TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sr. JOÃO MARCOS POZZETTI
(13/09/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

SEGUNDA REUNIÃO DA SUBCOMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 13 DE SETEMBRO DE 2005 ÀS 14:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Declaro aberta a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instituída para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios.

Esta reunião destina-se à oitiva dos Srs. João Marcos Pozzetti, Américo Proetti, Hugo César Gonçalves e Mauro Dutra.

Quero esclarecer que a Mesa recebeu um requerimento encaminhado pelo Sr. Américo Proetti em que faz juntada de um relatório médico segundo o qual ele foi acometido de grave acidente vascular encefálico e hemorrágico, sofreu quadro de ausência simples e episódios de esquecimento em junho de 2004, o que lhe gerou a prescrição médica para ingestão periódica de medicação específica. Ele pede a dispensa da oitiva.

Esta Mesa vai dispensá-lo hoje e vai reunir-se com a Presidência e com a Relatoria e Sub-Relatoria para analisar o caso específico, se ele será reconvidado ou não para o seu depoimento.

Convido a tomarem assento à mesa os Srs. João Marcos Pozzetti e Hugo César Gonçalves, já que os depoimentos vão ser tomados em conjunto.

Esclareço que o depoimento do Sr. João Mauro Dutra, que estava programado para as 17 horas, decidimos adiar para quinta-feira, às 14 horas.

Os depoentes já assinaram o Termo de Compromisso. Solicito, então, ao Sr. Relator que dê início aos trabalhos, antes solicitando a identificação de cada um dos depoentes.

Com a palavra o Sr. João Marcos Pozzetti para sua identificação e algum esclarecimento que ele queira prestar preliminarmente.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Boa-tarde, Excelências.

Meu nome é João Marcos Pozzetti. Sou diretor administrativo-financeiro da empresa Skymaster Lines e dispenso a apresentação de qualquer esclarecimento inicial.

Estou à disposição de V. Exªs para responder a qualquer dúvida e a todas as perguntas que vocês tiverem para fazer com respeito a essa questão da RPM.

O SR. PRESIDENTE (Asdrúbal Bentes. PMDB – PA) – Da mesma forma, solicito ao Sr. Hugo César Gonçalves que proceda à sua identificação e preste alguns esclarecimentos que julgar convenientes.

O SR. HUGO CÉSAR GONÇALVES – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. e Srªs Parlamentares, senhoras e senhores, meu nome completo é Hugo César Gonçalves, sou oficial da reserva da Força Aérea Brasileira, desempenho a função de diretor técnico da Skymaster Lines Ltda, portanto responsável pela área operacional e pela área de manutenção da empresa. Sou casado, resido em Brasília e milito na aviação há quarenta anos, contando o tempo de Força Aérea e de aviação comercial.

Obrigado, Sr. Presidente. É só.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Passo, então, a palavra ao Sr. Relator para a inquirição.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sr. Presidente, prezados depoentes, nobres Colegas que estão presentes a esta reunião de oitiva, seria adequado, inclusive para manter o procedimento regular, que também fosse nominado o advogado que acompanha os depoentes, de sorte a constar dos registros da Relatoria.

O SR. PRESIDENTE (Asdrúbal Bentes. PMDB – PA) – Com a palavra V. Sª.

O SR. CARLOS VINICIUS DE ARAÚJO – Boa-tarde, Sr. Presidente, boa tarde, Sr. Relator. Meu nome é Carlos Vinicius de Araújo, sou advogado, inscrito na OAB – São Paulo sob o nº 169 887. Também estou à disposição para o que puder colaborar com esta Comissão, no que diz respeito à matéria jurídica referente à empresa.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Muito obrigado, então, Dr. Carlos. Nós vamos proceder à oitiva simultânea, de sorte a que, entre os dois sócios que comparecem a esta reunião, objetivamente cada parte responde por seu turno, ainda que determinado questionamento possa ter complementações de resposta de qualquer dos dois. Ou, em entendendo, por acordo de ambos, que apenas um dos depoentes responda a determinada pergunta, também poderão fazê-lo.

Eu inicio perguntando: há quanto tempo os senhores são sócios da Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Tanto eu quanto o Hugo César Gonçalves somos sócios da Skymaster desde a fundação da empresa.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor respondeu em relação a dois membros da sociedade. Em relação aos outros dois, constituíram a empresa originalmente ou foram posteriormente agregados ao quadro societário?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Não, a empresa foi constituída originalmente com todos esses sócios que hoje constam no contrato social.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Os mesmos sócios: Luiz Otávio Gonçalves, João Marcos Pozetti, Hugo César Gonçalves e Expresso Lucatti?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual a participação percentual de cada uma dessas partes no quadro societário?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – João Marcos Pozetti, 20%; Hugo César Gonçalves, também 20%; Luiz Otávio Gonçalves, também 20%; Expresso Lucatti, 30%; e mais um sócio, Euzer de Ávila Nascimento, com 10%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Há um novo sócio, então, que não era do quadro originário?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Não, ele foi do quadro original. Depois, por problemas de trabalho e problemas pessoais, ele saiu e depois retornou para o quadro social.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Euzer...?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Euzer de Ávila Nascimento.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) –... de Ávila Nascimento.

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Ele retornou aos quadros societários agora em março de 2005.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Muito recentemente então, março de 2005. O depoimento do Sr. Luiz Otávio Gonçalves foi ouvido logo no início dos trabalhos da CPMI, ocasião em que o Plenário achou por bem convocar os outros sócios da Skymaster, posto que ainda os dados relativos a contratações e à evolução da participação dessa empresa no Correio Postal noturno ainda eram muito incipientes de domínio da CPMI.

Àquela ocasião, o Sr. Luiz Gonçalves disse: “Eu não sou dono da Skymaster. Sou diretor comercial, com uma participação societária de 20%.” Essa afirmação acaba de ser confirmada em parte: que ele participa com 20% da sociedade.

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Exato.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E corresponde a ele o cargo de diretor comercial?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual é o tipo de envolvimento e responsabilidade de cada um dos senhores, individualmente, nas contratações de serviços da Skymaster junto à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos? Eu aí, nesse caso, peço que cada um responda por sua parte.

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – Eu cuido da área administrativa e financeira da empresa, mas não tenho contato, não me envolvo na sistemática de contratação com a RPN. Essa sistemática de contratação é toda gerida pelo Sr. Luiz Otávio Gonçalves, que é o sócio que cuida da área comercial. Dentro da empresa, cada sócio cuida de um setor específico, para dividir as tarefas e tentar ser o mais eficiente possível.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Que tipo de decisão, então, cabe a V. Sª?

O SR. JOÃO MARCOS POZETTI – A minha decisão, em termos de relacionamento com os Correios, simplesmente é apurar os valores executados nas linhas, emitir as faturas e receber as faturas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Como é que são decididas essas grandes contratações da empresa Skymaster? Tudo por conta apenas do Sr. Luiz Otávio?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Veja bem,...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Porque a participação é bastante equilibrada, no quadro societário.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exato. Não fica por conta dele. É que ele tem... Como dividimos as tarefas, não dá para cada sócio ficar atuando em todas as áreas. Então, o Hugo vai relatar a área dele, ele cuida especificamente da área operacional. Eu cuido da área administrativa financeira. O Luiz Otávio cuida da área comercial. Então, os aspectos comerciais, apesar de serem discutidos entre todos os sócios, a palavra final sempre cabe a ele, porque ele que está vivenciando o dia-a-dia dessas operações.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Em processos licitatórios, também?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Em processos licitatórios, também.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Esse procedimento, na hora de bater o martelo, então, há algum tipo de reunião formal do conjunto de sócios, de sorte a se ter a decisão formalizada?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Perfeito. Nós discutimos os assuntos, chegamos a um consenso, mas, quando ele parte para definir, ele já tem a opinião formada de todos os sócios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Há algum processo formal de registro desse processo decisório?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. É muito informal. Porque a empresa é basicamente gerida pelos sócios. Então, é mais informal.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Então, nada que tenha atas ou anotações ou uma instância decisória formalmente constituída?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, não. Não temos esse procedimento na empresa, não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Algum dos sócios – depois repetirei todas as perguntas ao outro depoente – tem capacidade de decidir sobre alguma questão absolutamente só? Em particular no que tange a licitações?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Só se for o dia-a-dia, a rotina, aí ele decide. Mas assuntos que envolvam elevados volumes de dinheiro ou decisões importantes, nós sempre nos reunimos para decidir.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Eu gostaria, então, agora, que o Sr. Hugo pudesse responder. Que tipo de decisão compete concretamente ao senhor?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – As decisões especificamente nas áreas técnicas de operações e manutenção. São as que, de modo geral, eu as tomo sem consulta dos demais diretores.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Aquisição de equipamentos, manutenção de equipamentos?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Aquisição de itens de suprimento, sim. De equipamentos, não. A de equipamentos, como se resume em um volume elevado de dinheiro – todos os equipamentos de aviação são caros –, costumamos discutir isso em reunião societária.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quando se conformam, por exemplo, planilhas de custo operacional, a participação de V. Sª é em que medida?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Fornecer ao Luiz Otávio, que aqui compõe as planilhas de custo, os custos inerentes a manutenção, principalmente, e operação. Operação, nós temos o custo de treinamento de tripulação, temos o custo da tripulação em si, os custos inerentes à Infraero e a combustível. E manutenção são itens de suprimento.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Nesse caso, a competência, no interior da empresa, é de V. Sª?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – A competência nesses assuntos sim.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor tem poder de decidir alguma questão contratual isoladamente?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Não, senhor. Como foi esclarecido pelo Sr. Pozzetti, eu não tenho esse poder de decidir individualmente uma decisão contratual.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – No que se refere às relações externas e contratuais, quem responde efetivamente pela empresa do ponto de vista de firmar contratos, representá-la em processos licitatórios? Qual dos membros do quadro societário realiza esse papel?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Assinar contratos que envolvem volumes é o Luiz Otávio. Essa parte de representar a empresa junto aos órgãos – Receita Federal, Receita Estadual –, a área fiscal, sou eu. Mas contratos é o Luiz Otávio que sempre representa e assina. A não ser quando ele está impossibilitado de comparecer em algum evento ou em alguma data para assinar um contrato. Aí eu o substituo normalmente, ou o Hugo substitui, aqui em Brasília.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E o instrumento utilizado para essa delegação é uma procuração ou o próprio...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Não existe uma formalidade, porque o contrato social nosso prevê três diretores. No caso, somos eu, o Hugo e o Luiz Otávio. Então, nós podemos representar a empresa na assinatura de qualquer contrato.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Pode-se afirmar que o Sr. Luiz Otávio tenha qualquer tipo de prevalência nas decisões que envolvam contratos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Eu não usaria o termo prevalência, mas ele está mais familiarizado. Então, ele tem, digamos assim, mais contato com as áreas e ele se sobrepõe aos outros no sentido de que ele conhece mais dos contratos do que nós, simplesmente por isso.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Há algum dos membros do quadro, representado por esses sócios, que ocupe a posição de presidência da empresa?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Eu ocupo, Excelência.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – V. Sª, então, é presidente e, ao mesmo tempo, diretor técnico, acumula as duas funções no organograma da empresa?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Sim, senhor, acumulo as duas funções.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Essa função, em algum tempo, foi ocupada por algum outro membro do quadro societário?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – Não, senhor. Desde o início da formação da nossa empresa, no processo de homologação junto ao DAC, fiquei encarregado desse processo, fiquei em São Paulo tratando do apoio necessário às nossas operações e era comum a maioria dos documentos enviados ao Departamento de Aviação Civil, à Infraero, necessitarem serem assinados pelo presidente da empresa. Então, combinamos nós que eu representaria a presidência da empresa, uma vez que o Luiz Otávio e o Pozzetti estavam em Manaus, onde é a nossa matriz, cuidando dos trâmites de transporte de carga, etc, com agentes de carga e outros afins.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O Sr. Luiz Otávio tem algum grau de parentesco com V. Sª?

