Quinta-feira, 11 de Agosto de 2005    23:20

 

PARLAMENTARES SUGEREM BLOQUEIO DA CONTA DO PUBLICITÁRIO
por Cristiane Bernardes - CÂMARA DE NOTÍCIAS
 
Laycer Tomaz
A informação de Duda Mendonça de que recebeu dinheiro do PT em conta no exterior foi considerada muito relevante pela CPMI.

Durante o depoimento do publicitário Duda Mendonça na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, os parlamentares sugeriram o bloqueio da conta dele no exterior, por meio da qual o PT teria pago serviços prestados pelo publicitário desde 2002. O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) pediu ao presidente da comissão, senador Delcidio Amaral (PT-MS), que entre em contato com o Ministério Público, a Polícia Federal e o setor de recuperação de ativos do Ministério da Justiça para solicitar a quebra de sigilo fiscal da conta e o bloqueio da movimentação.
Cardozo também perguntou ao publicitário se a orientação para abrir uma conta off-shore no exterior foi do empresário Marcos Valério, apontado como operador do suposto esquema conhecido como "mensalão". Duda Mendonça respondeu ao parlamentar que essa orientação não foi do empresário, mas do próprio banco. O publicitário não soube informar quem são os outros sócios da empresa Dusseldorf, titular da conta.
Em resposta ao deputado, Duda Mendonça admitiu que, inicialmente, negou o recebimento do dinheiro para preservar o PT, que é seu cliente, e as suas empresas. "Agi profissionalmente até o momento em que achei que os fatos não afetariam a minha imagem e a das minhas empresas. Aos poucos, percebi que estava sendo usado em um conflito que não me dizia respeito", desabafou.

Rastreamento
O deputado Alberto Fraga (PFL-DF) disse que o depoimento desta quinta-feira confirmou a necessidade de contratação de uma empresa que faça o rastreamento do dinheiro que tenha circulado no exterior. Na opinião de Fraga, Duda foi o primeiro a dar uma informação relevante à comissão, ao confirmar que abriu uma conta no exterior, a pedido do empresário Marcos Valério de Souza, para receber dinheiro "por fora" do PT.
Na opinião do senador Pedro Simon (PMDB-RS), os rumos da CPMI foram mudados com a informação de que Duda Mendonça recebeu, em conta no exterior, dinheiro referente ao pagamento da campanha do presidente Lula em 2002. Depois do comentário do parlamentar, Duda respondeu que, em nenhuma hora, admitiu que o pagamento "por fora" foi referente à campanha presidencial. Segundo ele, parte do dinheiro dizia respeito ao pacote de campanha feito pelo PT, que incluía também as disputas pelos governos de São Paulo e do Rio de Janeiro e vaga no Senado.
O senador Pedro Simon ressaltou que seria bom se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falasse a verdade e apresentasse uma proposta à Nação ainda nesta semana. "Segunda-feira será tarde demais", assegurou. Simon observou ainda que as regras eleitorais precisarão ser mudadas para as eleições do ano que vem. "Não podemos ir para a eleição com esse quadro que está aí", destacou.

Lavagem de dinheiro
O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) lembrou que os R$ 10 milhões que estão depositados nas contas do empresário no exterior pelo pagamento de campanha pertencem, na realidade, ao Tesouro Nacional, porque são fruto de lavagem de dinheiro. Aleluia ainda ressaltou que, por saber que Duda é "um homem de bem", não acredita que ele movimente as contas.
O deputado informou ao publicitário que o fato de ele ter confessado espontaneamente o que fez à Polícia Federal e à CPMI reduz a sua pena pelo crime contra o sistema financeiro. Duda admitiu, mais de uma vez, que pode ter cometido crime fiscal, mas ressaltou que não cometeu nenhum "crime moral", pois não foi sua a escolha pelo pagamento por meio de conta no exterior.

Contrapartidas
O deputado João Fontes (PDT-SE) destacou que, como o depoente sabia que o dinheiro não estava sendo depositado de modo lícito, passou a ser co-autor do crime. O parlamentar questionou ainda o publicitário sobre o fato de ele não perguntar quais seriam as contrapartidas de um contrato de R$ 25 milhões com o PT. Ao final da reunião, o relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio, também revelou achar estranho que alguém como Duda Mendonça, obrigado a abrir uma conta no exterior para conseguir receber o valor de seu trabalho, tenha continuado prestando serviços ao PT depois disso.
Para o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), o depoimento de Duda reforça a tese de que o caixa dois foi montado para esconder a ação de uma quadrilha que movimenta dinheiro ilegal e se apropria de recursos públicos. A opinião é semelhante à da senadora Heloísa Helena (Psol-AL), que pediu ao publicitário cópia dos contratos fechados entre suas empresas e o PT.

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