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O ex-secretário geral do PT, Sílvio Pereira, deve prestar depoimento
nesta terça-feira (19) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos
Correios na condição de investigado, de forma que não será obrigado a responder
a todas as perguntas. Essa garantia foi concedida pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), que deferiu o pedido de habeas corpus impetrado por Pereira e por
Delúbio Soares, na semana passada. O ex-tesoureiro depõe na
quarta-feira.
O ministro do STF Nelson Jobim argumentou que a Constituição garante que
"qualquer pessoa que preste depoimento em qualquer das esferas do Poder Público
pode utilizar-se do direito ao silêncio para evitar a auto-incriminação".
- Mesmo com esses habeas corpus poderemos
aproveitar os depoimentos. Se deixarem de responder a alguma pergunta, saberemos
que eles poderiam estar se incriminando - sustentou o relator da CPI, deputado
Osmar Serraglio (PMDB-PR).
A CPI deve ouvir novamente o empresário Marcos Valério na quinta-feira
(21). A nova oitiva é motivada pelos depoimentos prestados por ele e por Delúbio
Soares ao procurador-geral da República na semana passada e pelas entrevistas
que ambos concederam à imprensa, admitindo um esquema de empréstimos para
custear as campanhas eleitorais do PT.
As cópias desses depoimentos chegaram nesta segunda-feira à CPI. De
acordo com o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), integrante da comissão, o conteúdo
dos depoimentos é semelhante ao das entrevistas. O senador também adiantou que
deve chegar na próxima terça-feira (19) o restante dos documentos referentes às
quebras de sigilo bancário solicitadas pela CPI, entre eles, aqueles referentes
ao empresário Marcos Valério e suas empresas. Os documentos serão mandados pelo
Banco do Brasil e pelo Banco Rural.
- O Banco do Brasil já avisou que são muitos documentos - comentou o
senador acrescentando que na lista que Marcos Valério entregou ao
procurador-geral, apontando os nomes das pessoas que sacaram dinheiro das contas
de suas agências de publicidade, não haveria nome de nenhum parlamentar. |