 Oitiva
do Sr. Joel dos Santos Filho |
Em um depoimento marcado por contradições à Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPI) dos Correios nesta terça-feira (28) o advogado Joel dos Santos
Filho confirmou ter realizado as gravações em que o ex-chefe de departamento dos
Correios, Maurício Marinho, recebeu R$ 3 mil como suposta propina. Joel afirmou
que conheceu o empresário Arthur Wascheck Neto - mandante da gravação - em 1992.
A afirmação contradiz o próprio Wascheck, que afirmou à comissão ter conhecido
Joel recentemente.
Em entrevista, o presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS)
destacou a importância do depoimento de Joel dos Santos Filho. Segundo o
senador, há grandes divergências entre o que Joel declarou na Polícia Federal e
o que o disse na CPI. Também há contradições entre as afirmações de Joel e o que
Wascheck declarou aos senadores.
O deputado Jamil Murad (PcdoB-SP) acredita que Joel faz parte de uma
organização que reúne o próprio Joel, o empresário Arthur Wascheck Neto, o
ex-cabo da PM, Jairo Martins, e o oficial da Marinha reformado, Gerardo Molina.
O deputado leu depoimento prestado por Joel à Polícia Federal em que o advogado
conta ter participado de outras investigações clandestinas sobre pagamento de
propinas e cujas gravações foram levadas à políticos.
- O grupo já se associou em outras investigações de propina. Estão há
pelo menos treze anos associados ao submundo das licitações. Têm proveito
comercial nisso, mas o principal é que são especializados em gravações secretas
que servem para finalidade política - disse Murad.
Joel confirmou que levou uma gravação que tratava de denúncias contra
fraudes em licitação para a compra de uniformes escolares em São Paulo ao
deputado estadual Marcos Zerbini, do PSDB. Murad destacou que Jairo Martins - ex
cabo da Polícia Militar do Distrito Federal, funcionário da Agência Brasileira
de Inteligência e funcionário da Câmara dos Deputados - é a mesma pessoa
contratada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira para realizar gravações
clandestinas do deputado federal cassado André Luiz. Murad acredita que havia
interesse político na gravação da fita dos Correios.
Joel dos Santos Filho desmentiu trecho do depoimento prestado por ele à
Polícia Federal. Joel disse à polícia que teria conhecido Arthur Waschesk quando
o empresário fez uma denúncia de corrupção, com gravação, em uma licitação em
1992. Joel disse que se enganou na declaração feita à polícia e que Waschesk não
era responsável pela gravação.
O deputado Arnaldo Faria
de Sá (PTB-SP) afirmou que Jairo Martins não foi junto com Joel no último
encontro com Maurício Marinho porque encontrou no caminho um agente da Abin
conhecido como Alemão. Joel dos Santos Filho confirmou que Jairo desistiu na
última hora de comparecer ao encontro. O deputado disse ainda que "não é função
de Joel" fazer gravações de denúncia. Joel disse que fez a gravação de alguém
"mostrando ao país que agia daquela forma". |