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O SR.
PRESIDENTE (Carlos Willian.
PMDB – MG) – Declaro aberta a primeira reunião da Sub-relatoria IRB, da
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada através do Requerimento de nº
3, de 2005, para investigar as causas e conseqüências de denúncias de atos
delituosos praticados pelos agentes públicos dos Correios, da Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos.
Esclareço que a pauta desta reunião destina-se à oitiva dos
Srs. Lídio Duarte e Henrique Brandão. Nós vamos ouvi-los separadamente, de
acordo com a convocação. Primeiro falará o Sr. Lídio Duarte.
Convido para tomar assento à mesa o Sr. Lídio Duarte. Se
estiver acompanhado de advogada, fique à vontade. (Pausa.)
Sr. Lídio, para esta primeira reunião da nossa
Sub-relatoria, falta chegar dados inclusive do Tribunal de Contas da União.
Estamos cumprindo hoje a solicitação, através de requerimentos, da presença do
senhor, que poderá ser solicitado novamente.
Gostaria que V. Sª se apresentasse e apresentasse a sua
advogada. Posteriormente, o senhor tem a palavra para explicar, detalhar, o que
o senhor quiser, referente ao IRB, ao motivo da sua convocação, e para fazer as
suas considerações.
Obviamente, também poderá fazê-lo no final.
Fique à vontade.
O SR. LÍDIO DUARTE
– Eu queria dizer que recebi a convocação para esta audiência aqui na CPMI no
dia de ontem e, prontamente – moro em Florianópolis, em Santa Catarina –,
entrei em contato com o escritório, no Rio de Janeiro, da Drª Letícia Lins e
Silva, que está aqui ao meu lado, e fiz os meus maiores esforços no sentido de
estar aqui hoje, como estive desde o início da manhã. Certamente não me
furtarei em comparecer outras vezes, se aqui chamado.
Gostaria, preliminarmente, Deputado Carlos Willian, de dizer
que, durante o período em que estive na Presidência do IRB, de março de 2003 a
março de 2005, tive todo o empenho em administrar com transparência, buscando
fazer com que a empresa se restabelecesse de um período de estagnação em função
de um programa de privatização interrompido. Nesse período também, no que diz
respeito à mim, à Presidência, trabalhei sempre em harmonia com o Conselho
Fiscal, com o Conselho de Administração e com as demais entidades de controle e
de coordenação.
Deixei a Presidência do IRB, em março de 2003, a
pedido, e desde dezembro de 2003... Deixei em 2005, a Presidência, em março, e
desde dezembro de 2004 já me encontrava demissionário. Materializei o meu
pedido em primeiro de fevereiro de 2005, tendo sido exonerado em meados de
março de 2005.
Quando
nomeado, em março de 2003...
Eu fui, ao longo da
minha vida, funcionário de carreira. Ocupei vários cargos no IRB, sempre cargos
técnicos. Na minha nomeação, como é sabido, vários acionistas, pessoas de
mercado, indicaram o meu nome para o PTB, na época o Deputado José Carlos
Martinez, que levou o meu nome ao Ministro Palocci, e então fui nomeado
Presidente da Diretoria Executiva.
Queria dizer mais:
que o IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) é uma sociedade anônima, com um
Conselho de Administração onde a União tem maioria, mas os acionistas privados,
preferencialistas, têm duas cadeiras. Tem um Conselho Fiscal onde os acionistas
privados têm maioria e tem vários comitês, inclusive criados no meu período de
Presidência, onde o acionista privado também participa. Por exemplo, no Comitê
de Investimentos. Nenhum investimento, no período em que estive na Presidência,
foi feito sem ouvir o Comitê de Investimentos. Também criei um comitê para
analisar a relação do IRB com corretores e com resseguradoras, com dois membros
da iniciativa privada, e resultou que fizemos, durante o período da existência
desse comitê, uma reformulação das regras e, hoje, o IRB tem novas regras que
foram, inclusive, estudadas e propostas por esse comitê.
Vários outros comitês
foram criados, inclusive de decisão, de primeiro, de segundo e de terceiro
nível, e acredito que isso resultou positivo para a organização, para a
transparência das decisões, e os resultados, no período em que estive na
Presidência, demonstram que de fato podemos dar um passo adiante em relação
àquilo que encontramos em 2003.
Eram essas as minhas
palavras iniciais. Fico à disposição, então, para responder às perguntas que o
senhor queira formular.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Esses cargos anteriormente
ocupados por V. Sª eram só em nível de assessoramento ou o senhor teve algum em
nível de direção?
O SR. LÍDIO DUARTE – Tive cargo de direção, sim. Desde fevereiro de 1997 a
setembro de 2000, fui Diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep),
cargo de nomeação do Presidente da República; fui membro do Conselho Técnico do
IRB, também cargo de nomeação do Presidente da República; fui Diretor
Comercial, cargo de nomeação do Conselho de Administração do IRB; fui
Superintendente de Operações Nacionais do IRB, cargo que foi indicado pela
própria Diretoria; fui gerente de divisão, de departamento.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Em novembro de 2001, foi
feito um estudo de realocação de investimento, observando algumas recomendações
de consultorias internacionais e assim sucessivamente – em novembro de 2001.
Isso foi discutido no Conselho de Administração do IRB. O senhor participou
dessas reuniões?
O SR. LÍDIO DUARTE – O Conselho de Administração do IRB, dele participam, para
tomar deliberações, apenas o Presidente do IRB como Vice-Presidente do
Conselho, o Presidente do Conselho de Administração, que normalmente é o
Secretário de Política Econômica, dois outros membros indicados pelo acionista
à União, normalmente um do Planejamento e outro da Fazenda, e dois membros da
iniciativa privada – apenas isso. Os membros da Diretoria Executiva não
participam para deliberar no Conselho de Administração.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Em agosto de 2002 foi
aprovada a realocação desses investimentos. Em setembro, outubro de 2002 foi
feita a finalização e a formalização dos contratos. O senhor já disse, mas eu
gostaria de tornar a saber: o senhor participou em algum desses atos?
O SR. LÍDIO DUARTE – Não tenho conhecimento de que eu tenha participado de
forma executiva.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Dr. Lídio, vou insistir
porque é uma realocação de investimentos de uma monta muito grande, feita
inclusive internacionalmente. Eu acho que a um presidente competente como o
senhor não passaria despercebido se participou ou não nessas decisões.
O SR. LÍDIO DUARTE – O senhor está se
referindo a decisões tomadas antes da minha gestão como Presidente. Eu fui
nomeado em março de 2003 e o senhor está se referindo à alocação de
investimentos de 2001 a 2002.
O SR. PRESIDENTE (PMDB – MG) – A pergunta é: o senhor era funcionário
de carreira e exercia outros cargos. O senhor participou ativamente das
discussões desses realocamentos?
O SR. LÍDIO DUARTE – Absolutamente não.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Pois bem. A saída do IRB deu
por pedido de demissão do senhor, só por vontade própria?
