TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DA OITIVA DO DEPOENTE
Sra. SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS
(03/08/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

VIGÉSIMA PRIMEIRA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 03 DE AGOSTO DE 2005 ÀS 10:00 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com as bênçãos de Deus, havendo número regimental, declaro aberta a 21ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 03, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

As Atas das reuniões anteriores encontram-se sobre a mesa. Coloco-as em votação, propondo a dispensa da leitura.

Os que aprovam queiram permanecer como estão. (Pausa.)

Aprovado.

Esclareço que a pauta desta reunião destina-se à oitiva da Srª Simone Reis Lobo Vasconcelos e, depois, do Sr. David Rodrigues Alves.

Convido para tomar assento à mesa a Srª Simone Vasconcelos para seus esclarecimentos.

O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, o Deputado Fraga.

O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – Sr. Presidente, serei muito breve.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu não gostaria de conceder a palavra pela ordem por causa do adiantado da hora.

O SR. ALBERTO FRAGA (PFL – DF) – Serei breve, Sr. Presidente.

Há uma questão que incomoda a todos, pelo menos a quase todos os membros desta Comissão. Nós tivemos a declaração da Srª Simone, ontem, na Polícia Federal. No entanto, muitos membros desta Comissão ficaram ansiosos para ver a relação, a lista que tinha sido entregue pela Srª Simone à Polícia Federal, e não conseguimos. Para surpresa de todos nós, essa lista já estava na Internet. E eu quero saber de V. Exª qual é o critério, qual é a metodologia que vamos empregar para que os Parlamentares pelo menos possam ter acesso a alguns documentos; se procuramos o Relator; se procuramos V. Exª. O que não é possível é os Deputados não receberem uma informação e a imprensa já estar com essa informação bem à frente dos Parlamentares. Isso é lamentável para nós, que estamos aqui querendo trabalhar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Fraga, nós recebemos formalmente a relação. Essa relação não passa necessariamente só a uma instituição chamada CPMI dos Correios nesse processo todo. Temos procurado, a Mesa Diretora, o Relator, ser o mais rigorosos possível com relação a isso, a despeito de não podermos controlar a tudo e a todos. E as providências tomadas inclusive com relação a acesso aos documentos nos levaram a uma definição, com o apoio de Parlamentares como o Deputado Abicalil, o Deputado José Eduardo Cardoso, o Deputado Carlos Sampaio, o Deputado Gustavo Fruet, exatamente no sentido de dividir as atividades para que a assessoria da CPMI tenha as condições necessárias para prestar um bom trabalho aos Parlamentares.

Existem dificuldades? Existem. Fruto de um momento tenso que o País vive. Mas nós, com o passar do tempo, não tenho dúvida nenhuma, vamos nos organizar adequadamente para não frustrar os Parlamentares e não decepcioná-los, prestando as informações a tempo e a hora, como necessário, para que os depoimentos sejam bem aproveitados por S. Exªs.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, peço a palavra muito rapidamente pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado Pompeo de Mattos pela ordem. E o tempo corre, e o tempo voa!

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, quero ponderar a V. Exª exatamente nesse sentido. Nós formulamos, há pelo menos duas semanas, uma reclamação à Mesa. Para não ser incompreendido, quero refazê-la de forma muito clara, Sr. Presidente. É exatamente sobre a questão de acesso a documentos. E vou citar um caso concreto para que não fique na imaginação. Ontem, nós estávamos tratando de uma ligação específica, cujos documentos estão na CPMI, e temos alguns dados que estamos cruzando, e localizamos os documentos e a tabulação na CPMI...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Pompeo de Mattos, por favor, conclua por causa do tempo, porque temos duas oitivas no dia de hoje.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, isso é importante para V. Exª e para esta CPMI, para o nosso entendimento.

Sobre os documentos que estão no computador, eu preciso de uma cópia da tabulação, não é nada de sigilo, mas se trata de documentos tabulados. Qual é a informação da assessoria da CPMI? Ela diz: “Não, os Deputados não podem ter acesso. Só podem ter acesso o Relator e o Deputado Carlos Sampaio. Se eles não autorizarem, os outros Deputados e Senadores não podem ter acesso.” Palavras do assessor da CPMI. Ato contínuo, ele levantou o telefone e tentou ligar para o Deputado Osmar Serraglio. Não conseguiu contato. Tentou contato com V. Exª – eram sete e pouco da noite –, não conseguiu. Naquele momento, tentaram contato com o Deputado Carlos Sampaio e disse-lhe que ele estava na televisão; ele questionava o Deputado José Dirceu lá na Comissão de Ética.

Bom, sai dali sem a tabulação, fui lá na Comissão de Ética, e, quando cheguei – o Deputado Carlos Sampaio não está aqui, mas pode confirmar – ele saiu assim que acabou o seu questionamento. Resultado: não ficamos com o documento, não temos o documento, e todos os Deputados vivem esse drama.

Concluo, dizendo que não vou pedir para ninguém, não vou pedir autorização...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Conclua, Deputado Pompeo de Mattos.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – a ninguém para ter acesso a documento. Aqui na tem um Deputado que autorize outro Deputado para ser Deputado. Quem tinha que me dar autorização já me deu: o povo gaúcho. Portanto, Sr. Presidente, se eu chegar no computador – vou dizer a V. Exª, e é forte...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Pompeo de Mattos, conclua, por favor, até em respeito aos demais parlamentares.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Mas em respeito à verdade, Sr. Presidente. Se eu chegar no computador e estiverem tabulados os documentos e eu não tiver acesso aos documentos, outro Deputado não terá; eu desligo o computador. Ou todos teremos acesso, ou ninguém terá. É preciso colocar ordem na Casa. Essa é a afirmação e não falo mais a respeito desse assunto.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ  – Ele tem razão.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Deputado Pompeo de Mattos.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, eu quero...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Onyx Lorenzoni, novamente entramos num debate que pode ser tratado nas reuniões administrativas e continuamos cansando a todos. Nós cansamos os depoentes, nós cansamos o advogado, os parlamentares, a imprensa e o País.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, rapidamente, só quero trazer ao conhecimento de V. Exª que, ontem, houve um requerimento discutido aqui, o de nº 601, no qual buscamos informações junto a quebra do sigilo fiscal e bancário do Partido dos Trabalhadores, do Banco do Brasil e, objetivamente, da conta 13001.

Quero informar a V. Exª que ontem fiz o requerimento, conforme solicitação do nobre Relator. Quero que hoje seja feito – faço essa solicitação – o Requerimento 601, que trata dos pagamentos do empréstimo concedido ao ex-Ministro José Dirceu, pelo Partido dos Trabalhadores, mas quero fazer a referência que a conta 13001, que trata do Fundo Partidário, que se refere aos empréstimos feitos ao Presidente Luiz Inácio da Silva, ao Senador Aloizio Mercadante e ao ex-Ministro e hoje Deputado José Dirceu não chegaram na CPMI dos Correios.

Por essa razão, reveste-se de importância a solicitação que ora faço ao nobre Relator, para o esclarecimento completo sobre quem pagou esses empréstimos feitos pelo Partido a essas autoridades da República.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Deputado Onyx.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Para uma questão de ordem, rapidamente, Sr. Presidente, pelo art. 14.

Apenas para dar um esclarecimento. O Deputado Carlos Sampaio não está neste momento aqui na Comissão e para deixar bem claro – e aqui falo em nome de S. Exª – que S. Exª foi designado por V. Exª e pelo Deputado-Relator para cumprir um papel importante nesta Comissão, qual seja organizar a quantidade enorme de documentos que ali estão. E V. Exª já havia esclarecido isso para todos aqui. Portanto, não cabe ao Deputado Carlos Sampaio – e que isso fique bem claro para todos os membros desta Comissão – e nem caberá dizer se pode ou não ver os documentos. A função do Deputado Carlos Sampaio tem sido nobre, árdua e difícil, principalmente em se tratando de uma Comissão com tantos Parlamentares e com tanta tensão, na organização dos documentos, a fim de facilitar o trabalho dos membros desta Comissão, a transparência desta Comissão, e das informações que possam influir.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Então, avise isso aos assessores da CPMI; avise lá.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Deputado Pompeo de Mattos, peço a V. Exª que, por favor...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Pompeo de Mattos, V. Exª falou, fez o seu registro, mas agora a palavra está com o Deputado Eduardo Paes. E eu não concederei a palavra a mais nenhum Parlamentar.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Agradeço, Sr. Presidente. Gostaria apenas de deixar isso muito claro. Não quero atrasar mais os trabalhos, mas essa questão deve ficar bem clara, porque não podemos ficar aqui – e o Deputado Carlos Sampaio não se encontra presente neste momento – admitindo essas insinuações. O trabalho de S. Exª é muito importante. S. Exª passou o fim de semana inteiro organizando os documentos, para que todos nós pudéssemos ter acesso.

Era isso, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Gostaria apenas de ratificar o que disse o Deputado Eduardo Paes sobre o trabalho exemplar do Deputado Carlos Sampaio. S. Exª tem ficado aqui nos finais de semana para organizar os documentos, trabalhando com a assessoria técnica da CPMI e, em poucos dias, deu um outro rumo, um outro norte para as atividades da CPMI, especialmente as administrativas.

A Presidência esclarece aos membros desta Comissão que, conforme determinação desta CPMI, com base no art. 206 do Código de Processo Penal, a testemunha prestará seu depoimento oralmente, podendo, entretanto, fazer breve consulta, apontamentos, consoante o disposto no art. 204 do Código de Processo Penal. A testemunha deverá, portanto, responder a todas as perguntas que lhe forem formuladas, assegurando-se-lhe, entretanto, a observância da garantia constitucional, nos termos do art. 5º, inciso LXIII da Constituição Federal, de não se auto-incriminar o que, em última instância, importa o protesto pelo direito ao silêncio, facultando-se-lhe a assistência do seu advogado tão-somente para orientação da conveniência ou não de responder.

O termo de compromisso já foi assinado pela Srª Simone e os dados pessoais de S. Sª já constam do termo de compromisso.

Gostaria de passar a palavra à Srª Simone, solicitando que S. Sª relate o que souber sobre as questões que são objeto de investigação desta CPMI, notadamente sobre as atividades do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza, explicando as razões de sua ciência ou as circunstâncias pelas quais possa avaliar-se de sua credibilidade.

A Presidência será absolutamente rigorosa com relação ao tempo de cada Parlamentar inscrito, até porque nós teremos mais uma oitiva, a do Sr. David Rodrigues Alves.

Com a palavra a Srª Simone.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Obrigada.

Bom dia a todos. A minha intenção aqui é dizer mesmo o que sei.

Eu sou de Belo Horizonte, criada e nascida lá. Trabalho na SMP&B Comunicação desde abril de 99. Prestei declaração à Polícia Federal nessa segunda-feira e tenho o termo da declaração, que passo ao senhor.

Na oportunidade, passei também uma relação das pessoas que, através de mim mesma, receberam recursos – e esse documento já foi protocolado – e tem uma relação que foi elaborada por Marcos Valério com os nomes também, como já foi divulgado pela Internet.

Estou aqui às ordens.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr. Presidente, eu gostaria que fosse declinado o nome do advogado da Srª Simone.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O advogado da Srª Simone chama-se Dr. Marcelo Leonardo.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – É o mesmo do Marcos Valério e da D. Renilda.

Gostaria que V. Exª cobrasse dele o celular pré-pago do Marcos Valério que a D. Renilda usava que, naquele dia, ficou devendo à Comissão.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O Dr. Marcelo me confirma aqui que entregará na reunião de hoje o telefone.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Deputado Arnaldo Faria de Sá.

Passo a palavra para o Relator, Deputado Osmar Serraglio.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, eu solicito cópia dessas listas.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Serão tiradas cópias dos documentos encaminhados pela Srª Simone para distribuição aos Parlamentares desta CPMI.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, eu argüiria de V. Exª se esses documentos têm ou não o caráter de sigilosos? É apenas um questionamento.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto, entendo o rigor de V. Exª, que é um Parlamentar rigoroso, mas, infelizmente, até as minhas queridas filhas já tiveram acesso a essa relação. (Risos.)

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Está bem.

O SR. (Orador não identificado) – Isso é o sigilo da Internet.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O importante, Deputado ACM Neto, está sendo lembrado aqui muito propriamente, é que não são documentos bancários. Por isso é uma coisa absolutamente...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O questionamento que fiz a V. Exª só tinha o objetivo de resguardar as informações que foram prestadas tanto à Polícia Federal quanto à Procuradoria Geral da República. Apenas isso. Até porque V. Exª tem tido o cuidado de, nas últimas semanas, conduzir com o máximo de atenção esse problema do vazamento de informações.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com certeza, Deputado.

Tem a palavra o nobre Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Presidente, quero fazer o registro que recebi um comunicado de uma retificação que foi feita em relação à informação de saques procedidos com relação ao ex-Presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, que, na verdade, foram noticiados como tendo sido elevados para duzentos, mas que o valor correto é de R$50 mil.

Srª Simone, V. Sª poderia descrever para a Comissão o que significava ser, na verdade, a Diretora Financeira da SMP&B e qual era a sua atribuição, qual era a sua atividade prática exercida no dia-a-dia dessa empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pois não. Eram atividades inerentes a minha formação, sou administradora de empresa. Ou seja, área de recursos humanos, área de faturamento, contas a receber, contas a pagar... (Pausa.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Alguém tocou aí, inadvertidamente, no interruptor. Agora só falta ter apagão nesta CPMI.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Continuando, serviços gerais, compras e almoxarifado. É isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O controle financeiro da empresa quem comandava era V. Sª?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É, sempre sob a orientação do Sr. Marcos Valério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse controle a que V. Sª procedia significava emissão periódica de informações tabuladas, de forma que o Sr. Marcos Valério as tivesse de maneira clara, resumida?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, eu prestava contas a ele do que era feito.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de tabulação V. Sª utilizava? Eu falo em relação aos ingressos e saídas de recursos. Como é que V. Sª apresentava esse relato, essa síntese? V. Sª dispunha de um sistema de computação?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A agência SMP&B possui um sistema informatizado, é lógico, no qual eu fazia relatórios gerenciais, resumidos, e prestava contas a ele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quanto a esses relatórios, alguém já teve acesso a eles? Alguma das autoridades que estão procedendo a investigação teve?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Esses relatórios são internos. Não, nunca passei nada. Nesses relatórios constam as despesas da agência e detalhamento do que foi gasto com pessoal, aluguel e... Essas saídas sempre foram lançadas nesse meu relatório, que é apenas um relatório gerencial, não é fiscal, como extras, porque aí eles sabiam o que se referiam, eu não entrava nesse mérito.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O ingresso de recursos na conta para que V. Sª como diretora financeira tivesse conhecimento de saber se, efetivamente, dispunha de dinheiro era sempre lhe comunicado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sempre.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que tipo de ingresso de recursos ocorreu no sistema? De onde promanava o dinheiro de que se valia a SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O funcionamento da agência se dá com o faturamento de clientes.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais os clientes mais expressivos que a SMP&B tinha? Falo dessa forma porque alguns cancelaram. Mas, há dois meses, quais os principais clientes da SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Acredito que isso já tenha sido bastante divulgado pela imprensa. Clientes nosso do Governo: Correios, Governo do Distrito Federal, Câmara Legislativa, Câmara dos Deputados, Governo do Estado de Minas Gerais, são os mais significativos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E clientes particulares?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Riclan, Elmo Calçados, Usiminas...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esses são os maiores clientes?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tem uma noção, mais ou menos, de quanto seria o percentual de ingresso da iniciativa privada e dos cofres públicos? O percentual, mais ou menos, no faturamento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso sempre variou, não é uma constante. A agência sempre participou de várias licitações e sempre procurou ter na carteira clientes particulares e empresas privadas. É muito variado, eu não teria como dizer, em percentual.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em valores, mais ou menos, como V. Sª imagina que deva ter faturado a SMP&B no exercício de 2004, em relação à iniciativa privada?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não saberia dizer, eu poderia consultar e enviar essa informação.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª é diretora financeira de uma empresa e não tem noção de quanto ela faturou no ano passado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O senhor está me perguntando sobre a iniciativa privada.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Também. O espectro, o quadro, a senhora tem tabulado no Excell, está registrado? Tem o percentual da iniciativa privada e tem o percentual... Tudo bem que não saiba os percentuais, mas qual foi o faturamento aproximado da SMP&B no ano passado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Cento e dez milhões.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do universo total?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Do universo total.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª fala em R$110 milhões de faturados, V. Sª está se referindo ao percentual que cabe à agência?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não aos repasses  que são feitos às...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Fatura, não. A contabilidade da agência é da seguinte forma: o faturamento é o valor bruto que é pago à agência e dali são feitos os repasses aos fornecedores. A agência tem uma média de 10 a 15% de receita.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esses 10 a 15% correspondem aos 110% ou esse é o faturamento de toda a publicidade? Cento e dez é o percentual?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não é o percentual que ficou a agência. É o faturamento bruto da agência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, V. Sª quer dizer que o faturamento da empresa, no ano passado, foi de R$10 milhões?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Foi mais, porque eu falei: uma média de 10%.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem, que seja R$20 milhões.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio PMDB – PR) – Porque a empresa, no ano passado, movimentou R$600 milhões, não foi?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, não sei dizer, assim, de cabeça, não. Eu poderia ter me preparado e ter trazido números...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª sabia que ia prestar informações numa CPMI, com esse universo todo de pessoas, do Brasil inteiro, e veio, aqui, sem informações sobre faturamento... É impressionante! Na verdade, quero concluir que V. Sª não quer esclarecer, lamentavelmente.

Como foi o ingresso de V. Sª na SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Fui contratada em abril de 99 e fui apresentada ao Sr. Marcos Valério pelo Sr. Cláudio Mourão.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Antes a senhora trabalhava numa atividade pública?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, eu era funcionária pública há quinze anos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora se desligou da atividade pública em que data?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu solicitei, em dezembro de 1998, LIP, que é uma licença sem vencimentos, e fiquei janeiro, fevereiro e março em busca de outra atividade, quando, conversando com Cláudio Mourão, ele me levou ao Sr. Marcos Valério, que me contratou.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora conheceu Marcos Valério antes de ingressar na empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu o conheci no dia em que fui apresentada a ele, e foi acertado....

