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Em resposta a questionamentos de jornalistas, na tarde desta sexta-feira (8), o
relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse
considerar uma boa idéia a proposta do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que
sugeriu a centralização de todas as investigações que precisam ser feitas no
Congresso numa única CPI da Corrupção, que se dividiria em sub-relatorias - por
exemplo, sub-relatoria dos Correios, do "mensalão",
dos Bingos. - Talvez fosse uma coisa mais estruturada, porque os fatos se
estrelaçariam, e ficaria mais fácil. Seria tecnicamente melhor. É aquela velha
história sobre a definição de competências. Não podem dois órgãos distintos
examinarem o mesmo fato e chegarem a conclusões diferentes. Isso desacredita o
trabalho das CPIs - defendeu.
Para o relator, o início do funcionamento da CPI do "mensalão",
previsto para o final de julho, vai tirar o foco das atenções da CPI dos
Correios.
- As investigações serão concentradas em cima de parlamentares, que têm
visibilidade maior - comentou.
O relator comentou a denúncia divulgada nesta sexta-feira (8) pela
revista Época, segundo a qual Marcos Valério de Souza, acusado de ser o
operador do "mensalão", teria avalizado um outro empréstimo ao PT, dessa vez de
R$ 3 milhões, junto ao Banco Rural, em 2004. A informação, confirmada pelo
partido, prova que o publicitário mentiu em seu depoimento à CPI nessa semana,
quando garantiu que o único empréstimo ao PT no qual teria se envolvido seria o
de R$ 2,4 milhões junto ao BMG, também em 2004.
No entanto, apesar da evidência da mentira, o relator disse que o
habeas corpus concedido a Marcos Valério pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), que garantiu que ele depusesse como investigado, e não como testemunha,
impede que a CPI tome qualquer providência contra ele.
- Se ele tivesse prestado juramento, ele poderia ser incriminado por
falso testemunho, mas o habeas corpus impede que ele seja
responsabilizado por não ter falado a verdade. A decorrência disso é que ele vai
se desacreditar cada vez mais perante a opinião pública. Os olhos da dúvida vão
pender sobre ele - opinou. Serraglio contou que a CPI ainda
não recebeu os documentos referente aos saques feitos no Banco Rural em
Brasília, de onde, de acordo com as denúncias do deputado Roberto Jefferson
(PTB-RJ), sairiam os recursos do "mensalão". Esses dados não estariam
disponíveis no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). |