O SR. LÍDIO DUARTE – Exatamente, eu entreguei a minha carta pedindo demissão em
1º ou 2 de fevereiro de 2005 e aguardei a minha exoneração.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Sei que isso deve ser de
motivo foro íntimo, mas coincidiu exatamente na época em que, principalmente na
Comissão de Finanças e Tributação, havia alguns requerimentos e começava a se
dar notícias, inclusive pela imprensa, de irregularidades no IRB. É
coincidência ou o senhor não queria enfrentar talvez esse período tumultuado do
IRB, inclusive com denúncias do Deputado Roberto Jefferson.
O SR. LÍDIO DUARTE – É coincidência, não estou ligando a minha decisão de sair
a esses fatos. A minha decisão de sair se deveu sobretudo, como disse em minha
carta, porque transferi meus familiares para Florianópolis em 1999, fiquei numa
situação bastante desconfortável de estar no Rio de Janeiro e a família lá. Não
tive nenhuma participação na nomeação da diretoria e não havia um equilíbrio,
do meu ponto de vista, que me levasse a executar um projeto que inclusive
declinei para cerca de 300 seguradores, quando tomei posse, sobre as linhas de
ação que eu achava importante tomar para que companhia saísse daquela posição.
Então, em 2002, eu
concluí que eu não seria bom presidente se continuasse dali para frente. Então,
como o IRB é uma empresa que tem a União como acionista, foi uma decisão que
tomei de entregar o cargo para alguém que pudesse realizar um pouco mais do que
estava conseguindo.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Só para ter um entendimento
melhor e podermos elaborar de forma mais econômica os questionamentos: como
realmente funciona o IRB? As atribuições do IRB, como nós sabemos, é um órgão
de resseguros. O IRB absolve algum risco, ele segura algum risco ou ele repassa
todos os riscos? Como funciona? Por que o IRB tem que autorizar às vezes o
pagamento de um sinistro? Onde se dá? Como funciona esse mecanismo?
O SR. LÍDIO DUARTE – Pela legislação, que é bastante antiga, desde os anos 40
– o IRB foi criado em 1939 –, a legislação de criação do IRB nasceu porque o
mercado brasileiro de seguros era dominado por empresas estrangeiras e as
empresas estrangeiras que comercializavam as apólices no Brasil tinham os seus
contratos de resseguros com as suas matrizes e as seguradoras nacionais não
dispunham desta mesma facilidade e dessa mesma capacidade de negócios que o
resseguro dá.
Na época, o governo
do Presidente Getúlio Vargas criou o IRB como um ressegurador, com o Estado
participando do seu capital, e o legislador da época entendeu que não
adiantaria nada criar uma empresa se não fosse ela monopolista dessa atividade,
ou seja, se não fosse obrigado que todas as seguradoras conduzissem seus negócios
de resseguro por meio do IRB, com o IRB. Inclusive, a legislação foi mais além,
atribuiu ao Instituto o poder de disciplinar esta matéria, o resseguro,
co-seguro e a retrocessão. Então, deu ao IRB poderes, inclusive, de polícia, de
estabelecer regras e poderes monopolistas de aceitar os riscos de ser o único
operador de resseguro no mercado local.
Por conta dessas
funções que o IRB exerce, pela sua própria capacidade patrimonial, pela sua
limitação patrimonial, ele não é capaz de reter ou por razões de ordem
econômica, em função de que não teria condições de honrar os compromissos
assumidos em determinado tipo de seguro, devido ao valor, ou por razões de
ordem técnica. O IRB assume os riscos totais do mercado de seguros nacional e
retrocede para o mercado internacional aquilo que julga que não tem capacidade
patrimonial ou que não tem justificativa técnica para reter no Brasil.
Então, em função
disso, hoje, o IRB recebe, vamos dizer, 100% dos resseguros e retrocede 50%
desse resseguro aceito. Hoje, o Instituto retém da carteira de resseguros
nacional 50%, que representou no ano passado cerca de R$1,5 bilhão de retidos e
R$1,3 bilhão ou R$1,350 bilhão de retrocedidos para o mercado internacional.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Então, no caso de sinistros, o
IRB tem o poder de analisar, de autorizar, de fiscalizar e acompanhar em casos
de sinistro?
O SR. LÍDIO DUARTE – A legislação também não deu ao IRB, porque isso é prática
no mercado internacional. Nos contratos de resseguro que estabelece com as
seguradoras, ele diz, por valor absoluto ou por percentual de participação, se
quer acompanhar ou se ele próprio quer decidir sobre os sinistros. Então, isso
é estabelecido contratualmente entre o IRB e as seguradoras. E a legislação,
Decreto-Lei nº 73, de 1966, dá a prerrogativa ao Instituto de, nos casos de
ações de segurados contra seguradoras, onde na apólice tenha resseguro no IRB,
ser chamado a lide como litisconsorte necessário para que a ação tenha
prosseguimento. Então, essa é a participação do IRB em casos de sinistro e nos
casos de litígio entre o segurado e a seguradora.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – É normal o pagamento de
seguros quando não existe cobertura por meio de apólice para garantir o risco?
O SR. LÍDIO DUARTE – Posso lhe afirmar que não, que não é normal.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Não é normal. Se qualquer
cidadão brasileiro não tiver o seu bem assegurado, com cobertura por apólice de
seguro e tiver seu bem furtado ou roubado, ele pode fazer um seguro e ter
cobertura retroativa?
O SR. LÍDIO DUARTE – Aí temos de avaliar a situação concreta. Ocorre, pela
minha experiência nessa área de seguros, e com certeza qualquer pessoa que
tenha experiência nessa área falará da mesma forma, que existem situações onde
a habitualidade da contratação do seguro pode levar a seguradora e o
ressegurador a ter que reconhecer uma cobertura, às vezes, por não ter sido
cumprido determinados prazos de resposta sobre pedido de prorrogação ou pedido de aditivo ou endosso da apólice.
Então, existem muitos casos que levam as seguradoras ao Judiciário por conta de
sinistros que ocorrem no dia seguinte ou dias depois de a apólice vencer e os
procedimentos de renovação não foram devidamente cuidados pela partes.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Então, isso é caso excepcional
e administrativo. O normal é o seguinte: eu asseguro um bem. Esse bem não está
assegurado, ou seja, eu não tenho a cobertura da apólice, então, em caso de
sinistro, obviamente, não tenho essa cobertura.
O SR. LÍDIO DUARTE – Isso. Isso deve ser visto da forma como eu estou dizendo.
Se é uma decisão de contratação de seguro nova, se não é uma decisão de
renovação, então há que se ter em conta que é mais fácil a seguradora, por
acaso, o ressegurador, se houver, negar do que, numa renovação continuada de
uma apólice e que por razões ou administrativas ou burocráticas ou mesmo de
erro, ela não tenha sido renovada quando devia.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB - MG) – Bom, na legislação de seguros,
existe alguma excepcionalidade para que uma determinada cadeia produtiva, algum
cliente possa ter cobertura de sinistro de um modo retroativo? A pergunta é
basicamente a mesma, mas é só para clarear mais um pouquinho porque...
O SR. LÍDIO DUARTE – De modo retroativo?
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – De modo retroativo, fazer um
seguro ou uma apólice com data retroativa justamente para cobrir algum
sinistro.
