O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Rogando as bênçãos de
Deus, havendo número regimental, declaro aberta a 18ª reunião da Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito, criada através do Requerimento nº 3, de 2005,
do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias
de atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios, Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos.
Informo ao Plenário que esta
Presidência recebeu o Ofício nº 9.705, que justifica a ausência do Senador Fernando
Bezerra em função de compromissos inadiáveis no Rio Grande do Norte, mas S. Exª
estará presente amanhã, na nossa reunião administrativa.
Esclareço que a pauta desta
reunião destina-se à oitiva da Srª Renilda Maria Santiago.
Gostaria de registrar, antes
da oitiva da Srª Renilda, que recebi do Supremo Tribunal Federal uma Medida
Cautelar do Sr. Ministro Nelson Jobim, Presidente do STF, e é importante, à luz
do parecer do STF, esclarecer aos membros desta Comissão que a Srª Renilda
Maria Santiago Fernandes de Souza prestará o seu depoimento na condição de
testemunha.
Informa ainda esta
Presidência, em face de despacho de S. Exª, Ministro Nelson Jobim, Presidente
do STF, ao denegar pedido liminar no Habeas Corpus nº 86.355 para que a
paciente não viesse a comparecer à reunião desta CPMI, que a testemunha estará
obrigada a depor, conforme determinação desta Comissão, com base no art. 206,
parte final do Código de Processo Penal, ratificada pela Suprema Corte. Não
estará, todavia, obrigada a firmar compromisso de dizer a verdade, conforme
determina o art. 203 do Código de Processo Penal, por ser, como se sabe,
cônjuge do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza, ora investigado por esta
Comissão, aplicando-se nesta hipótese a exceção prevista no art. 208 do Código
de Processo Penal.
A testemunha prestará seu
testemunho oralmente, podendo, entretanto, fazer breve consulta a apontamentos,
consoante o disposto no art. 204 do Código de Processo Penal.
A testemunha deverá,
portanto, responder a todas as perguntas que lhe forem formuladas,
assegurando-se-lhe, entretanto, a observância da garantia constitucional, nos
termos do art. 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal, de não se
auto-incriminar, conforme ressalta despacho do Ministro Nelson Jobim, em sede
de reconsideração, o que importa, em última instância, o protesto pelo direito
ao silêncio, facultando-se-lhe a assistência do seu advogado tão-somente para a
orientação da conveniência ou não de responder.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Pela ordem,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem a Deputada
Juíza Denise Frossard.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Sr.
Presidente, pelo que li, pelo que ouvi, a ordem foi concedida à depoente porque
ela se disse esposa de Marcos Valério. A Comissão não tem nenhuma intenção,
parece-me, de ouvir as esposas nem do Sr. Delúbio nem do Sr. Marcos Valério nem
do Sr. Sílvio Pereira. Mas, no caso de Dona Renilda, a Comissão tem interesse
em ouvi-la porque ela é sócia nos negócios dele. Conversei há pouco com o
advogado de Dona Renilda. Não sei se essa condição teria sido levada ao
Ministro Jobim. De qualquer forma, o Ministro não pode dizer que ela é
investigada, mas, de fato, Dona Renilda é investigada. Nós devemos dizer isso
aqui e agora.
Qual a diferença prática
disso, Sr. Presidente? A diferença prática é que, como investigada, ela tem as
mesmas condições da testemunha informante. Informante é a esposa, é o filho, o
pai, o parente até o terceiro grau que não está obrigado a depor, sob as penas
do falso testemunho, que diz: é falso
testemunho fazer afirmação falsa ou negar ou calar a verdade como testemunha,
perito, tradutor ou intérprete em processo policial, judicial, administrativo
ou em juízo arbitral, cuja pena é de um a três anos de reclusão e multa. É o
que diz a lei. Eu decorei porque a vida inteira eu falei isso.
Pois bem, na condição de
informante, ela é uma testemunha informante. Não prestará o compromisso, mas,
na qualidade de investigada, ela terá o advogado e poderá consultá-lo um pouco
mais.
De modo que o Ministro Jobim
não poderia dizer que ela é investigada, porque isso é prerrogativa da
Comissão.
Mas, Sr. Presidente, submeto
à reflexão de V. Exª e do Relator que ela, de fato, virá aqui não como a esposa
de Marcos Valério, mas como sócia. Estou interessada em ouvir a Dona Renilda
sobre os negócios. Desculpe-me, Sr. Presidente, mas, como esposa dele, saber
como vai a sua casa, isso não me interessa. E creio que não é este o objetivo
da Comissão.
De modo que requeiro a V. Exª
que submeta ao Plenário a condição em que ela será ouvida, porque esta
prerrogativa é da Comissão. E a mim me parece que deverá ser ouvida como
investigada. É como entendo, Sr. Presidente.
O SR. ANTONO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, Deputado ACM
Neto.
Antes de começarmos, pediria
a V. Exªs parcimônia no “pela ordem”, porque precisamos começar a reunião. Já
estamos bastante atrasados, como disse muito bem o Senador Alvaro Dias.
Então, vou dar a palavra,
pela ordem, ao Deputado ACM Neto, ao Deputado Arnaldo Faria de Sá e ao Deputado
José Eduardo Cardozo. Então nós começaremos a nossa oitiva.
Deputado Ônix quer fazer
outra questão de ordem.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Também espero não ser necessário pela
ordem.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, serei breve.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, confesso que compreendi quase que integralmente o parecer
apresentado por V. Exª, à luz do despacho do Presidente do Supremo Tribunal
Federal, Ministro Nelson Jobim. Contudo, restou-me alguma dúvida no que tange à
parte final do parecer de V. Exª, sobre a possibilidade de a depoente se
recusar a responder determinadas perguntas. Por quê?
A página quatro do despacho
do Ministro Nelson Jobim é clara. Diz o seguinte o Ministro Nelson Jobim - peço
a V. Exª que preste atenção, porque, no final, talvez V. Exª tenha que dirimir
alguma dúvida. Diz o Ministro Nelson Jobim que há de prevalecer essa decisão
que afasta a faculdade de recusa.
Então o Ministro Nelson
Jobim é claro ao pronunciar que se afasta a faculdade de recusa.
Seguindo, o art. 208 do
Código de Processo Penal determina que não se tomará o compromisso de dizer a
verdade do cônjuge e de parentes referidos no art. 206.
Por último, observe-se que
somente ao acusado a lei assegura o direito de permanecer calado e não
responder às perguntas que lhe forem formuladas.
A interpretação clara do que dispõe o Ministro Nelson Jobim nos
faz crer que a depoente não poderá se recusar a responder às perguntas, porque
esse direito só é dado ao acusado. Repito, o direito de permanecer calado e de
não responder às perguntas que forem formuladas só deve ser observado quando se
tratar do acusado – Código...
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – V. Exª me
permite um aparte?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Já, já.
Só queria concluir, Deputada.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Pois não.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Código de Processo Penal, art. 186. Creio que o parecer do
Ministro Nelson Jobim é claro. Antes de concluir, concedo um aparte à Deputada
Denise Frossard.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Muito
obrigada, Deputado ACM Neto, sempre elegante.
Quero apenas submeter à sua
reflexão, e refletirmos juntos – V. Exª é tão jovem, mas é um jurista tão
brilhante –, a respeito do seguinte: se ela não é obrigada a auto-incriminar-se,
o que é um dispositivo constitucional, isso significa, em última análise, o
silêncio.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas é
justamente por isso, Deputada, que estou fazendo um questionamento ao
Presidente. Não me pareceu clara a interpretação do parecer por S. Exª
proferido e lido.
Na última página, para
encerrar...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Há, Deputado ACM Neto,
um despacho superior do início da noite de ontem...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Superveniente a esse?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Superveniente a esse.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Em
decorrência de que provocação, Sr. Presidente?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Em função do pedido de
reconsideração...
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Podem ter sido
embargos de declaração.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Em função de um pedido
de reconsideração do advogado da Srª Renilda.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Esse é
um fato novo. Então, esse parecer de que dispomos foi aditado.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Encaminharei a V. Exª
esse parecer. O entendimento é exatamente nesse sentido que a Deputada Juíza
Denise Frossard acabou de afirmar: que, pela não-auto-incriminação, é
absolutamente claro que S. Sª pode calar-se.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, quero fazer mais um pergunta para encerrar.
Como é que vamos ter condições de interpretar os limites daquilo
que é auto-incriminação? Por exemplo, podem existir fatos que auto-incriminem a
depoente – e, nesse caso, segundo a suplementação apresentada pelo Ministro
Nelson Jobim, S. Sª estaria autorizada a não se pronunciar –, mas podem existir
outros...
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – V. Exª me
permite um aparte novamente?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Claro.
Podem existir outros que incriminem, por exemplo, o Sr. Marcos Valério e que
não incriminem a Srª Renilda. Sobre esses fatos eu perguntaria a V. Exª: como é
que procederíamos?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – É o mesmo raciocínio
com os demais que vieram aqui depor, Deputado ACM Neto. Vamos objetivar no
concreto, efetivamente na investigação e com os fatos.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Conceda-me um
aparte?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Encerro e agradeço a V. Exª. Afirmo que todo
esse debate é importante para que saibamos exatamente os limites em que devemos
tratar a depoente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com certeza, Deputado
ACM Neto.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Sr.
Presidente, quero falar a respeito de um ponto. O juiz da auto-incriminação é o
próprio. Só ele poderá dizer se aquilo o incrimina ou não. Infelizmente, não
somos juízes dessa auto-incriminação.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao
Deputado Arnaldo Faria de Sá e, depois, ao Deputado José Eduardo Cardozo.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr. Presidente...
O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – (Fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Já estavam inscritos,
meu caríssimo Deputado Alberto Fraga.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, creio que V. Exª
deveria ler a parte final desse pedido de esclarecimento do advogado da Srª
Renilda, que foi negado pelo Ministro Nelson Jobim, porque essa decisão do
Ministro Nelso Jobim, complementar, esclarece muitas das dúvidas que estão
sendo levantadas aqui agora.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Lerei, meu caro
Deputado Arnaldo Faria de Sá:
“A decisão.
A liminar foi pleiteada
inicialmente nestes limites:
a) direito de
não-comparecimento à sessão da CPMI dos Correios do Congresso Nacional, na
próxima terça-feira, dia 26 de julho, às 10h;
b) direito de se recusar a
depor para que seja tratada como cônjuge do investigado e não seja presa em
razão do exercício de seus direitos;
c) seja vedada a sua prisão,
caso compareça e se recuse a firmar termo de compromisso legal de testemunha ou
exercite o direito ao silêncio com assistência de advogado.
E foi em tais limites que
decidi, exaurida a prestação jurisdicional. Não cabe agora, após decisão
desfavorável, aditar a inicial para modificar o pedido. De qualquer forma, a
decisão que proferi garante à paciente o direito e não se auto-incriminar, pois
não lhe será tomado o compromisso de dizer a verdade.
Indefiro o pedido.
Brasília, 25 de julho de
2005.
Ministro Nelson Jobim.”
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, então, a partir dessa
manifestação que V. Exª acabou de ler e que o Ministro Nelson Jobim indeferiu,
o segundo pedido, está clara a condição pela qual devemos ouvir a Srª Renilda.
O Supremo Tribunal Federal ficou agastado na semana
passada e na semana retrasada pelos depoimentos do Marco Valério, do Delúbio e
do Sílvio Pereira, que mentiram à vontade; sob o manto da decisão do STF,
deixaram o Tribunal numa posição ruim. E o STF tenta melhorar a sua imagem,
deixando sob a nossa responsabilidade o depoimento da Srª Renilda. Para os
homens deram tudo; para a mulher, o Supremo nega. E a nós cabe agora ter o
cuidado de aqui, neste momento, não expor a fragilidade da mulher que vai
depor, em contraponto àquilo que aconteceu com o depoimento dos três homens anteriores,
que tiveram a proteção do Supremo Tribunal Federal. Mas não podemos apenas
admitir que a Renilda esteja aqui na condição de cônjuge do Marcos Valério; ela
é sócia das empresas do Marco Valério. Portanto, essa é a condição que quero
ressalvar, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT - MS) – Obrigado, Deputado Arnaldo Faria de Sá.
Deputado José Eduardo Cardozo com a palavra.
O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Sr. Presidente, gostaria de, inicialmente,
dizer que concordo em número, gênero e grau com as palavras da nobre Juíza
Denise Frossard. Essa é uma questão recorrente nesta Comissão. E considero
muito importante, Sr. Presidente, ponderar os seguintes termos: testemunha é
aquela pessoa que presencia fato que, em relação a ela, não pode gerar nenhuma
conseqüência sancionatória; investigado é aquele que, diante dos fatos postos
sob investigação, poderá sofrer, conforme a pré-figuração inicial, uma sanção a
posteriori.
Evidentemente S. Exª, o Presidente do Supremo
Tribunal Federal, analisou a matéria sob a ótica da petição inicial, sem
informações e sem exame dos autos; foi em sede de liminar a apreciação do habeas
corpus. Portanto, cabe a esta Comissão, dentro do conjunto fático reunido,
avaliar em que condição ela deporá.
Esta comissão não tem poderes para transformar em
testemunha quem já é tratado como investigado. Isso ficou claro, inclusive, em
decisões anteriores do próprio Supremo Tribunal Federal, a meu ver,
corretamente expedidas. Porém, temos condições de dizer, sim, e tem razão a
Deputada Denise Frossard, se ela está aqui como investigada ou não. Com a
devida vênia, parece-me que ela está aqui como investigada, porque já
determinamos a quebra do seu sigilo. Ninguém determina a quebra de sigilo de
testemunha. Obviamente, está claro que ela participou de operações, com dolo ou
não, com culpa ou não, esse é um problema a apurar, das quais efetivamente
poderá resultar sanção para ela. Ela é sócia da agência de publicidade. Se ela
teve um elemento doloso ou não teve, isso está sob investigação. Mas, a priori,
potencialmente, ela pode ter.
Portanto tem razão a Deputada Denise Frossard: ela
comparece aqui, hoje, como investigada e tem que se submeter a esse regime
jurídico, sob pena de abuso de poder por parte desta Comissão relativamente a
qualquer ato de constrição indevido em relação a esta depoente.
Por esta razão, para que não paire nenhuma dúvida,
endosso inteiramente o encaminhamento da Deputada Denise Frossard para que esta
Comissão, antes da oitiva, a declare como investigada, na forma da lei e da
Constituição da República.
O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB – SP) – V. Exª me permite um aparte,
Deputado José Eduardo Cardozo?
O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Pois não, aparte concedido.
O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB – SP) – Sr. Presidente, apenas para referendar in
totum o que fora dito pela Deputada Juíza Denise Frossard e pelo Deputado
José Eduardo Cardozo, mas deixar muito clara uma coisa: a partir do momento em
que o Supremo Tribunal Federal diz que ela terá que responder, mas não presta o
compromisso de dizer a verdade, compreendi a decisão da seguinte forma:
politicamente, ele disse à Nação que ela deverá responder, mas, juridicamente,
ele lhe concedeu no todo o habeas corpus, porque, a partir do momento em
que não presta compromisso, ela pode se omitir, mentir e silenciar-se.
Portanto, politicamente pode parecer que a decisão do Supremo impôs a ela o
dever de falar, mas, juridicamente, o que reconheço nesse habeas corpus
é que ele fora concedido in totum, portanto, se ela não presta o
compromisso nem tem a obrigação de dizer a verdade, e é de fato uma
investigada.
O SR.
MAURÍCIO RANDS (PT – PE) –
Sr. Presidente, eu só queria um aparte bem rapidinho que o Deputado Eduardo
Cardoso me concede gentilmente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu só gostaria de insistir
com V. Exªs. para tratar os apartes e as questões de ordem com parcimônia pelo
avançado da hora.
O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Perfeitamente. Serei bem
parcimonioso, Sr. Presidente.
O aparte que quero fazer é
de que não se alegue nessa interpretação do Deputado José Eduardo Cardozo – que
considero correta – que se esta Comissão ratificar o entendimento de que ela
comparece como investigada, sobretudo porque já teve o seu sigilo quebrado e
porque, na condição de sócia da agência, ela pode, futuramente, ser indiciada
no Relatório da própria Comissão... O que nós poderemos ter claro, Sr.
Presidente? É que a decisão do Supremo que diz que ela comparece nessa condição
é se ela fosse na condição de testemunha. Se esta Comissão, revendo os seus
atos anteriores, neste momento, ratifica que ela vem na condição de
investigada, a conseqüência é que se aplica o regime de investigada. Então, o
Supremo Tribunal Federal não estaria sendo contrariado de modo algum, porque
ele estava emitindo aquele provimento cautelar no pressuposto de que ela seria
meramente informante, meramente testemunha. Mas como a CPMI pode ratificar o
que já fez – de que ela é investigada – não haveria contradição entre a
providência cautelar do Supremo e a decisão que esta Comissão venha a
ratificar, no sentido de que ela compareça como investigada e, portanto,
sujeita a este regime jurídico.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu gostaria, até para
abreviar os debates, de submeter esta questão de ordem da Deputada Juíza Denise
Frossard ao Plenário da CPI, para que já tenhamos condições de encaminhar ou
não a questão de testemunha investigada e, efetivamente, respeitando, como
disse muito bem o Deputado Maurício Rands, a decisão do Ministro Nelson Jobim do
STF.
Então, eu gostaria de
consultar V. Exªs se todos estão de acordo com a questão de ordem da Deputada
Juíza Denise Frossard.
O SR. ÁLVARO DIAS (PSDB-PR) – Claro, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Ela, então, deporá como
investigada e, nessas condições, em função de tudo o que aqui foi afirmado,
nós, hoje, conduziremos a oitiva da Srª Renilda de Souza ao longo do dia.
Todos estão de acordo?
Deputado Onyx Lorenzoni, V.
Exª deseja levantar alguma questão?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, de maneira....
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Depois do Deputado Onyx
Lorenzoni e da Senadora Ideli Salvatti, vamos dar início à oitiva em função do
cansaço, em função de nós termos... Quero aproveitar a oportunidade para
registrar a importância deste depoimento. Eu sei da sensibilidade de V. Exªs.,
principalmente nas inquirições. Portanto, hoje, mais do que nunca, nós temos,
como procuramos sempre fazer, ao longo dos trabalhos da CPMI, que fazer uma
sessão onde as inquirições sejam absolutamente importantes, como também os
questionamentos, dentro, efetivamente, de uma relação que sempre pautou esta
CPMI, quer dizer, de respeito à opinião pública, aos depoentes e às premissas
que nos levaram a realizar este trabalho.
Quero passar a palavra ao
Deputado Onyx Lorenzoni e à Senadora Idelli Salvatti, e c’est fini.
Com a palavra o Deputado
Onyx Lorenzoni.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, a questão de ordem que
formulo a V. Exª e à Mesa está prevista no art. 312 do Código Penal e diz
respeito àquela capitulação que trata da prisão preventiva:
“Art. 312 – A prisão
preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem
econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar aplicação
da lei penal.”
Então, eu queria encaminhar
a V. Exª um requerimento que se soma ao requerimento já feito na semana passada
pelo Deputado Gustavo Fruet, ressaltando aos membros da CPI a importância de
que esta Comissão aprove esse requerimento dirigido ao Ministério Público
Federal, com a solicitação da prisão preventiva de Marcos Valério, primeiro
porque o volume de movimentação financeira de Marcos Valério e Renilda supera a
casa dos R$45 milhões nos últimos anos; segundo, houve uma tentativa, na semana
passada, de retirada de um grande valor do Bank Boston que poderia ser
utilizado numa eventual fuga do próprio País; terceiro, houve – e estamos com
os documentos aqui – aquela destruição massiva de documentos na DNA, lá em Belo
Horizonte. Ontem o Ministério Público mineiro abriu os computadores, bem como
os cofres que foram apreendidos, mas estavam vazios, o que, evidentemente,
demonstra que foram limpos.
O Sr. Marcos Valério precisa
ter sua prisão preventiva decretada por duas razões preponderantes que apresento
à consideração desta CPMI e desta Mesa, e com isso concluo: primeiro, o fato de
que ele tem que ser impedido de continuar a destruir provas e, inclusive, de
constranger pessoas; segundo, o fato de que hoje a vida de Marcos Valério, na
minha avaliação pessoal, corre risco, e severo, por todo o volume do esquema
montado, por tudo aquilo que transita – e nós apenas apuramos 10% ou 15% do
volume de mais de R$1,153 bilhão que transitaram pelas contas das empresas de
Marcos Valério. Não é irresponsável pensar que talvez, triste ou
lamentavelmente, ele possa valer mais silenciado do que vivo.
Por essa razão, apelo a V.
Exª para que considere, com a Mesa Diretora e a assessoria jurídica desta CPI,
assim como com a assessoria jurídica do Senado, a possibilidade de que nós, com
a maior brevidade possível... Volto a dizer: faço coro à proposta feita na
semana passada pelo Deputado Gustavo Fruet, no sentido de que seja decretada,
para a segurança da investigação, inclusive para a segurança pessoal de Marcos
Valério, a sua prisão preventiva.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Deputado Onix, V. Exª permite um
aparte?
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Pois não.
O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Deputado Onix, até para evitar dois
pesos e duas medidas, uma vez que nós estamos verificando que aqueles que
gravaram, aqueles que estavam envolvidos, de todos eles foi decretada a prisão,
e foram presos. E do que é principal, até hoje não foi decretada. Eu não
consigo entender por que todos os que nós interrogamos aqui inicialmente que
apenas tinham participado do início do processo, todos foram presos, e este,
que é o principal, até hoje não foi. Eu não entendo esses dois pesos e duas
medidas.
O SR. SIBÁ MACHADO (Bloco/PT – AC) – Para corroborar com o Deputado e
dizer que até para prevenir que ele possa fugir do País, sair, evadir-se e
atrapalhar tudo aqui nesta Comissão.
Concordo com o requerimento
de V. Exª.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, eu só concluo
definitivamente.
Sugiro a V. Exª que, assim
como nós tivemos uma atitude bastante rápida e eficiente naquele episódio da
Abin, em que, com a votação daquele requerimento, obtivemos a reparação,
evidentemente parcial, dos prejuízos causados à imagem do Parlamento, que V.
Exª avalie a possibilidade de, em algum momento da sessão, que será longa hoje,
em algum intervalo, talvez até para a Srª Renilda se recompor ou coisa que o
valha, possamos submeter a voto, porque tenho convicção de que nós aprovaremos,
até por unanimidade, a solicitação da prisão preventiva ao Ministério Público.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Registrado o
requerimento de V. Exª, a Mesa irá avaliar, inclusive com a assessoria técnica
da CPMI.
