TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DAS OITIVAS DOS DEPOENTES SRS. JOEL SANTOS FILHO E ARLINDO GERARDO MOLINA GONÇALVES
(28/06/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

QUINTA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 28 DE JUNHO DE 2005 ÀS 09 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com as bênçãos de Deus, havendo número regimental, declaro aberta a 5ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada por meio do Requerimento nº 03, de 2005, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

A Ata de reunião anterior encontra-se sobre a mesa.

Coloco-a em votação, propondo a dispensa de sua leitura.

Os que aprovam permaneçam sentados (Pausa.)

Aprovada.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pela ordem, Sr.Presidente.

A SRª HELOISA HELENA (P-Sol – AL) – Depois eu, pela ordem, peço a palavra, Sr.Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Antes de conceder a palavra pela ordem, eu gostaria de, até para dar seqüência aos nossos trabalhos, em função do que conversamos hoje aqui pela manhã, informar a V. Exªs que cumprirei o acordo previamente ajustado na semana passada.

Portanto, hoje vamos ouvir os três responsáveis pela gravação. Amanhã, com o que já foi disponibilizado, mesmo que uma oitiva seja prejudicada por não termos todas as informações, nós ouviremos os diretores dos Correios. E na quinta-feira, ouviremos somente o Deputado Roberto Jefferson.

Quero sugerir a V. Ex ªs, conforme acordo feito na semana passada – deixando bem claro isto –, na primeira reunião de oitiva do Sr. Marinho com as Lideranças, que amanhã discutiremos os requerimentos. Não só os requerimentos, alguns dos requerimentos que ficaram para serem analisados pela CPI na semana passada, bem como também novos requerimentos que foram apresentados.

Portanto, amanhã nós faremos essa discussão não só para ajustar a questão dos requerimentos, mas também para combinar a nossa agenda da primeira semana de julho e da segunda semana de julho.

É importante registrar que eu louvo a atitude dos Líderes da Oposição e do Governo para que nós tenhamos celeridades nestas duas semanas. Agora, com o funcionamento da CPI, podemos de comum acordo trabalhar nos requerimentos, trabalhar nas agendas sem nenhuma dificuldade para que a CPI cumpra com os seus compromissos especialmente junto à Nação e à opinião pública.

É o que eu gostaria de deixar claro para V. Exªs.

Pela ordem, tem a palavra o Deputado Rodrigo Maia.

A SRª HELOISA HELENA (P-Sol – AL) – Pela ordem, depois, Sr. Presidente.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, eu havia solicitado a palavra.

O SR.  RODRIGO MAIA (PFL – RJ) – Sr. Presidente, posso falar?

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, peço que anote o meu nome, Deputado Arnaldo.

A SRª HELOISA HELENA (P-Sol – AL) – Heloisa...

O SR. RODRIGO MAIA (PFL – RJ) – Sr.Presidente, posso falar agora?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra, o Deputado Rodrigo Maia.

O SR. RODRIGO MAIA (PFL – RJ) – Obrigado, Sr.Presidente.

A minha questão é simples. Os contratos pedidos pela CPI em relação aos Correios, pela informação que eu recebi, chegaram apenas ontem à noite. Havia uma expectativa de que o próprio Tribunal de Contas mandaria parte desses contratos na sexta-feira à noite.

A nossa Assessoria tentou pela Internet, por várias vezes, investigar, descobrir esses contratos. Só que os Correios, depois da crise, tiraram tudo. A informação que eles dão é que foi tudo para a Polícia Federal – deve ter ido a memória junto.

Então, Sr. Presidente, a questão que coloco é se de fato a CPI terá condições de questionar, argüir os diretores, os ex-diretores dos Correios. Depois, eu gostaria que V. Exª, como Presidente da CPI, como representante do Congresso Nacional nesta CPI – e o é de todos, não apenas dos que são membros aqui –, que pudesse pressionar de alguma forma o Governo, o Tribunal de Contas, principalmente o Governo, para que esses documentos chegassem de forma mais rápida. A Polícia Federal entra na casa dos outros com a maior tranqüilidade e com a maior facilidade, mas entra somente na casa de uma parte dos investigados, não entra na casa da outra parte – entra na casa do tesoureiro do PTB e não entra na casa do tesoureiro do PT. Tudo bem; vamos acompanhando. Estamos criando a Comissão Externa exatamente para que possamos acompanhar os trabalhos da Polícia Federal.

Por que uma parte do Governo trabalha com tanta agilidade e a outra, quando se trata apenas de remeter documentos para que o relator, os membros da CPMI e V. Exª possam trabalhar, leva um tempo que não tem explicação? Trata-se apenas de entregar um disquete com os contratos ou entregar papel. Temos de ter acesso ao arquivo dos Correios, arquivos que não podem, de forma alguma, ter saído dos Correios. Essa é a minha questão, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, V. Exª não considerou minha solicitação de questão de ordem?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Perdão, Senador. V. Exª tem absoluta razão.

Concederei a palavra ao Deputado Arnaldo somente para S. Exª concluir.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O Deputado Arnaldo pode falar.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O Senador pode falar.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Obrigado, Deputado Arnaldo.

Sr. Presidente, é evidente que todos devemos estar preocupados com a imagem que passamos à opinião pública. Gostaria, então, de fazer um apelo para que reuniões extemporâneas, como a que assistimos há pouco, não se realizem mais – lembrou-me um pouco o tempo das assembléias em grêmio estudantil no meu período de secundarista. Faço esse apelo em nome até da imagem e do conceito desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

De outro lado, no sentido da colaboração, solicito à Mesa e, especialmente, a V. Exª, Sr. Presidente, uma maior flexibilidade. Determinados requerimentos, a meu ver, devem ser deliberados na oportunidade da apresentação. Por exemplo, na oitiva do Sr. Marinho, propus que aqueles que serão ouvidos hoje, o Sr. Joel especialmente, fossem ouvidos juntamente com o Sr. Marinho, realizando uma acareação. Se solicitei durante o depoimento do Sr. Marinho, assim o fiz porque senti, naquele momento, que uma acareação seria muito mais objetiva, oportuna e nos proporcionaria um resultado muito mais eficiente.

Imagino que o brilhantismo dos senhores parlamentares aqui presentes possa arrancar dos depoentes algum fato novo, mas tenho dificuldade de acreditar nisso. Se hoje tivéssemos aqui de novo o Sr. Marinho, numa acareação com aqueles que serão ouvidos, os que gravaram a fita, certamente teríamos condições de concluir se realmente ele foi sincero no momento da gravação ou se foi sincero depois da gravação, quando disse que apenas usou de bravata naquela hora.

Sr. Presidente, estamos iniciando os trabalhos desta CPMI. Embora V. Exª tenha dito à imprensa que pretende encerrar os trabalhos desta CPMI o mais rapidamente possível, entendemos que isso é impossível e que ela demandará, no mínimo, seis meses, que é o prazo do requerimento. Solicito a V. Exª essa flexibilidade para sermos mais práticos.

Volto a insistir, Sr. Presidente: ouvir os diretores dos Correios sem conhecer os contratos, sem poder analisá-los e submetê-los a técnicos de confiança para que possamos indagar de forma inteligente é também perder tempo. Deveríamos suspender a oitiva de amanhã. O correto seria – como propôs a Oposição – antecipar o depoimento do Sr. Roberto Jefferson para amanhã e adiar o depoimento dos diretores dos Correios sob pena de estarmos fazendo aqui o jogo deles e não o jogo do interesse da investigação para valer.

De outro lado, não deveríamos estar adiando a votação de requerimentos porque perdemos tempo. Por exemplo, a solicitação da transferência dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do Sr. Marcos Valério se deu no primeiro dia. Na instalação desta CPMI, já requeri a quebra e transferência dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do Sr. Marcos Valério. E não vamos deliberar, hoje, sobre isso? Não vamos dar formalidade para que se possa pedir a transferência desse sigilo em tempo até de podermos fazer consultas antes do depoimento dele nesta CPI?

Sr. Presidente, são esses os apelos que formulo a V. Exª, pedindo, mais uma vez, que considere a possibilidade de não realizarmos os depoimentos dos diretores dos Correios amanhã e de votarmos, hoje, sim, pelo menos, o requerimento de quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do Sr. Marcos Valério, que creio que é unanimidade aqui, e nós votaríamos isso em 30 segundos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Senador Alvaro Dias.

Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, Srªs e Srs. Deputados, solicito ao Presidente, Senador Delcídio Amaral, que consultasse à Assessoria da CPI sobre a possibilidade de subsidiar os nossos trabalhos durante o mês de julho. Porque, não havendo convocação extraordinária e sendo o Regimento do Senado omisso quanto à possibilidade de depoimentos durante o recesso, é necessário que o Presidente do Congresso Federal, com aquiescência do Presidente da Câmara, convalide os atos da CPMI durante o mês de julho. Do contrário, podemos correr o risco de sermos desautorizados por estarmos funcionando durante o recesso, sendo o Regimento do Senado omisso em relação ao funcionamento nesse período.

Então, na verdade, essa é uma sugestão preventiva, que visa dar suporte legal aos nossos trabalhos.

