo que seja considerado esse requerimento.
O SR.
PRESIDENTE (Jefferson Péres.
PDT – AM) – O Deputado teria um prazo para reapresentar o requerimento, mas,
como V. Exª o subscreve, considera-se que está reapresentado.
Eu ouviria o Relator e o Plenário sobre o requerimento.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Não tenho
nenhuma objeção. Deve-se apenas formular novamente o requerimento, já que
estabelecemos um rito pelo qual se estabelecia um prazo de cinco dias para a
manifestação quanto a qualquer reinserção, que seria imediata. Não há problema
algum. É só formular o requerimento que nós o incluímos e submetemos ao
Plenário. No entanto, não poderemos fazer isso hoje, porque esta não é uma
sessão administrativa, é de oitiva. Excepcionalmente, amanhã, já podemos
submetê-lo à apreciação da Comissão sem problema algum.
O SR. ANTONIO CARLOS PANNUNZIO (PSDB – SP) – Está bem.
O SR.
PRESIDENTE (Jefferson Péres.
PDT – AM) – Ainda em discussão os requerimentos que o Relator relacionou.
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Sr. Presidente...
O SR.
PRESIDENTE (Jefferson Péres.
PDT – AM) – Com a palavra o Deputado Jorge Bittar.
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Eu gostaria de dirigir ao Deputado ACM Neto.
Fizemos aqui aproximadamente 48 convocações. Temos de
definir uma metodologia de trabalho, estabelecer como vamos proceder, porque a
convocação tem de estar articulada com a possibilidade de realizarmos oitivas
em tempo hábil. Gostaria de saber como é que está pensando o Deputado Antonio Carlos
Magalhães Neto em proceder às oitivas dessas 48 pessoas convocadas.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Deputado Jorge Bittar, entusiasmado com o
acompanhamento de V. Exª ao nosso trabalho e certo de que contarei com a
presença de V. Exª...
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Sempre, meu companheiro.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –...ao meu lado, quero dizer que há uma
indefinição sobre o cronograma de funcionamento do Congresso Nacional nos meses
de janeiro e fevereiro. Presumo que pode e deve haver convocação extraordinária
ou autoconvocação. De qualquer forma, imagino que iremos trabalhar nos meses de
janeiro e fevereiro. Se assim for, teremos tempo para ouvir essas pessoas.
É evidente, Deputado Bittar, que, à medida que se iniciem as
oitivas, vamos definir a sistemática que as disciplinará. Só para exemplificar:
estamos convocando os sócios das corretoras e, como uma determinada corretora
tem três ou quatro sócios, posso me dirigir a essa corretora e solicitar que,
dentre os três ou quatro sócios, indique quem pode melhor representá-la. Se
assim for definida a sistemática de trabalho, essa pessoa seria ouvida e os
outros dois ou três sócios seriam eliminados.
O que posso dizer a V. Exª é que o nosso foco vai estar
sobre esses cinqüenta maiores beneficiários, essas cinqüenta maiores operações.
Não se passa pela minha cabeça ouvir todos os diretores de fundos, depois ouvir
todas as corretoras e todos os beneficiários. Não. Quero seguir a linha das
operações que se mostraram mais atípicas, casando o fundo tal com a corretora
tal e com o beneficiário tal, que foram identificados com um volume
considerável.
Garanto a V. Exª que, à medida que racionalizemos o
trabalho, iremos dar curso às oitivas. Veja V. Exª que há cerca de 45 dias a
Sub-Relatoria foi criada, mas nesse período eu não apresentei um requerimento
sequer de convocação para que tivéssemos uma base inicial para dar suporte às
oitivas.
Feitos esses esclarecimentos, quero dizer que espero contar
com o apoio de V. Exª para organizar essas oitivas e dar-lhes agilidade.
Podemos, quem sabe, até dividir os trabalhos.
O SR. JORGE BITTAR (PT
– RJ) – Exatamente. A minha preocupação é apenas a de darmos objetividade,
agilidade, praticidade até a esse trabalho, para que possamos produzir
resultados objetivos.
O SR.
PRESIDENTE (Jefferson Péres.
PDT – AM) – V. Exª quer definir agora, hoje, esse rito?
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Não. Queria apenas conhecer a abordagem inicial,
mas, evidentemente, vamos ter de definir uma metodologia de trabalho.
O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Sr. Presidente, peço a
palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Tem V. Exª a palavra.
O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Sr. Presidente,
gostaria de solicitar a V. Exª e também ao Relator, Deputado Osmar Serraglio,
que, sabemos, está com uma grande carga de trabalho e somos testemunhas disso,
para que pudéssemos também priorizar, haja visto que já passou, recentemente,
para as mãos dele uma proposta de oitiva de todas as pessoas que já foram
aprovadas nesta Comissão referente ao IRB.
Esses depoentes já
foram devidamente aprovados e já encaminhamos uma proposta de agenda que não é
a mesma a ser seguida de acordo com os trabalhos do Relator. Por isso, gostaria
que fosse dada uma prioridade, já que são seis ou sete nomes, e que pudéssemos
fazer isso antes desse recesso de Natal, para adiantarmos mais os trabalhos.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Com a palavra o Relator para
falar sobre a sugestão apresentada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ainda hoje tivemos contato
com a Polícia Federal, que também tem um inquérito específico sobre o IRB, e
estamos, na medida do possível, recolhendo as informações que possam
eventualmente dar um rumo mais claro quanto à formulação da pauta. Mas não
temos nenhuma resistência à formulação do Deputado Carlos Willian, apenas
gostaria de dizer que antes de apresentarmos essa proposta de desenvolvimento
dos trabalhos, estávamos aguardando esse contato que tivemos hoje de manhã com
o Delegado Zampronha* e, entre outras coisas, discutimos o inquérito que ele
vem realizando especificamente em relação ao IRB.
Assim, Sr.
Presidente, queria sugerir a V. Exª, já que temos uma sessão de oitiva e amanhã
teremos uma reunião administrativa, que agilizássemos esta votação para que
amanhã todas as outras formulações possam ser apresentadas na hora e ocasião
oportuna.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Comunico às Srªs e aos Srs.
Parlamentares que o depoente já se encontra na sala ao lado.
Em votação os
requerimentos listados pelo Relator.
As Srªs e os Srs.
Parlamentares que os aprovam queiram permanecer sentados. (Pausa.)
Aprovados.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Tem V. Exª a palavra.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
Aguardei até a
votação, mas apenas para auxiliá-lo, Sr. Relator, quero fazer duas observações.
Em relação a esse fato da Coteminas, que vai ser objeto de discussão amanhã,
quero dizer que houve uma declaração oficial do Sr. Delúbio Soares, publicada
hoje em vários jornais. Essa declaração é grave porque ela contraria toda a
estratégia de defesa em relação à existência ou não dos empréstimos. É um fato
novo que tem implicações de outras naturezas que não só contábeis e na CPMI.
Então, já que foi
feito esse contato com a Polícia Federal, reafirmo a solicitação, mesmo que
informalmente, para abertura de um novo inquérito ou imediatamente nesse inquérito
já existente para termos a oitiva do Delúbio e das pessoas envolvidas, porque
esse valor se soma ao valor que já tinha sido apresentado na contabilidade
tanto pelo Marcos Valério quanto pelo Delúbio. Portanto, é um fato grave que
merece especial atenção.
Na mesma linha e se
for possível, definirmos até amanhã a marcação da data da Solange Pereira, que
já teve a convocação aprovada e ganha relevância em função desse episódio de
envolvimento de funcionários nesse pagamento. E também, para evitar qualquer
dúvida de procedimento, da Soraia Garcia, sendo que neste caso, Sr. Relator, há
uma alternativa: como já há um inquérito avançado em Londrina, que se peça que
o Dr. Sandro, que era o presidente desse inquérito, retorne a essa investigação
e se estabeleça um prazo de 30 ou 60 dias para conclusão do inquérito. Se isso
não acontecer, podemos, alternativamente, marcar o depoimento dela nesta CPMI
independentemente de qualquer Sub-Relatoria.
Só adianto isso para
que se possa deliberar amanhã.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, apenas para
informar que ontem nós já solicitamos isso e no contato que tivemos hoje com o
Delegado Zampronha, ele não só nos confirmou o recebimento da nossa solicitação
como também já está pautando a oitiva do Sr. Delúbio Soares, a propósito desse
episódio Coteminas, assim como também da portadora dos recursos à Coteminas e
de quem também, na empresa, recebeu.
De forma que quero
crer, pela forma que a nossa proposição foi recebida pelo Delegado, que, com
certeza, ainda nesta semana teremos informações mais claras sobre todo esse affair
que está em discussão atualmente neste plenário.
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Péres. PDT – AM) – Peço à Assessoria que faça
entrar no recinto o depoente.
Pergunto ao Senador
César Borges se pode assumir a presidência, porque tenho uma audiência agora.
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Informo a este Plenário que a
Mesa recebeu um expediente do Supremo Tribunal Federal, encaminhado ao Senador
Delcídio Amaral, Presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, do Habeas
Corpus nº 87.334, que tem como paciente o Sr. Henrique Pizzolato,
impetrante Mário de Oliveira Filho, co-autora Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito dos Correios:
“Comunico a V. Exª
que, nos autos do Habeas Corpus nº 87.334, nos termos da decisão cuja
cópia segue via fax, indeferi o pedido cautelar.
Atenciosamente,
Ministro Carlos Ayres
Britto”.
Em minhas mãos, o
termo de compromisso, conforme art. 203 do Código de Processo Penal, do Sr.
Henrique Pizzolato, com os dados e a devida assinatura.
O Sr. Henrique
Pizzolato está acompanhado dos advogados Roberto Ferreira do Amaral Filho e
Mário de Oliveira Filho.
Dadas essas
informações ao Plenário, passo a palavra ao depoente, Sr. Henrique Pizzolato,
caso deseje dar explicações iniciais.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Presidente,
Senador César Borges, Exmº Sr. Relator, Senador Osmar Serraglio, Srªs e Srs.
Senadores, Srªs e Srs. Deputados, imprensa, assessores, convidados, inicialmente,
gostaria de agradecer a oportunidade de colaborar com esta Comissão pela
segunda vez e de dizer que estou plenamente à disposição para prestar os
esclarecimentos, responder as perguntas e sanar algumas dúvidas que possam
existir.
Peço
licença ao Sr. Presidente e ao Sr. Relator para fazer uma breve exposição sobre
a Diretoria de Marketing e Comunicação do Banco. Para economizar tempo e ter
uma seqüência mais didática, vou me conduzir por um breve texto que, acredito,
facilitará a compreensão dos senhores e das senhoras.
Tomei posse na
Diretoria de Comunicação e Marketing do Banco do Brasil no dia 17 de fevereiro
de 2003. E, quando da minha posse, recebi a determinação do Presidente do Banco
do Brasil à época, Dr. Cássio Casseb, e orientação do Sr. Ministro-Chefe da
Secom, Luiz Gushiken, para dar continuidade aos trabalhos e não realizar
nenhuma mudança na diretoria, quer com relação a funcionários, quer com relação
à filosofia de trabalho, quer com relação aos contratos em andamento. Segui
fielmente as determinações. Nenhum funcionário foi trocado ou substituído;
nenhuma campanha publicitária foi interrompida; nenhum patrocínio foi
cancelado; nenhum projeto foi alterado.
Sei que é do
conhecimento dos senhores já que o Banco do Brasil possui um sistema, um modelo
moderno de gestão, um modelo compartilhado e segmentado. Esse modelo,
considerado avançado, foi implantado no Banco há aproximadamente 10 anos pelo
então Presidente Paulo César Ximenes e tem sido muito elogiado a partir de
então.
Esse modelo de gestão
compartilhado significa que, no Banco do Brasil, quem propõe não compra, quem
compra não paga, quem paga não fiscaliza. E eu trouxe para os senhores, e passo
à mão do Sr. Presidente, um pequeno organograma, um gráfico tentando auxiliar
na compreensão de como funciona esse modelo no banco.
Dessa forma, os
procedimentos se dão da seguinte maneira: a Diretoria de Negócio propunha as
campanhas publicitárias ou patrocínios; a Diretoria de Marketing repassava o breathing
para as agências de publicidade; as propostas apresentadas pelas agências de
publicidade eram analisadas e discutidas. A Diretoria de Marketing, juntamente
com a Diretoria de Negócios, escolhida uma proposta, esta era remetida à
aprovação dos comitês decisórios, comitê de comunicação, comitê de marketing e
o conselho diretor do banco.
Os pagamentos às
agências de publicidade eram feitos por outra diretoria – a de Logística –,
sendo da responsabilidade dessa diretoria a conferência inclusive dos
documentos e da certificação da realização das campanhas.
Portanto, a Diretoria
de Negócios propunha; a Diretoria de Marketing contratava; a Diretoria de
Logística pagava e a Diretoria de Controle fiscalizava.
Quanto ao
compartilhamento, este se dava também da seguinte forma. Gastos de até R$200
mil em patrocínio e até R$1 milhão em propaganda eram aprovados pelo comitê de
marketing, composto pelos seis gerentes-executivos da Diretoria de Marketing e
pelo diretor. É importante ressaltar que a nomeação de todos os gerentes,
inclusive seus substitutos eventuais, era feita pelo Presidente do banco. O
diretor não nomeava ninguém que junto com ele tomava decisão. Os gastos das
importâncias a que me referi anteriormente até R$3 milhões em patrocínio ou
propaganda eram aprovados pelo comitê de comunicação, composto por 11 diretores
do banco e superintendentes executivos do banco. Os gastos superiores a R$3
milhões eram aprovados pelo conselho diretor do banco, formado pelo Presidente
do banco e pelos sete Vice-Presidentes.
Trouxe também uma
espécie de organograma, um fluxo de alçadas para facilitar o entendimento e a
compreensão dos senhores. Todas essas informações que estou prestando podem ser
facilmente verificadas no Estatuto do Banco, nos manuais e nas normas de
alçadas do Banco.
É importante também
repassar aos senhores as informações de como era confeccionado o orçamento de
marketing. O orçamento da Diretoria de Marketing não era um orçamento
autorizativo, era um orçamento propositivo. Portanto, não havia autorização
prévia de gasto. O orçamento era elaborado pelo Comitê de Orçamento, que é
subordinado à Vice-Presidência de Controle e Recuperação de Ativos. A Diretoria
de Marketing não tinha acesso nem voto nesse Comitê.
O processo tinha a
seguinte seqüência: as Diretorias de Negócio do Banco do Brasil propunham ao
Comitê de Orçamento os valores anuais que julgavam necessários para divulgação
e comunicação de seus produtos; o Comitê de Orçamento submetia ao Conselho
Diretor, e este ao Conselho de Administração, que aprovava o orçamento anual do
Banco, com o volume de recursos que julgasse conveniente.
A partir dessa
aprovação, a Diretoria de Marketing reunia-se com os Diretores de Negócio e, de
comum acordo, definiam, no Comitê de Comunicação – do qual participavam os onze
diretores –, o montante destinado a cada diretoria e alocado, cronologicamente,
por campanhas e evento. Cada diretoria detinha um volume total de recursos
divididos, cronologicamente, em campanhas, patrocínios e promoções de venda.
Essa distribuição de
recursos por eventos das diretorias era submetida, então, depois, novamente, ao
Conselho Diretor do Banco. E, se aprovada no Conselho Diretor do Banco, era
encaminhada para aprovação na Secretaria de Comunicação do Governo. Aprovada na
Secretaria de Comunicação do Governo, constituía-se, então, no documento
chamado Plano Anual de Comunicação, Patrocínio, Propaganda e Publicidade do
Banco. Independentemente de todas essas aprovações, toda e qualquer efetivação
de gastos tinha que seguir as alçadas conforme há pouco descrevi e repassei
para os senhores.
Quero frisar apenas
uma questão: o Diretor de Marketing não tinha nenhuma alçada individual. Tudo
era decidido por comitês e, dependendo da alçada, até pelo Conselho Diretor.
Também é importante
informar aos senhores que, uma semana antes da minha posse na Diretoria de
Marketing do Banco do Brasil, o Conselho Diretor decidiu prorrogar os contratos
com as agências de publicidade licitadas que prestavam serviço ao Banco do
Brasil, e essa prorrogação foi feita até o final de setembro de 2003.
As agências que
tiveram seus contratos prorrogados foram: a DNA Propaganda, responsável pela
publicidade do pilar Varejo; a agência Lowe, responsável pela publicidade do
pilar negocial Governo, Judiciário e Campanhas institucionais; e a agência
Grottera, responsável pelo pilar negocial Atacado.
As agências não
poderiam faturar, receber, menos de 25% ou mais de 40% dos recursos
orçamentários do conglomerado Banco do Brasil, segundo o edital de licitação e
os contratos assinados do Banco com as agências.
Como o quando fui
informado e tive conhecimento da existência do Fundo Emissor Visanet e de como
se operacionalizava esse fundo no Banco do Brasil. Aproximadamente sessenta
dias após a minha posse, fui procurado na Diretoria de Marketing do Banco do
Brasil pelo Diretor de Varejo do Banco, Sr. Fernando Barbosa, pelo Gerente de
Propaganda, Sr. Cláudio Vasconcelos, que me apresentaram uma nota técnica
interna do Banco, que descrevia sobre o Fundo Emissor Visanet e a importância
de aproximadamente 24 milhões – era a primeira nota – disponibilizados pela
Visanet. E esses recursos, que eram da Visanet, deveriam ser utilizados na
publicidade e na promoção de cartões com bandeira Visa emitidos pelo Banco do
Brasil.
A nota, quando me foi apresentada, já continha as
assinaturas do Diretor de Varejo, do Gerente de Cartão de Crédito do Banco e do
Gerente de Propaganda. Já constava na nota o nome da agência de publicidade, o
número da conta corrente da agência de publicidade e o número da agência para a
qual a Visanet faria a transferência dos recursos. Esses recursos não passavam
pelo Banco do Brasil nem passavam pela Diretoria de Marketing. Iriam
diretamente da Visanet para a agência de publicidade.
Eu trouxe também um
fluxograma de como funcionava mais ou menos a transferência de recursos. Há
mais de uma cópia. Eu não consegui talvez fazer o número de cópias suficiente.
Na conversa com o
Diretor e o Gerente, eles me explicaram que os recursos eram decididos no
Conselho da Visanet. Nesse Conselho, o Banco do Brasil possuía três representantes:
o Presidente do Banco, Dr. Carlos Casseb; o Vice-Presidente do Varejo e
Distribuição, Dr. Edson Monteiro; e o Diretor de Varejo, Dr. Fernando Barbosa,
que comigo estava. Explicaram que o volume de recurso era proporcional à
participação de cada acionista, e que o banco detinha aproximadamente 30% das
ações e, portanto, teria direito a aproximadamente 30% dos recursos. No
entanto, esses recursos não constavam do Orçamento do Banco do Brasil. Não
faziam parte do Orçamento do Brasil. Por que da escolha da agência DNA?
Como já foi
demonstrado – eu queria repassar para os senhores aqui mais um gráfico de como
foi feita a distribuição entre as agências a que já me referi – no final de
2002, aproximadamente cinco meses antes da minha posse na Diretoria de
Marketing, o Banco do Brasil, seu Conselho Diretor, aprovou a reestruturação
dos negócios do Banco e a estruturação passou a ser em três pilares de negócio:
primeiro, o pilar varejo – essa seria a nova estruturação – responsável pelo
cliente pessoa física; o pilar atacado, responsável pelo cliente pessoa
jurídica; e o pilar Governo/Poder Judiciário, responsável pelos clientes
Governos Municipais e Estadual e o Governo Federal e o Poder Judiciário.
A partir de então, as
três agências de publicidade que já estavam no banco, de comum acordo,
escolheram o pilar negocial com o qual tinham maior afinidade ou com o qual
achavam que tinham mais expertise. Foi esse o gráfico que passei ao
Senador. Nesse processo a Grotera ficou com o pilar “atacado”; a DNA, com o pilar
“varejo”; a Lohen, com o pilar Governo/Poder Judiciário e com as campanhas
institucionais do banco. É óbvio que, por ser o cartão de crédito um produto
quase que eminentemente varejo, ficaria com a DNA, responsável pelo pilar
varejo.
Na estrutura anterior
à reestruturação dos três pilares negociais, a transferência dos recursos da
Visanet havia sido feita para a agência Lohen e para a agência DNA, em 2001 e
2002, da mesma forma como fora proposto. E foram mostradas as notas técnicas
dos dois anos anteriores de como havia sido feita. Chamei a atenção...Perguntei
ao Diretor de Varejo e ao Gerente sobre o fato de já termos aprovado o Plano
Anual na Secom àquela época e , nesse Plano Anual, não se fazia citação ao
Fundo Visanet e, portanto, haveria necessidade de comunicar à Secom sobre a
existência do Fundo Visanet.
A resposta que obtive
e que se comprovava era de que esses procedimentos eram de dois anos anteriores
no banco e que o banco, para tomar esses procedimentos, estava respaldado em
pareceres jurídicos e contábeis.
Depois dessas
informações, fui até o Presidente do Banco, a quem eu estava subordinado, Dr.
Cassio Casseb, para buscar mais informações sobre um fundo Visanet.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Antonio, só uma questão de ordem. Poderia
repetir o nome das agências? Porque, nos contratos temos a DNA, a D+ Brasil.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – De 2002 até
setembro, quer dizer, quando foi estruturado em 2000 até setembro de 2003...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É isso que são essas agências aí.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eram as agências.
