TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sr. JOÃO MARCOS POZZETTI
(13/09/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

SEGUNDA REUNIÃO DA SUBCOMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 13 DE SETEMBRO DE 2005 ÀS 14:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Declaro aberta a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instituída para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios.

Esta reunião destina-se à oitiva dos Srs. João Marcos Pozzetti, Américo Proetti, Hugo César Gonçalves e Mauro Dutra.

Quero esclarecer que a Mesa recebeu um requerimento encaminhado pelo Sr. Américo Proetti em que faz juntada de um relatório médico segundo o qual ele foi acometido de grave acidente vascular encefálico e hemorrágico, sofreu quadro de ausência simples e episódios de esquecimento em junho de 2004, o que lhe gerou a prescrição médica para ingestão periódica de medicação específica. Ele pede a dispensa da oitiva.

Esta Mesa vai dispensá-lo hoje e vai reunir-se com a Presidência e com a Relatoria e Sub-Relatoria para analisar o caso específico, se ele será reconvidado ou não para o seu depoimento.

Convido a tomarem assento à mesa os Srs. João Marcos Pozzetti e Hugo César Gonçalves, já que os depoimentos vão ser tomados em conjunto.

Esclareço que o depoimento do Sr. João Mauro Dutra, que estava programado para as 17 horas, decidimos adiar para quinta-feira, às 14 horas.

Os depoentes já assinaram o Termo de Compromisso. Solicito, então, ao Sr. Relator que dê início aos trabalhos, antes solicitando a identificação de cada um dos depoentes.

Com a palavra o Sr. João Marcos Pozzetti para sua identificação e algum esclarecimento que ele queira prestar preliminarmente.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Boa-tarde, Excelências.

Meu nome é João Marcos Pozzetti. Sou diretor administrativo-financeiro da empresa Skymaster Lines e dispenso a apresentação de qualquer esclarecimento inicial.

Estou à disposição de V. Exªs para responder a qualquer dúvida e a todas as perguntas que vocês tiverem para fazer com respeito a essa questão da RPM.

O SR. PRESIDENTE (Asdrúbal Bentes. PMDB – PA) – Da mesma forma, solicito ao Sr. Hugo César Gonçalves que proceda à sua identificação e preste alguns esclarecimentos que julgar convenientes.

O SR. HUGO CÉSAR GONÇALVES – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. e Srªs Parlamentares, senhoras e senhores, meu nome completo é Hugo César Gonçalves, sou oficial da reserva da Força Aérea Brasileira, desempenho a função de diretor técnico da Skymaster Lines Ltda, portanto responsável pela área operacional e pela área de manutenção da empresa. Sou casado, resido em Brasília e milito na aviação há quarenta anos, contando o tempo de Força Aérea e de aviação comercial.

Obrigado, Sr. Presidente. É só.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Passo, então, a palavra ao Sr. Relator para a inquirição.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sr. Presidente, prezados depoentes, nobres Colegas que estão presentes a esta reunião de oitiva, seria adequado, inclusive para manter o procedimento regular, que também fosse nominado o advogado que acompanha os depoentes, de sorte a constar dos registros da Relatoria.

O SR. PRESIDENTE (Asdrúbal Bentes. PMDB – PA) – Com a palavra V. Sª.

O SR. CARLOS VINICIUS DE ARAÚJO – Boa-tarde, Sr. Presidente, boa tarde, Sr. Relator. Meu nome é Carlos Vinicius de Araújo, sou advogado, inscrito na OAB – São Paulo sob o nº 169 887. Também estou à disposição para o que puder colaborar com esta Comissão, no que diz respeito à matéria jurídica referente à empresa.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Muito obrigado, então, Dr. Carlos. Nós vamos proceder à oitiva simultânea, de sorte a que, entre os dois sócios que comparecem a esta reunião, objetivamente cada parte responde por seu turno, ainda que determinado questionamento possa ter complementações de resposta de qualquer dos dois. Ou, em entendendo, por acordo de ambos, que apenas um dos depoentes responda a determinada pergunta, também poderão fazê-lo.

