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O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Havendo número
regimental, declaro aberta a 10ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito, criada por meio do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso
Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos
delituosos praticados por agentes públicos nos Correios – Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos.
A ata da reunião anterior
encontra-se sobre a mesa. Coloco-a em votação, propondo a dispensa de sua
leitura. (Pausa.)
Antes de chamar o Sr. Marcos
Valério Fernandes de Souza – já conversei com as Lideranças do Governo e as
Lideranças da Oposição – , gostaria de cumprir efetivamente, ao longo do dia de
hoje, as oitivas do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza e da Srª Fernanda
Karina Somaggio. E, amanhã, pontualmente às 9 horas, faremos uma reunião
administrativa da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.
Pretendo adotar, já nas
próximas semanas, essa rotina – as oitivas nas terças e quartas, e, nas
quintas, as reuniões administrativas. Peço o apoio de V. Exªs para que, amanhã,
a reunião, antes da votação, seja uma reunião fechada, para que venhamos a
consolidar as posições que serão votadas, e as votações serão abertas, como
temos sempre adotado ao longo dos trabalhos da CPMI.
Eu gostaria também de ler o Habeas
Corpus nº 86232-2, que me foi encaminhado...
O SR. (Orador não
identificado) – (Fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS)
– É uma boa sugestão, é uma boa sugestão.
Eu vou, então, convidar a
vir para a Mesa diretora aqui dos trabalhos...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, Deputado
OnyX Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, ontem à noite, V. Exª
não estava aqui e foi, de maneira competente e qualificada, como sempre,
substituído no exercício da Presidência pelo Senador Maguito Vilela.
Nós recebemos a informação
ontem desse habeas corpus fornecido pela Ministra Ellen Gracie. E toda
nossa discussão ontem à noite foi no sentido da importância de retomarmos a
tese da acareação entre Marcos Valério e Fernanda Karina. Essa foi a tese, e,
inclusive, houve concordância dos Parlamentares de Oposição e de Situação que
estavam aqui ontem à noite.
O Sr. Presidente Maguito
Vilela e o nosso nobre Relator disseram a seguinte frase: “Deputado, V. Exª
formaliza, que nós aprovaremos”. Aí pedi à assessoria que formalizasse a
sugestão. A assessoria informava que o Requerimento nº 176 já estava de posse
da Mesa Diretora dos trabalhos há mais de 15 dias, propondo a acareação entre
as duas oitivas que vamos fazer hoje. Ouviríamos primeiro o Marcos Valério,
depois, a Fernanda Karina e, em seguida, nos reuniríamos, para, nesta
acareação, poder elucidar todos os pontos que esta Comissão e o Brasil querem
ver elucidados.
Eu acredito que é
imprescindível, Sr. Presidente, e eu gostaria de ouvir a manifestação de V.
Exª, visto que ontem ficou acordado que poderíamos realizar no dia de hoje essa
acareação. Entendo que essa preliminar é importante.
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao
Vice-Presidente, Senador Maguito Vilela.
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srªs e
Srs. Senadores, Srªs e Srs. Deputados, fui instado ontem a presidir esta
Comissão para ouvir os depoimentos do Sr. Jairo Martins, do Sr. José Santos
Fortuna Neves e do Sr. Edgard Lange. Procurei cumprir rigorosamente aquilo que
já estava pactuado, aquilo que já estava agendado. Os três depoentes estavam
aqui na Comissão e, naturalmente, eu teria de cumprir rigorosamente a pauta que
já havia sido votada. Infelizmente, hoje a agência Estado e todos os jornais do
meu Estado disseram que eu liderei um movimento aqui ontem para abafar para a
quebra de sigilo bancário do Sr. José Dirceu, do Sr. Delúbio Soares e do Sr.
Sílvio Pereira e que eu não deixei que isso acontecesse. Eu não tinha como não
seguir rigorosamente a pauta. Ouvimos das 9h até às 23h os três depoentes. Não
houve espaço para fazer mais nada, nem votar aquilo que não estava agendado
para o dia de ontem. Infelizmente, a imprensa do meu Estado tentou provocar –
ou provocou – um dano à minha imagem política, porque sou um político com
sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado antes de governar o meu Estado. E
continua quebrado, à disposição de qualquer promotor de justiça, de qualquer
cidadão brasileiro. Eu não tenho sigilo bancário, nem fiscal, nem telefônico.
Então, eu não teria dificuldades em votar a quebra sigilo bancário de qualquer
homem público.
O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT – AM) – V. Exª me permite um aparte, em reforço
ao que V. Exª está dizendo?
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Com muito prazer, Senador Jefferson
Péres.
O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT – AM) – Eu próprio procurei V. Exª na Mesa ontem
de manhã pedindo que, se possível, não colocasse em votação os requerimentos,
até porque a Comissão estaria, talvez, ao final, esvaziada, os membros cansados
e eu próprio talvez não estivesse presente.
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Sr.
Presidente...
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Pois não, Deputada Juíza Denise
Frossard.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Da mesma
forma, Excelência, também agi assim. V. Exª viu que declarei, inclusive, que
não ia inquirir as testemunhas porque tinha uma opinião diversa. V. Exª quis
cumprir estritamente a pauta, e eu disse: amanhã eu fico para os requerimentos.
Então, em prol de V. Exª.
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sr. Presidente, pela ordem.
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Ouço o Deputado Carlos Abicalil.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Apenas para reiterar, reforçar e dar o
meu testemunho também, porque estive aqui presente durante toda a oitiva, e V.
Exª procedeu rigorosamente dentro do que foi acordado.
O SR. MAGUITO VILELA (PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª. Dessa forma, agi
como deveria ter agido e presidido: com lisura, ouvindo pacientemente.
Agora, com relação ao
requerimento do ilustre Deputado Onyx Lorenzoni, S. Exª tem razão. Dissemos que
V. Exª formalizasse e que, naturalmente, em momento oportuno, seria atendido,
que colocaríamos em votação. Acho que é interessante o requerimento, e o
Presidente vai, naturalmente, tomar as providências que achar necessárias.
Entendo que o requerimento é oportuno, importante e necessário.
Agradeço, Sr. Presidente, a
oportunidade que me deu de restabelecer a verdade. Muito obrigado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pois não, Deputado Onyx
Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, com as palavras do nobre
Vice-Presidente, em que apenas divergimos no ponto em que isso seria colocado
em votação, o entendimento – vou obter o áudio da fita – , é de que já estava
deliberado. Vejo que não é isso. Peço a V. Exª, então, pela gravidade da
situação e pela importância, que rapidamente submeta à votação, que é o meio
adequado; ou V. Exª delibera, com o Relator e o Vice-Presidente, acatando a
sugestão, ou o Plenário rapidamente vota a favor ou contra, e teremos ou não a
acareação.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Onyx Lorenzoni,
faremos amanhã uma reunião administrativa, pela manhã, quando esse requerimento
será colocado em discussão. Hoje, ouviremos o Sr. Marcos Valério e a Srª
Fernanda Karina. Depois desses depoimentos, teremos os instrumentos necessários
para, no dia de manhã, discutir o requerimento de acareação.
Gostaria de convidar o Sr.
Marcos Valério Fernandes de Souza para compor a Mesa de trabalhos, como a
primeira pessoa a ser ouvida nos trabalhos da CPMI dos Correios no dia de hoje.
(Pausa.)
Antes de o Sr. Marcos
Valério começar sua exposição, eu gostaria de ler o habeas corpus que
recebi do STF:
“STF – Habeas Corpus
nº 86.232-2 – DF.
Paciente: Marcos Valério
Fernandes de Souza.
Impetrante: Marcelo
Leonardo.
Coator: Presidente da
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios.
1. Postula o impetrante,
via deste habeas corpus com pedido liminar, seja expedido salvo-conduto
em favor do paciente Marcos Valério Fernandes de Souza, para que seja tratado
como investigado na próxima quarta-feira, dia 06 de julho de 2005, quando
prestar seu depoimento perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada
através do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar
atos supostamente delituosos praticados por agentes públicos na Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos, nos termos da convocação da fl. 49, e que,
como investigado, lhe seja garantido o direito de não ser preso, caso se recuse
a firmar termo de compromisso legal de testemunha ou exercite o direito ao
silêncio, bem como para que possa ser assistido por seu advogado.
2. Os autos noticiam que o
paciente teve seu sigilo fiscal e bancário quebrado pela Comissão Parlamentar
Mista (fl. 46) e por autoridade judiciária (fl. 42) em decorrência dos fatos
investigados. Tudo indica, portanto, que o Sr. Marcos Valério prestará
declarações na qualidade de investigado e não como testemunha.
3. O entendimento desta
Corte a respeito do tema posto no habeas corpus é no sentido de que as
comissões parlamentares de inquérito detêm o poder instrutório das autoridades
judiciais e não mais do que o destas. Logo, às comissões parlamentares de
inquérito poder-se-ão opor os mesmos limites formais e substanciais oponíveis
aos juízes, dentre os quais os derivados da garantia constitucional da
não-auto-incriminação, que tem sua manifestação mais eloqüente no direito ao
silêncio dos acusados. (HC nº 79.812, de Celso de Mello; HC nº 79.244, de
Sepúlveda Pertence; HC nº 84.335, de Ellen Gracie; HC nº 83.775, de Joaquim
Barbosa; e HC nº 85.836, de Carlos Velloso.)
4. Diante do exposto,
defiro a liminar para que o paciente seja dispensado de firmar termo de
compromisso legal de testemunha, ficando-lhe assegurado o direito de se calar
sempre que a resposta à pergunta, a critério dele, paciente, ou de seu
advogado, possa atingir a garantia constitucional de não-auto-incriminação.
Comunique-se com urgência.
Expeça-se salvo-conduto.
Publique-se.
Brasília, 05 de julho de
2005.
Ministra Ellen Gracie,
Vice-Presidente.
Art. 137, inciso I, do
RISTF.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Questão de ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, concedo a
palavra ao Deputado Eduardo Paes.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, quero formular uma
questão de ordem, nos termos do art. 413, combinado com os arts. 403 e 89, inciso
V, do Regimento Interno do Senado Federal.
Venho requerer a questão de
ordem nos seguintes termos: o depoente Marcos Valério de Souza, convocado para
prestar esclarecimentos nesta Comissão Parlamentar de Inquérito, impetrou habeas
corpus do qual V. Exª acaba de fazer a leitura para os membros desta
Comissão. Impetrado no dia 04/06, foi concedida uma liminar na noite de ontem,
garantindo, em caráter precário, o salvo-conduto ao Sr. Marcos Valério durante
o seu depoimento nesta CPI.
Sr. Presidente, diante dos
inúmeros pontos conflitantes prestados em suas entrevistas à imprensa, o
depoente se resguardou no provimento da tutela jurisdicional com o intuito de
ludibriar os membros desta Comissão, facultando a apresentação de fatos
inverídicos que impediriam a sua auto-incriminação. O fato, portanto,
resultaria uma contribuição extremamente negativa ao andamento dos trabalhos da
Comissão, tendo em vista a sua condição de testemunha-chave na elucidação do
caso de corrupção nos Correios.
A liminar que concedeu a ordem
se reveste de precariedade, podendo ter o seu efeito cassado após o julgamento
do mérito. Uma vez configurada essa situação, ou seja, perdida a eficácia dessa
liminar por uma decisão definitiva e tendo em seu depoimento a testemunha
produzido afirmações inverídicas a esta CPI, é indispensável que V. Exª se
manifeste sobre solicitação de um pedido de prisão ao Sr. Marcos Valério,
findos os efeitos daquela cautelar, nos termos do art. 4º, inciso II, da Lei nº
1.579, e que seja produzida uma nova inquirição, já agora respondendo a todas
as penas previstas em lei.
Sr. Presidente, explico:
sabemos que o salvo-conduto, a medida concedida no dia de ontem, tem caráter
ainda precário. Essa ação terá o seu mérito julgado. Queremos com esta questão
de ordem, Sr. Presidente, que V. Exª delibere no seguinte sentido: é importante
que o depoente tenha consciência daquilo que se está decidindo aqui e da
questão de ordem que faço – se o depoente, no dia de hoje, em seu depoimento,
faltar com a verdade, mentir ou omitir a verdade, imediatamente esta Comissão,
julgado o mérito dessa ação impetrada pelo depoente no Supremo Tribunal
Federal, V. Exª, representando esta Comissão, requisitará ao Ministério Público
a prisão imediata do Sr. Marcos Valério.
Isso é fundamental, Sr. Presidente.
Do contrário, todas as pessoas que vierem prestar depoimento nessas comissões
parlamentares de inquérito vão começar a pedir habeas corpus
preventivos, virão aqui, faltarão com a verdade, mentirão, omitirão a verdade e
estarão protegidas ad aeternum. Portanto, é fundamental que o Sr. Marcos
Valério tenha ciência disso e que V. Exª tome essa decisão. Assim, decidida a
questão, julgado o mérito, findos os termos do salvo-conduto concedido ontem
pelo Supremo, o Sr. Marcos Valério terá, sim, por esta CPI, o pedido de sua
prisão, a ser decretada pelas eventuais omissões, mentiras, falta de verdade do
Sr. Marcos Valério. Portanto, é importante que V. Exª decida neste momento,
antes de o depoente começar a depor, para que tenha clareza e consciência dessa
posição da CPI.
Agradeço a V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS.) – Com a palavra o Sr.
Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, faço duas observações: a primeira é que, à luz da leitura feita por
V. Exª dos termos da liminar concedida pela eminente Ministra Ellen Gracie,
entendemos que os termos da liminar são restritos, ou seja, o Sr. Marcos
Valério só pode recusar a pronunciar-se sobre aquilo que o auto-incrimine; ele
não se pode negar a prestar os esclarecimentos a esta Comissão Parlamentar de
Inquérito – somente nas matérias em que, porventura, haja auto-incriminação. E
é evidente que os advogados do depoente poderão confirmar essa interpretação
nossa.
A segunda informação que
quero dar a esta Comissão Parlamentar de Inquérito é de que o PFL está
entrando, por meio de seus legítimos representantes, com um pedido de
reconsideração ao Supremo Tribunal Federal. Temos a expectativa de que a
Ministra Ellen Gracie possa analisar, no mais breve espaço de tempo possível,
este pedido de reconsideração, que, se acatado, suspende imediatamente os
efeitos do habeas corpus concedido ao depoente. E quem sabe, ainda no
dia de hoje, teríamos os efeitos desse habeas corpus invalidados de tal forma
que a Comissão Parlamentar de Inquérito pudesse funcionar plenamente, tendo,
assim, cada Congressista o direito de fazer as argüições necessárias à
elucidação do envolvimento do depoente nas graves denúncias de corrupção que
tomam conta do nosso País.
São essas duas as
informações que gostaria de prestar perante esta Comissão, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra à
Deputada Juíza Denise Frossard e, depois, ao Deputado Murilo Zauith. Em seguida
concluímos.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Sr.
Presidente, eu não iria interferir se não se colocasse aqui uma questão
absolutamente técnica. Estamos aqui buscando provas. Mas não se pode, em prol
da ordem, buscar as provas na desordem – já dizia o Dezoito Brumário, de
Napoleão.
Julguei durante quinze anos.
Sempre busquei as provas dentro da lei. Não podemos nos afastar da lei, não
podemos, somos legisladores. E a lei é muito clara. O Sr. Valério tem, no
mínimo, meio Código Penal, além de algumas outras leis, à espera dele lá fora,
na Justiça Criminal e perante a investigação criminal da Polícia. Pelo que
conheço das leis e pelo que já vi até agora, ele tem no mínimo isso. Então,
aqui, esse é um princípio constitucional de que ele não precisa. Ele pode
calar-se. Outro dia, um colega disse “Ele pode mentir”. Não, não pode mentir. O
que acontece é que não há nenhuma conseqüência se ele mentir. Mas ele não deve
mentir. Ele pode calar-se e não deve mentir, porque não é ético mentir. A lei
lhe dá o direito de calar-se, e o silêncio não pode ser interpretado, tem mais
essa – desde Thomas Moore, não se pode interpretar o silêncio. Isso está
expresso na lei. Pois bem, ele pode calar-se.
Também não acho correto –
perdoe-me, meu caro colega Eduardo Paes – que se diga que, aí, não teremos como
falar.
Maurício Marinho aqui esteve
e, seguindo orientação dos seus advogados – um deles um juiz aposentado – , viu
qual era a melhor forma de se defender lá fora, pois não é aqui dentro que ele
vai se defender. Aqui dentro buscamos apenas a extensão política de todo esse
imbróglio. A defesa técnica dele, Maurício Marinho, tem compromisso com a
defesa técnica dele, Maurício, e não da Nação. Somos nós os defensores da
Nação. O advogado aconselhou a Maurício Marinho que falasse aqui o que soubesse,
porque a negativa é a pior das teses. Quem nega só pode negar; quem diz algo,
pode dizer por que o fez, por esse ou por aquele motivo jurídico lá fora. A
preocupação dele é lá fora, não é aqui.
Então, nunca poderá ser
preso aqui, Sr. Presidente, um homem que, lá fora, é virtualmente um réu. Ele
nunca poderá ser preso por nós, porque ele não poderá responder, em hipótese
alguma aqui, sob compromisso testemunhal.
Portanto, ACM Neto, meu caro
e querido amigo ACM Neto, acho muito difícil, acho improvável, para não dizer
que tenho certeza de que a juíza não concederá isso. A situação dele é esta: de
fato, ele é um réu criminal lá fora. E aqui não estamos julgando o Sr. Valério.
Nós aqui queremos saber apenas e tão-somente quais as conexões, nesse desenho
que se afigura como uma organização criminosa, que havia com gente nossa,
Parlamentares, membros do Executivo, enfim, como se deu a captura do Estado.
Então, Sr. Presidente, acho
que jamais poderemos prender qualquer um aqui, não porque não tenhamos esse poder,
mas porque cometeremos fatalmente um abuso de poder, até indenizável
pecuniariamente – e quem vai pagar é o Estado.
Portanto, devemos agir com
muita cautela. E mais, Sr. Presidente: temos provas.
Ontem foi o dia de nossa
recreação aqui, mas não por culpa do Presidente. Ontem foi um dia de recreação,
mas cumpriu-se a pauta: a Comissão atendeu todos os requerimentos relativos
àqueles depoimentos. De nada nos servem, mas teve que se cumprir a pauta. É
importante analisarmos os documentos para buscarmos as provas dentro da lei.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, Senadora
Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Há alguém inscrito pela ordem na minha
frente?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O Deputado Murilo
Zauith, e eu gostaria que depois do pela ordem...
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – É sobre o andamento dos trabalhos
mesmo, não é questão de ordem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Os oradores que falam
pela ordem nesta Comissão, em vez de pautar os trabalhos, estão dando vazão a
grandes discursos.
Senadora Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, acabou-se entrando em
outro debate, aqui tratado pela nossa querida Juíza Denise Frossard: o do
absolutamente técnico. Ninguém aqui é irresponsável para não entender que o
procedimento investigatório de uma comissão parlamentar de inquérito, como
manda a Constituição, traz para si poder de investigação próprio das
autoridades judiciais. Se assim não fosse, não precisaríamos estar aqui:
delegaríamos à Justiça todo esse procedimento investigatório – com Polícia
Federal, quebra de sigilo, Ministério Público; todo o procedimento estaria lá.
A Constituição delegou às
comissões parlamentares de inquérito poder de investigação próprio das
autoridades judiciais por entender que as CPIs são o único mecanismo do Poder
Legislativo para fiscalizar atos do Executivo. Nenhuma outra comissão pode
fazê-lo, nem Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara ou do Senado, nenhum
mecanismo de controle externo de fiscalização contábil, financeiro e
orçamentário, nenhum outro, só a comissão parlamentar de inquérito.
Independentemente das
discussões absolutamente técnicas, há uma discussão também absolutamente
responsável e política. A partir do momento em que o depoente silencia no
pressuposto da auto-incriminaçao, nós julgaremos isso como parte do crime
contra a Administração Pública, tráfico de influência, corrupção ativa e
passiva. Estaremos também julgando de forma serena, independente, racional, mas
se o silêncio o auto-incrimina é porque, efetivamente, ao verbalizar, crime ele
estaria assumindo. Então trataremos dessa forma também, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Registro que, com base
no artigo 5º da Constituição Federal, inciso LXIII, todos têm o direito
constitucional de não se auto-incriminar.
Sobre as comissões
parlamentares de inquérito, registro que as suas conclusões, caso seja
detectado algum desvio, serão encaminhadas ao Ministério Público para que o
órgão responsabilize civil ou criminalmente os infratores.
O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente,
não ficou clara a decisão de V. Exª sobre a questão de ordem. V. Exª deferiu?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – A Presidência acompanha ipsis
litteris o posicionamento da Deputada Juíza Denise Frossard.
O SR. (Orador não identificado) – Portanto, V. Exª
indeferiu a questão de ordem?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Não cabe questão de
ordem na atual situação.
Com a palavra o Sr. Marcos
Valério Fernandes de Souza; em seguida, passarei a palavra ao Relator.
Lembro que serei
absolutamente rigoroso quanto ao tempo em função do número de inscritos e
porque temos outra oitiva programada para hoje.
Com a palavra o Sr. Marcos
Valério.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sr. Presidente,
Sr. Relator, Srs. Senadores, Srs. Deputados, mesmo tendo o direito de me calar,
coloco-me à disposição para esclarecer qualquer fato. Estou aqui para colaborar
com a CPMI. Não me furto ao direito e ao dever de fazer isso.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Seria importante, Sr.
Marcos Valério, o senhor falar rapidamente da sua qualificação, da sua história
para darmos continuidade aos trabalhos.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – E se possível, uma exposição
preliminar do depoente sobre os fatos que motivaram o convite a S. Sª para
depor na CPMI.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr.
Marcos Valério.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Srs. Deputados,
Srs. Senadores, eu evitei muito ir à mídia. Muito. Dei uma entrevista à Rede
Globo, levado pela minha família; pela minha filha, pela minha esposa e pelo
meu filho. Dei uma entrevista à VEJA, e alguns fatos ali não coincidiram
com o que eu declarei, por engano ou, então, por não me fazer entender. Fora
isso não falei com mais ninguém na imprensa.
Fui massacrado, fui julgado
por uma mídia que tem todo o direito dentro da liberdade democrática do nosso
País. Mas devo esclarecer, como empresário que sou, que as empresas têm de
vinte e cinco a vinte e dois anos.
A SMP&B tem vinte e
cinco anos de existência. Trabalhou para vários órgãos públicos, vários governos
e várias empresas da iniciativa privada. É uma empresa que vem, aos poucos,
aumentando o seu faturamento, dando empregos diretos para cento e cinqüenta
pessoas e empregos indiretos para mais de quinhentas pessoas.
A DNA Propaganda é uma
empresa que atende o Banco do Brasil desde 1994. É uma empresa que faturou no
ano passado mais de R$200 milhões, dando emprego também a outras cento e
cinqüenta pessoas. É uma empresa que tem vinte e dois anos de existência.
Tudo o que tenho está
declarado no meu Imposto de Renda. Tudo o que essas empresas fizeram e
faturaram está declarado na contabilidade delas e no Imposto de Renda delas.
Tenho a mania de ser muito
objetivo e, por isso, muitas vezes, sou mal interpretado, até porque não tenho
vivência política e não sei falar em público. Mas procurarei ser o mais
transparente possível nas devidas explicações.
