Terça-feira, 28 de Junho de 2005    18:32

 

DEPOIMENTO CHEIO DE CONTRADIÇÕES
da Redação -

Oitiva do Sr. Joel dos Santos Filho

Em um depoimento marcado por contradições à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios nesta terça-feira (28) o advogado Joel dos Santos Filho confirmou ter realizado as gravações em que o ex-chefe de departamento dos Correios, Maurício Marinho, recebeu R$ 3 mil como suposta propina. Joel afirmou que conheceu o empresário Arthur Wascheck Neto - mandante da gravação - em 1992. A afirmação contradiz o próprio Wascheck, que afirmou à comissão ter conhecido Joel recentemente.

Em entrevista, o presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS) destacou a importância do depoimento de Joel dos Santos Filho. Segundo o senador, há grandes divergências entre o que Joel declarou na Polícia Federal e o que o disse na CPI. Também há contradições entre as afirmações de Joel e o que Wascheck declarou aos senadores.

O deputado Jamil Murad (PcdoB-SP) acredita que Joel faz parte de uma organização que reúne o próprio Joel, o empresário Arthur Wascheck Neto, o ex-cabo da PM, Jairo Martins, e o oficial da Marinha reformado, Gerardo Molina. O deputado leu depoimento prestado por Joel à Polícia Federal em que o advogado conta ter participado de outras investigações clandestinas sobre pagamento de propinas e cujas gravações foram levadas à políticos.

- O grupo já se associou em outras investigações de propina. Estão há pelo menos treze anos associados ao submundo das licitações. Têm proveito comercial nisso, mas o principal é que são especializados em gravações secretas que servem para finalidade política - disse Murad.

Joel confirmou que levou uma gravação que tratava de denúncias contra fraudes em licitação para a compra de uniformes escolares em São Paulo ao deputado estadual Marcos Zerbini, do PSDB. Murad destacou que Jairo Martins - ex cabo da Polícia Militar do Distrito Federal, funcionário da Agência Brasileira de Inteligência e funcionário da Câmara dos Deputados - é a mesma pessoa contratada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira para realizar gravações clandestinas do deputado federal cassado André Luiz. Murad acredita que havia interesse político na gravação da fita dos Correios.

Joel dos Santos Filho desmentiu trecho do depoimento prestado por ele à Polícia Federal. Joel disse à polícia que teria conhecido Arthur Waschesk quando o empresário fez uma denúncia de corrupção, com gravação, em uma licitação em 1992. Joel disse que se enganou na declaração feita à polícia e que Waschesk não era responsável pela gravação.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) afirmou que Jairo Martins não foi junto com Joel no último encontro com Maurício Marinho porque encontrou no caminho um agente da Abin conhecido como Alemão. Joel dos Santos Filho confirmou que Jairo desistiu na última hora de comparecer ao encontro. O deputado disse ainda que "não é função de Joel" fazer gravações de denúncia. Joel disse que fez a gravação de alguém "mostrando ao país que agia daquela forma".

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