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O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Declaro aberta a quarta reunião da
Sub-Relatoria de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada
pelo Requerimento nº 3, de 2005, para investigar as causas e conseqüências de
denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios,
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Esclareço
às Srªs e aos Srs. Deputados, às Srªs e Srs. Senadores, bem como aos demais
presentes, que a pauta da reunião de hoje se destina à oitiva dos Srs. Ioannis
Amerssonis, Michel Abud Atie Junior e Antônio Augusto Leite Filho.
Convido
para tomar assento – o que já foi feito – aqui à Mesa o Sr. Ioannis Amerssonis
para esclarecimentos.
De
início, quero também registrar a presença do doutor advogado Sérgio Rosenthal,
que representa neste momento o Sr. Ioannis, que será ouvido por esta Comissão
como testemunha, fixando-se, portanto, este entendimento para todos os fins
legais e regimentais.
O
Sr. Ioannis Amerssonis já assinou o termo de compromisso, que ficará então
juntado aos autos desta Comissão Parlamentar de Inquérito para todas as
finalidades de direito.
Passo
a seguir a palavra a S. Exª, o Sr. Relator, Osmar Serraglio, para que inicie a
argüição nesta tarde.
O
SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr.
Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Sr. Ioannis, nós gostaríamos que V. Sª
iniciasse procedendo a sua qualificação e também, logo em seguida, fizesse um
histórico simplificado das empresas das quais V. Sª participou ou
juridicamente, portanto por meio de documentos firmados, ou por sociedades de
fato em que posteriormente teria procedido à dissolução. Em outras palavras: um
resumo inicial para que nós pudéssemos a partir disso formular o nosso
questionamento.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tem a palavra o depoente.
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Exmº Sr. Presidente, Exmº Sr.
Relator, senhores presentes, Deputados e Senadores, meu nome é Ioannis
Amerssonis, sou sócio-quotista da empresa Beta (Brazilian Express Transportes
Aéreos), e exerço as minhas atividades profissionais como empresário há mais de
quinze anos. Sou proprietário de um grupo de logística, um grupo que agrega
empresas de logística. Gostaria de esclarecer a todos aqui que a Beta tem sido
citada pelas revistas e pela própria CPMI como empresa que cometeu
irregularidades e empresa que, enfim... Eu gostaria de esclarecer que sou
sócio-proprietário da Beta, mas, durante um período de tempo, entre 1997 e
2002, a Beta foi administrada por um outro administrador, o Sr. Antônio
Augusto, que também deverá depor aqui, e, após 2002, eu assumi a administração
da empresa e, a partir daí, também todas as responsabilidades por essa
administração.
Eu
queria esclarecer também que os contratos que foram assinados pela Beta e
juntamente com a Skymaster, na ocasião foram assinados, eu tive ciência da
assinatura desses contratos pelo Sr. Antônio Augusto, e, de fato, ele me deu
ciência, e não vi nenhum tipo de irregularidade nesses contratos. Mas, de
qualquer forma, eu estou aqui para esclarecer qualquer dúvida, qualquer
argüição que possa ser feita. Não sei se isso é suficiente para...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essas empresas que vou nominar, à medida que eu
enuncie, V. Sª vai se manifestando sobre ter sido de alguma sócio delas e se
elas ainda operam.
Costa do Sol Operadora Aeroportuária?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não. Não sócio e nunca fui.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – GPT Participações e Empreendimentos Comerciais Ltda?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não sou sócio do GPT.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Mercosul Warrant e Logística?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não sou sócio dessa empresa.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Planave Navegação da Amazônia?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não sou sócio dessa empresa.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Promodal da Amazônia Armazéns Gerais?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não sou sócio.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Promodal Logística e Transportes?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
No momento atual não sou sócio. Fui sócio até 2002 dessa empresa. O contrato de
separação total foi feito em agosto 2002.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – O inicio se deu quando?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Desde de 1997.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Promodal Transportes aéreos?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não sou sócio. Mas durante um ano, participei com 50% das cotas dessa
empresa.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Tecnocargo Transportes da Amazônia?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não sou sócio.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Tecnocargo Transportes.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Transmac Transporte Intermodal?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não sou sócio.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Zena Servis Logística e Transportes?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – A Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
A Beta sou sócio cotista.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De 1997
a 2002 foi administrador inclusive.
O senhor é cotista da Beta desde quando?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Sou sócio-cotista da Beta desde 1995.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Até atualmente?
Inclusive V. Sª é diretor?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Sim. E sou sócio-cotista, na verdade. A Beta é uma empresa profissionalizada,
ela tem uma gestão profissional.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a direção
final é sua?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Brazilian
Express Transportes Ltda?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Sim, é empresa de minha propriedade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Brazilian
Express Logisitica?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também é empresa de minha propriedade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A
Pró-Logística Transportes e Distribuição?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Também é empresa de minha propriedade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não houve um
determinado momento em que essas empresas formavam um conglomerado, uma
sociedade de fato de V. Sª junto com o Antonio Augusto?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Exatamente, até 2002 elas formavam um conglomerado. Algumas empresas eram de
minha propriedade e outras empresas eram de propriedade do Sr. Antônio Augusto.
Fizemos uma sociedade de fato, porém não de direito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A partir de
quando essa sociedade de fato?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
A partir de 1997.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Até?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Até 2002.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Portanto,
quando V. Sª anteriormente fez referência a que não seria sócio, não seria
sócio juridicamente, mas de fato era sócio?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Eu era sócio juridicamente, não de fato.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, dessas
outras: GPT, Mercosul, Planave...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Sim. Exatamente não sou juridicamente, mas sou de fato; era de fato.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual a linha
societária, a participação? Quem mais era sócio de V. Sª nessas empresas? Era
só o Antonio Augusto, ou tinha mais?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Havia outros sócios minoritários, mas na verdade éramos só eu e o Antonio
Augusto, com 50% cada um, meio a meio.
O SR.
RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Como funcionava esse
conglomerado? Quem administrava isso nesse período de 1997 a 2002?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
O administrador geral de todo esse conglomerado era o Sr. Antonio Augusto; ele
administrava tudo.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Até o final?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Até 2002. A partir de 2002, eu assumi as minhas empresas, ele ficou com as
empresas dele, e cada seguiu seu rumo.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª disse que
assumiu as suas empresas está falando das três Betas, Brazilian, Brazilian,
Brazilian e a Pró-Logística?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Exato.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Nesse intervalo em que havia uma sociedade de fato, que
tipo de relações havia entre essas empresas e a Empresa Correios.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Bom, na verdade, a única empresa que tinha qualquer relação com os Correios era
a Beta, que, na ocasião, era administrada pelo Antônio Augusto. Ele que
estabeleceu essa relação com os Correios.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Especificamente sobre a Beta, V. Sª teria
condições de descrever todo o relacionamento que teve com os Correios desde a
primeira participação em licitação, primeiro contrato, a seqüência toda de
relação com os Correios?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Posso, sim, Excelência. Só vou ter um pouco de dificuldade com relação ao
período anterior a 2002, porque, na verdade, eu não participava das licitações
nem da elaboração das propostas. Enfim, nesse período, eu cuidava de uma outra
empresa do grupo chamada Pró-Logística. Então, eu fui desenvolver as operações
logísticas e também de encomendas expressas. É por isso que eu estava afastado.
A partir de 2002, eu posso esclarecer qualquer fato.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Poderia historiar a partir de 2002?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Pois não. Bom, a partir de 2002, na verdade, não ocorreu nada de excepcional
a não ser a administração do contrato da linha que havia sido conquistada, na
época, pelo Sr. Antônio Augusto. Então, o que nós fazíamos... Na verdade, a
minha relação com os Correios, a partir de 2002, era no sentido de, primeiro, a
primeira visita que eu fiz aos Correios foi no sentido de conhecê-los e para
que eles me conhecessem também, para que eu estabelecesse um contato direto com
eles. Depois eu ia, raras vezes, para solicitar os reequilíbrios econômicos.
Então, além da minha equipe técnica, além do Presidente da minha empresa, eu
também ia fazer visitas no sentido de reivindicar os reequilíbrios econômicos
por razões até que eu acredito que sejam de conhecimento, porque...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem atendia V. Sª nesses encontros?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Perdão, Excelência.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem atendia V. Sª para discutir reequilíbrios?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Bem, eu me relacionava com o Diretor. Eu estive algumas vezes com o diretor
de operações...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que era?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Era o Sr. Maurício Madureira e com o Sr. João Henrique.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que era o Presidente?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– João Henrique de Souza que era o Presidente, exatamente.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que postulações de reequilíbrio V. Sª lembra que
fez e que tiveram sucesso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Excelência, que tiveram sucesso, a rigor, nenhuma. Mas nós fizemos várias
postulações de reequilíbrio, porque, depois do evento de 11 de setembro e da
própria Guerra do Iraque, ocorreram aumentos sucessivos do petróleo e,
conseqüentemente, aumentos sucessivos do querosene de aviação. Isso não se
refletiu no diesel e na gasolina, mas o querosene de aviação era reajustado
quinzenalmente. Aliás, ele é reajustado até hoje. O último aumento que teve foi
de 12,8% e o anterior foi de 8%. Antes disso, enfim, só neste ano, ele acumulou
40% de aumento. E ao longo do contrato que nós tínhamos, o querosene de aviação
aumentou em mais de 200%. Então, essa seqüência de aumento nos fazia
periodicamente reivindicar aumentos, os reequilíbrios econômicos, que não eram
dados de acordo com o nosso requerimento. Eles eram dados de acordo com aquilo
que eles apuravam internamente e aquilo que eles achavam que poderiam dar.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não havia uma fórmula contratual que
determinasse como se procederia?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Na verdade, havia, sim, Excelência. Mas é que isso era feito quase
unilateralmente.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa periodicidade quinzenal só foi possível a
partir do evento de 11 de setembro ou antes também era esse o período?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não. Antes não era assim a periodicidade. Antes o combustível aumentava
anualmente.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tem conhecimento de, na planilha, o que
significaria a participação desse item?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Mais de 50%, Excelência. Hoje representa mais de 60%. Naquela ocasião era
mais de 50%.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O combustível?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Como?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O combustível?
A Beta transporta cargas desde quando?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Ela transporta cargas desde 1995. A Beta atua fortemente no eixo São
Paulo–Manaus–São Paulo. Existe um pólo industrial muito forte de cargas em
Manaus, e nós transportamos insumos de São Paulo para Manaus e trazemos
produtos acabados de Manaus para São Paulo. Armazenamos aqui em São Paulo e
fazemos a distribuição depois para todo o País.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Sr. Michel Abud Atie não foi diretor da Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim, ele hoje é o presidente executivo da Beta.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Desde quando?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Desde 2002.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª disse que lhe cabe administração desde
2002.
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Excelência, a Beta é uma
empresa que, na verdade, faz parte de uma holding, e essa holding
é uma empresa profissionalizada. Então, o Sr. Michel Atie é o presidente
executivo do grupo e tem abaixo dele os diretores, cada um deles dentro da sua
área.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele é presidente enquanto profissional, não é um
cotista?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Ele é um profissional. Eu dei sociedade para o Sr. Michel, eu dei 10% a
partir de 2002.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Antes ele já atuava na empresa?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim, ele era diretor financeiro antes.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Beta só presta serviços aos Correios ou para
alguma outra empresa pública?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, empresa publica só aos correios. Agora a Beta presta serviço a... Nós
temos mais de mil clientes no portifólio da empresa.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No universo da receita da Beta qual é o
percentual que os Correios...?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Hoje é menos de 30%.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual o percentual médio de remuneração do
transporte aéreo de carga, percentual sobre a receita arrecadada?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Perdoe-me, Excelência, não entendi.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual o porcentual médio de remuneração, de
lucro, do transporte aéreo de carga?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– O desejável, que nós buscamos sempre, é 15% de resultado operacional, para
que, no fim, descontado Imposto de Renda e outras despesas financeiras, sobre
em torno de 8%.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Atualmente a Beta presta serviço só na linha F?
Quer dizer, agora ela foi substituída pela 5011 e 69011?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Exato. São essas duas linhas.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que aeronaves vocês entregaram desde o primeiro
momento da Beta prestando serviços aos Correios.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– No primeiro momento, antes da licitação de 2004, foram aeronaves do Boing
707. São aeronaves que têm capacidade de 13 palites e levam 35 toneladas de
carga.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E depois?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– A partir de 2004, as aeronaves de 13 palites não atenderam a determinadas
linhas, por exemplo, essa que nós pegamos. que é São Paulo–Salvador–Recife,
Recife–Salvador–São Paulo. O trecho São Paulo–Salvador é um trecho que os
Correios embarcam diariamente18 palites e sobra ainda carga no chão. Na
verdade, eles embarcam de alguma outra forma, eu penso. Os outros trechos são
de 13 palites, em média. Mas a aeronave é toda, integral dos Correios, que
podem utilizar a capacidade total da aeronave.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu tenho a impressão que V. Sª já teria
respondido e eu não me lembro se eu anotei. Qual é a participação do contrato
dos Correios no universo da receita da Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
–30%.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª acompanhou o pregão 106, de 2003? De 2002,
V. Sª é um dos diretores.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, eu não acompanhei, Excelencia.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem acompanhou isso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Quem acompanhou foi o Michael.
De 2003, perdão, Excelência, só para recordar. Esse é o
pregão em que foram licitadas as linhas A e C da Skymaster, é isso?
O
SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É isso.
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Ok, então foi o Michel que
acompanhou esse pregão. Eu acompanhei a distância, Excelência.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Tomou conhecimento então dos fatos?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim. Tomei conhecimento de todos os fatos.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Lembra qual foi a proposta da Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Proposta final?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Inicial.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Inicial, foi R$290 mil, se não me engano.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Isso. E a final?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– A final foi R$213 ou R$214.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Foram
R$214; R$213 foi da Sky.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Foi da Sky.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – V. Sª entende que, quando a sua empresa
ofereceu esse preço de R$214, ele era possível de ser sustentado?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Excelência, aqui cabe uma explicação técnica, não é? Na verdade, se fosse
sustentado só pelos Correios, não era possível. Mas nós tínhamos, como operador
logístico, encomendas, nós tínhamos todo o distrito da Zona Franca de Manaus,
com muita carga, clientes, contratos de outros clientes, que, seguramente,
acrescentariam receita suficiente para manter essa operação.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – E daí V. Sª teria condições de nos dizer,
pelo menos enquanto um corte efetuado em relação à linha, qual seria a perspectiva
em relação a déficit, superávit, percentual?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Excelência, não havia perspectiva de déficit nessa linha. No preço que nós
chegamos, chegamos no limite em que tínhamos outros contratos, que eram
executados por outras aeronaves. Então, o que nós iríamos fazer era tirar esses
contratos das outras aeronaves e colocá-los nos vôos dos Correios, para poder
sustentar essa operação.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Esse mesmo raciocínio é aplicável à Sky?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Eu acho que não, Excelência, porque a Sky é uma companhia aérea, ela não é um
operador logístico. Então, eles tinham mais dificuldade de ter cargas de outros
clientes para colocar. Poderiam até fazê-lo ao longo de um período em que eles
desenvolvessem a atividade. Acredito que eles não tivessem...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Sabe que, num determinado momento, o pregão foi
suspenso e as empresas foram questionadas sobre se os preços que estavam
oferecendo eram exeqüíveis. Soube disso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Soube sim, Excelência. Soube depois.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Na sua visão, o que consideraria
exeqüível na situação da Sky? Imagine que V. Sª fosse o Diretor e não tivesse
todo esse instrumental logístico e estaria limitado ao suporte da Sky.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– É difícil dizer. Eu poderia chutar um número, Excelência, para tentar ajudar
aqui na apuração dos fatos. Mas eu acredito que até uns R$270, R$280 mil. Não
saberia, sinceramente. Cada empresa tem a sua base, não sei qual é o custo fixo
deles.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – A Sky e a Beta tinham um ajuste?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Tinham um acordo, sim, que foi realizado...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Desde quando?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Na verdade, foi feito um contrato de sublocação de aeronaves em 2000. Disso
tomei conhecimento posteriormente também.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Mas, nessa época, V. Sª era sócio da Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Eu era sócio, sim. Era sócio cotista da Beta, mas só não a administrava nesse
período. E esse contrato de sublocação realizado entre a Skymaster e a
Beta foi realizado na verdade para proteger a empresa que ganhou a licitação.
Eu explico o que ocorre. Estava sendo licitada uma linha que começava em Recife
e terminava em Porto Alegre, e um outro avião faria Porto Alegre/Recife. Então,
uma aeronave saía de Recife para Porto Alegre e outra de Porto Alegre para
Recife, parando em São Paulo e Salvador.
Acontece que você precisa de duas aeronaves em período
integral para fazer essas linhas. Se desse uma pane numa dessas aeronaves,
seguramente você teria problemas com o contrato, de cumprimento de contrato, e
teria problemas também com relação às multas, que são... enfim, a multa
corresponde exatamente ao valor do contrato. Então, se o contrato é de R$100 mil, a multa é de R$100 mil.
