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O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Havendo número
regimental, declaro aberta a 15ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito criada através do Requerimento nº 3, de 2005, para investigar as
causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes
públicos da Empresas Brasileiras de Correios e Telégrafos.
A ata da 14ª Reunião
encontra-se sobre a mesa. Coloco-a em votação, propondo a dispensa da leitura.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Os Srs. Parlamentares
que concordarem queiram permanecer sentados. (Pausa.)
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – É sobre a ata, sobre a
votação?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não,
depois, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Então, V. Exª aguarde
um minutinho.
Em votação a dispensa da
leitura da ata. (Pausa.)
As Srªs e os Srs.
Parlamentares que a aprovam queiram permanecer sentados. (Pausa.)
Aprovada por unanimidade.
Esclareço que a pauta desta
reunião destina-se à a oitiva do Sr. Silvio Pereira.
Concedo a palavra, pela
ordem, ao ilustre Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL - BA) – Eu
queria, antes de mais nada, pedir a colaboração do Plenário porque são duas as
questões que eu gostaria de encaminhar à Mesa e as considero bastante
importantes.
Primeiro, Sr. Presidente,
temos a informação de que um Juiz Federal de Minas Gerais está-se recusando a
encaminhar para a Polícia Federal e para esta Comissão Parlamentar de Inquérito
cópias de documentos do Sr. Marcos Valério, dentre os quais os que contém uma
lista de supostas pessoas que efetuaram saques nas contas bancárias das
empresas do Sr. Marcos Valério, autorizadas por ele.
Quero saber da Mesa se de
fato essa informação procede e que tipo de providências a Mesa pode adotar no
sentido de fazer chegar, imediatamente, essas informações à Comissão.
Aproveitando essa mesma
questão eu gostaria de fazer...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Qual é o Juiz a que V.
Exª se referiu? De qual Vara?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O Juiz
Federal de Minas Gerais que está cuidando do caso naquele Estado, Sr.
Presidente. Inclusive, supostamente na semana passada, havia sido acionado para
se pronunciar sobre o caso.
Quero falar de outra questão
conexa.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Quero ouvir o Relator a
respeito da primeira questão de V. Exª.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Certo,
então eu aguardo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra ao
Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente,
Srs. Parlamentares, a informação que a assessoria está-me dando é que nós
precisaremos aprovar um requerimento porque se trata de matéria sob sigilo.
Teríamos que pegar os dados e precisá-los melhor para que nos fossem
transferidos. Iremos providenciá-los, diante dessa informação que V. Exª
está-nos prestando, com o detalhe, a propósito, de que, como parece haver
envolvimento de Parlamentares, o foro privilegiado seria, realmente, lá onde
está incidindo a investigação. Mas nós iremos anotar. Aliás, V. Exª pode
formular o requerimento que nós o submeteremos à aprovação do Plenário.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, então eu formularei o requerimento e, logo depois da oitiva do
depoente, nós poderemos deliberar.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª será atendido
imediatamente.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sobre,
ainda, esse mesmo tema, eu gostaria de fazer um apelo ao Relator, Deputado
Osmar.
Nós fomos informados pela
imprensa brasileira, no último domingo à noite e ontem pela manhã, que havia um
interesse comum do Relator e do Presidente, Senador Delcídio Amaral, em marcar
uma audiência na próxima quinta-feira para a oitiva do Sr. Marcos Valério,
quando ele seria, portanto, reinquirido por esta Comissão Parlamentar de
Inquérito.
A primeira ponderação que
faço é com relação à oportunidade. Nós entendemos, Sr. Relator, que não há
tempo suficiente para fazermos o cruzamento de todas as informações
concernentes à quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do Sr. Marcos
Valério e das empresas a ele relacionadas.
Queria também ponderar que
temos discutido a agenda dos trabalhos sempre nas reuniões administrativas das
quintas-feiras, e isso não foi pauta da reunião de quinta-feira passada. Eu até
via aqui, quando foi distribuída pelo assessor da Comissão, que, na pauta desta
semana, o dia de quinta-feira está destinado a uma reunião administrativa.
Então, gostaria que V. Exª mantivesse a pauta pré-estabelecida e, em comum
acordo, nesta quinta-feira, nós discutiríamos a melhor data para marcar a
reinquirição do Sr. Marcos Valério.
Eu tenho uma última
questão, Sr. Presidente, ...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Deputado, eu gostaria que...
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Tudo é sobre o funcionamento dos trabalhos.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Esta reunião foi marcada para ouvir o ex-Secretário Silvio Pereira. Vamos
estipular, então, um prazo, porque, senão...
O SR. ANTONIO
CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas todas as questões que estou
levantando são importantes e dizem respeito ao funcionamento dos nossos
trabalhos.
Tenho apenas mais uma.
Todos nós ficamos preocupados, Sr. Presidente e nobre
Relator, com um documento que foi divulgado pela imprensa. Um documento
apócrifo, não há qualquer suspeita da sua autoria e muito menos da sua
autenticidade, que relacionou uma série de informações, dentre as quais o nome
de alguns parlamentares que poderiam estar sendo beneficiados pelo Sr. Marcos
Valério com a transferência de recursos.
Muito bem, ontem, quando eu cheguei aqui, eu indaguei
do Secretário da Comissão se esse documento havia sido oficialmente recebido
pela Comissão e ele me respondeu que não, que não havia nenhum registro de que
aquele documento havia sido entregue. No entanto, esse documento circulou pela
Câmara dos Deputados e pelo Congresso Nacional.
Então, eu queria que a Mesa tomasse providências,
primeiro, no sentido de saber qual foi, de fato, a origem de chegada desse
documento. Segundo, se é possível perquirirmos a autoria desse documento, se é
possível identificarmos quem elaborou esse documento para, então, esta Comissão
definir que providências tomar diante de denúncias graves, mas que,
aparentemente, são apócrifas e sem autenticidade confirmada.
É uma preocupação, Sr. Presidente, primeiro, para que
se verifique as informações contidas nesse documento e, depois, para que esse
procedimento, se eventualmente incorreto, não se repita.
É a última ponderação que faço.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Nós tomaremos as providências.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, questão de ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Só um minuto. Eu vou responder a questão de ordem.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Mas eu ainda vou fazê-la.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Mas eu vou responder à dele.
A CPI tomou conhecimento, Deputado, nós recebemos
como todos receberam nos corredores, mas a Comissão vai ver o que é possível
fazer. V. Exª está certo, podemos tentar descobrir a autoria, mas vamos tomar
as providências devidas.
Agradeço a V. Exª.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, uma questão de ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Com a palavra o Deputado Onyx Lorenzoni, que havia pedido anteriormente.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, nós estivemos...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB –
GO) – Antes, porém, quero dizer que teremos a tolerância de apenas quinze
minutos.
Não vou ficar dando questão de ordem para todo mundo
sendo que há um depoimento marcado para às 10 horas. Quinze minutos é a
tolerância.
Com a palavra V. Exª, e peço que seja sucinto, por
favor.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, estivemos cumprindo, na
quinta-feira, uma determinação da Mesa em Belo Horizonte, a Senadora Heloísa
Helena, o Deputado Eduardo Paes, o Deputado Jamil Murad e este Parlamentar.
Verificamos lá, Sr. Presidente, uma destruição de documentos da DNA referentes
a exercícios fiscais de 2004, 2003, 2002 e 2001.
Portanto, documentos que
deveriam, Sr. Presidente, estar sob guarda ou da empresa do Sr. Marcos Valério
ou da empresa de contabilidade que atendia a ele.
O que nós vimos em Belo
Horizonte é que inúmeros documentos – e aí se pode supor que não apenas da DNA,
mas talvez até da SMP&B também – foram incinerados, Sr. Presidente, na
semana passada. Foram salvas, Sr. Presidente, doze caixas, com mais de duas mil
notas fiscais, Sr. Relator, que devem estar chegando no dia de hoje.
Eu queria sugerir à nossa
Mesa Diretora dos trabalhos que solicitasse um estudo da assessoria técnica,
não apenas da nossa CPMI, mas também da consultoria jurídica do Senado Federal,
sobre a possibilidade de que a CPMI, para impedir a continuidade da destruição
das provas por parte do Sr. Marcos Valério, bem como, numa medida preventiva e
garantidora inclusive da integridade física do Sr. Marcos Valério, procedesse a
um estudo, a consultoria jurídica do Senado, sobre a possibilidade da prisão
preventiva do Sr. Marcos Valério – cautelar, esse é o termo, corrige-me o
Senador Romeu Tuma. E o Senador já pediu um estudo a sua assessoria sobre a
possibilidade de se ter essa cautelar.
Reafirmo, Sr. Presidente,
que é imprescindível essa garantia para que as investigações não sejam
prejudicadas por atos deliberados de destruição de documentos importantíssimos
para as averiguações que fazemos. Além do que, Sr. Presidente, se conversa – e
nós ouvimos – que, sem sombra de dúvida, por elementos que cercam, inclusive
como prestadores de serviços, as empresas do Sr. Marcos Valério, poderia haver
risco de vida para o Sr. Marcos Valério. Acredito que seria importantíssimo a
CPMI conseguir obter essa cautelar.
E concluo, Sr. Presidente,
só como observação, somando ao que diz o Deputado ACM Neto. Ouvir o Sr. Marcos
Valério agora eu acho que é insuficiente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esse problema nós
vamos discutir posteriormente.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Tudo bem. E eu
sugiro...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Não, vamos alinhar as
coisas.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente,
são dez segundos para fazer uma sugestão.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esse problema de ouvir
ou não nós vamos discutir em outra oportunidade. Agradeço a contribuição de V.
Exª.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Tudo bem, Sr. Presidente, são dez
segundos para uma sugestão – peço a sua tolerância, o senhor tem sido sempre
tão gentil: ouvir, na próxima semana, a esposa dele, a Renilda, e a Simone
Vasconcelos, porque estão aprovados os requerimentos na última semana. Esta é a
sugestão que faço.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos observar as
sugestões de V. Exª. Quanto à primeira parte, V. Exª será atendido
integralmente.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Questão de ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Deputado Arnaldo Faria de Sá.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É questão de ordem.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Pela ordem também, Sr. Presidente.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Vou pedir pela ordem também, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Deputado havia
pedido antes.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Pela ordem, primeiro.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Deputado havia
pedido antes. Por favor.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu entendo que esta
reunião de hoje foi convocada para a oitiva do Silvio Pereira, mas nós não
podemos criar o fato consumado de que na quinta-feira será ouvido o Marcos
Valério, até porque não houve essa decisão.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Esse assunto não vamos
discutir agora, Deputado. Peço a colaboração de V. Exª.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – O senhor pode não decidir, mas vai-me
ouvir.
Não foi essa a decisão
tomada aqui na semana passada. Na semana passada, a decisão foi de que se
ouviria, hoje, Silvio Pereira, amanhã Delúbio Soares e quinta-feira seria
reunião administrativa. Se criarmos o fato consumado, deixar para decidir no
final do dia, aí chegará amanhã, já está convocado o Marcos Valério para
quinta-feira.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Não, não vamos fazer
isso. A CPMI tem responsabilidade. Nós vamos seguir o cronograma.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, mas acontece que há
notícia de que o Presidente Delcídio e o Relator já decidiram e a Comissão...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Deputado, nada será
feito sem a maioria. Nada será feito sem a maioria.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – V. Exª está dizendo que nada será feito
sem se ouvir o Plenário. Então, o Marcos Valério não será ouvido quinta-feira.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado. Sobre
esses assuntos eu não gostaria...
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Questão de ordem, Sr. Presidente.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Para uma questão de
ordem, V. Exª tem a palavra.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço. Não estou pedindo a palavra
pela ordem, quero formular uma questão de ordem, chamando a atenção especial do
Relator, e vou ser muito breve.
Sr. Presidente, a cada
instante, até pelos pedidos de palavra pela ordem que foram feitos aqui,
parece-me, Deputado Osmar...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Qual o artigo que V.
Exª está invocando para a questão de ordem?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O art. 152.
Sr. Presidente, se V. Exª
deseja, como eu estava inscrito para falar pela ordem, fico com o “pela ordem”
e não faço questão de ordem. Se isso lhe satisfaz, estou...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Fale, Deputado, que o
Brasil inteiro quer ouvir o Sr. Silvio Pereira.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço-lhe.
Sr. Relator, o que está
acontecendo? Todos esses “pela ordem” colocados aqui inicialmente têm uma razão
simples: há uma angústia muito grande dos membros desta Comissão Parlamentar de
Inquérito pelo fato de boa parte dos depoentes vir aqui e obviamente faltar com
a verdade, mentir. É o que temos constatado em cada reunião desta Comissão.
Na última reunião, Deputado
Osmar Serraglio, na oitiva do Sr. Marcos Valério, fiz uma questão de ordem, que
foi indeferida pelo Presidente, no sentido de que essas afirmações falsas,
julgado o mérito dos habeas corpus preventivos, pudessem ser levadas em
consideração como sugestão da CPMI ao Ministério Público.
Eu queria sugerir – e queria
ouvir o Relator a esse respeito – que solicitássemos ao Procurador-Geral da
República a indicação de membros do Ministério Público Federal, para que
acompanhassem conosco os trabalhos da CPMI, e que, independentemente da
conclusão desses trabalhos, com os dados que forem coletados, o Ministério
Público já pudesse tomar providências em relação àquilo de que se tem uma
angústia enorme.
Digo isso, Sr. Presidente,
porque corremos um sério risco: a CPMI tem tentado fazer um esforço enorme para
não ser autoritária, para não sair fazendo pirotecnia, prendendo as pessoas –
esse não é o nosso objetivo –, mas também não podemos transformar todos os
membros desta CPMI em figuras expostas ao ridículo, porque todos os que têm
vindo aqui depor têm mentido de forma deslavada.
Portanto, indago ao Deputado
Relator se seria uma providência interessante.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Vamos ouvir o Relator?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Queria destacar que essa foi uma
sugestão feita pelo Deputado Gustavo Fruet, que, em razão de uma entrevista em
São Paulo, não pôde estar aqui.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Ótimo. Vamos ouvir o Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, Srªs e
Srs. Parlamentares, essa idéia da presença de alguém do Ministério Público tem
sido reiterada aqui nas reuniões, e nós já estamos em contato. A dificuldade
que está havendo é na designação, porque, de qualquer modo, é necessário que
retirem de algum lugar onde está trabalhando. Essa conversação já está
estabelecida, e acreditamos que, muito brevemente, contaremos com a presença
real de um representante da Procuradoria aqui.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço-lhe, Sr. Relator.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Concedo a palavra pela
ordem ao Senador Demóstenes Torres.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, também peço a palavra
pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Então, a Senadora
Heloísa será a última, por favor.
O SR. SIBÁ MACHADO (PT – AC) – Sr. Presidente, eu já havia pedido a
minha inscrição e gostaria de saber se V. Exª a anotou.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exªs terão
oportunidade de fazer a inscrição agora mesmo. Do contrário, não trabalhamos.
Temos de ouvir o depoente. Ele foi convocado para as 10 horas.
Concedo a palavra ao Senador
Demóstenes Torres.
O SR. SIBÁ MACHADO (PT – AC) – Estou levando tanto bombardeio, Sr.
Presidente, que, toda a vez que peço a palavra, a resposta é essa! Sou obrigado
a me dirigir de outra maneira à Mesa e acabo pagando por isso.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Senador Sibá Machado,
gostaria de contar com a compreensão de V. Exª.
Concedo a palavra ao Senador
Demóstenes Torres.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, Sr. Relator...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª pode aguardar
oportunamente. Eu concederei a palavra a V. Exª. Do contrário, aqui vai virar
desordem, e não vou presidir dessa forma.
Tem a palavra o Senador
Demóstenes Torres.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, precisamos otimizar o
nosso trabalho, porque todos nós, parlamentares, estamos numa situação bastante
complicada. Somos responsáveis, inclusive legalmente,...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Temos de demonstrar
isso ao País.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – ...pelos sigilos que estão à nossa
disposição.
Qual é o nosso procedimento?
Temos de ir a uma sala onde se encontram documentos amontoados, para
consultá-los. Isso, de prático, não tem nada, porque nenhum de nós aqui é capaz
de fazer uma análise documental da montanha de documentos que já apareceu.
A Senadora Heloísa Helena
relatava que saiu às 13h30min da Comissão, leu o que tinha de ler e o que não
tinha de ler e não chegou à conclusão alguma, porque esse trabalho é
infrutífero.
Então, o que estou
solicitando a V. Exª, e pediria que o Relator pudesse opinar a respeito, é que,
sob compromisso, desse a qualquer Parlamentar, que tiver interesse, cópias dos
documentos já existentes com o termo – isso já aconteceu em todas as demais
CPIs: cópia sob compromisso –, para que possamos analisar. “Ah, mas há
preocupação de vazamento”. Está tudo vazado. Quando chega aqui, todo mundo já
publicou. Somos os únicos que não temos acesso, os Parlamentares que estão
investigando.
Então, eu solicitaria isto:
sob compromisso, quem tiver interesse que obtivesse as cópias, mesmo porque
somos responsáveis pelo sigilo.
Sugeriria isso à Comissão,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Relator vai consultar
a parte técnica e, se for possível, V. Exª será atendido. Se não for, terá uma
satisfação.
Com a palavra o Senador Sibá
Machado e, posteriormente, Heloísa Helena.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O que é isso? Consultar o Plenário, e
não a parte técnica, Sr. Presidente. Que é isso?
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não vou entrar no mérito da discussão,
embora todos estejam entrando.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – A Senadora está com a
palavra. Todos já a tiveram. Ambos que estão discutindo já tiveram a palavra.
Agora, com a palavra a Senadora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pode deixar todos falarem.
Vou fazer o encaminhamento.
Sinto-me tentada a entrar no mérito do debate, mas não vou fazê-lo para dar
conta dos trabalhos de hoje.
O que apelo a V. Exª, ao
Relator e ao Presidente Delcídio Amaral é que convoquemos, antes da
quinta-feira, uma reunião administrativa. Se vai ser de madrugada, se vai ser
às 7 horas da manhã, mas vai ter que ser feita, para que possamos trabalhar de
segunda a sexta, porque já está mostrado como impraticável funcionar só dois
dias na semana com depoimento e análise de documento.
Então, essa uma proposta
objetiva, para que seja convocada uma reunião administrativa antes da que
supostamente poderia ser marcada para quinta-feira de manhã.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Acho até que V. Exª
poderia formalizar por escrito para trabalharmos de segunda a sexta e submeter
ao Plenário. Acho que é uma medida extremamente necessária e urgente.
Senador Sibá Machado.
O SR. SIBÁ MACHADO (PT – AC) – Sr. Presidente, só para concluir nessa
linha, estou reiterando, mais uma vez, a necessidade de as três CPIs, os três
Presidentes e os três Relatores se encontrarem para se fazer uma proposta de
atuação em conjunto, para que evitemos fazer a circulação, ficar girando em
círculo, buscar os mesmos documentos, os mesmos depoimentos ou coisa parecida.
Uma terceira CPI se instala hoje. Não vejo nenhum impedimento de, até
quinta-feira, os três Presidentes com os três Relatores proporem para nós uma
atuação coletiva. Isso facilitará ao máximo os nossos trabalhos, coadunando com
essa idéia de se trabalhar de segunda a sexta-feira. É isso.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O Relator tomará as
providências. Convido para o seu...
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, apenas em razão da
importância, desde o início...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Senador Alvaro Dias, V.
Exª não estava. Eu disse que iria ter 15 minutos de tolerância para ouvir os
companheiros. Eu tinha dado a palavra à Senadora Heloísa como última inscrita.
Eu gostaria de contar com a colaboração de V. Exª.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Trinta segundos. Eu quero reiterar o
apelo que tenho feito insistentemente. É preciso que a Presidência da CPI
autorize funcionário credenciado por cada Bancada para acesso aos documentos. É
impossível que cada Senador ou Deputado tenha que ficar...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Levarei a preocupação
de V. Exª, mais uma vez, ao Presidente Delcídio. Não posso e não tenho
competência para decidir. Levarei, mais uma vez, ao Presidente Delcídio.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exatamente. É fundamental porque temos
que trabalhar com provas documentais, senão não chegaremos aos objetivos. Por
isso, Sr. Presidente, espero que essa seja a última vez que faço esse apelo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado. Peço à
assessoria que faça entrar o Sr. Silvio Pereira para prestar o seu depoimento.
Por favor. (Pausa.)
Encontra-se em nossas mãos o
Habeas Corpus nº 86.319/1, medida cautelar do Distrito Federal.
Portanto, o depoente prestará o seu compromisso. Aliás, está dispensado de
assinar o termo de compromisso. Ele vai prestar o depoimento como investigado.
V. Sª, Sr. Silvio Pereira, tem o microfone à disposição para...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Sr. Presidente, V. Exª
poderia informar quem são os advogados que acompanham o depoente? O nome dos
advogados? Declinar os advogados que acompanham o depoente?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Arnaldo Malheiros
Filho, por sinal xará de V. Exª, Flávia Raal e Celso Vilares. Deu para anotar:
Flávia Raal, Celso e Arnaldo.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ
(PTB – SP) – Obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Sr. Presidente, apenas uma questão. Ele
foi considerado como investigado pelo Supremo ou foi a pedido do advogado,
considerando-o como indiciado? Foi o Supremo que já o rotulou como indiciado?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Como indiciado? Não
sei.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Ele é investigado ou é indiciado?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Investigado.
Exatamente.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Mas já foi pelo Supremo ou a requerimento
do advogado?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Tem o habeas corpus.
O SR. (Orador não
identificado) – A requerimento do
advogado, que se qualificou como tal.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É, automaticamente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Sª tem alguns
minutos para se auto-qualificar, um pequeno histórico, e, logo em seguida, as
considerações que deseja fazer. Logo depois, o Relator fará as perguntas e cada
um dos Parlamentares inscritos.
Com a palavra o Sr. Silvio
Pereira.
O SR. SILVIO PEREIRA – Bom dia, Sr. Presidente. Bom dia, Sr. Relator. Bom
dia, senhoras e senhores. Estou aqui para prestar esclarecimentos a esta CPI e
a toda a opinião pública. Estou aqui para falar a verdade, a verdade que marcou
toda a minha trajetória em 25 anos de militância no PT.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O som, por gentileza.
O SR. SILVIO PEREIRA – Repetindo, estou aqui para falar a verdade, a
verdade que marcou a minha trajetória em 25 anos de militância no PT. Estou no
PT desde a sua fundação. Fui secretário de organização, depois
secretário-geral, onde pude conhecer o PT em nível nacional.
Acompanhei a trajetória de
desenvolvimento do PT em todos os Estados, nos principais Municípios deste
País. Foi em função deste meu conhecimento do PT – seus filiados, seus
militantes – que o meu Partido me indicou para coordenar, em seu nome, as
indicações de pessoas vinculadas ao PT para cargos de confiança no Governo
Federal. Mas, quero, logo de início, afirmar, perante esta CPI e a todo o País:
quem nomeou foi o Governo. Eu nunca nomeei ninguém no Governo Federal.
Muito obrigado. Estou à
disposição de todos os senhores e senhoras.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Relator.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES
NEGO (PFL – BA) – Sr. Presidente, o
depoente deveria, pelo menos, fazer um breve histórico da sua qualificação.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu já havia solicitado,
e ele fica à vontade. Se quiser, tudo bem; se não, não podemos obrigá-lo.
O SR. SILVIO PEREIRA – Sou sociólogo. Tenho 44 anos. Sou casado. Iniciei
minha militância logo no início da fundação do PT. Minha participação começa
nas comunidades eclesiais de base de Osasco. Antes ainda da fundação do PT,
militei rapidamente no Partido Comunista Brasileiro, ainda no período da
clandestinidade. Assumo a fundação do PT, milito no movimento sindical e sempre
tenho a minha vida marcada na militância por direitos humanos.
Ajudei a fundar o Centro de
Defesa de Direitos Humanos de Osasco. Participei do início da luta pela
anistia. Militei, durante dez anos, no Núcleo de Base do Clube Dezoito em
Osasco. Depois disso, assumi vários cargos no PT: fui para a direção municipal
do PT, a primeira Comissão Provisória, Direção Estadual, Executiva Estadual. Em
88, quando o PT ganha a Prefeitura de São Paulo, eu vou cuidar também do
Partido, aqui, em nível da Capital. Depois, vou para a direção estadual do PT,
assumindo o cargo de Secretário de Organização e, depois, como Secretário-Geral
Estadual do PT.
No ano 2000, provavelmente
em 2000, eu entro para o Diretório Nacional do PT, embora esteja desde a
fundação. Somente no ano de 2000, eu sou eleito para o Diretório Nacional do
PT. Assumo a Secretaria de Organização por dois mandatos. Em 2004, eu saio do
meu cargo de Secretário de Organização e assumo no lugar do Deputado Bittar,
que esta aqui presente, como Secretário-Geral. O Deputado Bittar foi ser
candidato a Prefeito na cidade do Rio de Janeiro.
Em toda a minha militância
no PT, desde o início, participei das diversas campanhas que o PT fez desde
1982 até as últimas campanhas, sempre participando na organização do PT. A
minha característica, o meu perfil, a minha dedicação tem sido organizar o PT
em todo o País, desde o Sul ao Norte, particularmente nas regiões mais
carentes, mais difíceis, nas regiões mais distantes deste País.
Circulei por todo o Partido.
