TRANSCRIÇÃO LITERAL DAS NOTAS TAQUIGRÁFICAS DAS OITIVAS DOS DEPOENTES SRS. ARTHUR WASCHECK NETO E ANTONIO VELASCO
(23/06/2005)

SENADO FEDERAL

COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DOS CORREIOS

QUARTA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 23 DE JUNHO DE 2005 ÀS 09 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral – PT – MS) – Havendo numero regimental, declaro aberta a 4ª reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada através do Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias de atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Gostaria de ponderar com os Deputados, Deputadas, Senadores e Senadoras que não conseguimos concluir a ata de reunião dessas oitivas dos dois dias anteriores.  Por isso peço autorização de V. Exªs para aprovar, para próxima semana, a ata.

Todos estão de acordo?

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral – PT – MS) – Pela ordem, Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Com base nas oitivas longas desses últimos dois dias, gostaríamos, primeiro, de sugerir que este horário das 9 horas fosse o horário de funcionamento da nossa CPI e de chamar a atenção do Sr. Relator, para que analise o Requerimento nº 207, que já está na posse da Secretaria da nossa Comissão, que trata da solicitação do envio pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos dos contratos de publicidade, propaganda e patrocínio no que diz respeito às suas execuções.

Nós aprovamos, na deliberação anterior, de terça-feira, Sr. Presidente, o Requerimento nº 143, que trata das licitações e dos contratos.  Agora estamos sugerindo – no caso, os signatários somos eu e o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto – que, na próxima terça-feira, quando vamos novamente deliberar sobre os requerimentos, façamos com que a ECT nos envie a execução dos contratos de 2003, 2004 e o que estiver executado até o dia em que sair o ofício daqui, de tal maneira que possamos acompanhar as execuções para poder, evidentemente, compor o relatório e fazer a ligações necessárias, na busca do esclarecimento.

É esse o requerimento que faço ao nobre Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) ­- Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT - MS) - Concedo palavra, pela ordem, a V. Exª.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio – PMDB – PR) ­- Não temos nenhum óbice a isso, até porque o que competia à gestão do nosso interrogado ontem era exatamente a parte de execução dos contratos, de forma que nos manifestaremos na oportunidade favoravelmente.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Agradeço, Sr. Relator. Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL - BA) - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT - MS) Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) - Sr. Presidente, gostaria de fazer duas sugestões à Mesa. A primeira delas é que fossem também disponibilizados os documentos com as cópias dos depoimentos às Lideranças da Câmara dos Deputados.

Ontem, por exemplo, tive a oportunidade de ligar para o competente assessor, Sr. Wanderley, para solicitar uma cópia do depoimento do Sr. Wascheck à Polícia Federal, porque a Liderança do PFL na Câmara não dispunha dessa cópia. O Sr. Wanderley informou-me que havia sido encaminhada para a Liderança do PFL no Senado. Depois, a nossa assessoria, corroborando com essa informação, havia afirmado que a decisão foi que todos os procedimentos tivessem encaminhamento apenas para as Lideranças do Senado.

Portanto, gostaria de solicitar a V. Exª que desse o mesmo tratamento às Lideranças da Câmara. Essa é a primeira questão.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT - MS) – Meu caro Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, foi encaminhado pelo Secretário Wanderley Rabelo da Silva, por meio do Ofício nº 017, para o Exmo. Sr. Deputado Rodrigo Maia, no dia 21 de junho. Evidentemente deve ter havido algum atraso. Então, pensamos que estamos atendendo a V. Exª.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Agradeço-lhe, Sr. Presidente.

A segunda questão é a seguinte: ficou acertado que, na semana que vem, iremos ouvir os seis diretores dos Correios e o Deputado Roberto Jefferson, sendo que o depoimento do Deputado Roberto Jefferson ficou marcado para quarta-feira.

É muito difícil ouvirmos os seis diretores na terça-feira. Então, eu queria propor que fizéssemos uma divisão: que ouvíssemos três diretores na terça-feira e os outros três na quinta-feira, fazendo uma interrupção para a oitiva do Deputado Roberto Jefferson, na quarta-feira.

É evidente que poderíamos acertar entre os membros da Comissão quais seriam os três diretores que ouviríamos na terça-feira e quais seriam aqueles que ouviríamos na quinta-feira, até para nos dar condições técnicas de conhecer a fundo e mais de perto os termos dos contratos dos Correios afeitos a cada Diretoria e a suas competências.

Estamos no início dos trabalhos da Comissão e não tivemos ainda condições de analisar tudo detalhadamente. Então, eu gostaria de fazer este encaminhamento: ouvirmos três diretores na terça-feira, o Deputado Roberto Jefferson na quarta-feira e os outros três diretores na quinta-feira.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente, após a Senadora.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Também já pediu pela ordem o Senador Jefferson Péres.

Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, a Comissão, após a reunião de hoje, fará uma avaliação das agendas da próxima semana, mas está registrado o encaminhamento de V. Exª. Após o término da reunião, ainda teremos muito trabalho pela frente para preparar a pauta da próxima semana.

Concedo a palavra, pela ordem, ao Senador Jefferson Péres.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT – AM) – Sr. Presidente, apenas quero reiterar de público o apelo que lhe fiz informalmente, para que, talvez até em uma reunião extraordinária da Comissão, seja definido o calendário de julho. Que seja um calendário realista e que não leve ao esvaziamento desta Comissão!

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem, peço a palavra.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – OK, Senador Jefferson Péres.

Pela ordem, concedo a palavra à Senadora Heloísa Helena. Depois, falarão a Senadora Ideli Salvatti, o Deputado Maurício Rands e o Deputado Eduardo Paes.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, sigo a mesma linha de outros Senadores e Deputados que mostraram preocupação. Sei que V. Exª e o Relator, ontem, já comunicaram que solicitariam todos os contratos ou representações ou relatórios ou pareceres que tenham sido feitos pela própria empresa de Correios ou pelo Tribunal de Contas da União em relação àquela listagem que foi apresentada pelo depoente de ontem.

O apelo que faço é para que, assim que chegar à Relatoria, que possamos ter acesso a todo esse material, porque, como é de alta complexidade técnica, é essencial que possamos nos aprofundar para não sermos irresponsáveis em relação à análise de contratos, pareceres e representações ou qualquer outro mecanismo que tenha sido feito em relação a todos os atos, porque são muitos contratos. Tanto V. Exª como o Relator disseram que já estavam providenciando para que isso seja disponibilizado para a gente também.

Outra coisa. Não quero fazer nenhuma especulação indevida, Senador Delcídio, até porque parto do pressuposto de que a agenda da próxima semana foi acordada aqui, tendo sido dada a palavra de V. Exª, de uma forma muito especial. Ontem, os comentários que se ouviam na Casa eram no sentido de obstaculizar a vinda do Deputado Roberto Jefferson na quarta-feira.

Então, estou logo me adiantando, pode ser mera especulação da minha parte. Sei que outras pessoas... Nós estamos aqui para trabalhar mesmo. Não tem problema irmos até meia-noite, uma ou duas horas da manhã, ou mesmo virarmos a noite. Aliás, esta Casa já virou a noite na reforma da Previdência.

Então, para que isso seja feito, para que seja mantido, se tiver de ser incluída, a proposta do Deputado Antônio Carlos é bastante razoável, de três na terça... Inclusive, V. Exª tinha falado sobre isso também: uma parte na terça-feira e outra na quinta-feira. Alguns outros deverão vir antes, porque os últimos dados da secretária, a Srª Karina, e do Sr. Marcos Valério, alguns dados poderão, em função da conjuntura, serem antecipados. Mas é essencial para as relações respeitosas e democráticas nesta Comissão a manutenção daquela primeira agenda que foi acordada, inclusive garantindo que o Deputado Roberto Jefferson venha na quarta-feira.

Vamos ter reunião do Congresso, mas à noite, que pode ser às 20 ou 21 horas, a leitura do requerimento da outra CPI Mista, do “mensalão”. Mas é essencial que esse primeiro acordo seja feito e que possamos até introduzir, se for de comum acordo na Casa, dados, personalidades novas que a conjuntura nos empurra a ouvi-las antecipadamente, como a Srª Karina e o Sr. Marcos Valério, representante de uma das empresas de comunicação que estão sendo denunciadas. Isso é essencial, porque os comentários ontem eram outros. Espero entender isso como simples especulação, coisas dos corredores da política, e que o que foi acordo fique efetivamente mantido.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Uma questão de ordem, Sr Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pela ordem, Sr Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT –- MS) – Senadora Heloísa Helena, há uma programação já estabelecida. Como aquilo foi motivo de acordo entre os Líderes do Governo e os Líderes da Oposição, agora vamos organizar as audiências da próxima semana, mas essa agenda está definida. Nós precisamos é dar racionalidade às oitivas que serão realizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Pela ordem, Sr Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pela ordem, terão a palavra a Senadora Ideli Salvatti, depois o Deputado Maurício Rands, depois o Deputado Eduardo Paes e depois o Deputado Jamil Murad.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr Presidente, em primeiro lugar, não acompanhei, infelizmente, por motivos pessoais conhecidos tanto o depoimento de terça-feira à noite quanto o de ontem, ao longo do dia.

Por outro lado, tenho o entendimento de que as deliberações desta Comissão, inclusive da seqüência dos trabalhos desta Comissão, têm de estar diretamente ligadas aos fatos que nos objetivam investigar aquilo que está focado. Principalmente, precisamos ter o encadeamento das oitivas vinculado às questões que os fatos vão apresentando e que vão se sucedendo.

Não é a primeira nem a segunda vez que, no andamento das oitivas, fatos e necessidades de complementação de documentos, de informações que possam, inclusive, subsidiar de forma mais efetiva. Muitas vezes, já aconteceu de termos agendado algum tipo de depoimento, e, para que ele pudesse ser efetivo, conclusivo, havia a necessidade de, anteriormente, obterem-se determinadas informações, até para não permitir que, ao depoente sentar-se nessa mesa para ser questionado e sabatinado, não tivéssemos em mão os instrumentos efetivos para questionar, para fazer uma quebra de sigilo telefônico ou bancário ou a análise de documentos.

Sr. Presidente, aqui já ficou claro e determinado, pelas informações que me chegaram, que não será postergado nada, que não serão readequadas questões para, digamos, fazer benesses políticas. Vamos investigar à medida que os fatos forem sendo apresentados. Então, gostaria, Sr. Presidente, que pudéssemos fazer uma reavaliação, inclusive, das seqüências, porque há determinadas situações em que só poderemos questionar quem sentar aí se tivermos, de antemão, documentos.

Então, quero deixar em aberto essa reavaliação do calendário. Queria que pudéssemos fazer o que viemos fazer hoje: a oitiva dos dois empresários que, segundo se informa, foram os mentores da gravação. Poderíamos cumprir essa agenda, mas nos poderia ser permitido reavaliá-la e readequá-la mediante a ocorrência dos fatos.

Sr. Presidente, houve muitos fatos e coisas novas ao longo dos dias. Talvez, até a lógica e a seqüência precisem ser reavaliadas, sim, mediante algumas informações necessárias, para que as oitivas da próxima semana possam ser mais eficientes, com documentos e com dados adequados para serem ouvidos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli Salvatti, a preocupação desta Comissão é exatamente no sentido de haver uma lógica de investigação entendível, sensata, equilibrada, à luz dos fatos. Inclusive, tivemos dificuldade de subsidiar, por completo, os Parlamentares, até porque estamos ainda no início dos trabalhos. Mas, com certeza absoluta, esse é o intuito, dentro de uma lógica de avaliação conjunta com as Lideranças, exatamente para que tenhamos efetividade.

Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Maurício Rands.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Sr. Presidente, V. Exª e o Relator têm procurado imprimir, na seqüência dos depoimentos, uma lógica a partir da ocorrência dos fatos. Parece-me que ninguém critica o conteúdo deste raciocínio: inicialmente, aquele que foi flagrado na fita; depois, quem fez as gravações; quem, supostamente, encomendou as gravações; os diretores da empresa, que têm de ser ouvidos. Inclusive, lembro que, para que possamos dar seqüência aos nossos trabalhos, precisamos ouvir o Presidente dos Correios. Já que estamos ouvindo diretores de departamentos, chefias de departamentos e até auxiliares, precisamos também ouvir a presidência dos Correios.

Não vejo por que esta Comissão não ouvir, por exemplo, o cidadão chamado Godoy, que é apontado como assessor, como o braço direito do Maurício Marinho, que é acusado de participar, junto com o Diretor Antônio Osório, de um esquema a serviço do Deputado Roberto Jefferson.

Todos estamos ansiosos para que esta Comissão ouça o Deputado Roberto Jefferson, o primeiro acusado ao lado de Maurício Marinho, de seu auxiliar e do diretor. Só que não podemos estar ansiosos, pois essa pressa pode aniquilar o verso. Minha querida Senadora Heloísa Helena, se trouxermos um depoimento importantíssimo para esta Comissão antes de coligirmos os dados, poderemos perder uma oportunidade...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Exª está propondo o descumprimento do acordo?

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Não. Espera aí. Eu vou chegar lá. Ouça-me!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Gostaria que V. Exª fosse claro.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Ouça-me. Estou querendo dizer que não podemos ter essa ansiedade revelada pelo meu amigo Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto e...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não tenho ansiedade nenhuma, Deputado. Eu fiz um acordo.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – ...nem essa ansiedade da Senadora Heloísa Helena. Por quê? Porque só faz sentido ouvirmos depoimentos se tivermos os dados, para que a inquisição seja perfunctória, não seja circo, não seja jogo de cena, não seja apenas um jogo para as luzes.

Portanto, Sr. Presidente, temos a consciência de que este é um objetivo importantíssimo: ouvir o Deputado Roberto Jefferson. No entanto, não temos aqui o dom de cristal, ninguém tem aqui uma bola de cristal. Vimos quantas horas durou o depoimento do Maurício Marinho: foram dois dias, 28 horas, Sr. Presidente.

Então, não podemos trabalhar, de modo algum, com essa rigidez, rigidez que pode atropelar a racionalidade dos depoimentos aqui colhidos, nobre Deputado Relator. Não temos a dimensão do tempo. Acho até que, neste momento, devemos colaborar, sobretudo, com o Presidente, para que não repitamos um depoimento como o de ontem e o de hoje – faremos isso só se for necessário.

Se todo mundo colaborar, atendendo ao apelo do Presidente, o Senador Delcídio Amaral, poderemos ser mais objetivos, para que esta Comissão possa ouvir mais depoentes e possa, por exemplo, chegar ao depoimento do Roberto Jefferson, que está sendo aguardado com tanta ansiedade, depois de ouvir depoimentos que nos possam instruir.

Vou responder ao meu amigo Deputado Antonio Carlos Magalhães, dizendo que o que foi proposto pelo Senador Delcídio Amaral é uma sinalização para que o Deputado Roberto Jefferson venha aqui na próxima semana. Continuamos com essa sinalização, mas temos de ter a consciência de que não adianta, não é racional, não colabora para os trabalhos de investigação o Deputado Roberto Jefferson vir aqui atropelando outros depoimentos.

Ontem, por exemplo, foram feitos requerimentos com o objetivo de ouvir o ex-publicitário que está sendo citado, o Marcos Valério, e a Secretária. Temos a consciência de que, se houver fatos concretos que vinculem essas duas pessoas, elas terão de ser ouvidas aqui também. Mas, neste momento, talvez, ainda não haja indicativos concretos. Trazer um publicitário simplesmente porque tem conta com a empresa não é um bom critério. Quantas empresas fazem contratos com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos?

Então, o fato de ter contrato com essa empresa não é motivo suficiente para trazer todos os contratados aqui. Temos de ter frieza, equilíbrio, e não transformar esses requerimentos de audiência em jogo de cena, em objeto de disputa política. É essa a consideração que faço, lembrando, inclusive, que todos nós estamos empenhados para que não só o que aconteceu nos Correios, mas tudo o que está sendo objeto de discussão na sociedade seja esclarecido.

Não é à toa que a CPI proposta pelo Partido dos Trabalhadores, ao lado de outros Partidos, na Câmara dos Deputados, está sendo votada hoje naquela Casa. É o projeto de resolução que permitirá a instalação de uma CPI, independentemente daquele limite de cinco CPIs na Câmara.

Então, há episódios que, em um primeiro momento, estão mais vinculados a um outro fato certo e determinado. Sei que isso provoca ansiedade, mas não podemos ser ansiosos, para não prejudicar a qualidade da investigação feita pela CPI dos Correios.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Deputado Eduardo Paes pela ordem.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Quero falar com base no art. 14, Sr. Presidente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, não quero tomar tempo desta Comissão, discutindo...

Eu peço a atenção da Senadora Heloísa Helena e do ilustre Deputado Maurício Rands.

Não quero tomar o tempo do ilustre Presidente, do ilustre Relator, de todos nós, da nossa audiência, da imprensa que está aqui, discutindo aquilo que me parece que não deve ser discutido.

Sinto um certo clima. Quando a Senadora Heloísa Helena fez o comentário da especulação aqui, pensei que S. Exª estivesse exagerando, mas já estou na fase de achar que o gato subiu no telhado.

Portanto, a indagação que lhe faço, Sr. Presidente, refere-se a uma decisão de V. Exª. Na primeira reunião desta Comissão, nesta semana, todos nós, em um acordo, votamos, em bloco, 110 requerimentos. Aprovamos os 110 requerimentos, e, com a aprovação desses 110 requerimentos, V. Exª anunciou no microfone qual seria a ordem dos trabalhos. Ouviríamos o Sr. Maurício Marinho naquele mesmo dia.

Sei que o Maurício Marinho surpreendeu. Pensou-se que ele não iria falar muito, que ele era bagrinho sem informação, mas ele acabou dizendo mais do que se esperava. Isso assusta, eu entendo. Mas é importante; acho que foi um bom depoimento. Foram 28 horas muito produtivas, com muitas informações.

Hoje, estamos aqui para ouvir estes dois cidadãos: o Wascheck e o Sr. Antônio Velasco.

Queria pedir a atenção do Sr. Presidente. Estou aqui tentando, Sr. Presidente, reproduzir aquelas que foram as palavras ditas por V. Exª, nesse mesmo microfone, nessa mesma cadeira, construindo esse acordo que me pareceu excepcional e que recebeu e vai continuar recebendo elogios da Oposição. Na semana seguinte, ou seja, na próxima semana, estaremos ouvindo os diretores e o Deputado Roberto Jefferson. Esse foi o acordo feito.

Portanto, para não perder meu tempo – quero até tratar de outros temas, Sr. Presidente –, deixaria essa indagação, porque não temos de ficar debatendo uma coisa que não deve ser debatida, porque é uma decisão do Presidente e do Relator. E temos absoluta convicção, consciência e certeza da seriedade do Presidente e do Sr. Relator. Temos certeza de que S. Exªs vão cumprir aquilo que foi acordado até o fim, para que os trabalhos possam prosseguir com a tranqüilidade necessária.

Portanto, Sr. Presidente, não vou entrar nesse debate. Acredito que, certamente, V. Exª e o Relator cumprirão o acordo. Se assustou a base do Governo o depoimento do Sr. Maurício Marinho ontem, esse é um problema da base do Governo, e o Governo tem de explicar o que informou aqui o Sr. Maurício Marinho.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Já estou concluindo, Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Desculpe-me.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Tenho outra preocupação, Sr. Presidente, que era algo que me incomodava levemente. Diante das especulações que surgem aqui, do gato sendo colocado no telhado, começo a achar que temos também de tratar, na reunião de hoje... E faço essa colocação, Deputado Maurício Rands, porque o Presidente já afirmou isso também. Apresentamos requerimento nesse sentido, mas talvez fosse bom, Sr. Presidente, deliberarmos logo sobre isso, porque a sociedade brasileira precisa ter essa tranqüilidade, para que depois não fiquemos só nas palavras, mas também com as coisas concretas aqui.

V. Exª, Sr. Presidente, já deu a garantia, e o Deputado Osmar Serraglio também, de que esta Comissão Parlamentar de Inquérito funcionará durante o recesso parlamentar. Não sei o que vai acontecer na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Se vota ou não se vota; se há recesso ou não; se há autoconvocação ou não, essa é uma discussão que paira no ar, ainda cheia de dúvidas. Mas é fundamental – a sociedade brasileira e a opinião pública vão exigir isto de nós, Deputado Maurício Rands – que trabalhemos durante o recesso parlamentar. Parece-me que a Senadora Ideli Salvatti fez um comentário pertinente: façamos uma agenda realista. Perfeito. Concordo. Não tenho a menor objeção quanto a isso.

Poderíamos hoje, Sr. Presidente – faço essa sugestão –, deliberar já sobre o requerimento que foi apresentado pelas Oposições, para que fiquemos tranqüilos e para que, amanhã, surgindo novos depoimentos, novas surpresas, a base do Governo não venha com argumentos de que, para os fatos que surgem, deve haver calma, de que deve haver uma seqüência e de que não podemos trabalhar durante o recesso parlamentar. Portanto, gostaríamos de deliberar sobre esse requerimento no dia de hoje.

Finalmente, gostaria de reforçar um apelo ao Deputado Relator, Osmar Serraglio. No dia de ontem, vários contratos foram citados. V. Exª já requisitou esses contratos, em decisão anunciada no dia de ontem.

Tenho uma dificuldade enorme de pegar as coisas com rapidez, Deputado Osmar. Sou lento e gosto de ler tudo. É um defeito que tenho, desde os tempos de colégio; eu tinha de ler tudo para poder entender. Não tenho a facilidade que algumas pessoas têm de captar o sentido das coisas apenas lendo uma parte ou ouvindo o que o assessor explica. Eu tenho de ler o negócio todo.

Portanto, esses contratos citados ontem, que V. Exª requisitou, adoraria passar o meu fim de semana lendo-os. Seria uma diversão fantástica. É o programa que peço a Deus. Gostaria de reiterar o pedido no sentido de que esses contratos estivessem à nossa disposição no máximo até amanhã. Já não devo estar aqui amanhã, mas pediria que meu gabinete os enviasse por Sedex. Quem sabe, eu possa imaginar que a Senadora Heloísa Helena também estará, no fim de semana, lendo todos esses contratos que estarão organizados e que serão trazidos pelo Deputado Relator. É só uma questão de organização.

Sei que V. Exª vai disponibilizá-los. Aliás, V. Exª tem disponibilizado tudo para todos os Deputados aqui. Não há do que se reclamar. V. Exª tem tido uma postura exemplar. Aliás, a Mesa tem tido uma postura correta. Até o presente momento não temos o que contestar. Temos fé de que as coisas caminharão assim. Mas, só por uma questão talvez de dificuldade minha de captar as coisas, preciso do sábado e do domingo para ler esses contratos. Portanto, gostaria que até amanhã eles estivessem conosco.

Portanto, Sr. Presidente, são essas duas questões: os contratos, a deliberação hoje sobre o trabalho desta Comissão durante o recesso e, claro, para evitar que fiquemos discutindo aqui sobre Roberto Jefferson ou não, que V. Exª reitere a sua afirmação e a sua organização no sentido de que o Deputado Roberto Jefferson seja ouvido na próxima semana.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) Concedo a palavra pela ordem à Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Senador Delcídio Amaral, não estamos aqui a propor um regulamento de idéia fixa; porque idéia fixa se respeita e muito em quem tem problemas de saúde mental. Não se trata de idéia fixa.

