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O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Declaro aberta a Subcomissão de fontes financeiras
da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada através de Ato da Mesa para
verificar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados
por agentes públicos na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Esclareço
que esta reunião tem na pauta a oitiva do Dr. Rogério Tolentino, que já se
encontra à Mesa.
Antes de começar o depoimento, quero registrar que teríamos
hoje, também, o depoimento do Sr. Glênio Guedes, Procurador da Fazenda
Nacional. Porém, ele mandou uma comunicação, datado de hoje, do Rio de Janeiro,
nos seguintes termos:
“É de meu maior
interesse prestar os esclarecimentos devidos. No entanto, a notificação para
este fim chegou ao meu conhecimento somente ontem à noite, sendo-me
praticamente impossível, em razão de agenda, comparecer na data de hoje. Assim,
peço-lhe que remarque nova data a seu critério, notificando-me com antecedência
no seguinte endereço (...), pondo-me à inteira disposição.
Glênio Guedes.”
Esclareço que o Dr. Glênio Guedes, segundo informação, está
de licença médica da Procuradoria. Portanto, não foi localizado. Somente ontem
que a assessoria o localizou no Rio de Janeiro. Diante dessa situação, nós o
reconvocamos e fica já marcado para a próxima terça-feira, às 14 horas o
depoimento do Sr. Glênio Guedes.
Antes de passar ao questionamento, conforme solicitado,
vou conceder a palavra inicialmente ao
Dr. Rogério Tolentino para fazer os esclarecimentos que julgar necessários.
Com a palavra o Dr. Rogério Tolentino.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Sr. Presidente, demais membros desta sub-relatoria da Comissão Parlamentar de
Inquérito, os senhores presentes a esta reunião, boa-tarde!
Em primeiro lugar, Sr. Presidente, eu queria agradecer a
rara oportunidade que tenho de trazer a V. Exª e a esta douta subcomissão, bem
como à Comissão como um todo, determinadas situações, determinados fatos, a bem
da verdade, e que esta reunião onde sou convocado para prestar alguns esclarecimentos
a V. Exª, me permite também esclarecer determinados fatos. Não sei se, no curso
dos nossos debates, ou da nossa conversa, assim me coloco, teria motivação para
tanto.
Em primeiro lugar, eu gostaria de me apresentar, porque, a
bem da verdade, criou-se, pela mídia, a história “Dr. Rogério Tolentino, sócio
do Marcos Valério”.
Meu nome é nome é Rogério Lanza Tolentino, sou brasileiro,
casado, tenho dois filhos, um deles é advogado, e uma filha de 17 anos. Sou
formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 1973,
portanto, há 33 anos advogo sistematicamente. Entre as minhas atividades,
milito na advocacia na área comercial, na área civil, na área empresarial, na
área de família. Fui membro efetivo do Tribunal de Justiça Desportiva de Minas
Gerais, de 1987 a 2000. É um Tribunal de Justiça Desportiva, mas as questões
levadas à apreciação naquele egrégio sodalício são questões relevantes de
direito e que mistura também a paixão nacional, que é o futebol. A composição
desse tribunal, apesar de ser de justiça desportiva, na sua maioria, tem como
membros desembargadores, procuradores de justiça e advogados, ou seja, é um
tribunal eminentemente técnico na área de justiça. Apenas para ilustração, o
Ministro Saulo de Figueiredo Teixeira nos deixo uno TJD após ter sido nomeado
para o Superior Tribunal de Justiça, o que o retirou do Tribunal de Justiça de
Minas Gerais.
Também fui membro do Conselho de Contribuintes de Minas
Gerais, no período de 1989 a 1992, como representante da Associação Comercial
de Minas Gerais, tendo sido seu Presidente em 1990/1991. O Conselho de
Contribuintes, como todos sabemos, é um tribunal administrativo que julga as
questões de impostos estaduais. Fui assessor jurídico do Tribunal de Justiça do
Estado de Minas Gerais de 1989 a 1996, na assessoria do eminente desembargador
Airton Maia, na condição de assessor jurídico do Tribunal de Justiça. Fui
também juiz, membro efetivo da classe jurista do Tribunal Regional Eleitoral do
Estado de Minas Gerais, no período de 5 de agosto de 1998 a 4 de agosto de
2000, tendo participado das eleições em que foi eleito o ex-Presidente Itamar
Franco como Governador de Minas Gerais. Também para minha honra e satisfação,
fui indicado em lista sêxtupla para composição do ex-Tribunal de Alçada do
Estado de Minas Gerais no quinto constitucional em 1999, indicado pela OAB.
Tenho, também para minha satisfação, o Diploma de Honra ao Mérito que me foi
outorgado como personalidade destaque judiciário pelo Clube dos Advogados de
Minas Gerais, que é talvez a instituição de classe mais antiga do Brasil,
fundada pelo Inconfidente Cláudio Manoel da Costa. Tive a felicidade de ser
honrado pelo Clube dos Advogados como advogado destaque no ano de 1984. Também
pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, foi-me outorgado um
diploma pela minha contribuição nos trabalhos da elaboração da Constituição
Estadual que foi promulgada em 1989.
Esse é o meu currículo profissional, numa breve síntese,
apenas para que esta Comissão tenha uma noção do profissional.
Nesses 32 anos de advocacia, tenho entre os meus clientes da
área particular e da área de empresas a SMP&B Publicidade, hoje SMP&B
Propaganda, há dezoito anos e a DNA Publicidade e Propaganda, há questão de
cinco, seis anos, pontualmente, sendo que, para a SMP&B, sempre advoguei
naquele critério que nós, advogados, chamamos de advocacia de partido.
Posteriormente, pela minha proximidade com a empresa, em 2002, fui convidado
pelo Marcos Valério, sócio-cotista dessas empresas, a constituir um escritório
de consultoria, não de advocacia, juntamente com um outro colega advogado, que
já prestava os seus trabalhos na área técnica, fiscal. Esse colega é um
ex-funcionário do Ministério da Fazenda, já tendo ocupado relevantes cargos,
como Delegado da Receita Federal e Coordenador de Legislação Tributária do
Governo Federal – se não me engano, no período de 1992. Enfim, constituímos
essa empresa de consultoria – ressaltando, mais uma vez, não de advocacia,
porque muito tem se dito, mas, não, é uma consultoria.
Nessa oportunidade, Sr. Presidente, se me fosse permitido,
também de uma forma muito singela, rapidamente, três fatos me criaram um certo
constrangimento, de natureza profissional e também porque envolveram pessoas.
Eu gostaria de deixar isso claro, porque a imprensa, de uma forma equivocada,
veiculou essas matérias, que, por seu turno, foram, como até hoje são,
veiculadas no site do Partido dos Trabalhadores, de uma forma que considero não
desrespeitosa, mas totalmente equivocada, porque, assim, foi colocado na
imprensa. Em primeiro lugar, ela diz, de uma forma singela: a conexão Marcos
Valério atinge também os tucanos. É uma mentira. Como eu já disse
anteriormente, eu ocupei o Tribunal Regional Eleitoral na vaga destinada aos
advogados no biênio de agosto de 1998 a agosto de 2000, quando, naquela
oportunidade, em determinado momento até marcante, porque se julgaram as contas
dos dois candidatos mais relevantes da eleição disputada, as contas do Senador
Eduardo Azeredo foram aprovadas por unanimidade – é um colégio eleitoral – bem
como as do Senador Itamar Franco. Também lembro – porque foi um dia em que
praticamente o Tribunal encerrava as suas atividades, depois daquele período
todo – que as contas do Senador Eduardo Azeredo foram relatadas pela eminente
Juíza Federal Ângela Catão e a corte, por unanimidade, aprovou as contas. As
contas do ex-Presidente Itamar Franco foram relatadas por mim, Rogério
Tolentino, na condição de juiz do Tribunal Regional Eleitoral e aprovadas por
unanimidade pela Corte. Agora, todos sabemos – inclusive V. Exªs, Parlamentares
– que essas contas eleitorais têm até um encadernamento diferente no Tribunal
Eleitoral. A capa do processo é diferente. Já na época em que eu compus o
eleitoral se discutia sobre a conveniência de levar a Corte à aprovação dessas
contas. Mas se entendeu que era um ato solene e que a Corte deveria aprovar,
porque as contas vêm de um órgão técnico do Tribunal já devidamente
demonstradas, analisadas, e incumbe à Corte apenas o procedimento de “acolho o
parecer técnico da Casa e aprovo as contas”.
Esse é o voto que é dado nos tribunais eleitorais e, a bem
da verdade, até no TSE, porque o juiz, nesse momento, não se imiscui naquela
conta, porque o Tribunal já faz aquela apreciação, que é muito técnica.
Então, a imprensa veiculou de uma forma maliciosa: “Sócio de
Valério aprova as contas de Azeredo”. Como eu já disse anteriormente, fui
constituir uma consultoria com Marcos Valério em 2002. Em 2000 eu estava nas
minhas funções, que não impedem a advocacia, de juiz eleitoral na Corte
Eleitoral, como jurista. Esse é um fato isolado.
Outro aspecto que também foi veiculado tentando-se arranhar
a imagem do Senador Eduardo Azeredo – e isso está no site do Partido dos
Trabalhadores – foi de que eu, na condição de relator de alguns processos,
teria absolvido o então candidato de propaganda eleitoral. Ora, todos sabemos,
V. Exª, Parlamentares, sabem que as cortes eleitorais não julgam quem fez e o
gasto da publicidade; elas julgam a propaganda no período eleitoral, se ela é
permitia ou não, se pode no bem público.
Esses foram alguns processos que a imprensa catalogou
naquele período e, maliciosamente, jogou na imprensa, dizendo que o sócio de
Valério também absolveu o Senador Eduardo Azeredo. É uma mentira! À
unanimidade, o Senador, então candidato, foi absolvido porque a propaganda dele
não foi considerada irregular, obedecido o critério do calendário eleitoral.
O terceiro item, que me incomodou profundamente – e esta é
uma rara oportunidade de tratar dele ao vivo e para todos –, foi a questão de
que, ainda no Tribunal, eu já patrocinava uma ação que envolvia interesses do
Senador Eduardo Azeredo. Mentira também!
O Ministério Público Estadual – e isso já foi debatido
exaustivamente perante esta Comissão –, em um processo investigativo que
começou em 2000 e que, posteriormente, a respeito dele se ajuizou uma ação no
fórum da capital mineira, que teve a sua competência deslocada em razão do foro
privilegiado do então Senador Eduardo Azeredo, uma questão que envolve o Enduro
da Independência, que V. Exªs conhecem demais.
Eu estou elencado como advogado das empresas nesse processo,
assim como o Senador e o seu Vice – consta no site do Supremo Tribunal
– aguardamos o julgamento do Tribunal –
e também fez-se muita confusão nisso do Supremo Tribunal Federal – na questão
de um julgamento de uma Adin, onde se discute no Supremo se pode o Ministério
Público, isoladamente, promover os chamados processos investigativos.
Há uma corrente no Supremo que entende que deveria haver uma
atuação conjunta entre o Ministério Público e a Polícia competente para
instaurar o inquérito, outra corrente entende que o Ministério Público,
isoladamente, não pode.
Esse processo encontra-se sobrestado, aguardando o
julgamento. Esses três fatos estão elencados, eles até hoje permanecem em um site
na internet, e colocam a coisa de forma acintosa, desrespeitosa e totalmente
equivocada. É por isso que eu gostaria de fazer apenas esse registro, porque
ele é desrespeitoso com relação à minha atuação naquele momento do Tribunal,
que não guarda a menor relação com os fatos que hoje são desenhados, discutidos
e apurados perante esta Casa Parlamentar.
São essas as pequenas explicações. No curso dos nossos
debates, coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos, inclusive esses
que eu julgo que deveria, por uma questão de justiça comigo mesmo e, no caso
específico, com o Senador Eduardo Azeredo, que foi colocado nesse procedimento,
dessa forma um tanto quanto solta. A mídia comprou também de uma forma
equivocada e as coisas permanecem dessa forma. Não é uma realidade.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Obrigado, Dr. Rogério.
Da nossa parte, também, há clareza com relação – e é
importante esse esclarecimento – da sua atividade profissional com relação à
sociedade nessa empresa de consultoria.
Toda a linha de indagação vai ser sobre esses fatos que
foram trazidos seja pelo Sr. Marcos Valério ou pelas investigações. Até para
que se tenha oportunidade de esclarecimento hoje.
A primeira pergunta que faço é: porque o senhor fez o
empréstimo de 10 milhões no BMG para o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Sr. Presidente, em determinado momento, o Marcos Valério, em conversa comigo,
disse-me que iria tomar um empréstimo ao BMG da ordem de 10 milhões. Já havia
conversado com a direção do BMG e o empréstimo seria concedido. Perguntou-me se
haveria algum problema para mim, Rogério, que esse e empréstimo fosse tomado
por mim. Naquele momento já me assegurava: “Rogério, a DNA vai oferecer uma
garantia, que é o próprio investimento que tem em um CDB. Isso garante o
empréstimo”. Evidentemente, não vi como negar por minhas relações. Como já
disse, fui advogado da empresa durante 18 anos. Tinha uma relação pessoal e uma
relação, naquele momento, até societária, em uma outra empresa que nada tinha a
ver com o empréstimo e com esses fatos. Disse-lhe que tudo bem. Assim foi
feito. Foi tomado esse empréstimo. Aqui, hoje, tenho a oportunidade de falar a
respeito, até mesmo para que não fiquem dúvidas. Confunde-se muito a questão da
Tolentino e Melo com o Rogério Tolentino, que sou eu, e a forma.
Juridicamente, vieram as informações técnicas para V. Exªs.
Consta Rogério Lanza Tolentino e Associados. Na realidade, Rogério Lanza
Tolentino sou eu, pessoa jurídica. Aí sim, sou eu o advogado.
O empréstimo de 10 milhões, Sr. Presidente, foi tomado por
Rogério Lanza Tolentino e Associados. Desculpem-me, já que estou sempre
repisando, nada tem a ver com a Tolentino e Melo. Temos aqui uma cópia do
contrato, que coloco à disposição de V. Exª, apesar de saber que já na Comissão
existe isso, e documentos que talvez não tenham vindo à discussão, como este,
por exemplo: a deliberação do conselho de cotistas da DNA – registrado na Junta
Comercial – deliberando que haveria uma caução nesse empréstimo com relação a
uma aplicação em CDB no mesmo montante.
Aqui, a empresa que tomou é Rogério Lanza
Tolentino e não Tolentino e Melo. Como isso gerou essa dúvida maior, tomo a
liberdade de deixá-lo com V. Exª. Está aqui a deliberação e o termo de
constituição de penhor de títulos e de outras avenças, que é realmente esse
CDB. Por coincidência – e neste momento também sou obrigado a confessar a V.
Exªs –, o BMG tomou a medida judicial de executar. Tanto é verdade que tenho
aqui a cópia da execução, para a qual já fui citado, em que o próprio BMG, já
em seu pedido, fala em execução em 24 horas, aquele estilo jurídico todo, “sob
pena de serem penhorados os créditos objeto do contrato”, etc. O contrato foi
tomado dessa forma e existe já a execução. Creio que há uma semana o Dr.
Ricardo Guimarães esteve aqui e, em um nota publicada pela Agência Câmara,
admitiu que foi emprestado ao Rogério, que existe um penhor. Na realidade, aqui
está. O contrato é mais um excesso de papel, porque me parece que já existe,
mas vamos aqui ao contrato e às constituições de garantia. Aqui a execução, já
ajuizada perante a 34ª Vara Cível de Belo Horizonte, onde esse CDB já foi
penhorado. Correto?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Antes da questão da garantia e da execução. Também é uma
pergunta a ser feita, só para esgotar a questão do empréstimo. O documento que
recebemos é de um empréstimo feito em nome de Rogério Lanza Tolentino e
Associados.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Perfeito.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, foi feito em nome da pessoa
jurídica?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Foi.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E não da pessoa física?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, senhor.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Certo. Mas por que esse empréstimo foi feito
para o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Veja bem. Não foi feito para o PT. Marcos
Valério disse-me: “Rogério, vou precisar de 10 milhões. Estou tomando no BMG. O
pessoal do BMG empresta o dinheiro. Só que neste momento preciso que o
empréstimo seja em seu nome, porque as outras empresas já estão com
empréstimos. Você teria algum inconveniente? Eu, inclusive, estou dando... A
DNA vai dar uma garantia a esse contrato”. Eu disse: “Não tem o menor
problema”. Mas nesse momento não me disse que esse empréstimo era o PT. Certo?
O empréstimo saiu e, posteriormente, ele me comunicou. E o senhor vai verificar
aqui – evidentemente, estou colocando à disposição de V. Exªs; fica difícil
para mim – quando foi liberado o empréstimo, e aqui eu já trago, inclusive
quebrando o sigilo, porque não houve. Existe um sigilo, eu imagino, da
Tolentino e Mello, que é uma empresa para a qual o Marcos Valério nunca assinou
um cheque e para a qual nunca foi feito nenhum pagamento, V. Exª já deve ter
constatado isso. Dessa empresa o senhor não tem nenhuma referência. E eu trouxe
aqui toda a movimentação financeira dela, desde a época em que essa conta do
empréstimo foi aberta.
Olha, em 26 de abril de 2004, creditou-se
nessa conta R$9.962.440,00. Houve três cheques que foram emitidos – e eu
pediria a atenção de V. Exª. Eu trouxe aqui a cópia emitida pelos bancos. Por
quê? Porque, nesse momento, o Marcos falou comigo: “Rogério, do que caiu na sua
conta, você emite três cheques para mim”. Ele transferiu, então, para a 2S, que
é uma empresa dele, que já foi por demais mencionada aqui, o cheque de seis
milhões e quatrocentos e um cheque... Também a imprensa noticia isso aqui. Foi
a questão da Bônus Banval, “que foi um cheque da Tolentino e Mello”. Não, não
foi cheque da Tolentino e Mello. Aqui está um cheque de dois milhões e
seiscentos e oitenta e outro de setecentos e setenta e dois, que o senhor tem
cópia. Fica fácil. Olha aqui, este aqui foi para a 2S, a fotocópia. Posso
prosseguir?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Pode. Vamos lá.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Então, aqui, a copia dele, que foi para a 2S, o cheque que eu estou fazendo
menção e que está aqui o gráfico dele emitido pelo Banco do Brasil.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Tenho outro valor aqui. Esse é da 2S, que foi de seis e
quatrocentos...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Dos dez milhões, foram creditados nove milhões e seiscentos e pouco. Correto?
É a operação bancária. Seis milhões quatrocentos e sessenta e três e tarara –
olha o cheque aqui – foi para a 2S. Porque talvez a questão... Né?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Ahã!
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Muito bem. Dois cheques – muito se discute para onde foi – é nominal a,
porque o Marcos pediu, a Bônus Banval. A cópia dele, depósito na conta dessa
empresa da Bônus Banval. Porque se discute aí com uma certa, às vezes partindo
de uma premissa equivocada, que esse dinheiro, de repente, foi para outro
canto. Não, esses dois cheques foram para a Bônus Banval, conforme esse
demonstrativo. Então o senhor vai verificar: nove e novecentos menos setecentos
e setenta e dois, dois milhões e seiscentos, seis e... CPMF: 37... Essa conta
corrente foi a R$143,00, da operação financiamento BMG, do empréstimo tomado
pela...
O SR. (Orador não identificado)
– Sr. Relator, por favor! Só se ele poderia informar as datas, para a gente...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Está aqui. A data é de 26 de abril, todos os cheques.
O SR. (Orador não identificado)
– De 2003?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, de 2004. O empréstimo foi tomado em 2004. Naquela data, aberta uma conta
no Banco do Brasil – esse histórico aqui. Isso aqui é documento emitido pelo
Banco do Brasil. Foi creditada a Rogério Lanza Tolentino a operação de 10
milhões.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Tudo no mesmo dia?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Exatamente no mesmo dia.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Creditado e sacado através de três cheques.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, sacado não, depositado.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Sim, transferido.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Transferido, porque o dinheiro não era para mim. O Rogério se prestou a tomar
o empréstimo. Caiu na conta. Tão logo caiu, três cheques foram emitidos, e eles
estão aqui, com as suas fotocópias emitidas pelo Banco do Brasil. Um cheque
maior foi para a 2S, e os outros cheques emitidos foram diretamente... Ele
falou: “Eu vou precisar mandar uns cheques para a Bônus Banval”. Mandou, então,
esses dois cheques. E a operação com o Rogério Lanza Tolentino iniciou e
terminou aqui. Daqui para frente, até a presente data, nós temos aqui um
extrato mensal, porque nessa conta não houve movimentação financeira. Então, o
sigilo bancário com relação a essa operação está aqui.