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para trabalhar...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu era candidata a uma vaga.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É que V. Sª diz, em um depoimento, que só o conheceu depois que já estava trabalhando. É só consultar um dos depoimentos de V. Sª que se pode verificar.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu o conheci no dia em que fui à agência. Fui apresentada a ele, e ele me contratou. Nesse dia é que o conheci.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só estou fazendo referência porque há um depoimento em que V. Sª diz que só o conheceu depois que já estava trabalhando.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Marcos Valério foi quem me contratou. Eu nunca disse isso não, Deputado, em depoimento nenhum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tem; depois eu apresento à senhora, no intervalo, enquanto o pessoal for promovendo questionamentos.

Essa LIP é a licença que V. Sª tirou como funcionária efetiva? V. Sª é concursada?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sou.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª ocupava cargo em comissão?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Até quando ocupou o cargo em comissão?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dezembro de 1998.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No período de 1998, sua vinculação sempre foi em cargo em comissão?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, por muitos anos servidora pública.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas e em 1998?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em 1998, eu estava em cargo em comissão.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tirou alguma licença em 1998?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Tirei férias, prêmio, férias normais...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em que período?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No período de setembro ou outubro de 1998.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De quanto tempo foram as férias?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dois meses.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª sabe dizer quem a substituiu no cargo em comissão nesse período?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Srª Helen.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, em setembro e outubro de 1998, V. Sª estava afastada do serviço público?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na primeira vez que V. Sª prestou depoimento, informou que, na verdade, os saques em espécie eram destinados ao pagamento de cachê de artistas; sei que depois V. Sª foi adensando, complementando, e hoje podemos dizer que V. Sª vem contribuindo para os esclarecimentos que a Casa e o Brasil querem; mas, de qualquer modo, ficou esse gancho, e eu queria solicitar um esclarecimento: a SMP&B pagava artistas? Como isso se procedia?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eventualmente, artistas contratados para fazer a publicidade de alguns dos clientes exigem que o pagamento seja antecipado. Isso é uma prática comum na publicidade. Então, a agência fazia um adiantamento ao artista. Aliás, na maioria das vezes, a gente antecipava isso, porque a gente só recebe do cliente após o trabalho ter sido executado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A SMP&B nunca pagou artistas que não fossem relacionados a contratações próprias?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Através dos clientes sempre.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca efetuou pagamentos a artistas de campanhas políticas?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma das coisas que nos têm surpreendido é que, a cada lista nova que vem, novos nomes vão sendo incluídos, e nós precisamos, de alguma forma, de certo rigor e esperamos essa contribuição de V. Sª, tanto quanto do próprio Marcos Valério e até, para ampliar um pouco, em relação ao nosso Deputado Roberto Jefferson, porque se tornaram três pessoas que têm poder de vida e morte política em relação ao que manifestam. E essas mudanças de listas, com inclusões de novos nomes, precisaríamos – e vamos detalhá-los, com certeza, com o acréscimo dos questionamentos que serão realizados pelo Plenário – que eles fossem enriquecidos com mais detalhes, não no sentido de que queiramos defender, porque somos absolutamente contrários a tudo isso que aconteceu, mas precisamos também de algum parâmetro para verificar se eventualmente alguém “inadvertidamente” teria mantido contato com essa empresa. Todos aqueles que com ela se relacionaram de alguma forma vão pagar ou com mandato, ou com execração pública, ou, como assistimos, com uma certa responsabilização antecipada tanto pela imprensa quanto pela opinião pública. Queremos que aqueles que de fato incidiram nisso respondam por isso. E V. Sª é uma peça fundamental nisso.

Aí perguntamos: há uma nova lista? E, agora, salvo engano, não tenho ainda, há uma nova lista posterior à de V. Sª e à do Marcos Valério. V. Sª teve oportunidade – e passou agora, se não me engano, para o Presidente – de consultar essa lista que o Marcos Valério apresentou ontem na Procuradoria?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, o senhor está se referindo a algumas listas...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – À de ontem; à que ele apresentou ontem à Procuradoria.

 A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O senhor está se referindo a algumas listas anteriores. Eu não tenho conhecimento de listas anteriores oficiais. Vimos muitos nomes nos jornais, sim. Eu viajei e, antes de viajar agora em julho, eu saí de férias, conversei com o Marcos Valério e disse a ele que eu gostaria muito que ele fizesse alguma coisa concreta para que, se eu fosse chamada novamente, eu pudesse esclarecer tudo. E a minha intenção aqui hoje é essa, o senhor não tenha dúvida, não.

Quanto às listas, eu sei dizer para o senhor de duas listas. Quando eu retornei dessa minha viagem agora, eu encontrei uma lista pronta que Marcos Valério fez e que, me foi informado, foi com base em extratos bancários, anotações, cópias de cheques, lembranças. Dessa lista, que está aí, eu repassei, eu fiz a minha. Em conversa com Marcos Valério – ficamos sentados, conversando, pegamos o jornal, porque eu não me lembrava da fisionomia de várias pessoas, como continuo sem me lembrar: “Marcos, quem é este, o que é isso, quem é este”? Em Brasília, cruzando os dados, de quando eu fui a Brasília, os saques estão comprovados nos documentos do Banco Rural. De todas as vezes que fui, conforme meu depoimento na Polícia Federal, tem lá a minha letra, não nego nenhuma das vezes que eu assinei, que eu fui e que encontrei com as pessoas ou que eu deixei autorizado.

Então, essa minha lista... Para evitar confusão, ontem já houve essa confusão na imprensa de que eu passei uma lista com tantos nomes. Não é isso. Da lista do Marcos Valério, que são cinqüenta e poucos nomes, eu ali detectei doze nomes de pessoas ou de contatos que foram feitos na agência do Banco Rural em Brasília.

Espero ter esclarecido essa questão das listas. 

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa indicação dos doze nomes, V. Sª diz que ela consta do seu depoimento na...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Na Polícia Federal. Sim. O senhor tem cópia aí?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tenho. Porque, na verdade, a senhora, num primeiro momento, fez o de 7, 8, dizendo: “A essas pessoas eu entreguei; a essas outras, eu não lembro muito bem”.

Antes, estou querendo pegar... V. Sª disse que quem elaborou a lista para V. Sª foi o Marcos Valério?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O Marcos Valério elaborou uma lista dele, de todos os valores que foram repassados oriundos desse empréstimo que a SMP&B fez aos bancos e emprestou, em seguida, ao PT. E o Marcos fez, destrinchou todos esses valores. Dessa listagem do Marcos Valério, eu fiz a que eu tenho conhecimento, que é esta lista com os doze nomes. Algumas pessoas aqui eu sei quem são. Estive com elas pessoalmente. Outras, por todos os dados bancários, verifiquei que eu autorizei, porque, em várias ocasiões, não permaneci na agência bancária. Eu, de posse de uma determinação de Marcos Valério, até por eu estar em Brasília desempenhando a minha função, que é a principal e que sempre foi, tratar dos assuntos administrativos e financeiros da filial aqui, em Brasília: “Simone, vá lá e autorize que tal pessoa pegue o dinheiro ou com você...” Aí, até por decisão minha e por colaboração dos funcionários do próprio banco, eles permitiam que eu somente colocasse o nome da pessoa no verso da autorização minha. Nunca me neguei, sempre assinei e pus minha identidade: “Olha, é fulano ou sicrano que virá buscar esses valores”.

Essa listagem é esta que está assinada por mim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A forma de operar era: antes alguém expedia uma autorização lá, dentro da SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem que fazia essa designação e a quem é que esse pagamento seria realizado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sempre o Sr. Marcos Valério me passava quem seria.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Passava para a senhora?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, e eu repassava para o setor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quem que emitia o e-mail?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Olha, geralmente, a minha gerente financeira. Se ela não estava lá, podia ser qualquer outro funcionário, mas, geralmente, ela.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os saques eram procedidos em Belo Horizonte ou em Brasília, ou em ambas?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Esses saques que estão relacionados aqui foram todos em Brasília, na agência do Banco Rural, em Brasília. Foram os saques nos quais eu tive participação. Nunca fui a qualquer outra agência bancária fazer saque, apenas nesta agência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nem no Rio, nem em São Paulo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, eu jamais fui fazer saque em qualquer outra agência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas foram feitos pagamentos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E como era procedido esse pagamento quando era para o Rio de Janeiro, quando era para São Paulo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Olha, eu teria que saber que para o Rio de Janeiro; o senhor está me dizendo que teve para o Rio de Janeiro. Eu...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Houve uma campanha política até de uma cidade lá do Rio de Janeiro.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Todas as ordens de pagamento sempre foram dadas por Marcos Valério, e eu solicitava ao meu setor financeiro que assim fizesse. Entrava em contato com o gerente do banco, e, aí, uma coisa interna do banco, eles passavam acho que um fax para a outra agência dizendo que fulano de tal, carteira de identidade tal, iria lá buscar aquele recurso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando o dinheiro era sacado em Brasília, era remetida da agência de Belo Horizonte uma comunicação a quem seria destinado ou V. Sª vinha a Brasília, sacava e dava o dinheiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Quando as pessoas iam diretamente ao banco e que eu não precisava estar presente, já ia a informação de Belo Horizonte. No próprio fax, ia para a agência. O fax do Banco Rural, agência Belo Horizonte, ia para a agência em Brasília já dizendo quem era e inclusive com a carteira de identidade. Mas, em diversas ocasiões, isso não era possível. A gente dizia... O setor dizia: “Não, é a própria Simone que vai à agência”, onde constam, inclusive, tantos saques em meu nome. E lá eu entregava aos destinatários.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Lá, em Belo Horizonte, havia entregas a políticos?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu nunca entreguei a nenhum político, em Belo Horizonte, recurso nenhum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A prepostos de políticos?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Também, não. Eu, pessoalmente, não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aqueles saques todos que são noticiados como motoboys, indo buscar... o David Rodrigues, que, inclusive, vai ser ouvido, eles sacaram tanto dinheiro e levaram para dentro da agência da SMP&B.

Primeiro, por que esses saques sempre são em dinheiro, em espécie? Porque não é o comum, convenhamos.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Todos os saques que foram feitos sempre o foram por determinação de Marcos Valério. Eu não questionava o porquê.

Em relação ao Sr. David, eu nunca vi esse senhor. É fácil verificar se ele já foi à agência alguma vez. O prédio tem um rigoroso sistema de entradas e saídas. Vamos solicitar à portaria do prédio para verificar se o senhor David já foi alguma vez à agência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, como informação, V. Sa sabe se, por acaso, ele teria levado esses recursos para o prédio da DNA?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não tenho essa informação. Eu não tenho.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De qualquer modo, recursos em espécie, a pedido do Marcos Valério, eram conduzidos para dentro da SMP&B. V. Sa era quem controlava o direcionamento disso. Que registros eram feitos como saída desses recursos?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não percebi o início da frase que o senhor disse, que a maioria...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Eu disse que esses recursos, em espécie, a maioria era em dinheiro, em espécie, que eram recolhidos para dentro da SMP&B. Evidentemente, V. Sa, tendo o controle financeiro, deveria registrar a quem foi entregue esse dinheiro em espécie que chegou a SMP&B.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu tenho conhecimento de alguns saques em dinheiro em Belo Horizonte, sim. Os valores eram, na maioria das vezes, entregues ao Sr. Marcos Valério, e ele, eventualmente, pode ter repassado a pessoas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas o registro competia a V. Sª.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ao Marcos Valério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A saída do seu controle financeiro...

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Do meu controle?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – ... era Marcos Valério?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Marcos Valério, porque esse era um procedimento extra. Não é a rotina do nosso trabalho. Noventa e nove por cento do meu trabalho é pagamento a fornecedores, recebimento dos clientes. A rotina de qualquer empresa do porte da agência SMP&B – que era até então, não é?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O normal do faturamento da empresa é incluir a prestação do serviço inteiro e, depois, receber a prestação?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não entendi.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vamos supor que eu a contrate para que preste um serviço. Sou o João das Pedras e Cia. Ltda. Eu contrato os seus serviços por R$1 milhão. V. Sa, quando fatura esse valor, como não é V. Sa que faz o serviço – eu contratei seu serviço, e quem vai me prestar grande parte são os veículos de comunicação –, V. Sa me fatura R$1 milhão ou o faturamento é feito dos prestadores de serviço e V. Sa só me fatura a sua participação, os seus 20% ou 10%?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Faturo o valor integral...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Valor integral.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – ... e vem distinguido nas notas, o que é valor para terceiros e sempre anexada a nota do fornecedor, seja de produção, seja de mídia e, ao lado, há uma coluna que é receita da agência, que é o percentual que efetivamente fica na agência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sa fez referência a empréstimo e o fez no singular. Mas eu queria uma explicação mais completa sobre tudo o que sabe em relação a empréstimos contraídos ou pela SMP&B ou pelas coligadas da SMP&B que tenham tido qualquer elo de ligação com partidos políticos ou com políticos.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sobre as coligadas, eu não saberia dizer ao senhor, porque sou funcionária contratada pela SMP&B e sempre desempenhei minhas atividades na SMP&B.

Sei dos empréstimos, sim, inclusive porque eu que sempre providenciei toda a documentação, a parte burocrática desses empréstimos. Há toda uma documentação mínima necessária que os bancos exigem. Então, tenho conhecimento dos empréstimos, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quais eram?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Há um documento onde estão discriminados os valores, as datas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas não são muitos. V. Sª não se lembra deles?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sempre foram... são... sempre foram... Sempre, não.

O SR.  RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quantos são?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Esses empréstimos são junto ao Banco BMG e ao Banco Rural, tanto da SMP&B Comunicação quanto da Graffiti.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do da Graffiti, V. Sª tem conhecimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Tenho, porque eu, inclusive, que providenciei...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O controle financeiro da Graffiti era realizado lá na SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim. Eu providenciei a documentação por serem os mesmos sócios.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o que lembra em relação a esse empréstimo? V. Sª preparou o material, mas quem participaria da formalização de assinaturas?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Desses empréstimos?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em nome de quem sairia o empréstimo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Esses empréstimos, inclusive, a documentação, eu acredito que esteja disponível.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei que tem, mas é que V. Sª está prestando depoimento oral para complementar as informações que nós temos documentadas.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pois não. Os sócios das empresas que têm o poder de assinatura.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E quem foram os que assinaram esses empréstimos a que alude V. Sª?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Os sócios das empresas. Só os três poderiam assinar. São três sócios. Sempre um deles com o outro. Marcos Valério, provavelmente, assinou todos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os valores recolhidos por meio desses empréstimos ingressaram no seu controle financeiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – E na contabilidade da empresa.

O SR. SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E qual era a saída dada para esses recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Empréstimo ao PT.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Cada vez que se procedia a uma retirada, o registro era “empréstimo ao PT”?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Olha, essa parte contábil específica...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, não é contábil. É o seu controle financeiro.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No meu controle? Empréstimo ao PT.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não especificava a quem, a que cidade?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, até por que Marcos Valério nunca me deu essa função desse controle. Isso é absolutamente da alçada dele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Até quando V. Sª participou dessa forma de retirada de dinheiro em espécie? Porque houve um período em que foi paralisado isso, não é? Ultimamente, não se faz mais assim,

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu participei diretamente – e onde está nessa listagem aqui constando – durante o ano de 2003.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – 2003?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – 2003, sim.

Em 2004, Marcos Valério mudou a forma. Ou ele diretamente, eu não sei dizer, seria interessante ver com ele...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Através de corretores?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Como?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou através de corretoras?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, ou através de corretora.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais as corretoras que substituíram isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A que eu tenho conhecimento é a Bonus-Banval.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Lá de São Paulo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – De São Paulo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, então, de 2004, o único canal de irrigação desse sistema era a Bonus-Banval?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – De que eu tenha conhecimento, sim. E muitos cheques que Marcos Valério me solicitava, eu entregava para ele e não sabia mais a finalidade.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em 2004, V. Sª não procedeu saques em espécie?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em 2004, eu não fui à agência de Brasília fazer saques, conforme essa listagem. O senhor pode verificar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª disse que costumava usar dois telefones celulares naquele período em que tinha contato, e que, enfim, esse sistema dos cheques, do dinheiro liberado em Brasília, funcionava. V. Sª poderia nos informar o número desses telefones celulares?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pois não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Um, era em nome do Orlando Martins?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pois não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Telefones celulares, sendo um em seu nome e outro em nome do Orlando Martins.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em uma das minhas viagens, solicitei ao Orlando – eu estava fora – que pegasse um telefone para mim. Por quê? O meu telefone, em meu nome, eu recebia muitas ligações e eu não queria mais receber. Os números o senhor quer anotar?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode falar.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – 9953.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Está sendo gravado, inclusive.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – 5444.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Cidade?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sempre Belo Horizonte. 8838-5444. E tem mais um: 8832-9020.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E nisso já está incluído o do Orlando.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu acho que sim, ouviu, Deputado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu perguntei, antes, sobre quais eram os clientes principais. Quais eram os fornecedores principais da SMP&B, os que mais prestaram serviços à SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Eu poderia trazer uma listagem aqui para o senhor de mais de 200 fornecedores.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, os principais. Podem ser os cinco, dez maiores.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Os mais conhecidos?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os de maior valor.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS - TV Globo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – TV Globo.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Jornais, de modo geral, gráficas, TV Alterosa, TV Bandeirantes.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Gráficas, quais as gráficas principais?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Gráficas principais. Nossa! O senhor me dá um tempinho que eu vou procurar me lembrar dos nomes. Até o final da sessão, eu...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, tudo bem.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Está bem?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vai sobrar muito tempo para isso, ainda hoje.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Três Editorial é uma. Gráfica e Editora Três Editorial.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quantas vezes V. Sª veio a Brasília?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Muitas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais ou menos.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em qual período o senhor está-me perguntando?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em qual período? Em 2003/ 2004.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Foi o período em que eu vim mais, sim, principalmente porque, nesse período, nós reformamos a agência, nós mudamos de endereço. Nós saímos do prédio do CNC e fomos para o Edifício Terra Brasilis.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, vamos limitar assim: o período enquanto houve a operação desses saques aqui em Brasília. Quanto tempo foi isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Vinte vezes.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual foi o período de saques em Brasília?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A maior parte dos saques foram em 2003 - que eu participei, como eu já disse anteriormente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De janeiro a dezembro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – De janeiro a dezembro de 2003, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E, nesse período, V. Sª mais ou menos...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Vinte, trinta vezes.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vinte, trinta vezes, no ano?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No ano.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como era procedida a entrega do dinheiro em espécie? A quem a senhora trazia – trazia, não, porque V. Sª sacava aqui em Brasília?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sacava em Brasília.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Procedia ao saque e entregava. Como é que era feito esse controle? Que documentos V. Sª obtinha? De quem os recebia?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nenhum documento.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nenhum documento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, nenhum documento. Às pessoas que eu entreguei pessoalmente, nunca foi exigido documento delas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, de qualquer modo, então já vinha direcionado com o nome da pessoa? Como eu faço o elo? Como a senhora, hoje, nos comprova que tal saque, efetivamente, foi direcionado à determinada pessoa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nós fizemos isso de duas ou três maneiras, que foi o que até já relatei aqui anteriormente. Me dirigia, agência do Banco Rural, e lá já tinha uma ordem da agência de Belo Horizonte disponibilizando aquele valor para Simone Vasconcelos. Eu assinava esse documento e, depois que eu assinava, eu entregava às pessoas dentro da própria agência. Isso foi uma das maneiras. Isso foi uma das formas. E, anteriormente, Marcos Valério já havia me dito: “Simone, fulano e fulano vão te procurar”. Eu sempre marcava o horário ali, porque eu não gostava de ficar dentro do banco com valores relativamente altos, não é?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não havia uma sala especial onde V. Sª ficava?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Aconteceu de o banco me favorecer uma salinha de reunião, sim, só para eu entregar ali a quantia. Eu nunca contei. Era pegar na Tesouraria, passar para essa pessoa e eu sempre me retirar muito rapidamente. Às vezes, a pessoa permanecia, continuava no banco, e eu ia embora. Isso, uma das formas.

