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O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Declaro aberta a 6ª reunião da Sub-Relatoria da CPMI dos Correios com a
pauta destinada à oitiva dos Srs. Carlos Alberto Quaglia e Najun Turner.
O Sr. Quaglia já se encontra aqui, já assinou o termo de
compromisso e está acompanhado por seu advogado Dr. Aroldo Rodrigues.
Esse depoimento na Subcomissão se deve aos
requerimentos dos Deputados Silvio Torres, Onyx Lorenzoni e ACM Neto, e nós
vamos adotar como procedimento... Eu vou iniciar com alguns questionamentos,
mas fica a palavra desde já aberta para os Parlamentares que queiram intervir,
só havendo depois a necessidade de marcar tempo se estender ou houver um número
maior de presentes.
Inicialmente, consulto o Sr. Quaglia e pediria para fazer a
sua qualificação, nome, data de nascimento, tipo de atividade profissional que
exerce, por favor.
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Boa tarde a
todos os senhores e as senhores presentes.
Eu nasci na Argentina e moro no Brasil desde o ano de 1979.
Morei alguns anos em São Paulo e depois me transferi para a Florianópolis.
Posso-me definir como empresário. Sempre me tinha inclinado às atividades de
exportação e importação atrelada sempre à parte financeira dessas operações.
Encontro-me aqui hoje realmente surpreso, mas com o maior desejo de colaborar
com V. Exªs e ajudar vocês a esclarecer as coisas que precisam ser
esclarecidas.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Sr. Quaglia, o senhor é o sócio proprietário da empresa Natimar?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Sou, sim.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Quando foi fundada a empresa Natimar?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Eu fundei
ela no ano de 1993, em Florianópolis mesmo.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Em Florianópolis. E é só por curiosidade: qual o significado do nome
Natimar?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – “Nati” é o
apelido de minha filha e “mar” tem a ver com Florianópolis.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Com relação aos fatos, e já entrando, Sr. Quaglia, em depoimento à Polícia
Federal o senhor disse que os vários depósitos da Bônus-Banval na conta da
Natimar no valor de R$6,5 milhões foram por engano. Por que o senhor não exigiu
imediatamente que fosse efetuado o estorno desse recurso?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Essa é uma
história longa, mas eu exigi, eu pedi isso, mas já tinha uma histórica operação
com a operadora Bônus-Banval que sempre foi muito positiva para mim. Quando
iniciei as operações com ele, no ano de 2003, ele me ofereceu vantagens que não
poderia obter em outra operadora, foram várias: devolução de grande parte das
notas de corretagem cobria, durante alguns dias, o saldo eventualmente negativo
de minha conta que estava descoberto e me deixava preocupado, depositava margem
de garantia para operações futuras, coisa que exige a Bolsa BM&F. E nossa
atividade foi sempre muito bem, eu sempre recebia as notas de corretagem
corretas, que, na verdade, não são notas de corretagem da Bônus, são notas de
corretagem da BM&F, mas que me chegavam através da Bônus. Sempre estavam
corretas, de acordo com... E depois eu, por telefone, me informava da situação
da conta. Às vezes, ficava negativa, e ela cobria efetivamente. Numa
oportunidade, ele me falou de problemas – acho que ele chamou de logística – na
tesouraria do caixa.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Logística?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Logística na tesouraria do caixa da corretora e que, por
essa razão, tinha depositado – e vai aparecer na contabilidade deles –, em
minha conta valores maiores do que realmente tinha. Eu falei para ele que, no
meu caso, não tinha problema, que era só estornar isso; se era um erro de
caixa, que estornasse. Ele falou que não podia fazer isso porque estava
sofrendo uma auditoria externa. Não me explicou de quem era a auditoria, eu
também não entrei em detalhes, mas que não podia fazer esse estorno nesse
momento por causa de uma auditoria externa. Mas ele falou para mim que podíamos
deixar minha conta com saldo normal, resolver o problema, se eu permitia para
ele repassar o saldo excessivo na minha conta, para outra conta dele. Eu acedi
a isso, e assinei bastantes cartas de transferência para outra conta dele.
Preciso declarar que uma conta numa corretora não é o mesmo que uma conta em
banco; uma conta numa corretora é de absoluto controle da corretora, pois a
contabilidade não está atrelada ao Banco Central como está, por exemplo, a
conta corrente de um banco. Então, ele pode fazer o que bem entender. Mas não
pensei, em nenhum momento, claro, que isso poderia ter haver com alguma coisa
que pudesse me prejudicar, ou alguém. Simplesmente, de alguma maneira, estava
ajudando ele, acedendo a isso, como ele me ajudava quando a vantagem que me
oferecia eu não encontrava em outra corretora.
Neste momento, hoje,
eu afirmo que só nesse valor que ele... Claro, a ele chegava a valores, não sei
se em dinheiro vivo, ou a conta corrente bancária da corretora; e ele devia
repassar esse valor para uma pessoa que não deve aparecer. Claro, essa é uma
conclusão que estou fazendo hoje depois de todos esses acontecimentos. Ele
simplesmente faz esse jogo e oculta o que está acontecendo. Isso durou bastante
tempo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Quanto tempo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu assinei carta acho que duas vezes; eu nem olhava
realmente. Mas...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor falou que assinou duas vezes cartas.
Só para voltar. Quer
dizer, ele não podia estornar o recurso porque estava sob auditoria.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sempre com auditoria interna.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Daí a primeira carta, depois que o senhor
verificou esse depósito, quando foi? Quanto tempo depois?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Lembro do mês, foi junho, que ele me falou do tema, na
realidade. Foi ele que me informou sobre o erro da contabilidade. Acho que foi
em junho.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Depois o senhor assinou a primeira carta de
transferência...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram várias.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Foram várias. Quantas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não saberia precisar agora, mas me lembro que eram várias
porque até cansei de assinar. Normalmente eram de valores pequenos, mas não
olhava muito para isso. Eu tinha uma relação de muita confiança para com o Sr.
Nivaldo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Mas ele mandou para o senhor uma quantidade e o
senhor assinou sem ler, sem verificar o valor?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu lia por cima e como não conhecia essas pessoas e
nem me correspondia conhecê-las, eu não fiz objeção; fiz isso em duas oportunidades. Depois ele insistiu e não quis
mais.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor não se lembra se foram cinco, dez, vinte,
trinta?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram muito mais.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Cinqüenta, sessenta?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, em torno disso.
Em junho de 2005,
agora, o Sr. Nivaldo, da Bônus-Banval, me enviou por correspondência a meu
endereço, em Florianópolis, um envelope com oitenta folhas para eu assinar,
muitas das quais, já lhe afirmei, consegui ver elas no depoimento da Polícia
Federal. Obviamente que não afirmei e nem entrei em contato com ele. Tentei ver
ele em São Paulo, mas não quis me receber.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Depois o senhor não falou mais com ele, não teve
mais encontro?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, depois de fevereiro, março deste ano nunca mais;
encerrei minha operação nisso aí.
Não tinha nenhuma
razão para falar, porque não me prejudicou em absoluta nas operações
comerciais, financeiras; sempre foi muito certo nisso. As notas de corretagem
que me enviava da BM&F correspondia com as operações que tinha feito. Mas
em junho, deste ano, ele me envia por correspondência, sem nenhum
esclarecimento, sem nenhuma ligação telefônica anterior, um envelope com
setenta e oito – sei porque contei elas agora – cartas para eu assinar. Coisa
que eu não fiz.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Essas setenta e oito cartas são além daquelas
iniciais?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro, mas percebi muitas repetidas, sobretudo algumas
que eu tinha solicitado, mas havia repetidas.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Por exemplo, algum nome o senhor lembra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Deusa Costa, esposa do Sr. Najun.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Por que lhe chamou a atenção nesse momento e não antes?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, ao que me chamou a atenção na hora foi que, em junho,
me enviara de novo, quando já tinha me falado cinqüenta vezes que não. Para que
queria mais agora se não estava fazendo mais operação com ele, ou seja, ele nem
poderia mais manipular a conta?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Só voltando, então, antes de chegar nessa segunda etapa,
apareceram 6,5 milhões a mais. O senhor emitiu cartas de transferência sem ler
para quem eram e sem lembrar os valores?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Como o senhor declarou isso para efeitos fiscais e na
BM&F se esses 6,5 milhões não eram seus? Como o senhor justifica?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Porque eu não preciso declarar isso para BM&F. O
que importa, em meu caso com a BM&F, são as corretagens, as operações
normalmente de trade que faço com a
BM&F. A contabilidade do Sr. Nivaldo da Bônus-Banval não tem nada a ver
com... Agora, se ele diz que fez operações com dinheiro que não era meu, vai
ter de provar isso, contando compatibilidade entre esses ingressos errados em
minha conta em notas da corretagem da BM&F.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Nós vamos chegar lá, mas eu queria ainda insistir: que
vantagens o Sr. Nivaldo ofereceu para que o senhor aplicasse na Bônus-Banval,
quer dizer, como funcionava a comissão de corretagem, o prazo de permanência do
recurso, existia a cobrança ou não de juros dos valores descobertos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual era a comissão de corretagem?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A comissão de corretagem era de 80%. Se eu tinha de pagar
100 por corretagem, ele me cobrava 20. Isso não é muito estranho. Muitas
corretoras fazem isso. As outras, sim, são mais interessantes. Eu poderia
operar (Incompreensível.) na conta dele, na Bônus, ou a descoberto, até
cinco dias, por R$500 mil. Ele cobria. Imagino eu, como cobria: claro, tirava
de outras contas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Além mais? Alguma com relação a determinados valores, CPMF?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – E margem de garantia. Ele me cobrava CPMF. Isso, sim, me
cobrava.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – A partir de que valor? De todas as aplicações?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Até R$500 mil. Podia ser de R$10 até R$500 mil. Quando
ele fazia isso, ele me cobrava CPMF. Imagino que ele efetivamente pagaria.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Só para registrar, essa operação que está sendo atribuída
ao senhor, que o senhor diz ter sido por engano, ela está se caracterizando
como um ilícito bastante usual, inclusive, em várias operações, nós estamos
verificando nessa investigação. O dinheiro frio entrava na corretora, seja de
dentro do Brasil ou de fora, esse dinheiro é aplicado, paga imposto na fonte e
sai limpinho em nome de um laranja. Em regra geral, todos estão apresentando
essa mesma justificativa: que foi um engano. Como não foi possível ser feito o
estorno, houve a emissão de transferência de recursos e, portanto, a conta
fecha, não há problema com a Receita, com o Banco Central, não há problema com
a BM&F. A partir daí, basta um cheque endossado para que seja sacado em
nome do beneficiado sem maiores problemas. Quer dizer, o senhor, então, afirma
de forma taxativa: não está envolvido nessa negociação. O senhor desconhece
completamente todos os nomes?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Claro. Ele falou que era um erro de caixa dele. Eu
entendi que acontecesse isso. Acreditei realmente nisso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Mas nunca o senhor tinha tido um problema antes dessa
natureza com quem quer que seja?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Com nenhuma corretora. Jamais. Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – O senhor conhece Dário Messer?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Alberto Youssef?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Toninho da Barcelona?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Toninho eu cheguei a conhecer, sim. Há algum tempo atrás.
Anos atrás.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual a relação que o senhor teve com ele?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Conheci ele socialmente, só.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Em Santa Catarina?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não. Em São Paulo. Em uma oportunidade, comprei uma
passagem para ele e para a minha filha viajarem para a Espanha. Eu comprei a
passagem deles. Essa foi a única operação comercial que eu tive com ele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Haroldo Bicalho?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Haroldo Pororoca?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – O senhor reconheceu ter transferido recursos para Deusa
Maria da Costa e Yuri Flato que são esposa e filhos de Najun Turner, não é?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual a razão dessa transferência?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu conheço o Najun faz muitos anos, quando residia em São
Paulo. Travei amizade pessoal com ele. Eu sei que Najun, pelo menos dentro do
mercado, dos operadores de mercado que conheci, é o que mais conhecimento tem
sobre todas as operações no mercado de risco, com opões na Bovespa e contratos
de futuros na BM&F. Não sou muito entendido nisso, essa é a verdade.
Durante todo esse
período, recebi assessoria e fiquei devendo dinheiro para ele. Claro que não
houve nenhum contrato escrito entre nós dois, não precisávamos disso.
Essa
transferência para Deusa e para Yuri é resultado de pedidos dele por pagamentos
meus pela consultoria.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – E o senhor fez operações semelhantes para outras pessoas também nesses
valores?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Só para ele?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, só
para ele.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor já teve alguma sociedade com ele?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Nunca? Nenhuma?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Segundo o Sr. Enivaldo
Quadrado, a Bônus-Banval operava aplicando na Natimar em ouro e na BM&F, a
pedido de Marcos Valério. O senhor confirma isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu não conheço o Sr. Marcos Valério.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Consta que tanto a Tolentino, que é uma empresa da qual Marcos Valério
tem sociedade, quanto a 2S, uma outra empresa da qual ele é sócio, depositaram
– e essa informação que nos veio dele – 6,5 milhões de reais na conta corrente
que a Natimar mantinha na Bônus-Banval.
O senhor acha que também houve um erro na origem?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou
achando que não é um erro. Acho que isso foi manipulado, isso foi uma
utilização criminosa na Natimar, porque o Sr. Quadrado deveria precisar
esconder isso. Não é a primeira vez que uma corretora comete fraudes e desse
tipo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Como funciona isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Ele pode
fazer, criar transferências porque não são contas bancárias, são contas
internas da corretora. Ele pode fazer
transferências, pode criar situações, pode anulá-las.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Qual a vantagem dele fazer isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A vantagem dele é lavar dinheiro, evidentemente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Na sua opinião, é lavagem de
dinheiro.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Mas, por que ele usaria justamente a Natimar e não uma outra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A
Natimar caiu como uma pelica, como uma luva na mão dele. Eu confiava muito
nele, eu melhorei muito, gananciosamente, vou dizer, pela vantagem por ele
oferecida. Para mim, é muito fácil trabalhar assim. Vendi um ativo em
descoberto e não precisava tê-lo porque é obrigatório, porque ele o captava
para mim. Podia ficar descoberto.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Por que ele faria essa operação de lavagem de dinheiro? Qual a razão dele
ter que fazer essa operação? O senhor tem conhecimento?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, nunca falamos sobre isso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Nunca se preocupou em saber?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Nunca
falamos sobre isso, não pensei nunca que era lavagem de dinheiro. Essas são
conclusões a que estou chegando agora, nesse momento. Mas quando eu assinava a
carta nunca pensava nisso, se eu pensasse assim não teria feito. Posso ser
desligado, mas não sou louco.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Justamente por isso que chamamos o senhor. Por isso acredito que o senhor
não teria assinado sem conhecer. O senhor acha normal uma pessoa, com a
experiência que o senhor tem, assinar tantas cartas de transferência em branco,
suspeitando agora que se tratava de uma operação de lavagem de dinheiro? É
usual isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas por
que suspeito agora? Sobretudo por tudo o
que aconteceu, senão não teria acontecido esta CPMI. E isso continua a passar
por minha cabeça.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Vou voltar um pouco aqui para constar, Sr.