Eu inicio perguntando: há quanto tempo os senhores são sócios da Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Tanto eu quanto o Hugo César Gonçalves somos sócios da Skymaster desde a fundação da empresa.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor respondeu em relação a dois membros da sociedade. Em relação aos outros dois, constituíram a empresa originalmente ou foram posteriormente agregados ao quadro societário?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Não, a empresa foi constituída originalmente com todos esses sócios que hoje constam no contrato social.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Os mesmos sócios: Luiz Otávio Gonçalves, João Marcos Pozetti, Hugo César Gonçalves e Expresso Lucatti?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual a participação percentual de cada uma dessas partes no quadro societário?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – João Marcos Pozetti, 20%; Hugo César Gonçalves, também 20%; Luiz Otávio Gonçalves, também 20%; Expresso Lucatti, 30%; e mais um sócio, Euzer de Ávila Nascimento, com 10%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Há um novo sócio, então, que não era do quadro originário?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Não, ele foi do quadro original. Depois, por problemas de trabalho e problemas pessoais, ele saiu e depois retornou para o quadro social.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Euzer...?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Euzer de Ávila Nascimento.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) –... de Ávila Nascimento.

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Ele retornou aos quadros societários agora em março de 2005.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Muito recentemente então, março de 2005. O depoimento do Sr. Luiz Otávio Gonçalves foi ouvido logo no início dos trabalhos da CPMI, ocasião em que o Plenário achou por bem convocar os outros sócios da Skymaster, posto que ainda os dados relativos a contratações e à evolução da participação dessa empresa no Correio Postal noturno ainda eram muito incipientes de domínio da CPMI.

Àquela ocasião, o Sr. Luiz Gonçalves disse: “Eu não sou dono da Skymaster. Sou diretor comercial, com uma participação societária de 20%.” Essa afirmação acaba de ser confirmada em parte: que ele participa com 20% da sociedade.

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Exato.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E corresponde a ele o cargo de diretor comercial?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual é o tipo de envolvimento e responsabilidade de cada um dos senhores, individualmente, nas contratações de serviços da Skymaster junto à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos? Eu aí, nesse caso, peço que cada um responda por sua parte.

