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O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Havendo número regimental, declaro aberta a 25ª reunião da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito, criada por intermédio do Requerimento nº 3, de 2005, do
Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e
atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios – Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos.
Esclareço
que a pauta desta reunião destina-se à oitiva da Srª Zilmar Fernandes da
Silveira.
Gostaria
de registrar a V. Exªs que o Sr. Duda Mendonça hoje se apresentou,
espontaneamente, informando a esta Mesa Diretora que tem a intenção também de
depor sobre o assunto a ser tratado na audiência da CPMI dos Correios. Esta
Mesa Diretora acatou esse pedido de depoimento espontâneo do Sr. Duda Mendonça.
Nós
chamaremos, agora, inicialmente, para a oitiva, a Srª Zilmar Fernandes da
Silveira. Após esse depoimento, que vai durar de quinze a vinte minutos, a Srª
Zilmar sairia da sala e ficará aguardando a exposição do Sr. Duda Mendonça.
Depois, eu chamaria os dois para que respondam às perguntas dos Parlamentares.
Quero
também registrar que nós tivemos hoje um diálogo com relação às inscrições a
respeito de uma lista não-oficial, assinada logo no início da manhã por alguns
Parlamentares que chegaram mais cedo para se preparar para o depoimento, e de
uma lista oficial. Eu peço a compreensão de todos porque vou administrar de uma
maneira salomônica essa divergência. Mas, amanhã, como fruto de uma reunião que
faremos com a assessoria técnica da CPMI, deixaremos muito clara essa
disciplina das listas, para que não tenhamos problemas.
Por isso
eu peço a V. Exªs paciência com o Presidente e com o Relator, porque tentaremos
administrar as duas listas dentro da maior justiça possível. Eu peço a compreensão
de todos os Deputados e Deputadas, Senadoras e Senadores.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – V.
Exª recorra. Eu vou passar a palavra…
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.Presidente,
são dois advogados. O senhor falou em nome de um só.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente,
questão de ordem (art. 131). Vou insistir com V. Exª. Tenho contribuído com V.
Exª. Esse é um direito parlamentar que tenho, Sr. Presidente, assim como eu,
qualquer Senador, e o Regimento da Casa é para ser cumprido, inclusive pelo
senhor. E em qualquer momento da reunião o art. 131 me garante...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Cite
o dispositivo, Deputado Ônix, porque, aparentemente, V. Exª é recorrente. Todo
início de reunião...
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Art. 131. Não. O
senhor (não?)tem que fazer juízo de valor do meu mandato parlamentar, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Todo
início de reunião V. Exª pede a palavra pela ordem, e depois os trabalhos
começam a ficar prejudicados com o tempo.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, vou
retornar, com respeito a V. Exª e exijo o mesmo respeito comigo, do senhor e do
seu assessor.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Sr.
Deputado, qual a dúvida de V. Exª, qual é a questão de ordem?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Estou fazendo uma
questão de ordem do art. 131 do Regimento Comum.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E
qual dos parágrafos que V. Exª...O art. 131 fala, única e exclusivamente,
Deputado, questão de ordem. E daí?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – A questão de ordem é
no § 1º. Ela deve ser objetiva e é o que ela vai ser, porque diz respeito aos
trabalhos desta Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E
indicar o dispositivo regimental pelo § 1º, meu caro Deputado Ônix.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Art. 131, § 1º.
Estamos claramente indicando que esse é um direito...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Qual
é o dispositivo, Deputado Ônix?
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – O art. 131, § 1º.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O
dispositivo regimental que o senhor precisa avocar.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Dá a palavra a
ele, Sr. Presidente, que resolve mais facilmente. Dá logo, deixa ele falar.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Se
não há condições de se avocar o dispositivo regimental, passo a palavra a Srª
Zilmar Fernandes, para fazer o seu depoimento.
V. Sª, Srª Zilmar Fernandes, tem de 15 a 20 minutos para
expor.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Presidente, art. 131
e art. 14 do Regimento do Senado, letra “b”.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, o senhor falou o nome de um advogado e são dois.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Novamente, o art. 14 trata de uso da palavra. Pelo amor de Deus! Vamos ter bom
senso e lógica nas coisas. Com a palavra a senhora Zilmar Fernandes.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, a Srª Zilmar Fernandes tem dois advogados, e o senhor disse o nome
de um só.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Aprendi a lição pela metade, Deputado Arnaldo Faria de Sá.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Então complete
a lição agora.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – O
outro advogado: Dr. Aldo de Campos Costa.
Com a palavra a senhora Zilmar Fernandes.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Sr. Presidente, art.
131 conjugado com o art. 14 do Regimento Comum, letra “b”. (Apupos.)
Srªs e Srs. Parlamentares, estou avocando um direito que
pode, em algum momento da vida parlamentar de cada um dos senhores e das
senhoras, estar diretamente relacionado com o exercício do mandato parlamentar
de cada Senador e de cada Deputado. Não vou, por uma atitude autoritária da
Mesa Diretora dos trabalhos, calar o direito que recebi dos eleitores do meu
Estado. Portanto, não vou ficar aqui sendo submetido a esse processo, porque
estou na defesa de um direito que é de todos. Hoje sou eu, amanhã pode ser
qualquer um daqueles que hoje estão questionando o procedimento que tenho. Pode
ser até que o Senador Delcídio um dia esteja numa comissão que eu presida e,
com certeza, vou lhe garantir esse direito, que é seu, que o senhor conquistou
nas urnas, assim como eu.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas o senhor usou o
dispositivo errado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Desculpe, Senadora,
mas não usei o dispositivo errado. O art. 14 do Regimento Comum, na letra “a”,
diz o seguinte: “Pela ordem, para indagação sobre andamento dos trabalhos,
reclamação quanto à observação do Regimento, indicação de falha ou equívoco.”
Portanto, quero dar só uma contribuição, apenas isso.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) –Está bom.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Então
todos nós esperaremos a contribuição de V. Exª.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Objetivamente, Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Objetivamente, muito bem lembrado.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL – RS) – Como sempre tenho
colaborado com os trabalhos de V. Exª.
Vou
voltar, com tranqüilidade e serenidade a dizer qual é o ponto. Ontem – o senhor
não estava presente e por isso queria falar na sua presença, lá na reunião
mista entre as duas CPMIs –, solicitei ao nobre Relator desta Comissão e ao
Relator Ibrahim Abi-Ackel, e quero fazer isso dentro da CPMI da qual sou
titular, que o Requerimento nº 700, que diz respeito a toda e qualquer ação das
pessoas que estão identificadas aqui na CPMI, com a possibilidade de ter havido
envio de recursos para fora do Brasil em off-shores, seja imediatamente,
Sr. Relator, adotado por V. Exª a solicitação junto ao Ministério da Justiça e
ao Ministério da Fazenda para que façam a identificação dessa relação de
noventa nomes, Presidente. Isso é fundamental que seja feito. E, ao longo do
depoimento de hoje, isto vai ficar mais uma vez repisado: a importância de que
isso seja feito.