No gráfico que eu repassei aqui, ela demonstra bem. Então, até setembro de
2003, foi DNA, Grotera e Lohen. A partir de setembro de 2003, DNA, D+ e Ogilvy.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sim, mas o senhor diz que, no episódio
Visanet, houve a escolha por um segmento. Isso aconteceu com as novas três,
depois da...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim, sempre o
processo...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Foram elas que escolheram?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim, sempre o
processo era de comum acordo com as agências, porque detinham os limites
orçamentários.
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Deputado Onyx...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Obrigado. Não, desculpe, era só porque...
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – ...pela ordem dos trabalhos, é
interessante...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Claro!
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – ...que se anotassem as perguntas
e dúvidas...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mas é para esclarecer, porque são coisas
completamente diferentes que estamos tratando aqui.
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – ...para o depoente concluir seu
pronunciamento. Depois, na inquirição, seriam esclarecidos esses pontos.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Estou quase
concluindo.
Conversando com o
Presidente do Banco, ele me informou que tinha conhecimento do fundo Visanet,
tendo em vista que era conselheiro da Visanet, representando o Banco do Brasil
através do Banco de Investimento do Banco do Brasil, que o sistema, esse
sistema de repasse, não passando os recursos pelo orçamento do Banco, era um
procedimento comum a todos o acionistas que, no entendimento do conselho da
Visanet, era o processo mais vantajoso para os bancos e para a Visanet. Mas,
tendo em vista que o presidente estava há pouco tempo no banco, ele me sugeriu
que eu fosse até o vice-presidente de varejo e distribuição, Dr. Edson
Monteiro, que era uma pessoa que melhor conhecia todos esses procedimentos e
todos esses processos.
Fui, então, ao Dr.
Edson Monteiro, ele confirmou as informações que eu havia recebido e disse que
o Conselho da Visanet havia adotado esse procedimento basicamente para evitar
uma tributação indevida porque os recursos do banco, se viessem para o banco,
seriam tributados e, dessa forma, não estaria tributado. Mostrou que tinha um
parecer jurídico, que o banco, desde 2001, ao fazer isso, fazia com base num
parecer jurídico e, que, portanto, tinha conforto, e frisou por diversas vezes
que esses recursos não são do banco, e, no meu entendimento, no entendimento
dele, no entendimento do banco, portanto, esses recursos não se subordinavam ao
decreto que tornava obrigatória a prévia aprovação na Secom das campanhas
realizadas com recursos. Foi, então, que eu já tinha uma reunião previamente
agendada, uma reunião ordinária na Secom e, no final, depois de concluída a
reunião, conversei com o chefe de gabinete do Ministro, Dr. Marcos Flora, sobre
a existência, explicando a existência do fundo, levando as informações e como
eram os procedimentos. Ele ouviu todo o meu relato e depois me levou até o
gabinete do Ministro, onde brevemente expus ao Ministro a existência desses
recursos que não constavam do orçamento e que eram providos da Visanet e que
existia um entendimento do banco de que, por não serem recursos orçamentários,
esses recursos, então, não se subordinavam à prévia aprovação da Secom. O
Ministro disse que concordava com a interpretação do banco, que, por não serem
aqueles recursos do orçamento, não havia a obrigatoriedade legal de submeter os
recursos previamente à Secom. Disse que não havia nada de errado, que eu
deveria assinar nota. Ele disse: “Olha, pode assinar a nota, que não tem nada
de errado”. E que, em última análise, essa era uma boa notícia para o Banco,
porque o Banco estava num processo de negociação com os veículos de
comunicação; em detendo mais recursos, poderíamos conseguir preços melhores,
poderíamos conseguir descontos melhores junto aos veículos de comunicação.
Pediu-me apenas, para evitar que as campanhas do banco perdessem a
uniformidade, porque as campanhas do cartão de crédito eram assinadas com a
marca Banco do Brasil, que eu, informalmente, antes de veicular as campanhas,
as apresentasse à Secom, para que eles pudessem auxiliar na uniformidade das
campanhas que o Banco fazia.
Voltei ao banco,
assinei, dei um “de acordo” na nota. No meu entendimento, esse “de acordo”, em
nome da Diretoria de Marketing, significa que a verba disponibilizada pela
Visanet seria utilizada em campanhas de cartão de crédito conforme demanda
apresentada conforme a Diretoria de Varejo, porque era uma nota interna do
Banco, não necessitando que a Diretoria de Varejo ou que a gerência de cartão
de crédito buscasse uma outra estrutura, uma nova estrutura, como acontecia com
as empresas que participavam do Banco do Brasil que tinham uma estrutura
própria, uma agência própria para fazer a sua publicidade. Não era de
competência da Diretoria de Marketing a liberação da verba. Essa competência
era exclusivamente da Visa Net. Os pagamentos das campanhas publicitárias e
patrocínios não eram feitos pela Diretoria de Marketing. A Diretoria não tinha
qualquer acesso às contas bancárias das agências e dos fornecedores, até
porque, para isso, teríamos que quebrar o sigilo bancário dos clientes.
É importante, quase
finalizando, frisar algo que gostaria que ficasse bem claro: o relacionamento
da Visanet com o Banco do Brasil não era feito pela Diretoria de Marketing. O
relacionamento da Visanet com o Banco do Brasil era feito pela Gerência de
Cartão de Crédito, pela Diretoria de Varejo e pelos conselheiros do Banco no
Conselho da Visa Net. Inclusive, na Visanet existia um Comitê de Marketing.
Quem representava o Banco não era a Diretoria de Marketing do Banco do Brasil;
era a Diretoria de Varejo. As alçadas decisórias para aprovação desses recursos
seguiam o mesmo critério que já apresentei nessa planilha por valores – até
R$200 mil, Comitê de Marketing; até R$3 milhões, Comitê de Comunicação; acima,
Conselho Diretor do Banco.
Durante todo o tempo
em que estive na Diretoria de Marketing, nunca fui informado pela Visanet de
qualquer discordância, nunca recebi qualquer documento que mostrasse qualquer
discordância quanto aos procedimentos da Diretoria, muito menos a auditoria
interna do Banco, o Conselho Fiscal ou qualquer órgão externo de fiscalização
nos informou sobre qualquer restrição aos procedimentos da Diretoria de
Marketing.
Para finalizar,
queria reafirmar aos senhores que a área de marketing do Banco do Brasil, a
Diretoria de Marketing do Banco do Brasil sempre foi considerada pelo mercado
uma área de excelência técnica e profissional. No período em que estive na
Diretoria de Marketing, o Banco obteve os prêmios mais cobiçados nesse mercado.
Nosso modelo de patrocínio esportivo, que é do conhecimento dos senhores,
modelo de patrocínio cultural, não é reconhecido apenas no Brasil, mas no
exterior.
Tive
a felicidade de estar no Banco, na Diretoria de Marketing, no período em que o
Banco agregou diariamente uma média de dez mil novos clientes; ou seja,
aproximadamente oito milhões clientes, o que se constitui um fato inédito no
setor bancário mundial. Foram 10 mil novos clientes/dia. O banco estava com
aproximadamente 13,5 milhões clientes; e ultrapassamos a cifra de 20 milhões de
clientes. Eram algumas informações iniciais que eu
gostaria de deixar com senhores. Gostaria de passar também ao Sr. Presidente
este texto guia, e uma cópia de todas as planilhas ao Sr. Relator. Eu me coloco
à disposição dos senhores para as perguntas e dúvidas que neste momento possa
esclarecer.
O SR.
PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Eu agradeço ao Sr. Pizzolatto.
Iríamos mesmo solicitar este material, vamos copiá-lo e distribuí-lo ao
senhores membros da CPMI.
Lamentavelmente, temos que suspender esta reunião
porque me parece que há uma votação nominal na Câmara dos Deputados, os
Deputados tomaram conta desta CPMI, nem a Senadora Ideli Salvatti está aqui
hoje. Vamos suspender os trabalhos por 15 minutos, votaremos quando estiver
disponível este material para os senhores componentes.
(Suspende-se
a reunião às 13 horas e 33 minutos.)
(Reabre-se
a reunião às 14 horas e 14 minutos.)
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL –
BA) – Peço desculpas ao senhores membros desta CPMI e aos depoentes porque o
lanche atrasou. Mas vamos ganhando tempo aqui com os nossos trabalhos. O
depoente já fez o seu depoimento inicial, e eu passo agora a palavra ao nobre
Relator, nobre Deputado Osmar Serraglio.
O SR.
RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, senhoras e senhores
Parlamentares, senhor depoente, V. Sª já esteve aqui conosco quando o
interrogamos. Após aquela ocasião, houve dois fatos novos: um, o esclarecimento
sobre como procedia a Visanet, isso pela análise documental a que esta CPMI
procedeu; e outro, a entrevista que V. Sª concedeu à ISTOÉ Dinheiro, que trouxe várias dúvidas para a investigação. Eu
ouvi atentamente a manifestação de V. Sª, mas confesso que há certo conflito
entre a sua entrevista e a forma como hoje trouxe essas informações, mais
especificamente com relação à participação da Secom nas definições da Visanet.
Há vários tópicos, vários pontos na sua
entrevista sobre os quais iremos incidir o questionamento. Um deles diz
respeito à ordem que recebeu do Ministro Gushiken para que assinasse de acordo
com aquela decisão sobre a antecipação de pagamento efetuado à Visanet na
primeira oportunidade, em 2003. Agora, V. Sª disse que foi aconselhado. Ou V.
Sª está faltando com a verdade agora, ou faltou com a verdade quando foi
entrevistado pela ISTOÉ Dinheiro.
Pergunto: V. Sª, na época, percebeu que estava sendo gravado? Houve gravação da
entrevista?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATTO – Gostaria de
explicar o contexto em que essa matéria foi gerada. Na realidade, eu estava em
Santa Catarina, num momento muito delicado pessoalmente, atendendo a uma
demanda de doença familiar, quando o jornalista me acessou através do telefone
da minha esposa, solicitando que eu
fosse a São Paulo para conceder uma entrevista. Eu fui muito explícito com ele,
dizendo-lhe que não poderia conceder a entrevista, que eu não estava falando
com a imprensa e que ele procurasse o advogado Dr. Mário de Oliveira Filho, que
estava prestando as informações que a imprensa solicitava. Ele,
insistentemente, voltou a ligar querendo que eu aceitasse dar entrevista de outras
formas. Eu disse que não daria entrevista em hipótese alguma e pedi-lhe que
entendesse a minha situação e as condições em que eu estava vivendo.
Aproximadamente
quatro dias depois, depois de insistentes telefonemas – ele fazia questão de
ligar de um telefone que aparecia como não identificado, o que nos deixava
sobressaltados em função dos problemas familiares –, ele me ligou e disse que
estava reunindo informações e queria conferir algumas delas para se certificar
dos dados. Ele queria fazer-me algumas perguntas, formalmente, para eu
responder. Eu manifestei o meu constrangimento, dizendo-lhe: converse com o
advogado, mas, se for para auxiliar no esclarecimento, eu posso responder a
algumas perguntas. Ele fez algumas perguntas rapidamente. Eu estava me
deslocando na hora e, no final, eu lhe solicitei muito nitidamente, muito
claramente, por favor, não publique nada. Eu não quero conversar com a
imprensa.
Eu fui surpreendido,
dois dias depois, até porque no local onde eu estava, no interior de Santa Catarina,
eu não tinha acesso à revista, com a informação de que havia saído uma
entrevista.
Na realidade, a
entrevista contém algumas informações que dei, mas contém também
interpretações, contém informações parciais, contém algumas análises e
conclusões que não conferem com o meu pensamento. A montagem da entrevista foi
o que mais me surpreendeu, porque eu não fui informado que estava dando uma
entrevista. Eu fui solicitado a prestar alguns esclarecimentos. Acredito que...
Eu não fui informado se estava sendo gravado ou não, mas eu acredito que é de
praxe, que é de comportamento usual, a gravação. Acho que os senhores podem
verificar isso solicitando toda a degravação. Os senhores vão perceber que
diversas vezes eu frisei: não quero falar com a imprensa, por favor!
Da última vez, eu
solicitei, por favor, que ele compreendesse a situação em que eu estava vivendo
e parasse de me ligar. Foi nesse contexto que eu conversei com o repórter.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, quando foi ouvido
pelo repórter, não estava sob compromisso. Portanto, se lá faltou com a
verdade, não tem importância. O problema é moral, ético, mas aqui V. Sª está
sob compromisso. Por isso, como cautela, na CPMI, tal qual se procede em juízo, nós gostaríamos de alertá-lo para
isso: no decorrer de todo o questionamento que iremos formular, V. Sª deve
lembrar-se de que está sob compromisso. V. Sª...
O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT – SP) – Pela ordem, Sr.
Presidente.
O depoente disse que
a entrevista poderia ser degravada. Pergunto se ela foi gravada.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATTO – Eu não tenho essa informação. Eu acredito que, sempre,
quando um repórter conversa com uma pessoa, ele grava.
O SR. JOSÉ EDUARDO
CARDOZO (PT – SP) – Nem
sempre.
O
senhor não sabe se foi gravada?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATTO – Ele não me
informou se estava gravando ou não.
O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT – SP) – Foi por telefone?
O SR. RELATOR ( Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª...
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Foi por telefone.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATTO – Foi pelo telefone
celular, inclusive não meu. Foi um momento assim... Era um final de tarde, e eu
estava bastante apreensivo com algumas informações que minha irmã havia me
passado sobre resultados médicos. Aí tocou o telefone da minha esposa, apareceu
no visor: chamada não identificada. Eu atendi. Era o repórter novamente. Ele
disse: “Olha, tudo bem se você não pode vir a São Paulo, se você não quer dar
entrevista, mas você poderia me auxiliar, porque eu já reuni bastante material
e eu queria que você me auxiliasse a sanar algumas dúvidas”. Eu disse: “Olha,
se for rápido e eu puder ser útil...” Mas, no final, eu frisei mais uma vez:
“Eu não quero dar entrevista. Por favor, entenda minha situação. Pare de me
ligar. Não publique nada, por favor, sem conversar com meu advogado”. Ele
chegou, depois, a fazer um contato com o Dr. Mário, chegou a marcar e a agendar
uma conversa e não apareceu, e apareceu a matéria, que eu fiquei sabendo a
posteriori. Quando tive acesso, eu disse: “Olha, tem interpretações, tem
algumas informações aqui que eu prestei, mas tem interpretações, tem
conclusões, tem frases que não correspondem ao sentido que eu quis dar na hora
em que tentei auxiliar o repórter”.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu queria insistir
nessa última manifestação de V. Sª, quando diz que houve conclusões e
interpretações. Portanto, aí é uma manifestação do jornalista. Só que agora V.
Sª fez referência a frases. A pergunta é: existe alguma afirmação no texto
atribuída expressamente a V. Sª que, se formos confrontar com uma eventual
degravação, não corresponde com a sua manifestação?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Existe uma frase
dizendo que quem tomou a decisão foi o Presidente Cássio Casseb. Eu disse que
quem tomou a decisão foi o Conselho da Visanet, de que participavam o
Presidente Cássio Casseb, o Vice-Presidente Edson Monteiro e o Diretor de
Varejo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quem presidiu o
Conselho?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não tenho essa
informação. Eu recebi a informação de que o Banco, àquela época, era
representado pelo Conselho da Visanet por essas três pessoas. Depois houve a
alteração. Com a saída do Presidente Cássio Casseb, acredito até que antes da
saída dele, ele foi substituído pelo Vice-Presidente de Tecnologia, Cerqueira
César, e com a saída do Dr. Fernando Barbosa, ele foi substituído pelo novo
Diretor de Varejo, Dr. Paulo Bonzanini. Não sei se o Dr. Edson foi substituído
ou não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Numa dessas passagens,
V. Sª diz assim: “Chegaram para mim com o documento pronto para assinar. Já
tinha até parecer de auditoria. Faltava o meu ‘de acordo’. E eles disseram que
os outros bancos sócios da Visanet também faziam assim”. Quero dizer que as
informações que temos da Visanet em relação aos outros bancos é que eles não
anteciparam pagamentos.
Vamos por partes.
Primeiro V. Sª disse que eles chegaram com o documento pronto. Quem são eles
que chegaram, onde V. Sª estava quando foi abordado e por quem?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Eu estava na Diretoria de
Marketing, conforme eu já relatei na minha exposição inicial, e eles
chegaram...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eles chegaram de caso
pensado para resolver aquele problema... As pessoas juntas, com o documento,
para recolher a sua assinatura?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Exato. Chegaram...
Deixa eu lhe explicar. O Diretor de Varejo e o Gerente de Propaganda vieram até
a minha mesa com o documento e passaram a me relatar o que era aquele
documento. Disseram: “Olha, o Banco participa como acionista da Visanet através
do banco de investimento e a Visanet disponibiliza para os acionistas, os
cotistas, um recurso anual, que é decidido no Conselho – conforme eu descrevi e
consta da minha exposição inicial –, proporcionalmente, e este ano a decisão do
Conselho atribui ao Banco uma importância de, aproximadamente, 24 milhões – na
nota estava escrito –, e nós temos, então, que, como a decisão já é da Visanet,
nós temos, agora, que acertar a estruturação das campanhas para utilizar esses
recursos e montar um plano de utilização e dar o ‘de acordo’ nessa proposta que
a Diretoria de Varejo, junto com a área de cartões, estava trazendo.
Eu
fiz as perguntas que eu já relatei no início para me inteirar mais do assunto
porque, para mim, aquele processo era um processo novo, e, como não constava do
orçamento do banco, eu havia acompanhado todo o processo de orçamento do banco
até a aprovação na Secretaria de Comunicação do Governo, do plano anual, que
era conseqüência do Orçamento – do Plano Anual de Comunicação, Marketing,
Publicidade e Propaganda.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas do Plano Anual não
constava?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Do Plano Anual não
constava e, por isso, foi-me dada a justificativa de que aquilo não poderia
constar porque não eram recursos do banco e que esses recursos não transitavam
pelo banco. Era uma decisão da Visanet, do Conselho da Visanet, junto com os
conselheiros do banco, com a diretoria do banco, de que isso não transitasse no
banco.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se esses recursos eram da
Visanet, como eles eram aportados à Visanet?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não tenho essa
informação, eu não participava de nenhuma instância da Visanet.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Convenhamos, Pizzolato, V.
Sª não tem porque o fato não é esse, esses recursos não eram aportados à
Visanet. Tanto é que foi o Banco do Brasil que assinou o cheque e passou o
cheque. Como é que esse recurso era aportado da Visanet?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Desculpa, Sr.
Relator. Os recursos eram aportados da Visanet para a agência de publicidade,
não eram do Banco do Brasil. Os recursos nem passavam pelo Banco do Brasil.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem liberou os recursos,
quem passou os recursos para a DNA foi o banco do Brasil, com essa seqüência de
autorizações todas a que vocês procederam.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não tenho...
O
SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Saiu da conta do Banco do
Brasil, foi para depósito no Banco do Brasil.
O
SR. HENRIQUE PIZZOLATO – Eu não tenho, Sr. Relator... eu não tenho essa
informação de como eram feitos os procedimentos porque não era da minha alçada.
A única informação era...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, me
permita auxiliar o relator. Deputado Osmar Serraglio, talvez V. Exª pudesse
mostrar ao depoente o documento em que ele autoriza esse aporte financeiro da
Visanet à DNA, inclusive tem o “de acordo” dele aqui, a assinatura, em
06/05/2003. Como o depoente não lembra de muita coisa – geralmente, ele nem
lembra de muita coisa – talvez fosse interessante mostrar este documento,
porque ele talvez lembre.
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Deputado Eduardo Paes, parece-me
que a questão é um pouco diferente. Foi o Banco do Brasil, segundo o Deputado
Osmar Serraglio, que fez o aporte para a DNA e não a autorização para que a
Visanet fizesse o aporte para a DNA. É isso?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Se eu puder
auxiliar no...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas eu insisto: como é que
esse recurso chegava à Visanet? Como é que era feito esse aporte?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – No gráfico, Sr.
Relator, nessa planilha que eu mostrei para o senhor tem o fluxo. A Visanet
constituía o Fundo Visanet, que era comum a todos os acionistas, e a Visanet
creditava o recurso à agência de publicidade. A única exigência que o banco
fazia é que a agência de publicidade tivesse conta no Banco do Brasil, que essa
conta fosse uma conta do Banco do Brasil, o que era coerente, porque o Banco
não iria permitir que recursos migrassem para outro banco concorrente. Mas o
fluxo não era do Banco do Brasil. O Banco do Brasil era representado no
Conselho pelos três conselheiros. No Conselho da Visanet era decidido o volume
de recursos total e, por sua vez, a fração de cada acionista. Esses recursos
compunham o Fundo Visanet, que não era um fundo exclusivamente para marketing.
Ele atendia também outros requisitos, como, por exemplo, compra de cartões
plásticos, softwares, alguma coisa de tecnologia ou alguns outros eventos com a
Diretoria de Distribuição, de Promoção, com os gerentes.
Desse Fundo Visanet,
a parte que era de marketing, que a Diretoria de Varejo e a Gerência de Cartões
informavam à Diretoria de Marketing, nós, a Diretoria de Marketing não detinha
a informação de quanto era, de como era. Era a Diretoria de Varejo que... Por
isso, surgiam as notas técnicas internas, e esta aqui é uma nota interna do
banco. Ela surgiu na Diretoria de Varejo porque ela detinha a informação de
qual era o valor e trazia um pequeno esboço, que depois era detalhado, de quais
eram as principais campanhas e os eventos para os quais seriam utilizados
aqueles recursos. Aí, então, era creditado da Visanet para a agência de
publicidade, numa conta do Banco do Brasil da agência de publicidade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, o Fundo era
composto por três grandes grupos: Banco do Brasil, Bradesco e outro grupo.
