TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DOS DEPOENTES
Jairo Martins de Souza, Edgard Lange e José Fortuna
(05/07/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

NONA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 05 DE JULHO DE 2005 ÀS 09:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Havendo número regimental, declaro aberta a 9ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada através do Requerimento 3, de 2005, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos dos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

As das reuniões anteriores, 7ª e 8ª, encontram-se sobre a mesa. Coloco-as em votação, propondo, naturalmente, a dispensa de sua leitura.

As Srªs e os Srs. Senadores que a aprovam queiram permanecer sentados. (Pausa.)

Aprovada.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esclareço que a pauta desta reunião destina-se às oitivas dos Srs. José Fortuna, Casser Bittar – Casser Bittar acaba de encaminhar um ofício dizendo que não se encontra durante esta semana. Vou requisitar à Polícia Federal que cheque as informações para ver se ele está ou não está em viagem, como argumenta no seu requerimento. Vou requerer à Polícia Federal que faça checagem exatamente na manhã de hoje ainda.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Só um minuto, eu estou com a palavra.

Vamos ouvir o Sr. José Fortuna, Jairo Martins de Souza e Edgar Lange.

Consultando o Relator, ele nos informa que seria de bom alvitre ouvir primeiro o Sr. Jairo Martins de Souza.

Consulto primeiro o Plenário se concorda com o Relator. (Pausa.)

Estou fazendo primeiro uma consulta, depois vou conceder...

Pela ordem, o Deputado Eduardo Paes, que se inscreveu em primeiro lugar.

Depois o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto e depois o Senador César Borges. Após, a Líder Ideli Salvatti, depois o Senador Alvaro Dias.

Com a palavra o Deputado Eduardo Paes, sobre o assunto. Estou fazendo uma indagação e quero que se limitem ao assunto.

Com a palavra o Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente,  cumprindo o que V. Exª me pede, vou me referir a esse assunto, mas eu pediria a V. Exª, então, que já me inscrevesse quando for tratar de outros assuntos, porque eu gostaria de fazer algumas considerações aqui...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Pois não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – ... e espero que os companheiros que venham depois de mim se limitem também a esse tema.

Não vejo o menor problema na ordem a ser definida pelo Relator, acho que o Relator tem aí a responsabilidade maior do que todos nós de compilar todos os trabalhos, enfim, de desenvolver seu relatório, portanto, não vejo o menor problema em relação à questão do Relator.

Agora, Sr. Presidente, eu queria ter a oportunidade de fazer um apelo a V. Exª.

Esta Comissão Parlamentar de Inquérito vem trabalhando – acho que está claro para todos – com o máximo de seriedade e equilíbrio, tanto os Deputados e Senadores da Oposição como os Deputados e Senadores da Base do Governo. O que eu queria, Senador Romeu Tuma, é chamar a atenção do Presidente. É que, na semana passada, a Oposição fez uma proposta para deliberarmos sobre uma série de requerimentos pendentes ainda e que não haviam sido deliberados, inclusive alguns requerimentos que o próprio Relator sentia necessidade de ver aprovados.

Senadora Ideli Salvatti, eu acho que ninguém vai contestar aqui a posição do Deputado Osmar Serraglio, do Relator, na ordem que ele quiser colocar, acho que todos concordamos.

O que eu quero chamar a atenção, Sr. Presidente – e as pessoas não vão pedir a palavra para concordar ou discordar do Relator porque irão concordar – é que me parece que, em razão... Nós já vínhamos chamando a atenção, nós da Oposição, em relação à necessidade de aprovação dos requerimentos que estavam pendentes desde a semana passada. Numa negociação com o Partido dos Trabalhadores, com a Base do Governo, nós, a duras penas, conseguimos aprovar a quebra de sigilo do Sr. Marcos Valério e suas empresas. Perfeito.

Mas, Sr. Presidente, os fatos, os episódios que surgem a cada momento, e por isso esta Comissão Parlamentar de Inquérito, eu concordo com a Senadora Ideli, não deveria se ater aos episódios que vão surgindo, por isso talvez nós tivéssemos que estar nos antecipando às coisas que surgem, e por isso nós já queríamos ter votado alguns requerimentos na semana passada, nós precisamos avançar. Nós temos hoje a oitiva desses arapongas, enfim, daqueles que estão envolvidos com a gravação da fita, e temos no dia de amanhã o Sr. Marcos Valério e sua secretária. Certamente, uma audiência pública que será muito concorrida e que durará muitas horas. O apelo que faço a V. Exª é de que seria importante, necessário, importante para a opinião pública que está nos assistindo neste momento, para a população que quer a apuração dos fatos, que esta Comissão possa deliberar sobre os diversos requerimentos que existem dependentes. Mais claramente, Sr. Presidente, nós entendemos que deveria ser deliberado, agora na parte da manhã, antes até de iniciarmos a oitiva ou então que V. Exª defina o horário no começo da tarde, para que nós possamos deliberar. Nós desejamos, sim, Sr. Presidente, marcar aqui, convocar e marcar a vinda do Sr. Delúbio Soares, do Sr. Sílvio Pereira, do Presidente do Partido dos Trabalhadores, Sr. José Genoíno. Desejamos, sim, avançar na quebra de sigilo fiscal, bancário, telefônico do Sr. Delúbio Soares, do Sr. Sílvio Pereira, do Partido dos Trabalhadores. Portanto, são todas essas medidas importantes que têm relação direta com as investigações desta CPMI, não se trata de movimento político, de demagogia ou de...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª conclua, por favor.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Já estou concluindo.

Ou de partidarização desta Comissão Parlamentar de Inquérito. Mas é fundamental que V. Exª, Senador Maguito, tome a decisão de, ou deliberamos neste exato momento sobre alguns desses requerimentos ou que V. Exª defina um horário, no início da tarde, logo depois do almoço, para que nós possamos deliberar. Nossa preferência é que nós pudéssemos deliberar aprovando esses requerimentos e marcando a data de oitiva dessas figuras que estão envolvidas até o fundo com os episódios desta CPMI, Sr. Presidente.

Agradeço sua paciência.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.

Com a palavra o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES (PFL – BA) – Sr. Presidente, diante do habilidoso desrespeito do Deputado Eduardo Paes, eu gostaria de sugerir a V. Exª que, até para que não haja uma reinscrição, nós possamos, em poucos segundos, expressar de forma completa as nossas impressões e oferecer as nossas sugestões.

Primeiro, com relação à proposta do Deputado Osmar Serraglio, eu quero concordar com ela, porém, fazendo uma ressalva: é necessário que, a cada mudança de ordem daquilo que está previsto na pauta da nossa reunião, haja, como V. Exª fez, a possibilidade de que o Plenário decida. Então, há uma pauta preestabelecida onde há exposição da ordem de oitivas. Qualquer alteração nessa ordem, é preciso que haja uma deliberação do Plenário como democraticamente como V. Exª fez. Então, eu quero concordar com o Relator.

E aproveitando, Sr. Presidente, eu gostaria de fazer uma sugestão objetiva a V. Exª, para não tomar muito do tempo da Comissão. Eu entendo que nós podemos começar a nossa reunião hoje ouvindo os senhores convocados, os senhores depoentes, nós podemos adiantar os nossos trabalhos, e V. Exª poderia acertar um horário no dia de hoje, para que nós votássemos os requerimentos que estão pendentes. Eu tenho certeza que, se V. Exª acertar um horário garantindo que os requerimentos serão deliberados ainda no dia de hoje, não haverá nenhum prejuízo para o funcionamento da Comissão, para a oitiva dos depoentes e para o atendimento daquilo que é pleito das Oposições, que é a possibilidade de nós discutirmos os requerimentos ainda no dia de hoje. De fato, a reunião de amanhã será muito mais concorrida. Nós vamos ouvir o Sr. Marcos Valério, que é a figura central de todo este episódio. Nós não podemos confundir deliberação de requerimentos com audiência do Sr. Marcos Valério, nós temos que aproveitar o dia de hoje, nem que isso se faça pela noite. Agora, o que eu queria de V. Exª e do Relator, Deputado Osmar Serraglio, é uma garantia de que, seja a hora que for, hoje, nós iremos deliberar sobre os requerimentos, de tal forma que nós possamos começar imediatamente a ouvir os depoentes e, no momento oportuno, definido por V. Exª, com a concordância do Relator, as Oposições vão apresentar as suas sugestões a partir da votação dos requerimentos.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª a sugestão e concedo a palavra ao Senador César Borges, logo em seguida, a Senadora Ideli Salvatti. Senador.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srs....

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Gostaria de alertar a todos que vou cumprir, que a Mesa vai cumprir rigorosamente o que está pautado para hoje. Não adianta querer atropelar os fatos que não vamos. E quanto mais falarem, mais tempo vai sendo consumido, e menos possibilidade de outras definições para hoje. Isso quero alertar. Não vou fugir da pauta. Quanto mais demorarmos, vou ter paciência. Já falaram dois oradores sobre o mesmo assunto. Podem falar todos sobre o mesmo assunto, mas vou seguir rigorosamente a pauta. Se houver tempo, vou discutir outras questões. Se não houve, paciência.

Com a palavra o Senador César Borges.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, quero fazer um apelo a V. Exª para que prevaleça o bom senso. Acho que estamos aqui discutindo de forma parlamentar, de forma democrática. Não podemos simplesmente dizer: temos aqui uma pauta, porque antes da pauta vêm os interesses da Comissão. E esta Comissão tem sempre deliberado antes de iniciar as oitivas com relação aos requerimentos.

Na primeira reunião, Sr. Presidente, desta Comissão, nos início dos trabalhos, o Presidente Delcídio Amaral disse muito claramente que não haveria sobrestamento de requerimentos. O requerimento é um instrumento do Parlamentar, que ele pode apresentar a qualquer momento e tem que ser deliberado de imediato.

O requerimento tem que ser deliberado de imediato. Já estamos na 9ª reunião desta Comissão, na terceira semana dos trabalhos. E temos requerimentos aqui, como o de nº 5, foi o quinto a ser apresentado, que não foi sequer apreciado. Portanto, isso é fundamental. Estamos aqui hoje para ouvir alguns membros da Abin – é que não sou muito familiarizado com os serviços secretos, com arapongagem, estamos aqui na grampolândia –, quando na verdade o Requerimento nº 5, do Deputado Carlos Sampaio, requer o depoimento do General Jorge Armando Félix. O nº 6, também do Deputado Carlos Sampaio, convoca o Sr. Mauro de Lima e Silva. E quem são? É o Ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e outro, Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Então, vamos ouvir ainda o contínuo da Abin,  o investigador da Abin, quem fez o grampo pela Abin, quando já deveríamos estar ouvindo as autoridades que determinaram efetivamente para que eles pudessem fazer aquela ação. E não estamos deliberando sobre os requerimentos, Sr. Presidente.

Então, a palavra do Senador Delcídio Amaral não está sendo cumprida. Está havendo sobrestamento da aprovação ou pelo menos para que seja...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Quero fazer uma indagação a V. Exªs: essa pauta foi ou não aprovada por esta Comissão?

A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT - SC) – Foi.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Então, ela vai ser cumprida primeiro. Não estou cometendo nenhuma arbitrariedade. Estou querendo cumprir o que foi deliberado por esta Comissão. Agora, V. Exªs estão querendo discutir outros assuntos, e não vou antes de concluir.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Acho até um desrespeito, chamar os depoentes, eles estão aqui, e não ouvi-los. Vou ouvi-los.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, já que V. Exª está presidindo, requerer exatamente as fitas, nas quais o Presidente Delcídio sempre se comprometeu que todo início de semana, teríamos apreciação dos requerimentos. Seria feita uma seleção dos requerimentos que deveriam ser votados, e, havendo consenso, seriam aprovados em bloco. E caso não houvesse consenso, seria submetido à votação. O que não podemos é chegar ao final dos trabalhos desta Comissão, e requerimentos que foram apresentados no início não sejam submetidos à votação, Sr. Presidente.

Então, é isso que me parece que a direção da Comissão está querendo levar avante. Então, estão muito bem assentadas aqui as posições dos que me antecederam, pedindo a V. Exª, que dirige os trabalhos, que fixe pelo menos o momento que vamos fazer a apreciação dos requerimentos que aqui se encontram. Se é hoje à tarde, se é hoje à noite, tem que ser hoje, porque tem sido a praxe desta Comissão, assumida pelo Presidente, que, sempre às terças-feiras, faríamos a apreciação desses requerimentos. É esse o apelo que faço a V. Exª, peremptoriamente, porque, senão, a direção dos trabalhos está cerceando aqui um instrumento legítimo dos Parlamentares, que é ver o seu requerimento apreciado pelo Plenário da Comissão.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti e, logo em seguida, o Senador Alvaro Dias.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Depois eu, Sr. Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, acho que V. Exª foi muito claro. O que nos traz aqui hoje foi uma deliberação coletiva e unânime desta Comissão quando marcamos o calendário das atividades da primeira e segunda semana de julho. Marcamos esse calendário, inclusive, na lógica das investigações que esta CPMI determinou, delimitou para trabalharmos. Portanto, acho que não podemos repetir o episódio da semana passada, em que gastamos o tempo da oitiva em discussões prolongadas que poderiam ter sido resolvidas se a determinação de votação de requerimentos fosse precedida daquilo que toda deliberação tem que ser precedida, que é de conversações entre as partes. Porque, depois que as conversações entre as partes ocorreram, tivemos aqui uma reunião de deliberação de requerimentos com muita tranqüilidade. Inclusive não houve nenhum requerimento que não tivesse sido aprovado por todos nós. Agora, querermos repetir, nesta semana, aquilo que foi feito de forma errada, no meu ponto de vista, na semana passada não leva a nada. V. Exª tem que cumprir o que a deliberação da Comissão fez, que é a oitiva. A oitiva dos três depoentes, até para que não aconteça, como a própria Deputada Juíza Denise Frossard levantou, esse absurdo de chamarmos as pessoas para prestar depoimentos e elas ficarem aqui 12, 15 horas e depois serem, absolutamente, dispensadas.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Isso não vai acontecer, Senadora Ideli Salvatti. Serão ouvidas.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quero que iniciemos os trabalho e, depois de cumprida a agenda que deliberamos, por unanimidade, nesta Comissão, que possamos deliberar sobre outros assuntos. A minha questão de ordem é seguir a ordem, qual seja, ouvir os depoimentos e, depois disso, podemos fazer complementos na nossa ação durante o dia.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço V. Exª. A ordem será cumprida.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, Para uma questão de ordem, art. 251.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) –  Com a palavra o Senador Alvaro Dias e, posteriormente, a Senadora Heloísa Helena e...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS)  – Questão de ordem, art. 251, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra V. Exª.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, o art. 251 do Senado sinaliza claramente que temos que decidir em cima daquilo que foi proposto. A circunstância que estamos defendendo é, primeiro, que se cumpra a pauta que foi acordada e, segundo, precisamos deliberar sobre requerimentos por conta de que fatos novos ocorreram. Não há, Sr. Presidente, a mesma circunstância que tínhamos na semana passada. Inúmeros requerimentos que estão hoje de posse do Relator na Secretaria da nossa CPMI já estão superados pelos fatos. Estamos querendo que esta CPMI cumpra com o seu papel, que é tomar a dianteira nas investigações do Brasil. Esta CPMI não pode estar a reboque. Por essa razão que, de maneira coerente e respeitosa, a Oposição está solicitando a V. Exª que designe, Sr. Presidente, o horário, a hora do dia de hoje que vamos deliberar. É apenas isso. V. Exª designa às 14h30, 15h, 16h e vamos deliberar.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado. Agradeço.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, o horário é o final dos trabalhos...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu vou decidir. Estou ouvindo pacientemente e vou decidir.

Com a palavra o Senador Alvaro Dias.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a alegação de que há inúmeros requerimentos que devem ser votados e que a votação dos mesmos tomaria muito o tempo das audiências públicas que realizaremos hoje, já que serão três depoentes para ouvir. Isso leva-nos a sugerir o seguinte: que se votem os requerimentos essenciais, que já foram, inclusive, selecionados pela Oposição no dia de hoje, e que se convoque para eliminar, com a deliberação de todos, os requerimentos apresentados, uma reunião na quinta-feira, às nove da manhã. Porque há requerimentos mais importantes sobre  outros, é isso que eu estou propondo. Hoje nós deliberaríamos sobre a agenda da próxima semana, a complementação da agenda da próxima semana, que seria marcar reunião na próxima quinta-feira, para ouvir Delúbio Soares e Silvio Pereira, e na terça da outra semana, para ouvir José Dirceu e José Genoíno. Essa seria a proposta da Oposição.

E deliberaríamos hoje sobre a quebra de sigilo bancário do Sr. Delúbio Soares e do Silvio Pereira. Deliberaríamos sobre a quebra do sigilo bancário. Apenas esses requerimentos seriam votados no dia de hoje. Nós poderíamos votar rapidamente, desde que a Bancada da Situação concorde com essas providências. Os demais deveriam, a meu ver, e esta é a proposta que faço, serem colocados em deliberação na próxima quinta-feira às nove horas da manhã. Porque são requerimentos que solicitam providências administrativas, informações. São inadiáveis, porque são requerimentos que demandam algum tempo para o seu atendimento. Por exemplo, eu estou solicitando que se requeira do Banco Central cópias de todos os contratos nos quais constam o nome do Sr. Marcos Valério na qualidade de avalista, fiador ou devedor solidário. É claro que nós não receberemos no dia seguinte. Portanto, a deliberação sobre requerimentos dessa natureza é urgente. Daí essa sugestão.

Sei que temos aí certamente mais de duzentos requerimentos propostos que não foram deliberados. Então, há necessidade realmente de uma reunião exclusivamente para a deliberação desses requerimentos. Quanto a essa agenda proposta pela Oposição para a próxima semana, ela diz respeito aos fatos. Os fatos devem orientar o calendário da CPMI. Nós não podemos ficar a reboque dos fatos e distanciados deles. Nós temos de acompanhar a evolução dos fatos no dia-a-dia dos acontecimentos. CPMI é isto, para propor transparência e elucidar dúvidas não só dos integrantes que aqui estão coma tarefa da investigação, mas da própria sociedade que tem o direito de acompanhar esses acontecimentos.

A outra questão, Sr. Presidente, eu sei que eu não deveria dirigir especificamente a V. Exª e sim ao Presidente Delcídio. Mas como S. Exª está ausente, por intermédio de V. Exª, eu faço mais uma vez esse apelo. Nós requeremos, as Lideranças da Oposição requereram, desde o início, o credenciamento de dois assessores para que pudessem nos auxiliar, com acesso facilitado à documentação que chega à Secretaria da CPMI. Só ontem, eu liguei três, quatro, cinco vezes para a Secretaria na busca de informações.

Então, eu vejo o nosso trabalho comprometido em função da dificuldade que estamos tendo de acessar informações junto à Secretaria. Isso porque nós estamos vivendo um fato novo em CPMI, que é a composição da Mesa Diretora apenas de um lado, e não com a essa alternância de situação e Oposição, entre Relatoria e Presidência. Daí a necessidade do credenciamento dessa assessoria, para que a Oposição possa ter esta orientação em razão da documentação que chega, das informações que chegam. Nós estamos tendo o nosso trabalho comprometido. Nós não podemos ser eficientes dessa forma.

Por isso, Sr. Presidente, faço esse apelo a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, eu sei que V. Exª - pode deixar todos conversarem. Eu não me incomodo - está fazendo um esforço grande, bem como o Presidente e o Relator para compatibilizar as divergências gigantescas que existem aqui. Eu continuo fazendo o mesmo apelo que eu fiz anteriormente. Algumas pessoas usam determinadas palavras, como racionalidade lógica das investigações, e, depois, tudo isso é jogado na lata do lixo, quando significa a proteção ou não de determinadas personalidades políticas. Por isso, é que eu sou contra. Arrependo-me de ter participado algumas vezes das tais conversações entre as partes para decidir o que vai ser aprovado ou não com relação a requerimentos. Quando se diz conversação entre as partes, ou seja, em quem é Governo e em quem é Oposição, já passa para a opinião pública, Juíza Denise, como se fosse um grande acordo. Porque se é um procedimento investigatório, qual a necessidade de haver conversação entre as partes para ver qual requerimento será aprovado, para ver quem irá ter quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico ou quem vem ouvir? Tem que ser aqui. Se é pela lógica das investigações, se é pela racionalidade do procedimento investigatório, teríamos que, objetivamente, já esta semana, trazer o Senhor Delúbio, o Senhor Sílvio Pereira, o Ministro José Dirceu e todos aqueles que foram aqui citados e não estão nem tendo a oportunidade de se defender, de dizer o contrário ou de participar de um depoimento aqui.

