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O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Havendo número
regimental, declaro aberta a 9ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito criada através do Requerimento 3, de 2005, para investigar as causas
e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos
dos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
As das reuniões anteriores,
7ª e 8ª, encontram-se sobre a mesa. Coloco-as em votação, propondo,
naturalmente, a dispensa de sua leitura.
As Srªs e os Srs. Senadores
que a aprovam queiram permanecer sentados. (Pausa.)
Aprovada.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esclareço que a pauta
desta reunião destina-se às oitivas dos Srs. José Fortuna, Casser Bittar –
Casser Bittar acaba de encaminhar um ofício dizendo que não se encontra durante
esta semana. Vou requisitar à Polícia Federal que cheque as informações para
ver se ele está ou não está em viagem, como argumenta no seu requerimento. Vou
requerer à Polícia Federal que faça checagem exatamente na manhã de hoje ainda.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Só um minuto, eu estou
com a palavra.
Vamos ouvir o Sr. José
Fortuna, Jairo Martins de Souza e Edgar Lange.
Consultando o Relator, ele
nos informa que seria de bom alvitre ouvir primeiro o Sr. Jairo Martins de
Souza.
Consulto primeiro o Plenário
se concorda com o Relator. (Pausa.)
Estou fazendo primeiro uma
consulta, depois vou conceder...
Pela ordem, o Deputado
Eduardo Paes, que se inscreveu em primeiro lugar.
Depois o Deputado Antonio
Carlos Magalhães Neto e depois o Senador César Borges. Após, a Líder Ideli
Salvatti, depois o Senador Alvaro Dias.
Com a palavra o Deputado
Eduardo Paes, sobre o assunto. Estou fazendo uma indagação e quero que se
limitem ao assunto.
Com a palavra o Deputado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, cumprindo o que V. Exª me pede, vou me
referir a esse assunto, mas eu pediria a V. Exª, então, que já me inscrevesse
quando for tratar de outros assuntos, porque eu gostaria de fazer algumas
considerações aqui...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Pois não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – ... e espero que os companheiros que
venham depois de mim se limitem também a esse tema.
Não vejo o menor problema na
ordem a ser definida pelo Relator, acho que o Relator tem aí a responsabilidade
maior do que todos nós de compilar todos os trabalhos, enfim, de desenvolver
seu relatório, portanto, não vejo o menor problema em relação à questão do
Relator.
Agora, Sr. Presidente, eu
queria ter a oportunidade de fazer um apelo a V. Exª.
Esta Comissão Parlamentar de
Inquérito vem trabalhando – acho que está claro para todos – com o máximo de
seriedade e equilíbrio, tanto os Deputados e Senadores da Oposição como os
Deputados e Senadores da Base do Governo. O que eu queria, Senador Romeu Tuma,
é chamar a atenção do Presidente. É que, na semana passada, a Oposição fez uma
proposta para deliberarmos sobre uma série de requerimentos pendentes ainda e
que não haviam sido deliberados, inclusive alguns requerimentos que o próprio
Relator sentia necessidade de ver aprovados.
Senadora Ideli Salvatti, eu
acho que ninguém vai contestar aqui a posição do Deputado Osmar Serraglio, do
Relator, na ordem que ele quiser colocar, acho que todos concordamos.
O que eu quero chamar a
atenção, Sr. Presidente – e as pessoas não vão pedir a palavra para concordar
ou discordar do Relator porque irão concordar – é que me parece que, em
razão... Nós já vínhamos chamando a atenção, nós da Oposição, em relação à
necessidade de aprovação dos requerimentos que estavam pendentes desde a semana
passada. Numa negociação com o Partido dos Trabalhadores, com a Base do
Governo, nós, a duras penas, conseguimos aprovar a quebra de sigilo do Sr.
Marcos Valério e suas empresas. Perfeito.
Mas, Sr. Presidente, os
fatos, os episódios que surgem a cada momento, e por isso esta Comissão
Parlamentar de Inquérito, eu concordo com a Senadora Ideli, não deveria se ater
aos episódios que vão surgindo, por isso talvez nós tivéssemos que estar nos
antecipando às coisas que surgem, e por isso nós já queríamos ter votado alguns
requerimentos na semana passada, nós precisamos avançar. Nós temos hoje a
oitiva desses arapongas, enfim, daqueles que estão envolvidos com a gravação da
fita, e temos no dia de amanhã o Sr. Marcos Valério e sua secretária.
Certamente, uma audiência pública que será muito concorrida e que durará muitas
horas. O apelo que faço a V. Exª é de que seria importante, necessário,
importante para a opinião pública que está nos assistindo neste momento, para a
população que quer a apuração dos fatos, que esta Comissão possa deliberar
sobre os diversos requerimentos que existem dependentes. Mais claramente, Sr.
Presidente, nós entendemos que deveria ser deliberado, agora na parte da manhã,
antes até de iniciarmos a oitiva ou então que V. Exª defina o horário no começo
da tarde, para que nós possamos deliberar. Nós desejamos, sim, Sr. Presidente,
marcar aqui, convocar e marcar a vinda do Sr. Delúbio Soares, do Sr. Sílvio
Pereira, do Presidente do Partido dos Trabalhadores, Sr. José Genoíno.
Desejamos, sim, avançar na quebra de sigilo fiscal, bancário, telefônico do Sr.
Delúbio Soares, do Sr. Sílvio Pereira, do Partido dos Trabalhadores. Portanto,
são todas essas medidas importantes que têm relação direta com as investigações
desta CPMI, não se trata de movimento político, de demagogia ou de...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª conclua, por
favor.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Já estou concluindo.
Ou de partidarização desta
Comissão Parlamentar de Inquérito. Mas é fundamental que V. Exª, Senador
Maguito, tome a decisão de, ou deliberamos neste exato momento sobre alguns
desses requerimentos ou que V. Exª defina um horário, no início da tarde, logo
depois do almoço, para que nós possamos deliberar. Nossa preferência é que nós
pudéssemos deliberar aprovando esses requerimentos e marcando a data de oitiva
dessas figuras que estão envolvidas até o fundo com os episódios desta CPMI,
Sr. Presidente.
Agradeço sua paciência.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.
Com a palavra o Deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES (PFL – BA) – Sr.
Presidente, diante do habilidoso desrespeito do Deputado Eduardo Paes, eu
gostaria de sugerir a V. Exª que, até para que não haja uma reinscrição, nós
possamos, em poucos segundos, expressar de forma completa as nossas impressões
e oferecer as nossas sugestões.
Primeiro, com relação à
proposta do Deputado Osmar Serraglio, eu quero concordar com ela, porém,
fazendo uma ressalva: é necessário que, a cada mudança de ordem daquilo que
está previsto na pauta da nossa reunião, haja, como V. Exª fez, a possibilidade
de que o Plenário decida. Então, há uma pauta preestabelecida onde há exposição
da ordem de oitivas. Qualquer alteração nessa ordem, é preciso que haja uma
deliberação do Plenário como democraticamente como V. Exª fez. Então, eu quero
concordar com o Relator.