A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Fechando, Senadora
Ideli Salvatti, então chamarei a Srª
Renilda.
A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC) – Sr. Presidente, em primeiro lutar,
eu queria solicitar uma complementaridade ao que falou o Deputado Onix
Lorenzoni, porque, além dessa questão da prisão, eu sei que a CPI não tem esse
poder, mas talvez possamos induzir quem tem o poder a acioná-lo, que é a
questão da indisponibilidade dos bens.
O que estamos percebendo é
que está sendo.. Já foi feito anteriormente por esse senhor, que, inclusive, aqui
disse que ficavam com a esposa os bens, porque, no caso de um divórcio, ela não
teria garantia de permanecer com a parcela que por direito ela teria. Então, eu
gostaria já de agregar a essa proposta do Deputado Onix a questão também de
podermos dar algum tipo de encaminhamento para a indisponibilidade dos bens do
Sr. Marcos Valério e da Srª Renilda.
Mas o que me motivou a fazer
a inscrição aqui, Sr. Presidente, é uma questão de outra ordem. Temos nos
detido, durante bons minutos e, às vezes, até algumas horas, nesta CPI a fazer
debates de caráter jurídico, que alguns Parlamentares participam de forma mais
efetiva até pelas suas características profissionais. Temos juízes,
procuradores, advogados aqui nesta CPI, que resolvem fazer debates de ordem
jurídica, que os demais mortais, às vezes, não conseguem nem acompanhar.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu entendo que todos os debates são relevantes.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Peço silêncio, por favor. A Senadora Ideli
está com a palavra.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já vou concluir também, Sr. Presidente.
Entendo que é importante, acho que aprofunda, principalmente no
fortalecimento dos instrumentos democráticos que conquistamos no nosso País,
como a questão do habeas corpus e até das próprias garantias individuais
na Constituição. Então, que sempre busquemos nos nortear para que os
questionamentos que fazemos aqui não venham na lógica de derrubar aquilo que
nós, com tanto sacrifício, conquistamos, incluímos na nossa Constituição e no
Direito do nosso País.
E queria voltar a afirmar algo que V. Exª tem dito reiteradas vezes na
imprensa. Muito mais importante e relevante neste momento até do que tentarmos
tirar declarações que o depoente aqui não tem, muitas vezes, nem a obrigação de
dar, é nos determos em termos de provas. E eu quero dizer que, na questão dos
documentos, cada vez mais, aparecem lacunas, aparecem problemas gravíssimos e
aparecem também indícios fortes de investigação. Por exemplo, eu fui informada
hoje pela manhã, quando passei lá na sala, de que há fortes suspeitas de que um
dos irmãos do Marcos Valério, um irmão do Marcos Valério foi, durante cinco
anos, gerente de uma das agências do Banco do Brasil em Minas, e que, portanto,
nesse período, muitos dos registros, inclusive a Coaf, não foram feitos nessa
agência, que... podem ter passado muito das contas.
Também estamos apreciando documentos lá, onde fica visível...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora, concluindo, porque estamos
estendendo demais já o tempo.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já estou concluindo.
Em que os documentos foram visivelmente adulterados, os documentos foram
arrancados antes de serem enviados à CPI. Então, contratos de empréstimos, por
exemplo: veio contrato de empréstimo, dos empréstimos atribuídos ao PT, mas as
empresas do Marcos Valério operaram outros empréstimos. Os contratos não vieram
e não temos como fazer cotejamento e comparação entre procedimentos anteriores.
Então, eu gostaria, Sr. Presidente, que efetivamente pudéssemos fazer o
debate jurídico, fazer aqui as oitivas, mas dar prioridade neste momento à
análise dos documentos, do que temos, do que existe e, inclusive, do que falta,
das lacunas que estão lá, que são muito grandes. E eu tenho a certeza absoluta
de que elas serão absolutamente esclarecedoras quando chegarem à CPI.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Senadora Ideli.
Convido a Srª Renilda Maria Santiago a vir à Mesa para que comecemos os
nossos trabalhos. (Pausa)
Eu gostaria de iniciar os nossos trabalhos, passando a palavra à Srª
Renilda Maria Santiago.
Gostaríamos, Srª Renilda, de alguns dados sobre a
senhora: nome, estado civil, profissão, residência, que são informações
naturais que todas as pessoas que aqui vêm falam quando começamos a audiência.
Então V. Sª terá toda a liberdade para relatar o que julgar conveniente.
Depois, eu passarei a palavra ao Relator e, em seguida, aos demais membros da
CPMI.
Com a palavra a Srª Renilda.
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu nome é Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, sou casada com
Marcos Valério Fernandes de Souza, há 18 anos, e possuo dois filhos: João
Vítor, de 4 anos, e Natália, de 14 anos.
Sou de Belo Horizonte; resido atualmente em
Brumadinho, uma casa em Brumadinho, porque a minha casa principal, onde moro há
14 anos, está sendo reformada durante 14 anos – estou sempre mexendo. Tenho
formação acadêmica como pedagoga, apesar de nunca ter exercido, sempre ter sido
do lar, sempre criando filhos, sempre isso.
Em relação aos fatos hoje acontecidos, que são os
fatos das empresas SMP&B e DNA, o que tenho a declarar é eu que nunca
participei das empresas, nunca freqüentei as empresas, como, por exemplo, a
DNA; se me perguntarem que cor é o tapete da DNA eu não sei explicar porque
nunca freqüentei.
A SMP&B, a mesma coisa, como pode ser até
lembrado por um fato declarado pela própria Karina, que, enquanto ela trabalhou
lá, durante nove meses, na própria declaração dela aqui, ela disse que ela
nunca me conheceu. Então, é uma empresa que eu não freqüento.
Dei as procurações para o Marcos Valério, como meu
marido, como... Sei que hoje muitas mulheres no Brasil fazem isso, são do lar e
dão procuração para seus maridos uma vez que, se você casou, você confia, você
ama e você passa a ser do lar. Isso é fato existente no nosso País. Apesar de
ter formação acadêmica, eu optei cuidar dos meus filhos e entreguei a
procuração que passo aqui agora para o Sr. Presidente, como uma procuração de
confiança que dei ao meu marido... o que eu faria de novo, porque sou casada há
18 anos – uma coisa até meio engraçada –, namorei 7, então, tem 25 anos que
conheço o Marcos Valério. Então, durante 25 anos, se eu não confiasse nele, não
justificaria eu ter casado.
Agora, um fato que eu queria esclarecer aqui foi um
fato que aconteceu semana passada...
(O Sr. Presidente faz soar a campainha)
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Um fato que eu queria esclarecer que aconteceu na
semana passada e foi noticiado pelos jornais foi sobre uma movimentação
bancária minha no Banco de Boston, onde essa movimentação não existiu, uma vez
que a minha conta, há mais ou menos 25 dias atrás, ela está sendo monitorada
por gerenciamento. Quer dizer, a cada conta que eu tenha que pagar de R$100,00,
eu tenho que pedir à minha gerente autorização para que ela pague essa conta,
ela leve ao Comitê de Crédito para pagar essa conta de R$100,00.
O fato real que aconteceu
foi que, na terça-feira passada, a minha gerente, Lenise, me ligou e falou
comigo que o banco não havia interesse mais de me manter como cliente no banco,
e que, então, eu deveria fazer uma transferência desse dinheiro, e que... como
os outros sócios da empresa receberam e suas esposas, receberam cartas
comunicativas. Eu consultei o meu advogado e voltei a ligação para ela e falei
assim: olha, não vou fazer transferência alguma enquanto eu não receber uma
comunicação oficial do Banco de Boston de que eu não devo manter as minhas
contas lá. E solicitei, que eu iria esperar a carta. Só que imediatamente saiu
que eu havia feito uma retirada de R$1,8 milhão; no outro dia já saiu que
seriam R$2 milhões; e já saiu que eu estava inclusive fugindo do País.
Eu fiz uma declaração,
soltei uma nota, pediu o meu advogado que fizesse uma nota de esclarecimento,
que saiu no Jornal Nacional – estou passando para o senhor. O Banco de Boston,
no mesmo dia, respondeu a minha nota, de que vou ler uma parte em que ele fala
que “a Srª Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza não tentou fazer um saque
em espécie de sua conta”. Eu não tentei transferência e nem saque nenhum.
E trouxe aqui cartas dos
sócios da empresa, como o Dr. Ramon, Cristiano, que são possuidores de contas
do também Banco de Boston, que receberam a carta pedindo para que seja
cancelada a conta. Eu ainda não recebi essa carta, então, a minha conta está
lá. E, por sinal, após essa notícia, que foi uma inverdade, a minha conta foi
totalmente bloqueada.
Em relação às empresas, o
que eu poderia antecipar e já falar é isso.
Estou aqui à disposição dos
senhores para qualquer pergunta. Tentarei responder o máximo que eu puder, com
a verdade que eu tenho para esclarecer.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu gostaria que fosse
declinado o nome do advogado da depoente.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, desculpa.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Dr. Marcelo Leonardo.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – É o mesmo do
Marcos Valério?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O mesmo do Sr. Marcos
Valério.
Muito obrigado, Srª Renilda.
Passo a palavra ao Relator,
Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs
e Srs. Parlamentares, Srª Renilda, Dr. Leonardo, de alguma forma, essa
referência que V. Sª fez ao desconhecimento dos fatos internos da empresa nós
também recolhemos nos depoimentos aos quais tivemos acesso. Agora, até instado
por companheiros da Comissão, queremos provocar em V. Sª uma reflexão sobre a
importância – embora talvez na concepção do que tenha assistido em relação à
empresa possa lhe parecer minimizada –, o seu depoimento é muito importante,
porque estamos precisando evidenciar algumas coisas que estão acontecendo nesta
República e que, de alguma forma, a sua família terminou envolvida, sobremodo,
através do seu marido. E, quando eu falo em família, eu queria provocá-la a que
pensasse – e sabemos dos valores que nós temos, dos tropeços que nós temos e
passamos na vida, que eventualmente... como este que V. Sª está agora enfrentando,
eles são páginas que podem ser viradas, mas o valor da família, a imagem que V.
Sª vai deixar para esse seu contexto familiar é muito importante, lá para
frente, quando voltar na história e lembrar que esteve nas mãos de V. Sª a
possibilidade de um País mostrar à população a verdade dos fatos, que hoje é
uma das conquistas que nós entendemos mais relevantes. A população precisa
saber a verdade. E talvez não seja a verdade que nós imaginamos que seja, e V.
Sª é uma peça nisso muito importante.
Mas há um detalhe também, a
par disso, que é o de que, na medida em que V. Sª contribui e que V. Sª
evidencia quem efetivamente possa estar envolvido nesse emaranhado, certamente
V. Sª estará se excluindo dele, ou seja, a sua não-auto-incriminação passa pela
identificação daqueles que, de fato, estão envolvidos naquilo que nós
entendemos não ter uma coloração, pelo menos momentânea, adequada ao que se
esperava das transações entre a administração pública e as empresas que lhe
prestavam serviço.
O que nós temos – e V. Sª
deve ter lido nos jornais – é essa extraordinária aproximação de seu marido com
altas pessoas da República, de Partidos, conversações que giravam não só em
relação ao métier, ao objeto da empresa, quanto à intermediação da
amizade relevante que seu marido tinha com essas pessoas, enfim, fatos que,
embora V. Sª deles não tenha participado, possa ter notícia pelo fato de ter
visto passar nesse cenário, nesses últimos quatro a cinco anos em que V. Sª,
ainda que à distância, viu quem se aproximou do marido, viu as transações que o
marido realizava, viu o agregar cada vez mais de patrimônio, que, de alguma
forma, na sua própria declaração, no seu próprio imposto, aparece. E por tudo
isso nós precisaríamos da sua contribuição. Ela é relevante. Ela é marcante e
ela é fundamental, não para efeitos de, como eu lhe disse, de CPI, porque isso
é transitório, mas para aquilo que nós queremos construir até para sua família,
em relação ao futuro que nós precisamos, e que nós não nos decepcionemos mais,
tanto quanto hoje a Nação lamentavelmente parece estar testemunhando,
tristemente, fatos que nós imaginávamos não fossem, enfim, tão expressivos como
eles têm se exteriorizado nos levantamentos a que nós estamos procedendo.
A pergunta que eu faço: V.
Sª se lembra de algum encontro social em que tenha participado algum titular de
Partido ou alguma pessoa ocupante de cargo na administração federal?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu tenha participado ou que eu lembre que o
Marcos participou, nenhum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A sua família costuma
promover eventos sociais?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não. Nossa família, pelo contrário, nós não
vamos em muitas festas, nada. Os únicos eventos sociais que a gente realmente
freqüenta é o hipismo, por causa da minha filha, que é praticante. Então, o
final de semana nosso é familiar, e é familiar dedicado a ela, porque ela nos
consome o tempo todo. E durante o meio da semana, com as viagens do Marcos, a
nossa família fica restrita entre eu e meus dois filhos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aquele acréscimo todo
de animais adquiridos de alto valor nunca lhe chamou a atenção?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso
tem uma coisa que tem que ser um pouco explicado. Tem os cavalos realmente,
existem; temos treze cavalos, aliás, a minha filha tem treze cavalos. Como
saiu: “tem um filho de um Baloubet”. Não é um filho de um Baloubet. Pronto.
Desses treze cavalos, seis são potros. Então, são valores abaixo. Como se
coloca, assim, treze...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas na própria
declaração do Imposto de Renda, que nem sempre espelha o valor verdadeiro,
ainda assim é um valor elevado.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim,
mas foram adquiridos ao longo do tempo. Não foram adquiridos todos de uma vez.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ao longo de quanto
tempo? São onze, quantos?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Três
anos e meio, mais ou menos, quatro anos, que foram sendo adquiridos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E veículos? Que
veículos a família possui?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu...
Nós possuímos um Corolla Fielder, um Land Rover, é... desse pequeno, como é que
ele chama? Eu não me lembro... nesse... como foi falado do Sílvio Pereira. Eu
não me lembro o nome. Uma Pajero, e uma Pajero que inclusive é leasing,
que foi inclusive, no dia do Banco de Boston, uma das minhas preocupações com a
minha gerente era como eu faria com o leasing que eu tenho de um dos
meus carros, que é feito no Banco de Boston.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora tinha
conhecimento dos contatos que seu marido tinha com líderes partidários?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Nunca soube.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conheceu
Delúbio Soares?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Conheci, sim, o Delúbio Soares em setembro do ano passado. Todo mês de setembro
– geralmente coincide na data 7 de setembro – existe um campeonato hípico em
São Paulo, que é a Copa Santo Amaro, que é no aniversário de Santo Amaro, onde
minha filha foi saltar, participou, e o senhor Delúbio Soares e sua esposa
Mônica foram lá para vê-la saltar. Foi a única vez que eu o conheci, e não mais
vi.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca mais o viu, nem
antes, nem depois?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nem
antes, nem depois.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sílvio Pereira?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
conheci.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe se seu marido
costumava ter contatos com eles? Nunca comentou?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Com o
Delúbio, eu já ouvi ele falando no telefone com o Delúbio, e teve contato,
tanto é que o próprio Delúbio pediu que ele avaliasse o Partido, o PT. E só
ouvi ele falar com o Delúbio por telefone. Como expliquei anteriormente, o
Marcos viajava muito durante a semana e, no final de semana, nós nos
dedicávamos e dedicamos ainda hoje à família, aos meninos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Marcos viaja para o
exterior muito?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Nós viajamos em família. Já há um bom tempo, todas as viagens que nós fizemos
ao exterior, a Orlando, sempre com meus filhos; foi a Nova Iorque, em julho do
ano passado, com meus filhos. Todas as viagens de férias e de turismo são
feitas com meus filhos, como pode constar em passaportes. Se posteriormente
interessar à comissão, mandarei a cópia de todos eles.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez, estando no
exterior, vocês usaram dinheiro de algum banco no exterior?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
nenhum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora soube, ainda
que por ler nos jornais, que, numa investigação procedida pelo Congresso,
percebeu-se que o seu marido tinha conta no exterior, ali por 1999, 2000?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu
nome consta como sócia na SMP&B Comunicação, Graffiti Participações e DNA.
A Graffiti é um agrupamento entre Marcos Valério, Renilda e Ramon Cardoso, que
pertence à Graffiti, sócia da DNA, onde tem Dr. Marcos Francisco Castilho e
Margareth Queiroz. Na SMP&B ainda tem Cristiano de Mello Paz e Marcos
Valério – Marcos Valério como representante meu por procuração.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que a Srª Margareth
faz? Margareth Maria de Queiroz Freitas?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
posso te falar. Eu sei que ela... eu não sei o cargo específico da Margareth.
Sei que na DNA é presidente da empresa o Dr. Marcos Francisco Castilho.
Margareth eu não sei. Ela é a esposa do antigo sócio que faleceu, que era o
Daniel Freitas, que faleceu há mais ou menos dois ou três anos, e ela assumiu.
Não sei te falar qual o cargo dela, o que ela faz, porque eu não conheço a DNA.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas ela é sócia,
também, da empresa?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Também.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E Ramon Hollerbach
Cardoso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sócio
da SMP&B, da Graffiti e da DNA.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele atua? Trabalha na
empresa?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Trabalha na empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E Renato Vila Marin
Soares?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Multiaction.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sócio?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sócio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que participação ele
tem na Multiaction?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei especificar. Hoje, eu acho que ele é o que gerencia a Multiaction, porque o
Marcos, mesmo, na Multiaction, tinha pouca presença.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora, alguma
vez, assinou cheques dessas empresas das quais é sócia?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nenhum cheque?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
não assino cheques pela empresa. Os cheques da empresa, tanto DNA quanto
SMP&B –e eu não posso falar como é
na Multiaction, porque eu não sou sócia da Multiaction e não participo.
SMP&B e DNA eu sei, porque já foi comentado, porque eu perguntei ao Marcos:
todos os cheques eram assinados por dois sócios. Então, nem sempre Marcos
Valério assinou, como consta: “Marcos Valério assinou o cheque”. Não. Pode ser
ora Marcos Valério e Ramon, ora Marcos e Cristiano, como também pode ter
acontecido de os cheques serem assinados por Cristiano de Mello Paz e Ramon,
Margareth e Francisco Castilho. Então, sempre é assinada por dois sócios
qualquer movimentação de cheques de qualquer uma dessas duas agências.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora teve um
movimento financeiro muito expressivo, não sei se chegou a mapear. Nós tivemos
o cuidado de colher esses dados junto à Receita e aos bancos.
Por exemplo, em 2004, no
BankBoston, a movimentação financeira sua foi de R$4 milhões. O que lhe diz
isso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
nunca procurei saber sobre as movimentações bancárias. A única movimentação
bancária que eu fiz foi numa conta de salário que o Marcos recebe das empresas,
que ele me autoriza a utilizar para fazer os pagamentos de contas domésticas.
Lá ele recebe R$30 mil da SMP&B, R$30 mil da DNA, que são os salários dele,
que ele me autorizava a movimentar para fazer pagamentos domésticos. O restante
não. Sei que entravam alguns cheques ou depósitos, transferências, não sei bem
explicar, que eram lucros, participações das empresas. Nada mais do que isso eu
sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas a senhora lembra
de ter movimentado uma expressão assim tão alta?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
nunca tomei noção e conhecimento disso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De cheques ou contratos,
transferências?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
eu nunca fiz. Os cheques que eu fazia, geralmente, eram cheques de
movimentações domésticas, volto a afirmar, e na minha conta pessoal bancária.
Eu movimento uma conta pessoal bancária onde eu tenho um pro labore da DNA –
que eu não sei explicar muito bem se é uma lei ou alguma coisa – de R$3,5 mil,
que entra na minha conta bancária e que é a minha movimentação, seria
movimentada por isso aí. O resto, eu não tomava conta. Isso tudo era
responsabilidade do Marcos Valério.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele tem procuração da
sua conta particular?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Da
minha conta particular não, mas eu só movimentava esse meu valor, como Renilda,
para fazer minhas compras pessoais, em cima desse valor que eu recebia, de
R$3,5 mil; e da conta pessoal dele, que é uma conta conjunta e é a
conta-salário dele, de onde eu pagava contas domésticas. Fora isso, qualquer
outro cheque era simplesmente com autorização do Marcos.
Então, eu desconheço...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas
elas existiram, então. Com autorização dele, a senhora assinou cheques de altos
valores?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
De altos valores, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR)– Mas
como a senhora movimentou R$4 milhões num ano sem cheques elevados?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meus,
não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O
patrimônio do casal, nos anos de 2002... No ano de 2002, o patrimônio
confessado no Imposto de Renda era de três milhões e oitocentos.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Hum,
hum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em
2003, foi para R$11 milhões. E em 2004, para R$18 milhões. A senhora percebeu
essa evolução? E a que atribuiria esse acréscimo todo em dois anos?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O que
eu posso falar sobre o meu patrimônio real, da minha noção real, é que o meu
patrimônio foi crescendo devagar. Hoje eu possuo os carros de que falei; possuo
a casa onde eu moro hoje, em Brumadinho; uma casa que tenho no Bairro Castelo,
que é um bairro de classe média-média em Belo Horizonte e que eu comprei há
quatorze anos – e durante esses quatorze anos eu estou em constante reforma,
porque sempre você quer colocar uma coisa do seu jeito e eu ainda não consegui
chegar lá. E o restante, isso aí, foi crescimento que foi acontecendo
paulatinamente.
Não sei dizer o valor total.
Nunca acompanhei realmente...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A
senhora chegou a olhar a declaração de Imposto de Renda?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Eu não acompanho isso.
Mais uma vez eu afirmo para
o senhor: a minha função é como a de muitas mulheres no País, a de dona de
casa, de do lar.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A
senhora tem noção de investimentos que o seu marido tenha feito?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Ampliado a sede da empresa? Adquirido imóvel para a empresa?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu
saiba, a empresa não tem imóvel próprio onde são as sedes hoje. Acho que os
imóveis são alugados. O que eu sei da empresa é isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E,
como sócia, alguma vez a senhora recebeu participação do lucro da empresa?
