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O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com as bênçãos de Deus,
havendo número regimental, declaro aberta a 21ª Reunião da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 03, de 2005, do Congresso
Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos
delituosos praticados por agentes públicos nos Correios – Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos.
As Atas das reuniões
anteriores encontram-se sobre a mesa. Coloco-as em votação, propondo a dispensa
da leitura.
Os que aprovam queiram
permanecer como estão. (Pausa.)
Aprovado.
Esclareço que a pauta desta
reunião destina-se à oitiva da Srª Simone Reis Lobo Vasconcelos e, depois, do
Sr. David Rodrigues Alves.
Convido para tomar assento à
mesa a Srª Simone Vasconcelos para seus esclarecimentos.
O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – Sr. Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, o Deputado
Fraga.
O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – Sr. Presidente, serei muito breve.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu não gostaria de
conceder a palavra pela ordem por causa do adiantado da hora.
O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – Serei breve, Sr. Presidente.
Há uma questão que incomoda
a todos, pelo menos a quase todos os membros desta Comissão. Nós tivemos a
declaração da Srª Simone, ontem, na Polícia Federal. No entanto, muitos membros
desta Comissão ficaram ansiosos para ver a relação, a lista que tinha sido
entregue pela Srª Simone à Polícia Federal, e não conseguimos. Para surpresa de
todos nós, essa lista já estava na Internet. E eu quero saber de V. Exª qual é
o critério, qual é a metodologia que vamos empregar para que os Parlamentares
pelo menos possam ter acesso a alguns documentos; se procuramos o Relator; se
procuramos V. Exª. O que não é possível é os Deputados não receberem uma
informação e a imprensa já estar com essa informação bem à frente dos
Parlamentares. Isso é lamentável para nós, que estamos aqui querendo trabalhar.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Fraga, nós
recebemos formalmente a relação. Essa relação não passa necessariamente só a
uma instituição chamada CPMI dos Correios nesse processo todo. Temos procurado,
a Mesa Diretora, o Relator, ser o mais rigorosos possível com relação a isso, a
despeito de não podermos controlar a tudo e a todos. E as providências tomadas
inclusive com relação a acesso aos documentos nos levaram a uma definição, com
o apoio de Parlamentares como o Deputado Abicalil, o Deputado José Eduardo
Cardoso, o Deputado Carlos Sampaio, o Deputado Gustavo Fruet, exatamente no
sentido de dividir as atividades para que a assessoria da CPMI tenha as
condições necessárias para prestar um bom trabalho aos Parlamentares.
Existem dificuldades?
Existem. Fruto de um momento tenso que o País vive. Mas nós, com o passar do
tempo, não tenho dúvida nenhuma, vamos nos organizar adequadamente para não
frustrar os Parlamentares e não decepcioná-los, prestando as informações a
tempo e a hora, como necessário, para que os depoimentos sejam bem aproveitados
por S. Exªs.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, peço a palavra muito
rapidamente pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado
Pompeo de Mattos pela ordem. E o tempo corre, e o tempo voa!
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, quero ponderar a V.
Exª exatamente nesse sentido. Nós formulamos, há pelo menos duas semanas, uma
reclamação à Mesa. Para não ser incompreendido, quero refazê-la de forma muito
clara, Sr. Presidente. É exatamente sobre a questão de acesso a documentos. E
vou citar um caso concreto para que não fique na imaginação. Ontem, nós
estávamos tratando de uma ligação específica, cujos documentos estão na CPMI, e
temos alguns dados que estamos cruzando, e localizamos os documentos e a
tabulação na CPMI...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Pompeo de
Mattos, por favor, conclua por causa do tempo, porque temos duas oitivas no dia
de hoje.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, isso é importante para
V. Exª e para esta CPMI, para o nosso entendimento.
Sobre os documentos que
estão no computador, eu preciso de uma cópia da tabulação, não é nada de
sigilo, mas se trata de documentos tabulados. Qual é a informação da assessoria
da CPMI? Ela diz: “Não, os Deputados não podem ter acesso. Só podem ter acesso
o Relator e o Deputado Carlos Sampaio. Se eles não autorizarem, os outros
Deputados e Senadores não podem ter acesso.” Palavras do assessor da CPMI. Ato
contínuo, ele levantou o telefone e tentou ligar para o Deputado Osmar
Serraglio. Não conseguiu contato. Tentou contato com V. Exª – eram sete e pouco
da noite –, não conseguiu. Naquele momento, tentaram contato com o Deputado
Carlos Sampaio e disse-lhe que ele estava na televisão; ele questionava o
Deputado José Dirceu lá na Comissão de Ética.
Bom, sai dali sem a
tabulação, fui lá na Comissão de Ética, e, quando cheguei – o Deputado Carlos
Sampaio não está aqui, mas pode confirmar – ele saiu assim que acabou o seu
questionamento. Resultado: não ficamos com o documento, não temos o documento,
e todos os Deputados vivem esse drama.
Concluo, dizendo que não vou
pedir para ninguém, não vou pedir autorização...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Conclua, Deputado
Pompeo de Mattos.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – a ninguém para ter acesso a documento.
Aqui na tem um Deputado que autorize outro Deputado para ser Deputado. Quem
tinha que me dar autorização já me deu: o povo gaúcho. Portanto, Sr.
Presidente, se eu chegar no computador – vou dizer a V. Exª, e é forte...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Pompeo de
Mattos, conclua, por favor, até em respeito aos demais parlamentares.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Mas em respeito à verdade, Sr.
Presidente. Se eu chegar no computador e estiverem tabulados os documentos e eu
não tiver acesso aos documentos, outro Deputado não terá; eu desligo o
computador. Ou todos teremos acesso, ou ninguém terá. É preciso colocar ordem
na Casa. Essa é a afirmação e não falo mais a respeito desse assunto.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ – Ele tem razão.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado,
Deputado Pompeo de Mattos.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, eu quero...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Onyx
Lorenzoni, novamente entramos num debate que pode ser tratado nas reuniões
administrativas e continuamos cansando a todos. Nós cansamos os depoentes, nós
cansamos o advogado, os parlamentares, a imprensa e o País.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, rapidamente, só quero
trazer ao conhecimento de V. Exª que, ontem, houve um requerimento discutido
aqui, o de nº 601, no qual buscamos informações junto a quebra do sigilo fiscal
e bancário do Partido dos Trabalhadores, do Banco do Brasil e, objetivamente,
da conta 13001.
Quero informar a V. Exª que
ontem fiz o requerimento, conforme solicitação do nobre Relator. Quero que hoje
seja feito – faço essa solicitação – o Requerimento 601, que trata dos
pagamentos do empréstimo concedido ao ex-Ministro José Dirceu, pelo Partido dos
Trabalhadores, mas quero fazer a referência que a conta 13001, que trata do
Fundo Partidário, que se refere aos empréstimos feitos ao Presidente Luiz
Inácio da Silva, ao Senador Aloizio Mercadante e ao ex-Ministro e hoje Deputado
José Dirceu não chegaram na CPMI dos Correios.
Por essa razão, reveste-se
de importância a solicitação que ora faço ao nobre Relator, para o
esclarecimento completo sobre quem pagou esses empréstimos feitos pelo Partido
a essas autoridades da República.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado,
Deputado Onyx.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Para uma questão de ordem, rapidamente,
Sr. Presidente, pelo art. 14.
Apenas para dar um esclarecimento. O Deputado Carlos
Sampaio não está neste momento aqui na Comissão e para deixar bem claro – e
aqui falo em nome de S. Exª – que S. Exª foi designado por V. Exª e pelo
Deputado-Relator para cumprir um papel importante nesta Comissão, qual seja
organizar a quantidade enorme de documentos que ali estão. E V. Exª já havia
esclarecido isso para todos aqui. Portanto, não cabe ao Deputado Carlos Sampaio
– e que isso fique bem claro para todos os membros desta Comissão – e nem
caberá dizer se pode ou não ver os documentos. A função do Deputado Carlos
Sampaio tem sido nobre, árdua e difícil, principalmente em se tratando de uma
Comissão com tantos Parlamentares e com tanta tensão, na organização dos
documentos, a fim de facilitar o trabalho dos membros desta Comissão, a
transparência desta Comissão, e das informações que possam influir.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Então, avise isso aos assessores da
CPMI; avise lá.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Deputado Pompeo de Mattos, peço a V. Exª que, por favor...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Pompeo de Mattos, V. Exª falou,
fez o seu registro, mas agora a palavra está com o Deputado Eduardo Paes. E eu
não concederei a palavra a mais nenhum Parlamentar.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço, Sr. Presidente. Gostaria apenas de deixar isso
muito claro. Não quero atrasar mais os trabalhos, mas essa questão deve ficar
bem clara, porque não podemos ficar aqui – e o Deputado Carlos Sampaio não se
encontra presente neste momento – admitindo essas insinuações. O trabalho de S.
Exª é muito importante. S. Exª passou o fim de semana inteiro organizando os
documentos, para que todos nós pudéssemos ter acesso.
Era isso, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Gostaria apenas de ratificar o que disse o
Deputado Eduardo Paes sobre o trabalho exemplar do Deputado Carlos Sampaio. S.
Exª tem ficado aqui nos finais de semana para organizar os documentos,
trabalhando com a assessoria técnica da CPMI e, em poucos dias, deu um outro
rumo, um outro norte para as atividades da CPMI, especialmente as
administrativas.
A Presidência esclarece aos membros desta Comissão
que, conforme determinação desta CPMI, com base no art. 206 do Código de
Processo Penal, a testemunha prestará seu depoimento oralmente, podendo,
entretanto, fazer breve consulta, apontamentos, consoante o disposto no art.
204 do Código de Processo Penal. A testemunha deverá, portanto, responder a
todas as perguntas que lhe forem formuladas, assegurando-se-lhe, entretanto, a
observância da garantia constitucional, nos termos do art. 5º, inciso LXIII da
Constituição Federal, de não se auto-incriminar o que, em última instância,
importa o protesto pelo direito ao silêncio, facultando-se-lhe a assistência do
seu advogado tão-somente para orientação da conveniência ou não de responder.
O termo de compromisso já foi assinado pela Srª
Simone e os dados pessoais de S. Sª já constam do termo de compromisso.
Gostaria de passar a palavra à Srª Simone,
solicitando que S. Sª relate o que souber sobre as questões que são objeto de
investigação desta CPMI, notadamente sobre as atividades do Sr. Marcos Valério
Fernandes de Souza, explicando as razões de sua ciência ou as circunstâncias
pelas quais possa avaliar-se de sua credibilidade.
A Presidência será absolutamente rigorosa com relação
ao tempo de cada Parlamentar inscrito, até porque nós teremos mais uma oitiva,
a do Sr. David Rodrigues Alves.
Com a palavra a Srª Simone.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Obrigada.
Bom dia a todos. A minha intenção aqui é dizer mesmo
o que sei.
Eu sou de Belo Horizonte, criada e nascida lá.
Trabalho na SMP&B Comunicação desde abril de 99. Prestei declaração à
Polícia Federal nessa segunda-feira e tenho o termo da declaração, que passo ao
senhor.
Na oportunidade, passei também uma relação das
pessoas que, através de mim mesma, receberam recursos – e esse documento já foi
protocolado – e tem uma relação que foi elaborada por Marcos Valério com os
nomes também, como já foi divulgado pela Internet.
Estou aqui às ordens.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu gostaria que fosse
declinado o nome do advogado da Srª Simone.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O advogado da Srª Simone chama-se Dr.
Marcelo Leonardo.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – É o mesmo do Marcos Valério e da D.
Renilda.
Gostaria que V. Exª cobrasse dele o celular pré-pago
do Marcos Valério que a D. Renilda usava que, naquele dia, ficou devendo à
Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O Dr. Marcelo me confirma aqui que
entregará na reunião de hoje o telefone.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Deputado Arnaldo Faria de
Sá.
Passo a palavra para o Relator, Deputado Osmar
Serraglio.
O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, eu solicito cópia dessas listas.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Serão tiradas cópias dos documentos
encaminhados pela Srª Simone para distribuição aos Parlamentares desta CPMI.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, eu argüiria de V. Exª
se esses documentos têm ou não o caráter de sigilosos? É apenas um
questionamento.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Alguém tocou aí, inadvertidamente, no
interruptor. Agora só falta ter apagão nesta CPMI.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Continuando, serviços gerais, compras e
almoxarifado. É isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O controle financeiro da empresa quem
comandava era V. Sª?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É, sempre sob a orientação do Sr. Marcos Valério.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse controle a que V. Sª procedia
significava emissão periódica de informações tabuladas, de forma que o Sr.
Marcos Valério as tivesse de maneira clara, resumida?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, eu prestava contas a ele do que era feito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de tabulação V. Sª utilizava?
Eu falo em relação aos ingressos e saídas de recursos. Como é que V. Sª
apresentava esse relato, essa síntese? V. Sª dispunha de um sistema de
computação?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A agência SMP&B possui um sistema
informatizado, é lógico, no qual eu fazia relatórios gerenciais, resumidos, e
prestava contas a ele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quanto a esses relatórios, alguém já
teve acesso a eles? Alguma das autoridades que estão procedendo a investigação
teve?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Esses relatórios são internos. Não, nunca passei
nada. Nesses relatórios constam as despesas da agência e detalhamento do que
foi gasto com pessoal, aluguel e... Essas saídas sempre foram lançadas nesse
meu relatório, que é apenas um relatório gerencial, não é fiscal, como extras,
porque aí eles sabiam o que se referiam, eu não entrava nesse mérito.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O ingresso de recursos na conta para que
V. Sª como diretora financeira tivesse conhecimento de saber se, efetivamente,
dispunha de dinheiro era sempre lhe comunicado?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sempre.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de ingresso de recursos ocorreu
no sistema? De onde promanava o dinheiro de que se valia a SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O funcionamento da agência se dá com o faturamento
de clientes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais os clientes mais expressivos que a
SMP&B tinha? Falo dessa forma porque alguns cancelaram. Mas, há dois meses,
quais os principais clientes da SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Acredito que isso já tenha sido bastante divulgado
pela imprensa. Clientes nosso do Governo: Correios, Governo do Distrito
Federal, Câmara Legislativa, Câmara dos Deputados, Governo do Estado de Minas
Gerais, são os mais significativos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E clientes particulares?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Riclan, Elmo Calçados, Usiminas...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esses são os maiores clientes?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tem uma noção, mais ou menos, de quanto
seria o percentual de ingresso da iniciativa privada e dos cofres públicos? O
percentual, mais ou menos, no faturamento?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso sempre variou, não é uma constante. A agência
sempre participou de várias licitações e sempre procurou ter na carteira
clientes particulares e empresas privadas. É muito variado, eu não teria como
dizer, em percentual.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em valores, mais ou menos, como V. Sª
imagina que deva ter faturado a SMP&B no exercício de 2004, em relação à
iniciativa privada?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não saberia dizer, eu poderia consultar e
enviar essa informação.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª é diretora financeira de uma
empresa e não tem noção de quanto ela faturou no ano passado?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O senhor está me perguntando sobre a iniciativa
privada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Também. O espectro, o quadro, a senhora
tem tabulado no Excell, está registrado? Tem o percentual da iniciativa privada
e tem o percentual... Tudo bem que não saiba os percentuais, mas qual foi o
faturamento aproximado da SMP&B no ano passado?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Cento e dez milhões.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do universo total?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Do universo total.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª fala em R$110 milhões de
faturados, V. Sª está se referindo ao percentual que cabe à agência?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não aos repasses que são feitos às...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Fatura, não. A contabilidade da agência é da
seguinte forma: o faturamento é o valor bruto que é pago à agência e dali são
feitos os repasses aos fornecedores. A agência tem uma média de 10 a 15% de
receita.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esses 10 a 15% correspondem aos 110% ou
esse é o faturamento de toda a publicidade? Cento e dez é o percentual?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não é o percentual que ficou a agência. É o
faturamento bruto da agência.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, V. Sª quer dizer que o
faturamento da empresa, no ano passado, foi de R$10 milhões?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Foi mais, porque eu falei: uma média de 10%.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem, que seja R$20 milhões.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio PMDB – PR) – Porque a empresa, no ano passado,
movimentou R$600 milhões, não foi?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, não sei dizer, assim, de cabeça, não. Eu
poderia ter me preparado e ter trazido números...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª sabia que ia prestar
informações numa CPMI, com esse universo todo de pessoas, do Brasil inteiro, e
veio, aqui, sem informações sobre faturamento... É impressionante! Na verdade,
quero concluir que V. Sª não quer esclarecer, lamentavelmente.
Como foi o ingresso de V. Sª na SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Fui contratada em abril de 99 e fui apresentada ao
Sr. Marcos Valério pelo Sr. Cláudio Mourão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Antes a senhora trabalhava numa
atividade pública?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, eu era funcionária pública há quinze anos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora se desligou da atividade
pública em que data?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu solicitei, em dezembro de 1998, LIP, que é uma
licença sem vencimentos, e fiquei janeiro, fevereiro e março em busca de outra
atividade, quando, conversando com Cláudio Mourão, ele me levou ao Sr. Marcos
Valério, que me contratou.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conheceu Marcos Valério antes
de ingressar na empresa?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu o conheci no dia em que fui apresentada a ele, e
foi acertado....
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para trabalhar...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu era candidata a uma vaga.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É que V. Sª diz, em um depoimento, que
só o conheceu depois que já estava trabalhando. É só consultar um dos
depoimentos de V. Sª que se pode verificar.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu o conheci no dia em que fui à agência. Fui
apresentada a ele, e ele me contratou. Nesse dia é que o conheci.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só estou fazendo referência porque há um
depoimento em que V. Sª diz que só o conheceu depois que já estava trabalhando.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Marcos Valério foi quem me contratou. Eu nunca
disse isso não, Deputado, em depoimento nenhum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tem; depois eu apresento à senhora, no
intervalo, enquanto o pessoal for promovendo questionamentos.