Essa é um pouco a minha característica. A partir da eleição do Presidente Lula
em 2002, assumi em nome do PT. Exatamente por esse conhecimento que eu tenho de
todo o Partido, de toda a militância, da nossa Bancada Federal, da nossa
Bancada no Senado, dos nossos Prefeitos, é que eu assumi essa função de poder
coordenar as indicações do PT ao Governo do Presidente Lula.
Não sei se consegui responder
todas as questões.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado. Outras
questões também poderão ser formuladas durante o interrogatório.
Concedo a palavra ao ilustre
Relator Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, Srªs
e Srs. Parlamentares, Sr. Depoente Silvio Pereira, Sr. Advogado Arnaldo
Malheiros, o que estamos investigando e o que a mídia toda tem divulgado – e é
nesse sentido que iremos incidir o nosso questionamento em relação a V. Sª, Sr.
Silvio Pereira – é o fato de que V. Sª poderia ter sido um instrumento de
captação de recursos para o Partido dos Trabalhadores e, eventualmente, para os
Partidos aliados.
Ultimamente, fomos
surpreendidos com a informação de que os recursos que estão sendo questionados,
pelo menos nesses bancos mais visados, teriam sido resultantes de empréstimos.
Mas confesso que tenho ouvido os colegas Parlamentares e que precisamos de
informações muito mais claras, para que possamos afastar a idéia de que, de
fato, V. Sª era um elo muito importante no relacionamento com as empresas,
tanto prestadoras de serviços, fornecedoras de produtos, quanto de
intermediação daqueles que tinham interesses a serem decididos junto ao
Governo.
Repetidamente, tanto na
imprensa quanto no que ouvimos, o nome de V. Sª vem à baila exatamente como
alguém que estava incrustado no Palácio do Planalto, em sala próxima de quem
comandava primacialmente os destinos do Governo e ali se fazia a interlocução
daqueles que seriam os ocupantes de cargos. Para resumir, a Comissão precisa
saber até onde V. Sª, ciente ou não ciente, foi utilizado para servir de
mecanismo de obtenção de recursos, e daí se procedera àquilo que na seqüência
se denominou de mensalão, que seria distribuído de forma a que o Governo tivesse
um apoio facilitado nas decisões do Parlamento.
A primeira pergunta faço a
V. Sª – gostaria que fosse bastante detalhado em tudo o que lembrasse: para
quais cargos e de quais empresas, ou da administração direta, V. Sª
intermediou, enfim, levou à nomeação? Porque é certo que V. Sª, até onde li nos
depoimentos, não ocupava cargo algum. É evidente que V. Sª não nomeou ninguém
no Governo, mas quais cargos passaram pelas mãos de V. Sª para que finalmente
fossem nomeados oficialmente?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, conforme afirmei aqui e é também, de
certa maneira, de conhecimento de muitos Parlamentares desta Casa, a minha
função era coordenar as indicações do PT e fiz isso com muita dedicação. Foi
uma história de vinte e cinco anos para conquistarmos a Presidência da
República. Considero justo, legítimo que os partidos que compõem a base, os
partidos que apoiaram o Presidente, possam fazer indicações de quadros
técnicos, de quadros políticos, com competência, ao Governo. Foi exatamente
nessa função, Sr. Relator, como representante do PT, que eu recebia, por parte
de diversos Parlamentares do PT.
Nós temos vinte e sete
diretórios estaduais. Para o senhor ter uma idéia, coordenei em torno de cinco
mil nomes para poder compor esse chamado banco de dados do PT. Esses nomes nós
recebíamos do Partido e os encaminhávamos ao Governo. Nem sempre os nomes... Eu
representava, portanto, os interesses do Partido nas pessoas dos militantes,
dos dirigentes e dos Parlamentares. Encaminhávamos ao Governo porque aí, sim, o
Governo tomava a decisão da nomeação.
Nesse período, era evidente
que em muitos casos aconteciam reivindicações também entre Partidos da base: o
PT, o PL, o PTB e assim por diante. Eu não escolhia apenas esse ou aquele
cargo; eu levava as demandas, as reivindicações para o Governo e era ali, no
Governo, que se processavam as indicações. Portanto, não tenho indicações em
meu nome pessoal ao Governo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) – A pergunta não é
quais indicações teriam sido procedidas em seu nome. Quais as que V. Sª
apresentou ao Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Apresentei alguns nomes, Sr. Relator. Nem
necessariamente os nomes que eu apresentei foram ...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) – Eu não queria esses
cinco mil. Eu queria que V. Sª se concentrasse naqueles que evidentemente
chamam a atenção: as grandes diretorias.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não participei, Sr. Relator, da formatação das
diretorias. Eu indicava nomes ao Governo. Às vezes se indicava um nome para uma
diretoria de uma empresa e não necessariamente aquela pessoa era nomeada
naquela diretoria; às vezes era nomeada em outro lugar. E eu não tenho controle
de quem foi totalmente indicado e onde foi nomeado. Depois, se tiver alguma
coisa mais específica eu saberei responder se esse nome eu indiquei, ou não.
Mas, no nível geral, não tenho assim um relatório onde se diga: olha, eu
indiquei “x” nomes: esses nomes foram para cá ou para lá.
Nós indicamos um conjunto de
nomes ao Governo e muitos dos nomes que foram para o Governo não
necessariamente fui eu que indiquei todos. Os ministros montaram os seus
ministérios de acordo com seus critérios. Não é que todos os nomes de cargos de
confiança, petistas ou não, passavam por mim. Isso não é verdade, isso não
aconteceu, por isso eu não tenho este controle desta forma como o Sr. Relator
está nos solicitando.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) – Mas pelo menos algum
nome. Não é de se supor, até porque V. Sª viria depor e deve ter verificado
seus assentos, porque não viria aqui para dizer que não viu nada, não sabe de
nada e passou pelo Palácio do Planalto com tudo isso que tem sido noticiado e
não se lembra de nada.
Vou insistir num detalhe do
depoimento de V. Sª na Polícia Federal: V. Sª disse que, pelo menos quando
havia certo desentendimento, certo conflito de interesses dos partidos em
relação a alguma diretoria, V. Sª interferia, enfim, entrava na negociação para
que fossem serenados os ânimos dos partidos. Sobre quais diretorias V. Sª se
lembra ter havido discrepância em torno da indicação em relação aos partidos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Vou tentar me lembrar, Sr. Relator. E acho
que, no transcorrer, poderei me lembrar de outros casos.
Isso se deu em meados de
2003. Vou dar um exemplo bem concreto: a Delegacia Regional do Trabalho do Rio
de Janeiro. Era natural que, no caso do PT, o Partido sempre reivindicava os
cargos exatamente vinculados ao Ministério do Trabalho, à Delegacia Regional do
Trabalho, cargos vinculados à questão do Incra, onde o PT tinha maior tradição
de trabalho.
Então, quando um partido da
base aliada indicava uma pessoa que não era do PT para uma Delegacia Regional
do Trabalho, isso dava bastante confusão. Por exemplo: logo no começo – eu me
lembro disto –, houve uma conversa com o próprio PTB na época. O PTB tinha
indicado ao Governo o Delegado Regional do Trabalho no Rio de Janeiro. Isso foi
na direção do PTB, que indicou ao Governo um nome para Delegado Regional do
Trabalho.
Nem sempre o nome que o
Partido indicava era aceito de imediato, porque ele passaria por uma análise
interna dentro do Governo. Eu me lembro que, nesse caso, depois do terceiro
nome é que veio a ser aceita pelo Governo a indicação do PTB para a Delegacia
Regional do Trabalho do Rio de Janeiro.
Isso provocou, no PT do Rio
de Janeiro e na CUT do Rio de Janeiro, bastante problema, porque era da
tradição da CUT, e a CUT não aceitava militantes...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Silvio,
talvez, para abreviar, porque, na verdade, não estamos interessados em cargos
de Estados, embora, de alguma forma, até possam ser interessantes. Mais à
frente isso poderá ser questionado.
Queremos saber: esta
República tem grandes estatais, tem cargos que foram disputados por traduzirem
poder. Era uma forma de partilha de poder, inclusive. E, estranhamente, essa
briga sempre incidia sobre cargos – e essa também era uma pergunta que eu
queria fazer a V. Sª. Não se percebia, nesse núcleo do qual V. Sª participava,
que era formado por aqueles que efetivamente davam o toque final na nomeação,
que a escolha era muito estratégica, era sempre em cima de locais que
viabilizavam – não quero dizer que fosse isso –, para quem tivesse a intenção
de arrecadar dinheiro, é evidente a escolha dos cargos.
Nunca li em algum lugar que
algum técnico tivesse sido apresentado por ser um grande técnico e ocupar um
cargo técnico onde não se mexesse com licitação, com compra, com dinheiro,
enfim, que não servisse de fonte de recursos.
Agora, queríamos que V. Sª
particularizasse mais, porque temos aqui, por exemplo, a informação do Diretor
de Tecnologia dos Correios, e ele nos disse que foi indicado por V. Sª. Assim
como ele, deve haver mais indicações tanto de V. Sª, enquanto interlocutor do
PT, quanto dos Partidos da base.
Não acreditamos, perdoe-nos,
mas não acreditamos que V. Sª não se lembre de indicações que criaram celeuma.
Por exemplo, aquela do Ezequiel. Por que a indicação do Ezequiel não ocorreu ao
longo do tempo, sendo solicitada por gente da base? Tudo mais ou menos
costurado para que fosse assim e terminou não se operando? E quem deu a
informação ao Senador de que não se operaria foi V. Sª. Portanto, V. Sª sabia
de todas as indicações, de todas as nomeações. E é isso o que queremos saber.
Então, repito a primeira
pergunta: quais os cargos em que V. Sª percebeu que havia disputa efetiva na
sua ocupação?
E segundo: nunca
estranharam, enquanto organização de poder, que, mais do que competência, o que
se estava colocando eram pessoas estrategicamente localizadas na estrutura para
aquilo que ficou tão claro? V. Sª deve ter ouvido o Roberto Jefferson falando,
o Deputado Roberto Jefferson, e dando de dedo nos Líderes dos Partidos: “Vocês
não sabiam que nós estávamos indicando diretores porque eram diretores para
captar recursos?” E deu o exemplo do IRB, onde havia uma determinada
importância; deu, inclusive, dos Correios; e finalmente nós vimos, esses dias,
o escândalo das Furnas. O que V. Sª tem a dizer sobre isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, não é fato que eu indiquei todas essas
pessoas das estatais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não são todas. V. Sª
está... Nós queremos que V. Sª particularize quais as que chamaram a atenção,
porque V. Sª há de convir que estamos investigando nas estatais. Daqui a pouco,
nós iremos saber. Como nós já vimos nos Correios, nós iremos saber que fulano
de tal está aqui porque o Silvio Pereira interferiu; está aqui... Percebe?
Então, o ideal é que pelo menos aqueles casos que chamaram a atenção V. Sª
recordasse, o que seria interessante para que o seu depoimento obtivesse a
credibilidade necessária, na seqüência, junto daqueles que o irão ouvir.
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, eu afirmei, no início, que eu falarei
aqui a verdade. Todas as perguntas que me fizeram sobre a questão das
indicações eu vou responder.
O que estou dizendo ao
senhor é que não tenho esse conhecimento nesse nível que se possa imaginar. A
hora de se fazer as perguntas mais específicas vou estar respondendo, não vou
negar nenhuma resposta aqui, e vou poder tentar ajudar esta CPI.
Eu não tinha esse nível de
informação, esse nível de influência e esse nível de decisão. Durante um bom
tempo – na verdade, tem vários Parlamentares de diversos Partidos nesta Casa
que podem testemunhar isto –, muitas vezes, eu lutava, sim, não só às vezes
pela indicação do PT; às vezes eu tinha que tentar convencer o PT que o Partido
da base tinha que compor. De fato, quando foram montados os Ministérios, os
Ministros montaram seus Ministérios de acordo com os seus critérios. Nós
discutimos depois indicações do PT, mesmo da base aliada, em algumas empresas.
E, no meu caso, eu tive uma participação muito intensa nos Estados. Minha
vinculação no PT, minha história no PT, ao longo desses anos, sempre foi uma
relação com os Estados, todos os Estados. Quem me conhece no PT sabe exatamente
disso.
Evidentemente que todas as
perguntas que foram perguntadas vou tentar aqui lembrar, vou tentar responder
todas elas, sobre todos os cargos que tenho conhecimento e de que eu tenha
participado. Vou tentar esclarecer todas elas. Mas, em nível geral, eu não
tenho esse conhecimento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, V. Sª poderia
começar já particularizando: o Sr. Medeiros, da Diretoria de Tecnologia dos
Correios, nos informou – e ele foi confirmado pelo Maurício Marinho – que quem
comandava a Diretoria de Tecnologia dos Correios era V. Sª, e que a indicação
dele – ele dizendo – partiu de V. Sª.
O SR. SILVIO PEREIRA – É. Eduardo Medeiros, em novembro, foi-me indicado
por um... Fui procurado por um grupo de funcionários dos Correios – alguns eram
filiados do PT e outros não –, me apresentaram a reivindicação e o pleito do
Eduardo Medeiros, pedindo o apoio do PT a essa indicação, alegando que se
tratava de um funcionário de carreira dos Correios, uma pessoa do corpo
técnico. Eles achavam importante ter alguém do corpo técnico na Diretoria dos
Correios, e vieram me pedir o meu apoio. Eu repassei essa indicação, esse
currículo ao Governo.
Não foi muito diferente esse
procedimento em relação a várias outras indicações que vou explicar para o
senhor.
Então, no caso do Eduardo
Medeiros, inclusive, quando repassei essa indicação ao Governo, nem sequer eu o
havia conhecido, nem sequer tinha falado por telefone e nem visto ele. Vim
conhecer o Sr. Eduardo Medeiros tempos depois.
Não comandava a Diretoria de
Tecnologia. Não tive participação, qualquer outra participação dentro da
Diretoria dos Correios. Os outros diretores são testemunhas disso, que eu nunca
conversei com eles, eu nunca apresentei qualquer outra pessoa para poder ocupar
os Correios.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E, se fosse algo
assim tão normal, por que houve um encontro dele com V. Sª em um hotel em São
Paulo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nós tivemos dois
encontros. O primeiro encontro foi aqui em Brasília, também, em um restaurante,
onde a gente... ele queria me conhecer, porque até então ele não tinha... ele
assumiu e não tinha me conhecido... O corpo técnico dos Correios se movimentou.
Procuraram vários canais para obter essa indicação. Um dos canais a que
tentaram chegar foi em mim: o Sr. Eduardo Medeiros, quando estava em São Paulo.
Foi um encontro super-rápido. Estava em uma atividade em São Paulo – se não me
engano, dos Correios – da qual não participei. Eu tive um breve encontro com
ele em um restaurante. Ele tinha acabado de almoçar e nós tomamos café juntos.
Foi uma conversa super-rápida. Isso deve estar fazendo mais de um ano. Foram os
dois únicos contatos que eu tive com o Eduardo Medeiros. Depois disso, eu não
liguei nem ele me ligou. Não visitei os Correios. Aliás, visitei os Correios
uma única vez na minha vida, logo na posse do Presidente Dipp. Fui lá, conheci,
fiquei uns dez minutos na sede dos Correios e depois nunca mais voltei. Nunca
encaminhei absolutamente nada nem ninguém para os Correios.
Ah, desculpe. Do Senador
Bezerra?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do
Senador, é. Do Ezequiel.
O SR. SILVIO PEREIRA – Do Ezequiel. Acho que está aí um bom
exemplo, Sr. Relator, para eu poder explicar um pouco a minha participação
nesse caso.
Eu lembro que, por ocasião
da montagem do Governo, o Banco do Nordeste Brasileiro, o BNB, já tinha montado
toda a sua diretoria, restava apenas um cargo de diretor que estava sendo
disputado por três indicações. Uma indicação, do PT, era o companheiro Avenzoar
Arruda, que tinha sido candidato a Governador da Paraíba; a outra indicação era
o ex-Governador da Paraíba José Paulino; a terceira indicação, exatamente do
PTB, depois apoiada e sustentada pelo Senador Fernando Bezerra, era o nome do Ezequiel
para a diretoria do BNB. Portanto, eram três nomes para apenas uma única vaga
não-preenchida.
Eu não me reuni com os três.
O Governo decidiu pela nomeação do Sr. Governador da Paraíba José Paulino para
a diretoria do BNB, alegando, naquele período, que precisava ter pessoas com
maior experiência para tocar o banco. Ficaram dois problemas: uma indicação do
PT, que era o Sr. Avenzoar Arruda, e a indicação do Senador Fernando Bezerra,
que era o Sr. Ezequiel.
O Governo chamava, na época,
os partidos da base aliada. E é importante dizer que todos os partidos da base
aliada tinham representantes junto ao Governo. Eu representava o PT; o PTB
tinha seus representantes; o PMDB que apoiava o Governo tinha seus
representantes; o PL tinha seus representantes; o PCdoB tinha seus
representantes; o PSB tinha seus representantes. Eu conversei com todos eles, e
o Governo os chamava para conversar.
Nesse caso, existia um
conflito concreto de interesses. Eram três indicações, três partidos e uma
única vaga. Na medida em que o Governo opta pela vaga para o José Paulino, duas
outras indicações não são contempladas. Naquele momento, o Governo sugeriu
tanto para nós, o PT, quanto para o PTB – e está aqui o Senador Fernando
Bezerra, que pode confirmar – que o Sr. Ezequiel fosse indicado para um cargo
de consultor junto ao BNB, um cargo qualificado, porque se tratava de uma
pessoa muito qualificada. Esse foi o entendimento realizado naquele momento.
Ali encerrou a minha participação nesse episódio.
Não sei exatamente...Só vim
saber depois, em 2004, quando o Senador me procurou me informando que tinha
alguns assuntos para tratar comigo. Lembro que eu já estava saindo de férias.
Até combinei com o Senador para nos encontrarmos logo depois do Carnaval, acho
que em março.
O Senador foi até o
escritório do PT em Brasília. Discutimos um assunto relativo à campanha
eleitoral no Rio Grande do Norte, porque estava havendo lá uma disputa entre
partidos da base. O segundo tema, que é o que interessa aqui, foi o Ezequiel.
Foi então que o Senador me informou que aquilo que havia sido combinado na
época com o Governo não foi bem, assim, concluído. O Sr. Ezequiel acabou não
indo para um cargo de consultor qualificado como havia sido prometido na época.
Ele tinha ido para um cargo de assessor mais abaixo do que aquilo que tinha
sido prometido. Eu sempre fui cioso pela minha palavra, por aquilo que era
combinado. E sempre lutei. Está aqui o Senador que está presidindo a reunião,
que sabe o quanto que eu lutava para poder cumprir os acordos realizados.
Lutava! Ia ao Ministro, ia ao Governo, porque achava que acordo feito tinha que
ser cumprido. Quando o Senador Fernando Bezerra disse: “Você se lembra desse
acordo?” Falei: “Lembro sim, Senador.” Num primeiro momento, até falei:
“Ezequiel?” “Não, lembro sim do Sr.
Ezequiel. Lembro do Sr. Ezequiel; lembro, sim, que o pleito era justo. O Rio
Grande do Norte, nas montagens de Governo, sempre teve pessoas junto ao BNB.”
Aí falei para o Senador – como já tinha mudado a diretoria dos Correios, havia
mudado o Ministro: “Olha, Senador, acho”, foi exatamente assim que falei pra
ele, “acho que tem uma diretoria nos Correios que não tem indicação partidária.
Muitos até atribuem esse cargo como um cargo meu”. Falei assim para o Senador:
“Olha, da minha parte não tem nada disso, Senador. Recomendo ao senhor que
procure o Governo e reivindique esse cargo. Da minha parte, não tem
absolutamente nada. Dependerá do Governo”.
No dia seguinte, eu me
reuni com o Senador à tarde, aqui em Brasília. No mesmo dia, voltei para São
Paulo. Li pelos jornais que, na véspera, à noite, tinha tido um encontro entre
o PTB e o Governo, e, nessa reunião, o Governo havia decidido atender à
indicação do Senador Fernando Bezerra do Sr. Ezequiel para a diretoria dos
Correios, exatamente no cargo do Sr. Eduardo Medeiros. Eu não participei dessa
reunião do PTB com o Governo. Eu participei só com o Sr. Fernando Bezerra.
Lembro-me também, nesse
período, não sei se na matéria nos jornais tinha saído ou não a nomeação, aí já
não acompanhei mais se tinha saído ou não. Depois, li nos jornais que a
nomeação tinha saído. Lembro até quando o Senador foi viajar de férias, tinha
ligado até para ele, porque vi que estavam tentando envolver o nome do Ezequiel
num tema que o Ezequiel não tinha absolutamente nada a ver. Ainda falei para o
Senador. E terminou ali a minha participação nesse caso do Sr. Ezequiel. Foi
exatamente isso que aconteceu.
O SR. FERNANDO BEZERRA (PTB – RN) – Sr. Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra, pela
ordem, V. Exª.
O SR. FERNANDO BEZERRA (PTB – RN) – Muito embora não tenha prevalecido a
questão o art. 14, por ter sido citado, por achar oportuno que os
esclarecimentos se dêem no momento, pediria a V. Exª que me permitisse.
É absolutamente correta a
versão do Sr. Silvio Pereira. Eu indiquei, logo no início da montagem do
Governo, por solicitação do então presidente do Partido José Carlos Martinez, o
nome do Sr. Ezequiel para uma diretoria do Banco do Nordeste. Isso mantinha uma
tradição de o Rio Grande do Norte, meu Estado, sempre ter uma diretoria no
Banco do Nordeste.
Fui depois procurado pelo
Dr. Silvio Pereira em meu gabinete, em nome do Ministro José Dirceu, dizendo
exatamente... Ele não havia colocado como coloca agora que tinha prevalecido a
indicação do Senador José Maranhão com o nome do ex-governador José Paulino.
Ele me dizia que havia uma preocupação do Governo de que havia muitas
indicações políticas, e o Ministro Palocci tinha essa preocupação e indicaria
técnicos e oferecia uma assessoria da presidência do Banco. O que foi feito.
Exatamente o que foi feito.
Com o passar dos tempos,
algumas vezes, comprei porque havia o compromisso com o presidente do
Partido... Aliás, é preciso que se diga aqui que indicações de nomes é uma praxe
política antiga no Brasil. Aliás, em todos os países. Essa recepção de nomes no
Governo anterior se fazia com o Eduardo Jorge, depois, com o Deputado Aloysio
Nunes Ferreira. Portanto, não há nada de espúrio na indicação de nomes.
Decorrido o tempo, fiz várias cobranças ao Ministro Aldo Rebelo, ao
Ministro José Dirceu, e encontros fortuitos. Depois, o encontro que fui aqui à
sede do PT, como narrou o Sr. Silvio Pereira, para cobrar, uma vez que ele
tinha sido o portador, como ele coloca, como coordenador das indicações do
Governo, perguntar a ele por que inclusive o José Paulino tinha saído para
disputar o Governo do Estado e a diretoria foi novamente ocupada por indicação
do Senador José Maranhão, do PMDB. Eu queria apenas confirmar esses fatos.
Houve, realmente, um encontro meu com o Presidente da República, em
companhia do Deputado Roberto Jefferson e do Deputado Fleury, e o Presidente
confirmou a indicação. Mas é importante que se diga: em momento nenhum, em
momento nenhum eu reivindiquei, até porque não sabia, diretoria dos Correios.
Foi dado e oferecido como uma espécie de compensação. Eu consultei o Dr.
Ezequiel – que havia residido aqui em Brasília e, no Governo de Fernando
Henrique, havia sido Diretor da Conab –, se ele aceitava voltar a Brasília para
uma diretoria nos Correios. Ele consultou sua família e confirmou a aceitação.
Somente depois disso, o Presidente do Partido, Roberto Jefferson, encaminhou ao
Governo e me convidou para esse entendimento com o Presidente da República, que
confirmou a nomeação, que felizmente – felizmente, eu me considero um homem de
muita sorte – não aconteceu.
O SR. PRESIDENTE (Maguito
Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª e asseguro a palavra ao Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª lembra de algum outro caso, de alguma nomeação
que tenha ficado pendente, em que houve necessidade de negociação entre os
Partidos?
O SR. SILVIO PEREIRA – No geral, Sr. Relator,
no geral, realmente não consigo lembrar, mas no transcorrer eu posso estar
lembrando e estar voltando ao assunto. Se eu me lembrar, com certeza falarei ao
senhor.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tinha um local onde atendia no Palácio do
Planalto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não,
senhor, eu não tinha nenhum local reservado para mim, em nenhum lugar dentro do
Governo.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Quando alguém queria procurá-lo em Brasília, o que se
diz é que isso se dava numa sala no quarto andar do Palácio do Planalto. Isso
não é verdadeiro?
O SR. SILVIO PEREIRA – Isso
não é verdadeiro, Sr. Relator. Temos aqui, nesta, sala diversos Parlamentares
que se reuniram comigo em salas de reuniões dentro do Governo, em salas de
reuniões de trabalho. Eu tinha o meu celular, a minha sala ficava aqui no
escritório do PT, no prédio da Varig, onde eu ia muito pouco, e lá na sede do
PT em São Paulo, onde eu permanecia. Em 2003, eu vim com bastante freqüência a
Brasília; em outubro, a partir do nascimento da minha filha, passei a reduzir
bastante a minha presença aqui em Brasília.