E aproveitando, Sr.
Presidente, eu gostaria de fazer uma sugestão objetiva a V. Exª, para não tomar
muito do tempo da Comissão. Eu entendo que nós podemos começar a nossa reunião
hoje ouvindo os senhores convocados, os senhores depoentes, nós podemos
adiantar os nossos trabalhos, e V. Exª poderia acertar um horário no dia de
hoje, para que nós votássemos os requerimentos que estão pendentes. Eu tenho
certeza que, se V. Exª acertar um horário garantindo que os requerimentos serão
deliberados ainda no dia de hoje, não haverá nenhum prejuízo para o
funcionamento da Comissão, para a oitiva dos depoentes e para o atendimento
daquilo que é pleito das Oposições, que é a possibilidade de nós discutirmos os
requerimentos ainda no dia de hoje. De fato, a reunião de amanhã será muito
mais concorrida. Nós vamos ouvir o Sr. Marcos Valério, que é a figura central
de todo este episódio. Nós não podemos confundir deliberação de requerimentos
com audiência do Sr. Marcos Valério, nós temos que aproveitar o dia de hoje,
nem que isso se faça pela noite. Agora, o que eu queria de V. Exª e do Relator,
Deputado Osmar Serraglio, é uma garantia de que, seja a hora que for, hoje, nós
iremos deliberar sobre os requerimentos, de tal forma que nós possamos começar
imediatamente a ouvir os depoentes e, no momento oportuno, definido por V. Exª,
com a concordância do Relator, as Oposições vão apresentar as suas sugestões a
partir da votação dos requerimentos.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª a
sugestão e concedo a palavra ao Senador César Borges, logo em seguida, a
Senadora Ideli Salvatti. Senador.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srs....
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Gostaria de alertar a
todos que vou cumprir, que a Mesa vai cumprir rigorosamente o que está pautado
para hoje. Não adianta querer atropelar os fatos que não vamos. E quanto mais
falarem, mais tempo vai sendo consumido, e menos possibilidade de outras
definições para hoje. Isso quero alertar. Não vou fugir da pauta. Quanto mais
demorarmos, vou ter paciência. Já falaram dois oradores sobre o mesmo assunto.
Podem falar todos sobre o mesmo assunto, mas vou seguir rigorosamente a pauta.
Se houver tempo, vou discutir outras questões. Se não houve, paciência.
Com a palavra o Senador
César Borges.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, quero fazer um apelo a
V. Exª para que prevaleça o bom senso. Acho que estamos aqui discutindo de
forma parlamentar, de forma democrática. Não podemos simplesmente dizer: temos
aqui uma pauta, porque antes da pauta vêm os interesses da Comissão. E esta
Comissão tem sempre deliberado antes de iniciar as oitivas com relação aos
requerimentos.
Na primeira reunião, Sr.
Presidente, desta Comissão, nos início dos trabalhos, o Presidente Delcídio
Amaral disse muito claramente que não haveria sobrestamento de requerimentos. O
requerimento é um instrumento do Parlamentar, que ele pode apresentar a
qualquer momento e tem que ser deliberado de imediato.
O requerimento tem que ser
deliberado de imediato. Já estamos na 9ª reunião desta Comissão, na terceira
semana dos trabalhos. E temos requerimentos aqui, como o de nº 5, foi o quinto
a ser apresentado, que não foi sequer apreciado. Portanto, isso é fundamental.
Estamos aqui hoje para ouvir alguns membros da Abin – é que não sou muito
familiarizado com os serviços secretos, com arapongagem, estamos aqui na
grampolândia –, quando na verdade o Requerimento nº 5, do Deputado Carlos
Sampaio, requer o depoimento do General Jorge Armando Félix. O nº 6, também do
Deputado Carlos Sampaio, convoca o Sr. Mauro de Lima e Silva. E quem são? É o
Ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e
outro, Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Então, vamos
ouvir ainda o contínuo da Abin, o
investigador da Abin, quem fez o grampo pela Abin, quando já deveríamos estar
ouvindo as autoridades que determinaram efetivamente para que eles pudessem
fazer aquela ação. E não estamos deliberando sobre os requerimentos, Sr.
Presidente.
Então, a palavra do Senador
Delcídio Amaral não está sendo cumprida. Está havendo sobrestamento da
aprovação ou pelo menos para que seja...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Quero fazer uma
indagação a V. Exªs: essa pauta foi ou não aprovada por esta Comissão?
A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT - SC) – Foi.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Então, ela vai ser
cumprida primeiro. Não estou cometendo nenhuma arbitrariedade. Estou querendo
cumprir o que foi deliberado por esta Comissão. Agora, V. Exªs estão querendo
discutir outros assuntos, e não vou antes de concluir.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Acho até um
desrespeito, chamar os depoentes, eles estão aqui, e não ouvi-los. Vou
ouvi-los.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, já que V. Exª está
presidindo, requerer exatamente as fitas, nas quais o Presidente Delcídio
sempre se comprometeu que todo início de semana, teríamos apreciação dos
requerimentos. Seria feita uma seleção dos requerimentos que deveriam ser
votados, e, havendo consenso, seriam aprovados em bloco. E caso não houvesse
consenso, seria submetido à votação. O que não podemos é chegar ao final dos
trabalhos desta Comissão, e requerimentos que foram apresentados no início não
sejam submetidos à votação, Sr. Presidente.
