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16h07-Com uma semana de trabalho, três depoimentos
prestados e 110 requerimentos aprovados, a Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) que investiga a corrupção nos Correios mostrou que não é
"chapa-branca". A avaliação é do presidente da CPMI, senador Delcídio Amaral
(PT-MS).
As investigações nos Correios começaram após a divulgação, em
maio, de uma gravação em que o ex-chefe do Departamento de Contratação e
Administração de Material da estatal Maurício Marinho aparecia recebendo suposta
propina de empresários. No vídeo, ele também falava sobre um suposto esquema de
arrecadação ilegal de fundos a partir de funcionários de confiança indicados
para estatais pelo PTB.
Esta semana, Marinho foi um dos primeiros
depoentes da CPMI. Leia a seguir trechos da entrevista do presidente da
comissão.
Primeiro, o sr. poderia fazer uma avaliação desta primeira
semana de trabalhos da CPMI? Delcídio Amaral – Nós avançamos bastante.
Foi um trabalho intenso, a cada dia fica claro que não é uma "CPI chapa-branca",
até porque nós conseguimos aprovar de cara 110 dos 160 requerimentos, deixando
ajustada toda agenda daqui para frente. Com isso, já estabelecemos um ritual de
condução para esta semana e para a seguinte, honramos o compromisso (com os
líderes governistas e da oposição), tanto que formalizamos convocações já
combinadas. Os próximos requerimentos, nós vamos aprovar ao sabor das
investigações. A semana que vem será a mais importante para os trabalhos da
CPMI.
Senador, o depoimento de Maurício Marinho (ex-chefe de
departamento dos Correios), será referência para os trabalhos da CPMI nas
próximas semanas? Ele apresentou uma lista de contratos dos Correios que seriam
suspeitos. Ao mesmo tempo, deputados têm identificado contradições no depoimento
dele e de outras pessoas ouvidas. Delcídio – Primeiro, em relação ao
depoimento do Marinho, as opiniões são as mais díspares. Ele fala uma coisa na
gravação, fala outra na Polícia Federal, dá versões diferenciadas sobre
determinados assuntos nos dois dias de depoimento à comissão. Nós estamos
trabalhando em cima de todos esses depoimentos. Isso não vai impedir que
venhamos a reconvocar o Maurício Marinho para prestar outros esclarecimentos,
eventualmente até numa sessão fechada. Na quinta-feira, que aparentemente
seria de depoimentos previsíveis, de uma gravação em função de interesses
comerciais, o segundo depoimento, que foi do Antônio Velasco, logo em seqüência
do depoimento de Arthur Washeck (os dois empresários são os supostos mandantes
da gravação que deu início ao caso), mostrou que, pelos sinais, não é uma
gravação focada só em interesses comerciais dos Correios e do Marinho.
Aparentemente há ramificações maiores e isso nos levou, inclusive, a convocar
quem fez as gravações para depor na próxima terça-feira.
CPI quer apontar soluções e não apenas culpados, diz
Delcídio
18h52-A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)
que investiga a corrupção nos Correios espera não só encontrar culpados, mas
também soluções para evitar o desvio do dinheiro público. É o que afirma o
presidente da CPMI, senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Na quinta-feira, o
empresário Antônio Velasco demonstrou aos senadores e deputados da comissão como
seriam os procedimentos utilizados para fraudar leilões eletrônicos, sistema
utilizado nos Correios. Velasco é sócio de Arthur Washeck. Os dois são supostos
mandantes da gravação cuja divulgação detonou as investigações nos Correios.
A gravação, apresentada em maio pela imprensa, mostra o ex-chefe do
Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal Maurício
Marinho recebendo suposta propina de empresários. No vídeo, ele também fala
sobre um suposto esquema de arrecadação ilegal de fundos a partir de
funcionários de confiança indicados para estatais pelo PTB.
Leia a
seguir mais trechos da entrevista do senador Delcídio Amaral.
No
ritmo que o sr. está impondo aos trabalhos da CPMI, a intenção é acelerar os
ritmos da investigação. O sr. estabeleceu um prazo para encerrar os trabalhos?
Delcídio Amaral – Acho que a CPMI é ditada pelos fatos. Nestas duas
semanas, ela corresponde ao que foi compromissado com os líderes. Eu cumpri à
risca o que foi ajustado, com o acréscimo dos depoimentos na terça-feira dos
responsáveis pela gravação. Evidente que, nesta semana, vamos fazer uma nova
avaliação em função dos fatos, para programar já as audiências ou convocações
subseqüentes. Até porque já temos vários requerimentos de convocação já
aprovados e só falta marcar o dia.
O sr. disse outro dia que esta
CPMI não vai acabar em pizza. Delcídio – Eu estou disposto a ser
rigoroso nas investigações. O compromisso é com a ética, com a moralidade
pública e com resultados. A opinião pública espera resultados desta CPMI, não só
detectando as irregularidades e os responsáveis, mas criando instrumentos de
gestão para o país também. CPMI não é só punitiva, ela cria as condições para
você fazer uma análise crítica da gestão pública e apresentar sugestões,
propostas de melhoria.
Basta dizer que, em três depoimentos já feitos,
uma coisa que era considerada um grande avanço, o leilão eletrônico, já está
caracterizado que está viciado ou que existem programas que já direcionam,
inclusive, vitoriosos dos leilões eletrônicos. Então, acho que o primeiro ponto
importante a destacar é, efetivamente, a CPMI apresentar sugestões para que
venhamos a mudar estes procedimentos.
O próprio Antônio Velasco (um dos
empresários que supostamente pediram a gravação nos Correios) disse que você
entra com uma proposta e o programa tira. Sua proposta não entra e, quando
entra, a proposta que é a preferida, o ‘cavalo vencedor’, o programa ajusta em
centavos para elevar a proposta que estava sendo direcionada.
Este é
um momento para tentar reconstruir a imagem do parlamento? Delcídio –
Absolutamente. Este é um momento extremamente importante. Esta é uma das missões
da CPMI: resgatar a imagem do Congresso, que tem muitas pessoas de bem. |