O SR. LÍDIO DUARTE – É porque a legislação, com certeza, as regras existentes
dizem o seguinte: que não se pode pagar sinistro sem apólice existente. Então,
nos casos em que a apólice esteja em processamento de emissão ou nos casos em
que a própria emissão esteja em discussão e venha a ocorrer um sinistro,
naturalmente que este sinistro, essa apólice deverá, vamos dizer, o “x” da
questão é a emissão dessa apólice para resolver o problema posterior.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – É um pouco complicado de
entender para um cidadão comum, porque se eu tiver um carro que não está
assegurado e o carro for furtado, posso até ir à Justiça que dificilmente
receberei esse sinistro. Mas, de qualquer forma, é o seguinte: o senhor já
determinou ou colaborou com pareceres, inclusive com votos favoráveis, em
reunião de diretoria do IRB para pagamentos de sinistro a risco não coberto?
O SR. LÍDIO DUARTE – Não posso lhe afirmar que eu tenha dado parecer para risco
não coberto porque, em qualquer relação contratual – o seguro é uma relação
contratual –, por vezes, a primeira decisão pode negar a cobertura. Essa
decisão pode ser reformulada por argumentos técnicos ou pode ser reformulada
por decisão judicial. Então, eu não poderia afirmar nem negar a sua pergunta,
se me permite, porque, como técnico, eu posso ter, na minha vida funcional, dado
algum tipo de parecer que possa ter essas duas vertentes, essas duas condições
de negativa ou de...
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Obviamente, não é por decisão
judicial, porque decisão judicial a gente não discute, a gente cumpre.
Eu queria solicitar à
Mesa: ele está depondo como testemunha, como depoente, ele tem o compromisso
de... (Pausa.)
Não tem compromisso.
Só como testemunha. Então, farei a mesma pergunta reformulada, porque aí,
talvez, o senhor poderá avivar um pouco mais a memória. Em relação a um grande
sinistro que ocorreu sem cobertura de apólice, o senhor se lembra de ter já
participado como Presidente do IRB no pagamento dessa cobertura? Para facilitar
mais ainda, que não seja decisão judicial.
O SR. LÍDIO DUARTE – Como Presidente, não me lembro.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Nem como Diretor?
O SR. LÍDIO DUARTE – Não, como diretor, também não.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Nada que passou pela sua mão
que dependesse de assinatura?
O SR. LÍDIO DUARTE – É uma questão de lembrança, é uma questão de recordar,
porque estamos falando aqui de uma empresa que teve um faturamento, no último
exercício, de R$2,8 bilhões. Esses R$2,8 bilhões se distribuem por 120
seguradoras ou até mais. São cerca de 32 ramos de seguros. Em cada um desses
ramos, milhões de apólices geram decisões, às vezes, em bloco, pelo IRB, por
causa da função dele de ser concentrador das operações; às vezes, gera até
decisões que abrangem toda uma carteira de seguros. Então, eu não teria na
minha cabeça agora se eu, em algum momento, tomei alguma decisão em que eu
desse cobertura retroativa ou que permitisse a emissão da apólice.
Eu tomei conhecimento
recentemente de um assunto que saiu no Diário Oficial do TCU, de um caso no
IRB, que inclusive eu nem tomei conhecimento. Pedi o dossiê do IRB esta semana,
para conhecer o andamento da decisão que se tomou.
Mas sou um técnico e
me pauto pelas decisões técnicas. Naturalmente que a sua pergunta dessa forma
eu diria que não saberia no tempo do exercício da minha atividade, se eu já
orientei em um sentido ou em outro.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Bom, hipoteticamente falando,
é normal o IRB assumir um risco de cobertura de um seguro em 98%, e em uma
companhia seguradora de apenas 2%? Porque o trabalho do IRB na verdade não é
fazer seguro; é aceitar às vezes alguns riscos, retroceder, alguma coisa nesse
sentido. Mas aceitar 98% da cobertura de um sinistro, e uma seguradora apenas
2%, é uma parceria aparentemente desproporcional. Mas isso é normal? O IRB faz
ou já exerceu essa atividade?
O SR. LÍDIO DUARTE – Posso-lhe garantir que exerce todos os dias. Não há
nenhuma frota de aviões, não há nenhuma plataforma de petróleo, não há nenhuma
fábrica de grandes proporções como uma siderúrgica, não há nenhuma empresa de
celulose e papel, não há nenhuma refinaria que não resulte em percentual de
resseguro nesse percentual aí. E às vezes até mais, até 100%.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor se referiu ao
Tribunal de Contas da União. O órgão tem um relatório que considerou irregular
a indenização de um sinistro no valor de R$15 milhões à Companhia de Fiação e
Tecidos de Guaratinguetá, São Paulo. E justamente o IRB assegurou 98% desse
sinistro. O senhor conhece esse sinistro pago de R$15 milhões à Companhia
Fiação e Tecidos de Guaratinguetá, em São Paulo?
O SR. LÍDIO DUARTE – Tomei conhecimento do relatório do TCU, tomei conhecimento
no relatório da Comissão de Sindicância Interna do IRB, e solicitei por carta,
nesta semana, na segunda-feira, ao Vice-Presidente do IRB, a cópia de um
inteiro teor do dossiê, para eu conhecer melhor e me instruir sobre inclusive a
minha defesa no TCU, em razão de esse sinistro haver ocorrido durante o período
da minha gestão.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor ainda mantém a mesma
opinião de que um sinistro pago de R$15 milhões é algo normal no IRB? É um
sinistro normal de ser quitado?
O SR. LÍDIO DUARTE – Não entendi a sua pergunta.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor, como Presidente do
IRB, disse há pouco que a carteira do Instituto é muito grande e cifrou os
números. Então, tirando o bem assegurado, que é um valor muito grande, vêm os
riscos e os sinistros. Nos sinistros, obviamente, os casos caem muito, porque
não são todos que têm sinistros.
Um sinistro de R$15
milhões é significativo, o senhor, como Presidente, teria que tomar
conhecimento? O senhor iria assinar um cheque para indenizar esse sinistro?
O SR. LÍDIO DUARTE – Vou responder a essa pergunta da seguinte forma: eu disse
que o IRB faturou, no ano passado, quando eu ainda estava na Presidência, R$2,8
bilhões. A carteira de resseguro do IRB tem uma sinistralidade da ordem de 50%
a 55%. O que eu quero dizer com isso é que desses R$2,8 bilhões, de 50% a 55%
retornam para as seguradoras sob a forma de pagamento de sinistros. Então,
estamos falando em algo como R$1,5 bilhão, R$1,6 bilhão de sinistros pagos num
exercício.
Nós estamos, ao mesmo
tempo, tratando de um sinistro de R$15 milhões. É um número significativo
quando tomado singularmente; mas com certeza dentro de R$1,5 bilhão sinistros
pagos pelo IRB é um número pequeno, relativamente ao montante pago.