Agora, é evidente que aqui ninguém é besta; o mais besta aqui não anda, voa. Aqui todo mundo conhece exatamente todo mundo. Sei que tem gente que está com muita ansiedade para abafar. Eu só gosto de abafar cuscuz em casa para ficar mole. Mas tem muita gente que quer abafar. Sei que tem gente que está ansiosa para abafar também. E talvez outros estejam ansiosos para desvendar os mistérios sujos da corrupção. Partamos do pressuposto que estamos todos ansiosos pelo aprofundamento das investigações para desvendar os mistérios sujos da corrupção, para agilizar os trabalhos desta Casa e desta CPI, para ajudar naquilo que o povo brasileiro quer.

Todas as vezes que vejo alguém aqui dizendo que isso aqui não vai ser circo, digo: respeite o circo, porque o circo – fora quando maltrata animal, porque não gosto – ,  já se disse aqui várias vezes, o circo, se se perguntar à opinião pública, é visto como muito mais respeitável do que o nosso Congresso Nacional, que todos os dias é absolutamente desmoralizado porque alguns aqui deixam que se coloque uma etiqueta na testa dizendo qual o seu preço. Então a nossa responsabilidade é muito grande.

O apelo que faço a V. Exª, Senado Delcídio Amaral, que neste momento não está mais – e aí é mais a V. Exª do que ao Relator –, este momento, depois que V. Exª está aí, e V. Exª sabe a responsabilidade que tem, V. Exª, por mais que se diga CPI chapa-branca, é o Presidente da Comissão do Governo, não tem mais o direito de ser isso; não tem mais. V. Exª deve satisfação não apenas a sua querida e maravilhosa esposa, Maika, a seus filhos, mas a esta Comissão também. Então o apelo que faço, mais uma vez, é que não sejamos surpreendidos, porque, se for por prioridade, o Deputado Roberto Jefferson já deveria ter vindo; deveria vir agora, antes até dos outros diretores, porque foi ele quem levantou toda a suspeita; foi ele quem falou de crimes contra a Administração Pública, intermediação de interesse privado, exploração de prestígio, tráfico de influência.

Não adianta menosprezar também a vinda do publicitário. Se o publicitário for inocente, que a CPI a ele entregue o tributo da inocência, o mais belo tributo da inocência, a mais bela honraria que a inocência pode ter é dado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Mas, ele não é “esse” publicitário. Ele é um publicitário que está sendo apresentado pelas denúncias e pelos indícios relevantes de crimes contra a Administração Pública, como o homem que ganha licitação fraudada para compensar os fraudadores do processo licitatório com a mala preta, com o “mensalão” e com o pagamento de quem quer que seja. Pode ser inocente, a CPI assim mostrará. Mas não é “esse” publicitário.

Portanto, o apelo que faço a V. Exª, Senador Delcídio Amaral, é que partamos do pressuposto de que todos queremos investigar; partamos do pressuposto de que todos queremos superar essa imagem de Congresso Nacional desmoralizado perante a opinião pública. Partamos desse pressuposto. O apelo que faço a V. Exª é apenas que não seja modificado o que foi acordado anteriormente por uma decisão unilateral do Governo, uma decisão unilateral da Bancada do Governo, aqui representada no plenário. Vou até tirar V. Exª  por enquanto, vou até retirar V. Exª por enquanto, porque sei o esforço que V. Exª fez. Estou dizendo que é uma articulação, um estratagema, uma tática diversionista de tirá-lo de vir na próxima semana. E isso não é delírio persecutório, não, porque ontem, na própria reunião dos Líderes, quem estava na reunião dos Líderes viu a arrogância das Lideranças do Governo dizendo: “Vamos ver se ele vem na próxima semana. Vamos ver, porque nós vamos lá obrigar a votar”. E eu disse: foi uma palavra e um compromisso do Presidente Delcídio. Ontem, o Senador Mercadante disse, na reunião dos Líderes. Até então eu pensava apenas que era uma decisão pessoal dele, que ele tem todo o direito de fazê-lo. Mas, agora, pela posição de alguns aqui, eu já estou vendo que pode ser diferente. Então, o apelo que eu faço é que, se se vai modificar a agenda, se nós temos de trabalhar um dia ou sete dias na semana, varar a noite ou não, que isso, ao menos, seja feito de forma acordada, discutida coletivamente, da mesma forma que V. Exª fez no primeiro dia em que nós instalamos esta Comissão.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Jamil Murad, são várias pessoas pedindo a palavra, a Senadora Ideli, pedindo pela ordem. Agora, eu quero fazer o seguinte comentário: toda reunião é essa conversa, e as coisas estão muito bem definidas dentro de um acordo com as Lideranças. O Senador Ney Suassuna também está aqui presente. Está absolutamente definido o seguinte para a semana que vem. Agora, V. Exªs têm que dar um tempo para que consigamos organizar as coisas, porque nós estamos trabalhando aqui. O Relator já não dorme mais, preparando interrogatório, estudando documentos. O que ficou ajustado é que, na próxima semana... Eu confesso que ontem conversei com a imprensa sobre a vinda do Deputado Roberto Jefferson. O Senador Agripino citou quinta-feira e no início eu tinha entendido que era uma quarta. Mas isso não interessa. Acho que o importante do conceito e para mostrar lógica é que esta Comissão está funcionando. Porque isso é importante, senão começa a passar a impressão de que nós estamos atropelando etapas, e nós não estamos atropelando etapa nenhuma. Na semana que vem, nós vamos ouvir, conforme acordo com os Líderes, tanto do Governo quanto da Oposição, os diretores dos Correios e o Deputado Roberto Jefferson. Depois, o que também ficou ajustado entre os Líderes é que nós, de comum acordo, faríamos as agendas das outras semanas. Então, essa é uma posição clara. Nós vamos trabalhar com o Relator e com toda a nossa equipe para ajustar toda essa programação. E ponto final. Eu acho que nós não precisamos continuar debatendo um fato que é fato vencido.

Pela ordem, Deputado Jamil Murad.

O SR. JAMIL MURAD (PCdoB – SP) – Sr. Presidente, eu agradeço. Concordo com esse encaminhamento que a Presidência deu. Alguns aqui, acho que têm o monopólio da vontade de investigar, ou o monopólio da honestidade, o que é uma infantilidade. Muito bem. Ao tentar fixar o dia da semana, que foi o que o Deputado ACM Neto e a Senadora Heloísa Helena propuseram, a quarta-feira, e se nós tivermos mais uma audiência que dure 24 horas, como durou a do Maurício Marinho, para manter a data de quarta-feira para o Roberto Jefferson, nós chegaríamos lá sem todos os elementos. E, aí, ele passaria a ser apenas o acusador – não é responsável pelos Correios, nada fez –, como ele já fez declaração na TV Cultura, como ele fez na Comissão de Ética etc. É uma tática que ele usa e que até Maurício Marinho tentou usar: olha, eu não devo nada e passo a atirar e ser o acusador.

Legitimamente, o Parlamentar aqui pode escolher que posição tomar. A minha posição é de investigar e não de servir de anteparo para qualquer depoente. Tentar trazer o Roberto Jefferson precipitadamente, antes de os diretores dos Correios virem aqui prestarem esclarecimentos para nós, é proteger o Sr. Roberto Jefferson. Ele vai repetir apenas as acusações anteriores. Mas agora, se ele disser que não tem nada com os Correios, já há o depoimento do Maurício Marinho, haverá o do empresário que vem hoje, haverá o de outros diretores. Então, não vou passar aqui de maneira inocente, ingênua, não. Tem gente que, usando o rótulo de Oposição, tenta proteger aquilo que não deve ser protegido, Sr. Presidente.

Então, concordo com a sua observação: primeiro, os diretores dos Correios. Se os depoimentos deles se estenderem até quarta-feira, o Sr. Roberto Jefferson vai ser ouvido na quinta, e não para cumprir a tabela e vir na quarta para facilitar o trabalho dele. Isso, não. Ele tem que prestar conta aqui do que fez também.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, eu só queria essa confirmação, porque há muito ruído neste debate todo. Quando fiz a minha ponderação, a minha questão de ordem inicial foi exatamente nesse sentido. O cronograma tem que estar adequado aos fatos, tem que estar adequado aos documentos, às informações necessárias para que a oitiva seja a mais eficiente possível. Então, quero saber se é esse o acordo. Como eu não estava, quero ter essa convicção. O acordo é de que ouviremos os diretores dos Correios para nos subsidiarmos, para que, quando formos ouvir o Sr. Roberto Jefferson, tenhamos documentos, provas, informações necessárias a fim de que ele não continue fazendo o jogo de cena de atirar para todos os lados sem apresentar nenhuma prova? É isso que quero saber.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Ideli, para deixar muito claro, ouviremos os diretores e, depois, ouviremos o Deputado Roberto Jefferson, conforme combinado com as Lideranças, e será na próxima semana. Para que não haja nenhuma dúvida com relação às semanas subseqüentes, o que ficou combinado com os Líderes é que nós discutiríamos de comum acordo as oitivas.

Encerrando este debate inicial, que já está se tornando praxe nesta Comissão Parlamentar de Inquérito – estamos debatendo há mais de uma hora este assunto –, eu gostaria agora de convidar para tomarem assento à mesa os Srs. Antônio Velasco e Arthur Wascheck Neto, para que nós façamos a oitiva dos dois empresários. E é importante registrar que eles vão depor como investigados. (Pausa.)

Eu gostaria de comunicar que, pelo o que o Regimento determina, hoje o Senador Maguito Vilela não pôde estar presente em razão de compromissos de última hora. Portanto, V. Exªs vão ter que me aturar durante toda a reunião aqui na Presidência da CPI. (Pausa.)

Quero iniciar nossos trabalhos.

Vamos ouvir, um de cada vez, o Sr. Arthur Wascheck Neto e o Sr. Antonio Velasco.

Dou a palavra ao Sr. Arthur Wascheck Neto.

V. Sª tem o tempo disponível para dar todas as explicações à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Primeiramente, bom-dia. Espero poder, da melhor maneira, colocar as posições e os motivos que me levaram a tomar a atitude de mandar gravar, fazer aquela gravação, e poder responder da melhor maneira as perguntas que forem feitas ou dirigidas a mim.

Estava sentindo um desconforto muito grande...

O SR. (Orador Não Identificado) – Só uma pergunta. Indago ao Sr. Presidente se não seria conveniente solicitar que o depoente subseqüente ouvisse o depoimento do Sr. Arthur Wascheck, porque a informação que tenho é que ele está no recinto. Podia se checar isso?

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Já está na outra sala.

O SR. (Orador Não Identificado) – Já está em outra sala? Ok.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Ele está em outra sala e, evidentemente, foi assegurado que não ouvirá.

Eu os convidei à Mesa, mas tive o cuidado de separá-los. Depois ouviremos o outro depoente, que não está acompanhando o que o Sr. Arthur Wascheck irá falar aqui.

Meu caro e incansável Senador Ney Suassuna.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – Sr. Presidente, muito obrigado pela adjetivação.

Peço a V. Exª que solicite ao depoente que não fique tão frio, que fizesse uma pequena biografia sobre a empresa dele, sobre ele, e diga algumas coisas para que tenhamos noção de quem é e o que faz.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Concedo a palavra ao Sr. Arthur Wascheck Neto.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Perfeitamente. Eu dei 6 anos de aula em Goiânia, de História e de Literatura Brasileira, quando fui convidado por um amigo para vir a Brasília, porque ele estava assumindo a empresa do pai. E eu, naquele momento, estava em processo de estudo, estava quase me formando. Transferi a faculdade da UFG para o CEUB, em Brasília, e encontrei, no ramo de licitação, aquilo que eu gostaria de fazer para o resto da minha vida e que venho fazendo em Brasília, há 24 anos, com um sucesso relativo e muita luta, muita luta mesmo.

Tenho hoje o orgulho de ter duas empresas: uma de representação e outra de compra e venda para o Governo, especializada em licitação. E tenho uma agência de viagem e uma empresa prestadora de serviço de informática no aeroporto. Tenho 46 anos praticamente – dia 2 de julho faço 46 anos. O meu único sócio é o Antônio, e nós temos uma harmonia boa, que foi um pouco abalada por causa desse problema da fita.

O Senador gostaria de saber mais alguma coisa?

Entro no processo?

Considero os Correios não só meu cliente, mas um órgão de extrema respeitabilidade, com uma burocracia sólida. Na mudança, na qual assumiu o Sr. Maurício Marinho, comecei a me preocupar com o andamento das questões relativas a execução de contratos.

O pregão, a modalidade pregão licitatória é uma modalidade interessante, que não deixa margem quase nenhuma a fraude ou falcatrua. É uma coisa seca: você vai lá, apresenta seu preço, outro vai e apresenta, até que se define o vencedor. A partir daí, comecei a vislumbrar que algo andava errado. Ouvi dizer que começaram a pedir dinheiro. Soube de alguns casos em que se vendia – desculpe a expressão, não é chula – lebre e entregava gato. Quer dizer, soube que algumas empresas não eram punidas.

Eu fui punido exemplarmente. Também tentei, fiz, durante dois anos, a manutenção de um produto dentro dos Correios, e esse produto... Algumas vezes, fui chamado indevidamente, o que chamei de visitas indevidas. Hoje eles devem a mim uns R$320 mil reais. Comecei cobrando R$50 mil, R$120 mil, até que parei de emitir notas. Não entendia por que não me pagavam isso, sendo que os próprios funcionários dos Correios atestaram que eu não devia ter prestado aquele serviço. O que eu era obrigado por contrato foi prestado, acabou. Obrigação. Então, comecei a perder licitação. Comecei a enxergar, nos Correios, 140 processos cancelados no ano de 2004. Quer dizer, fiquei assustado. Eu vivo disso. Preciso trabalhar e não conseguia mais fazer um trabalho de qualidade. Não tenho condição, porque sou uma empresa que preza pagar o imposto. Sou hoje uma empresa que tem no Tare, aqui do GDF, uma condição muito boa de competição. Dificilmente, perco uma concorrência. Tenho, pela minha experiência, pelos meus 24 anos de luta dia e noite, tenho uma condição muito boa. Não quer dizer que eu ganhe todas, mas em certos itens tenho uma condição muito boa.

Vi casos, por exemplo, de uma empresa fabricante de bobina – da última concorrência de bobina que houve –, que colocou um preço inexeqüível, e vi essa empresa sendo perseguida. Um preço muito pequeno, mas ela, naquela ocasião, podia ter feito aquele preço. Então, achei que as regras começaram a ficar adulteradas, ou seja, houve uma quebra intensa da isonomia dentro do sistema. Por tudo isso, reputo como responsável o Sr. Maurício Marinho. Então, esse é um resumo básico do que estava ocorrendo nessa Diretoria de Administração.

E notei também que ele virou dono da situação. Não existia Dr. Antônio Osório, existia o Sr. Maurício Marinho, ou seja, ficou difícil. Eu fui para um plano, me afastei, comecei a concorrer normalmente, mas só ganhei uma licitação em 2003 e outra em 2004, com preços abusivamente baixos, ganhei quase nada, mas que valia a pena para mostrar, marcar campo.

Resolvi, em determinado momento, achei que havia muita gente sendo beneficiada – posso esmiuçar depois em que sentido –, eu senti que deveria tomar uma providência e a única providência plausível era provar para alguém, mostrar para alguém como as coisas estavam indo lá. Eu tinha informações de que ele estava conversando, ele montou, inclusive, uma sala só para ele, dividiu o departamento em dois, antes o Decan era um departamento. E ele descentralizou os trabalhos para ficar a caráter, para ficar somente com fornecedor.

Outra coisa, adotava um comportamento extremamente chato. Ou seja, para subalterno, queria bater forte e puxava saco, desculpe a expressão, de quem estava acima, quer dizer, virou uma situação de falar demais, todo mundo falando, inclusive acusando também as empresas – isso incluindo a minha, principalmente empresas de Brasília, de empresinhas e picaretas. Quer dizer, o cenário ficou lúgubre, ou seja, muito difícil de se trabalhar nos Correios. Como para nós é muito importante que os Correios comprem e que vendamos para os Correios, para a nossa própria sobrevivência – tenho mais de 20 funcionários – achei que deveria tomar uma providência. E realmente tomei.

Não tive intenção, de forma alguma, que isso se transformasse no escândalo que se transformou, porque o escândalo para mim é o pior negócio. Trabalho como empresário, não tenho aspiração política, não tenho aspiração política, não sou filiado a Partido, não financiei campanha de ninguém, o meu negócio é o bê-a-bá, o feijão-com-arroz. E o feijão-com-arroz para mim significa vender direitinho e receber direitinho, o que sempre aconteceu nos Correios.

Da minha parte, tomei essa decisão isoladamente, inclusive chamei uma pessoa, convidei uma pessoa, que é um consultor, o Joel, que é meu amigo pessoal de mais de 15 anos, achava que ele tinha discernimento, que tinha capacidade e categoria para fazer essa gravação para mim. Só que o meu erro: eu fiz, eu tive que contratar o aluguel de uma microcâmara que foi apresentada pelo Sr. Jairo Martins – não sei bem se é Jairo Martins o nome dele. Esse senhor foi apresentado a mim por um amigo em comum e eu falei: “Só vou conversar nesse tipo de assunto com gente de muita, muita confiança porque estou fazendo coisa pesada, estou gravando”. Mas, na verdade, a conversa com o Jairo iniciou-se sobre problema de grampo no meu escritório. Eu vinha sendo, pelo sucesso que tenho, sistematicamente, denunciado, anonimamente ou por fala – chegavam e falavam de mim. Até que, finalmente, uma empresa – não vou dizer o nome, embora saiba pelos indícios quem é, que empresa é – foi ao Ministério Público e me denunciou. Comecei a ficar muito preocupado.

No Ministério Público, fui providenciar uma varredura, foi aí que apareceu o Sr. Jairo Martins, um sujeito especializado em varredura. De fato, ele foi com o uniforme da empresa dele, SAM Alarmes, ao meu escritório e fez varredura, tanto na Coman quanto na Vetor. A Coman é uma empresa minha de representação e a Vetor é outra comercial.

Realmente, foi um senhor trabalho; nós, pela primeira vez, tivemos segurança de que não estávamos grampeados, porque é desagradável estar grampeado. Ninguém gosta disso. Aí a conversa com o Jairo começou a esticar, até que perguntei se nós poderíamos fazer algo a mais, ou seja, eu estava já de olho na possibilidade de fazer essa gravação. Ele disse: “Olha, eu tenho o melhor equipamento”. Falei: “Então vou fazer”. Não precisei... Falei que era Correios, mas não indiquei que era o Sr. Maurício Marinho para ele. Inclusive falei: “Olha, Jairo, eu só gostaria de passar para você o seguinte: não quero envolvimento com polícia, com nada; eu apenas gostaria de mostrar para algumas pessoas o que está ocorrendo dentro dos Correios”. Essa pessoa, especificamente, em que eu mirei na ocasião era o Dr. Antônio Osório. Como o Marinho virou embaixador e tudo da Diretoria, o dono da Diretoria, eu falei: a minha força, quer dizer, eu não tinha influência nenhuma, eu não podia... eu acabei por não ter mais condição de conversar e me afastei do Marinho, nos últimos sete meses. Resolvi, tomei essa decisão e fiz a fita. Peguei essa fita, depois de feita; aliás, foi feita uma fita que considerei vazia, inócua, aí peguei, não dei valor a ela, inclusive joguei fora. A segunda não, já havia o que interessava. Interessava para mim mostrar para o Dr. Osório simplesmente o que estavam falando em nome dele. Agora, o que o Sr. Marinho falou na fita, realmente ficamos um pouco estarrecidos, tanto que falei com meu sócio, e ele falou: “Olha, se eu soubesse que você estava fazendo isso, eu não deixaria jamais você fazer uma coisa dessas. Mas, já que você fez, vamos tomar a atitude correta”. Então, sentamos e fizemos uma reflexão: “Bom, o que está em evidência nesse negócio? É a Diretoria dos Correios e o Deputado Roberto Jefferson”. Peguei, como eu não conheço pessoalmente o Roberto Jefferson, procurei um amigo que conhece o Deputado Roberto Jefferson – tinha conversa, não sei que grau de amizade, mas eles conversavam sempre – e entreguei: “Olhe, você analise bem. Quer entregar ou não quer entregar a fita? Isso é uma questão sua, pessoal. Queria que você ficasse muito a caráter, porque é bombástico; a coisa é muito séria”. Ele disse: “Não, acredito que, pelo que está na fita, devo entregar”. Isso foi no dia 3, aqui, na porta do Senado, em frente à Gráfica do Senado. Na verdade, à noite, ele me liga, estava no hotel, e falou assim: “Preciso falar com você”. Eu falei: “Perfeitamente”. “O Deputado Roberto Jefferson mandou você encaminhar essa fita à Diretoria dos Correios”. E eu o fiz no dia 4. Realmente, mandei a fita e não posso dizer... Os dizeres são basicamente estes – não lembro exatamente o que eu escrevi na etiqueta –, disse o seguinte: “Para que o Sr. Antônio Osório conheça a atuação nefasta do Sr. Maurício Marinho”, e até dei uma dica de como... Na verdade, eram duas fitas, porque era muito longa a conversa. Eu nunca esperei duas coisas: que se falasse tanto numa fita e nunca esperei que um ex-araponga – araponga no sentido que parece que ele foi membro de um serviço, não sei; não gostaria de atingir de jeito nenhum a instituição Abin, porque não tem nada a ver uma instituição com uma pessoa –, e essa figura realmente já tinha vendido, ou entregue, ou dado de presente, a primeira fita para uma revista – não sei se foi a Veja. A segunda, realmente, depois que o Sr. Marinho, no dia 4, no final da tarde, ou no dia 5, pediu licença médica ou pediu uma licença, se retirou dos Correios, no final de semana estava a fita, estava a revista, aí o mundo desabou, inclusive em cima de mim. Eu falei... Liguei para o Jairo, aliás foi a última... não, não foi a última vez, falei com o Jairo: “Jairo, estão dizendo que vai sair uma reportagem dessa fita”. “Não, não vai, não”. “Você tem certeza, Jairo? O que nós combinamos naquele almoço? O que nós combinamos na minha casa? Que isso não podia acontecer.” Aí o Jairo disse que garantiu para mim. Mas, domingo... Aliás, eu estava em Manaus esse dia. Na sexta-feira ou no sábado, consegui uma revista Veja no aeroporto, e estava lá o negócio. Eu falei: bom, a bomba agora estourou; tem que ver o que vai acontecer.

Depois disso, fiquei na expectativa se falava a verdade ou não, porque tinha gente comprometida. Tinha a pessoa que gravou; tinha a pessoa que entregou. São meus amigos, e eu não podia abandonar. Conversei com eles: o que vocês querem fazer? Eles: “Vamos esperar um pouco.” Todo mundo estava com muito medo, porque a Polícia Federal estava investigando, aquela coisa toda. Até que, um dia, eu estive com esse Jairo de novo, e o Jairo quis dizer para mim que estava administrada a situação, ou seja, que a Polícia, e mais não sei quem, estava muito confusa em saber quem eram os autores do vídeo e da gravação. Aí, na verdade, foi a última vez que eu encontrei com o Jairo; fiquei com medo também, porque o Jairo grava até pensamento. Ele grava até pensamento. Por exemplo, ele tem um celular que ele me apresentou, e o celular é o próprio gravador, e com uma potência incrível, não é?

