por
Bernardo de la Peña e Gerson Camarotti
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BRASÍLIA. Denunciadas pelo ex-chefe do Departamento de Contratações dos Correios
Maurício Marinho como mais um foco de fisiologismo na estatal, as franquias já
começaram a ser investigadas pela CPI. O negócio movimenta R$ 1,9 bilhão por ano
e, segundo Marinho, envolveria políticos e seus apadrinhados, que receberiam
autorização para montar lojas dos Correios em todo o país.
Depois de
receber na quinta-feira a lista das 200 maiores agências franqueadas, que
movimentam R$ 1,077 bilhão anualmente, a comissão vai fazer um cruzamento dos
nomes dos proprietários das franquias com suas declarações de renda, na
tentativa de encontrar incompatibilidades e assim identificar possíveis laranjas
de políticos.
Além de investigar ligações de três entre as 200 maiores
agências franqueadas com filiados do PTB, a comissão recebeu relatório dos
Correios, feito a pedido da CPI, que aponta falhas no sistema de controle. Das
200 maiores agências franqueadas, 131 não têm sistema digital, como as usadas na
maior parte dos postos dos Correios. Essas 200 franquias respondem por 54,93% da
receita proveniente das agências franqueadas.
A ausência do sistema
digital, que registra as correspondências enviadas, permite eventuais
subfaturamentos, já que as agências são remuneradas por comissão. O assunto
deverá ser abordado na CPI durante o depoimento do ex-diretor de Operações dos
Correios Maurício Madureira.
Um dos casos investigados pela comissão é o
da agência franqueada Centro Sul, em Brasília, que está em 17 lugar entre as
maiores agências privadas. A franquia — que faturou entre julho de 2003 e junho
de 2004 R$ 11,126 milhões e recebeu R$ 1,8 milhão em comissões — pertence a
Maria Aparecida Oliveira Yung e a Márcia Cristina Lanzelote Varandas Argelo.
Márcia Cristina é ex-mulher do presidente do diretório do Distrito Federal do
PTB, o deputado distrital Gim Argelo.
Deputado diz que franquia foi
comprada há dez anos
Ele nega influência política e diz que a
franquia foi comprada há dez anos, antes de ele ser eleito deputado pela
primeira vez. Argelo informa ainda que está separado de Márcia Cristina há três
anos.
— Não há influência política. Se tivesse algo desse tipo na
franquia da minha ex-mulher, eu teria recebido contratos do Distrito Federal,
como do Detran ou da Secretaria da Fazenda. Mas isso não existe. Também não
tenho acesso ao governo federal — acrescentou Argelo.
Outras duas
agências franqueadas dos Correios em São Paulo, que juntas faturaram R$ 140
milhões entre julho de 2003 e junho de 2004 e receberam aproximadamente R$ 20
milhões de comissão, estão sob investigação da CPI, sob suspeita de também terem
ligações com o PTB paulista.
A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) cobrou
a investigação na CPI dos Correios sobre a existência de um esquema político de
uso de franquias:
— Isso é inaceitável. As franquias não podem ser
objetos de moeda política. É preciso estabelecer critérios técnicos. Vamos
investigar a relação dessas franquias com os Correios.
A CPI espera
receber ainda os grandes contratos dos Correios. Em seu depoimento, Marinho
levantou a suspeita de que, para as agências franqueadas com ligações políticas
seriam destinados grandes clientes. Em todo o país, existem 1,5 mil agências
franqueadas dos Correios. |
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