Então, essa é a
análise que eu faço em relação ao total de sinistros que se paga e a esse caso
singularmente.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Então, vamos considerar que
para o IRB esse valor de R$15 milhões, dentro do montante do trabalho, não seja
uma indenização tão grande assim. Mas havendo um pagamento de sinistro, todo esse
sinistro efetivamente passa por V. Sª para autorizar, para dar o prosseguimento
da liquidação do sinistro? Essa é uma pergunta. Deve ter a participação do
senhor como Presidente nessa liquidação? E se nessa liquidação vem o processo
devidamente trabalhado, ouvindo as áreas competentes, principalmente a
assessoria jurídica? Ou às vezes a consultoria jurídica é dispensada de emitir
algum parecer no pagamento de indenização?
O SR. LÍDIO DUARTE – Respondendo...
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Isso, é lógico, indiferente de
um acordo judicial ou extra-judicial.
O SR. LÍDIO DUARTE – Sim. O procedimento de pagamento de sinistro no IRB nem
sempre vai à Presidência. Nem sempre vai à Presidência. E por vezes vai à
Presidência em data posterior às fases essenciais de decisão de cobertura e de
pagamento. Então, eu queria frisar bem isso. A Presidência tem competência
estabelecida pelo Estatuto e pelo Conselho de Administração para pagar valores.
A decisão de cobertura, a decisão de quantum não é da alçada da
Presidência, é pelas áreas técnicas competentes.
E nos casos que envolvam decisão judicial, antes ou durante
o processo de pagamento teria de ser ouvida a área jurídica. E os
processos que vão à Presidência para a decisão são encaminhados por uma secretaria
que, uma vez por dia, normalmente – eu tinha um despacho uma vez por dia –,
leva todos os processos, de todas as áreas, de todas as atividades que competem
à Presidência decidir. Então, eu estou colocando esse caso como uma decisão
entre outras tantas que competiam e competem ao Presidente do IRB tomar.
O SR. PRESIDENTE (Carlos
Willian. PMDB – MG) – Bom, quando o senhor assumiu o IRB, como estavam as
aplicações financeiras realizadas no exterior e o que o senhor fez para
melhorar esses investimentos? É importante o IRB realizar aplicações no
exterior? Há pressão do mercado internacional para aceite dos seguros ou
resseguros?
Só para
clarear essas perguntas anteriores, o relatório do Tribunal de Contas da União
diz o seguinte: “Por meio de um acordo de folha 68, no valor aproximado de R$15
milhões à Companhia de Fiação e Tecidos Guaratinguetá e, com base nesse acordo,
a Seguradora e Companhia de Seguros Aliança da Bahia...”.
O SR.
LÍDIO DUARTE – O senhor está se referindo ao sinistro?
O SR. PRESIDENTE (Carlos
Willian. PMDB – MG) – Ao sinistro. “Por determinação do IRB, emitiu uma
apólice de seguro no valor de R$18.753,450,00 milhões, com data retroativa à
oorrência do sinistro”. Ou seja, o sinistro ocorreu em 5/12/2003. A apólice foi
emitida em 29/09/2004. Ressaltando que a participação do IRB no risco dessa
apólice era de 98,70%, e a Seguradora apenas de 1,22%, e que essa indenização
foi feita com um acordo extrajudicial, que foi reduzido R$3 milhões. Inclusive,
mesmo se tratando de assunto jurídico, não houve participação e parecer do
departamento jurídico.
Como o
senhor não tem esse documento em mão, o senhor já disse até com bastante
clareza que requisitou ao Tribunal de Contas uma cópia, eu gostaria de saber se
quer comentar esse fato.
O SR. LÍDIO
DUARTE – Esse fato, Deputado, comentei anteriormente, eu não
disponho do dossiê para analisar, compulsar os dados internos. E estou
requisitando ao IRB para tomar melhor conhecimento, inclusive de eventual
descumprimento interno de regra, de trâmite de processo. Inclusive, preciso
conhecer melhor a matéria até para fazer a sustentação da minha defesa.
O SR. PRESIDENTE (Carlos
Willian. PMDB – MG) – Concordo com o senhor. Aliás, eu não tenho nem que
concordar nem que discordar. Eu só queria deixar claro.
Volto à
pergunta anterior sobre os investimentos no exterior. Quando assumiu a
Presidência do IRB em 2002, como o senhor considerou as aplicações exteriores,
o que o senhor fez para modificar, se o senhor modificou, e como o senhor
passou, por intermédio, logicamente, de um colegiado, a aplicar esses recursos?
O SR. LÍDIO DUARTE – Eu queria deixar claro,
para falar desses investimentos, que eu entrei na Presidência do IRB em março
de 2003 e que o Conselho de Administração permaneceu o mesmo da administração
anterior, exceto com relação ao seu Presidente, que passou a ser o então Secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa.
Então, de março de
2003 até julho de 2005, exerci a Presidência da Diretoria Executiva com os
mesmos membros da administração anterior – os mesmos membros, inclusive o mesmo
diretor financeiro que coordenou a política de investimentos anterior à minha
entrada. Em junho de 2003, portanto dois ou três meses depois de minha entrada
na Presidência, criei o Comitê de Investimentos, enviei correspondência à
Fenaseg, solicitei que ela nomeasse os membros da iniciativa privada nesse
comitê. Esse comitê foi instalado, e, a partir da instalação desse comitê,
nenhuma decisão de investimento se tomou sem ouvir esse comitê. E o que se fez
em relação ao portfólio que o IRB tinha no País e no exterior? Produziu-se uma
decisão no Conselho de Administração, em julho de 2003, onde se decidiu no
sentido de que o novo Diretor Financeiro preparasse um edital para a
contratação de uma firma com atuação internacional para fazer uma análise de
risco da carteira de investimentos do IRB. Essa foi a decisão. Então, foram
duas decisões que tomei: a recriação do Comitê de Investimentos e
imediatamente, em julho, deliberou-se no sentido de fazer uma análise de risco da
carteira de investimentos do IRB, mas se fez durante o período em que estive na
Presidência, também sempre ouvindo o Comitê de Investimentos.
O IRB tinha uma
carteira de ações da ordem de R$130 milhões, e o IRB passou por dois planos de
demissão voluntária, e a área de investimentos encolheu muito, não tinha
pessoas para cuidar desse investimento. Tomamos a decisão de realizar aquela
carteira, com um lucro; foi feito. Então, o IRB deixou de aplicar em ações
durante esse período em que eu estive lá. O IRB tinha algumas aplicações no
exterior e tomou-se a decisão de internalizar esses recursos, que foram
internalizados e aplicados no fundo extramercado do Banco do Brasil, onde o IRB
é obrigado a aplicar os recursos em moeda nacional.
Deu-se também início a
um estudo sobre a carteira de shopping center do IRB, para se
buscar uma fórmula de fazer a desmobilização desse ativo pela dificuldade de
administração. E, em relação aos demais ativos, manteve-se a mesma carteira,
aguardando o resultado da firma que seria contratada para analisar o risco, a
liquidez dessa carteira.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Qual o diretor
responsável para fazer o estudo dessa contratação?
O SR. LÍDIO DUARTE – Alberto Paes.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – É importante o IRB fazer essas
aplicações no exterior? E há pressões do mercado internacional para aceite de
seguros ou resseguros? O IRB trabalha pressionado internacionalmente?
