|
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Declaro aberta a oitava
reunião da Subrelatoria de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito, criada através do Requerimento nº 3 de 2005, para investigar as
causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes
públicos nos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
De início, informo
aos Srs. Parlamentares presentes que as atas das reuniões encontram-se sobre a
mesa. Coloco-as em votação, propondo, se todos assim concordarem, a dispensa
das respectivas leituras. (Pausa.)
As Srªs e os Srs.
Parlamentares que as aprovarem queiram permanecer sentados. (Pausa.)
Estão aprovadas as
atas.
A presente reunião é
destinada à oitiva de dois depoentes, do Sr. Paulo Nei Almeida, representante
legal da Empresa Espaço Aberto Ltda., e o Sr. Hassan Gebrim, ex-presidente da
Empresa de Correios e Telégrafos.
Convido o Sr. Paulo
Nei Almeida para que tome assento junto a nós, à mesa, para que possamos
iniciar a oitiva. (Pausa.)
De início, agradeço
ao Sr. Paulo Nei Almeida, representante da Construtora Espaço Aberto, pelo
comparecimento. E gostaria de informar ao Sr. Paulo Nei Almeida que, na forma
legal, ele irá prestar o seu depoimento a esta Subrelatoria na condição de
testemunha. Portanto, acaba de assinar o termo de compromisso, na forma
regimental, submetendo-se às penas da lei pelas declarações.
Indago se V. Sª se
faz acompanhar de advogado; e, se faz, por gentileza, que decline o nome e a
inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Carlos Alberto de
Araújo Gomes, inscrição na OAB de Santa Catarina nº 13567.
O SR. PRESIDENTE (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Feito o registro, passo,
de imediato, a Presidência ao nosso Vice-Presidente da Comissão Parlamentar de
Inquérito, quando então assumirei a condição de subrelator.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Assumo a Presidência dos
trabalhos e devolvo a palavra ao ilustre relator.
Antes, porém,
solicito ao depoente que proceda à sua qualificação e preste os esclarecimentos
inicias que achar conveniente, informando-o de que depõe como testemunha, e,
nesse caso, deverá dizer a verdade, podendo, se assim o desejar, não responder.
Mas, quando responder, a sua resposta será considerada como verdade, sob pena
dos rigores da lei.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Bem, o meu nome já
foi... É Paulo Nei Almeida, sou proprietário da Construtora Espaço Aberto,
Florianópolis, Santa Catarina. A nossa empresa tem 25 anos. Eu fundei. Estamos
sempre em Santa Catarina, sempre em Florianópolis e sempre no mesmo endereço.
Fizemos algumas
obras, bastante. Trabalhamos com a iniciativa privada, com obras de construção
civil, prédios, incorporações, e algumas obras públicas. Também trabalhamos com
loteamento.
Estou aqui para
prestar esclarecimento sobre obras dos Correios.
É isso o que tinha a
dizer.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Gostaríamos que V. Sª desse
nome, endereço, telefone, qualificação.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Meu nome é Paulo
Nei Almeida; eu sou arquiteto; eu moro em Florianópolis, na Rua João Carvalho
nº 40. A Empresa é Construtora Espaço Aberto, está na Avenida Trompowsky, 165,
Florianópolis também. O meu telefone... É isso que o senhor vai precisar? Não?
É só isso.
Então, minhas
qualificações são estas: sou arquiteto, empresário e toco a Espaço Aberto.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Não deseja prestar nenhum
esclarecimento inicial?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Esclarecimento
sobre a obra, doutor?
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Sobre a matéria que V. Sª
achar conveniente.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Pois não. Então,
tá.
Nós ganhamos a obra dos... as obras dos Correios. Ela foi
licitada em 2000. Em 2001, assinamos um contrato com a ECT por R$21 milhões.
Nós ficamos com o preço de 11% abaixo do preço orçado pelos Correios. Essa obra
era para fazer em doze meses, devido à necessidade que o Correio tinha em
colocar uma máquina, que é uma máquina importante que estavam sendo adquiridas
para colocar em várias cidades do País. Nós começamos as obras e encontramos
algumas dificuldades. Já no estaqueamento, nós, quando fomos fazer o projeto
que nos era entregue, essas estacas pré-moldadas não podiam ser colocadas. Nós
tivemos que achar outra solução, que foi a estaca escavada, que, por acaso,
Santa Catarina não faz. E aí isso demandou algum tempo. Então, começaram a
existir alguns atrasos na obra. Esses atrasos que existiam na obra, todos eles,
o Correio ficou consciente, tanto é que nos deu esses prazos. E nós fomos
tocando a obra e encontramos algumas divergências em projetos. E essas
divergências foram nos levando a não concordar com muitas coisas que estavam
colocadas no projeto do Correio. E o Correio começou a alegar que estávamos
atrasando a obra. Nós colocamos que esses atrasos de obra demandavam, de 32
pontos, 32 divergências que existiam nos projetos e que nós não poderíamos
fazer a obra naquele tempo se essas coisas, se esses projetos, se essas
diferenças não fossem resolvidas. Aí começaram as discussões com o Correio. O
Correio mandou uma multa. Nós defendemos – isso tudo administrativamente. Aí o
Correio insistiu em mandar outra. O Correio dizia que nós estávamos atrasando a
obra, e nós dizíamos que estávamos atrasando por culpa do Correio, porque eles
não nos entregavam os projetos devidos e necessários para nós conseguirmos