Nunca tive salinha, nunca tive estrutura, nunca tive secretária. Isso
não existe, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – É só uma curiosidade, porque nós, costumeiramente,
atendemos nos nossos gabinetes, em escritórios. O que leva a se fazer tanta
reunião em hotéis? Todas as pessoas que nós ouvimos faziam as reuniões em
hotéis.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu
fazia minhas reuniões nas dependências do Governo, em salas de reuniões, em
salas de trabalho, também fiz em hotéis, em escritório do PT. Eu procurava
conciliar as reuniões de acordo com a minha agenda, o que era mais racional, o
que rendia mais.
Quando vinha para Brasília, eu ficava muito pouco tempo. Por exemplo, eu
me hospedava no hotel; logo de manhã, tomava três cafés da manhã, às sete, sete
e meia, oito horas, oito e meia, e ia tudo na seqüência. Muitas vezes, nem
sequer dava tempo de eu ir a dependência do Governo, nem mesmo ao escritório do
PT. Então, às vezes, eu ficava ali no hotel. Os próprios Líderes de Partidos
iam lá no hotel se reunir comigo, e não só Líderes, eu me reunia também nos
hotéis com jornalistas. Com os principais jornais, as principais revistas, com
os principais jornais do País eu me reunia em hotel, recebia dirigentes
partidários de todos os Partidos da base aliada, também dirigentes sindicais,
dirigentes da sociedade civil. Fiz várias reuniões importantes em hotéis,
fazia-as à luz do dia, fazia-as ali no café da manhã, eu as fazia, Sr. Relator,
onde fosse mais racional. Por exemplo, se eu fosse para Congonhas, eu as faria
mais próximas de Congonhas; no retorno, se eu estava no retorno, eu fazia o
mais próximo da minha casa ou na saída, ou na volta; enfim, eu procurava fazer
com que rendesse o máximo o meu tempo e eu pudesse produzir.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.
PMDB – PR) – Ou seja, não era para fugir da presença de assessores que pudessem
ouvir as conversas estabelecidas. Não era essa a intenção.
O SR. SILVIO PEREIRA – De
maneira nenhuma, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Quais as empresas de que V. Sª se lembra que tenham
participado com alguém intercedendo junto ao Governo por alguma razão, algum
pleito justo, mas que tenham-se valido de V. Sª como elo de ligação – empresas
de porte de que V. Sª se lembra?
O SR. SILVIO PEREIRA – Acredito que nenhuma empresa. Nunca, Sr. Relator,
absolutamente nunca, fiz qualquer mediação de interesse de empresa privada
junto ao Governo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª nunca falou com
ninguém no Governo a respeito da Skymaster?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca falei no Governo, com qualquer pessoa do
Governo, assessor, dirigente, Ministro, sobre a empresa Skymaster.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece o
diretor da Skymaster?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheci.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como é o nome dele?
Onde o conheceu?
O SR. SILVIO PEREIRA – Posso até esquecer o nome do diretor, porque estive
apenas uma única vez com o diretor da Skymaster...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Luís Carlos Gonçalves.
O SR. SILVIO PEREIRA – Luís Carlos Gonçalves. Até no depoimento na Federal
citei outro nome, porque eu realmente não recordava o nome dele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É, falou Dumont.
Dumont é do Banco Rural. É sinal que o senhor lembra também do diretor do Banco
Rural.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não estive com ninguém do Banco Rural. Agora,
voltando à pergunta do senhor, esse diretor da Skymaster – até então eu não o
conhecia – ligou diversas vezes para a Secretaria-Geral, lá na sede, em São
Paulo. Minha secretária atendeu duas... Não lembro exatamente a quantidade de
vezes. Minha agenda...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que ele pleiteava?
O SR. SILVIO PEREIRA – É o que vou explicar para o senhor.
Como minha agenda é bastante
carregada, pedi para a secretária perguntar exatamente qual era o tema da
pauta. A alegação do Sr. Gonçalves, na época, foi a de que havia um problema
entre a empresa e um membro do PT. Feito...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª faz essa
referência na Polícia. De lá, desde sua oitiva até agora não consegue lembrar
quem era o membro do PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não lembro porque eu não estive... Estive,
recebi a Skymaster. Vou responder isso para o senhor. Recebi a Skymaster, foi
um encontro super-rápido – se eu não me engano, foi no hotel Sofitel –, um
encontro que demorou uns trinta minutos. Ele começou explicando todo esse
problema do contrato que ele tinha no Governo. Eu realmente não conseguia
entender. Houve um momento que eu até o interrompi e falei... Não lembro qual o
nome dele, na época. Era o Sr. Gonçalves. Não sabia que fosse esse o nome. “Eu
gostaria de saber qual é o problema do PT? Qual é o problema que o senhor tem
com esse membro do PT?” Aí ele começa a explicar, dizendo que se sentia
prejudicado por um membro da Comissão de Licitação dos Correios, e citou o nome
na época, sim, para mim, mas não me lembro desse nome. É um nome, um sobrenome
difícil de assimilar. Eu falei: “Olha, eu não conheço essa pessoa, não o
conheço, nunca o vi, nunca estive com ele. O PT não persegue ninguém. Esse é um
tema...” Eu falei: “Não entendo isso que você está tentando me explicar. Esse é
um tema...” Ele falou de maneira respeitosa comigo e eu com ele. Eu falei:
“Esse é um tema, esse não é um assunto de partido. Tenho certeza de que o
Governo vai lhe receber, no local apropriado, e vai ter o esclarecimento que o
senhor deseja. O senhor procure o Governo”. A partir dali, Sr. Relator,
encerrou meu assunto com a Skymaster. Nunca tratei desse assunto com
absolutamente ninguém, não dei nenhum tipo de encaminhamento. Parou ali a minha
participação nessa história da Skymaster. Nunca mais vocês vão poder ter a
oportunidade, na medida em que o meu sigilo telefônico já foi oferecido à CPI,
acredito que o da Skymaster também... Essa própria investigação da CPI chegará
a esta verdade. Nunca mais, nem por telefone, nem pessoalmente, nem por
intermédio de ninguém dei prosseguimento a esse assunto da Skymaster.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, com certeza,
deve também ter visto que era uma afirmação reiterada, até nos corredores dos
Correios, a ascendência que dispunha sobre as diretorias de operações e de
tecnologia. Duas diretorias dos Correios – isso é reiterado – estavam sob
controle... Afirmo o que tenho lido de V. Sª. E, de certo modo, isso se ajusta
a esse empresário que sai de Brasília para São Paulo para falar com alguém que
não é do Governo, que não tem nada a ver com as diretorias dos Correios, e que,
depois, estranhamente, dobra o valor, ganha uma licitação com o dobro do valor,
recupera o valor, nos Correios. E V. Sª não tinha, nunca mais – até, como V. Sª
disse, nós temos o seu sigilo telefônico quebrado –, V. Sª tem convicção de que
nunca mais manteve qualquer contato com ninguém da Skymaster?
O SR. SILVIO PEREIRA – Afirmo isso e sem poder utilizar aqui o habeas
corpus. Nunca mais tive contato com a Skymaster, nunca encaminhei a
Skymaster ao Governo, Sr. Relator. Esta é a verdade. Tenho aqui o habeas
corpus, que podia estar utilizando, mas não estou utilizando, porque foi
exatamente isso que ocorreu.
Quanto ao Sr. Madureira, não
tive nenhuma participação, de nenhuma hipótese, de nenhum jeito, na sua
indicação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Alguma vez V. Sª teve
algum contato com alguém do Banco Opportunity?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nada?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – V. Sª conhece os donos da Novadata?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Conhece Mauro Dutra?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – V. Sª conhece Marcos Valério?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Pode-nos dizer como foi esse conhecimento?
O SR. SILVIO PEREIRA – Pois não. Conheci o Sr.
Marcos Valério, Sr. Relator, em meados de 2003, nas dependências do PT, quando
me foi apresentado pelo ex-secretário de finanças do PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Salvo engano, antes da posse, V. Sª não participou de uma festa do Amauri
Júnior, com celebridades, encontrando-se com ele em 2002?
O SR. SILVIO PEREIRA – Com Marcos Valério? Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Está bem. Pode prosseguir.
O SR. SILVIO PEREIRA – Com Marcos Valério... Só
tive conhecimento de Marcos Valério nas dependências do PT, quando me foi
apresentado, em meados de 2003 – não sei precisar a data para o senhor. Marcos
Valério tinha, sim, bastante relacionamento com o secretário de finanças,
freqüentava bastante a sede do PT. Eu sabia que ele era publicitário, sabia que
ele tinha feito a campanha do Deputado Federal João Paulo Cunha para a
Presidência da Câmara. Um pouquinho antes, o Sr. Marcos Valério tinha intenção
de fazer campanhas eleitorais para o PT - pelo menos, foi assim que ele
afirmou, foi assim que ele se apresentou.
Eu coordenava, Sr. Relator,
o GTE, que no caso do PT se chamava Grupo de Trabalho Eleitoral, que coordenava
as eleições municipais em todo o País. Então, fui coordenador, já eleito para
esse cargo em 2003, porque a preparação das eleições do PT já começam em 2003.
Era da minha responsabilidade realizar todos os planejamentos eleitorais, em
todos os Estados. Eu coordenei a realização de seminários em 17 Estados, onde
tinham várias oficinas, uma delas de marketing eleitoral.
Em meu primeiro encontro,
portanto, formal, com o Sr. Marcos Valério estava presente o Deputado Federal
João Paulo Cunha; estava presente o coordenador das eleições no Estado do São
Paulo, Sr. Antônio dos Santos; estava presente também o Sr. Lula Vieira, e,
nessa reunião, nós tínhamos discutido exatamente a campanha eleitoral, o
planejamento eleitoral, e ele, Marcos Valério, havia ficado de apresentar uma
proposta de marketing eleitoral para as chamadas cidades prioritárias
que nós apoiávamos.
Então, esse foi o primeiro,
um encontro mais formal com o Sr. Marcos Valério. Desse encontro se desdobraram
outros encontros, não necessariamente nas datas, por exemplo, que estão aí na
agenda, mas tive outros encontros com o Sr. Marcos Valério. Num deles, nós
discutimos a campanha. Ele apresentou para mim a peça da campanha de Osasco,
que é a minha cidade natal. Embora não tenha... nós tínhamos divergência sobre
a forma da peça apresentada, que não é o caso aqui da CPI. Depois, numa outra
reunião, discuti com ele São Bernardo do Campo. Novamente, nós tivemos
divergência no que diz respeito à forma como ele estava querendo apresentar
nosso candidato. Até esse momento, eu cobrava dele a proposta de planejamento
em relação aos outros Municípios. A gente realizava seminário em dois dias, no
final de semana. Nem todo mundo que participava desses seminários eram pessoas
remuneradas.
A partir dessas duas peças
e pelas divergências que tivemos acerca do conteúdo do material, nunca mais
voltei a discutir campanha eleitoral com o Sr. Marcos Valério. O nosso contato
se limitava a discutir campanha, planejamento, que nem muito aconteceu,
conforme estou aqui relatando.
Ele, depois, foi
contratado... A gente acabou não o contratando ele em nível nacional, o PT não
o contratou, o GTE não o contratou. Nós optamos por contratar a agência do Duda
Mendonça. O que eu precisava na época? Precisava ter várias vinhetas, várias peças
para poder passar para o País inteiro. Então, eu precisava contratar uma
agência para poder produzir esses materiais. Nessa minha experiência concreta
com ele, sobre essas duas peças, por divergência de conteúdo, eu também não
recomendei a sua contratação para o PT, e nós contratamos o Duda Mendonça para
poder fazer essas peças.
A partir desse momento, eu
praticamente encerro os contatos, as conversas com Marcos Valério. Depois, ele
firmou contrato com Osasco, que eu acabei não acompanhando e acabou firmando o
contrato em São Bernardo do Campo. Foi basicamente isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – V. Sª lembra, mais ou menos, os valores que foram cogitados nesses
planejamentos de âmbito nacional?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não. Eu não discutia
valores. Eu discutia, sim, a proposta. Se ele tivesse apresentado uma proposta,
eu levaria a proposta...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – A proposta era técnica?
O SR. SILVIO PEREIRA – Era uma proposta de
planejamento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Não tinha coligado o valor?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não tinha, Sr. Relator. Era de proposta em
relação... eu não tratava de custos nesses contratos que a gente realizava.
Mesmo os outros temas, que era ‘pequenininho’, ou como assessoria de programa
de governo, assessoria de planejamento, era a negociação feita diretamente
entre a Secretaria de Finanças e o suposto contratado.
Esse sempre foi um assunto
financeiro tratado entre o Secretário de Finanças e a empresa ou o agente que a
gente ia contratar. Por exemplo, o Ibope, eu era coordenador de pesquisa,
coordenador nacional das eleições. Discuti com o Ibope metodologia, mas nunca
discuti com o Ibope contrato, recursos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB –
PR) – Mas V. Sª há de convir que ninguém pode escolher uma proposta unicamente
com exame técnico, porque, se não tiver aproximado um valor para poder fazer
análise, não adianta. Alguém aparece com algo realmente que dá para ganhar
eleição em qualquer lugar do mundo. Agora, precisa de cinqüenta, sei lá quantos
bilhões de dólares, e aí não adianta nada essa formulação.
Alguém que, minimamente,
olha uma formulação tem que ter uma proximidade do valor para o raciocínio
fechar. Eu não posso escolher uma proposta técnica sem nenhuma referência a
valor.
Aí eu volto a perguntar:
pelo menos em âmbito das prefeituras que lá foram realizadas, ou em âmbito do
Estado de São Paulo, V. Sª não teve um conhecimento mínimo do valor das
propostas?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ele não apresentou nenhum valor, Sr. Relator. Nós
tivemos uma primeira conversa geral sobre as eleições e ele ia ficar de
apresentar uma proposta...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas naquelas que
ficaram vencedoras?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não participei do valor nem sabia do valor. Não
foi nem vencedora porque nós estávamos discutindo com ele, Sr. Relator, uma
proposta do Diretório Nacional contratar ele. Isso não ocorreu. Se ocorresse,
eu levaria a proposta técnica e, com certeza, eu também teria tido o conhecimento
do valor financeiro. Então, a proposta técnica sequer foi levada à Comissão
Executiva. Como funciona? Evidentemente que o meu parecer como coordenador de
eleições é muito importante para poder contratar alguma empresa que faz
campanha eleitoral.
O Financeiro sempre tratou
das questões financeiras. O Partido, por sua direção, aprova ou não. Não chegou
a esse ponto, porque ele não chegou a apresentar uma proposta. Em primeiro
lugar foi isso. Segundo, não tive conhecimento nem me foi apresentado,
previamente ou depois, o contrato com a campanha de Osasco nem o contrato com
São Bernardo do Campo. Vim saber os valores agora, que foram relatados pela
Imprensa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª sabe que o seu
nome aparece reiteradas vezes na agenda da Fernanda Karina, inclusive marcando
reuniões. Deve ter tido acesso a essa informação. Portanto, V. Sª era tido como
alguém muito próximo do Sr. Marcos Valério. O que tem a dizer sobre isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu nunca fui muito próximo com o Sr. Marcos
Valério em hipótese alguma, em nenhum momento. A secretária do Sr. Marcos
Valério, de fato, marcava com a minha secretária. Uma daquelas datas que estão
ali se confirma e outras não. Porque é muito comum, eu marcava uma reunião e,
às vezes, em função de um outro compromisso aqui mesmo em Brasília – e eu tinha
uma questão de hierarquia, quer dizer, pedidos do Presidente ou atividades aqui
em Brasília eram mais importantes do que qualquer outra atividade que eu havia
marcado. Então, às vezes, a gente marcava uma reunião, essa reunião às vezes
era desmarcada na véspera, uma hora antes, duas horas antes.
E, de fato, a secretária
Karina agendava, sim, com a minha secretária. Algumas daquelas datas ali se
confirmam e outras não necessariamente se confirmam, a data e o local. Mas que
teve encontro e, durante o período, foi através dela, foi sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teve encontros
com Marcos Valério em Belo Horizonte?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca tive encontros com o Sr. Marcos Valério em
Belo Horizonte, nem em sua própria agência, nem no seu próprio escritório, em
nenhuma das dependências das suas empresas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E, em Brasília, esses
encontros se davam onde?
O SR. SILVIO PEREIRA – Em Brasília... olha, em Brasília, eu devo ter
reunido com o Sr. Marcos Valério, de fato, somente na sede do PT. Posso ter
encontrado com ele de passagem...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Muitos encontros?
O SR. SILVIO PEREIRA – Posso ter encontrado com ele de passagem no hotel,
porque ele estava hospedado no mesmo hotel que o meu. Mas as reuniões nossas
ocorreram, do que me lembro, em São Paulo, uma reunião no Maksoud Plaza – me
lembro que isso foi logo no logo final do ano, no final de 2003, no Maksoud
Plaza, uma reunião também super-rápida, em que estávamos discutindo sobre
Bernardo do Campo ou sobre Osasco. Portanto, não me lembro de outros locais.
Foi basicamente isso, São Paulo. Eu ficava basicamente sediado em São Paulo. Eu
nunca fui em Belo Horizonte reunir-me com ele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Já que V. Sª procedia
à análise técnica das propostas de publicidade do PT, alguma vez V. Sª foi
ouvido sobre as propostas de publicidade que Marcos Valério faria ao Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca foi me apresentado, nem por Marcos Valério,
nem por qualquer outra pessoa do PT ou do Governo. Eu não acompanhei o assunto
‘publicidade’ no Governo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª alguma vez
participou de uma negociação de empréstimo que o PT faria junto a
estabelecimentos bancários?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca participei da discussão de empréstimo do PT
em qualquer instituição. O meu conhecimento sobre esse assunto é que o PT, o
secretário de finanças, sempre procurava recursos junto à rede bancária. Não só
agora, como desde o tempo em que conheço o PT, sempre o tesoureiro estava
buscando recursos junto à rede bancária. Era essa a informação que eu tinha.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem no PT, afinal,
tinha conhecimento sobre esses contratos, que são de grande valor? Apenas uma
pessoa por si decidia e acontecia? Não havia uma discussão? Quais as pessoas
que necessariamente precisavam se manifestar sobre empréstimos a que o PT iria
proceder?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, o PT funciona da seguinte maneira: as
diretrizes, as orientações gerais, por exemplo, políticas de aliança,
coligações, são decisões de natureza coletiva; a execução é de responsabilidade
individual. Isso funciona com todas as 21 secretarias que o PT tem. É evidente
que sabíamos das dificuldades do PT não só agora, como desde esses 25 anos do
Partido. O meu conhecimento parava em saber que o secretário de finanças estava
tentando obter recurso junto à rede bancária. Mas em nenhum momento era
apresentado com quem, de que forma, de que jeito. Disso eu não tinha
conhecimento, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tinha encontros
seguidos com o Sr. Delúbio Soares.
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, tinha.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E nunca conversaram
sobre o procedimento que o PT deveria ter em relação a essas dificuldades
financeiras?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu conversava com ele sobre as campanhas
financeiras das quais participei da elaboração do projeto de resolução
financeira. Eu participei; eu tinha muito interesse em que o PT
descentralizasse as suas estruturas em nível de regiões.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas falo em termos de
financiamento. Ele nunca lhe falou que estava contraindo financiamento?
O SR. SILVIO PEREIRA – Somente que estava contraindo recurso junto à rede
bancária e que tudo seria resolvido. Somente isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca lhe falou de
valores?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca falou em valores, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca lhe pediu que
intercedesse junto a algum banco para obtenção do empréstimo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca pediu.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª nunca assinou
nada também em garantia dos financiamentos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca assinei nada, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe quantos
financiamentos o PT contraiu?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ouviu falar de
empréstimos que empresas teriam feito e destinado o dinheiro ao PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca tinha ouvido falar.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só ouviu agora?
O SR. SILVIO PEREIRA – Só ouvi agora, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mesmo assim não
conversou com o Delúbio sobre isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Desculpe, não entendi, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mesmo assim, por ser
tão próximo de quem fez isso tudo, que é o Sr. Delúbio Soares, V. Sª não
conversou com ele? Alguma explicação sobre isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, Sr. Relator, a única informação que de fato eu
sabia e sei – assumo isso perante qualquer lugar e é o que vou dizer também a
minha direção partidária no momento em que ela me chamar para ser ouvido – é
que eu tinha conhecimento de que o Sr. Delúbio, secretário de finanças, estava
procurando obter esses recursos junto à rede bancária. Era essa a informação
que eu tinha, nada além disso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª deve ter visto
que os valores de dívidas são, de certo modo, impressionantes. Segundo essa
forma de condução colegiada, enfim, qual era a idéia que o PT tinha sobre como
iria sair desse endividamento? Qual é o mecanismo? Porque, se contrair dívida
em um banco, tudo bem, um dia terá que pagar. Eu quero saber qual era a
concepção da cúpula do PT sobre como iria liquidar as suas dívidas.
O SR. SILVIO PEREIRA – Nós fizemos da seguinte maneira, Sr. Relator. Não
sei precisar exatamente o dia e o mês, acredito que entre março ou abril deste
ano, numa reunião do Diretório Nacional do PT, quando aprovamos as contas
apresentadas pelo secretário de finanças, nesta prestação de contas já
constavam ali R$20 milhões de dívidas. Para nós, independentemente do que venha
a suceder, isso já era um problema enorme.
Quando eu estava tentando
explicar ao senhor a questão da descentralização da estrutura, era porque tem a
ver com o que eu ia falar agora. Eu sempre lutei no PT para que tivéssemos uma
estrutura em que, nos Estados, particularmente no Norte, no Nordeste e no
Centro-Oeste, pudesse haver uma descentralização de recurso e de estrutura do
PT. Nessa reunião do Diretório Nacional, que foi gravada e está registrada em
Ata, fiz exatamente essa intervenção, alegando que esse endividamento poderia
comprometer o nosso projeto de organização partidária. Nessa reunião, por
intervenção de diversos membros da Direção, nós aprovamos. Inclusive, a
proposta original nem partiu do Secretário de Finanças, pelo que eu me lembre.
Partiu de um outro companheiro do Diretório Nacional, que, na mesma reunião,
propôs que realizássemos uma campanha financeira de arrecadação. O Secretário
de Finanças apresentou uma outra proposta também, que era pedindo uma contribuição
extra...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Isso em discussão
pública?
O SR. SILVIO PEREIRA – Dentro do Diretório Nacional do PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E qual era a dívida
naquele instante que estava sendo anunciada para discussão?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ali, a dívida que estava sendo negociada e
apresentada naquele momento, no Diretório Nacional, foi de R$20 milhões de
dívida, que estava no... Conforme foi prestado contas ao TSE. Ele apresentou o
relatório a todos os membros da Direção. Para nós, R$20 milhões já era um valor
bastante alto. Aprovamos uma campanha para pagar essa dívida e para poder,
também, continuar nossos projetos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando isso ocorreu?
O SR. SILVIO PEREIRA – Então... Entre março e abril. Foi uma reunião...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Março e abril de...
O SR. SILVIO PEREIRA – Deste ano.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Deste ano?
O SR. SILVIO PEREIRA – Deste ano. Não lembro a data, assim, precisa, mas
foi a reunião do Diretório Nacional do PT que aprovou as contas apresentadas ao
TSE. Nós tivemos agora uma reunião...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nessa aprovação de
contas, havia a especificação dos empréstimos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não. Ali nós aprovamos aquela declaração que está
junto ao TSE. Não lembro, assim, com detalhes toda a...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, a Diretoria
do PT estava enganando o Diretório, porque nós já sabemos que o que está no
Tribunal não é a verdade. Tanto é que estão falando em retificação. Então, a
prestação de contas que foi efetuada ao Diretório foi aquela que estava na
Justiça Eleitoral?
O SR. SILVIO PEREIRA – A prestação de contas apresentada ao Diretório Nacional
foi a prestação de contas encaminhada à Justiça Eleitoral.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, mais uma vez,
os corretos do PT estão certos, porque eles desconheciam o que estava
acontecendo na cúpula do PT.
Mas insisto no fato de que
na agenda da Karina havia detalhes do encontro de V. Sª com o Sr. Carlos
Rodemburgo, do Opportunity. V. Sª disse que nunca encontrou com o pessoal do
Opportunity?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não encontrei com o Opportunity.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, a agenda está
equivocada nesses encontros?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nesse caso, pode ter ficado equivocada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E com o Banco Rural?
O SR. SILVIO PEREIRA – O Banco Rural, nunca estive com o Banco Rural.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas nunca conversou
com diretores do Banco Rural?
O SR. SILVIO PEREIRA – Já fui apresentado para o Diretor do Banco Rural,
apresentado de passagem, assim, pelo Sr. Marcos Valério, mas nunca tive uma
reunião, nunca visitei e nunca discuti nada com ele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª deve conhecer,
imagino, pela posição de Secretário-Geral, quais as empresas que o PT considera
como empresas que contribuem para a manutenção do PT e para as campanhas do PT.
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, eu realmente não acompanho, Sr. Relator, a
questão da parte financeira do PT. A minha pauta, a minha responsabilidade,
sempre foi política eleitoral. Eu não trato de assuntos financeiros. Os números
que eu conheço, que eu participo, são de temas eleitorais. Os jornalistas
sempre me procuraram exatamente pelo grau de conhecimento que eu tenho da
organização eleitoral do País e do desenvolvimento das pesquisas, das eleições.
O tema financeiro, repito ao senhor, sempre foi de atribuição do Secretário de
Finanças.