O SR. LÍDIO DUARTE – Sobre a necessidade de manter ativos no exterior, eu diria
que sim. É necessário, porque o IRB é uma empresa brasileira, tem contratos de
retrocessão com empresas internacionais. O Brasil já passou por vários momentos
na sua história, onde o câmbio teve variações muito grandes, também teve
momentos na história, inclusive, que houve incapacidade de pagamento pelo País
e, nessas épocas passadas, decidiu-se que o IRB manteria no exterior um lastro
de ativos em moeda estrangeira, justamente para garantir às empresas
estrangeiras que o mercado brasileiro era um mercado seguro, para elas aceitarem os riscos daqui em
retrocessão.
Os montantes que
devem ficar no exterior estão definidos num guideline, aprovado no
Conselho de Administração, e que, por vezes, ela varia um pouco fora desse guideline
em razão do câmbio, em função da taxa de juros interna.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Através do Tribunal de Contas, não é da
gestão do senhor como Presidente; e o senhor disse também não se lembrar se
participou de movimentações de aplicações em outro cargo que ocupava antes do
senhor ter a Presidência. Mas o Tribunal de Contas da União também detectou que
o investimento realizado em 2002, deu prejuízo antes mesmo de se concretizar.
Tem as tabelas que mostram esses valores ao investimento de R$112,122 bilhões;
o IRB teve de desfazer de aplicações realizadas da Goldman, da Morgan Stanley e
da Salon Brots, nessa operação o IRB acumulou uma perda de US$5,4 milhões por
ter vendido seus títulos em época em que o valor de mercado estava abaixo do
preço. Mais uma vez, com essa operação os dirigentes da empresa demonstraram
indiferença ao prejuízo, pois perderam, nessa operação, mais de US$5 milhões.
Se fosse convertido, na época, em 25 de outubro de 2002 – o senhor não estava
lá?
O SR. LÍDIO DUARTE – Nessa decisão não.
O SR. PRESIDENTE (Carlos
Willian. PMDB – MG) – Nessa decisão não. O dólar a R$3,95 – teríamos uma perda de R$21 milhões.
Então, o que o senhor fez, porque o senhor entrou
imediatamente após isso? O senhor tomou conhecimento da venda desses títulos, que
houve esse prejuízo grande? E a partir daí, mesmo com essa consultoria,
continuou a fazer esses investimentos com esses riscos? Ou o senhor tomou uma
decisão de modificar esse sistema?
O SR. LÍDIO DUARTE –
Quando entrei, em março de 2005, esse investimento havia sido feito em outubro
de 2002. Quando esse investimento foi feito, em outubro de 2002, saíram algumas
notas na imprensa e, por conta dessas notas, a Comissão de Finanças e
Tributação da Câmara pediu explicações à administração do IRB da época. Da
mesma forma, o Ministério da Fazenda, o Ministério coordenador pediu também à
administração do IRB, da época, que se pronunciasse em vista de requerimento
formulado na Câmara, logo depois desse investimento ter sido realizado.
A administração, da época, esteve na Comissão de Finanças e
Tributação, apresentou os seus argumentos para fazer essa mudança de carteira,
de um administrador para outro, ofereceu as suas explicações ao Ministério da
Fazenda e, pelo que sei, inclusive no Ministério Público do Rio de Janeiro, há
também um procedimento aberto em que as pessoas que tiveram participação nessa
decisão tenham apresentado lá as suas defesas.
Em relação ao meu
período, quando entrei na Presidência havia um portfólio formado de
investimentos do IRB. O que ocorreu a partir da minha entrada? A partir da
minha entrada tomou-se a decisão de que mexer naquele portfólio teria que ser
feito através de um comitê, onde os membros da iniciativa privada participassem
nessa decisão. E, segundo, por sugestão do Diretor Financeiro, em julho,
deliberou-se por contratar uma empresa de consultoria para analisar o risco das
operações como um todo.
Volto a falar sobre o
investimento a que o senhor se referiu. Este investimento foi feito pelo prazo
de cinco anos com dois de carência, segundo consta, com garantia do principal,
então, com multa para a saída antes do vencimento do período de carência.
Ocorre, então, que, no período em que fiquei, até outubro de 2004, se fosse
modificado esse portfólio teria multa, teria pena. O IRB incorreria em despesa,
em prejuízo. O relatório dessa empresa que foi contratada, com prioridade,
inclusive, para os investimentos de maior relevância, deve ter sido já
apreciado no IRB. E a decisão a tomar, em relação, então, a esse investimento,
já não coube mais a mim no período em que eu estive lá.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor lembra qual o montante de
investimento externo na época que o senhor era Presidente?
O SR. LÍDIO DUARTE – Lembro, sim. Por volta de US$800 a US$900 milhões.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Ao dólar a R$3,00 em média?
O SR. LÍDIO
DUARTE – No balanço, é sempre corrigido pelo câmbio do dia.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Pelo câmbio do dia, R$3,00...
É um valor... O senhor acha que essas aplicações são vantajosas para o IRB? Ela
ganha com essas aplicações?
O SR. LÍDIO DUARTE – Vou retornar ao ponto inicial, que falei anteriormente. O
IRB, como uma empresa que se responsabiliza diante dos resseguradores
estrangeiros pelo mercado nacional, deliberou, há cerca de 20 anos, que ele
deveria ter um lastro de moeda estrangeira no exterior para que o mercado
internacional visse o mercado brasileiro como um mercado garantido para receber
os seus resseguros. O IRB, nos anos 70, abriu negócios no exterior e, por conta
desses negócios, ele teve de fazer reservas e provisões, e para essas reservas
e provisões exige-se que seja feita em moeda estrangeira. Então, por conta
dessas decisões estratégicas que foram tomadas no IRB, antes, muito antes da
minha entrada, é que o IRB tem ativos no exterior. Existe sempre uma grande
discussão sobre qual o montante necessário que o IRB precisa ter no exterior,
tendo em vista que as taxas de juros reais, no Brasil, são as maiores do mundo
e tendo em vista que, por vezes, as oscilações de câmbio são tão grandes como
estamos vendo agora, atualmente: sai de R$3,10 e vai para dois reais e vinte e
poucos centavos. Então, tudo isso gera impacto dentro do balanço do IRB e teria
de se buscar mecanismo para minimizar esses impactos através de mecanismos de
rédea, de risco ou de coroa de seguro de risco, de oscilação ou coisa que o
valha. Coloquei isso em discussão no meu período de gestão e o Bradesco, que é
o maior acionista do IRB hoje, depois da União, ele passou a fazer uma
orientação ao IRB, através do seu economista-chefe, em que se trabalhava com um
cenário para 2004 de dólar a R$3,10 ou R$3,05. Então, por conta disso, até as
decisões de mexer no portfólio de investimento externo não se deram durante o
período em que estive lá.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Bom, mesmo diante dessa
circunstância de ter de fazer o investimento, é rentável fazer o investimento
ou é só para cumprir esses compromissos internacionais de negócios que o senhor
disse que o IRB abriu no exterior? Quais foram esses negócios externos abertos
na gestão de V. Sª?