Essa LIP é a licença que V. Sª tirou como funcionária
efetiva? V. Sª é concursada?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sou.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª ocupava cargo em comissão?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Até quando ocupou o cargo em comissão?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dezembro de 1998.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No período de 1998, sua vinculação
sempre foi em cargo em comissão?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, por muitos anos servidora pública.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas e em 1998?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em 1998, eu estava em cargo em comissão.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tirou alguma licença em 1998?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Tirei férias, prêmio, férias normais...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em que período?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No período de setembro ou outubro de 1998.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De quanto tempo foram as férias?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dois meses.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª sabe dizer quem a substituiu no
cargo em comissão nesse período?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Srª Helen.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, em setembro e outubro de 1998,
V. Sª estava afastada do serviço público?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na primeira vez que V. Sª prestou
depoimento, informou que, na verdade, os saques em espécie eram destinados ao pagamento de cachê de artistas; sei que depois
V. Sª foi adensando, complementando, e hoje podemos dizer que V. Sª vem
contribuindo para os esclarecimentos que a Casa e o Brasil querem; mas, de
qualquer modo, ficou esse gancho, e eu queria solicitar um esclarecimento: a
SMP&B pagava artistas? Como isso se procedia?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eventualmente, artistas contratados para fazer a
publicidade de alguns dos clientes exigem que o pagamento seja antecipado. Isso
é uma prática comum na publicidade. Então, a agência fazia um adiantamento ao
artista. Aliás, na maioria das vezes, a gente antecipava isso, porque a gente
só recebe do cliente após o trabalho ter sido executado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A SMP&B nunca pagou artistas que não
fossem relacionados a contratações próprias?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Através dos clientes sempre.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca efetuou pagamentos a artistas de
campanhas políticas?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma das coisas que
nos têm surpreendido é que, a cada lista nova que vem, novos nomes vão sendo
incluídos, e nós precisamos, de alguma forma, de certo rigor e esperamos essa
contribuição de V. Sª, tanto quanto do próprio Marcos Valério e até, para
ampliar um pouco, em relação ao nosso Deputado Roberto Jefferson, porque se
tornaram três pessoas que têm poder de vida e morte política em relação ao que
manifestam. E essas mudanças de listas, com inclusões de novos nomes,
precisaríamos – e vamos detalhá-los, com certeza, com o acréscimo dos
questionamentos que serão realizados pelo Plenário – que eles fossem enriquecidos
com mais detalhes, não no sentido de que queiramos defender, porque somos
absolutamente contrários a tudo isso que aconteceu, mas precisamos também de
algum parâmetro para verificar se eventualmente alguém “inadvertidamente” teria
mantido contato com essa empresa. Todos aqueles que com ela se relacionaram de
alguma forma vão pagar ou com mandato, ou com execração pública, ou, como
assistimos, com uma certa responsabilização antecipada tanto pela imprensa
quanto pela opinião pública. Queremos que aqueles que de fato incidiram nisso
respondam por isso. E V. Sª é uma peça fundamental nisso.
Aí perguntamos: há uma nova
lista? E, agora, salvo engano, não tenho ainda, há uma nova lista posterior à
de V. Sª e à do Marcos Valério. V. Sª teve oportunidade – e passou agora, se
não me engano, para o Presidente – de consultar essa lista que o Marcos Valério
apresentou ontem na Procuradoria?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deputado, o senhor
está se referindo a algumas listas...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – À de ontem; à que ele
apresentou ontem à Procuradoria.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O senhor está se
referindo a algumas listas anteriores. Eu não tenho conhecimento de listas
anteriores oficiais. Vimos muitos nomes nos jornais, sim. Eu viajei e, antes de
viajar agora em julho, eu saí de férias, conversei com o Marcos Valério e disse
a ele que eu gostaria muito que ele fizesse alguma coisa concreta para que, se
eu fosse chamada novamente, eu pudesse esclarecer tudo. E a minha intenção aqui
hoje é essa, o senhor não tenha dúvida, não.
Quanto às listas, eu sei
dizer para o senhor de duas listas. Quando eu retornei dessa minha viagem
agora, eu encontrei uma lista pronta que Marcos Valério fez e que, me foi
informado, foi com base em extratos bancários, anotações, cópias de cheques,
lembranças. Dessa lista, que está aí, eu repassei, eu fiz a minha. Em conversa
com Marcos Valério – ficamos sentados, conversando, pegamos o jornal, porque eu
não me lembrava da fisionomia de várias pessoas, como continuo sem me lembrar:
“Marcos, quem é este, o que é isso, quem é este”? Em Brasília, cruzando os
dados, de quando eu fui a Brasília, os saques estão comprovados nos documentos
do Banco Rural. De todas as vezes que fui, conforme meu depoimento na Polícia
Federal, tem lá a minha letra, não nego nenhuma das vezes que eu assinei, que
eu fui e que encontrei com as pessoas ou que eu deixei autorizado.
Então, essa minha lista...
Para evitar confusão, ontem já houve essa confusão na imprensa de que eu passei
uma lista com tantos nomes. Não é isso. Da lista do Marcos Valério, que são
cinqüenta e poucos nomes, eu ali detectei doze nomes de pessoas ou de contatos
que foram feitos na agência do Banco Rural em Brasília.
Espero ter esclarecido essa
questão das listas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa indicação dos
doze nomes, V. Sª diz que ela consta do seu depoimento na...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Na Polícia Federal.
Sim. O senhor tem cópia aí?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tenho. Porque, na
verdade, a senhora, num primeiro momento, fez o de 7, 8, dizendo: “A essas
pessoas eu entreguei; a essas outras, eu não lembro muito bem”.
Antes, estou querendo
pegar... V. Sª disse que quem elaborou a lista para V. Sª foi o Marcos Valério?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O Marcos Valério
elaborou uma lista dele, de todos os valores que foram repassados oriundos
desse empréstimo que a SMP&B fez aos bancos e emprestou, em seguida, ao PT.
E o Marcos fez, destrinchou todos esses valores. Dessa listagem do Marcos
Valério, eu fiz a que eu tenho conhecimento, que é esta lista com os doze
nomes. Algumas pessoas aqui eu sei quem são. Estive com elas pessoalmente.
Outras, por todos os dados bancários, verifiquei que eu autorizei, porque, em
várias ocasiões, não permaneci na agência bancária. Eu, de posse de uma
determinação de Marcos Valério, até por eu estar em Brasília desempenhando a
minha função, que é a principal e que sempre foi, tratar dos assuntos
administrativos e financeiros da filial aqui, em Brasília: “Simone, vá lá e
autorize que tal pessoa pegue o dinheiro ou com você...” Aí, até por decisão
minha e por colaboração dos funcionários do próprio banco, eles permitiam que
eu somente colocasse o nome da pessoa no verso da autorização minha. Nunca me
neguei, sempre assinei e pus minha identidade: “Olha, é fulano ou sicrano que
virá buscar esses valores”.
Essa listagem é esta que
está assinada por mim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A forma de operar
era: antes alguém expedia uma autorização lá, dentro da SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem que fazia essa
designação e a quem é que esse pagamento seria realizado?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sempre o Sr. Marcos
Valério me passava quem seria.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Passava para a
senhora?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, e eu repassava
para o setor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quem que emitia o e-mail?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Olha, geralmente, a
minha gerente financeira. Se ela não estava lá, podia ser qualquer outro
funcionário, mas, geralmente, ela.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os saques eram
procedidos em Belo Horizonte ou em Brasília, ou em ambas?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Esses saques que estão
relacionados aqui foram todos em Brasília, na agência do Banco Rural, em
Brasília. Foram os saques nos quais eu tive participação. Nunca fui a qualquer
outra agência bancária fazer saque, apenas nesta agência.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem no Rio, nem em
São Paulo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, eu jamais fui
fazer saque em qualquer outra agência.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas foram feitos
pagamentos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E como era procedido
esse pagamento quando era para o Rio de Janeiro, quando era para São Paulo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Olha, eu teria que
saber que para o Rio de Janeiro; o senhor está me dizendo que teve para o Rio
de Janeiro. Eu...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Houve uma campanha
política até de uma cidade lá do Rio de Janeiro.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Todas as ordens de
pagamento sempre foram dadas por Marcos Valério, e eu solicitava ao meu setor
financeiro que assim fizesse. Entrava em contato com o gerente do banco, e, aí,
uma coisa interna do banco, eles passavam acho que um fax para a outra agência
dizendo que fulano de tal, carteira de identidade tal, iria lá buscar aquele
recurso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando o dinheiro era
sacado em Brasília, era remetida da agência de Belo Horizonte uma comunicação a
quem seria destinado ou V. Sª vinha a Brasília, sacava e dava o dinheiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Quando as pessoas iam
diretamente ao banco e que eu não precisava estar presente, já ia a informação
de Belo Horizonte. No próprio fax, ia para a agência. O fax do Banco Rural,
agência Belo Horizonte, ia para a agência em Brasília já dizendo quem era e
inclusive com a carteira de identidade. Mas, em diversas ocasiões, isso não era
possível. A gente dizia... O setor dizia: “Não, é a própria Simone que vai à agência”,
onde constam, inclusive, tantos saques em meu nome. E lá eu entregava aos
destinatários.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Lá, em Belo Horizonte,
havia entregas a políticos?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Eu nunca
entreguei a nenhum político, em Belo Horizonte, recurso nenhum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A prepostos de
políticos?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Também, não.
Eu, pessoalmente, não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aqueles saques todos que
são noticiados como motoboys, indo buscar... o David Rodrigues, que, inclusive,
vai ser ouvido, eles sacaram tanto dinheiro e levaram para dentro da agência da
SMP&B.
Primeiro, por que esses
saques sempre são em dinheiro, em espécie? Porque não é o comum, convenhamos.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Todos os
saques que foram feitos sempre o foram por determinação de Marcos Valério. Eu
não questionava o porquê.
Em relação ao Sr. David, eu
nunca vi esse senhor. É fácil verificar se ele já foi à agência alguma vez. O
prédio tem um rigoroso sistema de entradas e saídas. Vamos solicitar à portaria
do prédio para verificar se o senhor David já foi alguma vez à agência.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, como informação,
V. Sa sabe se, por acaso, ele teria levado esses recursos para o
prédio da DNA?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Não tenho
essa informação. Eu não tenho.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De qualquer modo,
recursos em espécie, a pedido do Marcos Valério, eram conduzidos para dentro da
SMP&B. V. Sa era quem controlava o direcionamento disso. Que
registros eram feitos como saída desses recursos?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não
percebi o início da frase que o senhor disse, que a maioria...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Eu disse que
esses recursos, em espécie, a maioria era em dinheiro, em espécie, que eram
recolhidos para dentro da SMP&B. Evidentemente, V. Sa, tendo o
controle financeiro, deveria registrar a quem foi entregue esse dinheiro em
espécie que chegou a SMP&B.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Eu tenho
conhecimento de alguns saques em dinheiro em Belo Horizonte, sim. Os valores
eram, na maioria das vezes, entregues ao Sr. Marcos Valério, e ele,
eventualmente, pode ter repassado a pessoas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas o registro
competia a V. Sª.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Ao Marcos
Valério.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A saída do seu
controle financeiro...
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Do meu
controle?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – ... era Marcos
Valério?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Marcos
Valério, porque esse era um procedimento extra. Não é a rotina do nosso
trabalho. Noventa e nove por cento do meu trabalho é pagamento a fornecedores,
recebimento dos clientes. A rotina de qualquer empresa do porte da agência
SMP&B – que era até então, não é?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O normal do
faturamento da empresa é incluir a prestação do serviço inteiro e, depois,
receber a prestação?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Não entendi.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vamos supor que eu a
contrate para que preste um serviço. Sou o João das Pedras e Cia. Ltda. Eu
contrato os seus serviços por R$1 milhão. V. Sa, quando fatura esse
valor, como não é V. Sa que faz o serviço – eu contratei seu
serviço, e quem vai me prestar grande parte são os veículos de comunicação –,
V. Sa me fatura R$1 milhão ou o faturamento é feito dos prestadores
de serviço e V. Sa só me fatura a sua participação, os seus 20% ou
10%?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Faturo o
valor integral...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Valor integral.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – ... e vem
distinguido nas notas, o que é valor para terceiros e sempre anexada a nota do
fornecedor, seja de produção, seja de mídia e, ao lado, há uma coluna que é
receita da agência, que é o percentual que efetivamente fica na agência.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sa fez
referência a empréstimo e o fez no singular. Mas eu queria uma explicação mais
completa sobre tudo o que sabe em relação a empréstimos contraídos ou pela
SMP&B ou pelas coligadas da SMP&B que tenham tido qualquer elo de
ligação com partidos políticos ou com políticos.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Sobre as
coligadas, eu não saberia dizer ao senhor, porque sou funcionária contratada
pela SMP&B e sempre desempenhei minhas atividades na SMP&B.
Sei dos empréstimos, sim,
inclusive porque eu que sempre providenciei toda a documentação, a parte
burocrática desses empréstimos. Há toda uma documentação mínima necessária que
os bancos exigem. Então, tenho conhecimento dos empréstimos, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quais eram?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Há um documento onde
estão discriminados os valores, as datas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas não são muitos. V.
Sª não se lembra deles?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sempre foram... são...
sempre foram... Sempre, não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Quantos são?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Esses empréstimos são
junto ao Banco BMG e ao Banco Rural, tanto da SMP&B Comunicação quanto da
Graffiti.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do da Graffiti, V. Sª
tem conhecimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Tenho, porque eu,
inclusive, que providenciei...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O controle financeiro
da Graffiti era realizado lá na SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim. Eu providenciei a
documentação por serem os mesmos sócios.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o que lembra em
relação a esse empréstimo? V. Sª preparou o material, mas quem participaria da
formalização de assinaturas?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Desses empréstimos?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em nome de quem sairia
o empréstimo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Esses empréstimos,
inclusive, a documentação, eu acredito que esteja disponível.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei que tem, mas é
que V. Sª está prestando depoimento oral para complementar as informações que
nós temos documentadas.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Pois não. Os sócios
das empresas que têm o poder de assinatura.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quem foram os que
assinaram esses empréstimos a que alude V. Sª?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Os sócios das
empresas. Só os três poderiam assinar. São três sócios. Sempre um deles com o
outro. Marcos Valério, provavelmente, assinou todos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os valores recolhidos
por meio desses empréstimos ingressaram no seu controle financeiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – E na contabilidade da
empresa.
O SR. SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E qual era a saída
dada para esses recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Empréstimo ao PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Cada vez que se
procedia a uma retirada, o registro era “empréstimo ao PT”?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Olha, essa parte
contábil específica...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, não é contábil. É
o seu controle financeiro.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – No meu controle? Empréstimo
ao PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não especificava a
quem, a que cidade?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, até por que
Marcos Valério nunca me deu essa função desse controle. Isso é absolutamente da
alçada dele.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Até quando V. Sª
participou dessa forma de retirada de dinheiro em espécie? Porque houve um
período em que foi paralisado isso, não é? Ultimamente, não se faz mais assim,
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu participei diretamente
– e onde está nessa listagem aqui constando – durante o ano de 2003.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – 2003?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – 2003, sim.
Em 2004, Marcos Valério
mudou a forma. Ou ele diretamente, eu não sei dizer, seria interessante ver com
ele...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Através de corretores?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Como?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou através de
corretoras?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, ou através de
corretora.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais as corretoras
que substituíram isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A que eu tenho
conhecimento é a Bonus-Banval.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Lá de São Paulo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – De São Paulo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, então, de 2004, o
único canal de irrigação desse sistema era a Bonus-Banval?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – De que eu tenha
conhecimento, sim. E muitos cheques que Marcos Valério me solicitava, eu
entregava para ele e não sabia mais a finalidade.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em 2004, V. Sª não
procedeu saques em espécie?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Em 2004, eu não fui à
agência de Brasília fazer saques, conforme essa listagem. O senhor pode
verificar.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª disse que
costumava usar dois telefones celulares naquele período em que tinha contato, e
que, enfim, esse sistema dos cheques, do dinheiro liberado em Brasília,
funcionava. V. Sª poderia nos informar o número desses telefones celulares?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Pois não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Um, era em nome do
Orlando Martins?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Pois não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Telefones celulares,
sendo um em seu nome e outro em nome do Orlando Martins.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Em uma das minhas
viagens, solicitei ao Orlando – eu estava fora – que pegasse um telefone para
mim. Por quê? O meu telefone, em meu nome, eu recebia muitas ligações e eu não
queria mais receber. Os números o senhor quer anotar?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode falar.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – 9953.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Está sendo gravado,
inclusive.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – 5444.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Cidade?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sempre Belo Horizonte.
8838-5444. E tem mais um: 8832-9020.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E nisso já está
incluído o do Orlando.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu acho que sim,
ouviu, Deputado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu perguntei, antes,
sobre quais eram os clientes principais. Quais eram os fornecedores principais
da SMP&B, os que mais prestaram serviços à SMP&B?
A
SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu poderia trazer uma listagem aqui para o senhor de mais de 200
fornecedores.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, os principais. Podem ser os cinco,
dez maiores.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Os mais conhecidos?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os de maior valor.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS - TV Globo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – TV Globo.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Jornais, de modo geral, gráficas, TV Alterosa, TV
Bandeirantes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Gráficas, quais as gráficas principais?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Gráficas principais. Nossa! O senhor me dá um
tempinho que eu vou procurar me lembrar dos nomes. Até o final da sessão, eu...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, tudo bem.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Está bem?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vai sobrar muito tempo para isso, ainda
hoje.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Três Editorial é uma. Gráfica e Editora Três
Editorial.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quantas vezes V. Sª veio a Brasília?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Muitas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais ou menos.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em qual período o senhor está-me perguntando?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em qual período? Em 2003/ 2004.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Foi o período em que eu vim mais, sim,
principalmente porque, nesse período, nós reformamos a agência, nós mudamos de
endereço. Nós saímos do prédio do CNC e fomos para o Edifício Terra Brasilis.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, vamos limitar assim: o período
enquanto houve a operação desses saques aqui em Brasília. Quanto tempo foi
isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Vinte vezes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual foi o período de saques em Brasília?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A maior parte dos saques foram em 2003 - que eu
participei, como eu já disse anteriormente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De janeiro a dezembro?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – De janeiro a dezembro de 2003, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E, nesse período, V. Sª mais ou menos...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Vinte, trinta vezes.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vinte, trinta vezes, no ano?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No ano.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como era procedida a entrega do dinheiro
em espécie? A quem a senhora trazia – trazia, não, porque V. Sª sacava aqui em
Brasília?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sacava em Brasília.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Procedia ao saque e entregava. Como é que
era feito esse controle? Que documentos V. Sª obtinha? De quem os recebia?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nenhum documento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nenhum documento?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, nenhum documento. Às pessoas que eu entreguei
pessoalmente, nunca foi exigido documento delas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, de qualquer modo, então já vinha
direcionado com o nome da pessoa? Como eu faço o elo? Como a senhora, hoje, nos
comprova que tal saque, efetivamente, foi direcionado à determinada pessoa?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nós fizemos isso de duas ou três maneiras, que foi
o que até já relatei aqui anteriormente. Me dirigia, agência do Banco Rural, e
lá já tinha uma ordem da agência de Belo Horizonte disponibilizando aquele
valor para Simone Vasconcelos. Eu assinava esse documento e, depois que eu
assinava, eu entregava às pessoas dentro da própria agência. Isso foi uma das
maneiras. Isso foi uma das formas. E, anteriormente, Marcos Valério já havia me
dito: “Simone, fulano e fulano vão te procurar”. Eu sempre marcava o horário
ali, porque eu não gostava de ficar dentro do banco com valores relativamente
altos, não é?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não havia uma sala especial onde V. Sª
ficava?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Aconteceu de o banco me favorecer uma salinha de
reunião, sim, só para eu entregar ali a quantia. Eu nunca contei. Era pegar na
Tesouraria, passar para essa pessoa e eu sempre me retirar muito rapidamente.