Quaglia...
O
senhor tem visto permanente no Brasil?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não entendi.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – O senhor tem visto permanente no Brasil?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Temos a informação de uma condenação pelo envio de
990 mil dólares de forma ilegal. A informação é a de que o senhor responde a um
processo na Justiça federal por evasão de divisas, em virtude da existência de
contas-laranja em nome de funcionários de suas empresas.
O
senhor pode nos dizer exatamente quais as acusações que pesam e em que fase
estão?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, estou respondendo a dois processos e não só a um... O
senhor falou quanto?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Novecentos e noventa mil dólares.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, esse é outro. O senhor estava se referindo
primeiro a outras contas-laranja.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Isso, das contas-laranja. Não estou com a ordem
aqui.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esse é anterior. No ano de 1987, 1988, fui contratado por
uma empresa de turismo e câmbio que tinha sede em Florianópolis e filial em São
Paulo. Mas era o contrário, na realidade, porque o dono real tinha escritório
em São Paulo. Não mencionarei o nome do senhor a menos que o senhor me
solicite. Mas a empresa chamava-se Brusatur&Câmbio Ltda. Fui contratado
para trabalhar como gerente em Florianópolis. Aceitei, pois inicialmente estava
precisando realmente e, em...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Em que ano foi?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em 1988 eu comecei. Não tínhamos de ter registro, a
Brusatur não tinha registro no Banco Central para operar no mercado de taxas
flutuantes. E todos os dias passávamos a posição para o BESC, que era um banco
centralizador nessa região, sobre as operações realizadas. Efetivamente, também
havia operações no mercado paralelo. Florianópolis é uma cidade muito especial.
O câmbio paralelo está proibido, mas qualquer de S. Exªs caminhar pela rua de
pedestre Felipe Schmidt, que vai ver não um, mas vinte pessoas gritando câmbio!
dólar! câmbio! dólar! De fato, está permitido, e acho correto isso, porque se
Florianópolis recebe, ou melhor, recebia, durante os meses do verão, uma grande
quantidade de estrangeiros, especialmente argentinos e uruguaios, que precisam
cambiar dólares e não podem fazer... Claro, quem precisa cambiar US$10 ou US$20
e ficar numa fila de duas horas num banco... Então, isso é normal. A Brusatur,
na qual eu trabalhava, também fazia isso efetivamente. Mas isso não seria
problema. No ano de 1992, o dono da firma, o Sr. Hugo Garcia Kroger, fala com a
pessoa que era meu parceiro para gerenciar a agência, e comigo, para nos dizer
que ele vai sair do Brasil – ele era uruguaio – e ia para a Europa e que ia
fechar a firma; que ou ficávamos sem trabalho ou assumíamos a firma, que ele ia
nos cobrar um preço simbólico para pagar a perder de vista.
Depois que fizemos
isso, pouco depois, começaram a aparecer situações fraudulentas em que esse
senhor estava envolvido, mas não a empresa em si. Esse senhor arregimentava
entre funcionários da Brusatur de Florianópolis e outros lugares, porque também
tinha em São Paulo e em Balneário Camboriú, que, em troca de uma certa quantia
em dinheiro, esses funcionários iam a São Paulo e abriam contas em seu nome,
deixando cheques em branco para o Sr. Hugo. Bom, como ficamos donos da
Brusatur, apesar do que foi depois de tudo isso, a lei recaiu sobre nós. O Sr.
Hugo também foi condenado. Particularmente, há um recurso no STF do Rio Grande
do Sul.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Está lá?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – E nesse segundo caso dos 990 mil dólares?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Esses foram travels-checks que eu efetivamente comprei, com
recursos basicamente de amigos argentinos que me ajudaram nessa operação. Estou
sendo processado por falsidade ideológica. Disse que isso não é normal para
turismo, não, efetivamente, uma pessoa que viaja por uma semana, duas semanas,
a Buenos Aires, não precisa levar US$990 mil. De toda maneira, esses US$990 mil
também não foram comprados de uma vez, mas durante dois ou três anos. Depois,
revendi esses travels-checks ou
utilizava... Eu utilizei muitas vezes em Buenos Aires como garantias adicionais
para hipotecas, para garantias hipotecárias, durante pouco tempo. Isso eu
deixava a lucro também. Essa é a verdade do fato. De fato, fui processado por
isso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – E há uma informação também de que o senhor co-réu.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Como?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Há uma informação também...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – ...só para registrar aqui, Sr. Quaglia, em que fase está
esse processo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esse dos dólares? Dos travels
checks?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Isso.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Está ainda na 1ª Instância, ainda não transitou
totalmente em julgado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Sim. Já há sentença?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, ainda não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – E a informação, se o senhor confirma, de que o senhor é
co-réu junto com Najun Azario Flato Turner por remessa ilegal de 165 milhões e
200 mil dólares, durante cinco meses, no ano 2000. O senhor confirma isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O que posso confirmar é que fui incluído num processo,
aqui em São Paulo, no qual também se encontravam o Sr. Najun e o Sr. Simon, só
que não tinha nenhuma relação às causas pelas quais foram processados os Srs.
Najun e seu filho; fui processado exatamente pelo mesmo delito que estou sendo
processado novamente. E, apesar de ter apelado – por isso se chama duplicidade,
eu não posso ser processado duas vezes pela mesma causa –, o Juiz de
Florianópolis insistiu. Eu fui absolvido nesse processo de São Paulo em que
também se encontram Najun e Simon. Repito, ele não está mais sendo processado
por isso. Ele está sendo processado por uma empresa que ele tinha e da qual eu
não participava e não conhecia. Eu não sei por que estava sendo processado pela
compra de US$900 mil de travels checks no mercado de dólar turismo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – V. Sª conhece o Juiz João Carlos da Rocha Mattos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não o conheço. Nunca fui processado por ele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – É que foi ele que atuou no seu processo.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em qual?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Nesse da Junta...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu fui interrogado por uma juíza.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Lá em São Paulo também?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu fui interrogado por uma juíza nesse caso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Nesse caso, a partir da Operação Anaconda, a sentença foi
anulada por suspeita de que a decisão foi obtida mediante pagamento. Por isso é
que lhe perguntei se tinha alguma relação, se conhecia o Juiz João Carlos da
Rocha Mattos.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, mas gostaria de esclarecer uma coisa, se a minha
memória não me engana. Nesse processo eu saí absolvido, sim, mas Najun e Simon
foram condenados; entraram com recursos, tanto pela Promotoria como por eles.
Eu, claro, não recorri, mas, de qualquer maneira, a Promotoria recorreu. Eu
acho, não poderia afirmar, mas que eu saiba, não era esse senhor o juiz, mas
era uma mulher, uma juíza. Foi ela que me interrogou.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Foi ela quem deu a sentença?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Eu tenho em minha casa a alegação final (Incompreensível.)
que apresentei para pedir a duplicidade do processo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Está bem. V. Sª já teve alguma relação com a Corretora
Split?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – De tipo comercial? Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Conhece? Já ouviu falar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não sei, por isso perguntei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Não lembra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Voltando à sua atividade, Sr. Quaglia, seu último negócio
foi exportação de máquinas motoniveladoras e tratores para o Uruguai e Holanda,
no ano de 2003, no valor de US$14 milhões. V. Sª disse que tais produtos foram
comprados pela empresa Discovery SRL, com sede no Paraguai.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Ao que parece, V. Sª recebeu os US$14 milhões e só enviou
US$1 milhão em máquinas. Como o senhor conseguiu transformar essa diferença em
empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Num primeiro momento, esse dinheiro chegou como pagamento
antecipado de exportação.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Os US$14 milhões?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. A idéia era fazer as exportações. Houve muita
flutuação com o dólar e isso impossibilitou muito esse negócio.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Em 2003?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. A partir daí começou a queda do dólar. Para mim era
mais fácil converter isso em empréstimo, se conseguisse um acordo com a
Discovery. Eu pagaria em dinheiro. Não teria que comprar máquinas, porque isso
me sairia mais caro em termos de dólares. Pagaria em dinheiro, pagando juros de
praxe internacionais, 4,5% anuais. Aqui os juros são muito maiores. Eu poderia,
nesse ínterim, fazer aplicações no mercado financeiro e obter lucros e
devolver, como estão nas cláusulas contratuais, os valores.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual a natureza da empresa Discovery? Qual sua relação com
eles?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A relação é muito antiga, vem do tempo de meu pai, que
também era exportador na Argentina. Retomei o contato através de descendentes
da Discovery que têm uma trade na
Argentina. São operações de triangulações que são feitas no mundo inteiro...
Esqueço-me do nome que é muito técnico... trading...
Por exemplo, a Natimar é uma trading,
porque eu não fabrico nada para exportar. Mas eu posso servir aos exportadores.
Já fiz isso na Argentina antes de morar no Brasil. Através de uma trading de lá, eles me falaram que
estavam necessitando de uma empresa sediada no Brasil para fazer negócios de
exportação e importação com mercadorias brasileiras. Então, fico à disposição.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas quem são os sócios dessa empresa, da Discovery, no
Paraguai? O senhor pode nos dar os endereços, os contatos com essa empresa?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu preferia antes falar com eles, se for possível.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas, então, fica o compromisso com o senhor de, por favor,
nos prestar essa informação.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Sr. Presidente, quero perguntar por que ele prefere não falar?
Qual seria a
dificuldade de o senhor informar a origem dos recursos que o senhor
internalizou no Brasil? Ao que consta, o senhor registrou no Banco Central, tem
o registro no Banco Central. Acho que o senhor poderia nos falar, porque
ninguém conhece essa empresa, não sabe qual empresa.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou pedindo isso por uma questão ética, pessoal. O nome
da empresa é Discovery, tem registro no Banco Central daqui, porque ingressaram
com dinheiro, mas dizer os nomes das pessoas... Acredito, sinceramente, que não
faria diferença e é difícil para mim, pelo menos, falar nomes de pessoas quando
está muito clara a operação.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Mas qual é a dificuldade? Que questão ética está envolvida numa
operação comercial que deve ser legal, deve ter sido legal lá no Paraguai, onde
o senhor diz que buscou dinheiro, como aqui, no Brasil? Gostaria que o senhor
explicasse para nós, é importante, porque estamos estabelecendo uma
investigação sobre uma rede de contatos que passa por várias...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O sobrenome da pessoa fundadora da Discovery, há muito
tempo, é Lamas. Não tenho certeza, mas Diego Lamas deve ser quem está agora no
Paraguai. Mas a trading argentina
também relacionada com isso. Foi por eles o recontato.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Diego Lamas seria a
pessoa da empresa Discovery S.R.L.? Esse Sr. Diego Lamas foi seu
contato?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Lamas, não. O meu contato foi com uma trading na Argentina.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas como é? O senhor pode explicar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – São muito normais no mercado de importação e exportação
operações de triangulação. Existe uma empresa conhecida no Paraguai, existe uma
empresa conhecida no Argentina, existe uma empresa conhecida no Brasil e em
outros lugares, mas todas essas empresas têm possibilidade de fazer operações
em todo o mundo, mas uma empresa com sede no Paraguai não pode simplesmente
conseguir produtos brasileiros se não conta com uma empresa que fica no Brasil.
Então, por isso fui me relacionar novamente com a Discovery, porque eles
estavam precisando disso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Foi o Marcos Valério quem mandou fazer essa operação, numa
forma de internalizar o recurso ou alguém?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não conheço o
Marcos Valério.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Só para consignar. A pergunta é a seguinte: o senhor
apresentou um patrimônio de R$500 mil e consegue um empréstimo de US$13
milhões? Quem consegue isso no mercado? É normal isso? O senhor consegue, numa
taxa de 4,5% e utiliza esse recurso eventualmente para aplicação no mercado
brasileiro? Isso nem um pai faz para um filho.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Isso é normal.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – É normal no mercado?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. O mercado se baseia muito na confiança. Além disso,
existem propriedades que estão em direito sucessório na Argentina, de minha
família, que, de alguma maneira, foram tomadas como garantia. Não chega a esse valor,
mas foram tomadas como garantia.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E esse empréstimo o senhor já quitou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não totalmente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Qual o total, Sr. Quaglia?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O total que me falta está em torno de US$6,5 milhões.