E queria insistir na parte final do que foi dito pelo Deputado Alvaro Dias. Entendo, Senador Delcídio Amaral, que precisamos ter ligeireza quanto à decisão da quebra de sigilo do Sr. Marcos Valério, divulgado a semana inteira pela imprensa, e, de repente, parece que não estamos querendo decidir aqui essa questão. Acho que decidir outros requerimentos amanhã, concordo plenamente com V. Exª, mas pelo menos o do Marcos Valério deveríamos decidir hoje, para não passar a impressão de que estamos perdendo oportunidade de tempo.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, solicito V. que responda às questões de ordem, senão vai acumulando e depois V. Exª não lembrará de todas elas.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Meu caro Senador Alvaro Dias, estou anotando tudo e vou responder em bloco, senão vai virar um debate interminável.

Com a palavra, o Senador Sérgio Guerra e, depois, o Senador César Borges.

Está anotado também aqui.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, questão de ordem!

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Já estão registrados os pedidos para falar pela ordem, que terminam na inscrição da Senadora Ideli, pois, do contrário, vamos ficar aqui pela ordem, falando uma porção de coisa até nem Deus sabe quando!

Já estão inscritos o Deputado Goldman e o Deputado Bittar.

Senador Sérgio Guerra!

O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB – PE) – Sr. Presidente, uma primeira ponderação é no sentido de reconhecer, de elogiar a atitude e o comando que o Presidente tem tido nesta Comissão. Há um evidente esforço de lucidez, de reconhecimento democrático por parte do Sr. Presidente da Comissão, o que nos tem levado a resultados, que considero positivos, neste momento de grande turbulência.

Segundo, apenas ponderaria ao Presidente Delcídio, em colaboração ao seu trabalho – não veja nessa ponderação nenhum tipo de questionamento polêmico –, o seguinte: é natural que, num quadro destes, todos se esforcem para contribuir e colaborar para um resultado positivo. Como estamos no começo de um processo e esse processo pode nos levar a várias formas de encaminhamento, sugeriria ao Presidente que tivesse como regra levar sempre a discussão ao conjunto da Comissão para decisão. Por mais relevantes que sejam os líderes, que possa ser a minha contribuição, ou de qualquer deputado, ou de qualquer senador, o preenchimento dessa formalidade garantirá a todos nós para o futuro. Mesmo que ela seja trabalhosa, exaustiva, muitas vezes aparentemente desestruturante, essa formalidade é imprescindível para que o começo da sua gestão nesta Comissão seja continuado até uma conclusão que todos desejamos.

Eu faria uma ponderação que até o presente momento não foi acatada por V. Exª, que é natural que seja discutida aqui. Foi da Oposição – e de maneira especial de alguns parlamentares, entre eles eu, e até assinei um requerimento – a idéia de ouvir diretores dos Correios, brevemente, o mais brevemente possível.

Depois dessa decisão, houve aqui um depoimento do Sr. Maurício Marinho no qual ele de alguma maneira levantou expectativas sobre um conjunto de contratos que, nos Correios e no âmbito daquelas diretorias, poderiam estar contaminados de irregularidades.

Nós estávamos a praticamente menos de 24 horas da audiência prevista para quatro diretores. Além disso, estaremos todos, ao longo do dia de hoje, em depoimentos já marcados, que são também relevantes. Então, eu não vejo possibilidade material de a Comissão, no plural, inclusive o Sr. Relator e todos nós, encontrar base para um questionamento produtivo dos quatro diretores.

Na medida em que compareçam aqui, apresentem os seus argumentos e não tenham da parte da Comissão um conteúdo relevante no contraditório, essa audiência poderá não ser produtiva para a visão geral do processo.

Eu não quero rigorosamente dizer que o Presidente está errado quando propõe e confirma o que foi sugerido por este Plenário, de uma maneira especial por alguns parlamentares, inclusive o Senador que lhe fala. Eu não estou de maneira nenhuma querendo alterar a sua primeira opinião. Apenas estou sugerindo que V. Exª considere o fato concreto, real, de que não estaremos amanhã tomando conhecimento dos contratos a partir de hoje, e rigorosamente só quando terminarmos as audiências de hoje. Estaremos, amanhã, em condição de fazer aqui uma sessão produtiva, com a qualidade das sessões que têm aqui se desenvolvido.

Essa é a ponderação que eu faria ao Presidente Delcídio Amaral.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Senador Sérgio Guerra.

Concedo a palavra ao nobre Senador César Borges.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, Srªs e Srs. Deputados, na semana passada tive a oportunidade de tecer aqui elogios à condução dos trabalhos por V. Exª nesta Comissão, na quarta-feira da semana passada.

No entanto, hoje, Sr. Presidente, diante da agenda que foi feita por essa Presidência, a meu ver ao arrepio de deliberações desta Comissão, fico extremamente preocupado com a condução dos trabalhos.

Nós vamos hoje fazer a oitiva de arapongas, pessoas que fizeram gravações. O Sr. Relator está ouvindo atentamente, e não podemos transformar esta CPI em uma CPI de arapongas. Arapongas fizeram as suas gravações de forma ilícita, então que respondam, e a Polícia Federal está aí para ouvi-los. Não podemos aqui ficar de forma detalhada olhando para trás. Como é que foi originada a gravação? Quem fez? Qual foi a tecnologia? Qual foi o método? Se foi uma câmara dentro de uma maleta ou uma maleta dentro da câmera, não sei bem. Isso não é especialidade nossa aqui, nem é esse o nosso fim, nem é isso o que está interessando a população brasileira, e não vai nos levar a nada.

Na verdade, nós temos hoje uma rota muito clara. Uma rota que a própria mídia está colocando aí para toda a Nação brasileira, mídia esta que está à frente desta Comissão, Sr. Presidente. Fico muito preocupado com o fato de que esta Comissão possa sair desmoralizada perante a opinião pública. Estamos sempre a reboque de uma imprensa que faz um trabalho investigativo muito bom.

Nesse final de semana, foram apresentados para a população brasileira os saques acima de R$100 mil feitos no valor de R$20 milhões, podendo chegar a R$27 milhões, pelas empresas do Sr. Marcos Valério.

Eu tinha apresentado, na terça-feira da semana passada, nobre Deputado Osmar Serraglio, Relator da CPMI, três requerimentos, Sr. Presidente, que não foram apreciados e que poderiam ter poupado esta CPMI desse vexame de ter de correr atrás – como hoje faz o Relator – da informação da imprensa. A imprensa cita que, a partir da informação da revista IstoÉ, que dá a rota do “mensalão”, o Sr. Relator agora faz requerimentos pedindo a transferência do sigilo da SMP&B e também da DNA.

Na semana passada, pelo Requerimento nº 165, de minha autoria, estava requisitado ao Banco Rural que identificasse, no prazo de 15 dias, todos os saques realizados em dinheiro nas agências de Belo Horizonte, desde janeiro de 2003, superiores a R$100 mil. O Requerimento nº 166 solicitava ao Banco Rural que identificasse, no prazo de 15 dias, todos os saques realizados em agências de Belo Horizonte, desde janeiro de 2003, superiores a R$100 mil, a partir das contas da SMP&B Comunicação e de suas empresas coligadas. Outro Requerimento, o de nº 167, pedia que fosse requisitada ao Departamento de Aviação Civil a listagem de todos os deslocamentos realizados pelos aviões de propriedade do Banco Rural ou de seus sócios, desde janeiro de 2003, bem como a relação dos passageiros que neles viajaram em cada projeto.

Ora, não aprovamos nenhum desses requerimentos. Eles ficaram sobrestados por uma deliberação da Presidência. Houve várias sessões, foram três na semana passada. Hoje, a Presidência diz novamente que vamos deliberar a partir de amanhã sobre o requerimento. Poderemos ter a surpresa de novas informações na mídia.

Então, esta CPMI está ainda a reboque do que está sendo publicado. O próprio Relator, ontem, declarou para a imprensa nacional que vai fazer requerimentos a partir de agora, Sr. Presidente. Por isso, estou temendo que a própria opinião pública formule uma idéia de que estamos aqui num faz-de-conta atrás das informações da imprensa. Sr. Presidente, isso é muito grave, até porque, para mim, há quebra de acordos.

Tenho aqui a transcrição do que V. Exª disse na semana passada, na terça-feira. V. Exª disse textualmente que, na próxima semana, que seria agora, ouviríamos os diretores dos Correios que foram citados e ouviríamos o Deputado Roberto Jefferson na quarta-feira – está dito aqui “quarta-feira” por V. Exª. Posteriormente, olhou-se exatamente para trás, foi-se ouvir o Sr. Wascheck. A partir daí, muda-se o cronograma preestabelecido, que era a oitiva hoje dos diretores dos Correios, e passa-se a ouvir agora novos arapongas, que foram os autores materiais da gravação. O que isso vai acrescentar à linha de investigação, Sr. Presidente?

A imprensa está muito adiante, está chegando na fonte dos recursos que tornaram possível criar toda essa instabilidade existente hoje no País, por conta de que dinheiro público estaria sendo utilizado para compra de consciência de Parlamentares.