concluir essas obras. Foi até que chegamos a... Não conseguimos chegar a bom
termo, e o Correio rescindiu a obra unilateralmente. O Correio nos deu 48 horas
para sairmos da obra. Nós estávamos com 200 operários e muitos contratos
feitos. Aí, entramos na Justiça para preservar nossos direitos. Primeiro, para
pedir uma perícia judicial, porque nós achávamos que tínhamos razão – como
achamos que temos –, e entramos na Justiça pedindo uma perícia judicial para mostrar
quem tinha culpa e por que do atraso da obra. Essa perícia foi concedida. E aí
surgiram várias ações que foram desenrolando, inclusive ações de perdas e
danos. Isso ficou assim em juízo durante dois anos. O Correio estabeleceu
algumas... O Correio tentou executar essas multas, que eram em torno de... as
multas davam R$2 milhões. Nós conseguimos cancelar, suspender todas as multas,
e também o Correio mandou executar a caução, que a caução era em torno de R$2,5
milhões. Então, dava R$5 milhões. Também foi suspensa pelo juízo. Depois do
desenrolar de dois anos, com as ações, que acho que tivemos sucesso porque nós
não pagamos e suspendemos todas as multas, conseguimos anular essa perícia que
nós tínhamos pedido – o juiz anulou, desculpa –, porque a perícia não estava
dizendo a realidade da obra, não tinha sido medida a obra. A medição tinha
vindo igual à medição dos Correios. Então, a Justiça Federal, que é em
Florianópolis, mas a jurisdição é Porto Alegre – ia sempre a Porto Alegre –,
ela resolveu parar e mandar abrir outra perícia. Foi nesse tempo que o meu
advogado me procurou e disse que o Correio queriam sentar e conversar com a
gente, porque a obra estava parada há muito tempo – já estava há dois anos
paralisada –, estava deteriorando e que eles achavam que não estavam ganhando.
E pediu se a gente faria...
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – O senhor,
por favor...
O SR. PAULO NEI ALMEIDA – Pois não.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – O advogado
poderá participar para...
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Então, tá! Não
precisa. Eu falo para o senhor.
Aí os advogados
conversaram, pediram um prazo na Justiça para fazer um acordo dentro da
Justiça. Esse acordo começou a se desenvolver. A única coisa que nós pedimos,
que eu pedi, foi que fosse feito em Florianópolis. Por que em Florianópolis?
Porque eu acho que as obras têm que ser feitas nos locais de origem, lá é que
os engenheiros conhecem, lá não haveria problema de errar estaca. Então, todas
as reuniões foram feitas na sede do Correio em Florianópolis, com todos os
nossos engenheiros e com os engenheiros do Correio. Na primeira reunião, o
Correio chegou e trouxe para nós que nos daria R$4 milhões para nós sairmos da
obra. Não precisava mais fazer. Dava R$4 milhões... O que era? Não é que dava
R$4 milhões. O que era esse valor? Esse valor simplesmente eram as medições que
nós tínhamos feito e não recebido, os materiais que estavam deteriorados na
obra e que não tinham sido pagos e a última medição não feita, mas que nós
tínhamos feito. Então, são valores de dinheiro levantado, porque o nosso pedido
era R$9 milhões. Eu não aceitei, até contra os meus advogados. Por quê?
Florianópolis é uma cidade pequena, nós estamos lá há vinte e cinco anos, nós
construímos muitas obras na cidade – eu até, depois, vou deixar aqui com o
senhor um portfólio da nossa empresa, para o senhor ver que é uma empresa
familiar, e as obras que nós fizemos –, e que uma obra desse porte, sendo a
maior obra construída em Santa Catarina, nós não poderíamos tirar a nossa placa
e deixar uma outra empresa colocar a placa deles lá. Então, eu disse: “Não, não
aceito, não quero, apesar de ser muito bom esse dinheiro”, que é um dinheiro
que eu ia ganhar pelo que já tinha feito, “eu quero continuar a obra”. Aí,
isso, o Correio disse que não era possível, porque não tinha como continuar a
obra, que tinha que ser um acordo, que tinha que ser pago, e eles teriam que
licitar, ou licitar novamente ou chamar o segundo, não sei como.
Eu sei que as coisas
foram andando e, depois de cinco meses, nós fechamos esse acordo em juízo. O
acordo que nós fechamos em juízo foi o seguinte... Vou frisar aqui que esse
acordo foi muito bom para mim pela credibilidade, não pela “economicibilidade”.
Por quê? Porque eu poderia ter ganho esse dinheiro e pronto. Não, nós fechamos
um acordo concordando em pagar a multa que tinha sido suspensa, mas eu
concordei em pagar. Segundo, nós concordamos que todo esse prejuízo que tinha
havido nesses dois anos de obra estragada, nós fazíamos. Nós também falamos que
nós não teríamos mais dinheiro nenhum de entrada. Nós só receberíamos dinheiro
conforme as medições fossem feitas. E nós tínhamos um ano para terminar a obra.
Nós pedimos que a
obra ficasse com o mesmo desconto que tínhamos dado na proposta, o qual...
11.69%. Quando nós participamos dessa licitação, participaram várias empresas,
empresas de vários locais, e a gente deu um desconto de 11.69%. E eu queria que
continuasse esse mesmo desconto. Por quê? Porque esse acordo foi feito depois
de quatro anos e duraria mais uns cinco anos. Então, foi-se à PINI – PINI é uma
revista de renome nacional na construção civil, que cota – e, dentro da PINI,
chegamos a esses valores, 11.69% abaixo. Com isso, nós concordamos, fizemos
esse acordo em juízo, o juiz homologou – eu tenho aqui esse acordo, foi por
sentença –, e nós tocamos a obra. Prometemos entregar a obra em doze meses.
