Sábado, 25 de Junho de 2005    16:07

 

TRABALHO DA CPI DOS CORREIOS PROVA NÃO SER CHAPA-BRANCA, DIZ DELCÍDIO
da Agência Brasil - Correio Braziliense

16h07-Com uma semana de trabalho, três depoimentos prestados e 110 requerimentos aprovados, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a corrupção nos Correios mostrou que não é "chapa-branca". A avaliação é do presidente da CPMI, senador Delcídio Amaral (PT-MS).

As investigações nos Correios começaram após a divulgação, em maio, de uma gravação em que o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal Maurício Marinho aparecia recebendo suposta propina de empresários. No vídeo, ele também falava sobre um suposto esquema de arrecadação ilegal de fundos a partir de funcionários de confiança indicados para estatais pelo PTB.

Esta semana, Marinho foi um dos primeiros depoentes da CPMI. Leia a seguir trechos da entrevista do presidente da comissão.

Primeiro, o sr. poderia fazer uma avaliação desta primeira semana de trabalhos da CPMI?
Delcídio Amaral –
Nós avançamos bastante. Foi um trabalho intenso, a cada dia fica claro que não é uma "CPI chapa-branca", até porque nós conseguimos aprovar de cara 110 dos 160 requerimentos, deixando ajustada toda agenda daqui para frente. Com isso, já estabelecemos um ritual de condução para esta semana e para a seguinte, honramos o compromisso (com os líderes governistas e da oposição), tanto que formalizamos convocações já combinadas. Os próximos requerimentos, nós vamos aprovar ao sabor das investigações. A semana que vem será a mais importante para os trabalhos da CPMI.

Senador, o depoimento de Maurício Marinho (ex-chefe de departamento dos Correios), será referência para os trabalhos da CPMI nas próximas semanas? Ele apresentou uma lista de contratos dos Correios que seriam suspeitos. Ao mesmo tempo, deputados têm identificado contradições no depoimento dele e de outras pessoas ouvidas.
Delcídio –
Primeiro, em relação ao depoimento do Marinho, as opiniões são as mais díspares. Ele fala uma coisa na gravação, fala outra na Polícia Federal, dá versões diferenciadas sobre determinados assuntos nos dois dias de depoimento à comissão. Nós estamos trabalhando em cima de todos esses depoimentos. Isso não vai impedir que venhamos a reconvocar o Maurício Marinho para prestar outros esclarecimentos, eventualmente até numa sessão fechada.
Na quinta-feira, que aparentemente seria de depoimentos previsíveis, de uma gravação em função de interesses comerciais, o segundo depoimento, que foi do Antônio Velasco, logo em seqüência do depoimento de Arthur Washeck (os dois empresários são os supostos mandantes da gravação que deu início ao caso), mostrou que, pelos sinais, não é uma gravação focada só em interesses comerciais dos Correios e do Marinho. Aparentemente há ramificações maiores e isso nos levou, inclusive, a convocar quem fez as gravações para depor na próxima terça-feira.

CPI quer apontar soluções e não apenas culpados, diz Delcídio

18h52-A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a corrupção nos Correios espera não só encontrar culpados, mas também soluções para evitar o desvio do dinheiro público. É o que afirma o presidente da CPMI, senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Na quinta-feira, o empresário Antônio Velasco demonstrou aos senadores e deputados da comissão como seriam os procedimentos utilizados para fraudar leilões eletrônicos, sistema utilizado nos Correios. Velasco é sócio de Arthur Washeck. Os dois são supostos mandantes da gravação cuja divulgação detonou as investigações nos Correios.

A gravação, apresentada em maio pela imprensa, mostra o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal Maurício Marinho recebendo suposta propina de empresários. No vídeo, ele também fala sobre um suposto esquema de arrecadação ilegal de fundos a partir de funcionários de confiança indicados para estatais pelo PTB.

Leia a seguir mais trechos da entrevista do senador Delcídio Amaral.

No ritmo que o sr. está impondo aos trabalhos da CPMI, a intenção é acelerar os ritmos da investigação. O sr. estabeleceu um prazo para encerrar os trabalhos?
Delcídio Amaral –
Acho que a CPMI é ditada pelos fatos. Nestas duas semanas, ela corresponde ao que foi compromissado com os líderes. Eu cumpri à risca o que foi ajustado, com o acréscimo dos depoimentos na terça-feira dos responsáveis pela gravação. Evidente que, nesta semana, vamos fazer uma nova avaliação em função dos fatos, para programar já as audiências ou convocações subseqüentes. Até porque já temos vários requerimentos de convocação já aprovados e só falta marcar o dia.

O sr. disse outro dia que esta CPMI não vai acabar em pizza.
Delcídio –
Eu estou disposto a ser rigoroso nas investigações. O compromisso é com a ética, com a moralidade pública e com resultados. A opinião pública espera resultados desta CPMI, não só detectando as irregularidades e os responsáveis, mas criando instrumentos de gestão para o país também. CPMI não é só punitiva, ela cria as condições para você fazer uma análise crítica da gestão pública e apresentar sugestões, propostas de melhoria.

Basta dizer que, em três depoimentos já feitos, uma coisa que era considerada um grande avanço, o leilão eletrônico, já está caracterizado que está viciado ou que existem programas que já direcionam, inclusive, vitoriosos dos leilões eletrônicos. Então, acho que o primeiro ponto importante a destacar é, efetivamente, a CPMI apresentar sugestões para que venhamos a mudar estes procedimentos.

O próprio Antônio Velasco (um dos empresários que supostamente pediram a gravação nos Correios) disse que você entra com uma proposta e o programa tira. Sua proposta não entra e, quando entra, a proposta que é a preferida, o ‘cavalo vencedor’, o programa ajusta em centavos para elevar a proposta que estava sendo direcionada.

Este é um momento para tentar reconstruir a imagem do parlamento?
Delcídio –
Absolutamente. Este é um momento extremamente importante. Esta é uma das missões da CPMI: resgatar a imagem do Congresso, que tem muitas pessoas de bem.
 

Voltar para CPMI NA IMPRENSA