Às vezes, a pessoa permanecia, continuava no banco, e eu ia embora. Isso, uma
das formas.
Uma outra maneira: estava lá a autorização com o meu
nome, eu conversava com os funcionários do banco, que já me conheciam também, e
eles me concediam isso: “Simone, se você anotar aqui atrás o nome de quem vem
buscar” – e eles também já conheciam essas pessoas – “você pode ir embora”. Eu
só escrevia o nome e falava o valor. Então, eu não pegava em dinheiro e eu ia
embora, porque aquelas pessoas estavam autorizadas.
Agora, muitos saques foram feitos sem a minha
participação, porque já vinha o dado de Belo Horizonte de que o fulano de tal,
com aquela carteira de identidade, iria ao banco sacar. Aí, o Banco exigia que
essa pessoa assinasse, porque qual era a garantia do banco? Eles tinham que...
assim, alguém foi autorizado e esse alguém pegou. Por isso tem tantos saques no
meu nome, porque eu autorizava que eles repassassem a essas pessoas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se eu entendi bem, quando era V. Sª que
procedia à entrega não havia controle nenhum. V. Sª era quem identificava e
entregava?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando a pessoa não a procurava no
intervalo que estava lá, V. Sª anotava para quem deveria ser procedida a
entrega?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Agora, como é que há um sistema
documentado, como é que eu identifico, nessa sistemática, quais as pessoas que
receberam de V. Sª?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu sei dizer para o senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS
– Diante dessa listagem aqui, eu sei dizer aqueles a que eu, pessoalmente,
entreguei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas não há
nenhum lugar onde se possa identificar? Vai ser só a palavra de V. Sª? Eu quero
essa contribuição. Não estou duvidando de sua palavra.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas temos várias
pessoas que podem dar uma informação diferente, por isso é que a nossa
investigação está limitada exatamente a esses documentos, onde, de repente,
ficava o nome da pessoa. Aí, nós fomos atrás para tentar ver com quem se
procedia o elo.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Agora, nesses casos,
no começo, o e-mail só dizia que era para a Srª Simone sacar. Lá
não dizia “sacar para entregar para fulano”.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, em Belo
Horizonte não há nada disso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não tem.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Identificando
documentalmente. E de lá vinha para cá, porque a senhora era comunicada pelo
Marcos Valério a quem deveria proceder à entrega.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
Deputado, eu devo
acrescentar que o Dr. Marcelo Leonardo entregou, ontem, à Procuradoria mais de
100 documentos, onde podem constar esses...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só como curiosidade:
o advogado tem cópia aqui?
O SR. (Orador não
identificado) – Posso responder,
Presidente?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode.
O SR. (Orador não identificado) – O Marcos Valério
esteve...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.PMDB – PR) – Só quero saber sobre a documentação.
O SR. (Orador não identificado) – Isso. Esteve na
Procuradoria-Geral da República ontem, foi ouvido por três Procuradores e
entregou mais de 100 documentos, inclusive vários com recibos de pessoas que
receberam os recursos. Foram todos entregues lá na Procuradoria-Geral da
República ontem, que coincidem com os dados da lista completa que ele entregou.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa lista que
coincide é uma que ele entregou aqui?
O SR. (Orador não identificado) – Sim, senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu teria condições de
ver? Eu não vi ainda. Eu não recebi aqui.
É sempre assim. O mais
exigido é o Relator e é o último que toma conhecimento.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O Relator e o Presidente.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu queria aproveitar
este break para dar uma explicação, porque o Brasil inteiro está
assistindo aos nossos trabalhos. É uma pena porque, agora, não está aqui o
Deputado Pompeo.
Eu queria esclarecer esse
detalhe do computador, porque eu vi muitos fazendo sinal de apoiamento, como se
houvesse uma conduta equivocada dos nossos técnicos.
Quero dizer que os técnicos
estão procedendo segundo o que nós estabelecemos na CPI, que é o quê? Não é
possível alguém estar tabulando no computador e, imediatamente, passar
informações.
Eu queria aproveitar a
presença do Deputado Pompeo para prestar um esclarecimento a propósito da sua
intervenção. Nós, de fato, estabelecemos, na CPI, que haveria um horário em que
toda a documentação seria posta à disposição e os técnicos estariam juntos para
esclarecer o que quisessem.
Agora, quando eles estão
trabalhando, não tem ninguém, nem Presidente, nem Relator, nem o Deputado
Carlos Sampaio, que foi anunciado, que tenha acesso, porque um dos objetivos
nossos foi exatamente produzir e com um detalhe, e justificamos isso na época:
se um Parlamentar vai lá e obtém um dado, neste momento, e daqui a uma hora vai
outro Parlamentar e o obtém, o dado não é mais o mesmo, porque a inserção vai
evoluindo. Aí, poderão dizer: “Não, como que para mim foi dada uma informação e
para outro ela já pode estar cancelada?”
Ontem, um site nacional
disse que um Deputado havia renunciado ao mandato. Eu tenho isso documentado em
meu gabinete. Meia hora depois, não estava mais documentado, o site
retirou.
Enfim, o objetivo não é
restringir nada a ninguém.
Já vou me antecipar, para
não haver intervenção: V. Sª tem todo o direito e nós, com certeza, para
qualquer dúvida que houver, queremos ser abertos e transparentes em relação a
todos.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Relator, dialogo muito rapidamente
com V. Exª só para dizer que eu estive lá e me foi dito exatamente o que V. Exª
me disse. Eu estive lá às 14 horas e 30 minutos ou às 15 horas e me disseram
que só depois das 17 horas. Eu voltei lá às 19 horas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, mas é no horário
específico.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Exatamente, no horário de 17 às 19
horas. Fui exatamente nesse horário. Fui atendido, e bem atendido, pela
assessoria. Na hora de disponibilizar o documento, eles me disseram: “Está bom,
o atendimento foi bom, foi ótimo, só que não posso lhe fornecer, a menos que o
senhor peça ao Deputado Carlos Sampaio”, o que não tem nada a ver. O Deputado
Carlos Sampaio nem ficou sabendo, nem foi localizado.
Quero dizer, Sr. Presidente
que não tenho que pedir para outro Deputado, para que ele arrume para outro
Deputado ganhar não sei o que. É isso o que não pode acontecer. As coisas têm
de ser claras.
O SR. (Orador não
identificado) – Sr. Presidente, nós
estamos na oitiva dos trabalhos.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Muito obrigado.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem, já
entendemos.
O SR. (Orador não
identificado) – Vamos voltar para a
oitiva, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Olha, eu quero, mais uma
vez, lamentar esse rame-rame, conhecido, que já foi longamente debatido, e peço
ao Deputado Osmar Serraglio que V. Exª depois, numa conversa ampla com o Deputado
Pompeo de Mattos, sem hora para terminar, explique tudo que é necessário ao bom
encaminhamento dos trabalhos da CPMI.
Concedo a palavra ao
Relator, Deputado Osmar Serraglio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De qualquer
modo, quero ressalvar que o Relator pode-se manifestar, sim, a qualquer tempo,
segundo o andamento dos trabalhos.
Há uma informação
conflitante nos depoimentos de V. Sª e de Karina e João Cláudio Genu, em
relação ao local onde teria sido procedida a entrega, num hotel em Brasília.
Ambos dizem que V. Sª procedeu à entrega no Hotel Gran Bittar e aí, salvo
engano, V. Sª diz que no Hotel Gran Bittar ou não se hospedou, ou não procedeu
à entrega.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Posso fazer uma
sugestão, Deputado?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – De posse dessa relação
das pessoas que eu fiz a entrega, se a gente fosse passando um a um, eu vou-me
lembrando e dizendo como foi a cada um. E vai chegar no João Cláudio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, mas a pergunta
específica é: V. Sª, alguma vez, esteve no Hotel Gran Bittar e procedeu à
entrega a alguém?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu já me hospedei, uma
vez, no Gran Bittar e não me lembro se lá eu entreguei. Estive em um hotel e
entreguei no hall do Hotel. Estive com o João Carlos Genu no hall
do hotel, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No Gran
Bittar?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei dizer qual o
hotel. Não sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conferiu, junto
com o Marcos Valério, essa documentação que foi apresentada à Procuradoria?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teria condições
de disponibilizar para a CPMI esse acervo de registros que tem no seu sistema
financeiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – No que diz respeito a
esses documentos, a essas anotações, todas foram repassadas para o Marcos
Valério e não tenho mais nada. Eu não tenho anotações que fomos fazendo. Agora,
a contabilidade...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A memória de seus
registros está no computador?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, está lá. Está à
disposição.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª colocaria isso
à disposição da CPMI?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª procedeu
à identificação junto à Polícia Federal, fez uma partilha na averiguação dos
nomes, dizendo, num primeiro momento, aqueles que, com certeza, procedeu à
entrega. Num segundo momento, um rol daqueles de que não se lembraria muito.
Eu pergunto: V. Sª está
lembrando do seu depoimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ao esclarecer essa
listagem, isso é o que o senhor está me perguntando.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se eu vou seguir a
listagem ou não, se V. Sª me permite, eu é que vou entender como vou conduzir o
interrogatório.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Pois não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aí, V. Sª, em seguida,
dá o nome de pessoas às quais nunca teria procedido à entrega. Lembra desse seu
depoimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Lembro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª confirma esses
dados?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Confirmo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais são as pessoas
que sabem dos empréstimos? Falamos antes e vou retomar um pouco.
Quais as pessoas que,
efetivamente, conhecem os empréstimos realizados por Marcos Valério e que, na
verdade, não eram para suprir as necessidades da empresa? Eram para que Partido
ou para que Partidos e, eventualmente, para que políticos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O senhor está-me
perguntando pessoas?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Dos empréstimos.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Da agência?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É. Não, pode ser dos
diretores da empresa e externamente.
V. Sª conhece Delúbio Soares
ou ouviu falar o nome?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Com certeza.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sílvio Pereira?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca esteve lá?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – José Genoino?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – José Dirceu?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esses nomes,em algum
momento,estiveram relacionados a esse empréstimo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Delúbio Soares.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Delúbio Soares.
Foram dois empréstimos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Foram quatro ou cinco.
Tem alguns em nome da SMP&B e alguns em nome da Graffiti.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Da SMP&B foram
dois?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Dois ou três, tem essa
listagem aí.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se não lembra, tudo
bem. É que estamos falando em milhões e a gente estranha que V. Sª não tenha
nem o núcleo dos milhões. Como é que vamos acreditar nos detalhes quando falar
que vem de lá e não aparece o nome de ninguém? Aí, faz uma lista e diz: “Eu dei
esse dinheiro para o fulano de tal”.
Estamos tentando construir
um núcleo para que possamos emprestar o máximo de veracidade e verossimilhança
ao que V. Sª nos diz.
A V. Sª nunca foi mencionado
o nome de quem deveria receber dinheiro em Brasília, a não ser através de
Marcos Valério?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O registro de V. Sª
era um registro financeiro, saída empréstimo do PT, mas, de qualquer modo, a
contabilidade não pode ficar com o caixa de milhões. Como se procedia o
controle na contabilidade? Como é que se dava baixa a esse dinheiro todo que
entrou na conta da SMP&B e da Graffiti?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Entrou como empréstimo
bancário e saiu como empréstimo ao PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas não havia
documento para ser contabilizado.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Essa documentação ou
esse controle é feito no escritório de contabilidade. Não é da minha função
fazer a escrituração contábil.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas estou
tentando... como diretora financeira, qualquer contador fica com essa dúvida:
se, de um lado, temos o ingresso de R$40 milhões, R$50 milhões, o caixa vai
ficar com R$40 milhões, a menos que eu vá jogando documentos ali dentro para
dar...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Os cheques emitidos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas os cheques eram
saque em dinheiro.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, saque em
dinheiro.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Continuam no caixa.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei dizer,
contabilmente, como é isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Saía do banco e ia
para o caixa, é a saída do caixa.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS
– E o cheque emitido.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, talvez V. Sª não
esteja entendendo.
No balanço existem, no setor
disponível, caixa e bancos. Portanto, disponível: dinheiro.
V. Sª, com cheques, tirou
dos bancos e jogou no caixa. Continua disponível e, portanto, ficou pior para a
contabilidade, porque enquanto estivesse no banco, estava perfeitamente
registrado. Fisco nenhum ia incomodar. Agora, quando o Fisco vê que o dinheiro
saiu do banco, milhões no caixa, e não é dada a baixa, a pergunta é simples.
Eu não acredito, porque
seria uma confissão ao Fisco de que a SMP&B estava errada, equivocada.
Portanto, ela teve que dar baixa. V. Sª não sabe se foram notas industriadas,
se foram recibos, enfim, ou transferências para outras empresas do grupo. Como
se deu baixa no Caixa da SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deputado, o que possa
esclarecer a respeito disto é que, a partir de segunda-feira, agora, a Receita
Federal está dentro da agência fazendo toda essa conferência, essa
fiscalização. Aí isso vai se esclarecer. Não sei o que esclarecer, aqui, agora.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca foi solicitado a
V. Sª que procedesse à busca de documentos, enfim, de alguma forma que pudesse
comprovar essa saída desse dinheiro? Nem junto ao PT? O PT, alguma vez, deu
algum recibo que substituísse essa saída de dinheiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não do me
conhecimento. Se houve, foi diretamente entre Marcos Valério com o contador da
empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse contador é de uma
contabilidade terceirizada?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse contador é uma
pessoa que tem um trânsito permanente na empresa ou é um mero registrador?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não. Ocasionalmente
ele está lá, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tomou
conhecimento – embora não seja da SMP&B – da queima de muitos documentos
que estava ocorrendo, tanto é que Parlamentares daqui se dirigiram e
acompanharam o que estava ocorrendo lá em Belo Horizonte?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É. Embora eu estivesse
fora – eu estava viajando – tomei conhecimento sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Soube que documentos
eram e a que se relacionavam?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não. O que eu sei
é o que saiu na imprensa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eram notas de empresas
de todo o tipo. Estou falando isto para que V. Sª entenda que eu tenho que
supor que a única maneira de dar baixa nesse caixa, para não ficar tão elevado,
era esse engenho dessas notas. Isto deve ter ocorrido na DNA e, talvez – e, aí,
V. Sª disse que o fisco vai identificar a partir de segunda-feira – deve ter ocorrido
também na SMP&B.
Há uma questão que está
pendente. Parece que V. Sª já a esclareceu, mas para que a CPI tome
conhecimento. Aquela remessa que se realizou para São Paulo, para Roberto
Marques. Em um primeiro momento, a documentação foi para Roberto Marques e,
depois, uma outra foi para – parece-me que é algo parecido com Mancuso. O que
V. Sª sabe sobre essa remessa? O nome é Mazano – lembra desse episódio?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Tomei conhecimento
disso agora, pela imprensa, dizendo, inclusive, que eu havia afirmado que....
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É, parece que V. Sª
foi inclusive entrevistada – ou não?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Isso é mentira. Eu
nunca conversei com jornalista algum – nem por telefone, nem pessoalmente;
nada.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas o jornalista
atribuiu a V. Sª a entrevista?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E tirou isto a limpo
sobre o fato?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não. Eu não conversei
com jornalista algum a respeito disto.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não em relação ao
jornalista, mas à remessa.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, aí eu fui buscar
o que era isto.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E daí?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Realmente tem uma
autorização que saiu de dentro da SMP&B para Roberto Marques e que no dia
seguinte foi substituído por esse outro nome – Luiz.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Luiz Mazano?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Geisa Dias era a sua
imediata, a gerente financeira?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse controle mais
efetivo da documentação, não só o aspecto financeiro, mas o aspecto contábil,
está mais afeto a ela?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela sabia desses
empréstimos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Sr. Bruno, do Banco
Rural, é em Brasília ou em....
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Em Belo Horizonte.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Belo Horizonte.
Esse episódio relacionado à
busca de dinheiro em espécie acontecia efetivamente? Havia solicitação ao Banco
em Belo Horizonte e o dinheiro carreado em espécie para a agência da SMP&B
para o escritório?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Já aconteceu, sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Fisicamente, V. Sª
lembra de algum transporte desses para nos dar uma dimensão de como ele
ocorria? Em malas, o tamanho de malas, como é que esse dinheiro era
transportado da agência do banco para dentro da SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Através de motoboys
contratados pela empresa.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas
eles punham dentro do quê?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Uma mochila.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma mochila?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É, motoboy...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Houve alguma
circulação de mala de dinheiro dentro da SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, do meu
conhecimento, nunca vi.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece Zilmar
Fernandes da Silveira?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Conheço.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa pessoa mora em
Belo Horizonte? No Rio?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A residência dela eu acredito
que seja em São Paulo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – São Paulo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – ... embora ela já
tenha me dado também, ocasionalmente, um telefone de Brasília.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela é sócia?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A informação que eu
tenho é que ela é sócia do Sr. Duda Mendonça.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do Duda Mendonça.