Estamos com o cronograma em dia. Agora, este mês, ele está um pouco atrasado,
até em motivo dessas notícias, desses acontecimentos, mas está muito pouco
atrasada, está em dia. E ficamos de entregar a obra em dezembro. E é o que nós
queremos fazer. Estou aqui para dizer isso e responder às perguntas de todos
vocês.
Eu tenho aqui,
doutor, para lhe entregar, se eu puder, não sei se é a minha vez ainda... Posso?
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Pode. Pode, sim.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eu queria lhe
entregar, então, o acordo que foi feito em juízo, está todo aqui, que inclusive
foi protocolado no Tribunal de Contas da União. E quero lhe entregar a sentença
judicial que foi homologada em juízo, que está aqui também. Vou deixar com o
senhor.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Vou passar às mãos do Sr.
Relator.
V. Sª já concluiu?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Sim. É só isso.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE(Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Passo a palavra ao nobre
Relator.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Inicialmente, os meus
cumprimentos ao nobre depoente e ao advogado que o acompanha.
Quero salientar que,
evidentemente, a presença de V. Sª nesta Subrelatoria, hoje, se prende
exatamente a esse contrato que citou, contrato esse firmado entre a Construtora
Espaço Aberto Ltda e os Correios para a construção do Centro Operacional e
Administrativo de Florianópolis, o COA. Na verdade, a presença de V. Sª aqui se
deve justamente a uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União. Indago
se V. Sª tem ciência dessa auditoria.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Tenho.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tem? Basicamente, essa
auditoria revela o seguinte. O histórico já foi narrado por V. Sª. O contrato,
após licitação, foi assinado em 2001, contrato nº 5, de 2001. A partir daí,
houve uma série de atritos – segundo registros do Tribunal de Contas da União,
e V. Sª, de certa forma, também os narra – entre a construtora e os Correios,
razão pela qual a obra ficou suspensa ou paralisada por dois anos,
aproximadamente dois anos. Em meados de 2004, a ECT e a Espaço Aberto fizeram
um acordo, acordo esse que, inclusive, foi levado em ação judicial à
homologação do Juiz de Direito. Agora, é sabido que o Juiz de Direito, quando
homologa acordos, ele não aprecia o mérito do acordo, apenas os aspectos
formais. Uma vez que há a transação, há acordo entre as partes. Exatamente
valendo-se disso, o Tribunal de Contas da União foi examinar o mérito do acordo
e, no mérito do acordo, que, obviamente, não foi apreciado pelo Juiz de
Direito, concluiu que existiam irregularidades colocadas. É nessa perspectiva,
das irregularidades noticiadas pelo Tribunal de Contas da União, que venho
fazer a argüição a V. Sª.
Segundo o Tribunal de
Contas da União, os itens mais importantes do acordo são os itens 5 e 6. No
item 5, ficou ajustado o pagamento de R$28.472.849,96, que corresponde “ao
Orçamento atualizado em setembro de 2004, o qual será corrigido pelo INCC até a
data da homologação judicial do acordo, mantendo-se a relação de custos
inicialmente pactuada, estando inclusos nesse valor os custos relativos à
modernização tecnológica”.
O item 5, segundo o
Tribunal de Contas, coloca uma série de quantitativos que não respeita
efetivamente os preços unitários licitados e contratados, fazendo uma
verdadeira repactuação do ajuste, segundo o Tribunal de Contas, em clara ofensa
com a Lei nº 8.666, de 1993, porque, na verdade, segundo sugere o Tribunal de
Contas da União, a pretexto de se fazer um acordo em relação às demandas que
estavam colocadas, o que foi feito foi um verdadeiro aditamento contratual, sem
as formalidades legais e fora dos parâmetros da 8.666, de 1993. Ou seja – aqui
diz o Tribunal de Contas da União: “O item 5 do acordo, relativo a
quantitativos licitados, simplesmente desconsidera os preços unitários
licitados e contratados, e os repactua a níveis alegadamente de mercado em
setembro de 2004”. Ou seja, foi um aditamento que, de certa forma, teve
embutido o re-equilíbrio econômico-financeiro, numa situação que, obviamente,
não poderia ser feita nesses termos.
Segundo detecta o
Tribunal de Contas da União, esse acordo, da forma em que foi feito, esse
aditivo foi claramente lesivo ao patrimônio dos Correios. Registra-se, então,
que houve uma lesão de R$6.433.598,17. Ou seja, que, nessa repactuação, foi
acrescido esse valor, sem nenhuma base legal, a R$16.922.000,00, que seria o
valor contratual devido para essa repactuação. O que V. Sª, tendo ciência dessa
auditoria, pode dizer a respeito disso?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Nós... nós...