O SR. LÍDIO DUARTE – Na minha gestão,
não se implementou nenhum negócio externo de resseguro no IRB. A carteira
estava fechada e permaneceu fechada; negócio de resseguro, que chamamos de
resseguros aceitos, de outros mercados que não o mercado brasileiro. Sobre a
minha opinião, se são rentáveis ou não rentáveis, se os montantes de ativos no
exterior são suficientes ou mais que suficientes, essa análise tem de ser vista
no longo prazo; não pode ser vista num período curto, de dois anos, quando o
câmbio sai de 2,89 para 2,20 ou quando a Selic sai de 15 e vai a mais de 30,
hoje está em 19. Então, esse curto prazo leva a se imaginar que se está
perdendo dinheiro, mas no longo prazo, se se pegar um período maior, a perda
cambial que está havendo agora, com certeza, foi compensada em 99.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Segundo a própria imprensa,
fontes de informações, a indicação para a Diretoria do IRB, a maioria, mesmo
sendo funcionário de carreira como o senhor, é por indicação política. O senhor
concorda que são indicações políticas-partidárias? E o senhor, como Presidente,
foi uma indicação política para presidir? Se foi, quem foi o político que o
indicou?
O SR. LÍDIO DUARTE – O IRB é uma empresa técnica, tem um produto pouco
conhecido, o mecanismo de precificação e de definição de cobertura é bastante
sofisticado, requer um conhecimento muito apropriado e, em função disso, o IRB
tem uma cultura interna de que até o nível de superintendente – atualmente não
existe mais esse cargo na estrutura, mas até o nível de gerente – só é
preenchido por pessoal técnico, concursado, e apenas a Diretoria é nomeada pelo
Conselho de Administração e, aí, admite-se pessoas de fora. Durante o período
da minha vida funcional, só tive uma indicação por meio de partido, que foi
para a Presidência do IRB, que exerci, nesse período que citei; foi uma
indicação através de seguradores, que fizeram a indicação do meu nome ao
Deputado José Carlos Martinez, e ele, através do PTB, levou ao Governo e foi,
então, aceito o meu nome.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Voltando só um pouquinho
atrás, a demissão do cargo que V. Exª fez foi amplamente divulgado no sentido
de que foi por uma pressão do PTB, porque o senhor teria de entregar para o
partido uma mesada de R$400 mil. Inclusive, o senhor confidenciou isso a um
graduado servidor que estava enfrentando essa pressão, essa cobrança, e,
obviamente, teria de vir de operações administrativas irregulares, porque o IRB
não tem jeito de tirar R$400 mil. E a revista Veja publicou isso e,
segundo a revista, ela tem esse depoimento do senhor gravado. Eu gostaria de
saber, que o senhor nos informasse, primeiro: antes desse episódio, o senhor
fazia algum repasse financeiro para algum partido político? Segundo: a revista Veja
mentiu ao dizer que tem um depoimento gravado, onde o senhor afirma que a sua
saída foi por esse motivo?
O SR. LÍDIO DUARTE – Sobre a matéria da revista Veja...
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Eu gostaria de dizer a V. Sª o
seguinte: não vou me alongar muito porque o Tribunal de Contas da União está
enviando o restante das documentações, e, obviamente, vamos pedir a quebra de
sigilo bancário, telefônico, essas coisas todas, e V. Sª poderá, de novo, vir a
depor nesta Comissão, gentilmente e prestativo, da forma como o fez. Mas, se
houver algum questionamento sobre o qual o senhor não se sentir à vontade para
responder, poderemos fazer ao final desta nossa reunião, obviamente com a
presença de mais um ou dois Deputados, fazendo uma reunião reservada, inclusive
se tiver mais alguma coisa que o senhor possa contribuir dentro dessas questões
ligadas ao contexto político.
O SR. LÍDIO DUARTE – Se o senhor me permite, eu tenho até que retornar hoje;
cheguei hoje, e hoje para sair de Brasília não é tão fácil, já até marquei o
meu vôo, e também não tenho nenhum problema de responder às questões que estão
sendo formuladas, como todos podem ver.
Sobre a questão da
matéria da revista Veja, fui chamado à Polícia Federal, prestei o meu
depoimento juramentado, está lá consignado. Se for necessário o enviaremos para
os Anais desta Comissão.
O que eu tenho a
dizer é que, durante o período da minha gestão, não houve nenhum tipo de
transferência para Partido político. Aquilo que se publicou... Inclusive o
próprio Deputado Roberto Jefferson declinou em várias entrevistas que, sempre
que é contatada a minha pessoa para poder ajudar o Partido, eu lhe indicava que
os acionistas da empresa eram os maiores bancos, maiores seguradoras, e ele
inclusive falou isso em público. Então, eu gostaria de manter essa mesma
palavra que tenho mantido sobre este assunto.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Qual é a palavra?
O SR. LÍDIO DUARTE – Aquela que ficou lá juramentada na Polícia Federal sobre
os meus depoimentos, em que eu digo que nenhum recurso do IRB, no período que
eu estive lá, foi repassado para Partido político. Essa é a palavra.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Mas existia pedido?
O SR. LÍDIO DUARTE – Na eleição de 2004, o Deputado Roberto Jefferson fez um
contato comigo para saber como o Partido poderia ter alguma ajuda para a
campanha; e eu, então, a essa altura, disse para ele que os acionistas eram as
empresas, as maiores seguradoras, os maiores bancos e que possivelmente eles
pudessem até, de forma legal, como a legislação permite, ajudar o Partido, como
ele pretendia.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Bom, o IRB, como o
senhor bem disse, é um órgão eminentemente técnico, mas a sua diretoria, na
maioria, é indicada por políticos.
Havia pressão
política na tentativa de ingerência na administração do IRB para favorecer uma
companhia de seguro, para fazer um determinado seguro, uma corretora para poder
participar como intermediária ou como corretora mesmo? Existia alguma pressão
nesse sentido? Como funcionava esse sistema dentro do IRB.
O SR. LÍDIO DUARTE – O IRB é uma empresa organizada, uma sociedade anônima, a
relação que ele tem com as seguradoras e com os resseguradores e corretores são
relações que não são de hoje; é uma empresa de 65 anos. Não se criou nada de
novo durante o meu período de gestão nem se modificou na essência a atividade
do IRB, apenas se modificou alguns aspectos da gestão, no sentido de torná-la
uma empresa mais ágil, mais moderna, atualizá-la em termos de aspectos de
pluralidade de decisão, de governança, de agilidade, enfim, de qualidade de
serviço, enfim, esse concurso.
Então, o
relacionamento que o IRB mantém – que se poderia dizer pressões – faz parte da
atividade que ele exerce, não é? As seguradoras... A agenda dos gerentes, dos
diretores e da Presidência é uma agenda bastante ativa, muito carregada, porque
faz parte da atividade que o IRB exerce, um negócio de seguro envolve as
grandes companhias de seguro, envolve os grandes segurados brasileiros.
A Vale do Rio Doce
marcava audiência para ir lá, para tratar do seu programa de seguro. Todas as
grandes empresas. Então, as pressões que eu considero que tenha recebido são
essas pressões de negócio, negócios corretos, negócios da atividade, não é?