Na medida que seja adotado por V. Exª, evita-se, Sr.
Relator, a votação. É esse o ponto que estou apelando. E a segunda coisa que
quero trazer – e concluo com isso, Presidente, em menos de um minuto – é que há
necessidade de providências enérgicas desta Comissão em relação ao Banco Rural,
como ficou comprovado ontem.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS)
– Absolutamente registrado. Quero caracterizar aqui: o que foi colocado não se
trata de uma questão de ordem e vou passar a palavra à Srª Zilmar Fernandes,
que tem de quinze a vinte minutos para sua exposição.
Com a
palavra a Srª Zilmar Fernandes.
A SRª
ZILMAR FERNANDES DA SILVEIRA – Bom dia, Srs. Deputados, Srªs
Deputadas e Senadores e Senadoras...
A SRª
HELOÍSA HELENA (P–SOL – AL) – Está horrível o som.
O SR.
PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por favor, o som mais alto.
A SRª ZILMAR FERNANDES DA SILVEIRA –
Obrigada.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer...
Posso falar mais alto. Está bem assim? Ok. Melhorou? Ok,
porque acho que não cheguei muito próximo.
Meu nome é Zilmar Fernandes da Silveira, eu sou
publicitária, comecei minha vida na propaganda trinta anos atrás, em São Paulo,
e depois fui para a Bahia, em 1976. Logo me tornei sócia do Duda quando
fundamos a DM9 Propaganda, em 1976, agência baiana, e fizemos um bom trabalho
no mercado baiano, fizemos bastante sucesso conquistando prêmios, Festival de
Cannes.
Durante todo esse período, trabalhamos juntos, na área de
agência de propaganda.
Em 1986, com a abertura e com as campanhas para Governador,
o Duda começou a ser convidado e começou a trabalhar nas campanhas políticas. O
Duda começou por Roberto Santos, e eu me integrei quando fizemos a campanha do
Professor Josaphat Marinho, na Bahia. A partir daí, nós começamos a fazer
campanhas políticas ainda de uma forma solta, não dentro da agência Duda
Propaganda, que tinha ali a DM9, que, na época, tinha os seus clientes privados
e governamentais, e fazíamos as campanhas políticas. Nos afastávamos da
agência, tínhamos um grupo de pessoas, de profissionais, e o Duda dirigia as
campanhas.
A partir de 1992, viemos para São Paulo e montamos, então, a
Duda Propaganda. Nós vendemos a nossa participação na DM9 Propaganda e viemos
para São Paulo em 1992, e fizemos a nossa agência chamada Duda Propaganda,
agência de publicidade, atendendo varejo, mercado imobiliário, segmentos onde
éramos especialistas, experts, porque, na Bahia, naquela época, havia
três segmentos de produtos ou de clientes para as agências de propaganda: o
varejo, o mercado imobiliário e o governamental. Na verdade, na Bahia, nós não
tínhamos clientes com produtos do tipo carros, telefones, sabonetes; o nosso
mercado era um mercado na linha de varejo, na linha governamental e na linha do
mercado imobiliário. E aí nos tornamos muito bons nessas áreas, exportamos e
viemos para São Paulo com essa nossa expertise.
Então, a partir de 1992, nós fundamos a Duda Propaganda e, a
partir de São Paulo, começamos a atender ao mercado desses segmentos que
mencionei.
Ainda em 1992, montamos, então, agrupamos as campanhas
políticas numa outra empresa.
Na verdade, nunca colocamos as campanhas políticas, os
trabalhos partidários e da área política dentro da agência Duda Propaganda. Por
quê? Não era simplesmente por não querer trabalhar com marketing
político não, é por duas razões, primeiro para separarmos os caixas de um forma
clara, objetiva, para que pudessem ser abertas e se ver claramente, e o mais
importante é que os profissionais de uma área nem sempre são os mesmos, ou com
as mesmas especialidades da outra.
Então, por exemplo, na agência de propaganda você tem os
diretores de arte, os diretores de criação, os redatores, pessoal de produção,
de mídia, de televisão; e na área de marketing político as campanhas
elas tem como foco os jornalistas, os estrategistas, as pessoas da área de
pesquisa. Tem também produção de eletrônica, mas eles não são os principais,
eles não são os fundamentais. Você, naquele momento, você agrupa. As campanhas
políticas também são sazonais; elas eram de um determinado período e, a partir
de um determinado tempo, ela passou a ser de dois em dois anos. E nesse meio
tempo nós fazemos assessorias e consultorias.
Então, em primeiro lugar gostaria de dizer qual é a minha
profissão, de onde venho. Venho da Bahia com o Duda, somos sócios há 30 anos,
somos como irmãos, nos admiramos. O Duda é uma pessoa incrível, de um coração
fabuloso, eu posso dizer isso porque como sócio há trinta anos não restaríamos
juntos se eu não o considerasse, uma relação fantástica que temos de amizade,
de respeito e, antes de mais nada, de caráter e de ética.
Também mostrar para os senhores a formatação que temos desde
1992 e a partir de 2001. Temos três empresas com objetos, com trabalhos e com
equipes bastante diferenciadas e claras e que vocês podem ver não só por eu
estar dizendo, mas pelos contratos, pela contabilidade, pelas contas bancárias.
Vou dizer e V. Exªs podem comprovar isso olhando pelos dados que temos.
A Duda Propaganda, que é a agência de propaganda que vem lá
desde 1976, como DM9, sucessora dos seus direitos autorais e que hoje é Duda
Propaganda. A CEP – Comunicação e Estratégia Política LTDA, que é a empresa que
só faz trabalhos para o marketing político: campanhas eleitorais,
programas partidários, acessória, tudo que diz respeito aos partidos ou
candidatos a cargos eletivos, ou pré-candidatos.
Temos também uma empresa chamada Promark. Essa é uma empresa
que faz somente consultoria. Porque essa empresa pode fazer consultoria
simplesmente a consultoria estratégica, quer seja para clientes privados e
clientes governamentais. Quando querem uma consultoria de um diagnóstico, de
uma orientação de marketing e de estratégia para determinado lançamento
de produtos, e que não é exatamente, por exemplo, uma campanha. Então, se tenho
um cliente que tem campanha de propaganda, é a Duda Propaganda que é a sua
agência. Se eu tenho um cliente e que é institucional e que ele tem ou um
problema, ou uma necessidade de orientação estratégica de marketing a
Promark faz a consultoria. E tudo que diz respeito à parte eleitoral é feito
pela CEP.
Essas três empresas têm a mesma formatação societária: o Sr.
