Jane de Araújo /
Agência Senado
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| Senador
Delcídio Amaral (E) e o deputado Osmar Serraglio (D) fizeram um balanço sobre os
trabalhos da CPMI dos Correios. |
A partir da próxima semana, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos
Correios deverá concentrar seus trabalhos nos contratos feitos pela estatal. A
informação foi dada hoje pelo presidente da comissão, senador Delcidio Amaral
(PT-MS), e pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). A CPMI também
passará a dividir os depoimentos, que serão tomados nas subcomissões. Para a
semana que vem, estão confirmados os depoimentos do ex-presidente do Banco
Popular do Brasil (instituição ligada ao Banco do Brasil) Ivan Guimarães e o do
genro do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Marcus Vinícius Vasconcelos.
Indicado para o cargo pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Guimarães vai
comparecer na terça-feira (23). Ele é apontado como intermediário da negociação
de um empréstimo no Banco Rural para a ex-mulher do deputado José Dirceu (PT-SP)
Ângela Saragoça comprar um apartamento. Marcus Vinícius Vasconcelos, por sua
vez, deverá comparecer à comissão no dia seguinte. Ele foi acusado pelo ex-chefe
do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício
Marinho de ser o emissário do então presidente do PTB, Roberto Jefferson, na
execução de um esquema de arrecadação de recursos na estatal para o
partido.
Mais prazo Recentemente, Maurício Marinho, que foi
flagrado recebendo propina de R$ 3 mil, depôs no Ministério Público Federal e
deu detalhes do esquema de corrupção nos Correios. A CPMI já solicitou o envio
do material ao Congresso. Porém, o procurador da República José Alfredo de Paula
e o delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha pediram hoje ao senador
Delcidio prazo de duas semanas para esse envio. Com o adiamento, o procurador e
o delegado esperam não prejudicar o cruzamento de informações que está sendo
feito pelo Ministério Público. Delcidio informou que Marinho tenta negociar
com a Procuradoria Geral da República um acordo para valer-se da chamada delação
premiada. Caso consiga o benefício, Maurício Marinho poderá ter a pena reduzida
se for condenado. Para isso, no entanto, ele terá de revelar informações que
interessem à investigação. "Foi colocado esse tema (da delação), mas o
Ministério Público está aguardando, cruzando informações, chamando outras
pessoas para confirmar ou não aquilo que Maurício Marinho disse", explicou
Delcidio.
Relações de interesse Na avaliação do presidente da
CPMI, o depoimento do ex-chefe dos Correios poderá indicar uma série de relações
de interesse na estatal. O senador disse ainda que é fundamental a interligação
dos trabalhos da CPMI com as ações do Tribunal de Contas da União (TCU) e com as
investigações do Ministério Público. A medida, segundo ele, vai garantir "a
unicidade e os bons resultados das investigações". |