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Eu cuido da área administrativa e financeira da empresa, mas não tenho contato, não me envolvo na sistemática de contratação com a RPN. Essa sistemática de contratação é toda gerida pelo Sr. Luiz Otávio Gonçalves, que é o sócio que cuida da área comercial. Dentro da empresa, cada sócio cuida de um setor específico, para dividir as tarefas e tentar ser o mais eficiente possível.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Que tipo de decisão, então, cabe a V. Sª?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – A minha decisão, em termos de relacionamento com os Correios, simplesmente é apurar os valores executados nas linhas, emitir as faturas e receber as faturas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Como é que são decididas essas grandes contratações da empresa Skymaster? Tudo por conta apenas do Sr. Luiz Otávio?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Veja bem,...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Porque a participação é bastante equilibrada, no quadro societário.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exato. Não fica por conta dele. É que ele tem... Como dividimos as tarefas, não dá para cada sócio ficar atuando em todas as áreas. Então, o Hugo vai relatar a área dele, ele cuida especificamente da área operacional. Eu cuido da área administrativa financeira. O Luiz Otávio cuida da área comercial. Então, os aspectos comerciais, apesar de serem discutidos entre todos os sócios, a palavra final sempre cabe a ele, porque ele que está vivenciando o dia-a-dia dessas operações.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Em processos licitatórios, também?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Em processos licitatórios, também.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Esse procedimento, na hora de bater o martelo, então, há algum tipo de reunião formal do conjunto de sócios, de sorte a se ter a decisão formalizada?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Perfeito. Nós discutimos os assuntos, chegamos a um consenso, mas, quando ele parte para definir, ele já tem a opinião formada de todos os sócios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Há algum processo formal de registro desse processo decisório?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. É muito informal. Porque a empresa é basicamente gerida pelos sócios. Então, é mais informal.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Então, nada que tenha atas ou anotações ou uma instância decisória formalmente constituída?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, não. Não temos esse procedimento na empresa, não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Algum dos sócios – depois repetirei todas as perguntas ao outro depoente – tem capacidade de decidir sobre alguma questão absolutamente só? Em particular no que tange a licitações?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Só se for o dia-a-dia, a rotina, aí ele decide. Mas assuntos que envolvam elevados volumes de dinheiro ou decisões importantes, nós sempre nos reunimos para decidir.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Eu gostaria, então, agora, que o Sr. Hugo pudesse responder. Que tipo de decisão compete concretamente ao senhor?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – As decisões especificamente nas áreas técnicas de operações e manutenção. São as que, de modo geral, eu as tomo sem consulta dos demais diretores.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Aquisição de equipamentos, manutenção de equipamentos?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Aquisição de itens de suprimento, sim. De equipamentos, não. A de equipamentos, como se resume em um volume elevado de dinheiro – todos os equipamentos de aviação são caros –, costumamos discutir isso em reunião societária.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quando se conformam, por exemplo, planilhas de custo operacional, a participação de V. Sª é em que medida?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Fornecer ao Luiz Otávio, que aqui compõe as planilhas de custo, os custos inerentes a manutenção, principalmente, e operação. Operação, nós temos o custo de treinamento de tripulação, temos o custo da tripulação em si, os custos inerentes à Infraero e a combustível. E manutenção são itens de suprimento.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Nesse caso, a competência, no interior da empresa, é de V. Sª?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – A competência nesses assuntos sim.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor tem poder de decidir alguma questão contratual isoladamente?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Não, senhor. Como foi esclarecido pelo Sr. Pozzetti, eu não tenho esse poder de decidir individualmente uma decisão contratual.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – No que se refere às relações externas e contratuais, quem responde efetivamente pela empresa do ponto de vista de firmar contratos, representá-la em processos licitatórios? Qual dos membros do quadro societário realiza esse papel?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Assinar contratos que envolvem volumes é o Luiz Otávio. Essa parte de representar a empresa junto aos órgãos – Receita Federal, Receita Estadual –, a área fiscal, sou eu. Mas contratos é o Luiz Otávio que sempre representa e assina. A não ser quando ele está impossibilitado de comparecer em algum evento ou em alguma data para assinar um contrato. Aí eu o substituo normalmente, ou o Hugo substitui, aqui em Brasília.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E o instrumento utilizado para essa delegação é uma procuração ou o próprio...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Não existe uma formalidade, porque o contrato social nosso prevê três diretores. No caso, somos eu, o Hugo e o Luiz Otávio. Então, nós podemos representar a empresa na assinatura de qualquer contrato.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Pode-se afirmar que o Sr. Luiz Otávio tenha qualquer tipo de prevalência nas decisões que envolvam contratos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Eu não usaria o termo prevalência, mas ele está mais familiarizado. Então, ele tem, digamos assim, mais contato com as áreas e ele se sobrepõe aos outros no sentido de que ele conhece mais dos contratos do que nós, simplesmente por isso.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Há algum dos membros do quadro, representado por esses sócios, que ocupe a posição de presidência da empresa?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Eu ocupo, Excelência.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – V. Sª, então, é presidente e, ao mesmo tempo, diretor técnico, acumula as duas funções no organograma da empresa?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Sim, senhor, acumulo as duas funções.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Essa função, em algum tempo, foi ocupada por algum outro membro do quadro societário?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Não, senhor. Desde o início da formação da nossa empresa, no processo de homologação junto ao DAC, fiquei encarregado desse processo, fiquei em São Paulo tratando do apoio necessário às nossas operações e era comum a maioria dos documentos enviados ao Departamento de Aviação Civil, à Infraero, necessitarem serem assinados pelo presidente da empresa. Então, combinamos nós que eu representaria a presidência da empresa, uma vez que o Luiz Otávio e o Pozzetti estavam em Manaus, onde é a nossa matriz, cuidando dos trâmites de transporte de carga, etc, com agentes de carga e outros afins.