Duda Mendonça, Zilmar Fernandes da Silveira e dois outros sócios, Eduardo Freia
e Eduarda. Elas têm a mesma formatação, porque somos os quatros sócios
principais das empresas e que conduzimos essas empresas. Elas têm equipes,
escritórios, toda a sua equipe é separada. O elo dessas três empresas são os
seus sócios, que também são executivos. O Duda é o executivo da estratégia e da
criação das três empresas. A Zilmar é a Diretora da área de atendimento. A
minha formação na área de publicidade é o que a gente chama de atendimento ao
cliente. O que é o atendimento ao cliente? Eu sou o elo. Eu sou o porta-voz
entre o cliente e a agência. Sou a diretora que vou à primeira reunião, discuto
os problemas, converso com o cliente, vejo a necessidade de uma reunião de briefing
mais detalhada ou não, levo o problema para dentro da agência. A minha equipe de
atendimento, quer seja da agência de propaganda, quer seja da CEP, se for um
cliente da área de marketing político, passa a atender executivamente
aquele cliente. Discuto os contratos, converso sobre os negócios, apresento a
campanha, apresento o planejamento de mídia, negocio com os clientes e a nossa
equipe de executivos, quer seja da área de atendimento, de mídia, de produção
ou de coordenação faz o trabalho executivo do dia-a-dia.
O Duda é o nosso sócio majoritário e diretor da área de
estratégia e de criação. Ele é o diretor de criação. Então, temos uma equipe de
criação, na Duda Propaganda, que, quando temos um lançamento ou uma campanha a
ser feita, ele dá as diretrizes principais daquela campanha e a equipe de
criação da agência daquele cliente faz isso. Se é da área de marketing
político, a equipe de criação da área de marketing político,
com ele, faz essa criação.
Então,
eu gostaria de explicar, de uma forma bastante didática, para que os senhores
tivessem a informação e o conhecimento. Tudo isso que estou dizendo vocês podem
comprovar verificando não apenas, como eu já disse, os nossos contratos
sociais, os nossos escritórios, nosso pessoal, nossos balanços, nossa
contabilidade e nossos relatórios. Essa é a forma como trabalhamos.
Acho
que, basicamente, essa é a apresentação que eu queria fazer. Queria dizer que
nós, eu e o Duda, conversamos bastante sobre todos esses assuntos, porque de
todos os negócios nós tratamos juntos, muito junto eu e ele. Quero dizer que
estamos prontos para colaborar e para dizer toda a verdade do que é necessário
e os senhores gostariam de saber.
Estou à disposição.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Gostaria de informar à Sra Zilmar que chamaríamos o Sr. Duda
Mendonça agora, para fazer uma breve exposição e, terminada a exposição do Sr.
Duda Mendonça, os dois ficariam na Mesa Diretora dos trabalhos para que
comecemos a questionar. Primeiro, o Relator, depois os inscritos farão
perguntas, tanto para a Sra Zilmar quanto para o Sr. Duda Mendonça.
A SRª HELOÍSA HELENA (P–SOL – AL) – Sr. Presidente,
peço a palavra pela ordem rapidamente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Pois
não, Senadora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-Sol – AL) – Gostaria de fazer
um apelo a V. Exª, até por economia processual: que a Sra Zilmar
pudesse tratar um pouco, também numa breve explanação, da motivação que a
trouxe aqui. Ela fez uma belíssima explanação sobre a empresa. Nós quase
ficamos tentados a contratá-la – não teríamos dinheiro para isso. Mas faço um
apelo para que ela faça uma breve exposição sobre a motivação que a trouxe à
Comissão Parlamentar de Inquérito.
O SR. ARNALDO
FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Ela foi convocada.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Senadora Heloísa Helena, acho que o importante seria o Sr. Duda Mendonça vir
fazer uma exposição rápida. Seria muito mais importante para os debates isso
ficar claro.
A SRª HELOÍSA HELENA (P–SOL – AL) – Se os dois entendem
que ele tem mais elementos a contribuir, para mim, está tudo bem.
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Sr. Presidente,
gostaria de fazer uma comunicação, para não ficar com um problema na minha mão.
Serei breve. O Procurador-Geral de Belo Horizonte mandou-me uma caixa de
documentos pequena, contendo o auto de prisão em flagrante e outros detalhes
sobre a queima de documentos que estavam fazendo nas empresas do Marcos
Valério, inclusive constatação de endereços que não conferem com a realidade do
que foi exposto pelo primeiro depoente.
Então, eu queria autorização de V. Exª para entregar à
Secretaria e sair da minha responsabilidade, porque veio para mim...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Por
favor, Senador Romeu Tuma, é muito importante que V. Exª encaminhe à
Secretaria. Por favor.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, o Senador Romeu Tuma falou da prisão em flagrante, de quem?
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – Dos que estavam
queimando a documentação....
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Nome da
pessoa que foi presa em flagrante?
O SR. ROMEU TUMA (PFL – SP) – É o Contador Marco Túlio,
que foi preso em flagrante. Então, veio a cópia e também a constatação pericial
da queima de documentos... com 50% de....
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Convido o Sr. Duda Mendonça para tomar assento aqui à Mesa Diretora.
Eu gostaria de registrar que o Sr. Duda Mendonça já assinou
o seu termo de compromisso como testemunha, conforme o art. 203 do Código de
Processo Penal.
Vou passar a palavra ao Sr. Duda Mendonça, que terá de 15 a
20 minutos para a sua exposição.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, eu gostaria que V. Exª informasse quais são os advogados, até
porque hoje é o Dia do Advogado.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Quero aproveitar a lembrança, Deputado Arnaldo Faria de Sá, e parabenizar a
todos os advogados que têm marcado uma presença muito forte aqui nesta CPMI e
quero também registrar que os advogados do Sr. Duda Mendonça é o Dr. Pedro de
Abreu Dallari e o Dr. Aldo de Campos Costa.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Parabéns aos
advogados.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Com
a palavra o Sr. Duda Mendonça.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALVANTI MENDONÇA – Boa
tarde, Srs. Deputados, Srs. Senadores, Presidente, Sr. Relator, eu queria
começar agradecendo a oportunidade que vocês me deram. Eu não estava no script,
mas tomei a decisão, anteontem, de vir aqui porque eu acho que eu não podia
permitir que as coisas continuassem tomando o caminho que estavam tomando.
A idéia de vir cá é abrir meu coração e contar a vocês toda
a nossa participação, sem nenhum limite de reserva, de como as coisas
verdadeiramente aconteceram.
Ontem eu fiz 61 anos, sou baiano, de Salvador, comecei a
trabalhar como corretor de imóveis, e comecei a trabalhar em propaganda na
Bahia e marketing político e, sem falsa modéstia, consegui galgar uma
posição no cenário nacional e até mundial que...desculpem-me...muito me orgulha
e orgulha a minha família. Eu, talvez, não haja nenhum prêmio no mundo de
propaganda que eu não tenha conseguido ganhar nos últimos 20 anos, tanto com a
iniciativa privada como com campanhas governamentais.