O resultado disso aí foi a prisão de dois amigos, e eu resolvi me apresentar. Eu também tive uma ordem de prisão, que não foi aceita pela juíza, porque eu tenho domicílio, eu estava bem localizado. Mas quase fui preso também. Quer dizer, foi uma catástrofe geral, em que eu fiquei muito assim... Houve um momento de depressão, vamos dizer assim, um momento de sentimento muito forte, em que nós... Eu tomei a atitude. Eu fui lá e contei exatamente o que estou contando aqui hoje. É claro que pode ter algum detalhe que fugiu, que também não dá para lembrar tudo. E me coloco à disposição dos senhores para qualquer pergunta, se for o caso, se a Presidência...

Quero dizer o seguinte: da minha parte, não houve motivação política, mas era simplesmente uma decisão isolada minha de dar um basta naquilo que estava acontecendo nos Correios. Eu posso pormenorizar, à medida que for necessitando, o que eu achava que estava errado lá dentro.

Então, essa é mais ou menos a história que eu tenho para falar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo a palavra ao Relator, Deputado Osmar Serraglio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr. Arthur, como V. Sª mesmo anunciou, na verdade, existe no ar uma dúvida sobre se a iniciativa realmente foi sua ou se eventualmente possa ter sido um instrumento de alguém que tivesse alguns outros objetivos. Dessa forma, as perguntas também incidirão nesse sentido, para que possamos clarear essas dúvidas, que, com certeza, na seqüência, serão adensadas pelas dos ilustres Parlamentares, além das minhas.

Mas V. Sª acabou de fazer referência a que o ramo da sua empresa é o de licitação? Isso significa que V. Sª tem uma amplitude geral, vende o que aparecer na licitação?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, na realidade, não. Veja bem: eu sou uma empresa comercial. Pelo meu contrato social, eu estou apto para fornecer diversos produtos, mas isso... A gente até põe um contrato social desse no sentido de, se aparecer uma oportunidade na vida, você não ter que alterar um contrato. O meu forte é confecção, sapato... Confecção e sapato é o que eu tenho vendido mais, né? Mas eu tenho condição boa em mobiliário, por exemplo, que ultimamente está um pouco prejudicado em função de que as indústrias tomaram conta do mercado. Eu não tenho mais preço como distribuidor, mas a minha empresa, a Comam, ela pode vender, pelo contrato social, uma gama imensa de produtos, o que, na realidade, não ocorre, viu? Você acaba colocando isso como uma estratégia, Deputado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nesses últimos dois anos, a sua empresa participou de que tipo de propostas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Geral?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Específica para órgãos públicos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza, isso não tem problema nenhum.

Vamos ver: Marinha do Brasil, eu vendi... Não, foi macacão. Eu vendi todo o uniforme esportivo da Marinha, material de natação, sunga para natação, e vendi também calção de ginástica para a Marinha. Vendi também um artigo especializado chamado bota de convés, que é usado em alto-mar – aliás, bons produtos.

Com relação ao Exército, eu hoje me orgulho, depois de 20 anos de luta lá dentro, combatendo as multinacionais... Combatemos a São Paulo Alpargatas, a Santista Têxtil e outras grandes. No ano passado, 2003 para 2004, entregamos 250 mil calções para educação física, entregamos 105 mil pares de tênis e entregamos 45 mil botinhas camufladas usadas pelo Exército nas operações na Amazônia. Isso foi em 2003/2004.

Hoje, em 2005, com mais orgulho ainda, assinei um contrato como o maior fornecedor do Exército brasileiro nos mesmos itens, com exceção do calção que eu não ganhei neste ano. Mas consegui ganhar... são 186 mil pares de coturno, que é a bota militar propriamente dita; sandália de borracha, 70 mil; botinha camuflada, 37 mil...Desculpe-me...E também os tênis, 200 mil pares de tênis. Eu tenho feito um trabalho muito bom, tenho crescido.

Com relação aos Correios, consegui vender, no ano passado, 32.500 capas de chuvas. Corrigi, inclusive, um defeito crônico da capa de chuva, que era o gotejamento. Consegui vender, agora em 2005, 11.200, 11.500 jaquetas para carteiro, usadas no frio.

Esse é o resumo das minhas vendas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB ­– PR) – Isso se refere às suas vendas, mas e com relação às licitações de que a sua empresa participou e nas quais eventualmente não foi vencedora?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Dois itens são críticos. Vamos falar sobre Correios? É mais fácil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB ­– PR) – Pode ser.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Dois itens são críticos. Não se conseguia comprar mais tênis nos Correios. O que estava acontecendo? Isso é interessante. Houve, na verdade, a entrada de uma empresa nesse setor chamada Proteline. O dono da Proteline, inclusive, fala muito em nome do Governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que seria seu protetor. Eu acho que Germano Rigotto, no pedestal em que está, jamais iria compactuar com uma empresa daquele nível. Ele intimida as pessoas dizendo que, se o negócio não for feito, o Germano Rigotto vai brigar, vai fazer não sei mais o quê. Essa empresa começou a entregar produtos... Essa empresa conseguiu entregar tudo errado, abaixo da especificação, fora da especificação, nos Correios...

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB – PB) – V. Sª acredita que o Governador interfira nessas coisas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Senador, vou contar-lhe uma coisa: conhecendo o dono dessa empresa, eu acho que é o maior absurdo que alguém fala...Eu disse isso para explicar a facilidade que as pessoas têm para falar em nome de outras. Isso é muito sério. Gostaria que V. Exªs refletissem...

O SR. (Orador Não Identificado) – Sr. Presidente, pela ordem.

Que cada Parlamentar faça perguntas na sua vez.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Peço compreensão a todos os Parlamentares, porque quem está argüindo o depoente é o Relator. Gostaria que fizéssemos silêncio para que os trabalhos caminhem bem, como todos esperamos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB ­– PR) – V. Sª pode prosseguir com a relação das licitações de que a empresa participou.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Na ocasião, foram dois itens. Desculpem-me estar falando em item, sei que V. Exªs não sabem o que é, mas é para exemplificar melhor. Por exemplo, são dois itens importantes em termos de calçados dentro dos Correios: a bota para operador de triagem, que é aquele sujeito que fica separando as cartas, as caixas; e o tênis, para carteiro. Normalmente, esse senhor dessa empresa chamada Proteline vinha com 20% abaixo do preço. Olha, não se concebe que... Tudo bem, se você concorre, vai até o final e dá uma diferença de 2 ou 3% – o que ainda é muito hoje em dia, porque os preços estão muito baixos nas compras regulamentares do Governo. Mas o cara vinha com 20% abaixo. Resultado: ele queria impor um tipo de calçado totalmente em desacordo com as normas técnicas dos Correios.

Como os Correios reagiam? Como sempre reagiram. Os Correios são extremamente exigentes. O laboratório dos Correios, eu considero intransponível em nível de falcatrua. Eles têm um sistema de controle de qualidade impressionante. Como se não bastasse o controle de qualidade que os Correios têm, têm também o uso diário, em que o carteiro é regularmente ouvido. Como, então, essa empresa sobreviveu? Não foi multada e arranjaram um jeito de ela ficar muito tempo ali. Se havia uma recusa, vinha outra licitação. Acontecia a licitação, Deputado, e ela estava novamente com 20%, 10%, às vezes, até 30% abaixo do preço dos outros concorrentes.

Vamos supor que os outros concorrentes faziam um cartel – não estou dizendo que isso acontecia, mas 20% abaixo é demais; 10% abaixo já é muito hoje em termos de pregão, que é 1%, 0,5%, e os preços são muito baixos –, vinha esse senhor e ganhava a licitação. Voltava a entregar o material fora da especificação. Recolhia-se o material, mas tentava-se colocar de novo. O laboratório nunca deixou. Mas o Sr. Marinho se aproximou de um tal de Sr. Antônio Pedreira, que se dizia candidato à Presidência da República – foi candidato – e virou advogado da Proteline nos Correios; aquilo virou um inferno. Todos os dias, esse Antônio Pedreira e o Marinho ficavam reunidos na sala. Tentaram fazer uma compra de 140 mil pares de tênis. Uma compra de 140 mil pares de tênis – hoje, cada par deve estar na faixa de R$60 – é uma senhora aquisição! O que o Marinho fez? Dividiu em quatro. As três empresas do ramo e mais uma para entregar no Rio Grande do Sul. Para quem ganhar? A Proteline.

Esse tipo de atitude é que vinha me preocupando e eu vinha combatendo.

Acho que falei de uma empresa. V. Exª quer saber de mais alguma empresa?

Só vou citar o nome da Proteline, porque é a única que tenho convicção do que aconteceu, até porque pedi os laudos e os tenho.

Outro item crítico – se me perdoam, abstenho-me de não falar o nome da empresa – é a mala postal. Ora, tênis, mala postal, camiseta, calça para carteiro são itens indispensáveis para o bom uso da profissão. No caso da mala postal, eles venderam um náilon, que é chamado comercialmente náilon cordura, e entregaram o náilon comum, cujo preço é mais ou menos 60% mais baixo do que o náilon especificado na norma técnica. Esse caso vem se arrastando há dois anos, mas essa firma não é suspensa, não é multada, não é isso nem aquilo. Ou seja, não dá.

Na verdade, o que estava acontecendo ali é que as firmas passaram a gostar da impunidade, do regime de exceção que ele implantou. Ou seja, para alguns, tudo; para outros, não vão ganhar a licitação mais, porque o cara tinha aquela segurança. Por que não venceu essa empresa? Porque o laboratório, mais uma vez, recusou os produtos. Mas ele enfrentava, ele ficava forçando a barra para funcionário assinar, dizendo ao Dr. Antônio Osório – isso são conversas que vinham de lá – que o laboratório não aprovava nada, que tinha de existir uma parceria entre empresa e Governo, que não era assim, que ele se orgulhava de não ter multado ninguém na gestão dele. Então, começou-se a nivelar por baixo mesmo e o poder de competição das empresas... A minha, por exemplo, acabou.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na verdade, V. Sª fez referência a um fornecimento. O fornecimento de tênis já ocorreu? Está ocorrendo o fornecimento?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Estão há dois anos sem comprar tênis. Eles não conseguem comprar, porque vão comprar, o cara ameaça entrar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois bem, mas, então, qual? Um é o das malas.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mala postal é um item; tênis é outro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Falo o seguinte: dos fornecimentos cujas especificações técnicas não estão sendo atendidas...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo dois.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais? Os das malas...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo três de que sei, de que tenho conhecimento: mala postal, bota para operador de triagem e tênis para carteiro. O tênis para carteiro está sendo adquirido hoje via pregão eletrônico nos Correios.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Voltando ao tênis, está havendo, porque V. Sª acabou de dizer há dois anos não compra e diz que está acontecendo. Está acontecendo alguma execução de contrato, entrega atual de tênis nesses últimos?...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não. Não foi comprado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E essa diferença de especificação? V. Sª está acusando o recebimento de produtos que não estão adequados ao contrato. Com relação aos tênis, quando é que se operou a última entrega? A última entrega desatendia as especificações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Entendi a pergunta. Desde que a Protelyne entrou nos Correios, vamos colocar, há dois, não se entrega calçados dentro das especificações.

Não sei se respondi ao senhor.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não da forma como eu esperava.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu responderei.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Entrega-se...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Entrega-se o produto.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, por enquanto, agora é de acordo com as especificações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Veja bem: há dois anos, nas últimas aquisições, tanto de tênis como de botas de triagem – é difícil precisar se é um ano e meio ou dois anos. Vamos colocar dois anos, como uma média; há dois anos não se consegue comprar no Correio calçados, porque a empresa Proteline veio e trouxe o preço para baixo e impõe, quer impor um calçado totalmente fora das especificações, o que o Correio não aceita. Mas a empresa nunca foi multada, nunca foi suspensa, porque o edital é bravo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela está fornecendo?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. No momento, não. Ela forneceu e teve o material devolvido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, nos últimos dois anos, não ocorreu fornecimento.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. É crítico. O problema de tênis no Correio é crítico. Chegou-se até a pensar em dar R$50,00 para cada carteiro para que ele comprasse o tênis ele mesmo, o que é um problema, porque o tênis do Correio tem um estudo, tem características que a saúde – esse órgão do Correio, que é muito sério também e muito competente – estuda. O carteiro tem problema de ficar em pé o tempo todo, ele sofre a ação de agentes, de chuva, de sol. Então, é uma coisa séria. O tênis é um produto muito importante, muito sério.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Anteriormente a esses dois anos, já que há dois anos o fornecimento parou, era a Proteline que fornecia os tênis?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Era a Bertin e Fujiwara. Na época, eu representava a Fujiwara.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não estou entendendo. V. Exª insiste em que a Protelyne fornece produto não especificado. Mas ela forneceu?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, a Proteline ganhou a licitação – vou elucidar para o senhor agora – e entregou. Houve uma recusa dentro do Correio. Não aceitaram. Essa recusa implicava sanções – o senhor entendeu agora? – que não foram aplicadas. O senhor entendeu?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Entendi.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O senhor fique à vontade. Estou à sua disposição.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa recusa seria...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Laboratorial.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – ... a desclassificação para uma próxima licitação.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ele foi desclassificado em amostra umas três, quatro ou cinco vezes. Três, quatro ou cinco vezes. Deram três oportunidades de amostra para essa empresa, o que é totalmente ilegal. Esse tipo de coisa vinha acontecendo regularmente, Deputado, e foi isso que começou a me preocupar muito.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª se reporta a sua empresa, o fornecimento feito é em nome da sua empresa ou representa empresas que fornecem?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Esses casos que falei são da minha empresa: jaqueta para carteiro e capa de chuva; fui punido com razão porque atrasei. Tive um problema com a máquina que soldava. Fui punido, com razão. São da minha empresa diretamente: capa de chuva e jaqueta para carteiro. São de minhas empresas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando alguém se habilita a ser fornecedor para órgãos públicos a lei exige que haja aquela habilitação em que se examina as qualidades da empresa, e entre isso, uma das exigências é que se comprove a capacidade de se fornecer.

As licitações que conheço, hipoteticamente, não têm a ver com a sua empresa, se vou contratar uma obra, preciso que a empresa comprove que ela tem uma firma de engenharia. Ou se vou comprar produtos tem que provar que tem aqueles produtos.  V.Sª, na verdade, não tem produtos, V. Sª oferece o que aparecer no edital?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, Deputado. O senhor está confundindo, me desculpe. Não é isso. Quando opto por fornecer o produto, tenho alternativas; eu não sou indústria, eu sou comércio, eu tenho opções. Por exemplo: vamos supor um item – calçado – só para exemplificar. Posso comprar o couro, posso comprar a sola, posso comprar os itens que compõem o calçado e terceirizar a mão-de-obra que hoje está muito em vigência no Brasil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A minha pergunta não é essa. Eu sou a empresa licitante, ou o órgão licitante; e para que eu o habilite a participar de um fornecimento, preciso antes ter a garantia de que a sua empresa tem condições de me fornecer. Aí, licito tênis. Como é que o  senhor aparece lá?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Olha, eu já forneci tênis, 210 mil pares de tênis. Como apareço lá? Eu tenho atestado de capacidade técnica, tenho todas as certidões negativas fiscais, tenho contrato social que me habilita e tenho a solidariedade de quem fabrica.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ou seja, V. Sª realmente pode fornecer o que aparecer?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Desde que eu tenha o atestado de capacidade técnica e os outros itens que configuram o que o edital pede; desde que eu consiga, com a minha empresa, que os itens que o edital prescreve sejam aceitos, não tem problema nenhum.  Eu posso entrar no item que eu puder. Em informática, eu não posso, por exemplo. Não sou habilitado para informática.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quem lhe dá a demonstração da capacidade técnica?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Demonstração de capacidade técnica é quando fornecemos para algum órgão ou para algum particular. Por exemplo, se eu fornecer para a Secretaria de Educação do GDF 105 mil pares de tênis...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Para o  senhor fornecer essa primeira vez, como é que o  senhor comprovou que o  senhor tem capacidade técnica como fornecedor?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Nesse caso, o edital não pedia. A Marinha não pede.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Todo edital pede.

O SR. ARTHUR WASCEHCK NETO – Não,  senhor. A Marinha,  em nenhum edital, pede atestado de capacidade técnica. Eu posso provar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então estão descumprindo a Lei nº 8.666.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Veja bem, todas as vezes que precisa de atestado, eu apresento se eu tenho. Se eu não tenho, não apresento.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não estou me referindo a V. Sª. Estou me referindo a quem está procedendo a uma licitação porque, com certeza, uma das exigências é que se comprove a capacidade de fornecimento.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Com certeza. Alguns editais não pedem o atestado, outros não pedem uma certidão. Quer dizer, nós nos pautamos pelo que o edital exige. Se eu conseguir complementar o edital, estou dentro da concorrência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Efetivamente, o que V. Sª tem que produz, se é que tem?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Estou hoje com uma produção muito boa de sapatos no interior de Minas Gerais, na cidade de Itahandu; os maiores produtores estão comigo. Produzo calçado em Nova Serrana, que é a capital do tênis..

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª diz “um dos maiores produtores estão comigo”, o  senhor está agregando ...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Produtor significa mão-de-obra terceirizada. É o sujeito que tem a máquina, Deputado, é o sujeito que transforma a matéria-prima no produto acabado.  Isso nós temos em Minas Gerais; em Nova Serrana está o maior pólo de tênis do Brasil, de confecção de tênis. E em Itahandu é o maior pólo de confecção de calçados militares no Brasil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª fez referência, quando se apresentou, a que teria prestado serviços indevidos que lhe foram exigidos e que, na verdade, a sua empresa não estava obrigada a fazê-lo, em relação, suponho, ao contrato dos cofres, ao fornecimento?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, o contrato do cofre é uma novela. Eu acho que vou ter que contar a novela porque, infelizmente, esse cofre, ou, felizmente, ele pode, é uma coisa que... O cofre foi no advento do banco postal. O que aconteceu no cofre? Eu tinha condições de entrar na concorrência para fornecer cofres. Eu tinha condições de conseguir as fechaduras computadorizadas. Ganhei um lote em 2002, vamos deixar bem claro. Eu gostaria de colocar essa data porque essa é importante, essa eu lembro bem. Em 2002, eu forneci, comecei a fornecer um lote de 950 cofres com fechadura de retardo eletrônico, computadorizado. Aconteceu que, nessa ocasião, o Correio pediu algumas modificações do edital, ou seja, exigiu itens tipo boca de lobo, umas que davam mais segurança, e estudamos essas modificações que foram propostas e concordamos, sem ônus, em fornecer as modificações, mesmo após ter ganhado a licitação, e mesmo essas modificações não estarem contidas na norma técnica.

Só que o Correio me deu um prazo muito pequeno para que eu me adaptasse às modificações e, por isso, eu fui multado. Numa ocasião, em 2003, houve uma denúncia contra a minha empresa por parte da Empresa Safe Tronic. E essa Empresa Safe Tronic, naquela ocasião, ela me denunciou não sei o motivo, porque eu não estava concorrendo com ela, os lotes que ela tinha ganhado, ela estava entregando, eu estava entregando os meus. Ela dizia que o meu cofre tinha problema. A partir desse momento, a minha vida virou, desculpe a expressão, um inferno.

Houve uma posição de briga do Depas, que é o Departamento de Patrimônio do Correio, contra mim, violenta. Eu peguei CI’s, que são comunicações internas, dizendo: vasculhem, vá atrás, ache, tipo assim... Sabe... Eu não estou dizendo que estava escrito ache algum defeito no cofre dele, não, mas chega pesado. O que eu fiz? Eu não tinha alternativa, eu estava no meio da chuva, como tenho um nome, tenho uma empresa de 20 anos aí, o que eu fiz? Comecei a pegar um cofre, cada cofre – os cofres recusados – pesa quase 1 tonelada, 900 kg, comecei... Não. Trazia para a fábrica de volta, mandava pintar ou mandava fazer isso ou mandava fazer aquilo, tinha um problema na porta, tinha 0,3 mm... Eles pediam 0,3, tinha porta que tinha 0,5. Eu acabei colocando para 0,15, porque eles achavam que se colocasse um pé-de-cabra abriria o cofre. Então, por isso, fui multado na condição máxima do contrato, ou seja, 20%.

Eu atrasei, tive que repor, refazer alguns cofres, tive que refazer algumas portas, refazer pintura, enfim, mas não troquei a fechadura, usei a fechadura que estava escrita na minha proposta, enquanto a outra empresa mudou a fechadura, usou uma fechadura mais barata, mas isso não é problema meu. No entanto, eu fui multado exemplarmente. A firma que usou a fechadura mais barata não foi multada e teve um acréscimo de 25% nos cofres dela. O que aconteceu? Depois desse problema dessas multas, qual é a posição que você tem? Em R$5 milhões, que era o fornecimento, eu fui multado em 20%, fui multado em R$1 milhão, que, para mim, é muito dinheiro, para a minha empresa, tirou tudo o que eu tinha ganhado, eu tinha ganhado um pouco menos, mas tirou R$1 milhão da minha empresa, e eu corri atrás administrativamente. Eu impetrei um recurso administrativo, isso era na época ainda do outro diretor, não era do Sr. Maurício Marinho. Impetrei um outro recurso na época do Sr. Maurício Marinho, pedindo para que reconsiderasse as multas, não que tirasse 20% de multa, mas que reconsiderasse. E impetrei um outro recurso para o Dr. Antônio Osório, pedindo... Também indeferido, três indeferidos. E o último, o quarto, hierárquico, para o Presidente do Correio pedindo que indeferisse aquelas multas. Também não foi possível.

A partir daí, eu me recolhi. Eu comecei a entregar esses cofres em 2002, fui acabar em 2003, fui multado em 2003 e, em 2004, tratei de recuperar o prejuízo. E não consegui. A partir daí, esqueci o problema. Fui para um advogado especializado, que defendeu uma teoria, a de dosimetria da pena, ou seja, apesar de tudo, você atrasou, mas você entregou todos os cofres em perfeitas condições, você não deveria ter sido multado dessa forma. Mas a dosimetria da pena também esbarrou no Jurídico dos Correios, e eu não consegui um centavo de volta!

Então, essa é a história do cofre. Eu fui multado pesadamente e recuperei, em tese, uns novecentos, uns oitocentos cofres: uns por pintura, outros por porta, outros eu tive que refazer o cofre, fechadura que eu tive que trocar.

Depois disso, Deputado, complementando, eu fui obrigado, contratualmente, a prestar uma assistência técnica de dois anos, em que eu estava gastando, estava gastando por mês... Estava gastando não, eu gastei por mês R$15 mil. Por quê? Vamos supor: em Tabatinga, eu tinha que pegar um avião para Manaus, disponibilizar um carro, pagar o técnico, quer dizer, eu não tinha opção. Aquilo era muito especializado. Nós optamos por uma equipe só fazer o Brasil todo.