Parei totalmente com isso, com esse trabalho, com essa atividade desde que
começou a aparecer o meu nome, há um mês, um mês e meio, dois meses. Então, não
tenho cabeça. Consegui, no Banco Central, um adiamento do ROF, do Registro de
Operações Financeiras, e recomeçarei, se der tudo certo com as minhas
operações, a partir de novembro, atendendo o prato até maio de 2006, que
pretendo completar.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E essa diferença, Sr. Quaglia, o senhor aplicou aqui no
mercado interno? Os US$5,5 milhões?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou comprando na BM&F.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Em julho de 2004, o senhor afirmou que aplicou sete milhões
de reais na Bônus-Banval. Confere?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Durante todo o ano. Sim, é difícil fazer, porque nunca são
sete milhões juntos.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
Sim, durante um período.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E a origem desses recursos da Bônus-Banval, o senhor
lembra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. A origem dos meus recursos na Bônus-Banval são desse
empréstimo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Esse valor então equivale a ...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – É o dinheiro que eu utilizei para fazer operações da BMF e
o dinheiro proveniente de empréstimo da Discovery, que primeiro foi pagamento
antecipado de exportação e depois converti em empréstimo. Aí está um bom
negócio.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Daí, quer dizer, o senhor converteu empréstimo,
internalizou uma parte desse recurso e aplicou na Bônus-Banval?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro. Na Bônus-Banval não, NA BMF.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas por meio da Bônus-Banval?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E essa operação de exportação se efetivou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não entendi.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Esse negócio da exportação das máquinas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Houve algumas exportações sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Ela se efetivou? O senhor lembra quantas foram vendidas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram quatro ou cinco máquinas, na realidade. Tenho que
ver no registro, tenho toda essa boleta de exportações. Não lembro se foram
quatro ou cinco máquinas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Para o Uruguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Algumas foram para Amsterdã, se não me engano duas, e
algumas foram para o Porto de Montevidéu, por indicação da Discovery. O mesmo
pagamento que faz essa ... o pagamento que já comecei a fazer e que interrompi
agora são feitos para as contas que a Discovery me indica.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Também no Paraguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, as contas estão em diferentes lugares do mundo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Qual o seu relacionamento com a empresa offshore, chamada Compañia de
Inversiones Ambientales, sediada no Uruguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR)– Não tem relação?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – O senhor nunca foi procurador de nenhuma empresa que atua
no Brasil, com sede no Uruguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Não teve nenhuma relação com a empresa Vega Engenharia
Ambiental também?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Vou lhe perguntar aqui, Sr. Quaglia, sobre algumas
empresas, só para constar, depois eu vou abrir a palavra na sua relação com as
seguintes empresas: Brusa Turismo, o senhor já confirmou.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, Brusa Turismo é aquela em que eu fui processado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Sim, a Camptur Agência de Viagens e Turismo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Não tem relação com o senhor?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – A Natimar Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Essa é a que estamos falando agora?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Sim. Natimar Negócios e Intermediações Ltda.?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – É a mesma.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Natali Artigos de Praia Ltda.?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Natali é o nome da minha filha, naturalmente. Artigos de
Praia Ltda foi uma ... depois de um ano de eu trabalhar aqui, no ano seguinte,
não em 89, com minha mulher, montamos na praia, a praia de mais turismo em
Florianópolis, chamada Canavieiras, montamos uma loja de compra e venda de
roupas. Já comprava em São Paulo e vendia lá, e montamos a firma para isso. Não
foi um grande sucesso, mas não foi mal também, para esse verão. Mas não
continuamos trabalhando com ela.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Fechou. Qual o seu patrimônio, Sr. Quaglia? Quer dizer, que
o senhor que fez todos esses empréstimos, com todo esse capital envolvido. Qual
o patrimônio que tem registrado em seu nome?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O meu patrimônio pessoal é uma casa e um carro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – A casa em Florianópolis, aquela que já foi divulgada?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E o carro é um Santana 95?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, Tenho mais outro carro que estava sendo financiado,
que está sendo financiado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Certo. Por fim, quer dizer, aqui no Brasil o senhor foi
sócio-procurador de alguma empresa, além dessas mencionadas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Além de Natali, da Brusa, não. Não, não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Está bem.
Passo a palavra ao
Deputado Silvio Torres.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O Deputado Onyx está inscrito primeiro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Desculpe, Deputado Onyx.
Com a palavra o
Deputado Onyx Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Quando houve o depoimento aqui do representante da Bônus-Banval, ele
deixou muito claro que a principal operação da Natimar era compra e venda de
ouro.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, e dólar futuro também.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Sim, o senhor depôs aqui, respondendo aos questionamentos do
Sub-Relator durante um bom tempo. O senhor não disse uma palavra sobre aquilo
que, para a Bônus-Banval, para o sócio que veio aqui, era a principal operação
da sua empresa.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– A maioria das
nossas operações foram em dólar futuro e ativo financeiro em ouro. É certo,
sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Se o senhor pudesse estabelecer um percentual das suas operações, elas
eram 10% em dólar futuro, 90% em ouro. Como é que operava? Porque a pessoa que
veio aqui – a mesma sobre a qual vou perguntar-lhe algumas coisas a seguir –
afirmou, em depoimento, que a principal operação da Natimar – até foi algo que,
depois, causou-nos muita espécie, porque a origem da sua empresa é de alimentos
– era ouro. Até questionei a ele se o próprio, com relação ao trânsito de todo
esse dinheiro, investiria em ouro. Ele disse que não investiria, porque é um
investimento que tem sentido com um tempo, um prazo. Não é um tipo de operação
que era feito em relação àqueles recursos.
Então, quero que o
senhor me diga qual o volume de operações da sua empresa que foi feito em ouro.
Foram 10%, 15%, 20%, 5%, 50%?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – É difícil marcar,
mas no mínimo 50%, sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Uma auditoria feita nas contas da Bônus-Banval pela Bordin Consultores
identificou duas empresas – Tolentino e Mello e a 2S Participações – que
depositaram R$6,5 milhões na conta corrente da sua empresa.
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Perdão. O senhor
se refere à conta corrente bancária?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – À conta corrente que o senhor mantinha na Bônus-Banval, da Natimar.
Está lá no nome da Natimar.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Certo. Claro. É o
que falei no princípio.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – E essas foram operações em um mês apenas. Quanto o senhor operou ao
longo de 2004 com a Bônus-Banval?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Gostaria de responder em partes. Teria que ver no
registro, porque eu teria que somar.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Aparentemente.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Uns R$6 milhões,
R$7 milhões.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Quanto?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– R$6 a 7 milhões.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O ano todo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – E, em um mês, as duas empresas depositaram R$6,5 milhões na sua conta?
Então, em um mês, eles depositaram o que o senhor operou em um ano todo?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Mas nenhuma empresa depositou R$6 milhões na minha conta.
Essa é uma opinião do Sr. Quadrado. Não é o que estou dizendo. Tentei explicar
o que ele me explicou sobre erros de caixa da tesouraria da Bônus-Banval, que
concluiu saldos excessivos na minha conta. Ele também nunca me falou dessas
empresas. Ele não podia fazer estornos, como deveria ter sido feito, porque ele
estava sofrendo na (Incompreensível.)
externa. Como ele pode dizer agora isso?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Nós visualizamos uma série de documentos da Bônus-Banval, que davam
como destino do dinheiro a Natimar, e alguns documentos da Natimar, que
transferiam dinheiro para a Bônus-Banval e para outras pessoas. O que disse
aqui o Sr. Quadrado é que a sua empresa atuava como receptora desses
investimentos e, depois, através de cartas, que, segundo o depoimento dele,
eram emitidas pelo senhor – o senhor aqui já disse que era ele quem levava as
cartas para o senhor assinar; e ele, no depoimento, disse que a origem da carta
não era dele, mas sua.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Temos uma
discrepância, sem dúvida.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Acho que temos uma mentira.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Como?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não acho que temos uma discrepância, mas uma mentira. As pessoas só
mentem para encobrir alguma coisa. Quem é que está encobrindo o quê? É o
senhor, com as suas operações, ou é o Sr. Quadrado, com as operações da
Bônus-Banval, que quer jogar sobre os seus ombros a responsabilidade que talvez
fosse dele?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Particularmente,
tenho certeza que é a segunda opção.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Qual segunda opção?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A de que ele está usando a Natimar para incluir operações.
Tenho certeza disso, porque não conheço o Sr. Valério, acho que o Sr. Valério
já declarou que não me conhece. Então, é muito estranho tudo isso.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – E o senhor tem a documentação que pudesse nos apresentar dessas
operações que foram feitas? Porque, se o senhor comprou ouro, transferiu o
dinheiro, vendeu ouro, tem que ter registro, o senhor operou com isso.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O senhor não poderia transferir esses registros para que pudéssemos,
então, até voluntariamente, porque o sigilo da sua empresa foi quebrado.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, eu posso, mas...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Seria até um auxílio seu com o corpo técnico da CPMI, no sentido de
podermos confrontar com aquilo que vem lá da Bônus-Banval, para que possamos
até ajudar a provar a sua eventual inocência, já que, pelo seu depoimento, o
que estou entendendo é que o senhor foi usado nesse processo.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – É isso o que o senhor quer dizer para nós? O senhor se sente utilizado
pela Bônus-Banval...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – ...para tentar justificar operações que a Natimar aceitou fazer? E a
minha outra pergunta é por que o senhor aceitou fazer operações? O senhor é
muito inteligente, percebe-se desde o início da sua fala, é um homem
experiente, o senhor fala de operações de triangulação entre três países que
foi forçoso o Presidente desta sub-relatoria dizer que são operações de grande
vantagem financeira, que, às vezes, nem pai faz para filho. Quem é capaz de
operar 14 milhões nesse sistema é porque tem talento, e o senhor tem. Penso que
não é justo o senhor pagar essa conta sozinho. Eu gostaria que o senhor
ajudasse para que entendêssemos essa operação, porque está muito confusa para
todos nós, e, se ficar muito confuso, o senhor vai acabar num processo em que
terá de pagar a conta. Daqui a pouco, terceiros escapam, e o senhor, que já não
é mais primário, terá suas penas avolumadas e vai gastar muito mais dinheiro
com os advogados. Para estes é bom, é ruim para o senhor.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou muito preocupado com isso. Todos os registros das
operações pela Bônus-Banval estão registradas na BMF. O Sr. Quadrado poderá
manipular a contabilidade interna de suas contas e não fazer de conta que é um
banco, já, com isso, cometendo um delito. O que ele não pode fazer de jeito
nenhum é manipular as notas de corretagem da BMF. Aí estão todas as minhas
operações.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O senhor tem cópia dessas contas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro, e estão na BMF também.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Podemos solicitá-las também, mas é um indício, se o senhor puder, peço
até para providenciar isso.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim, sim,
posso passar do meu computador e ver o que tenho e o que não tenho.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – A idéia que estamos trabalhando, Sr. Quaglia, é no sentido de que o
senhor coopere conosco para o esclarecimento dos fatos. Na medida em que o
senhor tenha essa... Por isso que eu disse, desde o início, são muitas as
evidências contra o senhor. Hoje, o senhor, que se julga na condição de uma
testemunha, e é como nós o enxergamos, o senhor vem aqui para prestar
esclarecimento, colaborar conosco, o que foi armado do ponto de vista da
Bônus-Banval, vão-lhe botar no banco dos réus. A chance que talvez o senhor tenha
de inverter esse jogo, que já está armado para o senhor pagar a conta, é o
senhor cooperar com a nossa Comissão Parlamentar de Inquérito. Aqui, o seu
advogado sabe disso, ele tem espaço para construir provas, aqui tem espaço para
fazer a divisão do que é que aconteceu por engano, daquilo que aconteceu por
má-fé e dolo, por aquilo que o senhor tinha interesse em praticar, mesmo que ao
arrepio da legislação brasileira. Tudo isso tem espaço para ser discutido e ser
compreendido aqui que pode lhe facilitar a vida mais adiante. Agora, quero
deixar muito claro que, desde o depoimento dado aqui pelo Sr. Quadrado, em que
ele esclareceu muito pouco e confundiu bastante, havia um destino para o
dinheiro que ele recebeu ilegalmente do esquema Marcos Valério, esse destino
era o senhor. O senhor, segundo as entrelinhas do depoimento dele, é quem
operou, quem comprou, disse para quem ia entregar o dinheiro. A culpa está
toda, literalmente, sobre seus ombros.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu sei disso.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – E como é que o senhor pode nos ajudar para reverter o seu problema, o
nosso é investigar e mandar para a Justiça, o seu é tentar escapar da cadeia.
Como é que o senhor pode nos ajudar para fazer isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Já estou tentando fazer isso sendo transparente, dizendo a verdade, como vivi
as situações. Agora, a solicitação de S. Exª do registro da BM&F, sim,
efetivamente tem duas vias. Eu requeiro para eles, e não se vão a negar, ou eu
mesmo os entrego. Posso entregar todos os que estão na mão do meu contador.
Posso fazer isso na próxima semana.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Acho que
isso seria uma manifestação de cooperação importantíssima e que nos ajudaria
muito no confronto da documentação que a Bônus-Banval nos encaminhou, uma
documentação que o senhor nos encaminha no seu depoimento hoje, os
esclarecimentos que o senhor está dando aqui, que vão confrontar diretamente
com aquilo que Bônus-Banval construiu como instrumento de defesa, em relação a
esses recursos.
Vou transferir, Sr. Presidente, a palavra ao Deputado Silvio
Torres, que tem algumas complementações e depois retorno, se for necessário.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB
– PR) – Com a palavra o Deputado Silvio Torres.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – Sr.
Presidente, Sr. Depoente, Srªs e Srs. Deputados, Sr. Carlos, o senhor é
doleiro?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Desculpe-me,
mas um jornalista me perguntou isso faz pouco tempo, eu devolvi a pergunta para
ele: o que é um doleiro? Mas vou responder, não estou fazendo um jogo. Se
entendemos por doleiro alguém que opera com câmbio, não somente eu sou doleiro,
todos, todo mundo é doleiro. Se doleiro é uma palavra pejorativa, que se refere
àqueles que operam no mercado paralelo, não, não sou doleiro.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – O
senhor opera com dólar de mercado legal, comprando, vendendo e transferindo? É
isso que queremos saber.
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Claro que
sim. Vendi US$14 milhões faz pouco tempo, que me deu a empresa anterior, meu
credor.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – Esse
dinheiro o senhor disse que veio legalmente, por meio de uma empresa no
Paraguai e consta um registro de US$14 milhões no Banco Central. Então, isso
não é uma operação ilegal. Estou perguntando se o senhor opera com dinheiro
não-declarado no Banco Central brasileiro.
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Não. O que
queria dizer antes é que esses US$14 milhões que chegaram dessa empresa
estrangeira eu converti em reais, vendendo eles, operando, fazendo contratos de
câmbio. Cinqüenta foram ao Banco Central, fazendo-se negócio em dólar com ele,
discutindo um preço melhor.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – Isso
já sabemos. A história que o senhor declarou à Polícia Federal e está repetindo
dela aqui, é que o senhor resolveu se estabelecer no ramo de exportação de
máquinas de tratores e que o senhor estabeleceu uma negociação com a empresa
chamada Discovery e que essa empresa o senhor compraria as máquinas para ela e
ela indicaria quem seriam os clientes dessa máquina. Foi isso, o senhor
confirma isso?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – Então,
o senhor não conseguindo levar a frente o seu negócio, e o senhor debita isso a
uma mudança na taxa de câmbio no Brasil, aí o senhor resolveu transformar aquilo
que era um adiantamento, por conta de exportação, em um empréstimo. É essa a
história que o senhor conta. Essa história é que nos interessa esclarecer. Em
primeiro lugar, esclarecer a origem desse dinheiro. A empresa Discovery, que o
senhor, no depoimento na Polícia Federal, disse que não sabia precisar o nome
do dono da empresa, o senhor nos deu aqui o nome de um deles, que é o Sr. Diego
Lamas. Existe mais algum nome nessa empresa Discovery? Pode dizer sim ou não.