Inclusive, Excelência, se não tivéssemos feito esse acordo na ocasião – que
achei que o Sr. Antonio Augusto fez muito bem, protegeu a nossa empresa –, seis
meses depois de adjudicada a linha, seis meses de iniciada a operação, tivemos
um problema no trem de pouso de uma das aeronaves, que ficou parada quase 20
dias. Então, teríamos 20 dias de multa consecutiva se não tivesse uma aeronave
de backup para fazer isso. Por que foi feito nessa modalidade? Porque
não encontramos outra forma; não foi encontrada, na época, uma outra forma para
se fazer isso. Eu também não teria idéia diferente de como fazer isso, porque
se pode fazer um contrato e dizer: olha, você deixa a sua aeronave à minha
disposição. Quando quebrar a minha, vou usar a sua aeronave. Economicamente, é
inviável isso. Foi feito nessa modalidade para permitir que não se ficasse sem
o backup e permitir que se tivesse, na verdade, a possibilidade de ter
um avião à disposição.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Não lhe parece que, para quem está procedendo a
uma licitação, o fato de as duas empresas que estão fazendo a proposta terem
garantida a prestação de 50% para cada uma, isso exterioriza uma burla à
licitação? De qualquer modo, as duas estavam ganhando.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Excelência, a intenção, em momento algum, foi essa. Posso lhe garantir.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – E qual era a razão?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– A razão era proteger. Primeiro, nós tínhamos de ter uma aeronave. Não é
exigido por edital que se tenha uma aeronave backup, mas a
responsabilidade exige. Você tem de ter a responsabilidade de ter uma aeronave backup
porque, se a aeronave parar, a empresa quebra. Então, o fato de ter sido feito
isso era para assegurar a continuidade administrativa e financeira da empresa.
Não houve nenhuma intenção de burlar. Tanto não houve que isso foi de
conhecimento dos Correios, que tomaram conhecimento desse contrato...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Previamente?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Previamente.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Acho que não, porque vocês fizeram quatro dias
antes.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Desculpe, Excelência, não sei se previamente ou se na época em que foi
adjudicado. Sinceramente, não saberia responder, mas foi dado conhecimento aos
Correios desse contrato e também foi registrado em cartório. Não havia nenhuma
intenção de se fazer nada por baixo do pano, nada irregular.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – Naquela ocasião, a Beta queria, e formulou a
proposta, a R$236 mil. Ao final, a Sky ficou por R$157 mil. A pergunta é...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Perdão, Excelência, eu não...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – A proposta da Beta era de R$236 mil. Quem ganhou
foi a Sky, que, na verdade, não tenho aqui, mas ela fez uma proposta um pouco
maior do que R$157 mil. Houve um ajuste e pegou o serviço a R$157 mil. A
pergunta é: como é que a Beta participa de uma licitação onde se imagina que
tenha procurado o seu preço ideal em R$236 mil. Aí, sagrando-se vencedora a
Sky, a R$157, a Beta faz metade dessa linha ou uma linha e a outra, que são a A
e a C, mas uma das linhas a esse preço. Não sei se me fiz entender. Se o
preço da Beta era de R$236 mil, imagine a visão que temos em relação ao
contrato que depois terminou sendo realizado por R$157. Salta à vista um
superfaturamento tentado.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Essa linha, que linha é? A e C?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – A e C, em 2001.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– O preço da Beta era R$236 mil?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PA) – O preço da Beta era R$236; a Sky pediu, acho,
R$159, R$160, que estava mais ou menos no parâmetro estabelecido como aceitável
pelos Correios, porque eles haviam procedido a uma pesquisa de mercado. No fim,
ainda negociaram com a Sky, que reduziu a R$157; e a Beta, que queria R$236,
fez por R$157. Como estavam ajustadas, quatro dias antes, em ganhe quem ganhar,
vamos ganhar a metade, qual a explicação que podemos extrair disso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Excelência, é estranho para mim. Na verdade, eu não tive conhecimento do preço;
eu não me lembro desses preços, mas não houve nenhum tipo de conluio ou
qualquer outra..., o que possa parecer, no sentido de burlar ou de tentar
prejudicar os Correios. Preciso me certificar exatamente quais foram as
propostas que foram colocadas na época, mas até, se houvesse, porque o meu
entendimento disso é que a Beta e a Skymaster fizeram um acordo operacional,
mas comercialmente elas não tiveram nenhum tipo de acordo. Comercialmente, cada
uma entrava com a sua proposta. Quem ganhar ganhou a proposta. Depois, quem
ganhasse ficaria o comprometimento de...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Mas como uma empresa entra numa licitação em que ela
desconhece o preço da outra e diz que vai fazer o mesmo preço? Percebe o que eu
estou dizendo? Eu e o Deputado Eduardo vamos entrar numa transação, num
negócio. Aí ele dá o preço que ele quiser e eu dou o preço que eu acho
razoável. Ele entra com metade, com 40% do meu preço e eu digo o seguinte, tudo
bem, eu suporto e vou pela metade. É difícil, comercialmente, extrair uma
informação que não seja um conluio.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Eu não saberia responder isso.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – E nessa época em que a Beta operou a esse preço da Sky,
foi um preço exeqüível?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Na verdade, essa linha da Sky foi... Ela operou... Nós operamos
conjuntamente, ou seja, nosso avião era colocado à disposição como backup
de dezembro até meados de 2002, quando resolvemos que cada um iria cuidar das
suas operações. Foi nesse período também que eu acabei desfazendo a sociedade
com o Antonio Augusto e aí, como o contrato...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Houve algum desentendimento?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– É, o acordo com a Sky foi feito por ele. Então, nós achamos por bem que, como
o acordo foi feito por ele, não havia mais necessidade de continuar. E, nesse
momento, nós já tínhamos aeronaves, nos adquirimos aeronaves de backup,
nós tínhamos aeronaves que não estavam aeronavegáveis, que nós mandamos fazer o
cheque dessas aeronaves. A mesma coisa aconteceu com a Skymaster. Então, na
verdade, eu até não tenho conhecimento desses preços. Estou estranhando os
preços, porque...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Mas pode crer que são informações fidedignas,
documentadas.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Porque o preço que foi dado na época, na primeira licitação da linha A e C,
Excelência, não se tinha conhecimento de como era a linha, como operava essa
linha, não se tinha também um volume de cargas que pudesse sustentar o volume
de cargas adicionais. Então, isso foi se criando ao longo do tempo. E os preços
realmente se alteraram. Houve uma... Na segunda licitação, de que participamos,
já tínhamos uma musculatura melhor para participar dessa linha, mas eu entendo
que o preço de R$236, que foi dado pela Beta, era um preço exeqüível na época.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo
Cardozo. PT – SP) – Sr. Relator, eu vou pedir vênia, porque realmente
essa argüição que o Relator fez me chamou muito a atenção. Eu não consegui
também captar com interesse a resposta. Vou pegar os dados aqui que vou
sistematizar. É uma dispensa de licitação. Portanto, Dispensa de Licitação nº
2, de 2001, que foi realizada em 26 de junho de 2001. Foram cotadas duas
empresas para ver quem dava o melhor preço para dispensa. Aí, a Beta cotou o
preço de R$236 mil.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Que linha?
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo
Cardozo. PT – SP) – Linha A e C. Dispensa de Licitação nº 2, de 2001. A
Beta apresentou o preço de 236 mil.
No mesmo dia da contratação da Skymaster, que ofereceu um
preço melhor do que a Beta, a Beta foi subcontratada pela Skymaster pelo valor
de 157 mil. Então, das duas uma: ou o senhor fez um contrato para perder
dinheiro com 157 ou fez uma cotação muito elevada para perder na dispensa. É
essa a dúvida, não é, Sr. Relator? Não consigo ver uma explicação razoável.
Como é que alguém entra para ganhar um contrato integral por 236 e depois é
subcontratado por 157? A não ser um entendimento das duas empresas.
O SR. IOANIS AMERSSONIS
– Na verdade, não houve entendimento. Eu não participei disso, Excelência. Como
falei, não participei.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – E os números, V. Sª explicaria como?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
O que me deixa em dúvida é que a diferença é muito grande. Se houvesse um
acordo entre as duas, uma não ia dar 236 e a outra, 157, quase R$100 mil reais
a menos. Iria dar um preço mais próximo.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Exato. É isso que nos chama
a atenção e que nos dá um indicador de que haveria um conluio entre as duas
empresas. Porque, tirando que V. Sª nos dê uma explicação razoável para isso, a
impressão que fica ou a quase certeza que fica, sem a explicação, é que havia
um conluio.
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Olha, eu não saberia responder. Não havia conluio. Isso é certeza absoluta.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Então, se me permite o Relator, por que é que há outros indícios aqui de
conluio? O Relator pegou magistralmente aqui na argüição do Pregão 106, de
2003. Eu queria repisar uma questão. Veja só este Pregão 106, de 2003, também
para as linhas A e C: o lance inicial da Beta foi de R$290.585,00; o último
lance foi R$214 mil. A Skymaster ganhou por R$10,00 a mais que os senhores. O
preço de R$214 mil era exeqüível? Que o senhor ofertou.
O SR. IOANIS AMERSSONIS
– Como expliquei aqui, na verdade, além da carga dos Correios, tínhamos carga
de outros clientes, que, somando as receitas de outros clientes com a dos
Correios, poderíamos, seguramente, executar essa linha.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Mas aqui já não se colocava a exigência de um avião exclusivo?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Não, não era avião exclusivo.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – A Skymaster, quando chegou a R$213 mil, não era abusivo? Era um preço
justo?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Olha, eu não sei, não conheço as planilhas da Skymaster. Não sei qual é o custo
dela.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – É porque chama a atenção os senhores terem jogado a toalha por R$10,00 de
diferença. Só por isso. Dez reais não é uma quantia substantiva, vale o preço
de um sanduíche numa lanchonete média, e os senhores perderam um pregão por um
sanduíche.
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Esse pregão foi caindo, eu não estava lá, mas ele foi caindo de R$10,00 em
R$10,00, eu acho. Então, até chegar nesses 200... Porque não éramos só nós;
éramos nós, a Skymaster e a Varig Log. A Varig chegou a R$216, se não me
engano.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – É, o lance inicial da Skymaster foi R$300 mil.
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Da Skymaster, sim. Mas, eu digo, além de nós, tinha mais um.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Quer dizer, o senhor chegou no seu limite.
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Cheguei no meu limite.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Não dá para baixar mais, mas era um preço em que o senhor conseguia ter
lucro?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Eu diria que era exeqüível.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Exeqüível. E também para a Skymaster era exeqüível?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Também.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Logo chego à conclusão, porque, antes, o preço que a Skymaster fazia era
R$429 mil. Se o preço de R$213.990 da Skymaster era exeqüível, havia um superfaturamento
aberrante na Skymaster. O senhor concorda comigo?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Bem, eu disse que o preço da Skymaster era exeqüível, mas eu não conheço a
estrutura de cargas da Skymaster. Era exeqüível para a Beta.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Mas veja, o senhor há de concordar comigo com o seguinte: se R$213 mil
está na margem do exeqüível, R$429 mil...
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Pressupõe que sim.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – ...superfaturamento. A impressão de V. Sª é que há superfaturamento?
Queria que falasse no microfone.
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Sim, pressupõe que sim.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Sim, pressupõe que havia superfaturamento.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Terminei não vendo se V. Sª fez referência a se o preço
reportado lá, de R$236 mil, que terminou fazendo por R$157 mil, enfim, houve
algum período em que a prestação de serviços pela Beta, enquanto subcontratada,
era deficitário?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Sim. Houve um período, sim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – E por que prosseguiram prestando?
O SR. IOANIS AMERSSONIS –
Excelência, temos um contrato e temos que honrar o contrato, não é? Então,
muitas vezes tiramos receita de outras atividades para cobrir um contrato.
Então, o contrato oscila, uma hora é deficitário, outra hora é superavitário.
Então, principalmente, quando... Lembro-me, em março de 2003, os combustíveis
subiram numa pancada só 25%. Aí, foi uma situação...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Em que época?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Março de 2003.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Não. Nós estamos antes ainda de 2003, no período
inicial. Esse a que o Deputado Cardozo fez referência, a dispensa de licitação,
R$236 para R$157, e começaram alterando. No começo das operações da Beta com a
Sky, a operação foi satisfatória?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
As operações, sim, porque, quando faltava o avião de uma entrava o da outra na
operação.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Eu não falo operação enquanto logística, a
rentabilidade.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Como rentabilidade, sim. No preço que foi dado, era satisfatório sim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – A Promodal, a Sky e a Beta, em um determinado período,
formaram uma holding.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Perdão, Excelência.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Estavam juntas e formaram...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não. Na verdade, a Promodal e a Beta, nós tínhamos um conglomerado de
empresas, como eu expliquei no início das operações. Então, o Sr. Antônio
Augusto administrava a Promodal, administrava a Beta e eu estava afastado.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Eu queria mais adequadamente em relação ao Fundo de
Comércio que criaram em 2002. O que sabe informar sobre isso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Em 2002? Perdão,
Excelência.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – É. Um Fundo de Comércio criado em 2002.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Fundo de Comércio?
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – É.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não tenho conhecimento, Excelência.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Entre... Deixa-me ver aqui.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Em 2002, não havia nenhum tipo de relação. Pelo menos...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Essa sociedade de fato, V. Sª disse que ela terminou em
2002?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Terminou em 2002.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Que relação havia mais propriamente entre a Beta e a
Promodal?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Perdão, Excelência.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Entre a Beta e a Promodal...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Em que situações elas operaram sob a mesma direção?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Bem, a Promodal era a maior embarcadora de cargas do País e atuava fortemente
na rota Manaus também. Tinha vários contratos com várias empresas, e era
necessária a carga da Promodal para fazer as operações da Beta. Porque, na
verdade, a relação da Promodal com a Beta era de cliente. Nós tínhamos uma
complementariedade de atividades. Eu tinha os aviões e ele tinha as cargas.
Então, nós fizemos uma associação.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Retroagindo nessa, desde o primeiro momento em que
foram convidados por meio de dispensa de licitação e depois nas licitações
realizadas, V. Sª teria condições de nos informar que empresas teriam condições
de naquelas oportunidades co-participar da disputa?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Naquela oportunidade... Isso em 2000, Excelência?
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Em 2001.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Em 2001 e 2000, tinham várias empresas que tinham condições de participar...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Foi em 2000 também, se me permite.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim. Tinha, por exemplo, a Varig tinha condições de participar; a Vasp não,
porque a Vasp foi desclassificada por problemas de CND, de... Tinha a TCB, na
época em que ela operava; tinha a Total, enfim, várias empresas com aeronaves
que eu me lembro agora, Excelência. Estou tentando puxar pela memória para
ajudar... Mas várias empresas e que, na verdade, acabaram participando. A Beta
e a Skymater nunca participaram sozinhas.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Estou tentando localizar, mas sei que a Sky considerou
que, nesse pregão em que ela chegou ao limite, estaria havendo um conluio entre
as outras participantes com o objetivo de fazer com que ela fosse excluída. E
daí que foram reduzindo, reduzindo até a situação deficitária.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
É. Eu poderia tentar explicar um pouco para esclarecer esse fato, porque esse
fato é...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Já me localizei aqui, já vou ler para senhor. A
Skymaster, em depoimento a esta CPMI, em que teriam participado da licitação a
Varig e a TCB e a Transportes Charters dos Brasil, teriam baixado,
artificialmente, os preços do Pregão – o 106, de 2003 –, com a finalidade única
e exclusiva de excluir a Skymaster da operação da Rede Postal Noturna. Isso é
verdadeiro ou falso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Isso é falso, Excelência. Na verdade, tanto a Varig quanto a Beta – como a Beta
era um conglomerado logístico e tinha cargas de outros clientes e não só dos Correios
e como o avião não era exclusivo dos Correios, a Beta poderia complementar essa
aeronave. A mesma situação se referia à Varig, porque a Varig também tinha
operações de encomendas expressas e também complementaria, ou seja, ela
utilizaria parte da aeronave para os Correios e parte da aeronave para carga de
outros clientes. É por isso que os preços são exeqüíveis.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Qual a relação que existe entre a Beta... Isso aqui, de
certo modo, V. Sª respondeu.
Em agosto de 2002, foi firmado um instrumento que chamaram
de Contrato de Representação em Novos Negócios. Nesse contrato, falava-se na
captação possível de novos negócios e, em uma determinada passagem, davam a
entender que esse ajuste permaneceria enquanto a estrutura decisória dos
Correios permanecesse a mesma. O que faz supor é que as pessoas que estavam
participando desse ajuste só assim estavam porque alguém desses tinha uma
ligação específica e privilegiada em relação à direção dos Correios. Essa
cláusula constou do Contrato de Representação em Novos Negócios. O que V. Sª
diz sobre isso?
