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O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Declaro aberta a 6ª reunião da Sub-Relatoria da CPMI dos Correios com a
pauta destinada à oitiva dos Srs. Carlos Alberto Quaglia e Najun Turner.
O Sr. Quaglia já se encontra aqui, já assinou o termo de
compromisso e está acompanhado por seu advogado Dr. Aroldo Rodrigues.
Esse depoimento na Subcomissão se deve aos
requerimentos dos Deputados Silvio Torres, Onyx Lorenzoni e ACM Neto, e nós
vamos adotar como procedimento... Eu vou iniciar com alguns questionamentos,
mas fica a palavra desde já aberta para os Parlamentares que queiram intervir,
só havendo depois a necessidade de marcar tempo se estender ou houver um número
maior de presentes.
Inicialmente, consulto o Sr. Quaglia e pediria para fazer a
sua qualificação, nome, data de nascimento, tipo de atividade profissional que
exerce, por favor.
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Boa tarde a
todos os senhores e as senhores presentes.
Eu nasci na Argentina e moro no Brasil desde o ano de 1979.
Morei alguns anos em São Paulo e depois me transferi para a Florianópolis.
Posso-me definir como empresário. Sempre me tinha inclinado às atividades de
exportação e importação atrelada sempre à parte financeira dessas operações.
Encontro-me aqui hoje realmente surpreso, mas com o maior desejo de colaborar
com V. Exªs e ajudar vocês a esclarecer as coisas que precisam ser
esclarecidas.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Sr. Quaglia, o senhor é o sócio proprietário da empresa Natimar?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Sou, sim.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Quando foi fundada a empresa Natimar?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Eu fundei
ela no ano de 1993, em Florianópolis mesmo.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Em Florianópolis. E é só por curiosidade: qual o significado do nome
Natimar?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – “Nati” é o
apelido de minha filha e “mar” tem a ver com Florianópolis.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Com relação aos fatos, e já entrando, Sr. Quaglia, em depoimento à Polícia
Federal o senhor disse que os vários depósitos da Bônus-Banval na conta da
Natimar no valor de R$6,5 milhões foram por engano. Por que o senhor não exigiu
imediatamente que fosse efetuado o estorno desse recurso?
O SR. CARLOS
ALBERTO QUAGLIA – Essa é uma
história longa, mas eu exigi, eu pedi isso, mas já tinha uma histórica operação
com a operadora Bônus-Banval que sempre foi muito positiva para mim. Quando
iniciei as operações com ele, no ano de 2003, ele me ofereceu vantagens que não
poderia obter em outra operadora, foram várias: devolução de grande parte das
notas de corretagem cobria, durante alguns dias, o saldo eventualmente negativo
de minha conta que estava descoberto e me deixava preocupado, depositava margem
de garantia para operações futuras, coisa que exige a Bolsa BM&F. E nossa
atividade foi sempre muito bem, eu sempre recebia as notas de corretagem
corretas, que, na verdade, não são notas de corretagem da Bônus, são notas de
corretagem da BM&F, mas que me chegavam através da Bônus. Sempre estavam
corretas, de acordo com... E depois eu, por telefone, me informava da situação
da conta. Às vezes, ficava negativa, e ela cobria efetivamente. Numa
oportunidade, ele me falou de problemas – acho que ele chamou de logística – na
tesouraria do caixa.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB
– PR) – Logística?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Logística na tesouraria do caixa da corretora e que, por
essa razão, tinha depositado – e vai aparecer na contabilidade deles –, em
minha conta valores maiores do que realmente tinha. Eu falei para ele que, no
meu caso, não tinha problema, que era só estornar isso; se era um erro de
caixa, que estornasse. Ele falou que não podia fazer isso porque estava
sofrendo uma auditoria externa. Não me explicou de quem era a auditoria, eu
também não entrei em detalhes, mas que não podia fazer esse estorno nesse
momento por causa de uma auditoria externa. Mas ele falou para mim que podíamos
deixar minha conta com saldo normal, resolver o problema, se eu permitia para
ele repassar o saldo excessivo na minha conta, para outra conta dele. Eu acedi
a isso, e assinei bastantes cartas de transferência para outra conta dele.