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Realmente
existe, mas não conheço, porque pode ter vários sócios.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – O
senhor não conhece mais nenhum? Essa é que é a empresa responsável perante o
Banco Central brasileiro pelo empréstimo que o senhor recebeu
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Pelo ingresso de dólares; sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – E o que tem a ver a trade
argentina com essa história?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Me fizeram um contato com eles...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Sim, mas o que ela...? Mas contato para quê? Qual a razão desse
contrato?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Porque...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Quem deu o dinheiro foi a empresa argentina?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, foi a Discovery, mas existem relações normais. Existem
muitas relações.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Mas o senhor faz de conta que a gente entende alguma coisa. O senhor
pode dizer o que é que a empresa argentina fez.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – É normal esse tipo de contato. Eu não sei. Isso realmente
não sei, se Discovery passará alguma comissão para eles pelos lucros obtidos.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Como é o nome da empresa argentina?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Exportadora Seis de Novembro.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Pode repetir, por favor?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Exportadora Seis de Novembro.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Seis de Novembro?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Seria essa, então, a responsável por mandar as máquinas para a Holanda
ou para outro lugar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Não. Exportou a Seis de Novembro apenas fez o
contato com a Discovery.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Para quê?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Para que a Discovery fizesse negócio com Natimar. Porque
a Discovery precisava de uma empresa exportadora e importadora sediada no
Brasil.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Sim, mas o senhor está
rodando, rodando e não consegue... Infelizmente, não entra na nossa cabeça a
relação que tem essa empresa argentina. Então, vamos esquecer a empresa
argentina porque ela já passa a ser um pouco secundária.
Agora, o senhor disse
que do negócio combinado de US$14 milhões, o senhor não conseguiu completá-lo e
apenas uma parte dele é que o senhor conseguiu exportar de máquinas. O senhor
comprou essas máquinas no mercado interno brasileiro, é isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – E depois repassou à Discovery, que, por sua vez, repassou ao seus
clientes na Holanda ou mais não sei onde. É essa história, confere?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Uruguai. Sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Um milhão de dólares, foram quatro ou cinco máquinas que o senhor
falou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Uma matriz.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Que máquinas são essas que em... que máquinas são essas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Elas são Caterpillar.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Caterpillar. Motoniveladoras, segundo a sua declaração aqui.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Sim. Sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Motoniveladoras.
Então, quatro ou
cinco, o senhor disse que completou US$1 milhão. Então...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas ali foi menos de US$1 milhão; foi menos.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Está aqui escrito na sua declaração assinada na Polícia Federal.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu sei. Eu sei. Eu sei.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O senhor hoje está mudando a declaração?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não é que eu esteja mudando, é que na atenção é...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O dólar, naquela época, estava a R$3,50. Isso que o senhor alegou
porque o senhor disse que foi uma variação de R$2,50, estava a R$3,50, por isso
que o seu negócio não foi bem. Então a R$3,50... quatro máquinas, o senhor,
então, pagou US$1 milhão, o senhor pagou US$3,5 milhões por quatro máquinas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Três milhões e meio não. Ah! São reais, desculpa.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Ah! É são reais. Três milhões de reais.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Mas foi menos. Então, sabe por quê? Porque o valor
original foi R$15,1 milhões. O valor original do...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Qual?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O total que foi enviado. Foram quinze milhões...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Enviados para fora?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Enviado da Discovery para a Natimar foram R$15 milhões.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Mas foram US$14 milhões.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Acontece o seguinte: R$15 milhões. Depois o
empréstimo, quando foi convertido em empréstimo foram quatorze milhões e
seiscentos mil. A diferença entre os dois tem a ver com as máquinas.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não. Não bate. O senhor registrou a entrada de US$14 milhões, Sr.
Quaglia. O senhor não..
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Não registrei entrada de US$14 milhões.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O senhor deu no Banco, no Banco Central.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – No Banco Central estão registrados quinze milhões e cem
mil como pagamento antecipado às exportações. Depois...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não, a entrada. A entrada do dinheiro que veio da Discovery....
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, quinze milhões e cem.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Foram US$14 milhões.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Quatorze, seiscentos é o empréstimo, o que ficou e
converti em empréstimo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não. O senhor declara que entrou a título de antecipação dos recursos
para exportação. O empréstimo é uma segunda história. A declaração do senhor
aqui e repetida na Polícia Federal é que o senhor recebeu US$14 milhões a
título de antecipação da Discovery para o senhor comprar as máquinas e depois
remetê-las para a Discovery. O empréstimo é uma segunda história.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas é a mesma origem. É o mesmo dinheiro. Certo?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não. Não. É que o senhor está mudando. Querendo mudar os números.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sei. Sei. Sei.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – A origem nós sabemos que é a mesma. O senhor está querendo mudar os
números.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não é que esteja querendo mudar os números. V. Exª estou
muito nervoso, estou muito tenso.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Eu nervoso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Ah! Mas se o senhor está nervoso... Quando a gente está contando
a verdade não há preocupação. O senhor não precisa ficar nervoso. O senhor tem
a declaração prestada na Polícia Federal.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – O senhor está sendo investigado por aquilo que o senhor acusa da
Bônus-Banval que é por lavagem de dinheiro. O senhor já tem processo em
andamento e inclusive já foi condenado. Se o senhor for condenado novamente, o
senhor vai para a prisão. O senhor não vai poder responder em liberdade. Então,
como disse o Deputado Onyx Lorenzoni, ou o senhor aproveita esta oportunidade
para dizer as coisas que podem ajudá-lo a sair da situação ou o senhor vai se
complicar mais. E eu estou percebendo que o senhor continua insistindo numa
história que não bate em hipótese alguma. Não há hipótese de uma empresa
estrangeira – seja no Paraguai, no Uruguai ou na Argentina – dar um crédito antecipado
de US$14 milhões para alguém cujo patrimônio pessoal é um carro Santana e mais
algum dinheiro em caixa para essa pessoa pegar esse dinheiro e comprar máquinas
no Brasil – no mercado brasileiro – e depois remetê-las. Essa história, o
senhor desculpe, mas não cola nem se a gente colocar aquela cola mais potente
que existe. Por isso é que o senhor vai acabar se comprometendo, porque tem
outras investigações – o Deputado Gustavo Fruet, como Sub-Relator, vai se
basear na documentação. O que o senhor está falando aqui – assim como os outros
vêm aqui e falam – não é tão importante quanto os números, quanto os
levantamentos que a CPMI está fazendo.
Então, a história que
nós estamos querendo apurar é a origem do dinheiro que foi parar na conta da
Bônus-Banval e depois redistribuída para irrigar um esquema de corrupção. É
essa que é a nossa investigação, e a Natimar está no centro disso, está
exatamente no centro disso. Ela, no nosso entender, se prestou – se confirmados
os fatos que nós estamos averiguando – a fazer a entrada dos dólares no Brasil
para, depois, aplicando na BM&F, transformando em real, ser distribuído.
Essa é a história que bate. Agora, a sua declaração na Polícia Federal é
totalmente preenchida com incoerências e contradições que não chegam. Por
exemplo, Sr. Sub-Relator – ele disse, por exemplo, que ainda deve dinheiro do
empréstimo para a tal Discovery e não sabe se deve US$8 ou US$10 milhões. Não é
possível um empresário dizer que não sabe se deve US$8 ou US$10 milhões, US$2
milhões de diferença.
Eu queria fazer uma
outra pergunta para o senhor: quanto é que o senhor está comprado na BM&F?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O equivalente a US$6 milhões.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Seis milhões de
dólares?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Seis a seis e meio – não tem exato.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – E o senhor disse que deve de oito a dez?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, está errado.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Está errado? O senhor
vai refazer essa conta?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– O que devo são seis
e meio.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Ah! Então, isso que o senhor declarou na Polícia Federal está
errado?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, foi um erro meu. Realmente...
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Qual é o patrimônio da
Natimar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Se considero como patrimônio o que a Natimar está
comprando na BM&F, é isso aí.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Sim, isso é o patrimônio. Isso dá – se o senhor está dizendo que
são US$6 milhões que o senhor deve e se o senhor multiplicar pelo valor do
dólar atual – suponhamos que o senhor multiplica para R$2,50, o senhor vai
dever 15. Então, o senhor tem um patrimônio de 25 que o senhor está declarando.
Então, o senhor tem 10 milhões a mais do que o senhor sabe.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA
– Posso falar?
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Sim, pode falar.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esses 10 milhões – está errado. E quando eu faço... Quando
me perguntam, assim, rápido, por uma questão de mecânica, de reflexo me dizem:
US$10.00 é R$30,00. Eu sei que não está 13.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – O senhor já sabe porque faz tempo, o senhor é um operador de
mercado financeiro, então, não pode fazer essa confusão.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu sei. Mas acontece isso. Aliás, eu fiz esse cálculo
calculando mais ou menos – dois e quanto? Sei lá... Não tinha neste momento.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Mas, afinal, o senhor tem um patrimônio de 25 milhões ou um
patrimônio de 15 ou um patrimônio de 10 na Natimar? Quanto vale a Natimar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Se o patrimônio é o que eu estou devendo, é equivalente a
US$6 milhões.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – É esse o patrimônio do
senhor? Então, o senhor está zerado.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Resta para o senhor uma Santana Quantum e mais algum dinheiro no
banco. Esse é o patrimônio que resta, pessoal.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – E, se consigo
realizar as operações, como não vou devolver tudo junto, é possível obter lucro
com movimentações financeiras.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – O Sr. Quadrado, quando esteve aqui, além de dizer que o senhor
era a pessoa... que a Natimar era a empresa que alimentava todos aqueles
depósitos que foram colocados, ele trouxe uma lista, que está em nossas mãos,
de todos os documentos com o nome das pessoas e empresas que o senhor
autorizou. Isso se refere à pergunta do Deputado Gustavo Fruet, no início,
sobre os documentos que o senhor assinou. Todos os que foram apresentados aqui
estavam assinados pelo senhor.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Com a sua assinatura.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – O senhor reconheceu aquelas assinaturas como verdadeiras?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Eram... o senhor calculou quantas eram? O senhor reconheceu. Da
primeira vez, o senhor disse que assinou de cinco a dez e depois, agora, o
senhor disse que, em junho deste ano, o senhor recebeu mais uma documentação.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, agora recebi de novo e muitas repetidas, mas
realmente na Polícia Federal eu falei umas quinze. Mas foram muito mais. Além
dessas quinze, há vinte e poucas...
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Vinte e poucas...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Que foram para a Deusa Costa Silva e uma ou duas para seu
filho (Incompreensível.) não me
deixam tão longe. É isso que estou querendo dizer. Mas, efetivamente, eu
assinei muitas mais. E inclusive tenho cópia... ele me mandou de novo em junho.
Posso apresentar para o senhor?
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – O senhor teve acesso a essa lista? O senhor chegou a ver essa
listagem que ele nos entregou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, na Polícia Federal...
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – O senhor foi inquirido sobre ela.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eles me mostraram cada folha assinada ou foi por aí... não
sei...
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – E o senhor reconheceu como correta pelo menos parte dessa
listagem?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Realmente a Srª Deusa e dois para o Sr. Iuri. Uma para uma
empresa de veículo...
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Foram as únicas que o senhor reconheceu?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – .. que era para o Sr. Iuri.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – O Sr. Arnaldo José da Silva também?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não me pareceu, por isso que falei que não lembrava,
mas não...
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Vou pular para uma outra questão, Sr. Sub-Relator, se o senhor me
der um pouco mais de tempo, se não eu me reinscrevo e volto, porque eu tenho
bastantes coisas ainda para esclarecer com ele. Eu vou...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Da minha parte, não há problema, mas como há
Senadora Ideli Salvatti, eu passaria depois a palavra a ela e depois retorno
porque não tem mais inscritos. De minha parte, não há constrangimento.
O SR. (Orador não identificado) – (Fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Consulto a Senadora Ideli se é possível lhe dar
mais um tempo, porque aí não há problema.
O SR. (Orador não identificado) – (Fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) –
Não; então, eu vou passar para a Senadora. Depois eu retorno. Eu me reinscrevo.
Eu me reinscrevo porque eu tenho muita coisa aqui para ver ainda.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – (Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Deputado Onyx, ao microfone, por favor.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – São 139 autorizações que foram feitas e aqui não é uma coisa que fosse,
a princípio, forjada. Pode até ter sido forjada na sua origem, mas o documento
que nós temos aqui é um documento de uma consultoria. Ou seja, foi feita uma auditoria,
que identificou 139 ordens que teoricamente teria saído da sua empresa – e o
problema da Natimar é que o senhor não pode culpar ninguém porque o senhor é o
único funcionário – transferindo esses recursos. Inclusive uma coisa muito
interessante aqui: como isso foi ano passado, eu acho que é possível que esteja
na sua memória, né? Por exemplo, tem um cheque de cento e onze mil, outro de
oitenta e oito, setecentos e sessenta, outro de cem mil, e um aqui bem
interessante: R$190 mil. Todos esses cheques tinham uma característica: o
destinatário, o beneficiário era a Natimar, e esses cheques, pela sua ordem, e
eles deveriam ser em branco para a Natimar. O senhor sacou esse dinheiro em
boca de caixa, o senhor fez operações? Porque, se o senhor operava para
terceiros...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, mas não entendo. Esses são cheques assinados por
mim? Não.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Não, são cheques que, da conta que a Bônus-Banval disse que o
senhor comandava, das operações que o senhor comandava, com autorização sua...
Porque todo o discurso da Bônus-Banval é que todas essas 109 operações o senhor
autorizou. Não foi mais ninguém, foi o senhor mesmo.