Portanto, Sr. Presidente, quero, além disso, solicitar também a V. Exª que possa abrir – coisa que não foi feita até agora – aos funcionários indicados pela Oposição os documentos da CPMI, porque havia um comprometimento pela Presidência, pela direção dos trabalhos, de que haveria a garantia desse acesso, coisa que não houve até o momento. A assessoria da Oposição não está tendo – como deveria ter – acesso a esses documentos.

Além do mais, Sr. Presidente, parece-me que ouvir Marcos Valério é urgente urgentíssimo. A partir da oitiva de Marcos Valério, da Srª Fernanda Karina Somaggio e do próprio Ministro Gushiken, que foi citado aqui – e a própria imprensa já coloca que, por meio de interferência da Secom e do Ministro Gushiken, foram alteradas normas internas dos Correios para licitação da contratação de empresa de publicidade, a licitação que possibilitou a contratação da SMP&B, do Sr. Marcos Valério. Então, isso é muito grave, Sr. Presidente.

Então, eu quero voltar novamente à questão do elogio que fiz a essa direção. Eu acho que V. Exª tem todos os méritos, nós temos relações de amizade, temos todo respeito por V. Exª, mas, se os trabalhos aqui não forem conduzidos para resolver rapidamente a votação dos requerimentos, uma pauta que possa fazer andar célere os trabalhos desta Comissão para dar uma resposta à opinião pública brasileira, eu lamento, Sr. Presidente, que, efetivamente, aí a pecha de chapa branca, ou de que nós estamos aqui numa Comissão procurando atender os desígnios do Governo, que não quer investigação, tem um discurso de cortar na própria carne, mas, na prática, faz tudo para abafar e para impedir exatamente o andamento dos trabalhos... A Polícia Federal investiga aquilo que o Governo quer e não investiga aquilo que o Governo não quer. Tem sido assim. Ouve o que é de interesse do Governo, da linha investigatória que o Governo deseja, mas não ouve a todos.

Então, Sr. Presidente, eu faço um apelo a V. Exª, ao seu currículo de político, à sua vida pública, Por favor, não se apequene diante das pressões do Governo. Assuma, efetivamente, o que a Nação brasileira espera de V. Exª. Acelere esses trabalhos, dê o rumo certo, que está aí indicado pela mídia nacional, e que a opinião pública já tem conhecimento. Não podemos ficar aqui fazendo de conta, para ouvir aqui os senhores que hoje serão ouvidos, o Sr. Jairo, o Sr. Molina, o Sr. Joel Santos Filho, o que não vai acrescentar, efetivamente, nada ao que nós queremos esclarecer para a opinião pública brasileira, que é o nosso dever e a nossa obrigação.

Portanto, fica esse apelo dramático e veemente a V. Exª, porque eu tenho, efetivamente, apreço pela sua figura, e quero vê-la preservada desse lamaçal que hoje, infelizmente, traz preocupações muito grandes a toda a Nação brasileira.

Era isso, Sr. Presidente.

Agradeço a oportunidade.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Senador César Borges.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Jamil Murad, se nós não nos organizarmos, vamos ficar aqui até o meio-dia, todo mundo pedindo pela ordem,...

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Eu quero saber...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – ... não atendendo ao que é pela ordem, e prejudicando o andamento dos trabalhos da CPI. Se V. Exª quiser se inscrever, eu o inscrevo, excepcionalmente, porque já há dez pessoas inscritas pela ordem. E ninguém fala pela ordem, a maioria,...

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – O Senador que me precedeu...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com algumas exceções, a maioria fala para tratar de outros assuntos.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Ele não... Foi resolvido ouvir depoentes aqui, e ele propõe...

O SR. (orador não identificado) – Sr. Presidente, ele está subvertendo a ordem de inscrições.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Jamil Murad, eu vou ter a oportunidade de explicar essas questões, mas não vou começar a debater com cada orador, senão não acabamos nunca.

Com a palavra, o Deputado Alberto Goldman.

O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Srs. Deputados, Srs. Senadores, Srª Senadora, quero, em primeiro lugar, Sr. Presidente, cumprimentar V. Exª e o Relator pela forma pela qual vêm conduzindo os trabalhos, e temos que reconhecer que V. Exªs estão respondendo de forma correta à demanda que não é nossa, é da sociedade. Que se portem – tenho certeza que assim será – até o final desses trabalhos, porque nós vamos, o Congresso Nacional vai responder, como está respondendo, à sociedade.

Inclusive, ontem, a leitura de material dos jornais mostrou o Líder do Governo, Senador Aloizio Mercadante, se opondo, de uma forma até ridícula, a uma convocação do Marcos Valério, figura central agora, pelo menos neste momento, em todos esses episódios, porque, a partir daí, poder-se-ia, então, chegar ao famoso “mensalão”, e, segundo ele, a CPI dos Correios não pode tratar de “mensalão”, nem que os Correios tenham sido a fonte para uma distribuição de recursos, se isso se comprovar adiante.

Então, V. Exªs, ao tomarem essa atitude – eu li pelos jornais – e apoiarem a convocação do Valério, sem dúvida, estão tendo uma postura isenta, e nós temos que cumprimentá-los por isso.

Sr. Presidente, a questão de ordem é a seguinte: a Comissão tem o desejo de funcionar durante do recesso, no mês de julho, mas existe uma dúvida regimental. Essa dúvida regimental tem de ser resolvida e não pode ser resolvida aqui apenas. Ela tem que ser resolvida pelo Plenário do Congresso. V. Exª deve, na minha opinião, fazer uma questão de ordem ao Presidente José Sarney sobre essa questão – desculpe, ao Presidente Renan Calheiros.

Essa questão de ordem se deve porque o Regimento Comum não trata da questão do funcionamento de comissões no período de recesso. O Regimento do Senado impede que comissões temporárias funcionem. Mas, no caso específico, quando trata das CPIs, é omisso em relação a isso. O Regimento da Câmara que é subseqüente, vem depois para efeito de decisão, permite que CPIs funcionem dentro do período de recesso.

Então, essa decisão é fundamental e vai, inclusive, orientar o nosso trabalho tanto no Plenário da Câmara e do Senado, como vai orientar o nosso trabalho em relação à Lei de Diretrizes Orçamentárias. Nossa atuação no Congresso depende da decisão que for tomada a respeito dessa matéria.

Então, sugiro a V. Exª que faça uma questão de ordem. Formalize ao Presidente Renan Calheiros uma questão de ordem em plenário, ainda hoje, de maneira que essa questão fique absolutamente esclarecida e que esta Comissão possa funcionar. Do contrário, se não tivermos feito isso, a qualquer momento, qualquer Deputado ou Senador, membros da Comissão, numa questão de ordem, pode levantar essa questão e, de repente, todos os trabalhos ficam suspensos ou até prejudicados aqueles que já foram feitos.

É a sugestão que faço a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Alberto Goldman.

Com a palavra o Deputado Eduardo Paes.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, não quero aqui parecer redundante, mas também faço o registro da postura correta que vêm adotando o Presidente Delcídio Amaral e o Deputado Osmar Serraglio, saudando, principalmente, a postura do Presidente tomada neste exato instante nesta Comissão.

Acho que pecadilhos se cometem, mas o que havia de grave, efetivamente, em relação à agenda acordada, para esta semana, era a introdução de uma figura, um depoente que não havia sido acordado. Portanto, o Presidente aqui, de público, reconhece o seu erro, volta atrás na sua decisão e estabelece o calendário definido na semana passada.

Portanto, creio que, se continuarmos, Sr. Presidente, avançando dessa forma, conversando, deliberando em conjunto, acordando, não teremos dificuldade de trabalho e daremos à sociedade a resposta que ela exige do Congresso Nacional neste momento. Quero parabenizar V. Exª, inclusive pela humildade em reconhecer um erro, ao incluir na agenda uma figura que não estava incluída.

Sr. Presidente, seria interessante – é uma sugestão – que todas as decisões fossem tomadas no plenário da Comissão, mas é importante, talvez, que V. Exª e o Relator estabeleçam algumas conversas com todos os membros da Comissão ou com membros da Comissão, representantes partidários, no sentido de que cheguemos aqui e não percamos tanto tempo, enfim, com tantos “pela ordem”, como V. Exª mesmo diz.

Mais uma vez, reitero o apelo feito pelo Senador Sérgio Guerra. Quanto à questão dos diretores – na verdade, trocamos, e disse isso à Senadora Ideli –, invertemos os papéis nesta semana. Na quinta-feira, a Oposição batia firme no sentido de que se cumprisse aquilo que havia sido acordado, que era a necessidade do depoimento dos diretores nesta semana. E os Deputados da base do Governo não queriam que os diretores fossem ouvidos nesta semana. Inverteram-se os papéis. Por quê? Faço questão de explicar, mais uma vez, para apelar ao Sr. Presidente sobre a importância da decisão que S. Exª pode tomar.

O fato de nós não termos tido acesso aos contratos, aos documentos da Empresa de Correios e Telégrafos, tornará muito difícil o depoimento, ou que nós, da Oposição, ou os próprios membros da base do Governo possam argüir os diretores da Empresa de Correios e Telégrafos. Portanto, Sr. Presidente, o que vamos ter aqui amanhã, com o exíguo tempo que temos para olhar e debater os contratos, provavelmente, seja um debate político: saber quem indicou o diretor tal; qual o envolvimento dele; onde ele já foi filiado. Esse será o debate. O que não creio ser um debate. É relevante, mas não será um depoimento completo. Portanto, reitero esse apelo para que V. Exª reflita a respeito da oportunidade ou não de ouvir os diretores dos Correios.