Uma outra maneira: estava lá a autorização com o meu nome, eu conversava com os funcionários do banco, que já me conheciam também, e eles me concediam isso: “Simone, se você anotar aqui atrás o nome de quem vem buscar” – e eles também já conheciam essas pessoas – “você pode ir embora”. Eu só escrevia o nome e falava o valor. Então, eu não pegava em dinheiro e eu ia embora, porque aquelas pessoas estavam autorizadas.

Agora, muitos saques foram feitos sem a minha participação, porque já vinha o dado de Belo Horizonte de que o fulano de tal, com aquela carteira de identidade, iria ao banco sacar. Aí, o Banco exigia que essa pessoa assinasse, porque qual era a garantia do banco? Eles tinham que... assim, alguém foi autorizado e esse alguém pegou. Por isso tem tantos saques no meu nome, porque eu autorizava que eles repassassem a essas pessoas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se eu entendi bem, quando era V. Sª que procedia à entrega não havia controle nenhum. V. Sª era quem identificava e entregava?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando a pessoa não a procurava no intervalo que estava lá, V. Sª anotava para quem deveria ser procedida a entrega?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Agora, como é que há um sistema documentado, como é que eu identifico, nessa sistemática, quais as pessoas que receberam de V. Sª?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu sei dizer para o senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Diante dessa listagem aqui, eu sei dizer aqueles a que eu, pessoalmente, entreguei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas não há nenhum lugar onde se possa identificar? Vai ser só a palavra de V. Sª? Eu quero essa contribuição. Não estou duvidando de sua palavra.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas temos várias pessoas que podem dar uma informação diferente, por isso é que a nossa investigação está limitada exatamente a esses documentos, onde, de repente, ficava o nome da pessoa. Aí, nós fomos atrás para tentar ver com quem se procedia o elo.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Agora, nesses casos, no começo, o e-mail só dizia que era para a Srª Simone sacar. Lá não dizia “sacar para entregar para fulano”.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, em Belo Horizonte não há nada disso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não tem.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Identificando documentalmente. E de lá vinha para cá, porque a senhora era comunicada pelo Marcos Valério a quem deveria proceder à entrega.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

Deputado, eu devo acrescentar que o Dr. Marcelo Leonardo entregou, ontem, à Procuradoria mais de 100 documentos, onde podem constar esses...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só como curiosidade: o advogado tem cópia aqui?

O SR. (Orador não identificado) – Posso responder, Presidente?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode.

O SR. (Orador não identificado) – O Marcos Valério esteve...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio.PMDB – PR) – Só quero saber sobre a documentação.

O SR. (Orador não identificado) – Isso. Esteve na Procuradoria-Geral da República ontem, foi ouvido por três Procuradores e entregou mais de 100 documentos, inclusive vários com recibos de pessoas que receberam os recursos. Foram todos entregues lá na Procuradoria-Geral da República ontem, que coincidem com os dados da lista completa que ele entregou.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa lista que coincide é uma que ele entregou aqui?

O SR. (Orador não identificado) – Sim, senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu teria condições de ver? Eu não vi ainda. Eu não recebi aqui.

É sempre assim. O mais exigido é o Relator e é o último que toma conhecimento.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O Relator e o Presidente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu queria aproveitar este break para dar uma explicação, porque o Brasil inteiro está assistindo aos nossos trabalhos. É uma pena porque, agora, não está aqui o Deputado Pompeo.

Eu queria esclarecer esse detalhe do computador, porque eu vi muitos fazendo sinal de apoiamento, como se houvesse uma conduta equivocada dos nossos técnicos.

Quero dizer que os técnicos estão procedendo segundo o que nós estabelecemos na CPI, que é o quê? Não é possível alguém estar tabulando no computador e, imediatamente, passar informações.

Eu queria aproveitar a presença do Deputado Pompeo para prestar um esclarecimento a propósito da sua intervenção. Nós, de fato, estabelecemos, na CPI, que haveria um horário em que toda a documentação seria posta à disposição e os técnicos estariam juntos para esclarecer o que quisessem.

Agora, quando eles estão trabalhando, não tem ninguém, nem Presidente, nem Relator, nem o Deputado Carlos Sampaio, que foi anunciado, que tenha acesso, porque um dos objetivos nossos foi exatamente produzir e com um detalhe, e justificamos isso na época: se um Parlamentar vai lá e obtém um dado, neste momento, e daqui a uma hora vai outro Parlamentar e o obtém, o dado não é mais o mesmo, porque a inserção vai evoluindo. Aí, poderão dizer: “Não, como que para mim foi dada uma informação e para outro ela já pode estar cancelada?”

Ontem, um site nacional disse que um Deputado havia renunciado ao mandato. Eu tenho isso documentado em meu gabinete. Meia hora depois, não estava mais documentado, o site retirou.

Enfim, o objetivo não é restringir nada a ninguém.

Já vou me antecipar, para não haver intervenção: V. Sª tem todo o direito e nós, com certeza, para qualquer dúvida que houver, queremos ser abertos e transparentes em relação a todos.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Relator, dialogo muito rapidamente com V. Exª só para dizer que eu estive lá e me foi dito exatamente o que V. Exª me disse. Eu estive lá às 14 horas e 30 minutos ou às 15 horas e me disseram que só depois das 17 horas. Eu voltei lá às 19 horas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, mas é no horário específico.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Exatamente, no horário de 17 às 19 horas. Fui exatamente nesse horário. Fui atendido, e bem atendido, pela assessoria. Na hora de disponibilizar o documento, eles me disseram: “Está bom, o atendimento foi bom, foi ótimo, só que não posso lhe fornecer, a menos que o senhor peça ao Deputado Carlos Sampaio”, o que não tem nada a ver. O Deputado Carlos Sampaio nem ficou sabendo, nem foi localizado.

Quero dizer, Sr. Presidente que não tenho que pedir para outro Deputado, para que ele arrume para outro Deputado ganhar não sei o que. É isso o que não pode acontecer. As coisas têm de ser claras.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, nós estamos na oitiva dos trabalhos.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Muito obrigado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem, já entendemos.

O SR. (Orador não identificado) – Vamos voltar para a oitiva, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Olha, eu quero, mais uma vez, lamentar esse rame-rame, conhecido, que já foi longamente debatido, e peço ao Deputado Osmar Serraglio que V. Exª depois, numa conversa ampla com o Deputado Pompeo de Mattos, sem hora para terminar, explique tudo que é necessário ao bom encaminhamento dos trabalhos da CPMI.

Concedo a palavra ao Relator, Deputado Osmar Serraglio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De qualquer modo, quero ressalvar que o Relator pode-se manifestar, sim, a qualquer tempo, segundo o andamento dos trabalhos.

Há uma informação conflitante nos depoimentos de V. Sª e de Karina e João Cláudio Genu, em relação ao local onde teria sido procedida a entrega, num hotel em Brasília. Ambos dizem que V. Sª procedeu à entrega no Hotel Gran Bittar e aí, salvo engano, V. Sª diz que no Hotel Gran Bittar ou não se hospedou, ou não procedeu à entrega.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Posso fazer uma sugestão, Deputado?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – De posse dessa relação das pessoas que eu fiz a entrega, se a gente fosse passando um a um, eu vou-me lembrando e dizendo como foi a cada um. E vai chegar no João Cláudio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, mas a pergunta específica é: V. Sª, alguma vez, esteve no Hotel Gran Bittar e procedeu à entrega a alguém?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu já me hospedei, uma vez, no Gran Bittar e não me lembro se lá eu entreguei. Estive em um hotel e entreguei no hall do Hotel. Estive com o João Carlos Genu no hall do hotel, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No Gran Bittar?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei dizer qual o hotel. Não sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conferiu, junto com o Marcos Valério, essa documentação que foi apresentada à Procuradoria?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teria condições de disponibilizar para a CPMI esse acervo de registros que tem no seu sistema financeiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No que diz respeito a esses documentos, a essas anotações, todas foram repassadas para o Marcos Valério e não tenho mais nada. Eu não tenho anotações que fomos fazendo. Agora, a contabilidade...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A memória de seus registros está no computador?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, está lá. Está à disposição.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E V. Sª colocaria isso à disposição da CPMI?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª procedeu à identificação junto à Polícia Federal, fez uma partilha na averiguação dos nomes, dizendo, num primeiro momento, aqueles que, com certeza, procedeu à entrega. Num segundo momento, um rol daqueles de que não se lembraria muito.

Eu pergunto: V. Sª está lembrando do seu depoimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ao esclarecer essa listagem, isso é o que o senhor está me perguntando.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se eu vou seguir a listagem ou não, se V. Sª me permite, eu é que vou entender como vou conduzir o interrogatório.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pois não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aí, V. Sª, em seguida, dá o nome de pessoas às quais nunca teria procedido à entrega. Lembra desse seu depoimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Lembro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª confirma esses dados?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Confirmo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais são as pessoas que sabem dos empréstimos? Falamos antes e vou retomar um pouco.

Quais as pessoas que, efetivamente, conhecem os empréstimos realizados por Marcos Valério e que, na verdade, não eram para suprir as necessidades da empresa? Eram para que Partido ou para que Partidos e, eventualmente, para que políticos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O senhor está-me perguntando pessoas?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Dos empréstimos.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Da agência?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É. Não, pode ser dos diretores da empresa e externamente.

V. Sª conhece Delúbio Soares ou ouviu falar o nome?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Com certeza.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sílvio Pereira?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não conheço.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca esteve lá?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – José Genoino?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – José Dirceu?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esses nomes,em algum momento,estiveram relacionados a esse empréstimo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Delúbio Soares.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Delúbio Soares.

Foram dois empréstimos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Foram quatro ou cinco. Tem alguns em nome da SMP&B e alguns em nome da Graffiti.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Da SMP&B foram dois?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dois ou três, tem essa listagem aí.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Se não lembra, tudo bem. É que estamos falando em milhões e a gente estranha que V. Sª não tenha nem o núcleo dos milhões. Como é que vamos acreditar nos detalhes quando falar que vem de lá e não aparece o nome de ninguém? Aí, faz uma lista e diz: “Eu dei esse dinheiro para o fulano de tal”.

Estamos tentando construir um núcleo para que possamos emprestar o máximo de veracidade e verossimilhança ao que V. Sª nos diz.

A V. Sª nunca foi mencionado o nome de quem deveria receber dinheiro em Brasília, a não ser através de Marcos Valério?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O registro de V. Sª era um registro financeiro, saída empréstimo do PT, mas, de qualquer modo, a contabilidade não pode ficar com o caixa de milhões. Como se procedia o controle na contabilidade? Como é que se dava baixa a esse dinheiro todo que entrou na conta da SMP&B e da Graffiti?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Entrou como empréstimo bancário e saiu como empréstimo ao PT.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas não havia documento para ser contabilizado.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Essa documentação ou esse controle é feito no escritório de contabilidade. Não é da minha função fazer a escrituração contábil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu sei, mas estou tentando... como diretora financeira, qualquer contador fica com essa dúvida: se, de um lado, temos o ingresso de R$40 milhões, R$50 milhões, o caixa vai ficar com R$40 milhões, a menos que eu vá jogando documentos ali dentro para dar...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Os cheques emitidos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas os cheques eram saque em dinheiro.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, saque em dinheiro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Continuam no caixa.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei dizer, contabilmente, como é isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Saía do banco e ia para o caixa, é a saída do caixa.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – E o cheque emitido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, talvez V. Sª não esteja entendendo.

No balanço existem, no setor disponível, caixa e bancos. Portanto, disponível: dinheiro.

V. Sª, com cheques, tirou dos bancos e jogou no caixa. Continua disponível e, portanto, ficou pior para a contabilidade, porque enquanto estivesse no banco, estava perfeitamente registrado. Fisco nenhum ia incomodar. Agora, quando o Fisco vê que o dinheiro saiu do banco, milhões no caixa, e não é dada a baixa, a pergunta é simples.

Eu não acredito, porque seria uma confissão ao Fisco de que a SMP&B estava errada, equivocada. Portanto, ela teve que dar baixa. V. Sª não sabe se foram notas industriadas, se foram recibos, enfim, ou transferências para outras empresas do grupo. Como se deu baixa no Caixa da SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, o que possa esclarecer a respeito disto é que, a partir de segunda-feira, agora, a Receita Federal está dentro da agência fazendo toda essa conferência, essa fiscalização. Aí isso vai se esclarecer. Não sei o que esclarecer, aqui, agora.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca foi solicitado a V. Sª que procedesse à busca de documentos, enfim, de alguma forma que pudesse comprovar essa saída desse dinheiro? Nem junto ao PT? O PT, alguma vez, deu algum recibo que substituísse essa saída de dinheiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não do me conhecimento. Se houve, foi diretamente entre Marcos Valério com o contador da empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse contador é de uma contabilidade terceirizada?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse contador é uma pessoa que tem um trânsito permanente na empresa ou é um mero registrador?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Ocasionalmente ele está lá, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª tomou conhecimento – embora não seja da SMP&B – da queima de muitos documentos que estava ocorrendo, tanto é que Parlamentares daqui se dirigiram e acompanharam o que estava ocorrendo lá em Belo Horizonte?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É. Embora eu estivesse fora – eu estava viajando – tomei conhecimento sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Soube que documentos eram e a que se relacionavam?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não. O que eu sei é o que saiu na imprensa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eram notas de empresas de todo o tipo. Estou falando isto para que V. Sª entenda que eu tenho que supor que a única maneira de dar baixa nesse caixa, para não ficar tão elevado, era esse engenho dessas notas. Isto deve ter ocorrido na DNA e, talvez – e, aí, V. Sª disse que o fisco vai identificar a partir de segunda-feira – deve ter ocorrido também na SMP&B.

Há uma questão que está pendente. Parece que V. Sª já a esclareceu, mas para que a CPI tome conhecimento. Aquela remessa que se realizou para São Paulo, para Roberto Marques. Em um primeiro momento, a documentação foi para Roberto Marques e, depois, uma outra foi para – parece-me que é algo parecido com Mancuso. O que V. Sª sabe sobre essa remessa? O nome é Mazano – lembra desse episódio?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Tomei conhecimento disso agora, pela imprensa, dizendo, inclusive, que eu havia afirmado que....

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É, parece que V. Sª foi inclusive entrevistada – ou não?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso é mentira. Eu nunca conversei com jornalista algum – nem por telefone, nem pessoalmente; nada.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas o jornalista atribuiu a V. Sª a entrevista?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E tirou isto a limpo sobre o fato?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Eu não conversei com jornalista algum a respeito disto.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não em relação ao jornalista, mas à remessa.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, aí eu fui buscar o que era isto.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E daí?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Realmente tem uma autorização que saiu de dentro da SMP&B para Roberto Marques e que no dia seguinte foi substituído por esse outro nome – Luiz.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Luiz Mazano?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A Geisa Dias era a sua imediata, a gerente financeira?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse controle mais efetivo da documentação, não só o aspecto financeiro, mas o aspecto contábil, está mais afeto a ela?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela sabia desses empréstimos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O Sr. Bruno, do Banco Rural, é em Brasília ou em....

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em Belo Horizonte.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Belo Horizonte.

Esse episódio relacionado à busca de dinheiro em espécie acontecia efetivamente? Havia solicitação ao Banco em Belo Horizonte e o dinheiro carreado em espécie para a agência da SMP&B para o escritório?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Já aconteceu, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Fisicamente, V. Sª lembra de algum transporte desses para nos dar uma dimensão de como ele ocorria? Em malas, o tamanho de malas, como é que esse dinheiro era transportado da agência do banco para dentro da SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Através de motoboys contratados pela empresa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas eles punham dentro do quê?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Uma mochila.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Uma mochila?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É, motoboy...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Houve alguma circulação de mala de dinheiro dentro da SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, do meu conhecimento, nunca vi.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece Zilmar Fernandes da Silveira?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Conheço.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa pessoa mora em Belo Horizonte? No Rio?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A residência dela eu acredito que seja em São Paulo...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – São Paulo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – ... embora ela já tenha me dado também, ocasionalmente, um telefone de Brasília.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela é sócia?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A informação que eu tenho é que ela é sócia do Sr. Duda Mendonça.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do Duda Mendonça.

