TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DA DEPOENTE
SRA. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA
(26/07/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

DÉCIMA OITAVA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 26 DE JULHO DE 2005 ÀS 10:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Rogando as bênçãos de Deus, havendo número regimental, declaro aberta a 18ª reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada através do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias de atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Informo ao Plenário que esta Presidência recebeu o Ofício nº 9.705, que justifica a ausência do Senador Fernando Bezerra em função de compromissos inadiáveis no Rio Grande do Norte, mas S. Exª estará presente amanhã, na nossa reunião administrativa.

Esclareço que a pauta desta reunião destina-se à oitiva da Srª Renilda Maria Santiago.

Gostaria de registrar, antes da oitiva da Srª Renilda, que recebi do Supremo Tribunal Federal uma Medida Cautelar do Sr. Ministro Nelson Jobim, Presidente do STF, e é importante, à luz do parecer do STF, esclarecer aos membros desta Comissão que a Srª Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza prestará o seu depoimento na condição de testemunha.

Informa ainda esta Presidência, em face de despacho de S. Exª, Ministro Nelson Jobim, Presidente do STF, ao denegar pedido liminar no Habeas Corpus nº 86.355 para que a paciente não viesse a comparecer à reunião desta CPMI, que a testemunha estará obrigada a depor, conforme determinação desta Comissão, com base no art. 206, parte final do Código de Processo Penal, ratificada pela Suprema Corte. Não estará, todavia, obrigada a firmar compromisso de dizer a verdade, conforme determina o art. 203 do Código de Processo Penal, por ser, como se sabe, cônjuge do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza, ora investigado por esta Comissão, aplicando-se nesta hipótese a exceção prevista no art. 208 do Código de Processo Penal.

A testemunha prestará seu testemunho oralmente, podendo, entretanto, fazer breve consulta a apontamentos, consoante o disposto no art. 204 do Código de Processo Penal.

A testemunha deverá, portanto, responder a todas as perguntas que lhe forem formuladas, assegurando-se-lhe, entretanto, a observância da garantia constitucional, nos termos do art. 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal, de não se auto-incriminar, conforme ressalta despacho do Ministro Nelson Jobim, em sede de reconsideração, o que importa, em última instância, o protesto pelo direito ao silêncio, facultando-se-lhe a assistência do seu advogado tão-somente para a orientação da conveniência ou não de responder.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem a Deputada Juíza Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, pelo que li, pelo que ouvi, a ordem foi concedida à depoente porque ela se disse esposa de Marcos Valério. A Comissão não tem nenhuma intenção, parece-me, de ouvir as esposas nem do Sr. Delúbio nem do Sr. Marcos Valério nem do Sr. Sílvio Pereira. Mas, no caso de Dona Renilda, a Comissão tem interesse em ouvi-la porque ela é sócia nos negócios dele. Conversei há pouco com o advogado de Dona Renilda. Não sei se essa condição teria sido levada ao Ministro Jobim. De qualquer forma, o Ministro não pode dizer que ela é investigada, mas, de fato, Dona Renilda é investigada. Nós devemos dizer isso aqui e agora.

Qual a diferença prática disso, Sr. Presidente? A diferença prática é que, como investigada, ela tem as mesmas condições da testemunha informante. Informante é a esposa, é o filho, o pai, o parente até o terceiro grau que não está obrigado a depor, sob as penas do falso testemunho, que  diz: é falso testemunho fazer afirmação falsa ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, tradutor ou intérprete em processo policial, judicial, administrativo ou em juízo arbitral, cuja pena é de um a três anos de reclusão e multa. É o que diz a lei. Eu decorei porque a vida inteira eu falei isso.

Pois bem, na condição de informante, ela é uma testemunha informante. Não prestará o compromisso, mas, na qualidade de investigada, ela terá o advogado e poderá consultá-lo um pouco mais.

De modo que o Ministro Jobim não poderia dizer que ela é investigada, porque isso é prerrogativa da Comissão.

Mas, Sr. Presidente, submeto à reflexão de V. Exª e do Relator que ela, de fato, virá aqui não como a esposa de Marcos Valério, mas como sócia. Estou interessada em ouvir a Dona Renilda sobre os negócios. Desculpe-me, Sr. Presidente, mas, como esposa dele, saber como vai a sua casa, isso não me interessa. E creio que não é este o objetivo da Comissão.

De modo que requeiro a V. Exª que submeta ao Plenário a condição em que ela será ouvida, porque esta prerrogativa é da Comissão. E a mim me parece que deverá ser ouvida como investigada. É como entendo, Sr. Presidente.

O SR. ANTONO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, Deputado ACM Neto.

Antes de começarmos, pediria a V. Exªs parcimônia no “pela ordem”, porque precisamos começar a reunião. Já estamos bastante atrasados, como disse muito bem o Senador Alvaro Dias.

Então, vou dar a palavra, pela ordem, ao Deputado ACM Neto, ao Deputado Arnaldo Faria de Sá e ao Deputado José Eduardo Cardozo. Então nós começaremos a nossa oitiva.

Deputado Ônix quer fazer outra questão de ordem.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Também espero não ser necessário pela ordem.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, serei breve.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, confesso que compreendi quase que integralmente o parecer apresentado por V. Exª, à luz do despacho do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Nelson Jobim. Contudo, restou-me alguma dúvida no que tange à parte final do parecer de V. Exª, sobre a possibilidade de a depoente se recusar a responder determinadas perguntas. Por quê?

A página quatro do despacho do Ministro Nelson Jobim é clara. Diz o seguinte o Ministro Nelson Jobim - peço a V. Exª que preste atenção, porque, no final, talvez V. Exª tenha que dirimir alguma dúvida. Diz o Ministro Nelson Jobim que há de prevalecer essa decisão que afasta a faculdade de recusa.

Então o Ministro Nelson Jobim é claro ao pronunciar que se afasta a faculdade de recusa.

Seguindo, o art. 208 do Código de Processo Penal determina que não se tomará o compromisso de dizer a verdade do cônjuge e de parentes referidos no art. 206.

Por último, observe-se que somente ao acusado a lei assegura o direito de permanecer calado e não responder às perguntas que lhe forem formuladas.

 A interpretação clara do que dispõe o Ministro Nelson Jobim nos faz crer que a depoente não poderá se recusar a responder às perguntas, porque esse direito só é dado ao acusado. Repito, o direito de permanecer calado e de não responder às perguntas que forem formuladas só deve ser observado quando se tratar do acusado – Código...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – V. Exª me permite um aparte?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Já, já. Só queria concluir, Deputada.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Pois não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Código de Processo Penal, art. 186. Creio que o parecer do Ministro Nelson Jobim é claro. Antes de concluir, concedo um aparte à Deputada Denise Frossard.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Muito obrigada, Deputado ACM Neto, sempre elegante.

Quero apenas submeter à sua reflexão, e refletirmos juntos – V. Exª é tão jovem, mas é um jurista tão brilhante –, a respeito do seguinte: se ela não é obrigada a auto-incriminar-se, o que é um dispositivo constitucional, isso significa, em última análise, o silêncio.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas é justamente por isso, Deputada, que estou fazendo um questionamento ao Presidente. Não me pareceu clara a interpretação do parecer por S. Exª proferido e lido.

Na última página, para encerrar...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Há, Deputado ACM Neto, um despacho superior do início da noite de ontem...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Superveniente a esse?

 O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –  Superveniente a esse.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Em decorrência de que provocação, Sr. Presidente?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Em função do pedido de reconsideração...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Podem ter sido embargos de declaração.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Em função de um pedido de reconsideração do advogado da Srª Renilda.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Esse é um fato novo. Então, esse parecer de que dispomos foi aditado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Encaminharei a V. Exª esse parecer. O entendimento é exatamente nesse sentido que a Deputada Juíza Denise Frossard acabou de afirmar: que, pela não-auto-incriminação, é absolutamente claro que S. Sª pode calar-se.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, quero fazer mais um pergunta para encerrar.

 Como é que vamos ter condições de interpretar os limites daquilo que é auto-incriminação? Por exemplo, podem existir fatos que auto-incriminem a depoente – e, nesse caso, segundo a suplementação apresentada pelo Ministro Nelson Jobim, S. Sª estaria autorizada a não se pronunciar –, mas podem existir outros...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – V. Exª me permite um aparte novamente?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Claro. Podem existir outros que incriminem, por exemplo, o Sr. Marcos Valério e que não incriminem a Srª Renilda. Sobre esses fatos eu perguntaria a V. Exª: como é que procederíamos?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – É o mesmo raciocínio com os demais que vieram aqui depor, Deputado ACM Neto. Vamos objetivar no concreto, efetivamente na investigação e com os fatos.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Conceda-me um aparte?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –  Encerro e agradeço a V. Exª. Afirmo que todo esse debate é importante para que saibamos exatamente os limites em que devemos tratar a depoente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com certeza, Deputado ACM Neto.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, quero falar a respeito de um ponto. O juiz da auto-incriminação é o próprio. Só ele poderá dizer se aquilo o incrimina ou não. Infelizmente, não somos juízes dessa auto-incriminação.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Deputado Arnaldo Faria de Sá e, depois, ao Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente...

O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – (Fora do microfone. Inaudível.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Já estavam inscritos, meu caríssimo Deputado Alberto Fraga.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, creio que V. Exª deveria ler a parte final desse pedido de esclarecimento do advogado da Srª Renilda, que foi negado pelo Ministro Nelson Jobim, porque essa decisão do Ministro Nelso Jobim, complementar, esclarece muitas das dúvidas que estão sendo levantadas aqui agora.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Lerei, meu caro Deputado Arnaldo Faria de Sá:

“A decisão.

A liminar foi pleiteada inicialmente nestes limites:

a) direito de não-comparecimento à sessão da CPMI dos Correios do Congresso Nacional, na próxima terça-feira, dia 26 de julho, às 10h;

b) direito de se recusar a depor para que seja tratada como cônjuge do investigado e não seja presa em razão do exercício de seus direitos;

c) seja vedada a sua prisão, caso compareça e se recuse a firmar termo de compromisso legal de testemunha ou exercite o direito ao silêncio com assistência de advogado.

E foi em tais limites que decidi, exaurida a prestação jurisdicional. Não cabe agora, após decisão desfavorável, aditar a inicial para modificar o pedido. De qualquer forma, a decisão que proferi garante à paciente o direito e não se auto-incriminar, pois não lhe será tomado o compromisso de dizer a verdade.

Indefiro o pedido.

Brasília, 25 de julho de 2005.

Ministro Nelson Jobim.”

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, então, a partir dessa manifestação que V. Exª acabou de ler e que o Ministro Nelson Jobim indeferiu, o segundo pedido, está clara a condição pela qual devemos ouvir a Srª Renilda.

O Supremo Tribunal Federal ficou agastado na semana passada e na semana retrasada pelos depoimentos do Marco Valério, do Delúbio e do Sílvio Pereira, que mentiram à vontade; sob o manto da decisão do STF, deixaram o Tribunal numa posição ruim. E o STF tenta melhorar a sua imagem, deixando sob a nossa responsabilidade o depoimento da Srª Renilda. Para os homens deram tudo; para a mulher, o Supremo nega. E a nós cabe agora ter o cuidado de aqui, neste momento, não expor a fragilidade da mulher que vai depor, em contraponto àquilo que aconteceu com o depoimento dos três homens anteriores, que tiveram a proteção do Supremo Tribunal Federal. Mas não podemos apenas admitir que a Renilda esteja aqui na condição de cônjuge do Marcos Valério; ela é sócia das empresas do Marco Valério. Portanto, essa é a condição que quero ressalvar, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT - MS) – Obrigado, Deputado Arnaldo Faria de Sá. Deputado José Eduardo Cardozo com a palavra.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Sr. Presidente, gostaria de, inicialmente, dizer que concordo em número, gênero e grau com as palavras da nobre Juíza Denise Frossard. Essa é uma questão recorrente nesta Comissão. E considero muito importante, Sr. Presidente, ponderar os seguintes termos: testemunha é aquela pessoa que presencia fato que, em relação a ela, não pode gerar nenhuma conseqüência sancionatória; investigado é aquele que, diante dos fatos postos sob investigação, poderá sofrer, conforme a pré-figuração inicial, uma sanção a posteriori.

Evidentemente S. Exª, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, analisou a matéria sob a ótica da petição inicial, sem informações e sem exame dos autos; foi em sede de liminar a apreciação do habeas corpus. Portanto, cabe a esta Comissão, dentro do conjunto fático reunido, avaliar em que condição ela deporá.

Esta comissão não tem poderes para transformar em testemunha quem já é tratado como investigado. Isso ficou claro, inclusive, em decisões anteriores do próprio Supremo Tribunal Federal, a meu ver, corretamente expedidas. Porém, temos condições de dizer, sim, e tem razão a Deputada Denise Frossard, se ela está aqui como investigada ou não. Com a devida vênia, parece-me que ela está aqui como investigada, porque já determinamos a quebra do seu sigilo. Ninguém determina a quebra de sigilo de testemunha. Obviamente, está claro que ela participou de operações, com dolo ou não, com culpa ou não, esse é um problema a apurar, das quais efetivamente poderá resultar sanção para ela. Ela é sócia da agência de publicidade. Se ela teve um elemento doloso ou não teve, isso está sob investigação. Mas, a priori, potencialmente, ela pode ter.

Portanto tem razão a Deputada Denise Frossard: ela comparece aqui, hoje, como investigada e tem que se submeter a esse regime jurídico, sob pena de abuso de poder por parte desta Comissão relativamente a qualquer ato de constrição indevido em relação a esta depoente.

Por esta razão, para que não paire nenhuma dúvida, endosso inteiramente o encaminhamento da Deputada Denise Frossard para que esta Comissão, antes da oitiva, a declare como investigada, na forma da lei e da Constituição da República.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB – SP) – V. Exª me permite um aparte, Deputado José Eduardo Cardozo?

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Pois não, aparte concedido.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB – SP) – Sr. Presidente, apenas para referendar in totum o que fora dito pela Deputada Juíza Denise Frossard e pelo Deputado José Eduardo Cardozo, mas deixar muito clara uma coisa: a partir do momento em que o Supremo Tribunal Federal diz que ela terá que responder, mas não presta o compromisso de dizer a verdade, compreendi a decisão da seguinte forma: politicamente, ele disse à Nação que ela deverá responder, mas, juridicamente, ele lhe concedeu no todo o habeas corpus, porque, a partir do momento em que não presta compromisso, ela pode se omitir, mentir e silenciar-se. Portanto, politicamente pode parecer que a decisão do Supremo impôs a ela o dever de falar, mas, juridicamente, o que reconheço nesse habeas corpus é que ele fora concedido in totum, portanto, se ela não presta o compromisso nem tem a obrigação de dizer a verdade, e é de fato uma investigada.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Sr. Presidente, eu só queria um aparte bem rapidinho que o Deputado Eduardo Cardoso me concede gentilmente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu só gostaria de insistir com V. Exªs. para tratar os apartes e as questões de ordem com parcimônia pelo avançado da hora.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Perfeitamente. Serei bem parcimonioso, Sr. Presidente.

O aparte que quero fazer é de que não se alegue nessa interpretação do Deputado José Eduardo Cardozo – que considero correta – que se esta Comissão ratificar o entendimento de que ela comparece como investigada, sobretudo porque já teve o seu sigilo quebrado e porque, na condição de sócia da agência, ela pode, futuramente, ser indiciada no Relatório da própria Comissão... O que nós poderemos ter claro, Sr. Presidente? É que a decisão do Supremo que diz que ela comparece nessa condição é se ela fosse na condição de testemunha. Se esta Comissão, revendo os seus atos anteriores, neste momento, ratifica que ela vem na condição de investigada, a conseqüência é que se aplica o regime de investigada. Então, o Supremo Tribunal Federal não estaria sendo contrariado de modo algum, porque ele estava emitindo aquele provimento cautelar no pressuposto de que ela seria meramente informante, meramente testemunha. Mas como a CPMI pode ratificar o que já fez – de que ela é investigada – não haveria contradição entre a providência cautelar do Supremo e a decisão que esta Comissão venha a ratificar, no sentido de que ela compareça como investigada e, portanto, sujeita a este regime jurídico.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu gostaria, até para abreviar os debates, de submeter esta questão de ordem da Deputada Juíza Denise Frossard ao Plenário da CPI, para que já tenhamos condições de encaminhar ou não a questão de testemunha investigada e, efetivamente, respeitando, como disse muito bem o Deputado Maurício Rands, a decisão do Ministro Nelson Jobim do STF.

Então, eu gostaria de consultar V. Exªs se todos estão de acordo com a questão de ordem da Deputada Juíza Denise Frossard.

O SR. ÁLVARO DIAS (PSDB-PR) – Claro, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Ela, então, deporá como investigada e, nessas condições, em função de tudo o que aqui foi afirmado, nós, hoje, conduziremos a oitiva da Srª Renilda de Souza ao longo do dia.

Todos estão de acordo?

Deputado Onyx Lorenzoni, V. Exª deseja levantar alguma questão?

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, de maneira....

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Depois do Deputado Onyx Lorenzoni e da Senadora Ideli Salvatti, vamos dar início à oitiva em função do cansaço, em função de nós termos... Quero aproveitar a oportunidade para registrar a importância deste depoimento. Eu sei da sensibilidade de V. Exªs., principalmente nas inquirições. Portanto, hoje, mais do que nunca, nós temos, como procuramos sempre fazer, ao longo dos trabalhos da CPMI, que fazer uma sessão onde as inquirições sejam absolutamente importantes, como também os questionamentos, dentro, efetivamente, de uma relação que sempre pautou esta CPMI, quer dizer, de respeito à opinião pública, aos depoentes e às premissas que nos levaram a realizar este trabalho.

Quero passar a palavra ao Deputado Onyx Lorenzoni e à Senadora Idelli Salvatti, e c’est fini.

Com a palavra o Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, a questão de ordem que formulo a V. Exª e à Mesa está prevista no art. 312 do Código Penal e diz respeito àquela capitulação que trata da prisão preventiva:

“Art. 312 – A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar aplicação da lei penal.”

Então, eu queria encaminhar a V. Exª um requerimento que se soma ao requerimento já feito na semana passada pelo Deputado Gustavo Fruet, ressaltando aos membros da CPI a importância de que esta Comissão aprove esse requerimento dirigido ao Ministério Público Federal, com a solicitação da prisão preventiva de Marcos Valério, primeiro porque o volume de movimentação financeira de Marcos Valério e Renilda supera a casa dos R$45 milhões nos últimos anos; segundo, houve uma tentativa, na semana passada, de retirada de um grande valor do Bank Boston que poderia ser utilizado numa eventual fuga do próprio País; terceiro, houve – e estamos com os documentos aqui – aquela destruição massiva de documentos na DNA, lá em Belo Horizonte. Ontem o Ministério Público mineiro abriu os computadores, bem como os cofres que foram apreendidos, mas estavam vazios, o que, evidentemente, demonstra que foram limpos.

O Sr. Marcos Valério precisa ter sua prisão preventiva decretada por duas razões preponderantes que apresento à consideração desta CPMI e desta Mesa, e com isso concluo: primeiro, o fato de que ele tem que ser impedido de continuar a destruir provas e, inclusive, de constranger pessoas; segundo, o fato de que hoje a vida de Marcos Valério, na minha avaliação pessoal, corre risco, e severo, por todo o volume do esquema montado, por tudo aquilo que transita – e nós apenas apuramos 10% ou 15% do volume de mais de R$1,153 bilhão que transitaram pelas contas das empresas de Marcos Valério. Não é irresponsável pensar que talvez, triste ou lamentavelmente, ele possa valer mais silenciado do que vivo.

Por essa razão, apelo a V. Exª para que considere, com a Mesa Diretora e a assessoria jurídica desta CPI, assim como com a assessoria jurídica do Senado, a possibilidade de que nós, com a maior brevidade possível... Volto a dizer: faço coro à proposta feita na semana passada pelo Deputado Gustavo Fruet, no sentido de que seja decretada, para a segurança da investigação, inclusive para a segurança pessoal de Marcos Valério, a sua prisão preventiva.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Deputado Onix, V. Exª permite um aparte?

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Pois não.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Deputado Onix, até para evitar dois pesos e duas medidas, uma vez que nós estamos verificando que aqueles que gravaram, aqueles que estavam envolvidos, de todos eles foi decretada a prisão, e foram presos. E do que é principal, até hoje não foi decretada. Eu não consigo entender por que todos os que nós interrogamos aqui inicialmente que apenas tinham participado do início do processo, todos foram presos, e este, que é o principal, até hoje não foi. Eu não entendo esses dois pesos e duas medidas.

O SR. SIBÁ MACHADO (Bloco/PT – AC) – Para corroborar com o Deputado e dizer que até para prevenir que ele possa fugir do País, sair, evadir-se e atrapalhar tudo aqui nesta Comissão.

Concordo com o requerimento de V. Exª.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, eu só concluo definitivamente.

Sugiro a V. Exª que, assim como nós tivemos uma atitude bastante rápida e eficiente naquele episódio da Abin, em que, com a votação daquele requerimento, obtivemos a reparação, evidentemente parcial, dos prejuízos causados à imagem do Parlamento, que V. Exª avalie a possibilidade de, em algum momento da sessão, que será longa hoje, em algum intervalo, talvez até para a Srª Renilda se recompor ou coisa que o valha, possamos submeter a voto, porque tenho convicção de que nós aprovaremos, até por unanimidade, a solicitação da prisão preventiva ao Ministério Público.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Registrado o requerimento de V. Exª, a Mesa irá avaliar, inclusive com a assessoria técnica da CPMI.

 A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC) – Sr. Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Fechando, Senadora Ideli Salvatti,  então chamarei a Srª Renilda.

A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC) – Sr. Presidente, em primeiro lutar, eu queria solicitar uma complementaridade ao que falou o Deputado Onix Lorenzoni, porque, além dessa questão da prisão, eu sei que a CPI não tem esse poder, mas talvez possamos induzir quem tem o poder a acioná-lo, que é a questão da indisponibilidade dos bens.

O que estamos percebendo é que está sendo.. Já foi feito anteriormente por esse senhor, que, inclusive, aqui disse que ficavam com a esposa os bens, porque, no caso de um divórcio, ela não teria garantia de permanecer com a parcela que por direito ela teria. Então, eu gostaria já de agregar a essa proposta do Deputado Onix a questão também de podermos dar algum tipo de encaminhamento para a indisponibilidade dos bens do Sr. Marcos Valério e da Srª Renilda.

