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Em depoimento na tarde desta terça-feira à Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o ex-diretor de Tecnologia e
Infra-Estrutura dos Correios Eduardo Medeiros afirmou que todas as licitações da
estatal passavam pelo Departamento de Contratação e Administração de Material,
que era chefiado por Maurício Marinho, acusado de corrupção e flagrado recebendo
R$ 3 mil em propina em gravação divulgada pela imprensa. A informação de Eduardo
Medeiros, dada em resposta a uma pergunta do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ),
desmente declaração do próprio Marinho, que em seu depoimento garantiu à
comissão que não tinha ingerência sobre a maior parte das
licitações.
Quem o indicou? Uma pergunta se repetiu em todos
os questionamentos de senadores e deputados feitos a Eduardo Medeiros: quem o
nomeou para o cargo do qual foi afastado após denúncias de corrupção? Medeiros
negou a todos que tivesse sido uma indicação do ex-secretário-geral do PT Sílvio
Pereira, como havia afirmado Maurício Marinho. Para Medeiros, sua nomeação
deveu-se a seu próprio currículo, a seu grande círculo de amizades e aos 23 anos
e meio de trabalho na estatal. No entanto, a deputada Juíza Denise Frossard
(PPS-RJ) insistiu, e Eduardo Medeiros disse que "a melhor pessoa para responder
a questão é o Silvio Pereira". No entanto, Medeiros já havia insistido, em
resposta a perguntas anteriores, que não tinha qualquer vinculação com Silvio
Pereira. Ele disse que encontrou o petista duas vezes na vida e, durante todo o
seu período na diretoria, falou com ele apenas uma vez por telefone. Medeiros
admitiu, porém, que nunca procurou desfazer a impressão de que seria ligado a
Pereira.
Visita de políticos Medeiros disse que não era
incomum na estatal que os diretores recebessem fornecedores acompanhados de
parlamentares. Segundo informou, o ex-presidente dos Correios João Henrique de
Almeida Sousa, afastado do cargo no mês passado, recebia de 15 a 20
parlamentares por dia em seu gabinete na estatal. Ele garantiu, porém, que em
seus 12 meses no cargo teria recebido apenas 12 políticos, alguns mais de uma
vez, resultando em um total de 15 a 16 visitas. Ele acrescentou que nenhum dos
políticos era do PT e que a maioria pertencia ao PMDB, "que tinha indicado o
presidente e quatro diretores da empresa". O ex-diretor disse ainda aos
parlamentares que, em seus 23 anos de Correios, sempre exerceu funções
comissionadas na empresa. Desde sua saída da diretoria, onde passou dois anos e
meio, esta é a primeira vez que ele trabalha sem gratificação. Ele disse ainda
que atuou como consultor da presidência da empresa durante oito anos, período em
que a estatal teve sete presidentes.
Sem favorecimento De
forma reiterada, Eduardo Medeiros negou que houvesse favorecimento de empresas
em licitações da estatal. Medeiros citou especificamente o caso da empresa de
informática Novadata, que havia sido apontada por Maurício Marinho como
ganhadora de grandes licitações nos Correios. Segundo Medeiros, em 2002, último
ano do Governo Fernando Henrique, a empresa teve um faturamento de R$ 66
milhões, resultante de contratos com os Correios. De dois anos e meio para cá,
durante o Governo Lula, esse faturamento caiu para R$ 15 milhões. Sobre as
suspeitas de irregularidades nas licitações dos Correios, Medeiros garantiu que
a área de tecnologia não é responsável pelas grandes compras da empresa. Como
exemplo, informou que só o contrato do tíquete-refeição fornecido aos
funcionários envolve mais recursos do que todas as compras do setor que
dirigiu. Segundo o ex-diretor, muitos dos contratos supostamente irregulares
apontados pelo ex-chefe Maurício Marinho pertencem a outras áreas. Seriam os
casos dos contratos com a Brasil Telecom, a cargo da Diretoria Comercial; e com
a Skymaster, da Diretoria de Operações. Nova negação também em outro ponto
polêmico. O ex-diretor informou que há dez anos não são aprovadas novas
franquias dos Correios. O que tem havido, segundo ele, são contratos de gaveta
entre franqueados e uma terceira pessoa. Ou seja, o franqueado passa seu direito
de explorar os serviços a alguém. Maurício Marinho havia insistido que a CPMI
investigasse as grandes franquias da estatal, pois poderiam ser encontradas
irregularidades nesse processo. PT autoriza CPMI a verificar movimentações bancárias
O senador Sibá Machado (PT-AC) apresentou à Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios uma carta formal da nova
diretoria do PT que coloca à disposição da comissão as contas e movimentações
bancárias do partido. Machado acrescentou que o líder do PT na Assembléia
Legislativa do Ceará, José Nobre Guimarães, pediu licença de seu mandato como
deputado estadual e também está à disposição para qualquer investigação da
CPMI. O assessor de José Nobre, José Adalberto Vieira da Silva, foi preso na
semana passada ao tentar embarcar em São Paulo com R$ 200 mil em uma valise e
100 mil dólares (cerca de R$ 240 mil) na cueca. José Nobre é irmão do
ex-presidente do PT José Genoino.
CPMI vai se concentrar em documentos no final de julho
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)
dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), anunciou que a comissão vai usar
a última semana de julho para analisar o "volume imenso" de documentos
referentes às irregularidades na estatal. Para o deputado Asdrúbal Bentes
(PMDB-PA), os depoimentos não vão esclarecer o caso porque são "muito evasivos".
Ele disse que só as provas documentais vão comprovar a relação entre as
ilegalidades nos Correios e as denúncias de suposto pagamento de "mensalão" a
deputados. Para o relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), os
parlamentares já têm condições de saber se houve irregularidades na estatal.
Todos os contratos da empresa serão analisados pela CPMI, e os sigilos bancários
dos principais envolvidos nas denúncias também estão à disposição. "Com isso
teremos condições de dizer se houve fraude ou favorecimento, e talvez até mesmo
de saber onde foi parar o dinheiro", avaliou o relator. O senador Delcídio
Amaral também entende que a fase de depoimentos está vencida, e que é preciso
começar a analisar o "volume imenso" de documentos referentes às irregularidades
nos Correios. "Tínhamos de dar uma resposta à sociedade, e por isso os
depoimentos foram importantes, mas agora é preciso nos concentrarmos no trabalho
de investigação", enfatizou. Mas na próxima semana, a CPMI ainda deve ouvir
o tesoureiro e o secretário-geral licenciados do PT, respectivamente Delúbio
Soares e Silvio Pereira. Os depoimentos ainda não têm data marcada.
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