A SRª RENILDA DE MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Esses
recebimentos de lucro eram diretos. O Marcos é que recebia, através da minha
procuração, e colocava em depósitos bancários. Não sei informar periodicidade,
valor. Nada disso eu não posso informar, porque eu não sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A casa
da senhora era freqüentada por alguém, repetindo, Líder de Partido político,
Deputado, empresário?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. A
minha casa ... Uma coisa que eu sempre quis preservar e que eu sempre pedi ao
Marcos...E, realmente, até antes de acontecer o fato atual, a minha família era
preservada e a minha casa era estritamente familiar. Nem encontros de sócios da
empresa eram feitos dentro da minha casa, porque eu não permitia.
Eu acho que dentro da minha
casa é para viver com a minha família. Nada de negócios políticos. Nem encontros
de sócios da empresa eram feitos dentro da minha casa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A
senhora tinha muitos contatos com a Simone Vasconcelos?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu sei
que a Simone é da área financeira da empresa e só vi a Simone umas duas vezes,
não mais do que isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E por
telefone?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nem
por telefone.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Soube
de alguma vez ela ter vindo a Brasília ou soube que ela freqüentasse Brasília,
viajasse muito para Brasília?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Nunca tive essa confirmação.
Acredito até que tenha vindo a Brasília, ou que veio a Brasília, uma vez que
tem uma agência em Brasília. A SMP&B tem um escritório. Não sei te explicar
como que é, porque hoje é a primeira vez que venho a Brasília, eu nem conhecia
Brasília. Então, com certeza, ela deve ter vindo a Brasília.
Não sei quantas vezes, não sei para quê e não sei por
quê.
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Ela é uma
pessoa em quem se pode acreditar?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Acredito que sim. Desde que
ela está na empresa, acredito que tenha um voto de confiança.
Volto a afirmar que não tenho contato com a Simone ou
com nenhum outro funcionário da empresa. Meu contato com funcionários da
empresa é com as secretárias, como o que eu tinha com a Srª Karina Somaggio. E
ela afirmou que eu simplesmente passava contas, às vezes da minha casa, para
pedir que mandasse pagar ao banco como forma de facilitar a minha vida, como
hoje continuo fazendo com a secretária atual. É o único contato que tenho
dentro da empresa.
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – A senhora ouviu
falar que ela afirmou que teria vindo a Brasília e se cansara no hotel de
contar dinheiro e entregar a pessoas. Ouviu falar isso? Leu em algum lugar?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Eu ouvi no depoimento da
Karina, mas não acredito que isso aconteceu.
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Chegou a
conversar com Simone sobre isso?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Não, eu não converso com a
Simone. Eu só vi a Simone, volto a afirmar, duas vezes e não foi nem nessa época
agora. Tem muito tempo que não vejo a Simone.
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – E o que a leva a
não acreditar na versão de Karina?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Porque eu acho que é uma
versão meio exagerada. Eu não acredito que isso exista. Dentro dos meus
princípios, dentro das coisas que eu penso na minha vida e que acredito na
minha vida, acredito que isso é uma coisa meio fantasiosa, né?
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – A senhora está
dizendo que é fantasioso o mensalão? O recebimento pelos Parlamentares de
recursos canalizados pela empresa do seu marido?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Acredito até o ponto em que
sei... Quando eu soube do fato, eu soube pela mídia, como todos vocês quando
ficaram sabendo, no dia 11 de junho. Ainda levei um susto muito grande porque
eu estava na hípica quando saiu a notícia no Jornal Nacional e foi
aquela confusão toda. Foi quando fiquei sabendo do que estava sendo falado.
Não acredito que seja o mensalão. Até quando saiu, eu
chamei o Marcos e perguntei para ele o que era de fato isso que estava
acontecendo. Foi quando ele me falou que ele, a pedido do Sr. Delúbio, fez
alguns empréstimos. Ele não me falou em valores e não me falou quantos. Ele fez
alguns empréstimos, a pedido do Sr. Delúbio, para o Partido dos Trabalhadores
para pagamentos de despesas de campanha, nunca de mensalão. Ainda perguntei
para ele sobre isso e foi essa a afirmação que ele me fez.
A única coisa que ele me informou. Então acredito que
não seja mensalão. Acredito nessa versão, que seja alguma conta do Partido.
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Ele comentou
alguma vez sobre mais pessoas que soubessem desse empréstimo que ele havia
assinado para o PT?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Depois de ter perguntado
para ele e reclamado que ele nunca havia me falado, acho que você tinha que
ter me falado, fiquei assustada porque sou uma pessoa que não gosto de
empréstimos. Não gosto para mim e não gosto de emprestar para os outros. Fiquei
meio preocupada e falei Como que vai ser? Quem vai pagar? Nós não temos bens
para pagar.
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – E o que ele lhe
disse?
A SRª
RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – É o meu nome. É a minha
empresa. Como é que vai ser?
Ele me disse que ele não poderia ter negado esse
empréstimo e que foi um pedido do Delúbio e que ele não sentiu vontade de...
O SR.
RELATOR (Osmar
Serraglio.PMDB – PR) – Qual a vantagem
que ele estava tendo em pôr todo o patrimônio a risco?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Não, ele falou que vantagem nenhuma e que ele se preocupou só em não ter
desvantagens. O medo dele seria perder as contas que já possuía há anos com o
Banco do Brasil, como acabou perdendo. Quer dizer, não adiantou nada.
E a única coisa que ele me
falou foi que o Dr. – na época Ministro – José Dirceu sabia dos empréstimos. E
eu perguntei como ele sabia. Ele falou que houve uma reunião da direção do
Banco Rural, em Belo Horizonte, no Hotel Ouro Minas, com o então Ministro José
Dirceu, para resolver sobre o pagamento desses financiamentos feitos no Banco
Rural. E que houve uma reunião em Brasília, da direção do BMG, não sei os
nomes, ele só me disse assim, uma reunião em Brasília, não sei onde essa, para
acertar o pagamento das contas, porque o banco também quer receber.
E o que sempre me preocupa é
isto: como vai ser pago? Porque uma vez Marcos foi avalista. Me preocupa,
porque a minha família está envolvida nisso, e eu não quero que prejudiquem meus
filhos em momento nenhum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o que ele falou que
resultou dessa reunião? Quem se comprometeu? Comprometeu-se a quê?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Aí nós
não relatamos mais nada, ele continuou, não teceu mais comentário nenhum sobre
isso, e não sei se ele soube.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso foi quando, mais
ou menos quando?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
reunião do Banco Rural, se não me engano, foi no ano passado, meio que no final
do ano passado, eu não sei; e a do BMG também eu acho que foi no final do ano
passado, início deste ano. A do BMG eu não sei te falar.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E essa conversa sobre
a pendência no banco?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu
tive com o Marcos? Que eu perguntei para ele? Foi agora, quando saíram esses
assuntos na mídia, porque até então eu não sabia desses empréstimos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conhece
Alexandre Vasconcelos Castro, lá de Minas Gerais, de Belo Horizonte?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O sócio do seu marido
é Cristiano Paiva Neves?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Cristiano Paz.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Paz? Aqui está Paiva.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Está
errado. Cristiano Paz.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, não é.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Cristiano Paz.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ah, Cristiano Paz é o
sócio. Está certo.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É.
O
SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E
qual é a participação na administração das empresas, do Cristiano?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Cristiano é o presidente da
SMP&B.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR)– Da SMP&B? Com a DNA ele não tem nada?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Na DNA ele tinha participação,
mas há mais ou menos um ano, acho que por motivos financeiros dele, não sei,
alguma necessidade ou interesse pessoal dele, não sei especificar realmente, só
com ele, ele vendeu a parte dele na DNA. Então, hoje, ele é sócio e presidente
da SMP&B.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conhece Davi Rodrigues Alves?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Aquele senhor que sacou mais de 5 milhões em
espécie? Todos os jornais noticiaram em Belo Horizonte.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não conheço.
O SR. RELATOR
(Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Fernando César Rocha Pereira, da Tucson refrigerantes?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Luiz Carlos Costa Lara?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Rodrigo Barroso Fernandes?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora tem noção de onde o seu marido,
as empresas dele, participaram de campanhas eleitorais? A empresa é contratada
para efetuar a publicidade...
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A de 2004?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De 2004.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei. Como eu nunca acompanhei, sabia, por
exemplo, que, em Belo Horizonte, ele já fez campanha há anos para outros
Governos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para quem?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Se não me engano, para o Aécio ele já fez campanha
há mais tempo. Ele já fez campanha para o prefeito de Contagem, Ademir Lucas,
do PSDB. E, que eu me lembre, de 2004, sinceramente, não sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora mora num condomínio?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Atualmente, moro em Brumadinho, num condomínio fechado que se chama Retiro do
Chalé, que fica a mais ou menos 35km de Belo Horizonte e é uma residência que
demorei quatro anos para construir. Esse terreno eu já tinha, acredito, há uns
seis ou sete anos. Realmente, eu não ia construir essa residência lá. Foi uma
residência que construí não para ser uma residência fixa ou uma residência de
campo, a partir do princípio de que sou uma pessoa extremamente urbana. Como eu
tive um problema na minha família, que o Marcos, inclusive, já relatou, tive a
perda de um filho, a minha casa principal, na qual moro há quatorze anos, havia
colocado em nome da minha filha e do meu filho, que perdi. Fiz um inventário e
voltei a parte para a minha filha. Sempre foi uma preocupação minha, enquanto
mãe, e preocupação do Marcos, enquanto pai, de tentar preservar alguma coisa,
deixar alguma coisa para os filhos no futuro. Muitos pais hoje em dia pensam
nisso. Depois de sete anos da perda do meu filho é que engravidei, tenho um
filho de quatro anos e, quando ele nasceu, veio a preocupação nossa de fazer,
de deixar alguma coisa para ele, como a gente estava deixando para a Natália.
Foi por isso que foi construída essa casa no Retiro do Chalé, em Brumadinho,
que é um condomínio que hoje não considero mais um condomínio fechado, eu
considero mais um condomínio fechado. Eu o considero um condomínio
semi-fechado, porque nem lá eu não tenho mais minha privacidade. Sou invadida,
freqüentemente, por jornalistas. Tiram foto do meu filho na porta da minha
casa. Inclusive, eu entrei com um processo contra o condomínio por isso estar
acontecendo, que é uma cláusula do condomínio ser privativo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora
conhece o contador da empresa, Prata?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Dr.
Marco Aurélio Prata, mora no mesmo condomínio, mas não freqüento a casa dele.
Ele não freqüenta a minha casa. Não sei falar a casa dele como é. Não conheço a
esposa dele. Não freqüento. Sei que ele é o contador das empresas e ele faz o
Imposto de Renda. É o limite que tenho do Marco Aurélio Prata.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O irmão dele?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Fiquei conhecendo pelos jornais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o Marcos Valério?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Tenho certeza que não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma das
informações que o Marcos Valério nos deu é de que saques também em espécie, em
dinheiro, ocorriam porque era um mecanismo utilizado para a distribuição de
lucros das empresas. Não lembro, parece que antes fiz referência, de ter
ouvido.
A senhora recebeu alguma vez
lucro na empresa? Distribuição de lucro: olha, isso é a sua parte porque a
senhora é sócia da empresa?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso
era feita com o Marcos diretamente, uma vez que eu não participava da empresa.
E era o Marcos que geria a empresa pela minha procuração. Eu ir lá..
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) - Mas se tivesse
acontecido, teria conhecimento?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Acredito que não, porque o Marcos sempre fez os depósitos direto nas contas
bancárias, justamente por isso, porque nunca participei de movimento nenhum da
empresa, nem de contas publicitárias, nem de administração, nem de administração,
nem de divisão de lucros, nem de débitos, de nada da empresa. Como mais uma
vez, eu volto a afirmar, se eu nem conhecia – nem conhecia, não – nem conheço a
DNA.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) - Sr. Presidente,
encerro o meu questionamento por enquanto.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª.
Concedo imediatamente a
palavra ao primeiro inscrito, ilustre Senadora Heloísa Helena.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs.
Senadores e Deputados, Dona Renilda, primeiro, tenha a certeza de que V.
Sª, aqui tem toda essa metodologia
supostamente sofisticada de V. Sª, de V. Exª, mas aqui o trabalho de todos nós
é de aprofundar as investigações, que é o trabalho que exige a grande maioria
do povo brasileiro.
A grande maioria do povo
brasileiro não aceita a corrupção. A grande maioria do povo brasileiro tenta
ensinar a seus filhos a não roubar. A grande maioria do povo brasileiro
trabalha muito, sofre muito. Então, só de ouvir falar em político, em corrupção,
a grande maioria do povo brasileiro fica, absolutamente, nauseada.
Então, é para nos ajudar
nessa investigação que a senhora está aqui.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com as minhas escusas,
o tempo, por favor, assessoria?
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – Milagre!
Então, sei, tenha certeza,
Dona Renilda, que é absolutamente legítimo da senhora analisar o depoimento da
Srª Karina como fantasioso – é absolutamente legítimo. Do mesmo jeito, tenha
certeza V. Sª que muitas pessoas que estão assistindo o depoimento da senhora
tratarão também como fantasioso, ou podem tratar como fantasioso o meu
depoimento ou o de qualquer outra pessoa. Isso é absolutamente natural.
Precisamos de fatos concretos, de provas, de toda a documentação necessária,
porque isso aqui não é uma brincadeira. Então, nós precisamos, e sei também que
não é uma brincadeira para a senhora estar aqui.
Por mais que muitas pessoas
mandem e-mails dizendo que tem que prender, que tem que fazer isso, tem
que fazer aquilo outro, a gente sabe que não é uma situação fácil para quem
está aí, para uma mãe, para um pai, que fica imaginando se a filha vê o
depoimento em casa, como é que o menininho é tratado na escola. Isso não é uma
coisa simples na vida de ninguém. É uma coisa muito complexa.
Então, partindo do
pressuposto... Até sei que existem algumas mulheres que se satisfazem, são
felizes e fazem a opção em ser do lar. Muitas outras mulheres não fazem essa
opção de felicidade primeiro porque o lar é uma tormenta, é um trabalho
exaustivo, repetitivo e doloroso e muitas têm que trabalhar muito para
sustentar os seus filhos. Então, muitas não têm a opção de ser feliz sem
desbravar os caminhos do mundo e ser simplesmente do lar. Agora, o mundo de que
a senhora fala, conforme disse as palavras, é o mundo da confiança, do amor, do
cuidado aos filhos, da Natália, do João Victor e do Marcos Valério, não é o
mundo que estamos investigando. O mundo que estamos investigando, Srª Renilda,
é um mundo muito ruim, é o mundo da política, é o mundo das relações
promíscuas, é o mundo onde alguns que querem ser sérios vivem quase que se
desgastando todos os dias para tentar ser sério no mundo do suborno, da
chantagem, do utilitarismo, de pessoas que podem abraçá-la um dia e abraçar o seu marido um dia e no outro dia
jogam o seu marido no lixo como se fosse um verme descartável, porque já não
serve às pessoas que sempre serviu. Esse é o mundo da política. E esse é o
mundo que, para a tristeza certamente das suas crianças muito mais, é o mundo em
que vocês acabaram inseridos, porque, Dª Renilda, o que temos visto aqui não é
uma coisa qualquer. Se o governo passado fazia, o atual Governo repete a metodologia da corrupção. E
o que estamos analisando são documentos, desde o processo de instrução, quando
dois diretores dos Correios se reuniam, por meio de uma discussão feita por um
rapaz chamado de pauteiro, que preparava uma tal de redir, que era reunião de
diretoria. E o que identificamos é que havia fraude no processo de instrução
para o edital de licitação. Depois era uma licitação fraudada. Nos Correios,
infelizmente se instalou uma verdadeira guerra de gangues partidárias. Quando
digo gangues partidárias não estou generalizando para todos os filiados e os
partidos, mas claramente foi isso que se instalou por delegação presidencial,
que nomeia uma guerra de gangues entre PT, PTB e PMDB. E nessa guerra de gangue que agia com
empresários apaniguados da estrutura de poder não estava só o seu marido.
Existem outros empresários que ainda têm que sentar aqui, não sentarem ainda,
têm contratos muito grandes na estrutura dos Correios.
Até agora o seu marido
aparece não apenas como um apaniguado
do sistema que ajuda as gangues partidárias a fraudarem licitações, são
recompensados com licitações fraudadas e depois que ganham licitações fraudadas
eles pagam aos partidos que, por sua vez, pagam aos parlamentares. Se o nome é
mensalão, mensalinho ou qualquer um outro, mas paga. Isso foi muito claro.
Basta ver votações polêmicas enquanto o dinheiro saía. Basta ver como a D.
Simone, D. Renilda, mandava vir um carro forte. Pedia um carro forte para
transportar R$1,5 milhão, que ia para uma suíte de um hotel luxuoso ou para a
sede da SMP&B, e lá o dinheiro sumia, porque, não tinha relação de
fornecedores, de credores e de pessoas que receberam o dinheiro. E
“coincidentemente” era o pagamento que havia dos parlamentares e outras coisas
mais. E disse a senhora aqui que a primeira vez que viu no Jornal Nacional
perguntou ao Sr. Marcos Valério a questão dos empréstimos. Não foi isso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – No primeiro dia que saiu no Jornal
Nacional, no dia 11, não saiu ainda falando sobre os empréstimos. No dia 11 de
junho, o Jornal Nacional foi aquela reportagem do Roberto Jefferson.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL – AL) – O que ele disse para a senhora ali?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nesse dia ele falou assim: eu não tenho
nada com isso porque até então foi uma colocação do Deputado Roberto Jefferson
de que existia o mensalão, que o Marcos Valério era operador, tudo. A única
coisa que, no dia, perguntei para ele foi assim: o que é mensalão? Existe
mensalão? Ele falou assim: “Não, isso não existe.” E no dia 11, foi também
quando Roberto Jefferson...
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Nesse primeiro dia, desculpe-me, nesse
primeiro dia ele falou alguma coisa com a senhora sobre as relações com o PT ou
relações com o governo, algumas relações, ou só falou isso, lacônico, que não
existia. Como foi que ele falou, exatamente?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele
falou comigo que não existia o mensalão. Nesse dia, inclusive, dia 11, foi
quando também o Roberto Jefferson falou das malas de dinheiro que então ele
havia trazido a Brasília em julho. E inclusive chegamos em casa e falei: - Isso
não pode existir porque não estávamos nem no Brasil. O empréstimo, até então,
eu não sabia de nada. E ele falou: “- Olha, mensalão nunca fiz, nunca paguei,
não tenho nada com isso. E sacos de dinheiro, sacolas de dinheiro nunca carreguei.
Pronto.” Isso aí, aí eu já estava extremamente assustada, extremamente abalada,
porque vou confessar: sou extremamente apolítica. Nunca fui uma pessoa que leu
os jornais para saber sobre esse ou aquele partido, isso ou aquilo. Se me
perguntarem, acho que, como qualquer brasileiro, em que Deputado em que votei
na última eleição, vou ser honesta para senhora que não me lembro.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, aí, depois, como foi que veio a
história do empréstimo, que a senhora ia complementando? Sobre a história de
dívida de campanha.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
história do empréstimo eu perguntei quando ele aqui comentou sobre os
empréstimos.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, aí a senhora disse que ele disse
que era dívida de campanha.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Aí que
ele chegou e falou que foi feito um pedido pelo Sr. Delúbio, que ele avalizasse
o PT nesses empréstimos, que o PT tinha umas dívidas e queria pagar algumas
coisas de campanha. Não entrei em detalhes, fiquei presa a isso, justamente
porque sou completamente fora de política, não gosto de acompanhar, estou sendo
honesta e sincera. Estou acompanhando política hoje porque estou dentro dela
sem querer.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas, veja, D. Renilda, tenha a
certeza V. Sª que todo mundo faz um esforço para achar que as pessoas estão
falando a verdade. E pode ser, não há dúvida, que a senhora esteja falando
aquilo... Mas, veja, é uma turbulência muito grande, porque acho que é uma
turbulência gigantesca na sua vida. O que mais ele falou? Por quê?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que
ele fez os empréstimos, volto a afirmar, para o Delúbio, o Delúbio não, para o
PT, a pedido do Delúbio...
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não falou quantos empréstimos,
qual o montante...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
falou, ele só falou que fez vários empréstimos. A única preocupação minha na
hora e é a minha preocupação ainda agora, é como vão pagar esses empréstimos.
Porque, sendo ele avalista, e fui tomar noção do conhecimento, do valor dos
empréstimos, que ele então me falou, semana passada, que valor que era que foi
retirado, e fui ficar sabendo o valor que está atualmente pela imprensa. E isso
me põe nervosa, preocupada, porque como é que vou fazer?
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas mesmo assim ele não falou
mais nada com a senhora? Não disse se se sentia constrangido, se fez para
ajudar algumas pessoas, se já fazia isso antes. Porque veja, Renilda...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele só
falou que ele nunca fez, que ele fez isso como um pedido que o Delúbio fez, que
ele achou que não devia regular...
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Nem nos governos passados? Ele
nunca atuou dessa forma? Ele disse para a senhora.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
fez em partido nenhum. Não.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Porque, veja, a
situação é tão difícil, é como se ele estivesse montado um esquema de lavagem
do dinheiro. Ou seja, os empresários depositavam dinheiro na conta dele, que
por sua vez ele passava para partidos políticos, que por sua vez ele pegava
empréstimo do banco que não tinha garantia, não tinha avalista, porque muitos
dos empréstimos que ele e as empresas dele pegaram... Em nenhum momento, D.
Renilda, ele falou sobre nada disso? Ou que se sentia constrangido, ou que foi
usado?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
única coisa que hoje Marcos Valério sente que foi, que conversei com ele no
domingo, é que ele se sentiu usado hoje porque, na época, ele fez em questão de
uma amizade – achava que era um pedido difícil de negar, mesmo porque ele se
sentia um pouco como qualquer... esta é uma avaliação minha, pessoal, tá? Eu
acho que ele, como qualquer empresário, no ramo de comunicação ou em outro
ramo, poderia se sentir meio… “Que bom.
Se eu não ajudar eu posso ser prejudicado.” Mas beneficiado eu sei que ele não
foi porque, se não me engano, a Petrobras e teve mais outras estatais que não
sei – a que eu tenho quase certeza é a Petrobras – em que eles entraram na
licitação e perderam. Eu sei que teve licitações do Governo em que foi perdido…
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas ele fazia algum comentário quando
perdia ou ganhava?
A SRª RENILDA SANTIAGO – Não. Nunca fez porque eu nunca acompanhei movimento
nenhum da agência – nem de ganhar e nem de perder movimento. Eu sei esta da
Petrobras agora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – E a senhora já soube agora.
