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O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Havendo número
regimental, declaro aberta a 15ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito criada através do Requerimento nº 3, de 2005, para investigar as
causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes
públicos da Empresas Brasileiras de Correios e Telégrafos.
A ata da 14ª Reunião
encontra-se sobre a mesa. Coloco-a em votação, propondo a dispensa da leitura.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Os Srs. Parlamentares
que concordarem queiram permanecer sentados. (Pausa.)
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – É sobre a ata, sobre a
votação?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não,
depois, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Então, V. Exª aguarde
um minutinho.
Em votação a dispensa da
leitura da ata. (Pausa.)
As Srªs e os Srs.
Parlamentares que a aprovam queiram permanecer sentados. (Pausa.)
Aprovada por unanimidade.
Esclareço que a pauta desta
reunião destina-se à a oitiva do Sr. Silvio Pereira.
Concedo a palavra, pela
ordem, ao ilustre Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL - BA) – Eu
queria, antes de mais nada, pedir a colaboração do Plenário porque são duas as
questões que eu gostaria de encaminhar à Mesa e as considero bastante
importantes.
Primeiro, Sr. Presidente,
temos a informação de que um Juiz Federal de Minas Gerais está-se recusando a
encaminhar para a Polícia Federal e para esta Comissão Parlamentar de Inquérito
cópias de documentos do Sr. Marcos Valério, dentre os quais os que contém uma
lista de supostas pessoas que efetuaram saques nas contas bancárias das
empresas do Sr. Marcos Valério, autorizadas por ele.
Quero saber da Mesa se de
fato essa informação procede e que tipo de providências a Mesa pode adotar no
sentido de fazer chegar, imediatamente, essas informações à Comissão.
Aproveitando essa mesma
questão eu gostaria de fazer...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Qual é o Juiz a que V.
Exª se referiu? De qual Vara?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O Juiz
Federal de Minas Gerais que está cuidando do caso naquele Estado, Sr.
Presidente. Inclusive, supostamente na semana passada, havia sido acionado para
se pronunciar sobre o caso.
Quero falar de outra questão
conexa.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Quero ouvir o Relator a
respeito da primeira questão de V. Exª.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Certo,
então eu aguardo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra ao
Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente,
Srs. Parlamentares, a informação que a assessoria está-me dando é que nós
precisaremos aprovar um requerimento porque se trata de matéria sob sigilo.
Teríamos que pegar os dados e precisá-los melhor para que nos fossem
transferidos. Iremos providenciá-los, diante dessa informação que V. Exª
está-nos prestando, com o detalhe, a propósito, de que, como parece haver
envolvimento de Parlamentares, o foro privilegiado seria, realmente, lá onde
está incidindo a investigação. Mas nós iremos anotar. Aliás, V. Exª pode
formular o requerimento que nós o submeteremos à aprovação do Plenário.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, então eu formularei o requerimento e, logo depois da oitiva do
depoente, nós poderemos deliberar.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª será atendido
imediatamente.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sobre,
ainda, esse mesmo tema, eu gostaria de fazer um apelo ao Relator, Deputado
Osmar.
Nós fomos informados pela
imprensa brasileira, no último domingo à noite e ontem pela manhã, que havia um
interesse comum do Relator e do Presidente, Senador Delcídio Amaral, em marcar
uma audiência na próxima quinta-feira para a oitiva do Sr. Marcos Valério,
quando ele seria, portanto, reinquirido por esta Comissão Parlamentar de
Inquérito.
A primeira ponderação que
faço é com relação à oportunidade. Nós entendemos, Sr. Relator, que não há
tempo suficiente para fazermos o cruzamento de todas as informações
concernentes à quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do Sr. Marcos
Valério e das empresas a ele relacionadas.
Queria também ponderar que
temos discutido a agenda dos trabalhos sempre nas reuniões administrativas das
quintas-feiras, e isso não foi pauta da reunião de quinta-feira passada. Eu até
via aqui, quando foi distribuída pelo assessor da Comissão, que, na pauta desta
semana, o dia de quinta-feira está destinado a uma reunião administrativa.
Então, gostaria que V. Exª mantivesse a pauta pré-estabelecida e, em comum
acordo, nesta quinta-feira, nós discutiríamos a melhor data para marcar a
reinquirição do Sr. Marcos Valério.
Eu tenho uma última
questão, Sr. Presidente, ...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Deputado, eu gostaria que...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Tudo é sobre o funcionamento dos trabalhos.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Esta reunião foi marcada para ouvir o ex-Secretário Silvio Pereira. Vamos
estipular, então, um prazo, porque, senão...
O SR. ANTONIO
CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas todas as questões que estou
levantando são importantes e dizem respeito ao funcionamento dos nossos
trabalhos.
Tenho apenas mais uma.
Todos nós ficamos preocupados, Sr. Presidente e nobre
Relator, com um documento que foi divulgado pela imprensa. Um documento
apócrifo, não há qualquer suspeita da sua autoria e muito menos da sua
autenticidade, que relacionou uma série de informações, dentre as quais o nome
de alguns parlamentares que poderiam estar sendo beneficiados pelo Sr. Marcos
Valério com a transferência de recursos.
Muito bem, ontem, quando eu cheguei aqui, eu indaguei
do Secretário da Comissão se esse documento havia sido oficialmente recebido
pela Comissão e ele me respondeu que não, que não havia nenhum registro de que
aquele documento havia sido entregue. No entanto, esse documento circulou pela
Câmara dos Deputados e pelo Congresso Nacional.
Então, eu queria que a Mesa tomasse providências,
primeiro, no sentido de saber qual foi, de fato, a origem de chegada desse
documento. Segundo, se é possível perquirirmos a autoria desse documento, se é
possível identificarmos quem elaborou esse documento para, então, esta Comissão
definir que providências tomar diante de denúncias graves, mas que,
aparentemente, são apócrifas e sem autenticidade confirmada.
É uma preocupação, Sr. Presidente, primeiro, para que
se verifique as informações contidas nesse documento e, depois, para que esse
procedimento, se eventualmente incorreto, não se repita.
É a última ponderação que faço.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Nós tomaremos as providências.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, questão de ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Só um minuto. Eu vou responder a questão de ordem.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Mas eu ainda vou fazê-la.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Mas eu vou responder à dele.
A CPI tomou conhecimento, Deputado, nós recebemos
como todos receberam nos corredores, mas a Comissão vai ver o que é possível
fazer. V. Exª está certo, podemos tentar descobrir a autoria, mas vamos tomar
as providências devidas.
Agradeço a V. Exª.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, uma questão de ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Com a palavra o Deputado Onyx Lorenzoni, que havia pedido anteriormente.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, nós estivemos...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Antes, porém, quero dizer que teremos a tolerância de apenas quinze
minutos.
Não vou ficar dando questão de ordem para todo mundo
sendo que há um depoimento marcado para às 10 horas. Quinze minutos é a
tolerância.
Com a palavra V. Exª, e peço que seja sucinto, por
favor.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, estivemos cumprindo, na
quinta-feira, uma determinação da Mesa em Belo Horizonte, a Senadora Heloísa
Helena, o Deputado Eduardo Paes, o Deputado Jamil Murad e este Parlamentar.
Verificamos lá, Sr. Presidente, uma destruição de documentos da DNA referentes
a exercícios fiscais de 2004, 2003, 2002 e 2001.