Eu acho que, quando eu comecei a fazer campanha política, eu
compreendi que a primeira coisa mais importante era a audiência, os programas
do passado eram duros, feios, monótonos. E quem perdia com isso? Perdiam os
próprios candidatos, porque ninguém queria assistir. Acho que a entrada de
publicitário e a mistura com jornalista deram um novo colorido à campanha
política na televisão, ficando mais interessante de se ver e mais bonita,
conseqüentemente, aumentando a audiência. A televisão brasileira tem uma
qualidade muito grande, e é importante que os programas políticos também
tivessem essa qualidade.
Comecei a trabalhar há muito tempo, trabalhei para acho que
quase todos os Partidos, não me recordo dos nomes, mas trabalhei muito para o
PSDB, trabalhei muito para o PMDB, trabalhei para o Partido do Miguel Arraes, o
PSB, trabalhei, na época, para o PPB, de Paulo Maluf. Eu acho que os senhores
conhecem a minha história. Sempre procurei trabalhar com seriedade, fazer
campanhas limpas. Eu sempre defendi a teoria de quem bate, perde. Isso a
imprensa inteira sabe. Está no meu livro. E, com isso, eu fiz amigos, e
conquistei até o respeito dos meus adversários.
Eu entendia que ele era adversário do meu candidato, do meu
cliente, não meu. E eu nunca misturei essas coisas. Eu acho que, na campanha,
cada vez mais, as pessoas querem que falem de si e não dos outros. E foi dessa
forma que eu comecei a crescer e a trabalhar em vários Partidos e deixando
sempre, por onde andava, amigos, e meu nome foi crescendo.
Eu sou filho de um pai artista, de classe média. Eu tive uma
vida não vou dizer difícil, estudei em bons colégios porque ele acreditava que
a educação é básica, mas uma vida bastante apertadinha. Lá em casa só se
folgava quando o meu pai vendia um quadro, que aí, tinha dinheiro um pouquinho
mais folgado para a gente. E, aí, ele pagava o aniversário, o Natal, os
presentes atrasados. Meu pai era um homem muito sério; e ele me ensinou muita
coisa.
Nesse momento, a minha mulher, a minha irmã, meus sete
filhos estão assistindo ao meu depoimento. E o meu compromisso com a verdade é
muito mais do que meu, é de toda a minha família, é todos os meus amigos.
No início de 2001, eu fui chamado pelo PT para fazer a
campanha do Presidente Lula. E eu já tinha conhecido o Presidente Lula antes.
Uma vez ele já me tinha me chamado para fazer a campanha dele e que acabou não
sendo possível porque uma parte do PT não concordou por eu ter feito a campanha
do Paulo Maluf. Em 2001, eu fui novamente chamado. Eu fiquei com medo porque
sofri muito com aquela história de não poder ter feito a campanha. Eu digo
sempre que, quando eu entro na campanha, a campanha não é mais do candidato, é
minha campanha, é meu filho, é minha vida. Eu gosto de ganhar. Eu gosto de
ganhar bola de gude, par ou ímpar. E eu acho que o meu nome tem que estar
atrelado a sucesso e à vitória. E é isso que eu procurei fazer na minha vida
inteira. Eu sou um guerreiro, eu sou um lutador. E, aí, dessa vez, deu certo.
Então, o meu método de trabalhar com o PT – e sempre que
trabalhei em outras campanhas também foi assim –, eu procuro fazer um pacote.
Porque esse pacote implica...O pacote de 2001 implicava, nos horários
eleitorais gratuitos do primeiro e segundo turno, os comerciais de rádio e de
televisão e os comerciais e o programa eleitoral do segundo turno. Por isso, eu
cobrei do PT alguma coisa como 590. Eu quero dizer que o nível de número eu não
sou o indicado. Talvez, depois, se os senhores quiserem mais exatidão nos
números, eu posso fornecer, ou a Zilmar, talvez, possa esclarecer melhor do que
eu. Eu sou o cara que cria, o cara que cuida do marketing e da direção
de televisão.
Em
2002, eu fiz um novo pacote com o PT. Esse pacote incluía não só os comerciais
de televisão, no primeiro turno, como o programa do primeiro turno, como
algumas campanhas, alguns programas regionais e mais a campanha do Presidente
Lula, a campanha do Deputado Genoíno ao Governo de São Paulo, a campanha do
Senador Mercadante, a campanha da Benedita. Aí, nós apresentamos um pacote ao
PT, tudo incluído, se não me falha a memória, algo em torno de R$25 milhões e
alguma coisa.
Por que eu
faço pacote? E qual é a sistemática disso? Porque ao longo do tempo eu comecei
a aprender que eu, quando entro na campanha, a coisa é uma dinâmica muito
rápido. Eu quero uma pesquisa, hoje, eu quero uma pesquisa, amanhã, eu quero um
comercial, e, às vezes, isso não tinha essa dinâmica, porque, quando eu dizia:
“Eu preciso de mais vinte mil para fazer um comercial”, o cliente dizia: “Bom,
fala com outra pessoa, fala com o comitê”. “Mas você fez um comercial ontem”,
“mas eu acho que precisava um novo hoje”. E atrapalhava a minha vida.
Eu acho
que essa agilidade é um dos pontos fortes do meu trabalho. Eu queria outra
pesquisa amanhã, porque, de ontem para amanhã, a coisa mudou. Mas ele disse:
“Você não fez uma pesquisa ontem”? Eu disse: “Mas precisa outra”.
Então,
resolvi entrar em campanha englobando no meu preço tudo. Quer dizer, eu pego a
casa, eu monto a ilha de televisão, eu contrato pesquisa, eu contrato
apresentador, eu englobo todo o meu pacote, que vai desde a criação da campanha
gráfica a toda criação eletrônica, à produção de jingle e tudo. Eu só
não imprimo o cartaz nem coloco o cartaz na rua. Isso, diretamente, o candidato
faz. Mas tudo o que diz respeito à eletrônica, rádio, televisão, estratégia,
inclusive até a roupa do candidato durante a campanha. Nada Armani, como saiu
uma vez saiu na imprensa, porque sou que pago. E, na televisão, é cenário. O terno
bonito necessariamente não precisa ser caro. Muitas vezes até cortamos atrás. O
candidato, às vezes, está de bermuda, porque não vai aparecer. E, às vezes,
cortamos atrás, com fita crepe, para poder ficar mais elegante.
Então,
procura-se economizar. Mas a produção de televisão efetivamente é sofisticada e
cara.
Esse foi o
trabalho de 2002, que chegou ao final do ano com uma dívida de – se quiserem o
número exato, eu o tenho na minha pasta – onze e meio e alguma coisa. Por aí,
como onze e meio.