A SRª RENILDA SANTIAGO – Esta da Petrobrás eu fiquei sabendo agora – foi
porque comentaram: “Ah, porque isto poderia ser beneficiado. Ele faz os
empréstimos.” Então, ele beneficiava.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – E ele dizia que estava sendo usado por
quem?
A SRª RENILDA SANTIAGO – E aí ele concorda: “Eu te falo que eu nunca fui
beneficiado porque eu perdi contas no Governo atual.” Como ele já perdeu contas
no Governo passado.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas ele dizia que tinha se sentido
usado por quem?
A SRª RENILDA SANTIAGO – Porque acho que ele….
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não. Por quem?
A SRª RENILDA SANTIAGO – Por quem não. Ele se sentiu usado pelo Partido – eu
não sei como posso explicar isto. É um sentimento dele e que acredito que seja.
Particularmente, eu acho que, como a minha ética – eu, como pessoa – nunca
teria feito, tá? Nunca seria avalista e nunca teria feito.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Só para terminar – porque o nosso
tempo já terminou – a senhora não acha que tenha nenhum dado que possa auxiliar
nas investigações, independente de se acreditar no depoimento da senhora? A
senhora acha que tem algum dado que possa auxiliar – ou de relações políticas
ou de relações econômicas….
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Concluindo,
Senadora Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – …ou conversas que tenham sido
estabelecidas – algum fato que seja importante para nos auxiliar no
procedimento de investigação, Dª Renilda Santiago?
A SRª RENILDA SANTIAGO – Eu quero que sejam feitas as perguntas – pode ser
que, durante as perguntas, pode acontecer algum fato que possa ajudar. No
momento, não lembro. O que estou falando é o que eu sei e uma coisa, por
exemplo, que eu possa falar que, então, é que, se o Marcos fosse tão
beneficiado pelo próprio Partido – pelo PT – como sempre é colocado, ele, em
Contagem, que é uma cidade da grande BH, é uma cidade grande – para quem
conhece Belo Horizonte – de um porte industrial grande, ele possuía conta da
Prefeitura de Contagem, que é do PSDB. A Prefeitura de Contagem, hoje, é do PT
e ele não tem a conta de Contagem. Ele perdeu.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pois é. Mas ele não fez empréstimo.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Senadora,
concluindo. Existem muitos inscritos e, aí, se V. Exª me permite, V. Exª se
reinscreva.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu vou concluir, Sr. Presidente, com
um minuto de tolerância que V. Exª sempre dá a todos.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Não. Eu não posso,
Senadora Heloísa Helena, porque se não vai ficar inadministrável.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu posso só terminar, Excelência?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Conclua.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pronto. Eu, então, quero me
reinscrever e deixar claro para a Dª Renilda porque eu também vou me
reinscrever que o problema, aqui, é porque, se ele fez a campanha de Contagem,
ele não solicitou milhões de empréstimos – pelo menos ao que nós saibamos, a
não ser que a senhora tenha algum dado novo relacionado também a isto do PSDB.
Eu então, me reinscrevo e espero que a senhora possa lembrar de algum fato, de
algum detalhe que possa nos ajudar no procedimento de investigação.
A SRª RENILDA SANTIAGO – Eu sei que a campanha do PSDB – quando era então
Prefeito o Sr. Ademir Lucas – ele fez a campanha, fez uma licitação normal e
ganhou a licitação e a fez. Mais nada e sei que não havia aproximação nenhuma
dele – pessoal – com o então Prefeito Ademir Lucas.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Com a palavra o
Deputado ACM Neto.
Senadora Heloísa Helena está
reinscrita.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, Sr. Relator, Srs. Parlamentares, Dª Renilda... O tempo, Sr.
Presidente.
Dª Renilda, antes de mais
nada, eu queria afirmar a senhora que esta situação não é constrangedora apenas
para senhora. Eu diria que todos nós aqui estamos um pouco constrangidos de ter
que fazer esse interrogatório com a senhora. Infelizmente e lamentavelmente, fomos
levados a essa situação porque é importante para elucidar algumas dúvidas desta
Comissão Parlamentar de Inquérito.
Antes de mais nada, Dª
Renilda, eu gostaria de situar a importância do depoimento da senhora não
apenas no plano institucional, na repercussão que possíveis revelações podem
trazer para este momento do País. Eu queria situar a importância do depoimento
da senhora principalmente no seu plano pessoal, no seu plano íntimo. Talvez, Dª
Renilda, a senhora tenha a possibilidade de fazer como mãe aquilo que o Marcos
Valério, seu esposo, não pôde fazer como pai: contar toda a verdade. E por que
é que eu digo isso à senhora? Porque eu tenho absoluta convicção que a senhora
só se libertará e só libertará os seus filhos de toda essa angústia, de todo esse
estado de tensão que se instalou sobre a família de vocês, quando toda a
verdade aparecer, quando não faltar nada a ser dito, quando todos os elementos
estiverem postos no tabuleiro, quando esse quebra-cabeça acabar de ser montado.
Somente nesse momento, Dª Renilda, a senhora vai ter paz de espírito e
tranqüilidade e voltar a desfrutar do convívio pacífico e harmônico com seus
filhos.
Por isso é que é muito
importante que a senhora nos diga a verdade e talvez, se a senhora nos ajudar,
a senhora também estará ajudando ao Marcos Valério, o seu marido, porque a
senhora tem que entender que hoje passa para Nação brasileira que o Sr. Marcos
Valério é o grande mentor de todo esse esquema de corrupção que foi montado.
Muitos acham, e querem vender essa história, que ele seria capaz de montar tudo
isso sozinho. Muitos querem colocá-lo na condição de único vilão, e nós sabemos
que isso não é verdade. E talvez, Dª Renilda, somente a senhora possa ajudar a
deslocar a posição do seu Marcos Valério do grande vilão dessa história e
posicioná-lo como mais uma das pessoas
que participou de atos ilícitos, participou de atos que envergonham a Nação
brasileira, mas não como o único responsável, não como o principal mentor, não
como o principal artífice de toda essa estrutura que foi montada.
E faço essa introdução, Dª
Renilda, porque realmente seria muito importante que a senhora contribuísse com
a Comissão Parlamentar de Inquérito e aí passo às minhas indagações.
Imagino que vocês estão
vivendo um momento muito difícil, provavelmente o momento mais difícil da vida
de vocês, talvez só menos doloroso do que a perda do filho de vocês, que é uma
coisa que é incomparável. Mas eu perguntaria: se a senhora pudesse descrever,
como é que a senhora descreveria para
esta Comissão o estado psicológico em que se encontra atualmente o Sr. Marcos
Valério?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Marcos
está uma pessoa extremamente tensa, preocupada, uma vez que ele não fez isso de
forma como...que eu quero, como eu falei desde o início, como eu falei com a
Senadora Heloisa Helena que eu vim, estou disposta a clarear o que eu puder
clarear, vou ajudar no que eu puder ajudar, agora, na minha forma de pensar, o
Marcos não fez uma coisa ilícita desde que ele tenha tirado o financiamento,
foi uma coisa legal, e repassou ao Sr. Delúbio. O que o Delúbio fez com o
dinheiro, eu não sei. Sei que o Marcos está chateado, triste, tem a sua vida
totalmente encarcerada. Hoje nós vivemos num cárcere privado, doméstico por
quê? Porque ele não pode sair às ruas, ele não pode ir a lugar nenhum, ele não
pode acompanhar os filhos dele. Quer dizer, isso... psicologicamente tem que
estar é muito abalado.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora acha que o seu marido está sendo abandonado? Ele está sendo exposto de
forma excessiva por eventualmente pessoas que tiveram participação em tudo isso
e que agora podem querer estar se esquivando?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE
SOUZA – Só espero que, se existem
pessoas que realmente participaram desses atos, desses problemas, é que se
sensibilizem pela família que está acontecendo, que está sendo desmoronada que
é a minha, que tomem partido e assumam alguma coisa ou ajudem a revelar o fato
como ele é, que eu acho que o fato tem que ser revelado como é. O que eu ainda
comentei lá fora é que as pessoas são, no meu caso, a minha família foi
execrada, condenada em três dias.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – E a
senhora acha que...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Agora,
eu acho que isso é uma coisa que eu, como pessoa, não concordo como é feito,
porque eu acho que tudo tinha que ser paralelo, documentos e pesquisa. Então,
às vezes, as coisas são meio que atropeladas. Primeiro vem um depoimento para
depois você ir lá e investigar.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu
perguntaria: a senhora não acha que é injusto estarem abandonando o seu marido?
A senhora não acha que é injusto estarem impondo a ele esse sacrifício? Isso
não deveria estar sendo compartilhado com essas outras pessoas que
participaram?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
acho que é injusto. As pessoas que participaram, eu acho que elas têm que
participar e assumirem, e outra coisa que eu acho injusta é que a forma como é
sempre colocada, que eu não concordo, é que Marcos Valério fez o cheque de
trezentos mil, vamos supor. Marcos Valério, da DNA, Marcos Valério... Não é
Marcos Valério. Eu acredito que deveria ser modificado isso. Como SMP&B ou
como DNA, uma vez que nenhum cheque das empresas é assinado por um único sócio
– volto a afirmar. Então, nenhum cheque foi assinado somente pelo Marcos
Valério. Então, a responsabilidade não é única de Marcos Valério.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Dª
Renilda, a senhora já teve alguma experiência profissional em alguma
instituição bancária
(O Sr.
Presidente faz soar a campainha.)
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu me
formei é... Pedagogia em 1985 e trabalhei no Banco do Estado de Minas Gerais,
na área de treinamento do Bemge, uma área que foi implantada, no treinamento a
distância durante um período de mais ou menos, acho que uns três anos, mais ou
menos, quando então eu tive o meu filho, o meu primeiro, e foi uma opção minha,
que logo ele começou a ter alguns problemas. Foi aonde eu optei por me
tornar... não por uma opção que eu quisesse. É claro que eu queria ser uma profissional,
mas eu optei de sair desta instituição bancária, Bemge, para se tornar dona de
casa em função do meu filho.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu
questiono isso, porque nós tínhamos referência de que a senhora já havia
trabalhado no Banco de Estado de Minas Gerais, e aí, Dª Renilda, nos parece um
pouco estranho que uma pessoa bem formada, que tenha estudado Pedagogia, que
tenha trabalhado numa instituição financeira, tenha assinado tantos cheques,
tenha figurado como responsável por tantos contratos e tenha sido colocada como
sócia de tantas empresas, sem que, no entanto, fosse participado a essa mesma
pessoa o objeto de cada uma dessas suas ações.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
falo com o senhor e, às vezes, eu até comento com as pessoas que, como eu
trabalhei realmente numa instituição bancária, no Bemge, mas se o senhor
procurar informação de alguém que tenha, que trabalhe e que teve a formação que
eu tive e foi trabalhar numa área de treinamento, eu falo com o senhor que, de
banco, eu nunca trabalhei, porque uma área de treinamento do Banco era uma área
completamente à parte de qualquer atividades financeiras do Banco, mesmo porque
eu trabalhava numa área de treinamento a distância, onde eu escrevia livros de
introdução à carreira bancária, que eram livros para contínuos que entravam ao
Banco como treinamento a distância. Fora isso...
Então, quando eu saí de lá e
eu optei por ser dona de casa, eu não procurei mais saber de nada e o Marcos,
quando, então, entrou nessas empresas, e ele colocou a empresa em meu nome,
depois de uma... Porque ele entrou com...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora nos afirmou que fez isso sem conhecimento pleno. Fez em confiança ao
Sr. Marcos Valério, que é seu esposo.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Em
confiança ao Marcos Valério, que é meu esposo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Agora, o que nos deixa um pouco intrigados também, Dona
Renilda, com todo respeito, é que o Sr. Marcos Valério nos afirmou nesta
Comissão Parlamentar de Inquérito que havia sido a senhora a autora da idéia de
figurar como sócia das empresas, porque a senhora teria alguma desconfiança
dele, poderia cogitar uma eventual separação e, para se resguardar, para ter
segurança, solicitou a ele que figurasse também como sócia das empresas.
Parece-nos estranho que o seu esposo tenha afirmado que a senhora não confiou o
suficiente nele e exigiu participar dos contratos sociais das empresas, mas,
por outro lado, a senhora aqui nos afirma que confia o suficiente nele para
assinar cheques em branco, assinar contratos em branco, não se preocupar em
conhecer o objeto daquilo que está avalizando, daqueles atos jurídicos dos
quais é partícipe. A senhora concorda comigo que há uma dicotomia nessas duas
afirmações?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Marcos Valério, acho que ele não afirmou que
desde o início colocou a empresa em meu nome. A empresa foi colocada em meu
nome quando da saída do Clésio Andrade; eles entraram com um processo, se o
senhor me perguntar qual o motivo, não sei. Aí, sim, ele colocou em meu nome.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Mas foi a senhora queM pediu a ele?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não. Aí ele colocou no meu nome – isso eu sei. A
forma que ele colocou...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Mas
havia alguma desconfiança, como ele disse aqui?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Aí ele colocou porque estava em uma disputa com o Clésio Andrade. A SMP&B,
ele colocou e achou conveniente na época colocar em meu nome. Depois, passada
essa disputa, que acabou, a SMP&B ganhou, acabou o problema, tal, continuou
em meu nome. Foi o que o Marcos falou, mas às vezes era uma brincadeira quando
a gente falava “olha, vai continuar em meu nome porque, se a gente se separar,
estou resguardada”. Não que fosse. Estou casada com ele há 18 anos, nunca me
separei dele, nunca houve cogitação de separação. Continuei deixando em meu
nome, mais uma vez, por confiança.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Dona
Renilda, uma coisa que me chamou atenção e que considerei da maior importância
é que a senhora revelou aqui a preocupação que tinha com o fato de o seu esposo
ter participado de negócios jurídicos com o PT, como emprestador de um montante
significativo e, com isso, obviamente colocar em risco a segurança do
patrimônio da sua família. Essa foi uma formulação categórica da senhora. Eu
queria esclarecer um fato que, talvez, tenha sido citado pelo Relator, mas não
foi muito expressamente entendido pelo menos por esta Comissão.
A senhora tinha de fato conhecimento
de que o Delúbio Soares havia dado a seu marido, Marcos Valério, como garantia
em caso de inadimplemento desses negócios com o PT, justamente o fato de que o
então Ministro da Casa Civil José Dirceu e o Secretário do PT, Silvio Pereira,
tinham conhecimento de todas as transações?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
posso falar sobre Sílvio Pereira.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Mas
sobre José Dirceu a senhora pode falar.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sobre
José Dirceu posso falar, como eu volto a confirmar para o senhor o fato. Vou
voltar um pouquinho atrás quando o senhor falou da minha preocupação do débito
em relação ao patrimônio da minha família. Eu vou um pouquinho mais além. A
minha preocupação não é só o patrimônio da minha família. A minha preocupação
hoje em relação à segurança da minha família, à segurança física e à
integridade.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) –
Propriamente, com relação à participação do então Ministro José Dirceu...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
então Ministro José Dirceu, depois que foi divulgado isso, a minha preocupação
foi “como vai ser pago, Marcos?”. Foi quando ele me revelou que houve uma
reunião da direção do Banco Rural. Eu não sei precisar data.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Certo.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Acho
que foi ano passado. Reunião da direção do Banco Rural com o então Ministro
José Dirceu para acertar sobre pagamento do empréstimo. Isso foi em Belo
Horizonte e, em Brasília, da BMG.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Certo.
Então, foi uma reunião com os dirigentes do Banco Rural e do BMG com o Ministro
José Dirceu.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Mas o
Marcos Valério não participou.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Certo,
mas o Ministro José Dirceu participou.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Para acertar
o pagamento dos empréstimos.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÕES NETO (PFL – BA) – Muito
bem. A última pergunta, Sr. Presidente, até porque a Senadora Heloísa Helena
teve talvez quatro ou cinco minutos de tolerância...
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Infelizmente, não tive. Tive só um.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas teve
no início.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concluindo, Deputado
ACM Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Última
pergunta: Dona Renilda, é evidente que existem alguns fatos que nós, políticos
ou empresários, até por motivos lógicos, comentamos em casa. Alguma vez o Sr.
Marcos Valério fez algum comentário de que, eventualmente, poderia ter prestado
algum serviço ou algum favor direto ou indireto para o Presidente Lula ou para
um dos familiares do Presidente Lula? Essa é a primeira pergunta.
A segunda pergunta...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto,
conclua.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – É uma
pergunta concatenada, Sr. Presidente.
A senhora poderia nos
relatar alguma visita que, eventualmente, seu esposo possa ter feito ao
Presidente ou algum contato que ele possa ter tido pessoalmente com o
Presidente? Se ele comentou, mesmo que tenha sido de forma muito breve, no
convívio familiar, eu queria que a senhora, por favor, nos revelasse essa
informação.
Aproveito para me
reinscrever, Sr. Presidente.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor. Ele nunca comentou se teve. Ele
nunca conheceu o Presidente Lula. Ele não conhece e nunca manteve algum
encontro. Isso eu perguntei também, e ele confirmou.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora também não tem conhecimento se, por intermédio das empresas, algum tipo
de favor ou serviço foi prestado?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nenhum favorecimento.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Tempo encerrado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, peço
a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao
Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nesses últimos dez a
quinze dias, seu marido teve algum encontro com o Sr. Delúbio Soares em Belo
Horizonte?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O que sei é que acho que teve um dia em que o Dr.
Delúbio ligou para ele. Não sei se eles chegaram a se encontrar ou alguma
coisa, porque estão acontecendo esses fatos. Estou sendo sincera e honesta com
vocês. Realmente, não estou saindo de casa. Tive um problema sério de depressão
e não estou sabendo. Sei que ligou. Não sei se chegaram a se encontrar. Isso
não posso afirmar. Sei que conversaram, mas não sei se foi só por telefone ou
se foi pessoalmente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora já tomou
conhecimento do que significa “delação premiada”? Já ouviu a expressão “delação
premiada”?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Tomei conhecimento agora.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Seu marido veio à
Procuradoria propor ao Procurador um entendimento em relação à possível punição
dele? Ou seja, ele veio pedir a delação premiada ao Procurador–Geral da
República em Brasília?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sei que ele veio à Procuradoria-Geral da
República de livre e espontânea vontade para declarar alguns fatos que ele
julgou necessários. Mas, que eu saiba, não saiu nem essa delação premiada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando seu marido
conversa sobre isso, ele dá a entender que ele sabe de coisas relevantes e que
poderiam ser postas em negociação com o Procurador? Ou seja, ele diz que, se
ele falar das coisas que ele sabe, ele merece ter a pena diminuída, mitigada,
porque ele vai ajudar as esclarecer os fatos? Ele comenta alguma coisa nesse
sentido?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele não comenta comigo claramente se ele pode ou
não e nem comenta comigo se ele tem ou não documentos. Como, várias vezes,
noticiaram que ele tem caixas de documentos, essas coisas, eu realmente
perguntei para ele, e ele falou que não, que isso não existe.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao
Senador Alvaro Dias por quinze minutos.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Congressistas, com todo respeito, a exemplo de como conduziu a indagação o
Relator, Deputado Osmar Serraglio, não pretendo orientar a depoente, até porque
tem um brilhante advogado ao seu lado. Mas nos cabe advertir, como fez o
Relator. Há indícios e já provas documentais que, sem querer prejulgar, sinalizam
que haverá uma condenação severa em função de crimes os mais variados
praticados pelos sócios e representantes das agências que aqui denominamos
chamar “do Sr. Marcos Valério”. A senhora é uma das sócias. Certamente, não
idealizou essa estratégia de corrupção, que estabeleceu uma associação do
Executivo com o Legislativo – partes do Legislativo –, alguns Partidos
políticos e as agências da senhora, do Sr. Marcos Valério e de outros sócios.
Portanto, pesa sobre os
ombros da senhora o impacto forte de denúncias de corrupção. Certamente, a
senhora não idealizou esse plano fracassado. Obviamente, não deve estar
satisfeita de ser envolvida sem uma participação na arquitetura do projeto. A
senhora não participou, seguramente. Quanto a isso não tenho dúvidas, disse a
verdade aqui.
Se não participou, se não
idealizou, por que haveria de pagar tão caro? É por essa razão que, com todo o
respeito, faço esta advertência. A senhora tem duas alternativas: a primeira,
depor na sua própria defesa, protegendo-se, minimizando os efeitos das
denúncias já conhecidas; e a segunda, oferecendo munição à acusação. Se a
senhora disser verdades, revelar fatos, trazer informações, elementos novos
para investigação desta Comissão, estará trabalhando a seu favor, na defesa de
uma eventual liberdade futura. Caso contrário, a omissão, a conivência vai
levar a senhora a trabalhar contra seu próprio interesse de liberdade, porque
estará municiando a acusação.
Então, é importante, porque
este é o objetivo desta Comissão: chegar aos artífices desse projeto de
corrupção. A senhora já fez referência a Delúbio Soares, a José Dirceu, que
participaram das articulações, relativamente a empréstimos, já que essa é a
versão – para nós, fantasiosa –, mas é a versão divulgada para a opinião
pública pelos agentes envolvidos naquilo que juridicamente se chama “formação
de quadrilha”.
Pergunto à senhora – é mais
uma oportunidade que ofereço –: além de José Dirceu, de Delúbio Soares, de José
Genoino, que assinou em nome do Partido esses empréstimos, a senhora conhece
outras pessoas que tenham participado dessa articulação?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
não conheço. A única pessoa que conheço é o Sr. Delúbio, nessa ocasião, então,
que eu contei. Não conheço...
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Para ser mais preciso, não só conhecer,
mas ouviu? Obviamente esses fatos passaram a sua frente, no seu próprio lar, ao
lado de seu marido...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
maioria das coisas de que tomo conhecimento é até mais pela mídia do que por
ele. Por ele, a informação que tenho é do aval do Sr. Delúbio, dele e do então
ex-Presidente Genoino, que já foi fato que todo o mundo ficou sabendo, e que
existia esse conhecimento do então Ministro José Dirceu. É o que eu sei.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sobre o Presidente Lula a senhora não
tem informação....