Agora, cada um administrava o seu cartão, a promoção do seu cartão.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Exato. Cada banco
fazia seu plano de utilização dos recursos para manutenção da venda, ampliação
de venda ou acréscimo de utilização do cartão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sei. Mas cada banco também
poderia decidir não necessariamente de acordo com a proporção que tivesse
dentro da Visanet no sentido do investimento. Porque, perceba, se você tem um
cartão com determinada especificidade que identifica imediatamente com o Banco
do Brasil, vocês fariam uma promoção que poderia ser diferenciada em relação a
um outro grupo que também tivesse cartão Visa mas não tivesse tanto recurso
para promovê-lo.
Primeira pergunta:
essa definição dos recursos do Fundo Visanet obedecia rigorosamente à proporção
da sua integração, ou cada grupo poderia investir segundo o seu interesse de
retorno na utilização do fundo? Portanto, quanto maior a divulgação do seu
cartão, maior a participação do mercado.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não tenho essa
informação de forma precisa, Sr. Relator, porque eu não fazia parte de nenhuma
instância da Visanet. Mas pressuponho...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas enquanto diretor de
marketing do banco...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – ...que os outros
bancos não permitiriam que fosse feita uma divisão desproporcional a cada
banco, porque senão um concorrente estaria ganhando o espaço do outro. Havia
uma disputa de mercado nisso. A informação que me foi trazida era de que o
banco detém em torno de 30%.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, não havia disputa, na
verdade, de mercado. Se todos eram obrigados a obedecer a um determinado
padrão, ninguém poderia avançar mais em relação aos outros.
Essa definição do
valor, V. Sª afirma que necessariamente é atrelada à porcentagem de 31%? Isso a
contabilidade da Visanet vai evidenciar.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não tenho, Sr.
Relator, nenhum documento da Visanet. Nunca a Diretoria de Marketing teve
acesso a documentos da Visanet. Eu tenho a nota que a Visanet publicou, dizendo
que, “em 2001, a Visanet criou o Fundo Visanet com o objetivo exclusivo de
simular as ações de marketing dos bancos sócios da Visanet, de modo a cumprir a
sua meta de crescimento e comercialização e da utilização dos cartões de
crédito e débito com bandeira Visa.” E prossegue: “Cada um dos 23 bancos
associados à Visanet, além da Visa, são gestores de uma cota desse fundo de
incentivo, que é proporcional a sua participação acionária na Visanet”. Esta é
a nota da Visanet.
A Visanet aloca os
recursos aos acionistas, segundo os planos estratégicos de marketing adotados
por ela, para investimentos em propaganda e promoção dos cartões de crédito e
débito com a bandeira Visa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Percebe essa afirmação:
“segundo os planos de cada um”. Uma coisa é gerir a cota, enquanto cota, em uma
empresa. Outra coisa é nós termos interesses específicos dentro de um universo
em que setorizamos e temos interesses e aplicamos essa regra final, quando ela
diz que cada um faria seus planos de marketing e, portanto, evidentemente, com
os custos correspondentes.
Na verdade, o Banco
do Brasil é que administrava os seus 31%, ou 31,8%, dentro dessa empresa, com
os planos que entendesse devessem ser aqueles que melhor dessem proveito. A
definição toda era do Banco do Brasil. Havia na Visanet um corpo que
verificasse se os planos de marketing, enfim, os eventos deveriam ser aqueles,
tais ou quais? Ou a Visanet é uma ficção, é uma empresa jurídica, cuja gestão
cada um faria, segundo essa divisão?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Sr. Relator, apenas para
informá-lo. Entrei em contato, neste momento, agora, com o jornalista Leonardo
Attuch*, que é o autor da matéria, e ele informa que, de fato, a entrevista foi
gravada, mas foram quatro conversas. Apenas uma não foi gravada. As outras três
foram gravadas, e ele se dispõe a localizar as fitas e encaminhar, se possível
ainda agora, a esta Comissão Parlamentar de Inquérito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, mais uma vez, percebe
que poderemos ter, até o fim da tarde, prova...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sem dúvida.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – ...que infirme eventuais
manifestações que aqui hoje apresente.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Relator, se a
fita for degravada na íntegra, o senhor ouvirá, várias vezes, a minha recusa em
dar entrevista. O que eu queria lhe responder sobre a pergunta que o senhor
estava fazendo, é que a Diretoria de Marketing, junto com a Diretoria de
Varejo, propunha um plano de utilização dos recursos. Esse plano quem remetia à
Visanet não era a Diretoria de Marketing. A Visanet diz, inclusive, na sua
nota, que ela aprovava os planos para então liberar os recursos correspondentes
àqueles planos. Mas...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se fosse assim...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Mas à Diretoria de
Marketing competia estruturar um plano, campanhas, patrocínios, numerá-los,
tentar ajustá-los cronologicamente, até a utilização daqueles recursos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, quando V. Sª diz que
é a Visanet que procedia, V. Sª quer dizer que a decisão de antecipar o
pagamento foi generalizado, da Visanet para todos? Todos os cotistas? Se era
ela que decidia... Não é possível que ela tenha decidido só no caso do Banco do
Brasil que se paga antecipado. Nos outros não.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não tinha essa
informação e não tinha poderes junto à Visanet. Eu não ocupava nenhuma
instância. A Visanet tinha um Comitê de Marketing que analisava essas propostas
– pressuponho que de todos os cotistas – do Banco do Brasil e que tomava as
decisões. Porém, no Comitê de Marketing da Visanet, quem representava o Banco
não era a Diretoria de Marketing, era outra diretoria do Banco. Era a Diretoria
de Varejo. Então, a minha alçada ficava... A alçada da Diretoria de Marketing
ficava restrita às informações que recebíamos da Diretoria de Varejo, que, na
seqüência, era um pouco porta-voz das decisões do Conselho, junto com a
Gerência de Cartões de Crédito, que é uma subsidiária integral do Banco do
Brasil, e estruturava a utilização daqueles recursos sempre com metas. Se o
senhor observar, não tenho todas as notas, solicitei ao Banco, mas o Banco até
hoje não conseguiu me fornecer todos os documentos, há sempre uma meta de
crescimento que vincula a um resultado financeiro. Então, acredito que o Banco
se comprometia a realizar isso internamente. Acredito que isso era repassado à
Visanet. Mas eu não era o responsável, não tinha contato...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só para... Se V. Sª estava
tão alheio a essas decisões todas, por que essa preocupação toda em dizer que
não tinha nada com decisão e que o “de acordo” foi de certo modo compelido a
que fosse assinado? A Diretoria de Marketing não tinha absolutamente nada a ver
com isso?
No entanto, os documentos
foram assinados, essas liberações foram assinadas por V. Sª.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Diretoria de
Marketing tinha o compromisso de estruturar campanhas para utilizar esses
recursos, em eventos como, por exemplo, o Torneio de Tênis em Sauipe, em que
eram utilizados recursos do Fundo Visanet ; o patrocínio de atletas, como os do
vôlei, Ricardo e Emanuel, Shelda e Adriana; o Festival de Música de Brasília;
os outdoors e outras exposições visuais do Banco em aeroportos; o chamado envelopamento dos ônibus no
aeroporto de Congonhas; o Festival de Cinema de Brasília; o Festival de Inverno
de Ribeirão Preto; comerciais que fazíamos constantemente. Tudo isso compunha
um plano de utilização que a Diretoria de Marketing estruturava com base na
informação de que o montante de recursos era aquele e isso era repassado para a
Diretoria de Varejo e para a Gerência de Cartão que iam até a Visanet e aí acredito discutiam e acertavam, mas a
Diretoria de Marketing não tinha acesso à Visanet , não se reportava à
Visanet e não recebia nenhum documento
da Visanet . Inclusive as prestações....
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É que V. Sª está partindo
para uma fase mais a frente, que é a da execução, mas a decisão primeira e
necessária era da Diretoria de Marketing, tanto é que havia a necessidade da
sua manifestação.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Desculpe, Sr.
Relator, a necessidade de manifestação da Diretoria de Marketing significava
que a Diretoria de Marketing, com sua estrutura técnica, formularia campanhas,
em conjunto com a área gestora do cartão, para utilizar os recursos. Caso a
Diretoria de Marketing dissesse Não, esses recursos teriam que ser utilizados
por uma outra estrutura de marketing que não fosse a Diretoria, o que era um
pouco irracional.
A Gerência de Cartões
teria que buscar uma estrutura de marketing própria para fazer o marketing dos
cartões. E ela era uma subsidiária integral do Banco do Brasil. Mas o restante
das decisões não estavam no âmbito nem na alçada da Diretoria de Marketing. A
Diretoria de Marketing não compunha conselho, não participava do Comitê de
Marketing, não tomava decisões, não se reportava ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse parecer a que V. Sª se
reporta tinha até parecer de auditoria. Esse parecer se reportava a quê?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Era parecer
jurídico.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Afirmando o quê?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Que o procedimento
do Banco, fazendo com que os recursos não passassem pelo orçamento do Banco,
mas fossem da Visanet para a agência de
publicidade, que aquele procedimento era correto. Não competia à Diretoria de
Marketing fiscalizar isso, competia à contabilidade e à área jurídica. Isso foi
apenas me apresentado por acréscimo porque eu estava me inteirando do assunto,
quando foi me dito que não era um procedimento novo. O Banco, quando iniciou
esse procedimento em 2001, o fez baseado em pareceres, em documentos que lhe
dessem respaldo e conforto.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, fica em aberto. É
difícil a interpretação exata dessa competência, porque, ao mesmo tempo em que
V. Sª foi o tempo todo questionado e transferiu a decisão de tal forma que
teria sido compelido a assinar, agora praticamente não teria nem por que assinar,
porque, na verdade, tudo quem decidia era a Visanet. E eu insisto no que
colhemos: é que a Visanet tem uma partilha de competências, uma das quais cabia
ao Banco do Brasil, que tinha absoluta autonomia para tudo decidir no que
dissesse respeito ao seu cartão, e é nisso que se iniciava com a participação
de V. Sª, como Diretor de Marketing, tomando as primeiras decisões, sem as
quais era impossível a implementação da seqüência, e uma dessas decisões foi,
ocasionalmente, a de antecipação do pagamento, e daí a própria resistência que
V. Sª tem em reconhecer como própria a decisão, atribuindo-a a outros, tanto é
que diz: Não, que me chegaram com documentos já prontos... o Gushiken... daí
depois no dia seguinte fui falar com o Ministro Gushiken, ele falou que era
para assinar. “O que o Sr. Ministro Gushiken lhe disse? Ele mandou assinar.”
Percebe? Passa a idéia de alguém que tenha sido conduzido a um ato que agora V.
Sª diz: Não esse ato, na verdade, nem me compete. Mas vamos prosseguir. Depois
volto à Visanet, mas quero seguir com a entrevista de V. Sª.
Que outros orçamentos
indiretos existem e que, portanto, o Banco do Brasil entende que não integram o
plano de marketing dele, ou seja, em que outras situações que outras empresas
participam do Banco do Brasil que ele entende “isso é uma coisa da iniciativa
privada, isso não precisa ir para o Tribunal de Contas da União, tal qual a
Visanet”?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Na Diretoria de
Marketing, Sr. Relator, o único recurso era o recurso do fundo emissor Visanet.
Nós...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E em alguma outra Diretoria?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Nós tínhamos,
através de um fórum de coligadas, as informações e buscávamos sinergia. Era um
fórum não deliberativo, junto com as empresas. Esse fórum se reunia
trimestralmente. Não era um fórum estatutário. Tínhamos conhecimento de que nas
empresas participadas do Banco, ou seja, título de capitalizações,
previdência...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Brasil Prev.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– ...a Brasil Prev...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Brasil Veículos.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – ...a Brasil
Veículos...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Brasil Cap.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – ...a Brasil Cap,
que é capitalização, tem uma área de seguridade...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Diretoria de Marketing não
tinha nada a ver com os gastos em publicidade dessas empresas.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não. Essas
participadas tinham uma diretoria, um responsável pelo marketing, as decisões
eram tomadas no âmbito da empresa e a contratação das agências também era no
âmbito da empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Portanto as licitações
realizadas pelo Banco do Brasil não abarcavam essas publicidades.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não abarcavam. O
Banco do Brasil buscava apenas nesses fóruns...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Algumas dessas têm alguma
participação externa, enfim, da iniciativa privada, como na Visanet, ou ela é
integral uma subsidiária do Banco do Brasil?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Nenhuma é integral
subsidiária do Banco do Brasil.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual é a proporção, por
exemplo, na Brasil Veículos do Banco do Brasil?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Não tenho essa informação
precisa, Sr. Relator, mas acredito que deva ser 49%. Não quero aqui prestar uma
informação indevida.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Diretoria de Marketing,
assim como, de alguma forma, precisava dar o seu “de acordo” no caso da
Visanet, também tinha que dar o seu “de acordo” em relação à Brasil Veículos em
relação a alguma coisa de publicidade?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma outra Diretoria do
Banco do Brasil teria que dar o seu “de acordo” na publicidade?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não tinha essa
informação porque não conhecia o fluxograma e como se dava isso, tendo em vista
que essas empresas tinham suas instâncias: tinham suas diretorias, seus
conselhos de administração, nos quais vários membros do Banco participavam,
seus conselhos fiscais. Nunca nada foi trazido para a manifestação da Diretoria
de Marketing. O que nós fazíamos nesses fóruns era buscarmos trocar
conhecimento e saber o que um estava fazendo e o outro também estava fazendo, a
fim de somarmos esforços.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem da Brasilcap?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Nem da Brasilcap.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem da Brasilprev?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Brasilprev tinha
sua agência, tem sua diretoria. A Brasilcap também tem sua agência e sua
diretoria.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nessas empresas, eles
procediam a licitação ou era uma decisão da diretoria, em relação à escolha das
agências?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não tenho a
informação precisa, mas a informação que eu tinha era de que não havia
necessidade de fazer licitação. Eu não posso lhe dar essa informação de forma
precisa. Eu nunca fui informado, nunca fui convidado para participar ou tomar
conhecimento da licitação dessas empresas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Também em relação à própria
Visanet, quando V. Sª foi falar com o Ministro Gushiken em relação aos
orçamentos indiretos, ele lhe teria dito o seguinte: “Poxa, o diretor de varejo
tem um orçamento de marketing tão grande quanto o do banco, ou maior.”.
Prossigo e, aqui, é
afirmação de V. Sª: “E não eram recursos do Banco do Brasil, mas das empresas
coligadas.”.
Agora, quero-lhe
perguntar sobre esta afirmação que vem na seqüência: “Só que toda campanha
tinha que ser aprovada pela Secom.”. Isso é verdadeiro? Essa afirmação?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não. Toda campanha
que usasse orçamento do banco. Houve um circuito de comunicação, ou ele
entendeu de forma equivocada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, aqui, é afirmação sua.
Quando V. Sª foi interrogado, a afirmação sua foi a seguinte: “Eu estive com o
Ministro Gushiken e o próprio Ministro se manifestou surpreso porque, na
verdade, havia um orçamento paralelo, quase igual ou superior ao do banco.” - e
que, portanto, teria um tratamento diferenciado. E, aí, vem a afirmação de V.
Sª: “Mas, mesmo assim, todas as campanhas tinham que ser submetidas à Secom.”.
Essa afirmação não está na gravação que iremos ouvir.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Olha, o que quero
frisar, Sr. Relator, não foi... Quero que o senhor entenda a forma como foi
feita a entrevista e o momento, mas eu tinha certeza absoluta de que isso não
era subordinado à Secretaria de Comunicação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, V. Sª, quando foi
lá... Bom, prossiga.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Se houve um
truncamento de informação ou de entendimento, eu gostaria que ficasse bem
claro. Eu nunca tive conhecimento de que as coligadas do banco submetessem as
suas campanhas à Secom, até porque elas não passavam pela diretoria de
marketing do banco, elas eram decididas...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, quando V. Sª foi
conversar com o Gushiken foi uma homenagem a ele? Não havia por que tratar do
assunto Visanet com ele?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, o assunto
Visanet eu levei ao Ministro porque quem iria operacionalizar as campanhas
seria diretoria de marketing do Banco do Brasil e as campanhas que o banco
faria com recursos da Visanet levavam a assinatura do Banco do Brasil. As
campanhas realizadas pelas coligadas do banco não obrigatoriamente levavam a
assinatura do Banco do Brasil.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso nós sabemos. Nós
queremos, especificamente, Banco do Brasil. Agora, V. Sª acaba de falar que
quem iria operacionalizar as campanhas seria o Banco do Brasil, portanto, a
definição, inclusive quanto a valores dessa operacionalização - e V. Sª acabou
de afirmar, dá até para ouvir na degravação -, cabia à diretoria de marketing.
Eu escutei isso.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Vou ser preciso,
Sr. Relator, porque a gente está tendo algum... Eu não sei se estou tendo
alguma dificuldade em me expressar. A diretoria de marketing era prestadora de
serviço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Operacionalizava para a
Visanet aquilo que havia sido definido como plano?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Operacionalizava
através da diretoria de varejo ou, eventualmente, outras diretorias. A Visanet
não se dirigia à diretoria de marketing.
Como eram os
procedimentos, que tentei descrevê-los, rapidamente, na minha exposição
inicial? Fiz...
O SR.
PRESIDENTE-RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª também faz referência, para insistir nesta minha
visão, ao acompanhado que, depois, até institui uma forma de acompanhar. Por
quê? Já que isso não tinha nada a ver com V. Sª!
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Porque a
minha parte era a de estruturação técnica, Sr. Relator. Então, eu não
acompanhava o sistema de pagamento, que era de responsabilidade de uma outra
Diretoria. O que eu acompanhava era se as campanhas e os patrocínios que
o Banco fazia, se traziam resultados negociais ao Banco. Por exemplo, quando
fazíamos um evento de vôlei, tínhamos um sistema. A partir da criação dessa
gerência de controle e acompanhamento, sabíamos quantos clientes do Banco
tinham estado naquele evento, identificávamos qual era o perfil do cliente do
Banco, se era ou não um cliente coorporativo, quantos jovens, quais as pessoas
que não eram nossos clientes, mas que gostariam de sê-lo, e, a partir disso,
formávamos um banco de dados para fornecer para as áreas de negócios para que
os investimentos que o Banco fizesse, na realidade, trouxesse...
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O acompanhamento é quanto à
produção e não quanto à parte financeira.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Exato.
O SR. PRESIDENTE (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A quem a DNA apresentava o
resultado dos gastos que seriam computados nos adiantamentos?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Quem pagava,
dentro do processo de sedimentação que eu mostrei a V. Exª do Banco e da
estrutura, era a Diretoria de Logística. Pagamentos era a Diretoria de
Logística. Depois, a Diretoria de Controle fazia a checagem e a Auditoria
conferia os processos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, tendo em
vista o assunto tratado neste momento, quero dizer a V. Exª que eu não consigo
ouvir o Depoente afirmar coisas absurdas e ficar calado.
Tenho aqui um
documento que trata de um famoso evento que, na verdade, trouxe a público essa
figura e o Sr. Delúbio Soares. Diz, aqui, que, nas promoções da Visanet, ele
não tinha qualquer tipo de ingerência. Na verdade, ele era meio que um fiscal
da Diretoria de Marketing. Lembro-me do show do Zezé de Camargo e
Luciano, que foi feito com recursos da Visanet – o dinheiro era da Visanet –,
aqueles R$70 mil famosos que o Banco do Brasil teria colocado para comprar
ingresso para o show para patrocinar o PT. Então, tenho toda a documentação,
fruto de um requerimento de informação de minha autoria, encaminhado ao
Ministro da Fazenda e respondido prontamente, que mostra que quem decidiu a
ação e a operacionalização de marketing foi a Diretoria de V. Sª. Portanto, eu
trataria deste assunto mais tarde, Sr. Presidente, apenas para que V. Exª saiba
que o Depoente continua com a velha prática que adotou em seu primeiro
depoimento de não dizer a verdade. Os documentos estão aqui assinados pelo Sr.
Pizzolato e, em diversos pontos, ele discute e debate essa promoção, inclusive
afirma, em nota à imprensa, que “discutiu com a agência responsável pelo evento
por diversos meses”. Decisão da Diretoria de Marketing de pegar R$70 mil da
Visanet e gastar no show de Zezé de Camargo e Luciano. Sinceramente, não
quero nenhuma explicação de V. Sª porque V. Sª não explica nada.
Sr. Presidente,
quero, aqui, contestar e deixar claro que esta Comissão tem que ter limites,
porque temos informações e provas contundentes de que o depoente esta faltando
com a verdade. Temos que começar a estabelecer esses limites. Do contrário,
vamos pôr fim aos depoimentos. Temos documentos que comprovam tudo o que o
Relator está falando ali, e não perdemos tempo aqui ouvindo tanta inverdade,
tanta mentira como estamos ouvindo.
Então, Sr. Relator,
se V. Exª precisar de um elemento que prova que o que ele está dizendo é
mentira, está aqui em minhas mãos. Agora, não sei se o senhor não deveria
começar a aplicar as regras necessárias para aqueles depoentes que vêm aqui,
faltam com a verdade, mentem e não detêm habeas corpus para ficar
mentindo aqui.