Alguma vez ela recebeu
dinheiro da SMP&B que, de alguma forma, estivesse relacionado não a ela
especificamente, mas ao grupo Duda Mendonça?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vocês prestavam
serviços ao grupo Duda Mendonça?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eram empréstimos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Era solicitação do Sr.
Delúbio ao Sr. Marcos Valério e ele me pedia que fizesse isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aqui se diz que,
embora por prepostos, a Zilmar Fernandes da Silveira teria retirado, só no ano
de 2003, R$15,5 milhões. Isso aqui é verdadeiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Essa listagem é a que
Marcos Valério elaborou, não é a que eu participei diretamente. Aí eu tenho
essa informação de que foram os R$15 milhões.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quer dizer, isso aqui
V. Sª... e a informação direta da qual V. Sª tem conhecimento o que é que fez?
Fez pagamentos a ela? E quanto somou o pagamento que fez a ela?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O conhecimento que eu
tenho é desse valor aí, dos R$15 milhões. Porque eu diretamente nunca fiz.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Teria, como diretora
financeira, algum esclarecimento de que ligação era essa do Duda Mendonça com o
Marcos Valério para tirar de lá R$15,5 milhões?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A informação que
sempre chegou a mim é de que era acerto de campanha.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Acerto de campanha?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse dinheiro, então,
teria saído do dinheiro emprestado?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Dos empréstimos que a
SMP&B e Grafitti tiveram dos bancos e que emprestamos ao PT. Desses
valores, R$15 milhões fazem parte.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não há nenhuma
conversa em relação à participação de Duda Mendonça como sócio oculto da
SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando daqueles
pagamentos que V. Sª disse que paralisou em 2003, a SMP&B não procedeu mais
em Brasília a pagamentos através de alguma outra pessoa sem ser V. Sª?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não tenho
conhecimento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que é que faz V. Sª
acreditar que os pagamentos feitos a Bônus-Banval sejam destinados ao PT?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Marcos Valério já me
disse isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Foi ele também que
lhe disse que o dinheiro da Garanhuns ia para o Valdemar Costa Neto?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele dava a entender
que o dinheiro todo que ia parar Bônus-Banval ia para o PT, não havia ninguém e
também da Garanhuns era para o Valdemar Costa Neto?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, a informação do
Marcos Valério a mim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe como a Garanhuns
entrou nesse contexto? Como foi escolhida? Como corretora? Havia algum amigo de
alguém?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deputado, não tenho
conhecimento. Eu atendia a solicitação do Marcos que se fizessem depósitos ou
cheques administrativos para Garanhuns.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do Marcos Valério,
empresa SMP&B, fosse quem fosse do grupo, não houve transferência de
recursos para políticos, campanhas, partidos políticos? (Pausa.)
Até agora o que eu estou
estranhando é que os empréstimos é que foram a fonte das transferências
realizadas.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Hum, hum.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só os empréstimos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª leu a versão do
Deputado Roberto Brant?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Na Polícia Federal, em julho agora, no dia 12, a
senhora afirmou que a Eliane Alves Lopes, uma funcionária aqui em Brasília,
acompanhou uma vez ao Banco Rural. Há cinco saques efetuados por ela no valor
de R$450 mil num período de sete meses. V. Sª tem conhecimento da destinação
desse dinheiro, retirado por Eliane Alves Lopes?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, tenho
conhecimento.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A quem seria?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Só para esclarecer:
quando eu disse à Polícia que a Eliane foi uma vez à agência, eles me perguntaram
se eu já fui acompanhada à agência alguma vez. Sim, fui com a Eliane. Nesse dia
ela ficou sentada lá, não fez nada, ela foi apenas me acompanhar, porque a
gente ia almoçar ou fazer alguma coisa. As outras vezes, os outros saques da
Eliane, ela foi sozinha. Eu tenho conhecimento de que uma das vezes ela
entregou para o – a pedido sempre de Marcos Valério –, para o Sr. João Carlos
Genu e para Marcos Valério. E para Marcos Valério também.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para o próprio Marcos
Valério?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim. Provavelmente ele
pediu, porque eu não estava em Brasília, pediu para ela.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – (Pausa.)
Depois vocês vão ficar até a
meia-noite, e eu estou perguntando bem objetivamente ainda.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Até 3 horas da manhã por mim,
Relator.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os técnicos da CPMI
encontraram um cheque administrativo da SMP&B nominal à Garanhuns no valor
de R$78 mil, que foi depositado na conta de Ademar de Barros Filho no Banco
Itaú, agência 445 – agora apareceu um outro de cento e poucos mil. Ao que tudo
indica, o modus operandi da empresa em que a senhora trabalha é
diversificado, pois além dos saques nas agências do banco eram usados cheques
administrativos para repassar recursos.
Como V. Sª fazia esse
controle dos verdadeiros beneficiários, como esse caso da Garanhuns? Como é que
sabe efetivamente a seqüência e a quem esse dinheiro aportava? Qual era o
registro que V. Sª tinha?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O número do cheque. O
número do cheque ou do TED; a destinação era empréstimo PT. Eu não tinha que me
preocupar, porque isso é absolutamente da incumbência de Marcos Valério, a quem
foi. Eu me preocupava, sempre me preocupo sempre com que a minha atuação na
agência esteja preservada do destino dos valores, porque realmente passaram
valores muito significativos pela minha mão. Então, eu sempre me resguardei de
que determinados valores eram solicitados por Marcos Valério. Isso estando
claro, eu não ia adiante, porque aí ele nem me dava essa abertura para isso.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu teria outro
questionamento.
Por meio da Garanhuns, por
exemplo, foram entregues R$120 mil para uma senhora que é isenta de Imposto de
Renda, é uma pessoa de inexpressão econômica; então aparenta ser testa-de-ferro
para saque do dinheiro, e foi por intermédio da Garanhuns. A seqüência da
Garanhus V. Sª não tem?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não. Me passavam
os dados, eu simplesmente fazia o repasse.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora disse que
somente em 2002 o Sr. Marcos Valério solicitou que a senhora – até porque
entrou lá em 2002...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, eu entrei em 99.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Desculpe, então. É
isso mesmo. Mas, em 2002, a informação que V. Sª dá na Polícia é de que lhe foi
solicitado por Marcos Valério que começasse a proceder a um trabalho,
“diferente” do que estava acostumada, e foi quando começou a efetuar os saques.
V. Sª fala que essa conduta diferente era diferente em relação a V. Sª ou era
algo novo na empresa? Em outras palavras, a empresa antes procedia dessa mesma
forma?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Só para retificar.
Quando eu disse à Polícia Federal que era em dezembro, eu quis dizer para o
delegado: “Não, não foi dezembro de 2002, não, foi a partir dos empréstimos”.
Comecei com essa documentação em janeiro. Acredito que o primeiro saque foi em
janeiro ou fevereiro de 2003. Diferente de toda minha rotina, sim. Nunca havia
tido esse tipo de empréstimo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Veja bem esse detalhe
que V. Sª está dizendo: V. Sª começou com esses saques em janeiro e fevereiro
de 2003?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª entende que,
nesse momento, os empréstimos já estavam feitos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Estavam acontecendo.
Estavam acontecendo.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teria como
explicar os valores repassados para SMP&B para tradings? No mesmo
dia 30 de julho de 2004, foram repassados R$1,9 milhões para a By Brasil
Trading Ltda., em Santos, e R$976 mil para Athenas Trading, em Vitória, no Espírito
Santo. V. Sª sabe algo sobre isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não sei.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O somatório entre tradings,
factoring e as corretoras, em seis meses, totalizou R$13 milhões de
repasses, abonos. V. Sª conhece Benoni Nascimento de Moura?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Desculpe-me. Não ouvi.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Benoni Nascimento de
Moura?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Já ouviu falar na
Stone Factoring?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Factoring Express, de
Alexandre V. Castro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Deixarei a lista dos
beneficiados pelos saques aos meus já indóceis companheiros. De qualquer modo,
reservo-me o direito de, na seqüência, eventualmente, prosseguir com algum
outro questionamento.
Sr. Presidente, devolvo-lhe
a palavra.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Em alguns minutos a
palavra estará com a Senadora Heloísa Helena.
(Pausa.)
Peço aos Srs. Parlamentares
que tomem os seus lugares, por favor.
A palavra está com a
Senadora Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu já disse várias vezes que eu não
tenho problema de falar no meio da feira nem no meio de menino gritando, eu
falo e tudo bem. Só solicito a V. Exª que peça para pelo menos as pessoas
sentarem, não para mim, mas pelo depoimento e pelas pessoas que nos ouvem. Porque
sou acostumada a falar com gente gritando, não tem problema algum. E ajustar
meu tempo para eu começar a falar, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria que fossem
ajustados os 15 minutos, por favor, assessoria técnica.
Com a palavra a Senadora
Heloísa Helena por 15 minutos.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, Sr. Relator, membros
da Comissão Parlamentar de Inquérito. Srª Simone, logo no início da reunião,
discutiu-se aqui até que havia um apelo, não sei se de V. Sª ou se do advogado,
no sentido da possibilidade de reunião secreta. Às vezes porque as pessoas se
sentem mais à vontade, às vezes porque a exposição pública não agrada, cria
problemas com a família, com a pessoa, mas muitos de nós aqui dizíamos que seria
impossível fazer uma reunião secreta, não porque isso pudesse significar criar
mais problemas para a senhora. Não. Não que quiséssemos criar mais
constrangimentos. Não por isso. Mas porque, como, perante a opinião pública,
seria a senhora uma das pessoas que estavam a disponibilizar nomes e pagar a
determinados Parlamentares, isso poderia até criar na sociedade uma suspeita de
que se queria uma reunião secreta para evitar que alguém pudesse ser
constrangido em ser citado por V. Sª como receptor do esquema sujo, claramente
sujo, que nos envergonha a todos e envergonha o País.
Sou muito tentada,
especialmente quando é uma mulher, ou quando é alguém que não era chefe, não
estava chefiando, não estava fazendo as grandes articulações desse esquema
monstruoso que foi montado, sempre sou muito tentada à calmaria, ao mecanismo
de proteção.
Claro que quando a senhora
aí sentou, em todas as respostas ao Relator a senhora se mostrou – para todas
as pessoas o comentário era esse, o comentário dos e-mails é esse também
– a senhora se comportou de forma fria, arrogante, em relação aos
questionamentos do Relator. Claro que isso pode ser um mecanismo de defesa.
Lógico que a pessoa pode ser fria, arrogante, ou estar tão tranqüila em relação
ao que estava fazendo, ou pode ser um mecanismo de defesa, ou pode ser cansaço,
mas eu sei que sabe a senhora – sabemos todos nós – que a senhora pode até
estar cansada de ter repetido essas mesmas perguntas na Polícia Federal, no
Ministério Público; nós também estamos cansados, às vezes ouvimos um depoimento
num dia, outro diferente na Polícia Federal, outro diferente no Ministério
Público, agora tenha certeza de que mais cansado do que todos nós nesta sala
está a grande maioria do povo brasileiro, de ver a banalização da promiscuidade
entre o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, empresários que agiram em
conluio com esse esquema.
Porque tenho certeza, Srª
Simone, de que a senhora ou a sua família, ou conversando em casa, tenho
certeza de que, se a senhora estivesse assistindo a todo esse cenário, V. Sª
estaria profundamente indignada. Pode estar até indignada de acabar sendo
envolvida em algo que não usufruiu pessoalmente. Porque até agora não foi
demonstrado nada que a senhora tenha usufruído pessoalmente para enriquecimento
pessoal. Mas a senhora está sendo parte desse esquema monstruoso que foi
montado.
Olha, quando lemos os
depoimentos que foram prestados pelas personalidades envolvidas ou acompanhamos
as ações do jornalismo investigativo, é algo desprezível, porque o que passa na
cabeça de qualquer pessoa honesta, de qualquer pessoa séria, é que era dinheiro
público que estava envolvido. Ninguém jamais poderia pensar, primeiro porque
empresário não faz caridade; banqueiro não faz caridade; essa gente não faz
filantropia, pode até fazer “pilantropia”; filantropia, jamais. Então, imagine
o quadro em todos os depoimentos que estão sendo prestados.
A senhora estava na agência,
em um dos depoimentos, não sei se confirma mais uma vez, o senhor Marcos
Valério ligava para a senhora, perguntava qual a cor da blusa que a senhora
estava. Então, o receptor do dinheiro ia até a senhora pela blusa que a senhora
estava, uma pessoa desconhecida, que não poderia ser reconhecida, e pegaria o
dinheiro – em valises, em sacolas, em malas ou em carro-forte. O carro-forte,
conforme a senhora disse, por três vezes, no depoimento inicial, providenciou o
dinheiro que fosse ou em carro-forte, ou ia para o hotel, entregava ao Sr.
Marcos Valério que, por sua vez, entregava a quem ele queria. Parecia que eu estava
vendo aquela história do Ali Babá e os 40 ladrões, que a senha era “Abre-te,
Sésamo!”. O receptor do dinheiro chegava para o gerente – não foi a senhora que
disse isso, foi o gerente que testemunhou – e dizia: eu vim buscar a encomenda.
Não precisava mostrar documento, aliás, nem precisava mostrar documento,
Senador Jefferson, que teve uma hora em que um gerente deu um dinheiro errado.
Era para dar 50 e deu 200 ao outro. Só sendo coisa de suborno, de chantagem, de
dinheiro público envolvido, porque ninguém deixa que seu dinheiro pessoal,
fruto do seu trabalho, mesmo que seja fruto das relações de exploração de
trabalho num mundo capitalista, ninguém deixaria tanto favorecimento. Então tem
que ter suborno, chantagem, dinheiro público sendo distribuído para partido,
para gangues partidárias, para parlamentares, para quem quer que seja.
E o que é mais grave – já
está comprovado, só não vê quem não quer – é que houve mensalão. A senhora pode
não saber para que era o dinheiro, mas só não vê quem não quer. Tem que ser
vigarista ou profundamente ignorante para dizer que não tinha mensalão. Porque
o parlamentar recebia pelo quê? Pelos belos olhos de quem? Se alguém recebia,
se a gangue partidária ou parlamentar recebia era para prestar um bom serviço,
se era um bom serviço numa votação importante para o Palácio do Planalto; mas
isso já está absolutamente configurado.
O que a senhora pode nos
ajudar muito, porque tenho certeza, a senhora é uma mulher competente,
claramente, foi servidora pública, depois resolveu, pela licença sem
vencimento, ir para a iniciativa privada, é uma pessoa competente, uma pessoa
preparada, então que nos ajude. Não adianta. Aqui ninguém é escravo de ninguém.
Só da nossa própria consciência. A escravidão não serve a nada. A escravidão nas
pirâmides do Egito, sabe o que ela fazia? Eu nunca vi as pirâmides do Egito,
estudei por curiosidade matemática, era uma coisa maravilhosa. Os escravos dos
faraós eram enterrados nas proximidades sabe para quê? Para que eles
continuassem espiritualmente sendo escravos como eram ainda na sua passagem
terrestre. Então sei que a senhora não é escrava e espero que não seja, nem do
Marcos Valério, nem de Delúbio, nem de ninguém, porque a história mostra isso,
sempre sobra para o lado mais fraco, sempre sobra para o elo mais fraco desse
esquema. Quero que a senhora nos possibilite entender algumas coisas que a
senhora providenciou.
Sei que o Relator questionou
sobre os contratos com o BMG e o Banco Rural, que a senhora providenciou os
documentos e que a senhora disse também que presenciou a negociação do Sr.
Marcos Valério com o Sr. Delúbio sobre os contratos relacionados ao PT. O que
eles diziam, quais os documentos, como entrou o contrato da Eletronorte, os
contratos dos Correios?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deputada, quando
solicitei que ...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não tem problema.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Pois é, eu não sou do
mundo político mesmo. Quando solicitei ao Dr. Marcelo que fosse em reunião
fechada, foi absolutamente para preservar e um pedido da minha família também.
Sou apenas uma profissional, não sou do mundo político. Foi só por causa disso,
sim. As informações que vou tentar esclarecer ao máximo seriam as mesmas se
fosse uma sessão fechada. O meu objetivo aqui é esclarecer, sim, até porque
estou no meio disso tudo por circunstâncias mesmo. Sou uma profissional. Tenho
o maior orgulho da profissional que sou. Antes que me perguntem, os meus filhos
têm o maior orgulho de mim. Talvez isso passe arrogância, porque tenho a
segurança da profissional que sou, da minha honestidade também e dos meus atos.
Quando digo que, em 2003,
fiz esses repasses, primeiramente, não tinha a dimensão disso tudo que está
acontecendo. Não me arrependo porque sou muito grata ao meu emprego, ao Marcos
Valério, que me deu oportunidade de trabalhar lá e também possibilidade de um
crescimento profissional fantástico e de reconhecimento profissional. Então,
quando comecei a ficar muito incomodada por estar entregando valores a pessoas
e até correndo... Eu me sentia muito incomodada por estar ali entregando
valores e por ser identificada como uma pessoa que estava passando valores.
Isso tudo mudou. Não estou dizendo que me arrependo de nada, só estou dizendo
que o que fiz foi por determinação do meu patrão.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas se a senhora tinha idéia da
origem...
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – A origem eu
afirmo...
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – A facilidade, o problema do
empréstimo, depois a contabilidade, viraria quase gestão temerária, porque era
muito dinheiro que estava sendo disponibilizado. Havia mecanismos de
compensação? A senhora discutia: “Olha, vamos ter problema de caixa. É muito
dinheiro que está saindo”. Ou ele dizia que havia compensações, que ele estava
bem, que existiam vários contratos.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Pois é,
Senadora. Essa realmente foi uma situação extra na agência. Quando eu
participei... A senhora disse que eu participei de negociação de empréstimo.
Não. Sou apenas... Participei da parte burocrática, que é buscar os documentos,
porque os bancos exigem contrato social da empresa, referências comerciais,
referências bancárias, documentação pessoal dos diretores, etc.