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Nada, nada, nada, nunca foi dito nada sobre o Presidente Lula.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – As operações bancárias, para alguns,
foram apenas operações contábeis para acobertar o repasse do dinheiro público;
para outros, uma operação bancária efetivada, mas sem o compromisso do
pagamento, já que o pagamento se dá de forma indireta, com repasse de recursos
públicos, em contratos superfaturados ou privilegiados, como é o caso do BMG,
que obteve durante três meses, o privilégio da exclusividade de uma conta que o
coloca como líder do ranking no que diz respeito a empréstimos
consignados, uma movimentação hoje que supera R$2,7 bilhões. Refiro-me ao BMG,
porque foi sua empresa Graffiti – a senhora é majoritária, tem 66% das ações –
que contraiu esse empréstimo de R$15.700.000,00 (quinze milhões e setecentos
mil reais), supostamente transferidos ao PT. Indago: a senhora, como
majoritária, não foi consultada quando da negociação desse empréstimo?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
não fui consultada, porque todas movimentações, tudo que era feito na
SMP&B, DNA – a Graffiti uma empresa que é majoritária na DNA –, em que
constam eu, como sócios, Renilda, Ramon e Marcos Valério, em nada das empresas
eu era consultada, nem licitações, nem empréstimos, nem contas a pagar, nem
contas a receber, em movimentação nenhuma da empresa.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora acha correto, não sendo
consultada, não participando de nada, ter que pagar muito caro por tudo isso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
posso hoje falar com o senhor que sinto que fui um pouco errada, que fui um
pouco alheia, um pouco até mesmo covarde por nunca ter me interessado pelas
empresas, a partir do momento em que eu era sócia. Mas foi uma opção minha, de
extrema confiança no meu marido, e foi uma opção minha, de me dedicar aos meus
filhos e a minha casa. Então, hoje, no momento que hoje passo, que vivo e que
minha família vive, se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria atrás e queria
participar mais. Como não fiz na época, hoje não posso fazer mais nada.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora pode dizer a verdade. Quem sabe
num futuro próximo...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
verdade que estou dizendo até o momento, se o senhor me permite falar, é o meu
conhecimento. E estou procurando ser a mais verdadeira e a mais clara possível.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Espero que o seja agora na próxima
indagação, porque não desejo que num futuro próximo a senhora se arrependa de
não ter dito hoje a verdade.
Há pouco, fez referência à
sua movimentação pessoal. O Relator indagou, e a senhora disse não conhecer
muito bem a sua própria movimentação na sua conta bancária. A senhora sabe
quanto movimentou em dois anos, em 2003 e em 2004, na sua conta bancária?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
porque isso eu sempre deixava a cargo do Marcos Valério.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora sabe que nós quebramos o seu
sigilo bancário?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sei
que o meu sigilo bancário está quebrado desde o dia 30 de junho.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exato. E temos todas essas
informações. A senhora movimentou R$9.971.000,00 nesses dois anos. A senhora
afirma que só sacava valores inferiores a R$3.500,00 – me parece.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Eu falei que na minha conta pessoal em que eu recebia um pró-labore da empresa,
da SMP&B, era de R$3.500,00. Não que eu sacava R$3.500,00, seria uma conta
minha. Eu movimentava a conta-salário do Marcos, que é uma conta onde é
depositado mensalmente R$60.000,00, que é um salário de R$30.000,00 da
SMP&B e de R$30.000,00 da DNA. Através dessa conta, eu fazia as
movimentações, os pagamentos domésticos da minha residência. Fora isso,
qualquer outra coisa era com o Marcos Valério.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a senhora conhece Carlos Antônio
Dias Coelho?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Conheço. É o meu motorista.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Então, a senhora não vai negar que o
Sr. Carlos Antônio Dias Coelho visitava a agência bancária constantemente e
sacava os mais diversos valores de forma bastante expressiva.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
posso falar com o senhor com certeza que Antônio Carlos Dias Coelho é meu
motorista já há seis anos. Como motorista ele faz também determinados
pagamentos para mim. Como eu moro numa casa, no bairro Castelo, relativamente
boa para o bairro em que moro, que hoje colocam como uma mansão, que não é,
posso exemplificar para o senhor que no dia 5, todo mês, o senhor pode procurar
saber, realmente na conta-salário do Marcos, que inclusive era no dia 5 que ele
recebia salário da SMP&B e no dia 1º entrava o salário da DNA, havia uma
movimentação bancária maior porque eram feitos os pagamentos dos salários dos
empregados da minha residência; pagamentos de salários, pagamentos de planos de
saúde, cartões de crédito e várias coisas. No dia 05 – o senhor pode procurar
saber –, eram movimentações mais altas, em torno dos dias 05 e 06, que poderiam
chegar a cerca de R$10 mil, R$11 mil.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Há uma variação de oportunidades aqui:
dia 02, dia 21, dia 31, dia 14, dia 09...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Agora,
outras coisas não vou lembrar para o senhor, se teve algum pagamento. Como
estou fazendo uma reforma na minha casa, posso ter dado algum cheque para
alguma reforma da minha casa.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Somamos aqui mais de R$511 mil de
saques por intermédio do Carlos Antonio Dias Coelho, e a senhora disse que não
assinava os cheques?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Esses
cheques são da conta-salário do Marcos. Volto a afirmar, e o senhor pode
verificar.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A conta está aqui, o número da conta,
agência...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – 33571400;
o Banco é o Banco de Boston.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É exatamente do Banco de Boston.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Pois
é.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A conta...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – 33571400.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Aqui não consta o número da conta, mas,
antes, a senhora disse que não emitia cheques.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
estava considerando cheques em valores altos os mencionados diariamente, minuto
a minuto, que são os cheques acima de R$100 mil, R$300 mil, R$400 mil, R$500
mil. Esses cheques, as Srªs e os Srs. Deputados podem procurar que não vão
achar nenhum com a minha assinatura de sacado.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Realmente, não há. Há cheque de R$14
mil, R$10 mil, R$8 mil, R$7 mil. Há variação de valores; R$11,800 mil, R$11,889
mil. Há realmente vários. Mas esse Carlos Antonio Dias Coelho – isso chamou a
atenção da Comissão, agora a senhora esclarece – é o seu motorista.
Tenho ainda uma indagação
importante relativamente à remessa para o exterior. A senhora é sócia da
agência SMP&B com 33,33% das ações e, portanto, é responsável, sim, por
todos os procedimentos dessa empresa.
A senhora afirmou que essa
agência não envia recursos para o exterior, foi isso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu saiba, não, senhor.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora tem certeza disso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu
saiba, não, senhor.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora nunca foi comunicada disso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
como nunca participei – volto a afirmar outra vez – da vida ativa de nenhuma
das empresas.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Quero informar à senhora e a esta
Comissão que vou encaminhar ao Relator da Comissão um CD Room em que
consta o relatório dos repasses de recursos ao exterior por meio daquela que é
considerada a maior lavanderia da América Latina, uma das maiores lavanderias
de dinheiro do mundo, instalada em Nova York, agora fechada por investigação do
FBI, a Beacon Hill. Todos os recursos que chegavam nas contas da Beacon Hill
eram transferidos para outras contas bancárias e tinham origem duvidosa ou eram
repassados de forma ilegal. Portanto, eu poderia citar alguns valores, mas cito
exatamente, no dia 20 de junho de 2000, o repasse de R$100 mil. Os valores
superam R$1,2 milhão, num período em que a relação cambial era muito próxima,
dólar e real.
Pergunto: a senhora conhece
aqui no Brasil a sua empresa Multiaction, evidentemente?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
fui na Multiaction.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas é uma empresa do grupo.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sei
que existe, claro, mas nunca freqüentei a empresa.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a Action Group, a senhora conhece?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como?
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Action Group?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
nunca ouvi falar.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É exatamente a Action Group que recebia
o maior volume desses valores em repasses arredondados, de R$100 mil, de R$80
mil, de R$60 mil em várias oportunidades. Isso tudo configura...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador Alvaro Dias,
concluindo.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, vou concluir. É
evidente que a Srª Renilda não tem informações a respeito desses fatos ou não
quer informar a respeito. Ela se omite em relação à sua participação, já que
ela é sócia da SMP&B, que repassou a maior soma desses valores à DNA, com
um pouco menos.
Mas quero encaminhar, então,
à Mesa, ao Sr. Relator Osmar Serraglio, esse CD Room com todo o
relatório do repasse desses valores para o exterior, com a clara configuração
de evasão de divisas, sonegação fiscal, crimes contra a ordem tributária
nacional e contra o sistema financeiro nacional; crimes que deverão,
obviamente, ser tipificados, quando do relatório final, para o indiciamento das
pessoas envolvidas.
Era o que tinha a dizer, Sr.
Presidente.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu só
quero esclarecer para o senhor, Deputado, Senador – me desculpe –, que em
momento nenhum eu tenho interesse de esconder algum fato. Quando eu digo que eu
realmente não conheço, é que eu realmente não participei. Nunca participei de
movimentos empresariais nem aqui dentro do Brasil, quanto menos fora do País.
Então, simplesmente dei a procuração, volto a afirmar, mas nunca participei.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra à
Senadora Ideli Salvatti.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, acho que o Brasil
inteiro quer entender essa personalidade chamada Marcos Valério. Todos nós
queremos entender como é que uma pessoa consegue operar ao longo de tantos anos
dessa forma, trazendo toda essa situação que nos move aqui na investigação.
Talvez a pessoa que possa dar os melhores elementos de como se constituiu a
personalidade, a maneira de operar do Sr. Marcos Valério, seja exatamente a Srª
Renilda. Quero focar nesse conhecimento da história e da maneira como o Sr.
Marcos Valério agiu e age.
A senhora mesma disse que o
conhece e convive com ele há 25 anos. Portanto, talvez não tenha outra pessoa
neste mundo que tenha melhor conhecimento do Sr. Marcos Valério.
Numa das perguntas
anteriores, a senhora disse que trabalhou no Bemge. É isso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Perfeitamente.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O Banco do Estado de Minas Gerais?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
Banco do Estado de Minas Gerais.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual foi o período que a senhora
trabalhou lá?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu, se
eu não me recordo, se eu não estiver errando muito bem a data, eu acho que eu
entrei lá em 1985 e trabalhei até 1988, mais ou menos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Foi no Bemge que a senhora conheceu o
Marcos Valério?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não. Já conhecia antes?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É... A
minha casa era de fundos com a casa dele, no Bairro Padre Eustáquio, em Belo
Horizonte.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, o conhecimento era de bairro?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas vocês trabalharam juntos no Bemge?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Juntos não. O Marcos entrou no Banco do Estado de Minas Gerais, Bemge, antes de
mim. Ele entrou lá trabalhando... A princípio, ele trabalhava como escriturário
numa parte do dia. Outra parte do dia...
Então, eu vou te reportar
assim... O que eu entendi é que a senhora quer conhecer Marcos Valério?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. Quero saber como essa figura evoluiu
até o ponto em que chegamos.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Tá.
Então, o Marcos Valério trabalhava de manhã como escriturário, no Bemge. Na
parte da tarde, ele era revendedor de britas e cimentos de uma britadeira de
Sete Lagoas. O Marcos sempre foi uma pessoa que trabalhou para ele assim. Ele
não tem... “ah, eu trabalho oito horas por dia”; “eu trabalho seis horas por
dia”. Daí, dentro do Bemge, ele foi crescendo devagar até chegar à gerência do
banco. No Governo... Ele chegou a...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nesse período em que a senhora trabalhou
no Bemge e que o Sr. Marcos Valério trabalhou no Bemge...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...coincidiu com o período do Sr. João
Heraldo? A senhora conhece o João Heraldo?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
conheço o João Heraldo. Na época em que eu trabalhei no Bemge não sei se o João
Heraldo era Presidente. Mas, na época em que eu trabalhei no Bemge, o
Presidente, que eu me lembre, o último que realmente ficou para mim, era o Dr.
José Luiz Rocha, se não me engano; o último Presidente, na época em que eu
ainda trabalhei no Bemge.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas no período em que o Marcos
Valério...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Do
João Heraldo eu não lembro dele não. Porque o Marcos trabalhou no Bemge por um
tempo maior do que eu.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A família de vocês não tem relações com o
João Heraldo?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Nenhuma.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nem o Marcos Valério?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu
tenha conhecimento, não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora estava falando da evolução da
carreira do Marcos Valério.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É
porque o senhor (?) queria saber.
A SRª IDELI SALVATTI (/PT – SC) – Entrou como contínuo. Eu tenho um
histórico e estou confrontando. Chegou a gerente.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E depois?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Depois,
ele inclusive participou, se não me engano, não sei, de um dos conselhos do
Bemge. Eu não sei exatamente de qual conselho de que ele participou. Ele já foi
diretor financeiro do Banco Agrimisa, de Belo Horizonte, um banco estadual,
fechado na época do então Governo Nilton Cardoso.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E o Banco Central? Qual é a questão?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Trabalhou
no Banco Central.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Com quem?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
me lembro, não sei te informar o nome.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Em qual período?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Também
não sei informar o período. Como estou te falando, são coisas que passaram que
nem o meu período exato do Bemge não sei se foi 1980, se foi ...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas ele trabalha no Banco Central em
Minas?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Ele vinha aqui.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, a senhora deve se lembrar o
período em que ele trabalhou porque era um período..
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não me
lembro do período. Não me lembro do período.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas já estavam casados?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Já,
mas eu não me lembro do período, como estou afirmando para a senhora que nem o
período...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele fazia o que no Banco Central?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele
trabalhava lá não sei em área exatamente. Sei que ele vinha a Brasília,
trabalhava no Banco Central e ia embora. Depois disso, saiu do Banco Central,
trabalhou na Agrimisa e voltou para o Bemge. O Banco Agrimisa fechou, ele
voltou para o Bemge.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual o período em ele voltou para o
Bemge?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele
voltou para o Bemge... Com essas coisas de data, fico meio complicada porque...
Se não me engano, 1988. Não sei te explicar. A data exata é difícil.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Deixe-me questionar o seguinte. A senhora
afirma categoricamente que ele trabalhou no Banco Central.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele
ajudou, trabalhou no Banco Central.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Porque temos, inclusive, a negativa do
Banco Central. Está nos jornais que ele não trabalhou lá.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei. Ele trabalhou lá. Depois, ele voltou, trabalhou na Agrimisa. Não sei se a
senhora tem aí.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Inclusive, no cargo que ele disse que
trabalhou, nem existe no Banco Central.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei. Isso aí a senhora procura investigar porque não tenho maiores informações
para lhe dar. Depois ele voltou. Quando a Agrimisa fechou, ele voltou para o
Bemge, trabalhou no Bemge um certo período. Saiu do Bemge e trabalhou em uma
empresa chamada Empresa de Consultoria... não-sei-quê Machado. Não me lembro
disso.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E como ele foi parou de trabalhar como
bancário e foi parar na área de publicidade?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele
conheceu...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele não é formado em publicidade?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não tem nenhuma formação nessa área?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Dentro da SMP&B, como fato relevante que vou esclarecer, por exemplo,
somente o Dr. Ramon Cardoso é publicitário. Nem o próprio Presidente da
SMP&B não é. É o Dr. Cristiano de Mello Paz.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, vamos voltar. Como ele entrou na
SMP&B e DNA? Como é essa história mais detalhadamente?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele
conheceu o Dr. Clésio Andrade...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele conheceu o Dr. Clésio Andrade onde e
quando?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei porque sou do lar, afirmo de novo. Eu não fico com o Marcos o tempo todo
para saber onde ele conheceu.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas provavelmente ele de comentar.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
fui na casa do Clésio Andrade, Clésio Andrade nunca tinha ido na minha casa.
Não conheço Clésio Andrade dessa forma. Conheço o Clésio Andrade por fotos e
por ouvir falar. Sei que ele apareceu... Como ele trabalhava numa empresa de
consultoria – não me lembro o primeiro nome, mas o último nome era alguma coisa
Machado – apareceu esse negócio onde o Dr. Clésio Andrade na época se
interessou e propôs o Marcos entrar para ajudar a empresa a se... Era um
investimento da empresa.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A época a senhora lembra?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei se foi 1988, não sei se foi 1990. Não lembro da ...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Deixe-me fazer a leitura de alguns
trechos de matérias. Vamos ver se a senhora confirma o que tenho de informação.
Que a SMP&B Comunicações
foi criada em julho de 1996, com ingresso de Marcos Valério e Clésio. A nova
empresa, de acordo com investigação do Ministério Público Estadual, recebeu
todos os ativos, o pessoal e as contas publicitárias rentáveis antes vinculadas
à SMP&B Publicidade.
O Vice-Governador mineiro se
associou à agência por meio da empresa CS Andrade Participações S/A*,
atualmente denominada Holding Brasil S/A*, presidida por ele.
A senhora confirma que foi
dessa forma?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Confirmo.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O Clésio tinha uma outra empresa, e eles
desmontaram uma e montaram a outra. É isso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
SMP&B Comunicação não era do Clésio antigamente.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ela foi criada junto. A informação é de
que foi criada junto, no desdobramento de uma outra que estava com problemas.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ela
foi... Existe a SMP&B Publicidade, que estava endividada e não foi fechada.
Ela foi, acho que, não sei se o termo exato seria “ter sido colocada inativa”.
E foi criada a empresa SMP&B Comunicação, com a então participação do Dr.
Clésio Andrade.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E a senhora confirma que, num primeiro
momento, nessa montagem, a participação do Marcos Valério foi muito pequena,
apenas de 10 por cento?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
Marcos participava, eu acho, com 10 por cento. Eu não sei te informar, porque, mais
uma vez, vou te falar, eu não participei desses dados nem dessa entrada dessas
coisas.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas depois houve um problema com o
Clésio Andrade.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei informar qual o problema que existiu entre os sócios. Volto a afirmar, não
o Marcos Valério, os sócios da SMP&B e Clésio Andrade. Não sei informar
qual o problema.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O problema a senhora não sabe qual foi,
mas isso teve repercussão inclusive na vida de vocês, porque houve processos
judiciais...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
participei.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Houve inclusive bens. Eu tenho aqui a
questão do tal de empréstimo. Houve um empréstimo de 98, feito à agência DNA,
no valor de 11,7 milhões, em 19 de agosto, no Banco Rural, em Belo Horizonte.
Isso acabou gerando uma situação, porque o empréstimo não foi pago, e houve a
penhora dos bens imóveis dos sócios das empresas, Marcos Valério, Cristiano de
Mello Paz* e Ramon Hollerbach Cardoso*. Quer dizer, isso tudo não... Porque
empenho de bens é uma coisa sobre a qual pelo menos deve ouvido algum tipo de
comentário, porque envolvia inclusive os bens da senhora.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
desconheço esse assunto, porque uma vez... Meus bens, até que eu saiba e que
pode ser levantado, eles nunca foram penhorados. Eu nunca tive... Não sei...
Então eu não sei informar e não tenho essa informação.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas aqui está a informação de que os
bens foram penhorados pelo processo da... E inclusive que nesse empréstimo
foram dados como garantia também créditos decorrentes de contratos assinados
com secretarias de estado de comunicação do Governo de Minas.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei informar.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ou seja, algo muito semelhante ao que
estamos também investigando agora. Então, eu quero saber. A senhora nunca soube
disso, mesmo afetando seus bens?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como
eu nunca participei da empresa... Meus bens, até o ponto que eu sei, nunca
foram penhorados.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nunca foram penhorados. Quer dizer que a
senhora desconhece ou não confirma essa penhora?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
foram penhorados, uma vez que... Só se... A minha casa é em nome da minha
filha, que era da minha filha e do meu filho, que nessa época era o que eu
tinha. Eu não sei se isso foi penhorado ou não, se é por isso ou não que eu não
sei. Porque realmente esse fato é desconhecido por mim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É por causa dessa questão de penhora, é
por conta disso que depois dessa briga, que ninguém sabe muito bem se foi uma
briga, que o Clésio se retira da DNA. Dizem que tem uma briga, pela imprensa
inclusive não fica muito claro se essa briga existiu ou não, mas por conta
também dele estar participando da chapa. A senhora sabe dizer se a briga
efetivamente aconteceu, não aconteceu?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
sei te informar, porque eu não participava nada da empresa, não conheci Clésio
Andrade e não participei.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas o Marcos Valério, aqui, disse que,
por conta dessa briga, inclusive, a senhora passou a ser a proprietária da DNA.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei informar se foi uma briga, eu sei que teve um processo judicial, como eu já
falei anteriormente. Não me lembro quem me perguntou. Eu sei que existia um
processo judicial da SMP&B, se não me engano, acho que não era da DNA, se
não me engano, da SMP&B, com o então Clésio Andrade, por isso a empresa foi
para o meu nome.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Essa briga...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
sei se foi briga, não sei informar.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Essa é a pergunta. Como a senhora não
sabe se foi briga e isso teve conseqüências, porque inclusive pelas declarações
aqui prestadas pelo Sr. Marcos Valério, as empresas, a DNA, por exemplo, e a
SMP&B, foram para o seu nome em decorrência da disputa inclusive judicial.
Quero saber: pode não ter sido uma briga? Pode ter sido apenas a forma da saída
do Clésio para que não houvesse problema político? Pode ter acontecido isso?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Acredito que pode. Não posso lhe afirmar que sim ou que não. Acredito que não
seja briga...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não tem informações para poder
dizer?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
tenho uma informação. A única coisa que posso informar à senhora com certeza é
que houve um processo judicial, que eles resolveram judicialmente. Aí a empresa
veio para o meu nome. Simplesmente, isso. O motivo disso não sei informar.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora disse que está muito
preocupada – eu, no lugar da senhora, quero dizer que estaria “preocupadéssima”
– com o fato dos empréstimos feitos, que vieram a público agora, em que não há
garantia ou as garantias prestadas podem não ter solidez, etc. Como já tinha
ocorrido algo semelhante, fiquei querendo saber se o empréstimo anterior a esse
de 1998 não causou nenhuma preocupação à senhora. Agora, sim, e antes, não.
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sabia desse empréstimo de 1998.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Outra questão, para terminar, Sr.
Presidente – meu tempo já se esgotou: Marcos Vinícius Fernandes de Souza?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu
cunhado.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Seu cunhado?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual é a relação da família com esse seu
cunhado?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele é
meu cunhado!
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sim, eu sei que ele é cunhado, mas
pergunto da relação em termos das questões operacionais da empresa.
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Nenhuma.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Profissionalmente, ele é o quê?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele é
gerente do Banco do Brasil.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Do Banco do Brasil?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
Um gerente de carreira...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele trabalha há quanto tempo nessa
gerência?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei informar. Sei que ele é funcionário do Banco do Brasil. Ele entrou no Banco
do Brasil, como ele mesmo conta, como menor-aprendiz, como existia antigamente.
