TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sr. MAURÍCIO MADUREIRA
(22/09/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

TERCEIRA REUNIÃO DA SUB-RELATORIA DNA, SMP&B E FONTES FINANCEIRAS DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 22 DE SETEMBRO DE 2005 ÀS 14:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Sob a proteção de Deus, declaro aberta a terceira reunião da Sub-Relatoria DNA/SMP&B e fontes financeiras da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 3, de 2005, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

A pauta da reunião destina-se à oitiva do Sr. Maurício Madureira.

Convido-o para tomar assento à mesa para seus esclarecimentos.

Antes de passar a palavra ao Sr. Relator, solicito ao Sr. Maurício Madureira que faça a sua qualificação, preste os esclarecimentos que julgar convenientes e decline o nome do seu patrono, do seu advogado.

Com a palavra o Sr. Maurício Madureira.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Boa tarde, Sr. Presidente, Sr. Sub-Relator, Srªs e Srs. Senadores, Deputados e Deputadas.

O meu patrono é o Dr. Flávio de Pila, que se encontra aqui, a minha esquerda.

Eu gostaria de inicialmente informar que sou natural de Curitiba, Paraná. Com 14 anos morei na cidade de Londrina até os 18, quando então passei num concurso da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e vim para Brasília participar do curso de Administração Postal na Escola Superior de Administração Postal dos Correios.

Em 1980, terminei o curso e fui trabalhar na Diretoria Regional do Pará e Amapá. Trabalhei por dois anos e meio na cidade de Belém e depois por três anos e três meses na cidade de Santarém, na chefia da zona postal de Santarém.

Em 86, retornei para Curitiba, Paraná, para a Diretoria Regional também dos Correios, onde exerci uma série de funções gerenciais, retornando novamente ao Pará em 1991 e trabalhando até o ano de 1997.

Em 1998, fui transferido para Brasília, para a Administração Central dos Correios, onde exerci uma série de funções gerenciais e coordenando programas, sempre na área de operações dos Correios, quando, em 2003, assumi a função de Diretor de Operações dos Correios, no dia 26 de fevereiro até o dia 9 de junho de 2005.

Eu trouxe aqui um material que espero durante...Pelo menos o que tenho visto pela impressa e pelos relatórios que Controladoria-Geral da União tem feito com relação aos assuntos relacionados a minha área que eu atuava como diretor e coloco-me à disposição dos Srs. Parlamentares para os esclarecimentos que se julgarem necessários.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Prestados os esclarecimentos iniciais, concedo a palavra ao Sr. Sub-Relator.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sr. Presidente, inicialmente cumprimento o nobre depoente, esclarecendo a V. Sª e ao nobre patrono que V. Sª depõe na condição de investigado e, portanto, se enquadra nessa condição para todos os fins de direito e regimentais.

Eu começaria preliminarmente introduzindo a argüição de V. Sª indagando se V. Sª é filiado a algum partido político e desde quando é.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não sou filiado, nunca fui filiado a nenhum partido político.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quais os cargos... V. Sª fez uma breve discrição da sua vida funcional, mas para efeitos da administração pública vamos precisar um pouco datas e cargos. O senhor ingressa na vida pública como agente público em que cargo?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em 1980, quando concluí o curso de administração postal no cargo de administrador postal em Brasília.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Administrador Postal, em Brasília?

Foi mediante concurso público?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi mediante concurso público feito em 1978. Dois anos de curso. Quando concluí, foi quando a empresa contratou e fui transferido pela Diretoria Regional do Pará e a Amapá.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então em 1980 V. Sª ingressa, por concurso público, como administrador postal.

Depois disso? 

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Depois disso fui transferido para a Diretoria Regional do Pará e Amapá.

O SR.  SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Transferido para o Pará e Amapá em que ano?

O SR.  MAURÍCIO MADUREIRA – 1980.

O SR.  SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Também no mesmo ano.

Quantos meses após o seu ingresso V. Sª foi transferido?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – No mesmo mês. Quando terminou o curso, nós tínhamos um processo de seleção: conforme a classificação do aluno, conforme as dependências que o Correio tinha em todo o Brasil para opção. E eu optei pelo Pará.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que V. Sª optou pelo Pará?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Porque para o Paraná só tinha uma vaga, e o primeiro colocado da turma era paranaense. Meu interesse era retornar para minha terra.

Na minha opção de escolha, tínhamos quatro vagas para o Pará e eu tinha dois colegas que era muito amigos meus e, até porque era solteiro, por questão de até chegar num local que não conhecia e poder alugar um apartamento, um local para morar...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tinham colegas que também tinham passado no concurso e estavam lá?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Exatamente.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O nome deles, V. Sª recorda?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Recordo: Fábio Moreira e Jorge Arthur Vale Vasconcelos.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – As outras vagas que V. Sª poderia escolher seriam em outros Estados?  

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso. Rio Grande do Norte, Rondônia, seriam outras opções.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então V. Sª é transferido para o Pará e exerce a função de administrador postal lá?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual foi a sua evolução funcional lá?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em abril de 1981, eu assumi a chefia da Seção de Controle da Gerência Financeira, na Diretoria Regional do Pará.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois de um ano V. Sª já assumiu a chefia?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É, praticamente.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Esse é um cargo de confiança?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Função de confiança.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Como V. Sª foi indicado para esse cargo?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi opção do Diretor Regional, na época.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem era?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Vilson Correia.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Depois disso, em 1982, em novembro, fui transferido para Santarém para exercer a função de confiança de chefe da zona postal de Santarém. Era uma espécie de gerente regional das agências do baixo Amazonas.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP)  – Quer dizer que V. Sª foi promovido?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  A função era equivalente hierarquicamente à que eu ocupava de chefe de Seção de Controle, mas a responsabilidade era maior.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De quem foi a decisão de que V. Sª fosse transferido?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Do diretor regional.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Também do Sr. Vilson?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em 1982 não era mais ele. Era o Sr. Sinésio Jorge Greve, que era o diretor regional.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sinésio.

Posteriormente a isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em janeiro de 1986 fui transferido, a pedido, para a Diretoria Regional do Paraná.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que V. Sª depois de tanto tempo no Pará pediu para ir ao Paraná?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Porque existia uma regra na empresa que, após cinco anos de efetivo exercício, principalmente dos administradores postais que iam para locais que não eram o seu local de origem – e a grande maioria era isso –, era dada a opção de escolha, caso tivesse interesse em ser transferido de optar. E eu resolvi voltar para perto da minha família.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª foi exercer que função no Paraná?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – No Paraná, por seis meses, fiquei na assessoria de planejamento, mas sem função, realizando trabalhos que eram passados no dia-a-dia.

Depois, em julho de 1986, assumi a função de confiança de chefe da Seção de Transporte Regional.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Chefe?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Da Seção de Transporte Regional.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem escolheu V. Sª para essa função?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi também uma decisão do diretor regional?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem era?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Na época era o Sr. Ronis Ribeiro Laines.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  Depois disso permaneci quatro anos nessa função. Em julho de 1990 fui transferido para Londrina, para ocupar a função de confiança de chefe da Região Operacional de Londrina. 

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De quem foi a decisão?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Do Diretor Regional...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Era o Sr. Ronis ainda?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Não era mais ele. Ele até faleceu. Estou tentando lembrar o nome dele. Não consigo me lembrar.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito. Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Fiquei por um ano e, em julho de 1991, fui convidado para retornar ao Pará para exercer a função de confiança de Gerente de Operações no Pará.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem o convidou?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi o então Diretor Regional Waldemir Freire Cardoso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Waldemir?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Waldemir Freire Cardoso?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De onde o senhor conhecia o Sr. Waldemir?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Quando eu tinha trabalhado, na época anterior, no Pará, ele foi Gerente de Operações. Eu era chefe da Zona Postal de Santarém. Eu me reportava a ele na época.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor Waldemir tinha alguma vinculação partidária?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Olha, eu não sei, Deputado, informar se tinha. Eu sei que ele tinha relacionamento com Parlamentares. Agora, não sei se ele era filiado...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quais eram os Parlamentares com quem o Sr. Waldemir tinha relação?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não consigo me lembrar, Deputado, porque faz muito tempo isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele tinha relação com o Deputado Roberto Jefferson?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Olha, na época que eu trabalhei no Pará, nunca vi nenhuma citação ao Deputado Roberto Jefferson?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor nunca soube que o Sr. Waldemir tinha relações com o Deputado Roberto Jefferson?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Na época em que eu trabalhei lá, nunca vi nem ouvi o Deputado lá, nem ouvi nenhum comentário com relação a isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E depois que saiu de lá?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu via, na época, estou me lembrando agora, ele tinha relacionamento com o Senador Jarbas Passarinho, com o Governador Jader Barbalho que, na época, era Governador do Estado, mas eu não sei o grau de...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas, depois que o senhor saiu de lá, o senhor nunca soube se o Sr. Waldemir tinha relação com o Deputado Roberto Jefferson?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu não posso afirmar. Agora, principalmente, depois de todas essas crises, a gente escuta alguma coisa a respeito, mas eu não, da minha parte eu não...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que o senhor ouviu a respeito?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Que havia algum relacionamento dele...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Do Sr. Waldemir com o Roberto Jefferson?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Essa época não coincide um pouco com o período em que lá trabalhou o Sr. Maurício Marinho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Coincide.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, nessa época, o Sr. Maurício Marinho trabalhava lá?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Tem dois momentos: ele trabalhou na primeira fase em que eu estive lá – ele trabalhava, quando eu cheguei ele já trabalhava lá no Pará – e quando ele pediu demissão, em 1984, eu estava em Santarém, então, eu não acompanhei o processo. Só fiquei também sabendo que tinha havido uma sindicância e, ao final, ele tinha pedido demissão. Quando eu voltei, em 1991, ele não trabalhava na empresa. Ele tinha saído da empresa desde aquela época de 1984. Em 1993, nós tivemos uma reunião de coordenação onde ele foi apresentado que tinha retornado para a empresa mediante decisão judicial.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor chegou a travar contatos com o Sr. Maurício Marinho na época?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele ocupou um cargo de... Quando eu saí da Gerência de Operações em... acho que foi em maio de 1993, ele foi quem ocupou a função.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, quando o senhor saiu e foi para o Paraná...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não. Eu fui para uma outra área. Fui para a Assessoria de Planejamento.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Está OK. Vamos continuar, então, a sua evolução até para que eu possa me localizar. Depois vamos voltar a esse foco. Então, em julho de 1991, o senhor retorna ao Pará a convite do Gerente de Operação, Sr. Waldemir. Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Eu fui a convite dele. Ele era o Diretor Regional. Eu fui convidado para ser Gerente de Operação.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Para gerente de operação. Então, o Sr. Waldemir, Diretor Regional, convidou o senhor para retornar o Pará, em julho de 1991, tendo em vista as relações de conhecimento que ele já tinha com o senhor no período anterior que o senhor havia trabalhado no Pará?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso. Correto.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois de julho de 1991?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Aí, em maio de 1993, eu saí da Gerência de Operações e assumi a chefia da Assessoria de Planejamento e Coordenação.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Chefia. Isso foi uma promoção?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É o mesmo nível gerencial.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem o designou para essa função?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi o Diretor Waldemir Freire Cardoso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O próprio Waldemir?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu fiquei, de maio até janeiro de 1994, nessa função e depois disso eu fui designado Gerente de Transportes, também no Pará, pelo Diretor Waldemir Freire Cardoso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perdão. De maio de 93 a...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – A janeiro de 1994.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o que aconteceu em janeiro de 1994?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu assumi a função de Gerente de Transportes?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso foi promoção?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. É o mesmo nível também.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem o indicou?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi também o Waldemir.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Também o Waldemir?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em janeiro de 1998, eu sou transferido para Brasília, onde eu fui também, vim, fui convidado a vir para Brasília para assumir a chefia da Divisão de Gestão de Transporte de Superfície.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, o senhor trabalha, de janeiro de 1994 a janeiro de 1998, ainda sob o Sr. Waldemir?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor foi convidado, em janeiro de 1998, para que função?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Aqui em Brasília, na Administração Central, para Chefe da Divisão de Gestão do Transporte de Superfície.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Chefe da Divisão de Transporte de Superfície?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem o indicou para a função?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi o chefe do Departamento à época, o Dr. Alexandre Assunção Ribeiro, que me fez o convite.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Alexandre?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Assunção Ribeiro.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – De onde conhecia o Sr. Alexandre Assunção Ribeiro?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu o conhecia de Brasília, porque, durante o tempo em que fui gerente de transporte, sempre tínhamos reuniões gerenciais aqui em Brasília e travávamos conhecimento com toda a equipe, todas as pessoas envolvidas com a área de transporte da empresa.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Alexandre Ribeiro tinha relação com parlamentares e políticos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Não senhor, nunca vi.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nunca soube?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nem ouviu comentários?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nem ouvi comentários.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois de janeiro de 1998?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em janeiro de 1998, fiquei como chefe dessa divisão até o início de 2002, quando houve uma reestruturação na área, e mudei para a chefia da Divisão de Encaminhamento.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Chefia da Divisão de Encaminhamento?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem o sugeriu para essa função?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi o então chefe do Departamento Operacional de Cartas, José Garcia Mendes.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – José Garcia Mendes?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. José Garcia Mendes tinha alguma atividade, alguma relação com políticos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nunca soube de nada?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nunca soube de nada.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Depois disso, em fevereiro de 2003, fui nomeado Diretor de Operações dos Correios.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Logo no início do atual Governo?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Exatamente.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem o indicou para a função?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu tive um contato com o Deputado Pompeo de Mattos, do PDT. Assim que o Ministro Miro Teixeira assumiu a Pasta, eu tive o contato com ele, procurei-o por indicação de um amigo meu, e apresentei meu currículo e contei meu histórico na empresa. Perguntei se havia alguma possibilidade de eu ser indicado. Ele falou: olha, vou encaminhar ao Ministro para ele verificar. Com certeza tem outros nomes lá. Se houver possibilidade, ele pode indicá-lo.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª já conhecia o Deputado Pompeo de Mattos de onde?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, eu não o conhecia. Um amigo meu que o irmão dele estudou com ele na faculdade.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem é o amigo?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Luís Scorsato.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Luís?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Luís Carlos Scorsato.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Carlos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Scorsato.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Scorsato?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Luís Carlos Scorsato é amigo do Deputado Pompeo de Mattos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, o irmão dele. O irmão do Luís Carlos é que estudou com o Deputado.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ah! O irmão do Luís Carlos estudou com o Pompeo de Mattos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E aí então, através desse Luís Carlos Scorsato, o senhor marcou um encontro com o Deputado Pompeo de Mattos, que não o conhecia?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não me conhecia.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E aí o senhor levou o currículo ao Deputado Pompeo de Mattos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, primeiro eu conversei com ele a respeito, não é? da questão da mudança de Governo, que eu tinha, como todo profissional da Casa, interesse de chegar a um cargo de maior expressão. E ele, então, pediu que eu encaminhasse um currículo para ele. Eu peguei, preparei o currículo e levei para ele. E fiquei aguardando.