O SR. HUGO CEZAR GONÇALVES – É meu irmão.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual é o percentual de participação de clientes privados com serviços da Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje, entre 60 e 65% de clientes privados.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sessenta e cinco por cento de clientes privados. O senhor está se referindo ao movimento com o número de clientes ou o senhor está se referindo ao movimento financeiro?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Ao movimento financeiro, ao faturamento, em si.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sessenta e cinco por cento do faturamento, segundo a informação de V. Sª, advém de clientes privados?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exato.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E de clientes públicos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – De clientes públicos, em torno de 40%, seria o saldo. Entre 35 e 40%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Desses clientes públicos, além dos Correios, existem outros clientes públicos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Fazemos serviço também para o Banco Central.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Em outra esfera de administração, que não seja federal, existe algum outro cliente da Skymaster? Estadual, municipal, autarquia...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, porque o nosso transporte é basicamente com aeronaves de grande porte e, dificilmente, a gente consegue fornecer serviços, principalmente na área de Manaus, para o Governo estadual ou municipal. O volume de trabalho é muito restrito e não comporta um avião desse tipo, das aeronaves com que trabalhamos.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Esse percentual sofreu alguma variação? Percentual, que eu digo, é em relação a clientes públicos e privados. Nos últimos dois anos, houve uma variação muito substantiva em relação à participação do setor público e privado no faturamento da empresa?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Houve. Em 2004, tivemos em torno de 70% de clientes privados e 30% de faturamento com clientes públicos.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E anteriormente a 2003?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Anteriormente a 2003, 2002, estava 50% a 50%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)  Consta na informação formal da DRE da Skymaster, em 31 de dezembro de 2003, que a participação do setor privado estaria em torno de 25%, bem distante dos 65% a que V. Sª fez referência.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Sempre foi maior do que 25%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sempre foi maior. Os Senhores fazem o transporte de carga de maneira sistemática, ocasional, combinada com outro tipo de serviço de transporte aéreo ou é somente carga?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, o nosso trabalho é somente com carga aérea.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quantas rotas os Senhores detêm do ponto de vista do transporte de carga? Tanto faz para a contratação pública, dos Correios e do Banco Central, quanto das rotas contratadas por iniciativa privada?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Assim, rotineiramente, nós temos essa linha dos Correios, que começa em Fortaleza e faz Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre e, depois, voltando: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. Além dessa rota, nós temos a rota de Manaus. Fazemos Manaus–São Paulo, normalmente um vôo por dia, mas, em situações emergenciais, fazemos até dois vôos por dia nessa rota de Manaus–São Paulo.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Mas essas rotas são exclusivamente as definidas pela Empresa de Correios e Telégrafos ou por outros clientes privados também?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Essa rota do Nordeste, como chamamos a de Fortaleza até Porto Alegre é a rota dos Correios, definida pelos Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sim. E São Paulo–Manaus?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – São Paulo–Manaus é rota própria nossa, com esses clientes particulares aí.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Desde quando a empresa presta serviços aos Correios?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Desde 2000.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Desde o ano de 2000. Anteriormente a esse período, que tipo de contratações a Skymaster possuía?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nós prestávamos serviço para o Banco Central, várias vezes...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Já antes de 2000?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Já antes de 2000. Nós tínhamos um contrato com a empresa Itapemirim Cargas; nós fazíamos dois vôos diários entre Manaus e São Paulo para a Itapemirim. Contratamos serviço também com a companhia EBX, fazendo essa rota do Nordeste, distribuindo malotes de bancos e por aí afora, e uma outra empresa que não foi tão representativa, com volumes menores. Mas basicamente os contratos grandes nossos eram com a Itapemirim e a EBX.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Itapemirim e?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – EBX.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – MX?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – EBX.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – EBX.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – É a empresa do Eike Batista.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – EBX. Ambas contratam transportes de cargas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Ambas contratavam; hoje não contratam mais. A Itapemirim, ela...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Hoje, quais são os principais contratantes além do Banco Central e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje, contratos fixos nós não temos. Nós temos os nossos clientes normais que trafegam no eixo São Paulo–Manaus.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quem são? O senhor pode citar os maiores pelo menos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Os maiores são Videolar; Sonopress; basicamente a concentração de empresas de CDs do Pólo Industrial de Manaus; de telefones celulares, que seria a Nokia, a Samsung; e um volume menos expressivo de eletroeletrônicos, de Philips, de Philco, de empresas menores.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Esse setor de eletroeletrônicos, provavelmente mais vinculado à Zona Franca de Manaus, que participação tem no faturamento total da Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Esse setor é que responde hoje pelos 60%, 65% de faturamento próprio nosso.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Como o senhor avalia a hipótese de a Skymaster perder o contrato com os Correios?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje?