Então, acredito que, independentemente de
qualquer situação ou outro juízo de valor, a operação técnica é esta aqui: foi
tomado um empréstimo, existe uma garantia, que, inclusive, já está sendo
penhorada pelo BMG esta semana, numa execução, e esses 10 milhões tiveram este
destino final: seis milhões foram para a conta 2S. E consta da contabilidade da
2S que, segundo informações também que tenho, já foi disponibilizado o CD, a
contabilidade da 2S encontra-se na Casa, foi disponibilizada à Polícia Federal
bem como à Procuradoria. Ou seja, uma relação em que a 2S transferiu esses
cheques, conforme está aqui – também eu trouxe –, para esses valores, e,
posteriormente, e aí já é dos debates da CPMI, como foi feito, aí o Marcos
depois, aí a Bônus-Banval pagou a alguém, a pedido do Delúbio, e depois
retornou-se com esse dinheiro à 2S. A ida... Estão aqui os dois cheques saídos
deste valor. Marcos fez essas transferências e retornou, também por ordem do
Delúbio, segundo consta dos depoimentos, esses valores à 2S.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – O senhor é sócio da 2S também ou não?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, senhor.
Sr. Deputado, eu até
agradeci a oportunidade para desmistificar certas coisas independentemente de
juízos de valores, porque misturaram-se muitas coisas, inclusive com a minha.
Alguns Parlamentares não estavam aqui no momento... Algumas situações em que
eu... Porque eu sou advogado da SMP&B há 18 anos. Posteriormente, em 2002,
o Marcos convidou a mim e a outro colega que dava assessoria para as empresas
também a montarmos uma consultoria, consultoria que levou esse nome “Tolentino
e Melo Consultoria Empresarial”, que não tem nada a ver com a advocacia que
Rogério Lanza Tolentino sempre teve, há 33 anos, com atividades extras, igual
eu tive, no Eleitoral, no Tribunal de Justiça. Não tem nada a ver.
Então, ela se misturou aqui em 2002, e a imprensa confundiu
determinados fatos e aí veio o empréstimo. Falam: “foi a Tolentino que mandou”
ou “foi o Tolentino que mandou”. A Tolentino é a empresa, o Tolentino sou eu.
Então, o motivo de estarmos aqui hoje – eu gostaria, estou
inteiramente à disposição – é exatamente para colocar os fatos nos devidos
lugares...
O SR. (Orador não identificado) –
(Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Nunca fui, Deputado.
A 2S é 2S de Santiago, que é sobrenome da mulher do Marcos,
a Renilda. A 2S foi criada, é uma empresa, vamos chamar, em função de que?
Porque ela é uma apenas empresa que tem a conta e valores que gerencia. O
Marcos até, na CPMI, teria dito isso. Ou seja, com a 2S ele pagava contas dele,
particulares, outros empreendimentos que ele tinha como a Cepel. O senhor está
me entendendo? Pela 2S transitou dinheiro dele. Esse empréstimo que eu peguei
passei para ele, mas eu nunca fui sócio da 2S. Existe Tolentino e Mello, que
tem um terço do Marcos Valério, um terço meu e um terço do José Roberto,
consultoria, e existe... O José Roberto tem a atividade dele de advogado
durante muitos anos.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – O senhor só tem essa sociedade com o Marcos Valério? Não
existe outra empresa em que o senhor tenha se associado com o Marcos Valério?
Nenhuma? Só essa?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Só essa, Deputado, em abril de 2002.
Daí esse tumulto quando até fala “o sócio do Valério aprovou...” Eu
tenho 33 anos de advocacia, eu não caí de pára-quedas nessa história. Existem
alguns momentos em que eu estou envolvido pela minha intimidade de tempos com
essas empresas. Eu advogo para a SMP&B há 18 anos e advogo pontualmente
para a DNA a quatro ou cinco anos. Então, criou-se...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Nós vamos trabalhar o empréstimo, as garantias, mas essa
parte técnica, pode ser até um pouco chato, mas eu vou pedir para nos ajudar.
Quer dizer, o senhor também presta serviço de advocacia para o Marcos Valério e
para as empresas dele. Correto?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Sou advogado de todas as empresas de Marcos Valério... Só esclarecendo para
que fique coisa... Da SMP&B eu sou advogado já há 18 anos, antes de surgir
Marcos Valério na SMP&B. Eu estou na SMP&B, se não me engano, desde
1988, prestando assessoria a eles. Marcos Valério chega em 1996, dentro desse
episódio que já foi bastante discutido. E eu continuo como advogado da
SMP&B. Perfeito?
O SR. (Orador não identificado) –
(Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO
LANZA TOLENTINO – Eu estou na SMP&B há 18 anos, desde... Eu falei 1988
ou 1998? Não, 1988.
O Marcos Valério chegou, Deputado, se não me engano, a data
precisa eu não sei, mas em 1996, quando ele agregou a SMP&B Comunicação à
figura do então Vice-Governador de Minas Clésio Andrade. Marcos Valério chega
com Clésio Andrade e eles constituem como SMP&B Comunicação. A Publicidade
era uma empresa já enfrentando problemas enormes. Também foi colocado desta
forma. Ela, inclusive, ainda existe com o nome de Solimões.
Então, à SMP&B Publicidade, em que um sócio faleceu,
Marcos chegou em 1996. Como ela era inviável, como é até hoje, que tem
procedimentos fiscais e débitos, criou-se uma SMP&B Comunicações, com o Sr.
Clésio Andrade. Às vésperas da eleição de 1998 o Sr. Clésio Andrade
desincompatibilizou-se, e, posteriormente, as empresas continuaram com Marcos
Valério. Como elas eram competidoras e concorrentes no mesmo mercado e alguns
clientes começaram a se sentirem incomodados com isso, por causa de plano de
ação e essa coisa toda, surgiu a empresa chamada Graffiti, que nada mais é do
que a titular de 50% das cotas da DNA. Isso nós estamos falando das empresas
quando elas existiam, porque hoje elas já não existem mais. Então, a Grafitti
detinha 50% da DNA e, dos outros 50%, 40% de Margareth, que é viúva de Daniel
Freitas, que é outra grande confusão, e às vezes se cometem algumas injustiças.
O Daniel é falecido, sobrinho do Vice-Presidente José Alencar. A DNA é
inquilina de um prédio de propriedade da Coteminas, onde até existe um
escritório do Dr. José Alencar até hoje, mas não tem nada a ver, não guarda a
menor relação. Por coincidência, a SMP&B é inquilina de um prédio da
Petros, onde ela funciona até hoje, desde os idos de – não quero errar – 1986,
qualquer coisa, e de repente – até se debateu muito nesta CPMI – esse prédio
vem a ser de propriedade de Ricardo Sérgio de Oliveira. Mas a SMP&B é
inquilina desse imóvel, como todos lá. Então, todos passaram a ser inquilinos –
não é verdade? – dessa situação.
Então, esse é o quadro das empresas, e a gente vai repetindo
para que todo mundo possa entender, porque há uma certa confusão nisso,
principalmente comigo.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então,
até para ajudar a compreender a contabilidade e o que ele apresentou. Marcos
Valério informou à Polícia Federal que enviou recursos via Bônus-Banval: 900
mil para o PL, 750 mil para o PT do Rio de Janeiro, 120 mil para o PT do
Distrito Federal, 940 mil para o PT – aqui não há identificação –, 1 milhão e
200 mil para o PP, totalizando R$3 milhões e 915 mil. Ou seja, houve um repasse
direito de recurso para a Bônus Banval. É isso? Não se trata de crédito com a
Bônus Banval?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado, veja bem, vou dar uma explicação no limite do meu conhecimento,
porque as operações, paga a quem, isso não é comigo, eu nunca estive envolvido
nessa operação de vai para quem.
As operações de transferências foram efetivamente feitas
desta forma, e se os valores não são esses, há um erro matemático, porque os
valores estão aqui com relação até aos cheques, porque se tem uma cópia,
correto? Em determinado momento, Marcos Valério transferiu para a Bônus-Banval
– e aqui está a contabilidade, e esta é oficial. Talvez alguma coisa solta
possa gerar equívoco, mas vamos tomar... Porque isso aqui me foi entregue,
oficial, com os documentos que eu lhe entrego aqui, com relação a dois cheques
de minha emissão. Foram transferidos para a Bônus-Banval esses valores aqui,
que, posteriormente, depois de alguns repasses que já são do conhecimento da
CPMI, foram recambiados para a empresa 2S através desses pagamentos. Inclusive,
os cheques estão elencados aqui, que vou deixar com V. Exª, porque talvez...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas por que 2S e por que aqueles cheques emitidos
para essas empresas relacionadas aqui?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, não, não, esses cheques não foram emitidos por essas empresas. A
Bônus-Banval – e aí o senhor me desculpe, eu não sei informar – enviou esse
dinheiro – e, ao que consta, a pedido de Delúbio, certo? Foi para a Bônus.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A pedido do Delúbio? Ele que pediu para mandar
para a Bônus Banval.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Segundo o Marcos Valério já explicou. Correto? Então, esse dinheiro foi para
a Bônus.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É que está havendo uma dúvida nisso.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Tá. Só para...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Tem certas horas que ele afirma que não foi o
Delúbio.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, eu estou dizendo o seguinte: eu não sei informar, porque isso não é da
minha alçada. O dinheiro foi para a Bônus e teria sido repassado para alguém.
Esse alguém, Deputado, eu sei tanto quanto o senhor, por informações da CPMI.
Foram repassados, e alguns valores voltaram à 2S. A contabilidade aponta a
remessa desses valores, os depoimentos apontam quem recebeu ou teria recebido
da Bônus, e, como não se gastou esse dinheiro todo, a sobra – vamos dizer – lá
na Bônus o Marcos pediu de volta e a Bônus enviou para a 2S de volta através
desses cheques dessas empresas, que estão contabilizados e relacionados nesta
relação da contabilidade dele, que neste momento eu tenho porque me entregaram.
Então, toda a operação financeira de valores e detalhada é esta aqui.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas por que essas empresas? É coincidência? Isso
foi uma mera... É um ato unilateral da Bônus Banval ou era de conhecimento da
2S ou do Marcos Valério ou de quem cuida...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Que viriam dessa forma?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dessa forma, exatamente.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não seriam, não. Ele mandou para a Bônus Banval para efetuar determinados
pagamentos e pediu o dinheiro de volta.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, foi creditado e ninguém questionou o
porquê dessas empresas?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, porque, simplesmente, ele queria recambiado o dinheiro que ele mandou.
Mandou nove e gastou – estou só exemplificando – quatro, ele tem cinco de
crédito com a Bônus-Banval. A Bônus-Banval recambiou esses cinco ou quatro para
ele. O senhor está me entendendo? É a explicação...
Como?
O SR. (Orador não identificado) –
Para a gente entender melhor, quanto ele mandou e quanto ele recambiou?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – A planilha que tenho aqui informa que foram
remetidos à Bônus Banval...
O SR. (Orador não identificado)
– O senhor tinha falado 2 milhões e 680.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – O senhor me desculpa. Eram 2 mais
700... É porque eu estava ainda num
ambiente de uma certa informalidade, de poucas pessoas, e a gente já havia
avançado um pouco na conversa. Então,
seria até conveniente se fizéssemos a xerox para acompanhar... R$9.783.009,33.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Esse é o valor
líquido, que foi do empréstimo?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Vou tirar uma cópia aqui para distribuir.
O valor líquido do empréstimo está aqui.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– O valor líquido do empréstimo é uma coisa, o valor que foi encaminhado para a
Bônus é outro, porque foram aproveitados do empréstimo apenas dois cheques
meus, você está entendendo? Um de 2
milhões e tanto e outro de 700. Mas o Marcos enviou para a Bônus cheque da 2S,
além dos meus dois.
O SR. (Orador não identificado)
– Além dos seus dois?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– É. Não foram enviados. A confusão está no seguinte sentido: como tirei 9 e
700 e tanto aqui, estes 9 e qualquer coisa não foram eles que foram para a
Bônus Banval. O Marcos me pediu três cheques.
O SR. (Orador não identificado) –
(Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Foi para a própria dele. Não significa que esses 6 ele enviou esse valor de
lá – enviou mais ou menos. Dois cheques deste empréstimo, emitidos por mim
foram, que significam 3 milhões, 460 e 850, que é 770, com esse valor que o
senhor acabou de mencionar.
O SR. (Orador não identificado)
– São 2.680.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Na realidade, o que foi encaminhado pela 2S na sua totalidade? Assim é
contabilizado: R$9.783.009,93.
Repasse para o PT, com intermédio da SMP&B: 3.915
redondo. Está na contabilidade. O que ocorreu? Devoluções efetuadas por
Bônus-Banval com depósito no Banco do Brasil. Lista, total devolvido: 6.796,70.
É o saldo na conta-corrente e que voltou dessa forma nesses cheques que aqui
estão elencados.
Essa é a informação contábil da operação.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Estou pedindo para tirar uma cópia só para registrar.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, também
queria uma cópia porque é importante
para termos uma leitura. Está claro que são só três cheques, mas esses três
cheques depois se desencadeiam numa série de outras operações.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Na realidade, pagamentos pela Bônus Bonval
e depois voltando para ele, que são operações diversas, porque ele também não
veio num volume só.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É um empréstimo
inicial de 10 milhões e entram líquido 9.962,440, no empréstimo líquido. Desse
valor, o Dr. Rogério passa os cheques totalizando 3.460,850 – vou tirar cópia –
e totaliza com mais R$6.322.159,33 com cheques nominais passados pelo Marcos
Valério, totalizando R$9.783.009,33.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Por exclusão, se o Marcos enviou para a Bônus Banval – e está aqui a cópia de
dois cheques de minha emissão – e o valor é 9, excluindo esses 2 , o restante foi da 2S, porque a
confusão é que esse empréstimo do BMG teria sido feito uma triangulação: veio
em meu nome e foi direto. Não. Ele
tirou e falou: “Faça três cheques para mim”. Depositou na conta da 2S e dois
foram direto para a Bônus Banval. E que
ele complementou com cheque dele da 2S.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Depois ele picou, vários cheque pequenos...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Só exemplificando: foram 9 em três cheques. Gastou-se 3 ou 4 lá da forma que
já foi desenhada e retornou-se à 2S um determinado valor, também de uma forma
em vários pagamentos. Essa é a operação financeira da 2S/Banval. Agrega-se aqui
a operação tomada – ela entra, mas não...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Daí há uma devolução da Bônus Banval de R$5.861.212,63
através de depósitos no Banco do Brasil, de cheques das empresas Dínamo
Distribuidora de Petróleo, Lagard do Brasil, Capcom Comércio e Importação, Lord
Indústria e Comércio Ltda, Itafarma Importação e Exportação, Pecuária Novo
Horizonte, Sigma Projetos de Engenharia e Construção e depósitos diversos no
valor de 2 milhões e 669 mil reais.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Estão elencados aqui, inclusive, alguns cheques que voltaram – 500 da Bônus. Ele mandou para a Bônus e a Bônus,
retornando o dinheiro, mandou cheque que ela não tinha na contabilidade.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Veja bem, quero uma cópia, até
porque fica uma curiosidade, senão uma grande dúvida, maior ainda, Presidente
Gustavo Fruet, porque, na medida em que foi
um cheque de 2 milhões e 680 do Tolentino direto para a Banval, mais um
cheque de 772 direto para a Banval, encerrou. Daí passou um cheque de 6.473
para 2S, que depois passou para Bônus-Banval. A Bônus-Banval devolveu. Devolveu
por quê?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado, a explicação que tenho e que também já foi explicado, é a seguinte:
foi repassado a Bônus Banval um determinado valor que teria um destino,
correto?
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Que seria o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Efetuados alguns pagamentos, a sobra desse dinheiro retornou a Marcos
Valério, porque, a bem da verdade, o dono desse dinheiro era o PT, na
contabilidade de Marcos Valério.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Mas, veja bem...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Essa é a explicação técnica...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – ...mas veja bem que não bate, veja bem que não bate. Esses nove
milhões e pouco, através de dois cheques seus, foram para a Bônus-Banval, mais
seis milhões e pouco que o senhor passou para 2S, que em tese teria ido para a
Bônus-Banval também. E Marcos Valério diz que esse dinheiro é do PT.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sim.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – ...que é para o caixa dois do PT. Depois, em vez de o PT pagar o
Marcos Valério, devolver para o Marcos Valério, curiosamente a Bônus-Banval
devolve para o Marcos Valério através de cheques para de vários clientes. O que
me autoriza uma leitura, que na verdade são clientes da Bônus-Banval que estão
contribuindo com o caixa do Marcos Valério, porque o dinheiro não é o mesmo.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Veja bem, Deputado....
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Não é devolução, não é pagamento.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– eu não tenho conhecimento de fato e técnico sobre a matéria. O que me trouxe
aqui a uma explicação foi que, na realidade, de uma forma equivocada,
confundiram-se esses valores e a origem deles, um valor saiu desse empréstimo
tomado no BMG que foram transferidos a Bônus Banval. Por alguma determinação, e
aí eu não sei informar, porque isso não é do meu dia-a-dia, uns pagamentos do
PT foram efetuados pela Bônus-Banval, e por algum motivo não se gastou todo
esse dinheiro. Esse dinheiro então, foi estornado não para o PT, porque quem
gerenciava esse dinheiro era o Marcos Valério, que ficou claro para todo mundo,
nessa contabilidade que ele tinha desses empréstimos com relação ao PT, mas
dentro da contabilidade dele. V. Exª
pode até discordar, mas estou dizendo o seguinte: a minha posição aqui é
que eu não sei porque eu não sou o contador e eu não sou o operador dessa
situação.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Entendo a sua situação. Quanto mais o senhor explica, menos a
gente compreende, até porque essa explicação não pode vir do senhor porque em
tese o senhor não deveria saber, embora eu veja que sabe bastante, sabe mais do
que estamos pedindo, porque não estamos pedindo essa explicação. O senhor é que
está dando.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Eu estou-lhe dando essa explicação...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Sim, está dando, mas ela não convence.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– ...não, mas eu não vim aqui para convencer os senhores, eu vim para prestar
um esclarecimento porque eu tomei dez milhões. E aqui eu trouxe um documento,
que até então esta CPMI não tinha esse documento, e até gerou algumas dúvidas,
Deputado. A questão de juízo de valor, o que foi feito ou que deixou de
fazer...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Mas veja bem...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Mas estou dizendo o seguinte, o senhor entendeu? É porque falam assim: o
Tolentino tomou. O Tolentino tomou, aqui foi emitido um cheque que não existia
à disposição da CPMI, que é um cheque que eu emiti e foi para a Bônus-Banval,
agora a mecânica onde passa da linha de suposição de V. Exª com relação a
Bônus-Banval, aí já não é da minha alçada, o senhor está entendendo? Eu vim
aqui para trazer esclarecimento. Olha, é o seguinte, não vamos partir de uma
premissa equivocada, um número é este por causa disso, e está aqui
documentalmente. Agora, daqui para frente é outra história.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Eu acho melhor o senhor separar, porque o senhor vai criar mais
confusão. O seu problema são os três cheques, e está esclarecido.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Mas é que estou esclarecendo aqui...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Esses três cheques para mim estão esclarecidos. Agora quanto ao
mais...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Quanto ao mais, Deputado...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – ...virou samba do crioulo doido.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Aqui, respeitosamente, Deputado, e respeitosamente, não é da minha conta...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Mas estou dizendo assim, da forma que o senhor está falando
aqui. O empréstimo... porque havia uma certa dúvida, e o Deputado Fruet, logo
no início que estávamos aqui, bem informalmente conversando, é a função de se
era da Tolentino e Melo ou Rogério Lanza Tolentino que tirou esse empréstimo.
Então, a minha documentação é toda para mostrar a origem da coisa. Aí, como V.
Exª diz, daí para frente é outra história. Dizendo respeitosamente: não é da
minha conta, ou seja, isso aí é contabilidade, é outra história, é Marcos com o
PT, com a contabilidade dele, não é comigo, Rogério, perfeito?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, Sr. Rogério, o senhor era consultado
nos empréstimos?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não, não era da minha parte, nunca foi.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E o senhor foi consultado quando ele tomou
empréstimo para emprestar para o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, não, essa operação nunca... as operações de ordem financeira, eu nunca
tive intimidade financeira com a empresa e essa manipulação financeira.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas existe algum termo de empréstimo dele para o
PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Os empréstimos foram tomados e é de
conhecimento público. E que o Marcos repassou. Agora...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas ele foi
o intermediário? Ele doou o dinheiro ou emprestou o dinheiro para o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Ele emprestou
dentro dessa informalidade, porque não existe um documento que eu...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas existe
isso? É possível alguém emprestar dinheiro? Ele tem autorização do Banco
Central para isso?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Deputado, eu não
saberia responder isso para V. Exª, até mesmo porque o Marcos Valério em
diversos momentos já respondeu a questionamentos dessa ordem. Eu, Rogério,
advogado, não sei.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É porque da
primeira vez que ele veio nós não tínhamos o grupo de informações que nós temos
hoje. Eu acho que está amadurecendo para uma nova convocação. Mas a questão é
que não há empréstimo dele para o PT.
