TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DAS OITIVAS DOS DEPOENTES SRS. ARTHUR WASCHECK NETO E ANTONIO VELASCO
(23/06/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

QUARTA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 23 DE JUNHO DE 2005 ÀS 09 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral – PT – MS) – Havendo numero regimental, declaro aberta a 4ª reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada através do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias de atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Gostaria de ponderar com os Deputados, Deputadas, Senadores e Senadoras que não conseguimos concluir a ata de reunião dessas oitivas dos dois dias anteriores.  Por isso peço autorização de V. Exªs para aprovar, para próxima semana, a ata.

Todos estão de acordo?

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral – PT – MS) – Pela ordem, Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Com base nas oitivas longas desses últimos dois dias, gostaríamos, primeiro, de sugerir que este horário das 9 horas fosse o horário de funcionamento da nossa CPI e de chamar a atenção do Sr. Relator, para que analise o Requerimento nº 207, que já está na posse da Secretaria da nossa Comissão, que trata da solicitação do envio pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos dos contratos de publicidade, propaganda e patrocínio no que diz respeito às suas execuções.

Nós aprovamos, na deliberação anterior, de terça-feira, Sr. Presidente, o Requerimento nº 143, que trata das licitações e dos contratos.  Agora estamos sugerindo – no caso, os signatários somos eu e o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto – que, na próxima terça-feira, quando vamos novamente deliberar sobre os requerimentos, façamos com que a ECT nos envie a execução dos contratos de 2003, 2004 e o que estiver executado até o dia em que sair o ofício daqui, de tal maneira que possamos acompanhar as execuções para poder, evidentemente, compor o relatório e fazer a ligações necessárias, na busca do esclarecimento.

É esse o requerimento que faço ao nobre Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) ­- Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT - MS) - Concedo palavra, pela ordem, a V. Exª.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) ­- Não temos nenhum óbice a isso, até porque o que competia à gestão do nosso interrogado ontem era exatamente a parte de execução dos contratos, de forma que nos manifestaremos na oportunidade favoravelmente.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Agradeço, Sr. Relator. Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL - BA) - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT - MS) Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) - Sr. Presidente, gostaria de fazer duas sugestões à Mesa. A primeira delas é que fossem também disponibilizados os documentos com as cópias dos depoimentos às Lideranças da Câmara dos Deputados.

Ontem, por exemplo, tive a oportunidade de ligar para o competente assessor, Sr. Wanderley, para solicitar uma cópia do depoimento do Sr. Wascheck à Polícia Federal, porque a Liderança do PFL na Câmara não dispunha dessa cópia. O Sr. Wanderley informou-me que havia sido encaminhada para a Liderança do PFL no Senado. Depois, a nossa assessoria, corroborando com essa informação, havia afirmado que a decisão foi que todos os procedimentos tivessem encaminhamento apenas para as Lideranças do Senado.

Portanto, gostaria de solicitar a V. Exª que desse o mesmo tratamento às Lideranças da Câmara. Essa é a primeira questão.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT - MS) – Meu caro Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, foi encaminhado pelo Secretário Wanderley Rabelo da Silva, por meio do Ofício nº 017, para o Exmo. Sr. Deputado Rodrigo Maia, no dia 21 de junho. Evidentemente deve ter havido algum atraso. Então, pensamos que estamos atendendo a V. Exª.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Agradeço-lhe, Sr. Presidente.

A segunda questão é a seguinte: ficou acertado que, na semana que vem, iremos ouvir os seis diretores dos Correios e o Deputado Roberto Jefferson, sendo que o depoimento do Deputado Roberto Jefferson ficou marcado para quarta-feira.

É muito difícil ouvirmos os seis diretores na terça-feira. Então, eu queria propor que fizéssemos uma divisão: que ouvíssemos três diretores na terça-feira e os outros três na quinta-feira, fazendo uma interrupção para a oitiva do Deputado Roberto Jefferson, na quarta-feira.

É evidente que poderíamos acertar entre os membros da Comissão quais seriam os três diretores que ouviríamos na terça-feira e quais seriam aqueles que ouviríamos na quinta-feira, até para nos dar condições técnicas de conhecer a fundo e mais de perto os termos dos contratos dos Correios afeitos a cada Diretoria e a suas competências.

Estamos no início dos trabalhos da Comissão e não tivemos ainda condições de analisar tudo detalhadamente. Então, eu gostaria de fazer este encaminhamento: ouvirmos três diretores na terça-feira, o Deputado Roberto Jefferson na quarta-feira e os outros três diretores na quinta-feira.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente, após a Senadora.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Também já pediu pela ordem o Senador Jefferson Péres.

Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, a Comissão, após a reunião de hoje, fará uma avaliação das agendas da próxima semana, mas está registrado o encaminhamento de V. Exª. Após o término da reunião, ainda teremos muito trabalho pela frente para preparar a pauta da próxima semana.

Concedo a palavra, pela ordem, ao Senador Jefferson Péres.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT – AM) – Sr. Presidente, apenas quero reiterar de público o apelo que lhe fiz informalmente, para que, talvez até em uma reunião extraordinária da Comissão, seja definido o calendário de julho. Que seja um calendário realista e que não leve ao esvaziamento desta Comissão!

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem, peço a palavra.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – OK, Senador Jefferson Péres.

Pela ordem, concedo a palavra à Senadora Heloísa Helena. Depois, falarão a Senadora Ideli Salvatti, o Deputado Maurício Rands e o Deputado Eduardo Paes.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, sigo a mesma linha de outros Senadores e Deputados que mostraram preocupação. Sei que V. Exª e o Relator, ontem, já comunicaram que solicitariam todos os contratos ou representações ou relatórios ou pareceres que tenham sido feitos pela própria empresa de Correios ou pelo Tribunal de Contas da União em relação àquela listagem que foi apresentada pelo depoente de ontem.

O apelo que faço é para que, assim que chegar à Relatoria, que possamos ter acesso a todo esse material, porque, como é de alta complexidade técnica, é essencial que possamos nos aprofundar para não sermos irresponsáveis em relação à análise de contratos, pareceres e representações ou qualquer outro mecanismo que tenha sido feito em relação a todos os atos, porque são muitos contratos. Tanto V. Exª como o Relator disseram que já estavam providenciando para que isso seja disponibilizado para a gente também.

Outra coisa. Não quero fazer nenhuma especulação indevida, Senador Delcídio, até porque parto do pressuposto de que a agenda da próxima semana foi acordada aqui, tendo sido dada a palavra de V. Exª, de uma forma muito especial. Ontem, os comentários que se ouviam na Casa eram no sentido de obstaculizar a vinda do Deputado Roberto Jefferson na quarta-feira.

Então, estou logo me adiantando, pode ser mera especulação da minha parte. Sei que outras pessoas... Nós estamos aqui para trabalhar mesmo. Não tem problema irmos até meia-noite, uma ou duas horas da manhã, ou mesmo virarmos a noite. Aliás, esta Casa já virou a noite na reforma da Previdência.

Então, para que isso seja feito, para que seja mantido, se tiver de ser incluída, a proposta do Deputado Antônio Carlos é bastante razoável, de três na terça... Inclusive, V. Exª tinha falado sobre isso também: uma parte na terça-feira e outra na quinta-feira. Alguns outros deverão vir antes, porque os últimos dados da secretária, a Srª Karina, e do Sr. Marcos Valério, alguns dados poderão, em função da conjuntura, serem antecipados. Mas é essencial para as relações respeitosas e democráticas nesta Comissão a manutenção daquela primeira agenda que foi acordada, inclusive garantindo que o Deputado Roberto Jefferson venha na quarta-feira.

Vamos ter reunião do Congresso, mas à noite, que pode ser às 20 ou 21 horas, a leitura do requerimento da outra CPI Mista, do “mensalão”. Mas é essencial que esse primeiro acordo seja feito e que possamos até introduzir, se for de comum acordo na Casa, dados, personalidades novas que a conjuntura nos empurra a ouvi-las antecipadamente, como a Srª Karina e o Sr. Marcos Valério, representante de uma das empresas de comunicação que estão sendo denunciadas. Isso é essencial, porque os comentários ontem eram outros. Espero entender isso como simples especulação, coisas dos corredores da política, e que o que foi acordo fique efetivamente mantido.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Uma questão de ordem, Sr Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela ordem, Sr Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –- MS) – Senadora Heloísa Helena, há uma programação já estabelecida. Como aquilo foi motivo de acordo entre os Líderes do Governo e os Líderes da Oposição, agora vamos organizar as audiências da próxima semana, mas essa agenda está definida. Nós precisamos é dar racionalidade às oitivas que serão realizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Pela ordem, Sr Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, terão a palavra a Senadora Ideli Salvatti, depois o Deputado Maurício Rands, depois o Deputado Eduardo Paes e depois o Deputado Jamil Murad.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr Presidente, em primeiro lugar, não acompanhei, infelizmente, por motivos pessoais conhecidos tanto o depoimento de terça-feira à noite quanto o de ontem, ao longo do dia.