Não estou propondo nenhuma alteração do procedimento, penso que é essencial que possamos nos reunir também às quintas-feiras. Todos estamos exaustos, algumas pessoas vêm aqui, falam e vão embora descansar, outros estão ficando aqui até uma, duas horas da manhã, até o horário que seja necessário, portanto penso ser essencial que possamos introduzir a quinta-feira no calendário que foi proposto, para que possamos auxiliar e agilizar o procedimento de investigação. É essencial que sejam votados determinados requerimentos, porque não tenho nada contra o jornalismo investigativo, considero essencial, uma vez que auxilia, não com denúncias, mas com indícios relevantes de crimes contra a Administração Pública. Mas é inadmissível que tenhamos acesso a alguns dados pela imprensa quando existem requerimentos que estão engavetados aqui e que não está havendo a necessária agilidade em ter esses requerimentos. Não é possível que não tenhamos os dados do Coaf, em relação ao Banco do Brasil ou Banco Rural. É inadmissível que não tenhamos os documentos relacionados ao processo de instrução de licitações fraudadas, de contratos que foram executados fraudados, de aditivos fraudados. Isso não é possível. Portanto, o apelo que faço é no sentido de agilizar as diligências necessárias para que esses documentos cheguem e sejam disponibilizados. Não podemos aceitar o que aparece em um jornal , em qualquer que seja: “O documento chegou, está na CPMI”.  Aí vem aqui o Deputado e o Senador, querem o documento e não tem, porque diz que tem que passar por uma peneira de não sei quem para este documento chegar. Não vamos aceitar isso. Que o Relator possa analisar os dados é absolutamente necessário, mas que  todos os Senadores tenham direito a acesso imediato aos dados. Se o Senador ou o Deputado quebra o sigilo, divulga algo que é sigiloso, ele que seja responsabilizado. Mas é inadmissível que passe por peneira, que os documentos não venham e que nós estejamos aqui fazendo de conta que estamos analisando. Não vamos aceitar as peneiras do Governo, porque se demora a chegar aqui é uma outra coisa, não podemos aceitar. De repente, vão sumir as Atas das reuniões, as notas jurídicas que o setor jurídico dos Correios deu contra aquela contratação com a empresa do Senhor Marcos Valério, e veio uma ordem de não sei onde para que isso fosse feito.

É o apelo que faço para que as diligências sejam agilizadas e que tenhamos os dados que são necessários para fazer um bom trabalho da CPMI, como manda a lei, como manda a nossa obrigação constitucional e como quer, apela e exige a grande maioria do povo brasileiro que acompanha os trabalhos desta Comissão. Portanto, o apelo é no sentido de que V. Exª convoque uma reunião para que possamos analisar todos os requerimentos que são colocados, analisar objetivamente quais os dados que não chegaram ainda, por que esses documentos não chegaram ainda e de quem é a responsabilidade desses documentos não serem disponibilizados. Esse é o apelo que faço a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, apenas para informar a nobre Senadora, depois percebi, pelo prosseguimento da sua manifestação de que estaria dizendo que a peneira seria para chegar, é que, num primeiro momento, eu havia entendido que estava dizendo que nós, da Comissão, estaríamos procedendo, já percebi que não.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Não, porque, se tiver, é mais preocupante ainda.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, já percebi que não, porque nós temos absolutamente nenhum documento que nós não tenhamos franqueado. Só isso.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, art. 255. Questão de ordem.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Pois não, com a palavra V. Exª.

Já temos uma hora de atraso dos depoimentos e vamos passar o dia inteiro aqui ouvindo.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Isso não faz mal, Presidente, isso nos ajuda.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Minha preocupação é com os depoentes.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvi-los pacientemente

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, o art. 255 do Regimento do Senado reforça de maneira consistente no seu Inc. III, que diz que a votação dos requerimentos, página 130, no Inc. III, do 255, combinado com o 92, que disciplina sobre as Comissões, que deve ser a votação imediata nos requerimentos não constantes nos Incisos I e II.

Nós não estamos solicitando isso, Presidente. Nós estamos solicitando a V. Exª apenas que apraze para o dia de hoje um horário para que nós possamos deliberar. E eu quero fazer uma reclamação-sugestão: nós deliberamos na quinta-feira que nós precisávamos, para que o Relator pudesse trabalhar, dos relatórios do Coaf referentes ao Banco Rural, ao Banco do Brasil. Eu fui surpreendido, Sr. Presidente, sabendo que a solicitação da nossa Comissão só chegou ao Coaf ontem. Eu gostaria de solicitar a V. Exª que nós tivéssemos um processo mais expedito, porque, se tivesse chegado na sexta-feira de manhã, como seria razoável, muito provavelmente nós já teríamos esse relatório aqui. Ontem, foram divulgados números, inclusive em órgãos de comunicação, e, por essa razão, vários órgãos de comunicação procuraram Senadores e Deputados, na busca da confirmação desses números, Sr. Relator, que não faz parte do mundo real, porque, na Comissão, não chegou relatório nenhum do Coaf. Então, por essa razão, eu quero só chamar atenção: a deliberação foi feita na quinta, a solicitação da nossa Comissão chegou ontem ao Coaf, ela deveria ter chegado na sexta, porque seguramente já estaria conosco.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Senador Ney Suassuna.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Nobre Presidente, eu queria fazer um apelo a V. Exª que chamasse o primeiro depoente e que V. Exª marcasse para o final da tarde...

O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Não é assim não, espera aí, de forma nenhuma, não é assim, não.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Eu tenho o direito de falar como qualquer um. Eu estou falando, por favor, respeite a minha palavra.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvir o Senador.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Então que V. Exª, é o meu apelo, estou fazendo um apelo a V. Exª...

O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Mas tem outros Senadores...

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Mas V. Exª pede a palavra depois e fala.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Senador Efraim Morais, eu concederei a palavra a V. Exª, logo após o Senador Ney Suassuna.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Então, a minha solicitação a V. Exª é que, o mais rápido possível, chame o primeiro depoente e que marque hoje no final da tarde uma reunião para a gente votar, porque não é possível, nós estamos com uma hora de atraso.

Obrigado, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Senador Efraim Morais.

O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Bem, Sr. Presidente, a única coisa que eu solicito de V. Exª é que seja encaminhado aos Srs. Parlamentares da Comissão de CPMI dos Correios um relatório da parte do Secretário da Comissão do encaminhamento dos requerimentos e das solicitações já aprovadas. É isso o que nós desejamos, só isso, para que saibamos se há demora, qual o motivo. Se for questão de pessoal, eu quero inclusive dizer ao pessoal da Comissão que, na condição de 1º-Secretário da Casa, eu coloco à disposição mais pessoas, mais assessores, para que se agilize essa questão.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Obrigado.

Com a palavra o Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu fui informado pela Secretaria da Comissão que está sendo feita uma peneira dos requerimentos que podem ou não ser apreciados. Eu acho que quem tem que fazer isso somos nós. O que estamos fazendo nós aqui, Sr. Presidente? Eu acho que nós temos que decidir aquilo que pode ou não pode ser votado, ninguém tem que peneira nada não. Daqui a pouco, nossa CPMI vai ficar a reboque da imprensa, tudo o que nós queremos, nós não temos, e a imprensa tem a todo dia e a todo momento.

O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Relator para responder V. Exª.

O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Presidente, pode...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, apenas para dizer que o que nós temos é um encontro de entendimento estabelecendo quais os que seriam postos, ninguém está fazendo peneira, passando por censura, por crivo nenhum. A Secretaria da Comissão está informando que a Mesa está fazendo uma peneira.

O SR. (Orador não identificado) Bom, a Secretaria da Comissão terá que fazer depois esses esclarecimentos à Presidência sobre pena de nós também tomarmos providência porque que informação é essa que a Secretaria da Comissão presta que nem o Presidente, nem os Secretários, nem o Relator saibam? Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela PMDB – GO) Com a palavra o senhor Senador Romeu Tuma.

O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Presidente, nós temos a relação dos requerimentos já solicitados. É claro que há vários que são repetitivos. Então, nesta análise, todo mundo aqui tem condição de votar. Agora, eu tenho feito alguns requerimentos, que eu acho importante, de diligência externa. Alguns órgãos se atrasam em remeter documentos importantes à esta CPMI, dificultando-nos interrogar pessoas que vêm depor. Então, a diligência externa, feita por um grupo de Parlamentares, acompanhada dos assessores e, se precisar de ordem judicial, solicitar, terá uma rapidez muito maior, Sr. Presidente. Eu acho que a polícia fez algumas diligências externas que poderiam nos remeter. Mas muitas,  ela não fez ainda, como as de agências de publicidade, as de bancos do Coaf. Essas diligências têm que nomear uma comissão externa para buscar in loco e, imediatamente, analisar aquilo que é importante ou não, Sr. Presidente. Tem que votar os requerimentos, porque todo dia se muda o perfil da investigação pelo noticiário da imprensa.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Agradeço à V. Exª.

Com a palavra, o Deputado Jamil Murad.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Senador Maguito Vilela, Presidente da nossa CPMI, é incrível como esta CPMI procura – alguns procuram fazer isso – evitar que as coisas dos Correios sejam investigadas, protegendo o Sr. Roberto Jefferson e sua turma. Aqui nós tivemos depoente que parou o seu depoimento e não foi retomado. Aqui, nós tivemos a dispensa do genro do Sr. Roberto Jefferson e ninguém falou mais nada. Tem depoente, como o Jairo Martins, que já veio várias vezes, e eu vejo, Senadores e Deputados, aqui argumentando que nós vamos tratar de outros assuntos e que não ouça esses que fizeram a gravação, por que fizeram a gravação, a serviço do que fizeram a gravação? Portanto, Sr. Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Eu quero ouvir o Deputado. Todos foram ouvidos. É preciso que ele fale também.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – ...eu estou falando para o público, para os telespectadores. Eles que prestem bem atenção. Para aqueles que querem que haja investigação.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Senador Heráclito, se for necessário, eu darei a palavra à V. Exª em seguida.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL – PI) – Só queria avisar para ele que a televisão não está ligada.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Mas, assim como todos tiveram direito à palavra, o Deputado também tem.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Pede para desligar quando V. Exª estiver falando.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Conclua, Deputado.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Então, nós queríamos dizer o seguinte: nós queremos investigar. E não é dispensando uns e evitando que outros deponham, que estão aí na sala esperando, que nós vamos investigar. O povo brasileiro tem que ficar atento para perceber esta sutileza que parece elefante em loja de moça.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Vou cumprir, rigorosamente, a agenda. Vamos ouvir o primeiro depoimento.

O SR. (Orador não identificado) Presidente, que horas vão deliberar?

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Após ouvir os quatro que foram convidados...

O SR. (Orador não identificado) Três, porque um não...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) Aí nós vamos decidir se faremos ou não uma reunião.

O SR. (Orador não identificado) Aí não, Sr. Presidente. Incompreensível.

O SR. (Orador não identificado) Seu foco é a reunião, Senhor Presidente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pela ordem, Senhor Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO)Eu não posso garantir. Temos uma hora e dez minutos de atraso e eu não sei que horas que nós vamos terminar. O que eu garanto, é dar uma seqüência dos trabalhos aqui.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Rapidamente, Sr. Presidente. Entendo V. Exª. Creio que V. Exª tomou a decisão de que seguiremos a pauta da reunião e que já há uma compreensão nesse sentido. Agora, V. Exª tem que decidir, Sr. Presidente!

A reclamação que faço é porque V. Exª decidiu que cumpriremos, seguiremos a pauta e ouviremos os três que estão marcados para hoje – ótimo, maravilhoso –, mas V. Exª precisa já decidir, neste momento, que depois da oitiva dessas testemunhas teremos uma reunião para deliberar. Isso é fundamental, sob pena de estarmos aqui aparentando para a opinião pública que não queremos deliberar. Entendo, concordo com V. Exª de que podemos, sim, seguir a pauta para a qual esta reunião foi convocada, vamos atender ao fim a que ela se destina, mas precisamos deliberar, Sr. Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente Maguito...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, eu gostaria de concluir o meu raciocínio.

Portanto, eu gostaria que V. Exª decidisse: terminada a oitiva das testemunhas, esta Comissão deliberaria sobre os requerimentos, Sr. Presidente. Isso é uma coisa óbvia! Não podemos ter medo de deliberar sobre o requerimento.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nem que seja feito à noite...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª concluiu?

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Conclui, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, a questão que levantei quando falei é exatamente essa: vamos cumprir a agenda, vamos ouvir os três depoimentos que estão marcados, de imediato, e, ao término dos depoimentos, vamos deliberar sobre os requerimentos...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ainda hoje, Senadora?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ao término... Se terminarmos as duas horas da manhã, será às duas da manhã. Se terminarmos...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ótimo.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Aí já não será mais hoje. Por isso não vou assumir compromisso...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se a proposta da Senadora é uma proposta oficial...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu nem terminei. Se o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto tiver a gentileza e a delicadeza de me ouvir, posso até terminar.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quero que a senhora seja bem clara.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Até porque nós também queremos aprovar alguns requerimentos. Há também alguns fatos novos que nos interessam. Há, por exemplo, a acareação do Roberto Jefferson com o Maurício Marinho...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – José Dirceu!

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...porque os dois já foram ouvidos.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvir a Senadora! Quando V. Exªs falam todo mundo ouve. Não sei por que os três ficam interrompendo a Senadora. É complicado!

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Há uma prática nesta Comissão, Sr. Presidente, que penso que, de uma vez por todas, temos que regulamentar, que é o óbvio ululante: quando um está falando, os demais que tenham a paciência de aguardar e, depois, inscrevam-se para falarem o que bem entenderem.

A nossa proposta é muito clara: ouvir os depoimentos; e, assim que terminarem os depoimentos, vamos fazer reunião deliberativa dos requerimentos. E volto a dizer que nós também temos requerimentos que entendemos importantes para aprovar no dia de hoje, dos quais citei apenas um...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Conclua, Senadora, por favor.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...o da acareação de Roberto Jefferson com o Maurício Marinho, porque os depoimentos dessas duas figuras a CPMI já ouviu e já descobriu que têm contradição. Então, é muito importante que esse requerimento seja...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Deputada Federal Juíza Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, caros Colegas, falo apenas a título de colaboração. São posições igualmente respeitáveis. V. Exª tem que seguir a pauta, os depoentes estão aí, é natural, e eu mesma já defendi que temos que ouvi-los, por respeito às testemunhas. Talvez, Sr. Presidente, o que esteja faltando dizer – o Senador Tuma veio falar comigo agora e S. Exª tem total razão – é que teremos que fazer talvez algumas diligências, teremos que examinar documentos, e haverá até fatos – que surgem, no calor dos acontecimentos – que teremos que ouvir, como muito bem disseram aqui os Deputados Eduardo Paes, ACM Neto e Onyx Lorenzoni. Desse modo, talvez poderíamos, Sr. Presidente, guardar um dia para essas situações que surgem, sem – com toda a justiça – alterar a pauta, que foi objeto de deliberação coletiva. Então, V. Exª, não pode ser acusado, absolutamente, a Presidência, de nada, porque se deliberou aqui, isso foi deliberado.

Então, poderíamos, Sr. Presidente – e esta já é a sugestão –, deixar as quintas-feiras para esses casos fortuitos ou de força maior, como esse aqui citado pelo Senador Tuma.

É apenas uma colaboração, Sr. Presidente, que submeto à reflexão de V. Exª.

Obrigada.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.

Com a palavra o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, o art. 405 é muito claro ao estabelecer que a questão de ordem será decidida pelo Presidente. O Deputado Onyx Lorenzoni levantou uma questão de ordem com base no art. 255, III, que determina a imediata deliberação sobre os requerimentos.

Nós aqui, Sr Presidente, a fim de obter uma decisão da Mesa, fizemos uma sugestão que considerei ser ponderada, equilibrada. Inclusive, fui um dos que verbalizou essa sugestão, assim como o Deputado Eduardo Paes. Que V. Exª desse seguimento à oitiva dos depoentes, mas que garantisse que ainda no dia de hoje, como horário pré-estabelecido, que pode ser à noite, depois da Ordem do Dia do Senado, para que não haja conflito com o Regimento... Depois da Ordem do Dia, com horário pré-estabelecido nós nos reuniríamos para deliberar sobre os requerimentos.

 A Oposição não quer insistir naquilo que prevê expressamente o art 255, III, desde que haja por parte da Mesa uma flexibilidade de nos dar garantia de que os requerimentos serão deliberados ainda no dia de hoje.

Não se quer subverter a ordem, não se quer aqui propor alteração naquilo que foi acordado. O que se está querendo é que o Regimento seja cumprido, é que o debate democrático seja travado e que, sobretudo, questões que são fundamentais, imprescindíveis sejam deliberadas ainda no dia de hoje, como a decisão desta Comissão de convocar o Sr. Sílvio Pereira, o Sr. Delúbio, o Sr. José Genoíno, o Sr. José Dirceu.

Se há por parte do Governo receio de enfrentar esse debate, o Governo tem de assumir isso claramente. Agora, nós só aceitaremos o não-cumprimento do art. 255, III, se a Mesa assumir um compromisso expresso de que ainda no dia de hoje, com horário pré-estabelecido, nós iremos deliberar sobre os requerimentos.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Deputado Maurício Rands.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Sr Presidente, estamos aqui há uma hora e quinze minutos, todos se repetindo, alguns Deputados que querem fazer proselitismo usaram a palavra duas vezes. Eu peço a V. Exª e aos brasileiros que nos ouvem que avaliem: se nós queremos realmente investigar, deveríamos desde o começo ter aceito o que V. Exª falou, que é ouvir os depoentes que já se encontram aqui na sala ao lado e, ao invés de ficar fazendo proselitismo, viabilizarmos que a pauta seja cumprida, que as oitivas sejam tomadas, para que possamos avançar nas convocações.

Então, eu quero que V. Exª observem: uma coisa é o discurso, outra coisa é a prática. Nós estamos aqui desde o começo acatando a orientação de V. Exª para que comecem logo os depoimentos, porque as pessoas convocadas estão aqui na sala ao lado, e o Brasil todo quer que prossigam as investigações, como estamos querendo aqui.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Quero dizer que, após a oitiva - já há uma pauta aprovada, e eu vou seguir rigorosamente o que está aprovado - após as oitivas podemos decidir se vamos fazer uma reunião administrativa, se vamos votar os requerimentos. Não há problema. Vamos discutir e decidir. É isso o que acontecerá.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr Presidente, nós queremos uma decisão, Sr Presidente. Não é depois da oitiva, Sr Presidente. O que estamos queremos com todo respeito...

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Ele acaba de decidir.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS)  –  ...usando o que o Regimento permite, é que V. Exª diga “nós vamos decidir”. Agora, V. Exª está dizendo “nós vamos ouvir, depois vamos discutir se vamos decidir. Aí V. Exª não está cumprindo o que o Regimento determina, Sr Presidente.

 O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Estou cumprindo rigorosamente a pauta. A pauta é para ouvir quatro depoentes. Um não compareceu, então, vamos ouvir três. Logo em seguida, vamos discutir. Se a maioria entender que deva... Aqui não há quem esteja querendo encobrir nada ou proteger... Nada disso. Aqui há quem queira investigar a verdade, quem quer saber tudo dos fatos, quem quer celeridade. Tanto é assim que, quando eu presido eu exijo celeridade. Não tenham dúvidas disso.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) –  Nós todos testemunhamos, Sr Presidente, a sua correção na conduta...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Se vocês quiserem ultrapassar a madrugada, ir para a manhã discutindo e votando, não há problema algum por parte da Mesa. Estou aqui para trabalhar. Se for preciso ficarmos aqui ininterruptamente quatro dias eu topo como Presidente. Não há problema.

Agora, o que precisamos é primeiro seguir a pauta. Vamos ouvir.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – V. Exª está se prendendo à pauta só que o Regimento é superior à pauta. Nós aceitamos a argumentação de V. Exª desde que, terminada a oitiva, nós iremos...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Por favor, leia o art. 108, parágrafo único, do Regimento. Tenho que seguir a pauta. Não vou fugir da pauta.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – V. Exª tem que ler os arts. 255 e  91, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Podemos votar requerimentos, não há problema algum.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Então, está combinado.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Mas, primeiro, vamos ouvir os depoimentos. Eu disse isso desde o início.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Depois, vamos votar. Ok.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Relator sugere que o primeiro depoente seja o Jairo Martins de Souza. Indago do Plenário se há alguma dúvida, se pode ser o Jairo Martins Souza o primeiro a depor? (Pausa.)

Aprovado por unanimidade.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sei que o tumulto às vezes fica muito grande, mas não pode um Senador, um Parlamentar querer ter acesso ao som e ficar impedido. Não quero fazer guerra regimental, porque há muito tempo que estou tentando, e, de repente, ninguém consegue. Não vou fazer guerra regimental. Sei fazer, sei usar artifícios. Disseram “o art. 108 diz”... O que o art. 108 diz é que, com o mínimo da maioria dos membros, se inicia a reunião. O artigo não está dizendo que a pauta dos trabalhos em caso de urgência...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – É o parágrafo único, por favor.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, a pauta será distribuída com antecedência mínima de dois dias. Se não se distribui, não é problema de quem entrega o requerimento, é porque não se distribuiu aos outros. Apelo a V. Exª sobre o andamento dos trabalhos, porque, se for para fazer guerra de Regimento, eu sei fazer; se for para inventar coisa no Regimento, eu sei fazer. Mas não estou querendo fazer isso. Apenas quero deixar claro que é essencial que os Parlamentares possam ter acesso ao som na hora em que desejarem, para tratar do andamento dos trabalhos. O Presidente tem o direito de interromper aquilo que não é regimental, mas tem que responder também a questões de ordem. Só quero deixar isso absolutamente claro. Não vamos fazer marola regimental. Sei, aprendi a fazer para enfrentar a tropa de choque do Fernando Henrique, sei fazer para enfrentar a tropa de choque do Lula. Então, não quero entrar nessa guerra de inventar artigo do Regimento. Só quero deixar isso registrado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado.