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Não. O empréstimo
formalizado, documentado...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É a palavra
dele somente.
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – A palavra dele e a
palavra do Delúbio, dentro daquilo que ele já disse. Agora...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas ele não
está executando o PT por esse empréstimo?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Está executando...
Do contexto execução, a ação judicial que compete ao Marcos Valério contra o PT
não é um procedimento de execução, que é esse onde o título é formal, uma letra
de câmbio, igual existe essa execução que eu estou mostrando a V. Exª. O que
existe é um procedimento de caracterizar, por meio de outras provas, num
procedimento ordinário, que ele tomou esses empréstimos que repassou ao PT. E
aí, sim, depois de uma sentença, num procedimento ordinário de provas e de se
comprovar que isso efetivamente ocorreu – não estou dizendo, não é verdade? –
aí há um título executivo judicial que ele poderia vir a executar no PT. No
momento, há um descompasso entre isso, juridicamente falando. É evidente que
sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor que
assina essa ação? A petição?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Não. As execuções
sofridas pelas agências e as demandas contra o PT que não são processo de
execução... Banco Rural e Banco BMG executam, porque eles estão calcados num
título.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não. Eu me
refiro na relação dele com o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Não, não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ele propôs
uma ação em São Paulo ou em Belo Horizonte?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Propôs uma ação em
São Paulo, porque o escritório de advocacia de um dos advogados – porque nós
somos hoje quatro advogados que cuidamos dessa estrutura jurídica toda que
envolve o Marcos Valério – cuida disso em São Paulo.
O processo ainda está
na sua fase inicial, desenhando essa relação em termos de provas no Judiciário.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ou seja, ele
quer comprovar que esse dinheiro foi emprestado para o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Exatamente.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Apesar de
ele não poder emprestar dinheiro?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – É. E que seria
credor do PT em decorrência de tudo. E como se pretende provar isso na Justiça?
Com todos esses fatos envolvendo essas questões todas.
Se vai provar ou não
lá na frente é uma questão de prova judiciária. Mas ouve, sim, a ação. Está em
curso em São Paulo, sendo que o Banco BMG e o Banco Rural ajuízam em Belo
Horizonte ações de Execuções, aí sim, por valor líquido e certo.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E quem pediu
para o Marcos Valério o empréstimo? Quem solicitou a ele que fizesse os
empréstimos junto aos bancos?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Deputado,
infelizmente essa intimidade dessa relação eu confesso a V. Exª que não sei.
Como ela surgiu, como foi e como evoluiu? Eu sei tanto quanto V. Exª com
relação aos depoimentos já prestados à Procuradoria e aqui nesta CPMI sobre a
forma como isso se originou. Mas, na realidade, seria ordem subjetiva achar que
foi assim ou assado. Confesso a V. Exª que não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dr. Rogério,
o seu escritório havia emprestado dinheiro antes? A sua empresa de advocacia?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Nunca! Eu
emprestei numa contingência, porque o Marcos me disse: Rogério e estou
precisando arranjar R$10 milhões. Eu conversei com o pessoal do BMG e eles irão
me emprestar. Eu preciso tomar esse dinheiro. Vamos tomar em nome da sua
empresa? Eu, Rogério. Mas a DNA dá uma garantia de que não tem o menor
problema. Tudo bem!
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E por falar
nessa garantia, o BMG está executando esse empréstimo da sua empresa. Essa
garantia também não foi dada pelo Marcos Valério numa execução de INSS em Minas
Gerais?
O SR. ROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Discutiu-se isso
num momento em que existe um procedimento judicial do INSS contra a DNA.
Quando se noticiou
pela mídia a questão de propriedades rurais que de repente poderiam não atender
àquela garantia em juízo, porque foi apenas garantia para possibilitar a
discussão, o próprio INSS se encarregou de promover uma busca de algo e
detectou essa aplicação da DNA. Ela tentou a penhora. Ao que me consta não
conseguiu, porque o Tribunal Regional Federal parece que não acolheu esse
pedido e atendeu a um agravo de instrumento interposto pelo BMG, por meio do
advogado Sérgio Bermudes, trazendo essa garantia para o processo aqui, porque
ela é garantia dessa dívida e não poderia ser motivo de uma penhora em função
dessa garantia de penhor que existe.
É mais ou menos, mas é uma discussão que não está afeta,
porque eu não sou advogado do BMG e nem cuido dessa parte do INSS, e
nem sou advogado das execuções, mas a questão do BMG, tenho certeza de que o
Tribunal Regional não acolheu o pleito do INSS, de deslocar para essa penhora.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tinha conhecimento dos outros
empréstimos feitos pelas outras empresas do Marcos Valério?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Depois era do conhecimento de todos, que realmente ele tinha tirado esses
empréstimos e passou. Negar isso é...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Depois da CPMI. Mas eu digo antes, porque já tinha
ocorrido empréstimo antes do seu. Ele já tinha feito outros empréstimos, não?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
No curso do dia-a-dia da empresa já se sabia que ele tomou esses empréstimos e
passou. Claro que veio a domínio público com a CPMI, mas falar-se hoje que ele
tomou empréstimo e que ele não contou a ninguém que teria repassado. Não, essas
coisas... Os sócios dele tomaram conhecimento, sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor conhece o Delúbio Soares e Silvio
Pereira?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Conheço.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual a relação deles com V. Sª, com o seu
escritório?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Comigo?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É. E com as empresas do Marcos Valério.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Com o meu escritório, nenhuma; com as empresas de Marcos Valério, também já foi
debatido à exaustão; e comigo e com o Rogério, foram encontros casuais. Alguns
com o Delúbio, outros com o Silvio, em termos de encontrar no próprio Partido, algumas
vezes que eu fui em São Paulo e aqui em Brasília, mas encontros casuais. Nunca
participei de conversas; nunca tive outro tipo de intimidade a não ser sentar,
tomar um cafezinho e conversar sobre alguma coisa.
O SR PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor poderia explicar a questão da compra do
apartamento da Srª Maria Ângela Saragoça, em novembro de 2003, lembrando que o
contrato de compra e venda foi assinado em 18 de dezembro de 2003 e registrado
em cartório em 6 de fevereiro de 2004?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Deputado, parece-me que há um grande equívoco nisso. Pela imprensa, tomei
conhecimento que a Ângela, ao vender o apartamento dela, foi em busca de um
apartamento maior. O.k.? E aí ela precisou tomar um empréstimo pelo Sistema Financeiro
e eu não conheço essa operação. A operação de que eu participei, eu comprei e
não houve promessa de compra e venda; houve a lavratura da escritura. Eu paguei
R$ 115 mil. Certo? Então, aí talvez haja uma confusão com relação... E eu
lembro de que saiu uma reportagem no Estado de Minas – e pode ter também
saído no Correio Braziliense – nesse sentido, mostrando que
depois a Ângela comprou um apartamento maior. E aí eu não sei o que aconteceu.
A coisa até ficou chata porque arranhou um pouquinho em termos de que eu
estaria dentro daquele contexto. O meu contexto não: eu comprei o apartamento
da Ângela, paguei e lavrei a escritura. Então não houve promessa.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Como o senhor ficou sabendo da venda do
apartamento? Alguém lhe falou? Quem foi?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Olha, se alguém disser em contrário está sendo equivocado. A bem da verdade, o
apartamento da Ângela, também, pela imprensa foi colocado e parece que tomou
umas outras conotações. Mas foi o seguinte: o Ivan Guimarães queria comprar o
apartamento da Ângela.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O Ivan Guimarães, ex-diretor do Banco
Popular?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Exatamente. O Ivan Guimarães, um dia...
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Ele já depôs na CPMI, era Presidente do Banco Popular e agora é
conselheiro de três empresas, ganha R$ 36 mil por mês.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Deputado, infelizmente isso eu não ....
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Sorte dele, não é?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Veja bem, Deputado, um dia na sede lá do PT, tomando um cafezinho – ali
embaixo, tem um café, quem conhece o PT, ali tem algumas mesinhas – estavam o
Ivan Guimarães, o Silvio Pereira. Ivan queria comprar o apartamento da Ângela e
disse que não tinha condições de comprar, e que queria ele, Ivan, naquele
momento – a conversa era nesse sentido –, o apartamento atendia às necessidades
da mãe dele, em função da localização e tudo. E ele não tinha condições de
comprar. E aí ele brincou e me perguntou: você quer comprar o apartamento da
Ângela? É... eu não tenho condições, você alugaria para a mamãe, e um dia se eu
tivesse condições e você quisesse se desfazer, tudo bem, eu veria, lá na frente
se eu tenho condições. E você estaria ajudando a uma série de pessoas.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quais pessoas?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Todos os envolvidos na transação, inclusive por se tratar da ex-mulher, na
época, do Ministro José Dirceu.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer: ele lhe falou isso.
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – A conversa foi
nesse nível: olha, nós temos um problema, você não quer investir, comprar um
apartamento? Eu comprei o apartamento. A conversa foi essa. Então, alegar-se
que não sabia que o apartamento era da Ângela, mulher do José Dirceu, isso é
balela. A realidade é a seguinte: o Ivan quis comprar o apartamento e não tinha
condições financeiras naquele momento; na brincadeira, me ofereceram e eu
comprei. E eu tenho o apartamento, está registrado em meu nome e, se precisar
de comprovar, aliás, se a comprovação disso passar pela necessidade de até
vender esse apartamento, ele fica colocado à venda para qualquer um dos
senhores para a gente lavrar a escritura amanhã, sem o menor problema, porque
ele está declarado no
meu Imposto de Renda, está aqui...
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não é isso. Sendo bem franco, Dr.
Rogério.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Preço de
pechincha, é?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Depende. (Risos.)
Pelo menos os meus cento e quinze.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dr. Rogério, brincadeiras à parte.
Sejamos objetivos. O que nós queremos caracterizar é que isso é tráfico de
influência. Quer dizer, o senhor já tinha comprado apartamento de alguém? O
senhor conheceu o apartamento antes de comprar ou comprou por essas motivações?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Comprei, Deputado. Estou sendo de
absoluta franqueza com Vossa Excelência, me foi colocado numa roda assim, o
Ivan falou: “Olha, eu estava querendo comprar o apartamento. Atende pela
localização? A mamãe não tem condição. O apartamento é da Ângela.” Não precisa
falar determinadas coisas, Deputado, vamos ser francos. O apartamento é da
Ângela, a ex-mulher de José Dirceu. Está embutido na conversa, não está? Quem
quer... A Ângela não é qualquer um, é a ex-mulher de José Dirceu. “E aí você
estaria nos ajudando. Me ajuda e depois eu compro o apartamento de vocês, se
for o caso”. Então, essa foi a conversa.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor não tinha nenhum imóvel em
São Paulo ou já tinha outro imóvel?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não. Não tinha e não tenho. Só tenho este. Agora,
para mim, pensei e comprei. Dentro desse contexto. Mas não foi colocado nada
como “Ah..., porque é o Zé”. A Ângela é uma das ex-mulheres de José Dirceu. Ok.
Eu vou querer esse apartamento um dia porque atende a minha mãe e eu não tenho
condições de comprar”. E eu comprei.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E o senhor alugou para a mãe dele ou
não?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Está alugado para a mãe dele.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E foi pago à vista, em dinheiro e
não em cheque?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Quando?
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quanto?
O SR. (Orador não
identificado) – (Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Deputado, eu já disse e eu estou
repetindo aqui, agora: foi no cafezinho, lá no PT.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Isso é onde. Estou perguntando
quando.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Ah! foi um pouco antes. Desculpa,
porque eu não entendi. A conversa foi ali no cafezinho. O momento, Deputado,
foi um pouco antes. Eu não saberia precisar: vinte dias, trinta dias, do
momento em que se lavrou a escritura. Se a escritura foi lavrada em novembro, a
conversa pode ter sido em outubro. Estou dizendo para o senhor, mediou esse
intervalo aí. Não demorou. Eu falei: tudo bem. E daí a pouco nós lavramos a
escritura, porque eu efetivei o negócio, correto? Então, pode ter mediado
trinta dias, por aí.
O SR. (Orador
não identificado) –
(Fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – O Ivan eu conheço desse período de
2003 para cá, porque algumas vezes, Deputado, eu fui ao Banco do Brasil. Eu sou
advogado das empresas, então, eu conheço essas pessoas. Eu já fui ao Banco do
Brasil, visitando, essa coisa toda. Então, eu conheço muitas pessoas do Governo
nesse sentido, apesar de não ter relação pessoal.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Então, o senhor o conheceu
o Sr. Ivan Guimarães lá no Banco ou no PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não. Eu conheci o Ivan Guimarães
no Banco. Quando da transação é que a conversa saiu no PT.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Qual transação, doutor Rogério?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não, de me oferecer o apartamento.
É porque ele está me perguntando quando e onde e eu estou tentando esclarecer.
Eu conheci o Ivan Guimarães no Banco do Brasil. A nossa conversa depois foi, um
dia, casualmente, no PT...
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – E quem assinou a escritura e
comprou e pagou foi o senhor mesmo?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Foi.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Como? Foi o senhor que foi lá e
assinou?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Eu sou o comprador.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – E a Srª Ângela não se surpreendeu
com a sua presença no momento da aquisição?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Deputado, eu acho que não. Não
houve surpresa nenhuma não.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – E o Sr. Ivan Guimarães estava
presente nesse dia?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – O Ivan estava presente.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – E aí ele o apresentou para ela?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – A operação toda foi concatenada,
gerenciada, ou qualquer termo nesse sentido, pelo Ivan Guimarães. Não tem meia
dúvida com relação a isso.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Sim, mas o senhor conhece o Sr.
Ivan Guimarães, segundo ele mesmo disse, desde março ou abril de 2003, correto?
Em torno disso, um pouquinho menos, um pouquinho mais...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Pode ser até menos. É, seria...
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Então, quer dizer, se o senhor me conhecer neste ano e ano que vem eu
lhe pedir para comprar um apartamento para botar a minha mamãe, o senhor
compra?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Deputado, eu já deixei claro o
seguinte...
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Não, eu estou sendo pragmático e
objetivo.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Compraria, Deputado. Por que não?
Se fosse para ajudar o senhor, eu compraria. Para ajudar...
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Para ajudar, eu compreendo.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não, espere aí, Deputado. O senhor
fez a pergunta nesses moldes. Para ajudar minha mamãe, eu estou respondendo que
eu ajudaria.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Eu acho que está bem. O
senhor está indo muito bem no depoimento.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ainda neste ponto, com relação à
contratação dela no BMG, o senhor teve conhecimento ou teve participação?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não, não tive participação
nenhuma, mas sei, nos moldes que o próprio Marcos já relatou, ele solicitou,
ela se submeteu a uma avaliação, o BMG a contratou. Sei também que ela tirou um
empréstimo, depois, pelo sistema financeiro de habitação via Banco Rural. Na
época foi ajudada pelo José Augusto, que infelizmente...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E, como advogado do Marcos Valério, o senhor acha
que isso tudo foi coincidência, todas essas operações, dos empréstimos, da
contratação e da compra do apartamento?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Coincidência em que sentido, Deputado?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Ou isso... O senhor, como advogado, não foi
consultado com relação aos empréstimos?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E também não foi consultado com relação a
outros procedimentos na empresa, nessa relação com o PT?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, não, são...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Coincidência que o senhor foi objetivo hoje
de afirmar que, através do contrato com Ivan Guimarães, comprou, sabendo de que
se tratava o imóvel.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
É.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E o que nós estamos querendo caracterizar,
Dr. Rogério, e aí também sendo muito objetivo...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – ...se existem indícios, não da sua parte,
mas por parte de algumas pessoas envolvidas nesse suposto empréstimo de
corrupção e tráfico de influência, então há uma enorme coincidência nas datas
dos empréstimos, na data desse contrato dessa compra que o senhor faz do
apartamento da Maria Ângela...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Correto.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – ...e, na contratação dela, junto ao BMG e
no empréstimo Banco Rural, todas elas com a participação do Sr. Marcos Valério,
seu cliente.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Perfeito.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas o senhor não sabia, não tinha
conhecimento disso?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Veja bem, Deputado: como que foi conversado com o Marcos a questão de arranjar
emprego para a Ângela ou de tentar arranjar um empréstimo, isso eu não saberia
dizer a V. Exª. O fato é que foi arranjado, não é verdade? Da mesma forma como
me foi solicitado aqui: “Você não quer comprar o apartamento da Ângela?” Eu
comprei. Agora, como que isso foi colocado, eu não saberia dizer. Só posso-lhe
afirmar que foi feito, mas como que foi, que dia e como foi a conversa, “vamos
ajudar a mulher do Zé”, isso ou aquilo, não saberia dizer a V. Exª porque nessa
conversa eu não estive presente. Se fosse alguma conversa que eu estivesse
presente e que pudesse dar o meu testemunho e que se não fosse alguma coisa de
natureza profissional, que eu estivesse ali como advogado, nesse caso
específico, eu poderia falar, eu diria a V. Exªs, mas eu não estive presente à
forma que isso foi conduzido. A conseqüência foi que a Ângela arranjou emprego
no BMG, a Ângela conseguiu obter um determinado valor para complemento, e esta
operação que V. Exª diz é uma operação dela com o futuro, que eu vi que houve
uma confusão de coisa, porque, no passado, foi compra e venda. Na frente, é que
eu não sei o que ela fez. Se houve aí, parece que houve uma promessa de compra
e venda; e isso eu vi pela imprensa no Estado de Minas ou no Correio
Braziliense, se não me engano.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Deputado Fruet, só
acrescentando.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Claro, Senador.
O SR. ALVARO DIAS
(PSDB – PR) – O Marcos Valério confirmou ao Ministério Público que ajudou
a Maria Ângela a comprar esse apartamento, ele confirmou.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Exatamente...
O SR. ALVARO DIAS
(PSDB – PR) – Não teria sido ele o responsável pela sua colaboração, ao
adquirir o apartamento? Ou foi o Marcos Valério que lhe pediu?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, não. Senador, eu só queria entender o fecho da pergunta do senhor, que
confesso que eu me perdi.
O SR. ALVARO DIAS
(PSDB – PR) – Se não foi o Marcos Valério que lhe pediu para adquirir
esse apartamento?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Ele me pedir?
O SR. ALVARO DIAS
(PSDB – PR) – É.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, não foi, não, Sr. Senador, isso...
O SR. ALVARO DIAS
(PSDB – PR) – Ele declara que ele estava empenhado em ajudar a Srª Maria
Ângela, tanto é que ajudou com o empréstimo.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Perfeito. A colocação dele é a colocação que ele fez, e, na verdade, o Marcos
auxiliou na questão de ajudar no empréstimo e arranjar uma colocação para ela
no BMG, perfeito? Mas com relação à aquisição que eu fiz, não, senhor.
O SR. ALVARO DIAS
(PSDB – PR) – Só registrando uma curiosidade, Deputado Fruet, é que a
Dona Maria Ângela declarou apenas R$42 mil como valor do apartamento adquirido,
exatamente o valor do empréstimo obtido junto ao BMG. Não sei o que pode isso
significar.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Senador, se V. Exª permite, é exatamente a pergunta que o Deputado Fruet me fez
no início, a questão se existia ou não uma promessa de compra e venda. A
imprensa noticiou... e parece que há qualquer coisa com relação à aquisição, se
de repente na promessa de um apartamento novo, mas não com relação ao antigo,
mas, no novo, também – e estou falando por dedução minha – pelo que eu vi no
noticiário, não tem nada a ver já com Marcos Valério, é uma questão comercial
dela, com o vendedor dela da unidade nova que ela acabou de adquirir. O senhor
está-me entendendo? Isso eu vi perfeitamente pelo noticiário da imprensa, e a
coisa ficou aí...