Por outro lado, tenho o entendimento de que as deliberações desta Comissão, inclusive da seqüência dos trabalhos desta Comissão, têm de estar diretamente ligadas aos fatos que nos objetivam investigar aquilo que está focado. Principalmente, precisamos ter o encadeamento das oitivas vinculado às questões que os fatos vão apresentando e que vão se sucedendo.

Não é a primeira nem a segunda vez que, no andamento das oitivas, fatos e necessidades de complementação de documentos, de informações que possam, inclusive, subsidiar de forma mais efetiva. Muitas vezes, já aconteceu de termos agendado algum tipo de depoimento, e, para que ele pudesse ser efetivo, conclusivo, havia a necessidade de, anteriormente, obterem-se determinadas informações, até para não permitir que, ao depoente sentar-se nessa mesa para ser questionado e sabatinado, não tivéssemos em mão os instrumentos efetivos para questionar, para fazer uma quebra de sigilo telefônico ou bancário ou a análise de documentos.

Sr. Presidente, aqui já ficou claro e determinado, pelas informações que me chegaram, que não será postergado nada, que não serão readequadas questões para, digamos, fazer benesses políticas. Vamos investigar à medida que os fatos forem sendo apresentados. Então, gostaria, Sr. Presidente, que pudéssemos fazer uma reavaliação, inclusive, das seqüências, porque há determinadas situações em que só poderemos questionar quem sentar aí se tivermos, de antemão, documentos.

Então, quero deixar em aberto essa reavaliação do calendário. Queria que pudéssemos fazer o que viemos fazer hoje: a oitiva dos dois empresários que, segundo se informa, foram os mentores da gravação. Poderíamos cumprir essa agenda, mas nos poderia ser permitido reavaliá-la e readequá-la mediante a ocorrência dos fatos.

Sr. Presidente, houve muitos fatos e coisas novas ao longo dos dias. Talvez, até a lógica e a seqüência precisem ser reavaliadas, sim, mediante algumas informações necessárias, para que as oitivas da próxima semana possam ser mais eficientes, com documentos e com dados adequados para serem ouvidos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli Salvatti, a preocupação desta Comissão é exatamente no sentido de haver uma lógica de investigação entendível, sensata, equilibrada, à luz dos fatos. Inclusive, tivemos dificuldade de subsidiar, por completo, os Parlamentares, até porque estamos ainda no início dos trabalhos. Mas, com certeza absoluta, esse é o intuito, dentro de uma lógica de avaliação conjunta com as Lideranças, exatamente para que tenhamos efetividade.

Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Maurício Rands.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Sr. Presidente, V. Exª e o Relator têm procurado imprimir, na seqüência dos depoimentos, uma lógica a partir da ocorrência dos fatos. Parece-me que ninguém critica o conteúdo deste raciocínio: inicialmente, aquele que foi flagrado na fita; depois, quem fez as gravações; quem, supostamente, encomendou as gravações; os diretores da empresa, que têm de ser ouvidos. Inclusive, lembro que, para que possamos dar seqüência aos nossos trabalhos, precisamos ouvir o Presidente dos Correios. Já que estamos ouvindo diretores de departamentos, chefias de departamentos e até auxiliares, precisamos também ouvir a presidência dos Correios.

Não vejo por que esta Comissão não ouvir, por exemplo, o cidadão chamado Godoy, que é apontado como assessor, como o braço direito do Maurício Marinho, que é acusado de participar, junto com o Diretor Antônio Osório, de um esquema a serviço do Deputado Roberto Jefferson.

Todos estamos ansiosos para que esta Comissão ouça o Deputado Roberto Jefferson, o primeiro acusado ao lado de Maurício Marinho, de seu auxiliar e do diretor. Só que não podemos estar ansiosos, pois essa pressa pode aniquilar o verso. Minha querida Senadora Heloísa Helena, se trouxermos um depoimento importantíssimo para esta Comissão antes de coligirmos os dados, poderemos perder uma oportunidade...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Exª está propondo o descumprimento do acordo?

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Não. Espera aí. Eu vou chegar lá. Ouça-me!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Gostaria que V. Exª fosse claro.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Ouça-me. Estou querendo dizer que não podemos ter essa ansiedade revelada pelo meu amigo Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto e...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não tenho ansiedade nenhuma, Deputado. Eu fiz um acordo.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – ...nem essa ansiedade da Senadora Heloísa Helena. Por quê? Porque só faz sentido ouvirmos depoimentos se tivermos os dados, para que a inquisição seja perfunctória, não seja circo, não seja jogo de cena, não seja apenas um jogo para as luzes.

Portanto, Sr. Presidente, temos a consciência de que este é um objetivo importantíssimo: ouvir o Deputado Roberto Jefferson. No entanto, não temos aqui o dom de cristal, ninguém tem aqui uma bola de cristal. Vimos quantas horas durou o depoimento do Maurício Marinho: foram dois dias, 28 horas, Sr. Presidente.

Então, não podemos trabalhar, de modo algum, com essa rigidez, rigidez que pode atropelar a racionalidade dos depoimentos aqui colhidos, nobre Deputado Relator. Não temos a dimensão do tempo. Acho até que, neste momento, devemos colaborar, sobretudo, com o Presidente, para que não repitamos um depoimento como o de ontem e o de hoje – faremos isso só se for necessário.

Se todo mundo colaborar, atendendo ao apelo do Presidente, o Senador Delcídio Amaral, poderemos ser mais objetivos, para que esta Comissão possa ouvir mais depoentes e possa, por exemplo, chegar ao depoimento do Roberto Jefferson, que está sendo aguardado com tanta ansiedade, depois de ouvir depoimentos que nos possam instruir.

Vou responder ao meu amigo Deputado Antonio Carlos Magalhães, dizendo que o que foi proposto pelo Senador Delcídio Amaral é uma sinalização para que o Deputado Roberto Jefferson venha aqui na próxima semana. Continuamos com essa sinalização, mas temos de ter a consciência de que não adianta, não é racional, não colabora para os trabalhos de investigação o Deputado Roberto Jefferson vir aqui atropelando outros depoimentos.

Ontem, por exemplo, foram feitos requerimentos com o objetivo de ouvir o ex-publicitário que está sendo citado, o Marcos Valério, e a Secretária. Temos a consciência de que, se houver fatos concretos que vinculem essas duas pessoas, elas terão de ser ouvidas aqui também. Mas, neste momento, talvez, ainda não haja indicativos concretos. Trazer um publicitário simplesmente porque tem conta com a empresa não é um bom critério. Quantas empresas fazem contratos com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos?

Então, o fato de ter contrato com essa empresa não é motivo suficiente para trazer todos os contratados aqui. Temos de ter frieza, equilíbrio, e não transformar esses requerimentos de audiência em jogo de cena, em objeto de disputa política. É essa a consideração que faço, lembrando, inclusive, que todos nós estamos empenhados para que não só o que aconteceu nos Correios, mas tudo o que está sendo objeto de discussão na sociedade seja esclarecido.

Não é à toa que a CPI proposta pelo Partido dos Trabalhadores, ao lado de outros Partidos, na Câmara dos Deputados, está sendo votada hoje naquela Casa. É o projeto de resolução que permitirá a instalação de uma CPI, independentemente daquele limite de cinco CPIs na Câmara.

Então, há episódios que, em um primeiro momento, estão mais vinculados a um outro fato certo e determinado. Sei que isso provoca ansiedade, mas não podemos ser ansiosos, para não prejudicar a qualidade da investigação feita pela CPI dos Correios.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Deputado Eduardo Paes pela ordem.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Quero falar com base no art. 14, Sr. Presidente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, não quero tomar tempo desta Comissão, discutindo...

Eu peço a atenção da Senadora Heloísa Helena e do ilustre Deputado Maurício Rands.