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual seria o impacto para o funcionamento e a manutenção da empresa Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nós teríamos que reestruturar grande parte da empresa porque uma companhia aérea envolve, além do custo das aeronaves, um custo muito grande para estabelecer bases nos aeroportos. Então, não é chegar do dia para a noite e dizer: olha, está encerrado. Nós temos uma série de responsabilidades sociais e fiscais que vão pesar muito no nosso orçamento. Mas nós vivemos sem os Correios, sem dúvida nenhuma.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor considera que não haveria maiores impactos além dessa relação de 35% do faturamento atual?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, considero que não tenha.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Para efeitos logísticos, de utilização de equipamento, de redução de pessoal, de redução de aeronaves, isso não teria impacto imediato?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não vai trazer maiores impactos do que esse volume de 35% a 40%.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Se os senhores estivessem sob a iminência de perda de contrato dos Correios, suponhamos que por caducidade de processo licitatório, e se apresentasse em seguida uma nova licitação. Qual seria a estratégia fundamental para disputa dessa licitação de modo que ela fosse efetivamente buscada com sucesso pela empresa Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Bom, o que se percebe hoje nos fornecedores que prestam serviços aos Correios é que a característica principal deles é que são empresas médias ou pequenas, como é o caso da Skymaster. Hoje nós não temos mais uma grande companhia aérea trabalhando para os Correios. Não temos Variglog; não temos Varig; não temos Transbrasil, que já era Vasp; nem TAM trabalhando mais para os Correios. Então, a característica não só da Skymaster como das outras prestadoras de serviços para os Correios é de ter uma estrutura menor, mais enxuta e, em função disso, ter custos menores. A nossa característica principal não é o custo total em si, menor, mas o custo fixo; nós temos um custo fixo menor que as grandes companhias, apesar de que o custo variável vai ser igual para todas. O querosene de aviação, hoje, é um fator relevante, representativo, que desequilibra qualquer equação financeira.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor estima que esse delta de variação entre os menores e os maiores concorrentes chegue a que percentual?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Olha, eu não sei o custo nem a lucratividade das grandes empresas. O que eu percebo é que elas se retiraram, não prestam mais serviços aos Correios. Essa é a única constatação que faço, porque não tenho como comparar...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E como o senhor avalia a variação desses custos fixos, permanentes e indispensáveis entre a origem ou inicial dos serviços prestados aos Correios e a última licitação de que participaram? Essa evolução representou um delta positivo ou um delta negativo? Houve uma variação de custos fixos muito intensa, não houve...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Em nosso caso, não houve uma variação de custos fixos muito intensa. Do lado das outras companhias, por exemplo, do que a gente conhece de Variglog, esta não quis mais prestar serviços para os Correios e entregou as linhas, porque não era mais interessante ela competir com os preços das outras companhias menores. Então, ela estabeleceu linhas próprias, quer dizer, voando para os seus próprios clientes, ela tem uma lucratividade muito maior do que voar para os Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E o senhor não avalia que uma das estratégias para obter contratos, no início, é apresentar um custo fixo menor, ainda que isso possa representar riscos, em função de disputar depois aquele reequilíbrio de contrato, ou termos aditivos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Veja bem, o custo inicial do contrato é imutável. Isso está dentro da lei. Nós começamos com um preço e não podemos mexer nesse preço, a não ser que ocorram fatores imprevisíveis ou de conseqüências imprevisíveis para a companhia, como é o caso do aumento do preço do combustível ou de uma disparada do dólar. Então, os reequilíbrios que são concedidos dentro desses contratos dos Correios não são reequilíbrios para corrigir o preço inicial, mas, simplesmente, para corrigir efeitos de custos em cima... a partir do momento do início do contrato até aquela data.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E o senhor avalia que a evolução desses custos foi uma evolução que encareceu os custos, a partir do ano de 2001, ou que reduziu os custos, a partir do ano de 2001?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Os custos variáveis sofreram um impacto muito grande de 2001 para cá, porque o custo...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Impacto de crescimento ou impacto de redução?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – De crescimento excepcional em relação aos outros custos. O ataque às Torres, o ataque terrorista, a invasão americana no Iraque elevaram o barril de petróleo de 28 dólares para 68 dólares, segundo a última cotação. E agora, com o Furacão Katrina, então nem se fala; quer dizer, são variações de preço incontroláveis. Por mais que nós, empresários, coloquemos em nossas planilhas de custo uma eventual variação no preço do combustível, a variação ocorrida nesse período superou qualquer previsão que qualquer economista pudesse ter.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Eu gostaria que V. Sª pudesse nos explicar por que razão, naquela rodada de lances do Pregão nº 106, do ano de 2003, a proposição da Skymaster baixava os preços das operações das linhas A e C, provavelmente correspondente ao Nordeste, ao que V. Sª fez referência, em cerca de 50% em relação ao que já estava contratado anteriormente. Se a evolução foi de acréscimo desses custos, por que razão nesses lances do Pregão houve uma redução tão assustadora?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Essa pergunta foi amplamente debatida pelo Luiz Otávio, quando ele prestou depoimento na Comissão. Isso foi mostrado por documentos, pelo Luiz Otávio, e foram entregues a esta Relatoria, no caso, o Deputado Serraglio, provando que, naquela licitação, houve um conluio de algumas empresas com o objetivo específico de tirar a Skymaster do certame licitatório. Houve uma grande movimentação sobre isso e fomos claramente prejudicados pelo conluio ocorrido entre as empresas que participaram daquele certame. E a Skymaster, naquela época assessora pelos advogados, pelo setor jurídico, chegamos à conclusão de que deveríamos permanecer no certame porque ele estava tão cheio de vícios e irregularidades que os advogados nos garantiram que conseguiríamos anular aquele pregão, diante dessas irregularidades. Resolvemos baixar o preço para continuar nos Correios porque desfazer toda essa estrutura que já tínhamos, em todas essas capitais do dia para noite ia ser um prejuízo muito grande para nós. Por isso, resolvemos correr o risco de baixar o preço nessas circunstâncias.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor considera que esse risco foi tal que poderiam ser preços absolutamente inexeqüíveis?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Poderíamos considerar preços inexeqüÍvel se não tivéssemos cumprido o contrato. Mas cumprimos o contrato até o último dia da sua vigência.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Caso isso ocorresse, ocasionaria prejuízos à empresa, mas, ao mesmo tempo, garantiria a ela a obtenção de sucesso no certamente?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) E a qualidade dos serviços?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Desde o primeiro dia em que a Skymaster, começou a prestar serviços ao Correio, o nosso índice de eficiência tem variado entre 99% a 99,8% e, em alguns meses, a 100%. Então, em nenhum dia de operação da linha dos Correios, estando com preço melhor ou com preço considerado inexeqüível, nós não deixamos de prestar um bom serviço para os Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)   E os senhores tiveram prejuízo com essa operação?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Tivemos um prejuízo muito grande nessa operação.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Esse prejuízo é verificado dentro dos documentos fiscais e contábeis da empresa.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Totalmente demonstrado e comprovado pelos nossos documentos.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor considera que, sem a contratação dos Correios, a Skymaster teria, provavelmente, aeronaves ociosas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Com certeza, teríamos aeronaves ociosas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) E o senhor considera que o mercado de transporte aéreo é tão amplo que pudesse ocupá-la num curto intervalo de tempo?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Essa parte deveria ser com o Luiz Otávio, que tem maior contato com o mercado. Mas, em curto espaço de tempo, considero que não conseguiríamos absorver essas aeronaves em outros contratos. Levaríamos um tempo médio para poder substituir.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor considera que o preço desse Pregão de nº 106, de 2003, poderia ser atribuído como um preço justo para participação do processo licitatório?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Desculpe-me, Exª. Não entendi.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor, aqui, confirmou que para participar do certame do pregão nº 106 do ano de 2003, tendo em vista ao conluio que o senhor atribui ao concorrentes, fez um rebaixamento de preços de modo a participar do certame e obter êxito.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Na seqüência, o senhor afirma que, inclusive, expôs  a empresa a operar no vermelho...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) ...em prejuízo. E que isso pode ser verificado pelos documentos fiscais, contábeis e tributários da própria empresa. O senhor considera que esse tipo de manifestação em processo licitatório, do montante que é, da seriedade e responsabilidade de lidar com a empresa como as dos Correios, o senhor acha que esta é uma ação justa? Estou perguntando tendo em vista o conceito de justiça do ponto de vista de pactuação de um processo que é público, que é aberto, e que definirá, seguramente, não apenas o êxito da empresa que presta serviço, como êxito diante do cidadão daquele que contrata uma empresa pública, nesse caso, a Empresa de Correios e Telégrafos.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI A contratação por um preço menor do que o do mercado, ela trouxe e traria prejuízos sérios à empresa. Prejuízos que foram calculados por todos os sócios. Nós resolvemos em conjunto correr o risco e assumir esse prejuízo, puxando lucratividade de outras operações da empresa para cobrir esse prejuízo. Do lado do setor público, considero que não houve prejuízo nem risco porque nós prestamos serviço a contento e não houve prejuízo para a atividade pública em si.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) A pergunta que fiz foi se o senhor considera justo esse tipo de procedimento.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Por parte do Correio em contratar um preço menor, ou por parte da Skymaster em oferecer um preço...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Apresentaram um preço que, em realidade, era um preço fora da realidade objetiva, fora da condição de exeqüibilidade do que seria contratado.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Por parte do Correio, eu acredito que não foi um preço justo, porque a administração pública tem parâmetros, e ela deveria ter analisado que o preço seria inexeqüível e não poderia ser adjudicado.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Por essa razão a pregoeira inclusive interrompeu a rodada para questionar sobre isso. A pregoeira questionou os concorrentes em relação a isso.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Exatamente. E nós continuamos mantendo o preço.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Uma vez que a operação é realizada por uma pregoeira, exatamente por ser um leilão público.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Portanto, a pregoeira fez o questionamento em torno da exeqüibilidade do preço.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Mas cabia a ela adjudicar ou não, e ela adjudicou.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor acha que essa adjudicação não coloca em xeque os contratos anteriores e os seus valores?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Não, porque os contratos anteriores se constituíam em preços de mercado, preços praticados usualmente nas contratações e refletiam o custo efetivo das companhias aéreas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Então esse preço era combinado nas licitações anteriores entre os concorrentes?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Nenhum preço foi combinado nas licitações anteriores. Todos foram pregões públicos, onde participaram várias empresas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor disse que, em 2003, outras empresas concorrentes fizeram conluio para rebaixar os preços e afastá-los da licitação.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)  No processo anterior, não poderia ter ocorrido um conluio da mesma natureza, para cima, nos valores apresentados?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Não ocorreu.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) O senhor está afirmando que não ocorreu, mas poderia ter ocorrido.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Estou afirmando que não ocorreu. Tudo é possível, mas não ocorreu. No nosso caso, nas licitações que participamos não ocorreu.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Qual é o instrumento de segurança nessa afirmação sua que possa afirmar para nós, aqui para a CPMI, que os processos anteriores foram descobertos de vícios, e esse processo último, de 2003, teria sido viciado? Qual é o elemento de segurança para que possamos fazer a distinção em termos do procedimento licitatório?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Nós já apresentamos praticamente toda a documentação pertinente a esse processo de 2003 para essa Comissão. Lá, nós apontamos todos os vícios, fizemos uma representação no Ministério Público Federal. Nos processos anteriores, foram licitações às quais compareceram todas as empresas brasileiras que tinham condições de participar do certame, tanto em termos financeiros, econômicos, quanto em disponibilidade de aeronaves. Nesse último pregão, 106/2003, as empresas que participaram, algumas não tinham habilitação fiscal – nós apontamos isso no nosso recurso –, não tinham aeronave, e empresas que até nem tinham o Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo homologado pelo DAC, que é a condição principal para a empresa participar de... para a empresa poder operar. Sem esse certificado, ela não pode nem comprar avião.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Qual é o certificado a que V. Sª se referiu?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Cheta, a gente chama de Cheta, que é o certificado de homologação.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)  Mas o Cheta só é exigível daqueles que estiverem habilitados e classificados no processo licitatório.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI É. O pregão tem esse problema. A empresa apresenta o preço, e depois vai apresentar a condição jurídica fiscal e financeira. É o inverso de uma concorrência normal. Na concorrência, você apresenta, a empresa tem que ser habilitada primeiro, para depois participar do preço.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Mas, nesse caso, não é.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Nesse caso, não. No pregão, a empresa apresenta um preço...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Esse certificado só é exigível depois?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Só é exigível depois.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Agora, vamos voltar à formação do preço, particularmente àquilo que é apresentado como item de custo, que pode sofrer variações V. Sª já fez referência a alguns –, particularmente o querosene de aviação. Confere?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT)  A variação da moeda estrangeira que indexa inclusive arrendamento de equipamentos, manutenção...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Peças.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Peças, revisão, seguro etc. O IGPM. É isso?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI  O IGPM já é uma medida de inflação interna...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) Varia para incidir sobre os outros custos que a empresa tem para além desses específicos, que são diretamente vinculados à tarefa finalística de manutenção e operação dos equipamentos, particularmente das aeronaves.

Os senhores apresentaram, por ocasião do Pregão nº 106, de 2003, uma participação de combustível da ordem de 58% do preço dos custos, uma depreciação dos equipamentos, em manutenção, revisão e seguro, da ordem de 14%. Os demais custos, mais a remuneração de 27,63%. É essa a composição mesmo?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Excelência, eu não me lembro agora porque essa planilha quem manuseia...

O SR. RELATOR (PT – MT) – Vossa senhoria não se lembra, mas estima que o combustível equivale a mais ou  menos 60% da formação do preço?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Correto. É essa a representação do combustível hoje no custo da...

 O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – É essa a representação. Os outros 40% estariam entre depreciação, arrendamento, uso de equipamento, manutenção, revisão, seguro. É isso?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Suponhamos que a Sky Master tenha tido um contrato com os Correios por cinco anos, que é o limite para a Administração Pública Federal. Um processo desses tem como tempo máximo 60 meses. Suponhamos então que a Skymaster tivesse seus contratos com os Correios reajustados regularmente por essa composição de preços que vossa senhoria confirmou.

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Correto

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Segundo os percentuais de referência em que combustível corresponde a mais ou  menos 60% e os outros 40% aos demais custos, nós poderíamos dizer que a remuneração da empresa seria mantida em níveis adequados ao longo de cinco anos?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Nesses contratos, os Correios exigem que nós apresentemos a planilha de custos em que evidencia-se a participação de cada insumo, de quanto é o combustível, de quanto é qualquer peça, etc. Toda vez que ocorrer uma variação imprevisível ou que cause danos irreparáveis em um desses insumos a própria lei prevê que se faça um reequilíbrio econômico-financeiro para que um lado não tenha um prejuízo irreparável e o outro se beneficie com isso.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Portanto, o senhor crê que essa modalidade de avaliação e de acompanhamento do processo de execução do contrato é seguro? É válido?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Eu considero que sim.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor considera válido para observação ao longo dos 60 meses como limite de duração desse contrato.

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – O contrato não é bem de 60 meses; na realidade é de 12 meses

 O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – É de até cinco anos. O processo licitatório permite que a licitação seja realizada por até cinco anos.

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – É. Nós tivemos contratos que tinham vigência de seis meses apenas ou que tinham vigência de doze meses. Ao final dos 12 meses, tanto a empresa quanto os Correios manifestavam interesse de prorrogar por mais seis meses ou não. Então as partes se sentavam à mesa e decidiam se iriam prorrogar ou não e a que preço seria prorrogado esse contrato.

 O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Inclusive com essas condições de se observarem as variações e a partir delas se procederem ajustes sucessivos.

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Exatamente. Fazer ajustes tanto em quantidades quanto em preços.