O SR. JOSÉ EDUARDO
CARDOZO (PT – SP) – Para uma
questão de ordem, Sr. Presidente.
Fui informado de que
ao depoente foi negado um pedido de habeas corpus. A condição em que ele
está depondo é de testemunha ou de investigado?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De testemunha. Já adverti
sobre isso.
O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT – SP) – Eu gostaria que V. Exª advertisse o depoente das
penas da lei, inclusive da possibilidade de prisão em flagrante no caso de
faltar ou omitir a verdade.
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – O Relator fez este alerta ao
depoente no início; agora, eu só pediria, no caso, para disciplina dos
trabalhos...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, peço desculpas, mas é porque
os elementos estão aqui colocados. De fato, todos os elementos necessários...
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Sou capaz de entender até a
revolta de V. Exª, Deputado Eduardo Paes.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Claro, tenho certeza que V. Exª dela
compartilha.
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Mas apenas por uma questão de
disciplina dos trabalhos e para que o tempo possa ser dividido...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, só para ficar muito claro, os
elementos necessários para a prisão do Sr. Pizzolato estão aqui colocados; a
prova está aqui. Só para ficar claro. Esta Comissão não quer fazer isso, não
deseja fazer isso, mas não é possível que fiquemos aqui como paspalhos, e as
pessoas que nos assistem pela televisão, ouvindo tanta mentira.
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – Com a palavra o Sr. Relator.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Essa
pergunta é extremamente feliz, porque se o Deputado tiver em mãos toda
documentação, ela vai comprovar exatamente essa planilha, a demanda foi da
Superintendência do Distrito Federal, que solicitou à diretoria de marketing,
por meio da diretoria de varejo, que fosse estruturado um evento para promover
e ampliar a venda de cartões de crédito. E essas ações foram demandadas de uma
agência. Inclusive essa documentação detém o resultado financeiro que o banco
obteve depois da realização do evento, que, se não me falha a memória,
ultrapassou R$700 mil. Tem todas as pessoas
que foram beneficiadas, tem as cartelas das pessoas que foram premiadas, o
processo de sorteio. Era toda uma campanha de promoção, como são realizadas
campanhas de promoção. E essa era a competência técnica da diretoria de
marketing – ela recebia a demanda. Uma área de negócio do banco necessitava
ampliar a sua venda, ou necessitava esclarecer seus clientes ou lançar um novo
produto. Os recursos eram da diretoria. A diretoria demandava a área de
marketing; a área de marketing estruturava a campanha por meio de um briefing.
Essa é a seqüência em todos os processos de marketing. Era realizada a
campanha e depois era medido o resultado da campanha por meio da gerência de
controle e acompanhamento, em conjunto com a diretoria demandante. A diretoria
de marketing era prestadora de serviço. Ela não podia tomar decisão isolada sem
passar pelos comitês, até porque o dinheiro não era dela.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – V. Sª sabe que houve uma mudança de procedimento em relação à publicidade
vinculada ao Banco do Brasil entre as administrações FHC e Lula. Como era
realizada a parte do Banco do Brasil de publicidade da Visanet quando V. Sª
assumiu a diretoria de marketing? Quais as agências que procediam e como elas
compartilhavam essa publicidade da Visanet?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – As
informações que eu recebi à época eram de que os procedimentos foram
rigorosamente os mesmos que estavam sendo propostos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os mesmos do Banco do Brasil.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Os mesmos do Banco
do Brasil.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Das três agências...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Desde a criação do
Fundo Visanet em 2001. O que houve foi uma mudança na estrutura de negócios do
Banco no último semestre de 2002, e o Banco passou a adotar três pilares
negociais. Aí, tendo três agências, cada uma ficou responsável por um dos
pilares negociais. Anteriormente, o Banco não detinha essa estrutura do pilar:
varejo, como expliquei inicialmente, que eram as pessoas físicas; o pilar
atacado, as pessoas jurídicas; e o pilar governo, que eram os governos
municipais, estaduais e o Poder Judiciário. Então, os negócios do Banco a
partir do segundo semestre de 2002, passaram a ser realizados dentro dessa
estrutura de três pilares. Cada agência detinha um desses pilares em função da
sua expertise e das suas afinidades, dentro do critério já estabelecido nos
contratos e no edital de convocação: que nenhuma agência poderia faturar menos
de 25% do orçamento do conglomerado ou mais de 40%.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No caso da Visanet, quem
prestava esses serviços era uma agência ou elas obedeciam a essa expertise?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, quando a
campanha era referente a produtos de varejo, a grande maioria das campanhas,
porque o cartão de crédito é quase essencialmente um produto do varejo, ia para
a DNA, a responsável pelo varejo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas às outras, em algum outro
segmento da Visanet do Banco do Brasil, outras agências prestavam.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Prestavam. Por exemplo, se um
cartão de Visa Alimentos fosse negociado com empresas corporativas, e o Banco
necessitava fazer divulgação e promoção.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa conduta foi alterada sob
seu comando.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, continuou a
mesma, Sr. Relator. O que acontecia era que, mesmo o recurso da Visanet estando
na DNA, quem fazia a campanha era a agência responsável pelo pilar atacado ou
pelo pilar governo. Aí, as despesas eram pagas com recursos Visanet da DNA.
Portanto, o fato de a Visanet ter transferido os recursos para a agência DNA
não significava obrigatoriamente que os recursos seriam todos utilizados em
campanhas realizadas pela DNA. Isso pode ser comprovado pela documentação do
Banco, que as outras agências também sempre utilizaram recursos. Ela seguia
essa sedimentação.
É importante eu lhe
dar uma informação...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nós tivemos inclusive o
depoimento do representante da Lowe, que reconheceu aqui a exclusão, tanto que
ele disse ter-se sentido bastante prejudicado, pois a sua receita caiu
expressivamente. Portanto, esse raciocínio que V. Sª pretende nos passar colide
até documentalmente, porque todos os pagamentos foram feitos à DNA,
diferentemente do que se procedia no mandato anterior, quando as empresas
prestavam serviços; nessa, se canalizou para a DNA e ainda remanesceria a
possibilidade de serem subempreitadas pela DNA. Aí, seria minimamente para
ocultar a concentração, porque 90% eram para a DNA e, eventualmente, uma
migalha ia para a Lowe. Aqui, ficou reconhecido isso. Isso não é verdadeiro?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Os recursos que
foram à Lowe foram antes de a Lowe passar a ser a responsável pelo pilar
governo, pelo pilar do Poder Judiciário e pelas campanhas institucionais...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não houve um momento em que a
Lowe se sentiu alijada desse sistema porque tudo se dispôs em favor da DNA...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Relator, o
Banco tinha de seguir uma norma contratual. Tendo a Lowe começado a fazer as
campanhas dos outros pilares e a campanha institucional, se ela continuasse
fazendo as campanhas de cartão, estaríamos extrapolando o limite máximo de
faturamento para as agências, que era de 40% dos recursos orçamentários. A
Lowe, então, continuou faturando alguns produtos que estavam vinculados à área
dela, mas o restante foi para a DNA, que tinha exatamente a sinergia, porque
eram produtos de varejo e era o cartão. Há de se considerar também que a Lowe
ficou no Banco apenas até setembro. Então, o faturamento que ela teve no Banco
não foi um faturamento relativo ao exercício integral.
Eu poderia citar, por
exemplo, que as campanhas que a Lowe fez no período em que eu estava na
Diretoria de Marketing foram menos numerosas, mas foram campanhas grandes. A
primeira campanha de apresentação do Banco, que era uma campanha que
apresentava um cofre se abrindo, foi a agência Lowe que fez. Então, as
campanhas de varejo eram campanhas menores e mais freqüentes. Havia um pouco
desse entendimento entre os próprios gestores dos negócios e as agências, em
busca da afinidade e da expertise que as agências tinham. Lembro, na
época, que o presidente da Lowe esteve me visitando e disse que estava muito
satisfeito em fazer a campanha institucional do Banco, que foi a maior
campanha...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas isso, provavelmente, não
foi no período em que a Visanet lhe foi retirada.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Na realidade, Sr.
Relator, a informação de que foi retirada não é uma informação precisa. Houve
uma escolha. Ele não poderia ficar acumulando uma parte da área de varejo e uma
outra parte, porque estaríamos nos afastando da linha estrutural da decisão da
Diretoria do Banco, que eram os três pilares.
A conta Visanet era
uma conta quase que hegemônica de pessoa física. Eu disse, a ressalva – e o
senhor pode verificar a comprovação de documentos do Banco –, que as outras
agências também realizaram campanhas e eventos com recursos Visanet, mas é
óbvio que em menor proporção – tudo isso está documentado no Banco.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu quero insistir porque, ao
longo da entrevista de V. Sª, há afirmações como: “Ele mandou assinar...”;
“Quase apanhei...”; “Eu nunca tinha visto isso, mas me disseram que tinha de
ser feito assim”. Que afirmações são essas, feitas ao longo da entrevista, não
isoladas em determinados questionamentos? Agora lhe parece tudo normal? Essas
afirmações se reportavam a quê? A que V. Sª foi compelido? O que o surpreendeu?
O que “nunca era assim e me disseram que tinha de ser feito”?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Primeiro, Sr.
Relator: eu não tinha conhecimento da existência dos recursos Visanet até
aquele momento e de que o Banco disponibilizava esses recursos aportados pela
Visanet e eu já havia aprovado – na Diretoria de Marketing, pela qual eu era
responsável – um orçamento, um plano anual de comunicação, marketing e
propaganda. Quando eu soube que existiam outros recursos, a minha reação foi
querer saber como é que isso seria incorporado, como é que eu levaria essas
informações, que foi o que fui informar ao Ministro, de posse das informações
de que aqueles não eram recursos do Banco e, portanto, não agregariam o
orçamento.
A outra expressão –
“Quase apanhei” – usei porque, numa conversa com o Presidente do Banco e o
Diretor de Varejo, insisti que, para melhor forma de controle, tendo em vista
que mensalmente apresentávamos um relatório detalhado, com todas as
informações, item por item, de como estavam sendo gastos os recursos do
Banco... Esse relatório, Sr. Relator, tinha detalhes em nível de: para a
Campanha Pronaf, por exemplo, foram investidos R$87 na rádio tal do município
tal. Era um relatório muito denso.
O fato de os recursos
Visanet não estarem no orçamento do Banco nos dava um trabalho braçal muito
grande, isso porque os recursos orçamentários estavam dentro do sistema do
Banco, o que permitia que operacionalizássemos esses relatórios e a prestação
de contas de uma forma bem mais rápida, mais adequada e precisa.
Como os recursos
Visanet não estavam, não conseguia juntar, não conseguia trazê-los do sistema
do Banco e a gerência que era responsável por fazer esse relatório tinha que
fazer um processo de coleta de informação.
Então, conversando
com o Presidente e com o Vice-Presidente eu disse que se isso entrasse no
orçamento do Banco... Se isso fizesse parte do orçamento do Banco, facilitaria,
seria mais ágil e teríamos uma única prestação de contas, um único controle e
assim por diante.
A reação deles foi um
pouco descontraída. Eles quiseram saber quanto iriam perder daqueles recursos
porque eles seriam tributados, já que para entrar no orçamento do Banco, teriam
que entrar como dividendo e seriam tributados. E isso não era um dividendo, mas
uma despesa. Então se perderia uma parte dos recursos e estaria gerando um
prejuízo para o Banco. Eles então disseram que iriam estudar outras formas para
ajustar isso. Não iriam criar algo que traria prejuízo ao Banco.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa forma de antecipar o
pagamento, V. Sª quer dizer que não houve nenhuma novidade, nenhuma
modificação? Em 2003 também se procedia assim?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – As informações que
recebi, as notas técnicas que me foram apresentadas, todas comprovavam isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As outras
agências diziam que não era assim. O que ocorria é que se fosse antecipado,
havia todo um planejamento de uma certa produção um tanto quanto imediata e não
alguma coisa que se antecipasse – e disse com essa expressão – no ano, 23 e
pouco de uma vez, depois mais nove, depois mais 35. Ou seja, um cheque em
branco sem a definição do planejamento do que efetivamente se iria gastar.
Essa definição, esse
quadro... V. Sª quer dizer que existe nos assentamentos do Banco do Brasil ou
da Visanet uma definição contemporânea do que se aplicaria no montante de R$35
milhões?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Diretoria de
Varejo e a Gerência de Cartão nos pediam para fazer um planejamento e nós
repassávamos, porque quem fazia o contato...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quer dizer,
em relação aos R$35 milhões quem fez o planejamento foi a Diretoria de
Marketing?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Diretoria de
Marketing junto com Diretoria de Varejo e a Gerência de Cartão. Depois, eles
remetiam para a Visanet. Então era previsto assim: Campanha do Dia dos Pais...
Estou citando um exemplo. Campanha para ampliar a venda com uso de cartão no
Dia dos Pais; campanha para o Dia da Criança; campanha de férias escolares;
eventos tais e tais, como citei há pouco, de uma forma não detalhada. E por
quê? Porque a Diretoria de Negócios se reservava o direito de poder fazer ações
em função da movimentação dos concorrentes. Se um concorrente fizesse uma ação
mais agressiva com relação ao público jovem, a Diretoria do Banco responsável
pelo cartão chegava até a Diretoria de Marketing e dizia: “Temos de
reestruturar a campanha, temos de focar mais no público jovem, porque o Banco
Tal está conseguindo liderar, está incorporando novos clientes e, inclusive,
tomando clientes do Banco”. Então, a verba era reestruturada, realocada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual era a precedência máxima
que V. Sª lembra em relação a um evento em que o pagamento tivesse sido
antecipado? Dia dos Pais, por exemplo, era possível um ano antes programar e
liberar o dinheiro para que, naquele dia, se procedesse à publicidade? Qual era
o intervalo máximo, abstraindo a Visanet? Na Diretoria de Marketing do Banco do
Brasil, qual era a antecipação máxima de tempo em que V. Sª efetuava o
pagamento em relação ao evento que iria ocorrer?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Desculpe-me, Sr.
Relator, a Diretoria de Marketing não realizava os pagamentos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Autorizava, então.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Diretoria de
Marketing, na realidade, fazia a estruturação da campanha e a autorização era
somente depois do evento concluído ou, se o evento tivesse etapas, etapa por
etapa, os documentos eram condensados e iam para a diretoria responsável, que
era a Diretoria de Logística, para fazer os pagamentos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Depois de executados...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Ou o
planejamento...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Havia um planejamento. Depois
de ser executado, era efetuado o pagamento?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O planejamento
anual.
Sobre os recursos
Visanet, se V. Exª observar as notas conjuntas da Diretoria de Varejo e da
Diretoria de Marketing, a Diretoria de Marketing tem as informações de que os
recursos iriam para uma agência, em uma conta do Banco do Brasil. A Diretoria
de Marketing não tinha acesso à conta bancária, não estava especificada a data
em que seria feito o crédito nem a forma de ser feito o crédito. Quem fazia
esse relacionamento Visanet e o crédito, como isso entrava no fluxo de caixa da
Visanet, a Diretoria de Marketing não tinha nenhum acompanhamento, nenhum
conhecimento, nenhuma informação, porque só atuávamos internamente no Banco.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª sabia que o
pagamento foi antecipado?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim. Eu soube
depois que haviam sido feitos créditos, mas eu não tinha uma informação: a
diretoria...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é o que V. Sª diz na
entrevista. V. Sª diz o seguinte: “Eles disseram que tinha de liberar aquele
dinheiro o quanto antes”. Portanto, o quanto antes e como o pagamento foi
antecipado, percebe-se cronologicamente: houve a antecipação, essa conversa é
antes da antecipação, porque tinha de liberar o quanto antes. V. Sª ficou
sabendo antes da antecipação.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu fiquei sabendo
que existia um aporte de recursos para o Banco utilizar, mas se era o total de
recursos – e V. Exª pode comprovar – que, no final do ano, a Visanet informa
que tem mais recursos, eu não tinha acesso a essa informação, Sr. Relator. Eu
não sabia o quanto tinha no fundo Visanet. Eu sabia que existia um aporte de
recursos e nós fazíamos um planejamento...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse aqui é para aporte. Não
estou falando sobre o saldo na conta; estou falando sobre o aporte. Esse
aporte, que mudou em 2003 e se acentuou em 2004, foi sob sua gestão,
antecipadamente, com seu de acordo.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – As notas técnicas
que me foram apresentadas dos anos anteriores também eram realizados aportes
antecipados. Era a mesma...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com um diferencial: nos
outros, havia o planejamento e uma execução um tanto o quanto imediata, um mês
ou dois meses, e, na sua, está em aberto uma parte até hoje.
Quem
acompanhava o lançamento e o abatimento daquele montante liberado? Para se ter
um posicionamento sobre uma utilização ao longo do tempo desbragadamente, vai
dando baixa quando quer. Quem fazia esse acompanhamento?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Nós, da Diretoria
de Marketing, não tínhamos acesso a esses números. A partir de abril de 2004,
eu, perdão... no comitê da Diretoria de Marketing, nós passamos a solicitar da
DNA informações sobre os recursos que já haviam sido utilizados.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse dado que V. Sª
está afirmando, de que até aquela ocasião não faziam.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não. Mas não era de
responsabilidade da Diretoria de Marketing.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – – Mas não é problema de quem seja
responsável ou não. Não estava sendo procedido, porque, se alguém estivesse
fazendo, não haveria por que V. Sª assumir isso.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não. Eu precisava,
Sr. Relator, quero explicar-lhe bem detalhadamente. Os eventos que eram
aprovados sempre constavam aplicações até o máximo de “x”. Um evento gastos de,
no máximo, R$2 milhões. Significava que não obrigatoriamente seriam gastos os
R$2 milhões, e eu não detinha essa informação. Então, solicitei à agência que
me informasse isso a partir de abril, para podermos ter uma noção de como
estava sendo essa relação de utilização e, ao mesmo tempo, eu recebia algumas
reclamações – e houve queixas em notinhas de jornal – de que alguns
fornecedores estavam sendo pagos atrasado...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Atrasado, a despeito
de o outro ter recebido antes.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – E isso machucava a
imagem da Diretoria de Marketing, que algum atleta patrocinada estava recebendo
atrasado. Então, decidimos fazer um acompanhamento, que não era o
acompanhamento natural do banco, não era a diretoria responsável. Quem fazia
isso, porque essa prestação de contas ia para a Visanet, quem encaminhava essa
prestação de contas para a Visanet era Diretoria de Varejo e a Gerência de
Cartões de Crédito. Decidi, na Diretoria de Marketing, decidimos pedir essas
informações para termos um certo acompanhamento e não acontecer que ficássemos
sabendo que algum atleta estava com seu salário atrasado...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Todo acompanhamento da
execução dos serviços e autorização de pagamentos era afeta à Diretoria de
Varejo?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – No caso dos
recursos Visanet, como se dava o acompanhamento? Aprovada a campanha, ela tem
um plano de mídia, especificado centavo por centavo, em que vai ser...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem aprovava a
campanha?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Quem aprovava a
campanha, dependendo do valor, eram as alçadas que repassei na planilha. Até
R$200 mil, era o comitê de marketing...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas quero saber se era
a Diretoria de Varejo ou a Diretoria de Marketing? Quem autorizava a campanha?
Quem aprovava a campanha?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Se fosse acima de
R$200 mil era o comitê de comunicação, composto pelos 11 diretores. Acima de
R$3 milhões, era o conselho diretor. Por exemplo, o evento de tênis em Sauípe
era decidido no conselho diretor do banco. Era o conselho diretor que aprovava,
com toda a formatação...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas é que V. Sª não
tem o quadro estrutural, não o conheço. Eu queria que pusesse de lado esses
conselhos. Quero saber diretorias, ou nenhuma das diretorias tinha nada a ver
com isso? A Diretoria de Varejo ou a Diretoria de Marketing, a qual das duas
estava afeta a autorização para uma determinada campanha ou a nenhuma das duas,
era um conselho e essas duas não tinham nada a ver com isso?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Desculpe, Sr.