Então, é importante
que eu coloque de cara uma coisa, para os senhores entenderem como é que a
coisa funcionou. A minha força com o candidato é durante a campanha. Ali, se me
atrasar demais, eu posso dizer: “Eu não faço”. Eu paro. E acredito que há
pessoas aqui que seguramente podem dar depoimento a meu favor – não vou citar
nomes, por problemas éticos –, porque já houve isso em campanhas. É a minha
única defesa. Eu pago muito a terceiros. Então, acontece que, se alguém me
atrasa, eu atraso os meus fornecedores. Eu tenho um nome ligado exatamente a
cumprir tratos, por isso as pessoas querem trabalhar comigo. “Olha, Duda, eu
faço por esse preço”. Agora, o meu contrato é com você, não é com a campanha.
Eu pago. E já tomei cano em algumas campanhas e paguei todos os meus
compromissos.
Bom, aí
passei para 2003 com um débito de 11,5 milhões mais ou menos. Em 2003, fiz novo
pacote com o PT, um pacote de 7 milhões, que era o ano inteiro de assessoria
política para eles, a produção dos programas de rádio e televisão do primeiro
turno e do segundo turno e todos os comerciais do primeiro semestre e do
segundo semestre. E também o seguinte: nesse momento, criei para o PT uma idéia
de pegar cinco minutos dos programas regionais e deixar para o nacional. Então,
uma idéia que era muito boa, mas que me deixou meio louco e até contribuiu para
eu ficar um pouco mais careca, porque eu tinha que fazer programas especiais de
cinco minutos; a maioria nos Estados pelo menos grandes. Então, às vezes, os
cinco minutos de Minas eram diferentes dos cinco minutos do Rio, que eram
diferentes dos cinco minutos de São Paulo. Para os Estados menores, fazíamos
uma coisa mais ou menos igual. Mas eu tinha uma despesa muito grande.
Então, fiz
um contrato com eles, um pacote de sete milhões, para todo esse trabalho
durante o ano. Aí começou uma coisa esquisita: passou um débito na campanha de
2002 para 2003, e a gente sem força. Aí, os candidatos são eleitos ou
derrotados, mas a nossa força diminui. Na verdade, é o lado de lá que está com
a faca e o queijo na mão.
A Zilmar
começou a pressionar muito o Delúbio, em função de recebermos o dinheiro, um
dinheiro justo de um trabalho executado.
Eu queria
deixar claro para os senhores o seguinte: o meu dinheiro é limpo. Talvez essa
seja a coisa mais importante entre outras revelações que vou fazer. A minha
empresa é uma empresa séria, eu sou um cara honesto, eu pago todos os meus
tributos, até porque, quando faço para o cliente o meu orçamento, coloco 16% em cima. A minha empresa, a CEP,
é lucro presumido. Eu não ganho nada em receber por fora; ao contrário, talvez
eu não estivesse aqui nesse momento se tivessem me pago tudo bonitinho,
direitinho.
O Sr.
Delúbio disse a Zilmar que havia uma publicitário de Minas, o Sr. Marcos
Valério – até então uma figura absolutamente desconhecida para mim e, acredito,
para a Zilmar. Que o procurássemos que ele ia resolver o nosso problema.
Muito bem! O PT, naquele momento, tinha de nos pagar R$11,5
milhões, mais ou menos, e mais ou menos R$7 milhões; mas R$3 milhões eles
vinham pagando – refiro-me ao PT, diretamente, oficialmente, o Partido
nacional. Eles disseram que íamos receber R$4 milhões através do Sr. Marcos
Valério. A Zilmar o procurou, e ele começou a pagar.
No primeiro saque, eu me lembro que eu estava na Bahia –
isso porque campanha política é um ano da minha vida. Quem já trabalhou comigo
sabe que eu entro às 8 horas no comitê eletrônico e saio às 3 da madrugada. Lá,
eu tomo café, almoço e janto. É um ano da minha vida dedicado a isso. É muito
sofrido. Eu levo isso muito a sério e é muito sofrido.
Acabou a campanha, eu me mandei para a Bahia. Eu estava na
praia, quando a Zilmar me ligou: “Duda, aconteceu uma coisa esquisita: eu fui
receber a primeira parcela que me deram, de R$300 mil, e eu estou crente que
vou lá receber um cheque especial, no Banco Rural, e o cara me deu um pacote de
dinheiro”. Eu disse: “Ligue para ele e pergunte por quê”? Ele disse: “Vai ser
assim”. Ela recebeu. A gente tinha que receber.
Não quero ficar de santinho, nem de hipócrita, nem de
cínico, mas, na verdade, ou a gente recebia assim, ou não recebia. E eu tinha
coisas a pagar. Eu não tinha mais poder de decisão. O jogo estava na mão deles.
A minha parte eu já fiz. Agora, ou eu recebo assim, ou simplesmente eu tomo o
cano. Então, não havia alternativa.
Começamos a receber e a pagar também aos fornecedores. Foram
três prestações de R$500 mil e, depois, duas de R$250 mil, se não me engano.
Faço esta ressalva: posso pegar um papel, se for preciso, ou a própria Zilmar
dizer, ou, depois, mandar os números precisos para V. Exªs. Ela recebeu alguma
coisa como R$1,400 milhão, R$1,350 milhão. O Sr. Delúbio pagou, durante o ano,
para a gente, a importância, também em dinheiro, parcelado, ou ele mesmo pagava
à Zilmar ou mandava emissários pagar, ou a Zilmar mandava emissários receberem
nas mãos dele.
Em determinado momento, o Sr. Marcos Valério chamou a Zilmar
e lhe disse: “Traz uma conta lá fora, porque fica mais fácil pagar a vocês”.
Para nós, isso era uma coisa esquisita. Mas, de novo, era assim: ou traz a
conta lá fora ou não vai receber a grana. Confesso que eu estava muito
preocupado em receber o meu dinheiro. Eu tinha feito o meu trabalho, tinha
executado o meu trabalho, tinha conseguido eleger candidatos importantes e nada
mais justo, a meu ver, do que receber o dinheiro combinado.
Eu trabalho muito com o Banco de Boston, em Salvador. A vida
inteira trabalhei com o Banco de Boston e com o Banco do Brasil. Quando viemos
abrir a filial de São Paulo, também começamos a trabalhar com o Banco de
Boston. Comecei a pegar informações do Banco de Boston internacional. Eles
mandaram um rapaz para cá, e ele trouxe um formato de uma empresa para eu
assinar como procurador. Era uma empresa nas Bahamas, e havia a garantia de
sigilo completo.
A Zilmar passou o número para ele, e eles começaram a
remeter o dinheiro para a gente. Aí entrou Deus nessa história, porque, em
determinado momento, a conta deles não batia com a nossa. A SMP&B passou um
fax para a gente, contando todo o pagamento e de onde vinha.