O Sr. Jairo Martins de Souza requereu reunião secreta. Para que isso ocorra, é preciso que haja deliberação do Plenário.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, gostaria de me opor à solicitação do Sr. Jairo. Ele alega que estaria sendo ameaçado de morte e que, por isso, teria temores sobre as suas declarações. Agora, entendo que o remédio necessário para qualquer um que esteja ameaçado de morte é a segurança prestada pela Polícia Federal.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Deputado, ele requereu, e não quer dizer que a reunião vai ser secreta. Estou colocando à deliberação do Plenário.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quero encaminhar contrariamente ao requerimento dele, Sr. Presidente.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Tudo bem.

Ele tem o direito de requerer.

Concedo a palavra, pela ordem, ao Senador Alvaro Dias.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, embora ele tenha esse direito, realmente é um direito que deve ser respeitado. Mas, neste caso, não deve ser acolhido. Primeiro, imagino até que esta oitiva com arapongagem é muito mais para investigação policial que para investigação política. Particularmente, eu dispensaria esses depoimentos.

No entanto, é um fato consumado. Esses requerimentos estão determinados para o dia de hoje. Eles serão ouvidos. Mas trata-se de investigação política, e o objetivo da investigação política é conferir transparência para mobilizar a opinião pública na convocação das autoridades responsáveis, das autoridades que se encarregarão da responsabilização civil e criminal de eventuais envolvidos em delitos. Esse é o papel central de uma CPI.

Portanto, Sr. Presidente, se fizermos uma reunião secreta, melhor seria não a realizar. A minha posição, portanto, é a de que não devemos aceitar a solicitação do Sr. Jairo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT – SP) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Senador José Eduardo Cardozo e, logo em seguida, à Senadora Ideli Salvatti.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT – SP) – Sr. Presidente, princípio que governa as investigações parlamentares é o princípio da publicidade. Só em hipóteses excepcionalíssimas, como particularmente informações que possam trazer prejuízo à investigação é que devem ensejar uma reunião secreta. A proposta que faço a V. Exª e ao Plenário é que nós iniciemos uma reunião pública. Se, no desenrolar do depoimento, ficar claro que alguma informação a ser dada por ele puder trazer prejuízo para as investigações, se reveladas de público, nós transformaríamos em reunião secreta.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.

 A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, é sobre a questão do Deputado José Eduardo. É exatamente aberta, e se houver necessidade...

 O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos disciplinar os trabalhos.

 A Srª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Sr. Presidente. É pela ordem mesmo, Sr. Presidente.

 O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos disciplinar os trabalhos.

 Eu só vou falar um minuto. Ele pediu e é um direito dele. Mas o Plenário é que vai decidir. Sou obrigado a colocar em votação. É isso que estou fazendo. O que o Plenário decidir será acatado.

 O SR. (Orador não identificado)  – A proposição do Deputado Eduardo Cardozo já pode ser colocada em votação, é a mais equilibrada.

 A Srª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, pela ordem.

 O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Pela ordem, com a palavra a Senadora Heloísa Helena.

A Srª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, tudo o que enfoca o subjetivo acaba criando um problema para manter a lógica e a racionalidade, termos muito utilizados e pouco viabilizados numa investigação. Não se pode aceitar antecipadamente, não se pode votar antecipadamente o que é que vai ser um depoimento sigiloso ou não. Não se pode também em função da interpretação de um ou outro Parlamentar, porque eu posso entender que é algo que o depoente vai dizer deve ser dito em público, e outro entende que não deve ser dito em público. Algumas pessoas podem temer que ele fale sobre “fulano de tal que é meu amigo e eu não quero que seja público, ou fulano de tal que já foi meu amigo e eu não quero que seja público”. Portanto se é para realmente iniciar os trabalhos que os iniciamos até porque o que o Deputado Eduardo está dizendo já é absolutamente um procedimento comum em qualquer investigação. Já é um procedimento comum. Nós não podemos antecipadamente analisar, avaliar porque o próprio depoente e o Plenário serão capazes de entender o que é necessário ou não para uma reunião secreta.

 O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Deputado Gustavo Fruet. Logo em seguida, Arnaldo Faria de Sá.

 O SR. GUSTAVO FRUET (PMDB – PR) – Sr. Presidente, só para o registro neste caso: não é primeira vez que o Sr. Jairo vai depor no Congresso; ele depôs este ano no caso do André Luiz. Pediu reunião secreta, foi atendido, não houve justificativa, ele alegou que estaria sofrendo ameaça de morte e foi dada toda a garantia e proteção, mas o fato é que ele, há muito tempo, vem participando dessas gravações e parece que até para preservar uma atividade profissional, entre aspas, que ele exerce. Se houver algum argumento procedente, deve-se garantir a segurança, mas se nós abrirmos o precedente, evidentemente estaremos dando cobertura a alguém que poderá estar profundamente envolvido em vários casos de arapongagem, espionagem na história recente do Brasil. Hoje é uma oportunidade de ouvi-lo. Se houver algum fato concreto, poderemos, como disse o Deputado José Eduardo Cardozo, na seqüência modificar. Mas neste momento vamos garantir a segurança, mas não transigir nesta alternativa.

 O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Deputado Arnaldo Faria de Sá.

 O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu acho que V. Exª não precisa nem colocar em votação. Negar-lhe o direito. Se, no curso do depoimento, houver necessidade, a Comissão vai decidir e transformar em secreta. Ele tem que entender que isso aqui não é reunião da Abin, não; é uma reunião da comissão parlamentar mista do Congresso.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu tenho colocar em votação o pedido do depoente.

Os que concordarem que seja aberta permaneçam sentados.(Pausa.)

Aprovado por unanimidade. A reunião será aberta.

 Convido o Sr. Jairo Martins de Souza para comparecer e prestar o seu depoimento em reunião aberta, conforme deliberação unânime da Comissão. (Pausa.)

Sr. Jairo Martins de Souza, V. Sª está com a palavra.

A praxe é fazer uma qualificação rápida e depois o histórico que V. Sª tem a apresentar.

V. Sª tem a palavra.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Primeiramente, bom-dia a todos os Parlamentares, a todos os representantes da imprensa, ao Brasil, que nos ouve.

Em minha rápida apresentação, quero dizer que meu nome é Jairo Martins de Souza, tenho 37 anos, sou casado, tenho três filhas, sou jornalista formado pela Faculdade Icesp, do Distrito Federal, sou ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência, porém há quatro que não faço mais parte do Sistema.

Gostaria de colocar para os senhores que eu requeri que a reunião fosse fechada não foi porque eu tenho algo a dizer que pudesse abalar ou que eu tivesse alguns amigos que eu quisesse encobrir. Eu solicitei a reunião fechada, sem a presença da imprensa, para que a minha imagem não fosse exposta. Por quê? Porque eu, realmente, desde o episódio do caso André Luiz venho recebendo ameaça de morte. Por isso, tirei a minha família de Brasília e levei-a para Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Agora estou tirando-a de lá e levando-a para outro local. Então, a minha preocupação é com a exposição da minha imagem, porque facilitaria qualquer tentativa de atentado contra minha integridade física. Então, foi somente por esse motivo, como está no requerimento feito pelos meus advogados.

Quero dizer também que, em nenhum momento, deixei de atender qualquer solicitação desta CPMI para prestar esclarecimentos. Estou à disposição para todo e qualquer esclarecimento. Quero colocar que o episódio da minha participação nesse fato se dá no momento em que tomo conhecimento de que o empresário Arthur Wascheck estava com algum tipo de problema nos Correios, que eu não sabia qual era e que ele queria divulgar.

A partir de então, faço contato com a revista Veja e coloco para a revista Veja que um empresário tem interesse em divulgar uma matéria porque estaria passando por problemas nos Correios. De imediato, o jornalista da revista Veja me informa que, se fosse um fato de interesse jornalístico, ele participaria da referida matéria, o que foi feito.

Minha participação nesse episódio se dá na seguinte situação: o empresário dizendo a mim que não tem conhecimento técnico para realizar a produção de provas, eu me disponho a realizar uma pesquisa para que fosse adquirido equipamento de qualidade para que viesse à tona o que veio. Minha participação se deu no momento em que eu fui à feira do Paraguai, adquiri o equipamento, montei o equipamento, conheci as pessoas que iriam participar da gravação em determinado momento e orientei tecnicamente as pessoas como realizar essa gravação. Em todo momento em que havia contato entre essas pessoas que estariam realizando essa gravação e o Sr. Maurício Marinho, a revista Veja teve conhecimento do fato. Quando as gravações já estavam prontas, realizadas – essa gravação que veio à tona na revista Veja –, eu entreguei uma cópia ao Sr. Arthur Wascheck e entreguei uma cópia ao jornalista da revista VEJA. Assisti à fita com o jornalista da revista Veja no carro dele, no parque da cidade, em Brasília, momento em que tomamos conhecimento de que o Sr. Maurício Marinho havia recebido os três mil e que realmente aquilo que estava naquela fita deveria ser publicado, deveria ser divulgado, para que o Brasil tomasse conhecimento daquele fato. Minha participação se dá, nesse episódio, dessa maneira. Todo tempo que entrei nesse episódio eu tinha a consciência de que a minha participação se daria na facilidade de divulgar tal fato, o que foi feito. Todo momento o empresário Arthur Wascheck colocou para mim que queria a divulgação de tal fato, que queria a divulgação do que estava ocorrendo nos Correios.

Quero alertar aqui a todos que, independentemente da vontade do Sr. Arthur Wascheck, eu, Jairo Martins de Sousa, publicaria tal notitia criminis e, posteriormente, estaria pronto, como estou neste exato momento, para informar qual a minha participação nesse fato. Quero dizer que meu último contato com o Arthur Wascheck se deu no Setor Comercial Sul, num restaurante, se não me engano no início de maio, quando conversamos a respeito da divulgação, momento em que ele concordou comigo com a divulgação e seguiu seu caminho e eu, o meu, que foi o de autorizar a revista Veja a publicar tal fato. Minha participação se deu dessa maneira nesse episódio.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Relator.

O SR.  ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª com a palavra.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP)  – V. Exª, antes de chamar o depoente, informou que ele havia pedido uma reunião secreta e colocou em votação e a decisão foi unânime pela reunião aberta. Se ele não estava na sala, como ele está sabendo que se tomou essa decisão?

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Ele deve ter sido comunicado imediatamente. Não vejo problema nenhum nisso, Sr. Deputado. Não há nenhum problema nisso, em ele ter sido comunicado. Teria que ser comunicado.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Questão de ordem, Sr. Presidente.

Ele não colocou a ficha dele, quem ele é...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Isso pode ser indagado, Deputado.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Mas na entrada ele precisa dizer quem ele é.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Ele já concluiu.

Com a palavra o Relator.

Acho que todo mundo tem o direito de fazer essas perguntas para ele.

Com a palavra o Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, senhor depoente, nessa linha de curiosidade do Deputado Jamil Murad, gostaríamos que V. Sª nos fizesse maior referência sobre a sua vida, o seu currículo, a sua participação, eventualmente, em alguma outra gravação que tenha sido matéria bastante conhecida e que V. Sª, aliás, noticiou quando ouvido na Polícia Federal. Já avançando um pouco, V. Sª participou da gravação do conhecido episódio Waldomiro Diniz? V. Sª participou, também, do conhecido episódio do Procurador da República Santoro? Já fez referência que desde o episódio André Luiz teria sido ameaçado e vem sendo ameaçado, mas reafirmo a pergunta para que, de alguma forma, V. Sª nos esclareça se participou também da gravação relacionada ao ex-Deputado André Luiz.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Quero dizer a V. Exª que participei de duas gravações: a gravação do Deputado Federal André Luiz e a gravação do Deputado Estadual Alessandro Calazans. Somente essas duas gravações. Nos outros dois episódios eu não tinha contato com o Sr. Carlos Ramos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem o contatou para que efetuasse essas gravações, aquelas que V. Sª acabou de confirmar que realizou?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Com todo respeito, vou responder a V. Exª, mas esses fatos já foram relatados numa comissão lá na Câmara dos Deputados e no Ministério Público, mas vou relatar, com todo respeito a V. Exª.

Esse fato se deu a convite de um amigo, Alexandre Chaves, que é meu amigo e que tem negócios com o Sr. Carlos Ramos, que me convidou para participar com ele dessas gravações.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª não participou da gravação do episódio Waldomiro Diniz?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor. Nesse período eu não conhecia o Sr. Carlos Ramos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na Polícia Federal, V. Sª reconheceu que participou do episódio do Subprocurador José Roberto Santoro.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Em momento algum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É o que está posto.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA  Então, está posto errado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª também faz referência – é um esclarecimento necessário –, V. Sª insiste em dizer, e aí contraria o depoimento prestado aqui pelo comerciante Arthur Wascheck, de que ele, o tempo todo, fez questão de que a gravação não fosse utilizada, a não ser internamente nos Correios, inclusive dizendo que a intenção era entregar a fita ao Diretor Antônio Osório. E, por várias vezes, abordado por V. Sª, insistiu que não deveria ser divulgada na Imprensa. V. Sª insiste?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA  Insisto. Insisto. Meu contato com ele foi sempre nesse caminho. Por esse motivo, trouxe a revista Veja para dentro do assunto. Insisto nesse assunto.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu esclareço um pouco as perguntas que estou formulando porque, de alguma maneira, há uma linha de investigação de que é muito estranho que V. Sª estivesse exatamente, dentro desse contexto, colocado alguém que já vinha atuando na “arapongagem”. A pergunta é: em que circunstâncias e como V. Sª explica essa extraordinária coincidência de alguém que tenha todo esse trabalho precedente voltado a esse tipo de investigação – que V. Sª diz ser investigação jornalística – coincidir que, num bar, encontra com o Sr. Arthur Wascheck?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, eu só gostaria, se me permitem, de fazer somente uma corrreção de arapongagem. Não é arapongagem não. Eu fui um agente de operações de Inteligência durante nove anos. Fui sim. Porém, tem quatro anos que eu já não estou na atividade de Inteligência. Busquei uma faculdade, estudei, paguei caro, me formei e não desempenho mais atividade de arapongagem. O que me move – entendeu? – é o interesse jornalístico.

Todas as vezes em que eu participei desses dois fatos que V. Exª coloca, eu, de imediato, trouxe uma revista para dentro do assunto. Então, eu queria colocar para V. Exª que eu não desenvolvo atividade de arapongagem. Fui, não me envergonho, tenho muito a agradecer à Agência Brasileira de Inteligência, na qual eu passei nove anos como agente de operações de Inteligência. Hoje, não faço arapongagem. Hoje, o que me move é o interesse público, a questão jornalística.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, atualmente, presta que serviços, sobrevive do quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Atualmente, eu sobrevivo de uma empresa que eu tenho, junto com meu pai, que é de monitoramento de alarme. Em 2004, eu faço uma alteração para poder atuar na área de comunicação, alteração essa que está aqui, que vai ser juntada, a alteração da empresa. Vai ser juntada também a minha mensalidade paga no Sindicato dos Jornalistas e vão ser juntados os documentos que comprovam onde eu me formei em Jornalismo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª se formou quando em Jornalismo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu me formei no ano passado, em 2004.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Portanto, as atividades precedentes ainda não eram de um jornalista.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – As atividades precedentes, não. As atividades...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As gravações?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA– As gravações, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se V. Sª se formou no ano passado...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu gravei no ano passado, no final do ano e gravei este ano.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)– V Sª conheceu na Abin um cidadão que se chama, um funcionário, Edgar Lange Filho?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Conheci, claro que conheci. Passei nove anos na Agência e conheço o Edgar Lange Filho.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse cidadão, nessa operação de gravação do comerciante Arthur Wascheck, manteve contato com V. Sª?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Em momento algum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª nunca o abordou nem ele fez qualquer referência a que estivesse procedendo a uma investigação nos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu fazer referência para ele ou o inverso? Não entendi a pergunta de V. Exª.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª nunca o abordou em relação a trabalhos que estava realizando, de investigação, tampouco ele lhe fez referência de que ele estaria procedendo a uma investigação para a Abin nos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor, em momento algum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª é policial? Atua ou atuou na Polícia Militar?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Atuei. Inclusive fui requisitado na Abin através da minha função na Polícia Militar. Sou policial militar afastado das atividades sem remuneração. Com uma licença, tenho direito a permanecer sem remuneração.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª prossegue com licença sem remuneração?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor. No momento estou em licença, sem remuneração.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na Abin, V. Sª também era alguém concursado ou era agregado? Como era?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Na Abin, eu era requisitado. Ela tem autoridade para requisitar qualquer servidor público, seja federal ou estadual. Lá, eu estava requisitado pela Abin.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece Casser Bittar?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Casser, eu conheço. Eu não sabia que o nome dele era Bittar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Poderia esclarecer quem é esse cidadão?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA  – Hoje eu me lembro de que foi ele – acho que foi ele – que assinou para mim nesse bar. Havia umas quatro pessoas. É um amigo meu, Casser Bittar. É isso mesmo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele que, no bar, lhe fez?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ele que assinou para mim na mesa. Hoje eu me lembro de que foi ele que assinou. É um menino novo. Ele que assinou para mim essa mesa. Não tenho quase contato com ele. Eu o conheço através de... Ele mexe com negócio de construção, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele tem algum parentesco com o Cachoeira?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não sei informar. Sei que o conheço de uma construtora. Ele mexe com negócio de construtora, e de vez em quando eu coto para ele câmeras, coisas de alarme, câmeras de vídeo, esse tipo de coisa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Foi ele que apresentou a V. Sª o Arthur Wascheck?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Acho que foi ele sim. É, foi ele sim. Ele estava nessa mesa sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No depoimento à Polícia Federal, V. Sª informou que os primeiros serviços que prestou a Arthur Wascheck foram os concernentes à gravação audiovisual do Maurício Marinho. V. Sª confirma?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O jornalista Policarpo Júnior afirma que ouviu, na primeira gravação, referências ao Deputado Roberto Jefferson. Arthur, por sua vez, ouviu referências a Marcos Vinícius, genro do Deputado. V. Sª ouviu a primeira gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, eu acredito ter ouvido uns 15 a 17 minutos. Lembro-me de não a ter ouvido toda, mas me lembro de ter ouvido de 15 a 17 minutos. Eu não tenho paciência; não ouvi toda não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E na gravação havia essa referência a essas pessoas? Que referências eram?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, aí eu fico com medo de cometer alguma injustiça. Mas eu acho que havia referências sim. Ao genro dele, eu acho que nessa primeira fita havia referência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Referências a quê? A que atividades? A que participação? Enfim, foram referidos em que sentido?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ah, eu acredito que no contato, porque o Maurício Marinho informou que teria contato com ele. Eu acredito que seja nesse sentido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nas conversas que V. Sª teve com o Maurício Marinho, ele comentava a respeito de esquemas nos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu nunca estive com o Maurício Marinho, não. Eu não conheço o Maurício Marinho. Conheço agora. Nunca estive com o Maurício Marinho.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E com o Arthur Wascheck? Ele comentou sobre esquemas nos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, em momento algum. No início, ele só falou que tinha um problema e que queria divulgar, e eu providenciei os equipamentos para divulgação. Não me informou que tipo de problema.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu só informo a V. Sª que, na delegacia, V. Sª fez referência a que Arthur teria dito que havia esquemas nos Correios.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, ele falou que estaria com problemas nos Correios. O tipo de problema eu não sabia não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A que horas V. Sª entregou a maleta para gravação ao Joel, no dia em que ela se procedeu, no dia 12 de abril passado?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu acredito que às 14 horas e 50 minutos. Quatorze e cinqüenta.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É só para esclarecer que temos exatamente essa dúvida, porque o João Carlos Mancuso fala que foi às 17 horas.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, 14 horas e 50 minutos. Na porta do edifício dos Correios.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª confirma as declarações à Polícia Federal de que não se encontrava em uma caminhonete branca, quando entregou a maleta ao Joel?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu não me recordo de estar em uma caminhonete branca porque eu não tenho caminhonete branca. Não me recordo. Mas eu acho que não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas quando procedeu à entrega, V. Sª estava em que veículo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu poderia estar numa Blazer, mas não branca. Escura. Eu poderia estar nessa Blazer escura.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe se o Alemão se vale de uma Blazer branca?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, não tenho... Não tenho essa informação.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece Paulo Ramos?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Conheço. Paulo Ramos, conheço. Esse é meu amigo pessoal.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª pode esclarecer qual é a atuação dele?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA  – Ele, hoje, eu acho que é o Diretor de Operações de Inteligência da Abin.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nesse intervalo em que V. Sª foi contatado com o Arthur Wascheck, de lá para frente, V. Sª se encontrou, conversou com esse seu amigo, o Dr. Paulo Ramos?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Conversar pelo telefone eu me recordo que conversei. Mas encontrar com ele, não me recordo de ter encontrado pessoalmente. Mas por telefone conversei com ele. Nunca sobre o assunto. Nunca sobre o assunto. Porque até mesmo o conhecimento que eu adquiri de Inteligência me dá o seguinte direcionamento: ou você vai por um caminho, que é o jornalístico, ou você vai por outro caminho, que é o da Inteligência. Os dois juntos não combinam. Então, em momento algum, eu conversei sobre esse assunto com o meu amigo Paulo Ramos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª não procedeu a nenhuma varredura nos equipamentos de comunicações do Arthur, na empresa do Arthur ou na empresa de V. Sª?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Esse é um fato até que, tomando conhecimento do depoimento dele, eu quero relatar, que eu não havia relatado, por esquecimento, e corrigir uma injustiça que eu fiz. Eu cometi uma injustiça no meu depoimento na Polícia Federal. Hoje, eu me lembro perfeitamente. Foi feita uma varredura sim no escritório dele. Mas não foi por mim. Foi por outra pessoa. Eu somente indiquei a pessoa. E quem acompanhou essa pessoa foi o sócio do Sr. Arthur. Então, foi nesse momento que eu tive contato com o sócio, quando eu coloquei a pessoa que iria fazer o trabalho com ele. E eu coloquei que ele estaria sabendo da gravação. Depois, sentado, eu me lembrei. Falei: “Eu acho que eu fiz uma injustiça com o sócio dele”. Eu não tinha estado com ele, eu acho, no momento antes das gravações. Essa eu acho que é a injustiça que eu cometi. Eu não fiz a varredura. Eu intermediei a varredura.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª faz referência a que se encontrou com Arthur Wascheck no bar, esse encontro é precedente à varredura?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Esse encontro é precedente à varredura.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa varredura foi procedida por uma empresa que se chama SAM – S, A, M?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, não, não. Essa varredura foi procedida por um amigo meu. Não tem nada de empresa não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tem participação em alguma empresa que se chama SAM ou S A M?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não. É AMS.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – AMS?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É. Tenho participação sim. Junto com meu pai. É uma empresa de monitoramento de alarmes. Alarmes de segurança. Alarmes comerciais e residenciais.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não foi essa empresa que prestou o serviço de varredura?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não. Em momento algum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Arthur disse que inclusive as pessoas estavam com os uniformes com esses dizeres.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não. Em momento algum. Não, eu estava, uma vez que encontrei com ele, no escritório dele, com uma camisa minha que traz o nome da empresa. Traz o nome da empresa, por isso ele sabe o nome, porque eu tinha que passar em alguns outros clientes e estava com a camisa da empresa. Mas, em momento algum, foi a minha empresa. Eu só intermediei uma pessoa para fazer essa varredura.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª foi abordado a propósito da intenção da gravação, há uma divergência entre a informação de V. Sª e a do Arthur Wascheck. V. Sª dá a entender que ainda não dispunha dos equipamentos e que depois procedeu à compra. E o Arthur diz que V. Sª apresentou a ele e que ele alugou esses equipamentos. Portanto, que V. Sª os teria apresentado imediatamente e não que teria procedido à essa compra depois, propositadamente, em razão da contratação por Arthur Wascheck.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Não, posso afirmar que adquiri esse equipamento na Feira do Paraguai, aqui em Brasília. Você adquire um equipamento, e aí você monta...   Você não compra a mala, você adquire o equipamento e monta. Foi adquirido exclusivamente para essa atividade com ele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) Agora, uma opinião, já V. Sª não está como testemunha. V. Sª não acha estranho que alguém que tenha participado da gravação do caso do André Luís, que alguém que tenha participado... V. Sª nega, mas, enfim, fez referência, na Polícia, ao caso Santoro, têm-se informações – e que aí V. Sª também disse que não tem ligações com o caso do Waldomiro Diniz, mas acaba de reconhecer que é amigo e conhecido do genro. Esse que V. Sª diz não conhecer o parentesco é o genro do Cachoeirinha, o Bittar, que deveria ser ouvido hoje, o Cássio Bittar, que é o genro do Cachoeirinha. V. Sª não acha coincidência demais, uma pessoa que faz jornalismo investigativo, ocasionalmente, se encontrar num bar, encontrar com uma pessoa que não conhecia e que, imediatamente, é contratado, ou pelo menos contatado para proceder a uma investigação? A história que nós temos é que V. Sª se encontrou num bar, ocasionalmente, com alguém que tinha atrito com os Correios e que essa pessoa buscou o seu trabalho indicado pelo genro do Cachoeirinha. É uma coincidência da vida encontrar num bar em Brasília com essas pessoas?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Não, eu só quero informar para V. Exª que desconheço esse caso de o Cássio ser genro do Cachoeirinha, até mesmo porque conheço o Sr. Carlos Ramos e ele tem dois filhos pequenos. Então, desconheço tal fato. A coincidência se dá, realmente. Estava num bar, ele me chamou, se deu a coincidência, e essa coincidência se deu sim, e reafirmo que a história começou dessa maneira.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) Quando V. Sª prestou depoimento na Delegacia de Polícia Federal, fez referência a que Arthur perguntou ao declarante se esses fatos dariam uma matéria jornalística. Que fatos Arthur relatou a V. Sª, que V. Sª entendeu que dariam uma matéria jornalística?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA A questão de ter dificuldades nos Correios, de ter dificuldades em participar da licitação.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) Mas só o fato de alguém dizer que tem dificuldades em participar de uma licitação daria uma matéria jornalística? Que dificuldades eram essas?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Não, eu informo para ele que, se tivesse algum problema, que desse matéria jornalística, seria importante. Isso no primeiro contato.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) V. Sª reafirma que não recebeu nada pelo serviço?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Receberia a maleta, que hoje não está mais comigo. Apresentei-me à Polícia Federal, espontaneamente, prestei o meu depoimento – era um domingo – e entreguei a maleta para que ela fosse apreendida, periciada, para que tomassem as providências cabíveis.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) V. Sª participa de uma atividade como essa, que exige de certo modo até risco, enfim, para não receber nada!? Qual a intenção verdadeira?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA A maleta. A maleta é...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vender uma maleta?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, receber a maleta. Eu queria a maleta pra mim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Receber a gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, Excelência, a maleta. Eu queria receber a maleta. Como ele disse pra mim que ele só tinha esse interesse, eu solicitei a maleta pra mim. A minha consultoria pra ele seria o equipamento. O equipamento passaria a ser meu.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª já tinha algum contato anterior com o jornalista Policarpo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Já. O jornalista Policarpo foi o autor da matéria do Deputado André Luiz.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª pode informar o custo da maleta?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ela sai em torno de R$8 mil. Sete mil e pouquinho.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Arthur faz referência de que os equipamentos eram em torno de R$50 mil, e que V. Sª estaria cobrando aluguel, inclusive anunciou quantos dias seriam, três ou quatro dias, em que ela seria utilizada, e daí o pagamento de R$8 mil como aluguel.