Sei que esses empréstimos
foram de negociação de Marcos Valério com Delúbio. Nunca presenciei conversa
deles e, sim, informação de Marcos Valério para mim.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Então, houve um problema no seu
depoimento, porque a senhora disse que somente presenciou negociações para
tratar desses empréstimos realizados entre Marcos Valério e Delúbio Soares. A
senhora afirmou no seu depoimento. Então, houve um problema.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Então, essa
interpretação está incorreta. Eu nunca estive com Marcos Valério e Delúbio
pessoalmente tratando desse assunto.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Quando a senhora disse que a partir
de... A senhora disse que, a partir de 2004, por decisão do Sr. Marcos Valério,
começou a realizar depósitos na empresa Bônus Banval de valores que seriam
destinados ao PT e a efetuar transferências e depósitos para a conta da
Garanhuns Empreendimentos. Segundo Marcos Valério, os valores transferidos para
a Garanhuns seriam destinados ao Deputado Federal Valdemar Costa Neto. Ou seja,
a senhora disse que, até 2003, participava da distribuição em espécie e, em
2004, passou a fazer transferências para a asseguradora Bônus Banval para o
dinheiro ir para o PT e para a Garanhuns para o dinheiro ir para o Sr. Valdemar.
Esse foi o depoimento. A senhora confirma?
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – Sim. Quando
digo que parei, eu pessoalmente de ir ao banco, assinar um documento e entregar
em espécie às pessoas. Isso parou. Parei de participar disso. Realmente me senti
muito incomodada. Mas, durante o ano de 2004, Marcos Valério me solicitava:
“Deposite para tal empresa ou deposite para tal empresa”. Eu providenciava a
elaboração dos cheques e assim fazia.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Ele não fazia nenhum comentário com a
senhora de que todo esse dinheiro gigantesco... porque é muito dinheiro.
A SRa SIMONE
REIS LOBO VASCONCELOS – É muito
dinheiro.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – É algo
impressionante. Se é muito dinheiro para uma Casa política e para pessoas que
são acostumadas a fazer procedimentos investigatórios, imagine o significado
disso para a grande maioria do povo brasileiro, que fica mais nervoso ainda ao
ver essa dinheirama sendo saqueada, e ninguém acredita que não tenha relação
com os cofres públicos. Então, quando a senhora discutiu... Vou dar um exemplo
de um contrato, porque, infelizmente, é preciso ser rápido por causa do tempo.
Vou citar um contrato em que foi dado, como garantia, o contrato dos Correios.
Em um dos supostos empréstimos, foi dado como garantia o contrato dos Correios.
O Sr. Marcos Valério,
certamente com o acompanhamento da senhora, encaminhou ao gestor administrativo
do contrato nos Correios que o recurso deveria ser depositado na conta do BMG.
Esse recurso não foi depositado. Em algum momento, o Banco ou o Sr. Marcos
Valério levantou alguma questão sobre esse assunto? Eram empréstimos que
estavam sendo feitos, de fato, sem garantia. No contrato em que estava sendo
apresentado como garantia, a garantia era depositar o dinheiro do contrato dos
Correios na conta do Sr. Marcos Valério no BMG. O dinheiro nunca foi depositado
– pelo contrário, foi para outro banco. Em algum momento, ele discutia quais os
mecanismos de compensação? Como o Banco tratava essa questão? Nunca foi discutido
nada disso, se havia um contrato, se haveria compensações, se as situações
seriam resolvidas, se financeiramente a empresa teria sobrevida, mesmo tirando
milhões a serem destinados aleatoriamente a Parlamentares ou a gangues
partidárias?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Senadora, para a minha
surpresa, a conta dos Correios era garantidora de empréstimo. Não sei disso.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Os documentos que a Senhora
providenciou, então, dos contratos...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concluindo, Senadora
Heloísa Helena.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Estou concluindo absolutamente. Mas é
importante que, depois, ela possa dizer-nos – já estou reinscrita – quais os
documentos providenciados por ela pelos contratos.
Se a senhora, honestamente,
está nos dizendo que nem sabe qual a garantia que foi dada, e a garantia que o
Sr. Marcos Valério nos encaminhou, afirmando que era o contrato dos Correios,
que nem aconteceu, isso passa a ser um fato extremamente relevante. Portanto,
reinscrevo-me.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao
Senador Demóstenes Torres pelo prazo de 15 minutos. Solicito à assessoria
técnica que proceda ao ajuste do cronômetro.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srªs e Srs.
Parlamentares, senhora depoente e advogados, pergunto à senhora o seguinte: a
senhora afirmou que, segundo informações que obteve, o dinheiro repassado aos
emissários de Duda Mendonça foi para pagar despesas de campanha. Está correto?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu ouvi dizer isso.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Então, pergunto à Senhora: como o
primeiro pagamento aconteceu no dia 24 de fevereiro de 2003 – há uma série de
pagamentos, todos do ano de 2003 (em 16 de abril de 2003, R$6 milhões; de 23 de
abril a 28 de maio, mais R$4 milhões, e assim por diante) –, esse dinheiro
entregue a Duda Mendonça foi para pagar a campanha do Presidente Lula?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei dizer isso.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Porque, em 2002, o Duda fazia a campanha
do Lula.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei dizer isso ao
senhor.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O Delúbio disse aqui que esse dinheiro
que ele obteve de empréstimos era para pagar campanha do PT estadual, ou
seja... Mas, pelo que tudo indica e pelos dados que V. Sª entregou, na
realidade, esses recursos eram para pagar a campanha do Presidente Lula.
As informações que V. Sª
obteve estão nessa direção?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Os pagamentos feitos e
informados, feitos pela Srª Zilmar, estão na listagem de Marcos Valério. Eu
respondo por essa listagem em que estive presente.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, mas V. Sª entregou essa listagem.
Então, V. Sª afiança e diz que ouviu dizer que era para pagar despesa de
campanha. Ora, despesa de campanha em 24 de fevereiro de 2003 só pode ser para
o Presidente da República.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei a finalidade.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito bem. Pergunto à senhora se vários
empréstimos foram feitos, não é verdade? Foram cinco empréstimos e um na
operação “mata-mata”, ou seja, para pagar o primeiro empréstimo. Na realidade,
foram quatro empréstimos com os recursos distribuídos.
Esse dinheiro era,
naturalmente, guardado no banco. Mas que tipo de aplicação se fazia com esses
recursos oriundos do empréstimo? A senhora era agente financeira.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Logo que os valores
entravam na conta, Marcos Valério me passava as ordens de como seriam
distribuídos.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas parece-me que isso não confere. Veja
só: foram quatro datas em que os empréstimos foram tomados. Não é verdade? No
entanto, a quebra do sigilo bancário mostra que os recursos foram repassados
durante 26 meses a partir de fevereiro de 2003. Então, aí não confere com a
informação que a senhora está dando. Se ele mandava repassar, a senhora, então,
não repassou. Eu quero saber o seguinte: esse dinheiro ficou em que tipo de
aplicação no banco? É isso que quero saber.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Na conta da SMPB.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sem aplicação? Na conta normal?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, talvez tenha sido
aplicado, sim. Ninguém deixa o dinheiro parado.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Não, mas a senhora é a responsável por
isso. Por isso estou perguntando. A senhora é a responsável pelo setor
financeiro.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não vou saber dizer
qual a aplicação que é. A melhor que o gerente financeiro, o gerente do banco
talvez indicasse.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora não sabe dizer isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Isso não é... Não sei,
não.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Para mim, é importante. Isso, para mim,
é muito importante, tanto é que é uma outra pergunta que eu iria fazer-lhe. É
muito esquisito o fato de que era para pagar dívida de campanha. Não era isso?
O recurso não era para pagar dívida de campanha? Não é o que a senhora sabia?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O tempo todo, Marcos
Valério sempre me disse isto: campanhas políticas.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Era pagar, não é?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. Só que os recursos também foram
tomados quatro vezes, completamente fora de temporada da campanha e repassados
em 26 meses. Não era um mensalão? Mensalmente, repassavam-se esses recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não tenho
conhecimento disso.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora é quem tem conhecimento,
porque a senhora é que entregava os recursos. Eu tenho que perguntar à senhora:
a senhora não repassava, mensalmente, os recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. Pela própria agenda que a senhora
distribuiu, a senhora, mensalmente, repassava...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu distribuía em cima
de determinação de Marcos Valério.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. Eu não estou dizendo...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Se era mensal, se era
bimestral, se era trimestral...
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Chegava até a ser diário. Podia até ser
chamado de “diarão”, porque chegava a ser diário. Eu perguntaria à senhora...
No 11º andar do mesmo prédio onde está o Banco Rural, tem uma sala conhecida
como sala do mensalão. No 11º andar do Banco Rural! Eu perguntaria à senhora: a
senhora já esteve lá, alguma vez, no 11º andar?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É a primeira vez que
eu ouço dizer sobre isso.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito bem, eu quero saber se a senhora
esteve no 11º andar.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Nunca!
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Nunca. O.K. Veja só, eu perguntaria à
senhora também o seguinte: agora, no mês de junho, foi feita uma publicação
interessante. A Revista Propaganda, endereçada ao público especializado,
traz aqui uma série de notícias, dizendo sobre as maravilhas da empresa SMPB, e
vem dizendo que, a partir de 1990, com a virada do foco da empresa, com a
qualidade criativa, a empresa cresceu muito. Tanto é que passou de R$51,9
milhões de faturamento em 1999 para R$197,7 milhões em 2004.
Muito bem! Agora, o que mais
estranha é que a empresa faz a propaganda e diz que os grandes clientes eram,
na realidade, o Governo de Minas, os Correios, a Câmara dos Deputados, etc. No
entanto, a maior movimentação financeira vem justamente das empresas privadas.
E aqui V. Sª teve muita dificuldade para inclusive se lembrar. Para se lembrar
da Usiminas foi uma dificuldade! A senhora se lembra da movimentação relativa
aos governos. Então, perguntaria a V. Sª – e nós temos condições de fazer esse
acompanhamento em relação a plano de mídia, ao que foi publicado, etc: a
senhora se lembra de alguma campanha que foi feita para a Usiminas, uma
campanha publicitária? A senhora pode descrever essa campanha que foi feita
para a Usiminas?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não posso
descrever, porque eu não sou do ramo publicitário.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, mas a senhora também faz a
administração.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A Usiminas é um
cliente e, ao longo do ano, foram feitas várias campanhas.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas a senhora tem uma participação tão
íntima na empresa que chega a distribuir recurso. Eu perguntaria: a senhora tem
como dizer se a Cosipa é cliente da empresa?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, sim!
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O Banco Ford é cliente da empresa?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, já foi.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A Telemig é cliente da empresa?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A Teleamazônia é cliente da empresa.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É do grupo, né, da
Telemig. Eu acho que é do grupo.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. E, independentemente disso, a
senhora não tem notícia de qualquer campanha que tenha sido realizada.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Campanhas
publicitárias, sim. Se eles estão na agência é porque têm campanhas
publicitárias.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – E a senhora se lembra de alguma
campanha?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ah, não s... Como
assim? Propagandas.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Não, não se lembra, não é?
Eu perguntaria à senhora o seguinte: esses
recursos... Diga-me o seguinte: essas empresas repassaram... porque, veja só,
temos só no Banco do Brasil, segundo o Coaf, R$500 milhões em recursos não
contabilizados, ou melhor, recursos contabilizados, mas sem origem.
Essas empresas não estariam fazendo... porque a
Usiminas já reconheceu que, pelo menos, o Sr. Marcos Valério depôs aqui que
teve dinheiro para a campanha de alguém.
Essas empresas não se utilizariam da empresa que a
senhora trabalha para fazer doação não contabilizada de campanha, o chamado
caixa dois?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não
tenho conhecimento disso, e Banco do Brasil é da DNA.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito
bem. E em relação ao Banco Rural?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O
Banco Rural é cliente nosso.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim,
a senhora tem conhecimento de que algum desses...porque também no Banco Rural
tem recursos sem origem expressivos. Então, perguntaria: essas empresas
poderiam utilizar-se da empresa em que a senhora trabalha para fazer doação de
caixa dois?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não
que eu tenha conhecimento.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Eu
perguntaria à senhora a respeito do Sr. Rogério Lanza Tolentino. Ele
freqüentava a empresa em que a senhora trabalhava. Ele freqüentava Marcos
Valério?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O.K.
A senhora tem conhecimento dessa transação em que a ex-esposa do Deputado José
Dirceu vendeu um apartamento para esse Deputado? A senhora teve conhecimento
antes do publicado?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
Fiquei sabendo agora, Senador.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim.
Eu perguntaria à senhora também: a senhora foi
exonerada do Governo quando?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu
pedi licença em dezembro de 98, fiquei de licença por dois anos, e permite-se
que essa licença seja renovada por mais dois anos. Solicitei a renovação e
consegui. Ao terminar esses quatros anos...
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora pediu demissão ou foi exonerada por abandono de emprego?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não,
eu deixei. Eu fui deixando a minha situação lá...
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Foi
exonerada por abandono de emprego.
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – ...e
aí foi aberto um processo administrativo por abandono.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) –
Quanto a senhora ganha hoje por mês na empresa em que a senhora trabalha?
A SRª
SIMONE VASCONCELOS – Treze mil.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora recebe alguma participação além disso da empresa?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora recebeu por esses trabalhos que veio prestar em Brasília?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora é inimiga da Srª Fernanda Karina Somaggio?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas
eu lhe perguntaria: ela disse que, a partir de 2003, a senhora começou a
apresentar um padrão de vida diferenciado. Essa informação confere?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. (Fora
do microfone. Inaudível.) que maldade.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Eu
perguntaria também à senhora: a senhora tem conhecimento de que outros sócios
de Marcos Valério também distribuíam dinheiro?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora não tem conhecimento disso?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora sabe se, porventura, foram feitas remessas ilegais de dinheiro para o
exterior utilizando a empresa Beacon Hill?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora trabalha no setor financeiro de lá, não é?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No
setor financeiro.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito
bem.
Eu perguntaria à senhora o seguinte: a empresa em que
a senhora trabalha ela faz consultoria?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS –
Eventualmente, acredito que sim. Na área de marketing. Aí, não é comigo.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim,
mas a senhora poderia dizer... Os clientes a senhora conhece bem?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Quais
os clientes para quem a empresa em que a senhora trabalha fez consultoria?
Porque, na realidade, empresa de publicidade vende produtos, não é verdade?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não,
planejamentos estratégicos, planejamentos.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora pode enumerar?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu
poderia tentar lembrar aqui, sim.
Em toda fatura, vem o descritivo do serviço feito.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) –
Perfeito.
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Há um
número enorme de faturas emitidas diariamente no setor de faturamentos, e o
senhor há de entender que não é a minha atividade estar ali. Isso vem da área
de publicidade e vai para o faturamento.
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Mas a
senhora se lembrou muito bem de algumas empresas que mencionei à senhora.
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dos
clientes eu tenho conhecimento. Dos clientes, eu tenho conhecimento. Agora, o
conteúdo de cada fatura de cada cliente, isso é um volume enorme, Senador.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A
senhora se lembra de pelo menos cinco? É um volume enorme. A senhora se lembra
de cinco empresas para as quais a empresa da senhora prestou consultoria?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS –
Consultoria? Não, não vou arriscar dizer porque não sei de cabeça.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – É um
volume imenso como a senhora mesma disse.
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS –
Volume imenso de trabalho.
O SR. DEMÓSTENES
TORRES (PFL – GO) – Perfeito e,
portanto, de consultorias também. Acredito eu, não? Ou a empresa não presta
consultoria como disse aqui o Sr. Marcos Valério?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS –
Presta, presta serviço, sim.
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas a
senhora não se lembra de nenhum cliente, não é verdade?
Eu perguntaria à senhora o seguinte: a senhora
conhece o Dr. Marcelo Leonardo desde quando?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS –
Agora, nessa...
O SR.
DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim,
a senhora sabe se ele é procurador da Assembléia Legislativa do Estado de Minas
Gerais?
A SRª
SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Não sabe? E a senhora sabe se a
Assembléia Legislativa é um dos
clientes da empresa da senhora?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito bem. Pergunto a senhora o seguinte: a
revista Veja tem gravada, segundo o repórter com quem
conversei, uma entrevista que informa que o Sr. Bob Marques era realmente o
assessor do Sr. José Dirceu. A senhora não fez essa declaração à revista, a
senhora diz...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nunca
conversei com jornalista algum.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Certo. Esse Bob Marques, quem foi que o indicou
para receber o dinheiro? Porque o documento saiu, ainda que ele possa não ter
recebido o dinheiro.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não sei
dizer se ele recebeu algum valor ou não.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, não estou dizendo que ele recebeu, mas
quem o indicou para receber? Porque a senhora é quem fazia os repasses, não era
isso?Ou pelo menos de documentação, TED, DOC, o que fosse.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Todas as
solicitações sempre foram feitas por Marcos Valério para mim...
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora não se lembra...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não me
lembro de ter Roberto Marques.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora já esteve no 14º andar do Gran
Bittar, aqui em Brasília?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – No 14º andar. Não, a senhora disse que
esteve somente no hall.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não sei
todos os hotéis em que já fiquei aqui em Brasília. Já fiquei em inúmeros
hotéis. Se já me hospedei no 14º andar?
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora conhece alguém chamado Ricardo
Machado?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Conheço.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O que esse senhor faz para a senhora? Quais
os serviços que ele presta para a senhora?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Serviço
para mim nenhum.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora conhece ele como? A senhora
conhece uma mulher que se chama Jane, aqui em Brasília?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Jane, não.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Uma cafetina. A senhora conhece uma
cafetina, aqui em Brasília, que se chama Jane?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – E que, por
informações, teria encontrado com a senhora no 14º andar do Gran Bittar. A
senhora está sob compromisso. Isso não incrimina a senhora...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu estou
dizendo que eu não tenho noção disso que o senhor está falando.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Estou-lhe perguntando. É verdade ou é
mentira?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, o
senhor está dizendo. Não.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora se encontrou com a Srª Jane para
fazer pagamentos para ela no 14º andar do Hotel Grand Bittar? É uma pergunta
que estou fazendo à senhora.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Estou satisfeito. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT– MS) – Com a palavra o Senador Alvaro Dias.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. Presidente, Srs. Congressistas, senhora depoente, constatamos uma
evolução impressionante desde 1º de julho a 1º de agosto. Em 1º de julho, houve
um depoimento e, no dia 12 de julho, outro depoimento, em que a senhora chegou
a declarar que não compareceu a qualquer agência bancária em Brasília com a
finalidade de realizar saques de espécie alguma. Sugeriu que a existência de
tais saques na movimentação bancária da empresa se destinavam a pagamentos de
cachês de artistas. A senhora, no dia 1º de agosto, faz um depoimento
totalmente diferente, com uma mudança radical, agora, sim, contribuindo
efetivamente. Creio ter sido o primeiro depoimento com muito de verdade. Isso
nos anima a indagar, na esperança de que a senhora possa acrescentar aqui novas
verdades. É tão importante esse depoimento que a senhora prestou no dia 1º de
agosto que esse documento, com a sua assinatura, é uma prova documental que
permite a esta Comissão Parlamentar de Inquérito indiciar pessoas. E vou além,
se o Sr. Presidente e o Sr. Relator desejarem, podemos antecipar procedimentos
e encaminhar à Mesa da Câmara dos Deputados, para instauração de processo de
cassação de mandatos parlamentares, antecipando-nos à estratégia da renúncia
para a preservação dos direitos políticos.
