Laycer
Tomaz
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informação de Duda Mendonça de que recebeu dinheiro do PT em conta no exterior
foi considerada muito relevante pela CPMI. |
Durante o depoimento do publicitário Duda Mendonça na Comissão Parlamentar Mista
de Inquérito (CPMI) dos Correios, os parlamentares sugeriram o bloqueio da conta
dele no exterior, por meio da qual o PT teria pago serviços prestados pelo
publicitário desde 2002. O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) pediu ao
presidente da comissão, senador Delcidio Amaral (PT-MS), que entre em contato
com o Ministério Público, a Polícia Federal e o setor de recuperação de ativos
do Ministério da Justiça para solicitar a quebra de sigilo fiscal da conta e o
bloqueio da movimentação. Cardozo também perguntou ao publicitário se a
orientação para abrir uma conta off-shore no exterior foi do empresário Marcos
Valério, apontado como operador do suposto esquema conhecido como "mensalão".
Duda Mendonça respondeu ao parlamentar que essa orientação não foi do
empresário, mas do próprio banco. O publicitário não soube informar quem são os
outros sócios da empresa Dusseldorf, titular da conta. Em resposta ao
deputado, Duda Mendonça admitiu que, inicialmente, negou o recebimento do
dinheiro para preservar o PT, que é seu cliente, e as suas empresas. "Agi
profissionalmente até o momento em que achei que os fatos não afetariam a minha
imagem e a das minhas empresas. Aos poucos, percebi que estava sendo usado em um
conflito que não me dizia respeito", desabafou.
Rastreamento O
deputado Alberto Fraga (PFL-DF) disse que o depoimento desta quinta-feira
confirmou a necessidade de contratação de uma empresa que faça o rastreamento do
dinheiro que tenha circulado no exterior. Na opinião de Fraga, Duda foi o
primeiro a dar uma informação relevante à comissão, ao confirmar que abriu uma
conta no exterior, a pedido do empresário Marcos Valério de Souza, para receber
dinheiro "por fora" do PT. Na opinião do senador Pedro Simon (PMDB-RS), os
rumos da CPMI foram mudados com a informação de que Duda Mendonça recebeu, em
conta no exterior, dinheiro referente ao pagamento da campanha do presidente
Lula em 2002. Depois do comentário do parlamentar, Duda respondeu que, em
nenhuma hora, admitiu que o pagamento "por fora" foi referente à campanha
presidencial. Segundo ele, parte do dinheiro dizia respeito ao pacote de
campanha feito pelo PT, que incluía também as disputas pelos governos de São
Paulo e do Rio de Janeiro e vaga no Senado. O senador Pedro Simon ressaltou
que seria bom se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falasse a verdade e
apresentasse uma proposta à Nação ainda nesta semana. "Segunda-feira será tarde
demais", assegurou. Simon observou ainda que as regras eleitorais precisarão ser
mudadas para as eleições do ano que vem. "Não podemos ir para a eleição com esse
quadro que está aí", destacou.
Lavagem de dinheiro O deputado
José Carlos Aleluia (PFL-BA) lembrou que os R$ 10 milhões que estão depositados
nas contas do empresário no exterior pelo pagamento de campanha pertencem, na
realidade, ao Tesouro Nacional, porque são fruto de lavagem de dinheiro. Aleluia
ainda ressaltou que, por saber que Duda é "um homem de bem", não acredita que
ele movimente as contas. O deputado informou ao publicitário que o fato de
ele ter confessado espontaneamente o que fez à Polícia Federal e à CPMI reduz a
sua pena pelo crime contra o sistema financeiro. Duda admitiu, mais de uma vez,
que pode ter cometido crime fiscal, mas ressaltou que não cometeu nenhum "crime
moral", pois não foi sua a escolha pelo pagamento por meio de conta no
exterior.
Contrapartidas O deputado João Fontes (PDT-SE)
destacou que, como o depoente sabia que o dinheiro não estava sendo depositado
de modo lícito, passou a ser co-autor do crime. O parlamentar questionou ainda o
publicitário sobre o fato de ele não perguntar quais seriam as contrapartidas de
um contrato de R$ 25 milhões com o PT. Ao final da reunião, o relator da CPMI,
deputado Osmar Serraglio, também revelou achar estranho que alguém como Duda
Mendonça, obrigado a abrir uma conta no exterior para conseguir receber o valor
de seu trabalho, tenha continuado prestando serviços ao PT depois disso.
Para o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), o depoimento de Duda reforça a tese
de que o caixa dois foi montado para esconder a ação de uma quadrilha que
movimenta dinheiro ilegal e se apropria de recursos públicos. A opinião é
semelhante à da senadora Heloísa Helena (Psol-AL), que pediu ao publicitário
cópia dos contratos fechados entre suas empresas e o PT. |