No início de fevereiro, saiu a nomeação de toda a diretoria da empresa, menos do diretor de operações. Foi a única que não saiu. Ficou mantido o que era o diretor então..

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem era?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Era o Carlos Augusto Eli Macena. E eu fiquei sabendo também que tinham vários nomes com o Ministro Miro, que havia uma indefinição com relação à Diretoria de Operações. E amigos meus da empresa começaram a fazer contato com o Ministério, com a Casa Civil, também para ver, e a Casa Civil... Até porque começaram também a fazer algumas ilações, querendo desqualificar a minha pessoa...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem começou fazendo ilações?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Provavelmente pessoas que tinham interesse no cargo também.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E quais eram as ilações que faziam contra V. Sª?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não haviam especificado, só diziam que tinham um dossiê contra mim.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso vinha de onde, essa idéia do dossiê? Vinha da Casa Civil, foi o que o senhor disse?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Procuraram a Casa Civil?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Exatamente. Colegas que fizeram contato, amigos de trabalho, não é? Me informaram que havia comentários de que estariam aguardando um dossiê contra mim. Fiquei obviamente aguardando essa questão e o pessoal...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso V. Sª já tinha sido indicado então?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, meu currículo já estava com o Ministro.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Já tinha sido remetido ao Ministro Miro Teixeira?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso. Exatamente.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E aí houve comentários de que haveria um dossiê contra V. Sª?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem havia dito que havia um dossiê? V. Sª se lembra?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não lembro, Deputado, porque era o comentário que ouvíamos... Ah! Eu tenho um amigo, mas não dizia o nome, e disse que tem isso, que tem aquilo. A partir disso, as pessoas começaram, esses meus amigos, a avisar, porque gente do Brasil todo sabia. Sempre trabalhei em todos os estados. No tempo em que trabalhei na administração central viajava muito, sempre fiz um trabalho de campo muito grande. Por iniciativa própria, começaram a fazer abaixo-assinado para o Ministro Miro, de apoio ao meu nome para ocupar o cargo de diretor de operações. Isso deve ter, pela minha estimativa, na época, até me surpreendi, não esperava que houvesse tanta receptividade, mas foram mais de 2 mil assinaturas encaminhadas ao Ministro.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E essas pessoas que assinaram eram funcionários dos Correios?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Funcionários dos Correios.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Aí foi encaminhado ao Ministro Miro. Depois disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Aí, da primeira nomeação da diretora, duas semanas após, saiu a minha nomeação para diretor de operações dos Correios.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E V. Sª começou a exercer a função de diretor de operações desde fevereiro de 2003?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E aí?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Até o dia 9 de junho de 2005, quando coloquei o cargo à disposição do Ministro.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E, depois do dia 9 de junho de 2005, V. Sª exerce que função?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Administrador postal.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Voltou à situação de origem?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Voltei.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Aqui, em Brasília?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Aqui, em Brasília.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vamos voltar àquela questão do Sr. Valdemir. Posteriormente à sua saída do Pará, o senhor continuou mantendo contato com o Sr. Valdemir?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Raramente, eu o encontrava em reunião da empresa, reunião nacional, mas não tive mais contato com ele.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Valdemir permanece até hoje no Pará, trabalhando?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, ao que me consta.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele não foi ao Rio de Janeiro trabalhar durante esse período?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando ele foi ao Rio de Janeiro trabalhar? V. Sª lembra?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não me lembro se foi em 2001 ou 2002. Acho que foi em 2001.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Que função ele foi exercer no Rio de Janeiro? V. Sª sabe?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Diretor Regional.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Diretor Regional do Rio de Janeiro. Dois mil e um ou dois mil e dois, não é?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Acredito que seja 2001.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª saberia dizer por indicação de quem que ele foi trabalhar no Rio de Janeiro?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – A informação que se ouve na empresa é de que foi pelo Deputado Roberto Jefferson, segundo informações.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Depois disso, em 2001 e 2002, o Sr. Valdemir foi para onde? O senhor se lembra?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele retornou ao Pará.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E hoje está exercendo que função no Pará?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não sei, Deputado.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª não sabe. No período em que ele estava no Rio de Janeiro, V. Sª conversava com ele?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não conversava com ele. Não teve nenhum contato com ele no período?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Recebemos aqui uma informação de que atualmente ele trabalha na Secretaria de Turismo da prefeitura de Belém, junto com o filho do Deputado Roberto Jefferson. V. Exª tem alguma informação a respeito disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. A última informação que tive foi de que ele estava na diretoria do Pará, mas eu não sabia o que ele estava fazendo.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Sr. Maurício Marinho, depois do período em que ele estava trabalhando no Pará, em que ele pediu a demissão por força daquelas denúncias da sindicância, ele montou alguma empresa?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não conheço, Deputado, não tenho relacionamento de amizade nem intimidade com o Sr. Maurício Marinho.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Exª nunca soube que ele montou uma empresa de transportes?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nunca soube.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª diz que quem o indicou, então, indiretamente para a função que exerce foi o Deputado Pompeo de Mattos. V. Sª teve alguma relação ou tem alguma relação com o Sr. Sílvio Pereira, Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nenhuma.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª conhece o Sílvio Pereira?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Conheci num evento social, onde fui apresentado a ele.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Que evento social?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi num jantar. Não lembro o nome do restaurante. Tinha várias pessoas e me levaram até ele para me apresentar como diretor dos Correios.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Era jantar em homenagem a alguém?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, era um jantar comum, social.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Foi a única vez em que V. Sª viu o Sílvio Pereira?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – A única vez em que encontrei o Sr. Sílvio Pereira.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Isso foi antes da sua nomeação como diretor ou foi posterior?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi posterior.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Foi posterior à sua nomeação.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Três ou quatro meses depois que tinha assumido.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª conhece o Sr. Marcos Vinícius, genro do Deputado Roberto Jefferson?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, Excelência.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nunca o recebeu? Não o conhece?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nunca o recebi e não o conheço.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O Deputado Roberto Jefferson, V. Sª já o recebeu alguma vez?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nenhuma vez.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Conhece pessoalmente?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, senhor.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nunca esteve com ele?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nunca estive com ele.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Durante o período em que V. Sª exerceu a diretoria dos Correios, mantinha contatos com algum Parlamentar, Senador ou Deputado Federal?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu recebia eventualmente pedidos de audiências de parlamentares.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim, mas...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Mas isso normal, mas o relacionamento que eu tinha às vezes o próprio Deputado Pompeu de Mattos, que ia lá visitar, porque os demais diretores eram do PDT do Rio Grande do Sul. Ele passava lá para me cumprimentar, mas nada assim de relacionamento, de ficar o tempo todo conversando não tinha.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Exatamente quais eram as suas atribuições? V. Sª era de operações da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, mas exatamente o que faz o diretor de operações? Quais são as atividades que ele comanda?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Bom, ele comanda a área operacional dos Correios. Dentro da diretoria, têm cinco departamentos. Departamento operacional de cartas, que coordena todo o processo, a partir da postagem nas agências, até a distribuição, o tratamento e a distribuição, destinatários das mensagens; o departamento operacional de encomendas, que faz o mesmo tipo de atividade para encomendas, sedex, e PAC e encomenda normal; o departamento de encaminhamento e administração da frota que presta suporte na questão de recursos de transporte a esses departamentos; departamento de negócios e operações internacionais, que coordena todos os produtos e serviços da área internacional dos Correios; e o departamento de logística integrada, um departamento novo, tem cerca de dois anos e meio a três, que coordena um serviço novo que a empresa está desenvolvendo, que é o de logística integrada, prestando serviços a grandes operadores no País.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual a interface que a diretoria de operações tem com a função que exercia o Sr. Maurício Marinho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Olha, a interface, o Sr. Maurício Marinho, o departamento dele é subordinado à diretoria de administração. Em nível de diretoria, o relacionamento que eu tinha era com o diretor de administração. Eu não me relacionava com o Sr. Maurício Marinho. Agora, nos departamentos no nível do departamento do Sr. Maurício Marinho, havia trocas de expedientes, encaminhamento, normalmente se pedia a questão de compras, por exemplo, equipamentos operacionais, o departamento operacional de cartas levantava junto às diretorias regionais a necessidade de equipamentos e encaminhava o pedido ao departamento de contratação, que era o do Sr. Maurício Marinho, para ele fazer a compra dos equipamentos, conforme a pauta estabelecida de fornecimento a todo o Brasil.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Certo, mas V. Sª não tinha um relacionamento mais freqüente funcional com o Sr. Maurício Marinho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quando V. Sª o conheceu no Pará, naquele período, V. Sª tornou-se amigo dele?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não, não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas tinha contatos pessoais?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Relacionamento exclusivamente profissional. Sempre exclusivamente profissional.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Exclusivamente profissional. Ele nunca o procurou para qualquer tipo de tratativa, negociação?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nenhuma.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Intercedeu para que V. Sª recebesse políticos ou tivesse...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, também não me fez nenhum tipo de pedido. O meu relacionamento, insisto, Deputado, era com o diretor de administração. Com o Sr. Maurício Marinho eu não lembro de ... eu me lembro de uma vez que eu fui na sala do diretor Antônio Osório e ele estava presente. Não tinha nenhum tipo de relacionamento, nunca telefonei a ele para vir à minha sala, conversar sobre qualquer assunto. Ele se relacionava com os meus departamentos, meu departamento: olha, estivemos lá com o departamento, a questão é essa, tem que fazer assim, então faça dessa maneira, dava a orientação, mas relacionamento com ele nenhum.  

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem eram seus assessores ou consultores diretos quando V. Sª exercia a função de diretor dos Correios?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Bom, eu tinha quatro consultores agora no final e dez assessores. Eu não sei se lembro o nome de todos.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Poderia nominá-los?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Consultores é mais fácil, porque são quatro. Era o José Garcia Mendes, Paulo Onishe(?), Júlio Imoto... falta um, Ilves Caldas.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E os assessores?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Assessores eu tinha... deixa eu lembrar: José Alberto Brito, Jorge Eduardo Martins Rodrigues, Ângelo... não, Ângelo não era chefe de departamento.  

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Esses assessores e consultores foram de livre escolha de V. Sª ou alguém sugeriu que V. Sª nomeasse essas pessoas?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, fui eu quem escolheu, a maioria deles já era..., já estava na função.  

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então, com todos, efetivamente, V. Sª tinha uma relação de  conhecimento? 

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, conhecia todos eles.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sr. Júlio Imoto fazia o quê?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele era consultor da diretoria de operações e ele tinha sob a coordenação dele a questão de orçamento da área de operações. E fazia, apoiava os departamentos da área nessa questão orçamentária.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Foi  V. Sª que o escolheu?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. Ele já era assessor da diretoria quando assumi.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele tinha algum tipo de relação política com alguém?

O SR.  MAURÍCIO MADUREIRA – Não conheço. Não sei.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vamos falar um pouquinho do Decan e Dirad. Quais eram os assuntos profissionais comuns que eram tratados entre a Decan e a Dirad?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  – Entre eles?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – São duas unidades administrativas, quais os assuntos comuns que existiam entre eles?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – O Decan é departamento de compras e administração de materiais...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim. E a Dirad?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – A Dirad é diretoria de administração e o Decan é subordinado e se reporta à diretoria de administração.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nenhuma dessas unidades tinha uma interface diretamente com a sua diretoria, ou só o Dirad?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, interface, como o diretório de administração era no mesmo nível hierárquico do diretor de operações, tínhamos um relacionamento com todas as diretorias, Diretoria Financeira, Diretoria de Tecnologia, o mesmo tipo de relacionamento.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Para que essa relatoria não monopolize demais, e nós possamos socializar, indago ao Deputado Silvio Torres ou ao Deputado Eduardo Paes se querem começar as suas argüições. Voltaria depois, tenho um bloco imenso de perguntas, e não quero cansá-los numa situação monocórdia infernal.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Agradeço. V. Exª não segue o exemplo do Deputado Osmar Serraglio.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Se V. Exª falar isso, sinto-me na condição de segui-lo porque é um excelente Relator.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Relator, Sr. Presidente, queria também cumprimentar o Sr. Maurício. Queria fazer, inicialmente, a seguinte pergunta inicial ao senhor. O senhor foi um diretor, foi alçado à condição de diretor da Diretoria de Operações, conforme já informou ao Deputado José Eduardo Cardozo, indicado pelo Deputado Pompeo de Mattos. É isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É o que coloquei. Apresentei o currículo a ele.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Vamos simplificar a resposta.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Está certo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E são três diretorias, quatro diretorias básicas...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, são seis diretorias mais a presidência.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A Diretoria Comercial quem ocupava no tempo do senhor?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Quando assumi, manteve-se o mesmo diretor, Dr. Paulo Menecuti. Ele era Diretor de Tecnologia. Quando houve a mudança da diretoria, ele assumiu a Diretoria Comercial.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Foi indicação de algum?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não sei lhe informar.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não sabe dizer?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não sei dizer.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A Diretoria de Tecnologia...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. Dr. Eduardo Medeiros.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Era indicação de qual partido político?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não conheço nenhuma indicação. O Dr. Eduardo inclusive citou aqui que ele não foi indicado por partido político. Não conheço.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Diretoria Financeira, indicação de qual partido político?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Olha, na época, em fevereiro de 2003, o Presidente da época, Dr. Airton Dipp, veio do Rio Grande do Sul com dois diretores, com o Diretor Financeiro e o Diretor de Administração. Os dois eram, pelo que me consta, filiados ao PDT.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então o PDT a essa altura tinha três indicações? O senhor, o Diretor Financeiro e o da Diretoria Administrativa? 