Alguma vez ela recebeu dinheiro da SMP&B que, de alguma forma, estivesse relacionado não a ela especificamente, mas ao grupo Duda Mendonça?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Vocês prestavam serviços ao grupo Duda Mendonça?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eram empréstimos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Era solicitação do Sr. Delúbio ao Sr. Marcos Valério e ele me pedia que fizesse isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Aqui se diz que, embora por prepostos, a Zilmar Fernandes da Silveira teria retirado, só no ano de 2003, R$15,5 milhões. Isso aqui é verdadeiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Essa listagem é a que Marcos Valério elaborou, não é a que eu participei diretamente. Aí eu tenho essa informação de que foram os R$15 milhões.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quer dizer, isso aqui V. Sª... e a informação direta da qual V. Sª tem conhecimento o que é que fez? Fez pagamentos a ela? E quanto somou o pagamento que fez a ela?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O conhecimento que eu tenho é desse valor aí, dos R$15 milhões. Porque eu diretamente nunca fiz.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Teria, como diretora financeira, algum esclarecimento de que ligação era essa do Duda Mendonça com o Marcos Valério para tirar de lá R$15,5 milhões?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A informação que sempre chegou a mim é de que era acerto de campanha.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Acerto de campanha?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse dinheiro, então, teria saído do dinheiro emprestado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dos empréstimos que a SMP&B e Grafitti tiveram dos bancos e que emprestamos ao PT. Desses valores, R$15 milhões fazem parte.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não há nenhuma conversa em relação à participação de Duda Mendonça como sócio oculto da SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando daqueles pagamentos que V. Sª disse que paralisou em 2003, a SMP&B não procedeu mais em Brasília a pagamentos através de alguma outra pessoa sem ser V. Sª?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não tenho conhecimento.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O que é que faz V. Sª acreditar que os pagamentos feitos a Bônus-Banval sejam destinados ao PT?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Marcos Valério já me disse isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Foi ele também que lhe disse que o dinheiro da Garanhuns ia para o Valdemar Costa Neto?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ele dava a entender que o dinheiro todo que ia parar Bônus-Banval ia para o PT, não havia ninguém e também da Garanhuns era para o Valdemar Costa Neto?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, a informação do Marcos Valério a mim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe como a Garanhuns entrou nesse contexto? Como foi escolhida? Como corretora? Havia algum amigo de alguém?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, não tenho conhecimento. Eu atendia a solicitação do Marcos que se fizessem depósitos ou cheques administrativos para Garanhuns.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do Marcos Valério, empresa SMP&B, fosse quem fosse do grupo, não houve transferência de recursos para políticos, campanhas, partidos políticos? (Pausa.)

Até agora o que eu estou estranhando é que os empréstimos é que foram a fonte das transferências realizadas.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Hum, hum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só os empréstimos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª leu a versão do Deputado Roberto Brant?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A versão nos jornais de que o dinheiro que ele recebeu, na verdade, teria sido uma transferência, cuja origem era a Usiminas?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, não tenho conhecimento disso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A retirada do Marcos Valério da SMP&B era unicamente do pro labore?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ocasionalmente, tinha distribuição de lucros.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª lembra de algum valor?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Anual? Que correspondesse à distribuição de lucros?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sabe se o Marcos Valério tinha aviões do Banco Rural à disposição, quando quisesse?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – À disposição dele, não. Sei que, eventualmente, ele já viajou.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Esse eventualmente corresponderia a que mais ou menos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não sei, Deputado. Marcos sempre viajou muito. Por qual e para onde ele foi, eu não sei dizer.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª conhece Carlos Rodenburg?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Do Opportunity?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Daniel Dantas?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nunca estiveram lá na SMP&B que V. Sª tivesse visto?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Que eu tenha visto, não.

É importante dizer que eu trabalho em outro andar. A agência são dois andares. Eu trabalho no outro andar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Que elo de ligação e que informações, enfim, V. Sª poderia nos dar em relação a 2 S Participações?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Tomei conhecimento que é uma empresa de Marcos Valério e de sua esposa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não havia uma migração de recursos, por exemplo, DNA, dinheiro para dentro da SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Aconteceu, sim

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A que título era isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – De um empréstimo. Lembro especificamente de uma vez em que a gente, dias depois,...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Lembra do valor?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dois milhões.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Da 2S?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, DNA.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só da DNA?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O senhor me perguntou da DNA, eu me lembro de uma...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, não, não. A DNA eu já virei a página. E da 2S?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não me lembro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Da Graffiti?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Da Graffiti, sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Lembra mais ou menos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Inclusive um empréstimo que entrou na conta da Graffiti, os valores foram repassados para a SMP&B.

O SR. RELATOR  (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na Polícia Federal, em julho agora, no dia 12, a senhora afirmou que a Eliane Alves Lopes, uma funcionária aqui em Brasília, acompanhou uma vez ao Banco Rural. Há cinco saques efetuados por ela no valor de R$450 mil num período de sete meses. V. Sª tem conhecimento da destinação desse dinheiro, retirado por Eliane Alves Lopes?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, tenho conhecimento.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A quem seria?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Só para esclarecer: quando eu disse à Polícia que a Eliane foi uma vez à agência, eles me perguntaram se eu já fui acompanhada à agência alguma vez. Sim, fui com a Eliane. Nesse dia ela ficou sentada lá, não fez nada, ela foi apenas me acompanhar, porque a gente ia almoçar ou fazer alguma coisa. As outras vezes, os outros saques da Eliane, ela foi sozinha. Eu tenho conhecimento de que uma das vezes ela entregou para o – a pedido sempre de Marcos Valério –, para o Sr. João Carlos Genu e para Marcos Valério. E para Marcos Valério também.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Para o próprio Marcos Valério?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim. Provavelmente ele pediu, porque eu não estava em Brasília, pediu para ela.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – (Pausa.)

Depois vocês vão ficar até a meia-noite, e eu estou perguntando bem objetivamente ainda.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Até 3 horas da manhã por mim, Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Os técnicos da CPMI encontraram um cheque administrativo da SMP&B nominal à Garanhuns no valor de R$78 mil, que foi depositado na conta de Ademar de Barros Filho no Banco Itaú, agência 445 – agora apareceu um outro de cento e poucos mil. Ao que tudo indica, o modus operandi da empresa em que a senhora trabalha é diversificado, pois além dos saques nas agências do banco eram usados cheques administrativos para repassar recursos.

Como V. Sª fazia esse controle dos verdadeiros beneficiários, como esse caso da Garanhuns? Como é que sabe efetivamente a seqüência e a quem esse dinheiro aportava? Qual era o registro que V. Sª tinha?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O número do cheque. O número do cheque ou do TED; a destinação era empréstimo PT. Eu não tinha que me preocupar, porque isso é absolutamente da incumbência de Marcos Valério, a quem foi. Eu me preocupava, sempre me preocupo sempre com que a minha atuação na agência esteja preservada do destino dos valores, porque realmente passaram valores muito significativos pela minha mão. Então, eu sempre me resguardei de que determinados valores eram solicitados por Marcos Valério. Isso estando claro, eu não ia adiante, porque aí ele nem me dava essa abertura para isso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Eu teria outro questionamento.

Por meio da Garanhuns, por exemplo, foram entregues R$120 mil para uma senhora que é isenta de Imposto de Renda, é uma pessoa de inexpressão econômica; então aparenta ser testa-de-ferro para saque do dinheiro, e foi por intermédio da Garanhuns. A seqüência da Garanhus V. Sª não tem?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não. Me passavam os dados, eu simplesmente fazia o repasse.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A senhora disse que somente em 2002 o Sr. Marcos Valério solicitou que a senhora – até porque entrou lá em 2002...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, eu entrei em 99.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Desculpe, então. É isso mesmo. Mas, em 2002, a informação que V. Sª dá na Polícia é de que lhe foi solicitado por Marcos Valério que começasse a proceder a um trabalho, “diferente” do que estava acostumada, e foi quando começou a efetuar os saques. V. Sª fala que essa conduta diferente era diferente em relação a V. Sª ou era algo novo na empresa? Em outras palavras, a empresa antes procedia dessa mesma forma?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Só para retificar. Quando eu disse à Polícia Federal que era em dezembro, eu quis dizer para o delegado: “Não, não foi dezembro de 2002, não, foi a partir dos empréstimos”. Comecei com essa documentação em janeiro. Acredito que o primeiro saque foi em janeiro ou fevereiro de 2003. Diferente de toda minha rotina, sim. Nunca havia tido esse tipo de empréstimo...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Veja bem esse detalhe que V. Sª está dizendo: V. Sª começou com esses saques em janeiro e fevereiro de 2003?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª entende que, nesse momento, os empréstimos já estavam feitos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Estavam acontecendo. Estavam acontecendo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teria como explicar os valores repassados para SMP&B para tradings? No mesmo dia 30 de julho de 2004, foram repassados R$1,9 milhões para a By Brasil Trading Ltda., em Santos, e R$976 mil para Athenas Trading, em Vitória, no Espírito Santo. V. Sª sabe algo sobre isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não sei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O somatório entre tradings, factoring e as corretoras, em seis meses, totalizou R$13 milhões de repasses, abonos. V. Sª conhece Benoni Nascimento de Moura?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Desculpe-me. Não ouvi.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Benoni Nascimento de Moura?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Já ouviu falar na Stone Factoring?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Factoring Express, de Alexandre V. Castro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Deixarei a lista dos beneficiados pelos saques aos meus já indóceis companheiros. De qualquer modo, reservo-me o direito de, na seqüência, eventualmente, prosseguir com algum outro questionamento.

Sr. Presidente, devolvo-lhe a palavra.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Em alguns minutos a palavra estará com a Senadora Heloísa Helena.

(Pausa.)

Peço aos Srs. Parlamentares que tomem os seus lugares, por favor.

A palavra está com a Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu já disse várias vezes que eu não tenho problema de falar no meio da feira nem no meio de menino gritando, eu falo e tudo bem. Só solicito a V. Exª que peça para pelo menos as pessoas sentarem, não para mim, mas pelo depoimento e pelas pessoas que nos ouvem. Porque sou acostumada a falar com gente gritando, não tem problema algum. E ajustar meu tempo para eu começar a falar, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu gostaria que fossem ajustados os 15 minutos, por favor, assessoria técnica.

Com a palavra a Senadora Heloísa Helena por 15 minutos.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, Sr. Relator, membros da Comissão Parlamentar de Inquérito. Srª Simone, logo no início da reunião, discutiu-se aqui até que havia um apelo, não sei se de V. Sª ou se do advogado, no sentido da possibilidade de reunião secreta. Às vezes porque as pessoas se sentem mais à vontade, às vezes porque a exposição pública não agrada, cria problemas com a família, com a pessoa, mas muitos de nós aqui dizíamos que seria impossível fazer uma reunião secreta, não porque isso pudesse significar criar mais problemas para a senhora. Não. Não que quiséssemos criar mais constrangimentos. Não por isso. Mas porque, como, perante a opinião pública, seria a senhora uma das pessoas que estavam a disponibilizar nomes e pagar a determinados Parlamentares, isso poderia até criar na sociedade uma suspeita de que se queria uma reunião secreta para evitar que alguém pudesse ser constrangido em ser citado por V. Sª como receptor do esquema sujo, claramente sujo, que nos envergonha a todos e envergonha o País.

Sou muito tentada, especialmente quando é uma mulher, ou quando é alguém que não era chefe, não estava chefiando, não estava fazendo as grandes articulações desse esquema monstruoso que foi montado, sempre sou muito tentada à calmaria, ao mecanismo de proteção.

Claro que quando a senhora aí sentou, em todas as respostas ao Relator a senhora se mostrou – para todas as pessoas o comentário era esse, o comentário dos e-mails é esse também – a senhora se comportou de forma fria, arrogante, em relação aos questionamentos do Relator. Claro que isso pode ser um mecanismo de defesa. Lógico que a pessoa pode ser fria, arrogante, ou estar tão tranqüila em relação ao que estava fazendo, ou pode ser um mecanismo de defesa, ou pode ser cansaço, mas eu sei que sabe a senhora – sabemos todos nós – que a senhora pode até estar cansada de ter repetido essas mesmas perguntas na Polícia Federal, no Ministério Público; nós também estamos cansados, às vezes ouvimos um depoimento num dia, outro diferente na Polícia Federal, outro diferente no Ministério Público, agora tenha certeza de que mais cansado do que todos nós nesta sala está a grande maioria do povo brasileiro, de ver a banalização da promiscuidade entre o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, empresários que agiram em conluio com esse esquema.

Porque tenho certeza, Srª Simone, de que a senhora ou a sua família, ou conversando em casa, tenho certeza de que, se a senhora estivesse assistindo a todo esse cenário, V. Sª estaria profundamente indignada. Pode estar até indignada de acabar sendo envolvida em algo que não usufruiu pessoalmente. Porque até agora não foi demonstrado nada que a senhora tenha usufruído pessoalmente para enriquecimento pessoal. Mas a senhora está sendo parte desse esquema monstruoso que foi montado.

Olha, quando lemos os depoimentos que foram prestados pelas personalidades envolvidas ou acompanhamos as ações do jornalismo investigativo, é algo desprezível, porque o que passa na cabeça de qualquer pessoa honesta, de qualquer pessoa séria, é que era dinheiro público que estava envolvido. Ninguém jamais poderia pensar, primeiro porque empresário não faz caridade; banqueiro não faz caridade; essa gente não faz filantropia, pode até fazer “pilantropia”; filantropia, jamais. Então, imagine o quadro em todos os depoimentos que estão sendo prestados.

A senhora estava na agência, em um dos depoimentos, não sei se confirma mais uma vez, o senhor Marcos Valério ligava para a senhora, perguntava qual a cor da blusa que a senhora estava. Então, o receptor do dinheiro ia até a senhora pela blusa que a senhora estava, uma pessoa desconhecida, que não poderia ser reconhecida, e pegaria o dinheiro – em valises, em sacolas, em malas ou em carro-forte. O carro-forte, conforme a senhora disse, por três vezes, no depoimento inicial, providenciou o dinheiro que fosse ou em carro-forte, ou ia para o hotel, entregava ao Sr. Marcos Valério que, por sua vez, entregava a quem ele queria. Parecia que eu estava vendo aquela história do Ali Babá e os 40 ladrões, que a senha era “Abre-te, Sésamo!”. O receptor do dinheiro chegava para o gerente – não foi a senhora que disse isso, foi o gerente que testemunhou – e dizia: eu vim buscar a encomenda. Não precisava mostrar documento, aliás, nem precisava mostrar documento, Senador Jefferson, que teve uma hora em que um gerente deu um dinheiro errado. Era para dar 50 e deu 200 ao outro. Só sendo coisa de suborno, de chantagem, de dinheiro público envolvido, porque ninguém deixa que seu dinheiro pessoal, fruto do seu trabalho, mesmo que seja fruto das relações de exploração de trabalho num mundo capitalista, ninguém deixaria tanto favorecimento. Então tem que ter suborno, chantagem, dinheiro público sendo distribuído para partido, para gangues partidárias, para parlamentares, para quem quer que seja.

E o que é mais grave – já está comprovado, só não vê quem não quer – é que houve mensalão. A senhora pode não saber para que era o dinheiro, mas só não vê quem não quer. Tem que ser vigarista ou profundamente ignorante para dizer que não tinha mensalão. Porque o parlamentar recebia pelo quê? Pelos belos olhos de quem? Se alguém recebia, se a gangue partidária ou parlamentar recebia era para prestar um bom serviço, se era um bom serviço numa votação importante para o Palácio do Planalto; mas isso já está absolutamente configurado.

O que a senhora pode nos ajudar muito, porque tenho certeza, a senhora é uma mulher competente, claramente, foi servidora pública, depois resolveu, pela licença sem vencimento, ir para a iniciativa privada, é uma pessoa competente, uma pessoa preparada, então que nos ajude. Não adianta. Aqui ninguém é escravo de ninguém. Só da nossa própria consciência. A escravidão não serve a nada. A escravidão nas pirâmides do Egito, sabe o que ela fazia? Eu nunca vi as pirâmides do Egito, estudei por curiosidade matemática, era uma coisa maravilhosa. Os escravos dos faraós eram enterrados nas proximidades sabe para quê? Para que eles continuassem espiritualmente sendo escravos como eram ainda na sua passagem terrestre. Então sei que a senhora não é escrava e espero que não seja, nem do Marcos Valério, nem de Delúbio, nem de ninguém, porque a história mostra isso, sempre sobra para o lado mais fraco, sempre sobra para o elo mais fraco desse esquema. Quero que a senhora nos possibilite entender algumas coisas que a senhora providenciou.

Sei que o Relator questionou sobre os contratos com o BMG e o Banco Rural, que a senhora providenciou os documentos e que a senhora disse também que presenciou a negociação do Sr. Marcos Valério com o Sr. Delúbio sobre os contratos relacionados ao PT. O que eles diziam, quais os documentos, como entrou o contrato da Eletronorte, os contratos dos Correios?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputada, quando solicitei que ...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não tem problema.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pois é, eu não sou do mundo político mesmo. Quando solicitei ao Dr. Marcelo que fosse em reunião fechada, foi absolutamente para preservar e um pedido da minha família também. Sou apenas uma profissional, não sou do mundo político. Foi só por causa disso, sim. As informações que vou tentar esclarecer ao máximo seriam as mesmas se fosse uma sessão fechada. O meu objetivo aqui é esclarecer, sim, até porque estou no meio disso tudo por circunstâncias mesmo. Sou uma profissional. Tenho o maior orgulho da profissional que sou. Antes que me perguntem, os meus filhos têm o maior orgulho de mim. Talvez isso passe arrogância, porque tenho a segurança da profissional que sou, da minha honestidade também e dos meus atos.