Então, é isso que me parece
que a direção da Comissão está querendo levar avante. Então, estão muito bem
assentadas aqui as posições dos que me antecederam, pedindo a V. Exª, que
dirige os trabalhos, que fixe pelo menos o momento que vamos fazer a apreciação
dos requerimentos que aqui se encontram. Se é hoje à tarde, se é hoje à noite,
tem que ser hoje, porque tem sido a praxe desta Comissão, assumida pelo
Presidente, que, sempre às terças-feiras, faríamos a apreciação desses
requerimentos. É esse o apelo que faço a V. Exª, peremptoriamente, porque,
senão, a direção dos trabalhos está cerceando aqui um instrumento legítimo dos
Parlamentares, que é ver o seu requerimento apreciado pelo Plenário da
Comissão.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a
Senadora Ideli Salvatti e, logo em seguida, o Senador Alvaro Dias.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Depois eu, Sr. Presidente.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, acho que V. Exª foi muito
claro. O que nos traz aqui hoje foi uma deliberação coletiva e unânime desta Comissão
quando marcamos o calendário das atividades da primeira e segunda semana de
julho. Marcamos esse calendário, inclusive, na lógica das investigações que
esta CPMI determinou, delimitou para trabalharmos. Portanto, acho que não
podemos repetir o episódio da semana passada, em que gastamos o tempo da oitiva
em discussões prolongadas que poderiam ter sido resolvidas se a determinação de
votação de requerimentos fosse precedida daquilo que toda deliberação tem que
ser precedida, que é de conversações entre as partes. Porque, depois que as
conversações entre as partes ocorreram, tivemos aqui uma reunião de deliberação
de requerimentos com muita tranqüilidade. Inclusive não houve nenhum
requerimento que não tivesse sido aprovado por todos nós. Agora, querermos
repetir, nesta semana, aquilo que foi feito de forma errada, no meu ponto de
vista, na semana passada não leva a nada. V. Exª tem que cumprir o que a
deliberação da Comissão fez, que é a oitiva. A oitiva dos três depoentes, até
para que não aconteça, como a própria Deputada Juíza Denise Frossard levantou,
esse absurdo de chamarmos as pessoas para prestar depoimentos e elas ficarem
aqui 12, 15 horas e depois serem, absolutamente, dispensadas.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Isso não vai acontecer,
Senadora Ideli Salvatti. Serão ouvidas.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quero que iniciemos os trabalho e, depois
de cumprida a agenda que deliberamos, por unanimidade, nesta Comissão, que
possamos deliberar sobre outros assuntos. A minha questão de ordem é seguir a
ordem, qual seja, ouvir os depoimentos e, depois disso, podemos fazer
complementos na nossa ação durante o dia.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço V. Exª. A
ordem será cumprida.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, Para uma questão de
ordem, art. 251.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Senador Alvaro Dias e,
posteriormente, a Senadora Heloísa Helena e...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) –
Questão de ordem, art. 251, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra V. Exª.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, o art. 251 do Senado
sinaliza claramente que temos que decidir em cima daquilo que foi proposto. A
circunstância que estamos defendendo é, primeiro, que se cumpra a pauta que foi
acordada e, segundo, precisamos deliberar sobre requerimentos por conta de que
fatos novos ocorreram. Não há, Sr. Presidente, a mesma circunstância que
tínhamos na semana passada. Inúmeros requerimentos que estão hoje de posse do
Relator na Secretaria da nossa CPMI já estão superados pelos fatos. Estamos
querendo que esta CPMI cumpra com o seu papel, que é tomar a dianteira nas
investigações do Brasil. Esta CPMI não pode estar a reboque. Por essa razão que,
de maneira coerente e respeitosa, a Oposição está solicitando a V. Exª que
designe, Sr. Presidente, o horário, a hora do dia de hoje que vamos deliberar.
É apenas isso. V. Exª designa às 14h30, 15h, 16h e vamos deliberar.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado.
Agradeço.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, o horário é o final dos
trabalhos...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu vou decidir. Estou
ouvindo pacientemente e vou decidir.
Com a palavra o Senador
Alvaro Dias.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores,
a alegação de que há inúmeros requerimentos que devem ser votados e que a
votação dos mesmos tomaria muito o tempo das audiências públicas que
realizaremos hoje, já que serão três depoentes para ouvir. Isso leva-nos a
sugerir o seguinte: que se votem os requerimentos essenciais, que já foram,
inclusive, selecionados pela Oposição no dia de hoje, e que se convoque para
eliminar, com a deliberação de todos, os requerimentos apresentados, uma
reunião na quinta-feira, às nove da manhã. Porque há requerimentos mais
importantes sobre outros, é isso que eu
estou propondo. Hoje nós deliberaríamos sobre a agenda da próxima semana, a
complementação da agenda da próxima semana, que seria marcar reunião na próxima
quinta-feira, para ouvir Delúbio Soares e Silvio Pereira, e na terça da outra
semana, para ouvir José Dirceu e José Genoíno. Essa seria a proposta da
Oposição.
E deliberaríamos hoje sobre
a quebra de sigilo bancário do Sr. Delúbio Soares e do Silvio Pereira.
Deliberaríamos sobre a quebra do sigilo bancário. Apenas esses requerimentos
seriam votados no dia de hoje. Nós poderíamos votar rapidamente, desde que a
Bancada da Situação concorde com essas providências. Os demais deveriam, a meu
ver, e esta é a proposta que faço, serem colocados em deliberação na próxima
quinta-feira às nove horas da manhã. Porque são requerimentos que solicitam
providências administrativas, informações. São inadiáveis, porque são
requerimentos que demandam algum tempo para o seu atendimento. Por exemplo, eu
estou solicitando que se requeira do Banco Central cópias de todos os contratos
nos quais constam o nome do Sr. Marcos Valério na qualidade de avalista, fiador
ou devedor solidário. É claro que nós não receberemos no dia seguinte.
Portanto, a deliberação sobre requerimentos dessa natureza é urgente. Daí essa
sugestão.
Sei que temos aí certamente
mais de duzentos requerimentos propostos que não foram deliberados. Então, há
necessidade realmente de uma reunião exclusivamente para a deliberação desses
requerimentos. Quanto a essa agenda proposta pela Oposição para a próxima
semana, ela diz respeito aos fatos. Os fatos devem orientar o calendário da
CPMI. Nós não podemos ficar a reboque dos fatos e distanciados deles. Nós temos
de acompanhar a evolução dos fatos no dia-a-dia dos acontecimentos. CPMI é
isto, para propor transparência e elucidar dúvidas não só dos integrantes que
aqui estão coma tarefa da investigação, mas da própria sociedade que tem o direito
de acompanhar esses acontecimentos.
A outra questão, Sr.
Presidente, eu sei que eu não deveria dirigir especificamente a V. Exª e sim ao
Presidente Delcídio. Mas como S. Exª está ausente, por intermédio de V. Exª, eu
faço mais uma vez esse apelo. Nós requeremos, as Lideranças da Oposição
requereram, desde o início, o credenciamento de dois assessores para que
pudessem nos auxiliar, com acesso facilitado à documentação que chega à
Secretaria da CPMI. Só ontem, eu liguei três, quatro, cinco vezes para a Secretaria
na busca de informações.
Então, eu vejo o nosso
trabalho comprometido em função da dificuldade que estamos tendo de acessar
informações junto à Secretaria. Isso porque nós estamos vivendo um fato novo em
CPMI, que é a composição da Mesa Diretora apenas de um lado, e não com a essa
alternância de situação e Oposição, entre Relatoria e Presidência. Daí a
necessidade do credenciamento dessa assessoria, para que a Oposição possa ter
esta orientação em razão da documentação que chega, das informações que chegam.
Nós estamos tendo o nosso trabalho comprometido. Nós não podemos ser eficientes
dessa forma.