Sou empresário no ramo de
publicidade. Tenho uma empresa de eventos. Tenho uma filha de treze anos, um
menino de quatro e uma família. Um brasileiro normal.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o
Relator, Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srs.
Parlamentares, ilustre depoente, na verdade, é bom que V. Sª seja objetivo
porque nós teremos, além das minhas, com certeza, um número infindável de esclarecimentos de que precisamos, e a
sociedade brasileira ansiosamente espera para que viremos essa página, porque,
de certo modo, entendemos, num juízo de valor pessoal, muito triste e que, de
alguma forma, deixa não só a administração pública, mas também os
Parlamentares, aqueles que pautam sua conduta pela seriedade, jogados numa
situação comprometedora. Quanto mais clarificada for, com certeza, com o rigor
que todos os que integram esta Comissão estão imprimindo, nós chegaremos a uma
definição clara não só do rumo que precisamos adotar para evitar que situações
tão deletérias se repitam, mas também quanto à responsabilização daqueles que
nos nodoam e nos submetem à execração pública.
Li os depoimentos de V. Sª e
confesso que me espantei com o emaranhado de empresas das quais V. Sª
participa. Perdoe-me, talvez não devesse dizê-lo porque preciso ser o mais
imparcial possível, mas parece algo intencional. Não é comum, mesmo entre os
grandes empresários, uma teia tão ampla de firmas organizadas e com intuitos
tão diferenciados.
Cito o exemplo da 2S
Participações Ltda., empresa que tem capital de mil reais e cujo objetivo é
participar de outras empresas. Essa firma foi constituída em nome de dois
funcionários de suas empresas e, logo em seguida, 41 dias depois, passou para o
seu nome e para o nome de sua mulher. Com o mesmo capital de mil reais, manteve
seu objetivo: participar de cotas e ações de outras empresas. É, evidentemente,
algo muito virtual. Ainda que fosse uma holding, mas, a partir de
funcionários...
Vamos começar a esclarecer
isso. Quais as firmas de que V. Sª participa?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr.
Marcos Valério.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Obrigado, Sr.
Relator, porque o senhor está me dando a chance de esclarecer muita coisa.
Eu participo da SMP&B
Comunicação. E aí vou ter que abusar um pouco da paciência dos Srs. Deputados e
dos Srs. Senadores para colocar a história dessas empresas. A SMP&B
Comunicação é uma empresa que faz comunicação para entidades públicas e
privadas. A SMP&B Comunicação, em 1996, estava com uma grande dificuldade
financeira e estivemos procurando um sócio para a SMP&B Comunicação – ela
se chamava SMP&B Publicidade, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Estou anotando.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Tivemos uma
grande dificuldade e procuramos um sócio. Esse sócio verificou que a SMP&B
Publicidade estava muito endividada – se o senhor puxar o Serasa da empresa em
1996, Sr. Relator, vai ver um grande grau de endividamento em bancos e junto a
fornecedores, com vários protestos.
Esse sócio, por sua vez,
colocou o seguinte: “Olha, não dá para assumir esse passivo todo. Se vocês
querem continuar existindo, vamos criar uma nova empresa chamada SMP&B
mesmo, para a gente aproveitar o nome, talvez SMP&B Comunicação, vamos
tocar a vida para a frente e tentar apagar o passado da SMP&B Publicidade”.
Criamos a SMP&B Comunicação e transformamos a SMP&B Publicidade em
Solimões Publicidade. Isso está devidamente registrado. Isso foi feito.
Fomos trabalhando na
SMP&B Comunicação e pagando o passivo da SMP&B Publicidade, que se
transformou em Solimões. Essa é uma das duas empresas que aparecem.
A DNA Propaganda, de que
participo, é uma empresa que estava também com dificuldades financeiras. O
sócio saiu e me vendeu a participação para uma empresa chamada Graffiti
Participações, sendo que a primeira empresa que comprou a DNA Propaganda foi
uma empresa chamada Star Alliance. Como já existia uma Star Alliance
relacionada a empresas de aviação, nós trocamos o nome para Grafite
Participações e fechamos a Star Alliance. Havia uma coincidência de nomes e aí
nós tivemos que trocar para Grafite Participações.
A Multiaction é uma empresa
que foi criada para fazer eventos. É uma empresa de eventos que faz eventos na
Fiat Automóveis, na Telemig Celular, na Mercedes-Benz, na Usiminas, na Cosipa.
É uma empresa que trabalha com eventos. No Banco do Brasil também ela faz
eventos. Trabalha com eventos.
Tenho também uma empresa
chamada 2S Participações. Eu estava com problemas na Receita Federal e
problemas na Justiça e, por isso, não conseguia tirar o CNPJ ou não preenchia
os requisitos, de acordo com o meu contador. Aí, eu pedi a duas pessoas da
minha confiança, funcionários meus, que abrissem uma empresa de participações,
a 2S Participações. Eu fui o “laranja” português, porque eu peguei a empresa 2S
Participações, que estava no nome dos meus funcionários, e pus no meu nome e no
nome da minha esposa e a declarei no meu Imposto de Renda – ela está toda
legalizada dentro do meu Imposto de Renda. Eu simplesmente passei pelo nome
desses dois funcionários, porque, na época, eu tinha impedimentos legais para
usar o meu nome. Então, essa 2S Participações, eu a utilizei para...
É que eu tenho outra
empresa chamada Cepel. É uma hípica dentro de Belo Horizonte, e essa 2S
Participações fez as obras do Cepel, está fazendo as obras do Cepel, as
reformas no Cepel. Foi por isso, Sr. Relator.
Fora isso, aparece uma
empresa chamada Presépio, que eu iria utilizar para gerir o Cepel. Essa empresa
nunca chegou a funcionar. Ela pode ter o seu sigilo bancário quebrado, ela
nunca teve conta em banco, ela nunca teve sequer uma movimentação. Como o Cepel
tinha várias atas, eu ia utilizar essa empresa, que era uma empresa privada,
mas resolvemos que não iríamos criar essa Cepel. Fechamos essa empresa chamada
Presépio e fiquei direto com o Cepel. Eu tenho tudo documentado aqui, vou
passar para o senhor, para o Relator e para o Presidente.
Depois, eu criei uma outra
empresa com o meu cunhado, Humberto Santiago.
Só um minutinho, Sr.
Relator; peço desculpas pela demora.
Este é o contrato da Star
Alliance e Participações, que passo às mãos do Sr. Presidente – essa empresa
foi fechada; este é o contrato da Grafite Participações, que detém 50%, hoje,
da DNA Propaganda; este é um contrato da 2S Participações, que está no nome da
minha esposa e no meu nome, declarado no meu Imposto de Renda; este é o
contrato da antiga SMP&B Publicidade, que estava muito endividada na época
e que se transformou em Solimões Publicidade – ele ainda está em vigor. O da
Graffiti eu não sei se eu já passei...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Já, já passou.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu tenho uma empresa que iria ser criada recentemente e que também
nunca funcionou. Ela foi criada agora, muito recentemente; nunca funcionou, não
tem nem conta em banco – isso pode ser verificado com a quebra de sigilo.
Chama-se JVN, que são as iniciais da minha filha, de 13 anos, e do meu filho,
de quatro anos. Era uma empresa que eu estava criando para colocar os imóveis
futuros que eu iria comprar no nome dela, para questão de sucessão. Como eu perdi
um filho com seis anos, eu já estava pensando no futuro dos meus filhos. Está
aqui.
Fora isso, Sr. Relator,
tenho umas empresas que foram criadas em sociedade para participar das
licitações das TVs a cabo, e essas empresas já foram fechadas. Elas não ganharam,
e tivemos que fechá-las. Chama-se Bras Telecom, da qual lhe passo a baixa e o
contrato social. Foi exclusivamente para participar das licitações, na época,
de TVs a cabo. A outra chama-se Brastev. Está aqui a baixa também. Foi para
participar dessa licitação na qual não tivemos êxito. Aqui está a Presépio, que
foi criada para gerir o Centro Hípico, em Belo Horizonte, e não chegou a
funcionar. Também lhe passo o nome e a baixa dela. E tem uma empresa, chamada
Target Representações, que veio para o meu nome em 1996. Depois, transferi essa
empresa para outras pessoas. Estou lhe passando o contrato social. Não está em
meu nome. E há uma empresa que eu criei, e dei baixa nela, em sociedade com o
meu cunhado, que nunca chegou a funcionar, nunca teve conta em banco, nunca
emitiu uma nota fiscal. Está aqui. O meu cunhado, Humberto Eustáquio Santiago,
tinha acabado de chegar de viagem, e íamos criar uma empresa para que ele
começasse a trabalhar, mas nunca chegou a funcionar. Está aqui. Estou lhe
passando a baixa também.
Também tenho uma empresa que
foi criada para gerir a empresa chamada Multiaction. Essa empresa era formada
por cinco sócios. Ela se chamava MG5 Participações. Eram cinco sócios da
SMP&B e da DNA. Como não queríamos aparecer, porque a empresa Multiaction
prestaria serviço para outras empresas do setor de comunicação, para que não
ficasse carimbada como empresas da área de comunicação, como a SMP&B e a
DNA, criamos uma empresa chamada MG5. Também lhe passo o contrato social. Ela
não tem conta em banco, não tem nada, e nenhum tipo de nota fiscal. Essas são
as empresas que constam em meu nome.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E a Estratégia?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Ah, perdão.
Está aqui a Estratégia. Desculpe, Presidente. É uma empresa que foi criada em
2004 para fazer campanhas políticas. Foi criada em 6 de julho de 2004. Ela tem
conta no Banco Rural, e está à disposição, também, o sigilo bancário. Eu também
lhe passo.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Qual a razão
da empresa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Para fazer
campanhas políticas.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Mas qual é o
nome da empresa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Chama-se
Estratégia. Não só campanhas políticas, mas também para empresas privadas, para
estratégia de desenvolvimento de produtos e de mercado, também.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As duas mais
importantes que estamos investigando não estão em nome de V. Sª? A DNA e a
SMP&B?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Estão no nome
da minha esposa, Sr. Presidente, e eu posso explicar.
Continuando a história, em
1998, Sr. Presidente, e isso foi divulgado lá na imprensa de Minas Gerais, em
Belo Horizonte, eu entro numa disputa com o meu ex-sócio. E essa disputa foi
muito acirrada. O Dr. Clésio Andrade Soares. Essa disputa foi muito acirrada. E
para não ter problema para essas empresas, porque isso se tornou uma disputa
quase pessoal, eu transferi essas empresas para o nome da minha esposa. E a
minha esposa ficou me representando dentro dessas empresas. Essa disputa acaba,
onde nós fazemos um acordo nos autos, e, para falar a verdade, até por questão
de família, eu não consegui mais transferir essas empresas depois para o meu
nome, porque a questão é que minha esposa achou: “Ah, você vai transferir, e
tal”. Para falar a verdade, é o seguinte: ela achou que eu podia me separar
dela. Então, ficou no nome dela. E eu, como não pretendo nunca, deixei no nome
dela. Nada ilícito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª trouxe os
contratos da DNA e da SMP&B?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sim. Vou passar a V.
Exª, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As empresas que estão
em nome... Enquanto eu aguardo os contratos...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu pediria, por favor,
silêncio aos Parlamentares. O Relator está fazendo seus questionamentos.
Gostaria, também, de pedir à Segurança do Senado... O fundo, as cadeiras ao
fundo estão disponíveis para a imprensa. E existem pessoas que não são da
imprensa que estão ocupando esse espaço. Por favor, pediria a atenção da
Segurança do Senado.
Com a palavra o Relator,
Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Além da DNA e da
SMP&B, existe alguma outra empresa que está no nome de sua esposa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – A 2S
Participações. Só.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Somente?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Somente, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não. Agora,
especificamente com relação a sua contratação, gostaria de ter... Conseguiu
localizar?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu não consegui.
Mas com certeza tenho aqui, e vou passar a V. Exª daqui a pouco.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, só algumas
mais... Qual o capital da SMP&B Comunicação?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Aí eu vou ter que olhar
aqui. Só um minuto, Sr. Relator, por favor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Enquanto V. Sª
procura, na verdade,...
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu não trouxe o
contrato, Sr. Relator. Eu não estou achando. Mas eu ainda não tenho essa informação.
Mas, no decorrer, meus advogados vão procurar saber e eu passo a V. Exª. V. Exª
me desculpe.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não. Teremos
muito tempo. Na verdade, é uma informação importante. Se possível, gostaríamos
que houvesse, na pesquisa que V. Sª irá proceder, e seria uma das perguntas que
iríamos formular e que já antecipo: a evolução do capital da SMP&B. Porque
há uma certa dúvida em relação à facilitação da participação de sua empresa em
uma licitação cujo parâmetro a empresa não atenderia em virtude do capital. E
houve uma modificação burocrática nesse limite, o que permitiu que a SMP&B
participasse, e que é exatamente a licitação dos Correios. Mas, quando nos
trouxer, no decorrer...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Mas eu gostaria
de responder, Sr. Relator, a essa indagação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não, pode
responder.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Posso
responder, Sr. Relator?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Muito
obrigado. Eu quero esclarecer esse episódio.
Primeiro, na licitação dos Correios participaram 55
agências. Qualquer alteração que houve no edital não foi para me favorecer
porque, se você pegar a relação das 55 agências, a maioria não teria condições
de entrar no estabelecido no edital inicial, somente as multinacionais. Então,
foram 55 agências que apresentaram, por meio de processo licitatório dos
Correios, as 55 propostas; todas apresentaram documentos técnicos; nós fomos
uma delas. Além disso, quem ganhou a licitação dos Correios foram três
agências: a Giovani; BAG, da Bahia; SMP&B, de Minas Gerais. Entenda bem.
Não houve nenhum facilitador para a SMP&B ganhar, porque senão as outras 52 que teriam ficado de fora haveriam de
recorrer. Além disso, houve uma comissão formada, se não me engano, por cinco
pessoas, que não sei, não conheço nenhuma das cinco pessoas.
Esse episódio, Sr. Relator,
quero deixar bem claro e refutar qualquer insinuação de que houve facilidade
para a SMP&B ganhar. Não houve. Foi uma licitação técnica, dentro das
normas técnicas que acontecem em todos os governos que nós passamos. E outra
coisa: a SMP&B já havia atendido aos Correios em 1994 no Governo Itamar
Franco. Então, já possuíamos expertise de atender aos Correios, e fizemos uma
licitação que atendeu e ganhou a licitação pública que aconteceu nos Correios;
foi estritamente técnica. Só isso que gostaria de deixar claro, Sr. Relator.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu só pediria, por favor, silêncio porque
hoje temos muitos parlamentares e, principalmente, as últimas não estão
conseguindo ouvir, efetivamente, o Sr. Marcos Valério. Eu pediria essa
compreensão de todos.
Sr. Relator Osmar
Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª pode nos anunciar quais os valores
das três empresas vencedoras?
O
SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não saberia informar, Sr.
Relator, até porque não acompanhei, apesar da divulgação que saiu na imprensa,
da minha ex-secretária, eu não acompanhei essa licitação. Como é de...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe qual é o valor atual do contrato?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu sei o quanto eu faturei no ano passado. Meu
contrato começou em 2004. Em janeiro de 2004 eu faturei R$28 milhões nesse
contrato. Agora, eu gostaria de dar uma explicação sobre esse faturamento, se o
Senhor me permitir.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Bom, desses R$ 28 milhões... Agora, faço questão
de fazer um esclarecimento para acabar com qualquer dúvida, de se houve
superfaturamento nas contas dos Correios.
Como é de público, todas as agências do Brasil
inteiro faturam veículos e faturam também produção gráfica, e emitem essas
faturas para os Correios. E fica à disposição das agências o valor da comissão,
ou honorários das agências, que nos Correios a média é de 10% líquido; você tem
15% de mídia e, se não me engano, 8% de produção gráfica; vamos colocar uma média
de 10%. Eu faturei R$28 milhões; desses R$28 milhões, eu paguei à Rede Globo de
Televisão; eu paguei à revista Veja; eu paguei à ISTOÉ; paguei
várias gráficas deste País. Então, se houvesse superfaturamento, os veículos
estariam mancomunados comigo; eles teriam que ter me dado notas superfaturadas.
Ao contrário, paguei a todos e me sobram R$2.8 milhões brutos. Deduzindo os
impostos, vamos colocar que me sobra R$1.9 milhão. Estou fazendo, grosso modo,
um raciocínio rápido, para colocar para os senhores que, na conta dos Correios,
não há condições de superfaturamento. E eu proponho que se suspenda o meu
contrato pelo prazo de uma semana e entre vasculhando tudo o que foi emitido de
nota fiscal. Não há condições técnicas de superfaturamento ali. Essa conta é fiscalizada
pela Auditoria interna dos Correios e pelo TCU. E eu abro as contas dos
Correios, os meus faturamentos, a minha contabilidade para quem quiser. Eu não
tenho nada a esconder. Estou aqui para colaborar, respeito profundamente todas
as colocações dos Deputados, dos Senadores, e, da minha parte, vocês só vão ter
colaboração. Só isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O contrato da SMP&B é de R$90
milhões.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – O contrato que foi
assinado com as três agências e é distribuído entre as três agências – vou lhe
passar a cópia do contrato – é de R$72 milhões.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, houve um aditivo em novembro
de 2004, passando de R$72 milhões para R$90 milhões, e, no mês seguinte, o
contrato foi prorrogado por mais um ano.
V. Sª não tem essas informações?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Tenho. E essa prorrogação é permitida por lei.
Como também tenho contratos originados do Governo Fernando Henrique Cardoso,
que foram prorrogados no Governo do Senhor Presidente Lula.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O questionamento não é quanto à
prorrogação, embora ela, de fato, surpreenda, em virtude do acréscimo
imediatamente precedente. Poder-se-ia ter feito um aditivo com o acréscimo e
com a prorrogação.
Mas a dúvida, Sr. Marcos, é quanto aos 25% aditados,
porque, até onde conseguimos investigar – e aí gostaríamos que V. Sª nos
esclarecesse – , não se tem direito a acréscimo de 25%. Trata-se de uma leitura
equivocada da Lei nº 8.666 que permite o acréscimo de 25%. Para que haja esse
acréscimo, é necessário um acréscimo também de produção e, no aditivo, não há
uma palavra sobre isso. Por isso, gostaríamos que V. Sª nos esclarecesse qual
foi o acréscimo de serviço que correspondeu a exatamente 25% do contrato
firmado.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Muito importante.
Excelente. O acréscimo foi de propaganda. E eu não sou expert em
propaganda, não atendo diariamente os Correios. Fui nos Correios raramente.
Estou lhe passando a cópia do contrato dos Correios, que foi assinado pelas
três agências. E o acréscimo não foi para a SMP&B; o acréscimo foi para as
três agências. E como foi de R$90 milhões o total da verba que o Deputado está
falando, ela está dividida entre as três agências. Então, houve uma
proporcionalidade entre as três agências: cada uma faturou em torno,
aproximadamente, de R$30 milhões, não a SMP&B. E o aditivo, tenho cópia
também, Sr. Relator, e estou lhe passando.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª não teria algo mais concreto
sobre esse adicional de serviço, foi propaganda de quê?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, eu não teria porque
não é a minha especialidade. Mas eu acho que o próprio Correios, e eu também
posso verificar dentro da minha agência o que foi feito e lhe mando por
escrito, Sr. Relator. Por escrito. Vou assumir esse compromisso com o senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O contrato que V. Sª tem com os Correios
é única e exclusivamente esse?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Única e exclusivamente
esse, com os Correios. Existem outros contratos com outros órgãos públicos
federais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais são os outros contratos que a
SMP&B tem com órgãos federais?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA
– Tem o Ministério dos Esportes, que eu ganhei – perdão – , que a empresa
ganhou em processo licitatório...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Valor?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – ... no Governo do então Presidente Fernando Henrique Cardoso.
No ano passado, faturei
nesse contrato R$850 mil, bruto, com uma comissão, no ano, de R$85 mil reais.
Está aqui a cópia do contrato e também foi prorrogado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É o mesmo contrato que
vem desde a época sendo prorrogado?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE
SOUZA – Vem desde a época do Governo
Fernando Henrique Cardoso, permitido pela lei e pelo edital. O original está
aqui.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual o outro órgão?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE
SOUZA – Assinei esse contrato em
2001.
O SR. (Orador não identificado) – (Fora do microfone. Inaudível.) O contrato
era 600.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Seiscentos e cinqüenta.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA
– Faturei R$850 mil.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Relator, só...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra, por
favor, o Relator Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª está elencando
os contratos com o Ministério dos Esportes. Qual é o outro?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – O outro é da Câmara
Federal.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual o valor?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – O valor desse
faturamento no ano passado foi de R$8,8 milhões. E ele foi assinado no dia 31
de dezembro de 2003. Também estou passando a cópia, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais algum?
O SR. (Orador não identificado) – (Fora do microfone. Inaudível) Os
aditamentos.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE
SOUZA – Também estou passando a
cópia.
O SR. (Orador não identificado) – (Fora do microfone. Inaudível) Os
aditamentos na Câmara.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Relator, Deputado Osmar
Serraglio, por favor.
O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, para uma questão de ordem...
O SR.
MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sr. Relator, os devidos aditamentos também.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
O SR. (Orador não identificado) – (Fora do microfone. Inaudível) Qual é o
valor dos aditamentos?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Só um minutinho, Sr.
Relator.
Faturei no ano de 2001, no Banco do Brasil, 43.882;
no ano de 2002, 65.287 milhões; no ano de 2003, 75.771; no ano de 2004, 103; no
ano de 2005, 39.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A DNA só tem com o Banco do Brasil?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não. Com o Ministério do Trabalho, que vem do
Governo Fernando Henrique Cardoso, e foi prorrogado; com a Eletronorte, que
também vem do Governo Fernando Henrique Cardoso e foi prorrogado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conseguiu essa mesma evolução com
os Correios? Em 2001, 2002, 2003, 2004?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, o contrato dos
Correios começou em janeiro de 2004, e o faturamento de 2004 foi de R$28
milhões. Estou lhe passando também. Sr. Relator, a cópia dos contratos da
Eletronorte e os devidos aditivos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – São da DNA?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – DNA. Do
Ministério do Trabalho, a quem nós atendemos desde 2001.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª não fez referência
à SMP&B de São Paulo.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, eu não
tenho contrato lá. A empresa foi fechada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Foi fechada?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Foi fechada.
Vou passar também o contrato
do Banco do Brasil, o devido aditivo e a evolução do faturamento, se o senhor
quiser.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Queremos sim. É
interessante.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Ok.
É importante salientar que,
no Ministério do Trabalho, em 2002, no Governo do Presidente Fernando Henrique
Cardoso, faturamos R$14 milhões; em 2003, no Governo do Presidente Lula,
R$5,389 milhões; em 2004, R$1,682 milhão, bruto.
Na Eletronorte, em 2002,
faturamos R$12,208 milhões.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. (Orador não
identificado) – Não ouvi, Sr.
Presidente.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Em 2002, na
Eletronorte, faturamos R$12,288 milhões; em 2003, na mudança de Governo,
R$7,820 milhões; em 2004, R$12,83 milhões.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª fez referência a
que, evidentemente, estariam seus serviços documentados, e que a cobertura
contábil teria ocorrido por meio da confirmação desses serviços pelos usuários
da sua empresa, pelos clientes da sua empresa; mas, na verdade, há duas coisas
que precisamos que sejam esclarecidas, porque o movimento financeiro das suas
empresas – e aí nos centramos mais na SMP&B – , de alguma forma, é inusual.