Sr. Presidente, quero também fazer uma sugestão a V. Exª – aliás, é quase um requerimento – e ao Relator também, Deputado Osmar Serraglio. O Senador Romeu Tuma me fez uma sugestão, lembrou-me de algo acerca da Comissão. Os documentos requeridos pela Comissão não estão chegando. Na verdade, a única coisa que tínhamos ontem, às 19 horas, era o inquérito da Polícia Federal. O Relator, ontem – estive com S. Exª na Sala da Comissão –, estava com dificuldade para trabalhar, em razão da ausência de documentos, pois não chegou nada da Controladoria-Geral da União; nada, absolutamente nada. Não chegou absolutamente nada dos Correios; não chegou absolutamente nada da Procuradoria. Ou seja, não é possível que não tenha havido tempo de os documentos solicitados por esta Comissão, que já funciona há duas semanas, terem sido encaminhados! O Senador Romeu Tuma lembra-me, também, que a Comissão tem o poder de montar uma subcomissão de busca e apreensão. Portanto, estamos chegando a um ponto, Presidente Delcídio Amaral, de necessitar criar essa subcomissão aqui, se as coisas continuarem caminhando da forma como estão, com a lerdeza que estão. Isso é necessário para que tenhamos acesso aos documentos de que precisamos, a fim de que possamos fazer os depoimentos, enfim, para que o Relator possa iniciar a montagem do seu relatório final. Portanto, essa é uma questão grave, e a cada momento fica mais grave. Já foi dito aqui ser curiosíssima a postura da Polícia Federal ao apreender documentos e ao invadir a casa do Tesoureiro do PTB. Mas, quanto ao Tesoureiro do PT, que está em todas, absolutamente em todas – é o primeiro nome citado; é o campeão de audiência nas citações –, não há qualquer tipo de ação da Polícia Federal, nem relação aos documentos que pudesse estar guardando. Ou seja, já deu tempo de ele guardar ou limpar tudo aquilo que ele deveria limpar ou esconder. Sr. Presidente, chegou a hora – parece-me –, principalmente em razão, Deputado Osmar Serraglio, da dificuldade que tivemos. Eu disse, na semana passada, que o meu sonho, pela dificuldade que eu tenho de compreensão das coisas, seria passar o fim de semana inteiro lendo contratos dos Correios. A Senadora Heloisa Helena disse que esse era também o seu sonho. Infelizmente, nenhum de nós pôde concretizar esse sonho, porque os documentos não apareceram. Sr. Presidente, V. Exª deveria refletir sobre a possibilidade de criarmos essa subcomissão de busca e apreensão para que esses documentos não atrasem mais.

Finalmente, Sr. Presidente, quanto à questão colocada pelo meu Líder, o Deputado Alberto Goldman, precisamos deliberar urgentemente sobre esses requerimentos – pelo menos internamente, nem que seja uma manifestação política para fortalecer a questão de ordem que V. Exª fará, como sugerido pelo Líder Alberto Goldman ao Senador Renan Calheiros – antes que V. Exª o faça – creio que esse seria o único requerimento sobre o qual poderíamos deliberar hoje –, de a Comissão deliberar sobre o seu funcionamento durante o recesso. Poderíamos deliberar isso hoje, para que V. Exª possa fazer a questão de ordem que V. Exª tem que fazer ao Presidente Renan Calheiros, dizendo-lhe: “Olha, Presidente, a Comissão deliberou e aprovou o requerimento de que vai funcionar durante o recesso. Como V. Exª entende isso? Isso poderia fortalecer a sua posição? V. Exª teria um entendimento favorável, Senador Renan Calheiros?”

Eram essas as minhas considerações, Sr. Presidente.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Eduardo Paes.

Tem a palavra o Deputado Antônio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, antes de mais nada, eu gostaria de pedir a V. Exª que solicitasse ao Plenário silêncio.

Sr. Presidente, evito me juntar àqueles que pretendem denominar esta CPI de “CPI Chapa-Branca”. E gosto, sim, de reconhecer e louvar a correção do comportamento das pessoas. Sem dúvida alguma, nessas duas últimas semanas, tanto V. Exª como o Relator têm tido um comportamento isento, imparcial, digno dos nossos elogios e do nosso reconhecimento.

Agora, Sr. Presidente, peço a atenção de V. Exª para uma ponderação que vou lhe apresentar. Gostaria que V. Exª a analisasse com o mesmo equilíbrio e a mesma isenção com que vem conduzindo esta Comissão. Nós, na semana passada, fizemos um acordo político para viabilizar o funcionamento das duas primeiras semanas desta CPMI. Esse acordo político passava pela oitiva do Sr. Maurício Marinho, o que aconteceu, pela oitiva do Sr. Wascheck e do sócio dele, o que aconteceu. Nesta semana, iríamos analisar os depoimentos do Sr. Roberto Jefferson, Deputado Federal, e dos ex-diretores da Empresa de Correios e Telégrafos. Só que dois fatos supervenientes, na minha opinião, mudaram o curso do funcionamento da CPMI nesta semana. O primeiro fato superveniente: o depoimento do Sr. Wascheck. Depois do interrogatório dele, ficou claro que era fundamental ouvirmos os executores da gravação do Maurício Marinho. É por isso que hoje estamos reunidos para a oitiva do Sr. Joel, do Sr. Jairo, assim como a oitiva do Sr. Molina. Isso não estava acertado. Eu quero frisar: o acertado era ouvirmos os diretores dos Correios e o Sr. Roberto Jefferson, só que um fato superveniente, que foi o depoimento do Wascheck, obrigou-nos a interrogar hoje os três responsáveis diretos pela gravação.

Há outro fato superveniente que, da mesma forma, obriga-nos a rever o cronograma de funcionamento desta Comissão nesta semana. Qual é o segundo fato? É justamente a dificuldade que a Comissão teve de ter acesso aos contratos dos Correios. Eu vinha fazendo um apelo, desde a quarta-feira da semana passada, a V. Exª e à assessoria da Comissão para que cobrássemos da Controladoria-Geral da União que enviasse a esta CPMI, no mais breve espaço de tempo possível, todos os contratos da Empresa de Correios e Telégrafos, porque, assim como outros Parlamentares, este que neste momento se dirige a V. Exª gostaria de, com cuidado, de forma detalhada, com equilíbrio, analisar cada contrato. Só que isso não foi possível. Estou começando a suspeitar, inclusive, da condução da CGU. Estou começando a suspeitar dela, repito. Não suspeito desta CPMI, não suspeito de V. Exª, não suspeito do Relator, mas acho que a CGU está trabalhando a passos lentos para dificultar o trabalho desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Por quê? Há duas semanas, a Liderança do PFL recorreu ao Tribunal de Contas da União, recorreu à Empresa de Correios e Telégrafos para ter acesso aos contratos, e a resposta foi: todos os contratos foram entregues à Controladoria-Geral da União. Portanto, não foi na semana passada que a CGU teve acesso e posse dos contratos. Esses contratos estão com a CGU há muito tempo. Se a CGU não nos enviou no tempo hábil, a responsabilidade é dela. E que fique claro: nós não poderemos ouvir os diretores amanhã porque a CGU não encaminhou no tempo hábil os contratos dos Correios e Telégrafos. Então, existiu esse fato superveniente. Amanhã, o que vai acontecer aqui, como bem disse o Deputado Carlos Sampaio, são alunos indagando aos professores. Esta Comissão se colocará como aprendiz das lições dos diretores da Empresa de Correios e Telégrafos. É claro, é obvio que nem os Parlamentares da base do Governo nem os da base da Oposição estarão preparados amanhã para argüir os diretores. Nós não estaremos preparados. Nós não temos conhecimento a fundo dos contratos; e até de outras informações afeitas a essas diretorias, que não foram disponibilizadas para a Comissão Parlamentar de Inquérito.

Então, Sr. Presidente, o apelo que faço, para o bom funcionamento desta Comissão e, sobretudo, para que nós aqui não nos prostremos diante dos diretores, é que V. Exª reveja a audiência de amanhã; que remarque logo, para segunda ou terça-feira da semana que vem, a oitiva dos diretores. Mostraremos a data já acertada para ouvirmos os diretores dos Correios. Mas isso não pode acontecer no dia de amanhã, Sr. Presidente. Não estamos preparados. Seremos humilhados pelos diretores. Ficará feio para os Parlamentares desta CPMI, porque não tenho dúvida de que o que alguns querem – não vou nominar, não vou “fulanizar” – é que as manchetes dos jornais de quinta-feira digam o seguinte: “Diretores da Empresa de Correios e Telégrafos vão à CPMI e mostram que não há irregularidades, que a empresa funciona bem; dão uma aula de conhecimento técnico e colocam os Deputados na parede, colocam os Senadores na parede”. Não podemos permitir que isso aconteça, sob pena de desmoralizar esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

Então, Sr. Presidente, realmente quero que V. Exª pondere esta argumentação que lhe trago. Tenhamos o equilíbrio necessário para, até com a concordância deste Plenário, remarcar a oitiva dos diretores para a semana que vem. Ouviremos na quinta-feira o Deputado Roberto Jefferson. Cumpriremos o acordo que foi encaminhado por V. Exª. Amanhã, nós nos reuniremos para discutir os requerimentos que são vários; para deliberar sobre o funcionamento desta Comissão no mês de julho. Não há por que ouvirmos os diretores amanhã, Sr. Presidente.