Portanto, documentos que
deveriam, Sr. Presidente, estar sob guarda ou da empresa do Sr. Marcos Valério
ou da empresa de contabilidade que atendia a ele.
O que nós vimos em Belo
Horizonte é que inúmeros documentos – e aí se pode supor que não apenas da DNA,
mas talvez até da SMP&B também – foram incinerados, Sr. Presidente, na
semana passada. Foram salvas, Sr. Presidente, doze caixas, com mais de duas mil
notas fiscais, Sr. Relator, que devem estar chegando no dia de hoje.
Eu queria sugerir à nossa
Mesa Diretora dos trabalhos que solicitasse um estudo da assessoria técnica,
não apenas da nossa CPMI, mas também da consultoria jurídica do Senado Federal,
sobre a possibilidade de que a CPMI, para impedir a continuidade da destruição
das provas por parte do Sr. Marcos Valério, bem como, numa medida preventiva e
garantidora inclusive da integridade física do Sr. Marcos Valério, procedesse a
um estudo, a consultoria jurídica do Senado, sobre a possibilidade da prisão
preventiva do Sr. Marcos Valério – cautelar, esse é o termo, corrige-me o
Senador Romeu Tuma. E o Senador já pediu um estudo a sua assessoria sobre a
possibilidade de se ter essa cautelar.
Reafirmo, Sr. Presidente,
que é imprescindível essa garantia para que as investigações não sejam
prejudicadas por atos deliberados de destruição de documentos importantíssimos
para as averiguações que fazemos. Além do que, Sr. Presidente, se conversa – e
nós ouvimos – que, sem sombra de dúvida, por elementos que cercam, inclusive
como prestadores de serviços, as empresas do Sr. Marcos Valério, poderia haver
risco de vida para o Sr. Marcos Valério. Acredito que seria importantíssimo a
CPMI conseguir obter essa cautelar.
E concluo, Sr. Presidente,
só como observação, somando ao que diz o Deputado ACM Neto. Ouvir o Sr. Marcos
Valério agora eu acho que é insuficiente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esse problema nós
vamos discutir posteriormente.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Tudo bem. E eu
sugiro...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Não, vamos alinhar as
coisas.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente,
são dez segundos para fazer uma sugestão.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esse problema de ouvir
ou não nós vamos discutir em outra oportunidade. Agradeço a contribuição de V.
Exª.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Tudo bem, Sr. Presidente, são dez
segundos para uma sugestão – peço a sua tolerância, o senhor tem sido sempre
tão gentil: ouvir, na próxima semana, a esposa dele, a Renilda, e a Simone
Vasconcelos, porque estão aprovados os requerimentos na última semana. Esta é a
sugestão que faço.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos observar as
sugestões de V. Exª. Quanto à primeira parte, V. Exª será atendido
integralmente.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Questão de ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Deputado Arnaldo Faria de Sá.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É questão de ordem.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Pela ordem também, Sr. Presidente.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Vou pedir pela ordem também, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Deputado havia
pedido antes.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Pela ordem, primeiro.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Deputado havia
pedido antes. Por favor.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu entendo que esta
reunião de hoje foi convocada para a oitiva do Silvio Pereira, mas nós não
podemos criar o fato consumado de que na quinta-feira será ouvido o Marcos
Valério, até porque não houve essa decisão.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esse assunto não vamos
discutir agora, Deputado. Peço a colaboração de V. Exª.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O senhor pode não decidir, mas vai-me
ouvir.
Não foi essa a decisão
tomada aqui na semana passada. Na semana passada, a decisão foi de que se
ouviria, hoje, Silvio Pereira, amanhã Delúbio Soares e quinta-feira seria
reunião administrativa. Se criarmos o fato consumado, deixar para decidir no
final do dia, aí chegará amanhã, já está convocado o Marcos Valério para
quinta-feira.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Não, não vamos fazer
isso. A CPMI tem responsabilidade. Nós vamos seguir o cronograma.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, mas acontece que há
notícia de que o Presidente Delcídio e o Relator já decidiram e a Comissão...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Deputado, nada será
feito sem a maioria. Nada será feito sem a maioria.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – V. Exª está dizendo que nada será feito
sem se ouvir o Plenário. Então, o Marcos Valério não será ouvido quinta-feira.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado. Sobre
esses assuntos eu não gostaria...
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Questão de ordem, Sr. Presidente.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Para uma questão de
ordem, V. Exª tem a palavra.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço. Não estou pedindo a palavra
pela ordem, quero formular uma questão de ordem, chamando a atenção especial do
Relator, e vou ser muito breve.
Sr. Presidente, a cada
instante, até pelos pedidos de palavra pela ordem que foram feitos aqui,
parece-me, Deputado Osmar...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Qual o artigo que V.
Exª está invocando para a questão de ordem?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O art. 152.
Sr. Presidente, se V. Exª
deseja, como eu estava inscrito para falar pela ordem, fico com o “pela ordem”
e não faço questão de ordem. Se isso lhe satisfaz, estou...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Fale, Deputado, que o
Brasil inteiro quer ouvir o Sr. Silvio Pereira.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço-lhe.
Sr. Relator, o que está
acontecendo? Todos esses “pela ordem” colocados aqui inicialmente têm uma razão
simples: há uma angústia muito grande dos membros desta Comissão Parlamentar de
Inquérito pelo fato de boa parte dos depoentes vir aqui e obviamente faltar com
a verdade, mentir. É o que temos constatado em cada reunião desta Comissão.
Na última reunião, Deputado
Osmar Serraglio, na oitiva do Sr. Marcos Valério, fiz uma questão de ordem, que
foi indeferida pelo Presidente, no sentido de que essas afirmações falsas,
julgado o mérito dos habeas corpus preventivos, pudessem ser levadas em
consideração como sugestão da CPMI ao Ministério Público.
Eu queria sugerir – e queria
ouvir o Relator a esse respeito – que solicitássemos ao Procurador-Geral da
República a indicação de membros do Ministério Público Federal, para que
acompanhassem conosco os trabalhos da CPMI, e que, independentemente da
conclusão desses trabalhos, com os dados que forem coletados, o Ministério
Público já pudesse tomar providências em relação àquilo de que se tem uma
angústia enorme.
Digo isso, Sr. Presidente,
porque corremos um sério risco: a CPMI tem tentado fazer um esforço enorme para
não ser autoritária, para não sair fazendo pirotecnia, prendendo as pessoas –
esse não é o nosso objetivo –, mas também não podemos transformar todos os
membros desta CPMI em figuras expostas ao ridículo, porque todos os que têm
vindo aqui depor têm mentido de forma deslavada.
Portanto, indago ao Deputado
Relator se seria uma providência interessante.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvir o Relator?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Queria destacar que essa foi uma
sugestão feita pelo Deputado Gustavo Fruet, que, em razão de uma entrevista em
São Paulo, não pôde estar aqui.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Ótimo. Vamos ouvir o Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, Srªs e
Srs. Parlamentares, essa idéia da presença de alguém do Ministério Público tem
sido reiterada aqui nas reuniões, e nós já estamos em contato. A dificuldade
que está havendo é na designação, porque, de qualquer modo, é necessário que
retirem de algum lugar onde está trabalhando. Essa conversação já está
estabelecida, e acreditamos que, muito brevemente, contaremos com a presença
real de um representante da Procuradoria aqui.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço-lhe, Sr. Relator.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra pela
ordem ao Senador Demóstenes Torres.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, também peço a palavra
pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Então, a Senadora
Heloísa será a última, por favor.
