Sexta-feira, 01 de Julho de 2005    03:59

 

CPI QUEBRA OUTROS SIGILOS
por Mariana Mazza - Correio Braziliense
Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios querem investigar todas as movimentações financeiras e fiscais — além dos contatos telefônicos — das empresas do publicitário Marcos Valério

 
Edilson Rodrigues/CB/29.6.05
Marcos Valério: parlamentares também querem investigar contas da mulher do publicitário
Todas as movimentações financeiras feitas pelas empresas do publicitário Marcos Valério de Souza serão investigadas pela CPI dos Correios. Ontem, os parlamentares aprovaram a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da DNA Comunicação e da SMPB Publicidade, agências de Valério que mantêm contratos com órgãos públicos. Na quarta-feira, a CPI aprovou a quebra de sigilo do publicitário como pessoa física.

Outras três agências consideradas do mesmo grupo empresarial terão seus segredos devassados: Multi Action, Grafite Comunicação e Estratégia Marketing e Promoção. Para que nada passe desapercebido pelo pente fino da CPI, foram solicitadas as quebras dos segredos da SMPB Publicidade e da SMPB São Paulo Comunicação, outros nomes usados pela mesma SMPB de Valério.

Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados à CPI dos Correios mostram que as duas principais empresas de Valério — DNA Comunicação e SMPB Publicidade — movimentaram pelo menos R$ 40 milhões entre julho de 2003 e maio de 2005.

A mulher do publicitário, Renilda Fernandes de Souza, também terá suas contas e informações telefônicas abertas pelos membros da CPI. Para os parlamentares, Valério pode ter feito operações ilegais em nome de sua esposa o que justificaria a liberação das informações fiscais, bancárias e telefônicas de Renilda.

Fechando o grupo dos suspeitos ligados às agências de publicidade, a comissão aprovou a quebra de sigilo da ex-secretária de Valério, Fernanda Karina Somaggio. Desde que Valério foi citado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como o responsável pela distribuição do mensalão aos congressistas, teve início uma série de entrevistas e depoimentos contraditórios da ex-secretária, tratada como a principal testemunha do esquema.

Estão agendados para a próxima quarta-feira os depoimentos de Karina e Valério na CPI. É grande a expectativa para que a comissão promova uma acareação, mas o acordo para que isto aconteça ainda não foi formalizado.

Correios
O ex-chefe do Departamento de Contratações dos Correios, Maurício Marinho, flagrado recebendo propina, terá também os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrado pela CPI, assim como os empresários que encomendaram a gravação do ato de corrupção.

Os parlamentares aprovaram ontem a abertura dos dados de Marinho e de Antonio Velasco, sócio da Comercial Alvorada de Manufaturados (Comam). Velasco é sócio de Arthur Wascheck, que confessou ter encomendado a gravação. A quebra de sigilo de Wascheck foi aprovada na última quarta-feira pela CPI.


Mais uma suspeita

Em um breve depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, Antônio Osório Batista, negou que tenha tido qualquer contato com os contratos de publicidade da estatal e abriu uma nova suspeita entre alguns deputados. Contratos da estatal à disposição do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) deixam claro que não só Osório Batista teve conhecimento do acordo fechado com a SMPB Publicidade, de Marcos Valério, como assinou um aditivo elevando o valor do serviço de R$ 72 milhões para R$ 90 milhões.

O contrato com a empresa de Marcos Valério foi assinado em dezembro de 2003 e o aditivo em novembro do ano passado. Outro processo com os mesmos valores, em favor da agência de publicidade Giovani FCB também foi aditado até o valor de R$ 90 milhões com o aval de Osório Batista. O diretor não teve tempo de responder às evidências porque seu depoimento foi suspenso com o início de uma votação no plenário do Senado.

Convocação
Os parlamentares da comissão de inquérito devem convocar Osório Batista novamente em outra ocasião. Ele era chefe de Maurício Marinho, que comandava a área de contratações da estatal e foi flagrado, em fita de vídeo, aceitando R$ 3 mil de propina nos Correios. O ex-diretor garantiu que jamais viu algo suspeito nos Correios. “Como é que eu, no 17º andar, vou saber que uma pessoa — que é meu subordinado, não nego a responsabilidade — está recebendo R$ 3 mil lá em baixo?”, argumentou ele, fazendo referência à sala de trabalho Maurício Marinho, que fica no primeiro andar do prédio da estatal. (MM)

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