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O Sr. Luiz Otávio tem algum grau de parentesco com V. Sª?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – É meu irmão.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual é o percentual de participação de clientes privados com serviços da Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje, entre 60 e 65% de clientes privados.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sessenta e cinco por cento de clientes privados. O senhor está se referindo ao movimento com o número de clientes ou o senhor está se referindo ao movimento financeiro?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Ao movimento financeiro, ao faturamento, em si.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sessenta e cinco por cento do faturamento, segundo a informação de V. Sª, advém de clientes privados?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exato.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E de clientes públicos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – De clientes públicos, em torno de 40%, seria o saldo. Entre 35 e 40%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Desses clientes públicos, além dos Correios, existem outros clientes públicos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Fazemos serviço também para o Banco Central.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Em outra esfera de administração, que não seja federal, existe algum outro cliente da Skymaster? Estadual, municipal, autarquia...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, porque o nosso transporte é basicamente com aeronaves de grande porte e, dificilmente, a gente consegue fornecer serviços, principalmente na área de Manaus, para o Governo estadual ou municipal. O volume de trabalho é muito restrito e não comporta um avião desse tipo, das aeronaves com que trabalhamos.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Esse percentual sofreu alguma variação? Percentual, que eu digo, é em relação a clientes públicos e privados. Nos últimos dois anos, houve uma variação muito substantiva em relação à participação do setor público e privado no faturamento da empresa?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Houve. Em 2004, tivemos em torno de 70% de clientes privados e 30% de faturamento com clientes públicos.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E anteriormente a 2003?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Anteriormente a 2003, 2002, estava 50% a 50%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)  Consta na informação formal da DRE da Skymaster, em 31 de dezembro de 2003, que a participação do setor privado estaria em torno de 25%, bem distante dos 65% a que V. Sª fez referência.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Sempre foi maior do que 25%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sempre foi maior. Os Senhores fazem o transporte de carga de maneira sistemática, ocasional, combinada com outro tipo de serviço de transporte aéreo ou é somente carga?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, o nosso trabalho é somente com carga aérea.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quantas rotas os Senhores detêm do ponto de vista do transporte de carga? Tanto faz para a contratação pública, dos Correios e do Banco Central, quanto das rotas contratadas por iniciativa privada?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Assim, rotineiramente, nós temos essa linha dos Correios, que começa em Fortaleza e faz Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre e, depois, voltando: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. Além dessa rota, nós temos a rota de Manaus. Fazemos Manaus–São Paulo, normalmente um vôo por dia, mas, em situações emergenciais, fazemos até dois vôos por dia nessa rota de Manaus–São Paulo.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Mas essas rotas são exclusivamente as definidas pela Empresa de Correios e Telégrafos ou por outros clientes privados também?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Essa rota do Nordeste, como chamamos a de Fortaleza até Porto Alegre é a rota dos Correios, definida pelos Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sim. E São Paulo–Manaus?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – São Paulo–Manaus é rota própria nossa, com esses clientes particulares aí.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Desde quando a empresa presta serviços aos Correios?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Desde 2000.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Desde o ano de 2000. Anteriormente a esse período, que tipo de contratações a Skymaster possuía?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nós prestávamos serviço para o Banco Central, várias vezes...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Já antes de 2000?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Já antes de 2000. Nós tínhamos um contrato com a empresa Itapemirim Cargas; nós fazíamos dois vôos diários entre Manaus e São Paulo para a Itapemirim. Contratamos serviço também com a companhia EBX, fazendo essa rota do Nordeste, distribuindo malotes de bancos e por aí afora, e uma outra empresa que não foi tão representativa, com volumes menores. Mas basicamente os contratos grandes nossos eram com a Itapemirim e a EBX.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Itapemirim e?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – EBX.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – MX?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – EBX.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – EBX.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – É a empresa do Eike Batista.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – EBX. Ambas contratam transportes de cargas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Ambas contratavam; hoje não contratam mais. A Itapemirim, ela...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Hoje, quais são os principais contratantes além do Banco Central e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje, contratos fixos nós não temos. Nós temos os nossos clientes normais que trafegam no eixo São Paulo–Manaus.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quem são? O senhor pode citar os maiores pelo menos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Os maiores são Videolar; Sonopress; basicamente a concentração de empresas de CDs do Pólo Industrial de Manaus; de telefones celulares, que seria a Nokia, a Samsung; e um volume menos expressivo de eletroeletrônicos, de Philips, de Philco, de empresas menores.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Esse setor de eletroeletrônicos, provavelmente mais vinculado à Zona Franca de Manaus, que participação tem no faturamento total da Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Esse setor é que responde hoje pelos 60%, 65% de faturamento próprio nosso.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Como o senhor avalia a hipótese de a Skymaster perder o contrato com os Correios?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje?

