Laycer
Tomaz
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| Serraglio
(E) acha possível que novos nomes apareçam com uma avaliação mais aprofundada
dos documentos. |
O conteúdo dos documentos apreendidos pela Polícia Federal em Belo Horizonte,
que foram entregues nesta quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, decepcionou
deputados e senadores que tiveram acesso aos papéis. A documentação inclui
cópias das ordens de pagamento, extratos bancários e cópias de cheques das
contas pessoais e de agências de publicidade de Marcos Valério Fernandes de
Souza, acusado de ser o operador do "mensalão". No entanto, de acordo com os
parlamentares, a lista de políticos e outras pessoas que teriam recebido
pagamentos do empresário é bem menor do que se supunha, e não traz muitas
novidades.
Suspeita de triagem A senadora Ideli Salvatti
(PT-SC) suspeita que tenha havido uma triagem dos documentos antes da entrega à
CPMI. "Os indícios são muito fortes", apontou. Ela observa que, das inúmeras
caixas de papéis que vieram do Banco Rural, somente aquela que continha
informações já divulgadas na imprensa estava organizada. "As outras caixas
estavam com tudo misturado, bagunçado e, pior, desgrampeado. Os documentos que
comprovavam quem sacou foram visivelmente arrancados."
Dados
conflitantes Segundo o relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio
(PMDB-PR), a avaliação superficial dos documentos do STF indica que não há
novidades, mas ele acha possível que novos nomes apareçam com uma avaliação mais
aprofundada. O relator pondera que os documentos não seriam adulterados. No
entanto, ele também levanta suspeitas sobre disquetes de computador recebidos
pela CPMI, que apresentariam dados conflitantes. O deputado Pompeo de Mattos
(PDT-RS) ressalta que, nos documentos do STF, existem alguns nomes diferentes
daqueles que a CPMI já tinha. "Estamos checando para ver se há ligação com
parlamentares, mas não tem o volume ou a importância, enfim, nem a revelação
bombástica que todos nós esperávamos."
Depositários No entanto,
Pompeo de Mattos não vê sinal objetivo de que alguém tenha adulterado qualquer
documento. "A CPMI tem de continuar a sua investigação. Devemos agora convocar,
além dos grandes sacadores, os grandes depositários das contas de Marcos
Valério." Entre eles, o deputado cita o banqueiro Daniel Dantas, que controla as
empresas de telefonia Telemig Celular, Amazônia Celular e Brasil Telecom, todas
elas autoras de grande volume de depósitos. O deputado Antonio Carlos
Magalhães Neto (PFL-BA) também não acredita que tenha havido triagem de
documentos para prejudicar quem quer que seja. "Isso aí é mania de perseguição.
Não se pode levantar suspeitas nem a favor nem contra, sendo governo ou
oposição." |