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O sucessor lá na
Presidência, o sucessor do senhor, o Luís Apolônio, o senhor participou de
alguma forma, direta ou indiretamente, para que ele pudesse ser o sucessor?
Teve participação?
O SR. LÍDIO DUARTE – Nenhuma.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Nenhuma, nenhuma?
O senhor tem
conhecimento da tentativa de investir US$100 milhões das reservas
internacionais no Banco Espírito Santo, de Portugal? A estatal confirmou a
proposta, e ela foi rejeitada pelo IRB. Isso foi uma operação transacionada
comercialmente ou feita por meio de ingerências políticas ou até mesmo de
recomendações políticas e tentativas políticas?
O SR. LÍDIO DUARTE – Durante o período em que estive na presidência, volto a
dizer, nenhuma decisão de investimento se tomou sem que fosse ouvido o Comitê
de Investimentos.
Assim como nesse caso
que envolve o Banco Espírito Santo, provavelmente vários outros bancos
estiveram no IRB para oferecer os seus produtos para investimentos,
principalmente no exterior. Eu me lembro de que, em determinado período da
minha gestão, atendi uma pessoa do Banco Espírito Santo e encaminhei essa
pessoa para o diretor financeiro, para que ele analisasse o que o Banco
Espírito Santo estava oferecendo. Isso já foi no finalzinho da minha gestão, no
finalzinho da minha saída. Vim a saber pela imprensa que posteriormente o IRB
recebeu formalmente propostas e delas declinou.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – V. Sª
conhece, teve relacionamento ou foi procurado no IRB, fez reuniões de negócios
com o empresário mineiro Marcos Valério?
O SR. LÍDIO DUARTE – Conheço-o. Ele esteve no IRB numa data que não sei
precisar; reuniu-se com um diretor, que, na saída da reunião com esse diretor,
o encaminhou a minha sala para ele ser apresentado a mim. É só isso que sei do
Sr. Marcos Valério.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Foi concretizada alguma
transação? O senhor sabe qual o assunto que ele foi tratar com o seu diretor? O
diretor não comentou com o senhor o seguinte: “Este aqui é o Marcos Valério.
Ele veio tratar de uma apólice ou ele veio tratar de uma aplicação de R$100
milhões num banco de Portugal”. Não houve nada nesse sentido? Foi só uma
apresentação formal?
O SR. LÍDIO DUARTE – Foi só uma apresentação rápida. Quem poderia dizer mais
seria o próprio diretor que esteve com ele numa reunião.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Qual era o diretor?
O SR. LÍDIO DUARTE –
O diretor comercial da época era Luiz Lucena.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Luiz
Lucena. O senhor tem ou teve aplicação financeira pessoal no exterior?
O SR. LÍDIO
DUARTE – Não.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor
conhece, tem relacionamento pessoal ou tem relacionamento de negócios
diretamente com o Sr. Henrique Brandão, diretor da Corretora Assurê?
O SR. LÍDIO DUARTE – Conheço Henrique Brandão, porque ele é uma pessoa que tem
um posto político há muito tempo no mercado de seguros. Ele, inclusive, é
Vice-Presidente da Federação dos Corretores. Conheço-o também pelo
relacionamento que ele tem de longa data com o IRB. Por essas razões, conheço o
Sr. Henrique Brandão.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – No rol de
corretoras, dá para identificar o montante de negócios que a Corretora Assurê
tem no IRB? Isso é de conhecimento ou passa despercebido?
O SR. LÍDIO DUARTE – Tenho certeza de que a Assurê não tem nenhum negócio com o
IRB. A Assurê representa uma grande corretora americana chamada Acordia, e a
Acordia tem relacionamento com o IRB.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor já
respondeu anteriormente, mas em algum momento recebeu alguma pressão do Sr.
Henrique Brandão, pessoalmente ou por meio de emissário, para gerar recursos,
usando o artifício de sustentação política para a manutenção na presidência do
IRB?
O SR. LÍDIO DUARTE – Não. As relações que tive com o Sr. Henrique e que ele
mantêm comigo são relações comerciais decorrentes da atividade que ele exerce.
Para a finalidade de obtenção de recursos, é aquilo que já falei aqui, que,
inclusive, o Deputado Roberto Jefferson já mencionou em entrevistas.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor acha normal uma
corretora de seguros representar duas corretoras, uma nacional e uma
internacional, que é o caso da Acordia?
O SR. LÍDIO DUARTE – Não só é normal, como a legislação que estava para ser
editada em 2001 e a legislação que será editada quando a Proposta de Lei
Complementar que está no Congresso for aprovada vão exigir isso, que o corretor
de resseguro deva ser também corretor de seguros.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Como que é feito o ranking
do IRB no que tange à colocação de resseguros no exterior? Como que o senhor
avalia esse ranking?.
O SR. LÍDIO DUARTE – Normalmente, o ranking que aparece até no site do
IRB é o ranking de prêmios. As transações que a corretora intermediou
são medidas por prêmios, e, por vezes, as ilações que se fazem, as análises que
se fazem são bastante distorcidas, porque uma corretora que participa da
intermediação de uma empresa aérea, como a Gol, tem um prêmio muito grande.
Então, como se sabe, as corretoras que trabalham com empresas aéreas recebem
uma remuneração – as corretoras tanto de seguro quanto de resseguros – que o
mercado chama de “fi”, é um valor fixo. Então, às vezes, as avaliações que são
feitas são de que a corretora tal tem uma participação em prêmio muito grande,
mas não se analisa em que negócios ela está participando, porque o tamanho do
negócio é proporcional ao trabalho que dá de colocação e não é proporcional à
remuneração.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – A responsabilidade pela
colocação desse resseguro no exterior é do IRB ou da seguradora?
O SR. LÍDIO DUARTE – A responsabilidade legal é do IRB, mas o IRB é sempre
muito criticado pelo fato de ele exercer o monopólio. Desde os anos 90 que o
IRB vem sendo estimulado a flexibilizar esse monopólio. Essa flexibilização
passa, por exemplo, por admitir que o segurado indique o corretor, em admitir
que a seguradora indique o corretor, indique o ressegurador, enfim, que haja
uma maior participação de todas as partes nessas decisões – muito mais a partir
de 1997 por conta de o IRB ter se tornado uma sociedade anônima comum, como
outra qualquer. Antes de 1997, o IRB tinha a garantia do Tesouro Nacional para
adicionar ao seu capital. Ele perdeu essa garantia. Então, hoje, os acionistas
e as seguradoras têm uma preocupação muito grande em relação aos negócios do
IRB, principalmente negócios de retrocessão.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – O senhor não acha que, com
isso, se mostra que o IRB fugiu um pouco da técnica e já abriu um pouco o
espaço para que as próprias companhias trabalhassem? O senhor não acha que isso
abre um espaço para que as corretoras passem a trabalhar, a trafegar, a se
reunir diretamente com o IRB, para poder ter uma esfera de decisão ou alguma
orientação ou até mesmo um tráfico de influência?