Por isso, Sr. Presidente,
faço esse apelo a V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a
Senadora Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, eu sei que V. Exª -
pode deixar todos conversarem. Eu não me incomodo - está fazendo um esforço
grande, bem como o Presidente e o Relator para compatibilizar as divergências
gigantescas que existem aqui. Eu continuo fazendo o mesmo apelo que eu fiz
anteriormente. Algumas pessoas usam determinadas palavras, como racionalidade
lógica das investigações, e, depois, tudo isso é jogado na lata do lixo, quando
significa a proteção ou não de determinadas personalidades políticas. Por isso,
é que eu sou contra. Arrependo-me de ter participado algumas vezes das tais
conversações entre as partes para decidir o que vai ser aprovado ou não com
relação a requerimentos. Quando se diz conversação entre as partes, ou seja, em
quem é Governo e em quem é Oposição, já passa para a opinião pública, Juíza
Denise, como se fosse um grande acordo. Porque se é um procedimento
investigatório, qual a necessidade de haver conversação entre as partes para
ver qual requerimento será aprovado, para ver quem irá ter quebra de sigilo
bancário, fiscal e telefônico ou quem vem ouvir? Tem que ser aqui. Se é pela
lógica das investigações, se é pela racionalidade do procedimento
investigatório, teríamos que, objetivamente, já esta semana, trazer o Senhor
Delúbio, o Senhor Sílvio Pereira, o Ministro José Dirceu e todos aqueles que
foram aqui citados e não estão nem tendo a oportunidade de se defender, de
dizer o contrário ou de participar de um depoimento aqui.
Não estou propondo nenhuma
alteração do procedimento, penso que é essencial que possamos nos reunir também
às quintas-feiras. Todos estamos exaustos, algumas pessoas vêm aqui, falam e
vão embora descansar, outros estão ficando aqui até uma, duas horas da manhã,
até o horário que seja necessário, portanto penso ser essencial que possamos
introduzir a quinta-feira no calendário que foi proposto, para que possamos
auxiliar e agilizar o procedimento de investigação. É essencial que sejam
votados determinados requerimentos, porque não tenho nada contra o jornalismo
investigativo, considero essencial, uma vez que auxilia, não com denúncias, mas
com indícios relevantes de crimes contra a Administração Pública. Mas é
inadmissível que tenhamos acesso a alguns dados pela imprensa quando existem
requerimentos que estão engavetados aqui e que não está havendo a necessária
agilidade em ter esses requerimentos. Não é possível que não tenhamos os dados
do Coaf, em relação ao Banco do Brasil ou Banco Rural. É inadmissível que não
tenhamos os documentos relacionados ao processo de instrução de licitações
fraudadas, de contratos que foram executados fraudados, de aditivos fraudados.
Isso não é possível. Portanto, o apelo que faço é no sentido de agilizar as
diligências necessárias para que esses documentos cheguem e sejam disponibilizados.
Não podemos aceitar o que aparece em um jornal , em qualquer que seja: “O
documento chegou, está na CPMI”. Aí vem
aqui o Deputado e o Senador, querem o documento e não tem, porque diz que tem
que passar por uma peneira de não sei quem para este documento chegar. Não
vamos aceitar isso. Que o Relator possa analisar os dados é absolutamente
necessário, mas que todos os Senadores
tenham direito a acesso imediato aos dados. Se o Senador ou o Deputado quebra o
sigilo, divulga algo que é sigiloso, ele que seja responsabilizado. Mas é
inadmissível que passe por peneira, que os documentos não venham e que nós
estejamos aqui fazendo de conta que estamos analisando. Não vamos aceitar as
peneiras do Governo, porque se demora a chegar aqui é uma outra coisa, não
podemos aceitar. De repente, vão sumir as Atas das reuniões, as notas jurídicas
que o setor jurídico dos Correios deu contra aquela contratação com a empresa
do Senhor Marcos Valério, e veio uma ordem de não sei onde para que isso fosse
feito.
É o apelo que faço para que
as diligências sejam agilizadas e que tenhamos os dados que são necessários
para fazer um bom trabalho da CPMI, como manda a lei, como manda a nossa
obrigação constitucional e como quer, apela e exige a grande maioria do povo
brasileiro que acompanha os trabalhos desta Comissão. Portanto, o apelo é no
sentido de que V. Exª convoque uma reunião para que possamos analisar todos os
requerimentos que são colocados, analisar objetivamente quais os dados que não
chegaram ainda, por que esses documentos não chegaram ainda e de quem é a
responsabilidade desses documentos não serem disponibilizados. Esse é o apelo
que faço a V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, apenas
para informar a nobre Senadora, depois percebi, pelo prosseguimento da sua
manifestação de que estaria dizendo que a peneira seria para chegar, é que, num
primeiro momento, eu havia entendido que estava dizendo que nós, da Comissão,
estaríamos procedendo, já percebi que não.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Não, porque, se tiver, é mais
preocupante ainda.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, já percebi que
não, porque nós temos absolutamente nenhum documento que nós não tenhamos
franqueado. Só isso.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, art. 255. Questão de ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Pois não, com a
palavra V. Exª.
Já temos uma hora de atraso
dos depoimentos e vamos passar o dia inteiro aqui ouvindo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Isso não faz mal, Presidente, isso nos
ajuda.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Minha preocupação é com os depoentes.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvi-los
pacientemente
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, o art. 255 do Regimento do
Senado reforça de maneira consistente no seu Inc. III, que diz que a votação
dos requerimentos, página 130, no Inc. III, do 255, combinado com o 92, que
disciplina sobre as Comissões, que deve ser a votação imediata nos
requerimentos não constantes nos Incisos I e II.
Nós não estamos solicitando
isso, Presidente. Nós estamos solicitando a V. Exª apenas que apraze para o dia
de hoje um horário para que nós possamos deliberar. E eu quero fazer uma
reclamação-sugestão: nós deliberamos na quinta-feira que nós precisávamos, para
que o Relator pudesse trabalhar, dos relatórios do Coaf referentes ao Banco
Rural, ao Banco do Brasil. Eu fui surpreendido, Sr. Presidente, sabendo que a
solicitação da nossa Comissão só chegou ao Coaf ontem. Eu gostaria de solicitar
a V. Exª que nós tivéssemos um processo mais expedito, porque, se tivesse
chegado na sexta-feira de manhã, como seria razoável, muito provavelmente nós
já teríamos esse relatório aqui. Ontem, foram divulgados números, inclusive em
órgãos de comunicação, e, por essa razão, vários órgãos de comunicação
procuraram Senadores e Deputados, na busca da confirmação desses números, Sr.
Relator, que não faz parte do mundo real, porque, na Comissão, não chegou
relatório nenhum do Coaf. Então, por essa razão, eu quero só chamar atenção: a
deliberação foi feita na quinta, a solicitação da nossa Comissão chegou ontem
ao Coaf, ela deveria ter chegado na sexta, porque seguramente já estaria
conosco.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Senador Ney Suassuna.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Nobre Presidente, eu queria fazer um
apelo a V. Exª que chamasse o primeiro depoente e que V. Exª marcasse para o
final da tarde...