O SR. SIBÁ MACHADO (PT – AC) – Sr. Presidente, eu já havia pedido a
minha inscrição e gostaria de saber se V. Exª a anotou.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exªs terão
oportunidade de fazer a inscrição agora mesmo. Do contrário, não trabalhamos.
Temos de ouvir o depoente. Ele foi convocado para as 10 horas.
Concedo a palavra ao Senador
Demóstenes Torres.
O SR. SIBÁ MACHADO (PT – AC) – Estou levando tanto bombardeio, Sr.
Presidente, que, toda a vez que peço a palavra, a resposta é essa! Sou obrigado
a me dirigir de outra maneira à Mesa e acabo pagando por isso.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Senador Sibá Machado,
gostaria de contar com a compreensão de V. Exª.
Concedo a palavra ao Senador
Demóstenes Torres.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, Sr. Relator...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª pode aguardar
oportunamente. Eu concederei a palavra a V. Exª. Do contrário, aqui vai virar
desordem, e não vou presidir dessa forma.
Tem a palavra o Senador
Demóstenes Torres.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, precisamos otimizar o
nosso trabalho, porque todos nós, parlamentares, estamos numa situação bastante
complicada. Somos responsáveis, inclusive legalmente,...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Temos de demonstrar
isso ao País.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – ...pelos sigilos que estão à nossa
disposição.
Qual é o nosso procedimento?
Temos de ir a uma sala onde se encontram documentos amontoados, para
consultá-los. Isso, de prático, não tem nada, porque nenhum de nós aqui é capaz
de fazer uma análise documental da montanha de documentos que já apareceu.
A Senadora Heloísa Helena
relatava que saiu às 13h30min da Comissão, leu o que tinha de ler e o que não
tinha de ler e não chegou à conclusão alguma, porque esse trabalho é
infrutífero.
Então, o que estou
solicitando a V. Exª, e pediria que o Relator pudesse opinar a respeito, é que,
sob compromisso, desse a qualquer Parlamentar, que tiver interesse, cópias dos
documentos já existentes com o termo – isso já aconteceu em todas as demais
CPIs: cópia sob compromisso –, para que possamos analisar. “Ah, mas há
preocupação de vazamento”. Está tudo vazado. Quando chega aqui, todo mundo já
publicou. Somos os únicos que não temos acesso, os Parlamentares que estão
investigando.
Então, eu solicitaria isto:
sob compromisso, quem tiver interesse que obtivesse as cópias, mesmo porque
somos responsáveis pelo sigilo.
Sugeriria isso à Comissão,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Relator vai consultar
a parte técnica e, se for possível, V. Exª será atendido. Se não for, terá uma
satisfação.
Com a palavra o Senador Sibá
Machado e, posteriormente, Heloísa Helena.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O que é isso? Consultar o Plenário, e
não a parte técnica, Sr. Presidente. Que é isso?
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não vou entrar no mérito da discussão,
embora todos estejam entrando.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – A Senadora está com a
palavra. Todos já a tiveram. Ambos que estão discutindo já tiveram a palavra.
Agora, com a palavra a Senadora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pode deixar todos falarem.
Vou fazer o encaminhamento.
Sinto-me tentada a entrar no mérito do debate, mas não vou fazê-lo para dar
conta dos trabalhos de hoje.
O que apelo a V. Exª, ao
Relator e ao Presidente Delcídio Amaral é que convoquemos, antes da
quinta-feira, uma reunião administrativa. Se vai ser de madrugada, se vai ser
às 7 horas da manhã, mas vai ter que ser feita, para que possamos trabalhar de
segunda a sexta, porque já está mostrado como impraticável funcionar só dois
dias na semana com depoimento e análise de documento.
Então, essa uma proposta
objetiva, para que seja convocada uma reunião administrativa antes da que
supostamente poderia ser marcada para quinta-feira de manhã.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Acho até que V. Exª
poderia formalizar por escrito para trabalharmos de segunda a sexta e submeter
ao Plenário. Acho que é uma medida extremamente necessária e urgente.
Senador Sibá Machado.
O SR. SIBÁ MACHADO (PT – AC) – Sr. Presidente, só para concluir nessa
linha, estou reiterando, mais uma vez, a necessidade de as três CPIs, os três
Presidentes e os três Relatores se encontrarem para se fazer uma proposta de
atuação em conjunto, para que evitemos fazer a circulação, ficar girando em
círculo, buscar os mesmos documentos, os mesmos depoimentos ou coisa parecida.
Uma terceira CPI se instala hoje. Não vejo nenhum impedimento de, até
quinta-feira, os três Presidentes com os três Relatores proporem para nós uma
atuação coletiva. Isso facilitará ao máximo os nossos trabalhos, coadunando com
essa idéia de se trabalhar de segunda a sexta-feira. É isso.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Relator tomará as
providências. Convido para o seu...
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, apenas em razão da
importância, desde o início...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Senador Alvaro Dias, V.
Exª não estava. Eu disse que iria ter 15 minutos de tolerância para ouvir os
companheiros. Eu tinha dado a palavra à Senadora Heloísa como última inscrita.
Eu gostaria de contar com a colaboração de V. Exª.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Trinta segundos. Eu quero reiterar o
apelo que tenho feito insistentemente. É preciso que a Presidência da CPI
autorize funcionário credenciado por cada Bancada para acesso aos documentos. É
impossível que cada Senador ou Deputado tenha que ficar...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Levarei a preocupação
de V. Exª, mais uma vez, ao Presidente Delcídio. Não posso e não tenho
competência para decidir. Levarei, mais uma vez, ao Presidente Delcídio.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exatamente. É fundamental porque temos
que trabalhar com provas documentais, senão não chegaremos aos objetivos. Por
isso, Sr. Presidente, espero que essa seja a última vez que faço esse apelo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado. Peço à
assessoria que faça entrar o Sr. Silvio Pereira para prestar o seu depoimento.
Por favor. (Pausa.)
Encontra-se em nossas mãos o
Habeas Corpus nº 86.319/1, medida cautelar do Distrito Federal.
Portanto, o depoente prestará o seu compromisso. Aliás, está dispensado de
assinar o termo de compromisso. Ele vai prestar o depoimento como investigado.
V. Sª, Sr. Silvio Pereira, tem o microfone à disposição para...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr. Presidente, V. Exª
poderia informar quem são os advogados que acompanham o depoente? O nome dos
advogados? Declinar os advogados que acompanham o depoente?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Arnaldo Malheiros
Filho, por sinal xará de V. Exª, Flávia Raal e Celso Vilares. Deu para anotar:
Flávia Raal, Celso e Arnaldo.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Sr. Presidente, apenas uma questão. Ele
foi considerado como investigado pelo Supremo ou foi a pedido do advogado,
considerando-o como indiciado? Foi o Supremo que já o rotulou como indiciado?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Como indiciado? Não
sei.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Ele é investigado ou é indiciado?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Investigado.
Exatamente.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Mas já foi pelo Supremo ou a requerimento
do advogado?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Tem o habeas corpus.
O SR. (Orador não
identificado) – A requerimento do
advogado, que se qualificou como tal.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É, automaticamente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Sª tem alguns
minutos para se auto-qualificar, um pequeno histórico, e, logo em seguida, as
considerações que deseja fazer. Logo depois, o Relator fará as perguntas e cada
um dos Parlamentares inscritos.
Com a palavra o Sr. Silvio
Pereira.