Em alguns casos, esses cofres estavam armazenados ao relento, tomando chuva, como na DR – Minas Gerais. E essa chuva provocou o quê? Um curto-circuito nas fechaduras eletrônicas. Eu tive que reparar assim mesmo. Fui penalizado. Quer dizer, eu não tive direito nenhum nesse negócio dos cofres. Eu fui, simplesmente, duramente penalizado.

Mais: depois, ainda por cima, o Depas, que era o órgão, esqueceu de passar orientações de uso e manuseio dos cofres. Algumas vezes, eu tinha que sair daqui para trocar uma pilha. E isso foi considerado, por mim, como visita indevida, e eu passei a cobrar as visitas indevidas. E foram várias, inclusive várias atestadas – isso já na gestão Maurício Marinho. Não recebi sequer um centavo das visitas consideradas indevidas. Por que? Eu não sei. Porque houve na base, nas regionais, quem dissesse “eu não vou assumir isso”. Mas eu vou esperar o vendaval passar e vou para a Justiça cobrar. Eu não vou cobrar mais dos Correios. Eu já estou com R$320 mil de visitas indevidas catalogadas e prontas para serem... Só não emito nota fiscal, porque eu emito nota fiscal, eles não me pagam, e eu tenho que pagar o imposto. Então, eu parei de emitir nota fiscal. Essa é a situação do cofre.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – As multas têm de ser motivadas. Qual é a motivação da multa?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Atraso na entrega.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, não é problema de...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não. A multa foi aplicada, para mim, com uma certa justiça. Acho que foi aplicada com justiça, porém em dose excessiva. Poderia haver, na ocasião, um entendimento, como sempre houve nos Correios, um entendimento entre empresa e Correios no sentido de que: apesar de tudo, atrasei, mas eu fiz as modificações por minha conta, eu não cobrei nada a mais. Eu, apesar de ter atrasado um pouco, eu recuperei novecentos, oitocentos cofres, gente! É muito cofre! Cada cofre pesa quase uma tonelada. Quer dizer, o meu esforço foi grande, e entreguei um material bom. Eu reconheço que atrasei, sim, senhor, só que achei muito pesada a multa que me foi aplicada e muito pesados os defeitos encontrados. Em determinado momento, estava passando tudo. Quando veio essa denúncia da outra empresa concorrente...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, houve multa por defeitos encontrados.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza. Estou assumindo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Antes, V. Sª fez referência a que teria sido só por atraso.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, são as duas motivações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Foi mais por atraso. O atraso, porque havia o defeito, e a gente tinha que corrigir o defeito, Deputado. Foi assim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª se sentiu injustiçado, então, também no período anterior ao Maurício Marinho?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Na verdade, não. Eu acho...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Porque tudo isso é anterior ao Maurício Marinho.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO  – Sim. As multas, sim. As multas contratuais, sim.

Não é injustiçado. Achei que podia haver, em função do esforço que eu fiz de recuperar todos os cofres, material difícil, em função de eles terem colocado cofres ao relento... Eles tombaram cofres também e não me pagaram. Um caminhão dos Correios teve um acidente. Quer dizer, os Correios não levaram em consideração nada: de terem deixado cofre na chuva, de o caminhão... de ter perdido alguns cofres. Eles simplesmente me pegaram pesado. Injustiçado, não. Acho que poderia haver uma compensação, ou seja, multar em 10%, em 5%. Eu propus, inclusive, negociação nesse sentido. Não é injustiça. Foi uma questão de que não houve, da parte dos Correios,...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essas visitas indevidas, a que V. Sª se reporta, são...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – É gestão Maurício Marinho.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Elas são determinadas a partir de quê? Quem dá a iniciativa para que se determine uma visita?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Existe um chamado do Correio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De onde? Lá de baixo, de cima?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, tem um telefone que disponibilizamos. Toda vez que tem problema no cofre, ele chama. Ah, inclusive, graças a Deus, está acabando. Acho que esse é o último mês dessa visita indevida, graças a Deus – dessa visita indevida, não, dessa manutenção dos cofres. O Correio chama, temos um técnico que, imediatamente, em 48 horas, está prestando assistência técnica.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio PMDB – PR) – Sei, mas a reclamação inicial, quem desencadeia isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – É o Correio, a Regional. É a agência, a própria agência.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não é a direção?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, é a Diretoria Regional.

A agência passa para a Diretoria Regional, que transmite para nós, aqui, e nós vamos atrás.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Por que V. S.ª insiste em que o Maurício Marinho é o responsável por essa perseguição?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não estou insistindo. Eu não disse isso. Eu disse que foi na gestão Maurício Marinho e que eu não recebi um centavo do que me é devido. Não disse que estou sendo injustiçado. Eu me sinto injustiçado no global. Fui multado em 20%. Na gestão Marinho, ninguém foi multado em nada, nem em um por cento. Eu tenho um dinheiro para receber...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. S.ª foi multado antes, portanto, nem V. S.ª foi no período dele.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, mas fui. Independente de Marinho ou José, a regra tem que ser igual para todos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com certeza.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isonomia é o que rege qualquer princípio de licitação. Esse negócio de não receber dinheiro... É muito dinheiro. Para mim, Deputado, é muito dinheiro; R$300 mil na conta, ali, é muito dinheiro. Eu tenho meu giro, eu tenho que fazer produção, eu estou...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Só para...É que a imagem que o senhor passa em seus vários depoimentos é que o senhor vinha sendo perseguido pelo Maurício Marinho. Então, a gente quer saber exatamente onde é que aparece a perseguição do Maurício Marinho.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Bom, primeiro, em caracterizar uma empresa como a minha de “picareta”, como “firminha”. Segundo, uma total preferência, isso fora da lei, por indústrias grandes. Tipo assim, tênis: “Ah, eu vou dar preferência para essa, essa e essa”. “Por quê? Por que você vai dar preferência?” “Porque essa, essa e essa são indústrias”. “E, daí? O preço vai ser mais alto e eu tenho um produto tão bom quanto”.

Outra coisa que quero deixar clara para o senhor: à medida que ele não multa ninguém e que começa, tenta, vamos dizer, entregar produto fora de especificação, eu começo a ser prejudicado. Essa a tendência que vigorou no Correio nos últimos dois anos. Esse problema de não multar ninguém, dar chance para entregar uma outra amostra uma, duas ou três vezes, sendo que, no ato da entrega da amostra, a firma pode ser vencedora do certame ou perdedora do certame. Tem  que se chamar o segundo lugar. Então, facilitou-se a vida de outras empresas e eu passei a não vender.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais as outras empresas que tiveram a vida facilitada?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, aí, eu vou deixar. Eu citei dois exemplos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, até agora, percebi um, que foi a entrega das...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu posso citar outro: mala postal.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sim, até agora, só ficou a mala postal. Qual o outro produto que V. Sª nos disse que foi recebido fora da especificação? Qual outra empresa que foi beneficiada?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Bom, isso aí, eu... existem vários... são muitos contratos dentro do Correio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não precisam ser muitos. Cite alguns pelo menos para não parecer que há uma generalização indevida. Só para esclarecimento.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, que eu conheça da minha área, que eu gostaria de relatar: o tênis para carteiro, a bota para operador de triagem e a mala postal. Fora isso, eu já... como eu não ganhei outras licitações...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tênis... insisto, tênis – não houve esse fornecimento, portanto, não há recebimento sem especificação.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO   Houve o fornecimento. Houve uma recusa de material, depois. Houve o fornecimento específico. Foi fornecido o tênis e o Correio devolveu o tênis.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Devolveu?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Devolveu sem multar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, mas a multa...são duas coisas diferentes. V. Sª está dizendo, já li em vários depoimentos, que o Correio, na administração de Maurício Marinho, recebia produtos que desatendiam às especificações. Só quero saber quais. Aí, V. Sª diz que há dois anos não se recebem tênis e fico em dúvida.

Com certeza, a mala. Qual o outro?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, eu acho que o senhor não entendeu. Vou tentar explicar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É só, objetivamente, dizer: “a firma tal é fornecedora de tal produto e não atende às especificações”.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu expliquei. Falei o seguinte para o senhor...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual firma?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – A Proteline. Eu falei o nome dela.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Ela fornece tênis fora de especificação?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ela ganhou licitação para fornecer tênis e para fornecer bota para operador de triagem. Ganhou o pedido, levou o pedido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o Correio aceitou fora da especificação?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não aceitou, mas, aí, o senhor veja bem: nesse meio tempo, o edital dizia o quê? Se a sua amostra está fora da especificação, vamos voltar à questão: você vai ser punido em 20% de multa, o senhor vai ser suspenso por cinco anos. E nunca aconteceu nada com empresa nenhuma, nem com a que forneceu mala postal, nem com a que forneceu tênis e bota de triagem. Pior do que isso é impossível, não é?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não, pior é se receber de forma não especificada. Mas tudo bem.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas isso não é problema meu, é do Correio. Estou demonstrando que essa perseguição – esse termo “perseguição” talvez seja um pouco forte –, essa falta de isonomia, essa ausência de isonomia no Correio estava muito evidente, porque ele tinha que ter sido multado, sim, Deputado, e tinha que ter sido suspenso cincos anos, e não foi.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Com certeza.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Foi costurado, para que ele não fosse multado e que muito menos fosse suspenso. Ora, é muito difícil trabalhar assim. Se você anda direitinho e leva multa, por que não o outro levar a multa? Isso, para mim, é perseguição. Acho “perseguição” um termo terrível, mas vamos dizer assim: não usou isonomia, não foi aplicada isonomia.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª diz que, nos últimos dois anos, o Maurício Marinho não multou ninguém. Então, ele foi desidioso, mas não é que ele tenha pegado alguém especificamente e multado. Ninguém foi multado. Mas tudo bem. Essa é uma análise que a Comissão fará.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas, se for multado, a coisa é muito séria: 20% do valor do contrato, Deputado. Desestabiliza qualquer empresa. E tem mais: além da multa, tem que haver a suspensão do direito de licitar no Correio durante um tempo. Estou-me referindo não só a uma empresa. Eu não posso falar de várias empresas, porque não sei. Como é que vou prestar um testemunho de outros casos que não conheço? Com certeza, essa auditoria que está havendo dentro do Correio vai apontar outros casos, com certeza, absoluta.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas percebe que V. Sª disse que existem outras empresas que fornecem produtos, que são recebidos fora das especificações, e que não conseguimos avançar?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não disse isso. Eu disse para o senhor o seguinte: existe...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem, se não disse, é a resposta que queremos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, espera aí, eu gostaria de complementar. Espera aí, Deputado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O senhor me desculpe, eu disse o seguinte: dois casos eu tive certeza, certeza de que se tentou entregar o material fora da especificação. Não foi aceito por causa do laboratório, porque pelo Marinho seria aceito.

Em outros casos, acredito que tenha ocorrido a mesma questão, em função do quê? Era a voz corrente que não se multava, não se tomava nenhuma atitude contra empresas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª também fez referência à existência de um esquema de facilitação, de propinas. Poderia explicar isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não fiz essa menção. Onde?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É só eu encontrar.

Independentemente disso, na seqüência eu volto.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu ouvi dizer. O meu depoimento é: eu ouvi dizer.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sim, mas ouviu dizer?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não falei que tinha esquema.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª disse o seguinte, na Polícia Federal: “que ouviu vários comentários de que Maurício Marinho estaria recebendo propina para beneficiar determinadas empresas”. De quem V. Sª ouviu esses comentários?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Genéricos. Quase todos os fornecedores. Havia muitos comentários.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas nós precisamos...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não posso falar. Eu não posso falar se alguém pagou ou não pagou propina. Desculpe, não me estou negando...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas V. Sª pode dizer alguém que tenha afirmado isso.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Eu não posso.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Senão ficamos no abstrato, sem ligação.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – É muito difícil eu falar uma questão dessa. Não estou querendo travar o andamento do depoimento, nada disso, mas eu não posso falar uma coisa dessa de forma alguma.

O comentário era geral, e ele abriu o jogo geral. Qualquer um que chegasse e conversasse com ele, ele falava abertamente, sem saber quem era, de onde veio, quem era, como de fato aconteceu na gravação da fita, não é?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Então, V. Sª já teria tido algum diálogo como ele precedente a isso, onde ele falou abertamente isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, o Marinho não conversou comigo sobre propina, até porque não havia esse clima. Eu não ia entrar nesse clima de jeito nenhum.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Conhece alguém que teria tido essa interlocução, onde ele falou abertamente?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – A coisa mais fácil... Para o senhor entender melhor essa questão, é só o senhor ver as benesses concedidas para determinadas empresas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quais? É isso que nós queremos saber.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu falei duas. Isso vai ser... O senhor vai ter um levantamento desses contratos auditados nos Correios, o senhor vai saber de muita irregularidade no sentido de não multar, no sentido de não suspender a empresa que descumpriu cláusula de edital. O senhor vai ter exemplos de sobra.

Outra coisa também que me chamou muita atenção foi que eu pedi, por três vezes, prorrogação de prazo nas capas de chuva, três vezes – aliás, duas vezes. Duas. O Marinho negou. Foi preciso que eu fosse até o Dr. Osório para conseguir uma prorrogação, visto que eu estava entregando um produto muito acima do pedido na especificação, não por ser bonzinho, mas é porque na ocasião valia a pena. Tinha um problema de gotejamento constante nas capas. Eu só consegui, e o Marinho assinou a prorrogação para mim, de acordo com o despacho do Sr. Diretor, eximindo-se. Quer dizer, para mim, a coisa era complicada.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª fez referência ao que foi denunciado no Ministério Público e não quis dizer qual é. Mas se foi, se está documentado, nós teremos acesso...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu posso dizer... Não, eu não quis dizer... O senhor desculpe, às vezes eu estou... Eu não me neguei a falar. Eu fui denunciado anonimamente, dizendo que eu montava cartel, dizendo que eu era isso, que eu era aquilo. A denúncia está lá. Eu não sei o que é que eu fiz. Entendeu?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª teve acesso à denúncia e ela é anônima?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – A denúncia é anônima.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mais especificamente, se pudesse esclarecer...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Posso esclarecer. Eu fui denunciado ao Ministério Público como que era dono de duas empresas, que fraudava concorrência pública e montava cartel. Eu não sei como montar cartel com uma empresa só, sendo que uma das empresas, a Vetor, nunca vendeu direto para órgão público.

Isso aí acontece, é um jogo, Deputado. É um jogo de concorrente, um denunciando o outro. Eu não fiz, mas fizeram contra mim.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não poderia ser a impressão de que V. Sª é um representante, realmente monta todos os fornecedores e se apresenta como...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu não faço isso, Deputado. É muito difícil, eu estou sozinho, estou isolado. Evidentemente, quando o pedido é muito grande, eu não dou conta de atender e existem possibilidades de um outro vender, por que eu vou querer pegar tudo? Eu não posso entregar, aí vai ficar ruim para o órgão. Mas montar cartel é outra conversa, montar cartel é muito sério, e isso eu não faço.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como é que V. Sª conheceu o Sr. Joel dos Santos?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Joel é amigo meu desde o Governo Itamar Franco, quando ele assumiu no lugar do Collor. Trabalhava na Secretaria ligada ao Ministério da Educação, e nós... Ele saiu logo da Secretaria, foi embora para Curitiba, e nós mantivemos uma amizade, que é uma amizade de bar também. Então, a amizade foi ficando, inclusive muito... Amizade mesmo, amizade de eu ir à casa dele, ele ir à minha casa, eu conhecer filhos e esposa dele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E o Jairo Martins?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, o Jairo Martins foi através de um contato, um amigo meu, pessoal, chamado Kasser Bittar, de Anápolis, que eu pedi para ele...

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu pedi para ele... É para eu parar?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu pedi para ele se ele conhecia alguém para fazer uma varredura nos meus telefones, porque eu estava preocupado com as denúncias anônimas que eu vinha recebendo. O Jairo foi através do Kasser Bittar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Poderia informar quem é esse Kasser Bittar?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – É um amigo meu, pessoal.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De Goiânia?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, de Anápolis.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Queria saber se é, eventualmente, parente de um amigo nosso.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não é, não. Eu acho.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Brincadeira.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Tomara que não!

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª apresentou à Polícia Federal os cheques com que efetuou o pagamento ao Jairo Martins?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu solicitei a cópia via microfilme e não sei se chegou ainda. Eu posso perguntar para o advogado se chegou?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pode.

(Pausa.)

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – É, foi feito o pedido, leva dez a quinze dias. E posso fornecer para a Comissão também quando chegar, sem problema nenhum.

Inclusive, fiz questão... Um cheque eu coloquei para a empresa de alarme – ele tem uma empresa de alarme, que, segundo ele, é do pai dele –, e o outro cheque eu não sei se foi em nome dele ou da empresa de alarme. Com certeza, mais próximo que os dois tenham sido em nome da empresa de alarme.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quando V. Sª fez referência ao Joel, na polícia, disse que “se tratava de uma pessoa inteligente e preparada”. O que, na verdade, V. Sª queria traduzir com isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Fazer uma gravação dessa, Deputado, é uma coisa difícil. Foi difícil para eu decidir fazer essa gravação. Foi difícil para eu pedir para alguém fazer essa gravação. É uma manobra, vamos dizer assim, radical. Nunca fiz uma gravação na minha vida. Nunca! Em 24 anos de Brasília, nunca fiz uma gravação dessa. Achei uma manobra radical. Também não vou fazer mais, não. (Risos.)

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª também fez referência que Antônio Osório seria “um homem honesto”. V. Sª mantém esse conceito?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Totalmente. Em relação ao Dr. Osório, eu estive com ele duas vezes: uma em audiência, outra no corredor. Uma pessoa sensacional. Duvido, duvido – isso é uma premonição minha, não é afirmativa testemunhal – duvido que o Dr. Osório soubesse metade – metade – das coisas que acontecem ali embaixo. Du-vi-do! Dr. Osório e outras pessoas mais.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa operação, na verdade, o senhor pagou a quem e o quê?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Paguei ao Joel e ao Jairo. O Jairo, pelo aluguel da maleta. Ele veio com a maleta, e disse: “Eu posso pôr nessa maleta aqui, posso pôr na sua, posso pôr onde você quiser”. Quando eu chego em algum órgão público, hoje, com uma pasta, o cara já olha para mim e diz: “Pelo amor de Deus, tire essa pasta daqui.” Entendeu? A coisa é muito séria. O desgaste foi muito sério para mim. Foi muito sério. Mil e quinhentos reais, por dia, o aluguel da maleta para o Jairo. Eu paguei para o Jairo, não sei se seis a oito, porque teve também o negócio da varredura. Eu pedi os cheques que eu dei e vou apresentá-los. Assim que chegar, eu os apresento. Para o Joel, o Joel, eu venho ajudando ele há muito tempo. Eu mandei para o Joel coisa de R$10 mil.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – De quem foi a idéia de efetuar o pagamento ao Maurício Marinho?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu contratei o serviço, e os meios foram estabelecidos pelo Joel. O que ele fez foi problema dele, não foi meu.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O senhor teve interlocução anterior ao fato relacionado ao pagamento?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Eu tive uma interlocução com o Jairo e o Joel no almoço, em que eu falei: “Jairo, nós estamos fazendo mais uma fita. Talvez consiga o resultado. Está mantido nosso acordo de não ‘publicizar’ essa fita?” O Jairo repetiu várias vezes: “Não tem problema; está do jeito que foi...”. Como não tinha acontecido nada com a outra fita, foi-se adiante.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Falo isso porque o Joel diz o seguinte: “Deseja retificar parcialmente seu depoimento de sorte a registrar que foi Arthur quem teve a idéia de dar R$3 mil a Maurício Marinho”.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu aceito uma acareação com o Joel.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª fez referência a uma fita que teria sido não muito qualificada e se desfez. O que V. Sª lembra do conteúdo dessa fita?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O objetivo meu era claro. Não. Dessa fita, não tinha quase nada. Nada, nada. Conversa. Conversa entre o Marinho e o Joel. Acho que havia uma menção ao Deputado Roberto Jefferson, que eu não lembro hoje, eu não saberia dizer, porque eu me desfiz dela rapidamente. Uma menção... A única coisa que...Não era uma fita que... O objetivo meu era outro. O meu objetivo foi muito claro. Como eu disse, uma manobra radical, uma manobra dura, que não farei mais. Mais...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Quantas gravações, de fato, aconteceram?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, não! Isso eu não sei, porque... Não, duas, duas fitas. É que, às vezes, o Joel não conseguia gravar. O equipamento é meio sofisticado, entendeu? Ele é sofisticado. Então, ele não conseguia gravar. Não conseguindo, tentava-se novamente. Por isso, foram colocados mais de R$1.500 ou R$3 mil para o Jairo, porque o Jairo... O problema era por dia, se conseguisse ou não conseguisse. E o meu erro... Se eu tivesse ficado com a fita para mim e editado, não teria tido esse escândalo todo. Como a fita ficou na mão do Jairo, porque só ele sabia editar, o escândalo ocorreu.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª também faz referência a que sabia... Antes, imagino que não tenha ouvido pelo menos alguma... Como é que V. Sª teve contato com o Molina?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Molina também eu conheci em Brasília, mais ou menos em 2001, 2002, na época da inauguração do Tribunal Arbitral. Também sou amigo pessoal do Molina, sempre fui. Algumas vezes ele resolveu um ou dois assuntos para mim, mas o nosso contato também não era tão, assim, constante, né? Mas, muita confiança no Molina. E o Molina, na ocasião eu avaliei que conhecia bem, tinha um trânsito bom com o Deputado Roberto Jefferson, o que, para mim, o que interessava? Mostrar para o Roberto Jefferson e para o Osório o que estava acontecendo ali embaixo. Sempre foi essa a minha intenção. O que é que o Marinho andava fazendo. Então...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nessas conversas que tinha com o Molina, ele exteriorizava essa afinidade que tinha com o Roberto Jefferson?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Disse que tinha um trânsito, não me disse especificamente como era a amizade dele, se via todos os dias, se tinha algum negócio, se não tinha negócio. Ele conhecia bem, tinha trânsito, podia chegar e ser recebido. Mas o que ele disse para mim é que ele podia chegar e ser recebido tranqüilamente.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A quem V. Sª atribui o vazamento à revista Veja?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isso aí é o Jairo Martins. Ele fez isso. Não podia. Eu quero ser claro. Essa é uma parte que me toca muito. Eu não tinha esse equipamento, só ele que tinha, só ele que sabia manipular. Ele disse, no depoimento dele, que o equipamento seria dado a ele como pagamento. Agora, você imagina, se eu não tenho equipamento, como é que vou dar um equipamento em pagamento? A contradição é evidente. Ele quis me puxar como se eu tivesse passado esse negócio. Para mim, é um péssimo negócio, tem acontecido tudo isso porque eu não sei nem como, daqui a uns dias, eu vou poder encarar, sei lá, os meus clientes, porque estou há 20 dias fora de casa, 20 dias, digo, fora da minha empresa. Estou só por conta de responder inquéritos, fazer depoimentos. Todo mundo fazendo, tipo assim, desculpem a expressão, gozação comigo, esse negócio de entrar com mala, né? Para mim, foi violenta a conseqüência comercial. Foi não, vai ser. Eu não sei nem quando eu vou recobrar. Não interessa para mim, como empresário que trabalha com o Governo, que trabalha com o público, como eu trabalho, vazamento de uma informação dessas. Seria um tiro em mim mesmo. Seria um suicídio comercial. Eu jamais faria uma coisa dessas. Jamais faria, e não fiz. Vazou porque o Jairo tem ligação com a imprensa mesmo, ele já tinha me falado em nome de... que falava que conhecia esse, que conhecia aquele, entendeu? Gente da Folha de S.Paulo. Conhecia gente não sei de onde. Então ele fez isso, e foi canalha, desculpe a expressão.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – É, na verdade ele informa que, nas conversas precedentes, V. Sª teria concordado com a informação à imprensa.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Posso responder?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Consta do depoimento dele?