 O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor considera que do ponto de vista de projeção entre a marca inicial do contrato e aquilo que é apontado como finalização do contrato essa é uma medida que pode garantir que o contrato seja exeqüível, que seja duradouro, que resulte tanto para a empresa que contrata quanto para a contratada no êxito do negócio?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Correto.

 O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor acredita então que para o futuro essa é uma medida válida de comparação, de verificação, de avaliação dos contratos.

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Se é válido para o futuro, o senhor imagina que a aplicação desses mesmos contratos pode retroagir? Observadas as mesmas variações, os mesmos índices de composição de preços, e se para adiante eles são validados, eu também posso fazer uma retrospectiva a partir das mesmas variações?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – É, obedecendo, claro, o peso de cada insumo sobre a planilha. Nós iniciamos o contrato com os Correios no ano de 2000, 2001, quando o peso do combustível representava 30% dos custos. Hoje ele representa 60%. Então é difícil pegarmos a situação de hoje e retroagir nessa mesma proporção; tem que fazer proporção inversa também porque este insumo combustível variou acima do dólar, acima de qualquer outro insumo da aviação. Ele foi o fator que desequilibrou a relação de custo-benefício.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Portanto ele deveria ter empurrado os preços para cima, do ponto de vista da nova contratação?

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Os preços, teoricamente, para cima.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Teoricamente. Mas não foi o que ocorreu no Pregão de número 106, do ano de 2003, partindo dos pressupostos que vossa senhoria indicou aqui.

O SR. JOSÉ MARCOS POZZETTI – Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Como vossa senhoria já revelou que havia uma estratégia de subfaturar no ano de 2003 - vamos supor que essa seja a tese verdadeira - em função de ter êxito no certame da concorrência, efetivamente, se eu considero esse subfaturamento como alguma coisa que a empresa propõe como exeqüível – vossa senhoria diz inclusive que prestou serviços com qualidade aos Correios honrando em até 100% aquilo que era previsto dentro do contrato.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor considera esse raciocínio correto?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Esse raciocínio é correto. Considerando os pesos de cada insumo, considero correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Se esse raciocínio vale para o futuro e para o passado, o senhor poderia explicar de que maneira o contrato de dezembro de 2001, no valor de R$369.500,00, decorrente do Pregão nº 45, quando a oferta equivalente no Pregão nº 106, foi de apenas R$300.154,00 por operação? Ou seja, com dois anos de diferença, com a variação dos insumos, que – V. Sª mesmo já afirmou mais de uma vez aqui – teve uma variação avassaladora para maior, como o senhor pode explicar, então, que a empresa ofereceu para as mesmas linhas, nas mesmas condições, o preço, em vez de R$369 mil, de R$300.154,00 usando as mesmas...

O SR. (Orador não identificado) – Pela ordem.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – V. Sª não pode...

O SR. (Orador não identificado) – Só pela ordem. Ele vai ter oportunidade de fazer seu raciocínio. Só pela ordem. Eu gostaria de falar para o senhor que esse raciocínio que o senhor está querendo...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Isso o senhor vai dizer ao seu cliente, não a mim. V. Sª não pode se dirigir nem à Mesa nem ao Plenário.

O SR. (Orador não identificado) – Não, é só sobre o fato referente especificamente à licitação.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – V. Sª, então, deve recorrer aos depoentes para que eles falem. V. Sª não pode se pronunciar.

(Pausa.)

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Excelência, o raciocínio colocado tem que ser considerado em duas perspectivas. Nas licitações anteriores, eu apresentei uma planilha de preços em que eu remunerava todos os meus custos e tinha um lucro. Eu pagava os meus impostos e tinha um lucro. Nessa licitação, especificamente, em função de todos os fatos que levaram a esse conluio e a esse estrangulamento de preço, nós apresentamos uma planilha de custos demonstrando prejuízo nessa operação. Então, não dá para pegarmos essa planilha e querermos retroagir em cima das outras, porque nessa planilha, especificamente, nós apresentamos o prejuízo que estávamos tendo na operação da linha.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Os senhores apresentaram um prejuízo na operação da linha, mas, no conjunto, a empresa não era prejudicada, a empresa Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – No conjunto, a empresa Skymaster foi prejudicada, no ano de 2004, na execução desse contrato dos Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Por essa razão, então, cresceu tanto a participação do setor privado como contratante da Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Isso é o que V. Sª pretende afirmar?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exato.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Agora, quero deixar bastante claro que estamos nos referindo aos preços iniciais de contratação...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exato. Preços iniciais.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E que os contratos previam os reequilíbrios sucessivos...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E que, portanto, de parte da Skymaster, sob a égide do argumento do reequilíbrio, poderia haver, para adiante, a recomposição desses valores, já num processo de licitação decidido, em que, por diferenciação de preço, a Skymaster saiu vencedora.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto, mas...

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Correto. Então, esse raciocínio também me aponta que a apresentação inicial de um valor dessa natureza e com essa característica, em realidade, apenas aparentemente revelaria alguma perspectiva de prejuízo, porque, uma vez que se prevê a correção pelo reequilíbrio, alguns desses valores poderiam ser recuperados num processo posterior.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – O objetivo da Skymaster, na apresentação desse preço, não foi recompor esse preço, porque a própria lei não permite recomposição.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Não, o objetivo foi ganhar a licitação. A recomposição vem depois, na execução.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – É, mas o enfoque que foi dado foi que nós conseguiríamos anular essa licitação, pelos vícios que ela apresentou. Esse foi o enfoque. Nós mergulhamos, sim, no preço, mas objetivando isto: a anulação dessa licitação pelos vícios que ela apresentou.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Então, o interesse da Skymaster não era prestar o serviço com aquilo que ela propôs, como preço e condições operacionais, mas era, posteriormente, cancelar ou anular o processo licitatório?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Se não fosse possível anular o processo, nós manteríamos a prestação de serviço.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Então, em realidade, o que fica bastante claro aqui é que esse processo indicou um vício de origem, e, em lugar de denunciar o vício de origem, a própria empresa, por razões de mercado, de concorrência etc, adotou aquilo que denuncia nas outras: como tendo sido um conluio entre as outras concorrentes para derrubar o preço e, em derrubando o preço, ganhar o processo licitatório. Então, a pergunta que faço é se esse tipo de conluio não envolveu também a própria Skymaster.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Excelência, a Skymaster denunciou esse conluio antes mesmo da licitação. Foi já colocado várias vezes pelo Luiz Otávio. Esse assunto foi levado para o Presidente dos Correios, foi levado para o Ministro das Comunicações à época e foi feita uma denúncia por escrito junto ao Ministério Público Federal, envolvendo todos esses ilícitos praticados nesse processo. Inclusive, no próprio processo de licitação, no recurso que nós fizemos do pregão, nós apontamos todos os ilícitos que antecederam o pregão e os ilícitos praticados durante a execução do pregão, tais como falta de aeronave, falta de Cheta, inabilitação de empresa por falta de pagamento de tributos e tudo o mais.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor conhece o Sr. Antonio Augusto Conceição Morato Leite Filho?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Conheço.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quem é esse cidadão?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Antonio Augusto Morato Leite Filho é um dos empresários mais fortes do ramo de carga aérea, carga rodoviária e carga fluvial no eixo Manaus—São Paulo.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Ele é proprietário de alguma outra empresa concorrente na linha de transporte?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Ele é proprietário da empresa Promodal Transportes Aéreos Ltda, da Promodal Logística e, se não me engano, da Tecnocargo, que executa a parte rodoviária.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual a relação entre a Promodal e a Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje, nenhuma. Ela simplesmente é uma cliente nossa. Nós embarcamos carga, quando ela tem carga e quando está muito pequeno o movimento dela.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Mas existiu. O senhor está dizendo que hoje, nenhuma. Mas, anteriormente, existiu algum tipo de acordo de operação entre Promodal e Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Existiu, sim, e nós já apresentamos toda a documentação. O Luiz Otávio apresentou toda a documentação do relacionamento envolvendo Skymaster e Promodal.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Qual era o relacionamento? Qual era a modalidade de acordo?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nós fizemos... Inicialmente, nós pensávamos em fazer uma associação de negócios para o transporte de carga e, posteriormente, o Antônio Augusto prestaria serviço de intermediação comercial para a Skymaster. Esse é que era o relacionamento com a gente.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E qual era a pactuação entre movimentação financeira ou resultado financeiro entre uma e outra? Havia algum tipo de pactuação? Se uma operasse no vermelho, a outra contribuía para resolver o assunto? Não tinha?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, o acordo nosso já foi apresentado pelo Luiz Otávio quando do depoimento dele. De cabeça, agora, eu não me lembro quais eram as cláusulas que previam esse acordo.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Não havia um fundo de comércio entre ambas, de 50% para cada parte?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Sim, era uma participação no fundo de comércio das empresas, nunca na composição societária delas.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Não, não é na composição societária, mas é no fundo de comércio. Portanto, mobilizaria recursos financeiros de um lado para outro.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Perfeito.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Perfeitamente. Tão perfeito que esse fundo de comércio, criado em 2002, ainda existe?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Ele foi destratado?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Foi feito um destrato dele porque, de fato, ele nunca existiu.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E quais foram os principais negócios operados durante a vigência desse fundo de comércio?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nenhum negócio, porque, de fato, ele nunca existiu.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Nenhum negócio foi operado?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, nós fizemos uma tentativa de nos aliarmos a um empresário forte do ramo de carga para fortalecer a empresa, ocupar as aeronaves, mas, de fato, ele nunca prestou esse serviço e não se concretizou.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E o senhor conhece o Sr. Ioannis Amerssonis?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Conheço.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Quem é esse cidadão?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Ele é proprietário da empresa Beta.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Ele é proprietário ou controlador ou representante ou presidente da empresa Beta. O Sr. Augusto Conceição Morato e o Sr. Amerssonis eram proprietários de uma sociedade de fato – ambos, 50% para cada um –, que englobava diversas empresas, cerca de dez, entre elas a Promodal, que é do Sr. Morato, não é isso?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Isso.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – A Beta, do Sr. Ioannis Amerssonis, e a IGPT. As empresas estavam registradas em nomes próprios das respectivas esposas e de terceiros. Em agosto de 2002, ambos decidiram encerrar essa sociedade, e o processo foi concluído em 2004. A Skymaster, o senhor já pôde indicar aqui, tinha um acordo de fundo de comércio com a Promodal.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E com a Beta, existe algum tipo de acordo?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Existiu um acordo, sim, exatamente na distribuição das aeronaves. Assim como esse acordo que foi feito entre Varig e TAM para aproveitamento das aeronaves de passageiros, o setor aéreo de carga também faz esse tipo de acordo entre as empresas que operam as linhas. Eu tenho pouca carga hoje, então eu não voar com a minha aeronave. Então, eu embarco a minha carga na Beta. A Beta, amanhã, tem pouca carga, embarca na minha aeronave. Então, esse acordo não é um acordo usual só no mercado de passageiros, entre Varig e TAM, mas é também no mercado de transporte de carga aérea.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Esse acordo teve vigência na contratação de carga para os Correios?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Teve vigência na operação das aeronaves para atender os contratos dos Correios.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E esse tipo de acordo estava previsto já no processo licitatório original?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Tanto o edital quanto o contrato dos Correios sempre previu a subcontratação de aeronaves de uma empresa para outra. Em todos os processos licitatórios dos Correios sempre foi permitida essa subcontratação.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Mesmo que ambas tivessem disputado o mesmo pregão?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Mesmo que ambas tivessem disputado o mesmo pregão.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor conheceu o Sr. Hassan Gebrim?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Conheceu o Sr. Airton Dipp?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Pessoalmente não. Só por televisão, por contatos. Mas pessoalmente não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor conhece a empresa Aeropostal?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – A Aeropostal conheço.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sabe quem é proprietário dela? Ou quem são seus proprietários?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Bom, na época, eu sabia. Hoje, eu não sei se os proprietários continuam os mesmos. Realmente, eu não posso dizer hoje, porque eu me afastei; eles não estão no mercado atuando firme, e eu não sei realmente quem são os proprietários dela hoje.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – O senhor disse que já se afastou. Portanto, houve uma proximidade anterior...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Entre a Skymaster e a Aeropostal?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – A Aeropostal já não opera mais tanto no transporte de carga, no mercado.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Não. O senhor disse: “Eu me afastei”.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. A Aeropostal se afastou.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Ah, a Aeropostal se afastou desse mercado...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Do mercado de transporte de carga.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Os senhores já tiveram contratos firmados entre a Aeropostal e a Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Foram contratados por ela?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Nunca foram contratados?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nunca.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Sr. Presidente, por ora, esta relatoria, atendendo inclusive ao respeito às inscrições dos demais Parlamentares presentes, encerraria a primeira parte da oitiva e, sob a Presidência de V. Exª, dá prosseguimento à oitiva.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Vamos dar prosseguimento, passando a palavra, pela ordem de inscrição, aos membros da Comissão.