Relator. Relatei isso no início. Era por alçadas. Se o gasto fosse até R$200
mil, era no comitê de marketing, composto pelos seis gerentes de marketing...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Até R$200 mil,
qualquer campanha era na Diretoria de Marketing.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Na Diretoria de
Marketing. O comitê de marketing era composto pelos seis gerentes, que eram
nomeados pelo Presidente do banco...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª está falando da
Visanet?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Da Visanet, os
critérios eram os mesmos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª está dizendo
que era a Diretoria de Marketing. Está uma confusão. Não consigo entender. Por
que, se é a Diretoria de Varejo, a quem está afeta a Visanet, por que é a
Diretoria de Marketing que faz a autorização até duzentos mil?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Porque a demanda,
Sr. Relator, sempre vinha de uma outra diretoria, e havia um processo de
interação... A Diretoria de Varejo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para simplificar, como
estamos investigando V. Sª – não só, mas neste momento –, afinal o que a
Diretoria de Marketing tinha de comando, de competência, em relação
especificamente à Visanet?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Visanet, nós
atendíamos às demandas das diretorias do Banco, na sua grande maioria a
Diretoria de Varejo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Demandas de campanhas?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Demandas de
campanha e de patrocínio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quem definia as
campanhas era a Diretoria de Varejo?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Junto com a
Diretoria de Marketing e, dependendo das alçadas, no Comitê de Comunicação, com
os onze diretores, ou no Conselho Diretor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando era no Comitê
de Comunicação, quem propunha era a Diretoria de Marketing?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Diretoria de
Marketing fazia a exposição, junto com as agências, e o Comitê decidia, sempre
com o parecer da área demandante. Todos os investimentos do Banco. Se era
solicitado um patrocínio para uma exposição agropecuária, a Diretoria de
Agronegócios se manifestava, dizendo: “Isso está em linha com a minha
estratégia de negócio”, ou não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª lembra do
pagamento de uma antecipação de 35 milhões?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Lembro que houve,
sim, uma nota técnica interna do Banco que versava sobre o valor de 35 milhões
da Visanet.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como também uma outra,
anterior, de 23, no ano anterior?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vamos nessa de 35
milhões. Quais as campanhas que V. Sª lembra que estavam, de alguma forma,
relacionadas a essa campanha? E qual era o período máximo em que todo esse
planejamento seria atingido com os 35 milhões?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Olha, de imediato,
Sr. Relator, existiu um evento de tênis em Sauípe – e vou fazer um esforço de
memória, porque eram muitos eventos –, o evento de tênis em Sauípe, que era um
evento que gastaria algo em torno de 20% desses recursos. Na seqüência, houve
campanhas de lançamento de cartão de débito, com a marca Visa, quase que já
imediatamente – algumas, inclusive, acho que os recursos ainda não haviam se
disponibilizado, e já existiam –; a campanha para o Dia das Mães; não lembro,
de memória, se houve alguma coisa para a Páscoa; e o patrocínio dos atletas
Shelda e Adriana, Ricardo e Emanuel*, e dos atletas medalhistas olímpicos chamados
embaixadores, que eram os atletas que não estavam mais...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso importaria em que
tempo, mais ou menos, para que esses gastos fossem efetuados?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O aporte do evento
de tênis em Sauípe era imediato, já havia...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sei, mas os 35?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Os 35, o cronograma
previa, eu diria, oito meses...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Trinta e
cinco o quê, Sr. Relator?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Milhões, 35 milhões.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu acredito... Eu
não tenho esse dado preciso, Sr. Relator, mas existia um planejamento...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa planilha passou
ao seu visto?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A planilha...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Dos 35 milhões?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não entendi...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A planilha desses...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O planejamento
do...
O SR. PRESIDENTE (César Borges. PFL – BA) – ...dos gastos dos 35 milhões.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Nós repassamos,
sim. Era confeccionada, a Diretoria de Varejo e a Diretoria de Marketing.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª se lembra de ter
dado o seu visto, o seu “de acordo” em uma planilha de aplicação de 35 milhões?
Pense no que irá afirmar, sob juramento.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim. Posso ser bem
preciso, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Temos um documento, salvo
engano – que inclusive estou procurando e ainda vou encontrar –, onde havia uma
sinalização de que não havia planos, projetos.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO –
Obrigatoriamente... É nisso que quero ser bem preciso com o senhor e ser
verdadeiro e honesto em todas as informações. Eu, obrigatoriamente, não tinha
que assinar essas planilhas. Mas as planilhas eram apresentadas na Diretoria de
Marketing, onde era feita uma discussão
conjunta para repassar para a Diretoria de Varejo, que, por sua vez,
encaminhava a Visanet...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – O senhor está falando: “elas eram”, “elas eram”. Eu quero saber
dos 35. Pode ter uma conduta, um hábito – aliás, deveria ter efetivamente – de
não se liberar sem que houvesse um planejamento de toda ordem para o emprego do
recurso. Nesse caso dos 35 milhões, como também no caso dos 23 milhões, quando
da autorização da Visanet, quando ela concordou, havia todo o desenrolar da
aplicação? Isso passou pela Diretoria de Marketing?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– A Diretoria de Marketing apresentava um plano, mas eu queria avocar aqui....
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Não, eu quero fatos. Não adianta...
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Sim. A nota da Visanet cita que a Visanet exigia o planejamento e acompanhava
a execução. Havia necessidade de prestar contas à Visanet. Isso não era feito
na Diretoria de Marketing...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Prestar contas à Visanet? Ou prestar contas a um segmento
lá do Banco do Brasil?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Não. A Visanet...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – A Visanet recebia prestação de contas. Ou seja, ela que fazia o
encontro de contas?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Da utilização dos recursos, nós éramos demandados.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Esse controle era feito dentro do Banco do Brasil.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Mas nós éramos demandados para repassar para a Diretoria de Varejo e para a
Gerência de cartão com o propósito de eles levarem até a Visanet. Eu não tinha
o contato com a Visanet.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – V. Exª faz referência à atitude pessoal como Diretor.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Sim. A Diretoria de Marketing...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – E a Diretoria de Varejo fazia esse acompanhamento? Era a ela que
era prestada a conta dos gastos efetuados em nome do Banco do Brasil através da
Visanet?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Ela acompanhava... Ela acompanhava as campanhas e acompanhava tudo isso. E
acredito que depois levava à Visanet, mas é uma informação que eu não posso
precisar. Eu não estava, não era membro desse processo decisório. É por isso
que eu avocava a nota da Visanet onde a Visanet diz que ela fiscalizava, que
ela acompanhava os planos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Aqui tem mais uma afirmação sua...
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Se o senhor puder até ler, Sr. Relator, para ficar bem...:”À Visanet cabe
receber as propostas de marketing do banco (proposta, né?), verificar se estão
compatíveis com as regras do Fundo de Incentivo e efetuar os pagamentos de
acordo com a solicitação de cada um dos bancos”.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Dos bancos?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Dos bancos. Essa solicitação não era feita pela Diretoria de Marketing porque
a Diretoria de Marketing não se reportava à Visanet.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Era a Diretoria de Varejo, na época titularizada por quem?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– No primeiro momento pelo Diretor Fernando Barbosa. Acredito que era a
Diretoria de Varejo, a Gerência de Cartões de Crédito e a Representação que o
banco tinha junto à Visanet. Isso a Visanet mesmo disse.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – V. Sª num determinado momento foi questionado sobre os 35 milhões,
se o senhor foi usado. Veja o que V. Sª respondeu: “A primeira coisa que a
Justiça tem que ver é quem decidiu que seriam 35 milhões. Eu não”.
E nós estamos aqui de certo modo como se fôssemos
um braço da Justiça e nós queremos saber: Quem decidiu que seriam 35 milhões?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– O Conselho da Visanet, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Quando V. Sª diz Conselho da Visanet...Veja aqui no Banco do
Brasil há um grupo que trata das coisas da Visanet, aqui é a Visanet. O
Conselho da Visanet é alguém da Visanet ou é um grupo dentro do Banco do Brasil
que trata da Visanet?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Eu não detinha essa informação, porque não participava do Conselho, mas...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Mas, como V. Sª estava dizendo,....
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Mas, pela nota, pela nota que a Visanet publica, ela diz que era decididas no
Conselho as quotas de cada banco.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Mas qual Conselho?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Ela se refere ao Conselho da
Visanet. Na nota. Então acredito que era decidido no conselho da Visanet com a
participação de conselheiros do banco, mas, como eu não participava desse
conselho, não tinha assento no conselho, não detinha informações, não interagia
com a Visanet, não posso lhe precisar como era esse mecanismo. A alçada da
diretoria de marketing se eximia a partir do fornecimento de documentos à
diretoria de varejo, à gerência de cartões de crédito, que eram internos ao banco.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vou concluir e depois... O relator adjunto está aflito
porque tem que viajar, parece, mas depois eu volto.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – SP) – Não vou viajar, não. Pelo amor de Deus, estou
aqui. Gostaria de ouvi-lo mais uma hora e meia.
O SR. PRESIDENTE
(César Borges. PFL – BA)
– A semana terminando
quarta-feira.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas ele tem viajado e voltado no mesmo dia. Preciso
reconhecer isso.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Exª deveria estar pelos Ministérios,
enfim... Por isso chegou só neste momento, mas vou ficar aqui com V.Exª
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vou fazer uma última afirmação: Paulo Roberto dos Santos é
da Lowe. Ele afirma que, em abril de 2003, por ordem de V.Sª, fora determinada
a exclusividade da DNA para a prestação de serviços de publicidade, custeados
com os recursos da Visanet. Paulo faltou com a verdade.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Relator, eu nunca determinei, nunca conversei com o Sr.
Paulo. Quem fazia o relacionamento no banco era uma senhora, se não me falha a
memória, chamada Carla, que tinha pleno conhecimento de que a Lowe faria as
campanhas do pilar Governo/Judiciário e as campanhas institucionais. A decisão
de estruturar os negócios do banco por pilares já era do período anterior e eu
não fiz nenhum comunicado à Agência Lowe, contendo essas informações...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V.Sª tem informações sobre uma auditoria que está sendo
procedida no Banco do Brasil em relação à Visanet?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não tenho
informações... Tenho informações porque existe auditoria, solicitei uma
auditoria em maio deste ano para obtermos conformidade de uma série de
processos...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas nunca teve acesso aos dados colhidos pela auditoria?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, Sr. Relator. Tive acesso a dados de uma auditoria de
2003 e a auditoria não encontrou irregularidades, recomendou alguns
aperfeiçoamentos de controle, todos os aperfeiçoamentos de controle foram
implantados, havia dois controles que dependiam da área de tecnologia do banco
e que não conseguiam ser implantados em tempo hábil. Solicitamos, inclusive,
uma autorização para fazermos uma...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe de algum dado que tenha sido levantado nessa
auditoria que comprometa essa antecipação?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, senhor. Eu vi e li na imprensa uma nota do Banco do
Brasil dizendo que os recursos da Visanet foram utilizados em campanhas de
publicidade, promoções e eventos do Banco do Brasil e que havia um processo de
conciliação de contas porque, tendo em vista que o Banco do Brasil rompeu o
contrato...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Estavam vencendo?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Estavam vencendo em final de setembro. Dei essa informação
no início da minha exposição, que, antes de eu assumir, o Conselho Diretor
prorrogou os contratos por aproximadamente seis meses, exatamente para ter
tempo hábil de realizarmos a licitação.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nessa nova estruturação, fizeram uma mudança de percentual
em relação a esses pilares, de forma que alguém que pegasse um pilar teria mais
do que os outros?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Os contratos eram
muito específicos – o mínimo era 25, e o máximo era 40. A partir desse ano,
tendo em vista que no ano anterior houve reclamações de algumas diretorias do
Banco quanto à qualidade de prestação de serviço, as agências apresentaram para
o Banco um estudo mostrando que aquela banda, que o limite mínimo e o limite
máximo poderiam criar uma situação em que uma agência, independentemente da
qualidade do serviço e da infra-estrutura – o edital tornava obrigatório que
cada agência tivesse uma infra-estrutura de atendimento em Brasília –,
independentemente disso, podia se dar por satisfeita com os 25%, porque ela
reduziria os gastos e tinha a garantia dos 25%. Isso faria com que a agência,
no final do ano, mesmo faturando menos, tivesse lucros maiores, porque as despesas
seriam menores. Então, buscamos aconselhamento na Secom, nas áreas internas de
licitação do Banco, buscamos um parecer jurídico, e a sugestão foi baixarmos
aquele percentual a partir desse ano, para que as agências...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem terminou pegando a
fatia maior foi a DNA?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não. Esse ano, não
tenho acompanhamento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não me refiro a esse ano,
mas ao período em que a área estava sob seu comando.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – As informações que
eu tinha, não tenho os números precisos, mas acredito que, no ano de 2004, a D+
foi a agência que mais faturou. Era uma diferença mínima, mas a D+ foi a
agência que acabou faturando mais que a DNA.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é o que temos. Mas vamos
conferir.
Sr. Presidente,
agora, sim, a última pergunta. (Pausa.)
Desapareceu daqui,
porque aqui trago anotações, e elas vão evaporando.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O incansável Relator, Deputado
Osmar Serraglio...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A última pergunta: eu tinha
um dado aqui, uma tabulação da progressividade dos valores aplicados na Visa
Net, que, surpreendentemente, no ano precedente ao seu comando, salvo engano,
girava em torno de R$7 milhões. Em 2002, o Banco do Brasil gastou na Visanet
R$4 milhões; em 2003, já na gestão de V. Sª, esse gastou passou para R$29
milhões; no ano de 2004, para R$44 milhões. O vínculo do Banco já existia desde
2001. Volto a dizer: em 2002, o gasto foi R$4 milhões; em 2003, R$29 milhões;
em 2004, R$44 milhões. O que V. Sª diz sobre esse incremento aparentemente
inusitado, desproporcional?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Relator, a
informação que eu tinha, e eu não tinha poderes para requisitar da Visa Net,
documentos que me foram exibidos mostram que, em 2002, os números são um pouco
superiores. Acredito que a Visanet decidiu aportar mais recursos nesse fundo,
que eram divididos entre os cotistas em função do crescimento da venda de
cartões de crédito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª acredita que essa
mesma proporção foi obedecida em relação aos outros segmentos que compõem o
capital da Visa Net? Bradesco também subiu outro tanto...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não tenho esse
informação, porque eu não participava...
O
SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ)
– Sr. Relator, pretendo ajudar na sua indagação. Na realidade, o Sr.
Pizzolato, pela primeira vez, não está dizendo uma inverdade. Valores de 2002 e
2001 foram de fato maiores. O que o Sr. Pizzolato fez foi aumentar a
participação da agência do Sr. Marcos Valério. Em 2001, a agência do Marcos
Valério recebeu R$12 milhões; em 2002, recebeu R$4 milhões. Quando o Sr.
Pizzolato entra lá, a agência do Marcos Valério vai para R$29 milhões e ganha
sozinha todo o dinheiro da Visa Net. Não satisfeito, em
2004, por decisão do Sr. Pizzolatto, a sua diretoria, a agência de Marcos
Valério passa a receber sozinha 44 milhões. Os números, por si só, explicam, o
Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR ) – Decuplicou a aplicação.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sr.
Relator, para deixar claro, na verdade o Visanet transferiu, para objetivos de
marketing no Banco do Brasil, 24,7 milhões em 2001, 26,5 milhões em 2002, 29,7
milhões em 2003 e 44 milhões em 2004. Essa é a evolução dos montantes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR ) – É correta a observação. A evolução da aplicação na Visanet
corresponde a esses valores. O diferencial é exatamente em relação ao grupo de
Marcos Valério, que teria passado de 4,5 milhões para 29 milhões e para 44
milhões...
O SR. HENRIQUE PIZZOLATTO – Se o senhor
me permite, eu pretendi esclarecer essa dúvida em função de decisão do conselho
diretor do banco no final de 2002, estruturando o banco por pilares. Até então,
o banco não estava estruturado por pilares, e as agências...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR ) – Uma curiosidade: a DNA prosseguiu atendendo ao Banco do Brasil.
Ela teve uma redução expressiva porque ela aumentou essa participação na
Visanet. Isso correspondeu a um abatimento no quadro da partilha das três no
Banco do Brasil?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATTO – Na relação
de orçamento, o banco aumentou o orçamento no ano. Então eu não tenho esse dado
preciso; foi uma solicitação de informações que eu demandei ao banco e que o
banco ainda não me forneceu. Eu acredito que na proporção do todo houve
redução, mas eu não posso lhe afirmar isso sob pena de eu não estar cumprindo
com meu compromisso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR ) – É um detalhe que temos que confrontar.
Obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT
- MT) – Muito obrigado, Relator Osmar Serraglio.
Com a palavra o
primeiro orador Senador César Borges.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Muito
obrigado, Sr. Presidente.
Gostaria de ter
ouvido uma palavra de V. Exª de agradecimento...
O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT
- MT) – Quero, de antemão, agradecer a dedicação de V. Exª quando preside os
trabalhos aqui. A presença de V. Exª, mais do que nunca, enobreceu e aumentou
ainda mais as minhas responsabilidades. Obrigado, Senador César Borges. Com
carinho.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Obrigado,
Sr. Presidente. Não era necessário, foi apenas uma brincadeira.
Sr. Presidente, senhores Senadores, o Sr. Pizzolatto
esteve aqui da última vez e deve se recordar que naquela época foi muito
questionado sobre um saque de R$326 mil. Fiquei admirado porque eu lhe
perguntei se o senhor identificava a pessoa que, no caso, foi receptador do
dinheiro que o senhor repassou. Vossa senhoria não se lembrava, absolutamente,
da fisionomia, se era alto, se era baixo, se era gordo, se era magro. Cheguei a
perguntar se sabia se era homem ou mulher, e V. Sª não me disse isso naquela
época. Muito bem. Fica bastante claro para todos nós que V. Sª trabalhou na
campanha presidencial do Presidente Lula; foi nomeado Diretor do Banco do
Brasil após a posse, como uma indicação política. Tinha estreitas ligações com
o Ministro Gushiken, da Secretaria de Comunicação. O Ministro Gushiken comandou
com mão de ferro, acho que ainda comanda, toda essa parte publicitária, de onde
nasce todo este escândalo que estamos vivendo.
O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT
- MT) – Solicito à assessoria da Mesa que seja ajustado o cronômetro de cada
orador, por favor.
O
SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, Sr. Pizzolatto, é
claro para nós que V. Sª dispõe de informações importantes e agora ficou
bastante esclarecido que foi por meio da Visanet que houve uma operação que se
desdobrou para fazer chegarem recursos ao chamado “valerioduto”, mediante o Sr. Tolentino, de sua empresa e do
empréstimo. Lamentavelmente, mais uma vez, como o senhor não sabia nada sobre
aquele dinheiro que pegou, que, presumivelmente, era para pagar a campanha do
PT no Rio de Janeiro, ficou só isso, mas não consegui identificar,
absolutamente, os responsáveis, as pessoas, agora também, lamentavelmente, V.
Sª chega aqui para dizer que não conhecia suas obrigações, que, de certa forma,
não tinha responsabilidades como diretor de marketing do Banco do Brasil. V. Sª
não é um néscio, V. Sª não é uma pessoa despreparada. V. Sª não era alguém que
simplesmente obedecia apenas às ordens do Sr. Ministro Gushiken, ou era?
Eu fico me indagando
se, diante de toda essa sua tentativa de explicar que não conhecia detalhes da Visanet, como operava, veio a
conhecer, autorizou, deu o “de acordo”, mas, na verdade, V. Sª não tinha
controle desse “de acordo”. Foi, sem sombra de dúvida, aí que ocorreu uma
origem do valerioduto. Nós sabemos disso. Está cabalmente demonstrado isso. O
que lhe pergunto é exatamente com relação a essa sua ligação com o Ministro
Gushiken e com toda essa chamada lambança que está existindo e precisa ser
esclarecida e que, lamentavelmente, o presidente diz que não tem provas, quando
nós temos provas. Os fatos são conectados. Estão totalmente conectados um ao
outro. Mais recentemente são 58 milhões, uma parcela de 35 mais outra de 23.
V. Sª autorizou isso.
Autorizou e, inclusive, deu o “de acordo” para que esses recursos fossem
repassados como adiantamento. Pelo que o Relator, perguntou, parece que não
existia plano de aplicação. Foram adiantados 35 milhões de reais à DNA, e não
existia plano de aplicação. Isso não parece nada que guarde a mínima segurança
para uma estatal como o Banco do Brasil, que todos nós respeitamos e que tem
procedimentos bastante severos e rígidos. Isso me leva a crer que V. Sª atuou
para atender os interesses do partido sob orientação direta do Ministro
Gushiken.
Então, eu lhe
pergunto exatamente isto: V. Sª nega sua ligação e que V. Sª estava ali, como
diretor de marketing do Banco do Brasil, atendendo a determinações do Ministro
Gushiken? Em entrevista que foi aqui citada, V. Sª reconhece e cita que
diversas vezes o Ministro Gushiken interferiu. Então eu lhe pergunto: V. Sª
estava a serviço do Ministro Gushiken e do Partido dos Trabalhadores e do Banco
do Brasil?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Senador, eu
queria, primeiro, me desculpar se da outra vez eu não fui preciso e não atendi
à sua expectativa na resposta. Queria também pedir sua compreensão tendo em
vista o nervosismo e a situação em que me encontrava e me encontro.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª tem condições de descrever aquela pessoa?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Quando eu
disse... Eu queria dizer que a pessoa
não tinha nada que me chamasse a atenção, não tinha uma cicatriz, não tinha...
Era um homem...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Era banca? Negra?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO – Não era uma pessoa de cor, mas
era um homem e tudo aconteceu conforme havia sido repassado...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Era homem ou mulher?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO – Homem. A pessoa não tinha nada
que me chamasse a atenção. Então, desculpe se não fui preciso, mas a pessoa não
tinha uma cicatriz, não tinha alguma coisa...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª poderia fazer um
retrato falado dessa pessoa?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO – Acredito que os dados eu
consigo, mas eu não tive... O fato, à época não tinha nada que me levasse a
prestar atenção a detalhes, porque nada se justificava. Era um pedido de um
dirigente de uma agência de publicidade que prestava serviço ao banco há mais
de dez anos e os fatos aconteceram conforme havia sido solicitado e relatado. A
pessoa foi lá e disse: “Vim buscar”...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª nunca teve...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Quanto à
questão...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – ...intimidade, nem
conheceu de perto o Sr Marcos Valério e atendeu pedidos de uma empresa para
pegar R$326 mil e depois repassar para alguém que o senhor não conhece. Bom...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – ...mas passamos porque
esse assunto ficou bastante claro aqui. V. Sª não quis detalhar, não quis
entregar, talvez, o destinatário final do dinheiro, que V. Sª conhecia...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não sabia...