O SR. (Orador não
identificado) – Sr. Presidente,
parabéns pela campainha!
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO. Fazendo soar a
campainha.) – Com a palavra, o Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Deputado Roberto
Jefferson, quando foi ouvido no Conselho de Ética, falou que quem comandava o
mensalão era V. Sª e o Delúbio. O que V. Sª tem a dizer sobre isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca tinha ouvido falar nesta palavra mensalão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Perdão, não escutei.
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca tinha ouvido falar nesse assunto de
mensalão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem! não ouviu a
expressão, mas e o conteúdo? Nunca ouviu falar em pagamento a parlamentares ou
a partidos políticos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Diante de tudo que
tem ouvido, parece a V. Sª ser uma elucubração da Srª Fernanda Karina Somaggio
essa história de malas circulando, de dinheiro?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu pelo menos nunca tive conhecimento, Sr.
Relator. Respondo, nesse caso, por mim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A pergunta não é tão
relevante, mas, enfim, para problema de confiabilidade no que V. Sª informa:
num local, V. Sª fala que seu carro, uma Land Rover, é financiada, e, num
outro, fala... Num outro, não. V. Sª fala que é financiado e, no Trânsito, está
quitado.
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, hoje está tudo quitado o que eu tenho.
Tudo o que eu tenho está quitado, tudo o que eu possuo de bem está no meu
Imposto de Renda. O meu sigilo fiscal já está aqui à disposição, mesmo o
bancário. Se precisar de mais informações complementares, eu enviarei. Mas,
hoje, aqui na CPI, por decisão e por orientação dos meus advogados, não falarei
sobre o meu patrimônio pessoal. Com todo o respeito a V. Exª, sigo aqui a
decisão dos meus advogados.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Por falar em
advogado, com todo o respeito – e eu sei o nome que o Sr. Procurador tem –,
seria uma mudança de tática? O que ocorreu? O seu advogado, no dia 08 de julho,
disse que V. Sª não conhecia Marcos Valério. É o que está publicado na imprensa
no dia 08 de julho.
O SR. SILVIO PEREIRA – Desculpe-me, Sr. Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O seu advogado, no
dia 08 de julho, anunciou à imprensa que V. Sª não conhecia Marcos Valério. Só
que o conhecia desde 2003.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu o conhecia.
O SR. ARNALDO MALHEIROS – Eu não o conhecia.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É só conferir.
Depois, eu passo onde foi anotado isso.
O SR. ARNALDO MALHEIROS – Não. Eu nunca disse...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas os jornais
registraram isso.
O SR. ARNALDO MALHEIROS – Mas eu nunca disse isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ótimo, fica
retificado de público.
V. Sª conheceu o Sr.
Fernando Moura?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, conheci.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que pode dizer a
respeito de contatos com esse senhor?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu o conheço há aproximadamente uns quinze anos –
acho que foi em campanha eleitoral –, tenho um relacionamento com ele pessoal,
de amizade. Ele também foi uma pessoa que nos ajudou bastante, nos apresentou a
alguns empresários, pessoas, no sentido de podermos apresentar para eles o
nosso programa de governo, a nossa visão sobre a política e sobre o País.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que empresários V. Sª
lembra terem sido apresentados por ele?
O SR. SILVIO PEREIRA – De cabeça, agora, não me lembro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas ninguém?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não me lembro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem uma alma o senhor
lembra que tenha cruzado pelo seu caminho?
O SR. SILVIO PEREIRA – Qual o nome? Qual o nome que V. Exª está falando?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem um cidadão com
quem tenha se encontrado?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, porque ele apresentava alguns empresários.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. SILVIO PEREIRA – Ele me apresentava alguns empresários. Pode ser que
eu tenha apresentado alguns para ele também. Mas, como todas as conversas foram
em caráter institucional, como foram conversas sempre muito rápidas – eu realmente
lembro que foi em 2003, basicamente –, não me recordo, agora, de cabeça, com
quem eu estive. Quando perguntado, especificamente, me ajuda a lembrar. Mas, no
geral, não me lembro exatamente com quem eu estive, quando eu estive ou o que
eu tratei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As informações que
temos são as de que ele servia tanto de intermediário, que ele chegou a alugar
uma sala no Blue Tree, onde eram feitos os encontros de V. Sª com os
empresários e com o Fernando Moura. V. Sª não lembra de nenhum encontro neste
local, no Blue Tree?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca tive uma sala no Blue Tree...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nos salões do Blue
Tree, com o Sr. Fernando Moura?
O SR. SILVIO PEREIRA – Com o Fernando Moura, pode ser que eu tenha me
reunido, não só no Blue Tree, mas em São Paulo ou na sede do PT, com
empresários e outras pessoas da sociedade civil. Isso pode ter ocorrido.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não se lembra de
nenhuma empresa para a qual o Fernando tenha solicitado o seu cuidado maior,
sua intercessão junto a alguém do Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, eu tomei uma decisão de princípio,
quando assumimos o Governo. Eu conheço os membros do Governo, do PT, conheço o
meu Partido. A partir desses princípios, tomei uma decisão: na medida em que
somos governo, nunca... E isso vale para qualquer situação. Por isso, em todas
as perguntas, vou procurar lembrar com quem me reuni, o que discuti, mas
afirmo, desde já: nunca eu fiz mediações. Se eu tivesse recebido empresário,
encaminhado essa mediação, feito qualquer coisa, voltado etc, com certeza eu
lembraria. Mas, como não fiz isso – foram encontros que, em boa parte deles,
paravam no primeiro encontro, nem sei se tinham seqüência ou não –, eu não me
recordo. São encontros em que já se passaram mais de dois anos e meio.
Evidentemente, quando me perguntarem algo que eu puder lembrar...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Por que dois anos e
meio? Esses fatos aconteceram agora, muito recentemente.
O SR. SILVIO PEREIRA – Mas eu não tenho me reunido com ninguém
recentemente, Sr. Relator. Este ano não me reuni, praticamente, com ninguém.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que V. Sª
referencia sobre essa necessidade de contato com alguém que não tem nada a ver
com ninguém? Tantas empresas! Tudo o que se noticia não tem conteúdo concreto,
é tudo uma abstração, uma criação? V. Sª nunca serviu de intermediário de
ninguém que lembre junto ao Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, afirmo não somente ao senhor, mas a
toda esta CPI, novamente reafirmo isso para todo o Brasil: nunca fiz nenhuma
mediação de interesse. Sou Secretário-Geral, sou da direção do PT. O PT acabou
de ganhar o governo, não é natural? Da mesma maneira que os jornalistas me
procuram. Por que os jornalistas me procuram? Para fazer alguma coisa ilícita?
Não. Procuram-me por quê? Porque sou um membro da direção do PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas não estamos falando em ações
ilícitas, mas lícitas. Quais lícitas V. Sª intermediou?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não tratei de nenhum tema com os empresários,
ou de mediação de interesses. O que eu estava querendo informar para o senhor é
que era natural, pelo cargo que eu ocupava, eu poder receber não só empresários,
pessoas da sociedade civil, políticos, jornalistas. Eu era um membro da direção
de um partido, Partido esse que estava no poder. Eles muitas vezes queriam,
sim, saber a opinião do PT acerca do País, acerca da economia. Eram trocas de
informações políticas. Recebi várias pessoas da sociedade civil. Não consigo me
lembrar a quantidade de pessoas com quem eu tenha me reunido, mas, como sempre
foi essa a pauta, e como o meu assunto sempre foi de natureza política,
qualquer assunto fora disso, eu não tratava. Como o exemplo da Skymaster...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem repassava para o Delúbio?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nem repassava para o Delúbio. O exemplo da
Skymaster, quando tocou num tema que não era da minha responsabilidade, falei:
procure o Governo. Provavelmente, deve ter acontecido algo parecido e,
provavelmente, a minha resposta deverá ter sido a mesma. Repito e afirmo, aqui
e em qualquer local: nunca fiz, Sr. Relator, qualquer mediação de interesse de
empresas junto ao Governo. Recebi empresário, recebi político e pessoas da
sociedade civil, sempre temas político, institucional ou eleitoral.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conheceu o Brigadeiro Venâncio
Grossi?
O SR. SILVIO PEREIRA – Desculpa?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conheceu o Brigadeiro Venâncio
Grossi que procedeu à reestruturação do sistema de transporte noturno dos
Correios?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu até pedi para perguntar de novo, porque eu
estava confundindo com o advogado Grossi.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Brigadeiro Venâncio Grossi.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não. Com esse senhor, nunca tive... Não o conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Já ouviu falar na empresa Promodal?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca ouvi essa empresa; nunca estive com ela.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Por que o Luiz Otávio Gonçalves faz
referência a que teria solicitado a sua intermediação, com o advogado Kakay?
Que se encontraram no hotel e isso teria dado, segundo ele, encaminhamento à
negociação dele junto aos Correios.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não entendi, Sr. Relator, a pergunta.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Luiz Gonçalves noticia, ele confirma
que procurou V. Sª para que intermediasse, junto com o advogado Kakay, os
interesses dele junto ao Ministério das Comunicações.
O SR. SILVIO PEREIRA – Isso não é verdade. Na conversa que eu tive com o
diretor da Skymaster, nunca ele citou o nome do Kakay e nunca me pediu que eu
procurasse o Sr. Kakay.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O senhor conhece o Kakay?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheço, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual é o nome dele mesmo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu conheço agora, porque tenho lido o livro dele,
até porque estamos vivendo esse assunto aqui: Antonio Carlos, se não me engano.
Não sei o conjunto do nome dele, mas é Antonio Carlos... Eu só o conheço como
Kakay.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É alguém que faz parte dos que têm maior
aproximação com os que lideram o PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, o Kakay, conheço muito pouco. Eu o vi
algumas vezes. Sei quem ele é; sei que ele é um advogado bastante importante
aqui em Brasília. Leio os artigos dele, o que faz em livro, acompanho o seu desenvolvimento,
mas nunca tive uma aproximação maior com o Kakay, exatamente o que ele faz. Sei
que ele é um bom advogado e que acompanha situações como esta, de crise. E,
mesmo numa situação como esta, não tive a oportunidade de conversar com ele; só
li os artigos dele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª conhece alguém do BMG?
O SR. SILVIO PEREIRA – Do BMG? Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vou ler alguns nomes e, se V. Sª se
lembrar de algum, por favor, diga.
V. Sª conheceu Arthur Wascheck?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Molina?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, desculpe-me, mas o senhor quer que eu
responda caso a caso?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, apenas quando se lembrar de alguém.
Arthur Wascheck?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Molina?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Fortuna?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª reafirma que não conhece o Sr.
Mauro Dutra?
O SR. SILVIO PEREIRA – Reafirmo e reafirmaria quantas vezes fossem
necessárias.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vou dar uma nominata de pessoas que
teriam, de alguma forma, sido anunciadas – não direi onde, pois há um sigilo
sobre isso.
V. Sª conhece as pessoas que integram o PT do
Distrito Federal?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheço o Presidente...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vou ler alguns nomes para V. Sª: Vilmar
Lacerda?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que ele faz?
O SR. SILVIO PEREIRA – Presidente do PT
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Presidente do PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Do Distrito Federal.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Anita Leocádia?
O SR. SILVIO PEREIRA – De nome assim, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Rui Milan?
O SR. SILVIO PEREIRA – De nome, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Áureo Marcatto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Por nome, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – José Luís Alves?
O SR. SILVIO PEREIRA – Pelo nome, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Raimundo Ferreira Silva Júnior?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que ele faz?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ele é o administrador do escritório do PT, no
prédio da Varig, e é membro da direção do PT do Distrito Federal.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É administrador do...
O SR. SILVIO PEREIRA – Do escritório do PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do escritório do PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – É. Administrador, coordenador, o responsável...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do escritório nacional ou do escritório
do Distrito Federal?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, do escritório nacional. Ele é funcionário do
escritório nacional do PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Renata Maciel Rezende Costa?
O SR. SILVIO PEREIRA – Qual o nome? Repita, por favor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Renata Maciel Rezende Costa.
O SR. SILVIO PEREIRA – Por nome assim, eu não me lembro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Roberto Costa Pinto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Acho que não conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Solange Pereira de Oliveira?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não conheço o sobrenome, mas tem uma Solange que é
do PT. Se for essa aqui do PT...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Daqui do Distrito Federal?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não. Aqui, no Distrito Federal, acho que não tem
Solange. Tem uma Solange na sede do PT, em São Paulo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em São Paulo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não conheço todos os funcionários do PT aqui, Sr.
Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – José Nilson dos Santos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio) – Luiz Mazaro?
O SR. SILVIO PEREIRA – Por nome, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mesmo agora, depois de tudo o que
ocorreu, V. Sª não teve a oportunidade de se informar sobre quais candidatos
teriam sido beneficiados com os empréstimos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, ainda mais neste período, agora, em que tenho
me dedicado apenas a estudar e a me preparar para...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas quem sabe quem foi beneficiado com
os recursos dos empréstimos é, única e exclusivamente, o Sr. Delúbio, mais
ninguém?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Relator, eu realmente não conheço. Eu não
participei de assuntos financeiros. Não conheço. Portanto, não tenho como
ajudar nesse caso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na sua concepção, afinal, quem a gente
pode considerar que sabe alguma coisa sobre os aspectos financeiros do Partido?
O SR. SILVIO PEREIRA – Amanhã, esta CPI terá a oportunidade...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Qual é a sua concepção?
O SR. SILVIO PEREIRA – Na minha concepção...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pelas pessoas que conhece, quem poderia,
afinal, saber...
O SR. SILVIO PEREIRA – O Secretário de Finanças do PT, o Sr. Delúbio
Soares.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Unipessoalmente, num Partido
ultracolegiado?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não sei se unipessoalmente, mas ele poderá
esclarecer quem mais pudesse saber desse tema.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, como sempre, agradeço a
paciência dos Parlamentares que permitiram esse questionamento e agradeço
também ao depoente a concisão com que respondeu as perguntas.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço ao Sr. Relator.
Concedo, imediatamente, a palavra ao Deputado Eduardo
Paes, por quinze minutos, improrrogáveis.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO.) – Assessoria, por gentileza, observe o
tempo.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Silvio Pereira, antes de começar a fazer-lhe
indagações, eu gostaria que V. Sª entendesse um pouco a situação dos membros
desta Comissão.
Temos um conjunto de denúncias graves, e essas
denúncias vêm sendo comprovadas ao longo do mês; ao mesmo tempo, o Partido de
V. Sª vem, de forma contundente, negando essas denúncias, mas toda negativa é
seguida de comprovação de boa parte das afirmações que foram negadas
anteriormente. Portanto, V. Sª tem de entender que estamos nesta Comissão
buscando investigar e identificar os eventuais culpados, aqueles que cometeram
qualquer tipo de delito, mas estamos tendo dificuldades enormes, porque o que
se constata é que boa parte dos que já prestaram depoimento nesta Comissão
faltou com a verdade.
V. Sª é um quadro importante do Partido dos
Trabalhadores; esteve lá, como V. Sª afirmou, durante 25 anos, tendo
participado da fundação do PT. Mas gostaria de lembrar a V. Sª que o Presidente
Lula tem, em reiteradas oportunidades, afirmado que gostaria muito que tudo
fosse esclarecido e dito, e, portanto, desejaríamos encaminhar alguns
questionamentos nesse sentido.
Faço a V. Sª um último apelo antes de começar a questioná-lo.
V. Sª, quando respondia à questão da empresa Skymaster, disse: “Eu vou agora
dispensar o habeas corpus preventivo que tenho para responder essa
pergunta”. A mim me pareceu que V. Sª estava dizendo: olha, sobre isto aqui, eu
estou dizendo a verdade e, portanto, não necessito do habeas corpus
preventivo.
Quero que V. Sª saiba que esta Comissão tem tentado,
o tempo todo, trabalhar com o máximo de equilíbrio. Obviamente, toda falta de
verdade, toda omissão, toda mentira que se contar aqui hoje, certamente, gerará
conseqüências.
V. Sª deve ter tido ciência
da entrevista do Presidente Lula no último domingo, em que o Presidente disse
que os melhores quadros do PT foram para o Governo, deixando a direção do
Partido muito fragilizada, muita enfraquecida. O senhor é membro do PT há 25
anos, dedicou toda a sua vida profissional ao Partido. V. Sª concorda com essa
afirmação do Presidente Lula de que houve um enfraquecimento da direção, que
levou o PT a cometer erros? Essa foi a expressão utilizada pelo Presidente
Lula.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não assisti à entrevista do Presidente
Lula, mas posso...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Nem ouviu falar?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, ouvi falar.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª sabe o que o Presidente Lula disse?
O SR. SILVIO PEREIRA – Li pelos jornais.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ele disse mais ou menos o seguinte: os
bons quadros do PT assumiram prefeituras, governos estaduais; outros, quando
ganhei a Presidência, vieram para o Governo Federal. Portanto, não temos
quadros preparados para exercer essas funções.
V. Sª faz parte da Executiva
há muito tempo. Eu queria que V. Sª avaliasse de que forma V. Sª encarou essa
afirmação do Presidente Lula.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu tenho uma vida dedicada à militância do
PT, como militante. Toda a minha história é vinculada a essa militância. Eu me
orgulho dessa opção. Nunca quis ser parlamentar. Foi uma opção pessoal minha,
sempre quis ser um quadro partidário. Nem quis estar em Parlamento...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Qual a sua relação...
O SR. SILVIO PEREIRA – Desculpe-me, Sr. Deputado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perdão.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu quero concluir a resposta.
Não me sinto atingido de
maneira nenhuma, se foi isso o que o Presidente colocou. Eu sou um quadro do
jeito que eu sou. Sou um militante do PT. Se eu cheguei à Secretaria-Geral,
graças a Deus, foi pelo meu mérito e foi pelo meu trabalho. Eu tenho orgulho
onde eu estou – onde eu estava, porque estou licenciado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Qual a sua relação com o Presidente
Lula?
O SR. SILVIO PEREIRA – Relação de respeito, admiração, como todos e
qualquer petista. Nunca tive uma relação muito próxima com o Presidente, porque
ele sempre esteve na direção nacional, e eu sempre militei, basicamente, no
Estado de São Paulo. Mas relação política...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas V. Sª tem cargo na Executiva.
O SR. SILVIO PEREIRA – Tenho uma relação política com o Presidente.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª ocupa cargos na Executiva
Nacional já há algum tempo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, senhor.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Essa sua relação com o Presidente Lula
continua distante mesmo assim?
O SR. SILVIO PEREIRA – Minha relação com o Presidente sempre foi um
relacionamento de natureza política. Agora, na Presidência da República, não
pudemos, infelizmente, manter mais contatos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Curioso! V. Sª afirmou aqui agora, para
justificar uma pergunta do Relator, que, em diversas oportunidades, o senhor
teve que desmarcar reuniões com o Valério. O senhor disse que tinha pedidos do
Presidente.
O SR. SILVIO PEREIRA – Membros do Governo, Sr. Deputado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) –
Não. O senhor falou “pedidos do Presidente”.
O SR. SILVIO PEREIRA – Se eu falei, está errado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor nunca recebeu nenhum pedido do
Presidente, nenhum chamamento do Presidente?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu, desde a posse, Deputado, durante a
posse... Esqueci de falar aqui, Sr. Relator, que eu coordenei a posse do
Presidente. Nesse período, acabei tendo muito contato...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas o senhor conheceu o Sr. Marcos
Valério depois, no segundo semestre de 2003.
O SR. SILVIO PEREIRA – Só para concluir sobre o Presidente. Eu, nos
últimos anos...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – É que eu tenho muito pouco tempo para
lhe fazer questionamentos. Então, eu gostaria de respostas para as minhas
perguntas.
O SR. SILVIO PEREIRA – O.k. Então vou anotar, para lhe responder, porque
acho que não respondi ainda.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não. Eu vou lhe perguntando.
O senhor disse que conheceu
o Sr. Marcos Valério no segundo semestre. O senhor afirmou aqui – disse no seu
depoimento, respondendo ao Relator – que, várias vezes, teve de desmarcar com o
Marcos Valério para atender a pedidos do Presidente. Eu queria entender que
pedidos eram esses.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não falei sobre o Presidente. Se falei,
está equivocado. O que eu me lembro de ter falado – depois, nós podemos ouvir
as fitas aqui taquigrafadas –, eu informei e repito aqui: pedidos de membros do
governo. Eu nunca vim aqui para Brasília para me reunir com o Presidente da
República, nem em 2004, nem em 2005.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª disse que não tinha conhecimento
dos empréstimos do Sr. Marcos Valério, que, na verdade, seriam empréstimos para
o PT. V. Sª disse que o PT passa por uma situação financeira difícil desde a
sua fundação, nesses 25 anos de história. Mas V. Sª é o Secretário-Geral. O
Secretário-Geral tem uma função importante, principalmente num partido com a
origem do Partido dos Trabalhadores. V. Sª nunca se interessou em saber como é
que podia gastar tantos recursos?
Pelo que entendo, V. Sª
cuidava das campanhas. Segundo o Sr. Delúbio, o dinheiro que entrava era para
as campanhas. Não lhe causava curiosidade? V. Sª deve saber o valor que o PT
recebe no fundo partidário. E aí o senhor, que coordena a campanha, tem uma
fonte de recursos, mas não sabe qual é essa fonte de recursos. Não lhe causava
estranheza a discrepância entre o valor do fundo partidário e o valor que V. Sª
gastava coordenando as campanhas?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu era quase que um porta-voz dos Estados
junto à direção. Eu ia nos Estados, de sul a norte neste País, via as
dificuldades que o PT estava sofrendo, que os diretórios estaduais estavam
sofrendo, não havia recursos. Vários aqui que estão nesta sala podem ser
testemunhas disso. Eu reclamava junto ao PT, junto ao Delúbio, que deveria
ajudar esses Estados. Então, o meu comportamento... E os 27 Estados passaram
por dificuldades, particularmente Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Alguns
Parlamentares que estão aqui foram candidatos e sabem disto, o tanto que eu
lutei para que o PT ajudasse com recursos para eles.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Então, na sua opinião, para onde foi
tanto dinheiro?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não sei. Quem deve prestar contas disso é o
Secretário de Finanças.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª, então, não tem conhecimento?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não tenho conhecimento.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O fato é que, no depoimento prestado à
Procuradoria-Geral da República, divulgado já hoje pela imprensa, tanto o Sr.
Delúbio como o Sr. Marcos Valério afirmam que V. Sª sabia de tudo com relação
aos empréstimos.
O SR. SILVIO PEREIRA – Isso
não é verdade. O que eu sabia...
O
SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ambos
mentiram?
O SR. SILVIO PEREIRA – O que eu sabia, o que eu tinha
conhecimento, era que o Secretário de Finanças estava buscando recursos junto à
rede bancária. Foi isso que eu disse, é isso que afirmo, é isso que vou dizer
não só aqui como na instância partidária.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O que leva... É curioso o que se passa
nesse processo, V. Sª disse aqui e reafirmou reiteradas vezes ao Deputado Osmar
Serraglio, Relator desta CPI, que V. Sª não tinha qualquer tipo de ingerência
em interesses privados no Governo. Mas a que V. Sª deve o fato de tantos
empresários lhe procurarem? O exemplo de um dos sócios da Skymaster, que esteve
já nesta Comissão na última semana, é um desses exemplos.
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, primeiro, não são tantos empresários.
Os empresários que estiveram comigo, como foi o caso da Skymaster, já aqui
expliquei. Acredito eu que seja pela função que tenho de direção no PT, acho
que eles imaginavam que eu tivesse talvez uma influência maior do que realmente
eu tivesse; que eu tivesse poder de decisão maior do que eu pudesse. Como o
senhor sabe...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas, por que o senhor os recebia,
então?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu recebia porque eles me solicitavam.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Por educação?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, senhor. Qualquer um que me pedia uma
reunião...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Qualquer pessoa?
O SR. SILVIO PEREIRA – Qualquer pessoa, não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mesmo empresários de empresas... V. Sª
devia pedir um esclarecimento antes sobre o que a empresa queria tratar, ou não
lhe vinha essa curiosidade?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nem sempre, Sr. Deputado. Acho que o fato
de ser empresário não significa...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu também, não. Longe de mim achar
isso.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não vejo problema, Sr. Deputado. Eu nunca
enxerguei problemas. Estou sendo sincero com o senhor, nunca enxerguei problema
em me reunir com empresários ou com qualquer outra pessoa da sociedade civil.
Vejo problema quando as pessoas fazem coisas erradas, aí é problema. Receber as
pessoas, conversar com as pessoas, não encaro isso como algo errado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Exato, mas não é... V. Sª mesmo disse:
é um cargo importante da Executiva do Partido. V. Sª vai receber, tem relações
com o Governo. De repente, vários empresários lhe contatam para fazer uma
reunião. V. Sª não tinha curiosidade de perguntar o que queriam tratar? Não é
algo tão simples assim, como se fosse fazer um encontro...
O SR. SILVIO PEREIRA – Essa é a verdade, Sr. Deputado.
O SR EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Essa é a verdade.
O ex-Deputado José Genoíno, Presidente licenciado do
Partido, afirmou em uma entrevista, agora, em 15 de julho de 2005, aliás, no
depoimento que ele prestou à Corregedoria da Câmara, ele reafirmou que V. Sª se
utilizava de uma sala no Palácio do Planalto para lotear cargos federais entre
os partidos.