O
SR. IOANNS AMERSSONIS – Excelência, na verdade, não fui eu
que fiz esse contrato, inclusive eu não sei do que se trata. Em agosto de 2002,
eu não tinha nenhum tipo de relação com a Skymaster e também já não era mais
sócio da Promodal.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Sabe dizer se o Morato tinha algum prestígio
diferenciado junto aos Correios?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Não, Excelência.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Alguma aproximação maior com algum diretor?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Que eu saiba, não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, enquanto o Deputado Arnaldo Faria de
Sá, eventualmente, procede a algum questionamento, vou prosseguir na minha
análise para ver o que ficou ainda para ser questionado.
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com a
palavra o nobre Deputado Arnaldo Faria de Sá.
O
SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, Sr.
Relator, Sr. Depoente, quero saber qual é o nome de seu Advogado.
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Já
foi declarado: Dr. Sérgio Rossental.
O
SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Qual a nacionalidade
do Dr. Ioannis?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS –
Eu sou brasileiro naturalizado.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB –
SP) – Então, qual a sua naturalidade?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS –
Eu sou grego.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB –
SP) – Quando ocorreu a sua naturalização?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS –
Ocorreu em 1995, quando eu adquiri a Beta.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB –
SP) – Eu não entendi essa ligação: quando adquiriu a Beta e a naturalização. É
isso que quero entender.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS –
Ocorre o seguinte: para ser proprietário de uma companhia aérea, tem que ser
brasileiro – pelo menos 80% do capital tem que ser brasileiro. Então, eu me
naturalizei para poder ser proprietário da companhia aérea.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB –
SP) – Quer dizer, se não tivesse a intenção de comprar companhia aérea, então
não teria sido naturalizado?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS –
Perdão, Excelência.
O SR. ARNALDO FARIA
DE SÁ (PTB –
SP) – Se não tivesse a intenção de comprar a companhia aérea não, teria sido
naturalizado?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS –
Não. Teria, sim. Já estava na minha...
Eu tinha em mente essa naturalização. V. Exª pode observar pelo meu
sotaque que eu sou mais brasileiro do que grego.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sim, mas é sua a afirmação de que se naturalizou,
para poder adquirir a companhia; por essa razão a minha pergunta.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Sim, essa é a verdade na época, mas eu tinha intenção de me
naturalizar, Excelência.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Quantas aeronaves a Beta tem?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Hoje ela tem cinco.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E qual a associação, a sociedade ou a parceria que
existe com a Skymaster?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Nenhuma. Hoje, nenhuma.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Mas anteriormente?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Na verdade, a Beta tinha uma sociedade, era uma sociedade, de
fato, anterior. E ela era administrada na época... até 2002, foi administrada
pelo Sr. Antonio Augusto, e ele firmou uma parceria com a Skymaster nesse
período, e, depois de 2002, quando assumi a Beta, essa parceria, em função de
esse acordo ter sido firmado por ele, deixou de existir.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O senhor assumiu a Beta totalmente em 2002?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Sim, eu assumi administrativamente. Ela sempre foi minha. No
papel sempre foi minha, mas eu assumi administrativamente em 2002.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Qual o lapso de tempo entre a propriedade total e
a assunção da administração?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Cinco anos. De 1997 a 2002.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – De 1997 a 2002 era proprietário?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Era administrada pelo Antonio Augusto.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E, a partir de 2002, a administração passou a ser
totalmente sua?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Sim, passou a ser integralmente minha.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – A elaboração da sociedade, da empresa Beta já foi
moldada com essa idéia de fazer o transporte para os Correios?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Sim, a concessão da Beta é para transporte de cargas e malas
postais. Então, quando ela foi concebida, quando foi... não foi com essa
intenção. A intenção estava focada no eixo São Paulo–Manaus–São Paulo.
Então, como Manaus é um distrito industrial, e nós, tanto eu
quanto Antonio Augusto, na época trabalhávamos...
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E hoje a operação que a Beta faz é concorrente da
Skymaster?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Hoje, totalmente concorrente.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Concorrente?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Concorrente.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Há disputa natural ou disputa predatória?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Não, não. Disputa natural, dentro da responsabilidade.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Qual o trecho da rede postal que é explorado pela
Beta?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Hoje... é que houve uma mudança, no ano passado houve uma
licitação... não sei se V. Exª tem conhecimento.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) –Tenho.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Ah, Ok. Hoje a Beta explora a
rota Recife–Salvador–São Paulo e São Paulo–Salvador–Recife, e uma outra
aeronave faz a rota Manaus: Manaus–Brasília–São Paulo e São
Paulo–Brasília–Manaus.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Quando uma aeronave faz essa operação, ela é
exclusivamente para os Correios ou pode ter carga complementar?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Não, não, hoje é exclusivamente dos Correios. Toda disponível
para os Correios hoje.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – E, se não utilizar a carga toda, como é feito
isso?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Bem, aí já não é um problema nosso isso. Isso é um problema do
próprio Correio. Na verdade, nas nossas linhas, eles utilizam todo o
disponível.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Mas, se não utilizar o disponível, paga?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Não, na verdade paga pela linha, não pelo disponível nem pela
carga.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Ela paga pela linha. Usou ou não usou, ela paga
pela linha?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Sim, ela paga pela linha, se ela usa ou não usa.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Agora, poderá eventualmente – não estou afirmando
que ocorre isso – a Beta, sabendo que não vai utilizar aquela carga toda
disponível, ceder para terceiros o espaço ou negociar ou qualquer coisa nesse
sentido?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Não pode, Excelência. Isso é proibido pelo contrato.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – É proibido pelo contrato?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Esse espaço é de gerenciamento exclusivo dos Correios.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Relator, a informação do Sr. Ioannis é
preponderante. Ele diz que, mesmo que o Correio não use, paga e impede que seja
utilizado por terceiros. Quer dizer, é uma coisa meio complicada. Eu tinha essa
informação, mas não a afirmação. A afirmação dele é extremamente grave. Quer
dizer, o Correio paga...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Com exclusividade. Mas é uma cláusula que foi
introduzida mais recentemente. Na época, Sr. Ioannis, inicialmente não havia
essa...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não era assim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª entende que essa é uma cláusula na esteira da
pergunta do eminente Deputado Arnaldo Faria de Sá? V. Sª entende qual é a razão
de alguém, na diretoria de uma empresa pública, inserir essa cláusula no
contrato? Haveria alguma justificativa plausível? Ela é interessante ou
prejudicial?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, eu entendo que isso é extremamente interessante para os Correios. Isso
permite que os Correios cresçam e permite também que eles possam...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas isso não eleva o custo também?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, não eleva, Excelência.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na medida em que deseja exclusividade?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não eleva, Excelência. O custo apurado pela operação, porque alguns fatores
contribuem para a elaboração do custo. Um deles é a rota – qual é a rota que os
Correios querem –, o outro são os horários de vôo. Tem outro fator: quantidade
de carga, e o outro fator...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, se há exclusividade, qual é o problema do
horário, dos horários?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, o horário de vôo? Sim, ele é importante para nós, porque... questão do
preço pode ser: se o horário coincide com a nossa malha, então tenho condições
de fazer um aproveitamento melhor das minhas aeronaves.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas ela não é exclusiva?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim, ela é exclusiva, mas eu tenho as próprias aeronaves, fazendo... São
cinco aeronaves que a Beta tem, sendo que duas operam para os Correios, as
outras três operam para o resto do mercado. Então, essas duas dos Correios, se
eu puder fazer coincidir com os horários das minhas aeronaves, consigo dar uma
redução melhor para os Correios. Agora, se eu não conseguir isso, aí vou ter de
colocar uma aeronave exclusiva e uma aeronave de backup, para poder
executar as linhas.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E essas aeronaves que a Beta tem são próprias, leasing?
Qual o tipo de operação?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim, essas aeronaves são financiadas. Elas são próprias, mas financiadas, ou
diretamente pelo proprietário, ou, então, por financiamento bancário.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Como apenas são cinco aeronaves, dá para o senhor definir qual é a
de financiamento próprio, qual que é a de financiamento bancário?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Ok. As três aeronaves Boeing 707 foram financiamento direto com o
proprietário. Então, ao longo dos dez anos, nós financiamos essas aeronaves. E
as aeronaves DC-8 são financiadas por banco, via bancária.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Pode informar qual é o banco?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– É o Eximbank.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Eximbank.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, vou prosseguir.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Prossiga, Sr. Relator.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tem ciência de que, numa determinada
licitação, na verdade, no Pregão 45/2001, houve a participação da Aeropostal?
Já ouviu falar na Aeropostal?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim, eu ouvi falar da Aeropostal, Excelência.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem seriam os proprietários da Aeropostal?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– O atual proprietário... Eu não tinha muito contato com essa empresa,
Excelência, mas sei que o atual proprietário, inclusive, administrou a minha
empresa.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem é?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– O Sr. Roberto Kfouri.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, na época, em 2000, 2001...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Em 2001, exatamente.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele era sócio da Aeropostal?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Em... Não, não me consta... Não sei precisar. Excelência. Eu sei que ele...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas essa informação que V. Sª tem em relação a
Roberto Kfouri com a Aeropostal corresponde a que período?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Da Aeropostal... A informação que tenho corresponde ao período de 2002.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, ele teria adquirido a Aeropostal de
algum outro?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Ele... Enquanto ele administrava a minha empresa, não era sócio-proprietário
da Aeropostal.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª diz “enquanto ele administrava a
sua empresa”, qual é a empresa? A Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – A Beta. A Beta. Ele
administrava como diretor operacional, diretor-geral da Beta.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, o que está muito claro nessa
investigação é que esse Roberto teria participado, teria criado essa
Aeropostal, que jamais obteve licença de ninguém, do DAC, requisito necessário
para participar da licitação, portanto uma empresa, enquanto aspecto
licitatório, fantasma, sem registro. Há a Sky, a Aeropostal, que participou e
cujo proprietário nunca a registrou e é hoje o seu diretor, e a Beta. Há a
contratada, a subcontratada e o futuro diretor das empresas. Fica difícil, na
nossa investigação, não chegar à conclusão de que há um grupo montado que
partilha os serviços dos Correios e que vai estabelecendo os preços, segundo a
possibilidade de participar de uma licitação estilo Linha F. A Beta ganhou
sozinha a Linha F, não foi?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
A Linha F? Não. Houve outras empresas participaram.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Ela não teve concorrente na Linha F.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Teve.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Teve?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Que eu saiba, teve.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com a Sky, que era...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
A Varig Log participou também.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com o fato de a Sky estar participando, vocês
estabeleceram, como tinham as aeronaves, que um ficaria com uma linha e o outro
ficaria com a outra e que depois trabalhariam juntos. Esse detalhe que V. Sª
fala, sobre a necessidade de ter um backup – não sei se essa é a
expressão –, a garantia de um segundo avião, a Sky hoje tem um avião
sobressalente?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Ela tem. Ela tem, sim, só que é de propriedade dela. Assim como nós temos.
Hoje, nós temos cinco aeronaves, Excelência. Dessas cinco aeronaves, duas voam
para o mercado em geral, e as outras três ficam à disposição dos Correios. Ou
seja, duas voando e uma de backup, porque é muito comum a quebra
das aeronaves. Não são aeronaves zero quilômetro. Inclusive, são aeronaves que
gastam um pouco mais de combustível, mas infelizmente aeronaves novas custam
muito, Excelência. Custa acima de US$30 milhões uma aeronave nova, e não temos
condições de financiar uma aeronave desse tipo. Elas são um pouco mais
econômicas e, teoricamente, poderiam baixar o preço no que diz respeito ao
combustível, mas haveria o custo financeiro, que acabaria também onerando.
Então, operamos com aeronaves relativamente geriátricas, porém com bastante
credibilidade, porque essas aeronaves fazem os Cheques C periodicamente, de
acordo com os requisitos do DAC. Cada Cheque C de uma aeronave dessa demora o
mínimo de 60 e vai até 180 dias, dependendo da gravidade dos problemas que são
encontrados. Então, ficamos, na melhor das hipóteses, 60 dias sem uma aeronave
ou até 180 dias sem uma aeronave. Não é possível trabalhar sem backup
nesse caso.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que ligações existem entre Hélio José Ribeiro e
a Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Perdão, Excelência.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de relação existe entre Hélio José
Ribeiro e a Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Nenhuma relação. Não sei quem é.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª o conhece?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Hélio José Ribeiro?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aeropostal.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Talvez seja o antigo dono da Aeropostal. Ouvi falar dele sim, Excelência. Eu o
conheço, sim.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Antes de o Roberto Kfouri integrar a direção
profissional da Beta, V. Sª nos assegura que não houve nenhuma relação
comercial com ele?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Com o Roberto Kfouri, não. Nenhuma. Ele foi convidado para auxiliar. Na
verdade, o Antônio Augusto o convidou e me deu ciência de que iria convidá-lo,
para auxiliar na gestão da empresa Beta, porque ele tinha algum conhecimento
dessa empresa de aviação.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Roberto Kfouri não foi Diretor-Executivo da
Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Foi.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em que período?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em 2002.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não. Ele foi até 2002, até junho ou agosto de 2001.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, ele chegou a assinar contratos de aditamento
pela Beta?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Eu acredito que sim, Excelência. Acredito que sim, porque ele foi
diretor-geral na época.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Dessas pessoas, com quem V. Sª teve audiência ou
negociou alguma coisa nos Correios: Hassan Gebrin, Presidente.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não, não tive.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Humberto Eustáquio César Motta, Presidente.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Humberto Motta… Estive com ele uma
vez.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De 2002 a 2003?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Estive com ele uma vez só.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Paulo Roberto Menicucci?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Desculpe-me. Paulo Roberto?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Menicucci.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não conheço.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Diretor de Tecnologia?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não sei quem é.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Cláudio Melo Colaço?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Também não sei quem é.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Afrânio Rodrigues Júnior?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Também não sei.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Roberval Borges Corrêa?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Também não conheço.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Carlos Augusto de Lima Sena.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Conheço. Era o antigo Diretor de Operações dos Correios.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tratou algo com ele?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– A rigor, não, Excelência, porque, quando assumi a Beta, só fui me apresentar
a ele, mas foi uma apresentação só. Não tratei com ele nenhum assunto com
relação a reequilíbrio econômico.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Gerson da Silva Melo?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não conheço.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com quem V. Sª tratava os reequilíbrios?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Bem posterior a isso, com o Sr. Madureira.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E com o Presidente.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Com o novo Diretor de Operações. E falei também com o Dr... Perdoe-me, falei o nome dele agora, mas me
fugiu...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – João Henrique?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– João Henrique de Souza.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Última pergunta: num primeiro momento em que V.
Sª participava conjuntamente com a Sky, havia aquele estabelecimento de ajuste
de subcontratação. Depois, em determinado período, os Correios proibiram a
subcontratação. Teria sido em virtude disso que as empresas passaram a se
afastar, a Sky da...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Perdão. Coibiu a subcontratação?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Acho que em virtude da Lei nº 8.666, que acabou tirando...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a Lei nº 8.666 já existia lá de trás.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim, mas depois parece que houve alguma recomendação do TCU. Não me lembro
agora, Excelência. Não consigo, não sei se é por lei, mas houve alguma
recomendação para proibir subcontratação. Não sei se alguém pode ajudar nisso.
Mas realmente eu não...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode ir fazendo suas perguntas.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Estava curioso com a figura do Sr. Roberto
Kfouri, que foi Diretor Executivo da Beta.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim. Até 2001.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso. Até 2001. E a Empresa Aeropostal
pertencia a ele?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não. Que eu tivesse conhecimento, nesse período, não.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Temos a informação de que a Aeropostal
pertencia a ele. E era uma empresa curiosa, porque não estava registrada no
DAC.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Veja só: a empresa Aeropostal... Sei que ele... Porque ele concorreu comigo
depois. Ele saiu da minha empresa, adquiriu a empresa Aeropostal...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vou-lhe dizer que ele concorreu com o senhor,
quando era diretor da sua empresa. A Aeropostal foi criada em 2000. O Sr.
Roberto Kfouri era um dos sócios. Em setembro de 2001...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Setembro de 2001?