O SR. LÍDIO DUARTE – Eu responderia isso da seguinte forma:
Em 2000, o leilão do
IRB estava marcado para 25 de julho. Por medida liminar, foi suspenso o leilão
de privatização. Em 2001, quando houve o problema das torres nos Estados
Unidos, em setembro, o mercado internacional de resseguros passou por um
impacto muito grande, não só pelas perdas que decorreram daquele sinistro, como
por causa do problema de bolsas de valores, que caíram enormemente, e de
catástrofes naturais ocorridas na Europa.
Naquele momento, no
Brasil, havia cerca de 20 escritórios de resseguradores. Hoje existem seis ou
sete escritórios de resseguradores; um pouco se deve ao fato da interrupção da
privatização e da abertura do mercado, mas grande parte se deve a que o mercado
de resseguros internacional passou a ficar bastante restritivo em termos de
aceitação de riscos.
O que aconteceu nesse
período? Os corretores de resseguros assumiram os espaços deixados pelos
resseguradores que estavam aqui. E mais: numa situação de pré-abertura, porque
dependia apenas de uma liminar, quando o IRB faz transação de resseguros direta
com outro ressegurador, ele abre informações comerciais importantes para esse
ressegurador, para que, se o mercado abrir no momento seguinte, esse
ressegurador já tenha todas as informações necessárias para oferecer preço e
condições à resseguradora brasileira.
Então, por uma
questão de mercado, de fora, por uma questão de saída dos resseguradores e por
uma questão estratégica de não oferecer para os resseguradores os contratos que
são, vamos dizer, mais rentáveis ao IRB é que os corretores têm hoje uma
importância nos negócios do IRB.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Há pouco estávamos com o
depoente André Marques, da Seguradora InterBrasil, e ele criticou a
administração de V. Sª, dizendo que foi um desastre. O senhor tem
relacionamento pessoal, teve relacionamento pessoal, alguma desavença, O senhor
conhece o Sr. André Marques?
O SR. LÍDIO DUARTE – Conheço, sim, mas nunca tive desavença pessoal com
ele.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PMDB – MG) – Tem algum comentário a fazer,
não sobre a pessoa dele, mas sobre a empresa dele, porque a empresa dele, com
um capital de R$15 mil, de 2000 para cá, foi talvez a seguradora que mais
cresceu, tendo conseguido inclusive fazer alguns seguros do Governo: Angra 1,
Angra 2 e outros seguros na faixa de R$6 bilhões. E teve a facilidade do IRB.
Como uma seguradora pequena consegue abocanhar uma parte desse mercado, sendo
que há grandes seguradoras, grandes grupos no Brasil?
O SR. LÍDIO DUARTE – Vou responder de novo à pergunta. Eu conheço o Sr. André,
não tenho nem tive nenhum relacionamento com ele fora o relacionamento de
trabalho, quando ocorreu. A crítica que ele faz ao período da minha gestão
certamente eu reputo essa crítica à falta de informação que ele detém da
companhia. Convido todos a olharem os relatórios anuais de 2003 e 2004, onde
estão os resultados da companhia.
A companhia que ele
presidia abriu vários litígios com o IRB no período em que eu estava na
Presidência. Esses litígios foram todos tratados pelo Departamento Jurídico. Em
determinado momento, o Departamento Jurídico me levou alguns fatos que me
sugeriam denunciar a companhia ao Banco Central e ao Ministério Público, e eu o
fiz, no meu dever de ofício. Talvez por essa razão, o Sr. André tenha feito
essa crítica injusta ao IRB. E agora, recentemente, depois que eu saí do IRB,
eu soube que a companhia foi intervencionada pela Superintendência de Seguros.
É isso que tenho sobre a Interbrasil.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PSB – MG) – Existem alguns
questionamentos e gostaria de saber se o senhor tem conhecimento, se o senhor
ouviu falar e se isso passa pelo IRB ou teve pelo IRB?
Eu, não vou nem
omitir o nome, porque não estou fazendo nenhuma acusação, estou aqui tentando
levantar algumas verdades para o bom andamento da CPMI.
Em abril de 2004, o
senhor era presidente?
O SR. LÍDIO DUARTE – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PSB – MG) – O Sr. Henrique Brandão, segundo
consta, recebeu das mãos de um representante da PWS do Brasil... O senhor
conhece a PWS do Brasil?
O SR. LÍDIO DUARTE – Conheço, essa era uma empresa que se relacionava com o
IRB.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PSB – MG) – Ele recebeu US$300 mil a título
de comissão de intermediação junto ao IRB. Isso originou a participação no
contrato de Marine em 40% no total do negócio fechado e que vigorou até maio de
2005. Coincide também com a saída de V. Sª. Isso se deu por ocasião da
renovação a PWS. O senhor conhece a PWS?
O SR. LÍDIO DUARTE – PWS é uma empresa corretora de resseguros.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PSB – MG) – Por ocasião da
renovação, a PWS perdeu o negócio para a Cooper Gay e Acórdia que, sob a tutela
do Diretor Luis Eduardo Lucena, arrecadou cerca de US$2,2 milhões em comissões
por esses serviços prestados. Existem esses valores, Dr. Lídio?
O SR. LÍDIO DUARTE – Desconheço completamente.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PSB – MG) – O senhor desconhece, o
senhor não conhece essa operação?
O SR. LÍDIO DUARTE – Não, desconheço.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PSB – MG) – O senhor nunca ouviu
falar que essa PWS perdeu um negócio para a Cooper Gay e Acórdia? Ou seja, a
Cooper Gay e Acórdia teve algum contrato dentro do IRB de valores que chamam a
atenção, porque não são valores pequenos?
O SR. LÍDIO DUARTE – Desconheço completamente. Os fatos que foram aí ditos que
levem a conclusões de que há benefícios desses ou daqueles, eu acho que a
política de negócios com corretores e resseguradores era de outra instância,
não era a minha diretamente. Então, desconheço essa matéria.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Willian. PSB – MG) – A renovação de contratos
de resseguros do contrato intitulado Marine, o IRB do Brasil não cotou ou não
contratou a resseguradora PWS, mundialmente conhecida? E por que o IRB Brasil
Resseguros utiliza corretores de resseguros, que são chamados brokers,
como a Assurê, para fazer essas transações. Não poderiam ficar sem ter esses
corretores? Poderiam ser feitos diretamente? Ou seja, o IRB indica corretores
para participar de determinadas operações?
O SR. LÍDIO DUARTE –
Esses pontos agora levantados, parecem-me que alguns deles até foi matéria da Veja,
eu li um relatório que foi feito internamente, um relatório de sindicância – eu tive que apresentar a minha
defesa. Mas existem questões relacionadas com os corretores que, com certeza,
decorrem de disputas comerciais, e essas disputas comerciais sempre existiram.
Só que, quando existe um cenário em que há turbulência política, essas disputas
comerciais se transformam em acusações. Então queria lhe afirmar que em todas
as épocas corretores que perdem, dizem que perderam porque teve influência de
“a” ou de “b”, em todas as épocas. No IRB ocorreu isso. E, como digo, muito tem
a ver com disputas comerciais.
O SR. PRESIDENTE (Carlos
Willian. PSB – MG) – Existem
tratamentos diferenciados para seguradores no IRB?
O SR. LÍDIO DUARTE |