por
Newton Araújo Jr. e Mônica Montenegro - CÂMARA
DE NOTÍCIAS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios aprovou nesta
quarta-feira a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático (a
partir do uso combinado de computador e meios de telecomunicação) de dois dos
principais envolvidos nas denúncias de irregularidades na estatal: o
publicitário Marcos Valério de Souza, que também seria o operador do "mensalão";
e o empresário Artur Waschek Neto, mandante da gravação da fita em que o
ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios
Maurício Marinho aparece recebendo R$ 3 mil. Foram as primeiras quebras de
sigilo aprovadas pela comissão, que deverá ouvir o deputado Roberto Jefferson
amanhã, às 10h30. A CPMI também decidiu funcionar durante o recesso e aprovou
sua agenda de trabalho para o mês de julho. As reuniões vão acontecer às terças
e quartas-feiras, e os outros dias ficarão reservados para análise da
documentação levantada. "O cronograma segue um encaminhamento lógico, que parte
primeiro da denúncia, depois da gravação e, finalmente, dos contratos", explicou
o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral.
Agenda de
julho Na próxima terça-feira (5), serão ouvidas quatro pessoas envolvidas
na gravação do vídeo com Maurício Marinho: Jairo Martins, coronel Fortuna,
Casser Bittar e Edgar Lange. Para quarta-feira (6), está previsto o
depoimento do publicitário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do
"mensalão"; e de sua ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, autora da denúncia.
Segundo Delcídio Amaral, a comissão poderá promover acareação entre os
dois. No dia 12, os parlamentares tomarão depoimento dos três diretores dos
Correios que ainda não foram convocados. No dia seguinte, serão ouvidos dois
ex-presidentes da estatal e o presidente da Skymaster - empresa de transportes
aéreos que, segundo Maurício Marinho, teria contrato irregular com os
Correios.
Autoconvocação O senador Delcídio Amaral (PT-MS)
confirmou o pedido de autoconvocação do Congresso para evitar contestações
judiciais contra o funcionamento da CPMI durante o recesso. Se a comissão
tivesse sido instalada apenas na Câmara ou no Senado, não haveria dúvidas quanto
a isso, já que os dispositivos regimentais de cada Casa permitem a atuação de
comissões de inquérito no recesso. Já o Regimento Comum do Congresso, que
regulamenta o funcionamento de CPIs mistas, é omisso sobre o assunto. Segundo
Delcídio Amaral, há um requerimento na Câmara e outro no Senado pedindo a
convocação extraordinária sem custos adicionais para o Congresso Nacional. |
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