por
Mariana Mazza
- Correio
Braziliense
Integrantes da Comissão
Parlamentar de Inquérito dos Correios querem investigar todas as movimentações
financeiras e fiscais — além dos contatos telefônicos — das empresas do
publicitário Marcos Valério
| Edilson Rodrigues/CB/29.6.05 |
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Marcos Valério: parlamentares também querem investigar
contas da mulher do publicitário
| Todas as movimentações financeiras feitas pelas empresas do
publicitário Marcos Valério de Souza serão investigadas pela CPI dos Correios.
Ontem, os parlamentares aprovaram a quebra dos sigilos bancário, fiscal e
telefônico da DNA Comunicação e da SMPB Publicidade, agências de Valério que
mantêm contratos com órgãos públicos. Na quarta-feira, a CPI aprovou a quebra de
sigilo do publicitário como pessoa física.
Outras três agências
consideradas do mesmo grupo empresarial terão seus segredos devassados: Multi
Action, Grafite Comunicação e Estratégia Marketing e Promoção. Para que nada
passe desapercebido pelo pente fino da CPI, foram solicitadas as quebras dos
segredos da SMPB Publicidade e da SMPB São Paulo Comunicação, outros nomes
usados pela mesma SMPB de Valério.
Dados do Conselho de Controle de
Atividades Financeiras (Coaf) enviados à CPI dos Correios mostram que as duas
principais empresas de Valério — DNA Comunicação e SMPB Publicidade —
movimentaram pelo menos R$ 40 milhões entre julho de 2003 e maio de 2005.
A mulher do publicitário, Renilda Fernandes de Souza, também terá suas
contas e informações telefônicas abertas pelos membros da CPI. Para os
parlamentares, Valério pode ter feito operações ilegais em nome de sua esposa o
que justificaria a liberação das informações fiscais, bancárias e telefônicas de
Renilda.
Fechando o grupo dos suspeitos ligados às agências de
publicidade, a comissão aprovou a quebra de sigilo da ex-secretária de Valério,
Fernanda Karina Somaggio. Desde que Valério foi citado pelo deputado Roberto
Jefferson (PTB-RJ) como o responsável pela distribuição do mensalão aos
congressistas, teve início uma série de entrevistas e depoimentos contraditórios
da ex-secretária, tratada como a principal testemunha do esquema.
Estão
agendados para a próxima quarta-feira os depoimentos de Karina e Valério na CPI.
É grande a expectativa para que a comissão promova uma acareação, mas o acordo
para que isto aconteça ainda não foi formalizado.
Correios O
ex-chefe do Departamento de Contratações dos Correios, Maurício Marinho,
flagrado recebendo propina, terá também os sigilos bancário, fiscal e telefônico
quebrado pela CPI, assim como os empresários que encomendaram a gravação do ato
de corrupção.
Os parlamentares aprovaram ontem a abertura dos dados de
Marinho e de Antonio Velasco, sócio da Comercial Alvorada de Manufaturados
(Comam). Velasco é sócio de Arthur Wascheck, que confessou ter encomendado a
gravação. A quebra de sigilo de Wascheck foi aprovada na última quarta-feira
pela CPI. |
Mais uma
suspeita
Em um breve depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos
Correios, Antônio Osório Batista, negou que tenha tido qualquer contato com os
contratos de publicidade da estatal e abriu uma nova suspeita entre alguns
deputados. Contratos da estatal à disposição do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ)
deixam claro que não só Osório Batista teve conhecimento do acordo fechado com a
SMPB Publicidade, de Marcos Valério, como assinou um aditivo elevando o valor do
serviço de R$ 72 milhões para R$ 90 milhões.
O contrato com a empresa de
Marcos Valério foi assinado em dezembro de 2003 e o aditivo em novembro do ano
passado. Outro processo com os mesmos valores, em favor da agência de
publicidade Giovani FCB também foi aditado até o valor de R$ 90 milhões com o
aval de Osório Batista. O diretor não teve tempo de responder às evidências
porque seu depoimento foi suspenso com o início de uma votação no plenário do
Senado.
Convocação Os parlamentares da comissão de inquérito
devem convocar Osório Batista novamente em outra ocasião. Ele era chefe de
Maurício Marinho, que comandava a área de contratações da estatal e foi
flagrado, em fita de vídeo, aceitando R$ 3 mil de propina nos Correios. O
ex-diretor garantiu que jamais viu algo suspeito nos Correios. “Como é que eu,
no 17º andar, vou saber que uma pessoa — que é meu subordinado, não nego a
responsabilidade — está recebendo R$ 3 mil lá em baixo?”, argumentou ele,
fazendo referência à sala de trabalho Maurício Marinho, que fica no primeiro
andar do prédio da estatal. (MM) | |
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