O SR. ARTHUR WASCHEC NETO – Não. Ele pode falar o que ele quiser.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Pois não.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Para mim, é suicídio. Como eu vou viver a minha vida a partir de hoje, empresarialmente falando? Não sei. Não sei. Vai ser muito difícil. Não sei. Houve um abalo muito forte entre eu e meu sócio, com razão também. Não sei como eu vou enfrentar. Para enfrentar meu pai e minha mãe, foi ontem. Só consegui ontem, depois de vinte dias, porque foi duro. Escândalo nacional, pegou o Governo... Quer dizer, uma coisa muita séria. Agora, isso foi coisa do ex-araponga. Eu me defendo. Faço acareação do jeito que ele quiser.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª, pela presença, pelo trânsito que tinha na sede dos Correios, conclui que Maurício Marinho, de certo modo, dominava mais do que o Antônio Osório?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, isso eu posso dar uma impressão pessoal, uma opinião pessoal. Não existia uma audiência, pelo menos comigo – eu tive uma – em que não se chamasse o Marinho para resolver. Então, notei que havia uma força muito grande do Marinho na Diretoria.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O atraso de V. Sª na entrega de capas é relacionado a algum problema de...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Desculpe interromper o senhor. A capa para carteiro tem um problema grave chamado gotejamento. Você veste a capa, vem a chuva e entra água pelas costuras. Consegui uma máquina com solda a frio, e essa máquina vedava totalmente essa capa, com qualidade impressionante. Foi muito difícil achar essa máquina, havia poucas disponíveis no Brasil. Demorou um pouco, demorou bem mais. Estou acabando de entregar o último lote, acima do que estava pedido.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas, quando V. Sª participou da licitação, não estava habilitado a fornecer. Depois é que se habilitou com maquinário para poder atender?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sempre estou habilitado. Não está havendo uma sintonia entre o que o senhor acha que é habilitação e o que eu acho que é habilitação. Só entro numa licitação, só sou sagrado vencedor, se estiver habilitado, fui habilitado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Habilitado não é documentalmente, porque se aceita um documento técnico. Habilitado, para mim, é quem, efetivamente, ao ser contratado, tem condições de cumprir.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu tenho condições de cumprir, como tenho cumprido. Eu atrasei, isso é do percurso. O senhor quer dizer o seguinte: que só tem que participar de licitação quem é indústria?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Não. Pode ser um comerciante, mas que ele tenha condições de...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu tenho condições.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – ...de, na hora certa, ao tempo, cumprir o contrato.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Deputado...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Tudo bem.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Dê-me um aparte, o senhor não entendeu. Olhe os meus fornecimentos: 250 mil calções para o Exército, 105 mil pares de tênis, 45 mil botas camufladas, 105 mil pares de tênis para a Secretaria de Educação. Tenho muita condição, tenho capital, tenho uma empresa ajustadinha, tenho trabalho, tenho um sócio que trabalha muito bem comigo e tenho funcionários. Onde eu entro, tenho condições de entregar. Atraso ocorre com qualquer empresa, Deputado.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Qual é o capital da empresa?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Hoje, R$6 milhões, na última alteração. Não sou picareta igual o Marinho fala não.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A multa que está sendo exigida de V. Sª hoje está em torno de R$1 milhão?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, essa foi aquela do cofre.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas ela perdura.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Acho que não haverá mais jeito. Administrativamente, esgotei todas s fontes. Na Justiça, depois que o vendaval passar, se passar um dia, vou tentar, claro que vou tentar na Justiça. Aí, é uma questão judicial, não é mais administrativa.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V. Sª passou, pelo menos pelo que vi, por três instâncias.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Três.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – E as três...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – As três foram negadas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Teria alguma razão específica para ter apresentado o Molina ao Adauto?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, sempre conheci o Adauto. Conheço o Adauto e o Eduardo Medeiros há quinze anos. Um dia eu estava num lugar e apresentei. O delegado me perguntou muito sobre o Adauto. O Adauto foi o autor da multa e da perseguição contra mim. Deixei isso claro, para o delegado saber que não existe nada entre mim e o Adauto. Ele me perguntou, fui claro com ele. Fui perseguido pelo departamento quando o Adauto era chefe. Não sei se por força da denúncia que foi feita contra mim, mas fui multado pelo Adauto e toda aquela modificação nos cofres foi feita na época dele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Essa multa ainda não foi paga? O senhor pretende entrar na Justiça?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ela já foi glosada, ela é descontada na nota.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – O senhor já pagou toda essa multa?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Paguei R$1 milhão, tiraram R$1 milhão do meu capital.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – No período do Adauto?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – No período, em 2003. O Correio é cruel, ele multa na nota.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Como o Relator tem a possibilidade de, a qualquer tempo, prosseguir com questionamentos e, para não privar os companheiros que, com certeza, estão ávidos por formular os esclarecimentos que pretendem, dou este primeiro momento como encerrado, Sr. Presidente, agradecendo nosso depoente por ter respondido aos questionamentos que formulamos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Muito obrigado, Relator, Deputado Osmar Serraglio.

Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.

Eu gostaria de combinar com V. Exªs de procurarmos adotar aquela pequena regra, que tentamos adotar ao longo dos dois últimos dias, de tentar limitar os depoimentos a 10 minutos. Eu agradeceria muito o companheirismo e a compreensão de V. Exªs.

Senadora Ideli.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sr. Presidente, espero ser bem objetiva.

Nas declarações que fez, o Sr. Wascheck iniciou dizendo que ficou difícil trabalhar com o Correio e que, em 2003 e 2004, nos procedimentos onde ele entrou, até no que ele conseguiu entrar, os preços eram muito baixos.

A minha primeira pergunta é assim: essa modificação de procedimento é porque antes os preços eram mais altos, eram melhores? As facilidades... Antes, os caminhos que a sua empresa tinha no Correio eram facilitados?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E ficaram dificultados?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não. V. Exª fez duas perguntas? Se os preços eram mais altos? Eu não entendi a pergunta.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não, é porque o senhor declarou que, em 2003 e 2004, teve muita dificuldade, muita dificuldade; que os preços ficaram muito baixos e ficaram impossíveis de serem praticados.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Preços baixos por causa do pregão. O pregão...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Isso. Não tinha pregão antes?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Não, não. Era concorrência.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O pregão é deste Governo?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O pregão é recente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É recente.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O pregão, Senadora, desabou o preço das mercadorias.

O SR. (Orador Não Identificado) –  O pregão é de 2002. É do outro Governo.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – De 2002. Obrigado, Deputado. O pregão desabou o preço de mercadoria.

Agora, quanto a preço baixo ou preço alto, depende da concorrência em que se está. Normalmente, Senadora...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos limitar ao Senador ou Deputado inscrito, por favor.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Normalmente, a concorrência depende de quem está qualificado, de quem está presente, para saber se o preço vai ficar embaixo ou em cima. Bom, se não tem ninguém para concorrer, o cara vai deixar o preço alto. Se tem alguém concorrendo... Mas o pregão detonou os preços para baixo. Impressionante. Pode ter certeza disso. Foi o pregão.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E antes a facilidade era maior?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não é questão de facilidade.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A sua empresa não tinha problema antes?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Sempre teve problema.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Faturava bem?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Nós sempre faturamos bem em qualquer circunstância. Nós vamos até onde o nosso preço agüenta. Nós temos cálculo de custo, imposto, essas coisas. Quando dá prejuízo, nós estamos fora. Vamos até onde dá.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Há outra questão. O senhor tomou a iniciativa de fazer o grampo, a gravação, se é assim...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Acho que não é grampo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) –... a gravação, porque o senhor disse que o Marinho era o “quente”, o Marinho era “a chave”, que passava por ele tudo, que ele era o...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O “bam-bam-bam”.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O “bam-bam-bam”.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Na verdade, é o Departamento, Senadora; é o Decam. Não é... O Decam é a parte mais sensível dos Correios em nível de contratos. Tudo que diz respeito à execução de contratos, à multa de contrato, a atraso, à gestão de contrato é no Decam. Então, o titular do Decam é um homem muito poderoso dentro da estrutura e o Marinho, nos últimos anos, para mim, foi o mais poderoso de todos.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Porque, no depoimento do Sr. Marinho, ele disse que não, que tudo era dos outros departamentos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, o Marinho nunca foi culpado de nada mesmo, então, mais uma culpa ou menos uma culpa, para o Marinho, dá na mesma, porque ele nunca é culpado de nada. Sempre alguém era culpado... Se o pregão punha preço baixo, ele ia brigar com o pregoeiro, dizendo: “Como é que compra um negócio num preço desse?” Quer dizer, são situações que não tem como ajustar. Não falava coisa com coisa. O Marinho vivia brigando.

Se, por exemplo, uma concorrência ou uma licitação era cancelada, Senadora, sabe o que ele fazia? “A culpa é de a CPL não aceitou as condições”. É claro. A CPL só vai aceitar condições de licitação que estejam dentro da lei.

Acho que a grande barreira contra o Marinho dentro do Correio foi a CPL e o Departamento Jurídico, porque, se não tivesse a CPL e o Departamento Jurídico, Nossa Senhora!

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor colocou, também, que, quando foi perguntado sobre outros contratos e questões que ganhou no Governo, listou fundamentalmente uma série de exemplos, todos vinculados à Marinha. Na Marinha não houve nenhum problema? V. Sª citou vários casos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Na Marinha, eu forneci normalmente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Forneceu normalmente.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu forneci normalmente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Também em pregão?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Tudo pregão.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Sem nenhum tipo de problema?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Hoje em dia, até o Exército adotou uma modalidade de pregão presencial e eletrônico ao mesmo tempo. Ele é eletrônico, mas pode ser presencial.

Penso que o ideal, se eu puder dar uma opinião – desculpe-me, V. Exª nem perguntou –, seria o pregão presencial e eletrônico, igual a esse do Exército.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – V. Sª disse também: “O Sr. Molina resolveu um ou dois assuntos para mim”. Quais são esses assuntos que o Sr. Molina resolveu para o senhor.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – São mais de ordem pessoal e de amizade mesmo. Pedi dois favores e ele fez.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Quais favores?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Num deles, eu precisava fazer a apresentação, na Marinha, de um produto e ele me levou. Fiz a apresentação do produto. Nada mais do que isso. Noutra ocasião, pedi para ele interceder junto a um amigo meu que estava muito resistente em relação a um pedido pessoal que eu havia feito, e ele conversou com esse amigo. O problema foi resolvido, coisa bem íntima. Não foi negócio.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Num deles, havia negócio. Foi um procedimento que o senhor estava realizando na Marinha.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Foi uma demonstração de um produto.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nessa demonstração de produto, o senhor estava lá trabalhando?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Estava tentando trabalhar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Tentando trabalhar. Nesse produto, V. Sª foi bem sucedido?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não consegui.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Qual era o produto?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Esse produto é uma marmita térmica de campanha para dez rações. Fiz um senhor trabalho no Exército. A marmita antiga era muito ruim, e eu coloquei uma de aço inox que conserva comida em temperatura de 60 graus.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas o Sr. Molina era o seu canal na Marinha?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, nunca foi.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas V. Sª sabe que ele é oficial da reserva da Marinha?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sei, mas não preciso do Sr. Molina para vender na Marinha.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas V. Sª pediu a intermediação do Sr. Molina noutros casos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isso faz tanto tempo.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Isso pressupõe que pode ter havido outras situações em que V. Sª tenha recorrido ao Sr. Molina.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, eu não fiz. Na Marinha é muito seco, há um pregão presencial em que se vende ou não, se entrega ou não. Na Marinha é muito difícil de entregar. Não falei nada disso.

Vamos voltar, porque parece que não expliquei.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor falou que foi muito bem-sucedido na Marinha e que o Sr. Molina lhe prestou alguns fatores. Um desses fatores que o senhor citou é exatamente algo que tinha a ver com questões que o senhor estava pleiteando. Há a vinculação de o Sr. Molina ser oficial da reserva da Marinha.

Estou apenas tentando estabelecer até que ponto as facilidades que o senhor tem na sua relação com o Sr. Molina o podem ter ajudado a ser mais bem–sucedido na Marinha do que foi nos Correios. É apenas isso.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Para começar, vou responder. Posso responder?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pode.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Para começar, o produto que eu tentei colocar na Marinha não foi colocado. Então, não houve sucesso.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É o que o senhor está dizendo. Teremos agora que levantar tudo o que o senhor forneceu ou não para a Marinha, porque já passamos a ter esse ingrediente. Vamos ver se esses canais na Marinha não foram devidamente acertados também via Sr. Molina. O senhor trouxe esse ingrediente para cá. O senhor está declarando, afirmando, mas podemos fazer a investigação por essa linha.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Estou respondendo a uma pergunta de V. Exª. Proponho a trazer-lhe todos os meus contratos da Marinha. Pode ser?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Entendo que podemos até requerer, Sr. Presidente.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ótimo, com o maior prazer.

Posso voltar a responder?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pois não.

(Intervenção fora do microfone)

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Estou desrespeitando a senhora?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não, de jeito nenhum. Estou sendo contundente e o senhor está me respondendo à altura.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não quero desrespeitar...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A partir do momento em que me sentir agredida, eu registrarei.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não quero agredi-la em hipótese alguma. Estou apenas respondendo a uma pergunta.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – É apenas o meu jeito de ser.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Propus-me a trazer os contratos da empresa com a Marinha.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Posso continuar, então, Sr. Presidente? Ainda tenho algumas questões, se V. Exª me permite.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Concedo-lhe um minuto, minha querida Senadora Ideli Salvatti, para concluir.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Na questão da gravação, foram duas fitas. Em relação a uma delas, o senhor diz que a cópia que possuía foi jogada fora. O senhor diz também que não tem nada de relevante, mas o senhor não sabe o que é que aconteceu com a original. Essa original pode continuar existindo e sendo utilizada.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Tenho alguma notícia para falar para a senhora. Posso falar?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Pode. Pois não.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Parece que ela também foi entregue a uma revista, não sei dizer se é a Veja.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor não sabe qual.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – No caso, não sei, porque ouvi um comentário de que teria sido já também entregue. Então ele fez isso desde a primeira fita, né?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A segunda foi feita a gravação pelo Jairo, o senhor teve... O encaminhamento dessa fita... Vou aqui colocar que o senhor, dado o teor da fita, encaminhou essa cópia de novo ao Molina.

O SR. ARTHUR  WASCHECK NETO – A segunda fita?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Em primeiro lugar, por que o senhor...? Aliás, na sua fala, um amigo comum entre o senhor e o Roberto Jefferson. Por que o senhor encaminhou essa fita ao Molina? O que o senhor pretendia com isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, com certeza. Eu avaliei que, para atingir meu objetivo, que era denunciar o Marinho, duas pessoas deveriam saber corretamente dessa história: o Deputado Roberto Jefferson, pelas menções que foram feitas na fita, e o Diretor Antônio Osório, que foi o que foi feito.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Agora, no seu depoimento, o senhor coloca “que se encontrou com o Molina em frente ao Senado Federal quando esse lhe disse que Roberto Jefferson determinou que a fita fosse entregue a Antônio Osório”.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sim, determinou.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O Roberto Jefferson lhe deu a ordem? Foi ele que determinou?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, senhora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – O senhor seguiu a determinação do Deputado Roberto Jefferson?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Espera aí. Não foi...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – A sua ação estava voltada para os interesses do Deputado Roberto Jefferson?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – De forma nenhuma.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Ele é que o guiava?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO– De forma nenhuma. No meu depoimento, se a senhora ler, a senhora vai enxergar o seguinte: eu recebi do Molina a notícia de que deveria entregar essa fita ao Dr. Antônio Osório. Eu não tenho contato com o Deputado Roberto Jefferson.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não, mas a sua declaração aqui está muito nítida, inclusive me chamou a atenção, porque diz assim: “Que Roberto... Quando esse lhe disse... Foi o Molina que disse, né? Quando esse lhe disse...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Esse quem?

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Que o Roberto Jefferson determinou que a fita fosse entregue a Antônio Osório.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Determinou ao Molina. O Molina me repassou que eu deveria entregar a fita ao Dr. Antônio Osório.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Então o Roberto Jefferson determinou ao senhor?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ao Molina.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não, ele estava reproduzindo ao senhor a determinação.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não, não, não, não, não. Ao Molina. Ao Molina, Senadora.

A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC) – A sua empresa tem fornecimento ou tem atuação ligada a material de informática?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Nunca.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Nunca?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Posso mandar também todos os meus contratos...

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não tem nada a ver com isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não que eu não queira. Gostaria muito, mas não tenho. Não tenho chance.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – E o Joel, que é um profundo conhecedor de informática, o senhor ...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não é. Não acredito que seja.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Mas o senhor teria pensado...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Quem falou isso?

A SRª IDELI SALVATTI (Bloco/PT – SC) – Nos seus depoimentos... O senhor o procurou porque ele é que poderia trabalhar com...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, informática não.

Desculpe, Senadora. Não falei nada disso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral.PT –  MS) – Senadora Ideli Salvatti, só para concluir, por favor, para que a gente...

A SRª ª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Não, estou devolvendo a palavra, porque eu teria outras perguntas, mas seria um encadeamento longo que eu deixo para...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu gostaria de responder, Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT – SC) – Eu posso até me reinscrever.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Aí a Senadora Ideli Salvatti se reinscreve.

Deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, dez minutos, por favor, para que a gente tenha rapidez hoje, que é muito importante, em função de uma quinta-feira.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Com a mesma tolerância dos três concedidos à Senadora Ideli Salvatti, para completar os treze do PT.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Dois minutos e meio.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Sr. Arthur Wascheck, o senhor afirmou no depoimento à Polícia Federal que possui três contratos com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos: um do ano de 2002, referente aos cofres; um outro contrato de fornecimento de capas de chuva para carteiro, em execução, e que o senhor está em atraso; e um terceiro contrato de fornecimento de jaqueta para carteiro. Muito bem. Foi veiculada uma matéria no Correio Braziliense no dia 12 de junho, que dá conta de que a Comam teria vencido duas licitações para o fornecimento de módulos de caixas postais comunitárias: uma no valor de dois milhões e outra, de 700 mil e também para fornecer carrinhos de transporte à estatal no valor de R$106 mil.

Indago do senhor: é verdadeira a informação veiculada na imprensa?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não. Em parte, sim; em parte, não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Qual é a parte que é?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Deputado, pode voltar na pergunta? Em parte, fica melhor pra eu responder.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª afirmou...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sim, eu ganhei três contratos.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ...à Polícia Federal que só tinha três contratos com a Empresa de Correios e Telégragos...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sim, sim, sim. Três contratos. Um deles, cofre.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Não. Um cofre, uma jaqueta de carteiro e outro, capa de chuva.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – A caixa postal comunitária eu não ganhei; foi outra empresa.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor não ganhou?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não ganhei.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, a matéria publicada no Correio Braziliense é inverídica?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Totalmente.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Que dá conta de uma concorrência para caixas postais comunitárias e outra, para fornecer carrinhos de transporte à estatal.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Essa concorrência do carrinho de transporte eu ganhei, mas o preço ficou muito ruim. A proposta venceu, eu não renovei a proposta de preço.

Eu ganhei, mas não levei, vamos dizer. Não assinei contrato.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª abriu mão?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, não tinha como, um preço muito baixo!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem. V. Sª também afirma com muita veemência que não possui nenhum tipo de prestação de serviços na área de informática. No entanto, eu estou aqui com uma matéria que foi publicada na Folha Brasil e extraí do portal UOL, cujo título é “Escândalo do mensalão”. Nesta matéria há uma informação que desde o Governo Collor a Vetor Comercial e a Comam fornecem  materiais de informática e produtos médicos ao Governo. É verdade ou não?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Para começar, é tanta mentira... Um dos fatores que eu chamo a atenção é que a imprensa veicula matérias desse jeito. A Coman tem cinco anos, o Governo Collor acabou há muito mais tempo. A Vetor nunca vendeu, Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, um centavo para governo, que não é objetivo dela, tá? Então, não vendi medicamento nunca, nem com Coman nem com Vetor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então, V. Sª nada tem a ver com nenhuma prestação de serviço na área de informática?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu não tenho, não é que eu não queira, eu não consigo...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Aí pergunto a V. Sª... V. Sª afirmou hoje aqui que uma das empresas em que V. Sª tem participação está hoje prestando serviços à Infraero...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, não, não...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ... com relações obviamente na área de informática. Eu queria que V. Sª esclarecesse.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não... com certeza. O nome da empresa é Agenda Brasília. Ela tem seis módulos de informática no aeroporto.  O cliente chega...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Como funcionam esses módulos?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, ele consulta, ele entra na Internet.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então V. Sª  há de concordar que tem empresas que trabalham com serviço de informática.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas, não é para governo. Mas não é para governo.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Oh, e a Infraero é o quê? A Infraero é uma empresa privada?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não é Infraero, não; é para o público em geral, Deputado.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sim, mas V. Sª deve ter participado de um processo de concorrência pública para poder colocar esses módulos no aeroporto.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não foi isso, não. Eu posso explicar direitinho.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Ou então V. Sª tem amizade na Infraero.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não tenho amizade na Infraero, não é isso.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Como é que aconteceu isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu comprei essa empresa, ela já existia. Eu comprei de um grupo lá de Recife.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Waskcek, o senhor pode ter comprado, mas hoje ela é do senhor, de propriedade do senhor. E ela presta serviço na área de informática.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não é para a Infraero; é para o público.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –  E o aeroporto é administrado por quem, seu ?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Bom, mas...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Quem autorizou o senhor a prestar esse serviço?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Quem autorizou?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sim.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isso vem no contrato. Eu comprei essa empresa...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –  Não. O senhor é proprietário de uma empresa que hoje está localizada no aeroporto de Brasília, portanto administrada pela Infraero, uma empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa. V. Sª é o proprietário, portanto, dessa personalidade jurídica que hoje está instalada no aeroporto de Brasília.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, eu sou proprietário da Agenda Turismo, cujo objetivo do contrato social é fornecer pontos de Internet para o público em geral. Não tem nada a ver com licitação de Infraero. Estou dizendo ao senhor.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –  Não tem a ver, mas V. Sª obviamente precisa da autorização dessa empresa pública para lá estar instalado.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu comprei essa empresa já em funcionamento. Eu não participei de licitação para adquiri-la. Eu comprei já em funcionamento. Tenho concessão para oito anos, inclusive estou vendendo, porque ela é péssima, dá péssimo resultado.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –   Muito bem.