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual seria o impacto para o funcionamento e a manutenção da empresa Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nós teríamos que reestruturar grande parte da empresa porque uma companhia aérea envolve, além do custo das aeronaves, um custo muito grande para estabelecer bases nos aeroportos. Então, não é chegar do dia para a noite e dizer: olha, está encerrado. Nós temos uma série de responsabilidades sociais e fiscais que vão pesar muito no nosso orçamento. Mas nós vivemos sem os Correios, sem dúvida nenhuma.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor considera que não haveria maiores impactos além dessa relação de 35% do faturamento atual?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, considero que não tenha.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Para efeitos logísticos, de utilização de equipamento, de redução de pessoal, de redução de aeronaves, isso não teria impacto imediato?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não vai trazer maiores impactos do que esse volume de 35% a 40%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Se os senhores estivessem sob a iminência de perda de contrato dos Correios, suponhamos que por caducidade de processo licitatório, e se apresentasse em seguida uma nova licitação. Qual seria a estratégia fundamental para disputa dessa licitação de modo que ela fosse efetivamente buscada com sucesso pela empresa Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Bom, o que se percebe hoje nos fornecedores que prestam serviços aos Correios é que a característica principal deles é que são empresas médias ou pequenas, como é o caso da Skymaster. Hoje nós não temos mais uma grande companhia aérea trabalhando para os Correios. Não temos Variglog; não temos Varig; não temos Transbrasil, que já era Vasp; nem TAM trabalhando mais para os Correios. Então, a característica não só da Skymaster como das outras prestadoras de serviços para os Correios é de ter uma estrutura menor, mais enxuta e, em função disso, ter custos menores. A nossa característica principal não é o custo total em si, menor, mas o custo fixo; nós temos um custo fixo menor que as grandes companhias, apesar de que o custo variável vai ser igual para todas. O querosene de aviação, hoje, é um fator relevante, representativo, que desequilibra qualquer equação financeira.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor estima que esse delta de variação entre os menores e os maiores concorrentes chegue a que percentual?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Olha, eu não sei o custo nem a lucratividade das grandes empresas. O que eu percebo é que elas se retiraram, não prestam mais serviços aos Correios. Essa é a única constatação que faço, porque não tenho como comparar...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E como o senhor avalia a variação desses custos fixos, permanentes e indispensáveis entre a origem ou inicial dos serviços prestados aos Correios e a última licitação de que participaram? Essa evolução representou um delta positivo ou um delta negativo? Houve uma variação de custos fixos muito intensa, não houve...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Em nosso caso, não houve uma variação de custos fixos muito intensa. Do lado das outras companhias, por exemplo, do que a gente conhece de Variglog, esta não quis mais prestar serviços para os Correios e entregou as linhas, porque não era mais interessante ela competir com os preços das outras companhias menores. Então, ela estabeleceu linhas próprias, quer dizer, voando para os seus próprios clientes, ela tem uma lucratividade muito maior do que voar para os Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E o senhor não avalia que uma das estratégias para obter contratos, no início, é apresentar um custo fixo menor, ainda que isso possa representar riscos, em função de disputar depois aquele reequilíbrio de contrato, ou termos aditivos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Veja bem, o custo inicial do contrato é imutável. Isso está dentro da lei. Nós começamos com um preço e não podemos mexer nesse preço, a não ser que ocorram fatores imprevisíveis ou de conseqüências imprevisíveis para a companhia, como é o caso do aumento do preço do combustível ou de uma disparada do dólar. Então, os reequilíbrios que são concedidos dentro desses contratos dos Correios não são reequilíbrios para corrigir o preço inicial, mas, simplesmente, para corrigir efeitos de custos em cima... a partir do momento do início do contrato até aquela data.