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O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sob a proteção de Deus,
havendo número regimental, declaro aberta 35ª reunião da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 03, de 2005, do Congresso
Nacional, para investigar as causas e as conseqüências de denúncias de atos
delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos.
Esclareço que a pauta desta
reunião destina-se à oitiva do Sr. Luiz Gushiken.
Gostaria de informar a V.
Exªs que, amanhã, haverá reunião administrativa desta Comissão, que terá início
às 10 horas da manhã.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Peço a palavra pela ordem, Sr.
Presidente. Marque a reunião mais cedo, às 9 horas.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Não. Hoje, não aceitarei
pedido de palavra pela ordem, porque temos aí uma grande jornada de trabalho
pela frente.
Gostaria de convidar para
tomar assento à mesa o Sr. Luiz Gushiken, para seus esclarecimentos.
Quero aqui saudar a presença
do Relator, Deputado Osmar Serraglio, que já se encontra aqui na CPMI. E também
quero aqui ressaltar a presença do Deputado Asdrubal Bentes, Vice-Presidente da
CPMI.
Vamos receber o Sr. Luiz
Gushiken. (Pausa.)
Quero esclarecer que o Sr.
Luiz Gushiken depõe, hoje, como testemunha. O termo de compromisso aqui já foi
assinado pelo Sr. Luiz Gushiken.
Vou abrir os trabalhos,
passando a palavra ao Sr. Luiz Gushiken, que vai fazer uma rápida apresentação
do seu currículo. Depois, passarei a palavra ao Relator, Deputado Osmar Serraglio.
Concedo a palavra ao Sr.
Luiz Gushiken.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Deputados, Srªs
Deputadas, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, é com muita honra que retorno a esta
Casa, hoje, na condição de membro do Poder Executivo.
Seguindo a praxe desta CPMI,
passo, rapidamente, a esclarecer elementos da minha vida pessoal.
Meu nome é Luiz Gushiken, RG
4860483-0, casado, pai de três filhos, ex-funcionário do Banespa. Trabalho
desde os 14 anos de idade. Cursei Administração de Empresas na Fundação Getúlio
Vargas. Fui dirigente do Sindicato dos Bancários de 1978 a 1986, um período
muito especial na minha vida, porque foi do respeito que pude angariar junto
aos trabalhadores bancários que pude, posteriormente, ascender à condição de
Deputado Federal, missão que cumpri, nesta Casa, por três mandatos consecutivos
e que muito honrou o meu currículo político, porque foi, neste espaço público,
que pude travar memoráveis batalhas, entre as quais a memorável Assembléia
Nacional Constituinte.
Nesse período, Sr.
Presidente, tive a honra de participar, com milhões de brasileiros, de grandes
combates que tiveram, no período subseqüente na história política brasileira,
grandes desdobramentos. Fui um ator privilegiado desse período histórico.
Refiro-me à luta pelo fim da ditadura militar, à luta pela construção do
Partido dos Trabalhadores, à luta pela reorganização do movimento sindical,
pela organização da classe trabalhadora numa central sindical, e também àquilo
a que já me referi, a Assembléia Constituinte – enfim, um palco de lutas de
efeitos, no período posterior da história política brasileira, extremamente
positivos.
Em 1998, decidi não mais
disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados e abri uma pequena empresa de
consultoria na área de previdência. E foi uma atividade de que também me
orgulho muito, porque pude contribuir com a formação de milhares de dirigentes,
de servidores, numa área complexa, que é a criação de fundos de pensão. E tive
também a honra de ter recebido do Governo Federal, do Governo anterior, pelo
Ministério da Previdência, a incumbência de escrever um livro sobre previdência
dos servidores que pudesse oferecer aos técnicos dos Governos municipais e
estaduais e da União elementos para aplicar na prática um princípio consagrado na
Constituição brasileira e de pouco conhecimento, que é o princípio do
equilíbrio atuarial. É esse livro que o Governo FHC me recomendou – deixo
exemplar para esta CPMI.
Em junho de 2002, já em meio
à campanha eleitoral, recebi o convite do então candidato à Presidência da
República Luiz Inácio Lula da Silva para coordenar a área de comunicação da sua
campanha. E tive o prazer de posteriormente fazer parte de um sonho acalentado
por milhões de brasileiros, qual seja o de participar de um governo de centro-esquerda,
de um governo voltado para o social, de um governo mais preocupado com a
população pobre deste País.
Sr. Presidente, acompanho
atentamente essa crise, com tristeza, com repúdio, mas tenho em conta que há
outra face dessa crise, que é um processo de purificação das instituições
brasileiras, em particular as partidárias e as dos poderes da República. E,
nesse contexto, entendo que a reforma política tem papel decisivo para que se
impeça a repetição de fatos que estão sendo hoje denunciados de forma intensa e
pública.
O PT tem sido alvo central
desse processo de denúncias. E, como filiado do PT, quero dizer que tenho
absoluta convicção de que esse Partido saberá superar suas dificuldades, porque
esse Partido é maior do que a sua direção, esse Partido é maior do que
eventuais irregularidades em crises eleitorais. Esse Partido representa milhões
de simpatizantes, representa milhares de filiados, milhares de Vereadores por
este Brasil afora, centenas de Prefeitos, centenas de Deputados e de Deputadas
Estaduais e Federais, dezenas de Senadores e de Senadoras, vários Governadores,
um Presidente da República. De maneira que tenho a absoluta convicção de que o
Partido, que é maior que a direção e maior que a crise, tem condições
facilmente de superar os problemas que hoje vivencia.
Mas, nesse contexto de
crise, percebo também, Srs. Parlamentares, um alto grau de exacerbação no
confronto entre os partidos políticos, o que, de resto, é natural no regime
democrático.
Mas sejamos claros: a
bandeira da ética não é monopólio de nenhum partido, muito menos das forças de
direita, que, neste País, comandaram por dezenas e dezenas de anos os destinos
desta Nação, muitas vezes amparadas nas forças das baionetas, cujo único legado
foi um país socialmente injusto que nos envergonha perante o mundo. Na verdade,
a bandeira da ética é uma exigência da sociedade e um dever de todas as
instituições, partidárias, privadas, enfim de todas que compõem a República.
Sr. Presidente, em meio a
esse contexto de fortes denúncias, a Secom foi objeto de muitas denúncias
infundadas, de informações equivocadas, muitas das quais sobre a minha vida
pessoal e a minha vida familiar, e, hoje, faço questão de esclarecer todas uma
por uma. Aliás, aproveito para agradecer a oportunidade que esta CPMI me
oferece para desfazer tantos equívocos que foram lançados sobre essa
organização, com a qual tenho uma certa responsabilidade.
Eu começaria explicando a
Secom a partir de alguns dados importantes, porque a Secom é um órgão
relativamente novo no Estado brasileiro. Na época do regime militar, por
exemplo, agências de publicidade não eram contratadas via licitação pública;
eram contratadas por notória especialização. É de 1993 que existe o primeiro
esforço do Governo para organizar normativos que pudessem sistematizar relações
entre órgãos do Governo Federal e um órgão do Governo Central, seja para
analisar conteúdos de publicidade, seja para analisar custo de produção na área
relativa à publicidade, seja para coordenar atividades de patrocínio, seja para
ordenar licitações. Aliás, licitações são de 1995, em que foi baixado o
primeiro ato normativo que regula o processo licitatório em contas de
publicidade dos órgãos do Governo Federal, definindo os quesitos técnicos,
definindo o sistema de pontuação que orienta o Comitê Especial de Licitação na
decisão que ele vai tomar perante um processo licitatório.
De forma que o que nós
observamos ao longo do tempo, quando se analisa a estrutura que lida com
publicidade no Governo, é o aprimoramento contínuo dessa instituição, pequena,
mas relevante.
Agora, é preciso fazer uma
ressalva: a Secom não tem poder de mando sobre as estatais; existe um limite a
partir do qual a Secom estaria invadindo autonomia das estatais. Por exemplo, a
Secom não pode definir valores das contas de publicidade de um órgão estatal. A
Secom não pode gerenciar os recursos de uma conta de publicidade de outro
órgão. Então, existem limites na tarefa de supervisão, que é o principal
elemento que fundamenta a existência desse órgão.
Nesse processo de aprimoramento,
eu diria que, na gestão que esteve sob minha responsabilidade, uma grande
inovação foi introduzida. A inovação consiste em ter a Secom criado, pela
primeira vez na história, uma conta própria de publicidade, com orçamento
próprio, com agências próprias de publicidade. Só que esse orçamento não foi
feito com recursos novos, não: foi feito obtendo pedaços de recursos dos
Ministérios em suas contas de publicidade. E, a partir de então, esses
Ministérios ficariam encarregados de disseminar publicidade de utilidade
pública, que são publicidades de caráter mais orientativo – aquelas campanhas
que todo cidadão vê por ocasião de vacinação, de combate à dengue etc –,
ficando a Secom com a responsabilidade de organizar publicidade institucional
de governo.