V. Sª insiste que o que recebeu foi o pagamento da maleta, que esse era o custo da maleta?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Insisto.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Entre o episódio em que V. Sª comprou os equipamentos, V. Sª comprou os equipamentos, e, quando comprou, ainda Arthur não havia diligenciado as pessoas que procederiam à gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor. Perfeitamente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Entre a sua aquisição e o anúncio de Arthur de que já dispunha das pessoas para que atuassem, V. Sª poderia nos dizer mais ou menos o intervalo que ocorreu?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, Excelência. Isso aí não sei precisar não, até mesmo porque não fico direto aqui.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª manteve contato com o Joel?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Mantive contato com o Joel.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E era o Joel sozinho que procedia à gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Bom, o meu contato primeiro foi com o Joel sozinho. Na última vez que ele foi gravar, ele apareceu com uma pessoa, que ficou um pouco mais distante do recebimento do equipamento.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quantas vezes Joel procedeu à gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – O Joel, com o equipamento, esteve três vezes com o Diretor Maurício Marinho. Ele esteve três vezes com ele, carregando o equipamento. Porém, na primeira vez em que ele esteve lá, ele adotou um procedimento errado, que foi não conectar alguns fios; por isso não executou nenhum tipo de gravação. Existem, na verdade, duas fitas: essas duas fitas que foram divulgadas já.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Além de ter o conteúdo da fita, V. Sª alguma vez manteve diálogo, conversou com o Joel a respeito do que ele havia gravado, do que ele havia constatado, enfim, da surpresa que ele teve em relação à conduta de Marinho?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, não. Ele só passava pra mim, e a gente não conversava. Não desenvolvemos nenhum tipo de amizade, nenhum tipo de diálogo não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em que momento V. Sª tomou ciência de que Maurício Marinho anunciava, aos quatro ventos, o esquema existente dentro dos Correios? Quando foi a primeira vez que V. Sª ouviu falar que o Maurício Marinho abria a caixa, contando e revelando como era o procedimento interno, os esquemas, enfim, as interferências políticas?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, logo após a gravação. Logo após a gravação.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A primeira ou a segunda?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A primeira ele não deixa claro. Acho que na primeira ele não deixa claro não. Mas, na segunda, logo após a gravação, no dia seguinte, ficam bem claras as colocações dele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª assistiu à fita onde e com quem?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu assisti à fita com o jornalista da revista Veja, num míni DVD que ele tem. Assisti com ele. Acho que foi no Parque da Cidade, dentro do carro dele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tinha algum objetivo específico nessa repetida intenção de manter contato com a revista e levar a gravação ao Policarpo, ao jornalista...?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Com o objetivo específico?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Nesse fato?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que o movia? Ao invés de levar essa gravação a alguma autoridade para que tomasse alguma providência, ao invés disso, a primeira coisa imediatamente foi levar à imprensa.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Excelência, isso aí é um ato contínuo, a notícia crime, que foi dada pela revista Veja e que disponibilizou integralmente a fita na internet. No dia seguinte, as autoridades já tomariam conhecimento, a fita já estaria à disposição das autoridades e, então, o procedimento seria esse que está acontecendo agora.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª há de convir que quando nós atuamos, sempre temos uma razão de ser, um objetivo, um móvel que nos faz agir. E V. Sª disse que gravou sem pretensão nenhuma, a não ser receber – e ainda há divergência a propósito de ter recebido aluguel ou o valor da maleta. Portanto, V. Sª se diz tão desinteressado e, ao mesmo tempo, a primeira preocupação que tem é levar à revista. Pergunto: V. Sª não recebeu nada da revista? Qual a vantagem pessoal, perdoe-me a expressão, de V. Sª em ter participado desse evento?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A minha vantagem pessoal? O que me move?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Exato.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – O que me move é o meu País, é ver a melhora do meu País, é ver a melhora do Brasil. Quando tomei conhecimento do que estava acontecendo, independente de autorização ou alguma coisa, claro que eu levaria isso a...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então V. Sª, que trabalhou em duas instituições – trabalhou na Polícia Militar e trabalhou na Abin –, não acredita em nenhuma instituição oficial? V. Sª acredita que a solução do País vem por meio de divulgação de um caso como esse pela imprensa?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, aí o senhor está colocando uma coisa que eu não falei...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, mas eu lhe perguntei qual a razão que o levou...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu acredito nas instituições brasileiras. Acredito, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas não se valeu delas, preferiu...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu me vali, eu me vali delas, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª levou ao conhecimento de alguém esse fato?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Levei ao conhecimento da imprensa como ato contínuo para que as autoridades tomassem conhecimento, e espontaneamente compareci à Polícia Federal, prestei os meus esclarecimentos, entreguei o equipamento... Eu confio bastante na Polícia Federal.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez, nas conversas que ouviu com as pessoas com quem manteve interlocução, alguém fez referência a diretores, mais especificamente ao Diretor de Administração, o Sr. Antônio Osório, sobre a atividade dele dentro dos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Excelência, eu só mantive contato com o Sr. Arthur Wascheck para a execução dessa gravação e posterior divulgação. Não conheço nenhum diretor dos Correios, não conversei com ninguém sobre diretoria dos Correios. O meu papel foi somente este: dar condições para que fosse produzida a gravação e divulgar tal fato. Não conheço ninguém dos Correios.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As outras gravações que V. Sª fez e se reportou também eram por interesse público e não recebeu nada? Era o interesse do País?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Também, também. As outras duas, também.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, como sempre, eu tenho a liberdade de prosseguir no decorrer dos questionamentos e, se necessário, eu interferirei novamente. Mas, por ora, dou-me por satisfeito.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMSB – GO) – Tem a palavra o Deputado Eduardo Paes, por permuta com a Senadora Heloísa Helena, para as suas perguntas.

Vamos fixar os dez minutos? (Pausa.)

Aprovado pelo Plenário.

Teremos dez minutos improrrogáveis.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Dr. Jairo, Srªs e Srs. Parlamentares, esse caso da gravação é algo que esta Comissão vem ouvindo testemunhas ou indiciados ou pessoas sob investigação, há algum tempo, e confesso a V. Sª que nós aqui já ouvimos todo tipo de versão desqualificada para essa gravação. Inclusive, V. Sª hoje desmonta uma série de teses que alguns daqueles que o antecederam aqui apresentaram como verdades absolutas, principalmente o Sr. Arthur Wascheck.

Inicialmente, vou insistir em algumas questões.

Qual é de fato sua relação com o Sr. Cachoeira.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Hoje, ele é meu amigo. A partir do episódio do Deputado André Luiz, hoje ele é meu amigo. O meu sigilo telefônico está à disposição de todos da CPMI, que poderão constatar que, antes desse episódio, nunca tive contato com ele. Posterior a esse episódio mantive contato com ele e, hoje, é meu amigo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – De que forma ele está ajudando V. Sª episódio que, mais uma vez, V. Sª presta depoimento?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não está me ajudando de maneira nenhuma. Apenas, um amigo, não me ajuda em nada.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor afirmou aqui que não tinha qualquer tipo de relação com o Sr. Waldomiro Diniz. O senhor confirma essa afirmação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) –  O  senhor mantém algum tipo com atores políticos, com Deputados, lideranças partidárias?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, nenhum contato.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor já manteve?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Há um Deputado Federal que é meu amigo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Quem é o Deputado?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Bispo Rodrigues. Ele é meu amigo antes de se tornar Deputado, porque meu primo foi bispo da Igreja Universal, ficou 18 anos na Igreja. Esse é meu amigo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor já trabalhou na Câmara dos Deputados?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Trabalhei na Liderança do PSL, com o Deputado Valdecir Paiva, que também era meu amigo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Que foi assassinado.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Foi assassinado. Tenho conhecimento com ele pelo fato de o meu primo ter passado 18 anos na Igreja Universal.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas há uma série de pessoas que têm primos na Igreja Universal –  aliás essa igreja cresce cada vez mais – mas nem todas essas pessoas que são primos de freqüentadores ou de bispos da Igreja Universal ficam amigos do Bispo Rodrigues ou qualquer outra figura simplesmente por ter sido indicado para um cargo de Secretário Parlamentar, na Câmara dos Deputados.

De que forma houve essa aproximação entre o senhor e o falecido e assassinado Deputado Valdecir e o Deputado Bispo Rodrigues.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Tenho essa ligação, como já coloquei para o senhor, antes dele ser Deputado. Porque o meu primo também era bispo. Era bispo da cúpula da Igreja. Então tenho amizade com eles. Essa amizade vem antes de ele ser Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas que tipo de função V. Sª desempenhou na Liderança do PSL?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Atividade normal. Quero deixar claro, para que todos fiquem tranqüilos, não foi nenhum tipo de arapongagem, foi atividade parlamentar.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Que tipo de atividade parlamentar V. Sª desenvolvia. Fazia requerimentos, acompanhava processos...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Acompanhava o Deputado algumas vezes...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Fazendo...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Em algum lugar, às vezes, quando ele queria ir, eu acompanhava o Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Na função de quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Para ir com ele, somente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) –  V. Sª era como se fosse uma pessoa que acompanhava para nada?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu acompanhava o Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas que tipo de função V. Sª desempenhava na Liderança do PSL? Quero insistir nessa tese porque V. Sª foi Secretário Parlamentar nomeado num cargo, na liderança de um partido, portanto deveria ter alguma função. Acompanhar o Deputado para quê? Aonde?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA  A minha função quando eu estava na liderança, era atender o telefone, levar documento em algum lugar, quando ele me chamava para ir a algum lugar, eu ia com ele.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ele quem?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – O Deputado Valdecir.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª procedeu esse estilo de gravação , ou seja com Inteligência ou como jornalista, para o Deputado Valdecir?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Em nenhum momento.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Na Liderança do PSL?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Em nenhum momento.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Para o Deputado Bispo Rodrigues?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Também em nenhum momento.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – As suas relações com a Abin. Em seu depoimento, V. Sª diz que foi convidado a trabalhar na Abin porque o seu pai teria trabalhado no Exército e conhecia um militar que o convidou para trabalhar na Abin.

A Abin costuma – V. Sª passou muito tempo lá – contratar pessoas de fora?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não. Contratar serviços, não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Para serviços?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não. Contratar pessoas de fora, não. No meu caso, fui requisitado no período em que estive lá.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Mas eu digo o seguinte: V. Sª passou lá um bom tempo, nove anos. É isso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Quantos anos o senhor tinha quando começou a trabalhar na Abin? Vinte e poucos anos até trinta e poucos anos?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Vinte e quatro ou vinte e cinco anos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Em algum momento o senhor viu serviço sujo – vamos chamar assim -, a Abin tem o costume de chamar pessoas de fora, ex-agentes, figuras que o senhor conheça que tenham relações com os agentes da Abin, como é o caso de V. Sª neste momento?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Primeiro vou colocar para V. Exª que lá não se faz serviço sujo. Segundo, que nunca presenciei esse tipo de atividade lá.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor disse aqui que o Sr. Paulo Ramos, atual diretor da Abin, é seu amigo pessoal?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É meu amigo. Foi meu chefe, estive subordinado a ele quando estive por lá. Por isso, ficou meu amigo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Gostaria de voltar aqui à questão da mala, que causa curiosidade em todos nós, porque ela já custou R$50 mil, já custou R$8 mil. V. Sª comprou essa mala na Feira do Paraguai?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não se lembra onde?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Lembrar eu não lembro. Se eu for à Feira, posso indicar em que banca eu...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Se saíssemos daqui agora e fôssemos à Feira do Paraguai todos juntos, certamente V. Sª poderia apontar qual é a barraca?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Com certeza absoluta. Estando aberta, eu poderia apontar qual a barraca.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - V. Sª ainda tem essa mala?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A mala se encontra na Polícia Federal.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor teve uma série de contatos com o Sr. Wascheck, o suposto interessado, aquele que assume ter contratado todos os atores, inclusive V. Sª, para fazer a gravação; quais eram as intenções do Sr. Wascheck?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, posso falar das intenções que ele colocou pra mim, que eram gravar e divulgar esse fato.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Que fato? Ele disse o quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ele me falou que estava com alguns problemas nos Correios, em questão de licitações. Aí, quando eu falo a ele “que problemas?”, ele me responde: “Ah, estou com uns problemas lá, porque tem gente que fica cobrando propina. Então, eu disse: “Olha, isso é um negócio muito sério, você tem que ter provas disso aí!” Aí é quando eu entro na questão da...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – No seu depoimento à Polícia Federal, o senhor disse o seguinte: “Arthur relatou que, nos Correios, havia um esquema de corrupção, que passava por determinadas diretorias”. V. Sª disse isso no seu depoimento à Polícia Federal.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo. No segundo encontro.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - V. Sª tinha ciência, quando começou e quando estava gravando, de que V. Sª estava desmantelando um suposto esquema de corrupção em diversas diretorias. É o que V. Sª afirma.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A partir do segundo encontro. Fique claro que, no primeiro encontro, ele não me fala. A partir do segundo encontro, ele fala. Aí é quando eu peço a ele: “Então nisso você tem que ter provas.”

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito.

Há uma suspeita constante – e volta e meia aparece uma fita aqui – de que foram quatro gravações e de que seriam três fitas.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Já concluo, Sr. Presidente.

E apareceu a fita que foi utilizada na Veja, e a primeira fita surgiu na semana passada. V. Sª sabe por que tantas gravações?

A primeira, V. Sª disse que houve o problema de os fios não estarem conectados; mas, dos quatro encontros, três teriam sido gravados, e o Sr. Joel afirma que, em diversas oportunidades, diziam que a fita não estava boa; V. Sª tem conhecimento por que tantas gravações?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Tenho conhecimento de que foram quaro encontros, três com equipamento para produzir a gravação. Um não gravou por questões operacionais, e dois foram gravados. A questão de estar boa ou ruim não era questão minha; era questão do Arthur Wascheck com eles.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, está claro aqui – e já concluo, respeitando o meu tempo –, primeiro, que o Sr. Jairo tem ligações muito fortes com o Sr. Paulo Ramos, atual diretor da Abin – Agência Brasileira de Inteligência. O Sr. Jairo é ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência. E o Sr. Jairo também era sabedor - como afirma em seu depoimento e acaba de confirmar, apesar de não ter confirmado isso quando o Relator lhe indagou -, o Sr. Jairo sabia também que estava indo fazer gravações para desmantelar um esquema de propina em várias diretorias dos Correios. Portanto, Sr. Presidente, só para que a Comissão tome ciência, em conjunto com o Deputado Gustavo Fruet, estamos apresentando um requerimento para que a Abin encaminhe todos os relatórios sob a sua atuação na investigação das denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Isso é fundamental, porque fica claro, cada vez mais, que havia um envolvimento, sim, de atores da Abin se utilizando, em conexão com o Sr. Jairo, para investigar essas denúncias de corrupção. Não foi algo que surgiu pela simples vontade do Sr. Arthur Wascheck Neto, como temos dito aqui desde o início. O Sr. Arthur Wascheck também era um instrumento para se apurar essas denúncias.