Não quero tomar o tempo do ilustre Presidente, do ilustre Relator, de todos nós, da nossa audiência, da imprensa que está aqui, discutindo aquilo que me parece que não deve ser discutido.

Sinto um certo clima. Quando a Senadora Heloísa Helena fez o comentário da especulação aqui, pensei que S. Exª estivesse exagerando, mas já estou na fase de achar que o gato subiu no telhado.

Portanto, a indagação que lhe faço, Sr. Presidente, refere-se a uma decisão de V. Exª. Na primeira reunião desta Comissão, nesta semana, todos nós, em um acordo, votamos, em bloco, 110 requerimentos. Aprovamos os 110 requerimentos, e, com a aprovação desses 110 requerimentos, V. Exª anunciou no microfone qual seria a ordem dos trabalhos. Ouviríamos o Sr. Maurício Marinho naquele mesmo dia.

Sei que o Maurício Marinho surpreendeu. Pensou-se que ele não iria falar muito, que ele era bagrinho sem informação, mas ele acabou dizendo mais do que se esperava. Isso assusta, eu entendo. Mas é importante; acho que foi um bom depoimento. Foram 28 horas muito produtivas, com muitas informações.

Hoje, estamos aqui para ouvir estes dois cidadãos: o Wascheck e o Sr. Antônio Velasco.

Queria pedir a atenção do Sr. Presidente. Estou aqui tentando, Sr. Presidente, reproduzir aquelas que foram as palavras ditas por V. Exª, nesse mesmo microfone, nessa mesma cadeira, construindo esse acordo que me pareceu excepcional e que recebeu e vai continuar recebendo elogios da Oposição. Na semana seguinte, ou seja, na próxima semana, estaremos ouvindo os diretores e o Deputado Roberto Jefferson. Esse foi o acordo feito.

Portanto, para não perder meu tempo – quero até tratar de outros temas, Sr. Presidente –, deixaria essa indagação, porque não temos de ficar debatendo uma coisa que não deve ser debatida, porque é uma decisão do Presidente e do Relator. E temos absoluta convicção, consciência e certeza da seriedade do Presidente e do Sr. Relator. Temos certeza de que S. Exªs vão cumprir aquilo que foi acordado até o fim, para que os trabalhos possam prosseguir com a tranqüilidade necessária.

Portanto, Sr. Presidente, não vou entrar nesse debate. Acredito que, certamente, V. Exª e o Relator cumprirão o acordo. Se assustou a base do Governo o depoimento do Sr. Maurício Marinho ontem, esse é um problema da base do Governo, e o Governo tem de explicar o que informou aqui o Sr. Maurício Marinho.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Já estou concluindo, Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Desculpe-me.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Tenho outra preocupação, Sr. Presidente, que era algo que me incomodava levemente. Diante das especulações que surgem aqui, do gato sendo colocado no telhado, começo a achar que temos também de tratar, na reunião de hoje... E faço essa colocação, Deputado Maurício Rands, porque o Presidente já afirmou isso também. Apresentamos requerimento nesse sentido, mas talvez fosse bom, Sr. Presidente, deliberarmos logo sobre isso, porque a sociedade brasileira precisa ter essa tranqüilidade, para que depois não fiquemos só nas palavras, mas também com as coisas concretas aqui.

V. Exª, Sr. Presidente, já deu a garantia, e o Deputado Osmar Serraglio também, de que esta Comissão Parlamentar de Inquérito funcionará durante o recesso parlamentar. Não sei o que vai acontecer na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Se vota ou não se vota; se há recesso ou não; se há autoconvocação ou não, essa é uma discussão que paira no ar, ainda cheia de dúvidas. Mas é fundamental – a sociedade brasileira e a opinião pública vão exigir isto de nós, Deputado Maurício Rands – que trabalhemos durante o recesso parlamentar. Parece-me que a Senadora Ideli Salvatti fez um comentário pertinente: façamos uma agenda realista. Perfeito. Concordo. Não tenho a menor objeção quanto a isso.

Poderíamos hoje, Sr. Presidente – faço essa sugestão –, deliberar já sobre o requerimento que foi apresentado pelas Oposições, para que fiquemos tranqüilos e para que, amanhã, surgindo novos depoimentos, novas surpresas, a base do Governo não venha com argumentos de que, para os fatos que surgem, deve haver calma, de que deve haver uma seqüência e de que não podemos trabalhar durante o recesso parlamentar. Portanto, gostaríamos de deliberar sobre esse requerimento no dia de hoje.

Finalmente, gostaria de reforçar um apelo ao Deputado Relator, Osmar Serraglio. No dia de ontem, vários contratos foram citados. V. Exª já requisitou esses contratos, em decisão anunciada no dia de ontem.

Tenho uma dificuldade enorme de pegar as coisas com rapidez, Deputado Osmar. Sou lento e gosto de ler tudo. É um defeito que tenho, desde os tempos de colégio; eu tinha de ler tudo para poder entender. Não tenho a facilidade que algumas pessoas têm de captar o sentido das coisas apenas lendo uma parte ou ouvindo o que o assessor explica. Eu tenho de ler o negócio todo.

Portanto, esses contratos citados ontem, que V. Exª requisitou, adoraria passar o meu fim de semana lendo-os. Seria uma diversão fantástica. É o programa que peço a Deus. Gostaria de reiterar o pedido no sentido de que esses contratos estivessem à nossa disposição no máximo até amanhã. Já não devo estar aqui amanhã, mas pediria que meu gabinete os enviasse por Sedex. Quem sabe, eu possa imaginar que a Senadora Heloísa Helena também estará, no fim de semana, lendo todos esses contratos que estarão organizados e que serão trazidos pelo Deputado Relator. É só uma questão de organização.

Sei que V. Exª vai disponibilizá-los. Aliás, V. Exª tem disponibilizado tudo para todos os Deputados aqui. Não há do que se reclamar. V. Exª tem tido uma postura exemplar. Aliás, a Mesa tem tido uma postura correta. Até o presente momento não temos o que contestar. Temos fé de que as coisas caminharão assim. Mas, só por uma questão talvez de dificuldade minha de captar as coisas, preciso do sábado e do domingo para ler esses contratos. Portanto, gostaria que até amanhã eles estivessem conosco.

Portanto, Sr. Presidente, são essas duas questões: os contratos, a deliberação hoje sobre o trabalho desta Comissão durante o recesso e, claro, para evitar que fiquemos discutindo aqui sobre Roberto Jefferson ou não, que V. Exª reitere a sua afirmação e a sua organização no sentido de que o Deputado Roberto Jefferson seja ouvido na próxima semana.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) Concedo a palavra pela ordem à Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Senador Delcídio Amaral, não estamos aqui a propor um regulamento de idéia fixa; porque idéia fixa se respeita e muito em quem tem problemas de saúde mental. Não se trata de idéia fixa.

Agora, é evidente que aqui ninguém é besta; o mais besta aqui não anda, voa. Aqui todo mundo conhece exatamente todo mundo. Sei que tem gente que está com muita ansiedade para abafar. Eu só gosto de abafar cuscuz em casa para ficar mole. Mas tem muita gente que quer abafar. Sei que tem gente que está ansiosa para abafar também. E talvez outros estejam ansiosos para desvendar os mistérios sujos da corrupção. Partamos do pressuposto que estamos todos ansiosos pelo aprofundamento das investigações para desvendar os mistérios sujos da corrupção, para agilizar os trabalhos desta Casa e desta CPI, para ajudar naquilo que o povo brasileiro quer.

Todas as vezes que vejo alguém aqui dizendo que isso aqui não vai ser circo, digo: respeite o circo, porque o circo – fora quando maltrata animal, porque não gosto – ,  já se disse aqui várias vezes, o circo, se se perguntar à opinião pública, é visto como muito mais respeitável do que o nosso Congresso Nacional, que todos os dias é absolutamente desmoralizado porque alguns aqui deixam que se coloque uma etiqueta na testa dizendo qual o seu preço. Então a nossa responsabilidade é muito grande.