O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Não é assim não, espera aí, de forma
nenhuma, não é assim, não.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Eu tenho o direito de falar como
qualquer um. Eu estou falando, por favor, respeite a minha palavra.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvir o Senador.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Então que V. Exª, é o meu apelo, estou
fazendo um apelo a V. Exª...
O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Mas tem outros Senadores...
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Mas V. Exª pede a palavra depois e fala.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Senador Efraim Morais,
eu concederei a palavra a V. Exª, logo após o Senador Ney Suassuna.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Então, a minha solicitação a V. Exª é
que, o mais rápido possível, chame o primeiro depoente e que marque hoje no
final da tarde uma reunião para a gente votar, porque não é possível, nós
estamos com uma hora de atraso.
Obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Senador Efraim Morais.
O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Bem, Sr. Presidente, a única coisa que
eu solicito de V. Exª é que seja encaminhado aos Srs. Parlamentares da Comissão
de CPMI dos Correios um relatório da parte do Secretário da Comissão do
encaminhamento dos requerimentos e das solicitações já aprovadas. É isso o que
nós desejamos, só isso, para que saibamos se há demora, qual o motivo. Se for
questão de pessoal, eu quero inclusive dizer ao pessoal da Comissão que, na
condição de 1º-Secretário da Casa, eu coloco à disposição mais pessoas, mais
assessores, para que se agilize essa questão.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Obrigado.
Com a palavra o Deputado
Arnaldo Faria de Sá.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu fui informado pela
Secretaria da Comissão que está sendo feita uma peneira dos requerimentos que
podem ou não ser apreciados. Eu acho que quem tem que fazer isso somos nós. O
que estamos fazendo nós aqui, Sr. Presidente? Eu acho que nós temos que decidir
aquilo que pode ou não pode ser votado, ninguém tem que peneira nada não. Daqui
a pouco, nossa CPMI vai ficar a reboque da imprensa, tudo o que nós queremos,
nós não temos, e a imprensa tem a todo dia e a todo momento.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Relator para responder V. Exª.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Presidente, pode...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, apenas para dizer que o
que nós temos é um encontro de entendimento estabelecendo quais os que seriam
postos, ninguém está fazendo peneira, passando por censura, por crivo nenhum. A
Secretaria da Comissão está informando que a Mesa está fazendo uma peneira.
O SR.
(Orador não identificado) – Bom, a Secretaria da
Comissão terá que fazer depois esses esclarecimentos à Presidência sobre pena
de nós também tomarmos providência porque que informação é essa que a
Secretaria da Comissão presta que nem o Presidente, nem os Secretários, nem o
Relator saibam? Obrigado, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela PMDB –
GO) – Com a palavra o senhor Senador Romeu Tuma.
O SR. ROMEU
TUMA (PFL
– SP) – Presidente, nós temos a
relação dos requerimentos já solicitados. É claro que há vários que são
repetitivos. Então, nesta análise, todo mundo aqui tem condição de votar.
Agora, eu tenho feito alguns requerimentos, que eu acho importante, de
diligência externa. Alguns órgãos se atrasam em remeter documentos importantes
à esta CPMI, dificultando-nos interrogar pessoas que vêm depor. Então, a
diligência externa, feita por um grupo de Parlamentares, acompanhada dos
assessores e, se precisar de ordem judicial, solicitar, terá uma rapidez muito
maior, Sr. Presidente. Eu acho que a polícia fez algumas diligências externas
que poderiam nos remeter. Mas muitas, ela
não fez ainda, como as de agências de publicidade, as de bancos do Coaf. Essas
diligências têm que nomear uma comissão externa para buscar in loco e,
imediatamente, analisar aquilo que é importante ou não, Sr. Presidente. Tem que
votar os requerimentos, porque todo dia se muda o perfil da investigação pelo
noticiário da imprensa.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Agradeço à V. Exª.
Com a palavra, o Deputado Jamil Murad.
O SR. JAMIL
MURAD (PCdoB
– SP) – Senador Maguito Vilela,
Presidente da nossa CPMI, é incrível como esta CPMI procura – alguns procuram
fazer isso – evitar que as coisas dos Correios sejam investigadas, protegendo o
Sr. Roberto Jefferson e sua turma. Aqui nós tivemos depoente que parou o seu
depoimento e não foi retomado. Aqui, nós tivemos a dispensa do genro do Sr.
Roberto Jefferson e ninguém falou mais nada. Tem depoente, como o Jairo
Martins, que já veio várias vezes, e eu vejo, Senadores e Deputados, aqui
argumentando que nós vamos tratar de outros assuntos e que não ouça esses que
fizeram a gravação, por que fizeram a gravação, a serviço do que fizeram a
gravação? Portanto, Sr. Presidente...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Eu quero ouvir o
Deputado. Todos foram ouvidos. É preciso que ele fale também.
O SR. JAMIL
MURAD (PCdoB
– SP) – ...eu estou falando para o público, para os
telespectadores. Eles que prestem bem atenção. Para aqueles que querem que haja
investigação.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Senador Heráclito, se
for necessário, eu darei a palavra à V. Exª em seguida.
O SR.
HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Só queria
avisar para ele que a televisão não está ligada.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Mas, assim como todos tiveram direito à palavra, o Deputado também
tem.
O SR. JAMIL
MURAD (PCdoB
– SP) – Pede para desligar quando V.
Exª estiver falando.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Conclua, Deputado.
O SR. JAMIL
MURAD (PCdoB
– SP) – Então, nós queríamos dizer o
seguinte: nós queremos investigar. E não é dispensando uns e evitando que
outros deponham, que estão aí na sala esperando, que nós vamos investigar. O
povo brasileiro tem que ficar atento para perceber esta sutileza que parece
elefante em loja de moça.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Vou cumprir,
rigorosamente, a agenda. Vamos ouvir o primeiro depoimento.
O SR.
(Orador não identificado) – Presidente, que horas vão
deliberar?
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Após ouvir os quatro que foram convidados...
O SR.
(Orador não identificado) – Três, porque um não...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Aí nós vamos decidir se faremos ou não uma reunião.
O SR.
(Orador não identificado) – Aí não, Sr. Presidente.
Incompreensível.
O SR.
(Orador não identificado) – Seu foco é a reunião, Senhor
Presidente.
O SR.
EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pela ordem,
Senhor Presidente, pela ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Eu não posso garantir. Temos
uma hora e dez minutos de atraso e eu não sei que horas que nós vamos terminar.
O que eu garanto, é dar uma seqüência dos trabalhos aqui.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Rapidamente, Sr. Presidente.
Entendo V. Exª. Creio que V. Exª tomou a decisão de que seguiremos a pauta da
reunião e que já há uma compreensão nesse sentido. Agora, V. Exª tem que
decidir, Sr. Presidente!