Com essa conta na Secom, nós
conseguimos eliminar uma prática antiga que vinha trazendo problema muito sério
para o Governo, qual seja a utilização de estatais para uso do Governo em
campanhas que interessam para o Governo, como, por exemplo, no Plano Real, a
Petrobras e o Banco do Brasil foram intensamente utilizadas para esse fim, o
que mereceu por parte do Tribunal de Contas da União, uma severa crítica, uma
severa advertência, pela maneira como se conduzia a publicidade do Governo
Federal, utilizando estatais.
De maneira que essa conta da
Secom é, na verdade, um salto de qualidade. Para se ter uma idéia, a título de
informação inicial, a Secom gastou, em 2003 – primeiro ano –, cerca de
R$52.298.000,00 nessa conta e, em 2004 – que é o ápice –, R$134.871.000,00.
Agora, é importante que se
perceba também que, se compararmos gastos, investimento em mídia – esse é o
termo que se usa mais nessa área e não gastos em publicidade; é investimento em
mídia, aquilo que é veiculado, que é o grosso de um conta de publicidade –, se
compararmos o nosso Governo Lula com o Governo anterior, é no Governo anterior
que se verifica o maior dispêndio em investimento em mídia. O ano de 2001 é o
ano em que se dá o ápice do gasto em veiculação de mensagem publicitária, seja
na administração direta, seja somando a administração direta com estatais.
Além disso, cabe ressaltar
que, na nossa gestão, por conta dessa inovação que fizemos, de criar uma conta
de publicidade, nós conseguimos desenvolver relacionamentos completamente
diferentes, seja com a indústria de comunicação, com os órgãos do Governo
Federal, seja com novas ferramentas de controle e fiscalização, que é uma das
atribuições da Secom. E, com isso, nós conseguimos dar um enorme salto de
qualidade na economia do dinheiro público colocado em verbas de publicidade. E
de que maneira? Criando um comitê único de negociação de todo o Governo Federal
em matéria de veiculação de mídia.
Antigamente, em cada
estatal, em cada Ministério, a sua própria agência negociava com os veículos uma
campanha tópica. Nós acabamos com isso. Juntamos o comitê único, todas as
estatais ou as maiores estatais, os Ministérios, e, através desse comitê único,
nós negociamos, todo o começo de ano, com as principais empresas de comunicação
e, com isso, geramos um enorme desconto em mídia.
Sabem os senhores que, em
mídia, no Poder Público, há uma tabela muito alta. O Governo anterior tinha uma
média de desconto geral de 21%. Nós conseguimos chegar a 42% de desconto sobre
a tabela. Esse desconto, obtivemos com o mecanismo simples de negociar,
conjuntamente, não mais campanhas tópicas, mas um período longo de
investimento, o que ofereceu às empresas de mídia, digamos assim, uma certa
contrapartida, porque, no seu fluxo de caixa, elas tinham uma certa garantia de
entrada de receitas. Nós estávamos discutindo a aplicação de mídia por quatro
ou seis meses. Isso ofereceu uma capacidade de economia de recursos altamente
volumosos. Para os senhores terem uma idéia, os gastos em mídia – somente na
grande mídia que negocia com a Secom –, no ano de 2004, chegou a R$636 milhões.
Se com esses R$636 milhões nós conseguimos “x” de volume de comunicação, se
fôssemos comprar esse volume de comunicação a preço de 2002, nós teríamos de
acrescentar cerca de R$225 milhões. É essa diferença que existe quando você
altera procedimentos negociais em um campo até então muito desorganizado.
No início, não foi fácil
implantar esse sistema, onde se coloca, no começo do ano, toda grande empresa
de comunicação negociando com todas as organizações do Governo Federal. Eles
reagiram contra, mas, hoje, o mercado já consagrou essa sistemática de
negociação, e os funcionários da Secom têm muito orgulho desse mecanismo que
eles conseguiram implantar, porque essa prática já começa a se espraiar para as
outras Secretarias de Comunicação, em outros Estados, gerando mais economia de
recurso público.
Eu só chamo atenção para o
fato de eu estar insistindo nesse ponto, porque, em contas de publicidade, o
maior volume de recursos é alocado em veículos de comunicação: televisão,
rádio, jornal, revista etc. Focar uma atenção no Poder Público para economia de
recurso é focar exatamente nesse espaço por onde se drena a maior parte dos
recursos.
Uma outra atividade que eu diria que foi importante
para a Secom foi um sistema de parceria que ela estabeleceu com a indústria de
comunicação, com anunciantes privados, veículos de comunicação, agências de
publicidade, de forma a buscar espaço de interesse comum que pudesse
transformar em campanhas de interesse público, cujo ônus financeiro não ficasse
nas costas do Governo Federal. A idéia era essa. E nós tivemos um sucesso muito
grande, num processo de articulação política com todo esse protagonista da
indústria de comunicação, porque conseguimos desenvolver uma campanha popular
de muito sucesso, ganhadora de quatro prêmios, que foi a campanha O Melhor do
Brasil é o Brasileiro. Nessa campanha, foram alocados gratuitamente 100
milhões, em veiculação gratuita. Além disso, centenas e centenas de empresas
difundiram pelo Brasil a fora a frase “O Melhor do Brasil é o Brasileiro”, que
teve tanta receptividade junto ao povo brasileiro.
Isso mostra para nós, da
Secom, que é possível estabelecer, no campo da comunicação, um esforço conjunto
com o setor privado, de maneira que algumas políticas de interesse público que
também sejam de interesse privado possam ser difundidas sem ônus financeiro
para o Estado brasileiro.
Por fim, Sr. Presidente, a
Secom é um órgão relativamente pequeno. Eu devo, hoje, neste momento tão
importante, dar o testemunho da honestidade e da presteza desses servidores com
os quais eu tive o prazer de trabalhar por dois anos e meio e assumo a
responsabilidade política por eventuais falhas administrativas que tenham
ocorrido.
Quero também aproveitar a
oportunidade como membro do Poder Executivo e dizer que sou testemunha do
trabalho incansável do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no
seu Governo, para fazer com que a área prioritária do seu Governo seja a
população mais pobre deste País. Eu tenho muito orgulho e muita honra de ter
sido convidado pelo Presidente Lula para exercício de cargo do Poder Executivo
e penso que, nessa condição, eu fui investido de uma honra que qualquer cidadão
brasileiro almeja.
Reitero aquilo que disse no
início. Como sou um otimista com relação ao nosso País e ao nosso povo – as
potencialidades que tem esta Nação são tão grandes –, quando eu foco essa
crise, eu sou obrigado a reiterar aquilo que disse no início: acho que essa
crise é profunda, causa tristeza e repúdio, mas tem uma contraface positiva,
que é a enorme possibilidade de purificação das instituições, das partidárias,
dos Poderes da República e também do setor privado. É assim que eu vejo, e
tenho a certeza de que, a partir dessa crise, é o Brasil que sai mais fortalecido.
São essas as rápidas
considerações, Sr. Presidente. Novamente, reitero que sou muito grato pela
oportunidade a mim oferecida de falar, em particular, sobre as denúncias
infundadas que foram lançadas com muita insistência durante um certo período. Acho
que, hoje, posso resgatar a verdade, num debate democrático e esclarecedor.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Sr.
Luiz Gushiken.
Concedo a palavra ao
Relator, Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, cumprimento o Sr. ex-Ministro
Luiz Gushiken, que, de alguma forma, já abordou os dois pontos que nós
centralizaremos no nosso questionamento: os aspectos relacionados à publicidade
e aos de Fundos de Pensão, enfim, à Previdência.
Mas quero começar retomando
algumas palavras de V. Exª na sua manifestação inicial. Disse que vê com
tristeza, com repúdio e que deseja que certos fatos não se repitam. Começo
indagando o que V. Exª está repudiando e que fatos V. Exª não quer que se
repitam?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sr. Relator, fatos ilícitos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas que fatos
ilícitos são esses a que V. Exª se reporta?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Esses que a CPMI está, continuamente, esclarecendo
à opinião pública.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Exª teria condição
de, pelo menos, identificar concretamente algum dos que nós apuramos e que
teria chamado o seu repúdio?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – O senhor, em particular, fez um relatório
recentemente, levantando suspeição sobre ilícitos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Exª entende que
as suspeições levantadas por essa Relatoria têm procedência, tanto que se filia
a ela e repudia o que nós apuramos. Seria isso?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Eu acredito na credibilidade do senhor, Sr.