O apelo que faço a V. Exª, Senado Delcídio Amaral, que neste momento não está mais – e aí é mais a V. Exª do que ao Relator –, este momento, depois que V. Exª está aí, e V. Exª sabe a responsabilidade que tem, V. Exª, por mais que se diga CPI chapa-branca, é o Presidente da Comissão do Governo, não tem mais o direito de ser isso; não tem mais. V. Exª deve satisfação não apenas a sua querida e maravilhosa esposa, Maika, a seus filhos, mas a esta Comissão também. Então o apelo que faço, mais uma vez, é que não sejamos surpreendidos, porque, se for por prioridade, o Deputado Roberto Jefferson já deveria ter vindo; deveria vir agora, antes até dos outros diretores, porque foi ele quem levantou toda a suspeita; foi ele quem falou de crimes contra a Administração Pública, intermediação de interesse privado, exploração de prestígio, tráfico de influência.

Não adianta menosprezar também a vinda do publicitário. Se o publicitário for inocente, que a CPI a ele entregue o tributo da inocência, o mais belo tributo da inocência, a mais bela honraria que a inocência pode ter é dado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Mas, ele não é “esse” publicitário. Ele é um publicitário que está sendo apresentado pelas denúncias e pelos indícios relevantes de crimes contra a Administração Pública, como o homem que ganha licitação fraudada para compensar os fraudadores do processo licitatório com a mala preta, com o “mensalão” e com o pagamento de quem quer que seja. Pode ser inocente, a CPI assim mostrará. Mas não é “esse” publicitário.

Portanto, o apelo que faço a V. Exª, Senador Delcídio Amaral, é que partamos do pressuposto de que todos queremos investigar; partamos do pressuposto de que todos queremos superar essa imagem de Congresso Nacional desmoralizado perante a opinião pública. Partamos desse pressuposto. O apelo que faço a V. Exª é apenas que não seja modificado o que foi acordado anteriormente por uma decisão unilateral do Governo, uma decisão unilateral da Bancada do Governo, aqui representada no plenário. Vou até tirar V. Exª  por enquanto, vou até retirar V. Exª por enquanto, porque sei o esforço que V. Exª fez. Estou dizendo que é uma articulação, um estratagema, uma tática diversionista de tirá-lo de vir na próxima semana. E isso não é delírio persecutório, não, porque ontem, na própria reunião dos Líderes, quem estava na reunião dos Líderes viu a arrogância das Lideranças do Governo dizendo: “Vamos ver se ele vem na próxima semana. Vamos ver, porque nós vamos lá obrigar a votar”. E eu disse: foi uma palavra e um compromisso do Presidente Delcídio. Ontem, o Senador Mercadante disse, na reunião dos Líderes. Até então eu pensava apenas que era uma decisão pessoal dele, que ele tem todo o direito de fazê-lo. Mas, agora, pela posição de alguns aqui, eu já estou vendo que pode ser diferente. Então, o apelo que eu faço é que, se se vai modificar a agenda, se nós temos de trabalhar um dia ou sete dias na semana, varar a noite ou não, que isso, ao menos, seja feito de forma acordada, discutida coletivamente, da mesma forma que V. Exª fez no primeiro dia em que nós instalamos esta Comissão.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Jamil Murad, são várias pessoas pedindo a palavra, a Senadora Ideli, pedindo pela ordem. Agora, eu quero fazer o seguinte comentário: toda reunião é essa conversa, e as coisas estão muito bem definidas dentro de um acordo com as Lideranças. O Senador Ney Suassuna também está aqui presente. Está absolutamente definido o seguinte para a semana que vem. Agora, V. Exªs têm que dar um tempo para que consigamos organizar as coisas, porque nós estamos trabalhando aqui. O Relator já não dorme mais, preparando interrogatório, estudando documentos. O que ficou ajustado é que, na próxima semana... Eu confesso que ontem conversei com a imprensa sobre a vinda do Deputado Roberto Jefferson. O Senador Agripino citou quinta-feira e no início eu tinha entendido que era uma quarta. Mas isso não interessa. Acho que o importante do conceito e para mostrar lógica é que esta Comissão está funcionando. Porque isso é importante, senão começa a passar a impressão de que nós estamos atropelando etapas, e nós não estamos atropelando etapa nenhuma. Na semana que vem, nós vamos ouvir, conforme acordo com os Líderes, tanto do Governo quanto da Oposição, os diretores dos Correios e o Deputado Roberto Jefferson. Depois, o que também ficou ajustado entre os Líderes é que nós, de comum acordo, faríamos as agendas das outras semanas. Então, essa é uma posição clara. Nós vamos trabalhar com o Relator e com toda a nossa equipe para ajustar toda essa programação. E ponto final. Eu acho que nós não precisamos continuar debatendo um fato que é fato vencido.

Pela ordem, Deputado Jamil Murad.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Sr. Presidente, eu agradeço. Concordo com esse encaminhamento que a Presidência deu. Alguns aqui, acho que têm o monopólio da vontade de investigar, ou o monopólio da honestidade, o que é uma infantilidade. Muito bem. Ao tentar fixar o dia da semana, que foi o que o Deputado ACM Neto e a Senadora Heloísa Helena propuseram, a quarta-feira, e se nós tivermos mais uma audiência que dure 24 horas, como durou a do Maurício Marinho, para manter a data de quarta-feira para o Roberto Jefferson, nós chegaríamos lá sem todos os elementos. E, aí, ele passaria a ser apenas o acusador – não é responsável pelos Correios, nada fez –, como ele já fez declaração na TV Cultura, como ele fez na Comissão de Ética etc. É uma tática que ele usa e que até Maurício Marinho tentou usar: olha, eu não devo nada e passo a atirar e ser o acusador.

Legitimamente, o Parlamentar aqui pode escolher que posição tomar. A minha posição é de investigar e não de servir de anteparo para qualquer depoente. Tentar trazer o Roberto Jefferson precipitadamente, antes de os diretores dos Correios virem aqui prestarem esclarecimentos para nós, é proteger o Sr. Roberto Jefferson. Ele vai repetir apenas as acusações anteriores. Mas agora, se ele disser que não tem nada com os Correios, já há o depoimento do Maurício Marinho, haverá o do empresário que vem hoje, haverá o de outros diretores. Então, não vou passar aqui de maneira inocente, ingênua, não. Tem gente que, usando o rótulo de Oposição, tenta proteger aquilo que não deve ser protegido, Sr. Presidente.

Então, concordo com a sua observação: primeiro, os diretores dos Correios. Se os depoimentos deles se estenderem até quarta-feira, o Sr. Roberto Jefferson vai ser ouvido na quinta, e não para cumprir a tabela e vir na quarta para facilitar o trabalho dele. Isso, não. Ele tem que prestar conta aqui do que fez também.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, eu só queria essa confirmação, porque há muito ruído neste debate todo. Quando fiz a minha ponderação, a minha questão de ordem inicial foi exatamente nesse sentido. O cronograma tem que estar adequado aos fatos, tem que estar adequado aos documentos, às informações necessárias para que a oitiva seja a mais eficiente possível. Então, quero saber se é esse o acordo. Como eu não estava, quero ter essa convicção. O acordo é de que ouviremos os diretores dos Correios para nos subsidiarmos, para que, quando formos ouvir o Sr. Roberto Jefferson, tenhamos documentos, provas, informações necessárias a fim de que ele não continue fazendo o jogo de cena de atirar para todos os lados sem apresentar nenhuma prova? É isso que quero saber.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli, para deixar muito claro, ouviremos os diretores e, depois, ouviremos o Deputado Roberto Jefferson, conforme combinado com as Lideranças, e será na próxima semana. Para que não haja nenhuma dúvida com relação às semanas subseqüentes, o que ficou combinado com os Líderes é que nós discutiríamos de comum acordo as oitivas.

Encerrando este debate inicial, que já está se tornando praxe nesta Comissão Parlamentar de Inquérito – estamos debatendo há mais de uma hora este assunto –, eu gostaria agora de convidar para tomarem assento à mesa os Srs. Antônio Velasco e Arthur Wascheck Neto, para que nós façamos a oitiva dos dois empresários. E é importante registrar que eles vão depor como investigados. (Pausa.)

Eu gostaria de comunicar que, pelo o que o Regimento determina, hoje o Senador Maguito Vilela não pôde estar presente em razão de compromissos de última hora. Portanto, V. Exªs vão ter que me aturar durante toda a reunião aqui na Presidência da CPI. (Pausa.)

Quero iniciar nossos trabalhos.

Vamos ouvir, um de cada vez, o Sr. Arthur Wascheck Neto e o Sr. Antonio Velasco.

Dou a palavra ao Sr. Arthur Wascheck Neto.