Então, ele é funcionário de carreira do Banco do Brasil.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Por coincidência, ele...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli
Salvatti, conclua.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Por coincidência, ele é gerente de
agência onde as empresas da senhora e do Sr. Marcos Valério têm conta?
A SR. RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei se a SMP&B e a DNA têm conta no Banco do Brasil, na agência de que meu
cunhado é gerente. Não posso confirmar.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não sabe responder.
Muito obrigado, Sr.
Presidente. Já faço minha reinscrição.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado,
Senadora Ideli Salvatti.
Com a palavra o Deputado
Eduardo Paes.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Parlamentares, Srª Renilda, antes de fazer breves indagações, vou tentar
contextualizar um pouco por que estamos aqui. Obviamente, V. Sª já conhece e já
sabe bem as razões, mas só para entender um pouco em que ponto esta Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito se encontra.
Na verdade, tem-se notícia –
e cada vez mais, a partir dos documentos que surgem, esses episódios são
confirmados – de que seu marido e as empresas da qual V. Sª é sócia
funcionaram, durante um grande período de tempo e principalmente nesses últimos
dois anos e meio, como uma espécie de centralizadora de diversas
irregularidades cometidas contra o Erário. Explico: as empresas têm contrato
com o Governo Federal. Muito provavelmente – esta CPMI está analisando –, esses
contratos tinham algum superfaturamento, foram dirigidos às empresas do seu
marido. Há uma suspeita enorme desta Comissão – e os dados e as evidências
começam a mostrar isto – que havia clientes, na verdade, fictícios dessas
empresas, simplesmente funcionando como repassadores de recursos para o Partido
dos Trabalhadores. E há, finalmente, cada vez mais comprovada, a hipótese do
mensalão, expressão alcunhada pelo Deputado Roberto Jefferson.
Srª Renilda, a senhora está
aqui hoje não só, formalmente, como sócia das empresas, mas porque, ao que
parece, o Sr. Marcos Valério, seu marido, seria uma espécie de centralizador
dessas relações com o Governo, com atores do Governo. Essa relação estaria,
principalmente, com aquele que seria, na organização partidária do PT, o Sr.
Delúbio Soares, que era o tesoureiro até outro dia. E o Sr. Delúbio Soares como
agente partidário importante centralizaria toda essa distribuição de recursos.
Ou seja, estabeleceu-se uma espécie de padrão de corrupção em que o seu marido
aparece quase que, aliás em todas as oportunidades, como um dos elementos desse
padrão de corrupção.
Portanto busquei
contextualizar dessa forma porque quero que a senhora entenda que todas as
perguntas que são feitas aqui é para tentar esclarecer esses ou aqueles fatos.
Para mim, e quero dizer isso para a senhora, está muito claro que a sua
participação era, estou dizendo na gestão das empresas, praticamente nula e, na
verdade, as informações que a senhora pode prestar aqui são muito periféricas.
Faço questão de dizer isso para que a senhora se sinta muito à vontade. Queria
dizer que dos depoimentos que ouvi até este momento, nesta Comissão, o da
senhora me parece, disparado, o mais verdadeiro de todos. Portanto acho que a
senhora deve .... deve caminhar...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) (Faz soar a campainha) –
Por favor, o Deputado Eduardo Paes está com a palavra. Pediria silêncio, por
favor.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) –...deve caminhar nessa linha, porque
isso certamente vai ajudar muito nas investigações.
Sei que o Relator já lhe
perguntou, mas a senhora... O Sr. Delúbio Soares, ele e o seu marido afirmam,
ambos, terem estabelecido uma relação muito próxima nesses dois anos e meio ou
nos últimos três anos, a partir de 2002, a partir da eleição do Presidente
Lula. A senhora teria como... Que nível de conhecimento a senhora teria dessa
relação? Era uma coisa de freqüentar a casa? Enfim, como a senhora poderia
explicar um pouco mais essa relação aqui para todos nós?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como
já falei, nunca a minha casa foi usada para algum encontro de negócios ou
políticos. Isso porque não gosto, eu falei, eu sou apolítica e acho que a casa
da gente é casa da família da gente.
Então conheci o Delúbio uma
única vez, quando ele foi convidado pelo Marcos Valério, que ele queria, era
uma curiosidade dele, para ver a minha filha saltar. Então ele foi a São Paulo,
num campeonato que tem todos os anos – já expliquei isso. O único encontro que
sei que o Marcos tinha com o Delúbio eram esses, quando o Marcos ia a São
Paulo, podia encontrar com ele, como ele já mesmo declarou, ou encontrava em
Brasília, alguma coisa ou por telefone. Nada mais do que isso. Não tenho mais
conhecimento, nunca freqüentei junto, nunca presenciei nada e o máximo que sei
é isso. Eles tinham essa ligação e sei que a ligação deles foi apresentada, que
o Marcos conheceu o Delúbio Soares pelo então Deputado Virgílio Guimarães, do
PT, que é conterrâneo do Marcos, de Curvelo.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Deixe-me só fazer-lhe mais
algumas perguntas. Já disseram isso aqui, mas acompanhando a variação
patrimonial da senhora e do seu marido e a própria movimentação bancária da
conta pessoal de vocês, o que se nota é o seguinte: 2000, um patrimônio bom, um
patrimônio de uma família muito bem de vida para a média brasileira; no segundo
ano, em 2001, há um incremento desse patrimônio, mas um incremento
absolutamente normal, aceitável, para quem estivesse indo bem nas suas
atividades, mantendo; 2002, idem. De repente, Srª Renilda, em 2003, a
declaração de 2003 faz assim, é uma coisa que passa de três para 11; depois, de
2003 para 2004, passa de 11 para 17. Os aumentos são muito grandes nesses dois
últimos anos. E a própria carteira das empresas é ampliada de forma fantástica.
Quando o seu marido esteve aqui perguntei-lhe se ter conhecido o Delúbio
Soares, ter estabelecido essas relações é que fez com que o patrimônio
ampliasse tanto, a própria movimentação bancária ampliasse tanto, e a carteira
de clientes ampliasse.
A senhora, obviamente, por
mais que não participasse da vida das empresas – são comentários feitos em
casos, “consegui tal contrato”, “avançamos assim”, “tal negócio foi melhor”,
“podemos gastar mais”, algo absolutamente normal em uma relação –, mas a
senhora notou, percebeu que, em 2003, 2004, foram anos em que houve de fato um
aumento patrimonial significativo, ficou mais fácil gastar dinheiro, enfim,
isso é algo notável pela senhora?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Dentro
do ritmo de vida a que eu sempre me propus, continuei fazendo a minha vida e
pautando a minha vida dentro dos mesmos padrões. Não acredito que seja tão
facilitado, uma vez que se eu tivesse essa facilitação tão grande não demoraria
quatro anos para construir uma residência e não estaria com uma casa, que
comprei há 14 anos, reformando até hoje, para chegar no padrão que eu queria.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – De fato, se a senhora der uma
olhada na declaração de renda, no patrimônio, no incremento patrimonial, daria
mais do que para reformar...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
sei, como falei. Não acompanhei isso. Não acompanho esses... Sei que teve
distribuição de lucros das empresas. Eu não sei falar assim... O que eu fiquei
sabendo, no dia que o Marcos inclusive, foi o dia que ficou sabendo, que o
Marcos falou aqui na CPI sobre a relação de empresas privadas e empresas
estatais dentro das empresas.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O nível de estatais praticamente se
manteve o mesmo. O que aumentou muito foi o nível de empresas privadas.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Pois
é. Eu, particularmente, nunca tomei conhecimento disso. Um outro dia ainda foi
muito engraçado: o meu menino, pelo pai ficar muito tempo fora, para uma
criança de quatro anos entender, ele não sabia o que o pai fazia. Então se
alguém perguntava: “Onde seu pai trabalha?” Ele dizia: “Trabalha no céu”.
Porque o pai vive viajando. Até o dia em que ele descobriu. “Pai, o que você
faz?” E o Marcos exemplificou dizendo: “Tá vendo, filho:? Aquela propaganda do
Telemix Celular foi papai quem fez.” Foi de uma forma aleatória que o Marcos
comentava, porque o Marcos não era de comentar, e eu também, como já declarei
antes, até penso que fui passiva, por não procurar participar e me informar
mais sobre isso.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A senhora aqui, em diversas
oportunidades, afirmou, já durante o seu depoimento, que essas informações,
esses contatos governamentais do seu marido certamente não seriam de conhecimento
exclusivo dele. Ou seja, as agências teriam outros sócios. A senhora saberia
dizer se algum desses sócios também participava desses contatos com o Governo,
da captação desses novos clientes via Governo? Como a senhora vê o envolvimento
dos sócios do seu marido nesse processo todo, nessa história toda que...?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
acredito que os sócios, já que todos os cheques são assinados por, no mínimo,
dois sócios, saber de alguma coisa, acho que todos deveriam saber. Não posso te
informar o quê. Mas acho que tem que ser lógico, porque se eu estivesse na
empresa e chegasse um cheque para mim de R$500 mil e me dissessem “assina aí” e
pronto, eu acho que não seria muito bem por aí.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A senhora – e é a minha última indagação – saberia
nominar, ao longo desses dois últimos anos... A senhora já contou aqui, por
exemplo, um episódio em relação a essa questão dos empréstimos, com encontro
com o então chefe da Casa Civil, figura pública, notória, José Dirceu. Quer
dizer, nesse momento, certamente a senhora teria informação que se tratava de
uma figura, provavelmente seu marido comentou, enfim, que se tratava de uma
figura importante da República, quase que o Primeiro-Ministro do Lula. Que outros,
ao longo desses dois, três últimos anos, que outros políticos puderam levar o
seu marido a comentar em casa, “olha, eu tive com não sei quem hoje, conversei
com fulano de tal”. Algo nesse sentido?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Foi essa a única oportunidade
que ele comentou com a senhora?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Que eu
perguntei, nessa oportunidade que ele falou do então Ministro José Dirceu, foi
quando saiu as situações do empréstimo, em que eu fiquei muito preocupada por
não saber “como é que vou pagar?”. A minha preocupação é como eu vou pagar,
porque, indiretamente, sou avalista.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É claro.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele
falou: ”O que eu posso te falar é o seguinte: esse foi um empréstimo feito ao
PT e o então Ministro José Dirceu sabia.” E me contou desses dois encontros.
Nada mais que isso, ele me informou.
(O Sr.
Presidente faz soar a campainha.)
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço à senhora.
Sr. Presidente, declaro-me
satisfeito.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado
Gustavo Fruet.
Eu queria só assinalar que
vamos fazer uma interrupção às duas e meia da tarde. Vamos fazer uma hora de
interrupção. Todos estão de acordo?
(Interferências
fora do microfone.)
Para almoço, provavelmente.
(Interferências
fora do microfone.)
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Meia hora chega, Sr. Presidente.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP)) – Meia hora, meia hora é
o bastante.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Até porque, Sr. Presidente, há um
revezamento...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Então, vamos encerrar às
duas horas, para aproveitar o restaurante do Senado ainda. Às duas e meia,
retornamos.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Ótimo.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – OK.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, só uma informação: tem a
possibilidade de se votar aquele requerimento proposto ou não?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos, possivelmente,
discutir esse requerimento amanhã, na reunião interna da CPMI.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT - MS) – Muito obrigado, Deputado
Onyx Lorenzoni.
Deputado Gustavo Fruet.
Solicito à assessoria técnica e ao som que corrijam o tempo. (Pausa.) OK.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, Dr.
Marcelo, Srª Renilda, até na linha do Deputado Onyx Lorenzoni, quero reiterar o
pedido para que se encaminhe, pela CPMI, para o Ministério Público de Minas
Gerais avaliar a possibilidade de simulação e de fraude nas empresas objeto de
investigação; até para que não fique uma questão restrita a esta CPMI e que tenha
o desdobramento em função do desconhecimento tanto do Sr. Marcos Valério quanto
da sua esposa, que é uma das sócias, com relação ao funcionamento das empresas.
De forma objetiva, Srª
Renilda, quando interrogamos o seu marido, quisemos demonstrar e queremos
demonstrar agora que esta CPMI não trata só de uma dimensão jurídica. Temos
visto uma preocupação muito grande de se tentar caracterizar um crime eleitoral
e uma questão de menor importância. Isso vai ter desdobramento na Justiça e no
Ministério Público. Não é da nossa competência. Aqui, estamos tratando de algo
maior: uma dimensão moral, uma dimensão política.
Naquele dia, indagado por várias vezes – lembramos,
inclusive, que ele estava ajudando a construir a história da sua família, dos
seus filhos, o seu futuro –, ele, de forma taxativa, negou os empréstimos; de
forma taxativa, negou que prestasse serviços a Partidos e a políticos; e, de
forma taxativa, negou que prestasse serviços ao PT. Depois, ele se contradisse
ou desmentiu isso, em entrevista veiculada pelo Jornal Nacional.
Então, o que peço também à senhora é essa dimensão
moral. Julgamento muito maior que o nosso será o julgamento da sua família, o
da sua história e a imagem que ficará para os seus filhos e para o futuro da
sua família.
De forma muito objetiva, a senhora era casada em
comunhão de bens?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, somos casados com comunhão parcial de bens,
que, hoje em dia, é feita.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Nessas procurações que a senhora entregou
para o Sr. Marcos Valério, a senhora assumia responsabilidade solidária por
todas as atitudes dele? A senhora também é responsável pelas atitudes que ele
tomou em seu nome, com a procuração?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei te explicar. Já passei a procuração ali.
Acho que é melhor verificar.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Nessa procuração, a senhora deu poderes
também para que ele fizesse empréstimos, inclusive, em seu nome?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso, tenho certeza de que sim.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Inclusive movimentação financeira em
seu nome?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, em nome das empresas.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E nas suas contas pessoais?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nas minhas contas pessoais, não.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E nas contas que a senhora tem em
conjunto com ele?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nas contas em conjunto, sim, porque somos casados e
temos contas em conjunto. Agora, a procuração ali é uma procuração dada para
ele me representar nas empresas.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Certo.
Quais os telefones que a senhora comumente ligava
para o Sr. Marcos Valério? Celulares e das empresas. A senhora poderia indicar
o número desses telefones para a Comissão?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – SMP&B: 3247 - 6633 – 031.
DNA... Só se eu consultar na
minha agenda, porque eu não ligava, eu não procurava. Multiaction, eu também
nunca fui. Celular, somente.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E celulares, quais são os números que a
Senhora ligava para ele?
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA - Você quer que eu anote?
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR)– Se for possível, porque isso é
importante porque queremos depois fazer uma verificação com relação ao
relacionamento do Sr. Marcos Valério com algumas pessoas que estão sendo
investigadas. Então, se a Senhora tem essa relação com ele, não é profissional,
por favor, é pessoal. Quais os números pessoais que a Senhora eventualmente
ligava para ele não para tratar assuntos comerciais, de assuntos pessoais,
familiares, de casa. Quais os números que a Senhora ligava para ele.
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA - Geralmente, eu ligava
mais para a SMP&B, que era o meu contato, até por causa das secretárias,
com quem eu mantinha um certo contato, e o celular... O Marcos mudou o celular.
O número do celular era 99... Posso olhar na minha agenda de telefones, se o
Senhor me permitir.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Mas a Senhora não lembra os telefones
de celular do seu marido? Os celulares?
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA – Não. Particularmente, se
você me perguntar qual é o telefone da minha residência, eu pouco ligo para a
minha casa. Às vezes, o meu próprio celular, como eu não ligo para ele,
confundo até o final dele com o telefone da minha sogra, que é o mesmo. Então,
não sou muito boa para guardar números, mas meu celular está aqui e posso te
passar todos os números de celular do Marcos, em que eu ligava para ele, até
por escrito.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Está bem. No depoimento que prestou à
CPMI, o seu marido declarou que os saques destinam-se a pagamentos de
fornecedores e, depois de entrevista à TV Globo, informou que repassava o
dinheiro a pessoas indicadas pelo Sr. Delúbio Soares. São duas versões para o
mesmo fato. Os saques e movimentação de grandes somas de dinheiro em espécie.
Na dupla condição de sócia-proprietária das empresas e de esposa, qual versão
do seu marido está correta?
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA – A dos empréstimos. Eu
acredito, isso é uma posição minha, quero deixar bem claro. Acredito que o
Marcos, na CPI, a primeira informação que ele deu foi que ele esperava que as
outras pessoas diretamente ligadas aos problemas, assumissem os fatos que
deveriam aparecer, que seriam os empréstimos, mesmo através do próprio Sr.
Delúbio ou alguma coisa nesse sentido.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – O seu marido negou que tivesse
estado com o Ministro José Dirceu ou com algum representante para tratar de
dívidas. Ele afirmou até que esteve com representantes do BMG para tratar da
inauguração de uma mina em Minas Gerais. A Senhora hoje afirmou que houve um
contato...
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA – Mas o Marcos Valério
participou.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A Senhora hoje falou que houve o
contato de pessoas para tratar desses assuntos com o Ministro José Dirceu para
o pagamento desses empréstimos. Quando o Sr. Marcos Valério falou isso para a
Senhora? Antes ou depois dessa crise se tornar pública?
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA – Depois, quando saíram os
assuntos do empréstimo. Na CPI, eu me recordo que ele falou das coisas que
aconteciam. O Ministro foi ao Jornal Nacional, o então Ministro José
Dirceu sabia. Depois que fiquei sabendo dos empréstimos, via mídia, eu o chamei
e perguntei qual era a verdade. A minha preocupação foi essa de pagar. Foi
quando ele me confirmou que o Ministro José Dirceu já sabia, que houve essas
duas reuniões, mas que ele não participou.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E a Senhora voltou a falar com o seu
marido sobre esses valores, se serão pagos,se foi dada uma garantia, se foi...
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA – Essa é uma pergunta que
faço de manhã, à tarde e à noite.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Está certo. Da mesma forma que a
Senhora disse que não tinha conhecimento, por que a Senhora, de forma taxativa,
afirma que os sócios tinham conhecimento dessas operações? Eles também não
podem ter dado uma procuração ao seu marido e o seu marido ter agido sem o
conhecimento dos sócios, como ele fez com a Senhora?
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA – Eu não sei se eles deram
uma procuração, mas isso é muito fácil de se verificar, a partir do momento em
que a Comissão tem a microfilmagem dos cheques. É só verificar, nesses cheques
que vieram do Coaf, as assinaturas que existiam.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) - Na avaliação do seu patrimônio,
e aqui, claro, é preservado o sigilo, verifica-se que o grande salto se dá em
2003 e 2004. A Senhora imagina que de alguma forma esse salto se deu por algum
favorecimento prestado pelo Governo às agências do seu marido ou na prestação
de serviços que o seu marido realizou?
A SRª RENILDA FERNANDES
DE SOUZA – Não acredito que tenha
favorecimento do Governo uma vez que, numa dessas indagações recentes, como eu
falei, ele mesmo falou comigo que perdeu conta estatal, como exemplificou com a
Petrobras. Não acho que ele tenha sido favorecido; senão, em toda licitação
estatal que entrasse provavelmente ele ganharia. Outra coisa, acho que ele
seria uma das agências prioritárias do próprio Governo que, então, hoje, é do
Sr. Duda Mendonça.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Foi mera
coincidência o fato de o Sr. Marcos Valério ter destinado valores ao PT e a seus
aliados e a Secretaria de Comunicação do Governo ter determinado a redução de
R$3 milhões para R$1,8 milhão os valores exigidos das empresas para essas
escolhas por parte do Governo? Alguma vez, dentre aqueles nomes que já foram
citados, o seu marido conversou com o ex-Ministro Luiz Gushiken?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
soube. Acho que nunca conversou.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A senhora tem
conhecimento de que um marido de uma funcionária sua, ou de Marcos Valério, ou das
empresas, foi indicado pelo Governo para as comissões de licitação?.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A senhora conhece
Telma dos Reis Menezes da Silva?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
ouvi falar.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E Marco Antônio
da Silva?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
ouvi falar. Ouvi falar agora, depois da CPIs.
O SR GUSTAVO FRUET. (PSDB – PR) – Vou fazer
algumas perguntas de alguns nomes, só para consignar. A senhora dirá se conhece
ou se não conhece.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Pois não.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Primeiro: Karla
Machado.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Karla Machado? É uma loja onde compro
roupas.
O SR GUSTAVO FRUET. (PSDB – PR) – Em Minas Gerais?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
Na Pampulha, Bairro Bandeirantes.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Vildeu Glaydston
Castro Silva?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como?
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Vildeu Glaydston
Castro Silva.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
conheço.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Neilton Jorge
Nose?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Neilton Jorge é motorista da SMP&B.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Germânio Lúcio
Pinto?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
conheço.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Daniel da Silva
Freitas?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Era o
sócio da DNA que faleceu, se não me engano, há dois ou três anos.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Ele era marido da
Srª Margaret?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Da Margaret.
O SR GUSTAVO FRUET. (PSDB – PR) – Quem é a senhora
Margaret?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ela é, hoje, sócia da DNA. Deve ter sido o
espólio – não sei se é assim que se chama – do Daniel. Ela trabalha na DNA. Não
sei especificar qual é o cargo que ocupa lá dentro.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Ela é parente do
vice-Presidente José Alencar?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
Daniel era sobrinho do José Alencar.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Leonardo Murilo
Rosas Arantes?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
conheço.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Renato Nepomuceno
dos Santos?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
conheço.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Hoje o jornal Folha
de S.Paulo até fala que se criou a expectativa de que a senhora estaria,
emocionalmente, em um processo de depressão. A senhora está mostrando firmeza
em seu depoimento.
Lá pelas tantas, aqui, o
vigia da casa em Belo Horizonte, falou que a senhora deixou de preparar
jantares para amigos do casal. Ou seja, havia uma relação social da senhora, do
senhor Marcos Valério, com uma certa freqüência. Pergunto-lhe o seguinte:
desses nomes, além dos que já foram citados, qual é a relação do seu marido,
por exemplo, com Henrique Pizzolatto*?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Conheci o Sr. Henrique Pizzolatto em Belo Horizonte, no final de maio ou no
início de junho deste ano. Houve um circuito cultural Banco do Brasil, em Belo
Horizonte, no Palácio das Artes. Foi onde o conheci. Ele nos convidou para assistir a uma apresentação de um
mágico para que eu levasse, inclusive, meus filhos. Foi quando eu o conheci.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Marcos Flora?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não o conheci.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – O Senador Eduardo
Azeredo?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Senador Eduardo Azeredo não conheço.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Havia reuniões
constantes na sua casa com os sócios, o Ramon e o Cristiano?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Como já afirmei, em minha residência nunca
tratávamos sobre os assuntos da empresa. Os sócios, Ramon e Cristiano, se
tiverem ido à minha casa durante esses anos todos umas quatro ou cinco vezes em
ocasiões como o nascimento do meu filho, ou algo assim, foi muito. O
relacionamento sempre foi separado: empresa e família.