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Setembro de 2001, ele não trabalhava mais comigo.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A Aeropostal foi criada em 2000. Em setembro
de 2001. Só que ele assinou um Termo Aditivo, firmado com os Correios, em
setembro de 2001. O Sr. Roberto Kfouri assinou um termo contratual para sua
empresa, já sendo dono da Aeropostal.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Em setembro de 2001, Excelência.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É verdade. E ele participou do Pregão 45, de
2001, com a Aeropostal. E a Aeropostal não podia participar. Então, veja: um
diretor da sua empresa adquire outra empresa aérea, que não é registrada no
DAC, participa do pregão. Como a habilitação ao pregão é posterior à classificação,
ninguém ficava sabendo que ele não seria habilitado, o que nos dá uma suspeita
de que havia um conluio nesse pregão. O senhor percebe? Seu diretor
participava, não fazia um jogo. Estou errado nessa avaliação?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Excelência, as datas não estão coincidindo. Em setembro de 2001...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele assina o Termo Aditivo ao Contrato nº
10.498, de 2001, firmado com os Correios, em 13/9/2001, como Diretor Executivo
da Beta. Em 13 de setembro de 2001. Foi o mesmo período em que ele adquiriu a
Aeropostal.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Eu posso assegurar que ele não era mais Diretor Executivo da Beta nesse
período. Eu pessoalmente entreguei a destituição dele antes disso, em junho.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E aí ele adquiriu a Aeropostal, que não era
registrada no DAC, que não tinha condições de disputar e entrou no pregão. Não
é interessante?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Eu não saberia responder isso, Excelência.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Está certo. Uma coisa que me chamou a atenção, logo
nas primeiras perguntas do Sr. Relator, é que o senhor tinha uma sociedade de
fato com o Sr. Antônio Augusto.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Isso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não é verdade? Então, a Promodal Transportes Aéreos
pertencia ao Sr. Antônio Augusto, mas o senhor era sócio de fato?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Uma série de empresas que os senhores tinham
juntos, não é?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– É.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agora, a Beta era sua, mas ele era sócio de fato.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Isso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que os senhores faziam sociedade de fato? Qual
era a lógica?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Na verdade, nós estávamos caminhando, na verdade, para uma sociedade de
direito. Então, é mais ou menos como juntar trapos.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – É que normalmente, sim...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Antes de efetivar o...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – É que no caso do concubinato, eu entendo: como o
concubinato evolui para o casamento. São as paixões da vida. Agora, no caso
empresarial, essa relação de fato para depois evoluir para essa de direito é
totalmente atípica, inclusive com negócios de grande vulto. Isso me dá a
impressão de que os senhores não queriam mostrar que eram sócios e atuavam com
as empresas isoladamente. Não é uma impressão que o senhor teria? Duas empresas
concorrentes, os dois são donos das duas. Por que não oficializam? Havia algum
papel assinado entre os senhores?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, na verdade, não, Excelência. Havia uma relação de confiança muito forte
entre os dois. Eu confiava muito no Antônio Augusto, ele era um empresário...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, se é uma relação de confiança, por que os
senhores não botavam no papel?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Nós estávamos caminhando para isso.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Sr. Presidente, eu estou achando que aquela questão da
naturalização deve...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não, porque ele já era dono da Beta. Ele já era
dono da Beta, ou seja, a Promodal pertencia ao Sr. Antônio Augusto, e a Beta
pertencia ao Sr. Ioannis. Mas os dois eram donos das duas, não botavam no papel
e disputavam licitações.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, a Promodal não disputava licitações com a Beta.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Naquele momento não disputava licitações?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Naquele momento, não.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Havia algum...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Mesmo porque a Promodal não tinha companhia aérea.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não tinha companhia aérea?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– A Promodal passou a constituir companhia aérea em dois mil e...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Promodal Transportes Aéreos Ltda...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Foi em 2001, mas ela só competiu depois que nós separamos.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Só competiu depois que vocês se separaram?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Depois que nos separamos. Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E por que é que não botavam isso no papel? Porque a
Promodal também podia ser subcontratada.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – OK. Nós estávamos caminhando para
isso; chegamos a assinar um acordo de sociedade de fato para transformar em
sociedade de direito, constituir uma holding e colocar todas as empresas
debaixo da holding. Nós tivemos uma divergência com relação ao comando
das empresas: 50 a 50 é complicado o comando. Essa divergência durou aproximadamente
seis meses, essa negociação, até que nós concluímos: “Ioannis, vá para seu
lado, eu vou para o meu”, nós separamos amigavelmente, sem nenhum problema e...
Não deu certo.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas o Sr. Antônio Augusto, que era seu sócio de
fato, também tinha uma relação próxima com a Skymaster.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Tinha.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tinha uma relação próxima.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Próxima... Tinha uma relação...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mais que próxima, era um quase casamento e mais que
um concubinato, porque ele tinha...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, a relação dele com a Skymaster, como expliquei aqui, era uma relação...
Ele fez aquele acordo com a Skymaster, o acordo a que V. Exª está-se
referindo...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso. Em 15 de abril de 2002.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– É. No sentido de proteger a empresa no futuro, na participação de uma linha.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Veja, o contrato que ele fez com a Skymaster em 15
de abril de 2002 dizia o seguinte: que tudo aquilo em que eles tivessem
negócios novos, era 50% para cada um.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, mas esse contrato eu não... Isso ocorreu depois da separação.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois do fim da sociedade. Então, qual era o
contrato que ele tinha antes? Era para proteger como? Era aquela...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Na verdade, foi feito... ele me deu ciência, “vou fazer isso, que é para
proteger, porque nós precisamos de um backup”. Eu falei: “Está perfeito.
Tem que fazer mesmo, senão não dá nem para participar.”
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas veja aqui: há um período que é curioso: de
abril a agosto de 2002, o Sr. Antônio Augusto Morato Leite participava de duas
sociedades de fato, digamos assim, e tinha 50% dos novos negócios que a
Skymaster obtivesse e tinha uma só de fato com o senhor nas empresas Beta e Promodal.
Ou seja, havia uma holding de fato, vejam que curioso. O Sr. Antônio
Augusto era o cabeça da holding da relação com a Skymaster e com o
senhor, e, como a Skymaster também disputava licitações com a Beta, a holding de fato operava em disputas e licitações. O que me chamou a atenção é
exatamente a combinação de preços, um perde por R$10,00 para o outro, o senhor percebe? O senhor não acha que dá margem à
suspeita de um conluio entre essas três empresas nessas licitações? É a
impressão que tenho. Se o senhor me pudesse demonstrar que não existe isso, eu
ficaria muito satisfeito e feliz. Agora, da forma como está, toda a impressão é
a de que vocês operavam em conjunto.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Excelência, houve,
na verdade, este acordo, de que tomei conhecimento, entre Antônio Augusto e a
Skymaster, no sentido de proteger a Beta de uma eventual pane de aeronave e de
evitar que ela não tivesse um avião de backup para colocar nos Correios.
Isso transcorreu até
2002, quando rompi a sociedade com Antônio Augusto. Quando rompi a sociedade
com ele – ele foi para o lado dele, e eu fui para o meu lado –, ele se
aproximou, de uma forma, da Skymaster e fez aquele contrato que V. Exª tem em
mãos e de que não tenho conhecimento.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas há um período comum, porque nós temos pelo
menos alguns meses de uma holding.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Sim. Esses meses de
uma holding eram os meses de discussão e separação, porque você não
separa de um dia para o outro.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Será que o senhor não
brigou com o Sr. Antônio Augusto porque ele estava se aproximando da Skymaster,
e aí começou a haver uma confusão?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Não foi isso.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não foi isso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Não. Eu briguei com ele –
briguei no bom sentido – por divergências...
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A dissolução do
concubinato.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Exatamente. Por
divergências na gestão da empresa. Eu queria sempre uma gestão
profissionalizada, como fiz nas minhas empresas. Eu queria ir para um conselho,
convidei o Antônio Augusto para ir para o conselho, infelizmente ele sempre foi
presidente do grupo, sempre foi o administrador do grupo, e isso não o deixou
numa situação confortável, e nós acabamos rompendo.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor poderia fornecer
a esta CPMI uma cópia do documento...
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Da dissolução?
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não da
dissolução, do que fez a sociedade de fato dos senhores. O senhor poderia
fornecer uma cópia?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Posso encaminhar.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A dissolução nós temos?
Então, esse primeiro contrato nós não temos.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Ok, eu posso
encaminhar.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Se o senhor pudesse
fornecer-nos...
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Na verdade, nós
acabamos nem registrando esse contrato; nós assinamos, mas não registramos.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) –
Deputado Rosinha.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Sr. Ioannis, em 2000 a empresa Beta venceu a
Concorrência nº 10 para operar a linha F – em julho de 2000, disputando com a
Skymaster, quatro dias após ter firmado termo de compromisso de subcontratação
ao preço de R$193.940,00. O senhor se lembra desses fatos?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Na verdade,
Excelência – eu estava até explicando para o Exmº Relator –, não tive
conhecimento desses fatos da forma como eles estão relatados. De 1997 a 2002, a
empresa era administrada pelo Antônio Augusto. Então, tudo que foi feito com
relação aos contratos com a Skymaster foi feito por ele. Talvez ele possa
explicar melhor com relação a isso.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Então, vou pedir uma opinião para o senhor,
depois faço a pergunta a ele.
A subcontratação ao
preço de R$193.940,00 por operação diária. Esse preço foi mantido – isso era em
julho de 2000 – até abril de 2005, quando foi repactuado no valor de
R$283.772,75 – olhe o longo período. Uma empresa suportaria um período tão
longo assim, sem nenhuma correção, se imaginarmos que o combustível subiu
190,26%?
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Na verdade, esse
contrato... O senhor está falando do contrato da linha F?
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Isso.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Não, ele foi
repactuado sim, Excelência. De 2000 a 2005, nós recebemos 46% de repactuação.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Recebeu...
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Ao longo desse
período, 46% de repactuação, divididos em vários...
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Isso, 46,32% ao longo do período todo.
O SR. IOANNIS
AMERSSONIS – Não, 46% ao longo
dos cinco anos.
O SR. DR. ROSINHA (PT – PR) – Isso, 46,32%.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Posso atestar que não atendeu à necessidade.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – O combustível foi 190,2%?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Exato.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – O IGPM, 84,46%?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Exato.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – A empresa trabalhou com prejuízo nesse período?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Na verdade, ela trabalhou com dificuldades, mas... A aeronave era utilizada
parcialmente pelos Correios e parcialmente pela nossa empresa. Então, nós
fazíamos... nós colocávamos carga dos nossos clientes também, para poder
suportar esses repactuamentos abaixo dos limites.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – A impressão que se tem é a de que aquele contrato inicial estava
superfaturado. Essa é a impressão que se tem, porque suportar... O menor índice
de inflação foi o dólar americano, de 41,43. Todos os outros índices foram
elevados. Ou será que eram benesses para os Correios? Era um presente?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, Excelência. Quando você forma o preço, você leva em consideração todos
os fatores, inclusive a possibilidade de aproveitar os disponíveis de carga.
Então, eu não... Eu posso assegurar a V. Exª que, nesse período, o que houve,
na verdade, foi a redução da remuneração da empresa. No que diz respeito ao
contrato dos Correios, a empresa perdeu significativamente a sua remuneração.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – Já foi dito e também verificado que a Beta e a Skymaster dividiam
seus contratos em 50% cada uma e que seus lances no pregão, 106, de 2003, foram
muito próximos.
Nós poderíamos admitir que, ao menos no período de 2000 a
2003, para operações das linhas RPN, os custos da Beta e da Skymaster foram
semelhantes?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Eu não saberia afirmar se os custos da Beta e da Skymaster eram semelhantes.
Nós tínhamos um diferencial com relação a isso. Nós tínhamos um mercado de
cargas e de encomendas que colocávamos nesses vôos e que acrescentava, que nos
dava uma receita que permitia realizar esses vôos com os preços que nós
oferecemos.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – O Brigadeiro Venâncio Grossi prestava serviço à Promodal?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Pelo que eu tenho conhecimento, sim, Excelência, em função da reportagem que
eu li, mas eu não conheço o Brigadeiro Venâncio Grossi.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – Só em função da reportagem?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Só em função da reportagem. Eu não o conheço, embora tenha sido sócio, de
fato, da Promodal nesse período. A partir de 2002, eu não tive mais
conhecimento do que aconteceu com ela.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – Mas no período em que era sócio, o senhor...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Isso foi anterior a 2002.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – Mas o senhor não tem conhecimento se ele prestava serviço?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, ele não prestava serviço nesse período, que eu saiba.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – No período em que o senhor era sócio, ele não prestava serviço?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – Depois disso, o senhor não sabe se ele prestava serviço?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Depois disso, eu não sei. Vim a tomar conhecimento pela revista.
O SR. DR. ROSINHA
(PT – PR) – Por hora é isso, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Veja, vou-me valer um pouquinho da sua
experiência empresarial, que é muita, e do conhecimento que o senhor tem das
partes envolvidas aqui.
Há um momento em que a Skymaster firma um contrato com o Sr.
Antônio Augusto, que já não era mais o seu sócio de fato. Esse contrato, para
mim, é bastante curioso. Eu nunca tinha visto, realmente, um contrato assim – e
olha que eu lido muito com contratos.
Nesse contrato, que se chama Contrato de Representação em
Novos Negócios, ele, que é dono da Promodal, portanto concorrente da Skymaster
e do senhor, diz que, dos novos negócios que conseguisse nos Correios, perdão,
que a Skymaster conseguisse nos Correios, ele teria direito a 50%. Há uma
cláusula nesse contrato que me chamou muito a atenção. A cláusula diz o
seguinte: “Caso haja mudança na atual estrutura decisória dos Correios, esse contrato
deverá ser rediscutido em todas as suas cláusulas”, o que mostra que haveria
algum tipo de vinculação do Sr. Morato com a estrutura decisória dos Correios,
porque, se não tivesse essa estrutura decisória vinculada a ele, fatalmente ele
não teria por que ter 50% dos negócios do outro, além de causar espécie que uma
empresa, efetivamente, contrate o presidente do seu concorrente, dando-lhe uma
participação de 50% dos lucros.
Então, a impressão que me dá é a de que todos estavam muito
bem, ou seja, o senhor estava muito bem com o Sr. Moratoseu, etc, então a
Skymaster tinha uma boa relação com o Sr. Antônio Augusto. Então, havia muito
bem. Inclusive, seu diretor financeiro foi ser dono da aeroespacial, estavam
todos bem. Aí, de repente, houve um estremecimento na relação do senhor com o
Sr. Antônio Augusto. O Sr. Antônio Augusto, então, forma contrato com o
Brigadeiro Grossi, inclusive para constituir estudos da Promodal, não é isso?
Foi um pouco antes, talvez, isso.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
A Promodal Transportes Aéreos foi constituída antes.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Foi constituída antes. Então, constituiu
antes, etc. Então, era mais uma concorrente no mercado e, aí, a Promodal perde
a concorrência em que ela disputa para a Skymaster, ela não ganha, e,
subitamente, há um contrato de participação. Não dá a impressão de que existiu
um cartel aqui? Ou seja, um cartel que, a partir de um certo momento, começou a
ser desfeito com uma briga em que ficou, de um lado, Beta x Skymaster e
Promodal?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não, Excelência, não há cartel, mesmo porque eu não vejo onde os Correios foram
prejudicados nisso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – No preço? O senhor mesmo me reconheceu que havia um
caso evidente de superfaturamento da Skymaster, na sua opinião.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não, eu não disse. Eu só...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Uma pergunta minha.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Eu só pressuponho.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pressupõe. Então, se pressupõe, até que seja
desfeita a pressuposição, vamos supor. Então, o senhor mesmo reconhece que se
pressupõe o superfaturamento quando uma empresa faz um lance inicial de R$290
mil e o preço que ela operava era R$429 mil.
A versão que a Skymaster dá é de que ela e o senhor forçaram
para baixar o preço no pregão, para manter a reserva de mercado. O senhor
contradiz isso, dizendo que o preço era exeqüível.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Da minha parte, sim.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, então, na sua versão, a Skymaster
está mentindo quando diz que o senhor forçou a barra também no preço junto com
ele.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Eu não sei exatamente o que eles falaram, Excelência, mas isso não é verdade.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não, eles dizem o seguinte: que o preço de
429 mil era justo.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Mas ele disse que a Beta forçou?
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele chega, mais ou menos, a sugerir isso,
porque, afinal de contas, o senhor ficava com R$10,00, só, de diferença deles.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não, Excelência, esse foi... Eu diria que foi um pregão pau a pau. Foi assim.
Nós entramos lá para...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, vamos e venhamos. Das duas, uma: ou os
senhores colocaram um preço inexeqüível, ou o preço de 490 mil era exeqüível
demais. Evidentemente, o senhor fala: “Não, o preço era razoável. Eu só não
avancei mais porque não podia. Esse era o preço justo”. Bom, se era o preço
justo, então é claro que a Skymaster superfaturava. É evidente, então, depois
vamos avaliar tudo isso, parece claro que há sempre um jogo de empresas na
linha de obter um preço acima daquele que é de mercado e evidente hipótese de
conluio.
Por exemplo, nós temos, aqui, alguns indicadores de que
existiram licitações conduzidas, e que as licitações eram conduzidas pelas
definições técnicas dos aparelhos que podiam operar. O próprio Sr. Madureira,
que foi diretor de operações, depondo nesta Comissão, não teve condições de
explicar certas situações, pelo menos no meu modo de entender, como por que se
exigiam certos aviões. Então, me parece claro que eram licitações conduzidas,
as empresas se entendiam muito bem até haver uma cizânia, claro.