Quando digo que, em 2003, fiz esses repasses, primeiramente, não tinha a dimensão disso tudo que está acontecendo. Não me arrependo porque sou muito grata ao meu emprego, ao Marcos Valério, que me deu oportunidade de trabalhar lá e também possibilidade de um crescimento profissional fantástico e de reconhecimento profissional. Então, quando comecei a ficar muito incomodada por estar entregando valores a pessoas e até correndo... Eu me sentia muito incomodada por estar ali entregando valores e por ser identificada como uma pessoa que estava passando valores. Isso tudo mudou. Não estou dizendo que me arrependo de nada, só estou dizendo que o que fiz foi por determinação do meu patrão.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas se a senhora tinha idéia da origem...

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A origem eu afirmo...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – A facilidade, o problema do empréstimo, depois a contabilidade, viraria quase gestão temerária, porque era muito dinheiro que estava sendo disponibilizado. Havia mecanismos de compensação? A senhora discutia: “Olha, vamos ter problema de caixa. É muito dinheiro que está saindo”. Ou ele dizia que havia compensações, que ele estava bem, que existiam vários contratos.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pois é, Senadora. Essa realmente foi uma situação extra na agência. Quando eu participei... A senhora disse que eu participei de negociação de empréstimo. Não. Sou apenas... Participei da parte burocrática, que é buscar os documentos, porque os bancos exigem contrato social da empresa, referências comerciais, referências bancárias, documentação pessoal dos diretores, etc.

Sei que esses empréstimos foram de negociação de Marcos Valério com Delúbio. Nunca presenciei conversa deles e, sim, informação de Marcos Valério para mim.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Então, houve um problema no seu depoimento, porque a senhora disse que somente presenciou negociações para tratar desses empréstimos realizados entre Marcos Valério e Delúbio Soares. A senhora afirmou no seu depoimento. Então, houve um problema.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Então, essa interpretação está incorreta. Eu nunca estive com Marcos Valério e Delúbio pessoalmente tratando desse assunto.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Quando a senhora disse que a partir de... A senhora disse que, a partir de 2004, por decisão do Sr. Marcos Valério, começou a realizar depósitos na empresa Bônus Banval de valores que seriam destinados ao PT e a efetuar transferências e depósitos para a conta da Garanhuns Empreendimentos. Segundo Marcos Valério, os valores transferidos para a Garanhuns seriam destinados ao Deputado Federal Valdemar Costa Neto. Ou seja, a senhora disse que, até 2003, participava da distribuição em espécie e, em 2004, passou a fazer transferências para a asseguradora Bônus Banval para o dinheiro ir para o PT e para a Garanhuns para o dinheiro ir para o Sr. Valdemar. Esse foi o depoimento. A senhora confirma?

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim. Quando digo que parei, eu pessoalmente de ir ao banco, assinar um documento e entregar em espécie às pessoas. Isso parou. Parei de participar disso. Realmente me senti muito incomodada. Mas, durante o ano de 2004, Marcos Valério me solicitava: “Deposite para tal empresa ou deposite para tal empresa”. Eu providenciava a elaboração dos cheques e assim fazia.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Ele não fazia nenhum comentário com a senhora de que todo esse dinheiro gigantesco... porque é muito dinheiro.

A SRa SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É muito dinheiro.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – É algo impressionante. Se é muito dinheiro para uma Casa política e para pessoas que são acostumadas a fazer procedimentos investigatórios, imagine o significado disso para a grande maioria do povo brasileiro, que fica mais nervoso ainda ao ver essa dinheirama sendo saqueada, e ninguém acredita que não tenha relação com os cofres públicos. Então, quando a senhora discutiu... Vou dar um exemplo de um contrato, porque, infelizmente, é preciso ser rápido por causa do tempo. Vou citar um contrato em que foi dado, como garantia, o contrato dos Correios. Em um dos supostos empréstimos, foi dado como garantia o contrato dos Correios.

O Sr. Marcos Valério, certamente com o acompanhamento da senhora, encaminhou ao gestor administrativo do contrato nos Correios que o recurso deveria ser depositado na conta do BMG. Esse recurso não foi depositado. Em algum momento, o Banco ou o Sr. Marcos Valério levantou alguma questão sobre esse assunto? Eram empréstimos que estavam sendo feitos, de fato, sem garantia. No contrato em que estava sendo apresentado como garantia, a garantia era depositar o dinheiro do contrato dos Correios na conta do Sr. Marcos Valério no BMG. O dinheiro nunca foi depositado – pelo contrário, foi para outro banco. Em algum momento, ele discutia quais os mecanismos de compensação? Como o Banco tratava essa questão? Nunca foi discutido nada disso, se havia um contrato, se haveria compensações, se as situações seriam resolvidas, se financeiramente a empresa teria sobrevida, mesmo tirando milhões a serem destinados aleatoriamente a Parlamentares ou a gangues partidárias?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Senadora, para a minha surpresa, a conta dos Correios era garantidora de empréstimo. Não sei disso.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Os documentos que a Senhora providenciou, então, dos contratos...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concluindo, Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Estou concluindo absolutamente. Mas é importante que, depois, ela possa dizer-nos – já estou reinscrita – quais os documentos providenciados por ela pelos contratos.

Se a senhora, honestamente, está nos dizendo que nem sabe qual a garantia que foi dada, e a garantia que o Sr. Marcos Valério nos encaminhou, afirmando que era o contrato dos Correios, que nem aconteceu, isso passa a ser um fato extremamente relevante. Portanto, reinscrevo-me.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Senador Demóstenes Torres pelo prazo de 15 minutos. Solicito à assessoria técnica que proceda ao ajuste do cronômetro.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srªs e Srs. Parlamentares, senhora depoente e advogados, pergunto à senhora o seguinte: a senhora afirmou que, segundo informações que obteve, o dinheiro repassado aos emissários de Duda Mendonça foi para pagar despesas de campanha. Está correto?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu ouvi dizer isso.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Então, pergunto à Senhora: como o primeiro pagamento aconteceu no dia 24 de fevereiro de 2003 – há uma série de pagamentos, todos do ano de 2003 (em 16 de abril de 2003, R$6 milhões; de 23 de abril a 28 de maio, mais R$4 milhões, e assim por diante) –, esse dinheiro entregue a Duda Mendonça foi para pagar a campanha do Presidente Lula?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei dizer isso.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Porque, em 2002, o Duda fazia a campanha do Lula.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei dizer isso ao senhor.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O Delúbio disse aqui que esse dinheiro que ele obteve de empréstimos era para pagar campanha do PT estadual, ou seja... Mas, pelo que tudo indica e pelos dados que V. Sª entregou, na realidade, esses recursos eram para pagar a campanha do Presidente Lula.

As informações que V. Sª obteve estão nessa direção?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Os pagamentos feitos e informados, feitos pela Srª Zilmar, estão na listagem de Marcos Valério. Eu respondo por essa listagem em que estive presente.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, mas V. Sª entregou essa listagem. Então, V. Sª afiança e diz que ouviu dizer que era para pagar despesa de campanha. Ora, despesa de campanha em 24 de fevereiro de 2003 só pode ser para o Presidente da República.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei a finalidade.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito bem. Pergunto à senhora se vários empréstimos foram feitos, não é verdade? Foram cinco empréstimos e um na operação “mata-mata”, ou seja, para pagar o primeiro empréstimo. Na realidade, foram quatro empréstimos com os recursos distribuídos.

Esse dinheiro era, naturalmente, guardado no banco. Mas que tipo de aplicação se fazia com esses recursos oriundos do empréstimo? A senhora era agente financeira.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Logo que os valores entravam na conta, Marcos Valério me passava as ordens de como seriam distribuídos.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas parece-me que isso não confere. Veja só: foram quatro datas em que os empréstimos foram tomados. Não é verdade? No entanto, a quebra do sigilo bancário mostra que os recursos foram repassados durante 26 meses a partir de fevereiro de 2003. Então, aí não confere com a informação que a senhora está dando. Se ele mandava repassar, a senhora, então, não repassou. Eu quero saber o seguinte: esse dinheiro ficou em que tipo de aplicação no banco? É isso que quero saber.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Na conta da SMPB.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sem aplicação? Na conta normal?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, talvez tenha sido aplicado, sim. Ninguém deixa o dinheiro parado.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Não, mas a senhora é a responsável por isso. Por isso estou perguntando. A senhora é a responsável pelo setor financeiro.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não vou saber dizer qual a aplicação que é. A melhor que o gerente financeiro, o gerente do banco talvez indicasse.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora não sabe dizer isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso não é... Não sei, não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Para mim, é importante. Isso, para mim, é muito importante, tanto é que é uma outra pergunta que eu iria fazer-lhe. É muito esquisito o fato de que era para pagar dívida de campanha. Não era isso? O recurso não era para pagar dívida de campanha? Não é o que a senhora sabia?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O tempo todo, Marcos Valério sempre me disse isto: campanhas políticas.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Era pagar, não é?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. Só que os recursos também foram tomados quatro vezes, completamente fora de temporada da campanha e repassados em 26 meses. Não era um mensalão? Mensalmente, repassavam-se esses recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não tenho conhecimento disso.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora é quem tem conhecimento, porque a senhora é que entregava os recursos. Eu tenho que perguntar à senhora: a senhora não repassava, mensalmente, os recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. Pela própria agenda que a senhora distribuiu, a senhora, mensalmente, repassava...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu distribuía em cima de determinação de Marcos Valério.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. Eu não estou dizendo...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Se era mensal, se era bimestral, se era trimestral...

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Chegava até a ser diário. Podia até ser chamado de “diarão”, porque chegava a ser diário. Eu perguntaria à senhora... No 11º andar do mesmo prédio onde está o Banco Rural, tem uma sala conhecida como sala do mensalão. No 11º andar do Banco Rural! Eu perguntaria à senhora: a senhora já esteve lá, alguma vez, no 11º andar?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É a primeira vez que eu ouço dizer sobre isso.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito bem, eu quero saber se a senhora esteve no 11º andar.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nunca!

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Nunca. O.K. Veja só, eu perguntaria à senhora também o seguinte: agora, no mês de junho, foi feita uma publicação interessante. A Revista Propaganda, endereçada ao público especializado, traz aqui uma série de notícias, dizendo sobre as maravilhas da empresa SMPB, e vem dizendo que, a partir de 1990, com a virada do foco da empresa, com a qualidade criativa, a empresa cresceu muito. Tanto é que passou de R$51,9 milhões de faturamento em 1999 para R$197,7 milhões em 2004.

Muito bem! Agora, o que mais estranha é que a empresa faz a propaganda e diz que os grandes clientes eram, na realidade, o Governo de Minas, os Correios, a Câmara dos Deputados, etc. No entanto, a maior movimentação financeira vem justamente das empresas privadas. E aqui V. Sª teve muita dificuldade para inclusive se lembrar. Para se lembrar da Usiminas foi uma dificuldade! A senhora se lembra da movimentação relativa aos governos. Então, perguntaria a V. Sª – e nós temos condições de fazer esse acompanhamento em relação a plano de mídia, ao que foi publicado, etc: a senhora se lembra de alguma campanha que foi feita para a Usiminas, uma campanha publicitária? A senhora pode descrever essa campanha que foi feita para a Usiminas?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não posso descrever, porque eu não sou do ramo publicitário.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, mas a senhora também faz a administração.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A Usiminas é um cliente e, ao longo do ano, foram feitas várias campanhas.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas a senhora tem uma participação tão íntima na empresa que chega a distribuir recurso. Eu perguntaria: a senhora tem como dizer se a Cosipa é cliente da empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, sim!

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O Banco Ford é cliente da empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, já foi.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A Telemig é cliente da empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A Teleamazônia é cliente da empresa.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É do grupo, né, da Telemig. Eu acho que é do grupo.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim. E, independentemente disso, a senhora não tem notícia de qualquer campanha que tenha sido realizada.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Campanhas publicitárias, sim. Se eles estão na agência é porque têm campanhas publicitárias.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – E a senhora se lembra de alguma campanha?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ah, não s... Como assim? Propagandas.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Não, não se lembra, não é?

Eu perguntaria à senhora o seguinte: esses recursos... Diga-me o seguinte: essas empresas repassaram... porque, veja só, temos só no Banco do Brasil, segundo o Coaf, R$500 milhões em recursos não contabilizados, ou melhor, recursos contabilizados, mas sem origem.

Essas empresas não estariam fazendo... porque a Usiminas já reconheceu que, pelo menos, o Sr. Marcos Valério depôs aqui que teve dinheiro para a campanha de alguém.

Essas empresas não se utilizariam da empresa que a senhora trabalha para fazer doação não contabilizada de campanha, o chamado caixa dois?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não tenho conhecimento disso, e Banco do Brasil é da DNA.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito bem. E em relação ao Banco Rural?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O Banco Rural é cliente nosso.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, a senhora tem conhecimento de que algum desses...porque também no Banco Rural tem recursos sem origem expressivos. Então, perguntaria: essas empresas poderiam utilizar-se da empresa em que a senhora trabalha para fazer doação de caixa dois?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não que eu tenha conhecimento.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Eu perguntaria à senhora a respeito do Sr. Rogério Lanza Tolentino. Ele freqüentava a empresa em que a senhora trabalhava. Ele freqüentava Marcos Valério?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – O.K. A senhora tem conhecimento dessa transação em que a ex-esposa do Deputado José Dirceu vendeu um apartamento para esse Deputado? A senhora teve conhecimento antes do publicado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Fiquei sabendo agora, Senador.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim.

Eu perguntaria à senhora também: a senhora foi exonerada do Governo quando?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu pedi licença em dezembro de 98, fiquei de licença por dois anos, e permite-se que essa licença seja renovada por mais dois anos. Solicitei a renovação e consegui. Ao terminar esses quatros anos...

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora pediu demissão ou foi exonerada por abandono de emprego?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, eu deixei. Eu fui deixando a minha situação lá...

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Foi exonerada por abandono de emprego.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – ...e aí foi aberto um processo administrativo por abandono.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Quanto a senhora ganha hoje por mês na empresa em que a senhora trabalha?

A SRª SIMONE VASCONCELOS – Treze mil.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora recebe alguma participação além disso da empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora recebeu por esses trabalhos que veio prestar em Brasília?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora é inimiga da Srª Fernanda Karina Somaggio?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas eu lhe perguntaria: ela disse que, a partir de 2003, a senhora começou a apresentar um padrão de vida diferenciado. Essa informação confere?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. (Fora do microfone. Inaudível.) que maldade.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Eu perguntaria também à senhora: a senhora tem conhecimento de que outros sócios de Marcos Valério também distribuíam dinheiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora não tem conhecimento disso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora sabe se, porventura, foram feitas remessas ilegais de dinheiro para o exterior utilizando a empresa Beacon Hill?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora trabalha no setor financeiro de lá, não é?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No setor financeiro.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Muito bem.

Eu perguntaria à senhora o seguinte: a empresa em que a senhora trabalha ela faz consultoria?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eventualmente, acredito que sim. Na área de marketing. Aí, não é comigo.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, mas a senhora poderia dizer... Os clientes a senhora conhece bem?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Quais os clientes para quem a empresa em que a senhora trabalha fez consultoria? Porque, na realidade, empresa de publicidade vende produtos, não é verdade?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, planejamentos estratégicos, planejamentos.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora pode enumerar?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu poderia tentar lembrar aqui, sim.

Em toda fatura, vem o descritivo do serviço feito.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Perfeito.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Há um número enorme de faturas emitidas diariamente no setor de faturamentos, e o senhor há de entender que não é a minha atividade estar ali. Isso vem da área de publicidade e vai para o faturamento.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Mas a senhora se lembrou muito bem de algumas empresas que mencionei à senhora.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dos clientes eu tenho conhecimento. Dos clientes, eu tenho conhecimento. Agora, o conteúdo de cada fatura de cada cliente, isso é um volume enorme, Senador.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – A senhora se lembra de pelo menos cinco? É um volume enorme. A senhora se lembra de cinco empresas para as quais a empresa da senhora prestou consultoria?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Consultoria? Não, não vou arriscar dizer porque não sei de cabeça.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – É um volume imenso como a senhora mesma disse.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Volume imenso de trabalho.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Perfeito e, portanto, de consultorias também. Acredito eu, não? Ou a empresa não presta consultoria como disse aqui o Sr. Marcos Valério?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Presta, presta serviço, sim.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Mas a senhora não se lembra de nenhum cliente, não é verdade?

Eu perguntaria à senhora o seguinte: a senhora conhece o Dr. Marcelo Leonardo desde quando?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Agora, nessa...

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Sim, a senhora sabe se ele é procurador da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL – GO) – Não sabe? E a senhora sabe se a Assembléia Legislativa é um dos clientes da empresa da senhora?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS É.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) Muito bem. Pergunto a senhora o seguinte: a revista Veja tem gravada, segundo o repórter com quem conversei, uma entrevista que informa que o Sr. Bob Marques era realmente o assessor do Sr. José Dirceu. A senhora não fez essa declaração à revista, a senhora diz...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Nunca conversei com jornalista algum.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) Certo. Esse Bob Marques, quem foi que o indicou para receber o dinheiro? Porque o documento saiu, ainda que ele possa não ter recebido o dinheiro.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Eu não sei dizer se ele recebeu algum valor ou não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) Sim, não estou dizendo que ele recebeu, mas quem o indicou para receber? Porque a senhora é quem fazia os repasses, não era isso?Ou pelo menos de documentação, TED, DOC, o que fosse.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Todas as solicitações sempre foram feitas por Marcos Valério para mim...

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) A senhora não se lembra...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Não me lembro de ter Roberto Marques.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) A senhora já esteve no 14º andar do Gran Bittar, aqui em Brasília?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Não sei.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) No 14º andar. Não, a senhora disse que esteve somente no hall.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Eu não sei todos os hotéis em que já fiquei aqui em Brasília. Já fiquei em inúmeros hotéis. Se já me hospedei no 14º andar?