Aí, tem aqui um
conjunto de operações que eu li, tem uma de R$254 mil, de 11 de junho do ano passado,
a outra, de R$111 mil, de 30 de junho, a outra, de R$88 mil, da mesma data,
depois 13 de julho, de R$100 mil, 13 de julho, de R$190 mil. Isso tudo dá R$740
mil e uns quebrados. Isso tudo foi sacado por ordem sua, excetuando a primeira,
com um cheque em branco para a Natimar. Por que as outras todas tinham endereço
e, tirando os R$254 mil, numa conta muito rápida aqui, foram R$490 mil,
rigorosamente isso. Teoricamente, para o cheque não ser nominal, o cheque... O
senhor sacou na boca do caixa? Era sem identificação esse cheque.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não
sei... Entre as novas notas de câmbio... E a Bônus-Banval, em junho deste ano,
muitas delas, não são somente pedidos de TED. São pedidos, que quer que eu
assine, solicitando emissão de cheques administrativos em branco.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Sim, mas esses cheques vão para onde? Quer dizer, o senhor
autoriza sacar da sua conta, da conta que a sua empresa opera setecentos e
tantos mil, e isso é cheque – ta bem –, alguns deles cruzados e em branco. Aí
eles lhe entregam o cheque e o senhor faz o que com o cheque?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas isso não foi certo. Não aconteceu isso.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Então o que aconteceu? O senhor nos explique para entendermos.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não sei que coisa fez... Sinceramente, não sei que coisa
fez o Sr. Nivaldo. Para onde foram esses cheques?
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Sim, mas na auditoria é com sua autorização. O senhor assinou lá o
documento...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Assinado...
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Quer dizer, eu só quero entender como uma pessoa inteligente como
o senhor, experiente como o senhor, assina documentos de autorização que chegam
a R$9 milhões? O senhor tem um carro médio, uma casa no Rio Vermelho... Eu
conheço o Rio Vermelho: é uma zona de classe média, nada... Média, média. Não é
nada muito... Conheço bem lá. Aí o senhor, que é um homem que conhece negócios,
o senhor faz operações vultosíssimas, a ponto de convencer uma empresa
paraguaia a lhe dar US$14 milhões para o senhor operar, e aí o senhor assina só
porque alguém lhe pediu? Só porque o Sr. Quadrado lhe pediu? Assina quase R$ 10
milhões? O senhor tem tanto capital assim para correr esse risco? É isso que o
Deputado Silvio Torres ficou aqui dizendo ao senhor que isso não bate.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, não.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Quer dizer, isso vai estourar é nas suas costas.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu entendo, mas realmente a coisa foi assim.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Sim, mas foi assim? O senhor assinou mesmo? Autorizou para que
eles operassem esse dinheiro todo sob sua guarda, sua responsabilidade?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu assinei notas de transferências...
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – E quanto o senhor ganhou para fazer isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Nada. Eu assinei notas de transferências entre a própria
corretora Bônus-Banval, porque ele me dizia que não poderia fazer um estorno do
dinheiro que ele erradamente tinha colocado na minha conta.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Sim, mas ele colocou, enganado, R$ 10 milhões na sua conta?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não sei. Eu não entendo a contabilidade dele. Eu nunca
segui a contabilidade dele, interna, da Bônus-Banval.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – Sim, mas quando o senhor assina uma carta para transferir recursos
para alguém...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sei, sei, sei.
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – A responsabilidade é sua, não é de mais ninguém que está dentro
desta sala.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Entendo, mas, como eu...
O SR. ONIX LORENZONI
(PFL – RS) – O senhor não fica com a cópia, pelo menos para dizer... O senhor
nunca imaginou que, daqui a pouco, do dinheiro que o senhor operava, porque o
senhor operava... Pelo que eu entendi, o senhor operava dentro da corretora, em
uma conta corrente lá em que ele... O senhor disse. As palavras são suas:
quando o senhor estava descoberto, era-lhe vantajoso operar com a Bônus porque
a Bônus lhe cobria. O senhor, muitas vezes, operou sem ter o fundo, sem ter o
caixa porque a Bônus-Banval bancava para o senhor. Era essa a razão da relação
comercial que o senhor tinha com a Bônus. Aí o dono da Bônus lhe pede para
assinar documentos com esse volume... Quero entender o que o senhor ganhou,
porque não posso acreditar que uma pessoa assinasse de maneira irresponsável e
não-remunerada um volume de movimentação financeira dessa ordem. Eu duvido.
Há dois caminhos para
o senhor: ou, com o depoimento que o senhor presta, o senhor, cada vez mais,
agrava sua situação, ou o senhor presta esclarecimentos, ajuda-nos a
identificar quem verdadeiramente operou de maneira equivocada e ilegal para o
senhor ter chance de se salvar. Como está sendo o seu depoimento e como vem o
depoimento da Polícia Federal, eles lhe colocaram dentro de um caldeirão e a
água vai ferver. Não é possível que o senhor não tenha nenhuma explicação para
nos dar sobre R$10 milhões, que operaram em seu nome e no da sua empresa.
O senhor é único
funcionário da sua empresa. Aliás, essa é uma coisa muito estranha também,
sobre a qual eu queria lhe perguntar. O senhor opera US$14 milhões. A filial de
São Paulo tem um prédio que abriga empresas virtuais, na Nove de Julho. Segundo
depoimentos que o senhor obteve, o senhor fica até três meses sem aparecer na
Nove de Julho. É verdadeiro isso? Funciona assim o seu negócio?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não é tanto, três meses.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Dois meses?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Dois meses. Sim. Sim.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Com todo respeito – não quero ofendê-lo, pois lhe tenho profundo
respeito –, o senhor se acha um “laranja”? O senhor é “laranja” do Sr. Najun
Turner? A Natimar é uma empresa de fachada, que serve para que terceiros
operem? O senhor está oferecendo sua cara para baterem?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, mas...
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Sim ou não?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, mas, efetivamente, eu dei ordem ao Sr. Nivaldo que
podia aceitar operações na BM&F solicitadas por Najun Turner.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – O senhor podia repetir só para eu entender. Eu não ouvi, pois
tocou o meu celular. Desculpe-me.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O Sr. Najun Turner, entre outras coisas, é uma pessoa de
imenso conhecimento do funcionamento do mercado de risco, especialmente da
BM&F. Eu já disse que havia pago consultorias a ele. Temos também relação
de amizade. Em muitas oportunidades, muitas, eu pedi ao Sr. Najun que retirasse
as corretagens da BM&F através da Bônus-Banval e depois ele me entregava. E
também falei ao Sr. Nivaldo que podia aceitar negociações com o Sr. Najun, como
fazia comigo, em nome da Natimar. Ou seja, pode comprar três quilos de ouro e,
daqui a meia hora, vendê-los. Eu realmente nunca tive muita paciência para
ficar, todo dia, em frente a um computador.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Eu estou entendendo que o senhor disse que o Sr.
Najun Turner operava para o senhor.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Operava em seu nome junto à Bônus-Banval.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Abusando um pouco da paciência e aproveitando a chegada do nosso
Relator, qual a ligação entre a Natimar e a Eplo Trading? Essa empresa é do
Espírito Santo e recebeu R$153 mil da Bônus-Banval, segundo disse o Sr.
Quadrado, a seu pedido. O senhor conhece a Eplo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Porque ela também recebeu dinheiro da 2S Participações, a mesma
empresa que ajudou a colocar dinheiro na sua empresa. (Pausa.)
Senadora, se V. Exª
quiser fazer seus questionamentos, por enquanto me sinto satisfeito.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O importante é registrar essa última afirmação, que eu acho
extremamente reveladora: o doleiro Najun Azario Flato Turner operava na
BM&F, no mercado futuro, por conta do Sr. Carlos Quaglia.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Ele tinha procuração, Sr. Quaglia?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, não, não é preciso isso. Eu falo para Enivaldo
tomar ordens de Najun e ele toma. Mas, como era conhecido Enivaldo, também...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Nesse caso, o Najun podia estar tendo conhecimento dessa
operação?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Da operação que ele fazia? Claro, que...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Ele é que fazia.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Não, dessa operação, especificamente, dos 10 milhões, que o
senhor assinou. O senhor acha que o Najun eventualmente pode ter mandado fazer
alguma aplicação?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, assinar por mim, não. Ora... Não, porque eu teria
sabido disso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Bom, mas vamos aprofundar.
Com a palavra a
Senadora Ideli Salvatti.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Sr. Presidente, Deputado Gustavo Fruet, que preside esta reunião, quero
deixar registrado que a vinda do Sr. Quaglia para prestar depoimento nesta
CPMI, em Santa Catarina provoca muita curiosidade. Até porque é o primeiro elo
que aparece com alguém de Santa Catarina nas CPIs que estamos investigando.
Então, os meios de comunicação estão muito interessados em acompanhar até aonde
vai o envolvimento da Natimar e das demais empresas do Sr. Quaglia com esse
esquema.
Tive a curiosidade de
pedir para minha assessoria que fizesse um levantamento na Junta Comercial do
Estado para levantar a origem da empresa do Sr. Quaglia, a Natimar, como ela se
constituiu e foi se modificando ao longo do tempo. Talvez eu devesse ter tido a
iniciativa de pesquisar as outras também, porque precisaremos tomar
providências sobre a Brusatur. Está claro que vamos precisar, inclusive, fazer
quebra de sigilo. E a outra empresa é a Camptur. São empresas que também mexem
com dólares. Então, é importante para o nosso trabalho.
Mas, em primeiro
lugar, pergunto ao Sr. Quaglia quem é o Sr. Jorge Henrique Mena.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Jorge Henrique Mena é um amigo meu que foi sócio da
Natimar há alguns anos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – E ele entrou na sociedade? Ele mora onde? Entrou por quê?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Ele é amigo meu de longa data.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Só por amizade?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Entrou e saiu?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – E por que é que ele entrou? Qual foi o motivo? Não foi só por amizade,
até porque, pela alteração contratual, foi quando a sua empresa modificou
significativamente o capital.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Originalmente, eu formei a empresa junto com minha esposa.
Não nos demos bem e eu mudei para Jorge Henrique Mena. Depois mudei novamente
para minha filha, que é minha atual sócia.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Mas isso não fecha.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Por quê?
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Isso não bate. Estou aqui com as alterações contratuais.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Sua empresa foi constituída no dia 20 de julho de 1993, inclusive como
microempresa.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Natimar Comércio de Produtos Alimentícios, com o capital de R$10 mil.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Era para trabalhar com importação e exportação de alimentos, bebidas,
artigos esportivos e de lazer. Nesse mesmo ano, ela deixou de ser microempresa,
em 1993.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Em 1996, ela deixou de ser Natimar Comércio de Produtos Alimentícios e
passou a ser Natimar Comércio de Serviços.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Passando a atuar com fotocópias e terceirização de serviços. Em 1999,
quando entra o Sr. Jorge Henrique Mena, ela tem um salto de capital de R$10 mil
para R$500 mil.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Então, a entrada do Sr. Jorge Henrique Mena coincide com a alteração,
inclusive em termos de capital. E foi exatamente na entrada do Sr. Jorge
Henrique Mena que a empresa passou a trabalhar com compra e venda, importação e
exportação de metais nobres e pedras preciosas.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Ou seja, entra nesse ramo, que é o objeto, inclusive, da nossa
investigação. E o Sr. Jorge Henrique Mena sai em 2000, ele fica pouco tempo.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Mas volta a sua esposa.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, volta a minha filha. Não, entra a minha filha.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Na alteração contratual do dia 8 de maio de 2000 sai o Jorge e
entra a Lídia. A sua filha entra no dia 27 de fevereiro de 2002. Fica o capital
de R$500 mil. Por isso perguntei do Jorge Mena. Exatamente, quando ele entra, é
que altera o capital, e depois não confere com o que o senhor está dizendo.
Estou aqui com os documentos de todas as alterações, que passarei depois à
CPMI. Na alteração do dia 8 de maio de 2000 sai o Jorge, entra a Lídia, mantém
o capital de R$500 mil – R$300 mil para o Carlos, R$200 mil para a Lídia – e a
entrada da sua filha é só em 27 de fevereiro de 2002.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – No dia 30 de janeiro de 2003 é que é a abertura da filial na 9 de
julho, essa que o senhor pouco vai lá, mas que opera de forma bastante
significativa. Quando abre essa filial, veja bem que interessante, Deputado
Onyx, a empresa passa a trabalhar com metais e pedras preciosas, máquinas e
equipamentos, e volta aos produtos alimentícios. Ou seja, em 2003, a empresa
passa a ter uma amplitude de um pouco de tudo que já fez. Então eu preciso
saber por que o Jorge Henrique Mena entra exatamente na alteração, e depois ele
sai e fica a grana. Qual é essa movimentação?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não há muita relação entre o capital e Jorge Henrique
Mena. Eu precisei aumentar o capital da empresa, porque comecei a pensar
realmente em fazer o trabalho de intermediação com operação de exportação e
importação. Isso é real. Isso aconteceu nesse tempo, não foi de um dia para
outro. Isso leva um processo.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Mas se não foi o Jorge Mena o responsável pelo aumento do capital,
quem foi? Ou o que o senhor fez para aumentar o capital?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Houve necessidade de aumentar o capital.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – E de onde veio?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro que Jorge Henrique Mena teve a ver com isso e eu
também tive a ver com isso. É a história da empresa. Depois Jorge Mena saiu, e
eu não me lembrava dessa passagem que tinha voltado a minha esposa até entrar a
minha filha.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – E é uma passagem longa, de 8 de maio de 2000 até 27 de fevereiro de
2002, são praticamente dois anos.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Se V. Exª observar bem no contrato, vai ver que há uma
cláusula muito particular. Eu sou absolutamente o único responsável pela firma.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Aliás isso é impressionante! Como o Deputado Onyx falou é uma
empresa de um funcionário só, porque em todas as operações contratuais – entra
o Mena, sai a esposa, entra a filha – é o senhor quem executa tudo. Portanto,
não temos nenhuma dúvida de que tudo que aparecer devido à quebra dos sigilos
bancários, fiscais e telefônicos....Até tenho dificuldade de fazer as
perguntas, porque não temos a quebra dos sigilos das empresas todas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Senadora, já foi feito o pedido de quebra dos sigilos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Já foi pedido, mas não chegou ainda. Agora, que o que vier é de
responsabilidade do senhor, não tenho nenhuma dúvida, porque as alterações
contratuais, a constituição, a alteração e as responsabilidades estão
claríssimas, é o senhor e mais ninguém. Então, tudo que já foi perguntado aqui
que o senhor diz que sim, diz que não, quem sabe, talvez, entretanto, assim
como todas as documentações que chegarem à CPMI se confirmarem que foi
executado pela Natimar, seja Natimar Produtos Alimentícios, Natimar Comércios e Serviços ou a Natimar
Negócios e Intermediações, o responsável será um só: Carlos Alberto Quaglia. Eu
não tenho nenhuma dúvida. E acho que é isso que está colocado.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Quero ainda fazer outras perguntas ao senhor. O Deputado Onyx está
curioso sobre a sua retirada mensal. Eu incorporo a pergunta.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em todo esse tempo? Eu vivo com aproximadamente, dinheiro
de hoje, R$3 mil a R$4 mil por mês. Isso varia muito, R$3 mil, R$4 mil, R$5
mil, mas a média é essa.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Mas para quem movimenta milhões, é pouco dinheiro.
