BRASÍLIA - O empresário Artur Wascheck Neto, dono da empresa Coman,
confirmou ontem na CPI dos Correios que contratou a gravação da fita em que o
ex-diretor do Departamento de Contratatação e Administração de Material da
empresa Maurício Marinho foi flagrado recebendo R$ 3 mil. Segundo ele, o
objetivo da gravação era denunciar ao então diretor de Administração da estatal,
Antônio Osório, o esquema de cobrança de propinas montado por Marinho.
O empresário saiu em defesa de Osório afirmando que ele não
conhecia metade do que acontecia na área de atuação de Marinho e que este era o
''dono da situação.''
A fita com as gravações clandestinas foi gravada por Joel dos
Santos, um ''amigo de bar'' e Jairo Martins de Souza, dono da empresa Sam
Alarmes. Ele conseguiu o flagrante usando uma mala com uma microcâmera. Wascheck
disse aos membros da CPI que Marinho fazia barganha na execução de contratos.
Contou ainda que ele era conivente com grandes empresas, as quais beneficiava.
Como exemplo, citou o caso da Prot Line, que comercializa malas postais e tênis,
ganhou a licitação e teve a mercadoria foi devolvida, segundo o depoente, por
ser de qualidade inferior. Mesmo assim, de acordo com ele, a empresa não recebeu
multa e nem foi afastada, durante cinco anos, do processo licitante, conforme
determinava o edital.
Segundo o empresário, o dono da Prot Line se apresentava como
amigo do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), que mais tarde
divulgou nota negando qualquer envolvimento na denúncia.
Em contrapartida, o empresário foi contundente ao afirmar que
recebeu multa equivalente a R$ 1 milhão por ter tido problemas com fechaduras de
cofres que iria instalar no órgão, por meio de licitação vencida.
Disse que não conhece o deputado Roberto Jefferson e explicou
que resolveu enviar a fita ao petebista por saber que o partido fez indicações
para a Diretoria de Administração dos Correios. A gravação chegou às mãos de
Jefferson por intermédio do coronel Arlindo Molina. O depoente disse, no
entanto, que não contava que Jairo Martins iria divulgá-la à imprensa.
O empresário disse não imaginar que a gravação fosse repercutir
dessa forma, o que, para ele, foi algo negativo para quem não tem ''pretensões
políticas''.
O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), um dos integrantes da CPI,
disse estar certo de que Wascheck participou de fraude e de negócios ilícitos
nos Correios e que, com a fita, sua intenção era chantagear Marinho e tentar
participar do sistema de corrupção da estatal. O parlamentar também disse
acreditar que Wascheck tem relação com a Agência Brasileira de Inteligência
(Abin) e que a gravação foi feita, principalmente, com interesses comerciais,
mas também, políticos.
A CPI também ouviu ontem Antônio Velasco, sócio da Comam.
Segundo ele, no mês passado, Wascheck teria retirado um valor entre R$ 20 mil e
R$ 27 mil do caixa da empresa para fazer um empréstimo ao coronel Arlindo
Molina. Parlamentares da CPI consideraram importante a revelação. |