Se não tivéssemos isso nas mãos hoje, seria muito complicado
para mim, porque, pelo que estou vendo, a estratégia é dizer que eu recebi aqui
e mandei para fora, quando isso não é verdade. Não recebemos nada em Minas, não
conhecemos ninguém de Minas, não recebemos das mãos de figura nenhuma. Fiquei
com medo, em determinado momento, quando aquele policial chegou aqui. E ele
dizia que esse cara pagou à gente. Eu disse à Zilmar: “Esse cara vai chegar lá
e vai dizer que pagou”. O pior é que fica uma briga de palavra com palavra, o
que é terrível para a gente.
Volto a dizer: o meu dinheiro é limpo. Coloco à disposição
de V. Exªs as minhas empresas todas, o meu sigilo, o meu Imposto de Renda.
Hoje, tenho uma situação boa, graças a Deus, às custas do meu trabalho. Ganhei
dinheiro à custa do meu esforço. Sou um publicitário bem-sucedido, não tenho
como negar isso. Mas sempre, cada tostão foi única e exclusivamente à custa do
meu trabalho.
E aí o dedo de Deus. Ela mandou todos esses comprovantes,
não digo do dinheiro todo lá para fora, que foi alguma coisa como 10 milhões,
mas muito perto disso, em depósitos fracionados. E, agora, quando houve esse
rolo, a gente começou a procurar. E pensei: “Meu Deus, vai ficar a palavra de
um contra o outro”. Graças a Deus, o nosso pessoal de contabilidade achou, lá
no fundo do baú, esses faxes.
Tenho
certeza de que, agora, vai ficar muito fácil separar o joio do trigo. Nesses
faxes há – posso pegá-los, porque vou encaminhá-los aos senhores – um do Banco
Rural Europa, enviando para a nossa conta U$25 mil. Há diversos de um BAC
Florida Bank – desse, tenho um fax da SMP&B com o nome da empresa em cima.
Tenho vários do Trade Link, tenho até um com um nome esquisito, um nome de
Israel, se não me engano. Há um aqui que achei esquisito para caramba.
Bom, vou passar isso, para não me alongar demais. Os
senhores vão poder consultar. Estou um pouco nervoso, então, depois vou passar.
Está aqui. Não quero cometer nenhum equívoco, não sei ler isso direito e
confesso que estou um pouco nervoso. Há inclusive um em que está escrito: “em
atenção de Geisa”, há um que está escrito, acho que é fácil, “com grafia alguma
coisa”.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Não é
Graffiti?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Não,
grafia. O exame grafotécnico vai descobrir de quem é a letra que está aqui.
Há um que diz: “de Jader para Geisa”. Não sei quem é Geisa,
sei que é uma secretária da SMP&B. E há um quadro que diz assim – como,
naquele momento, a gente começou a reclamar que o dinheiro não estava batendo
com o nosso caixa, há um quadro aqui que, em diversos momentos, está dizendo
assim: “faltando, faltando, faltando”. E, embaixo, tem escrito: “os valores que
estão apontados como ‘faltando’ estão sendo verificados pelo agenciador
remetente”.
Então, acho que isso que vou passar às mãos da CPMI...
Ontem, os nossos advogados, em São Paulo, foram muito humanos e sábios, quando
eu disse a eles: “Eu quero ir e falar a verdade”. Eles me disseram que isso
implica risco e me disseram quais os riscos, mas, para mim, o maior risco é eu
permitir que uma imagem construída, respeitável, ao longo de 30 anos, fosse
comprometida por uma coisa de que não me considero, nem de longe, culpado.
Quero dizer claramente aos senhores: posso ter cometido um
equívoco, um lapso, um erro fiscal, mas não cometi um erro sério, um erro de
honestidade, um erro de caráter. Realizei um trabalho, entreguei meu trabalho e
tinha como única forma receber aquela. Sei que, ao dizer tudo isso, corro
riscos, mas eu disse aos meus advogados que prefiro acabar com esse pesadelo de
uma vez e assumir a minha parte de culpa, na Polícia, aqui com os senhores, e
pagar o preço que for necessário, mas ir para a minha casa beijar os meus
filhos com a consciência tranqüila.
Era isso o que tinha a dizer nesse começo. Depois, vou estar
à disposição dos senhores para responder a qualquer pergunta.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Eu gostaria de convidar a Srª Zilmar Fernandes para vir à Mesa Diretora e...
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – E
abriremos já para as perguntas, começando pelo Relator, Deputado Osmar
Serraglio. PMDB – PR
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Sr.
Presidente, V. Exª poderia pedir ao Relator para nos informar sobre esses faxes
que o Duda está entregando? Qual é a origem desses faxes, para que tomemos
conhecimento. Qual é o banco? Para onde foi?
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Meu
caro Arnaldo Farias de Sá, vamos tirar as cópias necessárias para que todos os
Parlamentares as tenham.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Sr. Presidente, eu pediria
que distribuíssem agora as cópias, que serviriam de instrumento até para nós
fazermos os questionamentos e avançarmos nessa questão.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Essas
serão as providencias tomadas neste momento.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Suspende por
cinco minutos, então.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Imediatamente.
O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Finalmente,
Sr. Presidente, alguém veio a esta CPMI dizer a verdade. Se há alguém que veio
a esta CPMI dizer a verdade, com sinceridade, quero dizer que é o Sr. Duda
Mendonça.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Vou
passar a palavra ao Relator, Deputado Osmar Serraglio. PMDB – PR Depois, os
inscritos poderão fazer perguntas tanto à Srª Zilmar como ao Sr. Duda Mendonça.
Com a palavra o Relator, Deputado Osmar Serraglio. PMDB – PR
Eu pediria silêncio, por favor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Sr.
Presidente, Srs. Parlamentares, Sr. Duda Mendonça, Srª Zilmar, começo com um
pouquinho de dificuldade, porque, evidentemente, não tenho selecionado
especificamente o que deva ser informado por um ou por outro. De forma que
farei da seguinte maneira – penso que mais corretamente: direcionarei os
assuntos pertinentes às campanhas realizadas ao Sr. Duda Mendonça e, em
relação, imagino, à parte financeira, já que o Sr. Duda nos informou que não
teria muito conhecimento em relação a essa parte, eu faria as perguntas à Srª
Zilmar.
De alguma forma, V. Sª, Sr. Duda, já fez referência, mas,
resumidamente, para que possamos inclusive registrar nos assentos nossos aqui
da CPMI, pelo questionamento posterior, V. Sª teria condições de nos dizer
especificamente quais as campanhas políticas que a sua empresa patrocinou de
1998 para cá?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – O preço
que a gente fez, é isso? Bom, se eu esquecer de algum, não sou bom de memória.