Veja,
Srª Simone, como foi importante esse depoimento em que se disse um pouco da
verdade toda. Já que nesse depoimento, além de citar as pessoas que sacavam na
boca do caixa, que recebiam das suas mãos, há citação das pessoas que recebiam,
ao final, esses recursos, ou seja, as pessoas beneficiadas nesse processo de
desonestidade.
Temos
aqui um cronograma do repasse. Há um desdobramento com a documentação bancária, que é prova consistente.
Portanto, temos elementos de prova, até para antecipar um procedimento de
encaminhar à Mesa da Câmara dos Deputados para uma eventual cassação de
mandatos.
Tenho a esperança de que a
senhora possa nos revelar mais. Afinal, disse que não se arrepende de ter
participado desse projeto, disse que não imaginava a sua dimensão. Mas,
certamente, hoje concorda, com todo o País indignado, que não foi um exemplo de
procedimento, não foi o procedimento que possamos denominar de correto, de
honesto, de dignidade e de decência, porque, no mínimo, guarda uma relação
muito estreita com operações espúrias, operações desonestas; uma relação
incrível de intimidade, de informalidade das agências do Sr. Marcos Valério com
o Banco Rural, que admitiu realizar operações no mínimo estranhas, inclusive
com liberação de recursos a pessoas por equívoco –o ex-tesoureiro admitiu ter
repassado R$200 mil para a pessoa errada. Enfim, isso revela uma associação
espúria das agências, e a senhora participava como diretora financeira. E o
Banco Rural, que admitia essa modalidade de atividade, no mínimo espúria, que
está a merecer uma investigação rigorosa do Banco Central.
Eu indago se, depois de
refletir durante esses dias, a senhora realmente continua a afirmar que não
conhecia uma participação política de maior abrangência nesse projeto. A
senhora só fez referência ao Delúbio Soares. A senhora não teria mesmo
conhecimento de outros nomes da política, do Governo, dos partidos? Até porque
é impossível alguém manter tanta discrição. O Sr. Marcos Valério pode ser o
homem mais discreto do mundo, mas certamente ele satisfaria a sua curiosidade
por estar participando dessa engenharia. Então, dou mais essa oportunidade à
senhora. Não se trata de uma delação premiada, não. Estamos aqui apenas
solicitando a sua contribuição para que as investigações cheguem a um bom
termo. E a senhora está como testemunha. Então, não a estamos ouvindo como
investigada.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Senador, o meu
objetivo aqui é realmente esclarecer aquilo que eu sei. Não vou inventar, não
vou inventar realmente. A única pessoa que sei, envolvida nisso tudo, é o Sr.
Delúbio Soares.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E o Silvio Pereira?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu nunca estive com o Silvio Pereira.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas não sabe da participação dele? Além
do Delúbio Soares, Silvio Pereira...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, Silvio Pereira, sim.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Ele sabia dessas operações?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sabia dos repasses.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – José Genoino?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei. Não sei.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mesmo o irmão recebendo, ele não tinha
conhecimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não posso dizer que eu saiba disso. Eu não sei
disso.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não, é porque... Está no documento
assinado que o irmão do Deputado José Genoino recebia.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Assinado por Marcos Valério?
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exatamente.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Hum, hum.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora...
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Assinado por Marcos Valério, Senador.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O José Dirceu?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nunca ouvi.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora não teve conhecimento da
reunião dele em determinado hotel de Belo Horizonte com dirigentes do Banco
Rural para tratar desses empréstimos?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Senador, não estou aqui tão preocupada em ficar
falando que fiz isso ou fiz aquilo ou ... Na realidade, a agência são dois
andares. Eu ocupo o sétimo andar, onde a gente brinca, que é chamado de porão,
porque a parte administrativa da agência, a diretoria e os sócios ficam no
oitavo andar, onde as coisas acontecem. E quero salientar que Marcos Valério
pouco fica na agência, ou ficava na agência. Não sei dos passos de Marcos
Valério, e nem ele me daria satisfação. Sou uma funcionária dele de confiança.
Apenas.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Como diretora financeira, certamente,
a senhora terá mais informações a fornecer sobre essas operações de natureza
financeira.
O Relator já indagou sobre recursos depositados, via Guaranhuns, em nome
de terceiros. Ele não citou o nome de Edna Maria Ricci. A senhora conhece a Srª
Edna Maria, que recebeu R$400 mil em nome de uma empresa de nome TecMontagem
Construções Ltda?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É estranho que uma agência de
publicidade repasse recursos para uma empresa dessa natureza, que é uma empresa
de construção. Parece-me que essa pessoa é isenta de declarar imposto de renda,
portanto, não deve ser uma empreiteira de obras; deve ser uma pessoa utilizada.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Volto a dizer que todos os depósitos foram sempre
determinados por Marcos Valério e que eu sei que quem passava a ele os nomes
era o Sr. Delúbio Soares.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O Senador Demóstenes Torres já indagou
se a senhora conhece movimentação no exterior. É evidente que nós já
apresentamos uma documentação aqui relativamente a remessas para o exterior.
Isso tudo passa pela diretoria financeira da empresa. O Sr. Marcos Valério
informou que se tratava de pagamento de fornecedores. Em parte, sim; em parte,
não.
Indago da senhora se
realmente não conhecia essa movimentação com exterior.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em 1999, a Receita esteve na agência fazendo uma
fiscalização em cima dessas remessas e foi comprovado e se fechou a
fiscalização de que foi pagamento a fornecedores. Foi a única vez que ouvi
falar de remessa, de pagamento no exterior.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a senhora conhece Action Group, no
exterior, que recebeu mais de US$600 mil das empresas do Sr. Marcos Valério, através da Beacon Hill?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não conhece?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora declarou que repassou
recursos para Guaranhuns e que esses recursos seriam destinados ao Presidente
do PL, Valdemar da Costa Neto. Essa foi a afirmação documentada. Como se vê,
não apenas o Presidente do PL recebia recursos da Guaranhuns remetidos pelas
agências do Sr. Marcos Valério. Eu indago: a senhora conhece a proprietária da
Guaranhuns, que tem sede em Montevidéu, da empresa Export Trading?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não conhece.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A relação onde consta a Guaranhuns é a relação de
Marcos Valério não é a minha.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exato. Eu sei disso.
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu sei por Marcos Valério que os recursos
depositados na Guaranhuns eram destinados ao Deputado Valdemar. É apenas o que
eu sei.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a senhora não conhece remessa de
recursos para a sede da empresa em Montevidéu?
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pois eu quero, Sr. Presidente, já que
um depoimento oferece a oportunidade da indagação e também da denúncia, eu
quero fazer uma denúncia: nós localizamos o destino de recursos repassados a
Guaranhuns, bastante distantes da sede do PL no Brasil.
Estou apresentando os
documentos que revelam evasão de divisas no repasse, em apenas duas
oportunidade, de US$1,1milhão. É evidente que nós localizamos apenas o
documento equivalente a esse repasse. Certamente será muito mais do que isso. E
os dois repasses, um no dia 04 de junho de 2003, através do MTB Bank, que
também foi interditado, teve as suas atividades encerradas pelo governo
americano em função da ilegalidade das operações que efetuava. E o outro,
Beacon Hill, que também, remessa anterior, não atua mais em função das
irregularidades identificadas. Essa conta está na agência do Banco do Estado do
Rio Grande do Sul nas Ilhas Cayman. É a conta de nº 36011473. Portanto, os
recursos saíam da Guaranhuns, no Brasil; caíam numa conta de nome “tchelo”, em
Montevidéu, no Uruguai; passaram, numa das oportunidades, pelo MTB Bank e, na
outra, pela financeira Beacon Hill; e chegavam a esta conta na agência do
Banrisul em Grand Cayman.
Por isso, Sr. Presidente, estou encaminhando um requerimento – o Sr.
Relator deve ter o maior interesse nisso – para que se solicite ao Banrisul – é
um banco brasileiro que tem uma agência no exterior e, portanto, é obrigado a
se orientar pelas normas legais do País – o encaminhamento a esta CPMI de todas
as informações financeiras, assim como cadastro referente à empresa Export
Trading, que possui conta nesse banco, na agência das Ilhas Cayman. Creio serem
fundamentais essas informações. Devemos aprovar o requerimento amanhã, Sr.
Relator, Sr. Presidente, para que essa providência ocorra urgentemente.
Nós constatamos, inclusive, o retorno de um milhão de dólares,
exatamente no dia 11 de novembro de 2002, naquele período decisivo da campanha
eleitoral, a pós-campanha eleitoral. Um milhão de dólares retornando, também de
forma irregular, fazendo o caminho reverso, por meio dos doleiros, e chegando
ao Brasil. É, portanto, Sr. Presidente, imprescindível que se faça isso.
Quero ainda, nos meus
segundos restantes, fazer uma indagação. Já que parte desses recursos foram
encaminhados à campanha eleitoral, indago à Srª Simone se ela, em algum
momento, orientou políticos de diretórios regionais a não prestarem contas
desses recursos recebidos supostamente para a campanha eleitoral?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora não orientou?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Nem nunca estive com
políticos.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não? Há informações de que teria
orientado, mas, evidentemente, até prova em contrário, temos de ficar com a sua
palavra aqui.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Senador Alvaro
Dias. A Mesa solicita que V. Exª encaminhe a documentação em seu poder,
relativa à denúncia apresentada.
Com a palavra a Senadora
Ideli Salvatti por quinze minutos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, eu queria fazer uma
pergunta à Srª Simone. Quando foi questionada a respeito dos principais
clientes da SMP&B, a senhora teve dificuldade de lembrar – isso já foi dito
pelo Senador Demóstenes Torres. Ontem, no depoimento na Comissão de Ética,
apareceu um assunto que está na pauta hoje, que é a questão das tratativas do
Sr. Marcos Valério com a Portugal Telecom. Segundo as declarações do Sr. Marcos
Valério, ele foi a Portugal para tratar da venda do controle acionário do Grupo
Opportunity na Telemig Celular para a Portugal Telecom. Então, a primeira
pergunta que eu gostaria de fazer à senhora é: a senhora teve conhecimento
dessa viagem?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele viajou para Portugal, viagem
internacional, e a senhora, como diretora financeira, não providenciou nada,
nem passagem?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não teve nada disso.
A senhora sabe se o Sr.
Marcos Valério presta algum outro tipo de serviço? Veja bem: ir a Portugal,
numa tratativa de compra de controle acionário com a Portugal Telecom, em nome
da Telemig Celular, pressupõe uma relação de muita proximidade com os donos da
Telemig. A senhora sabe de outras relações do Sr. Marcos Valério com os
proprietários da Telemig?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não tem conhecimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Isso nunca circulou? A Telemig... Se a
senhora fizesse um ranking a respeito dos clientes da agência do Sr.
Marcos Valério, em que situação ela estaria? Primeiro, segundo, terceiro,
quarto, qual é a ordem de importância?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Em termos de
recebimento? A importância aí é o quê? Valor?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Importância, faturamento, entrada de
dinheiro.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Valor?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – À Telemig celular, um
valor não muito significativo.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não muito significativo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu acho estranho porque, nos dados que
temos aqui, não é tão pequeno assim. Os dados são significativos.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A senhora está dizendo
da Telemig celular?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Telemig Celular e Amazônia Celular.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Desde quando a Telemig Celular e
Amazônia Celular são clientes?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não sabe.
Eu queria agora pergunta à
senhora: no depoimento, havia uma lista que a senhora apresentou e uma outra
lista, a que está nos jornais hoje, com 31 nomes. E, segundo cópia que recebemos,
está assinada pelo Sr. Marcos Valério. É uma lista de 12 da senhora...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Doze é a minha.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E 31 do Marcos Valério. Esses que a
senhora listou, todos a senhora comprova que receberam? A senhora tem, além do
seu testemunho, prova documental de que receberam?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Documento assinado por
eles?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. Algo que seja além da sua palavra.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não tem. E, na lista do Sr. Marcos
Valério, a senhora tem conhecimento de que ele tem prova documental?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Marcos Valério
protocolou, ontem, na Procuradoria ou entregou à Procuradoria, ontem, mais de
cem documentos. Pode ser que vários aí estejam...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pode ser que sim. A senhora não sabe nem
teve conhecimento. Porque a senhora disse, no depoimento, que montou essa lista
a partir de anotações, de cheques, de faxes...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A partir da listagem
de Marcos Valério.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A partir da listagem de Marcos Valério.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A partir da listagem
dele.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, ele lhe deu ciência de uma parte,
mas não de todas.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sentamos juntos...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não de todas.
No seu depoimento também, a
senhora colocou, em vários momentos do depoimento, que lhe foram apresentados
documentos com anotações. A senhora alguns reconheceu e outros, não. Que tipo
de documentos eram esses que lhe foram apresentados?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Na Polícia Federal?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na Polícia Federal, nesse depoimento da
segunda-feira.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Os que eu não
reconheci eram documentos com anotações no verso. Uma letra lá que eu não
reconheceria. Nomes, telefone...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Algumas a senhora reconheceu?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Algumas como minha
letra. Outros, eu não me conheci. Não eram minhas anotações.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr Presidente, quero já requerer que
possamos ter acesso a todos os documentos que foram apresentados a Srª Simone
no depoimento, para que possamos ter a confirmação ou não, até porque passarão
a ser provas documentais daquilo que ela alega que encaminhou em termos de
recebimento.
A outra pergunta que eu
queria fazer: no seu segundo depoimento, também na Polícia Federal, na
segunda-feira, a senhora disse que, só no final de 2002, início de 2003, passou
a fazer esse trabalho estranho de sacar e de repassar em dinheiro ou de
autorizar saques em dinheiro nas agências do Banco Rural. Foi só no final de
2002 que a senhora recebeu essa...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Quando eu falei 2002,
eu me enganei e solicitei ao delegado que corrigisse. É 2003. Foi a partir dos
empréstimos. Eu não tinha quando esses empréstimos aconteceram. Depois disso eu
já verifiquei, foi em janeiro e fevereiro de 2003.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas é interessante, porque os documentos
que temos aqui o Banco Rural está organizando. Inclusive, vieram estranhamente
organizados os de 2003, 2004 e 2005, uma parte, e os do período de 2000, 2001 e
2002 vieram profundamente desorganizados. Agora, essa equipe que está aqui diz
que essa prática já remonta há 2000, pelo menos essa parte que temos, que é o
controle de transações em espécie.
Portanto, essa modalidade de
sacar na boca do caixa era um procedimento da SMP&B no Banco Rural, no
mínimo, desde 2000. Então, quem o fazia? Se não era a senhora, quem fazia esse
procedimento antes de ter sido pedido a senhora?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Valores altos...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sim, valores altos.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A partir de 2003.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas pergunto a senhora quem fazia antes,
porque a senhora estava na SMP&B antes. A senhora era a diretora
financeira, portanto, um procedimento de saque na boca do caixa poderia não ter
sido solicitado à senhora, mas a documentação que temos aqui já comprova que
eram feitos. Quem os fazia?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Se a essa época houve
saques, os cheques eram entregues aos diretores e, provavelmente, eles
solicitaram que alguém retirasse esses valores. Ocasionalmente...
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas a senhora confirma que essas
transações, o controle de transações em espécie... A senhora, sendo diretora
financeira... Efetivamente isso acontecia em 2001, em 2002?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Claro que pode ter
acontecido, mas em valores bem menores do que esses a partir de 2003.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não são tão menores assim, são
significativos.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Aí eu não tenho
conhecimento, não sei dizer.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora, diretora financeira, não
tinha conhecimento de transação em espécie, em valores significativos, em dois
mil e...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu teria que pegar
essa documentação para me lembrar.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A outra questão que eu queria fazer à
senhora parte de um questionamento do Relator que acabou não indo até o final,
quero retomá-lo.
A senhora disse, em sua declaração
à Polícia Federal, que: “Seguindo a orientação de Zilmar Fernandes da Silveira,
a SMP&B autorizava o Banco Rural a entregar a David Rodrigues Alves os
valores referentes a cheques que emitia; que não sabe dizer por quais motivos
Zilmar Fernandes da Silveira não recebia tais valores em seu próprio nome; que
os cheques destinados a Zilmar Fernandes da Silveira eram emitidos nominalmente
à SMP&B e endossados pela mesma”.
O David, segundo o
depoimento que prestou, só sacou em Belo Horizonte. Diz, inclusive, que sacava
e entregava para o outro sócio da empresa, o Cristiano. Em nenhum momento, em
seu depoimento, fala da Zilmar. A senhora mesma disse que Zilmar, pelo seu
conhecimento, é de São Paulo ou, talvez, de Brasília. A senhora pode me
explicar como é que o David sacava em Belo Horizonte e esse dinheiro ia parar
com a Zilmar, em São Paulo ou em Brasília?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei, Senadora. Na
agência ele não entregava esses valores.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não é pelo menos estranho que a senhora
declare com tanta convicção que era a Zilmar que pedia para que fosse entregue
ao David, quando não é confirmado no depoimento dele? O depoimento dele dá
outra destinação ao dinheiro que ele sacava. Há, ainda, uma distância geográfica
que exigiria transporte em espécie.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Parece-me que o Davi
estará aqui hoje.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Estará.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não sei.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas é a senhora que deve esclarecer por
que a senhora disse que foi orientação da Zilmar. A senhora disse isso de forma
categórica.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Pela numeração dos
cheques que o David descontou... Marcos me informou que eram cheques destinados
à Zilmar.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ah, Marcos informou. Então, é a palavra
do Marcos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É a palavra do Marcos. A palavra do
David é outra?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É outra.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É palavra contra palavra. Essa é que é a
informação....