Era isso, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.

Concedo a palavra à Senadora Heloísa Helena.

A SRª. HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, de fato, eu tinha me inscrito, porque eu queria inquirir o Sr. Fortuna. Como acabou sendo, por decisão do Plenário, modificada a ordem dos inscritos, eu não estava interessada em fazer, mas, já que estou no meu tempo e não vou poder preservar minha primeira inscrição para o Sr. Fortuna, que é, de fato, quem eu quero inquirir, vou tratar de algumas coisas aqui.

Primeiro, eu sei que o debate não está circunscrito a essa história de fita. Não convence mais ninguém o detalhe da fita. A fita poderá ser utilizada para desvendar toda uma rede de crime organizado montada no País, que vai desde a guerra de gangues partidárias até o parasitismo das instituições públicas. Então, não consegue convencer mais ninguém esse detalhe da fita. A cada dia aqui, vemos verdadeiras redes de sabotagem e chantagem que são montadas. É claro que o problema não é do feirante da feirinha do Paraguai, que, a esta altura, já deve ter fechado a sua banquinha e corrido de lá, com medo de sobrar para ele, porque sabemos que no mar da corrupção do País sempre sobra mais para as piabas, e nosso interesse é que sobre para os tubarões também.

O que eu questiono a V. Sª é que, em alguns momentos, tem uma memória preciosa para o relógio e não tem uma memória preciosa para outros detalhes. De pronto, respondeu o Relator: 14 e 50, que é algo que precisa de uma grande memória. Para as outras, o senhor não lembra bem quem é, quem não é, a cor, o carro, essas coisas que passam a ser quase que impressionantes, não podem ser risíveis, porque toda a rede de sabotagem e chantagem que seja montada, não é à toa que o senhor cometeu até um ato falho quando, no início, disse que não se tratava de arapongagem, e após, na resposta do Deputado Eduardo, imediatamente o senhor disse: “Não, era só trabalho legislativo”. Então, não era arapongagem, que é o nome comum que se dá a essa rede de gravações clandestinas, de sabotagem, de chantagem, coisa que sempre achei desprezível. O que eu pergunto ao senhor é o seguinte... Até porque todos nós sabemos que o Sr. Marinho está depondo no Ministério Público desde quarta-feira. Qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, sabe que ele não está desde quarta-feira depondo no Ministério Público sobre fita. Certamente coisas importantes para o interesse público virão também com esses depoimentos que ele está prestando no Ministério Público. O que eu questiono a V. Sª: o senhor está atestando aqui que, em nenhum momento, nenhuma pessoa da Abin ou da Casa Civil discutiu com V. Sª sobre esse fato, em nenhum momento ninguém discutiu com V. Sª, ou da Abin ou da Casa Civil sobre esse fato, em nenhum momento ninguém confessou a V. Sª sobre essas gravações clandestinas, sobre isso que estava sendo investigado, em nenhum momento ninguém da Casa Civil ou da Abin conversou com V. Sª sobre esse fato?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Atesto para V. Exª que, em nenhum momento, eu mantive contato com o pessoal da Casa Civil, até mesmo porque não tenho acesso, em nenhum momento eu também informei a pessoas da Abin sobre esse fato.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Quem organizou a abordagem, ou seja, a contratação dos dois que foram conversar com o Sr. Marinho? Qual o tema que ia ser discutido na reunião? Porque não consegue mais convencer ninguém. E disputas que se relacionam à Inteligência industrial, esses grandes debates, espionagem industrial, isso acaba interessando às pessoas que querem ler, tomar conhecimento sobre o fato. Agora, a abordagem como foi feita, ela desqualifica a disputa comercial de imediato.

Ora, se o Sr. Arthur Wascheck tinha interesse em determinadas mercadorias e determinados produtos, como é que toda a abordagem foi montada para tratar de alta tecnologia e de problemas relacionados às gangues PT, PTB e PMDB, as disputas partidárias? Quem montou essa abordagem, as perguntas a serem feitas, as pessoas que lá iriam? Quem montou? Foi o senhor também?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhora, Senadora. A minha participação foi só dar as condições do equipamento. Não participei de nenhum tipo de montagem, eu não sabia o que queriam em nenhum momento.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Quando o senhor foi no carro ver o CD com o jornalista, porque o senhor disse que não tinha visto a fita, e  por que achou interessante e acabou indo ver com o jornalista?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, eu tinha que – essa eu falo a segunda fita, a que foi publicada – ver a fita; vi um pedaço dela, não vi toda e, depois, caberia a ele assistir toda a fita para fazer a matéria. Eu não assisti toda a fita com ele, assisti parte da fita.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – É só, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª, Senadora Heloisa Helena.

Com a palavra o Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, só para informar ao Plenário, a propósito do requerimento do eminente Deputado Gustavo e do Deputado Eduardo, nós aprovamos um requerimento do Senador César Borges que é exatamente isso que estão pretendendo.

Requerimento: requisito a cópia do procedimento investigatório da Agência Brasileira de Informações sobre as denúncias de corrupção. Portanto, já há um requerimento aprovado.

O SR. GUSTAVO FRUET (PMDB – PR) – Só para um esclarecimento, Presidente, em cima do Relator: domingo saiu uma matéria no jornal Correio Braziliense com o seguinte teor: “Entre meados de abril e meados de maio, a Abin envia ao Gabinete de Segurança Institucional pelo menos quinze relatórios sobre o esquema de corrupção nos Correios, informando inclusive a existência do vídeo da propina. Contudo, o Ministro-Chefe do GSI, General Jorge Armando Félix, não leva o caso ao conhecimento da Presidência da República”.

Esse é mais específico. Nós entramos com um também, junto com o Senador César Borges, pedindo inclusive a convocação, mas, com esse dado, ficou específico, e pela primeira vez vem a público a informação de que a Secretaria de Segurança Institucional tinha conhecimento da gravação. Então esse requerimento vem especificar o pedido já anteriormente aprovado.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o ilustre Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto. Para suas perguntas, dez minutos.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Parlamentares, Sr. Jairo, venho insistindo na tese de que nós deveríamos estar dedicando o nosso tempo para ouvir as figuras centrais de todo o episódio de corrupção que, infelizmente, hoje entristece o País e que atinge diretamente o Governo Federal e parte do Poder Legislativo. Acho que a oitiva das pessoas envolvidas na gravação, os arapongas ou qualquer nome que se queira dar deveria ser objeto do trabalho da Polícia Federal. Mas, muito bem, vamos cumprir com o nosso dever.

Sr. Jairo, o senhor colocou de forma muito clara que o empresário Arthur Wascheck, desde o início, na primeira vez que lhe procurou, deixou muito explícito que o interesse dele era dar publicidade à gravação. O senhor reafirma o que disse?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Reafirmo, sim, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Porque o Sr. Arthur Wascheck, no depoimento prestado à Polícia Federal e no depoimento prestado a esta Comissão Parlamentar de Inquérito, declarou o seguinte: que marcou um encontro com Joel em seu apartamento, juntamente nesse encontro fixou para Jairo que aquela gravação não podia vazar para a imprensa. Então...

Sr. Presidente, eu peço silêncio ao Plenário, é impossível.

Senadora Ideli, eu gostaria de solicitar a V. Exª que, por favor...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – A palavra está com o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, Sr. Presidente, o empresário Arthur Waschek afirmou claramente a esta Comissão e à Polícia Federal que deixou explícito para o Sr. Jairo que não gostaria de que a gravação vazasse para a imprensa. E, no entanto, o Sr. Jairo nos afirma aqui que o Sr. Waschek, ao contrário das declarações dadas, ele informou que gostaria de dar publicidade à gravação.

Não é isso, Sr. Jairo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo sim, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Isso corrobora com uma tese que eu venho sustentando desde o início de que o Sr. Arthur Waschek não estava apenas motivado com o objetivo de enquadrar o Sr. Maurício Marinho, com o objetivo de levar a conhecimento da diretoria da Empresa de Correios e Telégrafos que o Sr. Marinho era um funcionário público corrupto, que agia de forma indevida. O Sr. Arthur Waschek queria muito mais. O Sr. Arthur Waschek revelou, confessou ao Sr. Jairo, desde o primeiro encontro, que pretendia dar publicidade à gravação. Aí eu pergunto ao Sr. Jairo: em algum momento, o Sr. Arthur Waschek fez alguma referência, fez alguma menção de que pessoas ou que outras figuras poderia também ter interesse em dar publicidade a essa gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, em momento algum, nós conversamos sobre outras pessoas, ficou só na questão de querer dar publicidade e eu dar publicidade, não conversamos sobre...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor assistiu à primeira fita que foi gravada e que permitia, com clareza, perceber-se as atitudes do Sr. Maurício Marinho? Porque, pelo que nós aqui pudemos depreender, foram feitas 3 gravações...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Duas.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ...a primeira, imprestável.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, a primeira não gravou.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não gravou?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não gravou.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Imprestável. A segunda gravação, o senhor teve acesso a essa gravação.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Assisti em torno de 15, 17 minutos.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O que nos foi dito nesta Comissão é que essa gravação, e nos foi dito pelo Sr.Joel, já seria suficiente para enquadrar o Sr. Maurício Marinho como funcionário corrupto. O senhor confirma isso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, eu não assisti ela por completo, eu acho que eram 54 minutos, eu não assisti por completo. Nesses 15 minutos que eu assisti, eu não me recordo se já tinha fatos...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor está me dizendo...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu sei que ele cita, como eu confirmei aqui, que tinha ligações com o genro nessa fita, nessa primeira fita.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor está me dizendo que essa fita tinha uma duração de 54 minutos? O senhor confirma isso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu acredito que tinha por volta de 50 minutos, alguma coisa nesse sentido, a primeira fita, que é a segunda que apareceu, essa é a primeira fita.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem. A segunda fita, pelo que nós analisamos, tinha 1h54min, a primeira fita tinha 33 minutos. Então, V. Sª está se contradizendo.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, eu estou dizendo para V. Exª que eu...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não tem segurança na afirmação que está fazendo.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA - ...não assisti ela toda, acreditava que tinha sido em torno de 50 e poucos minutos.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. S[ sabe por que o Sr. Waschek pediu ao Joel que requisitasse o apoio de um profissional da área de informática para proceder à segunda e última gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor, Exª, foi surpresa minha, quando cheguei no local e se encontrava outra pessoa por lá.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Em que local?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Próximo ao prédio dos Correios.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ficou claro que V. Sª, além de ter prestado serviços para a Abin, durante, pelo menos, 9 anos, mantém, até hoje, um relacionamento muito estreito, muito próximo com pessoas que ocupam cargos importantes dentro da Agência Brasileira de Inteligência. Eu aí pergunto a V. Sª: qual é exatamente a relação que V. Sª tem com o Sr. Alemão, Sr. Edgar Lange?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Nenhuma. Foi meu amigo de trabalho no tempo em que estive por lá. Meu amigo, como eu já falei aqui, é o Sr. Paulo Ramos, esse é meu amigo.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – As relações com o Sr. Alemão foram interrompidas depois que o senhor saiu da Abin?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, não foram interrompidas; nem foram aumentadas, nem interrompidas. Não. Quando eu estava por lá, era meu amigo. Como não freqüento mais o ambiente, a gente não tem contato.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor teve conhecimento de uma operação da Abin dentro da Empresa de Correios e Telégrafos com o objetivo específico de analisar os contratos de uma empresa denominada Unisys?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor. Tive conhecimento posterior, divulgado no jornal Correio Braziliense, de que eles estavam trabalhando nos Correios.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª poderia nos afirmar se haveria possibilidade de uma ação ser realizada pela Abin dentro de qualquer órgão público sem que isso passasse por uma decisão expressa do responsável principal pela Agência Brasileira de Inteligência?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não sei afirmar. Nesses casos específicos, não sei informar.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor conhece o Sr. Molina?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor conhece o Sr. Fortuna?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu gostaria de dizer que o Sr. Fortuna declarou à Polícia Federal ter trabalhado na Abin no mesmo período que V. Sª. V. Sª afirmou aqui que mantinha relações com os seus colegas de trabalho. Será que o senhor não encontrou com o Sr. Fortuna no mesmo período que ele trabalhou na Abin?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não. O Sr. Fortuna, pelo que li nos jornais, trabalhou na década de 80. Sou da década de 90. Que eu saiba, não no mesmo período que eu.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pergunto a V. Sª: o senhor tem conhecimento de uma possível pressão que o Sr. Fortuna pode ter recebido por parte do Sr. Alemão para assumir a autoria das gravações?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor. Não tenho esse conhecimento, não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nunca teve conhecimento dessa informação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Também, a fita que foi entregue à revista Veja – ela foi entregue por V. Sª e V. Sª já admitiu isso...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A fita que foi entregue à revista Veja reproduz a segunda gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor. Segunda gravação.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª acha que houve uma edição anterior ou posterior à entrega à revista Veja?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Edição, não. A fita está na íntegra.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O que a revista Veja publica é a íntegra da segunda fita?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É a íntegra da segunda fita que ela disponibiliza no site dela.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Que V. Sª disse ter 54 minutos?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – E que eu já mostrei aqui que são 33 minutos?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor. Essa fita, essa segunda que o senhor fala, a segunda, ela é a primeira. Essa segunda fita que o senhor fala, ela é a segunda...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não, é a primeira que foi...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Que foi feita?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Aproveitada. É isso que estou perguntando. É a primeira que foi aproveitada e foi entregue à revista Veja por V. Sª?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, não. A que foi aproveitada, sim, senhor. Aí, essa tem 1 e 50 e poucos.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A gravação que V. Sª entregou à revista Veja tem 1 hora e 54 minutos?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É essa que tem 1 hora e 50 e poucos minutos.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Foi a que V. Sª entregou à revista Veja?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª reafirma isso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Reafirmo isso.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A última pergunta, Sr. Presidente, para não desrespeitar o tempo: o Sr. Wascheck afirmou que já havia contratado a empresa de V. Sª para prestar um serviço de varredura numa empresa de alarmes, que as pessoas, inclusive, foram até a residência dele e às empresas dele com uniformes da vossa empresa. V. Sª já disse que isso não procede.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, só...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Que indicou um amigo para fazer o serviço. Aí vem a história da mala. Vem a história da mala. Porque o Sr. Wascheck é claro em dizer que hora nenhuma teve qualquer interesse de adquirir os equipamentos. Hora nenhuma teve interesse. Que pagou pela utilização por quantas vezes teria sido utilizado aquele mesmo equipamento, certo? Óbvio que ficou uma dúvida na cabeça de todos nós, porque V. Sª não iria fazer isso por mera liberalidade, investir recursos próprios na aquisição de uma mala sem que houvesse qualquer contraprestação. Fica mais claro que o pagamento que o Sr. Wascheck fez a V. Sª foi justamente nos equipamentos. Foram os equipamentos que ficariam de posse de V. Sª. Quero perguntar a V. Sª: o Sr. Wascheck investiria tanto para fazer uma gravação, utilizando de um requinte bastante sofisticado, de procedimentos muito duvidosos e até, por que não dizer, criminosos? O Sr. Wascheck recorreria a V. Sª por uma mera indicação ou ele sabia que V. Sª tinha uma experiência larga e acesso a pessoas que trabalham na Agência Brasileira de Inteligência?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor. Não tem... Ele não tinha conhecimento da minha vida, da minha atividade, foi meramente a indicação de uma pessoa. Não comentei...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, eu...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA - ...não comentei, em nenhum momento, qual a minha atividade com ninguém.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu concluo, agradecendo a V. Exª e deixando evidente que todos que aqui sentaram até o presente momento que estão envolvidos nesse esquema de arapongagem, entraram em contradição, mentiram na Polícia Federal ou mentiram aqui, entendeu, ou então, de fato, estão encenando uma grande mentira para poder desviar o foco das investigações desta Comissão Parlamentar de Inquérito.

Eu agradeço, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – A Comissão apurará tudo, Sr. Deputado.

Com a palavra a nobre Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT - SC) – Sr. Jairo, o senhor conhece o Coronel Loureiro?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Coronel Loureiro foi quem, na época, era o Chefe de Operações, quando eu fui para a Agência Brasileira de Inteligência.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele era o chefe...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – De operações.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...de operações. E o senhor confirma que o seu pai trabalhou durante 33 anos no Centro de Inteligência do Exército?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Confirma? E que o Coronel Loureiro conhecia o seu pai?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Deveria conhecer, né? Deveria conhecer.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, foi por indicação desta amizade do seu pai que o senhor foi parar então na Abin?

O R. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É, com pessoas que eram amigas do meu pai e que trabalhavam na Abin, que tinham ligações Exército com a Abin.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Com a Abin.

Quando o senhor disse que tomou conhecimento que a Abin estava investigando os Correios, que época que foi que o senhor descobriu?

 O SR. JAIRO MARTINS – Matéria publicada no Correio Braziliense.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Só pelos jornais?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Só pelo Correio Braziliense.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas o senhor respondeu: eles estava trabalhando nos Correios. O senhor sabia quem estava trabalhando nos Correios.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eles, que eu digo, a Abin.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A Abin?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É, matéria...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor não sabia quem era?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, a matéria dizia do Edgar Lange, né, estaria trabalhando no Correio.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor nunca se encontrou com o Alemão agora nesses últimos temos?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nenhuma vez?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Nenhuma vez.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nenhuma vez. O senhor não encontrou com o Alemão no hall dos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Entre a sua entrada e saída, nunca se encontraram?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, posso atestar para a senhora que isso nunca ocorreu.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nunca ocorreu? Em nenhum momento?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Nenhum momento. Inclusive, lá é gravado, né, em nenhum momento.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ah, pois é! Lá é gravado?

Eu já quero aproveitar, Presidente, para requerer, se não foi requerido até agora a fita do dia 12 de abril do hall dos Correios, porque há informações de que houve o encontro do Sr. Jairo com o Alemão no hall dos Correios Então, eu quero já requisitar a fita. E quero requisitar mais: parece que essa fita desapareceu e, se ela desapareceu, já quero requerer que seja levantado, se há sindicância para descobrir quem é que sumiu com a tal da fita.

O senhor disse aqui que participou de gravações no caso do Maurício Marinho... qual mais?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Deputado André Luiz.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Deputado André Luiz.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – E o Deputado Estadual Alessandro Calazans, do Rio de Janeiro.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Calazans.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA -  Sim, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nos 3 casos, quanto é que o senhor recebeu po rcada uma dessas gravações, desse serviço?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – No dois primeiros casos, não recebi nada, foi um amigo meu que me convidou, que me relatou a história e, no segundo caso, eu recebi a maleta.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, no caso do André Luiz e do Calazans, o senhor por favor. Quem é o amigo que pediu?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Era um caso só, Alexandre Chaves.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Alexandre?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Chaves.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Chaves.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É um amigo meu.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual é a sua relação com Alexandre Chaves?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ele é meu amigo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quem é o Sr. Alexandre Chavez?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ele é um empresário aqui em Brasília, é amigo meu.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele é um empresário de que?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ah! Senadora, ele tem algumas coisas de construção, publicidade, eu acho, não, não sei qual o ramo específico da atividade dele.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas o senhor é... Porque veja bem, o Casser Bittar foi quem apresentou o senhor, o Casser Bittar, o parente do Cachoeira, né?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É disso aqui que é genro?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Desconheço.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas foi o Casser Bittar que apresentou o senhor para o Arthur Waschek?

O SR. JAIRO MARTINS – Isso. Coincidentemente, num restaurante em Brasília.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Tudo bem. Aí, o senhor levado também a fazer as gravações do André Luiz e do Calazans pelo empresário...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Alexandre Chaves.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Alexandre Chaves. Então, o senhor é amplamente conhecido como um gravador ambulante.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, eu fui 9 anos da atividade, né? Então...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ah! Então, a fama é ampla, geral e irrestrita. Mas o senhor disse aqui que fez isso pelo interesse da Nação e como jornalista investigativo. O senhor disse aqui também que fez isto combinado com o Jornalista Policarpo. O senhor confirma?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não entendi. Entendi, não entendi. Como a senhora...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Foi o senhor que disse.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Combinado.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É porque o senhor que disse.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu disse que todo o momento eu fui acompanhado pela revista. Quando eu tomo conhecimento de um fato desse que é para ser divulgado, eu não tenho veículo, Senadora, eu tenho que trazer um veículo. Eu trouxe a quinta maior revista maior revista do mundo para dentro do assunto.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Para dentro assunto.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O Senhor fez isso no caso do Maurício Marinho?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Perfeitamente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Fez isso, no caso do André Luiz?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Perfeitamente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Fez isso, no caso do Calazans?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Perfeitamente.