nós... nós respondemos essa auditoria ao Tribunal de Contas da União, nós
mostramos ao Tribunal de Contas da União que nós fizemos um acordo, um acordo
em juízo, e que nós estávamos simplesmente pleiteando preço de mercado. E mais,
nós mostramos que estávamos com preços 11,69 abaixo do preço de mercado e
queríamos manter a mesma relação, 11,69. Tanto é... Esse acordo não foi vantajoso
para a gente, como já lhe falei, porque nós tivemos de assumir algumas coisas
na obra que não estão aí. O quantitativo da obra mudou. Isso, nós mandamos ao
Tribunal de Contas, e o Tribunal de Contas já analisou, e aí mandou... Vou-lhe
ler depois o que disse o Ministro-Relator sobre isso, tenho aqui o parecer.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Nós colocamos ao
Tribunal de Contas que nós queríamos simplesmente manter a relação pactuada no
início do contrato e que nós também estávamos discutindo algumas divergências
que tínhamos com o Correio. Por exemplo, vou lhe dar uma: o Correio tem oito
elevadores novos no Correio, sendo que alguns elevadores são elevadores de
carga. O que nós entendemos por elevador de carga? Nós orçamos elevador de
carga, elevador para carregar cargas. Bem, o Correio entendia que elevador de
carga é elevador de passageiro e carga, na especificação deles, então o
elevador feito pela SUR ou qualquer uma dessas outras, com o preço três vezes
mais caro que o elevador desses que a gente tem aqui. Por quê? Porque você tem
que pegar um elevador de linha de montagem normal, que é só feito para essas
grandes empresas, e você tem que transformá-lo em elevador de carga, porque
passageiros vão junto, carregando essas cargas.
Então, só para o
senhor ter uma idéia – isso está tudo no Tribunal de Contas, nós apresentamos
–, nós tínhamos comprado na Artame, em Santa Catarina, esses elevadores de
carga, que funcionavam perfeitamente, estavam lá – pagamos R$80 mil –, e esses
elevadores que o Correio queriam são R$600 mil. Então, isso foi demonstrado,
esse item “elevador” foi mostrado, que nós... Por quê? Porque nós discutimos e
divergimos das especificações de projeto. Esse foi um dos motivos que nos levaram
à rescisão contratual.
Bem, entregamos todas
essas argumentações ao Tribunal de Contas, refazimentos que tivemos que fazer.
Toda obra, nós fizemos todos os refazimentos. Por exemplo, a obra ficou parada
dois anos, a impermeabilização ficou perdida, a cobertura foi estragada, a
grama subiu. Vocês sabem o que é uma obra dois anos abandonada que não está
pronta. Então, foi isso o que aconteceu: nós assumimos o refazimento. E
mostramos isso ao Tribunal. O que o Ministro Relator... E outra coisa, os
quantitativos da obra, tem uma coisa que eu tinha esquecido, os quantitativos
da obra, nesses R$6 milhões que o Tribunal colocou na primeira, essa é a
primeira das respostas deles, eles não tinham levado em conta que os
quantitativos eram para um ano de obra. Então, a engenharia, a segurança, os
monta-cargas e todo o custo operacional da obra eram para doze meses, estavam
sendo divididos em doze; agora, passaram a ser de cinco anos. Então, o nosso
engenheiro, que tínhamos contratado para um ano de serviço, tivemos que pagar
cinco anos. Então, esses quantitativos alteram, o que foi provado, em um milhão
– que temos documentos mostrando. Eles alteraram esse cronograma de obra. E
tinham erros de quantitativos.
Vou mostrar mais uma
coisa a vocês. Tínhamos que tocar essa obra, porque ela era feita em um ano.
Quando nós estávamos discutindo com o Correio, ele dizia: tem que fazer, tem
que fazer, e nós fazíamos. Então, colocamos todas as luminárias Philips. Essas
luminárias foram todas... estragaram, por quê? Porque o vidro que o Correio
tinha colocado em seu projeto era um vidro de seis e oito milímetros. Os
painéis são muito grandes, essa obra é uma obra muito grande, é uma obra que
vai ser a sede do Correio também em Santa Catarina. Além da sede, toda a
operação e sede é feita lá. Esses vidros, que tinham oito e seis milímetros,
passaram a ter quatorze e dezesseis milímetros. Então, colocamos as luminárias,
e essas luminárias que colocamos foram todas perdidas, e nós assumimos.
Trocamos duas mil e quinhentas luminárias a um preço de quase R$700 mil, que
também colocamos ao Tribunal de Contas. Isso fez parte do acordo que a Justiça
olhou, caro Deputado, e aí...
Eu tenho também o
segundo parecer. Quando apresentamos essa defesa sobre esse relatório, o
Tribunal de Contas da União disse que... Eu posso ler esse pedaço?
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por favor.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Posso? Então, eu
vou ler aqui o que foi dito.
“Se a ECT e a empresa
contratada conseguirem evidenciar que os valores contidos no novo orçamento
reflitam efetivamente os preços de mercado à época da celebração do acordo,
entendo que não subsistirão irregularidades em relação aos preços pactuados.”
Isso ele disse.
“No entanto, o ônus de
demonstrar que os preços dos itens remanescentes subiram além da variação do
INCC” – índice do contrato que tínhamos feito à época – “era da contratada
frente à ECT e, nesse momento, da própria ECT, que aceitou a repactuação.”
Então, o Ministro
pediu, no segundo relatório, para nós apresentarmos, que apresentamos semana
passada – até pensei que hoje já estaria resolvido, mas não veio para os
senhores –, apresentamos que, pela PINI, que é a revista da construção civil,
deu 15 e pouco por cento. O nosso preço está abaixo de mercado, abaixo da PINI.
E mais, fiz algumas relações de obras, Sr. Deputado, porque a gente tem que
relacionar. Como é que uma coisa está cara ou barata? Temos que pegar coisas
iguais e ver se está caro ou se está barato. O que nós fizemos? Pegamos o
Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que é uma obra que está se arrastando lá
em Santa Catarina há mais ou menos seis anos. Faz muito tempo que está se
arrastando essa obra em Santa Catarina. Por quê? Uma empresa ganhou, não
conseguiu fazer; outra empresa ganhou e está em dificuldade. Essa obra, que é
uma obra similar ao Correio, mas mais simples, o Tribunal de Justiça de Santa
Catarina, ela está 11,94 acima do preço da nossa obra. É uma relação.