Portanto, havia um entendimento entre as empresas, havia o
entendimento das empresas nas licitações, tudo era perfeito. Só não era
perfeito porque, efetivamente, havia uma lesão clara à legalidade, à
moralidade, do ponto de vista de superfaturamento em alguns casos.
Eu estou totalmente errado nessa minha suposição?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Sr. Presidente, e o backup de uma empresa era feito por outra.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o backup também. Aliás, com acordo
prévio.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Sim, isso era feito porque nem a Skymaster, nem a Beta tinham frota suficiente
para isso.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim, mas e essa irmandade, está certo? Como é
que o senhor me explica isso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não é irmandade. Veja só, Excelência: os Correios operavam essas linhas com
três companhias aéreas, basicamente: Vasp, Varig e Transbrasil. Foi aí que
surgiram as empresas suplementares. E as empresas suplementares vieram a suprir
uma demanda dos Correios que não estava sendo atendida pelas companhias aéreas
regulares, na época. Então, por que a ...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Sr. Presidente, permite-me um aparte?
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Na verdade, essas empresas regulares – a Vasp, a Transbrasil e a Varig
– estavam com problemas de CND e não podiam mais continuar participando.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Exatamente.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Aí que surgiram as empresas paralelas.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Surgiram essas outras. Isso ficou claro,
também, em alguns depoimentos.
Surgiram, então, essas empresas auxiliares, que tomaram conta
do mercado, numa situação aparente de entendimento, até 2002, quando há um
certo litígio.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Com isso eu não posso concordar, Excelência. Isso aí... O entendimento é no
sentido operacional, mas comercial, jamais. As propostas eram distintas, cada
um dava sua proposta comercial.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) –
Mas as licitações bastante orientadas para o mesmo grupo ganhar...?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Veja só, nos Correios, como é
feita a licitação? Leva-se em consideração a quantidade de carga, levam-se em
consideração os horários, levam-se em consideração as multas e levam-se em
consideração as rotas. Então, retira-se o edital e faz-se uma análise e você
compõe a planilha...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) –
Mas ficou claro no depoimento do Sr. Madureira que algumas das exigências
conduziam para que certos aviões específicos fossem utilizados e, ao se marcar
essas situações, é claro que se marcava para certas empresas que tinham aqueles
aviões.
Como se vedada no edital a aquisição de aviões novos, então
nem poderia haver o compromisso de uma empresa adquirir novos aviões. Em
síntese, quem tinha aviões participava, quem não tinha não participava. Como
quem tinha eram os mesmos, os mesmos ganhavam. Isso existia realmente?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Não.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) –
Não?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Não, não existia.
O
SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, a
própria questão financeira da Transbrasil começa a ter problemas quando deixa
de ter os Correios. Na seqüência, vem a Vasp, e é a mesma coisa, deixa de ter
os Correios e passa a ter problema. E a Varig, finalmente, também passa a ter
problemas quando deixa de atender os Correios. Os Correios é a mina de ouro dos
transportes aéreos.
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – V. Ex.ª tem razão. Se me permite, posso falar?
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim, por favor.
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Na verdade, o problema é que o transporte aéreo é uma atividade
extremamente complexa, tanto é que poucas empresas se atrevem a trazer aviões,
porque, para isso, é necessário cumprir algumas etapas. Se forem aeronaves
novas, tem que encomendar Boeing e essa encomenda pode demorar de doze a vinte
e quatro meses para ela construir o avião e te fornecer.
Se você vai para o mercado buscar
aeronaves velhas, aeronaves mais antigas, usadas, primeiro você verifica qual é
a aeronave que você pode homologar e, aí, vai buscar essa aeronave no mercado.
O processo de compra de uma aeronave velha não demora menos que um ano. Então,
é por isso que você não consegue, não adianta você entrar em uma licitação sem
que você tenha o backup, porque vai demorar mais de um ano. É o que
aconteceu conosco. Depois, tivemos condições de colocar as nossas aeronaves em
condições de vôo e, aí, é que partimos para a carreira solo, por assim dizer.
Então, não há nenhum tipo de
conluio, não há nenhum tipo de intenção de lesar os Correios. Muito pelo
contrário, a Beta não participa disso.
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deixe-me fazer uma pergunta para o
senhor.
No período de 2000/2003, Beta e Skymaster tinham os mesmos
custos?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – É tão difícil dizer... porque a estrutura da Beta é completamente
diferente. Nós somos operador logístico e temos uma estrutura de custos
totalmente diferente.
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agora, veja, só podem ter custos muito próximos. Por que digo isso? Vamos
lá.
Em 21 de setembro de 2000, quatro
dias antes da data marcada para a entrega das propostas da Concorrência 10, de
2000, que foi no dia 25 de julho de 2000, as empresas Beta e a Skymaster
firmaram um contrato, já mencionado pelo senhor, para que fossem divididos no
percentual de 50% para cada um os contratos obtidos nos Correios.
Se eu faço um ajuste para dividir
50% dos contratos com uma remuneração única é evidente que meus custos são
muito próximos, senão ninguém faz um contrato desses. Em junho de 2001, foi a
vez de a Skymaster vencer a disputa para as linhas AIC. Apenas duas empresas,
Beta e Skymaster, responderam à consulta dos Correios, Dispensa de Licitação nº
02, de 2001. Novamente houve divisão dos contratos. Posteriormente, em 24 de
dezembro de 2001, na mesma data da assinatura do contrato derivado do Pregão nº
45/2001, vencido pela Skymaster foi firmado termo de subcontratação de serviços
entre a Beta e a Skymaster, ocasião em que a Skymaster transferiu 50% do
contrato para a Beta. Quer dizer, há sempre uma associação pelo mesmo valor.
Logo, os custos são iguais ou muito próximos.
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Os custos operacionais nas primeiras linhas podem ser parecidos.
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Podem ser parecidos.
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Porque as aeronaves consomem basicamente a mesma coisa. Os pilotos têm
salários muito próximos; não sei onde é que eles fazem seguros, mas o leasing
das aeronaves também...
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, em princípio, os custos são muito próximos?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Eu acredito que sejam parecidos.
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – São muito parecidos?
O
SR. IOANNIS AMERSSONIS – Sim, Excelência. Agora, isso não significa que houve aqui um acordo para
burlar os Correios nem para fazer...Na verdade, não haveria outra forma de
participar se não fosse da forma como nós fizemos. Caso contrário, não
tínhamos... Na época, nenhuma empresa estava habilitada a participar disso.
Por que os Correios recorreram...?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Porque os Correios estavam nas mãos de vocês.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não, isso não é verdade, os Correios não estão na mão de ninguém. Mas quem
tem avião pode participar. Por que nós participamos? Por que nós estivemos?
Porque a Vasp...
O SR. (Orador não identificado)
– Quer participar.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não. Foi constatado que ela estava com CMDs falsas e o TCU exigiu que eles
rompessem o contrato com a Vasp e aí eles nos chamaram. Nós estávamos fazendo
as nossas rotas, São Paulo–Manaus–São Paulo, tranqüilos, sem problema, só que,
nesse momento, os Correios precisavam de alguém para executar a linha. Nós
tínhamos que largar...
O
SR. (Orador não identificado) – A Transbrasil já
estava fora também.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Como?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – A Transbrasil já estava fora também?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Estava fora também.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Então os Correios não tinham alternativa, tinham que cair nas
mãos Beta ou da Skymaster.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Eu não tenho culpa, Exª. Nós colocamos as aeronaves à disposição dos Correios,
para atendê-los. E mais, eu tenho certeza que eles podem atestar isso, os
Correios implementaram os serviços nobres depois que iniciamos a operação,
porque a nossa filosofia – eu sempre fui de transporte aéreo – é executar
serviços cumprindo regularidade e pontualidade de vôos. E, para isso, você tem
que ter backup.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Se o senhor foi de serviço de transporte aéreo antes da Beta,
qual era a atividade?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Bom, eu trabalhei na Vasp durante 10 anos, em transporte aéreo de carga.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu preciso fazer apenas algumas perguntas técnicas
ao senhor, que é para avaliação posterior nossa. Perdoe-me, mas isso aqui é
importante para algumas avaliações que estamos fazendo.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS – Esteja a vontade, Exª.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual é o nível de remuneração considerado mais
adequado para o transporte aéreo de carga e para a Rede Postal Noturna? Qual é
o nível de remuneração adequado?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Eu considero 15% o nível de remuneração justo.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quinze por cento?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Quinze por cento, antes do Imposto de Renda.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual é o percentual médio de remuneração da Rede
Postal Noturna?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Exª, é de 15%.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Se a Beta perdesse...
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Estou falando atualmente. Antigamente, em função dos combustíveis, isso ia
para menos alguma coisa por cento, para mais oito, mais cinco, isso oscilava
muito. Hoje não, os contratos hoje são mais lineares.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) Se a Beta perdesse o contrato com os Correios,
linha F, que é operado em 2000 a abril de 2005, e linhas 50.011, 69.011,
operada a partir de maio de 2005, qual seria o impacto para a empresa? O nível
de faturamento seria mantido ou não? Cairia quanto por cento?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Impacto nenhum, Exª. Nós teríamos onde voar com essas aeronaves.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então não perderiam nada?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Não.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Suponha que os senhores tenham contrato com
os Correios por 5 anos, suponha que a Beta tivesse seus contratos com os
Correios reajustados regularmente pelos índices adotados para a Rede Postal
Noturna, IGP-M, dólar e preço de querosene de aviação, com variação no período
aplicada integralmente, segundo os percentuais de referência.
Poderíamos dizer que a remuneração da empresa seria mantida
em níveis adequados por toda a duração do contrato?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Se forem... Dentro das regras da atual licitação, dos atuais contratos, sim,
Exª. Se não houver mudanças de regra, é um contrato interessante.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Uma coisa que também nos chamou a atenção na
concorrência 10/2000, que eu tinha esquecido de perguntar ao senhor.
A Beta venceu a concorrência 10/2000 para operar em AF,
disputou com a Skymaster, isso quatro dias após ter firmado com ela o termo de
compromisso de subcontratação, ao preço de 193.940 por operação de área.
Foi a pergunta que o Dr. Rosinha fez. Posteriormente houve
índices de reajuste bastante acentuados. Eu não consigo entender. Os senhores
perderam dinheiro realmente nesse contrato, ao longo do tempo?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Em alguns períodos, sim; em outros nós ganhamos.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E por que o senhor não foi à Justiça? Porque
o senhor sabe que o equilíbrio econômico financeiro é uma garantia
constitucional, e qualquer contratado que se sente lesado vai à Justiça e pede
a recomposição, ou então pede a rescisão do contrato. Por que não foi feito
isso?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Antes de ir à Justiça, temos de esgotar todas as possibilidades de reaver
esses equilíbrios.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor já esgotou?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS
– Sim. Já esgotei e agora eu ainda vou fazer mais uma tentativa. E se não
conseguir, só me resta a Justiça.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Considerando que já faz um bom tempo, me
causa espécie, pelo menos na minha vida de advogado que sou, que uma empresa
demore tanto para entrar na Justiça...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Pela oportunidade. Se não tivesse a CPMI, já teria ido para a
Justiça?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Independe de CPMI.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Estou dizendo a você: se não tivesse a CPMI, já teria ido à
Justiça.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Isso independe de CPI. É uma questão de que o contrato reza reequilíbrios
econômicos, de acordo... Os re-equilíbrios econômicos foram todos comprovados
por planilhas de custo, todos eles foram comprovados. Então, não foram dados.
Em algumas ocasiões, os Correios reconheceram que os nossos pleitos eram de
fato – me fugiu a palavra agora – pertinentes; no entanto, posso até citar: a
empresa pediu 29%, nós reconhecemos 21%, porém só demos 10%. E é verdade, foi
isso que aconteceu ao longo do contrato.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – É, isso realmente me chama a atenção. Nunca
vi uma empresa ser tão tranqüila com perda de dinheiro quando tem um direito
assegurado: nem indo à Justiça, os pedidos indeferidos. O que leva a nossa
suspeita, permita-me dizer, que esse contrato original, como disse o Dr. Rosinha,
estava superfaturado.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não, não estava, Excelência. Ele estava com o preço justo, houve períodos em
que nós perdemos, houve períodos em que nós ganhamos, mas não conseguimos
sensibilizar. Os Correios são subjugados ao TCU. O TCU tem que aprovar essa...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, se o senhor vai à Justiça, o senhor
poderia até conseguir uma antecipação de tutela, alguma coisa que lhe
permitisse evitar um prejuízo tão forte.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Sim, estou preparando.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas faz tempo, não é?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Excelência, é uma questão de... Naquele momento, eu achava que não era oportuno
fazer isso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por quê? Temia alguma perseguição?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Não, não. Não é isso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por quê?
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
É uma questão de esgotar todas as possibilidades de fazer um acordo...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas foram esgotadas. Na medida em que o
senhor pediu o reequilíbrio e foi indeferido, não vai se voltar mais atrás
administrativamente, não há mais acordo.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Tentei até o fim do ano passado.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, veja: quando o pedido é indeferido, não
há mais retorno, está preclusa a questão.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
De qualquer forma, tentamos, Excelência.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas não teria mais o que tentar, porque não
se volta atrás.
O SR. IOANNIS AMERSSONIS –
Bem, agora vamos entrar na Justiça realmente, para requerer isso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Certo.
Indago ao Deputado Rosinha se tem mais alguma pergunta.
Então, agradeço imensamente ao depoente e ao Dr. Rosenthal
pela presença, e suspendo a presente reunião por dez minutos, para que possamos
então retomar a seguir as oitivas.
Agradecemos ao depoente.
(Suspende-se
a reunião às 16 horas e 28 minutos.)
(Reabre-se
a reunião às 17 horas e 33 minutos.)
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Declaro reaberta a reunião dessa
Sub-Relatoria de Licitações e Contratos da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito criada através do Requerimento nº 3, de 2005, para investigar as
causas e conseqüências de denúncias de atos delituosos praticados por agentes
públicos nos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Passaremos, agora, conforme já anunciado na primeira parte
desta reunião, a oitiva do Sr. Michel Abud Atiê Júnior, para seus
esclarecimentos preliminares.
Informo às Srªs e aos Srs. Deputados e às Srªs e aos Srs.
Senadores que o Sr. Michel Abud Atiê Júnior comparece na condição de testemunha
e já assinou o termo de compromisso, nos termos do art. 203 do Código de
Processo Penal.
Na oportunidade, ele se faz acompanhar também do advogado,
Dr. Sérgio Rosenthal, que prestará os serviços advocatícios ao depoente ao
longo dessa reunião.
Com a palavra S. Exª, o Relator designado para esse
trabalho, Deputado Arnaldo Faria de Sá.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr. Michel, por que o advogado seu e o do Dr. Ioannis é o mesmo?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– É por uma questão mais prática nossa. Com o mesmo advogado, não precisaríamos
contratar dois, somos da mesma empresa.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Ele é advogado da empresa de vocês?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não, ele é advogado contratado.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O que o senhor pode informar a esta Comissão sobre a sociedade de
fato que existia entre o Sr. Ioannis e o Sr. Antonio Augusto?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Bom, essa sociedade pelo o que eu sei, pelo o que eu vivenciei, é uma
sociedade que tinha empresas no conglomerado do Sr. Antonio Augusto e do Sr.
Ioannis. Essa sociedade funcionava de forma a ter colaboração no nível de
operações logísticas e complementação de carga.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E quando essa sociedade de fato foi constituída?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Essa sociedade de fato nunca foi constituída; ela sempre foi uma sociedade de
fato, ela nunca foi efetivamente constituída.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E quem decidia sobre os negócios que eram comuns às duas empresas?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Quem decidia... Houve dois períodos. Eu entrei na empresa em 1999, só posso
falar dessa ocasião em diante.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Daí para frente.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Em 1999 até o momento que o Sr. Antonio Augusto administrou, era o Sr. Antonio.