Preciso declarar que uma conta numa corretora não é o mesmo que uma conta em
banco; uma conta numa corretora é de absoluto controle da corretora, pois a
contabilidade não está atrelada ao Banco Central como está, por exemplo, a
conta corrente de um banco. Então, ele pode fazer o que bem entender. Mas não
pensei, em nenhum momento, claro, que isso poderia ter haver com alguma coisa
que pudesse me prejudicar, ou alguém. Simplesmente, de alguma maneira, estava
ajudando ele, acedendo a isso, como ele me ajudava quando a vantagem que me
oferecia eu não encontrava em outra corretora.
Neste momento, hoje,
eu afirmo que só nesse valor que ele... Claro, a ele chegava a valores, não sei
se em dinheiro vivo, ou a conta corrente bancária da corretora; e ele devia
repassar esse valor para uma pessoa que não deve aparecer. Claro, essa é uma
conclusão que estou fazendo hoje depois de todos esses acontecimentos. Ele
simplesmente faz esse jogo e oculta o que está acontecendo. Isso durou bastante
tempo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Quanto tempo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu assinei carta acho que duas vezes; eu nem olhava
realmente. Mas...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor falou que assinou duas vezes cartas.
Só para voltar. Quer
dizer, ele não podia estornar o recurso porque estava sob auditoria.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sempre com auditoria interna.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Daí a primeira carta, depois que o senhor
verificou esse depósito, quando foi? Quanto tempo depois?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Lembro do mês, foi junho, que ele me falou do tema, na
realidade. Foi ele que me informou sobre o erro da contabilidade. Acho que foi
em junho.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Depois o senhor assinou a primeira carta de
transferência...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram várias.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Foram várias. Quantas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não saberia precisar agora, mas me lembro que eram várias
porque até cansei de assinar. Normalmente eram de valores pequenos, mas não
olhava muito para isso. Eu tinha uma relação de muita confiança para com o Sr.
Nivaldo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Mas ele mandou para o senhor uma quantidade e o
senhor assinou sem ler, sem verificar o valor?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu lia por cima e como não conhecia essas pessoas e
nem me correspondia conhecê-las, eu não fiz objeção; fiz isso em duas oportunidades. Depois ele insistiu e não quis
mais.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor não se lembra se foram cinco, dez, vinte,
trinta?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram muito mais.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Cinqüenta, sessenta?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, em torno disso.
Em junho de 2005,
agora, o Sr. Nivaldo, da Bônus-Banval, me enviou por correspondência a meu
endereço, em Florianópolis, um envelope com oitenta folhas para eu assinar,
muitas das quais, já lhe afirmei, consegui ver elas no depoimento da Polícia
Federal. Obviamente que não afirmei e nem entrei em contato com ele. Tentei ver
ele em São Paulo, mas não quis me receber.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Depois o senhor não falou mais com ele, não teve
mais encontro?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, depois de fevereiro, março deste ano nunca mais;
encerrei minha operação nisso aí.
Não tinha nenhuma
razão para falar, porque não me prejudicou em absoluta nas operações
comerciais, financeiras; sempre foi muito certo nisso. As notas de corretagem
que me enviava da BM&F correspondia com as operações que tinha feito. Mas
em junho, deste ano, ele me envia por correspondência, sem nenhum
esclarecimento, sem nenhuma ligação telefônica anterior, um envelope com
setenta e oito – sei porque contei elas agora – cartas para eu assinar. Coisa
que eu não fiz.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Essas setenta e oito cartas são além daquelas
iniciais?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro, mas percebi muitas repetidas, sobretudo algumas
que eu tinha solicitado, mas havia repetidas.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Por exemplo, algum nome o senhor lembra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Deusa Costa, esposa do Sr. Najun.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Por que lhe chamou a atenção nesse momento e não antes?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, ao que me chamou a atenção na hora foi que, em junho,
me enviara de novo, quando já tinha me falado cinqüenta vezes que não. Para que
queria mais agora se não estava fazendo mais operação com ele, ou seja, ele nem
poderia mais manipular a conta?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Só voltando, então, antes de chegar nessa segunda etapa,
apareceram 6,5 milhões a mais. O senhor emitiu cartas de transferência sem ler
para quem eram e sem lembrar os valores?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Como o senhor declarou isso para efeitos fiscais e na
BM&F se esses 6,5 milhões não eram seus? Como o senhor justifica?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Porque eu não preciso declarar isso para BM&F. O
que importa, em meu caso com a BM&F, são as corretagens, as operações
