da
Redação
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 Senador Delcidio Amaral (E) ouve ponderações do deputado
Eduardo Paes: governo e oposição buscam consenso sobre procedimentos da CPI dos
Correios |
Esta semana será decisiva para o Congresso. Enquanto a Comissão Mista de
Orçamento se prepara para votar nesta terça-feira o substitutivo ao projeto da
Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2006, a CPI dos
Correios poderá esclarecer de vez qual será sua abrangência. Com o depoimento do
deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), previsto para esta quinta-feira, a comissão
vai se confrontar com o protagonista dos dois escândalos noticiados nas últimas
semanas: a corrupção nos Correios e outras estatais e o suposto pagamento de
mesada pelo PT a deputados do PL e do PP, o "mensalão".
O nome de Roberto
Jefferson apareceu na gravação em que o ex-chefe do Departamento de
Administração e Compras dos Correios, Maurício Marinho, detalha um esquema de
fraudes em licitações em estatais destinado a alimentar o caixa de partidos. Ao
ver que iria se tornar réu, ele passou ao ataque, acusando nomes da cúpula do PT
de comprar votos no Congresso (veja quadro).
A senadora Heloísa Helena
(PSOL-AL) entende que os casos estão relacionados.
– O empresário, em
conluio com o agente público, fraudava a licitação e dava dinheiro para compor o
"mensalão" e favorecer a promiscuidade entre o Executivo e Legislativo –
disse.
Na semana passada, os líderes definiram o cronograma da CPI e
acordaram que Roberto Jefferson deveria depor logo.
– Seu depoimento vai
ser o marco entre os Correios e o "mensalão" – prevê o senador Arthur Virgílio
(PSDB-AM).
Essa convicção se tornou mais clara depois do depoimento de
Marinho. Apesar de voltar atrás no que disse no vídeo, ele apontou a existência
de um esquema de corrupção nos Correios, que envolveria o PT, mas não o PTB. Os
contratos em que haveria indícios de irregularidades, disse Marinho à CPI,
estariam nas diretorias de Operações e de Tecnologia, cujos diretores seriam
indicados pelo secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, e na área de comunicação,
coordenada pelo secretário de Comunicação do Palácio do Planalto, Luiz
Gushiken.
À espera dos acontecimentos da semana, governo e oposição
resolveram deixar para o próximo semestre a CPI dos Bingos no Senado, ordenada
por decisão do Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, o presidente do
Congresso, senador Renan Calheiros, promete instalar a CPI Mista do Mensalão
nesta quarta-feira.
As denúncias já tiveram profundas conseqüências no
Executivo. Na semana passada, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, deixou o
cargo e, em seu discurso de volta à Câmara, repetiu que vai lutar no Legislativo
para provar que o governo "não rouba nem deixa roubar". Dilma Rousseff assumiu a
vaga deixada por Dirceu na Casa Civil, dando início a uma reforma ministerial
que deve acontecer esta semana, ampliando o espaço do PMDB e reequilibrando a
base do governo, já que PTB, PL e PP estão no centro da crise. |
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