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) A senhora conhece alguém chamado Ricardo Machado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Conheço.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) O que esse senhor faz para a senhora? Quais os serviços que ele presta para a senhora?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Serviço para mim nenhum.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) A senhora conhece ele como? A senhora conhece uma mulher que se chama Jane, aqui em Brasília?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Jane, não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) Uma cafetina. A senhora conhece uma cafetina, aqui em Brasília, que se chama Jane?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Não.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS E que, por informações, teria encontrado com a senhora no 14º andar do Gran Bittar. A senhora está sob compromisso. Isso não incrimina a senhora...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Eu estou dizendo que eu não tenho noção disso que o senhor está falando.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) Estou-lhe perguntando. É verdade ou é mentira?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Não, o senhor está dizendo. Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) A senhora se encontrou com a Srª Jane para fazer pagamentos para ela no 14º andar do Hotel Grand Bittar? É uma pergunta que estou fazendo à senhora.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Não.

O SR. DEMÓSTENES TORRES (PFL GO) Estou satisfeito. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT MS) Com a palavra o Senador Alvaro Dias.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB PR) Sr. Presidente, Srs. Congressistas, senhora depoente, constatamos uma evolução impressionante desde 1º de julho a 1º de agosto. Em 1º de julho, houve um depoimento e, no dia 12 de julho, outro depoimento, em que a senhora chegou a declarar que não compareceu a qualquer agência bancária em Brasília com a finalidade de realizar saques de espécie alguma. Sugeriu que a existência de tais saques na movimentação bancária da empresa se destinavam a pagamentos de cachês de artistas. A senhora, no dia 1º de agosto, faz um depoimento totalmente diferente, com uma mudança radical, agora, sim, contribuindo efetivamente. Creio ter sido o primeiro depoimento com muito de verdade. Isso nos anima a indagar, na esperança de que a senhora possa acrescentar aqui novas verdades. É tão importante esse depoimento que a senhora prestou no dia 1º de agosto que esse documento, com a sua assinatura, é uma prova documental que permite a esta Comissão Parlamentar de Inquérito indiciar pessoas. E vou além, se o Sr. Presidente e o Sr. Relator desejarem, podemos antecipar procedimentos e encaminhar à Mesa da Câmara dos Deputados, para instauração de processo de cassação de mandatos parlamentares, antecipando-nos à estratégia da renúncia para a preservação dos direitos políticos.

Veja, Srª Simone, como foi importante esse depoimento em que se disse um pouco da verdade toda. Já que nesse depoimento, além de citar as pessoas que sacavam na boca do caixa, que recebiam das suas mãos, há citação das pessoas que recebiam, ao final, esses recursos, ou seja, as pessoas beneficiadas nesse processo de desonestidade.

Temos aqui um cronograma do repasse. Há um desdobramento com a documentação bancária, que é prova consistente. Portanto, temos elementos de prova, até para antecipar um procedimento de encaminhar à Mesa da Câmara dos Deputados para uma eventual cassação de mandatos.

Tenho a esperança de que a senhora possa nos revelar mais. Afinal, disse que não se arrepende de ter participado desse projeto, disse que não imaginava a sua dimensão. Mas, certamente, hoje concorda, com todo o País indignado, que não foi um exemplo de procedimento, não foi o procedimento que possamos denominar de correto, de honesto, de dignidade e de decência, porque, no mínimo, guarda uma relação muito estreita com operações espúrias, operações desonestas; uma relação incrível de intimidade, de informalidade das agências do Sr. Marcos Valério com o Banco Rural, que admitiu realizar operações no mínimo estranhas, inclusive com liberação de recursos a pessoas por equívoco –o ex-tesoureiro admitiu ter repassado R$200 mil para a pessoa errada. Enfim, isso revela uma associação espúria das agências, e a senhora participava como diretora financeira. E o Banco Rural, que admitia essa modalidade de atividade, no mínimo espúria, que está a merecer uma investigação rigorosa do Banco Central.

Eu indago se, depois de refletir durante esses dias, a senhora realmente continua a afirmar que não conhecia uma participação política de maior abrangência nesse projeto. A senhora só fez referência ao Delúbio Soares. A senhora não teria mesmo conhecimento de outros nomes da política, do Governo, dos partidos? Até porque é impossível alguém manter tanta discrição. O Sr. Marcos Valério pode ser o homem mais discreto do mundo, mas certamente ele satisfaria a sua curiosidade por estar participando dessa engenharia. Então, dou mais essa oportunidade à senhora. Não se trata de uma delação premiada, não. Estamos aqui apenas solicitando a sua contribuição para que as investigações cheguem a um bom termo. E a senhora está como testemunha. Então, não a estamos ouvindo como investigada.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Senador, o meu objetivo aqui é realmente esclarecer aquilo que eu sei. Não vou inventar, não vou inventar realmente. A única pessoa que sei, envolvida nisso tudo, é o Sr. Delúbio Soares.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E o Silvio Pereira?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu nunca estive com o Silvio Pereira.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas não sabe da participação dele? Além do Delúbio Soares, Silvio Pereira...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, Silvio Pereira, sim.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Ele sabia dessas operações?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sabia dos repasses.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – José Genoino?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei. Não sei.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mesmo o irmão recebendo, ele não tinha conhecimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não posso dizer que eu saiba disso. Eu não sei disso.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não, é porque... Está no documento assinado que o irmão do Deputado José Genoino recebia.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Assinado por Marcos Valério?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exatamente.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Hum, hum.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Assinado por Marcos Valério, Senador.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O José Dirceu?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nunca ouvi.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora não teve conhecimento da reunião dele em determinado hotel de Belo Horizonte com dirigentes do Banco Rural para tratar desses empréstimos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Senador, não estou aqui tão preocupada em ficar falando que fiz isso ou fiz aquilo ou ... Na realidade, a agência são dois andares. Eu ocupo o sétimo andar, onde a gente brinca, que é chamado de porão, porque a parte administrativa da agência, a diretoria e os sócios ficam no oitavo andar, onde as coisas acontecem. E quero salientar que Marcos Valério pouco fica na agência, ou ficava na agência. Não sei dos passos de Marcos Valério, e nem ele me daria satisfação. Sou uma funcionária dele de confiança. Apenas.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Como diretora financeira, certamente, a senhora terá mais informações a fornecer sobre essas operações de natureza financeira.

O Relator já indagou sobre recursos depositados, via Guaranhuns, em nome de terceiros. Ele não citou o nome de Edna Maria Ricci. A senhora conhece a Srª Edna Maria, que recebeu R$400 mil em nome de uma empresa de nome TecMontagem Construções Ltda?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É estranho que uma agência de publicidade repasse recursos para uma empresa dessa natureza, que é uma empresa de construção. Parece-me que essa pessoa é isenta de declarar imposto de renda, portanto, não deve ser uma empreiteira de obras; deve ser uma pessoa utilizada.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Volto a dizer que todos os depósitos foram sempre determinados por Marcos Valério e que eu sei que quem passava a ele os nomes era o Sr. Delúbio Soares.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O Senador Demóstenes Torres já indagou se a senhora conhece movimentação no exterior. É evidente que nós já apresentamos uma documentação aqui relativamente a remessas para o exterior. Isso tudo passa pela diretoria financeira da empresa. O Sr. Marcos Valério informou que se tratava de pagamento de fornecedores. Em parte, sim; em parte, não.

Indago da senhora se realmente não conhecia essa movimentação com exterior.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em 1999, a Receita esteve na agência fazendo uma fiscalização em cima dessas remessas e foi comprovado e se fechou a fiscalização de que foi pagamento a fornecedores. Foi a única vez que ouvi falar de remessa, de pagamento no exterior.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a senhora conhece Action Group, no exterior, que recebeu mais de US$600 mil das empresas  do Sr. Marcos Valério, através da Beacon Hill?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não conhece?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora declarou que repassou recursos para Guaranhuns e que esses recursos seriam destinados ao Presidente do PL, Valdemar da Costa Neto. Essa foi a afirmação documentada. Como se vê, não apenas o Presidente do PL recebia recursos da Guaranhuns remetidos pelas agências do Sr. Marcos Valério. Eu indago: a senhora conhece a proprietária da Guaranhuns, que tem sede em Montevidéu, da empresa Export Trading?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não conhece.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A relação onde consta a Guaranhuns é a relação de Marcos Valério não é a minha.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exato. Eu sei disso.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu sei por Marcos Valério que os recursos depositados na Guaranhuns eram destinados ao Deputado Valdemar. É apenas o que eu sei.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E a senhora não conhece remessa de recursos para a sede da empresa em Montevidéu?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pois eu quero, Sr. Presidente, já que um depoimento oferece a oportunidade da indagação e também da denúncia, eu quero fazer uma denúncia: nós localizamos o destino de recursos repassados a Guaranhuns, bastante distantes da sede do PL no Brasil.

Estou apresentando os documentos que revelam evasão de divisas no repasse, em apenas duas oportunidade, de US$1,1milhão. É evidente que nós localizamos apenas o documento equivalente a esse repasse. Certamente será muito mais do que isso. E os dois repasses, um no dia 04 de junho de 2003, através do MTB Bank, que também foi interditado, teve as suas atividades encerradas pelo governo americano em função da ilegalidade das operações que efetuava. E o outro, Beacon Hill, que também, remessa anterior, não atua mais em função das irregularidades identificadas. Essa conta está na agência do Banco do Estado do Rio Grande do Sul nas Ilhas Cayman. É a conta de nº 36011473. Portanto, os recursos saíam da Guaranhuns, no Brasil; caíam numa conta de nome “tchelo”, em Montevidéu, no Uruguai; passaram, numa das oportunidades, pelo MTB Bank e, na outra, pela financeira Beacon Hill; e chegavam a esta conta na agência do Banrisul em Grand Cayman.

Por isso, Sr. Presidente, estou encaminhando um requerimento – o Sr. Relator deve ter o maior interesse nisso – para que se solicite ao Banrisul – é um banco brasileiro que tem uma agência no exterior e, portanto, é obrigado a se orientar pelas normas legais do País – o encaminhamento a esta CPMI de todas as informações financeiras, assim como cadastro referente à empresa Export Trading, que possui conta nesse banco, na agência das Ilhas Cayman. Creio serem fundamentais essas informações. Devemos aprovar o requerimento amanhã, Sr. Relator, Sr. Presidente, para que essa providência ocorra urgentemente.

Nós constatamos, inclusive, o retorno de um milhão de dólares, exatamente no dia 11 de novembro de 2002, naquele período decisivo da campanha eleitoral, a pós-campanha eleitoral. Um milhão de dólares retornando, também de forma irregular, fazendo o caminho reverso, por meio dos doleiros, e chegando ao Brasil. É, portanto, Sr. Presidente, imprescindível que se faça isso.

Quero ainda, nos meus segundos restantes, fazer uma indagação. Já que parte desses recursos foram encaminhados à campanha eleitoral, indago à Srª Simone se ela, em algum momento, orientou políticos de diretórios regionais a não prestarem contas desses recursos recebidos supostamente para a campanha eleitoral?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A senhora não orientou?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nem nunca estive com políticos.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não? Há informações de que teria orientado, mas, evidentemente, até prova em contrário, temos de ficar com a sua palavra aqui.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Senador Alvaro Dias. A Mesa solicita que V. Exª encaminhe a documentação em seu poder, relativa à denúncia apresentada.

Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti por quinze minutos.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, eu queria fazer uma pergunta à Srª Simone. Quando foi questionada a respeito dos principais clientes da SMP&B, a senhora teve dificuldade de lembrar – isso já foi dito pelo Senador Demóstenes Torres. Ontem, no depoimento na Comissão de Ética, apareceu um assunto que está na pauta hoje, que é a questão das tratativas do Sr. Marcos Valério com a Portugal Telecom. Segundo as declarações do Sr. Marcos Valério, ele foi a Portugal para tratar da venda do controle acionário do Grupo Opportunity na Telemig Celular para a Portugal Telecom. Então, a primeira pergunta que eu gostaria de fazer à senhora é: a senhora teve conhecimento dessa viagem?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele viajou para Portugal, viagem internacional, e a senhora, como diretora financeira, não providenciou nada, nem passagem?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não teve nada disso.

A senhora sabe se o Sr. Marcos Valério presta algum outro tipo de serviço? Veja bem: ir a Portugal, numa tratativa de compra de controle acionário com a Portugal Telecom, em nome da Telemig Celular, pressupõe uma relação de muita proximidade com os donos da Telemig. A senhora sabe de outras relações do Sr. Marcos Valério com os proprietários da Telemig?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não tem conhecimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Isso nunca circulou? A Telemig... Se a senhora fizesse um ranking a respeito dos clientes da agência do Sr. Marcos Valério, em que situação ela estaria? Primeiro, segundo, terceiro, quarto, qual é a ordem de importância?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em termos de recebimento? A importância aí é o quê? Valor?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Importância, faturamento, entrada de dinheiro. 

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Valor?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – À Telemig celular, um valor não muito significativo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não muito significativo? 

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu acho estranho porque, nos dados que temos aqui, não é tão pequeno assim. Os dados são significativos.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A senhora está dizendo da Telemig celular?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Telemig Celular e Amazônia Celular.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Desde quando a Telemig Celular e Amazônia Celular são clientes? 

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não sabe.

Eu queria agora pergunta à senhora: no depoimento, havia uma lista que a senhora apresentou e uma outra lista, a que está nos jornais hoje, com 31 nomes. E, segundo cópia que recebemos, está assinada pelo Sr. Marcos Valério. É uma lista de 12 da senhora...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Doze é a minha.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E 31 do Marcos Valério. Esses que a senhora listou, todos a senhora comprova que receberam? A senhora tem, além do seu testemunho, prova documental de que receberam?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Documento assinado por eles?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. Algo que seja além da sua palavra.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não tem. E, na lista do Sr. Marcos Valério, a senhora tem conhecimento de que ele tem prova documental?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Marcos Valério protocolou, ontem, na Procuradoria ou entregou à Procuradoria, ontem, mais de cem documentos. Pode ser que vários aí estejam...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pode ser que sim. A senhora não sabe nem teve conhecimento. Porque a senhora disse, no depoimento, que montou essa lista a partir de anotações, de cheques, de faxes...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A partir da listagem de Marcos Valério.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A partir da listagem de Marcos Valério.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A partir da listagem dele.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então, ele lhe deu ciência de uma parte, mas não de todas. 

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sentamos juntos...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não de todas.

No seu depoimento também, a senhora colocou, em vários momentos do depoimento, que lhe foram apresentados documentos com anotações. A senhora alguns reconheceu e outros, não. Que tipo de documentos eram esses que lhe foram apresentados?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Na Polícia Federal?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na Polícia Federal, nesse depoimento da segunda-feira.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Os que eu não reconheci eram documentos com anotações no verso. Uma letra lá que eu não reconheceria. Nomes, telefone...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Algumas a senhora reconheceu?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Algumas como minha letra. Outros, eu não me conheci. Não eram minhas anotações.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr Presidente, quero já requerer que possamos ter acesso a todos os documentos que foram apresentados a Srª Simone no depoimento, para que possamos ter a confirmação ou não, até porque passarão a ser provas documentais daquilo que ela alega que encaminhou em termos de recebimento.

A outra pergunta que eu queria fazer: no seu segundo depoimento, também na Polícia Federal, na segunda-feira, a senhora disse que, só no final de 2002, início de 2003, passou a fazer esse trabalho estranho de sacar e de repassar em dinheiro ou de autorizar saques em dinheiro nas agências do Banco Rural. Foi só no final de 2002 que a senhora recebeu essa...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Quando eu falei 2002, eu me enganei e solicitei ao delegado que corrigisse. É 2003. Foi a partir dos empréstimos. Eu não tinha quando esses empréstimos aconteceram. Depois disso eu já verifiquei, foi em janeiro e fevereiro de 2003.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas é interessante, porque os documentos que temos aqui o Banco Rural está organizando. Inclusive, vieram estranhamente organizados os de 2003, 2004 e 2005, uma parte, e os do período de 2000, 2001 e 2002 vieram profundamente desorganizados. Agora, essa equipe que está aqui diz que essa prática já remonta há 2000, pelo menos essa parte que temos, que é o controle de transações em espécie.

Portanto, essa modalidade de sacar na boca do caixa era um procedimento da SMP&B no Banco Rural, no mínimo, desde 2000. Então, quem o fazia? Se não era a senhora, quem fazia esse procedimento antes de ter sido pedido a senhora?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Valores altos...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sim, valores altos.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A partir de 2003.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas pergunto a senhora quem fazia antes, porque a senhora estava na SMP&B antes. A senhora era a diretora financeira, portanto, um procedimento de saque na boca do caixa poderia não ter sido solicitado à senhora, mas a documentação que temos aqui já comprova que eram feitos. Quem os fazia?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Se a essa época houve saques, os cheques eram entregues aos diretores e, provavelmente, eles solicitaram que alguém retirasse esses valores. Ocasionalmente...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas a senhora confirma que essas transações, o controle de transações em espécie... A senhora, sendo diretora financeira... Efetivamente isso acontecia em 2001, em 2002?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Claro que pode ter acontecido, mas em valores bem menores do que esses a partir de 2003.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não são tão menores assim, são significativos.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Aí eu não tenho conhecimento, não sei dizer.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora, diretora financeira, não tinha conhecimento de transação em espécie, em valores significativos, em dois mil e...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu teria que pegar essa documentação para me lembrar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A outra questão que eu queria fazer à senhora parte de um questionamento do Relator que acabou não indo até o final, quero retomá-lo.

A senhora disse, em sua declaração à Polícia Federal, que: “Seguindo a orientação de Zilmar Fernandes da Silveira, a SMP&B autorizava o Banco Rural a entregar a David Rodrigues Alves os valores referentes a cheques que emitia; que não sabe dizer por quais motivos Zilmar Fernandes da Silveira não recebia tais valores em seu próprio nome; que os cheques destinados a Zilmar Fernandes da Silveira eram emitidos nominalmente à SMP&B e endossados pela mesma”.