V. Sª tem o tempo disponível para dar todas as explicações à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Primeiramente, bom-dia. Espero poder, da melhor maneira, colocar as posições e os motivos que me levaram a tomar a atitude de mandar gravar, fazer aquela gravação, e poder responder da melhor maneira as perguntas que forem feitas ou dirigidas a mim.

Estava sentindo um desconforto muito grande...

O SR. (Orador Não Identificado) – Só uma pergunta. Indago ao Sr. Presidente se não seria conveniente solicitar que o depoente subseqüente ouvisse o depoimento do Sr. Arthur Wascheck, porque a informação que tenho é que ele está no recinto. Podia se checar isso?

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Já está na outra sala.

O SR. (Orador Não Identificado) – Já está em outra sala? Ok.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Ele está em outra sala e, evidentemente, foi assegurado que não ouvirá.

Eu os convidei à Mesa, mas tive o cuidado de separá-los. Depois ouviremos o outro depoente, que não está acompanhando o que o Sr. Arthur Wascheck irá falar aqui.

Meu caro e incansável Senador Ney Suassuna.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Sr. Presidente, muito obrigado pela adjetivação.

Peço a V. Exª que solicite ao depoente que não fique tão frio, que fizesse uma pequena biografia sobre a empresa dele, sobre ele, e diga algumas coisas para que tenhamos noção de quem é e o que faz.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Concedo a palavra ao Sr. Arthur Wascheck Neto.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Perfeitamente. Eu dei 6 anos de aula em Goiânia, de História e de Literatura Brasileira, quando fui convidado por um amigo para vir a Brasília, porque ele estava assumindo a empresa do pai. E eu, naquele momento, estava em processo de estudo, estava quase me formando. Transferi a faculdade da UFG para o CEUB, em Brasília, e encontrei, no ramo de licitação, aquilo que eu gostaria de fazer para o resto da minha vida e que venho fazendo em Brasília, há 24 anos, com um sucesso relativo e muita luta, muita luta mesmo.

Tenho hoje o orgulho de ter duas empresas: uma de representação e outra de compra e venda para o Governo, especializada em licitação. E tenho uma agência de viagem e uma empresa prestadora de serviço de informática no aeroporto. Tenho 46 anos praticamente – dia 2 de julho faço 46 anos. O meu único sócio é o Antônio, e nós temos uma harmonia boa, que foi um pouco abalada por causa desse problema da fita.

O Senador gostaria de saber mais alguma coisa?

Entro no processo?

Considero os Correios não só meu cliente, mas um órgão de extrema respeitabilidade, com uma burocracia sólida. Na mudança, na qual assumiu o Sr. Maurício Marinho, comecei a me preocupar com o andamento das questões relativas a execução de contratos.

O pregão, a modalidade pregão licitatória é uma modalidade interessante, que não deixa margem quase nenhuma a fraude ou falcatrua. É uma coisa seca: você vai lá, apresenta seu preço, outro vai e apresenta, até que se define o vencedor. A partir daí, comecei a vislumbrar que algo andava errado. Ouvi dizer que começaram a pedir dinheiro. Soube de alguns casos em que se vendia – desculpe a expressão, não é chula – lebre e entregava gato. Quer dizer, soube que algumas empresas não eram punidas.

Eu fui punido exemplarmente. Também tentei, fiz, durante dois anos, a manutenção de um produto dentro dos Correios, e esse produto... Algumas vezes, fui chamado indevidamente, o que chamei de visitas indevidas. Hoje eles devem a mim uns R$320 mil reais. Comecei cobrando R$50 mil, R$120 mil, até que parei de emitir notas. Não entendia por que não me pagavam isso, sendo que os próprios funcionários dos Correios atestaram que eu não devia ter prestado aquele serviço. O que eu era obrigado por contrato foi prestado, acabou. Obrigação. Então, comecei a perder licitação. Comecei a enxergar, nos Correios, 140 processos cancelados no ano de 2004. Quer dizer, fiquei assustado. Eu vivo disso. Preciso trabalhar e não conseguia mais fazer um trabalho de qualidade. Não tenho condição, porque sou uma empresa que preza pagar o imposto. Sou hoje uma empresa que tem no Tare, aqui do GDF, uma condição muito boa de competição. Dificilmente, perco uma concorrência. Tenho, pela minha experiência, pelos meus 24 anos de luta dia e noite, tenho uma condição muito boa. Não quer dizer que eu ganhe todas, mas em certos itens tenho uma condição muito boa.

Vi casos, por exemplo, de uma empresa fabricante de bobina – da última concorrência de bobina que houve –, que colocou um preço inexeqüível, e vi essa empresa sendo perseguida. Um preço muito pequeno, mas ela, naquela ocasião, podia ter feito aquele preço. Então, achei que as regras começaram a ficar adulteradas, ou seja, houve uma quebra intensa da isonomia dentro do sistema. Por tudo isso, reputo como responsável o Sr. Maurício Marinho. Então, esse é um resumo básico do que estava ocorrendo nessa Diretoria de Administração.

E notei também que ele virou dono da situação. Não existia Dr. Antônio Osório, existia o Sr. Maurício Marinho, ou seja, ficou difícil. Eu fui para um plano, me afastei, comecei a concorrer normalmente, mas só ganhei uma licitação em 2003 e outra em 2004, com preços abusivamente baixos, ganhei quase nada, mas que valia a pena para mostrar, marcar campo.

Resolvi, em determinado momento, achei que havia muita gente sendo beneficiada – posso esmiuçar depois em que sentido –, eu senti que deveria tomar uma providência e a única providência plausível era provar para alguém, mostrar para alguém como as coisas estavam indo lá. Eu tinha informações de que ele estava conversando, ele montou, inclusive, uma sala só para ele, dividiu o departamento em dois, antes o Decan era um departamento. E ele descentralizou os trabalhos para ficar a caráter, para ficar somente com fornecedor.

Outra coisa, adotava um comportamento extremamente chato. Ou seja, para subalterno, queria bater forte e puxava saco, desculpe a expressão, de quem estava acima, quer dizer, virou uma situação de falar demais, todo mundo falando, inclusive acusando também as empresas – isso incluindo a minha, principalmente empresas de Brasília, de empresinhas e picaretas. Quer dizer, o cenário ficou lúgubre, ou seja, muito difícil de se trabalhar nos Correios. Como para nós é muito importante que os Correios comprem e que vendamos para os Correios, para a nossa própria sobrevivência – tenho mais de 20 funcionários – achei que deveria tomar uma providência. E realmente tomei.

Não tive intenção, de forma alguma, que isso se transformasse no escândalo que se transformou, porque o escândalo para mim é o pior negócio. Trabalho como empresário, não tenho aspiração política, não tenho aspiração política, não sou filiado a Partido, não financiei campanha de ninguém, o meu negócio é o bê-a-bá, o feijão-com-arroz. E o feijão-com-arroz para mim significa vender direitinho e receber direitinho, o que sempre aconteceu nos Correios.

Da minha parte, tomei essa decisão isoladamente, inclusive chamei uma pessoa, convidei uma pessoa, que é um consultor, o Joel, que é meu amigo pessoal de mais de 15 anos, achava que ele tinha discernimento, que tinha capacidade e categoria para fazer essa gravação para mim. Só que o meu erro: eu fiz, eu tive que contratar o aluguel de uma microcâmara que foi apresentada pelo Sr. Jairo Martins – não sei bem se é Jairo Martins o nome dele. Esse senhor foi apresentado a mim por um amigo em comum e eu falei: “Só vou conversar nesse tipo de assunto com gente de muita, muita confiança porque estou fazendo coisa pesada, estou gravando”. Mas, na verdade, a conversa com o Jairo iniciou-se sobre problema de grampo no meu escritório. Eu vinha sendo, pelo sucesso que tenho, sistematicamente, denunciado, anonimamente ou por fala – chegavam e falavam de mim. Até que, finalmente, uma empresa – não vou dizer o nome, embora saiba pelos indícios quem é, que empresa é – foi ao Ministério Público e me denunciou. Comecei a ficar muito preocupado.

No Ministério Público, fui providenciar uma varredura, foi aí que apareceu o Sr. Jairo Martins, um sujeito especializado em varredura. De fato, ele foi com o uniforme da empresa dele, SAM Alarmes, ao meu escritório e fez varredura, tanto na Coman quanto na Vetor. A Coman é uma empresa minha de representação e a Vetor é outra comercial.