Outra coisa: agora,
Santa Catarina vai passar a ter a sede da Justiça Federal, que não tinha. Era
Porto Alegre. Eu participei dessa concorrência e eu perdi. O edifício-sede da
Justiça Federal, em Florianópolis, está 14,53 acima do nosso preço pactuado.
E mais: aí eu fui ao
Correio – peço desculpa, mas eu tinha que ir –, fui ao Correio para pegar obras
iguais, similares. E nós chegamos aqui, porque a obra de Porto Alegre custou
58% mais cara do que a nossa. Eu tenho esse dado, está no Tribunal de Contas.
Isso também está na Justiça, que nós colocamos. Fomos ao Correio de Curitiba,
área similar, parecida; mesmo projeto, parecido. Estão 36% acima da nossa obra.
Aí nós pegamos uma obra de Santo Amaro. A obra de Santo Amaro está 0,34% acima,
pouca coisa.
Então, nós queremos
dizer que todas as obras do Correio, com essa repactuação feita, que o senhor
colocou, que eu não entendo assim, mas... ela ainda continua sendo a obra mais
barata feita, similar, no Correio. E de Santa Catarina também é bem mais
barata.
É isso que eu tinha
de dizer aos senhores.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Apenas algumas perguntas
pontuais ainda relativamente a essa matéria. Ou seja, o que V. Sª argumenta é
que o reajuste não poderia ter sido feito só pelo INCC, uma vez que teria
havido um desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, que implicaria uma
atualização do preço original da proposta. Seria isso?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Sim.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Diante dessa situação que
V. Sª registra, V. Sª teria encaminhado também já ao Tribunal de Contas da
União essa demonstração de que o equilíbrio econômico-financeiro estaria
mantido nessa repactuação. É isso?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Isso, encaminhamos
agora.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.
Bem, há notícia de
que teria havido uma situação, talvez irregular, numa situação anterior, que é
essa da penitenciária, mas já vou falar sobre ela.
Esse acordo judicial
foi feito em que ação? Houve uma ação judicial proposta por quem? Como é que
foi essa situação?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – O acordo judicial...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Foi feito em que ação
judicial? Talvez o doutor advogado possa esclarecer melhor.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eu não sei...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Especial defesa do
advogado.
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Na verdade,
foram seis ações...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Seis ações! Propostas por
quem?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – ...sendo
cinco ações propostas pela construtora e uma pela ECT.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Qual o objeto dessas ações, doutor?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Aí está, a
primeira foi uma cautelar de antecipação de prova, a perícia judicial. Em
seguida, entramos com uma ação ordinária anulatória das multas, das multas
moratórias, multas por atraso de cronograma.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – O.k.!
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Em seguida,
entramos com uma ação também ordinária de anulação do ato de rescisão. Nós
dividimos as duas para não ficar um volume muito grande de documento.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Porque chegou a ser aberto
um procedimento administrativo para a rescisão do contrato por inadimplência,
pelos Correios, é isso? Os Correios abriram um processo para rescindir o
contrato administrativo?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Não, o
Correio simplesmente rescindiu o contrato.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim, mas um procedimento
administrativo para rescindir, e chegou a rescindir.
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Rescindiu.
No dia 4 de dezembro, nós recebemos... a Espaço Aberto recebeu a notificação da
rescisão contratual, unilateral. Rescindido, deu o prazo de dez dias para que
ele retirasse o material e estava desapossado da obra.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E a terceira ação foi
proposta para anular essa decisão?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Essa
decisão.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – E mais uma
ação indenizatória de perdas e danos.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Por quê?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Porque o
Correio havia retido a última medição, que foi em outubro. De outubro a
dezembro, não tinha havido medição alguma. Havia outros serviços feitos e não
medidos. E o mais importante é que se queria ter um retrato da obra, exatamente
o que foi feito, para que se pudesse ter a garantia do direito da contratada de
provar que estava fazendo, sim, a obra dentro dos projetos.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – E a causa do
atraso não era dela.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – E a ação que foi proposta
pelos Correios?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Foi uma ação
de cobrança, porque, quando o Correio notificou do ato rescisório,
imediatamente ele entrou com uma ação para cobrar as multas decorrentes do ato
rescisório. Era multa de rescisão, multa por culpa da rescisão, que era 10% do
valor do contrato, e, mais ainda, a execução da garantia do contrato, que era
8%.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Em algum momento anterior
à propositura da ação, a empresa havia solicitado o reequilíbrio
econômico-financeiro do contrato?
O SR. CARLOS ALBERTO DE ARAÚJO GOMES – Sim, havia sido
indeferido.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Na oportunidade do
indeferimento, chegou a haver alguma demanda judicial?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Não.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Ou seja, nessa ação de
perdas e danos estaria embutido no pedido a indenizatória relativamente a esse
reequilíbrio?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Também.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.
A transação feita
pelas partes abarcou as cinco ações?
O SR. CARLOS ALBERTO
DE ARAÚJO GOMES – Todas as
SEIS ações, inclusive a ação... Tenho aqui: no ato do acordo, estão
discriminadas todas as ações, que tiveram, cada uma delas, uma sentença
individual.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Perfeito.