O SR. SILVIO PEREIRA – Mantenho a resposta anterior que já tinha
dito: não existe essa coisa de sala, nem de estrutura. Já falei e mantenho a
resposta que já tinha dado anteriormente.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª sabe que o Deputado José Genoíno
prestou essa informação na Corregedoria?
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, independente do que A ou B tenha
dito, o que vale é o que estou lhe dizendo. Estou lhe afirmando que não tinha
sala em nenhuma dependência do Governo.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Pelo que V. Sª diz, o ex-Presidente do
PT mentiu também?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não sei, Sr. Deputado... Não li o
depoimento dele. Agora, afirmo a V. Sª que não tinha nenhuma salinha, nem lá,
nem em nenhum lugar. A que tinha era na sede do PT.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Nesta negociação relatada pelo
Deputado Roberto Jefferson, entre o PTB e o PT para as eleições de 2004, V. Sª
participou?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não participei.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Em nenhum momento?
O SR. SILVIO PEREIRA – Em nenhum momento. Teve só uma...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª era o coordenador...
O SR. SILVIO PEREIRA – Só teve... Um minutinho, Sr. Deputado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Claro!
O SR. SILVIO PEREIRA – Lembro até um dia na sede, no escritório do
PT, passando pela sede do PT, vi lá reunidos a direção do PTB com a direção do
PT para discutir os acordos eleitorais municipais. Devo ter entrado na sala e
ficado uns cinco minutos, não mais do que isso. Se isso caracterizar
participação...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas V. Sª disse que era o grande
coordenador das campanhas do Partido, que tratava de alianças com os partidos
da base. É curioso! V. Sª não sabe de onde vêm os recursos; V. Sª não sabe e
não participa das reuniões em que as alianças são construídas.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu participava, Sr. Deputado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Vou ter que concordar com o Presidente
Lula, que V. Sª não era exatamente o gestor mais atento ali.
O SR. SILVIO PEREIRA – Veja só, fui um militante, um quadro da
organização do Partido, e me orgulho, e sobre isso tenho muito a dizer. Se me
perguntarem sobre o que realizei, das minhas funções, tenho aqui muito para
dizer sobre o que realizei nesses 25 anos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor se sentiu injustiçado pelas
declarações do Presidente Lula?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não me sinto injustiçado. Tenho aqui a
dizer: nesses 25 anos, do meu trabalho, me orgulho muito. Nos Estados, sei
dizer ao senhor como está o PT em tal Estado. Então, minha função..
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas a aliança do PT com o PTB em 2004 foi para as eleições
municipais.
O SR. SILVIO PEREIRA – Nesse caso, não participei do acordo nacional dos
partidos, fiquei exatamente onde atuei, que foi nos Estados.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Queria uma avaliação de V. Sª: como é que V. Sª diferencia
o Partido do Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, isso é bem simples.
O SR. EDUARDO
PAES (PSDB – RJ) – Eu gostaria de ouvir a sua opinião.
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu vou responder. Acho que são duas instâncias
totalmente autônomas uma da outra. O Governo é um órgão do Estado; o Partido é
uma entidade de direito público privado. São duas coisas totalmente distantes.
A relação se estabelece na política. Ao partido, cabe, sim, estabelecer as
diretrizes políticas pelas quais os seus mandatários irão ser executados.
Então, essa é basicamente a diferença.
O SR. EDUARDO
PAES (PSDB – RJ) – Mas, por exemplo, V. Sª relatou aqui a negociação de um
cargo no Governo Federal com o Senador Fernando Bezerra. V. Sª, inicialmente,
disse que tratava dos assuntos de cargos do Partido dos Trabalhadores. Isso não
vai um pouco contra essa diferenciação que V. Sª faz do PT com o Governo, a
partir do momento em que V. Sª, como dirigente partidário, começa a interferir
nas nomeações do Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Acho que o exemplo que V. Exª deu é um exemplo que
exatamente confirma o que estou dizendo. Em primeiro lugar, não negociei nada,
nem com Fernando Bezerra, nem com qualquer outra pessoa.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª debateu, participou. V. Sª relatou.
O SR. SILVIO PEREIRA – Nos termos que relatei, nos termos que o Senador
confirmou. Minha alimentação se dava nesse nível. O exemplo do próprio Ezequiel
é que tinha três partidos da base aliada, tinha uma indicação só, existia
conflito da base aliada. Sr. Deputado, muitos aqui desta Casa saberão disto,
muitos aqui sabem disto: quando tinha acordo, eu lutava para que esses acordos
pudessem ser cumpridos; batalhei muito. É importante também saber que muitos
dos acordos, ao contrário... Várias indicações que nós decidíamos...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª não considera isso uma interferência de um dirigente
partidário no Governo?
V. Sª afirmou aqui que era uma ação do Partido, que
V. Sª tratava dos cargos do Partido. Aliás, quando V. Sª recebia essas
demandas, a quem V. Sª as encaminhava?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sempre ao Governo.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ao Governo.
O Governo é uma pessoa jurídica, uma abstração, um
ente.
Para quem as entregava?
O SR. SILVIO PEREIRA – Quem é responsável pelas nomeações formais do
Governo é a Casa Civil. Portanto, era para lá que eu encaminhava.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª as entregava a quem pessoalmente, Sr. Silvio
Pereira?
O SR. SILVIO PEREIRA – Na Casa Civil. Dependia de...
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A Casa Civil também é uma sala, uma instância, uma
instituição, uma instância de governo.
O SR. SILVIO PEREIRA – Posso lhe responder, Deputado?
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu queria o nome.
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, posso lhe responder.
Em primeiro lugar, na Casa Civil, tinha vários
funcionários. Depende do momento, do mês e do dia. Ali eu lembro... Sim,
Deputado, mas estou contando o que é verdade. Não posso inventar.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Estou lhe ouvindo. Espero que sim.
O SR. SILVIO PEREIRA – Tenho de contar do jeito que era.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Espero que sim.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª pode concluir, por favor.
O SR. SILVIO PEREIRA – Então, tenho de contar do jeito que funcionava a
coisa. Ali você tinha quatro funcionários da Casa Civil. Lembro de alguns
nomes. Eu me lembro da Lúcia, Lúcio. Eu me lembro da Sandra Cabral. Eu me
lembro do Marcelo Sereno. Então, se eu chegasse ali num dia e se estava ali o
Marcelo Sereno, era para ele que eu entregava. Se estava a Sandra Cabral, era
para ela que eu entregava. A minha participação parava na porta do Governo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O tempo de V. Exª esgotou, Sr. Deputado.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, eu já...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Não, não.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente!
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – São quinze minutos. V. Exª divagou no início,
devia ter feito as perguntas objetivamente.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, quem está fazendo divagação neste exato
instante é V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Há 33 inscritos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, vou respeitar o tempo, mas quem está
fazendo divagações é V. Exª. Ninguém aqui está divagando. Sr. Presidente, V.
Exª tem o dever de presidir, mas respeite também os Srs. Parlamentares aqui,
porque estamos aqui trabalhando sério o dia inteiro.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Tenho-os respeitado e gostaria que V. Exª
respeitasse mais 32 inscritos, 32 colegas seus.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, quero apenas deixar muito claro aqui um
aspecto. Gostaria – acho que isto é importante, já que O SR. SILVIO PEREIRA não
lembrou os nomes de quem foram esses pedidos de nomeação do Partido dos
trabalhadores – que requisitássemos, Sr. Relator, esse banco de dados do
Partido dos Trabalhadores para essas nomeações.
Queria só fazer um esclarecimento, Sr. Presidente: há
uma diferença enorme – e o Senador Fernando Bezerra lembrou isso –, quando se
negocia cargos, o que é algo absolutamente normal numa democracia, entre um
Ministro, Secretário-Geral da Presidência da República – e isso é absolutamente
normal –, e um dirigente partidário que confunde o Estado com o Partido.
Parece-me, Sr. Presidente, que, neste caso aqui, mais
uma vez, estamos constatando aquilo que é praxe do Governo Lula. Há uma
confusão enorme entre o Partido e o Governo, eles se misturam, e o dirigente
partidário tem o poder de indicar pessoas dentro do Governo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Peço a colaboração de V. Exª.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sei que é duro ouvir isso, mas V. Sª tem de ouvir.
Muito obrigado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, vou aproveitar o
intervalo para solicitar a V. Exª – é o Deputado Onyx que fala – que oriente o
advogado do depoente, porque já houve quatro intervenções completamente
irregulares do advogado no depoimento, sob pena de solicitarmos sua retirada.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Irei adverti-lo.
Dr. Arnaldo, gostaria de que
V. Sª apenas informasse o depoente de alguns dados que ele porventura pergunte
– data, algum documento ou coisa que o valha –, mas V. Sª não pode interferir
no depoimento.
O SR. ARNALDO MALHEIROS – Se V. Exª permite, não estou, de modo algum,
interferindo no depoimento.
O SR. (Orador não identificado) – Não pode nem
falar.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Os Deputados chamaram a
atenção para esse dado. Se V. Sª não está interferindo, melhor ainda, mas fica
a advertência.
O SR. ARNALDO MALHEIROS – V. Exª permite?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Agradeço.
O SR. ARNALDO MALHEIROS – Obrigado. Sr. Presidente,
gostaria de dizer o seguinte...
O SR. (Orador não identificado) – O senhor não pode
falar.
O SR. ARNALDO MALHEIROS – O Sr. Presidente me deu a
palavra. Eu não estou interferindo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª
pode ir ao Presidente falar com ele diretamente; não tem problema.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – O artigo 187 do Código de
Processo Penal diz que poderá o investigado consultar brevemente seu advogado
sobre a conveniência ou não de responder à indagação ou sobre as razões para
não fazê-lo. Poderá ainda fazer breves consultas e apontamentos. Isso nós
asseguraremos.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
Isso é um direito. Agora,
não há direito e não cabe a intervenção do advogado no meio do depoimento. E eu
agradeço o atento assessor pela colaboração dada a esta Comissão.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Muito obrigado.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Eu vou, eu vou...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, o depoente se retirou e o advogado também se retirou. Eu gostaria
de que houvesse um acompanhamento.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Eu pedi a um assessor que
o acompanhasse. Tem um assessor da CPMI acompanhando o desenrolar, sem problema
nenhum.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu
agradeço a V. Exª.
A SRa JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr. Presidente, a título de
colaboração...
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Com a palavra, pela
ordem, o Deputado Jorge Bittar, depois a Deputada Juíza Denise Frossard.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Sr. Presidente, na realidade, queria me
dirigir ao Sr. Relator. É o seguinte: o Deputado Eduardo Paes citou aqui o
depoimento do ex-Presidente Nacional do PT, José Genoíno, na Corregedoria. Nós
não temos conhecimento desse depoimento. Eu gostaria de saber se esse documento
é de domínio de todos.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Eu vou pedir ao Relator
que forneça a V. Exª.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Porque, ao que eu sei, esse documento
ainda não foi transcrito e divulgado publicamente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Vou pedir ao Relator que
faça chegar a V. Exª.
O SR. JORGE BITTAR (PT – RJ) – Eu gostaria de saber em que
circunstâncias esse documento foi obtido.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Deputada Federal Juíza
Denise Frossard que havia pedido a palavra antes.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Art. 14, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Eu não vou... Eu vou
seguir a ordem.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-Sol – AL) – Mas V. Exª responda.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Eu vou seguir a ordem.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-Sol – AL) – Mas V. Exª responda.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Eu vou seguir a ordem. Eu
vou seguir a ordem, Deputada. Com a palavra V. Exª.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-Sol – AL) – Mas V. Exª responda ao Deputado
Bittar. V. Exª tem de responder ao Deputado Bittar, que disse que se
apropriaram de documento de forma diversa, o que não é verdade.
A SRa JUÍZA
DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Eu cedo
a minha vez ao Deputado Eduardo Paes para que responda.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Eu vou conceder e
assegurar a palavra a V. Exª. Aqui tem ordem. Aqui tem ordem.
O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente,
ele fez um questionamento. Ele fez um questionamento.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB-GO) – Enquanto eu presidir,
aqui tem ordem. Se V. Exª insistir, eu suspendo a reunião por culpa de V. Exª. Asseguro
a palavra à Deputada Federal Juíza Denise Frossard.
O SR. (Orador não identificado) – V. Exª é
autoritário.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, vamos retomar o
depoimento.
A SRa JUÍZA
DENISE FROSSARD (PPS – RJ) – Sr.
Presidente, eu só queria contribuir a respeito dessa questão do depoente. Ele
veio aqui e não prestou compromisso legal. Pelo que tenho acompanhado, lá fora
ele também deve ter meio Código Penal à espera dele, de modo que ele está aqui
nesta posição. É claro que ele pode consultar o seu advogado, recorrer ao seu
advogado; é defesa técnica. Não tem nenhum problema que ele até pare a reunião
para conversar com o advogado. É bom que seja assim, porque ele é virtualmente
um réu criminal lá fora. Ele é virtualmente isso. De modo que ele deve se
aconselhar, e o advogado está aqui para isso. É a defesa técnica, o que não
significa que o advogado vai usar a tribuna. Não, não pode. Mas algumas vezes
ele tem que parar e se aconselhar sim. E é bom que nós respeitemos os direitos
de qualquer pessoa que venha depor aqui. O depoente, Sr. Presidente, deve, se
se sentir inseguro, consultar seu advogado, porque tudo o que se passar aqui –
por isso eu estou dizendo isso – vai ser requisitado por um juiz criminal, como
eu já requisitei. Então, é importante ficar claro que esta prova que sair daqui
vai servir para um juízo criminal sem nulidades.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V.Exª.
O SR. (Orador não
identificado) – Uma questão de
ordem.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – V. Exª vai ter que dar, porque fica
dando aleatoriamente.
O SR. (Orador não
identificado) – Sr. Presidente, eu
tenho que dar um esclarecimento aqui.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu agradeço a V. Exª;
eu já havia esclarecido antes ao Sr. advogado sobre essa questão.
O SR. (Orador não
identificado) – Sr.
Presidente, para uma questão de ordem só para responder ao Deputado Jorge
Bittar.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Tem a palavra V. Exª
O SR. (Orador não
identificado) – Eu sei que a
imprensa anda dura com o Deputado Jorge Bittar, mas a Folha de S.Paulo,
no dia 15 de julho de 2005, disse: “Silvio Pereira usava a sala do Palácio do
Planalto de Genoino.” É uma informação da Folha de S. Paulo que teria tido acesso a esse depoimento.
Portanto, a informação veio
do jornal Folha de S.Paulo. Eu sei que anda duro para o Deputado Jorge
Bittar ler a imprensa, mas é importante que ele leia.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado.
V. Exª quer usar a palavra,
Senadora?
A SRª HELOÍSA HELENA (PSOL – AL) – Não, apenas para fazer um apelo...
O SR. (Orador não
identificado) – Está registrado que
o documento não é oficial.
(O Sr. Presidente faz
soar a campainha.)
O SR. (Orador não
identificado) – O Diário Oficial,
Deputado Eduardo Paes, e a Folha de S.Paulo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Se os senhores começarem a se agredir
mutuamente, eu vou suspender a reunião. Nós estamos aqui para ouvir o
depoimento.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL — AL) – É para fazer um apelo de manter a
ordem das inscrições.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra V.Exª
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Só para fazer um apelo para manter a
ordem de inscrição. Porque se for para ganhar no grito, na intervenção fora do
tempo, eu também sei fazer e não quero fazê-lo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Muito obrigado.
Com a palavra o Deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto, por quinze minutos.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, Sr. ...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Por favor, a Assessoria
marque o tempo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Relator, Sr. Depoente Silvio Pereira, Srs. Parlamentares, Dr. Silvio, o senhor
concorda que todos os membros partidários devem seguir os mandamentos do
Estatuto do Partido a que estão filiados, sobretudo aqueles que são dirigentes?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim, senhor.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito
bem! Então, talvez, V. Sª não se lembre o que disse o Estatuto do Partido dos
Trabalhadores, aprovado pelo Diretório Nacional em 11/03/2001, momento em que
V. Sª já era membro desse membro Diretório.
O art. 110 determina
algumas competências do Diretório Nacional, dentre elas estão: cobrar
contribuições financeiras, organizar amplas campanhas de arrecadação,
encaminhar a elaboração e aprovação do orçamento anual, manter em dia a
contabilidade e garantir a elaboração, aprovação e entrega da prestação de
contas à Justiça Eleitoral.
Eu quero reler o art. 110 –
e o fiz para que V. Sª se recorde – porque é competência do Diretório Nacional
e não do Secretário de Finanças. E V. Sª, como membro do Diretório Nacional,
tem, ou teve, todas essas atribuições e responsabilidades, que certamente V.
Sª, no dia de hoje, desconhece.
Mas o art. 164 do mesmo
Estatuto diz o seguinte:
“Art. 164. Os recursos
financeiros do Partido dos Trabalhadores serão originários de contribuições dos
seus filiados, de contribuições dos ocupantes de cargos eletivos e dos cargos
de confiança, de doações das dotações do Fundo Partidário, de rendas e receitas
de serviços e de convênios comerciais.”
O Art. 166 do mesmo
Estatuto diz o seguinte:
“Art. 166. As instâncias
dirigentes envidarão todos os esforços para:
a) Garantir o compromisso
de sustentação financeira do Partido por parte de todos os filiados;
b) Equilibrar as fontes de
recursos e evitar que o Partido dependa de uma única fonte.”
O art. 167 diz ainda:
“Art. 167. As instâncias e
dirigentes, em geral, e as Secretarias, em particular, são responsáveis:
II – pela criação de
múltiplos canais para que esta contribuição seja viabilizada.”
Eu pergunto: dentre esses múltiplos canais, o Partido dos
Trabalhadores entende que está a tomada de empréstimos com empresários que têm
negócios com o Governo Federal?
O SR. SILVIO PEREIRA – Tudo está fora do
Estatuto do PT. E vai ser avaliado pela direção do Partido e a nova direção
está começando a fazer isso hoje, já reunido em São Paulo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª não me respondeu. Eu queria um sim ou não. Está ou
não está?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não entendi a
pergunta, Sr. Deputado.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu quero saber se, dentre os múltiplos canais para que a
contribuição seja viabilizada, está aí a tomada de recursos com empresários que
têm negócios com o Governo Federal?
O SR. SILVIO PEREIRA – Independentemente de
negócio com o Governo Federal, qualquer empréstimo que não seja em nome do
Partido, evidentemente, não está previsto no Estatuto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL - BA) – Mas, aí,
vem o inciso V e diz também que todas as instâncias dirigentes são responsáveis
pela criação de formas e mecanismos que ampliem a arrecadação. Então, o que fez
o Partido dos Trabalhadores para cumprir, talvez, o art. 167, inciso V? Foi a
um empresário chamado Marcos Valério, publicitário para alguns, lobista para
outros, recorreu a ele para que, supostamente, fosse o elo com instituições
financeiras. Esse mesmo empresário viabilizou os recursos para o Partido dos
Trabalhadores e, Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, pasmem: esse empresário é
um dos maiores contratados do Governo Federal e, como garantia desses
empréstimos, deu justamente os contratos com o Governo Federal.
Mas, Sr. Silvio, V. Sª não
pode eximir-se dessa responsabilidade, porque, se o Estatuto do Partido de V.
Sª realmente tem validade, o diretório nacional e as instâncias diretivas como
um todo têm o dever, a responsabilidade de zelar pela arrecadação financeira do
Partido, assim como também pela destinação dos seus recursos e pela prestação
de contas à Justiça Eleitoral – não só V. Sª, mas todos aqueles que compõem o
Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. Talvez fosse aconselhável que os
membros do PT relessem o seu Estatuto, mas vamos adiante.
Pareceu-me claro que o Sr.
Silvio desempenhou um papel de interlocutor entre correntes políticas – e aí
inserem-se os partidos da base, inserem-se parlamentares, inserem-se
ex-parlamentares e militantes em geral. Então, ele foi o interlocutor dessas
esferas com o Governo Federal. Aqueles que pretendiam alcançar um cargo público
no Governo Federal deveriam passar, pelo menos, pelo conhecimento, senão pelo
crivo do Sr. Silvio Pereira.
Já que a pergunta do
Deputado Osmar Serraglio não foi respondida com propriedade, perguntaria a V.
Sª: passou pelas mãos de V. Sª qualquer indicação para uma das diretorias da
Petrobras?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não. Nenhum dos diretores da Petrobras
foi indicado tendo antes o currículo sido apresentado a V. Sª?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª repete a negativa?
O SR. SILVIO PEREIRA – Repito, Sr. Deputado. Nenhum membro da diretoria
da Petrobras teve a minha indicação.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem. Eu, então,
perguntaria: quais são as relações de V. Sª com o Sr. Renato Duque, diretor de
serviços da Petrobras?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheço o Sr. Renato Duque, como conheço os demais
diretores da Petrobras.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quem foi o responsável pela
indicação do Sr. Renato Duque para essa diretoria?
O SR. SILVIO PEREIRA – Quem vai poder explicar é o próprio Governo ou o
próprio diretor da Petrobras, na medida em que não indiquei o Sr. Renato Duque.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem. Mas, V. Sª, então, na
Petrobras, não teve a força que teve em outros órgãos do Governo, não é isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Essa questão da força é uma grande lenda, mas
respondo a V. Sª: não indiquei nenhum diretor da Petrobras. Conheço os
diretores da Petrobras, tenho relacionamento político com eles, mas não
indiquei e nem sei quem os indicou, mas, com certeza, o Governo ou a própria
Petrobras saberá, porque eles decidem isso.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Qual é a relação de V. Sª com o chefe
de gabinete do Presidente da Petrobras, o Sr. Diego Hernandes?
O SR. SILVIO PEREIRA – Estive com o Sr. Diego várias vezes durante 2003
para poder apresentar para ele algumas indicações, que estavam dentro da
empresa para algum órgão da Petrobras, a diretoria já composta por alguns
nomes, particularmente nomes que a base aliada nos apresentava nomes, e que a
gente procuraria ter um consenso a respeito.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª acha que é normal o
secretário de um partido ter o hábito de viajar pelo Brasil em jatinhos
particulares?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, viajei poucas vezes em jatinhos particulares.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª viajou poucas vezes?
O SR. SILVIO PEREIRA – Poucas vezes.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA)– V. Sª se lembraria de quem são esses
jatinhos particulares em que V. Sª viajou, já que foram poucas vezes?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não tenho condições de me lembrar quem era o
dono do avião ou como era o avião.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Tenho aqui algumas fotos.
O SR. SILVIO PEREIRA – Pois não.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Vou
mostrar uma, dentre várias que tenho, para identificar um avião de que talvez
V. Sª possa se recordar se já viajou ou não. É um Learjet 35, cujo prefixo é
PTLMY, de propriedade de um empresário chamado César Oliveira. V. Sª se recorda
de ter viajado nesse jatinho alguma vez?
O SR. SILVIO PEREIRA – Já andei de jatinho. Não sei se é esse que V. Sª
está apresentando. Conheço o Sr. César Oliveira.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª
quer ver uma foto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não precisa. Não conheço marca de avião, etc, mas
já viajei em alguns aviões particulares, sim, e conheço o Sr. César Oliveira.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas V.
Sª viajou no avião do Sr. César Oliveira?
O SR. SILVIO PEREIRA – Já viajei em aviões particulares, mas não sei quem
são os proprietários.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quero
uma resposta de V. Sª. Se V. Sª viajou poucas vezes, é claro que V. Sª se
lembra. Pode até não se lembrar de todos os empresários, mas, já que estou
nominando um, queria que V. Sª respondesse sim ou não.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não lembro, Sr. Deputado.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª
não lembra?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não lembro. Quem eram os donos eu não lembro.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª
lembra que viajou poucas vezes, mas não lembra se viajou exatamente nesse
avião, de propriedade de um empresário denominado César Oliveira?
O SR. SILVIO PEREIRA – Exatamente, Sr. Deputado.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não se
lembra?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não me lembro.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então,
V. Sª haverá de se lembrar ao final dessas investigações.
O SR. SILVIO PEREIRA – Perfeito.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas, por
falar no avião do Sr. César Oliveira, só estou fazendo essa referência... E
quero dizer aqui que não tenho absolutamente nenhuma informação que desabone a
conduta da empresa em que o Sr. César Oliveira é dirigente, que é a GDK, mas
vale frisar que essa empresa possui vários contratos com a Petrobras e muitos
contratos podem ser considerados objeto de induzimento por parte do Governo
Federal. Por exemplo, agora há pouco tempo, essa mesma empresa ganhou um
contrato de cerca de US$90 milhões para reformar uma plataforma no Espírito
Santo, a P-34. E o engraçado é que muitos contratos dessa empresa denominada
GDK têm especificações que somente essa empresa poderia atender. Existem
notícias da relação de V. Sª com o proprietário dessa empresa e das
interferências que V. Sª, ao lado do Sr. Fernando Moura, realizou junto à
Petrobras para beneficiar essa empresa chamada GDK. Eu, então, perguntaria: V.
Sª já manteve muitos contatos com o Sr. César Oliveira?
O SR. SILVIO PEREIRA – Em primeiro lugar, Sr. Deputado, mantive contato,
sim, com o Sr. César Oliveira e repito ao senhor, como já falei aqui
anteriormente, que nunca fiz mediação de nenhuma empresa, nem dessa nem de
outra.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES
NETO (PFL – BA) – Muito bem. Tem relação com o Sr. César
Oliveira?