Isso foi em meados de 2002.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Mesmo sendo uma sociedade de fato, parece que existia um
pré-contrato, um acordo de ações. Não existia?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, que eu tenha conhecimento, não, Excelência, não tenho conhecimento de
que... Havia um contrato judicial, alguma coisa legal sobre esse termo. O que
existia realmente era uma sociedade de fato.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E qual era o critério de divisão entre as atividades de uma
empresa e de outra?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
As atividades do Sr. Antonio Augusto eram relacionadas às atividades do
transporte rodoviário, agenciamento de carga, e do Sr. Ioannis, basicamente,
era atividade da companhia aérea.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Tenho aqui uma relação de empresas que faziam parte dessa tal
sociedade de fato: Costa Sol Operadora Aeroportuária; GPT Participações e
Empreendimentos Comerciais; Mercosul Warrant Logística; Planave - Navegação da
Amazônia; Promodal da Amazônia Armazéns Gerais; Promodal Logística e
Transportes; Promodal Transportes Aéreos; Tecnocargo Transporte da Amazônia;
Tecnocargo Transportes; Transmark Transporte Intermodal; Zenaservice Logística
e Transporte. Essas todas, Antonio Augusto e Brasília Express, a Beta, Brasília
Express Transportes, Brasília Express Logística e Transportes, Prologíslitica
Transportes, do Ioannis. É essa relação de que o senhor tem conhecimento?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Essa relação que tenho conhecimento sim, Excelência. Essas empresas tinham
sociedades diferentes.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E qual a razão pela qual houve a separação dessa chamada sociedade
de fato?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Bom, a razão, vamos dizer, da separação da administração foi basicamente
filosófica, de trabalho, o Sr. Ioannis queria profissionalizar a empresa e
queria realmente voltar a administrar a empresa e o Sr. Antonio Augusto
entendeu que ele deveria administrar o conjunto de empresas, então ...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O senhor é sócio ou empregado e diretor do Ioannis?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sou o Presidente do Grupo e sou também, a partir do final de 2004, também sócio
minoritário.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E antes de 2004?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Depois da cisão, depois dessa separação da administração do Sr. Antonio
Augusto, assumi a Presidência da Beta.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Antes de ser Presidente, o senhor era empregado do Ioannis?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Era empregado do Sr. Antonio Augusto.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Do Ioannis, o senhor nunca foi empregado?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, a subordinação era ao Sr. Antonio Augusto.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O senhor era empregado do Antonio Augusto?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Empregado do Sr. Antonio Augusto como Diretor.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sim, se empregado do Sr. Antonio Augusto, o senhor, de fato, era
também empregado do Ioannis.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
De uma certa forma, sim, Excelência, porque quem comandava o Grupo até 2002 era
o Sr. Antonio Augusto e eu me subordinava a ele.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Na verdade, eu fiz essa colocação porque o senhor foi convocado
como sócio, mas o senhor está demonstrando uma subordinação nas respostas.
Então por isso acabei concluindo que o senhor era empregado de fato também do
Ioannis como era empregado real do Antonio Augusto.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sim, porque a sociedade, se olhar sob esse tema, sim. O que digo é o seguinte:
a subordinação era ao Sr. Antonio Augusto até 2002, evidentemente que o Sr.
Ioannis, tendo participação da Beta, seria, seria, teoricamente, também
subordinado ao Sr. Ioannis, embora quem administrasse as empresas era o Sr.
Antonio Augusto. Não sei se deixei claro, Excelência.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Deixou claro. Independente da condição de diretor ou de empregado,
desde quando há o seu envolvimento com o transporte aéreo?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Desculpe não ouvi, Excelência.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Independentemente da condição de diretor ou de funcionário, desde
quando está envolvido com transporte aéreo de carga?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Eu trabalho basicamente há 15 anos nesse mercado, em empresas multinacionais,
onde eu dirigia também a parte de logística, envolvendo – vamos dizer – do lado
oposto...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Antes da Beta e da...
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Antes da Beta.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – ...e da Skymaster, qual a empresa aérea de transporte de cargas em
que o senhor trabalhou?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não no transporte aéreo diretamente. Eu digo o seguinte: na indústria, existe
a operação logística. Então, essa operação logística que é feita na indústria,
eu coordenava.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Em que empresa?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A DIU é uma delas, a Fortilit é outra. Enfim, há várias outras em que eu
dirigi a parte de logística também.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Quem dirige atualmente a empresa? É o senhor?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sim.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Antes, quem a dirigia?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Antes, era o Sr. Antônio Augusto.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Na empresa que hoje é dirigida pelo senhor, quanto os Correios
representa nos negócios?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Aproximadamente 28% a 30%.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E qual o percentual médio de remuneração de transporte aéreo de
carga?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A remuneração média… O senhor diz a rentabilidade?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Isso.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Para ser sincero, a gente deveria pegar o momento em que estamos falando,
porque, com as oscilações de preço de combustível, é difícil determinar qual é
a rentabilidade atual ou do mês passado ou do mês retrasado, em função dos
aumentos de combustível.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E a média?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Excelência, é difícil dizer. Eu diria algo em torno de 10% a 15%.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Qual o nível de remuneração considerado mais adequado para o
transporte aéreo de carga?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Seguramente, pelos valores, um pouco acima de 15%.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E, para o RP, é a mesma coisa, ou há diferença?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Para a Linha, nós entendemos que deveria ser por volta disto, de 15%, de 17%.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Se a Beta perdesse contrato com a Linha F, qual seria o impacto
para a empresa?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A participação hoje da Rede Postal Noturna dentro da Beta é relativamente
pequena. Evidentemente, para a empresa poderia ter algumas conseqüências, sim.
Teria impacto, sim, senhor.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O que é a Linha F?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A Linha F... A rota, o senhor diz?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – É.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A Linha F é a rota que faz Recife, Salvador, Guarulhos e o retorno dela.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Não tem em Porto Alegre?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não. Essa Linha F – anteriormente, antes do início de maio deste ano, era
chamada Linha F – fazia o percurso até Porto Alegre.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Aí houve uma subdivisão?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Então, teve uma alteração..
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – F1 e F2.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– É. E o que acontece é que ela não vai mais até Porto Alegre. Foi reduzida
essa linha, que só pára em São Paulo, Então, é São Paulo, Salvador e Recife.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – E a Linha 50.011?
O
SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Essa faz Manaus, Brasília, São
Paulo e o retorno dela.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Por que o senhor acha que houve essa cisão entre o Ioannis e o
Antônio Augusto?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Excelência, entendo o seguinte: acho que é uma forma de administrar. Tem
várias formas de administrar um negócio. Existe a forma patronal, existe a
forma mais – vamos dizer – profissionalizada. A forma que o Sr. Ioannis
entendeu naquele momento, que ele queria retomar os negócios, era uma forma
profissional, e o Sr. Antônio entendia que ele deveria comandar todas as
operações. Foi só um conflito de interesses, porque os profissionais são
diferentes, a forma de condução é diferente...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Quem é mais profissional, o Antônio ou o Ioannis?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Eu não posso julgar assim, Excelência, pelo seguinte: acho que todo mundo
está certo. Existem empresas no Brasil em que o patronal é o grande sinônimo de
sucesso numa organização. Por outro lado, uma empresa profissional nem
sempre... Eu tenho minha opinião, mas não gostaria de... Isso é muito pessoal.
Não posso dizer que o Sr. Antônio Augusto não é profissional nem o Sr.
Ioannis...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Se o senhor não tivesse opinião, eu não lhe iria forçar. Mas, já
que o senhor tem opinião, qual é a sua opinião?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sem dúvida nenhuma, sempre trabalhei de forma profissional. Então, esse é o
mecanismo com que sempre trabalhei.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Considerando o termo de compromisso de subcontratação entre a Beta
e a Skymaster para a divisão de 50% dos serviços contratados na abertura da
Concorrência 010/2000, da qual participaram apenas essas duas empresas na
disputa da Linha F, dá para admitir que houve um acordo firmado entre essas
empresas para obter esse preço?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– O senhor se refere às Linhas...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – À Linha F.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– À Linha F do passado?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Do passado, de 2000.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A esse contrato de subcontratação, Excelência?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – É.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Esse contrato de subcontratação foi uma forma que o Sr. Antônio Augusto
depois... Embora eu não tenha feito esse contrato, tomei conhecimento dele, o
Sr. Antônio me falou dele. Eu entendo, pelo que o Sr. Antônio colocou na época,
que era bastante razoável a forma como ele estava fazendo, porque era uma forma
de assegurar que a companhia tivesse um backup para fazer essa Linha.
Era exatamente um acordo operacional para suportar essa operação que iria ser
feita na contratação dos Correios.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O que os senhores chamam de backup?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Backup é uma aeronave que pode estar disponível no momento oportuno.
Uma aeronave está sujeita a diversos imprevistos etc, mesmo porque uma aeronave
também tem um sistema de manutenção em que ela fica de três a quatro meses em
manutenção.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Os senhores utilizavam backup de uma empresa para outra?
Era um acordo de cavalheiros? Como era essa história?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Era um acordo operacional. A Skymaster, evidentemente, voava nas linhas da
Beta, porque não dava para a gente fazer um acordo em que ela ficasse com um
avião não disponível, sem voar por um ano. Isso, na aviação, é impossível.
Então, ela utilizava e voava, sempre que possível, nas linhas da Beta.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Então, podemos considerar que, como o Antônio Augusto participava
das duas sociedades de fato, detendo 50% de participação de cada uma delas –
uma formada pela Skymaster; outra, com o Sr. Ioannis –, havia uma holding informal
entre a Beta, a Promodal e a Skymaster?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não. Pelo que eu sei, o Sr. Antônio Augusto nunca participou da Skymaster.
Disso, eu não tenho o menor conhecimento. Acho que essa informação não é
verdadeira, Excelência. Nunca participou disso, pelo que tenho conhecimento.
Sou capaz de afirmar...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Qual a relação da Beta, em particular do Sr. Antônio Augusto, com
a Skymaster?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Da Beta com a Skymaster, houve simplesmente esse acordo, pelo que eu entendo.
Ele é que tratava desse assunto com a Skymaster. Ele tratou dessa
subcontratação. Esse era o relacionamento que existia.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Antes da Skymaster e da Beta, quem dominava esse mercado eram as
empresas tradicionais, a Transbrasil, a Vasp, a Varig.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Exato.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Por que essas empresas deixaram de fazer a exploração desse
mercado?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A Transbrasil teve problemas financeiros sérios e deixou de fazer. A Vasp
teve problema de documentação e também foi retirada dos Correios. Essa foi a
oportunidade também que a gente encontrou de participar dessas linhas aí.
Então, ela participou basicamente por problemas financeiros e problemas
documentais.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O senhor conhece o Sr. Roberto Kfouri?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Conheço, sim, senhor.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Quem é ele?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Ele foi Diretor-Geral da Beta. Quando entrei no grupo, ele tinha essa função.
Saiu em meados de 2001, como Diretor-Geral da Beta.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Hoje, ele não tem nenhuma ligação?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não entendi. Desculpe-me.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Hoje, ele não tem nenhuma ligação com a Beta?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Nenhuma.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O que tem a ver a Empresa Aeropostal com a Beta ou com a
Skymaster?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Eu não tenho nenhuma informação da Aeropostal, Excelência, nenhuma, nenhuma.
Não tenho informação nenhuma.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Mas a Aeropostal participou de alguns pregões em que participaram
a Beta e a Skymaster.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, eu não lembro, não lembro. A Aeropostal, eu sei que era uma empresa
que não tinha nem aviões. Isso eu sei de mercado...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Uma empresa de aviação que não tinha aviões?!
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não tinha. Ela só tinha concessão.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Ela tinha concessão?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Só tinha concessão.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sem ter aviões?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sem ter aviões.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O senhor conhece o Brigadeiro...
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Isso eu não estou afirmando. Estou dizendo pelo eu sei.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Estou estranhando uma empresa aérea ter concessão e não ter
aviões.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
É que primeiro se inicia...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Quase eu falo que é uma empresa fantasma.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, não. É que primeiro se inicia a concessão, para depois se adquirir o
avião. Existe uma ordem lógica nisso. Primeiro, não se compra um avião, para
depois se ter a concessão. Primeiro, se tem a concessão. É por uma questão
lógica. Eu não sei se ele está buscando...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Mas ele montou essa empresa quando ainda trabalhava na Beta.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Que eu tenha conhecimento, não, Excelência.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – O nosso Presidente vai ter oportunidade de demonstrar isso para o
senhor. É uma tese que ele defende, e eu não quero invadir a seara dele.
Para encerrar, o senhor conhece o Brigadeiro Venâncio
Grossi?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr. Presidente, o depoente está à sua disposição.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Bem, eu gostaria de fazer algumas perguntas ao
senhor.
Só para precisar, o senhor entrou em que ano na Beta?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Em 1999.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em que função?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Consultor.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor já tinha trabalhado no setor antes?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
No setor de logística ou aéreo?
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP)
– Aéreo.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, o senhor entrou como consultor de logística?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, na verdade, o grupo passava por um momento de dificuldade financeira. Um
grande cliente era uma grande empresa de eletrônicos que havia pedido
concordata. E o grupo dirigido pelo Sr. Antônio Augusto passava por um momento
difícil financeiro. Eu fui contratado para tentar ajudar...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Consultor financeiro?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Financeiro. Depois, no ano seguinte, eu passei a ser diretor da...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Diretor de que área?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Administrativo-financeiro, e eu ocupei essa função até meados de 2002,
exatamente até o momento em que o Sr. Antônio Augusto deixou de administrar a
empresa.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois, o senhor virou Presidente da empresa?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando o senhor foi contratado como consultor, quem
o indicou para trabalhar? Ou o senhor já tinha relações...
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
O Sr. Ioannis Amerssonis.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Foi o Sr. Ioannis. O senhor não conhecia o Sr.
Augusto?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que o Sr. Ioannis o indicou? Ele o conhecia de
onde?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Na verdade, eu trabalhava numa empresa de eletrônicos, e o Sr. Ioannis me
vendeu ou vendia operações logísticas. É o que acabei de mencionar
anteriormente: eu cuidava de operações logísticas em indústria. Então, daí vem
a minha experiência em operações logísticas. Eu acabei conhecendo o Sr.
Ioannis, e ele me apresentou ao Sr. Antônio, para exatamente ajudar nessa parte
financeira.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, o senhor, de certa forma, passou a ter uma
relação de amizade com o Sr. Ioannis e depois com o Sr. Augusto, tanto que o
senhor ficou como Presidente, quando o Sr. Ioannis sai.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, hoje o senhor pode se considerar amigo dos
dois ou não?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sim. Eu não tenho nenhum... Sou amigo... Não tenho problema com nenhum dos
dois.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que eles mantinham uma sociedade de fato? Essa
é uma questão que não ficou clara para mim no depoimento; eu não consegui
entender.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, é o seguinte: o agenciamento de carga ele capta cargas no mercado,
mas ele não tem a operação de transporte desse veículo. Então, o Sr. Ioannis
tinha uma companhia aérea, e o Sr. Antônio Augusto tinha uma grande agenciadora
de carga, que necessitava de uma companhia aérea para transportar. Então, essa
combinação de operações resultava num desenvolvimento de negócios.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas essa combinação de operações se resolve em
contratos de prestação de serviços, em parcerias, não em sociedades.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sim, mas é...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que eles faziam em uma sociedade de fato e não
faziam uma sociedade de direito?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Isso estava sendo discutido inclusive em 2001, exatamente para se fazer uma
sociedade legal, não uma sociedade de fato. Tem que fazer uma união. A
discussão exatamente era essa antes do momento de separação.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas é estanho que, em negócios desse porte,
empresários mantenham uma relação de fato, sem formalizar as coisas. Causa-me
espécie isso.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Existe um ganho dos dois lados, Excelência: um, se não tiver aeronave, não
consegue viabilizar a operação; o outro, se não tem carga, não consegue
viabilizar o outro. Então, existe uma sinergia, um ganho para ambos.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual a relação do Sr. Antônio Augusto com a
Skymaster?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– O que vi de relação entre o Sr. Antônio Augusto com a Skymaster era uma
relação desse acordo que foi feito. Enfim, vi poucas vezes a Skymaster
relacionando-se com o Sr. Antônio Augusto.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas tinham uma relação estreita?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não diria estreita, Excelência. Não era uma relação de cooperação comercial.
Existia...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Havia uma relação de comércio.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Comercial, desculpe-me. Operacional, sim.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Operacional, sim.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Operacional, sim, como, de fato, existe, Excelência, em toda companhia aérea.
Existe uma colaboração que transcende as outras atividades no mercado
brasileiro. Companhia aérea é tida como uma empresa colaborativa, nesse
aspecto.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – No caso, bastante colaborativa, porque elas tinham
uma relação muito próxima.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sempre têm.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Kfouri saiu da empresa por quê?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Saiu da empresa, exatamente porque... Entendo que o Sr. Ioannis entendeu que
ele não deveria mais administrar a empresa.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele foi demitido?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Ele foi... Acho que fizeram um acordo com ele, pelo que me lembro, na época.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Lembra-se dos termos do acordo?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não, não me lembro. Não me lembro, porque não participei desse acordo.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem o substituiu depois?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Temporariamente, foi um diretor que havia na companhia aérea, da área
comercial. Depois, logo em seguida, houve o processo de separação da
administração do Sr. Antônio Augusto, quando assumi a presidência.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – É natural que uma empresa que presta serviços para
uma estatal mantenha contatos com os dirigentes da estatal. Quem é que mantinha
contatos, em nome da Beta, com a diretoria dos Correios?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Vamos separar. De 2000 até 2002, o Sr. Antônio Augusto se encarregava de
fazer as tratativas do Correio com relação aos reajustes etc. Depois de meados
de 2002, depois da separação, o Sr. Ioannis e, algumas vezes, eu fazemos esse
relacionamento com o Correio – é muito pouco, mas a gente faz.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E com quem era, nos Correios, exatamente?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Com quem fazemos o contato?