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O PMDB tinha alguma indicação?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não tenho conhecimento.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não tem?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Diretor-Presidente dos Correios, como o senhor sabe, é um ex-Deputado...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso é agora, estou pensando em fevereiro de 2003.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Posteriormente o senhor continuou com o diretor?

O SR.  MAURÍCIO MADUREIRA – Continuei.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Continuou tendo, como... O novo Diretor Presidente dos Correios era uma indicação do PMDB.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. Isso agora em 2004.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – 2004. Estou falando do período que o senhor esteve à frente da Diretoria de Operações.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Correto.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Quando o Sr. João Henrique foi presidente dos Correios foram mudados os diretores financeiros e administrativos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foram.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Foram trocados?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foram trocados.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mais algum diretor?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Também o Dr. Paulo Menecuti, Diretor Comercial, foi substituído pelo Dr. Carlos Fioravante.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O PT tinha algum diretor indicado?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não tenho informação que tivesse indicado do PT, não.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor, durante esse tempo todo, desculpa, mas é meio... o senhor convivendo no dia-a-dia com os diretores, certamente uma convivência harmoniosa, não era conflituosa, não havia nenhuma confidência, esse assunto era tabu?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, o diretor Eduardo Medeiros, que esteve aqui, que se dizia que eu e ele éramos indicados do PT, ele disse que não foi indicado pelo PT. Ele nunca comentou esse assunto comigo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Desculpe-me interromper, mas o que ele disse aqui ouvimos, mas o comentário que se fazia naquele momento... Essas coisas são sempre comentadas. O senhor foi apresentar o seu currículo por algum motivo ao Deputado Pompeo de Mattos, é porque o senhor sabia que precisava de um político para lhe apadrinhar ali, que o critério era político, não é?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não lhe causa estranheza que o único técnico, enfim, que não teve nenhum padrinho tenha sido o Sr. Eduardo? O senhor não via nada lá, na época?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Concordo com a sua observação, o que digo é que não posso falar pelo diretor Eduardo. Se ele nunca me falou sobre isso, não posso agora dizer: não, foi, porque ouvi falar.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, ele nunca falou para o senhor e também nunca ouviu isso lá dentro?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nunca ouvi.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor foi demitido?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu? Não.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, porque a imprensa noticiou, na época, que o Presidente Lula teria demitido todos os diretores quando houve o caso do Sr. Marinho.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. O que aconteceu foi que colocamos o cargo à disposição para que fosse facilitado o trabalho de investigação. Somos funcionários de carreira da empresa. Fui exonerado a pedido do cargo de diretor e voltei para o meu cargo permanente de administrador postal.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então todos se auto-exoneraram? Todos os diretores que o Presidente Lula mandou exonerar?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Exatamente.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não se colocou à disposição por vontade própria.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Tivemos uma reunião, após essa reunião com o Presidente Lula, onde a diretoria resolveu, por livre e espontânea vontade, embora fruto de uma conversa com o Ministro, de colocar os cargos à disposição para facilitar os trabalhos de apuração que estavam sendo feitos na empresa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E logo em seguida os diretores auto-exonerados foram contratados como consultores?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu não diria contratados. Esse é um processo que é previsto nas normas da empresa. Após sairmos da diretora – existem lá consultores que foram diretores já da empresa – fomos designados como consultores. Isso gerou um mal estar junto à imprensa, e a diretoria da empresa resolveu anular.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Todos aqueles que se auto-exoneraram foram designados como consultores?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, só os que eram de carreira. Só eu e o Eduardo Medeiros, que somos de carreira. Os demais não pertenciam aos quadros da empresa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E esses fizeram o quê?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eles saíram da empresa, afastaram-se da empresa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Bom, depois disso, a repercussão dessa notícia fez com que essa designação fosse anulada?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Fosse anulada.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A do Sr. Eduardo Medeiros também?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Também.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não permaneceu ninguém, então, como consultor.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ninguém como consultor.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E é correta a informação de que o senhor, o último ato do senhor como diretor foi assinar com a empresa Taf Linhas Aéreas um aditivo de R$ 338 mil.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, excelência, assinei esse aditivo quando eu ainda era diretor.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sim, estou dizendo um dos seus últimos atos como diretor.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não sei, porque ali na diretoria são muitos expedientes todo dia. Vi essa notícia pela imprensa. Achei estranha, porque eu ainda exercia a função de diretor quando assinei. Agora, não sei se foi o último, mas com certeza foi um dos últimos, porque já estava ...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor assinou algum outro aditivo, assim que o senhor se lembre ou o senhor não se lembra?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não me lembro.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor nem se lembrava desse daqui?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nem me lembrava desse.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Pois é. Então o senhor soube isso pela imprensa? Porque é uma quantia razoável que o senhor assinou.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Parecido com o Genoíno, soube alguma coisa pela imprensa.  

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Estou apenas confirmando. O senhor, então, não sabia, não é?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Excelência, quero lhe dizer o seguinte...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não se lembrava?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, exatamente. Na diretoria há uma infinidade de documentos que se assina no dia-a-dia. Sei que assinei o aditivo. Eu digo que fiquei assustado quando vi a menção de que eu tinha assinado após deixar de ser diretor, o que obviamente eu não poderia fazer porque eu nem estava mais lá.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, ela foi publicada no dia 9, o senhor trabalhou até o dia 8 como diretor.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, mas eu a assinei antes, não é? A publicação vai para o Diário Oficial da União.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sim, não estou contestando.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Certo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Há notícia também de que o bloco de aditivos assinados pela antiga diretoria, às vésperas de ser demitida, evidentemente já auto-exonerada, já com a decisão de se exonerar, nos valores de R$10 milhões, beneficiando as empresas Visa Transporte e Logística e Rodoviário União. Eram da sua área?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. Da minha área.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor se lembra de ter assinado esses aditivos nesse valor?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – O valor eu não me lembro.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas dez milhões de reais!?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Estou achando...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor me desculpe. Trezentos e trinta e oito mil, até pode, assim, no limite da minha...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Deputado, eu quero lhe dizer o seguinte: esse processo de aditamento não é um ato em que se leva um documento, o diretor assina, está aditivado. Ele é um processo que vem desde um requerimento de uma empresa, passa por um setor técnico, que faz a análise, emite um parecer; vai para o setor jurídico, que emite também seu parecer; depois, vai para a reunião de diretoria, que poderá aprová-lo, para depois voltar. Aí o aditivo vai para a área jurídica, onde será chancelado; daí virá para a assinatura do diretor da área e do presidente. Então, esse é um processo que não se resolve em dois dias. Esse é um processo que chega a dois meses, três meses, às vezes, de demora. É um processo lento.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não. Estou de pleno acordo. Acho que é assim mesmo que era...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – ...deve continuar sendo.

O SR.  MAURÍCIO MADUREIRA – É assim.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Só que quem estaria demissionário, como o senhor, não assinaria um contrato desse às vésperas de estar saindo. Alguém solicitou ao senhor que assinasse esse contrato antes de o senhor sair, com medo de que esse aditivo depois tivesse algum problema?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Não. Não. Esse é o processo normal. Quando ele chegou para ser assinado, ele foi assinado.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor se lembra quando ele chegou?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, eu não me lembro. Só vendo o processo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A sindicância instaurada constatou que foi assinada quando o senhor já estava demissionário.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É. Eu vou ter que ver então, Deputado, porque eu não consigo me recordar com detalhe de tudo, de todos os processos que passavam por ali. São muitos processos.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas esse de dez milhões de reais, esse valor, essas duas empresas especificamente o senhor lidava com eles...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – As empresas têm contrato com os Correios...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Com as quais o senhor lidava, não é?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. É bem provável que eu tenha, é bem provável que eu tenha realmente assinado. Eu não estou colocando em dúvida isso. Eu só estou...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não praticou nenhum ato ilegal assinando, estava dentro das suas funções.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Exatamente. Claro!

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Estamos querendo que o senhor nos diga por que o senhor resolveu assinar isso quando já estava saindo da empresa.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Certo. Eu assinei porque chegou às minhas mãos para assinar, eu ainda exercia o cargo de Diretor e era a minha função assinar. Não tinha motivo para deixar ali para ao próximo Diretor assinar ou não assinar. O ato já estava... A decisão já havia sido tomada pela Diretoria colegiada, a aprovação do aditivo. Ali, era uma mera formalidade da assinatura do termo aditivo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ou seja, o processo culminou na sua mesa, por coincidência, na véspera de o senhor sair da Direção dos Correios?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Pode ser.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não é isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Pode ser.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Acabou chegando lá na véspera.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É possível.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – É comum ex-Diretores, ex-funcionários dos Correios, seja no cargo de direção ou em outros cargos, ao saírem dos Correios, trabalharem em empresas que prestam serviços aos Correios?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ah, Deputado, eu não sei lhe informar, porque eu tenho poucas pessoas que saíram dos Correios. Quem tem informação de funcionário dos Correios que saiu e foi trabalhar é um ex-Presidente, o Rocha Lima, que saiu e foi trabalhar na Vaspex, depois na Velog. Mas é um nome que eu me lembro assim que é... Mas não tenho conhecimento de quantidade, se isso é comum.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Antes de ser Diretor, o senhor trabalhava na área de transporte, segundo o senhor disse ao...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu sempre trabalhei nos Correios, desde 1978.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas na área de operações?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – De operações. Trabalhei rapidamente na área financeira, planejamento. Mas a maior parte da minha vida na empresa foi na área de operações.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Na área de operações.

O senhor trabalhou junto com o Sr. Jacques Lavoisier?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Junto com ele não. Eu era Gerente de Transportes no Pará quando ele era Chefe do Departamento de Transportes em Brasília, durante um tempo, até ele sair.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor era Gerente...?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu era Gerente de Transportes na Diretoria Regional do Pará.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Do Pará?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É. E ele era Chefe do Departamento de Transporte aqui, em Brasília. Havia um relacionamento técnico com ele.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sei. Depois, quando o senhor veio para Brasília, ele não estava mais nos Correios?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele já tinha saído da empresa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Tinha saído da empresa.

E ele? O senhor sabe para onde ele foi depois?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu sei. Ele é representante da TAF Linhas Aéreas.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Que foi a empresa que recebeu aditivo quando o senhor estava saindo.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. Essa mesma empresa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A mesma, não é? A TAF, que é Transporte Aéreo Fortaleza.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E ele continua lá?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Bom, até quando eu estava como Diretor sim. Depois disso, eu não tive mais contato com ele.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu queria fazer menção agora à questão da Rede Postal Noturna. Vou conversar um pouco com o senhor sobre isso.

Bom, o senhor assumiu em fevereiro de 2003.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Certo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Nesse tempo, a Rede Postal Aérea Noturna estava sendo operada por duas ou três empresas – duas empresas: a Beta e a Skymaster.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Na Rede Postal Noturna são 11 ou 12 empresas.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Havia um contrato em vigor de algumas linhas – das linhas “a” e “c”, especificamente – que estavam sendo operadas por essas....

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Pela empresa Skymaster.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Skymaster. E a Beta?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – A Beta fazia a linha “f”. É uma outra linha de transporte aéreo da RPN.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Eu tenho aqui um gráfico que diz que em junho de 2001 – uma licitação na qual participaram a Beta e a Skymaster. Aliás, a Skymaster venceu; depois, em dezembro de 2001, houve um pregão; depois, um reajuste em dezembro de 2002, até chegar a dezembro de 2003, quando houve uma licitação. Aí, o senhor já era....

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu era o Diretor já.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, o senhor comandou esse processo de licitação em que, inclusive, o senhor era o Presidente da Comissão.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Eu não era o Presidente da Comissão.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Qual era a sua área? O senhor tinha alguma função na Comissão de Licitação?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Nenhuma. Nesse, ao qual o senhor está se referindo, não.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Em dezembro de 2003?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em dezembro de 2003 eu não tinha função nenhuma na Comissão de Licitação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor decidia como Diretor, depois?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Como Diretor, depois.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor, antes, tinha funções em comissões de licitações, antes de ser Diretor?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, senhor.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, o senhor nunca teve?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

Tive, depois, em 2004, numa concorrência na qual eu fui o Presidente da Comissão Especial de Licitação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Em 2004?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em 2004.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Nós vamos chegar em 2004, já está certo.

Quando o senhor entrou e assumiu a Diretoria de Operações, o senhor considerava que os preços operados pelas empresas que trabalhavam na Rede Postal Noturna eram superfaturados?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Olhe, Deputado: no mês de abril de 2003 – acho que não havia nem dois meses que eu tinha assumido a Diretoria –, eu designei um grupo de trabalho para fazer uma avaliação em todas as linhas da rede, para verificar o preço que estava sendo pago com relação ao preço de mercado. Enfim, avaliar se havia algum tipo de descolamento em relação a valores que estavam sendo pagos. Esse grupo foi eu que institui…

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas o senhor fez isto porque tinha tido uma denúncia de que havia….