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Comprovação de que o
David entrou na agência, como já falei anteriormente, poderíamos ter no prédio.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Está bom.
A outra questão que quero
esclarecer é: a SMP&B está localizada exatamente onde em Belo Horizonte?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O endereço?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O endereço.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Rua dos Inconfidentes
1190, sétimo e oitavo andares.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – De quem é esse imóvel? É alugado?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É alugado.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Desde quando?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Foi bem antes de eu
entrar na agência. Deve ter uns dez anos que a agência funciona lá.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quem é o proprietário do imóvel?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Enquanto estávamos lá,
esse imóvel passou por uma venda. Tenho que tentar lembrar o nome. Vou lembrar.
Para quem a gente paga o aluguel, não é isso?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. Para quem a senhora paga o aluguel.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Tive um branco. Espere
aí. Tenho que me lembrar. Petrus. Tem alguma coisa que era Petrus e mudou para
um outro dono. Nossa, não sei. Não me lembro.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, quero requerer que
possamos ter acesso à informação de quem é o dono do imóvel onde está instalada
a empresa.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É o prédio inteiro.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É o prédio inteiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O prédio inteiro é de
um mesmo dono.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Isso. Então, que nós possamos ter acesso
a essa informação.
A senhora conhece o Sr.
Ricardo Sérgio de Oliveira?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ricardo?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sérgio de Oliveira.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não conhece.
A outra pergunta que faço à
senhora tem a ver com a sua história. A senhora disse que foi funcionária
pública, durante muitos anos, no Governo do Estado de Minas Gerais...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Concursada, ocupou alguns postos de
confiança e tal.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Antes de a senhora trabalhar no Governo
do Estado de Minas Gerais, onde é que a senhora trabalhou? Onde é que a senhora
já trabalhou antes?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Onde eu já trabalhei?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Antes do Estado, eu
trabalhava num clube de Minas Gerais chamado Minas Tênis Clube na área de
recursos humanos.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Minas Tênis Clube.
Então os únicos lugares onde
a senhora trabalhou....
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, anteriormente,
logo que eu me formei, eu trabalhei numa clínica, sempre na área
administrativa.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na Companhia de Processamento de Dados
de Minas Gerais a senhora não trabalhou?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Quando eu fui admitida
no Estado, porque eu fui concursada... Durante o meu período, a minha estada no
Estado, houve um concurso, e eu fiz, mas à época da minha entrada, eu era
celetista, era um regime celetista, era contratação direta. A minha primeira
contratação foi pela Prodemge.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela Prodemge. A senhora trabalhou na
Prodemge. Em que ano foi isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – 85, acho que foi em
85.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Em 86, então, a senhora trabalhou lá.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Já estava lá.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já.
A questão do Cláudio Mourão:
como é que a senhora o conheceu? Quando e como conheceu o Sr. Cláudio Mourão?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu conheci o Sr.
Cláudio Mourão no Governo, foi no ano de....Foi quando ele assumiu a Secretaria
de Administração, no governo do Governador Eduardo Azeredo. Ele era Secretário.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E era presidente da Prodemge quando a
senhora trabalhou lá também, não é?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não sei.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não sabe.
Quando foi mesmo que a
senhor conheceu Cláudio Mourão?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deixa eu pensar aqui.
O ano que eles entraram?
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. O que eu queria mesmo....
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Espera aí, eu te falo.
Espera aí, eu te falo! Foi em... Quando eu entrei, era o Governo Hélio Garcia;
depois, teve o Governo Newton Cardoso – eu não lembro se foi nessa ordem –;
depois, foi o Governador Eduardo Azeredo.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sim, mas eu perguntei especificamente do
Cláudio Mourão.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O Cláudio Mourão eu
conheci quando ele assumiu a Secretaria de Administração.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Da Secretaria de Administração. E foi o
Sr. Cláudio Mourão que apresentou a senhora ao Marcos Valério – está no seu depoimento.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Isso.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quando aconteceu essa apresentação?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Abril de 99.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Abril de 99.
A senhora só foi apresentada
ao Sr. Marcos Valério quando a senhora entrou na SMP&B?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Levada pelo Cláudio
Mourão, para me apresentar a um empresário que poderia me oferecer ou me
indicar uma oportunidade de emprego, porque eu estava licenciada.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas a SMP&B já trabalhava com o
Governo de Minas...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Depois eu vim a saber.
Até então, eu nunca tinha ouvido falar em SMP&B.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então a relação do Sr. Cláudio Mourão com
o Marcos Valério era por conta do trabalho que a empresa SMP&B fazia para o
Governo do Estado?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deve ser. Eu vim saber
de SMP&B em abril de 99.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Tá.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli,
conclua, porque o tempo já se esgotou.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já vou concluir.
E o Sr. Clésio Andrado?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não conheço.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não conhece. Não teve relações...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu quero-me reinscrever, Sr. Presidente,
porque ficaram várias questões pendentes.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o,
Deputado ACM Neto.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr.
Presidente, Sr. Relator, Srs. Parlamentares, Srª Simone.
Minha primeira pergunta, Srª
Simone, é a seguinte...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu pediria, por favor,
silêncio.
Deputado ACM Neto com a
palavra.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Agradeço, Sr. Presidente.
A senhora tem se mostrado
aqui uma pessoa muito firme, de respostas diretas, com uma personalidade
bastante, eu diria, consistente.
Como diretora financeira de
uma empresa do porte da SMP&B, a senhora, evidentemente, adquiriu
experiência na concessão de créditos ou não-concessão de créditos, de
pagamentos enfim. Eu lhe perguntaria, e gostaria que a senhora respondesse com
essa mesma firmeza e sinceridade que a senhora tem demonstrado até aqui, o
seguinte. Se a senhora fosse diretora financeira do Banco Rural ou do BMG, a
senhora teria concedido os empréstimos que essas duas instituições bancárias
concederam ao Sr. Marcos Valério nos moldes que foram dados e com as garantias
que foram oferecidas?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deputado, os senhores
estão me atribuindo uma importância que eu não tenho.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora se julgou uma profissional excelente, muito competente e que se orgulha
disso.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, dentro das
minhas atribuições e da minha capacidade de trabalho. Talvez, se eu tivesse as
garantias que, provavelmente, a agência teve dos bancos, fizesse sim. Eu não
posso julgar isso, eu não participei disso. Eu não sei.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu
perguntaria à senhora o seguinte. Quando é que o Sr. Marcos Valério contou à
senhora que a origem de todos esses recursos eram empréstimos com instituições
financeiras?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ele não
precisou me contar Deputado, a coisa foi acontecendo de me pedir
documentação... O banco já me ligando, por quê? Preciso de tal documento, de
tal documento e isso e aquilo. E eu fui tomando pé da situação, sabendo que eram
empréstimos bancários.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então,
a senhora participou...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Da parte
burocrática.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ...das
tratativas com os dois bancos, se é que houve de fato os empréstimos, para que
eles fossem realizados.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, toda a
parte burocrática dos empréstimos sim.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu
queria explicar a minha pergunta. Vejam vocês: o Sr. Marcos Valério, com o Sr.
Delúbio Soares, com o Sr. Silvio Pereira e com alguns outros membros do Partido
dos Trabalhadores até hoje pretendem sustentar que a origem de todos esses
recursos está nos empréstimos bancários. E nós sabemos, todo o Brasil sabe, que
não foi assim. Nós sabemos da real origem desses recursos.
O mais interessante, Dona
Simone, é que as contas não batem. O Sr. Delúbio e o Sr. Marcos Valério
disseram ao País que os empréstimos giravam em torno de R$ 39 milhões. Feita
uma soma a partir de um documento apresentado pelo Sr. Marcos Valério à
Procuradoria-Geral da República, percebe-se – até mesmo na soma oferecida por
ele a este Órgão – que o total geral dos empréstimos é de R$ 55.841.227,81. Por
quê? Porque essa é a soma de todos os recursos que foram sacados das contas do
Sr. Marcos Valério. Portanto, nós temos aqui uma diferença de, nada mais nada
menos, do que exatos R$ 16 milhões para a versão original.
Mas quando pegamos a soma
dos quatro empréstimos realizados – um pela Grafite Participações junto ao BMG,
no dia 28 de janeiro de 2004; um pela Rogério Tolentino, no dia 26/04/04, no
próprio BMG; outro da Grafite no Banco Rural e, por fim, um da SMP&B junto
ao Banco Rural –, a conta aproximada é de R$ 53,9 milhões. Mais uma vez, não
fecha.
Então, está claro que nós
vamos ter que nos dedicar agora, Sr. Presidente e Sr. Relator, a tentar
descobrir a origem de todos esses recursos. Nós temos de saber de onde veio
todo esse dinheiro que foi movimentado pelo Sr. Marcos Valério. Eu vejo que
esta Comissão, muitas vezes, se preocupa com o destino. Nós precisamos saber do
destino, sim, claro que precisamos, até para desvendar de uma vez por todas os
beneficiários do famoso “mensalão”, mas eu acho que nós temos agora que
investir o nosso tempo, o nosso esforço e o nosso trabalho para descobrir a
origem. E a senhora veja, a senhora que tem experiência na área de finanças,
que as contas infelizmente não batem.
Srª Simone, por que a
senhora se equivocou quando disse que as orientações iniciais do Sr. Marcos
Valério teriam remontado ao ano de 2002? Qual foi o porquê do equivoco? Foi um
lapso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deputado, essa
situação toda é muito nova para mim. De repente, a minha vida deu uma guinada,
estive já três vezes na Polícia Federal, agora estou aqui. Talvez para os
senhores seja algo muito corriqueiro e simples, mas isso para mim tem sido uma
situação muito constrangedora. Claro que me equivoquei, a forma de
questionamento na Polícia Federal é uma coisa... Eu me equivoquei.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Srª
Simone, nós não temos este trabalho como um trabalho corriqueiro do Congresso
Nacional. Estamos vivendo...
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –
MS) – A Presidência pede silêncio, por favor.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu me referi à
publicidade.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Nós estamos vivendo um momento excepcional das nossas vidas, e muito importante
por sinal.
Quando a senhora declarou à
Polícia Federal que esses saques remontariam ao final de 2002, nos pareceu
haver uma relação muito direta, muito próxima mesmo, com o pagamento de débitos
da campanha presidencial do então candidato à Presidência da República, o Sr.
Luiz Inácio Lula da Silva. E nos pareceu verídica aquela afirmação da senhora à
Polícia Federal por quê? Porque ela reforçaria a tese de que os recursos não
vieram dos empréstimos. Afinal de contas, os empréstimos só começaram a
acontecer a partir do ano de 2003 e, então, a origem teria que ser outra. Mas
se a senhora disse que se equivocou, somente as investigações poderão nos fazer
chegar a uma conclusão precisa.
Eu questionaria ainda o
seguinte. A senhora declarou à Polícia Federal ter se encontrado com o Sr.
Delúbio Soares uma única vez. Esse encontro teria acontecido na sede do PT.
Procede?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Isso.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito
bem. Por que razão V. Sª foi à sede do PT?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Marcos Valério me
chamou para que fôssemos à São Paulo. Fui ao PT, e ele me manteve sentada numa
copa que há lá na sede. Foi isso.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Então, a senhora não participou do encontro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Da reunião, não. Ele
me apresentou ao Sr. Delúbio Soares e eu fiquei sentada na copa.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ou
seja, a senhora não tem a menor idéia do que foi discutido nessa reunião entre
o Sr. Marcos Valério e o Sr. Delúbio?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não sei.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora, que participou da formatação burocrática da suposta operação de
empréstimo, dessa vez foi excluída?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Burocracia de pegar
documentos, tirar xerox, mandar contrato, trabalho absolutamente...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas
dessa vez o Sr. Marcos Valério preferiu deixar a senhora de fora?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Esse trabalho de
elaboração da papelada, dentro da própria agência, lá na minha sala...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas eu
questiono, Srª Simone, sobre a oportunidade em que a senhora esteve na sede do
PT.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não estive com o
Sr. Delúbio Soares presenciando conversa nenhuma entre os dois.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Muito bem.
O Sr. Marcos Valério afirmou
ao Procurador-Geral da República, afirmação essa que foi aqui endossada pela
Srª Renilda de Souza, esposa dele, que a garantia dada a essas operações feitas
com o Partido dos Trabalhadores foi o conhecimento do então Ministro-Chefe da
Casa Civil, José Dirceu, e do então Secretário do Partido dos Trabalhadores,
Sr. Silvio Pereira, ou seja os dois conheciam exatamente os detalhes da
operação e esse era o elemento garantidor, assegurador, de que, em qualquer
eventualidade, as obrigações seriam cumpridas.
Então, eu perguntaria à
senhora: em nenhum momento o Sr. Marcos Valério fez esse mesmo comentário à
senhora?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ele não
fez?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, eu nunca ouvi
nada a respeito disso.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Em
nenhum momento o Sr. Marcos Valério fez qualquer referência a membros do
Governo ou a membros do Partidos dos Trabalhadores que tivessem conhecimento
dessa transação?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V.
Sª declarou à Polícia Federal desconhecer a pessoa que teria determinado que
Geisa Dias, gerente financeira da SMP&B – portanto, suponho eu, subordinada
a V. Sª –, encaminhasse um fax ao Banco Rural para autorizar o pagamento de 50
mil reais ao Sr. Roberto Marques para um saque em São Paulo.
No entanto, nos causa
estranheza que a diretora financeira de uma empresa desconheça a natureza de
uma informação como essa. Por quê? Eu quero apenas deixar as coisas muito
claras. A Srª Geisa teria dado autorização para que o Sr. Roberto Marques...
Nós não sabemos quem é esse senhor, eu não estou aqui afirmando que é o
assessor não-oficial do Deputado José Dirceu, não estou fazendo essa afirmação,
nós não temos elementos para isso, mas enfim, há um Roberto Marques que foi
autorizado pela Srª Geisa a fazer um saque de R$50 mil.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Um-hum.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ela,
gerente financeira da SMP&B, subordinada a V. Sª, e esse saque, essa
autorização, V. Sª desconhecia?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Com certeza, se Geisa
mandou esse fax para o Banco Rural, foi a pedido meu ou de Marcos Valério. Ela
não tem autonomia para fazer isso. Se ela pediu, foi porque eu ou o Marcos
Valério assim determinamos. Se eu pedi, foi por determinação de Marcos Valério,
e se o destinatário, no dia seguinte, como está aí comprovado na documentação,
foi mudado, também foi por determinação de Marcos Valério, que deve ter
recebido orientação, provavelmente, do Sr. Delúbio.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas
então existe um fato concreto?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Existe.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Houve
uma autorização do Sr. Marcos Valério, que pode ter ou não passado pela
senhora...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, porque eu não me
lembro.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ... para
que um cidadão de nome Roberto Marques pudesse sacar R$50 mil das contas da
SMP&B.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –
Esse é um fato.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, é fato.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A dúvida
é, óbvio, se o Roberto Marques a que se faz referência é aquele funcionário da
Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
V. Sª relatou que, abro
aspas, “em duas ou três oportunidades, sacou os valores na agência Brasília do
Banco Rural e levou o numerário para Marcos Valério, que estava aguardando no
rol de entrada do hotel Blue Tree Towers”.
Eu perguntaria: a senhora
sabe qual foi o somatório desses saques que a senhora levou ao Sr. Marcos
Valério no Blue Tree?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Cento e cinqüenta.
Foram três vezes de R$50 mil.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora levou...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Duas vezes no Blue
Tree e uma vez eu me encontrei com ele ali embaixo mesmo, no shopping.
Eu permaneci no shopping e entreguei para ele.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Qual é a
peculiaridade que fez com que, nessas oportunidades, nessas duas oportunidades,
a senhora levasse a ele, pessoalmente, os recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ordem dele para mim.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito
bem, mas, diante da ordem, que informações adicionais o Sr. Marcos Valério deu
à senhora? Ele, por acaso, disse à senhora qual seria o destino daqueles
recursos que a senhora estaria levando para ele?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – De forma alguma.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora sabe quem ele iria encontrar depois?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não. Não.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito
bem.
Eu me surpreendi com a
Senadora Ideli Salvatti – uma pena que ela não esteja mais aqui –, porque ela
quis, no dia de hoje, desacreditar o Sr. Marcos Valério, e, no entanto, toda a
estratégia de defesa do PT está calcada na fé na palavra do Sr. Marcos Valério.
Só que o que acontece? Os membros do Partido dos Trabalhadores e do Governo dão
fé e confiança ao Sr. Marcos Valério quando convém, quando aquilo que o Marcos
Valério diz interessa ao PT, ao Governo. E por que estou dizendo isso? Porque o
Sr. Marcos Valério afirmou, categoricamente, que todos os saques feitos pelo
Sr. David Rodrigues Alves tinham como destino o empresário Duda Mendonça. Muito
bem. A Senadora Ideli quis desacreditar essa afirmação do Sr. Marcos Valério.
A senhora – eu queria que
fosse bem clara, direta –, pelo que viveu dentro das empresas, a senhora acha
que o Sr. Marcos Valério está dizendo a verdade quando diz que todos esses
recursos movimentados pelo Sr. David Rodrigues Alves tinham como destino final
as empresas do Sr. Duda Mendonça?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sim.
Então, nós não temos por que ter qualquer dúvida sobre essa afirmação do Sr.
Marcos Valério.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – É isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito
bem.
Eu aí perguntaria à senhora:
a senhora afirmou à Polícia Federal que, abro aspas, “seguia orientação da Srª
Zilmar Fernandes da Silveira”.