O SR. SILVIO PEREIRA – Estive em contatos institucionais com o Sr. César
Oliveira.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Institucionais de que natureza?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ora, não tenho outro tipo de relacionamento com
ele.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Contatos
institucionais. V. Sª é secretário-geral de um partido. O que esse empresário
fez? Deu talvez contribuições ao seu Partido?
O SR. SILVIO PEREIRA – A mim, pelo menos, não. Não ganhei nenhuma
contribuição para nenhum lugar.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O que é
essa relação institucional? Explique-me, pelo amor de Deus, Sr. Silvio.
O SR. SILVIO PEREIRA – Tento explicar, Sr. Deputado. Tive isso não só com
César Oliveira, com alguns outros empresários. Eles nos procuravam querendo
saber acerca do programa de Governo, queriam saber sobre temas divergentes,
inclusive em termos de política econômica, qual é o projeto de desenvolvimento
do Governo, quais são as diretrizes, quais são as prioridades.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, V. Sª falava pelo Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, eu nunca falei pelo Governo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Os
empresários iam a V. Sª para saber as diretrizes do Governo. V. Sª é secretário
do Partido ou é primeiro ministro do Governo?
O SR. SILVIO PEREIRA – As diretrizes do programa de Governo... Quando
respondi ao Deputado Paes, a separação entre Estado e o Partido, o que afirmei?
Que cabe ao PT estabelecer as diretrizes do programa do Governo, e é natural
que um partido que está no poder, um partido chave, um partido de coalizão, tem
muita influência política no Governo. E, às vezes, parlamentares, políticos,
empresários gostariam de saber exatamente qual é essa incidência, esse
conhecimento político.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito
bem. V. Sª sabia que a GDK é uma das maiores compradores de Land Rover do
Brasil?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não sabia.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ah,
muito bem. Então, por falar em Land Rover, já que V. Sª tem uma no patrimônio
de V. Sª, dentre outras coisas que, na minha opinião, são injustificáveis,
porque o funcionário de um partido que recebe R$9 mil e tem uma casa em
Ilhabela, tem um apartamento avaliado em R$180 mil, tem um carro importado, uma
Land Rover... V. Sª poderia me dizer em nome de quem foi comprada essa
caminhonete Land Rover?
O SR. SILVIO PEREIRA – Quero repetir aqui, Sr. Deputado, que tudo que
possuo está no meu Imposto de Renda...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quem
comprou a caminhonete, Sr. Silvio?
O SR. SILVIO PEREIRA – Absolutamente tudo. Fora disso, Sr. Deputado, eu me
reservo o direito de não falar aqui sobre o meu patrimônio.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quero
informar, então, o que aconteceu com a caminhonete. Uma empresa chamada
Quantas, que temos de investigar, contraiu financiamento com o Bradesco. E, de
repente, esse financiamento foi quitado, mas existem suspeitas muito sérias de
que o senhor ganhou essa Land Rover do Sr. César Oliveira, proprietário da GDK
e, talvez por isso, V. Sª não queira apresentar aqui as considerações sobre o
patrimônio de V. Sª. Infelizmente, tenho de dizer isso a V. Sª, até porque
foram notícias publicadas em alguns veículos de comunicação. Não é este
Parlamentar o primeiro a tornar pública esta notícia, essa informação.
Mas é evidente, Sr. Silvio,
que o senhor não colabora com esta Comissão. Por quê? Como é que podemos
investigar alguém, se não temos condições, Sr. Relator, de aprofundar o
conhecimento sobre o patrimônio da pessoa que está sendo investigada? É muito
complicado, é muito difícil!
Mas, para não desrespeitar o
meu tempo, perguntaria: V. Sª manteve muitos contatos com o Sr. Waldomiro
Diniz?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu tive alguns contatos por ocasião em que ele era
Subsecretário de Assuntos Parlamentares da Casa Civil.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Alguns
contatos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O que é
que V. Sª tratava com o Sr. Waldomiro Diniz?
O SR. SILVIO PEREIRA – Era sempre o mesmo tema. O Sr. Waldomiro vinha
falar das reclamações: “Tem Deputado do PT que está reclamando que não teve
nenhum cargo atendido. Tem Deputado reclamando que não tem nenhum cargo
atendido”. Era sempre meio que falando um pouco o que os Parlamentares
comentavam com ele. Sempre que ele falava sobre esse tema, exatamente o
encaminhamento que a gente dava era: tem que procurar o Governo para poder
atender essas demandas dos Srs. Parlamentares. Por exemplo, no negócio de
emenda, eu não cuidava de emenda. Então, vai conversar com quem cuida de
emenda. No negócio de cargo, tem que ver isso com o Governo, acordos realizados
e não cumpridos. Então, sempre que ele vinha conversar era exatamente sobre
reclamações ou queixas dos Srs. Parlamentares em relação ao Governo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, não vou mais indagar, porque meu tempo se esgotou, mas eu queria
que V. Exª me reinscrevesse.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª já está
atendido. V. Exª está reinscrito.
Concedo a palavra à Senadora
Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Cumprimento o Sr. Presidente e as Srªs
Senadoras e os Srs. Senadores.
Silvio Pereira, Silvinho,
faz bastante tempo que a gente não se vê. Espero que você me trate de você e eu
vou lhe tratar de você também, sem nenhuma das sofisticações das relações aqui.
A última vez em que nos
vimos foi no processo que culminou com a nossa expulsão no Hotel Blue Tree.
Depois, para surpresa minha, descobri que o Hotel Blue Tree não era apenas o
espaço para viabilizar as nossas expulsões, mas era também o espaço de
encontros, segundo a imprensa, dos mais sórdidos e sujos que eu pudesse
imaginar.
Depois, comecei a vê-lo, em
todos os jornais, como a pessoa mais importante do Governo Lula. Digo a mais
importante, aquele que fazia a intermediação da estrutura partidária com a Base
aliada e com o Governo. Em todas as entrevistas era assim que aparecia. E eu
achava absolutamente justificável porque, embora muitos agirão aqui com cinismo
e dissimulação, muitos que tentam desqualificá-lo, sempre achei que você era um
quadro partidário da mais absoluta convivência com Lula, com Ministro José
Dirceu, com Genoino, com Delúbio, porque, nós que vivenciamos a mesma
militância partidária, sabemos como se distribuem as relações políticas
internas, as relações das tendências internas. Então, eu até achava que era
absolutamente justificável, porque você era um quadro partidário da
articulação, que é a tendência majoritária, uma pessoa da mais absoluta
confiança do Presidente Lula, do Ministro José Dirceu. Então, eu achava
absolutamente natural.
Hoje, fico sinceramente
impressionada com as coisas que vejo, com as palavras que são ditas sobre você.
Fico impressionada porque nunca vi pessoas tão aplaudidas quando na convivência
partidária e hoje serem jogadas no lixo ou jogadas na arena dos leões para
serem comidas para preservar a situação do rei.
Quando se fala dos milhões
de campanha, fico impressionada. Primeiro, porque até consultei a página do
Diretório do PT para ver se me lembrava de coisas, porque eu tinha sido da
Executiva Nacional. E aí fui ver as resoluções sobre finanças das campanhas
eleitorais de todas... Acho que você se lembra daquele quadro que foi passado
por eslaide, que tratava da estratégia para a Comissão de Finanças do Comitê
Lula Presidente; dos kits que foram apresentados; das articulações que
tinham que ser feitas para diversificar fontes de financiamento, ampliar o
relacionamento empresarial. Mas não é nada disso que está aqui. Eu poderia
imaginar que significaria o que hoje está nas páginas dos jornais. Nada.
Primeiro porque, e o senhor até disse isso anteriormente aqui, em todas as
reuniões não havia recurso para nada, porque não havia recurso para os Estados.
Era uma gigantesca reclamação de todos os setoriais, de todas as secretarias,
dizendo que não tinha dinheiro dentro do Partido. Ninguém tinha dinheiro para
nada. Para qualquer evento que fosse feito por um setorial, era a maior
complicação para que fosse liberado o dinheiro.
A última campanha de que
participei pelo PT foi em 1998. Evidente que não era o Delúbio. Talvez o
Delúbio tenha mais formas de coletar recursos. Na época, era a Clara a
secretária de finanças. Também não tinha recursos. Pode ser que depois do
período que fui expulsa, começaram a aparecer recursos, como eu nunca vi.
Então, se você quer nos ajudar, Silvio, ajudar esta Comissão Parlamentar
de Inquérito, primeiro tem que deixar absolutamente claro que todos os
procedimentos que fazia como Secretário-Geral. Ninguém chega a secretário-geral
de um partido de esquerda sem ser da mais absoluta confiança do Presidente da
República, do Ministro José Dirceu e dos mais importantes quadros partidários.
Ninguém. Quando era secretário de organização, o cargo já era visto como uma
posição estratégica dentro da estrutura partidária! E secretário-geral...
Ninguém chega a secretário-geral sem ser da mais absoluta confiança.
Então, primeiro quero saber se tudo que vinha sendo discutido dentro do
PT, ou nas relações Base aliada/Governo, era, absolutamente – todos os passos
que o senhor dava – de conhecimento Palácio do Planalto. O senhor pode dizer:
“Não, eu não nomeei.” É verdade. Não era cargo do governo, não nomeou. Mas isso
é essencial: todos os passos que foram dados, porque não é possível que se
reúna com empresário, que se reúna com Senador, que se reúna com alguém da Base
aliada, e isso não seja comunicado. Porque, se não fosse comunicado, era muito
grave, porque daria a V. Sª toda a gestão da máquina pública. Se foi
conversado, isso é essencial: todos os passos que o senhor deu nas relações com
os partidos, com os empresários, com a Base aliada, se eles eram diretamente
ditos, explicados, comunicados e autorizados pela cúpula palaciana do Partido
dos Trabalhadores e pelo Palácio do Planalto. Sabe por quê? Porque, em todos os
documentos que chegam aqui, em todos os depoimentos que são dados, ficamos sem
conseguir entender de fato o que aconteceu.
Quando analisamos os
Correios é como se houvesse uma verdadeira guerra de gangues partidárias entre
PMDB, PTB e PT, cada um querendo derrubar o outro, cada um fraudando uma licitação,
desde o processo de instrução, para que o empresário, supostamente apaniguado
pela estrutura palaciana, ganhasse a licitação. Aí o empresário diz que não
ganhou a licitação. E vamos ver os empréstimos partidários. Esses são
surpreendentes, porque um empresário jamais seria avalista do empréstimo. E o
pior: não era só avalista do empréstimo, ele se endividava. Marcos Valério se
endividou; endividou todas as suas empresas, para que depois uma lista
designada por Delúbio Soares... E, no depoimento dele à Procuradoria, disse que
o senhor e o Ministro José Dirceu sabiam de todos os financiamentos e da
metodologia utilizada. Ele disse que depois o empresário se endividava,
endividava suas empresas, passava, recebia uma lista do Sr. Delúbio, dizendo quais
as pessoas que receberiam o dinheiro em espécie, para pagar fornecedores.
Quanto aos fornecedores,
quero que o senhor diga, já que acompanhava os Estados, quais os pagamentos que
foram feitos a fornecedores dos diretórios regionais. Ele disse que o dinheiro
do empréstimo era para pagar fornecedores e dívidas dos diretórios estaduais e
que repassava diretamente a dirigentes dos diretórios estaduais. Então, que o
senhor nos informe se todos os passos dados eram em concordância, com
autorização, com o conhecimento do Palácio do Planalto, do Presidente da
República ou do seu mais importante representante e se também o senhor, que
sempre acompanhou os diretórios regionais, teve conhecimento disso. Porque, se
acompanhava todas as crises dos diretórios regionais – nesses dois dias, cada
diretório regional foi para a imprensa dizer que tem dívida e que ela não foi
paga –, se os diretórios regionais lhe comunicavam – pela confiança e pelo
acompanhamento que o senhor sempre teve – que as dívidas estavam sendo pagas,
que eles estavam resolvendo problemas relacionados aos Estados, se os
dirigentes partidários recebiam em espécie. Eram recebimentos em espécie que
estavam sendo feitos, por meio de uma listagem entregue pelo Sr. Delúbio.
Então, responda-me a essas duas, antes de eu entrar nas outras.
O SR. SILVIO PEREIRA – Permita-me, Senadora Heloísa Helena, responder a
essas duas perguntas. Você fez algumas outras afirmações que acho que é
importante para a resposta das duas perguntas. Provavelmente dentro da CPI, dos
que estão aqui presentes, a Senadora é uma das que mais me conhecem nas
atividades políticas, antes e quando estava no PT. Sempre lutei no PT para que
fosse reconhecido que um quadro de uma organização partidária não precisaria
ter o mandato para poder ocupar um cargo de direção. Nos meus 25 anos de PT,
que sempre foram acompanhados, em todos os momentos – você participou de
algumas dessas reuniões – em que era para se discutir um cargo de direção, já
ouvi de vários, inclusive dos que hoje repetem isso da época, que, pelo fato de
não terem o mandato, não poderiam ocupar um cargo de direção: aquela famosa
discussão sobre representatividade. Essa foi sempre uma luta minha. Quando
cheguei a Secretário de Organização, cheguei exatamente àquilo que sei fazer e
acompanhei os Estados, como você sabe disso. Desde o início do PT, organizo o
PT no País afora. Nessa campanha eleitoral, já respondendo a uma das suas
perguntas...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Peço a colaboração dos
Assessores e de todos, senão fica difícil ouvir.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – E desconte o tempo, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Estou descontando.
O SR. SILVIO PEREIRA – Você sabe, Senadora, que, por ocasião do processo
da sua expulsão e dos outros Parlamentares do Partido, um processo doloroso
para todos nós, eu, como Secretário da Organização, cumpri minha função
partidária, assim como o fiz em todas as ocasiões. Senadora Heloísa Helena, se
você chamar e ouvir os 27 Estados do PT, os 27 – diria 27, porque aqui em
Brasília não teve eleição –, reuni-me com todos eles. A reclamação de todos os
diretórios estaduais, Senadora Heloísa Helena, era a falta de recursos. Tinham
prometido ajudá-los e não ajudavam.
Os setoriais: chamo também o
testemunho da Secretaria Nacional de Mulheres do PT. Já agora, nessa eleição, a
Secretária Nacional de Mulheres do PT, que você conhece muito bem, que é a
Conceição... Quer dizer, o Setorial de Mulheres não tinha recursos para fazer
os seus materiais. Eu lutei muito para conseguir e conseguimos muito pouco. A
Secretaria de Combate ao Racismo, o PPDS... Eu sempre fui, e sou, e me orgulho
disso, representante dessa militância do PT, desses setoriais. Eu não ligo para
esse negócio se é mais ou se é menos. Estou na direção, estou onde estou por
meus próprios méritos e, também, por confiança. Não acho e nem me iludo...
Você sabe que eu não
participei de nenhuma coordenação de campanha presidencial, você sabe disso. Eu
sempre fui um auxiliar da direção do partido e, mesmo agora, na campanha do
Presidente Lula, eu não participava da coordenação das eleições. Eu, como
Secretário de Organização, organizei o NAI??? que fornecia as informações para
o Governo.
Portanto, sobre os
pagamentos, Senadora Heloísa Helena, que é uma pergunta que você me formulou,
eu não tinha conhecimento. O único conhecimento que eu tinha em relação aos
Estados era relativo às reclamações que eu levava lá de Belém. Chegava lá em
Belém, Ana Júlia: “Não tem material, não tem plástico, não tem isso, não tem
aquilo”. Eu chegava lá em São Paulo: “Gente, tem que mandar bandeira, tem que
mandar material para Belém do Pará, que não tem muita coisa, não tem isso..”.
Então, não acompanhava. O que eu levava nessa campanha de 2004, esta é a pura
verdade... Todos os diretórios estaduais e as principais campanhas tinham
dificuldades, sim, exceto uma ou outra campanha do PT realizada em alguma
importante capital. Nos demais, no resto do País, foi com muita dificuldade que
o PT realizou a campanha.
Sobre os passos. Evidentemente,
o que é de partido eu respondo ao partido. Eu sou membro da direção do PT. A
minha relação com o Governo se estabelece em dois níveis. O primeiro é na
política. O Presidente Lula é filiado ao PT, como vários outros ministros. Eu
sou dirigente do PT e tenho muitos assuntos políticos a tratar com o Governo,
embora eu não venha tratando com o Presidente – há muitos anos eu não vejo o
Presidente. Portanto, o Governo não acompanhava os meus passos. Os meus passos
eram dados por mim, de acordo com as orientações que eu tinha de trabalho.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas então o Governo é mais
irresponsável ainda! Como é que o Governo, o gestor público, não define quais
os quadros que ocuparão cargos públicos relevantes e delega a você fazer a indicação
na articulação com a base partidária e depois ele define a ocupação do cargo
sem ter conhecimento?
Havia a autorização e o
conhecimento do Palácio do Planalto sobre as suas ações, não havia? Refiro-me à
ocupação de cargos e à articulação com a base aliada. Havia, porque em todos os
jornais aparecia você como sendo o grande articulador. Era a personalidade mais
importante do Governo quando se tratava do relacionamento com a base aliada.
Como é que ninguém do Palácio do Planalto sabia disso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Srª Senadora Heloísa Helena, eu representava o PT,
assim como os demais partidos da base aliada tinham os seus representantes – o
PL tinha, o PTB tinha, os demais partidos tinham e eu representava o PT. É
claro que, pelo fato de ser o PT o partido principal de sustentação do Governo,
eu era muito mais demandado, mas repito e afirmo: as minhas atividades, no que
diz respeito a nomeações, paravam na porta do Governo, e com muito daquilo que
os partidos discutiam e reivindicavam junto ao Governo havia concordância, mas
não era cumprido. Aí, eu encontrava um Deputado ou um Parlamentar que me dizia:
“Você é testemunha, decidimos isso... Este Governo....” E aí vai.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-S0L – AL) – Realmente, a cada dia eu me
impressiono mais!
O senhor já teve algum
contato com um empresário da Beta?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, eu
nunca tive.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Nenhum contato?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ao que
me lembre, nunca tive.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Com o Sr. Augusto, que entregou 800
mil à campanha de Lula e, depois, ganhou um contrato de 100 milhões?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu quero me reinscrever.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não tive
mesmo, Senadora. Não tive.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Realmente, eu quero me reinscrever,
porque a cada dia eu me assombro mais com a ocupação do espaço público nos
setores estratégicos. A cada dia eu fico mais assombrada com isso, não é
possível! Não é possível que houvesse a delegação para alguns quadros
partidários e não houvesse o prévio conhecimento da estrutura de Governo. É,
realmente, um absurdo. É como se o Presidente Lula ou os maiores dirigentes do
PT não tivessem autonomia e eficácia na organização dos espaços públicos. É
impossível convencer alguém disso! É impossível que o Palácio do Planalto não
soubesse, não articulasse e não tivesse conhecimento das ações de V. Sª ao
tratar com a base do Governo e, também, com outros setores. Isso é impossível.
Era preciso que o Governo fosse mais incompetente ainda e mais desrespeitoso
com o espaço público.
Sr. Presidente, eu me
reinscrevo.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª, que
cumpriu rigorosamente o tempo. Já está reinscrita.
Concedo a palavra ao Senador
Alvaro Dias, por quinze minutos, improrrogáveis.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srs.
Congressistas, é notório que nós estamos assistindo a um campeonato de cinismo
patrocinado por depoentes nesta CPI ou fora dela em entrevistas à mídia nacional.
E é óbvio que nós estamos colecionando mentiras, sobretudo porque há essa
estratégia de se buscar preventivamente um habeas corpus, que, a
meu ver, significa autocondenação, porque quem busca preventivamente um habeas
corpus entende existirem razões suficientes para uma eventual
prisão. Então, trata-se de confissão de culpa. Obviamente isso pode ser
utilizado nos procedimentos judiciais contra os que desse expediente se
valeram, na busca de uma transitória proteção durante o depoimento à CPI.
Mas eu ouso indagar, cumprindo o
dever. Eu parto do princípio de que não só nos Partidos socialistas, nos vossos
também, o secretário-geral da comissão executiva é uma função prestigiada e da
maior importância, responsável por atividades fundamentais na estrutura partidária.
Não é por outra razão que o Sr. Sílvio Pereira, apesar de não ser funcionário
em cargo de confiança do atual Governo, operava em nome do Governo na
articulação de nomeações não só do seu Partido mas também dos Partidos aliados
e era muito elogiado no Congresso Nacional. Eu ouvi inúmeras vezes, Sr. Sílvio
Pereira, rasgados elogios ao seu trabalho nessa área. Certa vez, um Deputado
operador desse sistema, que eu considero que implantou uma relação de
promiscuidade do Executivo com o Legislativo, afirmou que se ele soubesse que o
PT era tão bom nessa área, ele estaria com o PT há vinte anos. E sempre se
ouvia aqui: “Quem resolve mesmo é o Sílvio Pereira. Não adianta procurar
ninguém”. O senhor confessou que realmente articulava as nomeações não só do PT
como também dos Partidos aliados.
Eu não vou insistir nessa questão das nomeações,
posso até eventualmente à frente tratar do assunto, mas o que eu quero é
indagar do senhor como um articulador do Governo, como um coadjuvante do
Presidente da República e principalmente do Ministro José Dirceu, transitando
no quarto andar do Palácio do Planalto com muita facilidade, participando de
reuniões, de decisões, sugerindo, influindo, certamente, até pela proximidade
com o Sr. Delúbio Soares, deve ter participado dessa engenharia, que eu
considero fantasiosa, que culminou com essa confissão de crime eleitoral ou de
formação de quadrilha para a prática de corrupção eleitoral – confissão através
de Marcos Valério, através de Delúbio Soares, reafirmada pelo Presidente da
República.
Eu faço essa indagação
porque o que é mais grave: o Presidente da República gravou uma entrevista,
veiculada no programa Fantástico da Rede Globo, no domingo passado, antes de
conhecer o teor das entrevistas de Marcos Valério e de Delúbio Soares. Eu
reafirmo: a entrevista do Presidente da República foi gravada antes que
concedessem entrevistas o Sr. Delúbio Soares e o Sr. Marcos Valério.
É claro que há uma evidente
armação entre o Governo, Marcos Valério e Delúbio Soares. Houve a construção de
uma versão, a meu ver, mais fantasiosa do que a versão da operação Uruguai; não
só mais fantasiosa como mais volumosa em matéria de recursos, cinco ou seis
vezes recursos àqueles da operação Uruguai.
Portanto, a entrevista do
Presidente da República, que foi muito arrumada, com perguntas calculadas e
respostas didaticamente estudadas, com o objetivo de restringir o escândalo de
corrupção do Governo a uma questão meramente eleitoral, com a participação
efetiva dos altos dirigentes do PT agora afastados.
Eu pergunto: o senhor
participou da montagem dessa farsa? Porque evidentemente diretamente
interessado, uma vez que articulador do modelo de relação
Executivo-Legislativo, relação espúria, e, no seio do Partido, responsável pela
administração partidária. O senhor participou ou teve conhecimento dessa
armação, que começou com a viagem de Delúbio Soares a Belo Horizonte?
O SR. SILVIO PEREIRA – Que eu tinha conhecimento a respeito eu já respondi
à CPI e repito o que o mesmo aqui afirmei: meu conhecimento acerca das
atividades financeiras do Sr. Secretário se limitava a buscar recurso à rede
bancária. Mas se o Senador me permitir, o senhor colocou duas questões que eu
acho que não conferem em relação às minhas atividades. Se o senhor me permitir,
gostaria de esclarecer.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pois não.
O SR. SILVIO PEREIRA – O senhor colocou que eu operava em nome do Governo.
Eu não operava em nome do Governo. Eu representava o PT nas suas indicações.
Segundo...
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas não só o PT, porque os
Parlamentares...
O SR. SILVIO PEREIRA – Então, eu queria responder a segunda.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – De outros Partidos informavam que o
senhor é que resolvia, e resolvia para valer.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, eu vou falar sobre aquele segundo ponto que eu
ia esclarecer a V. Exª. É sobre os Partidos da Base, Senador. De fato, quando
os Partidos da Base reivindicavam ao Governo, e o Governo decidia algum posto
para os Partidos da Base, eu, de fato, brigava pelo PT e também brigava também
para que todos os acordos realizados com todos os Partidos fossem cumpridos,
com o PT e com os Partidos da Base. Essa foi a minha característica, e sempre
lutei e briguei por isto.
Tudo que foi acordado eu
lutava para ser cumprido.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Silvio Pereira, é evidente que,
como Secretário do Partido, o senhor tinha conhecimento dessas transações
bancárias. Disse à Polícia Federal que não tinha, mas houve duas confirmações:
a do Sr. Marcos Valério e do Sr. Delúbio Soares. O senhor mentiu à Polícia
Federal ou eles dois mentiram ao País e ao Procurador da República?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu responderei sobre mim, sobre os demais, eles
terão oportunidade de responder. Sobre mim: o que eu afirmei na Polícia Federal
reafirmo aqui. O meu conhecimento limitava-se a saber que o Secretário de
Finanças estava na rede bancária. Afirmei na Polícia Federal, afirmo aqui e em
qualquer outro local em que for formulada essa pergunta.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Agora uma outra indagação sobre
empréstimos. Desta feita, empréstimos em nome do PT. O senhor sabe a quanto
monta os empréstimos contraídos pelo PT junto às agências bancárias até este
momento?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não sei ainda, Sr. Senador. Nós solicitamos
isso; inclusive a Direção do Partido está reunida hoje, exatamente idealizando
esse relatório.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Tenho aqui o documento do Partido com
a sua assinatura, Silvio José Pereira. Esse documento, que é o parecer da
Comissão Executiva Nacional sobre o balanço do Partido, diz que, verificando o
preenchimento de todos os requisitos legais e estatutários, aprovam as contas
sem qualquer ressalva. Sem qualquer ressalva. Portanto, o senhor deve saber o
volume de empréstimos contraídos. Mas, se esqueceu, eventualmente, posso
apresentar os números com muita clareza.