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – É.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Fiz contato, por exemplo, uma vez com o Sr. Airton Dipp, exatamente para
reivindicar...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com o Presidente?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Com o Presidente, Dr. Airton Dipp, para reivindicar e reclamar dos reajustes
nos contratos.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Antônio Augusto é uma pessoa bem-vista pela
diretoria dos Correios. Com quais pessoas ele mantinha relações de amizade?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não sei se relação de amizade, Excelência. Se não me engano, ele falava com a
área de operações dos Correios.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com a área de operações?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– De operações.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com que diretores ele mantinha contato?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não me lembro agora quem era o diretor de operações.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Madureira?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não. Foi antes do Madureira. Se não me engano, foi o Sr. Senna.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT –
SP) – Carlos Senna?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Isso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele tinha uma relação de amizade próxima com o Sr.
Carlos Senna?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não. Entendo que ele ia, também, reivindicar alguns direitos do contrato do
Correio.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E, do ponto de vista da relação com políticos, com
quem o Sr. Augusto matinha contato?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Excelência, honestamente, não sei informar. Nunca vi o Sr. Antônio Augusto se
relacionando com políticos.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – A Beta não fez contribuições de campanha?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Nunca.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nunca fez?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Nunca fez. Nenhum centavo.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nenhum centavo?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Nenhum centavo.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o Sr. Ioannis tinha contato com alguns políticos?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Também não.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – As pessoas físicas deles fizeram contribuições a
campanhas eleitorais?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– O Sr. Ioannis?
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Nunca.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o Sr. Augusto?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sobre o Sr. Augusto, eu li uma matéria que saiu na revista que foi feito
através das empresas dele.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois que ele se desligou da Beta?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Depois que ele se desligou da Beta, três, quatro meses depois.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor era um consultor da área financeira?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sim.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, obviamente, o senhor acompanhava a
questão do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sim.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E, obviamente, conhece bem licitação.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não tanto, mas conheço razoavelmente.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Razoavelmente. Bem, algumas coisas nos
surpreenderam aqui relativamente à questão do equilíbrio econômico-financeiro
do contrato. Temos um caso aqui que até registramos, que foi o da Concorrência
10/2000 para operar a Linha F em julho de 2000. Isso foi disputado com a
Skymaster. Antes, havia sido firmado um termo de compromisso de subcontratação,
quatro dias antes da licitação, ao preço de 193.940, por operação diária. E,
com os reequilíbrios contratuais, isso acabou alcançando 283.772, ou seja,
variou 46,32% o contrato entre julho de 2000 e abril de 2005. No entanto, o
combustível subiu 190,26%; o dólar americano, 41,43%; e o IGMP, 84,46%, que são
os componentes da cláusula de reajuste. Como é que se explica que a Beta teria
aceitado essa situação pacificamente, tomando prejuízo dos contratos? Será que
era prejuízo realmente?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Excelência, poucas vezes vim a Brasília. Eu acho que eu não vim a Brasília...
Se eu falar que eu fui duzentas vezes a Manaus, seguramente isso é verdadeiro.
Vim a Brasília umas sete vezes. Numa delas, fui, com veemência, falar com o Dr.
Airton Dipp que o meu pessoal não conseguia esses reajustes de equilíbrio econômico.
Eu vim pessoalmente falar com ele e reclamar que a diretoria de operações não
estava atendendo aos pleitos da Beta, e isso estava causando uns problemas
seriíssimos.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso foi quando?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Excelência, eu não sei precisar, mas foi provavelmente em 2003, alguma coisa
assim.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E os pedidos foram indeferidos?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não foi só esse, porque nós já tínhamos protocolado inúmeros pedidos de
revisão dos reequilíbrios econômicos e não tínhamos sido atendidos. Então, vim
falar com o Dr. Airton Dipp exatamente por causa dessa situação. Então,
cansamos de protocolar, e, na minha impaciência, vim falar com o Presidente dos
Correios na época.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E aí o que aconteceu?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Também não foi resolvida essa situação.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De quanto era o prejuízo? O senhor sabe
avaliar?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Sei. Na época, eram 9,5 milhões.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em que período?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Excelência, não sei precisar, mas existe protocolada nos Correios essa pauta.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que a Beta nunca foi para a Justiça
pleitear isso? É uma das coisas que me chama atenção: alguém tomar prejuízo num
contrato, ser lesado e não ir à Justiça. Por quê?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Excelência, é uma questão acho que de forma de administração. Eu entendo que,
assim como um empregado não deve entrar na Justiça contra uma empresa e
continuar empregado, eu acho que a gente, prestando serviço para os Correios,
não deveria ter uma ação contra os Correios. A gente deveria esgotar os
mecanismos administrativos...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mesmo que o contrato lhe trouxesse um
prejuízo astronômico?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Nós não dissemos que não vamos entrar contra os Correios. Isso não é
verdadeiro. Nós dissemos o seguinte: todos os mecanismos possíveis e
imaginários... O Sr. Ioannis esteve aqui, eu estive aqui, é difícil de eu sair
de São Paulo, eu estive aqui exatamente em função disso.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor pretende parar de prestar serviço
para os Correios?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não, mas eu....
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Como é que o senhor vai entrar com uma ação
contra os Correios, se o senhor vai continuar sendo contratado?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Eu acho, eu entendo o seguinte: o último mecanismo, e não o primeiro, deve
ser uma ação judicial. Acho que tudo deve ser esgotado.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, a partir do momento em que foi
indeferido o pedido de revisão, morreu. Ou seja, não há outro mecanismo. Não há
como o senhor pedir a revisão do pedido de revisão.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Não, na verdade, ele nunca foi indeferido, não foi pronunciado a respeito,
porque os protocolos que estão lá nunca foram respondidos, e essa foi a grande
reivindicação.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nunca houve indeferimento formal?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Nunca houve. Nunca houve.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por quê?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Eu também gostaria de saber, Excelência. Até hoje eu não sei por quê. A
diferença que o senhor está citando, nós temos um quadro que reflete exatamente
essa variação, em que o combustível aumentou 210% – é um pouquinho mais que
isto –, e o contrato foi reajustado...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – No mesmo período, a Skymaster teve deferido o
pedido de revisão, não teve?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Ah, eu não sei precisar, mas, com certeza, os contratos são reajustados, pelo
que eu entendo. Mas eu não sei dizer.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que é que a Skymaster teria tido, e os senhores
não?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, eu não sei dizer. Eu não sei dizer. Eu não tenho a menor idéia.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Há pouco, o Sr. Ioannis Amerssonis reconheceu que
existiria uma pré-suposição – vou ser fiel ao que ele falou – de que o preço de
R$429.987,00, cobrado pela Skymaster no ano de 2003, estaria superfaturado. Ele
deu essa resposta a partir de uma pergunta que fiz acerca da licitação que se
seguiu, e, evidentemente, houve uma redução brutal de preços. Eu perguntei a
ele: “O preço era exeqüível?”. Ele disse: “Era”. Indaguei eu: “Então, significa
que os R$429 mil estavam superfaturados”.
V. Sª compartilha desse entendimento de que haveria um
superfaturamento desse valor de R$429.987,00, cobrado pela Skymaster?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Bom, eu tenho informação de que era alguma coisa em torno de quatrocentos e
poucos mil.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eram R$429.987,00.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, eu não posso dizer se ele é superfaturado ou não. Isso eu não posso
assegurar. Cada companhia tem uma estratégia diferente, tem um comportamento de
custo um pouco diferente, tem uma estrutura um pouco diferente, embora os
custos sejam os mesmos.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso foi um pouco negado pelo Sr. Ioannis. Quando
eu perguntei sobre os custos, ele disse que deviam ser custos semelhantes. A
pergunta que fiz era: “Se os senhores dividiam 50% dos contratos e dos acordos,
quem divide contratos normalmente é porque tem o mesmo custo”. E ele falou:
“Não, os custos, presumo, devem ser aproximados”.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
É, eu acho que eu realmente não me expliquei bem e peço desculpas.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
É o seguinte: nessa operação especificamente da Linha A e C, que operava a
Skymaster, ela permitia uma complementação de carga adicional. Essa
complementação de carga adicional estrategicamente para a Beta tem uma outra
conotação, porque nós somos uma empresa logística. Então, além de angariar essa
carga, que era possível colocar complementando essa carga na aeronave, nós
poderíamos ter uma segunda estratégia, que era exatamente fazer outras
operações com esses clientes que embarcariam ali: por exemplo, transporte
rodoviário; por exemplo, armazenagem; por exemplo, distribuição, e assim por
diante.
Então, o nosso entendimento, sendo operador logístico, e não
simplesmente uma transportadora aérea: a situação de custeio fica diferente.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o senhor acha que essa situação justificaria uma
diferença de preço de R$213.990,00 por operação e apenas a bagatela de
R$429.987,00? Só isso justificaria mais que o dobro praticamente da diferença?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Há de se considerar o seguinte, Excelência: um grande valor agregado nessa
linha, e é facilmente comprovado, era o espaço disponível nessa rota. Então, se
se multiplicarem os valores possíveis de serem alcançados na complementação com
cargas de terceiros, o senhor vai chegar à conclusão de que o valor é
significativo, sim.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas não alterou... Veja, ela operava com R$429 mil.
Na licitação apresentada nos mesmos termos, ela propôs R$213.990,00, e os
senhores, R$214 mil – perderam por R$10,00. Essa diferença, desculpe-me, não se
pode explicar por esse detalhe, sendo um contrato vazado nos mesmos termos.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, o nosso objetivo, se não me falha a memória, nessa licitação, o nosso
objetivo, como preço justo, era duzentos e noventa reais, duzentos e noventa e
poucos reais, se não me falha a memória. O preço aonde a gente podia chegar
exatamente na complementação com essa carga adicional seria até R$214 mil,
aonde nós chegamos.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr. Presidente, só estou numa dúvida: o Ioannis disse que não
podia ter carga de terceiro, que era carga só do Correio, e, agora, o Sr.
Michel está falando que pode ter carga adicional. Alguma coisa não está batendo.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Nessa linha, com certeza, Excelência, essa aeronave permitia uma quantidade
grande de espaço disponível. Ele pode estar se referindo à nova licitação, à
atual, que está em vigor a partir de maio, ela não permite 1kg, nada de
adicional.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – A nova é que não permite?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A nova não permite.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Antes permitia?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Com certeza, ele deve ter falado isso.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É isso que, perdoe-me, não se justifica. A
empresa operava, a Skymaster, com um valor de 429 mil. Começa uma licitação.
Ela apresenta, ou chega a uma proposta de 213 mil 990, nas mesmas condições
operacionais. Das duas uma: ou os 213 mil são inexeqüíveis ou os 429 eram
superfaturados. Não há meio termo. Perdão, mas eu não consigo entender essa
explicação, porque, se o contrato é o mesmo, as condições são as mesmas, o
senhor pode colocar os requisitos que o senhor quiser, mas efetivamente o preço
não se justifica.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Eu entendo, Excelência. Eu estou querendo ajudar, mas, veja só: o que a
Skymaster...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ajudar a quem?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Ajudar esta Comissão, desculpe.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Quero ajudar, o que eu puder contribuir, esclarecer.
Eu entendo o seguinte: eu só posso dizer com relação à minha
empresa, do que eu posso fazer. O que a Skymaster faz, ela não é uma empresa
igual à nossa.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A Skymaster disse que subfaturou esse valor,
dando a entender, portanto, que os senhores também estavam subfaturando, que é
para não permitir que outras empresas entrassem nesse espaço.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– A razão pela qual nós entramos na licitação e baixamos o valor até 214 mil
era por uma razão estratégica, eu diria, bastante significativa, porque a gente
estaria desenvolvendo o mercado...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vocês entraram com 290. O senhor mesmo falou,
o preço justo era 290. Era 429 o preço da Skymaster.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR
– Mas todo mundo entrou nessa faixa, Excelência.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De 290.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Por volta
disso.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Logo, 429 estava
superfaturado.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Depende do tipo
da...
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Do quê?
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Eu não sei
explicar, Excelência.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu acho difícil
explicar, realmente. Realmente, é difícil explicar.
Mas aí é que vem,
então, a situação. Veja só: só que, nesse período em que a Skymaster cobrava
490, os senhores tinham aquele contrato de parceria em que operavam 50% do
contrato deles. Ora, se o preço justo dos senhores era 290 e os senhores
operavam com 50% deles, os senhores, indiscutivelmente, ganharam muito mais
dinheiro do que mereciam.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Excelência, só
para esclarecer: essa operação de parceria operacional que foi realizada com a
Skymaster durou poucos meses, três, quatro meses, eu não me recordo.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não importa, mas foram
três, quatro meses em que os senhores ganharam um bom dinheiro a mais.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Não, porque
isso era feito por operação, Excelência.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Se nós
colocássemos avião...
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Veja: preço justo:
290. Preço cobrado do povo brasileiro: 429. O senhor tinha aqui, quando o
senhor operava, uma fatia considerável de dinheiro a mais.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Isso se
colocado carga, Excelência. Se não colocar carga nessa linha, essa linha não é
tão rentável quanto se imagina.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, veja: o senhor
mesmo considera as cargas e tudo e fala que o preço justo era 290. A Skymaster
cobrava 429. O senhor, quando ela cobrava 429, tinha um acordo de serviço de
50% com ela; logo, o senhor recebia no pagamento de 429.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Sim.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Logo, o senhor recebia
muito a mais do que efetivamente o senhor merecia.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Não...
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor recebia um
preço injusto. Se 290 era o preço justo, 429 é um preço injusto. Eu estou
trabalhando com seu raciocínio.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Isso,
Excelência, se o complemento da carga também fizesse parte desse pacote.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É, olha aqui, o
Deputado Arnaldo Faria de Sá me chama a atenção: o contrato dos senhores,
25/07/2000, vigorou até abril de 2005. Não foram só três meses.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Não, mas o
senhor está falando do contrato da Linha F. Aquele lá é Linha F e o que o
senhor está lendo aqui é Linha A e C.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É? E da Linha F foram
três, quatro meses?
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Aquele lá é
Linha...
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quer dizer, três,
quatro meses, então...
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Sim, mas essa
operação do complemento de carga não era da Beta. Então, é o seguinte: a grande
vantagem que se tinha é que metade do avião era o complemento de carga e esse
complemento de carga não tinha participação nenhuma...
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois bem, mas no novo
contrato continuaria a ser, porque só mudou mais tarde o avião exclusivo.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Sim, isso sim.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Logo, quando o senhor
apresenta o preço de 290 mil era com complemento de carga.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Sim, sem
dúvida.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, se era com
complemento de carga os 290 mil, R$429.987,00, com
complemento de carga, era dinheiro a mais.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Excelência, deixa eu esclarecer uma
coisa: os 429 não tinha complemento de carga. O complemento de carga seria 429,
mais alguma coisa; os 290 seria 290, mais alguma coisa. Se eu praticasse 290,
mais o complemento de carga, seria um valor maior.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E 429, mais complemento de carga, é um valor maior.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Mas a linha não era minha. Eu não
poderia colocar carga numa linha que não era minha. Eu não ganhava sobre isso.
Eu só ganhava sobre a linha. Desculpa, só deixa eu insistir um pouquinho.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor ganhava 429 pela linha.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Pela linha.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o que lhe proibia de colocar carga a mais?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Porque a linha não era nossa.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, veja: na medida em que aquele que subcontrata
o senhor podia fazer, o senhor poderia fazer também.
O SR. MICHEL ABUD
ATIÊ JÚNIOR – Sim, mas não
era...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor não complementou carga nesse período? Se
nós fizermos uma auditoria...
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Eu não me recordo agora, Excelência.
Não recordo porque essa linha...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, o seu argumento é retórico. O senhor me
garante que nesse período não foi feito...
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não, não, não garanto.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, o seu raciocínio cai por terra.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não garanto, mas também posso dizer o
seguinte: não havia o desenvolvimento, porque para fazer o complemento de carga
há necessidade de se fazer um desenvolvimento de região. Você tem que colocar
distribuidores etc. e tal naquela região, e não havia esse desenvolvimento.
Então, pode ter tido carga, mas não relevante. Por isso que não posso dizer que
não teve. Pode ter tido, mas não relevante.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Acho que estou com uma dificuldade de entender
terrível, porque o senhor justifica todo o seu raciocínio dizendo que havia
complemento de carga. Quando eu lhe pergunto: Houve complemento? Se eu fizer
uma auditoria lá amanhã, porque vou mandar fazer, se tinha ou não tinha
complemento de carga, o senhor fala: “Não sei”. Então, esse argumento não
procede.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não, pode ter, mas não de forma
representativa, Excelência. Essa é a diferença. Se nós tivéssemos essa linha no
nosso nome, nós iríamos desenvolver...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Aí o senhor devolveria dinheiro.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não. O preço era diferente,
Excelência.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Desculpa a brincadeira. Está parecendo aquele carro
velho desconjuntado que as peças não batem, não fecham. O quebra-cabeça da
equação, da explicação, realmente não fecha. O senhor me desculpe, mas
realmente está difícil de entender tecnicamente isso.
