por Leila Suwwan e
Fernanda Krakovics (Brasília)
- Folha
de
S.Paulo
Um pouco de carinho
Sérgio Lima/Folha Imagem
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A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) assiste
ao depoimento acompanhada de sua afilhada, Clara, que não saiu de seu
colo | Em sala cheia e abafada, o
depoimento de Roberto Jefferson na CPI dos Correios foi dominado por seu tom de
encenação e ameaças, mas acabou temperado com piadas. A sessão estava lotada
por parlamentares. Fileiras de câmeras tumultuavam a área de imprensa e Roberto
Jefferson interrompeu a fala devido a um acidente: um tripé caiu na cabeça de
uma repórter, que foi socorrida pelo setor médico. Mais tarde, outro
atendimento. Com incômodo nos pontos que levou no rosto, uma enfermeira fez uma
bandagem abaixo do olho esquerdo de Jefferson. A senadora Heloísa Helena
(PSOL-AL) levou sua afilhada, Clara, 4 anos, e ficou a com menina no colo em
pleno interrogatório da CPI. Heloísa foi alvo de ironias de Jefferson, que
acusava todos de terem caixa dois de campanha. "Virgem aqui, só o PSOL, mas
também só até as próximas eleições", disse. Depois de Jefferson desqualificar
a gravação que deu origem à CPI, o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR),
quase pediu desculpas pelos questionamentos que faria. "Vou começar de forma
talvez apequenada." Sem apresentar provas como havia prometido e fugindo do
assunto principal, Jefferson causou burburinho ao chegar na sala da CPI dos
Correios com o olho roxo e inchado e uma pequena mala. Pessoas que assistiam à
sessão especularam que seriam os R$ 4 milhões que teriam sido dados pelo PT para
ajudar nas campanhas municipais do ano passado. Ao anunciar o conteúdo da
mala, a primeira intimidação: disse ter trazido as declarações de gastos
eleitorais de todos os integrantes da CPI, todos subestimados. O senador Roberto
Saturnino (PT-RJ) o interrompeu com protestos, e Jefferson retrucou. "Não estou
preocupado com o julgamento deste plenário, e sim com a população." Jefferson
também protagonizou momentos cômicos. "Amanhã eu posso até deixar de ser, por
vontade de vocês, deputado no Congresso Nacional. Mas advogado serei até o
momento em que nosso Deus me chamar para seu convívio", disse, e completou: "Se
ele achar que eu mereço", disse, levantado risos e dando um tapinha nas costas
do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Este, religioso, fez o
sinal da cruz três vezes e abriu a sessão pedindo a bênção de Deus. Algumas
presenças surpreenderam os presentes. Antes do depoimento, o cantor Agnaldo
Timóteo apareceu, dizendo querer dar um abraço no amigo Roberto Jefferson. LS, FK e CG |
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