Junto ao Banco BMG:
R$2.741.733,00. É do balanço do PT, não é informação extra-oficial.
Banco do Brasil:
R$19.295.391,20. Empréstimos de duas naturezas, talvez em torno de dezesseis
milhões, arrendamento mercantil.
Banco Rural: R$5.304.005,00.
Outros credores:
R$245.000,00.
Montante: R$27.586.380,00.
Esse resumo é do balanço
assinado pelo senhor, como membro da Comissão Executiva do Partido.
Vou-me restringir ao banco
oficial, ao Banco do Brasil, que tem a missão de fomentar, de alavancar o
crescimento econômico do País.
Pois bem, esses empréstimos
estão absolutamente irregulares.
Aqui está um dos contratos,
e a norma estabelecida no próprio contrato é a exigência do fiador. Entre os
que assinam esse contrato, não há assinatura de fiador algum. O Banco do Brasil
praticou uma irregularidade, para servir aos interesses do Partido do Governo.
Mais uma vez, é claro que não podemos distinguir mais Governo do PT. O PT,
realmente, faz essa simbiose. não conseguimos distinguir PT e Governo: o
Governo é PT, o PT é Governo.
Aliás, indago: V. Exª
participou da nomeação do Sr. Henrique Pizzolato para uma das Diretorias do
Banco do Brasil?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, senhor.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não?
O Sr. Henrique Pizzolato é
também um militante...
O SR. SILVIO PEREIRA – Filiado ao PT, acho.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sem dúvida, um militante histórico do
PT e certamente é, dentro do Banco do Brasil, uma espécie de porta-voz do
Partido, provavelmente fazendo essa ponte necessária para a obtenção de
empréstimos tão significativos pelo Partido.
Há aqui uma irregularidade:
não há assinatura de fiador, nem vinculação com a conta do fundo partidário
como garantia desses empréstimos.
Alguém poderia dizer: não,
mas é leasing; o empréstimo é o produto, computador. Parece-me que esse
empréstimo foi para adquirir computadores. Todos nós sabemos que, em um ano, o
computador já não tem mais o valor para garantir o empréstimo. Portanto, a
garantia desse empréstimo... Não há garantia real para esse empréstimo, e
também não há pagamento do empréstimo. O empréstimo vai-se acumulando, o
Partido não o paga. É como se o Partido fosse o Governo e tenha ido aos cofres,
aos seus próprios cofres, sacar uma importância, para informatizar os
diretórios partidários em todo o País.
Portanto, Sr. Presidente,
estou encaminhando um requerimento de convocação do Sr. Henrique Pizzolato,
para que venha depor nesta CPI, não só em razão da provável intermediação de
contratos dessa natureza, mas também em função de ter confessado ser repassador
de pacotes de dinheiro, conforme matéria divulgada pelo Correio Braziliense,
assinada pelo jornalista Leonel Rocha, em que Pizzolato pode ter recebido R$326
mil de Marcos Valério. São pacotes de dinheiro que foram repassados ao Sr.
Pizzolato, que afirmou ter sido apenas repassador e não informou para quem
repassou esse dinheiro. Por duas razões, portanto, esse fato, publicado pelo Correio
Braziliense, e certamente essa presença de tráfico de influência do Partido
junto ao Banco do Brasil – uma instituição da maior importância para o
desenvolvimento nacional – é que estou propondo a convocação dele.
Mas, Sr. Presidente, já que
estamos falando em contas bancárias, eu gostaria de perguntar a Silvio Pereira
se o PT tem conta na agência de Belo Horizonte do Banco Rural.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não tenho conhecimento, Sr. Senador.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor não tem conhecimento, mas
assina o balanço onde consta esta conta. Aliás, é surpreendente que o PT
mantenha conta na agência do Banco Rural exatamente em Belo Horizonte. Se fosse
em São Paulo, até se justificaria, pela sede do Partido; se fosse em Brasília,
provavelmente. Mas aqui há, no balanço do PT, não fui conferir a conta, porque
está no balanço do PT, assinado por todos os membros da Executiva: conta 0037,
Banco Rural. Rua Rio de Janeiro... Aliás, conta 602021, Banco Rural, Rua Rio de
Janeiro, 927, Belo Horizonte. Esta é uma conta em nome do Partido dos
Trabalhadores, num banco que realmente precisa ser devidamente investigado, em
função de ter sido não só agora, mas antes, instrumento para trambiques de
natureza financeira, não só no que diz respeito a irregularidades conhecidas no
interior do País, mas até em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, por
meio da evasão de divisas, com remessa de recursos para o exterior. É um banco
que tem que ser rigorosamente investigado pelo Banco Central.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O tempo de V. Exª...
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) –
Sr. Presidente, peço a minha reinscrição, já que eu teria ainda uma
outra indagação da maior importância.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Será atendido. O tempo
de V. Exª se esgotou.
Antes de passar a palavra ao
próximo orador inscrito, o depoente pediu dois minutos e não tenho como não
conceder. Peço à assessoria que o acompanhe. Mas antes que S. Sª retorne,
gostaria de registrar e agradecer a presença dos promotores Dr. André Ubaldino
e Dr. Geraldo Carreiro, que acompanharam toda documentação apreendida lá em
Minas Gerais, da DNA, em Belo Horizonte, e o Delegado, Dr. Renato Patrício. Aos
três, os nossos agradecimentos.
Gostaria de conceder a
palavra ao Deputado Maurício Rands para um comunicado.
O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Pois não. Muito brevemente, Sr.
Presidente. Aproveitando o intervalo, cumprindo o doloroso dever de comunicar a
esta Comissão e pedir um voto de pesar a ser registrado na Ata dos nossos
trabalhos à Srª Elizete Pucci de Oliveira, que vem a ser ex-assessora da Senadora
Ideli Salvatti. É um momento muito doloroso para a Senadora, para todos os
amigos e familiares da Srª Elizete Pucci de Oliveira. Portanto, requeiro a V.
Exª que faça constar um voto de pesar de todos os que fazem parte desta
Comissão, para que o mesmo seja depois transmitido aos familiares da Srª
Elizete e à própria Senadora Ideli Salvatti, que neste momento está se
dirigindo a Florianópolis para acompanhar os funerais.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Registraremos com muito
pesar o voto que V. Exª solicita na Ata dos trabalhos de hoje, transmitindo a
toda a família da assessora a nossa solidariedade, os nossos pêsames.
Com a palavra o próximo
inscrito Deputado Carlos Abicalil.
Logo após a chegada...
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o
Deputado Alberto Goldman.
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Sr. Presidente, eu estava inscrito
antes do Deputado Carlos Abicalil. Gostaria de saber por que não estou sendo
chamado.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Todos os titulares têm
preferência e todos os titulares inscritos falarão. Logo após chamaremos os
suplentes.
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Quero dizer a V. Exª que consultei, na
semana passada, o Presidente da Comissão, porque o Líder da Bancada tem,
regimentalmente, o direito de falar a qualquer momento, mas havia um critério
estabelecido de que não haveria privilégio para Liderança de Bancada e para
nenhum titular ou suplente. Seriam inscritos todos, na ordem de chegada.
Cheguei aqui às 7 horas da manhã para isso,
respeitando aquela decisão do Presidente da Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Se os titulares
concordarem, posso voltar atrás. Mas é uma decisão dos titulares.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – V. Exª poderia
repetir, Sr. Presidente?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Eu vou obedecer à
ordem dos titulares inscritos. Se os titulares abrirem mão, eu poderei dar. Eu
não quero ser intransigente.
O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Sr. Presidente, da parte dos titulares
da Bancada do PT, indago ao Deputado Abicalil. O Deputado Jorge Bittar está
concordando. Deputado Abicalil...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Quem decide aqui é a
maioria. Não quero, amanhã, ser responsabilizado por isso aqui.
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Eu vim aqui por uma interpretação que
me foi dada pelo Presidente da Comissão, a quem consultei.
O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Da parte da Bancada do PT, Sr. Presidente,
não há problema.
O SR. LEONEL PAVAN (PSDB – SC) – Sr. Presidente, sou suplente nesta
Comissão. A participação dos suplentes será...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Será rigorosamente
acatada. Os suplentes vão participar. Só que a determinação é a de que
participem, em primeiro lugar, os titulares e, logo em seguida, os suplentes, o
que é a lógica.
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Qual foi a decisão anterior, Sr.
Presidente? Vamos lá, vamos em frente.
O SR. LEONEL PAVAN (PSDB – SC) – V. Exª poderia me informar quantos
titulares inscritos há?
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Como?
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Sr. Presidente, eu gostaria de
resolver primeiro essa questão, porque...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Dois, quatro, cinco,
oito, dez, treze titulares. Já falaram quatro, faltam nove.
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – É que me apoiei numa informação do
Presidente da Comissão.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
Sr. Presidente, sou suplente
pela bancada do PDT. E nós participamos aqui das decisões tomadas pelo
Plenário. E essas decisões deixam bem claro que são os titulares, os suplentes
e, depois, eventualmente, os inscritos.
Eu vi, por exemplo, o Senador
Pedro Simon ficar aqui todo o período esperando, madrugada adentro. Um Senador
da República do prestígio e do valor do Senador Simon esperou todos,
pacientemente, e ocupou o seu espaço.
Não haveria sentido em
indicar um, para o outro vir falar. Aí seríamos todos prejudicados.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Exatamente. Então,
vamos seguir rigorosamente com a ordem dos titulares inscritos.
Peço as minhas escusas.
Concedo a palavra ao
Deputado Carlos Abicalil, titular, por 15 minutos, improrrogáveis.
Solicito à assessoria que
observe o tempo.
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Só quero uma informação. Em que lugar
estou inscrito agora, já que não pude falar? Gostaria que V. Exª me informasse.
As funções de Liderança não são apenas as funções de Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª é o décimo
quarto inscrito.
O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Obrigado.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Asseguro a palavra ao
Deputado Carlos Abicalil.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Quero reiterar a todos e a todas que, em
função do cumprimento do Regimento, é que estou fazendo uso da palavra na
frente do Deputado Goldman. Pela lista original, inclusive, eu seria o oitavo.
Meu caro Silvio Pereira,
ex-Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores, V. Sª há de compreender que a
nossa função institucional aqui é diferente da nossa militância partidária. E,
efetivamente, V. Sª está na condição de investigado por esta CPMI. Nosso trato
aqui deverá se ater àquilo que é de interesse para a apuração dos fatos, para a
contraposição de informações, oficiais ou não, pela via da imprensa, e pela
confrontação daquilo que já se tenha alcançado no nível documental.
Por essa razão, inclusive,
vou ter de lhe dispensar institucionalmente o tratamento de V. Sª durante este
inquerimento.
V. Sª fez referência aos
cargos exercidos no Partido dos Trabalhadores e mencionou, inclusive, que sua
gestão à frente da Secretaria-Geral se deu no licenciamento do ex-Secretário,
Deputado Federal Bittar A partir de quando V. Sª exerce a função de
Secretário-Geral?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu a exerço, provavelmente, desde abril, maio, de
2004.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Portanto, há pouco mais de um ano e três
meses, V. Sª exercia a função de Secretário-Geral.
O SR. SILVIO PEREIRA – Há pouco mais de... Tanto é que, depois que assumi
a Secretaria-Geral, fui tentar ler qual era a função do Secretário-Geral, e não
tinha. Até agora...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Está certo. Então, a função anterior que
V. Sª exerceu, por delegação partidária, no voto direto, dos militantes do PT,
era de Secretário de Organização do Partido dos Trabalhadores?
O SR. SILVIO PEREIRA – Correto.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Foi nessa condição, inclusive, que V. Sª
participou da coordenação das campanhas eleitorais de 2002?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não participei da coordenação da campanha
presidencial do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Eu, como secretário
de organização fornecia à coordenação da campanha análises eleitorais dos
Estados.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – A partir de dados que ilustravam uma
posição das candidaturas nos Estados.
O SR. SILVIO PEREIRA – Exatamente. Eu tinha um núcleo, coordenava um
núcleo na campanha eleitoral que se chama NAE – Núcleo de Acompanhamento nos
Estados –, que é vinculado à secretaria de organização até hoje e, por essa
função, esse núcleo acompanha os desenvolvimentos eleitorais
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Compreendo.
Então, naquela ocasião, V. Sª não tinha participação na coordenação geral da
campanha do Presidente Lula, mas, como dirigente partidário, nutria essa
coordenação dos dados, a partir da estrutura partidária dos Estados.
O SR. SILVIO PEREIRA – Correto.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – A vinculação,
portanto, era com a organização partidária na base.
V. Sª, depois de passadas as
eleições, integrou, pelo Partido dos Trabalhadores, a equipe chamada de
transição de um governo para outro?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não fiz parte da equipe de transição. Tive
tarefas a mim solicitadas por membros da equipe da transição, mas não fiz parte
da composição da equipe.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Que tipo de
tarefas V. Sª recebia da equipe coordenadora da transição?
O SR. SILVIO PEREIRA – Por exemplo, eu me lembro, na época, que o então
Luiz Gushiken, que hoje é Ministro, o Secretário Gushiken – ficou aí a mudança
–, desenvolveu um sistema que, na época, se chamou sistema de gerenciamento de
indicações – se não me engano, esse é o nome –, que se constituía em um banco
de dados para poder receber indicações de pessoas de dentro e de fora do PT,
mas particularmente quem acabou fazendo foi do PT.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Nesse caso, então,
além de coordenar esse trabalho de coleta de indicações do Partido dos
Trabalhadores, eventualmente de algum militante filiado ou indicado, ou de
outro partido, ou por um próprio petista que não fosse filiado, V. Sª também
teve acesso ao organograma de cargos do Poder Executivo e das empresas?
O SR. SILVIO PEREIRA – Esse cadastro continha algumas informações. O
sistema, que não foi criado por mim – eu apenas coordenei esse cadastro –,
tinha, por exemplo, o órgão, o cargo, a função e o requisito. E tinha alguns
procedimentos, quer dizer, um dos procedimentos mais importantes que constavam
de um documento oficial desse banco de dados, que são documentos de orientação
que deveriam localizar em primeiro lugar funcionários de carreira que estavam
já trabalhando no Governo. E tinha todos os critérios que já citei aqui, de
competência, de idoneidade.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Então, V. Sª teve
conhecimento dos principais cargos, dos requisitos que esses cargos teriam de
obedecer e de que maneira eles se estruturavam no orgonograma das empresas.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não só eu, Deputado, porque teve quinhentas e
poucas pessoas que tiveram acesso a esse sistema.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sim, mas, como
coordenador, que recebia currículos e indicações no ambiente do PT, mesmo que
não exclusivamente de petistas, V. Sª também teve a tarefa seguinte de
compatibilizar indicações com cargos? Por exemplo: separar cinco indicações.
Estão aptas para esse cargo; dez indicações estão aptas para outro cargo.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, não. Isso, Sr. Deputado, não ocorreu.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – No que consistiu
o trabalho?
O SR. SILVIO PEREIRA – Em primeiro lugar, não foi só eu que teve
conhecimento dessa estrutura. Repito aqui: havia por volta de quinhentas e
poucas pessoas que tinham acesso a esse sistema. Se você entrar no sistema,
portanto, você ia verificar todos os cargos existentes nesse cadastro.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Está bom, mas a
fase posterior: recebia-se, então, o cadastro. O momento seguinte qual era,
precisamente?
O SR. SILVIO PEREIRA – Isso é que eu ia falar, Sr. Deputado. Reuniam-se
por volta de cinco mil e poucas indicações de diversas naturezas. Esse trabalho
foi concluído e foi entregue ao então Gushiken, que era o responsável por esse
trabalho. Dava em torno de uns cinco mil e poucos nomes, e encerrou o trabalho
desse cadastro nesse exato momento.
Esse cadastro acabou
permitindo que essas cinco mil e poucas pessoas que lá indicavam os nomes, não
todas evidentemente, começassem a me procurar por tudo quanto era lugar,
achando que aquilo ali era um processo seletivo. E não tinha processo seletivo
nenhum, porque o nome foi entregue do jeito que estava para o Ministro
Gushiken. Aí as pessoas começaram a me procurar: no Parlamento, na rua, por
telefone, em todo lugar.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Instalado o
Governo, meu caro Silvio Pereira, evidentemente o Ministro Gushiken de posse
dessas informações deve ter procurado interlocução ou delegou alguém a fazer interlocução
entre os pleiteantes.
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, precisaria confirmar, Sr. Deputado, mas,
pelo que me lembro, ele pegou esse banco de dados e remeteu a todos os
ministros com apenas base referencial. Não sei qual foi o uso que se teve desse
banco de dados. Eu acabei, depois, respondendo para o pessoal do PT que me
ligava: encaminhei o meu nome lá. Como é que tá... Eu tinha que ficar
explicando para eles algo que, realmente, não foi muito bem...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Não foi repartido aos Ministérios, aos
órgãos, etc, e alguém lá tomou decisões.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não. E depois, o trabalho seguinte, na verdade, na
prática, não teve vinculação com esse banco de dados. O banco de dados permitiu
para recolher os nomes, os nomes estavam lá, mas depois as pessoas começavam,
os parlamentares, os prefeitos, as direções partidárias começavam a fazer as
suas indicações. E eu sempre direcionei o meu foco...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Em que momento então, precisamente, Sr.
Silvio, V. Sª entra em contato com as outras direções partidárias no sentido de
fazer o debate em torno de cargos que estavam sendo disputados?
O SR. SILVIO PEREIRA – Por exemplo, logo após a posse do Governo, no
primeiro momento, discutia-se apenas o Ministério... E eu não participei da
discussão de Ministério nenhum, nem do Ministro e nem da sua composição. Logo
depois, começamos a receber as indicações. Aí o PT indicou, cada partido da
base aliada indicou...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor pode citar mais algum outro
dirigente de outro partido?
O SR. SILVIO PEREIRA – Claro. Eu lembro das reuniões que faziam parte...
Eu participei dessas reuniões, lá no Governo. Eu vou citar alguns nomes que eu
lembro: no começo, era o Martinez, que era o Presidente...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Do PTB.
O SR. SILVIO PEREIRA – ...do PTB, o Deputado Roberto Jefferson, na época,
era Líder...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Líder da Bancada.
O SR. SILVIO PEREIRA – ...da Bancada, Valdemar Costa Neto, que era o
Presidente... Só participava o Valdemar Costa Neto...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Do PL?
O SR. SILVIO PEREIRA – É. Quando o Sandro entrou, já não estava
discutindo isso. Eu lembro do PSB, eu lembro que era o Casagrande, se não me
engano, que era o Líder ou era o ex-Ministro, não lembro agora de cabeça.
Lembro também o Líder do PcdoB. Em geral, eram as Lideranças e os Presidentes,
ou Liderança ou Presidente de partido.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – No caso, V. Sª representava o Partido
dos Trabalhadores...
O SR. SILVIO PEREIRA – Representava o PT.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E era acompanhado por mais alguém do PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, nesse caso de discussão de cargo, era
basicamente eu que representava o PT...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor representava os interesses do
Partido dos Trabalhadores?
O SR. SILVIO PEREIRA – Se precisava fazer alguma consulta, eu
consultava...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Esse procedimento ocorreu até que
período sob sua coordenação?
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, não teve assim um período, o dia que
começou, o dia que terminou. Eu posso dizer aonde se concentrou grande parte
desse trabalho, que eu lembro que foi o período que eu saí de férias. Eu saí de
férias no dia 17 de dezembro.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – De que ano?
O SR. SILVIO PEREIRA – De 2003, quando eu tirei férias. Então, ali deu
uma grande parada. Depois, quando retornei de férias, teve carnaval, acho que
perto de fevereiro, em março. Eu retornei, fiz alguns contatos, existiam acordos
realizados lá atrás e na mudança ministerial vim trazer à minha memória sobre
isso.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Nessa etapa posterior, quem assumiu o
papel que V. Sª exercia?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não teve mais. Provavelmente, deve ter tido uma coisinha
e outra, mas não teve mais. Não assumi mais essa função em 2004, acabei
coordenando as eleições...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Na condição de Secretário-Geral, V. Sª
já não exerceu mais essa condição...
O SR. SILVIO PEREIRA – Na
qualidade de Secretário-Geral, não.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – ...de fazer a negociação em torno de
indicações para cargos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Foi até onde eu estava como Secretário de
Organização.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – V. Sª conheceu Maurício Marinho?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca conhecei o Maurício Marinho. Aliás, conheci
agora pela televisão, pelos jornais.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – V. Sª participou da confirmação, da
indicação do nome do Sr. Antonio Osório?
O SR. SILVIO PEREIRA – Em hipótese alguma.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Do Sr. João Henrique?
O SR. SILVIO PEREIRA – Em hipótese alguma.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – V. Sª esteve com o Deputado Roberto
Jefferson tratando de indicações no interior das diretorias dos Correios?
O SR. SILVIO PEREIRA – Dos Correios, não. Já estive reunido com o
Deputado Roberto Jefferson junto com o Governo. Na época, ele como Líder, o
Martinez, depois o Deputado Múcio, discutindo os pleitos, as reivindicações do
PTB, que alguns casos poderiam ou não colidir com o PT.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Nas reuniões que V. Sª participou, entre
os critérios de composição dos diversos pleitos, havia estabelecimento de cotas
de participação partidária?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não existiam cotas. Era uma grande briga...
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Não estou mencionando em cotas
quantitativas de pessoas.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não
entendi.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Estou-me referindo a cotas de
financiamento de partidos.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, muito menos isso. Não tinha nem cota
anterior. Esse assunto não fez parte das conversas.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – V. Sª, como já atestou aqui o Senador
que me precedeu, assinava solidariamente as contratações financeiras operadas
pelo Secretário de Finanças, Delúbio Soares. Assinava solidariamente como
membro da Executiva. Algum dia, alguma vez, nas reuniões da Executiva, houve a
curiosidade de perguntar se esses empréstimos teriam de oferecer garantias e
quais as garantias?
O SR. SILVIO PEREIRA – Olha, o PT não funciona assim. Quando a gente discute o balancete, a
gente acaba discutindo os valores globais. Então, por exemplo, a discussão que
teve sobre a prestação de conta do PT, o que nos chamou a atenção foi o valor
da dívida, que era uma dívida de R$20 milhões. Nós não discutimos nas
instâncias partidárias contrato. Pelo que me lembre, nesses vinte e cinco anos
de PT, em nenhuma instância da qual participei se discutia contrato, quem era
avalista. O PT funciona na relação de confiança...
O SR.
CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Apenas
havia uma informação de que haveria uma operação bancária ou financeira sem se
detalhar como era.
O SR.
SILVIO PEREIRA – Como que era?
Então, você tem uma dívida; como você faz para buscar dinheiro? Vai buscar empréstimo
ou vai fazer campanha financeira. Não se discutia contrato em nenhuma das
instâncias do Partido, pelo menos que eu tenha participado ao longo da minha
vida.
O SR.
CARLOS ABICALIL (PT – MT) – V. S.ª
está percebendo e acho que toda a sociedade também os caminhos que, por
diversas vezes, fazem curvas nesta CPMI.
Neste momento, fica atestado, por exemplo, que as
regras estatutárias normativas do PT são absolutamente abertas.
O SR. SILVIO PEREIRA – Aliás, fui Relator do estatuto.
O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Qualquer cidadão ou cidadã pode ter
acesso a elas pela Internet, copiar o estatuto, o regimento. Até atas
provavelmente estarão disponíveis lá. É um Partido, portanto que tem uma
tradição bastante diferente do cenário das composições mais tradicionais dos
partidos políticos no Brasil.
Nesta CPMI, meu caro Silvio
Pereira, que hoje está na condição de investigado aqui, já houve quem achasse
um absurdo que houvesse composição de cargos com posições políticas
diferenciadas para formar governo. Felizmente, já noto que há um outro clima de
consideração sobre isso aqui, que há legitimidade em composição partidária, que
há diálogo entre lideranças partidárias, que, como V. S.ª reconheceu, nem
sempre são representados por Parlamentares ou por portadores de mandato – e,
talvez, sobre V. S.ª, até internamente no Partido, deva ter pesado algum tipo
de preconceito em relação a não ter participado de campanhas como candidato e
não ter alcançado cargos. Mas assim é o PT, mostra as suas diferenças.
Há quem diga que leiloamos
cargos, loteamos cargos. Talvez, mais afetos ao patrimonialismo e à dinastia na
composição de governos e de posições de comando, isso seja bastante estranho.
Entretanto, neste momento, meu caro Silvio Pereira, esta CPMI está centrada na
investigação sobre o Partido dos Trabalhadores, que é o meu Partido e o Partido
de V. Sª. Evidentemente, saltando sobre aquilo que foi sua matriz inicial, que
era a investigação sobre...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Viela. PMDB –
GO) – O tempo de V. Sª esgotou.
O SR.
CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Eu vou
concluir.
Deste modo, meu caro Silvio, V. Sª deve entender que
a contribuição dos depoimentos nesta CPMI tenha um alcance para muito além das
condições de verificação objetiva em torno dos Correios, da nomeação e da composição
política legítima para cargos e deverá emprestar à Nação brasileira, à
República e à vida política brasileira...