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não… Em conversa com o então Presidente Airton Dipp, ele me recomendou... Na conversa que nós tivemos, ele disse: “Eu gostaria que tivesse uma avaliação sobre a Rede porque o Ministro me pediu para verificar essa questão da RPN porque é uma questão que me parece que a equipe de transição do Governo achou que os valores eram muito elevados.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, já havia uma informação anterior de que haveria um sobre preço?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu não diria sobre o preço, mas que o custo estava muito alto. Então, era para fazer uma verificação. Foi, então, quando eu institui esse grupo, que fez essa avaliação, apresentou um relatório. Eu apresentei um comunicado à Diretoria mostrando o resultado do trabalho.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Para fazer esse grupo, o senhor, então, convidou o Brigadeiro Grossi?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Nesse grupo, não. Esse grupo fez uma avaliação preliminar e apresentou que nós tínhamos algumas dificuldades técnicas que precisavam ser aperfeiçoadas pela empresa com relação a essa questão da RPN. Isso foi apresentado em maio. No mês de junho, foi instituído um outro grupo de trabalho pelo então Presidente Airton Dipp. Inclusive eu fui o coordenador-geral do grupo, com diversos técnicos, para fazer, aí, sim, uma nova revisão geral, buscando adequar a questão de carga, de preço e buscando, enfim, otimizar a malha de transporte aéreo que nós tínhamos disponível. Após essa época, em julho – em junho que se deu a implantação, o Brigadeiro Venâncio Grossi foi contratado para prestar consultoria ao trabalho desse grupo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Foi o senhor quem o contratou?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Ele foi contratado pela Presidência da Empresa.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A Presidência contratou?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas o Brigadeiro Grossi, quando esteve aqui, ele não apresentou esse contrato. O senhor sabe como ele foi contratado ou não?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Eu não sei como ele foi contratado. Inclusive, tem uma comissão de sindicância na empresa que está apurando essa questão.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor não sabe nem quem pagava a ele?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Foi como eu disse para o senhor: ele foi contratado pela Presidência. Foi o Presidente quem o apresentou para o grupo de trabalho; ele, como consultor, para auxiliar os trabalhos do grupo e ele se incorporou ao trabalho.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, Sr. Relator, eu queria até que o senhor anotasse a informação. O Brigadeiro Venâncio Grossi, quando esteve aqui, disse que teria sido contratado através de uma fundação: Fundação Universidade de Brasília e que essa fundação... e que ele teria sido pago por uma empresa de Belo Horizonte, que tinha contratos com a fundação. Contratos. E essa empresa de Belo Horizonte negou que tivesse feito qualquer pagamento a ele.

Agora, o que é grave – e aí eu quero saber do Sr. Maurício Madureira – é que o Brigadeiro Venâncio Grossi, quando foi contratado pela Presidência, como disse o senhor, ele já tinha um contrato com uma empresa chamada GPT, um contrato de consultoria, assinado no dia 1º de maio de 2003, ou seja, três meses antes. E, no contrato de consultoria, do qual temos uma cópia aqui, ele tinha um salário fixo e uma comissão sobre resultados, sobre o que ele conseguisse na concorrência que ocorreria em dezembro de 2003. Ou seja, os Correios contrataram um consultor que era lobista de uma empresa que participaria da concorrência que seria realizada em 2003, o que eu acho que é gravíssimo.

Eu queria perguntar se o senhor sabia disso.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não sabia. Como disse pra V. Exª, eu fui apresentado, assim como todo o grupo de trabalho, ao Brigadeiro na sala da presidência da empresa pelo então presidente Airton Dipp.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E o senhor era presidente dessa...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA Eu era presidente do grupo de trabalho de avaliação...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Do grupo de trabalho...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Exatamente.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – E o Brigadeiro atuava permanentemente nesse grupo?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. A partir de então, a partir da contratação dele, que foi apresentado pra nós, ele passou a trabalhar junto com o grupo.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, ele encaminhava sugestões no sentido de administrar, digamos assim, a concorrência que ocorreria em 2003.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É... A concorrência, na verdade, foi um pregão que ocorreu, ele ocorreu porque houve um problema de negociação com uma determinada empresa aérea, né? Ou seja, nessa época que ele foi avaliar lá não se falava em fazer nenhum tipo de concorrência, nem de licitação, certo? Ela foi fruto durante o resultado do trabalho.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sim. Mais um motivo ainda...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu concordo... Eu concordo...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mais um motivo pra nós estranharmos, né?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Concordo com V. Exª que é grave. Mas eu volto a lhe dizer: eu não tenho nenhum conhecimento desse fato, eu não conhecia esse Brigadeiro, a não ser pelas portarias que ele assinava enquanto foi Diretor-Geral do DAC de 2002 pra trás.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, o que me parece claro, Sr. Presidente, Sr. Relator, Deputado Eduardo Paes, é que a empresa Skymaster, que operava grande parte da Rede Postal Noturna, boa parte dela, estava destinada a ser destituída do serviço que prestava. Já veio uma informação anterior de que os preços estavam muito altos, então seria necessária a criação de uma comissão que estudasse tecnicamente a viabilidade de baixar esses custos. Contrata-se um consultor, ligado a uma outra empresa que tinha interesse na concorrência, e decide-se fazer uma nova concorrência em dezembro de 2003, que acabou sendo vencida pela própria Skymaster, que baixou os preços dela consideravelmente e também porque a empresa à qual o Brigadeiro prestava serviços foi desqualificada tecnicamente, não pôde sequer participar da abertura da proposta comercial. É assim? É correta essa...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Correta. Correta.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Agora, em 2004, a Skymaster, que ganhou essa concorrência saindo de uma oferta inicial de R$300 mil, pela unidade de referência da concorrência, acabou tendo... Esse preço acabou baixando no dia da concorrência, no pregão efetuado, para 213. Esse preço de 213, já em agosto de 2004, subiu pra 276... Aliás, em abril, já subiu pra 232; em agosto de 2004, para 276 e quando chegou em dezembro de 2004, esse preço foi de 445 mil.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Foi uma nova licitação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Uma nova licitação.  Então, a empresa que era culpada de ter preços caros no início, num período de um ano e pouco, acabou recompondo todo aquele ganho que ela já tinha e passou a operar.

Então, eu acho que é muito evidente, é muito evidente essa relação altamente suspeita. Eu acho que a sindicância e o próprio trabalho que o TCU realizou, o Sr. Relator vai certamente anotar, eu acho que é muito grave isso que nós estamos tomando conhecimento.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu gostaria só de fazer um esclarecimento.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Pois não, o senhor está à vontade.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Todo esse processo dos reequilíbrios que a empresa Skymaster teve, a própria licitação de 2003 a que o senhor se refere, o processo de licitação, a decisão por não prorrogar o contrato foi do Presidente da empresa, que encaminhou uma CI, um documento interno para mim, determinando que não seria prorrogado o contrato, que era para fazer uma nova licitação, o processo...

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Quem era o Presidente?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Airton Langaro Dipp.

O processo de contratação, o termo de referência para essa licitação foi assinado pelo Presidente da empresa, ou seja, a Diretoria de Operações não participou desse processo. Nós participamos na fase de avaliação; depois, foi criado um novo grupo, que era o grupo de renegociação dos contratos com as empresas aéreas, do qual eu não participei, nem tive atuação nenhuma. Esse grupo foi o que concluiu pela não prorrogação do contrato da linha A e C.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Maurício, posteriormente, em abril, agosto e dezembro de 2004...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu vou chegar lá.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Aí o senhor participou?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, eu vou chegar lá.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Aí o senhor não recebeu ordens para fazer tudo isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não, em nenhum momento.

O que eu quero colocar é o seguinte: quando concluído o processo, o pregão em 2003, em abril de 2004 – em março na verdade, final do mês de março – a Skymaster pediu um reequilíbrio econômico-financeiro, como outras empresas também pediram, em virtude do aumento do combustível.

Esse processo foi encaminhado por um grupo de trabalho que fazia essas avaliações. Esse grupo fez a avaliação, foi ele que definiu ou pelo menos que indicou o valor que teria sido alterado em função do aumento do combustível exclusivamente. Esse processo foi para a diretoria da empresa, que aprovou. Não só da Skymaster, de outras empresas também. E quando foi em agosto – em agosto não –, foi em outubro de 2004, setembro, não me lembro bem, aconteceu o mesmo fato novamente.

Então, todos os processos, eles estão formatados. Nós estamos dando os esclarecimentos tanto para a CGU, quanto para os órgãos de controle que estão pedindo, apresentando todas essas informações para esclarecimento.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – É, agora um outro fato importante, não sei, Sr. Relator? Em 2001, duas empresas participaram de uma licitação. Foram contratadas, a Beta e a Skymaster, que, por coincidência, tinham um acordo de operações firmado, público. Nós tivemos acesso, inclusive, ao relatório da sindicância que o TCU realizou. Isso foi em abril de 2001. Aí houve todas essas idas e vindas, mudaram diretores, Presidente, mudou o Governo, quando chegou em dezembro de 2004, duas empresas participaram: a Beta e a Skymaster. É bem revelador, não é, do procedimento, da cultura de administração, que, parece que se enraíza, que se enraizou na Administração Pública Federal, não apenas neste Governo, provavelmente veio um pouco de outros governos, mas que, certamente, demonstra que não houve sequer mudanças nessa prática. Até essas práticas se tornaram muito mais comprometedoras no atual Governo.

Sr. Presidente, eu também não quero prolongar, vou passar ao Deputado Eduardo Paes a continuidade.

O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Com a palavra, o nobre Deputado Eduardo Paes.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço a V. Exª.

Sr. Maurício, antes de algumas perguntas, infelizmente eu tenho que voltar um pouco a essa questão das nomeações, não que seja nenhum pecado as pessoas terem uma indicação política, porque isso é algo absolutamente natural, normal. Nós aqui não podemos nem, sob pena de, amanhã, enfrentarmos a mesma situação, estarmos aqui cobrando posturas que impeçam de, eventualmente, um quadro técnico, ligado a algum partido político da Base de apoio do Governo, possa estar sendo indicado. Não é esse o nosso objetivo, nem essa é a crítica que queremos fazer. Faço questão de deixar isso muito gravado, falar muito de público isso, porque essa é uma prática absolutamente normal em países de Primeiro Mundo com democracias amadurecidas. O problema é outro. O problema é quando isso serve não para implantar um determinado tipo de política pública para esta ou para aquela área ou, no caso de uma estatal, até de uma visão da função daquela estatal, mas sim quando é utilizado como uma espécie de – expressão que já foi cunhada – fabriquinha para amealhar recursos para políticos a que se é ligado. Não estou querendo dizer que é caso de V. Sª, mas o fato é que para nós é importante. São coisas que são um pouco abandonadas.

Talvez audiência de V. Sª não seja das maiores, mas acho que é importante termos um pouco mais de liberdade para conversarmos um pouco sobre esses assuntos, para tentarmos entender o tema que abandonamos um pouco ao longo da CPI. E saiba V. Sª que são tantos os escândalos no Governo que acabam as questões menores ou que vieram anteriormente sendo esquecidas. Mas é interessante conhecer esse processo de partidarização dos Correios.

O senhor tinha pleno conhecimento? Como eram essas informações? Essas são informações públicas e, portanto, causa-me estranheza o fato de elas não serem colocadas ali. Que diretoria pertencia a que Partido, que área, que político? O senhor poderia fazer um pouco o perfil político dos Correios? Repito que o Deputado Pompeo de Mattos indicou V. Sª faz parte desta CPI e tem tido uma atuação excepcional sem que possamos fazer qualquer crítica e não vejo pecado nenhum nessa indicação. Mas eu gostaria de entender um pouco o quadro político da Empresa de Correios e Telégrafos e, para tal, eu gostaria que V. Sª discorresse um pouco sobre isso. Essa é uma leitura que V. Sª certamente tem. Até para que não cause nenhum tipo de desconfiança de que V. Sª não está querendo contar as coisas que sabe, talvez fosse importante dizer que o Presidente era assim e que o diretor era tal só para entendermos um pouco. O senhor poderia discorrer um pouco sobre isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – O que sei, né? Como disse aqui, há pessoas com quem não tenho, não tive conhecimento, nunca perguntei e nunca me disseram quem tinha, se tinha. O que eu sabia, na época em que assumi, em 2003, era que o Presidente e dois diretores eram o PDT, filiados ao Partido inclusive, e nunca esconderam isso de ninguém. Era público. Era o Diretor de Administração, o Diretor-Financeiro e o Presidente Dipp. Quanto ao Dr. Paulo Menecutti, eu não sabia de filiação política dele. Ouvi falar, em um depoimento aqui, que ele é ligado ao PSDB. Ele nunca falou isso comigo, e eu também nunca perguntei.

Na minha função, como técnico da casa, sempre tive a preocupação – e até pela formação dentro da empresa – de cuidar dos assuntos operacionais da empresa. Não gosto de conversa de corredor, de coisinha de comentários de que “estão dizendo isso, estão dizendo aquilo”. Quando as pessoas se manifestavam e faziam essas manifestações quanto a partidos políticos, como o Dr. Antônio Osório, que sempre disse, desde que chegou lá, “sou do PTB, sou filiado ao PTB”. É uma questão. Quando a pessoa não fala, eu não costumo também... Eu mesmo não falava para ninguém que eu era ligado a A, B ou C, que eu tinha conhecimento com o Deputado Pompeo de Mattos. Mas as pessoas viam que ele ia lá cumprimentar os outros diretores que também eram do PDT, que passava na minha sala.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela ordem, Sr. Presidente. O senhor me permite?

O SR. PRESIDENTE (Asbrubal Bentes. PMDB – PA) – Senadora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, eu não poderia deixar de vir aqui neste momento – são 16 horas – porque às 15:09 h, no blog do Noblat, foi colocado seguinte nota:

 “Pegaram os tucanos. Neste exato momento, em um hotel de luxo da cidade de São Paulo, os Senadores Delcídio Amaral, Presidente da CPMI dos Correios, e Ideli Salvatti estão reunidos com um dos maiores empresários do país na área de construção e de informática. Receberam dele há pouco documentos que provariam uma falcatrua da ordem de US$100 milhões ocorrida em 99, na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Na época o Ministro das Comunicações era o mineiro Pimenta da Veiga e o Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, ambos de líderes de expressão do PSDB. A falcatrua teve a ver com a construção e a compra de equipamentos para centros de distribuição dos Correios em vários Estados. Quem teve acesso aos documentos antes de eles serem entregues aos dois Senadores garantem que pegaram os tucanos.

Quero dizer que, em primeiro lugar, até gostaria de estar recebendo o dossiê e, em segundo lugar, até gostaria de ser poderosa a ponto de estar em dois lugares ao mesmo tempo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É um holograma da Ideli que está aqui.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas não posso deixar de registrar que esse tipo de procedimento, infelizmente, não contribuiu porque estou, há exatamente quarenta minutos, atendendo toda a imprensa brasileira com relação a essa questão. Não poderia deixar de fazer o registro...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Deputado Silvio Torres, por favor, dê um cutucão no ombro para ver se é de verdade.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Belisque. Belisque.

Só queria fazer o registro, Sr. Presidente, porque não consigo mais saber como vamos processar determinados tipos de procedimentos, como o dessa ordem.