A SRª IDELI SALVATTI(PT – SC) – Então, o senhor é uma espécie de funcionário da revista Veja para arapongagem?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – N ão, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas é muito coincidência três episódios nos três o senhor é quem faz as gravações que dão a...Então, eu  quero saber. Tem vínculo direto ou indireto com a revista Veja?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não tem vínculo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E quanto é que o Policarpo Quaresma lhe paga para fazer esse serviço para ele?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, não paga nada.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não paga nada. Só de bondade, só de amor à Pátria. 

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É um amigo meu.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Amigo. O senhor tem muitas amizades, não é, senhor Jairo? Bastante amizade. Mas amizades que provocam determinados serviços que têm interesses econômicos, empresariais e de corrupção e de crime organizado, como é, no caso lá do André Luiz e do Calazans, isso tudo por amizade, faixa, só faixa.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, os meus amigos me convidam, aguçam a minha...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Aguçam a sua cobiça.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, aguçam a minha intenção de ajudar, a minha intenção jornalística, a minha intenção de prestar um serviço, eu vou e faço.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O conhece Armando Virgílio dos Santos Júnior?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não conhece.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nunca ouvir falar, nem sabe que é o antigo Diretor das Loterias do Estado de Goiás, ligado ao Carlinhos Cachoeira. Não tem nenhuma ligação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Nenhuma ligação.

A história da varredura, o senhor disse que foi feita por outra pessoa. Quem é que fez?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É um amigo meu de nome Francisco.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Como é que é o nome?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Francisco.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Francisco do quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ah, Exª, sobrenome eu não sei. Mas é Francisco. Qualquer momento que a Comissão quiser, eu procuro e aponto quem é.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor disse que este Francisco, que o senhor não sabe das quantas, foi acompanhado na varredura pelo sócio do Arthur Wascheck.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É isso? O senhor confirma?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O Velasco acompanhou na varredura.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Porque aqui ele mentiu dizendo que não sabia de varredura. O senhor confirma, então, que ele acompanhou na varredura?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E o senhor confirma também que não foi o senhor que fez a varredura.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Confirma. Então, o Washeck também mentiu aqui porque ele deu no depoimento aqui que foi o senhor que fez a varredura.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo que não fui eu.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Só mentira, só mentira.

A questão do carro. O tal do carro com aquela hora tão precisa que o senhor deu lá de 14h50, era, efetivamente, a blazer escura?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu acredito que sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor acredita.

Mas o senhor tem uma blazer escura?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Tenho. Eu não tenho carro...

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Tem outros carros, não?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu não tenho carro branco.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – O senhor não tem carro branco.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu não tenho carro branco.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – O senhor não tem carro branco.

Então, Sr. Presidente, eu já quero requerer os veículos de propriedade do Sr. Jairo e também do Sr. Alemão. Porque requerer informações – é claro, não o carro, estou dispensando o carro – dos veículos porque se confirmado o encontro no hall dos Correios pode ter sido o veículo do Sr. Alemão e não do Sr. Jairo que estivesse sendo utilizado naquele momento.

Para completar, Sr. Presidente, eu queria ainda fazer aqui uma seqüência. O parente do Cachoeira lhe apresenta o Arthur. Aí o Arthur combina o trabalho da gravação com o senhor. É isto?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Essa relação de parente se a senhora disse que o Casser me apresentou, confirmo.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – É isso. Confirma.

Aí o senhor combina o trabalho com o Arthur.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Naquele primeiro momento, não.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Quando?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Posterior a um segundo encontro que eu tenho com ele, casualmente, num restaurante.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Num segundo encontro casual.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Isso.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Num segundo encontro casual.

E aí quando é que o senhor fala com Policarpo, entre um encontro e outro, depois do segundo encontro.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – No segundo encontro. Posterior ao segundo encontro.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT-  SC) – Depois do segundo encontro.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Isso.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Aí o que que o senhor diz para o Policarpo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Que tem uma pessoa que está querendo denunciar algumas irregularidades que estariam acontecendo nos Correios.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Nos Correios.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT-  SC) – Mas não disse quais.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não. Eu também não sabia.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – O senhor também não sabia. Em nenhum momento o Arthur lhe passou qual era o motivo da necessidade dele...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Posterior, ele fala que é problemas, questão de licitação e corrupção. Mas eu não sei quem, por que não sei, eu não sabia nada disso.

A SRª IDELI SALVATTI  (PT – SC) – Bom, aí a primeira fita dá errado, tem lá o problema, o Joel não conecta direitinho, dá errado. Aí grava a segunda. É isso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É sim senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quem ouve a segunda fita?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Quem ouve a segunda fita?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quem ouve e vê a segunda fita?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu ouvi quinze minutos, mais ou menos, e entreguei para...

A SRª IDELI SALVATTI (PT –  SC) – O senhor e mais quem?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu ouvi sozinho, acho.

A SRª IDELI SALVATTI (PT –  SC) –  O senhor ouviu sozinho?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Acredito que sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT –  SC) – E entregou para quem?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Entreguei para o Arthur Wascheck.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Entregou para o Arthur Wascheck?

Por que o senhor não entregou essa fita para o Policarpo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu iria entregar depois da autorização dele, eu queria que ele fosse o denunciante. Não entreguei essa fita.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, o senhor entregou a primeira fita só para o Arthur, não entregou para o Policarpo Quaresma – troquei o sobrenome, por causa do personagem do Machado, vá lá...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Júnior.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas, então, a segunda, a primeira fita que deu certo o Policarpo não ouviu? O Arthur Wascheck é quem teria que dar a autorização para?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu queria que ele, como empresário, que queria denunciar o fato, fosse até o jornalista, relatasse o fato, queria que acontecesse isso. Eu queria que acontecesse isso.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E a terceira?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A segunda, não é?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A terceira aqui, deu certo, a segunda, aí qual é a cronologia disso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Aí eu entrego uma para ele e entrego uma para o jornalista, uma para o Wascheck e outra para o jornalista.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E o senhor entrega para o jornalista primeiro?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, entrego para o Wascheck, depois para o jornalista.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E o Wascheck lhe dá autorização para entregar para o jornalista?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Tínhamos já combinado que isso seria divulgado, então não seria preciso...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já tinha essa combinação.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Já, desde o início.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, nem precisava a autorização?

O SR.  PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – MG) – Senadora, o tempo de V. Exª já esgotou.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Só mais uma perguntinha, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – MG) – Nenhum ultrapassou até agora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quando o senhor ouviu, junto com o jornalista a última vez, por que teve o ok! neste caso, vai publicar.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Isso aí foi passado um tempo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já um tempo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Aí, em posterior encontro com o Arthur Wascheck, ele disse que vai divulgar, que pode divulgar a fita.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E o Velásquez sabia?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, eu até falei aqui de uma injustiça que eu cometi com ele, acredito que ele já sabia quando já estava gravada. Não é um procedimento...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sabia quando estava gravada? Desculpe-me, Presidente, já encerrei.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço à Senadora.

Com a palavra a ilustre Deputada, Juíza Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, apenas para chamar o feito à ordem.

Essa CPMI se constituiu não porque houve uma gravação, não porque o Sr. Marinho veio aqui dizer que ele estava ou não estava pegando alguma parte de algum dinheiro, não se constituiu por isso, porque não é por esse motivo que se constitui uma CPI, ainda mais uma CPMI.

Esta CPMI se constituiu – é bom deixar bem claro – porque um Deputado Federal, com a responsabilidade de presidir um partido, o PTB, declarou que havia uma captura de cargos em troca de dinheiros, dando os contornos de uma organização criminosa.

Então, a mim me parece, Sr. Presidente, não tenho nenhuma pergunta nem ao Sr. Jairo nem a nenhum dos depoentes de hoje.

O Sr. Jairo e os demais depoentes não têm o menor interesse para essa CPMI, porque o que nós estamos investigando é o caminho político, o braço político que permitiu que nos Correios, em primeiro lugar, e talvez depois em outras, se desenhasse o modelo de uma organização criminosa que permitisse alcançar o primeiro, o segundo e o terceiro, quarto escalões, para produzir dinheiros para partidos e para bolsos de alguns.

De modo, Sr. Presidente, que eu acho, permita-me usar o microfone para isso, para consignar aqui a absoluta perda de tempo, porque o Sr. Jairo, assim como o Sr. Wascheck, se alguma conta tiver que prestar certamente não é a nós, poderá ser ao Ministério Público, poderá ser à investigação policial, não estou dizendo que é isso, mas estou ressalvando que, se tiver, será aí e não é este o foro adequado.

Muito obrigada, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – MG) – Agradeço a V. Exª.

Concedo a palavra ao Deputado Maurício Rands. (Pausa.)

Ausente.

Onyx Lorenzoni, para as suas perguntas.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS)  – Eu compartilho, Sr. Presidente, da mesma opinião da Deputada Juíza Denise Frossard. Eu creio que nós temos que consolidar, ao longo do dia de hoje, a votação dos requerimentos que estão pendentes e, principalmente, trazer a esta Comissão, garantir que para esta Comissão venham aqueles que organizaram todo esse sistema criminoso. Nós temos que deliberar, no dia de hoje, a questão da vinda, e programar para esta Comissão a vinda daqueles que, na minha opinião, estão diretamente envolvidos em todo esse esquema, que se apropria de verba pública, que desvia verba pública. Chega-se ao cúmulo de um partido político ter feito um empréstimo de US$1 milhão, empréstimo que foi sendo pago com recursos de um contrato de publicidade com a Empresa de Correios e Telégrafos do Brasil. Isso para dizer o mínimo. Escandaliza a população brasileira, causa assombro a qualquer homem ou mulher de bem ver expoentes que tiveram a possibilidade de determinar, lotear os cargos, partilhar, criando um esquema tentacular, em que os Correios... O que estamos investigando é apenas o erguer o véu de um tentáculo apenas, de um tentáculo que rendeu muito em contratos de publicidade, de um tentáculo que ainda nós não descobrimos, a área de operação e a área de tecnologia da Empresa de Correios e Telégrafos, onde interesses ainda mais escusos que esses que estamos vendo desfilar aqui são responsáveis por apenas um dos braços desse formidável esquema de corrupção que cada dia fica mais claro.

Um colega nosso de Câmara, na função de Ministro, quando saiu dizia que o Governo não rouba e não deixa roubar. Já está claro o suficiente para mim que não é que o Governo na rouba e não deixa roubar, mas montou, sob a supervisão dessa figura, um dos mais graves esquemas de corrupção que o País já conheceu. Nós estamos apenas começando a levantar o manto, ainda muito distantes de ter tudo claro. É por isso que a Oposição lutou e vai continuar lutando para fazer com que aí onde está o Sr. Jairo, que tem explicações sim a dar lá na Polícia Federal, que tem explicações sim a dar, porque não é possível que Governo nenhum vá usar a ABIN para fazer dela uma polícia política. Está aí o Presidente, não é o Deputado oposicionista Onyx Lorenzoni, do Superior de Justiça do País, a última e mais importante Corte, antes da Corte constitucional, dizendo que nós vivemos a expectativa de estar diante de um Estado de perfil nazista. Direitos e garantias individuais violados com violência. O uso da Polícia Federal, a quem respeito, a quem admiro e a quem eu quero preservar como polícia técnica, como polícia política, em manobra diversionista, em manobra intimidatória, em manobra impensável e inadmissível do ponto de vista das garantias e dos direitos que uma democracia tem de garantir a cada cidadão.

Portanto, Sr. Presidente, nós queremos hoje sim. Vamos aqui cumprir a tabela de ouvir o Sr. Jairo, de ouvir o Sr. Fortuna, de ouvir o Sr. Lange. Mas, ao final, vamos deliberar para trazer aqui e fazer sentar aí, onde a sociedade brasileira deseja... A sociedade brasileira quer ouvir o que o Sr. Delúbio, que tem salário de R$5mil, por mês, do partido, e fuma um charuto por dia que custa R$100. Ele gasta R$3 mil, por mês, de charutos. O que esse cidadão tem para dizer? Por que é que ele mentiu para o Partido dele, para o Presidente do Partido dele, dizendo que o Sr. Marcos Valério, que vai estar sentado aqui amanhã, não era avalista de um empréstimo de 2 milhões e 400 mil reais? Por que é que ele teve de levar o Sr. Delúbio e o Sr. Valério, os diretores da alta direção do Banco BMG, até o ex-ministro José Dirceu para garantir o empréstimo que está sendo pago com dinheiro público? Isso é uma vergonha, Sr. Presidente. Nós temos de fazer sentar aí o Sr. Sílvio Pereira, que tinha uma salinha lá na Casa Civil para partilhar e para lotear cargo no Governo Federal, entregar uma porção para o PTB, uma porção para o PL, uma porção para o PP, uma porção para o PMDB, que agora quer ser aumentado, com sinal verde para sacar dinheiro... O Sr. Sílvio Pereira tem de sentar aqui, o Sr. José Genoino não pode vir com uma afirmação de um estelionatário de quinta categoria, que pulula pelas delegacias do Brasil, quando diz o Sr. José Genoino que ele assinou um empréstimo de 2 milhões e 400 mil sem ler. Ninguém acredita nisso, nem as crianças acreditam nisso, nem os filhos dos petistas acreditam nisso. Por que nós, brasileiros, vamos ser humilhados com esse tipo de afirmação? Não, tem de sentar aqui no lugar do Sr. Jairo para dar satisfação à sociedade brasileira. E vamos convocar, Sr. Presidente, porque duvido que haja um deputado aqui, um senador, que tenha coragem de votar contra o requerimento para, na próxima semana, termos Delúbio Soares, Sílvio Pereira, José Genoino e José Dirceu, de agora até o final do mês, sentados onde está o Sr. Jairo para responder ao Brasil como é que este Governo se organizou para permitir o assalto às estatais brasileiras e como é que num Partido que sempre trabalhou sob uma organização fechada o Sr. Presidente nada sabe, nada vê, nada conhece. Eu não acredito mais na tese do Presidente Lula, de inocente útil, cercado e protegido por José Dirceu e essa camarilha que tomou conta do Governo brasileiro. Quadrilha! É isso o que o homem e a mulher de bem nos dizem nos aeroportos, nos supermercados, nas ruas... Que Presidente é esse que nada sabe? Que ouve falar do mensalão e não acaba com a fonte de pagamento para o mensalão? Que ouve falar e determina ao Sr. Chefe da Casa Civil para substituir o diretor de Furnas e leva 24 dias para demitir a diretoria dos Correios depois da denúncia da revista Veja? Estava fazendo o quê? Em que planeta habitava o Presidente que levou 24 dias para fazer o que qualquer administrador de um nível mais humilde faria no primeiro dia após uma denúncia daquela gravidade? Sr. Presidente, uso esse tempo regimentalmente para fazer V. Exª compreender que a luta dos parlamentares da Oposição é para que, ao final da pauta dos trabalhos de hoje, a sociedade brasileira possa ver ser votado aqui o Requerimento 317, que é assinado por todos os parlamentares de Oposição e que querem ver o Delúbio Soares e o Sílvio Pereira aqui no dia 14 de julho, José Genoino no dia 19 e o José Dirceu no dia 20 de julho. Quero ver, a sociedade brasileira quer ver quem é que vai votar contra os esclarecimentos que a cidadania brasileira exige neste momento. Essas pessoas são vitais para que a gente possa esclarecer e, principalmente, sanear o Brasil. Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o ilustre Deputado Maurício Rands.  

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Obrigado, Sr. Presidente.

Sr. Jairo Martins, um agente de campo da ABIN é, necessariamente, uma pessoa observadora, de boa memória, detalhista. Estou certo? Um ex-agente da ABIN, estou certo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Correto.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor disse, ao depor na Polícia Federal, quando estava depondo, que conhecia o Sr. Wascheck, lá nesse BSP Grill, no mês de março. Nesse dia, o senhor disse que foi chamado à Mesa desse empresário por um conhecido e, além de não lembrar do nome dele, do conhecido, não seria capaz de descrevê-lo. Disse mais, que esse conhecido falou ao Wascheck que o senhor faz esse jornalismo investigativo, ao qual o senhor se refere. O senhor confirma essas declarações?

O SR. JAIRO MARTINS – Confirmo. Na mesa existiam várias pessoas.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor não se lembrava.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu não me lembrava. Existia um grupo numa mesa ao canto e eu não lembrava, alguém tinha levantado a mão para mim e eu não me lembrava quem tinha levantado a mão para mim.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – E essa pessoa não foi o Sr. Casser Bittar?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Hoje eu acredito que tenha sido ele sim.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Por que no primeiro momento o senhor negou na Polícia Federal?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, eu não neguei, eu disse que não lembrava.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor disse que não conhecia, mas o senhor como um ex-agente da Abin...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, não, não, disse que eu não me lembrava quem.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Vamos supor lembrasse.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Disse que não me lembrava.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Há quanto tempo o senhor conhece o Sr. Casser Bittar?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Uns seis a sete meses.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – E o senhor tinha conhecido há seis meses, e depois o encontra lá nesse BSP Grill, não lembra dele aparentemente e depois lembra que era ele?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Deputado, eu disse que não  me lembrava quem me chamou à mesa, alguém acenou a mim.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor reconhece agora que foi o Sr. Casser Bittar?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Acredito que tenha sido ele sim, senhor.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – É que nesse momento então o senhor não teve a boa memória e o detalhismo que era de supor que um agente por sete anos da Abin tivesse?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Quatro anos fora de lá que eu não desenvolvo essa técnica?

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Quem é o Sr. Adauto Machado?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não ouvi.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Adauto Meirão Machado.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não sei, não conheço.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor sabe quem é o Sr. César Tiuana?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Também, não senhor.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor já negou que conhece Molina, não conhece Molina?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não conheço.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Também não conhece Fortuna e nunca teve contato? Não há possibilidade agora, já que num primeiro momento não lembrou do Casser Bittar, de o senhor agora, querendo colaborar com a CPMI, a bem do Brasil, como o senhor falou, o senhor não pode lembrar que conhece o Sr. Fortuna?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo que não conheço Sr. Fortuna.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – E o Sr. Edgar Lange o senhor já confirmou que encontrou com ele no Pátio Brasil. Num dos depoimentos prestados por V. Sª o senhor disse que encontrou com Edgar Lange, ex-colega, no Pátio Brasil. Foi isso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Tem tempo. Não sei a data, mas foi a última vez que o encontrei, na rua.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Aproximadamente. Na rua ou no Pátio Brasil?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, eu digo que encontrei na rua dentro do Pátio Brasil.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Não foi na rua, foi dentro do Pátio Brasil?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Isso.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Embora seja um lugar público.

E os senhores falaram de quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu encontrei com ele estava engraxando sapato, brinquei com ele, deixa uma paga para mim aí e fui embora.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Não falaram de nada?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Claro que não.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – E o senhor depôs no dia da terceira gravação, aquela que foi passada para a Veja.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Segunda gravação.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – o senhor mencionou aqui já, en passant, que não teve contato com o Sr. Alemão, como Sr. Edgar Lange Filho.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo, não tive contato com ele.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Há registro em depoimentos que teria havido uma presença sua nos Correios às 14h30. Já o senhor Joel confirmou aqui, confirmou não, afirmou à CPMI que teria chegado às 17h no Correio, a gravação teria se dado às 17h. O que o senhor estava fazendo lá às 14h30, naquele dia da gravação, que foi levada a Veja lá nos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu não estive nos Correios nesse momento.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor não teve nos Correios?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não estive nos Correios.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – E o senhor não acha estranho que essa fita do Rol, a que se referiu a Senadora Ideli Salvatti, até hoje não tenha aparecido? Eu até requeiro, Sr. Presidente, que seja expedido com toda a velocidade.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª será atendido.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Com toda a velocidade o requerimento dessa fita aqui.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ninguém mais do que eu torce para o aparecimento dessa fita.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Há quanto tempo o senhor conhece o jornalista Policarpo Júnior, que não é o Policarpo e Quaresma do Triste Fim, a que se referiu a Senadora Ideli Salvatti?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Conheço o Policarpo ...

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Espero que esta CPMI não tenha o triste fim, que ela esclareça todas as linhas investigativas sem abandonar qualquer linha investigativa que surja no correr dos seus trabalhos.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu o conheci quando do episódio da matéria do Deputado André Luiz, quando conheci o jornalista Policarpo Júnior.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Quando foi?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ano passado. Tem um ano e pouco.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Houve quatro gravações feitas pelo Sr. Joel, acompanhado do João Carlos Mancuso Vilela, com equipamento do senhor.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não senhor.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Houve, houve quatro tentativas de reunião.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não senhor.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Quantas houve? Duas gravações, com um fracasso.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Então foram três tentativas, uma não deu certo e duas deram certo. Mas somente na última ele estava acompanhado.

Essa segunda, o que é que tinha, Sr. Jairo Martins, nesse segunda, que o senhor viu lá no carro? Essa dos dezoito minutos, que o senhor falou quinze. O que é que tinha na gravação? Aliás, quero também, Sr. Presidente, ratificar o requerimento, que essa fita que foi entregue pelo Deputado Carlão seja transcrita e disponibilizada para todos os membros da CPMI. Porque ela foi entregue à semana passada e até agora não temos notícia. Está aqui até o Deputado Carlão ao meu lado.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª formalize e será atendido.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Obrigado. Quero saber o que tinha nessa fita, em poucas palavras, porque o tempo está se esgotando.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Vi pouca coisa da fita. Que me lembre, do trecho que vi, ele cita ter contatos com o genro do Deputado Roberto Jefferson.  