O SR. ALVARO DIAS
(PSDB – PR) – Apenas registrei como curiosidade o fato de ter declarado,
para efeito de escritura, o mesmo valor do empréstimo.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Do financiamento, é verdade.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Vamos a outro tema. Em julho, o Deputado
Robert Jefferson trouxe novamente o seu nome para o centro das atenções. Ele
afirmou no jornal português Expresso que Valério esteve três ou quatro
vezes com Antônio Mexias, em nome do Ministro José Dirceu, para negociar a
Varig. Em agosto, na CPMI do Mensalão, o Deputado Jefferson afirmou que o
Valério estaria envolvido nas negociações da Varig pela TAP e afirmou que a
solução para a dívida do PT e do PTB passava pela compra da Varig. Antes de
Valério confirmar a viagem a Portugal, o Deputado Jefferson disse à Comissão de
Ética que o publicitário havia viajado a Portugal, acompanhado do tesoureiro do
seu partido, Emerson Palmieri, e de Rogério Tolentino. A intenção, na época, do
Deputado Jefferson, era atingir o ex-Ministro José Dirceu, dizendo que Valério,
inclusive, havia se apresentado às autoridades de Portugal em nome do Governo
brasileiro. Na seqüência, ele afirmou que a viagem se destinava a buscar R$24
milhões, parcela de um pacote que poderia chegar a R$120 milhões, sendo que a
origem seria a transferência das contas de investimento do IRB no exterior para
o Banco Espírito Santo. O próprio Valério incluiu seu nome na operação
Portugal, dizendo ele: “Nos hospedamos no Hotel Tivoli, na avenida Liberdade,
Lisboa. No dia 25, fomos a Portugal Telecom. Palmieri e Rogério Tolentino
ficaram me esperando do lado de fora.”
Pergunta: qual o motivo da sua viagem a Portugal, em
companhia de Marcos Valério e Emerson Palmieri?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Deputado, Portugal, nós temos que dividir em duas etapas. Há uma viagem em que
teria havido esse encontro do Marcos Valério com o Ministro ou ex-Ministro
Mexia. Isso foi em outubro, e nessa viagem eu não fui a Portugal com o Marcos.
Inclusive tomei a liberdade, se V. Exª achar conveniente – até mesmo porque o
Deputado Arnaldo Faria de Sá tinha curiosidade de ver meu passaporte – eu
trouxe meu passaporte e xeroquei. Então, em outubro eu não estive em Portugal.
Fui a Portugal, acompanhado Marcos Valério. Inclusive nessa viagem de janeiro,
em que o Emerson Palmieri foi a Portugal conosco, eu estava presente, que já
foi declarado pelo próprio Marcos e o Palmieri...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em 2004?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Foi janeiro de 2004. O passaporte está aqui.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
2005?
O SR ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– 2005.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O
senhor não quer checar o passaporte?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Aqui o carimbo de Portugal: 26/01/2005. Essa viagem tem essa conotação, é que
parece até brincadeira. Mas, na realidade, V. Exª vê que o próprio Emerson, em
dois momentos tenta sair de uma construção feita, com todo respeito, pelo
ex-Deputado Roberto Jefferson. Essa história de ida, essa coisa eu desconheço,
eu Rogério. A história da ida do Palmieri eu conheço, pois eu estive presente.
É inacreditável, mas é a verdade, tanto é que o Emerson, em duas oportunidades,
desqualifica esse momento. O Roberto Jefferson disse que o Marcos sairia do
Brasil como representante do Governo brasileiro. Depois, V. Exª vai verificar
que o Emerson minimiza essa situação, fala como representante do PT, porque ele
sabe que isso não é verdade. E, num segundo momento, o Emerson Palmieri disse
que não participou da reunião, porque ele sabia que eu poderia desmentir,
porque eu estive presente e, na realidade, não se participou dessa reunião,
correto? E o Emerson, então, vem confirmar isso.
Então, a viagem do Emerson, eminentes Deputados, eminentes
Parlamentares, se deveu a isso. O Emerson confessou, sabia que eu e o Marcos
iríamos a Portugal. O Marcos tinha um interesse muito objetivo com relação às
contas de publicidade da Telemig Celular, que poderiam... porque nós tínhamos
informação. Isso também já ficou muito claro, inclusive pelo próprio depoimento
do Daniel Dantas. A Portugal Telecom conversou no Brasil com o representante do
Grupo Opportunity, com relação à eventual venda. Isso foi lá atrás, isso
poderia acontecer a qualquer momento, essa venda. Como foi uma surpresa geral a
venda, ou a tentativa de venda com o grupo italiano, que se imaginava, da
inimizade, que eles nunca poderiam se entender, e hoje se discute essa
possibilidade de venda.
O Marcos, então, tinha muito interesse em continuar com a
publicidade da Telemig Celular, que poderia vir a ser da Portugal Telecom. E,
com isso, pela competência e excelência do serviço que vinha prestando, ao
entendimento das pessoas envolvidas, que ele poderia também entrar na conta da
Vivo, que é a operadora controlada pela Portugal Telecom e pela Telefônica, que
são os maiores anunciantes do Brasil em termos de publicidade e que é um
mercado que é aspirado e desejado por todas as agências. Então, este era o real
interesse do Marcos Valério com relação à Portugal Telecom. No mais, eu
desconheço qualquer assunto. E não foi tratado. Dessa reunião eu não
participei, mas não seria tratado esse assunto. Nas outras duas vezes em que eu
estive presente com o Marcos Valério em Portugal, fomos conversar sobre o
eventual aproveitamento das empresas dele, DNA e SMPB, no contexto se a
Portugal as adquirisse.
E V. Exª pode me indagar: por que você foi junto? Porque DNA
e SMP&B – a CPMI trouxe isso à baila – já pontualmente sofriam alguns tipos
de procedimentos judiciais. A SMP&B, antiga Solimões, tem processo de
execução, correto? Ela tem procedimentos investigativos que envolvem inclusive
o problema do enduro, da independência que está no Supremo. São procedimentos de
natureza judicial que eu, Rogério, tinha conhecimento. O Marcos queria a minha
presença como advogado para que, de repente, se necessário... As explicações de
ordem técnica seriam mais condizentes na boca do advogado da empresa do que
dele, que é apenas um empresário. Então, a minha presença se deveu a esse
aspecto. Se a apresentação das empresas... Ele teria de falar de algumas coisas
que, no contexto, você olha e fala: mas a sua empresa é fragilizada nesse
setor, você tem um problema de uma autuação da Receita Federal, você tem uma
execução antiga que você não pagou, você tem um envolvimento em uma situação
assim, assim e assada que o Ministério Público questiona, como, por exemplo,
uma dação em pagamento do Credireal, que estaria também envolvendo o Governo de
Minas, não é verdade? Então, são situações pontuais que eu, advogado, teria
condições... A minha presença nesse evento Portugal se restringe a esse fato.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
Qual a razão de ele ter noticiado que o Sr. Marcos Valério solicitou essa
audiência em nome do Governo brasileiro, o que foi, inclusive, confirmado por
autoridades do...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– O Emerson, que é uma pessoa de bom trato, não sei quem é que conhece ele, o
Emerson mentiu. E a distância em que nós dois nos encontrávamos da portaria do
prédio enquanto o Marcos solicitava o nosso ingresso no prédio, seria
impossível o Emerson ou qualquer outra pessoa que estivesse na nossa distância
ouvir o que ele estava falando, que ele se chamava Marcos Valério, que ele era
representante disso ou daquilo. Se ele falou, ele falou para a moça e a moça
registrou. O Emerson ouvir? Nunca. E afirmo: o Marcos ter-se apresentado como
representante do PT? Por quê, se nós já estivemos em Portugal duas vezes anteriores
e está aqui? Ele já esteve em outubro, quando do encontro com o Mexia, que
surgiu essa coisa toda. Posteriormente ele esteve duas vezes, comigo. Por que
ele se apresentaria como representante do PT? Para impressionar Emerson
Palmieri, que nem estava, nesse momento, em condições de ouvir? Seria realmente
fora de propósito e questão da lógica.
O SR. POMPEO DE
MATTOS (PDT – RS) – Gustavo, quais eram as duas
vezes em que ele esteve? Uma em janeiro e a outra...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – As datas?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Estão aqui. Desculpe, Deputado...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Uma
o senhor já disse que foi dia 25 e dia 26. E a outra?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Deputado, nós estivemos no final do ano,
em 20 de dezembro, em novembro, 19 de novembro, aqui pelo carimbo, em 20 de
dezembro e essa de janeiro. O meu passaporte acusa essas três entradas em
Portugal. Marcos esteve mais uma, Deputado, em outubro, que é a questão do
Mexia, OK? Então, na realidade, Marcos Valério foi a Portugal quatro vezes.
Rogério foi três, sendo que a última na companhia do Emerson Palmieri, correto?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com relação a
isso aqui, ainda, mais uma coincidência. Claro, não peço um juízo subjetivo,
mas objetivo. Como advogado o senhor conhece ou não conhece. As empresas de
Marcos Valério passaram a ter contratos de volumes maiores de publicidade com a
Amazonas Celular, Telemig Celular e a BrasilTelecom, principalmente a partir de
2003. Segundo os dados da CPMI, são valores superiores a R$130 milhões,
contratos de mídia, contratos de prestação de serviço nesse valor total. Em
algum momento o Marcos Valério tratou, em nome do Damião Dantas, junto com
representantes do Governo brasileiro ou com representantes do Governo português
sobre a aquisição da venda da Telemig?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não, nunca tratou, não,
Excelência. Com relação a esses gastos de publicidade, o que eu posso lhe
afirmar – isso também já foi afirmado por quem é o próprio dono da empresa – as
telefônicas têm um desempenho muito grande em termos de publicidade, uma
competitividade enorme. Então, tem determinados momentos que realmente é um
gasto muito maior do que em momentos... comemorações específicas. Por exemplo,
Belo Horizonte realmente é rodeada de autdoors
com relação apraticamente é
rodeada de outdoors com relação à Telemig celular que
são momento do Dia dos Pais,em momentos como o Dia dos Pais. Há essa
agressividade com relação à telefônica.
Houve um também um momento e também explicado telefônica.
porque se houveHouve um momento,
também explicado, porque se ouviu o próprio Daniel explicando à CPMI,
não é verdadenovidade, com
a mudança do tal sistema ser DNA para o tal sistema, issoCDMA para GSM. Isso
também mobilizou a Telemig em uma motivação financeira grande.
Mas eu só estou
falando como observador. Não conheço a intimidade, não conheço a contabilidade,
não conheço os gastos, não sei como é que feita a
publicidade, que isso é do meu dia-a-dia, o senhor está entendendo.feita a publicidade.
Isso não é do meu dia-a-dia. O senhor está entendendo? A gente sabe
porque está por ali.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Até
já foi tirado cópia, então vai ser distribuído agora dos impressos.
Um outro tema.
O SR. – Está
a vontade,ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Eu perguntaria se
o senhor gostaria de ficar com os meus passaportes. São dois passaportes,
porque um teve o seu prazo de vencimento expirado e ele tem um visto americano
que eu conservo porqueele tem validade de alguns anos.
Então, são dois passaportes.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em
depoimento à Polícia Federal, em setembro, o Deputado José Mentor admitiu que
recebeu cento e vinteR$120 mil do
senhor. Segundo informou
a Polícia Federal, teriam sido prestados serviços de Maio
a Julho de 2004maio a julho de 2004, e os pagamentos foram
feitos em duas parcelas, em Belo Horizonte, uma com o cheque pessoal
e a segundo com 2S participações. Na qual o segundo
informaçãodo senhor e a segunda com cheque da empresa 2S
Participações, na qual, segundo informação, o senhor teria sociedade
também com Marcos Valério, não sei se aValério. Não sei se
é 2S ou 2F.
O SR. – NãoROGÉRIO LANZA
TOLENTINO – Não, é a tal 2S, em que
definitivamente não sou sócio dele, jádele. Já ficou
claro.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Também a Deputado Fernanda
Mentor já foi denunciada pelo Fernanda Somaggio, já ficou claro,o Deputado José
Mentor foi denunciado pela Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Marcos
Valério, de que quando era Relator da CPMI do Banestado teria dado
informações privilegiadas as suasa pessoas e
empresas que eram objeto da investigação, entre elas o Banco Rural, em cujojá
tinha umjatinho
particular ele teria viajado, como também o próprio Marcos Valério. Ele
declarou que não aprofundou as investigações do Banco Rural apontandoRural, apontado
na época como envolvido em um gigantesca remessa
de dinheirogigantesco esquema de remessas ilegais de
dinheiro para o exterior, porque havia um risco de quebra dedo sistema
bancário nacional.
nacional. Disse
ainda que não renuncioudenunciou o
Banco Rural porque a empresa não estaria no foco das investigações. Os delegados da Polícia
Federal, segundo as matérias veiculadas, consideraram o depoimento
inconsistente.
Delegados
da Polícia Federal consideraram as matérias inconsistentes. Uma pergunta, o
SenhorUma pergunta: o senhor conhece o Deputado
José Mentor?
O
SR. ROGÉRIO
LANZA TOLENTINO – Conheço, sim, senhor.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Desde quando?
O
SR. – Esse
desde que...?ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Desde que...
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Enfim, masMas o senhor
falou com ele quando era relator da CPI do Banestado, eles tiveramRelator da CPMI do Banestado? Era
um contato anterior ou foi posterior.posterior?
O
SR. ROGÉRIO
LANZA TOLENTINO – Eu posso ter conhecido o Deputado Relator
da CPI nessascomo relator da CPMI. Nessas idas
e vindas de estar ali no Congressoao Congresso,
eu posso ter passado no próprio partido dos
trabalhadores.Partido dos Trabalhadores. Então, eu não lhe poderialhe
afirmar, mas também eunão nego que poderia ser em um desses
eventos. Agora precisar em qual circunstância eu o conheci seria temerário de
minha parte, mas foi em um desses momentos.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em
relação aos pagamentos quais as naturezaspagamentos, qual a
natureza dos serviços por ele prestado e porque
esse valores de cento e vinte mil reais?prestados e por que
esse valor de R$120 mil?
O
SR. ROGÉRIO
LANZA TOLENTINO – Em primeiro lugar, também com
relação ao Sr. José MentorDeputado José
Mentor, nós temos que esclarecer aqui que é um grande equívoco, inclusive
por parte do Deputado José Mentor. Na semana passada, no dia 12, o
Deputado José Mentor esteve comigo em Belo Horizonte, porque oHorizonte. O
Deputado José Mentor vem afirmando sistematicamente “quer emitirque eu emiti
uma nota contra a Tolentino&Melo e de repente serviços jurídicos,
atéTolentino
& Melo e, de repente, os serviços jurídicos... Até imaginei qual é o
raciocínio dele,dele: poderia ser mais fácil estar vinculado, porque um
cheque do Marcos Valério, em função de toda essa problemática que
aconteceu.Mas na realidade Mas, na realidade,
admitindo que fosse da Tolentino& MeloTolentino &
Melo, nós sabemos que é uma consultoria que
teria a participaçãoempresa que também teria participação, nessa
consultoria, do Marcos Valério. E ele recebeu um cheque da 2S. Ele mesmo alega – e é a verdade
verdadeira E ele mesmo alega e é a verdade verdadeira,– que são
cheques que não foram descontados na boca do caixa, sãocaixa. Foram
efetivamente depositados na conta do escritório de Advocacia José Mentor, um
escritório que ele tem em São Paulo. Mas aí agora que vem a questão de equívoco
eequívoco,
que eu esclareci com ele e queele. Eu falei
com ele que na realidade eu não tinha como admitir e nem permitirnem permitir,
se fosse o caso.
O Deputado José Mentor foi contactado, ocontatado. O
Marcos pediu a ele, em determinado momento, e essa
conversa foi comigo, encomendou a ele alguns trabalhos de natureza jurídica. Na
cabeça de José Mentor e euMentor... E
estou falando porque essa é a conversa que eu tive com o José Mentor, nobre
Deputado, para ser preciso, segunda-feira, dia 12, porque
segunda-feira está muito presente, segunda-feira foi
agora às 19:30hs em Belo Horizonte, ele esteve em Belo Horizonte comigo, Sr.
Presidente foi agora às 19:30hs comigo, ele esteve em Belo Horizonte comigo,
elefoi
agora, às 19h30min, em Belo Horizonte. Ele esteve em Belo Horizonte comigo,
fez questão de divulgar este evento eesse evento,
voltou no sábado para encontrar-se comigo e encontrou-se comigo no meu se
encontrar comigo e encontrou comigo no meu escritório às 16:30 hs da tarde ondeescritório, às
16h30min, quando eu mostrei para ele toda a documentação que inclusive eu
já tinha retificado em função do equívoco. Disse-me o José Mentor que,
conversando comigo nesses momentos todos, e depois em ligação do escritório
dele com o meu, o serviço seria por conta de Tolentino & Melo. Mas na realidade
nunca foi. O serviço foi por conta da empresa 2S, que é única e exclusivamente
do Marcos Valério. E eu mandei esta carta de correção para ele e vou deixá-la
com V. Exª:
“Reiterando comunicações verbais a V. Sª...
Essas são as tais notas que ele já mostrou em alguns
eventos. E até falei com ele: olha, Deputado, se isso for relevante para V. Exª
com relação aos seus procedimentos no Congresso, no Conselho de Ética e tudo,
eu, Rogério, me disponho a ser sua testemunha, se isso for relevante. Mas a
questão do José Mentor está restrita aqui nesta carta:
Reiterando comunicações verbais feitas a V. Sª e em
atendimento às normas fiscais que disciplinam emissão de notas fiscais,
informamos que as Notas Fiscais Série A 117, 130, datadas de 22 de junho de
2004 a 30 de julho de 2004, respectivamente emitidas por este escritório,
deverão ter como usuário final do serviço de advocacia nela mencionados a
Empresa 2S Participações etc.
Assim, entendemos que a falha cometida por V. Sªs quanto ao
nome da pessoa jurídica destinatária final do serviço de advocacia deveu-se ao
fato de que os mencionados serviços foram contratados pelo Dr. Rogério Lanza
Tolentino a pedido do sócio da 2S Participações Marcos Valério Fernandes de
Souza, de quem é advogado. Ademais, as duas empresas têm como endereço o mesmo
logradouro em Belo Horizonte.
Atenciosamente.”
Muito bem. Formalizei isso, carta com AR para o José Mentor,
que encaminhou esta semana, no curso da semana, uma carta pedindo que... Aqui,
José Mentor. Referindo-se aos serviços profissionais, ele queria, em função de
sigilo profissional. Assim, ele teria dito à Polícia Federal, e já disse aí,
que só mostraria os serviços elaborados depois que consultasse o cliente. Ele
mandou a correspondência, que foi respondida pela 2S, dizendo a ele, ao
escritório de advocacia, que, em atendimento tal, tal... Ele disse que pode
mostrar e justificar o serviço da 2S Participações.
Então, em resumo, o que ocorreu – e isso pode parecer
estranho, Deputado, mas não é, e eu trouxe inclusive aqui algumas cópias de
contrato – é que eu, Rogério, sou advogado do Marcos Valério, sou advogado das
empresas do Marcos Valério. No dia-a-dia, quando há necessidade da contratação
de um profissional com área específica, como, por exemplo, contratamos dois
advogados criminalistas em função de CPI, o Dr. Marcelo Leonardo e o Dr. Paulo
Sérgio de Abreu e Silva, sou eu que faço o contato com os advogados,
conversamos e tudo. A contratação foi pela 2S, que, na realidade, é a
financeira do Marcos Valério. Ele é que vai pagar, não sou eu, o Rogério. Às
vezes, as pessoas confundem e mandam correspondência para mim, como se eu,
Rogério. Então, para que V. Exª verifique aqui: Contrato 2S Participações;
contrato de serviços advocatícios.
E isso aconteceu com o Mentor no passado. Ele achava que
Tolentino & Melo era a tomadora de serviço. Não, Tolentino & Melo não
foi tomadora, até mesmo porque a minha contabilidade... Inclusive o sigilo
dessa empresa foi quebrado, pela participação do Marcos Valério. V. Exª já deve
ter comprovado que toda a minha contabilidade foi exposta. Não há um cheque
sequer de pagamento a terceiros, com relação a políticos, quem quer que seja, e
um cheque assinado pelo Marcos Valério nessa Tolentino & Melo, que existe
de abril de 2002 até a presente data. Não existe, porque ele não fez. E essa 2S
é que contratou o Mentor e pagou. O Mentor, quando falo Mentor é o escritório
de advocacia, recebeu um cheque, que trago aqui para V. Exª. A CPMI apurou que
caiu um cheque na conta dele da 2S, de R$60 mil. Mas, na realidade, o
escritório de advocacia recebeu R$60 mil, porque eu efetuei o pagamento, e a
contabilidade da 2S me fez o retorno do pagamento: são dois cheques de R$120
mil. José Mentor recebeu R$120 mil da empresa.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) –
Dois cheques de R$60 mil.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Dois cheques de R$60 mil, por serviços contratados pela 2S Participações, que é
uma empresa do Marcos Valério. Ele contratou determinado serviço, que depois
ele iria verificar, segundo ele, em qual empresa ele teria o repasse, se esses
trabalhos do Mentor poderiam ser aplicados na SMP&B, na DNA ou na
Estratégia Marketing e Promoção, em função da questão jurídica que se colocava.