Mas o que me motivou a fazer a inscrição aqui, Sr. Presidente, é uma questão de outra ordem. Temos nos detido, durante bons minutos e, às vezes, até algumas horas, nesta CPI a fazer debates de caráter jurídico, que alguns Parlamentares participam de forma mais efetiva até pelas suas características profissionais. Temos juízes, procuradores, advogados aqui nesta CPI, que resolvem fazer debates de ordem jurídica, que os demais mortais, às vezes, não conseguem nem acompanhar.

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu entendo que todos os debates são relevantes.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Peço silêncio, por favor. A Senadora Ideli está com a palavra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já vou concluir também, Sr. Presidente.

Entendo que é importante, acho que aprofunda, principalmente no fortalecimento dos instrumentos democráticos que conquistamos no nosso País, como a questão do habeas corpus e até das próprias garantias individuais na Constituição. Então, que sempre busquemos nos nortear para que os questionamentos que fazemos aqui não venham na lógica de derrubar aquilo que nós, com tanto sacrifício, conquistamos, incluímos na nossa Constituição e no Direito do nosso País.

E queria voltar a afirmar algo que V. Exª tem dito reiteradas vezes na imprensa. Muito mais importante e relevante neste momento até do que tentarmos tirar declarações que o depoente aqui não tem, muitas vezes, nem a obrigação de dar, é nos determos em termos de provas. E eu quero dizer que, na questão dos documentos, cada vez mais, aparecem lacunas, aparecem problemas gravíssimos e aparecem também indícios fortes de investigação. Por exemplo, eu fui informada hoje pela manhã, quando passei lá na sala, de que há fortes suspeitas de que um dos irmãos do Marcos Valério, um irmão do Marcos Valério foi, durante cinco anos, gerente de uma das agências do Banco do Brasil em Minas, e que, portanto, nesse período, muitos dos registros, inclusive a Coaf, não foram feitos nessa agência, que... podem ter passado muito das contas.

Também estamos apreciando documentos lá, onde fica visível...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora, concluindo, porque estamos estendendo demais já o tempo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já estou concluindo.

Em que os documentos foram visivelmente adulterados, os documentos foram arrancados antes de serem enviados à CPI. Então, contratos de empréstimos, por exemplo: veio contrato de empréstimo, dos empréstimos atribuídos ao PT, mas as empresas do Marcos Valério operaram outros empréstimos. Os contratos não vieram e não temos como fazer cotejamento e comparação entre procedimentos anteriores.

Então, eu gostaria, Sr. Presidente, que efetivamente pudéssemos fazer o debate jurídico, fazer aqui as oitivas, mas dar prioridade neste momento à análise dos documentos, do que temos, do que existe e, inclusive, do que falta, das lacunas que estão lá, que são muito grandes. E eu tenho a certeza absoluta de que elas serão absolutamente esclarecedoras quando chegarem à CPI.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Senadora Ideli.

Convido a Srª Renilda Maria Santiago a vir à Mesa para que comecemos os nossos trabalhos. (Pausa)

Eu gostaria de iniciar os nossos trabalhos, passando a palavra à Srª Renilda Maria Santiago.

Gostaríamos, Srª Renilda, de alguns dados sobre a senhora: nome, estado civil, profissão, residência, que são informações naturais que todas as pessoas que aqui vêm falam quando começamos a audiência. Então V. Sª terá toda a liberdade para relatar o que julgar conveniente. Depois, eu passarei a palavra ao Relator e, em seguida, aos demais membros da CPMI.

Com a palavra a Srª Renilda.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu nome é Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, sou casada com Marcos Valério Fernandes de Souza, há 18 anos, e possuo dois filhos: João Vítor, de 4 anos, e Natália, de 14 anos.

Sou de Belo Horizonte; resido atualmente em Brumadinho, uma casa em Brumadinho, porque a minha casa principal, onde moro há 14 anos, está sendo reformada durante 14 anos – estou sempre mexendo. Tenho formação acadêmica como pedagoga, apesar de nunca ter exercido, sempre ter sido do lar, sempre criando filhos, sempre isso.

Em relação aos fatos hoje acontecidos, que são os fatos das empresas SMP&B e DNA, o que tenho a declarar é eu que nunca participei das empresas, nunca freqüentei as empresas, como, por exemplo, a DNA; se me perguntarem que cor é o tapete da DNA eu não sei explicar porque nunca freqüentei.

A SMP&B, a mesma coisa, como pode ser até lembrado por um fato declarado pela própria Karina, que, enquanto ela trabalhou lá, durante nove meses, na própria declaração dela aqui, ela disse que ela nunca me conheceu. Então, é uma empresa que eu não freqüento.

Dei as procurações para o Marcos Valério, como meu marido, como... Sei que hoje muitas mulheres no Brasil fazem isso, são do lar e dão procuração para seus maridos uma vez que, se você casou, você confia, você ama e você passa a ser do lar. Isso é fato existente no nosso País. Apesar de ter formação acadêmica, eu optei cuidar dos meus filhos e entreguei a procuração que passo aqui agora para o Sr. Presidente, como uma procuração de confiança que dei ao meu marido... o que eu faria de novo, porque sou casada há 18 anos – uma coisa até meio engraçada –, namorei 7, então, tem 25 anos que conheço o Marcos Valério. Então, durante 25 anos, se eu não confiasse nele, não justificaria eu ter casado.

Agora, um fato que eu queria esclarecer aqui foi um fato que aconteceu semana passada...

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha)

 

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Um fato que eu queria esclarecer que aconteceu na semana passada e foi noticiado pelos jornais foi sobre uma movimentação bancária minha no Banco de Boston, onde essa movimentação não existiu, uma vez que a minha conta, há mais ou menos 25 dias atrás, ela está sendo monitorada por gerenciamento. Quer dizer, a cada conta que eu tenha que pagar de R$100,00, eu tenho que pedir à minha gerente autorização para que ela pague essa conta, ela leve ao Comitê de Crédito para pagar essa conta de R$100,00.

O fato real que aconteceu foi que, na terça-feira passada, a minha gerente, Lenise, me ligou e falou comigo que o banco não havia interesse mais de me manter como cliente no banco, e que, então, eu deveria fazer uma transferência desse dinheiro, e que... como os outros sócios da empresa receberam e suas esposas, receberam cartas comunicativas. Eu consultei o meu advogado e voltei a ligação para ela e falei assim: olha, não vou fazer transferência alguma enquanto eu não receber uma comunicação oficial do Banco de Boston de que eu não devo manter as minhas contas lá. E solicitei, que eu iria esperar a carta. Só que imediatamente saiu que eu havia feito uma retirada de R$1,8 milhão; no outro dia já saiu que seriam R$2 milhões; e já saiu que eu estava inclusive fugindo do País.

Eu fiz uma declaração, soltei uma nota, pediu o meu advogado que fizesse uma nota de esclarecimento, que saiu no Jornal Nacional – estou passando para o senhor. O Banco de Boston, no mesmo dia, respondeu a minha nota, de que vou ler uma parte em que ele fala que “a Srª Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza não tentou fazer um saque em espécie de sua conta”. Eu não tentei transferência e nem saque nenhum.

E trouxe aqui cartas dos sócios da empresa, como o Dr. Ramon, Cristiano, que são possuidores de contas do também Banco de Boston, que receberam a carta pedindo para que seja cancelada a conta. Eu ainda não recebi essa carta, então, a minha conta está lá. E, por sinal, após essa notícia, que foi uma inverdade, a minha conta foi totalmente bloqueada.

Em relação às empresas, o que eu poderia antecipar e já falar é isso.

Estou aqui à disposição dos senhores para qualquer pergunta. Tentarei responder o máximo que eu puder, com a verdade que eu tenho para esclarecer.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu gostaria que fosse declinado o nome do advogado da depoente.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, desculpa.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Dr. Marcelo Leonardo.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – É o mesmo do Marcos Valério?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O mesmo do Sr. Marcos Valério.

Muito obrigado, Srª Renilda.

Passo a palavra ao Relator, Deputado Osmar Serraglio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Srª Renilda, Dr. Leonardo, de alguma forma, essa referência que V. Sª fez ao desconhecimento dos fatos internos da empresa nós também recolhemos nos depoimentos aos quais tivemos acesso. Agora, até instado por companheiros da Comissão, queremos provocar em V. Sª uma reflexão sobre a importância – embora talvez na concepção do que tenha assistido em relação à empresa possa lhe parecer minimizada –, o seu depoimento é muito importante, porque estamos precisando evidenciar algumas coisas que estão acontecendo nesta República e que, de alguma forma, a sua família terminou envolvida, sobremodo, através do seu marido. E, quando eu falo em família, eu queria provocá-la a que pensasse – e sabemos dos valores que nós temos, dos tropeços que nós temos e passamos na vida, que eventualmente... como este que V. Sª está agora enfrentando, eles são páginas que podem ser viradas, mas o valor da família, a imagem que V. Sª vai deixar para esse seu contexto familiar é muito importante, lá para frente, quando voltar na história e lembrar que esteve nas mãos de V. Sª a possibilidade de um País mostrar à população a verdade dos fatos, que hoje é uma das conquistas que nós entendemos mais relevantes. A população precisa saber a verdade. E talvez não seja a verdade que nós imaginamos que seja, e V. Sª é uma peça nisso muito importante.

Mas há um detalhe também, a par disso, que é o de que, na medida em que V. Sª contribui e que V. Sª evidencia quem efetivamente possa estar envolvido nesse emaranhado, certamente V. Sª estará se excluindo dele, ou seja, a sua não-auto-incriminação passa pela identificação daqueles que, de fato, estão envolvidos naquilo que nós entendemos não ter uma coloração, pelo menos momentânea, adequada ao que se esperava das transações entre a administração pública e as empresas que lhe prestavam serviço.

O que nós temos – e V. Sª deve ter lido nos jornais – é essa extraordinária aproximação de seu marido com altas pessoas da República, de Partidos, conversações que giravam não só em relação ao métier, ao objeto da empresa, quanto à intermediação da amizade relevante que seu marido tinha com essas pessoas, enfim, fatos que, embora V. Sª deles não tenha participado, possa ter notícia pelo fato de ter visto passar nesse cenário, nesses últimos quatro a cinco anos em que V. Sª, ainda que à distância, viu quem se aproximou do marido, viu as transações que o marido realizava, viu o agregar cada vez mais de patrimônio, que, de alguma forma, na sua própria declaração, no seu próprio imposto, aparece. E por tudo isso nós precisaríamos da sua contribuição. Ela é relevante. Ela é marcante e ela é fundamental, não para efeitos de, como eu lhe disse, de CPI, porque isso é transitório, mas para aquilo que nós queremos construir até para sua família, em relação ao futuro que nós precisamos, e que nós não nos decepcionemos mais, tanto quanto hoje a Nação lamentavelmente parece estar testemunhando, tristemente, fatos que nós imaginávamos não fossem, enfim, tão expressivos como eles têm se exteriorizado nos levantamentos a que nós estamos procedendo.

A pergunta que eu faço: V. Sª se lembra de algum encontro social em que tenha participado algum titular de Partido ou alguma pessoa ocupante de cargo na administração federal?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu tenha participado ou que eu lembre que o Marcos participou, nenhum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A sua família costuma promover eventos sociais?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não. Nossa família, pelo contrário, nós não vamos em muitas festas, nada. Os únicos eventos sociais que a gente realmente freqüenta é o hipismo, por causa da minha filha, que é praticante. Então, o final de semana nosso é familiar, e é familiar dedicado a ela, porque ela nos consome o tempo todo. E durante o meio da semana, com as viagens do Marcos, a nossa família fica restrita entre eu e meus dois filhos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aquele acréscimo todo de animais adquiridos de alto valor nunca lhe chamou a atenção?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso tem uma coisa que tem que ser um pouco explicado. Tem os cavalos realmente, existem; temos treze cavalos, aliás, a minha filha tem treze cavalos. Como saiu: “tem um filho de um Baloubet”. Não é um filho de um Baloubet. Pronto. Desses treze cavalos, seis são potros. Então, são valores abaixo. Como se coloca, assim, treze...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas na própria declaração do Imposto de Renda, que nem sempre espelha o valor verdadeiro, ainda assim é um valor elevado.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, mas foram adquiridos ao longo do tempo. Não foram adquiridos todos de uma vez.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ao longo de quanto tempo? São onze, quantos?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Três anos e meio, mais ou menos, quatro anos, que foram sendo adquiridos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E veículos? Que veículos a família possui?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu... Nós possuímos um Corolla Fielder, um Land Rover, é... desse pequeno, como é que ele chama? Eu não me lembro... nesse... como foi falado do Sílvio Pereira. Eu não me lembro o nome. Uma Pajero, e uma Pajero que inclusive é leasing, que foi inclusive, no dia do Banco de Boston, uma das minhas preocupações com a minha gerente era como eu faria com o leasing que eu tenho de um dos meus carros, que é feito no Banco de Boston.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora tinha conhecimento dos contatos que seu marido tinha com líderes partidários?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Nunca soube.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conheceu Delúbio Soares?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Conheci, sim, o Delúbio Soares em setembro do ano passado. Todo mês de setembro – geralmente coincide na data 7 de setembro – existe um campeonato hípico em São Paulo, que é a Copa Santo Amaro, que é no aniversário de Santo Amaro, onde minha filha foi saltar, participou, e o senhor Delúbio Soares e sua esposa Mônica foram lá para vê-la saltar. Foi a única vez que eu o conheci, e não mais vi.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca mais o viu, nem antes, nem depois?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nem antes, nem depois.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sílvio Pereira?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca conheci.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe se seu marido costumava ter contatos com eles? Nunca comentou?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Com o Delúbio, eu já ouvi ele falando no telefone com o Delúbio, e teve contato, tanto é que o próprio Delúbio pediu que ele avaliasse o Partido, o PT. E só ouvi ele falar com o Delúbio por telefone. Como expliquei anteriormente, o Marcos viajava muito durante a semana e, no final de semana, nós nos dedicávamos e dedicamos ainda hoje à família, aos meninos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Marcos viaja para o exterior muito?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Nós viajamos em família. Já há um bom tempo, todas as viagens que nós fizemos ao exterior, a Orlando, sempre com meus filhos; foi a Nova Iorque, em julho do ano passado, com meus filhos. Todas as viagens de férias e de turismo são feitas com meus filhos, como pode constar em passaportes. Se posteriormente interessar à comissão, mandarei a cópia de todos eles.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez, estando no exterior, vocês usaram dinheiro de algum banco no exterior?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, nenhum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora soube, ainda que por ler nos jornais, que, numa investigação procedida pelo Congresso, percebeu-se que o seu marido tinha conta no exterior, ali por 1999, 2000?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu li, mas não sei sobre esse assunto nem perguntei ao Marcos, porque acredito que seja uma inverdade.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em quais firmas o seu nome consta como sócia?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu nome consta como sócia na SMP&B Comunicação, Graffiti Participações e DNA. A Graffiti é um agrupamento entre Marcos Valério, Renilda e Ramon Cardoso, que pertence à Graffiti, sócia da DNA, onde tem Dr. Marcos Francisco Castilho e Margareth Queiroz. Na SMP&B ainda tem Cristiano de Mello Paz e Marcos Valério – Marcos Valério como representante meu por procuração.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que a Srª Margareth faz? Margareth Maria de Queiroz Freitas?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não posso te falar. Eu sei que ela... eu não sei o cargo específico da Margareth. Sei que na DNA é presidente da empresa o Dr. Marcos Francisco Castilho. Margareth eu não sei. Ela é a esposa do antigo sócio que faleceu, que era o Daniel Freitas, que faleceu há mais ou menos dois ou três anos, e ela assumiu. Não sei te falar qual o cargo dela, o que ela faz, porque eu não conheço a DNA.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas ela é sócia, também, da empresa?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Também.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E Ramon Hollerbach Cardoso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sócio da SMP&B, da Graffiti e da DNA.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele atua? Trabalha na empresa?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Trabalha na empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E Renato Vila Marin Soares?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Multiaction.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sócio?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sócio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que participação ele tem na Multiaction?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei especificar. Hoje, eu acho que ele é o que gerencia a Multiaction, porque o Marcos, mesmo, na Multiaction, tinha pouca presença.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora, alguma vez, assinou cheques dessas empresas das quais é sócia?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nenhum cheque?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não assino cheques pela empresa. Os cheques da empresa, tanto DNA quanto SMP&B  –e eu não posso falar como é na Multiaction, porque eu não sou sócia da Multiaction e não participo. SMP&B e DNA eu sei, porque já foi comentado, porque eu perguntei ao Marcos: todos os cheques eram assinados por dois sócios. Então, nem sempre Marcos Valério assinou, como consta: “Marcos Valério assinou o cheque”. Não. Pode ser ora Marcos Valério e Ramon, ora Marcos e Cristiano, como também pode ter acontecido de os cheques serem assinados por Cristiano de Mello Paz e Ramon, Margareth e Francisco Castilho. Então, sempre é assinada por dois sócios qualquer movimentação de cheques de qualquer uma dessas duas agências.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora teve um movimento financeiro muito expressivo, não sei se chegou a mapear. Nós tivemos o cuidado de colher esses dados junto à Receita e aos bancos.

Por exemplo, em 2004, no BankBoston, a movimentação financeira sua foi de R$4 milhões. O que lhe diz isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu nunca procurei saber sobre as movimentações bancárias. A única movimentação bancária que eu fiz foi numa conta de salário que o Marcos recebe das empresas, que ele me autoriza a utilizar para fazer os pagamentos de contas domésticas. Lá ele recebe R$30 mil da SMP&B, R$30 mil da DNA, que são os salários dele, que ele me autorizava a movimentar para fazer pagamentos domésticos. O restante não. Sei que entravam alguns cheques ou depósitos, transferências, não sei bem explicar, que eram lucros, participações das empresas. Nada mais do que isso eu sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a senhora lembra de ter movimentado uma expressão assim tão alta?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu nunca tomei noção e conhecimento disso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De cheques ou contratos, transferências?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, eu nunca fiz. Os cheques que eu fazia, geralmente, eram cheques de movimentações domésticas, volto a afirmar, e na minha conta pessoal bancária. Eu movimento uma conta pessoal bancária onde eu tenho um pro labore da DNA – que eu não sei explicar muito bem se é uma lei ou alguma coisa – de R$3,5 mil, que entra na minha conta bancária e que é a minha movimentação, seria movimentada por isso aí. O resto, eu não tomava conta. Isso tudo era responsabilidade do Marcos Valério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele tem procuração da sua conta particular?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Da minha conta particular não, mas eu só movimentava esse meu valor, como Renilda, para fazer minhas compras pessoais, em cima desse valor que eu recebia, de R$3,5 mil; e da conta pessoal dele, que é uma conta conjunta e é a conta-salário dele, de onde eu pagava contas domésticas. Fora isso, qualquer outro cheque era simplesmente com autorização do Marcos.

Então, eu desconheço...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas elas existiram, então. Com autorização dele, a senhora assinou cheques de altos valores?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. De altos valores, não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)– Mas como a senhora movimentou R$4 milhões num ano sem cheques elevados?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meus, não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O patrimônio do casal, nos anos de 2002... No ano de 2002, o patrimônio confessado no Imposto de Renda era de três milhões e oitocentos.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Hum, hum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em 2003, foi para R$11 milhões. E em 2004, para R$18 milhões. A senhora percebeu essa evolução? E a que atribuiria esse acréscimo todo em dois anos?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O que eu posso falar sobre o meu patrimônio real, da minha noção real, é que o meu patrimônio foi crescendo devagar. Hoje eu possuo os carros de que falei; possuo a casa onde eu moro hoje, em Brumadinho; uma casa que tenho no Bairro Castelo, que é um bairro de classe média-média em Belo Horizonte e que eu comprei há quatorze anos – e durante esses quatorze anos eu estou em constante reforma, porque sempre você quer colocar uma coisa do seu jeito e eu ainda não consegui chegar lá. E o restante, isso aí, foi crescimento que foi acontecendo paulatinamente.

Não sei dizer o valor total. Nunca acompanhei realmente...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora chegou a olhar a declaração de Imposto de Renda?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Eu não acompanho isso.

Mais uma vez eu afirmo para o senhor: a minha função é como a de muitas mulheres no País, a de dona de casa, de do lar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora tem noção de investimentos que o seu marido tenha feito?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ampliado a sede da empresa? Adquirido imóvel para a empresa?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu saiba, a empresa não tem imóvel próprio onde são as sedes hoje. Acho que os imóveis são alugados. O que eu sei da empresa é isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E, como sócia, alguma vez a senhora recebeu participação do lucro da empresa?

A SRª RENILDA DE MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Esses recebimentos de lucro eram diretos. O Marcos é que recebia, através da minha procuração, e colocava em depósitos bancários. Não sei informar periodicidade, valor. Nada disso eu não posso informar, porque eu não sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A casa da senhora era freqüentada por alguém, repetindo, Líder de Partido político, Deputado, empresário?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. A minha casa ... Uma coisa que eu sempre quis preservar e que eu sempre pedi ao Marcos...E, realmente, até antes de acontecer o fato atual, a minha família era preservada e a minha casa era estritamente familiar. Nem encontros de sócios da empresa eram feitos dentro da minha casa, porque eu não permitia.

Eu acho que dentro da minha casa é para viver com a minha família. Nada de negócios políticos. Nem encontros de sócios da empresa eram feitos dentro da minha casa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora tinha muitos contatos com a Simone Vasconcelos?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu sei que a Simone é da área financeira da empresa e só vi a Simone umas duas vezes, não mais do que isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E por telefone?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nem por telefone.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Soube de alguma vez ela ter vindo a Brasília ou soube que ela freqüentasse Brasília, viajasse muito para Brasília?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca tive essa confirmação. Acredito até que tenha vindo a Brasília, ou que veio a Brasília, uma vez que tem uma agência em Brasília. A SMP&B tem um escritório. Não sei te explicar como que é, porque hoje é a primeira vez que venho a Brasília, eu nem conhecia Brasília. Então, com certeza, ela deve ter vindo a Brasília.

Não sei quantas vezes, não sei para quê e não sei por quê.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela é uma pessoa em quem se pode acreditar?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Acredito que sim. Desde que ela está na empresa, acredito que tenha um voto de confiança.

