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O senador Delcidio Amaral (PT-MS) afirmou que na noite desta terça-feira (12) a
CPI dos Correios viveu seu momento mais tenso, desde o início dos trabalhos. Ao
final do depoimento do ex-diretor de Tecnologia da Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos (ECT), Eduardo Medeiros, uma intervenção do senador
Eduardo Suplicy (PT-SP) quase provocou a prisão do depoente. Suplicy fez uma denúncia de corrupção envolvendo o ex-diretor e a
empresa Gadotti Martins Carrinhos Industriais. Ao ser questionado pelo senador
se conhecia Vilmar Martins, representante da metalúrgica, Medeiros negou.
Minutos depois, admitiu ter falado com o empresário há três dias, o que fez com
que vários parlamentares exigissem providências da direção da comissão, já que o
depoente, na condição de testemunha, não poderia mentir.
O senador Suplicy disse que foi procurado por Vilmar Martins, que lhe
contou que, em 1992, a Gadotti venceu uma licitação para o fornecimento de 901
carrinhos para a ECT. Quando seus funcionários foram entregar os produtos em uma
delegacia regional de Belo Horizonte, o gerente do estabelecimento lhes teria
informado que só receberia os carrinhos mediante o pagamento, à vista, de 20% do
valor da nota fiscal em dólares. Desse total, teria informado o gerente, 10%
ficariam com ele, enquanto que o restante iria para Eduardo Medeiros, que, na
época, exercia o cargo de superintendente na estatal.
Vilmar teria informado ainda que os Correios devem dinheiro à Gadotti,
cerca de R$ 700 mil, devido a atrasos de pagamento e correção monetária. Na
referida ligação em que teria conversado com Medeiros, o ex-diretor teria
oferecido a Vilmar o pagamento dessa dívida em troca do silêncio do
empresário.
A CPI chegou a suspender os trabalhos por alguns minutos para debater o
assunto. Ao final da discussão, o relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR),
comunicou aos presentes que o caso seria remetido ao Ministério
Público.
- Fazemos juízo político, não criminal - observou ele.
Apesar da tensão, Delcidio disse acreditar que a CPI demonstrou
maturidade.
- Mais uma vez, a CPI cresce em responsabilidade, equilíbrio e participação
de todos os parlamentares. Poderíamos ter feito um espetáculo de pirotecnia aqui
e desgastar a nossa imagem, mas avançamos muito, e tenho orgulho disso -
comentou.
Confira os pontos mais importantes do depoimento de Eduardo
Medeiros:
Indicação - Apesar de ter sido apontado pelo deputado Roberto
Jefferson (PTB-RJ) como apadrinhado político do ex-secretário geral do PT,
Sílvio Pereira, Medeiros afirmou reiteradas vezes que sua indicação para a
diretoria de Tecnologia foi estritamente técnica. Disse não ter contato com
Sílvio e afirmou ter conversado com ele uma única vez. O ex-secretário também
não teria interferido na formação de sua equipe, nem teria lhe solicitado que
favorecesse determinadas empresas em processos de licitação.
Licitações - Eduardo Medeiros foi questionado por parlamentares sobre
a compra, sem licitação, de 500 impressoras, no ano passado. Segundo o
ex-diretor, a licitação foi dispensada por se tratar de uma emergência, e a
empresa fornecedora teria sido a Seal, e não a HHP, supostamente ligada ao PT,
como havia informado o ex-chefe do departamento de Contratação e Administração
de Materiais, Maurício Marinho, flagrado em vídeo recebendo propina. Para
Medeiros, a dispensa de licitação, nesse caso, não prejudicou os Correios.
Novadata - Eduardo Medeiros negou que a empresa Novadata, do amigo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mauro Dutra, tenha sido favorecida em
processos de licitação na ECT. A Novadata fornece kits de equipamentos para o
Banco Postal. O deputado Roberto Jefferson alegou que existiriam irregularidades
nos contratos dos Correios com essa empresa. |