Relator. Acredito que o senhor é um homem honrável e que, certamente, na
condição de Relator, é o mais preparado para tirar conclusões. Agora, a
conclusão será votada nesta CPMI, e aquilo que é considerado suspeito será
enviado ao Ministério Público. Agora, tudo isso causa tristeza, não é só em
mim, nos senhores também, na sociedade brasileira também.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu concordo com V.
Exª. Apenas eu gostaria... É que nós vamos ao ponto seguinte, é que, nesse
contexto e pela expressão que V. Exª sempre significou no Governo e agora, de
alguma forma, repudiando fatos que acontecerem, se eles fossem melhor
particularizados, nós próprios da CPMI teríamos condições de eventualmente
propor alguma coisa para frente, quando formulássemos o nosso relatório final,
no sentido de impedir que eles se repetissem. Aliás, V. Exª disse que
participou como Constituinte em 1988.
V. Exª, a partir do trato
que a publicidade mereceu, dentro da Constituição de 1988, V. Exª entende que
nós... E não me reporto especificamente à condição de V. Exª. A publicidade
oficial, hoje, está atrelada, submetida, ela leva em conta aqueles princípios
que são postos na Constituição, essencialmente o da impessoalidade ou do não
benefício a certas pessoas, ou grupos, ou Partidos políticos? Que imagem V. Exª
tem e como poderia contribuir com esta CPMI em relação a alguma crítica
construtiva, a fim de que – se é que, de fato, existem mazelas – nós pudéssemos
formular alguma coisa no sentido de que a publicidade efetivamente atenda
aquilo que se espera, segundo o preceito constitucional?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Pois não, Relator. Essa pergunta é muito
importante, porque tem sido objeto de discussões que eu travei em vários níveis
do Governo e também junto a universidades.
Em princípio, quando se fala
em comunicação pública, a tradição brasileira é a de restringir esse conceito a
duas atividades: publicidade e assessoria da imprensa. Eu tenho dito que esse é
um conceito que mereceria ser revisado, principalmente no mundo hoje
globalizado e com novas ferramentas que a tecnologia oferece de uma maior
interatividade entre cidadão e Estado. Tudo isso exige que se repense melhor o
conceito de comunicação pública. Eu tenho procurado articular com várias
universidades de comunicação a idéia de eles produzirem no seu currículo
escolar a matéria comunicação pública e, em paralelo, eu desenvolvi junto ao
Ministério do Planejamento, oficiei inclusive, a discussão sobre o gestor de
comunicação pública, de maneira que esse cidadão não ficasse restrito a esses
dois conceitos – assessoria de imprensa e publicidade –, mas que tivesse em
mente que hoje, no mundo, as ferramentas e a tecnologia sofisticada à
disposição do Estado oferecem uma enorme possibilidade para haver maior
interação entre cidadão e Estado. Essa é a questão de fundo. Se conseguirmos
avançar nesse campo, penso que poderemos melhorar no aspecto normativo, mas
fundamental é entender que há enormes possibilidades de fazer com que haja nova
forma de relacionamento entre cidadão e Estado e, para isso, o campo da
comunicação é o elemento estratégico central.
Por isso, a minha
insistência em algumas universidades para inserir no seu currículo o tema
comunicação pública e o esforço junto ao Governo Federal para criar uma
categoria profissional chamada gestor de comunicação pública. Penso que com
isso poderemos avançar muito grande para que o Estado brasileiro possa se
adaptar às circunstâncias que o mundo moderno hoje oferece.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sendo mais específico,
há um conceito generalizado na opinião pública de que os gastos com publicidade
oficial são excessivos para um País com tantas dificuldades. O País não tem
recursos para coisas primárias e, quando se observa os Orçamentos – em todos e
não me reporto exclusivamente a um, motivo por que formulo a concepção de que
talvez se deva mudar desde o Município até os Estados e Governo Federal –,
reconhecidamente, não faz sentido que prossigamos com gastos tão elevados.
Questiono a V. Sª que proposta haveria para que limitássemos mais concretamente
esse esbanjamento visível ao qual a opinião tem pública tem dificuldades de se
contrapor.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, posso concordar que o que senhor chama de
“excesso de gastos em publicidade” possa existir aqui ou acolá, mas é preciso
entender primeiro que publicidade se divide em vários campos. Temos a
publicidade mercadológica, publicidade legal – publicações de balanço, etc –,
publicidade de utilidade pública e publicidade institucional. Observe V. Exª
que publicidade mercadológica é um instrumento necessário para empresas que
disputam espaço no mercado. Tanto o é que o maior anunciante deste País é uma
empresa privada, as Casas Bahia. A legal a lei impõe. Por ocasião dos balanços,
eles devem ser publicados legalmente conforme a lei impõe. No caso de
publicidade e utilidade pública, penso que o Estado brasileiro – sejam as
Prefeituras, Estados e União – deveria ter mais carga de publicidade para orientar
o povo brasileiro. É verdade que a mediação da imprensa privada é a ferramenta
mais importante para comunicar à população aquilo que o Estado faz, mas o
Estado não pode prescindir de um instrumento próprio para orientar. Agora, a
publicidade institucional talvez possa ser objeto de um debate.
Veja só, Deputado, tenho
aqui a participação da publicidade no Orçamento total de três capitais e o
Governo Federal. Para que os senhores tenham uma idéia, de longe, de longe,
quem mais aloca recursos em publicidade, relativamente ao peso que tem no
Orçamento Geral, é o Distrito Federal, cerca de 1,22%. Depois, vem o Estado do
Rio de Janeiro, com 0,17% do Orçamento, seguido por São Paulo, com 0,06% e pelo
Governo Federal com 0,02%.
Observe, Deputado,
dependendo do local, concordo com o senhor que pode ser que haja um certo
excesso de gastos nessa rubrica, mas penso que, de modo geral, não, até porque
campanhas de natureza orientativa, que são de recursos extremamente elevados. O
Ministério da Saúde, por exemplo, é o Ministério que mais detém recursos em
publicidade porque são obrigados a desenvolver campanhas de orientação, como as
campanhas de vacinação, de combate à dengue, etc. Mas, em princípio, acho que
não está tão fora assim, pelo menos o que faz o Governo Federal.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Insisto em um detalhe:
por exemplo, claro que V. Exª tomou conhecimento, mas até onde a Secom
interferiu naquele aspecto do Banco Popular, que investiu 28 milhões em
publicidade e 24 milhões em investimentos? Há um disparate enorme. Não
conseguimos alcançar o que justificaria isso. Por trás disso, há uma série de
questões que vamos formular sobre a possibilidade de esse mecanismo da
publicidade terminar significando um alimentador da vertente “valerioduto” –
que passamos a chamar e que o titular não gosta que se fale nisso –, enfim, do
“propinoduto”.
Especificamente, em relação
a esses 28 milhões, comparativamente aos 24 milhões, qual a visão de V. Exª?
O SR. LUIZ GUSHIKEN
– Deputado, a Secom não entra
nessas considerações quando uma estatal apresenta seu plano de comunicação. Não
é incumbência da Secom entrar nessa área. Eu, em princípio, pessoalmente,
também não saberia dizer, dar minha opinião pessoal, sobre qual o limite
desejável de investimento em publicidade em lançamento de um produto novo. Não
tenho as mínimas condições técnicas de oferecer uma resposta sobre essa
questão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas esses contratos
necessariamente passavam pela aprovação da Secom.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não. O que passa são as campanhas publicitárias. As campanhas
publicitárias, sim, passam pela Secom. Agora, analisar a conveniência ou não, o
peso relativo da estratégia de comunicação no quadro de investimento geral de
uma empresa não temos condições de realizar e não é incumbência da Secom
realizar esse tipo de procedimento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Há um detalhe
referencial. Uma coisa – tudo bem – é mercadológica do Banco do Brasil e Banco
Popular, mas o Banco Popular foi apresentado como algo muito ligado à própria
administração do Governo Lula. E é nesse aspecto que imaginamos que há uma
confusão entre publicidade institucional e publicidade mercadológica. Na minha
visão – pode ser equivocada –, houve mais conotação institucional na
publicidade do Banco Popular do que mercadológica.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Veja, Deputado, novamente, ainda que essa não seja uma área nossa, da
Secom, chamo a atenção de V. Exª para o fato de, em algumas empresas privadas,
publicidade institucional é mais importante do que publicidade mercadológica. O
setor financeiro, em particular bancos, joga recursos em publicidade
institucional de forma pesada. Depende de empresa para empresa, de produto, do
público, enfim, depende de uma série de quesitos técnicos que envolvem uma
estratégia empresarial, em que a questão da comunicação é decisiva. Eu não
saberia dizer exatamente se foi ou não conveniente o Banco do Brasil ter
operado, no Banco Popular, uma faixa de recursos em matéria de publicidade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Exª poderia nos
passar um quadro, pelo menos aproximado, das empresas que dispunham de maior
participação na publicidade quando V. Exª chegou ao Governo e, a partir da
administração do Presidente Lula, quais as empresas que ocuparam os principais
espaços, as maiores contas.