O SR. SILVIO PEREIRA – Bom dia, Sr. Presidente. Bom dia, Sr. Relator. Bom
dia, senhoras e senhores. Estou aqui para prestar esclarecimentos a esta CPI e
a toda a opinião pública. Estou aqui para falar a verdade, a verdade que marcou
toda a minha trajetória em 25 anos de militância no PT.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O som, por gentileza.
O SR. SILVIO PEREIRA – Repetindo, estou aqui para falar a verdade, a
verdade que marcou a minha trajetória em 25 anos de militância no PT. Estou no
PT desde a sua fundação. Fui secretário de organização, depois
secretário-geral, onde pude conhecer o PT em nível nacional.
Acompanhei a trajetória de
desenvolvimento do PT em todos os Estados, nos principais Municípios deste
País. Foi em função deste meu conhecimento do PT – seus filiados, seus
militantes – que o meu Partido me indicou para coordenar, em seu nome, as
indicações de pessoas vinculadas ao PT para cargos de confiança no Governo
Federal. Mas, quero, logo de início, afirmar, perante esta CPI e a todo o País:
quem nomeou foi o Governo. Eu nunca nomeei ninguém no Governo Federal.
Muito obrigado. Estou à
disposição de todos os senhores e senhoras.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Relator.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES
NEGO (PFL – BA) – Sr. Presidente, o
depoente deveria, pelo menos, fazer um breve histórico da sua qualificação.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu já havia solicitado,
e ele fica à vontade. Se quiser, tudo bem; se não, não podemos obrigá-lo.
O SR. SILVIO PEREIRA – Sou sociólogo. Tenho 44 anos. Sou casado. Iniciei
minha militância logo no início da fundação do PT. Minha participação começa
nas comunidades eclesiais de base de Osasco. Antes ainda da fundação do PT,
militei rapidamente no Partido Comunista Brasileiro, ainda no período da
clandestinidade. Assumo a fundação do PT, milito no movimento sindical e sempre
tenho a minha vida marcada na militância por direitos humanos.
Ajudei a fundar o Centro de
Defesa de Direitos Humanos de Osasco. Participei do início da luta pela
anistia. Militei, durante dez anos, no Núcleo de Base do Clube Dezoito em
Osasco. Depois disso, assumi vários cargos no PT: fui para a direção municipal
do PT, a primeira Comissão Provisória, Direção Estadual, Executiva Estadual. Em
88, quando o PT ganha a Prefeitura de São Paulo, eu vou cuidar também do
Partido, aqui, em nível da Capital. Depois, vou para a direção estadual do PT,
assumindo o cargo de Secretário de Organização e, depois, como Secretário-Geral
Estadual do PT.
No ano 2000, provavelmente
em 2000, eu entro para o Diretório Nacional do PT, embora esteja desde a
fundação. Somente no ano de 2000, eu sou eleito para o Diretório Nacional do
PT. Assumo a Secretaria de Organização por dois mandatos. Em 2004, eu saio do
meu cargo de Secretário de Organização e assumo no lugar do Deputado Bittar,
que esta aqui presente, como Secretário-Geral. O Deputado Bittar foi ser
candidato a Prefeito na cidade do Rio de Janeiro.
Em toda a minha militância
no PT, desde o início, participei das diversas campanhas que o PT fez desde
1982 até as últimas campanhas, sempre participando na organização do PT. A
minha característica, o meu perfil, a minha dedicação tem sido organizar o PT
em todo o País, desde o Sul ao Norte, particularmente nas regiões mais
carentes, mais difíceis, nas regiões mais distantes deste País.
Circulei por todo o Partido.
Essa é um pouco a minha característica. A partir da eleição do Presidente Lula
em 2002, assumi em nome do PT. Exatamente por esse conhecimento que eu tenho de
todo o Partido, de toda a militância, da nossa Bancada Federal, da nossa
Bancada no Senado, dos nossos Prefeitos, é que eu assumi essa função de poder
coordenar as indicações do PT ao Governo do Presidente Lula.
Não sei se consegui responder
todas as questões.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado. Outras
questões também poderão ser formuladas durante o interrogatório.
Concedo a palavra ao ilustre
Relator Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs
e Srs. Parlamentares, Sr. Depoente Silvio Pereira, Sr. Advogado Arnaldo
Malheiros, o que estamos investigando e o que a mídia toda tem divulgado – e é
nesse sentido que iremos incidir o nosso questionamento em relação a V. Sª, Sr.
Silvio Pereira – é o fato de que V. Sª poderia ter sido um instrumento de
captação de recursos para o Partido dos Trabalhadores e, eventualmente, para os
Partidos aliados.
Ultimamente, fomos
surpreendidos com a informação de que os recursos que estão sendo questionados,
pelo menos nesses bancos mais visados, teriam sido resultantes de empréstimos.
Mas confesso que tenho ouvido os colegas Parlamentares e que precisamos de
informações muito mais claras, para que possamos afastar a idéia de que, de
fato, V. Sª era um elo muito importante no relacionamento com as empresas,
tanto prestadoras de serviços, fornecedoras de produtos, quanto de
intermediação daqueles que tinham interesses a serem decididos junto ao
Governo.
Repetidamente, tanto na
imprensa quanto no que ouvimos, o nome de V. Sª vem à baila exatamente como
alguém que estava incrustado no Palácio do Planalto, em sala próxima de quem
comandava primacialmente os destinos do Governo e ali se fazia a interlocução
daqueles que seriam os ocupantes de cargos. Para resumir, a Comissão precisa
saber até onde V. Sª, ciente ou não ciente, foi utilizado para servir de
mecanismo de obtenção de recursos, e daí se procedera àquilo que na seqüência
se denominou de mensalão, que seria distribuído de forma a que o Governo tivesse
um apoio facilitado nas decisões do Parlamento.
A primeira pergunta faço a
V. Sª – gostaria que fosse bastante detalhado em tudo o que lembrasse: para
quais cargos e de quais empresas, ou da administração direta, V. Sª
intermediou, enfim, levou à nomeação? Porque é certo que V. Sª, até onde li nos
depoimentos, não ocupava cargo algum. É evidente que V. Sª não nomeou ninguém
no Governo, mas quais cargos passaram pelas mãos de V. Sª para que finalmente
fossem nomeados oficialmente?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, conforme afirmei aqui e é também, de
certa maneira, de conhecimento de muitos Parlamentares desta Casa, a minha
função era coordenar as indicações do PT e fiz isso com muita dedicação. Foi
uma história de vinte e cinco anos para conquistarmos a Presidência da
República. Considero justo, legítimo que os partidos que compõem a base, os
partidos que apoiaram o Presidente, possam fazer indicações de quadros
técnicos, de quadros políticos, com competência, ao Governo. Foi exatamente
nessa função, Sr. Relator, como representante do PT, que eu recebia, por parte
de diversos Parlamentares do PT.
Nós temos vinte e sete
diretórios estaduais. Para o senhor ter uma idéia, coordenei em torno de cinco
mil nomes para poder compor esse chamado banco de dados do PT. Esses nomes nós
recebíamos do Partido e os encaminhávamos ao Governo. Nem sempre os nomes... Eu
representava, portanto, os interesses do Partido nas pessoas dos militantes,
dos dirigentes e dos Parlamentares. Encaminhávamos ao Governo porque aí, sim, o
Governo tomava a decisão da nomeação.