Senadora Heloísa Helena. (Pausa.)

Deputado Pompeo de Mattos. (Pausa.)

Senadora Ideli Salvatti. (Pausa.)

Concedo a palavra ao Deputado Carlos Willian pelo prazo de 15 minutos.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Sr. João, quando esse novo sócio ingressou na Skymaster, saiu alguém para trocar de sociedade ou simplesmente ele ingressou na sociedade?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – O Sr. Luiz Otávio Gonçalves cedeu 10% de participação. Ele tinha 30% e cedeu 10% para esse novo sócio. Não houve saída de nenhum outro sócio.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – A frota da Skymaster é genuinamente própria ou a maioria é terceirizada?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Cem por cento leasing.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – O senhor disse que 65% dos trabalhos oferecidos são para empresas privadas e uns 35% para empresas públicas. Qual a diferença de preço cobrado em relação à empresa pública e em relação a empresa privada? Tem alguma diferença ou a taxa é a mesma, o peso é o mesmo e o volume é o mesmo? Ou seja, a composição de custo a ser cobrado é igual.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje, o mercado aeronáutico se baseia em cima de preço por hora de vôo. Nosso tipo de aeronave não comporta calcularmos preço por quilo, porque, normalmente, as nossas aeronaves são fretadas.

Hoje, a hora de vôo dos contratos nos Correios está em torno de R$23 mil por hora de vôo. Nos nossos negócios próprios, essa hora de vôo está em torno de R$25 mil.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – R$23 mil e R$ 25 mil? Diferente do peso?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Diferente do peso, porque estou considerando nossa aeronave carregada. Quando eu faço contrato com o Correio, minha aeronave é fretada integralmente pelo Correio. Se o Correio embarcar 10 mil quilos ou embargar 35 mil – que é a capacidade da aeronave, em média – ele vai pagar o mesmo preço, porque é um fretamento da aeronave. Fora, no mercado, coloco meus 35 mil quilos e tenho um faturamento em torno de R$25 mil por hora de vôo.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – Se o peso da carga do Correio for pouco o senhor complementa com cargas de outros contratos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. A aeronave é exclusiva para o Correio.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – O senhor trabalha na área financeira. A empresa ou algum dos seus sócios tem conta ou dinheiro depositado no exterior?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, senhor.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – Nada?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nada.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – A Skymaster já patrocinou candidato ou partido político? Já financiou?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nunca patrocinou nem financiou partido ou candidato político.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – Político nenhum?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Nós, simplesmente, através dos sócios da Skymaster, contribuímos para campanhas eleitorais no Estado do Amazonas. Mas, patrocinar candidato, em nenhum momento, nenhum candidato.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – Patrocinou campanhas eleitorais no Amazonas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não patrocinamos campanhas eleitorais, contribuímos para campanhas eleitorais, mas não patrocinamos.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – Contribuiu?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Contribuímos.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – Isso na pessoa física dos sócios?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exato.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – Essas contribuições estão devidamente regularizadas e apontadas no Imposto de Renda?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Estão.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – O senhor lembra para qual partido político? Qual pessoa?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Lembro. Foi para o Senador Arthur Virgílio Neto, do PSDB, com R$50 mil e para o candidato a Governador, Eduardo Braga, em torno de R$100 mil, R$130 mil no total.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – O senhor conhece o Sr. Francisco Marques Carioca?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não.

O SR. CARLOS WILLIAN (PSC – MG) – A Skymaster pagou a esse senhor – e o senhor como responsável pelo departamento financeiro – R$1 milhão em espécie de julho de 2000 a julho de 2001, sendo R$800 mil entre 24/11/2000 e 30/7/2001.

Temos aqui os demonstrativos feitos pelo Bradesco e pelo Banco Real. Em 19/4 foram pagos a ele R$104 mil; em 11/11/2004, R$100 mil; em 16/6, R$100 mil; em 27/4, R$100 mil; em 10/9/2002, R$100 mil; em 2/12/2000, R$90 mil; agora, recentemente, 21/5/2004, R$86 mil; 22/11/2004, R$82 mil e 22 de novembro, bem recente, R$80 mil, isso em cash. É o senhor que efetua os pagamentos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Isso aí pode ter sido... eu não me lembro agora do nome do funcionário que vai sacar. Provavelmente, Francisco Marques eu não me lembro se faz parte do nosso quadro de funcionários, eu posso averiguar e fornecer as informações; mas provavelmente tenha sido algum funcionário do setor financeiro que foi fazer o saque. Eu posso levantar e fornecer os dados corretos para o senhor.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Eu gostaria, Sr. Presidente, que ele encaminhasse as informações sobre o Sr. Francisco Marques, carioca, sobre os saques feitos de mais de R$1 milhão em cash, em boca de caixa, e o motivo disso. Como se trata de uma empresa, tudo tem que estar documentado. Solicito, então, de preferência, que nos encaminhe os documentos que comprovam esses pagamentos. Aliás, os senhores têm o costume de realizar saques de quantias altas na boca do caixa?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, de quantias altas não. Nós temos pagamentos para funcionários em diversas localidades no Brasil. Então, normalmente se faz um saque e o depósito na conta deles.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – É, mas há valores bem expressivos. De 2000 a 2005, quase R$30 milhões foram sacados em boca de caixa.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Bom, eu desconheço isso.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Desconhece?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – É. Se o senhor puder me disponibilizar isso, eu vou levantar todos os dados e justifico para esta Comissão.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – No Bradesco, na conta 0320 – o senhor conhece?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Conheço.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Essa é a agência que mais movimenta.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – É.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – No dia 20/02, foi feito um saque de R$4 milhões.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – 20/02 de que ano?

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – 20/02/2002. Depois, em 2004, mês 1, R$3 milhões; em 25/09, R$3 milhões, e assim sucessivamente até 23/06/2003, também de R$2 milhões.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Bom, isso aí, com certeza, foi distribuição de lucros para os sócios da empresa. Com certeza. Mas, pegando cada valor, cada movimentação, eu posso mandar a documentação que comprova isso e os lançamentos nos nossos livros diários, Imposto de Renda e tudo mais.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – O Sr. Luiz Otávio tem conta conjunta com a Skymaster no Bradesco. Como se faz essa separação de sócio, pessoa física, pessoa jurídica, que têm conta conjunta? Como o senhor consegue fazer essa administração das retiradas financeiras, notas fiscais, o que é de um, o que é de outro?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Excelência, acho que tem algum engano, porque nem o próprio banco admite esse tipo de conta. O Sr. Luiz Otávio não tem conta conjunta com a empresa, em hipótese nenhuma. Ele pode assinar em conjunto, com os outros administradores, a conta da empresa, o que é improvável também, porque não é ele que assina; sou eu que assino a movimentação financeira.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Há pagamentos e recebimentos de toda sorte em conta conjunta, alguns de interesse da Skymaster como, por exemplo, recebimento de valores de Videolar, Sonopress – clientes da Skymaster –; pagamento da Shell, querosene de aviação, e outros que, em princípio, seriam de interesse também do Sr. Luiz Otávio. Essas são algumas informações que queremos esclarecer.

Nós sabemos que há uma grande integração da empresa Skymaster, particularmente na figura do Sr. Luiz Otávio, com a empresa do Sr. Antonio Augusto Conceição Morato Leite Filho. O senhor conhece o Sr. Antonio Augusto?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Conheço.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Qual é a relação dele com a empresa?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Hoje nenhuma.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Ele é sócio de empresas concorrentes: Beta, Promodal?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – É. Pelas minhas informações, ele também não é mais sócio da empresa Beta; ele é sócio da empresa Promodal, mas da Beta, eu acredito que ele não é mais sócio.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Mas tinha um grande relacionamento com a Skymaster?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Tinha. Todas as companhias aéreas cargueiras se relacionam muito entre si, porque sempre uma precisa da outra.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Hoje esse relacionamento está deteriorado?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Hoje nós continuamos com o relacionamento com a Beta, com todas as companhias.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – O senhor acha que existe um cartel?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não. Não existe um cartel.

O SR. CARLOS WILLIAN (PMDB – MG) – Sr. Presidente, estou satisfeito.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Agradeço pelo poder de síntese na inquirição e concedo a palavra ao Deputado Silvio Torres.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente, Srs. Depoentes, acho que efetivamente já foram feitas várias perguntas que eu também já havia relacionado para fazer, mas gostaria de aprofundar algumas já feitas e também de fazer outras perguntas novas.

Começaria recuperando um pouco...

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Nobre Deputado, acabo de receber uma mensagem do Presidente do Senado, pedindo para suspender a reunião, pois já começou a Ordem do Dia daquela Casa.

Então, declaro suspensa a presente reunião até o encerramento da Ordem do Dia e solicito aos depoentes que permaneçam à vontade, sintam-se em casa.