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Ele fala só do contato do genro Marcos Vinícius, genro do Deputado Roberto Jefferson, com o Sr. Marinho?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É, ele relata ter contato com ele. Do pouco que vi.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – E, pela sua experiência, o senhor acha que é razoável que alguém contrate um araponga, um profissional para fazer filmagem clandestina e direcione, alegando que é apenas uma briga comercial, interesse contrariado, e direcione a filmagem, através das perguntas formuladas, para uma área completamente diversa daquela, objeto da disputa comercial?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, aí é uma pergunta que eu não tenho...

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Queria saber a sua experiência, como ex-membro da Abin.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A minha experiência me diz que devo me calar, porque a gente só fala de fatos concretos. A minha experiência é de Inteligência.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor não acha estranho, por exemplo, que o Sr. Arthur Waschek, que é empresário ligado à área de compras, procurar direcionar na arapongagem por ele encomendada as perguntas para a área de informática?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não tenho como responder, excelência, a minha questão foi só técnica, produzir o equipamento.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor não tem avaliação sobre isso? Quando é que o senhor foi apresentado ao Sr. Joel Santos. Qual a sua impressão sobre ele? O senhor achou que ele era um homem experiente em trabalhos de filmagem? Pareceu-lhe nervoso, incomodado com a situação, de estar fazendo algo que é ilegal? Qual a sua avaliação, como homem experiente, ex-membro da Abin, repito?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A minha avaliação dele? Não tenho muita experiência não. Ele parecia nervoso. Agora, fui apresentado a ele e o orientei tecnicamente. É fácil de operar.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – a que o senhor atribui a realização de uma terceira filmagem, uma terceira reunião e, portanto, a segunda filmagem que prestou, se o próprio jornalista Policarpo Júnior já tinha lhe dito que os fatos contidos na segunda gravação eram graves, por que é que se tentou ainda uma terceira, e nessa terceira houve um desvio do foco, passou a ser o da informática? O senhor atribui isso a quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não sei, Exª.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Mas o senhor me disse que conversou com o jornalista Policarpo.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, mas a questão da outra gravação é a questão do empresário Arthur. Aí eu não sei, não tenho como falar para o senhor o que é que ele queria. Não sei.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O senhor, nas conversas com o Policarpo, de tudo que ouviu, não imagina que houve outros interesses também na gravação do Waschek? Porque começa a ficar claro, Sr. Jairo, aqui, é que o Sr. Waschek tinha um interesse contrariado pelo Sr. Maurício Marinho, Sr. Relator, mas que, no curso dessas gravações, daí por que a insistência inclusive com a terceira, houve também outros interesses que foram perseguidos por essa gravação. O senhor não arrisca e não avança nenhuma interpretação disso? O senhor, por exemplo, não imagina que o Sr. Fortuna entrou nesse processo, e aí o senhor tem a esclarecer porque entrou muito em contato com o Sr. Policarpo, o senhor não tem nenhuma idéia, por exemplo, se o Sr. Fortuna entrou também nessas investigações e dirigiu as perguntas a serem feitas?  

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, não sei, não conheço o Fortuna, não sei da participação dele.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Eu tenho uma série de outras perguntas, vou me reescrever depois, Sr. Presidente. Mas a última pergunta que deixo é: como é que é, como é que foi o diálogo, o acerto, o entendimento do Sr. com a revista Veja e por que a revista Veja e não outras revistas?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Acerto não teve nenhum. A revista Veja porque fiquei amigo do jornalista, no momento da primeira matéria dele, achei que ele era uma pessoa correta e procurei a revista...

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – De novo a tese de que o Sr. faz tudo que os seus amigos pedem apenas por filantropia, mesmo que sejam operações arriscadas, muitas delas entrando no limite da ilegalidade, sempre para atender aos amigos. É isso que o Sr. quer dizer aqui à Comissão?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Obrigado.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Essa questão da ilegalidade é discutível, né!

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Obrigado pela sua filantropia e pela sua extrema solidariedade aos seus amigos.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Senador Alvaro Dias.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, eu também entendo que no mínimo este depoimento não é prioridade. É claro que a investigação policial já feita dá os elementos necessários para que se faça um julgamento sobre a existência de ilícito ou não, delito, ter havido delito ou não na execução da gravação que afinal prestou um grande serviço à sociedade porque fez explodir o tumor da corrupção exigindo agora essa assepsia geral e irrestrita que estamos tentando realizar. Então o nosso objetivo não é alcançar o Sr. Jairo Martins na investigação policial. Eu particularmente não tenho nenhuma preocupação com isso. A minha preocupação é outra. Não me cabe aqui explorar eventuais contradições havidas entre o depoimento na Polícia Federal com o depoimento que ora presta o Sr. Jairo Martins. Se ele ouviu sozinho a fita ou se ele não ouviu sozinho a fita pouco me importa. Se foi ele o responsável pela divulgação ou se foi o Sr. Arthur também não me importa. O Sr. Arthur responsabiliza o Sr. Jairo. O Sr. Jairo diz que foi a pedido do Sr. Arthur, mas isso não me importa. O que me importa investigar é a corrupção.

Mas antes de dizer o que importa, preciso também por uma questão de justiça fazer referência a essa tentativa de ironia de mau gosto em relação ao jornalista Policarpo Júnior. Eu o conheço há bastante tempo. É um dos jornalistas mais competentes que conheço, sobretudo sério, responsável, ético que preserva a fonte como eticamente é do seu dever. Portanto, não cabe nenhuma tentativa de ironia relativamente a presença dele nesse episódio que foi essencial também para que a sociedade possa exigir, possa exigir o rigor da lei em relação aqueles que praticaram atos delituosos, sobretudo no campo da corrupção que é, sem dúvida, responsável pela miséria, em boa parte pela miséria, pela pobreza e pelo subdesenvolvimento do nosso País. É claro que este País seria muito mais rico, muito mais poderoso não existisse essa roubalheira desenfreada que temos o dever de combater, sobretudo agora.

Portanto, é claro que seria... Até pode ser que o Relator, Osmar Serraglio, recolha algum subsídio desse depoimento para o seu relatório final, mas não acredito que possa recolher subsídio de importância em relação aos objetivos fundamentais desta Comissão Parlamentar de Inquérito que é investigar a corrupção. É descobrir quais são os corruptores, os corrompidos, enfim, os corruptos. É desmontar este modelo de corrupção implantado na atual gestão de Governo que a meu ver é a parte suja desse projeto de poder - aqui já me referi em outras oportunidades. Na verdade, o que há é essa arquitetura real de um projeto de poder de um grupo que sonhou em permanecer por muito mais tempo no exercício do Poder Maior no País, e esta é a parte suja desse projeto de poder. Os principais arquitetos desse projeto colocam a tese de que o fim justifica os meiose que estão liberados para corromper e para a corrupção porque imaginam estarem trabalhando a favor do País, já que entendem ser o seu Projeto o Projeto adequado para atender as aspirações nacionais e, evidentemente, ao fazer com que os meios justifiquem os fins, estão possibilitando que outras figuras deletérias possam buscar, através dos meandros da corrupção, encontrar meios de satisfazer o seu desmesurado apetite pessoal de enriquecimento ilícito. Não há dúvida de que este é o quadro que se desenha neste momento e é em função disto que devemos trabalhar. Temos muito a investigar e nós estaríamos ganhando tempo se estivéssemos ouvindo, aqui, o Sr. Delúbio Soares, o Sr. José Dirceu, o Sr. Silvio Pereira, o Sr. Luiz Guschiken, o Sr. José Genoíno que são figuras centrais – são os principais coadjuvantes do Presidente da República desde o tempo em que presidia o PT e sobretudo agora que preside o País. São as pessoas da sua intimidade que participam das reuniões decisivas, que opinam, que influenciam, que viajam com o Presidente. Enfim, são os coadjuvantes de primeira linha do Presidente Lula os responsáveis maiores pela arquitetura desse modelo espúrio de relacionamento Executivo-Legislativo. Eles devem ser, sim, figuras centrais da nossa investigação. É evidente que nós estaríamos ganhando tempo porque, hoje, discutindo, aqui, a quebra do sigilo bancário de Delúbio Soares e outras pessoas, nós estaríamos ganhando tempo, aprovando requerimentos que exigem providências administrativas no sentido de se buscar informações. Por exemplo: quais são os contratos existentes que implicam na presença do Sr. Marcos Valério como avalista ou como devedor solidário? Enfim, nós temos que buscar elementos para reunirmos provas documentais que possam dar substancia ao Relatório final, capaz de indiciar os verdadeiros responsáveis pela corrupção no País.

Portanto, eu não vou formular ao Sr. Jairo Martins. Não vou indagar se ele estava sozinho mesmo ou se não estava sozinho? Se foi ele quem teve a idéia de chamar o Policarpo para esta divulgação ou se foi o Sr. Artur? Tudo isto, eu repito, não importa muito. O que importa é desvendar os mistérios dessa corrupção e, mais uma vez, Sr. Presidente, eu vou insistir para que deliberemos hoje. Aliás, não deliberar sobre Requerimentos é cercear o direito ao livre e completo e absoluto exercício do mandato parlamentar. Nós não podemos ter esse cerceamento ao exercício do nosso mandato. Apresentar Requerimento faz parte desse exercício. Vê-los deliberados, também. E é regimental. A deliberação é prioridade. Há uma prática nas Comissões Parlamentares de Inquérito em que o Requerimentos apresentados, quando há quorum, são deliberados imediatamente. Nós já interrompemos depoimentos importantes em CPIs para submeter à deliberação Requerimentos de quebra de sigilo e de convocação de depoentes. Sr. Presidente, nós não podemos mais conviver com esta prática de protelar deliberação. A deliberação é urgente. A deliberação é prioridade e isto é regimental.

Então, o apelo que formulo ao final é que deliberemos, hoje, como já está prometido, os Requerimentos fundamentais, estabelecendo a agenda para quinta-feira próxima, a fim de que possamos ouvir Delúbio Soares e Silvio Pereira. E, para terça-feira seguinte, para que ouçamos José Dirceu e José Genoíno e para que quebremos o sigilo bancário no dia de hoje do Sr. Delúbio Soares e do Sr. Silvio Pereira, inicialmente, já que há outros requerimentos de quebra de sigilo, sugiro que se convoque uma reunião para quinta-feira desta semana, às 9 horas da manhã, quando poderemos limpar a pauta, votando todos os requerimentos até agora apresentados.

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB – PA) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.

Pela ordem, com a palavra o ilustre Deputado Asdrubal Bentes.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB – PA) – Sr. Presidente, apenas para que eu possa ordenar a minha vida pessoal, eu gostaria de saber, já que a minha inscrição é lá no final, se vai haver alguma interrupção para o almoço.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Acho que sim, porque ninguém é de ferro, Deputado.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB – PA) – Eu pretendia sair e voltar, de maneira que ficasse assegurada, então, a minha participação.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Sem dúvida.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, pela ordem. Apenas para complementar a questão de ordem do companheiro.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Pois, não.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não é uma prática muito comum a interrupção dos trabalhos para almoço. Normalmente não há essa interrupção, há um lanche, e os Parlamentares se revezam. Não há necessidade de interrupção numa CPMI tão importante como esta.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – A maioria é quem decide.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu estranhei em outras reuniões...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sem almoço.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Se decidirem assim, não interromperemos.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Em outras reuniões, estranhei muito essa interrupção.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sem almoço. Quem estiver desmaiando, lancha. Sem almoço.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Submeto à apreciação de V. Exªs.

Os que concordarem com a interrupção se manifestem. Os que discordarem permaneçam sentados (Pausa).

Não haverá interrupção.

Com a palavra, o Deputado Henrique Fontana.

Desculpe-me. Com a palavra, o Deputado Maurício Rands. (Pausa.)

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra,o Deputado Henrique Fontana. Ambos têm barba.

Com a palavra V. Exª, ilustre Deputado.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT – RS) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Quero cumprimentá-lo pela condução dos nossos trabalhos, assim como cumprimento o nosso Relator mais uma vez e dizer que, do nosso ponto de vista, esta CPMI tem feito um trabalho absolutamente criterioso na busca da investigação, que é o que todos nós queremos. É evidente que pode haver controvérsias sobre qual a melhor ordem para ouvir tal ou qual testemunha ou depoente, mas fato é que nosso trabalho tem confirmado que esta CPMI tem caminhado na busca de provas e na investigação criteriosa, profunda e responsável do tema que constituiu essa CPMI.

Sr. Jairo, na verdade, só quero uma resposta rápida do senhor, mais uma vez, sobre quais foram as pessoas que participaram da encomenda da gravação que todos nós assistimos, gravada com o Sr. Maurício Marinho, dentro da sede dos Correios.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – O Sr. Arthur Wascheck.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT – RS) – E ele encomendou com que objetivo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA O objetivo dele era divulgar o fato.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT – RS) – Divulgar o fato.

Estranhei, Dr. Jairo, quando o senhor disse que a outra fita o senhor não teve paciência para ouvir. O senhor confirma que não ouviu a outra fita por falta de paciência?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA Ela toda, não. Confirmo que não ouvi a fita toda.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT – RS) – Confesso que achei muito estranho porque o senhor estava movido por aquilo que o senhor falou ser o jornalismo investigativo, tinha um material tão importante do ponto de vista do jornalismo investigativo e não teve paciência de ouvir a fita. Isso me retira bastante a credibilidade das coisas que o senhor está colocando aqui.

De qualquer modo, quero colocar reforçar algo que para mim – existem opiniões diferenciadas dentro desta CPMI – vai se consolidando como convicção. A fita que ouvimos – e felizmente ouvimos, como foi dito aqui por muitos Deputados e Senadores – indica claramente um foco de corrupção dentro dos Correios. Este foco de corrupção envolve o Sr. Maurício Marinho, toda a fala e todos os indícios que nós temos é de uma proximidade muito grande do Sr. Maurício Marinho com o Sr. Roberto Jefferson, por isso eu digo que o Deputado Roberto Jefferson, ao mesmo tempo que todos nós devemos dizer: vamos, sim, investigar todas as questões que são levantadas pelo Deputado Roberto Jefferson, mas não vamos transformá-lo num herói da República, defensor da ética na gestão pública, porque nós poderíamos estar cometendo um erro muito grave para com a história do nosso País.

Eu tenho uma convicção cada vez maior de que o Deputado Roberto Jefferson está, sim, envolvido com o esquema de corrupção que nós estamos desvendando dentro dos Correios e passou à posição de grande acusador, independente da veracidade ou não das coisas que ele diz, exatamente no momento em que ele percebe que a investigação conduzida sob o foco de corrupção nos Correios vai atingir ao Deputado Roberto Jefferson.

Então, o País e nós todos, Deputados, Senadores, Senadoras, Deputadas, temos que ter uma enorme responsabilidade para, ao mesmo tempo que defendemos toda investigação sobre todas as questões que estão levantadas, nós não transformemos o Deputado Roberto Jefferson numa espécie de herói da luta pela ética na política no nosso País, porque eu tenho a convicção de que ele não preenche os requisitos para se transformar nesta figura dentro da política brasileira ou dentro do cenário do nosso País.

Quero dizer também a um Deputado do PFL que me antecedeu que nós não temos nenhuma prova que permita a um Deputado do PFL acusar que o atual Governo é um Governo composto por uma quadrilha ou por uma camarilha. Esse tipo de debate político coloca bem qual o objetivo que move algumas das vozes que, dentro desse processo de investigação que nós estamos conduzindo, querem fazer o julgamento político antecipado, precipitado, sem provas e sem o critério que todos nós devemos ter ao analisar as situações que estamos analisando.

Eu vou abordar, Presidente, ainda nesses quatro minutos, um tema que tem sido muito debatido. Eu sou um defensor de que nós devemos fazer alterações na gestão pública do nosso País, para que se diminuam os cargos em comissão de livre nomeação pelos governos que se sucedem por decisão democrática da população.

Acho que todos nós devemos incentivar um aperfeiçoamento como este. O Brasil, por exemplo, tem 19 mil cargos de livre nomeação. O nosso Governo nomeou 5 mil cargos de livre nomeação, os outros 14 mil continuaram sendo ocupados por pessoas que estavam exercendo essas funções, nomeadas por governos que nos antecederam.

Evidente que o critério de uma nomeação tem que ser, quando se trata de um cargo de direção, de coordenação, um duplo critério. O  primeiríssimo: a competência da pessoa que será nomeada para exercer aquela função. Por exemplo, quando eu fui Secretário de Saúde de Porto Alegre – nós temos aqui ex-Governadores, ex-Secretários de diversas áreas, ex-Prefeitos –, eu decidi a nomeação, por exemplo, do Diretor-Geral do Hospital do Pronto-Socorro de Porto Alegre. Qual é o critério para nomear esse Diretor-Geral do Hospital do Pronto-Socorro? Em primeiro lugar, ele tem que ter uma alta capacidade para dirigir um hospital com aquela complexidade. Em segundo lugar, evidentemente, ele tem de ter compromisso com a visão programática do secretário e do prefeito eleitos naquela eleição. Por exemplo, não posso nomear para dirigir a Eletrobrás alguém que queira privatizá-la. Não posso nomear para exercer uma determinada função num ministério alguém que tenha compromisso com o governo que está exercendo o poder no País no momento. É contra a privatização? Não posso nomear alguém que tenha compromisso com a privatização.

A acusação de loteamento político-partidário não se sustenta porque os governos sempre foram montados com estes dois critérios: a identidade do projeto que venceu as eleições e a identidade com a boa qualidade de quem vai exercer uma determinada função pública. Se alguém utilizar, em qualquer governo, uma função pública para obter vantagens ilícitas, isso, sim, é um ilícito e um crime que deve ser, evidentemente, denunciado, investigado e punido.

Por isso, digo também que as críticas precitadas, que aparecem sem provas, aquilo que nós provarmos, como estamos provando em torno, por exemplo, dos Correios, devem ser punidos, deve ser responsabilizados. E é isso o que o Brasil quer. Mas não podemos aceitar uma generalização de um denuncismo sem provas, que envolva um conjunto de dirigentes, gerentes, chefias que estão exercendo seus papéis com dignidade e compromisso público.

Vou falar uma última frase, Sr. Presidente, para ficar dentro do meu tempo. Vejam o caso dos Correios. É uma estrutura absolutamente qualificada para atender ao interesse público deste País. Sou daqueles que defendo que os Correios devem continuar sendo públicos sempre e sou daqueles que digo que 99% – se eu pudesse fazer um cálculo para ilustrar minha fala – de todas as pessoas, funcionários de carreira, funcionários em chefia, direções, etc, trabalham com dignidade dentro dos Correios, fazendo daquela empresa uma empresa que orgulha o nosso País.

Portanto, aquilo que estamos descobrindo aqui, que é um foco de corrupção, não pode nos servir para alguns discursos que ouço e leio, às vezes, de que o problema do País seria o papel do setor público. Não! O problema do País, quando se trata de corrupção, é o papel de uma pequena parcela de dirigentes públicos ou servidores públicos que se envolvem com corrupção e o papel dos corruptores...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Conclua, por favor.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT – RS) – Concluo, Sr. Presidente. O papel dos corruptores, que são os fortíssimos interesses empresariais, que, muitas vezes, exercem o papel de corruptores para obter vantagens indevidas nos negócios com o setor público.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado.

Com as minhas escusas, concedo a palavra ao ilustre Deputado Jamil Murad. Minhas escusas porque havia pulado o nome de S. Exª. Logo em seguida, o Senador César Borges.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Obrigado, Sr. Presidente.

É muito importante a opinião pública e os telespectadores acompanharem de perto a opinião de Deputados e Senadores nesta Comissão. Há Deputados e Senadores que usam o tempo apenas para dar opinião em outros assuntos sem fazer perguntas pra investigar quando S. Exªs assumiram o compromisso de fazer investigação sobre a corrupção nos Correios.

Existe um submundo nessa questão. O Sr. Jairo não é isolado. A vida vai mostrando as relações e inter-relações com ele e é importante para o patrimônio público, para a democracia, para o interesse do Brasil, da sociedade brasileira, que conheça esse grupo que age no submundo, que age não a favor do interesse do Brasil ou da liberdade, mas vamos ver um aqui que vem logo em seguida que ele era braço direito, inclusive na época da Ditadura, do Major Curió no garimpo de Serra Pelada, onde não existia lei, existia exploração total daqueles garimpeiros. Muito bem. Seu Carlinhos Cachoeira, o genro dele, Casser Bittar, apresentou...

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, permite só uma intervenção rápida? Eu dei essa informação de genro, mas equivocada. Ele é sobrinho. A informação que me veio é que ele é sobrinho.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Pela informação que tenho aqui, na minha pesquisa, a informação que tenho é que era genro. Então, ele é sobrinho. Mas é ligado, então, ao seu Carlinhos Cachoeira, não é? Então, ele que apresentou o investigado aqui, o depoente, Jairo Martins, ao Arthur Waschek?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – O senhor está me perguntando?

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Exato.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ele quem apresentou.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Isso.

