Sábado, 25 de Junho de 2005    07:14

 

MARINHO DIZ QUE ESTÁ RECEBENDO AMEAÇAS
por Vasconcelo Quadros - O ESTADO DE S. PAULO
Sob proteção da Polícia Federal desde que resolveu romper o silêncio e fornecer à CPI dos Correios um roteiro sobre suspeitas de corrupção na empresa, o ex-chefe do Departamento de Compras Maurício Marinho da ECT vem recebendo ameaças que chegam a ele de várias formas - abordagens súbitas na rua, telefonemas anônimos e cartas endereçadas à sede da estatal. Uma delas, que será encaminhada à Polícia Federal, tem um curioso estilo.

"Na Rússia do Czar, você, patife, estaria na Sibéria comendo um quilo de m... por dia", diz o texto, assinado por alguém que se identifica por José Facó, cujo endereço seria na cidade de Paranaguá (PR), mas foi postada em Curitiba e endereçada ao edifício sede dos Correios.

Marinho está sendo acompanhado 24 horas por três agentes da Polícia Federal e tem demonstrado receio de alguma represália dirigida a seus familiares. Aos policiais tem dito que, mesmo não tendo dado nomes de todos os corruptos e corruptores que tinham negócios relacionados ao gordo orçamento dos Correios - R$ 7,6 bilhões anuais -, abriu uma "caixa-preta" de onde sairão as revelações que podem promover uma faxina na estatal. A lista fornecida à CPI mostra que a ECT é um feudo pluripartidário, cujos interesses se misturam aos de empresários corruptores e funcionários corruptos.

"Ele estava visivelmente nervoso. A gola da camisa estava empapada de suor. Consegui acalmá-lo explicando que, se ele decidisse abrir o jogo e falar a verdade se sentiria melhor. Ele está com muito medo", conta o senador Romeu Tuma (PFL-SP), que conversou com Marinho no momento mais delicado do depoimento à CPI. Os advogados ameaçavam abandoná-lo se desistisse de contar o que sabia.Tuma telefonou na hora à PF, pediu a proteção e, em seguida, Marinho enumerou as áreas onde, segundo ele, há indícios de corrupção.

Marinho se recusou a dizer o que sabe à Polícia Federal, anteontem, mas deverá prestar um novo depoimento à CPI dos Correios.

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