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E o senhor avalia que a evolução desses custos foi uma evolução que encareceu os custos, a partir do ano de 2001, ou que reduziu os custos, a partir do ano de 2001?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Os custos variáveis sofreram um impacto muito grande de 2001 para cá, porque o custo...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Impacto de crescimento ou impacto de redução?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – De crescimento excepcional em relação aos outros custos. O ataque às Torres, o ataque terrorista, a invasão americana no Iraque elevaram o barril de petróleo de 28 dólares para 68 dólares, segundo a última cotação. E agora, com o Furacão Katrina, então nem se fala; quer dizer, são variações de preço incontroláveis. Por mais que nós, empresários, coloquemos em nossas planilhas de custo uma eventual variação no preço do combustível, a variação ocorrida nesse período superou qualquer previsão que qualquer economista pudesse ter.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Eu gostaria que V. Sª pudesse nos explicar por que razão, naquela rodada de lances do Pregão nº 106, do ano de 2003, a proposição da Skymaster baixava os preços das operações das linhas A e C, provavelmente correspondente ao Nordeste, ao que V. Sª fez referência, em cerca de 50% em relação ao que já estava contratado anteriormente. Se a evolução foi de acréscimo desses custos, por que razão nesses lances do Pregão houve uma redução tão assustadora?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Essa pergunta foi amplamente debatida pelo Luiz Otávio, quando ele prestou depoimento na Comissão. Isso foi mostrado por documentos, pelo Luiz Otávio, e foram entregues a esta Relatoria, no caso, o Deputado Serraglio, provando que, naquela licitação, houve um conluio de algumas empresas com o objetivo específico de tirar a Skymaster do certame licitatório. Houve uma grande movimentação sobre isso e fomos claramente prejudicados pelo conluio ocorrido entre as empresas que participaram daquele certame. E a Skymaster, naquela época assessora pelos advogados, pelo setor jurídico, chegamos à conclusão de que deveríamos permanecer no certame porque ele estava tão cheio de vícios e irregularidades que os advogados nos garantiram que conseguiríamos anular aquele pregão, diante dessas irregularidades. Resolvemos baixar o preço para continuar nos Correios porque desfazer toda essa estrutura que já tínhamos, em todas essas capitais do dia para noite ia ser um prejuízo muito grande para nós. Por isso, resolvemos correr o risco de baixar o preço nessas circunstâncias.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor considera que esse risco foi tal que poderiam ser preços absolutamente inexeqüíveis?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Poderíamos considerar preços inexeqüÍvel se não tivéssemos cumprido o contrato. Mas cumprimos o contrato até o último dia da sua vigência.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Caso isso ocorresse, ocasionaria prejuízos à empresa, mas, ao mesmo tempo, garantiria a ela a obtenção de sucesso no certamente?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) E a qualidade dos serviços?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Desde o primeiro dia em que a Skymaster, começou a prestar serviços ao Correio, o nosso índice de eficiência tem variado entre 99% a 99,8% e, em alguns meses, a 100%. Então, em nenhum dia de operação da linha dos Correios, estando com preço melhor ou com preço considerado inexeqüível, nós não deixamos de prestar um bom serviço para os Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)   E os senhores tiveram prejuízo com essa operação?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Tivemos um prejuízo muito grande nessa operação.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Esse prejuízo é verificado dentro dos documentos fiscais e contábeis da empresa.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Totalmente demonstrado e comprovado pelos nossos documentos.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor considera que, sem a contratação dos Correios, a Skymaster teria, provavelmente, aeronaves ociosas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Com certeza, teríamos aeronaves ociosas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) E o senhor considera que o mercado de transporte aéreo é tão amplo que pudesse ocupá-la num curto intervalo de tempo?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Essa parte deveria ser com o Luiz Otávio, que tem maior contato com o mercado. Mas, em curto espaço de tempo, considero que não conseguiríamos absorver essas aeronaves em outros contratos. Levaríamos um tempo médio para poder substituir.