(Suspende-se a reunião às 16 horas e 54 minutos.)

(Reabre-se a reunião às 17 horas e 03 minutos.)

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Esgotada a Ordem do Dia no plenário do Senado, vamos recomeçar a reunião, convidando os depoentes a tomarem assento e, de pronto, passando a palavra ao Deputado Silvio Torres.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente, espero não ser interrompido outra vez, espero que não tenha outra Ordem do Dia.

Mas eu queria, como eu estava dizendo, recuperar um pouco a história até para situar algumas dúvidas que ficaram no ar.

Em 2000, a empresa se constituiu da forma que é hoje. Aliás, apenas com aquela mudança de 10% que o Sr. Luiz Otávio cedeu para o... Ou ela já existia antes com essa mesma composição acionária?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, a empresa foi constituída em 1995 e começou a operar em 1997.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E com os Correios, só em 2000?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Só em 2000 com os Correios.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Até então qual era o faturamento da empresa? O senhor se lembra?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – De cabeça, não. Mas era um faturamento semelhante, porque na aviação nós temos dois tipos de modalidade de fretamento de aeronave, que é o caso específico dos Correios: um fretamento em que nós fornecemos o avião, a tripulação e pagamos o seguro da aeronave; e outro, em que nós incluímos tudo isso e mais o combustível, as taxas aeroportuárias e o serviço de carga e descarga do avião. Então, no final, a margem de lucro é a mesma, mas o volume de faturamento oscila muito.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Oscila muito. Quando, em que mês de 2000 os senhores começaram a operar?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Em janeiro de 2000 que nós começamos a operar com os Correios.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Pois é, estava vendo que no ano de 2000 vocês tinham de receitas extras R$39.519,00 – foi o que apresentaram no final de 2000. E os Correios representaram R$26 milhões, em 2000.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não me lembro de cabeça agora.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – No ano seguinte, as outras receitas representaram R$36 milhões, e os Correios pularam para R$99 milhões.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Isso em 2002.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Em 2002.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E em 2003, V. Sª consegue se lembrar qual foi a percentagem?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não consigo, desculpe-me.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor alegou aqui, quando respondeu ao Relator, que teria sido em torno de 60% ou coisa dessa natureza.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Em 2003 eu acredito que foi 50% e 50%.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas os dados que temos aqui, inclusive informações do balanço que o senhor assinou, mostram que representou 75,28%; a Rede Postal Noturna, R$107 milhões, enquanto que as outras receitas, R$35 milhões.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E foi o senhor quem assinou o balanço, está aqui com a sua assinatura.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Perfeito. É que eu não estou lembrado de cabeça, ano a ano, qual foi esse faturamento.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, nesse ano de 2003, foi quando já estava em vigor o contrato que tinha sido objeto de uma licitação...Ok?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Sim, é o contrato que foi assinado em dezembro de 2001.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor tinha dito que ele estava com os custos maiores do que antes, porque os senhores tiveram que reduzir o valor da oferta, porque houve uma concorrência em que havia um conluio de concorrentes contra a Skymaster.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI O contrato que foi assinado em dezembro de 2001 vigorou até dezembro de 2003. Nesse contrato nós tínhamos lucratividade, sim. O contrato assinado em dezembro de 2003, que foi objeto do conluio nosso argumento, vigorou de dezembro de 2003 a dezembro de 2004.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB SP) Certo. Então, nesse contrato de dezembro de 2003 a 2004, o preço que inicialmente foi oferecido pela Skymaster foi de R$300 mil. Foi preço inicial.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Exato. Foi o preço inicial.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Esse era o preço que previa – isso já foi perguntado, mas estou revendo – a lucratividade?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Correto.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Aí, durante o pregão, ele foi até R$213 mil.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Perfeito.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E considerado pelos senhores como um preço que daria prejuízo operacional e...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Inclusive está nas nossas planilhas: um prejuízo em torno de R$75 mil por operação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Por que a Skymaster se recusou a abrir a sua planilha de preços antes desse pregão de 2003?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Excelência, em todos os certames licitatórios abrimos a planilha de preços, porque ela é um componente obrigatório na licitação. Nós abrimos a planilha em todos eles.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, se a planilha de preços era aberta, aquela de 2001, quando vocês tiveram um preço relativamente muito maior, por que, na licitação de 2003, quando o pregoeiro perguntou se estavam em condições de suportar aquele preço, vocês concordaram? Isso foi perguntado, não foi?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Foi perguntado, e nós concordamos em adjudicar o preço oferecido na licitação, porque acreditávamos...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mesmo tomando prejuízo?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Mesmo tomando prejuízo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Porque o senhor sabe que isso não é legal. O fato de o senhor assumir um preço com prejuízo pode ser considerado dumping

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Pode ser considerado dumping se essa minha posição trouxer prejuízo para o serviço público, fato que não ocorreu. Nós cumprimos o contrato e absorvemos esse prejuízo até o fim.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não. Isso seria depois que a operação se iniciasse. Mas, na hora do leilão, ninguém pode saber. Se o senhor reconhece que é um  preço que dará prejuízo, não há como alguém saber se os serviços seriam prejudicados ou não. Concorda? Creio que o senhor não contrataria para trabalhar para a Skymaster alguém que apresentasse uma planilha de preços com prejuízo para o senhor. O senhor não teria confiança de que ela poderia suportar.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Eu, Skymaster, não contrataria.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E por que os Correios contrataram o senhor?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Foi uma decisão da pregoeira, ela achou por bem adjudicar. É um poder discricionário dos Correios em que não nos cabe interferir. Mas ela adjudicou. Inclusive a nossa idéia era de que ela não iria adjudicar, porque o preço era difícil de ser atingido.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O concorrente, que seria supostamente o concorrente, que estaria liderando o conluio, era a Promodal.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI Correto.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Inclusive chegou a contratar um consultor, que é o Brigadeiro Grossi, que depôs aqui recentemente e que teria sido contratado como consultor dos Correios e, ao mesmo tempo, prestava serviços à própria Promodal, segundo denúncias do diretor da empresa Skymaster.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI No Ministério Público Federal.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Os senhores acreditam que essa dupla atuação do Briagadeiro foi que causou esse prejuízo à Skymaster?

O SR. HUGO CÉSAR GONÇALVES – Excelência, o Brigadeiro Grossi prejudicou a nossa empresa porque ele assessorou uma comissão que foi criada especificamente para conduzir esse processo licitatório, com a argumentação que ele, como experiente na aviação, com dados completamente fora de qualquer propósito... Dados de consumo de combustível dos aviões que a gente opera, ele botou muito abaixo; ele empregou uma lei que ele mesmo tinha cancelado, revogado um tempo atrás. Então, tudo isso levou à idéia de um custo fictício para esse tipo de operação. Ele prejudicou na medida em que informou, que assessorou essa Comissão com esses dados, que, realmente, eu... Eu conheço o Brigadeiro Grossi, respeito S. Exª, agora, não sei de onde, francamente, ele tirou esse tipo de dado para informar para...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então o senhor acha que o Brigadeiro estava a serviço  de um concorrente para tirar o serviço de vocês?

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Não, senhor, eu não acho. Eu só estou esclarecendo a V. Exª que ele forneceu dados inverídicos, de consumo, dados operacionais, que ele está acostumado inclusive ...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu quero entender o seguinte: os senhores fizeram uma acusação de que havia um conluio.

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Sim, senhor.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Brigadeiro foi contratado pelo concorrente e ao mesmo tempo pelos Correios.

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Perfeito.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor acha que ele não fazia parte desse conluio?

O senhor precisa definir o que é que o senhor acha acerca do Brigadeiro, senão uma parte da história se perde.

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Isso aí já foi debatido anteriormente com meu irmão, Luiz Otávio, e já entregou a representação que nós fizemos ao Ministério Público...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu não estava presente quando o seu irmão ...

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Desculpe, então.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Se o senhor pudesse repetir a sua opinião.

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Como eu diria, tecnicamente é possível, mas eu não posso afirmar. Isso aí está sub judice, está sendo avaliado pelo TCU, pela Procuradoria da República, de modo que ...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas quem era o conluio? Quem é que... Vocês fizeram uma acusação de conluio.

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Perfeito.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Sr. João Marcos acabou de dizer. Então, quem é que fez esse conluio? Com que objetivo fizeram esse conluio? De onde esse conluio partiu?

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Esse conluio ficou evidenciado, Excelência, na medida em que todas as empresas que participaram do processo licitatório, uma vez que deveriam saber de nossa intenção de resgatar o contrato – o Sr. Pozzetti já esclareceu aqui, por orientação de nossos advogados –, o preço foi lá para baixo porque todas participaram até praticamente o último lance. A Varig participou até o penúltimo, e a Beta participou até o último lance, jogando o preço muito para baixo. Nós permanecemos, na intenção que essa concorrência não fosse promulgada. Nós tínhamos certeza que ela seria anulada, face inclusive aos lances que houve no pregão.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Qual era o cargo que o Brigadeiro Grossi tinha antes de se aposentar?

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Entre outras atribuições, a última antes de ele passar para a reserva remunerada, ele foi diretor geral do Departamento de Aviação Civil.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Como tal, ele tinha alguma ingerência nos negócios, na fiscalização do serviço que V. Sªs. prestavam aos Correios?

 O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Quando ele estava na ativa e na posição de presidente, sim.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Tendo esse poder, ele não conhecia os custos que o senhor está dizendo que ele ...

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Por isso que me admirou a assessoria que ele prestou à comissão.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então o senhor está dizendo que ele prestou uma assessoria equivocada, com o único intuito de prejudicar a empresa de V. Sª?

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES – Eu não estou afirmando, Excelência. Eu estou dizendo ao senhor que S. Exª o Brigadeiro Grossi prestou uma assessoria à comissão que estava levantando os custos...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu sei, já entendi perfeitamente, só que o senhor não está querendo dizer o que ocorreu. O Brigadeiro era o encarregado do Departamento de Aviação Civil, portanto, cuidava de todos os custos, sabia todos os custos, tinha consciência do que implicava o serviço que vocês prestavam desde 2000, correto? (Pausa.)

E aí ele foi prestar uma consultoria aos Correios e mudou tudo o que ele sabia. Então só pode ter sido com o intuito de prejudicar, pago pelo concorrente. Acho que ou o senhor admite isso ou retira o que falou sobre conluio. O senhor tem duas alternativas, pode escolher qual delas daquilo que o senhor está querendo, mesmo que o seu advogado lhe aconselhe a não falar sobre isso, o senhor tem duas alternativas: ou não havia o conluio, ou havia e o Brigadeiro estava a serviço desse conluio. O senhor tem uma resposta?