Nesse período, era evidente
que em muitos casos aconteciam reivindicações também entre Partidos da base: o
PT, o PL, o PTB e assim por diante. Eu não escolhia apenas esse ou aquele
cargo; eu levava as demandas, as reivindicações para o Governo e era ali, no
Governo, que se processavam as indicações. Portanto, não tenho indicações em
meu nome pessoal ao Governo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) – A pergunta não é
quais indicações teriam sido procedidas em seu nome. Quais as que V. Sª
apresentou ao Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Apresentei alguns nomes, Sr. Relator. Nem
necessariamente os nomes que eu apresentei foram ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) – Eu não queria esses
cinco mil. Eu queria que V. Sª se concentrasse naqueles que evidentemente
chamam a atenção: as grandes diretorias.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não participei, Sr. Relator, da formatação das
diretorias. Eu indicava nomes ao Governo. Às vezes se indicava um nome para uma
diretoria de uma empresa e não necessariamente aquela pessoa era nomeada
naquela diretoria; às vezes era nomeada em outro lugar. E eu não tenho controle
de quem foi totalmente indicado e onde foi nomeado. Depois, se tiver alguma
coisa mais específica eu saberei responder se esse nome eu indiquei, ou não.
Mas, no nível geral, não tenho assim um relatório onde se diga: olha, eu
indiquei “x” nomes: esses nomes foram para cá ou para lá.
Nós indicamos um conjunto de
nomes ao Governo e muitos dos nomes que foram para o Governo não
necessariamente fui eu que indiquei todos. Os ministros montaram os seus
ministérios de acordo com seus critérios. Não é que todos os nomes de cargos de
confiança, petistas ou não, passavam por mim. Isso não é verdade, isso não
aconteceu, por isso eu não tenho este controle desta forma como o Sr. Relator
está nos solicitando.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) – Mas pelo menos algum
nome. Não é de se supor, até porque V. Sª viria depor e deve ter verificado
seus assentos, porque não viria aqui para dizer que não viu nada, não sabe de
nada e passou pelo Palácio do Planalto com tudo isso que tem sido noticiado e
não se lembra de nada.
Vou insistir num detalhe do
depoimento de V. Sª na Polícia Federal: V. Sª disse que, pelo menos quando
havia certo desentendimento, certo conflito de interesses dos partidos em
relação a alguma diretoria, V. Sª interferia, enfim, entrava na negociação para
que fossem serenados os ânimos dos partidos. Sobre quais diretorias V. Sª se
lembra ter havido discrepância em torno da indicação em relação aos partidos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Vou tentar me lembrar, Sr. Relator. E acho
que, no transcorrer, poderei me lembrar de outros casos.
Isso se deu em meados de
2003. Vou dar um exemplo bem concreto: a Delegacia Regional do Trabalho do Rio
de Janeiro. Era natural que, no caso do PT, o Partido sempre reivindicava os
cargos exatamente vinculados ao Ministério do Trabalho, à Delegacia Regional do
Trabalho, cargos vinculados à questão do Incra, onde o PT tinha maior tradição
de trabalho.
Então, quando um partido da
base aliada indicava uma pessoa que não era do PT para uma Delegacia Regional
do Trabalho, isso dava bastante confusão. Por exemplo: logo no começo – eu me
lembro disto –, houve uma conversa com o próprio PTB na época. O PTB tinha
indicado ao Governo o Delegado Regional do Trabalho no Rio de Janeiro. Isso foi
na direção do PTB, que indicou ao Governo um nome para Delegado Regional do
Trabalho.
Nem sempre o nome que o
Partido indicava era aceito de imediato, porque ele passaria por uma análise
interna dentro do Governo. Eu me lembro que, nesse caso, depois do terceiro
nome é que veio a ser aceita pelo Governo a indicação do PTB para a Delegacia
Regional do Trabalho do Rio de Janeiro.
Isso provocou, no PT do Rio
de Janeiro e na CUT do Rio de Janeiro, bastante problema, porque era da
tradição da CUT, e a CUT não aceitava militantes...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Silvio,
talvez, para abreviar, porque, na verdade, não estamos interessados em cargos
de Estados, embora, de alguma forma, até possam ser interessantes. Mais à
frente isso poderá ser questionado.
Queremos saber: esta
República tem grandes estatais, tem cargos que foram disputados por traduzirem
poder. Era uma forma de partilha de poder, inclusive. E, estranhamente, essa
briga sempre incidia sobre cargos – e essa também era uma pergunta que eu
queria fazer a V. Sª. Não se percebia, nesse núcleo do qual V. Sª participava,
que era formado por aqueles que efetivamente davam o toque final na nomeação,
que a escolha era muito estratégica, era sempre em cima de locais que
viabilizavam – não quero dizer que fosse isso –, para quem tivesse a intenção
de arrecadar dinheiro, é evidente a escolha dos cargos.
Nunca li em algum lugar que
algum técnico tivesse sido apresentado por ser um grande técnico e ocupar um
cargo técnico onde não se mexesse com licitação, com compra, com dinheiro,
enfim, que não servisse de fonte de recursos.
Agora, queríamos que V. Sª
particularizasse mais, porque temos aqui, por exemplo, a informação do Diretor
de Tecnologia dos Correios, e ele nos disse que foi indicado por V. Sª. Assim
como ele, deve haver mais indicações tanto de V. Sª, enquanto interlocutor do
PT, quanto dos Partidos da base.
Não acreditamos, perdoe-nos,
mas não acreditamos que V. Sª não se lembre de indicações que criaram celeuma.
Por exemplo, aquela do Ezequiel. Por que a indicação do Ezequiel não ocorreu ao
longo do tempo, sendo solicitada por gente da base? Tudo mais ou menos
costurado para que fosse assim e terminou não se operando? E quem deu a
informação ao Senador de que não se operaria foi V. Sª. Portanto, V. Sª sabia
de todas as indicações, de todas as nomeações. E é isso o que queremos saber.
Então, repito a primeira
pergunta: quais os cargos em que V. Sª percebeu que havia disputa efetiva na
sua ocupação?
E segundo: nunca
estranharam, enquanto organização de poder, que, mais do que competência, o que
se estava colocando eram pessoas estrategicamente localizadas na estrutura para
aquilo que ficou tão claro? V. Sª deve ter ouvido o Roberto Jefferson falando,
o Deputado Roberto Jefferson, e dando de dedo nos Líderes dos Partidos: “Vocês
não sabiam que nós estávamos indicando diretores porque eram diretores para
captar recursos?” E deu o exemplo do IRB, onde havia uma determinada
importância; deu, inclusive, dos Correios; e finalmente nós vimos, esses dias,
o escândalo das Furnas. O que V. Sª tem a dizer sobre isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, não é fato que eu indiquei todas essas
pessoas das estatais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não são todas. V. Sª
está... Nós queremos que V. Sª particularize quais as que chamaram a atenção,
porque V. Sª há de convir que estamos investigando nas estatais. Daqui a pouco,
nós iremos saber. Como nós já vimos nos Correios, nós iremos saber que fulano
de tal está aqui porque o Silvio Pereira interferiu; está aqui... Percebe?
Então, o ideal é que pelo menos aqueles casos que chamaram a atenção V. Sª
recordasse, o que seria interessante para que o seu depoimento obtivesse a
credibilidade necessária, na seqüência, junto daqueles que o irão ouvir.
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, eu afirmei, no início, que eu falarei
aqui a verdade. Todas as perguntas que me fizeram sobre a questão das
indicações eu vou responder.