Senador, desculpe, não me foi informado que era dinheiro...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas não é esse assunto.
Quero saber da sua atuação como diretor de marketing. V. Sª estava ali atuando
sobre ordens diretas do Ministro Gushiken. Isso é verdade ou não é verdade?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Vou lhe responder.
Apenas queria esclarecer uma questão. Eu reafirmo o que disse da outra vez: era
humanamente impossível naqueles dois envelopes ter aquela importância de dinheiro,
e acredito que nenhuma pessoa, em sã consciência, iria fazer um pedido para
alguém, no Rio de Janeiro, em pleno meio-dia, movimentar uma importância tão
grande de recursos da forma tão desprotegida como estava.
Mas, respondendo a
sua pergunta, a Diretoria de Marketing do Banco tinha que prestar contas à
Secom, sim, por força de lei, por força de decreto. Mas eu estava subordinada
na Diretoria do Banco ao Presidente do Banco e ao Conselho. Então, tínhamos
reuniões periódicas na Secom, nas quais eram apresentados relatórios,
discutidas campanhas, tínhamos todo o processo de aprovação, mas o Ministro não
tinha uma ação direta de...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas o senhor mantinha
contatos com uma freqüência muito maior, disparadamente maior, com o Sr.
Gushiken do que com o Presidente do Banco.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, Sr. Relator.
Meu contato com o Presidente era praticamente diário e acredito que, se o
Ministro Gushiken quisesse conversar sobre uma estrutura maior de marketing,
ele não procuraria o Diretor de Marketing, procuraria o Presidente do Banco,
porque o processo decisório, conforme relatei, não estava na mão do Diretor de
Marketing. O Diretor de Marketing não tinha alçada para decidir.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas o Ministro Gushiken
sempre disse “assine o que é preciso assinar”.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim, senhor. No
caso dessa nota específica, ele disse: “Assina, porque não há nenhum problema.
Isso é bom. O Banco vai ter mais...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então ele lhe deu esse
respaldo de responsabilidade que o senhor deveria assinar inclusive aquilo que
autorizava o adiantamento da DNA.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Olha, entendi
aquilo como uma ordem. Eu não iria me confrontar ao Ministro e...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Uma ordem, então o senhor
estava, do ponto de vista hierárquico, subordinado a uma ordem do Ministro e
não do Presidente do Banco? V. Sª consultou o Presidente do Banco ou o sistema
colegiado para tomar essa decisão? Porque V. Sª falou sempre aqui em instâncias
de deliberações, em hierarquia, e que eram tomados sempre em colegiado. Nessa
questão de dar o “de acordo”, que V. Sª deu, foi obedecendo ao Ministro
Gushiken?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Consultei o
Presidente do Banco, já relatei no início, consultei o Diretor de Varejo e
Distribuição, os três conselheiros do Banco, que eram os responsáveis pelas
ações do Banco junto à Visanet, e todas essas pessoas me disseram, me
informaram, me mostraram documentos, que o procedimento já era um procedimento
anterior, que vinha desde a criação do fundo. Me exibiram pareceres jurídicos
de que não havia nada de desconforme naqueles procedimentos. Procurei tomar as
precauções que estavam na alçada da Diretoria de Marketing, no entanto a parte
contábil, a parte tributária ou a engenharia financeira não competia à
Diretoria de Marketing.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não ocorreu a V. Sª nunca
que essa é uma administração temerária, se adiantar recursos públicos, recursos
de uma estatal para uma empresa de publicidade?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Senador, essa
decisão não era da minha alçada, até porque o repasse de recursos não era feito
pela Diretoria de Marketing. Os recursos saíam, e eu demonstrei isso, do Fundo
Visanet para a agência. Eu era informado do valor que estava... desculpe, a
disposição na Visanet quando chegava a nota.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas V. Sª deu o “de acordo”. Quando deu o “de
acordo”, V. Sª não assumiu a responsabilidade?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Deputado César
Borges...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O Senador César Borges está
com a palavra.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu até concedo, se o Deputado Eduardo Paes
quiser fazer uma intervenção usando meu tempo.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, talvez V.
Exª não saiba, mas ele dizer que foi informado do valor quando recebeu a nota
não é verdade. O Sr. Pizzolato, o Fundo de Constituição Visanet – e aqui estão
os documentos que comprovam – está definido, por exemplo, o ano de 2003: o
Fundo de Incentivo Visanet é criado e mantido total para o exercício fiscal de
2003 o valor aprovado pelo Conselho Visanet é de cem milhões. Os recursos
existentes no Fundo de Incentivo Visanet serão compartilhados pelos entes
incentivadores de acordo com a participação acionária que cada um possui. O Sr.
Pizzolato – isto é Fundo de Constituição Visanet, ou seja, o valor está
colocado bem antes – assina uma nota técnica, despacho assinado com ele, o Sr.
Cláudio de Castro, o Sr. Douglas Macedo, o Sr. Fernando Barbosa, e no ano de
2003, em que ele afirma que em 2003 o Fundo Emissor da Visanet disponibilizará
o valor de 23 milhões de Reais para dar continuidade às ações de comunicação.
Ele
não pode vir aqui, Sr. Presidente, não é aceitável – e peço desculpas ao
Senador César Borges por interrompê-lo – dizer que não sabia quanto era o
valor, quando ele assina uma nota, dá ciência, o “de acordo” numa nota técnica
do Banco do Brasil, da diretoria dele, afirmando que o valor era de 23 milhões
para 2003.
Nós não podemos
aceitar esse tipo de coisa nesta Comissão Parlamentar de Inquérito, Sr.
Presidente. É a segunda vez que eu faço uma intervenção como esta, V. Exª não
estava aqui na anterior. Mas não é aceitável! São mentiras atrás de mentiras e
com documentação que comprovam o contrário aqui. Portanto, quero só esclarecer
e chamar mais uma vez a atenção do depoente para que ele se controle na falta
de verdade. Agradeço a V. Exª, Senador.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Está ficando claro para todos nós, Sr. Presidente,
que há uma tentativa do Sr. Pizzolato de se eximir de responsabilidade, como se
ele não tivesse capacidade de decidir nada, mandava o Ministro Gushiken. V. Sª
sabe que o Ministro Gushiken, após a sua entrevista à revista ISTOÉ, lhe
chamou de mentiroso? O que é que tem V. Sª a dizer sobre isso? Ele disse que o
senhor tenta jogar sobre ele a responsabilidade de atos nos quais não teve
participação o Sr. Ministro. Então, ele diz que o senhor se esqueceu da
reunião, o senhor mentiu sobre esse assunto.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Senador, no
contexto da entrevista que foi publicada, é provável que o Ministro tenha tido
essa interpretação.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ela está com razão quando acha que o senhor
mentiu?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – No contexto da
entrevista. Agora, eu pediria para o senhor... eu já relatei como é que o
repórter publicou essa matéria, em que condições o repórter publicou. Na
realidade, os dados...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O Poleto disse que a entrevista foi sob efeito
do álcool, por isso ele falou mais do que devia. V. Sª disse que foi efeito de
um problema familiar. Quer dizer, sempre um desmentido sobre as entrevistas. As
fitas, Sr. Presidente, estão disponibilizadas. O Deputado José Eduardo Cardozo
disse que o repórter disponibiliza. Era interessante que nós pudéssemos
confrontar.
Mas, Sr. Presidente,
Sr. Henrique Pizzolato, o Ministro interferia definitivamente na aplicação
desses recursos. Sabia o Ministro que muitos desses recursos poderiam estar
sendo utilizados para s formação de caixa dois e pagamento de despesas do
Partido dos Trabalhadores?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não detenho
essa informação, nem o Ministro nunca conversou comigo sobre isso. A minha
relação, Sr. Senador, com o Ministro era uma relação extremamente formal. Nós
tínhamos reuniões periódicas, de algumas o Ministro participava, outras, seus
assessores. E jamais se tocou num assunto dessa envergadura, num assunto que
tratava desse tema. O que o Ministro recebia era, mensalmente, as informações e
acompanhamento, ele, seu chefe de gabinete e mais outro assessor da Secom, uma
planilha de acompanhamento de todos os gastos realizados com o orçamento do
Banco e com os recursos Visanet, especificada por item e alguns detalhados da
forma como eu anteriormente relatei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, uma questão
de ordem, se me permitir o Relator. Diz que tinha detalhado. Eu quero passar
aqui o documento – eu sabia que o tinha – em que está registrado que não havia
detalhamento. Está aqui. Em 2003, em todas as operações de 2003, em todas as
antecipações realizadas, havia uma descrição do projeto e um questionamento
interno sobre como se estava procedendo. Então, começa com o nome do cartão, a
descrição, o objetivo, o público, o retorno, a forma de pagamento e, em
detalhamento das ações em anexo, não. Não havia detalhamento algum das ações.
Isso naquele pagamento de R$23 milhões. Nesse de R$6 milhões, detalhamento das
ações em anexo: não. Está aqui anotado. Era sim ou não, e está registrado não.
O de R$3 milhões... Aliás, aqui já é o de R$35 milhões, detalhamento das ações
em anexo: não. Não havia detalhamento. Está registrado nos assentos do Banco do
Brasil encaminhados à Visanet.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Desculpe, Sr.
Relator, apenas para eu poder me situar, esse documento é da Diretoria de
Marketing? Eu não localizo a minha assinatura.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem nos mandou foi a
Visanet, e é do Banco do Brasil, timbrado, com registro.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Só para que fique bem claro,
diante do compromisso que assumi com os senhores, quem está assinando este
documento é a Gerência de Cartões de Crédito. E eu não tinha...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E essa gerência estaria
afirmando uma coisa falsa?
Esse conteúdo,
repetido nas várias operações, dizendo-se que não havia planejamento, foi
recorrentemente consignado uma falsidade que na verdade havia? V. Sª acabou de
anunciar ao Senador que havia planos de aplicação.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO
– Eu não tenho essa informação
precisa, Sr. Relator. O que eu disse é que a Diretoria de Marketing fazia um
planejamento. Se isso era repassado depois à Visanet, a forma como era
repassado não era competência da Diretoria de Marketing. A Diretoria de
Marketing não se relacionava com a Visanet.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A última coisa em que vou
interferir: V. Sª confirma, sob juramento, que teve, em algum momento, em suas
mãos, a relação do plano de aplicação dos R$35 milhões, assim como teve dos
R$23 milhões? V. Sª viu, manuseou, teve conhecimento do plano de aplicação, em
2003, de R$23 milhões, e, em 2004, de R$35 milhões?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu posso afirmar ao
senhor que, em 2003, eu participei de reuniões para discussão e montagem do
plano. A confecção do plano final, os documentos finais, não eram da minha
competência, não ficavam sob a minha responsabilidade. Mas foram realizadas
reuniões, sim, e eram realizadas de forma conjunta. Como isso se dava depois
fugia da alçada da Diretoria de Marketing.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, eu gostaria de concluir.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pode concluir, Senador César
Borges.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu vou me valor do fato de que foi, na verdade,
utilizado o meu tempo pelo Relator.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Mas com a devida autorização de
V. Exª.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas eu volto a insistir na tese de uma
administração temerária, para não dizer outras palavras, para obter benefícios
de adiantar um recurso tão substantivo para essas empresas.
A última pergunta: V.
Sª estava orientado para beneficiar a DNA? Teve essa orientação? Porque, pelos
volumes de recursos crescentes para a DNA quando V. Sª estava à frente da
Gerência de Marketing, e também pela maneira da antecipação dos recursos, tudo
há para nos levar a uma conclusão de que há um favorecimento para a DNA durante
esse período. V. Sª confirma isso?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Senador, eu não
tinha alçada para fazer isso, eu não tinha competência.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª recebeu essa orientação para favorecer a
DNA?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não recebi essa
orientação. Posso inclusive lhe afirmar... Não recebi essas informações...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não, no seu período de administração,
houve um crescimento da DNA nas operações com o Banco do Brasil. Houve
antecipação de recursos...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não recebi...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Por que a DNA foi tão favorecida nessa
época, exatamente a empresa que está envolvida em adiantamento de recursos e
empréstimos ilegais para o PT?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O banco seguia, Sr.
Senador, estritamente as cláusulas contratuais e do edital. Os recursos
orçamentários do Banco não poderiam ultrapassar 25% ou 40%. Se houvesse
qualquer infração a isso, as outras agências reclamariam.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Reclamaram?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – E eu não tenho a
informação precisa, quando antes o Relator me perguntou, mas tenho quase
certeza de que, no ano de 2004, outra agência teve faturamento maior do que a
DNA. Não obtive esses números ainda, mas lembro...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Diga qual agência...
O SR. JOSÉ EDUARDO
CARDOZO (PT – SP) – Senador
César Borges, quero fazer apenas um aparte e perguntar, porque é a segunda vez
que o depoente fala uma questão, se V. Exª me permitir. O orçamento contratual
dizia respeito às verbas do Banco do Brasil. As verbas Visanet não estavam
obrigadas a esses limites mínimos e máximos. Estou errado?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Contratualmente,
não estavam, mas as agências, Deputado, tinham as informações e, se o banco não
seguisse isso...
O SR. JOSÉ EDUARDO
CARDOZO (PT – SP) – Estou
satisfeito.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Contratualmente,
não estavam, mas, se o banco não seguisse isso, elas reclamariam.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Tudo bem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Senador César
Borges.
Vou passar a palavra
ao Deputado Eduardo Paes e, depois, faremos uma pequena interrupção de dez
minutos aproximadamente, até porque o Sr. Pizzolato, em função da interrupção,
está pedindo alguns minutos para poder comer alguma coisa.
Então, passo a
palavra ao Deputado Eduardo Paes e depois faremos uma interrupção de dez
minutos.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, quero saber a que horas V. Exª retomará a reunião, porque, a
seguir, serei eu. Tenho de ir a uma reunião de comissão de trabalho na Câmara e
voltar.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – São dez minutos de
interrupção.
Com a palavra o
Deputado Eduardo Paes.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Deputados, vou,
muito mais do que fazer questionamentos ao depoente, até porque confesso que,
depois da primeira participação do Sr. Pizzolato nesta Comissão, não tenho
dúvida de que a única coisa que ele não consegue dizer é a verdade.
Uma pessoa que manda
um portador a um banco pegar R$326 mil, recebe esse envelope em casa e não sabe
o que tinha dentro desse envelope é algo absolutamente inconcebível e
inaceitável. Mas quero deixar muito claro com que ator estamos lidando. Quem o
Sr. Pizzolato. O Sr. Pizzolato participa do Conselho do Banco do Brasil desde
1992, foi eleito representante dos funcionários do Banco do Brasil, participa
do Conselho. Portanto, já de cara, Sr. Pizzolato, eu diria a V. Sª que,
certamente, sabia da existência do tal do fundo Visanet, não foi uma surpresa,
já que V. Sª é um conselheiro assíduo, participante de tudo que se passa nos
Conselhos que compõe.
V. Sª foi tesoureiro
arrecadador da campanha do Presidente da República; foi nomeado diretor do
Banco do Brasil na área de marketing por uma indicação, como disse bem o
Senador César Borges, política; fazia parte do conselho de diversas empresas, o
que lhe permitia uma remuneração mensal de algo em de R$50 mil, R$60 mil, como
dito em seu último depoimento. Em 15 de janeiro de 2004, o Sr. Pizzolato, que
era o Diretor de Marketing do Banco do Brasil e que tinha um contrato com a
agência do Sr. Marcos Valério, manda um boy da Previ ao Banco do Brasil e ao
Banco Rural, para buscar R$326,6 mil, que entrega na casa do Sr. Pizzolato, que
não sabe de absolutamente nada. O Sr. Pizzolato afirma aqui que não tinha
conhecimento das campanhas que o Banco do Brasil realizava ou na sua diretoria
ou por intermédio do Fundo Visanet, e aí me faz lembrar, como já lembrei, Sr.
Presidente, Sr. Relator, Srªs e Srs. Parlamentares, que o Sr. Pizzolato ficou
conhecido por todos nós – eu nunca tinha ouvido falar do Sr. Pizzolato, também
como não tinha ouvido falar no Sr. Delúbio –, ouvi falar nos dois pela primeira
vez quando houve o show do Zezé de Camargo e Luciano, quando, para nossa
surpresa, o Sr. Pizzolato se utilizou de recursos da Visanet , aliás o Banco do
Brasil comprou R$70 mil em mesas para fazer uma promoção Ourocard num evento
que servia para patrocinar o Partido dos Trabalhadores.
O Sr. Pizzolato,
quando entrou na Diretoria, jogou toda a área de varejo para a DNA, consolidou
uma posição a partir de 2003. Ourocard foi para a DNA, Visanet foi para a DNA. Anteciparam o processo de
licitação que seria em 2005 para 2003, ou seja, dezoito meses de antecipação,
buscando ter um certo poder de comando na escolha dessas agências. Aumentou o
percentual de remuneração das agências de publicidade durante a sua gestão como
Diretor de Marketing. E a DNA, agência do Sr. Marcos Valério, é justamente
aquela que tem o melhor contrato. Mas, Sr. Presidente, é feito em 2004 um
aditivo contratual para cobrir o estouro do teto percentual de 40%, também com
a participação do Sr. Pizzolato, sob o comando do Sr. Pizzolato, se amplia a
margem de faturamento e a decisão das
decisões, Sr. Presidente – duas daquelas que são fantásticas –: o Sr. Pizzolato
resolve concentrar todos os recursos da Visanet e quem mandava nos recursos da Visanet era a Diretoria de Marketing do Banco do Brasil, não era mais
ninguém. A Diretoria de Marketing do Banco do Brasil – já li aqui e não vou ler
de novo – tinha a responsabilidade pelo fundo que constituía a Visanet , de
definir a aplicação de 33% de recursos de publicidade. De R$6 milhões cabia a
esse cidadão que está diante de nós, durante dois anos, definir para onde iam
os recursos.
Mas ele resolve
concentrar esses recursos, que vinham até então sendo partilhados – leiam os
números: em 2001 a DNA recebeu R$12 milhões; a Lowe* recebeu R$13,650 milhões
do Fundo Visanet ; em 2002, a DNA recebeu R$4,5 milhões, a Lowe recebeu R$19
milhões; aí chega em 2003 se concentra tudo na DNA, agência do Sr. Marcos
Valério, aquele do mensalão, aquele que saiu por aí distribuindo recursos aos
amigos do Governo. E a DNA sai de R$ 4 milhões para R$ 29 milhões. Em 2004,
passa para R$44 milhões.
Não bastava isso, Sr.
Presidente, e o Sr. Pizzolato – eu estou afirmando que é o Sr.Pizzolato e nada
do que digo aqui é ilação, é suspeita, suposição, o que estou afirmando aqui é
verdade, está documentado. Talvez eu tenha menos pudor do que o Relator porque
o Relator tem esse papel fundamental de manter uma certa postura de
imparcialidade na investigação. Mas, neste momento, o Relator dispõe desses
documentos – e isso é que é importante – nós temos uma nota técnica com o “de
acordo” do Sr. Pizzolato, em 06/05/2003 – está aqui o nome e a assinatura dele.
Provavelmente, ele vai dizer que é falsa e que não reconhece. E resolve-se
iniciar uma antecipação de recursos.
Está aqui: “A
proposta envolve direcionamento de verbas de R$23 milhões do Fundo Visanet
...[sic] Em 2003, o Fundo emissor da Visanet
disponibilizará o valor de R$23 milhões para dar continuidade a ações de
comunicação...[sic] O repasse – Olhem só o documento que ele assina! –
ocorreria diretamente para a DNA Propaganda mediante depósito em conta corrente
– tem até o número da conta, Sr. Presidente! – nº 602.00-3, agência 3032-5
junto ao Banco do Brasil, ficando a utilização de verba condicionada à
aprovação de campanhas pelas Diretorias de Marketing, Comunicação e de Varejo.”
E ele não sabia de
nada. Está aqui o documento, do qual li uma parte, está aqui a assinatura do
Sr. Pizzolato, que diz assim: “Propomos aprovar aporte financeiro de R$23
milhões, na forma do item 5.7. Aprovar o repasse da verba para a agência de
publicidade DNA. Ou seja, esse cidadão que está aqui é o único Diretor que
assina o documento em que são repassados, por antecipação, os recursos para a
DNA.
Sr. Pizzolato, o
senhor sabe quanto o senhor gerou? O senhor pode ser tudo, menos bobo, menos
ignorante e menos conhecedor de aplicação financeira.
Ora, se alguém me der
hoje 35 milhões para eu aplicar e ficar com os rendimentos, 23 milhões para eu
aplicar e ficar com os rendimentos... Pelo amor de Deus, o senhor sabe quanto é
que essa sua decisão gerou para a agência do Sr. Marcos Valério? Aquele mesmo
com quem o senhor esteve lá, um dia, e, sem querer, pegou R$360 mil dele? E não
sabia, achou que fossem ingressos da Sapucaí – e eu conheço os ingressos da
Sapucaí? O senhor gerou, pela sua decisão, um ganho de cerca de R$4,5 milhões
de aplicação. Só de ganho financeiro, de aplicação, porque o senhor resolveu
antecipar o recurso para o Sr. Marcos Valério, para a agência dele, de R$4,5
milhões só de aplicação financeira, Sr. Relator, segundo levantamento feito
pela assessoria desta Comissão Parlamentar de Inquérito.