Voltando agora ao
depoente, se me permite, gostaria que V. Sª fizesse um rápido comentário sobre
essa questão,porque ela não está sob exame desta CPMI, que não tem competência
para investigar esse fato. Mas como isso foi relacionado como uma situação
pregressa, de reincidência da empresa, gostaria de um comentário de V. Sª a
respeito. Nós não temos poderes para investigar isso, porque foge à alçada e ao
objeto constitucional desta CPMI.
A Relatoria, neste momento,
passa a ler o § 34 da auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União, que diz
o seguinte:
“Deve-se salientar que tal
empresa [a empresa comandada por V. Sª] é reincidente na mesma irregularidade.
Conforme o processo TC nº 650259/19971 e Decisão nº 869/1998 (TCU – Plenário),
a mesma empresa foi contratada para a construção da penitenciária da região
metropolitana de Florianópolis, e o mesmo fato ocorreu: acréscimo do valor
contratual muito acima dos índices permitidos, ao se inserir ilegalmente no
contrato o valor de R$5,746,449,81 milhões, a preços de março de 1995. Ou seja,
se não fosse a atuação do Tribunal, mais de R$15 milhões, a preços de 2005,
correção pelo INCC, teriam sido pagos indevidamente à referida empresa.”
Pediria a V. Sª que
fizesse um rápido comentário sobre essa situação.
O SR. PAULO NEI ALMEIDA – Ganhamos essa obra em novembro
de 1993. Nós assinamos o contrato em 95. Foi uma obra que era ainda no tempo do
cruzeiro. Aí mudou para o real. Quando houve a mudança de cruzeiro para real,
chamaram-nos para assinar o contrato, depois de dois anos. O Secretário à
época, Dr. Péricles Prado, Secretário de Justiça, mandou fazer um estudo sobre
a mudança de cruzeiro para real. Nesse estudo, havia um indexador, um índice
que baixava... Eu disse que só faria se não baixasse esse índice, porque isso
ia pegar o meu negócio em tantos milhões de cruzeiros para baixar para tantos
reais. Eu disse que não faria a obra. Ele mandou orçar pelos órgãos do Estado,
porque era uma obra estadual. Nós assinamos o contrato.
O Tribunal de Contas
fez uma diligência e disse que nós estávamos com majoração de preços. Nós não
concordamos. Começamos a conversar com o Estado e chegamos à seguinte
conclusão: como era um projeto de trinta anos atrás, aqueles projetos que o
Depen fazia, nós faríamos por aquele preço que eles queriam desde que nós
alterássemos o projeto e colocássemos a pré-moldado. Não diminuiríamos tamanho,
espessura, haveria segurança máxima, a obra está feita, por acaso, abri na
página da obra, está aqui... É uma pequena cidade de duas mil pessoas. Foram
mudados todos os projetos. Por isso, nós fizemos pelo preço que tinha sido
contratado.
O Tribunal de Contas
acompanhou essa obra do começo ao fim. Todas as medições foram acompanhadas
pelo Tribunal de Contas. Eu estou por acaso aqui com o acórdão em que o
Tribunal julgou a obra legal.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – V. Sª poderia declinar o
número?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA - O número é
1750/2003. O TCU julgou legal a obra. Há um comentário que não devia fazer, mas
vou fazer; ou seja, as penitenciárias eram feitas – e hoje estão sendo mudadas
– em sistema antigo. A nossa penitenciária foi comparada com outra
penitenciaria igual e eles fizeram a R$1.740,00 o metro. Isso está no despacho
do Ministro. A nossa foi feita a R$1.023,00 o metro, com essas alterações.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com quem V. Sª negociou
esse acordo, homologado em juízo, extinguindo cinco processos da parte dos
Correios? Quem foram os agentes responsáveis por essa negociação?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eles foram sempre
feitos em juízo; foram feitos em Santa Catarina, nos Correios.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas com quem foi
negociado nos Correios para que se chegasse nesse acordo?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Lá foi com os
Diretores dos Correios locais; são várias pessoas. E...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Saberia V. Sª declinar os
nomes?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eu sei. Tem uma pessoa de Brasília foi para
lá, que é o Dr. Tormim, engenheiro.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Quem?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Dr. Tormim, que é
engenheiro.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Tormim, engenheiro.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Engenheiro daqui que foi lá negociar.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sim.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Tem o Diretor
Amorim, que é Diretor Regional dos Correios.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Amorim.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Sim; e aí tem toda
Diretoria Regional dos Correios. Na realidade, eu só queria lhe dizer, até
para...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Apenas para precisar: a
negociação de que época a que época?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Não. Foi feita lá
nos Correios, mas é que normalmente eu não ia; iam todos nossos engenheiros e
os engenheiros deles.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Mas de que data a que data
foi feita a negociação, por favor?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Elas levaram cinco meses.
O SR. RELATOR (José Eduardo
Cardozo. PT – SP) – Mas de que data a que data?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – De agosto a
dezembro.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Agosto a dezembro de...?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – De 2004.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – 2004.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Vencendo os
contratos em dezembro e fizemos...
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Bem; evidentemente, eu
gostaria de fazer uma rápida ponderação sobre o seguinte aspecto. A opinião
desta Sub-relatoria é idêntica a do Ministro Ubiratan Aguiar. Em confirmando as
ações propostas declinadas pelo Dr. Advogado, seria perfeitamente possível
haver uma acordo judicial nos termos propostos, uma vez que fazia parte da
petição inicial da ação indenizatória a questão do equilíbrio
econômico-financeiro.
Evidentemente, o Dr.