Assim, peço a V. Exª que realmente dê atenção a esta minha ponderação. Vamos agir da forma correta, da forma que a sociedade brasileira quer. Vamos nos preparar para indagar as peças que são talvez as mais importantes desta Comissão Parlamentar de Inquérito na primeira fase, que são os diretores.

Essa é a ponderação que deixo a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

A SRª ANA JÚLIA CAREPA (PT – PA) – Sr. Presidente, pela ordem, para o encaminhamento dos trabalhos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Pela ordem, concedo a palavra à Senadora Ana Júlia Carepa.

A SRª ANA JÚLIA CAREPA (PT – PA) – Sr. Presidente, acerca do andamento dos trabalhos uma série de pessoas estão fazendo ponderações. Isso é natural. Mas, para o andamento dos trabalhos, penso que, como temos aqui três pessoas para serem ouvidas, temos de tomar uma decisão antes. Está-se falando muito da questão dos contratos. São quatrocentos contratos, e há alguns destacados.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – São seiscentos contratos.

A SRª ANA JÚLIA CAREPA (PT – PA) – Sim, seiscentos.

Então, talvez tenhamos de decidir se paramos ou se analisamos todos os contratos. Digo isso porque, por exemplo, não tínhamos analisado os contratos que estavam sob a gestão do Sr. Maurício Marinho, e nós o ouvimos. E talvez precisemos ouvi-lo novamente. Então, se é uma questão dos contratos, teremos de parar um pouco e analisar todos.

Então, penso que, para o bom andamento dos trabalhos, seria bom que pudéssemos decidir isto: ou paramos e analisamos todos os contratos para ouvir todos, porque tudo tem relação, ou então ouvimos hoje as pessoas que estão marcadas, amanhã também e, se for necessário, assim como nós mesmos avaliamos que é necessário ouvir o Sr. Maurício Marinho... Também não temos conhecimento. Mesmo assim, consideramos ser importante ouvi-lo logo. Foi a primeira pessoa ouvida, sem conhecermos os contratos que estão sob a gestão dele.

Então, eu creio que é esse...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Senadora, nós tínhamos 1 hora e 54 minutos...

A SRª ANA JÚLIA CAREPA (PT – PA) – Pelo andamento dos trabalhos.

A SRª HELOISA HELENA (P-Sol – AL) – Há uma ordem de inscrição, Sr. Presidente. Todos pediram a palavra pela ordem. Então, quero que V. Exª volte à ordem de inscrição. Ninguém está pedindo a palavra para uma questão de ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra a Senadora Heloisa Helena.

A SRª HELOISA HELENA (P-Sol – AL) – Todos pediram a palavra pela ordem, ninguém formulou questão de ordem, ninguém citou o Regimento. Portanto, apelei a V. Exª para manter a inscrição, porque todos estão tratando sobre o andamento dos trabalhos.

Presidente, é claro que o temperamento de V. Exª e do Relator ajudaM muito...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Nem todos, não é,  Senadora Heloisa?

A SRª HELOISA HELENA (P-Sol – AL) – É verdade. Eu sei mexer no Regimento e, quando quero enrolar, eu posso fazê-lo também, mas não estou a fim de fazer isso.

Sei que o temperamento de V. Exª e do Relator ajuda muito a manter o equilíbrio dos trabalhos, porque aqui todo mundo se conhece e ninguém ganha de ninguém no grito. Quando alguém grita, outro grita mais alto; então ninguém ganha de ninguém aqui no grito. Talvez ganhe no argumento, mas nem sempre ganha no argumento. E isso faz parte da vida, porque às vezes argumentos são aniquilados em função das relações estabelecidas de quem seja Oposição, de quem seja Situação.

O apelo que todos estão fazendo, acho que seja um apelo absolutamente justo. Se os diretores vêm amanhã, eu vou estar aqui cumprindo a minha obrigação, tentando ouvir os depoimentos, como foi acordado anteriormente. Não se pode mais reivindicar o que foi acordado anteriormente, porque houve uma flexibilidade, definida por V. Exª – e humildemente reconheceu que daqui para frente todas as outras serão discutidas pelo Plenário – em função da necessidade – que acho que é correta também – de ouvir o Sr. Marcos Valério.

Entretanto, é importante que se deixe absolutamente claro que não se trata de pegar apenas os contratos. Não é isso! O Deputado Eduardo dizia que sonhou e que a gente sonhava em passar o fim de semana analisando os contratos. Ninguém pensa que somos masoquistas, porque ninguém quer passar fim de semana analisando contratos. Isso é um verdadeiro pesadelo; não é sonho. Entretanto, não é apenas o contrato; é todo o processo de instrução. Todos sabem: nenhum delinqüente de luxo deixa as suas digitais, ou as suas patas no contrato. É o processo de instrução do edital de licitação, as definições que são tomadas pelas diretorias, as necessidades ou demandas criadas que acabam fraudando o edital de licitação. Então, não é só o contrato. Quando estamos discutindo – e por isso que é um processo grande – discutimos o processo de instrução do edital, é o contrato, é a execução do contrato e os aditivos que possam ter vindo. Por isso não é uma coisa simples. Para quem quer fazer frase de efeito, ou para quem quer abafar, ou para quem quer investigar, ou para quem é do Governo e para que é Oposição ao Governo, para quem quer fazer frase de efeito nos depoimentos, é a coisa mais fácil e cômoda de fazer.

Então, só para deixar absolutamente claro que não é uma coisa simplória; é uma coisa extremamente grave. É todo o processo de instrução; não é uma coisa simples. Para que tenhamos, o mais rápido possível, todos esses detalhes. O Senador Tuma trouxe algo que é vivenciado em outras CPIs também, que é uma diligência, oficiada por V. Exª como Presidente, para que um grupo de Parlamentares faça a busca e apreensão de determinados documentos. Do mesmo jeito que se fez a busca e apreensão da agenda do Sr. Marinho, que se faça também das de todos os diretores, que nós não temos ainda. Todo o processo de instrução, mais a agenda do diretores – então são muitas coisas.

Quero deixar absolutamente claro que, se for mantido... E aí V. Exª pode, de pronto, manter a agenda. Apelamos até que isso seja discutido no Plenário. Se não puder modificar – e acho que é conseqüente tecnicamente modificar, conseqüente tecnicamente –, eu não vou fazer nenhum boicote. Vou estar aqui amanhã tentando auxiliar no procedimento investigatório, tentando aprofundar as investigações.

Mas é bom que se deixe claro, porque de repente a imprensa nos consulta lá fora, dizendo: “Fulano de tal, da Base do Governo, chegou aqui e disse que vocês é que querem adiar porque estão com medo, porque não têm como inquirir o depoente”.

Não adianta esse tipo de marola, de manobra fraudulenta, porque os detalhes técnicos são muitos. Não é uma coisa qualquer; não se trata da subjetividade. Por mais complexas que sejam, não se trata disso. É um processo técnico, extremante complexo e que exige de todos nós o aprofundamento.

Se quer manter para amanhã, eu, pelo menos, quero deixar absolutamente claro, estarei aqui tentando aprofundar as investigações. Mas sei que é absolutamente justa, conseqüente politicamente, conseqüente tecnicamente a necessidade de que tenhamos acesso a todo o processo de instrução, ao edital, ao contrato, à execução, aos aditivos. Isso é essencial para que nós façamos um trabalho sério.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Senadora Heloisa Helena.

Concedo a palavra ao Deputado Jorge Bittar.

 A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ)– Sr. Presidente, gostaria que V. Exª me inscrevesse, porque, devido às exposições, surgiram algumas questões e vejo-me obrigada a manifestar-me.

Muito obrigada.

Desculpe-me, Deputado Jorge Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Pois não.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Tem a palavra o Deputado Jorge Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, da mesma forma que outros Parlamentares aqui se manifestaram, quero também ressaltar o equilíbrio e a competência que têm pautado a atuação de V. Exª e do Relator, Deputado Osmar Serraglio.

Isso, inclusive, nos conforta muito, porque, inicialmente, levantou-se um clima de suspeição sobre nosso Presidente e nosso Relator, pelo fato de ambos pertencerem à base de nosso Governo. E nós afirmamos, desde o início, que desejávamos a apuração dos fatos e a realização de um trabalho sério nesta CPMI. V. Exªs estão nos brindando com um trabalho de excelente qualidade, capacidade de ouvir, seriedade, enfim, com uma boa linha de trabalho.

Esta é uma CPMI que tem um objeto claramente definido: apurar os fatos graves ocorridos na Empresa Brasileira de Correios. Um processo de investigação pressupõe uma linha de investigação. Desde o início, temos nos pautado por esta perspectiva, por esta assertiva, ou seja, não adianta sair ouvindo pessoas a esmo, se não tivermos uma linha de investigação e se não estivermos preparados para inquirir cada um dos depoentes que aqui vier a comparecer.