O David, segundo o depoimento que prestou, só sacou em Belo Horizonte. Diz, inclusive, que sacava e entregava para o outro sócio da empresa, o Cristiano. Em nenhum momento, em seu depoimento, fala da Zilmar. A senhora mesma disse que Zilmar, pelo seu conhecimento, é de São Paulo ou, talvez, de Brasília. A senhora pode me explicar como é que o David sacava em Belo Horizonte e esse dinheiro ia parar com a Zilmar, em São Paulo ou em Brasília?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei, Senadora. Na agência ele não entregava esses valores.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não é pelo menos estranho que a senhora declare com tanta convicção que era a Zilmar que pedia para que fosse entregue ao David, quando não é confirmado no depoimento dele? O depoimento dele dá outra destinação ao dinheiro que ele sacava. Há, ainda, uma distância geográfica que exigiria transporte em espécie.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Parece-me que o Davi estará aqui hoje.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Estará.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não sei.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas é a senhora que deve esclarecer por que a senhora disse que foi orientação da Zilmar. A senhora disse isso de forma categórica.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Pela numeração dos cheques que o David descontou... Marcos me informou que eram cheques destinados à Zilmar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ah, Marcos informou. Então, é a palavra do Marcos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É a palavra do Marcos. A palavra do David é outra?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É outra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É palavra contra palavra. Essa é que é a informação....

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Comprovação de que o David entrou na agência, como já falei anteriormente, poderíamos ter no prédio.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Está bom.

A outra questão que quero esclarecer é: a SMP&B está localizada exatamente onde em Belo Horizonte?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O endereço?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O endereço.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Rua dos Inconfidentes 1190, sétimo e oitavo andares.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – De quem é esse imóvel? É alugado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É alugado.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Desde quando?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Foi bem antes de eu entrar na agência. Deve ter uns dez anos que a agência funciona lá.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quem é o proprietário do imóvel?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Enquanto estávamos lá, esse imóvel passou por uma venda. Tenho que tentar lembrar o nome. Vou lembrar. Para quem a gente paga o aluguel, não é isso?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. Para quem a senhora paga o aluguel.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Tive um branco. Espere aí. Tenho que me lembrar. Petrus. Tem alguma coisa que era Petrus e mudou para um outro dono. Nossa, não sei. Não me lembro.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, quero requerer que possamos ter acesso à informação de quem é o dono do imóvel onde está instalada a empresa.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É o prédio inteiro.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É o prédio inteiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O prédio inteiro é de um mesmo dono.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Isso. Então, que nós possamos ter acesso a essa informação.

A senhora conhece o Sr. Ricardo Sérgio de Oliveira?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ricardo?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sérgio de Oliveira.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não conhece.

A outra pergunta que faço à senhora tem a ver com a sua história. A senhora disse que foi funcionária pública, durante muitos anos, no Governo do Estado de Minas Gerais...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Concursada, ocupou alguns postos de confiança e tal.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Antes de a senhora trabalhar no Governo do Estado de Minas Gerais, onde é que a senhora trabalhou? Onde é que a senhora já trabalhou antes?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Onde eu já trabalhei?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Antes do Estado, eu trabalhava num clube de Minas Gerais chamado Minas Tênis Clube na área de recursos humanos.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Minas Tênis Clube.

Então os únicos lugares onde a senhora trabalhou....

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, anteriormente, logo que eu me formei, eu trabalhei numa clínica, sempre na área administrativa.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na Companhia de Processamento de Dados de Minas Gerais a senhora não trabalhou?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Quando eu fui admitida no Estado, porque eu fui concursada... Durante o meu período, a minha estada no Estado, houve um concurso, e eu fiz, mas à época da minha entrada, eu era celetista, era um regime celetista, era contratação direta. A minha primeira contratação foi pela Prodemge.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela Prodemge. A senhora trabalhou na Prodemge. Em que ano foi isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – 85, acho que foi em 85.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Em 86, então, a senhora trabalhou lá.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Já estava lá.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já.

A questão do Cláudio Mourão: como é que a senhora o conheceu? Quando e como conheceu o Sr. Cláudio Mourão?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu conheci o Sr. Cláudio Mourão no Governo, foi no ano de....Foi quando ele assumiu a Secretaria de Administração, no governo do Governador Eduardo Azeredo. Ele era Secretário.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E era presidente da Prodemge quando a senhora trabalhou lá também, não é?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não sei.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não sabe.

Quando foi mesmo que a senhor conheceu Cláudio Mourão?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deixa eu pensar aqui. O ano que eles entraram?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É. O que eu queria mesmo....

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Espera aí, eu te falo. Espera aí, eu te falo! Foi em... Quando eu entrei, era o Governo Hélio Garcia; depois, teve o Governo Newton Cardoso – eu não lembro se foi nessa ordem –; depois, foi o Governador Eduardo Azeredo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sim, mas eu perguntei especificamente do Cláudio Mourão.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O Cláudio Mourão eu conheci quando ele assumiu a Secretaria de Administração.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Da Secretaria de Administração. E foi o Sr. Cláudio Mourão que apresentou a senhora ao Marcos Valério – está no seu depoimento.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quando aconteceu essa apresentação?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Abril de 99.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Abril de 99.

A senhora só foi apresentada ao Sr. Marcos Valério quando a senhora entrou na SMP&B?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Levada pelo Cláudio Mourão, para me apresentar a um empresário que poderia me oferecer ou me indicar uma oportunidade de emprego, porque eu estava licenciada.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas a SMP&B já trabalhava com o Governo de Minas...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Depois eu vim a saber. Até então, eu nunca tinha ouvido falar em SMP&B.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então a relação do Sr. Cláudio Mourão com o Marcos Valério era por conta do trabalho que a empresa SMP&B fazia para o Governo do Estado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deve ser. Eu vim saber de SMP&B em abril de 99.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Tá.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli, conclua, porque o tempo já se esgotou.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Já vou concluir.

E o Sr. Clésio Andrado?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não conheço.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A senhora não conhece. Não teve relações...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu quero-me reinscrever, Sr. Presidente, porque ficaram várias questões pendentes.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o, Deputado ACM Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Parlamentares, Srª Simone.

Minha primeira pergunta, Srª Simone, é a seguinte...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Eu pediria, por favor, silêncio.

Deputado ACM Neto com a palavra.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Agradeço, Sr. Presidente.

A senhora tem se mostrado aqui uma pessoa muito firme, de respostas diretas, com uma personalidade bastante, eu diria, consistente.

Como diretora financeira de uma empresa do porte da SMP&B, a senhora, evidentemente, adquiriu experiência na concessão de créditos ou não-concessão de créditos, de pagamentos enfim. Eu lhe perguntaria, e gostaria que a senhora respondesse com essa mesma firmeza e sinceridade que a senhora tem demonstrado até aqui, o seguinte. Se a senhora fosse diretora financeira do Banco Rural ou do BMG, a senhora teria concedido os empréstimos que essas duas instituições bancárias concederam ao Sr. Marcos Valério nos moldes que foram dados e com as garantias que foram oferecidas?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, os senhores estão me atribuindo uma importância que eu não tenho.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora se julgou uma profissional excelente, muito competente e que se orgulha disso.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Sim, dentro das minhas atribuições e da minha capacidade de trabalho. Talvez, se eu tivesse as garantias que, provavelmente, a agência teve dos bancos, fizesse sim. Eu não posso julgar isso, eu não participei disso. Eu não sei.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu perguntaria à senhora o seguinte. Quando é que o Sr. Marcos Valério contou à senhora que a origem de todos esses recursos eram empréstimos com instituições financeiras?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Ele não precisou me contar Deputado, a coisa foi acontecendo de me pedir documentação... O banco já me ligando, por quê? Preciso de tal documento, de tal documento e isso e aquilo. E eu fui tomando pé da situação, sabendo que eram empréstimos bancários.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, a senhora participou...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Da parte burocrática.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ...das tratativas com os dois bancos, se é que houve de fato os empréstimos, para que eles fossem realizados.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Sim, toda a parte burocrática dos empréstimos sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu queria explicar a minha pergunta. Vejam vocês: o Sr. Marcos Valério, com o Sr. Delúbio Soares, com o Sr. Silvio Pereira e com alguns outros membros do Partido dos Trabalhadores até hoje pretendem sustentar que a origem de todos esses recursos está nos empréstimos bancários. E nós sabemos, todo o Brasil sabe, que não foi assim. Nós sabemos da real origem desses recursos.

O mais interessante, Dona Simone, é que as contas não batem. O Sr. Delúbio e o Sr. Marcos Valério disseram ao País que os empréstimos giravam em torno de R$ 39 milhões. Feita uma soma a partir de um documento apresentado pelo Sr. Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República, percebe-se – até mesmo na soma oferecida por ele a este Órgão – que o total geral dos empréstimos é de R$ 55.841.227,81. Por quê? Porque essa é a soma de todos os recursos que foram sacados das contas do Sr. Marcos Valério. Portanto, nós temos aqui uma diferença de, nada mais nada menos, do que exatos R$ 16 milhões para a versão original.

Mas quando pegamos a soma dos quatro empréstimos realizados – um pela Grafite Participações junto ao BMG, no dia 28 de janeiro de 2004; um pela Rogério Tolentino, no dia 26/04/04, no próprio BMG; outro da Grafite no Banco Rural e, por fim, um da SMP&B junto ao Banco Rural –, a conta aproximada é de R$ 53,9 milhões. Mais uma vez, não fecha.

Então, está claro que nós vamos ter que nos dedicar agora, Sr. Presidente e Sr. Relator, a tentar descobrir a origem de todos esses recursos. Nós temos de saber de onde veio todo esse dinheiro que foi movimentado pelo Sr. Marcos Valério. Eu vejo que esta Comissão, muitas vezes, se preocupa com o destino. Nós precisamos saber do destino, sim, claro que precisamos, até para desvendar de uma vez por todas os beneficiários do famoso “mensalão”, mas eu acho que nós temos agora que investir o nosso tempo, o nosso esforço e o nosso trabalho para descobrir a origem. E a senhora veja, a senhora que tem experiência na área de finanças, que as contas infelizmente não batem.

Srª Simone, por que a senhora se equivocou quando disse que as orientações iniciais do Sr. Marcos Valério teriam remontado ao ano de 2002? Qual foi o porquê do equivoco? Foi um lapso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS Deputado, essa situação toda é muito nova para mim. De repente, a minha vida deu uma guinada, estive já três vezes na Polícia Federal, agora estou aqui. Talvez para os senhores seja algo muito corriqueiro e simples, mas isso para mim tem sido uma situação muito constrangedora. Claro que me equivoquei, a forma de questionamento na Polícia Federal é uma coisa... Eu me equivoquei.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Srª Simone, nós não temos este trabalho como um trabalho corriqueiro do Congresso Nacional. Estamos vivendo...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – A Presidência pede silêncio, por favor.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu me referi à publicidade.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Nós estamos vivendo um momento excepcional das nossas vidas, e muito importante por sinal.

Quando a senhora declarou à Polícia Federal que esses saques remontariam ao final de 2002, nos pareceu haver uma relação muito direta, muito próxima mesmo, com o pagamento de débitos da campanha presidencial do então candidato à Presidência da República, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. E nos pareceu verídica aquela afirmação da senhora à Polícia Federal por quê? Porque ela reforçaria a tese de que os recursos não vieram dos empréstimos. Afinal de contas, os empréstimos só começaram a acontecer a partir do ano de 2003 e, então, a origem teria que ser outra. Mas se a senhora disse que se equivocou, somente as investigações poderão nos fazer chegar a uma conclusão precisa.

Eu questionaria ainda o seguinte. A senhora declarou à Polícia Federal ter se encontrado com o Sr. Delúbio Soares uma única vez. Esse encontro teria acontecido na sede do PT. Procede?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem. Por que razão V. Sª foi à sede do PT?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Marcos Valério me chamou para que fôssemos à São Paulo. Fui ao PT, e ele me manteve sentada numa copa que há lá na sede. Foi isso.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, a senhora não participou do encontro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Da reunião, não. Ele me apresentou ao Sr. Delúbio Soares e eu fiquei sentada na copa.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ou seja, a senhora não tem a menor idéia do que foi discutido nessa reunião entre o Sr. Marcos Valério e o Sr. Delúbio?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não sei.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora, que participou da formatação burocrática da suposta operação de empréstimo, dessa vez foi excluída?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Burocracia de pegar documentos, tirar xerox, mandar contrato, trabalho absolutamente...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas dessa vez o Sr. Marcos Valério preferiu deixar a senhora de fora?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Esse trabalho de elaboração da papelada, dentro da própria agência, lá na minha sala...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas eu questiono, Srª Simone, sobre a oportunidade em que a senhora esteve na sede do PT.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não estive com o Sr. Delúbio Soares presenciando conversa nenhuma entre os dois.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem.

O Sr. Marcos Valério afirmou ao Procurador-Geral da República, afirmação essa que foi aqui endossada pela Srª Renilda de Souza, esposa dele, que a garantia dada a essas operações feitas com o Partido dos Trabalhadores foi o conhecimento do então Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do então Secretário do Partido dos Trabalhadores, Sr. Silvio Pereira, ou seja os dois conheciam exatamente os detalhes da operação e esse era o elemento garantidor, assegurador, de que, em qualquer eventualidade, as obrigações seriam cumpridas.

Então, eu perguntaria à senhora: em nenhum momento o Sr. Marcos Valério fez esse mesmo comentário à senhora?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ele não fez?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, eu nunca ouvi nada a respeito disso.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Em nenhum momento o Sr. Marcos Valério fez qualquer referência a membros do Governo ou a membros do Partidos dos Trabalhadores que tivessem conhecimento dessa transação?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª declarou à Polícia Federal desconhecer a pessoa que teria determinado que Geisa Dias, gerente financeira da SMP&B – portanto, suponho eu, subordinada a V. Sª –, encaminhasse um fax ao Banco Rural para autorizar o pagamento de 50 mil reais ao Sr. Roberto Marques para um saque em São Paulo.

No entanto, nos causa estranheza que a diretora financeira de uma empresa desconheça a natureza de uma informação como essa. Por quê? Eu quero apenas deixar as coisas muito claras. A Srª Geisa teria dado autorização para que o Sr. Roberto Marques... Nós não sabemos quem é esse senhor, eu não estou aqui afirmando que é o assessor não-oficial do Deputado José Dirceu, não estou fazendo essa afirmação, nós não temos elementos para isso, mas enfim, há um Roberto Marques que foi autorizado pela Srª Geisa a fazer um saque de R$50 mil.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Um-hum.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ela, gerente financeira da SMP&B, subordinada a V. Sª, e esse saque, essa autorização, V. Sª desconhecia?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Com certeza, se Geisa mandou esse fax para o Banco Rural, foi a pedido meu ou de Marcos Valério. Ela não tem autonomia para fazer isso. Se ela pediu, foi porque eu ou o Marcos Valério assim determinamos. Se eu pedi, foi por determinação de Marcos Valério, e se o destinatário, no dia seguinte, como está aí comprovado na documentação, foi mudado, também foi por determinação de Marcos Valério, que deve ter recebido orientação, provavelmente, do Sr. Delúbio.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Mas então existe um fato concreto?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Existe.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Houve uma autorização do Sr. Marcos Valério, que pode ter ou não passado pela senhora...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, porque eu não me lembro.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ... para que um cidadão de nome Roberto Marques pudesse sacar R$50 mil das contas da SMP&B.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Esse é um fato.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, é fato.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A dúvida é, óbvio, se o Roberto Marques a que se faz referência é aquele funcionário da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

V. Sª relatou que, abro aspas, “em duas ou três oportunidades, sacou os valores na agência Brasília do Banco Rural e levou o numerário para Marcos Valério, que estava aguardando no rol de entrada do hotel Blue Tree Towers”.

Eu perguntaria: a senhora sabe qual foi o somatório desses saques que a senhora levou ao Sr. Marcos Valério no Blue Tree?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Cento e cinqüenta. Foram três vezes de R$50 mil.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora levou...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Duas vezes no Blue Tree e uma vez eu me encontrei com ele ali embaixo mesmo, no shopping. Eu permaneci no shopping e entreguei para ele.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Qual é a peculiaridade que fez com que, nessas oportunidades, nessas duas oportunidades, a senhora levasse a ele, pessoalmente, os recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ordem dele para mim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem, mas, diante da ordem, que informações adicionais o Sr. Marcos Valério deu à senhora? Ele, por acaso, disse à senhora qual seria o destino daqueles recursos que a senhora estaria levando para ele?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – De forma alguma.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora sabe quem ele iria encontrar depois?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não. Não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem.

Eu me surpreendi com a Senadora Ideli Salvatti – uma pena que ela não esteja mais aqui –, porque ela quis, no dia de hoje, desacreditar o Sr. Marcos Valério, e, no entanto, toda a estratégia de defesa do PT está calcada na fé na palavra do Sr. Marcos Valério. Só que o que acontece? Os membros do Partido dos Trabalhadores e do Governo dão fé e confiança ao Sr. Marcos Valério quando convém, quando aquilo que o Marcos Valério diz interessa ao PT, ao Governo. E por que estou dizendo isso? Porque o Sr. Marcos Valério afirmou, categoricamente, que todos os saques feitos pelo Sr. David Rodrigues Alves tinham como destino o empresário Duda Mendonça. Muito bem. A Senadora Ideli quis desacreditar essa afirmação do Sr. Marcos Valério.

A senhora – eu queria que fosse bem clara, direta –, pelo que viveu dentro das empresas, a senhora acha que o Sr. Marcos Valério está dizendo a verdade quando diz que todos esses recursos movimentados pelo Sr. David Rodrigues Alves tinham como destino final as empresas do Sr. Duda Mendonça?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sim. Então, nós não temos por que ter qualquer dúvida sobre essa afirmação do Sr. Marcos Valério.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – É isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem.

Eu aí perguntaria à senhora: a senhora afirmou à Polícia Federal que, abro aspas, “seguia orientação da Srª Zilmar Fernandes da Silveira”.