normalmente de trade que faço com a
BM&F. A contabilidade do Sr. Nivaldo da Bônus-Banval não tem nada a ver
com... Agora, se ele diz que fez operações com dinheiro que não era meu, vai
ter de provar isso, contando compatibilidade entre esses ingressos errados em
minha conta em notas da corretagem da BM&F.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Nós vamos chegar lá, mas eu queria ainda insistir: que
vantagens o Sr. Nivaldo ofereceu para que o senhor aplicasse na Bônus-Banval,
quer dizer, como funcionava a comissão de corretagem, o prazo de permanência do
recurso, existia a cobrança ou não de juros dos valores descobertos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual era a comissão de corretagem?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A comissão de corretagem era de 80%. Se eu tinha de pagar
100 por corretagem, ele me cobrava 20. Isso não é muito estranho. Muitas
corretoras fazem isso. As outras, sim, são mais interessantes. Eu poderia
operar (Incompreensível.) na conta dele, na Bônus, ou a descoberto, até
cinco dias, por R$500 mil. Ele cobria. Imagino eu, como cobria: claro, tirava
de outras contas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Além mais? Alguma com relação a determinados valores, CPMF?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – E margem de garantia. Ele me cobrava CPMF. Isso, sim, me
cobrava.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – A partir de que valor? De todas as aplicações?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Até R$500 mil. Podia ser de R$10 até R$500 mil. Quando
ele fazia isso, ele me cobrava CPMF. Imagino que ele efetivamente pagaria.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Só para registrar, essa operação que está sendo atribuída
ao senhor, que o senhor diz ter sido por engano, ela está se caracterizando
como um ilícito bastante usual, inclusive, em várias operações, nós estamos
verificando nessa investigação. O dinheiro frio entrava na corretora, seja de
dentro do Brasil ou de fora, esse dinheiro é aplicado, paga imposto na fonte e
sai limpinho em nome de um laranja. Em regra geral, todos estão apresentando
essa mesma justificativa: que foi um engano. Como não foi possível ser feito o
estorno, houve a emissão de transferência de recursos e, portanto, a conta
fecha, não há problema com a Receita, com o Banco Central, não há problema com
a BM&F. A partir daí, basta um cheque endossado para que seja sacado em
nome do beneficiado sem maiores problemas. Quer dizer, o senhor, então, afirma
de forma taxativa: não está envolvido nessa negociação. O senhor desconhece
completamente todos os nomes?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Claro. Ele falou que era um erro de caixa dele. Eu
entendi que acontecesse isso. Acreditei realmente nisso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Mas nunca o senhor tinha tido um problema antes dessa
natureza com quem quer que seja?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Com nenhuma corretora. Jamais. Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – O senhor conhece Dário Messer?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Alberto Youssef?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Toninho da Barcelona?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Toninho eu cheguei a conhecer, sim. Há algum tempo atrás.
Anos atrás.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual a relação que o senhor teve com ele?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Conheci ele socialmente, só.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Em Santa Catarina?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não. Em São Paulo. Em uma oportunidade, comprei uma
passagem para ele e para a minha filha viajarem para a Espanha. Eu comprei a
passagem deles. Essa foi a única operação comercial que eu tive com ele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Haroldo Bicalho?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Haroldo Pororoca?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – O senhor reconheceu ter transferido recursos para Deusa
Maria da Costa e Yuri Flato que são esposa e filhos de Najun Turner, não é?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual a razão dessa transferência?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu conheço o Najun faz muitos anos, quando residia em São
Paulo. Travei amizade pessoal com ele. Eu sei que Najun, pelo menos dentro do
mercado, dos operadores de mercado que conheci, é o que mais conhecimento tem
sobre todas as operações no mercado de risco, com opões na Bovespa e contratos
de futuros na BM&F. Não sou muito entendido nisso, essa é a verdade.
Durante todo esse
período, recebi assessoria e fiquei devendo dinheiro para ele. Claro que não
houve nenhum contrato escrito entre nós dois, não precisávamos disso.
Essa
transferência para Deusa e para Yuri é resultado de pedidos dele por pagamentos
meus pela consultoria.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – E o senhor fez operações semelhantes para outras pessoas também nesses
valores?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Só para ele?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, só
para ele.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor já teve alguma sociedade com ele?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Nunca? Nenhuma?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR.
PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Segundo o Sr. Enivaldo
Quadrado, a Bônus-Banval operava aplicando na Natimar em ouro e na BM&F, a
pedido de Marcos Valério. O senhor confirma isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu não conheço o Sr. Marcos Valério.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Consta que tanto a Tolentino, que é uma empresa da qual Marcos Valério
tem sociedade, quanto a 2S, uma outra empresa da qual ele é sócio, depositaram
– e essa informação que nos veio dele – 6,5 milhões de reais na conta corrente
que a Natimar mantinha na Bônus-Banval.
O senhor acha que também houve um erro na origem?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou
achando que não é um erro. Acho que isso foi manipulado, isso foi uma
utilização criminosa na Natimar, porque o Sr. Quadrado deveria precisar
esconder isso. Não é a primeira vez que uma corretora comete fraudes e desse
tipo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Como funciona isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Ele pode
fazer, criar transferências porque não são contas bancárias, são contas
internas da corretora. Ele pode fazer
transferências, pode criar situações, pode anulá-las.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Qual a vantagem dele fazer isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A vantagem dele é lavar dinheiro, evidentemente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Na sua opinião, é lavagem de
dinheiro.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Mas, por que ele usaria justamente a Natimar e não uma outra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A
Natimar caiu como uma pelica, como uma luva na mão dele. Eu confiava muito
nele, eu melhorei muito, gananciosamente, vou dizer, pela vantagem por ele
oferecida. Para mim, é muito fácil trabalhar assim. Vendi um ativo em
descoberto e não precisava tê-lo porque é obrigatório, porque ele o captava
para mim. Podia ficar descoberto.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Por que ele faria essa operação de lavagem de dinheiro? Qual a razão dele
ter que fazer essa operação? O senhor tem conhecimento?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, nunca falamos sobre isso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Nunca se preocupou em saber?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Nunca
falamos sobre isso, não pensei nunca que era lavagem de dinheiro. Essas são
conclusões a que estou chegando agora, nesse momento. Mas quando eu assinava a
carta nunca pensava nisso, se eu pensasse assim não teria feito. Posso ser
desligado, mas não sou louco.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – Justamente por isso que chamamos o senhor. Por isso acredito que o senhor
não teria assinado sem conhecer. O senhor acha normal uma pessoa, com a
experiência que o senhor tem, assinar tantas cartas de transferência em branco,
suspeitando agora que se tratava de uma operação de lavagem de dinheiro? É
usual isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas por
que suspeito agora? Sobretudo por tudo o
que aconteceu, senão não teria acontecido esta CPMI. E isso continua a passar
por minha cabeça.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Vou voltar um pouco aqui para constar, Sr.
Quaglia...
O
senhor tem visto permanente no Brasil?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não entendi.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB –
PR) – O senhor tem visto permanente no Brasil?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Temos a informação de uma condenação pelo envio de
990 mil dólares de forma ilegal. A informação é a de que o senhor responde a um
processo na Justiça federal por evasão de divisas, em virtude da existência de
contas-laranja em nome de funcionários de suas empresas.
O
senhor pode nos dizer exatamente quais as acusações que pesam e em que fase
estão?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, estou respondendo a dois processos e não só a um... O
senhor falou quanto?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Novecentos e noventa mil dólares.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, esse é outro. O senhor estava se referindo
primeiro a outras contas-laranja.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Isso, das contas-laranja. Não estou com a ordem
aqui.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esse é anterior. No ano de 1987, 1988, fui contratado por
uma empresa de turismo e câmbio que tinha sede em Florianópolis e filial em São
Paulo. Mas era o contrário, na realidade, porque o dono real tinha escritório
em São Paulo. Não mencionarei o nome do senhor a menos que o senhor me
solicite. Mas a empresa chamava-se Brusatur&Câmbio Ltda. Fui contratado
para trabalhar como gerente em Florianópolis. Aceitei, pois inicialmente estava
precisando realmente e, em...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Em que ano foi?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em 1988 eu comecei. Não tínhamos de ter registro, a
Brusatur não tinha registro no Banco Central para operar no mercado de taxas
flutuantes. E todos os dias passávamos a posição para o BESC, que era um banco
centralizador nessa região, sobre as operações realizadas. Efetivamente, também
havia operações no mercado paralelo. Florianópolis é uma cidade muito especial.