O que estou dizendo ao
senhor é que não tenho esse conhecimento nesse nível que se possa imaginar. A
hora de se fazer as perguntas mais específicas vou estar respondendo, não vou
negar nenhuma resposta aqui, e vou poder tentar ajudar esta CPI.
Eu não tinha esse nível de
informação, esse nível de influência e esse nível de decisão. Durante um bom
tempo – na verdade, tem vários Parlamentares de diversos Partidos nesta Casa
que podem testemunhar isto –, muitas vezes, eu lutava, sim, não só às vezes
pela indicação do PT; às vezes eu tinha que tentar convencer o PT que o Partido
da base tinha que compor. De fato, quando foram montados os Ministérios, os
Ministros montaram seus Ministérios de acordo com os seus critérios. Nós
discutimos depois indicações do PT, mesmo da base aliada, em algumas empresas.
E, no meu caso, eu tive uma participação muito intensa nos Estados. Minha
vinculação no PT, minha história no PT, ao longo desses anos, sempre foi uma
relação com os Estados, todos os Estados. Quem me conhece no PT sabe exatamente
disso.
Evidentemente que todas as
perguntas que foram perguntadas vou tentar aqui lembrar, vou tentar responder
todas elas, sobre todos os cargos que tenho conhecimento e de que eu tenha
participado. Vou tentar esclarecer todas elas. Mas, em nível geral, eu não
tenho esse conhecimento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, V. Sª poderia
começar já particularizando: o Sr. Medeiros, da Diretoria de Tecnologia dos
Correios, nos informou – e ele foi confirmado pelo Maurício Marinho – que quem
comandava a Diretoria de Tecnologia dos Correios era V. Sª, e que a indicação
dele – ele dizendo – partiu de V. Sª.
O SR. SILVIO PEREIRA – É. Eduardo Medeiros, em novembro, foi-me indicado
por um... Fui procurado por um grupo de funcionários dos Correios – alguns eram
filiados do PT e outros não –, me apresentaram a reivindicação e o pleito do
Eduardo Medeiros, pedindo o apoio do PT a essa indicação, alegando que se
tratava de um funcionário de carreira dos Correios, uma pessoa do corpo
técnico. Eles achavam importante ter alguém do corpo técnico na Diretoria dos
Correios, e vieram me pedir o meu apoio. Eu repassei essa indicação, esse
currículo ao Governo.
Não foi muito diferente esse
procedimento em relação a várias outras indicações que vou explicar para o
senhor.
Então, no caso do Eduardo
Medeiros, inclusive, quando repassei essa indicação ao Governo, nem sequer eu o
havia conhecido, nem sequer tinha falado por telefone e nem visto ele. Vim
conhecer o Sr. Eduardo Medeiros tempos depois.
Não comandava a Diretoria de
Tecnologia. Não tive participação, qualquer outra participação dentro da
Diretoria dos Correios. Os outros diretores são testemunhas disso, que eu nunca
conversei com eles, eu nunca apresentei qualquer outra pessoa para poder ocupar
os Correios.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E, se fosse algo
assim tão normal, por que houve um encontro dele com V. Sª em um hotel em São
Paulo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nós tivemos dois
encontros. O primeiro encontro foi aqui em Brasília, também, em um restaurante,
onde a gente... ele queria me conhecer, porque até então ele não tinha... ele
assumiu e não tinha me conhecido... O corpo técnico dos Correios se movimentou.
Procuraram vários canais para obter essa indicação. Um dos canais a que
tentaram chegar foi em mim: o Sr. Eduardo Medeiros, quando estava em São Paulo.
Foi um encontro super-rápido. Estava em uma atividade em São Paulo – se não me
engano, dos Correios – da qual não participei. Eu tive um breve encontro com
ele em um restaurante. Ele tinha acabado de almoçar e nós tomamos café juntos.
Foi uma conversa super-rápida. Isso deve estar fazendo mais de um ano. Foram os
dois únicos contatos que eu tive com o Eduardo Medeiros. Depois disso, eu não
liguei nem ele me ligou. Não visitei os Correios. Aliás, visitei os Correios
uma única vez na minha vida, logo na posse do Presidente Dipp. Fui lá, conheci,
fiquei uns dez minutos na sede dos Correios e depois nunca mais voltei. Nunca
encaminhei absolutamente nada nem ninguém para os Correios.
Ah, desculpe. Do Senador
Bezerra?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do
Senador, é. Do Ezequiel.
O SR. SILVIO PEREIRA – Do Ezequiel. Acho que está aí um bom
exemplo, Sr. Relator, para eu poder explicar um pouco a minha participação
nesse caso.
Eu lembro que, por ocasião
da montagem do Governo, o Banco do Nordeste Brasileiro, o BNB, já tinha montado
toda a sua diretoria, restava apenas um cargo de diretor que estava sendo
disputado por três indicações. Uma indicação, do PT, era o companheiro Avenzoar
Arruda, que tinha sido candidato a Governador da Paraíba; a outra indicação era
o ex-Governador da Paraíba José Paulino; a terceira indicação, exatamente do
PTB, depois apoiada e sustentada pelo Senador Fernando Bezerra, era o nome do Ezequiel
para a diretoria do BNB. Portanto, eram três nomes para apenas uma única vaga
não-preenchida.
Eu não me reuni com os três.
O Governo decidiu pela nomeação do Sr. Governador da Paraíba José Paulino para
a diretoria do BNB, alegando, naquele período, que precisava ter pessoas com
maior experiência para tocar o banco. Ficaram dois problemas: uma indicação do
PT, que era o Sr. Avenzoar Arruda, e a indicação do Senador Fernando Bezerra,
que era o Sr. Ezequiel.
O Governo chamava, na época,
os partidos da base aliada. E é importante dizer que todos os partidos da base
aliada tinham representantes junto ao Governo. Eu representava o PT; o PTB
tinha seus representantes; o PMDB que apoiava o Governo tinha seus
representantes; o PL tinha seus representantes; o PCdoB tinha seus
representantes; o PSB tinha seus representantes. Eu conversei com todos eles, e
o Governo os chamava para conversar.
Nesse caso, existia um
conflito concreto de interesses. Eram três indicações, três partidos e uma
única vaga. Na medida em que o Governo opta pela vaga para o José Paulino, duas
outras indicações não são contempladas. Naquele momento, o Governo sugeriu
tanto para nós, o PT, quanto para o PTB – e está aqui o Senador Fernando
Bezerra, que pode confirmar – que o Sr. Ezequiel fosse indicado para um cargo
de consultor junto ao BNB, um cargo qualificado, porque se tratava de uma
pessoa muito qualificada. Esse foi o entendimento realizado naquele momento.
Ali encerrou a minha participação nesse episódio.
Não sei exatamente...Só vim
saber depois, em 2004, quando o Senador me procurou me informando que tinha
alguns assuntos para tratar comigo. Lembro que eu já estava saindo de férias.
Até combinei com o Senador para nos encontrarmos logo depois do Carnaval, acho
que em março.
O Senador foi até o
escritório do PT em Brasília. Discutimos um assunto relativo à campanha
eleitoral no Rio Grande do Norte, porque estava havendo lá uma disputa entre
partidos da base. O segundo tema, que é o que interessa aqui, foi o Ezequiel.
Foi então que o Senador me informou que aquilo que havia sido combinado na
época com o Governo não foi bem, assim, concluído. O Sr. Ezequiel acabou não
indo para um cargo de consultor qualificado como havia sido prometido na época.