O SR. HUGO CESAR GONÇALVES  Acho, Excelência, que as informações que poderia prestar a V. Exª prestei no sentido de o Brigadeiro, a assessoria do Brigadeiro me causou espanto, agora  daí deduzir que estava à serviço do conluio ou não, prefiro não afirmar.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Prestando serviços para a iniciativa privada e para os Correios ao mesmo tempo, existe uma diferença de impostos, para pagamento de impostos no serviço dos Correios, diferença de custos tributários?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Diferença de impostos?

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Custos tributários?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – De impostos existe sim.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Quais são os impostos e as taxas que V. Sª deixa de recolher.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – O próprio ICMS, basicamente o ICMS, os outros impostos não existe diferença, mas no ICMS quando eu forneço transporte para outras companhias fora tenho uma incidência de 4%  de ICMS sobre o meu faturamento. Nos Correios não, não tenho incidência desse imposto.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – É a única diferença tributária que existe?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – É a única.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Por que os Correios não pagam impostos pelo transporte pelas cargas deles?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Exatamente.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas não é só ICMS, eles têm outras vantagens. As cargas transportadas pelos Correios elas são fiscalizadas? Já que eles não pagam o ICMS sofrem algum tipo de fiscalização para saber  se tem nota ou não tem nota. Quem se responsabiliza por isso?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Realmente não sabemos, não temos acesso a isso. Os Correios entregam a carga para nós na pista, só pegamos a carga e colocamos dentro do avião, chegamos ao destino, retiramos e entregamos dentro da pista também, não sei nem o que ele carrega lá dentro. Eu não tenho acesso a nada do que está sendo transportado e nem de quanto está sendo transportado lá.  

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – V. Exª pode se reinscrever, a não ser que o Deputado Bittar conceda...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Somos só nós dois, não vou demorar muito.

Gostaria de obter algumas informações. O senhor foi há pouco inquirido sobre os saques em dinheiro realizados em alguns bancos, o senhor declarou  que os saques provavelmente de dividendos ou de lucros, correto?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Bom, no ano de 2000, os senhores participam de outras empresas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Sim.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Quais são as empresas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Uma empresa de logística de nome Skycargas, uma empresa de prestação de serviços no ramo de aviões, Skyavionics.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas os mesmos sócios participam dessas empresas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Os mesmos.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Também são realizados saques para distribuição de dividendos?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – As que dão lucro sim, com certeza.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – São empresas...

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Rentáveis.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Rentáveis?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Rentáveis.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – No ano de 2000, o senhor se lembra de ter retirado alguma coisa da Skymaster? Qualquer um dos dois especificamente.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI  No ano de 2000, com certeza, retiramos lucros da Skymaster sim. Só não sei precisar o valor.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Que foi o primeiro ano, foi aquele que teve aquele salto de faturamento de 65 milhões para 135 milhões.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Mas nós já, regularmente, todo ano retiramos lucro da empresa, porque nós vivemos disso, inclusive.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Tá, mas no ano de 2000 o Sr. Hugo também retirou?

O SR. HUGO CÉSAR GONÇALVES – Sim, senhor.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas não consta da declaração.

O SR. HUGO CÉSAR GONÇALVES Consta, sim, senhor.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – O que nós temos aqui... Não, pelos dados que chegaram aqui da Receita Federal, o senhor não retirou. É zero.

O SR. HUGO CÉSAR GONÇALVES – Não, na verdade, o Pozzetti retira e faz... O senhor está se referindo ao saque no banco?

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, estou falando da retirada de dividendos, dos lucros.

O SR. HUGO CÉSAR GONÇALVES – Tenho que ver, mas, seguramente, se houve a retiradas de lucros a mim dirigidas...

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas o senhor não declarou, enquanto que o senhor... No ano de 2000, o Sr. Hugo não declarou nada e o Sr. João Marcos declarou R$95 mil. Foi exatamente o que a Skymaster declarou que pagou ao Sr. João Marcos. No ano de 2001, o senhor retirou?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Com certeza.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Ambos retiraram.

O senhor se lembra quanto retirou?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não, não me lembro.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Então vou lembrar-lhe: o senhor retirou R$550 mil. O senhor declarou retiradas de R$550 mil reais, mas a Skymaster declarou apenas R$176 mil. As outras empresas do senhor... Estou perguntando novamente porque vamos ter acesso aos outros dados de sigilo que estão aqui. Então, qualquer declaração diferente pode realmente criar uma dificuldade maior para os senhores.

Vou relatar, então, para lembrá-los. O Sr. João Marcos, em 2000, retirou R$95 mil e declarou que retirou, em 2001, R$550 mil, sendo que a Skymaster declarou R$176 mil. Em 2002, a Skymaster declarou que o senhor retirou R$308 mil e o senhor declarou R$2.6 milhões. No ano de 2003, a Skymaster declarou zero e o senhor declarou R$3.480 milhões. No ano de 2004, a Skymaster novamente declarou zero e o senhor declarou R$1.9 milhão.

O senhor tem essa lembrança?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Sim, tenho. Essa retirada que eu declarei não foi lucros da Skymaster, mas lucro das outras empresas.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Então são todas das outras empresas?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Todas das outras empresas.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – E vale a mesma coisa para o Sr. Hugo?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – A mesma coisa.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – A mesma coisa, que nos anos de 2003 e 2004 a Skymaster não declarou nenhuma retirada, no entanto, o senhor declarou R$3.150 milhões e R$920 mil em 2004?

Se vocês são sócios igualmente, por que existe essa diferença?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Nós somos sócios igualmente na Skymaster. Nas outras companhias as participações são diferentes.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor, então, tem mais participação do que o Sr. Hugo.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Não é que eu tenha mais participação. Nas outras companhias, o critério de distribuição de lucro é diferente do da Skymaster. Então, lá não é proporcional à quantidade de cotas que cada um tem na empresa, mas, sim, ao desempenho e trabalho que cada um executa na empresa.

O SR. SÍLVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente, vou deixar que os técnicos, depois, façam as prospecções necessárias, até para não atrasar o meu colega Jorge Bittar.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Muito obrigado.

Concedo a palavra ao ilustre Deputado Jorge Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, senhores depoentes, na verdade, boa parte de minhas preocupações já foi objeto de algum grau de esclarecimento. Eu gostaria só de entender melhor, porque estou de posse de um estudo realizado sobre os processos licitatórios ocorridos desde 2000 com relação à Rede Postal Noturna, particularmente com relação às linha A e C, que são as linhas operadas pela Skymaster. Noto que, nas licitações realizadas... Em 2001 houve dispensa de licitação, em janeiro, pois houve uma licitação em dezembro de 2001, da qual participaram a Skymaster e a Aeropostal, que, diga-se de passagem, é uma empresa que, pelos registros nossos, nunca operou, nunca chegou a voar efetivamente. Depois houve, em dezembro de 2002, uma repactuação. Posteriormente, houve o contencioso, no início de 2003, com o novo Governo, quando se tentou uma renegociação dos contratos. Houve a negativa de renegociação e um pregão, no final de 2003, com a participação da Skymaster, da Varilog, da Promodal, da TCB e da Beta – da Beta, com certeza. Nesse pregão de dezembro de 2003, o preço inicial da proposta – não estou dizendo o preço final do pregão, quando houve uma licitação que os senhores classificaram predatória, em que os preços caíram abaixo dos custos, segundo declarações aqui realizadas pelo Sr. Gonçalves –, mas eu digo, para reforçar essa tese de que o preço era um preço razoável, porque todas as propostas iniciais dessa licitação oscilaram em torno de valores próximos. A TCB ofereceu R$289 mil; a Varilog ofereceu R$289.296,00; a Promodal, R$289.500,00; a Beta, R$290.585,00; e a Skymaster, R$300 mil, como proposta inicial. Depois, houve nova licitação, em dezembro de 2004, da qual participaram a Beta e a Skymaster.

Então, me parece absolutamente razoável que se leve em consideração, para se fazer um estudo comparativo, essa licitação de dezembro de 2003 porque foi a licitação mais ampla realizada. E me parece razoável que se tome o preço inicial porque ninguém oferece como preço inicial um preço abaixo dos seus custos. É razoável se pensar dessa maneira. Senão, na verdade, está-se praticando dumping efetivamente ou está se inviabilizando a operação de uma empresa. Até entendo, quer dizer, não acho justificável que, no limite, quando se chegou aos R$213 mil e tal se tenha fixado, enfim, com todas circunstâncias ocorridas. Mas uns R$300 mil me parece um preço razoável. Se se faz um estudo comparativo desse preço de R$300 mil com relação aos preços, evidentemente, com todos os fatores de correção próprios do preço do querosene, dos preços internacionais referenciados ao dólar, como o preço de leasing, de seguros e coisas desse tipo, como os demais preços corrigidos pelo IGPM, se se trabalha com uma planilha desse tipo, chega-se a diferenças de preço, em termos de superfaturamento, consideráveis.

É razoável se supor, Sr. João Marcos Pozzetti, que houve, por conta de licitações das quais participaram empresas que, como aqui já se mostrou, tinham contratos celebrados entre si, participavam da licitação e, ao mesmo tempo, tinham contratos firmados entre si – o caso da Beta e da Skymaster, o caso da Promodal, que está nisso, o caso da Aeropostal, que nunca voou, mas que, enfim... Então, na verdade, é razoável se imaginar que essas licitações anteriores não foram licitações, tal como seria razoável, e que nessa licitação de dezembro de 2003 houve, de fato, pela primeira vez, uma verdadeira competição, em que os valores iniciais foram valores bastante razoáveis.

Acho que vamos ter problemas. Vamos ter problemas porque me parece que esse estudo é bastante consistente e que, trabalhando esses valores corrigidos durante todo esse período de junho de 2001 até maio de 2005, dá uma diferença de valor de R$63 milhões, acumulados nesse período. Eu gostaria de ter a apreciação do senhor sobre as características desse estudo; enfim, a fundamentação dele. Se o senhor tem alguma contestação a esse tipo de análise que foi realizada.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Excelência, esse assunto já foi discutido amplamente e aqui foi apresentada documentação por parte do nosso sócio Luiz Otávio, quando ele depôs na outra Comissão.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Nesses termos não. Eu estive... Essa discussão sobre os R$63 milhões, valores precisos, não. Com certeza, isso não foi objeto de discussão. Trata-se de um estudo recente, a partir de auditoria realizada pelos órgãos competentes para tal.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Bom, então, deixe-me explicar ao senhor o seguinte: o edital de licitação para se executar a linha da RPN é um edital público, aberto a todas as companhias brasileiras que tenham aeronaves disponíveis para executar aquele serviço. Então, se a Varig, por exemplo, não compareceu num certame é porque ou ela estava utilizando a aeronave para outra rota ou porque não tinha aeronave...

