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Em depoimento, na noite desta quarta-feira (13), na Comissão Parlamentar Mista
de Inquérito que investiga denúncias de corrupção nos Correios, o
diretor-comercial da Skymaster Airlines, Luiz Otávio Gonçalves, alegou que sua
empresa foi prejudicada por um grupo de trabalho (GT) formado pela estatal, à
época do presidente Airton Dipp, em 2003. O objetivo desse grupo, de acordo com
o depoente, era renegociar, por meio de um pregão eletrônico, os contratos de
carga aérea sob suspeita de superfaturamento, entre eles, o que sua empresa
participava na Rede Postal Aérea Noturna.
Luiz Otávio afirmou que teria tentado reiteradas vezes negociar com
esse GT no âmbito da estatal. Ele atribuiu o insucesso a um suposto interesse
dos Correios em favorecer uma concorrente da Skymaster - a Promodal. Ele disse
que a estatal contratou, para assessorar os trabalhos, o brigadeiro Venâncio
Grossi, que, segundo o depoente, mantinha relações privadas com essa
empresa.
Segundo o diretor da Skymaster, o presidente do GT era afiliado ao
Partido dos Trabalhadores (PT), e que por isso, procurou o ex-secretário do PT,
Sílvio Pereira, no intuito de que ele intercedesse junto ao ministro das
Comunicações, à época, Miro Teixeira, para discutir o edital do pregão elaborado
pelo GT. Apesar de ter encontrado com Sílvio, não obteve sucesso em sua
reivindicação. Mas, continuou, acabou conseguindo a audiência com o ministro
pelo advogado Antonio Carlos de Almeida Castro - o Kakay. No encontro, disse o
depoente, o ministro teria prometido suspender o edital, que nunca foi suspenso.
O contrato da Skymaster com os Correios foi classificado como suspeito
pelo deputado Roberto Jefferson em seu depoimento à comissão. Segundo a revista
Época, a empresa Skymaster viu seu contrato de R$ 9,5 milhões mensais com
os Correios cair para R$ 4,7 milhões em um pregão eletrônico em 2003. Em 2004,
com a mudança do ministro das Comunicações, de Miro Teixeira para Eunício
Oliveira, a empresa pediu a revisão das tarifas e em agosto do mesmo ano o
contrato subiu para R$ 5,3 milhões mensais. Em dezembro, a Skymaster pediu
cancelamento do contrato e, em novo pregão, o valor foi ampliado para R$ 9,8
milhões mensais, ou seja, maior que o valor do contrato original. |