Ele destoa do comum da conduta comercial. E V. Sª, num primeiro momento, quis
dar a entender que os seus pagamentos, os seus fornecedores seriam a
contrapartida contábil, e que isso fecharia. Mas evidentemente há algo de
excedente, há uma gordura não explicada. São valores que obtivemos – a imprensa
inclusive noticiou – que chegam a R$20 milhões, sacados em espécie. Se assim
fosse, primeiro, V. Sª estaria anunciando que seus fornecedores privilegiam o
pagamento em espécie; segundo, os valores são tão arredondados que dificilmente
corresponderiam a pagamentos de algum fornecedor.
Essa informação de pagamento
a fornecedor é uma informação que V. Sª dá obrigatoriamente, porque, quando os
saques ultrapassam determinada importância, há necessidade de se justificar no
estabelecimento bancário. O banco é obrigado a colher uma informação de quem
saca sobre a razão de ser, porque isso é encaminhado ao Coaf. Houve uma
universalização dessa informação sempre para pagamento de fornecedores. Num
primeiro momento, V. Sª informou que seria para compra de gado, e até a
Comissão aprovou um requerimento do eminente Senador César Borges, que
vislumbrou a possibilidade de controle do Ministério da Agricultura saber qual
seria a movimentação do rebanho seu. E, a par disso, este Relator informou ao
público, à imprensa, quando questionado, que teríamos um mecanismo possível de
aferição, porque gado é coisa material, não é algo que não deixa sinalização. E
dissemos que iríamos proceder a uma diligência para verificar o gado que V. Sª
teria adquirido.
Então, de repente, V. Sª se
viu em dificuldade, diante da provocação do
Senador e diante da provocação da auditoria, e imediatamente retirou essa
informação, que consta da imprensa, repetida em várias oportunidades. E, quando
foi ouvido na Polícia Federal, passou a dizer que teria feito o pagamento de
fornecedores, que teria feito investimentos e mais um, que agora não lembro;
mas, enfim, V. Sª informou que teria aplicado em alguma outra destinação.
A distribuição, a empresa
estaria distribuindo lucros aos – só pode ser – sócios a distribuição de
lucros. De qualquer modo, a dúvida da Comissão, evidentemente, permanece:
distribuição de lucros nesses valores, nessas oportunidades? Primeiro. Segundo:
se a empresa de V. Sª efetuou investimentos, eles são palpáveis, e eu começaria
por isso. V. Sª poderia nos dizer, daquele elenco de saques em espécie, o que
daquilo se destinou a investimentos e que investimentos foram esses, para que
possamos investigá-los?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Obrigado, Sr.
Relator. Agradeço, até porque, esse episódio, vou fazer questão de esclarecer.
Primeira coisa: quando dei a
entrevista à revista Veja, fui entrevistado por um jornalista chamado
Edvar. E o Edvar, esse jornalista, me questionou os saques. Eu virei para ele –
ele conversando em off – e falei: “deixa eu te perguntar: o senhor é da
onde”? Ele virou para mim – porque ele questionava que saque não era normal
neste País, quero deixar claro, é esse o questionamento dele – e disse: “Eu sou
de Brasília de Minas”. “Ótimo, deixa eu te perguntar: eu sou de Belo Horizonte
e vou à sua cidade, Brasília de Minas, comprar um gado lá, da pessoa do
interior que nunca me viu, que tem lá três, quatro, cinco cabeças de gado. Você
acha que ele vai aceitar um cheque meu”? O Sr. Edvar, que é de Brasília de
Minas, virou para mim e falou: “Não, não vai aceitar. Só em dinheiro”.
Esse foi o exemplo que dei
para a revista Veja. Em momento algum, eu afirmo que eu sou pecuarista e
dono de cabeças de gado.
Outra coisa, Sr. Relator: na
Polícia Federal, o meu depoimento é muito claro. O movimento da minha empresa,
a SMP&B Comunicação, é uma empresa que tem 25 anos. Ela ganhou vários
prêmios, e eu vou fazer questão de ler esses prêmios: Profissionais do Ano Rede
Globo, Anuário do Clube de Criação de São Paulo, Prêmio Voto Popular, Prêmio
Imprensa de Turismo, Prêmio Abril de Publicidade, Festival Latino-Americano de
Publicidade de Gramado, Festival de Nova Iorque.
É uma empresa, Sr. Relator,
que tem 25 anos, conhecida no mercado publicitário muito, tem um faturamento
com a iniciativa privada superior ao faturamento com as entidades públicas e,
no ano passado, faturou R$200 milhões. Os saques corresponderam a
aproximadamente 4% do meu faturamento.
Devo informar que a Receita
Federal começou um processo de investigação e de fiscalização dentro da
SMP&B. Ali, dentro da minha contabilidade, que está apresentada à Receita
Federal, nós vamos justificar os saques que porventura aconteceram e a origem
de todo o meu faturamento, que está declarado dentro da Receita Federal e
dentro da minha contabilidade.
Além disso, devo salientar
que a SMP&B pode fazer saques em várias ocasiões. Uma: nós temos, como
todos jornalistas aqui têm, pessoas jurídicas. E muitas dessas pessoas
jurídicas a gente paga com recursos, em dinheiro. Temos alguns fornecedores
para os quais você dá o cheque, ele vai ao banco e saca em dinheiro vivo. Ele
endossa o cheque e saca em dinheiro vivo. E temos alguns fornecedores que vão
ao banco, também endossa, saca e manda DOCs.
Todo o nosso movimento vai
ser comprovado dentro dessa fiscalização que está acontecendo da Receita
Federal. E devo salientar que tomei conhecimento do relatório do Coaf, via
imprensa, num ato ilícito. Tomei conhecimento, via imprensa, num ato ilícito.
É só, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª terminou
não informando, porque afirmou na Polícia Federal que investiu uma parte disso.
Que investimentos a SMP&B fez no ano passado e neste ano?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sr. Relator, esse
investimento será apresentado devidamente no fórum adequado. Reservo-me o
direito de não revelar esse investimento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª também fez
referência à distribuição de lucro. A distribuição de lucro se submete a um
rito, é um procedimento, tem desconto de Imposto de Renda na fonte. V. Sª
poderia nos esclarecer quanto a sua esposa – porque V. Sª não é sócio da
SMP&B – , como sócia, recebeu de distribuição de lucro, em 2004, ou,
eventualmente, em 2005?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Isso está devidamente
declarado no Imposto de Renda, e eu não saberia te responder, porque não sou
contador e não acompanho a minha declaração, mas, na minha declaração de
Imposto de Renda, isso está devidamente declarado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, na verdade, V.
Sª declarou na Polícia que quem atua na empresa é V. Sª. Parece que a sua
esposa sequer vai até a sede da empresa.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Com certeza, quem atua
sou eu.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª desconhece...
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – ... não na área contábil
e nem na área fiscal da empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As declarações que
estão nos jornais, de sócios seus, são de que é V. Sª que atua em relação à
parte financeira da SMP&B. É estranho que V. Sª não conheça minimamente a
movimentação financeira da empresa.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Como já é noticiado pela
minha ex-secretária e noticiado pela imprensa, eu viajo muito. A imprensa já
noticiou isso. Eu paro pouco dentro das minhas empresas e, se pegar a relação
minha de viagens, paro em Belo Horizonte, no máximo, duas vezes na semana.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Há um inquérito em
relação a notas frias, e V. Sª há de entender que se estamos procurando algum
indício de superfaturamento, já temos anunciado, quando provocados a esse
propósito, que um é esse excesso de dinheiro inexplicável, sacado em valores
arredondados. Há um outro fato que foi apurado em inquérito, no sentido de que
a empresa estaria se acobertando desses saques, porque, convenhamos, se sai
dinheiro em espécie, não há a contrapartida. É preciso cobrir o caixa, senão o
caixa via ficar com milhões, e aí ele se autodenunciaria. Como se reduz o caixa?
Inserindo-se notas frias.
Nesse aspecto há uma notícia
na Folha de S. Paulo de um inquérito em que Alcino Chaves Xavier
Júnior... V. Sª o conhece?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Conheço. É meu
funcionário e é pessoa jurídica.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pessoa jurídica?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É, a maioria
dos jornalistas aqui deve entender e a maioria do setor de comunicação também:
as pessoas são pessoas físicas e pessoas jurídicas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas não é preciso ser
jornalista para entender. Nós também entendemos.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Desculpa,
perdão! Peço desculpa. Não estou querendo agredir ninguém.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas que empresa é
essa do Alcino?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – O Sr. Alcino...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que é funcionário
seu?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É. Eu posso...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode, pode.
Gostaríamos da explicação.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu gostaria de
pedir desculpa.
O Sr. Alcino recebe o
salário dele como pessoa jurídica. Não só ele. Como V. Exª vai ver, existe
também, na SMP&B e na DNA, o próprio inquérito.
O Sr. Alcindo recebe o
salário dele como pessoa jurídica, e ele não tinha uma empresa. Ele tinha um
problema no nome dele e trazia notas dessa outra empresa. E essa outra empresa,
não sou responsável por essas notas. Pagamento de salário dele. Como foi também
na SMP&B pagamento de salário da outra pessoa.
Esse é o episódio desses
dois episódios. Se você pegar o valor, é o valor correspondente ao salário
deles.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem diz que V. Sª é
o responsável é Cristiano de Mello Paz, que é o seu sócio.
“Marcos
Valério é apontado como responsável pela contabilidade das agencias por
Cristiano de Mello Paz”. Salvo engano, é o sócio seu – Paz com “z”, uma
ressalva. É o seu sócio?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É meu sócio,
mas, volto a te falar: se você pegar a relação minha de viagem...
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Perdão, Sr.
Deputado!
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Perdão!
Desculpa eu ter chamado de “você”. Perdão!
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não se preocupe com
isso.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Volto a falar:
se pegar a minha relação de viagem, paro em Belo Horizonte duas vezes na
semana. A minha função na empresa é menos tudo do que a área financeira.
Então, a colocação do
Cristiano de Mello Paz, meu sócio e Presidente da SMP&B, está equivocada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª está desmentindo
o seu sócio?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, nem sei se
ele deu essa entrevista.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Há uma informação
repetida no sentido de que a sua empresa é devedora da Previdência Social. Ela
é devedora da Previdência Social?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sim, senhor.
Procede.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela participa de
licitações a despeito dessa inadimplência?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Esse é um
débito que está sendo questionado na Justiça. Estamos questionando na justiça
esse débito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Está em juízo. Em que
Vara?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Aí eu teria que
verificar, se o senhor me permitir consultar.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode ser, inclusive
posteriormente.
Antes de V. Sª ter esses
contratos com os Correios ...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Está na Justiça
Federal ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não ouvi.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Desculpa, Sr.
Relator. Está na Justiça Federal de Belo Horizonte e tem certidão negativa com
efeito positivo. Está na Justiça Federal de Belo Horizonte, em discussão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª também tem uma
autuação do Imposto de Renda, da Receita Federal? A sua empresa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Se o senhor me
permitir, vou explicar um pouquinho desse da Previdência. Da Previdência é a
mesma situação da pessoa jurídica. Essa autuação tem a ver com pessoa jurídica.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Mas, enfim, V. Sª está
acobertado por uma decisão judicial para participar de licitação?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sim. Isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Pois não.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – E da Receita o
senhor quer as devidas explicações? Também é sobre o movimento total. Como a
agência recebe dos veículos, recebe o dinheiro dos veículos que os órgãos fazem
a devida comunicação - eu recebo da Rede Globo, recebo de outros veículos, de
grandes veículos e pequenos veículos -, o movimento de CPMF é muito elevado e a
Receita, então, entende que eu teria de pagar o imposto sobre o total do
movimento. E a multa foi relacionada a isso e estamos discutindo, também, na
Justiça.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Antes de V. Sª ter
esses contratos com os Correios e com os órgãos públicos, a sua empresa tinha
esse mesmo hábito de sacar em espécie?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – O procedimento
da minha empresa obedece a uma rotina.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Portanto, V. Sª tem
condições de apresentar à Comissão a demonstração contábil da sua empresa no
sentido de que esses saques em espécie não são coisas novas? Nesse volume?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – A minha
contabilidade, Sr. Relator, Sr. Deputado, estará à sua disposição.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Ainda que pondo de
lado o aspecto técnico de contabilidade, V. Sª confirma? Teremos condições
materiais, depois, de investigar? Talvez seja um ponto em que V. Sª pode captar
a confiança e a confiabilidade da Comissão se aquilo que V. Sª informar
corresponder. Em outras palavras, iremos aos bancos verificar se V. Sª tinha
esse hábito de saques antes desses todos que estão sendo noticiados nos dois
últimos anos. Por isso, pergunto-lhe: esse mesmo hábito V. Sª tinha nos anos
anteriores?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – O movimento da
minha empresa corresponde exclusivamente à rotina e, além disso, eu não teria
nada a esconder, porque coloquei, na minha resposta ao Procurador-Geral da
República, a quebra do meu sigilo telefônico e bancário, das minhas empresas e
meu, pessoa física, por escrito. Entreguei no meu depoimento por escrito, que
eu fiz ao Ministério Público Federal. Então, como a minha vida fiscal, o meu
sigilo bancário, tudo foi discutido abertamente dentro da imprensa, num ato
ilícito, então, eu já tinha colocado à disposição dos órgãos competentes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª ou as empresas
às quais está ligado alguma vez fez alguma doação para algum Partido político,
para alguma campanha política?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Se fez, foi
dentro da lei, Sr. Relator, Sr. Deputado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – A pergunta é fática,
não é jurídica. Fez ou não fez?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Doação, que eu
me lembre, não. Mas posso verificar na contabilidade. Se fez, foi dentro da
lei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – E V. Sª, como pessoa
física?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª também
justificou a possibilidade de que esses saques fossem em espécie, mas, imediatamente
depois, depositados também em espécie. Poderia esclarecer se isso significaria
algo interno às suas empresas? Qual é a afirmação sua perante a Polícia
Federal? Qual a tradução dela?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sr. Relator,
não sou expert em banco, em saques de banco, apesar de haver saques.
(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – A afirmação, a
afirmação, Sr. Deputado, é que, muitas vezes, esses saques podem ter ocorrido
dentro do banco pelos meus fornecedores ou saído com o dinheiro, ou, então,
eles podem ter passado imediatamente DOC, parte de DOC e tudo. É a única
afirmação que estou fazendo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª ou alguma
empresa de V. Sª tem algum recurso no exterior?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, e
franqueio também essa investigação por escrito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Outorga uma
procuração à Comissão para que faça essa...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Outorgo essa
procuração à Comissão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual a causa que foi
patrocinada pelo escritório de advocacia Pimenta da Veiga para a SMP&B?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu vou entrar
em detalhes, até para justificar a honra de um homem sério.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com certeza, é o que
nós desejamos, até para o bem dele, para o esclarecimento público.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – O Sr. Pimenta
da Veiga passou pelo mesmo infortúnio que passei. Na época, eu perdi um filho
de seis anos de idade com câncer, e o Pimenta... Eu estava almoçando com um
amigo nosso, em comum, em Belo Horizonte, e esse amigo em comum me contou a
história do filho do Dr. Pimenta da Veiga, o Vinícius. Eu liguei para o Sr.
Pimenta da Veiga e pus-me à disposição para o que ele precisasse. Ele me contou
que os gastos estavam muito elevados, do filho. Eu sugeri a ele que eu estava
precisando de um consultor jurídico para acompanhar alguns contratos da
iniciativa privada e alguns contratos da iniciativa pública. O Pimenta, que é
um grande jurista, consultou os impedimentos dele – ele já não era mais
Ministro, ele estava começando a advogar – e aceitou a proposta. E foi isso que
foi feito, Sr. Relator. Eu paguei ao Ministro Pimenta da Veiga os R$150 mil – é
verdade – pelos serviços jurídicos dele, e muitas vezes – vou deixar claro –
foi com sentimento que ele e eu estivemos juntos. Só.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Algum funcionário de
V. Sª ou da empresa SMP&B procedeu a saque em espécie no banco?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Que eu tenha
conhecimento, Sr. Presidente, no dia-a-dia da empresa, não sei especificar se
algum funcionário meu foi na agência e sacou dinheiro, porque a empresa, como
eu volto a reportar, faturou R$200 milhões. É uma empresa que tem um movimento
muito grande e os saques correspondem, da SMP&B, a 4% no ano e 8% no total
de dois anos. Então, não sei especificar.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª participou de
uma intermediação de interesses junto ao Governo, em relação ao Banco
Opportunity?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Esse é um
episódio que eu gostaria de explicar.
A DNA Propaganda e a
SMP&B Comunicação atendem a uma empresa chamada Telemig Celular, desde o
tempo em que ela ainda era do Governo Federal. Ela foi privatizada e, depois de
privatizada, o grupo do Dr. Daniel Dantas adquiriu essa empresa, e nós passamos
a atender, a DNA e a SMP&B.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral.
Bloco/PT – MS) – Eu peço, por favor... Freqüentemente estou tocando esta
campainha, pedindo silêncio. Temos, aí, um trabalho enorme ao longo do dia, por
favor.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Aí, nós
passamos a atender o Grupo Daniel Dantas. Num dado momento, nós tivemos um
relacionamento com o Dr. Daniel Dantas e com o Dr. Carlos Rodenburg, Sr.
Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E essa intermediação
resultou em sucesso no que se pretendia?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – A intermediação
com?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com o Governo, com o
poder, com as autoridades constituídas.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, eu não
intermediei nenhum encontro do Dr. Daniel Dantas com ninguém do Governo.
Intermediei um encontro do Sr. Carlos Rodenburg com o Dr. Delúbio Soares. E
parece que não deu muito certo, porque o Governo está destituindo das empresas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª tem conhecimento
de que há uma versão no sentido de que esses saques eram retirados com malas?
Há um Deputado Federal, acompanhado do tesoureiro de um Partido, que confirmam
que teriam recebido de V. Sª, em dinheiro, em espécie, em duas oportunidades
diferentes, a soma de R$4 milhões. A secretária também confirma a utilização de
malas para transporte de dinheiro em espécie. Como a movimentação traduz,
realmente, uma manipulação de dinheiro em espécie, que versão V. Sª nos dá a
propósito dessas malas de dinheiro que são referidas?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Bom, então,
vamos reportar ao passado. O então Deputado Roberto Jefferson vem à Comissão de
Ética e, na Comissão de Ética, são feitas duas perguntas iniciais a ele.
Primeiro, se ele jura dizer a verdade. E ele responde: “Eu juro dizer a
verdade”. Segundo, se ele confirma a entrevista da Folha de S.Paulo, e
ele diz que confirma a entrevista da Folha de S.Paulo.
Então, vamos pegar a Folha
de S.Paulo como verdadeira. Ele faz a seguinte declaração: “No princípio de
julho de 2004, eu reuni o Partido e comuniquei: o repasse do dinheiro se daria
em cinco etapas. O primeiro recurso chegou na primeira quinzena de julho de
2004 - R$4 milhões em dinheiro, em espécie, em duas parcelas: uma de R$2,2
milhões e, três dias depois, uma de R$1,8 milhão. Quem trouxe o recurso à sede
do PTB foi o Marcos Valério, em malas de viagem. Eu e o Emerson Palmieri,
tesoureiro informal do PTB, dividimos esses recursos entre candidatos e
assumimos o compromisso que era do Genoíno comigo”. Vamos ficar por aí.
Bem, Sr. Deputado, Relator,
o Deputado Roberto Jefferson vai construindo o depoimento dele, a versão dele,
durante as entrevistas; vai criando e fundamentando os fatos dele. E eu pude
acompanhar a entrevista do Sr. Emerson Palmieri, que fala que pegou o dinheiro,
que só o pôs no cofre e entregou a chave do cofre. No Roda Vida, o Deputado
fala que já tem um cofre e um armário.
Vamos pegar a primeira quinzena de julho, numa
reunião de Bancada - que nenhum Deputado confirma essa reunião, a data dessa
reunião como verdadeira. De acordo com documentos que vou-lhe passar, no dia
01/07/2004, que é exatamente uma quinta-feira, eu peguei um avião e fui a São
Paulo - estão o número do vôo, do ticket, tudo aqui dentro. E dormi de
quinta para sexta-feira no hotel, que estou apresentando o voucher, e
voltei sexta-feira para Belo Horizonte. Os dia 3 e 4, respectivamente sábado e
domingo, eu passei em Belo Horizonte, com testemunhas, numa hípica chamada
Cepel, vendo a minha filha de 13 anos saltar a cavalo.
No dia 5/07, fiquei em Belo Horizonte e tinha que
provar que eu estava em Belo Horizonte. Como eu freqüento um restaurante onde
eu simplesmente assino a nota e o tíquete do restaurante é eletrônico, e pode
ser confirmado com testemunhas e tudo, lá, estou apresentando a nota do
restaurante. Sai de lá às 14h18min. Então, na segunda-feira fiquei em Belo
Horizonte.
Na terça-feira, peguei um avião em Belo Horizonte e
fui ao Rio, e do Rio peguei uma ponte aérea para São Paulo. Estou apresentando
os tíquetes também.
Na quarta-feira, eu saí de São Paulo e vim a
Brasília, de avião de carreira, e também estou apresentando os tíquetes.
Na quinta-feira, fiquei também em Belo Horizonte.
Como eu sou uma pessoa que freqüenta o mesmo restaurante, assinei as notas
também desse restaurante, com várias pessoas na mesa, o que pode ser verificado
aqui.
Na sexta-feira, assinei a mesma nota do restaurante e
assinei alguns documentos de contabilidade eletrônicos da SMP&B, que estou
apresentando - sexta-feira dia 9. E na própria sexta-feira, eu saio de viagem
de São Paulo para Guarulhos e embarco para Nova Iorque, entrando dia 10, de
madrugada, nos Estados Unidos e só voltando dia 18. Estou te passando toda a
documentação dessa relação.
Então, o Sr. Deputado Roberto Jefferson, fisicamente,
só teria uma chance de se encontrar comigo: quando vim a Brasília, no dia 7.
Fora isso, de acordo com a própria declaração dele, três dias depois, aí ele
muda de três para quatro, de quatro para uma semana, e eu acompanhei todos os
depoimentos, ele não encontrou comigo. Está aqui documentalmente provando.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª não se desloca a não ser através
de vôos comerciais?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – A Polícia Federal já está verificando se eu fretei
algum avião, se eu aluguei e se eu viajei em algum avião, de acordo com o DAC,
livros de bordo de aviões que eu passei para eles.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, independentemente da investigação
da Polícia Federal, o que V. Sª nos diz? Viajou ou não viajou?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não viajei, na primeira quinzena, de avião nenhum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª se valeu de aeronaves do Banco
Rural?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Duas vezes, Sr. Presidente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Saberia dizer mais ou menos em que
ocasiões?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Foi no início de 2003, com o então
vice-presidente, Dr. José Augusto Dumont, que veio a falecer num acidente de
automóvel no decorrer do ano de 2004.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teve algum perdão de dívida de R$9
milhões do Banco Rural?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, eu fiz um acordo com o Banco Rural, judicial.
Paguei e fiz um acordo com ele; não é um perdão de dívida, é um acordo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) - Mas a dívida era de quanto e quanto V.