O SR. PRESIDENTE (Asbrubal Bentes. PMDB – PA) – Lamento que V. Exª não tenha o dom da ubiqüidade e que, por isso, não possa estar onipresente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Lamento mais ainda não ter o dossiê, Sr. Presidente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu diria que essa coisa é impossível. A Senadora Ideli Salvatti, de uns tempos para cá, está adotando aquela postura ensinada a membros do PT por Duda Mendonça: Ideli Paz e Amor. Portanto, seria impossível ela estar...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não foi isso o que V. Exª disse da minha pessoa e da minha intervenção no dia de ontem.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Exª, de vez em quando, tem umas recaídas.

O Senador Delcídio Amaral, Presidente desta CPMI, segundo consta no noticiário, está lá em uma disputa intensa com o Zeca do PT.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não! Não! Não! Não! Esqueci-me de dizer. Se o Deputado me permite, o Senador Delcídio Amaral realmente está em São Paulo. Quando saiu o blog, tentei falar com ele...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É mais fácil ele estar lá para tucanar do que ir contra os tucanos.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não! Não! Não! Ele, inclusive, não pôde atender o meu telefonema porque, neste momento, está gravando o programa do Serginho Groisman. Ele está em gravação. Ele nem pôde atender o meu telefonema porque está, neste momento, fazendo a gravação do programa do Serginho Groisman.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Portanto, não percam: no sábado à noite, quem sabe, ele estará anunciando esse grande escândalo.

Voltando – até me perdi –, creio que V. Sª já havia concluído sua exposição.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Já.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O que parece para todos nós? Nada. Fico até constrangido, depois da negativa dela, de fazer qualquer crítica a este Governo. Nesse episódio do Maurício Marinho, parece-nos que, primeiro, a estatal Correios foi loteada.

Aliás, vou lhe fazer uma pergunta antes. Recuperei o fio da meada. Houve uma troca de diretoria. Num determinado momento, houve um conflito político, o PDT saiu da Base do Governo, e houve toda essa troca de comando. Nem nesse momento, V. Sª percebeu, então, com tinha se composto o novo quadro político dentro da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nesse momento, sim. Veio assumir a empresa o Presidente João Henrique de Almeida Souza, ex-Deputado Federal do PMDB. E vieram mais três diretores: dois, em substituição aos dois do PDT que tinham saído, e o outro, em substituição ao Paulo Menecutti, que também saiu na mesma época.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Quem eram esses novos diretores?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Carlos Fioravanti, que assumiu a Diretoria Comercial.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ligado ao?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – PMDB. O Robinson Koury, também do PMDB, que assumiu a Diretoria de Recursos Humanos; e o Ricardo Caddah, que também teria vindo pelo PMDB.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – No processo de licitação dos Correios, ficou claro para todos nós até o momento o seguinte: algumas licitações eram especiais e iam para o CEL – o CEL não é o céu, mas a Comissão Especial de Licitação –, da qual participavam todos os diretores. Estou correto?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, necessariamente. Na Comissão Especial de Licitação, havia uma equipe, um grupo. Normalmente, ou a licitação envolvia mais de uma área...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Valores maiores.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Exatamente. Maior complexidade no processo de licitação, criaram a Comissão Especial de Licitação.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Todas as outras licitações – tirando essas da Comissão Especial de Licitação – tinham que passar pela Secom em algum momento, pela Diretoria do Sr. Maurício Marinho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Pela Dirad.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pelo Departamento do Dr. Maurício Marinho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ou na montagem do edital de licitação ou na execução...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Como é que é, Deputado?

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Cada diretoria fazia as licitações respectivas, da sua área?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Todas as licitações eram feitas pelo Decam. Uma diretoria só fazia licitação quando era uma Comissão Especial de Licitação.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ou seja, o senhor diria que o Sr. Maurício Marinho, o Departamento dele, perpassava – vamos chamar aqui, não quero ofendê-lo, mas é a leitura que faço –, os feudos políticos definidos, ou seja, cada Diretoria era de um Partido – um do PMDB, outro do PDT, outro do PT –, e aí eram como feudos para cada Partido, talvez esse Departamento fosse um dos poucos que perpassasse todas essas Diretorias?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – O Departamento dele concentrava todas as necessidades de compra e contratação de todas as Diretorias, era esse Departamento que recebia para fazer o processo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Sr. Relator, só para uma conclusão, que eu acho que esse é um assunto... Eu voltei aqui um pouco a esse assunto, porque eu acho que é uma coisa que todos nós, de certa forma, enfim, na quantidade de informações que se tem nesta CPMI, de certa forma abandonamos, mas é... Cada vez mais fica claro que, na verdade, o que levou a todo esse escândalo, para felicidade geral da Nação e para a infelicidade do Governo e de algumas pessoas pessoalmente, é o fato de que, na verdade, o que muito provavelmente aconteceu ali na Empresa de Correios e Telégrafos, e isso vai se confirmando também a partir dos documentos que podemos obter, é que determinado funcionário de um determinado departamento de determinada diretoria/feudo de um dos Partidos políticos, em algum momento ele conseguiu entrar no feudo alheio, que não lhe era destinado. No caso específico da negociação que se fazia quando o Sr. Maurício Marinho recebeu, usando palavras e expressões “jeffersonianas”, aquela “peteca” de três mil reais, ele estava entrando em outra Diretoria que não pertencia ao seu feudo natural, ou ao seu bairro natural, ao seu quarteirão, que era a Diretoria de Administração. Isso é algo que cada vez fica mais claro e que temos que aprofundar para comprovar. Isso é algo absolutamente relevante, porque, cá entre nós, Sr. Relator, pode até colocar por terra a tese do próprio Deputado Roberto Jefferson para ter iniciado toda essa crise política, para felicidade geral da Nação, quando acusou a própria Abin, ou o próprio ex-Ministro José Dirceu de estar grampeando, de estar querendo criar aquela crise para pegar o Sr. Maurício Marinho e atacar o PTB, atacar o próprio Deputado Roberto Jefferson. Parece-me, desde o início, que isso era muito mais uma briga de gangue de quarteirão do que um esquema tão sofisticado como imaginou o Deputado Roberto Jefferson. Para todos nós, graças a Deus, ele imaginou dessa forma. O senhor foi Presidente da Comissão Especial de Licitação responsável lá pela Concorrência 006, de 2004, que licitou as novas linhas da rede postal noturna?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Correto.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu não sei se quando eu cheguei o Deputado José Eduardo Cardozo já havia feito a de V. Sª alguma dessas questões, mas o seguinte, vou formular aqui um raciocínio: esta nova malha da rede postal noturna foi implantada a partir de maio desse ano, após realização de um estudo e definição de melhores rotas e capacidade de carga. “Foram definidas três linhas para serem operadas por aeronaves que atendem as exigências de 43 toneladas e 18 posições de paletes, características de aeronaves modelos DC-8”. Eu tenho que ler aqui porque eu não sou especialista na matéria, espero que aqueles que nos ouvem neste momento entendam. “Essas linhas são: linha 90601, Porto Alegre – São Paulo – Rio – Salvador – Fortaleza; linha 60901, Fortaleza – Salvador – Rio de Janeiro – São Paulo – Porto Alegre e a linha 50011, Recife – São Paulo – Salvador – Recife. Para as linhas 9601, Porto Alegre – São Paulo – Rio – Salvador – Fortaleza, e 6901, ao contrário, Fortaleza – Salvador – Rio de Janeiro – São Paulo – Porto Alegre, foi exigido que os licitantes apresentassem cotação para ambas as linhas, devendo, para tanto, dispor de duas aeronaves que atendessem às exigências. Só quem dispunha dessas duas aeronaves, DC-8, 63F, era a Skymaster. Para a linha 50011, foi exigida apenas uma aeronave. Da outra aeronave, modelo DC-8, 63F, só quem dispunha era a Beta, e aqui o Deputado Silvio Torres já esclareceu um pouco dessa relação entre a Skymaster e a Beta. E a Skymaster e a Beta disputaram sozinhas essas linhas e, obviamente, pelos motivos que expliquei aqui, venceram essa licitação.

Como V. Sª explica isso? Para nós parece ter havido direcionamento na definição e na contratação dessas três linhas. Portanto, gostaria que V. Sª, de alguma forma, me contestasse, fizesse comentários ao que disse.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em primeiro lugar, o edital de licitação e a empresa não exigem quantidade de aeronaves. Ela exige peso e quantidade de pallets. E a empresa que participa da licitação pode apresentar duas, três, quatro, cinco aeronaves, quantas ela quiser, desde que o peso e a quantidade de pallets esteja dentro do mínimo estabelecido pelos Correios. Então, não definimos DC-8, DC-10, 707, nada. Isso quem apresenta é a empresa aérea no momento da licitação. Então, contesto essa afirmação que está no seu documento de que não havia essa questão.

Com relação a exigir que a mesma empresa apresentasse o trecho de ida da linha e o trecho de volta é porque se nós colocássemos separado e duas empresas ganhassem, obviamente teria que reposicionar a aeronave, retornando à sua origem, para no dia seguinte fazer a linha novamente. Já fizemos isso em outras vezes e não deu resultado bom para a empresa. Então se colocou não só para esse item como em outros itens também, o item 4 e o item 5, onde também era previsto que a empresa que apresentasse cotação para um item apresentasse para o outro, porque era a ida num trecho, a volta no outro, e que a mesma empresa fizesse o serviço.

Com relação também ao que o senhor citou de terem somente a Skymaster e a Beta participado. No item que a Beta ganhou, ela teve outra empresa que participou junto com ela, mas foi desclassificada por problema de documentação. Só no caso do item da Skymaster que somente ela apresentou proposta de preço.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A informação que temos é de que só a Beta teria participado.

Agora V. Sª há de convir comigo que, quando se fazem certas exigências num mercado que não é tão amplo assim (43 toneladas, 18 posições de pallets), se direciona para um modelo de aeronave, V. Sª há de concordar comigo que, de certa forma, se sabe ou se tem uma idéia das empresas que podem atender a esse tipo de exigência.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim. E várias empresas tinham. A própria Varig tinha aeronave.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Disponível para fazer este tipo de serviço?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Por que a Varig não participou desta licitação?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso eu não sei. O que vejo é o seguinte... Não, ela participou da licitação. Ela foi inabilitada.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª acabou de dizer aqui que não, que ela estava sozinha.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Na Concorrência 6, eu falei aqui, a Skymaster...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Só para o senhor entender. Estou falando da Concorrência 6. De que a VarigLog disputava outras concorrências lá, eu não tenho dúvida; estou falando da Concorrência 6.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ela participou da Concorrência 6, mas foi inabilitada.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não é verdade. A Skymaster estava sozinha.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, foi a VarigLog. Ela veio para a licitação. Ela foi inabilitada porque não tinha documentação nem aeronave suficientes para participar de todos os itens da proposta apresentada.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Portanto V. Sª confirma então que era fácil, a partir da existência de aeronave... Estou aqui só querendo fazer um exercício.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Está certo, Deputado, eu quero dizer que nós não exigimos aeronave.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Só para o senhor entender o exercício. O Deputado Sílvio Torres afirmou aqui em relação aos preços... V. Sª há de convir que podemos ser todos burros aqui em aviação, principalmente em rede postal noturna, apesar de voarmos muito, mas o que o senhor há de convir é que é muito esquisito, por exemplo, aquilo que disse aqui o Deputado Sílvio Torres: cancela-se porque o preço está alto; baixa o preço e daqui a pouco ele está mais alto ainda. Tudo isso gera alguma desconfiança. Portanto, V. Sª, na medida em que responde, confirma um pouco aquilo que imaginamos, e claro que estamos nos aprofundando para tal e as conclusões infelizmente não são satisfatórias, mas mostram que pode ter havido um direcionamento. Se a Varig não tinha, foi inabilitada, é justamente o que eu estava dizendo: quem só tinha era a Skymaster de um lado e a Beta do outro.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, Deputado. Se o senhor verificar o registro aeronáutico brasileiro, que é do DAC – eu fiz essa consulta no dia 27 de junho de 2005, mas ela não é muito diferente da que tinha na época da licitação, que foi no final de 2004 – verá: Aeronaves DC-8 existentes no Brasil: 12 aeronaves; em situação aeronavegável, ou seja, aeronaves habilitadas pelo DAC para operar existiam 4; aeronaves 707 existem 17 no país e dessas, 6 em condições normais para operar. Quer dizer, essas outras aeronaves que estão no país têm um problema de documentação, um problema de regulamentação junto ao DAC para não operar, mas existem no país em condições de serem viabilizadas para participar de uma licitação.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ou seja, na hora em que se faz um processo de licitação desse – só para entender, desculpe a ignorância – na hora em que os senhores fazem um processo de licitação como esse, os senhores têm absoluta noção do que há de aeronave disponível no País?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – O DAC disponibiliza essa informação pela Internet.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Para que os senhores possam...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Avaliar exatamente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E, a partir desses partir desses parâmetros, definir quais as aeronaves serão usadas.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É o que eu digo ao senhor, de qualquer forma, nós não definimos aeronave. Em nenhum momento, nenhum processo nosso define...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas as características, mais ou menos, balizam.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em 2003, naquele pregão em que caiu o preço da linha A e C, a VarigLog participou com duas aeronaves para fazer a linha, para cada trecho da linha, com dois 727, que compunham a quantidade de pallets e de peso que especificamos na licitação. Então, é perfeitamente regular. Pode-se fazer dois 727, um 737 e um 727. Daria para compor essa quantidade que foi solicitada pelos Correios. Então,...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas o normal é atender isso aqui. A empresa...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Deputado, aí é... como se diria...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor entendeu do setor; eu não entendo. Isso seria o normal.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Pois é. Estou-lhe dizendo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O racional seria haver duas equipes voando, enfim, o piloto e o co-piloto.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Mas depende da estrutura de cada empresa.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Claro, claro.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – O que eu quero lhe dizer é que não havia...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas o mais econômico, o mais racional, o ganho de escala, é que o sujeito tenha um avião; não vá com dois.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em tese, sim.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A não ser que ele esteja, eventualmente, numa licitação para guardar mercado.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não. Não necessariamente isso, tanto que a Varig, com dois aviões, competiu com a Skymaster e com a Beta naquele pregão e desceu o preço bastante, com duas aeronaves, em cada trecho da linha, com dois 727, que, em tese, deveriam custar e custariam mais caro do que operar com um 707. Mas ela competiu em condições de igualdade.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas nós sabemos o que isso caracteriza. O senhor acha que a Varig estava fazendo isso de boazinha? Por amor à Pátria e ao serviço noturno dos Correios?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Bom, eu sei o seguinte, Deputado,...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Se ela estava entrando com o preço mais baixo, provavelmente estava jogando o preço lá em baixo para depois – aliás um pouco pelas práticas que eles devem ter visto em relação à Skymaster –, lá na frente, buscar uma renegociação desses preços, é óbvio.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É uma dedução que V. Exª está fazendo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Para que não fiquemos aqui em ilações, sob o ponto de vista racional, V. Sª há de concordar comigo que é mais racional e mais barato, uma aeronave, uma equipe, enfim.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É o que eu lhe digo: em tese, sim. O que os Correios fazem é buscar preço de mercado. Quando se vai ao mercado, o mercado responde conforme o momento em que está acontecendo e outras condições que tem; e não temos pleno domínio sobre essa questão.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mudando um pouco de assunto, no dia 19 de junho deste ano, não sei se já foi feita essa pergunta – repito que cheguei há uns vinte minutos e o Relator já indagava de V. Sª, portanto eu talvez esteja sendo repetitivo –, mas, no dia 19 de junho deste ano, o jornal O Dia dá conta da interferência do senhor e do Chefe do Departamento de Encaminhamento e Administração da Frota (Denaf), Sr. Luiz Carlos Scorsatto, em favor da empresa Autotrac, que faz rastreamento de veículos, embora a gerência de transporte da Diretoria Regional do Rio de Janeiro fosse contra em razão da extrapolação do limite máximo de contratação – cinqüenta meses normais mais doze excepcionais – e o parecer da Consultoria Jurídica dos Correios fosse contrário à contratação. Autotrac, para quem não sabe, é uma dessas empresas que faz rastreamento de veículos.