Mas eu me lembro que a gente fez, de 98 para cá, a campanha do Senador
Garibaldi Alves, Rio Grande do Norte, Governador e Senador lá; fizemos a do
Senador Fernando Bezerra; fizemos, em Minas, a campanha do Senador Azeredo...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Um
pouquinho mais lentamente. Fernando Bezerra.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA –
Fernando Bezerra, Rio Grande do Norte, e Garibaldi Alves. Fizemos, em Minas, a
reeleição do Governador Azeredo e a de um Senador do qual não me recordo o
nome. Fizemos a campanha de Miguel Arraes, em Pernambuco; fizemos a campanha de
Britto e do Senador Pedro Simon, no Rio Grande do Sul. Acho que basicamente
foram essas. Posso verificar depois.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Nas
eleições de 1998?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – 98, sim,
senhor.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Na
seguinte?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Não,
fiz uma outra, do PT do Acre, de Jorge Viana.
Bom, a partir de 2001, fui contratado ...
A SRª ZILMAR FERNANDES DA SILVEIRA – Há mais
algumas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em
98, houve alguma na capital?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Posso
completar? Há mais algumas...
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Mas
não era de Presidente. E proporcional. A seguinte.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Posso
passar a outras?
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Pode.
A SRª ZILMAR FERNANDES DA SILVEIRA – Dante,
de Mato Grosso.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – 98.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – Em
2000.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Dante.
O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – E Oscar?
O SR. JOSÉ
EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Maluf, Oscar.
O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Não a minha,
mas só para relembrar.
A SRª ZILMAR FERNANDES DA SILVEIRA – Isso
mesmo.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Exatamente.
O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – Foi difícil,
mas...
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA –
Exatamente. Maluf e Oscar...
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) –
Senador Eduardo Suplicy, V. Exª terá
oportunidade de relembrá-lo.
O SR. EDUARDO SUPLICY (PT – SP) – É só para a
memória do depoente.
O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT – MS) – Nós
entendemos, meu caro Senador Suplicy.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Em 99,
praticamente, fiquei na Argentina.
A SRª ZILMAR FERNANDES DA SILVEIRA – Em 99 e
2000.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Em 99 e
2000. A gente fez várias campanhas em Córdoba. Trabalhamos para o Menen e
fizemos várias campanhas na Argentina.
A partir de 2001, nós nos aproximamos do PT e aí,
praticamente, só trabalhamos para o PT. Nas eleições de 2000, não houve
eleição; nas eleições de 2002. Depois, na eleição de 2003, não teve e, na
eleição de 2004, fizemos a campanha à Prefeitura de Recife, de João Paulo.
Fizemos, em Curitiba, Vanhone, também PT; fizemos da Marta, em São Paulo;
fizemos do Pimentel, em BH.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR (PMDB
– PR) – Só um instante. Em relação a 2002, com mais 2001, V. Sª fez do PT só?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Não, em
2000 não houve eleição. A partir de 2001 até 2004 e até hoje, só trabalhamos
para o PT.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR (PMDB
– PR) – Mas especificamente em 2002, ao PT, onde e a quem?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – A campanha do Presidente Lula a Presidente; a campanha do
José Genoíno a Governador de São Paulo; a campanha do Senador Aloizio
Mercadante, em São Paulo; a campanha da Benedita, no Rio de Janeiro; e a
campanha de um Senador do Rio de Janeiro, cujo nome, desculpem, também não me
recordo. Eu estava mais focado na campanha do Presidente, e minha equipe, mais
focada na campanha do Rio.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR (PMDB
– PR) – Em 2004?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Em 2004,
foram essas campanhas municipais que acabei de relatar: da Marta, em São Paulo;
do Vanhone, em Curitiba; do Pimentel, em Belo Horizonte; do João Paulo, em
Recife; e, em Goiânia, Pedro Wilson. Foram cinco campanhas.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR (PMDB
– PR) – Só fizeram de capitais?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Só de capitais. Houve outra de prefeito?
A SRª ZILMAR FERNANDES DA SILVEIRA – Não, só
as capitais.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR (PMDB
– PR) – Do Rio de Janeiro?
O SR. JOSÉ EDUARDO
CAVALCANTI DE MENDONÇA – Não, não fizemos.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – A
agência, de alguma forma, tinha pruridos em relação a fazer de um partido que
era adversário a outro, em determinadas situações, ou levava em consideração os
fins financeiros da agência?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Eu tenho um pouquinho de tempo para responder isso?
(Pausa.)
Comecei a minha vida na Bahia. Eu era estudante de Esquerda,
ia para a rua, nos tempos das passeatas, e comecei fazendo a campanha sempre da
Oposição na Bahia. A um determinado momento, acho que o candidato, na época,
não foi correto com a gente. Aí eu decidi o seguinte – eu tinha dois filhos
pequenos, gêmeos: que ia ser profissional, que ia fazer campanha para qualquer
um. Então, comecei a trabalhar para qualquer partido.
É uma coisa curiosa, porque inclusive mostra bem o meu
estilo de trabalho: fiz campanhas de partidos diferentes em vários Estados. E o
meu trabalho era compreendido e respeitado exatamente por eu não misturar. Se
eu era PSDB, no Estado de Minas, eu era PSDB, no Estado de Minas, para o que
desse e viesse; se eu era Arraes, em Pernambuco – aliás, foi uma campanha em
que falei um hora com o Arraes, dizendo que ele não tinha chance. Eu tinha uma
admiração muito grande por Miguel Arraes no meu tempo de estudante. E quando
acabei de apresentar um relatório, dizendo que eu achava que ele não tinha a
menor chance, eu disse: “Governador, eu não faço mágica”. Ele olhou para mim e
disse: “Ô, não faz, não? Disseram que o senhor fazia”. E eu disse a ele depois:
“Se eu soubesse fazer mágica, eu tinha feito”. Eu tinha pelo Governador Miguel
Arraes uma grande admiração – e tenho ainda.
Todas as campanhas que fiz, eu me envolvia com elas do mesmo
jeito. O tempo foi passando, a minha empresa foi crescendo, fui ganhando
dinheiro e consolidando a minha posição de empresário; e a minha empresa de marketing
político foi ficando importante, saindo do País.
Quando o PT me chamou, eu tinha um sonho. É engraçado,
porque acredito muito nessas coisas de predestinação. Por incrível que pareça,
a primeira campanha de Presidente que fiz foi a campanha do Presidente Lula. Eu
estive para fazer várias campanhas, inclusive, no primeiro momento em que o
Presidente Lula me chamou para fazer a campanha dele, que saiu no jornal,
recebi um telefonema do Presidente Fernando Henrique. Eu tinha feito o
parlamentarismo, e ele disse: “Duda, eu queria que você fizesse a minha campanha”.
Eu disse a ele – não me lembrava se era Senador, Deputado, Ministro: “Olha,
esperei que o senhor me ligasse; a gente tinha conversado sobre isso na
campanha do parlamentarismo, e eu esperei que o senhor me ligasse”. Ele disse:
“Não dá para você voltar atrás”? Eu disse: “Por mim, não, porque assumi um
compromisso”. E ele disse: “Duda, precisamos conversar sobre isso”. Depois, a
campanha do PT não deu certo, mas fiquei com vergonha de ligar para o
Presidente. Eu já estava com a campanha do PT praticamente criada e aí resolvi
não ligar.