O câmbio paralelo está proibido, mas qualquer de S. Exªs caminhar pela rua de
pedestre Felipe Schmidt, que vai ver não um, mas vinte pessoas gritando câmbio!
dólar! câmbio! dólar! De fato, está permitido, e acho correto isso, porque se
Florianópolis recebe, ou melhor, recebia, durante os meses do verão, uma grande
quantidade de estrangeiros, especialmente argentinos e uruguaios, que precisam
cambiar dólares e não podem fazer... Claro, quem precisa cambiar US$10 ou US$20
e ficar numa fila de duas horas num banco... Então, isso é normal. A Brusatur,
na qual eu trabalhava, também fazia isso efetivamente. Mas isso não seria
problema. No ano de 1992, o dono da firma, o Sr. Hugo Garcia Kroger, fala com a
pessoa que era meu parceiro para gerenciar a agência, e comigo, para nos dizer
que ele vai sair do Brasil – ele era uruguaio – e ia para a Europa e que ia
fechar a firma; que ou ficávamos sem trabalho ou assumíamos a firma, que ele ia
nos cobrar um preço simbólico para pagar a perder de vista.
Depois que fizemos
isso, pouco depois, começaram a aparecer situações fraudulentas em que esse
senhor estava envolvido, mas não a empresa em si. Esse senhor arregimentava
entre funcionários da Brusatur de Florianópolis e outros lugares, porque também
tinha em São Paulo e em Balneário Camboriú, que, em troca de uma certa quantia
em dinheiro, esses funcionários iam a São Paulo e abriam contas em seu nome,
deixando cheques em branco para o Sr. Hugo. Bom, como ficamos donos da
Brusatur, apesar do que foi depois de tudo isso, a lei recaiu sobre nós. O Sr.
Hugo também foi condenado. Particularmente, há um recurso no STF do Rio Grande
do Sul.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Está lá?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – E nesse segundo caso dos 990 mil dólares?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Esses foram travels-checks que eu efetivamente comprei, com
recursos basicamente de amigos argentinos que me ajudaram nessa operação. Estou
sendo processado por falsidade ideológica. Disse que isso não é normal para
turismo, não, efetivamente, uma pessoa que viaja por uma semana, duas semanas,
a Buenos Aires, não precisa levar US$990 mil. De toda maneira, esses US$990 mil
também não foram comprados de uma vez, mas durante dois ou três anos. Depois,
revendi esses travels-checks ou
utilizava... Eu utilizei muitas vezes em Buenos Aires como garantias adicionais
para hipotecas, para garantias hipotecárias, durante pouco tempo. Isso eu
deixava a lucro também. Essa é a verdade do fato. De fato, fui processado por
isso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – E há uma informação também de que o senhor co-réu.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Como?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Há uma informação também...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – ...só para registrar aqui, Sr. Quaglia, em que fase está
esse processo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esse dos dólares? Dos travels
checks?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Isso.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Está ainda na 1ª Instância, ainda não transitou
totalmente em julgado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Sim. Já há sentença?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, ainda não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – E a informação, se o senhor confirma, de que o senhor é
co-réu junto com Najun Azario Flato Turner por remessa ilegal de 165 milhões e
200 mil dólares, durante cinco meses, no ano 2000. O senhor confirma isso?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O que posso confirmar é que fui incluído num processo,
aqui em São Paulo, no qual também se encontravam o Sr. Najun e o Sr. Simon, só
que não tinha nenhuma relação às causas pelas quais foram processados os Srs.
Najun e seu filho; fui processado exatamente pelo mesmo delito que estou sendo
processado novamente. E, apesar de ter apelado – por isso se chama duplicidade,
eu não posso ser processado duas vezes pela mesma causa –, o Juiz de
Florianópolis insistiu. Eu fui absolvido nesse processo de São Paulo em que
também se encontram Najun e Simon. Repito, ele não está mais sendo processado
por isso. Ele está sendo processado por uma empresa que ele tinha e da qual eu
não participava e não conhecia. Eu não sei por que estava sendo processado pela
compra de US$900 mil de travels checks no mercado de dólar turismo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – V. Sª conhece o Juiz João Carlos da Rocha Mattos?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não o conheço. Nunca fui processado por ele.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – É que foi ele que atuou no seu processo.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em qual?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Nesse da Junta...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu fui interrogado por uma juíza.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Lá em São Paulo também?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu fui interrogado por uma juíza nesse caso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Nesse caso, a partir da Operação Anaconda, a sentença foi
anulada por suspeita de que a decisão foi obtida mediante pagamento. Por isso é
que lhe perguntei se tinha alguma relação, se conhecia o Juiz João Carlos da
Rocha Mattos.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, mas gostaria de esclarecer uma coisa, se a minha
memória não me engana. Nesse processo eu saí absolvido, sim, mas Najun e Simon
foram condenados; entraram com recursos, tanto pela Promotoria como por eles.