O SR. (Orador não identificado) –
(Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
É, infelizmente...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Desculpe, preciso fazer uma
pergunta, não posso
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Por favor.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Porque são três empresas...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – ...não estou conseguindo.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
...que tratam com os órgãos públicos...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Então, vamos...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
...porque a Tolentino não trata com órgão públicos.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Dr. Rogério, por favor.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Pois não.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – Precisamos nos recompor aqui.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Claro.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Quer dizer que o Dr. José Mentor, ou melhor, o escritório do
Deputado José Mentor foi contratado para prestar serviços jurídicos...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
À 2S.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – À 2S?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Que é uma empresa do Marcos Valério.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Aí o escritório se confundiu e achou que estava contratando com o
senhor?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Fazendo um serviço para mim, Rogério Tolentino, que sou advogado. A defesa dele
vem nessa linha.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ele se confundiu. Então, depois que apareceu o dinheiro
depositado na conta, os dois cheques de R$60 mil, que saíram da 2S, não da
Rogério Tolentino Associados...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Exato.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – ...ou qualquer coisa assim, é que se foi verificar e se descobriu
que havia um engano, conforme o senhor disse, porque quem o tinha contratado,
ele não sabia, tinha sido a 2S. Ele sequer chegou a falar com o senhor?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, chegou Deputado. Eu conversei com ele...
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, não, à época, estou dizendo, não é agora não.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Ah!
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – À época.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
À época, conversei com ele, Deputado, porque o Marcos me perguntou, no primeiro
momento: “Em que momento você conheceu o Deputado Mentor? Quando Relator da
CPMI do Banestado?” Falei: não me lembro o evento.
Segundo, Marcos Valério contratou um serviço com ele, que o
Deputado Mentor se reportou a mim, Rogério. “Rogério, o Marcos, através das
empresas dele, quer um serviço assim, assado”. E o Mentor, o escritório dele,
ele conversou algumas vezes comigo, rapidamente, e posteriormente fui ao
escritório dele levar um cheque, o segundo cheque de RS60 mil...
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Da 2S?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
...da 2S. Eu entreguei no escritório dele.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor que levou o cheque?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Levei e entreguei no escritório dele, perfeito? Agora, veja bem, Deputado, não
sei por que cargas d’água e surpreendido com essa situação que surpreendeu a
todos, tendo um cheque da 2S do Marcos Valério, ele, num primeiro momento e daí
por diante na imprensa, falava assim: “Ah! Eu contatei com o advogado, Rogério
Tolentino, é um serviço jurídico”. Sim, mas não foi com o Rogério. Quer queira
ou não, e para ele também está claro, ele recebeu um cheque da 2S.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sim, mas quando foi
contratado, o senhor conversou com ele?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Conversei com ele, Deputado.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Quais eram os serviços?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Os serviços, que a 2S já disponibilizou... Ele efetuou três trabalhos que não
estão em meu poder, mas eu tenho uma anotação. São sobre dispensa e
inelegibilidade de licitação na publicidade; direitos dos trabalhadores e tipos
de contrato de trabalho; lei de responsabilidade fiscal e contrato de prestação
de serviço.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Isso o senhor tratou com ele quando ele se encontrou então com o
senhor?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Ele me disse que esse serviço tinha sido solicitado pelo Marcos Valério e que o
Marcos falou que ele conversasse comigo sobre a entrega e depois o pagamento.
Essa foi a minha participação.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Mas isso foi à época, então?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
À época.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não foi agora, no dia 12/09?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, senhor. Dia 12...
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Isso aí não foi combinado?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, não, dia 12, Deputado, depois dessas declarações na imprensa e essas
questões, ele me procurou para falar: “Rogério, eu tenho uma nota fiscal...” E tem
mesmo, coitado, ele emitiu e recolheu o imposto. Eu falei: só que o tomador
final não sou eu. Então, você tem que fazer o procedimento...
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – É da época isso? Qual a data, Torres?
Foi emitido o recibo?
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Foi quando?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Ele emitiu a nota e recolheu o imposto.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Quando?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Lá em 2004, Deputado. Em 30 de julho de 2004 e em 22 de junho. Esse é o documento
oficial, que eu posso deixar, que é o que ele mandou.
O SR. (Orador não identificado) –
(Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não entendi.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quais as datas?
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Dr. Rogério,...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Pois não.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O Deputado José Mentor deu uma entrevista no Correio
Braziliense, que foi publicada hoje. Foi perguntado a ele o seguinte: O
senhor alega que os R$120 mil que recebeu de Marcos Valério foram repassados
pelo escritório Tolentino? Está escrito aqui. Foi a pergunta feita para ele.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Sim, senhor.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Ele não alega que foi repassado pela 2S, alega que foi repassado
pelo escritório Tolentino. Que tipo de serviços jurídicos o senhor prestou a
eles? – perguntaram ao Deputado José Mentor na entrevista. Ele respondeu o
seguinte: “Estou aguardando uma autorização da Tolentino para divulgar esses
estudos”. Ele não tinha autorização? Por que ele não tinha uma autorização?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Vou lhe mostrar agora.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, mas qual a natureza? Por quê? Que tipo de sigilo...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Absolutamente nenhum.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – ...poderia ter um
contrato tão simples como esse que o senhor falou.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Também concordo com V. Exª. Mas o Deputado Mentor... Eu vi essa entrevista, eu
li a entrevista no Estado de Minas, não sei se ela é absolutamente
idêntica à do Correio.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, é desse jeito.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Veja bem, o Deputado Mentor teve essa autorização e eu posso, como vou deixar
aqui agora para os senhores, no dia 22 de setembro... Porque ele, dentro de uma
certa formalidade, não sei também onde ele quer chegar... No dia 15 de
setembro, ele me comunicou, perguntando se ele podia divulgar para as
autoridades competentes os trabalhos que ele realizou. Respondi a ele, eu não,
a 2S, falou: pode publicar onde você quiser aqui. Agora, a forma como ele
coloca na imprensa, se é dessa forma, estou desmentindo neste ato, porque ele
já tem um documento que ele não tem... Deputado, estou dizendo documentalmente
que ele fez o serviço, que ele pode publicar e que o serviço foi para a 2S,
sim, em que pese que ele conversou com o Rogério Tolentino. Mas não foi para o
Rogério e não foi para a Tolentino, foi para a 2S, que é uma empresa do Marcos
Valério.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor quer dizer que,
apesar de ele ter dito no Correio Braziliense que estava aguardando a
sua autorização, ele já tinha essa autorização? Não havia motivo nenhum para
ele aguardar a autorização?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Eu não diria ao senhor, porque seria temerário da minha parte em função de
correio. Mas está aqui postada no sedex, e mandei pelo fax. Quero crer que,
pelo fax, ele recebeu.
O SR. SILVIO
TORRES (PSDB – SP) – Mas o senhor conversou
com ele no dia 12. No dia 12, o senhor não o autorizou a divulgar? Ele não
perguntou ao senhor nesse dia se ele podia divulgar? Porque é um assunto de
fundamental importância para a defesa dele, que é ele comprovar que recebeu
recursos em troca de um serviço prestado. Isso só foi resolvido no dia 15? Há
três meses que ele está sendo exposto na mídia porque não conseguia comprovar
os serviços. O senhor não acha temerário é dizer isso para nós?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não sou o advogado dele e não conheço a linha de defesa que ele tem perante o
Conselho de Ética ou onde ele vai eventualmente responder pelos procedimentos
dele. O fato é que, no dia 15, ele me postou via fax. O senhor está entendendo?
E eu respondi à 2S.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – O senhor está dizendo
que foi excesso de zelo e de ética por parte dele?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Excesso de zelo da parte dele, talvez até mesmo porque ele tem um procedimento
a enfrentar aqui. Juridicamente, era preferível ele ir comprovando
documentalmente. Já disponibilizo a V. Exªs o pedido dele, para que isso seja
oficial, a minha resposta e a minha negativa, de inclusive falar: Olha, para a
Tolentino & Melo você não tem, não fui eu e não posso, mesmo que quisesse.
Por quê? Porque a minha contabilidade está aqui.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Sr. Relator, acho que V.
Exª pôde captar todo o desenvolvimento disso.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só uma pergunta, Dr. Rogério. De quem é essa
assinatura no cheque?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
É minha.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – É sua assinatura. Então, tem uma, daí o senhor foi
ressarcido pela 2S?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Pela 2S, que já me ressarciu. Inclusive, essa é a movimentação financeira da
2S, que acusa o pagamento do cheque do Deputado Mentor no pessoa jurídica,
escritório.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quando ele recebeu aqui, por essa movimentação?
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Deputado Gustavo Fruet, estou acompanhando e houve várias intervenções,
então também quero fazer as minhas, se for possível.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Claro.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Eu queria entender: o Dr. Tolentino fala em notas fiscais dos serviços
prestados. As notas fiscais estão sendo entregues?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Estão sendo entregues neste momento.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Quais são as datas das notas fiscais?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Era isso que o Deputado ia perguntar.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O senhor lembra da data das notas fiscais?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Deputado, tenho xerox delas aqui. Acabei de passar o mês de junho.
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – O senhor está com elas na mão.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não tem necessidade, Deputado, porque recusei essas notas.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O senhor tem um problema sério.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Tenho. Qual?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Como é que o senhor recusa a nota um ano depois?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, Deputado, veja bem.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Como não, Deputado? Em que mês nós estamos? Em que ano estamos,
Dr. Rogério?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Nunca
aceitei essas notas na minha contabilidade, Deputado. Se eu emitir uma nota
contra a Rede Globo, por exemplo, qualquer pessoa pode emitir. O Deputado...
O
SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – A pergunta é...
A
SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quem é que tinha essas
notas, só para eu entender? Na posse de quem estavam essas notas?
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Só
para explicar, o Dr. Rogério acabou de entregar. O Deputado Onyx...
O
SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – As notas estão
aqui, Senadora. As notas foram enviadas. Segundo a carta que está aqui com
postagem, inclusive registrada urgente, uma foi enviada em 2 de agosto de 2004
e a outra em 25 de agosto de 2004.
A
SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas foram enviadas de
quem para quem?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Do Mentor para o
meu escritório.
A
SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quer dizer, o Mentor
tinha as notas fiscais do serviço que ele prestou?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não, ele mandou essas notas fiscais para o escritório do Dr. Rogério,
em 2004. Inclusive, com o imposto apurado e ele recolheu, de apenas uma nota, o
imposto de renda e o PIS/COFINS, em apenas uma. A outra não tem o recolhimento
anexado.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– V. Exª me permite?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Permito, sim, é claro.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
É só um complemento da linha de raciocínio sobre o que ocorreu. O Escritório de
Advocacia Mentor encaminhou para o Rogério essa documentação. O Rogério disse a
ele que esse serviço, o tomador final não era a Tolentino & Melo, e sim a
Empresa 2S.
Um segundo, Deputado, só para fechar o raciocínio.
Encaminhei à Empresa 2S, que tem isso contabilizado, e
avisei ao escritório do Mentor. No momento, estou a deduzir que, surpreendido
com isso agora, ele ainda tentou essa alegação: “Fiz para o Tolentino &
Melo”, como se não existisse nada com o Marcos Valério.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não, mas a pergunta é: o senhor recebeu uma nota fiscal de prestação de
serviço...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
E encaminhei à contabilidade de quem é tomador do serviço...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Só um pouquinho. Não. O senhor, aqui, por esta nota fiscal de serviço,
é o tomador de serviço. Portanto, como teria que ser o procedimento?
Explique-me como teria que ser o procedimento na época. Como teria que ser o
procedimento? Explique-me.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Já falei uma vez e vou retomar o assunto.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Pois não.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Comuniquei ao Deputado José Mentor que o escritório dele emitiu uma nota para a
Tolentino & Melo que não corresponde ao tomador final. E estava
encaminhando para a 2S de Marcos Valério, tanto é verdade, Sr. Deputado, que,
na contabilidade da 2S, aponta esses pagamentos.
Com relação ao problema fiscal, a minha contabilidade não é
tomadora desse serviço. A questão do José Mentor Escritório é uma questão da
contabilidade que não sei responder a V. Exª.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não. Um momentinho. O senhor tem um problema fiscal grave.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Se eu tenho, vou resolvê-lo. Mas, acho que não, Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Não, vou lhe explicar. E o senhor sabe o que vou lhe dizer, certo? O
senhor não é consultor há 18 anos sem saber o que vou lhe dizer agora.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Vamos lá.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O que o senhor teria que ter feito? O senhor teria que ter feito uma
devolução ao prestador de serviço, que, baseado no documento que o senhor
emitiu, ou seja, uma carta, anularia essa nota...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
A carta de correção.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Sim, mas de que data é a sua carta de correção?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
É essa quando verifico que ele insiste que para mim já não existia mais.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Mas, não é possível que o senhor verifique só um ano e tanto depois que
a bomba explode.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Deputado, não é...
A
SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – ...Ministério da Fazenda...
O
SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sim, mas eu quero repor
aqui. Vamos lá. É que este é um tema complicado e, quando as pessoas querem
confundir em vez de entender, é fácil de confundir. Mas, vou tentar ser bem
didático.
O
escritório de José Mentor emite uma nota contra o senhor. O senhor paga –
porque um dos cheques o senhor pagou e assinou. O.k.? Isso, do ponto de vista
fiscal, independente das suas alegações, caracteriza que este documento – ou
pelo menos um deles – referente aos 60 mil teria que estar com o senhor, até
porque houve o recolhimento de apenas uma nota fiscal, que está comprovado ali.
Há o recolhimento do DARF, tanto do Imposto de Renda quanto o referente ao
PIS/COFINS. O.k.?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Certo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – O que deveria ter acontecido, lá no ano de 2004, seria um documento seu
devolvendo a nota fiscal, dizendo que o tomador era outro. E o senhor até
poderia ressalvar o seu pagamento. O senhor pagou, mas o tomador é outro e há
que ser anulada a Nota Fiscal nº 130 – se não me falha a memória – e a nº 117,
uma de 22 de julho e a outra de 30 de julho. E curioso é que o recolhimento do
imposto dessas notas foi só em agosto, e de uma delas não foi recolhido. O
senhor teria que ter mandado isso de volta e ele teria que ter anulado – e essa
original teria que estar na contabilidade do escritório dele – essa e emitido a
competente nota fiscal contra a 2S.
Já que nada disso foi feito, aí tem um crime fiscal. Isso é
evidente. Agora, o aspecto que é mais complicado, e aí o problema não é seu,
vai ser o do Sr. José Mentor, é que aí tem uma mentira. E uma mentira que se
sustentou por mais de ano e só é reparada agora.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – V. Exª
me permite um aparte? O senhor foi beneficiário de um recolhimento de Imposto
de Renda na fonte.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, senhor.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Mas o Darf foi recolhido no seu nome.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, estou
perguntado se o senhor foi, porque são dois mil e tantos reais recolhidos em
nome da Tolentino Associados.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – Não, mas
ele foi imediatamente recolhido.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – É só para tentarmos organizar. E eu, até por liberalidade,
acho que é interessante, pelo número de Parlamentares.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – É
porque somos só nós três.
O SR. PRESIDENTE (Asdrubal
Bentes. PMDB – PA) – Não tem problema, isso acho que enriquece o
questionamento. Mas é que eu tinha dado a palavra à Senadora Ideli Salvatti.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) –
Desculpe-me, Ideli, só vou terminar isso.
Consta no Darf recolhido um recolhimento a favor de sua
empresa, de dois mil, setecentos e pouco, e outro recolhimento de novecentos.
Isso vai diretamente. O senhor é o beneficiário direto, então isso tem que
entrar na sua contabilidade, não tem como, porque o senhor é creditado disso.
No final de 2004, quando o senhor prestou declaração de impostos, o senhor deve
ter nominado esse recolhimento. O senhor deve ter recebido ou cópia dele ou uma
informação. Queria, então, que o senhor explicasse como isso depois foi
resolvido.
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Na imprensa e na Polícia Federal, não é?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Também, onde que ele foi. Porque eu inclusive, Deputado, me propus a falar:
Dr. Mentor, essa história que o senhor, através do seu escritório, fez para o
Sr. Marcos Valério, se o senhor quiser pode me convocar, vou até a Comissão de
Ética, se isso é interessante para o senhor. Agora, se ele andou falando coisas
até então, de dois ou três meses para cá, porque assustou todos os envolvidos,
passa a ser um problema que tem que ser desmentido. E eu lhe estou afirmando,
com os documentos, que ele já tem conhecimento. O Deputado José Mentor recebeu
R$120 mil, através de dois cheques de R$60 mil, de responsabilidade da empresa
2S, por serviços jurídicos prestados e que ele reconhece.
O SR. (Orador
não identificado) – (Fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Um que eu emiti, Deputado, como às vezes eu já emiti em outras situações. Eu
emito um cheque e depois tenho o ressarcimento, porque eu sou um advogado
antigo. Então, isso não está eximindo o Deputado Mentor ou eu. Porque para o
Deputado Mentor seria até muito fácil ele receber um cheque do Rogério pessoa
física e estar fora do problema. Poderia ser até uma operação triangular do
Marcos Valério. Mas eu estou lhe confessando que não foi, que até o meu cheque
foi a mando e ordem de Marcos Valério. Foi para...
A SRª IDELI SALVATTI (PT
– SC) – Foi o primeiro ou o segundo cheque que foi no seu nome?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– O meu foi o primeiro, Senadora.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Primeiro cheque.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Então, o senhor percebeu, Deputado? Porque para ele seria fácil ele falar:
recebi um cheque do Rogério Tolentino numa relação física.
O SR. (Orador não identificado) –
Recolheu, não é?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– É. Agora, aí o problema de recolhimento. Mas o que é certo, Deputado, é que o
Deputado Mentor recebeu por conta e ordem de Marcos Valério R$120 mil. Aí é uma
questão de juízo de valor na Comissão de Ética e uma questão de não alterar.
Pronto. O que ele falar além disso é mentira.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – E quem foi que escolheu o escritório do
Deputado Mentor? Qual a especialidade do escritório?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Já me foi colocado que o Mentor prestaria um serviço, excelência.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Quer dizer que o senhor não foi
consultado.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não. Não fui consultado sobre qual advogado, não é? Numa questão, essa aí, já
me foi colocado dessa forma.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PMDB – PR) – Pelo Marcos Valério?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Pelo Marcos Valério, evidente.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Numa outra linha de investigação , Dr. Rogério, a
Presidente do Banco Rural, Drª Kátia, falou que o Marcos Valério...
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Deputado Fruet!
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Ah! Sim. Por favor.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – É porque ainda quero tratar desse assunto. Se o senhor vai trocar,
eu queria...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PMDB – PR) – Por favor, Senadora. Por favor, vamos lá.
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – ...ainda entender.
Eu fui pegar toda a documentação que foi entregue pelo Dr.
Tolentino. Então, primeiro, eu acho importante deixar registrado, que há duas
notas fiscais que podem ser tranqüilamente periciadas se estão devidamente
adequadas em termos de data, ou seja, a veracidade das duas notas ficais, pelo
bloco de notas fiscais da empresa, do escritório, porque têm numeração,
obviamente.
A outra coisa é que, referente às duas notas
fiscais, tem o recolhimento à Secretaria da Receita Federal, com uma – como é
que chamamos essa história aqui? – autenticação bancária datada de 6 de agosto
de 2004 e a outra de 4 de agosto de 2004. Portanto... E nominal à Tolentino
& Melo Assessoria Empresarial S/C. Além disso, tem os dois envelopes com os
carimbos devidos dos Correios encaminhados a Tolentino e como remetente José
Mentor, Pereira Mello e Souza Advogados Associados. Portanto, a nota fiscal, a
comprovação do serviço fiscal, o recolhimento do imposto, o envio à época
adequada estão absolutamente comprovados de forma inequívoca pelo escritório.
Portanto, que não paire nenhuma dúvida de que isto aqui tenha tido qualquer
tipo de ter sido produzido agora para esquentar a versão inclusive de que foi
ao Sr. Tolentino, não é? Ao Tolentino & Melo.
Então, todo esse período...
O SR. (Orador não identificado) – (Fora do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Senadora, permite-me?
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Pois é, mas...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Senadora, permite-me?
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – ... não foi ao Tolentino, foi à 2S, mas é o seguinte: há agora duas
cartas aqui, uma da Tolentino & Melo e outra da 2S Participação. Mas eu não
consigo...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Senadora, permite-me?