Deputado Onyx, ajude-me.
O Deputado tem perguntas. Estou dando os apartes necessários ao Deputado Onyx
Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Obrigado.
Quando começou a
empresa em 1993, se mantivesse a mesma média, como é que... Eu quero entrar na
mesma linha da Senadora.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Pois não.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Vamos pegar pelo topo, dinheiro de hoje. Se, desde início – vamos supor
que ela tinha um capital social de R$10 mil – a sua retirada fosse um terço do
capital social, que é R$ 3.000,00, o que penso ser impossível de fazer, mas
vamos lhe dar o benefício de que o senhor fazia, em três anos, o senhor poderia
ter amealhado, se não gastasse nenhum real, algo como R$100 mil. Como é que ela
pula de dez para quinhentos? Tem pertinência a observação da Senadora, quando
desconfia, de maneira justificada, que o Sr. Jorge Henrique Mena...
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Que é argentino também.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Capitalizou a sua empresa. Por que ele capitalizou de uma maneira tão
intensa e, depois, ele se retira e deixa? Onde está a garantia do dinheiro
dele? O senhor colocaria R$500 mil numa empresa e, depois, sairia dela? Qual a
garantia que as pessoas que ficariam teria de que o dinheiro seria seu?
A outra pergunta é:
quando ele sai da empresa, a sua esposa o substitui apenas na composição social
ou ela comprou a parte do Sr. Jorge? Quando é feito o aumento, qual é a parte
do Sr. Jorge?
Desculpe-me,
Senadora.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Tudo bem. Complementa bem.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em realidade, não foi Jorge Henrique Mena que colocou
dinheiro. Fui eu mesmo.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – E o senhor não nos disse ainda de onde saiu o dinheiro.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu tenho muitos amigos. Eu não sou brasileiro. Moro na
Argentina e tenho família lá.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – O senhor está dizendo que o senhor recebeu contribuições para
aumentar o capital de dez para quinhentos mil?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Podemos dizer assim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – A troco de que as pessoas dão contribuições para um aumento de
capital, sem que elas participem como sócia ou tenham garantia de retorno? Que
tipo de serviços o senhor presta, então, a essas pessoas que não aparecem
oficialmente na sociedade, mas colocam dinheiro na sociedade?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – São empréstimos pessoais de pessoas que confiam em mim.
Toda minha vida, agi assim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Confiam ou o senhor presta algum tipo de serviço?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Podem incluir essas coisas, mas basicamente é confiança.
Toda minha vida vivi assim, aqui, na Argentina e onde eu fora viver.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Eu estou com muita vontade de constituir uma empresa assim, viu?
Mas tudo bem.
Eu queria fazer ao
Sr. Quaglia ainda a seguinte pergunta. O senhor já tem condenação pela Justiça
Federal em algum processo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em primeira instância, sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Qual é o processo em que o senhor foi condenado em primeira
instância?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Um processo de fatos acontecidos no ano de 1991, quando
eu trabalhava para a empresa – essa que mencionamos hoje – Brusa Turismo e
Câmbio.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Sim, mas qual é o motivo da condenação? O senhor foi acusado e
condenado em primeira instância?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Por ter cometido que crime?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Nessa empresa, cujo dono não era eu... Eu era
funcionário...
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Quem era o dono?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Hugo Garcia Kröger, uruguaio, com residência, nessa
época, em São Paulo. Hoje, não sei. Essa empresa operava no mercado de turismo
e de câmbio, efetivamente em Florianópolis. Fui contratado como gerente. A
empresa estava registrada no Sisbacen, no Banco Central, com permissão para
operar no mercado que, nessa época, se chamava de taxas flutuantes. Ou seja,
era uma empresa de turismo que também podia comprar dólares perfeitamente e,
depois, só declarava. Vender também podia. Mas, como falei hoje, realmente,
também se faziam operações no mercado que não se declaravam. S. Exª conhece bem
como funciona o câmbio em Florianópolis, sobretudo no verão.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Inclusive, o senhor estava dizendo que é assim mesmo. Lá, no
calçadão, têm de vinte a trinta pessoas ofertando câmbio. É assim mesmo.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro. E todas essas casas de turismo fazem o mesmo.
Agora não existe mais isso, porque o mercado paralelo caiu muito. Mas esse não
foi o problema do processo contra a Brusatur e contra a pessoa de que estamos
falando, mas a existência de contas laranjas. Essas contas laranjas serão
solicitadas por esse senhor, dono real e formal da Brusatur até fins de 1998,
pela funcionária da Brusatur, em Florianópolis, em Balneário Camboriú e em São
Paulo. Esses senhores, esses funcionários, abriam conta em São Paulo e enviavam
regularmente talões de cheque em branco assinado para o Sr. Hugo Garcia, que
não sei o que fazia, mas parece que não eram coisas muito legais.
Foi por isso que se
iniciou o processo. O Sr. Hugo Garcia praticamente disse, antes que surgissem esses problemas, à pessoa que estava
trabalhando comigo e a mim mesmo na Brusatur que ele ia embora do Brasil, que
ia fechar e que ou ficaríamos na rua ou, se quiséssemos, ele vendia a Brusatur
a perder de vista, coisa que aceitamos. Aceitamos para poder ser processado por
ser dono da Brusatur.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Então deixe-me ver se entendi. A Brusatur está sendo processada por
envio ilegal de recursos por utilização de laranjas.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – De contas bancárias.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – De contas bancárias de laranjas. E o senhor está dizendo que o
senhor comprou a Brusatur e é por isso que o senhor está incluído no processo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Essa foi a razão que alegou o juiz.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Senadora, quando ele comprou a Brusatur?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não comprei por nada, foi a perder de vista. Nós
caímos na rede.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Quando e quanto? Quando?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em dezembro de 1992.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Dezembro de 92?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, é a data que aparece no registro da Junta Comercial.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Da Junta Comercial. E o senhor é proprietário da Brusatur até hoje?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – E é por conta disso que o senhor está processado num processo que é
de evasão ilegal e de contas laranjas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – É isso? E o que é que isso tem a ver com o Juiz João Carlos da
Rocha Mattos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Que eu saiba, nada. Não entendo isso.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Não tem ligação nenhuma?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foi um juiz federal da Comarca de Florianópolis que me
condenou. Não lembro o nome agora, mas...
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Porque o recurso, o dinheiro, foi enviado depois de uma sentença do
Juiz João Carlos da Rocha Mattos, que foi anulado posteriormente por suspeita
de que a decisão fora obtida mediante pagamento.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas isso não se refere ao processo da Brusatur não, isso
se refere a outro processo de que se falava antes, em que estava incluído
também Najun.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Ah, é outro processo, então?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro, sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Então, além do processo da Brusatur, o senhor está ainda em outro
processo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – E mais em outro. Eu respondi a três processos.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – A três processos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Deixe-me fazer a seguinte pergunta: são três processos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Um é Brusatur, que é evasão e laranjas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – O outro é o quê e por quê?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Falsidade ideológica por compra de US$900 mil no mercado
de dólar turismo.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Falsidade ideológica. O processo da Brusatur é de que data?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Deve ter começado em 93.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Em 93. E o de falsidade ideológica?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Pela compra de US$900 mil no mercado de taxa flutuante do
dólar, do dólar turismo.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Esse é de que data?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esse é mais recente. Os fatos aconteceram entre 96 e 98.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Entre 96 e 98. É nesse que tem a história do juiz?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, não.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – E o terceiro é o quê?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O terceiro processo foi aqui em São Paulo, em que os réus
eram o Sr. Najun Turner, o filho dele e eu, só que por causas diferentes, sem
conexão entre si. Ele estava sendo processado pela utilização de uma, se não me
engano, empresa em que ele tinha uma conta dessas chamadas CC-5, que não sei
bem o que é. E eu estava sendo processado, nesse processo, exatamente pelo
mesmo que estou sendo processado nesse outro dos US$900 mil. Ou seja, fui
processado duas vezes pelo mesmo delito.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Então é nesse aqui do Najun Azario Flato Turner e do filho que o
senhor foi incluído também que tem a história da sentença do...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu estou sabendo disso agora, como falava hoje para o Sr.
Relator. Quem me interrogou nesse processo foi uma juíza, uma senhora.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Deputado Fruet, é o seguinte: talvez as pessoas estejam estranhando
por que estou tentando ir tão atrás. Mas é porque a impressão que nos passa é
de que é algo meio reincidente essa história de operar e ter processos,
ilegalidade de remessa e tal. E como aqui há fortes indícios de que a Natimar
possa ser uma empresa “laranja” também do esquema da Bônus-Banval, acho que é
absolutamente relevante tentarmos entender o histórico, para podermos fazer a
análise. Porque daí, quando chegar a quebra dos sigilos, vamos poder inclusive
confirmar.
Eu só não poderia
deixar aqui de registrar que me parece extremamente coincidente – inclusive comentei
aqui com o Deputado Abicalil que foi estranho – que tenha ressuscitado pela
boca do Sr. Juiz João Carlos da Rocha Matos ainda situação de fitas que ele diz
que ouviu, e que não tem mais para poder provar o que está na fita, envolvendo
pessoas do atual Governo, exatamente quando esta CPMI chama o Najun Turner, que
tem ligações históricas com sentenças do Sr. João Carlos da Rocha Matos. Então,
foi coincidência demais, até comentei: é impressionante que, na semana em que
aprovamos aqui, trouxemos a questão da convocação do Sr. Najun Turner, por esta
ligação de novo, desse doleiro – que, aliás, precisaríamos ter informações
melhores, não sei se temos em mãos para podermos fazer a oitiva, do processo do
Farol da Colina, por que ele efetivamente foi pego. Porque tentei fazer o
levantamento na CPMI do Banestado e aquela CPMI não chegou a aprofundar a
história do Najun Turner. Mas havia fortes indícios de que ele estivesse
envolvido nessa história de metais, de ouro, de pegar ouro em procedimento e
talvez até pedras preciosas. E aí acaba tendo outra liga. Então, Deputado
Fruet, podermos depois fazer essa ligação com a operação Farol da Colina.
Mas as minhas
perguntas ficariam por aqui e acho que por esse histórico que chamo de ficha
corrida, de processos que vêm desde 1991, 1992, 1993, 1996 e depois mais
recente, agora este envolvimento, acho que fica bastante consolidado o indício
da questão de atuar como “laranja” nos procedimentos.
E vou, depois,
aguardar a oitiva do Najun Turner, porque entendo que talvez tenhamos que
caminhar na mesma lógica que fiz na semana passada, de termos uma acareação
feita não pela CPMI, mas pelos profissionais da área.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Obrigado, Senadora. Até
por sugestão, vou solicitar depois... Temos o Sr. Najun – ele está preso, veio
com escolta da Polícia Federal; então, vamos encerrar, depois, com o Deputado
Silvio Torres, que é o Relator, que está presente; sou o sub-Relator, vamos
dizer, um auxiliar da CPMI; e o nosso Relator – ele tem alguns questionamentos
também. Vou pedir para o senhor depois aguardar. Vamos ouvir o Sr. Najun Turner
e vou pedir para o senhor aguardar numa outra sala, até que o Sr. Najun Turner
possa, depois, retornar, dentro dessa operação policial de deslocamento até
Brasília.
A SRª IDELI
SALVATTI (PT – SC) – Deputado
Fruet, já encaminhei à Assessoria as alterações contratuais para que a CPMI
possa ter acesso e, de repente, alguém mais especialista possa até fazer a
análise, porque realmente me chamou muita a atenção a evolução toda, porque ela
é preciosa.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Obrigado, Senadora.
Então, com a palavra o Relator, Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Parlamentares, apenas um pequeno detalhe, porque eu queria um esclarecimento
melhor.
V. Sª reconheceu que internalizou uma operação autorizada de
US$14 milhões, através de empréstimos da Discovery? Que tipo de garantias V. Sª
ofereceu à Discovery nesse empréstimo?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Na
Argentina, faço parte de uma série de direitos sucessórios de familiares meus e
tive uma relação muito antiga entre a Discovery e minha família. Meu pai, já
falecido...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Discovery não é paraguaia?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Sim. Meu
pai, já falecido, também foi industrial e exportador e que tinha já
conhecimento e relação entre eles...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem. Mas, especificamente, que garantias
foram dadas?
O SR. CARLOS ALBERTO
QUAGLIA – Garantia de propriedades lá na
Argentina.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – São garantias, como diria, de família e de confiança.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Inicialmente a Discovery estava disponibilizando
aquele capital para que fosse feita uma compra de máquinas.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não somente de máquinas, as possibilidades eram várias,
inclusive de metais preciosos, de pedras preciosas e semipreciosas.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E uma parte V. Sª efetivamente exportou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª poderia nos esclarecer melhor que máquinas
foram essas e para onde foram exportadas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Poderiam olhar o registro, seria melhor. Mas posso dizer
agora ...
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª comumente exporta máquinas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então se não é comum é mais fácil de lembrar.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu trabalhei nesse setor com assessores e despachantes
alfandegários. Mas foram basicamente, se não me engano,quatro máquinas .
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Máquinas motoniveladoras?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não me lembro se as quatro eram motoniveladoras.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De qualquer modo é um valor muito pequeno diante
desse...Frente a US$14 milhões, quatro motoniveladoras não correspondem a US$ 1
milhão.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não correspondem. Foi um começo. Nós pensávamos
continuar exportando. E não somente máquinas.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essas máquinas eram produzidas onde?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – São máquinas caterpilla usadas, as que exportamos.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Importamos ou exportamos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Exportamos.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Máquinas usadas foram exportadas para a Holanda?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim da caterpilla. Esse é um negócio bastante normal. Vim
a saber logo depois. A intenção era realmente trabalhar mais com produtos de
maior valor agregado.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso é uma coisa de certo modo recente,
aconteceu em 2003, V.Sª tem como disponibilizar esses documentos para
verificarmos qual empresa fez essa importação do Brasil?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim. Tenho as notas fiscais. As faturas, os
despachos aduaneiros. Está tudo..
