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Tomaz
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| Fernanda
Karina entregou à CPMI fichário com os nomes de todos os contatos de Marcos
Valério. |
A secretária Fernanda Karina Somaggio, que trabalhou para o
publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, afirmou à Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios que o empresário Marcos Valério tinha
“grandes conhecimentos” no PT e no governo, mas que nunca o ouvira falar sobre
ter participado da indicação a cargos no Executivo. Valério é acusado de ser
operador do suposto esquema de pagamento de "mensalão" a parlamentares da base
aliada do governo. Fernanda Karina disse que, a pedido do ex-patrão, fazia
ligações freqüentes para o tesoureiro e o secretário licenciados do PT,
respectivamente Delúbio Soares e Sílvio Pereira, na sede do PT em São Paulo,
além de ter telefonado uma vez para o ex-ministro da Casa Civil, José
Dirceu. A secretária lembrou que marcou encontro em Brasília e em São Paulo
entre Marcos Valério e o deputado José Mentor (PT-SP), na ocasião em que o
parlamentar relatava a CPI do Banestado. Segundo Fernanda Karina, o ex-patrão
teria pedido a retirada de nomes do relatório do deputado. A CPI sugeriu o
indiciamento de 91 pessoas. A secretária disse ter picotado, na frente de Marcos
Valério, o conteúdo de diversas pastas relacionadas à CPI do Banestado. Ela
também reafirmou que o publicitário mantinha relações com o secretário-executivo
de Comunicação de governo, Marcos Flora, e com o diretor de Marketing do Banco
do Brasil, Henrique Pizzolato. A secretária entregou à CPMI um fichário com
200 nomes de contatos de Marcos Valério. Amanhã pela manhã, a CPMI volta a se
reunir para definir os próximos depoimentos.
Saques por
motoboys Fernanda Karina confirmou à CPMI que o ex-patrão usava motoboys
(identificados como Rapidinho, Marquinhos e Orlando), pelo menos uma vez por
semana, para fazer grandes saques em bancos. Segundo ela, o dinheiro retirado
pelos motoboys era entregue às funcionárias Simone Vasconcelos e Geisa dos
Santos, que distribuíam as notas em maletas “tipo 007”. Ela contou que, algumas
vezes, os motoboys encarregados de fazer saques em bancos chegavam à empresa com
uma mala grande, que era deixada no Departamento Financeiro da SMP&B. A
secretária revelou ainda que os motoboys faziam os saques no início da manhã,
antes da abertura das agências bancárias. Em resposta à senadora Heloísa
Helena, a secretária declarou que não faz sentido a versão apresentada ontem
pelo empresário de que os saques em dinheiro seriam utilizados para pagar
fornecedores. "Já trabalhei em grandes empresas multinacionais e a lógica é
pagar por meio de boletos bancários e transferência", disse. Fernanda Karina
admitiu ao relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que nunca viu o
dinheiro, mas sabia de sua existência por comentários dos motoboys. Ela relatou
ainda uma ocasião em que a funcionária Simone Vasconcelos, gerente-financeira da
SMP&B, retornou para Belo Horizonte exausta porque passara todo o dia em
Brasília contando dinheiro, enquanto homens entravam e saíam do quarto do hotel
em que se hospedava - ela costumava usar os hotéis Grand Bittar e Blue
Tree.
Acareação O relator da CPMI considera o depoimento da
secretária coerente e lógico. Ele afirma que será inevitável uma acareação entre
ela e Marcos Valério. Sua preocupação é quanto à possibilidade de o empresário
valer-se do habeas corpus que obteve para manter sua versão dos fatos sem cair
em contradições. Com o habeas corpus, ele teve o direito de, no depoimento de
ontem, não responder as perguntas que pudessem incriminá-lo. |