Ele tinha ido para um cargo de assessor mais abaixo do que aquilo que tinha
sido prometido. Eu sempre fui cioso pela minha palavra, por aquilo que era
combinado. E sempre lutei. Está aqui o Senador que está presidindo a reunião,
que sabe o quanto que eu lutava para poder cumprir os acordos realizados.
Lutava! Ia ao Ministro, ia ao Governo, porque achava que acordo feito tinha que
ser cumprido. Quando o Senador Fernando Bezerra disse: “Você se lembra desse
acordo?” Falei: “Lembro sim, Senador.” Num primeiro momento, até falei:
“Ezequiel?” “Não, lembro sim do Sr.
Ezequiel. Lembro do Sr. Ezequiel; lembro, sim, que o pleito era justo. O Rio
Grande do Norte, nas montagens de Governo, sempre teve pessoas junto ao BNB.”
Aí falei para o Senador – como já tinha mudado a diretoria dos Correios, havia
mudado o Ministro: “Olha, Senador, acho”, foi exatamente assim que falei pra
ele, “acho que tem uma diretoria nos Correios que não tem indicação partidária.
Muitos até atribuem esse cargo como um cargo meu”. Falei assim para o Senador:
“Olha, da minha parte não tem nada disso, Senador. Recomendo ao senhor que
procure o Governo e reivindique esse cargo. Da minha parte, não tem
absolutamente nada. Dependerá do Governo”.
No dia seguinte, eu me
reuni com o Senador à tarde, aqui em Brasília. No mesmo dia, voltei para São
Paulo. Li pelos jornais que, na véspera, à noite, tinha tido um encontro entre
o PTB e o Governo, e, nessa reunião, o Governo havia decidido atender à
indicação do Senador Fernando Bezerra do Sr. Ezequiel para a diretoria dos
Correios, exatamente no cargo do Sr. Eduardo Medeiros. Eu não participei dessa
reunião do PTB com o Governo. Eu participei só com o Sr. Fernando Bezerra.
Lembro-me também, nesse
período, não sei se na matéria nos jornais tinha saído ou não a nomeação, aí já
não acompanhei mais se tinha saído ou não. Depois, li nos jornais que a
nomeação tinha saído. Lembro até quando o Senador foi viajar de férias, tinha
ligado até para ele, porque vi que estavam tentando envolver o nome do Ezequiel
num tema que o Ezequiel não tinha absolutamente nada a ver. Ainda falei para o
Senador. E terminou ali a minha participação nesse caso do Sr. Ezequiel. Foi
exatamente isso que aconteceu.
O SR. FERNANDO BEZERRA (PTB – RN) – Sr. Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra, pela
ordem, V. Exª.
O SR. FERNANDO BEZERRA (PTB – RN) – Muito embora não tenha prevalecido a
questão o art. 14, por ter sido citado, por achar oportuno que os
esclarecimentos se dêem no momento, pediria a V. Exª que me permitisse.
É absolutamente correta a
versão do Sr. Silvio Pereira. Eu indiquei, logo no início da montagem do
Governo, por solicitação do então presidente do Partido José Carlos Martinez, o
nome do Sr. Ezequiel para uma diretoria do Banco do Nordeste. Isso mantinha uma
tradição de o Rio Grande do Norte, meu Estado, sempre ter uma diretoria no
Banco do Nordeste.
Fui depois procurado pelo
Dr. Silvio Pereira em meu gabinete, em nome do Ministro José Dirceu, dizendo
exatamente... Ele não havia colocado como coloca agora que tinha prevalecido a
indicação do Senador José Maranhão com o nome do ex-governador José Paulino.
Ele me dizia que havia uma preocupação do Governo de que havia muitas
indicações políticas, e o Ministro Palocci tinha essa preocupação e indicaria
técnicos e oferecia uma assessoria da presidência do Banco. O que foi feito.
Exatamente o que foi feito.
Com o passar dos tempos,
algumas vezes, comprei porque havia o compromisso com o presidente do
Partido... Aliás, é preciso que se diga aqui que indicações de nomes é uma praxe
política antiga no Brasil. Aliás, em todos os países. Essa recepção de nomes no
Governo anterior se fazia com o Eduardo Jorge, depois, com o Deputado Aloysio
Nunes Ferreira. Portanto, não há nada de espúrio na indicação de nomes.
Decorrido o tempo, fiz várias cobranças ao Ministro Aldo Rebelo, ao
Ministro José Dirceu, e encontros fortuitos. Depois, o encontro que fui aqui à
sede do PT, como narrou o Sr. Silvio Pereira, para cobrar, uma vez que ele
tinha sido o portador, como ele coloca, como coordenador das indicações do
Governo, perguntar a ele por que inclusive o José Paulino tinha saído para
disputar o Governo do Estado e a diretoria foi novamente ocupada por indicação
do Senador José Maranhão, do PMDB. Eu queria apenas confirmar esses fatos.
Houve, realmente, um encontro meu com o Presidente da República, em
companhia do Deputado Roberto Jefferson e do Deputado Fleury, e o Presidente
confirmou a indicação. Mas é importante que se diga: em momento nenhum, em
momento nenhum eu reivindiquei, até porque não sabia, diretoria dos Correios.
Foi dado e oferecido como uma espécie de compensação. Eu consultei o Dr.
Ezequiel – que havia residido aqui em Brasília e, no Governo de Fernando
Henrique, havia sido Diretor da Conab –, se ele aceitava voltar a Brasília para
uma diretoria nos Correios. Ele consultou sua família e confirmou a aceitação.
Somente depois disso, o Presidente do Partido, Roberto Jefferson, encaminhou ao
Governo e me convidou para esse entendimento com o Presidente da República, que
confirmou a nomeação, que felizmente – felizmente, eu me considero um homem de
muita sorte – não aconteceu.
O SR. PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª e asseguro a palavra ao Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª lembra de algum outro caso, de alguma nomeação
que tenha ficado pendente, em que houve necessidade de negociação entre os
Partidos?
O SR. SILVIO PEREIRA – No geral, Sr. Relator,
no geral, realmente não consigo lembrar, mas no transcorrer eu posso estar
lembrando e estar voltando ao assunto. Se eu me lembrar, com certeza falarei ao
senhor.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tinha um local onde atendia no Palácio do
Planalto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não,
senhor, eu não tinha nenhum local reservado para mim, em nenhum lugar dentro do
Governo.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Quando alguém queria procurá-lo em Brasília, o que se
diz é que isso se dava numa sala no quarto andar do Palácio do Planalto. Isso
não é verdadeiro?
O SR. SILVIO PEREIRA – Isso
não é verdadeiro, Sr. Relator. Temos aqui, nesta, sala diversos Parlamentares
que se reuniram comigo em salas de reuniões dentro do Governo, em salas de
reuniões de trabalho. Eu tinha o meu celular, a minha sala ficava aqui no
escritório do PT, no prédio da Varig, onde eu ia muito pouco, e lá na sede do
PT em São Paulo, onde eu permanecia. Em 2003, eu vim com bastante freqüência a
Brasília; em outubro, a partir do nascimento da minha filha, passei a reduzir
bastante a minha presença aqui em Brasília.