No entanto, esta é uma Casa política em que você é obrigado a combinar um trabalho técnico investigativo com as pressões políticas daqui ou dali. A Oposição, com toda legitimidade, tenta generalizar as críticas não só à Empresa de Correios e Telégrafos, mas ao Governo. É próprio do papel da Oposição, e nós entendemos. É um processo democrático. E nós tentamos trabalhar e mostrar que queremos a apuração, porque é da tradição de nossos partidos, é da tradição dos homens de bem buscar colocar os problemas em pratos limpos. A democracia supõe um tratamento rigoroso de situações como essa, e é disso que estamos aqui tratando.

Então, uma linha de investigação, por mais que se queira achar que, aparentemente, possa ser supérfluo, não pode abdicar de ouvir os chamados arapongas porque nem todos são exatamente arapongas. O Sr. Molina, por exemplo, é um lobista – não é exatamente um araponga – com vinculações não totalmente explicitadas com o Deputado Roberto Jefferson, autor da denúncia. O Deputado diz que este Molina foi autor de uma tentativa de extorsão sobre ele. Há, na verdade, um ambiente nebuloso nas relações que marcam o Sr. Molina. O Sr. Molina, quando foi ao Sr. Roberto Jefferson, declarou que estava representado não só o empresário Wascheck, aqui ouvido, mas um grupo de empresários insatisfeitos com o trabalho da diretoria de administração dos Correios.

Nós temos que colocar em pratos limpos essas informações, porque, certamente há fatos e questões importantes atrás dessas afirmações que não foram desvendados até agora e que, possivelmente, possam ser desvendados a partir de depoimentos e da documentação à qual nós estamos tendo acesso.

Da mesma maneira, não podemos ouvir o Deputado Roberto Jefferson antes dos arapongas e antes dos diretores, porque o primeiro a denunciar outras diretorias dos Correios foi exatamente o Deputado Roberto Jefferson.

Então, cumpre a nós, a partir de uma denúncia sem apresentação de provas, sem fundamentação, inicialmente, conhecer os contratos, inquirir os diretores. Após a inquisição do Sr. Marinho, do Sr. Wascheck, de todos os envolvidos nos depoimentos previstos para hoje, e dos diretores, aí, sim, devemos ouvir o Sr. Roberto Jefferson. Parece-me ser esse o fio lógico e natural de um trabalho sério e competente, tendo em vista o objeto definido para a investigação desta Comissão, que são os fatos ocorridos na Empresa de Correios. A Oposição, naturalmente, tenta extrapolar esse limite também – isso está claro nos depoimentos de alguns. É natural. É natural, Deputado Rodrigo Maia...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Jorge Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) –... que V. Exª tenta fazer isso ficou claro no depoimento do nobre Senador César Borges e de outros que aqui se pronunciaram também. Desejam trazer apressadamente, do meu ponto de vista, pelas mesmas razões pelas quais quisemos construir uma linha de investigação mais consistente, tentam trazer apressadamente o Sr. Marcos Valério sem ter toda a documentação, todas as informações que nos permitam inquiri-lo mais profundamente. Claro. Entendo os risos todos aqui, porque essas mesmas pessoas falavam isso quando pedíamos para que nós tivéssemos mais consistência nas informações antes de inquirir os diretores dos Correios. E eles quiseram acelerar, porque o Sr. Marinho listou catorze contratos, o Sr. Roberto Jefferson lá, no Plenário, denunciou a Skymaster, HHP, que foi citada.

Sim, vamos apurar. Interessa a todos nós agir com a seriedade; todos nós temos um patrimônio moral e ético, e essas Casas têm também, e nós queremos apurar verdadeiramente. Agora, é claro que, por trás disso, há um processo de disputa política.

Então, uma questão nesta CPI vai pairar o tempo todo mal resolvida, ou não resolvida até agora, que foi objeto de discussão intensa na CCJ da Câmara dos Deputados. É a seguinte questão: qual o limite dos nossos trabalhos? Qual o objeto verdadeiro do nosso trabalho? Está definido no texto, mas há Deputados e Senadores que querem que venhamos a ouvir o Sr. Marcos Valério. É sabido e notório que os episódios aos quais o Sr. Marcos Valério está vinculado têm relação com a chamada denúncia do “mensalão”, que deve ser apurada.

(Intervenções fora do microfone.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Por favor, com a palavra o Deputado Jorge Bittar. Por favor, Deputado Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Eu entendo, veja bem, que todos devem ser investigados, agora, de forma tecnicamente adequada, de forma competente, de forma precisa. Então, essa questão não está resolvida, e sinto que não será resolvida aqui dentro. É preciso que os Líderes de todos os partidos, da Câmara e do Senado, definam esta questão: se teremos uma CPMI específica para o “mensalão”, se teremos uma CPI na Câmara para o “mensalão” ou se abriremos esta CPI... De minha parte, não tenho objeção a nada; apenas quero que pisemos em terreno político seguro, que não atropelemos o processo com argumentos... Alguns estão preocupados porque estamos pautados pela imprensa. Ora, não temos que ser pautados ou não pautados pela imprensa. Temos de averiguar os fatos e construir uma linha investigatória séria, consistente, para que possamos produzir resultados e para que esta CPI não acabe em pizza. Isso é o que todos nós verdadeiramente desejamos.

Sempre haverá, evidentemente, a tentativa de desqualificar as nossas assertivas. Nós ouvimos com a máxima atenção ataques ao nosso Governo, ataques a ministros etc, mas alguns parecem não ter a maturidade suficiente para se comportar numa situação tão importante para todos nós, num momento histórico tão importante para todos nós. No entanto, não vamos perder a serenidade, Sr. Presidente. Vamos continuar. Estou sendo absolutamente claro e objetivo no que diz respeito a isso. Então, em função disso, considero que, se há necessidade...

Eu ouvi de V. Exª – e gostaria depois que V. Exª precisasse – que os contratos, se não todos, a maior parte deles – não sei se todos –, já estão de posse da nossa Comissão; já foram enviados. Enfim, que esses contratos sejam disponibilizados da maneira... Eu estou indagando. Quero que o Presidente se coloque... Se isso não tiver ocorrido, que aceleremos o acesso a esses contratos, definindo o prazo mínimo para análise – não serão os Deputados e Senadores que vão analisar, mas as nossas assessorias, que são as pessoas qualificadas para isso. Nós, evidentemente, de posse das análises de pessoas confiáveis e competentes, vamos buscar aprofundar isso aí na análise dos depoentes aqui formulados. Por mais que o Deputado Eduardo Paes tenha dito que adoraria ler os contratos nos fins de semana, acredito que S. Exª gostaria de ler umas duas ou três páginas de um desses contratos para pegar no sono mais rápido, apenas isso. Verdadeiramente, ninguém ficaria examinando-os no fim de semana, porque isso é papel de analistas, especialistas, profissionais dessa matéria.

Proponho que definamos um prazo. Não há motivo para açodamento. Se há necessidade de um prazo maior, que venhamos a ouvir os diretores na quinta-feira ou na sexta-feira. O que não faz sentido é anteciparmos a oitiva do Sr. Roberto Jefferson ou do Sr. Marcos Valério, usando como pretexto essa informação de que não tivemos acesso ainda aos contratos. A nossa linha investigatória pressupõe coerência.

V. Exª e o nosso Relator agiram com a coerência necessária sobre esses fatos. É isso, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Bittar.

Concedo a palavra à Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, há uma hora e quarenta minutos, estamos fazendo este debate, sendo que concordamos que é importante fazer as três oitivas, fruto exatamente do trabalho realizado na semana passada. Na evolução do trabalho, entendemos que, antes de ouvirmos o Sr. Roberto Jefferson, seria importante ouvirmos, além dos diretores dos Correios – este já era um acordo feito antecipadamente na semana passada –, também os responsáveis pela gravação.

Ontem, tive de responder a várias entrevistas a respeito das insinuações e propostas de fazer alterações no cronograma, de modificá-lo, por conta dos fatos supervenientes, como disse o Deputado ACM Neto.

Esta CPI precisa manter uma lógica, uma seqüência, uma linha de investigação muito clara e acordada entre todos nós. Que aquilo que está acordado entre nós seja cumprido e que não estabeleçamos a “operação pipoca”, tirando da linha antes de concluir, antes de terminar aquilo que está acordado: se apareceu não sei o quê, não sei onde, pulamos para uma outra situação antes de concluir aquilo que acordado estava. Não podemos trabalhar na lógica da pipoca, ou seja, a cada fato novo alterarmos o que estava acordado. Se o fizermos, vamos ser surpreendidos – todos sabemos disso –, porque o assunto entra na disputa dos meios de comunicação; cada meio de comunicação quer dar um furo maior que o outro.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, gostaria que V. Exª distribuísse nesta CPI alguns chazinhos de maracujá, porque há pessoas que não estão com a calma necessária para a condução dos trabalhos.

Que não adotemos essa lógica de, a cada fato, mudar o procedimento, porque vão aparecer denúncias, vão aparecer matérias! Que concluamos aquilo que se estabeleceu para esta semana!