Agrego a isso outra
pergunta. Parto do pressuposto de que posso estar certo ou equivocado em meu
raciocínio e daí a necessidade de aprofundarmos a investigação. Como V. Exª diz
que participou como um dos coordenadores da campanha do Presidente Lula, V. Exª
teve uma ligação muito forte pelo menos no aspecto da publicidade da campanha
do Governo Lula e, portanto, estamos falando de Duda Mendonça.
A pergunta é: qual o quadro que V. Exª nos passa em
relação à participação de Duda Mendonça a partir do início do Governo Lula; que
contas, na Administração Direta e Indireta, passaram a integrar o portfólio
da Duda Mendonça e do sistema Duda Mendonça, que são algumas empresas que eu
não lembro os nomes, mas, enfim, que são do mesmo grupo?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – A pergunta é sobre o Duda Mendonça, não é, Relator?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – O Duda Mendonça, no Governo anterior, tinha, se não
me engano, duas contas, uma do Banco Central. Em nosso Governo, ele obteve as
seguintes contas: na Secom, no Ministério da Saúde e na Petrobras.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais ou menos, qual foi o período em que
ele ingressou, em que ele começou com esses contratos e os valores aproximados:
Secom...?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – A Secom, a licitação foi feita em agosto de 2003.
Agora, não me recordo... Na seqüência, foi depois, se não me engano, Petrobras,
depois Saúde. Eu não tenho aqui as datas para oferecer rapidamente, Deputado,
mas eu posso lhe oferecer, a posteriori, essas datas e os
valores. Ah, eu tenho aqui, um momentinho só: no Ministério da Saúde, foi em 4
de fevereiro de 2005, e, na Petrobras, em 4/11/2003. É exatamente isso. Os
valores que eu sei da Secom, não é, que eu disse aos senhores, nós gastamos em
conta de publicidade... O contrato varia, o que importa são os gastos
executados. Nós gastamos, em 2004, R$137 milhões, foi o pico do gasto nosso em
matéria de conta de publicidade – R$134.871.000,00.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Exª está dizendo que saúde só iniciou
em fevereiro de 2005? Antes só tinha dois contratos?
O. LUIZ GUSHIKEN – A conta dele, salvo algum equívoco dos meus dados, eu tenho que o
resultado do processo licitatório no Ministério da Saúde foi em 4 de fevereiro
de 2005.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem fazia publicidade anterior n
Ministério da Saúde?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Ah, não me recordo. Posso mandar as informações
posteriormente para V. Exª, mas não tenho aqui esses dados em mão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, anteriormente a 2005, o grupo
Duda Mendonça só tinha a Secom e a Petrobras?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não sei se o Banco Central... Não sei se ele tinha
essa conta. Se ele continuou tendo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe quem anteriormente fazia a
publicidade da Secom?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – A Secom só veio a ter conta de publicidade a partir
de agosto de 2003. Até então, o Governo Federal, do ponto de vista da Presidência
da República, não tinha conta. Quem tinha eram os Ministérios. Quando o Governo
Federal precisava fazer uma campanha, ele a fazia ou baseado em Ministérios ou
baseado em estatais. Era muito utilizado, por exemplo, o Ministério do
Planejamento, para fins de campanha da Presidência da República, campanha do
Governo Federal, assim entendido. E estatais. Com a conta da Secom a partir de
agosto, é que nós passamos então a ter, digamos assim, uma orientação mais
clara e uma estrutura mais bem definida, com normas contábeis que oferecem
melhor transparência na forma de gasto de publicidade, que até então também
tinha esta desvantagem: gasto de publicidade era um emaranhado de contas que
não se sabia identificar muito bem. Com esse novo formato e essa divisão, o
processo contábil tornou mais transparente aquilo que é gasto efetivo em
publicidade. Mas foi a partir de agosto de 2003.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nós tivemos um
depoimento de Marcos Valério em que ele fez referência a que teria procurado os
políticos, se aproximado de políticos, e que iria fazer campanhas políticas no
estilo de semear para o futuro, ou seja, participaria, às vezes até
deficitariamente, na campanha, porque tinha uma expectativa de lá à frente
obter as contas. Não lhe parece meio surpreendente que quem fez a campanha do
Presidente da República... Começa a administração, procede-se à licitação, e
quem ganha? Quem fez a campanha. Não passa uma fumaça de dúvida sobre a lisura
dessas licitações?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, o processo licitatório em contas de
publicidade é um processo que tem normativos amparados em lei, com definições
precisas dos requisitos técnicos, sistema de pontuação. Ele é feito sob o
comando de uma lei central, que é a Lei 8.666, especificidades são organizadas
a partir de atos normativos próprios da Secom. Como eu disse ao senhor, é desde
1995 que se têm formas uniformes de orientar licitações no Governo Federal, com
a participação da Secom. A Secom sempre participou.
No caso específico dessas
contas que foram vitoriosas, do Duda Mendonça, que eu me recorde, não teve
nenhum tipo de questionamento de recurso por parte das outras licitantes,
inclusive na conta tão polemizada, que é a conta da SMP&B nos Correios – e
que, se o senhor me permitir, depois, talvez seja o caso de explicar, se houver
algum interesse, porque foi muita polêmica em torno dessa licitação também.
Essa foi uma grande licitação, com mais de 50 concorrentes, e jamais teve um
recurso. E devo dizer também...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Talvez não seria o
descrédito na interposição de recursos, porque já se sabe que quem fez a
campanha... é evidente que você não vai conseguir ultrapassar essa barreira,
porque a estrutura vai sufocar qualquer insurreição contra isso.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não, não acho que é descrédito ao processo de uma
solicitação de interveniência por recurso, a não ser que o senhor esteja
afirmando que o descrédito é com a lei. Se a lei for insuficiente...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a lei não desce a
esses detalhes. Aliás, ao contrário, na sua administração, houve a edição de
uma norma - mais do que uma -, uma especificamente em relação à participação
nas comissões de licitação, pois anteriormente não havia exigência de que fosse
maioria. Ao contrário, deveria ser com um membro a menos.
Na norma editada por V. Exª,
impõe-se que a maioria seja da Secom, na comissão de licitação, ou seja, todas
as licitações procedidas necessariamente teriam a última palavra oriunda de um
grupo de pessoas escolhidas pela Secom. Isso é verdadeiro?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, é muito oportuna essa pergunta, porque
essa abordagem que faz o senhor é equivocada. Observe o seguinte: a resolução
que pede para que a Secom seja maioria, em primeiro lugar, do ponto de vista de
sua aplicação prática, que a gente vai chamar a atenção... Tivemos 30
licitações nesses dois anos e meio de gestão. Dessas 30, participamos de 20.
Dessas 20, em 11 fomos minoria; em sete, fomos maioria; e duas foram paritárias.
Dessas sete onde fomos
maioria, empresas estatais só, apenas, a Eletronorte e o Banco de Santa
Catarina, que foi feito no mês passado, e o resto são Ministérios. As grandes
organizações que têm corpo próprio compõem a maioria e no maior número de
licitações de que a Secom participou também a maioria esteve a cargo dos órgãos
do Governo Federal. E, aqui, cabe também uma explicação, Deputado, que foi
muito debatida pela imprensa e por esta CPMI. Convém um esclarecimento: o caso
dos Correios, por exemplo, onde uma das agências do Sr. Marcos Valério ganhou a
licitação - a SMP&B. Lá, a alegação era de que a Secom colocou maioria.
Então, é preciso esclarecer,
em primeiro lugar, o seguinte: da comissão de cinco pessoas, três são
servidores do Correio; duas, servidores da Secom. Ocorre que, por conta desse
decreto que eu baixei, que falava em maioria, e também porque era início dos
trabalhos de adaptação à norma recente, sugerimos que o principal responsável
pelo departamento de marketing dos Correios, que, aliás, era o diretor
já à época do Governo anterior, fosse o indicado da Secom para compor a maioria
dos funcionários dos Correios.
De fato, nos Correios, a
maioria dos servidores era oriunda da casa dos Correios. No ano 2000, houve uma
licitação nos Correios, em que a maioria não era de funcionários dos Correios.
Era uma comissão de cinco: dois funcionários dos Correios mais três outros
funcionários: dois da Secom e um do Ministério das Comunicações. Na verdade, o
intuito desse decreto ao estabelecer maioria era o de facilitar a situação dos
órgãos federais que tinham dificuldades de conseguir pessoas habilitadas para o
exercício de uma licitação. Sob a anuência deles, a Secom, então, ofereceria.