A assessoria me informa aqui que a subcontratação da Beta
pela Skymaster iniciou-se em 26 de junho de 2001, quando da primeira
contratação da Skymaster pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, e
durou até dezembro de 2003.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não, isso não é verdade.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando foi que iniciou a subcontratação?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – A subcontratação iniciou com a
operação dos Correios, por volta do mês de abril de 2002, e não dezembro de
2003. Essa informação está equivocada.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Durou até dezembro de 2003.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não durou.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Durou até quando?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Até abril de 2002.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, foi de junho de 2001 a abril de 2002.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Exato.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não são só três meses. Olha aqui: preço da
Skymaster para as linhas A e C, de junho a dezembro de 2001, 314; e de dezembro
a 2001 a dezembro de 2002, 369. Muito tempo depois, o senhor entra com 290 e
disse, nesta Comissão, que era o preço justo. Percebe? Ou seja, o senhor operou
com um superfaturamento indiscutível, a menos que o senhor tenha uma explicação
técnica.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não, nós não operamos com os
Correios. Nós operamos em cooperação com a Skymaster, o que é diferente.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em cooperação com a Skymaster, onde,
indiscutivelmente, pelos seus custos e pelo seu preço justo há um
superfaturamento naquilo que o senhor recebia, um lucro muito acima dos 15%,
que é tido como ideal, segundo declaração do Dr. Ioannis. Ou seja, o Dr.
Ioannis, ao ser perguntado sobre a taxa de remuneração ideal, ele falou em
torno de 15%. Isso aqui está muito acima dos 15%. É isso que nós podemos chamar
de superfaturamento.
A partir de dezembro de 2003, a Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos não mais permitiu a subcontratação. Então, foi a partir
de dezembro de 2003 que não foi mais permitida a subcontratação, e as duas
empresas não puderam mais dividir os serviços de operação das linhas A e C.
A Beta operou a linha F desde meados de 2000 até abril de
2005. Será que elas continuam podendo operar em subcontratação até abril de
2005 ou houve algum termo aditivo ao longo do período de contratação restringindo
a subcontratação?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não houve nenhum...
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Nenhum.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Como funcionava com a aeronave auxiliar, o backup,
não tinha?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Depois que não houve mais essa cooperação, Excelência?
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – É, como é que fazia?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Nós tínhamos condições, nós adquirimos outras aeronaves e isso permitiu que
não precisássemos mais de outra companhia aérea para ter como backup.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não entendi. O senhor tinha outras
aeronaves?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sim, nós compramos...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando foram adquiridas essas
aeronaves?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, não sei precisar agora. Precisaria...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sabe, veja o que estou pensando,
ajude-me a pensar, estou pensando em voz alta: a impressão que tenho é que essa
subcontratação não era necessária, porque os senhores já tinham essas aeronaves
na época. A partir do momento em que passou a ser proibida, os senhores ficaram
normais. Essa subcontratação era uma divisão de mercado, um acordo. Os senhores
entravam juntos na licitação, acordados quanto ao preço, dividiam pela metade.
Cartel típico. Podiam perfeitamente operar sem a subcontratação, porque já
tinham os aparelhos necessários para isso, tanto que, quando cessa a
subcontratação, isso não inviabiliza a operação de ninguém. Estou enganado
nessa afirmação?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, para se ter uma idéia, é o seguinte: nós – não sei precisar
aqui o ano, talvez tenha sido 2001 –, embora tivesse um tratado de cooperação
com a Skymaster, nós tínhamos que socorrer por uma outra companhia aérea,
porque o nosso avião também quebrou.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual era?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
TCB. Nós operamos durante seis meses com uma outra companhia aérea porque
nós não tínhamos aviões disponíveis.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, a subcontratação, mesmo à época, era
dispensável. Os senhores poderiam trabalhar com uma outra companhia, como
normalmente se faz.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Poderia ser qualquer uma outra.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – E aí que chama a atenção os senhores terem feito um
contrato de subcontratação...
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Desde que a mesma aeronave.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) –... uma parceria, quatro dias antes da
licitação. Ou seja, é uma divisão de reserva de mercado, quatro dias antes de
uma licitação, quando o senhor poderia perfeitamente não ter feito isso e ter
operado com outra empresa, sem que necessitasse de um outro aparelho?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sim, sem dúvida nenhuma. Só que, evidentemente, ninguém vai deixar uma
aeronave em stand-by por um ano; vai querer operar e vai querer
realmente receber por isso.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Claro! Então, por isso, quando mais
tarde não se permite a subcontratação, isso não afeta em nada a empresa. Havia
outros mecanismos. O que causa espécie... olha que eu mexo há muito tempo com
licitação e nunca vi empresas colocarem no papel um acordo prévio e divisão do
dividendo do resultado de uma licitação, inclusive registrado em cartório. É a
primeira vez. Isso é justificado como uma questão operacional que era
impossível de ser suplantada. Mas o senhor mesmo mostra que era possível
superar essa questão operacional com a contratação de outras empresas; e, mais
tarde, quando isso é proibido, também com a situação da aquisição de aeronaves.
Ou seja, isso na verdade não era algo necessário para a operação, era um acordo
de partilha da licitação.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, veja só, Excelência, essa empresa que forneceu a aeronave não tinha o
número de pallets suficiente. Ela atendeu uma rota de Manaus e nunca a
rota dos Correios. Então, no Brasil, o que tinha de operação possível de fazer
com aviões compatíveis com a licitação, a única empresa possível de se fazer
isso era a Skymaster. Por essa razão foi feita com a Skymaster. A TCB tinha um
avião de pallets menor, limitado a... e não atendia às necessidades dos
Correios.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, quando precisou, o senhor usou?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Para Manaus–São Paulo, que era uma rota comercial e não rota dos Correios.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando foi que o senhor adquiriu os
aviões que lhe permitiram se libertar desse contrato de subcontratação?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Na verdade, houve um conjunto de aeronaves que não estavam aeronavegáveis
na empresa e a compra da aeronave. Foi a combinação dos dois.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando foi?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
As aeronaves foram colocadas, que eu me lembro, basicamente, diria assim,
em condições de aeronavegabilidade, em 2002.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Antes disso, não tinha?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não tinha.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, não há nenhum registro de vôo dessas
aeronaves?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Nenhum, nenhum, inclusive uma que o senhor pode anotar, BRI, ficou um ano e
pouco parada.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, elas estavam paradas?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Estava literalmente parada.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que era necessário para que elas
pudessem voar.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Fazer o check, fazer a manutenção.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, coisa simples?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, não é simples, Excelência.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não era necessário dar 50% para uma
outra empresa se o senhor tinha uma aeronave parada.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Ela ficou um ano parada, Excelência.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por quê?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Por problemas de manutenção.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Era só fazer a manutenção. E,
considerando que o senhor tinha um preço bem razoável, era fácil fazer essa
manutenção, como o senhor fez depois. Já tinha a aeronave, percebe?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, ficou um ano fazendo manutenção. Não é que o problema seja
resolvido...
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não eram essas aeronaves que eram
condição exigida para o senhor entrar na estação ?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não. Não eram essas.
O SR. PRESIDENTE (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não eram essas?
O
SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – Não, não
eram. As que eram necessárias foram entradas...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, ele falou de BRI. O que é BRI?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
BRI é a sigla de uma aeronave nossa. É o prefixo da aeronave.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – É o prefixo
da aeronave?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Isso.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que me causa espécie é que o senhor prefere
dar 50% do seu contrato para um concorrente ao invés de fazer a manutenção de
um aparelho que o senhor tem.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
É pelas multas, Excelência. As multas que tem o contrato do Correio, a multa
que se tem no Correio é equivalente ao não cumprimento da rota. Então, a
remuneração do Correio é o valor que temos que pagar se não for feita a linha.
Então, é um valor absurdo. Temos que pagar para trabalhar. Então, se não
tiver...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Essa agora eu não entendi, de novo.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Se o valor da linha é 200...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor entra em uma licitação, o senhor faz
o preço, diz que o preço justo era esse, aí o senhor tem um avião parado,
prefere dar 50% para o concorrente que disputou a licitação com o senhor,
porque o senhor teria prejuízo se operasse o contrato sozinho que o senhor
ganhou no preço?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Não, se não houvesse um backup, e uma aeronave quebrasse, nós teríamos
como multa o valor da linha diária...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas o senhor tinha o backup parado no
seu hangar.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Mas o tempo de manutenção dessa aeronave, pelo estágio em que ela estava, era
um ano. Esse é o problema.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, depois, o senhor fez isso quando foi
necessário.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Quando foi feito isso, nós exatamente terminamos o contrato de colaboração.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em 2002 era um ano, mas em 2001 não era.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, eu mencionei no início que a empresa passava por dificuldades
financeiras; como eu disse, não tinha também recursos para fazer a manutenção
daquela aeronave.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Para fazer a manutenção do avião. Mas isso
era em 1999. Passaram dois anos.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sim.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A partir daí a empresa começou a operar, já
estava com saúde financeira. Ou seja, tinha condições de fazer uma mera
manutenção de um aparelho.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Excelência, é fácil de comprovar isso. Essa aeronave ficou parada um ano, com
certeza absoluta.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Que ela ficou parada um ano, não tenho
dúvida, até porque era mais barato talvez para o senhor não mantê-la voando já
que não tinha serviço, já que o senhor tinha partilhado o serviço dos Correios
com uma outra empresa antes da licitação, licitação que o senhor disputou junto
com ela.
É
estranho que tenham feito um contrato quatro dias antes de uma licitação,
disputaram a licitação dividindo: quem ganhasse ficava com 50%. Ou seja, houve
um acordo prévio à licitação de que qualquer uma das duas que ganhasse – e só
uma das duas podia ganhar, pelas especificações do edital – ficaria com 50%. Ou
seja, houve um acordo: “vamos planejar o preço para não nos matarmos”. Aliás,
essa é uma prática que infelizmente existe. É que eu nunca vi colocada no
papel, é a primeira vez. Eu falo o seguinte: “quem ganhar fica com 50%”; mas,
como havia uma desconfiança, resolveram colocar no papel isso, porque não há
nenhuma justificativa para duas empresas concorrentes, havendo um avião parado,
em condições, fazerem um acordo de partilha de 50% dos serviços de uma
contratação que vão disputar.
O
senhor me dizer que não combinaram o preço de comum acordo, me parece algo
que... Eu concordo que aquela senhora já faleceu, a Velhinha de Taubaté, mas
ela teria dificuldade, ela própria, em acreditar. Perdoe-me a brincadeira, mas
é difícil acreditar nisso.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Mas isso que o Sr. Antônio Augusto colocou é, tecnicamente, Excelência, isso
está previsto em lei pelo que sei, subcontratação. Isso foi enviado aos
Correios, que tinha conhecimento, porque, muito mais do que simplesmente fazer
um contrato desse, ele foi encaminhado aos Correios, pelo que sei, porque
nenhum agente do aeroporto vai colocar a carga do Correio em uma aeronave que
não é aquela que ganhou a licitação. Então, o Correio tinha conhecimento disso
também. Então, não foi um contrato...
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tinha conhecimento do acordo prévio?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Sim, ele teve...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem tinha conhecimento desse acordo prévio?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Eu sei que foi enviado para os Correios...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Formalmente? Quem recebeu?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Eu não sei precisar...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor tem condições de nos informar
previamente o protocolo de quem recebeu isso?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Eu não sei dizer; mas, na época...
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Na empresa tem esse registro de quem recebeu?
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR –
Eu preciso dar uma olhada.
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, peço ao senhor que, por gentileza,
forneça a esta Comissão Parlamentar de Inquérito a cópia de quem recebeu esse
pacto pré-nupcial entre os dois concorrentes da empresa que iriam disputar a
licitação quatro dias depois, porque queremos saber qual foi a autoridade que
foi ciente desse pacto e assim mesmo silenciou diante daquilo que acontecia.
O SR. MICHEL ABUD ATIÊ JÚNIOR – O.k.!
O SR. PRESIDENTE
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Deputado Arnaldo Faria de Sá, mais alguma
questão?
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Nada mais,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não
havendo mais inscritos, agradeço imensamente a presença de V.Sª e do Dr.
Advogado pela paciência com que agüentaram a argüição nesta tarde. Estão
dispensados.
Suspendo a reunião por cinco minutos, para que possamos
ouvir o próximo depoente.
(Suspende-se a reunião às 18 horas e 30 minutos.)
(Reabre-se a reunião às 18 horas e 35 minutos.)
O SR. PRESIDENTE –
Declaro reaberta a presente reunião.
Passaremos, então, para a última oitiva desta Subcomissão de
Licitação e Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada
através do Requerimento nº 3, de 2005, para investigar as causas e
conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos
nos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Prestará agora seu depoimento o Dr. Antônio Augusto
Conceição Morato Leite Filho. Esclareço aos Srs. Deputados e Deputadas e aos
Srs. Senadores e Senadoras que o Sr. Antônio Augusto Conceição Morato Leite
Filho depõe na condição de testemunha e já assinou o termo de compromisso, na
forma do art. 203 do Código de Processo Penal Brasileiro.
Agradeço a presença do ilustre depoente, que se faz, nesta
oportunidade, acompanhar pelo Advogado Dr. Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari.
Concedo a palavra ao Relator designado, Deputado Arnaldo
Faria de Sá.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr. Antônio, o senhor é sócio da Beta?
O SR. ANTÔNIO AUGUSTO CONCEIÇAO MORATO
LEITE FILHO – Se eu tiver um segundinho. Meu
nome é Antônio Augusto, sou da atividade de logística. Minha atividade
principal é no Amazonas. Há 32 anos estou no transporte. E, desde 1986, atendo
o Amazonas no transporte de seus produtos, na área de logística.
Para lhe responder a pergunta, Deputado, rapidamente vou lhe
dizer que a primeira empresa que foi criada no Amazonas foi a Promodal, que é
uma agência de carga aérea devidamente constituída, que é um serviço auxiliar
da aviação civil, onde nós fomos atendidos por várias empresas, como a Beta –
desculpe, a Beta foi depois –, a Varig, inicialmente, a Transbrasil e a Vasp,
isso em 1986 até o ano de 1999, onde criamos a Tecnocargo. Em 1986, iniciamos
com a Promodal. Só perdi um pouquinho o fio da meada das datas. O senhor me
perdoe, Sr. Deputado, Excelência. E criamos uma outra empresa para atender a
Amazônia, que é do seu transporte normativo, que foi a Tecnocargo, uma empresa
de transporte rodofluvial, em 19... agora vou falar a data certa, 1991. É o
transporte por carretas, por balsa; e, depois, Belém, e de Belém até São Paulo
por rodovia.
Muito bem! Chegamos até a data de 1995, para responder a
pergunta do Deputado. Em 1995, já tínhamos 1.200 carretas, foi quando assinamos
um contrato com uma empresa, então a maior indústrias de televisores da
Amazônia, que era a Sharp. Adquirimos a Sharp Transportes, na época, e,
portanto, ficamos com uma frota muito grande.
Então, a nossa principal atividade, na época, já em
logística, era o transporte rodofluvial. E a Promodal, que foi o nascimento da
nossa empresa, porque eu já havia trabalhado 13 anos em uma outra empresa de
transporte. Em 1995, então, já estávamos com essa frota, atendendo quase todas
as indústrias do Amazonas. O Amazonas, aqueles que conhecem sabem que existe o
pólo industrial, e o pólo industrial do Amazonas hoje fatura... o PIB do
Amazonas é em torno de US$13 bilhões, e mais para o mercado interno.
Então,
há necessidade, por não haver acesso rodoviário, que é uma das brigas – no bom
sentido – que luto, uma das lutas que tenho para que chegue uma rodovia até o
Amazonas. Não falo politicamente, falo a nível de logística. E, em 1995, então,
tivemos um problema também na aviação, que foi o desinteresse das companhias aéreas – naquela
oportunidade, a Varig, a Vasp e a Transbrasil – em trazer mais cargueiros,
Deputado, para o Brasil. E, nessa época, o Sr. Ioannis, um grande amigo, um bom
amigo meu, que eu sei que ele já esteve aqui, ele trabalhava na Vasp e, por uma
fusão de interesses, vamos dizer assim, criou-se a Beta, para atender o mercado
de Manaus. Então, em 95, ela foi criada, com um Boeing 707, para atender o
mercado de Manaus. Para que os senhores tenham uma idéia, Manaus tem uma
freqüência de, mais ou menos, três, quatro vôos, depende da época, da
sazonalidade dele, de três a quatro vôos/dia, vôos cargueiros.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O senhor... O que é a Costa
Sol? |