Eu, claro, não recorri, mas, de qualquer maneira, a Promotoria recorreu. Eu
acho, não poderia afirmar, mas que eu saiba, não era esse senhor o juiz, mas
era uma mulher, uma juíza. Foi ela que me interrogou.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Foi ela quem deu a sentença?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Eu tenho em minha casa a alegação final (Incompreensível.)
que apresentei para pedir a duplicidade do processo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Está bem. V. Sª já teve alguma relação com a Corretora
Split?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – De tipo comercial? Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Conhece? Já ouviu falar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não sei, por isso perguntei.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Não lembra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Voltando à sua atividade, Sr. Quaglia, seu último negócio
foi exportação de máquinas motoniveladoras e tratores para o Uruguai e Holanda,
no ano de 2003, no valor de US$14 milhões. V. Sª disse que tais produtos foram
comprados pela empresa Discovery SRL, com sede no Paraguai.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Ao que parece, V. Sª recebeu os US$14 milhões e só enviou
US$1 milhão em máquinas. Como o senhor conseguiu transformar essa diferença em
empréstimo?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Num primeiro momento, esse dinheiro chegou como pagamento
antecipado de exportação.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Os US$14 milhões?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. A idéia era fazer as exportações. Houve muita
flutuação com o dólar e isso impossibilitou muito esse negócio.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Em 2003?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. A partir daí começou a queda do dólar. Para mim era
mais fácil converter isso em empréstimo, se conseguisse um acordo com a
Discovery. Eu pagaria em dinheiro. Não teria que comprar máquinas, porque isso
me sairia mais caro em termos de dólares. Pagaria em dinheiro, pagando juros de
praxe internacionais, 4,5% anuais. Aqui os juros são muito maiores. Eu poderia,
nesse ínterim, fazer aplicações no mercado financeiro e obter lucros e
devolver, como estão nas cláusulas contratuais, os valores.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Qual a natureza da empresa Discovery? Qual sua relação com
eles?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A relação é muito antiga, vem do tempo de meu pai, que
também era exportador na Argentina. Retomei o contato através de descendentes
da Discovery que têm uma trade na
Argentina. São operações de triangulações que são feitas no mundo inteiro...
Esqueço-me do nome que é muito técnico... trading...
Por exemplo, a Natimar é uma trading,
porque eu não fabrico nada para exportar. Mas eu posso servir aos exportadores.
Já fiz isso na Argentina antes de morar no Brasil. Através de uma trading de lá, eles me falaram que
estavam necessitando de uma empresa sediada no Brasil para fazer negócios de
exportação e importação com mercadorias brasileiras. Então, fico à disposição.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas quem são os sócios dessa empresa, da Discovery, no
Paraguai? O senhor pode nos dar os endereços, os contatos com essa empresa?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu preferia antes falar com eles, se for possível.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas, então, fica o compromisso com o senhor de, por favor,
nos prestar essa informação.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Sr. Presidente, quero perguntar por que ele prefere não falar?
Qual seria a
dificuldade de o senhor informar a origem dos recursos que o senhor
internalizou no Brasil? Ao que consta, o senhor registrou no Banco Central, tem
o registro no Banco Central. Acho que o senhor poderia nos falar, porque
ninguém conhece essa empresa, não sabe qual empresa.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou pedindo isso por uma questão ética, pessoal. O nome
da empresa é Discovery, tem registro no Banco Central daqui, porque ingressaram
com dinheiro, mas dizer os nomes das pessoas... Acredito, sinceramente, que não
faria diferença e é difícil para mim, pelo menos, falar nomes de pessoas quando
está muito clara a operação.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Mas qual é a dificuldade? Que questão ética está envolvida numa
operação comercial que deve ser legal, deve ter sido legal lá no Paraguai, onde
o senhor diz que buscou dinheiro, como aqui, no Brasil? Gostaria que o senhor
explicasse para nós, é importante, porque estamos estabelecendo uma
investigação sobre uma rede de contatos que passa por várias...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O sobrenome da pessoa fundadora da Discovery, há muito
tempo, é Lamas. Não tenho certeza, mas Diego Lamas deve ser quem está agora no
Paraguai. Mas a trading argentina
também relacionada com isso. Foi por eles o recontato.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Diego Lamas seria a
pessoa da empresa Discovery S.R.L.? Esse Sr. Diego Lamas foi seu
contato?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Lamas, não. O meu contato foi com uma trading na Argentina.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas como é? O senhor pode explicar?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – São muito normais no mercado de importação e exportação
operações de triangulação. Existe uma empresa conhecida no Paraguai, existe uma
empresa conhecida no Argentina, existe uma empresa conhecida no Brasil e em
outros lugares, mas todas essas empresas têm possibilidade de fazer operações
em todo o mundo, mas uma empresa com sede no Paraguai não pode simplesmente
conseguir produtos brasileiros se não conta com uma empresa que fica no Brasil.
