Otávio
Praxedes
|
| Simone
explica à CPMI que nem todos os pagamentos eram feitos com recibo, porque
algumas pessoas não queriam ser identificadas. |
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)
dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), considerou que o depoimento da
diretora financeira da empresa SMPB, Simone Vasconcelos, dado nesta quarta-feira
à comissão, apenas ratificou o depoimento prestado por ela à Polícia Federal.
Segundo Delcidio, a CPMI vai agora cruzar as informações de Simone com
depoimentos anteriores, como o do empresário Marcos Valério, sócio da SMPB e
acusado de ser o operador do "mensalão". A comissão também vai analisar as
duas listas, encaminhadas nesta
quarta-feira à CPMI, com os nomes das pessoas que sacaram dinheiro supostamente
emprestado ao PT pela SMPB. As listagens - uma assinada por Marcos Valério e
outra por sua diretora financeira - totalizam cerca de R$ 63,6
milhões.
Valores divergentes A senadora Heloísa Helena
(Psol-AL) alertou que os valores das duas listas não batem com o montante da
relação encaminhada pelo Banco Rural à CPMI. Segundo a parlamentar, de acordo
com informações do banco, o volume de recursos sacados é maior. A diretora
financeira explicou à senadora que nem todos os pagamentos eram feitos com
recibo, porque algumas pessoas não queriam ser identificadas. Por isso, podem
não constar da lista. Esse foi, de acordo com Simone, o caso do ex-líder do PMDB
na Câmara, deputado José Borba (PR), que não quis se identificar na hora do
saque, assinando o recibo, o que foi feito pela própria diretora. Para o
deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), não há dúvidas de que os saques são muito
maiores do que os divulgados pelas duas listas.
Relações
políticas À CPMI, Simone Vasconcelos disse ainda que a SMPB presta
serviços publicitários aos governos de Minas Gerais e do Distrito Federal, aos
Correios, à Câmara dos Deputados, à Câmara Legislativa do DF e ao Ministério do
Esporte. Ela não soube dizer, porém, se houve custeio de campanha para o governo
do DF. Além de Marcos Valério, são sócios da empresa os publicitários
Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso. Segundo a diretora
financeira, cada um dos três sócios possui 1/3 das ações. Ela acredita que todos
tinham conhecimento dos negócios realizados pela SMPB, mas era Marcos Valério
quem se responsabilizava pelos contatos políticos. O deputado José Eduardo
Cardozo (PT-SP) lembrou que, em depoimento à Polícia Federal, Marcos Valério
teria dito que o mercado publicitário envolve submissão ao poder político, sem a
qual não se consegue sobreviver. "Então, o modus operandi de Marcos
Valério para captar clientes vai além do atual governo", concluiu
Cardozo. Cardozo ressaltou ainda que o empréstimo feito pelo empresário para
a campanha ao governo de Minas Gerais do senador Eduardo Azeredo, atual
presidente do PSDB, segue os mesmos moldes do empréstimo feito ao
PT.
Caixa dois O deputado Henrique Fontana (PT-RS) destacou que
vários partidos, e não só o PT, estão envolvidos nas denúncias de formação de
caixa dois para campanhas eleitorais. Ele citou o PMDB, PL, PFL, PSDB, PP e PTB,
afirmando que as investigações devem ser estendidas a todos esses partidos. O
parlamentar também lembrou que a diretora financeira Simone Vasconcelos exerceu
cargo de confiança na Secretaria de Administração de Minas Gerais quando Cláudio
Mourão ocupava a pasta. Mourão, segundo Fontana, foi tesoureiro da campanha ao
governo de Minas Gerais de Azeredo. Campanha que, ressaltou Fontana, teria sido
beneficiada pelo esquema de caixa dois montado pelo empresário Marcos
Valério.
Balanços O líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia
(PFL-BA), solicitou que Simone Vasconcelos forneça oficialmente à comissão os
balancetes trimestrais e os balanços anuais da SMPB dos últimos cinco anos. O
objetivo, de acordo com o parlamentar, é saber se a dívida contraída pelo PT com
a SMPB consta dos balanços. A diretora não soube dizer à CPMI se foram
firmados contratos a respeito dos empréstimos da empresa para o PT, nem se esses
empréstimos estão relacionados nos balanços. Segundo ela, as ordens para que
fossem feitos pagamentos com recursos supostamente emprestados ao PT eram dadas
por Marcos Valério. "Valério me avisava de que um empréstimo de determinado
valor iria entrar na conta e, aos poucos, ele ia informando quem deveria receber
o dinheiro", contou. |