O que foi acordado para esta semana foi acordado no plenário. Acordamos em ouvir, num primeiro momento, diretores, antes do Roberto Jefferson. Fruto do depoimento dos empresários, acordamos em ouvir os arapongas também antes do Roberto Jefferson. Aquilo que não foi acordado no plenário, V. Exª mesmo tomou a deliberação de suprimir, que era a questão do genro do Roberto Jefferson. São essas as ponderações que quero fazer.

A questão da dúvida regimental, o que podemos ou não fazer durante o recesso, precisa ficar absolutamente definida, para que o nosso trabalho não seja questionado juridicamente, inclusive na condução, na conclusão da própria CPI. Por isso, a questão deve ser levantada efetivamente. Quanto ao nosso cronograma, quero deixar claro que todos nesta Comissão têm o interesse não só de acelerar, mas de trabalhar durante o recesso, desde que haja amparo legal, porque, se não houver amparo legal, estaremos correndo o risco de aquilo que produzirmos como prova durante o recesso não ser convalidado posteriormente.

Apenas para contribuir com os dados supervenientes, muita gente está colocando a história de “passar a pipoca da vez”, que é a história do Marcos Valério, é importante lembrarmos que o depoimento do Marcos Valério já está aprovado na Comissão, mas na lógica de que ele tem um contrato com os Correios e não na lógica do que apareceu no final de semana, tendo em vista que os saques não são dinheiro carimbado, não tem como dizer que o saque é para “a”, “b” ou “c” a priori.

Portanto, temos que ouvi-lo dentro da lógica daquilo que está estabelecido.

Sr. Presidente, gostaria que fosse estabelecido um mínimo de respeito, sem provocação, durante a fala das pessoas. É inadmissível esse tipo de provocação.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Ouvimos todos os inscritos. Pediria, por favor, silêncio a V. Exªs. A Senadora Ideli Salvatti está com a palavra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É desrespeitoso. Vale aqui para todos os que estão nos assistindo, transmitirmos esse clima de respeito mútuo e de foco naquilo que estamos obrigados e comprometidos a fazer.

(Intervenções fora do microfone.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra, a Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu não disse que nenhum colega é pipoqueiro, Senador. Aliás, pipoca é excelente; adoro. Gostaria de comê-la com mais freqüência, vendo filmes, não tão lógicos, acompanhada de chá de maracujá para os que estão nervosos.

Gostaria apenas de completar, se me permitem, que esta é a CPI dos Correios. Ela está investigando o fato dos Correios. Aquilo que tiver lógica e vinculação com o que estamos investigando será feito até as últimas conseqüências.

Portanto, o Sr. Marcos Valério, que tem um contrato de publicidade com os Correios, será investigado nessa lógica e não em outra, pois a lógica que estão tentando colocar neste momento aqui não cabe, até porque temos um debate esta semana, inclusive podendo sair a CPI do Mensalão da Câmara, ou a Mista. Talvez esse seja o foco, pelo qual desejam trazer o Marcos Valério para cá, da investigação e não o que estamos fazendo.

Então, precisamos ter muita calma, manter o cronograma, trabalhar com intensidade, de acordo com o que está previsto para esta semana, com várias oitivas, com sete oitivas, e conduzir com os chazinhos necessários, sem a “pipoca” da mudança de assunto a cada momento.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Obrigado, Senadora Ideli Salvatti.

Concedo a palavra ao Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, foi protocolado, agora, pela manhã, atendendo a uma necessidade regimental, o Requerimento nº 230, que deveríamos submeter à votação, para que haja continuidade do trabalho desta CPMI ao longo do recesso parlamentar.

O Regimento Comum, no art. 151, remete, ou para o Regimento do Senado, ou para o Regimento da Câmara dos Deputados. O Regimento do Senado não tem nenhuma orientação a respeito do funcionamento das CPIs no recesso parlamentar. O Regimento da Câmara, no art. 35, inciso III, diz que a Comissão poderá atuar também durante o recesso parlamentar, desde que a Comissão faça a deliberação.

Por essa razão, Sr. Presidente, amanhã será o dia de deliberação. Então, responde ao questionamento do nobre Deputado Arnaldo Faria de Sá e de outros Senadores que também se manifestaram, esse requerimento, aprovado aqui, com o referendo, por garantir segurança dos Presidentes do Senado e da Câmara, dando tranqüilidade do ponto de vista jurídico regimental para a funcionalidade da Comissão Parlamentar de Inquérito ao longo do mês de julho, problema que todos nós estamos discutindo no momento.

Feita essa colocação, gostaria de lembrar que, na quinta-feira da semana passada, o Requerimento nº 207, que foi à mão do Relator, discutido também por V. Exª, dizia da necessidade da solicitação da execução dos contratos de publicidade da SMP&B com os Correios que viessem para esta Comissão.

Quero dizer aos nobres Senadores e nobres Deputados que se formos  receber a licitação e os contratos gerais, o contratão – aquilo que é o acordado pós-licitação –, muito dificilmente vamos encontrar irregularidade, por óbvio, ninguém aqui é ingênuo. Os eventuais desvios de dinheiro público podem ocorrer exatamente na execução. Na  minha opinião, estamos diante de uma quadrilha que começa a sua operação nos Correios e  que espalhou seus tentáculos por várias estatais. Sem dúvida nenhuma, um tentáculo importante é o Sr. Marcos Valério. Para mim, de tudo que foi analisado até agora, não há nenhuma dúvida sobre isso.

Por essa razão, quero lembrar ao Sr. Presidente, ao Sr. Relator, propusemos, terça-feira passada, um requerimento que elencava as pessoas que vão ser ouvidas esta semana e nos batíamos, o Deputado ACM Neto e eu, exatamente para que tivéssemos o Marcos Valério aqui. A argumentação de V. Exª, Sr. Presidente, é de que tínhamos uma pauta que seria de acordo para essa semana, a qual estamos cumprindo, e que não deliberaríamos nenhuma outra convocação – esse foi o acordo feito semana passada, está na Ata – sem que definíssemos a data da oitiva do Sr. Marcos Valério. Na quarta-feira, como fruto das novas declaração da Srª Fernanda Karina, apresentamos um outro requerimento conjunto, no qual solicitávamos que, por ocasião da oitiva do Sr. Marcos Valério, esta comissão fizesse a primeira acareação, que para essa data viessem juntos Marcos Valério e Fernanda Karina, e uma posterior acareação.

Então, só quero recuperar essas duas discussões que tivemos aqui, na terça-feira, na quarta-feira e na quinta-feira da semana passada, em que o nobre Relator concordava com a importância do requerimento que solicita a execução dos contratos, nos Correios, da SMP&B, para requisitar, através do 228, que vai ser apreciado amanhã, que todos os contratos que a SMP&B e a DNA tenham com estatais ou com Administração Direta, como é o caso do Ministério do Trabalho e do Ministério do Esporte, seja remetida para cá a sua execução. Porque já estão aparecendo, inclusive em períodos anteriores, prestações de contas feitas a contratações da DNA, em que, supostamente, notas frias foram compradas, já com nomes inclusive dos fornecedores das notas frias. Então, não tenho dúvida nenhuma de que devemos buscar amanhã, e eu apelo ao nobre Relator, que selecione todos os requerimentos que solicita o envio da execução dos contratos, quer do ano de 2003...

Se eu tiver atrapalhando o debate paralelo, fico em silêncio, até que eu possa concluir, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MT) – V. Exª não está atrapalhando, Deputado Onyx, ao contrário, está fazendo ponderações muito equilibradas.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, desejo que o nobre Relator desse atenção à execução dos contratos da SMP&B e da DNA por conta de tudo que tem sido noticiado.

Para concluir, Sr. Presidente, quero trazer a sugestão firmada pelos nobres Deputados Gustavo Fruet, Eduardo Paes, Antonio Carlos Magalhães Neto e este Parlamentar, no sentido de que, obedecendo ao que nós discutimos na semana passada, o Requerimento 229 sugere ao Relator, uma possibilidade de agenda para próxima semana, na qual viriam Marcos Valério  e Fernanda Karina, na terça-feira, com posterior acareação entre ambos. Na quarta-feira, José Fortuna e Edgar Lange, por óbvio de tudo o que já passou por esta Comissão. E estamos requerendo, para a próxima quinta-feira, também como desdobramento das oitivas da semana passada e desta, a vinda do Sr. Delúbio Soares, requerimento esse que ainda não está aprovado. Sugerimos que seja aprovado amanhã.

Era isso, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Agora, para encerrar, a Deputada Juíza Denise Frossard com a palavra, para encaminharmos todo esse rol de sugestões, a fim de que, realmente, tenhamos efetividade no dia de hoje e nos dois próximos... Deputada Juíza Denise Frossard.

A SRa JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, cumprimentando V. Exª, cumprimento todos os colegas. Já me manifestei pela maneira como V. Exª vem conduzindo os trabalhos, a sua paciência, que tem que ser própria de quem preside. Eu presidi tribunal do júri por cinco anos, então é isso mesmo que o Presidente tem de ter: essa paciência infinita.

Sr. Presidente, eu não ia me manifestar, mas, diante das dificuldades que ouvi de cada um dos colegas Parlamentares, resolvi me manifestar.

