TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DOS DEPOENTES
Sr. CARLOS ALBERTO QUAGLIA e do
Sr.
NAJUN AZARIO FLATO TURNER
(11/10/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

SEXTA REUNIÃO DA SUB-RELATORIA DNA, SMP&B E FONTES FINANCEIRAS DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 11 DE OUTUBRO DE 2005 ÀS 11:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Declaro aberta a 6ª reunião da Sub-Relatoria da CPMI dos Correios com a pauta destinada à oitiva dos Srs. Carlos Alberto Quaglia e Najun Turner.

O Sr. Quaglia já se encontra aqui, já assinou o termo de compromisso e está acompanhado por seu advogado Dr. Aroldo Rodrigues.

Esse depoimento na Subcomissão se deve aos requerimentos dos Deputados Silvio Torres, Onyx Lorenzoni e ACM Neto, e nós vamos adotar como procedimento... Eu vou iniciar com alguns questionamentos, mas fica a palavra desde já aberta para os Parlamentares que queiram intervir, só havendo depois a necessidade de marcar tempo se estender ou houver um número maior de presentes.

Inicialmente, consulto o Sr. Quaglia e pediria para fazer a sua qualificação, nome, data de nascimento, tipo de atividade profissional que exerce, por favor.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Boa tarde a todos os senhores e as senhores presentes.

Eu nasci na Argentina e moro no Brasil desde o ano de 1979. Morei alguns anos em São Paulo e depois me transferi para a Florianópolis. Posso-me definir como empresário. Sempre me tinha inclinado às atividades de exportação e importação atrelada sempre à parte financeira dessas operações. Encontro-me aqui hoje realmente surpreso, mas com o maior desejo de colaborar com V. Exªs e ajudar vocês a esclarecer as coisas que precisam ser esclarecidas.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Sr. Quaglia, o senhor é o sócio proprietário da empresa Natimar?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sou, sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Quando foi fundada a empresa Natimar?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu fundei ela no ano de 1993, em Florianópolis mesmo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Em Florianópolis. E é só por curiosidade: qual o significado do nome Natimar?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – “Nati” é o apelido de minha filha e “mar” tem a ver com Florianópolis.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Com relação aos fatos, e já entrando, Sr. Quaglia, em depoimento à Polícia Federal o senhor disse que os vários depósitos da Bônus-Banval na conta da Natimar no valor de R$6,5 milhões foram por engano. Por que o senhor não exigiu imediatamente que fosse efetuado o estorno desse recurso?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Essa é uma história longa, mas eu exigi, eu pedi isso, mas já tinha uma histórica operação com a operadora Bônus-Banval que sempre foi muito positiva para mim. Quando iniciei as operações com ele, no ano de 2003, ele me ofereceu vantagens que não poderia obter em outra operadora, foram várias: devolução de grande parte das notas de corretagem cobria, durante alguns dias, o saldo eventualmente negativo de minha conta que estava descoberto e me deixava preocupado, depositava margem de garantia para operações futuras, coisa que exige a Bolsa BM&F. E nossa atividade foi sempre muito bem, eu sempre recebia as notas de corretagem corretas, que, na verdade, não são notas de corretagem da Bônus, são notas de corretagem da BM&F, mas que me chegavam através da Bônus. Sempre estavam corretas, de acordo com... E depois eu, por telefone, me informava da situação da conta. Às vezes, ficava negativa, e ela cobria efetivamente. Numa oportunidade, ele me falou de problemas – acho que ele chamou de logística – na tesouraria do caixa.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Logística?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Logística na tesouraria do caixa da corretora e que, por essa razão, tinha depositado – e vai aparecer na contabilidade deles –, em minha conta valores maiores do que realmente tinha. Eu falei para ele que, no meu caso, não tinha problema, que era só estornar isso; se era um erro de caixa, que estornasse. Ele falou que não podia fazer isso porque estava sofrendo uma auditoria externa. Não me explicou de quem era a auditoria, eu também não entrei em detalhes, mas que não podia fazer esse estorno nesse momento por causa de uma auditoria externa. Mas ele falou para mim que podíamos deixar minha conta com saldo normal, resolver o problema, se eu permitia para ele repassar o saldo excessivo na minha conta, para outra conta dele. Eu acedi a isso, e assinei bastantes cartas de transferência para outra conta dele. Preciso declarar que uma conta numa corretora não é o mesmo que uma conta em banco; uma conta numa corretora é de absoluto controle da corretora, pois a contabilidade não está atrelada ao Banco Central como está, por exemplo, a conta corrente de um banco. Então, ele pode fazer o que bem entender. Mas não pensei, em nenhum momento, claro, que isso poderia ter haver com alguma coisa que pudesse me prejudicar, ou alguém. Simplesmente, de alguma maneira, estava ajudando ele, acedendo a isso, como ele me ajudava quando a vantagem que me oferecia eu não encontrava em outra corretora.