Suponho eu que essa
declaração foi dada quando a senhora foi questionada sobre como deveriam ser
entregues os recursos da Srª Zilmar. É isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Como era
esse contato da senhora com a Srª Zilmar?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Em algumas oportunidades,
conversamos por telefone – ela me ligando, perguntando quando mandaria ou se o
Marcos já havia passado para mim alguma ordem ou não –, e eu sempre solicitava
a ela que conversasse com o Marcos Valério, porque eu só fazia depósitos ou
repasses com determinação de Marcos Valério.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então a
Srª Zilmar não teve sequer oportunidade de conversar com a senhora sobre qual
seria o destino desses R$15 milhões e 500 mil que foram repassados às empresas
do empresário Duda Mendonça?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deixe-me ver se eu
entendi: se ela já me disse alguma vez?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se
alguma vez...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ... as
senhoras conversaram sobre isso...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Se ela já me disse
alguma vez?
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se
alguma vez as senhoras conversaram sobre isso.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, não.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora, pelo menos por suposição...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A Srª Zilmar é uma
empresária, não vai conversar comigo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A
senhora, pelo menos por suposição, em algum momento poderia cogitar aqui qual
seria a aplicação desses recursos? Qual seria o destino desses recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O destino...
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Dos
quinze milhões?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Zilmar Fernandes.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não. Da
aplicação dos recursos. Para que foram transferidos os quinze milhões? Somente
campanha eleitoral?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto,
concluindo.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Vou
concluir, Sr. Presidente.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Só o que eu ouvi de
Marcos Valério.
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Somente
isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Só
O SR. ANTONIO CARLOS
MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – No
entanto, pode ter havido uma outra destinação que a senhora não ouviu.
Sr. Presidente, vou me
reinscrever, respeitando o tempo que V. Exª nos determina, fazendo uma última
afirmação: acho que de todas as pessoas que vieram aqui a Srª Simone foi a que
mais disse a verdade. De todas as pessoas que estão envolvidas, direta ou
indiretamente, com o Sr. Marcos Valério, ela quem mais trouxe informações
esclarecedoras. Talvez pelo momento em que está se dando o depoimento dela.
Talvez por aquilo que havia dito no início: tem a personalidade forte, tem o
hábito de ser sincera. E aí faria um último apelo: que ao longo do dia de hoje
a senhora pudesse nos dar mais informações sobre tudo isso que aconteceu,
porque, quem sabe, a partir do seu depoimento, as nossas investigações vão
tomar um rumo diferente, chegando ao destino certo, para desvendar todo esse
esquema que foi montado no Brasil.
Muito obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado
Welinton Fagundes.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Sr. Presidente, gostaria de voltar a
insistir, fazendo um apelo, sobre o Requerimento que fiz, o de nº 588, para que
amanhã pudéssemos apreciar, porque esta CPI tem avançado muito, inclusive em
outras áreas. A proposta inicial da CPI se deu para investigar as causas e
conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos
nos Correios. E claro ficou com o nome fantasia de CPI dos Correios. Como todos
sabemos, essa é uma empresa que orgulha o Brasil, nos orgulha, a maior
empregadora do Brasil, são 108 mil funcionários. Tenho recebido e-mails,
telefonemas de inúmeros funcionários dos Correios no sentido de transmitir a
preocupação da preservação da imagem dessa empresa, que é uma empresa pública
brasileira.
Portanto, volto a reiterar e
espero que possamos aprovar esse requerimento, propondo que seja mudado pelo
menos os documentos da CPI para CPI dos contratos públicos, ou outro nome que a
Comissão entender que convenha.
Gostaria de perguntar a Srª
Simone o que lhe motivou a sair do seu trabalho, que já estava há 15 anos, para
ir trabalhar numa empresa de natureza privada, já que trabalhou durante 15 anos
em uma empresa pública.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É, a Secretaria de
Administração não é bem uma empresa pública, né? É administração direta.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – De caráter público. Mas o que motivou
isso é o que interessa.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – As atividades, quando
você começa um projeto no Governo, muda o Governo, e eu vivi isso, a passagem
de pelo menos três governos, você está ali com um projeto técnico, que você
acredita, que você se debruçou em cima daquele projeto ali, e o Governo muda, e
quando o governo é de outro partido, aqueles trabalhos são absolutamente
engavetados. Senti muita frustração em relação a vários trabalhos que
participei. A minha área sempre foi cargos e salários.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quanto a senhora ganhava antes?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – No Governo?
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – É.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O máximo que ganhei
acho que chegou a R$6 mil.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – R$6 mil
A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS
– Quando eu pedi licença, fiquei
três meses procurando emprego.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Ah, então, a senhora não tinha uma
definição...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, foi uma...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – ... quando a senhora resolveu sair do
Governo.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – ... foi uma decisão
difícil, conversada com meus familiares de que eu não queria mais ficar no
serviço público, porque gostaria de tentar uma oportunidade em empresa privada,
até por causa do meu perfil de trabalho.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando o Sr. Cláudio Roberto a indicou ou
a apresentou para o Sr. Marcos Valério, quais foram os seus argumentos para
convencê-lo de que a senhora tinha o perfil que ele precisava para a empresa?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O meu currículo de
trabalho, e o fato de eu ter ocupado um cargo em comissão no Estado. Os dois
últimos anos em que estive no Estado, ocupei um cargo que era ligado
diretamente ao secretário. Eu só fui promovida a esse cargo nos dois últimos
anos de Governo, porque vários funcionários...
Esse é um cargo que poderia ser de nomeação... de recrutamento amplo.
Vinham pessoas de fora e ficavam ali no cargo e eu, de carreira, ali atendendo.
Chegou a um ponto que o Dr. Cláudio Mourão, quando saiu a pessoa, me nomeou e
começamos a ter uma relação mais próxima.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – O fato de a senhora ter participado com o
Dr. Cláudio em campanhas passadas... a senhora administrou financeiramente
alguma campanha passada? E isso facilitou a sua...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, eu nunca
participei de campanha na área financeira. Sempre foi na área de recursos
humanos. Uma única vez na minha vida...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Junto com o Sr. Cláudio, quando ele foi
coordenador da campanha do Sr. Azeredo.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim, eu fiquei dois
meses auxiliando na área de recursos humanos, e foi quando, inclusive, tivemos
uma aproximação maior e daí a recomendação dele, em abril, para conseguir esse
emprego.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora falou que não é do mundo
político. O que a senhora entende por mundo político, na ação profissional? O
que a senhora entende como mundo político, já que a senhora era ligada a uma
pessoa que está acabando de dizer, o Sr. Cláudio, que a indicou por já ter
trabalhado com ele, inclusive em campanha política?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Mas o meu trabalho
sempre foi técnico, Deputado, na área técnica e nunca na área política.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E quando a senhora esteve junto com o Sr.
Cláudio na campanha teve conhecimento de financiamento da campanha, a senhora
conhecia como era essa tratativa na campanha passada, repasse de recursos da
empresa SMP&B para a campanha do atual Senador Azeredo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, nunca tive
conhecimento disso...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Porque ele admitiu ontem que houve caixa
dois na campanha, inclusive com recursos dessa empresa. A senhora participou da
campanha e não teve conhecimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu fiquei no comitê da
área de recursos humanos e nunca lidei com dinheiro, com empréstimos. Eu nunca
tinha ouvido falar na agência SMP&B. Fui ouvir em abril, quando o Dr.
Cláudio Mourão me levou.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora trabalhando na campanha, quem
coordenava? Era o Sr. Cláudio Mourão?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – O Dr. Cláudio Mourão
coordenava vários comitês da área administrativa financeira. Um dos comitês era
de pessoal, ver quem queria trabalhar, pegar o nome, essa atividade...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando veio o primeiro pedido do Sr.
Marcos Valério para que a senhora pudesse fazer o primeiro trabalho que
diferenciava da sua ação principal do que foi contratada? Quando foi isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Fevereiro de 2003.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Houve incremento no seu salário para
poder fazer isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora começou na empresa ganhando
quanto?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu iniciei com R$3,5
mil. Eu não entrei como diretora. Eu fui galgando essa posição com o
tempo.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora começou com R$3,5 mil e ganha
R$13 mil hoje. É claro que deve ter sido pelas responsabilidades que a senhora
passou a assumir?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não por causa desse
trabalho, mas pela minha responsabilidade dentro da agência.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora considera esse trabalho muito
importante ou era um trabalho corriqueiro, a mais, que a senhora passou a
desenvolver?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não quero dizer de
importância, mas que ocupava meu tempo em 5%. Noventa e cinco por cento do meu
tempo sempre foi dedicado às atividades inerentes ao meu cargo, às atividades
da agência.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Noventa e cinco por cento? Quer dizer que
todo o esse trabalho que a senhora teve para repassar esse recurso todo
representava apenas 5% do seu tempo?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Deputado, chegar a um
banco, tirar um dinheiro e entregar para alguém é uma coisa muito rápida.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Mas a senhora não fazia os cheques
determinados pelo Sr. Valério? As transferências de recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu, pessoalmente, não.
Eu tenho toda uma equipe que trabalha para mim. Faça tal cheque, tal cheque,
tal cheque. Isso é no automático.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora chegou a temer esse tipo de
atividade? A senhora considerava ou considera esse tipo de atividade ilícita?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Perigosa.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Perigosa? Perigosa que pode levar a quê?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Porque, quando eu
chegava à agência, eu tinha a impressão de que até o guarda do banco sabia que
estava indo para retirar dinheiro e isso me incomodou profundamente. Foi quando
pedi para sair disso.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Aí a senhora se sentiu incomodada.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Muito.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora chegou a conversar com o Sr.
Valério sobre essa situação? A senhora pediu para sair?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora pediu
para sair. E a senhora chegou a conversar com ele que isso poderia levar a uma
situação como a que o Brasil está vivendo hoje?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, nunca foi falado
assim. Não. Eu fiquei muito, assim, do que poderia ser, representar isso para
mim como perigo pessoal, que eu não gostava disso. Mas que poderia ter...
Porque era um empréstimo no banco...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Mas a senhora não gostava pelo risco de
estar circulando com o dinheiro ou pela ilicitude dos atos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não tinha noção de
ilicitude dos atos, Deputado. Não vou dizer que sim, porque eu não tinha, não
tenho nem noção de que isso seja ilícito ou não.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando a senhora vinha a Brasília, a
senhora ligava para as pessoas. A senhora poderia citar aqui, a senhora recorda
as pessoas para quem a senhora ligava para se encontrar aqui? São essas pessoas
que estão na sua relação entregue aqui à CPI e à Polícia Federal?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Normalmente, a senhora ia a um banco. Às
vezes... E a senhora disse que normalmente demorava 15 minutos e a senhora
entregava recursos para mais de uma, duas pessoas. Lá vocês chegaram a
encontrar, a senhora chegou a encontrar com duas, três pessoas juntas para
receber os recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu sempre evitei isto:
que uma pessoa visse a outra, uma questão...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Como a senhora fazia isso, para evitar?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Marcava em horários
alternados ou algum eu entregava lá pessoalmente e para o outro, eu já deixava.
Já que eu estava no banco, eu anotava no verso da autorização que estava
assinada por mim o nome de quem poderia receber. E os funcionários do banco
aceitavam que eu fizesse isso.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Nome e número do documento das pessoas
que iam lá ou não?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Nunca deixei nome e
documento deles.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Número do documento, não?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E aí a senhora não tinha preocupação com
os homônimos da vida? Nunca aconteceu isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Nunca tive, Deputado.
Não até porque os funcionários do banco já conheciam as pessoas.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Já sabiam?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E essas pessoas para quem a senhora
entregou o dinheiro chegaram a comentar, discutir com a senhora alguma coisa
sobre a origem desse dinheiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, Deputado, sempre
com muita discrição. E eu própria nunca perguntei, nunca busquei ter amizade e
conversas com essas pessoas.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando a senhora vinha a Brasília para
fazer esse trabalho, era sempre acompanhada de alguém, ou sozinha, ou o Sr.
Marcos Valério acompanhava a senhora?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Geralmente sozinha.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Que controle a senhora tinha para depois
prestar contas à empresa? Essa prestação de contas que a senhora fazia com a
empresa era somente para o Sr. Marcos Valério ou a Diretoria tinha
conhecimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, era uma relação
minha com o Marcos Valério.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A empresa tem sócios?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Os sócios não queriam saber da
contabilidade, como era isso?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Provavelmente, entre
eles, eles deviam conversar.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Fica muito definido para lá, né?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Entre os sócios, né?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Acredito que sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora fazia os cheques. Todos os
cheques feitos pela empresa eram determinados à senhora...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – ... que determinava os seus auxiliares.
Eram assim?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – À minha equipe. Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E, para a senhora emitir os cheques, a
senhora procurava saber o saldo da conta, se aquela conta tinha saldo naquele
dia?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ah, sim! Isso
normalmente...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Então, a senhora tinha um controle...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – ... é uma rotina de
saldo, seja para pagamento de fornecedores ou esses outros cheques, mas, com
certeza, eu sabia que sempre tinham saldo porque o valor do empréstimo havia
sido depositado na conta.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Então, a senhora tinha o controle real,
financeiro da empresa.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – O Deputado ACM Neto já disse aqui que os
valores não batiam. E como que a senhora controlava isso, se os valores dos
empréstimos não batiam com a saída?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – É, eu não sei explicar
o que isso...
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora tem que ter conhecimento do
dinheiro todo, se a senhora está afirmando...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – A contabilidade está
sendo toda verificada pela Receita Federal.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não, mas aí não é contabilidade.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Se tiver alguma
divergência, vai aparecer.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Estamos nos retendo apenas à questão
financeira. É o fluxo tesoureiro do dinheiro. A senhora tinha que saber. A
senhora é financeira, tinha que saber: eu vou fazer esse cheque, tem que ter o
saldo. De onde veio esse dinheiro se o dinheiro dos empréstimos não batem?
Tinha outra origem. E aí a senhora tem que saber.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu imagino que todos
os valores sacados tenham como base os empréstimos, sim. Pode ter alguma
divergência de informação entre listagem e valor de empréstimo.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não, mas a diferença é bastante relativa.
O Deputado ACM Neto já colocou aqui.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ele falou aqui de
trinta e poucos mil, milhões e que daria uma diferença de 16 milhões.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – É muito dinheiro.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu estou entendendo
que ele não somou os empréstimos da Graffiti. Só pode ser isso.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não, ele...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Porque os empréstimos
estão todos listados num documento que Marcos Valério entregou e que perfazem
um total de cinqüenta e poucos milhões.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Bom, Sr. Relator, seria extremamente
importante...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – 69?
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – O Deputado ACM Neto disse aqui que a
Graffiti também estava no valor. Então, eu acho que é extremamente importante,
e a senhora, como já foi dito aqui, não pode mentir, não é? Creio que a senhora
veio aqui para contribuir.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não entendi onde
está a mentira.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Eu quero, então, fazer uma pergunta. A
senhora tinha, como funcionária, como diretora financeira, conhecimento de
todas as entradas e saídas dos recursos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Então, de qualquer diferença a senhora
deve ter conhecimento.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A outra senhora que veio depor, a
funcionária Karina, disse que vocês compraram todos os materiais para fazer uma
festa, para comemorar a licitação que iria acontecer, no outro dia, dos
Correios. O pagamento disso era por intermédio da senhora também?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não tenho conhecimento
de festa para comemoração anterior, não.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não tenho, não.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Mas se houvesse qualquer pagamento de
despesa, a senhora teria conhecimento?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu teria conhecimento,
sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quais seriam as outras pessoas que tinham
acesso à senhora para fazer pagamentos, além do Sr. Marcos Valério? Havia algum
funcionário? Não estou dizendo nem diretor, porque a senhora disse que já não
tinha acesso a diretores. Havia algum outro funcionário graduado que tivesse
acesso à senhora para determinar algum pagamento, ou não? Até de despesas da
empresa?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, determinação de
pagamentos, só os três sócios.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Só?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Os três sócios.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Ah, então, no caso do Marcos Valério era
especificamente para dinheiro?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Dos empréstimos
bancários.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Para os
empréstimos bancários, para pessoas outras.
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Isso.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Para o corriqueiro, a senhora recebia
orientações de outros?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Ordens dos demais,
sim.
O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Bom, Sr.
Presidente, já está finalizando o meu tempo. Agradeço, até para não estourar o
tempo.
Creio que esse aspecto é
importante. A senhora tem conhecimento de todos os recursos, ela já colocou
aqui, e espero que possamos apurar, realmente, esses valores de entradas e
saídas, para que cheguemos à conclusão da sua participação efetiva na licitude
ou ilicitude do trabalho.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao
Deputado Eduardo Paes por 15 minutos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
Paramentares, Srª Simone, é impressionante como, a cada dia que passa, Deputado
Osmar Serraglio, os fatos, os depoimentos e as evidências que são trazidas a
esta Comissão Parlamentar de Inquérito vão sendo mais esclarecedoras e, de
certa forma, como apontou o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, vão sendo
desmistificadas, e as mentiras todas contadas vão caindo por terra.
Antes de começar a indagar à
Srª Simone, eu queria contestar uma afirmação feita pelo Deputado que me
antecedeu.
Em nenhum momento ontem,
aqui, o Senador Eduardo Azeredo admitiu qualquer caixa dois em sua campanha. É
essa a interpretação que dá o Deputado Wellington.
O seu advogado, Srª Simone,
que neste momento conversa com o Relator, acabou de afirmar, ainda quando
respondia aos questionamentos do Relator, que o Sr. Marcos Valério teria
entregue ontem, à Procuradoria-Geral, uma série de recibos desses pagamentos
feitos naquilo que a senhora chama de “procedimento extra”, ou seja, os
pagamentos dos empréstimos do PT. A senhora saberia nominar alguns daqueles que
fizeram e que assinaram alguns desses recibos, ou onde estão esses recibos?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eles estão
protocolados nesse documento, junto à Procuradoria.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª tem conhecimento de alguns dos
nomes?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Eu não vi esses
documentos.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas esses recibos...a senhora é quem
pagava, perfeito?
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Em algumas
circunstâncias, sim.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não, mas a senhor disse que...
A SRª SIMONE REIS LOBO
VASCONCELOS – Não, o operacional, de
chegar junto à pessoa, pegar um documento e a assinatura, nem sempre fui eu.
O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito, mas se a senhora tinha
contato com o banco, este ia lá e entregava o dinheiro, esse recibo era
encaminhado para a senhora em que circunstância? Ou encaminhado à agência, para
o Sr. Marcos Valério tê-los à disposição para entregá-los?< |