Realmente, foi um senhor trabalho; nós, pela primeira vez, tivemos segurança de que não estávamos grampeados, porque é desagradável estar grampeado. Ninguém gosta disso. Aí a conversa com o Jairo começou a esticar, até que perguntei se nós poderíamos fazer algo a mais, ou seja, eu estava já de olho na possibilidade de fazer essa gravação. Ele disse: “Olha, eu tenho o melhor equipamento”. Falei: “Então vou fazer”. Não precisei... Falei que era Correios, mas não indiquei que era o Sr. Maurício Marinho para ele. Inclusive falei: “Olha, Jairo, eu só gostaria de passar para você o seguinte: não quero envolvimento com polícia, com nada; eu apenas gostaria de mostrar para algumas pessoas o que está ocorrendo dentro dos Correios”. Essa pessoa, especificamente, em que eu mirei na ocasião era o Dr. Antônio Osório. Como o Marinho virou embaixador e tudo da Diretoria, o dono da Diretoria, eu falei: a minha força, quer dizer, eu não tinha influência nenhuma, eu não podia... eu acabei por não ter mais condição de conversar e me afastei do Marinho, nos últimos sete meses. Resolvi, tomei essa decisão e fiz a fita. Peguei essa fita, depois de feita; aliás, foi feita uma fita que considerei vazia, inócua, aí peguei, não dei valor a ela, inclusive joguei fora. A segunda não, já havia o que interessava. Interessava para mim mostrar para o Dr. Osório simplesmente o que estavam falando em nome dele. Agora, o que o Sr. Marinho falou na fita, realmente ficamos um pouco estarrecidos, tanto que falei com meu sócio, e ele falou: “Olha, se eu soubesse que você estava fazendo isso, eu não deixaria jamais você fazer uma coisa dessas. Mas, já que você fez, vamos tomar a atitude correta”. Então, sentamos e fizemos uma reflexão: “Bom, o que está em evidência nesse negócio? É a Diretoria dos Correios e o Deputado Roberto Jefferson”. Peguei, como eu não conheço pessoalmente o Roberto Jefferson, procurei um amigo que conhece o Deputado Roberto Jefferson – tinha conversa, não sei que grau de amizade, mas eles conversavam sempre – e entreguei: “Olhe, você analise bem. Quer entregar ou não quer entregar a fita? Isso é uma questão sua, pessoal. Queria que você ficasse muito a caráter, porque é bombástico; a coisa é muito séria”. Ele disse: “Não, acredito que, pelo que está na fita, devo entregar”. Isso foi no dia 3, aqui, na porta do Senado, em frente à Gráfica do Senado. Na verdade, à noite, ele me liga, estava no hotel, e falou assim: “Preciso falar com você”. Eu falei: “Perfeitamente”. “O Deputado Roberto Jefferson mandou você encaminhar essa fita à Diretoria dos Correios”. E eu o fiz no dia 4. Realmente, mandei a fita e não posso dizer... Os dizeres são basicamente estes – não lembro exatamente o que eu escrevi na etiqueta –, disse o seguinte: “Para que o Sr. Antônio Osório conheça a atuação nefasta do Sr. Maurício Marinho”, e até dei uma dica de como... Na verdade, eram duas fitas, porque era muito longa a conversa. Eu nunca esperei duas coisas: que se falasse tanto numa fita e nunca esperei que um ex-araponga – araponga no sentido que parece que ele foi membro de um serviço, não sei; não gostaria de atingir de jeito nenhum a instituição Abin, porque não tem nada a ver uma instituição com uma pessoa –, e essa figura realmente já tinha vendido, ou entregue, ou dado de presente, a primeira fita para uma revista – não sei se foi a Veja. A segunda, realmente, depois que o Sr. Marinho, no dia 4, no final da tarde, ou no dia 5, pediu licença médica ou pediu uma licença, se retirou dos Correios, no final de semana estava a fita, estava a revista, aí o mundo desabou, inclusive em cima de mim. Eu falei... Liguei para o Jairo, aliás foi a última... não, não foi a última vez, falei com o Jairo: “Jairo, estão dizendo que vai sair uma reportagem dessa fita”. “Não, não vai, não”. “Você tem certeza, Jairo? O que nós combinamos naquele almoço? O que nós combinamos na minha casa? Que isso não podia acontecer.” Aí o Jairo disse que garantiu para mim. Mas, domingo... Aliás, eu estava em Manaus esse dia. Na sexta-feira ou no sábado, consegui uma revista Veja no aeroporto, e estava lá o negócio. Eu falei: bom, a bomba agora estourou; tem que ver o que vai acontecer.

Depois disso, fiquei na expectativa se falava a verdade ou não, porque tinha gente comprometida. Tinha a pessoa que gravou; tinha a pessoa que entregou. São meus amigos, e eu não podia abandonar. Conversei com eles: o que vocês querem fazer? Eles: “Vamos esperar um pouco.” Todo mundo estava com muito medo, porque a Polícia Federal estava investigando, aquela coisa toda. Até que, um dia, eu estive com esse Jairo de novo, e o Jairo quis dizer para mim que estava administrada a situação, ou seja, que a Polícia, e mais não sei quem, estava muito confusa em saber quem eram os autores do vídeo e da gravação. Aí, na verdade, foi a última vez que eu encontrei com o Jairo; fiquei com medo também, porque o Jairo grava até pensamento. Ele grava até pensamento. Por exemplo, ele tem um celular que ele me apresentou, e o celular é o próprio gravador, e com uma potência incrível, não é?

O resultado disso aí foi a prisão de dois amigos, e eu resolvi me apresentar. Eu também tive uma ordem de prisão, que não foi aceita pela juíza, porque eu tenho domicílio, eu estava bem localizado. Mas quase fui preso também. Quer dizer, foi uma catástrofe geral, em que eu fiquei muito assim... Houve um momento de depressão, vamos dizer assim, um momento de sentimento muito forte, em que nós... Eu tomei a atitude. Eu fui lá e contei exatamente o que estou contando aqui hoje. É claro que pode ter algum detalhe que fugiu, que também não dá para lembrar tudo. E me coloco à disposição dos senhores para qualquer pergunta, se for o caso, se a Presidência...

Quero dizer o seguinte: da minha parte, não houve motivação política, mas era simplesmente uma decisão isolada minha de dar um basta naquilo que estava acontecendo nos Correios. Eu posso pormenorizar, à medida que for necessitando, o que eu achava que estava errado lá dentro.

Então, essa é mais ou menos a história que eu tenho para falar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Relator, Deputado Osmar Serraglio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Arthur, como V. Sª mesmo anunciou, na verdade, existe no ar uma dúvida sobre se a iniciativa realmente foi sua ou se eventualmente possa ter sido um instrumento de alguém que tivesse alguns outros objetivos. Dessa forma, as perguntas também incidirão nesse sentido, para que possamos clarear essas dúvidas, que, com certeza, na seqüência, serão adensadas pelas dos ilustres Parlamentares, além das minhas.

Mas V. Sª acabou de fazer referência a que o ramo da sua empresa é o de licitação? Isso significa que V. Sª tem uma amplitude geral, vende o que aparecer na licitação?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, na realidade, não. Veja bem: eu sou uma empresa comercial. Pelo meu contrato social, eu estou apto para fornecer diversos produtos, mas isso... A gente até põe um contrato social desse no sentido de, se aparecer uma oportunidade na vida, você não ter que alterar um contrato. O meu forte é confecção, sapato... Confecção e sapato é o que eu tenho vendido mais, né? Mas eu tenho condição boa em mobiliário, por exemplo, que ultimamente está um pouco prejudicado em função de que as indústrias tomaram conta do mercado. Eu não tenho mais preço como distribuidor, mas a minha empresa, a Comam, ela pode vender, pelo contrato social, uma gama imensa de produtos, o que, na realidade, não ocorre, viu? Você acaba colocando isso como uma estratégia, Deputado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nesses últimos dois anos, a sua empresa participou de que tipo de propostas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Geral?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Específica para órgãos públicos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza, isso não tem problema nenhum.

Vamos ver: Marinha do Brasil, eu vendi... Não, foi macacão. Eu vendi todo o uniforme esportivo da Marinha, material de natação, sunga para natação, e vendi também calção de ginástica para a Marinha. Vendi também um artigo especializado chamado bota de convés, que é usado em alto-mar – aliás, bons produtos.

Com relação ao Exército, eu hoje me orgulho, depois de 20 anos de luta lá dentro, combatendo as multinacionais... Combatemos a São Paulo Alpargatas, a Santista Têxtil e outras grandes. No ano passado, 2003 para 2004, entregamos 250 mil calções para educação física, entregamos 105 mil pares de tênis e entregamos 45 mil botinhas camufladas usadas pelo Exército nas operações na Amazônia. Isso foi em 2003/2004.

Hoje, em 2005, com mais orgulho ainda, assinei um contrato como o maior fornecedor do Exército brasileiro nos mesmos itens, com exceção do calção que eu não ganhei neste ano. Mas consegui ganhar... são 186 mil pares de coturno, que é a bota militar propriamente dita; sandália de borracha, 70 mil; botinha camuflada, 37 mil...Desculpe-me...E também os tênis, 200 mil pares de tênis. Eu tenho feito um trabalho muito bom, tenho crescido.

Com relação aos Correios, consegui vender, no ano passado, 32.500 capas de chuvas. Corrigi, inclusive, um defeito crônico da capa de chuva, que era o gotejamento. Consegui vender, agora em 2005, 11.200, 11.500 jaquetas para carteiro, usadas no frio.

Esse é o resumo das minhas vendas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB ­– PR) – Isso se refere às suas vendas, mas e com relação às licitações de que a sua empresa participou e nas quais eventualmente não foi vencedora?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Dois itens são críticos. Vamos falar sobre Correios? É mais fácil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB ­– PR) – Pode ser.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Dois itens são críticos. Não se conseguia comprar mais tênis nos Correios. O que estava acontecendo? Isso é interessante. Houve, na verdade, a entrada de uma empresa nesse setor chamada Proteline. O dono da Proteline, inclusive, fala muito em nome do Governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que seria seu protetor. Eu acho que Germano Rigotto, no pedestal em que está, jamais iria compactuar com uma empresa daquele nível. Ele intimida as pessoas dizendo que, se o negócio não for feito, o Germano Rigotto vai brigar, vai fazer não sei mais o quê. Essa empresa começou a entregar produtos... Essa empresa conseguiu entregar tudo errado, abaixo da especificação, fora da especificação, nos Correios...

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – V. Sª acredita que o Governador interfira nessas coisas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Senador, vou contar-lhe uma coisa: conhecendo o dono dessa empresa, eu acho que é o maior absurdo que alguém fala...Eu disse isso para explicar a facilidade que as pessoas têm para falar em nome de outras. Isso é muito sério. Gostaria que V. Exªs refletissem...

O SR. (Orador Não Identificado) – Sr. Presidente, pela ordem.

Que cada Parlamentar faça perguntas na sua vez.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Peço compreensão a todos os Parlamentares, porque quem está argüindo o depoente é o Relator. Gostaria que fizéssemos silêncio para que os trabalhos caminhem bem, como todos esperamos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB ­– PR) – V. Sª pode prosseguir com a relação das licitações de que a empresa participou.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Na ocasião, foram dois itens. Desculpem-me estar falando em item, sei que V. Exªs não sabem o que é, mas é para exemplificar melhor. Por exemplo, são dois itens importantes em termos de calçados dentro dos Correios: a bota para operador de triagem, que é aquele sujeito que fica separando as cartas, as caixas; e o tênis, para carteiro. Normalmente, esse senhor dessa empresa chamada Proteline vinha com 20% abaixo do preço. Olha, não se concebe que... Tudo bem, se você concorre, vai até o final e dá uma diferença de 2 ou 3% – o que ainda é muito hoje em dia, porque os preços estão muito baixos nas compras regulamentares do Governo. Mas o cara vinha com 20% abaixo. Resultado: ele queria impor um tipo de calçado totalmente em desacordo com as normas técnicas dos Correios.

Como os Correios reagiam? Como sempre reagiram. Os Correios são extremamente exigentes. O laboratório dos Correios, eu considero intransponível em nível de falcatrua. Eles têm um sistema de controle de qualidade impressionante. Como se não bastasse o controle de qualidade que os Correios têm, têm também o uso diário, em que o carteiro é regularmente ouvido. Como, então, essa empresa sobreviveu? Não foi multada e arranjaram um jeito de ela ficar muito tempo ali. Se havia uma recusa, vinha outra licitação. Acontecia a licitação, Deputado, e ela estava novamente com 20%, 10%, às vezes, até 30% abaixo do preço dos outros concorrentes.

Vamos supor que os outros concorrentes faziam um cartel – não estou dizendo que isso acontecia, mas 20% abaixo é demais; 10% abaixo já é muito hoje em termos de pregão, que é 1%, 0,5%, e os preços são muito baixos –, vinha esse senhor e ganhava a licitação. Voltava a entregar o material fora da especificação. Recolhia-se o material, mas tentava-se colocar de novo. O laboratório nunca deixou. Mas o Sr. Marinho se aproximou de um tal de Sr. Antônio Pedreira, que se dizia candidato à Presidência da República – foi candidato – e virou advogado da Proteline nos Correios; aquilo virou um inferno. Todos os dias, esse Antônio Pedreira e o Marinho ficavam reunidos na sala. Tentaram fazer uma compra de 140 mil pares de tênis. Uma compra de 140 mil pares de tênis – hoje, cada par deve estar na faixa de R$60 – é uma senhora aquisição! O que o Marinho fez? Dividiu em quatro. As três empresas do ramo e mais uma para entregar no Rio Grande do Sul. Para quem ganhar? A Proteline.

Esse tipo de atitude é que vinha me preocupando e eu vinha combatendo.

Acho que falei de uma empresa. V. Exª quer saber de mais alguma empresa?

Só vou citar o nome da Proteline, porque é a única que tenho convicção do que aconteceu, até porque pedi os laudos e os tenho.

Outro item crítico – se me perdoam, abstenho-me de não falar o nome da empresa – é a mala postal. Ora, tênis, mala postal, camiseta, calça para carteiro são itens indispensáveis para o bom uso da profissão. No caso da mala postal, eles venderam um náilon, que é chamado comercialmente náilon cordura, e entregaram o náilon comum, cujo preço é mais ou menos 60% mais baixo do que o náilon especificado na norma técnica. Esse caso vem se arrastando há dois anos, mas essa firma não é suspensa, não é multada, não é isso nem aquilo. Ou seja, não dá.

Na verdade, o que estava acontecendo ali é que as firmas passaram a gostar da impunidade, do regime de exceção que ele implantou. Ou seja, para alguns, tudo; para outros, não vão ganhar a licitação mais, porque o cara tinha aquela segurança. Por que não venceu essa empresa? Porque o laboratório, mais uma vez, recusou os produtos. Mas ele enfrentava, ele ficava forçando a barra para funcionário assinar, dizendo ao Dr. Antônio Osório – isso são conversas que vinham de lá – que o laboratório não aprovava nada, que tinha de existir uma parceria entre empresa e Governo, que não era assim, que ele se orgulhava de não ter multado ninguém na gestão dele. Então, começou-se a nivelar por baixo mesmo e o poder de competição das empresas... A minha, por exemplo, acabou.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, V. Sª fez referência a um fornecimento. O fornecimento de tênis já ocorreu? Está ocorrendo o fornecimento?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Estão há dois anos sem comprar tênis. Eles não conseguem comprar, porque vão comprar, o cara ameaça entrar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois bem, mas, então, qual? Um é o das malas.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mala postal é um item; tênis é outro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Falo o seguinte: dos fornecimentos cujas especificações técnicas não estão sendo atendidas...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo dois.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais? Os das malas...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo três de que sei, de que tenho conhecimento: mala postal, bota para operador de triagem e tênis para carteiro. O tênis para carteiro está sendo adquirido hoje via pregão eletrônico nos Correios.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Voltando ao tênis, está havendo, porque V. Sª acabou de dizer há dois anos não compra e diz que está acontecendo. Está acontecendo alguma execução de contrato, entrega atual de tênis nesses últimos?...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não. Não foi comprado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E essa diferença de especificação? V. Sª está acusando o recebimento de produtos que não estão adequados ao contrato. Com relação aos tênis, quando é que se operou a última entrega? A última entrega desatendia as especificações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Entendi a pergunta. Desde que a Protelyne entrou nos Correios, vamos colocar, há dois, não se entrega calçados dentro das especificações.