Por isso, a Secom não tem maioria nas licitações, de fato, e, nas grandes
empresas, não é a Secom que detém a maioria. A Secretaria detém a maioria
quando, sob solicitação, colocamos à nossa disposição funcionários da Secom e
não mais arregimentamos em Ministérios, como se fazia no Governo Passado, como
é o caso dos Correios, que, no ano 2000, teve a maioria na licitação,
diferentemente dessa licitação a que me refiro na minha gestão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se esse é o
raciocínio, por que a norma prossegue determinando que seja a maioria? Esse é o
primeiro questionamento.
Segundo: no caso de não se
valer dessa regra da maioria, haveria a necessidade de uma expressa
manifestação em contrário, justificando por que não essa opção. Existem esses
registros na Secom?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sim, é verdade. Nós sempre pedimos para que os
órgãos explicitem as razões pelas quais podem ou não ter maioria – a Secom
solicita isso. Há um tratamento formal entre os membros da Secom sobre esses
dispositivos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é dos órgãos. É a
Secretaria que está abdicando da alternativa de ter maioria. Para fazer isso, é
preciso dizer o porquê. Isso é o que diz a norma.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Para nós, é suficiente que o órgão estatal diga
que tem os elementos técnicos habilitados para esse exercício para que nós
simplesmente não usemos dessa prerrogativa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é uma questão de
“simplesmente”. É “salvo sua expressa”... Portanto, é preciso haver por escrito
da Secom e não do órgão a justificação. Estou perguntando se na Secom existem
esses registros.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Imagino que sim. Há um tratamento formal sobre
isso. Acho que sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sobre essa questão da
SMP&B, em que os Correios procederam à licitação, como V. Exª anunciou, a
maioria, embora funcionários dos Correios, foi escolhida pela Secom. O que
chama a atenção...
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não foi escolhida pela Secom. Desculpe,
Presidente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Foi.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tenho até a nominata
deles.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Quem escolhe é a empresa. É a empresa que escolhe.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na composição da
Comissão Especial de Licitação, a Secom indica a maioria dos membros.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E indicou três:
Alexandre Pinheiro de Morais Rego, Marco Antônio da Silva e José Otaviano
Pereira.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sim, mas é o que eu disse, Deputado; já expliquei
para o senhor. José Otaviano era o principal responsável pela área de marketing
dos Correios; era, inclusive, diretor há muitos anos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu reconheço isso,
mas quem o indicou?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Foi um procedimento formal, que, naquele momento,
adotamos para nos adaptarmos a essa legislação nova. Depois, inclusive abrimos
mão disso, porque, na verdade, foi uma exigência burocrática que entendemos
necessária. Em princípio, o que vale é o espírito da lei, Deputado. Se o
espírito da lei é buscar oferecer a quem tem escassez de funcionários para o
exercício de uma atividade muito técnica, nós colocamos à disposição. Em não
havendo anuência, não vamos criar um conflito com a empresa. Por isso, não
exercitamos, nas maiores empresas, a condição de maioria.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sob esse ângulo do
espírito da lei, como foi escolhido para integrar uma Comissão de Licitação o
marido de uma representante da empresa Multi Action, ligada à SMP&B, que
venceu a licitação? Eu sei, já li uma entrevista de V. Exª que diz que, na
verdade, ele teria participado apenas da fase de habilitação e não do
julgamento da proposta, porque ele teria viajado, se não me engano. Mas nem ele
– Marco Antônio o nome dele, eu acho...
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Marco Silva.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Marco Antônio da
Silva. Ninguém percebeu, ninguém comentou? Nada se suscitou a propósito dessa
participação dele nessa comissão de licitação que envolvia uma empresa tão
próxima dele, por intermédio da esposa?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Mas, Deputado, ele casou depois da licitação.
Namorava, mas, Deputado,
mesmo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma informação nova
para nós todos.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, eu posso ter errado as informações,
mas...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em todas as
justificativas que eu até hoje vi, mesmo na imprensa – todas -, jamais se
afirmou isso, mas procede.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não, de qualquer sorte, Deputado, é preciso
informar adequadamente a circunstância. Esse funcionário é um servidor que
trabalhou em comunicação muitos anos, conhece, e a sua esposa há muito tempo
trabalha no mercado. Eu não sabia disso. Ele me informou depois do fato ter
vindo a público, não é? E me pareceram claras o suficiente as explicações que
ele me ofereceu.
É evidente que, olhando para
trás, vendo todos os transtornos que ele mesmo sofreu, a esposa sofreu, talvez,
se eu pudesse voltar atrás, no passado, eu diria: “Se um dia você for casar com
alguém, não faça isso”. Mas, infelizmente, não foi possível.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em relação àquela
modificação da exigência relacionada ao patrimônio líquido, também ouvi as
explicações de V. Exª no sentido de que teria ampliado o leque das que
participariam, mas eu não consegui encontrar, na verdade eu não me convenci,
embora aparentemente seja procedente essa justificativa. Por que não me
convenci? Vamos imaginar que eu vá adquirir um veículo e, sabidamente, aquele
veículo que eu pretendo adquirir, se eu mantiver o edital da forma como eu o
emiti, aquele veículo não vai poder participar. Aí, eu abro o leque e passo a
impressão de que quero oportunizar todo mundo que entra, mas, no fundo, não é que
eu queira oportunizar que todos participem: eu quero possibilitar que aquele
um, ainda que num universo maior, participe, porque ele é que vai ganhar.
Essa é uma dúvida que eu
ainda não tenho afastada. Repito: eu sei que muitas empresas tiveram a oportunidade
de participar da licitação dos Correios, na fase de habilitação, mas se tivesse
sido obedecido o critério inicial, a SMP&B teria dificuldades de ingressar.
Portanto, ela navegou conjuntamente e, depois, as outras foram excluídas na
seqüência das exigências técnicas, e não mais na habilitação. Estou equivocado
nisso?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Está, Deputado. Essa medida é uma medida positiva e
é um equívoco, no diagnóstico que o senhor faz, de que as empresas teriam
dificuldade de ingressar. Não teriam dificuldade nenhuma de ingressar.
Deixe-me chamar atenção para
esse requisito técnico, porque isso é muito importante, até porque a indústria
de comunicação, o setor de publicidade, há muito tempo, vem solicitando ao
Governo Federal que faça redução do patrimônio líquido nos processos
licitatórios. Veja: processos licitatórios em agência de publicidade, em
primeiro lugar, são processos onde as agências que disputam gastam um certo
volume de recursos para a disputa, porque isso implica análise de pesquisa, fazer
pesquisa, preparar trabalho de criação. É um trabalho relativamente custoso na
disputa de uma conta.
O requisito patrimônio
líquido diz respeito, na verdade, à condição econômica e financeira da empresa
licitante que vai, eventualmente, ganhar uma licitação. O que diz o edital? Ele
diz assim: “Caso a empresa não demonstre capacidade econômica e financeira nos
índices de solvência e de liquidez de curto prazo...” Então, nesses dois casos,
não atingindo esse índice, recorre-se ao patrimônio líquido.
Em outras palavras, eu diria
o seguinte: o índice de solvência nada mais é do que a verificação da
quantidade de ativos em relação ao passivo. Se o ativo for menor do que o
passivo, é uma empresa que está insolvente. Ou o índice de liquidez de curto
prazo é a mesma coisa: os ativos de curto prazo não são suficientes para pagar
o passivo.
Nesse caso, no caso de uma
contratação de conta de publicidade, o anunciante entende que, em situação de
dificuldade econômico-financeira, é preciso que a empresa demonstre uma
capacidade patrimonial. O que alega a indústria de publicidade? Alega que essa
exigência não faz sentido porque, a rigor, a agência de publicidade tem o seu
melhor patrimônio em pessoal, em criativo e não em patrimônio, e esse criativo
não é mensurável contabilmente. Daí uma insistência das agências de
publicidade, das associações que as congregam, de solicitar ao Governo Federal
a redução do patrimônio líquido.
Então, veja, Deputado, é bom
que se entenda o seguinte: no caso dos Correios, em particular, a Secom, quando
fez a recomendação de redução, o fez corretamente, atendendo a um clamor, a uma
demanda da indústria, que é legítima, e, mais ainda, a Secom faz a
recomendação. Ela nunca nem estipulou valor. Ademais disso, eu, perguntando ao
servidor da Secom porque ele tinha feito aquilo, além das explicações que
acabei de dar ao senhor, ele disse um dado também muito importante. Ele disse:
“Olha, Ministro, não há, nos contratos em vigor, sejam as licitadas no Governo
anterior como nas nossas, nenhum contrato onde se exigiu, em licitação, um
patrimônio líquido de R$3 milhões”, que era o caso dos Correios.