A reclamação que faço é
porque V. Exª decidiu que cumpriremos, seguiremos a pauta e ouviremos os três
que estão marcados para hoje – ótimo, maravilhoso –, mas V. Exª precisa já
decidir, neste momento, que depois da oitiva dessas testemunhas teremos uma
reunião para deliberar. Isso é fundamental, sob pena de estarmos aqui
aparentando para a opinião pública que não queremos deliberar. Entendo,
concordo com V. Exª de que podemos, sim, seguir a pauta para a qual esta reunião
foi convocada, vamos atender ao fim a que ela se destina, mas precisamos
deliberar, Sr. Presidente.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente Maguito...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, eu gostaria de concluir
o meu raciocínio.
Portanto, eu gostaria que V.
Exª decidisse: terminada a oitiva das testemunhas, esta Comissão deliberaria
sobre os requerimentos, Sr. Presidente. Isso é uma coisa óbvia! Não podemos ter
medo de deliberar sobre o requerimento.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nem que
seja feito à noite...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) –
V. Exª concluiu?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Conclui, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, a questão que levantei
quando falei é exatamente essa: vamos cumprir a agenda, vamos ouvir os três
depoimentos que estão marcados, de imediato, e, ao término dos depoimentos,
vamos deliberar sobre os requerimentos...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ainda hoje, Senadora?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ao término... Se terminarmos as duas
horas da manhã, será às duas da manhã. Se terminarmos...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ótimo.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Aí já não será mais hoje. Por isso não vou assumir
compromisso...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se a proposta da Senadora é uma
proposta oficial...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu nem terminei. Se o Deputado Antonio
Carlos Magalhães Neto tiver a gentileza e a delicadeza de me ouvir, posso até
terminar.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quero que a senhora seja bem clara.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Até porque nós também queremos aprovar
alguns requerimentos. Há também alguns fatos novos que nos interessam. Há, por
exemplo, a acareação do Roberto Jefferson com o Maurício Marinho...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – José Dirceu!
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...porque os dois já foram ouvidos.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvir a Senadora! Quando V. Exªs falam todo mundo
ouve. Não sei por que os três ficam interrompendo a Senadora. É complicado!
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Há uma prática nesta Comissão, Sr.
Presidente, que penso que, de uma vez por todas, temos que regulamentar, que é
o óbvio ululante: quando um está falando, os demais que tenham a paciência de
aguardar e, depois, inscrevam-se para falarem o que bem entenderem.
A nossa proposta é muito clara: ouvir os depoimentos;
e, assim que terminarem os depoimentos, vamos fazer reunião deliberativa dos
requerimentos. E volto a dizer que nós também temos requerimentos que
entendemos importantes para aprovar no dia de hoje, dos quais citei apenas
um...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Conclua, Senadora, por favor.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...o da acareação de Roberto Jefferson
com o Maurício Marinho, porque os depoimentos dessas duas figuras a CPMI já
ouviu e já descobriu que têm contradição. Então, é muito importante que esse
requerimento seja...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Questão de ordem, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Deputada Federal Juíza Denise Frossard.
A SRª JUÍZA
DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, caros Colegas, falo apenas a título de
colaboração. São posições igualmente respeitáveis. V. Exª tem que seguir a
pauta, os depoentes estão aí, é natural, e eu mesma já defendi que temos que
ouvi-los, por respeito às testemunhas. Talvez, Sr. Presidente, o que esteja
faltando dizer – o Senador Tuma veio falar comigo agora e S. Exª tem total
razão – é que teremos que fazer talvez algumas diligências, teremos que
examinar documentos, e haverá até fatos – que surgem, no calor dos
acontecimentos – que teremos que ouvir, como muito bem disseram aqui os Deputados
Eduardo Paes, ACM Neto e Onyx Lorenzoni. Desse modo, talvez poderíamos, Sr.
Presidente, guardar um dia para essas situações que surgem, sem – com toda a
justiça – alterar a pauta, que foi objeto de deliberação coletiva. Então, V.
Exª, não pode ser acusado, absolutamente, a Presidência, de nada, porque se
deliberou aqui, isso foi deliberado.
Então, poderíamos, Sr.
Presidente – e esta já é a sugestão –, deixar as quintas-feiras para esses
casos fortuitos ou de força maior, como esse aqui citado pelo Senador Tuma.
É apenas uma colaboração,
Sr. Presidente, que submeto à reflexão de V. Exª.
Obrigada.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Questão de ordem, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.
Com a palavra o Deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO
CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL –
BA) – Sr. Presidente, o art. 405 é muito claro ao estabelecer que a questão de
ordem será decidida pelo Presidente. O Deputado Onyx Lorenzoni levantou uma
questão de ordem com base no art. 255, III, que determina a imediata
deliberação sobre os requerimentos.
Nós aqui, Sr Presidente, a
fim de obter uma decisão da Mesa, fizemos uma sugestão que considerei ser
ponderada, equilibrada. Inclusive, fui um dos que verbalizou essa sugestão,
assim como o Deputado Eduardo Paes. Que V. Exª desse seguimento à oitiva dos
depoentes, mas que garantisse que ainda no dia de hoje, como horário
pré-estabelecido, que pode ser à noite, depois da Ordem do Dia do Senado, para
que não haja conflito com o Regimento... Depois da Ordem do Dia, com horário
pré-estabelecido nós nos reuniríamos para deliberar sobre os requerimentos.
A Oposição não quer insistir naquilo que prevê expressamente o art
255, III, desde que haja por parte da Mesa uma flexibilidade de nos dar
garantia de que os requerimentos serão deliberados ainda no dia de hoje.
Não se quer subverter a
ordem, não se quer aqui propor alteração naquilo que foi acordado. O que se
está querendo é que o Regimento seja cumprido, é que o debate democrático seja
travado e que, sobretudo, questões que são fundamentais, imprescindíveis sejam
deliberadas ainda no dia de hoje, como a decisão desta Comissão de convocar o
Sr. Sílvio Pereira, o Sr. Delúbio, o Sr. José Genoíno, o Sr. José Dirceu.
Se há por parte do Governo
receio de enfrentar esse debate, o Governo tem de assumir isso claramente.
Agora, nós só aceitaremos o não-cumprimento do art. 255, III, se a Mesa assumir
um compromisso expresso de que ainda no dia de hoje, com horário
pré-estabelecido, nós iremos deliberar sobre os requerimentos.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Deputado Maurício Rands.
O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Sr Presidente, estamos aqui há uma hora
e quinze minutos, todos se repetindo, alguns Deputados que querem fazer
proselitismo usaram a palavra duas vezes. Eu peço a V. Exª e aos brasileiros
que nos ouvem que avaliem: se nós queremos realmente investigar, deveríamos
desde o começo ter aceito o que V. Exª falou, que é ouvir os depoentes que já se
encontram aqui na sala ao lado e, ao invés de ficar fazendo proselitismo,
viabilizarmos que a pauta seja cumprida, que as oitivas sejam tomadas, para que
possamos avançar nas convocações.