Sª pagou?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Era desse valor e, se não me engano, eu paguei
dois milhões, alguma coisa nesse valor. Se eu não me engano.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O acordo reduziu de nove para dois?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Isso. Eu presto serviço de comunicação e são
abatidos alguns valores, também, dessa dívida. A conta do Banco Rural é minha
há mais de 10 anos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) - Quem é Glênio...
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Minha, não, desculpe, é da agência SMP&B.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem é Glênio Guedes?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Obrigado, também para defender a honra de uma
pessoa, também, que foi injustamente colocada.
O Dr. Glênio Guedes eu conheci durante os eventos de
hipismo. Temos a mesma paixão – cavalos – e conversamos muito sobre cavalos,
muito. E ele vai a Belo Horizonte, onde tinha uma irmã, ia visitar o Centro
Hípico também, a meu convite. E foi a São Paulo, também, ver algumas provas de
hipismo a meu convite. Nos tornamos muito, muito, muito... com um
relacionamento muito íntimo. E, muitas vezes, o Dr. Glênio Guedes me solicitava
ajuda de emitir passagem, não porque ele precisasse que eu pagasse, não - ele
reembolsou todas as passagens e isso está na minha contabilidade -, mas porque
eu tinha facilidade de a minha secretária emitir passagem e ele não tinha
secretária à época. E foi só isso.
Eu, para falar a verdade, me surpreendi com essa
colocação do Dr. Glênio Guedes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual colocação?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Que saiu na
imprensa que ele teria facilitado e que eu teria negócios. Com toda pessoa,
agora, que eu falo que eu tenho algum relacionamento, são negócios escusos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – A secretária Karina –
aí, nós voltamos um pouco a um assunto precedente – falou, na Polícia Federal,
que várias vezes presenciou a saída de office-boys e motoboys com
destino ao Banco Rural, para buscarem vultosas quantias em dinheiro que eram
entregues a Simone Vasconcelos.
O que V. Sª tem a esclarecer
sobre isso?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É importante
esclarecer que a agência SMP&B, que é um das maiores agências do Estado de
Minas Gerais, tem dois andares. No primeiro andar, ficava a Srª Karina. No
segundo andar, funciona toda a área administrativa. Ela ficava justamente no
final do prédio, no final do andar. Ela não tinha acesso nenhum ao financeiro.
Esclareço, também, que a
raiva dela da Simone é porque a Simone é testemunha no processo que eu movo
contra ela, e sou réu nesse processo, de chantagem e extorsão. A raiva dela,
que ela declara em outras entrevistas, é contra Adriana Fantini – perdão, eu
sou a vítima – , que também é testemunha contra ela no processo que o
Ministério Público do Estado de Minas Gerais move contra ela também, em que eu
figuro como vítima.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Na verdade, a
investigação nossa com os seus funcionário, boys e motoboys,
que, com certeza serão identificados...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Com certeza.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – ...será uma busca
baldada, porque não encontraremos pessoas que teriam transportado, retirado
dinheiro em espécie e levado para a Simone Vasconcelos.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, V. Exª
verá, dentro dessa busca que vai fazer, Sr. Deputado, o normal de uma empresa
trabalhando.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª foi avalista de
algum Partido político? Em que estabelecimento? Em qual valor? Em que
circunstâncias?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Fui avalista,
sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – De quem?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Do Partido dos
Trabalhadores.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Somente do Partido dos
Trabalhadores ou de algum outro banco?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Somente do
Partido dos Trabalhadores, no Banco BMG, a pedido do Dr. Delúbio Soares.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Financiamento de?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Acho que de
dois milhões e pouco. Não lembro o valor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – E o pagamento de uma
parcela foi efetuado por V. Sª ou pela empresa, ou não foi feito?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Esse episódio
eu gostaria de esclarecer, Sr. Relator.
O Dr. Delúbio me pediu para
ser avalista, na época, porque o Partido estava precisando liquidar alguns
débitos internos dele, e o banco exigia ou garantia real, ou um aval que
tivesse lastro. Eu fui o aval, a pedido dele. Na época do vencimento, o Partido
não teve condições de honrar e o banco iria executar. Eu falei com o Sr.
Delúbio que eu iria pagar a parcela que estava vencida, os juros, e que eu não
iria mais figurar como avalista do contrato, porque eu não poderia ter
problemas na minha vida de execução. Foi isso que procedeu. Eu paguei, via uma
antecipação que foi feita dentro da SPM&B, uma transferência direto para a
conta do Partido, eletrônica, identificando e registrado dentro da
contabilidade. O Partido dos Trabalhadores deve essa operação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – E V. Sª procedeu no
banco a retirada do seu nome como avalista?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu pedi ao Dr.
Delúbio Soares que retirasse meu nome como avalista.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Mas houve essa
operação, essa retirada?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Houve essa
retirada, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Portanto, hoje, no
banco, V. Sª não é avalista?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não sou
avalista.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª fez referência à
contratação de funcionário que, na verdade, seria uma empresa. Isso não é uma
forma de burlar o Fisco, na medida em que usa um funcionário como empresa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eles são
prestadores de serviços e isso é praxe dentro do mercado. Apesar de ninguém
admitir, é uma praxe dentro do mercado, como é uma praxe dentro do mercado de
imprensa, também.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Quando V. Sª fez
referência, na Polícia, à distribuição de lucros, disse que eram relacionados à
SMP&B, à DNA e à Tolentino&Melo. Em algumas dessas V. Sª é sócio?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Na Tolentino
& Melo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – E quanto V. Sª obteve
como lucro distribuído na Tolentino&Melo?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Um momento, por
favor. Está no Imposto de Renda, eu não tenho esse valor de cabeça, mas deve
girar em torno de 600. Não tenho esse valor de cabeça.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – E essa distribuição se
operou na empresa com valores repetidos, arredondados, tal qual esse noticiado
na Coaf, em relação a esse MP, onde V. Sª não é sócio, é a esposa, mas diz que
ela tem essa forma de recebimento?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Acredito que
sim. Acredito
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª se comprometeu
junto à Polícia Federal a apresentar, em três dias, a relação dos clientes da
empresa que estavam relacionados a esses pagamentos. V. Sª atendeu esse
compromisso junto à Polícia Federal?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Fiquei de
apresentar a relação dos meus clientes, não os relacionados aos pagamentos, mas
apresento ao Senhor o portfólio, os meus clientes, de onde se originam todos os
meus faturamentos, e o portfólio das empresas SMP&B e DNA Propaganda. Vou
passar às mãos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Qual é o faturamento?
V. Sª fez referência a faturamento privado e público, aproximado. Qual é o
faturamento do conjunto, do grupo de empresas, junto à iniciativa privada e
junto aos órgãos públicos?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Elas são
empresas independentes. A SMP&B faturou 200 milhões, 28 no ano passado, com
28 dos Correios, com 8 e pouco, vamos arredondar para 40, para ficar fácil a
conta - ela corresponderia a 20% do faturamento global da empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – As únicas empresas de
V. Sª que têm relações com órgãos públicos são a DNA e a SMP&B?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – As únicas que
têm relação de licitação, sim. A DNA e a SMP&B.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – A SMP&B faturou
200 milhões, dos quais essa parte que V. Sª anunciou seria de órgãos públicos.
E a DNA, qual é o faturamento?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Vinte por cento
em órgãos públicos. A DNA faturou quase 200 milhões e, ali, a participação de
órgão público é maior um pouco. Ficaria em 50 a 50.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª deve ter visto ou
ouvido nas notícias que há um movimento de 1 bilhão e algo assemelhado. Que
informação V. Sª nos dá a esse propósito?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu acho que a
Receita Federal, que começou um processo de investigação e de fiscalização
dentro das empresas, vai chegar à conclusão que os meus faturamentos têm origem
e têm destinatários.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Mas à soma do seu
faturamento, no conjunto de empresas, não teria como, pelo menos
aproximadamente, fazer referência?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA - No ano passado, as duas devem ter faturado uns 400
milhões juntas, mais uns 40 da Multi Action, 440, mais uns 2 da
Tolentino&Melo, 442. É em torno disso. Estou falando grosso modo, para
tentar responder à sua colocação, Deputado. Estou te passando...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª conhece
Alexandre Chaves Rodrigues?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – O portfólio de
todos, com o faturamento e com os clientes que são ativos dentro das empresas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – V. Sª lembra de
Alexandre Chaves Rodrigues? Já ouviu esse nome?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não
conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Motorista do PTB?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não
conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB - PR) – Que é uma das pessoas
que sacou dinheiro no Banco Rural, na conta da SMPB.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Da SMPB, eu não
acredito em saques dessa pessoa, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E da DNA?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Também não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei da impaciência
dos companheiros, mas estou concluindo.
Que tipo de relacionamento
V. Sª teve com o Diretor da Casa da Moeda? Que negócios V. Sª teve? Ou não
negócios, conversações, com o Diretor da Casa da Moeda, Manoel Severino dos
Santos?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É outra pessoa
também que começa a se relacionar comigo e é julgada também. Todas as pessoas
que se relacionam comigo, hoje, têm medo. O Dr. Manoel Severino, eu conversei
com ele sobre política. Ele era do PT, do Rio de Janeiro. E essa empresa, Estratégica, foi montada para fazer
candidaturas políticas; e nós discutimos políticas. Eu vou lhe apresentar a
prestação de contas da Estratégia, e o você vai encontrar – perdão, perdão
senhor, desculpa – , o senhor vai encontrar a Prefeitura de Petrópolis, Sr.
Deputado, que foi emitido nota dela. Vou lhe passar por escrito agora, Sr.
Deputado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Desculpe também, eu
não prestei a atenção. Qual a referência que V. Sª fez a propósito desse
contato com o Diretor da Casa da Moeda?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Político.
Estritamente político, sobre campanhas políticas no Estado do Rio de Janeiro.
Ele participava de algo relacionado à Prefeitura de ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De Petrópolis?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Ele participava
do Diretório do PT. Ele era do PT, do Rio de Janeiro. E a única campanha que eu
fiz, no Rio, foi a do candidato, então, do PT de Petrópolis. Está aqui o valor
da campanha. O nome da empresa que fez, e as declarações do TER.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tem uma
condenação por sonegação de contribuições previdenciárias?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É verdade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em que fase está?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Está em fase
recursal. Eu não sou expert em advocacia, mas está em fase de recurso;
eu recorri.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa sonegação teria
ocorrido em que empresa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – DNA Propaganda.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – DNA Propaganda.
V. Sª conhece Emerson
Palmieri?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Posso te passar
também todos os processos dessas empresas.
Um momento. (Pausa.)
Os processos todos estão aí,
Deputado Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.
V. Sª conhece Emerson
Palmieri?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Conheço, sim,
senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª já fez uma
referência a isso. Segundo sua avaliação, é uma pessoa de crédito? De
confiança? Uma pessoa em que se pode acreditar?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sr. Deputado
Relator, eu...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual o tipo de
conhecimento que V. Sª tem?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu conheci o
Sr. Emerson Palmieri na sede do Edifício Varig, no PT. Nós conversamos
estritamente sobre política, sobre eleições. Ele me contou as histórias das
viagens dele, as que ele faz de Hally Davidson e tudo; nenhuma intimidade maior
nesse sentido de nenhum negócio, nenhum negócio de dinheiro, nenhum negócio de
levar mala. Eu me surpreendi com essa informação do Sr. Emerson Palmieri. Na
minha opinião, nesse dado, ele não merece o menor crédito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece a empresa
Longo Alcance, de São Paulo?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Conheço, sim,
senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual a atividade dela,
e qual a relação que V. Sª tem, as suas empresas, com essa Longo Alcance? De
quem é essa Longo Alcance?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Deputado, eu
não tenho nenhum relacionamento com essa empresa. Mas conheci o dono da Longo
Alcance porque ele era presidente de uma empresa que atende junto com a DNA
Propaganda e Ogylvi e a Dmais a conta do Banco
do Brasil. Ele era Presidente do Grupo Total. Era o Sr. Gabriel Rico, se não me
engano.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Gabriel Rico é o
titular da Longo Alcance?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Era o titular
da Longo Alcance.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu não percebi. E qual
é a atividade, o ramo da Longo Alcance?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu sei, por
alto, que ela representa veículos de comunicação. É a única coisa que eu sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Oficiais também?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não sei dizer.
Eu não tenho intimidade com essa empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A DNA ou a SMPB, de
alguma forma, tiveram algum relacionamento com essa Longo Alcance?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Creio que não,
porque é uma empresa que trabalhava, como outras “N”, em Brasília,
representando vários veículos de comunicação: rádios do interior, jornais do
interior. Eu creio que não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É uma agência de
publicidade?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não é uma
agência. Eu diria que é um birô de vários veículos, de jornais. Os jornais,
geralmente, do interior ou rádio do interior, têm representantes em Brasília.
Ela seria um desses representantes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela teria alguma força
para intermediar, enfim, para interferir na distribuição de verbas relacionadas
à publicidade?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Que eu saiba
não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Há um questionamento
em relação ao Banco Popular, que ele teria só três agências, e terminou
gastando R$ 24 milhões com publicidade. V. Sª poderia nos esclarecer que publicidade
foi essa, em relação a quê que beneficiaria essa atividade restrita de três
agências?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Foi muito boa e
pertinente essa pergunta. O Banco do Brasil possui três agências: a Dmais, a
DNA Propaganda e a Ogylvi. Num dado momento, o
Banco do Brasil resolve criar um Banco Popular, que era para microcrédito. E
procede a uma licitação interna, entre as três agências, de campanha
publicitária para lançar o Banco Popular no mercado. As três agências
participam dessa licitação interna. E um comitê de marketing do Banco do
Brasil escolhe as campanhas vencedoras. E uma das campanhas vencedoras, a
campanha vencedora de lançamento foi da DNA Propaganda. Então, houve uma
licitação interna e a DNA Propaganda lançou. A posteriori, houve outras
licitações dentro do Banco Popular, que outras agências ganharam, não a DNA
Propaganda. Mas o lançamento do Banco do Brasil para o mercado foi feito pela
DNA Propaganda, sim, senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nesse valor: R$ 24
milhões?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Creio que sim,
apesar de não estar familiriazado com o faturamento do Banco Popular.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece João
Cláudio Genu?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sim, senhor. O
conheço do gabinete do Deputado José Janene.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele costumava
freqüentar encontros seus ou a agência sua? Ele tinha alguma razão, algum elo
de ligação, recebeu valores...?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor. E
não tenho nenhuma intimidade com ele, no sentido de negócios, de valores, de
transferência de recursos, nenhuma.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse conhecimento que
V. Sª tem, pode pelo menos fazer referência onde isso ocorreu? Foi no gabinete
...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sim, foi no
gabinete do Deputado José Janene.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª esteve no
gabinete do Deputado José Janene?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES
DE SOUZA – Sim, estive no gabinete
do José Janene.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece Marco
Antônio, da Diretoria de Comunicação da Secom?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Marco Antônio
Flora?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Lá, é Marcos
Flora. Estou perguntando Marco Antônio, da Diretoria de Comunicação da Secom.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Conheço, sim, senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A esposa dele é sua
representante em Brasília?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não. A esposa dele
trabalhou para a Multiaction Eventos, em Brasília; era Diretora da Multiaction
Eventos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e
Srs. Parlamentares, evidentemente ainda há muito por ser esclarecido e, já
antevendo que nós iremos ficar até à meia-noite, me dou, momentaneamente, por
satisfeitos, mas acompanharei os questionamentos. E, na medida do possível,
também pedirei a permissão dos Parlamentares para, quando necessário,
interferir.
Agradeço a tolerância de
todos.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Muito obrigado
Relator, Deputado Osmar Serraglio, pelo otimismo do “até à meia-noite”.
(Risos.)
Com a palavra a Senadora
Heloísa Helena.
Vou controlar o tempo com
absoluto rigor e tolerância zero.
V. Exª dispõe de 10 minutos,
Senadora Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Aumentou o número das minhas rugas,
Presidente.
Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Senadores, eu também vou solicitar ao depoente, já que nós não temos, em função
do tempo, que é determinado, a possibilidade de fazer como o Relator, que faz
os questionamentos e que V. Sª vai respondendo. Nós não temos condição de fazer
isso objetivamente, em função do tempo que é dado para cada um das Sr[s e dos
Srs. Senadores e Deputados.
Quero deixar claro para V.
Sª e para qualquer outra pessoa que, todas às vezes – eu não sinto nenhum
prazer de estar em situações como essa – , até porque, todas as vezes que
alguém começa a prestar um depoimento, humildemente, eu fico tentada a ficar
muito sensibilizada em relação ao quadro e à situação de quem se senta aí na
condição de depoente, primeiro, porque eu penso especialmente nas crianças –
nos filhos – e nas mães. Eu costumo pensar nessas coisas. Sempre fico pensando,
imaginando a dor dos filhos de quem está aí sentado, das crianças, como eles
passam a vivenciar o dia-a-dia na escola, como é que eles passam a ser
humilhados na escola, como é que fica a...
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – ...como é que fica a angústia no
coraçãozinho de uma criança diante das coisas que vão sendo ditas pela imprensa
relacionadas aos seus pais. Eu quero dizer a V. Sª também que sinto,
sinceramente, a dor da perda do seu filho. Eu sei, porque senti essa dor muito
perto da minha vida e sei, certamente, que não há outra dor maior do que essa.
Aprende-se a conviver com essa dor, mas não se consegue superá-la.
Eu também não tenho dúvida,
não tenho dúvida, e a literatura mostra isso, e também a vida objetiva, que
muitas pessoas, que são absolutamente frias na arte do roubar e até do matar,
eles, às vezes, conseguem ser bons pais, boas mães. Às vezes, eles conseguem
ser acolhedores, carinhosos; às vezes, tentam passar para os seus filhos bons
valores que, pelo exemplo, eles estariam incapacitados de passar. Então, não se
trata exatamente disso. Eu sei também que quando a gente está tratando de casos
como esse, temos a obrigação de pensar além da dor pessoal e familiar, que é
muito grande, é respeitável. Mas existe uma outra dor maior, sufocante,
angustiante, que é a dor de milhões de mulheres e homens de bem e de paz, que
são honestos, que tentam criar os seus filhos dando bons exemplos de
honestidade, que ficam absolutamente indignados e angustiados diante da
impunidade para a delinqüência de luxo. Porque todas às vezes que uma pessoa
rica e poderosa se beneficia do dinheiro público, patrocina verdadeiras e
luxuosas orgias com o dinheiro público, se beneficiam com viagens internacionais,
com casas maravilhosas, com tudo aquilo que o dinheiro é capaz de dar –
especialmente o dinheiro saqueado dos cofres públicos. Isso gera uma angústia
muito grande na população, de maneira geral, porque a população sabe que se o
pobre roubar o pão para alimentar o seu filho faminto, que está em casa, o seu
destino vai ser o Carandiru, o presídio, a cela malcheirosa e os maltratos;
enquanto que o de luxo, aquele que muitas vezes conjuga de todas as formas e
modos o verbo “roubar”, sem risco, sob o manto da impunidade da elite política
e econômica, esses, às vezes, são recebidos nos salões da high society,
no Congresso Nacional, circulam, com desenvoltura, como se pessoas honestas
fossem e, efetivamente, não o são. É por isso que nós temos, aqui, a obrigação
de sermos extremamente rigorosos no papel que nos cabe. Uma CPI é capaz de dar
o tributo, a honraria da inocência para quem inocente é. Mas ela é capaz também
de estabelecer mecanismos para indiciamentos de outros órgãos do Ministério
Público e uma gotinha de oxigênio e de esperança para milhões de pessoas que,
por mais que a realidade implacável diga “não”, por mais que a realidade
implacável diga “que vale a pena roubar”, mesmo assim, eles continuam dizendo
aos seus filhos: “Não roubem, não matem, não sejam delinqüentes”. Eles
continuam dizendo isso. Então, a nossa obrigação é muito também em relação a
isso.
Sr. Marcos Valério, eu vou
diretamente a algumas questões, que estão sendo tratadas na imprensa, que V. Sª
tratou no depoimento à Polícia Federal. Infelizmente, para tristeza minha –
porque eu não me canso de repetir, e se alguém achar ruim, que ache, porque eu
vou continuar repetindo sempre – , eu sempre fico angustiada diante dessas
denúncias graves, e não são apenas denúncias, mas indícios relevantes de crimes
contra a administração pública, patrocinada por este Governo e articulada numa
verdadeira articulação de gangues partidárias – PT, PMDB de PTB – , eu fico
muito mais triste e, certamente, ficaria feliz de estar discutindo isso quando
era o Governo Fernando Henrique Cardoso e a sua tropa de choque quando fazia.
Sinto-me mais triste porque eu dediquei os melhores anos da minha vida para
ajudar a construir o PT, e nem os posso trazer de volta, e repito isso muitas
vezes – muitas vezes – para quem quiser ouvir, e quem não quiser ouvir, ouvirá
todas as vezes que eu entender necessário, porque não é uma coisa qualquer
quando um Partido de esquerda se submete, se presta a ser parte de tudo aquilo
que condenou ao longo da sua história de vida. E, aí, eu entro nos
questionamentos que, se V. Sª puder anotar, seria melhor.
O senhor disse, na Polícia
Federal, que, no segundo semestre de 2002, conheceu o Sr. Delúbio Soares,
Tesoureiro do PT, que, volto a repetir aqui – para quem quiser ouvir e para
quem não quiser ouvir também – , é inimaginável que o Sr. Delúbio Soares, que o
Sr. Sílvio Pereira, o Deputado José Dirceu pudessem fazer alguma coisa sem o
conhecimento e sem a autorização do Presidente Lula. Mas isso a CPMI poderá
mostrar, e eu poderei ter que me desculpar no futuro, diante dessa observação
muito objetiva que faço. O senhor conheceu o Sr. Delúbio Soares em 2002. Oito
meses depois o senhor já era avalista de um empréstimo de R$2,5 milhões,
pagando, inclusive, uma parcela de juros desse empréstimo, porque assumiu a
dívida solidariamente – aliás, o BMG, nós temos que investigar também, porque é
um Banco que tem 40% dos empréstimos de créditos consignados nele. O senhor
tinha inclusive a possibilidade, conhecendo há pouco tempo o Sr. Delúbio
Soares, de já ser avalista de um empréstimo como esse. O Deputado José Borba –
e não foi só o Deputado Roberto Jefferson – disse, ontem, da tribuna da Câmara,
que os encontros que tinha com V. Sª se destinavam a analisar e definir
ocupação de cargos, já que, publicamente, se atribuía dele ser parte do esquema
do mensalão. O senhor já era capaz, inclusive, de intermediar relacionamento
entre o Banco Rural e o Banco Central, articulando com dirigentes do PT,
encontros com os diretores da fiscalização do Banco Central. Intermediou
encontro com o Sr. Carlos Rodenburg, acionista do Banco Opportunity, que dizia
estar enfrentando problemas na relação com o Governo. O senhor disse, no
depoimento à Polícia Federal, que vinha tendo problemas em relação a ganhar licitações.
Não conseguiram vencer nenhuma das licitações de que participavam...
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – ... e, sendo assim, as referidas
empresas estavam sendo desativadas – estou concluindo, Sr. Presidente.
Entretanto, V. Sª ganhou muitos contratos vultosos em órgãos públicos no atual
Governo. E aí eu quero que o senhor possa detalhar para todos sobre os
contratos de comunicação.