O fato de os Correios
atenderem a essa solicitação da Secom, recomendação, e baixarem para mil e
oitocentos, na prática, não significou absolutamente nada. Por quê? Porque os
índices de solvência e liquidez estavam positivos, não estavam negativos. De
maneira que esse grande debate que houve em torno desse quesito foi um debate,
eu diria, que precisava de uma explicação, como estou tentando dar aqui, mas ela,
em princípio, é coadjuvante, secundária no edital de licitação e atende a um
reclamo que a indústria vem fazendo, a meu ver, legitimamente.
O SR.
RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)
– V. Exª diz que a regra anterior também estava atrelada ao patrimônio líquido,
só que era de três milhões, e a par dessa regra havia o da solvência e da
liquidez. Atendendo-se a solvência e a liquidez desprezavam-se os três milhões?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Desprezavam-se, sim.
O SR.
RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)
– E, portanto, a redução mudou um dos ângulos?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Foi inócuo, eu diria assim.
O SR.
RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)
– A porta aberta permanecia pela solvência e pela liquidez. Todos teriam a
possibilidade de atender.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Todos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PB) – A SMP&B atendia também?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Exatamente. Todos.
O SR.
RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)
– Mas, na seqüência das atividades da Secom, também houve uma mudança em uma
regra que tem... Eu não saberia exatamente qual, mas sei que na pontuação... V.
Exª lembra se, sob seu comando, houve alteração da pontuação na avaliação da
proposta técnica? Estilo: plano de comunicação tantos pontos, capacidade de
atendimento tantos, repertório, relatos de soluções. Havia uma tabulação e essa
tabulação teria sido mudada na sua administração. Lembra de alguma coisa nesse
sentido?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não lembro, Deputado.
O SR.
RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)
– Por que esse é um ponto nevrálgico, na medida em que, aí sim, entra na
proposta técnica onde - e aqui é uma análise procedida por nossos técnicos - se
diz que se ampliou a subjetividade da análise, ou seja, fica irrelevante a fase
da habilitação porque, no exame da proposta, abriu um leque enorme para a opção
da comissão de licitação, que era comandada a partir da nomeação da maioria.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, eu não tenho informações relativamente a
eventuais mudanças nos critérios de pontuação, mas o que posso dizer ao senhor
é que as entidades que agregam as empresas de comunicação são muito zelosas
para saber como é que o Governo Federal organiza as suas licitações, porque
quando o Governo Federal organiza, há um certo impacto em outros órgãos da
Federação, ou seja, outros Estados assumem.
O caso da Prefeitura de São
Paulo é recente. O Secretário de Comunicação reconheceu que o edital que
deveria ser apoiado para eles montarem isso era do Governo Federal. Então, ele
tem um impacto muito grande.
As indústrias, as entidades
representativas olham com muito zelo, com muita acuidade o que a gente faz. E
tem sido, reiteradas vezes, colocado pelo Presidente da entidade que agrega
agências de publicidade um parecer favorável sobre a sistemática que a Secom
adota em processos licitatórios. E ele não tem nenhuma conta de Governo, ele
fala em nome da categoria. Ele tem, reiteradas vezes, afirmado que há um
processo de aprimoramento muito positivo que a Secom desenvolve, em particular
no campo licitatório.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Exª conhece Marcos
Valério?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não, senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca o viu?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Nunca tive contato nenhum com ele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Telefônico? Nada?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Nada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas pelo menos ouviu
falar o nome dele? Eu falo anteriormente a esse evento todo, porque existem
registros, na agenda da secretária Fernanda Karina, de encontros com o Marcus
Flora, que é o Secretário Executivo da Secom. Então, de repente, quem faria
essa ligação da Secom com o Marcos Valério seria o Marcus Flora. O que V. Exª
diz sobre isso? Era nesse sentido que se operava?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, primeiro, espero que V. Exª não esteja
lançando nenhuma acusação. A atribuição de relacionamento público é uma
atribuição legal para a Secom. É a terceira atribuição em importância na escala
de atribuições que a Secom tem perante a lei. E o secretário executivo, que é o
que pratica relações públicas, está mandatário para isso em lei, na função
dele; ele é obrigado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas ele, por
exemplo, foi a Belo Horizonte, manter encontro com Marcos Valério? Sabe se
houve isso?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Veja, fiquei sabendo pela imprensa, depois
conversei com ele, as razões que o levaram a ter contato com o Sr. Marcos
Valério, e as razões que ele apresentou são razões que justificam os contatos.
A Secom é um órgão que tem
um relacionamento muito intenso com o mercado de comunicação, desde agências de
publicidade, passando pelos veículos fornecedores, principalmente depois dessa
conta que a Secom passou a organizar.
Então, veja, é uma
atribuição legal e é natural que eles façam esses contatos. E no caso especificamente
do Sr. Marcus Flora, que tem um contato em Belo Horizonte, eu imagino que é
porque o Sr. Marcus Flora mora em Belo Horizonte. Então, isso deve ter
justificado alguma reunião naquela cidade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De qualquer modo,
nesse aspecto, até que realmente é procedente a explicação, porque até para
nós, Parlamentares, conseguirmos uma audiência com o secretário executivo de um
Ministério não é comum. E aí, no caso, o Marcos Valério é contratado de uma
estatal, ele não é contratado da Secom.
Aí, significaria que o
Marcus Flora estaria tratando de assuntos das estatais junto ao Marcos Valério?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sim. A Secom recebe, de todos os órgãos do Governo
Federal, desde os planos anuais de comunicação. E, na atividade corrente da
Secom, as campanhas publicitárias de caráter institucional - porque tirei,
recentemente, a mercadológica - passam pelo crivo da Secom, a Secom discute com
as agências, com os diretores de marketing, eventual alteração que a
Secom sugere e recomenda que seja feita.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Exª está afirmando
isso em relação à publicidade das estatais?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – De todas. Todos os Ministérios estatais têm esse
procedimento com a Secom. A Secom supervisiona as atividades em matéria de
publicidade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Porque, inicialmente,
V. Exª fez referência à autonomia que as estatais tinham e que apenas...
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sim, sim, mas nós não podemos definir qual é o valor
que deve ter um contrato de uma estatal. Isso não é incumbência da Secom, e
tampouco gerenciamento no dia-a-dia. Isso não é atribuição da Secom. A Secom
faz uma supervisão, o controle. Inclusive em planilhas de custos, a Secom
também faz controles.
Então, os contatos são, de
certa maneira, freqüentes com a indústria de comunicação. Não é uma coisa...
Esses contatos não são pouco usuais. Não. É uma rotina.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Havia
uma exigência no sentido de que o que ultrapassasse R$50 mil deveria passar
pela Secom?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Patrocínios?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não, isso é uma legislação antiga, não me recordo
o nome, que estabelece um limite, que é de R$50 mil. Acima desse valor, a
Secom, o comitê tem que aprovar e as outras podem aprovar por referendo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou
seja, no caso da MultiAction, que é uma empresa de patrocínio, teria que pedir?
Ela é da SMP&B, ligada. Mas esses patrocínios que eram aprovados pela
Secom, onde havia um parente da interessada na MultiAction, a mulher formulava
o pedido e o marido poderia, eventualmente, aprovar lá na Secom?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não, Deputado. O sistema não funciona assim.
A Secom não busca saber
quais são as empresas que estão fornecendo serviço num eventual patrocínio. O
que o comitê de patrocínio faz é analisar a proposta de patrocínio sob algumas
diretrizes. Primeiro, se existe uma identidade com algumas diretrizes de
Governo, se existe sobreposição junto a outros patrocínios que poderiam ter o
mesmo objetivo, para evitar, então, duplo patrocínio. Faz-se uma discussão para
evitar exatamente gastos desnecessários, mas a Secom não entra no mérito de
quem é que fornece tais ou quais serviços para um determinado evento, nem tem a
mínima condição de saber isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sei,
mas ela saberia que as promoções, os patrocínios que adviessem da SMP&B
estariam beneficiando a esposa do funcionário da Secom?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não. Deputado, desculpe-me, não me fiz entender. O
que a Secom recebe, primeiro não recebe de uma agência de publicidade, recebe
da instituição: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobras.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas
quando recebia dos Correios, sabia que era da SMP&B?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sim, mas o comitê de patrocínio não analisa os
processos operacionais que vão envolver determinado tipo de patrocínio. Ele
sequer sabe quem é. Ele sabe que vem uma proposta, que vai ter que ser aprovada
ou não pelo comitê. Aprovada, depois, quem a empresa anunciante vai designar
para operar esse patrocínio é uma incumbência da empresa. Nem é possível saber
por antecipação essa informação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Falo
como uma conseqüência inexorável. Veio da SMP&B, quem faz o patrocínio da
SMP&B é a MultiAction, a MultiAction é gerida, pelo menos em Brasília, pela
esposa e, ainda que não se tivesse a intenção, ao se deferir está se
beneficiando alguém muito próximo à administração.