Neste momento, hoje, eu afirmo que só nesse valor que ele... Claro, a ele chegava a valores, não sei se em dinheiro vivo, ou a conta corrente bancária da corretora; e ele devia repassar esse valor para uma pessoa que não deve aparecer. Claro, essa é uma conclusão que estou fazendo hoje depois de todos esses acontecimentos. Ele simplesmente faz esse jogo e oculta o que está acontecendo. Isso durou bastante tempo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Quanto tempo?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu assinei carta acho que duas vezes; eu nem olhava realmente. Mas...

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor falou que assinou duas vezes cartas.

Só para voltar. Quer dizer, ele não podia estornar o recurso porque estava sob auditoria.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sempre com auditoria interna.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Daí a primeira carta, depois que o senhor verificou esse depósito, quando foi? Quanto tempo depois?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Lembro do mês, foi junho, que ele me falou do tema, na realidade. Foi ele que me informou sobre o erro da contabilidade. Acho que foi em junho.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Depois o senhor assinou a primeira carta de transferência...

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram várias.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Foram várias. Quantas?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não saberia precisar agora, mas me lembro que eram várias porque até cansei de assinar. Normalmente eram de valores pequenos, mas não olhava muito para isso. Eu tinha uma relação de muita confiança para com o Sr. Nivaldo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Mas ele mandou para o senhor uma quantidade e o senhor assinou sem ler, sem verificar o valor?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu lia por cima e como não conhecia essas pessoas e nem me correspondia conhecê-las, eu não fiz objeção; fiz isso em duas  oportunidades. Depois ele insistiu e não quis mais.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor não se lembra se foram cinco, dez, vinte, trinta?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram muito mais.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Cinqüenta, sessenta?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, em torno disso.

Em junho de 2005, agora, o Sr. Nivaldo, da Bônus-Banval, me enviou por correspondência a meu endereço, em Florianópolis, um envelope com oitenta folhas para eu assinar, muitas das quais, já lhe afirmei, consegui ver elas no depoimento da Polícia Federal. Obviamente que não afirmei e nem entrei em contato com ele. Tentei ver ele em São Paulo, mas não quis me receber.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Depois o senhor não falou mais com ele, não teve mais encontro?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, depois de fevereiro, março deste ano nunca mais; encerrei minha operação nisso aí.