Enfim, essa notícia foi publicada no jornal O Dia, no dia 19 de junho. Apesar dos dois pareceres contrários da Gerência de Transporte da Diretoria Regional do Rio e da Consultoria Jurídica dos Correios, esses contratos foram renovados. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu tenho a dizer que essa matéria publicada no jornal foi uma montagem. Usou-se um parecer jurídico de outro processo que era de compra de equipamentos, em que foi feita uma consulta ao Departamento Jurídico com relação – já fazia um tempo isso – à possibilidade... se era juridicamente possível comprar os equipamentos de rastreamento por veículo por inexigibilidade de licitação. E o Departamento Jurídico se manifestou contrário. Esses aparelhos, no caso da reportagem, já tinham sido comprados em 1998 pela Diretoria Regional do Rio de Janeiro. O que se contratava, no momento, era o sinal. É como um aparelho de celular que precisa de uma operadora para fazer a comunicação, senão o aparelho não tem função nenhuma.

Esse processo... Existia um grupo de trabalho que estava reavaliando novas tecnologias que tinham surgido no mercado com comunicação via celular e estava em via de conclusão, e venceu o quinto ano do contrato. Então, houve uma consulta do Rio de Janeiro, e sugerimos que, antes de contratarem – para que nós tivéssemos uma unidade em termos de tecnologia a ser usada nessa área –,  fosse aguardado o trabalho desse grupo. Isso foi encaminhado ao nosso Departamento Jurídico, que deu um parecer favorável a essa prorrogação.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito, eu tenho aqui o parecer do Departamento Jurídico e ele é muito claro. A nota jurídica está aqui: “Solicito os diretores de operações, por intermédio das CIs em referência, a ratificação do parecer que afirmou a possibilidade de contratação da empresa Autotrac Comércio & Representações”. Então, esse é o parecer. E aí, na conclusão, eles falam, entre outras coisas: “Finalmente, pede (Inaudível.) os atestados apresentados com o fim de demonstrar a exclusividade da Autotrac para comercialização e distribuição do sistema Unisat, já estão com a sua validade vencida, sendo necessário, portanto, juntar certidões atualizadas, se houver”. E então fala da necessidade de observar, enfim, algumas questões da necessidade  de licitação.

Quer dizer, o parecer publicado na matéria é diferente desse parecer.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – O parecer que foi publicado na matéria é um parecer referente a um processo de compra de equipamentos com o serviço, e esse caso do Rio de Janeiro era só da contratação do serviço para que o aparelho que já tinha sido comprado em 1998 pudesse continuar funcionando em 35 ou 34 veículos que nós temos no Rio de Janeiro.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agora esse parecer aqui que eu li é o parecer verdadeiro?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, na verdade, o que o senhor está lendo é um parecer de um processo aqui de Brasília, e o que a matéria fez foi pegar este processo, este parecer daqui e mencionar como se isso tivesse a ver com o processo do Rio de Janeiro, e era diferente a sua finalidade, o seu objetivo. A empresa, inclusive, respondeu ao jornal... Os Correios responderam ao jornal, esclarecendo todos esses fatos, desde a época em que foi publicada esta matéria.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Sr. Presidente, dou-me por satisfeito.

O SR. PRESIDENTE (Asdrúbal Bentes. PMDB – PA) – Concedo a palavra à Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, Srs., dois, três Deputados, para uma CPI andar, Deputado Asdrúbal Bentes, para não dar numa operação abafa, que não cheire a pizza, não cheire a lama, é essencial que haja controle da sociedade, fiscalização da sociedade, fiscalização dos meios de comunicação democráticos. E sentimos claramente que seria importante que todas as audiências – eu sei que não é responsabilidade nem de V. Exª, nem do Sub-relator, Deputado José Eduardo, muito pelo contrário – fossem no plenário porque estaria todo mundo aqui. Estariam os Deputados, os Senadores. Todo o mundo estaria aqui porque imaginaria que podia ser transmitido para mais pessoas e que as pessoas estariam escutando. Eles, então, viriam para cá. Por isso que é ruim. Poderia agilizar os trabalhos; não necessariamente o faz e acaba, de alguma forma, impedindo a fiscalização e o controle da sociedade, porque, quando se está transmitindo e a população vendo – claro que a nossa querida TV Senado transmite – mas, neste momento, não pode fazê-lo em função de ter que ir mesmo para o plenário, porque regimentalmente tem que ir para o plenário, e é correto isso também. Mas o que acontece? A população acaba ficando sem os mecanismos necessários de controle, porque, se o Senador ou o Deputado estiver falando demais, o povo brasileiro tem um mecanismo: desligar o rádio ou a televisão. Mas, quando nem isso é possível fazer, fica muito difícil, porque todo mundo some e acabam ficando alguns poucos para tentar auxiliar o procedimento investigatório. (Risos.)

Eu estou rindo, porque as pessoas acabam não vendo. O Deputado Eduardo, o outro Eduardo, está ali brincando.

Dr. Maurício Madureira, eu nem preciso mais explicar por que surgiu esta Comissão Parlamentar de Inquérito. É evidente que, se a base de bajulação do Governo não tivesse operado com tanta infame e determinação, talvez muitos desses casos pudessem ter sido investigados nas Comissões de Fiscalização e Controle, tanto na Câmara como no Senado, porque muitas solicitações de abertura de procedimento investigatório foram feitas nas duas Comissões, ou na Câmara e no Senado, mas se operou com tal ferocidade – não sei se também à custa do mensalão - que acabou impedindo, se agigantou o problema e acabamos por identificar a relação promíscua de gangs partidárias e empresários apaniguados da estrutura do Palácio do Planalto.

Quando uma personalidade vem aqui prestar depoimento, tenha certeza V. S.ª que todos nós ficamos entre duas coisas. Primeiro, querendo que ele diga toda a verdade e, segundo, também acreditando na inocência da pessoa que vem prestar o depoimento porque, de repente, pode ser realmente inocente.

O problema dessa questão do gestor operacional dos Correios é porque são muitas denúncias, Dr. Maurício, muitas denúncias. É uma infinidade de denúncias e, aí, não tem delírio persecutório ou perseguição de quem quer que seja que seja capaz de criar tantos detalhes, tantos indícios relevantes de crimes contra a administração pública.

Tudo aquilo que está no Código Penal, corrupção ativa e passiva, intermediação do interesse privado, tráfico de influência, exploração de prestígio tem artigo do Código Penal para todos os gostos e para todas as denúncias que são aqui apresentadas e, o que é mais grave: como qualquer procedimento, antes de ser iniciado, ele passava por um processo de instrução, não é isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – O processo de instrução deveria ser definido no âmbito de duas das sete áreas do gestor operacional dos Correios para começar a andar, antes mesmo de significar a reunião de diretoria, havia dois técnicos de cada uma das diretorias, havia a chamada responsabilidade solidária no gestor operacional dos Correios.

A gente primeiro pergunta: de todas essas denúncias, que não são mais apenas denúncias, de todos os indícios relevantes de crimes contra a administração pública, muitas irregularidades inclusive identificadas pelo Tribunal de Contas da União, identificadas e relatadas pelo Ministério Público ou no âmbito desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, antes da área operacional, como há a gestão solidária, a responsabilidade solidária e como tudo era de fato discutido nas reuniões de diretoria que V. S.ª também participava, de tudo isso que V. S.ª teve a oportunidade de acompanhar, existe algum fato que o senhor como um técnico experiente possa nos auxiliar dizendo que nesse procedimento existe indício, existe eivo de inconstitucionalidade ou de improbidade administrativa em alguma área do gestor operacional dos Correios?

O senhor tem alguma informação que possa disponibilizar para a gente? O senhor identifica eivo de improbidade administrativa em algumas dessas áreas ou não? Ou o senhor acha que durante todo o tempo que por lá passou acompanhando, nas reuniões de diretoria, de alguma forma acompanhando os processos de instrução, de alguma forma ao estar na reunião de diretoria, todos esses passos que, como bem disse V. Sª, até o processo de instrução, até a abertura do edital, depois na execução contratual com seus aditivos, é evidente que são muitos passos, mas são documentos que são disponibilizados e técnicos experientes é evidente que podem, de alguma forma, ser enganados por um argumento técnico ou alguma coisa, ou não?

Então, de tudo isso que o senhor tem visto, o senhor acha que é denúncia vazia ou de alguns desses casos que estão sendo disponibilizados pelo jornalismo investigativo ou pelos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito existe algum desses casos que o senhor poderia apontar um indício de algum crime contra a administração pública ou improbidade ou algo que poderia ter sido aprimorado?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, Senadora, não conheço nenhum indício de crime praticado ali na empresa. Aliás, considero que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é uma referência mundial. Já estive, pelo menos, em dois congressos da União Postal Universal, e nunca tinha ido a congresso dessa natureza antes de ser diretor, e me impressionou o respeito que os demais membros da união de outros países têm pelos técnicos do Correios brasileiro.

A SRª HELOÍSA HELENA  (P-SOL – AL) – Nós também.

Tenha certeza, Dr. Madureira, só para obstaculizar só um pouquinho, mas tem tempo e acaba tendo problema porque tem votação também no plenário.

Veja, não tenho dúvida sobre o que é o significado da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, tenho o maior respeito e consideração pelos trabalhadores do setor público que lá estão, lutarei com toda a minha capacidade de luta e de trabalho para impedir que esse antro de corrupção possa levar a algum discurso privatista a estrutura dos Correios. Quanto a isso não tenho dúvida.

O que eu quero que V. Sª possa nos disponibilizar é, objetivamente, isso: com toda a sua experiência, com todos os fatos que são apresentados, ou pelo jornalismo investigativo ou pelos Parlamentares, o senhor acha que não existe absolutamente nenhum indício, nada que pudesse ter sido aprimorado? Nada?

O senhor acha que tudo correu absolutamente nos marcos legais da ordem jurídica vigente no País?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É o que eu acho.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Veja, ponha-se no nosso lugar, Sr. Madureira. Imagine que ou estamos todos absolutamente numa viagem interplanetária...

O SR. (Orador não identificado) – Noturna.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sinceramente, eu não estou querendo brincar. É porque o senhor não imagina – eu sei que o senhor trabalha também – o quanto trabalhamos. Porque este Congresso Nacional, para quem é vagabundo, é o melhor dos mundos. Mas aqui tem pessoas... As pessoas que estão aqui, e outras que não estão aqui no momento, estão trabalhando, ajudando, tentando auxiliar o País.

Abriu-se uma comissão parlamentar de inquérito. A CPI, a comissão parlamentar de inquérito, é de fato o mais importante mecanismo que o Congresso Nacional tem para cumprir a sua tarefa nobre de fiscalizar os atos do Executivo. É algo tão importante uma CPI que os Constituintes entregaram, criaram, para que o Congresso pudesse viabilizar a tarefa de fiscalizar, um instrumento com poder de investigação próprio das autoridades judiciais. Ele pode quebrar sigilo bancário, fiscal e telefônico, trazer sob vara alguém para prestar depoimento. Imagine a importância de uma comissão parlamentar de inquérito.

Então quer dizer que o senhor não viu absolutamente nada? Porque, veja, existem documentos que estão aqui sendo avaliados. Tanto as auditorias feitas quanto os procedimentos investigatórios feitos pelo Tribunal de Contas da União e o rigoroso acompanhamento do Ministério Público Federal mostram, claramente, e os detalhes que são apresentados nos pareceres, nos relatórios desses procedimentos investigatórios ilícitos falam de ilícitos identificados no edital de concorrência. Havia fraude desde o processo de instrução.

São tantas coisas, tantos detalhes, em toda a área do gestor operacional dos Correios. Aumento de mais de 400%, superfaturamento do correio híbrido. Só no correio híbrido eles identificaram 525 irregularidades, em montante superior a 7 bilhões. Na malha viária, que era a área operacional de V. Sª, que é um negócio de mais de 340 milhões, existem denúncias.

Veja, denúncias de superfaturamento na Skymaster. Se o senhor estivesse no nosso lugar, veja se não acharia que é muita coisa suspeita. O contrato da Skymaster é um contrato em que foi identificado superfaturamento, vindo do Governo passado, do Governo Fernando Henrique. Aí o atual Governo, que estava a frente do gestor operacional dos Correios, identifica o superfaturamento, baixa o preço. Poucos meses depois, há duas recomposições de preço, e o preço vai além do que já era considerado, pelo atual Governo, como superfaturado.

