|
O senador Delcidio Amaral (PT-MS), presidente da Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) dos Correios, disse que enviará na próxima segunda-feira (18)
à Procuradoria Geral da República um ofício solicitando que os depoimentos dados
pelo empresário Marcos Valério e pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, ao
procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sejam disponibilizados
para a CPI. Ele acrescentou que já na segunda-feira os parlamentares da comissão
deverão ter acesso aos depoimentos.
Em seu depoimento ao procurador-geral, na quinta-feira (14), o
empresário Marcos Valério teria admitido que as operações de empréstimos feitos
ao PT foram realizadas sob orientação de Delúbio Soares, com a finalidade de
utilização em campanhas eleitorais. Delúbio teria confirmado essa informação em
seu depoimento na procuradoria, feito na sexta-feira (15).
Delcidio esteve na tarde de sexta-feira na Procuradoria Geral da
República e, ao sair, garantiu que Marcos Valério e Delúbio não citaram nomes de
parlamentares nem de partidos. Ele também negou que a procuradoria tivesse
realizado um acordo com o empresário mineiro, que pediu o recurso da "delação
premiada", instrumento pelo qual ele revelaria tudo o que sabe em troca do
alívio na pena.
- O procurador-geral entendeu que a delação premiada não se justifica,
pois isso prejudicaria as investigações da CPI, cujos resultados desaguarão no
Ministério Público -explicou o senador.
Sobre a possibilidade de a comissão de inquérito pedir a prisão
preventiva de Marcos Valério por causa da queima de documentos de suas empresas,
conforme provas encontradas em Belo Horizonte, Delcidio disse que consultaria
antes a assessoria jurídica da CPI. |