Juiz de Direito não apreciou o mérito nem poderia fazê-lo, razão pela qual
extinguiu o processo sem julgamento de mérito, por ser uma homologação
judicial.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Não. Com julgamento.
O SR. RELATOR (José
Eduardo Cardozo. PT – SP) – Com julgamento de mérito, perfeito. É que na
verdade o Juiz...
O SR. CARLOS ALBERTO ARAÚJO GOMES – É que na verdade, V. Exª me permite?
O SR. RELATOR
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Pois não.
O SR. CARLOS ALBERTO ARAÚJO GOMES – Ao analisar o acordo, evidentemente que não se cobraria
do juízo a prova...
O SR. RELATOR
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Análise da...
O SR. CARLOS ALBERTO ARAÚJO GOMES – ...a demonstração dos quantitativos, mas do procedimento,
sim...
O SR. RELATOR
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sem dúvida.
O SR. CARLOS ALBERTO ARAÚJO GOMES – ...da sistemática, sim...
O SR. RELATOR
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Sem dúvida.
O SR. CARLOS ALBERTO ARAÚJO GOMES – ...da legalidade, sim, porque foram todos documentos
entregues, evidentemente ao juiz.
O SR. RELATOR
(José Eduardo Cardozo. PT – SP) – É que, na verdade, tratando-se de um litígio
entre partes no mundo privado, o Juiz de Direito não vai examinar o mérito da
composição de preços; ele vai verificar os aspectos extrínsecos à transação e
vai decretar a extinção do processo, com julgamento de mérito, nos termos do
Código de Processo Civil, o que, obviamente, permite a investigação para
verificar se houve lesividade ou não. É esta a razão pela qual o Tribunal de
Contas está se colocando.
Dentro desse contexto, concordo com o Ministro Ubiratan: se
eventualmente a empresa demonstrar ou só se os Correios demonstrarem a esta
Comissão Parlamentar de Inquérito que os valores ajustados acima dos índices
que foram fixados tendiam a fazer a repactuação nos termos de manter equilíbrio
econômico-financeiro, na forma apresentada na proposta da licitação, o acordo
terá sido rigorosamente lícito. Por óbvio, se não demonstrado, haverá suspeição
levantada na auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União.
Então, solicito ao Depoente que, se possível, encaminhe a
esta Comissão Parlamentar de Inquérito o mesmo demonstrativo que encaminhou ao
Tribunal de Contas, para que nós possamos fazer essa análise. Em havendo a
conclusão de que realmente estão justificados os valores apresentados e que o
equilíbrio econômico-financeiro do contrato está mantido, esta Relatoria não
poderá dar outro parecer a não ser pela legalidade do contrato. Mas, óbvio,
isso fica sob condição da apresentação dessa demonstração.
Passo, então, Sr. Presidente, a palavra aos demais
Depoentes, ainda porque, da parte desta Relatoria, tudo dependerá dessa
documentação a ser apresentada.
O SR. PRESIDENTE
(Asdrubal Bentes. PMDB – PA) – Agradeço a V. Exª e concedo a palavra ao
primeiro inscrito, Deputado Onyx Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – A sua empresa está construindo o prédio dos Correios ali na
BR-101, em São José, não é? (Pausa.)
Houve um reajuste aditivo nessa construção. Qual o valor e
qual a percentagem sobre o valor original?
O SR. PAULO NEI ALMEIDA –
Deputado, os valores dos aditivos foram mais do que um; foram vários os
aditivos feitos. V. Exª está pedindo o
último?
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – É.
O SR. PAULO NEI ALMEIDA –
O do acordo?
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – O do acordo.
O SR. PAULO NEI ALMEIDA –
O do acordo foi de 4 milhões... Posso? Ele foi feito com R$4.596.856,77 – este
foi o...
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Quanto é sobre o valor original esses 4 milhões?
O SR. PAULO NEI ALMEIDA –
O total dos acordos feitos resultam em mais de 18% sobre o total do contrato, o
contrato da obra toda.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – De quanto era o contrato original?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Inicialmente, 21
milhões, Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Vinte e um milhões – e os aditamentos e
reajustes a esse contrato são na ordem de quantos milhões?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eu tenho um
documento – se eu puder olhar no documento dos Correios aqui...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Não tem problema...
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Está aquí:
R$5.477.462,05 – cinco milhões.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – E o contrato total?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – O total?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sim, agora, ficou de quanto?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Corrigidos, não é,
Deputado? Eu não sei o valor exato. São 28 milhões para terminar a obra e mais
10 milhões, corrigidos, que eu tinha recebido até à época. Aqui dá em torno de
53 – eu não sei exatamente. Eu terei que olhar o documento.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Claro.
O SR. CARLOS ALBERTO
ARAÚJO GOMES – O acordo judicial
foi feito em cima, exclusivamente, dos serviços remanescentes da obra. Então, o
acordo judicial foi de 28 milhões para terminar a obra. Desses 28 milhões,
estão incluídos, de acordo com o próprio texto do acordo, 5,477 milhões, que
são os aditivos que faltam fazer. Agora, teria que fazer... Se V. Exª quer,
hoje, o preço total do acordo, aí nós teríamos que fazer a conta cujos
elementos nós não trouxemos, que é quanto vai sair a obra, não é? Eu tenho,
aqui, inclusive...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Porque o questionamento que o TCU diz respeito,
justamente, a um volume de recursos agregado ao contrato original que, no
entendimento do Tribunal, é indevido. Na ótica do Tribunal há um processo de
superfaturamento.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eu posso discordar
do senhor?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Por favor...