Suponho eu que essa declaração foi dada quando a senhora foi questionada sobre como deveriam ser entregues os recursos da Srª Zilmar. É isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Como era esse contato da senhora com a Srª Zilmar?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em algumas oportunidades, conversamos por telefone – ela me ligando, perguntando quando mandaria ou se o Marcos já havia passado para mim alguma ordem ou não –, e eu sempre solicitava a ela que conversasse com o Marcos Valério, porque eu só fazia depósitos ou repasses com determinação de Marcos Valério.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então a Srª Zilmar não teve sequer oportunidade de conversar com a senhora sobre qual seria o destino desses R$15 milhões e 500 mil que foram repassados às empresas do empresário Duda Mendonça?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deixe-me ver se eu entendi: se ela já me disse alguma vez?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se alguma vez...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ... as senhoras conversaram sobre isso...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Se ela já me disse alguma vez?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se alguma vez as senhoras conversaram sobre isso.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora, pelo menos por suposição...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A Srª Zilmar é uma empresária, não vai conversar comigo.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – A senhora, pelo menos por suposição, em algum momento poderia cogitar aqui qual seria a aplicação desses recursos? Qual seria o destino desses recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O destino...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Dos quinze milhões?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Zilmar Fernandes.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não. Da aplicação dos recursos. Para que foram transferidos os quinze milhões? Somente campanha eleitoral?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado ACM Neto, concluindo.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Vou concluir, Sr. Presidente.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Só o que eu ouvi de Marcos Valério.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Somente isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Só

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – No entanto, pode ter havido uma outra destinação que a senhora não ouviu.

Sr. Presidente, vou me reinscrever, respeitando o tempo que V. Exª nos determina, fazendo uma última afirmação: acho que de todas as pessoas que vieram aqui a Srª Simone foi a que mais disse a verdade. De todas as pessoas que estão envolvidas, direta ou indiretamente, com o Sr. Marcos Valério, ela quem mais trouxe informações esclarecedoras. Talvez pelo momento em que está se dando o depoimento dela. Talvez por aquilo que havia dito no início: tem a personalidade forte, tem o hábito de ser sincera. E aí faria um último apelo: que ao longo do dia de hoje a senhora pudesse nos dar mais informações sobre tudo isso que aconteceu, porque, quem sabe, a partir do seu depoimento, as nossas investigações vão tomar um rumo diferente, chegando ao destino certo, para desvendar todo esse esquema que foi montado no Brasil.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra o Deputado Welinton Fagundes.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Sr. Presidente, gostaria de voltar a insistir, fazendo um apelo, sobre o Requerimento que fiz, o de nº 588, para que amanhã pudéssemos apreciar, porque esta CPI tem avançado muito, inclusive em outras áreas. A proposta inicial da CPI se deu para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios. E claro ficou com o nome fantasia de CPI dos Correios. Como todos sabemos, essa é uma empresa que orgulha o Brasil, nos orgulha, a maior empregadora do Brasil, são 108 mil funcionários. Tenho recebido e-mails, telefonemas de inúmeros funcionários dos Correios no sentido de transmitir a preocupação da preservação da imagem dessa empresa, que é uma empresa pública brasileira.

Portanto, volto a reiterar e espero que possamos aprovar esse requerimento, propondo que seja mudado pelo menos os documentos da CPI para CPI dos contratos públicos, ou outro nome que a Comissão entender que convenha.

Gostaria de perguntar a Srª Simone o que lhe motivou a sair do seu trabalho, que já estava há 15 anos, para ir trabalhar numa empresa de natureza privada, já que trabalhou durante 15 anos em uma empresa pública.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É, a Secretaria de Administração não é bem uma empresa pública, né? É administração direta.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – De caráter público. Mas o que motivou isso é o que interessa.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – As atividades, quando você começa um projeto no Governo, muda o Governo, e eu vivi isso, a passagem de pelo menos três governos, você está ali com um projeto técnico, que você acredita, que você se debruçou em cima daquele projeto ali, e o Governo muda, e quando o governo é de outro partido, aqueles trabalhos são absolutamente engavetados. Senti muita frustração em relação a vários trabalhos que participei. A minha área sempre foi cargos e salários.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quanto a senhora ganhava antes?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – No Governo?

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – É.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O máximo que ganhei acho que chegou a R$6 mil.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – R$6 mil

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Quando eu pedi licença, fiquei três meses procurando emprego.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Ah, então, a senhora não tinha uma definição...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, foi uma...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – ... quando a senhora resolveu sair do Governo.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – ... foi uma decisão difícil, conversada com meus familiares de que eu não queria mais ficar no serviço público, porque gostaria de tentar uma oportunidade em empresa privada, até por causa do meu perfil de trabalho.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando o Sr. Cláudio Roberto a indicou ou a apresentou para o Sr. Marcos Valério, quais foram os seus argumentos para convencê-lo de que a senhora tinha o perfil que ele precisava para a empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O meu currículo de trabalho, e o fato de eu ter ocupado um cargo em comissão no Estado. Os dois últimos anos em que estive no Estado, ocupei um cargo que era ligado diretamente ao secretário. Eu só fui promovida a esse cargo nos dois últimos anos de Governo, porque vários funcionários...  Esse é um cargo que poderia ser de nomeação... de recrutamento amplo. Vinham pessoas de fora e ficavam ali no cargo e eu, de carreira, ali atendendo. Chegou a um ponto que o Dr. Cláudio Mourão, quando saiu a pessoa, me nomeou e começamos a ter uma relação mais próxima.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – O fato de a senhora ter participado com o Dr. Cláudio em campanhas passadas... a senhora administrou financeiramente alguma campanha passada? E isso facilitou a sua...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, eu nunca participei de campanha na área financeira. Sempre foi na área de recursos humanos. Uma única vez na minha vida...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Junto com o Sr. Cláudio, quando ele foi coordenador da campanha do Sr. Azeredo.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim, eu fiquei dois meses auxiliando na área de recursos humanos, e foi quando, inclusive, tivemos uma aproximação maior e daí a recomendação dele, em abril, para conseguir esse emprego.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora falou que não é do mundo político. O que a senhora entende por mundo político, na ação profissional? O que a senhora entende como mundo político, já que a senhora era ligada a uma pessoa que está acabando de dizer, o Sr. Cláudio, que a indicou por já ter trabalhado com ele, inclusive em campanha política?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Mas o meu trabalho sempre foi técnico, Deputado, na área técnica e nunca na área política.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E quando a senhora esteve junto com o Sr. Cláudio na campanha teve conhecimento de financiamento da campanha, a senhora conhecia como era essa tratativa na campanha passada, repasse de recursos da empresa SMP&B para a campanha do atual Senador Azeredo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, nunca tive conhecimento disso...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Porque ele admitiu ontem que houve caixa dois na campanha, inclusive com recursos dessa empresa. A senhora participou da campanha e não teve conhecimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu fiquei no comitê da área de recursos humanos e nunca lidei com dinheiro, com empréstimos. Eu nunca tinha ouvido falar na agência SMP&B. Fui ouvir em abril, quando o Dr. Cláudio Mourão me levou.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora trabalhando na campanha, quem coordenava? Era o Sr. Cláudio Mourão?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – O Dr. Cláudio Mourão coordenava vários comitês da área administrativa financeira. Um dos comitês era de pessoal, ver quem queria trabalhar, pegar o nome, essa atividade...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando veio o primeiro pedido do Sr. Marcos Valério para que a senhora pudesse fazer o primeiro trabalho que diferenciava da sua ação principal do que foi contratada? Quando foi isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Fevereiro de 2003.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Houve incremento no seu salário para poder fazer isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora começou na empresa ganhando quanto?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu iniciei com R$3,5 mil. Eu não entrei como diretora. Eu fui galgando essa posição com o tempo. 

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora começou com R$3,5 mil e ganha R$13 mil hoje. É claro que deve ter sido pelas responsabilidades que a senhora passou a assumir?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não por causa desse trabalho, mas pela minha responsabilidade dentro da agência.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora considera esse trabalho muito importante ou era um trabalho corriqueiro, a mais, que a senhora passou a desenvolver?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não quero dizer de importância, mas que ocupava meu tempo em 5%. Noventa e cinco por cento do meu tempo sempre foi dedicado às atividades inerentes ao meu cargo, às atividades da agência.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Noventa e cinco por cento? Quer dizer que todo o esse trabalho que a senhora teve para repassar esse recurso todo representava apenas 5% do seu tempo?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Deputado, chegar a um banco, tirar um dinheiro e entregar para alguém é uma coisa muito rápida.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Mas a senhora não fazia os cheques determinados pelo Sr. Valério? As transferências de recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu, pessoalmente, não. Eu tenho toda uma equipe que trabalha para mim. Faça tal cheque, tal cheque, tal cheque. Isso é no automático.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora chegou a temer esse tipo de atividade? A senhora considerava ou considera esse tipo de atividade ilícita?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Perigosa.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Perigosa? Perigosa que pode levar a quê?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Porque, quando eu chegava à agência, eu tinha a impressão de que até o guarda do banco sabia que estava indo para retirar dinheiro e isso me incomodou profundamente. Foi quando pedi para sair disso.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Aí a senhora se sentiu incomodada.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Muito.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora chegou a conversar com o Sr. Valério sobre essa situação? A senhora pediu para sair?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora pediu para sair. E a senhora chegou a conversar com ele que isso poderia levar a uma situação como a que o Brasil está vivendo hoje?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, nunca foi falado assim. Não. Eu fiquei muito, assim, do que poderia ser, representar isso para mim como perigo pessoal, que eu não gostava disso. Mas que poderia ter... Porque era um empréstimo no banco...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Mas a senhora não gostava pelo risco de estar circulando com o dinheiro ou pela ilicitude dos atos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não tinha noção de ilicitude dos atos, Deputado. Não vou dizer que sim, porque eu não tinha, não tenho nem noção de que isso seja ilícito ou não.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando a senhora vinha a Brasília, a senhora ligava para as pessoas. A senhora poderia citar aqui, a senhora recorda as pessoas para quem a senhora ligava para se encontrar aqui? São essas pessoas que estão na sua relação entregue aqui à CPI e à Polícia Federal?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Normalmente, a senhora ia a um banco. Às vezes... E a senhora disse que normalmente demorava 15 minutos e a senhora entregava recursos para mais de uma, duas pessoas. Lá vocês chegaram a encontrar, a senhora chegou a encontrar com duas, três pessoas juntas para receber os recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu sempre evitei isto: que uma pessoa visse a outra, uma questão...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Como a senhora fazia isso, para evitar?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Marcava em horários alternados ou algum eu entregava lá pessoalmente e para o outro, eu já deixava. Já que eu estava no banco, eu anotava no verso da autorização que estava assinada por mim o nome de quem poderia receber. E os funcionários do banco aceitavam que eu fizesse isso.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Nome e número do documento das pessoas que iam lá ou não?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nunca deixei nome e documento deles.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Número do documento, não?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E aí a senhora não tinha preocupação com os homônimos da vida? Nunca aconteceu isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Nunca tive, Deputado. Não até porque os funcionários do banco já conheciam as pessoas.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Já sabiam?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E essas pessoas para quem a senhora entregou o dinheiro chegaram a comentar, discutir com a senhora alguma coisa sobre a origem desse dinheiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, Deputado, sempre com muita discrição. E eu própria nunca perguntei, nunca busquei ter amizade e conversas com essas pessoas.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quando a senhora vinha a Brasília para fazer esse trabalho, era sempre acompanhada de alguém, ou sozinha, ou o Sr. Marcos Valério acompanhava a senhora?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Geralmente sozinha.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Que controle a senhora tinha para depois prestar contas à empresa? Essa prestação de contas que a senhora fazia com a empresa era somente para o Sr. Marcos Valério ou a Diretoria tinha conhecimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, era uma relação minha com o Marcos Valério.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A empresa tem sócios?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Os sócios não queriam saber da contabilidade, como era isso?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Provavelmente, entre eles, eles deviam conversar.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Fica muito definido para lá, né?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Entre os sócios, né?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Acredito que sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora fazia os cheques. Todos os cheques feitos pela empresa eram determinados à senhora...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – ... que determinava os seus auxiliares. Eram assim?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – À minha equipe. Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – E, para a senhora emitir os cheques, a senhora procurava saber o saldo da conta, se aquela conta tinha saldo naquele dia?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ah, sim! Isso normalmente...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Então, a senhora tinha um controle...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – ... é uma rotina de saldo, seja para pagamento de fornecedores ou esses outros cheques, mas, com certeza, eu sabia que sempre tinham saldo porque o valor do empréstimo havia sido depositado na conta.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Então, a senhora tinha o controle real, financeiro da empresa.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – O Deputado ACM Neto já disse aqui que os valores não batiam. E como que a senhora controlava isso, se os valores dos empréstimos não batiam com a saída?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – É, eu não sei explicar o que isso...

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A senhora tem que ter conhecimento do dinheiro todo, se a senhora está afirmando...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – A contabilidade está sendo toda verificada pela Receita Federal.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não, mas aí não é contabilidade.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Se tiver alguma divergência, vai aparecer.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Estamos nos retendo apenas à questão financeira. É o fluxo tesoureiro do dinheiro. A senhora tinha que saber. A senhora é financeira, tinha que saber: eu vou fazer esse cheque, tem que ter o saldo. De onde veio esse dinheiro se o dinheiro dos empréstimos não batem? Tinha outra origem. E aí a senhora tem que saber.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu imagino que todos os valores sacados tenham como base os empréstimos, sim. Pode ter alguma divergência de informação entre listagem e valor de empréstimo.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não, mas a diferença é bastante relativa. O Deputado ACM Neto já colocou aqui.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ele falou aqui de trinta e poucos mil, milhões e que daria uma diferença de 16 milhões.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – É muito dinheiro.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu estou entendendo que ele não somou os empréstimos da Graffiti. Só pode ser isso.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não, ele...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Porque os empréstimos estão todos listados num documento que Marcos Valério entregou e que perfazem um total de cinqüenta e poucos milhões.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Bom, Sr. Relator, seria extremamente importante...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – 69?

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – O Deputado ACM Neto disse aqui que a Graffiti também estava no valor. Então, eu acho que é extremamente importante, e a senhora, como já foi dito aqui, não pode mentir, não é? Creio que a senhora veio aqui para contribuir.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não entendi onde está a mentira.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Eu quero, então, fazer uma pergunta. A senhora tinha, como funcionária, como diretora financeira, conhecimento de todas as entradas e saídas dos recursos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Então, de qualquer diferença a senhora deve ter conhecimento.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – A outra senhora que veio depor, a funcionária Karina, disse que vocês compraram todos os materiais para fazer uma festa, para comemorar a licitação que iria acontecer, no outro dia, dos Correios. O pagamento disso era por intermédio da senhora também?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não tenho conhecimento de festa para comemoração anterior, não.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Não?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não tenho, não.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Mas se houvesse qualquer pagamento de despesa, a senhora teria conhecimento?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu teria conhecimento, sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Quais seriam as outras pessoas que tinham acesso à senhora para fazer pagamentos, além do Sr. Marcos Valério? Havia algum funcionário? Não estou dizendo nem diretor, porque a senhora disse que já não tinha acesso a diretores. Havia algum outro funcionário graduado que tivesse acesso à senhora para determinar algum pagamento, ou não? Até de despesas da empresa?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, determinação de pagamentos, só os três sócios.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Só?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Os três sócios.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Ah, então, no caso do Marcos Valério era especificamente para dinheiro?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Dos empréstimos bancários.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Para os empréstimos bancários, para pessoas outras.

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Isso.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Para o corriqueiro, a senhora recebia orientações de outros?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Ordens dos demais, sim.

O SR. WELINTON FAGUNDES (PL – MT) – Bom, Sr. Presidente, já está finalizando o meu tempo. Agradeço, até para não estourar o tempo.

Creio que esse aspecto é importante. A senhora tem conhecimento de todos os recursos, ela já colocou aqui, e espero que possamos apurar, realmente, esses valores de entradas e saídas, para que cheguemos à conclusão da sua participação efetiva na licitude ou ilicitude do trabalho.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Deputado Eduardo Paes por 15 minutos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Paramentares, Srª Simone, é impressionante como, a cada dia que passa, Deputado Osmar Serraglio, os fatos, os depoimentos e as evidências que são trazidas a esta Comissão Parlamentar de Inquérito vão sendo mais esclarecedoras e, de certa forma, como apontou o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, vão sendo desmistificadas, e as mentiras todas contadas vão caindo por terra.

Antes de começar a indagar à Srª Simone, eu queria contestar uma afirmação feita pelo Deputado que me antecedeu.

Em nenhum momento ontem, aqui, o Senador Eduardo Azeredo admitiu qualquer caixa dois em sua campanha. É essa a interpretação que dá o Deputado Wellington.

O seu advogado, Srª Simone, que neste momento conversa com o Relator, acabou de afirmar, ainda quando respondia aos questionamentos do Relator, que o Sr. Marcos Valério teria entregue ontem, à Procuradoria-Geral, uma série de recibos desses pagamentos feitos naquilo que a senhora chama de “procedimento extra”, ou seja, os pagamentos dos empréstimos do PT. A senhora saberia nominar alguns daqueles que fizeram e que assinaram alguns desses recibos, ou onde estão esses recibos?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eles estão protocolados nesse documento, junto à Procuradoria.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – V. Sª tem conhecimento de alguns dos nomes?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Eu não vi esses documentos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas esses recibos...a senhora é quem pagava, perfeito?

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Em algumas circunstâncias, sim.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não, mas a senhor disse que...

A SRª SIMONE REIS LOBO VASCONCELOS – Não, o operacional, de chegar junto à pessoa, pegar um documento e a assinatura, nem sempre fui eu.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito, mas se a senhora tinha contato com o banco, este ia lá e entregava o dinheiro, esse recibo era encaminhado para a senhora em que circunstância? Ou encaminhado à agência, para o Sr. Marcos Valério tê-los à disposição para entregá-los?<