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A Receita Federal vai colocar auditores à disposição da
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. A missão deles será
analisar os milhares de documentos que a comissão já recebeu. A ajuda foi
definida hoje em reunião entre o relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio
(PMDB-PR), o sub-relator Gustavo Fruet (PSDB-PR) e o secretário substituto da
Receita Federal, Ricardo Pinheiro. A Procuradoria Geral da República e o
Tribunal de Contas da União (TCU)
também liberaram técnicos para a tarefa.
Ajuda nas
investigações A colaboração da Receita, segundo Serraglio, vai ser mais
importante nas situações em que o órgão já esteja movendo ação fiscal contra os
investigados pela CPMI. São os casos das empresas SMPB, DNA, 2S, Grafitti e
Solimões, do empresário Marcos Valério de Souza, apontado como o operador do
suposto “mensalão” pago pelo PT a parlamentares da base aliada do governo.
Valério e a mulher dele, Renilda Maria Santiago de Souza, também estão
respondendo a processos na Receita como pessoas físicas. Osmar Serraglio
informou que os documentos referentes à quebra dos sigilos de Marcos e Renilda,
bem como de suas empresas, serão entregues à Receita Federal. Em contrapartida,
a Receita vai entregar à CPMI as declarações fiscais do casal. O relator
adiantou que é grande a diferença entre os valores que circularam nas contas dos
dois e os que constam das respectivas declarações. Sobre o pedido de prisão
preventiva de Marcos Valério, aprovado nesta semana pela CPMI, Serraglio disse
que está aguardando a chegada do auto de apreensão dos documentos de empresas do
investigado que foram queimados em Minas Gerais. O auto será encaminhado à
Procuradoria Geral da República junto com o pedido de
prisão.
Continuação dos trabalhos Segundo o relator, a CPI
Mista vai continuar trabalhando com afinco, mesmo que o PL retire a
representação para cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da
Câmara, como tem sido anunciado pela imprensa. De acordo com as
notícias, um acordo entre o PT e o PL garantiria a retirada do processo contra
Jefferson e este, em troca, desistiria do pedido de cassação dos deputados que
acusou de estarem envolvidos com o "mensalão". Serraglio avisou que os
parlamentares que forem condenados pela comissão serão punidos. "O nosso
trabalho não vai terminar em pizza. Nós estamos levantando dados que vão
importar em crimes de sonegação, falsidade, corrupção e peculato. Se tem
parlamentar envolvido em corrupção, ele pode até manter o mandato, mas lá na
frente vai terminar sendo cassado pela Justiça", afirmou.
Hipótese
afastada Em entrevista no Senado, o presidente da CPMI, senador Delcidio
Amaral (PT-MS), também afastou a hipótese de um acordo partidário para evitar a
cassação de parlamentares. "A CPI não fez e não foi procurada por ninguém para
fazer qualquer tipo de acordo”, disse. “Nós temos 15 dias para trabalhar
fortemente no cruzamento de informações, e vamos dar encaminhamento ao que for
apurado". Delcídio disse ainda que concorda com a idéia de uma agenda mínima
para os trabalhos do Congresso, como vem sendo defendido pelo setor privado. O
objetivo seria evitar a paralisação do governo. |