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Viela. PMDB –
GO. Fazendo soar a campainha.) – Sr. Deputado, peço a colaboração e a
compreensão de V. Exª.
O SR.
CARLOS ABICALIL (PT – MT) –
Agradeço, como agradeço também os esclarecimentos que o Sr. Silvio trouxe.
O SR.
PRESIDENTE (Maguito Viela. PMDB – GO) –
Agradeço.
Concedo a palavra ao ilustre Deputado Onyx
Lorenzoni, registrando ainda que já fiz o registro da presença dos Drs. Geraldo
André e Renato, a pedido de S. Exª.
V. Exª tem a palavra por quinze minutos
improrrogáveis.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Sr.
Presidente, queria perguntar ao depoente por que ele ganha R$9 mil como
Secretário-Geral e o Dr. Delúbio, Tesoureiro, declara que ganha R$5 mil. Há uma
escala salarial que diferencia?
O SR.
SILVIO PEREIRA – Não tenho
conhecimento dessa diferença.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – Como?
O SR.
SILVIO PEREIRA – Não tenho
conhecimento dessa diferença.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – No depoimento
que o senhor deu na Polícia Federal, o senhor disse que realmente possui
participação na indicação de pessoas recomendadas pelo PT para ocuparem cargos
de confiança no Governo Federal. O senhor indicou a sua irmã, Analice Novais
Pereira, e o seu irmão, Ademir Pereira, para ocuparem, respectivamente, os
cargos de Gerente-Geral do Ibama e de Diretor da Companhia de Entrepostos e
Armazéns Gerais de São Paulo, a Ceagesp?
O SR.
SILVIO PEREIRA – Não os indiquei. Quem
indicou foi o Paulo Frateschi, Presidente do PT estadual de São Paulo.
O SR. ONYX
LORENZONI (PFL – RS) – O senhor não
acha que o Governo do Presidente, o qual o senhor ajudou a lotear os cargos,
não cometeu um excesso de nepotismo? As esposas de Ministro, os esposos tomando
assento em lugares estratégicos da República, o senhor não acha que isso é um
nepotismo contra o qual o seu Partido, na sua história, lutou?
O SR.
SILVIO PEREIRA – Não considero
nenhum tipo de nepotismo. Minha irmã foi indicada pelo PT de São Paulo. A
filiação dela vem anterior à própria filiação minha. É uma pessoa que tem
trinta anos de serviço público, dos quais 24 como efetiva.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Nos outros Partidos, quando familiares
ocupam cargos de relevância, é nepotismo. No caso do seu Partido, isso não é
nepotismo?
O SR. SILVIO PEREIRA – Já respondi, Sr. Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Gostaria de perguntar ao senhor: quem
indicou o seu advogado, o Dr. Arnaldo Malheiros?
O SR. SILVIO PEREIRA – O Partido.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O Código de Ética da OAB determina que
haja um contrato de honorários. O senhor firmou um contrato de honorários com o
Dr. Arnaldo?
O SR. SILVIO PEREIRA – O meu Partido contratou o advogado e deverá saber
dar todas as informações, inclusive a nova direção.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – E quem vai pagar esses honorários?
O SR. SILVIO PEREIRA – O PT.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Com o caixa dois?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, com os recursos do Partido, Sr. Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Os recursos do seu Partido são só
recursos do caixa dois, pelo que estamos vendo.
O SR. SILVIO PEREIRA – Pelo Estatuto que acabamos de ler aqui, Sr.
Deputado, temos várias formas de arrecadação: dos filiados, do fundo
partidário. E será com recursos do meu Partido que vamos pagar as nossas
despesas.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – A informação que recebi é a de que o
Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o Dr. Kakay, que o senhor conhece,
indicaram o Dr. Arnaldo. Da mesma forma – foi a informação que recebi –, o que
me causa espécie é o Dr. Arnaldo ser o seu advogado e também o advogado do Dr.
Delúbio, segundo está publicado aqui. E a orientação dada pelo Ministro Márcio
Thomaz Bastos...
O que está dito aqui é que o Dr. Malheiros procurou o
Ministro, porque o Delúbio pretendia fazer o seu depoimento na PF, e o próprio
Ministro disse que era melhor com o Procurador-Geral da República. E o próprio
Ministro haveria telefonado ao Procurador para intermediar o encontro na
sexta-feira. O senhor poderia solicitar ao seu Partido que disponibilizasse o
seu contrato de honorários com o seu advogado a esta CPMI em caráter sigiloso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Tudo foi realizado, a contratação dos meus
advogados foi feita pelo meu Partido, e a direção saberá responder. No mais,
acredito...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor não acha estranho que haja
tanta interferência do Ministro da Justiça numa situação tão complicada, para
dizer o mínimo, do seu Partido?
O Presidente mesmo, lá na França, debitou
completamente ao seu Partido... E acho até que o Presidente teve uma atitude
antiética frente ao Partido que o abrigou, que, assim como ao senhor, o
sustentou. O Presidente Lula teve a sua vida pessoal... O arroz e o feijão, por
muito tempo, foram pagos pelo PT. O mesmo se dá com o senhor. O senhor deve o
arroz e o feijão que bota na mesa de sua casa ao seu Partido, o que, aliás, é
uma coisa interessante. Na maior parte dos Partidos brasileiros, desconheço que
haja a profissionalização dos seus dirigentes, e, no seu Partido, o senhor
recebia R$9 mil, que é um valor bastante significativo, mas insuficiente, como
disse o Deputado ACM Neto, para produzir o patrimônio que o senhor ostenta,
inclusive com uma Land Rover, que é um carro sabidamente de altíssimo valor.
O senhor conhece o Sr. Tito Valadares Roquete Neto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Esse nome não.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor esteve com ele?
O SR. SILVIO PEREIRA – Desse nome não me lembro.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Quantas vezes o senhor esteve com o
Ministro Adauto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ministro Adauto, do transporte?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É.
O SR. SILVIO PEREIRA – Logo no começo de 2003, estive várias vezes com
ele, discutindo as indicações do PT para o DNIT nos Estados, as chamadas UNITs.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor lembra de um episódio que
ocorreu no DNIT, da demissão de um indicado pelo PTB, por conta de uma disputa
que aconteceu de um pagamento de contas vencidas das empreiteiras no País?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não tive conhecimento, Sr. Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Quantas vezes o senhor esteve com o
Ministro Anderson Adauto?
O SR. SILVIO PEREIRA – Estive várias vezes com ele, particularmente no
início de 2003, quando começamos a discutir as UNITs, que são os chamados
órgãos do DNIT nos Estados.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Curioso. Na agenda do Ministro,
registram-se nove vezes oficialmente...
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu falei várias vezes, Sr. Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) ...e várias reuniões extra-agenda, que,
segundo o Ministro, fora as extra-agenda, podem passar de dez. Já estamos em
dezenove reuniões. O senhor se lembrava só de algumas poucas reuniões.
O senhor afirmou no
depoimento à Polícia Federal que desconheceria qualquer relação comercial ou
empresarial de Marcos Valério com o PT. O senhor confirma isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Confirmo, Sr. Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Confirma?
O SR. SILVIO PEREIRA – Confirmo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Já o Sr. Marcos Valério afirmou perante
a Procuradoria-Geral da República, provavelmente acompanhado pelo seu advogado,
que o senhor não apenas sabia como o senhor e o Ministro José Dirceu eram os
fiadores na eventualidade de que o acordo feito entre as empresas do Marcos
Valério e o Partido dos Trabalhadores, se o Delúbio Soares, por alguma razão,
perdesse a sua posição, a única garantia que Marcos Valério teria era um aval
dado a ele pelo senhor e pelo Ministro José Dirceu. O senhor confirma isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não confirmo e já respondi aqui a essa questão.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Ele está mentindo, então?
O SR. SILVIO PEREIRA – Já respondi a essa questão nesta CPMI.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Ele está mentindo aqui?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não responderei mais do que já respondi.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Na agenda da Fernanda Karina, durante o
período de maio de 2003 a janeiro de 2005, constam pelo menos cinco encontros
entre o senhor e o Marcos Valério. Já no seu depoimento na Polícia Federal, a
se confirmar isso, o senhor mentiu dizendo que havia se encontrado com ele no
máximo três vezes. Quando foi o seu primeiro encontro com Marcos Valério?
O SR. SILVIO PEREIRA – O primeiro encontro deve ter sido em 2003.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Mês.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não lembro, Sr. Deputado. Do que está constando na
agenda da Srta. Karina...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Quantos e quando foram os encontros?
O SR. SILVIO PEREIRA – Posso responder da agenda da Karina?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor já me respondeu, não lembra o
mês.
O SR. SILVIO PEREIRA – Não; eu estava respondendo, não tinha concluído. Se
o senhor me permitir, eu concluo; se não, não concluo. Posso concluir?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor pode concluir, estou lhe
aguardando aqui pacientemente.
O SR. SILVIO PEREIRA – No que diz respeito à agenda da Karina, ela
realmente marcava meus compromissos com o Sr. Marcos Valério. Esses
compromissos não necessariamente ocorreram nas datas marcadas e nos locais
afirmados. Alguns deles ocorreram, como foi o caso que eu citei aqui do
Deputado João Paulo. Ocorreu também o que está marcado, no Maksoud Plaza.
Portanto, o que está marcado na agenda da Karina em parte é verdadeiro, sim,
mas não necessariamente nas datas e nos dias que ocorreram. Portanto, não tenho
negado informação da Karina, apenas não necessariamente nas datas e nos locais
afirmados.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – No depoimento que o senhor deu na Polícia
Federal, ajudou a mostrar a influência de Marcos Valério. O senhor nega, diz
não ter muito contato. Os investigadores acreditam que o empresário, além de
repassar dinheiro para os Parlamentares da Base, foi também o responsável por
esse monstruoso Caixa 2 que na época todo mundo negava e agora todo mundo
reconhece. Cada vez vem uma mentira nova, ou seja, lenta e gradualmente a
verdade vai aparecendo.
As campanhas do PT em
2004... O senhor teve uma ascendência sobre as campanhas, principalmente no
interior do Brasil. Elas custaram mesmo mais do que estava previsto? Apesar da
grande arrecadação, havia um valor que inclusive tenho matérias de jornais do
senhor brigando com Delúbio porque ele queria concentrar na mata, nas grandes
capitais e o senhor queria botar o dinheiro nas prefeituras estratégicas do
interior, caso específico de Osasco, onde o senhor construiu uma relação muito
próxima como Deputado João Paulo, com Marcos Valério, que, por sua vez, tinha a
conta da Câmara dos Deputados. Apesar da grande arrecadação, o Partido ficou
com dívidas que se estimam de R$73 milhões. O senhor confirma essa dívida?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Deputado, não sei exatamente o valor da dívida.
O que posso afirmar e testemunhar aqui....
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor pode falar mais alto, por
favor, porque estamos com dificuldade de ouvi-lo.
O SR. SILVIO PEREIRA – Minha voz é assim mesmo, Deputado. Se eu falar
mais, vou acabar ficando rouco e não vou conseguir chegar ao final do
depoimento. Por isso, estou tomando aqui um limãozinho para poder agüentar
falar. Se pudesse aumentar o som, ajudaria um pouquinho talvez.
Então, respondendo, Sr.
Deputado, em todos os Estados em que o PT organizava as campanhas, eu
acompanhava as campanhas nos Municípios e sabia das dificuldades que eles
tinham. Eu não acompanhei o orçamento de cada uma dessas cidades. O que coloco
para o senhor... Vai ter, mais ou menos, pelo menos 26 Estados em que o PT está
organizado, com certeza vai confirmar o que estou dizendo agora para o senhor.
Eu fui testemunha ocular das dificuldades do PT no interior do País.
Nem foi em Osasco, Deputado.
Em Osasco, para o senhor ter uma idéia, por incrível que pareça, eu não
participei de nenhuma atividade de campanha na cidade de Osasco. Nenhuma. A
única atividade de que participei foi no segundo turno, quando fui até o local
de votação, porque nem lá eu voto. Então, não participei de nenhuma atividade,
de nenhuma reunião na cidade de Osasco.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor acha que o Sr. Delúbio é um
homem que fala a verdade ou ele é um mentiroso?
O SR. SILVIO PEREIRA – No que diz respeito às informações que vai prestar
agora à direção, até o presente momento, tenho confiança no Sr. Delúbio Soares,
nosso Secretário de Finanças, até o presente momento. Não tenho nenhuma
informação que pudesse desaboná-lo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor era uma pessoa da confiança do
Sr. Delúbio, e o Sr. Delúbio era um homem da sua confiança?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim. Não é que eu era de confiança do Sr. Delúbio.
Eu sou um homem de confiança da direção do Partido...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Do Presidente e José Dirceu, evidente.
O SR. SILVIO PEREIRA – Do Presidente, da direção do PT. Nessa direção da
qual sou secretário-geral, não está nem o Presidente nem o José Dirceu.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Raimundo Ferreira Júnior. O senhor
conhece?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheço, sim, senhor.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Assessor do Diretório Nacional do PT.
O SR. SILVIO PEREIRA – Correto.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Então, uma pessoa próxima ao senhor?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ele não chega a ser próximo a mim, até porque aqui,
no Distrito Federal...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sim, mas o senhor o conhece?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sim. Até porque, na eleição interna, eu apoiei um
opositor a ele, na disputa da presidência.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Solange Pereira de Oliveira?
O SR. SILVIO PEREIRA – Se for a Solange do PT nacional, eu conheço.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – É a do PT nacional.
O SR. SILVIO PEREIRA – Então, conheço.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Wilmar Lacerda?
O SR. SILVIO PEREIRA – Conheço.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O senhor desconhecia o fato de que essas
pessoas foram autorizadas pelo Sr. Delúbio Soares, seu amigo, homem da sua
confiança, construtor da história do Partido dos Trabalhadores, homem da
confiança do Presidente Lula, do Ministro José Dirceu, a pegar dinheiro no
Banco Rural da agência de Brasília para operar o empréstimo de caixa dois,
feito com as empresas de Marco Valério? O senhor desconhecia esse fato?
O SR. SILVIO PEREIRA – Desconhecia, Sr. Deputado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Curioso. Quero saber quem é o mentiroso,
se é o senhor – que acho que é, é um direito que eu tenho – ou se é o Delúbio,
que acho que também é. O Delúbio Soares diz o seguinte: desse acordo informal
com Marcos Valério, que construíram um empréstimo de R$40 milhões com um homem
que o senhor conheceu no início de 2003 e que ele conheceu em 2002, desse acordo...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – O tempo de V. Exª se
esgotou.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Concluo em dez segundos, Sr. Presidente.
Que desse acordo informal
com Marcos Valério, não foi dado conhecimento pelo declarante ao Ministro José
Dirceu nem a qualquer outro integrante do Governo, mas o Secretário-Geral do
PT, Silvio Pereira, tinha conhecimento pleno do mesmo. Quem mente? O senhor ou
o Delúbio?
O SR. SILVIO PEREIRA – Sr. Deputado, sempre fui do PT. Nunca fui de nenhum
outro Partido. Vim a esta CPI e afirmei um compromisso com a palavra verdade,
Sr. Deputado. É assim que vou me manter, não só aqui, na instância partidária,
em qualquer lugar da minha vida.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª…
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Eu me reinscrevo, Sr. Presidente, porque
eu quero perguntar o seguinte...
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – V. Exª já está
reinscrito.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Aqui foi sob juramento a declaração do
nosso tesoureiro, ou melhor, do tesoureiro deles, o Delúbio.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Agradeço a V. Exª. V.
Exª está reinscrito.
Devo suspender por quinze
minutos. Consulto: vamos ouvir mais um ou suspendemos agora, para que o
depoente também possa tomar um lanche?
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Para mim, tudo bem. Sou o próximo. A
qualquer decisão, eu me submeto.
O SR. (Orador não
identificado) – Só mais um.
O SR. (Orador não
identificado) – Mais um, Sr.
Presidente.
O SR. (Orador não
identificado) – Mais um.
O SR. (Orador não
identificado) – Mais um.
A SRª JUÍZA DENISE
FROSSARD (PPS – RJ) – Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB – GO) – Com a palavra o Senador
Demóstenes Torres. Logo após, vamos suspender por quinze minutos, para que
possamos fazer um lanche.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srªs e Srs.
Parlamentares, Sr. Silvio Pereira, quanto o senhor ganha por mês?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nove mil reais.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Esse é o único salário que o senhor
recebe?
O SR. SILVIO PEREIRA – No momento, é o único salário que eu recebo.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Quanta o senhor paga de Imposto de
Renda?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não lembro agora, de cabeça. Meu imposto está todo
aqui, declarado. Está todo aqui à CPI, como tinha falado ao senhor, me
desculpe...
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – De INSS, o senhor se lembra?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não, Senador.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor paga contribuição partidária
para o PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Pago, sim, senhor.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Quanto do seu salário?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu pago de acordo com o Estatuto, que deve estar
girando em torno de zero meio por cento do meu rendimento líquido.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Meio por cento?
O SR. SILVIO PEREIRA – Zero meio por cento.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, o senhor tem filhos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Uma filha.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Essa filha estuda em escola particular?
O SR. SILVIO PEREIRA – Ainda não. Ela está com um ano e oito meses. No
momento, ela freqüenta o clube que a família freqüenta há mais de 50 anos. No
ano que vem eu pretendo colocar em uma escolinha.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor tem empregados domésticos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Tenho uma empregada doméstica.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor paga um salário para essa
empregada doméstica naturalmente. O senhor se lembra do valor?
O SR. SILVIO PEREIRA – Pago salário, mas, como falei aqui, eu não vou
informar sobre valores patrimoniais e despesas.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Perfeito. Na casa que o senhor tem em
Ilha Bela o senhor também tem empregados domésticos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não. Não tenho empregadas domésticas. Quem ali
trabalha é custeado pelas pessoas que freqüentam a casa.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor é cliente da loja Daslu?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não sou cliente da loja Daslu.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor sabe por que essa notícia veio
a público?
O SR. SILVIO PEREIRA – Tem que perguntar para quem colocou, Sr. Senador.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Me diga. No dia 13, no Jornal Nacional,
o Sr. Genoino deu uma nota, primeiro porque em um depoimento prestado à tarde,
o nome dele foi mencionado como tendo participado de uma reunião no hotel Blue
Tree com Waldomiro Diniz e agentes da Gtech. Ele disse o seguinte: “Não. Eu não
me encontrei com a Gtech no Blue Tree. Eu me encontrei com a Gtech no PT”.
O senhor participou dessa
reunião entre Genoino e Gtech?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nunca participei de reunião de Gtech nem no PT nem
fora do PT.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor teve notícia dessa reunião?
Sabe de quem participou dessa reunião?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não tive notícia.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Na declaração que fez à Procuradoria da
República, o Sr. Marcos Valério declarou o seguinte: que tanto o senhor como o
Deputado José Dirceu sabiam da operação do caixa dois.
O senhor aqui desmentiu.
Disse que não sabia dessa operação. O senhor sabe porque o Sr Marcos Valério
disse que o senhor sabia disso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Não faço idéia, Sr Senador.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Me diga uma coisa: o Presidente da
República disse agora que ele teve de trazer os próceres do Partido para
Brasília e que na direção do PT ficaram os quadros ruins.
O que o senhor acha dessa
avaliação que o Presidente da República fez do senhor e de seus companheiros?
O SR. SILVIO PEREIRA – Tenho certeza absoluta que jamais o Presidente da
República falou de quadros ruins. Tenho certeza absoluta. Isso não corresponde
com o que o Presidente falou.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Eu perguntaria ao senhor o seguinte: o
senhor disse aí que faltava dinheiro para campanha. Tanto é que uma das
Senadoras da Casa, uma das melhores Senadoras, a Senadora Ana Júlia, reclamou
que estavam faltando recursos no Pará para a campanha do PT Mulher.
Como o senhor explica essa
aparente bonança do PT, setenta milhões, noventa milhões – as versões ainda
estão variando – e, ao mesmo tempo, o quadro de penúria que o senhor relatou.
Ou seja, na ponta havia um quadro de penúria, enquanto o Diretório Nacional
estava abastecido?
Como o senhor explica essa
contradição?
O SR. SILVIO PEREIRA – A mim não cabe essa contradição, na medida em que
não trato, não tenho conhecimento pormenorizado dessa situação financeira.
O que eu posso é afirmar
para o senhor e o que eu já coloquei aqui é ser testemunha das dificuldades e
penúrias que os nossos diretórios no interior do País sofriam.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas o senhor confirma que testemunhou
um quadro de reclamação por falta de dinheiro e não um quadro de abundância de
recursos?
O SR. SILVIO PEREIRA – Exato.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Não é isso?
O SR. SILVIO PEREIRA – Exato.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor disse que queria ver
responsabilizados os culpados e inocentados os inocentes, quando saiu no dia 04
de julho.
O senhor pode dizer quem são
os culpados e quem são os inocentes?
O SR. SILVIO PEREIRA – Espero que esta CPI e as demais investigações
cheguem a essa verdade.
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor não sabe?
O SR. SILVIO PEREIRA – Eu não sei, senhor...
O SR DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Desses cargos indicados o senhor era
naturalmente o emissário do PT, já disse. O senhor não sabe mencionar quais são
os cargos que foram indicados, a não ser se for perguntado especificamente
sobre eles.
Quer dizer, o senhor não
pode dizer qual quadro tinha no IRB, se o senhor indicou, em Furnas, na Casa da
Moeda. O senhor não pode falar a respeito disso, mas o senhor pode dizer qual é
o quantitativo desses cargos comissionados. Quantos cargos o senhor avalizou
pelo PT?
O SR. SILVIO PEREIRA – Por exemplo, Senador, muito
do que foi publicado é mentira e posso provar-lhe algumas delas. Foi dito, por
exemplo, que no IRB, o Dr. Lídio, que é o Presidente... É só perguntar ao Dr.
Lídio se indiquei alguém para o IRB. É só perguntar para o Sr. Osório, que é o
Diretor de Administração dos Correios, se indiquei alguém naquela Diretoria de
Administração. É perguntar para os diretores de Furnas se indiquei alguém
daquela diretoria ou funcionário de Furnas.
Existe, no PT, uma
contribuição. São pessoas que ocupam cargos de confiança no Governo. São
aproximadamente mil e quatrocentas pessoas em cargos de confiança que
contribuem para o PT em toda a Administração Federal. Dos que trabalham no
Governo Federal são mais ou menos mil e quatrocentas pessoas que pagam, que descontam
em folha bancária, no banco, em conta corrente. Sobre essas informações, com
mais detalhes, amanhã o Secretário de Finanças poderá explicar melhor. No
total, no Governo Federal, são filiados ao PT e contribuem, por meio de
desconto bancário, mil e quatrocentas pessoas. Temos o nome dessas mil e
quatrocentas pessoas. Estão em posse da Secretaria de Finanças. Tenho certeza
de que S. Sª não vai negar-se a fornecer esses nomes a esta CPMI.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Desses mil e
quatrocentos, o senhor teve participação na indicação de quantos, em
média?
O SR. SILVIO PEREIRA – Realmente, não me lembro,
Senador. Nem sei se nesses mil e quatrocentos está inserido alguém em relação
ao qual tenha tido uma participação mais direta.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O senhor
tinha influência para indicação até que escalão? O senhor se preocupava em
indicar no primeiro escalão, no segundo escalão? V. Sª tinha influência para
indicar em qualquer escalão?
O SR. SILVIO PEREIRA – Nos Estados, infelizmente,
não me foi perguntado sobre isso. É ali exatamente que conheço mais. Acompanhei
bastante a montagem do Governo nos Estados. As reivindicações que eu pegava...
Por exemplo, havia o currículo de um Deputado, de um Senador, de um dirigente
partidário, eu o pegava e encaminhava ao Governo para evitar, exatamente, que
todo mundo fosse lá encaminhar. Então, eu encaminhava e parava ali. Sobre o
desdobramento, sobre o acompanhamento, quando era um caso do PT, às vezes o
parlamentar ou o dirigente me cobrava, eu ia atrás, cobrava, acompanhava,
lutava por isso. Depois, não ficava sabendo. Às vezes, a pessoa era nomeada e
eu nem sabia onde a pessoa tinha sido nomeada. Às vezes, o Parlamentar, o
dirigente indicava para um cargo e a pessoa era nomeada para outra função.
Então, esse detalhamento eu realmente não acompanhava. Já não interessava mais
acompanhar esse desdobramento. Eu queria terminar o trabalho e voltar a fazer o
que sempre fiz no PT: cuidar da organização partidária.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL - GO) – O senhor era o homem responsável também por
dirimir o conflito de interesses entre partidos da Base. Confere?
O SR. SILVIO PEREIRA – Senador, V. Exª sabe que o
PT, nos Estados, teve muita resistência para compor com os partidos da Base.
Foi o principal problema que enfrentei. Eu chegava a determinado Estado e o PT,
mesmo não tendo Parlamentar, queria indicar todos os cargos. áHa Havia Estados em que o PT não
tinha um Deputado Federal e queria indicar os principais cargos naquele Estado.
Era um tamanho de um problema! V. Exª imagina, no Mato Grosso, a confusão.
Tínhamos o PP, que tinha representação, o PPS, que também era forte no Estado,
tinha o Governador, tinha o PTB. Naquela época, tinha até Deputado do PSDB que
fazia parte da Base Aliada do Governo. Então, dialogávamos com esses
Parlamentares. Era difícil compor um Governo no Estado. Os cargos não eram em
um nível...
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