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor considera que o preço desse Pregão de nº 106, de 2003, poderia ser atribuído como um preço justo para participação do processo licitatório?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Desculpe-me, Exª. Não entendi.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor, aqui, confirmou que para participar do certame do pregão nº 106 do ano de 2003, tendo em vista ao conluio que o senhor atribui ao concorrentes, fez um rebaixamento de preços de modo a participar do certame e obter êxito.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Na seqüência, o senhor afirma que, inclusive, expôs  a empresa a operar no vermelho...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) ...em prejuízo. E que isso pode ser verificado pelos documentos fiscais, contábeis e tributários da própria empresa. O senhor considera que esse tipo de manifestação em processo licitatório, do montante que é, da seriedade e responsabilidade de lidar com a empresa como as dos Correios, o senhor acha que esta é uma ação justa? Estou perguntando tendo em vista o conceito de justiça do ponto de vista de pactuação de um processo que é público, que é aberto, e que definirá, seguramente, não apenas o êxito da empresa que presta serviço, como êxito diante do cidadão daquele que contrata uma empresa pública, nesse caso, a Empresa de Correios e Telégrafos.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI A contratação por um preço menor do que o do mercado, ela trouxe e traria prejuízos sérios à empresa. Prejuízos que foram calculados por todos os sócios. Nós resolvemos em conjunto correr o risco e assumir esse prejuízo, puxando lucratividade de outras operações da empresa para cobrir esse prejuízo. Do lado do setor público, considero que não houve prejuízo nem risco porque nós prestamos serviço a contento e não houve prejuízo para a atividade pública em si.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) A pergunta que fiz foi se o senhor considera justo esse tipo de procedimento.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Por parte do Correio em contratar um preço menor, ou por parte da Skymaster em oferecer um preço...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Apresentaram um preço que, em realidade, era um preço fora da realidade objetiva, fora da condição de exeqüibilidade do que seria contratado.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Por parte do Correio, eu acredito que não foi um preço justo, porque a administração pública tem parâmetros, e ela deveria ter analisado que o preço seria inexeqüível e não poderia ser adjudicado.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Por essa razão a pregoeira inclusive interrompeu a rodada para questionar sobre isso. A pregoeira questionou os concorrentes em relação a isso.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Exatamente. E nós continuamos mantendo o preço.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Uma vez que a operação é realizada por uma pregoeira, exatamente por ser um leilão público.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Portanto, a pregoeira fez o questionamento em torno da exeqüibilidade do preço.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Mas cabia a ela adjudicar ou não, e ela adjudicou.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor acha que essa adjudicação não coloca em xeque os contratos anteriores e os seus valores?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Não, porque os contratos anteriores se constituíam em preços de mercado, preços praticados usualmente nas contratações e refletiam o custo efetivo das companhias aéreas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Então esse preço era combinado nas licitações anteriores entre os concorrentes?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Nenhum preço foi combinado nas licitações anteriores. Todos foram pregões públicos, onde participaram várias empresas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor disse que, em 2003, outras empresas concorrentes fizeram conluio para rebaixar os preços e afastá-los da licitação.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)  No processo anterior, não poderia ter ocorrido um conluio da mesma natureza, para cima, nos valores apresentados?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Não ocorreu.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor está afirmando que não ocorreu, mas poderia ter ocorrido.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Estou afirmando que não ocorreu. Tudo é possível, mas não ocorreu. No nosso caso, nas licitações que participamos não ocorreu.<