Volto a afirmar que não tenho contato com a Simone ou com nenhum outro funcionário da empresa. Meu contato com funcionários da empresa é com as secretárias, como o que eu tinha com a Srª Karina Somaggio. E ela afirmou que eu simplesmente passava contas, às vezes da minha casa, para pedir que mandasse pagar ao banco como forma de facilitar a minha vida, como hoje continuo fazendo com a secretária atual. É o único contato que tenho dentro da empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora ouviu falar que ela afirmou que teria vindo a Brasília e se cansara no hotel de contar dinheiro e entregar a pessoas. Ouviu falar isso? Leu em algum lugar?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu ouvi no depoimento da Karina, mas não acredito que isso aconteceu.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Chegou a conversar com Simone sobre isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, eu não converso com a Simone. Eu só vi a Simone, volto a afirmar, duas vezes e não foi nem nessa época agora. Tem muito tempo que não vejo a Simone.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o que a leva a não acreditar na versão de Karina?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Porque eu acho que é uma versão meio exagerada. Eu não acredito que isso exista. Dentro dos meus princípios, dentro das coisas que eu penso na minha vida e que acredito na minha vida, acredito que isso é uma coisa meio fantasiosa, né?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora está dizendo que é fantasioso o mensalão? O recebimento pelos Parlamentares de recursos canalizados pela empresa do seu marido?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Acredito até o ponto em que sei... Quando eu soube do fato, eu soube pela mídia, como todos vocês quando ficaram sabendo, no dia 11 de junho. Ainda levei um susto muito grande porque eu estava na hípica quando saiu a notícia no Jornal Nacional e foi aquela confusão toda. Foi quando fiquei sabendo do que estava sendo falado.

Não acredito que seja o mensalão. Até quando saiu, eu chamei o Marcos e perguntei para ele o que era de fato isso que estava acontecendo. Foi quando ele me falou que ele, a pedido do Sr. Delúbio, fez alguns empréstimos. Ele não me falou em valores e não me falou quantos. Ele fez alguns empréstimos, a pedido do Sr. Delúbio, para o Partido dos Trabalhadores para pagamentos de despesas de campanha, nunca de mensalão. Ainda perguntei para ele sobre isso e foi essa a afirmação que ele me fez.

A única coisa que ele me informou. Então acredito que não seja mensalão. Acredito nessa versão, que seja alguma conta do Partido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele comentou alguma vez sobre mais pessoas que soubessem desse empréstimo que ele havia assinado para o PT?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Depois de ter perguntado para ele e reclamado que ele nunca havia me falado, acho que você tinha que ter me falado, fiquei assustada porque sou uma pessoa que não gosto de empréstimos. Não gosto para mim e não gosto de emprestar para os outros. Fiquei meio preocupada e falei Como que vai ser? Quem vai pagar? Nós não temos bens para pagar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o que ele lhe disse?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA É o meu nome. É a minha empresa. Como é que vai ser?

Ele me disse que ele não poderia ter negado esse empréstimo e que foi um pedido do Delúbio e que ele não sentiu vontade de...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.PMDB – PR) – Qual a vantagem que ele estava tendo em pôr todo o patrimônio a risco?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, ele falou que vantagem nenhuma e que ele se preocupou só em não ter desvantagens. O medo dele seria perder as contas que já possuía há anos com o Banco do Brasil, como acabou perdendo. Quer dizer, não adiantou nada.

E a única coisa que ele me falou foi que o Dr. – na época Ministro – José Dirceu sabia dos empréstimos. E eu perguntei como ele sabia. Ele falou que houve uma reunião da direção do Banco Rural, em Belo Horizonte, no Hotel Ouro Minas, com o então Ministro José Dirceu, para resolver sobre o pagamento desses financiamentos feitos no Banco Rural. E que houve uma reunião em Brasília, da direção do BMG, não sei os nomes, ele só me disse assim, uma reunião em Brasília, não sei onde essa, para acertar o pagamento das contas, porque o banco também quer receber.

E o que sempre me preocupa é isto: como vai ser pago? Porque uma vez Marcos foi avalista. Me preocupa, porque a minha família está envolvida nisso, e eu não quero que prejudiquem meus filhos em momento nenhum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o que ele falou que resultou dessa reunião? Quem se comprometeu? Comprometeu-se a quê?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Aí nós não relatamos mais nada, ele continuou, não teceu mais comentário nenhum sobre isso, e não sei se ele soube.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso foi quando, mais ou menos quando?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A reunião do Banco Rural, se não me engano, foi no ano passado, meio que no final do ano passado, eu não sei; e a do BMG também eu acho que foi no final do ano passado, início deste ano. A do BMG eu não sei te falar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E essa conversa sobre a pendência no banco?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu tive com o Marcos? Que eu perguntei para ele? Foi agora, quando saíram esses assuntos na mídia, porque até então eu não sabia desses empréstimos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conhece Alexandre Vasconcelos Castro, lá de Minas Gerais, de Belo Horizonte?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O sócio do seu marido é Cristiano Paiva Neves?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Cristiano Paz.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Paz? Aqui está Paiva.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Está errado. Cristiano Paz.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, não é.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Cristiano Paz.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ah, Cristiano Paz é o sócio. Está certo.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E qual é a participação na administração das empresas, do Cristiano?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Cristiano é o presidente da SMP&B.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)– Da SMP&B? Com a DNA ele não tem nada?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Na DNA ele tinha participação, mas há mais ou menos um ano, acho que por motivos financeiros dele, não sei, alguma necessidade ou interesse pessoal dele, não sei especificar realmente, só com ele, ele vendeu a parte dele na DNA. Então, hoje, ele é sócio e presidente da SMP&B.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conhece Davi Rodrigues Alves?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aquele senhor que sacou mais de 5 milhões em espécie? Todos os jornais noticiaram em Belo Horizonte.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Fernando César Rocha Pereira, da Tucson refrigerantes?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Luiz Carlos Costa Lara?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Rodrigo Barroso Fernandes?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora tem noção de onde o seu marido, as empresas dele, participaram de campanhas eleitorais? A empresa é contratada para efetuar a publicidade...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A de 2004?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De 2004.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei. Como eu nunca acompanhei, sabia, por exemplo, que, em Belo Horizonte, ele já fez campanha há anos para outros Governos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para quem?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Se não me engano, para o Aécio ele já fez campanha há mais tempo. Ele já fez campanha para o prefeito de Contagem, Ademir Lucas, do PSDB. E, que eu me lembre, de 2004, sinceramente, não sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora mora num condomínio?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Atualmente, moro em Brumadinho, num condomínio fechado que se chama Retiro do Chalé, que fica a mais ou menos 35km de Belo Horizonte e é uma residência que demorei quatro anos para construir. Esse terreno eu já tinha, acredito, há uns seis ou sete anos. Realmente, eu não ia construir essa residência lá. Foi uma residência que construí não para ser uma residência fixa ou uma residência de campo, a partir do princípio de que sou uma pessoa extremamente urbana. Como eu tive um problema na minha família, que o Marcos, inclusive, já relatou, tive a perda de um filho, a minha casa principal, na qual moro há quatorze anos, havia colocado em nome da minha filha e do meu filho, que perdi. Fiz um inventário e voltei a parte para a minha filha. Sempre foi uma preocupação minha, enquanto mãe, e preocupação do Marcos, enquanto pai, de tentar preservar alguma coisa, deixar alguma coisa para os filhos no futuro. Muitos pais hoje em dia pensam nisso. Depois de sete anos da perda do meu filho é que engravidei, tenho um filho de quatro anos e, quando ele nasceu, veio a preocupação nossa de fazer, de deixar alguma coisa para ele, como a gente estava deixando para a Natália. Foi por isso que foi construída essa casa no Retiro do Chalé, em Brumadinho, que é um condomínio que hoje não considero mais um condomínio fechado, eu considero mais um condomínio fechado. Eu o considero um condomínio semi-fechado, porque nem lá eu não tenho mais minha privacidade. Sou invadida, freqüentemente, por jornalistas. Tiram foto do meu filho na porta da minha casa. Inclusive, eu entrei com um processo contra o condomínio por isso estar acontecendo, que é uma cláusula do condomínio ser privativo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conhece o contador da empresa, Prata?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Dr. Marco Aurélio Prata, mora no mesmo condomínio, mas não freqüento a casa dele. Ele não freqüenta a minha casa. Não sei falar a casa dele como é. Não conheço a esposa dele. Não freqüento. Sei que ele é o contador das empresas e ele faz o Imposto de Renda. É o limite que tenho do Marco Aurélio Prata.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O irmão dele?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Fiquei conhecendo pelos jornais.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA   Não. Tenho certeza que não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma das informações que o Marcos Valério nos deu é de que saques também em espécie, em dinheiro, ocorriam porque era um mecanismo utilizado para a distribuição de lucros das empresas. Não lembro, parece que antes fiz referência, de ter ouvido.

A senhora recebeu alguma vez lucro na empresa? Distribuição de lucro: olha, isso é a sua parte porque a senhora é sócia da empresa?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso era feita com o Marcos diretamente, uma vez que eu não participava da empresa. E era o Marcos que geria a empresa pela minha procuração. Eu ir lá..

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) - Mas se tivesse acontecido, teria conhecimento?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Acredito que não, porque o Marcos sempre fez os depósitos direto nas contas bancárias, justamente por isso, porque nunca participei de movimento nenhum da empresa, nem de contas publicitárias, nem de administração, nem de administração, nem de divisão de lucros, nem de débitos, de nada da empresa. Como mais uma vez, eu volto a afirmar, se eu nem conhecia – nem conhecia, não – nem conheço a DNA.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) - Sr. Presidente, encerro o meu questionamento por enquanto.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.

Concedo imediatamente a palavra ao primeiro inscrito, ilustre Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Senadores e Deputados, Dona Renilda, primeiro, tenha a certeza de que V. Sª,  aqui tem toda essa metodologia supostamente sofisticada de V. Sª, de V. Exª, mas aqui o trabalho de todos nós é de aprofundar as investigações, que é o trabalho que exige a grande maioria do povo brasileiro.

A grande maioria do povo brasileiro não aceita a corrupção. A grande maioria do povo brasileiro tenta ensinar a seus filhos a não roubar. A grande maioria do povo brasileiro trabalha muito, sofre muito. Então, só de ouvir falar em político, em corrupção, a grande maioria do povo brasileiro fica, absolutamente, nauseada.

Então, é para nos ajudar nessa investigação que a senhora está aqui.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com as minhas escusas, o tempo, por favor, assessoria?

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Milagre!

Então, sei, tenha certeza, Dona Renilda, que é absolutamente legítimo da senhora analisar o depoimento da Srª Karina como fantasioso – é absolutamente legítimo. Do mesmo jeito, tenha certeza V. Sª que muitas pessoas que estão assistindo o depoimento da senhora tratarão também como fantasioso, ou podem tratar como fantasioso o meu depoimento ou o de qualquer outra pessoa. Isso é absolutamente natural. Precisamos de fatos concretos, de provas, de toda a documentação necessária, porque isso aqui não é uma brincadeira. Então, nós precisamos, e sei também que não é uma brincadeira para a senhora estar aqui.

Por mais que muitas pessoas mandem e-mails dizendo que tem que prender, que tem que fazer isso, tem que fazer aquilo outro, a gente sabe que não é uma situação fácil para quem está aí, para uma mãe, para um pai, que fica imaginando se a filha vê o depoimento em casa, como é que o menininho é tratado na escola. Isso não é uma coisa simples na vida de ninguém. É uma coisa muito complexa.

Então, partindo do pressuposto... Até sei que existem algumas mulheres que se satisfazem, são felizes e fazem a opção em ser do lar. Muitas outras mulheres não fazem essa opção de felicidade primeiro porque o lar é uma tormenta, é um trabalho exaustivo, repetitivo e doloroso e muitas têm que trabalhar muito para sustentar os seus filhos. Então, muitas não têm a opção de ser feliz sem desbravar os caminhos do mundo e ser simplesmente do lar. Agora, o mundo de que a senhora fala, conforme disse as palavras, é o mundo da confiança, do amor, do cuidado aos filhos, da Natália, do João Victor e do Marcos Valério, não é o mundo que estamos investigando. O mundo que estamos investigando, Srª Renilda, é um mundo muito ruim, é o mundo da política, é o mundo das relações promíscuas, é o mundo onde alguns que querem ser sérios vivem quase que se desgastando todos os dias para tentar ser sério no mundo do suborno, da chantagem, do utilitarismo, de pessoas que podem  abraçá-la um dia e abraçar o seu marido um dia e no outro dia jogam o seu marido no lixo como se fosse um verme descartável, porque já não serve às pessoas que sempre serviu. Esse é o mundo da política. E esse é o mundo que, para a tristeza certamente das suas crianças muito mais, é o mundo em que vocês acabaram inseridos, porque, Dª Renilda, o que temos visto aqui não é uma coisa qualquer. Se o governo passado fazia, o atual  Governo repete a metodologia da corrupção. E o que estamos analisando são documentos, desde o processo de instrução, quando dois diretores dos Correios se reuniam, por meio de uma discussão feita por um rapaz chamado de pauteiro, que preparava uma tal de redir, que era reunião de diretoria. E o que identificamos é que havia fraude no processo de instrução para o edital de licitação. Depois era uma licitação fraudada. Nos Correios, infelizmente se instalou uma verdadeira guerra de gangues partidárias. Quando digo gangues partidárias não estou generalizando para todos os filiados e os partidos, mas claramente foi isso que se instalou por delegação presidencial, que nomeia uma guerra de gangues entre PT, PTB e PMDB. E  nessa guerra de gangue que agia com empresários apaniguados da estrutura de poder não estava só o seu marido. Existem outros empresários que ainda têm que sentar aqui, não sentarem ainda, têm contratos muito grandes na estrutura dos Correios.

Até agora o seu marido aparece  não apenas como um apaniguado do sistema que ajuda as gangues partidárias a fraudarem licitações, são recompensados com licitações fraudadas e depois que ganham licitações fraudadas eles pagam aos partidos que, por sua vez, pagam aos parlamentares. Se o nome é mensalão, mensalinho ou qualquer um outro, mas paga. Isso foi muito claro. Basta ver votações polêmicas enquanto o dinheiro saía. Basta ver como a D. Simone, D. Renilda, mandava vir um carro forte. Pedia um carro forte para transportar R$1,5 milhão, que ia para uma suíte de um hotel luxuoso ou para a sede da SMP&B, e lá o dinheiro sumia, porque, não tinha relação de fornecedores, de credores e de pessoas que receberam o dinheiro. E “coincidentemente” era o pagamento que havia dos parlamentares e outras coisas mais. E disse a senhora aqui que a primeira vez que viu no Jornal Nacional perguntou ao Sr. Marcos Valério a questão dos empréstimos. Não foi isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  – No primeiro dia que saiu no Jornal Nacional, no dia 11, não saiu ainda falando sobre os empréstimos. No dia 11 de junho, o Jornal Nacional foi aquela reportagem do Roberto Jefferson.

A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – O que ele disse para a senhora ali?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  – Nesse dia ele falou assim: eu não tenho nada com isso porque até então foi uma colocação do Deputado Roberto Jefferson de que existia o mensalão, que o Marcos Valério era operador, tudo. A única coisa que, no dia, perguntei para ele foi assim: o que é mensalão? Existe mensalão? Ele falou assim: “Não, isso não existe.” E no dia 11, foi também quando Roberto Jefferson...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Nesse primeiro dia, desculpe-me, nesse primeiro dia ele falou alguma coisa com a senhora sobre as relações com o PT ou relações com o governo, algumas relações, ou só falou isso, lacônico, que não existia. Como foi que ele falou, exatamente?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele falou comigo que não existia o mensalão. Nesse dia, inclusive, dia 11, foi quando também o Roberto Jefferson falou das malas de dinheiro que então ele havia trazido a Brasília em julho. E inclusive chegamos em casa e falei: - Isso não pode existir porque não estávamos nem no Brasil. O empréstimo, até então, eu não sabia de nada. E ele falou: “- Olha, mensalão nunca fiz, nunca paguei, não tenho nada com isso. E sacos de dinheiro, sacolas de dinheiro nunca carreguei. Pronto.” Isso aí, aí eu já estava extremamente assustada, extremamente abalada, porque vou confessar: sou extremamente apolítica. Nunca fui uma pessoa que leu os jornais para saber sobre esse ou aquele partido, isso ou aquilo. Se me perguntarem, acho que, como qualquer brasileiro, em que Deputado em que votei na última eleição, vou ser honesta para senhora que não me lembro.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, aí, depois, como foi que veio a história do empréstimo, que a senhora ia complementando? Sobre a história de dívida de campanha.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A história do empréstimo eu perguntei quando ele aqui comentou sobre os empréstimos.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, aí a senhora disse que ele disse que era dívida de campanha.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Aí que ele chegou e falou que foi feito um pedido pelo Sr. Delúbio, que ele avalizasse o PT nesses empréstimos, que o PT tinha umas dívidas e queria pagar algumas coisas de campanha. Não entrei em detalhes, fiquei presa a isso, justamente porque sou completamente fora de política, não gosto de acompanhar, estou sendo honesta e sincera. Estou acompanhando política hoje porque estou dentro dela sem querer.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas, veja, D. Renilda, tenha a certeza V. Sª que todo mundo faz um esforço para achar que as pessoas estão falando a verdade. E pode ser, não há dúvida, que a senhora esteja falando aquilo... Mas, veja, é uma turbulência muito grande, porque acho que é uma turbulência gigantesca na sua vida. O que mais ele falou? Por quê?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que ele fez os empréstimos, volto a afirmar, para o Delúbio, o Delúbio não, para o PT, a pedido do Delúbio...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não falou quantos empréstimos, qual o montante...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não falou, ele só falou que fez vários empréstimos. A única preocupação minha na hora e é a minha preocupação ainda agora, é como vão pagar esses empréstimos. Porque, sendo ele avalista, e fui tomar noção do conhecimento, do valor dos empréstimos, que ele então me falou, semana passada, que valor que era que foi retirado, e fui ficar sabendo o valor que está atualmente pela imprensa. E isso me põe nervosa, preocupada, porque como é que vou fazer?

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas mesmo assim ele não falou mais nada com a senhora? Não disse se se sentia constrangido, se fez para ajudar algumas pessoas, se já fazia isso antes. Porque veja, Renilda...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele só falou que ele nunca fez, que ele fez isso como um pedido que o Delúbio fez, que ele achou que não devia regular...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Nem nos governos passados? Ele nunca atuou dessa forma? Ele disse para a senhora.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca fez em partido nenhum. Não.

 A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Porque, veja, a situação é tão difícil, é como se ele estivesse montado um esquema de lavagem do dinheiro. Ou seja, os empresários depositavam dinheiro na conta dele, que por sua vez ele passava para partidos políticos, que por sua vez ele pegava empréstimo do banco que não tinha garantia, não tinha avalista, porque muitos dos empréstimos que ele e as empresas dele pegaram... Em nenhum momento, D. Renilda, ele falou sobre nada disso? Ou que se sentia constrangido, ou que foi usado?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A única coisa que hoje Marcos Valério sente que foi, que conversei com ele no domingo, é que ele se sentiu usado hoje porque, na época, ele fez em questão de uma amizade – achava que era um pedido difícil de negar, mesmo porque ele se sentia um pouco como qualquer... esta é uma avaliação minha, pessoal, tá? Eu acho que ele, como qualquer empresário, no ramo de comunicação ou em outro ramo, poderia se sentir meio…  “Que bom. Se eu não ajudar eu posso ser prejudicado.” Mas beneficiado eu sei que ele não foi porque, se não me engano, a Petrobras e teve mais outras estatais que não sei – a que eu tenho quase certeza é a Petrobras – em que eles entraram na licitação e perderam. Eu sei que teve licitações do Governo em que foi perdido…

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas ele fazia algum comentário quando perdia ou ganhava?

A SRª RENILDA SANTIAGO – Não. Nunca fez porque eu nunca acompanhei movimento nenhum da agência – nem de ganhar e nem de perder movimento. Eu sei esta da Petrobras agora.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – E a senhora já soube agora.

A SRª RENILDA SANTIAGO – Esta da Petrobrás eu fiquei sabendo agora – foi porque comentaram: “Ah, porque isto poderia ser beneficiado. Ele faz os empréstimos.” Então, ele beneficiava.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – E ele dizia que estava sendo usado por quem?

A SRª RENILDA SANTIAGO – E aí ele concorda: “Eu te falo que eu nunca fui beneficiado porque eu perdi contas no Governo atual.” Como ele já perdeu contas no Governo passado.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas ele dizia que tinha se sentido usado por quem?

A SRª RENILDA SANTIAGO – Porque acho que ele….

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não. Por quem?

A SRª RENILDA SANTIAGO – Por quem não. Ele se sentiu usado pelo Partido – eu não sei como posso explicar isto. É um sentimento dele e que acredito que seja. Particularmente, eu acho que, como a minha ética – eu, como pessoa – nunca teria feito, tá? Nunca seria avalista e nunca teria feito.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Só para terminar – porque o nosso tempo já terminou – a senhora não acha que tenha nenhum dado que possa auxiliar nas investigações, independente de se acreditar no depoimento da senhora? A senhora acha que tem algum dado que possa auxiliar – ou de relações políticas ou de relações econômicas….

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Concluindo, Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – …ou conversas que tenham sido estabelecidas – algum fato que seja importante para nos auxiliar no procedimento de investigação, Dª Renilda Santiago?

A SRª RENILDA SANTIAGO – Eu quero que sejam feitas as perguntas – pode ser que, durante as perguntas, pode acontecer algum fato que possa ajudar. No momento, não lembro. O que estou falando é o que eu sei e uma coisa, por exemplo, que eu possa falar que, então, é que, se o Marcos fosse tão beneficiado pelo próprio Partido – pelo PT – como sempre é colocado, ele, em Contagem, que é uma cidade da grande BH, é uma cidade grande – para quem conhece Belo Horizonte – de um porte industrial grande, ele possuía conta da Prefeitura de Contagem, que é do PSDB. A Prefeitura de Contagem, hoje, é do PT e ele não tem a conta de Contagem. Ele perdeu.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pois é. Mas ele não fez empréstimo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Senadora, concluindo. Existem muitos inscritos e, aí, se V. Exª me permite, V. Exª se reinscreva.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu vou concluir, Sr. Presidente, com um minuto de tolerância que V. Exª sempre dá a todos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Não. Eu não posso, Senadora Heloísa Helena, porque se não vai ficar inadministrável.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu posso só terminar, Excelência?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Conclua.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pronto. Eu, então, quero me reinscrever e deixar claro para a Dª Renilda porque eu também vou me reinscrever que o problema, aqui, é porque, se ele fez a campanha de Contagem, ele não solicitou milhões de empréstimos – pelo menos ao que nós saibamos, a não ser que a senhora tenha algum dado novo relacionado também a isto do PSDB. Eu então, me reinscrevo e espero que a senhora possa lembrar de algum fato, de algum detalhe que possa nos ajudar no procedimento de investigação.