Então, eu quero que V. Exª
observem: uma coisa é o discurso, outra coisa é a prática. Nós estamos aqui
desde o começo acatando a orientação de V. Exª para que comecem logo os
depoimentos, porque as pessoas convocadas estão aqui na sala ao lado, e o
Brasil todo quer que prossigam as investigações, como estamos querendo aqui.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Quero dizer que, após
a oitiva - já há uma pauta aprovada, e eu vou seguir rigorosamente o que está
aprovado - após as oitivas podemos decidir se vamos fazer uma reunião
administrativa, se vamos votar os requerimentos. Não há problema. Vamos
discutir e decidir. É isso o que acontecerá.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr Presidente, nós queremos uma
decisão, Sr Presidente. Não é depois da oitiva, Sr Presidente. O que estamos
queremos com todo respeito...
O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Ele acaba de decidir.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – ...usando o que o Regimento permite,
é que V. Exª diga “nós vamos decidir”. Agora, V. Exª está dizendo “nós vamos
ouvir, depois vamos discutir se vamos decidir. Aí V. Exª não está cumprindo o
que o Regimento determina, Sr Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Estou
cumprindo rigorosamente a pauta. A pauta é para ouvir quatro depoentes. Um não
compareceu, então, vamos ouvir três. Logo em seguida, vamos discutir. Se a
maioria entender que deva... Aqui não há quem esteja querendo encobrir nada ou
proteger... Nada disso. Aqui há quem queira investigar a verdade, quem quer
saber tudo dos fatos, quem quer celeridade. Tanto é assim que, quando eu presido
eu exijo celeridade. Não tenham dúvidas disso.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Nós todos
testemunhamos, Sr Presidente, a sua correção na conduta...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Se vocês quiserem
ultrapassar a madrugada, ir para a manhã discutindo e votando, não há problema
algum por parte da Mesa. Estou aqui para trabalhar. Se for preciso ficarmos
aqui ininterruptamente quatro dias eu topo como Presidente. Não há problema.
Agora, o que precisamos é
primeiro seguir a pauta. Vamos ouvir.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – V. Exª está se prendendo à pauta só que
o Regimento é superior à pauta. Nós aceitamos a argumentação de V. Exª desde
que, terminada a oitiva, nós iremos...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Por favor, leia o art. 108, parágrafo
único, do Regimento. Tenho que seguir a pauta. Não vou fugir da pauta.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – V. Exª tem que ler os arts. 255
e 91, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Podemos votar requerimentos, não há
problema algum.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Então, está combinado.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Mas, primeiro, vamos ouvir os depoimentos.
Eu disse isso desde o início.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Depois, vamos
votar. Ok.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Relator sugere que o primeiro depoente
seja o Jairo Martins de Souza. Indago do Plenário se há alguma dúvida, se pode
ser o Jairo Martins Souza o primeiro a depor? (Pausa.)
Aprovado por unanimidade.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sei que o tumulto às vezes fica muito
grande, mas não pode um Senador, um Parlamentar querer ter acesso ao som e
ficar impedido. Não quero fazer guerra regimental, porque há muito tempo que
estou tentando, e, de repente, ninguém consegue. Não vou fazer guerra
regimental. Sei fazer, sei usar artifícios. Disseram “o art. 108 diz”... O que
o art. 108 diz é que, com o mínimo da maioria dos membros, se inicia a reunião.
O artigo não está dizendo que a pauta dos trabalhos em caso de urgência...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – É o parágrafo único, por favor.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, a pauta será distribuída com
antecedência mínima de dois dias. Se não se distribui, não é problema de quem
entrega o requerimento, é porque não se distribuiu aos outros. Apelo a V. Exª
sobre o andamento dos trabalhos, porque, se for para fazer guerra de Regimento,
eu sei fazer; se for para inventar coisa no Regimento, eu sei fazer. Mas não
estou querendo fazer isso. Apenas quero deixar claro que é essencial que os
Parlamentares possam ter acesso ao som na hora em que desejarem, para tratar do
andamento dos trabalhos. O Presidente tem o direito de interromper aquilo que
não é regimental, mas tem que responder também a questões de ordem. Só quero
deixar isso absolutamente claro. Não vamos fazer marola regimental. Sei,
aprendi a fazer para enfrentar a tropa de choque do Fernando Henrique, sei
fazer para enfrentar a tropa de choque do Lula. Então, não quero entrar nessa
guerra de inventar artigo do Regimento. Só quero deixar isso registrado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado.
O Sr. Jairo Martins de Souza
requereu reunião secreta. Para que isso ocorra, é preciso que haja deliberação
do Plenário.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, gostaria de me opor à solicitação do Sr. Jairo. Ele alega que
estaria sendo ameaçado de morte e que, por isso, teria temores sobre as suas
declarações. Agora, entendo que o remédio necessário para qualquer um que
esteja ameaçado de morte é a segurança prestada pela Polícia Federal.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Deputado, ele requereu, e não quer dizer
que a reunião vai ser secreta. Estou colocando à deliberação do Plenário.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quero
encaminhar contrariamente ao requerimento dele, Sr. Presidente.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Tudo bem.
Ele tem o direito de
requerer.
Concedo a palavra, pela
ordem, ao Senador Alvaro Dias.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, embora ele tenha esse
direito, realmente é um direito que deve ser respeitado. Mas, neste caso, não
deve ser acolhido. Primeiro, imagino até que esta oitiva com arapongagem é
muito mais para investigação policial que para investigação política.
Particularmente, eu dispensaria esses depoimentos.
No entanto, é um fato
consumado. Esses requerimentos estão determinados para o dia de hoje. Eles
serão ouvidos. Mas trata-se de investigação política, e o objetivo da
investigação política é conferir transparência para mobilizar a opinião pública
na convocação das autoridades responsáveis, das autoridades que se encarregarão
da responsabilização civil e criminal de eventuais envolvidos em delitos. Esse
é o papel central de uma CPI.
Portanto, Sr. Presidente, se
fizermos uma reunião secreta, melhor seria não a realizar. A minha posição,
portanto, é a de que não devemos aceitar a solicitação do Sr. Jairo.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
O SR. JOSÉ EDUARDO
CARDOZO (PT – SP) – Sr. Presidente,
peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Senador
José Eduardo Cardozo e, logo em seguida, à Senadora Ideli Salvatti.
O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT
– SP) – Sr. Presidente, princípio que governa as investigações parlamentares é o
princípio da publicidade. Só em hipóteses excepcionalíssimas, como
particularmente informações que possam trazer prejuízo à investigação é que
devem ensejar uma reunião secreta. A proposta que faço a V. Exª e ao Plenário é
que nós iniciemos uma reunião pública. Se, no desenrolar do depoimento, ficar
claro que alguma informação a ser dada por ele puder trazer prejuízo para as
investigações, se reveladas de público, nós transformaríamos em reunião
secreta.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Senadora
Ideli Salvatti.