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – ... ver qual é a... A não ser a declaração dele de uma conversa
feita com o Deputado Mentor, recentemente. Eu quero tentar entender o que é que
está sendo produzido aqui.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Posso tentar explicar para a Senadora?
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Inclusive porque é o seguinte: se a sua empresa recebeu há mais de
um ano notas fiscais que não eram devidas, que não eram corretas, e não tomou
nenhuma providência, quer tomar agora? Eu não consigo entender como é que se dá
esse tipo de procedimento.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– V. Exª me permite?
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Pois não.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Isso é simples, Senadora, porque não é uma questão de...
A SRª IDELI SALVATTI
(PT – SC) – Nada é simples, atualmente.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– É simples na medida em que, em que pese essa documentação fiscal, a questão,
primeiro... V. Exª está absolutamente correta quando diz que essa documentação
não foi fabricada. Ela retrata, absolutamente, um documento fiscal. Pois bem. A
questão não é só de consertar agora. Eu estive, pessoalmente, com o Deputado
José Mentor, e a história verdadeira, em que pese esse documento fiscal, que é
hábil, é que o Deputado José Mentor recebeu, sim, dois cheques, num total de
R$120 mil, por ordem e conta da empresa 2S, que é de propriedade do Sr. Marcos
Valério. O Escritório de Advocacia de José Mentor prestou esse serviço sim.
Com relação à existência do serviço, ele existe. E, neste momento,
não estou aqui para incriminar, porque essa conversa nós tivemos pessoalmente,
e numa boa. Estou indo à Polícia Federal porque já solicitei um encontro com o
Dr. Luiz Flávio Zampronha, que é o Delegado encarregado do inquérito, e essa
mesma história vai ser relatada a ele, como outras que aqui estou relatando e
esclarecendo a V. Exªs.
Vejam bem: não se está tentando camuflar nenhuma verdade,
Senadora. O Deputado José Mentor também não está fugindo da responsabilidade
dele porque, num primeiro momento, poderia até se imaginar – e seria razoável
que se pensasse dessa forma – que nós estaríamos tentando, via uma empresa
qualquer que não tem a figura do Sr. Marcos Valério em seu quadro societário,
justificar. O próprio José Mentor... Seria muito mais inteligente para ele
ficar com um cheque meu na pessoa física, porque eu não tenho nenhum tipo de
problema dessa ordem, e ele omitir essa informação. Não. Ele trouxe. E eu estou
trazendo, de livre e espontânea vontade, um cheque que eu dei. por conta e
ordem do Sr. Marcos Valério, e ele, o Deputado Mentor – e V. Exª pode indagar
do Deputado se essa não e uma verdade –, está assumindo que recebeu da 2S. Esse
documento fiscal tem que ser corrigido, e não importa ser pelo Fisco. Essa
correção vai importar em alguma penalidade de natureza fiscal.
Estou aqui à disposição. Podemos chamar o Deputado José
Mentor. Ele está sabendo. Eu até me dispus a ser testemunha dele no Conselho de
Ética. O Escritório de Advocacia – porque o cheque está aqui e não foi dado à
pessoa física – é o Escritório de José Mentor. O cheque da 2S é do Escritório
do Deputado José Mentor. Só não era viável ser com Rogério Tolentino ou com
Tolentino e Melo (Tolentino, Melo e Associados). É com a 2S. E ele
admitiu isso, porque não se tem como fugir dessa verdade. Era preferível o
cheque de um qualquer. Então, que ele ficasse com o cheque de Rogério Tolentino
– pessoa física. Não. O Deputado teve a dignidade de aceitar, e eu estou
fazendo um elogio a ele. Esta história aqui não é confusa. Ela está desaguando
porque ainda há o resultado de uma publicação da mídia que leva a esse tipo de
confusão. Eu viajei lendo isso hoje, e não retrata a realidade: “O Deputado
José Mentor recebeu R$120 mil em dois cheques, por conta e ordem da 2S”. Ele
sabe disso. E eu irei dizer na Polícia Federal, ainda nesta semana, ao Dr.
Zampronha, porque esse é um caso que fica em aberto, e essa verdade tem que ser
a verdade.
Agora, alguma penalidade, Deputado, com relação a alguma
situação ainda fiscal que não foi revelada, será nivelada. Se existe aí algum
fato omissivo da parte da Tolentino e Melo, como V. Exª bem pontuou, que
deveria ter tomado um procedimento... Porque qual o procedimento que nós
tomamos? Comunicamos à 2S, e ela contabilizou isso. Se há algum equívoco da minha
empresa, ela será apenada, fiscalmente falando, desculpe-me o termo. E se a
José Mentor Advocacia também tivesse a pensar... Mas a verdade verdadeira é que
existe um valor.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Dr. Rogério, desculpe-me interromper – estamos interrompendo
muito –, mas é apenas para que o Sub-Relator possa dizer o seguinte: o nosso
entendimento é de que, desde que foi divulgado o fato de que o Deputado José
Mentor teria recebido R$120 mil por parte do Sr. Marcos Valério, passou-se todo
esse tempo, e ele ficou exposto, sendo execrado com problemas pessoais, tudo
isso, porque não houve como, essas notas não aparecerem, e sequer foi permitido
que ele divulgasse os trabalhos que realizou e que comprovariam que ele recebeu
esse dinheiro.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Se V. Exª me permite...
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Dr. Rogério, isso é que é simples de entender. O restante é que
está difícil. O que não dá para entender é que vocês tenham deixado as coisas
acontecerem.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Essa simplicidade eu concordo com V. Exª. O Deputado José Mentor é quem teria
que ter tomado essa atitude, mas ele se escondeu atrás de não sei o que. Não
sou eu o Advogado dele para saber qual é a linha, o que ele pretendia, mas esta
simplicidade é que ele deveria ter: “Espere aí! Esse cheque foi de quem? Como é
que é essa história?” E somente agora, depois de dois meses, ele “escondendo”
uma situação que agora, quer queiram, quer não queiram, quer gostem, quer não
gostem, a verdade verdadeira – apesar de que pode haver alguma infração de
natureza fiscal – é que o Deputado Mentor recebeu R$120 mil sim, por um serviço
prestado pelo escritório de advocacia. Aí, a questão agora é de juízo de valor,
subjetivo. Mas essa é a verdade. Seria simples, mas nunca foi proibido ao
Mentor de tomar a liberdade de mostrar esses trabalhos; ele é agora, dentro de
uma conduta que alinhou, onde pretendia chegar em algum lugar, que não sei
qual, porque não sou advogado dele, não sou da intimidade dele para saber, ele
tomou esse caminho. Ele me procurou e eu lhe disse: “Olha, Deputado, em
qualquer lugar, em qualquer CPI, eu sei que eu sou convocado para ir lá, e eu
irei”. E à Polícia Federal, porque tem determinados eventos, e eu já agendei
esse encontro com o Dr. Zampronha, esses fatos que me vinculam, como Portugal,
como V. Exª, serão analisados por esse prisma. A minha verdade é essa. Ela pode
até ser contraditada. Minha verdade não, minha história. Eu vou colocar
porque... Seria fácil se eu estivesse aqui mentindo. Não foi não. Foi sim.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Presidente, gostaria apenas... Porque eu me nego, de maneira
peremptória, a passar recibo de ingênuo aqui. É evidente que essa história é
arranjada. Isso está claro, claríssimo. E é um arranjo, em algum momento,
primário, que demonstra uma força do Dr. Rogério Tolentino. É evidente que ao
fazer, ao obrigar o Deputado José Mentor a reconhecer que prestou informações
que não eram verdadeiras, emitiu um documento fiscal incorreto. E o que é mais
grave ainda: do ponto de vista dos desdobramentos dessa questão, que não são
bem o foco da nossa investigação, está confirmado que houve uma ligação direta
com Marcos Valério. Então, isso ele vai resolver noutro foro, que não é aqui.
Gostaria de pedir a V. Sª, primeiro, a carta assinada pela
Tolentino e Melo. Está assinada aqui. Foi o senhor que assinou?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sou eu mesmo. Agora, recente, depois...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Então, tudo aquilo que o senhor não sabia, o senhor provou que o senhor
sabia aqui, quando o senhor assinou essa carta.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Mas, Deputado, eu disse isso. Eu disse isso. V. Exª... Eu disse isso!
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – OK! Ta bem, ta bem, Dr. Rogério. Isso o senhor vai resolver lá com a
Receita Federal.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Exatamente.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Eu gostaria de solicitar a V. Exª que solicitasse à Polícia Federal uma
perícia nesses documentos; que solicitasse à Receita Federal que também fizesse
a avaliação do ponto de vista das questões fiscais aqui levantadas e uma
perícia em relação a estas duas correspondências aqui, porque as duas são com
AR. Portanto, precisaríamos saber se elas efetivamente existiram, porque essa
história está muito truncada e muito complicada, e o melhor seria confirmar
que, verdadeiramente, este monte de carimbo que está aqui, esta etiqueta que
está aqui é verdadeira, porque eu acho muito difícil, para não dizer
impossível, Dr. Rogério, que o senhor, com a experiência que tem, com a forma
acurada como trabalhou cada questão aqui, deixasse passar duas notas fiscais
que significam R$120 mil, que não eram de sua responsabilidade; eram de outra
empresa. O senhor deixou isso ficar... Isto foi apropriado por sua empresa: o
crédito tributário na declaração de renda... Quer dizer...
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Não só na declaração de renda como na própria declaração do escritório
do Deputado José Mentor certamente vão estar lançados os mesmos...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Eu...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Se foi lançado, eu terei o maior prazer...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL
– RS) – Eu tenho empresa. O maior cuidado que qualquer contador sério que não
esteja envolvido em rolo, o maior cuidado é com documento fiscal. Ou seja,
quando há qualquer equívoco, quando é peso, quando é valor, quando é data, é
imediatamente a carta de correção, depois a carta de anuência, corrigindo o
documento. Isso é primário em contabilidade. Portanto, se o senhor está há
dezoito anos dando suporte para as empresas do Marcos Valério, é evidente que o
senhor conhecia isso, seu contador conhecia isso. Isso aqui é um grande rolo
que agora... Eu não sei qual é o poder que o senhor tem, mas o senhor tem
poder, porque, na minha opinião, o Deputado José Mentor, ao reconhecer, depois
de ter deposto na Polícia Federal, que tinha prestado serviço para a sua
empresa, que tinha nota fiscal, ao reconhecer que na verdade foi para a 2S,
penso que a situação dele vai ficar muito complicada.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado...
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Mas, como já disse, isso é problema dele, é um julgamento que o
Conselho de Ética da Casa vai fazer. Não é fato da nossa discussão. Gostaria
apenas de, diante do Presidente, requerer a perícia, porque aqui não vamos
passar recibo de ingênuo, e ninguém vai vir aqui contar uma história que não é
possível de ser confirmada por documentos.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado...
O SR. ONYX LORENZONI
(PFL – RS) – Obrigado, Sr. Presidente. Obrigado, Sr. Rogério.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado, o maior poder que eu tenho é o da verdade. E a verdade é o que
Deputado Mentor recebeu, e é isso que interessa a V. Exªs. Esses documentos
vistoriados, para mim, serão da maior felicidade, porque expedidos pelo
escritório dele, se há algum problema, algum rolo, é rolo do escritório do
Deputado. E o que interessa a V. ExªS é que o Deputado Mentor não foge. Ele
recebeu R$120 mil.
Então, o rolo, se existe, contabilmente, que fique pela
responsabilidade do escritório dele, e a minha contabilidade aberta para
eventual punição com relação à apropriação indevida de um crédito de R$2 mil.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Sr. Tolentino, o que causa espécie a nós todos é que toda essa
história só veio à tona depois, quando não tinha mais como tapar o sol com a
peneira.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Mas, Deputado, eu, Rogério Lanza Tolentino, fui convocado para vir hoje à
presença de V. Exª, e o Deputado Mentor, há dois meses. E aí, ele tem... Sou
obrigado, até como advogado, por força do hábito, a mudar o cachimbo de lado, a
raciocinar que ele teria... Estaria desenhando uma linha de defesa perante o
Conselho de Ética de V. Exªs. Aí é outra história.
Não sei, Deputado. Acredito que sim.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Bom, mas o senhor é um advogado experiente. Eu também sou
advogado...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Eu sei disso.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – E obviamente, se ele está buscando uma linha de defesa, ele não
estava buscando a linha da verdade, porque se essa é a verdade, ela era... Ela
não tem sofisma. É clara, cristalina, transparente, óbvia. Enfim, ela mata a
charada. Como diria Sherlock Holmes: é elementar, meu caro Watson. Está claro,
afinal de contas está ali um documento. Ele recebeu, não tem como negar que
recebeu. Está provado que recebeu. Ato contínuo, admitiu que recebeu. Ação
seguinte, ele se enrolou ao dizer o que recebeu, como recebeu, como veio, quem
pagou, enfim, e agora, passado um tempo, vem essa história. E vem uma história,
digamos, documentada, perfeita, acabada, definida, comprovada. É como se
matasse a cobra, mostrasse o porrete e o couro do bicho estaqueado. Quer dizer,
está tudo ali. E perguntamos: mas por que não mostraram antes? Se é tão cabal,
se é tão definitivo...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado, se V. Exª me permite, mostraram. Aí V. Exª me inclui. Eu estou
mostrando hoje, quando recebi a convocação de V. Exª.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Sim, perfeito.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Eu nunca fui chamado, em momento algum, para discutir esse assunto. Por isso
é que, logo num primeiro momento, agradeci a oportunidade de esclarecer alguns
fatos onde meu nome estava vinculado, e, de certa forma, equivocado em
determinados momentos.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – É, mas...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Já liguei para a Polícia Federal. E vou à Polícia Federal, porque eu me
disponibilizei.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – É, mas o caso mais grave...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Agora, o Deputado Mentor é um juízo de valor. A linha de defesa dele o
obrigou, levando... Agora, o meu poder, como quis o Deputado Onyx Lorenzoni, é
o poder da verdade. Esta é a minha verdade, está aqui: o Deputado recebeu, sim.
Pronto.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Tomara. Eu torço. Torço até pelo Deputado José Mentor...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sim, eu também.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – Foi nosso colega.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Claro. Eu tenho por ele um respeito e admiração.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Até porque o maior problema não é seu. O seu é um problema
meramente contábil, meramente contábil e fiscal. E eu diria que pode ser
sanado, enfim, corrigindo ali, fazendo os pagamentos, pagando as multas,
enfim,... Agora, a questão do colega, do nosso colega, o Deputado José Mentor,
é uma situação muito mais complexa.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Exato, é complexa.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – E me causa espécie. Ficamos impressionados, se ele tinha esse
álibi, que é um álibi perfeito. Está ali, são duas notas fiscais, o serviço
feito, a obra realizada, enfim, tudo concluído, recibo passado.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado, eu acho que nem é álibi. Sabe qual é a grande surpresa? Que ele
imaginava que Tolentino e Melo iria salvar, porque é do Marcos Valério. Marcos
Valério tem um terço dessa empresa de consultoria.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Pois é.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Pau que dá em Chico dá em Francisco. Ele saía de um lado e caía do outro, e
recebeu um cheque da 2S.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Pois é.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Então não tem jeito. Se eu quisesse escamotear, eu falaria: foi Rogério que
contratou, como pessoa física, não é verdade? Então, o Deputado Mentor, até então
quero crer, ele ficou sem saber o que fazer.
O SR. POMPEO DE MATTOS
(PDT – RS) – Mas eu acho...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Quando também, e de bom sentido, ele tomou conhecimento, ele, em nenhum
momento,... Deputado, tenho que dar o testemunho: ele se encontrou comigo na
segunda-feira, dia 12, em Belo Horizonte, às 19h30. Conversamos por uma hora,
ele voltou a Belo Horizonte. Em nenhum momento, ele se furtou ou quis
escorregar dessa responsabilidade dos pagamentos. Ele verificou e não quis, em momento
algum, arranjo de natureza fiscal. E eu mostrei a ele: “Olha, mesmo que você
quisesse, na Justiça, eu iria discutir”. “Sim, aí é um problema.” Mas ele não
quis. “Será que...” “Não. O senhor recebeu por conta e ordem da 2S.” “A 2S é do
Sr. Rogério Tolentino.” “Não é não. É do Sr. Marcos Valério, sim.” Então, a
posição do Deputado Mentor, de integridade, que recebeu. O problema dele no
Conselho de Ética é complicado agora. Ele omitiu.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – É só esta questão, eu nem vou entrar no mérito se ele recebeu dessa ou
daquela, o importante é que ele recebeu, e recebeu, em tese, pelo que está se
comprovando com a apresentação da documentação, por um serviço prestado, obra
realizada, serviço certo, acabado, enfim, com recibo, com documentos. Bastava
levantar isso que o assunto teria sido dissipado, teria sido concluído, e não
teria nem que espichar conversa.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Concordo plenamente.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT
– RS) – O que ocorre é que nada disso se falou. E como é que, em sã
consciência, não podia lembrar? “Não, espera lá! Recebi R$120 mil. Mas R$120
mil não caem do céu. Foi um serviço que eu prestei para esta ou para aquela
empresa.” Até podia ter dúvida se era dessa ou daquela, mas não poderia ter
dúvida do serviço feito. É isso que causa espécie. Sinceramente, torço para que
esta documentação seja verdadeira. O Deputado Maurício Rands tem razão – e
quero subscrever. A perícia se faz necessária não só nos documentos como nas
assinaturas e, inclusive, nos documentos dos Correios que são envelopes,
através de Aviso de Recebimento (AR), para que se comprovem datas, dias, enfim,
para que se possa fazer essa experiência. Dando certo, felizmente, graças a
Deus, um a menos. Agora, em sã consciência, a olho nu, na boa, é difícil de
acreditar.
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Deputado, no âmbito
do CPMI, V. Exªs esgotam neste momento. O Deputado recebeu R$120 mil. No âmbito
do inquérito da Polícia Federal, se de repente pode ter havido alguma fraude em
documentação fiscal, será da competência da Polícia Federal e da Procuradoria
formular denúncia. Agora, no âmbito da CPMI, o Deputado Mentor não tem como
fugir à realidade: ele recebeu R$120 mil.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Deputado Gustavo Fruet, V. Exª vai dar continuidade?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Vou. E peço um pouco de compreensão porque faltam dois
temas para provocar e uma avaliação que a Assessoria já fez com relação à
Bônus-Banval. Serei breve, e abrirei a palavra, mantendo a liberalidade no
debate.
Dr. Rogério, a Presidente do Banco Rural afirmou que o Sr.
Marcos Valério era um facilitador para interlocução junto ao Governo. Da mesma
forma, o Dr. Ricardo, do BMG, afirmou que o Sr. Marcos Valério tinha canais
importantes também com o Governo Federal. O Banco Rural tinha interesse no
processo de liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco. O BMG – e é claro que
isso é objeto de investigação também –, com relação ao crédito consignado, em
especial para aposentados e celetistas nesse período.
Pergunto ao senhor, com relação à natureza do trabalho feito
pela empresa Tolentino e Melo com o Banco Rural, e segundo informação da nota
fiscal que recebemos, de 9 de fevereiro de 2004, houve uma prestação de serviço
advocatício na área tributária, pelo que consta, pela empresa Tolentino e Melo,
no valor de R$654.762,00; e, no dia 1º de junho de 2005, houve outro pagamento
do Banco Rural à empresa Tolentino e Melo, no valor de R$115 mil, mas dessa vez
por consultoria tributária. Pergunto se o Marcos Valério efetivamente era esse
facilitador dos interesses do Banco Rural e do BMG e qual a natureza dos
contratos, dos serviços que a consultoria Tolentino e Melo prestou ao Banco
Rural.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Com relação à afirmativa da Presidente do Banco
Rural de que o Marcos Valério era um facilitador, esse também é um juízo de
valor que também vou me permitir não fazer, Excelência. Sabemos de todo o
envolvimento do Marcos com essas situações e não me caberia fazer isso agora. É
uma questão de relacionamento. Esse é um juízo de valor.
Com
relação a esses serviços prestados, efetivamente alguns serviços foram
prestados ao Banco Rural, serviço de assessoria tributária, que não tem nada a
ver com Marcos Valério. Foram serviços prestados inclusive pelo nosso sócio
José Roberto em questão de natureza tributária. Essa documentação, contrato
sobre esse serviço, o que foi feito e o que foi recebido, o que foi pago, temos
na nossa contabilidade. Se V. Exª me permite, amanhã mesmo ou depois de amanhã
faço chegar às suas mãos. Eu não os trouxe porque não imaginei que seriam
relevantes neste momento. Mas os documentos que, aliás, a quebra de sigilo já
está com V. Exª fornecerei com o maior prazer. Com relação aos serviços.