Quem o contratou para gravar o Deputado André Luiz, que foi cassado há dois meses atrás?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Em respeito a V. Exª, vou voltar a responder. Eu não fui contratado, eu fui “contactado” por um amigo, Alexandre Chaves.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Alexandre Chaves. De onde é essa pessoa?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É um amigo meu de Brasília.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Estou recebendo a informação que é sócio de Carlinhos Cachoeira numa empresa. O Deputado conhece esse aspecto?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Se eu conheço esse aspecto?

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – É.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Conheço.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Sabe que ele é sócio do Carlinhos Cachoeira?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sei, tenho conhecimento.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Então, olhem o quanto é importante esse depoimento, que tentaram evitar que ele viesse aqui, que Senadores falaram e Deputados falaram que não era importante este depoimento, que podia desprezá-lo, que iam ouvir políticos. Muito bem. Quem fez a gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Qual gravação?

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Do Deputado André Luiz.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu e o Alexandre Chaves.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Porque o Joel, que fez depoimento aqui, falou que ele participou dessa gravação. É verdade?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Qual gravação?

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Dessa do André Luiz.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Em hipótese alguma.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Você gravou o Waldomiro Diniz?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Também não. Já informei que nesse período eu não conhecia o Sr. Carlos Ramos, como consta no meu depoimento na Polícia Federal. Foi informado que eu...

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Quem gravou? 

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Quem gravou quem?

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – O Waldomiro Diniz?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Deputado, se eu não gravei, como é que eu vou saber quem gravou?

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Mas você é desse submundo.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não senhor, não sou do submundo não.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Joel, Srs. Deputados, o Joel, que recebeu o aparelho gravador das mãos desse depoente que está aqui – quero que o público veja a ligação –, o Joel, que gravou o Sr. Marinho, que todas as pessoas viram na televisão, ele recebeu o aparelho desse depoente, o Joel. É o mesmo que em 1992 detonou uma licitação no MEC com Arthur Wascheck e é o mesmo que recebeu a incumbência, carta branca do Arthur Waschek para ir detonar uma licitação de compra de uniformes em São Paulo e que entregou essa investigação, o resultado dela, para o Vereador Marcos Zerbini, do PSDB da Câmara de São Paulo.

Outra questão. Essa ligação Carlinhos Cachoeira, a Cassação de André Luiz, a gravação do Marinho que deu essa crise que estamos investigando agora, a detonação da compra de uniforme lá em São Paulo, na Prefeitura de São Paulo, que entregou na mão do Vereador do PSDB Marcos Zerbini mostra que existia uma motivação política, além de interesses sujos de ganhar dinheiro com extorsão, vender informações, trabalhar a favor de um grupo político contra outro, existia essa motivação política. Temos que descobrir, a sociedade brasileira agora tem que cobrar dos Senadores e Deputados que continuem nessa investigação. Um nome já vimos qual é, o Deputado Roberto Jefferson, que é envolvido nessa corrupção dos Correios. Mas temos que saber quem comanda politicamente esse submundo, que detonou o caso Waldomiro Diniz, que detonou o caso Marinho, que detonou um caso na Prefeitura de São Paulo. Quem é o comando político disso? Esse grupo, por exemplo, nunca levanta o caso do S. Daniel Dantas, do Banco Opportunity, que estaria interessado, está envolvido numa briga de vida ou morte em torno de interesses contra fundos de pensão.

Também, alguns setores políticos – em geral, conservadores, que querem substituir o Presidente Lula – não levantam que o S. Dimas, que foi destituído de Furnas, era apadrinhado do Governador Aécio Neves. Nós que temos que levantar, porque eles nunca levantam. Eles também nunca levantam que o Sr. Marcos Valério, se eles querem falar, trabalhou em duas campanhas para o hoje Senador Azeredo. Eles nunca levantam também que o Sr. Marcos Valério entregou R$150 mil para o ex-Ministro do Fernando Henrique Cardoso chamado Pimenta da Veiga.

Alguns falam aqui que é quadrilha. Não. O Governo do Presidente Lula e o Presidente Lula são honrados, são filhos do povo. Se há erro, ele encabeça a investigação, procura colocar todos os instrumentos para a investigação. Não podemos concordar em jogar a água suja com a criança fora, mas há Deputado aqui que já fez discurso hoje querendo a cabeça do Presidente. Eu não sou ingênuo, o povo brasileiro tem muito a perder com esse grupo político que detona nesta CPMI. Procuraram encobrir e elogiaram de cabo a rabo o Deputado Roberto Jefferson, dispensaram gente que não acabou o depoimento, procuraram retardar o  depoimento desse depoente, que é muito importante para podermos ir mais fundo para detonar esse tumor que está na base da corrupção. Sai governo, entra governo, um grupo age em proveito próprio, age para efeitos políticos, para detonar um grupo político para dar vez à volta das velhas raposas que governaram o Brasil nesse último século todo.

É por isso, Srs. Deputados e caro telespectador, que esta CPMI precisa funcionar mesmo, ela precisa ir fundo. O telespectador, a opinião pública, precisa saber aqui quem quer investigar e quem não quer, quem quer apenas fazer o proselitismo para derrubar o Presidente Lula. Não acho que querem derrubar apenas o Ministro “A” ou “B”. Acho que eles querem derrubar o Presidente Lula para voltar ao Poder, para dar continuidade à privatização da Petrobras, à privatização do Banco do Brasil...

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Peço a V. Exª que conclua, por favor.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – ...a uma nova reforma previdenciária e para tirar mais direitos dos trabalhadores. Queremos um programa de mudança, e, para mudar, é preciso eliminar a corrupção que for provada, fortalecendo e sustentando um Governo que é filho do povo: o Governo do Presidente Lula.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Sª.

Concedo a palavra ao ilustre Senador César Borges.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Obrigado, Sr. Presidente.

Temos assistido, nesta Comissão, a muito diversionismo. Lamentavelmente, alguns dos Srs. Parlamentares que dizem querer a investigação procuram, na verdade, abafar ou desviar o assunto que toda a Nação brasileira já conhece e está conhecendo dia-a-dia, infelizmente, Sr. Relator, Sr. Presidente, não pelo trabalho que estamos realizando, mas pelo trabalho de um jornalismo investigativo, feito de forma competente. A verdade está aparecendo e os fatos estão vindo à tona, porque eles existem. Não é questão de Direita ou de Esquerda. Não sou investigador nem fui atrás de documento algum. Sei dos acontecimentos, efetivamente, pois leio todas as revistas semanais e todos os jornais. Aí estão as denúncias que estamos vendo.

Lamento, Sr. Presidente, que os trabalhos da Comissão estejam se arrastando lentamente. Repito – já o fiz diversas vezes – que passaremos à Nação brasileira, à opinião pública que estamos fazendo aqui um faz-de-conta, e a imprensa trará toda a verdade e as denúncias. Se existe o denuncismo, é da imprensa brasileira que pode ser cobrada disso. Hoje, há diversos artigos publicados nos jornais sobre esse assunto. Por exemplo, no Jornal do Brasil, Augusto Nunes diz: “Enquanto a CPMI caça trombadinhas, os ladrões do trem pagador contam dinheiro na locomotiva”. Estamos fazendo um papel de ouvir trombadinhas, segundo a imprensa brasileira. E diz mais ainda: “O que se procura nesta CPMI é obstruir obtenção de provas fundamentais para o esclarecimento de parte das incontáveis patifarias que compõem o pântano da corrupção”. Sr. Presidente, devemos trabalhar para que isso não aconteça e não paire esse tipo de acusação sobre esta CPMI e sobre todos os seus membros. Efetivamente, quem tem procurado encobrir fatos nesta Comissão tem sido a Bancada do Governo.

Lamentavelmente, Sr. Presidente, devo dizer que não temos encontrado na direção dos trabalhos da Casa a vontade de acelerar esse processo, e acelerar o processo significa, antes de tudo, colocar em apreciação os requerimentos e votá-los. Um requerimento de minha autoria foi apresentado no dia 15 de maio, e faz 20 dias que não foi apreciado. Estamos no dia 5 de julho, e os requerimentos estão aí há 20 dias. Por exemplo, o Requerimento nº 5, ou seja, o quinto a ser apresentado, requer o depoimento do General Jorge Félix, que comanda o gabinete de segurança institucional da Presidência da República. É uma autoridade que deve responder às dúvidas dos Srs. Parlamentares. Havia conhecimento do gabinete institucional da Presidência da República da investigação nos Correios, da corrupção dos Correios? Que providências não foram tomadas? Havia ou não? Pedirei ao Sr. Jairo Martins que me responda a esses questionamentos? Efetivamente, não. Da mesma forma, o Requerimento nº 6 requer a convocação do Sr. Mauro de Lima e Silva, Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência – Abin –, que, segundo o Jornal Folha de S. Paulo, está investigando os Correios.

Pergunto sobre essa questão ao Dr. Jairo Martins de Souza, que há quatro anos não está na Abin. Se hoje ele trabalha na referida Agência – e creio que o faz –, é de forma solerte, não trabalhando de forma direta. Ele é contratado para fazer trabalhos que a Abin não deseja fazer. Então, Sr. Presidente, essa é uma situação que não podemos mais aceitar que aconteça.

Há outra situação, Sr. Presidente. As informações da Secretaria da Comissão não estão chegando em tempo hábil para os seus membros, saindo, às vezes, em sites que não são oficiais. Por sites que não são oficiais da Comissão nem do Senado saem informações privilegiadas.

Aqui, Sr. Presidente, há um requerimento do início de junho, pedindo que dois servidores da Casa que estão à disposição dos Parlamentares da Oposição, o Sr. Luiz Fernando Bandeira de Mello e o Sr. André Eduardo da Silva Fernandes, tivessem, como assessores dos Parlamentares, acesso a todo o material que compõe o acervo – sigiloso ou não – desta Comissão. Até hoje, não houve, Sr. Presidente, uma deliberação efetiva da Presidência dos trabalhos desta Casa quanto ao acesso para esses servidores.

Então, Sr. Presidente, lamentavelmente, solicitamos que a Presidência supere esses problemas para que possamos fazer o trabalho que nos compete e que é nosso dever.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª pretende fazer alguma pergunta neste momento?

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não entendi a pergunta de V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O depoente está pedindo para ir. Se V. Exª não tiver pergunta neste momento, vou liberá-lo.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Farei, sim, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Então, interrompa por dois minutos, pois ele merece ser atendido.

V. Exª esteja à vontade.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Exª suspendeu a contagem do tempo?

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Está suspenso no meu relógio. Pode ficar tranqüilo, porque V. Exª terá o tempo integral.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – É o meu tempo que quero que ele suspenda.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O cronômetro está parado.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, enquanto ele não chega, vou apenas continuar.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Sim. Vamos ganhar tempo.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, não podemos ficar aqui ouvindo arapongas de terceira categoria enquanto o próprio PT está andando mais rápido, porque já está começando a limpeza do Partido. Já caiu o Sr. Sílvio Pereira, hoje é o Sr. Delúbio e, depois, será o Sr. Genoino. E nós ficamos ouvindo os arapongas que fizeram a gravação da fita.

Então, o PT está mais ágil e rápido em fazer a sua limpeza interna do que a própria Comissão. Precisamos ouvir, Sr. Presidente, rapidamente, o Sr. Delúbio Soares, o Deputado José Dirceu, o Sr. Sílvio Pereira e o Ministro Luiz Gushiken, que está envolvido, inclusive, em favorecimento por meio dos próprios Correios. Nada disso sequer foi, ainda, votado, Sr. Presidente. É lamentável que estejamos nessa situação.

Mas, para aproveitar o meu tempo e vendo a presença do Sr. Jairo Martins, não vamos descaracterizá-lo por ser meramente uma pessoa que praticou um ato de arapongagem – e ele já fez alguns. Mas, efetivamente, ele não esclarecerá, para ninguém nem para qualquer pessoa que nos ouça no País, esse antro de corrupção ativa no Governo e que permeia todo o Partido dos Trabalhadores, salvo honrosas exceções.

Gostaria até que os Parlamentares não se expusessem – aqueles que efetivamente não participaram desses atos – e que deixassem com os verdadeiros culpados, porque acredito que muitos dos Srs. Parlamentares apenas são do Partido dos Trabalhadores, mas não estavam a par desses acontecimentos que são reais. No momento em que a revista Veja apresenta à nação brasileira um empréstimo do PT num banco que cresceu, do ano passado para cá, 222% do seu patrimônio líquido e esse empréstimo foi concedido após uma audiência com o Ministro José Dirceu e que leva o aval do Sr. Marcos Valério, que é um avalista honrado, porque pagou a prestação pelo PT, que foi, na verdade, o tomador de empréstimo que não cumpriu suas obrigações, quando se faz essa relação, os Deputados e Senadores do PT poderiam até se preservar para preservar suas imagens.

Sr. Presidente, eu queria perguntar ao Sr. Jairo o seguinte: O senhor tem conhecimento de que a Abin tem feito ações de investigação junto à Empresa de Correios e Telégrafos ou que estejam em andamento essas investigações?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor, Excelência.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Nunca tomou conhecimento disso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Só através da imprensa.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Agora?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Agora, quando o fato veio a público.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Volto a perguntar porque considero muito difícil que V. Sª não tenha relações com o tal Comandante Molina e o Sr. José Fortuna. É essa a sua posição?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – A minha posição é esta: nunca estive com eles.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Nenhum relacionamento?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Nenhum relacionamento.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Poderá V. Sª me dizer aqui por que não disse na sua declaração quem foi que fez a varredura na empresa do Sr. Arthur Wascheck?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Foi um amigo meu de nome Francisco.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Dê o nome.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Francisco.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Francisco de quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Exª, não sei o sobrenome.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – É seu amigo, mas é só Francisco?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – É meu amigo.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não tem sobrenome?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – O sobrenome dele eu não sei.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ele pertence aos quadros da Abin?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, de maneira alguma. Nunca pertenceu, nem pertence a nenhum órgão de Inteligência.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª poderia declinar aqui o endereço dele, onde ele trabalha?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – O endereço dele eu não sei, mas posteriormente, sendo solicitado pela CPMI, posso...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu gostaria, Sr. Presidente, que fosse consignado pelo Relator que ele desse esta informação aqui: Quem é esse amigo dele que fez essa varredura, porque ele apenas dá o nome – Francisco.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª será atendido.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – E eu, de pronto, já me comprometo a fazer isso.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ouvi de V. Sª um conceito de trabalho sujo, de que a Abin não faz trabalho sujo. É um conceito subjetivo do que é sujo e do que é limpo, porque há trabalhos na Abin que são secretos ou não. É uma coisa muita subjetiva. Porque a Abin, pelo que estou informado, tem investigado os Correios. Inclusive, o resultado dessas investigações tem sido dado conhecimento ao Diretor de Operações, que é o seu amigo, o Paulo Ramos, e que o Paulo Ramos, provavelmente cumprindo suas obrigações, encaminhou esses resultados para as instâncias superiores, que é o Diretor-Geral da Abin, e provavelmente até ao Ministro Félix, da Segurança Institucional. Portanto, que conceito é esse de trabalho sujo ou limpo que há nesses aspectos das investigações que são feitas de forma secreta, insidiosa, com câmera dentro de pasta ou não. A Abin faz esse tipo de trabalho que V. Sª fez, por exemplo, para o Arthur Wascheck?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – De forma alguma. Existem serviços, como o senhor colocou, secretos. Agora, sujos eu desconheço.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O que é sujo e o que é limpo nesse mundo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, porque Parlamentares colocaram aqui serviço sujo. Eu gostaria que fosse colocado primeiramente o que é que é esse sujo para que eu pudesse diferenciar esse sujo do secreto.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Para V. Sª, o que é sujo e o que é limpo nesse caso? O seu trabalho foi um trabalho limpo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu acredito que sim.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Colocar uma câmera de forma insidiosa, levar e fazer uma gravação?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Acredito que sim.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª estaria participando de um complô coordenado pela Casa Civil, com a participação da Abin, para fazer essas gravações e que essas gravações levariam a desestabilizar Diretores do Correio, para que pudessem permanecer Diretores do interesse do Partido do Governo, o Partido dos Trabalhadores?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Respondo a V. Exª que de maneira alguma.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, é um trabalho que V. Sª nega ter feito.

Mas nós assistimos aqui a vários depoimentos, Sr. Presidente, e não chegaremos a lugar nenhum. Este não é um trabalho para nós, Parlamentares. É um trabalho para quem tem formação de advogado ou mesmo de engenheiro ou outro tipo de formação. É trabalho para formação de policiais. Quem deve cuidar do Sr. Jairo Martins é a Polícia Federal, que deve fazer essas investigações. Lamentavelmente, estamos aqui perdendo o nosso tempo ouvindo pessoas que não atestam a realidade dos fatos. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Ex.ª ultrapassou o tempo. Agradeço.

Com a palavra o ilustre Deputado Carlos Abicalil.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Muito obrigado, meu caro Presidente, em primeiro lugar gostaria que a Mesa pudesse registrar formalmente em que condições estamos ouvindo o Sr. Jairo de Souza Martins se é como testemunha ou como investigado.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Investigado.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Apenas pela forma de modo a que não venhamos a ter problemas no futuro sobre o processo resultante desta CPMI.

O nosso investigado, Sr. Jairo, afirma que a sua profissão formal é de jornalista e que tem uma grande inclinação para o jornalismo investigativo. Foi isso que V. S.ª afirmou?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor. Afirmo isso.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor vive dessa profissão?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Atualmente, não. Vivo de uma empresa de monitoramento de alarmes.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Monitoramento de alarme e lida com que tipo de equipamento?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Alarmes residenciais e comerciais.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Esses alarmes são de que tipo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – São sensores que você instala a partir de um arrombamento. A partir de um arrombamento, toca em uma central e você aciona a polícia.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sensores, câmaras, gravadores?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não.

Câmaras se o senhor tiver interesse em circuito interno.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Tudo bem. Então, o senhor faz por hobby a sua profissão de jornalismo investigativo?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, estou iniciando e quero ir por esse caminho.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Está iniciando por esse caminho depois de ter passado nove anos pelo caminho oficial da investigação da Abin?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim e há quatro anos deixei o caminho oficial.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor afirma que ficou nove anos cedido pela Polícia Militar à Agência Brasileira de Informações?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Confirmo.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E confirma que há quatro anos está licenciado sem remuneração?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Sim, senhor. Confirmo que há quatro anos estou fora da atividade. Licenciado sem remuneração deve estar chegando a um ano.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor está licenciado sem remuneração e os outros três anos era remunerado e licenciado?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Licença especial que se tem direito, férias de um ano, férias de outro ano.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) –  Isso somado deu três anos de licença?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor. Posteriormente,  eu estive nesta Casa, na Câmara Federal como foi colocado por Parlamentares do PSL – Partido Social Liberal.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Nesse período, então, há um interstício de permanência nesta Casa. Aqui também o senhor prestou serviços de alarme, serviços de segurança?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Aqui nesta Casa prestei serviços de Assessor Parlamentar.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E a sua empresa MAS tem quanto tempo de atividade?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – AMS.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – AMS, perdão.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Atuando na área de alarmes ela deve ter um ano e alguma coisa.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E antes disso?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Antes disso?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor atuava em quê? O senhor falou que atuando na área de alarme tem um ano e pouco e antes disso ela atuava em quê?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Ela estava parada. Não tinha...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor abriu uma empresa e deixou parada?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Deixei.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor diz que teria interesse no equipamento que o senhor comprou junto à feira do Paraguai.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Correto.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor aluga equipamento dessa natureza?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, eu queria o equipamento para mim.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor queria para o senhor e isso não era a remuneração para os serviço?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Era a remuneração pelo serviço como foi combinado.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Era a remuneração pelo serviço. Então, o senhor tem também como fonte de renda o serviço investigativo dessa ordem?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Posso ter. Dentro da legalidade, posso ter.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Pode ter. O senhor acha que a prática que o senhor fez é legal?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Acredito que sim. Isso está sendo discutido na justiça.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E a sua empresa registra a entrada, o ingresso desse equipamento como sendo patrimônio da empresa?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, senhor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor presta esse serviço como pessoa física ou como personalidade jurídica?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu quero entender porque era o primeiro serviço que eu estava prestando. Então...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Mas é como pessoa física ou como pessoa jurídica, foi isso que eu perguntei.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Eu, Jairo.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Pessoa física. Então, o senhor incorpora os equipamentos que aufere dos serviços de grampo para o seu patrimônio pessoal?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Depende do que o senhor considera como grampo?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Esse que o senhor acabou de fazer.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Não, isso não é grampo.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Isso é o quê, então?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Isso não é grampo. Isso foi uma filmagem como, por exemplo, nós temos aqui a emissora de televisão, a Rede Globo que está aqui que se utiliza de câmeras escondidas.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Certo.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Isso é grampo?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Isso não é grampo, isso é uma filmagem com câmera escondida.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Foi isso que eu providenciei.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Servindo para algum tipo de interesse porque o senhor foi demandado, não foi a sua curiosidade que o levou a fazer a gravação.

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Com certeza.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Foi movido por um interesse terceiro. Esse interesse era um interesse de empresa ou não?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA – Era interesse do empresário que se apresentou para mim.

Qual era o interesse dele eu já deixei claro.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Ele disse para o senhor que estava defendendo os interesses da empresa dele em concorrência junto ao Correio ou não?

O SR. JAIRO MARTINS DE SOUZA