Os reajustes, os
reequilíbrios nos contratos, porque também não vale a pena se dizer que a Secom
vigia, que tem fiscalização e superintende, se os contratos realizados podem
ser, logo em seguida, aditados ou reequilibrados.
Os aditamentos e os
reequilíbrios eram submetidos à Secom?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, confesso que eu não saberia responder
essa pergunta. Em princípio, acho que não, porque não definimos valores de
contrato. Eventualmente, dado que existe uma rotina intensa, pode ser que haja
um oficiamento por parte de uma estatal, mas, com certeza, não é incumbência da
Secom definir que valores deve ter um contrato ou aditivo respectivo. Isso não
é incumbência da Secom. Agora, se, eventualmente, o diretor de normas recebeu o
oficiamento, eu não saberia dizer.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Falo
de um aspecto muito prático. Há um zelo muito grande em se fiscalizar e
verificar como se procede a uma licitação. E, a partir dali, o contrato fica
liberado para que os valores possam ser alterados, porque uma das coisas que
constatamos nos contratos de publicidade, por enquanto, é que existe uma
suspeita enorme de que tenha acontecido o reequilíbrio e aditamentos, ou
reajustes, em relação aos quais não há uma justificativa plausível. E, aí,
volto a dizer: talvez até seja uma possibilidade de algo que se deva mudar na
legislação, ou talvez nessa norma que diz que a Secom interfere na licitação -
interfere na licitação e tem que colocar um aditivo – e, também, nas alterações
dos contratos, para que não se passe uma imagem de que a licitação foi
absolutamente zelosa e, na seqüência, se permita, sem que a Secom perceba, a
alteração verdadeira do contrato.
V. Exª tem conhecimento dos
contratos do grupo Marcos Valério com estatais, enfim, com a administração
direta e indireta?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais os contratos,
quais as estatais e quais as empresas do Marcos Valério que teriam contrato?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Olha, o Sr. Marcos Valério é proprietário de duas
agências de publicidade: SMP&B e DNA. O que posso discorrer sobre a
participação dessas empresas no Governo é o seguinte: eles participaram, no
total, de sete licitações. Perderam em cinco licitações.
A SMP&B participou dos
Correios, onde foi vitoriosa, e perdeu na conta da Secom. A DNA participou de
cinco, ganhou a do Banco do Brasil, que, na verdade, era uma renovação, e
perdeu em outras quatro licitações. Em princípio, a conta dela do Banco do
Brasil, que ela ganhou, foi uma espécie quase que de renovação. Ela é muito
antiga no Banco do Brasil como a empresa contratada.
A DNA tem, do Governo
anterior, a Eletronorte e o Ministério do Trabalho.
O que mais eu poderia dizer
a título de informação?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, é o
seguinte: o que observamos é que, curiosamente, na relação entre Marcos Valério
e Duda Mendonça, o Marcos Valério diminuiu na administração direta e ampliou na
indireta, exatamente o inverso do que aconteceu com as empresas do Duda
Mendonça, o que dá a impressão de que há um jogo em que eles se entrelaçam. Na
impossibilidade de o Duda Mendonça monopolizar a publicidade, o que deixaria
muito evidente o jogo de privilegiamento, partilhou-se, por intermédio de
Marcos Valério. Marcos Valério seria um instrumento a mais do próprio Duda
Mendonça, ou seja, Duda Mendonça, Marcos Valério fazem parte de um contexto só
de publicidade, cujo instrumento, publicidade, serviria para a alimentação
daquilo tudo que estamos investigando, de recursos para Partidos e para
campanhas.
Isso se reafirma quando
percebemos que Marcos Valério não só está nessa situação de visível contato,
porque há esse jogo de aumenta e diminui na direta e indireta, como até no
episódio de dinheiro para o exterior, de lavagem de dinheiro, de saques em
dinheiro para Duda Mendonça.
Como V. Exª nos tira também
essa dúvida? Ela se resume no seguinte: para nós, Duda Mendonça é o titular da
publicidade - só que não pode mostrar a cara sozinho porque, aí, todo o Brasil
percebe -, partilha com Marcos Valério e, portanto, o Governo privilegia e aí
estão as licitações que ganham, e ambos alimentam os Partidos e as campanhas. O
que V. Exª diz sobre isso?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Em primeiro lugar, Sr. Deputado,...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É algo cerebrino? É
algo teratológico, impensável?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Quero dizer ao senhor que é cerebrino e repudio
essa insinuação que o senhor faz de que a Secom organizou um jogo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Exª há de convir
que é um direito.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Entre a agência de Duda Mendonça e Marcos Valério.
Deputado, as licitações em
que houve vitória por parte de DNA, SMP&B, Duda Mendonça, como outras
dezenas de empresas de publicidades, são feitas de acordo com o que a lei
define rigorosamente. Existem comissões de licitação montadas rigorosamente;
existem recursos legais com que as empresas podem questionar. Não houve, nunca,
questionamento nesse processo licitatório. Houve, sim, um aumento de empresas
concorrentes. Houve, sim, o elogio das entidades representativas das agências
de publicidade com relação à mecânica adotada por este Governo, de maneira que
registro meu repúdio contra insinuações que faz o senhor de que houve um jogo.
Agora, tudo aquilo que a
CPMI conseguiu desvelar no que tange a ilícitos de recursos drenados via contas
no exterior, etc, são outros problemas. São outros problemas. Não vamos
confundir, não é, Deputado?
Há uma licitação. Existem
servidores que foram designados para uma atividade de escolha. Existem
habilitações técnicas de pessoas formadas durante longos anos de exercício
profissional.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Exª parte do
suposto de que não há fraude em licitações e que é um absurdo imaginar que
membros de comissão de licitação possam ter tergiversado num ambiente de
subjetivismo exagerado, como todos reconhecem, em matéria de criação
publicitária. Reconheço que V. Exª pode até se contrapor à idéia, mas insisto
em uma lição de um grande filósofo moderno, Bertrand Russel, que diz que ele
não daria a vida dele pelas opiniões dele, porque ele poderia estar equivocado.
Eu reconheço que estou equivocado, como também acho que V. Exª pode imaginar
que pode estar equivocado e que nós podemos estar certos nesse raciocínio.
Há muita coincidência. Duda
Mendonça, que não existia, aparece, ganha, acompanha uma campanha eleitoral e,
daí, começa a ocupar espaços grandes por meio de licitações e ninguém reage.
Convenhamos que, aí, vem o Brecht: primeiro avançam, tomam aqui. Quem há de
reagir? Quem haveria de reagir numa situação em que vimos a promiscuidade. Não
falo em relação a Governo Lula. Falo em concepção. Aqui vieram e nos disseram
que era preciso aproximação com os políticos, porque somente por meio disso é
que se conseguiriam obter espaços na publicidade.
Então, pode haver uma
promiscuidade, sim, por meio até das empresas e elas estarem, sem que
eventualmente a cúpula possa perceber, transitando por uma situação que eu,
pessoalmente, admito como possível, porque acho muito coincidente que um Duda
Mendonça venha, ocupe espaço da publicidade, aí venha um Marco Valério e amplie
e, entre eles, esse elo, que ainda vai ser matéria de investigação, mas imagino
que possa ser, como admito que possa não ser. Não acho que possa ser algo que
seja tão distante de se ajustar à verdade.
Mas vamos. É um direito,
reconheço. V. Exª pode ter conduzido com a maior lisura, mas, na administração
pública, não controlamos tudo o que acontece nem sabemos os instrumentos e as
pessoas com as quais lidamos.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, se for para divagar sobre as imperfeições
do ser humano, concordo plenamente com o senhor. Eu não tenho nenhum tipo de
questionamento com relação...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tanto que eu admito
que V. Exª não sabia, mas para nós é difícil. Eu admito que V. Exª não
soubesse. Ponho de lado. Admito. É a mesma história do Presidente Lula. Admito
que o Presidente possa não ter sabido. Agora, este é o problema, não é normal
que admitamos que a esposa de alguém esteja vinculada a alguém da comissão de
licitação. Não é normal. Tudo bem. Precisamos construir algo para o futuro para
que se evite isso. Que isso não se repita. É até a razão de ser de uma CPMI.
Mas tudo bem.