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Já que V. Sª diz que tem muitas operações nesse
sentido, V. Exª tem muitos outros registros de empréstimos externos registrados
no Banco Central?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu não recebi nenhum outro empréstimo
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só esse empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E mesmo assim V. Sª não se lembra de detalhes
dele.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Dos catorze ou quinze milhões de reais?
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, esse primeiro não foi empréstimo. Começou sendo um
pagamento antecipado de exportação.Como uma modalidade. Pagar antecipadamente
os produtos. Eles estavam querendo botar um pé no Brasil, comprando produtos
brasileiros. Eu servia para isso. Era uma relação familiar muito antiga.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Banco autorizou que V. Sª trouxesse US$ 14
milhões para cá a título de antecipação de uma exportação que seria realizada.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – De exportação.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aí V. Sª não exportou e ficou com o dinheiro
convertido pela cotação normal, com dólar em valor oficial?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Aí convertemos o pagamento antecipado em empréstimo
direto.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E esse empréstimo está também registrado? V. Sª
converteu isso no Banco Central em empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro, sem dúvida. É um roff, que se diz.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas o senhor já apresentou isso à Polícia
Federal?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não achei necessário, mas tenho aqui em Brasília a cópia.
Não achei necessário realmente trazer documento desse tipo aqui, porque é muito
fácil obter esses documentos. Não são sigilosos meus.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é problema de sigiloso. É que V. Sª há de
convir que está aqui exatamente porque estamos trabalhando em cima de moeda que
com uma facilidade enorme aparenta uma negociação que não teria acontecido, foi
uma simulação de uma exportação que não aconteceu. O Banco autorizou, tudo bem,
e a exportação de máquina usada se converteu num dinheiro que V. Sª
disponibilizou dentro do Brasil e começou a usar como quisesse.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, isso é real
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso é normal?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não sei, eu nunca tinha feito isso antes.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª sabe que a partir daqui, com certeza,
teremos acesso a toda a sua documentação bancária.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sem dúvida, sim.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E insiste que só fez um ingresso oficial,
registrado e é esse que está aqui.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Podem haver
outros, outros empréstimos, outros registros de operações financeiras, porque a
coisa não funciona de maneira mecânica e imediata. É preciso fazer uma
solicitação ao Banco Central para determinar a quantia em certas condições, que
devem ser muito bem especificadas: quem é a prestadora, quem é a devedora,
quais são as parcelas, quais são os juros. Então, se faz isso – eu já fiz isso;
isso é real – sem ter o dinheiro na mão ainda. Mas na esperança de tê-lo,
porque estamos nisso. Mas se passam 60 dias, se não efetiva, se cancela automaticamente.
Então, acontece isso
com uma uruguaia. É possível que se encontre um registro, além desse que se
está falando, de um empréstimo de mais ou menos US$4 milhões. Mas não; isso não
chega a ser efetivado, mas pode...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – A Discovery opera com o que, lá no Paraguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A Discovery é uma empresa intermediária de exportação e
importação, mas é uma empresa multinacional nesse sentido. Opera com diferentes
tipos de produtos.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª não quis dizer o nome de sócio. Mas terminou
dizendo que Diego Lamas é sócio da Discovery.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim, é um deles.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Qual é o outro?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não sei os outros. Nem sei quantos sócios tem. Pode ter
até dez, acho, segundo a legislação tanto argentina como paraguaia.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – É uma de responsabilidade limitada?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez o senhor teve algum relacionamento, ou
empréstimo, qualquer coisa relacionada a partidos políticos, a políticos?
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Não, particularmente não me interesso pela política nem
pela ideologia. Em segundo lugar, sou estrangeiro. Tenho todos os direitos de
um brasileiro, menos votar nem participar ativamente em política.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – O senhor conhece José Mentor?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Relacionamento pessoal não tive com ele. Se me
perguntaram, como me perguntaram na Polícia Federal se conhecia o Sr. José
Dirceu, eu falei que sim. Mas no sentido como é conhecido...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Conhecido de ter alguma vez algum contato, alguma
negociação, ou conversação.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Já, sim.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Paulo Maluf?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Conhece o doleiro Jader Kalid?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Só isso, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB
- PR) – Obrigado, Deputado Osmar Serraglio.
Então, para encerrar essa primeira etapa, com a palavra o
Deputado Silvio Torres.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente, só para
complementar um pouco o que o Deputado Osmar Serraglio estava perguntando sobre
os empréstimos e sobre os tratores. Acho que, em primeiro lugar, é importante
que se obtenha a documentação de compra e venda dos tratores a que o senhor se
referiu e, segundo o seu depoimento, o
senhor relatou US$1 milhão para pagar quatro tratores usados, quatro máquinas
usadas é excepcional. Mas, de qualquer forma, o senhor disse que tem os
documentos e vai remetê-los.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Posso dizer uma coisa? Quando o senhor me falou antes
isso, falei que não, que eu tinha me enganado, tinha falado em um momento de
tensão, que não foi US$1 milhão, que seria diferença entre15,100 milhões, que
foi o pagamento antecipado das exportações, e o 14,600, que se converteram em
empréstimo. Ou seja, que estaria em torno de... Pode ser até que tenha ficado
um saldo no ar.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Quanto?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – De 15,100 milhões, que foi o ingresso do contrato como
pagamento antecipação de exportação, e o empréstimo, que foi de 14,600 milhões,
há uma diferença de US$600 mil. Não passa disso o valor das máquinas.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Está baixando para US$600 mil. Sr. Relator, tem o depoimento dele na
Polícia Federal. Ele já mudou pelo menos umas dez. Fez umas dez correções no
depoimento. Então, estamos assistindo a um novo depoimento. É importante que V.
Exª prestasse bastante atenção.
O senhor já tinha
intenção de trazer mais empréstimos para o Brasil?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – É. Eu tinha desejo de fazer isso. Mas...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Desejo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Mas, quando o senhor trouxe os US$14 milhões, o senhor não pensou em
trazer como empréstimo. O senhor transformou em empréstimo posteriormente?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – E, na mesma ocasião, o senhor pensou em trazer mais empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, na mesma ocasião, não. Há diferença de tempo.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Depois disso, o senhor pensou em trazer mais empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Antes e depois.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – De onde? Do mesmo provedor?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, num caso, o único caso real, que acabo de relatar
aqui, foi com a empresa uruguaia. Foi uma tentativa. Apresentei ao Banco
Central um pedido de ROF, um Registro de Operação Financeira, para esse
empréstimo, porque, uma vez aprovado, podia receber o dinheiro. Só que, se
transcorressem 60 dias e não se efetivasse, automaticamente, o Banco Central
cancelaria. Isso foi o que aconteceu.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Qual era o valor?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Ao redor de US$4 milhões.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Não. O que há, segundo informações que obtivemos, é que o senhor tinha
registrado, no Banco Central, um pedido de empréstimo de US$49 milhões.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Isso não existe.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Não existe isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Não é correta essa informação?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O único registro que o senhor tem no Banco Central, então, são desses
US$13 milhões ou US$14 milhões e de mais esse outro do Uruguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Qual é o nome da empresa do Uruguai que o senhor queria trazer?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Se não me engano, mas Arcoman.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor se lembra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Não sei se é... Arcoman, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Arcoman?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Arcoman Trading Ltda.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Trading?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – E esse empréstimo que o senhor estava buscando no Uruguai era para quê?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Era para fazer operações no mercado financeiro, no
Brasil.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Foi o Sr. Turner que apresentou o senhor à Arcoman, para o senhor
trazer esse empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não entendi.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Foi o Sr. Turner que apresentou ao senhor a Arcoman para o senhor
trazer o empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Foi ele.
É relevante, viu Sr.
Relator, lembrar que o Sr. Najun Turner foi quem arquitetou a Operação Uruguai
– aquela famosa Operação Uruguai.
O senhor alegou aqui
também, na sua declaração à Polícia Federal, que, apesar de a Bônus-Banval ter
creditado por equívoco US$6,5 milhões na sua conta, e o senhor ter reclamado, e
eles disseram que não poderiam corrigir, porque estavam sob auditoria; eles
continuaram a creditar importâncias que não eram do senhor na sua conta. É
correto isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – E essa continuidade? Qual foi a alegação? Se primeiro era um equívoco,
qual era a alegação da continuidade?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foi a mesma. Ou talvez que nunca tiraram tudo.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Eles continuaram se equivocando, tirando dinheiro da sua conta?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Três vezes que me falam isso! Sim, foi um erro de caixa.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Sim, mas não foi uma vez. Uma vez foram 6,5 milhões. E depois?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não sei os valores. Isso são manejos do Sr. Enivaldo
Quadrado. Não estou por dentro das manipulações dele. Não sei de nenhum valor.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O que o senhor quer dizer, então, é que ele continuou a depositar
dinheiro na sua conta, sem a sua autorização?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – É. Isso continua acontecendo. E ele continua me pedindo
que assine essas transferências – coisa que não fiz mais; fiz só uma vez e não
fiz mais.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Mas ele continua dando o argumento de que não poderia estornar, porque
a auditoria continuava na empresa dele.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Cheguei a brigar com ele. Perguntei se, além de
perder dinheiro, estava perdendo a racionalidade, porque ele também alegou
graves problemas financeiros na Bônus-Banval, que foi obrigado a vender título
patrimonial da corretora à própria BMF.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – E aí ele...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas ele sempre falou – acho isso importante – que eu
deveria continuar, porque ele tinha investidores muito fortes, que acreditavam
nele. Ele me propôs fazer um contrato de mútuo com esse suposto investidor.
Significa que eu...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Um contrato de mútuo sobre o valor que ele teria se equivocado e
colocado em sua conta por engano?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, claro. O aberto, se pode fazer isso. Ele pode me
transferir ou eu posso transferir. Eu falei que não, que ele estava louco,
porque não conhecia nem seu investidor, nem seu credor, nem as pessoas que lhe
deviam. Que não! Foi aí, praticamente, quando cortei minha relação com ele e
com a Bônus-Banval. Apesar disso, meses depois, no mês de junho deste ano, me
enviou, por correspondência, exatamente 78 cartas de transferência, com meu
nome em baixo, todas perfeitinhas, para que eu assinasse e mandasse para ele –
coisa que, obviamente, não fiz. Já não...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Mas o senhor já tinha cortado as relações quando ele mandou ao senhor
documentos para o senhor assinar, relativos aos equívocos que ele tinha
cometido. É isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim. Já tinha assinado antes, claro, mas....
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor já tinha assinado antes, aí o senhor continuou assinando mesmo
depois de não ter mais nenhuma relação com a Bônus-Banval.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas não continuei. Depois que ele me mandou, em junho
deste ano...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor não assinou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, claro que não. Ainda mais que ele mandou num
envelope, sem nenhum esclarecimento, sem nada.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor não recebeu nem um ofício? O senhor recebeu um envelope com
uma série de documentos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Só para o senhor assinar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. “Por favor, assinar”. Só.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor não tem nenhum registro dessa correspondência entrando na sua
empresa?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Acho que nem sequer chegou por Sedex; acho que
chegou por carta comum realmente. Tomara tivesse chegado por Sedex.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O Sr. Najun Turner tinha, além
de autorização para operar para o senhor, o dinheiro que o senhor tinha
aplicado na Bônus-Banval, via Bônus-Banval, autorização para liberar depósitos
em contas de terceiros?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Ele não podia
fazer isso, porque a assinatura é só minha.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Não, mas a Bônus-Banval, o senhor mesmo acabou de dizer que ela
liberava sem a sua assinatura.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, claro que
sim, mas depois precisava de minha assinatura e por isso me solicitava que
assinasse as cartas de transferências, muitas das quais assinei.
Mas quero dizer que
nem o Sr. Najun nem ninguém poderia autorizar, de alguma maneira que fosse útil
para o Sr. Quadrado, fazer transferências entre contas.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Sim, mas o senhor autorizou o Sr. Najun Turner também a usar o recurso
para transferir para terceiros alguma vez?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, claro que não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Ele nunca fez nenhum depósito em conta de terceiros na sua conta
corrente?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. A única que fiz, com relação a ele, foi, de minha
conta na Bônus-Banval, pedir transferência para sua esposa e para o seu filho.
Isso, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor já falou sobre isso, o senhor alegou que se referia a um
serviço que ele prestou ao senhor.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A dívida com ele.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Dívida. Essa dívida era por...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Consultorias no mercado financeiro, entre outras coisas
pelo que ele estava fazendo comigo, como ele estava me ajudando nas operações
na Bônus-Banval.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, o senhor pagou, porque ele fazia essas operações na
Bônus-Banval?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não é que ele
vazia somente. Ele me ajudava a fazer. Ele tinha tudo na cabeça, ele sabia os
valores de cinco ativos diferentes, ao mesmo tempo. Eu não acredito, é um
gênio.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, o senhor deu carta branca a ele operar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Para operar, sim.
Para operar nisso, na compra e venda de ativos financeiros, claro.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Mas o senhor também dava carta branca à própria Bônus-Banval para fazer
isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. A Bônus-Banval não pode vender ou comprar um ativo
financeiro sem minha ordem. Isso não pode fazer.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Sempre era o senhor quem decidia a compra e venda das ações?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro. Disso, sim, tenho o controle através da
BM&F.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor fazia esse controle, através da BM&F, também por uma conta
corrente que o senhor mantinha com a Bônus-Banval.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A conta corrente
que eu mantinha na Bônus-Banval, pelo visto, não, porque eu ligava e estava
tudo bem. Depois, me falavam que tinha um problema de erro de caixa, e
coloram...Eu não tinha acesso à contabilidade. Ele pode manipular a
contabilidade.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Pela sua declaração à Polícia Federal, o senhor passou a investir na
BM&F a partir do momento em que o senhor como empréstimo aquele dinheiro da
Discovery. Esse foi o dinheiro que o senhor utilizou para aplicação. Correto?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Isso, segundo o senhor, foi durante o ano de 2004. Certo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Foi quando o senhor passou a aplicar. O senhor não aplicava, antes, na
BM&F?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, mas pequenas... sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Pequenas coisas.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Apliquei na corretora Banespa, pessoalmente, muito tempo
também.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor não conhecia a Bônus-Banval, até então?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu conhecia de nome, sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Mas não tinha nenhum negócio com ela?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor começou a ter esse negócio a partir de 2004?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – No fim de 2003...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Agora, a Bônus-Banval tem aqui uma conta corrente em seu nome, iniciada
em 08.05.2002. Está aqui em nossas mãos o extrato da conta corrente da Natimar.