A SRª RENILDA SANTIAGO – Eu sei que a campanha do PSDB – quando era então Prefeito o Sr. Ademir Lucas – ele fez a campanha, fez uma licitação normal e ganhou a licitação e a fez. Mais nada e sei que não havia aproximação nenhuma dele – pessoal – com o então Prefeito Ademir Lucas.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Com a palavra o Deputado ACM Neto.

Senadora Heloísa Helena está reinscrita.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Parlamentares, Dª Renilda... O tempo, Sr. Presidente.

Dª Renilda, antes de mais nada, eu queria afirmar a senhora que esta situação não é constrangedora apenas para senhora. Eu diria que todos nós aqui estamos um pouco constrangidos de ter que fazer esse interrogatório com a senhora. Infelizmente e lamentavelmente, fomos levados a essa situação porque é importante para elucidar algumas dúvidas desta Comissão Parlamentar de Inquérito.

Antes de mais nada, Dª Renilda, eu gostaria de situar a importância do depoimento da senhora não apenas no plano institucional, na repercussão que possíveis revelações podem trazer para este momento do País. Eu queria situar a importância do depoimento da senhora principalmente no seu plano pessoal, no seu plano íntimo. Talvez, Dª Renilda, a senhora tenha a possibilidade de fazer como mãe aquilo que o Marcos Valério, seu esposo, não pôde fazer como pai: contar toda a verdade. E por que é que eu digo isso à senhora? Porque eu tenho absoluta convicção que a senhora só se libertará e só libertará os seus filhos de toda essa angústia, de todo esse estado de tensão que se instalou sobre a família de vocês, quando toda a verdade aparecer, quando não faltar nada a ser dito, quando todos os elementos estiverem postos no tabuleiro, quando esse quebra-cabeça acabar de ser montado. Somente nesse momento, Dª Renilda, a senhora vai ter paz de espírito e tranqüilidade e voltar a desfrutar do convívio pacífico e harmônico com seus filhos.

Por isso é que é muito importante que a senhora nos diga a verdade e talvez, se a senhora nos ajudar, a senhora também estará ajudando ao Marcos Valério, o seu marido, porque a senhora tem que entender que hoje passa para Nação brasileira que o Sr. Marcos Valério é o grande mentor de todo esse esquema de corrupção que foi montado. Muitos acham, e querem vender essa história, que ele seria capaz de montar tudo isso sozinho. Muitos querem colocá-lo na condição de único vilão, e nós sabemos que isso não é verdade. E talvez, Dª Renilda, somente a senhora possa ajudar a deslocar a posição do seu Marcos Valério do grande vilão dessa história e posicioná-lo como mais uma das  pessoas que participou de atos ilícitos, participou de atos que envergonham a Nação brasileira, mas não como o único responsável, não como o principal mentor, não como o principal artífice de toda essa estrutura que foi montada.

E faço essa introdução, Dª Renilda, porque realmente seria muito importante que a senhora contribuísse com a Comissão Parlamentar de Inquérito e aí passo às minhas indagações.

Imagino que vocês estão vivendo um momento muito difícil, provavelmente o momento mais difícil da vida de vocês, talvez só menos doloroso do que a perda do filho de vocês, que é uma coisa que é incomparável. Mas eu perguntaria: se a senhora pudesse descrever, como é  que a senhora descreveria para esta Comissão o estado psicológico em que se encontra atualmente o Sr. Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Marcos está uma pessoa extremamente tensa, preocupada, uma vez que ele não fez isso de forma como...que eu quero, como eu falei desde o início, como eu falei com a Senadora Heloisa Helena que eu vim, estou disposta a clarear o que eu puder clarear, vou ajudar no que eu puder ajudar, agora, na minha forma de pensar, o Marcos não fez uma coisa ilícita desde que ele tenha tirado o financiamento, foi uma coisa legal, e repassou ao Sr. Delúbio. O que o Delúbio fez com o dinheiro, eu não sei. Sei que o Marcos está chateado, triste, tem a sua vida totalmente encarcerada. Hoje nós vivemos num cárcere privado, doméstico por quê? Porque ele não pode sair às ruas, ele não pode ir a lugar nenhum, ele não pode acompanhar os filhos dele. Quer dizer, isso... psicologicamente tem que estar  é muito abalado.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora acha que o seu marido está sendo abandonado? Ele está sendo exposto de forma excessiva por eventualmente pessoas que tiveram participação em tudo isso e que agora podem querer estar se esquivando?

 A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Só espero que, se existem pessoas que realmente participaram desses atos, desses problemas, é que se sensibilizem pela família que está acontecendo, que está sendo desmoronada que é a minha, que tomem partido e assumam alguma coisa ou ajudem a revelar o fato como ele é, que eu acho que o fato tem que ser revelado como é. O que eu ainda comentei lá fora é que as pessoas são, no meu caso, a minha família foi execrada, condenada em três dias.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – E a senhora acha que...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Agora, eu acho que isso é uma coisa que eu, como pessoa, não concordo como é feito, porque eu acho que tudo tinha que ser paralelo, documentos e pesquisa. Então, às vezes, as coisas são meio que atropeladas. Primeiro vem um depoimento para depois você ir lá e investigar.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu perguntaria: a senhora não acha que é injusto estarem abandonando o seu marido? A senhora não acha que é injusto estarem impondo a ele esse sacrifício? Isso não deveria estar sendo compartilhado com essas outras pessoas que participaram?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu acho que é injusto. As pessoas que participaram, eu acho que elas têm que participar e assumirem, e outra coisa que eu acho injusta é que a forma como é sempre colocada, que eu não concordo, é que Marcos Valério fez o cheque de trezentos mil, vamos supor. Marcos Valério, da DNA, Marcos Valério... Não é Marcos Valério. Eu acredito que deveria ser modificado isso. Como SMP&B ou como DNA, uma vez que nenhum cheque das empresas é assinado por um único sócio – volto a afirmar. Então, nenhum cheque foi assinado somente pelo Marcos Valério. Então, a responsabilidade não é única de Marcos Valério.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Dª Renilda, a senhora já teve alguma experiência profissional em alguma instituição bancária

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu me formei é... Pedagogia em 1985 e trabalhei no Banco do Estado de Minas Gerais, na área de treinamento do Bemge, uma área que foi implantada, no treinamento a distância durante um período de mais ou menos, acho que uns três anos, mais ou menos, quando então eu tive o meu filho, o meu primeiro, e foi uma opção minha, que logo ele começou a ter alguns problemas. Foi aonde eu optei por me tornar... não por uma opção que eu quisesse. É claro que eu queria ser uma profissional, mas eu optei de sair desta instituição bancária, Bemge, para se tornar dona de casa em função do meu filho.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu questiono isso, porque nós tínhamos referência de que a senhora já havia trabalhado no Banco de Estado de Minas Gerais, e aí, Dª Renilda, nos parece um pouco estranho que uma pessoa bem formada, que tenha estudado Pedagogia, que tenha trabalhado numa instituição financeira, tenha assinado tantos cheques, tenha figurado como responsável por tantos contratos e tenha sido colocada como sócia de tantas empresas, sem que, no entanto, fosse participado a essa mesma pessoa o objeto de cada uma dessas suas ações.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu falo com o senhor e, às vezes, eu até comento com as pessoas que, como eu trabalhei realmente numa instituição bancária, no Bemge, mas se o senhor procurar informação de alguém que tenha, que trabalhe e que teve a formação que eu tive e foi trabalhar numa área de treinamento, eu falo com o senhor que, de banco, eu nunca trabalhei, porque uma área de treinamento do Banco era uma área completamente à parte de qualquer atividades financeiras do Banco, mesmo porque eu trabalhava numa área de treinamento a distância, onde eu escrevia livros de introdução à carreira bancária, que eram livros para contínuos que entravam ao Banco como treinamento a distância. Fora isso...

Então, quando eu saí de lá e eu optei por ser dona de casa, eu não procurei mais saber de nada e o Marcos, quando, então, entrou nessas empresas, e ele colocou a empresa em meu nome, depois de uma... Porque ele entrou com...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora nos afirmou que fez isso sem conhecimento pleno. Fez em confiança ao Sr. Marcos Valério, que é seu esposo.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Em confiança ao Marcos Valério, que é meu esposo.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Agora, o que nos deixa um pouco intrigados também, Dona Renilda, com todo respeito, é que o Sr. Marcos Valério nos afirmou nesta Comissão Parlamentar de Inquérito que havia sido a senhora a autora da idéia de figurar como sócia das empresas, porque a senhora teria alguma desconfiança dele, poderia cogitar uma eventual separação e, para se resguardar, para ter segurança, solicitou a ele que figurasse também como sócia das empresas. Parece-nos estranho que o seu esposo tenha afirmado que a senhora não confiou o suficiente nele e exigiu participar dos contratos sociais das empresas, mas, por outro lado, a senhora aqui nos afirma que confia o suficiente nele para assinar cheques em branco, assinar contratos em branco, não se preocupar em conhecer o objeto daquilo que está avalizando, daqueles atos jurídicos dos quais é partícipe. A senhora concorda comigo que há uma dicotomia nessas duas afirmações?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Marcos Valério, acho que ele não afirmou que desde o início colocou a empresa em meu nome. A empresa foi colocada em meu nome quando da saída do Clésio Andrade; eles entraram com um processo, se o senhor me perguntar qual o motivo, não sei. Aí, sim, ele colocou em meu nome.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Mas foi a senhora queM pediu a ele?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Aí ele colocou no meu nome – isso eu sei. A forma que ele colocou...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Mas havia alguma desconfiança, como ele disse aqui?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Aí ele colocou porque estava em uma disputa com o Clésio Andrade. A SMP&B, ele colocou e achou conveniente na época colocar em meu nome. Depois, passada essa disputa, que acabou, a SMP&B ganhou, acabou o problema, tal, continuou em meu nome. Foi o que o Marcos falou, mas às vezes era uma brincadeira quando a gente falava “olha, vai continuar em meu nome porque, se a gente se separar, estou resguardada”. Não que fosse. Estou casada com ele há 18 anos, nunca me separei dele, nunca houve cogitação de separação. Continuei deixando em meu nome, mais uma vez, por confiança.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Dona Renilda, uma coisa que me chamou atenção e que considerei da maior importância é que a senhora revelou aqui a preocupação que tinha com o fato de o seu esposo ter participado de negócios jurídicos com o PT, como emprestador de um montante significativo e, com isso, obviamente colocar em risco a segurança do patrimônio da sua família. Essa foi uma formulação categórica da senhora. Eu queria esclarecer um fato que, talvez, tenha sido citado pelo Relator, mas não foi muito expressamente entendido pelo menos por esta Comissão.

A senhora tinha de fato conhecimento de que o Delúbio Soares havia dado a seu marido, Marcos Valério, como garantia em caso de inadimplemento desses negócios com o PT, justamente o fato de que o então Ministro da Casa Civil José Dirceu e o Secretário do PT, Silvio Pereira, tinham conhecimento de todas as transações?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não posso falar sobre Sílvio Pereira.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Mas sobre José Dirceu a senhora pode falar.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sobre José Dirceu posso falar, como eu volto a confirmar para o senhor o fato. Vou voltar um pouquinho atrás quando o senhor falou da minha preocupação do débito em relação ao patrimônio da minha família. Eu vou um pouquinho mais além. A minha preocupação não é só o patrimônio da minha família. A minha preocupação hoje em relação à segurança da minha família, à segurança física e à integridade.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Propriamente, com relação à participação do então Ministro José Dirceu...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O então Ministro José Dirceu, depois que foi divulgado isso, a minha preocupação foi “como vai ser pago, Marcos?”. Foi quando ele me revelou que houve uma reunião da direção do Banco Rural. Eu não sei precisar data.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Certo.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Acho que foi ano passado. Reunião da direção do Banco Rural com o então Ministro José Dirceu para acertar sobre pagamento do empréstimo. Isso foi em Belo Horizonte e, em Brasília, da BMG.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Certo. Então, foi uma reunião com os dirigentes do Banco Rural e do BMG com o Ministro José Dirceu.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Mas o Marcos Valério não participou.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Certo, mas o Ministro José Dirceu participou.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Para acertar o pagamento dos empréstimos.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Muito bem. A última pergunta, Sr. Presidente, até porque a Senadora Heloísa Helena teve talvez quatro ou cinco minutos de tolerância...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Infelizmente, não tive. Tive só um.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas teve no início.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concluindo, Deputado ACM Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Última pergunta: Dona Renilda, é evidente que existem alguns fatos que nós, políticos ou empresários, até por motivos lógicos, comentamos em casa. Alguma vez o Sr. Marcos Valério fez algum comentário de que, eventualmente, poderia ter prestado algum serviço ou algum favor direto ou indireto para o Presidente Lula ou para um dos familiares do Presidente Lula? Essa é a primeira pergunta.

A segunda pergunta...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto, conclua.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – É uma pergunta concatenada, Sr. Presidente.

A senhora poderia nos relatar alguma visita que, eventualmente, seu esposo possa ter feito ao Presidente ou algum contato que ele possa ter tido pessoalmente com o Presidente? Se ele comentou, mesmo que tenha sido de forma muito breve, no convívio familiar, eu queria que a senhora, por favor, nos revelasse essa informação.

Aproveito para me reinscrever, Sr. Presidente.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor. Ele nunca comentou se teve. Ele nunca conheceu o Presidente Lula. Ele não conhece e nunca manteve algum encontro. Isso eu perguntei também, e ele confirmou.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora também não tem conhecimento se, por intermédio das empresas, algum tipo de favor ou serviço foi prestado?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nenhum favorecimento.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Tempo encerrado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Deputado Osmar Serraglio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nesses últimos dez a quinze dias, seu marido teve algum encontro com o Sr. Delúbio Soares em Belo Horizonte?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O que sei é que acho que teve um dia em que o Dr. Delúbio ligou para ele. Não sei se eles chegaram a se encontrar ou alguma coisa, porque estão acontecendo esses fatos. Estou sendo sincera e honesta com vocês. Realmente, não estou saindo de casa. Tive um problema sério de depressão e não estou sabendo. Sei que ligou. Não sei se chegaram a se encontrar. Isso não posso afirmar. Sei que conversaram, mas não sei se foi só por telefone ou se foi pessoalmente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora já tomou conhecimento do que significa “delação premiada”? Já ouviu a expressão “delação premiada”?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Tomei conhecimento agora.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Seu marido veio à Procuradoria propor ao Procurador um entendimento em relação à possível punição dele? Ou seja, ele veio pedir a delação premiada ao Procurador–Geral da República em Brasília?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sei que ele veio à Procuradoria-Geral da República de livre e espontânea vontade para declarar alguns fatos que ele julgou necessários. Mas, que eu saiba, não saiu nem essa delação premiada.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando seu marido conversa sobre isso, ele dá a entender que ele sabe de coisas relevantes e que poderiam ser postas em negociação com o Procurador? Ou seja, ele diz que, se ele falar das coisas que ele sabe, ele merece ter a pena diminuída, mitigada, porque ele vai ajudar as esclarecer os fatos? Ele comenta alguma coisa nesse sentido?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele não comenta comigo claramente se ele pode ou não e nem comenta comigo se ele tem ou não documentos. Como, várias vezes, noticiaram que ele tem caixas de documentos, essas coisas, eu realmente perguntei para ele, e ele falou que não, que isso não existe.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Senador Alvaro Dias por quinze minutos.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Congressistas, com todo respeito, a exemplo de como conduziu a indagação o Relator, Deputado Osmar Serraglio, não pretendo orientar a depoente, até porque tem um brilhante advogado ao seu lado. Mas nos cabe advertir, como fez o Relator. Há indícios e já provas documentais que, sem querer prejulgar, sinalizam que haverá uma condenação severa em função de crimes os mais variados praticados pelos sócios e representantes das agências que aqui denominamos chamar “do Sr. Marcos Valério”. A senhora é uma das sócias. Certamente, não idealizou essa estratégia de corrupção, que estabeleceu uma associação do Executivo com o Legislativo – partes do Legislativo –, alguns Partidos políticos e as agências da senhora, do Sr. Marcos Valério e de outros sócios.

Portanto, pesa sobre os ombros da senhora o impacto forte de denúncias de corrupção. Certamente, a senhora não idealizou esse plano fracassado. Obviamente, não deve estar satisfeita de ser envolvida sem uma participação na arquitetura do projeto. A senhora não participou, seguramente. Quanto a isso não tenho dúvidas, disse a verdade aqui.

Se não participou, se não idealizou, por que haveria de pagar tão caro? É por essa razão que, com todo o respeito, faço esta advertência. A senhora tem duas alternativas: a primeira, depor na sua própria defesa, protegendo-se, minimizando os efeitos das denúncias já conhecidas; e a segunda, oferecendo munição à acusação. Se a senhora disser verdades, revelar fatos, trazer informações, elementos novos para investigação desta Comissão, estará trabalhando a seu favor, na defesa de uma eventual liberdade futura. Caso contrário, a omissão, a conivência vai levar a senhora a trabalhar contra seu próprio interesse de liberdade, porque estará municiando a acusação.

Então, é importante, porque este é o objetivo desta Comissão: chegar aos artífices desse projeto de corrupção. A senhora já fez referência a Delúbio Soares, a José Dirceu, que participaram das articulações, relativamente a empréstimos, já que essa é a versão – para nós, fantasiosa –, mas é a versão divulgada para a opinião pública pelos agentes envolvidos naquilo que juridicamente se chama “formação de quadrilha”.

Pergunto à senhora – é mais uma oportunidade que ofereço –: além de José Dirceu, de Delúbio Soares, de José Genoino, que assinou em nome do Partido esses empréstimos, a senhora conhece outras pessoas que tenham participado dessa articulação?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não conheço. A única pessoa que conheço é o Sr. Delúbio, nessa ocasião, então, que eu contei. Não conheço...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Para ser mais preciso, não só conhecer, mas ouviu? Obviamente esses fatos passaram a sua frente, no seu próprio lar, ao lado de seu marido...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A maioria das coisas de que tomo conhecimento é até mais pela mídia do que por ele. Por ele, a informação que tenho é do aval do Sr. Delúbio, dele e do então ex-Presidente Genoino, que já foi fato que todo o mundo ficou sabendo, e que existia esse conhecimento do então Ministro José Dirceu. É o que eu sei.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sobre o Presidente Lula a senhora não tem informação....

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Nada, nada, nada, nunca foi dito nada sobre o Presidente Lula.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – As operações bancárias, para alguns, foram apenas operações contábeis para acobertar o repasse do dinheiro público; para outros, uma operação bancária efetivada, mas sem o compromisso do pagamento, já que o pagamento se dá de forma indireta, com repasse de recursos públicos, em contratos superfaturados ou privilegiados, como é o caso do BMG, que obteve durante três meses, o privilégio da exclusividade de uma conta que o coloca como líder do ranking no que diz respeito a empréstimos consignados, uma movimentação hoje que supera R$2,7 bilhões. Refiro-me ao BMG, porque foi sua empresa Graffiti – a senhora é majoritária, tem 66% das ações – que contraiu esse empréstimo de R$15.700.000,00 (quinze milhões e setecentos mil reais), supostamente transferidos ao PT. Indago: a senhora, como majoritária, não foi consultada quando da negociação desse empréstimo?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não fui consultada, porque todas movimentações, tudo que era feito na SMP&B, DNA – a Graffiti uma empresa que é majoritária na DNA –, em que constam eu, como sócios, Renilda, Ramon e Marcos Valério, em nada das empresas eu era consultada, nem licitações, nem empréstimos, nem contas a pagar, nem contas a receber, em movimentação nenhuma da empresa.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora acha correto, não sendo consultada, não participando de nada, ter que pagar muito caro por tudo isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu posso hoje falar com o senhor que sinto que fui um pouco errada, que fui um pouco alheia, um pouco até mesmo covarde por nunca ter me interessado pelas empresas, a partir do momento em que eu era sócia. Mas foi uma opção minha, de extrema confiança no meu marido, e foi uma opção minha, de me dedicar aos meus filhos e a minha casa. Então, hoje, no momento que hoje passo, que vivo e que minha família vive, se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria atrás e queria participar mais. Como não fiz na época, hoje não posso fazer mais nada.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora pode dizer a verdade. Quem sabe num futuro próximo...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A verdade que estou dizendo até o momento, se o senhor me permite falar, é o meu conhecimento. E estou procurando ser a mais verdadeira e a mais clara possível.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Espero que o seja agora na próxima indagação, porque não desejo que num futuro próximo a senhora se arrependa de não ter dito hoje a verdade.

Há pouco, fez referência à sua movimentação pessoal. O Relator indagou, e a senhora disse não conhecer muito bem a sua própria movimentação na sua conta bancária. A senhora sabe quanto movimentou em dois anos, em 2003 e em 2004, na sua conta bancária?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, porque isso eu sempre deixava a cargo do Marcos Valério.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora sabe que nós quebramos o seu sigilo bancário?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sei que o meu sigilo bancário está quebrado desde o dia 30 de junho.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exato. E temos todas essas informações. A senhora movimentou R$9.971.000,00 nesses dois anos. A senhora afirma que só sacava valores inferiores a R$3.500,00 – me parece.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Eu falei que na minha conta pessoal em que eu recebia um pró-labore da empresa, da SMP&B, era de R$3.500,00. Não que eu sacava R$3.500,00, seria uma conta minha. Eu movimentava a conta-salário do Marcos, que é uma conta onde é depositado mensalmente R$60.000,00, que é um salário de R$30.000,00 da SMP&B e de R$30.000,00 da DNA. Através dessa conta, eu fazia as movimentações, os pagamentos domésticos da minha residência. Fora isso, qualquer outra coisa era com o Marcos Valério.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a senhora conhece Carlos Antônio Dias Coelho?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Conheço. É o meu motorista.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Então, a senhora não vai negar que o Sr. Carlos Antônio Dias Coelho visitava a agência bancária constantemente e sacava os mais diversos valores de forma bastante expressiva.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu posso falar com o senhor com certeza que Antônio Carlos Dias Coelho é meu motorista já há seis anos. Como motorista ele faz também determinados pagamentos para mim. Como eu moro numa casa, no bairro Castelo, relativamente boa para o bairro em que moro, que hoje colocam como uma mansão, que não é, posso exemplificar para o senhor que no dia 5, todo mês, o senhor pode procurar saber, realmente na conta-salário do Marcos, que inclusive era no dia 5 que ele recebia salário da SMP&B e no dia 1º entrava o salário da DNA, havia uma movimentação bancária maior porque eram feitos os pagamentos dos salários dos empregados da minha residência; pagamentos de salários, pagamentos de planos de saúde, cartões de crédito e várias coisas. No dia 05 – o senhor pode procurar saber –, eram movimentações mais altas, em torno dos dias 05 e 06, que poderiam chegar a cerca de R$10 mil, R$11 mil.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Há uma variação de oportunidades aqui: dia 02, dia 21, dia 31, dia 14, dia 09...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Agora, outras coisas não vou lembrar para o senhor, se teve algum pagamento. Como estou fazendo uma reforma na minha casa, posso ter dado algum cheque para alguma reforma da minha casa.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Somamos aqui mais de R$511 mil de saques por intermédio do Carlos Antonio Dias Coelho, e a senhora disse que não assinava os cheques?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Esses cheques são da conta-salário do Marcos. Volto a afirmar, e o senhor pode verificar.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A conta está aqui, o número da conta, agência...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – 33571400; o Banco é o Banco de Boston.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É exatamente do Banco de Boston.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Pois é.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A conta...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – 33571400.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Aqui não consta o número da conta, mas, antes, a senhora disse que não emitia cheques.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu estava considerando cheques em valores altos os mencionados diariamente, minuto a minuto, que são os cheques acima de R$100 mil, R$300 mil, R$400 mil, R$500 mil. Esses cheques, as Srªs e os Srs. Deputados podem procurar que não vão achar nenhum com a minha assinatura de sacado.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Realmente, não há. Há cheque de R$14 mil, R$10 mil, R$8 mil, R$7 mil. Há variação de valores; R$11,800 mil, R$11,889 mil. Há realmente vários. Mas esse Carlos Antonio Dias Coelho – isso chamou a atenção da Comissão, agora a senhora esclarece – é o seu motorista.

Tenho ainda uma indagação importante relativamente à remessa para o exterior. A senhora é sócia da agência SMP&B com 33,33% das ações e, portanto, é responsável, sim, por todos os procedimentos dessa empresa.

A senhora afirmou que essa agência não envia recursos para o exterior, foi isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –  Que eu saiba, não, senhor.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora tem certeza disso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu saiba, não, senhor.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora nunca foi comunicada disso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, como nunca participei – volto a afirmar outra vez – da vida ativa de nenhuma das empresas.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Quero informar à senhora e a esta Comissão que vou encaminhar ao Relator da Comissão um CD Room em que consta o relatório dos repasses de recursos ao exterior por meio daquela que é considerada a maior lavanderia da América Latina, uma das maiores lavanderias de dinheiro do mundo, instalada em Nova York, agora fechada por investigação do FBI, a Beacon Hill. Todos os recursos que chegavam nas contas da Beacon Hill eram transferidos para outras contas bancárias e tinham origem duvidosa ou eram repassados de forma ilegal. Portanto, eu poderia citar alguns valores, mas cito exatamente, no dia 20 de junho de 2000, o repasse de R$100 mil. Os valores superam R$1,2 milhão, num período em que a relação cambial era muito próxima, dólar e real.

Pergunto: a senhora conhece aqui no Brasil a sua empresa Multiaction, evidentemente?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca fui na Multiaction.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas é uma empresa do grupo.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sei que existe, claro, mas nunca freqüentei a empresa.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a Action Group, a senhora conhece?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Action Group?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, nunca ouvi falar.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É exatamente a Action Group que recebia o maior volume desses valores em repasses arredondados, de R$100 mil, de R$80 mil, de R$60 mil em várias oportunidades. Isso tudo configura...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador Alvaro Dias, concluindo.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, vou concluir. É evidente que a Srª Renilda não tem informações a respeito desses fatos ou não quer informar a respeito. Ela se omite em relação à sua participação, já que ela é sócia da SMP&B, que repassou a maior soma desses valores à DNA, com um pouco menos.

Mas quero encaminhar, então, à Mesa, ao Sr. Relator Osmar Serraglio, esse CD Room com todo o relatório do repasse desses valores para o exterior, com a clara configuração de evasão de divisas, sonegação fiscal, crimes contra a ordem tributária nacional e contra o sistema financeiro nacional; crimes que deverão, obviamente, ser tipificados, quando do relatório final, para o indiciamento das pessoas envolvidas.

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu só quero esclarecer para o senhor, Deputado, Senador – me desculpe –, que em momento nenhum eu tenho interesse de esconder algum fato. Quando eu digo que eu realmente não conheço, é que eu realmente não participei. Nunca participei de movimentos empresariais nem aqui dentro do Brasil, quanto menos fora do País. Então, simplesmente dei a procuração, volto a afirmar, mas nunca participei.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra à Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, acho que o Brasil inteiro quer entender essa personalidade chamada Marcos Valério. Todos nós queremos entender como é que uma pessoa consegue operar ao longo de tantos anos dessa forma, trazendo toda essa situação que nos move aqui na investigação. Talvez a pessoa que possa dar os melhores elementos de como se constituiu a personalidade, a maneira de operar do Sr. Marcos Valério, seja exatamente a Srª Renilda. Quero focar nesse conhecimento da história e da maneira como o Sr. Marcos Valério agiu e age.

A senhora mesma disse que o conhece e convive com ele há 25 anos. Portanto, talvez não tenha outra pessoa neste mundo que tenha melhor conhecimento do Sr. Marcos Valério.

Numa das perguntas anteriores, a senhora disse que trabalhou no Bemge. É isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Perfeitamente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O Banco do Estado de Minas Gerais?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Banco do Estado de Minas Gerais.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual foi o período que a senhora trabalhou lá?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu, se eu não me recordo, se eu não estiver errando muito bem a data, eu acho que eu entrei lá em 1985 e trabalhei até 1988, mais ou menos.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Foi no Bemge que a senhora conheceu o Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não. Já conhecia antes?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É... A minha casa era de fundos com a casa dele, no Bairro Padre Eustáquio, em Belo Horizonte.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, o conhecimento era de bairro?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas vocês trabalharam juntos no Bemge?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Juntos não. O Marcos entrou no Banco do Estado de Minas Gerais, Bemge, antes de mim. Ele entrou lá trabalhando... A princípio, ele trabalhava como escriturário numa parte do dia. Outra parte do dia...

Então, eu vou te reportar assim... O que eu entendi é que a senhora quer conhecer Marcos Valério?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. Quero saber como essa figura evoluiu até o ponto em que chegamos.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Tá. Então, o Marcos Valério trabalhava de manhã como escriturário, no Bemge. Na parte da tarde, ele era revendedor de britas e cimentos de uma britadeira de Sete Lagoas. O Marcos sempre foi uma pessoa que trabalhou para ele assim. Ele não tem... “ah, eu trabalho oito horas por dia”; “eu trabalho seis horas por dia”. Daí, dentro do Bemge, ele foi crescendo devagar até chegar à gerência do banco. No Governo... Ele chegou a...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nesse período em que a senhora trabalhou no Bemge e que o Sr. Marcos Valério trabalhou no Bemge...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...coincidiu com o período do Sr. João Heraldo? A senhora conhece o João Heraldo?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço o João Heraldo. Na época em que eu trabalhei no Bemge não sei se o João Heraldo era Presidente. Mas, na época em que eu trabalhei no Bemge, o Presidente, que eu me lembre, o último que realmente ficou para mim, era o Dr. José Luiz Rocha, se não me engano; o último Presidente, na época em que eu ainda trabalhei no Bemge.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas no período em que o Marcos Valério...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Do João Heraldo eu não lembro dele não. Porque o Marcos trabalhou no Bemge por um tempo maior do que eu.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A família de vocês não tem relações com o João Heraldo?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Nenhuma.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nem o Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu tenha conhecimento, não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora estava falando da evolução da carreira do Marcos Valério.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É porque o senhor (?) queria saber.

A SRª IDELI SALVATTI (/PT – SC) – Entrou como contínuo. Eu tenho um histórico e estou confrontando. Chegou a gerente.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E depois?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Depois, ele inclusive participou, se não me engano, não sei, de um dos conselhos do Bemge. Eu não sei exatamente de qual conselho de que ele participou. Ele já foi diretor financeiro do Banco Agrimisa, de Belo Horizonte, um banco estadual, fechado na época do então Governo Nilton Cardoso.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E o Banco Central? Qual é a questão?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Trabalhou no Banco Central.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Com quem?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não me lembro, não sei te informar o nome.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Em qual período?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Também não sei informar o período. Como estou te falando, são coisas que passaram que nem o meu período exato do Bemge não sei se foi 1980, se foi ...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas ele trabalha no Banco Central em Minas?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Ele vinha aqui.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, a senhora deve se lembrar o período em que ele trabalhou porque era um período..

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não me lembro do período. Não me lembro do período.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas já estavam casados?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Já, mas eu não me lembro do período, como estou afirmando para a senhora que nem o período...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele fazia o que no Banco Central?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele trabalhava lá não sei em área exatamente. Sei que ele vinha a Brasília, trabalhava no Banco Central e ia embora. Depois disso, saiu do Banco Central, trabalhou na Agrimisa e voltou para o Bemge. O Banco Agrimisa fechou, ele voltou para o Bemge.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual o período em ele voltou para o Bemge?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele voltou para o Bemge... Com essas coisas de data, fico meio complicada porque... Se não me engano, 1988. Não sei te explicar. A data exata é difícil.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Deixe-me questionar o seguinte. A senhora afirma categoricamente que ele trabalhou no Banco Central.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele ajudou, trabalhou no Banco Central.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Porque temos, inclusive, a negativa do Banco Central. Está nos jornais que ele não trabalhou lá.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei. Ele trabalhou lá. Depois, ele voltou, trabalhou na Agrimisa. Não sei se a senhora tem aí.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Inclusive, no cargo que ele disse que trabalhou, nem existe no Banco Central.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei. Isso aí a senhora procura investigar porque não tenho maiores informações para lhe dar. Depois ele voltou. Quando a Agrimisa fechou, ele voltou para o Bemge, trabalhou no Bemge um certo período. Saiu do Bemge e trabalhou em uma empresa chamada Empresa de Consultoria... não-sei-quê Machado. Não me lembro disso.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E como ele foi parou de trabalhar como bancário e foi parar na área de publicidade?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele conheceu...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele não é formado em publicidade?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não tem nenhuma formação nessa área?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Dentro da SMP&B, como fato relevante que vou esclarecer, por exemplo, somente o Dr. Ramon Cardoso é publicitário. Nem o próprio Presidente da SMP&B não é. É o Dr. Cristiano de Mello Paz.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, vamos voltar. Como ele entrou na SMP&B e DNA? Como é essa história mais detalhadamente?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele conheceu o Dr. Clésio Andrade...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele conheceu o Dr. Clésio Andrade onde e quando?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei porque sou do lar, afirmo de novo. Eu não fico com o Marcos o tempo todo para saber onde ele conheceu.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas provavelmente ele de comentar.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca fui na casa do Clésio Andrade, Clésio Andrade nunca tinha ido na minha casa. Não conheço Clésio Andrade dessa forma. Conheço o Clésio Andrade por fotos e por ouvir falar. Sei que ele apareceu... Como ele trabalhava numa empresa de consultoria – não me lembro o primeiro nome, mas o último nome era alguma coisa Machado – apareceu esse negócio onde o Dr. Clésio Andrade na época se interessou e propôs o Marcos entrar para ajudar a empresa a se... Era um investimento da empresa.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A época a senhora lembra?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei se foi 1988, não sei se foi 1990. Não lembro da ...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Deixe-me fazer a leitura de alguns trechos de matérias. Vamos ver se a senhora confirma o que tenho de informação.

Que a SMP&B Comunicações foi criada em julho de 1996, com ingresso de Marcos Valério e Clésio. A nova empresa, de acordo com investigação do Ministério Público Estadual, recebeu todos os ativos, o pessoal e as contas publicitárias rentáveis antes vinculadas à SMP&B Publicidade.

O Vice-Governador mineiro se associou à agência por meio da empresa CS Andrade Participações S/A*, atualmente denominada Holding Brasil S/A*, presidida por ele.

A senhora confirma que foi dessa forma?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Confirmo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O Clésio tinha uma outra empresa, e eles desmontaram uma e montaram a outra. É isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A SMP&B Comunicação não era do Clésio antigamente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ela foi criada junto. A informação é de que foi criada junto, no desdobramento de uma outra que estava com problemas.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ela foi... Existe a SMP&B Publicidade, que estava endividada e não foi fechada. Ela foi, acho que, não sei se o termo exato seria “ter sido colocada inativa”. E foi criada a empresa SMP&B Comunicação, com a então participação do Dr. Clésio Andrade.  

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E a senhora confirma que, num primeiro momento, nessa montagem, a participação do Marcos Valério foi muito pequena, apenas de 10 por cento?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Marcos participava, eu acho, com 10 por cento. Eu não sei te informar, porque, mais uma vez, vou te falar, eu não participei desses dados nem dessa entrada dessas coisas.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas depois houve um problema com o Clésio Andrade.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei informar qual o problema que existiu entre os sócios. Volto a afirmar, não o Marcos Valério, os sócios da SMP&B e Clésio Andrade. Não sei informar qual o problema.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O problema a senhora não sabe qual foi, mas isso teve repercussão inclusive na vida de vocês, porque houve processos judiciais...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não participei.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Houve inclusive bens. Eu tenho aqui a questão do tal de empréstimo. Houve um empréstimo de 98, feito à agência DNA, no valor de 11,7 milhões, em 19 de agosto, no Banco Rural, em Belo Horizonte. Isso acabou gerando uma situação, porque o empréstimo não foi pago, e houve a penhora dos bens imóveis dos sócios das empresas, Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz* e Ramon Hollerbach Cardoso*. Quer dizer, isso tudo não... Porque empenho de bens é uma coisa sobre a qual pelo menos deve ouvido algum tipo de comentário, porque envolvia inclusive os bens da senhora.   

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu desconheço esse assunto, porque uma vez... Meus bens, até que eu saiba e que pode ser levantado, eles nunca foram penhorados. Eu nunca tive... Não sei... Então eu não sei informar e não tenho essa informação.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas aqui está a informação de que os bens foram penhorados pelo processo da... E inclusive que nesse empréstimo foram dados como garantia também créditos decorrentes de contratos assinados com secretarias de estado de comunicação do Governo de Minas.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei informar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ou seja, algo muito semelhante ao que estamos também investigando agora. Então, eu quero saber. A senhora nunca soube disso, mesmo afetando seus bens?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como eu nunca participei da empresa... Meus bens, até o ponto que eu sei, nunca foram penhorados.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nunca foram penhorados. Quer dizer que a senhora desconhece ou não confirma essa penhora?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca foram penhorados, uma vez que... Só se... A minha casa é em nome da minha filha, que era da minha filha e do meu filho, que nessa época era o que eu tinha. Eu não sei se isso foi penhorado ou não, se é por isso ou não que eu não sei. Porque realmente esse fato é desconhecido por mim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É por causa dessa questão de penhora, é por conta disso que depois dessa briga, que ninguém sabe muito bem se foi uma briga, que o Clésio se retira da DNA. Dizem que tem uma briga, pela imprensa inclusive não fica muito claro se essa briga existiu ou não, mas por conta também dele estar participando da chapa. A senhora sabe dizer se a briga efetivamente aconteceu, não aconteceu?  

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei te informar, porque eu não participava nada da empresa, não conheci Clésio Andrade e não participei.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas o Marcos Valério, aqui, disse que, por conta dessa briga, inclusive, a senhora passou a ser a proprietária da DNA.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei informar se foi uma briga, eu sei que teve um processo judicial, como eu já falei anteriormente. Não me lembro quem me perguntou. Eu sei que existia um processo judicial da SMP&B, se não me engano, acho que não era da DNA, se não me engano, da SMP&B, com o então Clésio Andrade, por isso a empresa foi para o meu nome. 

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Essa briga...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei se foi briga, não sei informar. 

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Essa é a pergunta. Como a senhora não sabe se foi briga e isso teve conseqüências, porque inclusive pelas declarações aqui prestadas pelo Sr. Marcos Valério, as empresas, a DNA, por exemplo, e a SMP&B, foram para o seu nome em decorrência da disputa inclusive judicial. Quero saber: pode não ter sido uma briga? Pode ter sido apenas a forma da saída do Clésio para que não houvesse problema político? Pode ter acontecido isso?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Acredito que pode. Não posso lhe afirmar que sim ou que não. Acredito que não seja briga...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não tem informações para poder dizer?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não tenho uma informação. A única coisa que posso informar à senhora com certeza é que houve um processo judicial, que eles resolveram judicialmente. Aí a empresa veio para o meu nome. Simplesmente, isso. O motivo disso não sei informar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora disse que está muito preocupada – eu, no lugar da senhora, quero dizer que estaria “preocupadéssima” – com o fato dos empréstimos feitos, que vieram a público agora, em que não há garantia ou as garantias prestadas podem não ter solidez, etc. Como já tinha ocorrido algo semelhante, fiquei querendo saber se o empréstimo anterior a esse de 1998 não causou nenhuma preocupação à senhora. Agora, sim, e antes, não.

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sabia desse empréstimo de 1998.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Outra questão, para terminar, Sr. Presidente – meu tempo já se esgotou: Marcos Vinícius Fernandes de Souza?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu cunhado.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Seu cunhado?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual é a relação da família com esse seu cunhado?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele é meu cunhado!

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sim, eu sei que ele é cunhado, mas pergunto da relação em termos das questões operacionais da empresa.

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nenhuma.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Profissionalmente, ele é o quê?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele é gerente do Banco do Brasil.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Do Banco do Brasil?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim. Um gerente de carreira...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele trabalha há quanto tempo nessa gerência?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei informar. Sei que ele é funcionário do Banco do Brasil. Ele entrou no Banco do Brasil, como ele mesmo conta, como menor-aprendiz, como existia antigamente. Então, ele é funcionário de carreira do Banco do Brasil.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Por coincidência, ele...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli Salvatti, conclua.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Por coincidência, ele é gerente de agência onde as empresas da senhora e do Sr. Marcos Valério têm conta?

A SR. RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei se a SMP&B e a DNA têm conta no Banco do Brasil, na agência de que meu cunhado é gerente. Não posso confirmar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não sabe responder.

Muito obrigado, Sr. Presidente. Já faço minha reinscrição.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Senadora Ideli Salvatti.

Com a palavra o Deputado Eduardo Paes.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Srª Renilda, antes de fazer breves indagações, vou tentar contextualizar um pouco por que estamos aqui. Obviamente, V. Sª já conhece e já sabe bem as razões, mas só para entender um pouco em que ponto esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito se encontra.

Na verdade, tem-se notícia – e cada vez mais, a partir dos documentos que surgem, esses episódios são confirmados – de que seu marido e as empresas da qual V. Sª é sócia funcionaram, durante um grande período de tempo e principalmente nesses últimos dois anos e meio, como uma espécie de centralizadora de diversas irregularidades cometidas contra o Erário. Explico: as empresas têm contrato com o Governo Federal. Muito provavelmente – esta CPMI está analisando –, esses contratos tinham algum superfaturamento, foram dirigidos às empresas do seu marido. Há uma suspeita enorme desta Comissão – e os dados e as evidências começam a mostrar isto – que havia clientes, na verdade, fictícios dessas empresas, simplesmente funcionando como repassadores de recursos para o Partido dos Trabalhadores. E há, finalmente, cada vez mais comprovada, a hipótese do mensalão, expressão alcunhada pelo Deputado Roberto Jefferson.

Srª Renilda, a senhora está aqui hoje não só, formalmente, como sócia das empresas, mas porque, ao que parece, o Sr. Marcos Valério, seu marido, seria uma espécie de centralizador dessas relações com o Governo, com atores do Governo. Essa relação estaria, principalmente, com aquele que seria, na organização partidária do PT, o Sr. Delúbio Soares, que era o tesoureiro até outro dia. E o Sr. Delúbio Soares como agente partidário importante centralizaria toda essa distribuição de recursos. Ou seja, estabeleceu-se uma espécie de padrão de corrupção em que o seu marido aparece quase que, aliás em todas as oportunidades, como um dos elementos desse padrão de corrupção.

Portanto busquei contextualizar dessa forma porque quero que a senhora entenda que todas as perguntas que são feitas aqui é para tentar esclarecer esses ou aqueles fatos. Para mim, e quero dizer isso para a senhora, está muito claro que a sua participação era, estou dizendo na gestão das empresas, praticamente nula e, na verdade, as informações que a senhora pode prestar aqui são muito periféricas. Faço questão de dizer isso para que a senhora se sinta muito à vontade. Queria dizer que dos depoimentos que ouvi até este momento, nesta Comissão, o da senhora me parece, disparado, o mais verdadeiro de todos. Portanto acho que a senhora deve .... deve caminhar...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) (Faz soar a campainha) – Por favor, o Deputado Eduardo Paes está com a palavra. Pediria silêncio, por favor.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) –...deve caminhar nessa linha, porque isso certamente vai ajudar muito nas investigações.

Sei que o Relator já lhe perguntou, mas a senhora... O Sr. Delúbio Soares, ele e o seu marido afirmam, ambos, terem estabelecido uma relação muito próxima nesses dois anos e meio ou nos últimos três anos, a partir de 2002, a partir da eleição do Presidente Lula. A senhora teria como... Que nível de conhecimento a senhora teria dessa relação? Era uma coisa de freqüentar a casa? Enfim, como a senhora poderia explicar um pouco mais essa relação aqui para todos nós? 

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como já falei, nunca a minha casa foi usada para algum encontro de negócios ou políticos. Isso porque não gosto, eu falei, eu sou apolítica e acho que a casa da gente é casa da família da gente.

Então conheci o Delúbio uma única vez, quando ele foi convidado pelo Marcos Valério, que ele queria, era uma curiosidade dele, para ver a minha filha saltar. Então ele foi a São Paulo, num campeonato que tem todos os anos – já expliquei isso. O único encontro que sei que o Marcos tinha com o Delúbio eram esses, quando o Marcos ia a São Paulo, podia encontrar com ele, como ele já mesmo declarou, ou encontrava em Brasília, alguma coisa ou por telefone. Nada mais do que isso. Não tenho mais conhecimento, nunca freqüentei junto, nunca presenciei nada e o máximo que sei é isso. Eles tinham essa ligação e sei que a ligação deles foi apresentada, que o Marcos conheceu o Delúbio Soares pelo então Deputado Virgílio Guimarães, do PT, que é conterrâneo do Marcos, de Curvelo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Deixe-me só fazer-lhe mais algumas perguntas. Já disseram isso aqui, mas acompanhando a variação patrimonial da senhora e do seu marido e a própria movimentação bancária da conta pessoal de vocês, o que se nota é o seguinte: 2000, um patrimônio bom, um patrimônio de uma família muito bem de vida para a média brasileira; no segundo ano, em 2001, há um incremento desse patrimônio, mas um incremento absolutamente normal, aceitável, para quem estivesse indo bem nas suas atividades, mantendo; 2002, idem. De repente, Srª Renilda, em 2003, a declaração de 2003 faz assim, é uma coisa que passa de três para 11; depois, de 2003 para 2004, passa de 11 para 17. Os aumentos são muito grandes nesses dois últimos anos. E a própria carteira das empresas é ampliada de forma fantástica. Quando o seu marido esteve aqui perguntei-lhe se ter conhecido o Delúbio Soares, ter estabelecido essas relações é que fez com que o patrimônio ampliasse tanto, a própria movimentação bancária ampliasse tanto, e a carteira de clientes ampliasse.

A senhora, obviamente, por mais que não participasse da vida das empresas – são comentários feitos em casos, “consegui tal contrato”, “avançamos assim”, “tal negócio foi melhor”, “podemos gastar mais”, algo absolutamente normal em uma relação –, mas a senhora notou, percebeu que, em 2003, 2004, foram anos em que houve de fato um aumento patrimonial significativo, ficou mais fácil gastar dinheiro, enfim, isso é algo notável pela senhora?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Dentro do ritmo de vida a que eu sempre me propus, continuei fazendo a minha vida e pautando a minha vida dentro dos mesmos padrões. Não acredito que seja tão facilitado, uma vez que se eu tivesse essa facilitação tão grande não demoraria quatro anos para construir uma residência e não estaria com uma casa, que comprei há 14 anos, reformando até hoje, para chegar no padrão que eu queria.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – De fato, se a senhora der uma olhada na declaração de renda, no patrimônio, no incremento patrimonial, daria mais do que para reformar...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei, como falei. Não acompanhei isso. Não acompanho esses... Sei que teve distribuição de lucros das empresas. Eu não sei falar assim... O que eu fiquei sabendo, no dia que o Marcos inclusive, foi o dia que ficou sabendo, que o Marcos falou aqui na CPI sobre a relação de empresas privadas e empresas estatais dentro das empresas.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O nível de estatais praticamente se manteve o mesmo. O que aumentou muito foi o nível de empresas privadas.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Pois é. Eu, particularmente, nunca tomei conhecimento disso. Um outro dia ainda foi muito engraçado: o meu menino, pelo pai ficar muito tempo fora, para uma criança de quatro anos entender, ele não sabia o que o pai fazia. Então se alguém perguntava: “Onde seu pai trabalha?” Ele dizia: “Trabalha no céu”. Porque o pai vive viajando. Até o dia em que ele descobriu. “Pai, o que você faz?” E o Marcos exemplificou dizendo: “Tá vendo, filho:? Aquela propaganda do Telemix Celular foi papai quem fez.” Foi de uma forma aleatória que o Marcos comentava, porque o Marcos não era de comentar, e eu também, como já declarei antes, até penso que fui passiva, por não procurar participar e me informar mais sobre isso.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A senhora aqui, em diversas oportunidades, afirmou, já durante o seu depoimento, que essas informações, esses contatos governamentais do seu marido certamente não seriam de conhecimento exclusivo dele. Ou seja, as agências teriam outros sócios. A senhora saberia dizer se algum desses sócios também participava desses contatos com o Governo, da captação desses novos clientes via Governo? Como a senhora vê o envolvimento dos sócios do seu marido nesse processo todo, nessa história toda que...?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu acredito que os sócios, já que todos os cheques são assinados por, no mínimo, dois sócios, saber de alguma coisa, acho que todos deveriam saber. Não posso te informar o quê. Mas acho que tem que ser lógico, porque se eu estivesse na empresa e chegasse um cheque para mim de R$500 mil e me dissessem “assina aí” e pronto, eu acho que não seria muito bem por aí.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A senhora –  e é a minha última indagação – saberia nominar, ao longo desses dois últimos anos... A senhora já contou aqui, por exemplo, um episódio em relação a essa questão dos empréstimos, com encontro com o então chefe da Casa Civil, figura pública, notória, José Dirceu. Quer dizer, nesse momento, certamente a senhora teria informação que se tratava de uma figura, provavelmente seu marido comentou, enfim, que se tratava de uma figura importante da República, quase que o Primeiro-Ministro do Lula. Que outros, ao longo desses dois, três últimos anos, que outros políticos puderam levar o seu marido a comentar em casa, “olha, eu tive com não sei quem hoje, conversei com fulano de tal”. Algo nesse sentido?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Foi essa a única oportunidade que ele comentou com a senhora?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu perguntei, nessa oportunidade que ele falou do então Ministro José Dirceu, foi quando saiu as situações do empréstimo, em que eu fiquei muito preocupada por não saber “como é que vou pagar?”. A minha preocupação é como eu vou pagar, porque, indiretamente, sou avalista.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É claro.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele falou: ”O que eu posso te falar é o seguinte: esse foi um empréstimo feito ao PT e o então Ministro José Dirceu sabia.” E me contou desses dois encontros. Nada mais que isso, ele me informou.

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço à senhora.

Sr. Presidente, declaro-me satisfeito.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado Gustavo Fruet.

Eu queria só assinalar que vamos fazer uma interrupção às duas e meia da tarde. Vamos fazer uma hora de interrupção. Todos estão de acordo?

 

(Interferências fora do microfone.)

 

Para almoço, provavelmente.

 

(Interferências fora do microfone.)

 

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Meia hora chega, Sr. Presidente.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP)) – Meia hora, meia hora é o bastante.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Até porque, Sr. Presidente, há um revezamento...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Então, vamos encerrar às duas horas, para aproveitar o restaurante do Senado ainda. Às duas e meia, retornamos.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Ótimo.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – OK.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, só uma informação: tem a possibilidade de se votar aquele requerimento proposto ou não?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos, possivelmente, discutir esse requerimento amanhã, na reunião interna da CPMI.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT - MS) – Muito obrigado, Deputado Onyx Lorenzoni.

Deputado Gustavo Fruet. Solicito à assessoria técnica e ao som que corrijam o tempo. (Pausa.) OK.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, Dr. Marcelo, Srª Renilda, até na linha do Deputado Onyx Lorenzoni, quero reiterar o pedido para que se encaminhe, pela CPMI, para o Ministério Público de Minas Gerais avaliar a possibilidade de simulação e de fraude nas empresas objeto de investigação; até para que não fique uma questão restrita a esta CPMI e que tenha o desdobramento em função do desconhecimento tanto do Sr. Marcos Valério quanto da sua esposa, que é uma das sócias, com relação ao funcionamento das empresas.

De forma objetiva, Srª Renilda, quando interrogamos o seu marido, quisemos demonstrar e queremos demonstrar agora que esta CPMI não trata só de uma dimensão jurídica. Temos visto uma preocupação muito grande de se tentar caracterizar um crime eleitoral e uma questão de menor importância. Isso vai ter desdobramento na Justiça e no Ministério Público. Não é da nossa competência. Aqui, estamos tratando de algo maior: uma dimensão moral, uma dimensão política.

Naquele dia, indagado por várias vezes – lembramos, inclusive, que ele estava ajudando a construir a história da sua família, dos seus filhos, o seu futuro –, ele, de forma taxativa, negou os empréstimos; de forma taxativa, negou que prestasse serviços a Partidos e a políticos; e, de forma taxativa, negou que prestasse serviços ao PT. Depois, ele se contradisse ou desmentiu isso, em entrevista veiculada pelo Jornal Nacional.

Então, o que peço também à senhora é essa dimensão moral. Julgamento muito maior que o nosso será o julgamento da sua família, o da sua história e a imagem que ficará para os seus filhos e para o futuro da sua família.

De forma muito objetiva, a senhora era casada em comunhão de bens?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, somos casados com comunhão parcial de bens, que, hoje em dia, é feita.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Nessas procurações que a senhora entregou para o Sr. Marcos Valério, a senhora assumia responsabilidade solidária por todas as atitudes dele? A senhora também é responsável pelas atitudes que ele tomou em seu nome, com a procuração?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei te explicar. Já passei a procuração ali. Acho que é melhor verificar.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Nessa procuração, a senhora deu poderes também para que ele fizesse empréstimos, inclusive, em seu nome?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso, tenho certeza de que sim.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Inclusive movimentação financeira em seu nome?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, em nome das empresas.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E nas suas contas pessoais?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nas minhas contas pessoais, não.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E nas contas que a senhora tem em conjunto com ele?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nas contas em conjunto, sim, porque somos casados e temos contas em conjunto. Agora, a procuração ali é uma procuração dada para ele me representar nas empresas.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Certo.

Quais os telefones que a senhora comumente ligava para o Sr. Marcos Valério? Celulares e das empresas. A senhora poderia indicar o número desses telefones para a Comissão?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – SMP&B: 3247 - 6633 – 031.

DNA... Só se eu consultar na minha agenda, porque eu não ligava, eu não procurava. Multiaction, eu também nunca fui. Celular, somente.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E celulares, quais são os números que a Senhora ligava para ele?

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA - Você quer que eu anote?

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR)– Se for possível, porque isso é importante porque queremos depois fazer uma verificação com relação ao relacionamento do Sr. Marcos Valério com algumas pessoas que estão sendo investigadas. Então, se a Senhora tem essa relação com ele, não é profissional, por favor, é pessoal. Quais os números pessoais que a Senhora eventualmente ligava para ele não para tratar assuntos comerciais, de assuntos pessoais, familiares, de casa. Quais os números que a Senhora ligava para ele.

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA - Geralmente, eu ligava mais para a SMP&B, que era o meu contato, até por causa das secretárias, com quem eu mantinha um certo contato, e o celular... O Marcos mudou o celular. O número do celular era 99... Posso olhar na minha agenda de telefones, se o Senhor me permitir.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Mas a Senhora não lembra os telefones de celular do seu marido? Os celulares?

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA – Não. Particularmente, se você me perguntar qual é o telefone da minha residência, eu pouco ligo para a minha casa. Às vezes, o meu próprio celular, como eu não ligo para ele, confundo até o final dele com o telefone da minha sogra, que é o mesmo. Então, não sou muito boa para guardar números, mas meu celular está aqui e posso te passar todos os números de celular do Marcos, em que eu ligava para ele, até por escrito.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Está bem. No depoimento que prestou à CPMI, o seu marido declarou que os saques destinam-se a pagamentos de fornecedores e, depois de entrevista à TV Globo, informou que repassava o dinheiro a pessoas indicadas pelo Sr. Delúbio Soares. São duas versões para o mesmo fato. Os saques e movimentação de grandes somas de dinheiro em espécie. Na dupla condição de sócia-proprietária das empresas e de esposa, qual versão do seu marido está correta?

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA – A dos empréstimos. Eu acredito, isso é uma posição minha, quero deixar bem claro. Acredito que o Marcos, na CPI, a primeira informação que ele deu foi que ele esperava que as outras pessoas diretamente ligadas aos problemas, assumissem os fatos que deveriam aparecer, que seriam os empréstimos, mesmo através do próprio Sr. Delúbio ou alguma coisa nesse sentido.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – O seu marido negou que tivesse estado com o Ministro José Dirceu ou com algum representante para tratar de dívidas. Ele afirmou até que esteve com representantes do BMG para tratar da inauguração de uma mina em Minas Gerais. A Senhora hoje afirmou que houve um contato...

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA – Mas o Marcos Valério participou.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A Senhora hoje falou que houve o contato de pessoas para tratar desses assuntos com o Ministro José Dirceu para o pagamento desses empréstimos. Quando o Sr. Marcos Valério falou isso para a Senhora? Antes ou depois dessa crise se tornar pública?

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA – Depois, quando saíram os assuntos do empréstimo. Na CPI, eu me recordo que ele falou das coisas que aconteciam. O Ministro foi ao Jornal Nacional, o então Ministro José Dirceu sabia. Depois que fiquei sabendo dos empréstimos, via mídia, eu o chamei e perguntei qual era a verdade. A minha preocupação foi essa de pagar. Foi quando ele me confirmou que o Ministro José Dirceu já sabia, que houve essas duas reuniões, mas que ele não participou.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E a Senhora voltou a falar com o seu marido sobre esses valores, se serão pagos,se foi dada uma garantia, se foi...

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA – Essa é uma pergunta que faço de manhã, à tarde e à noite.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Está certo. Da mesma forma que a Senhora disse que não tinha conhecimento, por que a Senhora, de forma taxativa, afirma que os sócios tinham conhecimento dessas operações? Eles também não podem ter dado uma procuração ao seu marido e o seu marido ter agido sem o conhecimento dos sócios, como ele fez com a Senhora?

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei se eles deram uma procuração, mas isso é muito fácil de se verificar, a partir do momento em que a Comissão tem a microfilmagem dos cheques. É só verificar, nesses cheques que vieram do Coaf, as assinaturas que existiam.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) - Na avaliação do seu patrimônio, e aqui, claro, é preservado o sigilo, verifica-se que o grande salto se dá em 2003 e 2004. A Senhora imagina que de alguma forma esse salto se deu por algum favorecimento prestado pelo Governo às agências do seu marido ou na prestação de serviços que o seu marido realizou?

A SRª RENILDA FERNANDES DE SOUZA – Não acredito que tenha favorecimento do Governo uma vez que, numa dessas indagações recentes, como eu falei, ele mesmo falou comigo que perdeu conta estatal, como exemplificou com a Petrobras. Não acho que ele tenha sido favorecido; senão, em toda licitação estatal que entrasse provavelmente ele ganharia. Outra coisa, acho que ele seria uma das agências prioritárias do próprio Governo que, então, hoje, é do Sr. Duda Mendonça.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Foi mera coincidência o fato de o Sr. Marcos Valério ter destinado valores ao PT e a seus aliados e a Secretaria de Comunicação do Governo ter determinado a redução de R$3 milhões para R$1,8 milhão os valores exigidos das empresas para essas escolhas por parte do Governo? Alguma vez, dentre aqueles nomes que já foram citados, o seu marido conversou com o ex-Ministro Luiz Gushiken?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca soube. Acho que nunca conversou.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A senhora tem conhecimento de que um marido de uma funcionária sua, ou de Marcos Valério, ou das empresas, foi indicado pelo Governo para as comissões de licitação?.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A senhora conhece Telma dos Reis Menezes da Silva?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca ouvi falar.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E Marco Antônio da Silva?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca ouvi falar. Ouvi falar agora, depois da CPIs.

O SR GUSTAVO FRUET. (PSDB – PR) – Vou fazer algumas perguntas de alguns nomes, só para consignar. A senhora dirá se conhece ou se não conhece.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  Pois não.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Primeiro: Karla Machado.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  Karla Machado? É uma loja onde compro roupas.

O SR GUSTAVO FRUET. (PSDB – PR) – Em Minas Gerais?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim. Na Pampulha, Bairro Bandeirantes.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Vildeu Glaydston Castro Silva?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como?

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Vildeu Glaydston Castro Silva.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Neilton Jorge Nose?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Neilton Jorge é motorista da SMP&B.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Germânio Lúcio Pinto?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Daniel da Silva Freitas?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Era o sócio da DNA que faleceu, se não me engano, há dois ou três anos.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Ele era marido da Srª Margaret?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  Da Margaret.

O SR GUSTAVO FRUET. (PSDB – PR) – Quem é a senhora Margaret?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  Ela é, hoje, sócia da DNA. Deve ter sido o espólio – não sei se é assim que se chama – do Daniel. Ela trabalha na DNA. Não sei especificar qual é o cargo que ocupa lá dentro.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Ela é parente do vice-Presidente José Alencar?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Daniel era sobrinho do José Alencar.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Leonardo Murilo Rosas Arantes?

 A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Renato Nepomuceno dos Santos?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Hoje o jornal Folha de S.Paulo até fala que se criou a expectativa de que a senhora estaria, emocionalmente, em um processo de depressão. A senhora está mostrando firmeza em seu depoimento.

Lá pelas tantas, aqui, o vigia da casa em Belo Horizonte, falou que a senhora deixou de preparar jantares para amigos do casal. Ou seja, havia uma relação social da senhora, do senhor Marcos Valério, com uma certa freqüência. Pergunto-lhe o seguinte: desses nomes, além dos que já foram citados, qual é a relação do seu marido, por exemplo, com Henrique Pizzolatto*?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Conheci o Sr. Henrique Pizzolatto em Belo Horizonte, no final de maio ou no início de junho deste ano. Houve um circuito cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte, no Palácio das Artes. Foi onde o conheci. Ele nos convidou  para assistir a uma apresentação de um mágico para que eu levasse, inclusive, meus filhos. Foi quando eu o conheci.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Marcos Flora?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  Não o conheci.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – O Senador Eduardo Azeredo?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  O Senador Eduardo Azeredo não conheço.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Havia reuniões constantes na sua casa com os sócios, o Ramon e o Cristiano?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  Como já afirmei, em minha residência nunca tratávamos sobre os assuntos da empresa. Os sócios, Ramon e Cristiano, se tiverem ido à minha casa durante esses anos todos umas quatro ou cinco vezes em ocasiões como o nascimento do meu filho, ou algo assim, foi muito. O relacionamento sempre foi separado: empresa e família.

O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A senhora tem notícia de que mandaram queimar notas fiscais e documentos das empresas em posse do escritório de contabilidade do senhor Prata, em Belo Horizonte?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA  Não acredito que tenha acontecido. Só tive conhecimento, só ouvi falar, pelos jornais. Acredito que se aconteceu não é do conhecimento de nenhum dos sócios, uma vez que tudo terá que ser confirmado nos livros de escrituras das empresas. Se quisessem abafar alguma coisa teriam que queimar os livros de escritura das empresas também.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Pois é, então a senhora conhece como funciona o procedimento contábil das empresas.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, eu acredito que isso é uma realidade que existe porque eu trabalhei e sei que isso é uma coisa que existe, como saiu em todos os jornais; e foram comentados em jornais no Estado de Minas.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Pois é, a senhora me desculpa fazer esta observação: a senhora demonstra uma profunda articulação, enorme informação, português muito correto, mas, em momento algum, a senhora se preocupou com a movimentação de milhares de reais, principalmente, nos últimos dois anos, através de uma procuração que a senhora deu ao seu marido?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu entreguei a procuração ao meu marido, volto a afirmar, em confiança, estou com ele há 25 anos. Estou falando a minha verdade, sei, como a própria Senadora Heloísa Helena lhe falou, sei que muitas pessoas vão acreditar, como muitas pessoas não irão acreditar no meu depoimento. Mas estou aqui falando a verdade, que eu entreguei a procuração para o meu marido por confiar plenamente nele.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Essa vida dele, com viagens constantes, e aqui, é claro, é uma pergunta de ordem pessoal, fica a seu critério, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, essa movimentação dele começou de forma mais intensa em 2003 ou em anos anteriores?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, sempre foi, mesmo porque ele já atendia empresas de São Paulo, eu acho, sempre. Desde quando Marcos entrou nas empresas, isso era uma coisa que sempre acontecia, de viagens semanais para fora, para São Paulo, para Rio, para Brasília; e que, do meu conhecimento, era para resolver problemas das empresas.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E, diante disso, qual a real função do seu marido? O seu marido é um publicitário? O seu marido era um captador de recursos para as empresas? O seu marido intermediava negócios do Governo, através de caixa 2, registros não-contabilizados? O seu marido agia com pleno conhecimento e domínio das empresas?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – As empresas eram geridas por todos os sócios, e sei que uma das funções do meu marido na empresa não era fazer caixa 2; ele tinha uma função comercial na empresa. E essa função comercial, eu acredito também, que era um pouco deliberada por outros funcionários, por outros sócios, desculpa, não funcionários, porque, se é uma empresa de comunicação, ela vive de contas, inclusive contas privadas. Ela não é uma empresa que vive única e exclusivamente de contas estatais. E volto a dizer, uma empresa que tem... O Marcos entrou não tem muitos anos, mas são empresas que existem, uma há 25 anos, e a outra há 22 anos, e são empresas que são valorizadas não só dentro do País, como se pode verificar. Se não me engano, ano passado, a própria acho que foi a DNA recebeu um prêmio em Cannes, ano passado. Então não é uma empresa que vive de contas estatais e não é uma empresa que começou de 2 ou 3 anos. São empresas de 22 anos e empresas de 25 anos que passaram, sim, por crises boas e crises más, mas que acho que isso não existe coincidência de nada.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Obrigado, Sr. Presidente!

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Com a palavra – e aí nós faremos um intervalo de 30 minutos – o Senador César Borges.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – Ba) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, Srª Renilda.

Srª Renilda, gostaria até que não estivesse participando efetivamente deste momento, porque acho que V. Sª chega aqui na condição de investigada, e, como investigada, nós deveríamos limitar a sua atuação como sócia das empresas. No entanto, V. Sª é uma sócia privilegiada porque também é esposa do Sr. Marcos Valério, outro sócio que está nesta situação aí dessas denúncias que trazem esta inquietação para as instituições brasileiras. Um momento muito difícil e muito sério, não apenas para o casal e a família do casal, mas para todos os brasileiros.

Então V. Sª relata aqui para nós que tem uma convivência de 25 anos, 18 de casada, de extrema confiança, uma relação tranqüila com o seu esposo, onde a senhora deu toda a confiança. Então eu começaria a lhe perguntar: nesse momento, o seu sentimento é de uma vítima do seu marido ou de um cúmplice do seu marido?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu responderia para o senhor que não seria nem como vítima, nem como cúmplice; o sentimento que hoje eu tenho é de ter sido uma pessoa completamente passiva de uma coisa que eu poderia ter tomado mais participação e que eu, infelizmente, por opção e coisas que me levaram na minha vida, fiquei quieta em casa. Então o sentimento que eu tenho é que eu fui um pouco covarde. O sentimento é meu.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então foi vítima? Foi vítima?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não vítima, é um sentimento meu assim...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas, veja bem, todos esses constrangimentos que a senhora está passando, que os seus filhos, a sua família...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Mas aí eu não poderia dizer que seria só do meu marido.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – ... e as conseqüências que poderiam advir desses atos, isso lhe faz, diante da confiança que a senhora depositou nele, uma vítima. Porque nós vimos o Sr. Marcos Valério aqui. E acho que a senhora também deve ter assistido; como uma boa esposa, assistiu ao depoimento dele feito aqui na Comissão. E como já foi dito aqui pelos que me antecederam, o Deputado Gustavo Fruet, ele incorreu em várias inverdades que vieram a ser desmentidas posteriormente. Quer dizer, ele não procurou preservar a imagem familiar, ele não teve essa preocupação; ele mentiu para toda a Nação brasileira. É claro que ele fez um ato de traição também a V. Sª nesse sentido, porque a senhora foi, de certa forma, enganada. A senhora acreditou no que ele disse aqui no seu depoimento ou a senhora já sabia de antemão que ele estava mentindo naquele depoimento?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi como eu falei: eu acredito que o depoimento do Marcos na CPI, ele não foi claro. Eu acho que ele deveria ter falado já de antemão, mas ele esperava que os responsáveis efetivamente pelos fatos que era, vamos pôr hoje mais diretamente, o Sr. Delúbio, falasse primeiro. Eu acho que foi uma questão de... Ele esperava que falassem primeiro antes de ele acusar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas eu fiz uma pergunta direta a ele: se ele tinha dado mais de um aval para o PT contrair empréstimos, e ele me disse textualmente que não, que ele garantia que ele só tinha dado um aval. Logo em seguida, a imprensa noticiou que tinha um outro aval, mais outros, e logo veio aquela versão que ele fabricou, que ele foi ao Procurador, que ele foi à Rede Globo, uma versão que também foi abraçada, no caso, pelo Sr. Delúbio Soares e até, para a nossa total surpresa e estranhamento, pelo Presidente da República, numa entrevista dada em Paris. Quer dizer, mais uma versão que me parece que cheira também a falta de verdade. Quer dizer, a verdade não está ainda aflorando nessa questão; é um sentimento de todos nós, acho, do Relator, do Presidente e de todos os membros desta Comissão.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não posso falar sobre o Presidente Lula, eu não posso falar sobre a entrevista do Delúbio, eu posso falar da entrevista do Marcos dada ao Jornal Nacional, que ele deu aquela entrevista a pedido da minha filha.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ele deu a entrevista a pedido da sua filha, e a senhora acha que ali então é a verdade total, completa. Antes ele mentiu, mas ali...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Onde ele falou sobre os empréstimos e avisou... Porque a minha filha pediu para ele... Porque o que nós estamos passando na minha casa é uma inverdade a cada dia nos jornais, como foi esse fato que relatei do Banco de Boston, como, no dia seguinte, ao que eu tinha sacado do Banco de Boston, eu estava inclusive fugindo do País – eu já fugi do País umas três vezes. Eu não sei se vocês já escutaram, se os senhores já ouviram falar sobre até de interceptação de um possível seqüestro do Marcos Valério, via presidiários do Rio de Janeiro. Então são preocupações que nos levam. Se há coincidência, eu não acredito em coincidência entre entrevista de Sr. Delúbio, Presidente Lula e Marcos Valério.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas a senhora há de convir que ainda tem muita verdade a aflorar, porque, afinal de contas, saques milionários que chegam a 20, 30, 40 milhões de reais, sacados em dinheiro pela própria Simone, que a senhora conhece, e que esses recursos terão... Vão aflorar aí as listas para quem se dirigiam. Quer dizer, tudo isso era um tipo de operação totalmente ilegal, e o Sr. Marcos Valério ainda não disse para a Nação brasileira, ele poderia fazer uma declaração, em ato de honestidade para com V. Sª, e impedir que a senhora viesse aqui hoje prestar este depoimento; ele poderia abrir o coração, dizer essa verdade porque ela vai aflorar fatalmente mais cedo ou mais tarde. Eu até a parabenizo pela sua confiança no seu esposo, no seu marido. Agora eu acho que ele está faltando com a confiança, porque ele não está sendo verdadeiro com a Nação brasileira. Ainda falta ele dizer muita coisa. Ou a senhora não acha?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu acredito... Como eu estava conversando com uma repórter lá fora, até uma repórter da TV Senado, que eu acho que o momento que o Brasil está vivendo e que isso tem que ser aflorado; eu acredito que isso tem que ser resolvido, acredito que muita coisa possa aparecer, quero que resolva, quero que apareça, quero sim. E quero que todas as pessoas envolvidas cheguem também e confirmem. Eu acho que não é uma esperança que deve ser depositada só em cima de Marcos Valério. Eu acho que ...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)Mas ele tem verdades que ele não revelou ainda.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso eu não sei porque eu não comento com ele, ele não me falou nada, e eu procuro não entrar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)Mas com essa confiança mútua, recíproca, um casal, nós todos sabemos aqui como é uma confiança de casal, numa relação de sócio, numa relação de casal a senhora não tem essas informações de que ele dispõe?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA ­ - Como eu afirmei para o senhor, hoje eu vim, eu estava em estado de depressão, eu não estava saindo de casa, eu não  estava saindo do meu quarto, eu não saía da televisão. Então, eu acho que eu não tinha o direito de ficar perguntando demais.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)Eu acho que o seu marido tinha um dever com a senhora de evitar que a senhora viesse aqui hoje. Eu gostaria que isto não estivesse acontecendo, estes fatos aqui, mas lamentavelmente é por culpa dele, porque ele não tem revelado a verdade ao Brasil e à senhora essencialmente, à senhora e a sua família...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador César Borges, até em função deste momento e se todos me permitem, eu gostaria de suspender a reunião agora por meia hora. Retornamos com V. Exª com a palavra.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA)Perfeitamente, para eu concluir posteriormente.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) - Está suspensa a reunião.

 

(Levanta-se a reunião às  13  horas e  57 minutos.)

 

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos recomeçar a oitiva da Srª Renilda Maria Santiago.

Passo a palavra ao Senador César Borges, que ainda tem oito minutos para concluir as suas perguntas.

Com a palavra o Senador César Borges.

Oito minutos. Assessoria técnica, por favor, registre.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu lhe agradeço, Sr. Presidente, e queria iniciar ou reiniciar, lamentando que talvez a minha pergunta tenha levado a Srª Renilda a, em determinado momento, perder a sua calma, a sua tranqüilidade. Não foi intenção deliberada nossa nesse sentido, apenas eu queria saber se exatamente V. Sª poderia trazer informações que nós não temos, que talvez o seu marido, o Sr. Marcos Valério, tivesse. Mas não insistirei nesse tema e procurarei, Sr. Presidente, aqui, objetivar algumas perguntas.

Por exemplo, a senhora tem conhecimento de que tem participação em outras empresas afora a Grafitti, a DNA e a SMP&B. A senhora é sócia também de outras empresas criadas com o Sr. Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Sr. pode nomeá-las por favor?

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Tenho aqui informações de que a Srª detém 50% da 2S Participações Ltda. 

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É uma empresa minha e do Marcos e é uma empresa de investimentos. Isso é correto.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Que também da JEVN Participações Ltda. em 50%?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É uma empresa minha e do Marcos que iríamos criar, mas ela não chegou a existir e já está encerrada, já mandamos desativá-la. Ela nem chegou a ser aberta realmente.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Seria uma empresa que a ser criada em 22 de julho de 2002, é isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Já foi encerrada e nunca foi movimentada.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então são essas empresas a mais. Agora, também D. Renilda, as informações que temos aqui deduzida através de valores obtidos com base no recolhimento de CPMF são de grandes movimentações nas suas contas. Perguntaria: V. Sª tem conta no Banco do Brasil, no Banco Alfa e Bank of Boston*?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Perfeitamente.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Essas contas são individuais ou são contas partilhadas em conjunto com o Sr. Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – No Banco do Brasil eu tenho uma conta minha e a conta da 2S; no Bank of Boston eu tenho uma conta minha e uma conta compartilhada com o Marcos Valério, e no Banco Alfa tem a conta 2S e uma conta minha.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – A 2S é movimentada também pela Srª?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É uma conta que foi criada para investimentos e esses investimentos estão sendo feitos no Cepel, que é uma empresa de que o Marcos é sócio e que é uma hípica e que eu assino eventualmente.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – A Srª sabe que, em 2003, o total dessas três contas chega a R$5.222.314,00 em movimentação?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O saldo eu nunca...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas é uma movimentação, convenhamos, bastante elevada.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O saldo eu nunca acompanhei.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Em 2004 chega a um total de R$4.749.347,00. Também uma movimentação bastante volumosa de recursos, mas acho que V. Sª não sabe exatamente o direcionamento desses recursos.

Agora, gostaria de voltar a perguntar, só para precisar, a Srª deu duas informações aqui da maior importância: a primeira que a Srª conversou com o seu marido, o Sr. Marcos Valério, e ele lhe revelou que a garantia, a segurança que ele tinha para os empréstimos advinha de uma conversa tida entre o Deputado José Dirceu, à época Ministro-Chefe da Casa Civil, com os diretores respectivamente, em Belo Horizonte, da SPM&B e, em Brasília do BMG.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. SMP&B, não. Ele me revelou que esses empréstimos quando eu... Banco Rural, em Belo Horizonte, Hotel Ouro Minas, e BMG, em Brasília, não sei especificar onde foi com o então Ministro José Dirceu.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Essa sua conversa com o Sr. Marcos Valério foi quando efetivamente?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Quando saiu esses fatos...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E a reunião dele com o Ministro José Dirceu foi no ano passado?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Marcos não participou da reunião.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas a reunião do Ministro José Dirceu com a diretoria dos dois bancos foi no ano passado.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Banco Rural acredito que... O Marcos falou que, se não me engano, foi no segundo semestre do ano passado e o BMG, honestamente, não perguntei quando foi.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ele foi mais explícito sobre o resultado dessas reuniões? Que tipo de garantia o Sr. José Dirceu teria dado à diretoria dos dois bancos, do BMG e do Banco Rural, para o efetivo resgate dessa dívida que chega hoje a R$90milhões?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, ele não foi mais explícito sobre o resultado das reuniões.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E isso não deixou a Srª ainda mais angustiada com esse volume inteiro, sem ele dizer qual a garantia que o Ministro José Dirceu deu do resgate desses empréstimos?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu estou angustiada hoje e muito, não só pela falta dessa resposta. Estou angustiada porque quero saber como isso será pago.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Imagino a sua angústia como deve estar sendo vivendo esses momentos.

Então, a senhora também não teria conhecimento de que estaria havendo grandes saques nas contas das duas empresas de que a senhora participa de alguma forma. Quer dizer, esses saques imensos, que chegariam a R$40 milhões, a senhora não tinha conhecimento nenhum.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nenhum.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O Valério nunca disse à senhora “olha, estou sacando”...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Não, inclusive, eu vou... O Marcos é uma pessoa mais reservada e eu respeito o limite onde a gente vai. Então, eu pergunto igual a esse problema, mas do restante das empresas, como eu já falei, eu sempre fui muito passiva e eu não sabia o que era feito, se havia esses saques ou não, como eu não sabia nem que existiam esses empréstimos.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E agora, neste momento atual, ele e a senhora têm conhecimento de que o PT nega que vá fazer o pagamento e o resgate e que, se ele quiser recuperar o crédito, tem que entrar na Justiça. Qual é a posição? O que ele passa para a senhora com relação às ações que ele vai desenvolver para recuperar R$90 milhões?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não... Como saiu, inclusive, no final de semana, a revista Veja* e ele, inclusive, deu uma nota – não sei se o senhor acompanhou...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Acompanhei.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... a revista Veja veio falando que ele tinha feito...

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... uma chantagem, pedindo R$200 milhões, alguma coisa assim, que isso foi dito pelo João Paulo. Se não me engano, acho que teve o João Paulo... O Deputado João Paulo* acho que desmentiu na segunda-feira também, eu não sei, não me lembro, ouvi dizer que ele havia desmentido, o Marcos deu a nota porque ele jamais fez isso. Agora, eu posso falar de mim, eu, Renilda. Meu maior desejo hoje é que o Marcos entrasse com esses contratos na Justiça, pedindo cobrança do PT.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas ele tem documento com que possa entrar na Justiça? Porque, sendo algo de boca, de fio de bigode, um para o outro...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, deve ter documentos bancários.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – ... fica difícil ter um argumento jurídico.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Se foram feitos investimentos, o banco tem que ter algum contrato. E se ele foi à vista...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então ele teria provas de que o dinheiro foi para o PT?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não teve, como foi noticiado, aquele que tantas vezes passou na mídia, com a própria assinatura do então Deputado Genoíno, Delúbio... Deve, acredito que exista isso. Acredito que tenha um aval e acredito que, se isso existe, hoje, honestamente, meu maior desejo é que isso entrasse numa Justiça para que pudesse receber, que é minha preocupação.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu agradeço, Sr. Presidente, e considero encerrada minha intervenção.

Obrigado, Srª Renilda.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – De nada.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Senador César Borges.

Deputado Onyx Lorenzoni, com a palavra por quinze minutos.

Quinze minutos, por favor.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Srª Renilda, eu venho de uma terra onde nós temos uma herança guerreira, que é o Rio Grande do Sul. As nossas fronteiras foram marcadas com muita luta e com muito sangue, e as mulheres da minha terra sempre desempenharam papel importantíssimo na história das nossas famílias e nas histórias da minha terra.

É o centenário de Érico Veríssimo, que escreveu um livro extraordinário, que é O tempo e o Vento, onde havia uma personagem, uma mulher, a Ana Terra*, que sempre retratou a força, a energia e o interior da mulher gaúcha e – por que não dizer – também da mulher brasileira. Eu vou ler um pequeno trecho, porque eu acho que ele pode nos ajudar a compreender, talvez, um pouco a circunstância em que a senhora está aqui.

“Sempre o vento no destino de Ana Terra...: um dia de vento mudou o rumo de sua vida sem amor: aparece Pedro Missioneiro. Quando o filho parte para a guerra, ventava. E junto com o vento voa também o tempo, sazonando os frutos, amadurando as searas, envelhecendo e matando homens e mulheres. (Muitos morriam de violências antes do tempo...). O tempo e o vento marcam o compasso da epopéia.”

Ana Terra, como outras mulheres, é a fixação, a conservação da família, o eixo. As mulheres são isso, na sua essência. Aos homens ficam a conquista e a passagem.

Uma mulher escreveu o que eu vou ler para a senhora agora, porque eu sabia que eu iria inquiri-la. Ela diz que o papel da mulher que é mãe é educar, orientar, dar princípios, ser exemplo, ensinar as questões básicas da vida, ser correta, honesta, ser educadora enfim, e transferir e construir a relação de seus filhos com os valores mais importantes da vida.

Essa mulher perguntava como é que a senhora vai poder olhar para a sua filha ou para o pequeno – eu tenho uma filha da idade do seu filho, além de outros três filhos – e dar um conselho da melhor forma, a não ser que hoje a senhora consiga resgatar a dignidade, dizendo a verdade, porque isso vai lhe dar condições de poder voltar para casa, olhar dignamente nos olhos da filha, do filho, dos amigos e da família.

Eu vejo a senhora com uma imagem aparentemente frágil, mas a vejo, neste momento, como uma verdadeira fortaleza interior. A senhora é uma mulher forte, apesar de aparentar alguma fragilidade exterior. Eu sou obrigado a fazer algumas perguntas que não são movidas pela minha vontade, só pela minha obrigação. O seu marido esteve aqui. Ele depôs e disse – são palavras textuais dele – que a senhora figurava como sócia em razão do medo de que o seu marido se separasse da senhora. A senhora confirma essa afirmação que ele fez aqui, na mesma cadeira em que a senhora se senta?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu já respondi essa questão e retorno para o senhor. Na época, foi por causa do problema judicial, como eu expliquei, e foi colocada no meu nome. Depois disso, foram brincadeiras. Às vezes, ele falou realmente, mas foram brincadeiras, porque às vezes ficava assim: “Ah, não vou tirar esse negócio do meu nome, não. Depois separa”. São brincadeiras. O senhor é casado. E acabou que foi passando o tempo, foi passando o tempo, e, como eu falei, de uma forma cômoda, ficou, passou e ficou. Não que fosse algum fato ou que teve um fato. Foram coisas que geraram tipo uma brincadeira e acabou, por um certo comodismo, ficando assim.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – A senhora conhece quais são as razões que levaram a Srª Fernanda Karina a ser demitida da SMP&B?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – As razões, como eu nunca freqüentei a SMP&B, no dia-a-dia, eu obtive uma informação, porque eu converso com a secretária por telefone. Então, uma das secretárias – inclusive foi um fato que aconteceu e que a própria Srª Karina não relatou aqui – várias vezes ela relatou aqui que o Marcos era uma pessoa fria, calculista, várias coisas. O Marcos ia demitir a Srª Karina Somaggio justamente pelo fato de ele viajar muito. Como ele viajava, ficava pouco tempo na empresa, como qualquer outro empresário, você quer cortar custos. Sendo que tinha a Adriana Fantini, que é secretária, e ela já acumulou a função várias vezes, sendo secretária do Marcos e do Cristiano Paz. E o Marcos disse: “Bom, vamos voltar ao que era atrás e a Adriana continuar sendo”. O Marcos, então, pensou em mandar a Srª Karina embora, em demiti-la no mês de dezembro de 2003... Ela foi demitida em janeiro em 2004, não é? Em dezembro de 2003, onde o Marcos chamou a Adriana e falou com a Adriana se ela se predispunha a acumular a função dos dois uma vez e comunicou o fato. A Adriana comentou que o marido, então, da Srª Karina, estava desempregado. O Marcos Valério, por uma questão que eu digo humanitária, não mandou Karina ir embora no mês de dezembro. Ele esperou o marido dela – como vocês podem procurar saber – ser recolocado – eu não sei aonde, não tenho conhecimento íntimo da vida dela – pra que depois fosse demitida. Quando o marido dela assumiu o emprego, em janeiro, foi quando ele demitiu e o motivo foi esse.

Como préstimos dos serviços dela, ela recebeu, além dos direitos reais dela, R$5 mil, que uma hora ela afirma que sim, outra hora ela afirma que não, e ora ela afirma que trabalhava até dez horas da noite, sábados, domingos e feriados... Isso eu posso te falar que era uma inverdade, porque, se o Marcos viajava muito, era difícil ficar trabalhando até dez horas da noite. Sábados, domingos e feriados eram os dias que eu exigia e que eu exijo, enquanto mulher, pra minha família, pro meu filho e pra minha filha. Então, em momento nenhum eu digo isso.

Então, foi por uma questão humanitária. Inclusive, ele esperou pra demiti-la e o motivo foi esse.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Eu... A senhora disse aqui que o Marcos Valério tinha uma procuração sua no que diz respeito às movimentações das empresas de que a senhora é proprietária, que a senhora é sócia. A senhora também disse que o Marcos Valério recebia trinta mil de uma e trinta mil de outra.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É verdade.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – A senhora fala aqui de redução de custos que a senhora, inclusive, mencionou agora: a Fernanda Karina saiu por isso.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É um exemplo que eu dei que o motivo da Karina... Não é que a empresa estava passando uma dificuldade, mas que hoje, como qualquer empresário, ou eu mesma, como dona-de-casa, se eu não preciso daquela empregada, eu vou demiti-la, porque não justifica.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Desde quando que o seu esposo recebe trinta mil da SMP&B e trinta mil da DNA?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Os trinta mil foi um aumento que teve, se não me engano, foi janeiro...

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Deste ano?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi este ano. Eram R$25 mil numa e vinte e sete em outra. Sempre teve. Ele sempre recebeu, tanto pela SMP&B quanto pela DNA.

Não sei informar pro senhor... Se o senhor me perguntar hoje como foi o crescimento desse salário, eu não sei informar.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Tá. Não, é porque é muito estranho, né? Eu vou lhe explicar aqui o que é estranho, para as pessoas também entenderem e para a senhora nos explicar.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Pois não.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Quando a senhora faz a declaração conjunta com seu marido...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ahã.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – ..., a renda do ano todo é equivalente à renda de um mês.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso eu não sei te informar porque eu não acompanhei o meu Imposto de Renda.

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Tá. Então, eu estou lhe dizendo. Nós temos o documento. E julgo que a senhora deve fazer uma revisão, pra evitar problemas pra senhora, que é um ente pessoa física e tem uma responsabilidade sobre essas declarações conjuntas... Não é só responsabilidade do seu marido.

O seu marido, então, faltou com a verdade com a Receita Federal, porque a senhora está dizendo que ele tem um recebimento que acompanhou, ao longo dos últimos anos, e que... A senhora veja: em 2000, ele declara cinqüenta mil de renda tributável e a mesma coisa, um número parecido, em 2002, em 2003. E a senhora veja: em 2004, o ano passado, com ano-base de 2004, ele declara, em 2004, com ano-base 2003, esse valor. E no ano passado ele declara um pouquinho mais. Ele declara noventa. Isso é um mês e meio de renda!

E aí a gente fica intrigado, com todo respeito, Dª Renilda. Na sua conta pessoal ele não mexia. A senhora tem conta pessoal no Boston, que está no seu nome...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É o que eu relatei. O Banco de Boston, Alfa...