O SR GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – A senhora tem
notícia de que mandaram queimar notas fiscais e documentos das empresas em
posse do escritório de contabilidade do senhor Prata, em Belo Horizonte?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não acredito que tenha
acontecido. Só tive conhecimento, só ouvi falar, pelos jornais. Acredito que se
aconteceu não é do conhecimento de nenhum dos sócios, uma vez que tudo terá que
ser confirmado nos livros de escrituras das empresas. Se quisessem abafar
alguma coisa teriam que queimar os livros de escritura das empresas também.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Pois é, então a senhora conhece como
funciona o procedimento contábil das empresas.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
eu acredito que isso é uma realidade que existe porque eu trabalhei e sei que
isso é uma coisa que existe, como saiu em todos os jornais; e foram comentados
em jornais no Estado de Minas.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Pois é, a senhora me desculpa fazer
esta observação: a senhora demonstra uma profunda articulação, enorme
informação, português muito correto, mas, em momento algum, a senhora se
preocupou com a movimentação de milhares de reais, principalmente, nos últimos
dois anos, através de uma procuração que a senhora deu ao seu marido?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
entreguei a procuração ao meu marido, volto a afirmar, em confiança, estou com
ele há 25 anos. Estou falando a minha verdade, sei, como a própria Senadora
Heloísa Helena lhe falou, sei que muitas pessoas vão acreditar, como muitas
pessoas não irão acreditar no meu depoimento. Mas estou aqui falando a verdade,
que eu entreguei a procuração para o meu marido por confiar plenamente nele.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Essa vida dele, com viagens
constantes, e aqui, é claro, é uma pergunta de ordem pessoal, fica a seu
critério, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, essa movimentação dele começou
de forma mais intensa em 2003 ou em anos anteriores?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
sempre foi, mesmo porque ele já atendia empresas de São Paulo, eu acho, sempre.
Desde quando Marcos entrou nas empresas, isso era uma coisa que sempre
acontecia, de viagens semanais para fora, para São Paulo, para Rio, para
Brasília; e que, do meu conhecimento, era para resolver problemas das empresas.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – E, diante disso, qual a real função do
seu marido? O seu marido é um publicitário? O seu marido era um captador de
recursos para as empresas? O seu marido intermediava negócios do Governo,
através de caixa 2, registros não-contabilizados? O seu marido agia com pleno
conhecimento e domínio das empresas?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – As
empresas eram geridas por todos os sócios, e sei que uma das funções do meu
marido na empresa não era fazer caixa 2; ele tinha uma função comercial na
empresa. E essa função comercial, eu acredito também, que era um pouco
deliberada por outros funcionários, por outros sócios, desculpa, não
funcionários, porque, se é uma empresa de comunicação, ela vive de contas,
inclusive contas privadas. Ela não é uma empresa que vive única e
exclusivamente de contas estatais. E volto a dizer, uma empresa que tem... O
Marcos entrou não tem muitos anos, mas são empresas que existem, uma há 25
anos, e a outra há 22 anos, e são empresas que são valorizadas não só dentro do
País, como se pode verificar. Se não me engano, ano passado, a própria acho que
foi a DNA recebeu um prêmio em Cannes, ano passado. Então não é uma empresa que
vive de contas estatais e não é uma empresa que começou de 2 ou 3 anos. São
empresas de 22 anos e empresas de 25 anos que passaram, sim, por crises boas e
crises más, mas que acho que isso não existe coincidência de nada.
O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB – PR) – Obrigado, Sr. Presidente!
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Com a palavra – e
aí nós faremos um intervalo de 30 minutos – o Senador César Borges.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – Ba) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, Srª
Renilda.
Srª Renilda, gostaria até
que não estivesse participando efetivamente deste momento, porque acho que V.
Sª chega aqui na condição de investigada, e, como investigada, nós deveríamos
limitar a sua atuação como sócia das empresas. No entanto, V. Sª é uma sócia
privilegiada porque também é esposa do Sr. Marcos Valério, outro sócio que está
nesta situação aí dessas denúncias que trazem esta inquietação para as
instituições brasileiras. Um momento muito difícil e muito sério, não apenas
para o casal e a família do casal, mas para todos os brasileiros.
Então V. Sª relata aqui para
nós que tem uma convivência de 25 anos, 18 de casada, de extrema confiança, uma
relação tranqüila com o seu esposo, onde a senhora deu toda a confiança. Então
eu começaria a lhe perguntar: nesse momento, o seu sentimento é de uma vítima
do seu marido ou de um cúmplice do seu marido?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
responderia para o senhor que não seria nem como vítima, nem como cúmplice; o
sentimento que hoje eu tenho é de ter sido uma pessoa completamente passiva de
uma coisa que eu poderia ter tomado mais participação e que eu, infelizmente,
por opção e coisas que me levaram na minha vida, fiquei quieta em casa. Então o
sentimento que eu tenho é que eu fui um pouco covarde. O sentimento é meu.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então foi vítima? Foi vítima?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
vítima, é um sentimento meu assim...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas, veja bem, todos esses
constrangimentos que a senhora está passando, que os seus filhos, a sua
família...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Mas aí
eu não poderia dizer que seria só do meu marido.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – ... e as conseqüências que
poderiam advir desses atos, isso lhe faz, diante da confiança que a senhora
depositou nele, uma vítima. Porque nós vimos o Sr. Marcos Valério aqui. E acho
que a senhora também deve ter assistido; como uma boa esposa, assistiu ao
depoimento dele feito aqui na Comissão. E como já foi dito aqui pelos que me
antecederam, o Deputado Gustavo Fruet, ele incorreu em várias inverdades que
vieram a ser desmentidas posteriormente. Quer dizer, ele não procurou preservar
a imagem familiar, ele não teve essa preocupação; ele mentiu para toda a Nação
brasileira. É claro que ele fez um ato de traição também a V. Sª nesse sentido,
porque a senhora foi, de certa forma, enganada. A senhora acreditou no que ele
disse aqui no seu depoimento ou a senhora já sabia de antemão que ele estava
mentindo naquele depoimento?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi
como eu falei: eu acredito que o depoimento do Marcos na CPI, ele não foi
claro. Eu acho que ele deveria ter falado já de antemão, mas ele esperava que
os responsáveis efetivamente pelos fatos que era, vamos pôr hoje mais
diretamente, o Sr. Delúbio, falasse primeiro. Eu acho que foi uma questão de...
Ele esperava que falassem primeiro antes de ele acusar.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas eu fiz uma pergunta direta a
ele: se ele tinha dado mais de um aval para o PT contrair empréstimos, e ele me
disse textualmente que não, que ele garantia que ele só tinha dado um aval.
Logo em seguida, a imprensa noticiou que tinha um outro aval, mais outros, e
logo veio aquela versão que ele fabricou, que ele foi ao Procurador, que ele
foi à Rede Globo, uma versão que também foi abraçada, no caso, pelo Sr. Delúbio
Soares e até, para a nossa total surpresa e estranhamento, pelo Presidente da
República, numa entrevista dada em Paris. Quer dizer, mais uma versão que me
parece que cheira também a falta de verdade. Quer dizer, a verdade não está
ainda aflorando nessa questão; é um sentimento de todos nós, acho, do Relator,
do Presidente e de todos os membros desta Comissão.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
posso falar sobre o Presidente Lula, eu não posso falar sobre a entrevista do
Delúbio, eu posso falar da entrevista do Marcos dada ao Jornal Nacional, que
ele deu aquela entrevista a pedido da minha filha.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ele deu a entrevista a pedido da
sua filha, e a senhora acha que ali então é a verdade total, completa. Antes
ele mentiu, mas ali...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Onde
ele falou sobre os empréstimos e avisou... Porque a minha filha pediu para
ele... Porque o que nós estamos passando na minha casa é uma inverdade a cada
dia nos jornais, como foi esse fato que relatei do Banco de Boston, como, no
dia seguinte, ao que eu tinha sacado do Banco de Boston, eu estava inclusive
fugindo do País – eu já fugi do País umas três vezes. Eu não sei se vocês já
escutaram, se os senhores já ouviram falar sobre até de interceptação de um
possível seqüestro do Marcos Valério, via presidiários do Rio de Janeiro. Então
são preocupações que nos levam. Se há coincidência, eu não acredito em
coincidência entre entrevista de Sr. Delúbio, Presidente Lula e Marcos Valério.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas a
senhora há de convir que ainda tem muita verdade a aflorar, porque, afinal de
contas, saques milionários que chegam a 20, 30, 40 milhões de reais, sacados em
dinheiro pela própria Simone, que a senhora conhece, e que esses recursos
terão... Vão aflorar aí as listas para quem se dirigiam. Quer dizer, tudo isso
era um tipo de operação totalmente ilegal, e o Sr. Marcos Valério ainda não
disse para a Nação brasileira, ele poderia fazer uma declaração, em ato de
honestidade para com V. Sª, e impedir que a senhora viesse aqui hoje prestar
este depoimento; ele poderia abrir o coração, dizer essa verdade porque ela vai
aflorar fatalmente mais cedo ou mais tarde. Eu até a parabenizo pela sua
confiança no seu esposo, no seu marido. Agora eu acho que ele está faltando com
a confiança, porque ele não está sendo verdadeiro com a Nação brasileira. Ainda
falta ele dizer muita coisa. Ou a senhora não acha?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
acredito... Como eu estava conversando com uma repórter lá fora, até uma repórter
da TV Senado, que eu acho que o momento que o Brasil está vivendo e que isso
tem que ser aflorado; eu acredito que isso tem que ser resolvido, acredito que
muita coisa possa aparecer, quero que resolva, quero que apareça, quero sim. E
quero que todas as pessoas envolvidas cheguem também e confirmem. Eu acho que
não é uma esperança que deve ser depositada só em cima de Marcos Valério. Eu
acho que ...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas ele tem verdades que ele não
revelou ainda.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso
eu não sei porque eu não comento com ele, ele não me falou nada, e eu procuro
não entrar.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas com essa confiança mútua,
recíproca, um casal, nós todos sabemos aqui como é uma confiança de casal, numa
relação de sócio, numa relação de casal a senhora não tem essas informações de
que ele dispõe?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA - Como
eu afirmei para o senhor, hoje eu vim, eu estava em estado de depressão, eu não
estava saindo de casa, eu não estava
saindo do meu quarto, eu não saía da televisão. Então, eu acho que eu não tinha
o direito de ficar perguntando demais.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu acho que o seu marido tinha
um dever com a senhora de evitar que a senhora viesse aqui hoje. Eu gostaria
que isto não estivesse acontecendo, estes fatos aqui, mas lamentavelmente é por
culpa dele, porque ele não tem revelado a verdade ao Brasil e à senhora
essencialmente, à senhora e a sua família...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador César Borges, até
em função deste momento e se todos me permitem, eu gostaria de suspender a
reunião agora por meia hora. Retornamos com V. Exª com a palavra.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Perfeitamente, para eu concluir
posteriormente.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) - Está suspensa a
reunião.
(Levanta-se
a reunião às 13 horas e
57 minutos.)
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos recomeçar a
oitiva da Srª Renilda Maria Santiago.
Passo a palavra ao Senador
César Borges, que ainda tem oito minutos para concluir as suas perguntas.
Com a palavra o Senador
César Borges.
Oito minutos. Assessoria
técnica, por favor, registre.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu lhe agradeço, Sr. Presidente, e
queria iniciar ou reiniciar, lamentando que talvez a minha pergunta tenha
levado a Srª Renilda a, em determinado momento, perder a sua calma, a sua
tranqüilidade. Não foi intenção deliberada nossa nesse sentido, apenas eu
queria saber se exatamente V. Sª poderia trazer informações que nós não temos,
que talvez o seu marido, o Sr. Marcos Valério, tivesse. Mas não insistirei
nesse tema e procurarei, Sr. Presidente, aqui, objetivar algumas perguntas.
Por exemplo, a senhora tem
conhecimento de que tem participação em outras empresas afora a Grafitti, a DNA
e a SMP&B. A senhora é sócia também de outras empresas criadas com o Sr.
Marcos Valério?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Sr.
pode nomeá-las por favor?
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Tenho aqui informações de que a Srª
detém 50% da 2S Participações Ltda.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É uma
empresa minha e do Marcos e é uma empresa de investimentos. Isso é correto.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Que também da JEVN Participações Ltda.
em 50%?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É uma
empresa minha e do Marcos que iríamos criar, mas ela não chegou a existir e já
está encerrada, já mandamos desativá-la. Ela nem chegou a ser aberta realmente.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Seria uma empresa que a ser criada em 22
de julho de 2002, é isso?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Já foi
encerrada e nunca foi movimentada.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então são essas empresas a mais. Agora,
também D. Renilda, as informações que temos aqui deduzida através de valores
obtidos com base no recolhimento de CPMF são de grandes movimentações nas suas
contas. Perguntaria: V. Sª tem conta no Banco do Brasil, no Banco Alfa e Bank
of Boston*?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Perfeitamente.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Essas contas são individuais ou são
contas partilhadas em conjunto com o Sr. Marcos Valério?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – No
Banco do Brasil eu tenho uma conta minha e a conta da 2S; no Bank of Boston eu
tenho uma conta minha e uma conta compartilhada com o Marcos Valério, e no
Banco Alfa tem a conta 2S e uma conta minha.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – A 2S é movimentada também pela Srª?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É uma
conta que foi criada para investimentos e esses investimentos estão sendo
feitos no Cepel, que é uma empresa de que o Marcos é sócio e que é uma hípica e
que eu assino eventualmente.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – A Srª sabe que, em 2003, o total dessas
três contas chega a R$5.222.314,00 em movimentação?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
saldo eu nunca...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas é uma movimentação, convenhamos,
bastante elevada.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
saldo eu nunca acompanhei.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Em 2004 chega a um total de
R$4.749.347,00. Também uma movimentação bastante volumosa de recursos, mas acho
que V. Sª não sabe exatamente o direcionamento desses recursos.
Agora, gostaria de voltar a
perguntar, só para precisar, a Srª deu duas informações aqui da maior
importância: a primeira que a Srª conversou com o seu marido, o Sr. Marcos
Valério, e ele lhe revelou que a garantia, a segurança que ele tinha para os
empréstimos advinha de uma conversa tida entre o Deputado José Dirceu, à época
Ministro-Chefe da Casa Civil, com os diretores respectivamente, em Belo
Horizonte, da SPM&B e, em Brasília do BMG.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
SMP&B, não. Ele me revelou que esses empréstimos quando eu... Banco Rural,
em Belo Horizonte, Hotel Ouro Minas, e BMG, em Brasília, não sei especificar
onde foi com o então Ministro José Dirceu.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Essa sua conversa com o Sr. Marcos
Valério foi quando efetivamente?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Quando
saiu esses fatos...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E a reunião dele com o Ministro José
Dirceu foi no ano passado?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
Marcos não participou da reunião.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas a reunião do Ministro José Dirceu
com a diretoria dos dois bancos foi no ano passado.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O
Banco Rural acredito que... O Marcos falou que, se não me engano, foi no
segundo semestre do ano passado e o BMG, honestamente, não perguntei quando
foi.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Ele foi mais explícito sobre o resultado
dessas reuniões? Que tipo de garantia o Sr. José Dirceu teria dado à diretoria
dos dois bancos, do BMG e do Banco Rural, para o efetivo resgate dessa dívida
que chega hoje a R$90milhões?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
ele não foi mais explícito sobre o resultado das reuniões.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E isso não deixou a Srª ainda mais
angustiada com esse volume inteiro, sem ele dizer qual a garantia que o
Ministro José Dirceu deu do resgate desses empréstimos?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
estou angustiada hoje e muito, não só pela falta dessa resposta. Estou
angustiada porque quero saber como isso será pago.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Imagino a sua angústia como deve estar
sendo vivendo esses momentos.
Então, a senhora também não
teria conhecimento de que estaria havendo grandes saques nas contas das duas
empresas de que a senhora participa de alguma forma. Quer dizer, esses saques
imensos, que chegariam a R$40 milhões, a senhora não tinha conhecimento nenhum.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Nenhum.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – O Valério nunca disse à senhora “olha,
estou sacando”...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Não, inclusive, eu vou... O Marcos é uma pessoa mais reservada e eu respeito o
limite onde a gente vai. Então, eu pergunto igual a esse problema, mas do
restante das empresas, como eu já falei, eu sempre fui muito passiva e eu não
sabia o que era feito, se havia esses saques ou não, como eu não sabia nem que
existiam esses empréstimos.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – E agora, neste momento atual, ele e a
senhora têm conhecimento de que o PT nega que vá fazer o pagamento e o resgate
e que, se ele quiser recuperar o crédito, tem que entrar na Justiça. Qual é a
posição? O que ele passa para a senhora com relação às ações que ele vai
desenvolver para recuperar R$90 milhões?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu
não... Como saiu, inclusive, no final de semana, a revista Veja* e ele,
inclusive, deu uma nota – não sei se o senhor acompanhou...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Acompanhei.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... a
revista Veja veio falando que ele tinha feito...
(O Sr.
Presidente faz soar a campainha.)
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ...
uma chantagem, pedindo R$200 milhões, alguma coisa assim, que isso foi dito
pelo João Paulo. Se não me engano, acho que teve o João Paulo... O Deputado
João Paulo* acho que desmentiu na segunda-feira também, eu não sei, não me
lembro, ouvi dizer que ele havia desmentido, o Marcos deu a nota porque ele
jamais fez isso. Agora, eu posso falar de mim, eu, Renilda. Meu maior desejo
hoje é que o Marcos entrasse com esses contratos na Justiça, pedindo cobrança
do PT.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Mas ele tem documento com que possa
entrar na Justiça? Porque, sendo algo de boca, de fio de bigode, um para o
outro...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
deve ter documentos bancários.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – ... fica difícil ter um argumento
jurídico.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Se
foram feitos investimentos, o banco tem que ter algum contrato. E se ele foi à
vista...
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Então ele teria provas de que o
dinheiro foi para o PT?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
teve, como foi noticiado, aquele que tantas vezes passou na mídia, com a
própria assinatura do então Deputado Genoíno, Delúbio... Deve, acredito que
exista isso. Acredito que tenha um aval e acredito que, se isso existe, hoje,
honestamente, meu maior desejo é que isso entrasse numa Justiça para que
pudesse receber, que é minha preocupação.
O SR. CÉSAR BORGES (PFL – BA) – Eu agradeço, Sr. Presidente, e
considero encerrada minha intervenção.
Obrigado, Srª Renilda.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO
FERNANDES DE SOUZA – De nada.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Senador
César Borges.
Deputado Onyx Lorenzoni, com
a palavra por quinze minutos.
Quinze minutos, por favor.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Srª Renilda, eu venho de uma terra onde
nós temos uma herança guerreira, que é o Rio Grande do Sul. As nossas
fronteiras foram marcadas com muita luta e com muito sangue, e as mulheres da
minha terra sempre desempenharam papel importantíssimo na história das nossas
famílias e nas histórias da minha terra.
É o centenário de Érico
Veríssimo, que escreveu um livro extraordinário, que é O tempo e o Vento,
onde havia uma personagem, uma mulher, a Ana Terra*, que sempre retratou a
força, a energia e o interior da mulher gaúcha e – por que não dizer – também
da mulher brasileira. Eu vou ler um pequeno trecho, porque eu acho que ele pode
nos ajudar a compreender, talvez, um pouco a circunstância em que a senhora
está aqui.
“Sempre o vento no destino
de Ana Terra...: um dia de vento mudou o rumo de sua vida sem amor: aparece
Pedro Missioneiro. Quando o filho parte para a guerra, ventava. E junto com o
vento voa também o tempo, sazonando os frutos, amadurando as searas,
envelhecendo e matando homens e mulheres. (Muitos morriam de violências antes
do tempo...). O tempo e o vento marcam o compasso da epopéia.”
Ana Terra, como outras
mulheres, é a fixação, a conservação da família, o eixo. As mulheres são isso,
na sua essência. Aos homens ficam a conquista e a passagem.
Uma mulher escreveu o que eu
vou ler para a senhora agora, porque eu sabia que eu iria inquiri-la. Ela diz
que o papel da mulher que é mãe é educar, orientar, dar princípios, ser
exemplo, ensinar as questões básicas da vida, ser correta, honesta, ser
educadora enfim, e transferir e construir a relação de seus filhos com os
valores mais importantes da vida.
Essa mulher perguntava como
é que a senhora vai poder olhar para a sua filha ou para o pequeno – eu tenho
uma filha da idade do seu filho, além de outros três filhos – e dar um conselho
da melhor forma, a não ser que hoje a senhora consiga resgatar a dignidade,
dizendo a verdade, porque isso vai lhe dar condições de poder voltar para casa,
olhar dignamente nos olhos da filha, do filho, dos amigos e da família.
Eu vejo a senhora com uma
imagem aparentemente frágil, mas a vejo, neste momento, como uma verdadeira
fortaleza interior. A senhora é uma mulher forte, apesar de aparentar alguma
fragilidade exterior. Eu sou obrigado a fazer algumas perguntas que não são
movidas pela minha vontade, só pela minha obrigação. O seu marido esteve aqui.
Ele depôs e disse – são palavras textuais dele – que a senhora figurava como
sócia em razão do medo de que o seu marido se separasse da senhora. A senhora
confirma essa afirmação que ele fez aqui, na mesma cadeira em que a senhora se
senta?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu já
respondi essa questão e retorno para o senhor. Na época, foi por causa do
problema judicial, como eu expliquei, e foi colocada no meu nome. Depois disso,
foram brincadeiras. Às vezes, ele falou realmente, mas foram brincadeiras,
porque às vezes ficava assim: “Ah, não vou tirar esse negócio do meu nome, não.