Vamos tentar um outro
assunto: os fundos de pensão. Todo mundo diz que V. Exª é absolutamente... Há
até quem diga que é o cabeça desse assunto todo dos fundos de pensão no
Governo. V. Exª admite que tinha essa força, essa ascendência sobre as
diretorias dos fundos de pensão?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou pelo menos como
conselheiro, para não dizer que fossem submetidos a V. Exª.
V. Exª interferiu alguma vez
na nomeação de alguém nesses fundos de pensão? Mantinha uma interlocução
repetida com esses presidentes de fundos de pensão?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – De maneira bem resumida, Deputado, de fato eu
tenho uma relação bastante antiga com relação a esse tema. Entreguei um livro
para o nosso Presidente que trata desse tema, exatamente desse assunto. Um
livro encomendado pelo próprio Governo à época e que me orgulha muito.
Enquanto atividade privada,
nós demos curso para milhares de dirigentes sindicais sobre fundos de pensão.
Então, de fato, eu tenho uma
ligação com o tema. Entretanto, no governo, é bom que se diga, eu tive
relacionamento, sim, com os presidentes das entidades que dirigem fundos de
pensão, que vivenciam o maior conflito societário na história do capitalismo
brasileiro, já intensamente divulgado pela imprensa. Com esses três dirigentes,
sim, tive contatos freqüentes. Com os outros... se o senhor me perguntar agora
o nome de um presidente de fundo de pensão, de um diretor de um fundo de pensão
fora esses três eu não sei dizer para o senhor. Eu nunca tive contato com nenhum
desses dirigentes. Não tenho a mínima noção de quem é, quem seja, quem fazem,
quem os indicou.
Por uma razão simples
deputado...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Exª
fala dos três, fala de mais de 100 bilhões de patrimônio.
O SR. LUIZ GUSHIKEN – É verdade. São eles os responsáveis pelos maiores
ativos em fundos de pensão. Mas é bom agregar uma informação adicional para que
se entenda melhor esse tipo de relação.
Fundos de pensão são
entidades de direito privado. Eles têm em seus órgãos diretivos uma diretoria
executiva, têm conselho deliberativo, têm conselho fiscal, têm associação de
participantes, têm associação de entidades de fundos de pensão, têm sindicatos
que também são vigilantes com relação às atividades que alguns fundos
exercitam.
Então, há todo um complexo
protagonista que lida com essa temática.
E por quê? Porque se trata de algo que movimenta interesses de milhares
de pessoas. Um cidadão que bota o seu dinheirinho todo mês, por 10, 20 ou 30
anos, quer saber o que está sendo garantido para ele receber no futuro.
Tudo isso exige uma
estrutura formal absolutamente forte. Então, eu diria que no caso do fundo de
pensão, nós temos essa estrutura. A relação que eu estabeleci por conta desse
conflito societário também se deu muito fortemente porque fui vítima de uma
ação de espionagem, pela maior empresa de espionagem do mundo, pago a mando de
um empresário ligado a essa temática.
Era natural, até por essa
razão, que eu estivesse pelo menos atento para saber o que estava acontecendo.
A final de contas, ser vítima de uma ação de espionagem, de maneira ilícita,
não é uma coisa comum.
Por outro lado, tenho muito
claro que um princípio fundamental que deve regular o fundo de pensão, qual
seja, de que recursos de fundo de pensão são patrimônio dos trabalhadores –
esse é o princípio básico, fundamental, que deve reger o funcionamento de um
fundo de pensão – e que não podem ser objeto de interesses muitas vezes
conflitantes com a dos trabalhadores de um fundo. Interesses privados.
Os fundos não podem ser
objeto de manipulação de interesses privados que venham a conflitar com aquilo
que é fundamental na vida dos trabalhadores, que é o exercício de uma
acumulação de renda para garantir um futuro melhor.
Tudo isso, Deputado, marcou
a minha vida nesta área. Mas, já como Governo, não houve necessidade de nenhuma
intervenção de minha parte. E se pedissem para mim sugestões, eu daria com o
maior prazer. Não vejo nenhum mal nisso, pelo contrário. Se alguém me
perguntasse como fazer, que opinião eu daria, eu daria com o maior prazer, não
só como incumbência pública, a final de contas, estou no Governo. Em uma área
que eu conheço, se alguém pergunta se eu posso sugerir uma opinião, é evidente
que eu vou dizer que sim. O que eu não posso é me imiscuir em áreas que não da
minha atribuição, até porque a lei me impede. Mas, como um homem de Governo,
ter preocupação com isso, creio ser absolutamente natural.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V.
Exª, alguma vez, nessas interlocuções, foi consultado sobre algum investimento
possível dos fundos de pensão?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Não, senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Exª lembra-se de algum conselho que tenha
dado a esses... Aqui, o Pizzolato afirmou: “No período em que estive na
Presidência do Conselho, os presidentes dos fundos conversavam periodicamente
com Gushiken”. Eram conversas periódicas. Estamos investigando os fundos. Vou
repetir que é linha de investigação – mas não significa que vá se confirmar –
desta CPMI a possibilidade de os fundos, efetivamente, terem alimentado
situações que beneficiavam partidos ou campanhas políticas de partidos ligados
entre si. Estilo aplica no Banco Rural, no BMG, que daí eles oferecem
empréstimos impagáveis a partir dos políticos. Toda matéria que sai na
imprensa, alguns depoimentos, faz parte desse tipo de referência que V. Exª,
realmente, tem uma ascendência enorme sobre V. Exª. Alguns deles se dizem até
indicados por V. Exª. V. Exª disse que não há interferência nisso. Quem escolhe
essas pessoas, de alguma forma, também o é pelos presidentes das estatais. Há
um círculo vicioso nisso.
A primeira pergunta. V. Exª
acha que há alguém que, de alguma maneira, pode ser tido, a partir dessa
própria obra ou de outra – já que não sei se posso associar essa com o
escritório, aquele escritório de que V. Exª fazia parte. Há uma idéia posta de que essa é a
construção da mudança da Previdência. Com o intuito de fortalecer a previdência
privada procedeu-se a toda essa reforma em que os servidores crêem que foram
prejudicados. Em outras palavras, V. Exª seria o autor intelectual do prejuízo
das aposentadorias públicas. Criou todo o instrumento, tanto no Governo
anterior quanto no atual, no sentido de que se fortalecessem os fundos nos
quais V. Exª é um mestre. Esse raciocínio, que não é meu, é repetido, tem
procedência?
O SR. LUIZ GUSHIKEN – Deputado, permita-me, então,
responder a algumas coisas e fazer uma correção sobre outra questão
anteriormente respondida sobre investimento. V. Exª perguntou-me se alguma vez
discuti investimentos com os fundos de pensão. Quero fazer uma observação.
Houve um momento, sim, inclusive com o Presidente da República, em que na
discussão sobre PPPs disse-lhe que os fundos de pensão eram instrumentos
adequados para essa finalidade e que, certamente, mereceriam um debate. Cheguei
a conversar – no início da discussão desse tema – com esses fundos que era
importante que fizessem estudos técnicos sobre essa modalidade de investimento
que esse mecanismo novo poderia suscitar. Houve, também, discussão de
investimentos quando de uma conferência internacional organizada por esses
fundos de pensão, os três maiores. Trouxeram os maiores fundos de pensão do
mundo ao Brasil, para uma atividade da qual participei, juntamente com o Presidente.
De fato, lá também falou-se em investimento. Então, só para precisar melhor a
resposta que dei a V. Exª.
No que tange à nomeação a
que V. Exª fez referência de um dirigente de um fundo de pensão é verdade.
Tenho dito e reiterado que no tocante à presidência da Petrus, que é o fundo de
pensão da Petrobrás, sugeri à Ministra Dilma Rousseff que apreciasse o nome do
Sr. Wagner Pinheiro, que possuía muita experiência com fundos de pensão por ter
sido diretor de um. Por que fiz essa sugestão para a Ministra Dilma Rousseff?
Porque no Governo de transição, assim que ela foi convidada para ser Ministra,
era muito importante que ela tivesse algumas informações sobre algumas pessoas.
No caso, o Sr. Wagner Pinheiro trabalhou com ela no governo de transição, ela
já conhecia a habilitação técnica do Sr. Wagner Pinheiro nos vários debates que
houve no Governo de transição. Quando eu disse: o Sr. Wagner Pinheiro também
tem habilitação para fundos de pensão e a senhora deveria considerá-lo. Foi,
então, que o Sr. Wagner Pinheiro posteriormente foi chamado para ser dirigente
de um fundo de pensão. Entretanto, para ser dirigente de um fundo de pensão, o
candidato tem que passar pela anuência, porque quem indica é a empresa
patrocinadora. Não é? Eu fiz com a Dilma Rousseff porque ela teria que no
futuro depois nomear também o Presidente da Petrobras. Então, foi esse
procedimento que adotei com relação ao nome deste senhor.
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