V. Sª falou em premonição.

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Atenção, pessoal.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –  Eu peço que seja descontado meu tempo, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Atenção, pessoal. Silêncio, por favor!

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª afirmou, no depoimento à Polícia Federal, que o objetivo da gravação era o de flagrar o funcionário, Sr. Maurício Marinho, e entregar a prova para o seu chefe, que era, obviamente, o Dr. Antonio Osório. Mas em outro momento o senhor alega que tem “Antonio Osório como uma pessoa extremamente honesta e de poucas posses”. Não posso admitir que alguém estabeleça esse tipo de comentário se não conhece a pessoa.

Então, eu teria duas perguntas a fazer a V. Sª. Primeiro, já que V. Sª tem esse conceito do Dr. Antonio Osório, por que V. Sª teve de gravar uma fita, não foi diretamente a ele para denunciar, eventualmente, as incorreções cometidas pelo Sr. Maurício Marinho?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Posso responder?

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Por favor.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Em primeiro lugar, o julgamento meu sobre o Antonio Osório é uma coisa pessoal, Deputado. Se alguém não concordar... Cada um pode emitir o pensamento sobre uma pessoa. A simplicidade, o tratamento do Osório, essas coisas...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – V. Sª o conhecia bem.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Bem, não. Eu tratei com ele duas vezes sobre assuntos da empresa...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Com duas vezes, apenas, dá para V. Sª ter exatamente esse conceito de uma pessoa extremamente honesta e de poucas posses? Ou seja, V. Sª conhece a propriedade do Sr. Antonio Osório, sabe exatamente quais são as suas posses. Foi V. Sª que disse.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não tem problema. Não vou ficar acanhado por essa pergunta. O senhor quer dizer que eu conheço profundamente o Deputado Antonio Osório. Eu digo para o senhor que não conheço. A análise que eu fiz, substancial, foi essa, que ele é uma pessoa muito honesta, e de poucas posses. E digo mais, em relação ao problema do Marinho, o Osório só acreditaria, pelo que avaliei comigo, uma questão minha, pessoal, só acreditaria vendo. Porque é muito difícil acreditar em certas coisas.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem. V. Sª acabou de chamar o Dr. Antonio Osório de deputado. De fato ele foi deputado. Mas eu queria fazer uma pergunta a V. Sª. Um pombo correio me trouxe uma informação que eu queria que V. Sª confirmasse ou não. A informação é a seguinte: V. Sª deu dinheiro para a campanha do Dr. Antonio Osório em 2002, quando ele foi candidato a deputado estadual. É verdade ou não?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não confirmo. De forma alguma. É mentira.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se o Dr. Antonio Osório, quando aqui estiver e lhe for feita a mesma pergunta, disser que sim, como é que fica V. Sª?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu vou falar com ele que não.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Muito bem. Então V. Sª estaria disposto a fazer obviamente um confrontamento público para confirmar essa informação?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Agradeço a V. Sª.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Obrigado.

 O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu perguntaria também: o senhor afirmou...

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Sr. Presidente, quero a minha tolerância.

Tenho mais duas perguntas apenas.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT – MS) – Para a conclusão, Deputado.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – O senhor afirmou que à época dos contratos firmados, portanto, em 2002, o Chefe do Departamento de Contratação dos Correios era o Sr. Adauto Machado. Primeiro o senhor afirma que não possui qualquer relacionamento pessoal com o Sr. Adauto. No entanto, o senhor também afirma que apresentou o Sr. Adauto ao Sr. Molina, que diz ser seu amigo. E que depois o senhor se distanciou do Sr. Adauto. Então, o senhor primeiro disse que não tinha relação pessoal, depois disse que apresentou o Dr. Adauto ao Sr. Molina, depois disse que se distanciou do Sr. Adauto.

O que pergunto a V. Sª? Como é que o senhor se distanciou de alguém com quem não tinha contato pessoal.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu posso elucidar. Eu falei que me distanciei, porque há dois anos, desde que o Adauto saiu do Decam, eu não tenho mais contato com ele, porque ele foi servir na área de informática.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Por que o senhor apresentou o Sr. Adauto ao Dr. Molina?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu conhecia bem o Adauto. Apresentei como amigo. Não houve, nessa ocasião... Vamos dizer assim: se o Molina teve algum negócio nos Correios na gestão Adauto, foi por conta de Molina, não com as minhas empresas. Com certeza, não. Eu quero dizer o seguinte: o distanciamento a que me refiro... Afirmo que conheço o Adauto há mais de 15 anos. Me afastei do Adauto em função de trabalho mesmo, porque eu não tendo trabalho em área de informática, eu não tenho por que conversar com o Adauto. Está certo? Não tenho que ir lá fazer alguma consulta ou pedir alguma informação.

Eu apresentei o Molina por apresentar, socialmente, como sempre faço com as pessoas. Não vi... Se o Molina...

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então V. Sª tinha relação pessoal com o Dr. Adauto, que diz não ter no depoimento que prestou à Polícia Federal.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Gente, eu disse que conheço o Adauto há 15 anos.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Então V. Sª tem de se cingir ao depoimento que prestou à Polícia Federal.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Posso corrigir. Agradeço, Deputado, por ter me chamado essa atenção. Vou fazer com maior...

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) –  Sr. Presidente, já estou encerrando. Tenho apenas mais uma pergunta, que é importante. V. Sª. afirmou que presenciou adulteração de regras e uma intensa quebra de isonomia no tratamento com as empresas. Eu queria perguntar a V. Sª se isso era apenas uma prática do Decam... Porque V. Sª. disse que o Dr. Marinho interagia com outros órgãos para pressionar, para induzir, para estabelecer algum tipo de contato com outras diretorias e com outras áreas, e diz que há regras adulteradas e quebra de isonomia. A primeira pergunta que faço – são duas perguntas dentro de uma só, para encerrar, Sr. Presidente: V. Sª tem conhecimento se essas adulterações de regra e se essa quebra de isonomia alcançava também outras áreas do Correio? Segunda pergunta que faço: V. Sª conhece ou tem relação pessoal com algum agente político – e pode incluir aí Parlamentar, membro partidário, enfim – do Partido dos Trabalhadores? Terceira pergunta: V. Sª alguma vez já foi apresentado ao Dr. Sílvio Pereira, Secretário do Partido dos Trabalhadores?

Encerro assim, Sr. Presidente.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas eu... olha, é muito difícil responder. O Deputado faz uma pergunta muito longa. Desculpe, Deputado, é pertinente para caramba, mas eu não me referi...

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Eu quero que V. Sª respeite a minha pergunta. Ela pode ser longa, pode ser curta. V. Sª tem que responder.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não estou desrespeitando. Só estou querendo responder da melhor maneira possível. Para começar, eu não disse que o Marinho interagia com outros órgãos. Eu disse: o laboratório do Correio, que é órgão do Decan. Está certo? O laboratório, não quer dizer que seja de outra diretoria. Eu não falei isso. Não sei se respondi essa parte da sua pergunta.

Dois: não conheço Sílvio Pereira em hipótese alguma. Só pelo jornal, revista.

A outra pergunta. Que mais?

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Se V. Sª tem alguma relação com algum agente político, algum membro partidário, alguém que tenha algum tipo de influência política que seja filiado ao Partido dos Trabalhadores?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não conheço ninguém do Partido dos Trabalhadores. Para mim, não interessa ter ligação partidária com ninguém, com nenhum partido. Sou um empresário. Se mudar o Governo, eu tenho que me adaptar. Infelizmente, não posso essa ligação. Para mim não tem... eu forneço material muito específico, não tem muito sentido.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – Está bom.

Sr. Presidente, agradeço. Só queria, para que a verdade fique muito clara, pinçar aqui do depoimento do Dr. Washeck. Dizia o seguinte: “Afirmou ele que o Sr. Marinho tentava, de todas as formas, pressionar outros setores da ECT para que aceitasse os produtos fornecidos fora das especificações.” Palavras de V. Sª, e não minhas...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Só existe um setor.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL – BA) – ...ao depoimento da Polícia Federal. “Outros setores da ECT.”

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Só existe um setor, Deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, só existe um setor que pode dizer “sim” se o produto é bom ou se o produto não é bom: é o laboratório de análise físico-química.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Bom, mas aí... me perdoe. Posso corrigir também no meu depoimento.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Tem a palavra, por dez minutos, o Deputado Eduardo Paes.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Arthur Wascheck, vou tentar ser breve.

Acho que os depoentes todos que têm vindo, Sr. Presidente, o mais fantástico da presença deles aqui até este momento tem sido como eles têm se sentido confortáveis aqui.

O Dr. Marinho, na noite de anteontem, estava absolutamente tranqüilo. É curioso como eles revelam as suas verdadeiras personalidades. Portanto, acho que o Sr. Wascheck também já está muito tranqüilo, imaginando que isso aqui é uma sessão em que não estejamos tratando de algo muito sério. V. Sª pode ter sido a origem dessa questão, mas não ficou, pelo menos para mim e, me parece também, para a Senadora Ideli Salvatti e para o Deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, a impressão muito clara de que V. Sª não sabia o que estava fazendo, ou que estava agindo de forma tão inocente assim, como V. Sª deixa transparecer. Aliás, quero dizer que estamos tendo um curso de licitações. Isso é importante, porque estamos lidando com figuras que conhecem profundamente – um, dentro da máquina pública, o Sr. Maurício Marinho, e outro cidadão, fora da máquina pública –, conhecem profundamente o processo licitatório, como funcionam os esquemas, como as coisas acontecem e como deixam de acontecer. É impressionante o curso de licitações que a população brasileira está tendo oportunidade de acompanhar pela televisão e nós, aqui, nesta reunião.

Tenho uma curiosidade. O senhor contrata o cidadão para ir lá, pegar o Maurício Marinho, contando – como o senhor mesmo disse, ele é um sujeito que falava demais, falastrão –, o senhor contrata um cidadão para ir lá gravar o Sr. Maurício Marinho se entregando, mostrando todo o seu lado corrupto. Mas o senhor disse aqui, principalmente nas respostas ao Deputado-Relator, Deputado Osmar Serraglio, que a sua área específica era a de botas, botas camufladas, coturnos, sungas, tênis, botinhas, enfim. E é curioso, não sei se o senhor teve, depois, o trabalho de ver a fita que o senhor mandou gravar: 70% do tempo, ilustre Presidente, aqueles que indagavam ao Sr. Maurício Marinho, para ver se pegavam alguma coisa dele, tratavam de uma licitação de informática. Em 70% do tempo.

Ora, se eu quero contratar alguém para pegar no “flagra” um outro alguém, eu vou pedir e instruir aquelas pessoas que tratem da área que conheço profundamente, que não é área de informática. Aliás, V. Sª reiterou a sua afirmação, aqui, ao responder ao Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto que V. Sª não entendia, não se mete nessa área de informática, tem só um site, uns quiosques da Infraero. Mas eu queria entender por que nessa discussão, e o senhor deve ter visto a fita, em 70% do tempo, não tratamos de sunguinhas, de botas e de coturnos ao invés de ficar tratando de informática.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Em primeiro lugar, Deputado, eu estou levando...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - O senhor instruiu essas pessoas para irem lá gravar.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, eu queria te responder. Eu estou levando muito a sério, muito mais do que o senhor imagina. Não queira saber a dificuldade que é estar numa situação dessas.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - Eu imagino, eu imagino. Eu imagino.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Por favor, não desconsidere isso.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Eu imagino.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Estou levando muito a sério. Acho que aqui as pessoas são muito sérias, acho que eu também sou. Os meios...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Agora, só para que a gente possa avançar, eu tenho um limite de tempo, senão os meus colegas Parlamentares vão... a resposta, ali foi uma afirmação, é uma impressão que tenho. V. Sª diz que não, ótimo. Fico satisfeito, espero que V. Sª se comporte assim.

Mas a pergunta que faço é esta: V. Sª instruiu as pessoas que iam fazer as gravações e em 70% do tempo eles tratam de uma área que o senhor não conhece muito. O senhor entende de bota, de coturno e de sunga.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E por que essas pessoas foram tratar de um contrato de informática, da área de informática?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - É bem simples. Primeiro lugar, não tenho contrato na área de informática, já disse, estou reiterando. Eu instruí assim: como a pessoa era... a minha instrução foi sobre a pessoa, o que a pessoa falava; que essa pessoa tinha na mão todos os contratos do Correio. Assuntos desenvolvidos lá, o tema abordado foi por conta do Sr. Joel. Informática ele usou por conta dele. Eu instruí sobre a pessoa do Marinho, quer dizer, como é que funciona o Decam e sobre o Decam. O Decam é o Departamento de Contratação do Correio e o Sr. Marinho tem essas características que eu já captei. Ele fala...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O Sr. Joel estava só a seus serviços lá?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Estava só.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - Só a seus serviços?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Meus serviços.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - Deixe-me lhe perguntar uma coisa: o senhor tem, aí no depoimento da Polícia Federal, aliás o senhor reitera essa afirmação aqui, o senhor é um especialista em licitações, uma empresa de licitações no Governo. V. Sª demonstra. Até aí, nada de mais, mas uma pessoa que tem uma empresa voltada para órgãos públicos, o senhor nunca tinha encontrado, nesses anos todos de empresa, um outro Marinho na sua vida ou foi o primeiro Marinho que encontrou?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Igual a esse nunca vi, não, viu.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - Mas parecido?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sempre tem, não é Deputado? É difícil.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - Sempre tem? Como é que o senhor lidou sempre com essas pessoas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sabe, eu tenho todas as maneiras de lidar com as pessoas. Eu acho o seguinte: para a gente ter o sucesso, o sucesso que tive com a minha empresa... uma empresa que começou do nada, entendeu? Do nada, vendíamos, na ocasião, há 20 anos, beliche, um armário, nós não tínhamos essa... hoje, nós temos essa condição que temos. Eu soube trilhar os caminhos. Esses caminhos são muito complexos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - Como é que são esses caminhos complexos?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Você tem que se adaptar.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - O que é se adaptar? Eu queria até lhe fazer essa pergunta, porque o senhor disse aqui, ao responder ao Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, ao final de uma das respostas, assim: “Muda governo e a gente se adapta”. Como é que é essa história? O que é se adaptar? Que complexidade é essa? É uma prática?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu quis dizer isso, eu quis dizer...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) - É uma prática do senhor?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não posso ficar apostando num Governo de um Partido, sendo que vai ter uma eleição daqui a quatro anos, vai ter uma eleição no ano que vem. Então, eu quis dizer que sou apartidário, só isso que quis dizer para o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito, mas o que é complexidade e essa adaptação que o senhor faz das regras, a vida como ela é?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Olha, as regras mudam sempre. Por exemplo, a Lei nº 8.666 modificou a Lei nº 2.300, a lei do pregão veio e modificou a Lei nº 8.666. Eu me adapto às regras que são colocadas à minha frente. Sou uma pessoa especializada em licitação, tenho um relacionamento bom, mas faço as coisas dentro da lei. Acho que respondi a sua pergunta.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor afirmou, em determinado momento, que não pôde, teve que chamar o Sr. Jairo, porque só ele saberia editar a fita. O Jairo editou essa fita? O senhor pegava a gravação, e ele editava, como é essa história?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Deputado Eduardo Paes, se tem uma coisa da qual me arrependo – quero fazer uma confissão – foi ter entregue isso aí para o Jairo. Se eu tivesse editado essa fita, o escândalo não aconteceria. Eu não conheço, não sei manobrar esse tipo de equipamento, para mim é desconhecido. Às vezes, o Jairo tentou, uma ou duas vezes, fazer essa editoração e não conseguiu. Então, não é uma coisa tão simples assim. Isso que queria que ficasse claro para o senhor.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor afirmou, respondendo à Senadora Ideli Salvatti, que é muito difícil. O senhor não tem contrato de informática. E, quando disse que não tinha contrato de informática, o senhor disse que é muito difícil entrar na área. Por que é difícil?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Porque não tenho a empresa, nem representar...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas o senhor tem.

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Não. Não é minha. Acho que o Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto bateu numa tecla... Olha, eu tenho seis pontinhos de informática, e o sujeito chega lá e diz: quanto custa? R$ 15,00.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Por que é difícil entrar na área de informática? O senhor conhece bem a estrutura dos Correios?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Conheço.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Conhece bem, está claro para todos nós que o senhor conhece bem a estrutura dos Correios? Por que é difícil  entrar na área de informática dos Correios?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Basicamente…

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Seja franco.

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Estou sendo franco, estou olhando no seu olho. Não tenho uma empresa que represente, que eu represente, que faça face a essas grandes do mercado. Está entendendo? Eu não tenho o que oferecer em informática. Se eu for entrar numa concorrência de micro, vou levar uma surra, porque não conheço ninguém.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não conhece ninguém?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Não conheço nenhuma empresa.  Hoje os preços são muito baixos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor tem uma empresa virtual, pelo que me parece.

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Não, vamos esclarecer esse negócio dessa empresa, pelo amor de Deus. Quero pedir até pelo amor de Deus, que é uma empresinha que tem seis quiosques de informática que servem...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Não, não, não...

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – ...é particular. Pelo amor de Deus, gente, aí é demais! Desculpe-me, mas não vou...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas o questionamento que lhe faço é por que o senhor... O senhor é um homem de negócio, que aproveita a oportunidade: qual é a dificuldade de entrar na área de informática?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Eu não conheço quem vai... quem... Essas empresas que estão competindo hoje no mercado têm preços abusivamente baixos, entendeu? Eu não tenho como.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor disse que conhece o Sr. Molina há mais de 20 anos.

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Conheço. Não, 20 anos, não. Eu conheci o Molina – desculpe-me –, quando foi inaugurado o Tribunal Arbitral de Brasília, que foi no ano de 2001 ou 2002, não sei. Falei isso no meu depoimento e estou repetindo para o senhor.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Em diversos momentos aqui, o senhor estabeleceu essa relação de proximidade com o Sr. Molina nesses dois, três anos.

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Não, não. O Molina, desde que conheci o Molina ele sempre foi muito amigo meu; eu gosto muito da pessoa.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sempre, sempre, desde quando, desde dois anos?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – De 2001, 2002.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sempre é desde que eu nasci ou desde que sou jovem.

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Espere aí, reitero: conheci o Molina no Tribunal Arbitral de Brasília.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E ficaram amigos de cara? Quer dizer, a sua relação, por exemplo, com o Diretor Antônio Osório foi parecida com o Sr. Molina?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Não, de jeito nenhum.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor conheceu, viu e sempre foi muito amigo?

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Não, de jeito nenhum. O senhor quer saber bem a verdade desse negócio? Eu tive uma audiência com o Dr. Osório, nunca falei pelo celular com ele, não tenho intimidade...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – São cuidados que devem ser tomados.

O SR. ARTHUR WASCHEK NETO – Não, cuidados, não. Eu não falava. Não  falei por telefone com ele, só marcava audiência. Eu, às vezes, simpatizo com as pessoas, não posso? Sou uma pessoa que tem essa capacidade de fazer amigos. Sempre fiz, foi uma das razões do sucesso que tive, foram muitos amigos. Quer dizer, acho que amigo ajuda, quando precisa. O Molina é um cara que está fora da Marinha, não tem, é um consultor particular, é um cara que não tem ligação nenhuma com nada. Só pedi isso em relação ao Deputado, porque ele tinha um trânsito. Para mim, parou aí.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – No seu depoimento – já concluo, Sr. Presidente –, o senhor disse que a tal da maleta custava R$50 mil. Confesso a V. Sª que eu, como boa parte da Nação, tenho uma enorme curiosidade de saber a origem dessa maleta.

O Sr. Jairo, o senhor também presta, no seu depoimento, algumas informações, apesar de não conhecê-lo bem. O senhor diz que ele não era exatamente uma pessoa... Aliás, o senhor faz até a afirmação, em relação ao Sr. Joel, de que ele é uma pessoa confusa...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. De vida pessoal confusa. Ele se separou da esposa, está sem emprego. Foi isso.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Perfeito. Como essas pessoas conseguem recursos, para comprar uma maleta que custa R$50 mil? O senhor tem idéia?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Se a maleta custa R$50 mil...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – O senhor é que disse em seu depoimento à Polícia Federal. Não sou eu quem está dizendo.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Quem me disse isso foi... Estou usando o que o Jairo me pediu, Deputado.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ele lhe pediu?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ou eu pagava R$50 mil ou eu alugava. Essa era uma questão minha, de definir. Como nunca fiz uma fita na vida, ia fazer só uma, aluguei aquela maleta.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Quem é esse técnico de informática que o Jairo trouxe para dar maior credibilidade?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Esse entrou de gaiato, coitado. Esse é amigo do Joel.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas quem é esse cidadão que entrou de gaiato?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – É o João Carlos, amigo do Joel. Não é meu amigo. Eu vi o João Carlos, uma vez, num restaurante, e, uma vez, na porta do hotel, com o Joel.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Mas o que ele fez?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ele foi ajudar o Joel.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A editar a fita?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, ele foi ajudar o Joel a conversar com o Marinho.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – E o Cássio Ebitar quem é que...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Cássio Ebitar é um amigo meu, de mais ou menos...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Dois anos?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, mais.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Esse é desde sempre?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu conheci o Cássio Ebitar quando ele inaugurou um restaurante. Se eu soubesse quando foi inaugurado aquele restaurante, deve ter uns cinco anos já... São mais ou menos cinco anos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Ele é o amigo do Jairo?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ele é que me trouxe o Jairo, com certeza.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Sr. Presidente, eu me considero satisfeito e depois gostaria de me inscrever. Eu acho que esta audiência está sendo importante também por um motivo: mostra a necessidade de esta CPI efetivamente avançar também em outras áreas. A própria Senadora Ideli Salvatti já requisita contratos com a Marinha. Portanto, não há dúvida de que a CPI dos Correios...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Esse contrato com a Marinha...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – Dê-me licença, que não estou fazendo nenhum tipo de questionamento.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Desculpe-me.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB – RJ) – A Senadora Ideli Salvatti mostra a necessidade de avançarmos em outras empresas e em outros órgãos governamentais, não só os Correios, porque infelizmente me parece uma teia muito mais ampla do que a diretoria do Sr. Maurício Marinho.

Era isso, Sr Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com a palavra, o Senador Alvaro Dias.

Senador Alvaro dias, dez minutos, por favor.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) - Pois não, Sr Presidente. Vou cumpri-los rigorosamente.

Sr. Presidente, Srªs e Srs Senadores, ainda não estou satisfeito com os esclarecimentos referentes a uma suposta participação da Abin nas gravações. Eu gostaria de esclarecer melhor.

O senhor tem informações, e todos nós temos, sobre a participação da Abin nessas gravações. O senhor confirma que houve participação da Abin?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Senador, jamais. Como vou confirmar? Eu não conheço a Abin, não sei como ela trabalha. Fiquei sabendo que esse rapaz pertenceu à Abin, não sei, parece que nove anos, salvo engano.

Eu não contratei a Abin para fazer trabalho nenhum. Nunca entrei na Abin, não sei como funciona.