Depois separa”. São brincadeiras. O senhor é casado. E acabou que foi passando
o tempo, foi passando o tempo, e, como eu falei, de uma forma cômoda, ficou,
passou e ficou. Não que fosse algum fato ou que teve um fato. Foram coisas que
geraram tipo uma brincadeira e acabou, por um certo comodismo, ficando assim.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – A senhora conhece quais são as razões
que levaram a Srª Fernanda Karina a ser demitida da SMP&B?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – As
razões, como eu nunca freqüentei a SMP&B, no dia-a-dia, eu obtive uma
informação, porque eu converso com a secretária por telefone. Então, uma das
secretárias – inclusive foi um fato que aconteceu e que a própria Srª Karina
não relatou aqui – várias vezes ela relatou aqui que o Marcos era uma pessoa
fria, calculista, várias coisas. O Marcos ia demitir a Srª Karina Somaggio
justamente pelo fato de ele viajar muito. Como ele viajava, ficava pouco tempo
na empresa, como qualquer outro empresário, você quer cortar custos. Sendo que
tinha a Adriana Fantini, que é secretária, e ela já acumulou a função várias
vezes, sendo secretária do Marcos e do Cristiano Paz. E o Marcos disse: “Bom,
vamos voltar ao que era atrás e a Adriana continuar sendo”. O Marcos, então,
pensou em mandar a Srª Karina embora, em demiti-la no mês de dezembro de
2003... Ela foi demitida em janeiro em 2004, não é? Em dezembro de 2003, onde o
Marcos chamou a Adriana e falou com a Adriana se ela se predispunha a acumular
a função dos dois uma vez e comunicou o fato. A Adriana comentou que o marido,
então, da Srª Karina, estava desempregado. O Marcos Valério, por uma questão
que eu digo humanitária, não mandou Karina ir embora no mês de dezembro. Ele
esperou o marido dela – como vocês podem procurar saber – ser recolocado – eu
não sei aonde, não tenho conhecimento íntimo da vida dela – pra que depois fosse
demitida. Quando o marido dela assumiu o emprego, em janeiro, foi quando ele
demitiu e o motivo foi esse.
Como préstimos dos serviços
dela, ela recebeu, além dos direitos reais dela, R$5 mil, que uma hora ela
afirma que sim, outra hora ela afirma que não, e ora ela afirma que trabalhava
até dez horas da noite, sábados, domingos e feriados... Isso eu posso te falar
que era uma inverdade, porque, se o Marcos viajava muito, era difícil ficar
trabalhando até dez horas da noite. Sábados, domingos e feriados eram os dias
que eu exigia e que eu exijo, enquanto mulher, pra minha família, pro meu filho
e pra minha filha. Então, em momento nenhum eu digo isso.
Então, foi por uma questão
humanitária. Inclusive, ele esperou pra demiti-la e o motivo foi esse.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Eu... A senhora disse aqui que o Marcos
Valério tinha uma procuração sua no que diz respeito às movimentações das
empresas de que a senhora é proprietária, que a senhora é sócia. A senhora
também disse que o Marcos Valério recebia trinta mil de uma e trinta mil de
outra.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É
verdade.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – A senhora fala aqui de redução de custos
que a senhora, inclusive, mencionou agora: a Fernanda Karina saiu por isso.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É um
exemplo que eu dei que o motivo da Karina... Não é que a empresa estava
passando uma dificuldade, mas que hoje, como qualquer empresário, ou eu mesma,
como dona-de-casa, se eu não preciso daquela empregada, eu vou demiti-la,
porque não justifica.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Desde quando que o seu esposo recebe
trinta mil da SMP&B e trinta mil da DNA?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Os
trinta mil foi um aumento que teve, se não me engano, foi janeiro...
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Deste ano?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi
este ano. Eram R$25 mil numa e vinte e sete em outra. Sempre teve. Ele sempre
recebeu, tanto pela SMP&B quanto pela DNA.
Não sei informar pro
senhor... Se o senhor me perguntar hoje como foi o crescimento desse salário,
eu não sei informar.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Tá. Não, é porque é muito estranho, né?
Eu vou lhe explicar aqui o que é estranho, para as pessoas também entenderem e
para a senhora nos explicar.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Pois
não.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Quando a senhora faz a declaração
conjunta com seu marido...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ahã.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – ..., a renda do ano todo é equivalente à
renda de um mês.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso
eu não sei te informar porque eu não acompanhei o meu Imposto de Renda.
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Tá. Então, eu estou lhe dizendo. Nós
temos o documento. E julgo que a senhora deve fazer uma revisão, pra evitar
problemas pra senhora, que é um ente pessoa física e tem uma responsabilidade
sobre essas declarações conjuntas... Não é só responsabilidade do seu marido.
O seu marido, então, faltou
com a verdade com a Receita Federal, porque a senhora está dizendo que ele tem
um recebimento que acompanhou, ao longo dos últimos anos, e que... A senhora
veja: em 2000, ele declara cinqüenta mil de renda tributável e a mesma coisa,
um número parecido, em 2002, em 2003. E a senhora veja: em 2004, o ano passado,
com ano-base de 2004, ele declara, em 2004, com ano-base 2003, esse valor. E no
ano passado ele declara um pouquinho mais. Ele declara noventa. Isso é um mês e
meio de renda!
E aí a gente fica intrigado,
com todo respeito, Dª Renilda. Na sua conta pessoal ele não mexia. A senhora
tem conta pessoal no Boston, que está no seu nome...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É o
que eu relatei. O Banco de Boston, Alfa...
O SR. ONIX LORENZONI (PFL – RS) – Não. Sim. O Banco do Brasil, no Alfa e
no City Bank.
O Relator, no último
depoimento, citava uma personagem de Cícero, na antiguidade, chamada Catilina.
E hoje a Srª Renilda me recorda um ditado popular contemporâneo: “À mulher de
César não basta apenas ser honesta, é preciso parecer honesta.” V. Sª tem
comparecido à Comissão com a docilidade de uma mãe, com a formação de uma
pedagoga, portanto não apenas por formação cultural, mas também por formação
acadêmica, zelosa no cuidado com crianças, na educação de filhas e filhos seus
e de outrem, e também demonstrou que, durante sua experiência bancária, se não
estou enganado, no Banco do Estado de Minas Gerais, na formação de pessoal, de
recursos humanos. Isso, efetivamente, já a coloca em uma condição objetiva de
ter não apenas demonstrado aqui as afeições que possui, como sentimento que
volta-e-meia afloram como pouco antes do intervalo que tivemos.
A Srª Renilda sabe que nossa
sociedade ocidental, de tradição judaico-cristã, tem a acusação do pecado por
ato ou omissão. Portanto, a culpa não é apenas por aquilo que se faz, mas,
muitas vezes, por aquilo que se deixa fazer. E já reconheceu, em penitência
pública, aqui, mais de uma vez, que talvez tenha cometido essa omissão de saber
exatamente as finalidade das condições de operação dos contratos, das
sociedades em que operavam as empresas do Sr. Marcos Valério.
Agora, V. Sª também,
seguramente, nestes 25 anos de convivência com o Sr. Marcos Valério, que
suponho que tenham sido mais do que 25 anos, V. Sª, inclusive, disse que chegou
a morar em uma casa de fundos com o Sr. Marcos Valério. Suponho eu.... No
microfone, por favor.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foram
só 25 anos mesmo.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Da sociedade com o Sr. Clésio Andrade.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – E anteriormente a isso, o Sr.
Marcos Valério já trabalhava nessas empresas?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, senhor.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – Não trabalhava? Ele já entrou na
condição de sócio?
A
SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele e o Sr. Clésio
Andrade.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – Ele era
sócio do Sr. Clésio Andrade?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Isso, isso.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – A senhora
diz que sim e o seu advogado diz que não. Eu estou olhando para a senhora, mas
ele sacode a cabeça. A senhora está dizendo, então, que eles eram sócios e
houve um conflito de interesses, que a senhora já mencionou.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ele entrou com o Sr. Clésio Andrade, eles tiveram
uma ruptura e eu não sei explicar, como já falei para a Senadora Ideli
Salvatti, que eu não sei...
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – A natureza do conflito?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
natureza. Após esse conflito, o Marcos se tornou sócio. Foi feita uma alteração
de cotas da empresa. Não sei explicar como foi. Aí, sim, passei para o meu nome
e dei a procuração ao Marcos Valério.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora conhece outros sócios do
Sr. Marcos Valério ou ex-sócios?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Conheço.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –
Pode dizer o nome de alguns?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Os
atuais sócios.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –
Pois não.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Cristiano Mello Paz.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –
Sim, já foi mencionado aqui.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ramon
Cardoso, Marcos Francisco Castilho, DNA, Margareth não sei se é Queiroz ou
Queiroga, acho que é Queiroz, e Renato, que é da Multiaction. O Renato, que é
sócio...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora não conhece nenhum
Tolentino, sócio do seu marido?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Tolentino é sócio não das empresas de publicidade, que é da Melo e Tolentino,
que é sócio, amigo e conterrâneo do Marcos Valério.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –
Sócio, amigo e conterrâneo.
A senhora costumava
freqüentar ambientes sociais, naturalmente, em companhia do seu esposo,
festividades, solenidades, concursos, quando a DNA recebia prêmios...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não? Só a Hípica? O seu local de
encontro social era só a Hípica?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Esses
eventos sociais, geralmente, que havia das empresas da SMP&B, na maioria
das vezes eram representados pelo Cristiano Mello Paz. O Marcos nunca foi muito
de eventos sociais. Não somos de eventos sociais. E na DNA...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – À exceção da Hípica, porque a
Hípica é um evento social.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A
Hípica porque tenho de acompanhar a minha filha.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Então, em festividades assim nem no
interior do Estado, nem em São João del-Rei...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – E a
DNA geralmente era representada pelo Marcos Francisco Castilho.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Em São João del-Rei, Poços de Caldas,
a senhora não participa de atividades?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nunca
fui. Não conheço as cidades.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Conhece outros concorrentes do Sr.
Marcos Valério na área de publicidade, de promoção de eventos? Outras empresas
que concorrem, outros empresários que concorrem nessa área de publicidade?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O que
a gente ouve falar pelo...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não, pergunto se a senhora conhece,
se teve relacionamento com alguns...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
conhecer pessoalmente, não. Ninguém.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)
– A senhora menciona e reitera o conhecimento há 25 anos do
Sr. Marcos Valério e houve um emprego comum, que era o Banco do Estado de Minas
Gerais.
A
SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA
– Sim.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT)
– A senhora trabalhava lá
e também o Sr. Marcos Valério trabalhou no Banco do Estado de Minas Gerais. Já
mencionou aqui que, nessa época, o Sr. João Heraldo Lima não era o Presidente
do Banco.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não sei. Quando o Marcos trabalhou – porque o
Marcos trabalhou há mais tempo do que eu lá no Bemge –, na época em que eu
trabalhei, a última gestão de Presidente, na minha época, que eu trabalhei e da
qual me recordo... Se o senhor me perguntar assim o primeiro Presidente, quando
você entrou lá, eu não me lembro.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não, não estou interessado em saber
do primeiro Presidente.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Era o Dr. José Luís Rocha.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – Certo. E o Sr.
João Heraldo Lima...?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – João Heraldo, eu não me lembro da minha época, não.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – A senhora
não o conheceu no Bemge.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – Mas
conhece essa figura pública João Heraldo?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Já o vi em jornais, mas não o conheço pessoalmente.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – Sabe que ele tem função pública?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – Que ocupa posição de destaque?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS
ABICALIL (PT-MT) – Que já foi Secretário e que hoje é
diretor de banco?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não, não sei.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –
Não sabe.
A senhora afirmou aqui que o Sr. Marcos Valério
trabalhou no Banco Central. A senhora sabe que essa pergunta fui eu que fiz
pessoalmente ao Sr. Marcos Valério, e ele aqui, na CPMI, negou que houvesse
trabalhado no Banco Central.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu sei que ele vinha a Brasília, ao Banco
Central... Como falei aqui, efetivamente, eu acho que ele não pode ter sido
efetivo, mas acredito que ele possa ter, durante uma certa época, prestado
algum serviço de consultoria, alguma coisa nesse sentido.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – É bem provável. Com a experiência bancária
que ele teve de 20 anos, é bem provável.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Efetivo, acredito que não.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não,
não estou falando que ele disse uma contenção de custos.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu é
que estou falando porque, a longo prazo, a longo prazo, isso se tornaria uma
contenção de custos.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sem dúvida. A longo prazo, sem dúvida.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim, a
longo prazo.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora também informou que, segundo a
informação que tinha, o esposo da Srª Karina estaria desempregado.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Ela
teria sido demitida no mês de dezembro. Era a época em que o Marcos pensou em
demiti-la. Não foi demitida por uma solicitação...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Foi adiada a demissão em função da
situação familiar.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi
adiada porque a Srª Adriana comentou com o Marcos e, por uma questão
humanitária...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Ele a manteve.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Foi
sensibilidade da Adriana e do Marcos.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – É que,
como ela tem filhos, paga aluguel...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim, já entendi, já compreendi. É porque a
Srª Fernanda Karina informou que o seu esposo trabalharia numa TNT Logística,
aqui nesta mesma Comissão. Era a empresa que empregaria o esposo da Srª
Fernanda Karina, inclusive uma empresa de logística, sem muita explicação.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Meu
marido não tem empresa de logística.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não, não é o seu marido, o marido da Srª
Fernanda Karina.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Em que
ela começou a trabalhar depois do mês de janeiro.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Isso, certinho. Está bem.
A senhora esteve já em algum
evento com a participação do Sr. Carlos Rodenburg?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
conheço.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não conhece?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Nunca ouviu falar, o Sr. Marcos Valério
nunca comentou?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO
FERNANDES DE SOUZA – Já ouvi falar e
já li em jornais, mas não conheço e nem o Marcos nunca comentou fato nenhum.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora poderia mencionar quais são as
maiores contas de publicidade das empresas em que é sócia? Quem são os donos
das maiores contas ou quem são os maiores clientes das empresas DNA e
SMP&B?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Hoje,
eu posso falar que eu sabia: Banco do Brasil, que não é mais...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ...
Correios, que não são mais...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
...Eletronorte, que não é mais...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim. Por enquanto, só estatais.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ...
Usiminas...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sim.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... eu
sei que, acho que ainda é. Como teve uma varredura, ultimamente, que eu me
lembre são Usiminas e shopping, não sei se era em Belo Horizonte, se era
o Diamond Mall, ou alguma coisa.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Tinha
a Telemig, eu não sei se ainda é.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Tinha a Telemig, a senhora lembrou, então,
de uma telefônica, pelo menos.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Mas eu
ainda não sei.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora conheceu a Srª Leda Rebello
Carvalho?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Conhece algum político do Estado chamado
Carvalho, Deputado Estadual?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não conhece. Conheceu o Sr. Sérgio Esser?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Não conhece, nunca ouviu, também, o Sr.
Marcos Valério...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – ... comentar...
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Nada.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –... sobre o Sr. Sérgio Esser?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Conhece o Sr. Welton Máximo?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Cantídio Figueiredo?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Nunca ouviu falar? Nunca teve nenhum relacionamento?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Nenhum.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – O Sr. Marcos Valério e suas empresas têm
contas do Governo do Estado de Minas Gerais?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
sei se tem ou se teve. Eu não sei.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Da Assembléia Legislativa de Minas Gerais?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
sei se tem este ano ou se já teve.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Se teve, foi há menos de cinco anos, há
mais de cinco anos?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Precisamente, eu não sei lhe informar.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora não sabe informar.
Essa sistemática de
contratação de empréstimos ou de concessão de empréstimos para financiar
políticos a senhora considera que seja uma prática recente do Sr. Marcos
Valério?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim,
foi uma coisa, eu acho que foi... Com certeza, foi a primeira vez que ele fez.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – E como outros Deputados, já de mandatos
anteriores, mencionam que receberam no passado – está declarado nos jornais de
hoje e não são do meu Partido, inclusive são da Oposição, são do PSDB e do PFL
–, que receberam, anteriormente, contribuições assim, já no segundo turno da
campanha, atribuídas a uma operação da candidatura do então candidato Eduardo
Azeredo? A senhora acha que isso não tem nenhuma procedência?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
tenho conhecimento, como eu não li jornais hoje.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Naquela ocasião, provavelmente, ainda eram
sócios o Clésio e o Marcos Valério.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
posso lhe informar, porque eu não sei nem o que saiu no jornal de hoje, porque,
a princípio, não tive nem tempo de me informar.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – A senhora mencionou que o Sr. Marcos
Valério teria medo de perder as contas do Banco do Brasil – a senhora mencionou
aqui, no depoimento – e talvez outras contas de publicidade. O Sr. Marcos
Valério tem publicidade de bancos?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Se ele
faz de outros bancos?
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Publicidade para bancos.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – O Banco
Rural é cliente não sei se da DNA ou da SMP&B...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – O Banco Rural é cliente do Sr. Marcos
Valério.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – ... há
mais de 11 anos.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – É uma longa relação, portanto.
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Anterior, inclusive....
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Sim.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –
..., à ruptura com o Sr. Clésio.
A senhora mencionou o medo
do Sr. Marcos Valério e também o seu próprio medo de como enfrentar as dívidas
que terá adiante, não é? Mencionou a precaução com o patrimônio dos seus
filhos, inclusive de que maneira as ações patrimoniais, a transferência de bens
etc., foi zelando para que fossem transferidos a seus filhos.
Aqui a Oposição, por
diversas vezes, falou de quadrilha e coloca o Sr. Marcos Valério não apenas
como membro, mas organizador de quadrilha; embora falem da quadrilha de 2003,
não mencionam esse para trás.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Abicalil,
conclua porque o tempo já está extinto.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Vou concluir.
Que parece ter uma longa
experiência, laboratórios feitos em 98, como eu já havia anunciado aqui. Muita
gente se irritou muito.
O que a senhora pensa dos
valores que deixa para os seus filhos, quando nesta CPI diversos dos que me
antecederam categorizaram o seu esposo como membro e formador de quadrilha?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não
tenho nada a declarar sobre isso.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado
Welinton Fagundes por quinze minutos.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL –
MT) – Sr. Presidente, nobres colegas, gostaria de ir diretamente às perguntas.
A senhora teme, depois de tudo que aconteceu, algo
sobre a sua vida, do seu marido ou dos seus familiares? Isso lhe trouxe alguma
preocupação até agora?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Com certeza.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Já chegou alguma ameaça à sua família.
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não sei se os Srs. Deputados ouviram isso. Isso foi
noticiado muito essa semana em Minas Gerais, na Rádio Itatiaia, e, se não me
engano, saiu na televisão, não sei se no Jornal Nacional, ou Record, de uma
interceptação, acho que da Polícia do Rio de Janeiro, não sei de qual presídio,
de um traficante que estaria do lado de fora com uma outra pessoa que estava
presa. Não me lembro os nomes. Foi divulgado amplamente na Rádio Itatiaia de
Minas Gerais que eles pensavam em seqüestrar o Marcos Valério, pois ele era o
homem do dinheiro. Um falava que inclusive sabe todos os passos do dia-a-dia
dele. Então, isso, com certeza preocupa tanto a vida dele, a segurança dos meus
filhos, da minha família, minha, e também de irmãos e pais do meu marido.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora sabe da importância que
representa hoje, na verdade, a integridade física da senhora e do seu marido
para esclarecimento de tudo que está havendo no Brasil. Vocês, em família, já
tomaram alguma providência, já requereram alguma segurança a mais?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – A única segurança que eu tinha requerido acho que
hoje eu meio que perdi, foi quando saí da casa que tenho no Bairro Castelo,
mudei-me para um condomínio fechado. Mas, mesmo no condomínio fechado, eu tenho
minha privacidade invadida, onde várias vezes, ao sair, sou seguida por
repórteres e várias coisas. Minha privacidade foi totalmente devassada. Ainda
não sei o que fazer. Honestamente, me preocupa, mas ainda não fizemos nada.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Sr. Presidente, não sei se esse aspecto
é uma questão técnica da Comissão, mas é uma preocupação que vejo que o Brasil
precisa ter, principalmente com o Sr. Valério. Não sei se a Comissão tem alguma
medida a tomar sobre esse assunto. O Presidente pode responder em outro
momento. Não é um requerimento que aqui estou fazendo.
Gostaria de perguntar à
senhora se o Sr. Marcos Valério tem conversado com a senhora sobre essa crise.
No dia-a-dia, o que vocês têm conversado, até para a senhora vir aqui, se
preparou. O que a senhora tem conversado sobre a crise com ele?
A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO
FERNANDES DE SOUZA – Honestamente,
não me preparei para vir aqui. Estou falando tudo que eu sei, de coração aberto
e com a maior sinceridade que posso ser. As coisas que perguntei para Marcos
Valério são as coisas que eu escutava na mídia, ou que eu escutava em CPI ou
alguma coisa e que eu perguntava para ele, como foi o caso do próprio
empréstimo. Porque eu não sabia de nada: eu não sabia de empréstimo nenhum, eu
não sabia desses cheques que a empresa passava para o então Sr. Delúbio, eu não
sabia de nada.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Por que a senhora, como
brasileira, queria evitar vir aqui prestar um depoimento?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Eu não
queria evitar vir aqui prestar o depoimento. A única coisa... A minha preocupação
era evitar a minha exposição, justamente pensando na minha segurança, uma vez
que ela já está violada, e na vida dos meus filhos, uma vez que a minha vida em
Belo Horizonte... a gente já não pode sair mais, o Marcos já não pode sair, eu
não posso sair, e eu, até então, era um pouco meio que desconhecida em certos
lugares, então eu podia levar meu filho para se divertir num parque, na escola
dele, e acompanhar minha filha a alguns lugares. A única coisa que me preocupou
foi isso. Não em vir depor, mas em me expor em questão da minha segurança
pessoal e da vida social dos meus filhos.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Por a senhora ser sócia da
empresa, a senhora se sente culpada de toda a situação a que foi levado o País,
envolvendo a sua empresa?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Não.
Eu não me sinto culpada.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL
– MT) – Por quê?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Porque
dei uma procuração e a empresa era gerida por outros sócios. E eu confiei em
todos os sócios.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Inclusive no seu marido?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA –
Inclusive no meu marido.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT)– A senhora acha que ele
sempre estava agindo corretamente?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Em
momento nenhum ele me decepcionou.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Até hoje?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Hoje,
acho que ele, por uma questão de... Ele queria segurar a conta... Ele não
queria perder o que ele tinha. Acho que ele não soube lidar com o “não” ao Sr.
Delúbio, porque essa foi a informação que ele me deu. Ele disse: eu não tive
como negar. Assim ele me respondeu. Acho que hoje, se ele pudesse, faria tudo
diferente.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora acha que tudo o
que ele fez foi por pressão do Sr. Delúbio?
A SRª RENILDA MARIA
SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA