Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005    17:58

 

CPMI VAI SE CONCENTRAR NAS INVESTIGAÇÕES SOBRE OS CORREIOS
por Adriana Marcondes- CÂMARA DE NOTÍCIAS
 
Jane de Araújo / Agência Senado
Senador Delcídio Amaral (E) e o deputado Osmar Serraglio (D) fizeram um balanço sobre os trabalhos da CPMI dos Correios.

A partir da próxima semana, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios deverá concentrar seus trabalhos nos contratos feitos pela estatal. A informação foi dada hoje pelo presidente da comissão, senador Delcidio Amaral (PT-MS), e pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). A CPMI também passará a dividir os depoimentos, que serão tomados nas subcomissões.
Para a semana que vem, estão confirmados os depoimentos do ex-presidente do Banco Popular do Brasil (instituição ligada ao Banco do Brasil) Ivan Guimarães e o do genro do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Marcus Vinícius Vasconcelos.
Indicado para o cargo pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Guimarães vai comparecer na terça-feira (23). Ele é apontado como intermediário da negociação de um empréstimo no Banco Rural para a ex-mulher do deputado José Dirceu (PT-SP) Ângela Saragoça comprar um apartamento.
Marcus Vinícius Vasconcelos, por sua vez, deverá comparecer à comissão no dia seguinte. Ele foi acusado pelo ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho de ser o emissário do então presidente do PTB, Roberto Jefferson, na execução de um esquema de arrecadação de recursos na estatal para o partido.

Mais prazo
Recentemente, Maurício Marinho, que foi flagrado recebendo propina de R$ 3 mil, depôs no Ministério Público Federal e deu detalhes do esquema de corrupção nos Correios. A CPMI já solicitou o envio do material ao Congresso. Porém, o procurador da República José Alfredo de Paula e o delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha pediram hoje ao senador Delcidio prazo de duas semanas para esse envio. Com o adiamento, o procurador e o delegado esperam não prejudicar o cruzamento de informações que está sendo feito pelo Ministério Público.
Delcidio informou que Marinho tenta negociar com a Procuradoria Geral da República um acordo para valer-se da chamada delação premiada. Caso consiga o benefício, Maurício Marinho poderá ter a pena reduzida se for condenado. Para isso, no entanto, ele terá de revelar informações que interessem à investigação.
"Foi colocado esse tema (da delação), mas o Ministério Público está aguardando, cruzando informações, chamando outras pessoas para confirmar ou não aquilo que Maurício Marinho disse", explicou Delcidio.

Relações de interesse
Na avaliação do presidente da CPMI, o depoimento do ex-chefe dos Correios poderá indicar uma série de relações de interesse na estatal. O senador disse ainda que é fundamental a interligação dos trabalhos da CPMI com as ações do Tribunal de Contas da União (TCU) e com as investigações do Ministério Público. A medida, segundo ele, vai garantir "a unicidade e os bons resultados das investigações".

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