Aí entra uma outra empresa, a Beta, da qual um dos sócios deu R$800 mil para a campanha do Presidente Lula. A Skymaster dava para o Fernando Henrique. A outra, não necessariamente para o Fernando Henrique, porque isso não foi identificado em nenhum lugar, mas para alguém do Governo passado. E a Beta estabelecia um montante a ser disponibilizado, 800 mil para a campanha do Lula, na época Promodal, mas era tudo a mesma coisa, porque eram os mesmos sócios, que operavam em setores distintos, e ganham um contrato de mais de 90 milhões.

Então, o senhor não acha, se o senhor estivesse no nosso lugar, o senhor não acha que eram questões suspeitas, suspeitíssimas, instrumentos, especificações técnicas que são colocadas no edital de licitação, e essas especificações técnicas acabam levando algumas empresas a desistirem de participar, como se fosse um procedimento dirigido? Se o senhor estivesse no nosso lugar, acompanhando de alguma forma, acharia que está tudo normal? Diga-me, Sr. Maurício Madureira.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Senadora, eu gostaria de falar o seguinte: todos esses processos da empresa – falo em relação aos órgãos de controle –, os relatórios da CGU estão apontando questões do ano de 2000 até 2005. Todo ano há equipes de auditoria dentro dos Correios, da CGU, do TCU, da Secretaria Federal de Controle, avaliando todos os processos. Se existe esse grau de irregularidade, por que só agora foi identificado? Segunda questão...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, mas aí o problema não é só o agora...

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Licença, Senadora, por favor...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não, só para o senhor retomar. Só que não é o fato de estar sendo identificado agora. Não perguntei isso a V. Sª. Perguntei se V. Sª entende que houve eivo de irregularidade. Os senhores... Não sei se, até por estarem como diretores em áreas importantes e como a CGU ou qualquer outro órgão de controle... Imagino que, por exemplo, se vou administrar uma determinada pasta na Administração Pública – por exemplo, a minha área era de planejamento de serviços públicos –, é absolutamente natural que, ao administrar uma determinada área, eu possa ver os processos que vinham de outras administrações. Acho que é absolutamente natural.

Então, em algum momento, o senhor identificou procedimentos ilícitos vindos de 2000 e que o senhor alertou como parte da nova estrutura do gestor operacional dos Correios, mas, como o senhor mesmo disse que era até 2005, se o senhor analisa que tinha alguma motivação política, tem todo direito de fazê-lo, como muitos outros têm também.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não é isso.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas o que perguntei a V. Sª foi se, como técnico, como uma pessoa responsável por uma área que envolveu contratos vultosos, respondendo de forma solidária nessas sete áreas de gestão operacional, se o senhor viu alguma coisa que pudesse ser referente a contratos de 2000 ou que pudesse ser referente a contratos a partir de 2003 a 2005, quando o senhor esteve à frente da pasta, para que o senhor possa nos auxiliar como um técnico que lá esteve, auxiliar esta CPMI.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Senadora, vou repetir o que lhe disse. Acompanho e acompanhei, durante o tempo em que fui Diretor de Operações da empresa, processos que foram levados à reunião de diretorias, li os relatórios e não conheço nada de irregular, até porque ninguém faz nada sozinho. Todos os processos, como já foi explicado aqui por diversos dos depoentes, têm uma série de trâmites internos. Ou seja, para se fazer, digamos, um conluio, você teria que ter ali uma quantidade enorme de pessoas envolvidas nisso. Não tem como fazer isso, mesmo que se quisesse fazer. Então, ponho, digamos assim, a mão no fogo pelos trabalhos que saíram dali, com a maior lisura possível. Agora, estamos de frente de uma empresa. Apesar de ser uma empresa pública, ela é uma empresa e tem que tomar decisões. Temos nossa receita e 52% da receita dos Correios vem de serviços que, digamos, sejam exclusivos ou monopolizados nos outros 48% os Correios competem no mercado com outras empresas: empresas de transporte de carga, Vaspex, Velog e outras de encomendas também. Temos que ter, e esse serviço que os Correios prestam angariam recursos que viabilizam a prestação da sua função social nos 5.561 municípios deste País, onde está presente e atendendo a sociedade da melhor maneira possível. Por isso esse conceito que o próprio carteiro tem.

Meu levantamento, aqui, com relação aos órgãos de controle é porque, por exemplo, saiu uma auditoria do nosso departamento de auditoria que foi feita a pedido da Secretaria Federal de Controle. Em outubro de 2004 ficou pronto esse relatório, e até maio de 2005 a Secretaria Federal de Controle ficou com esse relatório lá. Quando saiu na Veja a matéria, eles vão lá para dentro e tudo vira um escândalo. Não tenho, e nem poderia ter, qualquer tipo de constrangimento a que se apure, e tem mesmo que ser apurado tudo. Isso é importante até para a própria empresa, esse trabalho que está sendo feito. Agora, eu não vi nada, não conheço nada que tenha sido feito ali em termos de irregularidade.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Então, quer dizer que o senhor está aqui dizendo – até porque todos os sigilos fiscais, bancários e telefônicos acabam sendo quebrados após as oitivas aqui – que tem... Porque é uma coisa tão grave, Sr. Maurício Madureira, e não é só grave porque está impactando a opinião pública, porque constrange as mulheres e homens de bem e de paz que querem continuar ensinando aos seus filhos que é proibido roubar. É porque é algo impactante, porque é como se as fraudes que lá estavam, juntamente com outras estruturas, não lá, tudo, a origem do dinheiro, a origem do dinheiro, o dinheiro que acabou pagando o “mensalão” ou qualquer um outro nome que seja dado a essa promiscuidade na relação Palácio do Planalto/Congresso Nacional.

A origem do dinheiro... Ora, pode ter uma área de investigação que possa apontar para até lavagem de dinheiro, dinheiro em espécie que corria de uma forma impressionante em Brasília, dinheiro que... De fato, já foi demonstrado que não houve empréstimos, operações nas instituições de crédito, não houve.

O que se pode levantar também como área de investigação é que os processos de licitação fraudados, os empresários que eram beneficiados acabavam pagando, compensando as gangues partidárias, que, por sua vez, encaminhavam os recursos da forma mais – tenha certeza, acho que o senhor deve ter acompanhado como era que se distribuía o dinheiro aqui –, da forma mais desprezível, “vomitável’, abominável possível. Era uma coisa terrível como as coisas aconteciam aqui.

Mas, então, o que senhor está dizendo, e que será registrado neste depoimento, é que o senhor tem tranqüilidade, porque em nenhum momento, em nenhuma especificação técnica, em nenhum detalhe do procedimento licitatório ou dos aditivos na execução contratual, em nenhum momento, durante todo o tempo em que o senhor esteve numa área muito importante do gestor operacional dos Correios, e também analisando os processos antes de votá-los nas reuniões de diretoria e de outras áreas, em nenhum momento o senhor identificou absolutamente nenhum indício de irregularidade ou de procedimento que poderia ter sido feito e que beneficiaria financeiramente os Correios ou se lá estava colocado no edital de licitação “43 toneladas” e uma determinada empresa como a Varig Log, como estava aqui falando o Deputado Eduardo Paes, como ela tinha uma capacidade para mais de 70 toneladas, então acabava por operar com um vazio, já que não poderia utilizar para outras coisas – isso, se fosse levado em conta, baratearia o custo – ou qualquer uma outra área.

Quer dizer que o senhor está aqui afirmando que em nenhum detalhe, absolutamente nada o senhor viu que pudesse significar um indício de crime contra a Administração Pública ou até uma irregularidade ou algo que, se fosse feito de outra forma, com outro mecanismo ou na licitação ou no aditivo contratual, poderia ser bom para a empresa pública, economizar para a empresa pública, o senhor está aqui afirmando que não viu absolutamente nada.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, Senadora, desconheço que tenha havido esse tipo de irregularidade.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agradeço, Senadora Heloísa Helena.

Retomo aqui a minha argüição, pedindo licença ao depoente, aos Deputados e à Senadora e aos outros que, eventualmente, compareçam e se inscrevam. Tenho uma grande quantidade de perguntas a fazer, algumas relevantes. Então, se me permite V. Sª, peço um pouco de paciência, mas o dever o exige.

Eu tinha argüido V. Sª sobre o Sr. Júlio Imoto. V. Sª disse que ele foi uma escolha exclusiva de V. Sª.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele é um técnico da empresa, já estava na Diretoria e eu o designei consultor da empresa.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Exatamente, dentro das diversas atividades que a Diretoria de V. Sª exercia, qual era a atividade do Sr. Júlio Imoto?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele fazia essa gestão do orçamento da Diretoria, a distribuição para as aquisições de equipamentos operacionais, de veículos, basicamente dessas duas atividades.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele não mexia com licitações?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, ele não fazia licitações.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não, ele não fazia, mas ele não atuava junto a licitações?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, ele fazia acompanhamento junto ao Departamento...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Temos depoimentos aqui falam que ele atuava na parte de licitações.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Em que sentido, Deputado?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – No sentido de, enquanto consultor, atuar na parte de licitações.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Olha, ele não foi membro de nenhuma comissão.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não membro, mas exercia funções junto a atividades de procedimentos licitatórios. Tenho depoimentos prestados ao Ministério Público que afirmam isso.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele fazia acompanhamento junto ao Decan em relação....

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele era consultor da Diope coordenando o processo licitatório.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, negativo, coordenar ele não coordenava.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então qual era o papel que ele tinha junto a procedimentos licitatórios?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso que falei a V. Exª. Ele coordenava a questão do orçamento da área de operações. Cada diretoria de área tem o seu orçamento dividido pela própria diretoria da empresa. Então, no caso da Diretoria de Operações, era o gestor do orçamento de transportes de malas e malotes, do orçamento de compras e equipamentos operacionais e da compra de veículos.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o Sr. Julio Imoto foi escolha sua?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, como estou dizendo, era técnico da área como outros que foram movimentados.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ninguém lhe indicou?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ninguém lhe sugeriu o nome?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor tem certeza?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Absoluta.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Porque eu tenho aqui informações, mais que informações, depoimentos que dizem que quem lhe indicou foi o Sr. Maurício Marinho.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – A mim não foi indicado pelo Sr. Maurício Marinho. Quando eu cheguei lá, ele era assessor da Diretoria. Eu já o conhecia do tempo que eu trabalhava no departamento.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois é, mas consta em depoimentos de pessoas que, nesse caso, não teriam, talvez, por que mentir que Julio Imoto foi indicado pelo Sr. Maurício Marinho.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não posso confirmar isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não pode confirmar. O Sr. Maurício Marinho virá aqui na próxima quarta-feira. O senhor tem certeza de que, se eu perguntar ao Sr. Maurício Marinho, ele negará que indicou para o senhor?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Absolutamente. Não tem como ele dizer diferentemente. Primeiro, porque ele não interferia na minha área. Como eu lhe disse anteriormente, eu não tinha relacionamento com o Sr. Mauricio Marinho. Então, não tem como ele ter indicado.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois é, mas quem disse isso foi o Sr. Maurício Marinho. Ele, no Ministério Público, disse que indicou ao senhor. Tenho aqui: “que o depoente indicou o consultor da Diretoria de Operações Julio Imoto”.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não procede, Deputado.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então mente, nesse caso, o Sr. Maurício Marinho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Com certeza.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual a razão que ele teria para mentir nisso, talvez?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não sei.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor sabia que, certa vez, o Sr. Julio Imoto procurou a empresa chamada Precision para pedir R$350 mil de propina?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu vi isso pela imprensa.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor viu pela imprensa. E o senhor se surpreendeu com isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Surpreendi-me, porque, dentro do que eu conheço de toda a minha equipe, não acredito que ele pudesse fazer isso. Agora, obviamente, teria que ser provado. Existe uma comissão de sindicância na empresa que também está apurando essa questão.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor sabia que o Sr. Maurício Marinho chegou a pedir para o Sr. Imoto que ele procurasse empresas para fazer arrecadação para auxílio de campanhas eleitorais?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu não sabia.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor nunca soube? O senhor confiava no Sr. Imoto?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor nunca soube que ele tinha essa ligação com o Sr. Maurício Marinho a ponto de lhe pedir para fazer uma arrecadação de propinas ou contribuições para campanhas eleitorais?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não tinha conhecimento.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem é o Sr. José Gerard Port-Pierre?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ele era chefe do Departamento de Segurança Empresarial da Diretoria de Administração. Quando eu cheguei na diretoria, ele era consultor da Diretoria de Operações. Um tempo depois, não, mais de um ano depois ele foi transferido para a Diretoria de Administração para ocupar essa função de chefe do Departamento de Segurança.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor conhece um cidadão que freqüentava lá chamado Haroldo, primo do Sr. Antônio Osório?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não conheci.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor nunca conheceu essa pessoa?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor nunca foi noticiado, então, que o Sr. Marinho pediu ao Sr. José Gerard e ao Sr. Imoto para providenciarem arrecadação junto a empresas?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O senhor não acha muita coincidência o senhor conhecer o Sr. Marinho no Pará e, posteriormente, o senhor se encontrar com ele aqui... O senhor trabalhou no Pará com alguém ligado ao Deputado Roberto Jefferson. Posteriormente, o senhor vem para cá, trabalha com o Sr. Marinho. O Sr. Marinho disse que indicou um assessor seu que era encarregado, que foi solicitado por ele que arrecadasse dinheiro para campanhas eleitorais, e que, efetivamente, esse indivíduo, depois, procurou uma empresa, segundo o denunciado, para pedir R$350 mil tendo em vista uma operação nos Correios. O senhor não acha... É um conjunto de coincidências todas essas? Ou seja, pessoas que se conhecem no Pará, que vêm para cá, que trabalham com o Deputado Roberto Jefferson, Marinho que fala que falava em nome do Roberto Jefferson. O senhor acha que realmente é um conjunto de coincidências que o envolvem neste momento ou seria uma conclusão errada dizer que havia uma relação entre os senhores todos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, seria uma conclusão errada. Eu não tenho, nunca tive, como já lhe informei, Deputado, relacionamento de amizade ou qualquer outro com o Sr. Maurício Marinho. Nenhum, nenhum, nenhum. Aliás, tivemos até alguma divergência no passado, há muitos anos. Eu não gostava, digamos, do estilo dele, da forma de ele trabalhar.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual é o estilo dele?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Divergência pessoal, questão técnica dentro do próprio funcionamento da empresa.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em que sentido?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Questão de forma de administrar.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele era um mau administrador?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, ele era diferente da forma como eu atuo.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual é a forma dele?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Vou citar um exemplo. Quando ele me substituiu na Gerência de Operações, ele fazia comentários para as pessoas lá que ele estava tendo de reorganizar toda a gerência porque eu a teria deixado em péssimas condições. Um comportamento que eu diria assim... Como eu poderia citar?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Antiético?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É, antiético. Bem lembrado, Deputado.