Gostaria... Estou sendo muito sincero com o senhor e corro longe disso.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Agora, o senhor tem informações de que a Abin estaria a serviço do Governo, realizando gravações em função da suposição de fraudes em licitações nos Correios, já que denúncias ocorriam anteriormente? A Abin estaria fazendo um trabalho já há seis meses, como se noticiou?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, o que sei da Abin é nada, sinceramente. Eu nunca soube que a Abin estivesse fazendo algum trabalho nos Correios.

Eu nunca entrei... Como disse para o senhor – não estou fugindo do questionamento que o senhor está me fazendo, de forma alguma...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Por que, então, o senhor procurou o Sr. Molina, se já tinha o Sr. Jairo Martins como extremamente competente na área de gravações, como araponga competente.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, é diferente. Não tem nada... Posso esclarecer para o senhor?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pois não.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Molina...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Só peço para a Assessora da Senadora sair da frente, porque senão fica difícil. Não consigo ver o depoente...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Eu adoraria se fosse minha, mas não é.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É nossa Assessora.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – É do PSDB.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por favor, Senador Alvaro Dias.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não é aliança nem com a direita do PSDB, nem com a direita do PT, Deputado Maurício Rands. A “direitona” do PT.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – É aliança em busca da verdade.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr Presidente, desconte o tempo, até que se acabe essa discussão.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Desculpe-me, Senador Alvaro Dias.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pois não, Senadora. Está certo.

O Sr. Molina é ligado ao Sr. Roberto Jefferson.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, essa ligação...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Por que houve necessidade de contatá-lo para esse tipo de serviço, já que o Sr. Jairo Martins seria extremamente competente, segundo o senhor mesmo disse?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não. O Jairo só emprestou, alugou para mim – vamos colocar alugou – a maleta, nada mais. O Jairo não participou de gravação. Ele só alugou a maleta. No caso do Deputado Roberto Jefferson, quando apareceu o nome dele, o Molina eu sabia que tinha uma ligação com Roberto Jefferson. Foi simplesmente de levar: “Olha, está correndo perigo. Está acontecendo isso aqui”. Nada mais do que isso.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Por que o senhor levou ao Roberto Jefferson? Para protegê-lo, porque ele era citado na gravação, ou para entregar o Sr. Marinho àquele que supostamente seria afilhado de Roberto Jefferson?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Eu só tenho um objetivo nessa conversa toda, nessa operação toda – vou chamar de operação, que é um nome também forte: derrubar o Marinho, mostrar o que estava acontecendo. O meu único objetivo não foi proteger Roberto Jefferson. Completei a resposta? Meu objetivo era mostrar o que Marinho estava fazendo.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sim, derrubar o Marinho.

Então, esclareça-nos. É claro que há aí uma discordância entre o senhor e o Joel. O senhor disse que foi ele que tomou a iniciativa de oferecer os R$3 mil. De qualquer maneira, o senhor deve saber a que título ele ofereceu esses R$3 mil, já que o Sr. Marinho alega que recebeu R$3 mil como antecipação de pagamento de uma futura consultoria que ofereceria. Certamente, não é verdade. É verdade isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, veja bem: a essa parte do diálogo eu não tive acesso. Eu não participei da gravação, porque eu não podia participar, não queria participar. E contratei uma pessoa que eu considerava apta para fazer. O que ele fez lá dentro...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Ele não lhe disse isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isso não. A estratégia que ele usou, o diálogo que ele usou, a linha de conversa foi evoluindo à maneira dele. Eu não tive ingerência nisso. Eu apenas, conforme o Deputado Eduardo Paes me perguntou, dei a dica: o que é o Decam e o que é o Marinho, quem é o Marinho. Aí facilitou o trabalho.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor acha que o Marinho mentiu ao justificar o recebimento dos R$3 mil?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Minha opinião pessoal?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sim.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Foi a forma que ele usou para não ficar tão forte, não é?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Voltarei à pergunta anterior, só para completar. O senhor conhece o Sr. Edgar Lange, da Abin, que é muito amigo do Jairo?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, nunca ouvi falar. Não conheço ninguém da Abin. Gostaria que V. Exª acreditasse em mim, se for possível. Não conheço a Abin. Inclusive, a Abin veiculou no jornal, um dia, que a razão de tudo isso era uma multa de R$1 milhão. Não sei como a Abin soube disso. Ela não conhecia meus contratos! A não ser que ela tivesse visto os meus contratos...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor faz referência a denúncias ao Ministério Público de fraudes em concorrências nos Correios. Naturalmente, como interessado, como militante na área, como operador do setor, deve ter informações. Quais foram essas concorrências denunciadas junto ao Ministério Público?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Foi uma denúncia genérica e anônima: fraude e não sei o quê. Aí esperei a hora de ser notificado.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor falou do Pedreira.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Pedreira é...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exato.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Desculpe-me. Pode falar, Senador.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Ontem, o Sr. Marinho confirmou que o recebeu, exatamente quando estava sendo gravado, e que ele foi lá buscar informações. O senhor tem notícias de que ele buscava informações e levava alguma coisa em troca dessas informações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Pedreira, particularmente, não conheço pessoalmente. O que sei dele é que foi contratado como advogado da empresa Proteline e que, de advogado, passou a ser uma espécie de representante comercial, defendendo os interesses da Proteline junto aos Correios. O que sei do Pedreira é só isso. Se ele esteve com o Marinho, não sei. Disso não sei.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor não acredita que o Marinho tenha usado do artifício da bravata, como ele justificou posteriormente, não é? O senhor acha que ele foi sincero nessa gravação?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Considero o Sr. Maurício Marinho um falastrão, bravateiro. Se ele usou bravata, não sei, mas ele falou pra caramba, não é, Senador? Foi muito sério! Eu já sabia que ele ia falar pra caramba, mas não sabia tanto.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas, se o senhor mandou gravar é porque o senhor sabia de irregularidades, de ilícitos praticados, de desonestidade, de corrupção.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ouvi dizer sempre, e acontecia, sim, porque eu....

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Então tem sentido o que o Sr. Marinho confessa aqui. Confessa, não, ele tratou de negócios com o seu enviado, falando em percentuais que iriam de 3 a 10%, dependendo do valor do negócio. E chegou a acusar o Sr. Antônio Osório, a quem o senhor considera extremamente honesto. Em determinado momento, ele diz o seguinte: “O Osório não acerta, ele colocou a gente pra fazer essa parte. Então, dos três, que é fechado com o partido, ele deixa eu e o Godói.” Ou seja, os três, o Osório, o Godói e o Marinho. “...ele deixa eu e o Godói. Ele não gosta de acertar. Outra coisa, vai lá os fornecedores... Aí a gente vem acertar, negocia. Ah, essa cota é pra ele. Tem a do presidente, tem a dele, e aí ele vai levar lá em cima, quer dizer, é dividido em três partes, a do partido e entre eles.”

E, mais à frente, ele relata também essa transação com o partido e, mais uma vez, ele se refere ao Osório, não é, porque o Osório é que comanda esse processo em nome do Presidente do Partido. Ele fala que o PT não cumpriu o compromisso integral na campanha eleitoral, não repassou os recursos, portanto, bate com a declaração do próprio Presidente do Partido, Roberto Jefferson. Ambos, portanto, estão aí sintonizados em relação aos compromissos do PT com o PTB. Aí ele disse: “Quase quebra o partido. Agora, a situação está melhorando. Não estamos pagando despesa em Mato Grosso, Bahia, Pernambuco.” Enfim, ele faz referência, então, ao repasse de recursos para o Partido. Isso como uma rotina, em função desses percentuais aí arrecadados nos negócios realizados.

V. Sª entende que essa parte do depoimento dele, na fita gravada, tem relação com a realidade que o senhor constata no dia-a-dia dos negócios que celebra com os Correios?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, é muito difícil mapear todos os negócios que são feitos nos Correios. O senhor imagina, por exemplo, o setor de serviço no Correio, prestação de serviço, não é. É muito difícil para mim, que tenho poucos negócios, imaginar como isso flui. Não tenho conhecimento.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor já foi cooptado nesse tipo de providência?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Nunca.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Já tentaram...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não pago propina.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – ...obter propinas do senhor nas transações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não pago propina! Eu não pago!

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não paga. Mas tentaram? Houve tentativa?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Tentaram quem? Desculpe, estou perguntando.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Quem tem que dizer quem é o senhor. Eu estou perguntando se alguém tentou, seja quem for.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Entendi. Desculpe, desculpe, Senador.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Aliás, é até bom que diga quem foi, se houve.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Entendi que o senhor perguntou, se estava perguntando, como está muito próxima a conversa, do Marinho.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT - MS) – Senador Alvaro Dias, só pediria que encaminhemos as conclusões, por favor, em razão do tempo.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pois não.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Veja bem, nunca ninguém me pediu propina. Eu não dou propina.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor tem algum contato direto com a Diretoria de Tecnologia, com o Sr. Eduardo Medeiros?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, vou dizer uma coisa: nunca tive uma audiência com o Sr. Eduardo Medeiros na Diretoria. Nunca.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu tinha várias outras perguntas, Sr. Presidente, mas vou fazer mais uma em atenção só ao pedido de V. Exª.

O senhor, evidentemente, acusa o Sr. Marinho, não é? O senhor acusa o Sr. Marinho. Essa gravação não teve outro objetivo, foi para derrubar o Sr. Marinho, porque, a seu juízo, ele não se comporta bem, ele não é honesto na função que exerce. Ele diz aqui que ele não favorece licitações. Esteve, ontem, aqui, dizendo que ele não participa dessa ação de favorecimento das licitações. Mas, de qualquer forma, ele elabora os editais e pode, através dos editais, direcionar. Não é ele que elabora os editais.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ao contrário.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Ele influi na confecção dos editais?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, a elaboração de edital não diz respeito a ele, eu acredito. Não tenho bem certeza de como o edital dos Correios é elaborado. Pode ser que ele dê alguns elementos, porém não é só ele.

Onde a fraude existe – e nisto eu quero ser claro, Senador Alvaro Dias – é na execução do contrato, conforme o meu depoimento para o Sr. Relator.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Então, o senhor acha que ele ganha, ele cobra esses percentuais aqui alegados na execução do contrato, durante o pagamento?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza absoluta.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O senhor está afirmando que, com certeza absoluta, ele obtém vantagens na execução do contrato?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Na execução do contrato, não se multa, por exemplo. Na execução do contrato é quando não se suspende uma empresa. Na execução do contrato é quando se pode admitir, por exemplo, a entrega de um material fora de uma especificação, um material mais barato. Entendeu?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas a execução do contrato não compete a ele?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Compete só a ele. Sim, senhor. Só a ele.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Então, eu peço ao Sr. Relator que registre bem esta afirmativa: as vantagens são obtidas pelo Sr. Marinho na execução do contrato, segundo o depoimento do Sr. Arthur.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Após o contrato estar assinado, na execução dos contratos.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Supostamente ou certamente, ele estaria, até aqui pelo menos, até se afastar do cargo, recebendo percentuais dos contratos para utilização indevida?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, eu só posso afirmar o seguinte: se ele está recebendo dinheiro, eu não sei; eu não vou falar que está, porque eu não vi ninguém pagando nada para ele. Agora, que ele...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas há pouco o senhor afirmou que tinha certeza.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não. Espera aí. Vamos voltar. Posso voltar? Senador, como eu disse ao Deputado Eduardo Paes, estou levando muito a sério.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Só volta a fita. A palavra pronunciada é como a flecha lançada, não volta mais. O senhor afirmou, taxativamente, com absoluta convicção, que, na execução dos contratos, o Sr. Marinho obtinha as vantagens.

Eu já encerrei, Sr. Presidente.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sim, mas eu nunca...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senador Alvaro Dias, eu só pediria a V. Exª e ao depoente que encerremos, porque existem muitos inscritos, Senador, para obedecermos às regras.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu quero ser compreensivo com V. Exª e já encerro, Sr. Presidente.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas essa pergunta ficou sem resposta, e eu acho que ela é importante. Eu poderia...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Então, responda, por favor.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Para mim, foi respondida. Não é como a fita que volta. Não há como voltar. O senhor afirmou taxativamente, e eu estou satisfeito com a resposta.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com todo o respeito, estou afirmando ao senhor o seguinte: na execução do contrato é que as coisas acontecem. Nunca vi ninguém dando dinheiro para o Sr. Marinho! Só isso.

Continuo afirmando que é na execução do contrato, mas nunca vi ninguém dando dinheiro para o Sr. Marinho.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É evidente que não poderia ver, porque o senhor não trabalha ao lado dele nem é convidado para esse espetáculo, não é? Teria que pagar um ingresso caro.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – É na execução, sim.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Muito obrigado, Senador Alvaro Dias.

Concedo a palavra ao Deputado Maurício Rands.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Eu quero dar continuidade à linha que vinha sendo percorrida pelo Senador Alvaro Dias.

Então, o senhor já está nos Correios há muito tempo, as suas empresas estão fazendo contrato com os Correios há muito tempo. O senhor chegou a fazer uma manobra arriscada, como o senhor diz, por conta de que percebia que havia um tratamento injusto. O senhor demonstra que conhecia não só como os contratos eram celebrados, mas também como eles eram executados.

Então, quero indagar ao senhor a que título o senhor acha que o Maurício Marinho recebeu R$3 mil. O senhor já disse que, em princípio, não tem um convencimento e disse: “Uma forma para não ficar tão forte”.

Eu queria que o senhor explicasse melhor o que o senhor disse como justificativa para que o Sr. Maurício Marinho recebesse os R$3 mil naquela reunião que foi gravada.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, conforme eu disse, esse problema dos R$3 mil não diz respeito a mim. Eu dei os meios, orientei, paguei o que me foi pedido. E o que foi feito lá foi uma situação elaborada pelo Joel. Se o Marinho recebe R$1 mil ou R$3 mil, Deputado Maurício Rands, é muito difícil... Eu suspeito, ouvi dizer muitas vezes, mas é muito difícil para eu afirmar, porque, daqui a alguns dias, eu recebo um negócio por injúria ou calúnia, eu já estou encrencado demais com a CPI, levando a sério esse trabalho todo, para responder dessa forma. Acredito. Com certeza, ouvi dizer que ele levava dinheiro, podia ser mil ou três mil. Dizem que era qualquer dinheiro.  Ouvi dizer que era qualquer dinheiro mesmo.  Agora, três mil e qualquer dinheiro é a mesma coisa. Três mil é qualquer dinheiro nesse sentido. Eu poderia responder dessa forma para o senhor.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  O senhor consegue lembrar de outros comentários como o senhor fala? Porque, evidentemente, quando alguém recebe um dinheiro...

Presidente, eu queria pedir a V. Exª para solicitar um pouco mais de silêncio.

 

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

 

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Obrigado, Presidente.

A minha indagação, depoente, é se o senhor... É evidente que ninguém, quando recebe um dinheiro, recebe na presença de outra pessoa, a não ser que haja uma mala filmando, como ocorreu nesta reunião com o Sr. Maurício Marinho. Mas o senhor tem conhecimento de outros comentários, o senhor que está há muito tempo no Correio, de que o Sr. Maurício Marinho, nessas execuções do contrato, ao discriminar empresas, como o senhor falou, punir umas e não punir outras pelos mesmos motivos, recebia vantagens? O senhor tem alguma indicação do porquê ele agia discriminando algumas empresas e favorecendo outras?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Como a situação se configura depois de assinado o contrato, corria no meio dos concorrentes, as pessoas falavam... Como isso era feito? Em primeiro lugar, acabou a multa no Correio. Ninguém multava mais. Em segundo lugar, eu citei aqui dois itens importantes, que foi a mala postal, o tênis e a botinha para o operador de triagem, em que se tentou, de todas as formas, aceitar um produto fora da especificação. E ele estava segurando. Ele só não segurou, não aceitou aquele produto, em função da reação de um órgão dentro do Decam, que é o laboratório.

Então, dessa forma eu ouvia, várias vezes. A não aplicação de multas e também a não suspensão das empresas, Deputado. O Edital prescrevia: a partir do momento em que a amostra não passou, o licitante seria multado em 20% e suspenso pelo prazo que for. Era de dois a cinco anos.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Ficar sem poder licitar.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, na auditoria vocês vão ver que isso é a pura verdade. Eu não estou mentindo. Eu não posso é falar caso por caso, porque é muito difícil para mim o que acontece em cada empresa. Eu não posso ficar o tempo inteiro pensando no Correio, porque eu tinha que correr atrás de outras, se não eu não dava conta.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – Sim, mas para esses favorecimentos e essas perseguições, o senhor tem informações, ouvia falar, ou lembra de alguém concretamente, que mencionou que o Sr. Marinho ou outra pessoa recebia vantagens?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ouvi, uma pessoa fez um depoimento, dizendo que foi pedida uma vantagem para resolver o problema das caixetas plásticas.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Das caixetas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Parece que essa pessoa foi lá no Correio, falou com o novo Chefe do Decam.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  O que sucedeu o Sr. Maurício Marinho?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isso.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Como é o nome dele?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não sei o nome dele, eu nunca mais fui ao Correio.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Não tem problema.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Essa pessoa teria dito a esse empresário que fosse diretamente ao Ministério Público. Parece que essa pessoa foi ao Ministério Público dizer que o Sr. Maurício Marinho teria pedido uma vantagem para ele através de um canal, que eu não sei quem é.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Esse empresário o senhor não sabe o nome dele?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Sei. No meu depoimento tem.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  O senhor poderia lembrar aqui para a Comissão?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Na hora.  É Aroldo.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Um empresário de nome Aroldo. Aroldo de quê?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O nome da empresa...

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Não tem problema. Se lembrar daqui a pouco...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu lembro daqui a pouco.

Eu tenho certeza que o Aroldo falou isso. Eu citei isso no meu depoimento. O Aroldo teria sido contatado para que alguém obtivesse vantagem.

Isso ele declarou, inclusive, acho que no Ministério Público.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Isso inclusive o senhor ouviu da boca do Aroldo?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não. Ouvi dizer também, nos corredores aí.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  O senhor lembra alguma outra pessoa que menciona que teria tido...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Algum problema com o Marinho?

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Alguma abordagem para conceder vantagens?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não.

A partir de determinado momento, eu me afastei do Correio, eu devo ter ido ao Correio depois disso aí umas quatro ou cinco vezes, em sete meses. Nunca mais pedi audiência lá com o Marinho e me afastei sinceramente porque eu vi que não ia dar.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Isso, mas nesses contatos que existem entre os contratantes, entre as pessoas dos Correios? Havia vários comentários no sentido de que o Sr. Maurício Marinho também recebia vantagens. Alguém mais recebia, segundo esses comentários, ou apenas o Sr. Maurício Marinho?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza o nome que foi ao Correio, que foi ao Ministério Público...

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  Precisar...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Precisar. É o Sr. Aroldo, da Precision.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) –  A empresa é a Precision?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ele peitou mesmo. Ele foi e disse que pediram o dinheiro para ele.

Eu fiz isso, eu declarei isso no meu depoimento.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – E o Sr. Aroldo já prestou depoimentos, além do Ministério Público Federal, em alguma outra investigação?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Há muito tempo eu não tenho contato com o Aroldo.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – Nesses comentários que surgiam, o senhor avalia que, se efetivamente o Sr. Maurício Marinho recebia vantagens, eram apenas para si ou essas vantagens eram repartidas, como lembrou na degravação, o Senador Alvaro Dias?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Senador fez menção, mas para mim é difícil.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – Não o senhor, mas outras pessoas. O senhor ouvia esses comentários?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, ninguém falava nada.  Eu até acho que isso é uma coisa muito difícil de avaliar.  Para que nunca participou do negócio fica ruim; é muito difícil para mim.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – À fl. 331 do inquérito policial, o senhor disse que o Molina tinha contatos com o Roberto Jefferson, que mostrou a fita ao Roberto Jefferson, que o senhor também discutiu com o Joel e o Molina para mostrar a fita ao Sr. Roberto Jefferson, insinuando que era para que o Deputado tomasse providências para estancar as irregularidades.

A pergunta que eu lhe faço: o senhor acha normal, ao invés de pedir pelo menos as sindicâncias internas do Correio, pedir providências a um Deputado para que estanque uma irregularidade que está sendo constatada e filmada a pedido de V. Sª?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isso foi perguntado várias vezes, e eu gostaria, mais uma vez, de esclarecer.

Achei que, pelo fato de a indicação da Diretoria ter sido feita pelo PTB, como o Deputado era – ou é, não sei – Presidente do PTB e foi citado inúmeras vezes, para configurar realmente uma demissão do Marinho, que era o meu objetivo, eu deveria agir não só junto com o Osório, mas também com o chefe, quer dizer, com o Presidente do Partido.  Acho que agi de uma maneira mais definitiva.  O meu pensamento foi esse.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – E o que mais o senhor sabia da influência do Deputado Roberto Jefferson na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Para mim, o Deputado, como ouvia dizer, indicou…  O PTB, o Partido, não o Deputado Roberto Jefferson, indicara a Diretoria de Administração, que é uma diretoria do Correio.  Nada mais do que isso.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – O senhor conhece Fernando Godói?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, nunca vi.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – A sua empresa – fui informado e queria saber se isso é verdadeiro...  Há uma versão de que a sua empresa teria representado uma empresa de Maringá chamada Balfar, que foi propriedade do ex-Deputado Federal Antônio Bárbara, do PRN, o Partido de Collor.

O senhor foi representante?  O senhor tinha alguma relação também com o Deputado Antônio Bárbara?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Na verdade, o Sr. Bárbara é muito amigo do meu sócio.  Quando eu conheci o meu sócio, ele já era representante da Balfar, e nós rompemos essa representação há algum tempo.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – O senhor já ajudou alguma campanha eleitoral?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Sr. Bárbara?  Não.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – Não, se o senhor já ajudou alguma campanha eleitoral de qualquer partido ou candidato.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não.  Eu não tenho dinheiro para campanha.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – Eu queria pedir para o senhor fazer um esforço para se lembrar um pouco mais sobre essa primeira fita.  O senhor disse que, aparentemente, ela não lhe chamou a atenção.  Naquele momento talvez ela não chamasse a atenção.  Depois, à luz de tudo o que aflorou neste caso, o senhor teria alguma outra lembrança?  O senhor teria alguma outra lembrança?  Faça um esforço para a CPMI de se lembrar dessa primeira fita.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Acho que o Joel, para gravar essa primeira fita, não teve habilidade.  O meu objetivo é claro: eu queria mostrar o que o Sr. Maurício Marinho estava fazendo.  Fui claro.  Eu quis mostrar isso, sim.  Achei que não tinha nada grave naquela primeira fita, que comprometesse.  Só isso.  Só vi lá uma menção ao Deputado Roberto Jefferson, nada mais.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – Qual era a menção?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Citando que o Marinho teria uma ligação com o genro ou com o filho dele, alguma coisa nessa linha.  Nada mais.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – O senhor não lembra qual era a ligação.

O genro, suponho que era o Marcos Vinícius.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não conheço o genro do Deputado Roberto Jefferson.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – E o senhor não consegue lembrar qual seria essa ligação do Maurício Marinho com o Marcos Vinícius, o genro do Deputado Roberto Jefferson?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, foi citado.  O que eu lembro de ter ouvido nessa fita era ele falando que tinha muito trânsito no Partido, que falava com o genro e o filho.  Isso e o que ele falou depois, a mesma coisa.  Não tinha nada mais do que isso, Deputado.  Por ter certeza.