Como sabemos, as licitações
dos contratos de publicidade elas são, em maioria, do tipo técnica e preço. Ela
tem também um caráter subjetivo, que é quando uma comissão se reúne e, pelo
caráter subjetivo, diz que a melhor publicidade é aquela ou outra.
O senhor disse, aqui, que
seria tecnicamente impossível superfaturamento, pois os veículos teriam que
estar – palavras de V. Sª – mancomunados. Entretanto, sabemos que a agência
passa para o cliente uma nota fiscal, que não necessariamente especifica o que
foi gasto em cada veículo, notas específicas de cada veiculação. O trabalho
todo inclui, para criação e outras coisas mais, inclusive questões subjetivas
das agências, que podem dar margem à manobra. Cada agência tem um acordo com um
veículo que dá um desconto, e as mais ativas no mercado podem...
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – ... até ser descontado do cliente.
Então, eu quero que V. Sª nos esclareça também sobre a bonificação de volume,
porque recebemos uma denúncia, que não existe comprovação, até porque a pessoa
que fez a denúncia não se predispõe a depor, em que dizia que a forma de
desconto, a bonificação de volume, que, como sabe V. Sª, é um estímulo dado
pelos fornecedores das agências aos seus anunciantes, ao invés de dez, daria
doze anúncios e, ao invés de eles darem dois anúncios a mais, eles pagariam em
dinheiro, e a própria agência forneceria...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Heloísa
Helena, por favor, concluindo.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Estou concluindo; estou concluindo.
A agência forneceria uma
nota fiscal aos fornecedores, que recolheriam impostos e legalizaria algo que
entraria em dinheiro, em espécie.
Uma outra coisa, volto a
repetir, Sr. Relator, a necessidade de termos acesso à nota jurídica, que foi
produzida pelo setor jurídico dos Correios, que impedia uma das empresas do Sr.
Marcos Valério a se capacitar ao processo licitatório. Depois, por vias
transversas, segundo denúncias por meio da participação da Secom, isso acabou
sendo viabilizado.
Gostaria que V. Sª
detalhasse também – aí é uma pergunta grande – em relação ao contrato feito com
a Câmara dos Deputados, inclusive de mais de R$10 milhões, inscrevendo os R$10
milhões em restos a pagar, ainda no dia 31 de dezembro.
Que V. Sª nos
disponibilizasse também, até porque os dados que chegaram, ontem, no Coaf, não
por responsabilidade do Coaf, porque o Banco Central, ou por omissão, ou por
negligência, ou por qualquer outro adjetivo, ou irresponsabilidade, acabou não
fiscalizando os bancos, que, por sua vez, não encaminharam ao Coaf...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Heloísa
Helena, por favor, conclua, porque isso vai afetar todos os outros
questionamentos. Por favor.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Com certeza, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por uma questão de
solidariedade com os colegas.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não, claro. A solidariedade aos
colegas, o respeito aos colegas e a solidariedade ao processo de investigação
como quer, como manda o povo brasileiro.
Que V. Sª diga quais os
saques. Porque, os saques citados pelo Relator, não houve nenhum saque em
Brasília; nenhum saque em agência em Brasília; nenhum saque em dinheiro,
montanhas de dinheiro que foram sacadas, supostamente para pagar o mensalão;
nenhuma chegou, porque as agências não disponibilizaram ainda. Inclusive
apresentamos um requerimento para que isso fosse disponibilizado.
Outra coisa: que V. Sª trate
sobre os contratos do Banco Popular. Como sabemos todos nós, o Banco Popular,
que emprestou R$20 milhões e acabou gastando R$25 milhões em publicidade. Que o
senhor possa disponibilizar isso.
O senhor disse também, no
depoimento à Polícia Federal, que iria providenciar os levantamentos
necessários necessários para comprovação dos saques. No seu depoimento, não indicou
nenhum fornecedor ou ativos adquiridos com o dinheiro sacado em espécie. Peço a
V. Sª que disponibilize a esta Comissão esses levantamentos, com os quais já se
comprometeu com a Polícia Federal.
Já me reinscrevo novamente,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr.
Marcos Valério.
Gostaria de ponderar – não é
crítica a ninguém – que, efetivamente, nos concentremos na averiguação, nos
questionamentos, nas perguntas. Peço também aos Parlamentares que não repitamos
determinadas perguntas que serão feitas, naturalmente, ao longo desta reunião,
para que tenhamos objetividade. O importante é a averiguação.
Com a palavra o Sr. Marcos
Valério.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Senadora, vou procurar
responder a todos os seus questionamentos.
O primeiro questionamento:
sou aval do PT no contrato inicial do Banco BMG no valor de R$2,5 milhões. Eu
paguei a primeira parcela do vencimento, de acordo com o que falei ao Relator,
de R$351 mil. É verdade. Procede, e está na minha contabilidade.
O Sr. José Borba: mentiras
as afirmações do Deputado José Borba. Volto a falar: mentiras as afirmações do
Deputado José Borba.
Relacionamento BC/Banco
Central.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – V. Sª encontrou o Deputado José Borba,
e do que tratou?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Tratei de assuntos
políticos, e encontrei realmente o Deputado José Borba. Assuntos políticos.
Campanhas políticas do PMDB. Não tratei de cargos, até porque, daqui a pouco,
vou ser um ministro sem pasta, não é?
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Há muitos.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr.
Marcos Valério.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – BC/Banco Rural. Levei o
Dr. José Augusto Dumont, falecido, ao Banco Central para conversar assuntos
relacionados ao relacionamento do Banco Rural com o Banco Central, com a
presença do Deputado Virgílio Guimarães, do PT. Entrei calado e saí mudo. O
Deputado é testemunha disso. E ele tratou exclusivamente de relacionamento do
Banco Central com a entidade dele, e mais nada.
Carlos Rodenburg, eu o
apresentei, sim, ao Dr. Delúbio Soares. Verdade. Confirmo essa apresentação.
Meus contratos das agências
com Governo Federal. É importante salientar que, primeiro, a licitação da DNA
Propaganda com o Governo Federal à Eletronorte aconteceu durante o Governo do
então Presidente Fernando Henrique Cardoso, dentro das normas, dentro da maior
transparência. Ganhei – perdão – , a agência ganhou dentro da maior
transparência. Não houve nenhuma influência política. As renovações dos
contratos a posteriori obedeceram às normas licitatórias vigentes.
O Ministério do Trabalho: a
agência já atende, há muitos anos, o Ministério do Trabalho – há mais de dez
anos – , e veio ganhar também dentro das normas licitatórias. E as renovações
foram dentro das normas contratuais permitidas.
O Banco do Brasil: a agência
atende desde 1994, e vem ganhando a conta dentro das normas e dentro de um
trabalho competente, que vem fazendo dentro do Banco do Brasil.
A SMP&B Comunicação
ganhou o contrato do Ministério dos Esportes também dentro das normas, na época
do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, transparente, sem menor vício em
nada. Ela ganhou dentro da legalidade esse contrato do Ministério dos Esportes.
Idem na conta dos Correios.
Já tinha ganho dentro do Governo Itamar Franco, em 1994, e voltou a ganhar
agora no Governo do Presidente Lula. Dentro das normas, a nota técnica, a nota
jurídica não beneficiou a minha agência. Podemos verificar todas as 55 empresas.
Com certeza, beneficiou várias outras empresas também. Da Câmara Federal,
ganhamos o contrato através da SMP&B dentro das normas e das normas
técnicas também. A subjetividade e a análise da comunicação, isso vem de acordo
com vários governos, seguindo o mesmo procedimento: técnico, subjetivo,
criatividade e preço. Aí não compete a mim falar se é certo ou errado. Isso é
uma análise do Governo. BC/Coaf – isso tomei conhecimento da listagem do Coaf
de uma forma ilícita pela imprensa. Não tomei conhecimento, não sei a relação
de saque, não sei os valores. Foi o que eu ouvi divulgado pela imprensa; um
documento sigiloso – que considero – divulgado pela imprensa. Banco Popular,
volto a explicar: foi feita uma licitação entre as três agências para o lançamento
do Banco Popular. Essa licitação foi submetida a um comitê de crédito do Banco
do Brasil. Com certeza, há uma ata dessas reuniões e onde foram julgadas todas
as campanhas. E a campanha vencedora de lançamento foi a da DNA Propaganda.
Logo em seguida, teve outras campanhas que outras agências também ganharam.
Ativos adquiridos da empresa: reservo-me o direito de não expor aqui.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Desculpe, Sr. Presidente. Ele faltou
responder duas. Faltou responder a que trata do BV, da Bonificação de Volume, e
também qual o tema que levou a Srª Karina a fazer chantagem e extorsão. Qual o
tema que acabou V. Sª processando no Ministério Público? Então, essa questão da
suposta chantagem e extorsão da Srª Karina, qual a motivação, qual o tema, o
volume dos saques em Brasília e a questão do BV – desculpe-me – Bonificação de
Volume.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Desculpa, Senadora.
Perdi-me um pouco. Bonificação de volume, eu não tenho conhecimento. Não é da
minha área porque eu não tenho esse tipo de conhecimento de bonificação de
volume. Sei que os veículos fazem, sim, senhora, mas não tenho conhecimento de
valores. Não tenho conhecimento.
Karina. Aí eu vou apresentar
alguns documentos sobre esse episódio da Karina.
Senadora, vou passar ao
Relator como são feitas as notas das empresas e também do Banco do Brasil e de
outros órgãos, como é feito e os veículos que estão aqui e o que realmente fica
para as agências. Estou lhe passando todas as notas fiscais emitidas em um
certo período.
Aqui, um relatório falando
dos ganhos das empresas com os devidos veículos também, e é tirado por
amostragem. As contas estão abertas para serem verificadas.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Os ativos V. Sª disse que não poderia
disponibilizar.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Heloísa Helena,
por favor. Gostaria, Sr. Marcos,...
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Ele não respondeu sobre a Karina. Ele
tem que responder.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sr. Marcos Valério, por
favor. Ele vai responder agora, Senadora Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – E sobre os levantamentos
necessários...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Estamos há vinte
minutos no primeiro Parlamentar. É demais!
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu sinto muito, Sr. Presidente. Ele só
tem que responder.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, gostaria que V. Exª definisse claramente dois procedimentos. V. Exª
delimitou dez minutos para as perguntas...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Dez minutos entre
perguntas...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Exª
delimitou dez minutos para as perguntas; depois seria dado tempo necessário
para o depoente oferecer as suas respostas.
Eu queria apenas que V. Exª
definisse um tempo para os Parlamentares que fizerem a opção de perguntar e
ouvir imediatamente a resposta do depoente, o que, inclusive, é muito mais
producente para esta Comissão, a fim de que não haja réplica, tréplica, enfim!
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Disse que isso não poderia ser feito.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Portanto, eu gostaria de que V. Exª definisse dois procedimentos: dez minutos
apenas para perguntas e outro tempo necessário àqueles que queiram travar o
debate.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Definiremos, entre
perguntas e respostas, treze minutos; é o suficiente.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Como ele responderá em três minutos,
Sr. Presidente? Ele não consegue.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Então, quinze minutos.
Passados os quinze minutos, cortarei o som e concederei a palavra ao
Parlamentar seguinte.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas ele não respondeu.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Estamos combinados a
partir de agora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Ele não respondeu ao que perguntei.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr.
Marcos Valério, por favor.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu gostaria de
pedir ao Sr. Presidente... Vou anotando as perguntas e vou respondendo às
perguntas no final.
Vou responder à Senadora.
O SR. (Orador não identificado) – No meu caso, não
aceito, Sr. Presidente. Quero perguntar e obter a resposta na hora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Como cronometrar esse tempo?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por favor, Sr. Marcos
Valério.
Com a palavra, para
responder, o Sr. Marcos Valério. O próximo Parlamentar é o Deputado Eduardo
Paes.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Vou responder
sobre a Karina à Senadora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Quero saber sobre os levantamentos
necessários que sabe. O senhor disse que faria isso.
O SR. MARCOS VALÉRIO – Eu tomei conhecimento do Coaf, Senadora, via
imprensa. Eu não tomei conhecimento oficial do Coaf. A Receita Federal está na
minha empresa; ela está fazendo os devidos levantamentos; está fazendo a
fiscalização e também a auditoria das minhas contas.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sei que é difícil, Sr. Presidente.
Sr. Marcos Valério, o senhor
assumiu na Polícia Federal disponibilizar os levantamentos.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Sr.
Marcos Valério, encerrando a última pergunta da Senadora Heloísa Helena.
Depois, passarei a palavra ao Deputado Eduardo Paes.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Karina. A
Karina trabalhou para mim durante nove meses, até janeiro de 2004. Não tinha
nada contra a Srª Karina; nada. Ela saiu, e eu ainda dei uma gratificação a ela
de R$5.000,00 por serviços prestados.
Por que a Karina saiu?
Porque eu viajava muito e não tinha necessidade de eu ter uma secretária que
ficasse ali só marcando passagem e viagem para mim.
Bom, a Karina sai e me liga
várias vezes, solicitando recursos financeiros e ajuda financeira; várias.
Depois disso, eu comecei a não mais atender a Dona Karina ao telefone. Aí, ela
começa a me deixar e a me mandar e-mails e recados que vou ler aqui
agora:
“Marcos Valério, tudo bem
com você? Espero que sim. Estou precisando muito falar com você. Na verdade,
estou tentando há duas semanas e não tenho tido sucesso. Quando estiver aí em
BH me liga, para eu poder lhe fazer uma visita. Tenho um assunto importante
para tratar com você e de seu interesse. Qualquer dúvida me ligue no celular e
a gente marca. Obrigada. Beijos, Karina.”
Deixou o celular.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Qual é a data?
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – 22 de junho de
2004; está aqui.
O que aconteceu? Ela falou
com a Srª Adriana, a outra secretária, Adriana Fantini, que tinha um jornalista
querendo saber coisas a meu respeito e oferecia gratificação para ela. Até aí
não a atendi novamente, e ela deixou outros recados que vou ler: “Descobri que
conseguiram entrar com a minha senha no meu Banco e viram o meu saldo, etc.
Acho que você deveria saber. Qualquer dúvida me ligue que eu te explico melhor.
Ok? Obrigada, Karina”.
Logo
depois, ela também não conseguiu falar comigo e foi para uma outra empresa – de
vez em quando passo por lá e trabalho lá – , chamada DNA Propaganda, e deixou,
com o timbre da DNA, alguns recados. O primeiro recado era:
“Karina.
Marcos Valério. MV, fiquei te esperando e tentamos te localizar, mas não
conseguimos. Quando tiver por aqui, a gente se encontra. Beijos, Karina.”
Logo depois, ela deixa outro
recado com um e-mail:
“Sobre o e-mail, pedi
ajuda de um amigo que faz programas sobre o e-mail que recebi. Ele
rastreou e descobriu que saiu do servidor do Governo em Brasília. Eles fizeram
um replay que faz mandar do meu e-mail para ele mesmo”.
Vamos
ler o e-mail que ela deixou:
“Já
faz tempo que não conversamos, não é? Estamos dispostos a lhe ajudar
financeiramente para que você apenas responda às nossas perguntas sobre as
coisas do seu ex-chefe. Penso que vai ser bom para a nossa investigação e
também bom para você. Afinal, você continua sem emprego e não adianta nos falar
que isso é contra a sua ética, porque isso não existe quando a gente está
falando em uma quantia que vai lhe ajudar e muito. Pense bem. Voltarei a ligar
daqui a alguns dias. Espero que a sua resposta seja positiva. Estamos contando
com você. Saudações, Ana e equipe.”
Depois
disso, não falei com a Srª Karina mais. Em meados de 2004, recebi um telefonema
de São Paulo de um jornalista chamado Gilberto Mansur. Esse jornalista falou
comigo o seguinte: “Marcos, tem uma ex-secretária sua dando uma entrevista para
a Revista ISTOÉ, que está tirando as devidas fotos, entrevistando ela.”
Eu disse: Gilberto, peça, por favor, à direção da Revista ISTOÉ que me
escute, porque eu também tenho que falar e que provar – dessa entrevista. Não
sei o teor dela, mas gostaria de saber.
Então, Srª Senadora, o Sr. Gilberto Mansur marcou uma entrevista minha
com o meu advogado Rogério Tolentino e ele com o Dr. Domingo Azulgaray. Na
revista, ele me deixou ver o teor da entrevista. Eu li a entrevista, virei para
o Sr. Domingo Azulgaray e pedi um tempo para provar para ele, documentalmente,
que aquela entrevista era mentirosa.
Passaram alguns dias, marcamos novamente uma entrevista com a presença
do Sr. Gilberto Mansur, meu advogado e eu. Apresentei a documentação e, depois,
ele ainda a checou com as pessoas. Ele me entregou o original da entrevista,
que está aqui e vou passar ao Relator, que a Srª Karina teria dado na época.
Ele me entregou e falou: “Isso eu estou convencido de que é mentira e não vou
publicar. Acho que o senhor deveria tomar algumas providências”. Está aqui o
original.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – É Gilberto
Alípio Mansur?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Gilberto Mansur, pelo
que conheço.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Alípio? ...
porque há um Gilberto Mansur, que sacou das contas de V. Sª R$300 mil; não é esse?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu conheço Gilberto
Mansur.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – R$300 mil.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Está com a
palavra o Sr. Marcos Valério.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Vou concluir.
Então, em seguida, ele me entregou a reportagem e, por meio do meu
advogado, Dr. Paulo Sérgio de Abreu, entrei com uma queixa na Delegacia contra
a Dona Karina por extorsão e chantagem. Ela vai à Delegacia e desmente tudo no
depoimento dela.
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais aceita a queixa-crime e
começa um processo criminal contra ela. Ela vai ao Juiz da 6ª Vara e nega tudo
novamente.
Ela vai novamente à
Delegacia de Polícia Federal, que ela foi a primeira vez, e negou novamente. E
depois ela muda o depoimento dela. Vou passar a cópia completa do processo
criminal que o Ministério Público e onde eu apareço como vítima da D. Karina. A
cópia do processo, estou passando ao Sr. Relator. É esse o episódio da D.
Karina.
A SRª HELOÍSA HELENA (P- SOL – AL) – Não entendi a distorção e a
chantagem ainda.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao
Deputado Eduardo Paes.
Gostaria de reiterar a V.
Exªs o bom senso. Nós, só nessa inquirição, levamos mais de meia hora.
Portanto, volto a reiterar o posicionamento do Relator Osmar Serraglio:
meia-noite é pouco para nós. Por isso é um homem otimista.
Então, peço, por favor, o
bom senso porque estamos há mais de 30 minutos na primeira inquirente. Não dá!
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Parlamentares, antecipando-me, na linha – gostaria de pedir silêncio, Sr.
Presidente, senão não vou conseguir ouvir-me – na linha do que disse a Senadora
Heloísa Helena, Dr. Marcos Valério, parece-me que nós não estamos tratando de
questões pessoais. V. Sª precisa entender que V. Sª está sob investigação de
uma Comissão Parlamentar de Inquérito que busca apurar denúncias gravíssimas de
corrupção, de tráfico de influência e tudo o mais, como disse a Deputada Juíza
Denise Frossard, enquadrando-se pelo menos em metade do Código Penal. Portanto,
todos nós aqui temos que agir com rigor e pensar, sim, nas famílias que não
tiveram condições de dar tratamento adequado a seus filhos porque os recursos
públicos não são suficientes.
Portanto, quero primeiro
contextualizar. V. Sª disse aqui que a SMP&B e a DNA são empresas de 25,
30, 40 anos. Perfeito! Compreendo. Creio que V. Sª tem razão quando diz isso.
Mas entenda: suas empresas, que têm 35, 25, 40 anos, com a sua sociedade ou
não, que já prestaram serviço para vários Governos - Itamar Franco, Fernando
Henrique Cardoso, agora o Governo Lula, provavelmente Governos Municipais e
Estaduais -, neste momento, Dr. Marcos
Valério, estão sendo acusadas de uma série de desvios e, inclusive, da acusação
mais grave já havida nos últimos tempos no Brasil, que é o pagamento de
mensalão a Parlamentares. V. Sª está sendo acusado como sendo o agente do
mensalão. Portanto, temos que contextualizar porque é este o quadro em que V.
Sª vem depor nesta Comissão. Não é outro o quadro. Não é para falar da tradição
da sua agência, nem das suas questões pessoais.
Queria que, à medida que eu
fosse perguntando, V. Sª, por favor, fosse respondendo com a maior brevidade possível,
já que o tempo é curto.
Parece-me que V. Sª vive uma
situação de crise, de dificuldades nas agências e depois V. Sª conhece o Sr.
Delúbio Soares e, de forma fantástica, torna-se – parece-me que V. Sª alega que
por os dois terem características parecidas, serem da roça – V. Sª se
transforma num grande amigo do Sr. Delúbio Soares num prazo curtíssimo de
tempo. Gostaria de entender um pouco mais, de forma breve, como se iniciou essa
relação.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Em meados de
2002, apresentado pelo então Deputado Federal Virgílio Guimarães.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Existe alguma relação, Senadora
Heloísa Helena, entre...
(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)
O senhor tem, em 1999, pelo
que revelou a revista Época, um patrimônio declarado de 2,1 milhões; em
2000, 2,9 milhões; em 2001, 3,3 milhões; em 2002, 3,8 milhões. Ou seja, vem
tendo um crescimento aceitável. Em 2003, porém, V. Sª tem um aumento
patrimonial de 3,8 milhões para 6,7 milhões; de 2003 para 2004, de 6,7 milhões
para 14,2 milhões. Isso tem alguma relação com a fantástica amizade que V. Sª
manteve a partir desse momento e desse ano ou é uma mera coincidência V. Sª ter
conhecido o Sr. Delúbio Soares, quando tem esse aumento e incremento
patrimonial?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É o meu imposto
de renda, não é, Deputado?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Exato.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, nenhum.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É uma mera coincidência?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não. Não
é, não. Vamos esclarecer esse fato. É importante.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Claro. Estou-lhe ouvindo.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Até para eu dar
explicação, que o meu imposto de renda foi discutido ao vivo e em cores no
Jornal Nacional.
Primeiro, a minha empresa, a
SMP&B Comunicação, 20% do valor dela faturado foi da iniciativa pública,
das entidades públicas. O restante foi privado. Então, tivemos muito trabalho
para atingir o público privado e houve um crescimento muito grande.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ou seja, o que V. S.ª está me dizendo é
que a partir do momento, por coincidência, que V. S.ª se torna amigo do Sr.
Delúbio Soares o senhor também tem um incremento nas empresas de seus clientes
privados?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É fruto do
trabalho e não do Delúbio Soares.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito.
Vou lhe fazer uma indagação
rápida sobre algumas pessoas.
Em que momento o senhor
esteve com esse Gilberto Mansur, da Karina, da história da Karina?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Em meados de 2004, no
segundo semestre.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, para constar aqui, Sr.
Relator, a Senadora Heloísa Helena tem toda a razão. Há, nos dados enviados
pela Coaf no dia de ontem, há um pagamento de V. Sª no dia 24 de março de 2004
ao Sr. Gilberto Mansur. Vamos ter que apurar se é a mesma figura, mas me parece
que é muita coincidência.
O senhor conhece o Sr.