Realmente, não é uma pessoa que... Eu não tenho nada contra, não estou aqui para fazer nenhum tipo de acusação a ele, mas não é uma pessoa com quem, digamos, eu tivesse interesse ou prazer em trabalhar. Nunca trabalhei junto com ele. Mesmo aqui em Brasília, trabalhamos sempre em diretorias diferentes. No Rio de Janeiro, não trabalhei no Rio de Janeiro. No Pará, também trabalhamos em gerências diferentes.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Realmente, é um conjunto de coincidências, porque há uma longa narrativa que temos da investigação que mostra que o Sr. Júlio Imoto buscava realmente arrecadação de fundos para campanhas eleitorais. Inclusive, há uma solicitação feita pelo Sr. Marinho de que ele concentrasse atendimento na área de Pernambuco, porque o PTB tinha uma forte presença política em Pernambuco. Há uma série de empresas que são citadas. E o Júlio Imoto era seu assessor. V. Sª desconhecia, então, qualquer relação com o Sr. Marinho nesse plano?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Desconhecia.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Como era operacionalizado o processo de aplicação de multas a empresas que descumpriam o contrato de fornecimento de bens e serviços? Como funcionava isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – A gestão desse processo... Na questão de bens e serviços que não fossem serviços de transporte, a gestão administrativa é feita pelo Decan, que era o departamento do Sr. Maurício Marinho. O gestor operacional informava questões que poderiam ser consideradas relevantes para fins de aplicação ou não de multa. A decisão de aplicação é do gestor administrativo. No caso de transportes, em que a gestão dos contratos é da própria Diretoria de Operações, aí não, a própria Diretoria de Operações, o Departamento de Encaminhamento e Administração da Frota é que fazia aplicação de multas, descontos em fatura, tudo dentro da própria área. O Sr. Maurício Marinho não tinha nenhuma participação nem ingerência.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A Empresa Precision era contratada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Pelo que me consta, ela foi contratada para fornecer selos, lacre.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que diretoria?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – De Administração.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª tem ciência se a Precision descumpriu alguma cláusula contratual?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu não tenho detalhes, Deputado. O que eu sei é que essa empresa ganhou uma venda, se não me engano, de caixetas, não conseguiu cumprir o contrato e teve o contrato rescindido por inadimplência.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que o Sr. Júlio Imoto tinha a ver com esse contrato?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Como eu lhe disse, ele acompanhava, junto ao Decan, os pedidos de equipamentos operacionais. No caso, o selo plástico não é considerado um equipamento, mas ele...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ele acompanhava o pedido?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, o fornecimento, se já tinha sido encaminhado para a Diretoria Regional, se já tinha dada entrada no Almoxarifado. Ele fazia o acompanhamento informal junto ao gestor administrativo, no caso o Decan.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que um consultor da área de operações faz um acompanhamento informal dessa natureza?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Porque as diretorias regionais, quando está faltando equipamento, cobram da Diretoria de Operações.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A sua diretoria é que faria o acompanhamento lá?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, para informar para a Diretoria Regional: “Olha, já foi comprado, já está chegando em tal dia, conforme informação do Decan”.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Então ele tinha uma interface com o Sr. Maurício Marinho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, mas isso, eu citei no início, quando eu falei.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim, mas, então, é uma interface bastante acentuada de trabalho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu diria o seguinte: ele sempre trabalhou assim... Sempre, não, no tempo em que ele estava lá. O Sr. Maurício Marinho foi para o Decan em 2004. O trabalho do Júlio Imoto nessa questão orçamentária tinha a ver também com o acompanhamento desses fornecimentos em que era solicitada a compra para atender à atividade operacional.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Uma dúvida que eu tive. V. Sª foi indicado pelo PDT, pelo Deputado Pompeo de Mattos. Posteriormente, o Deputado Miro Teixeira deixou de ser Ministro. Como V. Sª conseguiu permanecer no cargo, uma vez que sabemos que hoje há um conjunto de indicações políticas. V. Sª foi mantido no cargo por indicação de alguém?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Quando houve a mudança, quando assumiu o novo Presidente – o Presidente João Henrique assumiu em março de 2004 –, eu me apresentei para ele, como todos os diretores que estavam lá, e deixei a minha questão, a questão da diretoria em aberto. Ele falou que ia conversar com o Ministro a respeito. Passado algum tempo, ele falou: “olha, você continua trabalhando aí. Não me parece que vai haver mudança na Diretoria de Operações”. Mas não recebi nem fui informado de qualquer vinculação política para...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Há informações prestadas ao Ministério Público e à Polícia de que V. Sª teria sido mantido no cargo por indicação do Partido dos Trabalhadores e do PMDB. V. Sª nega isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Nego.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vamos falar um pouco das agências franqueadas. Como funciona uma agência dos Correios franqueada? V. Sª poderia dar uma rápida explicação para nós?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu vou explicar, Deputado, embora esse assunto seja da Diretoria Comercial, mas dentro do que eu conheço.

A agência franqueada foi um processo que iniciou na empresa no início dos anos 90, quando foi feito esse processo de abertura de agências franqueadas. Elas hoje operam mediante um decreto que foi aprovado no final do ano de 2002, que estendeu a autorização para prestação do serviço por até mais quatro ou cinco anos – eu não tenho certeza o tempo.

A área comercial trabalhava em um projeto de preparação de novas agências franqueadas. Ocorreram duas tentativas, mas elas não deram certo.

A unidade franqueada tem comissão pelo serviço que presta: a postagem de encomendas, a postagem de correspondência, a venda de selos, telegramas e todo os serviços postais que ela está autorizada a realizar.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A sua Diretoria tinha algum tipo de atividade em relação às agências franqueadas?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. A única atividade que nós tínhamos era a coleta de objetos pelas linhas de transporte nas agências para levar para o nosso centro de tratamento para dar encaminhamento aos objetos. Mas toda a gestão da agência franqueada a coordenação é da Diretoria Comercial.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em relação à supervisão de contratos, a sua Diretoria teria alguma coisa a fazer?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, nenhuma. Tudo da área comercial.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª conhece bem os Correios em Brasília. Até trabalhou aqui bastante tempo, etc. Relativamente a Brasília, Distrito Federal, V. Sª sabe quem são os donos das maiores agências franqueadas?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, Excelência.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Desconhece.

Tem idéia do volume de serviços demandados pelas franqueadas?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Sei que é expressivo, mas não saberia...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Seria em torno de R$2 bilhões por ano?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, não pode, porque o faturamento da empresa para este ano, a receita total está em R$8 bilhões e... Seria superar até a própria...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É que essa informação que a própria empresa nos forneceu: R$2 bilhões.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Doze bilhões?

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Dois bilhões.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Eu entendi R$12 bilhões. Dois bilhões é possível.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Uma dúvida que nós tivemos... V. Sª é uma pessoa que conhece bem os Correios. Por que grandes empresas migraram as suas correspondências para as franqueadas? Qual seria a lógica, porque migraram os correios da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos para as franqueadas? Há alguma razão para isso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – As agências franqueadas, desde quando iniciaram os trabalhos nos Correios, quem veio operar com elas foram pessoas que, obviamente, trabalhavam no mercado, e a remuneração delas é compatível com o que elas vendem.

Obviamente, iniciou – e a gente percebeu isso em algumas diretorias regionais – um processo, digamos, de assédio junto aos clientes dos Correios, buscando migrar esses contratos para os Correios. Não foi essa a finalidade para a qual elas foram criadas. Mas que sabíamos ou pelo menos tivemos informação desse tipo de postura, nós tivemos.

Qual é a diferença que ela tem em relação ao Correio? Ela presta contas quinzenalmente daquilo que ela vende. Então, elas têm uma certa flexibilidade que os nossos contratos não têm para, digamos, dar um prazo de uma semana para a pessoa que fez a postagem poder pagar, em tempo de ela poder prestar contas para o Correio.

 O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Seriam as vantagens que talvez tenham feito as empresas migrarem para as franqueadas?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É o que eu acredito.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – As máquinas das franqueadas. Fui informado de que há dois tipos de máquinas: as mecânicas e as digitais. Parece que a digital é mais segura, mas boa parte das agências continua com a mecânica.

 O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Correto.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por quê?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Inicialmente, quando a empresa, quando essa questão da tecnologia da digital passou a existir no mercado, a empresa tentou, o Correio tentou, praticamente, obrigar as franqueadas a utilizar. Houve uma reação bastante grande em relação a isso, porque o investimento não era pequeno. A própria tinta que essa impressora, que essa máquina digital utiliza é importada e de custo bastante elevado.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – No entanto, a digital não permite adulterações.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Correto.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E a mecânica admite.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Digamos que ela é quase cem por cento segura. Hoje em dia nada é cem por cento seguro.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu diria que a de franquear mecânica  talvez seja quase cem por cento insegura.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Ela é bastante vulnerável.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Portanto, existe uma maior possibilidade de fraudes na mecânica?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Sim, correto.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que a Diretoria do Correio nunca exigiu, com firmeza, que se implantasse a digital?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Chegamos a aprovar uma medida, inclusive, para facilitar o processo de incorporação dessas máquinas franqueadas. Tínhamos um estudo, que foi a área comercial que fez – e por isso pode explicar melhor a questão a V. Exª –, que demonstrava que, mesmo se o Correio desse a máquina ao franqueado ou cedesse sem custo nenhum, o retorno financeiro, em termos de dificuldade de evasão de receita ou de desvio de correspondência, seria bastante relevante e justificaria esse procedimento. Então, iniciou-se uma política dessa natureza pela área comercial. Agora, não sei como isso se encontra neste momento.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A informação que tenho é que não se encontra.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não foi implantado.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por que não foi implementado? Isso me chama muito a atenção. Quer dizer, o Correio sabe que pode haver evasão, existe avaliação da evasão, existe uma política traçada e, no entanto, a maior parte das agências continua com essa situação. Não lhe parece estranho?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – É, Deputado. Creio que o Diretor Comercial poderia explicar melhor.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em nível de Diretoria isso não foi tratado, a perspectiva de implementação?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  Foi tratado, tanto que eu lhe disse que houve um relatório...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – A decisão. Agora, em relação à implementação, não.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Compete ao gestor. No caso, à Diretoria Comercial. Como é ela que coordena a rede franqueada, ela que tem que fazer...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E nunca prestaram contas à Diretoria sobre a implementação desse projeto, apesar da deliberação.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  Não me recordo de ter havido...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª tinha conhecimento da possibilidade de utilização fraudulenta de clones de máquinas de franquear roubadas, extraviadas e importadas ilegalmente pelas franqueadas? Tinha ciência disso?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não. Tivemos, uma vez, uma apresentação do nosso Departamento de Inspetoria, que faz esses acompanhamentos nas diretorias regionais, inspecionando as agências franqueadas e tudo mais, sobre uma série de problemas que estavam ocorrendo. Foi justamente quando foram tomadas essas medidas de substituição das máquinas e tudo mais.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Nesse momento chegou a ser quantificado o valor das fraudes ou de quanto se perdia?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, porque a maior fraude seria nos objetos simples, que são as correspondências. Depois que o objeto já foi entregue ao destinatário, não há mais como fazer esse... Existiam estimativas, mas não havia um respaldo consistente.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Não havia uma avaliação mais precisa da evasão?

 O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não, havia uma estimativa. Estimávamos que estavam perdendo tantos milhões...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quantos milhões eram, mais ou menos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Não me lembro, Deputado. Já faz um tempo...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas eram milhões?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Com certeza.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O que causa espécie. A companhia dos Correios detecta que perde milhões, há uma deliberação de sua Diretoria de que algo deve ser implantado e nada se implementa?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Acredito que foi feita alguma coisa. Mas V. Exª está informando que...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tem V. Sª informação de que essas franqueadas são controladas direta ou indiretamente por políticos?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – No atual momento, não. Posso informar-lhe que, no momento em que foram criadas, no início da década de 90, circulava pela empresa que a maioria das franqueadas tinha sido concedida a parlamentares ou pessoas ligadas a parlamentares.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, não houve licitação na época?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  Na época, não.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Era uma decisão discricionária e com boatos de que políticos, parlamentares em geral, recebiam essas franqueadas, essas que hoje, eventualmente, podem fazer fraudes com as máquinas mecânicas.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso. Correto.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Vamos falar um pouco da Rede Postal Noturna, que é mais diretamente ligada à sua Diretoria.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Agradeço.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Eu estava apenas aproveitando a sua experiência, o seu conhecimento, que é bastante acentuado, sobre a vida dos Correios.

Qual a participação do Decan e da Dirad na elaboração dos projetos básicos de bens e serviços referentes à área de atuação da diretoria de operações? Para as licitações, há a elaboração de projetos básicos. De acordo?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  Não...

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É uma exigência da Lei da Lei nº 8.666.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA  Na questão de transportes, o projeto básico é elaborado pela Diretoria da Operações e o edital de licitação é elaborado, normalmente, pela pregoeira.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O projeto básico é elaborado pela Diretoria de Operações?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – No caso de transportes, sim.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – No caso de transportes.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E o edital é elaborado pela pregoeira.

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Isso.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O detalhamento técnico do projeto básico é feito por quem na diretoria de operações?

O SR. MAURÍCIO MADUREIRA – Pelo Departamento de Encaminhamento e Administração da Frota.

O SR. SUB-RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Departamento de Encaminhamento.

Quem é o titular desse departa