A SRª
IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, é sobre a questão do Deputado
José Eduardo. É exatamente aberta, e se houver necessidade...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Vamos
disciplinar os trabalhos.
A Srª
HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Sr. Presidente. É pela ordem
mesmo, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Vamos
disciplinar os trabalhos.
Eu só vou falar um minuto. Ele pediu e é um
direito dele. Mas o Plenário é que vai decidir. Sou obrigado a colocar em
votação. É isso que estou fazendo. O que o Plenário decidir será acatado.
O SR.
(Orador não identificado) – A
proposição do Deputado Eduardo Cardozo já pode ser colocada em votação, é a
mais equilibrada.
A Srª HELOISA
HELENA
(P-SOL – AL) – Sr. Presidente, pela ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Pela
ordem, com a palavra a Senadora Heloísa Helena.
A Srª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr.
Presidente, tudo o que enfoca o subjetivo acaba criando um problema para manter
a lógica e a racionalidade, termos muito utilizados e pouco viabilizados numa
investigação. Não se pode aceitar antecipadamente, não se pode votar
antecipadamente o que é que vai ser um depoimento sigiloso ou não. Não se pode
também em função da interpretação de um ou outro Parlamentar, porque eu posso
entender que é algo que o depoente vai dizer deve ser dito em público, e outro
entende que não deve ser dito em público. Algumas pessoas podem temer que ele
fale sobre “fulano de tal que é meu amigo e eu não quero que seja público, ou
fulano de tal que já foi meu amigo e eu não quero que seja público”. Portanto
se é para realmente iniciar os trabalhos que os iniciamos até porque o que o
Deputado Eduardo está dizendo já é absolutamente um procedimento comum em
qualquer investigação. Já é um procedimento comum. Nós não podemos
antecipadamente analisar, avaliar porque o próprio depoente e o Plenário serão
capazes de entender o que é necessário ou não para uma reunião secreta.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Com a
palavra o Deputado Gustavo Fruet. Logo em seguida, Arnaldo Faria de Sá.
O SR.
GUSTAVO FRUET (PMDB – PR) – Sr. Presidente, só para o registro neste caso:
não é primeira vez que o Sr. Jairo vai depor no Congresso; ele depôs este ano
no caso do André Luiz. Pediu reunião secreta, foi atendido, não houve
justificativa, ele alegou que estaria sofrendo ameaça de morte e foi dada toda
a garantia e proteção, mas o fato é que ele, há muito tempo, vem participando
dessas gravações e parece que até para preservar uma atividade profissional,
entre aspas, que ele exerce. Se houver algum argumento procedente, deve-se
garantir a segurança, mas se nós abrirmos o precedente, evidentemente estaremos
dando cobertura a alguém que poderá estar profundamente envolvido em vários
casos de arapongagem, espionagem na história recente do Brasil. Hoje é uma
oportunidade de ouvi-lo. Se houver algum fato concreto, poderemos, como disse o
Deputado José Eduardo Cardozo, na seqüência modificar. Mas neste momento vamos
garantir a segurança, mas não transigir nesta alternativa.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Com a
palavra o Deputado Arnaldo Faria de Sá.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB
– SP) – Sr. Presidente, eu acho que V. Exª não precisa nem colocar em votação.
Negar-lhe o direito. Se, no curso do depoimento, houver necessidade, a Comissão
vai decidir e transformar em secreta. Ele tem que entender que isso aqui não é
reunião da Abin, não; é uma reunião da comissão parlamentar mista do Congresso.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu tenho colocar em votação o
pedido do depoente.
Os que concordarem que seja aberta permaneçam
sentados.(Pausa.)
Aprovado por unanimidade. A reunião será aberta.
Convido o Sr.
Jairo Martins de Souza para comparecer e prestar o seu depoimento em reunião
aberta, conforme deliberação unânime da Comissão. (Pausa.)
Sr. Jairo Martins de Souza,
V. Sª está com a palavra.
A praxe é fazer uma
qualificação rápida e depois o histórico que V. Sª tem a apresentar.
V. Sª tem a palavra.
O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA –
Primeiramente, bom-dia a todos os Parlamentares, a todos os representantes da
imprensa, ao Brasil, que nos ouve.
Em minha rápida apresentação, quero dizer que meu
nome é Jairo Martins de Souza, tenho 37 anos, sou casado, tenho três filhas,
sou jornalista formado pela Faculdade Icesp, do Distrito Federal, sou ex-agente
da Agência Brasileira de Inteligência, porém há quatro que não faço mais parte
do Sistema.
Gostaria de colocar para os senhores que eu requeri
que a reunião fosse fechada não foi porque eu tenho algo a dizer que pudesse
abalar ou que eu tivesse alguns amigos que eu quisesse encobrir. Eu solicitei a
reunião fechada, sem a presença da imprensa, para que a minha imagem não fosse
exposta. Por quê? Porque eu, realmente, desde o episódio do caso André Luiz
venho recebendo ameaça de morte. Por isso, tirei a minha família de Brasília e
levei-a para Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Agora estou tirando-a de lá e
levando-a para outro local. Então, a minha preocupação é com a exposição da
minha imagem, porque facilitaria qualquer tentativa de atentado contra minha
integridade física. Então, foi somente por esse motivo, como está no
requerimento feito pelos meus advogados.
Quero dizer também que, em nenhum momento, deixei de
atender qualquer solicitação desta CPMI para prestar esclarecimentos. Estou à
disposição para todo e qualquer esclarecimento. Quero colocar que o episódio da
minha participação nesse fato se dá no momento em que tomo conhecimento de que
o empresário Arthur Wascheck estava com algum tipo de problema nos Correios,
que eu não sabia qual era e que ele queria divulgar.
A partir de então, faço contato com a revista Veja
e coloco para a revista Veja que um empresário tem interesse em
divulgar uma matéria porque estaria passando por problemas nos Correios. De
imediato, o jornalista da revista Veja me informa que, se fosse um fato
de interesse jornalístico, ele participaria da referida matéria, o que foi
feito.
Minha participação nesse
episódio se dá na seguinte situação: o empresário dizendo a mim que não tem
conhecimento técnico para realizar a produção de provas, eu me disponho a
realizar uma pesquisa para que fosse adquirido equipamento de qualidade para
que viesse à tona o que veio. Minha participação se deu no momento em que eu
fui à feira do Paraguai, adquiri o equipamento, montei o equipamento, conheci
as pessoas que iriam participar da gravação em determinado momento e orientei
tecnicamente as pessoas como realizar essa gravação. Em todo momento em que
havia contato entre essas pessoas que estariam realizando essa gravação e o Sr.
Maurício Marinho, a revista Veja teve conhecimento do fato. Quando as gravações
já estavam prontas, realizadas – essa gravação que veio à tona na |