A primeira operação foi uma operação de crédito de R$246 mil. Aí, segue-se até
a data de 13.9.04. Toda a sua movimentação que inclui, inclusive, a
movimentação daquelas pessoas que receberam depósitos por conta do senhor,
segundo ele.
Está aqui em nossas
mãos.
Como é que era
possível, então, como o senhor disse, tê-lo conhecido só no fim de 2003, o
senhor ter começado a operar nesse período? Como o senhor explica isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu teria de constar se isso é real e se existem notas da
BM&F em relação a essas datas.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, o senhor nega que tenha começado a operar nesse período?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em 2002?
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – 2002. Mais especificamente, a primeira operação em 08/05/2002.
Seqüencial: 2002, 2003, 2004. Está toda ela aqui.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu teria que ver em que mês.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Teria que ver? Como é que pode ter o equívoco dessa natureza, Sr.
Relator?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu precisaria conferir em que mês. Se foi minha primeira
operação de fechamento de câmbio do empréstimo, da entrada de U$15 milhões.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – A entrada do dinheiro, o senhor declarou que recebeu a quantia de U$14
milhões no final de 2002.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Terminou, porque não foi só uma operação. Durou alguns
meses. Não foi que me mandaram U$15 milhões tudo junto. Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Olha o que o senhor declarou. O senhor declarou o seguinte: que o
senhor... o último negócio estabelecido do senhor foi a exportação de máquinas
motoniveladoras no ano de 2003.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Foi o último negócio do senhor. Agora, o senhor só obteve o dinheiro do
empréstimo depois que o senhor encerrou o negócio de máquinas motoniveladoras.
Aí que o senhor começaria a aplicar na BM&F. Agora, o senhor tem operações
iniciadas em maio de 2002. Então, a sua história, afinal, a verdadeira qual é,
porque o senhor, então, já vinha aplicando dinheiro com a Bônus-Banval desde
2002?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Duvido que em maio. Penso que precisaria haver esse
registro, quando foi a primeira parcela, mas que tenha feito operação na
BM&F no ano de 2002...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – São muitas. Não são poucas. São muitas. Tem uma relação enorme aqui. O
senhor aplicou todo mês, vários dias do mês, quase todo dia, movimentou 100,
200, 375, 314. É bastante dinheiro. Não é pouca coisa. É bastante dinheiro.
Movimentação inesquecível.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, claro. Sim. É bastante dinheiro. E esse dinheiro só
pode ter saído desse empréstimo.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, mas, aí, o senhor declara que conheceu a Bônus-Banval só no
final de 2003, 2004.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Que eu fiz o cadastro...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor já era. O senhor já conhecia o Sr. Quadrado. Com certeza, o
senhor já o conhecia. Já operava via Bônus-Banval desde 2002 e, provavelmente,
na nossa opinião, Sr. Relator, o Sr. Carlos Quaglia não controlava os negócios
dele. Quem controlava, na verdade, era o Sr. Najun Turner. Está muito evidente.
Está bem mais que comprovado. Basta comprovarmos agora nos documentos da quebra
de sigilo. Tem mais uma questão, Sr. Relator, que acho que é importante.
Infelizmente, a Senadora Ideli não trouxe de volta a minha lista aqui. Você tem
aí para me emprestar? (Pausa.)
Entre as pessoas
listadas que receberam dinheiro da Bônus-Banval em sua conta, supostamente por
ordem do Sr. Carlos Quaglia ou por ordem do Najun Turner, está o Sr. Paulo
Palmieri. O Sr. Paulo Palmieri é um empresário do Rio de Janeiro, que... Paulo
Ferreira Palmieri. O senhor o conhece?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O Sr. Paulo Ferreira Palmieri recebeu R$128 mil no dia 27/04/2004,
através de uma ordem do Banco Sudameris. Pelo sobrenome, chamou a nossa atenção.
Então, acabei fazendo um contato pessoal com ele, e o Sr. Paulo Palmieri disse
que não conhece a Natimar, nunca ouviu falar da Natimar, assim como nunca ouviu
falar da Bônus-Banval também.
E declarações dele à
Polícia Federal, que já o ouviu no Rio de Janeiro, Sr. Relator, dão conta de
que ele tinha uma propriedade que vendeu e que recebeu parte dela em dólar,
quarenta e poucos mil dólares, à época, e esse dinheiro ele trocou, no Rio de
Janeiro, numa casa de doleiros, cujo proprietário era o Sr. Dario Messer.
Então, estamos estabelecendo aqui uma nova vinculação do Sr. Dario Messer com
esse esquema do Marcos Valério e da própria Natimar.
O senhor conhece o
Sr. Dario Messer?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor nunca fez negócio algum com ele.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Sr. Dario Messer vai ser ouvido por nós. E
acho que, se formos checar essa lista e ver quem andou fazendo troca de
dólares, vamos descobrir outras ligações, também provavelmente do Sr. Dario
Messer, e com a expectativa talvez de continuarmos. Quero encerrar, vamos ouvir
o Sr. Najun, então, e, depois, voltamos.
É isso, Sr. Relator?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Muito obrigado, Deputado Silvio Torres.
Vou pedir uma
gentileza, Sr. Quaglia, em função desse procedimento da segurança do Sr. Najun
Turner, para o senhor aguardar a segurança, que o acompanhará a uma outra sala.
Mas
vou reiterar aqui, então, os quatro pedidos, as notas de corretagem com a
Bônus-Banval, a relação das empresas, dos sócios e os contatos que o senhor tem
com a Discovery, a empresa paraguaia, e com a Arcoman Trading, no Uruguai.
Certo. Quer dizer, essas relações.
Os contratos de
câmbio que o senhor tem com o Banco Central, particularmente esta operação dos
14 milhões, como é que o senhor registrou isso e como é que está registrado o
empréstimo. E, por fim, também, os contratos de venda dessas máquinas que o
senhor exportou para o Uruguai e para a Holanda. Então, peço especial atenção.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Compra e venda, Sr. Relator!
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Compra e venda.
Sempre lembrando, até
com atenção do seu advogado, o Dr. Haroldo, que o senhor prestou testemunho.
Evidentemente, vamos confrontar essas informações com o que vamos levantar
também junto aos órgãos competentes. Então, faço a advertência para que não se
caracterize falso testemunho.
Agradeço a sua
presença. Vou suspender e só chamo a atenção da segurança para que chame o Sr.
Najun Turner, que está sob custódia da Polícia Federal. Evidentemente, temos de
adotar todos os procedimentos que são designados.
Então, está suspensa
a presente reunião.
(Suspende-se a reunião às 16 horas e 23 minutos.)
(Reabre-se a reunião às 16 horas e 33 minutos.)
O SR. PRESIDENTE
(Delcídio Amaral. PT – MS) – Dando continuidade à 6ª reunião da Sub-Relatoria
da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada pelo Requerimento nº 3, de
2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de
denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos dos
Correios-Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, vamos dar prosseguimento
às oitivas programadas para o dia de hoje.
Acabamos de houver o
Sr. Carlos Alberto Quaglia. Agora, iniciaremos a oitiva do Sr. Najun Azario
Flato Turner, operador do mercado financeiro.
Estamos
providenciando, Sr. Najun Turner, uma mesa para que o senhor fique melhor
instalado. Peço aos senhores um pouco de paciência até que essas providências
sejam tomadas. (Pausa.)
Pediríamos
que fizesse uma apresentação rápida do senhor, suas atividades. Depois, eu
passarei a palavra ao Relator, Deputado Osmar Serraglio.
Concedo a palavra ao Sr. Najun Turner. Eu pediria que usasse
microfone porque nós estamos gravando esta reunião.
O SR. NAJUN
AZARIO FLATO TURNER – Em primeiro
lugar, boa-tarde para todo mundo, para os Deputados, Senadores, jornalistas. A
minha apresentação: Eu sou uma pessoa que tem 55 anos, tenho seis
filhos, que é a maior riqueza que tenho, estou no Brasil há mais de trinta
anos. Como muitas vezes eu digo, eu sou brasileiro muito mais que outro, porque
estou aqui o Brasil por opção. Mesmo com
todos os obstáculos que apresentaram em minha vida, sempre agi de forma, seguindo
os padrões que eu recebi em minha casa. Sou da religião pertencente ao povo
judeu. Tenho quatro filhos nascido no Brasil e desenvolvi diversas atividades
na cidade de São Paulo.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT
– MS) – Passo a palavra para o Relator, Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Parlamentares, Sr. Najun, V. Sª está preso em razão de que processo?
O SR. NAJUN
AZARIO FLATO TURNER – Boa-tarde.
Eu tenho vários processos, com o aparecimento do meu nome na Imprensa, no ano
1992, por vinculação ao impeachment
do ex-Presidente Fernando Collor de Mello. Minha vida foi se transformando em
vários processos que correm na Justiça Federal. Então, eu tenho vários
processos em andamento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais há um especificamente em
que V. Sª foi condenado?
O SR. NAJUN
AZARIO FLATO TURNER – Eu fui
absolvido em primeira instância, condenado na segunda instância, que estou
cumprindo, e tem mais um processo em 1993, que justamente foi a raiz dessa
minha aparição em público. O Ministério Público abriu diversos processos e
também fui condenado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nesse episódio em que V. Sª
foi absolvido, o Juiz do processo era João Mattos?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Não, eu já fui absolvido em vários processos. Esse
processo do Juiz João Rocha Mattos, em que fui absolvido, em realidade, é um
processo que ele mesmo abriu no ano de 1992, em conseqüência do impeachment do Presidente Fernando
Collor. Simultaneamente, aqui em Brasília, foi aberto um processo e, no
decorrer do processo, foi demonstrado que não havia nenhuma operação ilegal que
eu havia feito, mesmo confirmado pela própria Receita Federal. Fui absolvido em
segunda instância, também, na própria Receita Federal. Mas, na apelação para o
Ministério Público para o TRF-3, em São Paulo, em uma audiência, sem me haver
intimado para o julgamento da apelação do Ministério Público, num relatório de
dois minutos fui condenado a dez anos de prisão. Ainda não ingressei com apelação
no STJ, mas o principal é o seguinte: confio no Judiciário e estou aguardando
decisões das instâncias superiores.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Essa reforma no Tribunal é relativa a uma absolvição do
Rocha Mattos na primeira instância?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Não sei se a absolvição foi dada pelo juiz Rocha Mattos ou
por outro juiz que estava... é referente ao processo da Quarta Vara Federal de
São Paulo.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª nunca teve a curiosidade de saber quem foi o juiz
que o absolveu?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Não. Quem instruiu o processo foi o juiz Rocha Mattos;
quem assinou a sentença não consigo me lembrar.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tem algum elo de amizade com a família Rocha
Mattos?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Todo elo de aproximação que tive através do filho do Rocha
Mattos foi esclarecido no Tribunal Regional Federal, onde fui já ouvido duas
vezes, como testemunha do próprio Tribunal em processos que o juiz Rocha Mattos
está por prevaricação, e esses depoimentos.... o mesmo processo está em sigilo
de justiça. Então, não seria uma forma apropriada minha falar de público sobre
processos que estão sob sigilo de justiça.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª não está impedido de esclarecer, num outro
processo, se tinha amizade com a família Rocha Mattos, ainda que decorrente
desse filho.
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Não, senhor. Só conheci o Juiz Rocha Mattos depois de um
ano e meio de ter um processo na Vara dele. O único relacionamento foi por um
filho meu, no ano de 2001, que conheceu um filho dele e se travou uma certa
amizade. E tudo começou porque fiz um convite a esse menino para assistir a um
jogo que basquete, que é um esporte que tenho muita afinidade. Todo o
relacionamento com o juiz foi demonstrado no processo que corre no TRF-3.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – De que empresas V. Sª participa como sócio?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – No momento, não participo de nenhuma empresa como sócio
nem como convidado...
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – E anteriormente?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – No ano de 1983, fundei uma empresa que se chama Comércio
Minério Najun, que estava autorizada pela Secretaria da Receita Federal a ...
tem ato declaratório para compra de metais, e foi a única empresa em que tive
participação no Brasil. A empresa foi fechada no ano de 92, 91.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – De 1992 para cá, não foi sócio de nenhuma empresa?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Não, senhor. Aqui no Brasil, de nenhuma empresa.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Toda a sua atividade comercial é em nome da pessoa
física?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Todas as minhas operações foram sempre em nome da pessoa
física. Justamente quando aconteceu a CPI do impeachment, quando o Sr. Cláudio Vieira se apresentou à CPI e
justo deu a conhecer o meu nome, até esse momento eu era uma pessoa que atuava
muito no mercado, mas pouca gente me conhecia. Talvez eu fui o maior investidor
nos mercados da BM&F em ativos de ouro. Sempre operei como pessoa física e
nunca utilizei de terceiras pessoas. Para o senhor ter uma idéia, neste
processo que em segunda instância fui condenado, a própria Receita Federal
investigou, durante três anos, mais de um milhão de operações minhas. Nunca foi
constatada a utilização de nenhum ilícito.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conheceu a empresa Natimar Negócios e
Intermediações?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Conheço.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de relacionamento comercial teve com essa
empresa?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Eu conheço o Sr. Carlos Quaglia desde o ano 1985. Tive
algumas operações no ano de 1985/1986. Depois, no ano 1995, realizei um serviço
de consultoria sobre mercados financeiros e foi quando me encontrou novamente.
De lá para cá, a partir de 1999/2000, várias vezes ele me consultou sobre
comércio exterior, sobre operação em bolsa.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Sr. Quaglia operava no comércio exterior,
exportava, importava?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – Ele trabalha no comércio exterior também.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Natimar, o que V. Sª sabe sobre as atividades
da Natimar?
O SR. NAJUN AZARIO FLATO TURNER – As atividades da Natimar que eu sabia... Em prim |