Não sei se respondi ao senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não da forma como eu esperava.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu responderei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Entrega-se...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Entrega-se o produto.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, por enquanto, agora é de acordo com as especificações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Veja bem: há dois anos, nas últimas aquisições, tanto de tênis como de botas de triagem – é difícil precisar se é um ano e meio ou dois anos. Vamos colocar dois anos, como uma média; há dois anos não se consegue comprar no Correio calçados, porque a empresa Proteline veio e trouxe o preço para baixo e impõe, quer impor um calçado totalmente fora das especificações, o que o Correio não aceita. Mas a empresa nunca foi multada, nunca foi suspensa, porque o edital é bravo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela está fornecendo?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. No momento, não. Ela forneceu e teve o material devolvido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, nos últimos dois anos, não ocorreu fornecimento.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. É crítico. O problema de tênis no Correio é crítico. Chegou-se até a pensar em dar R$50,00 para cada carteiro para que ele comprasse o tênis ele mesmo, o que é um problema, porque o tênis do Correio tem um estudo, tem características que a saúde – esse órgão do Correio, que é muito sério também e muito competente – estuda. O carteiro tem problema de ficar em pé o tempo todo, ele sofre a ação de agentes, de chuva, de sol. Então, é uma coisa séria. O tênis é um produto muito importante, muito sério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Anteriormente a esses dois anos, já que há dois anos o fornecimento parou, era a Proteline que fornecia os tênis?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Era a Bertin e Fujiwara. Na época, eu representava a Fujiwara.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não estou entendendo. V. Exª insiste em que a Protelyne fornece produto não especificado. Mas ela forneceu?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, a Proteline ganhou a licitação – vou elucidar para o senhor agora – e entregou. Houve uma recusa dentro do Correio. Não aceitaram. Essa recusa implicava sanções – o senhor entendeu agora? – que não foram aplicadas. O senhor entendeu?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Entendi.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O senhor fique à vontade. Estou à sua disposição.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa recusa seria...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Laboratorial.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – ... a desclassificação para uma próxima licitação.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ele foi desclassificado em amostra umas três, quatro ou cinco vezes. Três, quatro ou cinco vezes. Deram três oportunidades de amostra para essa empresa, o que é totalmente ilegal. Esse tipo de coisa vinha acontecendo regularmente, Deputado, e foi isso que começou a me preocupar muito.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª se reporta a sua empresa, o fornecimento feito é em nome da sua empresa ou representa empresas que fornecem?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Esses casos que falei são da minha empresa: jaqueta para carteiro e capa de chuva; fui punido com razão porque atrasei. Tive um problema com a máquina que soldava. Fui punido, com razão. São da minha empresa diretamente: capa de chuva e jaqueta para carteiro. São de minhas empresas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando alguém se habilita a ser fornecedor para órgãos públicos a lei exige que haja aquela habilitação em que se examina as qualidades da empresa, e entre isso, uma das exigências é que se comprove a capacidade de se fornecer.

As licitações que conheço, hipoteticamente, não têm a ver com a sua empresa, se vou contratar uma obra, preciso que a empresa comprove que ela tem uma firma de engenharia. Ou se vou comprar produtos tem que provar que tem aqueles produtos.  V.Sª, na verdade, não tem produtos, V. Sª oferece o que aparecer no edital?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, Deputado. O senhor está confundindo, me desculpe. Não é isso. Quando opto por fornecer o produto, tenho alternativas; eu não sou indústria, eu sou comércio, eu tenho opções. Por exemplo: vamos supor um item – calçado – só para exemplificar. Posso comprar o couro, posso comprar a sola, posso comprar os itens que compõem o calçado e terceirizar a mão-de-obra que hoje está muito em vigência no Brasil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A minha pergunta não é essa. Eu sou a empresa licitante, ou o órgão licitante; e para que eu o habilite a participar de um fornecimento, preciso antes ter a garantia de que a sua empresa tem condições de me fornecer. Aí, licito tênis. Como é que o  senhor aparece lá?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Olha, eu já forneci tênis, 210 mil pares de tênis. Como apareço lá? Eu tenho atestado de capacidade técnica, tenho todas as certidões negativas fiscais, tenho contrato social que me habilita e tenho a solidariedade de quem fabrica.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, V. Sª realmente pode fornecer o que aparecer?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Desde que eu tenha o atestado de capacidade técnica e os outros itens que configuram o que o edital pede; desde que eu consiga, com a minha empresa, que os itens que o edital prescreve sejam aceitos, não tem problema nenhum.  Eu posso entrar no item que eu puder. Em informática, eu não posso, por exemplo. Não sou habilitado para informática.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem lhe dá a demonstração da capacidade técnica?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Demonstração de capacidade técnica é quando fornecemos para algum órgão ou para algum particular. Por exemplo, se eu fornecer para a Secretaria de Educação do GDF 105 mil pares de tênis...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Para o  senhor fornecer essa primeira vez, como é que o  senhor comprovou que o  senhor tem capacidade técnica como fornecedor?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Nesse caso, o edital não pedia. A Marinha não pede.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Todo edital pede.

O SR. ARTHUR WASCEHCK NETO – Não,  senhor. A Marinha,  em nenhum edital, pede atestado de capacidade técnica. Eu posso provar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então estão descumprindo a Lei nº 8.666.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Veja bem, todas as vezes que precisa de atestado, eu apresento se eu tenho. Se eu não tenho, não apresento.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não estou me referindo a V. Sª. Estou me referindo a quem está procedendo a uma licitação porque, com certeza, uma das exigências é que se comprove a capacidade de fornecimento.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Com certeza. Alguns editais não pedem o atestado, outros não pedem uma certidão. Quer dizer, nós nos pautamos pelo que o edital exige. Se eu conseguir complementar o edital, estou dentro da concorrência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Efetivamente, o que V. Sª tem que produz, se é que tem?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Estou hoje com uma produção muito boa de sapatos no interior de Minas Gerais, na cidade de Itahandu; os maiores produtores estão comigo. Produzo calçado em Nova Serrana, que é a capital do tênis..

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª diz “um dos maiores produtores estão comigo”, o  senhor está agregando ...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Produtor significa mão-de-obra terceirizada. É o sujeito que tem a máquina, Deputado, é o sujeito que transforma a matéria-prima no produto acabado.  Isso nós temos em Minas Gerais; em Nova Serrana está o maior pólo de tênis do Brasil, de confecção de tênis. E em Itahandu é o maior pólo de confecção de calçados militares no Brasil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª fez referência, quando se apresentou, a que teria prestado serviços indevidos que lhe foram exigidos e que, na verdade, a sua empresa não estava obrigada a fazê-lo, em relação, suponho, ao contrato dos cofres, ao fornecimento?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, o contrato do cofre é uma novela. Eu acho que vou ter que contar a novela porque, infelizmente, esse cofre, ou, felizmente, ele pode, é uma coisa que... O cofre foi no advento do banco postal. O que aconteceu no cofre? Eu tinha condições de entrar na concorrência para fornecer cofres. Eu tinha condições de conseguir as fechaduras computadorizadas. Ganhei um lote em 2002, vamos deixar bem claro. Eu gostaria de colocar essa data porque essa é importante, essa eu lembro bem. Em 2002, eu forneci, comecei a fornecer um lote de 950 cofres com fechadura de retardo eletrônico, computadorizado. Aconteceu que, nessa ocasião, o Correio pediu algumas modificações do edital, ou seja, exigiu itens tipo boca de lobo, umas que davam mais segurança, e estudamos essas modificações que foram propostas e concordamos, sem ônus, em fornecer as modificações, mesmo após ter ganhado a licitação, e mesmo essas modificações não estarem contidas na norma técnica.

Só que o Correio me deu um prazo muito pequeno para que eu me adaptasse às modificações e, por isso, eu fui multado. Numa ocasião, em 2003, houve uma denúncia contra a minha empresa por parte da Empresa Safe Tronic. E essa Empresa Safe Tronic, naquela ocasião, ela me denunciou não sei o motivo, porque eu não estava concorrendo com ela, os lotes que ela tinha ganhado, ela estava entregando, eu estava entregando os meus. Ela dizia que o meu cofre tinha problema. A partir desse momento, a minha vida virou, desculpe a expressão, um inferno.

Houve uma posição de briga do Depas, que é o Departamento de Patrimô