Quarta-feira, 06 de Julho de 2005    23:58

 

MARCOS VALÉRIO NÃO EXPLICA SAQUES EM DINHEIRO E PROPÕE AUDITORIA EM SUAS EMPRESAS
da Redação -
No depoimento do publicitário Marcos Valério de Souza à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios, senadores e deputados insistiram para que ele explicasse os saques em dinheiro, no valor de R$ 21 milhões, feitos entre março de 2003 e dezembro de 2004.

Os parlamentares queriam vincular as datas desses saques com as de suas viagens a Brasília, com o pagamento de "mensalão" e com as votações no Congresso, mas ficaram frustrados, porque o depoente foi enfático em afirmar que nunca havia ouvido falar em "mensalão" antes da imprensa tratar do assunto.

Para a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), não somente a CPI mas o Brasil inteiro quer saber porque ele e suas empresas fizeram saques tão vultosos em dinheiro vivo. Marcos Valério limitou-se a dizer que os saques se destinavam a pagar fornecedores, como artistas e pessoal no interior, que preferiam receber em espécie.

Em relação à origem do dinheiro, Marcos Valério negou que fosse decorrente de superfaturamento de contratos com empresas públicas. Ele propôs a realização de uma auditoria independente em suas empresas, em todos os contratos, pedindo que qualquer irregularidade encontrada seja divulgada à imprensa e à opinião pública.

O publicitário destacou não saber explicar as coincidências entre as datas dos saques em dinheiro, as de suas viagens a Brasília e as de votações importantes para o governo no Congresso Nacional.

Ao responder à senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) sobre sua conversa com o líder do PMDB, José Borba (PR), que teria sido para debater preenchimento de cargos no governo, Marcos Valério afirmou que o encontro se destinou, apenas, a discutir campanhas políticas do partido.

O senador César Borges (PFL-BA) quis saber sobre suas relações com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Marcos Valério disse ter se encontrado duas vezes com ele, mas negou ter lhe dado R$ 4 milhões, provenientes do PT, para campanhas eleitorais do PTB, conforme o deputado petebista já declarou várias vezes.

Ainda respondendo a César Borges, o publicitário disse desconhecer que o PT tivesse dívidas tão altas quanto R$ 27 milhões. Ele atribuiu à sua amizade com o tesoureiro Delúbio Soares a decisão de dar aval ao empréstimo de R$ 2,7 milhões ao PT no BMG, explicando que "aval não é negócio". Ele disse ter retirado o aval, depois de ter pago uma das parcelas vencidas

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) quis saber sobre as conexões do publicitário com as investigações realizadas pela CPI do Banestado. Ele confirmou ter sido convocado a prestar informações na Polícia Federal, mas negou ter conta no exterior.

- Minhas empresas já fizeram pagamentos no exterior, mas também não mantêm conta em nenhuma instituição financeira com sede em país estrangeiro - afirmou.
 

CPI deverá votar pedido de convocação de Genoino, Delúbio e Silvio Pereira

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga denúncia de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (CPI dos Correios) realiza nesta quinta-feira (7), às 9 horas, reunião administrativa para apreciar vários requerimentos, entre eles os que sugerem as convocações do presidente do PT, José Genoino, do ex-secretário geral, Silvio Pereira, e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Logo em seguida, por volta das 11 horas, será ouvido o depoimento de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O depoimento dela foi adiado da quarta-feira (6) para a quinta-feira (7), porque a oitiva de Marcos Valério se ultrapassou às 23 horas, horário em que esta matéria foi finalizada.

Durante as mais de 12 horas em que esteve depondo na CPI, Marcos Valério não ouviu um deputado ou senador dizer que acreditava nas suas palavras. Ao contrário, foram diversas as críticas feitas pelos parlamentares sobre o teor do seu depoimento. O deputado federal Enio Bacci (PDT-RS) chegou a indagar ao empresário se ele concordaria em responder aos questionamentos sob a avaliação de um detector de mentiras. Reticente, Valério condicionou sua aceitação à também concordância do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de se submeter ao aparelho.

Perto do final da reunião, o deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG) pediu a palavra para fazer uma declaração à CPI sobre encontro que manteve com Marcos Valério. Instantes antes, havia sido acertado que o parlamentar prestaria seu depoimento na sessão administrativa desta quinta-feira (7). Depois de comunicar que a narração desse encontro havia causado apreensão entre alguns deputados, ele resolveu antecipar sua revelação, e o fez publicamente.

Geraldo Thadeu contou que, quando prefeito de Poços de Caldas (MG), em torno de 1999, Marcos Valério comprou a "Feeling", empresa responsável pelos serviços de publicidade da prefeitura. O deputado revelou que, em uma visita de cortesia à sede de uma das empresas de Valério em Belo Horizonte, na companhia de um integrante do seu secretariado, ouviu de Valério o oferecimento de participar de uma possível campanha de reeleição sua, arrecadando recursos.

- Pelo que entendi, ele iria, através de pessoas e empresas que tinham contrato com a prefeitura, fazer gestões para arrecadar recursos para minha campanha. Não fui candidato à reeleição, não tive mais contato com ele, nem ele nunca arrecadou nenhum recurso para mim - afirmou Geraldo Thadeu, completando que o dinheiro arrecadado provavelmente entraria através de um "caixa 2" mantido pela empresa e dali seria sacado para a campanha.

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