Sr. Presidente, não
bastasse tudo isso... E fico triste de o meu tempo estar terminando, mas acho
que não tenho de perguntar nada, porque isso tudo está documentado. Perguntar
aqui só se for, de fato, Sr. Presidente, para dar voz de prisão ao depoente,
que nos faz de palhaços aqui o tempo todo.
Por acaso – e vou
contar esta história –, quando o Sr. Pizzolato autoriza esse repasse de verbas,
ele é feito para uma conta da DNA que tinha um saldo zero. Não tinha um tostão
lá dentro. Aí a DNA recebe R$35 milhões, Deputado Pannunzio. Essa conta com
saldo zero não recebe nenhum novo aporte até um determinado dia em que os
amigos da outra ponta – Delúbio, Tesoureiro do PT, companheiro dele de
arrecadação na campanha do Presidente da República; companheiro dele, amigo,
trabalhavam juntos lá –, o Sr. Delúbio resolve, em mais uma das suas, com o Sr.
Marcos Valério, fazer um empréstimo de R$10 milhões em nome do Rogério
Tolentino. Por acaso, Sr. Pizzolato, esses R$10 milhões têm como garantia um
título, um CDB. O contrato de penhor é um CDB do BMG. Esse CDB, por acaso, é
comprado pelas agências do Sr. Marcos Valério com 10 milhões que saem do
dinheiro que o senhor antecipou lá do Banco do Brasil. É do Banco do Brasil,
sim, porque o Banco do Brasil que é acionista da Visanet e, portanto, é do Banco
do Brasil. Não tem essa história de que o dinheiro não é do Banco do Brasil,
não, porque o dinheiro é dinheiro público; é dinheiro do povo brasileiro, da
instituição financeira que nos orgulha a todos, infelizmente maculada pelas
ações de figuras como as de V. Sª.
Não quero aqui
parecer agressivo, mas o fato é que a gente vai passando um pouco do ponto, Sr.
Presidente, Sr. Relator, com tantas mentiras e com tantas provas aqui
colocadas.
Esses 10 milhões que
saem do dinheiro da Visanet do Banco do Brasil compram 10 milhões de CDBs que
vão ser a garantia desse contrato de 10 milhões, desse suposto empréstimo de 10
milhões, que nunca são pagos. Aliás, não eram pagos não sei por que, uma vez
que, hoje, todos nós descobrimos que o Delúbio tinha um milhão guardado no
colchão. Ele pagou uma conta da Coteminas, não sei por que não pagava as
dívidas dele. Devia ser algum tipo de fetiche, algum tipo de sonho, de delírio,
que ele jogava dinheiro à noite, provavelmente, no colchão. Já tínhamos o
dinheiro na cueca, nesse episódio, e, agora, temos dinheiro no colchão, porque
ele pagou um ano depois à Coteminas sem qualquer tipo de aplicação.
Sr. Presidente e Sr.
Relator, todos esses elementos estão aqui comprovados. A minha dúvida e o único
questionamento que faço... E tudo que falei aqui, confesso a V. Sª que não lhe
faço indagações, não me interessa; não me interessa de fato ouvir os seus
comentários a respeito, porque tudo o que eu disse aqui, posso provar. Aliás,
esta Comissão Parlamentar de Inquérito, por meio dos seus trabalhos de
investigação, comandados pelo Presidente Delcídio Amaral e pelo Deputado Osmar
Serraglio, consegue comprovar tudo o que eu disse aqui.
Mas a minha dúvida é
uma só: sei que V. Sª não trabalhava sozinho. V. Sª foi nomeado para um cargo
da importância de uma Diretoria de Marketing do Banco do Brasil. Não é pouca
coisa. Olha que o pessoal gosta de cargo! Não é só este Governo, não. Esse
negócio de distribuição de cargos tem em tudo quanto é governo. Besteira a
gente ficar achando que isso é um grande crime. Aliás, não tem problema nenhum
que os Partidos aliados participem do Governo, que os quadros partidários...
desde que isso não signifique, claro, descontinuidade e assalto aos cofres
públicos.
Mas eu sei que V. Sª
não poderia estar agindo sozinho. V. Sª fez, já, uma acusação ao Ministro
Gushiken. V. Sª, como tudo, nega: “Não fiz, não falei, o repórter é um louco
alucinado que escreveu aquilo da cabeça dele, inventou perguntas e respostas.”.
A pergunta que lhe
faço é a seguinte: o senhor Gushiken tinha ou não tinha participação e
conhecimento de todo esse processo que relatei agora, já comprovado pela CPMI?
Peço a V. Sª que responda a pergunta, que se limite a responder a pergunta que
acabo de fazer, para que eu possa-lhe fazer uma outra pergunta: o Sr. Gushiken
tinha ou não tinha conhecimento desses adiantamentos? Foi o ordenador dessa...
Foi a pessoa que determinou a V. Sª que fizesse isso? Aliás, é muito estranho,
porque ele não tinha nada que estar tratando de marketing do Banco do Brasil,
mas vamos lá.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Deputado, eu
queria apenas, para poder responder de forma bem precisa a sua pergunta, dizer
ao senhor que o Banco do Brasil, no dia 04 de novembro, publicou uma nota onde
está muito bem explícito, muito claro, que a prática de adiantamento dos
recursos do Fundo de Incentivo Visanet ocorre desde 2001, quando esse fundo foi
criado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Banco do Brasil a que o senhor se refere é
esse mesmo Banco do Brasil e essa mesma diretoria que fez isso tudo agora que
estou dizendo aqui?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O Banco do Brasil
também diz, na mesma nota: “Não existe fato material para que se possa afirmar
que ...”
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, eu peço licença e vênia, uma
vez mais, para interromper o depoente.
Ele leu uma nota de
04 de novembro. Eu vou ler a de 03 de novembro.
Eu quero dizer a V.
Sª que o seu sucessor... Como é o nome dele, Deputado Osmar Serraglio?
Desculpe-me, eu esqueci o nome do atual diretor de marketing do Banco do
Brasil.
O SR. RELATOR(Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Cafarelli*.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Cafarelli esteve aqui, comigo e com o
Relator Osmar Serraglio. E sabe o que ele disse – o atual diretor, que lá está
- para mim e para o Relator Osmar Serraglio? Que V. Sª começou esses
adiantamentos, que V. Sª é que concentrou na DNA, e mais, o Banco do Brasil...
V. Sª não venha aqui tentar se acobertar por notas à imprensa do Banco do
Brasil, porque o Banco do Brasil fez, no dia anterior à nota que o senhor leu,
uma nota também à imprensa deixando muito claro... E o documento que fala –
aliás, esqueci de dar esse detalhe, foi bom que V. Sª me lembrou... O Banco do
Brasil já está cobrando, durante a sua gestão, do Sr. Marcos Valério, R$9
milhões de volta e não é aquele negócio de que está apurando ainda, não. Tem,
aqui, um documento que comprova que o Banco do Brasil já notificou a DNA para
devolver. E informa, nessa nota, que está tomando as providências judiciais
para reaver esses recursos, ou seja, o Banco do Brasil – eu não quero, aqui,
debater notas à imprensa mais recentes do Banco do Brasil -, no dia 03 de
novembro, solta uma nota que confirma as informações dadas na entrevista
coletiva pelo Deputado Osmar Serraglio e, no dia 04, solta uma outra nota.
Portanto, eu quero
que... Conheço o teor da nota do Banco do Brasil. No dia 03 eles confirmam e,
no dia 04 eles negam. Portanto, eu confesso a V. Sª que essa nota não nos
interessa, porque ela não vale absolutamente nada, é uma simples nota à imprensa.
O resto são documentos oficiais.
Eu lhe fiz uma
pergunta: o Sr. Gushiken tinha conhecimento, participou, foi ele que lhe
determinou que fizesse esse adiantamento à DNA na data em que foi feito?
A pergunta... Sr.
Presidente, eu peço a V. Exª que instrua o depoente a responder, objetivamente,
a pergunta que fiz.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Vou responder
apenas para que não fiquem imprecisões, Sr. Deputado.
O Banco do Brasil
emitiu uma correspondência à agência DNA dizendo que há pendências de
conciliação de recursos. E o banco esclarece que foram realizados...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, eu não vou ficar deixando o
depoente mentir, aqui, sem que eu possa contestá-lo.
Item “e” da nota do
dia 03 de novembro, Sr. Pizzolato: “Com relação à diferença de 9,1 milhões, o
Banco do Brasil encaminhou, em 21 de outubro de 2005, notificação extrajudicial
à DNA, tendo em vista que até o presente momento encontra-se pendente de
conciliação e aplicação desses recursos em ações de marketing referentes a
projetos autorizados pelo Banco do Brasil.”.
Independentemente
desse procedimento, o Banco do Brasil já está adotando as medidas judiciais
cabíveis. Portanto, V. Sª não tente, aqui, desmontar algo que é um documento
produzido pelo próprio banco, que foi entregue a mim e ao Deputado Relator
aqui, pelo atual Diretor de Marketing, que o sucedeu e que, tenho certeza,
morre de vergonha de V. Sª como funcionário do banco.
Na mesma tarde em que
o Deputado Osmar Serraglio fez a sua entrevista coletiva, o Banco do Brasil
confirmou a informação. Portanto, não tem o que admitir. Então, V. Sª tem que
entender que uma pessoa que manda um boy pegar R$360 mil em um banco;
recebe em casa e diz que não sabe o que tem lá dentro, se assusta com o valor,
fica com cara de impressionado não tem credibilidade perante esta Comissão,
pelo menos perante o Deputado que lhe está argüindo. Eu lhe fiz uma pergunta
objetiva que diz respeito a essa sua relação. Eu tenho certeza de que V. Sª não
agiu sozinho;eu tenho absoluta convicção disso. Acho que V. Sª e essa sua
fidelidade é algo fantástico, que me impressiona!
A pergunta que lhe
faço é – e não tente mais desmentir as afirmações que faço, porque tudo o que
eu disse tenho a documentação para comprovar –: o Ministro Gushiken foi quem lhe
deu essa determinação, como V. Sª disse, em sua entrevista à revista ISTOÉ ou
Época –, não me lembro ao certo qual a revista?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Deputado, V.
Exª acabou lendo e confirmando o que eu havia dito. O Banco, disse:
“conciliação”.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, eu gostaria de obter a
resposta.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sr. Pizzolato, eu pediria a V.
Sª, até porque faremos um intervalo, que respondesse à indagação do Deputado
Eduardo Paes, mesmo porque não podemos ficar duelando com documentos: um lê uma
coisa, o outro lê outra... Então, que V. Sª fosse objetivo.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, o Deputado que vos fala lê
documentos da CPMI, adquiridos por V. Exª, portanto, comprovados. Quem faz
ilações é o Depoente. Há uma diferença enorme.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Na exposição
inicial, Sr. Deputado, disse que fui ao Ministério e informei ao Ministro da
existência dos recursos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª não sabia da existência desses
recursos?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu soube
quando fui procurado...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Apesar de fazer parte do Conselho do Banco do
Brasil, desde 1992, V. Sª não sabia?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu fui
Conselheiro do Banco até 1996, Sr. Deputado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Depois V. Sª saiu.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Depois, eu
não fui mais Conselheiro do Banco. O meu mandato expirou em 1996.
Quando o Banco
decidiu participar da Visanet, eu não era mais Conselheiro do Banco.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Gushiken determinou a V. Sª que
procedesse ao adiantamento dos recursos?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O que eu
mostrei ao Dr. Gushiken foi a nota e o informei que existiam os recursos da
Visanet.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Pizzolato, se V. Sª não quiser responder,
não responda. Mas eu estou lhe fazendo uma pergunta objetiva: o Ministro
Gushiken determinou a V. Sª que fizesse o pagamento à Agência DNA?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Ele disse-me
que era para assinar as notas...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – “Assinar a nota” significava o quê? Por que
V. Sª tinha de assinar a nota?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Porque eu tinha que
dar o “de acordo”.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O “de acordo” de V. Sª significava
autorização?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Significava que a
Diretoria de Marketing iria estruturar as campanhas com os recursos da Visanet
junto com os demais...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, estou satisfeito.
Vejo que o Depoente
não quer responder, e eu não vou ficar aqui...
Sr. Presidente,
gostaria de trazer um documento...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sr. Deputado, peço a V. Exª
que conclua, porque há muitos oradores inscritos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Exª tem razão.
Para
concluir, Sr. Presidente, quero mostrar a esta CPMI um documento que me foi
entregue à época do show de Zezé de Camargo e Luciano, que talvez
confirme essa relação muito próxima e a participação da Secom* nas decisões
dessas verbas da Visanet. Consta deste documento uma ficha de acompanhamento de
compras e contratações efetuadas via agência de publicidade ou BB Turismo*, à
qual justamente faz parte do processo do show de Zezé de Camargo e
Luciano – é o tal de premiação Agência DF. E lá, no acompanhamento dos
processos, existe algo semelhante quanto aos procedimentos adotados por esta
organizada CPMI, algo interessante que são “passos”. Então, o Passo 4 diz
respeito à aprovação dos custos pela Secom e meios de planilhas e ações e
divulgações. Ou seja, a Secom sempre soube de tudo; até dos R$70 mil do show
de Zezé de Camargo e Luciano.
Era
isso, Sr. Presidente.
Agradeço
a paciência de V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Quero, aqui, fazer um
comentário por achá-lo pertinente. Estamos tratando de um assunto de
fundamental importância e associado a uma das instituições mais sérias e
responsáveis do Brasil que se chama Banco do Brasil. Acredito que aqui vários
Parlamentares têm experiência executiva.
Então, Sr. Henrique
Pizzolato, eu gostaria de fazer um registro. Entendo até a situação, o que tudo
isso lhe tem causado, mas algumas afirmações têm que ser bastante refletidas,
porque a um diretor do Banco do Brasil não se concebe desconhecimento de
determinadas decisões, especialmente voltadas para a sua área. Outras empresas,
que não o Banco do Brasil, empresas até menores, mesmo que uma outra área de
interface com a diretoria se posicione, normalmente o diretor da área é
consultado; os orçamentos, mesmo que venham a ser remanejados, ou movimentados
por uma outra área, ou decisões ligadas a áreas meio, necessariamente passam
pelo Ok das áreas fins. Portanto, deixo esse registro porque, até entendo, há
uma estratégia clara de defesa, há uma estratégia clara associada aos advogados
competentes que V. Sª tem, mas algumas coisas não podem ser colocadas de uma
maneira tão frugal, de uma maneira tão superficial que, no meu ponto de vista,
depõe até contra a história e contra os empregados de uma instituição
absolutamente importante como é o Banco do Brasil.
Quero só chamar a
atenção para V. Sª porque determinadas coisas não convencem, até porque os
Parlamentares conhecem muito bem como funciona uma instituição como o Banco do
Brasil e também como funcionam outras empresas estatais. Portanto, a despeito
de toda uma estratégia de defesa, a despeito do constrangimento, da situação
que V. Sª passa, que entendo, e todos nós temos essa percepção, de tudo aquilo
que isso representa na vida e na família de cada um, mas determinadas noções
simples e até noções óbvias de gestão, peço a V. Sª que não insista, ou num
eventual desconhecimento ou numa eventual participação, porque determinadas
decisões são absolutamente compatíveis com a hierarquia que funciona numa
instituição, como é a do Banco do Brasil, que tem uma grande hierarquia e
grandes empregados.
Portanto, alerto que
V. Sª precisa, ao longo do depoimento, atentar para esses detalhes, até porque,
de certa maneira, o que se passa ao longo do depoimento é que o Banco do Brasil
seria uma verdadeira barafunda, uma verdadeira torre de Babel, uma coisa que
ele não é definitivamente, e todos nós sabemos disso – muito pelo contrário, é
uma grande instituição.
Vou interromper os
trabalhos por dez minutos. Voltamos com o Deputado Arnaldo Faria de Sá.
(Suspende-se a
reunião 16 horas e 44 minutos.)
(Reabre-se a reunião
17 horas e 06 minutos.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Está reaberta a reunião.
Passo a palavra ao
Deputado Arnaldo Faria de Sá, que tem 15 minutos.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) –
Obrigado, Sr. Presidente.
Sr. Henrique
Pizzolato, quem são os seus advogados? (Pausa.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por favor, o nome dos
advogados.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Dr. Mário de
Oliveira Filho e Dr. Roberto Amaral.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu não tenho como
opinar sobre isso, Deputado. Eu apenas mantenho o meu compromisso de falar a
verdade, como venho fazendo até agora. Tenho dito tudo o que sei, e é esse o
meu compromisso, que quero aqui cumprir.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A
impressão que tem passado, Sr. Pizzolato, é que o senhor está tentando defender
alguém, livrar o problema de alguém e, a partir do momento em que assume essa
estratégia, o senhor está assumindo a responsabilidade sozinho; está tomando
tudo para si. Será que a sua família concorda com isso?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Deputado, estou
falando o que eu sei para poder auxiliar esta Comissão. Eu não poderia fazer
ilações e não poderia afirmar fatos ou eventos de que eu não tenho certeza, que
eu não presenciei. Aí, eu estaria faltando com meu compromisso e não estaria
contribuindo com a CPI. Não tenho o propósito nem de defender, nem de auxiliar.
Tenho o propósito, sim, de ajudar a Comissão, de prestar todos os
esclarecimentos e que isso se esclareça da forma mais rápida possível, porque
sei que o senhor entende o sofrimento familiar, as situações, meu pai... Sou o
único filho homem vivo; perdi dois irmãos em acidente de automóvel, um aos 22
anos; outro, aos 27 anos. Meu pai velhinho, e isso o tem abatido muito.
Trabalhei 31 anos no Banco; nunca cometi, nunca tive nenhuma irregularidade,
nunca foi apontado nada. Acabei sendo envolvido...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Eu
tenho certeza...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu quero ajudar o
máximo possível, porque...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Tenho
certeza de que o senhor foi envolvido e, justamente, quando falo desse aspecto
familiar, é que o senhor está assumindo sozinho uma responsabilidade que não
tem. Quando o senhor fica nessa posição defensiva para os outros, o senhor está
se expondo. Quando chamo a sua atenção nesse sentido, e estou falando
diferentemente do Parlamentar que falou anteriormente, de forma contundente e
mais agressiva, porque estou sabendo – tenho informações, tenho documentos –
que o senhor não é o culpado, mas o senhor acabou sendo envolvido. Essa palavra
que o senhor usou agora é verdade: o senhor foi envolvido. Quando o senhor
autoriza os R$23,3 milhões, o senhor apenas o fez na condição de diretor de
marketing. A decisão não foi sua, mas da forma como o senhor está se
colocando, está assumindo sozinho a responsabilidade, e as pessoas que deveriam
estar sentadas no seu lugar não estão. E o senhor está passando pelo vexame,
por essa fase de indignação, por toda a situação. Por isso, chamo a sua
atenção. Quer dizer: a estratégia que tem sido montada para ajudá-lo não o está
ajudando. Quem está aqui sozinho, largado, abandonado às feras é só o senhor.
Por isso, faço essa colocação, porque estou achando que a sua família merecia
uma outra posição do senhor. O senhor está se colocando como único responsável,
e eu estou afirmando que o senhor não é o responsável. Por que o senhor assume
essa posição de querer assumir toda a responsabilidade?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Deputado, eu jamais
procurei – se não me fiz entender, desculpe... A minha intenção é relatar os
fatos conforme ocorreram. Não quero fazer acusações levianas; não quero fazer
insinuações. O meu conhecimento – e talvez seja importante que eu informe aos
senhores e afirme... Por isso, procurei valer-me de alguns gráficos. Conheço o
Banco, porque lá trabalhei durante 31 anos. Conheço a estrutura do Banco, já
tive oportunidade de estar em várias funções. No entanto, esse fundo Visanet,
quando foi criado em 2001, eu não estava no Banco. Eu estava licenciado pelo
Banco. Em 2001, eu estava na Previ...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Eu não
tenho dúvida nenhuma de que...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu retornei...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) –...o
senhor conhece bem o Banco, foi um excelente funcionário do Banco. Não tenho
dúvida disso. Por isso, estou fazendo essas colocações. Quem conhece o Banco,
tendo trabalhado tanto tempo quanto V. Sª trabalhou no Banco, não pode ter dado
as mancadas que deu. Na verdade, essas mancadas que o senhor está querendo
assumir sozinho agora são tentativa de encobrir alguém. Vale a pena isso aqui,
Henrique? Vale a pena?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Se o senhor puder
ser explícito... Não tenho constrangimento algum em falar tudo o que sei, mas,
sobre o fundo Visanet, o que eu estava dizendo é que ele foi criado em um
período em que eu não estava no Banco...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você
quer se fixar apenas no Visanet. Eu não quero me fixar no Visanet, quero o
conjunto de todo o problema – o dinheiro que você pegou para o partido; que
você não sabia; que você foi usado para pegar aquele dinheiro; essas
autorizações para a DNA; essa história de pilares de que você fala. Na verdade,
está mais do que claro que você está sendo usado e, ao não assumir a condição
de que foi usado, está se tornando responsável por tudo.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O que era da minha
competência, eu relatei. Quem decidiu estruturar o Banco sobre pilares, Sr.
Deputado, foi o Conselho Diretor do Banco e quem decidia sobre a Visanet eram
os representantes do Banco, cujos nomes citei e entreguei a planilha.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Quem
eram esses representantes?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Era, na época, o
Dr. Carlos Casseb, que era Conselheiro do Banco...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Certo.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – ...o Dr. Edson Monteiro,
que era Conselheiro do Banco na Visanet – o Dr. Cássio era Presidente do Banco
– e o Dr. Fernando Barbosa, que era Diretor de Varejo.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E no
Palácio?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Desculpe?