Não tinha nenhuma razão para falar, porque não me prejudicou em absoluta nas operações comerciais, financeiras; sempre foi muito certo nisso. As notas de corretagem que me enviava da BM&F correspondia com as operações que tinha feito. Mas em junho, deste ano, ele me envia por correspondência, sem nenhum esclarecimento, sem nenhuma ligação telefônica anterior, um envelope com setenta e oito – sei porque contei elas agora – cartas para eu assinar. Coisa que eu não fiz.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Essas setenta e oito cartas são além daquelas iniciais?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro, mas percebi muitas repetidas, sobretudo algumas que eu tinha solicitado, mas havia repetidas.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Por exemplo, algum nome o senhor lembra?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Deusa Costa, esposa do Sr. Najun.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Por que lhe chamou a atenção nesse momento e não antes?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, ao que me chamou a atenção na hora foi que, em junho, me enviara de novo, quando já tinha me falado cinqüenta vezes que não. Para que queria mais agora se não estava fazendo mais operação com ele, ou seja, ele nem poderia mais manipular a conta?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Só voltando, então, antes de chegar nessa segunda etapa, apareceram 6,5 milhões a mais. O senhor emitiu cartas de transferência sem ler para quem eram e sem lembrar os valores?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Como o senhor declarou isso para efeitos fiscais e na BM&F se esses 6,5 milhões não eram seus? Como o senhor justifica?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Porque eu não preciso declarar isso para BM&F. O que importa, em meu caso com a BM&F, são as corretagens, as operações normalmente de trade que faço com a BM&F. A contabilidade do Sr. Nivaldo da Bônus-Banval não tem nada a ver com... Agora, se ele diz que fez operações com dinheiro que não era meu, vai ter de provar isso, contando compatibilidade entre esses ingressos errados em minha conta em notas da corretagem da BM&F.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Nós vamos chegar lá, mas eu queria ainda insistir: que vantagens o Sr. Nivaldo ofereceu para que o senhor aplicasse na Bônus-Banval, quer dizer, como funcionava a comissão de corretagem, o prazo de permanência do recurso, existia a cobrança ou não de juros dos valores descobertos?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Qual era a comissão de corretagem?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A comissão de corretagem era de 80%. Se eu tinha de pagar 100 por corretagem, ele me cobrava 20. Isso não é muito estranho. Muitas corretoras fazem isso. As outras, sim, são mais interessantes. Eu poderia operar (Incompreensível.) na conta dele, na Bônus, ou a descoberto, até cinco dias, por R$500 mil. Ele cobria. Imagino eu, como cobria: claro, tirava de outras contas.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Além mais? Alguma com relação a determinados valores, CPMF?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – E margem de garantia. Ele me cobrava CPMF. Isso, sim, me cobrava.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – A partir de que valor? De todas as aplicações?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Até R$500 mil. Podia ser de R$10 até R$500 mil. Quando ele fazia isso, ele me cobrava CPMF. Imagino que ele efetivamente pagaria.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Só para registrar, essa operação que está sendo atribuída ao senhor, que o senhor diz ter sido por engano, ela está se caracterizando como um ilícito bastante usual, inclusive, em várias operações, nós estamos verificando nessa investigação. O dinheiro frio entrava na corretora, seja de dentro do Brasil ou de fora, esse dinheiro é aplicado, paga imposto na fonte e sai limpinho em nome de um laranja. Em regra geral, todos estão apresentando essa mesma justificativa: que foi um engano. Como não foi possível ser feito o estorno, houve a emissão de transferência de recursos e, portanto, a conta fecha, não há problema com a Receita, com o Banco Central, não há problema com a BM&F. A partir daí, basta um cheque endossado para que seja sacado em nome do beneficiado sem maiores problemas. Quer dizer, o senhor, então, afirma de forma taxativa: não está envolvido nessa negociação. O senhor desconhece completamente todos os nomes?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Claro. Ele falou que era um erro de caixa dele. Eu entendi que acontecesse isso. Acreditei realmente nisso.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Mas nunca o senhor tinha tido um problema antes dessa natureza com quem quer que seja?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Com nenhuma corretora. Jamais. Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor conhece Dário Messer?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Alberto Youssef?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Toninho da Barcelona?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Toninho eu cheguei a conhecer, sim. Há algum tempo atrás. Anos atrás.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Qual a relação que o senhor teve com ele?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Conheci ele socialmente, só.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Em Santa Catarina?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não. Em São Paulo. Em uma oportunidade, comprei uma passagem para ele e para a minha filha viajarem para a Espanha. Eu comprei a passagem deles. Essa foi a única operação comercial que eu tive com ele.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Haroldo Bicalho?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Haroldo Pororoca?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor reconheceu ter transferido recursos para Deusa Maria da Costa e Yuri Flato que são esposa e filhos de Najun Turner, não é?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Qual a razão dessa transferência?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu conheço o Najun faz muitos anos, quando residia em São Paulo. Travei amizade pessoal com ele. Eu sei que Najun, pelo menos dentro do mercado, dos operadores de mercado que conheci, é o que mais conhecimento tem sobre todas as operações no mercado de risco, com opões na Bovespa e contratos de futuros na BM&F. Não sou muito entendido nisso, essa é a verdade.

Durante todo esse período, recebi assessoria e fiquei devendo dinheiro para ele. Claro que não houve nenhum contrato escrito entre nós dois, não precisávamos disso.