No livro Comissões Parlamentares de Inquérito no Senado Federal, cujo autor é Mauro Márcio Oliveira, consultor legislativo, aposentado, desta Casa, ele analisou que, de 1946 a 1989, Sr. Presidente, passaram por esta Casa, pelo Senado, 37 CPIs, sendo que apenas 19 chegaram ao relatório final. A última, a CPMI do Banestado, de junho de 2003, descobriu que o montante de dinheiro desviado foi de R$150 bilhões, muito acima dos R$30 bilhões inicialmente aventados. A CPMI não aprovou o relatório final. Citarei as palavras do autor: “Quando a CPI chega num ponto que vai esparramar lama para todo o lado, realmente tem que terminar em pizza” – palavras do autor.

Pois bem, Sr. Presidente, ouvi as dificuldades de todos, aqui, sobre quem se deve ouvir primeiro. É claro que abrir o foco só interessa a quem não quer apurar.

Quando pegava um processo de 40 volumes, o juiz tinha que dar uma sentença de uma folha e meia. É a lógica. Quando se abre o foco, não se chega a lugar algum.

Então, Sr. Presidente, eu gostaria de lembrar que, quando Maurício Marinho e Wascheck, e todos os depoimentos que tivemos aqui... mais do que se lê na mídia, é certo, Sr. Presidente, que existe uma ligação complicada, eu diria, entre as nomeações para os cargos de função pública, que alguns preferem chamar, eu repito aqui, de “composições políticas para a governabilidade”, e a corrupção sistêmica, que é o que se discute nesta CPMI.

Os requerimentos que já foram apreciados aqui demonstram que, com exceção do Deputado Roberto Jefferson, nosso colega, talvez estejamos na busca de ouvir os responsáveis menores pelo que acontece na máquina pública brasileira. As pessoas que aqui estão, que estão arroladas como depoentes, foram designadas para os cargos públicos mas receberam as suas designações de Parlamentares. Portanto, elas têm uma missão a cumprir. Para entender o ciclo inteiro do problema, Sr. Presidente, nós precisamos dos testemunhos daqueles que são os responsáveis pelo preenchimento das funções e dos cargos públicos. Precisamos ouvir aqueles que sentaram à mesa das negociações e, com o aval do Senhor Presidente da República ou de suas lideranças no Congresso, terminaram por inserir na máquina pública os seus correligionários ou apadrinhados. É muito grave o que estou dizendo. Precisamos desses testemunhos, para saber, primeiro, quais as premissas para as indicações; segundo – não estou “fulanizando”, Sr. Presidente –, o que foi solicitado de cada um dos indicados; terceiro, como se dá a relação dos indicados com os Partidos que os indicaram; quarto, se houve metas a cumprir; cinco, que metas são essas; seis, como e por que foram convidados; sete, como e por que foram aqueles os escolhidos e não outros.

Pelo que vimos até agora, Sr. Presidente, o corpo diretivo dos Correios esteve loteado – esse é o termo – entre PTB, PMDB e PT.

Ouviremos os ex-diretores beneficiários diretos da partilha do loteamento, mas, antes disso, entendo que seria extremamente produtivo para a busca da verdade real ouvir os responsáveis diretos pela presença deles na máquina dos Correios. Então, pelo PTB, julgo que falará o Deputado Roberto Jefferson, pelas indicações que fez como Presidente do Partido. Pelo PT, talvez seja suficiente ouvir o Sr. Sílvio Pereira, com o crachá de Secretário-Geral do Partido, ou o Sr. Delúbio, ou, quem sabe, o Presidente do Partido, Genoíno. Todos, de alguma maneira, são responsáveis pelo preenchimento das Diretorias de Tecnologia, de Infra-Estrutura e de Operações.

Falta-nos, portanto, o PMDB, que respondia pela Presidência, setor ao qual está afeto o comando de toda a empresa e, de forma direta, as áreas de propaganda, de relacionamento com as empresas de publicidade, que, ao que tudo indica, Sr. Presidente, está no núcleo da confusão, além naturalmente do setor jurídico, que inquiria aqui o Marinho, que deu curso livre aos diversos contratos, sobre os quais se levantam seriíssimas dúvidas.

Então, nada mais indicado do que convidar – e, aqui, desde já requeiro, Sr. Presidente – o Presidente Nacional do PMDB, Deputado Michel Temer, para falar sobre as composições das diretorias que couberam ao seu Partido, com a vantagem de ter sido ele o responsável pela indicação maior, qual seja a do Presidente João Henrique.

Sr. Presidente, ele poderá dizer como se formou o modelo de loteamento dos cargos dos Correios e, quem sabe, a partir daí, demonstrar como se dá o funcionamento desse sistema. Por que digo que é muito importante o depoimento do Presidente do PMDB? Porque, agora, neste exato momento, a imprensa já antecipa que novos loteamentos surgirão a partir do PMDB sob o argumento de governabilidade.

Sr. Presidente, lamento dizer, não queria intervir agora, mas o dever de quem me colocou aqui me faz intervir: o que vemos é um Presidente inepto, frágil, e aquela foto que vimos é a mesma foto dele com Roberto Jefferson.

Portanto, a minha preocupação tem relação com quem indicou. Esses com que estamos aqui, Sr. Presidente, são menores; não tem a menor importância a oitiva dessas pessoas. Quem? Quem indicou? Por que indicou? Quais a metas? É o que requeiro, Sr. Presidente.

Peço perdão pelo excesso, mas dizem os juristas que só comete excesso quem está em legítima defesa própria e de terceiros, como eu aqui me encontro.

Muito obrigado, Deputada Juíza Denise Frossard.

Acho que poderíamos encerrar já, até porque já são 11h03min. Então, eu gostaria de ponderar com V. Exªs... Por favor.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Sr. Presidente, gosto de ficar sempre para o final. Mas considero um fato importante que pode ser muito útil para a CPI, para seu Presidente e seu Relator. Estamos discutindo aqui muito a questão do Sr. Marcos Valério. Dá para se notar, para quem conhece o Sr. Marcos Valério, que é uma pessoa envolvente, inteligente, esperta, ex-funcionário do Banco Central, com trânsito nas esferas políticas, empresários, bancos, etc. Com todas essas características, Sr. Presidente – e outras mais –, proprietário de várias empresas de publicidade, usava de tráfico de influência através de políticos e outros meios inicialmente para captar recursos para campanhas. E depois, com o andamento de sua vida, esse empresário começou a aumentar sua influência, e é bem claro hoje que essa influência pode ter uma finalidade, inclusive, neste mensalão que está aí. Considero que as colocações do Deputado Roberto Jefferson são bem válidas, têm que ser aprofundadas realmente, e tudo que for de relacionamento do Sr. Marcos Valério tem que ser investigado e tem que ser visto. Então, acredito que não tem como separar uma coisa de outra. Eu respeito a Senadora Ideli, mas vejo que temos que aprofundar essas investigações em todas as atividades do Sr. Marcos Valério: na captação de recursos, no relacionamento com políticos, nas empresas, inicialmente para um relacionamento e depois para levar proveito próprio – é claro –, mas com a finalidade a que estamos chegando neste ponto.

Então, temos que aprofundar e ter todas as informações para que possamos... O fio da meada, realmente, é o Marcos Valério – não tenho dúvida nenhuma.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu queria encaminhar com V. Exªs. Primeiro, gostaria de registrar, para deixar bem claro para todos, o cumprimento da agenda desta semana. Nós, quando iniciamos os trabalhos desta Comissão, além do cumprimento da agenda da semana passada, com a aprovação dos requerimentos, fizemos uma agenda para esta semana que incluía os diretores dos Correios, o Deputado Roberto Jefferson, e tivemos duas mudanças: a primeira, como foi muito bem dito aqui, fruto da oitiva da semana passada dos empresários Wascheck e Velasco, que, em função delas, fomos levados a agendar os encarregados pela gravação na terça-feira. E assim foi feito. Fruto desse entendimento, e como não havíamos – isso é real – acordado o depoimento do Sr. Vinícius, retirei o depoimento do Sr. Vinícius na quinta-feira. Portanto, ouviremos o Deputado Roberto Jefferson – e aí eu peço à Assessoria da CPMI – é importante essa comunicação, até porque, também, o Deputado Roberto Jefferson, sendo ouvido às 9 horas da manhã, seria bastante produtivo, ele não entraria às 3 horas da tarde, como previsto, e eu gostaria de destacar que entendo as ponderações de vários parlamentares aqui no que se refere ao depoimento dos diretores. Realmente, não temos as informações necessárias, temos ainda vários contratos – praticamente a Assessoria trabalhou em cima dos contratos que foram citados pelo Sr. Marinho para que se priorizassem as atividades da CPI, mas quero pedir a compreensão de V. Exªs, até porque esta CPI tem todas as condições de reinquiri-los, que mantivéssemos amanhã, quarta-feira, o depoimento dos diretores, a despeito de todas as deficiências –que eu reconheço aqui – colocadas de uma maneira muito clara por boa parte dos Parlamentares, especialmente pelo Deputado ACM Neto.

Então, eu gostaria de manter amanhã, na quarta-feira, a oitiva dos diretores. Retiramos a oitiva do Sr. Vinícius da quinta-feira. Ficaremos só com o depoimento do Deputado Roberto Jefferson, às 9 horas. Se for necessário inquiri-los novamente – e acredito