Márcio Iran Guimarães Novais?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sim, é o meu sócio na
Estratégia.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Valter Eustáquio Cruz Gonçalves?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Conheço sim, de
Belo Horizonte.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Quem é? Conhece da onde?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Ele é
representante de veículos de comunicação.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor sabe que ele é sacador de
recursos em dinheiro das suas empresas? O senhor tinha conhecimento disso?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Com certeza
deve ser. Ele é fornecedor.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Wagner Valter Monteiro.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Gerente
Financeiro da DNA Propaganda.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Paulino Alves Riberiro Júnior?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Diretor
Financeiro da DNA Propaganda.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Benone Nascimento de Moura?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ele também fez algumas retiradas das
suas empresas em espécie.
O Sr. Júlio César Marques
Cassal?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Também não
conheço.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Também fez uma quantidade enorme de
retiradas no dia 22, 19/05, 01/07, 22/07 e 19/08 da sua empresa.
O Sr. Robson Ferreira Pego?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Conheço, é meu
gerente financeiro em Brasília.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Gerente financeiro. E o Sr. Benone, o
senhor já disse que não conhece.
Há uma coincidência enorme,
segundo o relatório da sua secretária e o relatório da Coaf encaminhado com
suas viagens e os altos valores sacados em espécie, inclusive aqueles que são
retirados por V. S.ª. V. S.ª tem como
explicar essa coincidência ou também é coincidência do acaso?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Coincidência do
acaso. Eu viajo praticamente quase todo dia.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Toda vez que o senhor viaja o senhor é
uma das poucas figuras no Brasil que saca. Só para dizer a V. S.ª: V. S.ª
tirou, em 19/08/2003, R$150 mil; em 10/10, R$364 mil; em 23 de outubro, R$150
mil; em 20 de janeiro, R$326 mil; em 21 de junho, R$200 mil.
V. S.ª é uma das poucas
figuras que conheço, em um país violento como o Brasil, que saca dinheiro no
banco, tantos valores, quase um milhão e cem mil reais pessoalmente – não estou
falando aqui de todos os saques da sua empresa – e, provavelmente, vai viajar
saindo por aí andando com esses recursos todos.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Com certeza,
não peguei nenhum avião e não viajei com esses recursos, não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. S.ª saiu passeando por Belo
Horizonte, muito provavelmente.
Eu queria indagá-lo acerca
do empréstimo, essa coisa fantástica. V. S.ª costuma ser gentil a ponto de
fazer, de ser avalista de todas as pessoas que o procuram para fazer
empréstimos e precisam de avalistas?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Relate algum caso. A primeira vez foi
para o Delúbio e para o PT?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. S.ª é filiado ao PT?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Também não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Tem simpatias especiais pelo PT? Eu até
entenderia o senhor ser avalista do PT.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sr. Deputado...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Deputado Eduardo Paes.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Deputado
Eduardo Paes, desculpa. Eu peço perdão.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não há problema algum.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu fui avalista
do PT a pedido do Dr. Delúbio Soares, como também fui avalista de outras
pessoas.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas o senhor faria isso para qualquer
pessoa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, pessoas
com quem tenho relacionamento como já fiz para outras pessoas.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Então, o senhor tem um
relacionamento com o Sr. Delúbio Soares e aceita fazer um aval para o partido.
E por que o BMG? V. S.ª
saberia explicar ou não? Esse banco, como disse a Senadora Heloísa Helena, que
tem quase 40% de todo o crédito consignado pelo Governo Federal, é um banco que
não tem essas proporções que justificaria ter um percentual tão grande no
crédito consignado?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não sei. Isso
tem que perguntar ao PT. Não sei por quê ele escolheu o BMG.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. S.ª é muito amigo e talvez V. S.ª
tenha sido informado.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não fui.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. S.ª diz que gosta muito de conversar
com o Sr. Delúbio e talvez tenha tido a curiosidade de dizer “por que um
empréstimo no BMG e não em outro banco?”, já que V. S.ª seria o avalista. Nem
essa curiosidade o senhor teve?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Como é essa história de tirar o aval
que V. S.ª informou em seu depoimento hoje?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Paguei a parcela
de R$351mil, juros...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O banco o executou, cobrou do senhor?
Como foi isso?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não. O
banco estava cobrando. Eram os juros. E eu pedi ao Sr. Delúbio que depois não
constasse mais o meu aval. Foi isso.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Na renovação eu
não assinei como aval. É só pegar os contratos, Deputado.
O senhor esteve com o
Ministro José Dirceu, em algum momento, tratando de questões de fundo de
pensão? O senhor esteve com o Ministro José Dirceu, o Sr. Daniel Dantas e o
advogado Cacaio? E qual foi o motivo da reunião? Eu gostaria de saber de V. Sª.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu nunca estive
com o Sr. Daniel Dantas, nem com o advogado Cacaio, tratando com o Ministro
José Dirceu.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu nego isso.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Nega? O senhor conheceu o Sr.
Waldomiro Diniz ou não?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Nunca. Não
conheci.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Waldomiro Diniz era também uma
pessoa muito próxima. V. Sª ia muito ao Palácio do Planalto, conversar com a
secretária do Ministro José Dirceu. E ele era assessor parlamentar quando das
suas idas lá. Ele ficava, ele era o assessor parlamentar da Casa Civil. O
senhor nunca teve nenhum tipo de contato?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não. Nunca tive
nenhum tipo de contato.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Deputado Roberto Jefferson, quando
esteve nesta comissão, fez referência...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Eduardo Paes,
eu só gostaria de registrar que estamos com 5 minutos, e quando bater 15, eu
vou cortar a palavra.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Exª acabou de roubar 15 segundos de
mim, Sr. Presidente.
O Deputado Roberto Jefferson
faz referência a uma reunião com V. Sª – certamente os documentos comprovarão,
até porque as coisas que o Deputado Roberto Jefferson vem dizendo,
infelizmente, para tristeza da Nação, vêm, de certa forma, se confirmando – em
que V. Sª teria pedido que os recursos do IRB que ficam no exterior fossem
aplicados no Banco Espírito Santo. O que V. Sª tem a falar sobre isso?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Mentira.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª presta algum tipo de serviço de
publicidade para algum órgão público via outra agência de publicidade que tenha
ganho uma licitação em órgão público?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Eu queria dizer, Sr.
Presidente, que cada vez fica mais claro que a continuarmos, nesta Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito, com as argüições, com as indagações da maneira
que estamos fazendo, corremos aqui o sério risco de, de certa forma, estar
fazendo um papel que vai ser muito difícil para que nós possamos avançar nas
investigações e comprovar todos os episódios que dizem respeito a essas
denúncias todas do chamado “mensalão”.
Por isso, Sr. Presidente,
fiz aquela questão de ordem e vou apresentar, entregar a V. Exª o recurso neste
exato instante, para que V. Exª possa – vou fazer um recurso para a questão do
indeferimento que V. Exª fez porque me parece que isso fragiliza a posição
desta Comissão no processo investigatório.
Quero dizer que há uma
percepção clara de que todos os investigados até este momento, e o Sr. Marcos
Valério certamente, pela capacidade, pelo poder aquisitivo que tem, é o que
mais se preparou para este depoimento – entendo, é compreensível, não falo isso
em tom de crítica – , mas é inadmissível que ele tenha que estar aqui na
condição em que está e que não possamos minimamente dizer que, se faltar com a
verdade, estiver mentindo aqui, isso gerará problemas e terá conseqüências no
futuro. Portanto, entrego o recurso a V. Exª.
Era isso, Sr. Presidente.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Deputado
Eduardo Paes.
Senador César Borges.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Sr.
Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Sr. Depoente Marcos Valério, vou ser
bastante objetivo e pediria também respostas objetivas, para que possamos
aproveitar melhor nosso tempo.
V. Sª já esteve alguma vez com o Deputado Roberto
Jefferson? Em que situação?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Duas vezes, Sr. Senador.
O SR. CÉSAR
BORGES (PFL – BA)
– Em que situação?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Uma vez,
no princípio deste ano, no PTB, e uma vez, por acaso, num restaurante no Rio de
Janeiro.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E trataram o quê no PTB?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Política,
estritamente, campanha eleitoral do PTB.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Que tipo de política? Qual o interesse?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu estava
querendo fazer umas campanhas para candidatos a prefeitos do PTB. Foi
estritamente isso, mais nada.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – V. Sª sabe que o Deputado Roberto Jefferson afirmou ter recebido de suas
mãos R$4 milhões. Verdade?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Mentira.
Mentira.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mentira. O Deputado Roberto Jefferson esteve aqui nesta Comissão e disse
que o PT teria patrocinado uma tentativa do publicitário Marcos Valério de
transferir uma aplicação milionária do Instituto de Resseguros do Brasil, em
bancos da Suíça, para um banco português – seria algo em torno de US$600 milhões, podendo render US$100 milhões para
o caixa do PTB – , e que V. Sª
esteve com ele uma semana depois que ele cobrou o pagamento do restante dos
R$20 milhões acertados com o PT e que V. Sª fez esse tipo de proposta a ele. O
que diz V. Sª sobre isso? Verdade ou mentira?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Mentira.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mentira. Então, o Deputado Roberto Jefferson mentiu aqui nesta Comissão
Parlamentar de Inquérito?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sim,
senhor.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Muito bem.
Então, Sr. Presidente,
passo para a etapa seguinte do meu questionário, já que ele desqualifica
exatamente o Deputado Roberto Jefferson, chama-o de mentiroso.
Tenho aqui em minhas mãos o
relatório contábil do PT que aponta que esse Partido, Partido dos Trabalhadores,
tem empréstimos contraídos que chegam ao valor de R$27.586.380,00, assim
discriminados: BMG, R$2.741.733,00; Banco do Brasil, R$19.295.391,00; Banco
Rural, R$5.304.005,00; e outros credores diversos, R$245.000,00. Minha
pergunta: o senhor também é avalista desses outros empréstimos ou intermediou
algum desses empréstimos, como, por exemplo, o do Banco Rural?
O SR.
PRESIDENTE
(Delcídio Amaral. PT – MS. Faz soar a campainha)
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não,
senhor.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não tem interferência nenhuma?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não,
senhor.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O seu aval unicamente foi sobre...
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – BMG.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – BMG.
Sr. Presidente e Sr.
Relator, vejam bem: hoje a mídia noticia que o Banco do Brasil emprestou esses
R$20 milhões ao PT, mas que ele se nega e se recusa a divulgar as garantias, os
avalistas, as taxas de juros e quaisquer outros dados sobre os contratos, além
de se negar a explicar se as parcelas estão sendo pagas em dia pelo PT. Eu
queria que, desde já, Sr. Presidente e Sr. Relator, pudéssemos solicitar ao
Banco do Brasil essas informações.
Muito bem, então V. Sª
apenas foi avalista desse empréstimo. Por que V. Sª foi escolhido como avalista
no meio de tantas empresas e figuras que poderiam ter sido avalistas desse
empréstimo?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Creio que
é pela minha proximidade com o então tesoureiro Delúbio Soares.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Uma proximidade construída de 2002 para cá?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sim,
senhor.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Somente essa proximidade já lhe
dava... O senhor como empresário, pelo que conheço, empresário competente,
porque amealhou grandes contratos, inclusive uma fortuna em pouco tempo, não
sabia que o PT tinha insuficiência para garantir a dívida e que, o senhor sendo
avalista, iria arcar efetivamente, porque o patrimônio é notoriamente
suficiente para garantir uma dívida desse valor e que V. Sª iria pagar esse
empréstimo?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, a palavra
do meu amigo é que eles iriam pagar.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Então, acho que aí, como empresário, V. Sª falhou bastante, porque ser
avalista num empréstimo de R$2 milhões e 700 mil, sabendo que o mutuário tem um
patrimônio negativo e, mesmo assim, o senhor aceitou e depois também, como foi
um bom avalista, cumpriu a sua obrigação. O senhor acha isso aí tudo
perfeitamente normal e não há nenhum interesse por trás disso?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, Sr.
Senador.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Na sua declaração na Polícia Federal, V. Sª disse que não tinha nenhum
interesse comercial ou negócio – está dito aqui – com o Sr. Delúbio Soares, que
não possui nenhum negócio comercial. V. Sª não considera isso um negócio
comercial?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, eu fiz um
favor...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Não? O aval não é um negócio comercial?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, eu fiz um
favor, Sr. Senador.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Quer dizer que um aval não é
um negócio comercial dentro do seu entendimento?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Dentro do meu
entendimento, não.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Muito bem. Ainda com relação ao seu prestígio dentro do Governo e do que o
senhor tratava dentro do Governo. Também na sua declaração, o senhor diz que se
encontrava com o Sr. Sívilo Pereira e que esses encontros foram agendados para
discutir assuntos políticos. Esses assuntos políticos seriam esses assuntos que
estão dados pela nota do Líder do PT, José Borba, de que seria com V. Sª que se
tratava de nomeações porque tinha prestígio para isso? É como V. Sª bem
colocou, sendo um ministro sem pasta dentro do Governo do PT?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Boa pergunta,
Senador. Não, o relacionamento com o Dr. Sílvio Pereira foi estritamente
político e ele responsável por organizar as campanhas dos prefeitos, então
candidatos a prefeitos do PT.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Quer dizer, esse aval que V. Sª deu, por exemplo, não mostra uma intimidade
muito grande com o Partido dos Trabalhadores, porque não é uma pessoa física, é
uma pessoa jurídica? E V. Sª, pelo que foi declarado, teve encontros efetivos
com o Ministro José Dirceu até para tratar questões relativas ao Banco Rural.
V. Sª confirma esse encontro com o Ministro José Dirceu?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Confirmo o
encontro com o Ministro José Dirceu, sim.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Então V. Sª esteve e tratou, no caso, de
interesses comerciais e financeiros com o Ministro José Dirceu na Casa
Civil?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Nem comerciais
nem financeiros meus e nem acho do Banco Rural também não. O Banco Rural foi
noticiar ao Ministro José Dirceu que iria explorar e estaria tentando explorar
uma mina de nióbio lá no Amazonas. É a única coisa que participei dessa
reunião.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Mas o senhor freqüentava o gabinete do Ministro José Dirceu para tratar,
inclusive, com a sua secretária Sandra Cabral sobre vários outros assuntos?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Com a Sandra
Cabral, a única coisa que tratei foi a eleição do Sr. Delúbio Soares...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Isso o levou quatro vezes ao gabinete do Ministro José Dirceu?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sim, eles são
conterrâneos.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Quatro vezes, para tratar de uma possível candidatura do Sr. Delúbio Soares.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sim, sim.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Muito bem. Quando o senhor assinou esse aval estava presente mais alguém?
Quer dizer, o Sr. Delúbio estava presente, o Presidente do Partido, que assina
também, o Sr. José Genoíno estava presente nesse aval, quando o senhor deu o
aval?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não senhor.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– O Presidente do PT tinha conhecimento desse aval? Porque ele assina um
documento, não foi em sua presença, como é que foi? O Delúbio levou o
documento, o senhor assinou assim sem olhar direito? O senhor foi o primeiro a
assinar, foi o último?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não me lembro.
Mas com certeza o Presidente do PT não estava presente.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Nem o senhor sabe dizer se ele tinha conhecimento de que o senhor era
avalista desse empréstimo?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Também não sei
desse conhecimento.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Um pouco estranho, não é? Porque ele, afinal de contas, é quem realmente era
o responsável pelo empréstimo.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não sei se ele
tinha conhecimento. Eu volto a falar. Não me lembro.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Ele assinou um documento sem conhecimento.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não sei. Isso
aí tem que perguntar ao Presidente.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Muito bem. Vamos agora, então, passar a uma outra fase, Sr. Presidente. Penso
que o senhor é o único empresário brasileiro que pode sacar essas quantias,
nessa magnitude que V. Sª sacou, e é preciso que esta Comissão, por intermédio
do seu Relator, possa ter acesso às notas fiscais para ver se há uma
documentação que, efetivamente, calce, do ponto de vista fiscal e contábil,
todos esses saques. Eles se dão em datas coincidentes com votações dentro do
Congresso Nacional, com viagens que V. Sª fazia a Brasília. E V. Sª primeiro
começa a dar uma versão de compra de gado, depois muda para pagamento de
fornecedores. V. Sª pode discriminar esses fornecedores – porque são
fornecedores importantes, com grandes somas de pagamento – para se checar,
depois, as notas fiscais desses fornecedores?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Acho mais fácil
por a minha contabilidade à disposição. Não me lembro, mas ponho toda a minha
contabilidade à disposição da CPI. Outra coisa, a Receita Federal abriu um
processo de fiscalização justamente para averiguar isso também, Sr. Senador.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– De 1996 a 2003, V. Sª, através de suas empresas DNA e SMP&B, só tinha
contrato com três Ministérios, não é isso? Só com os Ministérios do Trabalho,
Educação, Esporte e Turismo.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, Sr.
Senador. A DNA Propaganda já atendia ao Banco do Brasil desde 1994. Então ela
já detinha o contrato, em 2003, do Banco Brasil. Em 2001, ela ganhou a
licitação da Eletronorte. E, há dez anos, ela atende o Ministério do Trabalho.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Isso já estava citado.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – A SMP&B
ganhou a licitação do Ministério dos Esportes em 2001. Em 2004, ela ganhou a
licitação dos Correios. Em final de dezembro de 2003, a Câmara Federal.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Seu portfólio, então, de empresas públicas cresceu bastante no atual Governo?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Duas contas.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– O faturamento cresceu.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA –
Proporcionalmente, não. As iniciativas privadas e públicas, não.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Bom, tem mais uma conta que as
suas empresas ganharam, que é uma conta com a Administração Direta, com a
Câmara dos Deputados, que foi firmado em 31/12/2003.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É verdade.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– É verdade. Como V. Sª conseguiu mais esse contrato para sua empresa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Foi um processo
licitatório, aberto a todas as agências do mercado, a minha empresa entrou,
apresentou a melhor proposta de preço e técnica, e ganhou.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– E entre as ordens bancárias de maior valor emitidos pela Câmara são aquelas
referentes a percentuais sobre faturas de serviços prestados por empresas de
televisão. O senhor poderia detalhar o que foi realizado pela empresa nesse
contrato com a Câmara, considerando que a própria Câmara tem um canal de
televisão?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Infelizmente,
não tenho conhecimento técnico para isso, mas posso mandar um relatório por
escrito.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Mas esse é um contrato que...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É um contrato
vigente normal.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– ...o senhor conseguiu também por critério de criatividade?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Com certeza,
criatividade, técnica e preço.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)
– Muito bem. Com relação aos seus saques, V. Sª confirma que houve saques da
SMP&B de R$16.873.000,00 a partir de julho de 2003, feitos no Banco do
Brasil e Banco Rural; da DNA, de R$4.525.000,00, feitos no Banco Brasil e Banco
Rural, a partir de julho de 2003; da SMP&B, de R$5.545.000,00, no Bradesco,
no período de 1º/07/2004 a 13/06/2005, que – destaque-se – , neste caso, essa
informação não estava no Coaf. Agora que tivemos essa informação. E mais ainda:
que no período de 1999 a 2005, se considerarmos todos esses valores – ainda não
temos discriminado o que foi sacado nos anos de 2003 e 2004 – esse total perfaz
R$ 419.225.374,00.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sr. Senador,
tomei conhecimento, de uma forma ilícita, dessa...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Não interessa se ilícita ou lícita. O
senhor confirma esses dados?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não
confirmo. Tenho de ver na minha contabilidade, Sr. Senador. É a única coisa...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O senhor contesta os números do Coaf?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Contesto. E eu
teria de ver na minha contabilidade. Eu acho que a Receita Federal vai provar
ou não a veracidade dessa listagem e para onde foi. Está tudo na minha
contabilidade.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Só para encerrar, Sr. Presidente.
O senhor tem conhecimento de
que R$377 milhões são de origem não identificada por sua empresa?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, estou
tendo conhecimento agora, Sr. Senador.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Em depósitos de sua conta no Banco do
Brasil, da DNA?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor.
Estou tendo conhecimento agora.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então, V. Sª é um empresário
efetivamente desleixado com suas empresas. Não conhece absolutamente nada de
suas empresas. Números que são oficiais, que saem exatamente do Coaf, que estão
no Banco Central, que estão à disposição do Ministério da Fazenda.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sr. Senador,
todo o meu faturamento está declarado, está registrado na minha contabilidade.
Eu não soneguei nada do meu faturamento. Tudo está lá. Se houve esse número de
trezentos e...?
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – R$377 milhões são de origem não
identificada.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Estará
identificado na minha contabilidade. A Receita Federal, que está dentro da
minha empresa agora, vai identificar.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Senador César
Borges.
Com a palavra a Deputada
Juíza Denise Frossard.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Sr.
Presidente, Sr. Relator, colegas, Sr. Marcos Valério, está muito clara – eu
diria até de uma clareza solar – a sua preocupação com a legalidade. O senhor é
um homem preocupado com a legalidade. Em todo tempo da sua fala, o senhor
sempre diz ”Eu fiz isso ou aquilo legalmente” e mostra o contrato. Eu não
duvido que esteja tudo legal, até porque o senhor tem vigor financeiro para
pagar os melhores advogados. Pois bem. O nosso objetivo aqui, nesta Comissão,
não é só saber se houve ilegalidade. Não é só esse, até porque, como eu disse,
o senhor tem como pagar os melhores advogados.
Mas, sem dúvida, uma das
nossas razões aqui, nesta CPMI, é saber os motivos dos seus atos. É nesse
sentido que vou formular ao senhor – anotei aqui, neste pedacinho de papel –
cinco perguntas, porque uma... Talvez seis. Rápidas. Não usarei o meu tempo,
Sr. Presidente.
Eu só vou lhe perguntar
sobre os motivos. A primeira pergunta que faço ao senhor é qual o motivo pelo
qual o senhor movimenta – vou usar uma palavra que o senhor usou
“rotineiramente” – foi a palavra usada pelo senhor – vultosas quantias em
dinheiro, em espécie? Por que motivo, rotineiramente, o senhor sai a andar por
aí com vultosas quantias em dinheiro?
Eu pediria para o senhor
anotar, porque, aí, iremos mais rápido.
Uma pergunta que eu tenho
aqui – que o senhor começou a responder ao Senador César Borges, mas não foi em
cima do que eu quero perguntar – é qual o motivo ou quais os motivos que leva
ou levam o senhor a avalizar um Partido político?
A terceira pergunta, Sr.
Marcos Valério, é por que motivo as empresas públicas com as quais as suas
empresas se relacionam são levadas a vários aditivos? Nós sabemos que,
aditivos, a lei permite em até 25% de regra – 50%, se empreiteiras – , mediante
causas supervenientes. Eu não consigo – já tentei exercitar a minha imaginação
– ver que motivos supervenientes seriam esses para os contratos aditivos e,
mais ainda – o senhor tem isto aí – , as prorrogações dos contratos, porque a
prorrogação é ato consensual. Então, eu quero saber os motivos.
Sr. Marcos Valério, por que
motivo o senhor despediu Fernanda Karina? Sr. Marcos Valério, porque motivo o
senhor processa Fernanda Karina por extorsão? Finalmente, Sr. Marcos Valério,
qual o motivo que levou o senhor a usar um avião fretado pelo Banco Rural?
São apenas essas as questões
que tenho a fazer, Sr. Presidente, em busca da verdade real.
Obrigada.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Srª Deputada, as
quantias em dinheiro muitas vezes são sacadas para pagar fornecedores, cachês
de artistas e tudo, que estão no interior fazendo filmagens. Muitas vezes, sim.