O
SR. PRESIDENTE (Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Por
favor. Porque pedimos para o Banco Rural, e não nos mandaram ainda.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não, mas eu lhe entrego.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Só para esclarecer. A Tolentino e Melo é uma empresa de
consultoria?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas ela também presta serviços na área da
advocacia? No contencioso ou não? Ou só consultoria?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– No contencioso administrativo e consultoria tributária, ao Banco, porque eu
tenho um colega de escritório na consultoria que é especialista nessa área e
que já foi consultor de legislação tributária do Governo Federal. Então,
pontualmente se faz serviço nessa área a cargo do Dr. José Roberto Moreira de Melo.
Esses serviços foram prestados. Estou lhe afirmando que existem contratos.
Posso, nesta semana – porque eu vou à Polícia Federal –, passar por aqui e
entregar, inclusive, na sua Secretaria ou nas mãos de V. Exª.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dr. Rogério, essa consultoria – a empresa – foi
criada em 2002?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Em abril de 2002.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E só começou a prestar serviço para o Banco Rural
em 2003?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– O Banco Rural já é da relação antiga, mesmo antes. Veja bem: o Dr. Zé
Roberto, que é um colega e sócio nessa empresa de consultoria, é um prestador
de serviço para as grandes empresas em Belo Horizonte na questão de natureza
tributária, no contencioso administrativo. Ele, mesmo antes da Tolentino e
Melo, já prestou serviços não só ao Banco Rural, como a outras grandes empresas
de Belo Horizonte. Então, eu diria para V. Exª que a relação específica do Zé
Roberto com o Banco Rural já existe há algum tempo até por força dele, no
pessoa física, sem ter nada a ver, na consultoria, comigo ou com o próprio
Marcos Valério. Mas desaguou agora, recentemente.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, na sociedade, começou em 2003?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Na sociedade, oficialmente, em 2003.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Como quebramos o sigilo – não estamos discutindo o
seu trabalho profissional e do seu escritório de advocacia –, qual o
faturamento da empresa Tolentino e Melo, da consultoria?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– A mídia, inclusive, já revelou. Em matéria publicada pela CBN ou pelo O
Globo, ela traz esses faturamentos porque teve acesso a algumas notas. Nós
também tivemos oportunidade de explicar o serviço. Então, vou me louvar em uma
informação da própria mídia porque não tenho esses números. Aqui diz que houve
um faturamento. A própria Drª Kátia já falou que houve um pagamento. Temos
aqui: “De acordo com notas fiscais emitidas entre 3 e 22 de dezembro de 2003,
dois milhões e seiscentos de consultoria; o Rural pagou seiscentos e cinqüenta
e quatro por serviço advocatício na área tributária, conforme nota fiscal
emitida em 9 de fevereiro de 2004. A Tolentino e Melo recebeu ainda mais cento
e quinze”. Esses dados são verdadeiros. Eu não tenho a comprovação fiscal que
V. Exª tem na quebra de sigilo, mas me comprometo a entregar pessoalmente a V.
Exª ainda no curso da semana. Mas essa informação da mídia é oficial.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A que o senhor atribui, então, o aumento
considerável do faturamento da empresa a partir de 2003, 2004 e o primeiro
semestre de 2005? Só para lembrar: a consultoria foi criada em 2002?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sim.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Segundo dados de que dispomos, movimentou R$64,6
mil. Em 2003, passou a movimentar R$3,9 milhões; em 2004, R$2,1 milhões; e, no
primeiro semestre de 2005, R$695 mil. Ou seja, a concentração de trabalho da
consultoria se dá em 2003 até maio e junho de 2005, segundo os dados de que a
CPMI dispõe. Coincidentemente, nesse período, passa a fazer consultoria
justamente para o Banco Rural. E a Presidente do Banco Rural afirma que o
Marcos Valério era um facilitador. Também é mais uma coincidência?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado, há algumas coincidências. Às vezes, é difícil explicar determinadas
coisas. Por exemplo, eu tenho, por informação da mídia, no CD-Rom de quebra de
sigilo telefônico, 19 ligações internacionais recebidas. Vou comunicar a V. Exª
– era meu intuito – que a filha do Dr. Zé Roberto, que é nosso sócio, é
arquiteta urbanista e mora na Austrália desde 2002. Ela trabalha como arquiteta
urbanista, casou-se e mora no exterior. Dois outros filhos do Zé Roberto
estiveram no exterior fazendo excursão na Europa, de lado a lado, no ano
passado. Então, eu não vi esses números, mas estou para lhe afirmar – e se
criou uma certa expectativa de que a Tolentino e Melo recebeu 19 ligações
internacionais, principalmente com Portugal, que esteve muito aflorado – essa
informação: Flávia, filha do Dr. Zé Roberto é arquiteta e mora fora, no
exterior, há três anos. Acredito piamente que essas 19 ligações são dela para o
pai. Então, existem algumas coincidências, sim.
Quanto ao Banco Rural – já disse a V. Exª –, o José Roberto
Moreira de Melo, em Minas Gerais – e seria temerário falar do Brasil – é uma
das maiores autoridades em questões tributárias de ordem administrativa, avalia
autos de infrações, e não vou declinar nomes, porque são empresas que V. Exªs
conhecem bem, de projeção nacional, o José Roberto é consultor dessas empresas
há muitos anos. Agora há uma coincidência porque pontualmente, às vezes, o
cliente apresenta uma demanda de serviço. Agora, não há novidade. O José
Roberto...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Olha só, Dr. Rogério, até em respeito ao sigilo e
aos dados do Dr. José Roberto, ele recebeu um valor significativo da
consultoria a partir de 2003, ou seja...
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Ele tem uma empresa dele,
Deputado. Como eu tenho a Rogério Lanza Tolentino, na que eu faço a minha
advocacia, ele tem a Moreira de Melo, em que ele trabalha há muitos anos, ele,
sem vínculo comigo, ou com quem quer que seja. Agora, a consultoria cresceu.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, antes do senhor, o Marcos Valério não tinha
feito nenhum outro serviço para o Banco Rural?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Quem?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor, através do seu escritório, a pedido do
marcos Valério?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Antes de 2003, quer dizer, começou a fazer com a
consultoria.
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não. Aliás, ao contrário.
Exatamente, com a consultoria, criou-se chance de prestar uma serviço, até
mesmo porque agregou-se a essa consultoria uma experiência que o José Roberto
tinha. O senhor está me entendendo? Quer dizer, o José Roberto agregou, e
muito, e ele levou clientes.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Em algum momento o senhor foi consultado ou ele
sobre aquisição de título, sobre liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco ou
sobre crédito consignado?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, senhor, Deputado. Sei apenas porque o Marcos colocou as idas dele ao
Banco Central, em um primeiro momento em que foi até o Deputado Virgílio
Guimarães, quem conheço, com quem tenho relações pessoais, foi e havia esse
objetivo de examinar e viabilizar a liquidação do Banco Mercantil de
Pernambuco, e agregado veio até o Calmon de Sá, na questão do Econômico. Então
esses são os fatos noticiados pela imprensa. Não participei dessas reuniões,
não conheço o objetivo e o final
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor tem conhecimento se o Marco Valério
esteve no Banco Central tratando dessa questão do Banco Mercantil de
Pernambuco?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Isso foi público e notório,
inclusive declarado por ele mesmo. Ele esteve com um diretor da área, ele até
ontem falou na CBN sobre isso, e houve uma negativa, apesar de que havia
algumas questões que nunca vi, parece que existem pareceres, discussões sobre
juros, se é indexação, essa coisa toda. Eu nunca vi, não conheço o assunto, mas
o Marcos foi sim, foi tentar essa tratativa.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas, como publicitário, qual a legitimidade e qual
o interesse dele de tratar de uma questão do sistema financeiro?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – O Marcos foi rotulado de
publicitário pela mídia. Ele é empresário, inclusive...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E conhece o sistema financeiro ou não?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Ele já trabalhou em banco no
sistema financeiro, é tanto que as empresas de publicidade de Minas Gerais têm
uma rejeição quando ele se apresentava como publicitário, e ele sempre
brincava: “Nunca me apresentei como publicitário. Tenho a publicidade como
negócio. Sou sócio de duas agências de publicidade. Não sou publicitário.
Publicitários são os meus sócios.” Então esse rótulo de “o publicitário Marcos
Valério” foi em decorrência desses fatos e, na realidade, ele não gosta, não
aceita. Ele prefere o rótulo de empresário, que ele o é, que é a atividade
dele.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E outras vezes ele já esteve no Banco Central
tratando de questões referentes a Bancos?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Deputados, estive junto do
Marcos Valério em várias oportunidades. No Banco Central não posso afirmar. Sei
porque ele mesmo já afirmou que havia ido algumas vezes. Quantas vezes? Não
saberia lhe precisar, mas que foi foi. Isso é público e notório, dito por ele
mesmo
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A Drª Kátia também admitiu sociedade na RS
Empreendimentos e Participações. Também na mesma linha pergunto para o senhor
sobre uma consultoria realizada em 2004, na qual a sua empresa recebeu,
Tolentino & Melo, recebeu R$723 mil, qual a natureza desta consultoria?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Foi efetivamente da mesma
forma que foi ao banco. Essa RS é uma empresa do banco, inclusive a própria Kátia
declarou isso por ocasião dessas vindas aqui. É uma empresa que pertence ao
Grupo Rural e a outro grupo poderoso em Minas Gerais, Grupo Cetrus. Há mais de
10 anos eles são donos dessa RS. Esse serviço também foi prestado nas mesmas
circunstâncias, e, se V. Exª me permitir, vou trazer a documentação e o
contrato, mas, para nós, se fala Rural, pouco importa se é a distribuidora, se
é empresa agregada ao banco, importa sim que foi prestado um serviço ao Rural.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E havia efetivamente interesse junto ao Governo
com relação ao controle do Banco Mercantil de Pernambuco ou dos títulos do
Banco Econômico, por parte do Banco Rural, com a utilização dos serviços do
Marcos Valério ou não?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, com relação a serviços do Marcos Valério eu não sei informar a V. Exª. O
interesse do Banco Rural sobre o Mercantil de Pernambuco ele até se legitima na
medida em que o Banco Rural, por declarações do próprio banco e da sua
presidente, detém 22% dessa situação. O interesse dele é legítimo. Agora, esta
forma, confesso a V. Exª que não sei responder.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – O senhor sabe dessas informações porque foi
veiculado ou porque o Marcos Valério em algum momento lhe consultou ou a
consultoria ou o seu sócio na consultoria.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, esse serviço não faz parte da consultoria, primeiro porque ela extrapola
o nosso nível de competência profissional. Essa demanda Banco Central, as
questões que envolvem liquidação judicial são questões complexas, de natureza
de Direito, que eu não tenho competência para isso, é uma advocacia
especializada e eu não saberia afirmar isso.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Dr. Rogério, antes de passar a palavra aos
parlamentares, em cima daquela documentação que o senhor deixou, fizemos um
cruzamento aqui, depois eu distribuo essa cópia também, mas se o senhor puder
ajudar a esclarecer, vou lhe mostrar os valores. O Marcos Valério informa à
Polícia Federal, eu já tinha até registrado, que ele enviou recursos via Bônus
Banval, R$900 mil para o PL, R$750 mil para o PT do Rio de Janeiro, R$120 mil
para o PT do DF, R$945 mil para o PT sem identificação, e R$1.200 mil para o
PP, totalizando R$3.915.000,00. O senhor nos entregou hoje o empréstimo e a
destinação dos recursos e a complementação do Marcos Valério via 2S e o retorno
de 5.861. Na contabilidade do Marcos Valério, que ele entregou para a CPMI, ele
aponta os R$3.915.000,00 como débito para o PT e crédito da SMP&B, através
de uma conta contábil de um mútuo da 2S Participações.
A pergunta é a seguinte: esse recurso repassado para a 2S
Participações, pelo que o senhor contou, foi um recurso repassado de forma
direta? Por que ele contabiliza como um empréstimo e como mútuo?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Deputado, o senhor vai me desculpar, porque eu não sei responder a questão de
ordem contábil. Essa planilha que eu lhe trouxe hoje retrata uma realidade que
me foi entregue por eles mesmos, a contabilidade oficial da 2S e que as
informações que tenho se encontram disponibilizadas aqui na CPMI, na Polícia
Federal e na Procuradoria.
Então, quando V. Exª me pergunta por que ele repassou para o
PT, para isso ou para aqui, isso também eu não sei lhe informar.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Como advogado então, ele tinha um contrato de
mútuo com a 2S, o senhor foi consultado, o senhor participou da elaboração
desse contrato?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Esse esquema é um esquema contábil. Eu não participei.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Quer dizer, o senhor desconhece que tem um
contrato de mútuo entre a SMP&B e a 2S?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Eu não saberia lhe informar. Tem um contrato assim, o dinheiro está lastreado
na contabilidade assim ou assado... Essa é uma informação que eu não tenho,
Deputado.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Se o senhor puder perguntar para ele e depois nos
esclarecer, e perguntar se isso é um empréstimo e se ele pretende receber esta
devolução da Bônus Banval.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Da Bônus Banval já houve a devolução.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Não naquele valor.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– O que eu posso adiantar para V. Exª e para os eminentes parlamentares é que a
Polícia Federal, através de um órgão específico deles, de agentes com expertise
em contabilidade, está em Belo Horizonte desde semana passada. Eles passaram
três ou quatro dias na contabilidade da DNA, eles foram ao Banco Rural e estão
na SMP&B e, se não me engano, já foram à Multiaction, ou seja, eles estão
fazendo rastreamento contábil dessa pergunta que V. Exª me faz. A Polícia
Federal está em Belo Horizonte há mais de semana, quatro agentes da Polícia
Federal.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – A nossa preocupação é que esta perícia seja antes
inclusive da conclusão da CPMI. Mas eu pergunto, como advogado do Marcos
Valério ou das empresas, se o senhor pode verificar por que está contabilizado
como mútuo e se existe este contrato, ou é uma informação...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Eu posso indagar.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Se houve ou não veracidade na informação que
foi...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Como eu já disse a V. Exª, esta semana mesmo eu ainda pretendo ir à Polícia
Federal, porque já contatei com o Delegado Zampronha, me disponibilizando
exatamente para estabelecer alguns fatos que se mostram colocados de uma forma
às vezes um pouco nebulosa. Eu devo voltar a Brasília quinta-feira ou
sexta-feira ou no mais tardar semana que vem e posso fazer o contato com V.
Exª.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Agradeço, Dr. Rogério.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Presidente?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Senador César Borges.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Eu gostaria de esclarecer, aproveitando esta oportunidade. Quer
dizer, houve transferências, com cheques nominais, para empréstimo à
Bônus-Banval, é isso? Depois, houve restituição a essas empresas a título de
quê? É o documento que foi entregue.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sim.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Eu não consegui entender esse documento.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Eu posso explicar, Senador?
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Claro que pode. Eu lhe agradeço.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Veja bem, num primeiro momento, estabeleceu-se – quero crer – certa confusão
com relação a Rogério Lanza Tolentino, que sou eu, advogado das empresas; a
Tolentino & Melo, que é uma empresa de consultoria da qual o Marcos Valério
também é titular de um terço, como eu; e a Rogério Lanza Tolentino, advogado,
que sou eu na pessoa jurídica, perfeito?
Eu, Rogério Lanza Tolentino, tomei um empréstimo no BMG – só
para que o senhor vá à origem e depois a gente evolua – tomei um empréstimo de
R$10 milhões. Talvez seja exatamente esse documento que V. Exª tem nas mãos.
Esses valores foram creditados na minha conta, e eu os transferi para o Marcos
Valério em três cheques: total de R$9,9 milhões – estou só exemplificando, não
estou citando número redondo – sendo dois cheques, que ele pediu, feitos
diretamente e enviados à Bônus Banval, correto? Depois, ele...
Então, a contabilidade que o senhor tem aí e que pode gerar
certa confusão é a seguinte: foram enviados à Bônus Banval dois cheques que
foram emitidos por mim e que têm origem nesse empréstimo bancário e outro...
O SR. (Orador não identificado)
– (Fora
do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Como?
O SR. (Orador não identificado)
– (Fora
do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Esse já é 2S dele. O meu dá três e pouco, porque é um cheque de dois milhões
seiscentos e tanto e outro de setecentos e pouco. Esses cheques foram enviados
à Bônus-Banval, onde houve determinados pagamentos – como eu respondi ao
eminente Relator – que eu não sei afirmar para quem, mas foram por conta e
ordem da questão paralela dele com o Delúbio.
O saldo desse valor, porque não se gastou essa totalidade
lá, retornou à 2S. Quanto a essa movimentação contábil que ele me pergunta e
que eu não sei responder, eles voltaram, através de vários pagamentos, Senador,
da Bônus-Banval para a 2S do Marcos Valério. Essa é, de uma forma,...
O SR. (Orador não identificado)
– (Fora
do microfone. Inaudível.)
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, não. Essas empresas não receberam. A Bônus-Banval retornou ao Marcos
Valério o crédito que ele tinha, o saldo, porque ele mandou nove e só gastou
três – vamos imaginar que fossem seis milhões. Eu vou fazer o que com esses
seis milhões? Por que não se pagou mais? Ela devolveu ao Marcos Valério seis.
Correto, na nossa linha de raciocínio? Esse dinheiro retornou a 2S através de
vários pagamentos. Aí, a contabilidade da Bônus – não sei por que tipo de
conveniência – mandou um cheque interno. Não foi direto um cheque de seis milhões
da Bônus para a 2S, mas cheques internos que havia na Bônus-Banval.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – A Bônus-Banval pagou a essas empresas aqui; pagou e mostrou a
nota, dizendo que a devolução seria através dessas empresas que estão aqui.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– O senhor disse “pagou essas empresas” – eu não consegui entender.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Devolveu via pagamento a essas empresas.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Via essas empresas, chegou-se ao Marcos Valério. Se esse é o raciocínio de V.
Exª, foi assim. Correto. Agora eu entendi.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Então, Dínamo Distribuidora de Petróleo recebeu um milhão,
setecentos e sete.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Não, recebeu não; mandou para o Marcos. Por que ela mandou eu não saberia
responder ao senhor, só a contabilidade da Bônus. É essa talvez a minha
dificuldade.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Devolvia ao Marcos via essas empresas?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sim. Veja bem, Senador.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – As empresas devolveram?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Vou só exemplificar. Mandaram-se nove milhões para a Bônus, exemplificando,
em três cheques. A Bônus efetuou alguns pagamentos de natureza política, que
são os que nós sabemos e que o Deputado acabou de nominar.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Três milhões e fração.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Sim. Houve uma sobra de caixa de seis milhões redondos. Esse dinheiro tinha
de voltar para alguma pessoa. O Marcos pediu de volta: “Bônus, me retorne esses
valores.” A Bônus, então, retornou ao Marcos, através de vários cheques que são
de responsabilidade da Bônus com relação a eles. Esses cheques são de dentro da
Bônus e chegaram à conta do Marcos Valério; foram compensados e viraram
recursos que foram utilizados em outros momentos. Por isso, gera-se essa
confusão, porque não guarda a relação: tirar dez milhões e gastar dez milhões.
“Voltaram seis, caíram na 2S ou foram para a SMP&B que deu o cheque”. O
cheque de seis voltou da Bônus-Banval, através de vários cheques, inclusive
pequenos, que estão aqui nominados, de responsabilidade da Bônus-Banval,
emitidos por João não sei das quantas, Antônio ou empresa, pessoa jurídica. O
senhor está me entendendo? Mas voltou. Esse é o raciocínio. Aí eu não saberia
responder por que...
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – O Sr. Enivaldo Quadrado disse que, na verdade, houve a autorização
para a Natimar fazer a aplicação.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Senador, eu não saberia contrariar a afirmação. Sei de se debater, de se desmentir
na imprensa. Marcos Valério já afirmou, algumas vezes, que nunca autorizou
nenhum tipo de empréstimo à Natimar, que ele não sabe o que é. Ele, por conta e
ordem de Delúbio Soares, encaminhou um dinheiro para a Bônus. Fez os
pagamentos. Houve uma sobra de caixa, vamos chamar assim. Ele pediu esse
dinheiro de volta. Essa história da Natimar não existe no contexto do Marcos
Valério, segundo ele. Pode até ser que passe a existir contabilmente, mas não
existe. Essa história foi trazida pelo Enivaldo, da Bônus, também não sei a que
título ele teria dito aqui, teria dito à Polícia Federal. Mas são aquelas
coisas que são contraditórias e que, num determinado momento, como, por
exemplo, a Polícia Federal contabilmente, através de seus agentes, está
checando isso tudo lá em Belo Horizonte e evidentemente que a verdade contábil
vai aparecer e até a verdade verdadeira.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – E o senhor sabe os seis milhões para onde foram, quando voltaram a
Marcos Valério?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Eu não entendi, Senador.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Quando retornam, através dessas empresas, os seis milhões, qual é
a destinação...?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Senador, eu não sei precisar as datas, mas elas estão aí elencadas, se não me
engano, porque esse documento me foi entregue. Eu não sei por conhecedor dos
fatos contabilmente, pelas informações que eu tenho. Elas estão elencadas...