Essa transferência para Deusa e para Yuri é resultado de pedidos dele por pagamentos meus pela consultoria.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – E o senhor fez operações semelhantes para outras pessoas também nesses valores?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Só para ele?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, só para ele.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor já teve alguma sociedade com ele?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Nunca? Nenhuma?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR.  PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Segundo o Sr. Enivaldo Quadrado, a Bônus-Banval operava aplicando na Natimar em ouro e na BM&F, a pedido de Marcos Valério. O senhor confirma isso?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, eu não conheço o Sr. Marcos Valério.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Consta que tanto a Tolentino, que é uma empresa da qual Marcos Valério tem sociedade, quanto a 2S, uma outra empresa da qual ele é sócio, depositaram – e essa informação que nos veio dele – 6,5 milhões de reais na conta corrente que a Natimar mantinha na Bônus-Banval.  O senhor acha que também houve um erro na origem?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou achando que não é um erro. Acho que isso foi manipulado, isso foi uma utilização criminosa na Natimar, porque o Sr. Quadrado deveria precisar esconder isso. Não é a primeira vez que uma corretora comete fraudes e desse tipo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Como funciona isso?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Ele pode fazer, criar transferências porque não são contas bancárias, são contas internas da corretora.  Ele pode fazer transferências, pode criar situações, pode anulá-las.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Qual a vantagem dele fazer isso?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A vantagem dele é lavar dinheiro, evidentemente.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Na sua opinião,  é lavagem de dinheiro.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Mas, por que ele usaria justamente a Natimar e não uma outra?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A Natimar caiu como uma pelica, como uma luva na mão dele. Eu confiava muito nele, eu melhorei muito, gananciosamente, vou dizer, pela vantagem por ele oferecida. Para mim, é muito fácil trabalhar assim. Vendi um ativo em descoberto e não precisava tê-lo porque é obrigatório, porque ele o captava para mim. Podia ficar descoberto.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Por que ele faria essa operação de lavagem de dinheiro? Qual a razão dele ter que fazer essa operação? O senhor tem conhecimento?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, nunca falamos sobre isso.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Nunca se preocupou em saber?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Nunca falamos sobre isso, não pensei nunca que era lavagem de dinheiro. Essas são conclusões a que estou chegando agora, nesse momento. Mas quando eu assinava a carta nunca pensava nisso, se eu pensasse assim não teria feito. Posso ser desligado, mas não sou louco.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Justamente por isso que chamamos o senhor. Por isso acredito que o senhor não teria assinado sem conhecer. O senhor acha normal uma pessoa, com a experiência que o senhor tem, assinar tantas cartas de transferência em branco, suspeitando agora que se tratava de uma operação de lavagem de dinheiro? É usual isso?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Mas por que suspeito agora?  Sobretudo por tudo o que aconteceu, senão não teria acontecido esta CPMI. E isso continua a passar por minha cabeça.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Vou voltar um pouco aqui para constar, Sr. Quaglia...

O senhor tem visto permanente no Brasil?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não entendi.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – O senhor tem visto permanente no Brasil?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Temos a informação de uma condenação pelo envio de 990 mil dólares de forma ilegal. A informação é a de que o senhor responde a um processo na Justiça federal por evasão de divisas, em virtude da existência de contas-laranja em nome de funcionários de suas empresas.

O senhor pode nos dizer exatamente quais as acusações que pesam e em que fase estão?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim, estou respondendo a dois processos e não só a um... O senhor falou quanto?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Novecentos e noventa mil dólares.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, esse é outro. O senhor estava se referindo primeiro a outras contas-laranja.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Isso, das contas-laranja. Não estou com a ordem aqui.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esse é anterior. No ano de 1987, 1988, fui contratado por uma empresa de turismo e câmbio que tinha sede em Florianópolis e filial em São Paulo. Mas era o contrário, na realidade, porque o dono real tinha escritório em São Paulo. Não mencionarei o nome do senhor a menos que o senhor me solicite. Mas a empresa chamava-se Brusatur&Câmbio Ltda. Fui contratado para trabalhar como gerente em Florianópolis. Aceitei, pois inicialmente estava precisando realmente e, em...

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Em que ano foi?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em 1988 eu comecei. Não tínhamos de ter registro, a Brusatur não tinha registro no Banco Central para operar no mercado de taxas flutuantes. E todos os dias passávamos a posição para o BESC, que era um banco centralizador nessa região, sobre as operações realizadas. Efetivamente, também havia operações no mercado paralelo. Florianópolis é uma cidade muito especial. O câmbio paralelo está proibido, mas qualquer de S. Exªs caminhar pela rua de pedestre Felipe Schmidt, que vai ver não um, mas vinte pessoas gritando câmbio! dólar! câmbio! dólar! De fato, está permitido, e acho correto isso, porque se Florianópolis recebe, ou melhor, recebia, durante os meses do verão, uma grande quantidade de estrangeiros, especialmente argentinos e uruguaios, que precisam cambiar dólares e não podem fazer... Claro, quem precisa cambiar US$10 ou US$20 e ficar numa fila de duas horas num banco... Então, isso é normal. A Brusatur, na qual eu trabalhava, também fazia isso efetivamente. Mas isso não seria problema. No ano de 1992, o dono da firma, o Sr. Hugo Garcia Kroger, fala com a pessoa que era meu parceiro para gerenciar a agência, e comigo, para nos dizer que ele vai sair do Brasil – ele era uruguaio – e ia para a Europa e que ia fechar a firma; que ou ficávamos sem trabalho ou assumíamos a firma, que ele ia nos cobrar um preço simbólico para pagar a perder de vista.

Depois que fizemos isso, pouco depois, começaram a aparecer situações fraudulentas em que esse senhor estava envolvido, mas não a empresa em si. Esse senhor arregimentava entre funcionários da Brusatur de Florianópolis e outros lugares, porque também tinha em São Paulo e em Balneário Camboriú, que, em troca de uma certa quantia em dinheiro, esses funcionários iam a São Paulo e abriam contas em seu nome, deixando cheques em branco para o Sr. Hugo. Bom, como ficamos donos da Brusatur, apesar do que foi depois de tudo isso, a lei recaiu sobre nós. O Sr. Hugo também foi condenado. Particularmente, há um recurso no STF do Rio Grande do Sul.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Está lá?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – E nesse segundo caso dos 990 mil dólares?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Esses foram travels-checks que eu efetivamente comprei, com recursos basicamente de amigos argentinos que me ajudaram nessa operação. Estou sendo processado por falsidade ideológica. Disse que isso não é normal para turismo, não, efetivamente, uma pessoa que viaja por uma semana, duas semanas, a Buenos Aires, não precisa levar US$990 mil. De toda maneira, esses US$990 mil também não foram comprados de uma vez, mas durante dois ou três anos. Depois, revendi esses travels-checks ou utilizava... Eu utilizei muitas vezes em Buenos Aires como garantias adicionais para hipotecas, para garantias hipotecárias, durante pouco tempo. Isso eu deixava a lucro também. Essa é a verdade do fato. De fato, fui processado por isso.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – E há uma informação também de que o senhor co-réu.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Como?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Há uma informação também...

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – ...só para registrar aqui, Sr. Quaglia, em que fase está esse processo?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Esse dos dólares? Dos travels checks?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Isso.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Está ainda na 1ª Instância, ainda não transitou totalmente em julgado.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Sim. Já há sentença?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, ainda não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – E a informação, se o senhor confirma, de que o senhor é co-réu junto com Najun Azario Flato Turner por remessa ilegal de 165 milhões e 200 mil dólares, durante cinco meses, no ano 2000. O senhor confirma isso?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O que posso confirmar é que fui incluído num processo, aqui em São Paulo, no qual também se encontravam o Sr. Najun e o Sr. Simon, só que não tinha nenhuma relação às causas pelas quais foram processados os Srs. Najun e seu filho; fui processado exatamente pelo mesmo delito que estou sendo processado novamente. E, apesar de ter apelado – por isso se chama duplicidade, eu não posso ser processado duas vezes pela mesma causa –, o Juiz de Florianópolis insistiu. Eu fui absolvido nesse processo de São Paulo em que também se encontram Najun e Simon. Repito, ele não está mais sendo processado por isso. Ele está sendo processado por uma empresa que ele tinha e da qual eu não participava e não conhecia. Eu não sei por que estava sendo processado pela compra de US$900 mil de travels checks no mercado de dólar turismo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – V. Sª conhece o Juiz João Carlos da Rocha Mattos?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não o conheço. Nunca fui processado por ele.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – É que foi ele que atuou no seu processo.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Em qual?

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Nesse da Junta...

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu fui interrogado por uma juíza.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Lá em São Paulo também?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu fui interrogado por uma juíza nesse caso.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Nesse caso, a partir da Operação Anaconda, a sentença foi anulada por suspeita de que a decisão foi obtida mediante pagamento. Por isso é que lhe perguntei se tinha alguma relação, se conhecia o Juiz João Carlos da Rocha Mattos.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, mas gostaria de esclarecer uma coisa, se a minha memória não me engana. Nesse processo eu saí absolvido, sim, mas Najun e Simon foram condenados; entraram com recursos, tanto pela Promotoria como por eles. Eu, claro, não recorri, mas, de qualquer maneira, a Promotoria recorreu. Eu acho, não poderia afirmar, mas que eu saiba, não era esse senhor o juiz, mas era uma mulher, uma juíza. Foi ela que me interrogou.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Foi ela quem deu a sentença?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. Eu tenho em minha casa a alegação final (Incompreensível.) que apresentei para pedir a duplicidade do processo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Está bem. V. Sª já teve alguma relação com a Corretora Split?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – De tipo comercial? Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Conhece? Já ouviu falar?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não sei, por isso perguntei.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Não lembra?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Voltando à sua atividade, Sr. Quaglia, seu último negócio foi exportação de máquinas motoniveladoras e tratores para o Uruguai e Holanda, no ano de 2003, no valor de US$14 milhões. V. Sª disse que tais produtos foram comprados pela empresa Discovery SRL, com sede no Paraguai.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Ao que parece, V. Sª recebeu os US$14 milhões e só enviou US$1 milhão em máquinas. Como o senhor conseguiu transformar essa diferença em empréstimo?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Num primeiro momento, esse dinheiro chegou como pagamento antecipado de exportação.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Os US$14 milhões?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. A idéia era fazer as exportações. Houve muita flutuação com o dólar e isso impossibilitou muito esse negócio.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Em 2003?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. A partir daí começou a queda do dólar. Para mim era mais fácil converter isso em empréstimo, se conseguisse um acordo com a Discovery. Eu pagaria em dinheiro. Não teria que comprar máquinas, porque isso me sairia mais caro em termos de dólares. Pagaria em dinheiro, pagando juros de praxe internacionais, 4,5% anuais. Aqui os juros são muito maiores. Eu poderia, nesse ínterim, fazer aplicações no mercado financeiro e obter lucros e devolver, como estão nas cláusulas contratuais, os valores.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Qual a natureza da empresa Discovery? Qual sua relação com eles?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – A relação é muito antiga, vem do tempo de meu pai, que também era exportador na Argentina. Retomei o contato através de descendentes da Discovery que têm uma trade na Argentina. São operações de triangulações que são feitas no mundo inteiro... Esqueço-me do nome que é muito técnico... trading... Por exemplo, a Natimar é uma trading, porque eu não fabrico nada para exportar. Mas eu posso servir aos exportadores. Já fiz isso na Argentina antes de morar no Brasil. Através de uma trading de lá, eles me falaram que estavam necessitando de uma empresa sediada no Brasil para fazer negócios de exportação e importação com mercadorias brasileiras. Então, fico à disposição.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas quem são os sócios dessa empresa, da Discovery, no Paraguai? O senhor pode nos dar os endereços, os contatos com essa empresa?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu preferia antes falar com eles, se for possível.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, então, fica o compromisso com o senhor de, por favor, nos prestar essa informação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Presidente, quero perguntar por que ele prefere não falar?

Qual seria a dificuldade de o senhor informar a origem dos recursos que o senhor internalizou no Brasil? Ao que consta, o senhor registrou no Banco Central, tem o registro no Banco Central. Acho que o senhor poderia nos falar, porque ninguém conhece essa empresa, não sabe qual empresa.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou pedindo isso por uma questão ética, pessoal. O nome da empresa é Discovery, tem registro no Banco Central daqui, porque ingressaram com dinheiro, mas dizer os nomes das pessoas... Acredito, sinceramente, que não faria diferença e é difícil para mim, pelo menos, falar nomes de pessoas quando está muito clara a operação.

O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas qual é a dificuldade? Que questão ética está envolvida numa operação comercial que deve ser legal, deve ter sido legal lá no Paraguai, onde o senhor diz que buscou dinheiro, como aqui, no Brasil? Gostaria que o senhor explicasse para nós, é importante, porque estamos estabelecendo uma investigação sobre uma rede de contatos que passa por várias...