Não digo que é a regra habitual. Estou dando um dos exemplos.
Eu acho que a fiscalização
vai conseguir achar o caminho que a Comissão está querendo saber de todos os
meus saques e dentro da minha contabilidade também.
Avalizar o PT, eu avalizei
por causa de um pedido do Sr. Delúbio Soares. Estritamente, motivo pessoal do
Sr. Delúbio Soares.
Os aditivos, eles acontecem
desde governos passados. Isso não é um privilégio do governo do Sr. Presidente
Fernando Henrique Cardoso, isso não é um privilégio do governo do Sr.
Presidente Itamar Franco, isso não é um privilégio hoje do governo do
Presidente Lula.
Então, são os órgãos
públicos que vêem interesses nesses aditivos, baseados na necessidade de mídia
deles. Eu não sou técnico nisso para dar especificidades, os motivos técnicos
para isso, mas é baseado no interesse dos órgãos e já vêm acontecendo há muitos
anos.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – SP) – Perdão,
interesse dos órgãos?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES
DE SOUZA – Interesse dos órgãos em fazer propaganda, em fazer novos
investimentos na imagem, novos investimentos em produtos. Isso tem de ser
perguntado a esses órgãos.
As prorrogações também não
são privilégio desse governo, não são privilégio do governo passado e nem do
governo Fernando Henrique. Elas já vêm de longa data dentro dos próprios
governos. É de lei, e os governos e os órgãos usam isso como praxe.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – SP) – Mas
prorrogação é sempre consensual.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES
DE SOUZA – Consensual.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – SP) – O senhor
sempre esteve de acordo?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES
DE SOUZA – Sim, com certeza.
O motivo que eu despedi a
Srª Karina, foi porque, como está noticiado, isso é evidente, eu viajava muito
e não havia motivo de ter uma secretária que ficasse lá só para marcar
passagem. O motivo que ela foi despedida foi extorsão e chantagem. Ela está
sendo processada por isso. O motivo pelo qual ela está sendo processada –
perdão, eu não me expressei bem, desculpe-me – , extorsão e chantagem.
E o Banco Rural, eu fui de
avião a pedido do então vice-presidente, Dr José Augusto Dumont, para uma
visita em Brasília, que está noticiada, com o então Deputado Virgílio
Guimarães, ao Banco Central.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – SP) – Sr.
Presidente, eu estou satisfeita. Depois, eu teço as minhas considerações no
curso do processo.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigada,
Deputada Juíza Denise Frossard pela objetividade e competência habitual.
Deputado Antonio Carlos
Magalhães Neto com a palavra.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Parlamentares, Sr.
Marcos Valério, eu gostaria, primeiro, de relembrar que não foi a afirmação de
nenhum dos membros desta Comissão Parlamentar de Inquérito que motivou a vinda
do Sr. Marcos Valério para prestar os seus depoimentos. Sobretudo, não foi isso
que o colocou no olho do furação dessa crise. O que colocou o Sr. Marcos
Valério no olho do furacão foram as declarações do Deputado Roberto Jefferson,
naquele momento Presidente do PTB, um dos maiores partidos do Brasil, que
compõe a Base de apoio do Presidente Lula. Deputado que teve livre trânsito,
por mais de dois anos, pelo Palácio do Planalto, pela Esplanada dos
Ministérios, que privou da confiança e da amizade de muitas pessoas importantes
do nosso País. Então, foi o Deputado Roberto Jefferson, pessoa legitimada que
conhece os meandros do poder, que vivenciou de perto todas as articulações da
base aliada, que nos trouxe o Sr. Marcos Valério para o olho do furacão.
A fim de reforçar a
afirmação do Deputado Roberto Jefferson – e coincidentemente um dia antes da
presença do Sr. Marcos Valério entre nós -, o Líder do PMDB, Deputado José
Borba, reitera, reafirma, de forma categórica, o envolvimento do Sr. Marcos
Valério com membros do Partido dos Trabalhadores, com dirigentes do Governo,
com pessoas que têm poder em nosso Pais, sobretudo, a grande influência que
tinha o Sr. Marcos Valério na definição dos cargos públicos no Governo Federal.
Digo isso apenas para ficar
claro o motivo que legitimou a vinda do Sr. Marcos Valério aqui.
Minha primeira pergunta ao
Sr. Marcos Valério é: o senhor é expert em quê? O senhor não é publicitário.
Nos disse que não conhece muito finanças e que não acompanha as finanças da sua
empresa. A primeira pergunta é: o senhor é expert em quê?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA –
Sou empresário. Tenho conhecimento na área de comunicação e propaganda. O
Presidente da minha empresa, a SMPB, é engenheiro elétrico e publicitário
também.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Mas o senhor tem alguma especificidade?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sou empresário.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Dentro do setor empresarial existe uma série de habilidades que cada um pode
desenvolver. Gostaria de saber qual é a sua principal habilidade?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Sou o
comercial das minhas empresas.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Isso reafirma a tese sustentada por muitos de que, na verdade, a expertise
do Sr. Marcos Valério é fazer um trabalho de lobby.
Sr. Marcos Valério, pergunto
a V. Sª, diante dos fatos que já foram constatados – que superam a casa dos
R$20 milhões e há notícias de que esse valor é muito mais expressivo – ,
procurei fazer uma pesquisa na imprensa para entender um pouco como é que
funcionam os saques das grandes empresas do País. De acordo com uma pesquisa divulgada
pela revista Veja, em 2002, uma companhia que, por exemplo, fature R$3
bilhões por ano jamais teve em seus cofres um valor superior a R$5 milhões.
Indago a V. Sª: analisando os dados do Coafi, pode-se perceber que os saques
realizados por V. Sª não obedecem a nenhum critério lógico. Comercialmente não
fazem nenhum sentido. Gostaria que V. Sª
me explicasse a lógica de tais saque de suas empresas, já que não
obedecem a um critério comercialmente inteligível. Gostaria que V. Sª,
responsável pelas empresa, dissesse-ns que critérios poderiam ter sido esses.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Muito boa
pergunta. Primeiro, é o seguinte: uma empresa que fatura R$3 bilhões na área de
propaganda vai ficar, em caixa, com mais ou menos R$300 milhões.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Falei de empresas em geral. São dados da revista Veja.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Estou
falando da área de propaganda. Temos empresa no País que faturam esses valores.
Os meus saques obedecem a meus fornecedores e às estimativas da
empresa.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Muito bem. Pergunto a V. Sª: como é que esses recursos eram transportados?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Algumas
vezes nem eram transportados, Deputado, ficavam no banco e eram transferidos
para outras contas.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quer
dizer que a pessoa ia ao banco, fazia a retirada em dinheiro e, depois, no
mesmo banco, depositava na conta de um terceiro. É isso que V. Sª quer me
dizer?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – O fornecedor. Não sou eu
e não é a minha empresa.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Por que,
então, não fazer uma transferência bancária, o que seria muito mais simples?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu dou cheque para os
meus fornecedores. Quando não é cheque, algum espécime vai para a empresa para
pagar a filmagem que está lá no interior, aí leva em dinheiro mesmo, para pagar
os movimentos dos artistas. É dinheiro mesmo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quando
as cifras eram retiradas do banco, onde esses recursos eram armazenados? Onde
V. Sª guardava esses recursos?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não eram armazenados. Já
eram direto para pagar os fornecedores. Já saía com destino para pagar os
fornecedores.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então,
imediatamente, aquele que ia sacar o recurso do banco, quando o dinheiro saía
do banco, ele já tinha um destinatário, já tinha um fim determinado.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Dentro da empresa,
Deputado!
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então V.
Sª tem como comprovar para aonde é que esses recursos foram, com datas, locais,
e com, obviamente, a acusação de recebimento.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Os recursos eram
comprovados pela investigação que está começando da Receita Federal dentro da
minha empresa e dentro da contabilidade que vou deixar à disposição da CPI.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Com
referência ao Sr. Glênio Guedes, que V. Sª fez questão de inocentar. Para
aqueles que não sabem, o Sr. Glênio Guedes é Procurador da Fazenda Nacional,
que fazia pareceres sobre recursos de instituições financeiras contra punições
impostas pelo Banco Central, pela Comissão de Valores Mobiliários ou pela
Secretaria de Comércio Exterior.
Pergunto ao senhor, Dr.
Marcos Valério, como poderia um servidor público realizar tantas viagens e
tantos encontros, durante a semana e fora do seu local de trabalho, viagens e
encontros esses comprovados pela agenda da sua secretária, a senhora Fernanda
Karina?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu conversei com o Sr.
Glênio Guedes, depois que foi noticiado na imprensa, e falei: Dr. Glênio, o
nosso relacionamento, que é estritamente de gostarmos do mesmo esporte – e
viajamos muito pelo mesmo esporte – , há um questionamento do seu
relacionamento profissional. A colocação dele para mim foi a seguinte: “Marcos,
eu não voto dentro do Conselho. O Conselho é feito de 8 membros, e o julgamento
é dos juízes, desses 8 membros”.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas
cabia atividades esportivas durante a semana.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Muitas vezes, sim,
Deputado!
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Para um
Procurador da Fazenda isso é normal, num horário que deveria estar dedicando à
sua atividade profissional?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu não estava me
relacionando com o Procurador da Fazenda, eu estava me relacionando com uma
pessoa que tem o mesmo gosto do que eu.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito
bem. Quero fazer mais uma pergunta sobre o Sr. Glênio Guedes. Qual foi o motivo
do encontro, no dia 1º de julho, entre V. Sª e o Sr. Glênio, em que esteve
presente o Sr. José Augusto Dumont, então Vice-Presidente do Banco Rural?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Esse encontro não
existiu.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não
existiu esse encontro?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não existiu esse
encontro.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, a
anotação da Srª Fernanda Karina é improcedente.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – É improcedente. Não
existiu.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES
NETO (PFL – BA) – Então, a agenda
dela está equivocada.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Com certeza.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu
queria, agora, saber de V. Sª que tipo de relação V. Sª tinha, ou tem, com o
Sr. Marcos Flora, Secretário Executivo da Secretaria de Comunicação do Governo?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Um relacionamento de
conhecimento, não de amizade, mas de conhecimento.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Foram
muitos os contatos de V. Sª com o Sr. Marcos Flora?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Alguns contatos, sim,
senhor.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O Sr.
Marcos Flora é um funcionário que tem poder de decisão dentro da Secretaria de
Comunicação?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Creio que não, porque a
licitação ele não faz, quem faz é uma comissão licitatória.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas,
pelo cargo que ele ocupa, obviamente tinha uma influência muito grande nas tarefas
da Secretaria de Comunicação.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Com as agências que
atende a Secom, não nas minhas agências.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O que
fez o Sr. Marcos Flora ser merecedor de um presente dado pelo senhor que foi
uma caneta Mont Blanc?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Verdade. Procede.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O que
fez ser merecedor desse presente?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Era aniversário dele.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, o
senhor, de duas, uma: ou tinha uma relação de amizade e deu um presente a um
amigo, ou então queria agradar uma pessoa que tinha uma importante função
dentro da Secretaria de Comunicação. Qual das duas?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Nenhuma das duas. Foi
uma cortesia da minha empresa o que eu fiz para ele.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sim, mas
que se enquadra em qual das duas situações, Sr. Valério?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Em nenhuma das
duas. Profissional.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) - V.
Sª, no depoimento que prestou à Polícia Federal tratando das relações com o Sr.
Delúbio, diz assim: “Olha, realmente eu falava com o Delúbio no máximo duas ou
três vezes por semana”. Como se isso fosse pouco. V. Sª afirmou que falava com
o Delúbio duas ou três vezes por semana, como se isso fosse pouco. Falou também
dos contatos que tinha com o Sr. Silvio Pereira e fez uma relação direta
dizendo que discutia com ambos questões das administrações do PT, fazia
avaliações do Governo, da imagem e do desempenho do Governo.
Pergunto a V. Sª: não sendo
V. Sª a agência de publicidade que tem a conta do PT, não sendo V. Sª militante
do Partidos dos Trabalhadores, nem sendo filiado a essa agremiação partidária,
o que tanto tinha que tratar das administrações do PT com o Sr. Delúbio e com o
Sr. Silvio Pereira?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Com o Sr.
Silvio Pereira tratei pouco, e foi só relacionamento a campanha e a candidatos
do PT. Com o Delúbio, conversarmos tudo de uma modo geral, tudo. Desde assuntos
de família, até assuntos de imagem.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então,
era uma coisa normal, habitual V. Sª tratar dos assuntos pertinentes ao
Partido dos Trabalhadores?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não ao Partido
dos Trabalhadores.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) - V. Sª
afirmou isso à Polícia Federal.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Deputado, não
ao Partido dos Trabalhadores; era a imagem do Partido dos Trabalhadores em
relação à sociedade. Assuntos administrativos do Partido dos Trabalhadores eu
nunca tratei.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu
pergunto a V. Sª: nesse encontro que V. Sª teve com o Deputado Roberto
Jefferson, no início de julho – dito pelo Deputado Roberto Jefferson, quero que
isso fique muito claro – , V. Sª disse que só esteve no dia 7 de julho, uma
quarta-feira, em Brasília. Não poderia ter sido esse exatamente o dia do
encontro com o Deputado Roberto Jefferson?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Poderia, mas,
dentro do depoimento dele, três dias depois. Dia 10 eu já estava nos EUA,
Deputado. E viajei só de avião de carreira.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O
Deputado Roberto Jefferson não precisa quantos dias depois exatamente esteve
com V. Sª. Então, V. Sª pode ter vindo a Brasília no dia 7 de julho e feito um
saque no Banco Rural ou no Banco do Brasil, em espécie, e tê-lo entregue dentro
de uma mala de dinheiro ao Sr. Roberto Jefferson. Isso é possível. Eu não estou
dizendo que aconteceu, mas é possível. Concorda V. Sª que é possível dentro
dessa agenda cronológica que V. Sª nos apresentou?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não é
possível, porque eu não encontrei com o Deputado Roberto Jefferson. E dentro da
cronologia, o Deputado Roberto Jefferson vai construindo o depoimento dele de
acordo com os interesses dele. Primeiro, era o cofre – volto a frisar para o
senhor – , ele faz essa declaração. E, depois, já aparece o armário. Primeiro,
o Emerson ajudou a distribuir, depois o Emerson já não o ajudou a distribuir.
Aí nós temos várias contradições e temos que perguntar a ele qual é o
verdadeiro.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pergunto
a V. Sª: V. Sª conhece o Sr. Eduardo Fisher?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Conheço o Sr.
Eduardo Fisher.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Já
manteve ou mantém algum tipo de relação comercial com o Sr. Eduardo Fisher?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Nenhuma,
conheço o Eduardo Fisher, porque uma das agências do Grupo Total a qual ele é
Presidente atende, junto com a agência DNA Propaganda, a conta do Banco do
Brasil.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES
NETO (PFL – BA) – V. Sª já teve
alguma notícia de um encontro realizado no Hotel Blue Tree Towers, na Avenida
Faria Lima, em São Paulo, em que participaram o Sr. Eduardo Groisman, o Sr.
Delúbio Soares, o Sr. Gabriel Rico, que vem a ser o senhor do Grupo Total e o
Sr. Eduardo Fisher? V. Sª já teve notícia sobre esse encontro?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor.
Nunca tive.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª já
teve algum tipo de notícia sobre encontro do Sr. Eduardo Fisher com o Dr.
Delúbio Soares?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor.
Nunca tive.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se nós
descobrirmos qualquer tipo de vinculação de V. Sª com o Grupo Total, podemos
então confirmar que V. Sª está mentindo no dia de hoje?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu não tenho
nenhum tipo de relação com o Grupo Total.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Minha
última pergunta, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Já encerrando, Deputado,
restam-lhe quinze segundos.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Encerrarei.
V. Sª conhece Ricardo Farias
e já teve algum tipo de relação profissional com Ricardo Farias?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, não me
lembro.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pois eu
quero informar a V. Sª que ele foi gerente de mídia da SMP&B e hoje
trabalha nos Correios.
O SR. PRESIDENTE (Delúbio Soares. PT – MS) – Mas uma pergunta, por
favor, porque nós já estamos quebrando outra vez o acordo que fizemos, e isso
não é justo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não tem
problema.
A última pergunta: V. Sª
disponibilizaria para todos nós a execução completa de todos os contratos na
área de promoção, eventos e de pesquisas que, porventura, qualquer empresa de
V. Sª tenha prestado para o Governo Federal ou para qualquer outra entidade,
seja pública ou privada?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Já está
disponível, Deputado.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
execução desses contratos?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Já está
disponível.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Com as
notas fiscais a eles correspondentes, dos contratantes que com V. Sª pactuaram?
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – Deputado ACM Neto...
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Já está disponível.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu quero
me reinscrever, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – Está bem. Muito obrigado, Deputado ACM Neto.
Agora vou passar a palavra para o Senador Alvaro
Dias.
O Sr. Marcos Valério pediu
alguns minutinhos e já retorna.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, eu faço antes um encaminhamento de
requerimentos, para ganhar tempo.
Requeiro a esta Comissão que seja solicitado às
empresas administradoras de cartões de crédito o fornecimento da relação de
todos os titulares e dependentes de cartões de crédito, retirados em nome do
Sr. Marcos Valério e das empresas nas quais tenha qualquer tipo de participação
societária ou nas suas gestões.
Outro requerimento solicita ao Coaf, que encaminhe a
esta Comissão relatório da movimentação financeira de todas as empresas nas
quais o Sr. Marcos Valério possua qualquer tipo de participação societária ou
que atue nas suas gestões, porque até agora nós recebemos apenas de duas
empresas, as duas agências de publicidade. Temos outras empresas, como por
exemplo a Multiaction, das quais não conhecemos a movimentação financeira.
Outro requerimento é dirigido ao Banco Central,
solicitando que proceda, de imediato, a auditoria na Agência do Banco Rural de
Brasília, a fim de saber se ela tem cumprido o dever de informar ao Coaf as
transações que se enquadram nas exigências legais.
Sr. Presidente, nessa relação que recebemos do Coaf,
nós encontramos saques da agência de Belo Horizonte e muito poucos da agência
de Brasília, apenas dois saques. Temos informações de um número superior de
saques na agência de Brasília. Creio que seja uma providência necessária.
Agora, com a presença do Sr. Marcos Valério, peço que
comece a contar o meu tempo porque vou começar a indagar.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – V. Exª tem quinze minutos, Senador Alvaro Dias.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Marcos Valério, o senhor já foi chamado a depor
alguma vez na Polícia Federal antes das atuais denúncias?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Já.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Quando?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – No processo do INSS, eu acho.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não, Sr. Marcos Valério.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Desculpe-me, o do INSS
foi na Justiça Federal. Já estive uma vez no processo do Banestado.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exatamente, da CPI do Banestado, no dia 28 de outubro de
2003.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Isso.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Nós estamos num cenário de contradições e coincidências.
As coincidências dizem respeito aos saques em dinheiro, com votações no
Congresso e com o crescimento de determinadas bancadas partidárias. As
contradições dizem respeito à aplicação dos recursos, inclusive o empréstimo
junto ao BMG, a favor do PT.
Num primeiro momento, o senhor disse que não
respondia. Num segundo momento, negou o aval e, num terceiro momento, confirmou
o aval. Então são três momentos diferentes, três versões para o mesmo fato.
Relativamente aos saques no
Banco Rural, Banco do Brasil e Bradesco, especialmente nesses três, V. Sª
afirma, num determinado momento, que
comprava gado. É evidente que isso caiu no ridículo porque necessitaria de duas
mil carretas transportando gado pelas estradas do Brasil para gastar os R$20
milhões.
Depois, disse que pagava
fornecedores em espécie.
Agora, nesse depoimento à
Polícia Federal, o senhor disse que “sempre utiliza a rede bancária para
realizar seus pagamentos, salvo no caso de gráficas, que são pagas mediante
cheque”. Portanto, nesse depoimento à Polícia Federal, em 2003, o senhor não
afirmou, em nenhum momento, efetuar pagamentos em espécie, apenas movimentação
bancária e cheque para as gráficas. Os fornecedores eram pagos por boletos
bancários ou por cheques.
Agora nós temos aí a
contradição, o senhor afirmando que esses R$21 milhões, dinheiro vivo, era para
pagamento de fornecedores. Então, eu gostaria do seu esclarecimento. O senhor
disse a verdade quando?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, eu disse a verdade
também na Polícia. Ele me apresentou alguns documentos e eu expliquei para ele
como é que esses documentos eram pagos. O Delegado me apresentou alguns
documentos.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Olha, mas não é o que está aqui. É
evidente que o Delegado não está aqui, mas está aqui o inteiro teor do seu
depoimento. “A empresa do declarante só realiza operação de pagamento fora da
rede bancária com gráficas, mediante pagamento com cheque”. Então eu creio que
essa é a verdade, porque o senhor assinou esse depoimento, tem a sua
assinatura, não há como alterá-lo agora.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Senador Alvaro Dias, eu
só trabalho com banco, e os saques são feitos com cheques.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – V. Sª está, evidentemente,
mistificando, porque o depoimento é claro: os pagamentos eram efetuados ou com
boletos bancários ou com cheques. Nunca em dinheiro vivo. Portanto, eu peço ao
Sr. Relator que registre essa contradição.
Segunda pergunta: o senhor
ou a sua empresa costumam fazer transferências financeiras para o exterior?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – A minha empresa paga
fornecedores no exterior. Eu não faço transferência para o exterior, eu, pessoa
física, não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E quais os meios utilizados para essas
transferências?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Aí tem que
verificar na contabilidade dela qual que ela utilizou.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Qual o volume médio de transferência?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Acredito que US$7 mil,
US$10 mil, não mais do que isso.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor ou alguma de suas empresas
possui conta bancária ou investimento no exterior?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu não possuo e nem
minhas empresas, e assino o termo, de acordo com a solicitação.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Então eu gostaria que o senhor me
explicasse por que consta processo de investigação no Ministério Público de uma
movimentação de cerca de US$1 milhão pela conta da empresa Beacon Hill. O
senhor responde a esse processo, há essa investigação no Ministério Público.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu não movimentei US$1
milhão na conta Beacon Hill, não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor já foi convocado pelo
Ministério Público para prestar depoimentos?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, ainda não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Certamente será e naturalmente terá
que prestar esclarecimentos. A Beacon Hill é uma empresa de doleiros, que tem
uma fachada para operação de um poderoso esquema de doleiros, isso foi
identificado pela CPI do Banestado. Então, essa é uma questão da maior
gravidade, que tem que ser considerada nesta CPI.
Eu passo agora a uma outra
questão, relativamente aos gastos do Governo com publicidade. A sua empresa,
Multiaction, tem contrato com a empresa Astral?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não tenho conhecimento.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Para a realização de eventos?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Astral?
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Astral.
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, não tenho
conhecimento.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor conhece essa empresa Astral?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, não conheço.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu tenho informações de que há um
contrato celebrado por essa empresa com a sua empresa Multiaction
Empreendimentos Ltda para realização de eventos.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não tenho
conhecimento. Por sinal, não fico no dia-a-dia da empresa Multiaction, mas não
tenho conhecimento desse contrato.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Temos uma informação também de que a
Srª Eliane Alves Lopes...Quem é Eliane Alves Lopes?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Qual o nome?
