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Uma nota de esclarecimento encaminhada pelo deputado federal Roberto Jefferson
(PTB-RJ) à comissão parlamentar mista de inquérito na qual ele acusa o PT de
tentar preservar a imagem do partido atacando a honra e a integridade do PTB; a
aprovação de requerimentos convocando para depor o tesoureiro afastado do PT,
Delúbio Soares, e a mulher do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza,
Renilda Maria Santiago Fernandes; e a leitura de fax enviado pelo ex-ministro
Chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), pelo próprio Delúbio e pelos
dirigentes petistas Silvio Pereira e José Genoíno, contribuíram para esquentar a
reunião desta quinta-feira (7) da CPI dos Correios e ofuscar o depoimento da
ex-secretária de Marcos Valério, Fernanda Karina Sommagio. Em sua nota, Roberto Jefferson - que também teve seu sigilo
fiscal, bancário e telefônico quebrado nesta quinta-feira pela CPI - disse que
ao conceder entrevista ao humorista Jô Soares confundiu pergunta feita pelo
apresentador e falou inadvertidamente que membros da CPI recebiam o "mensalão".
O deputado explicou que, na verdade, ele estava referindo-se a integrantes do
Conselho de Ética da Câmara.
Mas Fernanda Sommagio, que depôs durante cerca de seis horas
na CPI, também trouxe novidades. Uma delas foi um apelo que fez a um
motoboy que supostamente teria sacado dinheiro no Banco Rural e que
estaria pensando em prestar depoimento mas não tinha coragem de fazê-lo por
temer por sua integridade física e até pela própria vida. "Por favor, apareça",
pediu a ex-secretária.
Fernanda Sommagio também revelou à CPI dos Correios que a
empresa SMP&B realizava pagamentos a fornecedores através de depósitos
bancários, transferência entre contas e cheques. Se a informação da depoente for
confirmada, desmonta parte da versão apresentada pelo empresário de que os
saques realizados nas contas de suas empresas - no valor de R$ 21 milhões entre
março de 2003 e dezembro de 2004 - seriam para o pagamento de
fornecedores.
Em outra passagem de seu depoimento, a ex-secretária revelou
que na véspera da divulgação do resultado da licitação para a conta de
publicidade dos Correios, Marcos Valério teria mandado encomendar a compra de
salgadinhos e bebidas, inclusive champanhe. No dia do anúncio da decisão, os
funcionários da SMP&B foram comunicados que haveria uma festa para comemorar
o fato de que a empresa - junto com a Giovanni e a Link - tinha vencido aquele
processo licitatório. Fernanda Sommagio respondeu negativamente a indagação do
relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), se outras "comemorações
antecipadas" teriam ocorrido. Ele comentou que a festa poderia ser um indício de
que o empresário no mínimo teve conhecimento antecipado do
resultado.
Durante o debate, o senador Pedro Simon criticou a
estratégia utilizada pelos parlamentares do Partido dos Trabalhadores e de
alguns integrantes da base aliada em tentar desqualificar a depoente ao invés de
buscar aprofundar a investigação. "Não é lógico querer se preocupar em desmontar
a testemunha, e eles passaram o tempo todo interessados em saber sobre a vida da
secretária", afirmou. |