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O sobrenome da pessoa fundadora da Discovery, há muito tempo, é Lamas. Não tenho certeza, mas Diego Lamas deve ser quem está agora no Paraguai. Mas a trading argentina também relacionada com isso. Foi por eles o recontato.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Diego Lamas seria a  pessoa da empresa Discovery S.R.L.? Esse Sr. Diego Lamas foi seu contato?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. Lamas, não. O meu contato foi com uma trading na Argentina.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas como é? O senhor pode explicar?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – São muito normais no mercado de importação e exportação operações de triangulação. Existe uma empresa conhecida no Paraguai, existe uma empresa conhecida no Argentina, existe uma empresa conhecida no Brasil e em outros lugares, mas todas essas empresas têm possibilidade de fazer operações em todo o mundo, mas uma empresa com sede no Paraguai não pode simplesmente conseguir produtos brasileiros se não conta com uma empresa que fica no Brasil. Então, por isso fui me relacionar novamente com a Discovery, porque eles estavam precisando disso.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Foi o Marcos Valério quem mandou fazer essa operação, numa forma de internalizar o recurso ou alguém?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Eu não conheço o  Marcos Valério.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só para consignar. A pergunta é a seguinte: o senhor apresentou um patrimônio de R$500 mil e consegue um empréstimo de US$13 milhões? Quem consegue isso no mercado? É normal isso? O senhor consegue, numa taxa de 4,5% e utiliza esse recurso eventualmente para aplicação no mercado brasileiro? Isso nem um pai faz para um filho.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Isso é normal.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É normal no mercado?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim. O mercado se baseia muito na confiança. Além disso, existem propriedades que estão em direito sucessório na Argentina, de minha família, que, de alguma maneira, foram tomadas como garantia. Não chega a esse valor, mas foram tomadas como garantia.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E esse empréstimo o senhor já quitou?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não totalmente.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual o total, Sr. Quaglia?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – O total que me falta está em torno de US$6,5 milhões. Parei totalmente com isso, com esse trabalho, com essa atividade desde que começou a aparecer o meu nome, há um mês, um mês e meio, dois meses. Então, não tenho cabeça. Consegui, no Banco Central, um adiamento do ROF, do Registro de Operações Financeiras, e recomeçarei, se der tudo certo com as minhas operações, a partir de novembro, atendendo o prato até maio de 2006, que pretendo completar.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E essa diferença, Sr. Quaglia, o senhor aplicou aqui no mercado interno? Os US$5,5 milhões?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Estou comprando na BM&F.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em julho de 2004, o senhor afirmou que aplicou sete milhões de reais na Bônus-Banval. Confere?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Durante todo o ano. Sim, é difícil fazer, porque nunca são sete milhões juntos.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Sim, durante um período.

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E a origem desses recursos da Bônus-Banval, o senhor lembra?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não. A origem dos meus recursos na Bônus-Banval são desse empréstimo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Esse valor então equivale a ...

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – É o dinheiro que eu utilizei para fazer operações da BMF e o dinheiro proveniente de empréstimo da Discovery, que primeiro foi pagamento antecipado de exportação e depois converti em empréstimo. Aí está um bom negócio.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Daí, quer dizer, o senhor converteu empréstimo, internalizou uma parte desse recurso e aplicou na Bônus-Banval?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Claro. Na Bônus-Banval não, NA BMF. 

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas por meio da Bônus-Banval?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E essa operação de exportação se efetivou?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não entendi.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Esse negócio da exportação das máquinas?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Houve algumas exportações sim.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ela se efetivou? O senhor lembra quantas foram vendidas?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Foram quatro ou cinco máquinas, na realidade. Tenho que ver no registro, tenho toda essa boleta de exportações. Não lembro se foram quatro ou cinco máquinas.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Para o Uruguai?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Algumas foram para Amsterdã, se não me engano duas, e algumas foram para o Porto de Montevidéu, por indicação da Discovery. O mesmo pagamento que faz essa ... o pagamento que já comecei a fazer e que interrompi agora são feitos para as contas que a Discovery me indica.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Também no Paraguai?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não, as contas estão em diferentes lugares do mundo.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual o seu relacionamento com a empresa offshore, chamada Compañia de Inversiones Ambientales, sediada no Uruguai?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA  – Não conheço.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR)– Não tem relação?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não.

O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor nunca foi procurador de nenhuma empresa que atua no Brasil, com sede no Uruguai?

O SR. CARLOS ALBERTO QUAGLIA – Não, não.

O SR. PRESIDENTE