Segunda-feira, 27 de Junho de 2005    07:01

 

DESAFIO: APURAR CORRPÇÃO E MANTER AS VOTAÇÕES
da Redação -

Senador Delcidio Amaral (E) ouve ponderações do deputado Eduardo Paes: governo e oposição buscam consenso sobre procedimentos da CPI dos Correios 
Esta semana será decisiva para o Congresso. Enquanto a Comissão Mista de Orçamento se prepara para votar nesta terça-feira o substitutivo ao projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2006, a CPI dos Correios poderá esclarecer de vez qual será sua abrangência. Com o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), previsto para esta quinta-feira, a comissão vai se confrontar com o protagonista dos dois escândalos noticiados nas últimas semanas: a corrupção nos Correios e outras estatais e o suposto pagamento de mesada pelo PT a deputados do PL e do PP, o "mensalão".

O nome de Roberto Jefferson apareceu na gravação em que o ex-chefe do Departamento de Administração e Compras dos Correios, Maurício Marinho, detalha um esquema de fraudes em licitações em estatais destinado a alimentar o caixa de partidos. Ao ver que iria se tornar réu, ele passou ao ataque, acusando nomes da cúpula do PT de comprar votos no Congresso (veja quadro).

A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) entende que os casos estão relacionados.

– O empresário, em conluio com o agente público, fraudava a licitação e dava dinheiro para compor o "mensalão" e favorecer a promiscuidade entre o Executivo e Legislativo – disse.

Na semana passada, os líderes definiram o cronograma da CPI e acordaram que Roberto Jefferson deveria depor logo.

– Seu depoimento vai ser o marco entre os Correios e o "mensalão" – prevê o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Essa convicção se tornou mais clara depois do depoimento de Marinho. Apesar de voltar atrás no que disse no vídeo, ele apontou a existência de um esquema de corrupção nos Correios, que envolveria o PT, mas não o PTB. Os contratos em que haveria indícios de irregularidades, disse Marinho à CPI, estariam nas diretorias de Operações e de Tecnologia, cujos diretores seriam indicados pelo secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, e na área de comunicação, coordenada pelo secretário de Comunicação do Palácio do Planalto, Luiz Gushiken.

À espera dos acontecimentos da semana, governo e oposição resolveram deixar para o próximo semestre a CPI dos Bingos no Senado, ordenada por decisão do Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, promete instalar a CPI Mista do Mensalão nesta quarta-feira.

As denúncias já tiveram profundas conseqüências no Executivo. Na semana passada, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, deixou o cargo e, em seu discurso de volta à Câmara, repetiu que vai lutar no Legislativo para provar que o governo "não rouba nem deixa roubar". Dilma Rousseff assumiu a vaga deixada por Dirceu na Casa Civil, dando início a uma reforma ministerial que deve acontecer esta semana, ampliando o espaço do PMDB e reequilibrando a base do governo, já que PTB, PL e PP estão no centro da crise.

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