Eugênia
Lopes - Brasília
- O
ESTADO DE S. PAULO
Serraglio pedirá vistoria em fazendas do publicitário para
checar alegação de que compra de gado explica saques de R$ 20,9 milhões
O relator da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR),
pedirá hoje à comissão que quebre o sigilo bancário, fiscal e telefônico das
agências de publicidade DNA e SMPB, do publicitário Marcos Valério Fernandes de
Souza, acusado de ser o principal operador do mensalão. Serraglio solicitará também que a CPI faça vistoria nas fazendas de
Valério para verificar se os R$ 20,9 milhões sacados de contas das agências entre julho de 2003 e maio deste ano foram
mesmo usados para compra de gado, como ele alega. Valério, cujas empresas cuidam
da publicidade dos Correios, vai depor na CPI na semana que vem. Serraglio
ressaltou que as investigações da CPI parecem reforçar a denúncia do presidente
licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), de pagamento de mesada de R$
30 mil para que parlamentares votassem com o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Jefferson foi quem acusou Valério de ser o operador da mesada. O relator
frisou que a Câmara e o Senado ainda analisam a instalação de uma CPI específica
para o mensalão, mas avisou: 'Nunca tivemos receio de avançar em torno do
mensalão. Estamos esperando uma decisão sobre essa CPI. Se isso não acontecer,
vamos naturalmente investigar o mensalão.' E reforçou: 'Há muitos ecos que dão
cada vez mais credibilidade ao discurso do Roberto
Jefferson.'
COAF Para o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), há grandes indícios de irregularidade nas transações feitas
pelo publicitário. 'É muito dinheiro para comprar vaca e boi. Essa deve ser
somente uma das fontes do
mensalão. A corrupção nas
estatais tem relação direta com o pagamento da mesada.' O líder do governo no
Senado, Aloizio Mercadante
(PTSP), sugeriu ontem que a
denúncia seja averiguada por
uma CPI específica da Câmara.
'Nenhum líder do Senado defende a tese de trazer para a CPI dos Correios a
questão do mensalão. É um problema de decoro parlamentar dos deputados.' A CPI
também vai requisitar o relatório do Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (Coaf) que indica
que nos últimos dois anos saíram R$ 16,5 milhões da conta da SMPB em agência do
Banco Rural de Belo Horizonte e R$ 4,4 milhões da conta da DNA na mesma agência.
'Não é algo comum alguém sacar não sei quantos mil reais por dia. Essa
movimentação é inusitada', argumentou Serraglio. Integrantes da CPI querem ainda
convocar a direção do Coaf para, numa sessão secreta, apresentar uma lista com
os responsáveis pelos saques acima de R$ 100 mil. O PSDB pretendia pedir
ontem ao Ministério Público o bloqueio dos bens de Valério. O senador José Jorge (PFL-PE) requereu à CPI dos
Correios que peça ao Ministério da Agricultura cópias de todos os atestados de
vacinação e guias de trânsito
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| ´É muito dinheiro para comprar boi. Deve ser só uma
das fontes do mensalão´, diz tucano |
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 | animal emitidos para rebanhos de Valério ou de sua
mulher, Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza. Com esses documentos, os
integrantes da CPI pretendem
ter um levantamento completo sobre o rebanho do publicitário e sobre as datas em
que o gado teria sido comprado. Nesta semana, a CPI dos Correios vai ouvir
oito pessoas que estariam envolvidas no esquema de corrupção da estatal,
incluindo Roberto Jefferson. Serraglio adiantou que os diretores dos Correios Antonio Osório (Administração), Eduardo Medeiros
(Tecnologia) e Maurício Madureira (Operações), que vão depor amanhã, terão de ser novamente convocados para
explicar os contratos da estatal com as empresas de Valério. Os contratos ainda
não foram enviados pelos
Correios e, por isso, o relator acredita que faltarão elementos para inquirir os
diretores da estatal.
SINDICÂNCIA Valério será ouvido pelos integrantes da Comissão de
Sindicância da Câmara amanhã, a portas fechadas. Ele deporá um dia depois de sua
ex-secretária Fernanda Karina Somaggio. Além de Valério, a Comissão de
Sindicância deve ouvir amanhã o presidente do PT, José Genoino, e o ministro da
Coordenação Política, Aldo Rebelo.? Colaboraram Vera Rosa, Denise Madueño e Ana Paula
Scinocca |
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