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E no
Palácio, quem interferia?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O Banco é
subordinado ao Ministério da Fazenda, mas eu nunca estive no Palácio, nunca me
chamaram. Durante esse período, Sr. Deputado, estive três vezes no Palácio do
Planalto: uma vez na recepção de atletas olímpicos; uma vez no lançamento do
cartão do Pronaf e uma terceira vez...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Eu não
perguntei quando você esteve no Palácio do Planalto. Quero saber qual era a
ordem que vinha do Palácio nesse caso de verbas de publicidade. Quem era a
pessoa do Palácio que interferia nisso?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Deputado, eu
acredito que, se houvesse conversas – e não tenho informação alguma sobre isso
–, elas seriam com o Presidente do Banco. O Palácio não se reportava a
diretores, isso segue uma hierarquia. Eu era funcionário de terceiro escalão no
Banco; havia o presidente, vice-presidentes e diretores. Eu não participava do
Conselho Diretor do Banco.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Não,
Diretoria de Marketing não é terceiro escalão, você vai me desculpar...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – É: há o presidente,
os vice-presidentes e as diretorias – isso, se eu não considerar o Conselho de
Administração.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Mas,
nessa situação, você é primeiro escalão, não é terceiro escalão.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Bom, eu não quero
entrar em polêmica. Estou tentando apenas exemplificar a forma como eu me
sentia. Eu não tinha alçada individual...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Quem
pediu para você assinar essa autorização de R$23,3 milhões para a DNA?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu fui ao
Presidente do Banco, ao Vice-Ppresidente de Varejo – já relatei isso aqui – e
fui à Secom e mostrei...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Secom.
O que é a Secom?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – É a Secretaria de
Comunicação.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Isso é
Palácio!
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Isso eu relatei em
minha exposição inicial e deixei um texto, inclusive, com o Sr. Relator sobre
isso, dizendo quais as foram as pessoas que eu consultei.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Foi a
Secom que mandou assinar isso aqui?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu conversei com o
Chefe de Gabinete, com o Ministro...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Foi a
Secom que mandou você assinar isso aqui?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eles...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Foi a
Secom que mandou você assinar?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O que o Ministro
disse é que não via nenhum problema, que era uma boa notícia, porque o Banco
teria – e isso eu relatei no início –, tendo mais recursos, oportunidade de
conseguir preços melhores junto aos veículos de comunicação.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Foi
duro responder que foi o Gushiken que disse que era um bom negócio isso aqui!
Agora você admitiu isso.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu deixei isso,
inclusive, por escrito, mas dentro desse contexto de que ele disse: “Olha, isso
não é recurso do Banco, mas...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Além
dessa vez, houve outra vez em que o Gushiken sugeriu ou indicou fazer alguma
outra aplicação, outro investimento, algum outro patrocínio?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Recursos... O Banco
gerenciava os recursos de orçamento que a Diretoria de Marketing... Para ser
preciso: a Diretoria de Marketing tinha os recursos orçamentários do Banco, e
esses recursos, Sr. Deputado, eram aprovados, em última instância, na
Secretaria de Comunicação. Antes de o Banco...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A
Secretaria de Comunicação. Você se lembra de algum evento, algum patrocínio ou
alguma publicidade que você fez porque recebeu pedido ou recebeu ordem da
Secretaria de Comunicação?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu recebia pedidos
do Presidente do Banco para analisar proposta. Mas como o Banco tem critérios
técnicos e tem alçadas de decisão, acredito que o Ministro... Sempre levei
essas informações ao Ministro e ao seu chefe de gabinete, de como eram os
processos decisórios no Banco.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Era você
que levava essas informações para o Ministro?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – O conhecimento do
processo decisório e os projetos...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Você que
levava para o Ministro?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim, Deputado,
porque há um decreto que subordina...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Não
estou discutindo isso. Você é que levava. É isso que quero saber.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Eu, o gerente ou
outros funcionários da Diretoria...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) –
Subordinados a sua Diretoria?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Levávamos a
campanha para aprovação prévia, porque se não houvesse aprovação prévia as
campanhas não podiam ser veiculadas.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Quando
você esteve na Previ, qual foi o cargo que ocupou?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Diretor de
Seguridade.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Diretor
de Seguridade? Você que foi o responsável pela aplicação na Vale?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não, senhor. A
Diretoria de Seguridade, Sr. Deputado, atendia basicamente a área de benefícios
e a parte atuarial da Previ. O meu relacionamento era interno com os
associados: pagamento dos aposentados, controle das contribuições dos
associados...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Até que
ano você... Qual foi o período que você trabalhou na Previ?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – De junho de 1998
até início... 31 de maio de 2002.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – De 1998
a 2002 trabalhou na área de seguridade da Previ?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO – Na Previ.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Por que
em 2004, já na condição de Diretor de Marketing, você vai para Londres, Zurique
e Estocolmo participar de um seminário de Previdência?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Porque eu era
conselheiro da Previ e a Previ achou por bem, e isso foi aprovado nas
instâncias da Previ, que seus dirigentes – aquele era um seminário promovido
pela Abrape, que é a Associação Nacional dos Fundos de Pensão – fizesse
intercâmbio com os fundos de pensão na Europa. E fomos num grupo de dirigentes,
várias pessoas da Previ, inclusive o seu Presidente, e dirigentes de outros
fundos de pensão.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Quanto
tempo você ficou na Europa?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Acho que foram...
Não quero ser impreciso, mas creio que foram seis ou sete dias.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – A
informação que tenho é que foram nove dias. Saindo do Brasil dia 06 de junho e
retornando no dia 15 de junho.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Se considerar o
trânsito talvez tenha dado isso, Deputado. Foram quatro países que visitamos,
que estivemos reunidos com entidades de fundos de pensão, com Ministros de
Previdência...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Qual a
sua formação educacional?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sou Arquiteto
Urbanista e fiz alguns estudos na área de Comunicação e Letras paralelo ao
curso, mas não requisitei diploma.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – E como
você pode alegar que não sabia que aquele pacote tinha dinheiro?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Porque não me foi
informado, Deputado. Mas me foi dito que eram documentos. E não tomei nenhuma
precaução. Jamais iria supor que alguém pudesse ter o despropósito de me fazer
um pedido daqueles pelo risco que me expunha. Porque os envelopes, fisicamente,
não tinham como conter aquilo...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Como
você disse... Você disse que não sabia o que tinha no pacote, mas disse que o
pacote não podia ter aquele dinheiro. Se você não contou, como é que você sabia
que não podia ter aquele dinheiro no pacote?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Porque depois foi
revelado, Sr. Deputado, a importância que se atribuía que se tivesse. Nunca fui
informado sobre isso.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – Deixe-me
mudar de assunto. Aqui, na quebra de sigilo, aparece repasse da BBTur para a
MultiAction*, que, em 2001, foi de R$195 mil e, em 2003, foi R$2,680 milhões,
para promoção de eventos e montagem de arenas para campeonatos de volei de
praia e estandes de feiras das quais o Banco participa. Como é que pode passar
de R$195 mil para R$2,680 milhões se a BBTur jamais assinou algum contrato com
a empresa do Marcos Valério?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sr. Deputado,
infelizmente não tenho como dar essa informação porque a BBTur é uma empresa
subsidiária do Banco e ela tem uma diretoria e estou recebendo essa
informação...
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) –
Mas quem patrocinava o vôlei de praia era a sua Diretoria.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Sim, mas eu cobrava
das agências a execução dos trabalhos do vôlei de praia; eu não controlava os
fornecedores. Eu tinha uma planilha. Foi encomendada uma arquibancada para
1.500 pessoas com uma área vip para 200 pessoas, que a arena estivesse pronta
no dia tal, que a arena tivesse tais e tais espaços, tivesse um estande para o
Banco do Brasil, tivesse um estande para produtos do Banco. A minha parte de
fiscalização era isso, quer dizer, da Diretoria, desculpem-me, havia um grupo
de funcionários que faziam isso. Nós também, a partir de 2004, passamos a fazer
um controle de quem freqüentava a arena para buscarmos as contrapartidas
negociais.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) –
Para encerrar, o único evento que V. Sª fez com o Zé de Camargo e o Luciano foi
o do Porcão ou teve algum outro evento?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não. O
evento que nós patrocinamos que estavam o Zé de Camargo e o Luciano foi o do
Porcão, que foi analisado pelo TCU e foi dado conformidade em 4 de dezembro de
2004.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB – SP) – O
Banco do Brasil não tem nenhum patrocínio em “Os Dois Filhos de Francisco”?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Que eu saiba
não. No período em que eu estive lá, não. Nenhum pedido passou por mim.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Quero registrar que alguns
Deputados tiveram de sair porque está havendo votação nominal na sessão da
Câmara. Aproveitarei para dar as palavras aos Deputados presentes.
O Senador Aelton
Freitas não se encontra nem o Deputado ACM Neto.
Tem a palavra o
Deputado Onyx Lorenzoni. Depois do Deputado Jorge Bittar, passarei a palavra ao
Deputado Murilo Zauith e ao Deputado Antonio Carlos Pannunzio.
Com a palavra o
Deputado Onyx Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Estou fazendo muitas contas por uma
razão. Em 19 de maio de 2003, houve a transferência de R$23,3 milhões para a
Visanet. O senhor participou da autorização dessa transferência?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Da
transferência da Visanet...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Para a DNA.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – A Visanet
não foi feita pela Diretoria de Marketing, Sr. Deputado. Os recursos, conforme
já mostrei...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Está aqui a sua assinatura.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Esses
recursos eram de uma nota interna...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Estou vendo aqui: aprovar após
financeiro R$23,3 milhões; aprovar o repasse da verba para a agência de
publicidade DNA. Aqui está o Cláudio de Castro Vasconcelos, o Douglas, sete.
Despacho da Diretoria de Marketing e Comunicação. De acordo, em 6 de maio. Sua
assinatura. Fernando Barbosa de Oliveira. Então, o senhor assinou.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Mas era
interna do Banco. O aporte não foi feito do Banco para a DNA. Foi feito da
Visanet. Havia necessidade de uma tratativa...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Havia necessidade da sua aprovação,
não é?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Não.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Certo?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO – Com licença.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Tanto que o senhor recebeu orientação de assinar.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO – Não. Havia necessidade do meu de acordo ou
da minha assinatura, desculpem-me, para que o Banco realizasse, por meio de sua
estrutura de marketing, as campanhas de publicidade. Como expliquei no
início...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Eu já entendi.
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO –
Caso contrário, a área de cartão de créditos, por ser uma subsidiária do
Banco, deveria demandar, ou uma estrutura externa, ou a contratação de uma nova
estrutura.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Eu já compreendi.
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Essa era uma
cláusula comum a todas as agências.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sim, todos os contratos. Não estou
questionando isso. O que estou querendo trazer para sua análise é o seguinte:
primeiro, eu não acredito, com todo respeito, que uma pessoa que o senhor diz
que contratou oito vezes liga para o senhor e diz que o senhor tem de buscar o
embrulho. E o senhor vai e busca o embrulho. Quer dizer, o senhor manda alguém
buscar, mas alguém sob as suas ordens diretas. Aí, o senhor, que é um homem tão
atento, foi tão detalhista em procedimentos dentro do banco ao longo de sua
trajetória – o senhor referiu aqui –, o senhor, que é um homem de comunicação,
de marketing, recebe um envelope, que nem abre, e o que mais grave, esse valor
é de R$326.660,67. Esse é o dinheiro que o Sr. Luiz Eduardo Ferreira da Silva,
a seu comando – está reconhecido, líquido e certo –, foi buscar. E, desde que
ouvi isso, bati a cabeço porque ninguém me tira a idéia de que isso é comissão.
Na minha opinião, uma comissão montada, sim. Daquela autorização que o senhor
foi instado a dar, de R$23,3 milhões, se o senhor aplicar 5%, que é razoável,
achará R$1,165 milhão. Acabei de falar com um contador amigo e perguntei quanto
seria aproximadamente, no primeiro mês do ano, porque o repasse ocorreu em
janeiro, alguém que trabalhasse com lucro presumido. Ele me disse que de
Imposto de Renda e Contribuição Social são 7,68%; de Cofins, são 3%; de PIS,
0,65%, e, de ISS, depende de onde está baseada a empresa, que pode variar, mas
dá uma média de 3%, 4% ou 3,5%, depende do acordo do município. Isso dá um
número ao redor de 16%. E digo ao redor porque precisaríamos ter a
contabilidade da DNA ou da SMP&B, isso obteremos, para sabermos exatamente
o número. Aplicados sobre os R$1,165 milhão, restam, na minha conta de 16%, que
vai ser um pouquinho mais, um pouquinho menos, R$978,6 mil. Divididos por três,
dá R$326,2 mil, ou seja, com uma proximidade que vai quase ao detalhe do
dinheiro que o senhor recebeu.
O senhor acha que
tudo isso é uma coincidência? Tudo isso é uma ficção? Ou o senhor recebeu um
dinheiro que não sabe para quem deu? O senhor é incapaz de identificar o
receptador do dinheiro? Então, se o senhor não é capaz de identificar para quem
entregou, o senhor é o receptador. Não posso fazer nada. Os seus advogados
sabem o que estou dizendo. É um ônus que o senhor está assumindo. O senhor é o
receptador de dinheiro. E por que o senhor receberia um dinheiro quebrado?
Vamos lá. Todos os repasses feitos ao Partido dos Trabalhadores foram
arredondados. O senhor seria o único caso, em toda essa situação, em que o
dinheiro foi quebradinho. Por que foi quebradinho? Porque a agência fez o
desconto dos impostos; porque ela deve ter emitido uma nota para tirar o
dinheiro; ou arrumou uma nota fiscal, como ela fez – ela é useira e vezeira em
fazer isso; separou o dinheiro e mandou para o senhor! O senhor acha que isso é
ficção? Ou o senhor acha que isso tem alguma dose de razoabilidade diante de
uma circunstância que depois se repete? Na minha opinião – não o estou
acusando, estou raciocinando –, com a sua demissão do Banco do Brasil, o senhor
e quem mais com quem essa partilha era feita perderam um montão de dinheiro,
porque 5% sobre 35 milhões era uma dinheiro muito mais interessante. E talvez o
senhor tivesse ainda a receber, segundo os números que a nossa CPMI tem,
valores maiores. O que conseguimos rastrear é isto: esse recebimento dos
326.660. Se for analisada a contabilidade da DNA, quero dizer que é possível
uma auditoria conseguir identificar qual era a composição tributária, no mês de
janeiro deste ano, e acho que dá para chegar muito perto desse valor que o
senhor recebeu quebrado. A comissão era para o senhor ou era para outra pessoa?
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Deputado, todos os
meus bens, todo o meu patrimônio está legalmente declarado em imposto de renda.
Centavo por centavo do meu patrimônio eu consegui através de salários, com
muito trabalho, com muito sofrimento, inclusive relegando, muitas vezes, a
minha família a segundo plano. Minhas declarações de renda e extratos bancários
eu já disponibilizei a esta Comissão, da primeira em que estive aqui, e
anteriormente já os havia disponibilizado à Polícia Federal. Portanto, estou
muito tranqüilo quanto a isso. Ademais, não quero desmerecer o seu raciocínio. Apenas
quero dizer o seguinte: o processo decisório envolvia um grande número de
pessoas no Banco, envolvia os conselheiros da Visanet que estavam no Banco,
envolvia as diretorias, as outras diretorias, conforme já demonstrei. Então,
não teria por quê... O meu poder de decisão não era ponderado, não era decisivo
em nada nesse processo, porque, se o Conselho da Visanet decidisse não aprovar
os recursos ou se o Conselho da Visanet decidisse não repassar os recursos da
forma como já havia sido estruturado, em 2001 e em 2002, essa equação...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Henrique Pizzolato...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – ... essa equação perderia a lógica, porque,
guardada essa equação...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Só há um fato aqui, Sr. Henrique...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – ... guardada essa
equação, em 2001 e em 2002, deveria haver a mesma justificativa.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Bem objetivamente... Acontece que, nessa
época, o Sr. Marcos Valério não tinha relação com o seu Partido. É diferente.
Tudo passa a acontecer porque o Sr. Delúbio disse que conheceu o Sr. Marcos
Valério assim, ao acaso, entre o primeiro e o segundo turno da eleição, e
rapidamente todas as coisas se organizaram. Quer dizer, talvez, desses quatro
que assinaram essa autorização, alguém talvez não tenha recebido, ou recebeu e
está em uma outra conta. O que quero dizer ao senhor, de maneira objetiva é
que, se o senhor me disser: eu entreguei o dinheiro para o senhor “fulano de
tal” por ordem do seu... Quem é que mandou buscar o dinheiro na sua casa? Para
onde é que foi o dinheiro? E eu nem estou levantando o fato de compra de
apartamento, nem estou levantando isso – também isso vai ser fruto da
investigação – porque tenho pouco tempo e tenho outra coisa para lhe perguntar.
Agora...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO – Se eu puder lhe
auxiliar, Deputado...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Agora, para onde é que
foi o dinheiro? Quem pegou o dinheiro na sua casa? Qual é o nome da
pessoa?
O SR. HENRIQUE PIZZOLATO – A informação que eu recebi era
de que seriam documentos. E eu, quando o contínuo me trouxe, acreditei que
fossem documentos relacionados à questão de publicidade, pelo volume que aquilo
representava e pela forma como os envelopes estavam lacrados. Pela pessoa que
veio buscar e da forma como me foi passada, era uma pessoa do PT.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Nome? Nome da
pessoa! E para quem ela levou? Quem a autorizou a pegar o dinheiro? Quer dizer,
o senhor não conhece o Marcos Valério, o Marcos Valério esteve com o senhor
meia dúzia de vezes. Aí ele liga para o senhor e diz: – Ó, vou lhe mandar aí
alguma coisa.
E “alguma coisa” é
uma grana pesada...
O SR. HENRIQUE
PIZZOLATO –– Deputado?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor não só manda buscar, mas ainda
passa adianta sem tomar nenhuma atitude. Olha, Sr. Henrique Pizzolato, se a
gente trocasse de posição, o senhor não ia aceitar, porque falta razoabilidade,
falta bom senso. O que tem de razoabilidade e lógica no que estou dizendo!! O
seu problema é o seguinte: o senhor contrapõe à lógica a irracionalidade, o
senhor contrapõe à racionalidade uma série de argumentos que são frágeis. Quer
dizer, que história é essa de repassar 326 mil para alguém no Rio de Janeiro
que o senhor não sabe, não viu, não conhece, nunca viu, não sabe nem que jeito
tem a pessoa? Por favor!
Além do que, a
informação que temos é a seguinte: que o senhor, porque participou da
arrecadação da campanha de Lula...Lá no Banco do Brasil, não é verdade essa
postura humilde e submissa. A informação que nós temos de dentro do Banco do
Brasil é de que o senhor, mais de uma vez, literalmente, peitou o Sr. Carlos
Casseb. Tanto que fiz aqui a convocação – amanhã vamos votar – para trazer o
Sr. Carlos Casseb, porque nós precisamos começar a parear quem diz a verdade e
quem está mentindo.
A informação que
temos de dentro do banco é que o senhor era um homem pró-ativo dentro do banco.
O senhor não era homem de levar recado. Ao contrário, o senhor mandou recado
para muita gente dentro do Banco do Brasil. E tem muita gente que nos procura
nos corredores trazendo as ações que o senhor desenvolveu no Banco do Brasil .
Porque todos diziam que o senhor teria as costas quentes, que o senhor seria
uma indicação direta de Lula.
Portanto, o senhor
não estava no Banco do Brasil devendo para ninguém da parte de baixo do poder.
O senhor estava no Banco do Brasil a serviço da parte de cima do poder. Por
isso talvez se possa explicar a questão referente à escolha, coincidentemente,
da DNA no caso do Banco Popular. Quem controlava a verba? Não era a Visanet,
não! Era o senhor. A verba de publicidade lá...
O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT – MS) – Deputado,
concluindo, Deputado Onyx Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É uma pena, Presidente, mas a coisa está
indo bem, não é?
O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT – MS) – Mas o
senhor pode se reinscrever.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mas eu peço a vênia de V. Exª.. Dois
minutos. Não mais do que isso.
O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT – MS) – Um minuto
somente, Deputado...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Está bem negociado assim Um minuto está
bem negociado.
O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT – MS) –...porque existem
outros oradores aí aguardando.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Ok, Presidente, eu já me reinscrevo
porque tenho mais coisas para perguntar.
O fato é que, quando
houve aqui nesta Comissão Ivan Guimarães, ele disse que houve uma reunião
marcada por sua Diretoria com o Vice-Presidente do Banco do Brasil, para
decidir se iria ser a DNA ou a Kali Assunção; que o Banco Popular ficou
completamente de fora da decisão; e que o núcleo decisório do Banco do Brasil
era onde o senhor comandava. Lá tomaram a decisão de transferir os recursos da
conta do Banco Popular para a DNA – aquela mesma operação extremamente
inteligente de gastar 30 milhões em publicidade e propaganda e operar 24
milhões. Só um banco público para fazer isso. Em nenhum outro lugar do mundo
alguém faria um negócio desse tipo.
Então, quando o
senhor vem aqui e diz que o banco teve um período – enquanto o senhor esteve lá
no Marketing – de alta qualidade...
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