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – O Tribunal não diz
isto; o Tribunal diz que nós alteramos 6 milhões a mais do que o índice INCC.
Este foi a primeiro. No segundo Relatório, ele disse que, se nós provássemos
que esses 6 milhões são de mercado, ele se posicionaria no sentido de que, aí,
o preço não foi majorado. Nós temos que provar que é de mercado e que estamos
com o preço na mesma proporção, Deputado. Se nós tínhamos 11%, nós temos que
ficar em 11%. Ele quer que nós fiquemos nos mesmos 11% abaixo para não
prejudicar empresas que tinham dado propostas.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – Se o Depoente me
permite...
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Pois não.
O SR. RELATOR (José Eduardo Cardozo. PT – SP) – ...só para fixar os
valores pedidos pelo Deputado Onyx Lorenzoni. A discussão é a seguinte: no
acordo judicial que foi feito, houve uma parcela excedente de cerca de 6
milhões que foi acima da correção do INCC, que é apresentada pelo Depoente como
um reequilíbrio econômico-financeiro, e o Tribunal de Contas contesta. O
Ministro do TCU pede que ele junte a prova de que houve realmente a necessidade
desse reequilíbrio para justificar os 6 milhões. Foi esta prova que eu
solicitei a ele.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sim, mas o indício original – o senhor tem todo
o direito de contestar – era de superfaturamento. O senhor tem o direito de
contestar, e, se eu estivesse na sua condição, faria a mesma coisa. Só que o
que eu disse é aquilo que a gente recebeu.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eu sei, mas, se eu puder voltar a falar...
Posso?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Pois não. Claro.
O SR. PAULO NEI ALMEIDA
–
Deputado, é que eles falam que houve um sobrepreço porque mesmo...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Ok. Então, vamos para sobrepreço.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Isto não importa,
Deputado. É que, Sr. Deputado – e é isto que eu quero dizer para o senhor –
mesmo que tivesse sido os 6 milhões na obra, ela estaria ainda abaixo de todas
as outras obras, mas eu sei que o senhor tem razão no que fala.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Houve apoio de lideranças políticas para que
houvesse esse acordo com os Correios?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Não porque foram feitos sempre em juízo, e eu
estava com várias ações. Então, era feito dentro da Justiça e nós conversamos
lá.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor lembra quem eram as outras empresas
que concorreram com senhor e que ficaram em segundo e em terceiro lugar? O
senhor lembra o nome das empresas?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Algumas, não é.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – As que ficaram abaixo.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Perto?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Perto do senhor.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Eu não sei assim...
Se eu puder procurar um pouquinho, eu vou achar aqui. Acho que eu tenho.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Tudo bem. Vamos lá.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – O senhor vai me
pedindo e eu vou olhando aqui.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Está bem. Uma outra pergunta: o que eu recebi
aqui é algo que vem lá de Florianópolis.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Certo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Lá corre a história – são várias versões –
sobre afirmações do senhor de que o senhor contribuiu com dinheiro para
políticos em troca de apoio para esse negócio com os Correios. Isso é, pelas
informações que recebi, conhecido em Florianópolis.
A pergunta que lhe
faço é: o senhor confirma que havia dito que teria contribuído com políticos
para que esses negócios com os Correios pudessem acontecer?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Não.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Houve intermediação nisso?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Não. Eu até vou lhe
dizer...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Eu acho que é uma oportunidade para o senhor
esclarecer. Isso é algo que, lá em Florianópolis, segundo eu recebi as
informações, é voz corrente.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – O senhor disse uma
coisa que é verdade: eu sou conhecido em Florianópolis.
Florianópolis é uma
cidade de duzentos mil habitantes; uma cidade pequena. Então, eu sou bem
conhecido, até porque minha empresa tem vinte e cinco anos, Deputado. Então, o
senhor há de convir que eu sou conhecido. E que as pessoas falam de pessoas que
são conhecidas podem falar; agora, eu fiz o acordo na Justiça. Eu tenho muitos
amigos, de diversos partidos. E eu não sei... Eu não precisei também,
Deputado... O meu acordo, quando o senhor for analisar pelo Tribunal de Contas
o senhor vai ver, não foi um acordo tão vantajoso. Eu volto a lhe dizer o que
eu fiz. Eu poderia ganhar, Deputado – eu não, a nossa empresa, porque eu sou o
maior acionista –, 4 milhões, que os Correios foram me oferecer lá para nós
sairmos. Podia ganhar 4 milhões sem fazer mais nada num acordo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – E por que ele queria que o senhor saísse?
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – Os Correios
queriam que eu saísse porque achavam que daí tocavam a obra mais fácil. Eu
sairia das ações, por um acordo. Eu
deixaria as ações. Um acordo judicial. Eu pararia e sairia, e os Correios
poderiam tocar a obra ou fazer outra licitação, ou tocar com quem eles
quisessem.
Eu não concordei. Por
quê? O senhor mesmo é do Rio Grande, eu sei, perto de Santa Catarina, deve
conhecer Florianópolis...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Muito bem.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – ...deve saber o
tamanho de nossa cidade. Então, o senhor deve saber que onde é a obra; é na
BR...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Conheço bem.
O SR. PAULO NEI
ALMEIDA – ...como é que eu
vou tirar minha placa de lá e colocar outra, por exemplo, vamos dar um nome
qualquer: Cassol? Não posso mais, Deputado. Eu não podia. Então eu tinha que
fazer essa obra. Por isso que, no final, Deputado – e sei que esse processo não
acaba aqui, porque o Cong |