O SR. MAURICIO RANDS (PT – PE) – Sr. Wascheck, com quem o senhor lidava, ou as suas empresas lidavam, lá nos Correios além do Sr. Maurício Marinho?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO Pregão eletrônico é muito impessoal.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) Mas não só é o pregão eletrônico. É também execução dos contratos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas execução de contrato é por carta. Você manda carta, eles respondem. É frio, é calculista. O Correio não dá folga para ninguém.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Mas quando surgem problemas ou atraso na execução do contrato ou descumprimento de regras, como o senhor admitiu no início da sua fala...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, sim, eu tive uma audiência. Eu pedi para o Marinho, duas vezes, uma pessoalmente, duas vezes por carta, uma prorrogação de prazo para as capas de chuva. Como ele não concedeu, eu pedi uma audiência com o Dr. Antônio Osório. Inclusive o Marinho ameaçou, numa carta, que ia me suspender por cinco anos, uma das coisas que me chamou muita atenção. Por que eu? Se eu estou atrasado, concordo. Se tem gente que não está entregando nada ou estão entregando porcaria não é suspenso, não tem esse tipo de terrorismo.

Uma das razões que eu tive, Deputado, para poder tomar essa atitude que eu tomei, sabe? Porque era muita perseguição sem necessidade nenhuma, tanto que eu pedi, expliquei: Dr. Antônio Osório, estou atrasado, porque estou melhorando a qualidade do produto. E mostrei uma capa antiga e uma capa nova. E ele me concedeu. O Marinho assinou a contragosto, sublinhando: “de acordo com o despacho do chefe”.

Então, eu tinha muito motivo para fazer o que eu fiz.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – O quero me ater ao tempo, meu tempo está encerrado, eu queria só, rapidamente, se fosse possível: nos contratos anteriores ao Maurício Marinho e a atual gestão, com quem o senhor tinha contato nos Correios? E, se puder também, rapidamente, dizer: quando o senhor foi ao Diretor Antônio Osório, qual foi a atitude dele? Como ele reagiu à queixa, vamos dizer assim, que o senhor fez?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, o Dr. Antônio Osório chamou o Marinho na sala dele – isso eu posso precisar bem –, chamou o Marinho e disse:

- Não, não sei o quê, não vai ter problema nenhum, vou chamar o Marinho.

Eu falei:

- O senhor fique à vontade.

Aí o Marinho chegou na sala me esculhambando, dizendo que eu tinha entrado com um mandado de segurança contra a licitação... (Pausa.)

Posso continuar?

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Por favor, estou dizendo só a ele que eu já encerrei. É a última resposta de V. Sª.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Chamou o Marinho, e o Marinho chegou me ameaçando, dizendo que eu tinha entrado com um mandado de segurança contra a concorrência dos tênis.

Eu falei:

- Olha, eu não entrei com um mandado de segurança contra a concorrência dos tênis.

- Você agiu covardemente, querendo me queimar com o Diretor. Você agiu covardemente.

Eu falei:

 - Olha, o mandado de segurança é um instituto que faculta uma empresa questionar se a coisa está certa ou não está certa, e, se você ficou chateado, eu não sei por quê. Você conseguiu um concorrente a mais para baixar o preço do seu produto, entendeu?

Aí, depois o Osório contemporizou e explicou para ele.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Ou seja, ele ficou chateado porque conseguiu-se defender o interesse da empresa.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Exatamente, porque o que ele queria: comprar os tênis um tempo atrás, dividir em três ou quatro lotes e passar um para essa Proteline, que ele estava pressionado por esse Pedreira, com certeza estava.

Aí o que eu fiz. Eu falei: Essa empresa não é minha responsabilidade...

O SR.  MAURÍCIO RANDS (PT – PE)– Então, a empresa que vendeu mais caro por causo disso foi a Proteline?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, a Proteline é outro caso. Deixa eu só concluir aqui, depois explico para o senhor.

Aí eu disse o seguinte: Eu acho que habeas corpus, mandato de segurança é um instituto que cabe a quem quiser usar, na hora que quiser, independente se assinou ou contrato ou não, se recebeu o dinheiro ou não. O senhor devia estar feliz porque o senhor conseguiu um bom resultado, o senhor vai ter novos concorrentes. O senhor não vai ficar só na mão de três.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Ele vai poder baixar, não é?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Exatamente.

Aí o que que aconteceu? O Dr. Osório contemporizou e disse:

- O que é difícil para mim, para atender certos pleitos, é que vocês atrasam muito.

Eu falei:

-    Concordo, sim, senhor.

-    E eu fico muito questionado pelas regionais. As regionais falam: por que eu que não compro por aqui? Por que eu não faço isso? Por que eu não faço aquilo?

Foi isso que ele me explicou. Era uma questão de gestão. Aí o Marinho chegou lá, começou a falar de gestão, fez aquele discurso que vocês conhecem, que ele faz, entendeu? E eu consegui essa prorrogação de prazo e a não suspensão da minha empresa, por causa de um despacho do Dr. Osório.

Foi por isso que eu falei que nunca esse assunto eu tratei. Achei assim um abuso ele vir me condenar na frente de um Diretor, dizer que eu entrei com um mandato de segurança para me queimar na frente do Diretor. Não tem sentido isso.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT – PE) – Obrigado. Obrigado, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Obrigado, Deputado Maurício Rands.

Senadora Heloísa Helena, dez minutos, minha querida Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Meu querido Senador Delcídio, farei um esforça inimaginável para possibilitar isso.

Bom, essa reunião, sem dúvida, teve algumas coisas muito interessantes, né? Todos os Deputados e Senadores que antecederam conseguiram identificar até alguns detalhes, que promoveu frisson no plenário, tipo botinha camuflada e outras coisas mais.

Embora eu tenha sido colocada aqui pelos meus chefes da Casa – e os únicos que deixo me chefiarem na Casa são os servidores –, coincidentemente fui colocada aqui entre a direita ideológica, do PFL, que se reivindica centro, e a nova direita do PT, o Maurício Rands. Então, eu realmente não me senti muito estimulada a reivindicar a botinha camuflada. Fiquei mais interessada no coturno, porque, se de repente necessário for, as canelinhas dos dois da direita poderão ser acometidas com ternura, mas com a devida necessidade.

Acabamos, nestas Comissões, obtendo também detalhes importantes sobre como é o capitalismo. No capitalismo, há gente que vende a alma, Senador Delcídio Amaral, e não entrega a mercadoria não por respeito à digna genitora, mas para vender de novo e não entregar a mercadoria.

Então, muitas dessas coisas que vemos aqui são da alma da patifaria neoliberal e capitalista, exatamente isso. Todas as modalidades que vão sendo expostas aqui, ou pelo agente público ou pelo empresário, dão conta de detalhes sobre a modalidade do trambique explícito nos processos de licitação.

Inclusive, Sr. Relator, é muito importante que não estejamos apenas a solicitar os contratos, mas que estejamos solicitando toda a documentação que originou os contratos, porque a farsa, a fraude acontece, inclusive, na instrução: a necessidade, a demanda criada, a especificação técnica colocada na licitação para favorecer um ou outro empresário.

Dr. Arthur, na política, digo sempre que só enriquece quem é ladrão, porque é salário. Se ele passa a intermediar interesse privado, explorar prestígio, fazer tráfico de influência, ele está fazendo crime contra a Administração Pública. No mundo empresarial, enriquece-se também explorando a mão-de-obra. Isso faz parte do capitalismo. Existem outras formas... Por mais que se diga, é a relação capital/trabalho, concepções ideológicas distintas de quem é socialista e de quem é capitalista. Passemos essa parte.

Entretanto, se V. Exª quer realmente nos ajudar – para mim, Excelência é tudo igual, o serviçal é Excelência, tudo igual –, se V. Sª quer de fato ajudar esta Comissão, pode nos ajudar pensando no interesse público. O senhor pensou apenas no seu interesse privado, na sua conta, no seu negócio, na sua empresa, e, portanto, montou toda uma estrutura de gravação clandestina, porque viu que os seus interesses pessoais e empresariais estavam, de alguma forma, impedidos de ser concretizados por um agente público que estava instalado nos Correios e que, penso eu, não é o único – talvez, seja piaba, sardinha, no maldito mar da corrupção; os tubarões ainda vão sentar nessa mesa.

V. Sª pensou só no interesse privado, no interesse da sua empresa, em como estabelecer mecanismos para promover a tal da isonomia. Mas, ao fazer isso e ao identificar isso, V. Sª nos obriga a tentar esclarecer outras coisas. Por isso, se o senhor quer nos ajudar, em nome do interesse público, pode nos auxiliar também dizendo se essa mesma modalidade de gravação o senhor já a fez em outros momentos. V. Sª insiste em dizer que nunca a fez, que essa é a única vez em que a fez. E, do mesmo jeito, em outro momento, para ganhar licitação, o senhor usou do mecanismo que, segundo o senhor informa, vários outros estavam usando. É claro que estavam usando, porque, se ganhavam licitações sem cumprir as especificações técnicas, burlando as normas estabelecidas na legislação em vigor no País, então, faziam alguma coisa.

Então, se V. Sª quer nos ajudar, de fato, porque o processo no qual o senhor está envolvido, que vai desde as gravações clandestinas, que defendo, que não apenas quem foi lá fazer as gravações clandestinas, mas o mandante também, tenha a mesma penalização. As infrações penais são exatamente as mesmas. Defendo até que agente público não tenha nem sigilo, nem bancário, nem fiscal, nem telefônico. Sei que alguns fazem grampos telefônicos até porque são mal resolvidos sexualmente e ficam querendo saber da vida dos outros, mas eu defendo que agente público não tenha sigilo nenhum até para evitar esse tipo de coisa também.

Agora, são duas perguntas muito objetivas: em algum momento, ou no Governo Fernando Henrique ou no Governo Lula ou em outro Governo caso V. Sª tenha se relacionado, V. Sª disse aqui, “deixou meio que obscuro”, mas acabou dizendo, não me lembro exatamente o termo, mas as notas taquigráficas apresentarão isso, da forma como se relaciona com o Poder Público para tentar, de alguma forma, ter uma vantagem num processo licitatório. Em algum momento, V. Sª, ou no Governo Fernando Henrique ou no Governo Lula, intermediou junto a quem fazia o processo até a instrução do processo licitatório para que uma especificação técnica que atenderia apenas V. Sª fosse incluída no processo de licitação ou usou aquele “argumento” – entre aspas – de atritar o dedo indicador com o polegar para, de alguma forma, comprar um agente público para que ele pudesse viabilizar ou agilizar os interesses de V. Sª? Porque fica realmente muito difícil. Tenho obrigação, todos temos obrigação, de acreditar, primeiro, na inocência de todos, mas é muito difícil que passemos de pronto a acreditar que, em nenhum outro momento – não é à toa que teve gravação clandestina – da relação de V. Sª com agentes públicos, não foi possível utilizar isso ou que não foi necessário utilizar isso. Então, se o senhor quer, de fato, ajudar-nos, para nos ajudar é necessário que possamos fazer isso também. Em algum momento, a relação do senhor, como empresário, precisou, para ter uma vitória na licitação ou para se capacitar a prestar um serviço, desse tipo de relação promíscua com agentes públicos ou não? Ou se V. Sª – é muito importante isso – atesta que, durante toda a sua relação, entre relação de empresário com os agentes públicos, em nenhum momento, o senhor ou fez intermediação de interesse privado, buscando outros para comprar agentes públicos para facilitar, para favorecer, para trazer uma “especificaçãozinha” no edital de licitação que lhe favorecesse. Então, isso V. Sª precisa efetivamente nos dizer, pensando no interesse público, porque é esse, de fato, o objetivo desta Comissão.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Bem, eu tenho, procuro manter uma relação tranqüila com os órgãos que trabalho. É lícito você lutar por uma especificação, por um produto, desde que ele não fique com uma exclusividade. Se virar exclusividade, é muito difícil o órgão aceitar. Você não pode colocar... Você tem que colocar: ou similar. A lei diz isso. Nas minhas relações, eu nunca precisei disso, aliás, sempre lutei contra isso, entendeu? Lutei muitos anos para poder me firmar no mercado, entendeu? Da minha parte, posso dizer o seguinte: esse negócio de pagar, nunca paguei, está certo? Não vou pagar e respeito: quem quiser fazer faça. Eu não vou pagar, está certo? Se eu puder lutar por uma especificação, com certeza, vou lutar. Se eu tenho um produto bom, que vai servir à administração, que vai ser bom para a administração e que eu possa oferecer, com certeza, farei. Agora, se a administração vai aceitar, ela vai avaliar. Vamos nos ater aos Correios. Os Correios é um órgão... Para você montar uma especificação de tênis, por exemplo, você tem que dispor de uma quantidade “x” de pares, e eles ficam fazendo seis meses um teste com o carteiro para saber se vai ou não... não é tão fácil esse tipo de coisa. No meu ramo, onde tenho mais atuação, Senadora Heloísa Helena, não agrega tecnologia nenhuma. É muito pouca tecnologia; é sapato. Não é uma coisa que você vai fazer um milagre de um dia para a noite. Não é uma solução de informática. É muito difícil trabalhar. A gente tenta fazer o melhor, mas, da minha parte, quero dizer o seguinte: tenho uma relação tranqüila com as pessoas. Não pago, nunca paguei e nem vou pagar.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Apenas para concluir, Senador Delcídio. V. Sª poderia detalhar um pouco como se dá isso que V. Sª caracteriza como uma luta para garantir a especificação técnica, porque veja: supõe-se, se o procedimento fosse normal – talvez, estejamos sonhando; talvez, estejamos sendo românticos em querer a honestidade –, que se um determinado órgão público tem, por exemplo, como V. Sª mesmo disse aqui, um bom laboratório, ele tem uma boa área de saúde, portanto, ele é capaz de identificar, inclusive, qual o tipo de tênis, para evitar agravos à saúde do carteiro, então se supõe que a demanda, a necessidade do objeto a ser adquirido é definida pelo setor público.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Sim, mas V. Sª disse que luta por especificação.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Então, V. Sª procura quem? Vai até os setores, apresenta o produto...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O setor técnico. Normalmente, o setor técnico. O setor técnico.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Apresenta o produto?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Cada órgão tem o seu setor de qualificação técnica, não é?

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Não, eu sei. Pela declaração, o Sr. Marinho disse que cada órgão tem o seu homem de confiança. Ainda foi pior.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não é o caso. Não estou falando de homem. Desculpe-me, Senadora. Eu estou querendo responder à sua pergunta.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Pode responder.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Quando você vislumbra a possibilidade... vamos supor: tem um tecido que, por exemplo, resolve o problema do suor, é resistente ao suor; tem um tecido que resolve o problema do fogo, o bombeiro usa muito. Se eu tiver condições de apresentar um tecido desse para o Corpo de Bombeiros, o que eu vou fazer? “Olha aqui, eu gostaria de apresentar, você pode enviar isso ao Comandante-Geral?” O Comandante-Geral vai mandar, na vez dele, para quem é de direito, que vai dar esse parecer, que é o setor técnico. Normalmente, esse trabalho é feito hierarquicamente. Você manda para o comando do órgão e o comandante do órgão, o chefe, o diretor, o presidente encaminha para o setor técnico responsável. Daí se começa a ter a base de uma especificação para um produto. Nunca participei de uma licitação em que tenha entrado sozinho. Sempre tive concorrente.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mesmo com especificação técnica definida por V. Sª? Apresentada por V. Sª?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, eu nunca defini. Eu nunca defini.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Quem define é o órgão, apresentada por V. Sª ?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO - Não, porque não tem muito segredo. Hoje, ninguém esconde nada de ninguém. Hoje...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – O pior é que estamos descobrindo que escondem. Aliás, escondem tanto que V. Sª precisou de uma gravação clandestina.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Mas, veja bem...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – É a prova de que escondem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Senadora Heloísa Helena, eu gostaria de ...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Estamos concluindo. Ele está com a resposta, para eu não impedir que ele responda, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vamos concluir, minha querida Senadora Heloísa Helena, porque existem ainda muitos oradores ainda inscritos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu quero dizer o seguinte: o trabalho técnico é muito importante em um órgão e ele define. Agora, não que vá atender só a mim. Eles, normalmente, pegam uma coisa mais genérica, porque qualquer um pode impugnar uma coisa dirigida.

O juiz aceita rapidamente. Judicialmente, você consegue uma liminar, e o próprio órgão corre muito o risco se ele começar a dirigir para uma empresa só. Isso é muito grave. É isso que eu quero responder.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Obrigada. Infelizmente, V. Sª talvez tenha até tentado contribuir; mas não contribuiu tanto. Mas está tudo bem.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu me coloco à disposição de V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Deputado Carlos Abicalil.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Boa-tarde a todos e a todas.

Provavelmente, nós estamos, aqui, trilhando rumos entre Hitchcock e Sherlock Holmes, dadas as práticas e as intensidades das conseqüências delas. E provavelmente, também, a Zoologia não registrará tubarões, sardinhas e piabas, mas é provável que seja outro tipo de vivente que está neste cenário.

Em primeiro lugar, eu gostaria de perguntar ao senhor investigado de hoje, que afirma estar há 24 anos no ramo de licitações... Não?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Posso esclarecer?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Pois não.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu estou em Brasília há 24. Eu comecei a trabalhar como empregado em Brasília.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sim.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – A minha firma, Comam, tem cinco anos e a Vetor tem 15.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Então, o senhor tem 15 anos participando de licitações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Eu tenho 24 anos, mas não só com as minhas empresas. Eu fui empregado antes de ter as empresas.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor trabalha há 24 anos com licitações?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Com a sua firma, há 15 anos, e com a segunda firma, há cinco anos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Há cinco anos.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Desde quando o senhor presta serviço aos Governos?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Desde sempre. Nós sempre fomos dedicados ao Governo.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Desde sempre. Há 15 anos, o senhor presta serviço aos Governos. A que esferas de Governos? Somente ao Governo Federal ou outros Governos são clientes das suas empresas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Olha, nós somos mais focados em Governo Federal. Nós não temos estrutura...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Eu não perguntei mais ou menos. Eu perguntei se é exclusivamente federal ou se há outros Governos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, é...eu estou focado no Governo Federal porque eu não tenho estrutura para atender ao estadual ainda. Eu estou tentando montar.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O seu foco é, então, Governo Federal?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Diversos órgãos do Governo Federal, entre eles os Correios.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor mencionou uma das Forças Armadas, que é a Marinha.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Exército também.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Exército. Três.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Menos a Aeronáutica.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Está bom. Há quinze anos, portanto, já tem esse relacionamento...

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – ...envolvendo o Governo Federal ou alguns dos seus órgãos.

O senhor fala que há conversas de corredores. Quanto tempo o senhor costuma passar pelos corredores dos seus clientes?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Isso não é... Eu não tenho... Assim, vamos dizer, eu vou pela minha necessidade. Quando eu preciso, eu vou. Você encontra com os concorrentes em vários lugares, às vezes até aleatoriamente; não necessariamente você marca uma reunião.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sim. O senhor mencionou corredores. Eu estou perguntando quanto tempo o senhor costuma passar nos corredores.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, eu passo sempre.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sempre.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Toda vez que eu posso, não é?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E nesses corredores o senhor costuma fazer que contatos com informantes?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, eu ouço conversa. A gente pára pra conversar: como é que foi a licitação tal? “Não sei o quê. Não sei o quê. Está rolando um negócio aí”. Tem muito murmúrio. É por isso que, quando eu me referi...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E o senhor busca, continuadamente, esses murmúrios, até para se informar.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ah, eu preciso de informação, não é, Deputado?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor precisa dessa informação. Por essa razão, inclusive, é que o senhor organizou todo um roteiro encomendado aí ao seu amigo, para que pudesse editar três ou quatro fitas sobre as quais o senhor próprio fez a seleção de conteúdos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, duas fitas.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Duas fitas?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Duas.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O depoente de ontem informava que teriam sido três fitas.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor diz que uma descartou e duas outras o senhor ouviu.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não. É que é a mesma gravação, em dois CDs, porque não dava tempo. Desculpe. Eu estou esclarecendo melhor para o senhor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sim. Pois não. O Sr. Joel é o Sr. Goldman, do roteiro que V. Sª apresentou?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Exatamente.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O Sr. Joel é o Goldman? O outro personagem que o senhor criou é o João Carlos, que é o Victor?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Eu não criei não. Eu não criei. Eu encomendei. Eu queria deixar bem claro que a maneira como se conduziu a gravação ficou por conta do Sr. Joel. Ele é que...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Tá. O senhor apresentou ao Sr. Joel um roteiro?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu dei... Não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O que o senhor queria que ele perguntasse?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não era roteiro. Eu não fiz roteiro. Eu já disse o que eu fiz. Posso esclarecer para o senhor?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Não. O senhor diz que não fez roteiro; o senhor disse que precisava ter informações “a”, “b”, “c” ou “d”.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, eu posso... Eu dei informações básicas. Eu já falei isso duas vezes. Eu gostaria de esclarecer para o senhor, se o senhor me permitir. Eu dei duas informações... Eu dei informações básicas sobre o Decam, que é o Departamento de Contratação, e sobre a personalidade do Sr. Maurício Marinho. Só. Como ele agiu lá na frente foi problema dele. É uma questão dele.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Ele escapou, então, da encomenda que o senhor fez a ele?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Eu fiz a encomenda pra ele, mas dei as dicas da seguinte forma...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor diz que houve, então, duas fitas. Eliminou a primeira e disse que a primeira tinha o mesmo conteúdo que o Marinho falou na segunda, acerca do procedimento do grupo dos três, de quem que era o chefe, de qual era o percentual dividido a cada um ou a outro.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não, não, não.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Não?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Eu falei o seguinte: acho que foi o Senador Alvaro Dias que me perguntou isso, salvo engano, ou foi... Não, foi o...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Maurício Rands.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – O Deputado Maurício Rands.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Meu colega Maurício Rands.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Desculpe. Eu disse que na fita anterior eu ouvi simplesmente uma menção de que o Sr. Maurício Marinho tinha conhecimento com o filho ou o genro, ou o filho e genro do Sr. Deputado Roberto Jefferson. Só isso que eu falei.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Foi isso que o senhor falou.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Foi. Eu falei isso.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Então, isso já estava na primeira fita, e o senhor considerou menos importante?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Com certeza.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – O senhor diz que tem informações dos laboratórios dos Correios, etc. O senhor costuma freqüentar o laboratório dos Correios?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não. Não é isso, não é isso.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Não é isso?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não. É que esses resultados são públicos. Eu posso tê-los...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Não. Com relação aos resultados eu sei que são públicos.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu posso tê-los. Toda a papelada de uma licitação é dado a mim conhecê-la, desde que eu peça, sem problema nenhum.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – E o senhor disse que funcionários desse laboratório diziam que não... o Sr. Marinho aí não prestava.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Não, não. Eu não disse isso. Eu disse o seguinte...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Não atendia corretamente. Como é que era?

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Posso esclarecer?

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Pois não.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu não me referi a funcionários do laboratório. Eu me referi ao laboratório como órgão.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT – MT) – Sim, mas laboratório não fala; ele fala por alguém que trabalha lá dentro.

O SR. ARTHUR WASCHECK NETO