Então, por isso fui me relacionar novamente com a Discovery, porque eles
estavam precisando disso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Foi o Marcos Valério quem mandou fazer essa operação, numa
forma de internalizar o recurso ou alguém?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não conheço o
Marcos Valério.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Só para consignar. A pergunta é a seguinte: o senhor
apresentou um patrimônio de R$500 mil e consegue um empréstimo de US$13
milhões? Quem consegue isso no mercado? É normal isso? O senhor consegue, numa
taxa de 4,5% e utiliza esse recurso eventualmente para aplicação no mercado
brasileiro? Isso nem um pai faz para um filho.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Isso é normal.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – É normal no mercado?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. O mercado se baseia muito na confiança. Além disso,
existem propriedades que estão em direito sucessório na Argentina, de minha
família, que, de alguma maneira, foram tomadas como garantia. Não chega a esse valor,
mas foram tomadas como garantia.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E esse empréstimo o senhor já quitou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não totalmente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Qual o total, Sr. Quaglia?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O total que me falta está em torno de US$6,5 milhões.
Parei totalmente com isso, com esse trabalho, com essa atividade desde que
começou a aparecer o meu nome, há um mês, um mês e meio, dois meses. Então, não
tenho cabeça. Consegui, no Banco Central, um adiamento do ROF, do Registro de
Operações Financeiras, e recomeçarei, se der tudo certo com as minhas
operações, a partir de novembro, atendendo o prato até maio de 2006, que
pretendo completar.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E essa diferença, Sr. Quaglia, o senhor aplicou aqui no
mercado interno? Os US$5,5 milhões?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou comprando na BM&F.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Em julho de 2004, o senhor afirmou que aplicou sete milhões
de reais na Bônus-Banval. Confere?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Durante todo o ano. Sim, é difícil fazer, porque nunca são
sete milhões juntos.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
Sim, durante um período.
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E a origem desses recursos da Bônus-Banval, o senhor
lembra?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. A origem dos meus recursos na Bônus-Banval são desse
empréstimo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Esse valor então equivale a ...
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – É o dinheiro que eu utilizei para fazer operações da BMF e
o dinheiro proveniente de empréstimo da Discovery, que primeiro foi pagamento
antecipado de exportação e depois converti em empréstimo. Aí está um bom
negócio.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Daí, quer dizer, o senhor converteu empréstimo,
internalizou uma parte desse recurso e aplicou na Bônus-Banval?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro. Na Bônus-Banval não, NA BMF.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas por meio da Bônus-Banval?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – E essa operação de exportação se efetivou?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não entendi.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Esse negócio da exportação das máquinas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Houve algumas exportações sim.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Ela se efetivou? O senhor lembra quantas foram vendidas?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram quatro ou cinco máquinas, na realidade. Tenho que
ver no registro, tenho toda essa boleta de exportações. Não lembro se foram
quatro ou cinco máquinas.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Para o Uruguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Algumas foram para Amsterdã, se não me engano duas, e
algumas foram para o Porto de Montevidéu, por indicação da Discovery. O mesmo
pagamento que faz essa ... o pagamento que já comecei a fazer e que interrompi
agora são feitos para as contas que a Discovery me indica.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Também no Paraguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, as contas estão em diferentes lugares do mundo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Qual o seu relacionamento com a empresa offshore, chamada Compañia de
Inversiones Ambientales, sediada no Uruguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não conheço.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR)– Não tem relação?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – O senhor nunca foi procurador de nenhuma empresa que atua
no Brasil, com sede no Uruguai?
O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não.
O SR. PRESIDENTE |