Nunca tive salinha, nunca tive estrutura, nunca tive secretária. Isso
não existe, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – É só uma curiosidade, porque nós, costumeiramente,
atendemos nos nossos gabinetes, em escritórios. O que leva a se fazer tanta
reunião em hotéis? Todas as pessoas que nós ouvimos faziam as reuniões em
hotéis.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu
fazia minhas reuniões nas dependências do Governo, em salas de reuniões, em
salas de trabalho, também fiz em hotéis, em escritório do PT. Eu procurava
conciliar as reuniões de acordo com a minha agenda, o que era mais racional, o
que rendia mais.
Quando vinha para Brasília, eu ficava muito pouco tempo. Por exemplo, eu
me hospedava no hotel; logo de manhã, tomava três cafés da manhã, às sete, sete
e meia, oito horas, oito e meia, e ia tudo na seqüência. Muitas vezes, nem
sequer dava tempo de eu ir a dependência do Governo, nem mesmo ao escritório do
PT. Então, às vezes, eu ficava ali no hotel. Os próprios Líderes de Partidos
iam lá no hotel se reunir comigo, e não só Líderes, eu me reunia também nos
hotéis com jornalistas. Com os principais jornais, as principais revistas, com
os principais jornais do País eu me reunia em hotel, recebia dirigentes
partidários de todos os Partidos da base aliada, também dirigentes sindicais,
dirigentes da sociedade civil. Fiz várias reuniões importantes em hotéis,
fazia-as à luz do dia, fazia-as ali no café da manhã, eu as fazia, Sr. Relator,
onde fosse mais racional. Por exemplo, se eu fosse para Congonhas, eu as faria
mais próximas de Congonhas; no retorno, se eu estava no retorno, eu fazia o
mais próximo da minha casa ou na saída, ou na volta; enfim, eu procurava fazer
com que rendesse o máximo o meu tempo e eu pudesse produzir.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Ou seja, não era para fugir da presença de assessores que pudessem
ouvir as conversas estabelecidas. Não era essa a intenção.
O SR. SILVIO PEREIRA – De
maneira nenhuma, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Quais as empresas de que V. Sª se lembra que tenham
participado com alguém intercedendo junto ao Governo por alguma razão, algum
pleito justo, mas que tenham-se valido de V. Sª como elo de ligação – empresas
de porte de que V. Sª se lembra?
O SR. SILVIO PEREIRA – Acredito que nenhuma empresa. Nunca, Sr. Relator,
absolutamente nunca, fiz qualquer mediação de interesse de empresa privada
junto ao Governo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª nunca falou com
ninguém no Governo a respeito da Skymaster?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca falei no Governo, com qualquer pessoa do
Governo, assessor, dirigente, Ministro, sobre a empresa Skymaster.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece o
diretor da Skymaster?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheci.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como é o nome dele?
Onde o conheceu?
O SR. SILVIO PEREIRA – Posso até esquecer o nome do diretor, porque estive
apenas uma única vez com o diretor da Skymaster...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Luís Carlos Gonçalves.
O SR. SILVIO PEREIRA – Luís Carlos Gonçalves. Até no depoimento na Federal
citei outro nome, porque eu realmente não recordava o nome dele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É, falou Dumont.
Dumont é do Banco Rural. É sinal que o senhor lembra também do diretor do Banco
Rural.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não estive com ninguém do Banco Rural. Agora,
voltando à pergunta do senhor, esse diretor da Skymaster – até então eu não o
conhecia – ligou diversas vezes para a Secretaria-Geral, lá na sede, em São
Paulo. Minha secretária atendeu duas... Não lembro exatamente a quantidade de
vezes. Minha agenda...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que ele pleiteava?
O SR. SILVIO PEREIRA – É o que vou explicar para o senhor.
Como minha agenda é bastante
carregada, pedi para a secretária perguntar exatamente qual era o tema da
pauta. A alegação do Sr. Gonçalves, na época, foi a de que havia um problema
entre a empresa e um membro do PT. Feito...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª faz essa
referência na Polícia. De lá, desde sua oitiva até agora não consegue lembrar
quem era o membro do PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não lembro porque eu não estive... Estive,
recebi a Skymaster. Vou responder isso para o senhor. Recebi a Skymaster, foi
um encontro super-rápido – se eu não me engano, foi no hotel Sofitel –, um
encontro que demorou uns trinta minutos. Ele começou explicando todo esse
problema do contrato que ele tinha no Governo. Eu realmente não conseguia
entender. Houve um momento que eu até o interrompi e falei... Não lembro qual o
nome dele, na época. Era o Sr. Gonçalves. Não sabia que fosse esse o nome. “Eu
gostaria de saber qual é o problema do PT? Qual é o problema que o senhor tem
com esse membro do PT?” Aí ele começa a explicar, dizendo que se sentia
prejudicado por um membro da Comissão de Licitação dos Correios, e citou o nome
na época, sim, para mim, mas não me lembro desse nome. É um nome, um sobrenome
difícil de assimilar. Eu falei: “Olha, eu não conheço essa pessoa, não o
conheço, nunca o vi, nunca estive com ele. O PT não persegue ninguém. Esse é um
tema...” Eu falei: “Não entendo isso que você está tentando me explicar. Esse é
um tema...” Ele falou de maneira respeitosa comigo e eu com ele. Eu falei:
“Esse é um tema, esse não é um assunto de partido. Tenho certeza de que o
Governo vai lhe receber, no local apropriado, e vai ter o esclarecimento que o
senhor deseja. O senhor procure o Governo”. A partir dali, Sr. Relator,
encerrou meu assunto com a Skymaster. Nunca tratei desse assunto com
absolutamente ninguém, não dei nenhum tipo de encaminhamento. Parou ali a minha
participação nessa história da Skymaster. Nunca mais vocês vão poder ter a
oportunidade, na medida em que o meu sigilo telefônico já foi oferecido à CPI,
acredito que o da Skymaster também... Essa própria investigação da CPI chegará
a esta verdade. Nunca mais, nem por telefone, nem pessoalmente, nem por
intermédio de ninguém dei prosseguimento a esse assunto da Skymaster.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, com certeza,
deve também ter visto que era uma afirmação reiterada, até nos corredores dos
Correios, a ascendência que dispunha sobre as diretorias de operações e de
tecnologia. Duas diretorias dos Correios – isso é reiterado – estavam sob
controle... Afirmo o que tenho lido de V. Sª. E, de certo modo, isso se ajusta
a esse empresário que sai de Brasília para São Paulo para falar com alguém que
não é do Governo, que não tem nada a ver com as diretorias dos Correios, e que,
depois, estranhamente, dobra o valor, ganha uma licitação com o dobro do valor,
recupera o valor, nos Correios. E V. Sª não tinha, nunca mais – até, como V. Sª
disse, nós temos o seu sigilo telefônico quebrado –, V. Sª tem convicção de que
nunca mais manteve qualquer contato com ninguém da Skymaster?
O SR. SILVIO PEREIRA – Afirmo isso e sem poder utilizar aqui o habeas
corpus. Nunca mais tive contato com a Skymaster, nunca encaminhei a
Skymaster ao Governo, Sr. Relator. Esta é a verdade. Tenho aqui o habeas
corpus, que podia estar utilizando, mas não estou utilizando, porque foi
exatamente isso que ocorreu.
Quanto ao Sr. Madureira, não
tive nenhuma participação, de nenhuma hipótese, de nenhum jeito, na sua
indicação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez V. Sª teve
algum contato com alguém do Banco Opportunity?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nada?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – V. Sª conhece os donos da Novadata?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Conhece Mauro Dutra?
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