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – O edital não poderia conter cláusulas restritivas, como, de fato, não conteve no passado?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Poderia ter cláusulas restritivas, mas não ilegais.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Por supor que a Variglog era uma competidora dos Correios.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Pode ser.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Havia cláusulas restritivas.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Sim.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – E o estudo demonstra isso. Quando essa cláusula restritiva foi retirada, em 2003, os preços de mercado se tornaram realistas, porque aí eram competidores realmente realizando um certame transparente, legítimo, etc.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Excelência, nós da Skymaster não temos ingerência nenhuma sobre as condições que os Correios acham mais convenientes colocar na contratação de seus serviços. Nós só participamos como todas as outras companhias participam do certame, de acordo com as condições estabelecidas por eles. Se os Correios colocaram uma restrição para a Varig, por exemplo, que era concorrente deles, não participar do certame, eu acho que essa pergunta tem que ser feita a eles, porque eu realmente não posso avaliar se o serviço que a Varig estava prestando para os Correios, para os Correios tomarem essa atitude, estava trazendo um dano, ao invés de um benefício para os Correios, realmente eu não tenho como avaliar isso. A Skymaster não tem como avaliar.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Então, gostaria de fazer apenas uma pergunta: o que levou os senhores a fazer uma proposta inicial... Veja bem, estou falando de proposta inicial, não estou falando de proposta final do certame.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Estou fala de proposta inicial muito inferior às propostas realizadas nos certames anteriores.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Uma carta. No finalzinho do nosso contrato, em 2003, a Varig apresentou uma proposta para os Correios para fazer a nossa linha por um preço menor. Então, nós já partimos do preço menor da Varig. Se não, não teríamos nem condição de participar do certame.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Mas como ninguém rasga nota de R$100,00, como dizemos no popular, é evidente que os senhores fizeram uma proposta que fosse uma proposta sustentável, do ponto de vista operacional, do ponto de vista da margem que os senhores devem ter na operação da sua empresa.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Com prejuízo, Excelência. E isso foi claro em todos os passos que nós demos nessa licitação.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – A proposta inicial dos senhores foi uma proposta com prejuízo? A proposta de R$300 mil é uma proposta com prejuízo?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – A proposta inicial, já com prejuízo.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Bom, é curioso que... Contestaram-se aqui os estudos realizados, a consultoria feita pelo Brigadeiro Venâncio Grossi, mas o preço referência do Brigadeiro Grossi foi de R$345 mil, e a proposta dos senhores foi de R$300 mil, inicial. Entendo que esse estudo tem bastante consistência. Evidentemente, teremos que obter também, enfim, o parecer, as informações da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Gostaria, também – penso que será extremamente conveniente –, que os senhores nos esclarecessem algo – apenas para precisar mais – que já foi objeto da intervenção do Deputado Carlos Willian. É que há uma relação muito grande de retirada de recursos em espécie que totalizam, nesse período de 2000 a 2005, R$30 milhões, tal como está aqui. Temos até uma relação bastante grande. O Deputado Carlos Willian atribuiu todas essas informações ao Sr. Francisco Marques Carioca, mas, na verdade, a informação do Sr. Francisco Marques Carioca diz respeito a alguns desses saques. Mas temos uma relação grande de saques que necessitarão de uma informação dos senhores, porque temos aqui saques de um milhão, novecentos e trinta e cinco, de um milhão e duzentos mil, em 2002, de trezentos mil, de duzentos mil, enfim. E o senhor sabe que empresas, em geral, não trabalham dessa forma, até porque não há segurança em se operar com retiradas em espécie. Para isso foi inventada a transferência eletrônica de dados, enfim, os DOCs. E temos, aliás, que nos orgulhar de termos um sistema financeiro dos mais bem equipados do mundo em termos tecnológicos. Então, considero que será  fundamental que os senhores nos esclareçam detalhadamente quais foram as razões. Se o senhor tem alguma informação agora já sobre as razões disso?

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Excelência, eu não sei porque eu não tive acesso a essas informações, mas gostaria que a Comissão me disponibilizasse.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Com certeza.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Vou esclarecer, vou documentar e vou anexar cópia inclusive dos lançamentos contábeis, das cópias de cheques, tudo que for possível e necessário para que a Comissão se intere do que realmente foram esses saques.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Peço então ao sub-relator desse tema, contratos, que envie à empresa a relação detalhada desses saques todos para que a empresa possa nos informar, para que não cometamos também nenhuma injustiça. Nosso objetivo aqui é apenas e tão-somente o de esclarecer, porque não queremos deixar de punir culpados, mas também não queremos punir inocentes. Entendemos as razões de todos.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.  

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Finalmente, para esclarecer também, é importante dizer, aqui está registrado, quando se disse que havia uma conta conjunta que envolvia o Sr. Luiz Otávio Gonçalves e a empresa Skymaster Air Lines Ltda.... Refiro-me à conta nº 419.590, do Bradesco, Agência Manaus, Agência EMP.Manaus U. Man., enfim, deve ser Manaus, de novo, o local, ou seja, uma agência do Bradesco, em Manaus, dessa conta, em que há transferências para essa conta, da qual, diz aqui: o primeiro titular é a Skymaster e o segundo titular Luiz Otávio Gonçalves. Talvez ele seja o procurador lá, enfim, mas veio dessa forma. Daí o fato de se ter dito que era uma conta conjunta. E para essa conta foram feitas várias transferências de recursos, aí não são saques, necessariamente, de recursos em valores redondos, de quatro milhões, três, dois, milhões, enfim, num montante considerável, que soma R$118 milhões, entre 2000 e 2005. Também com relação a esses dados, vamos solicitar a informação dos senhores.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Excelência, só mais um adendo: Essa conta que o senhor agora me identificou o número, essa conta é a conta da Skymaster mesmo. O Sr. Luiz Otávio, deve ter algum engano na informação, ele não tem conta conjunta com a Skymaster, é a conta específica da empresa, onde movimentamos, recebemos de clientes, fazemos pagamentos, mas ele não faz parte de conta conjunta.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – É que são realizadas transferências de outras contas da Skymaster, no Banco Real - digo até aqui quais foram: Banco Real e no Banco do Brasil -, para essa agência de Manaus, e chamou a atenção do pessoal, porque não são valores quebrados, são valores todos redondos, como lhe disse, dessa ordem de grandeza - quatro milhões, três milhões, dois milhões, redondos -, e que montam a esses valores. Temos aqui por ano também: nove milhões e pouco em 2000, dez milhões em 2001, trinta e dois milhões em 2002, quarenta, treze, até onze milhões realizados até agora, em 2005. Então, é essa a informação que gostaria de obter, para que pudéssemos as informações precisas dos senhores também.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Vou disponibilizar tudo.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral) – Agradeço a V. Exª, Deputado Bittar, e devolvo a palavra ao ilustre Relator para os questionamentos finais e eventuais considerações que queira fazer.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Meu caro Presidente, apenas para reiterar aqui alguns compromissos que vamos requerer dos depoentes de hoje, tendo em vista a sucessão do que foi apresentado ao longo da oitiva, como comprovações pendentes. A primeira delas é a confirmação da situação funcional do Sr. Francisco Marques, se ele é ou não funcionário da Skymaster, tendo em vista a série de saques em espécie atribuída ao ele.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Então, a primeira informação de compromisso terá que ser relativa a esta pessoa, Francisco Marques, a quem se atribuem diversos saques vultosos.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – A segunda é a comprovação da distribuição de lucros da empresa Skymaster.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – O.k.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – E, no caso específico de cada um dos seus sócios, tendo em vista que não é compatível o que foi declarado pela Skymaster entre os anos de 2000 e 2004 e aquilo que é declarado por cada um dos seus sócios, a atribuição de outras as fontes, ou seja, se outras empresas foram fontes dessa movimentação financeira a título de recebimento de lucros ou dividendos. Em relação a isso, o que nós precisaremos, para confirmar a compatibilidade daquilo que foi declarado por cada um dos sócios: Luiz Otávio, Hugo César, João Marcos e Américo – o Américo é o que está ausente hoje por razão de saúde –, é que V. Sªs enviem à CPMI as cópias dos contratos sociais dessas outras empresas, os estatutos respectivos, em que deve estar prevista a forma de transferência de dividendos ou lucros de cada uma dessas empresas especificamente. E, para cada um dos titulares, os comprovantes de pagamento desses dividendos entre os anos de 2000 e 2005.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – Correto.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Nós vamos solicitar, Sr. Presidente, que essas informações estejam disponíveis à CPMI, tendo em vista que teremos um relatório parcial na próxima quinta-feira, e se pudesse estar...

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Eu gostaria que V. Exª estabelecesse um prazo.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Nós vamos conceder, tendo em vista que hoje é dia 13 de setembro, um prazo para que nós possamos dispor desses dados até o dia 25 de setembro.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – O.k. Sem problema. Com certeza, nós forneceremos isso com a maior rapidez.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Como são documentos absolutamente necessários à regularidade fiscal, seja das empresas, seja de cada um dos titulares, nós não cremos que haja alguma dificuldade adicional.

O SR. JOÃO MARCOS POZZETTI – De acordo.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Por ora, Sr. Presidente, a oitiva deixa para esta CPMI uma tarefa adicional, tendo em vista os preços praticados, a evolução que eles obtiveram e a reiterada afirmação do conluio empresarial em 2003 de uma determinada orientação para rebaixamento dos preços, o que nos induz a concluir que, nos períodos anteriores, houve exatamente o sentido inverso, de superfaturamento dos preços.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Relator, até para não perder a oportunidade, se o Presidente me permite, há o fato também de que, em 2001, quando houve as primeiras contratações dos depoentes, apenas duas empresas disputaram a licitação, a tomada de preços. E essas duas empresas são exatamente as que tinham entre si um acordo de 50%, de dividir a operação. Um acordo firmado quatro dias antes da licitação. Então, o conluio já vinha lá de trás. E depois o conluio virou contra o “conluiador”.

O SR. RELATOR (Carlos Abicalil. PT – MT) – Pode ter sido o feitiço contra o feiticeiro, não é, Deputado? De todo modo, caberá à CPMI aprofundar-se nessa questão e, seguramente, as revelações feitas aqui, reiteradas ou não, nos levarão ao desafio de verificar o nível de responsabilidade dos participantes do processo licitatório bem como dos dirigentes dos Correios, em cada um dos períodos citados.

Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Indago aos Srs. Parlamentares se alguém ainda pretende fazer uso da palavra.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente, gostaria apenas de confirmar se, na próxima quinta-feira, às 14 horas, ouviremos o Sr. Mauro Dutra, ou se isso foi mudado.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Por questões técnicas, Deputado, a fim de evitarmos coincidência com a reunião administrativa da Comissão, que será muito grande em virtude da apresentação de relatórios, e para que não haja mais um adiamento, marcaremos a reunião para ouvirmos o Sr. Mauro Dutra na próxima quinta-feira.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Está ok. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Agradecemos a presença dos depoentes e declaro encerrada a presente reunião.

(Levanta-se a reunião às 17 horas e 47 minutos.)