Eu tinha feito a campanha do Fernando Collor, Governador de
Alagoas, inclusive criado a marca – eu e um diretor de arte meu, chamado João
– dos dois eles. E, quando vim a
Brasília, uma vez, conversar com ele, não bateu na minha pele o esquema e o
grupo da campanha, e Deus, mais uma vez, me tirou daquele momento. Então,
acabou.
No tempo em que eu disse ao Maluf que eu ia fazer a campanha
do Lula, ele brigou comigo e disse assim: “O que é que vou dizer”? Eu disse:
“Não sei o que o senhor vai dizer. Não estou aqui lhe pedindo permissão. Vim
aqui lhe comunicar. O senhor diz o que senhor quiser, pode dizer que sou doido,
pode dizer o que o senhor quiser. Eu vou fazer a campanha do Lula”. Ele disse:
“E a campanha do Senador Esperidião Amim? Eu disse que você fazia”. Eu disse:
“Eu não vou fazer. O senhor chama o Nelson Biondi. Ele faz. O Nelson Biondi é
um grande publicitário, é um grande marqueteiro. Eu vou fazer a campanha do
Lula”.
Acabei não fazendo a do Lula e não fazendo a dele. Acho que
fui fazer uma campanha em São Paulo para o candidato do Fleury, Barros Munhoz,
e não participei da campanha de presidente.
Então, por incrível que pareça, fiz campanha de presidente
fora do Brasil. Mas a primeira campanha de presidente que fiz foi a do
Presidente Lula. E, de 2001 – só afirmando o que o senhor perguntou – a 2004,
só trabalhei para o PT.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Mesmo nos Estados?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Mesmo
nos Estados.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Antes de lhe fazer a próxima pergunta, eu queria fazer
um esclarecimento, porque, com certeza, eventualmente, serei questionado. Vejo
aqui muitos advogados. Salvo engano, não sei se hoje é o Dia do Advogado, mas
pelo menos é o dia em que os cursos de Direito foram fundados no Brasil, em
Pernambuco e em... É o Dia do Advogado.
O SR. (Orador não identificado) – É o
nosso dia.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Então, é o Dia do advogado. Sou inclusive professor de
Direito na universidade.
Não quero ser questionado sobre um aspecto formal que está
ocorrendo à Mesa, mas, acima do aspecto formal, a forma franca e aberta com que
os dois que aqui compareceram estão expondo vale mais do que qualquer
compromisso. O Código de Processo Penal impede – e é o que se aplica
subsidiariamente às oitivas – que uma testemunha ouça outra.
De forma que desconsidero o termo, o aspecto formal, e
passam a ser, por hora, colaboradores da CPMI. E, à frente, se eventualmente
for necessário – à frente que digo é em outra oportunidade, porque,
evidentemente, a colaboração espontânea que o Duda Mendonça oferece nos leva a
prestigiá-lo também com o mesmo nível de respeito que tenho oferecido não à
Casa, mas ao País, com esses esclarecimentos.
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA –
Obrigado, Presidente.
O SR. RELATOR (Osmar
Serraglio. PMDB – PR) – Quem é que tratava com V. Sª em relação aos pagamentos
efetuados desde 2001, se se lembrar, nas diversas campanhas que realizaram pelo
PT? Inclusive, em relação a capitais, se esses relacionamentos financeiros eram
diretos com os diretórios regionais ou municipais ou era tudo tratado em âmbito
nacional? Como era o relacionamento, e com quem, no aspecto de pagamento?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Bom,
sempre com o Sr. Delúbio. No contrato, no pacote de 2001 – porque não havia
campanha –, sempre como Diretor-Tesoureiro do PT, o Sr. Delúbio Soares. Na
campanha de 2002, também com o Sr. Delúbio Soares e, no Rio de Janeiro, também,
com o comitê da campanha da candidata Benedita. Nas campanhas de Prefeito, no
ano 2003, esse contrato que fizemos, foi um contrato com o PT nacional, todos
os extratos financeiros com o Sr. Delúbio Soares. E, na campanha de 2004, mais
uma vez, a gente tratava com os comitês de campanhas regionais, mas o Sr.
Delúbio Soares acabava sendo o responsável por isso e se comprometendo a pagar
algumas coisas. Quero dizer inclusive que, da campanha de 2004, o PT me deve
alguma coisa como R$14 milhões.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) –
Ainda hoje?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA – Hoje.
O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB – PR) – V.
Sª teria condições de nos informar que critérios eram adotados – se era a
partir, digamos, de alguma razão específica da empresa, o porquê que Diretório
Nacional selecionava apenas alguma campanhas, no universo do PT nacional? Em
outras palavras, V. Sª fez campanhas restritas a determinados locais. Sabe
dizer por que não fez a outros em outras capitais?
O SR. JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI DE MENDONÇA –
Basicamente, eu tenho cinco equipes. Eu tenho condições de fazer, no máximo,
cinco campanhas. Então, na verdade, não era o Diretório Nacional quem decidia
isso, eram contatos pessoais com os próprios candidatos. Então, cada caso é um
caso. No caso de São Paulo, foi a própria candidata Marta quem procurou a
gente. No caso do Rio, a procura foi da própria candidata Benedita. O
Governador – Genoino é meu amigo de muito tempo, candidato ao Governo; o
Senador Aloizio Mercadante também é meu amigo de longo tempo. Então, na
verdade, eram eles que nos procuravam. Aliás, em 99% das campanhas que eu fiz,
eu fui procurado – 99.9% das campanhas que eu fiz eu fui procurado. Então, o
Delúbio não participava disso. Mas, no começo da campanha, eles...E como esses
pacotes – é importante que eu esclareça isso –, como o acerto era do ano – o
pacote –, havia coisas ali que eram pagas pelos PTs regionais e outras pagas
pelo PT nacional. Por exemplo: quando eu fazia o Programa Nacional do PT, do
horário gratuito, não-campanha, os comerciais e os programas de rádio eram
pagos pelo PT nacional. Quando eu fazia campanha, por exemplo, o mesmo programa
de um diretório regional, era paga por um diretório regional. Às vezes, o
Diretório regional pedia ajuda do Sr. Delúbio, e ele, dizia: “Olhe, então, o
Diretório regional lhe paga essa parte, e eu lhe pago essa parte”. Então, tudo
era feito: as partes das campanhas pelos comitês locais, a parte dos programas
estaduais eram pagas pelo PT regional, e às vezes complementadas pelo PT
nacional, e a parte do pacote que significava o PT Nacional, o Diretório
nacional, paga diretamente pelo Diretório Nacional.
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