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Para onde foram esses recursos, já que retornaram seis milhões?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Ah, Senador, desculpa. Os cheques foram para a 2S e foram – vou usar uma
expressão – reutilizados nos pagamentos de natureza política, porque essa é
aquela contabilidade dos 55. Ele vai, volta, voltou. Aí tem que mandar. Veja
bem, é igual à história. Se perguntou aqui – e eu vou colocar para V. Exª para
exemplificar: “Como que você pretende cobrar do PT?” Eu não tenho um título
executivo à questão que se Marcos Valério emprestou para o PT. Mas o Partido
dos Trabalhadores alega que essa história de empréstimo é por conta do Delúbio,
obra e graça do Delúbio Soares, da pessoa física, mas ele utiliza os valores
para pagar débitos dos seus diretórios. Foi para pagar no Rio Grande do Sul.
Foi para pegar no Ceará. Não sei onde. Eu estou exemplificando. Em Brasília.
Ora, isso em Direito, Senador – V. Exª sabe –, é no mínimo enriquecimento sem
causa. O empréstimo é do Delúbio, mas serve para pagar conta interna, como se
viu por conta e ordem para outras situações. Mas restrito isso – eu já discuti
com alguns Parlamentares. Onde que você...? Eu sou um dos quatro advogados do
núcleo de estrutura jurídica que tem que defender o Marcos Valério. Eu sou
advogado das empresas dele. Sou amigo dele e sou sócio dele. Nos últimos
sessenta dias, nós só passamos examinando o que fazer e o que iremos fazer. Nós
entramos em São Paulo com uma ação contra o PT, de natureza ordinária. Eu
preciso comprovar que eu, né?... o Marcos Valério passou esses 55 milhões para
o PT. Eu não tenho isso líquido e certo ainda. O BMG tem para executar as
empresas do Marcos Valério. O Rural tem. Mas o Marcos não tem. Eu estou
amealhando provas feitas aqui na CPMI, porque o Delúbio Soares admite, o
Deputado José Dirceu admite numa entrevista à Folha de S.Paulo, e em
outras circunstâncias, porque eu estou filtrando em depoimentos, e o próprio
PT, quando simploriamente diz assim: “Ah, isso é coisa do Delúbio!” Tá bom! Mas
pagou conta da instituição. Isso é público e notório. E esses depoimentos é que
eu vou levar para a Justiça. No mínimo, isso é enriquecimento sem causa. Então,
devolve para o Marcos Valério, que ele é credor desse dinheiro, para ele poder
pagar a conta dele. O senhor está entendendo? Então, o Marcos Valério não
tirou, através das empresas, 55 milhões. Ele tirou cinco e deu aqui... pagar,
né? Entregou à Guaranhuns, que deu ao Valdemar Costa Neto, mas isso que deu ao
beltrano, sicrano. Não, houve aquelas conveniências. Eu não imagino por quê.
Porque eu não participei. Não era da minha intimidade. Assim, paga cem, não
devolve. Paga depois de amanhã. Por isso é que é tudo muito tumultuado, muito
confuso e, às vezes, o Deputado me pergunta ou o Senador: “Por que o fulano não
fez?” Não sei.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Senador...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Só mais duas perguntas. Só duas observações.
O SR. CÉSAR BORGES
(PFL – BA) – Eu peço desculpas aos companheiros. Era apenas para esclarecer.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Não, é assunto interessante. Eu vou retomar. Gostaria que o
senhor participasse.
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Só duas observações. Primeiro, por que, entre
janeiro de 2003 e fevereiro de 2003, o Marcos Valério repassa mais de 1,7
milhão sem ter feito empréstimo? Qual a origem desse recurso e qual o interesse
dele nisso?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Deputado, seria juízo de valor, mas eu quero crer que, se ele já estivesse... Seria razoável que ele
estivesse emprestando e depois, quando saiu o empréstimo, igual ao cheque
especial, que a gente entra e sai dele... Se o Marcos Valério... E eu não tenho
esse número e se vê muito pela imprensa de se falar...
Veja bem: acha-se que o Marcos Valério não fez os
empréstimos. O próprio Vice-Presidente da República fala que o Marcos Valério
não fez aquele empréstimo, mas o Banco Central atesta a existência dos
contratos, uma semana antes até de o Vice-Presidente da República falar que
esses contratos não são verdadeiros. Não é verdade?
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Mas só duas observações...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Agora, quando R$1,2 milhão vai antecipadamente...
O SR. PRESIDENTE (Gustavo
Fruet. PSDB – PR) – Um e setecentos.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Ou setecentos, não importa. Eu quero crer que, se ele depois baixasse dez de
empréstimo, esse R$1,5 pagou aquilo que de repente o caixa dele comportava,
porque a movimentação financeira das empresas é grande, em função de muitos
clientes, e pode fazer aquilo que fazia com a gente mesmo: vai no cheque
especial, volta e depois você cobre. Pode ser. É juízo de valor. Não gostaria
de entrar nisso.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas é importante porque o senhor é advogado e tem
certas coisas que o senhor sabe e outras sobre as quais o senhor não foi
consultado. Então essa o senhor também não sabe?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não sei, e essa questão
financeira não é da minha a alçada.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas ele faz os empréstimos que totalizam R$55,3
milhões e repassa R$55,9 milhões, e o valor bruto dos empréstimos não é o valor
repassado, quer dizer, como ele vai arcar com essa diferença, qual a vantagem
dele nisso?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Confesso que não entendi a
pergunta. O valor bruto, como?
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Os valores dos empréstimos líquidos são menores
que os valores...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Ah, sim, porque deduzida a operação financeira da instituição bancária.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Exato. No valor bruto, ele retoma aproximadamente
R$55,3 mil, ou seja, não é o valor líquido que ele recebe para repassar,
descontam-se as taxas e a CPMF. Ele repassa na contabilidade dele R$55,9 mil.
Qual a vantagem do Marcos Valério em fazer esse tipo de negócio? Por que ele
fez isso? Só para atender um amigo? O senhor, como advogado, o que o senhor
afirma?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Como advogado, é difícil
responder isso. Seria uma operação que é difícil para mim. Agora esse é o tipo
de pergunta que eu teria que perguntar para o Marcos Valério e trazer a
resposta para V. Exª. É um juízo de valor que eu não sei fazer: qual a
vantagem, o porquê. Essa é uma questão do Marcos Valério com o Delúbio. Eu não
saberia, respeitosamente, responder a V. Exª porque não é a...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E, como advogado, como o senhor afirma, como o
senhor analisa? O seu cliente, o Marcos Valério, juntou, na Polícia Federal,
documento, assinado pelo Delúbio, com os seguintes termos: “Pela presente,
assumo junto a esse Banco, compromisso, irrevogável e irretratável, de
garantir, como avalista e devedor solidário, todas as operações de empréstimos
prestada com V. Srªs com Rogério Lanza Tolentino e Associados Ltda. [ou seja,
fala em nome da empresa da qual o senhor é sócio], Graffiti Participações, SMP&B
Comunicação, DNA Propaganda e Partido dos Trablhadores. Atenciosamente (...)”.
Assina Delúbio Soares. Esse documento tem valor?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Deputado, sabemos e seria uma
heresia jurídica falar que ele seria um documento que respaldaria, em termos de
uma fiança, uma garantia, ou um aval, a um contrato. Evidentemente que não, mas
também é um documento que, a bem da verdade, pode subsidiar um procedimento
ordinário na elaboração de provas lá na frente. Talvez isso atendesse a uma
ansiedade natural dessa transação ou entre Marcos Valério ou entre Delubio e os
próprios credores. Também é uma história. Agora, juridicamente, se eu fosse
advogado do BMG ou do outro Banco, é evidente que esse documento não atende,
quem falar que atende é uma heresia jurídica.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Mas também nesse caso o senhor não foi consultado.
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Absolutamente. Se tivesse sido
consultado, obrigaria que fossem no contrato, que pegassem o contrato no
original e, como diz o outro, assinassem atrás, junto. Não houve isso. Então é
um documento...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – E qual a razão do Marcos Valério ter avalizado os
emprétimos do PT junto ao BMG e ao Banco Rural? O senhor foi consultado sobre
isso? Também não?
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – Não fui consultado. Essa
operação também, depois de desenhada, vem a público. Não sei o motivo e por que
isso foi tabulado. Seria também outra pergunta que não saberia responder a V.
Exª. Não é nem questão de reserva profissional. Não sei responder.
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Então fica, além daqueles documentos, essas três
perguntas para o senhor nos informar em uma próxima oportunidade...
O
SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO – O porquê? Mas vamos trazer o
Marcos Valério...
O SR. PRESIDENTE
(Gustavo Fruet. PSDB – PR) – Com a palavra o Deputado Silvio Torres.
O SR. SILVIO TORRES
(PSDB – SP) – Sr. Relator, queria retomar um pouco, Dr. Rogério Tolentino, a
questão dos empréstimos, e acho, Deputado Gustavo Fruet, que começamos a ligar
certas pontas que estão soltas, ao tomarmos depoimentos e começarmos a ter
acesso a documentos importante.
O Dr. Rogério trouxe hoje aqui novas informações que tratam
da transferência feita pelo Sr. Marcos Valério à Bônus-Banval, o que daria
R$9,783 milhões: R$3,4 milhões da parte da Tolentino e o restante da própria
2S, que mandou. É só para recapitular. E, depois, parte desse dinheiro remetido
à Bônus –Banval no valor de 5 milhões, 861 e 212, segundo...
O senhor está com as contas aí, se o senhor quiser
acompanhar, para a gente ganhar tempo. Não sei se o senhor tem aí o... Tem aí,
não é?
Então, na sua lista, são uma, duas, três, quatro, cinco,
seis, sete empresas nomeadas, total de 3 milhões e 300, mais ou menos, elas
receberam de... Elas mandaram dinheiro... A Bônus-Banval devolveu à 2S,
nessa... Correto?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
O senhor podia só repetir o valor, Deputado?
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB – SP) – A lista que o
senhor nos entregou tem aqui sete empresas que, somadas, deram em torno de 3
milhões e 300 devolvidos à 2S.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Exato, são sete empresas que constam dessa lista.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Sete empresas. E depois tem depósitos diversos, que...
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Diversos. Outras.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Essas informações o senhor obteve onde?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Me foram entregues pela contabilidade do Marcos Valério.
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Do Marcos Valério.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Me foi passada e evidentemente...
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Mas por que razão?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
– Porque eu viria aqui hoje e, perante V. Exªs, eu iria explicar um empréstimo
eu tomei e a que título dois cheques meus, Rogério, foram direto para a
Bônus-Banval, quando até se discute, e o Senador ali indagou: Mas não foram
para uma empresa chamada Natimar?
O
SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Por que razão? Qual é a razão de o senhor trazer aqui um
documento em que consta a devolução da Bônus Banval à 2S, se o senhor não tem
nada a ver com isso?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Deputado, quero crer que a minha história tem que ter início, meio e fim. Tomei
um empréstimo e passei para a empresa...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, acabou sua participação.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Mas, para justificar como que foi a remessa disso para a Bônus-Banval, está
aqui esse balancete, V. Exª coloca essa lista que eu trouxe, mas é uma lista
que eu, Rogério, não tenho responsabilidade sobre ela. São informações que me
foram passadas, porque têm dois cheques aqui...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Sei, mas, de que servem essas informações à sua defesa? Era isso
que eu queria entender.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Se não atende a V. Exª, desculpe-me. Entregaram-me como que fossem subsídios,
em função dos valores. Agora, não sei para que eu trouxe. Trouxe porque eu
tomei... a imprensa noticia que mandei, Deputado, o senhor me desculpa...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Que o senhor mandou o dinheiro.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Exato, então eu trouxe para mostrar: olha, mandou nessas circunstâncias. Agora,
por que, como e onde, eu não saberia responder a V. Exª.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O senhor mesmo disse que a sua participação foi encerrada com os
3,470 milhões.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Naquele evento do empréstimo.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Foi devolvida alguma quantia para o senhor?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
A mim, ainda não. Sou devedor...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – A Bônus-Banval não mandou nada para o senhor e nem a ninguém?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
A mim, Rogério, não, porque isso tudo foi contabilizado na contabilidade
chamada 2S. O senhor está me entendendo? Então, toda essa aqui, só para mostrar
para os senhores, que esta coisa está contabilizada na empresa chamada 2S. Foi
isso que constou oficialmente.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, o senhor está adicionando elementos da 2S aqui.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Perfeito, pode ser dessa forma sim.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – O Dr. Enivaldo Quadrado, quando esteve depondo aqui, meu caro
Relator, entregou-nos uma relação dos seus clientes, da Bônus-Banval, todos os
seus clientes. E na relação de clientes que ele entregou, que está aqui em
nossas mãos, da Bônus-Banval, nenhuma dessas empresas, nem a Dínamo
Distribuidora de Petróleo, nem a Lagat, nem a Capcom, nem a Lord, nem a
Itafarma, nem a Pecuária Nova Horizonte, nem a Sigma, nenhuma delas era cliente
da Bônus-Banval. Então, como vamos entender que a Bônus-Banval devolveu o
dinheiro que ela recebeu para a 2S de gente, de pessoas, de empresas que não
eram clientes dela?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Exato. Eu também indagaria como V. Exª.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, podemos inferir que essas empresas estão fazendo uma
doação, estão repassando dinheiro para a 2S, que depois, como o senhor mesmo
disse, redirecionou esse dinheiro para o PT. O senhor acabou de dizer, ao
explicar ao Senador César Borges.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Sim, foi essa a expressão.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Que o dinheiro foi reutilizado.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Foi, voltou e reutilizado. Perfeito.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Então, o que foi reutilizado pela 2S foi uma parte, foi
reutilizada uma parte do que ele mandou. E a outra parte, pelo menos até onde
sabemos, são empresas que estão bancando, mandando esse dinheiro, remetendo.
Não é reutilização, não se trata de reutilização.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não, não, Deputado.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Saíram do caixa da 2S, entrou como empréstimo do BMG, esse
dinheiro foi remetido a Bônus-Banval, a Bônus-Banval remeteu de volta uma
grande parte dela, mas remeteu dinheiro que não era nem do empréstimo e nem de
outra origem. Essas empresas podem estar sendo contribuintes da redistribuição
ao qual o senhor se referiu, que foi para o PT. Não apenas os R$3,3 milhões
dela, como esses 2,669, em depósitos diversos, que não sabemos de onde vieram.
Então, essa reutilização não é o caminho correto.
Mais do que isso, Sr. Relator, examinando a relação que foi
entregue também pelo Sr. Quadrado aqui durante seu depoimento, é a relação a
que se referiu o Senador César Borges, que, segundo o Sr. Quadrado, teriam sido
autorizações emitidas pela Natimar, de propriedade do Sr. Ernesto Quaglia, uma
empresa de Santa Catarina, que teria sido escolhida pelo Sr. Marcos Valério
para ela colocar os investimentos. O Sr. Marcos Valério teria investimentos,
tinha dinheiro para investir e não sabia onde investir, perguntou ao Sr.
Enivaldo Quadrado e o Sr. Enivaldo Quadrado indicou a Natimar, que seria a
empresa responsável pelas ordens recebidas pela Bônus-Banval de destinação
desses recursos que estão aqui elencados.
Uma das empresas – e estou contando isso porque acho
interessante para o Sr. Relator ir alinhavando – que receberam recursos se
chama Erst Ltda. Essa empresa recebeu da Bônus-Banval, em depósitos, R$ 1,245
milhão nos dias 26/04 e 27/04. Ela recebeu R$ 1,245 milhão. E quem é a Erst
Ltda? Ela é a empresa sucedida pela Stoklos. A Stoklos é de propriedade dos
irmãos Lúcio e Roberto Funaro, que foram sócios da Guaranhuns. Então, estamos
estabelecendo as ligações da passagem desses recursos. A Stoklos,
inclusive, recebeu do Sr. Marcos Valério R$ 103 mil no dia 28/02/2005. E, assim
como ela, existem outras empresas que receberam recursos. Estava checando aqui
a relação dos dias 26 e 27 e percebi que boa parte delas é de empresas de
publicidade. Então, a história não bate em hipótese alguma.
A Natimar, uma empresa que mexe com ouro, faz pagamentos,
através da Bônus-Banval, a empresas de propaganda e de publicidade, exatamente
no momento, no mesmo dia praticamente em que é liberado o dinheiro do Banco BMG,
e o dinheiro é transferido para a Bônus-Banval.
Então, Sr. Sub-Relator, acho que é por aqui que nós devemos
pesquisar melhor, porque tenho certeza de que vamos encontrar todo o caminho,
toda a trilha que derrubará as versões montadas e remontadas a que estamos
assistindo nos depoimentos têm sido dados aqui.
Uma das pessoas que receberam dinheiro da Bônus-Banval, via
Natimar, é a Srª Deusa Maria da Costa Silva, que, descobrimos posteriormente, é
a esposa do Sr. Najun Turner, ou ex-esposa do Sr. Najun Turner, o doleiro que
está preso junto com o Toninho da Barcelona. E foi ele quem contou a Toninho da
Barcelona que o ex-presidente Severino teria recebido R$ 8 milhões depois de
eleito, e que R$ 3 milhões desses R$ 8 milhões teriam sido arrumados pelo Sr. Dario
Messer, que é um outro doleiro também envolvido nessa história e que,
certamente, vai nos dar os esclarecimentos quando vier depor – eu já apresentei
inclusive requerimento de convocação dos dois para esclarecermos essa situação.
Todas essas notícias, essas informações que o senhor nos
trouxe acabam desaguando certamente numa situação muito mais ampla e que
envolve outras pessoas.
Talvez, o senhor não tenha conhecimento, apesar de estar,
como o senhor disse, há dois meses, diuturnamente, ajudando o Sr. Marcos
Valério na defesa dele perante esses casos todos.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Se V. Exª me permite... Apenas no último tópico, com relação a esse lado
contábil eu, infelizmente, não saberia responder. Com relação à colocação de V.
Exª, de que nos últimos dois meses sou de uma equipe que estrutura defesa, não
essa parte contábil que é liada dos contadores, das pessoas que são afinados
com os números. Nós...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Mas o senhor não estrutura a defesa sem as informações financeiras e
contábeis, não é, Sr. Rogério?
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Mas depois linkamos as pessoas, não é verdade? E nós estamos preocupados com a
Procuradoria, com a Polícia Federal e uma série de eventos que estamos
enfrentando de natureza jurídica – o senhor está entendendo? – e que demandam
dos advogados, que somos quatro, com relação a esse dado. Essa parte contábil,
inclusive para a compreensão de V. Exª, a própria Polícia Federal – porque isso
são dados oficiais –, como disse, essa é uma situação, uma lista contábil que
me entregaram para que eu pudesse esclarecer a V. Exªs aqui. Não sei lhe
informar da intimidade delas. A Polícia Federal está lidando com essas
informações lá em Belo Horizonte já há uma semana. O senhor está me entendendo?
Então, a questão que o Enivaldo disse e que o Marcos ou que a empresa disse,
evidentemente, são contraditórias e elas vão desaguar, num determinado momento,
numa realidade boa para um, ou má para o outro...
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Sr. Rogério, o senhor sabe informar sobre algumas coisas e sobre
outras, o senhor não sabe.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Concordo.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Isso, certamente, é conveniência. Por exemplo, o senhor disse, no
início do seu depoimento aqui, que foi o senhor quem tratou com o Deputado José
Mentor os serviços jurídicos.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
Não tratei; conversei.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Conversou sobre os serviços jurídicos.
O SR. ROGÉRIO LANZA TOLENTINO –
O Marcos que tratou com ele, e ele me procurou para falar: “Olha, o Marcos
pediu que eu conversasse com você.” Então, a tratativa é um pouquinho diferente
da conversa. A história já estava estabelecida, Deputado. Eu, simplesmente, a
mantive. Essa é a verdade.
O SR. SILVIO TORRES (PSDB
– SP) – Não, porque o Deputado José Mentor, quando depôs na Polícia Federal,
disse que não sabia que o senhor era sócio do Marcos Valério quando fez o
contrato de prestação. |