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eliane Alves Lopes.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas o Sr. não conhece? Ela assina como
sua representante legal o contrato...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eliane Alves
Cedrolla.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não, Eliane Alves Lopes.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Conheço-a por
Cedrolla. Ela é minha diretora de Brasília, da SMP&B Comunicação. Conheço
ela por Cedrolla, que é o sobrenome dela.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Ela presta serviços também à empresa
Astral?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, ela presta
serviço à SMP&B. Essa Astral eu não conheço.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A Astral é uma empresa que, segundo
consta, de propriedade da Srª Telma, que é esposa do Sr. Marco Antônio Silva,
da Secom, que ocupa um cargo importante, especialmente no setor de eventos.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – A Srª Telma foi
funcionária da Multiaction, foi diretora e era pessoa jurídica também. Isso é
uma prática...
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Astral.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Agora que o Sr.
está falando da Telma, eu estou lhe respondendo que é uma praxe.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Então, o senhor disse a verdade agora
confirmando a conexão Secon-Multiaction-Astral-Correios.
Há uma conexão que
evidentemente configura tráfico de influência, já que a Secom dirige as
licitações públicas. Então, há aí uma parceria explicitada do senhor, das suas
agências, o Governo, através da Secretaria de Comunicação, o Partido dos
Trabalhadores no episódio anterior do aval. O senhor considera isso ético? Esse
tráfico de influência, ou seja, valer-se de alguém que tem um familiar ocupando
cargo de confiança numa secretaria do governo responsável pelas licitações?
Porque, na verdade, o João Henrique de Almeida Souza, Presidente, e o Sr.
Antônio Osório Menezes Batista, Diretor de Administração dos Correios, assinam
o contrato mas apenas convalidam uma ação da Secretaria de Comunicação
responsável pela licitação, porque, conforme decreto do Presidente da
República, cabe à Secretaria de Comunicação realizar as licitações em qualquer
área do Governo, indicando três dos cinco componentes da Comissão Especial.
Portanto, aí se configura
esse tráfico de influência, essa parceria com troca de favores envolvendo as
suas empresas com o Governo, evidentemente envolvendo as suas empresas com o PT
em função do aval concedido e do pagamento do empréstimo realizado.
Os que me antecederam
indagaram sobre nomes que teriam feito saques em dinheiro. Alguns nomes não
foram referidos, e não sei se seria perder tempo mas, de qualquer maneira, acho
que vale a pena solicitar informações a respeito de alguns dos nomes que
ficaram pendentes de solicitação a V. Sª. Os nomes sumiram da minha mesa.
Alguns deles estão aqui. O
senhor disse que Alexandre Vasconcelos Castro não conhece. Não conhece o
Alexandre Vasconcelos Castro?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas ele, como rotina, sacou recursos em
dinheiro no Banco Rural inúmeras vezes, somando R$100mil a R$500mil. A Geysa
Dias é sua funcionária, não é?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Quem?
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Geysa Dias.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Sim, é minha
funcionária.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exato. Essa também. O Wagner
Monteiro...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – É meu
funcionário.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E o Júlio César Marques, além dos
outros já citados.
Quero que V. Sª confirme,
mas parece que já afirmou o fato de que
muitas vezes o saque efetuado em dinheiro era depositado na própria agência em
outras contas bancárias. O senhor confirma isso?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Confirmo.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E o senhor não considera isso muito
suspeito? Ou não posso considerar isso suspeito? Porque, se o senhor saca da
sua agência de publicidade, por meio de coadjuvantes, que colaboram com o
senhor no seu trabalho, ou o senhor mesmo, porque o maior sacador, parece-me, é
o senhor, em moeda, em dinheiro vivo,
pelo relatório do Coaf. Em alguns casos, aparece apenas a agência de
publicidade, pessoa jurídica, que só poderia estar sendo representada pelo
senhor ou por alguns de seus sócios. Em outros casos, aparece claramente o seu
nome. Esses depósitos não nos leva a suspeitar de que são contas laranja
exatamente para desviar esses recursos?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor. As
contas estão abertas para a fiscalização da Receita Federal e da Comissão. Eu
não uso contas laranja.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Queremos solicitar ao relator
providências para buscar do caixa da agência do Banco Rural tanto em Belo
Horizonte, quanto em Brasília, informações sobre a coincidência de depósitos
com o saque no mesmo momento, depósitos que foram realizados no dia do saque
efetuado. Não tenho requerimento aqui para formalizar, mas vamos formalizá-lo
para que a relatoria possa tomar essas providências.
Portanto, Sr. Presidente,
para concluir, e cumprindo rigorosamente o horário, gostaria de destacar essas
contradições que dizem respeito ao depoimento na Polícia Federal, em 2003, com
o depoimento de hoje, a existência dessa investigação da parte Ministério
Público, que tem que ser considerada por esta Comissão Parlamentar de
Inquérito. E enfatizo mais uma vez a existência de uma parceria solar, como diz
a Deputada Juíza, parceria com o PT e com o Poder Executivo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra a
Senadora Ideli Salvatti.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, queria primeiramente
fazer uma ponderação ao Sr. Marcos Valério. Há expectativa sobre esse
depoimento central. O País inteiro está aguardando, todos nós, até para que
possamos comprovar ou não, punir ou não quem deva ser punido. A expectativa é
em torno da questão dos saques. Essa é a expectativa. Todos querem saber por
que sacou, sacou para pagar o quê, quem, por que motivo. Então, precisamos
saber, e é a minha primeira pergunta, quando o senhor vai ter condições de nos
informar detalhadamente quais os motivos de cada saque, saque por saque,
efetuado nas contas das suas empresas.
A segunda questão, e peço que o senhor vá anotando,
pois farei várias perguntas, tem a ver com o objeto central dessa CPI, que é a
investigação nos Correios. O senhor está aqui porque as suas empresas têm contrato
com os Correios. Pergunto: porque o senhor ganhou a licitação com mais duas
empresas nos Correios agora durante o Governo Lula? A insinuação ou a afirmação
de várias pessoas é porque a Secom fez uma alteração no valor do patrimônio
líquido, ao invés de ser R$3 milhões, baixou, se não me engano, para R$1,8 um
milhão ou R$ 1,6 milhão, não sei bem dizer. Quero saber se esta modificação no
valor do patrimônio líquido foi o fator que decidiu o senhor ter ganho ou não a
licitação junto com as outras duas empresas.
Obviamente, o senhor vai precisar declarar qual é o
patrimônio líquido da SMP&B Comunicação para podermos saber se o senhor
estava fora ou não da alteração promovida.
Para as outras perguntas que quero fazer, faço uma
pequena introdução, porque passamos ontem aqui treze ou quatorze horas.
Falha-me um pouco a memória, mas fiquei das 8h30 até às 23h15. Ouvimos três
depoimentos para nós muito importantes porque quem esteve aqui e acompanhou
conseguiu identificar que temos três patamares de investigação nisso que
estamos fazendo nesta CPI.
Há um patamar de arraia miúda, de gente envolvida com
investigação, com SNI, com os porões das trevas deste País, gente treinada para
fazer arapongagem, filmagem, chantagem, achar que montam empresas e essas
empresas se associam a grandes grupos econômicos, multinacionais para
intermediar, achacar, intervir nos processos licitatórios – aí já é o segundo
patamar. E o terceiro é sobre o que quero perguntar a V. Sª, porque, do nosso
ponto de vista, há muita insinuação na imprensa desse terceiro patamar, que são
exatamente as brigas de cachorro grande, aquelas brigas que estão aparecendo há
um bom tempo na história do nosso País. Toda vez que você mexe, aparece. Toda
vez que você começa a investigar alguma coisa, aparecem essas personalidades e
essas empresas. Então, vou fazer uma série de perguntas sobre o que considero a
possibilidade desse terceiro patamar.
Peço ao senhor anote, por favor, para depois poder
responder. O senhor sabe explicar como o Sr. Carlos Rodenburg ficou sabendo que
V. Sª conhecia o Delúbio Soares? Na agenda da Fernanda Karina, há um bilhete
que consta uma reunião com Carlos Rodenburg no Opportunity para o dia 15 de
maio de 2003, às 11h. Essa reunião foi antes ou depois de o Sr. Carlos
Rodenburg ficar sabendo que V. Sª era amigo de Delúbio Soares?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Repete, por favor.
Perdi-me.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na agenda da
Karina, HÁ um bilhete que consta uma reunião com o Sr. Carlos Rodenburg, no
Opportunity, no dia 15 de março de 2003, às 11h. Essa reunião foi antes ou
depois de o Sr. Carlos Rodenburg ficar sabendo que V. Sª era amigo do Delúbio
Soares? Terceira: o que foi tratado na reunião com Carlos Rodenburg no
Opportunity? V. Sª poderia explicar o que seria o auxílio pedido por Carlos
Rodenburg a Delúbio Soares? O que foi que ele pediu para o Delúbio? O senhor
sabe explicar por que o Delúbio relutava em aceitar o encontro e por que tinha
o Delúbio má impressão sobre o grupo Opportunity? V. Sª já tinha os contratos
de publicidade da Telemig Celular e da Amazônia Celular quando V. Sª, Carlos
Rodenburg e Delúbio se encontraram? O que significaria “aparar arestas entre o
grupo Opportunity e o Governo do PT”? O senhor já conhecia Daniel Dantas antes
de Rodenburg solicitar a intermediação de Delúbio junto ao Governo? V. Sª
saberia informar se Delúbio fez algo para aparar as arestas entre o grupo
Opportunity e o Governo do PT? V. Sª ainda detém as contas de publicidade da
Telemig Celular e da Amazônia Celular? Segundo reportagem, o senhor rompeu com
Daniel Dantas. Por que rompeu, se é que houve este rompimento? Uma das revistas
insinua, faz uma insinuação que as denúncias de Fernanda Karina Somaggio têm
por trás uma articulação fruto desse desentendimento do senhor com Daniel
Dantas. Insinua. Há uma insinuação em uma reportagem, inclusive de que a Karina
foi levada para dar entrevista; tudo monitorado pelos interesses do Sr. Daniel
Dantas, advogado e tal. Então, eu quero saber se isso tem alguma base factual;
na sua análise, se isso pode ter ocorrido, ou se a reação da Karina, de ter
dado entrevista, fotografia, aquela coisa toda, é apenas uma questão de briga
pessoal com V. Sª.
Eu ainda gostaria que o
senhor explicitasse quais são as relações com o senhor tem ou já teve com o
Ministro Gushiken, com o ex-Ministro e agora Deputado Federal José Dirceu, e
com o Presidente do PT José Genoino.
Eu tenho aqui vinte nomes.
Eu quero que o senhor me diga quem são e quais são as suas relações com eles. O
senhor não precisa nem anotar, pois eu vou lhe passar o papel. Eu vou ler aqui
para todos saberem:
Luiz Sales - José Alves de
Oliveira - Márcio Lacerda - Ricardo Freitas - Dr. Plauto - Eduardo Coutinho -
João Eraldo - Ângelo Calmon; Sérgio Monteiro - Isabela - Lamas - Francisco Lafayete
- Ricardo Machado - Márcio Novaes - Pedro Gustavo Andrade - Sérgio Monteiro -
Ricardo Sacramento - Júlio Lage - Márcio Alaor - e Ricardo Guimarães.
Então, eu estou passando ao
Presidente as minhas perguntas. Eu tenho ainda depois um tempinho, se eu precisar
fazer qualquer outra.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Eu vou começar
pelos nomes, Senadora.
Luiz Sales, meu amigo de São
Paulo. Foi Presidente da OAS Construções de Prédios.
José Alves de Oliveira.
A SR. IDELI SALVATTI (PT - SC) - Só relação de amizade?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Só. José Alves
de Oliveira. Não sei quem é.
Márcio Lacerda, conheço de
Belo Horizonte. Era empresário e hoje trabalha no Gabinete do Ministro Ciro
Gomes.
Ricardo Freitas. Meu amigo
pessoal; empresário em Belo Horizonte.
Dr. Plauto, Diretor do Banco
Rural e também meu amigo pessoal.
Eduardo Coutinho, não
conheço.
João Heraldo, Diretor do
Banco Rural
A SR. IDELI SALVATTI (PT - SC) - Qual é a sua relação com ele?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Profissional.
Ângelo Calmon de Sá; Sérgio
Monteiro, o Banco Rural detinha, na época, uma participação no antigo Banco
Mercantil de Pernambuco. Eram 22%. O Dr. Sérgio Monteiro representava a
família, e o Dr. Ângelo Calmon de Sá também tinha interesses de negociar com o
Banco Rural a participação na massa falida.
Isabela, não conheço.
Lamas, nós fizemos um
trabalho de estudo da marca do PL e o Dr. Jacinto Lamas foi o responsável por
essa marca de estudo do PL.
Francisco Lafayete é ligado
à família do Dr. Sérgio Monteiro, do Banco Mercantil de Pernambuco.
Ricardo Machado foi meu
sócio na Empresa Multiaction.
Márcio Novaes, meu sócio na
Empresa Estratégia.
Pedro Gustavo, meu amigo.
Ministro Gushiken, nenhuma
relação pessoal.
Ex-Ministro e Deputado José
Dirceu, estive com ele umas quatro vezes, mas nenhum relacionamento de amizade.
José Genoino, encontrei
esporadicamente no PT, mas também nenhum relacionamento de amizade.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – No verso, há outros nomes, ainda...
O SR. MARCO VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Ah, perdão. Sérgio
Monteiro, eu já respondi.
Ricardo Sacramento era
Presidente da Telemig Celular, em Belo Horizonte.
Júlio Laje foi meu gerente
no Banco de Boston, onde eu tenho conta, que está disponível.
Márcio Alaor é o Vice-Presidente
do Banco BMG, onde temos conta, na agência.
Ricardo Guimarães é
Vice-Presidente do Banco BMG, onde temos conta.
Os motivos dos saques eu já
expliquei aqui. Agora, é importante sabermos a origem dos saques, se eram de
superfaturamento nas contas públicas. Eu proponho uma auditoria, que seja
independente, o que já acontece. O TCU já audita essas contas. A própria
auditoria interna do Banco do Brasil audita essas contas e a dos Ministérios.
Eu proponho que suspendam todos os meus contratos, por uma semana, e entrem
profundamente lá e vasculhem tudo. Eu não tenho nada a esconder nessas contas.
Eu proponho, e está aberto para quem quiser fazer. A origem dos meus saques,
dos meus fornecedores, nunca, nunca foram de contas públicas para pagamento.
Olha, eu desconhecia assunto
mensalão. Então, se querem fazer uma auditoria independente, podem suspender
todos os meus contratos, mas cheguem profundamente lá dentro e vocês vão ver
que não há nenhum superfaturamento. Eu sugiro isso aos Deputados, com todo o respeito.
E acho justa a colocação de todos os Deputados e de todos os Senadores de
quererem vasculhar as contas, sim. Estão aberta. Suspendam todos os meus
contratos e vasculhem as contas. Agora, se não acharem, por favor, a única
coisa que eu peço.
O contrato dos Correios. O
contrato eu já passei...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu pediria, Sr. Marcos,
só pela questão do tempo, porque, senão, vamos novamente...
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Está bom. Eu vou
responder por tese. O contrato não me beneficiou. Se beneficiou, beneficiou a
maioria das empresas brasileiras que não tinham condições de participar à
época. E era simplesmente para habilitação dentro da concorrência. Não era
fator decisivo para ganhar a concorrência. Era um dos requisitos para se
habilitar tecnicamente, não para ganhar. Carlos Rodenburg é um empresário. Eu
marquei um encontro com o Dr. Delúbio Soares. A agenda foi antes do encontro
meu com Carlos Rodenburg, em 15/4, antes do encontro com o Sr. Delúbio Soares.
A imagem do Grupo com o PT,
não com o Governo – a conversa do Delúbio foi com relação ao PT, não ao Governo
– era muito ruim. E o Dr. Carlos Rodenburg, dentro das suas atribuições, queria
fazer uma explicação do que era o Grupo Opportunity e do que era o investimento
deles em telefonia para o PT e, não, para o Governo.
O Delúbio não tinha uma boa
impressão do grupo. Não tinha. Relutou, realmente, ao encontro? É verdade.
Procede. A conta da Telemig Celular e da Amazônia celular já era das agências
antes das privatizações; depois, continuou sendo durante o Grupo Opportunity.
Não,
não conheci o Daniel Dantas antes do encontro com o Sr. Carlos Rodenburg.
Depois, a posteriori, muito a posteriori, é que conheci o Dr.
Daniel Dantas. Não foi no período em que o apresentei para o Sr. Delúbio
Soares.
E ao que me parece o Delúbio
não fez nada em prol do Grupo Opportunity, porque o Grupo está sofrendo um
processo de destituição do próprio Governo Federal através da Previ.
Ainda detenho a conta da
Amazônia Celular e da Telemig Celular.
Não, eu não tive nenhum
rompimento com o Grupo Opportunity. Nós simplesmente temos uma relação
profissional. Nada mais.
Do Gushiken e do Zé Dirceu
já respondi.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o
Deputado Murilo Zauith.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Um minutinho, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli, nós já
ultrapassamos em muito os quinze minutos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas eu nem usei todo o meu tempo de
pergunta!
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Os quinze minutos são o
fator limitante, Senadora, entre quem pergunta e quem responde.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É que tenho uma pergunta. Só ficou
faltando uma pergunta.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Então, Senadora, vou
reinscrevê-la para que tenhamos disciplina.
Deputado Murilo Zauith, V.
Exª tem a palavra.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – Obrigado,
Sr. Presidente.
Sr. Marcos Valério, sabemos que o PT tinha um projeto
de Poder. Estávamos vivenciando isso, as ações dele para isso. E o senhor, pelo
noticiário que estamos acompanhando, era o instrumento do PT para tudo o que se
está noticiando. Tanto que o senhor está nesta CPMI, foi inserido nesta CPMI e
está aqui dela participando. E o senhor, como publicitário, dono de empresa de
publicidade, hoje sabe o valor que tem, principalmente na mídia: capas de
jornais, revistas. O senhor sabe quanto custa isso na mídia, estar tão exposto
desse jeito, em canais de televisão, noticiários e horários nobres. O senhor
talvez seja o produto mais vendido hoje no Brasil pela imprensa.
O senhor representa, nessas relações de tráfico de
influência com o Governo, conforme foi dito aqui por Deputados, pela notícia,
pelas suas relações comerciais... Na sua avaliação, o senhor sabe muito bem o
que o senhor representa neste contexto todo hoje no Brasil. Tanto que o senhor
vem aqui protegido por uma liminar, vem blindado para dizer o que o senhor
quiser. O senhor pode não responder perguntas – a liminar lhe dá esse direito;
O senhor tem o direito de não ser preso – a liminar lhe dá esse direito também.
E isso mostra o quanto o senhor é valioso hoje no País, tanto que está com essa
blindagem do Supremo Tribunal Federal. E mais ainda: hoje a imprensa toda mostra
que, ontem, o Presidente Lula passou o dia todo aborrecido, mal-humorado e
preocupado com as suas declarações hoje aqui.
Com a sua importância hoje para o País, nesta CPMI,
se o senhor não tivesse essa blindagem, dizer alguma poderia derrubar o
Governo?
O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Eu não me dou toda essa importância. Eu sou um
cidadão normal e me vi envolvido no maior imbróglio da história deste País.
Acho que o meu depoimento não ia tirar o sono do Presidente Lula e acho que de
nenhum Parlamentar. Eu não me dou essa importância; não me dou mesmo. E estou
falando do fundo do coração: não me dou essa importância, não me dou esse
valor. Estou aqui para colaborar, mas não me dou essa importância nunca.
O SR. MURILO
ZAUITH (PFL – MS)
– E essa preocupação do senhor com essa proteção, com essa blindagem com que o
senhor veio, com essa medida que o senhor trouxe aqui do Supremo Tribunal
Federal.
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Foi uma atitude
jurídica dos meus advogados; não foi uma atitude de blindagem. Foi uma atitude
jurídica, uma atitude da defesa, não uma atitude porque sou importante ou
porque a República vai cair.Não. Sou um cidadão. A República não vai cair por
minha causa. Ela está aí. O País vai continuar...O País vai crescer com a minha
presença. Se eu morrer hoje, o País não vai estar nem aí. Sabe quais as únicas
pessoas que vão chorar? Meus filhos e minha esposa. O resto... O País vai
continuar normal, os deputados vão se eleger normal. E eu...Morri, acabei. Não
me dou essa importância, não.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – O senhor tem preocupação com sua vida
hoje?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Nenhuma.
Nenhuma preocupação.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – O senhor anda com segurança, com
guarda-costas? Mudou sua rotina de vida?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – A vida da minha
família mudou. É a única coisa que posso falar.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – O senhor fala muito em saques, em
espécie, que o senhor costuma trabalhar assim, que é uma rotina da sua empresa.
Mas por que, a partir de 2003, começou a operar no Banco Rural de Brasília os
saques em dinheiro?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Há vários
motivos. Um: se for ao Edifício Terras Brasilis, 14º andar, fizemos uma obra
muito boa da nova sede da agência. E ali pagamos vários fornecedores também em
dinheiro. É só verificar a obra, que é nova. Além disso, pagamos alguns
fornecedores em Brasília também em dinheiro. Isso está tudo lançado dentro da
própria contabilidade da empresa, que estará franqueada à CPI.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – Mas antes de 2003, sua agência no Banco
Rural de Brasília não movimentava nada em saques de dinheiro vultosos, como vem
ocorrendo ultimamente. Isso vem ao encontro dessa obra?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não só em torno
dessa obra, mas também com o aumento do nosso faturamento na agência. E, pelo
que eu saiba os meus saques em Brasília não foram tão vultosos assim, não.
Tenho dentro da contabilidade um levantamento preliminar que está sendo encaminhado
para a Receita Federal, que está vasculhando isso também. E Brasília não foi
tanto assim.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – No empréstimo do PT junto ao BMG, do
qual o senhor é avalista, o senhor disse que deu entrada na contabilidade do
partido, que pagou a primeira prestação. Como foi essa entrada? Foi empréstimo
para o PT ou o senhor deu por perda de recurso... Como foi a entrada desse
recurso na sua contabilidade?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Na minha
contabilidade... Do partido eu não...
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – Uns trezentos e poucos mil reais...
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Empréstimo para
o Partido dos Trabalhadores.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – Está lá como empréstimo?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Está lá como
empréstimo.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – Quer dizer que o Partido deve ao senhor?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Deve, sim,
senhor.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – Não pagou ainda?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Não pagou
ainda.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – O senhor fez um contrato do Lançamento
do Banco Popular pelo Banco do Brasil, um contrato de 24 milhões. Esse contrato
atingiu os objetivos a que se propunha? Porque, pelo que mostra e que o senhor
pôde falar, os empréstimos são passados de seis milhões. Quais eram os
objetivos desse contrato de 24 milhões com o Banco Popular?
O SR. MARCOS VALÉRIO
FERNANDES DE SOUZA – Foi uma
licitação interna do Banco do Brasil, da qual participaram as três agências e a
DNA, por qualidade na campanha, ganhou essa licitação. Acredito que o
lançamento do Banco do Brasil atingiu a expectativa, que eles atingiram um
milhão de contas. Acredito que sim. Agora, em termos de rentabilidade e de
recursos, quem tem que avaliar é o Banco do Brasil.
O SR. MURILO ZAUITH (PFL – MS) – Só para
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