O presidente da
CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), afirmou ontem que as
investigações da Comissão ainda não indicaram a necessidade de convocar o
ex-ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), e o secretário de
Comunicação da Presidência da República, Luiz Gushiken. Os dois foram citados em
depoimentos dados à CPI ao longo desta semana. Delcídio marcou para a próxima
quinta-feira, dia 30, o depoimento do presidente nacional licenciado do PTB,
deputado Roberto Jefferson (RJ), na comissão.
"Nada indicou até agora a necessidade de convocar o José Dirceu e o
Gushiken", afirmou o presidente da CPI. Ele lembrou que o empresário Arthur
Waschek disse, em depoimento anteontem, que a empresa Protelyne Calçados usava o
nome do governador gaúcho, Germano Rigotto, para se beneficiar em contratos nos
Correios.
"Chegou-se a citar o nome do governador do Rio Grande do Sul. Não é por que
foi citado que de uma hora para outra a gente vai convocar", argumentou
Delcídio. Além do depoimento de Jefferson, a CPI convocou seu genro, Marcus
Vinícius Vasconcelos Ferreira. Esta semana, o ex-chefe do Departamento de
Contratação e Administração dos Correios Maurício Marinho contou que recebeu
Joel Santos, que o gravou recebendo propina de R$ 3 mil, a pedido Marcus
Vinícius. Joel Santos será ouvido pela CPI na terça-feira. No mesmo dia também
serão tomados os depoimentos de Jairo Martins, que alugou a maleta com câmera de
vídeo para Joel Santos gravar Marinho, e Arlindo Molina, militar da reserva que
foi acusado por Jefferson de tentar extorquir dinheiro dele com a gravação.
Na quarta-feira, os integrantes da CPI convocaram para depor três
ex-diretores dos Correios: Antonio Osório (Administração), Eduardo Medeiros
(Tecnologia) e Maurício Madureira (Operações). Em seu depoimento, Maurício
Marinho afirmou que Medeiros e Madureira estavam no cargo por indicação do
secretário-geral do PT, Silvio Pereira.
Osório era o chefe direto de Maurício Marinho na estatal. "Vai ser uma semana
muito cansativa com tantos depoimentos", disse Delcídio. Além dos depoimentos,
os integrantes da CPI deverão analisar na próxima semana 80 requerimentos com
novas convocações. No início desta semana, a comissão aprovou 110 requerimentos
para convocar 39 pessoas.