O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Não. Sim. O Banco do Brasil, no Alfa e no City Bank.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA No City Bank, eu não tenho. É uma conta que está inativa.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sim, está inativa. Nós sabemos disso. Agora, a senhora veja. A senhora que é uma mulher cuidadosa e zelosa com as questões de casa. A senhora se referiu aqui que sabia até o dia em que saía dinheiro para pagar as contas de casa. A senhora recebeu na sua conta, só no Boston, nos dois últimos exercícios completos, a senhora recebeu – não vou revelar o valor completo – mais de R$5 milhões na sua conta pessoal, na sua empresa. É da Srª Renilda.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não tenho...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS)No Banco do Brasil... Não, não tem como não ter... Isso aqui é informação oficial do Banco Central do Brasil. Isso aqui foi apurado através da CPMF. Ou seja, toda vez que esse dinheiro saiu, gerou uma CPMF, que tem valor fixo, e o Banco Central calcula quanto a senhora tinha na conta. Isso... Não tem erro nisso, porque isso é feito por um sistema informatizado. Não é erro. Passou por sua mão, foi de sua responsabilidade R$5 milhões. No Banco do Brasil, transitou, no mesmo período, mais R$3 milhões. No Banco Alfa, no mesmo período, mais R$1,5 milhão. Então, pela conta da pessoa física, Renilda Maria Santiago – vou até usar o seu nome de solteira; me permita, não falar o nome de casada, porque a responsabilidade é sua! Transitou lá, nesses três bancos, R$10 milhões na sua conta. Então, quero dizer à senhora, com todo o respeito, como é que a senhora explica isso?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu explico que... Eu acho que não posso ser considerada... Eu, como pessoa solteira, Renilda Maria Santiago. Isso é uma conta de Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, onde esses depósitos eram feitos, através do meu marido, em alguns casos, que ele fazia e que ele relatava que era a divisão de lucros das empresas.

O SR.  ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Deixa eu lhe explicar: se eu pegar a conta de seu marido, pessoa física, de Marcos Valério, nós vamos encontrar mais R$30 milhões. Mas que tanto lucro é esse que não está na sua declaração de Imposto de Renda? Que tanta distribuição de dinheiro é esse? Deixa eu lhe perguntar uma coisa: a senhora aceitaria fazer uma reunião secreta, só os membros da CPI, reservada. Ninguém mais aqui dentro. Só a senhora, o seu advogado, os Deputados e as Senadoras. Para a senhora nos falar um pouco de coração aberto. Falar em nome da dignidade da senhora, dos seus filhos. Se o seu marido recebeu erros, e ele os cometeu, lamentavelmente. A senhora não pode mais ter ilusão de que seu marido não errou. Ele errou! Ele mentiu! Faltou com a verdade! Por favor, aceite o convite para fechar a porta. A gente tira todo o mundo. Fazemos uma conversa de uma hora, franca. A senhora abre o seu coração, fala a verdade para a CPI. E eu tenho certeza de que a senhora vai sair aliviada. A senhora vai recuperar essa capacidade que a mulher tem que ter... Que a Ana Terra, de Érico Veríssimo, tinha de ter; que as mulheres que, na verdade, são as responsáveis pela conservação, fixação da família, dos filhos, elas podem e devem ter. Aceite o convite. Vamos conversar. Abra o seu coração. Ajude à senhora, ao João Vitor, à Natália...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT-MS) – Deputado Onyx... Concluindo...

O SR. ONYX LORENZONI – Ajude... Só perguntar se ela aceita fazer uma reunião secreta, apenas ela, os Senadores e os Deputados, mais ninguém, para que ela possa contar toda a verdade dela, para salvaguardar esse patrimônio, que é o único patrimônio, Dª Renilda, que a senhora tem disponível.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA A verdade que eu tenho a declarar eu estou declarando aqui, na frente de todos. É o que eu sei. É o que eu sou informada. Como o senhor mesmo falou... O próprio Senador César Borges disse que eu trouxe um fato novo, que seriam as reuniões. É um fato que eu pude relatar e que eu sabia. Bom, por aí, tudo o que eu sei, toda a informação que eu sei, eu estou sendo – de coração aberto – informando.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT-MS) – Com a palavra o Deputado Carlos Abicalil.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) –  Sr. Presidente, eu me reinscrevo, por favor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Srª Renilda, que está aqui na condição de investigada. Não é, seguramente, a melhor forma de comparecer perante o público brasileiro e uma Comissão como esta, mas estamos na tarefa de investigar e buscar a verdade.

O Relator, no último depoimento, citava uma personagem de Cícero, na antiguidade, chamada Catilina. E hoje a Srª Renilda me recorda um ditado popular contemporâneo: “À mulher de César não basta apenas ser honesta, é preciso parecer honesta.” V. Sª tem comparecido à Comissão com a docilidade de uma mãe, com a formação de uma pedagoga, portanto não apenas por formação cultural, mas também por formação acadêmica, zelosa no cuidado com crianças, na educação de filhas e filhos seus e de outrem, e também demonstrou que, durante sua experiência bancária, se não estou enganado, no Banco do Estado de Minas Gerais, na formação de pessoal, de recursos humanos. Isso, efetivamente, já a coloca em uma condição objetiva de ter não apenas demonstrado aqui as afeições que possui, como sentimento que volta-e-meia afloram como pouco antes do intervalo que tivemos.

A Srª Renilda sabe que nossa sociedade ocidental, de tradição judaico-cristã, tem a acusação do pecado por ato ou omissão. Portanto, a culpa não é apenas por aquilo que se faz, mas, muitas vezes, por aquilo que se deixa fazer. E já reconheceu, em penitência pública, aqui, mais de uma vez, que talvez tenha cometido essa omissão de saber exatamente as finalidade das condições de operação dos contratos, das sociedades em que operavam as empresas do Sr. Marcos Valério.

Agora, V. Sª também, seguramente, nestes 25 anos de convivência com o Sr. Marcos Valério, que suponho que tenham sido mais do que 25 anos, V. Sª, inclusive, disse que chegou a morar em uma casa de fundos com o Sr. Marcos Valério. Suponho eu.... No microfone, por favor.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foram só 25 anos mesmo.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – São só 25 anos mesmo. Então, provavelmente, logo dessa convivência de vizinhança, também surgiu um relacionamento próximo, que, portanto, diz respeito não apenas à convivência do período de namoro e casamento, noivado, mas também à observação de algum tipo de comportamento do Sr. Marcos Valério em relação ao conjunto de pessoas que o circundavam e que constituíam suas relações pessoais.

V. Sª costumava ter uma convivência social durante o período de namoro e antes do casamento com amigos, sócios, em clubes, com colegas de trabalho?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, a nossa vida sempre foi familiar, a minha família e a família dele.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Quando, precisamente, a senhora ingressou, através de procurações ou procedimentos similares, como elemento constitutivo das empresas do Sr. Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu tenho que olhar a data da procuração, porque eu não sei exatamente. A procuração está com o Relator.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Mas isso não tem 22 anos nem 25 anos.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES E SOUZA – Não, isso foi quando o Marcos entrou na SMP&B e na DNA.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Quando da ruptura da sociedade com o Sr. Clésio...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Da sociedade com o Sr. Clésio Andrade.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – E anteriormente a isso, o Sr. Marcos Valério já trabalhava nessas empresas?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Não trabalhava? Ele já entrou na condição de sócio?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele e o Sr. Clésio Andrade.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Ele era sócio do Sr. Clésio Andrade?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso, isso.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora diz que sim e o seu advogado diz que não. Eu estou olhando para a senhora, mas ele sacode a cabeça. A senhora está dizendo, então, que eles eram sócios e houve um conflito de interesses, que a senhora já mencionou.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele entrou com o Sr. Clésio Andrade, eles tiveram uma ruptura e eu não sei explicar, como já falei para a Senadora Ideli Salvatti, que eu não sei...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – A natureza do conflito?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A natureza. Após esse conflito, o Marcos se tornou sócio. Foi feita uma alteração de cotas da empresa. Não sei explicar como foi. Aí, sim, passei para o meu nome e dei a procuração ao Marcos Valério.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)A senhora conhece outros sócios do Sr. Marcos Valério ou ex-sócios?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Conheço.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)  Pode dizer o nome de alguns?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Os atuais sócios.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Pois não.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Cristiano Mello Paz.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Sim, já foi mencionado aqui.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ramon Cardoso, Marcos Francisco Castilho, DNA, Margareth não sei se é Queiroz ou Queiroga, acho que é Queiroz, e Renato, que é da Multiaction. O Renato, que é sócio...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)A senhora não conhece nenhum Tolentino, sócio do seu marido?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Tolentino é sócio não das empresas de publicidade, que é da Melo e Tolentino, que é sócio, amigo e conterrâneo do Marcos Valério.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Sócio, amigo e conterrâneo.

A senhora costumava freqüentar ambientes sociais, naturalmente, em companhia do seu esposo, festividades, solenidades, concursos, quando a DNA recebia prêmios...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não? Só a Hípica? O seu local de encontro social era só a Hípica?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Esses eventos sociais, geralmente, que havia das empresas da SMP&B, na maioria das vezes eram representados pelo Cristiano Mello Paz. O Marcos nunca foi muito de eventos sociais. Não somos de eventos sociais. E na DNA...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – À exceção da Hípica, porque a Hípica é um evento social.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A Hípica porque tenho de acompanhar a minha filha.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) Então, em festividades assim nem no interior do Estado, nem em São João del-Rei...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – E a DNA geralmente era representada pelo Marcos Francisco Castilho.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Em São João del-Rei, Poços de Caldas, a senhora não participa de atividades?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca fui. Não conheço as cidades.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) Conhece outros concorrentes do Sr. Marcos Valério na área de publicidade, de promoção de eventos? Outras empresas que concorrem, outros empresários que concorrem nessa área de publicidade?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O que a gente ouve falar pelo...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) Não, pergunto se a senhora conhece, se teve relacionamento com alguns...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, conhecer pessoalmente, não. Ninguém.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora menciona e reitera o conhecimento há 25 anos do Sr. Marcos Valério e houve um emprego comum, que era o Banco do Estado de Minas Gerais.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – A senhora trabalhava lá e também o Sr. Marcos Valério trabalhou no Banco do Estado de Minas Gerais. Já mencionou aqui que, nessa época, o Sr. João Heraldo Lima não era o Presidente do Banco.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei. Quando o Marcos trabalhou – porque o Marcos trabalhou há mais tempo do que eu lá no Bemge –, na época em que eu trabalhei, a última gestão de Presidente, na minha época, que eu trabalhei e da qual me recordo... Se o senhor me perguntar assim o primeiro Presidente, quando você entrou lá, eu não me lembro.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) Não, não estou interessado em saber do primeiro Presidente.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Era o Dr. José Luís Rocha.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Certo. E o Sr. João Heraldo Lima...?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – João Heraldo, eu não me lembro da minha época, não.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora não o conheceu no Bemge.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Mas conhece essa figura pública João Heraldo?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Já o vi em jornais, mas não o conheço pessoalmente.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  Sabe que ele tem função pública?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  Que ocupa posição de destaque?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  Que já foi Secretário e que hoje é diretor de banco?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não sei.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Não sabe.

A senhora afirmou aqui que o Sr. Marcos Valério trabalhou no Banco Central. A senhora sabe que essa pergunta fui eu que fiz pessoalmente ao Sr. Marcos Valério, e ele aqui, na CPMI, negou que houvesse trabalhado no Banco Central.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu sei que ele vinha a Brasília, ao Banco Central... Como falei aqui, efetivamente, eu acho que ele não pode ter sido efetivo, mas acredito que ele possa ter, durante uma certa época, prestado algum serviço de consultoria, alguma coisa nesse sentido.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – É bem provável. Com a experiência bancária que ele teve de 20 anos, é bem provável.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Efetivo, acredito que não.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Ele já trabalhou no exterior?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – No exterior? Não, senhor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Nunca trabalhou. A senhora menciona que as viagens eram todas turísticas e familiares?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Viagens turísticas com família.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora afirmou que a Dª Fernanda Karina teria sido demitida por contenção de custos, segundo a informação que tenho.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Contenção de custos, eu disse, sim. O Marcos – eu é que falei – a dispensou porque, como ele viajava muito, não havia necessidade de ter uma secretária para ficar só marcando viagens.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)Isso ele já afirmou aqui. Eu só queria que a senhora confirmasse que foi por contenção de custos. Foi essa a intenção?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, eu é que estou falando porque acho que também é uma contenção.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) Então, como é que a senhora justifica a bonificação de R$5 mil? Porque não era dever trabalhista.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não estou falando que ele disse uma contenção de custos.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Sim.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu é que estou falando porque, a longo prazo, a longo prazo, isso se tornaria uma contenção de custos.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sem dúvida. A longo prazo, sem dúvida.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, a longo prazo.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora também informou que, segundo a informação que tinha, o esposo da Srª Karina estaria desempregado.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ela teria sido demitida no mês de dezembro. Era a época em que o Marcos pensou em demiti-la. Não foi demitida por uma solicitação...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Foi adiada a demissão em função da situação familiar.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi adiada porque a Srª Adriana comentou com o Marcos e, por uma questão humanitária...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Ele a manteve.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi sensibilidade da Adriana e do Marcos.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Sim.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É que, como ela tem filhos, paga aluguel...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim, já entendi, já compreendi. É porque a Srª Fernanda Karina informou que o seu esposo trabalharia numa TNT Logística, aqui nesta mesma Comissão. Era a empresa que empregaria o esposo da Srª Fernanda Karina, inclusive uma empresa de logística, sem muita explicação.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu marido não tem empresa de logística.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não, não é o seu marido, o marido da Srª Fernanda Karina.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Em que ela começou a trabalhar depois do mês de janeiro.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Isso, certinho. Está bem.

A senhora esteve já em algum evento com a participação do Sr. Carlos Rodenburg?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Não conhece?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Nunca ouviu falar, o Sr. Marcos Valério nunca comentou?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Já ouvi falar e já li em jornais, mas não conheço e nem o Marcos nunca comentou fato nenhum.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora poderia mencionar quais são as maiores contas de publicidade das empresas em que é sócia? Quem são os donos das maiores contas ou quem são os maiores clientes das empresas DNA e SMP&B?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Hoje, eu posso falar que eu sabia: Banco do Brasil, que não é mais...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Sim.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... Correios, que não são mais...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ...Eletronorte, que não é mais...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim. Por enquanto, só estatais.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... Usiminas...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Sim.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... eu sei que, acho que ainda é. Como teve uma varredura, ultimamente, que eu me lembre são Usiminas e shopping, não sei se era em Belo Horizonte, se era o Diamond Mall, ou alguma coisa.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Das telefônicas a senhora não se lembra de nenhuma?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Tinha a Telemig, eu não sei se ainda é.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Tinha a Telemig, a senhora lembrou, então, de uma telefônica, pelo menos.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Mas eu ainda não sei.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora conheceu a Srª Leda Rebello Carvalho?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Conhece algum político do Estado chamado Carvalho, Deputado Estadual?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não conhece. Conheceu o Sr. Sérgio Esser?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não conhece, nunca ouviu, também, o Sr. Marcos Valério...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – ... comentar...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nada.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)   –... sobre o Sr. Sérgio Esser?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Conhece o Sr. Welton Máximo?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Cantídio Figueiredo?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Nunca ouviu falar? Nunca teve nenhum relacionamento?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nenhum.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – O Sr. Marcos Valério e suas empresas têm contas do Governo do Estado de Minas Gerais?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei se tem ou se teve. Eu não sei.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Da Assembléia Legislativa de Minas Gerais?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei se tem este ano ou se já teve.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Se teve, foi há menos de cinco anos, há mais de cinco anos?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Precisamente, eu não sei lhe informar.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – A senhora não sabe informar.

Essa sistemática de contratação de empréstimos ou de concessão de empréstimos para financiar políticos a senhora considera que seja uma prática recente do Sr. Marcos Valério?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, foi uma coisa, eu acho que foi... Com certeza, foi a primeira vez que ele fez.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – E como outros Deputados, já de mandatos anteriores, mencionam que receberam no passado – está declarado nos jornais de hoje e não são do meu Partido, inclusive são da Oposição, são do PSDB e do PFL –, que receberam, anteriormente, contribuições assim, já no segundo turno da campanha, atribuídas a uma operação da candidatura do então candidato Eduardo Azeredo? A senhora acha que isso não tem nenhuma procedência?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não tenho conhecimento, como eu não li jornais hoje.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Naquela ocasião, provavelmente, ainda eram sócios o Clésio e o Marcos Valério.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não posso lhe informar, porque eu não sei nem o que saiu no jornal de hoje, porque, a princípio, não tive nem tempo de me informar.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora mencionou que o Sr. Marcos Valério teria medo de perder as contas do Banco do Brasil – a senhora mencionou aqui, no depoimento – e talvez outras contas de publicidade. O Sr. Marcos Valério tem publicidade de bancos?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Se ele faz de outros bancos?

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Publicidade para bancos.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Banco Rural é cliente não sei se da DNA ou da SMP&B...

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – O Banco Rural é cliente do Sr. Marcos Valério.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... há mais de 11 anos.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT) – É uma longa relação, portanto.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – Anterior, inclusive....

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.

O SR.  CARLOS ABICALIL (PT-MT)  – ..., à ruptura com o Sr. Clésio.

A senhora mencionou o medo do Sr. Marcos Valério e também o seu próprio medo de como enfrentar as dívidas que terá adiante, não é? Mencionou a precaução com o patrimônio dos seus filhos, inclusive de que maneira as ações patrimoniais, a transferência de bens etc., foi zelando para que fossem transferidos a seus filhos.

Aqui a Oposição, por diversas vezes, falou de quadrilha e coloca o Sr. Marcos Valério não apenas como membro, mas organizador de quadrilha; embora falem da quadrilha de 2003, não mencionam esse para trás.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Abicalil, conclua porque o tempo já está extinto.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Vou concluir.

Que parece ter uma longa experiência, laboratórios feitos em 98, como eu já havia anunciado aqui. Muita gente se irritou muito.

O que a senhora pensa dos valores que deixa para os seus filhos, quando nesta CPI diversos dos que me antecederam categorizaram o seu esposo como membro e formador de quadrilha?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não tenho nada a declarar sobre isso.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado Welinton Fagundes por quinze minutos.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Sr. Presidente, nobres colegas, gostaria de ir diretamente às perguntas.

A senhora teme, depois de tudo que aconteceu, algo sobre a sua vida, do seu marido ou dos seus familiares? Isso lhe trouxe alguma preocupação até agora?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Com certeza.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Já chegou alguma ameaça à sua família.

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei se os Srs. Deputados ouviram isso. Isso foi noticiado muito essa semana em Minas Gerais, na Rádio Itatiaia, e, se não me engano, saiu na televisão, não sei se no Jornal Nacional, ou Record, de uma interceptação, acho que da Polícia do Rio de Janeiro, não sei de qual presídio, de um traficante que estaria do lado de fora com uma outra pessoa que estava presa. Não me lembro os nomes. Foi divulgado amplamente na Rádio Itatiaia de Minas Gerais que eles pensavam em seqüestrar o Marcos Valério, pois ele era o homem do dinheiro. Um falava que inclusive sabe todos os passos do dia-a-dia dele. Então, isso, com certeza preocupa tanto a vida dele, a segurança dos meus filhos, da minha família, minha, e também de irmãos e pais do meu marido.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora sabe da importância que representa hoje, na verdade, a integridade física da senhora e do seu marido para esclarecimento de tudo que está havendo no Brasil. Vocês, em família, já tomaram alguma providência, já requereram alguma segurança a mais?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A única segurança que eu tinha requerido acho que hoje eu meio que perdi, foi quando saí da casa que tenho no Bairro Castelo, mudei-me para um condomínio fechado. Mas, mesmo no condomínio fechado, eu tenho minha privacidade invadida, onde várias vezes, ao sair, sou seguida por repórteres e várias coisas. Minha privacidade foi totalmente devassada. Ainda não sei o que fazer. Honestamente, me preocupa, mas ainda não fizemos nada.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Sr. Presidente, não sei se esse aspecto é uma questão técnica da Comissão, mas é uma preocupação que vejo que o Brasil precisa ter, principalmente com o Sr. Valério. Não sei se a Comissão tem alguma medida a tomar sobre esse assunto. O Presidente pode responder em outro momento. Não é um requerimento que aqui estou fazendo.

Gostaria de perguntar à senhora se o Sr. Marcos Valério tem conversado com a senhora sobre essa crise. No dia-a-dia, o que vocês têm conversado, até para a senhora vir aqui, se preparou. O que a senhora tem conversado sobre a crise com ele?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Honestamente, não me preparei para vir aqui. Estou falando tudo que eu sei, de coração aberto e com a maior sinceridade que posso ser. As coisas que perguntei para Marcos Valério são as coisas que eu escutava na mídia, ou que eu escutava em CPI ou alguma coisa e que eu perguntava para ele, como foi o caso do próprio empréstimo. Porque eu não sabia de nada: eu não sabia de empréstimo nenhum, eu não sabia desses cheques que a empresa passava para o então Sr. Delúbio, eu não sabia de nada.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Por que a senhora, como brasileira, queria evitar vir aqui prestar um depoimento?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não queria evitar vir aqui prestar o depoimento. A única coisa... A minha preocupação era evitar a minha exposição, justamente pensando na minha segurança, uma vez que ela já está violada, e na vida dos meus filhos, uma vez que a minha vida em Belo Horizonte... a gente já não pode sair mais, o Marcos já não pode sair, eu não posso sair, e eu, até então, era um pouco meio que desconhecida em certos lugares, então eu podia levar meu filho para se divertir num parque, na escola dele, e acompanhar minha filha a alguns lugares. A única coisa que me preocupou foi isso. Não em vir depor, mas em me expor em questão da minha segurança pessoal e da vida social dos meus filhos.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Por a senhora ser sócia da empresa, a senhora se sente culpada de toda a situação a que foi levado o País, envolvendo a sua empresa?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Eu não me sinto culpada.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Por quê?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Porque dei uma procuração e a empresa era gerida por outros sócios. E eu confiei em todos os sócios.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Inclusive no seu marido?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Inclusive no meu marido.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT)– A senhora acha que ele sempre estava agindo corretamente?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Em momento nenhum ele me decepcionou.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Até hoje?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Hoje, acho que ele, por uma questão de... Ele queria segurar a conta... Ele não queria perder o que ele tinha. Acho que ele não soube lidar com o “não” ao Sr. Delúbio, porque essa foi a informação que ele me deu. Ele disse: eu não tive como negar. Assim ele me respondeu. Acho que hoje, se ele pudesse, faria tudo diferente.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora acha que tudo o que ele fez foi por pressão do Sr. Delúbio?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA